CENTRO UNIVERSITÁRIO FAVENI
ITERSANDRA CRISTINA DA SILVA PEREIRA BRANDÃO
A PROBLEMÁTICA DAS DROGAS: CONTRIBUIÇÕES DO ENSINO DE
BIOLOGIA PARA A PREVENÇÃO DO PROBLEMA
SETE LAGOAS
2022
CENTRO UNIVERSITÁRIO FAVENI
ITERSANDRA CRISTINA DA SILVA PEREIRA BRANDÃO
A PROBLEMÁTICA DAS DROGAS: CONTRIBUIÇÕES DO ENSINO DE
BIOLOGIA PARA A PREVENÇÃO DO PROBLEMA
Trabalho de conclusão de curso
apresentado como requisito parcial à
obtenção do título de segunda licenciatura
em Biologia.
SETE LAGOAS
2022
A PROBLEMÁTICA DAS DROGAS: CONTRIBUIÇÕES DO ENSINO DE BIOLOGIA
PARA A PREVENÇÃO DO PROBLEMA
ITERSANDRA CRISTINA DA SILVA PEREIRA BRANDÃO¹
Declaro que sou autor(a)¹ deste Trabalho de Conclusão de Curso. Declaro também que o mesmo
foi por mim elaborado e integralmente redigido, não tendo sido copiado ou extraído, seja parcial ou
integralmente, de forma ilícita de nenhuma fonte além daquelas públicas consultadas e corretamente
referenciadas ao longo do trabalho ou daqueles cujos dados resultaram de investigações empíricas por
mim realizadas para fins de produção deste trabalho.
Assim, declaro, demonstrando minha plena consciência dos seus efeitos civis, penais e
administrativos, e assumindo total responsabilidade caso se configure o crime de plágio ou violação aos
direitos autorais. (Consulte a 3ª Cláusula, § 4º, do Contrato de Prestação de Serviços). “Deixar este texto
no trabalho”.
RESUMO-
As drogas representam um grande desafio para a sociedade atual. A juventude através das grandes
mudanças ocorridas no corpo e na maneira de pensar, se torna um grande alvo para esse tipo de mal. As
drogas são atrativos que chamam a atenção dos jovens que procuram novidades e descobertas. Muitas
vezes é um amigo que apresenta esse mundo ou o incentivo pode vir da mídia e das redes sociais. O fato
é que, uma vez inserido nesse mundo, o jovem tem grandes dificuldades para sair dele. As escolas tem
feito excelentes propagandas no combate à viciação e as disciplinas do currículo escolar também tem
influenciado muito nessa proposta. Há muito trabalho envolvido para atrair a atenção dos jovens e fazer
com que não entrem nesse mundo muitas vezes sem volta. A Biologia é uma das disciplinas que tem
dado grandes contribuições para essa geração indecisa e dispersa. O trabalho em questão vai trazer um
pouco das propostas que o ensino de Biologia vem trazendo no combate às drogas.
PALAVRAS-CHAVE: Biologia. Drogas. Prevenção.
1 INTRODUÇÃO
O tema a ser apresentado neste artigo é: A problemática das drogas:
contribuições do ensino de Biologia para a prevenção do problema. Esse tema trará um
pouco do trabalho desenvolvido pela disciplina no contexto escolar.
Para o desenvolvimento do artigo, a problemática envolvida será: como o ensino
de Biologia pode contribuir na prevenção do uso das drogas?
O objetivo geral do trabalho: abordar as maneiras como o ensino de Biologia vem
trazendo propostas no combate às drogas.
Os objetivos específicos: trazer os grandes problemas que as drogas trazem
para a vida dos jovens, mostrar as contribuições da educação em relação a esse
problema e apontar as ações em torno desse problema no contexto escolar.
A justificativa para essa proposta a ser desenvolvida é tornar evidente que há
ações no combate às drogas no contexto escolar e mais especificamente no ensino de
Biologia. Esse aspecto é importante pelo fato de mostrar que existem intervenções que
atuam diretamente na prevenção desse mal entre os jovens.
