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Validade da Escala de Agressividade

Este estudo avaliou a validade da estrutura interna da Escala para Avaliação de Tendência à Agressividade (EATA) em uma amostra de 480 universitários brasileiros. Uma análise fatorial confirmatória não confirmou a estrutura original da escala. Uma análise fatorial exploratória resultou em uma escala de 32 itens divididos em 3 subescalas com boas propriedades psicométricas, mas diferente da estrutura original. Os resultados sugerem que a estrutura interna da EATA pode variar entre amostras

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Validade da Escala de Agressividade

Este estudo avaliou a validade da estrutura interna da Escala para Avaliação de Tendência à Agressividade (EATA) em uma amostra de 480 universitários brasileiros. Uma análise fatorial confirmatória não confirmou a estrutura original da escala. Uma análise fatorial exploratória resultou em uma escala de 32 itens divididos em 3 subescalas com boas propriedades psicométricas, mas diferente da estrutura original. Os resultados sugerem que a estrutura interna da EATA pode variar entre amostras

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Psicologia: Ciência e Profissão Jul/Set. 2016 v. 36 n°3, 726-737.

DOI: 10.1590/1982-3703001692016

Validade por Estrutura Interna da Escala para


Avaliação de Tendência à Agressividade

Maria Inês Bustamante Cláudio Garcia Capitão


Universidade do Vale do Sapucaí, Pouso Alegre, Universidade de São Francisco, Bragança Paulista,
MG, Brasil. SP, Brasil.
Marcos Antonio Batista Daniel Bartholomeu
Universidade do Vale do Sapucaí, Pouso Alegre, Centro Universitário Fieo, Osasco, SP, Brasil.
MG, Brasil.
José Maria Montiel
Centro Universitário Fieo, Osasco, SP, Brasil.

Resumo: Após a construção de um instrumento, seu aprimoramento contínuo torna-se


necessário. Neste contexto, assume relevância saber se a estrutura fatorial de um teste é
mantida em outras amostras distintas da de padronização. Com isso, o presente estudo buscou
evidências de validade baseadas na estrutura interna para a Escala para Avaliação de Tendência
à Agressividade – EATA. Participaram do estudo 480 universitários de cursos nas áreas de
Ciências Humanas (41,2%), Ciências Biológicas (41,2%) e Ciências Exatas (17,5%), de uma
universidade do sul de Minas Gerais. A idade dos participantes variou de 18 a 55 anos, com
média de 24 anos (DP = 6,31). Foi realizada uma análise fatorial confirmatória, usando o método
de estimação maximum likelihood, sendo que o modelo testado não se apresentou apropriado
para o conjunto de dados observados. A análise fatorial exploratória resultou em uma escala
com 32 itens, com boas propriedades psicométricas, composta por subescala A com 18 itens
(alfa de Cronbach = 0,83), subescala B com 6 itens (alfa de Cronbach = 0,75) e subescala C com
7 itens (alfa de Cronbach = 0,63). Nas duas análises não se confirmou a estrutura original e
propõe se uma nova configuração dos itens do instrumento.
Palavras-chave: Avaliação Psicológica, Análise Fatorial, Agressividade.

Validity by Internal Structure of the Aggression Tendency Assessment Scale

Abstract: After the construction of an instrument, its continuous improvement becomes


necessary. In this context, it is relevant to know whether the factor structure of a test is
maintained in other samples. Hence, the aim of this study was to search for validity evidence
based on internal structure for the Aggression Tendency Assessment Scale - EATA. 480 university
students of courses in the areas of Human Sciences (41,2 %), Biological Sciences (41,2 %) and
Exact Sciences (17,5 %), of a university in the south of Minas Gerais, Brazil, were studied.
The participants age ranged from 18 to 55 years, with an average of 24 years (SD = 6.31).
It was performed a confirmatory factor analysis, using the method of estimation maximum
likelihood, showing that the tested model was not appropriate for the set of observed data. The
exploratory factor analysis resulted in a scale with 32 items, subscale A with 18 items (Cronbach’s
alpha = 0.83), subscale B with 6 items (Cronbach’s alpha = 0.75) and subscale C with 7 items
(Cronbach’s alpha = 0.63). The original structure was not confirmed in none of the analyses and
a new internal structure is proposed.
Keywords: Psychological Assessment, Factor Analysis, Aggressiveness.

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Bustamante, M. I.; Capitão, C. G.; Batista, M. A.; Bartholomeu, D.;
Montiel, J. M. (2016). Escala de Tendência à Agressividade.

Validez por Estructura Interna de la Escala para la


Evaluación de la Tendencia a Agresividad

Resumen: Después de la construcción de un instrumento, su mejora continua es necesaria.


En este contexto, es relevante saber si la estructura factorial de una prueba se mantiene en otras
muestras diferentes a la de estandarización. Con esto, el presente estudio tuvo como objetivo
reunir evidencias de validez basadas en la estructura interna de la Escala para Evaluación de
la Tendencia a la Agresividad - EATA. Los participantes del estudio fueron 480 estudiantes
universitarios en las áreas de Ciencias Humanas (41,2%), Ciencias Biológicas (41,2%) y Ciencias
Exactas (17,5%), de la Universidad del Sur de Minas Gerais. La edad de los participantes osciló
entre 18 a 55 años, con una media de 24 años (DE = 6.31). Fue realizado un análisis factorial
confirmatorio, utilizando el método de máxima verosimilitud de la estimación maximum
likelihood, siendo que el modelo de prueba no reveló ser apropiado para el conjunto de datos
observado. El análisis factorial exploratorio resultó en una escala con 32 ítems, compuesta
por subescala A con 18 ítems (alfa de Cronbach = 0,83), subescala B con 6 ítems (alfa de
Cronbach = 0, 75) y subescala C con 7 ítems (alfa de Cronbach = 0,63). En los dos análisis no se
confirmó la estructura original y se propone para la muestra estudiada una nueva configuración
de los itens del instrumento.
Palabras clave: Evaluación Psicológica, Análisis Factorial, Agresividad.

