Escola de Frankfurt e Filosofia Contemporânea
Escola de Frankfurt e Filosofia Contemporânea
FRENTE U | CAPÍTULO 02
PENSADORES CONTEMPORÂNEOS
A ESCOLA DE FRANKFURT
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FILOSOFIA - FRENTE U - CAPÍTULO 02 PENSADORES CONTEMPORÂNEOS
THEODOR ADORNO
Benjamin nasceu em Berlim, na Alemanha, em 1892. Estudou
na Universidade de Freiburg e, posteriormente, integrou o do
Instituto de Pesquisa Social, Escola de Frankfurt. Em 1926,
tornou-se amigo de Adorno e Horkheimer. Benjamin exilou-se em
Paris, após a ascensão do nazismo na Alemanha. Entretanto, com
a ocupação da França e temendo ser capturado pela Gestapo, ele
cometeu suicídio em 1940.
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FILOSOFIA - FRENTE U - CAPÍTULO 02 PENSADORES CONTEMPORÂNEOS
Para Benjamin, a arte dirigida às massas poderia ser entendida Habermas nasceu em Düsseldorf, na Alemanha, em 1929.
como instrumento de politização, na medida em que possibilita Estudou em Bonn e Marburgo. Entre 1956 e 1959, Habermas
um processo de democratização da cultura, ou seja, tornava trabalhou como assistente de Adorno, no Instituto de Pesquisa
o acesso a obras de arte um direito universal, deixando de ser Social.
privilégio de uma elite. Habermas analisou o desenvolvimento da sociedade industrial,
Ainda segundo ele, a destruição da aura da arte ocorre por o capitalismo tardio e o estabelecimento de procedimentos de
meio da reprodução técnica, ou seja, a reprodução por meio de legitimação de relações éticas e sociais na contemporaneidade.
determinadas técnicas permite a criação de objetos artísticos Além disso, ele discute os pressupostos e condições da ação
em série. comunicativa nos diferentes contextos do uso da linguagem.
“Em suma, o que é a aura? É uma figura singular, composta de Habermas formulou o conceito de razão comunicativa visando
elementos espaciais e temporais: a aparição única de uma coisa estabelecer um elo entre a razão teórica e a razão pratica. Desse
distante, por mais perto que ela esteja. Observar, em repouso, modo, a linguagem é vista como instrumento para a compreensão
numa tarde de verão, uma cadeia de montanhas no horizonte, ou dos homens em suas relações sociais.
um galho, que projeta sua sombra sobre nós, significa respirar a
aura dessas montanhas, desse galho. Graças a essa definição, é • A ética discursiva
Elogio da dialética
JÜRGEN HABERMAS
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disso, o ser humano não nasce pronto, ele vai se formando na sua
infinito e de finito, de temporal e de eterno, de liberdade e relação com o mundo e com as coisas do mundo. Sendo assim,
de necessidade, é, em suma, uma síntese. Uma síntese é a cada pessoa é um projeto que se realiza no mundo.
relação de dois termos. Sob este ponto de vista, o eu não
existe ainda. • Vidas autêntica e inautêntica
KIERKEGAARD, Sören. O Desespero Humano (Doença até a morte). Rio de
Janeiro: Abril Cultural, 1988. p. 195.
A Vida autêntica: o homem chama para se a responsabilidade,
aceita sua finitude e evita deixar-se levar pelas trivialidades
MARTIN HEIDEGGER cotidianas.
• A angústia
• As existenciais
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Um dos principais pensadores da pós-modernidade, Foucault No panóptico, o detento se sente vigiado o tempo todo. Sendo
centrou sua investigação em temas como instituições sociais, assim, o indivíduo torna-se o princípio de sua própria sujeição, ou
sexualidade e poder. seja, para Foucault, esse mecanismo de controle e disciplinamento
Foucault afirmava que as sociedades modernas apresentavam é uma expressão de sujeição.
