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Escola de Frankfurt e Filosofia Contemporânea

1) O documento discute os pensadores contemporâneos da Escola de Frankfurt, incluindo Max Horkheimer, Theodor Adorno e Walter Benjamin. 2) A Escola de Frankfurt desenvolveu uma visão crítica da sociedade burguesa usando o método dialético de Marx para superar as contradições sociais. 3) Os membros da escola criticaram a racionalidade técnica que dominou a sociedade moderna e procuraram desenvolver uma razão emancipatória.
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Escola de Frankfurt e Filosofia Contemporânea

1) O documento discute os pensadores contemporâneos da Escola de Frankfurt, incluindo Max Horkheimer, Theodor Adorno e Walter Benjamin. 2) A Escola de Frankfurt desenvolveu uma visão crítica da sociedade burguesa usando o método dialético de Marx para superar as contradições sociais. 3) Os membros da escola criticaram a racionalidade técnica que dominou a sociedade moderna e procuraram desenvolver uma razão emancipatória.
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FILOSOFIA

FRENTE U | CAPÍTULO 02

PENSADORES CONTEMPORÂNEOS

Em meio às inovações tecnológicas os hábitos de consumo


OS PENSADORES da população trabalhadora dos grandes centros urbanos
CONTEMPORÂNEOS também mudaram, acompanhando estas inovações. Isto se deve
em virtude da produção em massa e da relativa melhora nas
condições de vida da classe operaria, levando assim, à difusão da
produção de bens e da prestação de serviços voltados ao lazer,

FILOSOFIA - FRENTE U - CAPÍTULO 02


surge então a cultura de massa.
A partir das inovações tecnológicas citadas, percebe-se que,
a filosofia contemporânea pode ser vista como resultado da
crise do pensamento moderno no séc. XIX. Esse projeto entrou
em crise a partir das críticas de Hegel, que apontou para a
necessidade de levar em conta o processo histórico na formação
da consciência e, de Marx, que questionou os pressupostos
idealistas do movimento modernista.

A ESCOLA DE FRANKFURT

A Escola de Frankfurt foi constituída por um grupo de


intelectuais que se reuniram em torno do Instituto de Pesquisas
Sociais. Os principais representantes da escola de Frankfurt
foram Max Horkheimer, Theodor Adorno e Walter Benjamin.
Em 1863 foi inaugurada em Londres a primeira linha Numa fase posterior, destacou-se o Jürgen Habermas.
de metrô do mundo. Esta linha possuía uma extensão de Considerada uma escola crítica de origem marxista, seus
6,5km e permitiu ligar as Ruas Farringdon e Paddington. membros procuraram desenvolver uma visão global e crítica em
Os buracos dos túneis tinham 10 metros de largura e 6 relação à sociedade burguesa. Está crítica foi baseada no método
de profundidade. Para facilitar o trabalho de escavação dialético, que na visão do grupo, era o único capaz de superar as
e diminuir os danos na superfície, as trincheiras eram contradições do mundo social.
abertas seguindo a trajetória das ruas do centro da cidade A Escola de Frankfurt preocupou-se, sobretudo com o
Apesar das dificuldades, a construção foi um sucesso, contexto social e cultural do surgimento das teorias, valores e
aproximadamente 40 mil passageiros utilizaram o novo visão de mundo da sociedade industrial avançada, procurando
sistema de transporte no primeiro dia. . assim atualizar e desenvolver a teoria marxista enquanto teoria
filosófica e sociológica.

Durante o séc. XIX ocorreram inúmeras descobertas


cientificas e inovações tecnológicas. Estas, por sua vez, mudaram Os pensadores da Escola de Frankfurt procuraram
drasticamente o cotidiano dos indivíduos. O desenvolvimento desenvolver uma teoria crítica do conhecimento e da
tecnológico gerou novas formas de ver o mundo e o homem. Além sociedade inspirados na obra do Marx e em suas raízes
disso, reforçou nas pessoas uma fé inabalável na ciência. hegelianas, relacionando o marxismo com a tradição
As invenções que mais contribuíram para modificar o cotidiano crítica moderna. O principal aspecto dessa crítica diz
das pessoas foram àquelas associadas aos transportes e aos meios respeito à racionalidade técnica e instrumental que
de comunicação. Vale ressaltar que cada novo invento, vários teria dominado a sociedade moderna com a Revolução
outros oriundos dos primeiros surgiam e ganhavam aplicações Industrial. Essa racionalidade instrumental acaba por
comerciais. ser incorporada pela doutrina marxista ortodoxa e por
correntes filosóficas como o positivismo. Contra essa
tendência, dominante em nossa época, é necessário
desenvolver a razão emancipatória, com base na crítica
da dominação e em nome da comunicação e do consenso
entre indivíduos racionais e livres.

MARCONDES, D. Iniciação à história da filosofia: dos pré-socráticos a


Wittgenstein. Rio de Janeiro: Zahar, 2007. p. 239.

383
FILOSOFIA - FRENTE U - CAPÍTULO 02 PENSADORES CONTEMPORÂNEOS

MAX HORKHEIMER • A indústria cultural

Horkheimer nasceu na Alemanha, em 1895. Estudou Filosofia


e Psicologia na Universidade de Frankfurt, onde se tornou Adorno foi o criador da expressão indústria cultural, ela é
professor e diretor do Instituto de Pesquisa Social. Horkheimer utilizada para demonstrar a exploração comercial da cultura
dedicou-se ao estudo das instituições tradicionais da sociedade, por meio dos veículos de comunicação modernos, como rádio e
como por exemplo, os sistemas políticos. cinema. Em suas próprias palavras,
[...] a indústria cultural assumiu a herança civilizatória
FILOSOFIA - FRENTE U - CAPÍTULO 02

• A razão Instrumental da democracia de pioneiros e empresários, que tampouco


desenvolvera uma fineza de sentido para os desvios espirituais.
Segundo Horkheimer, a razão instrumental é apenas um meio Todos são livres para dançar e para se divertir do mesmo modo
para alcançar fins determinados e controlados pelo sistema. que, desde a neutralização histórica da religião, são livres para
Sendo assim, a razão instrumental não pode se opor as guerras entrar em qualquer uma das inúmeras seitas. Mas a liberdade de
mundiais ou aos campos de extermínios nazistas. escolha da ideologia, que reflete sempre a coerção econômica,
revela-se em todos os setores como a liberdade de escolher o que
é sempre a mesma coisa.
Razão instrumental é a capacidade de calcular ADORNO, T; HORKHEIMER, M. Dialética do esclarecimento: fragmentos filosóficos. Rio
probabilidades e coordenar os meios adequados para se de Janeiro; Zahar, 1985
atingir um fim; razão sem reflexão.
WALTER BENJAMIN
Nas palavras de Horkheimer

A crise da razão se manifesta na crise do indivíduo, por meio da


qual se desenvolveu. A ilusão acalentada pela filosofia tradicional
sobre o indivíduo e sobre a razão – a ilusão da sua eternidade –
está se dissipando. O indivíduo outrora concebia a razão como
um instrumento do eu, exclusivamente. Hoje, ele experimenta o
reverso dessa autodeificação.
HORKHEIMER, M. Eclipse da razão. São Paulo: Centauro, 2000, p.131.

THEODOR ADORNO
Benjamin nasceu em Berlim, na Alemanha, em 1892. Estudou
na Universidade de Freiburg e, posteriormente, integrou o do
Instituto de Pesquisa Social, Escola de Frankfurt. Em 1926,
tornou-se amigo de Adorno e Horkheimer. Benjamin exilou-se em
Paris, após a ascensão do nazismo na Alemanha. Entretanto, com
a ocupação da França e temendo ser capturado pela Gestapo, ele
cometeu suicídio em 1940.

• A perda da aura da arte

Adorno nasceu em Frankfurt, na Alemanha, em 1903.


Estudou Filosofia e Música na Universidade de Frankfurt. Nesta
instituição, ele trabalhou como instrutor até a ocupação nazista.
Foi cofundador do Instituto de Pesquisa Social de Frankfurt, ao
lado de Horkheimer. Durante o período nazista, ficou exilado nos
Estados Unidos.

