COLÉGIO MILITAR DE JUIZ DE FORA
ALICE DE MARTIN
TURMA: 702
NÚMERO: 2898
HOLANDESES NO BRASIL
CMJF
2021
INTRODUÇÃO:
A independência da Holanda:
Em 26 de julho de 1581, na União de Utrecht, Holanda declarou-se formalmente
independente da Espanha. Novas alianças foram realizadas entre províncias holandesas. As
sete províncias do norte dos Países Baixos percorreram um longo caminho até se libertarem
da coroa espanhola, a 26 de julho de 1581. A partir daí, ainda enfrentaram uma demorada
luta pela independência, que só foi reconhecida pela Paz de Vestfália, em 1648.
Tudo começou com Felipe 2º, que, em 1556 herdara de seu pai, Carlos 5º, a parte ocidental
do império dos Habsburgo, incluindo a Espanha, os Países Baixos e parte da Itália. O
príncipe herdeiro tentou manter a integridade de seu território fazendo uso da repressão e da
violência.
A emergente reforma protestante foi combatida por meio da Inquisição e de uma nova
administração eclesiástica, que possibilitou a Felipe 2º vigiar fortemente a Igreja nos Países
Baixos. Com isso, ele não só interveio em questões religiosas como também cortou
privilégios da alta nobreza. A criação de novos impostos e o estacionamento de tropas
espanholas nos territórios sob seu domínio causaram irritação e temor, gerando movimentos
de oposição.
Milhares de oposicionistas foram processados e executados, muitos deles fugiram,
principalmente para os territórios inacessíveis da costa norte, que se transformaram em
centros da resistência. As províncias do norte, calvinistas-burguesas, criaram sua própria
união – a República Unida da Holanda. Na prática, isso significou a separação da Espanha.
Oficialmente, porém, as Províncias Unidas só proclamaram sua autonomia em relação à
monarquia espanhola, a 26 de julho de 1581, num manifesto publicado em Haia. Com essa
declaração de autonomia, a ruptura com a Espanha estava irreversivelmente consumada. A
luta pela independência, porém, ainda se arrastou por aproximadamente sete décadas
Relação da Holanda com os países Ibéricos:
Antes de entendermos a relação das invasões holandesas com a União Ibérica, é necessário
compreendermos as relações diplomáticas que existiam entre Portugal, Espanha e Holanda.
Primeiramente devemos pontuar que o negócio do açúcar era uma atividade econômica
muito lucrativa e que envolvia uma parceria entre holandeses e portugueses.
O negócio do açúcar foi instalado no Brasil com auxílio de capital holandês, pois muitos
senhores de engenho só conseguiram desenvolver seu negócio com dinheiro emprestado
pelos holandeses. Além disso, a Holanda participava do refino do açúcar e de sua
distribuição pela Europa. Dessa forma, os holandeses tinham uma participação relevante
nessa atividade.
Os holandeses, no entanto, estavam em guerra contra os espanhóis desde 1568. O conflito
era motivado pela busca daqueles por conquistarem sua independência dos Habsburgo, a
família real que governava Holanda, Espanha e outros locais da Europa. Assim, percebemos
que a Holanda tinha relações boas com Portugal e ruins com a Espanha.
O rei Dom Sebastião morreu na Batalha de Alcácer-Quibir em 1578 e não deixou
nenhum herdeiro. Dom Henrique, tio-avô de Dom Sebastião, foi coroado o novo rei de
Portugal, mas morreu dois anos depois sem também deixar herdeiros. O rei da
Espanha, Dom Filipe II, alegando parentesco com o rei Dom Sebastião, assumiu o trono
português, anexando Portugal ao território espanhol. A partir desse momento, a União
Ibérica tem início.
DESENVOLVIMENTO:
A União Ibérica:
A União Ibérica, que ocorreu entre 1580 e 1640, foi a unificação das Coroas
espanhola e portuguesa a partir da crise sucessória do trono português. Essa crise de
sucessão decretou o fim da Dinastia de Avis e coroou o rei Filipe II, da Espanha, como
rei tanto de Portugal quanto da Espanha.
Holanda e Portugal:
Durante as primeiras décadas do período colonial, os portugueses decidiram viabilizar a
exploração do espaço colonial com o desenvolvimento da exploração açucareira. A escolha
por esse produto se deu, inicialmente, em função da possibilidade de comercialização com o
amplo mercado consumidor europeu e as condições climáticas que favoreciam seu plantio no
Brasil. Além disso, o domínio português sobre algumas eficientes técnicas de plantio
também influenciaram nesta decisão.
Contudo, apesar de tantas vantagens apresentadas pelo desenvolvimento dessa atividade, a
produção açucareira exigia uma complexa infraestrutura que envolvia o uso de grandes
propriedades, a farta disponibilidade de mão de obra, manutenção de pastos para animais de
tração, extração de madeira e a construção de instalações apropriadas para o beneficiamento
da cana-de-açúcar. De fato, a empresa colonial exigia um alto investimento.
