0% acharam este documento útil (0 voto)
171 visualizações20 páginas

Via Sacra: Reflexões e Orações

[1] O documento apresenta o rito da Via Sacra, com leituras e orações que refletem sobre os sofrimentos de Cristo na Paixão. [2] Cada estação representa um tipo de sofrimento humano, como traição e fragilidade. [3] Ao refletir sobre cada estação, os fiéis buscam configurar seu sofrimento ao de Cristo e encontrar nele consolo e esperança.

Enviado por

Tarcisio Souza
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
171 visualizações20 páginas

Via Sacra: Reflexões e Orações

[1] O documento apresenta o rito da Via Sacra, com leituras e orações que refletem sobre os sofrimentos de Cristo na Paixão. [2] Cada estação representa um tipo de sofrimento humano, como traição e fragilidade. [3] Ao refletir sobre cada estação, os fiéis buscam configurar seu sofrimento ao de Cristo e encontrar nele consolo e esperança.

Enviado por

Tarcisio Souza
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

V IA S ACRA

ROSTO DE CRISTO, ROSTO DE HOMEM

PARÓQUIA PESSOAL DO SENHOR BOM JESUS CRUCIFICADO


E DO IMACULADO CORAÇÃO DE MARIA
Via Sacra Solene
“Rosto de Cristo, Rosto de Homem”
Ritos Iniciais
Entrada do Sacerdote

1. Doce Jesus Quero te amar, minhas ofensas, quero chorar! Eu ofendi Teu
Coração, Doce Jesus, Dá-me o perdão!
2. Na cruz em sangue, todo banhado, Tu foste o preço, do meu pecado. Juro a
Ti, não mais pecar: Doce Jesus, quero Te amar

Entrada da Cruz:
1. Entre os lenhos que a terra, no seio, para a luz da alvorada nutriu, régio
tronco de seiva sagrada, com seus braços a terra, cingiu!
Lenho Sagrado, bendita Cruz! Onde pregado morreu Jesus! Ouve meu
brado: peço perdão, Lenho sagrado da salvação!

O Sacerdote

V/. Em nome do Pai do Filho e do Espírito Santo.


R/. Amém.
Oremos. (breve pausa de silêncio)
Jesus, nesta hora em que recordamos a vossa morte, queremos fixar
amorosamente o nosso olhar nos sofrimentos indescritíveis por Vós vividos.
Sofrimentos condensados, todos, no grito misterioso que destes na cruz,
antes de expirar:«Meu Deus, meu Deus, porque Me abandonaste?»
Fixemos o nosso olhar interior em Cristo e invoquemo-Lo com
coração ardente: «Peço-Vos, Senhor! Dizei à minha alma: sou Eu a tua
salvação! Dizei-o de maneira que eu o ouça!. R/. Amém

Enquanto o Côro canta o“Vexilla Regis prodeunt”, o presbítero incensa


o Altar e a Cruz processional da Via Sacra.

Este hino comemora o Rei Jesus Cristo, que avança rumo a


Jerusalém para vencer o pecado e nos remir. Ele vai precedido de seus anjos
numa marcha triunfal que culminará no alto do Calvário, morrendo na Cruz,
o estandarte de todos os verdadeiros cristãos.

02
Vexilla Regis prodeunt: Avançam os estandartes do Rei:
Fulget Crucis mysterium, O mistério da Cruz ilumina o mundo.
Quae vita mortem pertulit, Na cruz, a Vida sustou a morte,
Et morte vitam protulit. E na Cruz a morte fez surgir a vida.

Quae vulnerata lanceae Do lado ferido


Mucrone diro, criminum pelo cruel ferro da lança,
Ut nos lavaret sordibus, para lavar nossas máculas,
Manavit unda et sanguine. jorrou água e sangue.

Impleta sunt quae concinit Cumpriram-se então


David fideli carmine, Os fiéis oráculos de David,
Dicendo nationibus: quando disse às nações:
Regnavit a ligno Deus. “Deus reinará desde o madeiro”.

Arbor decora et fulgida, Ó Árvore formosa e refulgente,


Ornata Regis purpura, Ornada com a púrpura do Rei!
Electa digno stipite Tu foste digna de tocar
tam sancta membra tangere. Tão nobres membros.

Beata, cuius brachiis Ó Cruz feliz, porque de teus braços


Pretium pependit saeculi: Pendeu o preço que resgatou o mundo.
Statera facta corporis, Tu és a balança onde foi pesado
Tulitque praedam tartari. o corpo que arrebatou as vítimas do
inferno.
Irmãos e irmãs, mais uma vez nos reunimos para seguir o Senhor
Jesus pelo caminho que O conduz ao Calvário, durante este caminho
encontraremos famílias que percorrem uma grande Via Sacra, com muito
mais estações do que as tradicionais.
As estações da Via Sacra são obras nossas, se tirarmos do mundo o
sofrimento causado pelo coração humano, sobraria aquilo que é do Senhor: a
alegria, a paz, a bondade, o perdão, a fidelidade etc. Percorreremos as
estações da Via Sacra para configurarmos o nosso sofrimento ao sofrimento
de Jesus e as aflições de cada uma dessas famílias. Na sua paixão, lêem-se os
sofrimentos da humanidade. Nos rostos martirizados de homens e mulheres
do nosso tempo, entrevê-se o rosto de Cristo acusado, escarnecido,
crucificado. Mas a sua vitória pascal, o seu triunfo sobre o mal e a morte é
esperança para a humanidade inteira, promessa e antecipação duma vida
nova.

