MECÂNICA DOS SOLOS
Compactação dos Solos
2021
Compactação dos Solos
1. Introdução
• Compactação: Processo pelo qual há melhoria das propriedades mecânicas do solo através da
máxima densificação (redução do índice de vazios) que se alcança em função de um adequado
teor de umidade e de uma bem definida energia de compactação.
• Por meio da compactação, há a reacomodação da fase sólida e variação na fase gasosa, mas sem
perda da fase líquida.
• A compactação visa dois aspectos: aumentar o contato entre os grãos e tornar a camada de solo
mais homogênea melhoria nas propriedades mecânicas e hidráulicas do solo para fins de
construção civil.
Compactação dos Solos
2. Curva de compactação
• Na prática, o estado do solo, após compactação, é expresso pelo seu peso específico seco (γ𝑑 ),
por ser um índice de fácil obtenção, que não se altera, praticamente, se ocorrer pequena
variação do teor de umidade.
• Estudos de Ralph Proctor (1933) sobre a compactação de solos, mostram que, para uma
determinada energia de compactação (energia potencial), γ𝑑 varia em função da umidade.
• No ramo ascendente (ramo seco), a água lubrifica
as partículas e facilita o arranjo destas acréscimo da
massa específica aparente seca.
• No ramo descendente (ramo úmido), a água amortiza a
compactação e a amostra passa a ter mais água que
sólidos decréscimo da massa específica aparente seca.
Curva de compactação
Compactação dos Solos
2. Curva de compactação
• Umidade baixa: a saída de ar é facilitada porque o ar se
encontra na forma de canalíticos intercomunicados. Peso esp. Seco máximo
• Umidade um pouco maior: água provoca um efeito de
lubrificação entre as partículas favorece a compactação
• A partir de um certo ponto, o grau de saturação se torna
elevado a compactação não consegue expulsar o ar nos
vazios (bolhas).
Umidade ótima
Compactação dos Solos
3. Fatores que influenciam a compactação
A. Tipo de solo
• Distribuição granulométrica, forma dos grãos, peso específico do grãos e quantidade e o tipo dos
minerais argila.
• Solos argilosos:
- wot = 25 a 30%
- γ𝑑 (𝑚𝑎𝑥) = 14 a 15 kN/m³
• Solos siltosos: valores baixos para γ𝑑 (𝑚𝑎𝑥)
• Areias com pedregulho bem graduada:
- Wot= 9 a 10%
Para uma mesma energia de compactação
- γ𝑑 (𝑚𝑎𝑥) =20 a 21 kN/m³
Compactação dos Solos
3. Fatores que influenciam a compactação
B. Energia aplicada
• Para um mesmo solo: aumentando-se a energia de compactação, a curva se desloca para a esquerda e
para cima.
• E ; d , wót
𝑀. 𝐻. 𝑁𝑔 . 𝑁𝑐
• Energia de compactação: 𝐸𝐶 =
𝑉
M = massa do soquete;
H = altura de queda do soquete;
Ng = número de golpes por camadas;
Nc = número de camadas;
V = volume.
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3. Fatores que influenciam a compactação
B. Energia aplicada
Existem inúmeras energias de compactação. A norma brasileira (NBR 7182) contempla: energia
Normal, Intermediária e Modificada.
Energia
Cilindro Características
Normal Intermediária Modificada
Pequeno Grande Grande
Soquete (martelo)
(2,5 kg) (4,54 kg) (4,54 kg)
Pequeno
Camadas (Nc) 3 3 5
Golpes (Ng) 26 21 27
Soquete (martelo) Pequeno Grande Grande
Grande Camadas (Nc) 5 5 5
Golpes (Ng) 12 26 55
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3. Fatores que influenciam a compactação
C. Teor de umidade
- Baixos teores de umidade (w < wot): a atração face-aresta
das partículas não é vencida pela energia aplicada. Maior atrito entre as
Estrutura floculada. partículas
- Elevados teores de Umidade (w > wot): Aumenta a repulsão
entre as partículas, e a compactação as orienta, ficando
paralelas, resultando na Estrutura dispersa.
- Excesso de água: ar fica ocluso e água absorve os impactos
má compactação.
