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Tânia Cristina Giachetti Ministério Seara Ágape

Este documento discute o domínio de nações pagãs sobre Israel no Período Intertestamentário, incluindo: 1) O domínio persa por cerca de 100 anos após Neemias, com os judeus permitidos a continuar práticas religiosas. 2) O domínio helenístico começando com Alexandre, o Grande e a divisão de seu império entre seus generais. 3) O foco nos reinos Selêucida e Ptolemaico que dominaram Israel e são relevantes para a profecia de Daniel.

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Este documento discute o domínio de nações pagãs sobre Israel no Período Intertestamentário, incluindo: 1) O domínio persa por cerca de 100 anos após Neemias, com os judeus permitidos a continuar práticas religiosas. 2) O domínio helenístico começando com Alexandre, o Grande e a divisão de seu império entre seus generais. 3) O foco nos reinos Selêucida e Ptolemaico que dominaram Israel e são relevantes para a profecia de Daniel.

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Tânia Cristina Giachetti

Ministério Seara Ágape


[Link]
1

Deus está presente na História 1


(Período Intertestamentário, Selêucidas e Ptolomeus, Profecias de
Daniel e João sobre o Apocalipse, A Grande Tribulação)

Ministério Seara Ágape


Ensino Bíblico Evangélico

Tânia Cristina Giachetti


São Paulo — SP — Brasil
Abril 2016
2

Eu Te agradeço, Senhor, por me fazer ver que em Ti há justiça e que os Teus olhos
estão sempre atentos aos Teus santos na terra.
3

Dedico este livro a todos os irmãos em Cristo que coração disposto a obedecer e uma
boca ousada para proclamar a Sua verdade entre os homens.
4

“Então, olhando ele para os seus discípulos, disse-lhes: Bem-aventurados vós, os


pobres, porque vosso é o reino de Deus. Bem-aventurados vós, os que agora tendes
fome, porque sereis fartos. Bem-aventurados vós, os que agora chorais, porque haveis
de rir. Bem-aventurados sois quando os homens vos odiarem e quando vos expulsarem
da sua companhia, vos injuriarem e rejeitarem o vosso nome como indigno, por causa
do Filho do Homem. Regozijai-vos naquele dia e exultai, porque grande é o vosso
galardão no céu; pois dessa forma procederam seus pais com os profetas. Mas ai de vós,
os ricos! Porque tendes a vossa consolação. Ai de vós, os que estais agora fartos!
Porque vireis a ter fome. Ai de vós, os que agora rides! Porque haveis de lamentar e
chorar. Ai de vós, quando todos vos louvarem! Porque assim procederam seus pais com
os falsos profetas” (Lc 6: 20-26).
5

Índice

Introdução 6
Parte 1 – O domínio de nações sobre Israel no Período Intertestamentário 8
Parte 2 – Período Intertestamentário – Selêucidas e Ptolomeus 18
Parte 3 – Revelação de Daniel capítulo 11 41
Parte 4 – Profecias de Daniel e João – Apocalipse 54
Parte 5 – A Grande Tribulação 70

Notas:
• As palavras ou frases colocadas entre colchetes [ ] ou parêntesis ( ), em itálico, foram
colocadas por mim, na maior parte das vezes, para explicar o texto bíblico, embora
alguns versículos já as contenham [não estão em itálico].
• A versão evangélica aqui utilizada é a ‘Revista e Atualizada’ de João Ferreira de
Almeida, 2ª ed., Sociedade Bíblica do Brasil.
• NVI = Nova Versão Internacional (será usada entre colchetes em alguns versículos
para facilitar o entendimento dos leitores).
• Fonte de pesquisa para textos e imagens: [Link]
• Fonte de pesquisa para imagens: [Link]
6

Introdução

Este livro é, por assim dizer, uma viagem através do tempo, começando no período
Intertestamentário até o final do Império Romano do Ocidente e do Oriente, com uma
conclusão que diz respeito aos nossos dias.
Este trabalho é resultado de uma série de temas bíblicos que coloquei no site e,
porque o assunto ficou um tanto extenso, decidi escrevê-lo num livro para que as
pessoas pudessem lê-lo na seqüência correta.
Os textos tiveram início com um estudo sobre o Período Intertestamentário,
também chamado de período de ‘silêncio de Deus’, que foi o período entre Malaquias e
Cristo, quando Ele deixou de falar com a humanidade por quase quatrocentos anos
através dos profetas, por causa da rebeldia do Seu povo e da idolatria das nações pagãs,
que também contribuíam para o endurecimento de coração dos Israelitas. Com o início
do Império Romano, sob o reinado de César Augusto, não somente Israel, mas todo o
mundo daquela época sofreu uma grande transformação. Foi durante o reinado de César
Augusto (29 AC-14 DC) que Jesus nasceu trazendo a luz que a humanidade necessitava
para se libertar da escravidão espiritual à qual estava presa.
Logo após, o Senhor me chamou a atenção para uma profecia muito importante de
Daniel (Dn 11: 1-45), quando o profeta menciona os reis do norte e do sul, se referindo
a um futuro próximo, quando outros reinos tomariam o lugar da Babilônia: a Pérsia, a
Grécia e, por fim, Roma. Mas sua profecia também dizia respeito a tempos longínquos,
ao Apocalipse, o que mais tarde foi confirmado pelo apóstolo João no livro de
Apocalipse, pois nesta fase da História, o domínio Romano já estava presente e Deus já
podia dar mais revelações a nós através do Seu discípulo.
Seguindo a seqüência do Período Intertestamentário, falaremos então sobre o
período Helenístico, que teve início com Alexandre, o Grande, da Macedônia, e a
divisão do império após sua morte, entre seus quatro generais. Entretanto, os dois
principais impérios e povos que mais interessam para o nosso estudo e, logicamente,
para a profecia de Daniel, são os reis do Norte e do Sul (dinastias Ptolomaica e
Selêucida), ou seja, Egípcios e Sírios, pois os dois impérios tiveram grande domínio e
influência sobre Israel. Conhecendo a história dos personagens daquela época, nós
estamos prontos para entender a profecia de Daniel 11: 1-45 e muito mais: o que
acontecerá com a humanidade nos tempos do fim, ou seja, na vinda do Anticristo, no
período da Grande Tribulação e do arrebatamento da igreja.
Sobre as visões proféticas do apóstolo João no livro de Apocalipse, nós podemos
dizer:
Mesmo que muitos símbolos na bíblia e muitas revelações deste livro bíblico sobre
o futuro da humanidade estejam ainda ocultos para nós, meu intuito com este trabalho
não é entristecer pessoas, muito menos assustá-las com os acontecimentos fortes e
inevitáveis que estão para acontecer. Pelo contrário, o intuito é mostrar o quanto é
importante a nossa intimidade com Deus e nos dar a esperança de que num dia
preparado por Deus (‘no tempo determinado’, como diz a bíblia) todo o mal que vemos
e vivemos no mundo vai ser destruído, e toda a injustiça vai ser vingada, pois é
necessário que os homens se arrependam dos seus pecados e reconheçam que só em
Jesus há liberdade, justiça, julgamento e vida eterna. No livro de Apocalipse, o apóstolo
João não escreve apenas sobre os eventos futuros; ele também escreve para os crentes
daquela época (nas sete igrejas na Ásia Menor, passando por perseguições) e menciona
de uma forma simbólica as circunstâncias políticas em que ele estava inserido,
envolvendo os imperadores romanos, por exemplo, e mostrando que Deus estava agindo
7

e fazendo justiça no presente, da mesma forma que fará de uma maneira muito mais
abrangente no futuro.
Sobre Roma e os imperadores romanos, que o apóstolo João menciona no livro de
Apocalipse, falarei sobre isso nos próximos dois volumes.
Espero que goste da leitura e que o Espírito Santo possa lhe revelar alguns segredos
do mundo espiritual.
Que a luz do Senhor esteja sobre você.

Tânia Cristina

Volumes 2 e 3 deste livro:


[Link]
[Link]
8

Parte 1 — O domínio de nações sobre Israel no Período


Intertestamentário

Vamos começar pelo estudo sobre o domínio de nações pagãs sobre Israel no
Período Intertestamentário e o período Hasmoneano ou Asmoneu (Judas Macabeu e
seus descendentes). ‘Período Intertestamentário’ é o período entre Malaquias e Cristo,
que compreende os quatrocentos anos, aproximadamente, em que Israel foi dominado
pelos pagãos e quando o Senhor deixou de falar ao Seu povo por intermédio dos
profetas. Por isso, este período foi chamado de ‘período de silêncio de Deus’.

Os reinos que dominaram Israel podem ser citados por períodos:


1) Período Persa (539-333 AC):
Por cerca de cem anos após a época de Neemias (O episódio de Neemias se deu por
volta de 445–432 AC) os persas dominaram Judá, mas os judeus tiveram permissão de
dar prosseguimento às observâncias religiosas sem enfrentar nenhuma oposição. Nesse
período, a terra de Judá foi governada por sumos sacerdotes. Os reis persas, após a
queda da Babilônia, foram:
• Ciro, o imperador da Pérsia (Ciro II ou Ciro o grande), que ordena a volta dos judeus
em 538 AC (1º retorno dos exilados), ao invadir a Babilônia. Reinou (559–530 AC)
como rei dos Persas, Medos, Lídios e Babilônicos.
• Cambises II (filho de Ciro): 530–522 AC.
• Dario I (cunhado de Cambises II): 522–486 AC. No seu reinado começou a ser
reconstruído o templo (520–516 AC). Tinha iniciado em 536 AC (2º ano do reinado de
Ciro na Babilônia e parado até 520 AC – 2º ano Dario I).
• Xerxes I (Assuero – ‫)שרושחא‬: 486–465 AC (filho de Dario I). Xerxes é uma
transliteração grega do seu nome persa depois de sua ascensão, Jshāyār Shah, que
significa ‘governante de heróis’. Na bíblia é mencionado como ‘Assuero’ (em Hebraico
– ‫)שרושחא‬, sendo escrito como Ahashuerus, em Caldeu; ou Axashverosh, em grego.
• Artaxerxes I: 465–424 AC (filho de Xerxes I, mas não o primogênito). Houve um 2º
retorno de exilados a Jerusalém com Esdras em 458 AC para ministrar no templo
reconstruído. Reconstrução das muralhas de Jerusalém: 445 AC (3º retorno: Neemias).
• Xerxes II (filho de Artaxerxes I) e que reinou 1 ½ mês e foi assassinado por seu irmão
Secydianus ou Sogdianus (a forma do nome é incerta). Este, por sua vez, foi morto por
Ochus, sátrapa da Hircânia (região ao sudeste do Mar Cáspio, no atual Irã), que subiu ao
poder e adotou o nome de Dario II.
• Dario II (Ne 12: 22) governou a Babilônia e a Pérsia (424–404 AC); era chamado
Dario, o persa. Seu nome de nascimento era Ochus; depois, adotou o nome de Dario
(persa: Dārayavahuš, por isso, as fontes gregas o chamam de Dario Nothos, ‘Bastardo’).
• Artaxerxes II Mnemon, que significa: ‘cujo reino é através da verdade’ (404–358 AC).
Era filho de Dario II.
• Artaxerxes III ou Ochus (3º filho de Artaxerxes II): 358–338 AC.
• Artaxerxes IV ou Arses (filho mais novo de Artaxerxes III): 338–336 AC
• Dario III (bisneto de Dario II e primo de Arses): 336–330 AC quando Alexandre, o
grande, o derrotou na Macedônia. Originalmente chamado de Artashata e, pelos gregos,
Codomannus, foi o último rei da Dinastia Aquemênida da Pérsia.
9

Ciro, Ciro o Grande, ou Ciro II

Ciro, Ciro o grande, ou Ciro II, rei da Pérsia como era conhecido, foi o rei que
levou a sua dinastia ao apogeu (a dinastia Aquemênida, fundada pelo rei Aquêmenes da
Pérsia, seu bisavô, na verdade um governante Medo que pagava tributo à Pérsia no
século VII AC), dominando os reinos da Média, Irã, Lídia, Síria, Babilônia, Palestina,
Armênia e Turquistão, fundando assim o Império persa. Ao invadir a Babilônia, o rei
Ciro ordenou a volta dos judeus a Jerusalém (1º retorno dos exilados) para reconstruir o
templo do Senhor. É interessante que os governantes desta dinastia caracterizaram sua
administração pela tolerância com as diferentes culturas e religiões dos povos
conquistados e isso gerou uma grande lealdade entre seus súditos. Também construíram
estradas ligando as principais cidades, e o seu sistema de correios era bastante eficiente.
As estradas também facilitavam o comércio do Egito e da Europa com a Índia e a
China, do qual a Pérsia se beneficiou grandemente. É bem possível que por causa desta
política tolerante com as crenças dos seus súditos que Deus tenha encontrado o coração
de Ciro favorável a libertar os judeus cativos. Por isso, ele ordenou que tudo o que
tivesse sido roubado por Nabucodonosor, inclusive os utensílios do templo de Jerusalém
fosse devolvido e colocado sob a guarda de Sesbazar, a quem constituiu príncipe de
Judá. Os persas e todos os cidadãos do reino ajudaram os judeus dando-lhes prata, ouro,
bens e gado, coisas preciosas, afora as dádivas voluntárias para a Casa de Deus. Assim,
os judeus voltaram e reconstruíram o templo do Senhor. O que aconteceu aqui foi muito
parecido com o que aconteceu no Egito, quando os cidadãos deram muitas coisas
preciosas ao povo de Israel antes de partirem.
Sua mãe se chamava Mandane, filha do último rei da Média, Astíages (reinado:
596-560 AC). Ela se casou em 600 AC com Cambises I, filho de Ciro I, rei da Pérsia.
Quando o filho estava para nascer, Astíages teve dois sonhos proféticos que foram
interpretados pelos magos como uma previsão de que seu neto (Ciro, Kūruš, em persa
antigo) um dia iria se rebelar e o sucederia no trono; por isso, mandou buscá-la na
Pérsia com a intenção de assassinar o bebê, assim que ele nascesse. Ordenou ao
mordomo, Harpago, que o matasse. Entretanto, a criança não foi morta, mas entregue
aos cuidados de um pastor. Em seu lugar, apresentaram a Astíages um natimorto, e o pai
desta criança adotou Ciro como filho. Com 10 anos de idade, Ciro foi apresentado ao
seu avô. Por intervenção dos magos, Ciro não sofreu punição e foi mandado de volta a
seus pais. Anos mais tarde, por uma rebelião de Harpago, Ciro dominou a Média (região
10

do atual Irã), entrando na capital, Ecbátana, e poupou a vida do seu avô. Também
conquistou a Lídia e outros territórios, aumentando incrivelmente a extensão do império
Persa. Talvez pela história de sua infância, Deus o tenha chamado de pastor (Is 44: 28),
além do fato de usá-lo para conduzir Seu povo de volta a Israel. Lembremo-nos que
Ciro, na Bíblia, é uma figura do Messias, o Bom Pastor.

O Cilindro de Ciro

O Cilindro de Ciro é um cilindro de argila em cujo interior há grandes pedras


cinzas, atualmente dividido em vários fragmentos, no qual está escrita uma declaração
em escrita cuneiforme acadiana, listando sua genealogia como um rei de uma linhagem
de reis, e relatando a sua captura de Babilônia em 539 AC. O cilindro mede 22,5 cm por
10 cm no seu diâmetro máximo. O texto diz que o vitorioso Ciro foi recebido pelo povo
da Babilônia como seu novo governante e entrou na cidade em paz. Ele exalta os
esforços de Ciro como um benfeitor dos cidadãos da Babilônia e responsável por
melhorar suas vidas, repatriar os povos deslocados e restaurar templos e santuários
religiosos pela Mesopotâmia e em outros lugares na região. Ele conclui com uma
descrição do trabalho de Ciro de reparar as muralhas da Babilônia. O texto do cilindro
também denuncia o rei babilônico deposto Nabonido como ímpio e retrata Ciro como
agradável ao deus principal Marduque. Provavelmente, ele data do século VI AC (539
AC). Há muita controvérsia entre os estudiosos sobre alguma coisa escrita no cilindro
de Ciro sobre a repatriação dos judeus (Ed 1: 1-4; 2 Cr 36: 23). Embora não seja
mencionado especificamente no texto, o repatriamento dos judeus de seu cativeiro
babilônico foi interpretado como parte desta política geral.
Em Is 46: 9-11 está escrito: “Lembrai-vos das coisas passadas da antiguidade: que
eu sou Deus, e não há outro, eu sou Deus, e não há outro semelhante a mim; que desde
o princípio anuncio o que há de acontecer e desde a antiguidade, as coisas que ainda não
sucederam; que digo: o meu conselho permanecerá de pé, farei toda a minha vontade;
que chamo a ave de rapina desde o Oriente e de uma terra longínqua, o homem do meu
conselho. Eu o disse, eu também o cumprirei; tomei este propósito, também o
executarei”.
11

A ave de rapina se refere a Ciro. Ciro era chamado ‘pássaro’ por sua rapidez, e
‘voraz’ por sua ferocidade e vitória sobre seus inimigos; uma ave de rapina, como a
águia. Ele era rápido em cima do seu cavalo, sendo comparado a esta ave. Como relata
Plutarco (Historiador e filósofo grego – 46-120 DC), Ciro tinha um nariz aquilino;
portanto, os homens que têm tal nariz, entre os persas, são altamente estimados.
Segundo Plutarco, Ciro é a palavra persa para ‘sol’. Xenofonte dizia que o estandarte de
Ciro era uma águia dourada no alto de uma lança alta, e que foi mantido pelos reis da
Pérsia. Xenofonte foi um historiador grego, escritor e líder militar e discípulo de
Sócrates, e que viveu por volta de 430-354 AC. Ele foi contemporâneo de Artaxerxes II,
um dos sucessores de Ciro como rei da Pérsia. Artaxerxes II viveu entre 436 e 358 AC e
reinou no período de 404-358 AC.
Levando em conta o texto bíblico de Isaías, Ciro pode ser comparado a um pássaro
pela sua rapidez em vir no tempo indicado por Deus. Ele veio do oriente como o sol
nascente da justiça, sendo chamado para executar a vontade do Senhor. A obra da
redenção de Israel estava de acordo com o eterno propósito de Deus, profetizada por
todos os santos profetas, e agora cumprida. E a justiça e salvação divinas são
mencionadas nos versos seguintes (v. 12-13: “Ouvi-me vós, os que sois de obstinado
coração, que estais longe da justiça. Faço chegar a minha justiça, e não está longe; a
minha salvação não tardará; mas estabelecerei em Sião o livramento e em Israel, a
minha glória”).
Também em Is 44: 28 já estava escrito o propósito de Deus para Ciro como o pastor
que conduziria Israel de volta para o aprisco (A terra de seus pais): “... que digo de Ciro:
Ele é meu pastor e cumprirá tudo o que me apraz; que digo também de Jerusalém: Será
edificada; e do templo: Será fundado”.

2) O período Helenístico (333-167 AC):


Período Ptolomaico sobre a Palestina (323-198 AC)
Período dos Selêucidas sobre a Palestina (198-167 AC
Em 333 AC os exércitos persas concentrados na Macedônia sob o comando de
Dario III foram derrotados por Alexandre, o Grande (356-323 AC). Para ele, sem
dúvida, a cultura grega seria a única força a congregar o mundo. Ele permitiu que os
judeus guardassem suas leis e até mesmo lhes garantiu, nos anos sabáticos, a isenção de
tributos e impostos. Quando no ano de 323 AC Alexandre morreu com apenas 33 anos,
seu império começou a desmoronar e foi dividido entre seus generais. Dois deles
ficaram com a parte oriental: 1) Talmai (nome aramaico de Ptolomeu I Sóter, que
viveu entre 366 e 283 AC; em grego Πτολεµαίος Σωτήρ, ‘Ptolemaíos Sōtér’ –
‘Ptolomeu Salvador’), fundador da dinastia Ptolomaica (em 323 AC), ficou com o Egito
como sua parte no controle administrativo dos sucessores de Alexandre, estabelecendo
sua capital em Alexandria. 2) Salvacos (Para os historiadores Judeus, Salvacos é o nome
de Seleucos I ou Seleuco I Nicator, em grego Σέλευκος Νικάτωρ; Nikátōr, ‘o
vencedor, o vitorioso’, fundador da dinastia Selêucida), governou a região da Turquia
Ocidental e Oriental (antigamente chamada de Anatólia), Síria, Iraque, Irã, Pérsia,
Afeganistão, Paquistão e partes da Índia; depois a dinastia Selêucida alcançou domínio
sobre o Líbano e Israel. Os outros dois generais de Alexandre, o Grande (Alexandre
Magno) que ficaram com a parte ocidental do seu império foram Cassandro da
Macedônia (350-297 AC) e Filipe Lisímaco (360-281 AC). Assim, Israel por várias
vezes se submeteu a domínio pagão. Durante os primeiros cem anos, ficou sob domínio
Egípcio e, no final do século II AC, passou para domínio Selêucida, contra o qual os
judeus empreenderiam uma revolta. Enquanto Israel estava sob domínio de Ptolomeu II
Filadelfo, era permitido aos judeus viverem de acordo com a sua fé. O próprio rei
12

considerava a Torá (livro da Lei de Moisés) um patrimônio cultural e obrigara 72 sábios


judeus (por volta de 250 AC) a traduzi-la para o grego (Septuaginta ou Versão dos
Setenta, LXX). Durante esta fase do período Ptolomaico surgiram os fariseus, os
saduceus e os essênios em Israel.
Os Saduceus eram uma seita do Judaísmo do Segundo Templo que floresceu do
século 2 AC ao século 1 DC, que alguns estudiosos afirmam ser descendentes de
Zadoque (em hebraico: Tsadoq, ‫קודצ‬, que significa ‘justo’) um sacerdote descendente de
Eleazar, filho de Arão (1 Cr 6: 4-8). Ele oficiou como sacerdote nos tempos de Davi e
Salomão. O partido dos Saduceus era como o partido dos sacerdotes e das elites.
Cumpriam várias funções políticas, sociais e religiosas, dentre as quais, a manutenção
do Templo. Discordavam dos fariseus na questão da lei oral, a qual eles não aceitavam,
negavam a ressurreição, anjos e espíritos (At 23: 8). Perduraram até algum tempo
depois de 70 DC, quando o templo e a cidade de Jerusalém foram destruídos pelos
romanos, mas deixaram sua marca em todas as tendências anti-rabínicas dos primeiros
séculos EC e da época medieval. Os saduceus eram inicialmente partidários do
helenismo, enquanto que os fariseus eram da facção ortodoxa.
Os Essênios eram um movimento místico-religioso (sem orientação política) que
rejeitavam os sumos-sacerdotes apontados pelos selêucidas ou pelos Hasmoneus, por
considerá-los ilegítimos. O nome ‘essênio’ (em grego: essaioi; em síriaco: essaya ou
essenoí; no aramaico: chasajja; e em latim: esseni) significa ‘piedoso’. Eles tinham
como doutrina a renúncia dos prazeres da carne para poderem atingir a santidade
espiritual. Viviam em Qumran (ou Khirbet Qumran, nome do atual local arqueológico,
que em hebraico significa: ‘ruína da mancha cinzenta’) que era um lugar localizado na
Cisjordânia (na antiguidade, localizada a oeste do rio Jordão e do Mar Morto) a mais ou
menos mil e seiscentos metros ao noroeste do Mar Morto, a doze quilômetros de Jericó
e vinte e dois quilômetros de Jerusalém. A colônia de Qumran era conhecida como
‘fortaleza dos piedosos’, e comportava de 200 a 300 pessoas. Ela foi abandonada em 31
AC, após um incêndio e um terremoto, mas foi reconstruída e permaneceu até o século I
DC, quando em 68 DC os romanos a destruíram. O nome ‘Qumran’ é moderno; ele é
derivado de ‘qamar’, que em árabe significa ‘lua’. O nome do local no período do
Segundo Templo foi provavelmente, Secacah, que significa ‘cidade do sal’. Hoje,
Qumran se resume apenas a ruínas.

As ruínas de Qumran
13

Os Essênios eram muito preocupados com a limpeza do corpo (se lavavam


constantemente) como um símbolo da purificação da alma. Faziam voto de Nazireado
(consagração a Deus, não cortando os cabelos, não tomando vinho ou qualquer produto
derivado da uva e não tocando em cadáveres), por isso eram chamados Nazireus (como
Sansão, João Batista e Samuel). No caso do voto ser temporário, os cabelos do Nazireu
eram rapados e queimados no final do período de consagração. Os Essênios guardavam
o nome de Deus o (tetragrama sagrado – YHWH) dado a Moisés no Sinai, ao contrário
dos demais judeus (principalmente Fariseus e Saduceus) que não podiam pronunciá-lo.

Localização de Qumran

Eles acreditavam que o ser humano era o tabernáculo de Deus na terra, não
construído por mãos humanas, e também aguardavam o Messias. Alguns dos primeiros
cristãos eram essênios, pois alguns deles haviam se convertido a Jesus, por terem-no
aceitado como Filho de Deus e Messias.
Essa compreensão (‘o ser humano era o tabernáculo de Deus na terra’) também era
compartilhada pelos Fariseus (‘separatistas’), integrantes da comunidade de escribas e
sábios. Eram considerados separatistas por rejeitarem a cultura helenística ou por se
opor ao monopólio Asmoneu do poder. Durante o período Asmoneu, os Saduceus e os
Fariseus funcionaram primariamente como partidos políticos.
Como o período Helenístico tem muitas informações e exerceu muita influência
sobre Israel, em particular por causa da profecia de Daniel capítulo 11, eu colocarei os
maiores detalhes nos capítulos sobre “Selêucidas e Ptolomeus” e “Revelação de Daniel
capítulo 11.”
14

Alexandre, o Grande

3) período Hasmoneano (167-63 AC):


No início desse período da História, os judeus submeteram-se a um jugo muito
pesado. Os Ptolomeus tinham sido complacentes para com os judeus, permitindo suas
práticas religiosas, mas os Selêucidas (na pessoa do rei Antíoco IV) empenharam-se
tenazmente por impingir-lhes o helenismo (cultura grega). Instituiu-se como lei a
destruição dos exemplares das Escrituras e o culto judaico foi proibido: a observância
do shabbat, as proibições alimentares e até a circuncisão. Esse decreto foi cumprido
com extrema desumanidade. No Templo de Jerusalém foi instalada uma estátua do deus
grego Zeus (Júpiter para os romanos). O monarca estava determinado a dobrar os
habitantes que se mostravam irredutíveis em não aceitar a cultura grega. Em 167 AC,
Antíoco IV Epifânio conquistou Jerusalém que passou a ser permanentemente
controlada por soldados. Ali, Antíoco IV cometeu sacrilégio matando um porco (animal
imundo) no altar. Jesus se refere a este fato com as palavras: “Quando, pois, virdes o
abominável da desolação situado onde não deve estar (quem lê entenda)” (Mt 24: 15;
Mc 13: 14, extraído de Dn 9: 27; Dn 11: 31; Dn 12: 11), fato que se repetiria com a
destruição do templo pelos romanos em 70 DC, e que também tem uma estreita relação
com Dn 12: 11 sobre o final dos tempos.
Os judeus oprimidos de rebelaram sob o comando de Judas Macabeu (Judas ben
Matatias). Macabeu significa ‘martelo’. O nome de sua família era Hasmom, por isso
eles eram conhecidos como Hasmoneanos ou Hasmoneus, e viviam num vilarejo
chamado Modiín. O líder era Matatias, pai de cinco filhos: Simão, Judas (o macabeu),
Eleazar, João e Jônatas. A revolta eclodiu quando um grupo de gregos reuniu os
habitantes do vilarejo na praça onde fora erguido um altar com ídolos. O general grego
exigiu que João fizesse oferendas naquele lugar. Este, porém, recusou-se
veementemente e sua atitude fez irromper a revolta. A revolta se transformou numa
guerra, onde Matatias faleceu já em idade avançada, sendo seu filho, Judas Macabeu,
nomeado general. Ele adotou a estratégia de guerrilhas, pegando o inimigo em ataques-
surpresa. Judas queria retomar Jerusalém para purificar o templo. Mas, ao chegar ao
15

templo sagrado, encontrou apenas desolação, ruínas, ídolos e estátuas por toda parte.
Finalmente, os Macabeus expulsaram as tropas de Antíoco IV de Jerusalém.
A Revolta dos Macabeus durou de 167-160 AC. Judas Macabeu faleceu e foi
sucedido por seu irmão Jônatas, que se tornou sumo sacerdote em Jerusalém por
indicação do rei da Selêucida Antíoco VI Dionísio (144-142 AC). Porém, no reinado de
Antíoco VII Evérgeta ou Sideta (139-129 AC), Jerusalém foi novamente ocupada. Na
época, o sumo sacerdote e governador da Judéia era João Hircano I (135-104 AC), o
filho mais novo Simão Macabeu e neto do sacerdote Matatias e, portanto, sobrinho do
seu antecessor Jônatas Macabeu.
Com a morte de seu pai Simão Macabeu, João Hircano I assumiu o cargo de sumo
sacerdote e rei. Entretanto, o rei Selêucida Antíoco VII Evérgeta ou Sideta conquistou
os judeus após um cerco de Jerusalém, e executou seus principais líderes. No ano de
116 AC, dois regentes selêucidas iniciaram uma disputa pelo trono, e isso foi um
motivo para João Hircano I reafirmar a independência judaica e trazer Samaria e a
Iduméia sob o controle de Jerusalém. Seu filho, Alexandre Janeu, rei da Judéia (103-76
AC), assaltou Ptolemaida (hoje chamada Acre, uma cidade da Galiléia, ao norte da Baía
de Haifa, na costa do Mediterrâneo localizada num promontório próximo do Monte
Carmelo) e herdou o trono do seu irmão Aristóbulo I (que havia morrido), casando-se
com sua cunhada Salomé Alexandra, pela lei do levirato. Alexandre Janeu expandiu o
Reino Hasmoneu e estabeleceu a capital na cidade de Gamla (81 AC), onde é agora a
Cidade de Golã. Em 65–64 AC, o Império Selêucida foi anexado à República Romana.
Assim, terminou também o Período Hasmoneano, e teve início o período romano,
quando Pompeu invadiu Jerusalém (63 AC). O segundo templo construído por Esdras
era uma fortaleza tão poderosa que resistiu ao cerco de Pompeu durante 3 meses.

