Introdução à Geologia Geral e Recursos
Introdução à Geologia Geral e Recursos
*Imagem
Instituto de Ensino APROVA+ Educação
do Instituto
APOSTILA DE
GEOLOGIA
GERAL
TÉCNICO EM MINERAÇÃO
PROF. RENAN DA SILVA FEITOSA
APROVA+ | MÓDULO 1
APOSTILA MÓDULO 1: GEOLOGIA GERAL (60h)
Ementa do Programa
Definição de Geologia, abrangência e subdivisões. Teorias sobre a origem do universo,
do sistema solar e da Terra. Construção do modelo da estrutura interna da Terra. O
fluxo de energia no planeta. Deriva dos continentes. Tectônica de Placas. Ondas
sísmicas: os tipos e o seu registro no interior da Terra. Mineralogia: os minerais,
propriedades e classificação. Ciclo das rochas na natureza. Definição dos principais
tipos de rochas. Rochas: magmáticas, sedimentares e metamórficas. Intemperismo:
agentes, produtos. Geologia Estrutural: dobramentos e falhamentos. Dinâmica Externa:
ciclo da água e do vento, geleiras e organismos. Geologia do Brasil.
Objetivos
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Sumário
1. INTRODUÇÃO A GEOLOGIA 3
1.1 - Conceitos de Geociências e de Geologia 3
1.2 - Objetivos do estudo geológico 4
1.3 - Métodos de Investigação Geológica 4
1.4 - Conceitos Básicos 5
2. A TERRA 6
2.1 - Origem e Idade da Terra 6
2.2 - Estrutura Interna da Terra 7
2.3 - Constituição litológica e química da Crosta 10
2.4 - Grau Geotérmico 12
5. TEMPO GEOLÓGICO 27
5.1 – Conceitos, Métodos de Datação e Escala do Tempo Geológico 27
8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 81
2
1. INTRODUÇÃO A GEOLOGIA
3
rocha pode determinar onde e como ela se formou. Para medir o tempo geológico,
utilizam-se elementos radioativos contidos em certos minerais. A análise da gravidade e
do magnetismo terrestre que variam de local para local, devido à s diferenças superficiais
e profundas dos materiais que constituem a Terra, é outra forma de interpretar o que existe
abaixo da superfície terrestre.
Todos esses estudos fazem parte do estudo da Geologia. A palavra “Geologia” teve
sua origem nos termos gregos “Geo” que significa terra e “Logos” que significa estudo
ou ciência. Portanto, a Geologia é a ciência da Terra que busca o conhecimento de sua
origem, estrutura, composição, processos de dinâmica interna e externa e de sua
evolução. Desta forma, as ciências geológicas (mineralogia, petrologia, paleontologia,
estratigrafia, geologia estrutural, geologia histórica, geotectônica, geoquímica,
geofísica, geologia econômica, hidrogeologia, geologia ambiental, etc.) nos ajudam a
entender a dinâmica do funcionamento de nosso planeta.
4
magnetismo, gravidade, etc.) e o estudo geocronológico (datação de formações e eventos
geológicos).
5
2. A TERRA
A Terra é parte integrante do Sistema Solar. Este, por sua vez, encontra-se num
dos braços da grande nebulosa (galáxia) da Via Láctea. O Sistema Solar é constituído de
planetas, satélites, asteroides, cometas, meteoritos, poeira e gás girando em torno de uma
estrela central – o Sol – a qual contém cerca de 99% da massa total do sistema. Os
cientistas acreditam que a formação do Sistema Solar ocorreu por volta de 4,6 bilhões de
anos atrás, devido ao aumento da força gravitacional dentro de uma nuvem de poeira
cósmica e gás, fazendo com que a mesma se contraísse. A aglutinação deste material deu
origem a várias esferas que giravam em torno de uma maior concentração gasosa
incandescente que seria o Sol. As esferas menores ao se resfriarem deram origem aos
planetas.
O que existia antes do Universo? Para esta pergunta ainda não temos esperança de
resposta no campo de conhecimento científico convencional, e tal questão permanecerá
como objeto de considerações filosóficas e metafísicas – tema de âmbito das diferentes
religiões, cujos dogmas implicam a presença de um Criador, exercendo sua vontade
superior.
Há cerca de 15 bilhões de anos atrás, um ponto reunindo toda a matéria e energia
do Universo, que explodiu no evento único e original que os físicos denominam Grande
Explosão, ou Big Bang.
A Via Láctea tem aproximadamente 8 bilhões de anos e dentro dela o nosso
Sistema Solar junto com a Terra começou a existir a cerca de 4,56 bilhões de anos atrás,
quando uma enorme massa de gás e partículas de poeira cósmica uniu-se e formaram
nosso planeta. Era muito frio quando isso aconteceu, mas a Terra aqueceu-se rapidamente
enquanto crescia. Boa parte do calor proveio da enorme pressão que era exercida em seu
interior pelos materiais que se alojavam acima.
Os elementos constituintes do Universo foram formados em parte durante a
nucleogênese, nos tempos que se sucederam ao Big Bang (basicamente H e He), ou então
foram sintetizados no interior das estrelas em processos denominados genericamente de
nucleossíntese. Aqueles com número atômico intermediário entre He e o Fe formaram-se
durante a evolução das estrelas, nas partes centrais das gigantes vermelhas, enquanto
aqueles com número atômico superior ao do Fe originaram-se unicamente naqueles
instantes mágicos das explosões das supernovas. Ao mesmo tempo, desaparecendo a
estrela-mãe, toda sua matéria foi devolvida ao espaço interestelar, fertilizando-o e
possivelmente dando início a um novo ciclo de evolução estelar.
A nebulosa solar resultou possivelmente da explosão de uma supernova, cuja massa
estimada teria sido de aproximadamente 8 massas solares, e que em sua fase final teria
sintetizado os elementos pesados que hoje constituem o Sol e seus planetas. Portanto, a
matéria constituinte dos corpos planetários do Sistema Solar possui certa quantidade de
elementos pesados, e constituição química coerente.
Nos estágios iniciais do Sistema Solar, a Terra deveria possuir uma enorme
atmosfera completamente diferente da atual, envolvendo uma massa que deveria
encontrar-se fundida. Durante os primeiros milhões de anos, quando a Terra era uma fase
em fusão, os elementos químicos mais densos como o Ni e o Fe concentraram-se no seu
centro devido à força gravitacional, enquanto que os mais leves, como o Si e o Al e os
gases permaneceram na superfície. Os gases foram posteriormente varridos
6
completamente da superfície do planeta por tempestades solares. Quando se formava a
primitiva crosta, enormes quantidades de gases desprendiam-se da superfície
semifundida, ao mesmo tempo em que se iniciava sua solidificação. Jatos de vapor d’água
e dióxido de carbono vieram do interior da Terra e se elevaram para constituir a atmosfera
primitiva. Lentamente a parte externa começou a resfriar e por volta de um bilhão de anos
de existência surgiram os Protocontinentes. Admite-se que a crosta primitiva talvez
tivesse composição basáltica. Ela teria sido fraturada e refundida inúmeras vezes, até que
surgissem diferenciações minerais originando diferentes tipos de rochas. Durante este
processo, mais e mais gases e vapor de água foram injetados na atmosfera pelos intensos
fenômenos vulcânicos. Com isso, se formaram camadas concêntricas de propriedades
físicas e químicas diferentes no globo terrestre.
Acredita-se que a Terra não se solidificou totalmente devido à presença de
elementos radioativos existentes em sua constituição interna, os quais sofrem fissão
nuclear e provocam uma grande quantidade de calor (calor radiogênico) e isto não permite
que haja um resfriamento total, sobretudo no seu centro.
O problema da origem da Terra e do Sistema Solar é um dos mais árduos e
apaixonantes da Cosmologia. O que a maioria das teorias aceita é que a Terra passou
sucessivamente pelo estado gasoso e líquido antes de chegar a sua consolidação. A idade
das rochas mais antigas descobertas até hoje é de 3,9 bilhões de anos, mas o planeta já
existia muito tempo antes disso, para dar tempo às rochas de formarem -se como líquidos
e então se solidificar e estabelecer-se em camadas.
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esperados, ou seja, Anomalias de Gravidade, que são valores de gravidade diferentes
dos teóricos.
Se a Terra fosse homogênea, a gravidade seria maior nas regiões de montanhas,
onde a massa faria aumentar a força de gravidade, todavia, os resultados de medidas
gravimétricas ao longo da superfície terrestre demonstram que a gravidade apresenta
valores anormais conforme a natureza topográfica da região. Essas medidas mostram de
uma maneira geral, valores inferiores ao valor teórico, denominados de Anomalias
negativas de gravidade, que ocorrem nos continentes sobre as regiões de montanhas e,
valores superiores, denominados de Anomalias positivas de gravidade, sobre as grandes
planícies e oceanos. A interpretação desse fenômeno demonstra que a parte externa do
globo terrestre é formada por camadas de diferentes densidades e composições.
Quando ocorre um a ruptura nas camadas internas da Terra, são geradas vibrações
que se propagam em todas as direções na forma de ondas. O mesmo ocorre, por exemplo,
com a detonação de explosivos numa pedreira, cujas vibrações, tanto no terreno como
sonoras, podem ser sentidas a grandes distâncias. Essas formas de propagação de energia,
originadas por movimentos no interior da Terra (terremotos ou abalos sísmicos) ou
através de explosões e impactos na superfície terrestre, são denominadas de “ondas
sísmicas”. Ondas estas que podem causar danos na superfície e serem registradas por
sismógrafos, mesmo a distâncias consideráveis do ponto de origem. A análise das ondas
sísmicas, registradas na superfície permite deduzir várias características das partes
internas da Terra.
Tipos de Ondas Sísmicas:
- Ondas Primárias ou ondas P - são ondas que se propagam em meios sólidos e líquidos,
que aumentam a velocidade de propagação quando passam de um meio de menor
densidade para um meio de maior densidade e diminuem quando passam de um meio
sólido para um meio líquido.
- Ondas Secundárias ou ondas S - são ondas que não se propagam em meios líquidos e
também aumentam a velocidade de propagação ao passarem de um meio de menor
densidade para um meio de maior densidade.
- Ondas Longas ou de Superfície ou ondas L - são ondas lentas, de grande comprimento
de onda, que somente se propagam na parte mais externa d a Terra após a propagação das
ondas P e S, entretanto, são as responsáveis pelas maior es catástrofes na superfície
terrestre.
A velocidade de propagação das ondas P e S dependem essencialmente do meio por
onde elas passam. Em geral, quanto maior a densidade de uma rocha, maior a velocidade
das ondas sísmicas. É justamente esta propriedade que permite utilizar as ondas sísmicas
par a obter informações sobre os materiais da Terra em grandes profundidades. Em escala
global, os registros dos terremotos em uma rede de estações sismográficas permitem
conhecer as velocidades de propagação das ondas sísmicas no interior da Terra e estudar
a estrutura interna, a composição e a evolução atual do nosso planeta.
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Fig. 1- Propagação de Ondas Sísmicas no interior da Terra. Fonte:
www.colegiovascodagama.pt/ciencias3c/decimo/temaIIIu11.html
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maior do que a do manto, variando de 9 a 12. Estas características de velocidades sísmicas
baixas e densidades altas indicam que o núcleo é constituído predominantemente de Ni e
Fe. Admite-se que a temperatura no núcleo seja em torno de 5000 a 6000°C. A
descontinuidade que divide o núcleo está a uma profundidade de 5150 Km.
A grande diferença entre as velocidades sísmicas da crosta e do manto indica uma
mudança de composição química das rochas. Abaixo da crosta, estudos mais detalhados
em muitas regiões mostram que há uma ligeira diminuição nas velocidades sísmicas do
manto ao redor de 100 km de profundidade, especialmente sob os oceanos. Esta “zona de
baixa velocidade” abaixo dos 100 km é causada pelo fato de uma pequena fração das
rochas estarem fundidas (fusão parcial), diminuindo bastante a rigidez do material nesta
profundidade. Desta maneira, a crosta, junto com uma parte do manto acima da zona de
baixa velocidade, forma uma camada mais dura e rígida, chamada Litosfera e a zona de
baixa velocidade, forma uma camada de comportamento dúctil, onde as rochas são mais
maleáveis (plásticas) é chamada de Astenosfera.
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denominação de SIAL, devido à predominância de rochas de composição granítica ricas
em silício e alumínio e, a Crosta Oceânica recebe a denominação de SIMA, devido a
predominância de rochas de composição basáltica ricas em silício e magnésio. Segundo
dados indiretos fornecidos pela geofísica, a espessura total da Crosta varia de 5 a 60 km,
sendo mais espessa nas cadeias de montanhas e mais delgada sob os oceanos.
A constituição litológica da crosta terrestre é representada por três grandes grupos
de rochas, que de acordo com suas origens classificam-se em:
Rochas Ígneas – originadas pelo resfriamento e consolidação do magma.
Rochas Sedimentares – originadas pela acumulação de sedimentos, provindos da
destruição de rochas preexistentes e restos orgânicos.
Rochas Metamórficas – originadas pelo metamorfismo de rochas preexistentes.
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Fig. 3- Dez elementos Químicos mais abundantes da Crosta Terrestre. Fonte:
folhadaciencia.wordpress.com/2014/08/28/os-dez-elementos-mais-abundantes-na-crosta-
terrestre/
Estes dez elementos faz em parte da composição química essencial dos minerais
pertencentes à classe mineral mais abundante da crosta terrestre (Silicatos), onde estão os
principais minerais formadores de rochas ígneas, que são as rochas predominantes no
volume total da crosta.
A maioria dos metais úteis ao homem ocorre em quantidades mínimas na crosta e
são explorados apenas em lugares onde foram enriquecidos graças à ação de diferentes
processos geológicos, tais como: diferenciação magmática, sedimentação, decomposição
química diferencial e outros.
ELEMENTO TEOR (g/ton.) ELEMENTO TEOR (g/ton.)
Ti 4400 Ce 46
H 1400 Sn 40
P 1180 Co 23
Mn 1000 Pb 16
S 520 Mo 15
C 320 Th 12
Cl 314 Cs 7
Rb 310 Be 6
F 300 Ar 5
Sr 300 U 4
Ba 250 B 3
Zr 220 Br 1,6
Cr 200 Sb 1
V 150 Hg 0,5
Zn 132 Bi 0,2
Ni 80 Cd 0,15
Cu 70 Ag 0,1
W 69 Se 0,09
Li 65 Pt 0,005
N 46 Au 0,0005
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3. ROCHAS: unidades formadoras da Crosta
As rochas são as unidades básicas que formam a crosta terrestre, e são constituídas
por agregados minerais consolidados de ocorrência natural. Elas são caracterizadas
através de suas estruturas, texturas e composições mineralógicas.
