Vida Útil de Tanques Metálicos Subterrâneos
Vida Útil de Tanques Metálicos Subterrâneos
TANQUES METÁLICOS
JAQUETADOS SUBTERRÂNEOS
CONSTRUÍDOS CONFORME NORMA
ABNT NBR 16161:2020
Elaborado por:
Sumário
RESUMO ....................................................................................................................................................... 3
INTRODUÇÃO E OBJETIVO ............................................................................................................................ 3
HISTÓRIA ...................................................................................................................................................... 4
DADOS DOS TANQUES PREVISTOS EM NORMA ........................................................................................... 6
ESPECIFICAÇÕES DOS COMBUSTÍVEIS ARMAZENADOS ............................................................................... 7
CARGAS......................................................................................................................................................... 8
POSSÍVEIS FALHAS ........................................................................................................................................ 9
ESPESSURAS REQUERIDAS............................................................................................................................ 9
CORROSÃO ................................................................................................................................................. 12
TAXAS DE CORROSÃO PREVISTAS .......................................................................................................... 12
VIDA ÚTIL ESTIMADA.............................................................................................................................. 18
CONCLUSÃO ............................................................................................................................................... 20
REFERÊNCIAS .............................................................................................................................................. 22
ANEXO I - ART (ANOTAÇÃO DE RESPONSABILIDADE TÉCNICA) ................................................................. 24
ANEXO II – CURRÍCULO DO AUTOR ............................................................................................................ 26
RESUMO
Neste trabalho é apresentado um histórico do uso dos tanques subterrâneos para armazenamento de
combustíveis, especialmente dos tanques jaquetados subterrâneos para o armazenamento de
combustíveis. São apresentados os padrões de tanque definidos na norma ABNT NBR 16161:2020 e são
calculadas as espessuras mínimas requeridas do costado, tampos e divisórias. É apresentado o
equacionamento para a análise da redução do Módulo de Elasticidade em função do Grau de Corrosão e
Taxa de Corrosão até o colapso teórico do tanque. São calculadas as vidas úteis dos padrões de tanque
considerando um valor crítico de taxa de corrosão e uma vida útil média é estimada.
INTRODUÇÃO E OBJETIVO
O objetivo deste trabalho é estimar, com a melhor precisão possível, a vida útil dos tanques metálicos
jaquetados subterrâneos, construídos conforme a norma ABNT NBR 16161:2020, suas versões anteriores
e suas predecessoras, ABNT NBR 13312 e ABNT NBR 13785, as quais cancelou e substituiu. Não são
contemplados neste estudo os tanques não jaquetados, construídos conforme NB-190. Considerando que
a NB-190 foi cancelada em 1995, sendo substituída pela ABNT NBR 13312, os últimos tanques fabricados
conforme esta norma teriam em 2021, 26 anos de uso, sem qualquer monitoramento ou proteção contra
corrosão externa e interna e a consequente perda de estanqueidade. A vida útil estimada desses tanques
não jaquetados é de 15 anos segundo estudos de alguns órgãos ambientais e, portanto, não deveriam
existir tanques desse tipo ainda instalados.
Esses tanques são constituídos de um tanque cilíndrico horizontal, com fechamentos planos rebordeados,
construídos em aço carbono e revestidos por uma jaqueta em plástico reforçado com fibra de vidro.
A função da jaqueta é conter qualquer vazamento do tanque metálico, responsável por armazenar o
produto. O vazamento do tanque metálico não é, então, o foco deste trabalho, bem como a resistência
da jaqueta.
Como o tanque é instalado abaixo do solo, normalmente sob a área de manobras dos estabelecimentos,
estará sujeito a compressão do solo no qual está enterrado, bem como de eventuais cargas do tráfego
sobre o piso da área de manobras. Essa compressão pode ser considerada como uma pressão externa ao
tanque que, caso não tenha resistência mecânica adequada, irá sofrer colapso.
Assumindo que o tanque novo, construído conforme a norma, tem resistência adequada e que, com o
decorrer do tempo sofrerá a ação da corrosão pelos produtos armazenados, a vida útil desse tanque
poderá ser determinada a partir da espessura nominal do tanque, da espessura mínima requerida para
suportar a pressão externa atuante e da taxa de corrosão esperada.
As espessuras nominais com as quais o tanque deve ser construído são determinadas na norma ABNT NBR
16161:2020. De forma mais específica, o objetivo deste trabalho é então determinar quais as espessuras
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requeridas para o costado e os tampos, para todas as geometrias permitidas pela norma e estimar a taxa
de corrosão em função do produto armazenado.
Considerará sempre tanques construídos integralmente conforme a norma ABNT NBR 16161:2020 e
instalados conforme ABNT NBR 16764:2019 e armazenando produtos conforme as especificações da ANP.
Não serão considerados tanques que não atendam à norma, bem como combustíveis fora de padrão.
HISTÓRIA
O desenvolvimento de tanques jaquetados subterrâneos surgiu da necessidade de proteção do solo e da
preocupação em relação a potenciais contaminações decorrentes de vazamento dos tanques
subterrâneos, largamente utilizados em postos de abastecimento e de serviços. Até então, os
combustíveis eram armazenados em tanques subterrâneos metálicos de parede simples, otimizando o
espaço do posto de abastecimento, porém permitindo que, em caso de perda de estanqueidade,
houvesse a contaminação do solo e lençol freático e, por outro lado, a contaminação do produto
armazenado pela água e contaminantes oriundos do solo.