03
I ESTAÇÃO - Jesus condenado à morte - O dedo que aponta e acusa

V/. Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi


R/. Quia per sanctam Crucem tuam redemisti mundum.

Evangelho segundo São João 18, 38-40.


Dito isto, [Pilatos] foi ter de novo com os judeus e disse-lhes: «Não
vejo n'Ele nenhum crime. Mas é costume eu libertar-vos um preso na Páscoa.
Quereis que vos solte o rei dos judeus?» Eles puseram-se de novo a gritar,
dizendo: «Esse não, mas sim Barrabás!» Ora Barrabás era um salteador.
Pilatos não encontra particulares culpas que possa atribuir a Jesus,
cede à pressão dos acusadores e, assim, o Nazareno é condenado à morte.
Temos a sensação de ouvir-Vos: «Sim, fui condenado à morte; muitas
pessoas, que parecia que Me amavam e compreendiam, deram ouvidos às
mentiras e acusaram-Me. Não compreenderam o que Eu dizia. Atraiçoado,
sujeitaram-Me a julgamento e fui condenado. À morte… Crucificado, a
morte mais ignominiosa»
Não poucas das nossas famílias sofrem pela traição do cônjuge, a
pessoa mais amada. Onde foi parar a alegria da intimidade, do viver em
uníssono? Onde está o sentir-se um só? Onde está aquele «para sempre» com
que se nos tinha declarado.
Fixar-Vos, Jesus, o Atraiçoado, e viver convosco o momento em que
desaba o amor e a amizade que se tinham criado no nosso casal, sentir no
coração as feridas da confiança atraiçoada, da familiaridade perdida, da
segurança sumida.
Fixar-Vos, Jesus, precisamente agora que sou julgado por quem não
recorda o vínculo que nos unia no dom total de nós mesmos. Só Vós, Jesus,
podeis compreender-me, podeis dar-me coragem, podeis dizer-me palavras
verdadeiras, embora me custe a entendê-las. Podeis dar-me aquela força que
permita de, por minha vez, não julgar de não sucumbir, por amor daquelas
criaturas que me esperam em casa e para as quais agora sou o único amparo.

Todos: Pai Nosso...

Stabat Mater dolorosa, De pé, a mãe dolorosa


iuxta crucem lacrimosa, junto da cruz, lacrimosa,
via o filho que pendia.
dum pendebat Filius.

04
II ESTAÇÃO - Jesus é carregado com a Cruz - O madeiro pesado da crise
V/. Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi
R/. Quia per sanctam Crucem tuam redemisti mundum.

Evangelho segundo São João 19, 16-17.


Então [Pilatos] entregou-O para ser crucificado. E eles se
apossaram de Jesus. Jesus, levando a cruz às costas, saiu para o
chamado Lugar da Caveira, que em hebraico se diz Gólgota.
Pilatos entrega Jesus nas mãos dos chefes dos sacerdotes e dos
guardas. Os soldados colocam-Lhe aos ombros um manto escarlate e, na
cabeça, uma coroa feita de ramos com espinhos; durante a noite zombam
d'Ele, maltratam-No e flagelam-No. Em seguida, de manhã, carregam-No
com um lenho pesado, a cruz onde são pregados os salteadores, para que
todos vejam o destino que espera os malfeitores. Muitos dos seguidores
d'Ele põem-se em fuga. O sucedido há 2000 anos repete-se na história da
Igreja e da humanidade. Hoje também. É o corpo de Cristo, é a Igreja que é
atingida e ferida de novo.
Ao ver-Vos, Jesus, neste estado, sangrando, sozinho, abandonado,
escarnecido, perguntamo-nos:«Mas aquela gente que tanto tínheis amado,
beneficiado e iluminado, aqueles homens, aquelas mulheres, não somos
porventura também nós, hoje? Também nós nos escondemos com medo de
ser perseguidos, esquecendo que somos os vossos seguidores»
Mas a coisa mais grave, Jesus, é que também eu contribuí para o
vosso sofrimento. Também nós e as nossas famílias. Também nós
contribuímos para Vos carregar com um peso desumano. Todas as vezes que
não nos amamos, quando culpamos um ao outro, quando não nos
perdoamos, quando não recomeçamos a estimar-nos.
E nós, ao contrário, continuamos a dar ouvidos à nossa soberba,
queremos ter sempre razão, humilhamos quem vive junto de nós, incluindo
quem uniu a sua própria vida à nossa. Deixamos de nos recordar que vós
mesmo, Jesus, nos dissestes: «Tudo o que fizestes a um destes meus irmãos
mais pequeninos, a mim o fizestes». Dissestes assim mesmo: «A mim».
Todos: Pai Nosso...
Cuius animam gementem, Na sua alma agoniada
enterrou-se a dura espada
contristatam et dolentem
de uma antiga profecia
pertransivit gladius.
05
III ESTAÇÃO - Jesus cai pela primeira vez - A fragilidade que nos abre ao
acolhimento

V/. Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi


R/. Quia per sanctam Crucem tuam redemisti mundum.