A metodologia utilizada será a pesquisa bibliográfica através de métodos
qualitativos que buscam trazer a intensidade do trabalho desenvolvido em torno do
assunto sem levar mais especificamente valores numéricos.
O trabalho será dividido por assunto ou mais especificamente tópicos que vão
abordar o tema proposto.
2 DESENVOLVIMENTO
A escola é uma instituição fundamental no processo de formação do ser humano.
A primeira instituição que faz parte desse processo é a família, isso é fato. Os valores
são aprendidos na família, as funções básicas de sobrevivência, os hábitos e as
primeiras vivências de uma criança são aprendidos em casa.
Por meio da educação, é possível transmitir a cultura gerada e o conhecimento
através dos tempos, e dessa forma o aluno é chamado a despertar suas
potencialidades, a refletir e a criticar a realidade na qual está inserido, bem
como estará capacitado a intervir e a propor novas orientações no ambiente de
seu convívio. As influências do meio escolar podem ser muito produtivas
(MACHADO, 2015)
Quando a criança adentra a escola, já traz consigo uma enorme bagagem de
aprendizado e uma grande quantidade de dúvidas também. A partir desse momento, a
escola atua modelando esse ser humano para a sociedade juntamente com a família.
Por isso a parceria entre escola e família é fundamental. Quando uma fracassa, é
visível a defasagem da ser humano em alguns aspectos. Uma lacuna se fez na vida
dele.
“...as crianças e adolescentes constituem um importante grupo a ser trabalhado,
pois estão em fase de formação de crenças e hábitos que os acompanharão
para a vida toda. A escola que é a segunda maior referência de comportamento
desta faixa etária é um importante canal desta interação. (OLIVEIRA, 2013, p.
10).
O que se aprende na escola e na família é refletido no homem ou mulher que
atua na sociedade. É importante compreender esse processo pelo fato de se tratarem
de influências e modelos ao ser humano as duas instituições citadas. No decorrer da
formação, esse ser humano passa por outras influências e pode também adquirir outros
modelos a seguir que não são benéficos para sua vida. Surgem nesse contexto o
envolvimento com as drogas, por exemplo, que são o resultado de algo que não deu
certo ou ficou em aberto na formação dessa pessoa e foi preenchido pelo vício em
qualquer tipo de droga.
A escola, além de função pedagógica específica, tem função política, social,
tornando-se transformadora do indivíduo, assim com um papel importantíssimo
de ações voltadas na área de saúde e bem estar, buscando práticas
pedagógicas que auxiliem a comunidade escolar a formar uma crítica focada na
ciência, com uma educação voltada para a formação social. (OLIVEIRA, 2013,
p. 12).
Ainda é preciso acrescentar em relação ao aspecto pedagógico:
É importante considerar um suporte pedagógico que possa ser o mais coerente
possível, aproveitando experiências trazidas pelo aluno, confrontando com um
saber sistematizado, fazendo com que o aluno tenha maior reflexão crítica
sobre as questões relacionadas à droga. Desta forma, devemos tratar os
conteúdos ligados a drogas de forma ampla onde há construção e
desconstrução dos contextos sociais, políticos e econômicos (OLIVEIRA, 2013,
p. 12 apud PARANÁ, 2008, p.110).
Isso quer dizer que a escola é importante influenciadora nas ações futuras de
uma pessoa, além, de contribuir para que essa pessoa aprenda a ter um pensamento
crítico em relação às várias situações que ocorrem ao seu redor. Uma pessoa que
possua a capacidade de compreender o que é bom ou ruim para ela mesma não se
envolve com facilidade no mundo das drogas apesar de este se apresentar muito
atraente às vezes.
O uso adequado de metodologias para o ensino e aprendizagem tem sido um
tema muito importante e estudado na área de educação, pois sempre se busca
conceitos que explicam a lógica de se organizar atividades diferenciadas, num
mesmo espaço de tempo, respeitando as características pessoais de cada
aluno, como comportamento, personalidade, gênero, valores, enfim, a
individualidade de cada um, quanto ao modo de assimilar conhecimentos.