384
FILOSOFIA - FRENTE U - CAPÍTULO 02 PENSADORES CONTEMPORÂNEOS

Para Benjamin, a arte dirigida às massas poderia ser entendida Habermas nasceu em Düsseldorf, na Alemanha, em 1929.
como instrumento de politização, na medida em que possibilita Estudou em Bonn e Marburgo. Entre 1956 e 1959, Habermas
um processo de democratização da cultura, ou seja, tornava trabalhou como assistente de Adorno, no Instituto de Pesquisa
o acesso a obras de arte um direito universal, deixando de ser Social.
privilégio de uma elite. Habermas analisou o desenvolvimento da sociedade industrial,
Ainda segundo ele, a destruição da aura da arte ocorre por o capitalismo tardio e o estabelecimento de procedimentos de
meio da reprodução técnica, ou seja, a reprodução por meio de legitimação de relações éticas e sociais na contemporaneidade.
determinadas técnicas permite a criação de objetos artísticos Além disso, ele discute os pressupostos e condições da ação
em série. comunicativa nos diferentes contextos do uso da linguagem.

Nas palavras de Benjamin: • Teoria da ação comunicativa

“Em suma, o que é a aura? É uma figura singular, composta de Habermas formulou o conceito de razão comunicativa visando
elementos espaciais e temporais: a aparição única de uma coisa estabelecer um elo entre a razão teórica e a razão pratica. Desse
distante, por mais perto que ela esteja. Observar, em repouso, modo, a linguagem é vista como instrumento para a compreensão
numa tarde de verão, uma cadeia de montanhas no horizonte, ou dos homens em suas relações sociais.
um galho, que projeta sua sombra sobre nós, significa respirar a
aura dessas montanhas, desse galho. Graças a essa definição, é • A ética discursiva

FILOSOFIA - FRENTE U - CAPÍTULO 02


fácil identificar os fatores sociais específicos que condicionam
o declínio atual da aura. Ele deriva de duas circunstâncias, Segundo Habermas, a ética discursiva é oriunda da relação
estreitamente ligadas à crescente difusão e intensidade dos entre os indivíduos e, permite um posicionamento crítico acerca
movimentos de massas. Fazer as coisas ‘ficarem mais próximas’ dos ditames normativos da sociedade. Sendo assim, sua ética é
é uma preocupação tão apaixonada das massas modernas como baseada no diálogo e no consenso entre os sujeitos.
sua tendência a superar o caráter único de todos os fatos através Em suma, a ética discursiva é fundamentada na linguagem e na
da sua reprodutibilidade”. capacidade de entendimento entre as pessoas na busca de uma
BENJAMIN, W. “A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica”. In: Magia e ação democrática e não autoritária, atentando-se aos valores
Técnica, Arte e Política. Obras Escolhidas. São Paulo: Brasiliense, 1985, p. 170.
normativos que foram estabelecidos consensualmente.

Elogio da dialética

A injustiça vai por aí com passe firme.


Os tiranos se organizam para dez mil anos.
O poder assevera: Assim como é deve continuar a ser.
Nenhuma voz senão a voz dos dominantes.
E nos mercados a espoliação fala alto: agora é minha vez.
Já entre os súditos muitos dizem:
O que queremos, nunca alcançaremos,
Quem ainda está vivo, nunca diga: nunca!
O mais firme não é firme.
Nas palavras do Habermas
Assim como é não ficará.
Depois que os dominantes tiverem falado
“Uma moral racional se posiciona criticamente em relação a
Falarão os dominados.
todas as orientações da ação, sejam elas naturais, autoevidentes,
Quem ousa dizer: nunca?
institucionalizadas ou ancoradas em motivos através de padrões
A quem se deve a duração da tirania? A nós.
de socialização. No momento em que uma alternativa de ação e
A quem sua derrubada? Também a nós.
seu pano de fundo normativo são expostos ao olhar crítico dessa
Quem será esmagado, que se levante!
moral, entra em cena a problematização. A moral da razão é
Quem está perdido, que lute!
especializada em questões de justiça e aborda em princípio tudo
Quem se apercebeu de sua situação, como poderá ser
à luz forte e restrita da universalidade.”
detido? HABERMAS, Jürgen. Direito e democracia: entre facticidade e validade. Rio de Janeiro:
Os vencidos de hoje serão os vencedores de amanhã. Tempo Brasileiro, 1997. p. 149.
De nunca sairá: ainda hoje.
BRECHT, Bertolt. O duplo compromisso de Bertolt Brecht. IN: CAMPOS,
Haroldo de. O arco-íris branco. Rio de Janeiro: Imago, 1997.
EXISTENCIALISMO

JÜRGEN HABERMAS

385
FILOSOFIA - FRENTE U - CAPÍTULO 02 PENSADORES CONTEMPORÂNEOS

O termo existencialismo designa o conjunto de tendências


filosóficas que tem na existência humana o ponto de partida e o
objeto fundamental de suas reflexões.
O existencialismo foi uma corrente filosófica desenvolvida
no séc. XX, mas que foi fortemente influenciada por pensadores
anteriores, como Schopenhauer, Kierkegaard e Nietzsche.
Os principais filósofos existencialistas foram Martin Heidegger
e Jean-Paul Sartre.

O homem é espírito. Mas o que é espírito? É o eu. Mas,


nesse caso, o eu? O eu é uma relação, que não se estabelece
com qualquer coisa de alheio a si, mas consigo própria. Segundo Heidegger, cada pessoa (ser aí) só pode ser
Mais e melhor do que na relação propriamente dita, ele compreendida na sua relação com o mundo, ou seja, a pessoa é
consiste no orientar-se dessa relação para a própria um ser no mundo. Dessa forma, o indivíduo não é uma consciência
interioridade. O eu não é a relação em si, mas sim o seu isolada nem antes um sujeito que conhece.
voltar-se sobre si própria, o conhecimento que ela tem de Em suma, para ele, o homem não existe sem o mundo. Além
si própria depois de estabelecida. O homem é a síntese de
FILOSOFIA - FRENTE U - CAPÍTULO 02

disso, o ser humano não nasce pronto, ele vai se formando na sua
infinito e de finito, de temporal e de eterno, de liberdade e relação com o mundo e com as coisas do mundo. Sendo assim,
de necessidade, é, em suma, uma síntese. Uma síntese é a cada pessoa é um projeto que se realiza no mundo.
relação de dois termos. Sob este ponto de vista, o eu não
existe ainda. • Vidas autêntica e inautêntica
KIERKEGAARD, Sören. O Desespero Humano (Doença até a morte). Rio de
Janeiro: Abril Cultural, 1988. p. 195.
A Vida autêntica: o homem chama para se a responsabilidade,
aceita sua finitude e evita deixar-se levar pelas trivialidades
MARTIN HEIDEGGER cotidianas.

B Vida inautêntica: o homem deixa-se levar pelo comodismo e/


ou conformismo, ocupando-se de projetos que mais cedo ou mais
tarde cessarão.

• A angústia

Heidegger nasceu em Messkirch, na Alemanha, em 1889.


Estudou filosofia e foi assistente de Edmund Husserl. Heidegger
tornou-se integrante do partido nazista em 1933. Este fato levou
muitos a associarem seu pensamento a uma forma de apoio ao
nazismo. Ele foi eleito reitor da Universidade de Friburgo, mas Para Heidegger, a angústia traz consigo a experiência do nada,
desligou-se do cargo por não concordar com a demissão de o homem toma consciência da sua sujeição constante à morte
professores que ascendiam dos judeus. que, segundo ele, consiste na conquista da totalidade. Entretanto,
Segundo o existencialismo de Heidegger, estar no mundo Heidegger afirmou que a atitude de tomar consciência do sentido
é a condição definidora do ser humano, ele chamava isso de da morte provoca angústia. Dessa forma, a angústia Poe o homem
Dasein, isto é, um ser que se autointerpreta. Dessa forma, a diante da impossibilidade de sua existência, portanto, diante do
autointerpretação é a existência. nada. Portanto, esse sentimento leva o indivíduo a compreender
sua finitude.