Introdução mostram maiores chances de manifestar sintomas


A agressividade e a violência dirigidas contra psicopatológicos, como depressão (Sisto, 2012).
as gerações mais jovens da sociedade brasileira Cabe mencionar que, na juventude, alguns senti-
ou cometidas por esses mesmos jovens são temas mentos podem estar relacionados à agressividade,
que têm gerado polêmica e preocupação social como a vontade de se tornar “poderoso”, “vencedor”.
(Carlini-Cotrim, Gazal-Carvalho, & Gouveia, 2000). Nesse contexto, duas situações poderiam evidenciar
A importância do assunto é ressaltada em diferentes condutas agressivas: a busca imediata e sem limites
meios de comunicação e na mídia, quando noticia para alcançar estes status e outra no sentido da frus-
jovens que praticam infrações violentas ou adoles- tração, ideação agressiva e raiva por não conseguir o
centes e crianças que sofrem maus-tratos físicos sucesso almejado (Sisto, 2012). Segundo Leme (2004),
e psicológicos cometidos muitas vezes por seus a agressão é uma conduta episódica, com evolução
próprios familiares, pelas instituições socioeduca- variável, que assume diferentes formas de manifes-
tivas, entre outras (Borsa, Souza, & Bandeira, 2011; tação, e está sujeita à influência de variáveis bioló-
Luiz, Gorayeb, & Liberatore Junior, 2010; Moreira, gicas, sociais ou pessoais, que, somadas às variáveis
Vilhena, Cruz, & Novaes, 2009). Neste contexto, situacionais, impulsionam esse comportamento
aparentemente há um percurso desenvolvimental da (Forgeron et al., 2010; Van Dijk, Benninga, Groote-
agressividade que começa na infância (Buss, & Perry, nhuis, & Last, 2010). Nesse sentido, alguns pressu-
1992), com manifestações de raiva, e pode derivar postos teóricos procuram responder acerca da natu-
comportamentos agressivos e antissociais na adoles- reza da agressão, desde modelos biológicos a modelos
cência associados à ingestão de bebidas alcoólicas e psicológicos, indicando uma teia complexa de intera-
drogas ilegais, além de sintomas depressivos. Esses ções entre frustração, afeto negativo, aprendizagem,
comportamentos podem se diferenciar em relação processamento deficiente de informação, dentre
ao sexo, tendo em vista que, por exemplo, pessoas do outros aspectos, atuam como potenciais responsá-
sexo masculino têm maiores possibilidades de mani- veis pela ocorrência de comportamentos agressivos.
festar problemas em relação à bebida e múltiplas A personalidade, como agente e produto da cons-
agressividades, enquanto pessoas do sexo feminino trução de padrões afetivos, cognitivos e comporta-

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Psicologia: Ciência e Profissão Jul/Set. 2016 v. 36 n°3, 726-737.

