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Trigo - Botanica

Este documento descreve a classificação botânica, origem, características e estádios de desenvolvimento do trigo. Ele está dividido em duas partes, a primeira sobre a taxonomia do trigo e suas características botânicas e fisiológicas, e a segunda sobre instruções para descrever novos cultivares.

Enviado por

Alisson Fogaça
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© © All Rights Reserved
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Tópicos abordados

  • sistema radicular,
  • melhoramento genético,
  • análise de rendimento,
  • plantas atípicas,
  • descritores morfológicos,
  • cultivo de trigo,
  • textura do grão,
  • folhas do trigo,
  • genomas,
  • origem do trigo
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Trigo - Botanica

Este documento descreve a classificação botânica, origem, características e estádios de desenvolvimento do trigo. Ele está dividido em duas partes, a primeira sobre a taxonomia do trigo e suas características botânicas e fisiológicas, e a segunda sobre instruções para descrever novos cultivares.

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Tópicos abordados

  • sistema radicular,
  • melhoramento genético,
  • análise de rendimento,
  • plantas atípicas,
  • descritores morfológicos,
  • cultivo de trigo,
  • textura do grão,
  • folhas do trigo,
  • genomas,
  • origem do trigo

BOTÂNICA.

MORFOLOGIA E
DESCRiÇÃO FENOTíPICA 2
Pedra Luiz Scheeren'
Ricardo Lima de Castro'
Eduardo Caierão'

Este capítulo está dividido em duas partes. Na primeira,


apresentam-se a classificação botânica do trigo, sua origem, suas
características botânicas e fisiológicas, além de seus estádios de
desenvolvimento, e, na segunda, as instruções para a descrição de
novos cultivares de trigo.

Classificação Botânica
Família: Poaceae (= Gramineae)
Subfamília: Pooideae (= Festucoideae)
Tribo: Triticeae Dumort. (= Hordeae)
Subtribo: Triticinae
Gênero: Triticum (Lineu, 1753)
Espécie: Triticum aestivum (L.) THELL

I Engenheiro-Agrônomo, Dr., Pesquisador da Embrapa Trigo. E-mail:


[Link]@[Link]
2 Engenheiro-Agrônomo, Dr., Pesquisador da Embrapa Trigo. E-mail:
[Link]@[Link]
3 Engenheiro-Agrônomo, M.S., Pesquisador da Embrapa Trigo. E-mail:
[Link]@[Link]
36 Scheeren, Castro e Caierão

Origem, número de cromossomos e genomas


Acredita-se que o trigo [Triticum aestivum (L.) THELL], como é
conhecido hoje, seja originário de gramíneas silvestres que se
desenvolviam nas proximidades dos rios Tigre e Eufrates (Ásia), por
volta dos anos 10.000 a 15.000 a. C. Contudo, os primeiros registros
encontrados datam do ano 550 a. C., o que leva a concluir que a maioria
das características da planta são conhecidas há mais de 2.000 anos.
A espécie Triticum aestivum L. é hexaploide (2n = 42). Uma
hibridação natural entre um tetraploide (Triticum turgidum; 2n = 28)
e uma gramínea selvagem (Aegilops squarrosa; 2n = 14) deu
origem ao T. aestivum e outros trigos hexaploides menos
conhecidos (Figura 2.1).
CULTIVADOS
SELVAGENS
CI casca Debulhalivre


Tetrapíoídes
ln=./x=24
Turgidum
varodurum
~·[Link]
var. polínícum
var. carthlicum
genomaAABB

Figura 2.1 - Relações evolutivas do trigo - Triticum.


Fonte: FELDMAN, 1977, citado por FUNDAÇÃO CARGIL, 1982.

Os trigos primitivos tinham espigas muito frágeis, que quebravam


com facilidade quando maduras. As sementes eram aderidas às partes
florais. Foram necessários milhares de anos de seleção natural e
artificial para chegar aos tipos de trigo cultivados atualmente (séculos
XXeXXI).
Botânica, morfologia e descrição feno típica 37

No passado, cultivavam-se Triticum spelta, Triticum dicoccum,


Triticum polonicum e Triticum turgidum, mas, atualmente, essas espécies
são utilizadas apenas em estudos científicos e, ocasionalmente, em
melhoramento e investigações genéticas.