uma nova organização do poder. Para ele, o poder fragmentou-se
em micropoderes e tornou-se muito mais eficaz. Nas palavras de Foucault
GILLES DELEUZE
• O panóptico
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• O anti-Édipo
JOHN RAWLS
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QUESTÃO 03
SEÇÃO VESTIBULARES
(UEL) “O que os homens querem aprender da natureza é como
aplicá-la para dominar completamente sobre ela e sobre os
homens. Fora isso, nada conta. [...] O que importa não é aquela
QUESTÃO 01 satisfação que os homens chamam de verdade, o que importa é
a operation, o procedimento eficaz. [...] A partir de agora, a matéria
(UNESP) Uma obra de arte pode denominar-se revolucionária deverá finalmente ser dominada, sem apelo a forças ilusórias que a
se, em virtude da transformação estética, representar, no governem ou que nela habitem, sem apelo a propriedades ocultas.
destino exemplar dos indivíduos, a predominante ausência de O que não se ajusta às medidas da calculabilidade e da utilidade
liberdade, rompendo assim com a realidade social mistificada é suspeito para o iluminismo [...] O iluminismo se relaciona com
e petrificada e abrindo os horizontes da libertação. Esta tese as coisas assim como o ditador se relaciona com os homens. Ele
implica que a literatura não é revolucionária por ser escrita para os conhece, na medida em que os pode manipular. O homem de
a classe trabalhadora ou para a “revolução”. O potencial político ciência conhece as coisas, na medida em que as pode produzir.”
da arte baseia-se apenas na sua própria dimensão estética. A sua ADORNO, Theodor; HORKHEIMER, Max. Conceito de Iluminismo. Trad. Zeljko Loparic e
relação com a práxis (ação política) é inexoravelmente indireta e Andréa M. A . C. Loparic. 2. ed. São Paulo: Victor Civita, 1983. p. 90-93.
frustrante. Quanto mais imediatamente política for a obra de arte,
mais reduzidos são seus objetivos de transcendência e mudança. Com base no texto e nos conhecimentos sobre a racionalidade
FILOSOFIA - FRENTE U - CAPÍTULO 02
Nesse sentido, pode haver mais potencial subversivo na poesia de instrumental em Adorno e Horkheimer, é correto afirmar:
Baudelaire e Rimbaud que nas peças didáticas de Brecht.
Herbert Marcuse. A dimensão estética, s/d. A. A razão iluminista proporcionou ao homem a saída da
menoridade da qual ele era culpado e permitiu o pleno uso
Segundo o filósofo, a dimensão estética da obra de arte da razão, dispensando a necessidade de tutores para guiar as
caracteriza-se por suas ações.
B. O procedimento eficaz, aplicado segundo as regras da
A. apresentar conteúdos ideológicos de caráter conservador da calculabilidade e da utilidade, está desvinculado da esfera das
ordem burguesa. relações humanas, pois sua lógica se restringe aos objetos da
B. comprometer-se com as necessidades de entretenimento dos natureza.
consumidores culturais. C. A racionalidade instrumental gera de forma equânime
C. estabelecer uma relação de independência frente à conjuntura conforto e bem estar para as pessoas na esfera privada e
política imediata. confere um maior grau de liberdade na esfera social.
D. subordinar-se aos imperativos políticos e materiais de D. A visão dos autores sobre a racionalidade instrumental guarda
transformação da sociedade. um reconhecimento positivo para setores específicos da alta
E. contemplar as aspirações políticas das populações tecnologia, sobretudo aqueles vinculados à informática.
economicamente excluídas. E. Contrariando a tese do projeto iluminista que opõe mito e
iluminismo, os autores entendem que há uma dialética entre
QUESTÃO 02 essas duas dimensões que resulta no domínio perpetrado pela
razão instrumental.
(UEL) Leia o texto de Adorno a seguir.
