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ISSN 1983-9731

Foto: Allan K. B. Ramos


COMUNICADO Capim-BRS Tamani
TÉCNICO
(Panicum maximum Jacq.)
161 híbrido de maior qualidade, porte baixo e
fácil manejo

Liana Jank
Brasília, DF
Mateus Figueiredo Santos
Dezembro, 2021
Editores técnicos
2

Capim-BRS Tamani (Panicum


maximum Jacq.), híbrido de maior
qualidade, porte baixo e fácil manejo1
1
Liana Jank, pesquisadora da Embrapa Gado de Corte, Campo Grande, MS. Mateus Figueiredo Santos,
pesquisador da Embrapa Gado de Corte, Campo Grande, MS. Giovana Alcantara Maciel, pesquisadora da
Embrapa Cerrados, Brasília, DF. Gustavo José Braga, pesquisador da Embrapa Cerrados, Brasília, DF. Ademir
Hugo Zimmer, pesquisador da Embrapa Gado de Corte, Campo Grande, MS. Manuel Claudio Motta Macedo,
pesquisador da Embrapa Gado de Corte, Campo Grande, MS. Celso Dornelas Fernandes, pesquisador da
Embrapa Gado de Corte, Campo Grande, MS. José Raul Valério, pesquisador aposentado da Embrapa
Gado de Corte, Campo Grande, MS. Jaqueline Rosimeire Verzignassi, pesquisadora da Embrapa Gado de
Corte, Campo Grande, MS. Luís Armando Zago Machado, pesquisador da Agropecuária Oeste, Dourados,
MS. Rodrigo Arroyo Garcia, pesquisador da Agropecuária Oeste, Dourados, MS. Rosangela Maria Simeão,
pesquisadora da Embrapa Gado de Corte, Campo Grande, MS. Judson Ferreira Valentim, pesquisador da
Embrapa Acre, Rio Branco, AC. Newton de Lucena Costa, pesquisador da Embrapa Roraima, Boa Vista,
RR. Francisco Duarte Fernandes, pesquisador da Embrapa Cerrados, Brasília, DF. Francisco José da Silva
Lédo, pesquisador da Embrapa Gado de Leite, Juiz de Fora, MG. Daniel Portella Montardo, pesquisador da
Embrapa Pecuária Sul, Bagé, RS. Carlos Mauricio Soares de Andrade, pesquisador da Embrapa Acre, Rio
Branco, AC. Bruno Carneiro e Pedreira, pesquisador da Embrapa Agrossilvipastoril, Sinop, MT. Roberto Giolo
de Almeida, pesquisador da Embrapa Gado de Corte, Campo Grande, MS. Alexandre Romeiro de Araújo,
pesquisador da Embrapa Gado de Corte, Campo Grande, MS. Allan Kardec Braga Ramos, pesquisador
da Embrapa Cerrados, Brasília, DF. Janaina Azevedo Martuscello, professora da Universidade Federal de
São João del Rei, São João Del Rei, MG. Fernando Alvarenga Reis, pesquisador da Embrapa Caprinos e
Ovinos, Sobral, CE.

nutritivo. A cv. BRS Tamani foi selecionada


Resumo com base nas avaliações agronômicas
A Embrapa mantém um programa de e morfológicas realizadas na Embrapa
melhoramento e desenvolvimento de cul- Gado de Corte com destaque inicialmente
tivares de Panicum maximum Jacq. (sin: para o seu porte baixo, abundância de
Megathyrsus maximus (Jacq.) B.K. Simon perfilhos, produtividade de forragem, vigor
& S.W.L. Jacobs) com os objetivos de de rebrotação, folhas finas, valor nutritivo
diversificar o uso de forrageiras nas pas- da forragem e resistência à cigarrinha-das
tagens e intensificar a produção animal -pastagens. Nos ensaios regionais nos
no Brasil. Em 2015, foi lançada a cultivar estados do Acre, Rondônia, Mato Grosso
BRS Tamani, em parceria com a Unipasto do Sul, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul
(Associação para o Fomento à Pesquisa e no Distrito Federal, a cv. BRS Tamani
de Melhoramento de Forrageiras). A cv. apresentou elevada adaptação com
BRS Tamani é um híbrido de P. maximum bom desempenho agronômico e produ-
que supre a demanda por uma cultivar de tividade de forragem em todos os locais
porte baixo, de fácil manejo e resistente às avaliados, exceto em solos encharcados.
cigarrinhas-das-pastagens, assim como Na avaliação sob pastejo no Cerrado do
a cv. Massai, porém com maior valor Distrito Federal, a cultivar apresentou bom
3

estabelecimento, elevada persistência e initially on its short height, abundance of


alto desempenho animal nas estações tillers, forage yield, regrowth vigor, thin le-
seca e chuvosa do ano. Esta cultivar é fá- aves, forage nutritive value and resistan-
cil de manejar, já que devido ao seu porte ce to spittlebugs. In regional trials in the
mais baixo e maior proporção de folhas states of Acre, Rondônia, Mato Grosso
apresenta colmos menos fibrosos e mais do Sul, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul
macios do que as cultivares tradicionais and the Federal District, cv. BRS Tamani
de porte alto. A carência de cultivares showed high adaptation with good agro-
de porte baixo com maior desempenho nomic performance and forage yield in all
animal que a cv. Massai, com alto perfi- evaluated sites, except on waterlogged
lhamento, adaptadas a solos de média a soils. Under grazing in the Cerrado of the
alta fertilidade e ao sombreamento e com Federal District, the cultivar showed good
maior facilidade e flexilbidade de manejo establishment, high persistence, and
do pastejo tornam a cultivar importante high animal performance in the dry and
alternativa para diversificar áreas de pas- rainy seasons of the year. This cultivar is
tagens no Brasil. Essa publicação está easier to manage since its shorter size
alinhada com os objetivos 1, 2, 3 e 8 do and higher proportion of leaves presents
desenvolvimento sustentável. less fibrous and softer stems than the
traditional tall cultivars. The lack of short
Abstract high tillering cultivars with better animal
performance than cultivar Massai and
Embrapa maintains a program for
adapted to medium to high fertility soils
the improvement and development of
and to shading and easier and flexible
Panicum maximum Jacq. cultivars (syn:
to manage under grazing make this cul-
Megathyrsus maximus (Jacq.) B.K.
tivar an important alternative to diversify
Simon & S.W.L. Jacobs) with the aim of
pasture areas in Brazil. This publication
diversifying the use of forages in pastu-
is in line with goals 1, 2, 3 and 8 of the
res and intensifying animal production in
sustainable development goals.
Brazil. In 2015, cultivar BRS Tamani was
commercially released in partnership with
Unipasto (Association for the Promotion
Introdução
of Research in Forage Breeding). Cultivar O Brasil mantém o maior rebanho bo-
BRS Tamani is a hybrid of P. maximum vino comercial no mundo e é o segundo
that meets the demand for a cultivar of produtor e o primeiro exportador mundial
short height, easy to manage and resis- de carne (ABIEC, 2021). O rebanho bo-
tant to spittlebugs, such as cv. Massai, but vino, com 214,89 milhões de cabeças
with greater nutritive value. BRS Tamani em 2019 (IBGE, 2019), na sua grande
was selected based on agronomic and maioria, é mantido a pasto, uma vez que
morphological evaluations carried out apenas 15,6% é terminado em confina-
at Embrapa Beef Cattle, with emphasis mento (ABIEC, 2021). Esse diferencial
4

da carne produzida no Brasil confere uma da variabilidade, potencial agronômico,


vantagem competitiva ao setor por causa modo reprodutivo e herança do modo de
do menor custo da produção animal a reprodução, entre outros, a coleção foi dis-
pasto e da inexistência de riscos associa- ponibilizada para o mundo tropical.
dos ao mal da vaca louca (Encefalopatia
No Brasil, toda a coleção foi avaliada
Espongiforme Bovina), além de promover
agronomicamente e morfologicamente
o bem-estar dos animais.
entre 1984 e 1989 (Jank et al., 1997;
Para manter todo este rebanho uti- Savidan et al., 1989) e os primeiros cruza-
liza-se uma área de 149,7 milhões de mentos foram realizados a partir de 1990.
hectares de pastagens (Landau et al., Naquela época, a cultivar amplamentente
2020), das quais 112,17 milhões de hec- difundida e utilizada no Brasil era a cv.
tares são de pastagens cultivadas (IBGE, Colonião. Cerca de 50% dos acessos da
2017). Nessas áreas, as forrageiras são coleção introduzida foram mais produtivos
escolhidas e cultivadas de acordo com que aquela cultivar (JANK, 1995) e, as-
as condições ambientais de cada região, sim, após vários estudos, foram liberadas
com os objetivos e os níveis tecnológi- comercialmente as cultivares Tanzânia-1
cos dos sistemas de produção. Neste em 1990 (Embrapa Gado de Corte,
contexto, a busca por novas forrageiras, 1990), Mombaça em 1993 (Embrapa
mais adaptadas, produtivas e de melhor Gado de Corte, 1993) e Massai em 2001
qualidade é uma constante. A Embrapa (Embrapa Gado de Corte, 2001; Valentim
Gado de Corte mantém programas de et al., 2001). O sucesso destas cultivares
desenvolvimento de novas cultivares baseou-se no fato das plantas terem
de Brachiaria spp., Panicum maximum maior quantidade de folhas, rebrota mais
e Stylosanthes spp., para atender a de- rápida após o pastejo e melhor estrutura
manda por cultivares melhoradas que para o pastejo devido a maior quantidade
contribuam para a intensificação susten- de folhas e colmos de menor elongação,
tável da pecuária brasileira. inferindo a estas cultivares maior potencial
para desempenho e produtividade animal.
O programa de melhoramento de P.
A tudo isto, aliou-se o fato dessas cultiva-
maximum teve início em 1982 com a im-
res terem apresentado boa produção de
portação da França de toda sua coleção de
sementes, o que viabilizou a produção
germoplasma representativo da variabilida-
comercial e a distribuição aos pecuaristas.
de natural da espécie. Pesquisadores fran-
ceses do IRD (Institute de Recherche pour Com a continuidade do programa de
le Développment), ex-ORSTOM (Office melhoramento genético da espécie na
de la Recherche Scientifique et Technique Embrapa Gado de Corte, foram lançadas
d’Outre-Mer) coletaram a variabilidade na- a cv. BRS Zuri em 2014 (Embrapa Gado
tural no seu Centro de Origem no Quênia de Corte, 2014) e os híbridos BRS Tamani
e Tanzânia em 1967 e 1969 (Combes e em 2015 (Embrapa Gado de Corte, 2015)
Pernès, 1970) e, após estudos minuciosos e BRS Quênia em 2017 (Jank et al.,
5