Judas Macabeu à esquerda e a Revolta dos Macabeus à direita


16

Reino Hasmoneano (Asmoneu)

4) O período Romano (63 BC-476 DC):


No ano de 63 AC, o general romano Pompeu (Cneu Pompeu Magno) conquistou
Jerusalém, e as províncias da Palestina se subjugaram ao domínio romano. Morto
Pompeu no Egito em 49 AC, Caio Júlio César (49-44 AC) subiu ao poder da República
Romana e se proclamou ditador vitalício. Morreu assassinado e a partir daí houve uma
disputa de poder entre Marco Antônio (um célebre militar e político romano) e Caio
Júlio César Otaviano Augusto, conhecido por César Augusto. A Batalha de Áccio em
31 AC., perto de Actium na Grécia, entre Marco Antônio e Otaviano, foi vencida por
este e marcou a data do fim da República e início do Império Romano. César Augusto
reinou como imperador de 29 AC a 14 DC. O governo de cada região ficava parte do
tempo a cargo de príncipes e, no restante, sob a responsabilidade de procuradores
nomeados pelo imperador. Augusto nomeou Herodes, o grande, governador sobre a
Palestina na época do nascimento de Cristo.
A partir daí, muitos imperadores se seguiram até a queda do Império Romano. Em
geral, a expressão queda do Império Romano refere-se ao fim do Império Romano do
Ocidente, ocorrido em 476 DC, com a tomada de Roma pelos Hérulos, uma vez que a
17

parte oriental do Império, que posteriormente os historiadores denominariam Império


Bizantino, continuou a existir por quase mil anos, até 1453, quando ocorreu a Queda de
Constantinopla pelos turcos otomanos. A queda do Império Romano do Ocidente foi
causada por uma série de fatores, entre os quais as invasões bárbaras que causaram a
derrubada final do Estado. Os Hérulos foram uma tribo germânica, possivelmente
originária do sul da Escandinávia (Dinamarca, Suécia e Noruega) e invadiram o Império
Romano no século III. Os Hérulos junto com os Godos participaram de várias
expedições saqueando o mar Negro e o mar Egeu.
Quanto aos imperadores romanos, o assunto continua nos volumes 2 e 3 deste livro:
[Link]
[Link]
18

Parte 2 — Período Intertestamentário — Selêucidas e Ptolomeus

Aqui, o enfoque maior será dado ao período Helenístico, num estudo mais
detalhado sobre os reis Selêucidas e Ptolomaicos, pois tudo o que aconteceu neste
período da História foi revelado ao profeta Daniel (Dn 11: 1-45). Além dos reis do
Norte e do Sul (dinastias Ptolomaica e Selêucida), também falaremos sobre os outros
dois generais de Alexandre, o Grande, que herdaram a parte ocidental do Império após
sua morte. Embora possa parecer que estamos assistindo a uma aula de História Geral, é
importante se lembrar da presença de Deus sobre a história da humanidade, movendo
reinos e nações segundo a Sua vontade, e o quanto Ele deseja revelar Seus planos aos
verdadeiros profetas para que nós possamos ouvir Sua voz, ver a nós mesmos através da
vida desses personagens e aprender com eles para não repetirmos os mesmos erros.
Em 333 AC os exércitos persas concentrados na Macedônia sob o comando de
Dario III foram derrotados por Alexandre, o Grande (356-323 AC). Quando no ano de
323 AC Alexandre morreu com apenas 33 anos, seu império começou a desmoronar e
foi dividido entre seus generais. Dois deles ficaram com a parte oriental: 1) Talmai
(nome aramaico de Ptolomeu I Sóter, que viveu entre 366 e 283 AC; em grego
Πτολεµαίος Σωτήρ, ‘Ptolemaíos Sōtér’ – ‘Ptolomeu Salvador’), fundador da dinastia
Ptolomaica (em 323 AC), ficou com o Egito como sua parte no controle administrativo
dos sucessores de Alexandre, estabelecendo sua capital em Alexandria. 2) Salvacos
(Para os historiadores Judeus, Salvacos é o nome de Seleucos I ou Seleuco I Nicator,
em grego Σέλευκος Νικάτωρ, Nicator = o vencedor, o vitorioso; fundador da dinastia
Selêucida) governou a região da Turquia Ocidental e Oriental (antigamente chamada de
Anatólia), Síria, Iraque, Irã, Pérsia, Afeganistão, Paquistão e partes da Índia; depois a
dinastia Selêucida alcançou domínio sobre o Líbano e Israel por volta de 168 AC. Os
outros dois generais de Alexandre, o Grande (Alexandre Magno) que ficaram com a
parte ocidental do seu império foram Cassandro da Macedônia (350-297) e Filipe
Lisímaco (360-281 AC).
Falanges Macedônicas – a formação do exército de Alexandre, com soldados muito
próximos uns dos outros e lanças dispostas de uma forma que dificultava a passagem do
inimigo através dos soldados gregos. Quem não morria na primeira linha de lanças
morria provavelmente nas outras. Este tipo de formação de batalha tornou o exército de
Alexandre praticamente invencível. Os romanos copiaram a mesma estratégia de
formação de batalha para as suas legiões de infantaria.
19

Em primeiro lugar, é interessante olhar a extensão do império Persa deixado por


Dario III e a extensão do império conquistado por Alexandre Magno, ou Alexandre o
Grande.
20

O império de Alexandre foi um pouco menor que o Persa. Foi o segundo maior
império da antiguidade.

Alexandre, o Grande

Como já foi dito, quando Alexandre morreu com apenas 33 anos de idade (323
AC), seu império foi dividido entre seus quatro generais. Antes dessa divisão, porém,
houve uma primeira, entre esses generais e outro chamado Antígono I Monoftalmo,
um grande nobre, general e sátrapa (382-301 AC), que se tornou o senhor de toda a Ásia
Menor, por isso houve quatro guerras contra ele por parte dos outros.
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Os diádocos (do grego ∆ιάδοχοι, Diadokhoi, ‘sucessores’) também chamados de


epígonos (grego: Επίγονοι, transl. Epígonoi, ‘filhos’), na história do Helenismo, foram
os sucessores de Alexandre, o Grande. As Guerras dos Diádocos aconteceram após a
morte de Alexandre, e são sobre elas que o profeta Daniel fala em seu livro (Dn 11: 1-
35), quando se refere ao rei selêucida Antíoco IV que cometeu sacrilégio matando um
porco (animal imundo) no altar do templo em Jerusalém. Embora, a partir do v. 35 em
diante, as revelações se refiram mais aos tempos apocalípticos (ao Anticristo – vs. 36-
39), ainda podemos encontrar neles as semelhanças com os atos de Antíoco IV
Epifãnio.

Se quiser entender melhor a genealogia das duas dinastias, faça o download em


PDF: [Link]

Cassandro (350-297 AC) herdou a Macedônia (Grécia). Cassandro era filho de


Antípatro, um dos generais de Alexandre, o Grande, e de seu Pai, Filipe II da
Macedônia. Nada há de muito interessante a ser dito sobre Cassandro, a não ser as
coligações que fez com os outros generais (diádocos) de Alexandre para tirar o império
das mãos de um grande nobre, general e sátrapa chamado Antígono (Antígono I
Monoftalmo – 382-301 AC), que se tornou o senhor de toda a Ásia Menor e estabeleceu
a dinastia Antigônida. Ele reinou por 18 anos, e viveu até os 86 anos. Era chamado
Monoftalmo, ou ‘o caolho’, porque só tinha um olho; o outro ele havia perdido em
batalha. Foi atacado pelos outros Diádocos, e era muito temido de todos eles. Após sua
morte (na quarta coligação de Diádocos), o império foi definitivamente dividido entre
os quatro generais de Alexandre. Outro fator de interesse na vida de Cassandro foi a
série de assassinatos que ele realizou, incluindo a mãe de Alexandre Magno (Olímpia) e
seu filho por sua esposa Roxana, Alexandre IV (aos 13 anos de idade – 311 AC).
Cassandro se casou com Tessalônica da Macedônia, e teve três filhos: Filipe IV da
Macedônia, Antípatro II da Macedônia e Alexandre V da Macedônia. Cassandro morreu
de tuberculose em 297 ou 296 AC na Macedônia. Seu filho mais velho Filipe IV e
sucessor também veio a falecer de tuberculose quatro meses mais tarde.
O general Filipe Lisímaco (360-281 AC) tornou-se um dos quatro diádocos de
Alexandre. Em 315 AC, Filipe Lisímaco uniu-se com Cassandro, Ptolomeu e Seleuco
contra Antígono I Monoftalmo. Nesta primeira aliança entre os quatro generais contra
ele, ele saiu ileso. Lisímaco continuou a travar suas guerras para aumentar seu território.
Em 306 AC, Lisímaco tornou-se rei, governando a Ásia Menor, a Macedônia e a Trácia
(região compreendida entre o Mar Negro e a Macedônia) por vinte anos. Em 302 AC,
Lisímaco fez a segunda aliança entre Cassandro, Ptolomeu e Seleuco, e com o reforço
das tropas de Cassandro, penetrou na Ásia Menor. Mas Antígono se aproximou e ele se
retirou para uma residência próxima à cidade de Heracléia Pôntica (na costa do Mar
Negro, na Turquia), casando-se com a rainha viúva Amestris, uma princesa persa,
sobrinha de Dario III. Em 301 AC, os quatro se uniram pela quarta vez contra Antígono
Monoftalmo na batalha de Ipso, perto da cidade de mesmo nome, na Frígia – nome da
antiga região centro-oeste na antiga Ásia Menor (Anatólia), na moderna Turquia. Na
época, Cassandro governava a Macedônia, Lisímaco era governante da Trácia, Seleuco I
Nicator era governante da Babilônia e Pérsia, e Ptolomeu, governante do Egito. Os
diácodos aliados venceram a batalha, Antígono Monoftalmo foi morto, e seu filho
Demétrio I Poliorcetes escapou, fugindo para Éfeso (Poliorcetes significa ‘o sitiador’
[de cidades]).
Assim, Ptolomeu ganhou o Egito; Seleuco, a maior parte das terras de Antígono no
leste da Ásia Menor, e Lisímaco recebeu o restante da Ásia Menor. Vendo que Seleuco
22

era mais forte, Lisímaco se aliou a Ptolomeu I Sóter, se divorciou de Amestris, e se


casou com a filha de Ptolomeu, Arsínoe II do Egito (316-270 AC), que passou a ser
rainha da Trácia e, depois, co-governante do Egito com seu irmão e marido, Ptolomeu II
Filadelfo. Amestris retornou a Heracléia e depois foi assassinada em 306 AC por seus
dois filhos (Clearco II e Oxatres, filhos do seu casamento anterior com Dionísio, tirano
de Heracléia) que, por sua vez, foram condenados por Lisímaco. Ela também teve com
ele (Dionísio) uma filha chamada Amestris. Arsínoe II lhe pediu a residência de
Heracléia e, em 284 AC, conspirou contra o filho primogênito de Lisímaco, Agátocles,
para que seus filhos fossem herdeiros do trono. Isso ela fez com ajuda de seu irmão
Ptolomeu Cerauno. Eles usaram de mentira, acusando Agátocles de conspirar com
Seleuco para tirar o trono de seu pai. Este condenou seu próprio filho, o que causou
indignação em muitas cidades da Ásia Menor que se revoltaram. Seus amigos de
confiança o desertaram. Aí, sim, sua nora viúva fugiu para Seleuco, que por sua vez
invadiu os territórios de Lisímaco na Ásia. Quase na mesma época, Demétrio I
Poliorcetes, que estava fora da Grécia, voltou com as hostilidades contra Lisímaco, mas
depois de ver suas cidades invadidas na Ásia Menor, fez um acordo de paz com este,
ficando, então, como governante da Macedônia. Em seguida as guerras entre eles
voltaram, mas Lisímaco venceu mais uma vez, tomando posse do território. Em 281
AC, Lisímaco entrou na Lídia, e na decisiva Batalha de Corupédio ele foi morto por
Seleuco, que também derrotou Cassandro, e morreu logo depois dos seus inimigos. O
corpo de Lisímaco foi vigiado por um dedicado cão por alguns dias e, depois de
encontrado no campo de batalha, foi entregue a seu filho Alexandre, que o sepultou em
Lisimáquia. Alexandre foi seu único filho com Amestris.
As quatro divisões principais do império de Alexandre após a batalha de Ipso:

A parte oriental: 1) Ptolomeu I Sóter, fundador da dinastia Ptolomaica (em 323


AC), ficou com o Egito, estabelecendo sua capital em Alexandria. 2) Seleucos I ou
Seleuco I Nicator, fundador da dinastia Selêucida, governou a região da Turquia
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Ocidental e Oriental (Anatólia), Síria, Iraque, Irã, Pérsia, Afeganistão, Paquistão e


partes da Índia; depois, Líbano e Israel. A parte ocidental do seu império foi dividida
entre Cassandro (350-297 AC), que recebeu a Macedônia (Grécia), e Filipe Lisímaco
(360-281 AC), que recebeu o restante da Ásia Menor e a Trácia.
Agora, vamos nos concentrar nas principais Dinastias: Ptolomaica e Selêucida.
Dinastia Ptolomaica:

Ptolomeu I Sóter

Ptolomeu I Sóter, que viveu entre 366 e 283 AC, foi o fundador da dinastia
Ptolomaica (em 323 AC). De 323 a 305 AC, foi sátrapa; de 305 a 285 AC, foi rei.
Depois abdicou, e faleceu em 283 AC. Ptolomeu I Sóter era filho de Arsinoé da
Macedônia. A História se refere ao pai de Ptolomeu como sendo Lagos ou Lagus, que
foi um macedônio, daí o nome Lágidas, também dado à dinastia que fundou. Mas os
macedônicos do século II DC diziam que seu pai verdadeiro era Filipe II, pai de
Alexandre o grande, pois Ptolomeu I Sóter nasceu logo após o casamento de sua mãe
com Lagos. Ptolomeu I Sóter ficou com o Egito, estabelecendo sua capital em
Alexandria. Ele sempre se importou em manter o Egito seguro por causa das guerras
dos diácodos, exercendo também um rígido controle sobre a região de Chipre, Cirene,
Síria e Judéia. Em 308 AC tomou posse de Corinto, Sícion (antiga cidade ao sul da
Grécia, na península de Peloponeso) e Mégara (uma cidade agrícola ao norte do istmo
de Corinto). Mas em 306 AC, numa batalha contra Demétrio I, filho de Antígono
Monoftalmo, Ptolomeu I perdeu Chipre definitivamente. Ele já havia perdido a Síria
para Antígono, mas voltou a reconquistá-la pela quarta vez em 301 AC, após a morte do
seu inimigo na batalha de Ipso. Entretanto, os outros membros da coligação atribuíram a
Síria a Seleuco. Assim, durante cerca de um século, a questão da posse do sul da Síria,
isto é, Israel, ocasionou um clima de constante conflito entre a dinastia Ptolomaica e os
Selêucidas. Em 285 AC, Ptolomeu I Sóter abdicou em favor do filho de Berenice I,
Ptolomeu II Filadelfo. Morreu em 283 AC com 84 anos de idade e foi o fundador do
Museu e da biblioteca de Alexandria, incentivando a permanência dos sábios gregos na
cidade em que eles escolhessem ficar.
Ele teve três esposas, e filhos com elas:
1) Com Eurídice (com quem se casou em 321 AC): Ptolomeu Cerauno, Meleagro
da Macedônia, Argeu, Lisandra e Ptolomaida. Eurídice era filha de Antípatro, um
general macedônico que apoiou fortemente o rei Filipe II da Macedônia e seu filho
Alexandre, o Grande. Em 320 AC, tornou-se regente de todo o império de Alexandre.
Eurídice era irmã de Cassandro.
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2) Com Berenice I (com quem se casou em 316 AC): Ptolomeu II Filadelfo (285-
247 AC), Arsínoe II e Filotera. Berenice I era sua concubina e também prima de
Eurídice. Depois, veio a ser sua esposa principal e futura rainha. Ele adotou os filhos de
Berenice I de seu primeiro casamento (com um nobre chamado Filipe): Magas de
Cirene, Antígona e possivelmente Texena, como príncipes da Casa Real da Macedônia.
3) Com Taís: Lago, Leôntico e Irene (em Grego, ‘Eirene’; nenhum relato histórico
se encontra sobre eles, apenas que Taís de Atenas era uma cortesã).
Por meio de suas filhas, Ptolomeu I Sóter realizou muitos casamentos diplomáticos,
selando fortes e importantes alianças com os principais sucessores de Alexandre e com
outros reinos no período helenístico, e garantindo a realeza de seus descendentes diretos
nos principais reinos do mundo helênico nos séculos seguintes:
1) Irene se casou com o rei de Chipre.
2) Antígona, a filha do primeiro casamento de Berenice I, se casou com o rei de
Épiro.
3) Texena, outra filha de Berenice I, se casou com o rei de Siracusa.
4) Lisandra, filha de Eurídice, se casou primeiro com o rei Alexandre V da
Macedônia, filho de Cassandro, mas com sua morte em menos de um ano, se casou com
Agátocles, filho de Lisímaco, e teve vários filhos com ele. Quando Agátocles foi morto
pelo próprio pai, acusado de traição como vimos acima, Lisandra fugiu com os filhos
para a corte de Seleuco I Nicator na Babilônia.
5) Ptolomaida se casou com Demétrio I, apelidado de Poliorcetes (significa
‘sitiador de cidades’), filho de Antígono Monoftalmo, por volta de 287-286 AC. Seu
marido morreu logo após o nascimento de seu filho único, a quem deu o nome de
Demétrio, o belo, herdeiro do trono macedônico e futuro rei de Cirene (atual região da
costa oriental da Líbia). Demétrio, o belo, teve duas esposas: Olimpia de Larissa (lhe
deu um filho que veio a ser rei da Macedônia) e a Rainha Berenice de Cirene, que se
tornaria Berenice II do Egito. Demétrio, o belo, foi assassinado por Berenice por ter
sido flagrado na cama com a sua própria sogra.
6) Arsínoe II do Egito se casou três vezes: aos dezesseis anos, com Lisímaco da
Trácia e tiveram três filhos: Ptolomeu de Telmesso (ou Ptolomeu Epigonos), Lisímaco e
Filipe. Os dois últimos seriam mortos, mais tarde pelo seu tio Ptolomeu Cerauno (meio-
irmão de Arsínoe II), no chamado massacre de Cassandréia (a cidade da Macedônia
onde ela reinava), quando ela estava se casando com ele. Ptolomeu Cerauno governava
a Macedônia e a Trácia. Segundo os historiadores, o terceiro filho, Ptolomeu de
Telmesso, que tinha aconselhado a mãe a não casar, conseguiu escapar para a Ilíria.
Arsínoe conseguiu fugir para Alexandria, no Egito, onde se casou com seu irmão,
Ptolomeu II Filadelfo. Não teve filhos com ele.
7) Filotera, filha de Berenice I e Ptolomeu I Sóter, foi a única filha que não se
casou.

Ptolomeu II Filadelfo, filho de Ptolomeu I Sóter e Berenice I, reinou entre 285-


246 AC. Casou-se com duas mulheres de nome Arsínoe: Arsínoe I (filha de Lisímaco) e
Arsínoe II (sua irmã). Ptolomeu II Filadelfo nunca foi, na verdade, herdeiro do trono
ptolomaico. Sendo o filho caçula do faraó, estava no último degrau da linha de
sucessão, enquanto o primeiro seria ocupado por seu meio-irmão Ptolomeu Cerauno
(filho de Ptolomeu Sóter e Eurídice). Mas este foi rejeitado como sucessor pelo pai e se
tornou rei da Macedônia em 281 AC, morrendo no ano seguinte durante uma invasão
gaulesa. Seu outro irmão, Meleagro, o sucedeu no trono da Macedônia por um curto
período. Com Arsínoe I (filha de Lisímaco) Ptolomeu II Filadelfo teve três filhos:
Ptolomeu III Evérgeta, Lisímaco e Berenice Sira (chamada também de Berenice
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Phernophorus, que significa ‘portadora do dote’). Com Arsínoe II (sua irmã), Ptolomeu
II Filadelfo não teve filhos.

Ptolomeu III Evérgeta foi o sucessor de Ptolomeu II Filadelfo (filho de sua esposa
Arsínoe I – filha de Lisímaco). Governou o Egito entre 246 e 221 AC. Também tomou a
Cilícia e conquistou todas as terras até o rio Eufrates (Terceira Guerra Síria ou Guerra
Laodiciana). O rei egípcio continuou a política interna de seu pai, colonizando Faium,
uma cidade do Médio Egito localizada 130 km a sudoeste do Cairo. Também deu ordem
de construção do templo de Hórus (237 AC) e de recuperação de estátuas levadas para
fora do Egito durante o período de dominação persa. Em conseqüência deste feito
Ptolomeu recebeu o nome de Evérgeta, o que significa ‘O Benfeitor’. Durante seu
reinado houve dois eventos importantes entre Ptolomeu III Evérgeta e a Síria: 1) Ele
invadiu a Síria após um incidente com sua irmã Berenice Sira e seu filho (veremos isso
mais tarde), no governo de seu contemporâneo, o rei Selêucida Antíoco II Theos (261-
246 AC). 2) Dois irmãos e reis selêucidas (Seleuco II Calínico e Antíoco Hierax)
brigaram entre si e Antíoco Hierax procurou refúgio com Ptolomeu III Evérgeta; foi
preso e escapou, mas foi morto por ladrões quando fugia. Ptolomeu III Evérgeta se
casou com Berenice II (filha de Magas de Cirene) e teve três filhos: Ptolomeu IV
Filopator, Arsínoe III e Magas. Ele foi sucedido pelo seu filho, Ptolomeu IV.

Exército egípcio

Ptolomeu IV Filopator (244-205 AC): foi o sucessor de Ptolomeu III Evérgeta


após 221 AC. Durante o seu reinado iniciou-se a decadência da dinastia Ptolomaica e,
conseqüentemente, do Egito. Ele matou seu pai e sua mãe, ganhando o apelido de
Filopator (‘aquele que ama seu pai’) por ironia. Ptolomeu IV também deu ordem a seu
ministro-chefe, Sosíbio, de matar seu irmão Magas (filho de Ptolomeu III) e seu tio
Lisímaco. Ele é retratado pelos autores clássicos como um rei fraco e cruel, que
entregou os assuntos de Estado aos seus ministros e conselheiros, como Sosíbio. Em
219 AC o rei Antíoco III Magno conquistou algumas cidades costeiras da Celessíria,
ameaçando o domínio ptolemaico nesta região. Ptolomeu e Sosíbio reorganizaram o
exército, pela primeira vez desde o domínio ptolemaico, recrutando a população nativa
do Egito – Quarta Guerra Síria (219-216 AC). Ele voltou a se confrontar com o rei
Selêucida Antíoco III Magno em 217 AC na batalha de Ráfia (ou batalha de Gaza), ao
sul da Palestina, onde o Egito prevaleceu. Em 210 AC ele se casou com Arsínoe III (sua
irmã), com a qual teve um filho e sucessor: Ptolomeu V Epifânio, que veio a se casar
com Cleópatra I, filha de Antíoco III Magno (o rei Selêucida) para selar um acordo
26

político. Após a sua morte, Sosíbio e Agátocles ordenaram a morte de Arsínoe III, que
estava se preparando para governar como regente na menoridade do seu filho. Sosíbio e
Agátocles (seus dois ministros) morreram pelas mãos do povo, linchados, quando as
pessoas souberam das circunstâncias da morte de Arsínoe III.

Ptolomeu V Epifânio (210-181 AC) reinou a partir de 205 AC, após a morte de
seu pai. Alguns historiadores dizem que ele se tornou rei aos cinco anos de idade, tendo
um testamento falsificado onde Sosíbio e Agátocles (seus dois mnistros) eram
considerados seus guardiões. Após a morte deles, Ptolemeu V ficou aos cuidados de
Oenanthe, mãe de Agátocles. Esta situação confusa foi aproveitada pelo rei selêucida
Antíoco III Magno para atacar cidades da Celessíria – Quinta Guerra Síria (202-195
AC). A Celessíria ou Coele-Síria é a região ao norte da Síria, mais tarde tomada pelos
Romanos e Partas. Por intervenção romana, a paz foi feita através do casamento de
Cleópatra I, filha de Antíoco III Magno, com Ptolomeu V.
Durante o reinado de seu pai um rei núbio do sul do Egito iniciou um movimento
separatista do seu território do império Ptolomaico, mas Ptolomeu V conseguiu acabar
com ele. Com Cleópatra I, ele teve três filhos: Ptolomeu VI Filometor (que significa
‘aquele que ama sua mãe’), Ptolomeu VIII Evérgeta II (ou Ptolomeu VIII Fiscon, que
significa ‘barrigudo’, ‘grande ventre’; seu nome de nascimento era Ptolomeu Neótero) e
uma filha, Cleópatra II. Ptolomeu VI Filometor e Cleópatra II eram irmãos e casados,
como era habitual para os faraós, pois os reis gregos Ptolomaicos tinham adotado
muitos costumes dos faraós. Houve rivalidade entre os dois irmãos Ptolomeu VI
Filometor e Ptolomeu VIII Evérgeta II. Ptolomeu VI Filometor (ou Eupator) ficou como
sucessor de Ptolomeu V Epifânio.

Ptolomeu VI Filometor (reinado: 180-145 AC) governou em co-regência com a


mãe Cleópatra I (após a morte de seu pai) até a morte desta em 176 DC (o novo regente
tinha seis anos de idade na época). Depois, ele ficou sob tutela de dois conselheiros da
corte, que o incitaram a invadir a Celessíria. Casou-se com sua irmã Cleópatra II, mais
ou menos em 175 ou 173 AC e teve filhos: Cleópatra III, Cleópatra Téia, Ptolomeu
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Eupator e Ptolomeu VII Novo Filopator. Em 170 AC Ptolomeu VI Filometor quis


colocar seu irmão Ptolomeu Fiscon (mais tarde chamado Ptolomeu VIII Evérgeta II)
como co-regente, junto com sua irmã e esposa Cleópatra II. Mas neste mesmo ano, seu
tio Antíoco IV Epifânio invadiu o Egito e o prendeu (Sexta Guerra Síria – 170-168 AC).
Assim, de 170 a 163 AC a nação foi governada pelo irmão de Ptolomeu VI Filometor,
Ptolomeu VIII Evérgeta II, escolhido pelo povo de Alexandria como rei. Em 164 AC
Ptolomeu VI foi expulso da capital egípcia Alexandria e se refugiou em Roma, que
resolveu intervir na disputa entre os dois irmãos, colocando Ptolomeu VI Filometor
como rei do Egito e Ptolomeu VIII Evérgeta II como rei da Cirenaica (costa oriental da
Líbia), mas este também exigiu o domínio da ilha de Chipre. Ptolomeu VI Filometor o
impediu de conseguir isso, mas temendo a reação de Roma, deixou o irmão reinar sobre
a Cirenaica e lhe deu uma filha em casamento, Cleópatra Téia. Entretanto, ela veio a se
casar com um usurpador do trono Selêucida, Alexandre Balas, cujo objetivo era matar
Ptolomeu VI Filometor também, como fez com o filho legítimo de Seleuco IV
Filopator: Demétrio I Sóter. O sucessor legítimo deste era seu filho Demétrio II Nicator.
Assim, Ptolomeu VI Filometor considerou inválido o casamento de sua filha com
Alexandre e a entregou a Demétrio II Nicator. Diante dessa situação tão conturbada, os
habitantes de Antioquia e o exército selêucida pediram a Ptolemeu VI Filometor que se
tornasse o novo rei selêucida, mas ele não aceitou a oferta.

Ptolomeu VIII Evérgeta II (ou Ptolomeu VIII Fiscon; Fiscon = ‘barrigudo’,


‘grande ventre’) governou em 2 períodos (170-163 AC e 145-116 AC). O primeiro
período do seu reinado se refere ao período em que seu irmão e rei egípcio Ptolomeu VI
Filometor foi feito prisioneiro pelo tio, Antíoco IV Epifânio. Durante este tempo ele
reinou com sua irmã e cunhada, Cleópatra II. Com a morte de Ptolomeu VI, Ptolomeu
VIII Evérgeta II tentou tomar o trono se casando com a irmã Cleópatra II que tentava
assegurar os interesses do filho, Ptolomeu VII Novo Filopator, nomeado regente pelo
pai. Em 145 AC, no dia do seu casamento com Cleópatra II, Ptolomeu VIII matou o
sobrinho (Ptolomeu VII Novo Filopator). Mais tarde, ele repudiou a irmã e esposa para
se casar com a filha desta, sua sobrinha Cleópatra III, que lhe deu dois filhos: Ptolomeu
IX Sóter II e Ptolomeu X Alexandre I, além de três filhas: Cleópatra IV, Cleópatra
Selene I e Trífena. Enquanto era viúva de Ptolomeu VI Filometor, Cleópatra II era
apoiada tanto pelos judeus como pelos intelectuais de Alexandria, que foram
perseguidos por Ptolomeu VIII Evérgeta II. Assim, houve uma divisão de popularidade
entre o rei e a rainha, pois uns cidadãos apoiavam Cleópatra II e outros, Ptolomeu VIII
Evérgeta II. Por isso, em 131 AC, ele fugiu para Chipre com Cleópatra III, sua sobrinha
e esposa. Enquanto estava no exílio, ele soube que suas estátuas estavam sendo
destruídas. Com inveja de Cleópatra II e, por represália, ele mata o único filho de ambos
(Ptolomeu Menfita – com 12 anos de idade na época. Alguns historiadores dizem que
sua identidade ainda não foi provada, ou que ele e Ptolomeu Eupator são a mesma
pessoa), enviando os pedaços da criança à rainha no dia do seu aniversário. Em 127-126
AC, Ptolomeu VIII Evérgeta II conseguiu reconquistar o Egito, se reconciliando com
Cleópatra II. Os três governaram em conjunto a partir de 124 AC e até à morte de
Cleópatra II. Demétrio II Nicator tentou invadir o Egito, mas Ptolomeu VIII Evérgeta II
lhe resistiu. Cleópatra II, que era mãe de Cleópatra Téia e, portanto, sogra de Demétrio
II Nicator havia lhe prometido o trono do Egito. Demétrio II Nicator foi derrotado numa
batalha perto de Damasco e tentou fugir para Tiro, mas sua entrada foi negada ali e ao
tentar fugir ele foi morto (125 AC). Antes de morrer, Ptolomeu VIII Evérgeta II
concedeu o poder a Cleópatra III e aos dois filhos que teve com ela de escolher qual
seria o rei: Ptolomeu IX Sóter II ou Ptolomeu X Alexandre I. Os registros históricos
28

mostram que Ptolomeu IX Sóter II reinou duas vezes (116-107 AC e 88-80 AC).
Ptolomeu X Alexandre I reinou durante 107-88 AC. Ptolomeu IX Sóter II se casou com
suas duas irmãs Cleópatra IV e Cleópatra Selene I e teve uma filha (Cleópatra, também
chamada de Cleópatra Berenice III), que se casou com o tio Ptolomeu X Alexandre I.