(OLIVEIRA, 2013, p.13).
A escola tem o importante papel de trabalhar as várias metodologias na
contribuição para a aprendizagem não somente de conteúdos do currículo básico, mas
de associar esses conteúdos às vivências de seus alunos. Isso tem sido feito nas várias
mudanças que ocorrem em relação aos métodos pedagógicos utilizados para a
aprendizagem. Cada vez mais a escola vem trazendo um ensino diferenciado e
construtivo aos alunos dentro do mundo em que estão inseridos. O tempo dos métodos
tradicionais já finalizou e a proposta agra é muito mais ampla e educativa que a de
tempos atrás.
A problemática do consumo de drogas entre jovens, em especial, apresenta-se
como um tema transversal de imensa complexidade que tem gerado grandes
preocupações para as mais diversas instâncias de nossa sociedade. Os jovens,
além de estarem à procura de sua identidade, também começam a apresentar
algumas tendências e necessidades muito diferentes das que apresentavam em
fases anteriores da vida, como a necessidade de aceitação em grupos sociais,
a tendência de reivindicarem mais, de serem mais imediatistas, ter flutuações
de humor e apresentarem mais sinais de agressividade, insegurança,
insatisfação e incompreensão (AJALA, 2015, p. 27 apud ABERASTURY;
KNOBEL, 1981).
Dentre as várias etapas que constituem o processo de crescimento e
aprendizagem do ser humano, a adolescência é a mais crítica e suscetível aos variados
picos de personalidade. É a fase das escolhas, da formação da personalidade, das
mudanças no corpo.
Temos que ver o adolescente como um sujeito de direito. Nós, enquanto família,
escola e governo devemos garantir a proteção dos jovens. Essa proteção é
necessária para que ele se desenvolva. Diversas situações podem levar ao uso
de drogas, como redução da autoestima; fracasso escolar; sensação de ser
excluído; problemas em casa; e falta de conhecimento sobre os efeitos das
drogas. A escola não pode achar que jovens que usam drogas são
responsabilidade apenas das famílias e da polícia. As instituições de ensino são
um espaço de transformação social, onde os alunos aprendem a ser, no sentido
mais amplo. Os professores devem ficar de olho no comportamento dos alunos,
e agir quando perceberem alguma alteração. O corpo docente também deve ser
preparado para lidar com as drogas. (MAY, 2013, p. 30 apud GOMES, 2012).
Essa responsabilidade da escola no sentido mais amplo e no mais restrito do
corpo docente, deve ser compreendida como parte do processo de aprendizagem e
formação do ser humano que se faz não somente na família, mas com essa instituição
e a escola. Uma sociedade de respeito e pacífica se forma através de seus membros e
estes precisam das instruções que a instituição escolar traz através de seus conteúdos
atrelados aos métodos preventivos em relação às drogas.
De acordo com o Ministério da Educação, através da Secretaria de Projetos
Educacionais Especiais, existem seis abordagens principais para a prevenção
ao consumo de drogas no Brasil: 1. Enfoque de princípio moral que utiliza
pressupostos religiosos, morais ou étnicos. 2. Amedrontamento que se mostra
pouco eficaz em mobilizar a juventude, porém é a mais utilizada na atualidade.
É baseado em campanhas informativas sobre os aspectos negativos das
drogas utilizando a “pedagogia do terror”. 3. Conhecimento científico é uma
abordagem que vem para se opor a abordagem do amedrontamento. Visa
transmitir informações de forma imparcial e objetiva deixando a decisão do
consumo na mão do educando. É utilizado para auxiliar em programa educativo
mais amplo, mas avaliações afirmam que o aumento do conhecimento sobre
drogas não se traduz em diminuição do consumo. 4. Educação afetiva procura
alterar os fatores de personalidade que podem predispor ao uso de drogas.
