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expressões diretamente relacionadas com qualquer religião, igreja ou alterações estatutárias foram aprovadas por maioria superior a dois
instituição nacional. terços dos votantes, razão pela qual, também dos pontos de vista
6 — Quanto à sigla, pretende-se a sua modificação para “L/TDA”, formal e procedimental, não merecem, tais alterações estatutárias
alterando-se o artigo 3.º, alínea 1 dos Estatutos. Também esta não é idên- agora comunicadas, qualquer reparo.
tica ou semelhante à de qualquer outro partido político constituído. 9 — Assim não se vislumbra, nas modificações normativas agora
7 — Assim, considera-se ser de seguir o parecer do Ministério Público comunicadas, qualquer violação da Constituição da República Portu-
no sentido de que do ponto de vista substantivo, nada há a opor ao de- guesa, da Lei Orgânica n.º 2/2003, de 22 de agosto, com as alterações
ferimento da anotação ao registo existente no Tribunal Constitucional, introduzidas pela Lei Orgânica n.º 2/2008, de 14 de maio, ou dos Es-
das alterações estatutárias requeridas a fls. 170 dos autos. tatutos do Partido.
8 — Por fim, incumbe ainda referir que as alterações estatutárias
foram aprovadas pelo órgão competente e seguiram os procedimentos III — Decisão
estatutariamente previstos. Nos termos do n.º 1, do artigo 22.º, dos
Estatutos do Partido, os estatutos podem ser revistos através de uma Pelos fundamentos expostos, decide-se:
maioria de dois terços em Congresso convocado com capacidade para a) Deferir a alteração aos estatutos do partido político LIVRE;
tal. Ora, conforme resulta da documentação junta pelos requerentes, b) Anotar as alterações referentes à denominação e sigla do mesmo
a convocatória do II Congresso do LIVRE elucidava os participantes partido, que passarão a ser LIVRE/Tempo de Avançar e L/TDA.
sobre a atribuição de poderes de conformação estatutária à reunião do
órgão máximo deste partido, realizada em 19 de abril de 2015 (fls. 204 Sem custas, por não serem legalmente devidas.
dos autos).
Por outro lado, nos termos emergentes da Ata desse mesmo II Lisboa, 20 de maio de 2015. — Lino Rodrigues Ribeiro — Carlos
Congresso do LIVRE (fls. 174 dos autos), a proposta de introdução Fernandes Cadilha — Catarina Sarmento e Castro — Maria José Ran-
de um n.º 6 no artigo 1.º dos Estatutos foi aprovada por 63 votos gel de Mesquita — Maria Lúcia Amaral.
a favor, 0 votos contra e 2 abstenções; ao passo que a alteração à Denominação: “LIVRE/Tempo de Avançar”.
redação do n.º 1, no artigo 3.º, dos mesmos Estatutos foi aprovada Sigla: L/TDA
por 62 votos a favor, 1 voto contra e 2 abstenções. Ou seja, ambas as 208736778
PARTE E
ORDEM DOS ENFERMEIROS setembro, a Assembleia Geral, sob proposta do Colégio de Especiali-
dade de Enfermagem Médico-Cirúrgica, através da respetiva Mesa do
Regulamento n.º 361/2015 Colégio, após aprovação em Assembleia de Colégio, ouvido o Conselho
Jurisdicional e os conselhos diretivos regionais, sob apresentação do
Conselho Diretivo, aprovou o seguinte Regulamento:
Regulamento dos Padrões de Qualidade dos Cuidados
Especializados em Enfermagem em Pessoa em Situação Crítica Artigo único
O presente regulamento define os Padrões de Qualidade dos Cuidados
Preâmbulo de Enfermagem Especializados em Enfermagem em Pessoa em Situa-
O Colégio da Especialidade de Enfermagem Médico-Cirúrgica da ção Crítica, os quais são identificados como enunciados descritivos no
Ordem dos Enfermeiros (OE) com a aprovação do Regulamento de documento que constitui o Anexo ao presente Regulamento.
Competências Comuns do Enfermeiro Especialista (Regulamento Aprovado por maioria em Assembleia do Colégio da Especialidade
n.º 122/2011, publicado no Diário da República, 2.ª série, n.º 35, de 18 de de Enfermagem Médico-Cirúrgica realizada no dia 16 de julho de 2011.
fevereiro de 2011) e do Regulamento de Competências Específicas do
Enfermeiro Especialista em Enfermagem em Pessoa em Situação Crítica Aprovado em Assembleia Geral de 22 de outubro de 2011.
