0% acharam este documento útil (0 voto)
885 visualizações4 páginas

Marsupiais: Reprodução e Diversidade

Os principais pontos do documento são: 1) Marsupiais são mamíferos que dão à luz filhotes pouco desenvolvidos que completam seu desenvolvimento em uma bolsa na barriga da mãe chamada de marsúpio; 2) Existem cerca de 260 espécies de marsupiais, a maioria na Austrália, como cangurus e coalas; 3) Sua reprodução diferencia-se dos demais mamíferos pela curta gestação e dependência dos filhotes no marsúpio da mãe.

Enviado por

plasmideok
Direitos autorais
© Attribution Non-Commercial (BY-NC)
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOC, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
885 visualizações4 páginas

Marsupiais: Reprodução e Diversidade

Os principais pontos do documento são: 1) Marsupiais são mamíferos que dão à luz filhotes pouco desenvolvidos que completam seu desenvolvimento em uma bolsa na barriga da mãe chamada de marsúpio; 2) Existem cerca de 260 espécies de marsupiais, a maioria na Austrália, como cangurus e coalas; 3) Sua reprodução diferencia-se dos demais mamíferos pela curta gestação e dependência dos filhotes no marsúpio da mãe.

Enviado por

plasmideok
Direitos autorais
© Attribution Non-Commercial (BY-NC)
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOC, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

Marsupiais

Mamíferos com uma reprodução peculiar


Alice Dantas Brites*

O gambá possui hábitos noturnos, alimenta-se de frutos e pequenos animais


Os marsupiais são mamíferos pertencentes à subclasse Theria. Esta subclasse é dividida em duas
infraclasses: Metatheria e Eutheria. Os metatérios são os marsupiais e os eutérios correspondem aos
mamíferos chamados de placentários. Existem cerca de 260 espécies de marsupiais, sendo que a
grande maioria é nativa da Austrália ou das ilhas vizinhas.

A menor espécie mede apenas alguns centímetros e não chega a pesar nem 10 gramas, já as maiores
podem medir mais de 1,50 m e pesar até 90 kg. Alguns exemplos destes animais são o canguru, o
gambá, a cuíca, o diabo-da-tasmânia e o coala.

Origem

Acredita-se que os marsupiais tenham se originado na América do Norte, durante o Cretáceo Inferior,
e de lá se dispersado para a América do Sul, Europa, Ásia, norte da África e Oceania. No entanto,
durante o Cenozóico Médio, sofreram uma grande extinção e, atualmente, o único marsupial
encontrado na América do Norte é uma espécie de gambá (Didelphis sp.). Hoje em dia a maioria das
espécies é encontrada na América do Sul e na Austrália.

Alguns cientistas acreditam que este desaparecimento ocorreu devido à competição com os mamíferos
eutérios, outros afirmam que foi apenas uma conseqüência da extinção de muitos mamíferos que
ocorreu naquela era.

Reprodução

O nome "marsupial" vem do latim marsupiu, que significa pequena bolsa, e está relacionado à
presença de uma bolsa de pele no ventre da fêmea, conhecida como marsúpio. Porém, nem todos os
marsupiais possuem um marsúpio bem desenvolvido. Em algumas espécies esta bolsa só se forma
durante o período reprodutivo, enquanto em outras está totalmente ausente.

O aparelho reprodutor dos marsupiais é bem diferente dos demais mamíferos. As fêmeas possuem dois
úteros, duas vaginas laterais e uma vagina mediana, também chamada de canal pseudovaginal. As
vaginas laterais servem apenas para conduzir o esperma para o interior dos úteros. O canal
pseudovaginal permanece fechado até o momento do parto, quando se abre para permitir o nascimento
do filhote.

Os machos possuem um pênis bifurcado que possibilita a disseminação do sêmen para o interior das
duas vaginas da fêmea. Os marsupiais possuem apenas a placenta cório-vitelínica, desenvolvida a
partir de membranas embrionárias. Nos mamíferos eutérios, após esta estrutura inicial, uma outra
placenta se desenvolve, é a chamada placenta cório-alantóidea.

Gestação e nascimento

O período de gestação costuma ser muito breve, em geral por volta de 40 dias. Os marsupiais recém-
nascidos são chamados de altriciais. Este nome é atribuído a todos os filhotes que nascem num estágio
pouco desenvolvido e, por isso, dependem de um cuidado parental intensivo.

Os frágeis marsupiais nascem com cerca de 2 a 5 cm de comprimento, ainda não enxergam nem
possuem pêlos. No entanto, os seus membros anteriores são bem desenvolvidos assim como os
músculos faciais e da língua. Estas características permitem que eles se prendam fortemente aos
mamilos existentes no interior do marsúpio e comecem a mamar imediatamente.

Os filhotes permanecem no marsúpio até completar seu desenvolvimento. Nas espécies que não
possuem marsúpio, os filhotes ficam agarrados aos mamilos das mães entre pequenas dobras de pele
da região ventral.

