MOLDAGEM EM PRÓTESE PARCIAL FIXA
Profa Dra Takami Hirono Hotta
Prof. Dr. Wilson Matsumoto
Moldagem é o ato técnico de se obter impressão ou molde de uma
estrutura ou superfície. Em Odontologia, é o ato de selecionar, manipular, inserir
o material de moldagem em uma moldeira, posicioná-la na boca do paciente e
mantê-la imóvel até a completa reação de presa do material e em seguida,
removê-la.
Molde é o produto de uma moldagem, ou seja, a impressão ou cópia
negativa de uma estrutura ou superfície que servirá para reproduzir a estrutura
moldada.
Modelo ou reprodução positiva se obtém pela modelagem ou vazamento
do molde, geralmente em gesso, materiais refratários ou resina epóxica.
Pegoraro
Além do material, a execução de uma boa moldagem depende de três
requisitos básicos: extensão do preparo dentro do sulco gengival, nitidez do
término cervical e saúde do tecido gengival.
A extensão subgengival do preparo deve preservar a saúde periodontal,
pois a presença de inflamação gengival com sangramento e exsudato
inflamatório impede a obtenção de moldes precisos. Além disso, a maioria dos
materiais de moldagem apresente alteração de suas propriedades na presença
de umidade, o que resulta em dificuldades técnicas para a obtenção de um bom
molde.
O término cervical deve ser liso, polido e bem definido, para que possa ser
copiado em seus detalhes durante a moldagem. As coroas provisórias devem ser
bem adaptadas e ter contornos corretos, para manter a saúde gengival.
CARACTERÍSTICAS IDEAIS DOS MATERIAIS DE MOLDAGEM
1. Facilidade de mistura
2. Tempo de trabalho adequado
3. Bom tempo de presa
4. Estabilidade dimensional boa
5. Recuperação elástica e rigidez adequada
6. Fidelidade de reprodução adequada
7. Facilidade de vazamento ou modelagem
8. Baixo custo
9. Biocompatível com os tecidos
10. Permitir desinfecção do molde
Em uma das classificações, os materiais de moldagens podem ser divididos em:
1. Anelásticos: godiva, pasta de óxido de zinco e eugenol, gesso e ceras.
2. Elásticos: a- Hidrocolóides: reversível e irreversível (alginato).
b- Elastômeros: polissulfetos ou mercaptanas, siliconas de
condensação, siliconas de adição e poliéteres.
ORIENTAÇÕES PARA UMA BOA MOLDAGEM
1. Mistura homogênea e uniforme de material.
2. Moldeira preenchida com quantidade suficiente de material de moldagem.
3. Completa aplicação do adesivo para moldeira.
4. Moldeira resistente e rígida.
5. Margem sem bolhas ou falhas.
6. Margens sem rasgos ou superfície rugosa.
7. Sem exposição da moldeira atravém do material de moldagem.
8. Boa união entre o material pesado e o leve.
9. Boa Resistencia de união entre o material de moldagem e a moldeira.
10. Enviar ao laboratório todas as informações sobre o material de moldagem
utilizado.
Em prótese parcial fixa podemos dividir os tipos de moldagens em:
1. Moldagem de estudo – pode ser realizado com alginato e é o molde do estado
inicial da boca do paciente. O modelo obtido deste molde, adequadamento
montado em articulador, é próprio para a realização do planejamento,
enceramento de diagnóstico, planejamento de preparos e confecção de
provisórias.
2. Moldagem de relacionamento – também pode ser realizado com alginato e é o
molde com todos os preparos realizados na boca do paciente. No modelo obtido
deste molde, também montado em articulador, será feito o enceramento dos
trabalhos protéticos.
Após o inicio do enceramento no troquel, o modelo de relacionamento serve para
esculpir os contornos axiais (vestibular, lingual e proximais) e para obter os
contatos oclusais e proximais.
3. Moldagem de trabalho ou para obtenção do troquel – é o molde para obtenção
do modelo fiel do dente preparado e por isso deve ser realizado com o material
de moldagem com maior qualidade e portanto, necessariamente deve ser
utilizado os elastômeros.
4. Moldagem de arrasto ou de transferência – é o molde obtido com as
infraestruturas protéticas em posição na boca do paciente. No modelo obtido,
montado em articulador, o técnico fará o recobrimento estético, com cerâmica ou
cerômero.
As principais técnicas para obtenção do troquel ou modelo de trabalho
são:
1. Técnica do casquete.
2. Técnica do reembasamento.
3. Técnica da dupla mistura ou um só tempo.
4. Técnica da moldagem tripla.
Em qualquer das técnicas, o troquel ideal deve apresentar a cópia de pelo menos
0,3mm de estrutura dental sadia, cervical à linha de termino do preparo. Essa é
uma informação fundamental para a elaboração de restaurações indiretas.
TÉCNICA DO CASQUETE
É uma técnica atraumática, simples, barata, precisa, confiável, segura e
indolor. Proporciona grande conforto para o paciente pois moldamos
individualmente cada dente além de não necessitar anestesia e nem a utilização
de fio retrator. O afastamento gengival obtido pela técnica do casquete é apenas
mecânico e o epitélio juncional e a inserção conjuntiva não são afetados,
promovendo dessa maneira mínima ou nula recessão gengival. A técnica do
casquete é extremamente útil para os casos de tecido gengival fino.
O casquete, normalmente, é confeccionado em resina acrílica, podendo
ser realizado de várias maneiras: pela técnica do pincel, técnica da bolinha,
direto na boca e pela técnica da duplicação da coroa provisória.