A estrutura da rocha é o aspecto geral externo, que pode ser maciço, com
cavidades, estratificado ou orientado, etc. A textura se revela por meio da observação
mais detalhada do tamanho, forma e relacionamento entre os cristais ou grãos
constituintes da rocha.
Uma informação importante no estudo das rochas é a determinação dos seus
minerais constituintes. Na agregação mineralógica constituinte das rochas, reconhecemos
os minerais essenciais e os minerais acessórios. Os essenciais estão sempre presentes e
são mais abundantes numa determinada rocha, e as suas proporções determinam o nome
dado à rocha. Os acessórios podem ou não estar presentes, sem que isto modifique a
classificação da rocha em questão. Quando os minerais agregados pertencerem á mesma
espécie mineralógica, a rocha será considerada Monominerálica. Quando forem de
espécies diferentes, ela será Poliminerálica ou Pluriminerálica.
Classificar as rochas significa usar critérios que permitam agrupá-las segundo
características semelhantes. Uma das principais classificações é a genética, em que as
rochas são a grupadas d e acordo com seu modo de formação na natureza. Sob este
aspecto, as rochas se dividem em três grandes grupos: Ígneas ou Magmáticas,
Sedimentares e Metamórficas.
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Fig. 4- Rochas Ígneas Extrusivas e Intrusivas. Fonte:
mineraiserochasigneas.blogspot.com/2013/11/formacao-de-rochas-igneas.html
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Porfirítica - rocha que a presenta cristais maiores (Fenocristais) envolvidos por uma
massa fundamental (Matriz) de granulação fina a muito fina.
Fanerítica - rocha de granulação média a grossa, com cristais maiores que 1 mm e
visíveis a olho nu.
Pegmatítica - rocha de granulação muito grossa, com cristais bem desenvolvidos e
maiores que 3 cm.
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Tabela 3- Escala Granulométrica de Wentworth. Fonte:
www.dct.uminho.pt/pnpg/gloss/escala_went.html
Grau de seleção está relacionado com a uniformidade de tamanho das partículas, que
podem ser: bem selecionadas, moderadamente selecionadas e mal selecionadas.
A Litificação de sedimentos ocorre através da compactação exercida pelo peso dos
sedimentos sobrepostos ou pela cimentação, provocada pela cristalização de minerais nos
poros (vazios) entre as partículas, precipitados a partir de soluções concentradas em sílica,
carbonato, óxido e/ou hidróxido de ferro e manganês. A litificação também pode ocorrer
pela cristalização de minerais durante a formação de sedimentos químicos.
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Fig. 5- Estratificação ou Acamamento estrutura típica das rochas sedimentares.
Fonte: mundoeducacao.bol.uol.com.br/geografia/rochas-sedimentares.htm
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Óxidos de ferro 5% 1% -
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Fig. 6- Exemplos de rochas originadas pelo Metamorfismo. Fonte:
www.pinterest.es/pin/835488168342435443/
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de 250°C e o limite superior, é representado pela temperatura de formação do magma
(fusão de rochas). A elevação da temperatura ocorre de maneira natural, com o aumento
da profundidade (calor proveniente do manto e do núcleo, calor gerado por desintegração
radioativa e calor oriundo de câmaras magmáticas adjacentes às áreas de metamorfismo).
Dois tipos de pressão devem ser considerados no metamorfismo. O primeiro tipo é
a pressão litostática, provocada pelo peso do material sobrejacente, que naturalmente,
aumenta com a profundidade. O segundo tipo, designado de pressão dirigida, é devido
aos esforços tectônicos, relacionados aos movimentos das placas tectônicas.
A constituição mineralógica das rochas metamórficas varia conforme a natureza do
protolito e a intensidade do metamorfismo, e o tipo de textura depende do novo arranjo
dos minerais, em função da recristalização, crescimento de novos minerais e da ação de
esforços (pressão dirigida), gerados por movimentos tectônicos.
Tipos de Metamorfismo:
Metamorfismo Regional (Dinamotermal) – tipo de metamorfismo que ocorre em
extensas áreas da crosta, a grandes profundidades, sob ação combinada de pressão e
temperatura. Normalmente, está relacionado com os movimentos da crosta, onde, p arte
da pressão envolvida no processo, resulta de esforços direcionais de movimentos
tectônicos.
Metamorfismo de Contato (Termal) – tipo de metamorfismo desenvolvido em áreas
localizadas, adjacentes a massas de rochas ígneas intrusivas, especialmente as de
composição ácida. A temperatura (fator predominante) é determinada pela proximidade
do corpo intrusivo, que pode também, fornecer fluidos aquosos ativos que estimulam
certas reações químicas com os minerais das rochas encaixantes. Ao redor do contato
desenvolve-se uma auréola de transformação ou de metamorfismo, cujas dimensões
dependem do tamanho da intrusão e da natureza da rocha encaixante.
Metamorfismo Dinâmico (Cataclástico) – tipo de metamorfismo desenvolvido em
zonas estreitas de deformação e deslocamentos intensos (zonas de falhas ou de
cisalhamentos), onde o fator predominante do metamorfismo é a pressão dirigida. As
tensões devidas às pressões direcionais causam o fraturamento e a fragmentação
mecânica das rochas (cataclase), reduzindo-as a uma granulação fina. Geralmente, não
há formação de novos minerais, exceto ao longo dos planos de intenso cisalhamento, onde
o atrito gera calor suficiente para produzir transformações minerais de maior ou menor
intensidade.
Estruturas de Rochas Metamórficas:
A estrutura mais típica das rochas metamórficas é a foliação do tipo xistosidade. A
foliação se desenvolve nas rochas metamórficas devido ao arranjo de minerais micáceos
e lamelares ou prismáticos, que sob a ação de pressão, dispõe-se e m superfícies paralelas
de aspecto ondulado. Além da foliação, as rochas metamórficas podem apresentar outros
tipos de estruturas, tais como: estrutura maciça, bandamento e lineação.
Principais tipos de textura das rochas metamórficas:
- Textura Foliada ou Xistosa – quando a rocha apresenta superfícies paralelas de
aspecto ondulado (foliado), com forte orientação mineral.
- Textura Granoblástica – quando a rocha é constituída por minerais granulares
(equidimencionais).
- Textura Porfiroblástica – quando a rocha apresenta cristais maiores envolvidos por
uma matriz de granulação fina (foliada ou granoblástica).
- Textura Bandada ou Gnáissica (Granolepido/nematoblástica) – quando a rocha
apresenta uma alternância de faixas claras (ricas em minerais félsicos) com textura
granoblástica e faixas escuras (ricas em minerais máficos) com textura foliada.
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- Textura Lineada - rocha sem foliação, mas com lineação.
Os processos metamórficos agindo sobre as rochas originais, podem produzir
alteração em maior ou menor intensidade, em função das pressões e temperaturas a que a
rocha é submetida. No metamorfismo de baixa intensidade, algumas estruturas originais
continuam preservadas. No metamorfismo de alta intensidade, a rocha original é
completamente transformada e recristalizada. Com o aumento do grau metamórfico,
minerais novos ficam estáveis e cristalizam. Esses minerais presentes nas rochas
metamórficas são assim, indicadores das condições de pressão e temperatura na hora da
última recristalização. Desta forma, podem-se distinguir diferentes graus de
metamorfismo:
Incipiente – Baixo – Médio – Alto Ultrametamorfismo Anatexia (Magma)
(Ardósia Filito Xisto Gnaisse Migmatito)
“Grau Metamórfico” – é uma escala de intensidade metamórfica que usa alguns
minerais-índices como indicadores das condições de pressão e temperatura do
metamorfismo.
Exemplos:
Mineral-índice Grau metamórfico Rocha
clorita Incipiente a baixo Ardósia
biotita Médio Xisto
piroxênio Alto Granulito
Tabela 5- Exemplos de minerais indicadores de grau metamórfico.
2- Quanto à textura.
Rocha Metamórfica Foliada – Ex: filito, xisto, gnaisse e migmatito.
Rocha Metamórfica Não-foliada – Ex: mármore, granulito, hornfels e escarnito.
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4. RECURSOS MINERAIS DA TERRA
4.1 – Conceitos e Classificações
Os minerais e rochas representam recursos minerais de grande importância ao
conforto e bem-estar da humanidade. Sem os recursos minerais, a humanidade não teria
como subsidiar seu crescente desenvolvimento tecnológico. A aplicação de técnicas
modernas permitiu-lhe descobrir, obter e transformar bens minerais em bens
manufaturados que tornaram a vida mais confortável. Desde os primórdios da civilização
até hoje, uma diversidade de tipos de minerais e rochas vem sendo usada em quantidade
crescente. As substâncias minerais passaram a fazer parte inalienável de nossas vidas,
mantendo e aprimorando nossa qualidade de vida.
Volumes gigantescos de recursos minerais estão sendo rapidamente extraído de
seus locais de acumulação, o que pode levar à escassez ou mesmo exaustão dos mesmos.
As acumulações econômicas de substâncias minerais úteis constituem porções
localizadas da crosta terrestre e constituem recursos naturais finitos ou não-renováveis,
que não podem ser regenerados ou reproduzidos em intervalos de tempo compatíveis com
a escala de vida do ser humano.
A expressão “recursos minerais” qualifica os minerais e rochas que efetiva ou
potencialmente possam ser utilizados pelo ser humano. Costumeiramente, representam
desde porções relativamente restritas até grandes massas da crosta terrestre e a própria
rocha ou um ou mais de seus constituintes – minerais ou elementos químicos específicos
– despertam interesse utilitário.
Os recursos minerais podem ser distinguidos em diferentes classes,
correspondentes a volumes rochosos discriminados de acordo com o grau de
conhecimento geológico e técnico-econômico de suas diferentes porções.
Conceitos:
Reserva Mineral constitui parte de um recurso mineral que representa volumes
rochosos com determinadas características indicativas de seu aproveitamento econômico,
podendo ser distinguida em três classes: inferida, indicada e medida, que refletem nesta
ordem o nível crescente de pesquisa e conhecimento do depósito.
Depósito Mineral é uma massa ou volume rochoso no qual substâncias minerais
ou químicas estão concentradas de modo anômalo, que pode ou não ser explorada
economicamente. Quanto maior for o grau de concentração (teor) dessas substâncias no
depósito mineral, mais valioso será, pois somente a partir de um valor mínimo de teor é
que suas substâncias úteis poderão ser extraídas com lucro.
Minério é um mineral ou um agregado mineral natural (rocha), do qual podem
ser economicamente obtidas uma ou mais substâncias úteis. Distinguem-se os minérios
em duas classes bastante amplas designadas minérios metálicos e minério não-metálicos,
conforme possam ser ou não fontes de substâncias metálicas. Nos minérios constituídos
de agregados minerais, associam-se dois tipos de minerais, os que lhes conferem o valor
econômico (mineral-minério ou mineral industrial) e os minerais que constituem a ganga,
que não apresentam valor econômico.
Mineral-minério – mineral explorado economicamente para a produção de um
ou mais metais.
Ganga – matéria mineral desprovida de valor econômico associado ao minério.
Um grupo amplo de materiais minerais vem merecendo atenção especial pela
diversidade de suas aplicações, da demanda e dependência crescentes de nossa civilização
em relação a eles, assim como perspectivas de novos usos solicitados por inovações
tecnológicas atuais (cerâmica fina, fibras ópticas, supercondutores). Trata-se dos minerais
industriais e rochas industriais, definidos simplificadamente como materiais minerais
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que, dadas suas qualidades físicas e químicas particulares, são consumidos praticamente
sem alteração de suas propriedades originais, por terem aplicação direta pela indústria.
Minerais e rochas industriais participam ativamente de nossa civilização, estando
presentes em diversos segmentos industriais modernos: fabricação de fertilizantes
fosfatados (fosforita, apatita) e potássicos (silvita, carnalita), indústria da construção civil
(brita, quartzito, areia, cascalho), materiais cerâmicos e refratários (argilas, magnesita,
bauxita), papel (caulim), isolantes (amianto, mica), rochas ornamentais (granito,
mármore), cimento (calcário, argila, gipsita), além da indústria de vidros, tintas,
borrachas, abrasivos, eletro-eletrônicos, etc.
Em sua grande maioria, os minerais industriais são representados por minerais ou
minérios não-metálicos, mas alguns minérios metálicos também podem ser considerados
como minerais industriais, dependendo de suas utilizações, como por exemplo, a cromita
(minério de cromo) que pode ser utilizada na fabricação de peças cerâmicas refratárias.
Jazida Mineral – depósito mineral explorável economicamente.
Lavra – conjunto de operações realizadas para a exploração de uma jazi da. Pode
ser de dois tipos: A Céu Aberto ou Subterrânea.
Mina – jazida mineral em lavra.
O minério bruto, tal como ocorre na natureza, porém desmontado, deslocado, por
uma operação qualquer de lavra, na maioria dos casos, não se encontra suficientemente
puro ou adequado para que seja submetido a processos metalúrgicos ou para sua utilização
industrial. Assim, após a lavra, os minérios são submetidos a um conjunto de processos
industriais, denominado Tratamento ou Beneficiamento, que os torna aptos para a
utilização.
O tratamento divide o minério bruto em duas frações: concentrado e rejeito. O
concentrado é o produto em que a substância útil está com teor mais elevado ou as
qualidades tecnológicas do minério estão aprimoradas. O rejeito é a fração constituída
quase que exclusivamente pelos minerais de ganga e usualmente é descartado.
Os usos e aplicações das substâncias minerais permitem avaliar sua importância
para a humanidade e, a o mesmo tempo, constituem um critério para classificá-las. A
classificação utilitária é uma proposta clássica de sistematização das substâncias minerais
úteis, fundamentada nas suas aplicações:
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Tabela 6- Classificação utilitária simplificada das substâncias minerais: alguns exemplos.
Fonte: wwwblogdoprofalexandre.blogspot.com/2010/01/minerais-metalicos-ferrosos-e-
nao.html
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5. TEMPO GEOLÓGICO
5.1 – Conceitos, Métodos de Datação e Escala do Tempo Geológico
Os fenômenos geológicos são analisados, antes de tudo, em função do tempo
geológico, tempo esse que em geologia é medido em milhares, milhões ou bilhões de
anos. O Tempo Geológico é definido como o tempo decorrido desde a formação da Terra
até os nossos dias. É difícil para o homem compreender a magnitude do tempo geológico,
pois a duração de um século, que para o homem pode ser uma vida, geologicamente não
é nada.
A ideia de que a Terra poderia ser extremamente antiga só emergiu nos dois
últimos séculos, como consequência da consolidação da Geologia como ciência, quando
o homem passou a substituir as explicações sobrenaturais para fenômenos da Natureza
por leis naturais, fruto de descobertas da observação, pesquisa científica e emprego do
senso comum, e também durante a revolução industrial com o aumento da demanda por
recursos minerais e energéticos oriundos da Terra. Antes disso, nem se cogitava que o
mundo pudesse ser muito antigo por causa da forte influência religiosa da época.