QUESTÃO 04
Se as duas esferas da música se movem na unidade da sua
contradição recíproca, a linha de demarcação que as separa é (UFMA) “A rua era das mais animadas da cidade; por todo o dia
variável. A produção musical avançada se independentizou do estivera cheia de gente. Mas agora, ao anoitecer, a multidão
consumo. O resto da música séria é submetido à lei do consumo, crescia de um minuto para outro; e quando se acenderam os
pelo preço de seu conteúdo. Ouve-se tal música séria como lampiões de gás, duas densas, compactas correntes de transeuntes
se consome uma mercadoria adquirida no mercado. Carecem cruzavam diante do café. Jamais me sentira num estado de ânimo
totalmente de significado real as distinções entre a audição da como o daquela tarde; e saboreei a nova emoção que de mim se
música “clássica” oficial e da música ligeira. apossara ante o oceano daquelas cabeças em movimento. Pouco
ADORNO, T. W. O fetichismo na música e a regressão da audição. In: BENJAMIN, W. et
all. Textos escolhidos. 2. ed.São Paulo: Abril Cultural, 1987. p. 84.
a pouco perdi de vista o que acontecia no ambiente em que me
encontrava e abandonei-me completamente à contemplação da
Com base no texto e nos conhecimentos sobre o pensamento de cena externa.”
Walter Benjamin – Sobre alguns temas em Baudelaire
Adorno, é correto afirmar:
O texto nos leva a uma compreensão de estética como:
A. A música séria e a música ligeira são essencialmente críticas à
sociedade de consumo e à indústria cultural. A. uma concepção de que o belo não está em uma forma definida,
B. Ao se tornarem autônomas e independentes do consumo, a mas na plasticidade do cotidiano.
música séria e a música ligeira passam a realçar o seu valor de B. um estudo do caos humano representado pela multidão e suas
uso em detrimento do valor de troca. relações econômicas.
C. A indústria cultural acabou preparando a sua própria C. estabelecimento de um padrão de beleza para a obra de arte.
autorreflexividade ao transformar a música ligeira e a séria em D. técnica de reprodução da obra de arte em massa.
mercadorias. E. imitação do mundo sensível.
D. Tanto a música séria quanto a ligeira foram transformadas em
mercadoria com o avanço da produção industrial.
E. As esferas da música séria e da ligeira são separadas e nada
possuem em comum.
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De maior gravidade são as consequências que um conceito A. A indústria cultural limita-se a atender aos desejos que surgem
restrito de moral comporta para as questões da ética do meio espontaneamente da massa de consumidores, satisfazendo as
ambiente. O modelo antropocêntrico parece trazer uma espécie aspirações conscientes de indivíduos autônomos e livres que
de cegueira às teorias do tipo kantiano, no que diz respeito às escolhem o que querem.
questões da responsabilidade moral do homem pelo seu meio B. A indústria cultural tem um desempenho pouco expressivo na
ambiente. produção dos desejos e necessidades dos indivíduos, mas ela é
HABERMAS, Jürgen. Comentários à Ética do Discurso. Trad. de Gilda Lopes Encarnação eficiente no sentido de que traz a satisfação destes desejos e
Lisboa: Instituto Piaget, 1999, p.212. necessidades.
C. A indústria cultural planeja seus produtos determinando
Com base no texto e nos conhecimentos sobre a Ética do Discurso, o que os consumidores desejam de acordo com critérios
é correto afirmar que a ética mercadológicos. Para atingir seus objetivos comerciais, ela
cria o desejo, mas, ao mesmo tempo, o indivíduo é privado do
A. abrange as ações isoladas das pessoas visando adequar-se às acesso ao prazer e à satisfação prometidos.
mudanças climáticas e às catástrofes naturais.
D. O entretenimento que veículos como o rádio, o cinema e as
B. corresponde à maneira como o homem deseja construir e
revistas proporcionam ao público não pode ser entendido
realizar plenamente a sua existência no planeta.
C. compreende a atitude conservacionista que o sistema como forma de exploração dos bens culturais, já que a cultura
econômico adota em relação ao ambiente. está situada fora desses canais.
D. implica a instrumentalização dos recursos tecnológicos em E. A produção em série de bens culturais padronizados permite
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que a obra de arte preserve a sua capacidade de ser o suporte importar com os acontecimentos sociais e políticos de seu
de manifestação e realização do desejo: a cada nova cópia, a tempo.
crítica se renova. B. Para Sartre, a angústia decorre da falta de fé em Deus e não
do fato de sermos absolutamente livres ou como ele afirma “o
QUESTÃO 09 homem está condenado a ser livre”.