Evangelho segundo São Mateus 11, 28-30


«Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, que Eu
vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, que sou
manso e humilde de coração e encontrareis descanso para o vosso
espírito. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve».
Jesus cai. As feridas, o peso da cruz, a estrada a subir, em mau estado.
E os empurrões da multidão. Mas não foi só isto que o reduziu a este estado.
Talvez seja o peso da tragédia que tem início na sua vida. Já não se consegue
ver Deus em Jesus, homem que se mostra tão frágil, que tropeça e cai.
Jesus, lá, naquela estrada, no meio de toda aquela gente que grita e
murmura, depois de terdes caído por terra, levantais-vos e procurais
continuar a subida. No fundo do coração sabeis que este sofrimento tem um
sentido, dais-Vos conta de ter carregado o peso das nossas muitas faltas,
traições e culpas.
Jesus, a vossa queda faz-nos sofrer porque compreendemos que a
causa somos nós; ou talvez a nossa fragilidade, não só física, mas de todo o
nosso ser. Quereríamos não cair jamais; mas depois basta pouco, um
obstáculo, uma tentação ou um incidente, deixamo-nos levar e caímos.
Não havíamos prometido seguir Jesus, respeitar e cuidar das pessoas
que ele colocara ao nosso lado. Sim, na realidade, nós amamo-las ou pelo
menos assim no-lo parece. Se viessem a faltar-nos, sofreríamos não pouco.
Mas depois, nas situações concretas de cada dia, cedemos...
Quantas quedas nas nossas famílias! Quantas separações! Quantas
traições! E, depois, os divórcios, os abortos, os abandonos! Jesus, ajudai-nos
a compreender o que é o amor, ensinai-nos a pedir perdão!

Todos: Pai Nosso...

O quam tristis et afflicta Oh! Quão triste e quão aflita


fuit illa benedicta entre todas, Mãe bendita,
Mater Unigeniti! que só tinha aquele Filho.

06
IV ESTAÇÃO - Jesus encontra sua Mãe - As lágrimas solidárias

V/. Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi


R/. Quia per sanctam Crucem tuam redemisti mundum.

Evangelho segundo João 19, 25

Junto à cruz de Jesus estavam, de pé, sua Mãe e a irmã da sua


Mãe, Maria, a mulher de Cléofas, e Maria Madalena.
Na subida para o Calvário, Jesus entrevê sua Mãe. Os seus olhares se
cruzam. Compreendem-se. Maria sabe quem é seu Filho. Sabe donde vem.
Sabe qual é a sua missão. Maria sabe que é sua Mãe; mas sabe também que é
sua filha. Ela o vê sofrer, por todos os homens... de ontem, de hoje e de
amanhã. E sofre também ela.
Certamente, Jesus, sofreis por fazer sofrer assim a vossa Mãe. Mas
deveis envolvê-La na vossa divina e tremenda aventura. É o plano de Deus,
para a salvação de toda a humanidade. Para todos os homens e todas as
mulheres deste mundo, mas de modo particular para nós, famílias, o
encontro de Jesus com a Mãe, lá no caminho do Calvário, é um
acontecimento vivíssimo, sempre atual. Jesus privou-Se da Mãe, para que
nós – cada um de nós, incluindo nós, esposos, esposas, filhos – tivéssemos
uma Mãe sempre disponível e presente. Às vezes, infelizmente, esquecemos
disso. Mas, quando penetramos em nós, damo-nos conta de que, na nossa
vida de família, recorremos a ela inúmeras vezes. Quanta assistência nos deu
nos momentos difíceis! Quantas vezes lhe recomendamos os nossos filhos,
lhe suplicamos que interviesse em favor da sua saúde física e, mais ainda,
para ter uma proteção moral.
E quantas vezes Maria nos atendeu, sentimo-La perto de nós,
confortando-nos com o seu amor materno.
Na via-sacra de cada família, Maria é o modelo do silêncio que,
mesmo na dor mais pungente, gera a vida nova.

Todos: Pai Nosso...

Quæ mærebat et dolebat Quanta angústia não sentia,


pia Mater, dum videbat Mãe piedosa quando via
as penas do Filho seu!
Nati pœnas incliti.

07
V ESTAÇÃO - Jesus é ajudado por Simão Cireneu a levar a Cruz - A
mão amiga que levanta

V/. Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi


R/. Quia per sanctam Crucem tuam redemisti mundum.

Evangelho segundo Lucas 23, 26


Quando O iam conduzindo, lançaram mão de um certo Simão de
Cirene, que voltava do campo, e carregaram-no com a cruz, para a levar
atrás de Jesus.
Talvez Simão de Cirene nos represente a todos, quando
inesperadamente nos sobrevém uma dificuldade, uma prova, uma doença,
um peso imprevisto, uma cruz por vezes pesada. Por quê isto? Por quê
precisamente a mim? Por quê neste momento? O Senhor chama-nos a segui-
lo, não sabemos onde nem como.
O melhor a fazer, Jesus, é seguir-vos, ser dóceis àquilo que nos pedis.
Muitas famílias não podem confirmar por experiência direta: não serve
rebelar-se, convém dizer-vos sim, porque Vós sois o Senhor do Céu e da
Terra. Mas não é só por isso que devemos e queremos dizer-vos sim. Vós nos
amais com amor infinito. Mais do que o pai, a mãe, os irmãos, a esposa, o
marido, os filhos. Amais-nos com um amor que vê longe, um amor que, para
além de tudo, mesmo da nossa miséria, nos quer salvos, felizes, convosco,
para sempre.
Também em família, nos momentos mais difíceis, quando se deve
tomar uma decisão importante, se a paz habitar no coração, se estiver atento
para ver aquilo que Deus quer de nós, somos iluminados por uma luz que nos
ajuda a discernir e a levar a nossa cruz.
O Cireneu recorda-nos ainda os inúmeros rostos de pessoas que se
solidarizaram conosco nos momentos em que uma cruz pesada se abateu
sobre nós ou sobre a nossa família. Faz-nos pensar em tantos voluntários
que, em muitas partes do mundo, se dedicam generosamente a confortar e a
ajudar quantos se encontram no sofrimento e na adversidade. Ensina-nos a
deixarmo-nos humildemente ajudar, quando temos necessidade, e também a
sermos Cireneus para os outros.
Todos: Pai Nosso...
Quem não chora vendo isso:
Quis est homo qui non fleret,
contemplando a Mãe de Cristo
Matrem Christi si videret num suplício tão enorme?
in tanto supplicio?
08
VI ESTAÇÃO – Verônica limpa o rosto de Jesus – A ternura feminina