No início dos anos 1970 alguns tanques já apresentavam uma jaqueta para prevenir vazamentos, porém
somente no início da década de 1980 começaram a ser publicadas regulamentações estaduais, nos EUA,
tornando obrigatório o uso de tanques jaquetados ou de parede dupla. Contudo, nos EUA, uma
regulamentação mais rígida foi publicada somente em setembro de 1988 pela EPA (United States
Enviromental Protection Agency), sendo estabelecida a data limite de 22 de dezembro de 1998 para
adequação aos novos requisitos.
Conforme ASTSWMO (2015), em levantamento de 2015, ou seja, 17 anos após a data limite, a idade média
dos tanques subterrâneos de armazenamento de combustível nos EUA era a apresentada na Figura 1.
Foi levantado ainda que havia grande variação da forma de tratamento dada por cada estado, sendo que
alguns não tinham praticamente informações a respeito desses tanques enquanto alguns poucos tinham
regulamentações que exigiam a troca dos tanques após certa idade e outros ainda ofereciam incentivos
financeiros para essa troca.
Importante ressaltar também, a ação das companhias de seguro privadas, incentivando a substituição dos
tanques como contrapartida da redução do prêmio do seguro.
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Figura 1. Idade e número de tanques subterrâneos nos EUA em 2015. Fonte: ASTSWMO (2015).
Tabela 1. Dispositivos Legais por estados dos EUA. Fonte: ASTSWMO (2015).
Estado (EUA) Dispositivo Legal
Connecticut (CT) Tanques devem ser trocados 30 anos a partir da data de instalação(1)
Todos os tanques de parede simples devem ser substituídos por parede dupla
Florida (FL)
até 31/12/2009.
Illinois (IL) Tanques reprovados na inspeção do revestimento devem ser trocados.
Tanques de parede simples e tubulações devem ser fechados até 22/12/2015.
New Hampshire (NH)
Todos os tanques devem ser de parede dupla.
Data limite obrigatória para fechamento permanente de tanques de parede
Rhode Island (RI)
simples.
Sistemas de parede simples devem ser fechados até 22/12/2018 se distantes
South Carolina (SC)
até 100 ft de um manancial ou superfície de água.
Sistemas de parede simples devem ser fechados até 01/01/2016. Tanques
Vermont (VT)
revestidos devem ser removidos 10 anos após a data de revestimento.
Tanques com taxa de transferência > 500.000 gal/mês devem ser substituídos
Wyoming (WY)
quando tiverem mais de 30 anos.
(1) Na revisão de 2016 da RCSA §22a-449(d)-1(h) a expectativa de vida de tanques subterrâneos metálicos sem
proteção catódica é definida como 15 anos.
No Brasil, a primeira norma relativa a tanques metálicos subterrâneos foi a ABNT NB-190:1972 -
Fabricação e instalação de tanques subterrâneos para postos de serviço de distribuição de combustíveis
líquidos.
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Em 1995 a norma ABNT NB-190 foi cancelada e substituída pela ABNT NBR 13312:1995 - Armazenamento
de líquidos inflamáveis e combustíveis - Posto revendedor veicular (serviço) - Construção de tanque
atmosférico subterrâneo em aço-carbono, que, em conjunto com a norma ABNT NBR 13785:1995 - Posto
de serviço - Construção de tanque atmosférico de parede dupla, jaquetado, apresentava os requisitos
para a construção de tanques jaquetados.
Em 2000 foi publicada a Resolução CONAMA nº 273, de 29 de novembro de 2000, que trata da Prevenção
e Controle da Poluição em Postos de Combustíveis e Serviços, passou a exigir, dentre outras providências,
que os equipamentos, incluindo os tanques subterrâneos para combustíveis, fossem certificados pelo
INMETRO a partir de 01/01/2003.
Em 2003 o INMETRO publicou a Portaria nº 185 ,de 04 de dezembro de 2003, que aprovou o regulamento
estabelecendo os requisitos para Avaliação da Conformidade de Tanques de Armazenamento de
Combustíveis, nacionais ou importados, destinados à instalação subterrânea em posto revendedor, posto
de abastecimento e instalação de TRR, definidos conforme a Resolução 273 do CONAMA.
Em 2013, estas duas normas forma canceladas e substituídas pela norma ABNT NBR 16161:2013 - Tanque
metálico jaquetado subterrâneo - Requisitos de fabricação e de modulação, cuja última versão válida é a
2020.
Em 4.3.1 são determinadas as espessuras nominais mínimas para o costado dos tanques para
armazenamento de combustível e em 4.3.3 a espessura nominal mínima para o costado de tanques para
armazenamento de OLUC.
A espessura nominal dos tampos é determinada em 5.2 como igual ou superior à espessura do costado.
A espessura dos discos de compartimento é determinada em 5.8.3 como não inferior à do costado, com
reforços.
