Auditoria Fiscal e Tributária: Fundamentos
Auditoria Fiscal e Tributária: Fundamentos
SUMÁRIO
1 ORIGEM E EVOLUÇÃO DA AUDITORIA ...................................................2
BIBLIOGRAFIA ...............................................................................................37
7 LEITURA COMPLEMENTAR....................................................................39
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1 ORIGEM E EVOLUÇÃO DA AUDITORIA
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Em decorrência destes fatos as demonstrações financeiras contábeis
passaram a ter importâncias valiosas para os aplicadores de recursos em aplicações
futuras. Para preservar a segurança e evitar a manipulação de informações, os
investidores exigiram que essas demonstrações fossem conferidas por profissionais
independentes da empresa que lançaram ações no mercado e estes com capacidade
técnicas profissionais na área, com formação adequada para examinar as
demonstrações contábeis financeiras da empresa e capaz de emitir opiniões claras
fundamentadas em princípios geralmente aceitos pela contabilidade identificando a
esse profissional o nome de auditor externo ou auditor independente.
O desenvolvimento técnico do profissional de auditoria é realizar ações que
procedem a erros corridos nos fatos lançados na empresa, identificando resultados
que sejam significativos que possam prejudicar o futuro da empresa.
O profissional da área de auditoria deve se preocupar com os mínimos valores
ocorridos na contabilidade e apuração dos demonstrativos contábeis financeiros, mas
estar alerta no que afetará em informações significativa, como por exemplo:
Uma empresa que gera lucro no exercício em $ 10.000.000,00, caso ocorra um
erro de $ 1.000,00, significando 0,01%; um percentual irrisório nas informações dos
resultados finais, sendo assim o auditor deve se ater as consequências do erro, o que
pode estar ocorrendo por trás desse problema ai se dedicar, mas caso seja um erro
de digitação ou mesmo de lançamento, informe simplesmente que no decorrer dos
exercícios seguinte seja corrigido caso necessário, ou o contador achar viável.
Com a globalização mundial e as instalações de diversas empresas
internacionais serem instaladas no Brasil, e principalmente nos Estados Unidos da
América e os países do Bloco Europeu exigirem a auditoria no exterior de suas
empresas sedes instaladas no Brasil, a legislação brasileira teve que se adequar as
novas normas e procedimentos foi alterado a Lei das sociedades por Ações que
ocorria de 1976 a Lei 6.404/76, substituída pela Lei 11.638/2007, evoluindo e se
adequando as normas internacionais.
Essa evolução trouxe várias experiências e necessidades para as empresa,
com isso, verificando a importância de uma análise detalhada com os acontecimentos
na empresa, informações minuciosas e confiáveis, os administradores passaram a ver
a auditoria como uma necessidade e não obrigatoriedade.
Assim, não só manteve os auditores externos e/ou independente para examinar
os fatos ocorridos na empresa e gerar informações imparciais aos acionistas externos,
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como também criaram um departamento interno de auditoria para atender à
administração da empresa, pois o auditor externo trabalha em um período reduzido,
analisando os fatos que interessam principalmente os acionistas e órgãos internos da
empresa que precisam saber da real situação e com isso deixando de avaliar
profundamente outras áreas não relacionadas com a contabilidade, como: o sistema
de controle de qualidade, administração de pessoal e etc.
Dessa forma surgiu o auditor interno, um funcionário da empresa, não deve
estar subordinado a qualquer outro setor que examine as suas ações. Além disso, o
auditor interno não deve exercer atividades que ele possa vir um dia a ser examinado.
Fonte: controlservice.cnt.br
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informações possam ser admitidas como seguras pela evidência ou por indícios
convincentes. ” (HILÁRIO FRANCO e ERNESTO MARRA)
A Auditoria corresponde a uma função independente, que busca priorizar a
qualidade dos processos e a otimização dos resultados operacionais. Representa um
conjunto de processos metodológicos e técnicos de análises e levantamentos
criteriosos de informações, constituindo-se em um estudo e uma forma de avaliação
sistemática de procedimentos, rotinas e práticas internas de uma empresa e de suas
demonstrações contábeis.
Assim, podemos classificar a auditoria como externa (ou independente) e
interna. Na auditoria externa os auditores, normalmente, apresentam maior
independência, contratados para realizar seus trabalhos não possuem vínculo
trabalhista com a empresa. Na auditoria interna, o auditor, por ser funcionário da
empresa, possui um menor grau de independência e seu trabalho, em consequência,
é realizado de forma contínua, com maior volume de testes.
Por sua vez, a Auditoria Contábil objetiva angariar elementos suficientes para
saber se os registros contábeis foram efetuados em consonância com os princípios
fundamentais de contabilidade, bem como se as demonstrações contábeis refletem
de forma adequada a situação econômica e financeira da empresa no período
examinado.
Podemos dizer que a Auditoria Fiscal tem por objetivo realizar um exame da
situação fiscal da empresa, tendo em vista as formas de controle de sua regularidade
fiscal. Tal regularidade norteia-se pelos princípios definidos nas normas e doutrinas
fiscais.
Assim, a Auditoria Fiscal visa comprovar se a entidade realizou,
adequadamente, as suas obrigações tributárias, se provisionou corretamente os
riscos derivados e as possíveis contingências fiscais. Além disso, verifica se foram
realizados os pagamentos efetivos dos tributos, em consonância aos prazos e aos
formalismos legais, ou seja, analisa o cumprimento das obrigações tributárias pelos
contribuintes de forma correta.
Segundo o Artigo 142 do Código Tributário Nacional, é de competência
privativa da autoridade administrativa a concessão de crédito tributário pelo
lançamento. Desta forma, o procedimento administrativo tende a verificar a ocorrência
do fato gerador e da obrigação correspondente, determinando matéria tributável o
cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo para, se for
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o caso, propor a aplicação de penalidade cabível. Assim, o servidor público
responsável pela fiscalização constitui-se em autoridade administrativa incumbida de
verificar o correto funcionamento do sistema tributário.
Segundo Guimarães (2001), a auditoria fiscal pode ser realizada por meio das
entidades fiscalizadoras do Estado, mas, também, por auditores internos e externos
às empresas. Contudo, se essa auditoria for desempenhada por meio de um técnico
da administração fiscal, estaremos falando de um processo de auditoria independente
que visa essencialmente zelar pelo fiel cumprimento do pagamento dos impostos e/ou
da legislação fiscal. Desta forma, a auditoria fiscal é, normalmente, utilizada a fim de
definir ações de fiscalização tributária desenvolvidas pela administração fiscal.
Assim, a fiscalização tributária é desenvolvida pelos órgãos de fiscalização e
procura, essencialmente, verificar se o contribuinte, pessoa física ou jurídica, está
cumprindo fielmente suas obrigações fiscais e de forma correta. Desta forma, os
órgãos fiscalizadores procuram diminuir diferenças, acaso existentes, entre o imposto
definido por Lei e o imposto declarado por alguns contribuintes, com o objetivo de
combater a evasão fiscal.
Contudo, no quadro atual, em que os gestores buscam a reformulação de
procedimentos e estratégias, a auditoria interna constitui-se em instrumento
fundamental de apoio à Gestão, a fim de orientar e buscar melhores soluções para as
empresas.
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A avaliação integrada e sistemática de contribuintes que tiveram reduções
muito significativas em seus recolhimentos;
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obtenção de informações e confirmações, relacionados com o controle do patrimônio
de uma entidade – objetiva obter elementos de convicção que permita julgar se os
registros contábeis foram efetuados de acordo com os princípios fundamentais e as
normas de contabilidade e se as demonstrações contábeis deles decorrentes refletem
adequadamente a situação econômico-financeira do patrimônio, o resultado do
período administrativo examinado e as demais situações nelas demonstradas.”
(HILÁRIO FRANCO e ERNESTO MARRA)
De uma forma básica, podemos dizer que a auditoria procura verificar a
coerência de atos e de seus registros, sua mensuração, análise, avaliação e se os
registros contábeis estão sendo escriturados de forma correta. E, assim, refazer o
caminho de apuração ou verificá-lo para chegar ao cálculo dos valores dos tributos
que foram recolhidos e se os mesmos estão corretos.
Dentre os procedimentos utilizados na auditoria, podemos destacar os
seguintes:
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Além disso, a auditoria tributária avalia a efetividade dos controles internos
utilizados pela empresa e realiza estudo dos métodos operacionais utilizados. Desta
forma, explicaremos a seguir os métodos e técnicas mais utilizadas.