2017). Todas essas cultivares foram regis-


tradas e protegidas no Registro Nacional
Histórico da cv.
de Cultivares e Serviço Nacional de BRS Tamani
Proteção de Cutivares, junto ao Ministério
da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. A cultivar é resultado de um cru-
zamento do tipo sexual x apomítico
Essa publicação apresenta as principais
realizado em 1990 e todos os híbridos
características da cultivar BRS Tamani, des-
obtidos foram plantados no campo em
creve os seus desempenhos agronômicos
1991, em espaçamento de 1 m entre
e sob pastejo animal, e sua adaptação às
plantas. Foi realizada uma seleção visu-
condições edafoclimáticas nos diferentes
al com 10% de pressão de seleção e os
biomas brasileiros. Além disso, traz as
melhores híbridos foram plantados em
principais recomendações geradas pela
um experimento de avaliação em 1995.
pesquisa para o seu plantio e manejo.
Esses híbridos foram avaliados quanto a
A publicação está alinhada com os produção agronômica por meio de cor-
objetivos do desenvolvimento sustentável, tes (Jank et al., 2001). Nestas plantas foi
por se tratar da forrageira BRS Tamani, que estudado o modo de reprodução sendo
atende aos objetivos 1, 2, 3 e 8. A tecnologia que o H46 (denominado posteriormente
ajudará a erradicar a pobreza e melhorar a de BRS Tamani) mostrou ser um híbrido
saúde e bem estar, pela facilidade de mane- apomítico facultativo com baixa porcen-
jo e maior engorda dos ruminantes a pasto o tagem de sexualidade.
que resulta em um alimento mais saudável
Os melhores híbridos foram plantados
e de menor custo, que consequentemente
em ensaios regionais de VCU (Valor de
ajuda a melhorar a saúde da população. O
Cultivo e Uso) sob cortes em 2002 (Jank
objetivo 3 (Acabar com a fome, alcançar a
et al., 2005; 2009). Os ensaios foram
segurança alimentar e melhoria da nutrição
plantados por sementes nos seguintes
e promover a agricultura sustentável) é aten-
biomas, locais e Unidades da Embrapa:
dido da mesma forma, além de contribuir
no Bioma Cerrado, em Campo Grande,
com a sustentabilidade pela menor necessi-
MS, na Embrapa Gado de Corte (Jank et
dade do uso de roçadeiras, e pela prática de
al., 2004) e Planaltina, DF, na Embrapa
integração com culturas melhorando o solo
Cerrados (Fernandes et al., 2014); no
e a produtividade das mesmas. A melhor
Bioma Amazônia, em Presidente Médici,
qualidade reduz a emissão de metano dos
RO, na Embrapa Rondônia e Rio Branco,
animais, contribuindo com a mitigação dos
AC, na Embrapa Acre (Valentim et al.,
gases de efeito estufa e melhorando o meio
2006; Ferreira et al., 2006); no Bioma
ambiente. Por fim, contribui com o cresci-
Mata Atlântica, em Valença, RJ, pela
mento econômico sustentável e emprego
Embrapa Gado de Leite (Ledo et al.,
pleno e produtivo e trabalho decente para
2005); e no Bioma Pampa, em Bagé,
todos por permitir maior retorno econômico
RS, na Embrapa Pecuária Sul, para
da propriedade.
avaliar a resposta destes híbridos às
6

geadas (Montardo et al., 2010). As teste- no Quênia e Tanzânia, local de coleta da


munhas foram as cultivares Tanzânia-1, coleção recebida do ORSTOM. Tamani sig-
Mombaça, Massai, Milênio e Aruana. nifica precioso e desejável na língua suaíli.
Foram avaliados 23 genótipos, entre
eles, a cv. BRS Tamani, em parcelas de Caraterísticas
6 linhas de 4 m, com três repetições, em
delineamento em blocos ao acaso. morfológicas da cultivar
Ensaios experimentais foram condu- A cv. BRS Tamani é uma planta
zidos na Embrapa Agropecuária Oeste, cespitosa de porte ereto e baixo (0,65
em 2009, 2010 e 2011 em que o capim a 1,10 cm), com folhas verde escuras,
BRS Tamani foi comparado com outros longas, finas (1,5 a 1,7 cm) e arqueadas
híbridos na entressafra da soja. Foi ava- (Tabela 1; Figura 1). As folhas apresen-
liada a produção de forragem e a sensi- tam baixa pilosidade. Os colmos são
bilidade à geada e ao herbicida glifosato. finos, com internódio de comprimento
curto e não apresentam cerosidade. As
A cv. BRS Tamani também foi avalia- bainhas são glabras (sem pelos).
da quanto ao desempenho animal em en-
A inflorescência é uma panícula, com
saios de VCU pastejo no Bioma Cerrado
ramificações primárias curtas e secundá-
em Planaltina, no Distrito Federal, de
rias medianas por toda a inflorescência. As
2011 a 2013, tendo a cv. Massai como
espiguetas são uniformemente distribuídas
testemunha. Outras avaliações também
ao longo das ramificações, são glabras e
fizeram parte da seleção da BRS Tamani,
apresentam alta quantidade de manchas
como tolerância às cigarrinhas-das-pas-
roxas. Apresenta verticilo piloso na base da
tagens, resistência às doenças (vírus e
inflorescência. Seu florescimento é definido
fungos foliares e de sementes), produti-
e precoce, ocorrendo a partir de fevereiro,
vidade de sementes, respostas à aduba-
nas condiões de Campo Grande, MS.
ção, e quanto as tolerâncias a solos mal
drenados, sombreamento e frio. A cultivar As principais diferenças morfológicas
P. maximum BRS Tamani foi registrada com a cultivar mais parecida (Massai) são
e protegida no Ministério da Agricultura, a baixa pilosidade nas lâminas foliares e
Pecuária e Abastecimento, em 08 de ju- as bainhas glabras, enquanto a cv. Massai
lho de 2014 (sob o número 32691) e em tem alta pilosidade. As sementes da cv.
25 de novembro de 2014 (sob o número BRS Tamani têm cor mais escura aver-
20150064), respectivamente. melhada/roxa e o florescimento precoce,
enquanto que a cv. Massai tem sementes
A Embrapa Gado de Corte tradicional- mais esverdeadas e o florescimento tardio
mente dá nomes às cultivares de P. maxi- (Tabela 1). Há que se ressaltar que, após
mum que se remetem à África, para home- a colheita por varredura, as sementes
nagear o local de origem da espécie. Assim, tornam-se muito parecidas em coloração,
o nome Tamani vem do Suaíli, língua falada em virtude do seu contato com o solo.
em vários países da África, principalmente
7

Tabela 1. Principais diferenças morfológicas e fenológicas entre a cv. BRS Tamani e a cv. Massai.

Característica BRS Tamani Massai


Altura da planta baixa baixa
Largura da lâmina foliar estreita- média estreita
Pilosidade da folha baixa alta
Pilosidade da bainha ausente alta
Cor da espigueta roxa verde-marrom
Ramificação secundária dispersa ausente
Ciclo de florescimento precoce tardio
Intensidade do perfilhamento basal alto alto
Fonte: Mori et al. (2011).

Foto: Luiz Leal

Figura 1. Plantas de BRS Tamani.


8

Caracterização plantas, e com cortes a cada 35 dias na


época das águas e um corte de seca no
citológica e final da época seca, a cv. BRS Tamani
embriológica produziu 14,8 t ha-1 de matéria seca (MS)
total e 13,6 t ha-1 de MS de folhas, sendo
Como as demais cultivares apomí- que na estação seca sua produção corres-
ticas da espécie, a cv. BRS Tamani é pondeu a 13,6% da produção anual (Jank,
tetraploide com 32 cromossomos (x = 8). L. dados não publicados). No município
Seu modo de reprodução é por apomixia de Boa Vista, Roraima, a cv. BRS Tamani,
sendo um híbrido apomítico facultativo submetida a três períodos de descanso de
com baixa porcentagem de sexualidade. 42 dias, mostrou-se mais produtiva (3,76 t
ha-1 de MS verde no período de maio a se-
Na avaliação da meiose da cv. BRS
tembro de 2015) que as cvs. Massai (3,34
Tamani observou-se apenas 14,2% de
t ha-1 de MS) e Tanzânia-1 (3,22 t ha-1 de
anormalidades meióticas, que não com-
MS) (Costa et al., 2020a).
prometem a viabilidade do pólen, pois
essa porcentagem é muito baixa para Com base na média de cinco lo-
afetar negativamente a produção de cais (Acre, Mato Grosso do Sul, Rio de
sementes (Pessim et al., 2010). Janeiro, Rondônia e Distrito Federal),
nos quais foram realizados os ensaios de
Informações VCU sob cortes (Jank et al., 2009), a cv.
BRS Tamani produziu 11,2 t ha-1 de MS
agronômicas de folhas nas águas com 91% de folhas
em relação aos colmos; e apresentou a
A cv. BRS Tamani é indicada para
produção de 1,24 t ha-1 de MS de folhas
uso em solos bem drenados, de média
na seca com 97% de proporção de folhas
a alta fertilidade, em todos os estados
em relação aos colmos (Tabela 2). Em
do bioma Cerrado, com mais de 800 mm
Roraima, as maiores produtividades de
de pluviosidade anual e até seis meses
MS foram estimadas com desfolhação a
de estação seca. Deve-se alertar, entre-
cada 38 dias (3,68 t ha-1) e rebaixamento
tanto, que apesar da BRS Tamani ser
das plantas a 28 cm acima do solo (3,53
parecida com a cv. Massai e ser superior
t ha-1), como decorrência do maior índice
a esta em diversos caracteres, ela não
de área foliar (3,61), comparativamente
é um melhoramento da cv. Massai, ou
às desfolhações a 10 cm (2,14), 20 cm
seja, não se adapta necessariamente às
(2,87) ou 40 cm acima do solo (3,29)
mesmas condições ambientais que a cv.
(Costa et al., 2020b).
Massai vem se destacando.
Um grande diferencial da cv. BRS
No campo de avaliação na Embrapa
Tamani é a sua qualidade nutricional.
Gado de Corte (Jank et al., 2001), em
Na média dos cinco locais de avaliação
parcelas de duas linhas de cinco plantas
dos ensaios regionais, as porcentagens
cada, espaçadas 0,50 cm entre linhas e
9

Tabela 2. Médias anuais e na seca das produtividades de matéria seca foliar (MSF) e porcen-
tagem de folhas em relação aos colmos (FO) de cultivares de Panicum maximum avaliados em
cinco ensaios regionais (AC, RO, MS, DF e RJ).

Anual Seca
Cultivar
MSF (t ha-1) FO (%) MSF (t ha-1) FO (%)
BRS Tamani 11,2 91 1,24 97
Massai 12,8 86 1,51 93

de proteína bruta (PB) foram de 10,0% e também valores de fibra detergente neu-
12,4% na seca e águas, respectivamen- tro (FDN) de 72,8% a 75,4% na seca e
te, aproximadamente 6% e 13% maior nas águas, respectivamente, valores
que a cultivar Massai (Tabela 3). Isto inferiores aos da cv. Massai (Tabela 3).
também correspondeu a 9% a mais de
Em Roraima, durante o período chu-
PB que a cv. Tanzânia-1 tanto na seca
voso, a cv. BRS Tamani apresentou, res-
quanto nas águas, as quais, por sua vez,
pectivamente, para os períodos de des-
foram superiores à cv. Mombaça (Tabela
canso da forrageira de 28, 35 e 42 dias:
3). Considerando a digestibilidade in
24,09; 22,11 e 20,05 g kg-1 de nitrogênio;
vitro da matéria orgânica, a cv. BRS
1,93, 1,87 e 1,75 g kg-1 de fósforo; 4,88,
Tamani apresentou 60,0% e 59,6% na
5,11 e 4,31 de folhas vivas perfilho-1; e
seca e nas águas, respectivamente, su-
taxa de senescência de 0,299, 0,321 e
periores em 7% na seca e 3% nas águas
0,344 cm pefilho-1 dia-1. Estes resultados
em relação à cv. Massai. As cultivares
mostram que as concentrações de nitro-
Tanzânia-1 e Mombaça apresentaram
gênio, fósforo e número de folhas vivas
valores abaixo de 60%. A maior dife-
perfilho-1 são inversamente proporcionais
rença (8%) foi encontrada em relação
ao período de descanso, ao passo que a
à cv. Mombaça na estação seca do ano
taxa de senescência foliar é diretamente
(Tabela 3). A cv. BRS Tamani apresentou
proporcional (Costa et al., 2020c).

Tabela 3. Médias das porcentagens de proteína bruta (PB), digestibilidade in vitro da matéria
orgânica (digestibilidade) e fibra em detergente neutro (FDN) de cultivares de P. maximum na
média de cinco ensaios regionais (AC, RO, MS, DF e RJ), nas épocas da seca e das águas
durante dois anos de avaliação.