A espessura do anel de reforço para o tanque de 60.000 L Pleno é determinada em 5.8.4 como não inferior
à do costado.
No Brasil é extensivo o uso de biocombustíveis, como o Etanol e o Biodiesel, e a sua mistura com
combustíveis minerais.
Segundo Ambrozin et al. (2009) o uso do etanol como combustível teve início em 1931, com a
obrigatoriedade da adição de 5% à gasolina. A partir do final da década de 1970, com o Programa nacional
do Álcool (PROÁlCOOL) o etanol passou a ser utilizado puro. Hoje, além da opção do etanol “puro”, a
gasolina comercializada contém 27% de etanol misturado.
O biodiesel, fabricado a partir de diversas matérias primas, é misturado ao diesel desde 2005. Inicialmente
na proporção de 2%, hoje é usado na proporção de 5%.
A proporção de mistura de biocombustíveis nos combustíveis minerais pode sofrer alterações em função
de diversos fatores como sua disponibilidade e preço.
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A ação corrosiva do etanol e de sua mistura com a gasolina é função de diversos fatores como o pH e a
presença de contaminantes como íons cloreto, sulfato, acetato e água.
Já o biodiesel (...) possui baixa estabilidade oxidativa e hidrolítica, que alteram o seu padrão de qualidade
e aumentam a sua ação corrosiva. Ele oxida quando exposto ao ar e às altas temperaturas, formando
ácidos orgânicos e hidroperóxidos, que prejudicam a qualidade do produto e promovem processos
corrosivos. Além disso, ele é 30 vezes mais higroscópico do que o diesel. A água absorvida pode agir
diretamente sobre a corrosão dos materiais; pode causar reações de hidrólise do biodiesel, aumentando,
por consequência, a corrosão metálica; e, promover o crescimento microbiano e, consequentemente, a
corrosão microbiana. (Ambrozin et al. (2009))
Em função do aumento da utilização de biocombustíveis, não só no Brasil, mas em diversos outros países,
diversos estudos têm sido desenvolvidos de forma a identificar a influência do uso de biocombustíveis e
suas misturas aos combustíveis de origem mineral na corrosão do aço carbono e outros materiais
metálicos usados na construção de veículos e sistemas de transporte e armazenamento.
De uma forma geral, essa influência é negativa, com aumento das taxas de corrosão.
Quanto ao OLUC, não há como definir padrões já que, como diz o nome, é um produto contaminado, que
pode conter toda sorte de contaminantes.
CARGAS
O presente estudo visa avaliar os tanques metálicos jaquetados subterrâneos na sua condição de
operação, já devidamente instalados e comissionados. Os esforços sofridos por esses tanques durante
sua produção transporte e instalação não serão analisados, considerando que os tanques estão
adequados a esses esforços.
Considerando que as linhas de respiro são adequadas, não permitindo a pressurização do tanque, durante
sua vida útil os tanques subterrâneos estarão sujeitos basicamente às cargas transferidas a eles pelo solo.
A pista de rolagem acima dos tanques deve ser adequadamente pavimentada, de forma a não transferir
a carga do tráfego de forma localizada, mas sim distribuindo-a sobre o solo.
Assim, pode-se considerar os tanques como cilindros sujeitos a uma pressão “hidrostática” externa
decorrente do solo a sua volta a e acima deles.
Conforme o item 8.2.10 da norma ABNT NBR 16764:2019, a altura de recobrimento do aterro deve ser
de, no mínimo, 1,00 m e, no máximo, 1,30 m.
Considerando o recobrimento máximo, a altura da coluna “hidrostática” máxima é dada pelo diâmetro
do tanque (d) somado a altura de recobrimento (h).
Considerando também a densidade do solo (𝜌) como 1400 kg/m³ e a aceleração gravitacional (g) como
9,81 m/s², a pressão externa na geratriz inferior do tanque (P) é dada por:
𝑃 = 𝜌𝑔(ℎ + 𝑑) (1)
POSSÍVEIS FALHAS
Durante a vida útil os tanques subterrâneos, sujeitos às cargas descritas acima, poderão falhar das
seguintes formas:
- Perda da capacidade estrutura e colapso parcial ou total do tanque sob pressão externa, pela perda de
espessura do costado ou da resistência estrutural dos anéis de reforço ou discos de compartimento;
- Deformação dos tampos sujeitos a pressão externa, do solo, devido a uma “fluidização” do solo
compactado.
ESPESSURAS REQUERIDAS
A norma ABNT NBR 16161:2020 não apresenta métodos para a determinação da espessura mínima do
costado, dos tampos planos e das divisórias internas dos tanques.
A norma UL-58 define as espessuras nominais mínimas dos tampos e divisórias e apresenta a equação
de Roark para o cálculo das espessuras mínimas do costado. Essa metodologia é replicada em diversas
normas internacionais.
A equação de Roark utilizada corresponde ao caso 19b da tabela 15.2 de Young, W.C. & Budynas, R.G.