Características botânicas e fisiológicas

o trigo (Triticum sp.) apresenta características morfológicas


muito semelhantes às dos demais cereais de inverno que têm a mesma
frnalidade de produção de grãos (cevada, aveia, centeio e triticale). A
planta de trigo é estruturada em raízes, colmo, folhas e inflorescência
(Figura 2.2).

Espiga

/---+- Folha bandeira

Pedúnculo

5° entrenó

4° entrenó

3° entrenó

2° entrenó
1° entrenó

Figura 2.2 - Componentes da planta de trigo.


38 Scheeren, Castro e Caierão

Sistema radicular do trigo


Três grupos de raízes formam o sistema radicular do trigo (Figura
2.3 a, b e c): a) raízes seminais; b) raízes permanentes (coroa); e c)
raízes adventícias.
As raízes seminais, originadas diretamente da semente, são
particularmente importantes até o início do estádio de afilhamento,
pois têm como função principal o estabelecimento da plântula.
Inicialmente, a nutrição da planta é obtida do endosperma da semente.
Posteriormente, quando as raízes seminais se tomam funcionais, os
nutrientes e a água provêm do solo ao redor.

Figura 2.3 - Sistema radicular da planta de trigo.

Paralelamente ao desenvolvimento das raízes seminais,


desenvolve-se o coleóptilo e, dentro dele, o mesocótilo ou entrenó
subcoronal. Na maioria das plantas, na profundidade de 1-2 em abaixo
da superficie do solo é formada a região denominada coroa, de onde são
emitidas as raízes permanentes (cerca de 20 dias após a emergência).
No princípio, o desenvolvimento dessas raízes é lento e passam pelo
estádio de alongamento. Por ocasião do espigamento, o sistema
radicular permanente está completamente formado. Eventualmente,
surgem algumas raízes adventícias acima da superficie do solo, a
partir do primeiro e segundo nós da planta.
Botânica, morfologia e descrição fenotipica 39

Folhas
o desenvolvimento das folhas é iniciado com a emissão de uma
pseudofolha, denominada coleóptilo. Esta estrutura tem a função de
proteger o desenvolvimento do mesocótilo, a região da coroa e a
emissão da plúmula, que é a primeira folha.
As plantas de trigo têm, no fmal, 5 a 6 folhas, correspondendo ao
número de nós. Contudo, variações de 3 a 8 são frequentes. Cada folha
(Figura 2.4) é composta pela bainha, lâmina, lígula e um par de
aurículas, normalmente pilosas, na base da lâmina. A disposição das
folhas é alternada, formando ângulos de 1800 entre uma folha e outra,
até a última (comumente chamada de folha bandeira).
Tamanho, número, forma, posição, cerosidade e outras
características das folhas são fatores importantes para o rendimento de
grãos e para a caracterização dos cultivares de trigo.

Colmo

Lígula
Aurícula

Figura 2.4 - Folha do trigo e detalhes.

Colmo
o colmo das plantas de trigo normalmente é oco, cilíndrico e com
quatro a sete entrenós (Figura 2.2). Os entrenós têm comprimento
variável, aumentando da base ao ápice da planta até o pedúnculo, que é
a porção do colmo que vai do último nó até a base da espiga. A altura
40 Scheeren, Castro e Caierão

da planta é variável entre genótipos e para um mesmo genótipo em


ambientes diferentes.
Na fase de afilhamento (ou perfilhamento), aproximadamente 15
dias após a germinação, são emitidos novos colmos denominados de
afilhos (ou perfilhos) envolvidos em estruturas foliares denominadas
prófilos (normalmente inseridas nos nós da coroa). Após o afilhamento,
o colmo se alonga rapidamente, pois, na base de cada entrenó, há uma
região de rápido crescimento, composta por tecido meristemático.
Por ocasião do enchimento dos grãos, os nutrientes estocados no
colmo e nas folhas são muito importantes, porque grande parte deles
são translocados para a espiga contribuindo para o enchimento de grãos.