V/. Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi


R/. Quia per sanctam Crucem tuam redemisti mundum.

Segunda Carta do apóstolo São Paulo aos Coríntios 4, 6

O Deus que disse: «Das trevas brilhe a luz», foi quem brilhou nos
nossos corações, para irradiar o conhecimento da glória de Deus, que
resplandece na face de Cristo.

Verônica, uma das mulheres que segue Jesus, que intui quem ele é,
que o ama e por isso sofre ao vê-lo sofrer. Agora entrevê de perto o seu rosto,
aquele rosto que tantas vezes falara à sua alma. Ela o vê turvado,
ensanguentado e desfigurado, embora sempre manso e humilde. Não
resiste. Quer aliviar os seus sofrimentos. Pega um pano, e tenta enxugar o
sangue e o suor daquele rosto.
Às vezes, na nossa vida, tivemos ocasião de enxugar lágrimas e suor
das pessoas que sofrem. Talvez tenhamos assistido um doente terminal num
corredor do hospital, ajudado um imigrante ou um desempregado, ouvido
um encarcerado. E, procurando animá-lo, talvez estamos limpando o seu
rosto, olhando-o com compaixão.
E todavia poucas vezes nos recordamos de que, em cada irmão nosso
que passa necessidade, vos escondeis vós, Filho de Deus. Como seria
diversa a nossa vida se nos recordássemos disso! Pouco a pouco iremos
tomando consciência da dignidade de cada homem que vive sobre a terra.
Cada pessoa, dotada ou não, ainda nos primeiros momentos no ventre da
mãe ou então já idosa, sempre vos representa, Jesus. E não só isso... Cada
irmão sois vós.
Contemplando-vos, reduzido a quase nada lá no Calvário,
compreenderemos com a Verônica que em cada criatura humana podemos
reconhecer-vos.

Todos:Pai Nosso...

Quis non posset contristari, Quem haverá que resista


Christi Matrem contemplari se a Mãe assim se contrista
padecendo com seu Filho?
dolentem cum Filio?

09
VII ESTAÇÃO - Jesus cai pela segunda vez - A angústia da prisão e da
tortura
V/. Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi
R/. Quia per sanctam Crucem tuam redemisti mundum.

Primeira Carta do apóstolo São Pedro 2, 24


Subindo ao madeiro, ele levou os nossos pecados no seu corpo,
para que, mortos para o pecado, vivamos para a justiça: pelas suas
chagas fostes curados.
Pela segunda vez, enquanto avança pelo caminho estreito do
Calvário, Jesus cai. Intuímos a sua fraqueza física, depois duma noite
terrível, depois das torturas que lhe infligiram. Talvez não sejam apenas as
torturas, o esgotamento, o peso da cruz sobre os ombros a fazê-lo cair. Sobre
Jesus esta um peso não mensurável, algo de íntimo e profundo que, a cada
passo, se vai fazendo sentir mais nitidamente.
Vemo-vos como um pobre homem qualquer, que errou na vida e
agora tem de pagar. E parece que não tendes mais força física ou moral para
enfrentar o novo dia... e caís. Oh! como nos reconhecemos em vós, Jesus,
mesmo nesta nova queda por esgotamento!
Mas, eis que vos levantais novamente; quereis prosseguir... Para nos
dar, a todos nós, a coragem de nos levantarmos de novo. A nossa fraqueza
existe, mas o vosso amor é maior do que as nossas carências, sempre pode
nos acolher e nos compreender. Os nossos pecados, cuja carga assumistes,
esmagam-vos, mas a vossa misericórdia é infinitamente maior do que as
nossas misérias. Sim, Jesus! Graças a Vós, levantamo-nos de novo. Porque
erramos.
Deixamo-nos levar pelas tentações do mundo, quem sabe por
prazeres, para ouvir dizer que alguém ainda nos deseja, que alguém diz que
nos quer bem, ou até que nos ama. Às vezes sentimos dificuldade até para
manter o compromisso assumido da nossa fidelidade de esposos. Já não
temos o vigor e a decisão de outrora. Tudo é repetitivo, cada ato parece
pesado, dá-nos vontade de fugir. Mas procuramos levantar-nos, Jesus, sem
ceder à maior de todas as tentações: a de não crer que o vosso amor pode
tudo.
Todos: Pai Nosso...
Pro peccatis suæ gentis Porque o povo delinquiu
vidit Iesum in tormentis, Jesus em tormentos viu
et flagellis subditum. Sofrendo cruéis flagelos

