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História do Brasil: Colônia, Império e República

Este documento fornece um resumo da história do Brasil desde o período pré-colonial até a república, dividido em três períodos principais: colonial, imperial e republicano. Detalha os principais acontecimentos do período colonial como a exploração do pau-brasil, a colonização portuguesa, a criação do governo geral, a formação da sociedade colonial e as ameaças aos portugueses de franceses, ingleses e holandeses.
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História do Brasil: Colônia, Império e República

Este documento fornece um resumo da história do Brasil desde o período pré-colonial até a república, dividido em três períodos principais: colonial, imperial e republicano. Detalha os principais acontecimentos do período colonial como a exploração do pau-brasil, a colonização portuguesa, a criação do governo geral, a formação da sociedade colonial e as ameaças aos portugueses de franceses, ingleses e holandeses.
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CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU

NÚCLEO DE PÓS-GRADUAÇÃO E EXTENSÃO – FAVENI


SUMÁRIO

1 A HISTÓRIA DO BRASIL ............................................................... 2


2 BRASIL COLÔNIA .......................................................................... 2
2.1 Período Pré-Colonial ................................................................... 3

2.2 O Início da Colonização .............................................................. 3

2.3 O Governo Geral ......................................................................... 4

3 A FORMAÇÃO SOCIAL DO BRSIL COLÔNIA ............................... 5


3.1 Ameaças ao Domínio Português ................................................. 5

4 BRASIL IMPÉRIO ........................................................................... 7


4.1 Primeiro Reinado (1822-1831) .................................................... 7

4.2 A Constituição do Brasil Império ................................................. 8

4.3 A Abdicação de D. Pedro I .......................................................... 9

4.4 O Segundo Reinado (1840-1889) ............................................. 11

5 BRASIL REPÚBLICA.................................................................... 12
6 OS DEZ NOMES MAIS FUNDAMENTAIS DA HISTÓRIA DO BRASIL
16
7 A HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO NO BRASIL: UMA LONGA JORNADA
RUMO À UNIVERSALIZAÇÃO ........................................................................ 31
8 10 CIDADES QUE CONTAM UM PEDACINHO DA HISTÓRIA DO
BRASIL 39
9 COMO FOI A HISTÓRIA MILITAR DO BRASIL? ......................... 41
10 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................. 51

1
1 A HISTÓRIA DO BRASIL

A história do Brasil deve ser considerada desde o seu início, com a chegada
dos primeiros humanos, embora esta data não seja conhecida. Regiões de ocupação
foram registradas com mais de 15 mil anos e ainda há muito o que se descobrir sobre
isso. Para estudarmos a história conhecida do Brasil, desde seu descobrimento,
quando já existem registros, devemos considerar três períodos distintos:
 Período Colonial
 Período Imperial
 Período Republicano
Essa divisão, no entanto, deve ser considerada apenas com o objetivo de
organizar os principais conteúdos e acontecimentos desde que o Brasil se tornou uma
região conhecida, tendo como ponto de partida o seu descobrimento, no ano de 1500.
Como sabemos que o território em que se formou a nação chamada Brasil
possuía antes muitas tribos nativas, cada uma com seus aspectos culturais
particulares, devemos também considerar esse período, que pode ser chamado de
Período Pré-cabraliano.
Esse período, antes do descobrimento, refere-se aos indígenas e faz referência
a Pedro Álvares Cabral, considerado o descobridor de nosso país, sendo o dia 22 de
abril de 1500 considerado como o marco inicial da história do Brasil.1

2 BRASIL COLÔNIA

O Brasil Colônia, na História do Brasil, é a época que compreende o período


de 1530 a 1822.
Este período começou quando o governo português enviou ao Brasil a primeira
expedição colonizadora chefiada por Martim Afonso de Souza. Em 1532, ele fundou
o primeiro núcleo de povoamento, a Vila de São Vicente, no litoral do atual estado de
São Paulo.

1
Extraído do link: portalsuaescola.com.br
2
Fonte:
geniodoenem.com.br

2.1 Período Pré-Colonial

Logo após a chegada dos portugueses à sua nova colônia, a primeira atividade
econômica girava em torno da exploração do pau-brasil, existente em grande
quantidade na costa brasileira, principalmente no nordeste do País. Esse período ficou
conhecido como Ciclo do Pau-Brasil.
A exploração do pau-brasil foi meramente extrativista e não deu origem a uma
ocupação efetiva.
O trabalho de derrubar árvores e preparar a madeira para embarque era feito
pelos indígenas e uns poucos europeus que permaneciam em feitorias na costa.
Explorado de forma predatória, as árvores próximas da costa desapareceram
já na década de 1520.

2.2 O Início da Colonização

Várias expedições foram enviadas por Portugal, visando reconhecer toda costa
brasileira e combater os piratas e comerciantes franceses.
As mais importantes foram as comandadas por Cristóvão Jacques (1516 e
1526), que combateu os franceses.

3
Também Martim Afonso de Sousa (1532), combateu a pirataria francesa. Da
mesma forma, ele instalou em São Vicente, a primeira povoação dotada de um
engenho para produção de açúcar.
Para colonizar o Brasil e garantir a posse da terra, em 1534, a Coroa dividiu o
território em 15 capitanias hereditárias. Estas eram imensos lotes de terra que se
estendiam do litoral até o limite estabelecido pelo Tratado de Tordesilhas.
Esses lotes foram doados a capitães (donatários), pertencentes à pequena
nobreza lusitana que, por sua conta promoviam a defesa local e a colonização.
A empresa açucareira foi escolhida, porque apresentava possibilidade de vir a
ser um empreendimento altamente lucrativo, abastecendo o grande mercado de
açúcar da Europa.
Foi no nordeste do país que a atividade açucareira atingiu seu maior grau de
desenvolvimento, principalmente nas capitanias de Pernambuco e da Bahia.
Nos séculos XVI e XVII, o Nordeste tornou-se o centro dinâmico da vida social,
política e econômica do Brasil.

