Princípio de legalidade
Art. 1º Não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal.
NÃO HÁ MEDIDA DE SEGURANÇA SEM PRÉVIA COMINAÇÃO LEGAL.
Lei supressiva de incriminação
Art. 2° Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de considerar crime, cessando, em
virtude dela, a própria vigência de sentença condenatória irrecorrível, salvo quanto aos efeitos de
natureza civil.
Retroatividade de lei mais benigna
§ 1º A lei posterior que, de qualquer outro modo, favorece o agente, aplica-se retroativamente, ainda
quando já tenha sobrevindo sentença condenatória irrecorrível.
Apuração da maior benignidade
§ 2° Para se reconhecer qual a mais favorável, a lei posterior e a anterior devem ser consideradas
separadamente, cada qual no conjunto de suas normas aplicáveis ao fato
Medidas de segurança
Art. 3º As medidas de segurança regem-se pela lei vigente ao tempo da sentença, prevalecendo,
entretanto, se diversa, a lei vigente ao tempo da execução.
NO CPP AS MEDIDAS DE SEGURANÇA SÃO PENAS ACESSÓRIAS NORMALMENTE RESTRITIVA DE DIREITOS .
Lei excepcional ou temporária
Art. 4º A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as
circunstâncias que a determinaram, aplica-se ao fato praticado durante sua vigência.
Tempo do crime
Art. 5º Considera-se praticado o crime no momento da ação ou omissão, ainda que outro seja o do
resultado.
TEORIA DA ATIVIDADE
PENAACESSÓRIANORMA
Súmula 711 do STF
A LEI PENAL MAIS GRAVE APLICA -SE AO CRIME CONTINUADO OU AO CRIME PERMANENTE , SE A SUA VIGÊNCIA É
ANTERIOR À CESSAÇÃO DA CONTINUIDADE OU DA PERMANÊNCIA .
DOIS CRIMES PRINCIPAIS QUE A DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA RECONHECEM COMO CRIMES CONTINUADOS NO CPM:
DESERÇÃO (A USENTAR -SE O MILITAR , SEM LICENÇA, DA UNIDADE EM QUE SERVE, OU DO LUGAR EM QUE DEVE
PERMANECER , POR MAIS DE OITO DIAS ) E I NSUBMISSÃO (D EIXAR DE APRESENTAR -SE O CONVOCADO À
INCORPORAÇÃO , DENTRO DO PRAZO QUE LHE FOI MARCADO , OU , APRESENTANDO -SE, AUSENTAR -SE ANTES DO ATO
OFICIAL DE INCORPORAÇÃO ).
Lugar do crime
Art. 6º Considera-se praticado o fato, no lugar em que se desenvolveu a atividade criminosa, no todo
ou em parte, e ainda que sob forma de participação, bem como onde se produziu ou deveria produzir-se o
resultado. Nos crimes omissivos, o fato considera-se praticado no lugar em que deveria realizar-se a ação
omitida.
Territorialidade, Extraterritorialidade
Art. 7º Aplica-se a lei penal militar, sem prejuízo de convenções, tratados e regras de direito
internacional, ao crime cometido, no todo ou em parte no território nacional, ou fora dele, ainda que,
neste caso, o agente esteja sendo processado ou tenha sido julgado pela justiça estrangeira.
TERRITORIALIDADE TEMPERADA
DIFERENTEMENTE DO CP, O CPP IRÁ APLICAR A
EXTRATERRITORIALIDADE
INCONDICIONADA.
Território nacional por extensão
§ 1° Para os efeitos da lei penal militar consideram-se como extensão do território nacional as
aeronaves e os navios brasileiros, onde quer que se encontrem, sob comando militar ou militarmente
utilizados ou ocupados por ordem legal de autoridade competente, ainda que de propriedade privada.
Ampliação a aeronaves ou navios estrangeiros
§ 2º É também aplicável a lei penal militar ao crime praticado a bordo de aeronaves ou navios
estrangeiros, desde que em lugar sujeito à administração militar, e o crime atente contra as instituições
militares.