(2002), para tubos curtos, de comprimento l, extremidades mantidas circulares, mas não restritas de
outra forma, ou tubos longos mantidos circulares em intervalos l:
𝐸𝑡 2 4 3 2
𝑃 = 𝑞 ′ = 0,807 √( 1 2 ) 𝑡 2 (2)
𝐿𝑟 1−𝑣 𝑟
Onde:
P é a pressão de flambagem;
E é o módulo de elasticidade do material (203,4 x 10³ MPa para aço A-36);
t é a espessura do costado;
L é a distância entre reforços;
r é o raio interno do tanque;
v é razão de Poisson (0,287 para A-36);
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O comprimento L entre reforços é a distância entre os tampos planos, entre um tampo e uma divisória ou
entre duas divisórias. Para que essa distância L seja efetiva, os tampos, divisórias ou anéis de reforço
devem ter resistência suficiente para suportar as cargas atuantes. Essa resistência é expressa pelo
momento de inércia da seção do tampo, divisória ou anel de reforço.
Conforme a norma ABNT NBR 16161:2020, serão considerados linhas de suporte os tampos, os discos de
compartimento e os anéis de reforço. Os tampos e discos de compartimento são discos inteiriços, sem
furos ou vãos. Os tampos são apoiados pelo lado externo pelo solo compactado e os discos de
compartimento são enrijecidos por nervuras de reforço. Em ambos os casos a flambagem do elemento é
restringida, aumentando a efetividade do reforço.
Os anéis de reforço, conforme especificado na figura 17 da norma, são usados somente no tanque de
60.000 L pleno, com diâmetro de 2549 mm e tem um furo central com 800 mm de diâmetro. A altura da
seção transversal (Le) desse anel é 874,5 mm. Será considerada essa altura no cálculo do momento de
inércia para todos os reforços.
𝑃ℎ
𝑡𝑑𝑐 = 𝑟√ (6)
4,6.𝑆
Onde:
3
Ph é a pressão hidrostática média no quadrante mais crítico, ou seja, . 𝜌. 𝑔. 𝑟, sendo a
2
densidade do produto e g a aceleração gravitacional;
S é a tensão admissível (160 MPa, tabela 5.2ª da API-650);
O fator 4,6 foi derivado do caso 27 da tabela 11.2 de Young, W.C. & Budynas, R.G. (2002).
CORROSÃO
O mecanismo de dano previsto que pode comprometer a resistência estrutural do tanque com o passar
do tempo é a corrosão.
Por se tratar de um vaso jaquetado, ou seja, protegido da ação corrosiva do solo no qual está enterrado,
não será observada corrosão externa.
Por outro lado, a superfície interna do tanque estará exposta a ação dos produtos armazenados e dos
vapores desses produtos. Essa ação pode provocar a corrosão dessa superfície interna, reduzindo a
espessura e/ou a resistência mecânica do tanque, com o comprometimento estrutural e, no limite, o
colapso do tanque. A corrosão pode gerar também perfurações com a perda da estanqueidade do tanque.
A jaqueta tem a função de evitar o vazamento de produto para o solo no caso da perda da estanqueidade,
permitindo detecção da presença de líquidos no interstício entre o tanque metálico e a jaqueta. Contudo
não oferece uma retenção prolongada para os produtos armazenados, deteriorando-se em um curto
período de tempo. Assim, é importante que o sistema de detecção esteja sempre operante, informando
vazamento assim que este ocorra e permitindo a troca do tanque em tempo hábil. Por outro lado, é
igualmente importante que o tanque não perca a sua estanqueidade e a estimativa de um tempo de vida
antes que ocorra um furo é uma ferramenta interessante, já que uma troca planejada do tanque sempre
será menos onerosa do que uma troca corretiva.
A norma Petrobrás N-270 (E) - Projeto de Tanque de Armazenamento Atmosférico, estabelece na tabela
A.2, reproduzida na Figura 2, as taxas de corrosão anual que devem ser consideradas no projeto mecânico
de tanque de superfície, para armazenamento de petróleo, seus derivados líquidos e outros produtos
líquidos utilizados pela PETROBRAS, tais como: álcool, biodiesel, produtos químicos, água e outros.
Os valores apresentados na tabela são elevados, quando aplicados diretamente como uma sobre-
espessura, em relação a corrosão observada nos tanques metálicos jaquetados subterrâneos e
resultariam em uma vida útil muito pequena, o que não é observado na prática, desde o início do uso dos
tanques jaquetados.
Conforme diversos trabalhos a corrosão dos combustíveis em aço carbono ocorre de forma mais
significativa na forma de pites, podendo apresentar também uma corrosão generalizada.
Essa tendência é corroborada pela observação da superfície interna de tanques durante inspeções, onde
é observada a formação de pites principalmente próximo a geratriz inferior do tanque e nas regiões de
solda.
O enfoque em uma sobre-espessura para corrosão fica assim prejudicado, já que, ainda que uma medição
de espessura indique uma perda pequena, com a espessura remanescente maior do que a espessura
mínima requerida, a resistência estrutural do tanque pode já estar comprometida em função dos vazios
decorrentes dos pites.
Esse comprometimento estrutural tem sido abordado basicamente de duas maneiras: como uma redução
das propriedades mecânicas do material ou como uma redução de espessura equivalente. Em ambas é
considerada a perda de massa com o decorrer do tempo.