A Geologia busca entender os fenômenos geológicos findados há milhares,
milhões ou até bilhões de anos, pelo exame do registro geológico das rochas, fósseis e
estruturas geológicas. Esse exercício trabalhoso é complicado ainda mais pela natureza
incompleta e, comumente, muito complexa do registro e também em função da
superposição e repetição de fenômenos ao longo da história geológica da Terra.
Para ordenar e comparar eventos passados, foi desenvolvida com os estudos
geológicos uma escala de tempo padronizada e aplicado no mundo inteiro, com base nos
métodos de datação utilizados pela geologia.
Chama-se de Datação ao estabelecimento de idades de eventos decorridos ao
longo do tempo geológico. Existem duas modalidades de datação geológica:
- Datação Relativa que estabelece idades apenas em termos posicionais (posição
relativa), onde o ordenamento dos eventos se faz através de um conjunto de métodos
observacionais, baseados em princípios geológicos básicos e conteúdo fossilífero,
conhecidos como métodos de datação relativa.
- Datação Absoluta que estabelece idades em termos quantitativos (centenas,
milhares, milhões ou bilhões de anos), onde as técnicas de determinação baseiam-se na
observação de processos que ocorram com uma constante e mensurável velocidade ou de
processos com forte registro anual. Essas técnicas correspondem aos chamados métodos
de datação absoluta.
Métodos de Datação Relativa:
1- Princípios que regem a organização de sequências sedimentares:
- Superposição: sedimentos se depositam em camadas, as mais velhas na base e as mais
novas sucessivamente acima.
- Horizontalidade original: depósitos sedimentares se a cumulam em camadas sucessivas
dispostas de modo horizontal.
- Continuidade lateral: camadas sedimentares são contínuas, estendendo-se até as
margens da bacia de acumulação, ou se afinam lateralmente.
27
Fig. 10- Princípios da Superposição, Horizontalidade e Continuidade das Camadas.
Fonte: ufrr.br/lapa/index.php?option=com_content&view=article&id=%2095
28
Contudo a aplicação indiscriminada desses princípios pode levar a interpretações
equivocadas. Por exemplo, numa sucessão estratificada de rochas sedimentares e ígneas,
o observador deve reconhecer corretam ente a diferença entre um derrame de lava, cuja
formação obedece a esse princípio, e um sill, sempre intrusivo e, portanto, sempre mais
novo do que as rochas encaixantes, não se aplicando, neste caso, o princípio da
superposição.
2- Relações de Interseção e Inclusões - segundo este princípio, qualquer feição
geológica (rocha, fóssil ou estrutura) cortada ou afetada por outra (dique, sill,
discordância, falha, dobra, atividades de organismos, etc.) ou contida em outra (um cristal
contido em outro, um xenólito numa rocha ígnea, etc.) é mais antiga do que a rocha que
a corta ou que a contém ou que a estrutura afeta.
29
Fig.13 - Correlação com base no Conteúdo fossilífero. Fonte:
conhecimentosfundamentaisest.blogspot.com/2013/06/correlacao-estratigrafica.html
30
Tabela 7- Isót opos mais utilizados e m dataçã o radiométrica e suas respectivas meia -
vidas. Fonte: roberto-furnari.blogspot.com/2015/02/datacao-de-fosseis.html
31
preservação dos organismos que já habitaram nosso planeta, a sucessão biótica permitiu
uma subdivisão tão notável do registro sedimentar e do tempo geológico.
A correlação fossilífera ou bioestratigráfica, cada vez mais refinada, levou,
mesmo antes da utilização dos métodos de datação absoluta, à subdivisão dos Períodos
do tempo geológico, e destes em Épocas e unidades menores. Ao mesmo tempo,
semelhanças e distinções entre os fósseis de diversos períodos permitiram a agregação
dos períodos em Eras. Modernamente, as eras têm sido agrupadas em intervalos de tempo
maiores conhecidos como Eons.
Essas divisões e subdivisões, que representam intervalos do tempo geológico, são
denominadas de Unidades Geocronológicas e o arranjo destas unidades por ordem de
idade, denomina-se de Escala do Tempo Geológico. Inicialmente a es cala do tempo
geológico reunia um conjunto de idades relativas, com base em sequências de rochas e
no registro fóssil, posteriormente com o auxílio dos métodos radiométricos é que as
unidades geocronológicas foram quantificadas em termos de tempo com mais precisão.
32
nome deriva de “phaneros”, visível, e “zôos”, vida, é particularmente adequado, pois se
refere ao intervalo de tempo (do Cambriano até hoje) caracterizado por abundante,
diversificado e facilmente reconhecível registro fóssil. O Eon Fanerozóico teve início há
cerca de 545 milhões de anos e foi divido em três eras: Paleozóica, Mesozóica e
Cenozóica. A Era Paleozóica (vida antiga) está dividida em seis períodos, que em ordem
decrescente de idade são: Cambriano, Ordoviciano, Siluriano, Devoniano, Carbonífero e
Permiano. A Era Mesozóica (vida média) está dividida em três períodos: Triássico,
Jurássico e Cretáceo (mais recente). A Era Cenozóica (vida recente) foi dividida nos
períodos Paleogeno, Neogeno e Quaternário. O período Paleogeno é constituído pelas
seguintes épocas (em ordem decrescente de idade) Paleoceno, Eoceno e Oligoceno. O
período Neogeno nas épocas Mioceno e Plioceno. E o período Quaternário está dividido
nas épocas Pleistoceno (mais antiga) e Holoceno ou Recente.
33
6. PROCESSOS GEOLÓGICOS DE DINÂMICA EXTERNA
6.1 – Ciclo Hidrológico e Água Subterrânea
A água distribui-se na atmosfera e na parte superficial da crosta até uma
profundidade de aproximadamente 10 km abaixo da interface atmosfera/crosta,
constituindo a hidrosfera, que consiste em uma série de reservatórios como os oceanos,
geleiras, rios, lagos, vapor d’água d a atmosfera, água subterrânea e água contida nos
seres vivos. O constante intercâmbio entre estes reservatórios compreende o ciclo da água
ou ciclo hidrológico, que representa o processo mais importante da dinâmica externa da
Terra.
“Ciclo Hidrológico” é o sistema pelo qual a natureza faz a água e a umidade circularem
continuamente entre a Crosta e a Atmosfera.
Este sistema faz com que a água circule dos oceano s e mares para a atmosfera e
retorne, superficial e subterraneamente, aos oceanos e mares por vias tortuosas, umas
curtas e outras longas, quer quanto ao tempo, quer quanto ao espaço. Os agentes que
participam nesse processo são a irradiação solar, a gravidade, a atração molecular e a
capilaridade. A energia necessária para o ciclo hidrológico provém do calor produzido
pelos raios solares. Graças à energia solar é que se processa a evaporação das águas
superficiais e a circulação da água na atmosfera, que funciona como veículo de transporte
de água na forma de vapor d’água e finas gotículas dispersas no ar.
34
Precipitação atmosférica ou meteórica
Ao atingir o limite de saturação, o vapor d’água presente na atmosfera se condensa
e precipita sobre a superfície dos continentes e oceanos, sob várias formas de precipitação
atmosférica, na forma de gotículas dando origem à chuva ou transforma-se diretamente
em cristais de gelo e estes, por aglutinação, atingem tamanhos e peso suficientes e
precipitam sob a forma de neve ou granizo. Em regiões de florestas, uma parcela da
precipitação pode ser retida sobre folhas e caules, sofrendo evaporação posteriormente.
Este processo é a interceptação. Com a movimentação das folhas pelo vento, parte da
água retida continua seu trajeto para o solo. A interceptação, portanto, diminui o impacto
das gotas de chuvas sobre o solo, reduzindo sua ação erosiva.
Escoamento Superficial e Infiltração
As precipitações atmosféricas sobre os continentes, nas regiões não geladas,
podem seguir três percursos:
1 – Primeiro, depois de molhar a folhagem dos vegetais e o solo, poderá sofrer evaporação
e retornar à atmosfera.
2 – Segundo, quando a capacidade de absorção de água pela superfície é superada, poderá
sofrer o escoamento superficial impulsionado pela gravidade par a zonas mais baixas.
Este escoamento inicia-se através de pequenos filetes de água, efêmeros e disseminados
pela superfície do solo, que convergem para os córregos e rios, constituindo a rede de
drenagem. O escoamento superficial, com raras exceções, tem como destino final os
oceanos. É bom lembrar ainda que parte da água de infiltração retorna à superfície através
de nascentes, alimentando o escamento superficial ou, através de rotas de fluxo mais
profundas e lentas, reaparece diretamente nos oceanos.
3 - Poderá ocorrer a infiltração em subsuperfície, podendo:
- voltar à superfície por capilaridade do solo e ser evaporada;
- ser absorvida pelas raízes dos vegetais e retornar à atmosfera através da
evapotranspiração e
- infiltrar além da zona das raízes dos vegetais, guiada pela força gravitacional, até
chegar a uma zona de saturação de água em subsuperfície, onde abastece o corpo de
água subterrânea.
Esses percursos que as precipitações atmosféricas podem fazer nos continentes
dependem de alguns fatores, tais como: clima, morfologia da superfície, cobertura vegetal
e constituição litológica.
Regiões com forte insolação e baixa precipitação, a evaporação é mais intensa.
Regiões de relevo acidentado, a tendência para o escoamento superficial é imediata,
devido à ação da gravidade. Em terrenos permeáveis (arenosos) predomina a infiltração
e em terrenos impermeáveis (argilosos) o escoamento superficial ou a acumulação com
posterior evaporação. As matas e florestas agem contra o efeito imediato do escoamento,
favorecendo a infiltração e constituindo-se em excelente proteção contra a erosão do solo.
Retorno:
Se considerarmos que o ciclo hidrológico começa pelas águas dos oceanos, temos
as seguintes formas de retorno dessas águas aos oceanos:
- Precipitação direta sobre os oceanos;
- Precipitação sobre os cursos d’água que deságuam nos oceanos;
- Escoamento superficial para os cursos d’água e oceanos e
- Descarga de água subterrânea nos cursos d’água e oceanos.
Formação e Consumo de água no ciclo hidrológico
Processos de consumo e formação de água interferem no ciclo hidrológico,
mantendo o volume geral de água constante no Sistema Terra. Considerando o tempo
geológico, o ciclo hidrológico pode ser subdividido em dois subciclos: o primeiro opera
35
em curto prazo envolvendo a dinâmica externa da Terra (movido pela energia solar e
gravitacional); o segundo, de longo prazo, é movi mentado pela dinâmica interna
(tectônica de placas), onde a água participa do ciclo das rochas.
No “ciclo rápido”, a água é consumida nas reações fotoquímicas (fotossíntese)
onde é retido principalmente na produção de biomassa vegetal (celulose e açúcar). Com
a reação contrária à fotossíntese, a respiração, esta água retorna ao ciclo. No “ciclo lento”
o consumo de água ocorre no intemperismo químico através das reações de hidrólise e na
formação de rochas sedimentares e metamórficas, com a formação de minerais
hidratados. A produção de água juvenil pela atividade vulcânica representa o retorno desta
água ao ciclo rápido.
Origem e Distribuição da Água no Subsolo
A precipitação atmosférica sobre a superfície terrestre seguida da infiltração é a
origem de todos os nossos suprimentos de água de subsuperfície. Delas depende a
reposição da quantidade de água retirada do solo por evaporação e absorção dos vegetais
e, da água escoada de níveis mais profundos através de nascentes e poços. Infiltração é o
processo mais importante de recarga da água no subsolo. O volume e a velocidade de
infiltração dependem de vários fatores: porosidade, cobertura vegetal, topografia,
precipitação, ocupação do solo.
A taxa de infiltração de água no solo depende de muitos fatores, entre os quais:
1) Sua porosidade: A presença de argila no solo diminui sua porosidade, não permitindo
uma grande infiltração.
2) Cobertura vegetal: Um solo coberto por vegetação é mais permeável do que um solo
desmatado.
3) Inclinação do terreno: em declividades acentuadas a água corre mais rapidamente,
diminuindo o tempo de infiltração.
37
Fig. 18- Distribuição de água no Subsolo.
A água contida no solo move-se para baixo através da zona de aeração sob a ação
da gravidade. Na zona de saturação a água subterrânea move-se de acordo com a direção
determinada pelas condições hidráulicas (permeabilidade e diferença de pressões
exercidas pela água nos poros ou vazios). Deste modo, o movimento da água subterrâneo
é comandado pela diferença de pressão hidráulica e o sentido do fluxo d’água é da região
de maior pressão para a região de menor pressão.
“Água Subterrânea” - é a água de subsuperfície contida na zona de saturação, que ocupa
todos os poros da matéria.
Os cientistas calculam que 95,1% da água existente na Terra é composta pelas
águas salgadas dos mares e oceanos. Os 4,9% restantes se constitui de água doce,
distribuída entre as geleiras e capas polares (97%) e a água líquida superficial e
subsuperficial (3%), disponível para nosso uso. Assim, a grande maioria das águas do
nosso planeta são águas salgadas ou permanentemente congeladas.
Um fato muito importante e relativamente desconhecido, é que apenas cerca de
3% do volume total de água doce e líquida encontra-se na superfície na forma de lagos
ou cursos d’água e neve, enquanto que a maior parte, cerca de 97% está armazenada no
subsolo. Este fato ilustra a extrema importância da água subterrânea como reserva
estratégica, considerada hoje, como a solução mais viável para os crescentes problemas
de abastecimento de água a nível mundial. Grande parte das águas de superfície está
poluída, enquanto que as águas subterrâneas, melhores protegidas contra a poluição, são
geralmente de boa qualidade para o consumo direto do homem, sem necessidade de
tratamentos especiais.
Propriedades que interferem no Armazenamento e Transmissão de Fluidos.
Porosidade
A porosidade é definida como a relação entre o volume de vazios (poros) e o
volume total de uma formação (rocha ou sedimento), expressa em porcentagem. É uma
propriedade que representa a capacidade de uma formação armazenar fluidos, podendo
ser água, petróleo e gás natural. Existem dois tipos de porosidade:
- Porosidade Primária (porosidade de poros), originada durante a sedimentação
(intergranular e intragranular).
- Porosidade Secundária, originada após a sedimentação, durante a cimentação
(intercristalina) ou por dissolução de rochas carbonáticas (condutos ou canais) ou por
compactação, desidratação e movimentos tectônicos (fraturas e falhas).
As rochas sedimentares e os sedimentos inconsolidados apresentam porosidade
expressiva, principalmente porosidade primária, enquanto que as rochas ígneas e
metamórficas, geralmente apresentam baixos valores de porosidade, exceto quando estão
muito fraturadas e falhadas.