Utiliza técnicas apropriadas que tem como objetivo desenvolver a autoestima, a
comunicação verbal e não verbal, o trabalho em grupo e a capacidade de lidar
com tensões, angústias, frustrações e pressões. Avaliações sobre essas
abordagens detectaram dificuldade em implanta - lá nas escolas por precisar de
profissionais treinados para executá-la e disposição interna para acatar
mudanças pedagógicas e de comportamento. 5. Pressão positiva do grupo
procura mobilizar líderes naturais entre os jovens para que tenham atitudes
antidrogas nas atividades. Com isso espera-se que a coesão afetiva dos
próprios jovens forme organização de solidariedade e autoajuda afastando e
desestimulando o uso de drogas. 6. Qualidade de vida visa propor um estilo de
vida saudável para barrar a procura pelas drogas. Utiliza um enfoque ecológico
- ambiental e humano onde as drogas são discutidas como agressoras de uma
vida saudável. Experiências que abordam essa questão de forma integral
tendem a resgatar a cidadania individual e comunitária. (MAY, 2013, p. 33).
Percebe-se que, de acordo com essas orientações, o conhecimento científico é o
meio mais indicado para se trabalhar no contexto escolar devido às abordagens que
são feitas com os jovens, mas não o mais eficaz. Por outro lado, a abordagem
relacionada à qualidade de vida também é uma maneira interessante a ser trabalhada
no contexto educacional, mas também precisa de direcionamento pedagógico. Ainda
existem cinco maneiras preventivas quanto ao uso de drogas que podem ser tratadas
no ambiente escolar de forma mais efetiva:
O modelo do conhecimento científico acredita que as informações sobre drogas
devam ser fornecidas de modo imparcial e científico. Com isso os jovens
poderiam tomar decisões racionais e bem fundamentadas sobre as drogas.
Suas principais propostas de ações são: oficinas e debates com profissionais de
saúde; leitura de livros; discussão de filmes. O modelo de educação afetiva
sugere a modificação de fatores pessoais que são tidos como passíveis de
predispor o uso de drogas. É formada por um conjunto de técnicas que visam
melhorar ou desenvolver a autoestima, a capacidade de lidar com ansiedades,
a habilidade de decidir e interagir em grupo, a comunicação verbal e a
capacidade de resistir às pressões de grupo. Acredita que jovens mais
estruturados e menos vulneráveis psicologicamente são menos propensos a
fazer uso de drogas. O modelo de oferecimento de alternativas propõe a criação
de desafios e alívio do tédio, por meio de atividades que estimule a autoestima,
prazeres e realizações. Suas sugestões seriam a realização de torneios
esportivos, criação e gestão de hortas comunitárias ou cooperativas de
produtos ou serviços. O modelo da educação para a saúde procura discutir
estratégias que promova estilos de vida associados à boa saúde. Pretende com
isso formar cidadãos conscientes em relação aos riscos que pode estar exposto
e com capacidade de escolher uma vida mais saudável. A discussão de temas
gerais como importância da água no planeta, o ar, o trânsito, as atividades de
plantio ou aproveitamento de alimentos e cuidados com o corpo devem fazer
parte da vida escolar dos alunos desde a educação infantil. O modelo de
modificação das condições de ensino propõe que a preocupação deve estar na
formação integral do jovem, desde as suas vivências na pré-escola até o ensino
médio, abrangendo pais e comunidade. As iniciativas devem ser intensas e
duradouras. Esse modelo apresenta seis orientações básicas, que podem ser
aplicadas em conjunto que são: modificação das práticas de ensino; melhoria
da relação professor-aluno; melhoria do ambiente escolar; incentivo ao
desenvolvimento social; oferta de serviços de saúde; envolvimento dos pais em
atividades curriculares. (MAY, 2013, p. 33).