Conceito de navio
§ 3º Para efeito da aplicação deste Código, considera-se navio toda embarcação sob comando militar.
Pena cumprida no estrangeiro
Art. 8° A pena cumprida no estrangeiro atenua a pena imposta no Brasil pelo mesmo crime, quando
diversas, ou nela é computada, quando idênticas.
DETRAÇÃO PENAL
EVITAR O BIS IN IDEM
Crimes militares em tempo de paz
Art. 9º Consideram-se crimes militares, em tempo de paz:
I - os crimes de que trata este Código, quando definidos de modo diverso na lei penal comum, ou nela
não previstos, qualquer que seja o agente, salvo disposição especial;
PODE SER PRATICADO POR CIVIL
II - os crimes previstos neste Código e os previstos na legislação penal, quando praticados:
o inciso II é restrito ao caso em que o agente do crime é militar da ativa.
a) por militar em situação de atividade ou assemelhado, contra militar na mesma situação ou
assemelhado;
O MILITAR EM SITUAÇÃO DE ATIVIDADE MENCIONADO PELO ART. 9º DO CPM NADA MAIS É DO QUE O MILITAR DA
ATIVA , AO QUAL SÃO EQUIPARADOS OS MILITARES DA RESERVA OU REFORMADOS EMPREGADOS NA ADMINISTRAÇÃO
MILITAR .
CRITÉRIO RATIONE PERSONAE
RELATIVIZADO PELA JURISPRUDÊNCIA DO STF – O CRIME MILITAR PRECISA DE ALGUMA FORMA OFENDER OU ABALAR
AS INSTITUIÇÕES MILITARES , PRECISA TER ESSE VIÉS , RELAÇÃO COM AS INSTITUIÇÕES MILITARES .
TEM DECISÃO DO STF DIZENDO QUE QUANDO OS MILITARES NÃO CONHECEM A CONDIÇÃO DE MILITAR UM DO OUTRO
NÃO HÁ CRIME MILITAR . O STM, PORÉM , JÁ CONSIDEROU QUE EXISTE CRIME MILITAR NESTE CASO .
b) por militar em situação de atividade ou assemelhado, em lugar sujeito à administração militar,
contra militar da reserva, ou reformado, ou assemelhado, ou civil;
CONTRA QUALQUER PESSOA.
CRITÉRIO R ATIONE LOCI (EM LUGAR SUJEITO A ADM . MILITAR )
PNR -> PRÓPRIO NACIONAL R ESIDENCIAL : IMÓVEL FUNCIONAL CEDIDO AO MILITAR PARA QUE ELE RESIDA . PARA
FINS DE DEFINIÇÃO DE CRIME MILITAR PNR NÃO É CONSIDERADO LUGAR SUJEITO À ADMINISTRAÇÃO MILITAR . O
MESMO OCORRE COM ESTABELECIMENTOS COMERCIAIS QUE ESTÃO NO INTERIOR DE INSTITUIÇÕES MILITARES , POR
EXEMPLO , O POSTO BANCÁRIO DENTRO DO QUARTEL , LANCHONETES , RESTAURANTES QUE SÃO TERCEIRIZADOS .
c) por militar em serviço ou atuando em razão da função, em comissão de natureza militar, ou em
formatura, ainda que fora do lugar sujeito à administração militar contra militar da reserva, ou
reformado, ou civil;
CONTRA QUALQUER PESSOA.
O STM JÁ ENTENDEU QUE MILITARES COMETERAM CRIME COMUM , QUANDO FUGIRAM DO SERVIÇO E FORAM
PARA UM BAR , ONDE PRATICARAM FURTO CONTRA UM CIVIL
d) por militar durante o período de manobras ou exercício, contra militar da reserva, ou reformado,
ou assemelhado, ou civil;
CONTRA QUALQUER PESSOA.
e) por militar em situação de atividade, ou assemelhado, contra o patrimônio sob a administração
militar, ou a ordem administrativa militar;
III - os crimes praticados por militar da reserva, ou reformado, ou por civil, contra as instituições
militares, considerando-se como tais não só os compreendidos no inciso I, como os do inciso II, nos
seguintes casos:
COMPETÊNCIA EXCEPCIONAL DA JUSTIÇA MILITAR .