Dasein quer dizer existência humana. JEAN-PAUL SARTRE

• As existenciais

Ao abordar o problema do ser, Heidegger apresenta os


conceitos de ser-aí ou ser-no-mundo. Segundo estes conceitos, o
ser humano modifica a situação presente, de acordo com suas
pretensões, não se encontra preso a nenhuma circunstância.

386
FILOSOFIA - FRENTE U - CAPÍTULO 02 PENSADORES CONTEMPORÂNEOS

Sartre nasceu em Paris, na França, em 1905. Estudou Filosofia


na Escola Normal Superior. Lá, ele também conheceu Simone de O existencialismo tem assim uma dimensão ética
Beauvoir, filósofa que fora sua colega de estudos e companheira fundamental, pela maneira como elabora a questão da
de vida. liberdade e da autenticidade como elementos centrais da
Sartre condenou o colonialismo francês na Argélia e opôs- existência humana, do homem como ser autoconsciente
se a Guerra do Vietnã. Durante a Segunda Guerra Mundial, que cria a si mesmo. “Nós somos o que fazemos do que
Sartre foi capturado pelos alemães, sendo liberado, nove meses fazem de nós” é um dos lemas centrais do pensamento de
depois. Por algum tempo sua produção literária foi marcada pelo Sartre.
engajamento político e pelo combate as injustiças.
MARCONDES, D. Iniciação à história da filosofia: dos pré-socráticos a
• A existência precede a essência Wittgenstein. Rio de Janeiro: Zahar, 2007. p.264.

Para Sartre, o ser já é o que é, nada pode sobrevir ao ser. Além


do ser, só há o nada, que, por definição, não tem existência.
Segundo essa concepção, o ser é apresentado como ser em si, ou
O PENSAMENTO PÓS-MODERNO
seja, sem relações de qualquer natureza, sem possibilidades ou
sequer necessidades.
Segundo Sartre, o ideal da consciência é compreender que o

FILOSOFIA - FRENTE U - CAPÍTULO 02


homem é o ser cuja existência precede a essência, ou seja, que o
homem não tem uma essência determinada.

• A liberdade como maldição

Uma das principais origens do pensamento francês


contemporâneo encontra-se no estruturalismo, corrente de
pensamento formulada no início do séc. XX pelo linguista suíço
Ferdinand de Saussure.
O estruturalismo se define por tomar a noção de estrutura
como central em seu desenvolvimento teórico e metodológico.
Para Sartre, a liberdade não pode mais ser condicionada por Sendo assim, para eles, uma estrutura é um sistema, um conjunto
algum tipo de determinismo. A partir da assunção de que não de relações definidas por regras, um todo organizado segundo
existe um Deus responsável por guiar nossas ações, a liberdade princípios básicos, de tal forma que os elementos que constituem
torna-se um incondicionado em relação ao mundo natural. Nesse este todo só podem ser entendidos como parte do todo.
sentido, Sartre afirma que o homem não pode não ser livre, ou O ambiente pós-moderno significa basicamente isso: entre
seja, a liberdade do homem tem caráter ontológico. O sentimento nós e o mundo estão os meios tecnológicos de comunicação, ou
de angústia é, para esse autor, derivado da consciência dessa seja, de simulação. Eles não nos informam sobre o mundo; eles o
liberdade sem amarras ontológicas. refazem à sua maneira, hiper-realizam o mundo, transformando-o
num espetáculo.
SANTOS, J. F. O que é pós-moderno. São Paulo: Brasiliense, 2012, p.13-14.
Nas palavras do Sartre

A liberdade é o único fundamento dos valores e nada, MICHEL FOUCAULT


absolutamente nada, me justifica ao adotar tal ou tal valor, tal ou
tal escala de valores. Enquanto ser pelo qual os valores existem
eu sou injustificável. E minha liberdade se angustia de ser o
fundamento sem fundamento dos valores.

Sartre, Jean-Paul. O ser e o nada: ensaio de ontologia fenomenológica. Petrópolis:


Vozes, 2005. p. 76. 

A má-fé seria justamente o ato de negar, conscientemente,


essa liberdade que, por ser ontológica, é inescapável. A liberdade
individual, entretanto, não é um incondicionado em geral, está
relacionada também à liberdade dos outros, levando, assim, o
filósofo a caracterizar a existência humana como conflito entre
liberdades.

Foucault nasceu em Poitiers, na França, em 1926. Estudou


Filosofia e Psicologia. Ele foi influenciado pela filosofia de Nietzsche.

387
FILOSOFIA - FRENTE U - CAPÍTULO 02 PENSADORES CONTEMPORÂNEOS

Um dos principais pensadores da pós-modernidade, Foucault No panóptico, o detento se sente vigiado o tempo todo. Sendo
centrou sua investigação em temas como instituições sociais, assim, o indivíduo torna-se o princípio de sua própria sujeição, ou
sexualidade e poder. seja, para Foucault, esse mecanismo de controle e disciplinamento
Foucault afirmava que as sociedades modernas apresentavam é uma expressão de sujeição.
uma nova organização do poder. Para ele, o poder fragmentou-se
em micropoderes e tornou-se muito mais eficaz. Nas palavras de Foucault

• Disciplina para a submissão Induzir no detento um estado consciente e permanente de


visibilidade que assegura o funcionamento automático do poder
[...], enfim, que os detentos se encontrem presos numa situação
de poder que eles mesmos são portadores.
FOUCAULT, M. Vigiar e punir: nascimento da prisão. Petrópolis: Vozes, 2009. p. 191.

GILLES DELEUZE

Segundo Foucault, o crescimento do capitalismo se sustentou


FILOSOFIA - FRENTE U - CAPÍTULO 02

graças à disciplina, tipo de poder que se exerce sobre os corpos


dos indivíduos. Para que esse poder pudesse obter êxito, foram
criadas as instituições disciplinadoras, como fábricas, escolas,
hospitais, quartéis, prisões, dentre outras.
Ainda segundo Foucault, a função da disciplina é produzir
corpos dóceis que possam ser moldados, configurados segundo
as necessidades sociais. Os corpos disciplinados são corpos
exercitados e submissos. Exatamente por isso, Foucault
acreditava que a docilização dos corpos aumentava a força Deleuze nasceu em Paris, na França, em 1925. Foi professor
produtiva, ao passo que, diminuía a força desses corpos em nas Universidades de Sorbonne, Lyon e Vincennes. Influenciado
sentido político, tornando-os obedientes. pela filosofia de Nietzsche, que havia enfatizado o poder do
inconsciente sobre a razão. Deleuze foi um pensador com vasta
• Biopoder: bem-estar social produção, filosofia, literatura, artes, cinematografia e psicanálise.
Para ele, a tarefa principal da filosofia seria a criação
permanente de conceitos, que são necessários para a compreensão
de problemas e, para tanto, não deveria haver um único parâmetro
que devesse guiar a filosofia, nem valores eternos e absolutos que
devessem ser o centro de toda reflexão filosófica.

• O desgaste das instituições disciplinares

Segundo Deleuze, as instituições disciplinadoras estão sendo


desgastadas, nada mais é eterno e/ou terminal, os indivíduos
sempre estão em busca de algo a mais, como por exemplo, o
Segundo Foucault, o biopoder é o poder sobre a vida. Sendo sistema prisional que hoje busca a aplicação de penas alternativas
assim, para ele, o biopoder se exerce sobre os grupos de o que possibilita o cumprimento fora das prisões. Entretanto,
indivíduos docilizados que constituem a população. Ele é a base para ele, essa liberdade aparente oriunda do desgaste também
do chamado Estado de bem-estar social, que se preocupa em permite que sejamos controlados.
oferecer condições mínimas de vida digna para toda a população.
É por meio do biopoder que os programas sociais são criados. • O capitalismo e sua elasticidade
Outrossim, Foucault defende que o biopoder produz a sociedade
da segurança, ou seja, do controle populacional.