Inflorescência
A inflorescência do trigo é uma espiga (Figura 2.5) composta,
distica, formada por espiguetas alternadas e opostas no ráquis. Há
grande variação em relação à densidade, à forma, ao comprimento e à
largura da espiga. Considerando esses aspectos, podem ser formados
cinco tipos básicos de espiga: piramidal, oblonga, semiclavada, clavada
e fusiforme (Figura 2.6).
Cada espigueta é constituída por flores (2 a 9) dispostas
alternadamente e presas à ráquila. Normalmente, as flores superiores
são estéreis ou imperfeitas. Na base da espigueta estão duas brácteas
que recebem o nome de glumas e que têm a função de proteger as
flores de cada espigueta. A forma, o tamanho e outras características da
gluma são importantes botanicamente, pois auxiliam na diferenciação
de cultivares. Cada flor é formada por uma lema (com ou sem arista) e
uma pálea, que são as estruturas de proteção da flor. Entre a lema e a
pálea, estão o gineceu, constituído pelo ovário, estilete e estigma
(plumoso e bipartido), e o androceu, constituído por três estames (três
filetes e três anteras). Na antese, após a fecundação, as flores se
abrem e expulsam as anteras (é a chamada extrusão das anteras). A
partir dessas estruturas, ocorre a formação dos grãos.
Botânica, morfologia e descrição feno típica 41

,
\
• ,
/,

Paleta -.:1>_"'"
Ovário

ti
-Dente Flor
Ombr
• Quila

Gluma

Flor estéril (4)

Palea (3) Palea (3)


Lema (2) Lema (2)
Gluma(l) Gluma(l)

Espigueta

Ráquis

,,~?,I1Q -:
~-GrãO'-V
,. ,~
Espiga Componentes da espiga

Figura 2.5 - Espiga de trigo e seus componentes.

Piramidal Oblonga Semiclavada Clavada Fusiforme

Figura 2.6 - Principais formas da espiga do trigo.


42 Scheeren, Castro e Caierão

o grão maduro
o grão do trigo, chamado cariopse, é pequeno (mede, em média,
6-7 mm), seco e indeiscente. Forma-se apenas um grão a partir de cada
flor. O formato dos grãos é muito variável, desde grãos curtos e
arredondados até grãos estreitos e compridos, o que causa diferenças
significativas no seu peso específico. No trigo, o peso específico é
medido e expressa na base de 100 litros e, por isso, é conhecido como
"peso hectolítrico" do trigo (ou PH do trigo). O rendimento de farinha,
a qualidade panificativa e a quantidade de proteína variam
geneticamente entre os cultivares e podem sofrer, também, a influência
do ambiente. Normalmente, o conteúdo de proteína é
aproximadamente 12%, podendo variar de 6 a 20%. Também a
qualidade tecnológica de um cultivar, quando semeado em ambientes
(regiões tritícolas) diferentes, pode variar, inclusive, quanto ao
enquadramento da classe comercial.

Estádios de desenvolvimento
Usualmente, os estádios de desenvolvimento mais conhecidos do
trigo são (por ordem cronológica): plântula, afilhamento,
alongamento, emborrachamento, espigamento, florescimento, grão
em estado leitoso, grão em massa, grão em maturação fisiológica e
grão maduro. No entanto, em trabalhos científicos, foram descritas
diversas escalas de desenvolvimento, sendo mais divulgadas a escala
de Feekes (1940), modificada por Large (1954) (Figura 2.7 e Tabela
2.1), e a de Zadoks, Chang e Konzac, de 1974 (Tabela 2.2).
Comparando as duas, a escala de Feekes (1940) caracteriza os
estádios de maneira mais geral. Por outro lado, a escala de Zadoks et
al. proporciona uma visão mais detalhada de cada estádio, pois está
dividida em 10 etapas e, cada uma, em 10 subetapas. Por isso, pelo seu
detalhamento, é a mais indicada para trabalhos que exigem maior
precisão, como trabalhos em que é analisada a reação a doenças. A
comparação entre as duas escalas é apresentada na Tabela 2.3.
A temperatura ideal para o pleno desenvolvimento do trigo é
em tomo de 20°C; para o afilhamento, 15 a 20°C; e para o
desenvolvimento das folhas, entre 20 e 25°C. Danos severos, por frio
ou por calor, podem ser causados ao trigo durante o estádio
Botânica, morfologia e descrição fenotipica 43

reprodutivo, pois a temperatura ótima para fertilização é de 18 a 24°C.