C. As ações humanas são o reflexo do equilíbrio entre o livre-
(UEL) “A diversão é o prolongamento do trabalho sob o capitalismo arbítrio e os planos que Deus estabelece para cada pessoa,
tardio. Ela é procurada por quem quer escapar ao processo consistindo nisto a verdadeira liberdade.
de trabalho mecanizado, para se pôr de novo em condições de D. Para Sartre, as ações das pessoas dependem somente das
enfrentá-lo. Mas, ao mesmo tempo, a mecanização atingiu um escolhas e dos projetos que cada um faz livremente durante a
tal poderio sobre a pessoa em seu lazer e sobre a sua felicidade, vida e não da suposição da existência e, portanto, das ordens
ela determina tão profundamente a fabricação das mercadorias de Deus.
destinadas à diversão, que esta pessoa não pode mais perceber
outra coisa senão as cópias que reproduzem o próprio processo QUESTÃO 11
de trabalho”.
ADORNO, Theodor; HORKHEIMER, Max. Dialética do esclarecimento. Trad. de Guido (UNB) Entramos no quarto. Encurvada em semicírculo sobre o
Antônio de Almeida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1997. p.128.
leito, outra criatura que não a minha avó, uma espécie de animal
que se tivesse disfarçado com os seus cabelos e deitado sob
Com base no texto e nos conhecimentos sobre trabalho e lazer no
os seus lençóis, arquejava, gemia, sacudia as cobertas com as
capitalismo tardio, em Adorno e Horkheimer, é correto afirmar:
suas convulsões. As pálpebras estavam fechadas, e era porque
fechavam mal, antes que porque se abrissem, que deixavam ver
A. Há um círculo vicioso que envolve o processo de trabalho e um canto da pupila, velado, remeloso, refletindo a obscuridade
os momentos de lazer. Com o objetivo de fugir do trabalho
de uma visão orgânica e de um sofrimento interno. Quando
mecanizado e repor as forças, o indivíduo busca refúgio no
meus lábios a tocaram, as mãos de minha avó agitaram-se, ela foi
lazer, porém o lazer se estrutura com base na mesma lógica
percorrida inteira por um longo frêmito, ou reflexo, ou porque
mecanizada do trabalho.
certas afeições possuam a sua hiperestesia, que 2reconhece,
B. Apesar de se apresentarem como duas dimensões de através do véu da inconsciência, aquilo que elas quase não
um mesmo processo, lazer e trabalho se diferenciam no
têm necessidade dos sentidos para querer. Súbito, minha avó
capitalismo tardio, na medida em que o primeiro é o espaço do
ergueu-se a meio, fez um esforço violento, como alguém que
desenvolvimento das potencialidades individuais, a exemplo
defende a própria vida. Françoise não pôde resistir, ao vê-lo, e
da reflexão.
rompeu em soluços. Lembrando-me do que o médico havia dito,
C. Mesmo sendo produzidas de acordo com um esquema quis fazê-la sair do quarto. Nesse momento, minha avó abriu os
mercadológico que fabrica cópias em ritmo industrial, as
olhos. Precipitei-me sobre Françoise para lhe ocultar o pranto,
mercadorias acessadas nos momentos de lazer proporcionam
enquanto meus pais falassem à enferma. O ruído do oxigênio
ao indivíduo plena diversão e cultura.
calara-se, o médico afastou-se do leito. Minha avó estava morta.
D. Tanto o trabalho quanto o lazer preservam a autonomia A vida, retirando-se, acabava de carregar as desilusões da vida.
do indivíduo, mesmo nos processos de mecanização que
Um sorriso parecia pousado nos lábios de minha avó. Sobre
caracterizam a fabricação de mercadorias no capitalismo
aquele leito fúnebre, a morte, como o escultor da Idade Média,
tardio.
tinha-a deitado sob a aparência de menina e moça.
E. As atividades de lazer no capitalismo tardio, como o cinema Marcel Proust. Em busca do tempo perdido: o caminho de Guermantes. vol. 3, 3ª ed. rev.
e a televisão, são caminhos para a politização e aquisição de Trad. Mario Quintana. São Paulo: Globo, 2006, p. 376-7 (com adaptações).
cultura pelas massas, aproximando-as das verdadeiras obras
de arte. Para Sartre, os seres dividem-se em seres-em-si e seres-parasi.
