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Do Impresso À Pintura: Camila Fernanda Guimarães Santiago

O documento descreve os livros encontrados nos inventários de pintores que atuaram na Capitania e Província de Minas Gerais entre os séculos 18 e 19. Analisa os livros de pintores como Manoel da Costa Ataíde, que possuía uma Bíblia estampada e livros sobre segredos das artes, e Francisco Xavier Carneiro, que tinha livros sobre profecias, pintura e desenho. O objetivo é entender como esses livros influenciaram o trabalho pictórico desses artistas.

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Do Impresso À Pintura: Camila Fernanda Guimarães Santiago

O documento descreve os livros encontrados nos inventários de pintores que atuaram na Capitania e Província de Minas Gerais entre os séculos 18 e 19. Analisa os livros de pintores como Manoel da Costa Ataíde, que possuía uma Bíblia estampada e livros sobre segredos das artes, e Francisco Xavier Carneiro, que tinha livros sobre profecias, pintura e desenho. O objetivo é entender como esses livros influenciaram o trabalho pictórico desses artistas.

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Revista do Arquivo Público Mineiro Dossiê Revista do Arquivo Público Mineiro 65

O exame dos livros relacionados nos inventários de pintores atuantes na Minas


Do impresso colonial e nos primeiros tempos da Independência faz supor que muitos desses
artistas se basearam em paradigmas estéticos contidos nessas obras para
Camila Fernanda
Guimarães Santiago à pintura aplicá-los em seu trabalho pictórico, ainda que os adaptando criativamente à
nova realidade.

