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Actos de Comércio

Este documento discute os diferentes tipos de atos de comércio de acordo com a lei comercial portuguesa. Ele descreve atos de comércio subjetivos e objetivos, atos de comércio absolutos e por conexão, e a teoria do acessório para classificar atos de comércio. O documento fornece detalhes sobre como a lei define e categoriza os diferentes atos que podem ser considerados atos de comércio.

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Actos de Comércio

Este documento discute os diferentes tipos de atos de comércio de acordo com a lei comercial portuguesa. Ele descreve atos de comércio subjetivos e objetivos, atos de comércio absolutos e por conexão, e a teoria do acessório para classificar atos de comércio. O documento fornece detalhes sobre como a lei define e categoriza os diferentes atos que podem ser considerados atos de comércio.

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Os Actos de Comércio

5. Noção;

Da leitura do art. 2º CCom emerge a ideia de que certos actos jurídicos, ou seja, certos
acontecimentos juridicamente relevantes são considerados como comerciais. No entanto, a
palavra “acto” deve ser tomada num sentido mais amplo de que o compreendido no seu
significado básico corrente – o da conduta humana –, pois aqui ela abrange:

a) Qualquer facto jurídico em sentido amplo, verificado na esfera das actividades mercantis e
ao qual sejam atribuídos efeitos jurídicos, designadamente:

– Factos jurídicos naturais ou involuntários;

– Factos jurídicos voluntários, isto é, actos jurídicos, quer lícitos, quer ilícitos;

– Negócios jurídicos voluntários, mormente de carácter bilateral ou contratos.

b) Tanto os factos jurídicos isolados ou ocasionais, que podem ser praticados, muitas vezes,
por comerciantes ou por não comerciantes, como os actos que fazem parte de uma actividade
comercial, ou seja, de uma massa, cadeia ou sucessão de actos jurídicos interligados pela
pertinência a uma mesma obrigação – e por visarem a prossecução de fins comuns, quer do fim
imediato ou objecto – exploração de um determinado tipo de negócio –, quer o fim mediato –
consecução de lucros.

6. Distinção entre actos e actividade mercantil;

O corpo do art. 230º CCom, determina: “haver-se-ão por comerciais as empresas individuais ou
colectivas, que se propuserem:” seguindo-se uma série de números que referem diversas espécies
de actividades económicas.

As actividades das empresas enumeradas neste artigo estão classificadas como actos do comércio
objectivos.

O que em todo o caso ressalta evidente é que o art. 230º CCom, tem destacada importância como
norma qualificadora, quer pela relevância nele atribuída à empresa no plano conceitual, que
sobretudo por dele decorrer a sujeição ao Direito Comercial de todos os actos que se enquadrem
nas actividades das empresas em questão, mesmo que não tivessem se encarados isoladamente.

Os actos praticados no exercício de uma das actividades abrangidas pelo art. 230º CCom, serão
sempre actos de comércio, por não terem “natureza essencialmente civil”[1] e por serem
praticados por um comerciante no âmbito com o seu comércio.
A actividade comercial é, um encadeado de actos interligados e duradouro, sendo o art. 230º
CCom, que, no conjunto de actos que a integram, nos permite valorar cada um deles em termos
jurídico-comerciais.

7. Conceito material da actividade comercial

Não há, na lei comercial, uma definição material unitária de acto de comércio. E por outro lado,
na medida em que o art. 2º CCom, considera comerciais, em regra, todos os actos do comerciante
no exercício da sua actividade, mais difícil parece encontrar um conceito que a todos abrange,
uma factualidade típica que englobe todos os actos na sua multiplicidade.

8. Interpretação da 1ª parte do art. 2º do Código comercial

Lê-se na 1ª parte do art. 2º CCom: “serão considerados actos de comércio, todos aqueles que se
acharem especialmente regulados neste Código”.

Quer o legislador referir-se a actos que devem a sua qualidade de actos de comércio à
circunstância de se acharem regulados em determinado diploma. Porque se trata de uma
circunstância objectiva, que nada tem a ver com os sujeitos que praticam esse acto, são eles
designados como actos de comércio objectivos.

a) Actos simultaneamente regulados na lei civil e na lei comercial: em princípio, estes actos
serão civis; no entanto, serão comerciais quando neles se verificarem aquelas características
específicas que a lei comercial estabelece como atributivas da comercialidade.

b) Actos exclusivamente regulados no Código Comercial: são os que se acham directa e


explicitamente referidos, de forma genérica, na 1ª parte do art. 2º CCom;

c) Actos regulados na legislação extravagante posterior ao Código Comercial.