10
VIII ESTAÇÃO - Jesus encontra as mulheres de Jerusalém - Partilha e
não comiseração
V/. Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi
R/. Quia per sanctam Crucem tuam redemisti mundum.
Evangelho segundo São Lucas 23, 27-28
Seguiam Jesus uma grande multidão de povo e umas mulheres
que batiam no peito e se lamentavam por ele. Jesus voltou-se para elas e
disse-lhes: «Filhas de Jerusalém, não choreis por mim, chorai antes por
vós mesmas e pelos vossos filhos».
No meio da multidão que o segue, há um grupo de mulheres de
Jerusalém: conhecem-no. Vendo-o naquelas condições, misturam-se com a
multidão e sobem para o Calvário. Choram.
Jesus as vê, entende o seu sentimento de compaixão. E, mesmo num
momento trágico como aquele, quer deixar uma palavra que ultrapasse a
simples compaixão. Deseja que nelas, que em nós não haja apenas
compaixão mas conversão do coração: aquela que reconhece ter errado, que
pede perdão, e que recomeça uma vida nova.
Jesus, quantas vezes por cansaço ou por inconsciência, por egoísmo
ou por medo, fechamos os olhos e não queremos enfrentar a realidade!
Sobretudo nós mesmos não nos envolvemos, não nos comprometemos,
participando profunda e ativamente na vida e nas necessidades dos nossos
irmãos, vizinhos e distantes.
Continuamos a viver comodamente, deploramos o mal e quem o faz,
mas não mudamos a nossa vida e não nos empenhamos pessoalmente para
que as coisas mudem, o mal seja debelado e triunfe a justiça.
Muitas vezes as situações não melhoram, porque não nos
empenhamos em fazê-las mudar. Retiramo-nos sem fazer mal a ninguém,
mas também sem fazer o bem que poderíamos e deveríamos fazer. E talvez
alguém esteja a sofrer por isso, pela nossa fuga. Jesus, que estas vossas
palavras nos acordem, nos deem um pouco daquela força que move as
testemunhas do Evangelho, muitas vezes também mártires, pais ou mães ou
filhos, que, com o seu sangue unido ao vosso, abriram e continuam a abrir no
mundo também hoje o caminho ao bem.
Todos: Pai Nosso...

Eia, Mater, fons amoris, Faze, ó Mãe, fonte de amor


me sentire vim doloris que eu sinta o espinho da dor
fac, ut tecum lugeam. para contigo chorar:
11
IX ESTAÇÃO Jesus cai pela terceira vez - Vencer a má nostalgia
V/. Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi
R/. Quia per sanctam Crucem tuam redemisti mundum.
Evangelho segundo Lucas 22, 28-30
«Vós sois os que permaneceram sempre junto de mim nas
minhas provações, e eu disponho do Reino a vosso favor, como meu Pai
dispõe dele a meu favor, a fim de que comais e bebais à minha mesa, no
meu Reino».
A subida da estrada é breve, mas a sua fraqueza é extrema. Jesus está
esgotado, não só fisicamente mas também no espírito. Sente sobre si o ódio
dos chefes, dos sacerdotes, da multidão; parecem querer descarregar sobre
ele a raiva reprimida pelas opressões passadas e presentes. Como se
procurassem uma desforra, fazendo valer o seu poder sobre Jesus.
E cai… cai, Jesus, pela terceira vez. Pareceis sucumbir. Mas eis que,
com um esforço extremo, vos levantai se retomais o caminho terrível para o
Gólgota. Certamente muitos irmãos nossos em todo o mundo estão a sofrer
provações tremendas porque vos seguem, Jesus. Estão a subir convosco para
o Calvário e convosco estão inclusive caindo sob as perseguições que, desde
há dois mil anos, desferiram sobre o vosso Corpo que é a Igreja.
Queremos, com estes nossos irmãos no coração, oferecer a nossa
vida, as nossas fraquezas, a nossa miséria, os nossos pequenos e grandes
sofrimentos diários. Muitas vezes vivemos anestesiados pelo bem-estar,
sem nos comprometermos com todas as forças para nos levantarmos e
levantar a humanidade. Mas podemos erguer-nos, porque Jesus encontrou a
força de se levantar e retomar o caminho.
Também as nossas famílias são parte deste tecido invertebrado,
encontram-se ligadas a uma vida de bem-estar que se torna o objetivo da
própria vida. Os nossos filhos crescem: procuramos habituá-los à
sobriedade, ao sacrifício, à renúncia?. Procuramos dar-lhes uma vida social
satisfatória nos ambientes desportivos, associativos e recreativos, mas sem
que estas atividades sejam apenas um modo de preencher o dia e ter tudo
aquilo que se deseja?
Por isso, Jesus, precisamos de escutar as vossas palavras, que
queremos testemunhar:«Felizes os pobres, felizes os mansos, felizes os
construtores de paz, felizes aqueles que sofrem por amor da justiça…»
Todos: Pai Nosso...
Fac ut ardeat cor meum Faze arder meu coração
in amando Christum Deum, do Cristo Deus na paixão
ut sibi complaceam para que o possa agradar.
12
X ESTAÇÃO - Jesus é despojado das suas vestes - A unidade e a
dignidade

V/. Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi


R/. Quia per sanctam Crucem tuam redemisti mundum.