O exame dos registros auxiliares e fiscais, os quais representam a conta
analítica do saldo evidenciado no Balanço, deve estar conciliado a outras verificações
relativas a esses registros que poderiam ser cabíveis. Assim, o auditor procura
examinar atentamente, sobretudo quanto a exatidão dos registros fiscais.
Tal exame busca verificar a regularidade de alguns saldos, tais como o de
compras efetuadas, o de vendas realizadas, o de impostos a recolher e os autos de
infração lavrados contra a empresa objetos de contestação judicial ou administrativa
observando-se o desfecho.
O método da circularização (confirmação externa), por ser esta uma técnica
bastante empregada para a confirmação de saldos em diversas contas, sobretudo nas
de fornecedores e nas duplicatas a receber, também é utilizado em diversas
situações. Uma das formas de se empregar essa técnica é o contato via e-mail, fax
ou mesmo por meio de cartas, para os clientes e outras pessoas ou empresas com
quem a empresa possui vínculos negociais. O auditor solicita a confirmação sobre a
situação de determinados assuntos cuja verificação é fundamental para se averiguar
alguma discrepância.
Fonte:esneca.com
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A conferência dos cálculos realizados pela empresa é primordial. Assim, o
auditor precisa muitas vezes “refazer o caminho”, realizando os cálculos pertinentes
ou conferindo os já realizados, a fim de descobrir a existência de erros ou, mesmo, de
atividades dolosas.
A contagem dos itens físicos do estoque, acompanhada pelo auditor, é muito
importante, uma vez que os estoques representam, normalmente, boa parte do ativo
da empresa, dependendo de seu ramo de atuação. Salienta-se que o auditor precisa
realizar o chamado “corte” antes de iniciar inventário, evitando a entrada e a saída de
produtos durante a contagem, fato que prejudicaria a realização correta da ação.
Observamos, porém, que este método seria dificultado no caso de auditorias
fiscais, devido aos exercícios anteriores. O auditor procede a sua fiscalização em
períodos de até cinco anos e, assim, acaba encontrando o inventário já realizado ou
arrumado. Desta forma, muitas vezes, são realizados levantamentos quantitativos
bastantes trabalhosos, sendo que seu resultado deveria apenas confirmar a
regularidade da movimentação de mercadorias da empresa ou, ainda, buscar
descobrir algum erro ocorrido no fechamento das contas.
O exame ou a obtenção de comprovantes autênticos pode ser utilizado quando
o auditor perceber, ao examinar os lançamentos contábeis, a necessidade de verificar
também os documentos. Tal exame deve observar os seguintes aspectos:
autenticidade dos documentos, preenchimento, legitimidade, confronto com o
lançamento realizado, correspondência de operação aos objetivos da empresa,
contrapartida adequada e demais aspectos específicos do documento.
A revisão dos critérios de avaliação, em que é analisado o Balanço Patrimonial
da empresa, considera seus aspectos qualitativos (composição física) e quantitativo
(se traduz corretamente nos bens, direitos e obrigações da empresa). Nesse caso, o
auditor também precisa avaliar se este está de acordo com os princípios contábeis
fundamentais e os requisitos normativos e legais.
O cruzamento de informações, ocorre a partir da aquisição de informações de
várias fontes. Se necessário, de acordo com a evolução do trabalho, o auditor pode
buscar a obtenção de informações externas variadas, a fim de conseguir validar
alguns dados obtidos internamente, ou sobre problemas relevantes ou, mesmo, a fim
de melhor balizá-lo.
O estudo de métodos operacionais torna-se fundamental, a fim de que o auditor
possa ter conhecimento da empresa auditada. Tal conhecimento é muito importante
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para a realização do trabalho que deve ir além do estudo dos registros contábeis e
financeiros, dos controles, ou da estrutura da organização, buscando, sobretudo,
aspectos operacionais relativos à atividade da empresa.
A base da opinião do auditor precisa ser registrada em “papéis de trabalho”,
constituindo prova da realização trabalho realizado. Nestes precisam constar os
procedimentos efetuados pelo auditor, procurando abranger a auditoria realizada
como um todo, buscando a clareza de escrita e apresentando informações
conclusivas e suficientes, externando a opinião do auditor sobre o que foi constatado.
Desta forma, tais documentos servem como uma reconstituição da escrita, no
caso de ocorrência de sinistro com os registros da empresa, e podem ser muito úteis
em uma revisão final de auditoria.
A chamada Revisão Final é realizada pelo auditor ainda na empresa, após o
trabalho de campo, e tem como insumos, os papéis de trabalho, que substanciam
todos os procedimentos executados, representando as verificações, os exames, as
diligências e as verificações efetuadas. Precisa ser feita na empresa, uma vez que,
caso ocorra alguma dúvida, ali estão os elementos de verificação ou comprovação. A
revisão final encerra-se normalmente com uma reunião de apresentação à empresa
que, por meio de eventual contestação, ainda poderá corrigir ou dirimir alguma falha
ou dúvida. Serão debatidos os ajustes em que houver discordância e estes poderão
ser objeto de ressalva no parecer.
O Relatório de Auditoria finaliza o trabalho registrando sobre o escopo e o
alcance do que foi verificado, a forma de realização, a divulgação de fatos relevantes,
as conclusões do auditor e, o seu parecer. Desta forma, salienta-se que o relatório
apresenta a opinião do auditor, a qual está alicerçada em fatos concretos
comprovados mediante o exame e a análise dos fatos apresentados nos “papéis de
trabalho”.
Da mesma forma que o resultado apresentado no trabalho de um auditor fiscal
deve vir acompanhado de provas de erros ou de ilícitos realizados, com clareza da
procedência da cobrança, em qualquer processo de auditoria, o auditor deve clarificar
sua opinião e circunstanciá-la muito bem.
Quanto aos tipos de Relatórios de Auditoria, estes podem variar segundo a
natureza do exame realizado, dos fins aos quais se destinam, da forma do alcance e,
sobretudo, de acordo com as conclusões neles contidas. Salienta-se que esses
relatórios são, normalmente, formais por estarem sujeitos a normas de auditoria.
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Podemos mencionar os tipos de relatórios a seguir: relatório em forma curta (ou
o chamado “Parecer do Auditor”); relatório em forma longa (analítico na descrição dos
trabalhos – sem conter juízo de valor do auditor); relatório sobre controles internos
(em que são sugeridas recomendações para melhoria dos controles; relatório sobre
revisão limitada (descreve em detalhe os trabalhos realizados pelo auditor, sem
expressar a sua opinião, observando desvios significativos na aplicação dos princípios
de contabilidade na elaboração das demonstrações) e os relatórios especiais
(decorrentes de trabalhos diversos ou de exames específicos para apuração de
irregularidades).
Quanto ao parecer do auditor, temos o “parecer sem ressalva”, que representa
um parecer conciso, composto por um parágrafo definindo o escopo/alcance da
auditoria, um parágrafo intermediário que descreve a condição de realização do
trabalho e o um parágrafo conclusivo, no qual é declarado pelo auditor que tudo foi
verificado e está correto.
Já o “parecer com ressalva” retrata e clarifica ao máximo o porquê da
ocorrência dessa ressalva no parágrafo conclusivo, podendo conter uma referência à
nota explicativa. Se a ressalva for muito significativa, o auditor poderá negativar sua
opinião ou fornecer uma opinião adversa, levando ao chamado “parecer adverso”,
caracterizando a existência de uma irregularidade muito significativa. Outra
possibilidade é o “parecer com abstenção de opinião”, no qual o auditor, no parágrafo
intermediário, precisa consignar as razões que o levaram a negar a manifestação de
sua opinião sobre o objeto de suas análises. Considera-se esse parecer adequado na
eventualidade de o auditor não poder realizar os exames da forma ou com alcance
necessário para angariar os elementos à formação de sua opinião.
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2.3 Planejamento à Execução da Legislação Tributária Federal
Fonte:conube.com.br
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Esta fase inicial da auditoria serve de base para alicerçar todo o trabalho a ser
realizado e, por isso, precisa ser elaborada de forma cuidadosa. Recomenda-se que
seja realizada após ser conhecida e compreendida a estrutura de funcionamento da
empresa.
O planejamento constará dos “papéis de trabalho” denominado como
“Planejamento da Auditoria”, o qual servirá de base durante a permanência do auditor
na empresa e, também, no processo de revisão.
Na auditoria, quando alguns fatos não puderem ser elencados, pode ser
necessária uma alteração no planejamento. Nesse caso, devem ser contatados os
envolvidos, informando eventuais atrasos e suas causas.