O tempo de desenvolvimento dos filhotes no interior do marsúpio é bem maior do que o período de
gestação, levando de algumas semanas até meses. E, em vários grupos, a lactação continua mesmo nos
indivíduos jovens, que podem ser observados entrando e saindo da bolsa da fêmea.

Geralmente, como é o caso dos cangurus, para chegar até o marsúpio os filhotes literalmente escalam o
corpo da mãe, agarrando-se em seus pêlos. Esta apenas lambe o caminho entre a vagina e a bolsa, mas
não o ajuda em sua escalada. Existem algumas espécies nas quais os filhotes, ao nascerem, caem
diretamente da vagina para o interior do marsúpio.

Hábitos

Os marsupiais possuem diversos hábitos alimentares e de locomoção. Existem espécies carnívoras,


como o diabo-da-tasmânia, herbívoras, como os coalas, e onívoras, como os gambás. Algumas
espécies estão adaptadas para viver sobre as árvores (arborícolas), outras para cavar túneis
subterrâneos, enquanto outras podem correr atingindo grandes velocidades.

O canguru, por exemplo, possui os membros posteriores alongados e musculosos sendo capaz de
correr a uma velocidade de cerca de 50 km por hora e saltar até 2 m de altura.

Marsupiais no Brasil

Dois marsupiais muito comuns no Brasil são o gambá e a cuíca.

O gambá possui hábitos noturnos, alimenta-se de frutos e pequenos animais. Muito comum na mata
atlântica, ele se adapta facilmente às áreas urbanas e pode ser visto em ruas ou sobre árvores. Como
forma de defesa, sempre que se sente ameaçado, o gambá pode se fingir de morto e exalar um forte
odor. É inofensivo ao homem, porém, por falta de informação, muitas vezes é confundido com
ratazanas ou é tido como uma espécie ameaçadora, sendo morto de forma cruel.

A cuíca também possui hábitos noturnos e alimenta-se de pequenos frutos. É considerada uma espécie
muito importante para a dispersão das sementes de algumas árvores. Isso porque a cuíca é capaz de
percorrer grandes distâncias no interior das matas à procura de alimento. Nesta busca, as cuícas
acabam espalhando, junto com as suas fezes, as sementes dos frutos que ingeriram. Diferentemente
dos gambás, as cuícas não são comuns em ambientes urbanos.

*Alice Dantas Brites é professora de biologia.