Não tendo todo o capital exigido para o negócio, Portugal contou com o auxílio de
banqueiros europeus que financiavam uma considerável parte deste empreendimento. Dentre
esses financiadores se destacavam os banqueiros holandeses, que, com o passar do tempo,
passaram também a intermediar a negociação do produto em diferentes pontos da Europa.
Em 1579 – um ano antes da unificação dos reinos ibéricos – os holandeses proclamaram a
sua independência em relação ao trono espanhol. No ano seguinte, quando a Espanha
assumiu o governo de Portugal, a Holanda perdeu automaticamente todos os direitos de
participação na exploração da economia açucareira.
Invasões Holandesas:
Como dito anteriormente, após a União Ibérica os holandeses acabaram sendo excluídos do
comércio do açúcar, já que assim a Espanha tentava sufocar economicamente a Holanda e
impedir sua independência e isso resultou uma ação dos holandeses contra os países ibéricos.
Os holandeses reagiram rapidamente, concentrando seus esforços no controle das fontes dos
produtos que negociavam.
Surgiu assim, em 1602, a Companhia das Índias Orientais. Essa empresa, de porte enorme,
se apossou dos domínios coloniais portugueses no Oriente. Em decorrência dos êxitos desse
empreendimento, os holandeses criaram, em 1621, a Companhia das Índias Ocidentais. Esta
ficou encarregada de recuperar o controle do açúcar brasileiro e monopolizar o seu comércio
nos mercados europeus.
Para controlar a produção
e comercialização do
açúcar era necessário
ocupar e se apoderar de
partes do território
colonial brasileiro onde
ele era produzido. Desse
modo, contando com uma
frota composta de 26
navios e 500 canhões, os
holandeses iniciaram sua
primeira invasão do Brasil
em 1624.
Atacaram a cidade de Salvador, na época o centro administrativo da colônia. Mas, um ano
após terem chegado, foram expulsos, a partir das Guerras de Guerrilha (aquelas feitas por
meio de emboscadas e ataques surpresa) sem grandes dificuldades.
Uma segunda tentativa de invasão se deu em 1630, dessa vez em Pernambuco. Os
holandeses conseguiram conquistar as vilas de Olinda e Recife. Houve combates, mas os
invasores holandeses resistiram e estabeleceram o controle de uma extensa parte do litoral
brasileiro que ia do Sergipe ao Maranhão. A Companhia das Índias Ocidentais nomeou um
governador para administrar o domínio recém conquistado, que ficou conhecido como o
Brasil-holandês
O governo de Nassau:
Para o cargo de governador, foi nomeado o conde João Maurício de Nassau, que chegou ao
Recife em janeiro de 1637. No período em que governou o Brasil-holandês, entre 1637 a
1644, Nassau procurou estabelecer uma administração eficiente e um bom relacionamento
com os senhores de engenho da região. Desse modo, foram colocados a disposição dos
proprietários de engenho recursos financeiros, para serem utilizados na compra de escravos e
de maquinário para o fabrico do açúcar.
Nassau também criou as Câmaras dos Escabinos, que eram órgãos de representação
municipal, a fim de estimular a participação política da população nas decisões de interesse
local. Durante o governo de Nassau, as vilas de Recife e Olinda passaram por um intenso
processo de urbanização e melhoramentos que mudaram completamente a paisagem local.
Para documentar seus feitos na colônia, trouxe em sua comitiva pintores como Albert
Eckhout e Frans Post, o médico Willem Piso, o biólogo e cartógrafo Georg Marcgraf, entre
outros homens da ciência.
Artistas e cientistas enviados para o Brasil:
O pintor holandês Frans
Post (1612-1680), que veio
ao Brasil, aos 24 anos,
como responsável por
registrar as paisagens das
regiões conquistadas pelos
holandeses, as batalhas e
as principais edificações.
Esses desenhos ilustram o
livro de Gaspar Barléu
(1584-1648): História dos
Feitos Recentemente
Praticados durante Oito
Anos no Brasil e noutras
partes sob o Governo do
Ilustríssimo João Maurício
Conde de Nassau (Rerum per Octennivm in Brasilia, publicado na Holanda em 1647, e
traduzido e publicado no Brasil em 1940, pelo Ministério da Educação). Encomendado por
Nassau para divulgar suas conquistas, o livro tem o imenso valor de documentar vários
aspectos do Brasil holandês. Até essa época, o que se sabia sobre o Novo Mundo era
principalmente através de relatos escritos. Foram os pintores de Nassau que produziram
as primeiras imagens detalhadas da colônia.