Danos de geada são observados quando a temperatura durante a
floração é menor do que -1°C. Durante a formação de grãos,
temperaturas menores do que _2°C prejudicam o enchimento. Além
disso, baixas temperaturas também podem danificar as plantas de
trigo nos pontos de rápida multiplicação celular durante a fase de
crescimento, na região logo acima dos nós, onde se concentra o tecido
meristemático. Assim, nesses pontos suscetíveis pode ocorrer
"estrangulamento" e posterior necrose do colmo, causando a morte dos
tecidos acima.

Figura 2.7 - Estádios de desenvolvimento de cereais conforme a escala


de Feekes (1940).
44 Scheeren, Castro e Caierão

Tabela 2.1 - Estádios de desenvolvimento pela escala de Feekes (1940),


modificada por Large (1954)
Código Estádio
1. Plantas recém-emergidas, com uma ou mais folhas.
2. Início do afilhamento.
3. Afilhos formados. Folhas frequentemente enroladas em espiral.
Em algumas variedades de trigo, as plantas podem apresentar
hábito prostrado.
4. Início do aparecimento do pseudocaule. Bainhas foliares começam
a alongar-se.
5. Pseudocaule (formado por bainhas foliares) fortemente
desenvolvido.
6. Primeiro nó do colmo visível na base da gema.
7. Segundo nó do colmo já formado.
8. Folha bandeira visível, mas ainda enrolada. Início do periodo de
emborrachamento.
9. Lígula da folha bandeira já visível.
10. Bainha da folha bandeira completamente desenvolvida, mas as
espigas ainda não são visíveis.
10.1. Primeiras espigas apenas visíveis.
10.2. Um quarto do processo de espigamento completo.
10.3. Metade do processo completo.
10.4. Três quartos do processo de espigamento completo.
10.5. Todas as espigas estão fora da bainha.
10.5.1. Início do florescimento.
10.5.2. Florescimento completo na parte apical da espiga.
10.5.3. Florescimento completo na parte basal da espiga.
10.5.4. Final de florescimento, grão no estádio aquoso.
11.1. Grãos no estádio leitoso.
11.2. Grãos no estádio de massa (conteúdo macio e seco).
11.3. Grãos duros (dificeis de serem rompidos com a unha do polegar).
11.4. Maturação de colheita. Palhas secas.
Botânica, morfologia e descrição fenotípica 45

Tabela 2.2 - Escala decimal de desenvolvimento dos cereais segundo


Zadoks et al. (1974)

Código Estádio
o Germinação
00 Semente seca
01 Início da embebição
02
03 Embebição completa
04
05 Emergência da radícula da cariopse
06
07 Coleóptilo emergido
08
09 Folha no ápice do coleóptilo
••••••••••••••••••••••••• ~ •••••••••••••• _ ••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• H ••••••••••••••••••••••••••••••••••• _ ••••••••••• _ •••••••••••••••

1 Crescimento da plântula
10 Primeira folha através do coleóptilo
11 Primeira folha aberta
12 Duas folhas abertas
13 Três folhas abertas
14 Quatro folhas abertas
15 Cinco folhas abertas
16 Seis folhas abertas
17 Sete folhas abertas
18 Oito folhas abertas
19 Nove ou mais folhas abertas
2 Afilhamento
20 Somente o colmo principal
21 Colmo principal e um afilho
22 Colmo principal e dois afilhos
Continua ...
46 Scheeren, Castro e Caierão

Tabela 2.2 - Cont.


Código Estádio
23 Colmo principal e três afilbos
24 Colmo principal e quatro afilbos
25 Colmo principal e cinco afilbos
26 Colmo principal e seis afilbos
27 Colmo principal e sete afilbos
28 Colmo principal e oito afilhos
29 Colmo principal e nove ou mais afilhos
, _- _ .
3 Alongamento
30 Pseudocolmo ereto
31 Primeiro nó visível
32 Segundo nó visível
33 Terceiro nó visível
34 Quarto nó visível
35 Quinto nó visível
36 Sexto nó visível
37 Folha bandeira recém-visível
38
39 Lígula da folha bandeira recém-visível
•••••••••••••••••••••••••••••••••• _ •••••••••••••••••••••••••••••••• _-_ ••••••••• _ ••••••••••••••••••••••• __ •••••••••••••••• _ •••• - •••••••••• - ••••••••••••••••••••••••• __ ••• • ••••••••••••••••••••• • •••••••••••••••• _ •••••••••• H ••••••

4 Emborrachamento
40
41 Bainha da folha bandeira em extensão
42
43 Início do emborracbamento
44
45 Emborracbamento completo
46
Continua ...
Botânica, morfologia e descrição feno típica 47

Tabela 2.2 - Cont.