Marsupiais
Hoje os marsupiais estão agrupados numa única ordem denominada Marsupialia. Todavia um número
crescente de zoólogos considera este grupo mais propriamente dividido em pelo menos duas ordens.
Esta última classificação, que apresenta um número muito maior de famílias do que a classificação
tradicional, é mais razoável, já que os marsupiais incluem espécies que são tão diversas em morfologia
e ecologia como as toupeiras, os coelhos, os ratos, os esquilos voadores, os lobos e os antílopes.
Os marsupiais estão unidos primeiramente devido a um aspecto reprodutivo comum. Todavia, os
demais eutheria também compartilham um método reprodutivo comum, mas estão divididos em 19
ordens diferentes.
Os marsupiais compreendem três ordens e oito famílias. Estão distribuídos principalmente pelo
continente Australiano, sendo que ocorrem muitas espécies na América do Sul e algumas poucas na
América do Norte. A dispersão dos marsupiais provavelmente ocorreu próximo ao fim do Cretáceo,
quando a Austrália, Antártica e América do Sul ainda formavam uma única massa continental. O local
mais provável para a origem dos marsupiais é a Austrália.
Como os marsupiais evoluíram principalmente no sul, eles teriam muito menos espaço para se
diversificar do que os placentários, e muito mais dificuldade em conseguir uma vasta distribuição
geográfica. Tais fatores ao invés de lhes conferirem alguma inferioridade, podem explicar sua atual
distribuição restrita.
Existem 12 famílias extintas conhecidas de marsupiais. O limite geológico é desde o Mioceno ao
Recente na Austrália, Cretáceo Médio até o recente na América do Norte, Cretáceo tardio até o
Recente na América do Sul, Eoceno precoce ao Mioceno Médio na Europa, e Oligoceno na Ásia
Central e África do Norte. Recentemente, os restos fossilizados de um marsupial pertencente a uma
família extinta, Polydolopidae, foram descobertos em depósitos do Eoceno tardio na Ilha Seymour,
distante da Península Antártica mais ao Norte. Esta descoberta, suporta a teoria de uma dispersão
precoce dos marsupiais através dos continentes do sul.
Reprodução - as principais características que distinguem os marsupiais dos demais mamíferos, estão
relacionadas a aspectos anatômicos e fisiológicos da reprodução. A presença do marsúpio, entretanto,
não é nem a única e nem a característica mais diagnóstica dos marsupiais. O marsúpio bem
desenvolvido, está presente nos marsupiais que trepam ou escalam (falangerídeos), pulam (cangurus),
escavam (vombates) ou nadam (yapoc), mas em alguns marsupiais pequenos e terrestres o marsúpio
não está presente. Em certos didelfídeos e dasiurídeos, entre outros, a bolsa consiste apenas em dobras
da pele em torno das mamas, que ajudam a proteger os filhotes.
Muitos marsupiais desenvolvem bolsas somente durante a estação reprodutiva. Quando bem
desenvolvidas as bolsas podem se abrir anteriormente ou posteriormente dependendo do gênero. As
mamas são geralmente abdominais e estão localizadas dentro das bolsas quando estas estão presentes.
Nos marsupiais falta uma placenta completa, todavia existe uma estrutura membranosa facilitando a
passagem dos nutrientes do corpo da mãe para o embrião no útero. Os mamíferos que desenvolvem
uma placenta completa são denominados de placentários.
O período de gestação é curto nos marsupiais, se comparados com placentários de tamanho
equivalente. Os filhotes são paridos num estado praticamente embriônico. O recém nascido arrasta-se
anteriormente da abertura urogenital até os mamilos que se expandem nas suas bocas assegurando uma
fixação firme. Ao contrário do que se pensava, os recém-nascidos não são auxiliados pela mãe durante
o seu movimento até os mamilos.
O processo reprodutivo dos marsupiais, freqüentemente considerado menos avançado e menos
eficiente do que nos placentários, pode ter as suas vantagens. A fêmea dos marsupiais investe
relativamente poucos recursos durante o breve período de gestação de sua cria. Sua fase mais
comprometedora é durante a lactação em que o animal está mais sujeito as adversidades do ambiente.
O marsupial que perde o filhote, esta apto a fazer uma segunda tentativa mais rapidamente e em
condições melhores do que faria um placentário em condições semelhantes. Este meio de reprodução
talvez possa ser entendido como uma alternativa dinâmica e conveniente da história evolutiva
particular dos marsupiais, ao invés de ser entendido como um estado primitivo que permaneceu
inalterado.
Estudos recentes de laboratório tem mostrado que o aprendizado e a habilidade em resolver problemas
nos marsupiais, é igual ou melhor do que em alguns grupos de placentários. É verdade que alguns
marsupiais australianos perderam terreno quando placentários foram introduzidos pela atividade
humana. O opossum da Virgínia, entretanto, continuou a prosperar, e mesmo a aumentar sua área de
distribuição na América do Norte, a despeito da multidão de competidores placentários.
Quando introduzido na Costa Oeste, este marsupial rapidamente expandiu sua área de distribuição.
Outros marsupiais também mostraram sucesso quando introduzidos, notavelmente o opossum rabo-de-
escova, na Nova Zelândia e os wallabies na Nova Zelândia, Grã-Bretanha, Alemanha e Havaí.
Gambá é um dos mamíferos marsupiais que ocorre no Brasil é o gambá (Didelphis sp.). O gambá é
extremamente comum na Floresta Atlântica e é facilmente observado perambulando pelas estradas e
ruas durante a noite, já que seus hábitos são noturnos. Vive solitário, e alimenta-se de insetos,
pequenos animais, vermes, pequenos frutos e até cobras. Logo que nascem seus filhotes sobem para o
marsúpio, onde encontram as tetas para alimentarem-se do leite da mãe, até que com 4 meses, ficam
grandes demais para morarem lá dentro. Seus filhotes nascem depois de 12 a 13 dias de gestação.
Nascem 5 a 6 gêmeos.
Não está ameaçado, porém é corriqueiro o fato de crianças e até mesmo adultos matarem estes animais
quando encontrados. São animais inofensivos e muito úteis já que ajudam a controlar a quantidade de
insetos. Normalmente não são mantidos em zoológicos por serem noturnos. Isto colabora com a falta
de informação da população a respeito da biologia deste animal interessante tipicamente americano.
Cuíca - é um marsupial parente do canguru e que é muitas vezes confundido com o gambá, é um
grande preservador da gabiroba, uma árvore em extinção. A cuíca, assim como inúmeros outros seres
vivos, promovem a degradação da matéria orgânica e a fertilização da terra, o que as coloca como
membros de um grupo especial de animais, batizados por pesquisadores de jardineiros da floresta.
De hábito noturno, a cuíca se alimenta principalmente de frutos, algumas vezes produzidos por árvores
em extinção, caso da gabiroba que está desaparecendo e se tornando a cada dia mais rara. Capazes de
percorrer 500 metros por noite na mata, o animal espalha, junto com as fezes, as sementes das frutas
que ingeriu. Com uma vantagem: essas sementes passaram pelo trato intestinal do animal e ali tiveram
seu estado de dormência quebrado, tornando-se aptas para a germinação.

Você também pode gostar