Observa-se que o trabalho do auditor comporta um certo grau de risco, pois
algumas irregularidades ou erros podem não ser detectados durante o procedimento
de auditoria. Se não forem significativos, não invalidam as demonstrações. Mas, se
forem relevantes podem comprometer as demonstrações ou requisitar um maior
aprofundamento e até mesmo a realização de testes.
Desta forma, podemos destacar as circunstâncias de ocorrência desse fato que
são: os riscos de controle (em que o sistema de controle interno não realizou a
descoberta de erros ou irregularidades), riscos de detecção (quando o erro não foi
detectado pelo auditor) ou, ainda, o risco inerente ou implícito (em que os erros ou as
irregularidades se encontram nas demonstrações ou, mesmo, nos registros).
O planejamento constitui uma fase primordial na auditoria, por ser o momento
em que se trava conhecimento com a empresa se define o plano de trabalho por meio
de um cronograma de auditoria, projetando-se a extensão e o aprofundamento da
ação, bem como a necessidade de realização de testes de avaliação ou validação dos
controles internos.
A auditoria fiscal é constituída de uma série de atividades sistemáticas, as quais
são voltadas para o levantamento, o estudo e a avaliação das operações registradas
ou não pelas empresas, com vistas a determinar a ocorrência do fato gerador dos
impostos, sua base de cálculo, a aplicação correta das alíquotas aplicáveis, a
adequada apropriação dos créditos fiscais devidos, a exata determinação do valor
devido e seu recolhimento nos prazos regulamentares, além da exatidão dos registros
contábeis da empresa.
O objetivo principal de uma auditoria fiscal reside no exame dos registros
contábeis e fiscais que foram escriturados pela empresa, confirmando sua exatidão
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sob o aspecto fiscal, para apurar fraudes ou irregularidades que resultem em desvio
de recursos financeiros do Estado.
Fonte: wordpress.com
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Extraordinária motivada por denúncias ou fatos relevantes e inesperados que
requererem diligências autorizadas ou providências imediatas.
Setorial focadas em determinados atividades profissionais ou setores
econômicos.
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o processo. Contudo, salientamos que a existência de tais roteiros não tem o caráter
de “engessar” a iniciativa ou a criatividade do auditor, tratando-se de uma
sistematização de procedimentos já consagrados ou que vem sendo aprimorados pela
trajetória da atividade.
3 AUDITORIA TRIBUTÁRIA
Fonte: tickmark-software.com
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confiança na contabilidade será quebrada caso algo importante, ou como denominado
pela norma, relevante, for omitido.
Assim, observamos que a relevância é algo significativo e pode ser
quantificada, possuindo uma inter-relação com a contabilidade, ainda que parece
estar distante.
De igual modo, para Attie (1998), a relevância corresponde ao item que
apresenta maior importância em um fato ou em um elemento, sobretudo em relação
ao objetivo do exame, às demonstrações financeiras ou ao parecer do auditor.
Desta forma, a questão da relevância é primordial ao trabalho de auditoria
fiscal, pois a sua falta leva o contribuinte a perder a credibilidade na capacidade do
Estado em fazer cumprir a lei, estimulando -o à sonegação. Portanto, é intuitiva a
afirmação de que não basta auditar.
Observa-se que é necessário que se audite bem e, a partir daí, podemos
discorrer sobre causas prováveis em problemas apresentados por alguns autos de
infração, os quais podem ter as mais diversas causas, tais como os erros de cálculo,
alguma nulidade, uma formalização feita incorretamente ou outrem.
Contudo, a aproximação ao problema, repetimos, não foi na direção de
compreender as falhas de cada processo, posto que nada poderia trazer de
radicalmente esclarecedor, para os objetivos propostos, valendo mais para isto a
compreensão de como é feita e auditoria fiscal e a estrutura dentro da qual está se
realiza.
A auditoria corresponde a um processo de risco, mas esse risco precisa ser
bem avaliado e suportável, pois se o risco atingir valores de difícil aceitação, o auditor
independente verá seu trabalho cair em descrédito.
Assim, podemos observar que, falando da atividade fiscalizadora, o auditor
fiscal busca em diversos documentos os elementos necessários para fundamentar
seu trabalho, recuperando o que for possível e detectando sonegação até mesmo por
meio do arbitramento da base de cálculo, caso as irregularidades o justifiquem.
O auditor fiscal, no mais das vezes, trabalha sem a preocupação com a
consistência da escrita auditada, correndo riscos inaceitáveis para o auditor
independente, que não ousa se aventurar em escritas montadas exclusivamente com
a finalidade de evitar o pagamento de impostos. Temos uma marcante diferença de
postura porque a auditoria fiscal é realizada por parte interessada, apesar de
plenamente vinculada à lei, enquanto a auditoria independente não tem nenhum
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interesse direto que não seja o cumprimento das normas de auditoria contidas na
Resolução no 820, de 17/12/1997, e a aplicação do elevado padrão de qualidade que
lhe é exigida.
Por sua vez, a organização da Secretaria de Fazenda com seu caráter
multifuncional e sua complexa estrutura em comparação com empresas de auditoria
independente, com estruturas enxutas e voltadas a finalidades específicas, marca
outra diferença fundamental, criando, por este prisma, dificuldades de comparação.
Contudo, o importante, apesar das marcantes diferenças, é buscar na atuação da
auditoria independente, cujo desempenho é o resultado de décadas de acumulação
de conhecimentos e investimentos no desenvolvimento de técnicas de auditoria, um
parâmetro de inspiração para aprimorar o exercício dessa importante atividade.
Observamos que a auditoria vem se desenvolvendo e se aprimorando cada vez mais,
sobretudo durante o século passado, como resultado de grandes investimentos nos
processos de acumulação de conhecimentos.
Desta forma, ao pensarmos em auditoria, devemos considerar todo esse
“background” de conhecimentos e experiências sedimentadas, para não incorrermos
no desperdício de recursos humanos e de materiais com técnicas que foram há muito
tempo ultrapassadas.
Tal caminho, trilhado pela auditoria independente, representa a excelência em
auditoria, pelo seu compromisso com a qualidade, a moral, a eficiência, a
responsabilidade e, principalmente, a técnica. A direção percorrida corresponde ao
início de uma técnica muita utilizada pelas empresas que buscam a melhora de seus
padrões de qualidade por meio da compreensão e da implementação, com as devidas
adaptações, das práticas dos líderes de mercado.
A auditoria independente cumpre seu papel mediante planejamento, execução,
revisão final e conclusão consubstanciada no parecer que será publicado junto com
as demonstrações contábeis. Embora, a auditoria fiscal apresente características
particulares relativas à conclusão do trabalho, este deve apresentar provas que
comportem o exercício do contraditório. O auditor independente, no curso de seu
trabalho, busca elementos de convicção para formar juízo de valor sobre as
demonstrações contábeis.
O processo de auditoria, em ambos os casos, é essencialmente o mesmo:
confirmação e evidenciação de fatos. Afinal, a auditoria cumpre diversos papéis: fiscal,
interna ou independente. Estes dois últimos diferenciam-se pela posição relativa do
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auditor na empresa, ou seja, o grau de independência para a execução do trabalho,
como também pelos objetivos do auditor e da extensão dos procedimentos.
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Para realizar o trabalho de auditoria fiscal, se faz necessário que o auditor tenha
acesso aos seguintes documentos, os quais proporcionam um suporte ao
desenvolvimento do trabalho.
Notas Fiscais de Fornecimento (entradas de fornecedores), como:
Aquisição de insumos;
Mercadorias para revenda,
Materiais intermediários de produção;
Materiais de uso ou de consumo (expediente), revenda, devoluções, faturas
de energia elétrica, serviços de telecomunicações, consignações, demonstrações e
outras entradas.
Notas Fiscais de entradas e de saídas, inclusive as de venda, transferência,
remessas, devoluções, prestação de serviços e outras saídas, emitidas pela
empresa.
Outros documentos fiscais.
Os documentos fiscais, segundo SÁ e Sá (1990, p. 165), destinam-se a
comprovar os lançamentos que podem ser suscetíveis de fiscalização. Para maior
garantia, pode ser adotado pela empresa uma espécie de arquivo fiscal, destinado
exclusivamente a reunir a documentação objeto de eventual fiscalização.
Além desses, devem ser solicitados, conforme o caso, os Livros Fiscais
(Registros de Entradas, de Saídas, de Apuração do ICMS, do IPI; o Livro de Registro
de Inventário; o de Utilização de Documentos Fiscais e de Termos de Ocorrências e
Livro de Registro Serviços Prestados.