(Regulamento n.º 124/2011, publicado no Diário da República, 2.ª série,
n.º 35, de 18 de fevereiro de 2011) e, no âmbito das suas competências ANEXO
estatutárias, é competente por definir padrões de qualidade dos cuidados
especializados em Enfermagem em Pessoa em Situação Crítica, a qual
se configura como um enorme desafio, quer pelo reflexo que tem na Padrões de Qualidade dos Cuidados
melhoria dos cuidados de enfermagem especializados a fornecer aos de Enfermagem Especializados
em Enfermagem em Pessoa em Situação Crítica
cidadãos, quer por pressupor uma reflexão sobre o exercício profissional
dos enfermeiros especialistas nesta área de especialização.
Na definição dos Padrões de Qualidade dos Cuidados de Enfermagem 1 — Enquadramento Conceptual
Especializados na área de especialização em Enfermagem em Pessoa em Reiterando a adoção do enquadramento conceptual existente (Ordem
Situação Crítica, a Mesa do Colégio da Especialidade de Enfermagem dos Enfermeiros, 2001) acresce o presente enquadramento conceptual,
Médico-Cirúrgica (MCEEMC) teve a colaboração de uma Comissão que se constitui como uma base de trabalho da qual emergiram os enun-
de Apoio, formalmente nomeada pelo Conselho Diretivo da OE, por ciados descritivos de qualidade do exercício profissional dos enfermeiros
proposta da MCEEMC, de cujos trabalhos resultou uma primeira versão especialistas em enfermagem em pessoa em situação crítica.
enviada a um painel de peritos desta área de especialização propostos
pelos diferentes contextos de prática clínica, públicos e privados, após
solicitação do Conselho de Enfermagem, que foram analisadas e inclu- 1.1 — A Pessoa em Situação de Doença Crítica
ídos no documento presente à Assembleia do Colégio de Especialidade e/ou Falência Orgânica
que procedeu à sua aprovação. A pessoa em situação de doença crítica é aquela cuja vida está ame-
A definição dos Padrões de Qualidade dos Cuidados Especializa- açada por falência ou eminência de falência de uma ou mais funções
dos nesta área de especialização visa-se simples e de fácil utilização vitais e cuja sobrevivência depende de meios avançados de vigilância,
e aplicabilidade, no sentido de os mesmos servirem de norteadores e monitorização e terapêutica (Regulamento n.º 124/2011, publicado no
referenciais para a prática especializada do enfermeiro especialista em Diário da República, 2.ª série, n.º 35, de 18 de fevereiro de 2011).
Enfermagem em Pessoa em Situação Crítica.
Assim, nos termos da alínea i) do artigo 12.º, da alínea o) do n.º 1
do artigo 20.º e da alínea f) do n.º 4 do artigo 31.º-A, todos do Estatuto 1.2 — Situação de Catástrofe ou Emergência Multi-vítima
da Ordem dos Enfermeiros, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 104/98, de A catástrofe é definida, no artigo 3.º da Lei n.º 27/2006, de 3 de julho,
21 de abril, alterado e republicado em Anexo à Lei n.º 111/2009, de 16 de que aprova a Lei de Bases da Proteção Civil, como um acidente grave
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ou uma série de acidentes graves, suscetíveis de provocarem elevados 2 — Dados e Tendências
prejuízos materiais e, eventualmente, vítimas, afetando intensamente as O número crescente de doenças com início súbito e as crónicas que
condições de vida e o tecido socioeconómico em áreas ou na totalidade agudizam, o aumento e a complexidade dos acidentes, o acréscimo de
do território nacional. violência urbana e catástrofes naturais em que a falência ou risco de
A Emergência é a situação resultante da agressão sofrida por um falência de funções vitais podem conduzir a pessoa à morte se não forem
indivíduo por parte de um qualquer fator, que lhe origina a perda implementadas, em curto espaço de tempo, medidas de suporte de vida,
de saúde, brusca e violenta e que afetando-lhe, ou podendo poten- requerem um corpo de profissionais de enfermagem qualificados para
cialmente afetar-lhe, algum órgão vital, se não for imediatamente integrar equipas de atendimento em contextos extra e intra-hospitalar à
assistido, porá em grave risco a sua vida (Leiva, 2005 cit. in Andrade, pessoa/família em situação crítica.