A partir daí, os governantes Ptolomaicos foram (ver tabela no final do texto):


Ptolomeu IX Sóter II (116-107 AC)
Ptolomeu X Alexandre I (107-88 AC)
Ptolomeu IX Sóter II (88-80 AC)
Ptolomeu XI Alexandre II (80 AC)
Ptolomeu XII (80-51 AC)
Cleópatra VII (51-30 AC)
Ptolomeu XIII (51-47 AC) – co-regência com a irmã Cleópatra VII
Intervenção da República Romana no Egito – Júlio César – 47-46 AC
Ptolomeu XIV (47-40 AC) – co-regência com a irmã Cleópatra VII
Ptolomeu XV César (Cesarion = pequeno César – 44-30 AC)
Término da República Romana e início do Império Romano – 31/29 AC

Dinastia Selêucida:

Seleuco I Nicator (358-281 AC)

Seleucos I ou Seleuco I Nicator, (Grego Antigo: Nikátōr, ‘o vencedor, o


vitorioso’) fundador da dinastia Selêucida, governou a região da Turquia Ocidental e
Oriental (antigamente chamada de Anatólia), Síria, Iraque, Irã, Pérsia, Afeganistão,
Paquistão e partes da Índia; depois a dinastia Selêucida alcançou domínio sobre o
Líbano e Israel por volta de 168-166 AC. Seleucos I estabeleceu-se na Babilônia em
312 AC, ano que geralmente define a data da fundação do Império Selêucida. Ele
governou, como sátrapa (desce 323 AC), não somente a Babilônia, mas a gigantesca
parte oriental do império de Alexandre. Na parte norte da Síria ele fundou a cidade de
Antioquia (Antioquia da Síria), em homenagem a seu pai Antíoco (um grande general
durante o império de Filipe II da Macedônia e seu filho Alexandre, o Grande). Seleuco I
era filho único. Sua mãe se chamava Laódice. Seleuco I nasceu em 358 AC e morreu
assassinado em 281 AC por Ptolomeu Cerauno logo ao chegar ao continente europeu.
Seu reinado vai de 323 a 281 AC (323-305 AC como sátrapa e 305-281 AC como rei).
Foi sucedido por seu filho Antíoco I Sóter (281-261 AC).
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Desde o governo de Filipe II da Macedônia (pai de Alexandre, o Grande), foram


fundadas quatro cidades importantes na Ásia, com a participação de Antíoco (seu
general; o pai de Seleuco Nicator) e Seleuco I Nicator: Antioquia da Turquia, Selêucia
(‘Selêucia Piéria’ – fundada por Seleuco I Nicator ao norte da desembocadura do rio
Orontes, na Síria), Apaméia (cidade da Síria a 50 quilômetros do rio Orontes, fundada
por Seleuco I Nicator em homenagem à sua esposa Apama) e Laodicéia, muito
provavelmente se referindo à cidade de Laodicéia do Lico (o rio Lico), uma cidade da
Frígia e Lídia na Ásia Menor a 60 km a leste de Éfeso. Antes, a cidade era chamada de
Dióspole (Diospolis, a cidade de Zeus) e Rhoas (Rhodas), mas quando foi reconstruída,
recebeu este nome em homenagem a Laódice, esposa de Antíoco II Teos (na verdade,
foi ele quem a reconstruiu, por volta de 261-253 AC), o neto de Seleuco I Nicator. O
local encontra-se atualmente deserto, e é chamado pelos turcos de Eski-hissar, ‘castelo
velho’.

As ruínas de Laodicéia

Seleuco I Nicator teve duas esposas: Apama e Estratonice (filha de Demétrio I


Poliorcetes, filho de Antígono). Com Apama, ele teve três filhos: Apama, Laódice e
Antíoco I Soter. Mais tarde, após a morte de Apama, Seleuco conheceu Estratonice,
com quem teve uma filha: Fila.
Seleuco I Nicator era um sátrapa no tempo de Alexandre o grande. Em língua persa,
sátrapa (khshathrapâvan) significa: ‘protetor do poder [sobre o território]’ ou ‘protetor
do reino’, e era o nome dado aos governadores das províncias, chamadas satrapias, nos
antigos impérios Aquemênida e Sassânida da Pérsia. Em outras palavras, sátrapas eram
vice-reis investidos de considerável poder, e possuíam suas próprias cortes. Cada
satrapia era governada por um sátrapa, que era nomeado pelo rei. Seleuco I Nicator foi
afastado de sua satrapia em 316 AC por Nicanor, um general de Antígono Monoftalmo.
Em 312 AC, ele voltou à Babilônia, fundando a dinastia selêucida, e em 305 AC já
havia conseguido colocar todas as satrapias do império oriental sob seu domínio. Seu
reinado atingiu uma extensão de 3.750.000 quilômetros quadrados, e uma população de
15 milhões de pessoas. Não apenas Seleuco como todos os demais Diádocos
procuravam alianças com as classes mais privilegiadas dessas regiões (mercadores,
grandes proprietários de terras, sacerdotes etc.), pois tinham riquezas e prestígio e
poderiam ajudá-los a governar em paz e com autoridade as populações não helênicas,
30

uma vez que os imigrantes de origem grega se resumiam apenas a 10% da população.
Na batalha de Ipso (301 AC) descrita anteriormente, onde todos os Diádocos se
coligaram para derrubar o reinado de Antígono e seu filho Demétrio I Poliorcetes,
Seleuco acabou por sedimentar seu poder no leste da Ásia Menor sobre grande parte do
território de Antígono, enquanto os outros três generais dividiam o império de
Alexandre: Ptolomeu ganhou o Egito e Lisímaco recebeu a Trácia e o restante da Ásia
Menor que se estendia até o Rio Hális (ao norte da Turquia). Ptolomeu não reivindicou
nenhum outro ganho territorial além do Egito e do reconhecimento da tomada das
cidades-porto fenícias. Também estava muito contente com o fim das guerras por posse
de territórios. Cassandro, por não haver tomado iniciativa militar no confronto, recebeu
quase nada da partilha, e se contentou com a Macedônia e em tomar a parte da Grécia
que Demétrio I Poliorcetes havia tomado em 307 AC, quando havia expulsado o
governante de Atenas. Seleuco integrou o restante da Mesopotâmia e a Síria ao seu
enorme território, ganhando a porção mediterrânea do território Sírio (já conquistada
por Antíoco seu pai), que era importante região comercial e tinha população numerosa.
Como foi dito a respeito de Lisímaco, vendo que Seleuco era mais forte ele se aliou
a Ptolomeu I Sóter, se divorciou de Amestris e se casou com a filha de Ptolomeu,
Arsínoe II do Egito, por volta de 300-299 AC. Mas aqui também houve um interesse
por parte de Ptolomeu. Por isso, ele fez este acordo com Lisímaco através do casamento
de sua filha. Ele queria derrotar a marinha de Demétrio em Chipre (pois temia a tomada
das possessões fenícias por Seleuco) e conquistar as cidades do Egeu, a fim de dominá-
las.
Assim, Seleuco I Nicator, isolado e ladeado por inimigos, recorreu ao seu antigo
inimigo Demétrio I Poliorcetes e tomou sua filha Estratonice como esposa (298 AC),
realizando o casamento em um grande navio construído por Demétrio para consolidar o
pacto de sua marinha com o império Selêucida. Só que mais tarde (por volta de 296
AC), vendo a expansão da força naval de Demétrio no Mar Egeu, Seleuco voltou a se
unir com Lisímaco para expulsar Demétrio da Cilícia, que acabou recuando para Chipre.
Com a morte da Cassandro, seus dois filhos adolescentes (Antípatro II e Alexandre V)
ficaram com o domínio da Macedônia, dividindo-a em duas regiões administrativas.
Isso a fragilizou e abriu caminho para Demétrio que, com a ajuda de inimigos, entrou
em Atenas em 295 AC e a tomou. Nos anos que se seguiram, Demétrio começou a
mostrar sua ambição abertamente, o que provocou muitas guerras pelo controle da
Macedônia e Grécia, principalmente sobre Corinto e Atenas, com a participação dos
demais Diádocos e de Pirro, rei de Épiro. Depois de muitas derrotas inesperadas e
muitas humilhações, Demétrio I Poliorcetes abdicou em favor de seu filho Antígono II
Gônatas e morreu vítima de doença. Antígono Gônatas foi apelidado de Gônatas por ter
nascido (319 AC) e sido criado em Gonnoi na Tessália (uma região que faz fronteira
com a Macedônia, Épiro, Grécia central e Mar Egeu), a menos que Gônatas seja
derivado do nome de uma chapa de ferro (Gonu) protegendo os órgãos genitais (no
grego antigo, gonatos). Antígono II Gônatas faleceu com oitenta e três anos de idade e
foi sucedido por seu filho Demétrio (o mesmo nome de seu falecido avô). Seleuco I
Nicator matou Lisímaco na batalha de Corupédio (Corupedium) e, no final de sua vida,
quis tomar posse da Macedônia e Trácia, mas no caminho foi assassinado por Ptolomeu
Cerauno, perto de Lisimáquia (atual Grécia) em setembro de 281 AC.
Seleuco I Nicator foi sucedido por seu filho Antíoco I Sóter (reinado: 281-261
AC). Antíoco I Sóter era filho de Seleuco I Nicator com sua mulher Apama. Ele reinou
sobre a parte oriental do império (que correspondia ao território entre o Mar Cáspio e a
Índia) entre 292-281 AC, e depois (281-261 AC) sobre a totalidade dele. Por volta de
294-293 AC (antes do seu reinado) ele se casou com a outra mulher de seu pai,
31

Estratonice, e teve três filhos: Antíoco II, Estratonice e Apama. Após a morte de
Seleuco I Nicator, ele voltou a fazer acordo de paz com o assassino de seu pai
(Ptolomeu Cerauno, rei da Macedônia e filho de Ptolomeu I Sóter). Assim, ele
conseguiu resistir às revoltas internas no seu reino por parte da Síria e do norte da Ásia
Menor. Por volta de 275 AC Antíoco I Sóter derrotou os Gálatas, um povo nômade que
veio para destruir as cidades da Iôniaou Jônia (a região a sudoeste da Turquia). Por ter
poupado estas cidades da destruição dos Gálatas, ele recebeu o título de Sóter
(‘Salvador’). Ele foi constantemente atacado por seu inimigo da dinastia Ptolmaica,
Ptolomeu II Filadelfo, e em 279 AC perdeu para este a cidade de Mileto, na Jônia. Anos
mais tarde, ele repeliu uma invasão egípcia ao norte da Síria (Primeira Guerra Síria –
274-271 AC), mas nos anos posteriores perdeu a Fenícia para os egípcios (273-272
AC). Por sua vez, Pérgamo (na Ásia Menor, atual Turquia) se rebelou contra o domínio
Selêucida em 266-261 AC e lutou pela sua independência, colocando o rei Eumenes I
como seu governante. Na luta contra os Gálatas em 261 AC, Antíoco I Sóter veio a
falecer. Antíoco II subiu ao poder após a morte do pai com o nome de Antíoco II Theos.

Antíoco II Theos (‘Deus’) reinou no período de 261-246 AC, subindo ao poder


com 26 anos. Antíoco II Theos era filho de Antíoco I Sóter e Estratonice. Suas irmãs,
Estratonice e Apama se casaram, respectivamente, com Demétrio II da Macedônia
(filho de Antígono Gônatas e neto de Demétrio Poliórcetes) e Magas de Cirene (filho do
primeiro casamento de Berenice I e enteado de Ptolomeu I Sóter). Magas era meio-
irmão de Ptolomeu II Filadelfo (filho legítimo de Berenice I e de Ptolomeu I Sóter) e
teve uma filha com Apama, também chamada Berenice. Antíoco II Theos teve um
irmão mais velho chamado Seleuco, que segundo as fontes históricas, morreu cedo,
provavelmente executado por traição. Antíoco II Theos aliou-se ao rei da Macedônia
Antígono Gônatas na luta contra o Egito (Ptolomeu II Filadelfo) pela disputa da Síria,
durante a Segunda Guerra Síria (260-253 AC). Houve seis Guerras Sírias entre o
império Selêucida e o Ptolomaico durante os séculos III e II AC (274-168 AC) na região
ao norte da Síria, chamada de Celessíria (ou Cele-Síria), mais tarde tomada pelos
Romanos e Partas. Assim, Antíoco conseguiu recuperar uma grande parte da Ásia
Menor, incluindo as cidades de Éfeso e Mileto, além de reconquistar a costa Fenícia,
perdida para egípcios no reinado de seu pai. Na guerra em Mileto, por ter vencido o
tirano que ali governava, ele ficou conhecido pelos cidadãos como um deus, por isso, o
nome ‘Theos’ acrescentado ao seu nome de nascimento.
Antíoco II Theos teve como primeira esposa Laódice, em cuja homenagem fundou
a cidade de Laodicéia. Não se encontra informações sobre ela; apenas que seu pai se
chamava Aqueu e que ela teve 2 filhos e 2 filhas com Antíoco II Theos: Seleuco II
Calínico, Antígono Hierax (Também conhecido por Antíoco Hierax). As filhas têm
nomes apenas cogitados por alguns cidadãos da Babilônia daquela época: Apama e
Laódice. Mais tarde, porém, para selar a paz com o Egito na Segunda Guerra Síria, ele
veio a se casar com Berenice Sira, filha de Ptolomeu II Filadelfo e Arsínoe I (filha de
Lisímaco), e irmã de Ptolomeu III Evérgeta e Lisímaco. Por isso, Antíoco II Theos se
divorciou de Laódice, transferindo a sucessão para o filho de Berenice Sira. Laódice foi
enviada para o exílio em Éfeso, onde continuou a fomentar intrigas a fim de recuperar a
coroa. Em 246 AC, com a morte de Ptolomeu II Filadelfo do Egito, Antíoco II Theos
repudiou Berenice, deixando sozinha com seu filho Antíoco em Antioquia, e tomou
Laódice de volta como esposa e rainha. Com medo de que o marido mudasse de idéia
novamente, Laódice envenenou Antíoco II Theos, e entregou Berenice e seu filho para
serem mortos por Icádio e Geneu, líderes de Antioquia. Este incidente deu início à
Terceira Guerra Síria (246-241 AC), contra o irmão de Berenice Sira, Ptolomeu III
32

Evérgeta, agora o rei Ptolomaico. Este voltou a invadir a Síria após o incidente com sua
irmã e com seu sobrinho. Antíoco II Theos faleceu por doença em Éfeso em 246 AC,
com a idade estimada de 40 anos. Foi sucedido por seu filho Seleuco II Calínico
(reinado: 246-225 AC), nomeado pela própria mãe Laódice. Seu outro filho, Antíoco
Hierax, tinha a alcunha de ‘falcão’, por causa de seu caráter ambicioso, e tentou reinar
sobre alguns territórios, mas depois de uma guerra contra seu irmão, este procurou
refúgio com Ptolomeu III. Foi preso e escapou, mas foi morto por ladrões quando fugia.
Há pouquíssimas informações históricas sobre Seleuco II Calínico e sobre seu reinado.
Seleuco II Calínico foi sucedido por seu filho Seleuco III Cerauno.

Seleuco III Cerauno (243-223 AC), tinha o nome de Alexandre (nome de


nascimento). Seus avós paternos eram Antíoco II Theos e Laódice, pais de Seleuco II
Calínico e Antíoco Hierax. O irmão de Seleuco III Cerauno era Antíoco III Magno.
Alexandre sucedeu a seu pai e tomou o nome de Seleuco III Cerauno, sendo que
Cerauno significa ‘trovão’, por causa de suas tropas. Após três anos de reinado (225-
223 AC) Seleuco III Cerauno foi atacado à traição e morto na Frígia. Ele foi sucedido
por seu irmão Antíoco III, também chamado Antíoco III Magno ou Antíoco, o
Grande, que começou a reinar em 223 AC.

Antíoco, o Grande, ou Antíoco III Magno

Antíoco III, também chamado Antíoco III Magno ou Antíoco, o Grande, viveu
por 54 anos (241-187 AC), e seu reinado foi entre 223-187 AC. Durante o reinado de
seu irmão Seleuco III Cerauno, Antíoco III foi um sátrapa da Babilônia. Ele casou com
Laódice, filha do rei Mitrídates II do Ponto, formando assim uma aliança com este
poderoso reino. Ele teve três filhos com Laódice: Seleuco IV Filopator, Cleópatra I e
Antíoco IV Epifânio. O reino do Ponto ficava situado ao norte da Anatólia (Turquia), na
costa sudeste do Mar Negro. Era chamado de Ponto Euxino pelos jônicos (gregos) que
exploraram a região e a colonizaram no período de 1000-800 AC. Seu objetivo era
reconquistar a Síria e partes da Palestina, por isso lutou contra o reino Ptolomaico
(Ptolomeu IV Filopator), na Quarta Guerra Síria (219-216 AC), mas foi derrotado em
217 AC na batalha de Ráfia, perto de Gaza. Seguiu-se um novo acordo de paz com o
Egito.
33

Batalha de Ráfia

Após a morte de Ptolomeu IV Filopator em 205 AC, Antíoco III Magno e o rei
Filipe V da Macedônia fizeram um acordo para dividir o império Ptolomaico. Antíoco
ficaria com o sul da Síria, a Lícia, a Cilícia e Chipre, enquanto que Filipe receberia a
parte ocidental da Ásia Menor e as Cíclades (ilhas no sul do Mar Egeu). Após ter
derrotado Ptolomeu IV Filopator na Batalha de Pânias (também conhecida como
Paneion, ou Paneas ou Panium), próxima a Banias (noroeste da Síria) em 200 AC,
Antíoco III Magno se apoderou do Egito, da Palestina e da Celessíria. Antíoco garantiu
aos judeus a liberdade de culto e permitiu-lhes cobrar impostos destinados ao templo de
Jerusalém. Seu aliado Filipe V, entretanto, envolveu-se em conflitos com Pérgamo e
Rodes, que pediram ajuda a Roma. Antíoco (em 198 AC) invadiu partes do reino de
Pérgamo, e em 196 AC, a Trácia. Esta invasão o levou a problemas com Roma, que
exigia a retirada de Antíoco da Europa, o que este se recusou a fazer. A situação piorou
quando Antíoco III Magno acolheu em sua corte um inimigo de Roma derrotado na
Segunda Guerra Púnica (218-201 AC), o general e estadista Cartaginês Aníbal (seu
nome significa: ‘Baal foi bondoso’, ou ‘Graça de Baal’, ou ainda, ‘Baal é meu senhor’).
Quem o havia derrotado foi Públio Cornélio Cipião Africano, chamado ‘o Velho’, um
general e estadista da República Romana (período de vida: 236-183 AC). Guerras
Púnicas foi uma série de três conflitos entre a República Romana e a República de
Cartago, uma cidade-estado fenícia ao norte da África (entre 264-146 AC), disputando o
domínio sobre o Mar Mediterrâneo. Os romanos chamavam os cartagineses de Punici,
originado do nome ‘Poenici’, ou seja, de ascendência fenícia.
Por outro lado, seu antigo aliado Filipe V foi derrotado pelos Romanos na Segunda
Guerra da Macedônia, tendo Antíoco se recusado a ajudá-lo. Em vez disso, decidiu
atacar o Egito novamente, que não podia ser ajudado pelos Romanos. Depois de ter sido
alcançada a paz com o Ptolomeu V Epifânio, o reino Selêucida integrou definitivamente
o sul da Síria e os territórios egípcios da Ásia Menor (Quinta Guerra Síria – 202-195
AC). A paz com Ptolomeu V Epifânio (reinado: 203-181 AC) foi alcançada através do
casamento da filha de Antíoco III Magno, Cleópatra I, com o rei egípcio. A mãe de
Cleópatra I era Laódice III. A jovem nasceu na Síria, e em 193 AC na Palestina se casou
com Ptolomeu V Epifânio. Este casamento foi arranjado quando Cleópatra I era ainda
uma criança, pois Antíoco III Magno tinha interesse no acordo com o Egito, pois estava
vendo a ascensão de Roma. Como dote de casamento ele concedeu ao rei egípcio a
região da Cele-Síria. Mais tarde, o filho de Antíoco III Magno e irmão mais novo de
34

Cleópatra I, Antíoco IV Epifânio (‘Ilustre’), entrou em guerra contra o filho da união


entre sua irmã e o rei egípcio, ou seja, contra seu sobrinho Ptolomeu VI Filometor, e
negou que este acordo tinha existido (Sexta Guerra Síria – 170-168 AC). Em 191 AC,
Antíoco III Magno foi derrotado pelos romanos nas Termópilas (na Grécia),
abandonando a Europa. Mas se recusou a deixar a região a oeste das montanhas do
Taurus (nas montanhas da Ásia, a sudeste da Turquia), sendo vencido definitivamente
em 189 AC na batalha de Magnésia (nas planícies da Lídia, atual Turquia). Através do
tratado de Apaméia, ele foi obrigado a abandonar a Europa por completo e toda a Ásia a
oeste do Taurus, só poderia ter doze navios de guerra com a finalidade de manter seus
súditos sob controle (embora pudesse ter mais se fosse atacado), foi obrigado a pagar 15
mil talentos a Roma, a ceder os elefantes que tinha no exército e a entregar o seu filho
Antíoco IV Epifânio como refém junto com mais dezenove pessoas (vinte pessoas a
cada três anos). Alguns historiadores dizem que Antíoco III Magno e vários nobres
foram mortos em batalha em Susa em 187 AC. Outros dizem que ele foi assassinado
num templo de Baal, quando tentava conseguir parte do dinheiro que tinha que pagar
aos Romanos. Seu filho Seleuco IV Filopator reinou em seu lugar no período de 187-
175 AC.

Montanhas do Tauro (Taurus Mountains) na Turquia

Seleuco IV Filopator (do Grego, ‘que ama a seu pai’), filho de Antíoco III Magno
reinou em seu lugar no período de 187-175 AC. Embora o império que herdou não fosse
tão grande como o de seu pai antes da guerra contra Roma (190-189 AC), ele ainda era
de tamanho considerável consistindo da Síria (incluindo a Cilícia e a Palestina),
Mesopotâmia, Babilônia, Pérsia e Média. Casou sua filha Laódice com o rei macedônio
Perseu. No mesmo ano, ele enviou seu filho Demétrio I Sóter como refém a Roma; em
contrapartida, seu irmão, Antíoco IV Epifânio voltou de lá. Em 175 AC, pressionado
pelas necessidades financeiras, ele deu ordem ao seu comandante Heliodoro para cobrar
impostos no templo de Jerusalém a fim de pagar a indenização de guerra exigida por
Roma, mas este encontrou oposição do sumo sacerdote e retornou. No mesmo ano,
Seleuco IV Filopator foi assassinado (envenenado) por Heliodoro. Ele tinha 60 anos
quando morreu. Como o verdadeiro herdeiro Demétrio I Sóter, filho de Seleuco IV
Filopator, estava sendo mantido como refém em Roma, uma criança, Antíoco, outro
filho de Seleuco IV Filopator, foi formalmente o rei por alguns anos até que seu irmão
35

mais novo Antíoco IV Epifânio, que havia passado 14 anos em Roma como refém, o
matou. Ao retornar de Roma, matou também Heliodoro e subiu ao trono selêucida
(reinado: 175-164 AC).

Antíoco IV Epifânio (215-162 AC) – Antíoco Epifânio (‘que se manifesta com


esplendor’ ou ‘ilustre’) era filho de Antíoco III Magno e Laódice, e seus irmãos eram:
Seleuco IV Filopator e Cleópatra I. Governou a Síria entre 175-164 AC, e morreu em
162 AC com 53 anos de idade. Após a derrota de seu pai em 189 AC na batalha de
Magnésia contra os romanos, Antíoco IV Epifânio viveu 14 anos como exilado em
Roma até 175 AC. Ele se envolveu na Sexta Guerra da Síria contra o Egito (170-168
AC) e seus reis, os irmãos Ptolomeu VI Filometor e Ptolomeu VIII Evérgeta II,
conquistando a estratégica cidade de Pelúsio (foi uma antiga cidade do Baixo Egito,
situada no extremo nordeste do delta do Nilo, na desembocadura mais oriental do Nilo,
em território tradicionalmente egípcio). Ele tentou uma segunda expedição contra o
Egito para tomar Alexandria em 168 AC, mas interrompida por intervenção de Roma,
que enviou o cônsul Caio Popílio Lenas para Alexandria. Antíoco IV, que já havia
tomado Chipre e Mênfis, voltou para Alexandria, mas se encontrou com o cônsul
romano em Elêusis, nas cercanias da capital. Elêusis era uma cidade grega antiga, cheia
de misticismo e muito ligada à mitologia grega. Ali, Caio Popílio Lenas lhe deu um
ultimato em nome do senado romano para que ele saísse imediatamente de Chipre e do
Egito. A História diz que nesse dia, Popílio pegou uma cana de açúcar, traçou um
círculo na areia ao redor de Antíoco (que tentava ganhar tempo) e ordenou-lhe não sair
dele até tomar uma decisão. Antíoco optou por obedecer. O ‘Dia de Elêusis’ pôs fim à
Sexta Guerra Síria e às esperanças de Antíoco de conquistar território egípcio.
Depois deste episódio, Antíoco centrou a sua atenção na Judéia, procurando
também levar o helenismo para lá e anexá-la a Roma. Durante o reinado do seu pai
Antíoco III Magno, foi concedida ampla autonomia religiosa aos judeus que se
encontravam divididos em dois partidos, um dito ‘piedoso’ e outro que favorecia a
helenização e a romanização, sendo este último mais rico e composto por pessoas mais
importantes diante da sociedade. Antíoco apoiou este último partido. Em 168-167 AC,
na volta da guerra contra o Egito, Antíoco IV Epifânio conquistou Jerusalém que passou
a ser permanentemente controlada por soldados. Ali, Antíoco IV cometeu sacrilégio
matando um porco (animal imundo) no altar. Ele procurou estabelecer o helenismo à
força, instituindo como lei a destruição dos exemplares das Escrituras e proibindo o
culto judaico: a observância do shabbat, as proibições alimentares e até a circuncisão.
No Templo de Jerusalém foi instalada uma estátua do deus grego Zeus (Júpiter para os
romanos). Esta situação (romanização e helenização da Judéia) gerou descontentamento
entre os judeus fiéis como Matatias e seus filhos: Simão, Judas (o macabeu), Eleazar,
João e Jônatas (a família Hasmoneana, conhecida como Macabeus). Eles viviam num
vilarejo chamado Modiín. A revolta, que começou com um ato forçado de idolatria
imposto por um general grego, se transformou numa guerra, onde Matatias faleceu já
em idade avançada, e seu filho, Judas Macabeu, foi nomeado general. Os Macabeus
expulsaram as tropas de Antíoco IV de Jerusalém. Judas queria retomar Jerusalém para
purificar o templo. Mas, ao chegar ao templo sagrado, encontrou apenas desolação,
ruínas, ídolos e estátuas por toda parte. A Revolta dos Macabeus durou de 167 até 160
AC. Judas Macabeu faleceu e foi sucedido por seu irmão Jônatas, que se tornou sumo
sacerdote em Jerusalém. O rei selêucida chegou ao termo do seu reinado no ano 164
AC, com uma doença grave (Cogita-se que um câncer, uma doença ‘sem socorro’),
vindo a falecer em 162 AC. Foi sucedido por Antíoco V Eupator, seu filho (164-162
AC). Para Israel já havia começado o Período Hasmoneano (ou Asmoneu; 167-63 AC).
36

Antíoco V Eupator (173-162 AC) reinou após Antíoco IV Epifânio (seu pai), entre
164-162 AC. O nome Eupator significa ‘nascido de bom pai’. Começou a reinar quando
tinha apenas nove anos de idade (alguns historiadores dizem doze anos). Tinha uma
irmã chamada Laódice VI. Em 163 AC os romanos o reconheceram como rei, em
oposição a Demétrio I Sóter seu primo, que estava vivendo como refém em Roma.
Lísias, seu tutor, tornou-se governador da Celessíria e da Fenícia. Em 162 AC Lísias
formou um exército para atacar os judeus, dando continuidade à guerra de Antíoco IV
Epifânio. Acompanhado do rei, saiu contra a Judéia e conquistou uma vitória sobre o
pequeno grupo de Judas Macabeu na Batalha de Bete-Zacarias. Contudo, quando Lísias
soube do regresso de Filipe da Pérsia e da Média (ele era o regente oficial de Antíoco V,
mas pretendia assumir o governo), fez a paz com os judeus e concedeu-lhes a liberdade
de culto. Em 162 AC, Lísias e Antíoco V Eupator foram assassinados por soldados do
exército que apoiavam Demétrio I Sóter, filho de Seleuco IV Filopator e que havia
regressado do seu exílio em Roma, reivindicando o trono do reino selêucida. Depois de
matar o rei Antíoco V Eupator, (164-162 AC), seu primo (filho de Antíoco IV
Epifânio), Demétrio I Sóter se estabeleceu como rei do trono sírio (161-150 AC), mas
não pôde ganhar a simpatia dos romanos. Um usurpador do trono Selêucida, Alexandre
Balas, acabou por matá-lo e subiu ao poder (150-145 AC).
O sucessor legítimo de Demétrio I Sóter era seu filho Demétrio II Nicator. Em
nova batalha entre o reino Selêucida e o Ptolomaico em Antioquia (145 AC), Ptolomeu
VI Filometor morreu, Demétrio II Nicator sobreviveu, e Alexandre Balas também foi
morto, caindo de um cavalo fraturando o crânio (algumas versões dizem outra coisa:
que Alexandre teve a cabeça cortada pelos Nabateus quando ele tentou fugir de
Ptolomeu VI Filometor, pois os Nabateus queriam paz com o Egito). Demétrio II
Nicator subiu ao poder (144-125 AC), mas logo depois, o general Diódoto Trífon,
protetor do filho de Alexandre Balas (Antíoco VI Dionísio) entrou em Antioquia, e o
menino com três anos de idade na época foi coroado o rei da Síria (144 AC). Demétrio
II Nicator, incapaz de retomar a capital, se estabeleceu na Selêucia. Dois anos depois, o
general Diódoto Trífon depôs Antíoco VI Dionísio e se sentou no trono da Síria, como
mais um usurpador, reinando entre 142 e 139 AC. A disputa pelo trono continuou entre
ele e Demétrio II Nicator. Em 139 AC, porém, este foi forçado a entrar em guerra contra
os Partas. A Pártia era um reino que englobou a Média e a Pérsia. Mitrídates I (o rei)
tomou Demétrio como prisioneiro; e a província selêucida da Babilônia se tornou parte
da Pártia. Na Síria, porém, o general Trífon foi deposto pelo irmão de Demétrio II
Nicator, Antíoco VII Evérgeta (ou Sideta), que também se casou com Cleópatra Téia (a
cunhada) e reinou no período de 139-129 AC. Ele era conhecido como Sideta, em
referência a Sida, cidade da Ásia Menor (atual Turquia), onde ele foi criado. Mitrídates
I manteve Demétrio II Nicator vivo, e o casou com uma princesa Parta chamada
Rhodogune, com quem ele teve filhos. Entretanto, ele tentou escapar do exílio, mas não
conseguiu. Tentou, mais uma vez, e também foi capturado. Em 129 AC, seu irmão
Antíoco VII Evérgeta marchou contra a Pártia. O novo rei Parta era Fraates II. Ele
derrotou Sideta, que morreu na tentativa de livrar o irmão do cativeiro. Demétrio
conseguiu escapar e retornou à Síria, tentando mais uma vez recuperar o trono. Mas foi
mal recebido pelo povo. A rainha do Egito Cleópatra II também tentou envolvê-lo numa
trama contra seu irmão Ptolomeu VIII Evérgeta II, lhe preparando um exército.
Infelizmente, com a deserção das tropas de Demétrio, Ptolomeu VIII Evégeta II colocou
no trono da Síria outro usurpador, Alexandre II Zabinas (129-125 AC, supostamente o
filho de Alexandre Balas), mas que se suicidou com veneno, após ser derrotado por
Antíoco VIII Gripo, filho de Demétrio II Nicator. Demétrio foi derrotado em uma
batalha perto de Damasco, tentou fugir para Ptolomaida, que negou sua entrada por
37

ordens de sua própria esposa Cleópatra Téia. Tentou, então, fugir para Tiro, mas foi
morto ao tentar escapar de barco. Ele foi sucedido por sua mulher Cleópatra Téia e, em
seguida, por seus dois filhos, Seleuco V Filometor e Antíoco VIII Gripo, em co-
regência com a mãe. Ela matou Seleuco V Filometor e, após 120 AC, com a morte de
Téia, Antíoco VIII Gripo reinou sozinho até 96 AC, apesar da disputa com seu meio-
irmão Antíoco IX de Cízico.
As guerras continuaram entre o reino Selêucida e Ptolomaico até 64 AC, quando o
General Pompeu anexou a Síria à República Romana. O povo judeu muito sofreu com
essas sucessivas guerras, visto que seu território servia de passagem e, às vezes, também
de campo de batalha para os dois exércitos rivais.