• O panóptico

Segundo Deleuze, o capitalismo é um sistema elástico, pois sempre


coloca seus limites adiante, como podemos evidenciar no movimento
hippie da década de 60, que foi um movimento contestatório do
capitalismo e, que depois, foi absorvido pelo mesmo que passou a
comercializar mercadorias inspiradas neste movimento.
Ainda segundo Deleuze, pensamos e agimos como se fossemos

388
FILOSOFIA - FRENTE U - CAPÍTULO 02 PENSADORES CONTEMPORÂNEOS

livres, mas na verdade, somos controlados e manipulados. • O véu da ignorância

• O anti-Édipo

Rawls nos pede que nos imaginemos num estado consciente e


inteligente antes do nascimento, mas sem nenhum conhecimento

FILOSOFIA - FRENTE U - CAPÍTULO 02


das circunstâncias em que nasceríamos com o futuro envolto
num véu da ignorância. A pergunta que Rawls nos faz é em que
tipo de sociedade seria mais seguro nascer? A resposta é obvia,
sem saber em qual situação financeira nasceríamos, tenderíamos
O anti-Édipo é uma crítica ao complexo de Édipo da teoria a buscar desenvolver uma sociedade menos desigual.
psicanalítica de Freud. Para eles, Deleuze e Guattari, o complexo
de Édipo de Freud é castrador da energia original do ser humano, • Teoria da justiça
uma espécie de vontade de desejo, para fazer uma aproximação
com o conceito de vontade de potência, de Nietzsche.
Na concepção de Freud, todo individuo teria de reconhecer a sua
falta ou culpa na infância, seu desejo por um dos pais, a necessidade
de transferir esse desejo para um parceiro e assumir a posição
de rival (pai ou mãe). Exatamente por isso que, para Deleuze e
Guattari, a estrutura do complexo de Édipo lembra o pecado
original, e os psicanalistas parecem ser os novos sacerdotes.

JOHN RAWLS

Segundo Rawls, Justiça como equidade é o ato de promover


vantagens aos mais desfavorecidos e uma justa igualdade de
oportunidades.
Sua teoria era baseada em dois princípios, liberdade e
igualdade. Ele acreditava que ambos seriam aceitos por qualquer
pessoa razoável. Outrossim, ele defendia que a sociedade deveria
ser organizada para dar oportunidades e riquezas mais iguais aos
desprovidos.

Rawls nasceu em Baltimore, nos Estados Unidos, em 1921. REVISÃO NA PLATAFORMA


Estudou nas universidades de Harvard e Cornell. Rawls
desde pequeno foi exposto às injustiças do mundo moderno.
Foi considerado por Bill Clinton “o maior filósofo político do AULAS 03
século XX”, por ter publicado sua obra intitulada de “Uma teoria
5. FILOSOFIA
da Justiça”.
CONTEMPORÂNEA
Segundo ele, se houvesse verdadeira justiça no mundo,
5.2 PENSAMENTO PÓS
nenhuma criança estaria faminta enquanto outras têm tanto
MODERNO
dinheiro que sequer sabem o que fazer com ele. Sendo assim, para
ele, justiça diz respeito a tratar as pessoas de maneira razoável.
APOSTILAS: 1 resumo + 20 questões

EXERCÍCIOS ONLINE: 30 questões


CAIU NO ENEM: 10 questões

389
FILOSOFIA - FRENTE U - CAPÍTULO 02 PENSADORES CONTEMPORÂNEOS

QUESTÃO 03
SEÇÃO VESTIBULARES
(UEL) “O que os homens querem aprender da natureza é como
aplicá-la para dominar completamente sobre ela e sobre os
homens. Fora isso, nada conta. [...] O que importa não é aquela
QUESTÃO 01 satisfação que os homens chamam de verdade, o que importa é
a operation, o procedimento eficaz. [...] A partir de agora, a matéria
(UNESP) Uma obra de arte pode denominar-se revolucionária deverá finalmente ser dominada, sem apelo a forças ilusórias que a
se, em virtude da transformação estética, representar, no governem ou que nela habitem, sem apelo a propriedades ocultas.
destino exemplar dos indivíduos, a predominante ausência de O que não se ajusta às medidas da calculabilidade e da utilidade
liberdade, rompendo assim com a realidade social mistificada é suspeito para o iluminismo [...] O iluminismo se relaciona com
e petrificada e abrindo os horizontes da libertação. Esta tese as coisas assim como o ditador se relaciona com os homens. Ele
implica que a literatura não é revolucionária por ser escrita para os conhece, na medida em que os pode manipular. O homem de
a classe trabalhadora ou para a “revolução”. O potencial político ciência conhece as coisas, na medida em que as pode produzir.”
da arte baseia-se apenas na sua própria dimensão estética. A sua ADORNO, Theodor; HORKHEIMER, Max. Conceito de Iluminismo. Trad. Zeljko Loparic e
relação com a práxis (ação política) é inexoravelmente indireta e Andréa M. A . C. Loparic. 2. ed. São Paulo: Victor Civita, 1983. p. 90-93.
frustrante. Quanto mais imediatamente política for a obra de arte,
mais reduzidos são seus objetivos de transcendência e mudança. Com base no texto e nos conhecimentos sobre a racionalidade
FILOSOFIA - FRENTE U - CAPÍTULO 02

Nesse sentido, pode haver mais potencial subversivo na poesia de instrumental em Adorno e Horkheimer, é correto afirmar:
Baudelaire e Rimbaud que nas peças didáticas de Brecht.
Herbert Marcuse. A dimensão estética, s/d. A.  A razão iluminista proporcionou ao homem a saída da
menoridade da qual ele era culpado e permitiu o pleno uso
Segundo o filósofo, a dimensão estética da obra de arte da razão, dispensando a necessidade de tutores para guiar as
caracteriza-se por suas ações.
B.  O procedimento eficaz, aplicado segundo as regras da
A.  apresentar conteúdos ideológicos de caráter conservador da calculabilidade e da utilidade, está desvinculado da esfera das
ordem burguesa. relações humanas, pois sua lógica se restringe aos objetos da
B.  comprometer-se com as necessidades de entretenimento dos natureza.
consumidores culturais. C.  A racionalidade instrumental gera de forma equânime
C.  estabelecer uma relação de independência frente à conjuntura conforto e bem estar para as pessoas na esfera privada e
política imediata. confere um maior grau de liberdade na esfera social.
D.  subordinar-se aos imperativos políticos e materiais de D.  A visão dos autores sobre a racionalidade instrumental guarda
transformação da sociedade. um reconhecimento positivo para setores específicos da alta
E.  contemplar as aspirações políticas das populações tecnologia, sobretudo aqueles vinculados à informática.
economicamente excluídas. E.  Contrariando a tese do projeto iluminista que opõe mito e
iluminismo, os autores entendem que há uma dialética entre
QUESTÃO 02 essas duas dimensões que resulta no domínio perpetrado pela
razão instrumental.
(UEL) Leia o texto de Adorno a seguir.
QUESTÃO 04
Se as duas esferas da música se movem na unidade da sua
contradição recíproca, a linha de demarcação que as separa é (UFMA) “A rua era das mais animadas da cidade; por todo o dia
variável. A produção musical avançada se independentizou do estivera cheia de gente. Mas agora, ao anoitecer, a multidão
consumo. O resto da música séria é submetido à lei do consumo, crescia de um minuto para outro; e quando se acenderam os
pelo preço de seu conteúdo. Ouve-se tal música séria como lampiões de gás, duas densas, compactas correntes de transeuntes
se consome uma mercadoria adquirida no mercado. Carecem cruzavam diante do café. Jamais me sentira num estado de ânimo
totalmente de significado real as distinções entre a audição da como o daquela tarde; e saboreei a nova emoção que de mim se
música “clássica” oficial e da música ligeira. apossara ante o oceano daquelas cabeças em movimento. Pouco
ADORNO, T. W. O fetichismo na música e a regressão da audição. In: BENJAMIN, W. et
all. Textos escolhidos. 2. ed.São Paulo: Abril Cultural, 1987. p. 84.
a pouco perdi de vista o que acontecia no ambiente em que me
encontrava e abandonei-me completamente à contemplação da
Com base no texto e nos conhecimentos sobre o pensamento de cena externa.”
Walter Benjamin – Sobre alguns temas em Baudelaire
Adorno, é correto afirmar:
O texto nos leva a uma compreensão de estética como:
A.  A música séria e a música ligeira são essencialmente críticas à
sociedade de consumo e à indústria cultural. A.  uma concepção de que o belo não está em uma forma definida,
B.  Ao se tornarem autônomas e independentes do consumo, a mas na plasticidade do cotidiano.
música séria e a música ligeira passam a realçar o seu valor de B.  um estudo do caos humano representado pela multidão e suas
uso em detrimento do valor de troca. relações econômicas.
C.  A indústria cultural acabou preparando a sua própria C.  estabelecimento de um padrão de beleza para a obra de arte.
autorreflexividade ao transformar a música ligeira e a séria em D.  técnica de reprodução da obra de arte em massa.
mercadorias. E.  imitação do mundo sensível.
D.  Tanto a música séria quanto a ligeira foram transformadas em
mercadoria com o avanço da produção industrial.
E.  As esferas da música séria e da ligeira são separadas e nada
possuem em comum.