Conforme o objeto da auditoria fiscal, também são necessários os guias de
ICMS, as Guias de Informação e Apuração do ICMS (GIA), as Guias de Informação
das Operações e Prestações Interestaduais (GI), a Declaração Fisco-Contábil (DFC),
as Guias de Recolhimento do ICMS (GR), as Guia Nacional de Informação e Apuração
do ICMS substituição tributária e as Guias de Recolhimento do ISS.
Salienta-se que o auditor deverá verifica-se estão sendo observadas, pela
empresa, as normas e disposições legais inerentes as operações realizadas,
sobretudo no que se refere à emissão da nota fiscal; se o ICMS vem sendo emitido
na nota fiscal de faturamento; se há emissões de notas fiscais de Remessas de
Mercadoria, citando a nota fiscal emitida originalmente; se há emissão de notas fiscais
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de remessa; regularidade de emissão correta de notas fiscais de faturamento, entre
outros aspectos de relevância.
A grande maioria das técnicas metodológicas adotadas pela auditoria de
tributos envolvem a formulação das questões de auditoria, que envolvem os seguintes
passos: descrição do problema (definir o escopo, o esforço de concepção e execução
da auditoria); explorar as questões estabelecer hipóteses hierarquizadas (além de
questões e subquestões relacionadas a cada hipótese), o teste suas hipóteses,
verificar questões viáveis a serem trabalhadas, avaliar o impacto financeiro das
questões, elaborar proposta de trabalho detalhada).
A estratégia metodológica a ser adotada deve ser analisada segundo os quatro
elementos que consubstanciam as conclusões ou achados de auditoria: que são o
critério, a condição, a causa e efeito e, segundo a metodologia, o auditor ao
desenvolver um achado de auditoria precisa analisar os atributos de critério (descrição
da situação com base nas normas e legislação aplicáveis), a condição (verificação da
situação existente ou fato ocorrido), as possíveis causas da ocorrência,
consequências.
Após isso, o auditor procederá ao estudo do caso, que corresponde a procurar
responder a questões normativas e descritivas, utilizando uma abordagem qualitativa
de coleta e análise de dados e utilizando uma análise concomitante à coleta de dados
por meio de pesquisas e simulações (refazimento dos procedimentos) a fim de se
constatarem eventuais falhas. O exame da documentação original é muito utilizado e
tida como fundamental ao processo e busca verificar a autenticidade, normalidade
(operação normal e de acordo com os objetivos da empresa), o registro adequado e
a aprovação (validados pela pessoa autorizada para tal).
Procede-se a conferência de somas aritméticas e cálculos e ao exame dos
lançamentos contábeis e sua correspondência com o que foi analisado. As dúvidas
que advierem desse processo são realizadas entrevistas, o exame de livros e registros
auxiliares comparadas as atividades observadas e torna-se a correlacionar as
informações obtidas.
Após as constatações é realizado o relatório de auditoria, o qual fornece uma
visão adequada do que foi encontrado, devendo ser este relatório claro, simples,
conteúdo adequado, circunstanciado, objetivo, coerente, objetivo, com assuntos
logicamente apresentados; e apresentando uma conclusão.
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Tal relatório, caso encontrado pelo auditor, deverá apresentar as falhas,
irregularidades ou ilegalidades constatadas e possíveis indicações quanto às
providências a serem adotadas.
Nos casos de irregularidades ou ilegalidades constatadas, as quais que
resultem em prejuízo ao erário público, precisam indicar as medidas restritivas a
serem realizadas, segundo as normas e leis vigentes.
Fonte: google.com
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sua natureza ou circunstâncias materiais; das condições pessoais do contribuinte,
suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário
correspondente. A delimitação do conceito dá ênfase na ocorrência do fato gerador
da obrigação tributária, encarecendo que o infrator haverá de proceder dolosamente,
ou seja, intencionalmente impedindo que os agentes do fisco tomem conhecimento
ou retardem a identificação de sua ocorrência.
Segundo a Lei no 8.137/90, os crimes contra a ordem tributária se caracterizam
pelos atos de suprimir ou reduzir tributos mediante:
Omissão da informação ou declaração falsa às autoridades fazendárias;
Fraude da fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos ou omitindo
operação de qualquer natureza em documento ou livro exigido pela lei fiscal;
Falsificação ou alteração de nota fiscal, fatura, duplicata, nota de venda ou
qualquer outro documento relativo à operação tributável;
Elaboração, fornecimento, distribuição, utilização ou emissão de documento
que o contribuinte saiba que seja falso ou deva saber falso ou inexato;
Recusa ou não fornecimento, quando obrigatório, de nota fiscal, ou documento
equivalente, relativo à venda de mercadoria ou prestação de serviço,
efetivamente realizada, ou fornecimento de nota em desacordo com a
legislação.
Desta forma, ressaltamos que as ações dos auditores fiscais têm assegurado
o nível de arrecadação que o país precisa para manter seu desenvolvimento.
O aumento da eficiência da Receita Federal tem levado a um constante
incremento na arrecadação, que não é proveniente do aumento das alíquotas dos
tributos (alvo atual de desonerações), mas do aumento da percepção de risco por
parte de cidadãos, antes não alcançados pela fiscalização ou que deixavam de pagar
parte de suas obrigações tributárias.
A sonegação se dá em um momento posterior à ocorrência do fato gerador, ao
passo que a fraude ocorre em momentos anteriores a sua efetivação.
Segundo o Ministro Jarbas Nobre, do TFR (Tribunal Federal de Recursos), em
acórdão proferido em apelação cível, no estado de São Paulo, a fraude e a evasão
possuem características distintas, devido a não se confundirem a evasão fiscal e a
fraude fiscal.
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Fraude e Evasão Caracteres distintivos. Não se confundem a evasão fiscal e a
fraude fiscal. Se os atos praticados pelo contribuinte, para evitar, retardar ou reduzir
o pagamento de um tributo, foram praticados antes da ocorrência do respectivo fato
gerador, trata-se de evasão; se praticados depois, ocorre fraude fiscal. E isto porque,
se o contribuinte agiu antes de ocorrer o fato gerador, a obrigação tributária específica
ainda não tinha surgido, e, por conseguinte, o fisco nada poderá objetar se um
determinado contribuinte consegue, por meios lícitos, evitar a ocorrência de fato
gerador. Ao contrário, se o contribuinte agiu depois da ocorrência do fato gerador, já
tendo, portanto, surgido a obrigação tributária específica, qualquer atividade que
desenvolva ainda que por meios lícitos só poderá visar à modificação ou ocultação de
uma situação jurídica já concretizada a favor do fisco, que poderá então legitimamente
objetar contra essa violação de seu direito adquirido, mesmo que a obrigação ainda
não esteja individualizada contra o contribuinte pelo lançamento, de vez que este é
meramente declaratório (TFR, Ac. dá 2a T., pub. Em 19-12-73, Ap. Ceva. 32.774-SP,
Rel. design. Ministro Jarbas Nobre).
Fonte: tickmark-software.com
25
“A renda é o acréscimo patrimonial, produto do capital ou do trabalho.
Proventos são os acréscimos patrimoniais decorrentes de uma atividade que já
cessou”. (PAULSEN et al., 2006. p.48)
26
Verificar se aqueles controles internos já avaliados para contas de
balanço conservam a mesma segurança para contas de resultados
correlatas;
Preparar uma análise comparativa de cada mês, dos dois últimos anos,
(revisão analítica) e determinar a sua normalidade, em vista do volume
de negócios
27
a empresa, algum de seus funcionários ou, mesmo, de seus representantes, tais como
o crime de lavagem de dinheiro.
Além das contas de resultado, são detidamente analisadas as contas que
podem interferir na apuração desse resultado, tais como receitas, despesas,
provisões, depreciações e despesas financeiras vencidas e não pagas.
No tocante aos controles internos da empresa, o auditor busca, por meio deles,
verificar, também, as autorizações para despesas, o que tende a evitar a duplicidade,
até que seja realizado o seu registro final. Desta forma, procura-se identificar a
segregação correta das funções.
Nesse grupamento de rubricas é que podemos encontrar um grande volume de
lançamentos, por isso, exige-se, nessa análise, um maior tempo do auditor, a fim de
que sua realização seja bem-feita. Essas análises podem ser efetuadas em um ou
dois meses antes do encerramento do exercício, uma vez que, a maior parte das
despesas já teria sido realizada, ficando os meses não auditados sujeitos a um exame
realizado de forma complementar.