O STF ENTENDE QUE A JUSTIÇA MILITAR VAI TER COMPETÊNCIA NESTE CASO QUANDO SE TRATAR DE CRIMES DOLOSOS.
a) contra o patrimônio sob a administração militar, ou contra a ordem administrativa militar;
CASO DO CIVIL QUE NÃO COMUNICA A MORTE DO FAMILIAR MILITAR DA RESERVA PARA ELE CONTINUAR RECEBENDO
PENSÃO .
b) em lugar sujeito à administração militar contra militar em situação de atividade ou assemelhado,
ou contra funcionário de Ministério militar ou da Justiça Militar, no exercício de função inerente
ao seu cargo;
CRITÉRIO R ATIONE LOCI (LUGAR SUJEITO A ADM. MILITAR )
A AUDITORIA MILITAR OU AS INSTALAÇÕES DO PODER JUDICIÁRIO DA JUSTIÇA MILITAR NÃO SÃO CONSIDERADAS LOCAL
SOB ADMINISTRAÇÃO MILITAR , ELAS FAZEM PARTE DO P ODER J UDICIÁRIO E NÃO DAS F ORÇAS ARMADAS .
AS DEPENDÊNCIAS DO MINISTÉRIO PÚBLICO MILITAR TAMBÉM NÃO SÃO CONSIDERADAS LOCAL SOB ADMINISTRAÇÃO
MILITAR .
(...) FUNCIONÁRIO DE MINISTÉRIO MILITAR OU DA JUSTIÇA MILITAR – NÃO HAVERÁ CRIME MILITAR SE FOR PRATICADO NO
RECINTO DA J USTIÇA MILITAR , POIS NÃO É CONSIDERADO LOCAL SOB ADMINISTRAÇÃO MILITAR .
(...)M INISTÉRIO MILITAR = NÃO EXISTE MAIS . QUANDO SE LER MINISTÉRIO MILITAR NO CPM DEVEMOS ENTENDER
COMO C OMANDO M ILITAR . Q UANDO SE FALAR EM FUNCIONÁRIO DO MINISTÉRIO PÚBLICO MILITAR ESTAMOS FALANDO
DE SERVIDOR DAS PRÓPRIAS F ORÇAS ARMADAS , LIGADO AO COMANDO MILITAR . A VÍTIMA AQUI PODE SER MILITAR DA
ATIVA OU SERVIDOR CIVIL QUE É SERVIDOR DAS FORÇAS ARMADAS .
c) contra militar em formatura, ou durante o período de prontidão, vigilância, observação, exploração,
exercício, acampamento, acantonamento ou manobras;
d) ainda que fora do lugar sujeito à administração militar, contra militar em função de natureza
militar, ou no desempenho de serviço de vigilância, garantia e preservação da ordem pública,
administrativa ou judiciária, quando legalmente requisitado para aquele fim, ou em obediência a
determinação legal superior.
NESSAS DUAS ALÍNEAS É BASICAMENTE O CRIME COMETIDO CONTRA MILITAR QUE ESTÁ EM SERVIÇO .
§ 1o Os crimes de que trata este artigo, quando dolosos contra a vida e cometidos por militares
contra civil, serão da competência do Tribunal do Júri.
§ 2o Os crimes de que trata este artigo, quando dolosos contra a vida e cometidos por militares das
Forças Armadas contra civil, serão da competência da Justiça Militar da União, se praticados no contexto:
I – do cumprimento de atribuições que lhes forem estabelecidas pelo Presidente da República ou
pelo Ministro de Estado da Defesa;
II – de ação que envolva a segurança de instituição militar ou de missão militar, mesmo que não
beligerante; ou
III – de atividade de natureza militar, de operação de paz, de garantia da lei e da ordem ou de
atribuição subsidiária, realizadas em conformidade com o disposto no art. 142 da Constituição Federal e
na forma dos seguintes diplomas legais
a) Lei no 7.565, de 19 de dezembro de 1986 - Código Brasileiro de Aeronáutica;
b) Lei Complementar no 97, de 9 de junho de 1999;
c) Decreto-Lei no 1.002, de 21 de outubro de 1969 - Código de Processo Penal Militar; e
d) Lei no 4.737, de 15 de julho de 1965 - Código Eleitoral.