64 | Revista do Arquivo Público Mineiro | Entrevista Entrevista: Carlos de Almeida Prado Bacellar | Casa nova para um arquivo renovado | 65
> O presente trabalho pretende fazer o escrutínio em Mariana.4 Seus bens apontam para o exercício de ati- A Bíblia estampada de propriedade de Manoel da Possuía móveis, quadros, oratório, uma espingarda, duas
das bibliotecas particulares de pintores que atuaram na vidades profissionais diversificadas, desde o ofício militar, Costa Ataíde era, certamente, a Histoire Sacrée de la moradas de casas e “hum livro dos quatro evangelhos”.16
Capitania, posteriormente Província de Minas Gerais, acusado por suas armas, passando pela mineração, tendo Providence et de la Conduite de Dieu sur les Hommes
entre o final do século XVIII e o início do XIX. Serão em vista a presença de almocafres e balança de pesar depuis le Commencement du Monde jusq’aux Temps Francisco Xavier Carneiro, responsável por importantes
abordados os conteúdos dos livros que versavam sobre ouro, por exemplo.5 A biblioteca do capitão era composta prédits dans l’Apocalipse,12 pois o pintor a tomou como pinturas mineiras, como o forro da nave da capela
pintura ou que, de alguma maneira, poderiam intervir no de três livros, cujos títulos e avaliações pecuniárias são manancial de modelos para suas criações em diversas da Ordem Terceira de São Francisco, Mariana, e o
trabalho pictural. Com o objetivo de perscrutar leituras os seguintes: “Hum livro Erario mineral de sirurgia $600 oportunidades. Suas gravuras, algumas abertas a partir forro da nave da matriz de Santo Antônio, Itaverava,
realizadas, especial destaque será conferido aos usos [seiscentos réis]; Hum livro piqueno Mestre da vida [...] de obras do renascentista Rafael Sanzio, não apenas possuía interessante biblioteca. Seu inventário data de
que Manoel da Costa Ataíde fez dos livros que possuía. $300 (trezentos réis); Humas Oras portuguesas piquenas a ilustram, mas são seu elemento principal. O livro 1840. Era tenente e possuía casas, escravos, móveis
Entrevê-se, assim, o papel desempenhado pelos $150 (cento e cinquenta réis)”.6 se organiza em estampas que tomam toda a extensão e livros, citados na descrição dos bens da seguinte
impressos nos processos pictóricos, ponderando-se das páginas. Cada imagem representa uma importante maneira: “Sete livros a saber: Profecias de Isaias, duas
sobre as influências de seus conteúdos e os impactos Os herdeiros de Luiz da Costa Ataíde eram seus filhos: passagem do Antigo ou do Novo Testamento. Sob cada Evas e Ave, As sciencias das sombras relativas ao
que acarretaram no universo visual do período. Izabel, padre Antonio da Costa Ataíde, alferes Manoel da uma das cenas, há um título e breve trecho retirado das dezenho, Segredo necessário para as Artes da pintura,
Costa Ataíde, que abdicou da legítima paterna, o tenen- Sagradas Escrituras, referente ao episódio em questão, Ortohografia portugueza...3$000 [três mil réis]”.17
te Domingos da Costa Ataíde, inventariante, e Sebastião em versões latina e francesa. Alguns desses títulos deveriam ter mais de um volume,
Pintores e livros da Costa Ataíde, que se encontrava desaparecido havia o que explica a menção a sete livros.
mais ou menos 28 anos. Coube ao padre Antonio da É provável que o livro de Ataíde listado em seu
Para conhecer os livros que os pintores possuíam, foi Costa Ataíde as Oras portuguesas.7 Os outros dois livros inventário como Segredo das Arte dous tomos seja um O livro Eva e Ave, ou Maria Triunfante, do jurista
processada ampla pesquisa documental com vistas à do capitão foram herdados por Sebastião, desaparecido, dos seguintes livros de segredos: Segredos necessarios Antonio de Souza Macedo, disserta sobre a degeneração
identificação dos inventários post-mortem dos artistas. e logo disponibilizados em leilão em praça pública, com para os officios, artes e manufaturas e para muitos da humanidade, motivada pelo pecado de Eva, e
Primeiramente, com base em bibliografia pertinente, os demais bens recebidos por esse filho. Os livros não objetos sobre a economia doméstica ou Segredos das glorifica a remissão desse estado, anunciada pelo
foi elaborada uma lista com nomes de pintores que foram arrematados. Artes Liberaes e Mecanicas.13 arcanjo Gabriel, pela misericórdia e pureza marianas.
atuaram em Minas Gerais no período em estudo. Só foram Percorre várias passagens da história sagrada e aborda
considerados inventários que apresentassem algum indício O processo de inventário de Manoel da Costa Ataíde Os livros de segredos tratam de assuntos variadíssimos, assuntos como a invenção e o desenvolvimento da
de se referir, efetivamente, a algum pintor, tomando como iniciou-se em 1832, a partir da demanda de uma de suas como aspectos referentes ao cotidiano doméstico, por música, da retórica, da ciência, dos livros, da pintura,
critério a existência de bens relacionados ao exercício herdeiras, Francisca Roza de Jesus. Ataíde possuía alguns exemplo o preparo de café, além de rudimentos de da escultura, explicando como tais criações humanas
da pintura ou de créditos contraídos junto a instituições bens relacionados com suas patentes militares de sargen- metalurgia, mineração, dicas para a beleza do corpo, foram contaminadas e mal utilizadas pelos homens,
encomendantes de obras, tais como irmandades e ordens to e de alferes, tais como pistolas e espingardas, além de brincadeiras, entre outros. Apresentam ensinamentos maculados pelo pecado original.18
terceiras.1 Sete inventários foram confirmados como chácara de terras e instrumentos musicais, entre outros sobre pintura, com destaque para a produção de
pertencentes aos seguintes artistas: capitão Luiz da Costa pertences.8 Os livros do pintor eram: “Hum livro da Bíblia pigmentos. O Segredos necessarios para os officios, A sciencia das sombras tem como finalidade ensinar
Ataíde, Manoel da Costa Ataíde, Marcelino da Costa estampado por 4$800 (quatro mil e oitocentos réis); Hum artes e manufaturas explica, de forma bastante arquitetos a representarem, nos seus riscos e projetos,
Pereira, Francisco Moreira de Oliveira, Feliciano Manoel Dº Segredo das Artes dous Tomos 2$000 [dois mil réis]; didática, as técnicas e procedimentos envolvidos na as sombras capazes de garantir a impressão de
da Costa, Francisco Xavier Carneiro e Caetano Luiz de Dicionário Francês 2$000 [dois mil réis]”.9 Entre a morte produção pictórica à têmpera, afresco e a óleo. tridimensionalidade. Também, prevê-se útil aos “que
Miranda. Não serão tratados os inventários de Feliciano do pintor e a abertura do seu inventário, passaram-se dois exprimem primeiramente a sua idea pelo desenho”19 –
Manoel da Costa e Francisco Moreira de Oliveira, pois anos, durante os quais alguns pertences ficaram com o Marcelino da Costa Pereira, pintor pardo, natural pintores, gravadores e escultores. Intenciona orientar
neles não há nenhum livro arrolado.2 filho do finado, Francisco de Assis Ataíde, entre eles os de Vila Rica, morreu viúvo e sem filhos em 1858.14 como assombrar desenhos de telhados, fachadas,
livros.10 Provavelmente, Francisco usufruiu dos volumes Trabalhou na capela da Ordem Terceira de São Francisco colunas e outros elementos de arquitetura, citados
O processo de inventário de Luiz da Costa Ataíde foi nas suas atividades de pintor, visto ter dourado talha no da Penitência, de Ouro Preto, e na capela da Ordem esporadicamente ao longo dos capítulos, uma vez que a
aberto em 1802.3 Ele trabalhou na ornamentação da camarim do altar-mor da capela da Ordem Terceira do Terceira do Carmo, da mesma cidade.15 Foi aprendiz de maior parte do texto versa sobre figuras geométricas.
capela da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo, Carmo, de Ouro Preto, em 1830.11 Ataíde, usufruindo, provavelmente, dos livros do mestre. Só o último capítulo dedica-se, especificamente, a

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partes arquitetônicas ao tratar da natureza das sombras e sete mil, quinhentos e cinquenta réis) e partilhados.
sobre colunas, capitéis, cornijas.20 Todos os livros ficaram com Antonio Alves de Almeida,