mentais é vista como componente fundamental para tamento agressivo, ou seja, o transtorno de conduta
a compreensão dos fatores pessoais predisponentes é um padrão comportamental repetitivo e persistente
de manifestações agressivas (Ferreira, 2011). no qual são violados direitos básicos de outras pessoas
Sisto (2008) descreve que o construto compor- ou normas ou regras sociais relevantes e apropriadas
tamento agressivo pode ser definido como uma ação para a idade. Os comportamentos específicos carac-
intencional para machucar ou irritar alguém, física terísticos do Transtorno de conduta encaixam-se
ou emocionalmente ou, ainda, produzir danos mate- em uma das quatro categorias: agressão a pessoas e
riais, físicos ou psicológicos. Vale ressaltar a impor- animais, destruição de propriedades, fraude ou roubo
tância da componente intencionalidade, pois um e grave violação a regras. Pessoas agressivas, com
dano acidental, sem intenção, não é considerado transtorno de conduta, costumam inadequadamente
agressivo. Porém, estudos sobre agressividade depa- perceber as intenções dos outros como hostis e amea-
ram-se com a dificuldade em mensurar a intenciona- çadoras e responder com agressividade, julgando seu
lidade, o que tem levado pesquisadores a inferi-la pela ato justificado (APA, 2014).
frequência dos comportamentos apresentados (Farias Os sintomas do transtorno de conduta variam
Junior, & Lopes, 2004). Neste contexto, por exemplo, de acordo com a idade e à medida que o indi-
em relação às influências culturais, estudos apontam víduo desenvolve força física, capacidades cogni-
que a agressividade em crianças tem se relacionado tivas e maturidade sexual. Os primeiros comporta-
com habilidades sociais pobres e rejeição entre pares mentos sintomáticos são considerados ‘leves’, como
(Coie, Terry, Lenox, Lochman, & Hyman, 1996). Prins- mentiras ou pequenos furtos. Quando atinge a idade
tein e Cillessen (2003) asseveram, porém, que certos adulta os sintomas de agressão tendem a se ‘agravar’,
grupos de pessoas jovens, com status social elevado, e manifestações como destruição de propriedades,
também manifestavam socialmente comportamentos falsidade, violação de regras, incluindo violência
agressivos em vários níveis de intensidade. Crianças contra pessoas podem acontecer, e em diferentes
de nível socioeconômico alto, com comportamento ambientes, como em casa ou no trabalho. Tais mani-
agressivo, também foram identificadas. Esses dados festações podem ser consideradas para comple-
colocam em evidência a natureza heterogênea do mentar o diagnóstico de transtorno de personali-
comportamento agressivo. dade antissocial. Cabe ressaltar que o transtorno
Sisto (2005) descreve que, dentre as possí- de personalidade antissocial está também relacio-
veis compreensões em cerca do comportamento nado a um padrão difuso de indiferença e violação
agressivo, existe a hipótese de que a intensidade de de direitos dos outros, e a definição diagnóstica só
resposta agressiva esteja relacionada com a perso- pode ser firmado em pessoas maiores de 18 anos,
nalidade. Tal pressuposto vale-se da ideia de que e que tenham apresentado possíveis manifestações
existe um núcleo constante (traço) e outro variável, de transtorno de conduta antes dos 15 anos de idade
entendendo por traço uma disposição ou tendência. de acordo com o DSM V (APA, 2014).
Embora os níveis de agressividade sejam ampla- Souza, Vieira e Crepaldi (2015) tendem a apontar
mente variáveis de pessoa para pessoa, a agressão para a necessidade de maiores conhecimentos sobre
extrema é muitas vezes incluída no domínio da questões atreladas ao desenvolvimento do indi-
psicopatologia, e não é preocupante apenas pelo ato, viduo e suas implicações quanto à agressividade no
mas também por frequentemente ocorrer associados cotidiano, devendo se considerar aspectos desen-
a outras psicopatologias e/ou manifestações não volvimentais da agressividade, bem como as corre-
ajustadas ao contexto (Sisto, 2012). lações com aspectos familiares e contextuais do
É importante ressaltar que o comportamento individuo. Para Silva (2015), a agressividade tende
agressivo, não se configura necessariamente sinô- a ser mais perceptiva em contextos sociais do indi-
nimo de psicopatologia (Lisboa, & Koller, 2001). Tal víduo, especialmente quando da necessidade de
comportamento é considerado disfuncional quando interações interpessoais. A possibilidade de avaliar
não controlado ou não adequado à situação ou ao a agressividade, em diferentes contextos, é uma
contexto. Cabe mencionar as características essen- necessidade científica e social, tanto na identifi-
ciais, de acordo com o DSM V (APA, 2014) para o cação mais precisa de suas características e peculia-
diagnóstico de transtornos que envolvam o compor- ridades, quanto no desenvolvimento de estratégias

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Bustamante, M. I.; Capitão, C. G.; Batista, M. A.; Bartholomeu, D.;
Montiel, J. M. (2016). Escala de Tendência à Agressividade.