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Para a avaliação da integridade estrutural dos tanques metálicos jaquetados subterrâneos, conforme
pode ser visto na equação (2), é considerado o módulo de elasticidade do material (E) e a razão de Poisson
( ). Conforme Jurišić & Parunov(2015) e Garbatov et al. (2014), as propriedades mecânicas do material
podem ser analisadas em função do seu Grau de Degradação (D), em %, usado para medir a gravidade da
corrosão e definido como:
𝑉0 −𝑉𝑐
𝐷= 𝑉0
. 100 (7)
Onde:
Na prática, os volumes intacto e corroído podem ser respectivamente substituídos pelas espessuras
intacta e corroída média dos elementos estruturais.
Considerando ainda que não há variação da densidade do material, a equação (7) também pode ser
reescrita em função das massas intacta e corroída ou das espessuras intacta e corroída:
𝑚0 −𝑚𝑐 𝑡0 −𝑡𝑐
𝐷= 𝑚0
. 100 = 𝑡0
. 100 (8)
Onde:
Ainda segundo Garbatov et al. (2014), o módulo de elasticidade (E) pode então ser avaliado baseado em
dados experimentais e considerando o módulo de elasticidade de 196 GPa como:
Segundo Garbatov et al. (2014), essa correlação entre o módulo de elasticidade e o grau de degradação
apresenta uma dispersão alta em relação à regressão linear, apresentando o gráfico do levantamento
experimental do Módulo de Elasticidade em função do grau de degradação (Figura 4):
A regressão linear proposta leva a uma condição em que, com grau de degradação de 100%, ou seja, com
uma corrosão total do material, o módulo de elasticidade seria 93 GPa, ou 47% do módulo de elasticidade
não corroído. O que não é correto, já que com 100% de corrosão na realidade o tanque estaria em ruina.
É plausível considerar que com grau de degradação de 100% a capacidade do material suportar qualquer
esforço mecânico esteja completamente deteriorada, ou seja, o módulo de elasticidade e todas as outras
propriedades mecânicas seja nulas. Por outro lado, com grau de degradação de 0% o tanque está
totalmente íntegro e o módulo de elasticidade é aquele original do material.
Tomando assim, além dos pontos do gráfico, também esses dois pontos:
E achando uma linha de tendência quadrática com o ponto inicial fixo e dividindo-se pelo módulo de
elasticidade não corroído, chegou-se a:
𝐸
𝐸(𝐷) = [−0,0068𝐷2 − 0,1906𝐷 + 100] 100
0
(10)
Considerando o costado e reescrevendo a equação (1) pode-se isolar o módulo de elasticidade (E):
𝑃𝐿𝑟 1 3 𝑡 2 −1/4
𝐸 = 0,807𝑡 2 [(1−𝑣 2 ) 𝑟2
] (11)
Usando a espessura nominal intacta da chapa (t0) e a pressão externa de projeto (P), é possível encontrar
o menor valor do Módulo de Elasticidade que suporte esse esforço (Emin).
𝑃𝐿𝑟 1 3 𝑡 2 −1/4
0
𝐸𝑚𝑖𝑛 = 0,807𝑡 2 [(1−𝑣2 ) 𝑟2
] (12)
0
Então, considerando a equação (10), o máximo Grau de Degradação admissível para cada caso (Dmax) é
dado por:
𝐸
0,1906−√−0,19062 −4.−0,0068.(1− 𝑚𝑖𝑛 )100
𝐸
𝐷𝑚𝑎𝑥 = (13)
2.−0,0068
Que corresponde, conforme a equação (8), à porcentagem de massa ou de espessura que pode ser
perdida até o colapso estrutural do tanque.
A norma ASTM G31, que descreve os procedimentos aceitos e os fatores que influenciam os testes de
corrosão por imersão, define a taxa de corrosão como:
𝐾𝑊
𝑇𝑎𝑥𝑎 𝑑𝑒 𝐶𝑜𝑟𝑟𝑜𝑠ã𝑜 = (14)
𝐴𝑇𝜌
Onde:
K é uma constante em função do sistema de unidades utilizado. Por exemplo, para mpy (mils per
year, ou milésimo de polegada por ano), K = 3,45x106;
W é a perda de massa do corpo de prova, em gramas;
A é a área, em cm²;
T é o tempo de exposição, em horas; e
é a densidade do material, em g/cm².
Na norma ASTM G31, o uso das taxas de corrosão implica que toda a massa foi perdida devido a corrosão
generalizada e não por corrosão localizada, como pites ou corrosão intergranular de áreas sensibilizadas
por soldagem. Porém, mesmo em trabalhos em que foi verificada a ocorrência de corrosão localizada, em
conjunto ou não com corrosão generalizada, são apresentadas taxas de corrosão, normalmente em mpy.
A partir do valor da taxa e corrosão (TC) é possível calcular a razão de degradação (D(T)), ou seja, o grau
de degradação em função do tempo, dividindo-se o valor da taxa de corrosão pela espessura nominal do
tanque, em unidades coerentes. Se a taxa de corrosão é dada em mm/ano, a espessura intacta deve ser
dada em mm, por exemplo.