Desta forma, realizam-se revisões analíticas, que comparam os valores com os
de exercícios anteriores e ao longo do exercício, de forma a verificar sua coerência e,
ainda, analisam-se suas variações.
Caso ocorram grandes disparidades, procede-se a uma investigação mais
profunda, buscando as causas do fato, até que se possa certificar sua correção.
Quanto às contas referentes a operações com diretores, gerentes e pessoal interno,
envolvendo descontos, juros ou abatimentos, deve-se proceder um exame com maior
profundidade.
As Demonstrações Contábeis refletem a situação patrimonial, financeira e de
resultado, e são consequências da escrituração contábil até a data do balanço. Se,
nesse meio tempo, devido a ocorrência de fatos posteriores e imprevistos, a situação
tiver de ser alterada significativamente o auditor examina tais ocorrências e verifica se
há fatos significativos, a ponto de influírem sobre as demonstrações, isto é, se fossem
relevantes, deve revelá-los e se possível quantificá-los. A preocupação do auditor é
sempre maior quanto a acontecimentos prejudiciais à empresa, devido ao princípio da
prudência, mas, obriga-se, também, a avaliar a influência de fatos positivos sobre as
demonstrações.
28
5.4 Contas do Grupo Disponibilidades
5.6 Estoques
30
Matérias-primas - Representadas pelos materiais que irão ser aplicados na
produção.
Materiais auxiliares - Composto por todos os itens destinados a manutenção
das atividades da produção e de consumo geral.
Material de embalagem - Composto pelos itens destinados a embalagem ou
acondicionamento dos produtos acabados.
Importações em andamento - Engloba todos os custos já incorridos referentes
a importação em andamento realizadas pela empresa.
Almoxarifado - Engloba todos os itens de estoques de consumo em geral,
podendo incluir produtos de alimentação do pessoal, materiais de escritório, peças em
geral e uma variedade de itens. Muitas empresas, por questão de controle, adotam a
prática de, para fins contábeis, já lançar tais estoques como despesas no momento
da compra, somente mantendo controle quantitativo, pois muitas vezes representam
uma quantidade muito grande de itens, mas de pequeno valor total, não afetando os
resultados.
Os estoques merecem uma atenção especial por parte do auditor fiscal, pois
a sua avaliação no início e no fim do período contábil, reflete diretamente na apuração
do Lucro Líquido de cada exercício, pois terá efeito no custo dos produtos vendidos.
Na análise dos estoques, os objetivos da auditoria é assegurar a sua existência
física e sua propriedade; examinar os critérios de avaliação em conformidade com os
princípios de contabilidade; verificar a existência de ônus sobre os mesmos; julgar se
são apropriados para a finalidade da empresa.
Desta forma, a auditoria de estoques compreende a realização de inventário
físico, acompanhado pessoalmente pelo auditor, verificando a existência dos itens
contados e se estes foram inclusos no inventário, não esquecendo a necessidade do
“corte” que é o momento em que os registros contábeis, os registros auxiliares e os
documentos com eles relacionados, refletem o levantamento do inventário, porque um
item pode ser incluído ou excluído a depender deste momento.
Assim, diversas vezes, o inventário pode ser realizado antes da data do balanço
e, neste caso, verifica-se a grande importância dos controles internos, uma vez que,
depois, será realizada uma avaliação de que estão corretos os valores constantes no
balanço. Uma vez realizada tal contagem, poder-se-á avaliar a efetividade desses
controles.
31
Concluído o trabalho do inventário, no caso de diferenças apuradas
apresentarem relevância, deve ser proposto o ajuste no balanço. Finalmente, o auditor
deve apurar a razoabilidade do inventário, considerando suas quantidades históricas,
procurando identificar variações relevantes, principalmente ao início e ao final do
exercício, analisando o lucro bruto e realizando sua comparação com o de exercícios
anteriores.
5.7 Imobilizado
33
a) no Passivo Circulante - referente ao Imposto de Renda incidente sobre a
parcela de lucros que se tornar exigível até o final do período seguinte;
b) no Passivo Exigível a Longo Prazo - referente ao Imposto de Renda
incidente sobre a parcela do lucro diferido que se tornar exigível após o final do
período seguinte.
Se a empresa não tiver constituído a provisão para o Imposto de Renda no
encerramento do período, ou a tiver contabilizado por um valor inferior ao imposto
devido, deve regularizar tal situação no período seguinte, mediante lançamento
contábil de ajuste cujos efeitos retroagem ao início desse período.
Se a empresa apurar o lucro real mensalmente, esse ajuste deve ser feito no
mês seguinte àquele a que se referir à provisão que está sendo regularizada.
Neste caso, a provisão contabilizada intempestivamente ou o seu
complemento, se for o caso, tem como contrapartida um débito à conta de lucros ou
prejuízos acumulados no Patrimônio Líquido.
Nesse caso, o auditor pode rever todo o cálculo do Imposto de Renda,
constituindo-se em uma revisão dos procedimentos de contabilização de operações,
sendo, portanto, fundamental reforço na auditoria procedida. Apesar de, representar
importante teste final aos procedimentos realizados, traz como dificuldade as
alterações na legislação relativa ao tributo.
6 OS LIMITES DA AUDITORIA
35
empregos. Além de que é possível comprovar, por meio das demonstrações
contábeis, o grau de solidez e da evolução da nossa economia.
36
BIBLIOGRAFIA
BORGES, Humberto Bonavides. Planejamento tributário: IPI, ICMS, ISS e IR. 8. ed.
São Paulo: Atlas, 2006.
COSTA, Carlos Baptista. Auditoria Financeira: teoria e prática. 7. ed. Lisboa: Rei dos
Livros, 2000.
HIGUCHI, Hiromi et al. Imposto de renda das empresas: interpretação e prática. 30.
ed. São Paulo: IR Publicações, 2004.
LOURENÇO, João Cabrito. Auditoria Fiscal. 2. ed. Lisboa: Vislis Editores, 2000.
ROSA JR., Luiz Emygdia. Manual de Direito Financeiro e Direito Tributário. Rio de
Janeiro: Renovar, 1997.
37
SEABRA, A. L. B. Tributos, contribuições e taxas. São Paulo: Syslook, s/d.
38
7 LEITURA COMPLEMENTAR
RESUMO
A grande maioria dos municípios brasileiros apresenta a seguinte realidade, a
saber, são quase totalmente dependentes dos repasses e transferências feitos pelos
seus respectivos estados e pelo governo federal. Estudos têm revelado que as
receitas próprias de boa parte dos municípios representam apenas 10% (ou menos)
do total de suas receitas. E esta dependência está relacionada muitas vezes com a
ausência de uma estrutura adequada de auditoria e fiscalização tributária que possa
otimizar a arrecadação própria de impostos e taxas. Perdura a visão equivocada de
que a realização de gastos com a fiscalização constitui-se numa despesa e não
investimento e qualquer valor despendido que venha a implicar um aprimoramento
dos trabalhos e uma fiscalização mais eficiente pode repercutir em desgaste político.
Vitória da Conquista, no sudoeste do estado, destaca-se como um importante
município baiano que, desde o ano 2000, passou a realizar investimentos em auditoria
e fiscalização tributária.
Palavras-chave: Auditoria Tributária. Investimento Público. Incremento da
Receita.
Introdução
39
governamentais destinados a atender às demandas da sociedade com educação,
saúde, segurança pública, infraestrutura e assim por diante (CREPALDI, 2002, p. 24).
Muitos, talvez, ao iniciar esta leitura podem achar estranho alguém se
interessar por esta temática, principalmente, diante da elevada carga tributária que
assola, historicamente, as empresas no brasil (CARLIN, 2008, p. 34-38). Entretanto,
a grande questão que este artigo propõe não é justificar ou criticar a elevada carga
tributária imposta para tentar, talvez, promover uma mudança, pois a solução para
essa complexa realidade ultrapassa as fronteiras de uma simples discussão
acadêmica. Mais importante e preocupante do que isso é perceber a existência de
uma infinidade de empresas que utilizam de artifícios fraudulentos para não
cumprirem as suas obrigações tributárias (que é dever de todos) e, tirando proveito
da situação, atuam no mercado de forma desigual e desonesta, enquanto o Estado,
principalmente na figura dos municípios, assiste impotente a tamanha injustiça.