Os governantes Selêucidas neste conturbado período foram (ver tabela no final do


texto):
• Cleópatra Téia – 125-120 AC
• Seleuco V Filometor – 125 AC (morto pela mãe – Cleópatra Téia)
• Antíoco VIII Filometor (Antíoco VIII Gripo) – 125-96 AC – co-regente com a mãe
(Cleópatra Téia) até a morte desta em 120 AC
• Antíoco IX de Cízico – 155-96 AC – disputa com Antíoco VIII Gripo
• Seleuco VI Epifânio Nicator – 96-95 AC
• Antíoco X Eusébio Filopator – 95-90 AC
• Demétrio III Eucerus (ou Filopator) – 95-87 AC
• Antíoco XI Epifânio Filadelfo – 95-92 AC
• Filipe I Filadelfo – 95-84 (ou 83 AC)
• Antíoco XII Dionísio – 87-84 AC – Antíoco Epifânio Dionísio (foi o nome cunhado
nas moedas)
• Tigranes II da Armênia (Tigranes, o Grande) – intervenção – 83-69 AC
• Seleuco VII Cibiosactes ou Filometor – 83-69 AC – reinando apenas sobre algumas
cidades que o apoiavam
• Antíoco XIII Asiático – 69-64 AC
• Pompeu anexa a Síria à República Romana – 64 AC
• Filipe II Filoromaeus (‘Amigo dos romanos’) ou Baripous (‘Pé pesado’) – 65-63 AC
• Término da República Romana e início do Império Romano – 31/29 AC

Guerras Púnicas foi uma série de três conflitos entre a República Romana e a
República de Cartago, uma cidade-estado fenícia ao norte da África (entre 264-146
AC), disputando o senhorio sobre o Mar Mediterrâneo. Os romanos chamavam os
cartagineses de Punici, originado do nome ‘Poenici’, ou seja, de ascendência fenícia. As
Guerras Púnicas durante a República Romana se restringiram ao domínio de Roma
sobre o Norte da África, envolvendo a península Ibérica e algumas ilhas do
Mediterrâneo Ocidental. A Primeira Guerra Púnica foi em 264-241 AC. A Segunda, em
218-202 AC; e a Terceira, em 149-146 AC. Em 146 AC houve anexação da península
grega e suas ilhas à República Romana. E isso também contribuiu para o fim dos
Impérios Selêucida e Ptolomaico. Para Israel também foi o início de uma nova era, com
a finalização do período Hasmoneano (167-63 AC) até a tomada definitiva de Jerusalém
por Pompeu em 63 AC e a posterior instalação do império Romano (31 AC), que
perdurou por mais ou menos 500 anos no Ocidente (476 DC), e quase mil anos no
Oriente (até 1453 DC), com a queda do Império Bizantino.

Tabela dos reis Ptolomaicos e Selêucidas (Antes de Cristo):


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Reis do Sul (Ptolomeus) – reinado (a.C) Reis Selêucidas (Norte) – reinado (a.C)
Ptolomeu I Sóter – 305-285 Seleuco I Nicator – 305-281
Ptolomeu II Filadelfo – 285-246 Antíoco I Sóter – 281-261
Antíoco II Theos – 261-246
Ptolomeu III Evérgeta – 246-221 Seleuco II Calínico – 246-225
Ptolomeu IV Filopator – 221-205 Seleuco III Cerauno – 225-223
Antíoco III, o Grande – 223-187
Ptolomeu V Epifânio – 205-180 Seleuco IV Filopator – 187-175
Ptolomeu VI Filometor – 180-170 – 1º Antíoco IV Epifânio – 175-164
Ptolomeu VIII Evérgeta II – 170-163 – 1º Antíoco V Eupator – 164-162
Ptolomeu VI Filometor – 163-145 – 2º Demétrio I Sóter – 161-150
Alexandre Balas (usurpador) – 150-145
Ptolomeu VII Novo Filometor * – 145 Demétrio II Nicator – 145-144
Ptolomeu VIII Evérgeta II – 145-116 – 2º Antíoco VI Dionísio – 144-142 + Diódoto
Trífon – 142-139
Antíoco VII Evérgeta – 139-129
Alexandre II Zabinas (usurpador) – 129-
125 / Demétrio II Nicator – 129-125
Cleópatra Téia – 125-120
Seleuco V Filometor – 125 ***
Antíoco VIII Filometor (Gripo) – 125-96
Ptolomeu IX Sóter II – 116-107 – 1º Antíoco IX de Cízico – 115-96 (disputa
com Antíoco VIII Gripo)
Ptolomeu X Alexandre I – 107-88 Seleuco VI Epifânio Nicator – 96-95
Antíoco X Eusébio Filopator – 95-90
Demétrio III Eucerus (Filopator) – 95-87
Antíoco XI Epifânio Filadelfo – 95-92
Filipe I Filadelfo – 95-84/83
Ptolomeu IX Sóter II (88-80) – 2º Antíoco XII Dionísio– 87-84
Ptolomeu XI Alexandre II (80) Tigranes II da Armênia (83-69)
Ptolomeu XII (80-51) Seleuco VII Cibiosactes – 83-69
Antíoco XIII Asiático – 69-64
Síria anexada à República Romana – 64
Cleópatra VII (51-30) Filipe II Filoromaeus – 65-63
Ptolomeu XIII (51-47) + Cleópatra VII
Intervenção – Júlio César (47/46)
Ptolomeu XIV (44-40) + Cleópatra VII
Ptolomeu XV César (44-30) **
Início do Império Romano – 31/29 Início do Império Romano – 31/29

* Ptolomeu VII Novo Filometor foi morto pelo tio Ptolomeu VIII Evérgeta II
** Ptolomeu XV Filopator Filometor César (47-30 AC), mais conhecido como Cesarion
(Em grego: Kaisariōn, literalmente ‘pequeno César’; Latim: Caesariō), reinou em co-
regência com mãe (Cleópatra VII) desde 44 AC. Ele apenas se manteve no trono como
único governante por alguns dias (12-23 de Agosto do ano de 30 AC), após o suicídio
de Cleópatra, na época em que sua morte foi decretada por Otaviano, que viria a ser o
Imperador César Otaviano Augusto. Cleópatra VII era irmã e esposa de seus dois
irmãos: Ptolomeu XIII e Ptolomeu XIV
*** Seleuco V Filometor foi morto pela mãe, Cleópatra Téia
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Guerras Sírias:
Houve seis Guerras Sírias entre o império Selêucida e o Ptolomaico durante os
séculos III e II AC (274-168 AC) na região ao norte da Síria, chamada de Celessíria (ou
Cele-Síria), mais tarde tomada pelos Romanos e Partas.
1) Primeira Guerra Síria (274-271 AC) – Antíoco I Sóter repeliu uma invasão
egípcia ao norte da Síria por Ptolomeu II Filadelfo.
2) Segunda Guerra Síria (260-253 AC) – Antíoco II Theos aliou-se ao rei da
Macedônia Antígono Gônatas na luta contra o Egito (Ptolomeu II Filadelfo) pela
disputa da Síria. Para selar a paz com o Egito, ele veio a se casar com Berenice Sira,
filha de Ptolomeu II Filadelfo e irmã de Ptolomeu III Evérgeta.
3) Terceira Guerra Síria ou Guerra Laodiciana (246-241 AC) – entre Ptolomeu III
Evérgeta e Antíoco II Theos, por causa da morte de Berenice Sira e seu filho
4) Quarta Guerra Síria (219-216 AC) – entre Antíoco III Magno e Ptolomeu IV
Filopator – o primeiro queria reconquistar a Síria e partes da Palestina, mas foi
derrotado em 217 AC na batalha de Ráfia, perto de Gaza.
5) Quinta Guerra Síria (202-195 AC) – entre Antíoco III Magno e Ptolomeu V
Epifânio ainda jovem, após a morte dos seus ministros. A paz foi feita através do
casamento de Cleópatra I, filha de Antíoco III Magno, com Ptolomeu V Epifânio.
6) Sexta Guerra Síria (170-168 AC) – entre Antíoco IV Epifânio e seu sobrinho
Ptolomeu VI Filometor (filho de Cleópatra I e Ptolomeu V Epifânio). Antíoco IV
Epifânio negou qualquer acordo de paz entre os dois reinos.

Conclusão e aprendizados com as dinastias Ptolomaica e Selêucida:


Em relação ao nosso estudo sobre o Período Intertestamentário, podemos dizer que
este foi um período de grande treva para a humanidade, com todos os povos vivendo em
idolatria e influenciando uns aos outros não apenas com os conceitos religiosos
deturpados, mas agravando os padrões morais pecaminosos de muitos séculos: incesto,
adultério, guerras sem propósito, assassinatos, disputa pelo trono, ambição,
malformações congênitas e outras doenças decorrentes de casamentos consangüíneos e
praticamente entre adolescentes sem total maturidade hormonal, uma literatura
totalmente voltada ao misticismo, à idolatria e à imoralidade; enfim, todo o tipo de
perversão possível de ser encontrada num ser humano devido ao afastamento de Deus
por rebeldia à Sua voz através dos profetas. Se Jesus não tivesse nascido naquele exato
momento determinado por Deus para nos trazer a Salvação e a Luz, não haveria mais
chance de um concerto para o planeta.
Achei interessante em todo este estudo que a sabedoria de Deus e Sua visão do todo
estão fora do alcance da nossa compreensão, movendo pessoas e reinos de acordo com o
Seu querer e usando profetas como Daniel, que já havia recebido a revelação do que iria
acontecer com o seu povo depois do cativeiro babilônico e num futuro distante, como o
que nós estamos vivendo hoje.
O que Deus estava pensando ao ver toda aquela violência e procurando ainda por
alguns remanescentes fiéis dispostos a fazer Sua vontade e exortar as pessoas a se
voltarem para Ele? O que Ele deve sentir hoje, assistindo a mesma violência na
humanidade, mas esperando com extrema paciência e misericórdia que os homens
percebam seus erros e se arrependam? Ele poderia acabar com o planeta neste momento,
se quisesse; entretanto, continua fiel à Sua própria palavra sempre dando aos homens a
chance de salvação.
Ao escrever este estudo eu tive minha mente ampliada para perceber o poder de
Deus. Aqueles personagens estavam ali como se dentro de um cenário, desempenhando
um papel, mas totalmente inconscientes do que acontecia com outras pessoas, com seus
40

inimigos em outro reino ou com seus próprios amigos vivendo longe ou até como
prisioneiros de guerra. Em resumo, sem a visão do projeto divino por trás de tudo
aquilo. Deus, porém, estava vendo o planeta ‘do lado de fora’; melhor, ‘de cima’, e com
total controle sobre o propósito oculto em cada coração. Somos menos do que um grão
de areia diante dos Seus olhos, mas, como diz o apóstolo Paulo (2 Co 4: 7-11), tendo
um tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não nosso.
Outra coisa que eu consegui perceber foi a força que foi empregada na conquista de
territórios por parte de todos esses impérios; quantos soldados morreram em batalha
para que o nome de um único homem fosse exaltado! Quanto sangue foi derramado!
Transportando isso para os nossos dias, começamos a compreender as palavras de Jesus.
Seu Reino é maior do que todos os que já existiram, e o nosso inimigo não é mais carne
e sangue, mas principados e potestades, as forças espirituais do mal nas regiões celestes
(Ef 6: 12), e que também foram enfrentadas por Daniel para que ele recebesse a
revelação de Deus (Dn 10: 3; 13; 20-21). Portanto, as nossas promessas já estão
disponíveis para nós (Ef 1: 3), o sangue de UM só (o sangue de Jesus) já foi derramado
no lugar de muitos, mas cabe a nós pagarmos o preço pela tomada de posse da nossa
terra, das nossas promessas (Gl 3: 8b; 11b), do reino que já está preparado para nós
desde a fundação do mundo. Por isso, nossos sonhos demoram a se concretizar. É
porque estamos numa guerra de posse pelo nosso território, até que possamos colocar
nele a marca do nosso senhorio, ou melhor, do senhorio de Jesus sobre ele. O Senhor
nos disse para fazermos prevalecer Seu reino na terra. Essa é a nossa missão.
41

Parte 3 — Revelação de Daniel capítulo 11

Agora que conhecemos o tempo de reinado das nações no Período


Intertestamentário e a história dos reis Selêucidas e Ptolomaicos (os reis do norte e do
sul), vamos à revelação da profecia de Daniel (Dn 11: 1-45), ou seja, a sua
interpretação.
O livro de Daniel foi provavelmente escrito entre 536 e 530 AC, pouco depois de
Ciro conquistar a Babilônia em 539 AC, mas relata a história e as visões deste profeta
desde o reinado de Nabucodonosor. Ciro, o imperador da Pérsia (Ciro II ou Ciro o
grande), foi quem ordenou a volta dos judeus em 538 AC (1º retorno dos exilados a
Jerusalém). Reinou de 559 a 530 AC (como rei dos Persas, Medos, Lídios e
Babilônicos). Daniel ocupou os principais postos governamentais sob Nabucodonosor,
Belsazar, Dario (o medo) e Ciro, tendo sua última visão às margens do rio Tigre. Em
Daniel 11: 1 está escrito: “Mas eu [quem estava falando era o anjo Gabriel – cf. Dn 9:
21; Dn 10: 5-6; 13; 20-21], no primeiro ano de Dario, o medo, me levantei para o
fortalecer e animar [animar Dario]”. Dario, o medo, que sucedeu Belsazar, descendente
de Nabucodonosor, rei da Babilônia, subiu ao poder com sessenta e dois anos de idade,
nomeado por Ciro, o persa, como governador desta mesma satrapia. Esse Dario, o
medo, é outra pessoa, diferente de Dario II (Ne 12: 22) que governou a Babilônia e a
Pérsia (424–404 AC) depois de Artaxerxes. É diferente também de Dario I, sucessor de
Cambises, que governou de 522 até 486 AC, quando se deu início à construção do
templo de Jerusalém (520–516 AC).
Os reis Babilônicos foram:
• Nabopolassar – 626-605 AC.
• Nabucodonosor II – 605-562 AC.
• Evil-Merodaque (Evil-Marduque, Amel-Marduque, Amel-Marduk) – 562-560 AC
• Neriglissar ou Nergal-sharezer (cunhado de Evil-Merodaque, a quem ele
assassinou para tomar o poder) – 559-556 AC.
• Labashi Marduque (Labashi-Marduk, Labaši-Marduk), filho de Neriglissar –
reinou por nove meses (556 AC), e foi deposto pelos sacerdotes.
• Nabonido (Nabonadius) – 556-539 AC, e cujo filho, Belsazar, agiu como co-
regente. Nabonido era casado com Nitócris, filha de Nabucodonosor.
Em 539 AC, Ciro II ou Ciro o Grande invade a Babilônia e incorpora este reino ao
império Medo-Persa, fazendo dele uma satrapia sob o governo de Dario, o Medo.
Vamos colocar primeiro o texto bíblico de Dn 11: 1-45. A versão bíblica mais
usada aqui é a ARA, às vezes completada pela NVI.

• Dn 11:
1 Mas eu, no primeiro ano de Dario, o medo, me levantei para o fortalecer e animar.
2 Agora, eu te declararei a verdade: eis que ainda três reis se levantarão na Pérsia, e o
quarto será cumulado de grandes riquezas mais do que todos; e, tornado forte por suas
riquezas, empregará tudo contra o reino da Grécia.
3 Depois, se levantará um rei poderoso, que reinará com grande domínio e fará o que
lhe aprouver.
4 Mas, no auge, o seu reino será quebrado e repartido para os quatro ventos do céu; mas
não para a sua posteridade, nem tampouco segundo o poder com que reinou, porque o
seu reino será arrancado e passará a outros fora de seus descendentes.
5 O rei do Sul será forte, como também um de seus príncipes; este será mais forte do
que ele, e reinará, e será grande o seu domínio.
42

6 Mas, ao cabo de anos, eles se aliarão um com o outro; a filha do rei do Sul casará com
o rei do Norte, para estabelecer a concórdia; ela, porém, não conservará a força do seu
braço, e ele não permanecerá, nem o seu braço, porque ela será entregue, e bem assim
os que a trouxeram, e seu pai, e o que a tomou por sua naqueles tempos.
7 Mas, de um renovo da linhagem dela, um se levantará em seu lugar, e avançará contra
o exército do rei do Norte, e entrará na sua fortaleza, e agirá contra eles, e prevalecerá.
8 Também aos seus deuses com a multidão das suas imagens fundidas, com os seus
objetos preciosos de prata e ouro levará como despojo para o Egito; por alguns anos, ele
deixará em paz o rei do Norte.
9 Mas, depois, este avançará contra o reino do rei do Sul e tornará para a sua terra.
10 Os seus filhos farão guerra e reunirão numerosas forças; um deles virá
apressadamente, arrasará tudo e passará adiante; e, voltando à guerra, a levará até à
fortaleza do rei do Sul.
11 Então, este se exasperará, sairá e pelejará contra ele, contra o rei do Norte; este porá
em campo grande multidão, mas a sua multidão será entregue nas mãos daquele.
12 A multidão será levada, e o coração dele se exaltará; ele derribará miríades, porém
não prevalecerá.
13 Porque o rei do Norte tornará, e porá em campo multidão maior do que a primeira, e,
ao cabo de tempos, isto é, de anos, virá à pressa com grande exército e abundantes
provisões.
14 Naqueles tempos se levantarão muitos contra o rei do Sul; também os dados à
violência dentre o teu povo se levantarão para cumprirem a profecia, mas cairão.
15 O rei do Norte virá, levantará baluartes e tomará cidades fortificadas; os braços do
Sul não poderão resistir, nem o seu povo escolhido, pois não haverá força para resistir.
16 O que, pois, vier contra ele fará o que bem quiser, e ninguém poderá resistir a ele;
estará na terra gloriosa, e tudo estará em suas mãos.
17 Resolverá vir com a força de todo o seu reino, e entrará em acordo com ele, e lhe
dará uma jovem em casamento, para destruir o seu reino; isto, porém, não vingará, nem
será para a sua vantagem.
18 Depois, se voltará para as terras do mar e tomará muitas; mas um príncipe fará
cessar-lhe o opróbrio e ainda fará recair este opróbrio sobre aquele.
19 Então, voltará para as fortalezas da sua própria terra; mas tropeçará, e cairá, e não
será achado.
20 Levantar-se-á, depois, em lugar dele, um que fará passar um exator [NVI: 'cobrador
de impostos'] pela terra mais gloriosa do seu reino; mas, em poucos dias, será destruído,
e isto sem ira nem batalha.
21 Depois, se levantará em seu lugar um homem vil, ao qual não tinham dado a
dignidade real; mas ele virá caladamente e tomará o reino, com intrigas.
22 As forças inundantes serão arrasadas de diante dele; serão quebrantadas, como
também o príncipe da aliança.
23 Apesar da aliança com ele, usará de engano; subirá e se tornará forte com pouca
gente.
24 Virá também caladamente aos lugares mais férteis da província e fará o que nunca
fizeram seus pais, nem os pais de seus pais: repartirá entre eles a presa, os despojos e os
bens; e maquinará os seus projetos contra as fortalezas, mas por certo tempo.
25 Suscitará a sua força e o seu ânimo contra o rei do Sul, à frente de grande exército; o
rei do Sul sairá à batalha com grande e mui poderoso exército, mas não prevalecerá,
porque maquinarão projetos contra ele.
26 Os que comerem os seus manjares o destruirão, e o exército dele será arrasado, e
muitos cairão traspassados.
43

27 Também estes dois reis se empenharão em fazer o mal e a uma só mesa falarão
mentiras; porém isso não prosperará, porque o fim virá no tempo determinado.
28 Então, o homem vil tornará para a sua terra com grande riqueza, e o seu coração será
contra a santa aliança; ele fará o que lhe aprouver e tornará para a sua terra.
29 No tempo determinado, tornará a avançar contra o Sul; mas não será nesta última vez
como foi na primeira,
30 porque virão contra ele navios de Quitim, que lhe causarão tristeza; voltará, e se
indignará contra a santa aliança, e fará o que lhe aprouver; e, tendo voltado, atenderá
aos que tiverem desamparado a santa aliança.
31 Dele sairão forças que profanarão o santuário, a fortaleza nossa, e tirarão o sacrifício
diário, estabelecendo a abominação desoladora.
32 Aos violadores da aliança, ele, com lisonjas, perverterá, mas o povo que conhece ao
seu Deus se tornará forte e ativo.
33 Os sábios entre o povo ensinarão a muitos; todavia, cairão pela espada e pelo fogo,
pelo cativeiro e pelo roubo, por algum tempo.
34 Ao caírem eles, serão ajudados com pequeno socorro; mas muitos se ajuntarão a eles
com lisonjas.
35 Alguns dos sábios cairão para serem provados, purificados e embranquecidos, até ao
tempo do fim, porque se dará ainda no tempo determinado.
36 Este rei fará segundo a sua vontade, e se levantará, e se engrandecerá sobre todo
deus; contra o Deus dos deuses falará coisas incríveis e será próspero, até que se cumpra
a indignação; porque aquilo que está determinado será feito.
37 Não terá respeito aos deuses de seus pais, nem ao desejo de mulheres, nem a
qualquer deus, porque sobre tudo se engrandecerá.
38 Mas, em lugar dos deuses, honrará o deus das fortalezas; a um deus que seus pais
não conheceram, honrará com ouro, com prata, com pedras preciosas e coisas
agradáveis.
39 Com o auxílio de um deus estranho, agirá contra as poderosas fortalezas, e aos que o
reconhecerem, multiplicar-lhes-á a honra, e fá-los-á reinar sobre muitos, e lhes repartirá
a terra por prêmio.
40 No tempo do fim, o rei do Sul lutará com ele, e o rei do Norte arremeterá contra ele
com carros, cavaleiros e com muitos navios, e entrará nas suas terras, e as inundará, e
passará.
41 Entrará também na terra gloriosa, e muitos sucumbirão, mas do seu poder escaparão
estes: Edom, e Moabe, e as primícias dos filhos de Amom.
42 Estenderá a mão também contra as terras, e a terra do Egito não escapará.
43 Apoderar-se-á dos tesouros de ouro e de prata e de todas as coisas preciosas do
Egito; os líbios e os etíopes o seguirão.
44 Mas, pelos rumores do Oriente e do Norte, será perturbado e sairá com grande furor,
para destruir e exterminar a muitos.
45 Armará as suas tendas palacianas entre os mares contra o glorioso monte santo; mas
chegará ao seu fim, e não haverá quem o socorra.

Vamos, então, descobrir o que tudo isso significa:


• Dn 11: 2-4: “Agora, eu te declararei a verdade: eis que ainda três reis se
levantarão na Pérsia (Ciro, Cambises II e Dario I), e o quarto (Xerxes) será cumulado de
grandes riquezas mais do que todos; e, tornado forte por suas riquezas, empregará tudo
contra o reino da Grécia. Depois (Do reinado dos descendentes de Xerxes), se levantará
um rei poderoso (Alexandre, o grande), que reinará com grande domínio e fará o que
lhe aprouver. Mas, no auge, o seu reino será quebrado e repartido para os quatro ventos
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do céu (Entre seus quatro generais); mas não para a sua posteridade, nem tampouco
segundo o poder com que reinou, porque o seu reino será arrancado e passará a outros
fora de seus descendentes (o filho de Alexandre com sua esposa Roxana, Alexandre IV,
morreu assassinado aos 13 anos de idade, assim como a mãe de Alexandre o grande,
Olímpia, todos mortos por seu general Cassandro)”.
Aqui, a bíblia se refere a Alexandre o Grande (332 AC). Este fato também é
relatado em Daniel 8: 5-8; 20-22, onde a bíblia fala que o carneiro com dois chifres
simboliza a Média e a Pérsia, e o bode peludo simboliza a Grécia. Um único chifre fala
do poder de Alexandre, o grande, se quebrando e dando lugar a quatro chifres (símbolo
dos seus quatro generais), e que depois, de um dos chifres sai um único chifre pequeno
que se torna forte para o sul, para o oriente e para a terra gloriosa (Dn 8: 9 = Israel),
simbolizando Antíoco IV Epifânio (175-164 AC).

O reino da Grécia também é simbolizado no livro de Daniel por outro animal:


• Dn. 7: 6: “Depois disto, continuei olhando, e eis aqui outro, semelhante a um
leopardo, e tinha nas costas quatro asas de ave; tinha também este animal quatro
cabeças, e foi-lhe dado domínio”.
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• Dn 11: 5: “O rei do Sul será forte, como também um de seus príncipes; este será
mais forte do que ele, e reinará, e será grande o seu domínio” (ARA);
“O rei do Sul se tornará forte, mas um dos seus príncipes se tornará ainda mais forte que
ele e governará o seu próprio reino com grande poder” (NIV).
O reino do Sul se refere ao Egito, ao sul da Palestina. “O rei do Sul será forte” =
Ptolomeu I Sóter; “como também um de seus príncipes” = um dos generais de
Alexandre, o Grande: Seleucos I Nicator (para quem a Síria foi dada), que reinou com
mais poder que Ptolomeu I Sóter.

• Dn 11: 6: “Mas, ao cabo de anos, eles se aliarão um com o outro; a filha do rei do
Sul casará com o rei do Norte, para estabelecer a concórdia; ela, porém, não conservará
a força do seu braço, e ele não permanecerá, nem o seu braço, porque ela será entregue,
e bem assim os que a trouxeram, e seu pai, e o que a tomou por sua naqueles tempos.”
“Ao cabo de anos” = por volta de 50 anos depois (o neto de Seleucos I Nicator:
Antíoco II Theos); “Eles se aliarão um com o outro” = os descendentes de Ptolomeu I
Sóter e Seleucos I Nicator, respectivamente, Ptolomeu II Filadelfo e Antíoco II Theos.
“a filha do rei do Sul casará com o rei do Norte” = casamento de Berenice Sira (filha de
Ptolomeu II Filadelfo e Arsínoe I) com Antíoco II Theos, o terceiro rei selêucida (261-
246 AC) para selar a paz com o Egito na Segunda Guerra Síria.

• Dn 11: 7-9: “Mas, de um renovo da linhagem dela, um se levantará em seu lugar,


e avançará contra o exército do rei do Norte, e entrará na sua fortaleza, e agirá contra
eles, e prevalecerá. Também aos seus deuses com a multidão das suas imagens fundidas,
com os seus objetos preciosos de prata e ouro levará como despojo para o Egito; por
alguns anos, ele deixará em paz o rei do Norte. Mas, depois, este avançará contra o
reino do rei do Sul e tornará para a sua terra”.
“Um renovo da linhagem dela” = seu irmão Ptolomeu III Evérgeta voltou a invadir
a Síria, a Cilícia e conquistou todas as terras até o rio Eufrates (Terceira Guerra Síria ou
Guerra Laodiciana).