que possibilitem condutas pró-sociais, de maneira sexos, 58,8% mulheres e 41,2% homens, com idades
a minimizar os comportamentos “problemáticos”, entre 19 e 25 anos. Concluíram que existem condutas
geradores de conflitos que acarretem danos em dife- mais tipicamente masculina ou feminina e comum a
rentes aspectos da vida dos indivíduos. ambos os sexos, porém, enfatizaram que a questão
As pesquisas com esta temática no Brasil tendem não recai sobre discutir se homens são mais agressivos
a enfatizar o fenômeno da violência, via de regra em que mulheres, mas que existem tipos característicos
crianças, no ambiente escolar, ou relacionado à escola de agressividade masculina e feminina, e que futuros
(Candreva et al., 2009; Joly, Dias, & Marini, 2009; Lisboa, estudos poderão influir no entendimento e controle
& Koller, 2001; Silva, 2006; Sisto, 2005; Sisto, Bartho- de tal comportamento.
lomeu, Rueda, & Granado, 2005; Sisto, & Oliveira, Sisto, Bartholomeu, Santos, Rueda e Suehiro
2007; Sposito, 2001). Considerando tais aspectos, (2008a) buscaram evidência de validade de cons-
informações sobre agressividade no Brasil ou são truto e viés de medida por sexo, com base na escala
aferidas indiretamente, por exemplo, pelo relato de criada por Sisto et al. (2005). Contaram com a parti-
pais e/ou professores, sendo poucos os estudos que cipação de 445 universitários dos cursos de Enge-
citam escalas e informam e evidências de validade ou nharia, Computação e Psicologia, com idades entre 18
remetem a estudos dessa natureza (Oliveira, Chamon, e 65 anos, de ambos os sexos, sendo 57,2% mulheres.
& Mauricio, 2010; Sisto, 2012). Nesse sentido, Borsa Os 81 itens do instrumento foram analisados por meio
e Bandeira (2011) analisaram a produção cientí- do modelo Rasch. Vinte e oito itens apresentaram
fica brasileira sobre instrumentos psicológicos de funcionamento diferencial, sendo 15 condutas mais
avaliação do comportamento agressivo de crianças características de pessoas do sexo feminino e outras
e relataram que pesquisas relacionadas a esse cons- 13 mais características do sexo masculino. Os índices
truto foram incrementadas somente a partir do ano de precisão foram de 0,99 para os itens e 0,86 para os
2000. Relatam, ainda, que o instrumento mais utili- respondentes. Concluiu-se que a agressividade pode
zado para mensurar agressividade é o Child Behavior ser medida separadamente em razão do sexo.
Checklist (Achenbach, 1991; 2001), seguido da Escala Posteriormente, Sisto, Bartholomeu, Santos, Rueda
de Agressividade para Crianças e Jovens (Sisto, & Basi, e Suehiro (2008b) analisaram fatorialmente os instru-
2000). Enfatizam que a maior parte dos estudos não mentos para mensurar agressividade. Para a construção
traz informações sobre propriedades psicométricas dos instrumentos, foi utilizado o estudo relatado anterior-
do instrumento, menos ainda análises que permitam mente, em que os itens sem DIF fizeram parte de ambas
a verificação de adequação da medida para novas as escalas, acrescidos dos mais comuns aos homens,
amostras e, ainda, escassez de estudos sobre agressi- no caso da escala masculina (59 itens) e dos mais comuns
vidade na literatura nacional. às mulheres, no caso da escala feminina (66 itens). Houve
Escassez que se mostra ainda maior quando se participação de 445 estudantes universitários, de ambos
busca instrumentos que avaliem agressividade em os sexos, de cursos de Engenharia e Psicologia, com
jovens e adultos, e foi nesse sentido que Sisto et al. idades entre 18 e 65 anos. O estudo fatorial foi realizado
(2005) buscaram verificar a existência de critérios que separadamente por sexo, por meio de análise por compo-
pudessem caracterizar pessoas mais agressivas em nentes principais, com rotação Varimax. Na escala femi-
relação ao gênero. A construção dos itens do instru- nina, foram encontrados três fatores: F1. Irritabilidade
mento para captar a agressividade em universitários (α = 0,80), F2. Condutas Manipuladoras (α = 0,70) e F3.
teve como base as condutas mais relevantes descritas Condutas Antissociais (α = 0,69); e, na masculina, quatro
no CID-10 e DSM-IV. Quanto aos transtornos de fatores, sendo: F1. Condutas Antissociais (α = 0,78), F2.
conduta, inicialmente foram elaborados 151 itens, Irresponsabilidade (α = 0,77), F3. Condutas Manipu-
na forma de frases assertivas, que foram submetidos ladoras (α = 0,65) e F4. Inescrupulosidade (α = 0,59).
à análise de conteúdo, resultando em um instru- Os índices de consistência interna foram considerados
mento com 81 itens, por meio do qual o participante dentro dos parâmetros usuais e aceitos, indicando que
da pesquisa deveria informar sobre a sua ocorrência, as escalas apresentaram características psicométricas
um uma escala correspondente a nunca, às vezes ou básicas para uso em pesquisa.
sempre. Participaram do estudo 180 universitários, Bustamante e Sisto (2012), utilizando a EATA,
dos cursos de Engenharia e Psicologia, de ambos os avaliaram a tendência à agressividade em univer-

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Psicologia: Ciência e Profissão Jul/Set. 2016 v. 36 n°3, 726-737.