Fatores que influenciam na Porosidade Primária:
1- Granulometria (tamanho das partículas) – Em geral, a porosidade aumenta com a
diminuição da granulometria. As partículas mais finas são em geral mais angulosas e
possibilitam um empacotamento mais aberto, que propicia uma porosidade mais elevada.
2- Grau de Seleção (uniformidade de tamanho da s partículas) – Quanto melhor a seleção
das partículas menor será a quantidade d e detritos finos para preencher os espaços vazios
deixados pelos mais grosseiros, em consequência, maior será a porosidade.
3- Forma das Partículas (esfericidade e arredondamento das partículas) – Quanto mais
esféricas e arredondadas forem as partículas menor será a porosidade, em função do
empacotamento que será mais fechado.
38
4- Arranjo das Partículas (disposição espacial das partículas) – Quanto maior o grau de
empacotamento das partículas, em função do modo de disposição, menor será a
porosidade.
A porosidade primária também sofre o efeito da compactação e cimentação
durante o processo de litificação que transforma os sedimentos em rochas sedimentares.
O peso dos sedimentos sobrepostos torna os subjacentes mais compactos, aproximando
mais os grãos e diminuindo a porosidade primária, com o aumento dos contatos entre os
grãos em função da profundidade. A cimentação diminui a porosidade através do
preenchimento de vazios por substâncias químicas que agem como cimento (sílica,
carbonatos, óxidos e hidróxidos). Uma areia, por exemplo, pode passar de um a
porosidade inicial de 35% para 15 a 20% após a litificação e transformação em arenito.
Permeabilidade
A permeabilidade é a propriedade de uma formação permitir a passagem de
fluidos através dela, sem se deformar estruturalmente ou ocasionar deslocamento relativo
de suas partículas. Ela depende do tamanho dos poros e da conexão entre os poros. Em
outras palavras, é a comunicabilidade entre os vazios (poros ou interstícios, fendas e
cavidades) e está relacionada com a sua função de conduto ou canal, ou seja, com a
capacidade de transmissão de fluidos (água, petróleo e gás natural). É o principal fator
que determina a disponibilidade de água subterrânea.
Em geral, a permeabilidade aumenta com a elevação do tamanho efetivo das
partículas (granulometria). As formações constituídas inteiramente de partículas grossas
não consolidadas oferecem menor resistência à passagem de fluido, devido os poros
serem maiores.
39
Fig. 19- Os 3 tipos de porosidade, conforme diferentes materiais. Fonte:
slideplayer.com.br/slide/3991886/
Formações Aquíferas
As formações ou camadas geológicas da zona d e saturação, nas quais se podem
obter águas para uso proveitoso são chamadas de formações aquíferas ou aquíferas.
“Aquífero” é uma unidade ou formação geológica saturada que fornece água a poços e
nascentes em proporção suficiente, de modo que possa servir como proveitosa fonte de
abastecimento.
Para serem classificadas como aquíferos as formações geológicas devem conter
poros ou espaços abertos repletos de água; além disso, essas aberturas devem ser
suficientemente grandes para permitirem o movimento da água através delas em direção
aos poços e nascentes, com uma vazão apreciável. Em resumo, elas precisam ter boa
porosidade, boa permeabilidade e boa vazão.
O tamanho e volume total dos poros de uma formação podem ser grandes ou
pequenos, conforme o tipo de material constituinte. Isoladamente os poros de um material
de granulometria fina, como a argila, são extremamente pequenos e o volume global dos
poros comumente grande. Embora a argila tenha uma grande capacidade de retenção de
água, esta não pode se mover facilmente através das suas diminutas aberturas. Isto
significa que uma formação argilosa não é um aquífero, mesmo que esteja saturada de
água. Nesse caso, usa-se a designação de Aqüícludo ou Aqüíclude. Um material mais
grosseiro, como a areia, contém espaços abertos maiores por onde a água pode se mover
mais ou menos facilmente. Uma formação arenosa saturada é um aquífero porque pode
conter água e transmiti-la com uma vazão apreciável, desde que ocorram diferenças de
pressão. As formações geológicas impermeáveis que não absorvem e nem transmitem
água, recebem a designação de Aqüífugos.
Tipos de formações aquíferas
O tipo de aquífero é função do tipo de material armazenador, o qual pode ser de
origem ígnea, metamórfica e sedimentar. Os dois primeiros tipos de materiais geológicos
são compactos, duros e sem porosidade expressiva. As formações de origem sedimentar
(rochas sedimentares e sedimentos), geralmente, caracterizam-se pela presença de
porosidade primária expressiva, com exceção de algumas (calcários e dolomitos) que
apresentam porosidade secundária decorrente de dissolução.
A água subterrânea pode ocorrer tanto em rochas duras e compactas, como as
ígneas e metamórficas, quanto em sedimentos inconsolidados e rochas sedimentares, ou
seja, qualquer tipo de formação geológica pode constituir um aquífero, desde que
apresente condições de armazenar e transmitir água com uma vazão suficiente.
Apesar do volume das formações sedimentares corresponder a apenas 5% de todos
os materiais sólidos que constituem a crosta terrestre, elas são responsáveis pelo
armazenamento de cerca de 95% de toda a água subterrânea da Terra, em função,
exatamente, de suas características de material mais poroso.
Tipos de Aquíferos:
1. Quanto ao tipo de material armazenador:
Aquíferos Contínuos (aquíferos de porosidade intergranular) – são aqueles que
apresentam porosidade primária. Estão associados às formações sedimentares (rochas
consolidadas, sedimentos inconsolidados ou solos arenosos). Caracterizam-se por uma
fase sólida (constituída por grãos de areia, silte e argila, originados da destruição de outras
rochas), formas e dimensões variadas e apresentam espaços vazios de pequenas
dimensões definidos como poros ou interstícios, que são ocupados por água ou outro tipo
de fluido.
40
Aquíferos Descontínuos (aquíferos fraturados ou fissurais e aquíferos cársticos ou
de conduto) – são aqueles que apresentam porosidade secundária. Estão associados,
principalmente, com as rochas ígneas e metamórficas, incluindo também rochas
carbonáticas (calcário, dolomitos e mármores) com dissolução.
Os aquíferos descontínuos são rochas duras cujos principais vazios são
essencialmente constituídos por fraturas abertas preenchidas pela água. Os aquíferos
descontínuos constituídos por condutos e cavidades abertos por dissolução, como nos
mármores, calcários e dolomitos, são designados como aquíferos cársticos.
Considerados em conjunto, os Arenitos são os melhores aquíferos em função de
além da sua larga distribuição, das suas boas características d e armazenamento e
permeabilidade. Outros aquíferos sedimentares importantes são as areias e os cascalhos.
2. Quanto às condições de armazenamento:
Condições Freáticas
A ocorrência de água subterrânea em alguns aquíferos está subordinada à
superfície freática ou nível hidrostático (nível d’água), significando que o limite superior
do aquífero é definido por esta superfície. Nesta superfície a água nos poros do aquífero
está sob pressão atmosférica como se estivesse em um reservatório ao ar livre. Nessas
condições o aquífero é denominado de Aquífero Freático ou Livre (Lençol Freático).
Quando um poço é escavado ou perfurado em um aquífero freático, o nível d’água é o
mesmo que o da superfície freática e o poço é denominado de Poço Freático.
Em alguns casos a zona de saturação pode ter uma parte em um nível acima da
superfície principal do lençol. Isto ocorre quando uma camada impermeável dentro da
zona de aeração interrompe a infiltração, fazendo com que a água se acumule em uma
limitada área acima dessa camada. Neste caso, o aquífero é denominado de Aquífero
Suspenso.
41
perfurado através da camada superior confinante atingindo o aquífero confinado, a água
se eleva no poço. A altura da água no poço representa a pressão artesiana do aquífero
confinado. Quanto maior a pressão maior a altura do nível d’água no poço. O poço neste
caso é denominado de Poço Artesiano. A elevação alcançada pela água em um poço
artesiano é chamada de nível piezométrico (representa a pressão artesiana do aquífero).
A pressão em um aquífero artesiano é por vezes, suficientemente grande para elevar a
água do poço acima da superfície do solo e, o poço é denominado de Poço Artesiano
Jorrante.
6.2 – Intemperismo e Formação do Solo
A porção externa e superficial d a crosta terrestre é formada por vários tipos de
corpos rochosos, que estão sujeitos a condições físico-químicas que alteram as suas forma
física e composição química, formando sobre esses corpos um manto de alteração
denominado de Regolito ou Manto de Intemperismo. O processo geológico responsável
pelo aparecimento desse manto de alteração sobre as rochas da parte superficial da Crosta
é denominado de Intemperismo. Os processos intempéricos atuam através de mecanismos
modificadores das propriedades físicas dos minerais e rochas (morfologia, resistência,
textura, etc.) e de suas características químicas (composição química e estrutura cristalina
dos minerais constituintes).
“Intemperismo” é definido como um conjunto de processos físicos, químicos e biológicos
operantes na superfície terrestre que ocasionam a desintegração e a decomposição dos
minerais e rochas, graças à ação da atmosfera, hidrosfera e biosfera.
Os produtos do intemperismo, rocha alterada e solo, estão sujeitos aos processos
supérgenos – erosão, transporte e sedimentação – os quais acabam levando a denudação
continental com o aplainamento do relevo.
Grande parte dos materiais disponíveis ao uso do homem (solo para cultivo de
alimentos; argila, areia e seixo para a indústria da cerâmica e construção civil) são
produtos do intemperismo das rochas superficiais.
A natureza e a efetividade dos processos de intemperismo dependem
principalmente dos seguintes fatores controladores:
- Clima: temperatura e precipitação.
- Tipo de Rocha (material parental): rochas mais suscetíveis ou menos suscetíveis aos
agentes de intemperismo (composição mineralógica, textura e estrutura).
- Variáveis Locais: biosfera (animais e vegetação), topografia da região, etc.
- Tempo de exposição da rocha ao intemperismo.
42
Fig. 22- Resistência dos minerais ao Intemperismo. Fonte: docplayer.com.br/57777771-
Intemperismo-e-formas-de-relevo.html
43
Fig. 23- Fra gmentação por ação do gelo. Fonte:
educacao.globo.com/geografia/assunto/geografia-fisica/intemperismo.html
Fig. 24- Alívio de pressão pela erosão do material sobreposto. Fonte: Decifrando a Terra
/ TEIXEIRA, TOLEDO, FAIRCHILD e TAIOLI – São Paulo: Oficina de Textos, 2000.
44
fragmentação de um bloco de rocha é acompanhada por um aumento significativo da
superfície exposta à ação dos agentes intempéricos.
Intemperismo Químico - é a decomposição química provocada por reações
químicas entre os minerais da rocha e soluções aquosas diversas, causando um
desequilíbrio na estrutura dos minerais, que tendem a um novo arranjo interno, estável as
novas condições.
O ambiente de superfície da Terra, caracterizado por pressões e temperaturas
baixas e riqueza de água e oxigênio, é muito diferente daquele onde a maioria das rochas
se formou. Por este motivo, quando as rochas afloram à superfície da Terra, seus minerais
entram em desequilíbrio e, através de uma série de reações químicas, transformam-se em
minerais secundários, mais estáveis nesse novo ambiente.
O principal agente de intemperismo químico que atua sobre as rochas da parte
externa da crosta terrestre é a Água (com ácido carbônico). Outros agentes de
intemperismo químico: Oxigênio, Nitrogênio, Ácido Sulfídrico e Gás Carbônico (CO 2).
Principais reações químicas que ocorrem no intemperismo químico:
- Dissolução, Oxidação, Hidratação e Hidrólise (principal).
Equação Genérica:
Mineral I + Solução de Alteração → Mineral II + Solução de Lixiviação
A Hidrólise pode ser:
- Total - Alitização ou Ferralitização (formação de oxi-hidróxidos de Al e Fe:
gibsita e goethita).
- Parcial - Sialitização (formação de argilominerais: caolinita e esmectita)
Intemperismo Biológico - é a ação física e química de agentes biológicos (animais
e vegetais) sobre as rochas facilitando a desintegração e decomposição das rochas.
Os agentes de intemperismo biológico são divididos em:
- Agentes Físico-biológicos: ação de crescimento de raízes vegetais e escavações ou
perfurações feitas por animais.
- Agentes Químico-biológicos: substâncias químicas geradas por seres vivos ou restos
decompostos.
Os minerais mostram resistências diferentes ao intemperismo. Uns se
transformam mais rapidamente, outros são mais resistentes. Os minerais que sofrem
intemperismo químico dão origem a novos minerais (minerais secundários) que são mais
estáveis ao novo ambiente ou dão origem a solutos que podem ser precipitados no local
ou distante da área fonte. Já os minerais primários que sofrem mais a ação do
intemperismo físico e resistem ao intemperismo químico, dão origem a partículas de
vários tamanhos (resistatos).
A origem do solo está diretamente relacionada com o intemperismo das rochas da
superfície terrestre, que resulta na formação de um manto de alteração (regolito),
considerado como o material precursor do solo (substrato pedogenético).
Tanto os minerais primários, que resistiram ao intemperismo, como os minerais
secundários formados durante os processos intempéricos, irão constituir o Regolito. Este
manto de intemperismo pode evoluir, em suas porções mais superficiais ou totalmente,
através d os processos pedogenéticos (adição, remoção, mistura, deslocamento e
transformação), para a formação dos solos, quando não são imediatamente erodidos e
transportados pelos agentes de dinâmica externa (água, gelo, vento e gravidade).
45
Foto 2 – Solo formado a partir do intemperismo da rocha subjacente. Fonte:
www.mundoecologia.com.br/natureza/como-e-formado-o-solo-humifero/
46
3- Vegetação - diretamente relacionado à geração de ácidos húmicos que aceleram os
processos de decomposição e também atua na proteção contra a erosão do solo.
4- Ação de Animais (principalmente de micro-organismos) - atuam na decomposição de
restos orgânicos e na remoção, deslocamento e mistura de materiais.
5- Relevo - topografia suave reduz o efeito erosivo, favorecendo a evolução dos
processos pedogenéticos.
6- Tempo de atuação dos processos de formação - depende principalmente do tipo de
rocha e das condições climáticas.
Estágios para formação do solo:
- intemperismo das rochas e formação do substrato pedogenético;
- início da formação dos horizontes do solo;
- diferenciação total dos horizontes e maturidade do solo.
Tipos de Solos:
O fator Clima deve ser posto em evidência, pois a mesma rocha poderá formar
solos completamente diferentes se decomposta em climas diferentes. Por exemplo, a
decomposição de diabásios em ambientes climáticos diferentes, produzindo solos
argilosos ou lateríticos. Por outro lado, rochas diferentes podem formar solos idênticos,
quando sujeitas ao mesmo ambiente climático de intemperismo, como no c aso dos solos
lateríticos da região Amazônica ou dos solos alcalinos da região semi-árida do Nordeste.