Nesse sentido, a importância de se discutir a realização de investimentos em
auditoria e fiscalização tributária se justifica na medida em que o aprimoramento do
Estado nessa área contribuirá, decisivamente, para a diminuição de um grande
problema que assola o Brasil e que se chama sonegação fiscal. A sonegação é ruim
para o Estado, que arrecada menos e consequentemente diminui o seu poder de ação
na sociedade. É ruim também para aquelas empresas que pagam corretamente seus
tributos, uma vez que não conseguem, muitas vezes, encontrar alternativas para
tornar seus produtos e serviços cada vez mais competitivos e com menores preços,
em função do grande impacto que a carga tributária exerce sobre os seus custos
(CARLIN, 2008, p. 39). O investimento contínuo em auditoria tributária fará com que
a fiscalização tenha as condições técnicas, operacionais e legais para descobrir as
possíveis fraudes e sonegações e, quando necessário, impor as penalidades cabíveis
para o correto ajustamento de conduta e promoção da igualdade (princípio
constitucional) e da justiça fiscal.
Sabe-se que a receita própria de qualquer ente público (federal, estadual ou
municipal) constitui-se em importante fonte de recursos para o atendimento de
necessidades da população (MACHADO, 1998, p. 26). Tal importância está
diretamente relacionada à autonomia que o poder público terá para gastar esses
recursos (receitas próprias), uma vez que boa parte dos recursos recebidos de outros
entes, mediante transferências constitucionais ou voluntárias, cria vinculações quanto
aos gastos e coloca em jogo, muitas vezes, a eficácia, a eficiência e a efetividade de
40
algumas políticas públicas que, elaboradas de acordo com a vontade unilateral de
alguns grupos políticos, principalmente no âmbito federal ou estadual, não
contemplam a legítima necessidade ou vontade da população diretamente
interessada.
Ao analisar o cenário brasileiro no que diz respeito às receitas públicas
municipais constantes de seus orçamentos, uma preocupante realidade se apresenta:
a quase que completa dependência dos municípios, especialmente os de pequeno
porte, dos repasses e transferências feitas pelos estados e pelo governo federal.
Estudos realizados pelo pesquisador em alguns municípios baianos têm revelado que
as receitas próprias dessas localidades (IPTu, IssQN, ITbI e as diversas taxas
municipais) representam, com algumas pequenas variações para mais ou para
menos, 10% do total de suas receitas e quase 90% (ou mais) dos recursos utilizados
derivam de repasses e transferências dos governos estadual e federal. Uma análise
bastante superficial sobre tal situação aponta que é confortável para os municípios a
manutenção dessa configuração orçamentária e financeira. No entanto, muitas vezes,
os fatores que levam a essa dependência estão mais relacionados à situação
econômica de cada município (pequena capacidade para produzir riqueza e
consequentemente arrecadar tributos) do que a qualquer outro elemento. Por outro
lado, nem sempre essa situação pode ser considerada como a única causa para a tão
evidente e extraordinária dependência de outros entes públicos.
Diversas visitas realizadas pelo pesquisador a algumas prefeituras do estado
da Bahia, em virtude de assessorias prestadas na área tributária, revelaram que boa
parte dessas prefeituras mantém quase que a totalidade de suas receitas na
dependência exclusiva dos governos estadual e federal por não contarem com uma
estrutura de auditoria e fiscalização tributária adequada que possa otimizar, de alguma
forma, a arrecadação própria de impostos e taxas municipais. Os problemas vão
desde falhas gravíssimas nas legislações tributárias dessas localidades até o
despreparo do corpo funcional de agentes e auditores fiscais (quando existem); falta
de uma adequada estrutura física para a execução das auditorias; situação fiscal e
cadastral completamente desatualizada, o que implica dificuldades para a elaboração
de um eficiente planejamento de fiscalização, além das constantes ingerências (do
ponto de vista político) que tiram a autonomia do departamento de fiscalização. E
mais: a ausência de conhecimentos em Direito Tributário e Contabilidade, em rotinas
e procedimentos específicos de auditoria e fiscalização.
41
Para piorar ainda mais a situação apresentada, perdura a visão equivocada de
que a realização de gastos com fiscalização representa uma despesa e não,
necessariamente, um investimento. Qualquer valor despendido para o setor de
auditoria e fiscalização tributária que implique um melhor aprimoramento dos
trabalhos não é visto, pelo menos na prática, com bons olhos pelos gestores na
medida em que uma presença mais forte da fiscalização nas empresas pode acarretar
desgaste político. É necessário que os gestores públicos entendam que as suas
secretarias de finanças e, mais especificamente, os setores responsáveis pela
fiscalização tributária são departamentos estratégicos que carecem de investimentos
permanentes em estrutura e capacitação, e darão, em certa medida, a garantia de um
fluxo contínuo, e por que não dizer crescente, de uma parte significativa dos recursos
necessários para a manutenção e efetivação de alguns programas governamentais,
ao contrário de outras secretarias de governo cujo objetivo é apenas a utilização dos
recursos.
Diante disso, não resta dúvida de que a realização de investimentos em
auditoria e fiscalização tributária se apresenta como uma importante alternativa para
aqueles gestores comprometidos com a promoção da igualdade e justiça fiscal. Este
artigo propõe, além de discutir teoricamente alguns aspectos importantes sobre
auditoria e especificamente a auditoria tributária, verificar os resultados que
investimentos realizados em auditoria e fiscalização tributária podem trazer para o
incremento da receita pública de um determinado município baiano, localizado no
sudoeste do estado.
Auditoria tributária: conceitos e características especiais
Discorrer sobre auditoria tributária exige, antecipadamente, algumas reflexões
sobre o verdadeiro sentido e significado da palavra auditoria. Derivado do latim audire,
que significa ouvir (SÁ, 2002, p. 23; ARAÚJO, 2008, p. 16), o termo representa com
bastante propriedade o que vem a ser a auditoria em sua essência, na medida em
que a atitude de ouvir exige do auditor (ouvinte ou ouvidor) a capacidade para
perceber determinados detalhes que fogem, muitas vezes, à simples atitude de
verificar ou examinar. É ir além dos documentos, dos dados, dos números, dos objetos
e até mesmo das pessoas para perceber e, assim, entender ou explicar as relações
de causa e efeito entre as diversas atividades desenvolvidas em uma organização
(pública ou privada) e aquilo que fora estabelecido antecipadamente no âmbito de seu
42
planejamento estratégico ou operacional. Somente após isso, é que se pode avaliar a
eficácia e eficiência das atividades realizadas (ANDRADE FILHO, 2007, p. 1).
Apesar de não ser um termo de uso exclusivo da contabilidade, aplicado em
outras diferentes atividades, auditoria é uma especialização contábil voltada para
testar a eficiência e eficácia do controle patrimonial implantado, englobando, nessa
missão, a verificação de documentos, livros e registros com características
controladoras, a obtenção de evidências de informações de caráter interno e externo
que se relacionam com o controle patrimonial, a exatidão dos registros e as
demonstrações deles decorrentes (ATTIE, 1998, p. 27). É o levantamento, estudo e
avaliação sistemática de transações, procedimentos, operações, rotinas e
demonstrativos financeiros de uma entidade cujo objetivo é expor uma opinião sobre
a propriedade de tais informações e assegurar que todas elas representam
adequadamente a posição patrimonial e financeira de acordo com os princípios de
contabilidade (CREPALDI, 2002, p. 23).
A auditoria é, na visão de Araújo (2008, p. 15), a comparação imparcial entre o
fato concreto e o desejado, com o intuito de expressar uma opinião ou de emitir
comentários, materializados em relatórios de auditoria. É uma tecnologia, como diria
Sá (2002, p. 21), que se utiliza da revisão e da pesquisa para fins de opinião e
orientação sobre determinadas situações (patrimoniais) de empresas e instituições,
por meio da utilização de procedimentos específicos (procedimentos de auditoria)
para colher determinadas evidências sobre as informações constantes dos relatórios
ou documentos auditados (ALMEIDA, 2003, p. 55) e, assim, oferecer segurança e a
garantia necessárias de que administradores, proprietários, financiadores e até
mesmo o fisco necessitam (CREPALDI, 2002, p. 24).