PB (%) DIGESTIBILIDADE (%) FDN (%)


Cultivar
SECA ÁGUAS SECA ÁGUAS SECA ÁGUAS
BRS Tamani 10,0 12,4 60,0 59,6 72,8 75,4
Massai 9,4 11,0 55,9 57,6 74,1 76,3
Tanzânia-1 9,2 11,4 59,8 57,6 73,7 76,0
Mombaça 8,9 10,7 55,3 57,3 73,2 75,5
10

Outro diferencial da cultivar BRS de referência (ET0), sob seis níveis


Tamani é que o porte baixo e a estrutura crescentes de irrigação.
das plantas, associadas à alta palata-
Pelas análises de regressão evi-
bilidade e boa qualidade da forragem,
denciou-se que a cv. BRS Tamani
facilitam o pastejo uniforme e permitem
respondeu bem à irrigação no pe-
obter alta eficiência de colheita da forra-
ríodo de déficit hídrico, sendo que
gem produzida.
sua PMST média foi igual a 4,4 t
ha -1, 45% maior do que a média de
Adaptação PMST da cv. Massai (3,1 t ha -1) nas
mesmas condições. A mesma res-
à drenagem posta foi evidenciada para a taxa de
deficiente no solo acúmulo diário de MS no período de
déficit hídrico, sendo que a TAF da
A cv. BRS Tamani foi classificada cv. BRS Tamani (49,6 kg ha -1 dia -1 de
como intolerante ao encharcamento MS) foi, em média, 32% maior do que
do solo em estudo realizado no Acre, a evidenciada na cv. Massai (37,5 kg
onde o desempenho de 21 genótipos ha -1 dia -1 de MS) (Figuras 2 e 3). Essa
de P. maximum foi avaliado em solo resposta não foi evidenciada para a
com drenagem deficiente durante cultivar BRS Tamani quando irrigada
três anos (Andrade; Valentim., 2009). no período de excesso hídrico.
Essa informação foi posteriormente Em conclusão, a orientação para o
confirmada em fazendas comerciais produtor rural que pretende usar irriga-
no Acre, onde se constatou a mortali- ção é de que, mesmo em períodos de
dade de plantas em locais sujeitos ao veranicos, não se deve irrigar a cv. BRS
encharcamento do solo. Portanto, seu Tamani no período das águas, pois
plantio somente é recomendado em essa cultivar não irá responder. A se-
solos bem drenados. gunda orientação é a de que a irrigação
pode e deve ser utilizada na cv. BRS
Resposta à irrigação Tamani durante o período de seca, pois
essa cultivar responderá com maior
As cultivares Massai e Tamani fo- produção do que a cv. Massai sob as
ram avaliadas quanto a irrigação, nos mesmas condições.
períodos de déficit e excesso hídrico,
em Sete Lagoas, MG (Resende et al.,
2020). Elas foram avaliadas para o
peso de massa seca total (PMST) e
taxa de acúmulo de forragem (TAF) em
relação à irrigação mais pluviosidade
como proporção à evapotranspiração
11

Figura 2. Regressão das variáveis produção de MS total (PMST, em t ha-1) e acúmulo diário de MS
(TAF, em kg ha-1 dia), em média, nas estações de déficit e excesso hídrico em relação à variável
independente irrigação + pluviosidade acumuladas como proporção da evapotranspiração de
referência (ET0) do período, [(irr+plu/)ET0], em %, para a cultivar BRS Tamani.
12

Figura 3. Regressão das variáveis produção de matéria seca total (PMST, em t ha-1) e acúmulo
diário de matéria seca (TAF, em kg ha-1 dia), em média, nas estações de déficit e excesso hídrico
em relação à variável independente irrigação + pluviosidade acumuladas como proporção da
evapotranspiração de referência (ET0) do período, [(irr+plu/)ET0], em %, para a cultivar Massai.
13

Adaptação ao frio As principais cultivares de P.


maximum foram avaliadas em 2011 em
Na avaliação da produção de for- Dourados, MS, após a ocorrência de
ragem e persistência de 22 genótipos duas geadas severas, sendo registradas
em Bagé na região da Campanha do temperaturas do ar de 1,6 e 1,0°C.
Rio Grande do Sul, após diversas Apesar da percentagem de perfilhos
geadas em 2008 e 2009, a cv. BRS vivos do capim BRS Tamani após a
Tamani persistiu em nível intermediá- geada ter sido semelhante à dos capins
rio, similar à cv. Tanzânia-1. Sua per- Aruana e Mombaça (Tabela 4), o BRS
sistência foi inferior às das cultivares Tamani destacou-se pela quantidade
Mombaça, BRS Zuri e BRS Quênia, de perfilhos que sobreviveram após a
porém maior do que a cv. Massai, de geada. Isso explica o que vem sendo
mesmo porte. Sua produção de MS observado no campo após a geada,
de folhas foi quatro vezes maior do onde o capim BRS Tamani tem se
que a cv. Massai nessas condições recuperado mais rápido que outras
(Montardo et al., 2010). forrageiras.

Tabela 4. Número de perfilhos vivos e mortos e percentagem de perfilhos vivos do capim BRS
Tamani após a ocorrência de duas geadas consecutivas em Dourados, MS, em 2011.

Perfilhos
Percentagem de
Forrageiras Vivos* Mortosns
Perfilhos vivos
Perfilhos/m²
BRS Tamani 395 a 178 69
Aruana 168 b 105 70
Massai 19 d 340 31
Tanzânia-1 105 cd 198 33
Mombaça 193 bc 83 68
BRS Zuri 125 c 133 52
BRS Quênia 123 c 75 62
*Médias seguidas de letras distintas na coluna diferem significativamente (P<0,001) pelo teste de Duncan. ns não signi-
ficativo.
14

Exigências de exigir, em curto prazo, reposição de cor-


retivos. Para a estimativa da necessidade
fertilidade e tolerância de calcário (NC), tem-se:
à acidez do solo: NC = (SBf -SBi)/100 x CTC x fc; em

recomendações de que
NC= necessidade de calcário em t
calagem e adubação ha-1; SBf (%) = saturação por bases
A cv. BRS Tamani, entre as forrageiras a ser atingida; SBi= saturação por
tropicais, é considerada como parte inte- bases inicial ou atual; CTC ou T= ca-
grante do grupo de cultivares exigentes pacidade de troca catiônica a pH 7,0
em fertilidade e de baixa a moderada to- e; fc= 100/PRNT (fator de correção
lerância a acidez do solo. Para um efetivo para o PRNT do calcário).
e rápido estabelecimento, bem como para Na Figura 4 podem ser observadas
manter a produtividade do pasto é neces- as respostas da produção relativa de MS
sário observar cuidadosamente a análise total do capim BRS Tamani comparadas
do solo. Nesse sentido, as exigências da a outras cultivares de mesma espécie,
BRS Tamani são ligeiramente semelhan- demonstrando que cerca de 90% da pro-
tes às das cvs. Tanzânia-1 e Mombaça. dução máxima pode ser alcançada entre
Como todas as forrageiras tropicais 40-60% de saturação por bases.
desenvolvidas pela Embrapa, a cv. BRS No estabelecimento e na manutenção
Tamani apresenta moderada tolerância da pastagem do capim BRS Tamani é de
à acidez, mas para seu bom estabele- primordial importância que os teores ab-
cimento e a manutenção produtiva da solutos de Ca++ e de Mg++, estejam acima
pastagem durante sua utilização exige de 1,5 e 0,5 cmolc/dm3, respectivamente,
correção da acidez do solo, tendo em na camada de 0 a 20 cm. Nas camadas
vista que essa característica é genera- inferiores de 20 a 40 cm é importante
lizada em nossas condições. manter os teores absolutos de Ca++ acima
Recomenda-se que no estabelecimen- de 0,5 cmolc/dm3. A elevação dos teores
to da pastagem, a saturação de alumínio de Ca++ na camada subsuperficial pode
esteja abaixo de 15-20%, e a saturação por ser obtida com aplicação superficial do
bases no solo seja elevada para 45-50%, gesso agrícola, o qual também será fonte
na camada de 0 a 20 cm de profundidade. de S para a forrageira. Para cálculo das
Embora saturações ligeiramente menores quantidades de gesso, pode-se utilizar a
não afetem substancialmente a produção formula a seguir:
inicial, a utilização intensiva da pastagem NG = 50 x teor de argila; em que
e a eventual acidificação do solo pelo uso
de fertilizantes nitrogenados, entre outros, • NG= necessidade de gesso em kg
podem diminuir a saturação por bases e ha-1; e; 50 = fator de correção; teor
de argila em %
15

Figura 4. Produção relativa média (%) de massa seca total de forragem dos capins: BRS Tamani
(TAM), Quênia (QUE), Massai (MASS) e Tanzânia-1 (TANZ) em um Latossolo argiloso distrófico
do Cerrado em Mato Grosso do Sul, em função da saturação por bases no solo. Fonte: Macedo
e Araújo, dados não publicados.

Na fase de estabelecimento, a quan- podem ser calculadas pela seguinte


tidade de fósforo a ser utilizada depen- fórmula:
de dos teores de fósforo na camada de
Dose de fósforo (kg ha-1 de P2O5)
0 a 20 cm de solo e da porcentagem
= (Teor desejado de P - Teor atual de
de argila, quando se usa o extrator
P) x CT
Mehlich-1 (Tabela 5). Exemplo da res-
posta produtiva à concentração de fós- A capacidade tampão do solo (CT)
foro em um solo argiloso é apresentado está relacionada aos teores de argila no
na Figura 5. solo, e está apresentada na Tabela 6.

As quantidades de P2O5 a serem


aplicadas para se atingir essas faixas
16

Tabela 5. Faixas adequadas de fósforo (P) para o estabelecimento da cv. BRS Tamani, na ca-
mada de solo de 0 a 20 cm, de acordo com a textura e teor de argila do solo.

Textura do solo Teor de argila do solo (%) Faixa adequada de P no solo


Solos muito argilosos >60 3–5
Solos argilosos 36 – 60 6 – 10
Solos textura média 15 – 35 15 – 17
Solos textura arenosa <15 18 - 21
1
Teores de P disponível – Extrator Mehlich-1.

Tabela 6. Capacidade tampão do solo segundo o teor de argila do solo.

CT - Capacidade Tampão – Mehlich-1 (kg


Teores de argila %
P2O5 ha-1) / (mg dm-3 de P)
< 15 5
16 a 35 9
36 a 60 30
> 60 70
Fonte: Sousa et al., (2007).

Figura 5. Produção de massa seca total (kg ha-1) de forragem no estabelecimento do capim BRS
Tamani em um Latossolo argiloso distrófico, do Cerrado em Mato Grosso do Sul, em função dos teores
de P no solo, estimados pelo extrator de Mehlich-1. Fonte: Macedo e Araújo, dados não publicados.
17

Os níveis de potássio no solo no es- pastagens é bastante ampla, vai desde


tabelecimento da pastagem devem estar as primeiras chuvas em setembro, até
acima de 50 mg dm-3 de K. Devem ainda março, no Brasil Central. A época de
ser aplicados, 30 kg ha-1 de S, o mínimo semeadura com condições climáticas
de 50 kg ha-1 de nitrogênio e 40 a 50 kg adequadas é de grande importância,
ha-1 de uma fórmula com micronutrientes no sentido de obter germinação da
na forma de FTE (fritted trace elements) semente e rápido estabelecimento e
que contenha cobre, zinco, boro e mo- formação da pastagem. Isto resulta em
libdênio para um período residual de 3 menores perdas de solo por erosão,
a 4 anos. menor competição por plantas dani-
nhas, e na utilização mais rápida da
Na fase de utilização da pastagem,
pastagem, com melhor desempenho
os níveis de reposição de nutrientes
animal.
devem observar a manutenção dos
teores de nutrientes exigidos na implan- Em anos mais recentes, com a
tação em pelo menos 80% dos valores rotação de pastos com culturas anuais,
absolutos, e, posteriormente, também ou associados a estas, capins dos
serem equivalentes aos níveis de pro- gêneros Brachiaria spp. e da espécie
dução animal almejados. As práticas de P. maximum têm sido semeados após
reposição de nutrientes, em especial o a colheita das sojas precoces ou milho
nitrogênio, e de manejo adequado do ou, ainda, semeados junto com o
pasto, garantem maior longevidade do milho safrinha nos meses de fevereiro/
pasto e a produção sustentável de carne março.
ou leite.
Como a germinação em semea-
duras antecipadas ou tardias, tende a
Estabelecimento ser menor, deve-se aumentar a taxa de
semeadura para garantir o estabeleci-
O estabelecimento da cultivar BRS mento de maior número de plantas. A
Tamani é idêntico ao das demais culti- semeadura em áreas com ocorrência
vares de P. maximum, no que tange à de plantas daninhas anuais pode pre-
época, taxa, profundidade e método de judicar o estabelecimento da forrageira
semeadura. A cultivar difere um pouco devido ao banco de sementes preexis-
das demais cultivares de P. maximum tente no solo e eventual competição
por apresentar, de modo geral, estabe- com a forrageira. Isto pode ser contor-
lecimento um pouco mais lento. nado pela semeadura um pouco mais
tardia, quando o estoque de sementes
das plantas daninhas já germinou, bem
Época de semeadura como aumentar a taxa de semeadura, e
A época de semeadura tradicio- se necessário aplicar herbicidas.
nalmente utilizada na implantação de
18