São práticas que podem ser utilizadas no contexto escolar sem exclusão de uma
ou outra e não sendo utilizadas isoladamente e que podem se complementar e serem
distribuídas de forma inteligente e interessante através dos vários conteúdos que
compõem o currículo escolar trazendo aulas criativa e chamativas aos alunos. Essas
aulas adquirem, dessa forma, um caráter preventivo sem ser coercivo e tedioso.
Educadores de ensino fundamental e médio são, cada vez mais, cobrados [...]
para abordarem a questão das drogas em sala de aula e para saberem lidar de
modo efetivo com alunos que necessitam atenção especial nessa questão.
(BRASIL, 2013b, p. 9)
A questão principal a ser tratada no momento é como essas propostas são
levadas aos jovens no ambiente escolar.
Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) também registram que o espaço
escolar é privilegiado para a abordagem da temática das drogas visto que estas
remetem às experiências sociais dos jovens, bem como suas vivências e
formação, que também se dão no ambiente escolar. Nos PCN, a temática das
drogas aparece no terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental, estando
dentro do tema transversal saúde. Discorre-se nele que "As dimensões da
demanda social para o tratamento do tema fazem com que seja necessário
enfocá-lo de maneira diferenciada, e as dificuldades em lidar com o assunto
levam a colocar a esperança nos educadores e muita expectativa nas
instituições de ensino." (BRASIL, 1998, p. 271).
O enfoque dado pela escola é muito importante, isso é fato, porém, o que vem ao
caso são as dificuldades em levar esse aprendizado de maneira concreta aos jovens
uma vez que se faz necessário um mínimo de preparo para ministrar tais orientações.
Apesar de ter sido incorporado aos PCN (1998), receber amparo internacional
das Nações Unidas (2005) e estar assegurada em Lei, ainda há poucas
oportunidades de formação continuada exclusivas para os professores. Isso,
somado a delicadeza do assunto e ao despreparo da equipe pedagógica, se
revela como algo preocupante no cenário educativo atual. Frente a essas
lacunas, é compreensível que os professores tenham dificuldade em
desenvolver uma Educação sobre Drogas capaz de preparar os alunos para
lidar com as dúvidas e experiências sobre as substâncias psicoativas presentes
na vida cotidiana. E para que isso não aconteça, há um caminho: a qualificação
desse profissional. (COELHO, 2019, p. 60).
Para a capacitação dos profissionais da educação, sobretudo professores, a
proposta EaD vem sendo uma das mais aceitas devido à sua flexibilidade de tempo e
acessibilidade aos educadores. O campo é bem propício para um aprendizado mais
concreto e sem muitos desgastes.
Pontuamos a relevância da análise da viabilidade da EaD não apenas para
contextualizar a necessidade da formação continuada entre professores, mas
como uma etapa contínua de construção e reconstrução do conhecimento.
Pensar numa Educação sobre Drogas para o público docente significa
reconhecer o potencial desses agentes na promoção e prevenção da saúde dos
adolescentes visto que os psicoativos apresentam largo alcance entre os
jovens. A formação EaD se torna uma aliada na preparação desses
profissionais ao propiciar uma formação de qualidade com flexibilidade de
tempo e espaço, sobretudo com parcerias institucionais consolidadas e que
atuem na formação continuada online. (COELHO, 2019, p. 69).
A interdisciplinaridade é uma das alternativas que estão dentro da proposta
desse ensino, porém, a Biologia traz um enfoque bastante considerável nessa
abordagem. Os conteúdos apresentados nos livros didáticos atuais também são um
excelente veículo de informações com propostas interessantes e interdisciplinares.
Cabe aos professores pesquisarem os livros para uma escolha adequada ao contexto
em que está inserido, ou seja, ao público e à comunidade em que a escola atua.