TODA ESSA LÓGICA QUE ACABAMOS DE ESTUDAR SE APLICA APENA AOS MILITARES DAS FORÇAS ARMADAS . OS MILITARES
DOS ESTADOS (POLICIAIS MILITARES E BOMBEIROS MILITARES ) CONTINUAM SENDO JULGADOS PELA JUSTIÇA COMUM NOS
CRIMES DOLOSOS PRATICADOS CONTRA A VIDA DE CIVIL .
ASDIAUSIASDAUSDASASDASD
JURI
SITUAÇÕES COMUM
FORÇAS ARMADAS
JUSTIÇA
MILITAR
SITUAÇÕES ESPECIAIS
CRIMES DOLOSOS
CONTRA A VIDA DE
CIVIL
JURI
CORPORAÇÕES
ESTADUAIS
Crimes militares em tempo de guerra
Art. 10. Consideram-se crimes militares, em tempo de guerra:
I - os especialmente previstos neste Código para o tempo de guerra;
II - os crimes militares previstos para o tempo de paz;
III - os crimes previstos neste Código, embora também o sejam com igual definição na lei penal comum
ou especial, quando praticados, qualquer que seja o agente:
a) em território nacional, ou estrangeiro, militarmente ocupado;
b) em qualquer lugar, se comprometem ou podem comprometer a preparação, a eficiência ou as
operações militares ou, de qualquer outra forma, atentam contra a segurança externa do País ou podem
expô-la a perigo;
IV - os crimes definidos na lei penal comum ou especial, embora não previstos neste Código, quando
praticados em zona de efetivas operações militares ou em território estrangeiro, militarmente ocupado.
Militares estrangeiros
Art. 11. Os militares estrangeiros, quando em comissão ou estágio nas forças armadas, ficam sujeitos
à lei penal militar brasileira, ressalvado o disposto em tratados ou convenções internacionais.
Equiparação a militar da ativa
Art. 12. O militar da reserva ou reformado, empregado na administração militar, equipara-se ao militar
em situação de atividade, para o efeito da aplicação da lei penal militar.
Militar da reserva ou reformado
Art. 13. O militar da reserva, ou reformado, conserva as responsabilidades e prerrogativas do posto ou
graduação, para o efeito da aplicação da lei penal militar, quando pratica ou contra ele é praticado crime
militar.
Defeito de incorporação
Art. 14. O defeito do ato de incorporação não exclui a aplicação da lei penal militar, salvo se alegado
ou conhecido antes da prática do crime.
Tempo de guerra
Art. 15. O tempo de guerra, para os efeitos da aplicação da lei penal militar, começa com a declaração
ou o reconhecimento do estado de guerra, ou com o decreto de mobilização se nele estiver compreendido
aquele reconhecimento; e termina quando ordenada a cessação das hostilidades.
Contagem de prazo
Art. 16. No cômputo dos prazos inclui-se o dia do começo. Contam-se os dias, os meses e os anos pelo
calendário comum.
A QUI ESTAMOS FALANDO DO P RAZO PENAL
NO PRAZO PROCESSUAL
Legislação especial. O DO INÍCIO E INCLUI O DO FINAL .
Salário-mínimo
EXCLUI
Art. 17. As regras gerais deste Código aplicam-se aos fatos incriminados por lei penal militar especial,
se esta não dispõe de modo diverso. Para os efeitos penais, salário mínimo é o maior mensal vigente no
país, ao tempo da sentença.
NO DIREITO PENAL MILITAR NÃO EXISTE PENA DE MULTA, CONTRAVENÇÃO PENAL E TAMBÉM NÃO HÁ CRIME
MILITAR DE MENOR POTENCIAL OFENSIVO.