2010). Com efeito, e apesar das francas melhorias observadas nos últimos
A Emergência multi-vítima envolve um número de vítimas suficien- anos, os esforços para reduzir a sinistralidade são sobejamente justifi-
temente elevado para alterar o normal funcionamento dos serviços de cados, quando ainda se verifica uma média de 2 vítimas mortais e 7 fe-
emergência e a prática de cuidados de saúde. Exige um conjunto de ridos graves, por dia, resultantes de acidentes de viação. (Observatório
procedimentos médicos de emergência com o propósito de salvar o de Segurança Rodoviária, 2010). Por outro lado, face ao aumento da
maior número de vidas e proporcionar o melhor tratamento às vítimas, longevidade, as doenças crónicas incapacitantes têm tendência a crescer
fazendo o melhor uso dos recursos disponíveis. exponencialmente.
Atendendo à diversidade das problemáticas de saúde cada vez mais
complexas e, por outro lado, uma exigência cada vez maior de padrões
1.3 — Prevenção e Controlo da Infeção Associada de qualidade na assistência em saúde, o enfermeiro especialista em
aos Cuidados à Pessoa em Situação Crítica enfermagem em pessoa em situação crítica assume-se como uma mais-
A Infeção Associada aos Cuidados de Saúde (IACS) é uma infeção -valia para a implementação de cuidados especializados de qualidade
adquirida pelos doentes em consequência dos cuidados e procedimentos do Sistema Nacional de Saúde Português.
de saúde prestados e que pode, também, afetar os profissionais de saúde
durante o exercício da sua atividade. (Direção-Geral da Saúde, 2008). 3 — Visão
A IACS, não sendo um problema novo, assume particular relevância Os Enfermeiros Especialistas em Enfermagem em Pessoa em Situação
na pessoa em situação crítica. À medida que dispomos de tecnologias Crítica são reconhecidos como elementos chave na resposta à necessi-
cada vez mais avançadas e invasivas, que aumenta a esperança de vida, dade de cuidados seguros das pessoas em situação crítica.
o número de doentes submetidos a terapêutica imunossupressora e anti-
bioterapia, também aumenta o risco de infeção. Estudos internacionais
«revelam que cerca de um terço das infeções adquiridas no decurso da 4 — Enunciados Descritivos dos Cuidados de Enfermagem
prestação de cuidados são seguramente evitáveis» (Direção-Geral da Especializados em Pessoa em Situação Crítica
Saúde, 2007, p. 4). Os enunciados descritivos de qualidade do exercício profissional dos
enfermeiros, visam explicitar a natureza e englobar os diferentes aspetos
do mandato social da profissão de enfermagem.
1.4 — Cuidados de Enfermagem Especializados Pretende-se que estes venham a constituir-se num instrumento im-
à Pessoa em Situação Crítica portante que ajude a precisar o papel do enfermeiro especialista junto
Os cuidados de enfermagem especializados à pessoa em situação dos clientes/grupos/comunidade, dos outros profissionais, do público
crítica são «cuidados altamente qualificados prestados de forma con- e dos políticos.
tínua à pessoa com uma ou mais funções vitais em risco imediato, Trata-se de uma representação dos cuidados que deve ser conhecida
como resposta às necessidades afetadas e permitindo manter as funções por todos os clientes [cf. Bednar, 1993 (1)], quer relativamente ao nível
básicas de vida, prevenindo complicações e limitando incapacidades, dos resultados mínimos aceitáveis, quer ao nível dos melhores resultados
tendo em vista a sua recuperação total. Estes cuidados de enfermagem que é aceitável esperar [Grimshaw & Russel, 1993 (2)].
exigem observação, colheita e procura contínua, de forma sistémica e Foram identificadas sete categorias de enunciados descritivos: satis-
sistematizada de dados, com os objetivos de conhecer continuamente a fação do cliente, promoção da saúde, prevenção de complicações, bem-
situação da pessoa alvo de cuidados, de prever e detetar precocemente -estar e auto cuidado, readaptação funcional, organização dos cuidados
e prevenção e controlo da infeção associada aos cuidados.