• Dn 11: 10-14: “Os seus filhos farão guerra e reunirão numerosas forças; um deles
virá apressadamente, arrasará tudo e passará adiante; e, voltando à guerra, a levará até à
fortaleza do rei do Sul. Então, este se exasperará, sairá e pelejará contra ele, contra o rei
do Norte; este porá em campo grande multidão, mas a sua multidão será entregue nas
mãos daquele. A multidão será levada, e o coração dele se exaltará; ele derribará
miríades, porém não prevalecerá. Porque o rei do Norte tornará, e porá em campo
multidão maior do que a primeira, e, ao cabo de tempos, isto é, de anos, virá à pressa
com grande exército e abundantes provisões. Naqueles tempos, se levantarão muitos
contra o rei do Sul; também os dados à violência dentre o teu povo se levantarão para
cumprirem a profecia, mas cairão”.
“Os seus filhos farão guerra” = guerras entre o reino Selêucida e Ptolomaico pelo
Egito, Síria e Palestina, principalmente entre os reinados dos reis Selêucidas: Seleuco II
Calínico, Seleuco III Cerauno e Antíoco III (246-187 AC), e dos reis Ptolomaicos:
Ptolomeu III Evérgeta, Ptolomeu IV Epifânio e Ptolomeu V Epifânio (246-181 AC).

• Dn 11: 15-16: “O rei do Norte virá, levantará baluartes e tomará cidades


fortificadas; os braços do Sul não poderão resistir, nem o seu povo escolhido, pois não
haverá força para resistir. O que, pois, vier contra ele fará o que bem quiser, e ninguém
poderá resistir a ele; estará na terra gloriosa, e tudo estará em suas mãos”.
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“O rei do Norte” = Antíoco, o Grande (Antíoco III Magno) em 200-198 AC, que se
apodera do Egito, da Palestina e da Celessíria.

• Dn 11: 17: “Resolverá vir com a força de todo o seu reino, e entrará em acordo
com ele, e lhe dará uma jovem em casamento, para destruir o seu reino; isto, porém, não
vingará, nem será para a sua vantagem”;
“Virá com o poder de todo o seu reino e fará uma aliança com o rei do sul. Ele lhe
dará uma filha em casamento a fim de derrubar o reino, mas o seu plano não terá
sucesso e em nada o ajudará” (NVI).
“Lhe dará uma jovem em casamento” = referência ao casamento de Cleópatra I
(filha de Antíoco III Magno) com o rei egípcio Ptolomeu V Epifânio (reinado: 203-181
AC).

• Dn 11: 18-19: “Depois, se voltará para as terras do mar e tomará muitas; mas um
príncipe fará cessar-lhe o opróbrio e ainda fará recair este opróbrio sobre aquele. Então,
voltará para as fortalezas da sua própria terra; mas tropeçará, e cairá, e não será
achado”;
“Então ele voltará a atenção para as regiões costeiras e se apossará de muitas delas,
mas um comandante reagirá com arrogância à arrogância dele e lhe dará fim. Depois
disso ele se dirigirá para as fortalezas de sua própria terra, mas tropeçará e cairá, para
nunca mais aparecer” (NVI).
“Terras do mar” = ilhas da Grécia. “mas um príncipe”, ou “um comandante” =
referência a Públio Cornélio Cipião Africano, chamado ‘o Velho’, um general Romano
durante a Segunda Guerra Púnica (218-202 AC) e um estadista da República Romana
(período de vida: 236-183 AC), o que está em acordo com a data de governo de Antíoco
III, o Grande (reinado: 223-187AC). A presença de Públio Cornélio Cipião Africano ali
simboliza Roma entrando no leste pela primeira vez.

• Dn 11: 20: “Levantar-se-á, depois, em lugar dele, um que fará passar um exator
pela terra mais gloriosa do seu reino; mas, em poucos dias, será destruído, e isto sem ira
nem batalha” (ARA);
“Seu sucessor enviará um cobrador de impostos para manter o esplendor real.
Contudo, em poucos anos ele será destruído, sem necessidade de ira nem combate”
(NVI).
“Um exator” ou “um cobrador de impostos” = uma referência a Seleuco IV
Filopatro (187-175 AC), filho de Antíoco III Magno. Ele deu ordem ao seu comandante
Heliodoro para cobrar impostos no templo de Jerusalém a fim de pagar a indenização de
guerra exigida por Roma (por causa do que seu pai fez), mas este encontrou oposição do
sumo sacerdote e retornou. No mesmo ano, Seleuco IV Filopator foi assassinado
(envenenado) por Heliodoro. Ele tinha 60 anos quando morreu.

• Dn 11: 21-28: “Depois, se levantará em seu lugar um homem vil, ao qual não
tinham dado a dignidade real; mas ele virá caladamente e tomará o reino, com intrigas.
As forças inundantes serão arrasadas de diante dele; serão quebrantadas, como também
o príncipe da aliança. Apesar da aliança com ele, usará de engano; subirá e se tornará
forte com pouca gente. Virá também caladamente aos lugares mais férteis da província e
fará o que nunca fizeram seus pais, nem os pais de seus pais: repartirá entre eles a presa,
os despojos e os bens; e maquinará os seus projetos contra as fortalezas, mas por certo
tempo. Suscitará a sua força e o seu ânimo contra o rei do Sul, à frente de grande
exército; o rei do Sul sairá à batalha com grande e mui poderoso exército, mas não
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prevalecerá, porque maquinarão projetos contra ele. Os que comerem os seus manjares
o destruirão, e o exército dele será arrasado, e muitos cairão traspassados. Também estes
dois reis se empenharão em fazer o mal e a uma só mesa falarão mentiras; porém isso
não prosperará, porque o fim virá no tempo determinado. Então, o homem vil tornará
para a sua terra com grande riqueza, e o seu coração será contra a santa aliança; ele fará
o que lhe aprouver e tornará para a sua terra” (ARA);

“Ele será sucedido por um ser desprezível, a quem não tinha sido dada a honra da
realeza. Este invadirá o reino quando o povo se sentir seguro, e se apoderará do reino
por meio de intrigas. Então um exército avassalador será arrasado diante dele; tanto o
exército como um príncipe da aliança serão destruídos. Depois de um acordo feito com
ele, agirá traiçoeiramente, e com apenas um pequeno grupo chegará ao poder. Quando
as províncias mais ricas se sentirem seguras, ele as invadirá e realizará o que nem seus
pais nem seus antepassados conseguiram: distribuirá despojos, saques e riquezas entre
seus seguidores. Ele tramará a tomada de fortalezas, mas só por algum tempo. Com um
grande exército juntará suas forças e sua coragem contra o rei do sul. O rei do sul
guerreará mobilizando um exército grande e poderoso, mas não conseguirá resistir por
causa dos golpes tramados contra ele. Mesmo os que estiverem sendo alimentados pelo
rei tentarão destruí-lo; seu exército será arrasado, e muitos cairão em combate. Os dois
reis, com seu coração inclinado para o mal, sentarão à mesma mesa e mentirão um para
o outro, mas sem resultado, pois o fim só virá no tempo determinado. O rei do norte
voltará para a sua terra com grande riqueza, mas o seu coração estará voltado contra a
santa aliança. Ele empreenderá ação contra ela e depois voltará para a sua terra” (NVI).

“Um homem vil” ou “um ser desprezível” = Antíoco IV Epifânio (175-164 AC)
usou de todos os artifícios de mentira, engano, astúcia, lisonjas e crueldade como
ninguém fizera antes dele. Epifânio significa: ‘ilustre’ ou ‘que se manifesta com
esplendor’. Para se manter no poder, ele não tinha qualquer escrúpulo. Sua ascensão ao
trono da Síria foi através de intrigas e engano e tinha sede de conquista, derramando o
sangue dos seus adversários em muitas guerras. Enriqueceu com os despojos das
guerras, quando lutou contra o Egito. A bíblia o chama de “homem vil”, porque
fingindo amizade e aliança, entrou no Egito e se apoderou do reino de Ptolomeu VI
Filometor (‘príncipe da aliança’). “O rei do sul guerreará mobilizando um exército
grande e poderoso” ou “O rei do sul guerreará mobilizando um exército grande e
poderoso” = Ptolomeu VIII Evérgeta II ou Ptolomeu VIII Fiscon – 182-116 AC. Ele
tinha realmente um grande e poderoso exército em torno de si e podia, como diz a
História, vencer o próprio Antíoco Epifânio; mas seu plano foi frustrado pela traição
dentro de seu próprio exército, pois seus generais não concordavam com a sua ambição
de incorporar o seu reino ao reino Selêucida. De ambos os lados existia grande
multidão, os dois exércitos extremamente numerosos. Entretanto, a ambição
predominava, e o rei do Sul (Egito) foi o mais envolvido (“mas não conseguirá resistir
por causa dos golpes tramados contra ele. Mesmo os que estiverem sendo alimentados
pelo rei (seus generais) tentarão destruí-lo; seu exército será arrasado, e muitos cairão
em combate”). Durante alguns anos, os Ptolomeus e Selêucidas fizeram vários tratados,
com a finalidade de encontrar a paz entre os dois impérios, mas seus corações tinham
um só intento: enganar um ao outro (“Os dois reis, com seu coração inclinado para o
mal, sentarão à mesma mesa e mentirão um para o outro”). Estes dois reis (do Norte e
do Sul), segundo alguns historiadores, se referem novamente a Antíoco e Ptolomeu VI
Filometor. “O homem vil tornará para a sua terra” ou “O rei do norte voltará para a sua
terra” = a primeira expedição de Antíoco IV Epifânio contra o Egito em 170 AC,
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quando conquistou Pelúsio, no delta do Nilo. Mas dificuldades em sua pátria (traições
por parte do seu próprio povo contra ele) o forçaram a deixar o Egito. No caminho de
volta (levando muito despojo), ele saqueou Jerusalém e o tesouro do templo. Ele tentou
uma segunda expedição contra o Egito para tomar Alexandria em 168 AC, mas
interrompida por intervenção de Roma, através do cônsul Caio Popílio Lenas.

• Dn 11: 29-30: “No tempo determinado, tornará a avançar contra o Sul; mas não
será nesta última vez como foi na primeira, porque virão contra ele navios de Quitim,
que lhe causarão tristeza; voltará, e se indignará contra a santa aliança, e fará o que lhe
aprouver; e, tendo voltado, atenderá aos que tiverem desamparado a santa aliança”.
“Tornará a avançar contra o Sul” = a segunda expedição de Antíoco IV Epifânio
contra o Egito, mas interrompida por intervenção de Roma (cônsul Caio Popílio Lenas).
“Navios de Quitim” é uma provável referência a Roma. Quitim foi um dos filhos de
Javã (filho de Jafé, filho de Noé – Gn 10: 4; 1 Cr 1: 7), ancestral dos gregos, e cujos
descendentes se estabeleceram em Chipre e ocupavam-se no comércio marítimo. A
Septuaginta traduz a palavra ‘Quitim’ em Daniel 11: 30 como ῥωµαῖοι = romaíoi =
romanos.

• Dn 11: 31: “Dele sairão forças que profanarão o santuário, a fortaleza nossa, e
tirarão o sacrifício diário, estabelecendo a abominação desoladora” (NVI: o sacrilégio
terrível).
Este trecho está se referindo a Antíoco IV, quando cometeu sacrilégio matando um
porco (animal imundo) no altar. Também pode se referir à instalação da estátua de Zeus
no templo. Jesus relatou o mesmo fato com as palavras: “Quando, pois, virdes o
abominável da desolação de que falou o profeta Daniel no lugar santo (quem lê entenda
– Mt 24: 15)” e “Quando, pois, virdes o abominável da desolação situado onde não deve
estar (quem lê entenda – Mc 13: 14)”, extraído de Dn 9: 27; Dn 11: 31; Dn 12: 11. Isso
se repetiria com a destruição do templo pelos romanos em 70 DC, além de ter também
uma relação com os atos de profanação do templo e da cidade de Jerusalém pelo
Anticristo. Antíoco IV enviou um grande exército contra Jerusalém e tomou-a em
ataque relâmpago; matou 40.000 pessoas; vendeu muitos judeus como escravos; ele
instalou a estátua de Zeus no templo; mandou sacrificar um porco no altar e borrifar o
sangue no templo; invadiu o Santo dos Santos e pilhou os vasos de ouro e outros
utensílios do templo, no valor de mil talentos; ele também interferiu na escolha do sumo
sacerdote e do governador de Judá. A interpretação escatológica vê o Anticristo
tipificado em tudo isso.
Houve uma diferença entre a atitude de Pompeu quando entrou em Jerusalém em 63
AC, anexando a província da Judéia á República Romana, e a atitude de Tito, em 70
DC. Pompeu entrou no Santo dos Santos com seus oficiais, o que era um grave insulto
para os judeus. Entretanto, por respeito à santidade do templo, ordenou que nada fosse
removido ou danificado. Pompeu considerou necessário, talvez, demonstrar seu poder
ao entrar no templo, mas mostrou sua disposição de respeitar a fé judaica e deixar seu
lugar sagrado inviolado, a não ser se os judeus o forçassem a destruí-lo.
Tito, ao contrário, cercou a cidade com três legiões sobre o lado oeste e uma legião
sobre o Monte das Oliveiras, a leste. Tito cortou os alimentos e a água à cidade;
permitiu a entrada de alguns judeus para celebrar a Páscoa negando depois sua saída.
Após tentativas frustradas de negociação entre judeus e romanos, Tito entrou com as
legiões, destruindo a parte exterior das muralhas e crucificando os desertores judeus em
torno das muralhas. Os judeus já estavam se rendendo por causa da fome. Os romanos
tiraram vantagem desta fragilidade, rompendo as partes internas das muralhas e
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penetrando na cidade. Eles tomaram a Fortaleza Antônia, que era não somente uma
torre forte de vigia, mas também a residência do procurador romano quando estava em
Jerusalém. Mais de um milhão de cidadãos foram assassinados durante o sítio, a maioria
deles judeus. Milhares de pessoas foram capturadas e escravizadas. Muitos escaparam
para locais próximos do Mediterrâneo. Sob o comando de Tito, os soldados também
invadiram o templo, após ser incendiado por uma tocha de fogo lançada contra ele. A
cidade foi saqueada e os objetos sagrados levados para Roma.
Esse fato foi retratado em forma de relevo no Arco de Tito, em Roma. O Arco de
Tito, todo feito de mármore, foi erigido como um triunfo comemorando a conquista de
Jerusalém, e construído em 81 DC após a morte do imperador. No Arco pode-se ver
esculpidos a mesa com os pães da proposição, as trombetas de prata e a Menorá (o
candelabro de sete lâmpadas). No arco de Tito, foi colocada a seguinte inscrição:
“SENATVS·POPVLVSQVE·ROMANVS·DIVO·TITO·DIVI·VESPASIANI·(FILIO)V
ESPASIANO·AVGVSTO”, que significa: “O senado e o povo romano [dedicam] ao
divino Tito Vespasiano Augusto, filho do divino Vespasiano”.

• Dn 11: 32: “Aos violadores da aliança, ele, com lisonjas, perverterá, mas o povo
que conhece ao seu Deus se tornará forte e ativo”.
“Os violadores da aliança” = alguns judeus incrédulos, que facilitaram a infiltração
de Antíoco Epifânio na Cidade Santa. No futuro, “Os violadores da aliança” pode se
referir àqueles judeus que serão enganados pelo Anticristo no início da Grande
Tribulação (Dn 9: 27 – os primeiros três anos e meio).
“o povo que conhece ao seu Deus se tornará forte” = refere-se aos Macabeus, a
partir de 167 AC. Nos dias do Anticristo, será “os remanescentes de Israel”. Naqueles
dias também haverá fiéis que desafiarão o poder hostil do Anticristo (Besta), mesmo
que isso lhes custe a própria vida (Ap 6: 9-10; Ap 12: 11).

• Dn 11: 33-35: “Os sábios entre o povo ensinarão a muitos; todavia, cairão pela
espada e pelo fogo, pelo cativeiro e pelo roubo, por algum tempo. Ao caírem eles, serão
ajudados com pequeno socorro; mas muitos se ajuntarão a eles com lisonjas. Alguns dos
sábios cairão para serem provados, purificados e embranquecidos, até ao tempo do fim,
porque se dará ainda no tempo determinado”;
“Aqueles que são sábios instruirão a muitos, mas por certo período cairão à espada
e serão queimados, capturados e saqueados. Quando caírem, receberão uma pequena
ajuda, e muitos que não são sinceros se juntarão a eles. Alguns dos sábios tropeçarão
para que sejam refinados, purificados e alvejados até a época do fim, pois isso só
acontecerá no tempo determinado” (NVI).
“Os sábios entre o povo” = no tempo dos Macabeus, homens com percepção
espiritual circulavam entre o povo ensinando as Escrituras e continuaram pregando,
mesmo sob perseguição e morte. Muitos desses sábios morreram, mas aqueles que
sobreviveram permaneceram puros até o fim. A espada, fogo, cativeiro e roubo são um
sumário das tribulações da vida e dos sofrimentos dos homens e mulheres fiéis desde a
ressurreição de Jesus até hoje, em todas as partes do mundo, durante o processo de
purificação de suas almas, o que acontece igualmente conosco. Sábios são aqueles que
compreenderam os propósitos e os retos caminhos de Deus, têm prazer neles e
compartilham o seu conhecimento e experiência com outras pessoas, para que elas
também recebam a vida eterna. Aos olhos de Deus, sábio é aquele que conhece e pratica
a verdade. Eles viverão para sempre na presença do seu Deus.
Este texto também pode ser uma referência às duas testemunhas mártires da Grande
Tribulação (Ap 11: 3-14). Naqueles dias de tantas trevas, eles ensinarão a muitos, mas
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depois serão mortas pela Besta que subiu do mar (Abismo – Ap 11: 7), para que o seu
testemunho tenha um maior valor.
“no tempo determinado” = refere-se à época do Evangelho de Cristo, à época do
Espírito Santo e do crescimento da Igreja Primitiva, e também à Grande Tribulação.

• Dn 11: 36-39: “Este rei fará segundo a sua vontade, e se levantará, e se


engrandecerá sobre todo deus; contra o Deus dos deuses falará coisas incríveis e será
próspero, até que se cumpra a indignação; porque aquilo que está determinado será
feito. Não terá respeito aos deuses de seus pais, nem ao desejo de mulheres [NVI, nem
pelo deus preferido das mulheres], nem a qualquer deus, porque sobre tudo se
engrandecerá. Mas, em lugar dos deuses, honrará o deus das fortalezas; a um deus que
seus pais não conheceram, honrará com ouro, com prata, com pedras preciosas e coisas
agradáveis. Com o auxílio de um deus estranho, agirá contra as poderosas fortalezas, e
aos que o reconhecerem, multiplicar-lhes-á a honra, e fá-los-á reinar sobre muitos, e
lhes repartirá a terra por prêmio”.

Explicando:
• O Deus dos deuses = O Deus de Israel.
• Não terá respeito aos deuses de seus pais = os deuses sírios, nem mesmo Baal.
• Nem ao desejo de mulheres [NVI, nem pelo deus preferido das mulheres] = aqui,
pelo fato de o contexto estar falando de deuses, é muito provável que esteja se referindo
a Adônis, deus grego também chamado Tamuz (em Babilônico, ou Dumuzid, o deus
mesopotâmico dos pastores, e também associado com o crescimento das plantas),
venerado pelas mulheres, até pelas mulheres judias (Ez 8: 14: “Levou-me à entrada da
porta da Casa do Senhor, que está no lado norte, e eis que estavam ali mulheres
assentadas chorando a Tamuz”). Neste versículo de Ezequiel, o profeta recebe de Deus
a revelação sobre as abominações praticadas em Jerusalém, entre elas, a atitude das
mulheres que estavam chorando no Templo por esse deus estrangeiro. O culto ao Tamuz
da Mesopotâmia era aceito pelos judeus exilados. Tamuz é aquele que morre e renasce a
cada ano, o deus adorado pelas mulheres judias. A prova disso é que o nome do 4º mês
judaico pós-exílico, que corresponde a Junho-Julho do nosso calendário cristão, é
justamente ‘Tamuz’, coincidindo com o tempo de colheita de uvas. Tamuz em hebraico
significa: ‘escondido’, ‘filho da vida’. Uma forte evidência de que Tamuz era o mesmo
deus grego Adônis é o festival de Adonias, comemorado com flores e frutas, como foi
dito acima em relação ao nome do mês judaico correspondente a Junho-Julho do nosso
calendário cristão. Adônis (grego: Αδωνις) é um herói da mitologia grega no período
helenístico, amado por Afrodite e Perséfone. Ele nasceu de uma relação incestuosa entre
Myrrha (Em Português, Mirra ou Esmirna) e seu pai Kinyras (Cíniras, em Português;
também chamado Theias), rei de Chipre (ou Assíria / Síria), e passa uma parte do seu
tempo no reino dos vivos e outra no submundo, ou reino dos mortos. Foi morto ainda
jovem por um javali selvagem enquanto caçava. Ártemis ou Artemísia (para os gregos)
ou Diana (para os romanos) era a deusa da lua e da caça. Ela enviou um javali para
matar Adônis como um castigo pela sua arrogância em dizer que ele era melhor caçador
do que ela. Os festivais de Adonia em Atenas, em Alexandria e no mundo romano (5º
ao 4º século AC) celebram tanto a sua morte pelas mãos de Ártemis quanto o seu amor
por Perséfone (do reino dos mortos) e Afrodite (no reino dos vivos). Esses festivais
eram caracterizados pelo alto número de mulheres participando, por sua alegria e
libertinagem (Afrodite ou Vênus era a deusa do amor, da beleza e da sexualidade), e
pelo seu ritual de luto. Eram muito conhecidos os jardins de Adônis, cujas plantas
depois de cortadas eram postas em vasos com a sua imagem, feita de madeira, e
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depressa murchavam (Perséfone era a deusa das ervas, flores, frutos e perfumes). O
culto de Adônis era concebido como um deus morrendo e ressuscitando. A cidade de
Biblos na Fenícia era dedicada a Adônis. O culto de Adônis em Biblos era praticamente
o mesmo culto fenício / cananeu a ‘Baal’. Esse deus não era somente uma deidade da
primavera ou um espírito da vegetação, mas um importante deus de cidade, comparável
a Baal-Melcarte em Tiro, e Eshmun, em Sidom. Na Síria e na Palestina, Adônis era
chamado por um título (Baal, Adon) em vez do nome próprio.
• Nem a qualquer deus = os deuses de outras nações.
• Porque sobre tudo se engrandecerá [Em inglês, a bíblia escreve: “for he shall
consider himself greater than all” = “pois ele se considerará maior do que todos eles”].
• O deus das fortalezas = este parece ser Júpiter, ou Zeus, o deus supremo dos
romanos e gregos. Na Concordância Lexicon Strong, a palavra hebraica usada para
‘fortaleza’ pode ser escrita de várias maneiras: ma`owz ou mauwz ou mahoz ou mauz,
sendo a mais conhecida ‘mahoz’, cujo plural é Mahuzzim (‘fortalezas’). Ela tem vários
significados: um lugar fortificado; uma defesa, força, fortaleza (como uma fortaleza
militar, uma cidade fortemente fortificada adequada para uma grande guarnição), rocha,
fortalecer, forte, fortaleza (um local que tenha sido fortificado de modo a protegê-lo
contra ataques). Além de simbolizar a força da glória e do dinheiro de Roma, o ‘deus
das fortalezas’ (Zeus ou Júpiter, seu equivalente romano) pode ser chamado o deus das
forças da natureza, pois para os gregos, Zeus, na mitologia grega, é o pai dos deuses e
dos homens, e que exercia a autoridade sobre os demais deuses olímpicos. É o deus dos
raios na mitologia grega, o rei dos deuses, o deus do céu, do trovão e relâmpago, o deus
da lei, da ordem e da justiça. Na Síria, na Fenícia e em Canaã, Baal era considerado o
Deus supremo, inclusive tendo poder sobre as forças da natureza e os fenômenos
atmosféricos.
• Um deus que seus pais não conheceram, honrará com ouro, com prata, com pedras
preciosas e coisas agradáveis = Júpiter (um deus que os ancestrais de Antíoco Epifânio
da Síria não conheceram) seria adorado com ouro e prata, com pedras preciosas e com
coisas agradáveis, porque, através disso, todos os homens o teriam em admiração por
seu poder e riqueza.
• Com o auxílio de um deus estranho = os deuses greco-romanos que Antíoco IV
Epifânio adotou, como o deus grego Zeus (Júpiter para os romanos), cuja estátua ele
colocou em Jerusalém. Júpiter era filho de Saturno e Cibele, e conhecido como o deus
romano do dia, comumente identificado com o deus grego Zeus. Também era chamado
de Jove (Jovis). Júpiter se casou com Juno, a filha preferida de Cibele. Seus filhos
foram: Marte, Minerva e Vênus. Na mitologia romana, Marte é o pai de Rômulo e
Remo os lendários fundadores de Roma.
• Agirá contra as poderosas fortalezas, ou seja, as muralhas de Jerusalém e as do
templo. A palavra hebraica para ‘fortalezas’ continua sendo ma`owz ou mauwz ou
mahoz ou mauz, com o mesmo significado: um lugar fortificado; uma defesa, força,
fortaleza, rocha, fortalecer, forte. Entretanto, a expressão ‘as poderosas fortalezas’ pode
ser entendida como: ‘fortalezas de munições’, uma fortificação, castelo ou cidade
fortificada; figurativamente, um defensor, cercada por uma cerca, fortaleza. Da raiz
primitiva = batsar = ser isolado (inatacável, ou seja, inacessíveis por altura ou
fortificação), cortado, defesa ou cerca, fortificar, coisas poderosas, restringir, forte,
parede erguida, reter. Neste versículo, a expressão ‘poderosas fortalezas’ se refere ao
templo de Jerusalém e seus muros, pois no v. 31 ele é chamado de ‘o santuário de força’
ou ‘o santuário, a fortaleza nossa’. Lá, Antíoco colocou a estátua desse deus estranho
(Júpiter do Olimpo).
52

• E aos que o reconhecerem (“Os violadores da Aliança” – Dn. 11: 32), multiplicar-
lhes-á a honra, e fá-los-á reinar sobre muitos (talvez, até, o sumo sacerdote e o
governador de Judá); e lhes repartirá a terra por prêmio = Antíoco fará com que aqueles
que ministram a este ídolo reinem sobre muitos, colocá-los-á em postos de poder e
confiança, e eles dividirão a terra por preço, ou seja, receberão um ‘salário’ extra por
adorarem o deus estranho; em outras palavras, ‘a glória e o dinheiro de Roma’, pois o
dinheiro é uma força e um deus. Assim, as pessoas não fiéis a Deus (‘os violadores da
aliança’) honrarão o deus das fortalezas com vastos tesouros dedicados a ele (ou ‘os
deuses das fortalezas’: Mahuzzim).
No que se refere aos tempos apocalípticos, isso se refere a um rei (governante) que
agirá segundo a sua própria vontade, um homem que chega ao poder, prospera, cresce
em força e, então, investe contra o Deus de Israel. Repetirá os feitos de Antíoco IV
Epifânio. Esse rei assume o papel de divindade: “o qual se opõe e se levanta contra tudo
que se chama Deus ou é objeto de culto, a ponto de assentar-se no santuário de Deus,
ostentando-se como se fosse o próprio Deus” (2 Ts 2: 4). É o que está escrito em Dn 11:
38-39: “Mas, em lugar dos deuses, honrará o deus das fortalezas [o deus do poder]; a
um deus que seus pais não conheceram [pode se referir à auto-adoração ou a um deus
diferente do que foi adorado por seus ancestrais], honrará com ouro, com prata, com
pedras preciosas e coisas agradáveis. Com o auxílio de um deus estranho, agirá contra
as poderosas fortalezas [as muralhas de Jerusalém e do templo, o que aconteceu no
passado, e à cidade de Jerusalém dos tempos da Grande Tribulação], e aos que o
reconhecerem [‘Os violadores da Aliança’ – Dn 11: 32], multiplicar-lhes-á a honra, e
fá-los-á reinar sobre muitos, e lhes repartirá a terra por prêmio”.
• Dn 11: 40-45: “No tempo do fim, o rei do Sul lutará com ele, e o rei do Norte
arremeterá contra ele com carros, cavaleiros e com muitos navios, e entrará nas suas
terras, e as inundará, e passará. Entrará também na terra gloriosa, e muitos sucumbirão,
mas do seu poder escaparão estes: Edom, e Moabe, e as primícias dos filhos de Amom.
Estenderá a mão também contra as terras, e a terra do Egito não escapará. Apoderar-se-á
dos tesouros de ouro e de prata e de todas as coisas preciosas do Egito; os líbios e os
etíopes o seguirão. Mas, pelos rumores do Oriente e do Norte, será perturbado e sairá
com grande furor, para destruir e exterminar a muitos. Armará as suas tendas palacianas
entre os mares contra o glorioso monte santo; mas chegará ao seu fim, e não haverá
quem o socorra”.
Antíoco IV se envolveu na Sexta Guerra da Síria contra o Egito (170-168 AC) e
seus reis (os irmãos Ptolomeu VI Filometor e Ptolomeu VIII Evérgeta II), conquistando
a estratégica cidade de Pelúsio (no extremo nordeste do delta do Nilo). Os etíopes e os
líbios o ajudaram. Ele tentou uma segunda expedição contra o Egito para tomar
Alexandria em 168 AC, mas interrompida por intervenção de Roma, que enviou o
cônsul Caio Popílio Lenas para essa cidade. Antíoco IV, que já havia tomado Chipre e
Mênfis, voltou para Alexandria, mas se encontrou com o cônsul romano em Elêusis, nas
cercanias da capital. Ali, Caio Popílio Lenas lhe deu um ultimato em nome do senado
romano para que ele saísse imediatamente de Chipre e do Egito. Antíoco optou por
obedecer.
Em 168-167 AC, na volta da guerra contra o Egito, Antíoco IV Epifânio conquistou
Jerusalém que passou a ser permanentemente controlada por soldados. Ele estabeleceu
seu pavilhão real (suas tendas) entre o Mar Mediterrâneo e o Mar Morto, em Israel, na
cidade de Emaús, perto de Jerusalém. Dali ele deu todo o poder aos seus capitães para
prosseguir a guerra contra os judeus com o maior rigor. Ele colocou sua tenda lá como
se tivesse tomado a posse da gloriosa montanha sagrada. Ele não se importou com
Edom, Moabe e Amom porque eles foram seus aliados, ajudando-o a invadir Israel.
53

Antíoco IV cometeu sacrilégio matando um porco (animal imundo) no altar do templo.