Evangelho segundo João 19, 23

Os soldados, depois (…) pegaram a roupa de Jesus e fizeram


quatro partes, uma para cada soldado, exceto a túnica. A túnica, toda
tecida de uma só peça de alto a baixo, não tinha costuras.
Jesus está nas mãos dos soldados. Como todo condenado, é
despojado das vestes, para o humilhar, reduzi-lo a nada. A indiferença, o
desprezo e a negligência pela dignidade da pessoa humana juntam-se com a
avidez, a cobiça e os interesses privados: «Pegaram a roupa de Jesus». A
vossa túnica, Jesus, era sem costuras. Isto exprime o cuidado que tinham por
vós a vossa mãe e as pessoas que Vos seguiam. Agora encontrais-vos
despido, Jesus, e sentis o incomodo de quem está à mercê de gente que não
tem respeito pela pessoa humana.
Quantas pessoas sofreram, e sofrem, por causa desta falta de respeito
pela pessoa humana, pela sua intimidade. Às vezes talvez nós tenhamos
também faltado ao respeito devido à dignidade pessoal de quem está ao
nosso lado, «apoderando-nos» do nosso vizinho: filho ou marido ou esposa
ou parente, conhecido ou desconhecido. Em nome da nossa suposta
liberdade, ferimos a dos outros: quanta negligência, quanto descuido nos
comportamentos e na maneira de nos apresentar um ao outro!
Jesus, que se deixa expor deste modo aos olhos do mundo de então e
aos olhos da humanidade de sempre, lembra-nos a grandeza da pessoa
humana, a dignidade que Deus concedeu a cada homem, a cada mulher e
que nada e ninguém deveria violar, porque são plasmados à imagem de
Deus. A nós está confiada a tarefa de promover o respeito da pessoa humana
e do seu corpo. Em particular a nós, esposos, cabe a tarefa de conjugar estas
duas realidades fundamentais e indivisíveis: a dignidade e o dom total de si
mesmo.
Todos: Pai Nosso...
Sancta Mater, istud agas, Ó Santa Mãe dá-me isto,
Crucifixi fige plagas trazer as chagas de Cristo
cordi meo valide. gravadas no coração:

13
XI ESTAÇÃO - Jesus é pregado na Cruz - No leito dos doentes
V/. Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi
R/. Quia per sanctam Crucem tuam redemisti mundum.

Evangelho segundo João 19, 18-19


Lá o crucificaram, e com ele outros dois, um de cada lado,
ficando Jesus no meio. Pilatos redigiu um letreiro e ordenou que pusesse
sobre a cruz. Dizia: «Jesus Nazareno, Rei dos Judeus».
Chegados ao lugar chamado «Calvário», os soldados crucificam
Jesus. Pilatos manda escrever: «Jesus Nazareno, Rei dos Judeus», para
zombar dele e humilhar os judeus. Mas esta inscrição, embora sem o
pretender, atesta uma realidade: a realeza de Jesus, Rei de um Reino que não
tem fronteiras de espaço nem de tempo.
Mal podemos imaginar o sofrimento de Jesus durante a crucifixão,
cruenta e dolorosíssima. Entra-se no mistério: Por que é que Deus, que Se fez
homem por nosso amor, se deixa pregar num madeiro e erguer da terra entre
atrozes espasmos físicos e espirituais?
Por amor. Por amor. É a lei do amor que leva a dar a própria vida pelo
bem do outro. Confirmam-no aquelas mães que aguentaram a própria morte
para dar à luz o seu filho. Ou aqueles pais que perderam um filho na guerra ou
em atos de terrorismo, e decidem não se vingar. Jesus, no Calvário,
personificais a todos nós, todos os homens de ontem, hoje e amanhã. Na
cruz, ensinastes-nos a amar.
Agora começamos a compreender o segredo daquela alegria perfeita
que proclamáveis aos discípulos na Última Ceia. Tivestes de descer do Céu,
fazer-vos menino, depois adulto e por fim sofrer no Calvário para nos dizer,
com a vossa vida, o que é o verdadeiro amor.
Contemplando-vos lá no alto da cruz, também nós enquanto família,
esposos, pais e filhos, estamos a aprender a amar-nos mutuamente e a amar, a
revigorar entre nós aquele acolhimento que é dar-se a si mesmo e saber-se
acolhido com gratidão; que sabe sofrer, que sabe transformar o sofrimento
em amor.

Todos: Pai Nosso...


Tui Nati vulnerati, Do teu filho que por mim
tam dignati pro me pati entrega-se a morte assim,
pœnas mecum divide. divide as penas comigo.

14
XII ESTAÇÃO - Jesus morre na Cruz - O gemido das sete palavras

V/. Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi


R/. Quia per sanctam Crucem tuam redemisti mundum.