𝑇𝐶
𝐷(𝑇) = 𝑡0
(%/ano) (15)
Finalmente, a estimativa da vida útil de um tanque (V) é dada pelo grau de degradação admissível do
tanque (Dmax) dividido pela razão de degradação (D(T)):
𝐷𝑚𝑎𝑥
𝑉= 𝐷(𝑇)
, em anos (16)
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A Tabela 6 apresenta, para cada um dos tanques padronizados pela norma ABNT NBR 16161:2020, as suas
características principais, o Módulo de Elasticidade (Emin) dado pela equação (12), a relação Emin/E e o Grau
de Degradação máximo admissível (Dmax) dado pela equação (13).
Tabela 6. Módulo de Elasticidade mínimo e Grau de Degradação máximo.
Mód. Grau
Press. Mód. Esp.
Capac. Diâm. Compr. Razão Elast. Degr.
No. Ext. Elast. Nom.
Nom. Nom. Nom. Poiss. Min. Emin/E Máx.
Comp. Cons. E Cost.
(L) (mm) (mm) v Emin Dmáx
(MPa) (MPa) (mm)
(MPa) (%)
Combustíveis
3000 1 1450 1820 0,038 203400 0,287 4,75 31703 16% 98,28
5000 1 1450 3030 0,038 203400 0,287 4,75 52780 26% 91,28
10000 1 2549 2000 0,053 203400 0,287 6,35 55001 27% 90,51
15000 1 1910 5400 0,044 203400 0,287 4,75 165995 82% 39,84
15000 1 2549 3000 0,053 203400 0,287 6,35 82503 41% 80,52
20000 1 2549 4000 0,053 203400 0,287 6,35 110004 54% 69,35
20000 2 2549 4000 0,053 203400 0,287 6,35 55002 27% 90,51
30000 1 2549 6000 0,053 203400 0,287 6,35 165006 81% 40,50
30000 2 2549 6000 0,053 203400 0,287 6,35 82503 41% 80,52
30000 2 2549 6000 0,053 203400 0,287 6,35 110004 54% 69,35
60000 2 2549 12000 0,053 203400 0,287 6,35 165006 81% 40,50
60000 2 2549 12000 0,053 203400 0,287 6,35 165006 81% 40,50
60000 3 2549 12000 0,053 203400 0,287 6,35 110004 54% 69,35
60000 4 2549 12000 0,053 203400 0,287 6,35 82503 41% 80,52
OLUC
1000 1 906 1560 0,030 203400 0,287 4,75 10766 5% 100,00
2000 1 1200 1800 0,034 203400 0,287 4,75 21460 11% 100,00
3000 1 1450 1820 0,038 203400 0,287 4,75 31703 16% 98,28
5000 1 1450 3030 0,038 203400 0,287 4,75 52780 26% 91,28
É importante observar que há uma variação entre os diversos padrões estabelecidos quanto ao Grau de
Degradação máximo admissível. Enquanto os tanques 15.000 L x 1, 30.000 L x 1, 60.000 L x 1 e 60.000 L
x 2 apresentam Dmáx próximo de 40%, os tanques 1.000 L x 1 e 2.000 L x 1 praticamente não correm o
risco teórico de colapso.
Um tanque com Dmax = 40%, por exemplo, admite uma perda de massa de 40% até o seu colapso.
Contudo, a curva de regressão utilizada para a estimativa do Módulo de Elasticidade em função do Grau
de Degradação apresenta um coeficiente de determinação (R²) de 0,6943, já que os dados experimentais
são bastante dispersos. Ou seja, o modelo explica 69,43% da variância, com um desvio padrão de 12,6.
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Considerando esse desvio, pode-se concluir que os valores de Grau de Degradação máxima apresentados
na Tabela 6 não devem ser assumidos como valores absolutos e precisos, mas como estimativas sujeitas
a diversos fatores, desde as características de fabricação da chapa, passando pelo processo de fabricação
do tanque, as condições ambientais e dos combustíveis armazenados.
O objetivo deste trabalho é a estimativa de um valor de vida útil para os tanques jaquetados subterrâneos.
Contudo, considerando o Grau de Degradação máximo apresentado na Tabela 6, observamos que os
diferentes padrões propostos pela norma ABNT NBR 16161:2020 oferecem diferentes “resistências” à
degradação e teriam, teoricamente, vidas úteis diferentes. O principal fator para a essa variação é o
material excedente, ou seja, os menores valores correspondem aos tanques com menor sobre-espessura
disponível para corrosão. Teoricamente, quando expostos a um mesmo combustível estes tanques teriam
uma vida menor do que aqueles com Grau de Degradação máximo maior. Considerando porém as
variáveis e incertezas citadas anteriormente, um tanque com Grau de Degradação máximo de 39,84%,
conforme a Tabela 6, poderia suportar um Grau de Degradação da ordem de 52,44% ou até maior.
Essa variação é refletida nos diferentes estudos encontrados sobre a taxa de corrosão do aço carbono em
combustíveis, em que não raro, o erro de medição é da mesma ordem de grandeza da medida e cuja
análise torna-se inconclusiva.