Os conteúdos de ciências e biologia podem ser uma excelente ferramenta para
contribuir com os trabalhos de prevenção a drogas e seus comportamentos de
risco. Ele pode ajudar e auxiliar toda a comunidade escolar a trabalhar com a
promoção a saúde. Essas disciplinas apresentam conteúdos que se forem
contextualizados com a realidade dos alunos valorizando seus conhecimentos
prévios podem ser mais uma ferramenta para a formação de alunos críticos
com capacidade de fazer escolhas mais assertivas e a buscarem o
autoconhecimento com atitudes proativas para sua qualidade de vida. Os
conteúdos de ciências e biologia e a temática relacionada com drogas devem ir
além das informações sobre o tipo de drogas e seus efeitos nocivos para os
organismos. É preciso considerar os fatores sociais, históricos e culturais de
toda a comunidade escolar, assim como as necessidades dos alunos. (MAY,
2014, p. 56).
A fisiologia do corpo humano se traduz como tema principal para as abordagens
em relação às drogas dentro da disciplina Biologia. A proposta é que se mostrasse
como é a atuação e o efeito das drogas no funcionamento dos diversos sistemas que
constituem o corpo humano. Mais especificamente, o que se pretende é estudo pelo
Sistema Nervoso Central, principal local de atuação das substâncias químicas
denominadas drogas, e na sequência, os conceitos referentes aos órgãos dos sentidos,
regulação hormonal, sistema excretor e circulatório. Além de ampliar o conhecimento
sobre tipos, classificação e efeitos das drogas no organismo humano.
O trabalho desenvolvido em sala de aula deve ser feito por etapas começando
por questionários buscando o entendimento dos alunos em torno do assunto pelo fato
de que há vários conceitos equivocados que trazem dúvidas que precisam ser
esclarecidas. Conhecer é a melhor opção para início de um trabalho mais efetivo.
Atividades simples como análise de rótulos de substâncias taxadas com drogas e não
drogas podem facilitar a compreensão sobre as drogas e a separação delas. A proposta
é que os alunos compreendam quais são as drogas e as características de cada uma
além da ação delas no corpo humano. Os livros didáticos entram nesse contexto como
uma abordagem mais ampla sobre o assunto. Além dos livros, outras disciplinas podem
intervir interdisciplinarmente trazendo um contexto histórico e geográfico, legislação e
relatos. As experiências dentro do assunto foram relatadas em um trabalho que resultou
em um encontro sobre o assunto. É importante trazer essas abordagens para mostrar
como o trabalho foi desenvolvido na prática e quais foram seus resultados.
A dinâmica das aulas permitiu aprendizado científico e humanístico, já que os
alunos reconheciam o seu corpo e ficavam sensibilizados em situações nas
quais refletíamos sobre o consumo abusivo de drogas. Um dos momentos mais
marcantes foi quando os alunos assistiram vídeos que demonstravam a
evolução do consumo de drogas em nosso país. A droga apresentada em
diversos momentos (mídia, esporte, entre as pessoas famosas, o vício e grupos
de apoio) e a história de uma jovem que se envolveu em um acidente de carro,
causado por outro jovem embriagado, no qual os veículos pegaram fogo e a
menina teve 60% do seu corpo queimado. Estas abordagens marcaram os
alunos. Eles ficaram abalados diante das imagens, propiciando um debate
produtivo, no qual foi possível fazê-los perceber que a bebida alcoólica, mesmo
sendo legalmente aceita em nosso país, pode causar uma tragédia.
(GOETTEMS, 2011, p. 07).
Um outro aspecto interessante relatado no encontro e que pode ser observado e
trabalhado pelos professores em sala de aula é a interação dos alunos. Quando o
conteúdo chama a atenção e está dentro do universo deles, é mais fácil de ser
assimilado.
Os vídeos e atividades mais dinâmicas propiciaram uma participação mais ativa
dos alunos, o que não acontecia em todas as aulas, principalmente naquelas
em que a abordagem era descritiva. Consideramos então, que os professores
devem preocupar-se não só em dominarem conceitos, mas, também, olharem
os alunos, no sentido de proporcionar-lhes atividades estimulantes para buscar
novas explicações científicas. Neste sentido, as reflexões, a partir dos
acontecimentos das aulas, proporcionaram, ao professor em formação inicial,
uma tomada de consciência das suas habilidades profissionais para coordenar
espaços de aprendizagem e de trocas dialéticas em diversos níveis de
conhecimento e de interações sócio-afetivas com os alunos e destes entre si.