390
FILOSOFIA - FRENTE U - CAPÍTULO 02 EXERCÍCIOS

QUESTÃO 05 benefício da redução da poluição.


E.  refere-se à atitude de retorno do homem à vida natural,
(UEL) Leia o texto a seguir. observando as leis da natureza e sua regularidade.

O modo de comportamento perceptivo, através do qual QUESTÃO 07


se prepara o esquecer e o rápido recordar da música de
(UEL) Leia o texto a seguir.
massas, é a desconcentração. Se os produtos normalizados
e irremediavelmente semelhantes entre si, exceto certas O saber que é poder não conhece nenhuma barreira, nem na
particularidades surpreendentes, não permitem uma audição escravização da criatura, nem na complacência em face dos
concentrada, sem se tornarem insuportáveis para os ouvintes, senhores do mundo. Do mesmo modo que está a serviço de todos
estes, por sua vez, já não são absolutamente capazes de uma os fins da economia burguesa na fábrica e no campo de batalha,
audição concentrada. Não conseguem manter a tensão de uma assim também está à disposição dos empresários, não importa
concentração atenta, e por isso se entregam resignadamente sua origem.
àquilo que acontece e flui acima deles, e com o qual fazem ADORNO, T. W. & HORKHEIMER, M. Dialética do esclarecimento: fragmentos filosóficos.
amizade somente porque já o ouvem sem atenção excessiva. Tradução de Guido Antonio de Almeida. Rio de Janeiro: Zahar, 1991. p. 20.
ADORNO, T. W. O fetichismo na música e a regressão da audição. In: Adorno et all. Textos
escolhidos. São Paulo: Abril Cultural, 1978, p.190. Coleção Os Pensadores. Com base no texto e no conhecimento dos conceitos de
esclarecimento e racionalidade instrumental em Adorno e
As redes sociais têm divulgado músicas de fácil memorização e Horkheimer sobre o referido saber, é correto afirmar:
com forte apelo à cultura de massa.
A respeito do tema da regressão da audição na Indústria Cultural A.  Seu conteúdo é racional por si mesmo e de natureza crítico-
e da relação entre arte e sociedade em Adorno, assinale a reflexiva.
alternativa correta. B.  É principalmente técnico e carente de conteúdo racional por
si mesmo.
A.  A impossibilidade de uma audição concentrada e de uma C.  Tem uma dimensão reflexiva e seus objetivos são racionais por
concentração atenta relaciona-se ao fato de que a música tornou- si mesmos.
se um produto de consumo, encobrindo seu poder crítico. D.  É caracterizado por forças sobrenaturais indomáveis que
B.  A música representa um domínio particular, quase autônomo, animam tudo.
das produções sociais, pois se baseia no livre jogo da E.  Estabelece limites para o domínio nas relações
imaginação, o que impossibilita estabelecer um vínculo entre socioeconômicas.
arte e sociedade.
C.  A música de massa caracteriza-se pela capacidade de QUESTÃO 08
manifestar criticamente conteúdos racionais expressos no
modo típico do comportamento perceptivo inato às massas. (UEL) “A indústria cultural não cessa de lograr seus consumidores
D.  A tensão resultante da concentração requerida para a quanto àquilo que está continuamente a lhes prometer. A
apreciação da música é uma exigência extramusical, pois promissória sobre o prazer, emitida pelo enredo e pela encenação,
nossa sensibilidade é naturalmente mais próxima da é prorrogada indefinidamente: maldosamente, a promessa a que
desconcentração. afinal se reduz o espetáculo significa que jamais chegaremos à
E.  Audição concentrada significa a capacidade de apreender coisa mesma, que o convidado deve se contentar com a leitura
e de repetir os elementos que constituem a música, sendo a do cardápio. [...] Cada espetáculo da indústria cultural vem mais
facilidade da repetição o que concede poder crítico à música. uma vez aplicar e demonstrar de maneira inequívoca a renúncia
permanente que a civilização impõe às pessoas. Oferecer-lhes
QUESTÃO 06 algo e ao mesmo tempo privá-las disso é a mesma coisa”.
ADORNO, Theodor; HORKHEIMER, Max. Dialética do esclarecimento. Trad. de Guido
(UEL) Elaborada nos anos de 1980, em um contexto de Antônio de Almeida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1997. p. 130-132.
preocupações com o meio ambiente e o risco nuclear, a Ética
do Discurso buscou reorientar as teorias deontológicas que a Com base no texto e nos conhecimentos sobre indústria cultural
antecederam. Um exemplo está contido no texto a seguir. em Adorno e Horkheimer, é correto afirmar:

De maior gravidade são as consequências que um conceito A.  A indústria cultural limita-se a atender aos desejos que surgem
restrito de moral comporta para as questões da ética do meio espontaneamente da massa de consumidores, satisfazendo as
ambiente. O modelo antropocêntrico parece trazer uma espécie aspirações conscientes de indivíduos autônomos e livres que
de cegueira às teorias do tipo kantiano, no que diz respeito às escolhem o que querem.
questões da responsabilidade moral do homem pelo seu meio B.  A indústria cultural tem um desempenho pouco expressivo na
ambiente. produção dos desejos e necessidades dos indivíduos, mas ela é
HABERMAS, Jürgen. Comentários à Ética do Discurso. Trad. de Gilda Lopes Encarnação eficiente no sentido de que traz a satisfação destes desejos e
Lisboa: Instituto Piaget, 1999, p.212. necessidades.
C.  A indústria cultural planeja seus produtos determinando
Com base no texto e nos conhecimentos sobre a Ética do Discurso, o que os consumidores desejam de acordo com critérios
é correto afirmar que a ética mercadológicos. Para atingir seus objetivos comerciais, ela
cria o desejo, mas, ao mesmo tempo, o indivíduo é privado do
A.  abrange as ações isoladas das pessoas visando adequar-se às acesso ao prazer e à satisfação prometidos.
mudanças climáticas e às catástrofes naturais.
D.  O entretenimento que veículos como o rádio, o cinema e as
B.  corresponde à maneira como o homem deseja construir e
revistas proporcionam ao público não pode ser entendido
realizar plenamente a sua existência no planeta.
C.  compreende a atitude conservacionista que o sistema como forma de exploração dos bens culturais, já que a cultura
econômico adota em relação ao ambiente. está situada fora desses canais.
D.  implica a instrumentalização dos recursos tecnológicos em E.  A produção em série de bens culturais padronizados permite