Adotando-se a taxa de corrosão mais crítica da tabela A.2 da norma Petrobrás N-270(E) para as regiões
mais altas do tanque, expostas com maior frequência a vapores de combustível e sua condensação (0,25
mm/ano para gasolina) e aplicando-se as equações (15) e (16) obtém-se, para cada tanque, a vida útil
estimada, conforme apresentado na Tabela 7.
Tabela 7. Vida Útil baseada na taxa de corrosão de 0,25 mm/ano.
Capac. Diâm. Compr. Esp. Nom. Mód. Grau Degr. Vida Útil
No.
Nom. Nom. Nom. Cost. Elast. Min. Emin/E Máx. Estimada
Comp.
(L) (mm) (mm) (mm) Emin (MPa) Dmáx (%) (anos)
Combustíveis
3000 1 1450 1820 4,75 31703 16% 98,28 18,7
5000 1 1450 3030 4,75 52780 26% 91,28 17,3
10000 1 2549 2000 6,35 55001 27% 90,51 23,0
15000 1 1910 5400 4,75 165995 82% 39,84 7,6
15000 1 2549 3000 6,35 82503 41% 80,52 20,5
20000 1 2549 4000 6,35 110004 54% 69,35 17,6
20000 2 2549 4000 6,35 55002 27% 90,51 23,0
30000 1 2549 6000 6,35 165006 81% 40,50 10,3
30000 2 2549 6000 6,35 82503 41% 80,52 20,5
30000 2 2549 6000 6,35 110004 54% 69,35 17,6
60000 1* 2549 12000 6,35 165006 81% 40,50 10,3
60000 2 2549 12000 6,35 165006 81% 40,50 10,3
60000 3 2549 12000 6,35 110004 54% 69,35 17,6
60000 4 2549 12000 6,35 82503 41% 80,52 20,5
OLUC
1000 1 906 1560 4,75 10766 5% 100,00 19,0
2000 1 1200 1800 4,75 21460 11% 100,00 19,0
3000 1 1450 1820 4,75 31703 16% 98,28 18,7
5000 1 1450 3030 4,75 52780 26% 91,28 17,3
*O tanque de 60000 L pleno é equipado com um anel de reforço no centro.
Assim, a determinação de valores de vida útil específicos para cada padrão de tanque, baseado
unicamente no seu Grau de Degradação máximo pode induzir a estimativas equivocadas, penalizando
alguns tanques, que seriam trocados antecipadamente e em boas condições, e permitindo a falha de
outros antes da troca. Além disso, dificulta o controle pelos órgãos de fiscalização e pelos próprios
proprietários dos postos de abastecimento, pois em tese um estabelecimento poderia ter tanques de
padrões e vidas úteis diferentes.
A adoção de um valor único de vida útil mostra-se mais apropriada para fins de controle e fiscalização,
bem como para a substituição antecipada da maioria dos tanques, antes de uma falha.
O tanque de 15000 L com diâmetro de 1910 e espessura de 4,75 mm apresenta uma vida útil cerca de
27,6% inferior ao mais crítico dos outros tanques. Este modelo foi inicialmente adotado, porém hoje é
usado apenas em aplicações específicas, como a instalação em solo rochoso que dificulta a escavação.
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Devido a sua baixa vida útil estimada e grande discrepância em relação aos outros modelos, optou-se por
desconsiderá-lo na avaliação de uma vida útil comum e aplicar um tratamento diferenciado, com sua vida
útil mais curta e, como sugestão, a sua retirada em uma próxima revisão da norma ABNT NBR 16161.
O número de modelos que tem vidas úteis estimadas iguais ou ainda o número de tanques instalados de
cada modelo não são parâmetros que possam influenciar a definição de um valor único de vida útil. Por
outro lado, os diferentes valores encontrados indicam um comportamento, em termos de degradação,
que deve ser considerado em um valor único de vida útil.
Assim, para a determinação de um valor único de vida útil estimada, será considerada a gama de valores
de vida útil individual, exceto para o tanque de 15000 L e diâmetro de 1910 mm.
Valores de vida útil considerados: 10,3; 17,3; 17,6; 18,7; 19,0; 20,5; 23,0
CONCLUSÃO
Há tempos o uso de tanques subterrâneos já provou ser a melhor forma de armazenamento de
combustíveis em postos de abastecimento, principalmente em área urbana. Ao mesmo tempo que
otimiza o espaço do estabelecimento, protege o seu conteúdo de intempéries como o calor, o frio, a chuva
e o vento. Fica ainda protegido de impactos de veículos, outros danos mecânicos e fadiga térmica pela
variação natural da temperatura. Por outro lado expõe o tanque à umidade, à química e a microrganismos
presentes no solo, bem como às cargas impostas pelo aterro a sua volta.
A adoção dos tanques jaquetados subterrâneos, a partir da certificação pelo INMETRO, em 2003, dos
tanques fabricados pela norma ABNT NBR 13312 representou um avanço quanto a proteção dos tanques
primários dos agentes agressivos presentes no solo e quanto a prevenção e detecção de vazamentos.
Hoje, o uso de tanques subterrâneos de parede simples, sem a jaqueta, é inadmissível diante
principalmente do risco de contaminação ambiental que oferece. Considerando que a obrigatoriedade
legal da instalação de tanque jaquetados já tem 18 anos em 2021, qualquer tanque de parede simples
ainda em operação representa um risco grave e iminente de vazamento e contaminação, devendo ser
substituído.