Essas interações propiciam mudanças, que devem considerar também os
argumentos dos alunos, portanto foram realizadas conversas em aula, para que
eles também pudessem colocar as suas expectativas e dificuldades no
desenvolvimento das mesmas e sugerir mudanças. Os alunos relataram que o
conteúdo era muito difícil, mas consideraram que relacionar os conceitos de
biologia com o tema das drogas estava sendo interessante. (GOETTEMS, 2011,
p. 07).
Ainda é importante destacar as dinâmicas que podem ocorrer para fortalecer o
entendimento em relação ao assunto e criar mais oportunidades de participação dos
alunos.
Para melhor significar os conceitos sobre sinapses e neurotransmissores,
estruturas que recebem e fazem a interpretação de nosso corpo, e do consumo
de drogas, foi desenvolvida com os alunos uma dinâmica, que envolveu a
participação de dois deles e bolas coloridas que representaram os
neurotransmissores. Essa atividade foi muito importante, já que os dois alunos
menos interessados nas aulas, foram os primeiros a se disponibilizar a fazer a
representação. Eles ficaram bem mais motivados e envolvidos. É importante
salientar, que no senso comum os efeitos das drogas parecem restringir-se ao
Sistema Nervoso. No entanto, todo o corpo humano sofre as consequências da
drogadição. Por isso, a relação dos efeitos do consumo de drogas com o
Sistema Hormonal suscitou novas pesquisas e estudos, tanto na busca
compreensão sobre a temática pela licencianda quanto na construção do
conhecimento pelos estudantes. Uma das propostas elaboradas envolveu a
abordagem dos efeitos do álcool sobre a regulação hormonal. Para que os
alunos compreendessem o envolvimento dos hormônios com a indisposição
sentida por quem abusou da bebida alcoólica foi ressaltado a temática: “A
Ressaca”. Os alunos ficaram muito interessados no assunto, fato percebido
pelas suas próprias descrições. (GOETTEMS, 2011, p. 07).
Os relatos e as experiências são fatores importantes e influenciadores para os
alunos. Quanto mais próximo da realidade que eles vivem, mais efeito vai trazer na
aprendizagem.
O papel do professor, portanto, deve ir além dos conteúdos dos livros.
Dinâmicas, experiências, relatos, troca de opiniões e interação são essenciais para uma
aprendizagem para a vida. Isso é importante observar e compreender porque o aluno
irá vivenciar situações em sua vida fora dos muros da escola que vão incentivar o
pensamento crítico e o questionamento do certo e errado.
A Biologia, portanto, deve ser também uma disciplina do dia a dia, ou seja, fazer
parte do mundo real através das experiências reais. Esse caminho é fundamental para
a concretização da proposta em relação ao combate às drogas.
Outras atividades, projetos e dinâmicas vão surgindo a partir do momento em
que se provoca uma abertura na mente dos alunos que faz com eles questionem seus
professores e procurem as respostas nos lugares certos.
CONCLUSÃO
A prevenção contra as drogas é fundamental, isso é fato. Ficou bastante
evidente que a escola tem um papel muito importante nesse trabalho e que as
disciplinas do currículo escolar podem trabalhar juntas para que a proposta seja mais
efetiva.
A Biologia, que foi a disciplina foco para o desenvolvimento da pesquisa, é
fundamental para que o aluno compreenda tudo que ocorre no seu corpo e analise os
danos causados pelo uso das variadas drogas. Essa disciplina deve ser trabalhada com
muita seriedade pelos professores por se tratar de importante ferramenta para que o
aluno compreenda o que ocorre no corpo de uma pessoa e como tudo é processado.
Cabe aos educadores buscarem propostas mais atrativas para que os alunos
aprendam com mais eficiência.
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