Código Estádio
47 Abertura da bainha da folha bandeira
48
49 Primeiras aristas visíveis
5 Emergência da inflorescência
50 Primeira espigueta da inflorescência recém-visível
51
52 Um quarto das inflorescências emergidas
53
54 Metade das inflorescências emergi das
55
56 Três quartos das inflorescências emergidas
57
58 Emergência completa da inflorescência
59
6 Antese
60 Início da antese
61
62
63
64 Metade da antese completa
65
66
67
68 Antese completa
69
Continua ...
48 Scheeren, Castro e Caierão

Tabela 2.2 - Cont.


Código Estádio
7 Desenvolvimento do grão leitoso
70
71 Cariopse aquosa
72
73 Início do estado leitoso
74
75 Estado leitoso
76
77 Final do estado leitoso
78
79
............................... _ _ .._ - __ - _ .._ _ ..- -
8 Desenvolvimento do grão em massa
80
81
82
83 Início do estado de massa
84
85 Estado de massa mole
86
87 Estado de massa dura
88
89
......................... - ..........•. _- .........•••••• _- •.....•• _.-
9 Maturação
90
91 Cariopse dura (dificil dividir com a unha)
92 Cariopse dura (não pode ser dividida com a unha)
Continua ...
Botânica, morfologia e descrição feno típica 49

Tabela 2.2 - Cont.


Código Estádio
93 Cariopse soltando-se durante o dia
94 Sobre maturação, palha seca e quebradiça
95 Semente dormente
96 Semente viável com 50% de germinação
97 Semente não dormente
98 Dormência secundária induzida
99 Dormência secundária perdida

Tabela 2.3 - Estádios de desenvolvimento pela escala de Feekes e


Large (1954) e seu valor correspondente na escala de
Zadoks et al. (1974)

Escala de Feekes e Large Escala de Zadoks et al.


Estádio 1 Estádios 10 e 11
Estádio 2 Estádios 20 e 21
Estádio 3 Estádios 22 a 29
Estádio 4 e 5 Estádio 30
Estádio 6 Estádio 31
Estádio 7 Estádio 32
Estádio 8 Estádio 37
Estádio 9 Estádio 39
Estádio 10 Estádios 43 a 45
Estádio 10.1 Estádios 50 e 51
Estádio 10.2 Estádios 52 e 53
Estádio 10.3 Estádios 54 e 55
Estádio 10.4 Estádios 56 e 57
Estádio 10.5 Estádios 58 e 59
Continua ...
50 Scheeren, Castro e Caierão

Tabela 2.3 - Cont.


Escala de Feekes e Large Escala de Zadoks et al.
Estádio 10.5.1 Estádios 60 e 61
Estádio 10.5.2 Estádios 64 e 65
Estádio 10.5.3 Estádios 68 e 69
Estádio 10.5.4 Estádio 71
Estádio 11.1 Estádios 73 a 77
Estádio 11.2 Estádios 83 a 87
Estádio 11.3 Estádio 91
Estádio 11.4 Estádio 92

Descritores para Registro e Proteção de


Cultivares de Trigo (Triticum spp.)

Introdução
As normas oficiais completas para registro, proteção e
comercialização de sementes de novos cultivares de trigo geradas
pelos obtentores estão descritas no site do Ministério da
Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA),
[Link]
registro-nacional-cultivares e em [Link]
vegetal/registros-autorizacoes/protecao-cultivares/jormularios-protecao-
cultivares. Para registro e proteção de cultivares são importantes as
informações botânicas do cultivar. Além da descrição das
características vegetativas, morfológicas e agronômicas, devem ser
informadas, a entidade responsável pela proposta de recomendação e,
ou, criação do cultivar; o cruzamento e a genealogia, o histórico de
seleção com resumo da metodologia utilizada na obtenção do cultivar;
a reação a doenças; as características de qualidade tecnológica; e o
rendimento de grãos obtido nos ensaios de Valor de Cultivo e Uso
para indicação e recomendação comercial do cultivar.
Botânica, morfologia e descrição feno típica 51