- Fenômeno Borrachudo: o solo se comprime, mas logo dilata
(o que se comprime são as bolhas de ar) Não consegue Forças de atração são
expelir o ar dos vazios. desfeitas
Compactação dos Solos
4. Ensaio Normal de Compactação (Ensaio de Proctor)
• Compacta-se a amostra dentro de um recipiente cilíndrico, com aprox. 1000 cm³, em 3 camadas
sucessivas, sob a ação de 26 golpes de um soquete, pesando 2,5 kg, caindo de 30,5 cm de altura.
• Repete-se para vários w, determinando-se, para cada um deles, o γ𝑑 .
• Com valores obtidos traça-se a curva γ𝑑 = f(w), de onde, se obterá wot e γ𝑑 (𝑚𝑎𝑥).
• A energia de compactação desse ensaio é de, aproximadamente, 6 kg·cm/cm³.
Compactação dos Solos
5. Curva de compactação x Curva de saturação
- A medida que o teor de umidade cresce e se aproxima do
teor de umidade ótimo, o solo se torna mais trabalhável.
Como não é possível expulsar todo ar existente nos vazios do
solo, a curva de compactação não alcançará a curva
correspondente à 100% de saturação.
S ρ𝑠 ρ𝑤
- Família de curvas: ρ𝑑 =
𝑆 ρ𝑤 + ρ𝑠 𝑤
Compactação dos Solos
6. Controle de compactação (campo)
• Para verificar se a compactação está sendo feita devidamente, deve-se determinar sistematicamente w e
γ𝑑 do material.
• A espessura da camada lançada não deve exceder 30 cm, sendo que a espessura da camada compactada
deve ser menor que 20 cm.
A. Grau de compactação (GC) B. Desvio de umidade
γ𝑑
𝐺𝐶 = 𝑥 100 𝑤𝑐𝑎𝑚𝑝𝑜 − 2% < 𝑤𝑜𝑡 < 𝑤𝑐𝑎𝑚𝑝𝑜 + 2%
γ𝑑 (𝑚𝑎𝑥)
• Deve-se obter sempre valores de grau de • No campo, à medida que o aterro for sendo
compactação superiores a 95%. executado, deve-se verificar, para cada camada
compactada, o teor de umidade e compará-lo
• Não atingida a compactação desejada, revolve e com a umidade ótima determinada em
recompacta.
laboratório.
• γ𝑑 (campo ): Frasco de areia. • 𝑤𝑐𝑎𝑚𝑝𝑜 : Aparelho Speedy.
Compactação dos Solos
7. Equipamentos de campo
Rolo compactador liso
Sapo mecânico ou soquete vibratório
Rolo compactador – pé de
carneiro
Rolo compactador vibratório Rolo compactador pneumático Compactador de placa vibratória
Exemplo 1
Determine a energia de compactação utilizada para realizar o ensaio de Proctor (Normal) com os dados a seguir:
Dados:
M = 2,5 kg
H = 30,5 cm 𝑀. 𝐻. 𝑁𝑔 . 𝑁𝑐
𝐸𝐶 =
𝑉
Ng = 26
Nc = 3
V = 1000 cm³
2,5. 30,5. 26. 3
𝐸𝐶 = → 𝑬𝑪 = 𝟓, 𝟗𝟒𝟖 𝒌𝒈. 𝒄𝒎/𝒄𝒎³
1000
Exemplo 2
Com uma amostra de solo argiloso, com areia fina, a ser utilizada num aterro, foi feito o Ensaio de Proctor Normal de
Compactação (Ensaio de Proctor). Na tabela abaixo estão as massas dos corpos de prova, determinadas nas cinco
moldagens de corpo de prova, no cilindro que tinha 992 cm³ (a norma recomenda 1 dm³). Também estão indicadas as
umidades correspondentes a cada moldagem, obtidas por meio de amostras pesadas antes e após a secagem em estufa.
A massa específica dos grãos é de 2,65 kg/dm³.
Ensaio 1 2 3 4 5
Massa do corpo de prova (kg) 1,748 1,817 1,874 1,896 1,874
Umidade do solo compactado (%) 17,73 19,79 21,59 23,63 25,75
a) Desenhar a curva de compactação e determinar a densidade máxima e a umidade ótima.
b) Determinar o grau de saturação no ponto máximo da curva.
c) No mesmo desenho, representar a curva de saturação e a curva de igual valor de saturação que passe pelo ponto
máximo da curva.