Os seres-em-si não possuem, segundo esse filósofo, consciência,
QUESTÃO 10 ao passo que os seres-para-si são dotados de uma consciência
que lhes possibilita constituírem-se sempre como projeto, pelo
(UFU) Jean-Paul Sartre (1905 – 1980) encontrou um motivo de qual dirigem seu presente a partir de sua liberdade. Com base
reflexão sobre a liberdade na obra de Dostoievski Os irmãos na divisão sartreana entre seres-em-si e seres-para-si e suas
Karamazov: “se Deus não existe, tudo é permitido”. A partir daí relações com a temporalidade, a vida e a morte, verifica-se, na
teceu considerações sobre esse tema e algumas consequências passagem do texto de Proust apresentada, que
que dele podem ser derivadas.
A. a personagem acamada, a despeito de ser, quando ainda viva,
[...] tudo é permitido se Deus não existe e, por conseguinte, o biologicamente um ser humano, não é mais um ser-para-si na
homem está desamparado porque não encontra nele próprio situação narrada.
nem fora dele nada a que se agarrar. Para começar, não encontra B. a transição do ser-para-si ao ser-em-si só ocorre, efetivamente,
desculpas. [...] Estamos sós, sem desculpas. É o que posso com a morte biológica da personagem acamada, uma vez que a
expressar dizendo que o homem está condenado a ser livre. temporalidade do ser-em-si é a de um eterno presente.
Condenado, porque não se criou a si mesmo, e como, no entanto, C. a noção de vida e a de morte que perpassam a descrição do
é livre, uma vez que foi lançado no mundo, é responsável por tudo estado da personagem acamada ocupam, respectivamente, os
o que faz. lugares semânticos de ser-para-si e ser-em-si.
SARTRE, Jean-Paul. O existencialismo é um humanismo. São Paulo: Nova Cultural, 1987, D. a proposição de Sartre de que “o ser humano não pode não
p. 9 (coleção “Os Pensadores”).
ser livre” estabelece uma relação de subordinação entre sua
concepção do que é um ser humano e a concepção biológica
Com base em seus conhecimentos sobre a filosofia existencialista desse conceito.
de Sartre e nas informações acima, assinale a alternativa correta.
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FILOSOFIA - FRENTE U - CAPÍTULO 02 EXERCÍCIOS
“Para os comunitaristas, os liberais (universalistas) estariam A. Hans Jonas entende que a superação do medo é primordial
simplesmente preocupados com a questão de como estabelecer para uma ética da responsabilidade, pois é através dela
princípios de justiça que poderiam determinar a submissão que o ser humano poderá agir e refletir sobre o destino da
voluntária de todos os indivíduos racionais, mesmo de pessoas humanidade.
com visões diferentes sobre a vida boa. O que se estabelece B. A heurística do medo é um medo paralisante e patológico, que
como crítica é que, para os comunitaristas, os princípios morais impede o despertar para o pensar e para o agir em prol de um
só podem ser tematizados a partir de sociedades reais, a partir futuro melhor.
das práticas que prevalecem nas sociedades reais. Para eles, em C. A heurística do medo pode ser considerada a incapacidade
John Rawls, encontram-se premissas abstratas de base como humana de resolver problemas inesperados, visto que falta
a liberdade e a igualdade que orientam (ou devem orientar) as coragem para superar o medo.
práticas legítimas. A questão colocada é que, na interpretação D. A heurística do temor não é seguramente a última palavra
comunitarista, a prática tem precedência sobre a teoria, e não na busca do bem, mas um veículo extraordinariamente
seria plausível que pessoas que vivem em sociedades reais útil. Deveria ser aproveitada para o empreendimento de
identifiquem princípios abstratos para sua existência. A crítica preservação do planeta, podendo, dessa forma, acordar para
comunitarista aponta como insuficiente a tentativa de identificar a possibilidade de uma catástrofe, provocando a necessidade
princípios abstratos de moralidade através dos quais sejam do limite e da renúncia em relação ao uso de certas tecnologias
avaliadas as sociedades existentes. A questão-chave é a negação E. Trata-se de um medo que não tem a ver com o objeto da
de princípios universais de justiça que possam ser descobertos responsabilidade, pois, para assumir a responsabilidade pelo
pela razão, pois, em sua avaliação, as bases da moral não são futuro do homem, é necessário livrar-se de qualquer sombra
encontradas na filosofia, e, sim, na política”. aterrorizante sobre um futuro que talvez nunca aconteça.