Michael Demarne. O sacrifício de Abraão. Gravura a buril, Paris. In: DEMARNE, Michel. Histoire Sacrée de la Providence et de la Conduite de Dieu sur les Hommes. Depuis le
Commencement du Monde jusq’aux Temps prédits dans l’Apocalypse. Paris: Chez l’Auter, 1730. Acervo Biblioteca Nacional de Portugal.
que deve ter herdado, quando do falecimento de sua
mulher, os outros livros que eram de Francisco Xavier
O segredo do baú Carneiro e que ficaram com D. Joaquina pela terça.24

O livro de segredos de Francisco Xavier Carneiro, outro Sobre o livro Arte da pintura, descoberto no misterioso
dos pintores mineiros inventariados, devia ser um dos baú de D. Joaquina Theodora, causa espécie o fato de
já abordados quando do exame da biblioteca de Manoel que, em circulação na época, havia quatro tratados
da Costa Ataíde. No processo de partilha dos bens, cujo título é Arte da pintura, podendo, assim, qualquer
realizado em 1843, os livros do pintor ficaram com um deles corresponder ao que o pintor possuía. Creio
sua esposa, D. Joaquina Theodora, que, na ocasião, já que seja pouco provável que se trate do erudito tratado
estava casada com Antonio Alves de Almeida.21 de Francisco Pacheco, mestre e sogro de Velázquez,
intitulado Arte de la pintura, editado pela primeira vez
Em 1844, a viúva de Francisco Xavier Carneiro já em 1649, dedicado a questões históricas, teóricas e
estava morta e novos dados foram acrescentados ao práticas sobre a pintura. As outras hipóteses para esse
inventário. O cura José Bonifácio de Souza Barradas livro são: Arte da pintura: symetria e perspectiva, de
procurou o juiz municipal participando-lhe que uma Filippe Nunes, A arte da pintura, de C. A. Du Fresnoy,
paroquiana, em segredo, entregara-lhe uma caixa aberta traduzido para o português por Jeronymo de Barros
com uma viola dentro e um baú de pau fechado e sem Ferreira e publicado em 1801 pela tipografia do Arco do
chave. A anônima disse ao padre que a falecida viúva Cego, ou a tradução, trazida a lume pela mesma oficina,
de Francisco Xavier Carneiro havia, às escondidas, da obra de Gerardo Lairesse, O grande livro dos pintores
entregado os ditos objetos para ela guardar “e por isso ou arte da pintura.25
se pode prezumir que ela occultou o que dentro existe
ao inventário do mesmo Carneiro”.22 A primeira edição do texto de Filippe Nunes é de 1615
e fazia parte de volume mais abrangente denominado
A Justiça autorizou o arrombamento do baú de Arte poetica, e da pintura e symetria, com princípios
pau, onde foi encontrado pequeno tesouro, como de perspectiva. Em 1767, foi editada apenas a parte
peças em ouro, prata, créditos, imagens de santos referente à pintura.26 Após um interessante Prólogo
e livros. A inclusão de oito títulos junto com tantos aos pintores sobre a nobreza da Arte da Pintura, o
artigos preciosos sugere que foram considerados, por tratadista aborda três grandes temas: perspectiva,
Joaquina, objetos de grande valor. Os títulos eram os simetria e procedimentos e receitas pertinentes à pintura
seguintes: “hum Riponço da Semana Santa, humas a óleo, a têmpera, afresco.
Oras Marianas, hum Livro de voto de Santa Bárbara,
outro dito de Instrução de Doutrina Christam, Arte de O pintor Charles Alphonse Du Fresnoy redigiu seu tratado
Pintura, Análise do escrúpulo theologico, Novena de durante o período em que estudava na Itália, entre 1632
Menino Deus, dous livros da História Sagrada”.23 e 1656. Ele organizou o texto em pequenas seções intitu-
ladas Preceitos. Após três preceitos iniciais – Do Bello; Da
Os bens encontrados no baú da viúva de Francisco Xavier Theoria e da Pratica; do Assumpto, ou Motivo27 – o livro
Carneiro foram avaliados em 227$550 (duzentos e vinte é dividido em três partes. Na primeira delas – “Invenção

68 | Revista do Arquivo Público Mineiro | Dossiê Camila Fernanda Guimarães Santiago | Do impresso à pintura | 69
da pintura” – o pintor orienta o leitor sobre diretrizes que ampla variedade de bens móveis, artigos de luxo, joias,
devem instrumentalizar uma invenção.28 A segunda parte pratarias, armas, imóveis, além de 22 escravos.33 Luiz