Taxa de semeadura média em consórcio com a cultura do


milho (Zimmer et. al 2019). O preparo
Esta cultivar tem peso de 1,35 g do solo foi convencional, a semeadura
para cada mil sementes coletadas em foi a lanço e as sementes incorporadas
varredura, o que corresponde a cerca com grade niveladora. A semeadura da
de 740 sementes por grama e a taxa cultura do milho foi realizada logo a se-
de semeadura recomendada é de 180 a guir. Maiores taxas de semeadura, como
270 sementes puras viáveis (SPV) m-2, esperado, resultaram em maior número
quantidades também recomendadas de plantas m-2, maior cobertura do solo e
para as demais cultivares de P. maximum menor infestação por plantas daninhas.
(Barrios et al. 2021), o que equivale a 2,43 Importante destacar que a percentagem
a 3,65 kg ha-1 de SPV. As quantidades de de plantas estabelecidas tendeu a reduzir
sementes comerciais para esta cultivar com taxas de semeadura mais elevadas,
podem ser calculadas pela Calculadora devido provavelmente a maior competição
de Sementes do Aplicativo Pasto Certo - entre as novas plantas. Isto é bem comum
versão 3.0® (Barrios et al., 2021), tanto em todas as cultivares de P. maximum.
para sementes não revestidas quanto
para revestidas. A semeadura com a cultura do milho,
com taxa de 240 SPV m-2 resultou em
Na tabela 7 são apresentados dados número de plantas idêntico à semeadura
desta cultivar em três taxas de semeadu- solteira, entretanto a cobertura do solo
ra, e também com a taxa de semeadura foi menor aos 50 dias após a semeadura

Tabela 7. Número de plantas, percentagem estabelecida e cobertura do solo da BRS Tamani e in-
vasoras, em três taxas de semeadura (SPV), solteira e em consórcio com milho, aos 50 dias após
a semeadura. Preparo convencional do solo e enterrio pós-semeadura. Campo Grande – MS.

Sementes puras
Plantas estabelecidas Cobertura %
Taxa de viáveis*
Semeadura Número/ Número/ BRS
kg ha-1 % Invasoras
m2 m2 Tamani
Baixa 1,32 120 18 15 18 18
Média 2,64 240 30 13 30 20
Alta 3,96 360 40 11 53 5
Com Milho 2,64 240 38 16 12 7
Média 3,6 240 32 14 34 13
* Valor cultural 100%; Semeadura em 28/01/2015; Fonte: Zimmer et al. (2019).
19

(Tabela 7). Nestes consórcios é impor- Profundidade de


tante que se obtenha boa população ini-
cial, pois a BRS Tamani compete pouco semeadura
com a cultura do milho. O crescimento É comum a generalização de que
principal da forrageira ocorrerá após a a semeadura das forrageiras pode ser
maturação do milho. feita superficialmente. Entretanto, a
É importante destacar que esta boa germinação e estabelecimento das
cultivar tem estabelecimento mais plantas somente ocorre em condições
lento do que as demais. No mesmo adequadas de precipitação pluvial, tem-
experimento a cultivar BRS Zuri aos peratura e fertilidade do solo.
50 dias apresentou cobertura do solo Ocorre grande variação hídrica
de 50%, 80% e 82% para baixa, média do solo, principalmente nas camadas
e alta taxas de semeadura, respecti- mais superficiais, que após algumas
vamente, e de 47% para com milho, horas de insolação reduz em muito a
com as mesmas taxas de semeadura umidade do solo, dificultando a embe-
em número de sementes por m2. Cabe bição da semente, a sua germinação e
ressaltar que na média destas 4 taxas a fixação das raízes da plântula. Além
de semeadura, a BRS Zuri apresen- disto, a temperatura na superfície do
tou mais plantas (60 m-2) enquanto a solo frequentemente atinge níveis que
BRS Tamani somente 32 plantas m-2 ultrapassam os 50°C, o que é limitante
(Zimmer et al., 2019). à germinação e ao estabelecimento
Estima-se que um mínimo de 40 a das plântulas. Adicionalmente, em
50 plantas m-2 estabelecidas é mais anos recentes, registraram-se tempe-
adequado para garantir a boa formação raturas superiores a 65ºC na superfície
de pastagens de P. maximum, cujas do solo descoberto na Embrapa Gado
sementes são pequenas e as plântulas de Corte em Campo Grande, MS.
frágeis ou que podem se estabelecer Estas altas temperaturas muitas vezes
mais lentamente. No caso de espé- são fatais para as sementes em início
cies cujas sementes são de tamanho de germinação, principalmente quando
relativamente grande como é a dos acompanhadas de deficiência hídrica.
capins do gênero Brachiaria, de 20 a 30 De um modo geral, recomendam-se
plantas m-2, é suficiente para assegurar profundidades de semeadura de 2 a
uma adequada formação da pastagem. 5 cm para cultivares de P. maximum,
Nos dados da Tabela 7, consideram-se como a BRS Tamani (Tabela 8). Entre
sementes com 100% de Valor Cultural as quatro profundidades testadas as
(VC) que, na prática, não existem, e profundidades de 3 e 6 cm proporcio-
estes devem ser corrigidos em função naram o melhor estabelecimento, tanto
do VC da semente comercial. para a BRS Tamani como para a BRS
Zuri. Estes dados são resultantes da
20

semeadura de 300 SPV m-2 a campo. É niveladora ou com semeadora em regu-


importante notar que mesmo na semea- lagem adequada.
dura a 9 cm de profundidade, o número
Contudo, em solos arenosos e pou-
de plantas emergidas foi equivalente ao
co estruturados, onde os torrões se
da semeadura superficial.
desmancham com facilidade pela ação
É importante destacar também, que da chuva, é conveniente fazer a seme-
estas indicações de profundidade de se- adura em menor profundidade (3 cm).
meadura destinam-se a orientar quanto Do contrário, há risco de arraste de terra
aos métodos de semeadura a serem para o sulco, deixando as sementes a
adotados. A incorporação das sementes profundidade excessiva, o que dificulta
no solo pode ser realizada com grade a emergência.

Tabela 8. Número e percentagem de plantas estabelecidas dos capins BRS Tamani e BRS Zuri,
resultantes da semeadura de 300 sementes puras viáveis m-2 em campo, em Latossolo argiloso/
muito argiloso, Campo Grande, MS.

Profundidade de BRS Tamani BRS Zuri


Semeadura* (cm) nº plantas m -2
% estabelecida nº plantas m-2 % estabelecida
0 12 4 11 4
3 46 15 74 25
6 28 9 52 17
9 14 5 14 5
Média 25 8 38 13
* Semeadura em 26/02/2016. Plantas estabelecidas com a terceira e quarta lâmina foliar; Fonte: Zimmer et al. (2019) e
Zimmer, dados não publicados.

Métodos de semeadura ser baseado nos resultados de análise


do solo.
Antes de iniciar a semeadura, é de
fundamental importância preparar e Os métodos de semeadura da BRS
corrigir o solo adequadamente, para que Tamani podem ser os mesmos das
o plantio possa ser realizado de modo demais forrageiras, mas por apresen-
correto, pois a adubação no estabeleci- tar sementes muito pequenas, requer
mento de pastagens resulta em melhor alguns cuidados na distribuição destas
e mais rápido estabelecimento e deve e depende dos equipamentos e das
condições disponíveis na fazenda.
21

Foi realizado um experimento de plantas estabelecidas foi decrescente


métodos de semeadura das forrageiras com taxas de semeadura mais elevadas,
BRS Tamani e BRS Quênia na Embrapa devido provavelmente a maior competi-
Gado de Corte, com preparo conven- ção entre as novas plantas (Tabela 9).
cional do solo, semeadura a lanço em
A percentagem de plantas estabe-
três taxas de semeadura, no qual as
lecidas foi relativamente alta devido às
sementes foram incorporadas com rolo
boas condições de clima, temperatura e
compactador ou com grade niveladora,
boas chuvas que ocorreram no período.
com abertura de dois furos. As maiores
Estas boas condições favorecem mes-
taxas de semeadura, como esperado,
mo semeaduras mais superficiais, como
resultaram em maior numero de plantas
a cobertura por rolo compactador.
estabelecidas por m2 aos 35 dias após a
semeadura, entretanto, a proporção de

Tabela 9. Número e percentagem de plantas estabelecidas, aos 35 dias após a semeadura, dos
capins BRS Tamani e BRS Quênia, resultantes de três taxas de semeadura com distribuição das
sementes a lanço em dois métodos de incorporação. Em Latossolo Roxo, Campo Grande, MS.

Taxa BRS Tamani BRS Quênia


Método de
Semeadura*
cobertura nº plantas/m2 % estabelecida nº plantas/m2 % estabelecida
nº/m2
120 37 31 36 35
Rolo 240 46 19 43 24
360 75 18 51 18
Média 52 23 43 26
120 38 40 45 37
Grade 240 48 23 62 25
360 82 21 80 21
Média 56 28 62 28
*Semeadura em 02/03/2017; Fonte: Zimmer et al. (2019) e Zimmer, dados não publicados.

Quanto a equipamentos de distribui- para forrageiras vêm sendo comercia-


ção das sementes e semeadoras, houve lizadas. Estas podem ser acopladas
avanço nos últimos anos. Existem no na frente ou sobre os implementos na
mercado, semeadoras com regulagens parte traseira do trator e são acionadas
mais precisas, ou caixas para a semea- por motor elétrico. A distribuição das se-
dura de sementes pequenas e para volu- mentes é a lanço e na mesma operação
mes reduzidos de sementes. Além disso, já podem ser incorporadas com grade
semeadoras voltadas especificamente niveladora ou compactadas.
22

Cabe ressaltar que a melhor forma- sob altas temperaturas e umidades relati-
ção de pastagem é obtida com a seme- vas, durante o período de chuvas. O fungo
adura em linha, já que se aumenta o B. maydis é transmissível pelas sementes.
controle de profundidade de semeadura, Então, imediatamente antes da semeadu-
se melhora a distribuição e a cobertura ra, recomenda-se tratá-las com fungicida
das sementes, em relação a semeadura à base de Carboxina (200 mL do princípio
a lanço. Porém, em algumas situações ativo – p.a./litro) + Tiram (200 mL do p.a./
onde não há semeadora em linha dis- litro), na proporção de 250-300 mL de pro-
ponível, a semeadura a lanço é uma duto comercial/100 kg de sementes. Este
opção, porém é necessário aumentar a tratamento irá contribuir para proteger as
taxa de semeadura. sementes e plântulas, evitando-se a redu-
ção de estande inicial e possibilitando a
Resistência a rápida formação da pastagem.
O mosaico, causado pelo Potyvirus
pragas e doenças Johnsongrass mosaic virus- JGMV, é ou-
tra doença importante em P. maximum, a
qual reduz a área foliar fotossintética, pre-
Doenças judicando o desenvolvimento normal das
Na Embrapa Gado de Corte, durante plantas (Figura 6). Tal doença é transmis-
o desenvolvimento da BRS Tamani, estu- sível por afídeos, muito comuns em áreas
dou-se o comportamento da cultivar em de pastagens. É importante ressaltar que
relação às principais doenças incidentes os sintomas do mosaico, quando obser-
em P. maximum. A referida cultivar foi com- vados à distância, se confundem com
parada com outras da mesma espécie, já deficiências de nitrogênio e/ou enxofre.
lançadas comercialmente. Em relação à No entanto, observando-se de perto, veri-
mancha das folhas, causada pelo fungo fica-se a sintomatologia típica da doença.
Bipolaris maydis, realizaram-se inocula- A BRS Tamani tem se comportado como
ções artificiais com isolados do patógeno resistente ao mosaico, exibindo, em algu-
originários de diferentes regiões do Brasil. mas avaliações, somente sintomas leves
Concluiu-se que a BRS Tamani apresen- da referida doença.
tou grau de resistência intermediária entre
As forrageiras tropicais são eficien-
a Tanzânia-1 (suscetível) e a BRS Zuri
tes no controle dos nematoides dos
(resistente). Em condições de campo, a
gêneros Meloidogyne, Heterodera e
severidade da doença não ultapassou
Rotylenchulus, mas podem multiplicar
10% de área foliar doente, com baixa re-
Pratylenchus brachyurus. Quanto à hos-
dução de produtividade e de qualidade da
pedabilidade ao nematoide P. brachyurus,
forragem. Os maiores danos da doença
a BRS Tamani apresentou fator de repro-
são observados nos primeiros 60 dias de
dução (FR) que variou de 5,5 a 9,1, muito
formação da pastagem, quando as plantas
próximo da testemunha suscetível (milho
ainda estão jovens e se desenvolvendo
23

Figura 6. Sintomas de mosaico (Potyvirus) em folhas de Panicum maximum. Fotos: Celso Fernandes
(2021).