Ele procurou estabelecer o helenismo à força, instituindo como lei a destruição dos
exemplares das Escrituras e proibindo o culto judaico: a observância do shabbat, as
proibições alimentares e até a circuncisão. No Templo de Jerusalém foi instalada uma
estátua do deus grego Zeus (Júpiter para os romanos). Esta situação (romanização e
helenização da Judéia) gerou descontentamento entre os judeus fiéis como Matatias e
seus filhos: Simão, Judas (o macabeu), Eleazar, João e Jônatas (a família Hasmoneana,
conhecida como Macabeus). Os Macabeus acabaram por expulsar as tropas de Antíoco
IV de Jerusalém. A Revolta dos Macabeus durou de 167-160 AC. O rei selêucida
chegou ao termo do seu reinado no ano 164 AC, com uma doença grave (Cogita-se que
um câncer, uma doença ‘sem socorro’ – “e não haverá quem o socorra”), vindo a falecer
em 162 AC.

Voltando um pouco para Dn 11: 31: “Dele sairão forças que profanarão o santuário,
a fortaleza nossa, e tirarão o sacrifício diário, estabelecendo a abominação desoladora”.
Segundo alguns teólogos, o termo “abominação desoladora” ou “sacrilégio terrível”
(NVI), ou seja, desolação, pesar, tristeza, devastação, mencionada por Jesus em Mt 24:
15 e Mc 13: 14 se refere a Dn 12: 11: “Depois do tempo em que o sacrifício diário for
tirado, e posta a abominação desoladora (cf. Dn 9: 26-27), haverá ainda mil duzentos e
noventa dias”. Embora o segundo período da Grande Tribulação tenha 1.260 dias (3 ½
anos – Ap 12: 6), um período adicional de 30 dias parece ser exigido para a purificação
e a restauração do Templo, e ainda outro período de 45 dias antes que a bênção do reino
do Messias seja plena (1.335 dias – Dn 12: 12: “Bem-aventurado o que espera e chega
até mil trezentos e trinta e cinco dias”).

Dn 9: 26-27 diz:
26 Depois das sessenta e duas semanas, será morto o Ungido [a primeira vinda de
Jesus e Sua morte] e já não estará; e o povo de um príncipe que há de vir destruirá a
cidade e o santuário, e o seu fim será num dilúvio, e até ao fim haverá guerra;
desolações são determinadas [como num dilúvio de sangue derramado em guerra após
guerra].
27 Ele fará firme aliança com muitos, por uma semana; na metade da semana, fará
cessar o sacrifício e a oferta de manjares; sobre a asa das abominações virá o assolador,
até que a destruição, que está determinada, se derrame sobre ele [NVI: “E numa ala do
templo será colocado o sacrilégio terrível, até que chegue sobre ele e o fim que lhe está
decretado”]. No documento original em hebraico, de acordo com a nota de rodapé da
NVI, está escrito: “E aquele que causa desolação virá sobre o pináculo do templo
abominável, até que o final que está determinado seja derramado sobre a cidade
assolada”.
A bíblia se refere aos tempos do fim e ao Anticristo, que estabelecerá esta
desolação (‘sacrilégio terrível’ – Dn 11: 31; Dn 12: 11; Dn 9: 27) na segunda metade da
semana profética de Daniel (nos últimos 3 anos e meio). Este é o nosso próximo
assunto: Profecias de Daniel e João – Apocalipse.
54

Parte 4 — Profecias de Daniel e João — Apocalipse

Este capítulo é uma interpretação das profecias de Dn 11: 1-45 (em especial os
versículos 31-45) e das visões do apóstolo João, escritas no livro de Apocalipse com
referência aos tempos do fim: o Anticristo e a Grande Tribulação, as três Bestas, o falso
profeta e a grande Meretriz (descrita em Ap 17: 1), se referindo a Roma.
Mesmo que muitos símbolos na bíblia e muitas revelações do livro de Apocalipse
estejam ocultos para nós (pois eram compreensíveis para as pessoas daquele tempo), o
intuito deste estudo é mostrar o quanto é importante a nossa intimidade com Deus e nos
dar a esperança de que num dia preparado por Deus (‘no tempo determinado’, como diz
a bíblia) todo o mal que vemos e vivemos no mundo vai ser destruído, e toda a injustiça
vai ser vingada, pois é necessário que os homens se arrependam dos seus pecados e
reconheçam que só em Jesus há liberdade, justiça, julgamento e vida eterna. No livro de
Apocalipse, o apóstolo João não escreve apenas sobre os eventos futuros; ele também
escreve para os crentes daquela época (nas sete igrejas na Ásia Menor, passando por
perseguições) e menciona de uma forma simbólica as circunstâncias políticas em que
ele estava inserido, envolvendo os imperadores romanos, por exemplo, e mostrando que
Deus estava agindo e fazendo justiça naquele momento, da mesma forma que fará de
uma maneira muito mais abrangente no futuro.
Os animais com aparência terrível, na bíblia, em especial nos livros proféticos de
Daniel e João (Apocalipse), simbolizam grandes forças e impérios, uma coligação de
nações que tentam usar o poder da Besta (ou Anticristo) para derrotar o verdadeiro
poder na pessoa de Jesus. Chifre diz respeito ao poder, e o carneiro simboliza o lado
religioso – o animal dócil usado nos sacrifícios a Deus no AT. É óbvio que essa
interpretação varia de acordo com o contexto bíblico. Jesus também se referiu ao Seu
povo como ovelhas (Mt 10: 16-17) e os ensinou a tomar cuidado com os falsos profetas
(Mt 7: 15-23).
Esse poder maligno será visto na pessoa da besta que emerge do mar: um homem,
ou melhor, um governante gentio (o mar simboliza as nações gentílicas, em especial,
Roma, como João se referiu), e na pessoa de um líder religioso de origem judaica que,
com prodígios de mentira, virá a enganar os judeus, fazendo-os acreditar na besta como
se ela fosse o Messias prometido, uma vez que Israel sempre viu o Messias como um
líder físico, material, se manifestando com poder no mundo natural, um rei (semelhante
a Davi, por exemplo) que um dia virá livrá-los do poder opressor dos gentios.
Desde os tempos do início do NT os apóstolos João e Paulo diziam que o espírito
do Anticristo já estava no meio deles (figuradamente, na pessoa dos imperadores
romanos e dos falsos crentes, e até depois de alguns séculos, na pessoa de líderes
políticos e religiosos influentes que levaram milhares de pessoas à morte, física e
espiritual).
Vamos começar o nosso estudo colocando primeiro o texto bíblico de Dn 11: 31-
45. A versão bíblica mais usada aqui é ARA, completada pela NVI.
• Dn 11:
31 Dele sairão forças que profanarão o santuário, a fortaleza nossa, e tirarão o sacrifício
diário, estabelecendo a abominação desoladora.
32 Aos violadores da aliança, ele, com lisonjas, perverterá, mas o povo que conhece ao
seu Deus se tornará forte e ativo.
33 Os sábios entre o povo ensinarão a muitos; todavia, cairão pela espada e pelo fogo,
pelo cativeiro e pelo roubo, por algum tempo.
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34 Ao caírem eles, serão ajudados com pequeno socorro; mas muitos se ajuntarão a eles
com lisonjas.
35 Alguns dos sábios cairão para serem provados, purificados e embranquecidos, até ao
tempo do fim, porque se dará ainda no tempo determinado.
36 Este rei fará segundo a sua vontade, e se levantará, e se engrandecerá sobre todo
deus; contra o Deus dos deuses falará coisas incríveis e será próspero, até que se cumpra
a indignação; porque aquilo que está determinado será feito.
37 Não terá respeito aos deuses de seus pais, nem ao desejo de mulheres, nem a
qualquer deus, porque sobre tudo se engrandecerá.
38 Mas, em lugar dos deuses, honrará o deus das fortalezas; a um deus que seus pais
não conheceram, honrará com ouro, com prata, com pedras preciosas e coisas
agradáveis.
39 Com o auxílio de um deus estranho, agirá contra as poderosas fortalezas, e aos que o
reconhecerem, multiplicar-lhes-á a honra, e fá-los-á reinar sobre muitos, e lhes repartirá
a terra por prêmio.
40 No tempo do fim, o rei do Sul lutará com ele, e o rei do Norte arremeterá contra ele
com carros, cavaleiros e com muitos navios, e entrará nas suas terras, e as inundará, e
passará.
41 Entrará também na terra gloriosa, e muitos sucumbirão, mas do seu poder escaparão
estes: Edom, e Moabe, e as primícias dos filhos de Amom.
42 Estenderá a mão também contra as terras, e a terra do Egito não escapará.
43 Apoderar-se-á dos tesouros de ouro e de prata e de todas as coisas preciosas do
Egito; os líbios e os etíopes o seguirão.
44 Mas, pelos rumores do Oriente e do Norte, será perturbado e sairá com grande furor,
para destruir e exterminar a muitos.
45 Armará as suas tendas palacianas entre os mares contra o glorioso monte santo; mas
chegará ao seu fim, e não haverá quem o socorra.

• Dn 11: 31: “Dele sairão forças que profanarão o santuário, a fortaleza nossa, e
tirarão o sacrifício diário, estabelecendo a abominação desoladora” (NVI: o sacrilégio
terrível). O mesmo ato está descrito de outra forma em Dn 12: 11: “Depois do tempo em
que o sacrifício diário for tirado, e posta a abominação desoladora, haverá ainda mil
duzentos e noventa dias”.
Este trecho, em relação a Antíoco IV, quando cometeu sacrilégio matando um
porco (animal imundo) no altar e colocando a estátua de Zeus no templo, já foi
explicado no capítulo anterior: “Revelação de Daniel capítulo 11”. Nós vimos que este
sacrilégio se repetiria com a destruição do templo pelos romanos em 70 DC, sob o
comando de Tito. Conseqüentemente, há uma relação também com os atos de
profanação do templo e da cidade de Jerusalém pelo Anticristo, que veremos mais
adiante.

• Dn 11: 32: “Aos violadores da aliança, ele, com lisonjas, perverterá, mas o povo
que conhece ao seu Deus se tornará forte e ativo”.
“Os violadores da aliança” = da mesma forma que alguns judeus incrédulos
facilitaram a infiltração de Antíoco Epifânio na Cidade Santa, no futuro, as expressão
“Os violadores da aliança” pode se referir àqueles judeus que serão enganados pelo
Anticristo no início da Grande Tribulação (Dn 9: 27 – os primeiros três anos e meio).
“o povo que conhece ao seu Deus se tornará forte” = nos dias do Anticristo, será
“os remanescentes de Israel”, os que ouvirão a voz de Deus e reconhecerão Jesus como
o Messias e filho de Deus, o único capaz de lhes trazer a salvação.
56

Agora, nós podemos introduzir o texto de Daniel 9: 26-27, quando o profeta


intercede por si e pelo povo, reconhecendo o seu pecado e, portanto, a causa do
cativeiro de setenta anos. Aqui lhe é dada uma revelação através do anjo Gabriel,
enviado por Deus a ele, a respeito das setenta semanas que estavam determinadas sobre
o povo de Israel (Dn 9: 24-26). As setenta semanas representam um tempo (segundo
alguns teólogos, os anos depois da construção dos muros de Jerusalém em 445 AC,
mais o período de silêncio de Deus após o profeta Malaquias – 400 anos) que terminaria
com a ascensão de Cristo (após Sua ressurreição – 30 DC). Essa visão não só diz
respeito à primeira vinda de Cristo como também à Sua segunda vinda.

• Dn 9: 26-27:
26 Depois das sessenta e duas semanas, será morto o Ungido [a primeira vinda de
Jesus e Sua morte] e já não estará; e o povo de um príncipe que há de vir destruirá a
cidade e o santuário [Refere-se a Tito, que destruiu Jerusalém e o templo], e o seu fim
[o fim de Jerusalém] será num dilúvio, e até ao fim haverá guerra; desolações são
determinadas [como num dilúvio de sangue derramado em guerra após guerra. Até os
tempos do fim, Israel e Jerusalém sofrerão guerras, é o que quer dizer].
27 Ele fará firme aliança com muitos, por uma semana; na metade da semana, fará
cessar o sacrifício e a oferta de manjares; sobre a asa das abominações virá o assolador,
até que a destruição, que está determinada, se derrame sobre ele [NVI: “E numa ala do
templo será colocado o sacrilégio terrível, até que chegue sobre ele (ou, no original:
‘sobre isso’) o fim que lhe está decretado”]. No documento original em hebraico, de
acordo com a nota de rodapé da NVI, está escrito: “E aquele que causa desolação virá
sobre o pináculo do templo abominável, até que o final que está determinado seja
derramado sobre a cidade assolada”. Desolação significa: um estado de completo vazio
ou destruição.
Quanto ao versículo 26, nós podemos dizer que isso ocorreu na primeira guerra
judaico-romana (66-70 DC), às vezes chamada de grande revolta judaica, que foi a
primeira de três grandes rebeliões dos judeus da Judéia contra o Império Romano.
Começou no ano 66 DC, inicialmente devido a tensões religiosas entre gregos e judeus
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com protestos anti-taxações e ataques a cidadãos romanos. Terminou quando as legiões


romanas sob o comando de Tito (Tito Flávio Vespasiano Augusto, filho de Tito Flávio
Sabino Vespasiano) sitiaram e destruíram o centro da resistência rebelde em Jerusalém
em 01 de agosto de 67 DC, culminando com a destruição do templo em 70 DC, e
derrotaram as restantes forças judaicas [três anos e meio]. Esse fato não só foi um marco
do cumprimento das profecias de Jesus (Mt 24: 1-2; Mc 13: 1-2), como também foi
retratado em forma de relevo no Arco de Tito, em Roma. O Arco de Tito, todo feito de
mármore, foi erigido como um triunfo comemorando a conquista de Jerusalém, e
construído em 81 DC após a morte do imperador por causa de uma febre. No Arco
pode-se ver esculpidos a mesa com os pães da proposição, as trombetas de prata e a
Menorá. Nele, pode-se ler a seguinte inscrição:
“SENATVS·POPVLVSQVE·ROMANVS·DIVO·TITO·DIVI·VESPASIANI·(FILIO)
VESPASIANO·AVGVSTO” que significa:
“O senado e o povo romano [dedicam] ao divino Tito Vespasiano Augusto, filho
do divino Vespasiano”.

Detalhes do arco de Tito

Houve uma diferença entre a atitude de Pompeu quando entrou em Jerusalém em 63


AC, anexando a província da Judéia á República Romana, e a atitude de Tito, em 70
DC. Pompeu entrou no Santo dos Santos com seus oficiais, o que era um grave insulto
para os judeus. Entretanto, por respeito à santidade do templo, ordenou que nada fosse
removido ou danificado. Pompeu considerou necessário, talvez, demonstrar seu poder
ao entrar no templo, mas mostrou sua disposição de respeitar a fé judaica e deixar seu
lugar sagrado inviolado, a não ser se os judeus o forçassem a destruí-lo.
Tito, ao contrário, cercou a cidade com três legiões sobre o lado oeste e uma legião
sobre o Monte das Oliveiras, a leste. Tito cortou os alimentos e a água à cidade;
permitiu a entrada de alguns judeus para celebrar a Páscoa negando depois sua saída.
Após tentativas frustradas de negociação entre judeus e romanos, Tito entrou com as
legiões, destruindo a parte exterior das muralhas e crucificando os desertores judeus em
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torno das muralhas. Os judeus já estavam se rendendo por causa da fome. Os romanos
tiraram vantagem desta fragilidade, rompendo as partes internas das muralhas e
penetrando na cidade. Eles tomaram a Fortaleza Antônia, que era não somente uma
torre forte de vigia, mas também a residência do procurador romano quando estava em
Jerusalém. Mais de um milhão de cidadãos foram assassinados durante o sítio, a maioria
deles judeus. Milhares de pessoas foram capturadas e escravizadas. Muitos escaparam
para locais próximos do Mediterrâneo. Sob o comando de Tito, os soldados também
invadiram o templo, após ser incendiado por uma tocha de fogo lançada contra ele. A
cidade foi saqueada e os objetos sagrados, levados para Roma. Na muralha sul do
templo, os romanos sacrificaram águias aos seus deuses. Assim, Tito também representa
uma figura do Anticristo.

Mas no versículo 27 (Dn 9: 26-27) há um comentário interessante:


Nessa frase: “Ele fará firme aliança com muitos, por uma semana; na metade da
semana, fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares”, nós podemos ver a presença de
Antíoco IV Epifânio fazendo a aliança com os infiéis, como já comentamos, e depois
proibindo o culto judaico [cf. Dn 11: 31: “Dele sairão forças que profanarão o santuário,
a fortaleza nossa, e tirarão o sacrifício diário, estabelecendo a abominação desoladora”
(NVI: o sacrilégio terrível) e Dn 12: 11: “Depois do tempo em que o sacrifício diário for
tirado, e posta a abominação desoladora, haverá ainda mil duzentos e noventa dias”].
Com certeza, nós podemos ver a referência ao falso profeta enganando os judeus
por três anos e meio (é contada a semana de sete anos) para ganhar sua confiança e fazê-
los acreditar que a Besta é o Messias esperado. Depois, então, virá a segunda parte da
Grande Tribulação, quando a violência e a destruição da Besta serão visíveis. Nós
podemos perceber sua malícia, engano e arrogância dessa forma: ele tenta repetir um ato
de aliança que foi feito pelo Ungido, pelo verdadeiro Messias, Jesus (mencionado no
v.26). Explicando melhor: foi Jesus que veio fazer uma aliança definitiva através do Seu
sangue, e assim, confirmou a nova aliança com Seu povo, abolindo (fazendo cessar) os
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sacrifícios judaicos e o culto Levítico no templo para sempre, pois a antiga aliança foi
revogada. Isso aconteceu na primeira metade da semana, ou seja, três anos e meio, o seu
tempo de ministério, que simboliza a metade de uma semana de sete anos, ou seja, 3 ½
anos. Este número é o símbolo do poder vitorioso do mundo, ao contrário do número
sete, o número da plenitude divina. O mundo se sentiu vitorioso com a morte de Jesus,
mas isso era apenas o começo de algo maior. A bíblia diz que Jesus fez uma firme
aliança com muitos: Is 42: 6; Is 53: 11; Jr 31: 31-34; Ml 3; 1; Mt 20: 28; Mt 26: 28; Lc
22: 20; Rm 5: 15; Hb 9: 28.
Seguindo o versículo: “sobre a asa das abominações virá o assolador, até que a
destruição, que está determinada, se derrame sobre ele” [NVI: “E numa ala do templo
será colocado o sacrilégio terrível, até que chegue sobre ele (ou, no original: ‘sobre
isso’) o fim que lhe está decretado”]. No documento original em hebraico, de acordo
com a nota de rodapé da NVI, está escrito: “E aquele que causa desolação virá sobre o
pináculo do templo abominável, até que o final que está determinado seja derramado
sobre a cidade assolada”. Como dissemos acima, ‘desolação’ significa: um estado de
completo vazio ou destruição.
O evangelho de Cristo foi pregado exclusivamente aos judeus até 33 DC,
completando as setenta semanas de Dn 9: 24-26, quando surgiram os primeiros mártires
como Tiago e Estevão. Depois que Jerusalém foi destruída pelos romanos (Tito), o
tempo de aliança de Deus com os Judeus foi consumado e o teve início o tempo de reino
de Deus para os gentios (Mt 21: 43). Assim, a aliança com Israel só será restaurada na
segunda vinda de Cristo, quando através do arrependimento, eles começarem a clamar o
nome de Jesus (Mt 23: 39; Atos 1: 6-7; Rm 11: 25-32). “Jerusalém, Jerusalém, que
matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados! Quantas vezes quis eu reunir
teus filhos como a galinha ajunta os do seu próprio ninho debaixo das asas, e vós não o
quisestes! Eis que a vossa casa vos ficará deserta. E em verdade vos digo que não mais
me vereis até que venhais a dizer: Bendito o que vem em nome do Senhor!” (Lc 13: 34-
35).
Da mesma forma que Antíoco Epifânio instalou a estátua de Zeus no templo para
ser adorado, isso pode se referir também a um ato de sacrilégio da Besta, como está
escrito em Dn 11: 36: “Este rei fará segundo a sua vontade, e se levantará, e se
engrandecerá sobre todo deus; contra o Deus dos deuses falará coisas incríveis e será
próspero, até que se cumpra a indignação; porque aquilo que está determinado será
feito”.
Isso pode ser traduzido como um ídolo criado em uma asa ou pináculo do templo
(cf. Mt 4: 5) pelo Anticristo (a Besta), estabelecendo o culto a si mesmo ao invés da
adoração judaica; ou, então, o Anticristo levantará ‘um templo abominável’ onde ele
exigirá adoração. Alguns estudiosos relacionam a expressão ‘a asa das abominações’
com as insígnias romanas (águias) trazidas à porta leste do templo, e águias (aves)
sendo sacrificadas na muralha sul pelos soldados de Tito, pois também o colocam como
uma figura do Anticristo.
Não importa se a palavra que está escrita é asa ou ala (= extremidade) ou pináculo.
Em hebraico, ela é a mesma escrita em Rt 2: 12 (asas), Rt 3: 9 (capa) e 1 Sm 24: 4; 5
(manto), a saber, ‘kanaph’. No hebraico, a palavra kanaph (‫ )פנכ‬tem vários significados
como: capa, manto (1 Sm 24: 4; 5 – quando Davi corta a borda do manto de Saul), asa
ou asas, alado (pássaro), extremidade (de uma ave ou um braço), borda, canto (da veste
ou de uma roupa de cama), camisa, bainha (de roupa) aba, ala, um pináculo, cobertura,
proteção.
Se pensarmos que ‘asas’ neste texto tem um sentido de ‘proteção’, nós até podemos
imaginar (no sentido espiritual) que a frase: ‘sobre a asa das abominações virá o
60

assolador’ significa que o Anticristo virá cobrindo, protegendo e permitindo todo tipo
de abominação que possa ser colocada no templo do Senhor, pois também estará
debaixo da cobertura do ‘senhor das abominações’ que é Satanás; tudo isso por
permissão de Deus, até que o Seu Santo projeto esteja cumprido.
Por causa das abominações cometidas pelas pessoas profanas contra o Santo, o
Senhor não só destruirá a cidade e o santuário, como permitirá que a sua desolação
continue até o tempo determinado, quando o poder do mundo for julgado e o domínio
for dado aos santos do Altíssimo (Dn 7: 26-27).
Assim, no segundo estágio da profecia de Dn 11: 36-45 que se refere aos tempos
apocalípticos, fala-se de um rei que agirá segundo a sua própria vontade. Trata-se de um
homem que chega ao poder, prospera, cresce em força e, então, investe contra o Deus de
Israel. Repetirá os feitos de Antíoco IV Epifânio. Esse rei assume o papel de divindade:
“o qual se opõe e se levanta contra tudo que se chama Deus ou é objeto de culto, a ponto
de assentar-se no santuário de Deus, ostentando-se como se fosse o próprio Deus” (2 Ts
2: 4). E em Dn 11: 38-39 está escrito: “Mas, em lugar dos deuses, honrará o deus das
fortalezas; a um deus que seus pais não conheceram, honrará com ouro, com prata, com
pedras preciosas e coisas agradáveis. Com o auxílio de um deus estranho, agirá contra
as poderosas fortalezas [as muralhas de Jerusalém e do templo], e aos que o
reconhecerem [‘Os violadores da Aliança’ – Dn 11: 32], multiplicar-lhes-á a honra, e
fá-los-á reinar sobre muitos, e lhes repartirá a terra por prêmio”.
Dn 11: 45: “Armará as suas tendas palacianas entre os mares contra o glorioso
monte santo; mas chegará ao seu fim, e não haverá quem o socorra”. A expressão “entre
os mares contra o glorioso monte santo” refere-se principalmente ao Mar Mediterrâneo,
o Mar Morto e o monte Sião, o lugar do Templo de Deus em Jerusalém. Da mesma
forma que Antíoco IV armou suas tendas em Emaús, perto de Jerusalém, o Anticristo
também o fará. Mas Deus o derrotará e ninguém poderá salvá-lo.
Mesmo que o espírito do Anticristo já esteja entre nós (significando: a idéia, a força
predominante, a índole, a tendência, o pensamento contrário a Cristo), o Anticristo só
será conhecido em forma de um homem durante a Grande Tribulação, na verdade, na
segunda metade dos sete anos, como foi dito em Dn 9: 27:
• Dn 9: 27: “Ele fará firme aliança com muitos, por uma semana; na metade da
semana, fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares; sobre a asa das abominações virá
o assolador até que a destruição, que está determinada, se derrame sobre ele” [ou: “E
numa ala do templo será colocado o sacrilégio terrível, até que chegue sobre ele e o fim
que lhe está decretado”; ou ainda: “E aquele que causa desolação virá sobre o pináculo
do templo abominável, até que o final que está determinado seja derramado sobre a
cidade assolada”].
• 1 Jo 2: 22-23: “Quem é o mentiroso, senão aquele que nega que Jesus é o Cristo?
Este é o anticristo, o que nega o Pai e o Filho”.
• 1 Jo 4: 2-4: “Nisto reconheceis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que
Jesus Cristo veio em carne é de Deus; e todo espírito que não confessa a Jesus não
procede de Deus; pelo contrário, este é o espírito do anticristo, a respeito do qual tendes
ouvido que vem e, presentemente, já está no mundo. Filhinhos, vós sois de Deus e
tendes vencido os falsos profetas, porque maior é aquele que está em vós do que aquele
que está no mundo”.
• 2 Ts 2: 3: “Ninguém, de nenhum modo, vos engane, porque isto [ele se refere à
segunda vinda de Cristo] não acontecerá sem que primeiro venha a apostasia e seja
revelado o homem da iniqüidade, o filho da perdição [‘filho do pecado’, ou ainda
‘perdição’, em grego: apoleias = ruína ou perda física ou espiritual, danação
61

(condenação ao inferno), destruição, morte, perdição, perecer, caminho pernicioso,


desperdício, devastação]”.
• 2 Ts 2: 7-12: “Com efeito, o mistério da iniqüidade já opera e aguarda somente
que seja afastado aquele que agora o detém; então, será, de fato, revelado o iníquo, a
quem o Senhor Jesus matará com o sopro de sua boca e o destruirá pela manifestação de
sua vinda. Ora, o aparecimento do iníquo é segundo a eficácia de Satanás, com todo
poder (Grego: dunamis ou dunamei – δυναµει – Strong #g1411 = habilidade, poder para
gerar milagres), e sinais (Grego: semeion = milagre, sinal, maravilha, símbolo, prova), e
prodígios (Grego: teras = de afinidade incerta, um prodígio ou presságio, maravilha) da
mentira, e com todo engano de injustiça aos que perecem, porque não acolheram o amor
da verdade para serem salvos. É por este motivo, pois, que Deus lhes manda a operação
do erro, para darem crédito à mentira, a fim de serem julgados todos quantos não deram
crédito à verdade; antes, pelo contrário, deleitaram-se com a injustiça [Deus permite que
sejam enganados pelo inimigo, pois não crêem na Sua verdade]”.

Vamos, agora, passar para as visões e profecias do apóstolo João no livro de


Apocalipse:
I) A besta que emerge do mar (significando o poderoso Império Romano, pois o
mar representa os gentios):
Ap 13: 1-3: “Vi emergir do mar uma besta que tinha dez chifres e sete cabeças e,
sobre os chifres, dez diademas e, sobre as cabeças, nomes de blasfêmia. A besta que vi
era semelhante a leopardo, com pés como de urso e boca como de leão. E deu-lhe o
dragão o seu poder, o seu trono e grande autoridade. Então, vi uma de suas cabeças
como golpeada de morte, mas essa ferida mortal foi curada; e toda a terra se
maravilhou, seguindo a besta”.
O animal visto por João corresponde ao quarto animal visto por Daniel (Dn 7: 7),
onde os dez chifres são dez reis que sairão desse reino (se referindo a Roma – na visão
de Daniel e de João) e representam a última forma de poder mundial anticristão,
representado pelos gentios, um império de dez reis confederados abrangendo a esfera de
autoridade da Roma Antiga.
Ap 13: 4-10 se refere diretamente ao imperador, que é a Besta: “... e adoraram o
dragão porque deu a sua autoridade à besta; também adoraram a besta, dizendo: Quem é
semelhante à besta? Quem pode pelejar contra ela? Foi-lhe dada uma boca que proferia
arrogâncias e blasfêmias e autoridade para agir quarenta e dois meses [3 ½ anos]; e
abriu a boca em blasfêmias contra Deus, para lhe difamar o nome e difamar o
tabernáculo, a saber, os que habitam no céu. Foi-lhe dado, também, que pelejasse contra
os santos e os vencesse. Deu-se-lhe ainda autoridade sobre cada tribo, povo, língua e
nação; e adorá-la-ão todos os que habitam sobre a terra, aqueles cujos nomes não foram
escritos no Livro da Vida do Cordeiro (Ap 13: 8; Ap 17: 8; Ap 20: 15; Ap 21: 27) que
foi morto desde a fundação do mundo. Se alguém tem ouvidos, ouça. Se alguém leva
para cativeiro, para cativeiro vai. Se alguém matar à espada, necessário é que seja morto
à espada. Aqui está a perseverança e a fidelidade dos santos”.
O culto imperial, na província da Ásia Menor evidentemente sugeriu algumas de
suas características a João.
Portanto, a besta que emerge do mar significa o poderoso Império Romano. O mar
representa os gentios (Ap 17: 15: “Falou-me ainda: As águas que viste, onde a meretriz
[a cidade de Roma] está assentada, são povos, multidões, nações e línguas” (nações
gentílicas). O termo ‘besta’ vem do grego ‘thêrion’ (= animal perigoso), e é
representado por um grande e feroz animal que, dentro do simbolismo bíblico,
representa um poderoso reino, um grande império.
62

Ap 13: 1-2: “Vi emergir do mar uma besta que tinha dez chifres e sete cabeças e,
sobre os chifres, dez diademas e, sobre as cabeças, nomes de blasfêmia. A besta que vi
era semelhante a leopardo, com pés como de urso e boca como de leão. E deu-lhe o
dragão o seu poder, o seu trono e grande autoridade”.
Aqui João descreve a besta: semelhante a leopardo, com pés como de urso e boca
como de leão. Ela também tinha dez chifres e sete cabeças e, sobre os chifres, dez
diademas (NVI, ‘coroas, uma sobre cada chifre’) e, sobre as cabeças, nomes de
blasfêmia (cf. Dn 7: 8; 11; 20; 24). Vamos nos lembrar da aparência dos animais vistos
por Daniel (Dn 7: 1-28): leão com asas de águia nas costas (Dn 7: 4 = simbolizava a
Babilônia), urso com três costelas na boca (simbolizava os reinos da Média e da Pérsia),
leopardo com quatro asas de ave costas e quatro cabeças (Simboliza a Grécia), e o
quarto animal com aparência espantosa e terrível, com grandes dentes de ferro,
extremamente forte (Dn 7: 7), devorando tudo ao seu redor e portando em sua cabeça
dez chifres (Dn 7: 7; Dn 7: 19; Dn 7: 24 = Roma). Seus chifres são emprestados da
quarta fera do livro de Daniel (Dn 7: 7); suas sete cabeças indicam que sua autoridade
derivará do dragão (Ap 12: 3; Ap 12: 17). Mais tarde, nós veremos como João interpreta
tudo isso.