1- Quanto à influência do clima, os solos podem ser:
Solos Zonais - solos formados pela influência d o clima de uma região, podendo ser
originado de rochas diferentes. Ex.: solos lateríticos.
Solos Azonais - solos que não tem a menor relação com o clima. Ex .: solos aluvionares
recentes.
2- Quanto à formação, os solos podem ser classificados em quatro grupos:
Solos Residuais - formados a partir do manto de intemperismo sobre as rochas,
permanecendo no local (“in situ”).
Num perfil de um solo residual da superfície para o interior, o solo grada em
passagem da rocha totalmente alterada, rocha parcialmente alterada conservando por
vezes blocos da rocha original, até a própria rocha fresca (inalterada).
Solos Coluvionais - formados pela movimentação lenta da parte mais superficial
do manto de intemperismo em encostas mais ou menos inclinadas, sob a ação de
agentes diversos, principalmente da gravidade (possuem um aspecto uniforme,
caracterizam -se pela falta de seleção, estratificação e outras estruturas visíveis).
Solos Transportados - formados de sedimentos inconsolidados recentes, de
origem fluvial, eólica, marinha, glacial, etc.
Solos Orgânicos - (são tipos particulares) formados pela fração mineral argilosa
adicionada de uma proporção variada de matéria orgânica predominantemente vegetal,
em áreas mal drenadas ou paludais (pântanos), onde a matéria orgânica junto com a argila
protegida da oxidação, evolui às vezes até para uma turfa, podendo até chegar a formar
um Carvão mineral.
Em um perfil de alteração, o transporte de materiais de um nível para outro,
provoca a formação de camadas ou níveis com textura e composição distintas, paralelas
à superfície, denominadas de Horizontes.
Perfil do Solo - é a seção vertical de um terreno constituída por uma sequência de
horizontes ou camadas, bem definidas por suas características morfológicas, físicas,
químicas, mineralógicas e biológicas, desde a superfície até a rocha inalterada.
O perfil de um solo maduro (desenvolvido) possui geralmente, pelo menos quatro
horizontes denominados de A, B, C e D. Onde, A e B representam a rocha totalmente
47
alterada (solum do solo), C a rocha parcialmente alterada (saprolito) e D a rocha inalterada
(bedrock).
Horizonte A (Eluvial) - é o mais superficial, sujeito à ação direta do clima.
Caracterizado pelo acúmulo de matéria orgânica (rico em húmus) e pela intensa lixiviação
de elementos solúveis e remoção de argila (eluviação). Horizonte B (Iluvial) - zona de
acumulação ou enriquecimento do material transportado do horizonte A, contendo argilas
(Iluviação) e carbonatos (em clima árido) ou oxi-hidróxidos de Al e Fe secundariamente
concentrados (em clima quente e úmido). Horizonte C (Saprolito) - zona de transição
entre o solo e a rocha fresca. Caracteriza -se pela presença de rocha alterada, mais ainda
com textura da rocha original. Horizonte D (Bedrock) - corresponde à própria rocha.
Fig. 26- Localização de importantes depósitos lateríticos do Brasil de Al, Fe, Mn, Nb, Ni
e P. Fonte: Toledo et al. (2000), p.164.
48
agentes de transporte de sedimentos originados por intemperismo de áreas continentais,
sendo considerados como principais agentes de transformação da paisagem, agindo
continuamente no modelamento do relevo. Cada rio possui sua bacia de drenagem, que
fornece a água e os sedimentos para seus tributários e para o rio principal.
Os rios são importantes para a atividade humana, seja como vias de transporte e
fontes de energia hidrelétrica e de água potável, seja como supridores de recursos
alimentares através da pesca e da água para irrigação, terras férteis nas planícies de
inundação para o cultivo em grande escala ou como formadores de depósitos minerais
(seixo, areia, argila e minerais pesados) de interesse econômico. Por outro lado, as erosões
e inundações associadas aos rios constituem um dos principais acidentes geológicos,
acarretando perdas de vidas humanas e grandes prejuízos.
A forma do vale, o padrão de canal e a velocidade das águas de um rio dependem
dos seguintes fatores:
- Topografia, que intervém na declividade do terreno;
- Regime pluvial da área de drenagem;
- Constituição litológica e disposição das rochas erodidas, e
- Estágio (fase) de erosão do rio.
Eixo de um rio – é a linha de maior velocidade d’água de um rio. Situa-se
aproximadamente a 2/3 acima do leito, por ser o lugar de menor atrito. Nas partes retas
de um rio, o eixo é situado de maneira simétrica. Nas partes curvas, a força centrífuga
desloca essa linha para a margem externa da curvatura.
Fig. 27- U m rio em corte transversal mostra as velocidades crescentes das águas de 1 a
5, a porção de maior velocidade ou eixo de um rio (5), encontra -se onde o atrito é
menor. Fonte: www2.fc.unesp.br/lapalma/qui%20aula%2005.pdf
49
Meandrante – ocorre quando a sinuosidade for maior que 1,5 e é característico
de rios que transportam cargas de fundo e em suspensão em quantidades
aproximadamente iguais.
Anastomosado – é típico de rios com carga sólida, principalmente carga de fundo,
muito grande em relação a sua carga líquida, é bem desenvolvido em planícies de leques
aluviais e leques deltaicos, caracterizado por sucessivas divisões e reuniões dos canais
em torno de bancos arenosos, que dividem o canal fluvial em múltiplos canais.
Fig. 28- Tipos de padrão de canal fluvial. Fonte: Decifrando a Terra / TEIXEIRA, TOLEDO,
FAIRCHILD e TAIOLI – São Paulo: Oficina de Textos, 2000.
Erosão Fluvial (Ação erosiva de um Rio)
No curso superior de um rio (região das cabeceiras), as vertentes mais íngremes
possuem grande velocidade d’água, formando sulcos (fendas) e arrastando os resíduos
resultantes. Partes das rochas são removidas por dissolução e os fragmentos são
arrancados do fundo pelas correntes, aprofundando o leito do rio. Os fragmentos
arrancados são transportados pelas correntes, sofrendo desgaste e desgastando o leito do
rio. Nestas condições de energia o rio aumenta seu leito em profundidade, determinando
uma forma de vale que lembra a de um V agudo. São os chamados Vales em V.
No seu curso médio, com a diminuição da declividade e consequente diminuição
da velocidade das águas, o poder de transporte (competência) do rio diminui, ocorrendo
a deposição dos fragmentos maiores que vão proteger o fundo (leito) do rio contra o
trabalho erosivo. Com o aumento da deposição de detritos nas regiões de menor
velocidade, verifica-se uma mudança na configuração do vale, que passará a ter a forma
de um U bastante aberto, de bases maiores que os lados. Tal configuração decorre da
deposição no fundo e da erosão que passou a ser lateral.
Canais verdadeiramente retilíneos são raros, em geral apresentam sinuosidades
desprezíveis devido o desenvolvimento de barras laterais causadas pela erosão lateral,
pois os talvegues (linhas de maiores profundidades dos canais) são sinuosos em planta e
determina os locais de maior velocidade das águas no canal. Com o aumento da erosão
lateral e desenvolvimento das barras laterais, o rio evolui para um padrão de canal
meandrante, com o desenvolvimento de meandros (sinuosidades acentuadas dos canais
dos rios), devido à realização da erosão nas partes côncavas das curvaturas e a deposição
no lado oposto convexo. Com a evolução do rio meandrante, os meandros tendem a se
fechar c ada vez mais, originando os meandros abandonados (paleocanais), que mais tarde
são preenchidos por sedimentos finos (argilosos).
Fases de um Rio – Estágios erosivos na evolução de um sistema fluvial:
50
Fase Juvenil – caracterizada pelo excesso de energia (velocidade da corrente),
apresentando grande capacidade de erosão profunda e transporte, típica das cabeceiras
dos rios, predominando vales em forma de V.
Fase Madura – quando o gradiente for tal, que a energia seja suficiente mais para
o transporte, não erodindo mais o fundo, apenas erosão lateral. Característica dos cursos
médios dos rios. Apresenta amplas planícies de inundação e depósitos de acreção lateral
(barras de meandro).
Fase Senil – caracterizada por vales bem largos e aplainados, quase nenhuma
capacidade de erosão, sua capacidade maior é de deposição e algumas de transporte.
Formam-se extensas planícies apresentando meandros ou mesmo canais anastomosados.
Um rio pode sofrer um processo de rejuvenescimento, pelo aumento na
velocidade, passando a erodir mais intensamente, caso aumente a pluviosidade nas
cabeceiras do rio ou através de falhamentos ou outros processos geológicos de dinâmica
interna que causem a elevação do leito dos rios. Havendo um movimento que provoque
emergência (elevação) da região ou aumento de pluviosidade, o rio pode sofrer um
rejuvenescimento e passar a erodir mais intensamente.
Feições Erosivas provocadas pela erosão fluvial:
Cachoeiras e Corredeiras - As Cachoeiras são declives abruptos no c urso dos rios,
formando quedas d’água, já as Corredeiras são de clives mais suaves no curso dos rios.
A principal causa da formação de cachoeiras e corredeiras é a diferença na resistência à
erosão oferecida pelas rochas cortadas pelos rios, podendo, originar-se também por falhas
e diques.
Vales Suspensos – se a erosão for mais intensa no vale principal de um rio do que no
vale de um dos seus afluentes, que ficará então em nível mais elevado, formando os
vales suspensos. Principais causas: tectônicas, litológicas ou climáticas.
Caldeirões e Marmitas – são perfurações cilíndricas, profundas, formadas pelo
redemoinho das águas ao turbilhonar após uma cachoeira ou em uma corredeira.
Canyons (canhões) – vales ou gargantas de paredes relativamente altas e verticais,
comum à jusante de cachoeiras.
Tipos de transporte de sedimentos por ação fluvial:
Transporte por Solução
A água ao percolar as rochas dissolvem diversas substâncias, que são
transportados, na forma de solutos, aos lagos ou mares. As substâncias em solução,
geralmente expressam em seus constituintes os elementos componentes das rochas
intemperizadas. Grande parte dessas substâncias se precipita, sob condições favoráveis,
formando as rochas sedimentares de origem química (calcários, dolomitos e evaporitos)
e outra parte pode constituir a matéria prima para formação de esqueletos ou carapaças
de organismos, que após a morte se acumulam dando origem aos sedimentos biogênicos
(bioclásticos).
A água dos rios, de um modo geral, apresenta maior concentração de sais na época
de estiagem (verão), porque predomina na época de chuva (inverno) a água superficial,
diluindo os sais provindos principalmente da água subterrânea, aumentando com isto, a
quantidade de material (detritos) em suspensão, devido a maior velocidade (energia) das
águas avolumadas pelo aumento da pluviosidade.
Principais fatores que determinam a quantidade e a qualidade das substâncias em
solução: clima da região, tipos de rochas e solos atravessados pelos rios e volume de água
dos rios.
- Havendo maior contribuição de águas de fontes (nascentes) mais profundas, a
quantidade de substâncias será maior.
51
- Águas que percolam regiões muito intemperizadas, de solo muito lixiviado (laterítico),
o teor de sais será evidentemente menor.
- Épocas de maior pluviosidade o aumento das águas determinará a maior diluição,
diminuindo o teor de solutos.
- Rios de regiões glaciais, alimentados pelo degelo das neves (geleiras), possuem
concentração b em menor de solutos, devido a pouca alteração química das rochas,
preservadas do intemperismo químico pelo frio.
- Em regiões muito chuvosas, predominam os carbonatos em solução e nas regiões
semiáridas são mais frequentes sulfatos e cloretos entre os solutos das águas fluviais.
Os materiais sólidos (sedimentos clásticos) transportados pelos rios podem ser
divididos em dois grupos: Carga de Fundo (material grosseiro que se move ao longo do
leito por saltação, rolamento e arrasto) e Carga de Suspensão (material médio a fino que
se move suspenso pelas águas do rio).
Transporte por Suspensão
A água corrente possui a capacidade de manter em suspensão partículas sólidas
graças a sua velocidade e ao grau de turbulência d a água. Quanto maior for a velocidade
das águas de um rio, maior será sua capacidade de manter e transportar partículas em
suspensão.
Os rios transportam partículas sólidas e coloidais. As partículas sólidas (areia, silte
e argila) são transportadas conforme a velocidade do rio (energia de transporte). A
montante, onde a velocidade do rio é maior, predominam os detritos mais grosseiros,
verificando-se o contrário à medida que se caminha para jusante. Quando as águas do rio
não têm mais “competência” para transportar o material sólido, este se deposita em parte,
de acordo com o tamanho. Inicialmente, os maiores, passando pelos intermediários, e
finalmente os mais finos. A quantidade de material sólido transportado durante as
enchentes cresce com o aumento da velocidade das águas e com a maior contribuição de
detritos trazidos pelas enxurradas (águas de escoamento superficial). Dia após dia, ano
após ano, as correntes de água carregam detritos e solutos para os mares, dilapidando
(modelando) a superfície dos continentes.
Quanto ao transporte de partículas coloidais, efetuado pelas águas dos rios, devem
ser citados como principais exemplos os hidróxidos de ferro e alumínio, a sílica e colóides
orgânicos.
Transporte por Arrasto, Rolamento e Saltos.
Nestas formas de transporte, as águas dos rios transportam os fragmentos
detríticos que não têm competência para transportar em suspensão, tipo blocos, seixos,
grânulos e areia grossa, que são arrastados, rolam ou saltam de acordo com seus tamanhos
e a velocidade das águas, declividade e irregularidade dos terrenos.
Durante este movimento, graças à abrasão e ao impacto recíproco, os fragmentos
maiores (blocos e seixos) perdem suas arestas e transformam-se em fragmentos
arredondados de formas esféricas, cilíndricas, elipsóides ou discóides, dependendo da
forma original, antes de sofrer o desgaste. Quanto maior for a partícula, maior a facilidade
para o arredondamento. Desta maneira, verifica-se uma seleção intensa a favor das rochas
e minerais mais resistentes, que se acumulam nas regiões favoráveis à deposição. Neste
caso, verifica-se também a seleção segundo a densidade do mineral, formando-se os
depósitos aluvionares de ouro, diamante, cassiterita, wolframita, ilmenita e outros.
Sedimentação Fluvial (tipos de depósitos fluviais)
Os Primeiros sedimentos fluviais acumulam-se n o sopé das montanhas e recebem
a denominação de Depósitos de Piemonte. São depósitos de sedimentos detríticos
grosseiros, mal selecionados, constituídos principalmente por blocos e seixos, típicos de
regiões montanhosas. Os depósitos de piemonte são chamados também de Cones ou
52
Leques Aluviais, em virtude do formato de leque, pois se espalham morros abaixo. Se os
materiais que constituem esses depósitos forem litificados, receberão a denominação de
Fanglomerados (tipo de conglomerado).