BRS 2020), com FR = 10,4 (Queiroz et al., soja/milho. Mesmo com aumento consi-
2014). Assim, tal cultivar, ao ser utilizada derável na população desse nematoides
em sistemas agrícolas ou de integração nas áreas com capim Xaraés, a produti-
lavoura pecuária, deve ser usada com vidade de soja cultivada em sucessão foi
cautela onde há histórico de presença de 800 kg ha-1 maior que soja em suces-
deste nematoide, evitando-se a sequên- são ao milho. Em solos degradados pelo
cia de culturas hospedeiras ao patógeno, monocultivo, o benefício deixado pelas
prática que possibilita o aumento da po- forrageiras tropicais ao solo são consí-
pulação do organismo no solo. deráveis. O nematoide P. brachyurus
passa a ser uma praga secundária.
Embora o capim BRS Tamani, as-
sim como a maioria das forrageirsas Em áreas com BRS Tamani deve-se
tropicais, apresente fator de reprodu- tomar o cuidado para o equilíbrio de
ção significativo para o nematoide P. adubação com nitrogênio (N) e potássio
brachyurus, esse fator não é o único (K). Excesso de N predispõe a planta a
aspecto relacionado a produção. Cruz et maior suscetibilidade às doenças, so-
al. (2020) cultivaram o capim Xaraés na bretudo à mancha foliar e ao mosaico.
entressafra da soja, em área infestada Por outro lado, adubações potássicas
com nematoide P. brachyurus e compa- contribuem para a redução de doenças
raram esses cultivos com a sucessão no campo.
24

Cigarrinhas-das- gramíneas avaliadas tem sido medido


em vasos por meio de dois parâmetros:
pastagens percentual de sobrevivência ninfal e
Quando do lançamento de novas duração do período ninfal. As cultivares
cultivares de gramíneas forrageiras que apresentam antibiose, apresentam
tropicais, a resistência às cigarrinhas- níveis de sobrevivência baixos e de pe-
das-pastagens é um atributo básico ríodos ninfais altos.
e fundamental, tendo em vista que o Embora os testes conduzidos com
controle químico apresenta limitações a cv. BRS Tamani tenham sido em
econômicas e ecológicas para a maioria maior número com a cigarrinha N.
das modalidades de uso, nas várias re- entreriana, alto nível de antibiose foi
giões do Brasil. Nesse sentido, ensaios constatado, também, com as demais
foram realizados envolvendo o híbrido espécies (D. flavopicta, M. spectabilis
BRS Tamani visando obter informações e Mahanarva sp.) (Figuras 7 e 8). Tal
sobre o nível de resistência às seguin- fato caracteriza a inadequação da cv.
tes espécies de cigarrinhas: Notozulia BRS Tamani como planta hospedeira,
entreriana, Deois flavopicta, Mahanarva confirmando-a como resistente por
spectabilis (anteriormente referida antibiose, em nível comparável com
como M. fimbriolata) e Mahanarva sp. a cultivar Tanzânia-1 (Valério et al.,
As conclusões foram feitas, principal- 2012; Pistori et al., 2010).
mente, com base no mecanismo de
resistência denominado antibiose. A BRS Tamani também foi avaliada
quanto ao mecanismo de resistência
Antibiose é um mecanismo de resis- denominado Tolerância. Tolerância é
tência caracterizado pela ação adversa um mecanismo de resistência através
exercida pela planta hospedeira sobre o do qual a planta é capaz de resistir ou
desenvolvimento do inseto. De manei- se recuperar de danos causados por
ra geral, a planta afeta o potencial de insetos-praga (no presente caso, danos
reprodução da praga. Os efeitos mais causados pelas cigarrinhas adultas).
comuns, verificados quando um inseto A planta tolerante suporta o ataque,
se alimenta de uma planta resistente por demonstrando menos danos, por meio,
antibiose, incluem: morte das formas jo- por exemplo, da pronta regeneração de
vens (afetando, portanto, a sobrevivên- tecidos atacados e emissão de novos
cia ninfal); redução no tamanho e peso perfilhos. Diferentemente do mecanis-
dos insetos; período de vida anormal mo antibiose, em que a planta afeta o
(desenvolvimento prolongado); morte na desenvolvimento e reprodução do inse-
transformação para adultos e fecundida- to-praga, o mecanismo tolerância não
de reduzida. afeta o comportamento e nem a biologia
Nos ensaios realizados na Embrapa da praga.
Gado de Corte, o nível de antibiose das
25

Figura 7. Sobrevivência de diferentes espécies de cigarrinhas-das-pastagens em plantas da cv. BRS


Tamani e de outras cultivares de Panicum maximum.

Figura 8. Sobrevivência (%) e duração do período ninfal da cigarrinha Notozulia entreriana em plantas
da cv. BRS Tamani em comparação a outras cultivares de Panicum maximum.
26

A cv. BRS Tamani e outras cultivares realizado em local pertencente a esse


de P. maximum foram comparadas quanto mesmo bioma. No caso da BRS Tamani,
aos danos causados por adultos das a cultivar foi avaliada no bioma Cerrado.
cigarrinhas N. entreriana e M. spectabilis, Os resultados são apresentados a seguir.
com base na redução na produção de MS.
Em experimento conduzido de 2011
A cv. BRS Tamani apresentou ní- a 2013 em Planaltina, DF, a BRS Tamani
vel intermediário de tolerância (dano foi comparada com a cultivar Massai
moderado) à cigarrinha N. entreriana, (Maciel et al., 2018) por terem portes se-
tendo sido constatadas reduções na melhantes. Sob uma oferta de forragem
sua produção de MS de 42%, compa- de 8% (8 kg de MS/100 kg PV dia-1) e
rativamente a 43% na cv. Tanzânia-1, adubação de 100 kg N ha-1 ano-1, o ma-
42% na cv. Mombaça e de 56% na cv. nejo foi conduzido em lotação alternada,
Massai. Quando avaliada com adultos sendo 28 dias de ocupação e 28 dias
da cigarrinha M. spectabilis, no entanto, de descanso no período das águas, e
constatou-se baixo nível de tolerância 56 dias de ocupação e 56 dias de des-
(dano severo) em todas as cultivares canso no período da seca. O ganho de
avaliadas, verificando-se redução na peso vivo individual (GMD) de bovinos
produção de MS de 85% na cv. BRS Nelore em recria foi 11% superior em
Tamani. Nas demais cultivares as re- pastagens de BRS Tamani em relação
duções foram de 85% (Tanzânia-1); aos animais mantidos em pastagens da
72% (Mombaça) e de 88% (Massai). cv. Massai durante o período das águas
Em ambos os casos (N. entreriana e M. (Tabela 10). A digestibilidade in vitro da
spectabilis), a cv. BRS Tamani mostrou MS (DIVMS) foi mais alta para a cv. BRS
nível de tolerância comparável a cultivar Tamani (56%) em relação a obtida para
Tanzânia-1 (Chermouth et al., 2010). a cv. Massai (53%), considerando a mé-
dia entre os períodos de águas e seca.
Produção animal, Esse comportamento ocorreu durante
os dois anos de avaliação no Distrito
qualidade e manejo Federal, corroborando com os resulta-
dos apresentados na Tabela 3, obtidos
Para o lançamento de novas cultiva- durante os ensaios regionais de corte.
res no mercado brasileiro de sementes, Embora a cv. Massai tenha apresentado
o Ministério da Agricultura, Pecuária e maior acúmulo de forragem (66 kg MS
Abastecimento (MAPA) exige ensaios ha-1 dia-1) em comparação com a BRS
experimentais de desempenho animal Tamani (41 kg MS ha-1 dia-1), o ganho de
sob pastejo denominados ensaios de peso por área não diferiu entre as duas
Valor de Cultivo e Uso (VCU). Para a cultivares. O maior desempenho animal
comercialização da cultivar em determi- em pastagens de BRS Tamani foi pro-
nado bioma do território nacional, pelo vavelmente influenciado pelos maiores
menos um ensaio de VCU deverá ser valores da DIVMS.
27

Tabela 10. Ganho de peso vivo médio diário (GMD) de bovinos Nelore (Bos indicus), taxa de lota-
ção (TL) e ganho de peso vivo por área (GA) em pastagens das cultivares BRS Tamani e Massai
(Panicum maximum), em lotação alternada por 2 anos consecutivos. Planaltina, Distrito Federal.

GMD (g PV cabeça-1 dia-1)1 TL (UA ha-1)2 GA (kg PV


Águas Seca Águas Seca ha-1 ano)
BRS Tamani 791a 311 2,7 1,6 740
Massai 716b 263 2,9 1,5 680
1
Média para as cultivares seguidas de letras distintas na coluna diferem entre si pelo teste t (P<0,05). 2UA = unidade
animal de 450 kg de peso vivo.

Outra característica importante do Massai apresentou queda acentuada de


capim Tamani é o florescimento precoce, sua digestibilidade por estar em pleno
isso significa que, no início do período período de produção de sementes. A cv.
seco, geralmente este capim está em BRS Tamani floresce em fevereiro nas
estado vegetativo. Na Figura 9, observa- condições do Brasil Central, época em
se que a cv. BRS Tamani manteve sua que ainda está chovendo para emissão
digestibilidade em junho nos dois anos de novas folhas. Já a cv. Massai flores-
de avaliação do experimento do ensaio ce em abril/maio quando já se inicia o
regional no DF, enquanto que a cv. período seco do ano. Isso aliado à alta