Os três animais: o leopardo, o urso e o leão (encontrados em Dn 7: 4-6 como


símbolos dos impérios que precederam Roma) infundiram todas as suas características
nas qualidades do Império Romano: a rapidez de conquista dos macedônios (gregos), a
força e a tenacidade de propósito dos persas, e a voracidade babilônica. Após a sua
queda, o Império Romano se transformou em reinos separados, cessando a forma
imperial de governo. Mesmo assim, ele continuou a existir. A cabeça golpeada de
morte, simboliza a falta de um imperador para governá-lo. A profecia de Ap 13: 3
simboliza restauração da forma imperial de governo; mais do que um império
confederado, a cabeça cuja ferida mortal foi curada significa que existe um imperador
novamente (a Besta), portanto, o império foi restaurado.
Assim, o Anticristo (A Besta que emerge do mar) exercerá a função de rei, ou
governante. Ele irá governar o mundo por 3 anos e meio durante a segunda metade da
Grande Tribulação. Ele vai unir todas as nações sob o seu poder econômico, político e
militar contra Israel, mas o Messias (Jesus) vai derrotá-lo:
63

• Ap 16: 16: “Então, os ajuntaram no lugar que em hebraico se chama Armagedom”


(‘Armageddon’ é a palavra grega usada no Textus Receptus; em Latim, se fala
‘Harmagedon’; e em Hebraico, o nome é ‘Megiddo’ ou ‘Esdrelon’). Textus Receptus,
(Texto Recebido) é a denominação dada à série de impressões do Novo Testamento,
em grego, que serviu de base para diversas traduções dos séculos XVI ao XIX. Megido
= lugar de tropas; Armagedom = monte de Megido, monte do lugar das multidões.
• Ap 17: 7-12: “O anjo, porém, me disse: Por que te admiraste? Dir-te-ei o mistério
da mulher e da besta que tem as sete cabeças e os dez chifres e que leva a mulher: a
besta que viste, era e não é, está para emergir do abismo e caminha para a destruição. E
aqueles que habitam sobre a terra, cujos nomes não foram escritos no Livro da Vida
desde a fundação do mundo, se admirarão, vendo a besta que era e não é, mas aparecerá.
Aqui está o sentido, que tem sabedoria: as sete cabeças são sete montes, nos quais a
mulher está sentada. São também sete reis, dos quais caíram cinco, um existe, e o outro
ainda não chegou; e, quando chegar, tem de durar pouco. E a besta, que era e não é,
também é ele, o oitavo rei, e procede dos sete, e caminha para a destruição. Os dez
chifres que viste são dez reis, os quais ainda não receberam reino, mas recebem
autoridade como reis, com a besta, durante uma hora.” – cf. Dn 7: 24: “Os dez chifres
correspondem a dez reis que se levantarão daquele mesmo reino; e, depois deles, se
levantará outro, o qual será diferente dos primeiros, e abaterá a três reis”.
• Ap 17: 17: “Porque em seu coração incutiu Deus que realizem o seu pensamento,
o executem à uma e dêem à besta o reino que possuem, até que se cumpram as palavras
de Deus”.
• Ap 19: 17-21: “Então, vi um anjo posto em pé no sol, e clamou com grande voz,
falando a todas as aves que voam pelo meio do céu: Vinde, reuni-vos para a grande ceia
de Deus, para que comais carnes de reis, carnes de comandantes, carnes de poderosos,
carnes de cavalos e seus cavaleiros, carnes de todos, quer livres, quer escravos, tanto
pequenos como grandes. E vi a besta e os reis da terra, com os seus exércitos,
congregados para pelejarem contra aquele que estava montado no cavalo e contra o seu
exército. Mas a besta foi aprisionada, e com ela o falso profeta que, com os sinais feitos
diante dela, seduziu aqueles que receberam a marca da besta e eram os adoradores da
sua imagem. Os dois foram lançados vivos dentro do lago de fogo que arde com
enxofre. Os restantes foram mortos com a espada que saía da boca daquele que estava
montado no cavalo. E todas as aves se fartaram das suas carnes”.
• Ap 20: 1-6: “Então, vi descer do céu um anjo; tinha na mão a chave do abismo e
uma grande corrente. Ele segurou o dragão, a antiga serpente, que é o diabo, Satanás, e
o prendeu por mil anos; lançou-o no abismo, fechou-o e pôs selo sobre ele, para que não
mais enganasse as nações até se completarem os mil anos. Depois disto, é necessário
que ele seja solto pouco tempo. Vi também tronos, e nestes sentaram-se aqueles aos
quais foi dada autoridade de julgar. Vi ainda as almas dos decapitados por causa do
testemunho de Jesus, bem como por causa da palavra de Deus, tantos quantos não
adoraram a besta, nem tampouco a sua imagem, e não receberam a marca na fronte e na
mão; e viveram e reinaram com Cristo durante mil anos. Os restantes dos mortos não
reviveram até que se completassem os mil anos. Esta é a primeira ressurreição. Bem-
aventurado e santo é aquele que tem parte na primeira ressurreição*; sobre esses a
segunda morte não tem autoridade; pelo contrário, serão sacerdotes de Deus e de Cristo
e reinarão com ele os mil anos”. * (Vai ser comentada no capítulo sobre a grande
tribulação).

II) A besta que emerge da terra (Esta segunda Besta representa o judaísmo
apóstata, a saber, o falso profeta):
64

Ap 13: 11-18: “Vi ainda outra besta emergir da terra; possuía dois chifres,
parecendo cordeiro, mas falava como dragão. Exerce toda a autoridade da primeira
besta na sua presença. Faz com que a terra e os seus habitantes adorem a primeira besta,
cuja ferida mortal fora curada. Também opera grandes sinais, de maneira que até fogo
do céu faz descer à terra, diante dos homens. Seduz os que habitam sobre a terra por
causa dos sinais que lhe foi dado executar diante da besta, dizendo aos que habitam
sobre a terra que façam uma imagem à besta, àquela que, ferida à espada, sobreviveu; e
lhe foi dado comunicar fôlego à imagem da besta, para que não só a imagem falasse,
como ainda fizesse morrer quantos não adorassem a imagem da besta. A todos, os
pequenos e os grandes, os ricos e os pobres, os livres e os escravos, faz que lhes seja
dada certa marca sobre a mão direita ou sobre a fronte, para que ninguém possa comprar
ou vender, senão aquele que tem a marca, o nome da besta ou o número do seu nome.
Aqui está a sabedoria. Aquele que tem entendimento calcule o número da besta, pois é
número de homem. Ora, esse número é seiscentos e sessenta e seis”.
Isso mostra que o poder dessa Besta é manso, utilizando-se de piedade e persuasão
para converter as pessoas. Os dois chifres representam a estrutura de poder religioso que
começou em Israel com o sacerdote e com o profeta; neste caso, a falsa profecia e o
falso sacerdócio, por isso, Jesus falou sobre os falsos profetas. Enquanto que os chifres
da besta que emerge do mar (Ap 13: 1) são políticos (reis), atuando no mundo físico, o
poder do falso profeta (A besta que emerge da terra) atua no âmbito espiritual,
enganando as pessoas da terra de Israel. Pretendendo ser um cordeiro, o falso profeta é,
na verdade, um lobo em pele de ovelha, levando os Judeus a acreditar na Besta (besta
que emerge do mar) como se ela fosse o Messias prometido. O Anticristo (a besta que
emerge do mar) vai combinar a cultura da Grécia e a glória de Roma (como ocorreu
com os imperadores do passado).
Outra coisa que acho importante aqui é a palavra grega usada para terra: ‘ge’ (ou
gês), que significa: a forma contraída de uma palavra primitiva com os significados de:
solo, conseqüentemente, uma região, ou a parte sólida ou a totalidade do globo terrestre
(incluindo seus ocupantes): país, terreno, solo, terra, mundo, a Terra. Por conseguinte,
nós podemos dizer aqui que se trata da terra de Israel.
Assim, a Besta que emerge da terra exercerá as funções de sacerdote e profeta:
1) Falso profeta: Durante a primeira metade da Grande Tribulação vai fazer sinais
e prodígios, tudo no engano e mentira, pois ele engana que faz o bem:
• 2 Ts 2: 9: “Ora, o aparecimento do iníquo é segundo a eficácia de Satanás, com
todo poder (Grego: dunamis ou dunamei – δυναµει – Strong #g1411 = habilidade, poder
para gerar milagres), e sinais (Grego: semeion = milagre, sinal, maravilha, símbolo,
prova), e prodígios (Grego: teras ou terata ou terasin = de afinidade incerta, um prodígio
ou presságio, maravilha, um sinal, um símbolo, uma prova) da mentira”.
• Ap 19: 20: “Mas a besta foi aprisionada, e com ela o falso profeta que, com os
sinais feitos diante dela, seduziu aqueles que receberam a marca da besta e eram os
adoradores da sua imagem. Os dois foram lançados vivos dentro do lago de fogo que
arde com enxofre”.
• Ap 13: 12-15: “Exerce toda a autoridade da primeira besta na sua presença. Faz
com que a terra e os seus habitantes adorem a primeira besta, cuja ferida mortal fora
curada. Também opera grandes sinais, de maneira que até fogo do céu faz descer à terra,
diante dos homens. Seduz os que habitam sobre a terra por causa dos sinais que lhe foi
dado executar diante da besta, dizendo aos que habitam sobre a terra que façam uma
imagem à besta, àquela que, ferida à espada, sobreviveu; e lhe foi dado comunicar
fôlego à imagem da besta, para que não só a imagem falasse, como ainda fizesse morrer
quantos não adorassem a imagem da besta”.
65

2) Sacerdote: ele vai unir todas as religiões sob uma mesma doutrina (sincretismo
religioso), exigindo que seja adorado como um deus:
• 2 Ts 2: 4: “o qual se opõe e se levanta contra tudo que se chama Deus ou é objeto
de culto, a ponto de assentar-se no santuário de Deus, ostentando-se como se fosse o
próprio Deus”.
• Daniel 9: 27: “Ele fará firme aliança com muitos, por uma semana; na metade da
semana, fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares; sobre a asa das abominações virá
o assolador, até que a destruição, que está determinada, se derrame sobre ele”.
• Dn 11: 31: “Dele sairão forças que profanarão o santuário, a fortaleza nossa, e
tirarão o sacrifício diário, estabelecendo a abominação desoladora” (NVI: o sacrilégio
terrível).
• Dn 12: 11: “Depois do tempo em que o sacrifício diário for tirado, e posta a
abominação desoladora, haverá ainda mil duzentos e noventa dias”.
O Falso Profeta vai se vestir com uma roupa de religiosidade e, assim, enganar os
desavisados de que o Anticristo é Deus. Ele vai fazer de tudo que estiver ao seu alcance
para se comparar a Jesus como Rei, Sacerdote e Profeta.

III) A besta que emerge do abismo:


• Ap 11: 7: “Quando tiverem [se refere às duas testemunhas mártires], então,
concluído o testemunho que devem dar, a besta que surge do abismo pelejará contra
elas, e as vencerá, e matará”.
Abismo = os gregos empregavam essa palavra em referência ao submundo dos
espíritos, um imenso buraco sem fundo nas profundezas da terra, onde os espíritos maus
ficavam presos até o castigo final. A palavra usada para ‘abismo’ é ‘abussos’ ou
‘abussou’, e transmite a idéia de um lugar tão profundo que chega a ser insondável (cf.
Lc 8: 31). ‘abussos’ ou ‘abussou’ = sem fundo, incomensuravelmente profundo,
infernal, abismo, profundo, poço sem fundo. Eles também usam a palavra ‘phrear’ =
poço, cova, um buraco no chão (cavado para obter ou conter água ou outros propósitos),
i.e., uma cisterna ou poço; figuradamente, um abismo (como uma prisão), poço, cova,
buraco.
A palavra hebraica para abismo pode ser escrita como thowm ou thom ou tehôm,
significando um abismo (como uma massa de afluência de água), especialmente a
profunda (do mar principal ou o abastecimento de água subterrânea), lugar profundo,
profundidade.
Em Gn 1: 2, a palavra hebraica tehôm (lugar profundo) foi traduzida como abismo:
“A terra, porém, estava sem forma e vazia; havia trevas sobre a face do abismo, e o
Espírito de Deus pairava por sobre as águas”, com referência à idéia primitiva de uma
vasta massa de água sobre a qual flutuaria o mundo ou com referência ao mundo
inferior (habitação de demônios, o lugar dos mortos, o lugar de tormento – Sheol =
inferno).
• Ap 9: 1-2: “O quinto anjo tocou a trombeta, e vi uma estrela caída do céu na terra.
E foi-lhe dada a chave do poço do abismo (em inglês, o texto é mais claro; a chave foi
dada ao anjo e ele abriu o poço do abismo). Ela abriu o poço do abismo, e subiu fumaça
do poço como fumaça de grande fornalha, e, com a fumaceira saída do poço, escureceu-
se o sol e o ar”.
A expressão ‘do poço do abismo’, em grego, é: ‘tou phreatos tês abussou’.
• Ap 9: 11: “e tinham sobre eles [os gafanhotos, personificação dos demônios
liberados para atormentar os homens], como seu rei, o anjo do abismo, cujo nome em
hebraico é Abadom, e em grego, Apoliom”.
66

O Devorador ou Destruidor (Abadom ou Apoliom, o anjo do abismo ou anjo da


morte) é o demônio que foi liberado para matar todos os primogênitos do Egito:
• Êx 12: 12-13: “Porque, naquela noite, passarei pela terra do Egito e ferirei na terra
do Egito todos os primogênitos, desde os homens até aos animais; executarei juízo
sobre todos os deuses do Egito. Eu sou o Senhor. O sangue vos será por sinal nas casas
em que estiverdes; quando eu vir o sangue, passarei por vós, e não haverá entre vós
praga destruidora, quando eu ferir a terra do Egito”.
• Sl 78: 49: “Lançou contra eles o furor da sua ira: cólera, indignação e calamidade,
legião de anjos portadores de males (se referia ao Destruidor e seus demônios)”.
• Êx 12: 23: “Porque o Senhor passará para ferir os egípcios; quando vir, porém, o
sangue na verga da porta e em ambas as ombreiras, passará o Senhor aquela porta e em
ambas as ombreiras, passará o Senhor aquela porta e não permitirá ao Destruidor que
entre em vossas casas, para vos ferir”.
• Ap 17: 1-18: “Veio um dos sete anjos que têm as sete taças e falou comigo,
dizendo: Vem, mostrar-te-ei o julgamento da grande meretriz que se acha sentada sobre
muitas águas, com quem se prostituíram os reis da terra; e, com o vinho de sua
devassidão, foi que se embebedaram os que habitam na terra. 3 Transportou-me o anjo,
em espírito, a um deserto e vi uma mulher montada numa besta escarlate, besta repleta
de nomes de blasfêmia, com sete cabeças e dez chifres. Achava-se a mulher vestida de
púrpura e de escarlata, adornada de ouro, de pedras preciosas e de pérolas, tendo na mão
um cálice de ouro transbordante de abominações e com as imundícias da sua
prostituição. Na sua fronte, achava-se escrito um nome, um mistério: BABILÔNIA, A
GRANDE, A MÃE DAS MERETRIZES E DAS ABOMINAÇÕES DA TERRA.
Então, vi a mulher embriagada com o sangue dos santos e com o sangue das
testemunhas de Jesus; e, quando a vi, admirei-me com grande espanto. O anjo, porém,
me disse: Por que te admiraste? Dir-te-ei o mistério da mulher e da besta que tem as sete
cabeças e os dez chifres e que leva a mulher: 8 a besta que viste, era e não é, está para
emergir do abismo e caminha para a destruição. E aqueles que habitam sobre a terra,
cujos nomes não foram escritos no Livro da Vida desde a fundação do mundo, se
admirarão, vendo a besta que era e não é, mas aparecerá. 9 Aqui está o sentido, que tem
sabedoria: as sete cabeças são sete montes, nos quais a mulher está sentada. São também
sete reis, 10 dos quais caíram cinco, um existe, e o outro ainda não chegou; e, quando
chegar, tem de durar pouco. 11 E a besta, que era e não é, também é ele, o oitavo rei, e
procede dos sete, e caminha para a destruição. 12 Os dez chifres que viste são dez reis,
os quais ainda não receberam reino, mas recebem autoridade como reis, com a besta,
durante uma hora. 13 Têm estes um só pensamento e oferecem à besta o poder e a
autoridade que possuem. 14 Pelejarão eles contra o Cordeiro, e o Cordeiro os vencerá,
pois é o Senhor dos senhores e o Rei dos reis; vencerão também os chamados, eleitos e
fiéis que se acham com ele. 15 Falou-me ainda: As águas que viste, onde a meretriz está
assentada, são povos, multidões, nações e línguas. 16 Os dez chifres que viste e a besta,
esses odiarão a meretriz, e a farão devastada e despojada, e lhe comerão as carnes, e a
consumirão no fogo. 17 Porque em seu coração incutiu Deus que realizem o seu
pensamento, o executem à uma e dêem à besta o reino que possuem, até que se
cumpram as palavras de Deus. 18 A mulher que viste é a grande cidade que domina
sobre os reis da terra”.

Separando os versículos importantes:


3 Transportou-me o anjo, em espírito, a um deserto e vi uma mulher montada numa
besta escarlate, besta repleta de nomes de blasfêmia, com sete cabeças e dez chifres.
67

8 a besta que viste, era e não é, está para emergir do abismo e caminha para a
destruição. E aqueles que habitam sobre a terra, cujos nomes não foram escritos no
Livro da Vida desde a fundação do mundo, se admirarão, vendo a besta que era e não é,
mas aparecerá.
9 Aqui está o sentido, que tem sabedoria: as sete cabeças são sete montes, nos quais
a mulher está sentada. São também sete reis,
10 dos quais caíram cinco, um existe, e o outro ainda não chegou; e, quando chegar,
tem de durar pouco.
11 E a besta, que era e não é, também é ele, o oitavo rei, e procede dos sete, e
caminha para a destruição.
12 Os dez chifres que viste são dez reis, os quais ainda não receberam reino, mas
recebem autoridade como reis, com a besta, durante uma hora.

O livro de Apocalipse foi escrito (90-95 DC) por João, o apóstolo de Jesus, às
províncias da Ásia Menor (atual Turquia), durante o governo do imperador Domiciano
(81-96 DC), enquanto ele estava prisioneiro na ilha de Patmos.
João interpreta essas cabeças como as sete colinas de Roma (Ap 17: 9) e também
como os sete imperadores romanos. A mulher simboliza Roma, influenciando povos,
multidões, nações e línguas. Os ‘sete imperadores dos quais caíram cinco’, referem-se
a: Calígula (37-41 DC); Cláudio (41-54 DC) e Nero (54-68 DC), caso deixemos de
contar os imperadores do período chamado ‘O Ano dos quatro imperadores’ (68-69
DC): Galba, Oto, Vitélio, que foi um período de transição para a dinastia Flaviana,
fundada por Vespasiano (o 4º imperador), o pai de Tito (o 5º imperador) e Domiciano,
este último, o atual imperador.
• Ap 17: 10: “dos quais caíram cinco, um existe, e o outro ainda não chegou; e,
quando chegar, tem de durar pouco”.
“um existe” = Domiciano (81-96 DC), quando João escreveu esta profecia (90-95
DC), exilado na ilha de mineração de Patmos. Morreu de morte natural, em Éfeso, 100
ou 103 DC, quando tinha 94 anos, após ter sido solto da prisão no governo de Nerva,
imperador romano.
“e o outro ainda não chegou; e, quando chegar, tem de durar pouco” = Marco
Coceio Nerva (Marcus Cocceius Nerva) – reinado: 96-98 DC (2 anos e 10 meses).
• Ap 17: 11: “E a besta, que era e não é, também é ele, o oitavo rei, e procede dos
sete, e caminha para a destruição” = O oitavo rei era Trajano (98-117 DC), a quem a
História se refere como um homem com uma grande sede de conquista, pois no seu
reinado o Império Romano atingiu sua máxima extensão territorial (de Portugal ao Irã,
da atual Inglaterra ao Egito). Embora desde 64 DC (quando Nero mandou supliciar os
cristãos de Roma) houvesse perseguições ao cristianismo, estas eram irregulares. As
perseguições organizadas contra os cristãos surgem a partir de Trajano. Em 112 DC
ele fixou o procedimento contra os cristãos. Os cristãos eram acusados de superstição e
de ódio ao gênero humano. Se fossem cidadãos romanos eram decapitados; se não,
podiam ser atirados às feras ou enviados para trabalhar nas minas.
A partir deste ponto, a revelação recebida por João vai mais longe. Ela faz uma
ponte para os tempos do fim, quando diz: “Os dez chifres que viste são dez reis, os
quais ainda não receberam reino, mas recebem autoridade como reis, com a besta,
durante uma hora. Têm estes um só pensamento e oferecem à besta o poder e a
autoridade que possuem. Pelejarão eles contra o Cordeiro, e o Cordeiro os vencerá, pois
é o Senhor dos senhores e o Rei dos reis; vencerão também os chamados, eleitos e fiéis
que se acham com ele. Falou-me ainda: As águas que viste, onde a meretriz está
assentada, são povos, multidões, nações e línguas” (Ap 17: 12-15).
68

Os dez reis que ainda não receberam a coroa são os dez reis contemporâneos (v. 12)
e, a mulher, como já dissemos, simboliza Roma, com suas prostituições espirituais.
Quando João escreveu sobre a besta do mar em Ap 13: 3 (“Então, vi uma de suas
cabeças como golpeada de morte, mas essa ferida mortal foi curada; e toda a terra se
maravilhou, seguindo a besta”), ele estava dizendo que o poderoso Império Romano (a
besta que emerge do mar, na figura de um líder e um império confederado) mesmo
depois de dividido e fragmentado entre muitas nações e sem um único imperador para
governar (‘a cabeça golpeada de morte’), no futuro encontrará restauração da sua forma
imperial de governo, pois terá um imperador novamente (a Besta).
A palavra abismo ainda pode ser encontrada em:
• Ap 20: 1-3: “Então, vi descer do céu um anjo; tinha na mão a chave do abismo
[abussou] e uma grande corrente. Ele segurou o dragão, a antiga serpente, que é o
diabo, Satanás, e o prendeu por mil anos; lançou-o no abismo [abussou], fechou-o e pôs
selo sobre ele, para que não mais enganasse as nações até se completarem os mil anos.
Depois disto, é necessário que ele seja solto pouco tempo”.
A bíblia diz que no final, a vitória vai ser de Jesus:
Ap 20: 10; 14-15: “O diabo, o sedutor deles, foi lançado para dentro do lago de
fogo e enxofre, onde já se encontram não só a besta como também o falso profeta; e
serão atormentados de dia e de noite, pelos séculos dos séculos... Então, a morte e o
inferno foram lançados para dentro do lago de fogo. Esta é a segunda morte, o lago de
fogo. E, se alguém não foi achado inscrito no Livro da Vida, esse foi lançado para
dentro do lago de fogo”.

Conclusão:
Anticristo ainda não é uma pessoa; Anticristo é símbolo de um poder do mal contra
tudo que simboliza Cristo (o Espírito de amor de Deus), e que nos dias de hoje se
manifesta com um espírito contrário a Jesus (aqui, a palavra ‘espírito’ não se refere a
uma entidade espiritual específica, mas significa: a idéia, a força predominante, a
índole, a tendência, o pensamento), logicamente debaixo da atuação de Satanás e
Principados e Potestades, usando o que está no mundo: a ciência, a tecnologia, o
dinheiro, o conhecimento, a fama e governantes que exercem muita influência, e até a
religião (líderes religiosos), levando grandes massas de pessoas ao engano, com novas
doutrinas, falsos ensinos e falsas profecias; enfim, tudo que tenta mostrar que é mais
forte do que o Deus verdadeiro e que se ergue como um deus no espírito e na vida das
pessoas, afastando-as da verdade e da simplicidade de Jesus.
O Anticristo será realmente manifesto (2 Ts 2: 3; 2 Ts 2: 7-12; Dn 9: 27; Dn 11: 31;
Dn 12: 11) na pessoa de um líder político, um governante gentio (a besta que emerge do
mar – Ap 13: 1-10 – simbolizando o Império romano) aliado a dez reis e auxiliado por
um líder religioso de origem judaica, o falso profeta (A besta que emerge da terra – Ap
13: 11-15), na segunda metade da Grande Tribulação (Dn 9: 27; Dn 12: 1-2; Mt 24: 15-
31; Mc 13: 3-27; Lc 21: 5-28; Ap 7: 14), ou seja, um período de sete anos divididos em
duas metades de três anos e meio. O poder desta Besta (o falso profeta) é manso,
utilizando-se de piedade e persuasão para converter as pessoas. O falso profeta usará de
prodígios de mentira (2 Ts 2: 9), virá a enganar os judeus, fazendo-os acreditar na besta
(a besta do mar ou Anticristo: Ap 13: 1-10) como se ela fosse o Messias prometido, uma
vez que Israel sempre viu o Messias como um líder físico, material, se manifestando
com poder no mundo natural, um rei (semelhante a Davi, por exemplo) que um dia virá
livrá-los do poder opressor dos gentios. Mas o falso profeta só vai enganar aqueles que
não aceitaram e nem vão aceitar Jesus como o Messias e Filho de Deus, pois os que o
aceitarem e o reconhecerem como o Messias esperado serão os remanescentes salvos
69

(Zc 13: 9; Ap 7: 4-8). Enquanto que os chifres da besta que emerge do mar (Ap 13: 1)
são políticos (reis), atuando no mundo físico, o poder do falso profeta (A besta que
emerge da terra) atua no âmbito espiritual, enganando as pessoas da terra de Israel. A
besta do abismo (Ap 11: 7; Ap 17: 8) é, na verdade, o grande poder espiritual que está
por trás de tudo isso (um demônio, um anjo de destruição), como um principado ou
potestade que age no mundo cumprindo as ordens de Satanás e controla as ações das
outras bestas (a besta da terra e a besta do mar com sete cabeças e dez chifres), tentando
lutar e vencer seu verdadeiro inimigo, Jesus Cristo. Ao lado das três bestas, a bíblia
revela o gerador de tudo isso: Satanás, representado pela figura do dragão, mas todos
eles serão derrotados por Jesus, o Rei dos reis e Senhor dos senhores: “O diabo, o
sedutor deles, foi lançado para dentro do lago de fogo e enxofre, onde já se encontram
não só a besta como também o falso profeta; e serão atormentados de dia e de noite,
pelos séculos dos séculos... Então, a morte e o inferno foram lançados para dentro do
lago de fogo. Esta é a segunda morte, o lago de fogo” (Ap 20: 10; 14).
Quanto à identidade real dos futuros dez reis confederados nós ainda não temos
certeza. Só se sabe que reis de várias nações se coligarão em Israel para a grande
batalha do Armagedom, onde o Anticristo (o último poder anticristão) será derrotado na
segunda vinda de Cristo (Ap 19.11-20), junto com a besta e o falso profeta.
Os povos de Edom, Moabe e Amom (correspondente à atual Jordânia) não estarão
sob o seu domínio, o que nos faz pensar que o Senhor separará um lugar de refúgio para
o Seu povo (Dn 11: 41: “Entrará também na terra gloriosa, e muitos sucumbirão, mas do
seu poder escaparão estes: Edom, e Moabe, e as primícias dos filhos de Amom”), assim
como o Monte Sião será também demarcado (Ob 17; Ap 14: 1). A expressão “entre os
mares contra o glorioso monte santo” (Dn 11: 45) refere-se principalmente ao Mar
Mediterrâneo, o Mar Morto e o monte Sião, o lugar do Templo de Deus em Jerusalém.
O Anticristo e o falso profeta serão lançados no lago de fogo para sempre. Nos últimos
versículos de Dn 11: 36-45, ‘O rei do Sul’ (que nesse tempo certamente não
representará apenas o Egito, mas um bloco de nações) e o rei do Norte lutarão por
algum tempo contra o Anticristo. Israel será invadido pelo reino do Norte. O Egito
também não escapará da sua invasão. ‘O rei do Norte’ se refere não mais à Síria (como
os Selêucidas no período Helenístico), mas a um bloco de nações situadas ao extremo
norte de Israel e chamadas, na profecia de Ezequiel (Ez 38: 1-2; 15-16), Gogue e
Magogue (cf. Ap 20: 8).
70