391
FILOSOFIA - FRENTE U - CAPÍTULO 02 EXERCÍCIOS

que a obra de arte preserve a sua capacidade de ser o suporte importar com os acontecimentos sociais e políticos de seu
de manifestação e realização do desejo: a cada nova cópia, a tempo.
crítica se renova. B.  Para Sartre, a angústia decorre da falta de fé em Deus e não
do fato de sermos absolutamente livres ou como ele afirma “o
QUESTÃO 09 homem está condenado a ser livre”.
C.  As ações humanas são o reflexo do equilíbrio entre o livre-
(UEL) “A diversão é o prolongamento do trabalho sob o capitalismo arbítrio e os planos que Deus estabelece para cada pessoa,
tardio. Ela é procurada por quem quer escapar ao processo consistindo nisto a verdadeira liberdade.
de trabalho mecanizado, para se pôr de novo em condições de D.  Para Sartre, as ações das pessoas dependem somente das
enfrentá-lo. Mas, ao mesmo tempo, a mecanização atingiu um escolhas e dos projetos que cada um faz livremente durante a
tal poderio sobre a pessoa em seu lazer e sobre a sua felicidade, vida e não da suposição da existência e, portanto, das ordens
ela determina tão profundamente a fabricação das mercadorias de Deus.
destinadas à diversão, que esta pessoa não pode mais perceber
outra coisa senão as cópias que reproduzem o próprio processo QUESTÃO 11
de trabalho”.
ADORNO, Theodor; HORKHEIMER, Max. Dialética do esclarecimento. Trad. de Guido (UNB) Entramos no quarto. Encurvada em semicírculo sobre o
Antônio de Almeida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1997. p.128.
leito, outra criatura que não a minha avó, uma espécie de animal
que se tivesse disfarçado com os seus cabelos e deitado sob
Com base no texto e nos conhecimentos sobre trabalho e lazer no
os seus lençóis, arquejava, gemia, sacudia as cobertas com as
capitalismo tardio, em Adorno e Horkheimer, é correto afirmar:
suas convulsões. As pálpebras estavam fechadas, e era porque
fechavam mal, antes que porque se abrissem, que deixavam ver
A.  Há um círculo vicioso que envolve o processo de trabalho e um canto da pupila, velado, remeloso, refletindo a obscuridade
os momentos de lazer. Com o objetivo de fugir do trabalho
de uma visão orgânica e de um sofrimento interno. Quando
mecanizado e repor as forças, o indivíduo busca refúgio no
meus lábios a tocaram, as mãos de minha avó agitaram-se, ela foi
lazer, porém o lazer se estrutura com base na mesma lógica
percorrida inteira por um longo frêmito, ou reflexo, ou porque
mecanizada do trabalho.
certas afeições possuam a sua hiperestesia, que 2reconhece,
B.  Apesar de se apresentarem como duas dimensões de através do véu da inconsciência, aquilo que elas quase não
um mesmo processo, lazer e trabalho se diferenciam no
têm necessidade dos sentidos para querer. Súbito, minha avó
capitalismo tardio, na medida em que o primeiro é o espaço do
ergueu-se a meio, fez um esforço violento, como alguém que
desenvolvimento das potencialidades individuais, a exemplo
defende a própria vida. Françoise não pôde resistir, ao vê-lo, e
da reflexão.
rompeu em soluços. Lembrando-me do que o médico havia dito,
C.  Mesmo sendo produzidas de acordo com um esquema quis fazê-la sair do quarto. Nesse momento, minha avó abriu os
mercadológico que fabrica cópias em ritmo industrial, as
olhos. Precipitei-me sobre Françoise para lhe ocultar o pranto,
mercadorias acessadas nos momentos de lazer proporcionam
enquanto meus pais falassem à enferma. O ruído do oxigênio
ao indivíduo plena diversão e cultura.
calara-se, o médico afastou-se do leito. Minha avó estava morta.
D.  Tanto o trabalho quanto o lazer preservam a autonomia A vida, retirando-se, acabava de carregar as desilusões da vida.
do indivíduo, mesmo nos processos de mecanização que
Um sorriso parecia pousado nos lábios de minha avó. Sobre
caracterizam a fabricação de mercadorias no capitalismo
aquele leito fúnebre, a morte, como o escultor da Idade Média,
tardio.
tinha-a deitado sob a aparência de menina e moça.
E.  As atividades de lazer no capitalismo tardio, como o cinema Marcel Proust. Em busca do tempo perdido: o caminho de Guermantes. vol. 3, 3ª ed. rev.
e a televisão, são caminhos para a politização e aquisição de Trad. Mario Quintana. São Paulo: Globo, 2006, p. 376-7 (com adaptações).
cultura pelas massas, aproximando-as das verdadeiras obras
de arte. Para Sartre, os seres dividem-se em seres-em-si e seres-parasi.
Os seres-em-si não possuem, segundo esse filósofo, consciência,
QUESTÃO 10 ao passo que os seres-para-si são dotados de uma consciência
que lhes possibilita constituírem-se sempre como projeto, pelo
(UFU) Jean-Paul Sartre (1905 – 1980) encontrou um motivo de qual dirigem seu presente a partir de sua liberdade. Com base
reflexão sobre a liberdade na obra de Dostoievski Os irmãos na divisão sartreana entre seres-em-si e seres-para-si e suas
Karamazov: “se Deus não existe, tudo é permitido”. A partir daí relações com a temporalidade, a vida e a morte, verifica-se, na
teceu considerações sobre esse tema e algumas consequências passagem do texto de Proust apresentada, que
que dele podem ser derivadas.
A.  a personagem acamada, a despeito de ser, quando ainda viva,
[...] tudo é permitido se Deus não existe e, por conseguinte, o biologicamente um ser humano, não é mais um ser-para-si na
homem está desamparado porque não encontra nele próprio situação narrada.
nem fora dele nada a que se agarrar. Para começar, não encontra B.  a transição do ser-para-si ao ser-em-si só ocorre, efetivamente,
desculpas. [...] Estamos sós, sem desculpas. É o que posso com a morte biológica da personagem acamada, uma vez que a
expressar dizendo que o homem está condenado a ser livre. temporalidade do ser-em-si é a de um eterno presente.
Condenado, porque não se criou a si mesmo, e como, no entanto, C.  a noção de vida e a de morte que perpassam a descrição do
é livre, uma vez que foi lançado no mundo, é responsável por tudo estado da personagem acamada ocupam, respectivamente, os
o que faz. lugares semânticos de ser-para-si e ser-em-si.
SARTRE, Jean-Paul. O existencialismo é um humanismo. São Paulo: Nova Cultural, 1987, D.  a proposição de Sartre de que “o ser humano não pode não
p. 9 (coleção “Os Pensadores”). 
ser livre” estabelece uma relação de subordinação entre sua
concepção do que é um ser humano e a concepção biológica
Com base em seus conhecimentos sobre a filosofia existencialista desse conceito.
de Sartre e nas informações acima, assinale a alternativa correta. 

A.  Porque entende que somos livres, Sartre defendeu uma


filosofia não engajada, isto é, uma filosofia que não deve se

392
FILOSOFIA - FRENTE U - CAPÍTULO 02 EXERCÍCIOS

QUESTÃO 12 tende a se preocupar mais com o futuro da vida no planeta.


Contudo, parece muito difícil haver de fato uma mudança que
(IFPI) Em 1971, o filósofo estadunidense John Rawls publica A leve a espécie humana a assumir a responsabilidade por sua
Theory of Justice, obra na qual apresenta sua teoria da justiça missão terrena. Nesse sentido, seria necessário desenvolver
como equidade. A década de 1980 ambientou o surgimento da uma heurística do temor, a fim de favorecer o desenvolvimento
corrente do comunitarismo, que se contrapôs à perspectiva de da responsabilidade. Sobre o conceito de heurística do temor,
orientação liberal de Hawls. Leia o texto abaixo: assinale a alternativa CORRETA.