Crimes praticados em prejuízo de país aliado
Art. 18. Ficam sujeitos às disposições deste Código os crimes praticados em prejuízo de país em guerra
contra país inimigo do Brasil:
I - se o crime é praticado por brasileiro;
II - se o crime é praticado no território nacional, ou em território estrangeiro, militarmente ocupado
por força brasileira, qualquer que seja o agente.
DISPOSITIVO QUE NÃO É MAIS APLICÁVEL HOJE EM RAZÃO DA TERRITORIALIDADE TEMPERADA E EXTRATERRITORIALIDADE
INCONDICIONADA .
Infrações disciplinares
Art. 19. Este Código NÃO compreende as infrações dos regulamentos disciplinares.
Crimes praticados em tempo de guerra
Art. 20. Aos crimes praticados em tempo de guerra, salvo disposição especial, aplicam-se as penas
cominadas para o tempo de paz, com o aumento de um terço.
Assemelhado
Art. 21. Considera-se assemelhado o servidor, efetivo ou não, dos Ministérios da Marinha, do Exército
ou da Aeronáutica, submetido a preceito de disciplina militar, em virtude de lei ou regulamento.
NA PRÁTICA, NÃO EXISTE MAIS A FIGURA DO ASSEMELHADO E NÃO EXISTE MAIS OS MINISTÉRIOS DE CADA UMA DAS
FORÇAS ARMADAS .
Pessoa considerada militar
Art. 22. É considerada militar, para efeito da aplicação deste Código, qualquer pessoa que, em tempo
de paz ou de guerra, seja incorporada às forças armadas, para nelas servir em posto, graduação, ou
sujeição à disciplina militar.
Equiparação a comandante
Art. 23. Equipara-se ao comandante, para o efeito da aplicação da lei penal militar, toda autoridade
com função de direção.
Conceito de superior
Art. 24. O militar que, em virtude da função, exerce autoridade sobre outro de igual posto ou
graduação, considera-se superior, para efeito da aplicação da lei penal militar.
É A CHAMADA PRECEDÊNCIA
Crime praticado em presença do inimigo
Art. 25. Diz-se crime praticado em presença do inimigo, quando o fato ocorre em zona de efetivas
operações militares, ou na iminência ou em situação de hostilidade.
Referência a "brasileiro" ou "nacional"
Art. 26. Quando a lei penal militar se refere a "brasileiro" ou "nacional", compreende as pessoas
enumeradas como brasileiros na Constituição do Brasil.
Estrangeiros
Parágrafo único. Para os efeitos da lei penal militar, são considerados estrangeiros os apátridas e os
brasileiros que perderam a nacionalidade.
Os que se compreendem, como funcionários da Justiça Militar
Art. 27. Quando este Código se refere a funcionários, compreende, para efeito da sua aplicação, os
juízes, os representantes do Ministério Público, os funcionários e auxiliares da Justiça Militar.
Casos de prevalência do Código Penal Militar
Art. 28. Os crimes contra a segurança externa do país ou contra as instituições militares, definidos
neste Código, excluem os da mesma natureza definidos em outras leis.
OS CRIMES CONTRA A SEGURANÇA EXTERNA DO PAÍS HOJE SÃO DE COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL , E NÃO DA JUSTIÇA
MILITAR DA UNIÃO , POR FORÇA DO QUE DETERMINA A LEI N° 7.710/1983
TÍTULO II
DO CRIME
Relação de causalidade
Art. 29. O resultado de que depende a existência do crime somente é imputável a quem lhe deu causa.
Considera-se causa a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido.
EQUIVALÊNCIA OS ANTECEDENTES
§ 1º A superveniência de causa relativamente independente exclui a imputação quando, por si só, produziu
o resultado. Os fatos anteriores, imputam-se, entretanto, a quem os praticou.
CAUSALIDADE ADEQUADA
§ 2º A omissão é relevante como causa quando o omitente devia e podia agir para evitar o resultado. O
dever de agir incumbe a quem tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância; a quem, de outra
forma, assumiu a responsabilidade de impedir o resultado; e a quem, com seu comportamento anterior,
criou o risco de sua superveniência.