Michael Demarne. O Filho Pródigo decide voltar para seu pai. Gravura a buril, Paris. In: DEMARNE, Michel. Histoire Sacrée de la Providence et de la Conduite de Dieu sur les Hommes.
Depuis le Commencement du Monde jusq’aux Temps prédits dans l’Apocalypse. Paris: Chez l’Auter, 1730. Acervo Biblioteca Nacional de Portugal.
intitula-se “Do desenho” e ensina como um belo desenho de Miranda possuía bens relacionados com sua
pode ser realizado, primando pelo equilíbrio do conjunto, atividade de pintor, como 36 exemplares de desenhos
pela centralidade da figura principal, pela aversão a efeitos para pintores, avaliados em 3$600 (três mil e
geométricos e a escorços audaciosos e pela diversificação seiscentos réis), uma caixa com instrumentos de
de atitudes, gestos e caracterizações de personagens que pintura e pedra de moer tintas.34 Cercava-se de
se aglomeram em uma mesma cena.29 A terceira parte 55 quadros de variados temas, como retratos, episódios
do tratado versa sobre “Colorido ou cromática” e oferta históricos e religião.35 Possuía, também, 62 estampas,
instruções sobre a disposição das cores e da iluminação ilustrações correntemente tomadas como modelo pelos
em uma pintura de maneira que a clareza seja favorecida pintores atuantes em Minas Gerais.36 As gravuras eram,
e as cores auxiliem na unidade da composição.30 na maioria, de temas históricos, embora houvesse,
também, paisagens e representações religiosas.37
O foco do tratado de Lairesse é o desenho. O livro dirige-se
aos professores de desenho, ensinando a ensinar a A biblioteca do pintor era composta por 109 títulos e
desenhar, embora possa ser facilmente manuseado por 351 volumes. Autores clássicos como Tucídides, Heródoto,
autodidatas. Começa com rudimentos sobre como traçar Cícero e Ovídio estavam aí contemplados, bem como os
linhas e complexifica as lições até ensinar o desenho do iluministas – Rousseau, Montesquieu, Voltaire. Há títulos
corpo humano, etapa mais sofisticada que demanda, para em português, francês e latim. O item mais valorizado
seu bom desempenho, noções de anatomia baseadas na eram as obras completas de Rousseau, avaliadas em
concepção de encaixe de partes independentes. 20$000 (vinte mil réis). Os volumes in folio possuíam
os valores mais altos: “Calipino, dois vollumes in follio,
6$400 [seis mil e quatrocentos réis]; Prespectivas dos
Uma fortuna no Tejuco Pintores, dois vollumes in follio, 10$000 [dez mil réis]”.38
Alguns exemplares não foram avaliados, na maioria dos
Biblioteca notável possuía o pintor Caetano Luiz de casos por estarem com os títulos truncados. O título de
Miranda, morador do Arraial do Tejuco, Comarca do menor valor foi uma gramática francesa em um volume
Serro do Frio, responsável por trabalhos de pintura na in oitavo: $100 (cem réis).39 Na partilha, os livros
igreja de Nossa Senhora das Mercês, de Diamantina.31 permaneceram juntos e foram herdados pelo filho do
Em 1837, seu inventário foi aberto. Foi cavaleiro defunto, doutor Justiniano Luis de Miranda.
professo da Ordem de Cristo e declarou-se casado com
D. Rita Modesta Pereira da Silva, com quem teve um Significativa no espólio de Caetano Luiz de Miranda é
filho, Carlos Luis de Miranda. Teve mais cinco filhos a presença do tratado de perspectiva do padre Andrea
com outras mulheres, um dos quais não foi arrolado Pozzo, a circular por região marcada por tradição de
como herdeiro por estar desaparecido.32 pintura de perspectiva,40 cujo representante maior foi
o pintor bracarense José Soares de Araújo. O principal
A lista de bens de Miranda é extensíssima, daí ter objetivo do tratado é instruir os pintores a perspectivarem
sido realizada em vários dias. O monte-mor perfez imagens de estruturas arquitetônicas. O livro é organizado
28:172$980 (vinte e oito contos, cento e setenta e em 102 estampas no primeiro volume e 118 no segundo.
dois mil e novecentos e oitenta réis), composto por Cada uma recebe explicação textual pertinente.41