Figura 9. Digestibilidade in vitro da matéria orgânica (DIVMO %) das cultivares Massai e BRS Tamani
durante os dois anos do ensaio regional no DF.
28

densidade de folhas da cv. BRS Tamani apresentado maior massa de forragem


reflete sobremaneira da sua qualidade (MF), a proporção de cada componente
nutricional na entrada na seca. Dessa (lâmina foliar, colmo e material morto) na
forma, o maior desempenho animal MF foi similar entre as duas cultivares.
em pastagens de BRS Tamani foi pro-
Esses dois ensaios de pastejo
vavelmente influenciado pelos maiores
demonstraram a capacidade da BRS
valores da DIVMS bem como devido à
Tamani em proporcionar maior de-
arquitetura de plantas, em que as folhas
sempenho animal de bovinos de corte,
são macias e predominam, facilitando
devido ao seu maior valor nutritivo,
sua apreensão pelos bovinos.
especialmente em termos de digestibili-
Outro experimento de pastejo com a dade da forragem. O ganho de peso vivo
BRS Tamani foi conduzido de dezembro por área (GA) em pastagens de BRS
de 2013 a agosto de 2014 em Planaltina, Tamani se equiparou ao de pastagens
DF. O manejo do pastejo foi conduzido de Massai, porém isso foi alcançado
em lotação rotacionada com 7 dias de com maiores valores de ganho individu-
pastejo e 21 dias de descanso durante o al dos animais em pastejo, que poderão
período das águas e 14 dias de pastejo ser abatidos mais precocemente. Além
e 42 dias de descanso no período da de apresentar maior valor nutritivo, que
seca (Braga et al., 2019). Sob oferta de em ambos os experimentos foi decisivo
forragem média de 12% (12 kg MS/100 para o maior ganho individual em rela-
kg PV dia-1) e adubação com 100 kg de N ção a cv. Massai, a BRS Tamani também
ha-1, o GMD de bovinos Nelore foi cerca apresenta composição morfológica bas-
de 50% superior para a BRS Tamani em tante favorável em termos de relação
relação a cv. Massai (Tabela 11). Assim folha:colmo. O seu porte mais baixo e a
como no experimento anterior, não presença de colmos mais finos facilitam
houve diferença significativa na taxa de o seu manejo quando comparado às de-
lotação, embora os valores tenham sido mais cultivares de P. maximum de porte
numericamente superiores para a cv. alto como Mombaça, Tanzânia-1 e BRS
Massai em razão do maior acúmulo de Zuri, que por sua vez exigem um melhor
forragem. Da mesma forma, o ganho gerenciamento do manejo do pastejo no
por área (GA) foi similar entre as duas intuito de evitar o crescimento excessivo
cultivares. O maior GMD para a BRS de colmos e a necessidade do uso de
Tamani decorreu do seu maior valor nu- roçadeira.
tritivo quando comparado à cv. Massai,
Em geral, a lotação rotacionada é
que nesse experimento foi evidenciado
recomendada para o manejo das cul-
pelos maiores valores da DIVMS e da
tivares de P. maximum, pois contribui
PB. Ao mesmo tempo, os valores de
para a diminuição das perdas de forra-
fibra em detergente ácido (FDA) foram
gem e aumenta a eficiência de pastejo.
superiores para a cv. Massai (Tabela
A sugestão de manejo para a cv. BRS
11). Embora a cultivar Massai tenha
29

Tabela 11. Ganho de peso vivo médio diário (GMD) de bovinos Nelore (Bos indicus), taxa de
lotação (TL) e ganho de peso vivo por área (GA), massa de forragem (MF), lâminas foliares, col-
mos, material morto, digestibilidade in vitro da matéria seca (DIVMS), proteína bruta (PB), fibra
em detergente neutro (FDN) e fibra em detergente ácido (FDA) das cultivares Massai e BRS
Tamani. Dados médios referente ao período de dezembro de 2013 a agosto de 2014. Planaltina,
DF. Lotação rotacionada (7 x 21 dias; oferta de forragem 12 kg/100 kg peso vivo dia-1).

Cultivar
Variáveis
Massai BRS Tamani
Desempenho animal
GMD (g PV/cabeça dia-1)1 280b 420a
TL (UA ha ) -1 2
2,79 2,00
GA (kg PV ha-1) 310 300

Composição morfológica
Massa de forragem pré-pastejo (kg MS ha-1) 6093a 3900b
Lâmina foliar (kg MS ha ) -1
2840a (47%) 3
1930b (50%)
Colmo (kg MS ha-1) 1192a (19%) 595b (15%)
Material morto (kg MS ha ) -1
2060a (34%) 1374b (35%)

Valor nutritivo4
DIVMS (%) 56b 62a
PB (%) 6,2b 7,2a
FDN (%) 72 69
FDA (%) 42a 39b
1
Média para as cultivares seguidas de letras distintas na linha diferem entre si pelo teste t (P<0,05); 2UA = unidade
animal de 450 kg de peso vivo; 3Valores em parênteses referem-se à proporção de cada componente morfológico em
relação à massa de forragem no pré-pastejo (MF); 4Variáveis de valor nutritivo originadas de amostras colhidas por
simulação de pastejo.

Tamani é de 50 cm de altura para a contínua pode ser considerada uma


entrada dos animais no pasto (Costa e alternativa de manejo, especialmente
Queiroz, 2017) e de não menos de 20 quando a adubação nitrogenada não
a 25 cm de altura do pasto na saída é feita numa intensidade e frequência
dos animais (Embrapa Gado de Corte, muito elevadas. A Figura 10 mostra a
2015). Entretanto, para cultivares de P. diferença de porte e características das
maximum como Massai e BRS Tamani, pastagens das cultivares Mombaça e
cujo porte é mais baixo e a relação BRS Zuri de porte alto e da BRS Tamani
folha:colmo é mais elevada, a lotação sob pastejo.
30

A B

C D

Figura 10. Cultivares de P. maximum a) Mombaça (foto superior esquerda) e b) BRS Zuri (foto
superior direita) sob pastejo, e c) e d) BRS Tamani (fotos inferiores) sob pastejo. (Fotos: Allan K.B.
Ramos e Liana Jank).

Potencial para Ovinos foram utilizados como agentes


pastejadores e observou-se a aceitabilida-
ovinos e equinos de do capim BRS Tamani por essa espé-
cie animal. Não houve diferença entre os
Embora a BRS Tamani não tenha
tratamentos para o acúmulo de forragem,
sido desenvolvida para pastejo ovino, o
que foi de 180 kg de MS ha-1 dia-1. Os
uso pelos pequenos ruminantes é favo-
pastos foram adubados com 300 kg de N
rável devido às suas características de
ha-1 ano-1. Os períodos de descanso foram
porte, produção e qualidade nutricional.
de 22 e 27 dias, respectivamente, para os
Um experimento foi conduzido du- tratamentos de 28 e 20 cm de altura de
rante dois anos na Universidade Federal resíduo. Concluiu-se que a dinâmica de
de São João del Rei, MG, objetivando acúmulo e produção de forragem em pas-
avaliar a flexibilidade de manejo do ca- tos de capim BRS Tamani manejado com
pim BRS Tamani (Figura 11). altura de entrada de 40 cm não é afetada
Utilizou-se altura de entrada de 40 cm pela severidade de desfolhação (28 e 20
e duas alturas de resíduo, 28 e 20 cm. cm de altura de resíduo), o que indica
31

Figura 11. Experimento sob pastejo ovino em São João del Rei, MG. (Foto: Janaina Martuscello.)

flexibilidade de manejo da forrageira no reprodução. Foram vinte e duas fêmeas


que diz respeito à altura de saída. paridas de um total de vinte e oito, índi-
Na Embrapa Gado de Corte foi es- ce de natalidade de 78,6%, sendo que
tabelecida uma área demonstrativa de ocorreram seis partos gemelares, uma
0,4 ha de BRS Tamani sob a sombra de prolificidade de 27,3%. As parições se
eucaliptos (Figura 12). Em 2016, vinte concentraram em um período de prati-
e oito fêmeas de onze meses de idade camente um mês, sendo que a estação
foram colocadas em pastejo e monito- de acasalamento perdurou por dois
radas desde a estação de monta até o meses, outro indicativo de boa condição
nascimento das crias. As borregas foram alimentar, uma vez que os cios se ma-
vermifugadas antes de entrarem na área nifestaram logo ao início da cobertura.
e não receberam mais nenhuma dosifi- Os cordeiros nasceram e desmamaram
cação até o final do período de observa- com bons pesos médios, 3,5 kg e 16,7
ção. As informações estão na Tabela 12. kg, respectivamente. Considerando so-
mente cordeiros oriundos de partos sim-
Os dados obtidos permitem inferir, ples, os pesos foram, respectivamente,
baseados na manutenção de boas de 3,71 kg e 18,58 kg de peso vivo ao
condições corporais (ECC) e baixa ma- nascimento e desmama. A sobrevivência
nifestação da verminose (FAMACHA), é outro dado de destaque, sendo que a
que o capim BRS Tamani proporcionou de cordeiros até a desmama foi de 96,3
desempenho satisfatório das matrizes, % e de ovelhas 100%.
todas primíparas, durante a estação de
32

Figura 12. BRS Tamani em pastejo com ovinos durante a DINAPEC ([Link]
março 2016. (Foto: Fernando Reis.)

Tabela 12. Desempenho reprodutivo de borregas à primeira parição mantidas sob pastejo em
BRS Tamani.
Indicadores Estação de monta Parição Desmama
Data início 09/09/2016 06/02/2017
Data final 11/11/2016 14/03/2017 06/05/2017*
Duração (dias) 63 36 1
Peso vivo (kg) 47,3 - 44,6
ECC 1
3,64 - 2,52
FAMACHA 2
1,14 - 2,17
Peso cordeiros (kg) - 3,5 16,7
* data única, idade dos cordeiros variando de 53 a 89 dias; Escore da Condição Corporal (variando de 1=muito magra;
1

5=muito gorda); 2Guia de anemia pela coloração da mucosa ocular inferior (variando de 1=vermelho vivo; 5=palidez
intensa). Fonte: Fernando Reis – comunicação pessoal.

A BRS Tamani vem sendo pastejada momento, e, portanto, a Embrapa não


por equinos e outros equídeos devido a pode recomendar seu uso para estes ani-
seu porte baixo e rápida rebrota após o mais. Sugere-se cautela quanto ao pas-
pastejo. Entretanto, não foram realiza- tejo por equídeos, para não ocorrerem
dos experimentos com equídeos até o cólica equina e morte de animais, como
33

já foi observado em outras cultivares da Em sucessão ao cultivo de soja em


mesma espécie. O correto manejo, den- Dourados, MS, foi observado que o ca-
tro das alturas recomendadas e não per- pim BRS Tamani rebrota rapidamente
mitindo que o capim passe do ponto pode após o pastejo, mesmo durante a es-
evitar complicações com os animais. tação seca, o que pode estar relacio-
nado a morfologia da planta, que emite
Integração com entrenós curtos e baixa proporção de
colmos em relação a de folhas (Tabela
lavoura 13), ficando as gemas apicais protegi-
das dos animais na base da touceira.
Entre as forrageiras disponíveis no Portanto, o capim BRS Tamani é me-
mercado, o capim BRS Tamani apre- nos afetado pelo estresse causado
senta algumas características interes- pelo pastejo, quando comparado a ou-
santes quando cultivado em sistemas tras cultivares de P. maximum e, prin-
de integração lavoura-pecuária por ser cipalmente, em relação às espécies
produtivo durante a estação seca, na en- de Brachiaria que têm muitas gemas
tressafra de verão, além de apresentar removidas durante o pastejo. Essa
certa sensibilidade ao herbicida glifosa- tolerância fica mais evidente quando
to. Com seu porte baixo fica fácil realizar associada a outras fontes de estresse,
o manejo com animais e o plantio direto como secas e geadas.
de culturas anuais, quando em esquema
de rotação.

Tabela 13. Produção de massa seca de lâminas foliares, massa seca total e razão folha/colmo
(RFC) de sete forrageiras nas entressafras da soja de 2012 e 2013.

2012 2013
MS MS
Forrageiras MSTotal*** RFC** MSTotalns RFC**
Folhas*** Folhas***
kg ha-1 kg ha-1
BRS Tamani 5.450 ab 7.103 bc 3,7 a 5.232 a 5.529 a 20,9 a
Aruana 3.717 d 5.924 d 2,0 b 3.904 bc 5.671 a 2,2 c
Xaraés 5.743 a 7.514 b 3,4 a 4.262 b 5.330 a 4,4 b
BRS Piatã 5.029 bc 7.351 b 2,2 b 3.841 bcd 5.544 a 2,3 c
BRS Paiaguás 5.446 ab 8.444 a 1,9 b 3.173 d 4.774 a 2,1 c
B. decumbens 4.728 c 8.752 a 1,2 b 3.193 cd 5.264 a 1,5 d
B. ruziziensis 3.449 d 6.312 cd 1,2 b 2.404 e 4.337 a 1,3 d
Médias seguidas de letras distintas na coluna diferem pelo teste LSD de Fisher (ns não significativo; **p≤0,01; ***
p≤0,0001). Fonte: Machado (2016).
34

Quanto à sensibilidade ao herbicida capim BRS Tamani não atingiu a eficiên-


glifosato, o capim BRS Tamani está cia de controle desejada (80%) para o
em um grupo intermediário entre as plantio direto de uma cultura em suces-
forrageiras tropicais perenes. Ele não são (Tabela 14). Para atingir a eficiência
é tão sensível a esse herbicida quanto almejada é necessário aumentar a dose
o capim Aruana, mas é dessecado com do herbicida glifosato em uma aplicação
mais facilidade que os capins BRS Zuri ou dividir em duas aplicações sequen-
e Mombaça (Machado et al., 2012). Na ciais, ou ainda, combinar a um produto
dose de 4 L ha-1 de herbicida glifosato o com ação de contato.