Almeida (2003, p. 25) explica que a auditoria surgiu:
[...] como parte da evolução do sistema capitalista. No início as empresas eram
fechadas e pertenciam a familiares. Com a expansão do mercado e o acirramento da
concorrência, houve a necessidade de a empresa ampliar suas instalações fabris e
administrativas, investir no desenvolvimento tecnológico e aprimorar os controles e
procedimentos internos em geral, principalmente visando à redução de custos e,
portanto, tornando mais competitivos seus produtos no mercado. Entretanto, para
processar todas essas mudanças seria necessário um volume de recursos impossível
de ser obtido por meio das operações lucrativas da empresa ou do patrimônio de seus
proprietários. Por conseguinte, a empresa teve de captar esses recursos junto a
43
terceiros, [...] abrindo seu capital social para novos acionistas. No entanto, esses
futuros investidores precisavam conhecer a posição patrimonial e financeira, a
capacidade de gerar lucros e como estava sendo efetuada a administração financeira
dos recursos da empresa. [...] Como medida de segurança contra a possibilidade de
manipulação de informações, os futuros investidores passaram a exigir que [...]
demonstrações fossem examinadas por um profissional independente da empresa e
de reconhecida capacidade técnica.
Para Franco e Marra (2000, p. 29), embora a auditoria não tenha por objetivo
principal a descoberta de fraudes, erros ou irregularidades praticadas por
administradores ou funcionários, mas tão somente certificar a veracidade dos
relatórios e demonstrativos patrimoniais e financeiros preparados por uma
determinada empresa (CREPALDI, 2002, p. 23), ela frequentemente apura fatos como
esses mencionados por Franco e Marra. E, em função dessas suas características,
diversas são as aplicabilidades que se pode dar e inferir em relação à auditoria. Araújo
(2008, p. 21-22), ao tratar sobre classificação da auditoria, muito apropriadamente a
dividiu em três grupos principais: quanto ao campo de atuação (governamental e
privada); quanto à forma de realização (interna e externa) e quanto aos objetivos dos
trabalhos (contábil, operacional e integrada).
Acontece que, com o grande desenvolvimento econômico e com o crescimento
elevado do número de empresas e atividades nos ramos industrial, comercial e de
prestação de serviços que marcariam as últimas décadas no Brasil, uma complexa
rede de legislações, especialmente tributárias, precisou ser criada para regulamentar
e disciplinar essa nova (não recente) realidade, o que passou a colocar em risco a
sobrevivência de boa parte das empresas se o acompanhamento contínuo do
cumprimento das obrigações tributárias (principal e acessória) não fosse gerenciado.
Muitas empresas, então, apesar do impacto negativo dos tributos no preço final de
seus produtos e serviços (CARLIN, 2008, p. 39), resolveram assumir fielmente a tarefa
de financiar o Estado, algumas, entretanto, recorrendo inteligentemente a
instrumentos de planejamento tributário. De maneira diversa destas, muitas outras
passariam a adotar um comportamento não exemplar: o de criar artifícios ilegais e
fraudulentos para fugir da tributação imposta, seja como forma de garantir a
sobrevivência, seja para tirar proveito da situação, concorrendo desonestamente no
mercado.
44
Diante de uma iminente batalha em que o fisco passaria a visar à otimização
da arrecadação a qualquer custo e o contribuinte à redução ao máximo da quantia a
ser recolhida sob a forma de tributos, a auditoria passaria a experimentar um processo
de evolução ou especialização que culminaria com a criação de procedimentos
específicos de exame quanto a aspectos tributários (CARLIN, 2008, p. 19). E, assim,
tanto o fisco quanto o contribuinte se beneficiariam com essa nova ferramenta que
passaria a ser conhecida como auditoria tributária (GUIMARÃES, 2001 apud CARLIN,
2008, p. 26). Para o fisco, seria uma forma de verificar o correto recolhimento dos
tributos de sua competência e para o contribuinte uma maneira de prevenir autuações
fiscais ou indicar alternativas de redução da carga tributária, quando fosse o caso
(ANDRADE FILHO, 2007, p. 2). Em função dos objetivos deste trabalho, merecerá
destaque a auditoria tributária sob a ótica da fazenda Pública.
Uma das principais normas legais brasileiras, que institui a responsabilidade da
execução da auditoria tributária por parte do poder público, encontra-se no Código
Tributário Nacional (Lei 5.172 de 25 de outubro de 1966), especialmente em seu art.
142 que, conjugado com os artigos 194 a 200 cujo tema é a Administração Tributária,
estabelecem regras quanto a procedimentos de fiscalização a serem adotados pelas
autoridades administrativas. O referido artigo 142 estabelece que compete
privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo
lançamento, entendendo como lançamento o procedimento administrativo tendente a
verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária correspondente,
determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o
sujeito passivo e, sendo o caso, propor aplicação da penalidade cabível (MACHADO,
1998, p. 122).
Veja que o Código Tributário Nacional usa de uma sutileza extraordinária
quando determina que a constituição do crédito tributário seja feita pelo lançamento
do tributo. Na tentativa de conceituar o que seria lançamento, o Código Tributário
Nacional deixa evidente, também, alguns procedimentos de fiscalização que
corresponderiam ao que se entende por auditoria tributária (ou fiscal), a saber, todo
procedimento tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação, a matéria
tributável, o montante do tributo devido, o sujeito passivo e a penalidade cabível
quando for o caso. Dessa maneira, conceituar auditoria tributária sob a ótica da
fazenda pública se torna uma tarefa menos complexa, pois tomando como base os
princípios e fundamentos estabelecidos pelo CTN para o lançamento, o conceito de
45
auditoria tributária englobará todos os procedimentos realizados por servidores
públicos investidos na função fiscal que tenham por finalidade verificar o correto
cumprimento da legislação tributária pelos contribuintes e responsáveis.
Perez Junior (1998, p. 15) ao abordar sobre os tipos de auditoria discorre que
ela pode ser classificada conforme o quadro comparativo abaixo. Chamamos a
atenção para as características que o autor aponta para a auditoria tributária ou fiscal,
denominada por ele de Auditoria da Fazenda (federal, estadual e municipal):
47
Vale ressaltar, entretanto, que todos esses procedimentos de auditoria
apontados não devem ser realizados pelo fisco apenas com o propósito único de
encontrar situações que se configurem como descumprimento da legislação tributária
para, a qualquer custo, tentar punir o contribuinte pela aplicação da lei (penalização)
e seu consequente ajustamento de conduta. É obvio que, não havendo o cumprimento
da obrigação tributária (seja ela principal ou acessória) em que se justifique a
aplicação de multas e penalidades, caberá ao poder público fazer valer a legislação
pela lavratura de autos de infração. Todavia, muito mais importante do que auditar
para penalizar (auditoria tributária punitiva) é auditar para educar (auditoria tributária
preventiva). Quando o fisco incorpora essa ideia e passa a desenvolver ações de
orientação, monitoramento e acompanhamento contínuo da vida dos contribuintes,
uma importante relação de cumplicidade surgirá entre ambos, cujos efeitos serão um
menor índice de autuações, um maior cuidado no cumprimento da lei pelo contribuinte
e uma maior regularidade nos recursos a serem arrecadados.
51
Da caracterização do município e dos resultados da pesquisa
Com uma população de 318.901 habitantes (IBGE, 2009) e detentora de uma
significativa força econômica, o município de Vitória da Conquista no interior da Bahia
tem atraído muitos investimentos públicos e privados possuindo, hoje, o sexto maior
PIb do estado conforme dados da superintendência de Estudos Econômicos e sociais
da Bahia (SEI, 2005). Especial destaque merece o setor de serviços, responsável por
um extraordinário impacto na receita própria municipal, já que o ISSQN (imposto de
competência municipal) é um imposto que incide sobre a prestação de serviços. Nos
últimos dez anos, a cidade vem se destacando no ramo da construção civil, saúde e
educação e, em função do surgimento de diversas instituições de ensino superior, a
cidade tem polarizado a oferta de serviços educacionais no sudoeste do estado,
servindo como uma importante alternativa de acesso à educação superior aos
moradores de pelos menos quarenta cidades circunvizinhas, com destaque para os
municípios baianos de Brumado, Barra do Choça, Planalto, Cândido Sales, Itapetinga
e Encruzilhada, o que tem repercutido positivamente no crescimento econômico e na
circulação de riqueza no município pesquisado.
Todo esse atrativo cenário exige dos poderes públicos um elevado nível de
investimentos em obras e serviços. Tal realidade causará repercussão no montante
dos recursos que o poder público terá de gastar para o atendimento das diversas
demandas sociais como educação, saúde, segurança e emprego da população,
principalmente a menos favorecida. Para se ter uma ideia, em apenas cinco anos
(2004 a 2008), o montante dos recursos constantes dos orçamentos do município
cresceu o equivalente a 70,5%. Enquanto no ano de 2004 a lei orçamentária municipal
previa uma receita total de R$ 152.577.400,00, no ano de 2008 esse valor chegou a
R$ 260.156.154,46, um incremento significativo de R$ 107.578.754,46.