sitários e compararam os escores com a amostra Com isso, é possível verificar a inexistência de
normativa do instrumento, verificando também critérios que possam caracterizar pessoas mais agres-
diferenças entre gênero, curso e faixa etária. Parti- sivas em relação ao gênero (Sisto, 2005). Como apon-
ciparam do estudo 251 universitários dos cursos de tado por Borsa e Bauermann (2013), são escassos os
Engenharia e Psicologia de uma Universidade de São instrumentos disponíveis para a avaliação da agres-
Paulo, com idades entre 18 e 50 anos. Os resultados sividade, e os possíveis de serem encontrados apre-
evidenciaram que os participantes da pesquisa apre- sentam algum tipo de ‘comprometimento’ ao tipo de
sentaram menos tendência à agressividade que os avaliação realizada como, por exemplo, desejabilidade
da amostra normativa. Em todo o estudo os homens social (possíveis de ser encontrados em instrumentos
apresentaram médias mais altas. Dentre eles, alunos de autorrelato), avaliações com tônicas comparativas
do curso de Engenharia se destacaram com maior e, até mesmo, com base em valores morais dos indi-
tendência à agressividade. Verificou-se que os estu- víduos, por exemplo, observados nos instrumentos
dantes mais novos apresentaram escores significati- respondidos por pais e professores.
vamente mais altos. A avaliação psicológica é um dos mais impor-
Dentre os poucos estudos com instrumentos de tantes procedimentos realizados por psicólogos para
avaliação além da EATA, que mensurassem a agres- o entendimento do comportamento de pessoas e/ou
sividade em universitários, encontra-se o estudo de grupos (Tavares, 2003). Nesse sentido, a validação
de instrumentos psicológicos, que compõem os
de Gouveia, Chaves, Peregrino, Branco e Gonçalves
procedimentos de avaliação psicológica deve reunir
(2008), que objetivou adaptar para o contexto brasi-
um conjunto de evidências que possam assegurar
leiro o Questionário de Agressão de Buss-Perry – BPAQ
cientificamente as interpretações derivadas dos resul-
(Buss, & Perry, 1992), reunindo evidências de sua vali-
tados obtidos (Urbina, 2007). A busca de evidências
dade de construto. Com a participação de 308 estu-
de validade baseadas na estrutura interna do instru-
dantes de João Pessoa, sendo 155 universitários e 153
mento de medida é focada na relação entre o escore
do Ensino Médio, com idade média de 18,8 anos, e a
e seus itens e que, por meio de análises estatísticas,
maioria do sexo feminino (65,9%). Foram utilizados
é possível identificar a contribuição de cada item
quatro instrumentos, a Escala de Identificação Grupal,
no resultado total do instrumento e verificar se são
Questionário dos Valores Básicos e Questionário de
adequados para a avaliação do domínio que se quer
Justificação da Violência e BPAQ (Buss, & Perry, 1992).
medir. Assim, envolve a verificação da coesão entre
Este último foi elaborado originalmente em língua
a estrutura prevista com a observada, ou seja, busca
inglesa, compondo-se de 29 itens que, teoricamente,
indicar o quanto a estrutura de relações entre os itens
avaliam a agressão em quatro dimensões, a saber:
e os fatores é coerente com a estrutura proposta pela
agressão física, agressão verbal, raiva e hostilidade. teoria (Primi, Muniz, & Nunes, 2009).
Os resultados demonstraram que, embora tenham De maneira sintética, um instrumento de
emergido apenas dois fatores na Análise Fatorial avaliação deve apresentar estudos atualizados, para
Exploratória, uma Análise Fatorial Confirmatória verificar a qualidade do instrumento em amostra e
corroborou a estrutura teórica dessa medida, definida contexto específicos (Borsa, & Bandeira, 2011). Com
por quatro fatores de primeira ordem, denominados base no exposto e na necessidade de aprimoramento
de raiva (α = 0,71), hostilidade (α = 0,62), agressão contínuo dos instrumentos de avaliação psicológica,
verbal (α = 0,52) e agressão física (α = 0,65), e um de achou-se pertinente planejar uma pesquisa para
segunda ordem, nomeado como agressão (α = 0,81). testar se a estrutura fatorial da EATA seria mantida
As pontuações dos homens não diferiram daquelas em outras amostras de estados brasileiros diferentes.
das mulheres na maioria dos fatores de agressão, Esta análise é importante, pois, a menos que seja rigo-
excetuando na sua dimensão afetiva, a raiva, em que rosamente testada, não se pode afirmar que a confi-
estas apresentaram maiores pontuações. Os autores guração e parâmetros de um instrumento específico
supõem que este dado talvez indique uma perspec- sejam semelhantes em diferentes amostras (Damásio,
tiva mais aberta e assertiva da mulher que estuda que & Souza, 2015). Cabe mencionar que, além da justi-
passa a impor seus direitos e a se posicionar nos seus ficativa científica de tais procedimentos psicomé-
relacionamentos sociais. tricos, a justificativa social é pertinente uma vez que

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Bustamante, M. I.; Capitão, C. G.; Batista, M. A.; Bartholomeu, D.;
Montiel, J. M. (2016). Escala de Tendência à Agressividade.

a disponibilização de instrumentos de avaliação de lita conhecer a situação do examinando frente a um


agressividade é relevante de modo a facilitar profis- grupo bem maior para efeitos de comparação.
sionais envolvidos com esta população a partir de No que se refere ao desenvolvimento da Escala
tais informações, desenvolverem estratégias de inter- para Avaliação de Tendência à Agressividade – EATA
venção mais apuradas e refinadas como no caso de (Sisto, 2012) ocorreu segundo o autor, frente à escassez
indivíduos praticam infrações violentas, crianças que de instrumentos brasileiros que avaliem a agressividade
sofrem maus-tratos e em especial em cuidados de relacionada a jovens e adultos. Os estudos com a escala
medidas socioeducativas. Com isso, o objetivo deste tiveram início em 2005 (Sisto et al., 2005, 2008a, 2008b)
estudo foi analisar a estrutura fatorial da EATA em até sua publicação em 2012 (Sisto, 2012). A Escala tem
estudantes universitários de Minas Gerais. aprovação pelo Conselho Federal de Psicologia, apre-
sentando propriedades psicométricas satisfatórias em
seus estudos. Dentre os estudos realizados com a EATA
Método estão, por exemplo, Sisto et al. (2008a), que buscaram
evidências de validade de construto relacionadas ao
Participantes funcionamento dos itens para analisar viés de medida
Foram participantes 480 estudantes de uma por sexo. Foram participantes 445 universitários dos
universidade particular da região Sul do Estado de cursos de Engenharia, Computação e Psicologia, com
Minas Gerais, sendo oito cursos das áreas de Ciências idades entre 18 e 65 anos, de ambos os sexos, sendo
Humanas (41,2%), Ciências Biológicas (41,2%) e Ciên- 57,2% mulheres. Os 81 itens do instrumento foram
cias Exatas (17,5%). Os participantes foram, em sua analisados por meio do modelo Rasch. Vinte e oito itens
maioria, do sexo feminino (67,5%). A idade dos parti- apresentaram funcionamento diferencial, sendo 15
cipantes variou de 18 a 55 anos, com média de 26 anos condutas mais características de pessoas do sexo femi-
e moda de 22 anos (DP = 6,31). nino e outras 13 mais características do sexo masculino.
Os índices de precisão foram de 0,99 para os itens e 0,86
para as pessoas. Concluiu-se que a agressividade pode
Instrumentos ser medida separadamente em razão do sexo.
Foi utilizada a Escala para Avaliação da Tendência Em outro estudo, Sisto et al. (2008b) analisaram fato-
à Agressividade – EATA, elaborada por Sisto (2005) rialmente os itens do instrumento para mensurar agressi-
com base nas descrições de transtornos de conduta vidade. Os índices de consistência interna foram conside-
do CID-10 (Organização Mundial de Saúde, 1993) rados dentro dos parâmetros usuais e aceitos, indicando
e do DSM-IV (APA, 2002), que engloba 40 questões que a escala apresenta características psicométricas
relacionadas a condutas agressivas. As respostas básicas para uso em pesquisa. Já o estudo de Gouveia
dadas a cada item informam sobre a tendência de et al. (2008) aponta que as pontuações dos homens
uma pessoa e sua maior ou menor possibilidade de não diferiram daquelas das mulheres na maioria dos
manifestar agressividade, zero (0) se achar que mani- fatores de agressão, excetuando na sua dimensão afetiva,
festa esta conduta raramente ou nunca, o um (1) se a raiva, em que estas apresentaram maiores pontuações.
às vezes se comportar desta maneira e o dois (2) se Os autores relatam uma suposição de que este dado
achar que é muito frequente. talvez indique uma perspectiva mais aberta e assertiva da
A EATA não fornece uma medida unidimen- mulher, uma vez que esta passa a impor seus direitos e a
sional. Possui três dimensões e fornece uma quarta se posicionar nos seus relacionamentos sociais.
medida: a subescala A, com 10 itens, que tem como Bustamante e Sisto (2012), utilizando a EATA,
núcleo condutas que são comuns a ambos os sexos; avaliaram a tendência à agressividade em universitá-
a subescala B, com 14 itens, que possui como núcleo rios e compararam os escores com a amostra norma-
as condutas mais comuns ao sexo feminino e, por fim, tiva do instrumento, verificando também diferenças
a subescala C, com 16 itens, que engloba conteúdos entre gênero, curso e faixa etária. Participaram do
que são mais comuns a pessoas do sexo masculino. estudo 251 universitários dos cursos de Engenharia
Como os itens de cada subescala são independentes, e Psicologia de uma universidade de São Paulo, com
é possível se ter mais um tipo de informação que idades entre 18 e 50 anos. Os resultados evidenciaram
se refere à pontuação total da EATA e isso possibi- que os participantes apresentaram menos tendência a