Evangelho segundo Mateus 27, 45-46

Desde o meio dia até às três horas da tarde, as trevas envolveram


toda a terra. Cerca das três hora da tarde, Jesus clamou com voz forte:
Eli, Eli, lamá sabactháni?, isto é: Meu Deus, meu Deus, porque me
abandonaste?».
Jesus está na cruz. Horas de angústia, horas terríveis, horas de dores
físicas desumanas. «Tenho sede»: diz Jesus. E levam-Lhe à boca uma
esponja ensopada em vinagre.
Um grito ergue-se inesperado: «Meu Deus, meu Deus, porque Me
abandonaste?». Blasfêmia? O condenado grita o Salmo? Como aceitar um
Deus que grita, que se lamenta, que não sabe, não compreende? O Filho de
Deus feito homem que se sente morrer abandonado por seu Pai? Jesus, até
este ponto vos fizestes um de nós, um conosco, à exceção do pecado! Vós,
Filho de Deus feito homem, identificastes-vos conosco até ao ponto de
experimentar,Vós que sois o Santo, a nossa condição de pecadores, a
separação de Deus, o inferno daqueles que estão sem Deus.Vós
experimentastes a escuridão para nos dar a luz. Vivestes a separação para nos
dar a unidade.
Aceitastes a dor para nos deixar o Amor. Provastes a exclusão,
abandonado e suspenso entre o Céu e a Terra, para nos acolher na vida de
Deus. Um mistério nos envolve, revivendo cada passo da vossa Paixão.
Jesus, não considerais ciosamente como um tesouro a vossa igualdade com
Deus, mas fazeis-Vos pobre de tudo para nos enriquecer.«Nas vossas mãos,
entrego o meu espírito». Como conseguistes, Jesus, naquele abismo de
desolação, confiar-vos ao Amor do Pai, abandonar-Vos a Ele, morrer nele?
Somente olhando para vós, somente convosco podemos enfrentar as
tragédias, os sofrimentos dos inocentes, as humilhações, os ultrajes, a morte.
Jesus vive a sua morte como dom por mim, por nós, pela nossa família, por
cada pessoa, por cada família, por cada povo, pela humanidade inteira.
Naquele ato, renasce a vida.

(Momento de Silêncio)

15
Todos: Eterno Pai, eu vos ofereço o Corpo e Sangue, Alma e Divindade
de vosso diletíssimo Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, em expiação dos
nossos pecados e do mundo inteiro... Pai Nosso..
Vidit suum dulcem Natum Oh! Dá-me enquanto viver
moriendo desolatum, com Cristo compadecer
dum emisit spiritum. chorando sempre contigo.

XIII ESTAÇÃO - Jesus é descido da Cruz e entregue a sua Mãe - O amor é


mais forte do que a morte
Evangelho segundo João São 19, 38
Depois disto, José de Arimateia, que era discípulo de Jesus, mas
secretamente por medo das autoridades judaicas, pediu a Pilatos que
lhe deixasse levar o Corpo de Jesus. E Pilatos, veio, pois, e retirou o
corpo.
Maria vê morrer seu Filho, Filho de Deus e também seu. Sabe que é
inocente, mas carregou sobre si o peso das nossas misérias. A Mãe oferece o
Filho, o Filho oferece a Mãe. A João, a nós.
Jesus e Maria, eis uma família que, no Calvário, vive e sofre a
separação suprema. A morte divide-os, ou pelo menos parece dividi-los, uma
mãe e um filho com um vínculo simultaneamente humano e divino
inconcebível. Por amor, o oferecem. Abandonam-se ambos à Vontade de
Deus.
Na coragem que se abriu no coração de Maria, entra outro filho, que
representa a humanidade inteira. E o amor de Maria por cada um de nós é o
prolongamento do amor que ela teve por Jesus. Sim, porque, nos discípulos,
verá o rosto dele. E viverá para eles, para sustentá-los, ajudá-los, encorajá-
los, levá-los a reconhecer o Amor de Deus, para que, na sua liberdade, se
voltem para o Pai.
Que dizem a mim, a nós, à nossa família esta Mãe e este Filho no
Calvário? Cada um pode apenas deter-se, atónito, diante de tal cena. Intui
que esta Mãe, este Filho nos estão a conceder um dom único, irrepetível. De
fato, n'Eles, encontramos a capacidade de dilatar o nosso coração e abrir o
nosso horizonte à dimensão universal.Lá, no Calvário, junto de Vós, Jesus,
morto por nós, as nossas famílias acolhem o dom de Deus: o dom de um
amor que pode alargar os braços até ao infinito.

Sacerdote: V. Rogai por nós Santa Mãe de Deus.


R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
16
Oremos: Alcançai-nos a graça da fé, da esperança e da caridade, para que,
como Vós, também nós saibamos perseverar junto da cruz até ao último
respiro. Ao vosso Filho, Jesus, nosso Salvador, com o Pai e o Espírito Santo,
toda a honra e glória pelos séculos dos séculos. Amém.
Todos: Pai Nosso...
Fac me tecum pie flere, Fazei-me, enquanto viver
Crucifixo condolere, Com Cristo compadecer
E chorar sempre convosco.
donec ego vixero.

XIV ESTAÇÃO - Jesus é depositado no sepulcro - O jardim novo

V/. Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi


R/. Quia per sanctam Crucem tuam redemisti mundum.