70 | Revista do Arquivo Público Mineiro | Dossiê


O lido e o vivido A Bíblia de Ataíde ofertou-lhe modelos gravados para procedimento favorecido pelo fato de a estampa sugerir
algumas de suas obras, como as pinturas que imitam um movimento ascendente que acompanha dois troncos
Aclarar leituras passadas é tarefa sempre delicada, azulejos dispostas na capela-mor da capela da Ordem de árvores. Ele reduziu o espaço pictural para a área
pois as práticas raramente deixam marcas, registros Terceira de São Francisco da Penitência, Ouro Preto, compreendida entre a árvore em que o personagem
acessíveis ao historiador. No caso em questão, é possível como já estudou Hanna Levy.44 A autora constata que principal está encostado, e a final, à direita, representada
desvendar nas obras dos pintores indícios dos usos que o pintor se prostrou com relativa subserviência diante pelo telhado da casa ao fundo. Consequentemente, o
fizeram dos volumes que possuíam. Assim, a leitura do que sugeriam as estampas.45 Percebo, entretanto, pintor deslocou para a posição mais central o rebanho
é inferida ao identificarem-se nas pinturas escolhas Ataíde a se apropriar dos impressos de forma bastante que dorme à esquerda da composição e o animal que está
estéticas e técnicas preconizadas nos livros. Nem sempre inventiva ao suprimir nas suas pinturas detalhes em deitado na extremidade direita. Conforme suas predileções
a identificação entre o que foi feito por um pintor e o que relação às gravuras tomadas como modelos, transformar estéticas, Ataíde usou linhas mais ondulantes e fluidas,
ensinava um de seus livros deve ser tomada como indício as feições dos personagens, conferir fluidez e arredondar em relação ao retilíneo tracejado do buril, amenizou
suficiente para garantir que a leitura foi realizada, pois as linhas do desenho e inserir as cenas em molduras os contrastes de sombreados e deixou o céu, no fundo
aquilo que um volume indicava poderia ser apreendido, rocaille, ornamento profusamente usado nas pinturas superior da imagem, aparente, clareando a composição.
pelo pintor, por várias outras formas além da leitura. mineiras da época.
Esforços de verticalização também foram empregados
É pertinente considerar os ambientes de leitura dos ar- Ataíde interessou-se não apenas pela generosa oferta na outra pintura, a representação do retorno do filho
tistas em Minas, no período visado, tendo em conta as de modelos gravados dessa Bíblia, mas também pelos pródigo. Nesse caso, Ataíde simplesmente eliminou de
formas de interação com os impressos verificadas durante textos que acompanham cada gravura, em latim e em sua composição tudo o que, na gravura, extrapola, para
o Antigo Regime, quando o mais comum não era a leitura francês. Certamente por isso adquiriu, como consta as laterais, o complexo arquitetural composto por quatro
silenciosa e solitária, mas práticas que envolviam os volu- em seu inventário, um dicionário de francês. Daí colunas coríntias: a escada com personagens e a cena
mes em dinâmicas coletivas de leitura e apropriação, no dispor, nas suas pinturas que imitam azulejos, versões de pastoreio sob o arco. Outras transformações, bastante
seio das quais a oralidade e a leitura de oitiva grassavam. aproximadas, em português, dos títulos e dizeres semelhantes às operadas em relação à pintura anterior,
O trabalho dos pintores era coletivo, em equipe, viabili- em francês constantes nas estampas. As pinturas, podem ser observadas, em comparação à gravura, tais
zando a troca de experiências e de conhecimentos adqui- tomadas como registros de leitura, desvelam um Ataíde como sombras mais brandas e traços mais fluidos.
ridos nos livros. As ilustrações tinham papel fundamental, penduleando sua atenção da Bíblia para o dicionário, e
pois favoreciam apropriações dos impressos, inclusive por dos livros para suas ações criativas. As constatações acerca da postura de Manoel da Costa Manoel da Costa Ataíde (Mariana/MG, 1762-1830). O Filho Pródigo
decide voltar para seu pai. Têmpera sobre madeira. Igreja Matriz de
aqueles que não sabiam ler, no sentido restrito de decodi- Ataíde diante de sua bela Bíblia devem suplantar a Santo Antônio, Santa Bárbara, 1806-1807. Foto: Daniela Almeida.
ficar signos alfabéticos. As relações com os impressos po- Na matriz de Santo Antônio, em Santa Bárbara, o simples identificação das estampas que lhe serviram de
deriam priorizar as imagens, em detrimento dos textos.42 mestre manuseou sua Bíblia como fonte criadora em modelos. Percebe-se o pintor como um leitor que interagia
outras situações, para além das imitações de azulejos com o livro, apropriando-se e interpretando o que via, das concepções estéticas e simbólicas disponíveis no seu
Entreveem-se as atitudes de Manoel da Costa Ataíde da capela-mor, com os mesmos temas verificados em agindo efetivamente como construtor de uma linguagem universo visual. Interagiu, também, com os textos das
diante de sua biblioteca, formada por três livros. O título Ouro Preto, inclusive com inscrições. Refiro-me a duas pictórica. Utilizava as estampas como esquemas gravuras, amparando-se em seu dicionário de francês.
arrolado como Segredo das Artes certamente era alvo pinturas dispostas na capela-mor, cujos temas são o iconográficos, eliminando, em suas invenções, personagens
da atenção do pintor no concernente às receitas de pre- filho pródigo, uma quando este decide retornar para e estruturas arquitetônicas secundárias, arredondando as Conclui-se que os três livros de Ataíde serviram
paração de pigmentos. Claudina Dutra Moresi acredita seu pai e a outra em que figura o seu retorno.46 formas, conferindo fluidez às linhas, tornando as cenas diretamente ao seu trabalho de pintor.47 O estudo de
que esse livro, especificamente, correspondia à obra mais intimistas, amulatando feições. Em relação às das seu inventário, já bem conhecido pelos historiadores da
Segredos necessarios para os officios, artes, e manu- Cotejando a matriz gravada em livro com a pintura gravuras modelares, aclimatou, inclusive, as molduras arte mineira, a partir do olhar da história do livro e da
faturas e sedimenta essa hipótese revelando, por meio do marianense que representa a decisão do filho de suas pinturas que imitam azulejos, transformando-as leitura, desvelou as ações, atitudes e escolhas do Ataíde
de análises químicas, que o artista usava as receitas de pródigo de voltar para seu pai, percebem-se, de início, em emaranhados rococós, tendo em vista a linguagem leitor, que se apropriava dos impressos que possuía
tintas e pigmentos disponíveis nesse livro.43 as intervenções de Ataíde para verticalizar a cena, artística mineira que o circundava. Olhou seu livro a partir como ferramentas de seu labor pictural.