O artista e botânico Albert Eckhout (1610-1666),
companheiro de Post na viagem ao Brasil, e que
ficou responsável por retratar os tipos humanos, a
fauna e a flora. Podemos ver que, ao contrário de
Post, ele desenhava figuras vistas de perto e
também naturezas mortas. Eckhout produziu
muito no Brasil, cerca de 400 desenhos e esboços
a óleo feitos em observação direta de plantas e
animais que avistou em suas excursões ou no
jardim do palácio de Nassau. Pintou também
grandes telas retratando tipos humanos brasileiros,
como homens e mulheres indígenas, de
descendência africana e mestiços.
Retrato de menino
Por último, podemos ver aqui na Brasiliana
Iconográfica este e outros mapas, feitos pelo
biólogo e cartógrafo alemão Georg Marcgraf
(1610-1644), que veio ao Brasil, também a
pedido de Mauricio de Nassau, como
ajudante do médico Willem Piso (1611-
1678). Marcgraf fez também dezenas de
aquarelas da fauna e flora do país, que
ilustram a Historia Naturalis Brasilae (1648),
a primeira obra científica sobre a natureza
brasileira, feita em parceria com Piso, e que
se tornou referência para estudiosos por mais
de um século.
Infelizmente, as maiorias das obras produzidas no Brasil nesse período voltaram para a
Holanda em 1644, com o conde de Nassau e seus pintores. Muitas foram dadas de
presente a reis da Dinamarca e da França, entre outros.
Restauração:
Em 1640 chegou ao fim a União Ibérica, graças ao movimento que ficou conhecido
como Restauração (recuperação). Este movimento significou o retorno da autonomia política
de Portugal, agora sob a dinastia dos Bragança, sendo seu primeiro rei D. João IV. A aliança
entre os portugueses e a República das Províncias Unidas, sua aliada na luta pela
independência contra a Espanha, propiciou uma trégua aos combates, o que foi muito bom
para os negócios holandeses na Colônia.
No entanto, desde a saída de Conde Maurício de Nassau do governo dominado pelos
holandeses na América, em 1644, foi-se ampliando um clima de descontentamento entre
os colonos, provocado por incompatibilidades com o novo rumo dado à administração da
capitania pela Companhia das Índias, considerado prejudicial aos seus negócios. Entre outras
coisas, a Companhia passou a cobrar os empréstimos concedidos por Nassau, e quando esses
não eram pagos, os juros
aplicados eram extorsivos.
E isso numa época de má
colheita, provocada por secas e
inundações alternadas e a
queda de preço internacional
do açúcar, em torno de 25%.
Além do mais, os holandeses
passaram a exercer um controle
rigoroso na questão religiosa,
perseguindo os católicos.
Proibiam a vinda de novos
padres para substituir os que
morriam ou adoeciam.
Em 1645 teve início um movimento de revolta contra o domínio holandês que ficou
conhecido como Insurreição Pernambucana.
Lideraram o movimento: os senhores de engenho João Fernandes Vieira e André Vidal de
Negreiros, o índio Filipe Camarão, e o negro Henrique Dias. Após violentas lutas, como o
combate do Monte das Tabocas (1645) e as duas batalhas dos Guararapes (1648 e 1649) os
holandeses foram derrotados, a partir, também, das Guerras de Guerrilha, que como
faladas anteriormente são feitas por meio de emboscadas e ataques surpresas
A Batalha do Monte Tabocas foi o principal enfrentamento ocorrido nesse início da
Insurreição. Os portugueses conseguiram infligir uma retumbante derrota aos holandeses,
garantindo uma elevação da moral para a continuidade dos conflitos. Além disso, os
insurrectos receberam apoio de tropas vindas principalmente da Bahia.
Embora expulsos do Brasil, os holandeses somente reconheceram a perda do litoral
nordestino em 1661, quando assinaram a Paz de Haia com Portugal e, em 1669, acertaram o
recebimento de uma grande indenização por conta das terras perdidas.
A união de luso brasileiros, negros e índios, em um movimento de caráter nativista, deram
origem a uma das instituições mais importantes do Brasil: o exército brasileiro.
A Guerra dos Mascates aconteceu entre 1710 e 1711 e é considerada
um movimento nativista, que é o conflito entre os nativos da terra e as pessoas do
reino. Nesse confronto, de um lado estavam os senhores de terras e engenhos de
Pernambuco e, do outro, os comerciantes portugueses da metrópole de Recife,
chamados de mascates. Ela ocorreu devido ao endividamento dos senhores de
engenho
CONCLUSÃO:
A expulsão dos holandeses do Brasil gerou sérios problemas para a economia da Colônia
portuguesa na América. Eles passaram a produzir açúcar nas Antilhas, região da América
Central, comercializando-o a um preço mais baixo na Europa. Além disso detinham o
domínio sobre os mercados consumidores europeus. A concorrência do açúcar antilhano
provocou a queda do preço do açúcar em cerca de 50% e determinou o fim
do monopólio português sobre o produto. Foi o início da decadência da empresa açucareira
no Brasil.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
[Link]
[Link]
[Link]
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de-nassau
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espanha,[Link]