Art. 30. Diz-se o crime:
Crime consumado
I - consumado, quando nele se reúnem todos os elementos de sua definição legal;
Tentativa
II - tentado, quando, iniciada a execução, não se consuma por circunstâncias alheias à vontade do agente.
Pena de tentativa
Parágrafo único.
Pune-se a tentativa com a pena correspondente ao crime, diminuída de um a dois terços (teoria objetiva),
podendo o juiz, no caso de excepcional gravidade, aplicar a pena do crime consumado. (teoria subjetiva)
Desistência voluntária e arrependimento eficaz
Art. 31. O agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir na execução (desistência voluntária) ou
impede que o resultado se produza (arrependimento eficaz), só responde pelos atos já praticados.
O PRINCÍPIO DA BAGATELA /INSIGNIFICÂNCIA NÃO SE APLICA AO DIREITO PENAL MILITAR (STF/STM)
Crime impossível
Art. 32. Quando, por ineficácia absoluta do meio empregado ou por absoluta impropriedade do objeto, é
impossível consumar-se o crime, nenhuma pena é aplicável.
INEFICÁCIA ABSOLUTA DO MEIO TENTAR MATAR USANDO UMA ARMA DE BRINQUEDO
ABSOLUTA IMPROPRIEDADE DO OBJETO MATAR UM CADÁVER
SÚMULA 145 – STF ( FLAGRANTE PREPARADO )
NÃO HÁ CRIME, QUANDO A PREPARAÇÃO DO FLAGRANTE PELA POLÍCIA TORNA IMPOSSÍVEL A SUA CONSUMAÇÃO.
Art. 33. Diz-se o crime
Culpabilidade
I - doloso, quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo;
II - culposo, quando o agente, deixando de empregar a cautela, atenção, ou diligência ordinária, ou
especial, a que estava obrigado em face das circunstâncias, não prevê o resultado que podia prever (culpa
inconsciente) ou, prevendo-o, supõe levianamente que não se realizaria ou que poderia evitá-lo. (culpa
consciente)
DOLO E CULPA NO CPM SÃO TRATADOS NA CULPABILIDADE , DIFERENTEMENTE DO DIREITO PENAL , O CPM
ADOTA A TEORIA CAUSALISTA
Excepcionalidade do crime culposo
Parágrafo único. Salvo os casos expressos em lei, ninguém pode ser punido por fato previsto como crime,
senão quando o pratica dolosamente.
O PARÁGRAFO ÚNICO DETERMINA QUE A MODALIDADE CULPOSA SÓ É APLICÁVEL QUANDO A LEI TROUXER
PREVISÃO EXPRESSA PARA CRIMES DETERMINADOS .
Nenhuma pena sem culpabilidade
Art. 34. Pelos resultados que agravam especialmente as penas só responde o agente quando os houver
causado, pelo menos, culposamente.
AQUI ESTAMOS DIANTE DAS MESMAS DISPOSIÇÕES TRAZIDOS PELO CP. O AGENTE AGENTE SÓ RESPONDE PELA
CIRCUNSTÂNCIA QUALIFICADORA SE ELA TIVER DADO CAUSA .
Erro de direito
Art. 35. A pena pode ser atenuada ou substituída por outra menos grave quando o agente, salvo em se
tratando de crime que atente contra o dever militar, supõe lícito o fato, por ignorância ou erro de
interpretação da lei, se escusáveis.
SE FORE
Por
ignorância
Erro de Agente supõe
direito
lícito o fato
Art. 35, CPM praticado Erro de
interpretação
na lei
A pena pode ser
substituída ou
NÃO SE APLICA AOS CRIMES
atenuada por
CONTRA O DEVER MILITAR!!!
menos grave
EX: deserção, abandono de posto,
embriaguez em serviço, dormir em
serviço. NÃO ISENTA DE PENA
O AGENTE!!!
No crime de violação de domicílio (art. 226, CPM), o policial militar em serviço invade um compartimento não
habitado ao público, onde alguém exerce profissão, entendendo não estar invadindo um domicílio (o CPM – art.