72 | Revista do Arquivo Público Mineiro | Dossiê Camila Fernanda Guimarães Santiago | Do impresso à pintura | 73
dois inventários de senhores de terras de Vila Rica, entre 1750 e 1800, 19. DUPAIN, M. A sciencia das sombras relativas ao desenho, obra 37. BAT. Inventário de Caetano Luiz de Miranda, maço 175, 2º ofício,
RESUMO | O presente trabalho pretende fazer o escrutínio das bibliotecas trabalhados por Thábata Alvarenga. Villalta, compulsando os inventários necessária a todos, que querem desenhar archictetura civil, e militar, fl. 18f-v.
particulares de pintores que atuaram na Capitania, posteriormente Província datados do período colonial do Arquivo da Casa Setecentista de Mariana, ou que se destinão a pintura, &c.../ por M. Dupain; traduzida...por Fr.
de Minas Gerais, entre o final do século XVIII e o início do XIX, com base no identificou menção à obra em dois documentos. O título Mestre da vida José Mariano da Conceição Velloso... – Lisboa: Offic. De João Procopio 38. BAT. Inventário de Caetano Luiz de Miranda, maço 175, 2º ofício,
levantamento de inventários post-mortem. Alguns livros que poderiam ter que ensina a viver e a morrer santamente foi encontrado em 12 inven- Correa da Silva, 1799. Dedicação de frei José Mariano da Conceição fl. 40f.
influenciado os processos criativos de seus possuidores são apresentados tários levantados por Alvarenga. Livros de horas canônicas, como Horas Veloso à Rainha.
tendo em vista seus títulos, avaliações e conteúdos, especialmente aqueles portuguesas, Horas de Semana Santa etc., estão entre os títulos mais 39. BAT. Inventário de Caetano Luiz de Miranda, maço 175, 2º ofício,
que versam sobre a arte da pintura. Com o objetivo de perscrutar leituras frequentemente encontrados por Villalta na cidade de Mariana (14 vezes), 20. DUPAIN. A sciencia das sombras relativas ao desenho... fl. 39f.
realizadas, especial destaque é conferido aos usos que Manoel da Costa representando 1,14% do total de livros identificados pelo autor.
Ataíde fez de seus livros: uma Bíblia ilustrada, um livro de segredos e um di- ALVARENGA, Thábata Araújo. Homens e livros em Vila Rica: 1750-1800. 21. ACSM. Inventário de Francisco Xavier Carneiro, Cód. 59, auto 1346, 40. POZZO, Andrea. Perspectiva Pictorum et Architetorum. Roma:
cionário de francês. Entrevê-se, assim, o papel desempenhado pelos impres- 2003. Dissertação (Mestrado em História) – Departamento de História, 2º ofício, fl. 33v. Typographia Joannis Zempel Austrici prope Montem Jordanus, MDCCXLI.
sos nos processos pictóricos, ponderando-se sobre as influências de seus Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São
conteúdos e os impactos que acarretaram no universo visual do período. Paulo, São Paulo, 2003. p. 291-292 e p. 221-299. VILLALTA, Luiz Carlos. 22. ACSM. Inventário de Francisco Xavier Carneiro, Cód. 59, auto 1346, 41. Há três estampas em cada volume que não foram contabilizadas por
Reformismo ilustrado, censura e práticas de leitura: usos do livro na 2º ofício, fl. 45f. não serem alvos da explicação de Andrea Pozzo, servindo, apenas, de
América Portuguesa. 1999. Tese (Doutorado em História) – Departamento ornamentação do livro.
ABSTRACT | The present work attempts to scrutinize the private de História, Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade 23. ACSM. Inventário de Francisco Xavier Carneiro, Cód. 59, auto
libraries of painters that worked in the Captaincy, previously Province, de São Paulo, São Paulo, 1999. p. 372 e 369. 1346, 2º ofício, fls. 45v, 46f. Na avaliação, o tomo Arte de pintura foi 42. CHARTIER, Roger. A ordem dos livros. Brasília: UNB, 1999. p. 24-
of Minas Gerais between the end of the eighteenth and the beginning mencionado como Arte da pintura. As Horas Marianas, obra do padre 25. CHARTIER, Roger. Do livro à leitura. In: Práticas de leitura. São
of the nineteenth century, based on studies of post-mortem inventories. 7. ACSM. Inventário do capitão Luiz da Costa Ataíde, Cód. 33, auto 792, Francisco de Jesus Maria Sarmento, foram contabilizadas por Thábata Paulo: Estação Liberdade, 1996. p. 94. Sobre a variedade de formas
Some books that could have influenced the creative processes of their 2º ofício, fl. 35v. Alvarenga em três inventários por ela pesquisados. O Ripanço ou Ofício de leitura e apropriações dos produtos tipográficos, conferir CHARTIER,
owners are presented having in view their titles, evaluation and contents, da Semana Santa em português também apareceu em três inventários de Roger (Dir.). Les usages de l’imprimé. Paris: Fayard, 1987. p. 15.