Tabela 14. Eficiência de controle (%) das plantas de seis cultivares de Panicum maximum sub-
metidas às doses de 2 e 4 L ha-1 de herbicida glifosato*, avaliado aos 14 e aos 21 dias após a
aplicação (DAA) do produto. Dourados, 2010.
14 DAA 21 DAA
Forrageiras**
2 L ha -1
4 L ha -1
2 L ha -1
4 L ha-1
BRS Tamani (PM 45) 43 bc 68 c 57 b 73 b
Aruana 81 a 96 a 93 a 98 a
Massai 63 ab 84 ab 73 b 90 a
Tanzânia-1 33 cd 71 bc 61 b 86 ab
Mombaça 19 d 31 d 15 c 31 c
BRS Zuri (PM32) 19 d 25 d 31 c 40 c
*360 g L-1 de equivalente ácido de N-(phosphonomethyl) glycine. **Médias seguidas de letras distintas na coluna dife-
rem significativamente pelo teste Duncan (P≤0,001). Fonte: adaptado de Machado et al. (2012).

Além desses aspectos, o capim BRS No consórcio com milho safrinha, em


Tamani é uma boa opção para consórcio três anos de experimento o capim BRS
com culturas anuais, já que apresenta Tamani se estabeleceu, mas sem alterar
porte baixo e o seu desenvolvimento ini- o rendimento de grãos do milho, em re-
cial é mais lento, quando comparado às lação a cultura anual solteira. O capim
espécies anuais e as demais forrageiras. BRS Tamani não deverá substituir a B.
Com essas características, o capim BRS ruziziensis como planta de cobertura
Tamani apresenta baixo risco de compe- do solo, já que o custo de implantação
tição quando cultivado em consórcio com e controle dessa forrageira é considera-
espécies anuais com milho e soja (Figuras velmente mais elevado, mas poderá ser
13A e 13B), não afetando o rendimento utilizado quando esse capim se destinar
de grãos dessas culturas. O crescimento ao pastejo. O custo mais elevado do ca-
inicial desse capim é lento, porém, após pim BRS Tamani poderá ser compensa-
seu estabelecimento, é uma das forragei- do com a receita gerada pelos animais,
ras mais produtivas (Tabela 13). dependendo do sistema adotado.
35

O consórcio de forrageiras com soja BRS Tamani na fase inicial da pastagem,


só foi viabilizado com o capim BRS já que C. ochroleuca não rebrota. Além
Tamani. Parte do estabelecimento des- dessa espécie, o feijão guandu é outra
sa forrageira ocorre durante o ciclo da leguminosa que se consorcia bem com o
soja, o que possibilita antecipar o início capim BRS Tamani. Por ser leguminosa,
do pastejo de 30 a 60 dias, em relação o feijão guandu contribui da mesma for-
ao capim semeado após a colheita da ma que a C. ochroleuca, com a vantagem
soja. Essa prática foi validada em áre- de rebrotar após o pastejo.
as comerciais e será lançada em 2022 A cultivar BRS Tamani exige solos
(Machado et al., no prelo). mais férteis que as forrageiras do gênero
O capim BRS Tamani se consorcia Brachiaria. Grande parte da exigência
muito bem com Crotalaria ochroleuca desse capim pode ser atendida nos siste-
(Machado e Garcia, 2021), já que as mas integrados, já que as culturas anuais
duas espécies apresentam velocidade não utilizam todo o nutriente aplicado,
de crescimento semelhantes (Figura 14). ficando um residual considerável no solo.
Crotalaria ochroleuca não é uma forra- Nessas condições o capim BRS Tamani
geira típica e é pouco palatável in natura, é muito produtivo e é uma das forrageiras
mas é bem consumida na forma de feno. tropicais com melhor valor nutricional. É
Por ser uma leguminosa, a percentagem por isso que, aliado ao baixo porte e a fa-
de proteína nas folhas é elevada, melho- cilidade de manejo e consórcio, o capim
rando a nutrição animal. Parte do nitro- BRS Tamani é uma das principais forra-
gênio fixado pela crotalária contribui para geiras indicadas aos sistemas integrados
suprir a necessidade nutricional do capim de produção agropecuária.

Figura 13. Capim BRS Tamani consorciado com milho (A) à esquerda e soja (B) à direita. (Fotos:
Luiz Armando Zago Machado.)
36

Gado de Corte, em parcelas sob cortes,


para avaliação da cv. BRS Tamani com
outros genótipos de P. maximum.
Em outubro de 2013 foram implanta-
dos cinco genótipos de P. maximum BRS
Tamani, (Mombaça, Tanzânia-1, Massai
e o PM44 (não lançado), em sucessão a
soja colhida em abril de 2013, em um sis-
tema de ILPF com árvores de eucalipto
em espaçamento de 22 x 2 m (Pereira et
al., 2014; 2015; 2021). Os capins foram
avaliados na fase de estabelecimento, em
dois cortes (janeiro e fevereiro de 2014),
e na fase de produção, em três cortes
(fevereiro, abril e junho de 2014) (Tabela
Figura 14. Capim BRS Tamani consorciado 15). Na fase de produção, o sombrea-
com Crotalaria ochroleuca, cultivados em mento médio do sub-bosque foi de 56%
sucessão a soja. Dourados, MS, junho/2019. enquanto que a massa seca de forragem
dos capins em relação ao pleno sol foi de

Integração com 79%. Entre os capins de menor porte em


comparação ao Mombaça, o BRS Tamani
floresta apresentou os maiores valores para as
características agronômicas avaliadas na
Para uso em consócio com o com- fase de estabelecimento e de produção,
ponente arbóreo, como em sistemas mostrando um potencial superior aos
silvipastoris e agrossilvipastoris, foram capins Massai, Tanzânia-1 e o genótipo
realizados três ensaios na Embrapa PM44 em sistemas sombreados.

Tabela 15. Altura do dossel, cobertura do solo, massa seca total e de folhas de forrageiras do
gênero Panicum, em sistema de ILPF, nas fases de estabelecimento (média de dois cortes) e de
produção (média de três cortes).
Estabelecimento1 Produção2
Forrageira Cobertuta do Biomassa Biomassa Biomassa
Altura (cm)
solo (%) total (kg ha-1) foliar(kg ha-1) total (kg ha-1)
Mombaça 112 a 86 a 3.404 a 2.194 a 7.176 a
Tanzânia-1 78 b 59 b 2.431 ab 1.229 b 5.474 ab
BRS Tamani 66 b 83 a 2.020 ab 1.681 ab 7.360 a
Massai 64 b 72 ab 1.649 b 1.263 b 6.156 ab
PM44 56 b 55 b 1.546 b 859 b 4.008 b
Médias seguidas da mesma letra não diferem entre si pelo teste de Tukey (P>0,05). 1 Pereira et al.
(2014); 2 Pereira et al. (2015).
37

Estes capins foram avaliados quanto Outro ensaio foi realizado em siste-
a características anatômicas e bromato- ma de ILPF com árvores de eucalipto
lógicas na amostragem relativa ao corte em espaçamento de 14 x 4 m, para
de fevereiro de 2014, correspondente à avaliação das cultivares Massai e BRS
época das águas (Pereira et al., 2021). Tamani (Oliveira et al., 2021). As for-
Observou-se que as folhas do capim- rageiras foram semeadas em abril de
mombaça foram as mais longas e com 2018, sofreram corte de uniformização a
maior área transversal total, sendo que 15 cm do solo em dezembro de 2018 e
este genótipo apresentou maiores pro- foram submetidas a cortes em fevereiro,
porções de esclerênquima, de tecidos abril e junho de 2019. As cultivares não
vasculares e de bainhas do feixe que os diferiram quanto à altura do dossel, com
demais e menor proporção de mesofilo, média de 53 cm, para os três cortes.
refletindo em menor valor nutritivo. Os Em fevereiro e junho, as cultivares não
genótipos PM44 e Tanzânia-1 apre- diferiram quanto à massa seca de forra-
sentaram as menores proporções de gem, com valores médios de 728 e 553
esclerênquima, e PM44 e BRS Tamani kg ha-1, respectivamente; entretanto, em
apresentaram as menores proporções abril, a cv. Massai foi superior à BRS
de tecidos vasculares. Por outro lado, Tamani, com valores de 2.708 e 2.114 kg
PM44 e Tanzânia-1 apresentaram as ha-1, respectivamente. Quanto ao teor de
maiores proporções de mesofilo. A cv. proteína bruta da folha, a cv. BRS Tamani
BRS Tamani foi comparável às cultivares apresentou melhores valores do que a
mais utilizadas, Mombaça e Tanzânia-1, cv. Massai em fevereiro (13,4% x 11,3%)
e apresentou valor nutritivo da forragem e em junho (12,3% x 10,9%), sendo que
ligeiramente superior ao Mombaça. em abril as cultivares não diferiram, com
teor médio de 8,9%.
Foi realizado um segundo ensaio,
para avaliar o estabelecimento dos No trabalho realizado no Distrito
capins BRS Tamani e Massai no outo- Federal, Santos (2012), avaliou diferen-
no-inverno, no mesmo sistema de ILPF tes genótipos sob sombreamento de
(Santos et al., 2019). Os capins foram eucalipto e a pleno sol. A distância entre
semeados em março de 2016 e avalia- os renques de eucalipto foram de 12
dos em três cortes, em intervalos de 60 m. Neste trabalho o capim BRS Tamani
dias. O sombreamento médio no período foi o que apresentou maior relação fo-
foi de 42% e os capins não diferiram en- lha:haste, corroborando com os dados
tre si, apresentando uma diminuição no obtidos por Matha Junior et al. (2004) em
número de perfilhos de 74% em relação que avaliando a produção de forragem,
ao pleno sol. A massa seca de forragem observaram que o capim Tamani se des-
foi de 980 kg ha-1, média dos três cortes, tacou de outros acessos de P. maximum
variando de 33 a 64% em relação ao devido à sua menor produção de colmos.
pleno sol, de acordo com o gradiente de Os resultados obtidos por Santos (2012)
sombreamento do sub-bosque. indicam que o plantio de capim em
38

renques de eucalipto espaçados de 12 o lançamento de uma cultivar e absor-


metros não é recomendado, pois a dimi- ção pelo mercado consumidor.
nuição excessiva da radiação solar afeta
A BRS Tamani apresenta início de
negativamente a produção de capim.
florescimento na primeira quinzena de
Os resultados destes ensaios indi- março e o pleno florescimento até o final
cam que a implantação do capim BRS da primeira quinzena de março, poden-
Tamani em sistemas sombreados na do se estender até a segunda quinzena
primavera-verão apresenta maior poten- de março. O florescimento e a colheita
cial para estabelecimento e produção nas inflorescências podem variar com a
de forragem do que os capins Massai, cronologia (plantas de primeiro ano, de
Tanzânia-1 e o genótipo PM44, porém, segundo ou mais), do manejo da planta
a implantação no outono-inverno sofre (submetidas ou não a cortes de unifor-
forte limitação para estabelecimento e mização para a produção de sementes),
produção de forragem, semelhante ao da localização geográfica e das condi-
que ocorre com o capim-massai. Quanto ções climáticas.
às características anatômicas e broma-
A colheita por varredura, modalidade
tológicas, apresenta-se superior aos
de colheita comercial mais utilizada no
capins Mombaça e Massai.
Brasil, pode ocorrer já a partir de junho,
ocasião em que a degrana total das
Produção de sementes já ocorreu e as chuvas são
ausentes ou escassas. Imediatamente
sementes após a colheita, a dormência já é su-
perada atingindo níveis passíveis de
Para a implantação do Tamani em comercialização conforme legislação
sistemas silvipastoris o ideal é que o vigente. BRS Tamani apresenta peso de
componente florestal seja plantado em mil sementes médio de 1,35 g (média
linha simples, permitindo a maior entra- de dados coletados de vários locais de
da de radiação solar, preferencialmente produção comercial no Brasil) para se-
no sentido leste-oeste, e com espaça- mentes colhidas por varredura (Barrios
mento entre linhas acima de 14 metros. et al., 2021).
O Brasil situa-se como maior pro- Campos comerciais de produção
dutor, consumidor e exportador de se- de sementes de BRS Tamani têm sido
mentes de forrageiras tropicais em nível explorados apenas no primeiro ano de
mundial. Os programas de melhoramen- produção, em função da baixa produtivi-
to dessas forrageiras apresentam, como dade nos anos subsequentes, tal como
um dos principais temas na avaliação e para as demais cultivares da espécie.
seleção de genótipos, a produtividade
superior de sementes, em quantidade e A colheita nas inflorescências (colhei-
qualidade, sendo condição básica para ta no cacho) ocorre a partir da primeira
39