O tamanho dos detritos depositados por um rio, vai-se tornando cada vez menor,
quanto maior for a distância das cabeceiras. Os depósitos de piemonte passam
gradualmente aos depósitos aluvionares típicos, formados nos vales dos rios.
São três os principais grupos de depósitos fluviais aluvionares: Depósitos de
Canal, Depósitos Marginais e Depósitos de Planície de Inundação.
53
1- Depósitos de Canal – são formados pela atividade do canal e incluem: depósitos
residuais de canal, barras de meandros, barras de canal e depósitos de preenchimento de
canal (paleocanais). Os depósitos residuais de canal correspondem à fração mais grosseira
d os sedimentos (cascalho), selecionados e deixados por a cumulação residual, como
carga de fundo e o silte e a argila, como carga de suspensão. Os depósitos de barras de
meandros depois dos depósitos residuais de canal apresentam os sedimentos mais
grosseiros de um rio. Eles formam feições conspícuas no lado convexo dos meandros e
são constituídos tipicamente por areias com estratificação cruzada e com decréscimo
ascendente da granulometria. Os depósitos de barras de canal são controlados
principalmente pelos processos de acresção lateral e vertical, além de escavação e
abandono de canal. Podem apresentar materiais grosseiros (seixos, etc.), como acontece
nos rios montanhosos ou materiais finos, como em rios de grande descarga sazonal e em
sedimentos próximos às planícies deltaicas.
2- Depósitos Marginais – são originados nas margens dos canais durante as
enchentes e compreendem os depósitos de diques marginais e de rompimento de diques
marginais. Os depósitos de diques marginais ou naturais são corpos litológicos em forma
de cordões sinuosos, com seção transversal triangular, que margeiam os canais fluviais e
são constituídos por sedimentos mais finos que os dos depósitos de barras de meandros
de um mesmo rio. Os depósitos de rompimento de diques marginais são formados quando
o excesso de água das enchentes ultrapassa os diques naturais por meio de canais abertos
através deles. Estendem-se em forma de línguas arenosas sinuosas e lombadas em direção
às planícies de inundação, são ligeiramente mais grosseiros que os sedimentos de diques
naturais.
3- Depósitos de Planície de Inundação – são constituídos essencialmente por
sedimentos finos (silte e argila), os mais finos entre os depósitos aluviais, depositados
durante as grandes enchentes, quando as águas ultrapassam os diques naturais (marginais)
e inundam as planícies. Correspondem aos depósitos de planície de inundação e de
pântanos.
Quando o rio desemboca no mar ou num lago, dá-se a deposição de grande parte
da massa de detritos trazidos em suspensão. Não havendo correntes que transportem esses
detritos, forma-se um cone de sedimentação que avança lentamente mar adentra. Este tipo
de depósito fluvial recebe a denominação de Delta.
54
32 0,75
47 1,0
>64,8 (furacão) 10
Tabela 9 - Diâmetro máximo de partículas movi mentadas pelo vento.
55
Partículas menores que 0,125 mm de diâmetro são consideradas poeira,
compreendendo as frações de areia fina, silte e argila da escala de Wentworth. Representa
o maior volume de material transportado e depositado pelos processos eólicos. Essas
partículas podem permanecer em suspensão em função do flux o turbulento e da
velocidade do vento por longos períodos de tempo e assim serem transportadas por
grandes distâncias em suspensão eólica.
2- Transporte de areia.
As partículas de fração areia fina a muito grossa (diâmetro entre 0125 a 2 mm)
sofrem transporte mais limitado. Para uma mesma velocidade de vento, quanto maior a
partícula, menor será o seu deslocamento. A colisão de partículas em deslocamento com
grãos na superfície promove o seu deslocamento muitas vezes por meio de pequenos
saltos. O movimento da areia por esse processo denomina-se saltação.
3- Transporte de partículas maiores.
A colisão de partículas em deslocamento, além de causar fragmentação e desgaste,
pode induzir o movimento de partículas encontradas na superfície do solo. Partículas de
diâmetro superior a 0,5 mm (areia grossa a muito grossa, grânulos e seixos) comumente
se deslocam por esse processo chamado arrasto. É um tipo de transporte eólico pouco
significativo.
Registros Produzidos pelo Vento:
A ação do vento fica registrada tanto nas formas de relevo como nos fragmentos
trabalhados pela ação eólica, seja de forma destrutiva (erosão) ou de forma construtiva
(sedimentação).
1. Registros erosivos (Erosão Eólica)
Quanto mais forte for o vento, maior será a quantidade de partículas que
transporta. O poder destrutivo do vento está nas partículas transportadas em suspensão e
na competência de transporte, sendo, portanto, proporcional a sua velocidade e carga. A
deflação e abrasão (ou corrasão) eólica são os dois processos erosivos d a atividade do
vento.
A deflação é o processo de rebaixamento do terreno, removendo e transportando
partículas incoerentes encontradas na superfície. Ela produz a formação de grandes
depressões, muito frequentes nos desertos (bacias de deflação). Quando tais depressões
atingem o nível de água subterrânea, formam-se os Lagos Desérticos (Playa Lake),
podendo desenvolver-se vegetação constituindo um Oásis. A deflação também pode
produzir os chamados Pavimentos Desérticos, caracterizados por extensas superfícies
exibindo cascalho ou o substrato rochoso, exposto pela remoção dos sedimentos finos. É
o tipo de erosão eólica mais importante devido ao vulto de seus efeitos.
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Foto 4 - Oásis no Deserto de Atacama, Cordilheira dos Andes. Fonte:
www.inesquecivelcasamento.com.br/honeymooners/deserto-do-atacama-uma-experiencia-
unica-no-chile/
Por causa dos constantes impactos de diferentes partículas em movimento (areia
fina, média ou mesmo grossa) entre si e com materiais estacionados, geralmente maiores
(seixos, blocos, etc.), ocorre intenso processo de desgaste e polimento de todos esses
materiais, denominado abrasão eólica. Por isso, as superfícies dos grãos tendem a adquirir
brilho fosco, uma feição erosiva específica do vento, bem distinto do aspecto brilhante
que resulta do polimento de materiais em ambiente aquático. Os efeitos da abrasão ou
corrasão eólica são maiores em rochas sedimentares, principalmente as arenosas e
argilosas. Rochas heterogêneas ou irregularmente cimentadas sofrem erosão diferencial,
produzindo formas (feições erosivas) muito curiosas, como os chamados Cogumelos.
Quando o vento tem uma direção predominante, formam-se sulcos orientados sobre a
superfície das rochas, segundo essa direção. Os seixos que apresentam duas ou mais faces
desenvolvidas pela ação da abrasão eólica, adquirem formas peculiares denominadas
Ventifactos.
57
Fig. 31– Etapas de formação de um Ventifacto.
A ação erosiva do vento produz outras formas de registro como os “yardangs” que
se assemelham a cascos de barcos virados, formados pela ação abrasiva eólica sobre
materiais relativamente frágeis como sedimentos e rochas sedimentares pouco
consolidados, importantes em diferentes áreas desérticas do mundo, restritas à porção
mais árida dos desertos onde há pouca vegetação e o solo é praticamente inexistente.
Em certas regiões, existem também, algumas formas específicas no relevo
provocado pela ação eólica conjugada com a atividade pluvial (por exemplo, Vila Velha
no Paraná e Sete Cidades no Piauí, Brasil).
2. Registros construtivos (Deposição Eólica)
Quando a velocidade do vento diminui, seu poder de transporte se reduz, tendo
início a deposição a partir das partículas mais grosseiras para as mais finas. Enquanto a
areia deposita-se após um transporte pequeno, a poeira fina pode sofrer um transporte
superior a 2.000 km. O transporte e a posterior deposição de partículas pelo vento formam
registros geológicos peculiares que são testemunhos desse tipo de atividade no passado.
Os depósitos formados pela ação do vento recebem a designação genérica de depósitos
eólicos. Os principais registros eólicos deste tipo são as dunas, os mares de areia e os
depósitos de loess. Dentre as diversas formas de deposição de sedimentos eólicos atuais
destacam-se as dunas.
Dunas - são elevações de forma regular e característica, resultantes de uma
deposição contínua de partículas transportadas pelo vento numa determinada direção
constante.
A parte das dunas que recebe o vento (barlavento) possui inclinação baixa, de 5 a
15° normalmente, enquanto a outra face (sotavento), protegida do vento, é bem mais
íngreme, com inclinação de 20 a 35°. Associam-se a elas feições sedimentares tais como
estratificação cruzada e marcas onduladas que, no entanto, não são exclusivas de
construções sedimentares eólicas.
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Classificações das Dunas
Existem duas principais classificações para dunas: uma considerando seu aspecto
como parte do relevo (morfologia) e a outra considerando a forma pela qual os grãos de
areia se dispõem em seu interior (estrutura interna).
1- Quanto à estrutura interna (leva em consideração a sua dinâmica de formação):
- Dunas Estacionárias (ou estáticas) – são dunas onde a areia se deposita em camadas que
acompanham o perfil da duna, aonde as sucessivas camadas vão se depositando sobre a
superfície do terreno com o soprar do vento carregado de partículas, partindo de
barlavento (parte da duna que recebe o vento, com inclinação baixa, d e 5 a 15°) em
direção ao sotavento (parte da duna protegida do vento, com inclinação de 20 a 35°),
criando uma estrutura estratificada. Embora no sotavento da duna ocorra forte turbulência
gerada pela passagem do vento, os grãos de areia permanecem agregados aos estratos em
formação, o que tende a impedir o movimento da duna. Estas dunas ficam imóveis por
diversos fatores, tais como aumento de umidade, obstáculos internos (blocos de rocha,
troncos, etc.) ou desenvolvimento de vegetação associada à duna.
Fig. 34– Tipos de duna s (Barcana, Longitudinal, Para bólica e Transversal). Fonte:
www.geocaching.com/geocache/GC6ETTD_morro-do-careca-
earthcache?guid=68c0e4f6-e6fd-462e-abcb-7a571e10b12c
Mares de areia (campos de areia) é um termo empregado para as grandes ou
gigantescas áreas cobertas de areia que atingem até milhões de km² da superfície de Mares
de areia (campos de areia) é um termo empregado para as grandes ou gigantescas áreas
cobertas de areia que atingem até milhões de km² da superfície de alguns desertos do
mundo, tais como os desertos da Arábia Saudita, Austrália, Ásia e norte da África, que
são conhecidas como ergs.
Os depósitos de loess constituem um dos mais importantes exemplos de
sedimentação eólica no registro geológico, consistindo de sedimentos muito finos (silte e
argila), homogêneos e friáveis, comumente amarelados, constituídos de diversos minerais
(quartzo, feldspato, anfibólio, mica, argilo-mineral e carbonatos) e fragmentos de rocha
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pouco alterados. Parte importante desses sedimentos é originada pela ação erosiva glacial
que produz sedimentos muito finos posteriormente transportados pelo vento e depositados
em vastas regiões, como na Mongólia central, China, Europa e EUA.
Tipos de Desertos
Desertos rochosos (hamada) – A superfície rochosa encontra-se exposta, sendo
continuamente afetada pela erosão eólica. As rochas mostram feições típicas de abrasão
eólica (solapamentos, pedimentos, etc.). Tal aspecto é denominado “hamada”, nome
árabe dado para este tipo de deserto rochoso.
Desertos pedegrosos (reg) – São regiões cobertas por fragmentos de rochas,
geralmente heterogêneos. As partículas arenosas menores foram levadas pelo vento,
restando os seixos maiores, os quais sofrem os efeitos da abrasão eólica. Predominam
assim seixos e matacões trabalhados pelos ventos, denominados ventifactos. A cobertura
regional por esse material grosseiro denomina-se pavimento desértico.
Desertos arenosos (erg) – Nessas regiões ocorrem as formas de acumulação mais
conhecidas – as dunas e os campos ou mares de areia. Apenas a quinta parte da área dos
desertos é coberta por areia, sendo o restante composto por elevações rochosas e
fragmentos de rochas (anteriormente descritos). Uedes é o nome que se dá aos cursos de
água temporários dessas regiões.
Características dos Sedimentos Eólicos:
Os sedimentos associados às atividades eólicas compõem-se quase que
exclusivamente de pequenos grãos de quartzo, sendo, portanto, monominerálicos. Os
impactos constantes entre os grãos no ambiente atmosférico produz em brilho fosco da
superfície, morfologia arredondada e alta esfericidade dos grãos. Os mesmos impactos
que provocam o polimento fosco das superfícies também quebram os grãos e suas arestas,
diminuindo e arredondando as partículas. Além disso, depósitos de origem eólica exibem
elevada seleção granulométrica como outra característica peculiar. Pequenas variações na
velocidade do vento aumentam ou diminuem sua capacidade de transporte, restringindo
o tamanho dos grãos de forma mais eficiente que o meio aquático, no qual a maior
viscosidade da água atenua as consequências das variações de velocidade.
Importância econômica dos depósitos eólicos:
As areias eólicas são, por natureza, providas de alta porosidade e permeabilidade,
uma vez que os grãos constituintes são tipicamente bem arredondados, bem selecionados
quanto ao tamanho e geralmente contêm muito pouco cimento. As condições de
permeabilidade são boas, porque os sedimentos acumulados sob condições áridas são
destituídos de intercalações argilosas. Estas características conferem à rocha importância
como reservatório de água subterrânea e também de petróleo e gás natural. Como
reservatórios de água existem formações eólicas arenosas que fornecem milhares de litros
de água por hora. Como reservatórios de petróleo podem conter óleo proveniente de
rochas geradoras ou armazenadoras, mais profundas, depositadas sob condições
favoráveis à geração de petróleo, onde o óleo pode ter escapado na época em que estas
rochas foram submetidas à ação tectônica, produzindo dobramentos ou falhamentos,
vindo alojar-se nas camadas eólicas superiores.
61
7. PROCESSOS GEOLÓGICOS DE DINÂMICA INTERNA
7.1 – Tectônica de Placas ou Tectônica Global
Introdução
A teoria da Tectônica de Placas é uma teoria relativamente nova que r evolucionou
o modo dos geocientistas pensarem a respeito da Terra. De acordo com esta teoria, a
superfície da Terra está dividida em grandes placas, cujo tamanho e posição, mudam com
o passar do tempo. As extremidades das placas onde ocorre colisão, separação ou
deslizamento entre duas placas, são locais de intensa atividade geológica, tais como:
vulcanismo, terremotos, metamorfismo, deformação e formação cadeias de montanhas.