especially those that expound on the art of painting. With the objective of 8. ACSM. Inventário de Manoel da Costa Ataíde, Cód. 68, auto 1479, 2º Vila Rica. Villalta enfatiza a proeminência dos livrinhos de Santa Bárbara
scrutinizing consulted works, especial emphasis is conferred on the uses ofício, fl. 3f, 5f e v. entre os impressos de mais baixo custo enviados de Portugal para o 43. MORESI, Claudina Dutra. Aspectos técnicos na pintura de Manoel
that Manoel da Costa Ataíde made of his books: an illustrated Bible, a book Brasil. ALVARENGA. Homens e livros em Vila Rica, p. 177. VILLALTA. da Costa Ataíde. In: CAMPOS, Adalgisa Arantes (Org.). Manoel da Costa
of secrets and a French dictionary. Thus we glimpse the role played by the 9. ACSM. Inventário de Manoel da Costa Ataíde, Cód. 68, auto 1479, Reformismo ilustrado, censura e práticas de leitura, p. 365, 369 e 376. Ataíde: aspectos históricos, estilísticos, iconográficos e técnicos. Belo
printers in pictorial processes, ponder on the influences of their contents 2º ofício, fl. 5v. Horizonte: C/Arte, 2005. p. 112.
and the impacts that they bring about in the visual universe of the period. 24. ACSM. Inventário de Francisco Xavier Carneiro, Cód. 59, auto 1346,
[Versão para o inglês de Peter Hargreaves.] 10. ACSM. Inventário de Manoel da Costa Ataíde, Cód. 68, auto 1479, 2º ofício, fls. 47f, 51v, 52f, 52v e 53v. 44. LEVY, Hannah. Modelos europeus na pintura colonial. Revista do
2º ofício, fl. 18f.
SPHAN, Rio de Janeiro, n. 8, 1944.
25. NUNES, Filippe. Arte da pintura: symetria e perspectiva. Lisboa:
11. MARTINS. Dicionário de artistas e artífices dos séculos XVIII e XIX Oficina de João Baptista Álvares, MDCCLXVII. Du FRESNOY, Charles
Notas | 45. LEVY. Modelos europeus na pintura colônia, p. 21-22.
em Minas Gerais, p. 78. Alphonse. A arte da pintura. Lisboa: Typographia Chalcographica,
Typoplastica, e Litteraria do Arco do Cego, 1801. LAIRESSE, Gerardo. O
1. Os seguintes arquivos foram compulsados: Arquivo da Casa Setecentista 46. A atribuição dessas pinturas a Ataíde certifica-se pelo estilo das
12. HISTOIRE SACRÉE de la Providence et de le Conduite de Dieu sur grande livro dos pintores ou arte da pintura, considerada em todas as suas,
de Mariana; Arquivo do Museu da Inconfidência - Casa do Pilar, em Ouro peças, por ter sido ele o responsável pelas demais pinturas dessa capela-
les Hommes depuis de la Commencement du Monde jusq’aux Temps e demonstrada por princípios, com reflexões sobre as obras d’alguns bons
Preto; Biblioteca Antônio Torres, em Diamantina; Arquivo Casa Borba mor, e por elas se basearem em gravuras da Bíblia que o pintor possuía.
prédits dans l’Apocalipse. Paris: Chez l’ Auter, 1730. mestres, e sobre as faltas que nelles se encontrão. Lisboa: Typographia
Gato, em Sabará, e Arquivo do Museu Regional de São João del-Rei. Em 1822, ao depor em um processo movido pelos padres da capela
Chalcographica, Typoplastica, e Litteraria do Arco do Cego, 1801.
de Nossa Senhora Mãe dos Homens contra o padre Sebastião José de
13. SEGREDOS necessarios para os officios, artes, e manufaturas, e para
2. O número de pintores que tinham livros, cinco, em relação ao total de Carvalho Pena, Ataíde afirmou ter feito pintura e douramento da Matriz de
muitos objectos sobre a economia domestica extrahidos da Encyclopedia, 26. NUNES. Arte da pintura.
inventários de pintores levantados, sete, pode ser considerado bastante da Encyclopedia Methodica, da Encyclopedia prática, e das melhores Santa Bárbara. ACSM. Códice 328, Auto 7803, 2o Ofício. Apud CAMPOS.
alto, perfazendo 71,4%. Essa cifra ganha mais expressividade se a Manoel da Costa Ataíde, p. 182.
obras que tratarão até agora estes objetos. Lisboa: Na Offic. De Simão 27. Du FRESNOY. A arte da pintura, p. 7.
compararmos com o número de donos de livros, em relação ao número Thadeo Ferreira, M.DCC.LXXXXIV. MONTON, Bernardo de. Segredos das
de inventários trabalhados, de indivíduos que se dedicavam a diversas artes liberaes, e mecanicas, recopilados, e traduzidos de varios authores 28. Du FRESNOY. A arte da pintura, p. 10. 47. Entre os cinco pintores donos de bibliotecas aqui avaliados, apenas
atividades, em algumas vilas e cidades mineiras. Em Mariana, por selectos, que trataõ de física, pintura, arquitetura, optica, quimica, dois não possuíam livros diretamente relacionados com o fazer pictural:
exemplo, de 911 inventários, abertos entre 1714 e 1822, Luiz Carlos douradura, e acharoado, com outras varias curiosidades proveitosas, e 29. Du FRESNOY. A arte da pintura, p. 13, 14, 15, 16, 18. Luiz da Costa Ataíde e Marcelino da Costa Pereira. Caso seus livros
Villalta encontrou livros em 76, ou seja, 8,34%. Christianni Morais divertidas. Lisboa: Offic. De Domingos Gonsalves, MDCCXLIV. religiosos fossem ilustrados, eles poderiam estar diretamente relacionados
encontrou livros em 26, ou seja, 8% de 324 inventários abertos em São 30. Du FRESNOY. A arte da pintura, p. 37, 46. com a pintura ao fornecerem modelos para os pintores. A afinidade entre
João del-Rei entre 1831 e 1874. Foram pesquisados 456 inventários da 14. Apesar de o inventário ser de 1859, data que ultrapassa os marcos os temas dos livros e a atividade profissional de seus donos foi identificada
Vila de São José del-Rei do período entre 1753 e 1840. Em apenas três, cronológicos do presente texto, Marcelino da Costa Pereira trabalhou 31. MARTINS. Dicionário de artistas e artífices dos séculos XVIII e XIX como algo corrente entre os donos de livros de diversas vilas e cidades
ou seja, 0,6% deles, havia livros. Júnia Furtado pesquisou 66 inventários durante o período visado. em Minas Gerais, p. 49. de Minas Gerais. Cf. VILLALTA; MORAIS. Posse de livros e bibliotecas
existentes na Biblioteca Antônio Torres, em Diamantina, e encontrou privadas em Minas Gerais (1714-1874), p. 411.
livros em 14, o que representa 21,1%. Em relação a Vila Rica, Thábata 15. MARTINS. Dicionário de artistas e artífices dos séculos XVIII e XIX 32. Biblioteca Antônio Torres (BAT). Inventário de Caetano Luiz de
Alvarenga levantou 690 inventários, encontrando livros em 62, ou seja em Minas Gerais, p. 124-125. Miranda, maço 175, 2º ofício, fl. 3 f.v.
9%. VILLALTA, Luiz Carlos; MORAIS, Christianni Cardoso. Posse de livros
e bibliotecas privadas em Minas Gerais (1714-1874). In: BRAGANÇA, 16. Arquivo Histórico do Museu da Inconfidência – Casa Setecentista do 33. BAT. Inventário de Caetano Luiz de Miranda, maço 175, 2º ofício,
Aníbal; ABREU, Márcia (Org.). Impresso no Brasil: dois séculos de livros Pilar (AHMI-CSP). Inventário de Marcelino da Costa Pereira, Cód. 114, fls. 7f até 47v.
brasileiros. São Paulo: Editora Unesp, 2010. p. 405-408. auto 1460, 1º ofício, fl. 6v.
34. BAT. Inventário de Caetano Luiz de Miranda, maço 175, 2º ofício,
3. Arquivo da Casa Setecentista de Mariana (doravante ACSM). Inventário 17. ACSM. Inventário de Francisco Xavier Carneiro, Cód. 59, auto 1346, fls. 18v-19f.
do capitão Luiz da Costa Ataíde, Cód. 33, auto 792, 2º ofício. 2º ofício, fls. 4f.
35. BAT. Inventário de Caetano Luiz de Miranda, maço 175, 2º ofício,
4. MARTINS, Judith. Dicionário de artistas e artífices dos séculos XVIII e 18. MACEDO, Antonio de Souza. Eva, e Ave, ou Maria Triunfante. Teatro fls. 16f-18f.
XIX em Minas Gerais. Rio de Janeiro: Publicações do Iphan, 1974. p. 79. de Erudição e Filosofia Cristã em que se representam os dois estados do
mundo caído em Eva e levantado em Ave. Lisboa: Por Miguel Deslandes 36. Sobre o uso de gravuras, muitas delas ilustrações de livros, como Camila Fernanda Guimarães Santiago é graduada, mestre
5. ACSM. Inventário do capitão Luiz da Costa Ataíde, Cód. 33, auto 792, e Antonio Crasbeeck de Melo, 1676. O livro foi encontrado no inventário modelos pelos pintores em Minas Gerais, cf. SANTIAGO, Camila Fernanda e doutora em História pela Universidade Federal de Minas
2º ofício, fl. 8f. de um eclesiástico de Vila Rica e era vulgarizado no seio de círculos de Guimarães. Usos e impactos de impressos europeus na configuração do Gerais. É autora de A vila em ricas festas, além de artigos
leitura que se reuniam nessa Vila, em 1722. ALVARENGA. Homens e universo pictórico mineiro (1777-1830). 2009. 383 f. Tese (Doutorado e capítulos de livros. É professora de História da Arte na
6. ACSM. Inventário do capitão Luiz da Costa Ataíde, Cód. 33, auto 792, livros em Vila Rica, p. 247. VILLALTA. Reformismo ilustrado, censura e em História) – Departamento de História, Faculdade de Filosofia e Ciências
Universidade Federal do Recôncavo da Bahia.
2º ofício, fls. 6v. O tratado médico Erário Mineral foi mencionado em práticas de leitura, p. 372, 381, 385 e 414. Humanas, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2009.

74 | Revista do Arquivo Público Mineiro | Dossiê Camila Fernanda Guimarães Santiago | Do impresso à pintura | 75

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