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Psicologia: Ciência e Profissão Jul/Set. 2016 v. 36 n°3, 726-737.

agressividade que os da amostra normativa. Em todo apropriados, verificou-se: χ²(737) = 1996,87, p < 0,001;
o estudo os homens apresentaram médias mais altas, CFI = 0,69; RMSEA = 0,60. Esses resultados indicam
com destaque para a tendência à agressividade. que a EATA original não é apropriada para o conjunto
Verificou-se que os estudantes mais novos apresen- de dados observados, ou seja, o modelo testado não se
taram escores significativamente mais altos. sustentou empiricamente neste estudo. Sendo assim,
decidiu-se fazer uma Análise Exploratória com vistas
a analisar a estrutura interna para a amostra estudada.
Procedimentos
Cabe mencionar que o projeto foi aprovado pelo
Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade São Fran- Análise Fatorial Exploratória
cisco, sob o protocolo CAAE: 0326.0.142.000-11. Inicial- Com intuito de explorar a estrutura interna do
mente foi obtida a autorização dos responsáveis pela instrumento, foi realizada análise fatorial por compo-
universidade para composição da amostra. Foram então nente principal, rotação promax e autovalor ≥ 1. A fim
agendados, com os professores e alunos, os dias e horá- de verificar a adequação dos dados à análise fatorial,
rios para aplicação dos instrumentos. A abordagem dos usou-se a medida de Kaiser-Meyer-Olkin (KMO), cujo
participantes foi feita em sala de aula, quando se explicou resultado foi de 0,860 ao nível de significância de
os objetivos e procedimentos do trabalho. Os estudantes p = 0,000, indicando que os dados estavam apropriados
que concordaram em fazer parte do estudo assinaram o para fatoração. O teste de esfericidade de Bartlett
Termo de Consentimento Livre e Esclarecido e respon- forneceu χ² = 6100,152 e p = 0,000, referendando infor-
deram respectivamente à Ficha de Caracterização e à mação anterior. A decisão sobre o número de fatores
EATA. O tempo médio de aplicação foi de 15 minutos. foi realizada após a observação do critério scree plot,
que apontou estrutura com três fatores, semelhante à
da escala original. Procedeu-se à análise com extração
Resultados e discussão de itens com carga fatorial > 0,35 (Tabela).
Os resultados foram obtidos por meio da análise Os resultados obtidos pela Análise Fatorial
estatística com base nos programas: EQS 6.1 (Structural Exploratória para extração dos itens com peso fato-
Equation Modeling Software) e SPSS 20.0. (Statistical rial > 0,35 mostraram uma estrutura fatorial dife-
Package for Social Sciences for Windows). Utilizou-se da rente da proposta inicialmente por Sisto (2012).
Análise Fatorial Confirmatória para os dados do EATA Os itens 1, 6, 8, 11, 13, 19, 20 e 36 não apresentaram
com vistas à busca de Evidências de Validade baseada carga fatorial igual ou maior que 0,35, tendo ficado a
na Estrutura Interna. Em função dos resultados apre- escala com 32 itens. O Fator I (18 itens) reuniu itens
sentados na Análise Fatorial Confirmatória, procedeu- que, no estudo normativo do EATA, eram do núcleo
se à Análise Fatorial Exploratória do instrumento. de respostas predominantemente femininas. Com
a nova configuração, quatro itens que eram relacio-
nados a ambos os sexos, subescala A, passaram a
Análise Fatorial Confirmatória compor este fator, sendo eles de números 7, 27, 38 e 39.
Os itens inicialmente foram avaliados com esta- Também passaram a fazer parte deste fator os itens
tísticas descritivas. As Curtoses encontradas variaram 23 e 35 que eram anteriormente da subescala C ou
de -1,014 a 190,627, indicando pouca variabilidade de núcleo de condutas predominantemente masculinas.
respostas. Principalmente os itens 4, 5, 6, 13, 14, 17, O Fator II (seis itens) agrupou itens que pertenciam
18, 20, 21, 25, 26, 28, 39 e 40 apresentaram curtoses inicialmente à subescala C, relacionada a condutas
acima de 10,788, discriminando pouco as respostas mais masculinas, sendo estes os itens de números
dos participantes. Foi realizada uma Análise Fato- 12, 18, 22, 26, 30 e 32. O Fator III (8 itens) agrupou
rial Confirmatória, com o Programa EQS 6.1, usando itens da subescala A (4, 25, 28 e 40) e da subescala C
o método de estimação Maximum Likelihood, para (5, 14, 17 e 21) do estudo inicial do EATA.
buscar evidência de validade para a EATA. Vale Pode-se perceber, pelos itens agrupados nesta
observar que os estudos originais assim como o nova configuração da Escala, que alguns itens mais
presente estudo utilizaram amostras de universitá- comuns ao sexo masculino, se mantiveram agrupados
rios. O modelo testado não indicou índices de ajuste no Fator II, porém, no Fator I agruparam-se itens das 3