Descritores mínimos de trigo


Para a descrição das características morfológicas e biológicas,
as linhagens ou os cultivares devem ser observados onde há cultivo na
densidade de semeadura indicada pela pesquisa, com tratamento
fitossanitário (aplicação de fungicidas e inseticidas) e outras práticas
comuns na região, para que a planta expresse o seu potencial genético.
Assim procedendo, a descrição do novo cultivar corresponderá à sua
real expressão fenotípica para determinado ambiente, facilitando
identificações e comparações em caso de dúvida sobre a identidade do
material. Além disso, sempre que possível, as observações devem ser
repetidas em anos diferentes (no mínimo dois anos), com, no mínimo,
2.000 plantas, divididas em duas ou mais repetições em cada ano. As
plantas atípicas (fora do padrão descrito para o cultivar) devem ser
descritas e contadas, estabelecendo qual o índice percentual máximo
de ocorrência, o qual deve ser conferido com a porcentagem de
plantas atípicas permitida em cada categoria de sementes, conforme
Instrução Normativa n° 45, de 17 de setembro de 2013, do Diário
Oficial da União (DOU). Exemplo: em um lote de semente básica,
devem ser avaliadas seis subamostras de 1.000 plantas, formando uma
amostra completa de 6.000 plantas, com no máximo três plantas
atípicas de ciclos semelhantes, sem plantas atípicas de ciclos
diferentes.
A seguir, são apresentadas as principais características para a
descrição de um cultivar de trigo (conforme os descritores mínimos de
trigo publicados no Diário Oficial da União, de 16 de julho de 1998,
em vigor em fevereiro de 2014).

Descritores morfológicos - planta


- Hábito vegetativo da planta: é identificado no InICIOdo
afilhamento com densidade de semeadura normal; pode ser ereto,
serniereto, intermediário, serniprostrado e prostrado.
- Altura média da planta: deve ser verificada após as plantas
alcançarem a altura máxima, ou seja, aproximadamente 30 dias depois
do espigamento. A classificação é feita em comparação com
cultivares-padrão, considerando a altura média das plantas desde o
52 Scheeren, Castro e Caierão

solo até o ápice das espigas, excluindo as aristas. A planta pode ser
muito baixa, baixa, média, alta, muito alta.

Descritores morfológicos - folha


As avaliações devem ser feitas no início do espigamento.
- Posição da lâmina da folha bandeira em relação ao colmo:
ereta, intermediária, pendente.
- Cerosidade da bainha da folha bandeira: ausente, fraca, forte.
- Coloração das aurículas (observar a cor predominante no
espigamento): incolor; pouco colorida; colorida; heterogênea.

Descritores morfológicos - colmo


As avaliações devem ser feitas em plantas no estádio de
maturação.
- Forma do nó superior: largo, quadrado, comprido.
- Cerosidade do pedúnculo: ausente, fraca, forte.
- Espessura das paredes do colmo: delgada, média, espessa.
- Diâmetro do colmo: fino, médio, grosso.

Descritores morfológicos - espiga


As avaliações devem ser feitas em plantas no estádio de
maturação.
- Forma da espiga: piramidal, oblonga, semiclavada, clavada,
fusiforme.
- Comprimento da espiga: curta « 75 mm), semicurta (2: 75 mm
e < 85 mm), serni-longa (2: 85 mm e < 95 mm), longa (2: 95 mm).
- Densidade da espiga: laxa, semilaxa, semidensa, densa.
- Arista: mútica, apical, aristada.
- Coloração da espiga: clara, escura, outra.
Botânica, morfologia e descrição feno típica 53

Descritores morfológicos - gluma


As avaliações devem ser feitas sempre na gluma superior da
sétima espigueta, contando-se as espiguetas férteis a partir da base,
considerando os dois lados da espiga.
- Pilosidade da gluma: glabra (ausente), pilosa (presente).
- Comprimento da gluma: curta « 7 mm), média (~ 7 mm e
< 9 mm), longa (~ 9 mm).
- Largura da gluma: estreita « 3 mm), média (~ 3 mm e
< 4 mm), larga (~ 4 mm).
- Forma do ombro da gluma: inclinado, reto, elevado.
- Comprimento do dente: curto « 3 mm), médio (~ 3 mm e
< 7 mm), longo (~ 7 mm).