Da mesma forma um tanque jaquetado subterrâneo sem o sistema de detecção de vazamento equipara-
se ao tanque de parede simples, já que a jaqueta tem uma resistência limitada ao combustível, estando
suscetível a um vazamento também através da jaqueta, caso o vazamento não seja detectado em curto
prazo.
Neste trabalho foi visto que a corrosão em tanques jaquetados subterrâneos ocorre basicamente pelo
lado interno, exposto ao combustível, já que o lado externo está protegido pela jaqueta da ação corrosiva
do solo.
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Foi verificado que a corrosão pelos combustíveis armazenados ocorre de forma generalizada, com uma
perda de espessura relativamente uniforme, porém com baixa intensidade e forma localizada,
principalmente por pites, de forma mais intensa do que a corrosão generalizada.
A carga imposta ao tanque pode ser analisada como uma pressão externa em um corpo cilíndrico, que
induz basicamente cargas e compressão e eventuais falhas por flambagem localizada. Diferentemente das
cargas de tração, onde a tensão de escoamento é a propriedade governante, para a análise de flambagem
o módulo de elasticidade é a propriedade do material considerada.
Foi mostrado que a perda de massa (localizada e generalizada) por corrosão acarreta uma redução do
módulo de elasticidade aparente do material e, no limite, a um colapso estrutural do tanque.
Foi calculado o módulo de elasticidade mínimo para cada geometria considerada e o grau de corrosão
máximo permitido para cada caso.
Foi apresentada uma relação para a definição do grau de corrosão em função da taxa de corrosão,
normalmente apresentada em trabalhos sobre o tema.
A taxa de corrosão é ainda fortemente influenciada por diversos fatores como a presença de água, o pH
do combustível, a presença de contaminantes, a formação de ácidos, a uso de misturas de
biocombustíveis com combustíveis minerais e a presença de bactérias. Além disso pode haver um desvio
no padrão do combustível armazenado.
Diante dessas variáveis, que não são controladas no dia a dia em posto de abastecimento, a definição de
taxas de corrosão precisas e, consequentemente, de uma vida útil precisa é prejudicada.
Foi calculada uma vida útil média para os padrões estabelecidos pela norma ABNT NBR 16161:2020 de
18,1 anos, que, consideradas as incertezas apresentadas, garante que a grande maioria dos tanques não
colapsará.
Dada a predominância da corrosão por pites, é provável que mesmo para os tanques 15.000 L x 1910,
30.000 L x 1, 60.000 L x 1 e 60.000 L x 2 instalados em ambientes com atmosfera agressiva e operados de
forma crítica, apresentem algum vazamento antes que ocorra um colapso. Contudo, o tanque 15.000 L x
1910 deve ser tratado separadamente, com vida útil específica e sua retirada de futuras revisões da norma
ABNT NBR 16161.
Foi demonstrado ainda que os tanques de OLUC apresentam uma sobre-espessura alta que garante a sua
resistência estrutural mesmo após uma corrosão acentuada.
REFERÊNCIAS
ABNT NBR 13312:1995 Construção de tanque atmosférico subterrâneo em aço-carbono.
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Combustíveis Minerais e Biocombustíveis. Quim. Nova, Vol. 32, No. 7, 1910-1916
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Atuação
• Projeto de equipamentos para a indústria de processos como tanques, vasos de pressão, reatores,
sistemas de agitação de fluidos, filtros de pré-capa, estufa para cozimento de embutidos;
• Projeto de plantas industriais na área química, desde a definição de layout, fluxogramas P&ID, o
detalhamento de equipamentos e tubulações;
• Especificação de equipamentos para processo como filtros, trocadores de calor, válvulas,
instrumentos de medição, torres de resfriamento, dentre outros;
• Dimensionamento térmico de sistemas de produção, distribuição e uso de vapor, bem como de
recuperação de condensado;
• Inspeção de vasos de pressão, conforme NR13;
• Auditoria quanto à adequação de instalações e equipamentos à NR12, NR13, NR19 e NR20;
• Projeto de sistemas de prevenção e combate a incêndios (SPCI);
• Projetos de alteração ou reparo em caldeiras e vasos de pressão;
• Participação no desenvolvimento de rotinas computacionais para o programa de cálculo de vasos
de pressão e sistemas de agitação CEREBROMIX;
• Elaboração de material didático (apresentações e apostila) para treinamentos de engenharia e
segurança do trabalho, em especial para curso de projeto de vasos de pressão conforme ASME,
VIII-1, para curso de legislação e inspeção de vasos de pressão, para treinamento de segurança
na operação de caldeiras e de vasos de pressão, conforme NR-13;
• Treinamento de Operadores de Caldeiras e de Unidades de Processo, conforme NR13;
• Elaboração de LTCAT, PPRA, AET;
• Desenvolvimento de Análise de Riscos em diversas indústrias de processo;
• Atuou como professor universitário na disciplina de órgãos de máquinas;
• Projeto de tanques de armazenamento conforme API 650 e API 620.
Formação
Experiência Profissional