9. Interpretação da 2ª parte do art. 2º do Código Comercial

Pela 2ª parte do art. 2º CCom, são também considerados como actos de comércio “todos os
contratos e obrigações dos comerciantes que não forem por natureza exclusivamente civil, se o
contrário do próprio acto não resultar”.

Trata-se pois, daqueles actos que são comerciais, não pelo factor objectivo consistente na lei em
que são regulados, mas sim pelo elemento subjectivo consistente em serem praticados pelos
comerciantes. Daí que se denominem actos subjectivos: é a qualidade do sujeito que os pratica,
que lhes confere comercialidade.

A lei parte do princípio de que, sendo o comerciante um profissional de comércio, actividade


complexa cujo exercício implica a montagem e orientação de uma organização potencialmente
absorvente, deve-se partir do pressuposto de que a sua actividade jurídica é, em regra, inerente à
sua actividade económica. Logo, até prova em contrário – pois a presunção é iuris tantum – os
actos do comerciante são actos de comércio por se presumir estarem ligados à sua empresa
mercantil.

Precisamente por tal presunção deve ser ilidivel, a 2ª parte do art. 2º CCom, admitindo duas
ressalvas ao postulado base de que são actos de comércio “todos os contratos e obrigações dos
comerciantes”. Assim, estes actos não serão actos de comércio:

– Se forem de natureza exclusivamente civil; e

– Se o contrário do próprio acto não resultar.

a) “De natureza exclusivamente civil”

É aquele (acto) que for essencialmente civil, ou seja, que não possa ser praticado em conexão
com o comércio, que não possa ser “comercializado”, por ser impossível que tenha alguma
conexão com o exercício do comércio, nem poder deste derivar;

b) “Se o contrário do próprio acto não resultar”

Os actos dos comerciantes que não forem de natureza exclusivamente civil serão comerciais, se
deles mesmos não resultar que não têm relação com o exercício do comércio do comerciante que
os pratica.

Esta exegese pretende-se com a própria redacção do artigo: “o contrário” reporta-se à frase do
princípio do artigo: “serão considerados actos de comércio…”. Os actos dos comerciantes serão
considerados comerciais se deles não resultar o contrário, isto é, que não são actos de comércio,
por não terem relação alguma com o comércio de quem os praticou, ou seja, que não têm
natureza nem causa mercantil.

É a interpretação que atende à razão de ser da norma: à presunção de que os actos jurídicos
praticados pelos comerciantes o são no exercício do comércio. Logo, quando do próprio acto
resultar que ele não tem qualquer ligação ou pertinência ao comércio de quem o praticou,
conclui-se que ele não é um acto de comércio.

Em resumo, o art. 2º CCom, abrange como actos de comércio:

– Os que estiverem regulados no Código Comercial e em outras leis em razão dos interesses
do comércio: actos objectivos;

– E os que forem praticados por comerciantes – actos subjectivos – , presumindo-se que o


são no exercício ou em ligação com o seu comércio; presunção esta que será elidível pela
demonstração: ou de que o acto é de natureza exclusivamente civil, por não poder ser praticado
em relação com o comércio; ou de que do próprio acto resulta que é alheio à actividade
comercial de quem o praticou.
Classificação dos actos de comércio

10. Actos de Comércio subjectivos e objectivos

São actos de comércio objectivos, os que são regulados na lei comercial, em razão do seu
conteúdo ou circunstâncias.

São actos de comércio subjectivos, aqueles que a lei atribui comercialidade pela circunstância de
serem tais actos conexos com a actividade comercial dos seus autores.

11. Actos de comércio absoluto e por conexão ou acessórios

Os actos de comércio absolutos ou por natureza são comerciais devido à sua natureza intrínseca,
que radica do próprio comércio, na vida mercantil. São actos gerados e tipificados pelas
necessidades da vida comercial.

Podem-se distinguir duas espécies de actos dentro desta categoria:

– Uns, – que são a maior parte – são actos absolutos em virtude de serem os actos
caracterizadores, típicos, essencialmente integrantes daquelas actividades que tornam o objectivo
material do Direito Comercial;

– Outros são actos absolutos em razão da sua forma, ou do objecto sobre o qual incidem.