as complicações, de assegurar uma intervenção precisa, concreta, efi-
ciente e em tempo útil. E se, em situação crítica, a avaliação diagnóstica
e a monitorização constantes se reconhecem de importância máxima, 4.1 — A satisfação do cliente
cuidar da pessoa a vivenciar processos complexos de doença crítica Na procura permanente da excelência no exercício profissional, o
e ou falência orgânica é uma competência das competências clínicas enfermeiro especialista procura os mais elevados níveis de satisfação
especializadas — considera-se igualmente a resposta a situações de da pessoa a vivenciar processos complexos de doença crítica e ou fa-
catástrofe ou emergência multi-vítima, da conceção à ação, bem como a lência orgânica.
maximização da intervenção na prevenção e controlo da infeção perante São elementos importantes da satisfação da pessoa em situação crí-
a pessoa em situação crítica e ou falência orgânica, face à complexidade tica, relacionada com os cuidados de enfermagem especializados, entre
da situação» (Regulamento n.º 124/2011). outros:
Enfermeiro de cuidados gerais Enfermeiro especialista em pessoa em situação crítica
O respeito pelas capacidades, crenças, valores e desejos da natureza O empenho do enfermeiro especialista, tendo em vista minimizar o im-
individual do cliente; pacto negativo na pessoa em situação crítica, provocado pelas mudanças
A procura constante da empatia nas interações com o cliente; de ambiente forçadas pelas necessidades do processo de assistência
O estabelecimento de parcerias com o cliente no planeamento do processo de saúde;
de cuidados; A intervenção precisa, eficiente, em tempo útil, eficaz e de forma holística
O envolvimento dos conviventes significativos do cliente individual no face à pessoa em situação crítica;
processo de cuidados; A gestão da comunicação interpessoal e da informação à pessoa e família
O empenho do enfermeiro, tendo em vista minimizar o impacto negativo face à complexidade da vivência de processos de doença crítica e ou
no cliente, provocado pelas mudanças de ambiente forçadas pelas falência orgânica;
necessidades do processo de assistência de saúde. A implementação de técnicas de comunicação facilitadoras da relação
terapêutica em pessoas em situação crítica.
4.2 — A Promoção da Saúde
Na procura permanente da excelência no exercício profissional, o enfermeiro especialista promove a saúde da pessoa a vivenciar processos
complexos de doença crítica e ou falência orgânica.
17242 Diário da República, 2.ª série — N.º 123 — 26 de junho de 2015
São elementos importantes face à promoção da saúde da pessoa em situação crítica, entre outros:
Enfermeiro de cuidados gerais Enfermeiro especialista em pessoa em situação crítica
Identificação da situação de saúde da população e dos recursos do cliente/ A promoção do potencial de saúde da pessoa que vivenciou processos
família e comunidade; complexos de doença crítica e ou falência orgânica;
A criação e o aproveitamento de oportunidades para promover estilos de O fornecimento de informação geradora de aprendizagem cognitiva e de
vida saudáveis identificados; novas capacidades pela pessoa em situação crítica;
A promoção do potencial de saúde do cliente através da otimização do tra- A avaliação de ganhos em conhecimentos e capacidades visando a educa-
balho adaptativo aos processos de vida, crescimento e desenvolvimento; ção da pessoa/família para a gestão de processos complexos decorrentes
O fornecimento de informação geradora de aprendizagem cognitiva e de da situação crítica.
novas capacidades pelo cliente.
4.3 — A prevenção de complicações
Na procura permanente da excelência no exercício profissional, o enfermeiro especialista previne complicações para a saúde da pessoa a vivenciar
processos complexos de doença crítica e ou falência orgânica.