Parte 5 — A Grande Tribulação

Este tema dá continuidade ao estudo sobre as profecias de Daniel e as visões de


João em relação ao Apocalipse. A Grande Tribulação será um período de grandes
dificuldades, logo antes do arrebatamento da Igreja, envolvendo toda a Terra (Lc 21: 35;
Ap 3: 10) e especialmente a Terra Santa (Israel), onde o Anticristo exercerá um reinado
cruel. Surgirão também os juízos de Deus: os flagelos, contra todos os que têm a marca
da besta. Ela será derrotada por Jesus.
Muitos Evangélicos perguntam:
– O povo de Deus ficará aqui na Grande Tribulação ou não?
A resposta é:
– Sim! A Igreja de Cristo enfrentará a Grande Tribulação. Mas Senhor não
permitirá que o Seu povo seja afligido antes de serem marcados com o Seu selo na testa,
para que possam estar preparados contra todos os conflitos – Ap 7: 3b; Ap 9: 4b; Ap 14:
1; Ap 22: 3b-4; cf. Ez 9: 4-6. O selo do Espírito será claramente visto igualmente por
amigos e inimigos. Depois o Senhor virá para arrebatá-la. Após o arrebatamento, será o
tempo dos flagelos para os que não se arrependeram de seus pecados e carregam a
marca da besta na testa e nas mãos (Ap 13: 16; 18).
A Grande Tribulação será um período de dificuldades sem precedentes na segunda
metade da semana descrita em Dn 9: 26-27; Dn 12: 1-2; Ap 7: 14, envolvendo toda a
Terra (Ap 3: 10), tendo o seu ápice na Terra Santa (Israel – Ap 11: 1-2), onde o
Anticristo (a Besta que emerge do mar) será conhecido em forma de um homem,
recebendo poder e autoridade diretamente de Satanás (Ap 13: 4-5) e exercendo um
reinado cruel. Durante este período haverá uma grande atividade de demônios que terão
permissão para atormentar os homens (Ap 9: 2-11), juntamente com os juízos de Deus
(os flagelos). A Grande Tribulação será imediatamente seguida pelo retorno de Cristo (o
arrebatamento: Mt 24: 15-31; Mc 13: 1-27; Lc 21: 5-28; Lc 17: 20-36).
Os versículos estão escritos aqui:
• Dn 9: 26-27: “Depois das sessenta e duas semanas, será morto o Ungido [a
primeira vinda de Jesus e Sua morte] e já não estará; e o povo de um príncipe que há de
vir destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será num dilúvio, e até ao fim haverá
guerra; desolações são determinadas [como num dilúvio de sangue derramado em
guerra após guerra]. Ele [*] fará firme aliança com muitos, por uma semana; na
metade da semana, fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares; sobre a asa das
abominações virá o assolador, até que a destruição, que está determinada, se derrame
sobre ele [NVI: E numa ala do templo será colocado o sacrilégio terrível, até que chegue
sobre ele e o fim que lhe está decretado]”. No documento original em hebraico, de
acordo com a nota de rodapé da NVI, está escrito: “E aquele que causa desolação virá
sobre o pináculo do templo abominável, até que o final que está determinado seja
derramado sobre a cidade assolada”. [*] A bíblia se refere aos tempos do fim e ao
Anticristo, que estabelecerá esta desolação (‘sacrilégio terrível’ – Dn 11: 31) na segunda
metade da semana profética de Daniel (nos últimos 3 anos e meio).
• Dn 12: 1-2: “Nesse tempo, se levantará Miguel, o grande príncipe, o defensor dos
filhos do teu povo, e haverá tempo de angústia, qual nunca houve, desde que houve
nação até àquele tempo; mas, naquele tempo, será salvo o teu povo, todo aquele que for
achado inscrito no livro [a bíblia está se referindo ao Livro da Vida]. Muitos dos que
dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para vergonha e
horror eterno”.
71

• Ap 7: 14: “Respondi-lhe: meu Senhor, tu o sabes. Ele, então, me disse: São estes
os que vêm da grande tribulação, lavaram suas vestiduras e as alvejaram no sangue do
Cordeiro”.
• Ap 3: 10: “Porque guardaste a palavra da minha perseverança, também eu te
guardarei da hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro, para experimentar
os que habitam sobre a terra”.
• Ap 11: 1-2: “Foi-me dado um caniço semelhante a uma vara, e também me foi
dito: Dispõe-te e mede o santuário de Deus, o seu altar e os que naquele adoram; mas
deixa de parte o átrio exterior do santuário e não o meças, porque foi ele dado aos
gentios; estes, por quarenta e dois meses, calcarão aos pés a cidade santa” [3 ½ anos].
• Ap 13: 4-5: “e adoraram o dragão porque deu a sua autoridade à besta; também
adoraram a besta, dizendo: Quem é semelhante à besta? Quem pode pelejar contra ela?
Foi-lhe dada uma boca que proferia arrogâncias e blasfêmias e autoridade para agir
quarenta e dois meses” [3 ½ anos].
• Mt 24: 1-31 (principalmente os versículos 15-31):
1 Tendo Jesus saído do templo, ia-se retirando, quando se aproximaram dele os seus
discípulos para lhe mostrar as construções do templo.
2 Ele, porém, lhes disse: Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não ficará aqui
pedra sobre pedra que não seja derribada.
3 No monte das Oliveiras, achava-se Jesus assentado, quando se aproximaram dele os
discípulos, em particular, e lhe pediram: Dize-nos quando sucederão estas coisas e que
sinal haverá da tua vinda e da consumação do século.
4 E ele lhes respondeu: Vede que ninguém vos engane.
5 Porque virão muitos em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo, e enganarão a muitos.
6 E, certamente, ouvireis falar de guerras e rumores de guerras; vede, não vos assusteis,
porque é necessário assim acontecer, mas ainda não é o fim.
7 Porquanto se levantará nação contra nação, reino contra reino, e haverá fomes e
terremotos em vários lugares;
8 porém tudo isto é o princípio das dores.
9 Então, sereis atribulados, e vos matarão. Sereis odiados de todas as nações, por causa
do meu nome.
10 Nesse tempo, muitos hão de se escandalizar, trair e odiar uns aos outros;
11 levantar-se-ão muitos falsos profetas e enganarão a muitos.
12 E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor se esfriará de quase todos.
13 Aquele, porém, que perseverar até o fim, esse será salvo.
14 E será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas
as nações. Então, virá o fim.
15 Quando, pois, virdes o abominável da desolação de que falou o profeta Daniel, no
lugar santo (quem lê entenda),
16 então, os que estiverem na Judéia fujam para os montes;
17 quem estiver sobre o eirado não desça a tirar de casa alguma coisa;
18 e quem estiver no campo não volte atrás para buscar a sua capa.
19 Ai das que estiverem grávidas e das que amamentarem naqueles dias!
20 Orai para que a vossa fuga não se dê no inverno, nem no sábado;
21 porque nesse tempo haverá grande tribulação, como desde o princípio do mundo até
agora não tem havido e nem haverá jamais.
22 Não tivessem aqueles dias sido abreviados, ninguém seria salvo; mas, por causa dos
escolhidos, tais dias serão abreviados.
23 Então, se alguém vos disser: Eis aqui o Cristo! Ou: Ei-lo ali! Não acrediteis;
72

24 porque surgirão falsos cristos e falsos profetas operando grandes sinais e


prodígios para enganar, se possível, os próprios eleitos.
25 Vede que vo-lo tenho predito.
26 Portanto, se vos disserem: Eis que ele está no deserto!, não saiais. Ou: Ei-lo no
interior da casa!, não acrediteis.
27 Porque, assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até no ocidente, assim
há de ser a vinda do Filho do Homem.
28 Onde estiver o cadáver, aí se ajuntarão os abutres.
29 Logo em seguida à tribulação daqueles dias, o sol escurecerá, a lua não dará a sua
claridade, as estrelas cairão do firmamento, e os poderes dos céus serão abalados.
30 Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem; todos os povos da terra se
lamentarão e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e
muita glória.
31 E ele enviará os seus anjos, com grande clangor de trombeta, os quais reunirão os
seus escolhidos, dos quatro ventos, de uma a outra extremidade dos céus.

• Mc 13: 1-27:
1 Ao sair Jesus do templo, disse-lhe um de seus discípulos: Mestre! Que pedras, que
construções!
2 Mas Jesus lhe disse: Vês estas grandes construções? Não ficará pedra sobre pedra, que
não seja derribada.
3 No monte das Oliveiras, defronte do templo, achava-se Jesus assentado, quando
Pedro, Tiago, João e André lhe perguntaram em particular:
4 Dize-nos quando sucederão estas coisas, e que sinal haverá quando todas elas
estiverem para cumprir-se.
5 Então, Jesus passou a dizer-lhes: Vede que ninguém vos engane.
6 Muitos virão em meu nome, dizendo: Sou eu; e enganarão a muitos.
73

7 Quando, porém, ouvirdes falar de guerras e rumores de guerras, não vos


assusteis; é necessário assim acontecer, mas ainda não é o fim.
8 Porque se levantará nação contra nação, e reino, contra reino. Haverá terremotos em
vários lugares e também fomes. Estas coisas são o princípio das dores.
9 Estai vós de sobreaviso, porque vos entregarão aos tribunais e às sinagogas; sereis
açoitados, e vos farão comparecer à presença de governadores e reis, por minha causa,
para lhes servir de testemunho.
10 Mas é necessário que primeiro o evangelho seja pregado a todas as nações.
11 Quando, pois, vos levarem e vos entregarem, não vos preocupeis com o que haveis
de dizer, mas o que vos for concedido naquela hora, isso falai; porque não sois vós os
que falais, mas o Espírito Santo.
12 Um irmão entregará à morte outro irmão, e o pai, ao filho; filhos haverá que se
levantarão contra os progenitores e os matarão.
13 Sereis odiados de todos por causa do meu nome; aquele, porém, que perseverar até
ao fim, esse será salvo.
14 Quando, pois, virdes o abominável da desolação situado onde não deve estar
(quem lê entenda), então, os que estiverem na Judéia fujam para os montes;
15 quem estiver em cima, no eirado, não desça nem entre para tirar da sua casa alguma
coisa;
16 e o que estiver no campo não volte atrás para buscar a sua capa.
17 Ai das que estiverem grávidas e das que amamentarem naqueles dias!
18 Orai para que isso não suceda no inverno.
19 Porque aqueles dias serão de tamanha tribulação como nunca houve desde o
princípio do mundo, que Deus criou, até agora e nunca jamais haverá.
20 Não tivesse o Senhor abreviado aqueles dias, e ninguém se salvaria; mas, por causa
dos eleitos que ele escolheu, abreviou tais dias.
21 Então, se alguém vos disser: Eis aqui o Cristo! Ou: Ei-lo ali! Não acrediteis;
22 pois surgirão falsos cristos e falsos profetas, operando sinais e prodígios, para
enganar, se possível, os próprios eleitos.
23 Estai vós de sobreaviso; tudo vos tenho predito.
24 Mas, naqueles dias, após a referida tribulação, o sol escurecerá, a lua não dará a
sua claridade,
25 as estrelas cairão do firmamento, e os poderes dos céus serão abalados.
26 Então, verão o Filho do Homem vir nas nuvens, com grande poder e glória.
27 E ele enviará os anjos e reunirá os seus escolhidos dos quatro ventos, da
extremidade da terra até à extremidade do céu.

• Lc 21: 5-28:
5 Falavam alguns a respeito do templo, como estava ornado de belas pedras e de
dádivas;
6 então, disse Jesus: Vedes estas coisas? Dias virão em que não ficará pedra sobre pedra
que não seja derribada.
7 Perguntaram-lhe: Mestre, quando sucederá isto? E que sinal haverá de quando estas
coisas estiverem para se cumprir?
8 Respondeu ele: Vede que não sejais enganados; porque muitos virão em meu nome,
dizendo: Sou eu! E também: Chegou a hora! Não os sigais.
9 Quando ouvirdes falar de guerras e revoluções, não vos assusteis; pois é necessário
que primeiro aconteçam estas coisas, mas o fim não será logo.
10 Então, lhes disse: Levantar-se-á nação contra nação, e reino, contra reino;
74

11 haverá grandes terremotos, epidemias e fome em vários lugares, coisas


espantosas e também grandes sinais do céu.
12 Antes, porém, de todas estas coisas, lançarão mão de vós e vos perseguirão,
entregando-vos às sinagogas e aos cárceres, levando-vos à presença de reis e
governadores, por causa do meu nome;
13 e isto vos acontecerá para que deis testemunho.
14 Assentai, pois, em vosso coração de não vos preocupardes com o que haveis de
responder;
15 porque eu vos darei boca e sabedoria a que não poderão resistir, nem contradizer
todos quantos se vos opuserem.
16 E sereis entregues até por vossos pais, irmãos, parentes e amigos; e matarão alguns
dentre vós.
17 De todos sereis odiados por causa do meu nome.
18 Contudo, não se perderá um só fio de cabelo da vossa cabeça.
19 É na vossa perseverança que ganhareis a vossa alma.
20 Quando, porém, virdes Jerusalém sitiada de exércitos, sabei que está próxima a
sua devastação.

21 Então, os que estiverem na Judéia, fujam para os montes; os que se encontrarem


dentro da cidade, retirem-se; e os que estiverem nos campos, não entrem nela.
22 Porque estes dias são de vingança, para se cumprir tudo o que está escrito.
23 Ai das que estiverem grávidas e das que amamentarem naqueles dias! Porque haverá
grande aflição na terra e ira contra este povo.
24 Cairão a fio de espada e serão levados cativos para todas as nações; e, até que os
tempos dos gentios se completem, Jerusalém será pisada por eles.
25 Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas; sobre a terra, angústia entre as nações em
perplexidade por causa do bramido do mar e das ondas;
75

26 haverá homens que desmaiarão de terror e pela expectativa das coisas que
sobrevirão ao mundo; pois os poderes dos céus serão abalados.
27 Então, se verá o Filho do Homem vindo numa nuvem, com poder e grande glória.
28 Ora, ao começarem estas coisas a suceder, exultai e erguei a vossa cabeça; porque a
vossa redenção se aproxima...
35 Pois há de sobrevir a todos os que vivem sobre a face de toda a terra.

Em Apocalipse há três textos de interesse para o nosso estudo:

Ap 7 (Os cento e quarenta e quatro mil selados de Israel):


3 ... Dizendo: Não danifiqueis nem a terra, nem o mar, nem as árvores, até selarmos na
fronte os servos do nosso Deus.
4 Então, ouvi o número dos que foram selados, que era cento e quarenta e quatro mil, de
todas as tribos dos filhos de Israel:
5 da tribo de Judá foram selados doze mil; da tribo de Rúben, doze mil; da tribo de
Gade, doze mil;
6 da tribo de Aser, doze mil; da tribo de Naftali, doze mil; da tribo de Manassés, doze
mil;
7 da tribo de Simeão, doze mil; da tribo de Levi, doze mil; da tribo de Issacar, doze mil;
8 da tribo de Zebulom, doze mil; da tribo de José (Efraim), doze mil; da tribo de
Benjamim foram selados doze mil.

Ap 7
9 Depois destas coisas, vi, e eis grande multidão que ninguém podia enumerar; de todas
as nações, tribos, povos e línguas, em pé diante do trono e diante do cordeiro, vestidos
de vestiduras brancas, com palmas nas mãos;
10 e clamavam em grande voz, dizendo: Ao nosso Deus, que se assenta no trono, e ao
Cordeiro, pertence a salvação.
14 Respondi-lhe: meu Senhor, tu o sabes. Ele, então, me disse: São estes os que vêm da
grande tribulação, lavaram suas vestiduras e as alvejaram no sangue do Cordeiro.

Aqui, com certeza se trata dos gentios, não mais dos separados de Israel.

Ap 14 (O Cordeiro e os seus remidos no monte Sião):


1 Olhei, e eis o Cordeiro em pé sobre o Monte Sião, e com ele cento e quarenta e quatro
mil, tendo na fronte escrito o seu nome e o nome de seu Pai.
2 Ouvi uma voz do céu como voz de muitas águas, como voz de grande trovão; também
a voz que ouvi era como de harpistas quando tangem sua harpa.
3 Entoavam novo cântico diante do trono, diante dos quatro seres viventes e dos
anciãos. E ninguém pôde aprender o cântico, senão os cento e quarenta e quatro mil que
foram comprados da terra.
4 São estes os que não se macularam com mulheres, porque são castos. São eles os
seguidores do Cordeiro por onde quer que vá. São os que foram redimidos dentre os
homens, primícias para Deus e para o Cordeiro;
5 e não se achou mentira na sua boca; não têm mácula.

O número doze simboliza o número dos propósitos eletivos de Deus; em outras


palavras: o número da eleição e do chamado. Cento e quarenta e quatro significa: doze
vezes doze. Cento e quarenta e quatro mil significam um número infinitamente grande
de salvos para o Senhor; símbolo de totalidade (12x12x1000), referindo-se a todos que
76

serão salvos (no AT e no NT). Ou, então, pode-se interpretar este texto como sendo os
cento e quarenta e quatro mil judeus (um número literal) separados das doze tribos, que
virão a crer em Jesus, e serão selados no período da Grande Tribulação (Ap 7: 3; Ap 9:
4 cf. Ez 9: 4-6) com o selo do Pai e do Filho, ao invés de terem a marca da besta (Ap
13: 17); portanto, para serem preservados das calamidades que virão. Eles são
mencionados separadamente da Igreja gentia salva (‘a grande multidão’) descrita em Ap
9: Ap 7: 9; 14: “Depois destas coisas, vi, e eis grande multidão que ninguém podia
enumerar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé diante do trono e diante do
Cordeiro, vestidos de vestiduras brancas, com palmas nas mãos... Respondi-lhe: meu
Senhor, tu o sabes. Ele, então, me disse: São estes os que vêm da grande tribulação,
lavaram suas vestiduras e as alvejaram no sangue do Cordeiro”.
No terceiro texto (Ap 14: 1-5), João fala dos cento e quarenta e quatro mil
separados, remidos, “comprados da terra” (v. 3). Neste texto, a bíblia fala que “não se
macularam com mulheres, porque são castos. São eles os seguidores do Cordeiro por
onde quer que vá. São os que foram redimidos dentre os homens, primícias para Deus e
para o Cordeiro; e não se achou mentira na sua boca; não têm mácula” (Ap 14: 4-5).
Pode significar os 144.000 que foram selados de Israel (cap. 7) e que resistiram às
mentiras e às investidas da besta, e não se deixaram corromper com a idolatria, se
separando para Cristo e não negando o Seu nome.
“Comprados da terra” pode significar a Terra, de uma maneira geral, no período da
Grande Tribulação.
“Entoavam novo cântico diante do trono, diante dos quatro seres viventes e dos
anciãos. E ninguém pôde aprender o cântico, senão os cento e quarenta e quatro mil que
foram comprados da terra” (Ap 14: 3) – este versículo significa o cântico de vitória (cf.
Ap 5: 9-10) pela sua redenção por Cristo e só os que já estão nos céu e os 144.000
comprados da terra podem cantá-lo.
A bíblia também fala sobre o “Cordeiro em pé sobre o Monte Sião”, o que
provavelmente, é a Jerusalém espiritual (única referência a Sião no Apocalipse); estes
144.000 já estão no céu, antes da ceifa e da vindima descrita mais adiante no cap. 14
(Ap 14: 14-16 – a ceifa; 17-20 – a vindima), e antes que o Senhor traga a punição
descrita no cap. 15 em diante, ou seja, os sete flagelos e a destruição da Babilônia. Por
isso, a bíblia fala serem eles as ‘Primícias’; porque são os primeiros frutos de uma safra,
ou seja, os que iniciarão uma colheita maior de salvos, no momento da ceifa e da
vindima, i.e., a vindima do julgamento e punição.
“São eles os seguidores do Cordeiro por onde quer que vá” – significa que estão
com Ele em glória, ao lado da Sua pessoa, como uma recompensa pela sua fidelidade a
Ele.

Os vinte e quatro anciãos

Dn 7: 9-10; 26: “Continuei olhando, até que foram postos uns tronos, e o Ancião de
Dias (Deus) se assentou; sua veste era branca como a neve, e os cabelos da cabeça,
como a pura lã; o seu trono eram chamas de fogo, e suas rodas eram fogo ardente. Um
rio de fogo manava e saía de diante dele; milhares e milhares o serviam, e miríades de
miríades estavam diante dele; assentou-se o tribunal (Deus e os vinte e quatro anciãos),
e se abriram os livros... Mas depois se assentará o tribunal para lhe tirar o domínio (tirar
o domínio da besta, é o que quer dizer), para o destruir e o consumir até o fim”.
No livro de Apocalipse, ‘os vinte e quatro anciãos’ são mencionados em:
• Ap 4: 4; 10-11: “Ao redor do trono, há também vinte e quatro tronos, e assentados
neles, vinte e quatro anciãos vestidos de branco, em cujas cabeças estão coroas de
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ouro... os vinte e quatro anciãos prostrar-se-ão diante daquele que se encontra sentado
no trono, adorarão o que vive pelos séculos dos séculos e depositarão as suas coroas
diante do trono, proclamando: Tu és digno, Senhor e Deus nosso, de receber a glória, a
honra e o poder, porque todas as coisas tu criaste, sim, por causa da tua vontade vieram
a existir e foram criadas”.
• Ap 5: 5; 8-10: “Todavia, um dos anciãos me disse: Não chores; eis que o leão da
tribo de Judá, a Raiz de Davi, venceu para abrir o livro e os seus sete selos... E, quando
tomou o livro, os quatro seres viventes e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante
do Cordeiro, tendo cada um deles uma harpa e taças de ouro cheias de incenso, que são
as orações dos santos, e entoavam novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro e de
abrir-lhe os selos, porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus os que
procedem de toda tribo, língua, povo e nação e para o nosso Deus os constituíste reino e
sacerdotes; e reinarão sobre a terra”.
• Ap 11: 16: “E os vinte e quatro anciãos que se encontram sentados no seu trono,
diante de Deus, prostraram-se sobre o seu rosto e adoraram a Deus”
• Ap 19: 4: “Os vinte e quatro anciãos e os quatro seres viventes prostraram-se e
adoraram a Deus, que se acha sentado no trono, dizendo: Amém! Aleluia!”

Os vinte e quatro anciãos

Pelo que parece os anciãos têm uma relação com Deus diferente da dos anjos e eles
participarão no julgamento do mal, no fim dos tempos. Mas em todos os textos acima,
eles apenas se prostram diante de Deus e o adoram e o louvam pela Sua justiça e
julgamento. Não proferem palavras de julgamento de suas próprias bocas. Tudo o que
podemos pensar é que conhecem os pensamentos e a vontade de Deus mais do que
qualquer um, e estão em concordância com o Senhor. Diante do Senhor, são santos; por
isso podem se sentar ao Seu lado. Não são anjos, são seres humanos redimidos, pois a
bíblia fala sobre coroas, e anjos não irão receber uma coroa, mas os santos, sim (1 Co 9:
24-25; 1 Pe 5: 4).
Em Jo 5: 22 está escrito que o Pai a ninguém julga, mas ao Filho (Jesus) confiou
todo julgamento.
Durante a última ceia, nós podemos ler:
• Mt 19: 28: “Jesus lhes respondeu: Em verdade vos digo que vós, os que me
seguistes, quando, na regeneração, o Filho do Homem se assentar no trono da sua
glória, também vos assentareis em doze tronos para julgar as doze tribos de Israel”.
• Lc 22: 28-30: “Vós sois os que tendes permanecido comigo nas minhas tentações.
Assim como meu Pai me confiou um reino, eu vo-lo confio, para que comais e bebais à
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minha mesa no meu reino; e vos assentareis em tronos para julgar as doze tribos de
Israel”.
Em Ap 3: 21 (carta à igreja de Laodicéia) está escrito: “Ao vencedor, dar-lhe-ei
sentar-se comigo no meu trono, assim como também eu venci e me sentei com meu Pai
no seu trono”.
Paulo também diz:
• 1 Co 6: 2-3: “Ou não sabeis que os santos hão de julgar o mundo? Ora, se o
mundo deverá ser julgado por vós, sois, acaso, indignos de julgar as coisas mínimas?
Não sabeis que havemos de julgar os próprios anjos? Quanto mais as coisas desta vida!”
• 1 Co 9: 24-25: “Não sabeis vós que os que correm no estádio, todos, na verdade,
correm, mas um só leva o prêmio? Correi de tal maneira que o alcanceis. Todo atleta em
tudo se domina; aqueles, para alcançar uma coroa corruptível; nós, porém, a
incorruptível”.

Os vinte e quatro anciãos e a grande multidão de salvos diante do Cordeiro

Quando Paulo fala sobre julgar os anjos, ele muito provavelmente está se referindo
a Satanás e aos anjos caídos, o que está subentendido no fato de que nós concordaremos
com o juízo de Deus que já está decretado sobre todos eles. Em outras palavras, nós
somos um único corpo, cuja cabeça é Jesus. Assim, no dia do Julgamento, nós faremos
parte dele tendo Cristo como juiz eterno e o representante de todos os seus escolhidos,
os quais concordam em todas as suas decisões.
Pedro diz:
• 1 Pe [Link] “Ora, logo que o Supremo Pastor se manifestar, recebereis a
imarcescível (NVI imperecível) coroa da glória”.

Resumindo: os crentes são e ainda serão incrivelmente abençoados por participar


do reino de Deus, por receber a coroa da glória (a própria semelhança de Cristo) e ainda
ter o direito de se assentar em tronos como os apóstolos do Senhor e os 24 anciãos.
Todos os santos participarão do julgamento dado por Deus sobre o mal, sobre os anjos
caídos e sobre os judeus apóstatas que recusaram a aceitar Jesus como Senhor e Filho de
Deus, e todos os que têm a marca da besta.

Depois do arrebatamento dos justos vêm os flagelos para os ímpios que não foram
arrebatados, ou seja, para os que serviram e adoraram a besta. A besta e o falso profeta
serão lançados para dentro do lago de fogo e enxofre, e Satanás será aprisionado por mil
anos (alguns teólogos interpretam como um período literal de dez séculos), o que parece
estar relacionado com as almas dos decapitados:
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• Ap 19: 20: “Mas a besta foi aprisionada, e com ela o falso profeta que, com os
sinais feitos diante dela, seduziu aqueles que receberam a marca da besta e eram os
adoradores da sua imagem. Os dois foram lançados vivos dentro do lago de fogo que
arde com enxofre”.
• Ap 20: 1-3: “Então, vi descer do céu um anjo; tinha na mão a chave do abismo e
uma grande corrente. Ele segurou o dragão, a antiga serpente, que é o diabo, Satanás, e
o prendeu por mil anos; lançou-o no abismo, fechou-o e pôs selo sobre ele, para que não
mais enganasse as nações até se completarem os mil anos. Depois disto, é necessário
que ele seja solto pouco tempo”.
• Ap 20: 4-5: “Vi também tronos, e nestes sentaram-se aqueles aos quais foi dada
autoridade de julgar. Vi ainda as almas dos decapitados por causa do testemunho de
Jesus, bem como por causa da palavra de Deus, tantos quantos não adoraram a besta,
nem tampouco a sua imagem, e não receberam a marca na fronte e na mão; e viveram e
reinaram com Cristo durante mil anos. Os restantes dos mortos não reviveram até que se
completassem os mil anos. Esta é a primeira ressurreição”.
• Ap 20: 6: “Bem-aventurado e santo é aquele que tem parte na primeira
ressurreição; sobre esses a segunda morte não tem autoridade; pelo contrário, serão
sacerdotes de Deus e Cristo e reinarão com ele os mil anos”.

Quando a bíblia fala sobre a primeira ressurreição, quer dizer que a ressurreição dos
mortos se dará em duas etapas: primeiro, a ressurreição dos crentes salvos, chamada de
a ‘ressurreição dos justos’ (Lc 14: 14) ou ‘ressurreição da vida’ (Jo 5: 24), também
referida por Paulo em 1 Co 15: 23-28; 52. Depois dos mil anos de reinado com Cristo
dos martirizados pela besta (Ap 20: 4-5), vem a segunda ressurreição, que é a
‘ressurreição para o juízo’ ou ‘a ressurreição para a condenação’ (Jo 5: 29; Dn 12: 1-2),
antes do Dia do Juízo (Ap 11: 18; Ap 20: 11-15), que determinará o destino de todos,
por isso a bíblia fala sobre os livros das vidas dos homens serem abertos a fim de que
sejam julgados pelo Senhor segundo as suas obras (Ap 20: 12; Dn 7: 9-10 cf. 1 Co 4: 5).
Os salvos não terão seus livros abertos para serem condenados, mas receberem o Reino
de Deus.

O Dia do Juízo
Aí, o juízo de Deus virá, o dia do julgamento (Ap 11: 18; Ap 20: 11-15), quando a
segunda morte terá lugar (o lago de fogo e enxofre); em outras palavras, ‘a ressurreição
para o juízo’ ou ‘a ressurreição para a condenação’ (João 5: 29; Dn 12: 1-2). Os
restantes dos mortos que não reviveram até que se completassem os mil anos serão
julgados quando forem abertos os livros (Ap 20: 12; Dn 7: 9-10). A morte e o inferno,
assim como aqueles cujos nomes não foram encontrados no Livro da Vida (Aqueles que
não são de Cristo), todos eles serão lançados para dentro do lago que arde com fogo e
enxofre (a segunda morte – Ap 20: 14-15; Ap 21: 8):
• Ap 20: 10-15: “O diabo, o sedutor deles, foi lançado para dentro do lago de fogo e
enxofre, onde já se encontram não só a besta como também o falso profeta; e serão
atormentados de dia e de noite, pelos séculos dos séculos. Vi um grande trono branco e
aquele que nele se assenta [Jesus], de cuja presença fugiram a terra e o céu, e não se
achou lugar para eles. Vi também os mortos, os grandes e os pequenos, postos em pé
diante do trono. Então, se abriram livros [os livros onde estão escritas as nossas
histórias e tudo de bom ou ruim que fizemos]. Ainda outro livro, o Livro da Vida [onde
os nomes de quem foi salvo está escrito], foi aberto. E os mortos foram julgados,
segundo as suas obras, conforme o que se achava escritos nos livros. Deu o mar
[símbolo do mundo espiritual] os mortos que nele estavam. A morte e o além
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entregaram os mortos que neles havia. E foram julgados, um por um, segundo as suas
obras. Então, a morte e o inferno [Hades, em Grego] foram lançados para dentro do
lago de fogo. Esta é a segunda morte, o lago de fogo. E, sem alguém não foi achado
inscrito no Livro da Vida, esse foi lançado para dentro do lago de fogo” – cf. Dn 7: 9-
10; 26: “Continuei olhando, até que foram postos uns tronos, e o Ancião de Dias se
assentou; sua veste era branca como a neve, e os cabelos da cabeça, como a pura lã; o
seu trono eram chamas de fogo, e suas rodas eram fogo ardente. Um rio de fogo manava
e saía de diante dele; milhares e milhares o serviam, e miríades de miríades estavam
diante dele; assentou-se o tribunal, e se abriram os livros... Mas depois se assentará o
tribunal para lhe tirar o domínio (tirar o domínio da besta, é o que quer dizer), para o
destruir e o consumir até o fim”.
“Esta é a segunda morte, o lago de fogo” = morte significa separação definitiva de
Deus por toda a eternidade.
A primeira morte foi o pecado de Adão e Eva que separou espiritualmente o
homem de Deus, por isso Jesus veio e morreu na cruz para nos reconciliar com o Pai.

• Ap 21: 1-5: “Vi novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra
passaram, e o mar já não existe. Vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia
do céu, da parte de Deus, ataviada como noiva adornada para o seu esposo. Então, ouvi
grande voz vinda do trono, dizendo: Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus
habitará com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles. E lhes
enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem
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pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram. E aquele que está assentado no
trono disse: Eis que faço novas todas as coisas. E acrescentou: Escreve, porque estas
palavras são fiéis e verdadeiras”.

Daremos seqüência ao nosso estudo com os volumes 2 e 3 sobre Roma e


imperadores romanos.
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