Os actos de comércio por conexão ou acessórios são comerciais apenas em virtude da sua
especial ligação a um acto de comércio absoluto ou a uma actividade qualificada de comercial.

12. Teoria do acessório

Partindo da constatação de que certos actos, civis pelas suas características, podem tornar-se
comerciais por serem praticados em ambiente comercial. Segundo a teoria do acessório, são
actos de comércio acessórios os actos praticados por um comerciante no exercício do seu
comércio, e além disso, os actos ligados a um acto de comércio absoluto.

Assim, para esta teoria há duas categorias de actos de comércio: os que estão ligados à actividade
comercial de um comerciante; e, os que adquirem comercialidade por terem relação com o de um
acto de comércio por natureza.

Desta teoria nada de novo resultaria que o nosso direito não reconhecesse já: os actos acessórios
da primeira categoria são os actos subjectivos (2ª parte do art. 2º CCom); e os da segunda
categoria, não sendo subjectivos, serão objectivos, isto é, seriam os actos de comércio
simultaneamente objectivos e acessórios, os actos de conexão objectiva.

A teoria do acessório conduz a incluir nesta segunda categoria de actos acessórios, certos actos
que não são em face dos preceitos da nossa lei: por ela, seriam também actos de comércio
acessórios os actos conexos com os actos de comércio objectivos e absolutos praticados por um
não comerciante.

13. Actos substancialmente e formalmente comerciais

Actos formalmente comerciais, os que são regulados na lei comercial como um esquema formal,
que permanece aberto para dar cobertura a um qualquer conteúdo, mas abstraem no seu regime
do objecto ou fim para que são utilizados.

Actos substancialmente comerciais, os que têm comercialidade em razão da própria natureza, ou


seja, por representarem, em si mesmos, actos próprios de actividades materialmente mercantis.

14. Actos de comércio causais e abstractos

Diz-se causal, todo o acto que a lei regula em ordem a preencher ou a realizar uma determinada e
específica causa-função jurídico-económica.

É abstracto, aquele que se revela adequado a preencher uma multiplicidade indeterminada de


causas funções, podendo a relação jurídica que dele resulta ter uma vida independente da relação
que lhe deu origem.

15. Actos bilateralmente comerciais ou puros e actos unilateralmente comerciais ou mistos

São bilaterais ou puros os actos que têm carácter comercial em relação às duas partes. E são
unilaterais ou mistos os actos que apenas são comerciais em relação a uma das partes, e civis em
relação à outra (art. 99º CCom).

Noção de comerciante

16. Noção de comerciante e a sua importância

O legislador não deu uma definição legal de comerciante, mas sim, indica quais sãos as
categorias legais de comerciantes (art. 13º CCom).

Tem-se segundo o entendimento tradicional do art. 13º CCom, por um lado os comerciantes que
são pessoas singulares – geralmente designados por comerciantes em nome individual – e os
comerciantes que são pessoas colectivas – as sociedades comerciais.

No domínio do Direito Comercial, deve prevalecer, em geral, a noção de comerciante que resulta
do art. 13º CCom: comerciante é quem, enquadrando-se numa das duas categorias do art. 13º
CCom, seja titular de uma empresa que exerça uma das actividades comerciais, tais como as
qualificam o art. 230º CCom, e as demais disposições no avulsas que caracterizam e englobam
no Direito Comercial certas actividades económicas.

A aquisição da qualidade de comerciante é sempre originária, não podendo transmitir-se nem


inter vivos, nem mortis causa.
Portanto, quem organizar ou adquirir uma empresa comercial terá de preencher, em si mesmo, os
requisitos necessários para obter de si a qualidade de comerciante.

O art. 13º/1 CCom, refere-se a pessoas. Em geral, entende-se que aquele n.º 1, só abrange
pessoas singulares: os chamados comerciantes em nome individual. Mas pode questionar-se se
ali se abrangerão também pessoas colectivas.