226, §4º, III – considera como casa). Neste exemplo, caso considere que o erro foi escusável, pode abrandar a pena
ou substituí-la por menos grave.
Erro de fato
Art. 36. É isento de pena quem, ao praticar o crime, supõe, por erro plenamente escusável, a inexistência
de circunstância de fato que o constitui ou a existência de situação de fato que tornaria a ação legítima.
Erro culposo
§ 1º Se o erro deriva de culpa, a este título responde o agente, se o fato é punível como crime culposo.
Erro provocado
§ 2º Se o erro é provocado por terceiro, responderá este pelo crime, a título de dolo ou culpa, conforme o
caso.
Erro sobre a pessoa
Art. 37. Quando o agente, por erro de percepção ou no uso dos meios de execução, ou outro acidente,
atinge uma pessoa em vez de outra, responde como se tivesse praticado o crime contra aquela que
realmente pretendia atingir. Devem ter-se em conta não as condições e qualidades da vítima, mas as da
outra pessoa, para configuração, qualificação ou exclusão do crime, e agravação ou atenuação da pena.
ERRO DE PERCEPÇÃO agente que confunde a vítima
(ERRO IN PERSONA) com outra pessoa
ERRO SOBRE A PESSOA
ocorre quando o agente, por
ERRO NO USO DOS MEIOS DE inabilidade ou acidente,
EXECUÇÃO acerta não a vítima visada,
(ABERRATIO ICTUS) mas outra que se encontra
próxima daquela.
Erro quanto ao bem jurídico (aberratio criminis)
§ 1º Se, por erro ou outro acidente na execução, é atingido bem jurídico diverso do visado pelo agente,
responde este por culpa, se o fato é previsto como crime culposo.
Um exemplo de erro quanto ao bem jurídico (aberratio criminis) é o da pessoa que atira uma pedra contra
veículo na intenção de depredar o patrimônio, mas termina atingindo a pessoa que estava dentro do carro,
causando-lhe lesão corporal. Neste caso, responderá por lesão corporal culposa.
Duplicidade do resultado
§ 2º Se, no caso do artigo, é também atingida a pessoa visada, ou, no caso do parágrafo anterior, ocorre
ainda o resultado pretendido, aplica-se a regra do art. 79. (concurso de crime)
Art. 38. Não é culpado quem comete o crime:
Coação irresistível (inexigibilidade de conduta diversa)
a) sob coação irresistível ou que lhe suprima a faculdade de agir segundo a própria vontade;
Obediência hierárquica (inexigibilidade de conduta diversa)
b) em estrita obediência a ordem direta de superior hierárquico, em matéria de serviços.
§ 1° Responde pelo crime o autor da coação ou da ordem.
§ 2° Se a ordem do superior tem por objeto a prática de ato manifestamente criminoso, ou há excesso nos
atos ou na forma da execução, é punível também o inferior.
Estado de necessidade, com excludente de culpabilidade (inexigibilidade de conduta diversa)
Art. 39. Não é igualmente culpado quem, para proteger direito próprio ou de pessoa a quem está ligado
por estreitas relações de parentesco ou afeição, contra perigo certo e atual, que não provocou, nem podia
de outro modo evitar, sacrifica direito alheio, ainda quando superior ao direito protegido, desde que não
lhe era razoavelmente exigível conduta diversa. [EXCLUI A CULPABILIDADE]
Esta hipótese de inexigibilidade de conduta diversa é muito utilizada para justificar a conduta do militar desertor,
quando o réu alega que incorreu no crime de deserção para atender necessidades próprias ou de sua família.
Coação física ou material
Art. 40. Nos crimes em que há violação do dever militar, o agente não pode invocar coação irresistível
senão quando física ou material.
Atenuação de pena
Art. 41. Nos casos do art. 38, letras a e b , se era possível resistir à coação, ou se a ordem não era
manifestamente ilegal; ou, no caso do art. 39, se era razoavelmente exigível o sacrifício do direito
ameaçado, o juiz, tendo em vista as condições pessoais do réu, pode atenuar a pena.