“Para os comunitaristas, os liberais (universalistas) estariam A.  Hans Jonas entende que a superação do medo é primordial
simplesmente preocupados com a questão de como estabelecer para uma ética da responsabilidade, pois é através dela
princípios de justiça que poderiam determinar a submissão que o ser humano poderá agir e refletir sobre o destino da
voluntária de todos os indivíduos racionais, mesmo de pessoas humanidade.
com visões diferentes sobre a vida boa. O que se estabelece B.  A heurística do medo é um medo paralisante e patológico, que
como crítica é que, para os comunitaristas, os princípios morais impede o despertar para o pensar e para o agir em prol de um
só podem ser tematizados a partir de sociedades reais, a partir futuro melhor.
das práticas que prevalecem nas sociedades reais. Para eles, em C.  A heurística do medo pode ser considerada a incapacidade
John Rawls, encontram-se premissas abstratas de base como humana de resolver problemas inesperados, visto que falta
a liberdade e a igualdade que orientam (ou devem orientar) as coragem para superar o medo.
práticas legítimas. A questão colocada é que, na interpretação D.  A heurística do temor não é seguramente a última palavra
comunitarista, a prática tem precedência sobre a teoria, e não na busca do bem, mas um veículo extraordinariamente
seria plausível que pessoas que vivem em sociedades reais útil. Deveria ser aproveitada para o empreendimento de
identifiquem princípios abstratos para sua existência. A crítica preservação do planeta, podendo, dessa forma, acordar para
comunitarista aponta como insuficiente a tentativa de identificar a possibilidade de uma catástrofe, provocando a necessidade
princípios abstratos de moralidade através dos quais sejam do limite e da renúncia em relação ao uso de certas tecnologias
avaliadas as sociedades existentes. A questão-chave é a negação E.  Trata-se de um medo que não tem a ver com o objeto da
de princípios universais de justiça que possam ser descobertos responsabilidade, pois, para assumir a responsabilidade pelo
pela razão, pois, em sua avaliação, as bases da moral não são futuro do homem, é necessário livrar-se de qualquer sombra
encontradas na filosofia, e, sim, na política”. aterrorizante sobre um futuro que talvez nunca aconteça.
SILVEIRA, Denis Coitinho. “teoria da justiça de John Rawls: entre o liberalismo e o
comunitarismo”. In:Trans/Form/Ação, São Paulo, 30(1): 169-190, 2007.  QUESTÃO 14
De acordo com o texto e com seus conhecimentos, assinale a (UFF) “O homem faz-se; ele não está pronto logo de início; ele se
alternativa que NÃO corresponde à crítica comunitarista à teoria constrói escolhendo a sua moral; e a pressão das circunstâncias é
da justiça de Hawls: tal que ele não pode deixar de escolher uma moral. Só definimos o
homem em relação a um engajamento. (...) Se alguma vez o homem
A.  Opera com uma concepção abstrata de pessoa que é reconhecer que está estabelecendo valores, em seu desamparo,
consequência do modelo de representação da posição original ele não poderá mais desejar outra coisa, a não ser a liberdade
sob o véu da ignorância. como fundamento de todos os valores. Isso não significa que
B.  Utiliza princípios universais (deontológicos) com a pretensão ele a deseje abstratamente. Mas, simplesmente, que os atos dos
de aplicação em todas as sociedades, criando uma supremacia homens de boa fé possuem como derradeiro significado a procura
dos direitos individuais em relação aos direitos coletivos. da liberdade enquanto tal”.
C.  Utiliza a ideia de um Estado neutro em relação aos valores SARTRE. O existencialismo é um humanismo.
morais, garantindo apenas a autonomia privada (liberdade dos
modernos) e não a autonomia pública (liberdade dos antigos), É possível inferir-se do texto que:
estando circunscrita a um subjetivismo ético liberal.
D.  Hawls, embora liberal, aproxima-se do marxismo, tendo A.  a diretriz do determinismo é o princípio gratuito da liberdade.
apenas nas suas obras mais maduras uma veia materialista que B.  o princípio do ceticismo é condição de possibilidade da
olha para as comunidades reais. liberdade.
E.  É uma teoria deontológica e procedimental, que utiliza uma C.  a tônica do pensamento existencialista é o idealismo
concepção ética antiperfeccionista, estabelecendo uma determinista.
prioridade absoluta do justo em relação ao bem. D.  o objetivo da liberdade, em sua concretude, é querer-se a si
própria.
QUESTÃO 13 E.  o absurdo sentido da vida exclui a liberdade gratuita e engajada.

(PUC-PR) “O enorme impacto do Princípio Responsabilidade QUESTÃO 15


não se deve somente a sua fundamentação filosófica, mas ao
sentimento geral, que até então os mais atentos observadores (UFF) “O homem faz-se; ele não está pronto logo de início; ele se
poderão permitir cada vez menos de que algo poderia ir mal para a constrói escolhendo a sua moral; e a pressão das circunstâncias é
humanidade, inclusive o tempo poderia estar em posição no marco tal que ele não pode deixar de escolher uma moral. Só definimos o
de crescimento exagerado e crescente das interferências técnicas homem em relação a um engajamento. (...) Se alguma vez o homem
sobre a natureza, de pôr em jogo a própria existência. Entretanto, reconhecer que está estabelecendo valores, em seu desamparo,
se havia comentado que era evidente a vinda da chuva ácida, o ele não poderá mais desejar outra coisa, a não ser a liberdade
efeito estufa, a poluição dos rios e muitos outros efeitos perigosos, como fundamento de todos os valores. Isso não significa que
fomos pegos de cheio na destruição de nossa biosfera.” ele a deseje abstratamente. Mas, simplesmente, que os atos dos
homens de boa fé possuem como derradeiro significado a procura
A partir do comentário de Hans Jonas em O princípio da liberdade enquanto tal”.
responsabilidade é possível pensar que a maioria das pessoas SARTRE. O existencialismo é um humanismo. 

393
FILOSOFIA - FRENTE U - CAPÍTULO 02 EXERCÍCIOS

O texto indica que, para Sartre: impulsionam a necessidade de construção de um novo padrão de
comportamento, cujo objetivo consiste em garantir o(a)
A.  os valores são determinados por Deus.
B.  a liberdade é o fundamento de todos os valores. A.  pragmatismo da escolha individual.
C.  a ética constitui-se pela procura da felicidade. B.  sobrevivência de gerações futuras.
D.  não pode haver moral porque Deus não existe. C.  fortalecimento de políticas liberais.
E.  o valor máximo é a vontade de poder.  D.  valorização de múltiplas etnias.
E.  promoção da inclusão social.

SEÇÃO ENEM QUESTÃO 04


(ENEM) Hoje, a indústria cultural assumiu a herança civilizatória
da democracia de pioneiros e empresários, que tampouco
QUESTÃO 01 desenvolvera uma fineza de sentido para os desvios espirituais.
Todos são livres para dançar e para se divertir do mesmo modo
(ENEM) O Conceito de democracia, no pensamento de Habermas, que, desde a neutralização histórica da religião, são livres para
é construído a partir de uma dimensão procedimental, calcada no entrar em qualquer uma das inúmeras seitas. Mas a liberdade de
discurso e na deliberação. A legitimidade democrática exige que escolha da ideologia, que reflete sempre a coerção econômica,
o processo de tomada de decisões políticas ocorra a partir de revela-se em todos os setores como a liberdade de escolher o que
uma ampla discussão pública, para somente então decidir. Assim, é sempre a mesma coisa.
o caráter deliberativo corresponde a um processo coletivo de ADORNO, T; HORKHEIMER, M. Dialética do esclarecimento: fragmentos filosóficos. Rio
ponderação e análise, permeado  pelo discurso, que antecede a de Janeiro; Zahar, 1985
decisão.
VITALE. D. Jugen. Habermas, modernidade el democracia deliberativa Cadernos do CRH A liberdade de escolha na civilização ocidental, de acordo com a
(UFBA), v. 19, 2006 (adaptado)
análise do texto, é um(a)
O Conceito de democracia proposto por Jürgen Habermas pode A.  legado social.
favorecer processos de inclusão social. De acordo com o texto, é B.  patrimônio politico.
uma condição para que isso aconteça o(a) C.  produto da moralidade.
D.  conquista da humanidade.
A.  participação direta periódica do Cidadão. E.  ilusão da contemporaneidade,
B.  debate livre e racional entre Cidadãos e Estado.
C.  interlocução entre os poderes governamentais.
D.  eleição de lideranças políticas com mandatos temporários.
QUESTÃO 05
E.  controle do poder político por cidadãos mais esclarecidos.
(ENEM)
QUESTÃO 02 Ser ou não ser — eis a questão.
Morrer – dormir.—Dormir! Talvez sonhar. Aí está o obstáculo
(ENEM) “Uma norma só deve pretender validez quando todos os Os sonhos que hão de vir no sono da morte
que possam ser concernidos por ela cheguem (ou possam chegar), quando tivermos escapado ao tumulto vital
enquanto participantes de um discurso prático, a um acordo nos obrigam a hesitar: e é essa a reflexão
quanto à validade dessa norma”. Que dá à desventura uma vida tão longa.
Habermas, J. Consciência moral e agir comunicativo. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1989.
SHAKESPEARE, W. Hamlet. Porto Alegre, L&PM, 2007
 