Exemplo 2
Com uma amostra de solo argiloso, com areia fina, a ser utilizada num aterro, foi feito o Ensaio de Proctor Normal de
Compactação (Ensaio de Proctor). Na tabela abaixo estão as massas dos corpos de prova, determinadas nas cinco
moldagens de corpo de prova, no cilindro que tinha 992 cm³ (a norma recomenda 1 dm³). Também estão indicadas as
umidades correspondentes a cada moldagem, obtidas por meio de amostras pesadas antes e após a secagem em estufa.
A massa específica dos grãos é de 2,65 kg/dm³.
a) Desenhar a curva de compactação e determinar a densidade máxima e a umidade ótima.
Ensaio 1 2 3 4 5
Massa do corpo de prova (kg) 1,748 1,817 1,874 1,896 1,874
Umidade do solo compactado (%) 17,73 19,79 21,59 23,63 25,75
Densidade do corpo de prova (kg/dm³) - ρn 1,762 1,832 1,889 1,911 1,889
Densidade seca (kg/dm³) - ρd 1,497 1,529 1,554 1,546 1,502
𝑀 ρ𝑛
ρ𝑛 = ρ𝑑 =
𝑉 1+𝑤
Exemplo 2
Com uma amostra de solo argiloso, com areia fina, a ser utilizada num aterro, foi feito o Ensaio de Proctor Normal de
Compactação (Ensaio de Proctor). Na tabela abaixo estão as massas dos corpos de prova, determinadas nas cinco
moldagens de corpo de prova, no cilindro que tinha 992 cm³ (a norma recomenda 1 dm³). Também estão indicadas as
umidades correspondentes a cada moldagem, obtidas por meio de amostras pesadas antes e após a secagem em estufa.
A massa específica dos grãos é de 2,65 kg/dm³.
a) Desenhar a curva de compactação e determinar a densidade máxima e a umidade ótima.
1,60
wot = 22,5%
ρd (max) = 1,558 kg/dm³
Densidade seca (kg/dm³)
1,55
1,50
1,45
16 18 20 22 24 26 28
Teor de umidade (%)
Exemplo 2
Com uma amostra de solo argiloso, com areia fina, a ser utilizada num aterro, foi feito o Ensaio de Proctor Normal de
Compactação (Ensaio de Proctor). Na tabela abaixo estão as massas dos corpos de prova, determinadas nas cinco
moldagens de corpo de prova, no cilindro que tinha 992 cm³ (a norma recomenda 1 dm³). Também estão indicadas as
umidades correspondentes a cada moldagem, obtidas por meio de amostras pesadas antes e após a secagem em estufa.
A massa específica dos grãos é de 2,65 kg/dm³.
b) Determinar o grau de saturação no ponto máximo da curva.
ρ𝑠 𝑤 2,65. 0,225 wot = 22,5%
𝑆= →𝑆= → 𝑺 = 𝟎, 𝟖𝟓 ρd (max) = 1,558 kg/dm³
𝑒ρ𝑤 0,70. 1
ρ𝑠 ρ𝑠 2,65
ρ𝑑 = 𝑒= −1 →𝑒= −1 → 𝒆 = 𝟎, 𝟕𝟎
1+𝑒 ρ𝑑 1,558
Exemplo 2
Com uma amostra de solo argiloso, com areia fina, a ser utilizada num aterro, foi feito o Ensaio de Proctor Normal de
Compactação (Ensaio de Proctor). Na tabela abaixo estão as massas dos corpos de prova, determinadas nas cinco
moldagens de corpo de prova, no cilindro que tinha 992 cm³ (a norma recomenda 1 dm³). Também estão indicadas as
umidades correspondentes a cada moldagem, obtidas por meio de amostras pesadas antes e após a secagem em estufa.
A massa específica dos grãos é de 2,65 kg/dm³.
c) No mesmo desenho, representar a curva de saturação e a curva de igual valor de saturação que passe pelo ponto
máximo da curva.
1,70
S ρ𝑠 ρ𝑤
ρ𝑑 =
Densidade seca (kg/dm³)
𝑆 ρ𝑤 + ρ𝑠 𝑤 1,65
1,60
1. 2,65. 1 2,65 S = 0,85
ρ𝑑 = → ρ𝑑 = (Curva de saturação – S = 1) S = 1,0
1. 1 + 2,65 𝑤 1 + 2,65 𝑤 1,55
0,85. 2,65. 1 2,2525 1,50
ρ𝑑 = → ρ 𝑑 = (Curva S = 0,85)
0,85. 1 + 2,65 𝑤 0,85 + 2,65 𝑤
1,45
16 18 20 22 24 26 28
Teor de umidade (%)