Evangelho segundo São João 19, 41-42

No sítio em que ele tinha sido crucificado havia um jardim e, no jardim, um


túmulo novo, onde ainda ninguém tinha sido sepultado. Como para os judeus
era o dia da Preparação da Páscoa e o túmulo estava perto, foi ali que
puseram Jesus.
Um profundo silêncio envolve o Calvário. No seu Evangelho, João
atesta que o Calvário se encontra num jardim, onde existe um sepulcro ainda
não usado. E é lá precisamente que os discípulos depõem o seu corpo.
Aquele Jesus, que aos poucos reconheceram como Deus que se fez
homem, está lá, um cadáver. Na solidão desconhecida, sentem-se perdidos,
não sabem que fazer, nem como comportar-se. Nada mais lhes resta que
consolar-se reciprocamente, encorajar-se um ao outro, permanecer juntos.
Mas é precisamente então que matura nos discípulos o momento da fé, da
recordação daquilo que Jesus disse e fez quando estava no meio deles, e que
antes só em parte tinham compreendido.
Lá começam a ser Igreja, à espera da Ressurreição e da efusão do
Espírito. Com eles, está a mãe de Jesus, Maria, que o Filho entregara a João.
Reúnem-se todos com Ela, à volta d'Ela. À espera. À espera que o Senhor Se
manifeste. Sabemos que aquele corpo, três dias depois, ressuscitou. Assim
Jesus vive para sempre e nos acompanha, Ele pessoalmente, ao longo da
nossa viagem terrena, entre alegrias e tribulações. Jesus, fazei que nos
amemos mutuamente. Para Vos termos de novo no meio de nós,cada dia,

17
como Vós mesmo prometestes:«Onde estiverem dois ou três reunidos em
meu nome, Eu estou no meio deles».

Todos: Pai Nosso...

Quando corpus morietur, Quando meu corpo morrer


fac ut animæ donetur possa a alma merecer
Paradisi gloria. do Reino Celeste, a glória. Amém.
Amen.
OREMUS: OREMOS:
Respice, quaesumus Domine, super Nós Vos pedimos, ó Senhor, lançar um
hanc familiam tuam, pro qua Dominus olhar sobre esta vossa família, pela
Iesus Christus noster não dubitavit qual Nosso Senhor Jesus Cristo não
manibus tradi nocentium et Crucis hesitou em entregar-se às mãos dos
subire tormentum. Qui tecum vivit et malfeitores e sofrer o tormento da cruz.
regnat in unitate Spiritus Sancti, Deus,
per omnia saecula saeculorum. Amen. Ele que vive e reina na unidade do
Espírito Santo, Deus, por todos os
séculos dos séculos. Amém.

Dómine Jesu Christe, Fili Dei vivi, qui Senhor Jesus Cristo, Filho do Deus
hora sexta pro redemptióne mundi vivo, que na hora sexta subistes ao
Crucis patíbulum ascendísti, et madeiro da Cruz pela redenção do
sánguinem tuum pretiósum in mundo, e derramastes vosso precioso
remissiónem peccatórum nostrórum sangue pela remissão dos nossos
fudísti: te humíliter deprecámur; ut, pecados: humildemente vos
post óbitum nostrum, paradísi jánuas
nos gaudénter introíre concédas: [Qui suplicamos, que após a nossa morte,
vivis et regnas in saecula saeculorum. nos concedais entrar com alegria no
Amen]. paraíso. Vós que viveis e reinais por
todos os séculos dos séculos. Amém.

Interveniat pro nobis, quaesumus, Rogamos, Senhor Jesus Cristo, que


Domine Iesu Christe nunc et in hora agora e na hora de nossa morte
mortis nostrae apud tuam clementiam intervenha em nosso favor, diante do
Beata Virgo Maria Mater tua, cuius trono de vossa misericórdia, a Bem-
sacratissimam animam in hora tuae aventurada Virgem Maria, Vossa Mãe,
Passionis doloris gladius pertransivit. cujo coração santíssimo, na hora de
[Qui vivis et regnas cum Patre et vossa paixão, traspassou uma espada
Spiritu Sancto in saecula saeculorum.
de dor. [Que viveis e reinais com o Pai
Amen.]
e o Espírito Santo, pelos séculos dos
séculos. Amém].
18
De veniae largitor et humanae salutis Rogamos a vossa clemência, ó Deus,
amator, quaesumus clementiam tuam: doador do perdão e amante da salvação
ut nostrae Congregationis Fratres, humana, para que, por intercessão da
propinquos, et benefactores, qui ex hoc Santíssima sempre Virgem Maria e de
saeculo transierunt, beata Maria todos os vossos santos, concedais que
sempre virgine intercedente cum os irmãos de nossa congregação, os
omnibus Sanctis tuis, ad perpetuae
beatitudinis consórcium pervenire próximos e os benfeitores, que
concedas. [Qui vivis et regnas in partiram deste mundo, participem da
saecula saeculorum. Amen]. eterna bem-aventurança. [Que viveis e
reinais pelos séculos dos séculos.
Amém].

Bendita e louvada seja


No céu a divina luz,
E nós também, cá na terra,
Louvemos a santa Cruz!
1. Os anjos no céu contentes
Louvando estão a Jesus,
Cantemos também, na terra
Louvores à santa Cruz!
2. Aqui bem estamos vendo
Brilhar uma Clara Luz:
É que estão do céu caindo
Reflexos da Santa Cruz.
3. Já santa doutrina temos,
Para nossa guia e luz,
Com o sangue divino escrita
No livro da santa Cruz.
4. No mais alto do Calvário
Morreu nosso Bom Jesus,
Dando o último suspiro
Nos Braços da santa Cruz.
5. É arma em qualquer perigo,
É raio da eterna luz,
Bandeira vitoriosa
O santo sinal da cruz.

19

Você também pode gostar