Descritores morfológicos - grão


As avaliações devem ser feitas em amostras de, no mínimo,
100 grãos primários, maduros, do terço médio das espigas.
- Forma do grão: ovalado, alongado, truncado.
- Comprimento do grão: curto « 6 mm), médio (~ 6 mm e
< 7 mm), longo (~ 7 mm).
- Coloração do grão: branco, vermelho, outros.
- Textura do grão: mole, semiduro, duro.

Descritores biológicos
- Grupo bioclimático: trigo de primavera; trigo de inverno,
trigo alternativo.
- Subperíodo dias da emergência do espigamento (quando
50% das espigas estão visíveis): superprecoce, precoce, médio, tardio,
supertardio.
- Ciclo em dias da emergência à maturação: superprecoce,
precoce, médio, tardio, supertardio.
54 Scheeren, Castro e Caierão

- Crestamento (suscetibilidade da planta ao alumínio tóxico do


solo) suscetível, moderadamente suscetível, moderadamente
resistente, resistente.

Referências
BRIGGLE, L. w. Origin and botany ofwheat. In: CIBA-GEIGY. Wheat, documenta
Ciba-Geigy. Basle, Switzerland, 1980. p. 6-13.
BRIGGLE, L. W.; REITZ, M. P. Classification of Triticum species and of wheat
varieties grown in the United States. Washington: United States Department of
Agriculture, 1963. 135 p. (USDA - Technical Bulletin, 1278).
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Common questions

Com tecnologia de IA

The Feekes scale offers simplicity, making it practical for general use. However, its lack of detail can be a disadvantage when precise growth monitoring is required, such as for disease management. Conversely, the Zadoks scale's granularity aids in precise decision-making but can be complex to apply in large-scale operations without proper training .

Wheat leaf morphology, including features such as size, shape, and waxiness, influences the plant's photosynthetic efficiency and capacity for capturing sunlight, which directly impacts grain yield. The number of leaves (typically 5-6) and their characteristics, such as the alternation and protective structures, are crucial for identifying cultivars and optimizing grain output .

The mesocotyl and coleoptile play crucial roles during the initial stages after germination by protecting the emerging shoot. The coleoptile encloses the mesocotyl and ensures that the first leaf and shoot apex are securely delivered through the soil, which is vital for successful seedling establishment .

Morphological descriptors, such as plant habit, height, leaf position, and spike characteristics, provide criteria for distinguishing and categorizing wheat cultivars. These descriptors allow for consistent identification, helping breeders and agronomists to select cultivars suited to specific conditions and uses .

Glumes protect the developing flowers and seeds, ensuring their safety from environmental stress and potential damage. Variations in glume size, shape, and hairiness not only influence their protective efficiency but also serve as critical markers for differentiating wheat cultivars botanically .

High temperatures above the ideal range (18-24°C) during wheat's reproductive phase can cause sterility, while low temperatures below -1°C during flowering or -2°C during grain filling can impede development. The detailed stages in the Zadoks scale help in assessing such impacts because it allows precise monitoring of development under varying conditions .

The main stages of development in wheat include plântula, afilhamento, alongamento, emborrachamento, espigamento, florescimento, and grain maturation stages . The Feekes scale, modified by Large, is more general and organizes the stages into larger categories, whereas the Zadoks scale is more detailed, dividing each stage into 10 smaller sub-stages, making it more suitable for precise studies, such as disease resistance analysis .

Temperature ranges influence sowing times, choice of cultivar, and agronomic strategies to mitigate adverse effects. During afilhamento, an ideal temperature of 15-20°C supports optimal shoot development, while temperatures for fertilization should be 18-24°C . Adjusting planting schedules or using heat-resistant varieties are common practices to counteract unsuitable temperatures.

The permanent root system in wheat develops slowly but becomes fully established by the spike emergence stage. This system is crucial for water and nutrient uptake, enabling the plant to support its aerial development and contribute to grain filling . The alignment of this root development with the foliar and reproductive stages ensures synchronized growth and resource allocation.

Sterility in upper spikelet flowers limits the total number of grains that a spike can produce. Given that lower, more fertile flowers set the majority of seeds, improving conditions or breeding for reduced spikelet sterility could enhance overall yield potential .

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