São elementos importantes face à prevenção de complicações na pessoa em situação crítica, entre outros:
Enfermeiro de cuidados gerais Enfermeiro especialista em pessoa em situação crítica
A identificação, tão rápida quanto possível, dos problemas potenciais A identificação, tão rápida quanto possível, dos problemas potenciais
do cliente, relativamente aos quais o enfermeiro tem competência (de da pessoa em situação crítica, relativamente aos quais o enfermeiro
acordo com o seu mandato social) para prescrever, implementar e ava- especialista tem competência (de acordo com o seu mandato social) para
liar intervenções que contribuam para evitar esses mesmos problemas prescrever, implementar e avaliar intervenções que contribuam para evi-
ou minimizar-lhes os efeitos indesejáveis; tar esses mesmos problemas ou minimizar-lhes os efeitos indesejáveis;
A prescrição das intervenções de enfermagem face aos problemas po- A prescrição de intervenções de enfermagem especializadas face aos focos
tenciais identificados; de instabilidade/problemas potenciais identificados;
O rigor técnico/científico na implementação das intervenções de enfer- O rigor técnico/científico na implementação das intervenções de enfer-
magem; magem especializadas;
A referenciação das situações problemáticas identificadas para outros A referenciação das situações problemáticas identificadas, para outros
profissionais, de acordo com os mandatos sociais dos diferentes pro- profissionais da equipa multidisciplinar envolvidos no processo de
fissionais envolvidos no processo de cuidados de saúde; cuidados à pessoa em situação crítica;
A supervisão das atividades que concretizam as intervenções de enfer- A referenciação para outros enfermeiros especialistas de acordo com área
magem e que foram delegadas pelo enfermeiro; de intervenção e perfil de competências de cada especialidade;
A responsabilização do enfermeiro pelas decisões que toma, pelos atos A supervisão das atividades que concretizam as intervenções de enferma-
que pratica e que delega. gem e que foram delegadas pelo enfermeiro especialista;
A responsabilização do enfermeiro especialista pelas decisões que toma,
pelos atos que pratica e que delega;
A correta execução de cuidados técnicos de alta complexidade;
A apropriada implementação de medidas de suporte avançado de vida;
A gestão adequada de protocolos terapêuticos complexos.
4.4 — O Bem-estar e o Autocuidado
Na procura permanente da excelência no exercício profissional, o enfermeiro especialista maximiza o bem-estar dos clientes e suplementa/com-
plementa as atividades de vida relativamente às quais o cliente é dependente.
São elementos importantes face ao bem-estar e auto cuidado da pessoa em situação crítica, entre outros:
Enfermeiro de cuidados gerais Enfermeiro especialista em pessoa em situação crítica
A identificação, tão rápida quanto possível, dos problemas do cliente, re- O rigor técnico/científico na implementação das intervenções de enfer-
lativamente aos quais o enfermeiro tem conhecimento e está preparado magem especializadas;
para prescrever, implementar e avaliar intervenções que contribuam A referenciação das situações problemáticas identificadas para outros
para aumentar o bem-estar e suplementar/complementar atividades de profissionais, da equipa multidisciplinar envolvidos no processo de
vida relativamente às quais o cliente é dependente; cuidados à pessoa em situação crítica;
A prescrição das intervenções de enfermagem face aos problemas iden- A supervisão das atividades que concretizam as intervenções de enferma-
tificados; gem e que foram delegadas pelo enfermeiro especialista;
O rigor técnico/científico na implementação das intervenções de enfer- A responsabilização do enfermeiro especialista pelas decisões que toma,
magem; pelos atos que pratica e pelos que delega;
A referenciação das situações problemáticas identificadas para outros A gestão diferenciada e eficaz da dor com a implementação de instru-
profissionais, de acordo com os mandatos sociais dos diferentes pro- mentos de avaliação da dor e de protocolos terapêuticos — medidas
fissionais envolvidos no processo dos cuidados de saúde; farmacológicas e não farmacológicas — para alívio da dor;
A supervisão das atividades que concretizam as intervenções de enfer- A gestão do impacto emocional imediato decorrente da situação crítica
magem e que foram delegadas pelo enfermeiro; vivenciada pela pessoa/família;
A responsabilização do enfermeiro pelas decisões que toma, pelos atos A gestão da relação terapêutica perante a pessoa/família, em situação
que pratica e pelos que delega. crítica;
A utilização de habilidades de relação de ajuda facilitadoras dos processos
de luto e morte digna.
4.5 — A readaptação funcional
Na procura permanente da excelência no exercício profissional, o enfermeiro especialista conjuntamente com o cliente desenvolve processos
eficazes de adaptação aos problemas de saúde.
Diário da República, 2.ª série — N.º 123 — 26 de junho de 2015 17243
São elementos importantes face à readaptação funcional da pessoa em situação crítica, entre outros:
Enfermeiro de cuidados gerais Enfermeiro especialista em pessoa em situação crítica
A continuidade do processo de prestação de cuidados de enfermagem; A continuidade do processo de prestação de cuidados de enfermagem
O planeamento da alta dos clientes internados em instituições de saúde, especializados;
de acordo com as necessidades dos clientes e os recursos da comu- O planeamento da alta da pessoa em situação crítica internada em ins-
nidade; tituições de saúde, de acordo com as necessidades dos clientes e os
O máximo aproveitamento dos diferentes recursos da comunidade; recursos da comunidade;
A otimização das capacidades do cliente e conviventes significativos para O ensino, a instrução e o treino da pessoa em situação crítica sobre a
gerir o regímen terapêutico prescrito; adaptação individual requerida face à readaptação funcional;
O ensino, a instrução e o treino do cliente sobre a adaptação individual A divulgação dos recursos da comunidade para complementar a readap-
requerida face à readaptação funcional. tação funcional da pessoa em situação crítica
4.6 — A organização dos cuidados Especializados
Na procura permanente da excelência no exercício profissional, o enfermeiro especialista assegura/garante a máxima eficácia na organização
dos cuidados de enfermagem especializados.