Exclusão de crime
Art. 42. Não há crime quando o agente pratica o fato:
I - em estado de necessidade;
II - em legítima defesa;
III - em estrito cumprimento do dever legal;
IV - em exercício regular de direito.
Parágrafo único. Não há igualmente crime quando o comandante de navio, aeronave ou praça de guerra,
na iminência de perigo ou grave calamidade, compele os subalternos, por meios violentos, a executar
serviços e manobras urgentes, para salvar a unidade ou vidas, ou evitar o desânimo, o terror, a desordem,
a rendição, a revolta ou o saque.
Estado de necessidade, como excludente do crime
Art. 43. Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para preservar direito seu ou alheio,
de perigo certo e atual, que não provocou, nem podia de outro modo evitar, desde que o mal causado, por
sua natureza e importância, é consideravelmente inferior ao mal evitado, e o agente não era legalmente
obrigado a arrostar o perigo. [EXCLUI O CRIME]
Legítima defesa
Art. 44. Entende-se em legítima defesa quem, usando moderadamente dos meios necessários, repele
injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de outrem.
Excesso culposo
Art. 45. O agente que, em qualquer dos casos de exclusão de crime, excede culposamente os limites da
necessidade, responde pelo fato, se este é punível, a título de culpa.
Excesso escusável
Parágrafo único. Não é punível o excesso quando resulta de escusável surpresa ou perturbação de ânimo,
em face da situação.
Excesso doloso
Art. 46. O juiz pode atenuar a pena ainda quando punível o fato por excesso doloso.
Elementos não constitutivos do crime
Art. 47. Deixam de ser elementos constitutivos do crime:
I - a qualidade de superior ou a de inferior, quando não conhecida do agente;
II - a qualidade de superior ou a de inferior, a de oficial de dia, de serviço ou de quarto, ou a de sentinela,
vigia, ou plantão, quando a ação é praticada em repulsa a agressão.
TÍTULO III
DA IMPUTABILIDADE PENAL
Inimputáveis
Art. 48. Não é imputável quem, no momento da ação ou da omissão, não possui a capacidade de entender
o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento, em virtude de doença
mental, de desenvolvimento mental incompleto ou retardado.
Redução facultativa da pena
Parágrafo único. Se a doença ou a deficiência mental não suprime, mas diminui consideravelmente a
capacidade de entendimento da ilicitude do fato ou a de autodeterminação, não fica excluída a
imputabilidade, mas a pena pode ser atenuada, sem prejuízo do disposto no art. 113.
[SEMI-IMPUTABILIDADE]
Embriaguez
Art. 49. Não é igualmente imputável o agente que, por embriaguez completa proveniente de caso fortuito
ou força maior, era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter
criminoso do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. [EMBRIAGUEZ ACIDENTAL]
Parágrafo único. A pena pode ser reduzida de um a dois terços, se o agente por embriaguez proveniente
de caso fortuito ou força maior, não possuía, ao tempo da ação ou da omissão, a plena capacidade de
entender o caráter criminoso do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.
[SEMI-IMPUTABILIDADE]
Menores
Art. 50. O menor de dezoito anos é inimputável, salvo se, já tendo completado dezesseis anos, revela
suficiente desenvolvimento psíquico para entender o caráter ilícito do fato e determinar-se de acordo
com este entendimento. Neste caso, a pena aplicável é diminuída de um terço até a metade.
[CRITÉRIO BIOPSICOLÓGICO]
Equiparação a maiores
Art. 51. Equiparam-se aos maiores de dezoito anos, ainda que não tenham atingido essa idade:
a) os militares;
b) os convocados, os que se apresentam à incorporação e os que, dispensados temporariamente desta,
deixam de se apresentar, decorrido o prazo de licenciamento;
c) os alunos de colégios ou outros estabelecimentos de ensino, sob direção e disciplina militares, que já
tenham completado dezessete anos.
Art. 52. Os menores de dezesseis anos, bem como os menores de dezoito e maiores de dezesseis
inimputáveis, ficam sujeitos às medidas educativas, curativas ou disciplinares determinadas em legislação
especial.