A Tectônica de Placas é uma combinação de duas teorias anteriores, a da Deriva
Continental e a do Espalhamento ou Expansão do Assoalho Oceânico. Deriva Continental
é o movimento dos continentes sobre a superfície da Terra e a mudança de posição
relativo um ao outro. Espalhamento do Assoalho Oceânico é a criação de nova Crosta
Oceânica em Dorsais Meso-oceânicas (cadeias de montanhas) e o movimento da nova
crosta para longe (em direção oposta) das dorsais, em ambos os lados.
O Surgimento da Teoria da Deriva Continental
A teoria da Tectônica de Placas nasceu quando surgiram os primeiros mapas das
linhas das costas atlânticas da América do Sul e da África. Em 1620, Francis Bacon,
filósofo inglês, apontou o perfeito encaixe entre estas duas costas e levantou a hipótese,
pela primeira vez historicamente registrada, de que estes continentes estiveram unidos no
passado. Nos séculos que se seguiram, esta ideia foi diversas vezes retomada, porém
raramente com argumentações científicas que lhe dessem suporte teórico.
Esta mesma observação topográfica fez um jovem cientista alemão de 26 anos,
Alfred Wegener, em 1912. Wegener observou que as linhas de costa atlântica atual da
América do Sul e África se encaixariam e que, de um modo geral, todos os continentes
se ajustam uns aos outros, como um quebra-cabeça gigante. Para explicar estas
coincidências, Wegener sugeriu que os continentes poderiam, um dia, terem estado juntos
formando um único Supercontinente e posteriormente teriam sido separados,
fundamentando a sua hipótese em diversos dados, além do ajuste dos continentes:
- Dados paleontológicos (distribuição de fósseis) - indicam semelhanças de faunas
e floras antigas em regiões hoje separadas por grandes massas de água, ou seja, fósseis de
mesma espécie foram encontrados em diferentes continentes. Wegener propôs que essas
espécies dispersaram quando os continentes eram conectados, antes deles migrarem para
as suas posições atuais. Por exemplo, a presença de fósseis de Glossopteris (uma espécie
de samambaia) nos continentes da América do Sul, África, Índia e Austrália e, de fósseis
do réptil Mesossauros na África e no Brasil, cujas ocorrências se correlacionavam
perfeitamente, ao se juntarem os continentes.
- Dados geológicos (sequências de rochas) - sequências de rochas que mostram
semelhanças notáveis são encontradas na América do Sul, África, Índia, Antártica e
Austrália. Wegener mostrou que uma mesma sequência de rochas, constituída de três
camadas, ocorre em cada um destes continentes. A camada da base, a mais velha, é um
tilito (depósito glacial), a camada intermediária é constituída de arenito, folhelho e carvão,
e a camada do topo da sequência, a mais jovem, trata-se de um derrame de lava. Fósseis
de glossopteris são encontrados nas camadas da base e intermediária. As mesmas camadas
estão na mesma ordem em áreas agora separadas por grandes distâncias. Wegener propôs
que essas camadas de rochas foram formadas quando todos continentes faziam parte do
supercontinente, em áreas menores contínuas, que foram mais tarde separadas e migraram
à parte.
62
Fig.35- Dado s paleontológico: distribuição de f ósseis de ani mais e vegetais. Fonte:
pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Snider-Pellegrini_Wegener_fossil_map-01.png
63
Fig. 37- Dados paleoclimáticos: evidências de glaciações. Fonte:
ufrr.br/lapa/index.php?option=com_content&view=article&id=%2093
64
Fig. 38- P angea, o supercontinente da teo ria de Wegener. Fonte:
www.megacurioso.com.br/educacao/105655-descubra-como-os-paises-ficariam-distribuidos-
no-supercontinente-pangeia.htm
A teoria de Wegener foi completamente rejeitada na época. Esta teoria, apesar dos
numerosos argumentos, que a sustentavam, apresentava um ponto essencialmente fraco:
qual o «motor» que faz ia mover as enormes massas que constituem os continentes? Como
uma crosta rígida como a continental deslizaria sobre uma crosta rígida como a oceânica,
sem que fossem quebradas pelo atrito? Infelizmente naquela época as propriedades
plásticas da astenosfera não eram conhecidas, o que impediu Wegener de explicar sua
teoria e, com a sua morte em 1930, a Teoria da Deriva Continental começou a ficar
esquecida, uma vez que não se conseguia uma explicação lógica e aceitável do
mecanismo capaz de movimentar as imensas massas continentais.
65
montanhas, fendas e fossas ou trincheiras muito profundas, mostrando um ambiente
geologicamente muito mais ativo do que se pensava. No final dos anos 40 e na década
seguinte, expedições americanas mapearam o fundo do Oceano Atlântico, utilizando
novos equipamentos e coletando amostras de rochas. Estes trabalhos permitiram
cartografar uma enorme cadeia de montanhas submarinas, denominadas Dorsal ou Cadeia
Meso-Oceânica, que constituíam um sistema contínuo ao longo de toda a Terra,
estendendo-se por 84.000 km, com vales profundos em seu eixo, por onde extravasa lava
vindo do interior da Terra, que divide a crosta oceânica em duas partes, podendo
representar, portanto, a ruptura ou a cicatriz produzida durante a separação dos
continentes, o que reforçaria a teoria da Deriva Continental.
No final dos anos 50 e início da década de 1960, o surgimento e aperfeiçoamento
da geocronologia permitiram a obtenção de importantes informações sobre a idade das
rochas do fundo oceânico, onde novamente, ao contrário do que se imaginava na época,
a crosta oceânica não era composta pelas rochas mais antigas do planeta, mas apresentava
idades bastante jovens, não ultrapassando 200 milhões de anos. Datações de rochas
vulcânicas do Atlântico Sul contribuíram para o estabelecimento do padrão de idades da
crosta oceânica, no qual faixas de rochas de mesma ida de situam-se simetricamente dos
dois lados da dorsal meso-oceânica, com as mais jovens próximas da dorsal e as mais
velhas ficando mais próximas dos continentes. Com estas novas informações
provenientes do estudo da crosta oceânica, parte dos cientistas passou a considerar a
hipótese de uma deriva dos continentes mais seriamente.
Fig. 39- Distribuição das idades geocronológicas do fundo oceânico do Atlântico Norte,
onde se observam as idades (em Ma.) mais jovens próximas à dorsal meso-oceânica.
Fonte: ufrr.br/lapa/index.php?option=com_content&view=article&id=%2094
66
Fig. 40- Bandas magnetizadas de lavas vulcânicas do fundo oceânico. Fonte:
http://w3.ualg.pt/~jdias/GEOLAMB/GA2_SistTerra/203TectPlacas/4_Magnetom.html
Em 1962, Harry Hess, com base nas revelações obtidas a partir do estudo da
topografia submarina, dados geológicos e geofísicos, publicou um artigo no qual
explicava que os fundos dos oceanos estão em expansão devido a correntes de convecção
geradas no manto, provocam a subida de material magmático gerando nova crosta. Assim,
nas regiões profundas do manto, as temperaturas são mais elevadas, o que provoca a
subida dos materiais que o constituem. Estes, ao atingirem zonas próximas da crosta, onde
as temperaturas são mais baixas, vão arrefecendo (resfriando), deslizam lateralmente e
acabam por mergulhar junto às fossas oceânicas, voltando às camadas profundas do
manto. Considera-se, deste modo, que as correntes de convecção, sendo contínuas,
delimitam estes circuitos fechados - células de convecção - separados por zonas de
ascensão e de descida de materiais que correspondem, respectivamente, a dorsais meso-
oceânicas e fossas oceânicas.
67
deriva continental e a expansão do fundo dos oceanos seriam assim uma consequência
das correntes de convecção.
Assim, em função da expansão dos fundos oceânicos, os continentes viajariam
como passageiros fixos em uma placa, como se estivessem em uma esteira rolante. Com
a continuidade do processo de geração de crosta oceânica, em algum outro local deveria
haver um consumo ou destruição desta crosta, caso contrário a Terra expandiria. A
destruição da crosta oceânica mais antiga ocorreria nas chamadas Zonas de Subducção,
que seriam locais onde a crosta oceânica mais densa mergulharia para o interior da Terra
até atingir condições de pressão e temperatura suficientes para sofrer fusão e ser
incorporada novamente ao manto.
Desta forma, em 1967, o deslocamento do s continentes fica completamente
explicado com o surgimento da Teoria da Tectônica de Placas, criada por Morgan e
Parker. Segundo esta teoria, a camada física superficial da Terra, a litosfera, não é uma
peça única, encontrando-se fragmentada por falhas e fraturas profundas em placas
tectônicas (placas rígidas) que assentam e deslizam sobre a astenosfera. O estado mais
plástico da astenosfera permite que as placas tectônicas deslizem sobre ela, tornando
possível o deslocamento lateral das placas.
O estudo das dorsais oceânicas e da distribuição sísmica e vulcânica permitiu
delimitar sete placas principais:
Norte-Americana - compreende a América do Norte e a metade ocidental do
oceano Atlântico Norte, até à sua dorsal.
Sul-Americana - compreende a América do Sul e a metade ocidental do oceano
Atlântico Sul, até à sua dorsal.
Pacífica - é a única que é exclusivamente oceânica, compreendendo quase todo o
oceano Pacífico, entre a dorsal existente e o Pacífico oriental.
Eurasiática - encontra-se com a placa norte-americana no meio do Atlântico. O
seu rebordo sul corresponde a uma falha que atravessa o Mediterrâneo e se prolonga para
leste através da Turquia e do Himalaia.
Africana - compreende o continente africano e uma grande extensão do fundo
oceânico, limitado pela dorsal meso-atlântica.
Indo-Australiana (ou Australiano-Indiana)- compreende a Arábia, a Índia, a
metade oriental do oceano Índico e a Austrália.
Antártica - ocupa o Polo Sul com o continente Antártico.
A este conjunto juntam- se cinco placas menores e menos conhecidas: as de
Nazca, de Cocos, das Caraíbas, das Filipinas, e a Arábica.
68
Fig. 42- Principais Placas Tectônicas. Fonte: www.todamateria.com.br/placas-
tectonicas/
69
Fig. 43- Limites de placas Divergente, Convergente e Conservativo. Fonte:
blogdoenem.com.br/dinamicas-da-listosfera-crosta-terrestre/
71
cordilheiras de montanhas, como a fossa do Peru e a Cordilheira dos Andes na América
do Sul.
- Colisão de duas placas continentais: a crosta continental levada pela crosta oceânica
mais densa mergulha sob a outra. Este processo não gera vulcanismo expressivo como
nos outros tipos de colisões, mas produz intenso metamorfismo de rochas continentais
preexistentes e leva à fusão parcial de porções da crosta continental gerando magmatismo
granítico. Estas zonas de colisão são caracterizadas também por fortes deformações de
rochas e forte atividade sísmica. Um exemplo de clássico de feição gerada por este
processo é a cadeia de montanhas do tipo dos Himalaias, gerada a partir da colisão entre
as placas da Índia e a Asiática.
Margens Continentais:
Como consequência da tectônica de placas, os continentes fragmentam-se e
juntam-se periodicamente ao longo do tempo geológico. As evidências geológicas destas
aglutinações e rupturas são encontradas em áreas de margens dos continentes atuais ou
que foram no passado geológico e hoje se encontram suturadas no meio dos continentes.
Nesse contexto podemos reconhecer dois tipos de margens continentais:
a- Margens Continentais Ativas – situadas nos limites convergentes de placas tectônicas
onde o correm zonas de subducção com desenvolvimento de atividades tectônicas
importantes como formação de cordilheiras (orogênese). Na América do Sul, o exemplo
é a costa do Pacífico, onde a Cadeia Andina encontra-se em desenvolvimento.
b- Margens Continentais Passivas – situa-se ao longo de limites divergentes de placas
tectônicas e não sofre tectonismo importante em escala regional, desenvolvem-se durante
o processo de formação de novas bacias oceânicas quando da fragmentação de
continentes. Este processo é denominado de rifteamento, palavra proveniente do termo
geológico em inglês “Rift Valley”, que significa um vale de grande extensão formado a
partir de um movimento distensivo na crosta. Atualmente este processo ocorre no Oceano
Atlântico, onde as costas leste da América do Sul e oeste da África constituem as margens
continentais passivas.
7.2- Vulcanismo e Terremotos
O Vulcanismo é o conjunto de processos que ocasionam a ascensão de material
magmático (juvenil) em estado líquido, gasoso ou sólido à superfície, provindo do interior
da Terra.
A ascensão do magma p ode ocorrer de maneira explosiva ou passiva. No primeiro
caso, além da lava e de gases, fragmentos de rochas encaixantes poderão ser lançados a
centenas de metros de altura através de orifícios (vulcanismo eruptivo), como ocorre nos
vulcões, por exemplo, o Stromboli na Itália. No segundo caso, o magma atinge a
superfície através de fendas ou fissuras da crosta (vulcanismo fissural), derramando-se
pacificamente pela superfície, estendendo-se a centenas de quilômetros, preenchendo
vales e formando vastas planícies, muito frequentes no Havaí.
Um Vulcão é um aparelho natural com aspecto de uma montanha cônica, pelo
qual extravasa material magmático do interior da crosta, que ao derramar na superfície
72
denomina-se de lava. Os vulcões são formados quer pelo acúmulo externo de material
magmático, quer pelo levantamento das camadas preexistentes por forças internas.
Estrutura de um Vulcão
Um vulcão, em geral, é constituído por um relevo de forma cônica (Cone
Vulcânico ou Edifício Vulcânico), terminada por uma escavação a maneira de um funil
(Cratera), que se comunica diretamente com um conduto (Chaminé ou Conduto
Vulcânico) por onde ascendem as lavas e os materiais de explosão (materiais
piroclásticos).
O Cone vulcânico é formado graças à acumulação d e material magmático e
piroclástico provenientes de rochas preexistentes, aglomerados ao redor do orifício
central (chaminé).
A Cratera é a porção superior da chaminé que sofre um alargamento, geralmente
provocado por explosões, tomando a forma de um funil. Não se tratando de vulcão
explosivo, é a abertura por onde saem as lavas. As crateras podem conter no seu interior
lavas em fusão ou semi-solidificadas. Nos vulcões extintos ou inativos as crateras podem
conter água formando os célebres Lagos de Cratera. A Cratera ocasionada pelo colapso
do edifício vulcânico determina a formação de depressões gigantescas chamadas de
Caldeiras. Além da cratera central, podem ocorrer outras laterais denominadas Parasitas
ou Adventícias.
A Chaminé é a adutora ou conduto do material vulcânico que parte da câmara
magmática até a superfície da crosta terrestre.
A Câmara Magmática consiste num bolsão profundo preenchido pelo magma, que
por sua vez é formado em profundidades maiores e posteriormente migra através de
fissuras e se acumula em níveis mais próximos da superfície.