São elementos importantes face à organização dos cuidados de enfermagem especializados, entre outros:
Enfermeiro de cuidados gerais Enfermeiro especialista em pessoa em situação crítica
A existência de um quadro de referências para o exercício profissional A existência de um quadro de referências para o exercício profissional do
de enfermagem; enfermeiro especialista em pessoa em situação crítica;
A existência de um sistema de melhoria contínua da qualidade do exercício A existência de um sistema de melhoria contínua da qualidade do exercício
profissional dos enfermeiros; profissional especializado;
A existência de um sistema de registos de enfermagem que incorpore A existência de um sistema de registos de enfermagem que incorpore
sistematicamente, entre outros dados, as necessidades de cuidados de sistematicamente, entre outros dados, as necessidades de cuidados
enfermagem do cliente, as intervenções de enfermagem e os resultados de enfermagem especializados, as intervenções de enfermagem e os
sensíveis às intervenções de enfermagem obtidos pelo cliente; resultados sensíveis às intervenções de enfermagem especializadas e
A satisfação dos enfermeiros relativamente à qualidade do exercício a existência de um resumo mínimo de dados e core de indicadores de
profissional; enfermagem direcionados para o atendimento da pessoa em situação
O número de enfermeiros face à necessidade de cuidados de enfermagem; crítica;
A existência de uma política de formação contínua dos enfermeiros, A satisfação dos enfermeiros especialistas relativamente à qualidade do
promotora do desenvolvimento profissional e da qualidade; exercício profissional;
A utilização de metodologias de organização dos cuidados de enfermagem A dotação de enfermeiros especialistas face às necessidades de cuidados
promotoras da qualidade. especializados em enfermagem em pessoa em situação crítica;
A existência de uma política de formação contínua dos enfermeiros es-
pecialistas promotora do desenvolvimento profissional e da qualidade
da intervenção especializada;
A utilização de metodologias de organização dos cuidados de enfer-
magem especializados em pessoa em situação crítica promotoras da
qualidade;
A revisão de guias de boas práticas no domínio da pessoa em situação crítica;
A existência de um sistema de triagem promotor do atendimento susten-
tado em prioridades clínicas;
A utilização de metodologias de organização dos cuidados de enfermagem
especializados em pessoa em situação crítica promotoras da qualidade,
tendo em vista uma resposta eficaz e eficiente perante pessoas em
situação de catástrofe ou emergência multi-vítima.
4.7 — A prevenção e controlo da infeção associada aos cuidados
Na procura permanente da excelência no exercício profissional, face aos múltiplos contextos de atuação, à complexidade das situações e à neces-
sidade de utilização de múltiplas medidas invasivas, o enfermeiro especialista maximiza a intervenção na prevenção e controlo da infeção.
São elementos importantes face à prevenção e controlo da infeção, entre outros:
Enfermeiro de cuidados gerais Enfermeiro especialista em pessoa em situação crítica
A participação na conceção de um plano de prevenção e controlo de
infeção atualizado com base na evidência científica;
A participação na definição de estratégias de prevenção e controlo de
infeção a implementar no serviço/unidade;
A liderança na implementação do plano de intervenção e controlo de
infeção nomeadamente no que respeita ao estabelecimento de proce-
dimentos e circuitos, requeridos na prevenção e controlo da infeção,
face às vias de transmissão na pessoa em situação crítica;
A capacitação das equipas de profissionais na área da prevenção e do
controlo da infeção associado aos cuidados à pessoa em situação crítica.
(1) BEDNAR, D — Developing clinical guidelines: an interview with Ada Jacox, ANNA Journal 20(2), 121-126.
(2) GRIMSHAW, J; RUSSEL, I — Achieving health gain through clinical guidelines. Developing scientifically valid guidelines, Quality in health
care 2, 243-248.
3 de junho de 2015. — O Bastonário, Germano Rodrigues Couto.
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