Há, três casos especiais quanto ao problema do art. 13º/1 CCom:

a) As sociedades civis em forma comercial: a solução tradicional, que sustenta que não são
comerciantes, foi posta em dúvida face ao art. 42º/1 DL 42645, de 14 de Novembro de 1959, tal
como pode sê-lo hoje perante o art. 3º CRC, que sujeita tais sociedades à matrícula. Ora, a
matricula no registo comercial é um acto apenas aplicável aos comerciantes e às demais
entidades expressamente mencionadas no CRC. As sociedades civis em forma comercial não
são, pois comerciantes, já que apenas estão sujeitas, por equiparação, ao regime das sociedades
comerciais, mas não lhes és genericamente aplicável o regime dos comerciantes.

b) Empresas públicas: serão comerciantes, face ao art. 13º/1 CCom? E se o não forem, deverão
ser qualificadas como comerciantes, mercê do respectivo regime estatutário geral (DL 260/76, de
8 de Março)? Em face destas duas normas, entre si conjugadas, afigura-se que, se as empresas
públicas não são rigorosamente qualificáveis como comerciantes, no entanto estão pela lei a eles
equiparadas, no que toca à capacidade jurídica e às normas aplicáveis às suas actividades; e uma
dessas normas será precisamente, a 2ª parte do art. 2º CCom.

c) Agrupamentos Complementares de Empresas (ACE): pessoas colectivas cujo regime jurídico


consta da Lei 4/73, e do DL 430/73, de 25 de Agosto. O objectivo geral destes agrupamentos
consiste em melhorar as condições de exercício ou os resultados das actividades económicas das
pessoas (singulares ou colectivas) nelas agrupadas. Devem pois, os ACE ter um escopo concreto,
relacionado com as actividades agrupadas. E podem ter um fim principal e fim ou fins
acessórios. Mas os ACE não podem ter por fim principal a realização e partilha de lucros, muito
embora possam ter esse fim como acessório, se o contrato constitutivo expressamente o autorizar
. As ACE por princípio, não são necessariamente comerciantes.

17. Os comerciantes em nome individual. A matrícula

O art. 13º/1 CCom, só abrange pessoas físicas: os usualmente denominados comerciantes em


nome individual.

Quando é que uma pessoas física se diz comerciante?

Em face do CRC, constata-se que a matrícula não é uma condição nem necessária, nem
suficiente, para a aquisição da qualidade de comerciante.
Não basta estar matriculado como comerciante mesmo sem matrícula. Esta não é, portanto,
condição nem suficiente nem necessária da aquisição da qualidade de comerciante em nome
individual.

18. Requisitos de acesso à qualidade de comerciante

a) Personalidade jurídica

Quanto a este requisito, não há aqui a considerar quaisquer especialidades face ao regime geral
do Direito Civil.

Assim, além de assumir a personalidade jurídica das pessoas singulares (art. 66º CC), a lei
comercial atribui-a às sociedades comerciais (art. 5º CSC) e às sociedades civis em forma
comercial (art. 1º/4 CSC).

b) Capacidade comercial

A capacidade jurídica constitui a medida dos direitos e obrigações de que uma pessoa é
susceptível de ser sujeito (art. 67º CC) e que a doutrina distingue entre a capacidade de gozo e a
capacidade de exercício. Dos arts. 14º/1 e 17º CCom, resultam restrições à capacidade comercial
sem fim lucrativo e de Direito Público.

Quanto à capacidade de exercício, deverá ter-se em conta o art. 7º CCom, que enuncia dois
princípios fundamentais: o da liberdade de comércio e o da coincidência entre a capacidade civil
e a capacidade comercial.

A plena capacidade comercial depende de uma pessoa – singular ou colectiva – ter capacidade
civil e não estar abrangida por alguma norma que estabeleça uma restrição ao exercício do
comércio.

Podem os menores e os demais incapazes ser comerciantes?

O art. 13º/1 CCom, ao exigir capacidade para a prática de actos de comércio, pretende referir-se
à capacidade jurídica de exercício, tanto mais que alude ao carácter profissional do comércio, o
que pressupõe uma prática habitual de actos geradores, mediadores ou extintivos de direitos e
obrigações.

Assim, parece que não pode conceber-se o exercício de uma profissão deste jaez por um incapaz:
o próprio conceito de profissão e, no caso, a circunstância de ela se traduzir numa contínua e
habitual prática de actos e negócios jurídicos, sendo, portanto, absorvente e responsabilizante,
afigura-se incompatível com a situação jurídica de incapacidade.