quinzena de abril até o final da segunda de textura média a argilosa, como é a


quinzena de abril. Neste caso, a germi- quase totalidade das áreas de produção
nação alcançou níveis aceitáveis para de sementes, o solo deve ser corrigido
a comercialização logo após a colheita de modo que venha a apresentar, no
(Libório et al., 2018) ou até seis meses mínimo, 10 mg kg-1 de P e 70 mg kg-1 de
após a colheita. Os valores médios para K. Quanto a micronutrientes, a cada três
o peso das sementes colhidas nas inflo- anos deverão ser utilizados 20 kg ha-1 de
rescências foram de 1,20 g (Libório et al. sulfato de zinco (4 kg ha-1 de zinco), 20
2018). kg ha-1 de sulfato de cobre (5 kg ha-1 de
cobre), 0,4 kg/ha-1 de molibdato de sódio
Ressalta-se que as sementes das
(0,16 kg ha-1 de molibdênio) e 10 kg ha-1
diferentes cultivares de P. maximum são
de bórax (1 kg ha-1 de boro) ou, ainda,
muito parecidas entre si e as colorações
50 kg FTE BR12 ha-1 + bórax + molibdê-
podem variar em função de métodos de
nio. Recomenda-se que adubação com
colheita nas panículas no cacho (colhe-
boro e molibdênio seja efetuada todos
deira ou método de pilha) e coloração do
os anos. Como adubação de cobertura,
solo, no caso da colheita por varredura.
recomenda-se de 50 a 75 kg N/ha-1, sob
Em função disso, torna-se extrema-
a forma de ureia, aos 30 dias após emer-
mente importante a escolha de campos
gência, ou divididas em duas aplicações,
para a produção de sementes que não
a partir dos 30 dias após emergência.
tenham sido cultivados com Panicum
nos últimos anos com vistas a reduzir A densidade de semeadura utilizada
a probabilidade de contaminação por para a implantação de campos de pro-
misturas entre cultivares e inviabilização dução comercial de sementes de BRS
comercial do produto. Tamani tem sido de 0,5 a 1,5 kg de SPV
ha-1 e o espaçamento entre linhas de 0,5
Para a implantação do campo de
m a 1 m, com profundidade de semea-
produção de sementes, a adubação
dura de 2 a 4 cm e cobertura do sulco de
básica a ser realizada depende dos re-
semeadura.
sultados da análise química e física do
solo, cujos cálculos deverão ser basea- Em ensaio conduzido na Embrapa
dos, minimamente, no exposto no item Gado de Corte, safra 2013/2014, com
“Exigências de fertilidade e tolerância 1,1 kg de SPV ha-1 e espaçamento de
à acidez do solo: recomendações de 1 m entre linhas, foram produzidos até
calagem e adubação”. A saturação em 332 kg de SP ha-1 em primeiro ano. A
bases deverá ser elevada para, no míni- colheita foi efetuada no cacho e a viabi-
mo, 40 a 45%, considerando-se também lidade encontrada foi de 86% (Libório et
a saturação por alumínio, que deve estar al., 2018). Os autores observaram incre-
abaixo de 20%, e os teores de cálcio e mento na viabilidade das sementes com
magnésio, conforme mencionados no o aumento na dose de ureia em cober-
item epígrafe. De modo geral, para solos tura, aplicada no início da diferenciação
40

dos perfilhos. Em segundo ano, quando a produtividade média foi de 350 a 400
as plantas foram submetidas a cortes kg SP ha-1. Mais recentemente (safra
de uniformização em 30/11, 15/12, 2020/2021), há campos em São Paulo,
30/12/2014 e 15/01/2015 (30 cm de al- Goiás e Mato Grosso do Sul, com esti-
tura e retirada de massa), combinados mativa de produtividade de 300 a 400 kg
com doses de nitrogênio, a produtividade SP ha-1.
máxima encontrada foi de 45,2 kg de SP
Ressalta-se que, tal como para as
ha-1 (na combinação 75 kg N/ha-1 e corte
demais forrageiras tropicais, há ampla
em 15/12, com colheita em 24 de abril).
variação em resultados de experimentos
Esse valor foi 30% maior que as demais
para produção de sementes nos dife-
combinações. No entanto, representou,
rentes anos de produção, variando em
de modo geral, redução em 86% na pro-
função, especialmente, de clima e da
dutividade em relação ao primeiro ano
localidade de condução. Áreas de pro-
de produção, independentemente das
dução de sementes na Embrapa Gado
doses de nitrogênio e dos cortes para
de Corte, por exemplo, também tem
uniformização do crescimento (Libório et
apresentado produtividade variada, com
al., 2018).
média de 215 kg SP ha-1 e de 340 até
Ensaio efetuado na Embrapa Gado 400 kg SP ha-1, em primeiro ano de pro-
de Corte, na safra 2016/2017, acerca dução. Assim, a avaliação de um mesmo
de densidade de plantas (5, 10 e 20 genótipo em diferentes localidades pode
plantas por m linear; espaçamento 0,9 subsidiar a obtenção de dados prelimi-
m entre linhas) e épocas de semeadura nares para o zoneamento da produção
(11/11/16, 13/12 e 11/01/17), resultaram de sementes. Com o objetivo de avaliar
em maior produtividade de sementes o comportamento em produtividade de
puras na densidade de 10 plantas sementes em função da localidade, vá-
por metro linear, com semeadura em rias áreas de produção comercial serão
11/11/16 em relação às demais combi- acompanhadas quanto ao manejo e pro-
nações (Verzignassi, 2017, dados não dutividade a partir da safra 2021/2022.
publicados). As colheitas foram efetua-
das nas panículas e ocorreram durante
a primeira quinzena de abril de 2017.
Controle de plantas
Em escala comercial e colheita por daninhas
varredura, a produção de sementes da
BRS Tamani ocorreu (2018/2019) em Com relação ao controle de plantas da-
São Paulo e Goiás, com alguns campos ninhas em áreas de produção de semen-
na Bahia, Mato Grosso e Mato Grosso tes de BRS Tamani, vários herbicidas fo-
do Sul com produtividade média de 400 ram testados na Embrapa Gado de Corte.
a 450 kg SP ha-1 (Unipasto, 2021, dados Existem alguns herbicidas recomendados
não publicados). Na safra 2019/2020, para pastagens (Brasil, 2021), porém de-
ve-se considerar que “pastagem” abrange
41

um ecossistema e uma série de plantas 2,4-D (384+1440 g i.a ha-1), picloram +


forrageiras (muitas espécies de gramí- 2,4-D (45+450 g i.a ha-1), 2,4-D (806 g
neas e leguminosas) (Verzignassi, 2021, i.a ha-1), 2,4-D (1612 g i.a ha-1), atrazina
dados não publicados). (2000 g i.a ha-1), mesotriona+terbuti-
lazina (70+330 g i.a ha-1) e mesotriona
Ainda, dentro das gramíneas for-
(114 g i.a ha-1). Ametrine (1500 g i.a
rageiras, por exemplo, podem existir
ha-1), quizalofop-P-tefuril (72 g i.a ha-1) e
comportamentos diferenciados entre as
diuron+hexazinona (1170+330 g i.a ha-1)
cultivares de uma mesma espécie; umas
foram os herbicidas que causaram os
podem ser mais suscetíveis que outras a
maiores valores de fitotoxicidade, de até
determinados herbicidas, a exemplo de
77%. Tetraploxidim (60 g i.a ha-1) propor-
Massai, que tem sido relatado pelos pro-
cionou fitotoxicidade média, próxima ao
dutores como um pouco mais suscetível
limite máximo aceitável, demandando
a alguns herbicidas que outras cultivares
cautela na sua utilização.
do gênero. Ademais, a textura do solo
pode afetar a efetividade no controle Com relação aos herbicidas pré-e-
das invasoras e a ação fitotóxica sobre a mergentes, foram testados (g i.a ha-1)
forrageira. Logo, as generalizações para atrazina + simazine (1250+1250 g i.a
uma determinada espécie ou a extrapo- ha-1), atrazina (2000), flumetsulam
lação de resultados de uma cultivar para (108), diuron + hexazinona (936+264),
uma outra podem ser impertinentes. s-metolachlor (1920), oxyfluorfen (720),
diclosulam + flumetsulam (22 + 84)
Nos ensaios com a BRS Tamani, her-
em solos de textura argilosa (51%) e
bicidas foram aplicados em pós-emer-
arenosa (11%). Para o solo de textura
gência aos 30 dias após a semeadura,
argilosa, apenas flumetsulam (108 g i.a
quando a planta apresentava média de
ha-1) proporcionou valor de fitotoxicida-
2 a 3 perfilhos, em áreas de Latossolo
de aceitável nos ensaios em questão.
Vermelho, Distroférrico, textura argilosa
Os demais herbicidas testados foram
(51%). Alguns mostraram-se seletivos
descartados para utilização em pré-e-
à cultivar BRS Tamani, não proporcio-
mergência na BRS Tamani. Para solo
nando fitotoxicidade ou resultando em
de textura arenosa, nenhum herbicida
fitotoxicidade abaixo do limite máximo
testado foi considerado seletivo para a
aceitável, a exemplo de triclopir-butotíli-
BRS Tamani, solos esses que respon-
co (720 g i.a ha-1), tepraloxidim (30 g i.a
dem por parte dos solos em produção
ha-1 aplicado aos 30 DAS + 30 aplicados
de sementes no Brasil.
aos 45 DAS), aminopiralide + fluroxipir-
meptílico (60+173 g i.a ha-1), nicosulfu- Cabe ressaltar que os produtos
ron (60 g i.a ha-1), triclopyr + fluroxypyr testados não estão qualificados como
(600+200 g i.a ha-1), aminopiralide + recomendados pela Embrapa, apenas
2,4-D (60+480 g i.a ha-1), picloram + aqueles registrados para pastagens e
2,4-D (128+480 g i.a ha-1), picloram + com as ressalvas discutidas acima.
42

Apelo visual atribuir uma nota para cada parcela,


utilizando a seguinte escala: 1 - péssi-
A estrutura das plantas da cultivar mo (esse capim jamais seria plantado
BRS Tamani tem agradado pecuaristas. pelo produtor); 5 - regular (esse capim
O porte baixo com alta proporção de poderia ser plantado na falta de mate-
folhas longas, macias e decumbentes riais melhores); e 10 - excelente (esse
dá um excelente aspecto de qualidade capim seria a opção preferencial do
superior. Essa característica das plantas produtor). A cultivar BRS Tamani foi o
da cv. BRS Tamani foi também percebi- genótipo classificado em terceiro lugar
da por um grupo de 19 pecuaristas cha- pelos pecuaristas, apenas atrás da cv.
mados a classificar os 23 genótipos de BRS Quênia e superando as cultivares
P. maximum sob avaliação na Embrapa Mombaça, Tanzânia-1, Milênio, Massai
Acre (Figura 15). Foram instruídos a e Aruana (Valentim; Andrade, 2005).

Figura 15. Grupo de 19 pecuaristas classificando os 23 genótipos de Panicum maximum sob


avaliação na Embrapa Acre (Foto: Carlos Mauricio Soares Andrade).
43

Considerações finais Referências


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