Tipos de Vulcões
Segundo as características das erupções, a natureza das nuvens ardentes e a classe
(tipo) de lavas emitidas, podem se distinguir quatro tipos de vulcões:
- Islândico - corresponde ao vulcanismo chamado fissural, caracterizado pela saída
tranquila de lavas muito fluidas ao longo de profundas fraturas (diáclases) da crosta
terrestre, sem a formação de um cone vulcânico característico. Tipo de vulcanismo que
predomina na Islândia.
- Havaiano (Escudo) - tipo de vulcão com cone rebaixado de declives muito suaves, com
erupções silenciosas, tranquilas, de lavas essencialmente fluidas, de composição
basáltica, sem nuvens ardentes, explosões e nem projeções vulcânicas. Tipo de vulcão
característico das ilhas havaianas ( Mauna-Loa, Mauna-Kea e Kilauea), totalmente de
origem vulcânica.
- Vulcaniano (Estrato-vulcão) - tipo de vulcão com cone estratificado ou misto
(composto), formados pela alternância repetida de lavas e material piroclástico, com
erupções de grande violência, com formidáveis explosões, devido a dificuldade dos gases
e vapores em se desprender da lava. As explosões produzem gigantescas caldeiras, dentro
das quais é frequente a formação de uma ou mais crateras e quantidades enormes de
materiais piroclásticos. Suas lavas, mesmo vis cosas, formam, muitas vezes, verdadeiras
correntes (Exemplos: Vesúvio e Etna na Itália, etc.).
- Peleano - é, na realidade, um aspecto particular do tipo anterior, que também se
caracteriza por violentas explosões, uma lava extremamente viscosa e quase solidificada
na sua saída e a formação de nuvens ardentes, muito densas e opacas, carregadas de cinzas
que deslizam pelos flancos do vulcão em grande velocidade (Ex.: Mont Pele da
Martinica).
73
Fig. 48- Tipos de Vulcões. Fonte: geodinamicamaunaloa.wordpress.com/
74
Atividade tipo Havaiana (ou Lagos de Lava) – Em vulcões tipo Havaiano ou
Escudo, a cratera é colossal, tipo caldeira de abatimento. Em seu interior acha-se um lago
constituído de lava fundida e incandescente, com uma temperatura de cerca de 1000°C
na superfície. Ocasionalmente a lava muito fluida sobe, preenche todo o lago e começa a
transbordar em forma de derramamento fluido e rápido, podendo atingir grandes
distâncias. A profundidade das câmaras magmáticas dos vulcões havaianos é
anormalmente grande, de 30 a 40 km, o que determina a maior basicidade da lava.
Efusão Lenta – Representa um estágio muito comum em alguns vulcões (Vesúvio
e Etna). Partindo da cratera (efusão terminal) ou dos flancos (efusão lateral), a lava
normalmente viscosa ou preenche a cratera, ou quebra os flancos da montanha e derrama-
se. A lava pode aumentar de viscosidade, ficando presa dentro da cratera e da chaminé.
Os gases no interior comprimem a massa viscosa endurecida em forma de cúpula de
represamento que lentamente se levanta, formando um monólito dentro da chaminé. Em
1902, no Monte Pelado (Martinica), essa massa foi lentamente expulsa para fora atingindo
550 m de altura em relação ao fundo da cratera ou 385 m por sobre o cume da montanha,
com diâmetro de cerca de 150 m, que em fins de 1903, se desfez, sendo destruído por
explosões junto à sua base.
Nuvens Ardentes – Originadas da grande quantidade de gases que podem ser
retidos numa lava, sob grande pressão. Ao verificar-se um alívio brusco na pressão, graças
à eventual ruptura do teto que não mais resiste à força expansiva dos gases, dá -se a
explosão, acompanhada de violenta efusão de um sistema complexo de fragmentos de
lava incandescente e gases superaquecidos na forma de auréola, que envolve fragmentos
de lava viscosa e incandescente, impedindo que eles se toquem, mantendo-os afastados.
As partículas e fragmentos de lava contidos na nuvem, por se acharem fortemente
carregados de gases, provocam explosões dentro da própria nuvem.
Erupção Linear – Em certas regiões da crosta terrestre, regiões de fraqueza,
sujeitas a esforços de tração, pode-se abrir grandes fendas, que atingem a região
magmática, onde se manifestam atividades vulcânicas de natureza explosiva ou efusiva,
sendo esta última a mais frequente no caso. Atualmente, a Islândia é a sede mais
importante de tais manifestações.
Erupção Submarina – São atividades vulcânicas que ocorreram ou que ocorrem
no fundo do mar. As efusões a grandes profundidades parecem realizar-se tranquilamente,
abaixo de 2000 m, onde a pressão hidrostática é maior do que a pressão crítica da água,
não sendo possível por este motivo a formação de vapores. Em alguns casos, todavia,
verificam-se movimentos sísmicos (terremotos), aquecimento da água, exalações e às
vezes aparecimento de ilhas vulcânicas temporárias. A atividade submarina é
caracterizada por uma lava sui generis denomina da pelos ingleses de “Pillow Lava” ou
Lava em almofada. Trata-se de uma estrutura curiosa, formada de blocos arredondados
e empilhada, à maneira de almofadas.
Materiais Produzidos pelas Atividades Vulcânicas
Os produtos formados pelas atividades vulcânicas podem ser divididos em 3
grupos:
1- Lavas – massas magmáticas, em estado parcial ou total de fusão, e que atingem a
superfície terrestre e se derramam. A velocidade da corrida da lava, suas formas, texturas
e estruturas dependem principalmente da sua viscosidade.
As lavas viscosas são ricas em sílica, de composição química semelhante à das
rochas graníticas, e são denominadas Lavas Ácidas. Formam derrames curtos, espessos,
raras vezes bifurcados, como consequência da alta viscosidade. Quando as lavas ácidas
consolidam-se rapidamente, forma-se o vidro vulcânico, amorfo, chamado de Obsidiana.
Quando as condições de pressão e de viscosidade forem favoráveis à expansão dos gases
75
contidos na lava, forma-se uma verdadeira espuma, que ao se consolidar dá origem à
Pedra-pomes ou púmice.
As lavas fluidas, por sua vez, são de constituição básica, pobres em sílica, tendo a
composição química análoga à das rochas basálticas, e são chamadas Lavas Básicas. As
lavas deste tipo possuem grande mobilidade e durante seu derramamento ajustam-se às
irregularidades do terreno. Sendo grande o declive o derrame é fino e estreito.
As lavas formam-se em decorrência do movimento, do constante desprendimento
de gases e da constituição química do magma.
Tipos de Lava:
- Lava em Blocos – chamada de lava “aa”. Sua superfície é áspera, fendilhada, resultando
o aspecto geral, no campo, num amontoado de blocos, fragmentos agudos e lascas.
- Lava em Corda – chamada também de “pahoehoe”. É rica em pequenas vesículas e
movimenta-se como uma massa pastosa fluida, coberta por uma película consolidada, que
se enruga pelo movimento, tomando a forma de cordas perpendiculares à direção do
movimento.
- Lava em Almofada (Pillow Lava) – formada no interior da água. Quando as lavas entram
em contato com a água, sofrem um rápido resfriamento externo, enquanto que
internamente continuam em fusão. A pressão interna aumenta e então se rompe uma
abertura permitindo a saída de parte do material do interior. Este mate rial em contato
com a água novamente sofre um resfriamento externo muito rápido, com aumento interno
da pressão e rompimento, originando outra porção de lava. Estas porções internamente
ocas acumulam-se, constituindo uma série de montículos uns sobre os outros.
Quando a lava envolve fragmentos quebrados de derrames já consolidados, forma
-se uma massa heterogênea de blocos cimentados pelo material da última erupção. Dá-se
a este conjunto o nome de Brecha Vulcânica.
2- Material Piroclástico – são os produtos sólidos soltos, incoerentes, produzidos pelas
atividades vulcânicas.
O material mais fino é também chamado de Tufo Vulcânico, de consistência
bastante fofa, podendo ser autígeno (ligado diretamente ao magma) ou alotígeno
(provindo de rochas fragmentadas que constituíam os tetos das câmaras magmáticas e as
paredes da chaminé do vulcão).
Os produtos piroclásticos são classificados segundo o tamanho dos ejetólitos,
nome genérico dado aos fragmentos de natureza piroclástica:
Blocos – produtos piroclásticos de diâmetro acima de 5 cm, com formas irregulares,
ásperas, que saem do vulcão em estado sólido, como fragmentos de lava consolidada ou
de rochas encaixantes.
Bombas – são massas de lava consolidada durante a trajetória no ar, com formas próprias,
desde poucos centímetros de tamanho até de um metro. São alongadas ou arredondadas,
frequentemente retorcidas, demonstrando sua ejeção no estado plástico, adquirindo a
forma de projétil. Em certos casos a expansão dos gases é tão grande, e o resfriamento
tão rápido, que se formam bombas de lava esponjosa de vidro vulcânico (pedra-pomes ou
púmice).
Lapilli – são ejetólitos de lava com tamanho de noz e ervilha. Se a lava for muito fluida
e se sofrer a ação de ventos fortes, podem formar -se até fios ou gotas compridas (cabelo
de pélé).
Cinza – trata-se de material de aspecto arenoso, constituído de fragmentos finos, menores
de 4 mm de tamanho, podendo às vezes ter dimensões de poeira impalpável, resultante
da explosão de rochas já consolidadas ou do magma finamente fragmentado ou
pulverizado pela explosão.
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3- Exalações de Gases Vulcânicos – As exalações vulcânicas constituem-se de vapores e
gases produzidos pelas atividades vulcânicas.
O mais comum é o vapor de água, que pode constituir 80 a 95% dos gases e
vapores. A água pode ser primária, libertada do magma (água juvenil), ou formada pela
reação do H2 com o O2 atmosférico ou de minerais hidratados assimilados pelo magma.
A libertação dos gases começa com a primeira erupção, continuando durante a
produção de lava e ainda mesmo depois de terem cessado, tanto as explosões, como o
extravasamento da lava, no ciclo pós-vulcânico. Distinguem-se os seguintes estágios:
Fumarolas – neste estágio a temperatura é de cerca de 800 a 200°C. Os elementos
mais comuns que entram na composição dos gases vulcânicos são os seguintes: H, Cl, S,
N, C e O, quer na forma elementar, quer combinados como H2O, HCl, H2S, SO2, SO3,
(NH4)+, NH4Cl, CO, CO2, CH4, etc. Algumas vezes, verificam-se exalações de elementos
metálicos (Cu, Fe e Pb).
Solfataras – a temperatura deste estágio é de 200 a 100°C. Caracteriza-se principalmente
pelo vapor d’água e quantidades menores de CO2 e H2S, precipitando-se também S, FeS2
(Pirita), etc.
Mofetas – é o estágio caracterizado pelas exalações de CO 2 frio, quase seco, podendo
misturar-se com água, formando fontes ácidas.
Estas exalações escapam tanto das crateras como das vizinhanças dos focos
vulcânicos, seguindo fendas, etc.
As exalações quentes, ao entrarem em contato com a água subterrânea, tornam-na
aquecida e carregada de gases, formando fontes térmicas permanentes ou intermitentes.
Esta última chamada de Gêiseres projeta colunas de água em intervalos regulares de
tempo, desde segundos até semanas. Eles ocorrem nas regiões de vulcanismo moderno,
sendo assim considerados como atividades finais do vulcanismo. Ao redor de cada Gêiser,
forma-se geralmente um montículo perfurado no centro, por onde sai o jato de água,
formado geralmente de sílica (opala ou calcedônia), denominado genericamente de
Geiserita.
Distribuição Mundial dos Vulcões
A grande maioria dos vulcões acha-se agrupada em zonas, principalmente ao
longo das costas oceânicas, formando na região do Pacífico o chamado Círculo de Fogo.
No interior dos continentes são menos frequentes as atividades vulcânicas, exceto na
África, que é atravessada no sentido norte-sul por uma faixa de tectonismo ativo, cheia
de fraturas, que vai desde o mar Vermelho até às proximidades de Moçambique.
77
Fig. 49- Distribuição global do vulcanismo. Notar o condicionamento geográfico em
que a maioria dos vulcões ativos está situada a o longo dos limites convergentes de
placas. Fonte: espacociencias.com.pt/site/ciencias-7o-ano/vulcanismo/localizacao-
geografica-dos-vulcoes/
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1- Desabamento – Os desabamentos de tetos de cavernas ou grutas produzidos por
dissolução de rochas pelas águas subterrâneas (principalmente, em regiões calcárias) e os
deslizamentos internos de massas rochosas (acomodação de sedimentos), causam abalos
sísmicos, geralmente, de pequena intensidade e local, afetando somente a área próxima
do colapso. Em regiões vulcânicas pode ocorrer, também, o colapso de parte do cone ou
edifício vulcânico, pelo vazio formado pela saída de grande quantidade de lava,
formando-se na parte superior as caldeiras de abatimento. São terremotos locais de
pequena importância.
2- Vulcanismo – Nas regiões vulcânicas ocorrem terremotos produzidos por
explosões internas (decorrentes do escape repentino de gases sob fortes pressões), ou de
colapsos, ou acomodações verificadas nos vazios resultantes da expulsão do magma. Com
certa frequência os tremores de terra antecedem as erupções vulcânicas. Eles podem
ocasionalmente ser intensos, mas mesmo assim, sua propagação é limitada, afetando
apenas os arredores da área vulcânica.
3- Tectonismo – Os terremotos mais importantes são os causados por tectonismo,
que podem se propagar por toda a Terra. A mais de dois mil quilômetros do foco as
vibrações podem ser sentidas sem o auxílio de sismógrafos. A localização geral dos focos
desses terremotos coincide, na maioria das vezes, com as áreas afetadas por atividades
vulcânicas. São áreas tectonicamente instáveis, sujeitas a levantamentos, dobramentos e
falhamentos, indicando que os grandes terremotos se originam em zonas com
movimentações tectônicas profundas (entre 8 a 15 km abaixo da superfície), que
produzem rupturas na crosta (limites de placas). A quase totalidade dos terremotos tem
origem tectônica, associada à falhamentos geológicos.
79
Fig. 52- Área s (em preto) de maior incidência de terremotos na Terra. Fonte:
mundoeducacao.bol.uol.com.br/geografia/zonas-sismicas-terra.htm
Fonte:
www.bbc.com/portuguese/geral-43671313
80
8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
- FRANK PRESS et al. – Para Entender a Terra. Porto Alegre: Bookman, 2006.
- LEINZ, V. e AMARAL, S.E. – Geologia Geral. São Paulo: Companhia Nacional,
1989.
- POPP, J.H. – Geologia Geral. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos.
- SBG-NÚCLEO SUDESTE. – Cartilha – Geologia, Ciência da Terra. XXX III
Congresso Brasileiro de Geologia. Rio de Janeiro, 1984.
- TEIXEIRA, W. et al. - Decifrando a Terra. São Paulo: Companhia Editora Nacional,
2 ed., 2009.
81