A inclusão dos menores e interditos no art. 13º/1 CCom, deve entender-se cumgrano salis quanto
ao exercício profissional do comércio: considera-se que tal exercício será a prática habitual de
actos comerciais, não directa e pessoalmente pelos incapazes, mas pelos seus representantes em
nome e por conta daqueles. Isto, evidentemente, desde que os representantes obtenham a
autorização judicial eventualmente necessária, face aos arts. 1889º e 1938º CC.

c) Exercício profissional do comércio

Pressupõe e concretiza-se através da prática de actos de comércio. Mas não qualquer prática: só a
prática em termos de profissão.

a) Não basta a prática de actos de comércio isolados ou ocasionais: para se adquirir a qualidade
de comerciante é indispensável a prática regular, habitual, sistemática, de actos de comércio;

b) Não basta a prática, mesmo que habitual de quaisquer actos de comércio: nem todos estes
actos têm a mesma potencialidade de atribuir a quem os pratique a qualidade de comerciante;

c) É indispensável para que haja profissionalidade que o indivíduo pratique os actos de


comércio de forma a exercer como modo de vida uma das actividades económicas que a lei
enquadra no âmbito do direito mercantil;

d) Deve entender-se como indispensável que a profissão de comerciante seja exercida de


modo pessoal, independente e autónomo, isto é, em nome próprio, sem subordinação a outrem;

e) É indispensável que o comerciante organize factores de produção com vista à produção das
utilidades económicas resultantes de uma daquelas utilidades económicas que a lei considera
como comerciais.

Portanto, é comerciante quem possui e exerce uma empresa comercial: quem é titular de uma
organização daquelas que a lei qualifica como empresas comerciais para através dela exercer
uma actividade comercial.

19. Situações duvidosas quanto à aquisição da qualidade de comerciante

O art. 14º e 17º CCom, pretende evitar um alargamento excessivo da categoria de comerciante. O
art. 14º/2 CCom, aplica-se aos acasos do art. 13º/1 CCom.

Quer as pessoas de fim desinteressado, quer as pessoas colectivas de fim interessado não
económico, não podem ser comerciantes.

Mandatário comercial, a doutrina entende que não são comerciantes, são sujeitos que a título
profissional executam um mandato comercial com representação.

Mandato mercantil, traduz-se na execução do mandato, pratica um conjunto de actos (um ou


mais) de comércio, realizados pelo mandatário comercial, produzem efeitos jurídicos na esfera
jurídica do mandante representado (art. 231º; 258º CCom).

a) Gerente (arts. 248º a 250º CCom)


Quem em nome e por conta de um comerciante trata do comércio desse comerciante, no lugar
onde esse comerciante tenha ou peça para actuar.

Tem um poder de representação (art. 249º CCom), é um poder geral e compreensivo de todos os
actos pertencentes e necessários ao exercício do comércio para que tenha sido dado, não são
comerciantes.

b) Auxiliares de comércio (art. 256º CCom)

São encarregados de um desempenho constante em nome e por conta dos comerciantes de algum
(s) dos ramos de tráfico.

c) Caixeiros (art. 257º CCom)

São empregados do comerciante, encarregados de funções várias. O poder de representação do


caixeiro (e dos auxiliares) é um poder de representação menor que dos gerentes (arts. 258º e 259º
CCom).

São classificados no Código Comercial como mandatários com representação. Os poderes de


representação podem resultar de outros negócios jurídicos sem ser o contrato de mandato. Sendo
subordinados, praticam actos de comércio, por nome e por conta do empregador – para aquele
negócio não são comerciantes.

d) Comissários (dos comerciantes) – art. 266º CCom, contratos de comissão, art. 268º CCom)

Fica directamente obrigado com as pessoas com quem contratou como se o negócio fosse seu.

O comissário pratica os actos para o comitente, repercutem-se na esfera jurídica do comissário,


fica o titular dos bens adquiridos. Há uma segunda negativa que regula a relação que o
comissário tem com o comitente. O comissário vai receber do comitente além da sua
remuneração (ordinária) um outro montante.

Se o comissário, praticar actos de forma comercial, faz do comércio profissão para efeitos do art.
13º CCom, é irrelevante se ele os pratica para ele ou por conta de outrem – ele é comerciante –
fica obrigado pela prática dos seus actos.

e) Mediadores

Pessoa colectiva ou singular, que servem de elo de ligação entre diversos sujeitos jurídicos,
promove a celebração de negócios entre duas pessoas. Executam actos de comércio, a sua
actividade está incluída no art. 230º/3 CCom.

f) Agentes comerciais
Promove por conta de outrem a celebração de contratos. Operador independente mediante
retribuição. O essencial da sua actividade é a promoção do contrato, pode celebrar também se
tiver mandato para isso.

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