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Bustamante, M. I.; Capitão, C. G.; Batista, M. A.; Bartholomeu, D.;
Montiel, J. M. (2016). Escala de Tendência à Agressividade.

Tabela
Análise de componentes principais (rotação promax) com extração de itens com carga fatorial > 0,35.
Itens Fatores
I II III
24 0,642
16 0,639
15 0,579
34 0,568
10 0,546
31 0,545
38 0,530
37 0,512
29 0,501
27 0,462
9 0,443
3 0,442
2 0,405
7 0,396
23 0,391
39 0,375
35 0,365
33 0,361
32 0,814
22 0,757
30 0,649
12 0,575
18 0,529
26 0,516
17 0,684
21 0,570
14 0,568
4 0,550
5 0,518
25 0,495
28 0,476
40 0,445

subescalas e o Fator III ficou com 50% de itens da subes- Manipuladoras e Condutas Antissociais) e a masculina
cala A e 50% da subescala C. O resultado da Análise Fato- em quatro (Condutas antissociais, Condutas Mani-
rial Exploratória mostrou uma configuração diferente puladoras, Irresponsabilidade e Inescrupulosidade).
da original. Vale ressaltar que, no estudo preliminar Gouveia et al. (2008), em estudo utilizando outro instru-
para a construção da EATA, Sisto et al. (2008b) dividiram mento, o Buss-Perry, dividiram e nomearam os fatores
a escala feminina em três (Irritabilidade, Condutas do questionário como Raiva, Hostilidade, Agressão

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Psicologia: Ciência e Profissão Jul/Set. 2016 v. 36 n°3, 726-737.