Segundo Habermas, a validez de uma norma deve ser estabelecida Este solilóquio pode ser considerado um precursor do
pelo (a) existencialismo ao enfatizar a tensão entre
A.  Liberdade humana, que consagra a vontade. A.  consciência de si e angústia humana.
B.  Razão comunicativa, que requer um consenso. B.  inevitabilidade do destino e incerteza moral.
C.  Conhecimento filosófico, que expressa a verdade. C.  tragicidade da personagem e ordem do mundo.
D.  Técnica científica, que aumenta o poder do homem. D.  racionalidade argumentativa e loucura iminente.
E.  Poder político, que se concentra no sistema partidário. E.  dependência paterna e impossibilidade de ação.
QUESTÃO 03 QUESTÃO 06
(ENEM) A promessa da tecnologia moderna se converteu em (ENEM) A primeira fase da dominação da economia sobre a vida
uma ameaça, ou esta se associou àquela de forma indissolúvel. social acarretou, no modo de definir toda realização humana, uma
Ela Vai além da constatação da ameaça física. Concebida para a evidente degradação do ser para o ter. A fase atual, em que a vida
felicidade humana, a submissão da natureza, na sobremedida de social está totalmente tomada pelos resultados da economia, leva
seu sucesso, que agora se estende à própria natureza do homem, a um deslizamento generalizado do ter para o parecer, do qual
conduziu ao maior desafio já posto ao ser humano pela sua própria todo ter efetivo deve extrair seu prestígio imediato e sua função
ação. O novo continente da práxis coletiva que adentramos com última. Ao mesmo tempo, toda realidade individual tornou-se
a alta tecnologia ainda constitui, para a teoria ética, uma terra de social, diretamente dependente da força social, moldada por ela.
ninguém. DEBORG, G. A sociedade do espetáculo. Rio de Janeiro: Contraponto, 2015.
JONAS, H. O princípio da responsabilidade. Rio de Janeiro: Contraponto; Editora PUC-
Rio, 2011 (adaptado).
Uma manifestação contemporânea do fenômeno descrito no
As implicações éticas da articulação apresentada no texto texto é o(a)

394
FILOSOFIA - FRENTE U - CAPÍTULO 02 EXERCÍCIOS

A.  Valorização dos conhecimentos acumulados. B.  coagir e servir para refrear a agressividade humana.
B.  Exposição nos meios de comunicação. C.  criar limites entre a guerra e a paz praticadas entre os
C.  Aprofundamento da vivência espiritual. indivíduos de uma mesma nação.
D.  Fortalecimento das relações interpessoais. D.  estabelecer princípios éticos que regulamentam as ações
E.  Reconhecimento na esfera artística. bélicas entre países inimigos.
E.  organizar as relações de poder na sociedade e entre os
QUESTÃO 07 Estados.

(ENEM) A maioria das necessidades comuns de descansar, distrair- QUESTÃO 10


se, comportar-se, amar e odiar o que os outros amam e odeiam
pertence a essa categoria de falsas necessidades. Tais necessidades (ENEM) Uma sociedade é uma associação mais ou menos
têm um conteúdo e uma função determinada por forças externas, autossuficiente de pessoas que em suas relações mútuas
sobre as quais o indivíduo não tem controle algum. reconhecem certas regras de conduta como obrigatórias e que,
MARCUSE, H. A ideologia da sociedade industrial: o homem [Link] de na maioria das vezes, agem de acordo com elas. Uma sociedade é
Janeiro: Zahar, 1979.
bem ordenada não apenas quando está planejada para promover
o bem de seus membros. mas quando é também efetivamente
Segundo Marcuse, um dos pesquisadores da chamada Escola de
regulada por uma concepção pública de justiça. Isto é, trata-se
Frankfurt, tais forças externas são resultantes de
de uma Sociedade na qual todos aceitam, e sabem que os outros
aceitam, o mesmo princípio de justiça.
A.  aspirações de cunho espiritual. RAWLS, J. Uma teoria da justiça São Paulo. Martins Fontes, 1997 adaptado).
B.  propósitos solidários de classes.
C.  exposição cibernética crescente. A visão expressa nesse texto do século XX remete a qual aspecto
D.  interesses de ordem socioeconômica. do pensamento moderno?
E.  hegemonia do discurso médico-científico
A.  A relação entre liberdade e autonomia do Liberalismo.
QUESTÃO 08 B.  A independência entre poder e moral do Racionalismo.
C.  A convenção entre cidadãos e soberano do Absolutismo.
(ENEM) A crítica é uma questão de distância certa. O olhar D.  A dialética entre indivíduo e governo autocrata do Ideallismo.
hoje mais essencial, o olho mercantil que penetra no coração E.  A contraposição entre bondade e condição selvagem do
das coisas, chama-se propaganda. Esta arrasa o espaço livre da Naturalismo.
contemplação e aproxima tanto as coisas, coloca-as tão debaixo
do nariz quanto o automóvel que sai da tela de cinema e cresce,
gigantesco, tremeluzindo em direção a nós. E, do mesmo modo que
o cinema não oferece móveis e fachadas a uma observação crítica
GABARITO
completa, mas dá apenas a sua espetacular, rígida e repentina
proximidade, também a propaganda autêntica transporta as
coisas para primeiro plano e tem um ritmo que corresponde ao VESTIBULARES ENEM
de um bom filme.
BENJAMIN, W. Rua de mão única: infância berlinense – 1900. Belo Horizonte: Autêntica, 1 C 11 A 1 B
2013 (adaptado).
2 D 12 D 2 B
O texto apresenta um entendimento do filósofo Walter Benjamin,
segundo o qual a propaganda dificulta o procedimento de análise 3 E 13 D 3 B
crítica em virtude do(a) 4 A 14 D 4 E

A.  caráter ilusório das imagens. 5 A 15 B 5 A


B.  evolução constante da tecnologia.
C.  aspecto efêmero dos acontecimentos. 6 B 16 • 6 B
D.  conteúdo objetivo das informações. 7 B 17 • 7 D
E.  natureza emancipadora das opiniões
8 C 18 • 8 A
QUESTÃO 09 9 A 19 • 9 E
(ENEM) A lei não nasce da natureza, junto das fontes frequentadas 10 D 20 • 10 A
pelos primeiros pastores: a lei nasce das batalhas reais, das
vitórias, dos massacres, das conquistas que têm sua data e seus
heróis de horror: a lei nasce das cidades incendiadas, das terras
devastadas; ela nasce com os famosos inocentes que agonizam
no dia que está amanhecendo.
FOUCAULT. M. Aula de 14 de janeiro de 1976. In. Em defesa da sociedade. São Paulo:
Martins Fontes. 1999

O filósofo Michel Foucault (séc. XX) inova ao pensar a política


e a lei em relação ao poder e à organização social. Com base na
reflexão de Foucault, a finalidade das leis na organização das
sociedades modernas é

A.  combater ações violentas na guerra entre as nações.

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