52
Tabela 1 – Histórico dos orçamentos municipais – 2004 a 2008 (R$)
Ano Valor
2004 152.577.400,00
2005 208.233.434,44
2006 208.465.053,25
2007 222.959.581,41
2008 260.156.154,46
Fonte: PMVC/Contadoria
Fonte: PMVC/Contadoria.
Fonte: PMVC/Contadoria.
54
Discriminando um pouco mais a composição da receita própria na tentativa de
apresentar a evolução de cada um dos tributos municipais durante os anos de 2004 a
2008, percebeu-se que cada um deles apresentou o seguinte comportamento
constante da Tabela 3.
Fonte: PMVC/Contadoria
Fonte: PMVC/Contadoria.
55
municipais uma preocupação contínua com seu gerenciamento. Entretanto, essa
preocupação se eleva ainda mais quando se passa a observar o IssQN sob o ponto
de vista de sua natureza. Sabe-se que, diferentemente de outros tributos municipais,
o ISSQN é um tributo cujo lançamento é feito por homologação, ou seja, o próprio
contribuinte tem autonomia para apurar, calcular e pagar o imposto que entende como
devido antes de qualquer ação por parte do fisco municipal. Daí a grande preocupação
e a necessidade crescente de investimentos em auditoria e fiscalização tributária, pois
muitos contribuintes, utilizando-se dessa faculdade legal de poderem calcular, por
conta própria, o seu imposto, omitem (para não dizer que sonegam) as suas reais
bases de cálculo para fins de apuração do ISSQN, o que causa enormes prejuízos ao
município. E mais, vale considerar que nem todo contribuinte que mantém uma
regularidade no pagamento de seus impostos é honesto em tal situação, ou seja,
regularidade fiscal não representa, sob nenhuma hipótese, fidelidade fiscal. Após
alguns anos dos primeiros investimentos realizados pela Prefeitura Municipal de
Vitória da Conquista no setor de fiscalização, houve um crescimento extraordinário
tanto na quantidade de autos de infração lavrados como também no montante dos
valores lançados. Durante os anos de 2004 a 2007, de acordo com informações
coletadas da Gerência de Fiscalização, setor responsável pelo gerenciamento do
ISSQN, o valor das autuações (autos de infração lavrados pelos agentes e auditores
fiscais) teve um crescimento de 586%. Pode-se perceber que, enquanto em 2004 o
volume total de autos de infração chegou a R$ 2.135.501,10, o ano de 2007 atingiu a
extraordinária marca, para a realidade do município, de R$ 14.469.215,16, valor
bastante influenciado em virtude de fiscalizações e autuações realizadas sobre
serviços de arrendamento mercantil. A Tabela 4 demonstra tais dados em valores.
Tabela 4 – Autos de infração do ISSQN lavrados pelo fisco – 2004 a 2007 (R$)
56
período entre 2004 e 2007, pode se chegar à seguinte situação demonstrada no
Gráfico 4.
57
Este questionamento, além de oportuno, é bastante elucidativo quanto a um
gravíssimo problema existente na grande maioria dos municípios brasileiros e que,
com toda certeza, influencia diretamente o incremento da receita proveniente da
atividade de fiscalização. O problema está relacionado, outrossim, a três outros
questionamentos que precisam ser feitos: Qual tem sido o verdadeiro papel das
procuradorias jurídicas nos municípios em relação aos valores inscritos em dívida
ativa que resultaram de autuações da fiscalização municipal (problemas de cobrança
judicial)? Qual o nível de procedência dos autos de infração lavrados pelos agentes e
auditores fiscais (problemas de procedência legal)? E, qual têm sido as medidas
adotadas pelas secretarias municipais de finanças para controlar e cobrar os autos de
infração lavrados (problemas de cobrança administrativa)?
Diante disso, fica clara a ideia de que não basta apenas investir em auditoria e
fiscalização tributária se outros fatores como o funcionamento mais rigoroso da
procuradoria jurídica, o nível de procedência dos autos de infração e os mecanismos
de controle e cobrança das secretarias de finanças não estiverem funcionando bem e
em consonância com as atividades resultantes da fiscalização municipal fazendo uma
rápida analogia, não adianta apenas fazer com que um caçador exerça o seu ofício
(caçar), se outros fatores que contribuam para a proteção e a conservação da caça
não sejam realizados. É preciso investir continuamente no funcionamento da
fiscalização sem se esquecer que ela sozinha jamais poderá trazer os frutos tão
almejados pelo gestor público.
Considerações finais
Este trabalho deixou evidente o quanto é importante investir em auditoria e
fiscalização tributária. Talvez pareça estranho, como dito inicialmente, o interesse por
este assunto, principalmente diante da elevada carga tributária existente no brasil. A
importância de se discutir a realização de investimentos em auditoria e fiscalização
tributária está na razão direta da qualidade com que esse serviço, típico de Estado,
pode ser oferecido à sociedade brasileira. Sai ganhando com tais ações o poder
público que, a depender do potencial econômico do município, pode arrecadar mais,
e sai ganhando, também, a sociedade, que terá, pelo menos teoricamente, a
possibilidade de receber mais investimentos em educação, saúde, segurança pública
e justiça.
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Entretanto, talvez a principal justificativa para o interesse por este assunto não
esteja apenas no aumento da arrecadação, numa análise apenas numérica, mas
também na capacidade que a fiscalização terá de aumentar a receita pública municipal
trazendo à formalidade ou inibindo e punindo ações fraudulentas e ilegais, comuns a
uma parte significativa dos contribuintes. Nisso, também, a sociedade ganha,
especialmente aquelas empresas que procuram cumprir com suas obrigações
tributárias e fiscais, obedecendo fielmente à legislação existente, na medida em que
o poder público promove a justiça fiscal: se é dever de todos pagar corretamente os
seus impostos, que todos cumpram com esse dever.
Sabe-se que a elevada carga tributária existente no Brasil beira os limites da
injustiça social carecendo de programas e políticas que possam diminuir o impacto
dos tributos na vida das pessoas e das empresas. Todavia, maior injustiça se dá
quando alguns contribuintes, utilizando-se de artifícios fraudulentos e, muitas vezes,
desonestos para não cumprirem as suas obrigações tributárias, tiram proveito da
situação atuando no mercado de forma desigual e desonesta. Nesse sentido,
enquanto políticas tributárias que diminuam a elevada carga tributária existente não
apareçam no cenário das políticas públicas brasileiras, investir no aparelhamento dos
departamentos de fiscalização e na capacitação contínua do corpo fiscal significa,
contrariamente ao que se poderia imaginar, promover ações de justiça fiscal e social.
O combate à informalidade e à sonegação fiscal permitirá que as empresas regulares
e fiéis em seu papel de financiadoras do poder público sintam-se seguras num
ambiente de competitividade que cresce a cada dia.
O município de Vitória da Conquista nos últimos dez anos investiu recursos
públicos com essa finalidade. Ficou perceptível que os investimentos realizados em
contratação de pessoal e no aparelhamento do departamento de fiscalização se não
aumentou diretamente a receita pública municipal nos níveis em que a administração
do município esperava, uma coisa não se pode negar, houve a sua potencialização.
Como ficou demonstrado na pesquisa, enquanto a receita própria do município e a
receita de ISSQN cresceram 66% e 56%, respectivamente, os autos de infração (em
valores reais) tiveram um crescimento equivalente a 586%.
Recursos a serem incorporados aos cofres públicos municipais existem e estão
demonstrados nas ações da fiscalização, entretanto qualquer medida para dar
materialidade a esses recursos foge completamente à competência do departamento
de fiscalização, daí a importância de se pensar a auditoria e a fiscalização tributária
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num contexto muito mais amplo, que vai da própria necessidade de se investir, até a
implementação de medidas que tornem as suas ações em resultados concretos,
como, por exemplo, intensificar o papel da procuradoria jurídica no tocante às medidas
de controle e cobrança dos créditos tributários lançados. Pensando e agindo assim,
não há como questionar a viabilidade dos investimentos em auditoria e fiscalização
tributária como uma ferramenta importante de incremento da receita pública municipal
e de eficiência fiscal.
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Bibliografia
CREPALDI, s. A. Auditoria contábil: teoria e prática. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2002.
FRANCO, H.; MARRA, E. Auditoria contábil. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2000.
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