TÉCNICA DO PINCEL
TÉCNICA DA BOLINHA DE RESINA ACRÍLICA
CASQUETES FINALIZADOS (premolar: técnica do pincel e
molar: técnica da bolinha)
TÉCNICA DA DUPLICAÇÃO DA COROA PROVISÓRIA
A seguir, vamos mostrar uma sequência clinica demonstrando a confecção
do casquete pela técnica direta e a moldagem propriamente dita.
1. Manipular a resina autopolimerizável em um pote de dappen com o auxílio de
espátula 7. Fazer um rolete com essa resina e adaptar sobre o dente preparado,
previamente umedecido com água para evitar aderência da resina. O formato
deve envolver o dente preparado, seguindo seu longo eixo e possibilitar sua
apreensão pelo operador. Retirar da boca do paciente e colocar em um recipiente
com água para o término da polimerização da resina.
2. Realização desgastes externos e internos do casquete
Com fresa de tungstênio de corte transversal realizar o desgaste externo
do casquete eliminando os excessos, deixando as superfícies retas, exceto na face
vestibular do casquete que terá uma depressão para identificar o lado vestibular
do casquete e facilitar os procedimentos de ajuste e moldagem. Retornar o
casquete sobre o dente preparado e verificar a adaptação inicial.
Com a fresa de tungstênio, aliviar o interior do casquete, em
profundidade pela inserção da fresa no sentido do longo eixo e em largura pela
inclinação da mesma em direção à borda do casquete, criando espaço adequado
para o reembasamento com resina acrílica Duralay. Verificar a adaptação do
casquete no dente preparado.
3. Manipulação da resina duralay e apresentação da variação no reembasamento
do casquete:
A resina deve ser manipulada com quantidade de monômero suficiente
para obtenção de adequado molhamento dos grânulos e uma mistura com
consistência uniforme. No início da fase fibrosa, com a superfície ainda brilhante
(nesta fase há uma melhor adesão da resina recém manipulada com a já
polimerizada), é levada ao interior do casquete, além das suas bordas.
Em seguida, após breve inserção e remoção do conjunto casquete/resina em
água, manipula-se a resina inserida no casquete até a fase plástica quando não há
desprendimento de fibrilas de resina quando então o conjunto é levado ao dente
preparado.
A inserção do casquete é realizada em várias etapas, com compressão dos
excessos contra o sulco gengival: a primeira etapa vai até o terço médio do dente
preparado em trajetória retilínea seguindo o longo eixo, os excessos de resina
são manualmente comprimidos na direção do sulco gengival e nas faces
proximais com o auxílio de espátula 7, na segunda etapa, faz-se uma outra
compressão associada a movimentos rotacionais, para que o casquete se adapte
ao preparo.
Aguardar a fase borrachóide da resina acrílica, remover do dente e imergir o
conjunto em água fria. Observar se houve a penetração da resina no sulco
gengival verificada pela presença de resina além da margem do preparo, na
forma de borda afilada. No entanto, se a borda estiver arredondada, o molde
estará inadequado e deve-se repetir a operação de reembasamento.
Área não demarcada pelo lápis mostra borda arredondada.
CASQUETE ADEQUADAMENTE REEMBASADO
4. Desgaste do casquete:
4.1 Posicionar a fresa de tungstênio na superfície externa do casquete, seguindo
o longo eixo do preparo, desgastando os excessos ao nível da borda afilada.
4.2 Realizar o alívio interno com broca de aço esférica números 6 ou 8: O
diâmetro da broca na porção oclusal ou incisal do casquete e nas paredes laterais
ou axiais deve ser ½ do diâmetro, sem interferir na borda afilada. Verificar o
aspecto interno final do casquete com espaço adequado para o material de
moldagem.
4.3 Verificar a adaptação do casquete na boca que não pode travar no dente. Caso
isso ocorra, significa que há excessos na borda afilada, devendo ser removidos
internamente ou no comprimento da borda.
5. Moldagem com poliéter
Passar adesivo nas bordas externas e no interior do casquete e, aguardar o
secamento. Dosar as pastas base e catalisadora, proporcionalmente em MESMO
comprimento, e espatular. Inserir o material de moldagem, gradativamente, para
evitar inclusão de bolhas de ar no interior do casquete, até acima da borda. Secar
a região a ser moldada. Levar o conjunto casquete/poliéter no dente preparado e
manter em posição sob leve pressão. Após o tempo recomendado pelo
fabricante, remover o conjunto e analisar o molde.
6. Modelagem e obtenção direta do troquel
Plastificar parte de uma lâmina de cera 7 e envolver o casquete e o
material de moldagem, formando um dique para conter o gesso tipo IV a ser
vazado e assim, obter o troquel.
CONFECÇÃO DE MOLDEIRA INDIVIDUAL
Características da moldeira individual:
1. Devem ser rígidas, com espessura suficiente para ter resistência à
deformação, principalmente de retirada. São confeccionadas de resina acrílica
autopolimerizável.
2. Devem possuir cabo ou saliência onde encaixam-se os dedos para realizar a
tração de retirada.
3. Extensão:
metade dos dentes adjacentes ao dente preparado;
3 mm além da margem cervical vestibular e lingual.
4. Adaptação periférica da moldeira ao modelo é necessária e importante para
que o material não extravaze por esta região, facilitando a inclusão de bolhas
de ar (um dos fatores principais de falha de moldagem) e para que funcionem
como pontos de referência para o assentamento máximo da moldeira.