SILVEIRA, Denis Coitinho. “teoria da justiça de John Rawls: entre o liberalismo e o
comunitarismo”. In:Trans/Form/Ação, São Paulo, 30(1): 169-190, 2007. QUESTÃO 14
De acordo com o texto e com seus conhecimentos, assinale a (UFF) “O homem faz-se; ele não está pronto logo de início; ele se
alternativa que NÃO corresponde à crítica comunitarista à teoria constrói escolhendo a sua moral; e a pressão das circunstâncias é
da justiça de Hawls: tal que ele não pode deixar de escolher uma moral. Só definimos o
homem em relação a um engajamento. (...) Se alguma vez o homem
A. Opera com uma concepção abstrata de pessoa que é reconhecer que está estabelecendo valores, em seu desamparo,
consequência do modelo de representação da posição original ele não poderá mais desejar outra coisa, a não ser a liberdade
sob o véu da ignorância. como fundamento de todos os valores. Isso não significa que
B. Utiliza princípios universais (deontológicos) com a pretensão ele a deseje abstratamente. Mas, simplesmente, que os atos dos
de aplicação em todas as sociedades, criando uma supremacia homens de boa fé possuem como derradeiro significado a procura
dos direitos individuais em relação aos direitos coletivos. da liberdade enquanto tal”.
C. Utiliza a ideia de um Estado neutro em relação aos valores SARTRE. O existencialismo é um humanismo.
morais, garantindo apenas a autonomia privada (liberdade dos
modernos) e não a autonomia pública (liberdade dos antigos), É possível inferir-se do texto que:
estando circunscrita a um subjetivismo ético liberal.
D. Hawls, embora liberal, aproxima-se do marxismo, tendo A. a diretriz do determinismo é o princípio gratuito da liberdade.
apenas nas suas obras mais maduras uma veia materialista que B. o princípio do ceticismo é condição de possibilidade da
olha para as comunidades reais. liberdade.
E. É uma teoria deontológica e procedimental, que utiliza uma C. a tônica do pensamento existencialista é o idealismo
concepção ética antiperfeccionista, estabelecendo uma determinista.
prioridade absoluta do justo em relação ao bem. D. o objetivo da liberdade, em sua concretude, é querer-se a si
própria.
QUESTÃO 13 E. o absurdo sentido da vida exclui a liberdade gratuita e engajada.
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FILOSOFIA - FRENTE U - CAPÍTULO 02 EXERCÍCIOS
O texto indica que, para Sartre: impulsionam a necessidade de construção de um novo padrão de
comportamento, cujo objetivo consiste em garantir o(a)
A. os valores são determinados por Deus.
B. a liberdade é o fundamento de todos os valores. A. pragmatismo da escolha individual.
C. a ética constitui-se pela procura da felicidade. B. sobrevivência de gerações futuras.
D. não pode haver moral porque Deus não existe. C. fortalecimento de políticas liberais.
E. o valor máximo é a vontade de poder. D. valorização de múltiplas etnias.
E. promoção da inclusão social.
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FILOSOFIA - FRENTE U - CAPÍTULO 02 EXERCÍCIOS
A. Valorização dos conhecimentos acumulados. B. coagir e servir para refrear a agressividade humana.
B. Exposição nos meios de comunicação. C. criar limites entre a guerra e a paz praticadas entre os
C. Aprofundamento da vivência espiritual. indivíduos de uma mesma nação.
D. Fortalecimento das relações interpessoais. D. estabelecer princípios éticos que regulamentam as ações
E. Reconhecimento na esfera artística. bélicas entre países inimigos.
E. organizar as relações de poder na sociedade e entre os
QUESTÃO 07 Estados.
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