Verbal e Agressão Física. Da forma como ficaram agru- 2015; Fioravanti, Santos, Maissonette, Cruz, & Landei-
pados os itens da EATA após Análise Exploratória com ra-Fernandez, 2006), assim como implicações dessa
carga Fatorial > 0,35, o Fator I inclui itens relacionados à variação na avaliação de características emocionais, de
agressividade verbal, como, “Distorço ou amenizo uma modo geral. Ressalta-se a necessidade de se respeitar
informação que poderia me trazer prejuízos”, “Aumento as estruturas fatoriais dos testes particulares de cada
uma informação para provocar sentimento de culpa nos região para evitar erro de medida, já que não se sabe se
outros”, “Gosto de controlar informações para os outros o que está sendo avaliado é alguma característica rele-
fazerem o que quero” e também itens que se referem vante do constructo mensurado ou erro em decorrência
a hostilidade, como, “Gosto de incomodar os outros”, da métrica inadequada dos itens do instrumento. Tal
“Sinto vontade de fazer coisas independentemente das problema tem sido abordado a partir de análises de inva-
normas” e “Quando não gosto de alguém, sinto vontade riância dos parâmetros de análises fatoriais confirma-
de criar uma situação para desafiá-lo”. tórias (Damásio, 2012; Bartholomeu et al., 2015) deno-
O Fator II agrupou itens correspondentes a minadas Análise Fatorial Confirmatória Multigrupo.
condutas antissociais e quebra de regras, como “Faço Damásio (2012) e Damásio e Sousa (2015) sugerem que
ultrapassagens em locais proibidos”, “Gosto de correr esta análise avalia em que medida os parâmetros de um
com o carro” e “Dirijo após ingestão de bebida alcoó- instrumento são equivalentes para diferentes grupos
lica”. O Fator III reuniu itens mais relacionados a raiva de pessoas. Os resultados ora apresentados sugerem
e a agressão física, como “Gosto de bater em animais”, que mais análises desta natureza devam ser feitas com
“Gosto de brincar de empurrar ou provocar quedas para a EATA visando implementar seus dados de validade e
causar constrangimento”, “Gosto de bater em placas de sua estrutura fatorial (estrutura interna) em diferentes
trânsito”. Os itens eliminados da escala neste estudo, subgrupos que forem submetidos a este teste. Isto é
“Ao cometer um erro mostro indiferença”, “Quando particularmente relevante tomando-se em conta o fato
não gosto de alguém sinto vontade de esconder a de este ser um dos poucos instrumentos que avaliam a
verdade para prejudicá-lo”, “Relato sentimentos não agressividade em universitários no Brasil e único apro-
verdadeiros para iniciar um relacionamento sexual”, vado no SATEPSI para este fim. Tal fato requer atenção
“Transo sem preservativo com diferentes parceiros”, dos pesquisadores sobre o tema e reitera a necessidade
“Durante uma conversa, não deixo espaço para o outro de continuidade dos estudos com este instrumento.
se colocar”, “Estaciono o carro numa vaga para defi-
cientes físicos”, “Gosto de xavecar pessoas com menos
de 18 anos”, não apresentaram carga fatorial maior Considerações Finais
que 0,35 o que indica que para os participantes desta Este estudo foi proposto para verificação da
pesquisa estes itens não se relacionaram a tendência adequação da estrutura interna da EATA, ou seja,
à agressividade como os demais. Ressalta-se que, nos investigar por meio de Análise Fatorial se os três
estudos iniciais do EATA, esses itens se relacionavam fatores e a divisão dos itens da EATA em estudo
às três subescalas, ou seja, evidenciavam tendências a original (Sisto, 2012) seria confirmados para a popu-
agressividade tanto do núcleo de respostas mais femi- lação ora estudada. Não tendo sido confirmada a
ninas (dois itens) quanto masculinas (três itens) e, estrutura original da escala pela Análise Fatorial
também, a ambos (dois itens). Confirmatória, efetuou-se a Análise Fatorial Explo-
É interessante observar que a estrutura fatorial ratória para buscar um formato mais apropriado
inicialmente apresentada não foi mantida em razão à amostra. Porém, para a população que compôs o
do estado, já que os estudos de Sisto (2012) e Sisto et presente estudo, a estrutura destes fatores se apre-
al. (2008a,b) foram feitos com amostras de São Paulo. sentou diferente da original. Dentre as limitações
Assim, pode-se questionar se variáveis culturais e/ deste estudo está a ausência de outra amostra de
ou regionais afetariam as respostas aos itens, reque- outro estado (ou do estado de padronização do teste,
rendo uma revisão de critérios e itens (como sugerida São Paulo) para ser incluída na análise e realizada
aqui no estudo exploratório) em razão dessas peculia- uma análise fatorial multigrupo visando compensar
ridades. A variação de amostras na estrutura fatorial erros amostrais. Novas pesquisas neste campo pode-
de instrumentos de avaliação já tem sido evidenciada riam ser planejadas com diferentes amostras de dife-
em outros trabalhos (Bartholomeu, Montiel, & Silva, rentes estados para se testar tais aspectos.

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Montiel, J. M. (2016). Escala de Tendência à Agressividade.

A principal contribuição deste trabalho reside incorram em erros. Assim, uma maior atenção deve ser
no fato de se levantar problemas na estrutura fato- dada a este instrumento, sobretudo no que se refere à
rial da EATA para a avaliação psicológica em outros forma de se avaliar a agressividade neste estado. Essas
estados, aspecto que deveria ser incluído nos informes informações assumem maior relevância consideran-
do manual técnico do instrumento, visando indicar do-se o fato de a EATA ser o único teste aprovado no
a lacuna e, principalmente, a estrutura dos itens no CFP para avaliação da agressividade de universitários.
estado de Minas Gerais para que as avaliações da agres- Espera-se que esta pesquisa catalise novas investiga-
sividade neste estado feitas com este instrumento não ções na área incluindo outros estados brasileiros.

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teristics of behavior problems in constipated children.
Pediatrics, 125(2), 309-317. doi:10.1542/peds.2008-3055
Recibido 16/05/2016
Aceptado 12/08/2016

Maria Inês Bustamante


Doutora. Docente da Universidade do Vale do Sapucaí,
Pouso Alegre – MG. Brasil.
E-mail: [email protected]

Como citar: Bustamante, M. I., Capitão, C. G., Batista, M. A., Bartholomeu, D., & Montiel, J. M. (2016). Validade por
estrutura interna da escala para avaliação de tendência à agressividade. Psicologia: Ciência e Profissão, 36(3): 726-737.
doi:10.1590/1982-3703001692016

How to cite: Bustamante, M. I., Capitão, C. G., Batista, M. A., Bartholomeu, D., & Montiel, J. M. (2016). Validity by
internal structure of the trend to agressivityaggression tendency assessment scale. Psicologia: Ciência e Profissão,
36(3): 726-737. doi:10.1590/1982-3703001692016

Cómo citar: Bustamante, M. I., Capitão, C. G., Batista, M. A., Bartholomeu, D., & Montiel, J. M. (2016). Validez por
estructura interna de la escala para la evaluación de la tendencia a agresividad. Psicologia: Ciência e Profissão,
36(3): 726-737. doi:10.1590/1982-3703001692016

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