2.3 O Governo Geral

O sistema de Governo Geral foi criado em 1548, pela Coroa, com o objetivo de
organizar a administração colonial.
O primeiro governador foi Tomé de Souza (1549 a 1553), que recebeu do
governo português, um conjunto de leis. Estas determinavam as funções
administrativas, judicial, militar e tributária do Governo Geral.
O segundo governador geral foi Duarte da Costa (1553 a 1558), e o terceiro foi
Mem de Sá (1558 a 1572).
Em 1572, depois da morte de Mem de Sá e de seu sucessor Dom Luís de
Vasconcelos, o governo português dividiu o Brasil em dois governos cuja unificação
só voltou em 1578:
 Governo do Norte, com sede em Salvador
 Governo do Sul, com sede no Rio de Janeiro
Em 1580, Portugal e todas as suas colônias, inclusive o Brasil, ficaram sob o
domínio da Espanha, situação que perdurou até 1640. Este período é conhecido como
Unificação Ibérica.
4
Em 1621, ainda sob o domínio espanhol, o Brasil foi novamente dividido em
dois estados: o Estado do Maranhão e o Estado do Brasil. Essa divisão durou até
1774, quando o Marquês de Pombal decretou a unificação.

3 A FORMAÇÃO SOCIAL DO BRSIL COLÔNIA

Fundamentalmente três grandes grupos étnicos, o índio, negro africano e o


branco europeu, principalmente o português, entraram na formação da sociedade
colonial brasileira.
Os portugueses que vieram para o Brasil pertenciam a várias classes sociais
em Portugal. A maioria era formada por elementos da pequena nobreza e do povo.
Também é preciso ter em conta que as tribos indígenas tinham línguas e
culturas distintas. Algumas eram inimigas entre si e isto era usado pelos europeus
quando desejavam guerrear contra os portugueses.
Da mesma forma, os negros trazidos como escravos da África possuíam
crenças, idiomas e valores que foram sendo absorvidos pelos portugueses e
indígenas.
No Brasil Colônia, o engenho era o centro dinâmico de toda a vida social. Isso
possibilitava o “senhor da casa grande” concentrar em torno de si, grande quantidade
de indivíduos e ter a autoridade máxima, o prestígio e o poder local.
Em torno do engenho viviam os mulatos, geralmente filhos dos senhores com
escravas, o padre, os negros escravos, o feitor, o mestre do açúcar, os trabalhadores
livres, etc.

3.1 Ameaças ao Domínio Português

Nos primeiros anos logo depois da descoberta, a presença de piratas e


comerciantes franceses no litoral brasileiro foi constante. A invasão francesa se deu
em 1555, quando conquistaram o Rio de Janeiro, fundando ali a "França Antártica",
sendo expulsos em 1567.

5
Em 1612, os franceses invadiram o Maranhão, ali fundaram a "França
Equinocial" e a povoação de São Luís, onde permaneceram até 1615, quando foram
novamente expulsos.
Os ataques ingleses no Brasil se limitaram a assaltos de piratas e corsários que
saquearam alguns portos. Invadiram as cidades de Santos e Recife e o litoral do
Espírito Santo.
As duas invasões holandesas no Brasil se deram durante o período em que
Portugal e o Brasil estavam sob o domínio espanhol. A Bahia, sede do Governo Geral
do estado do Brasil, foi invadida, mas a presença holandesa durou pouco tempo
(1624-1625).
Em 1630, a capitania de Pernambuco, o maior centro açucareiro da colônia, foi
invadida por tropas holandesas.
A conquista foi consolidada em 1637, com a chegada do governante holandês
o conde Maurício de Nassau. Ele conseguiu firmar o domínio holandês em
Pernambuco e estendê-lo por quase todo o nordeste do Brasil.
A cidade do Recife, o centro administrativo, foi urbanizada, saneada,
pavimentada, foram construídos pontes, palácios e jardins. O governo de Maurício de
Nassau chegou ao fim em 1644, mas os holandeses só foram expulsos em 1654.

O Século do Ouro e dos Diamantes


A procura de metais preciosos sempre constituiu o sonho dos colonizadores.
As descobertas começaram na década de 1690, na região de Minas Gerais.
A partir daí se espalhou em várias partes do território nacional. No século XVIII
a mineração era a grande fonte de riqueza da metrópole.
O Ciclo do Ouro e do Diamante foram responsáveis por profundas mudanças
na vida do Brasil colônia, com o crescimento urbano e do comércio.

A Crise do Sistema Colonial

Em 1640, Portugal contava apenas com as rendas do Brasil. Por isso passou a
exercer um controle mais rígido sobre a arrecadação de impostos e as atividades
econômicas, chegando a proibir o comércio com estrangeiros.

6
O descontentamento com a política econômica da metrópole fez surgir algumas
revoltas, entre elas:
 Revolta de Beckman (1684), no Maranhão
 Guerra dos Emboabas (1708-1709), em Minas Gerais
 Guerra dos Mascates (1710), em Pernambuco

Em fins do século XVIII, teve início os movimentos que tinham como objetivo
libertar a colônia do domínio português, entre elas:
 Inconfidência Mineira (1789)
 Conjuração Baiana (1798)
No início do século XIX, as condições para a emancipação brasileira estavam
maduras. Contribuíram também a conjuntura criada pelas Guerras Napoleônicas e
pela Revolução Industrial Inglesa.
Com a invasão de Portugal, a sede do reino transferiu-se para o Brasil. Em
1822, deu-se o passo decisivo para consolidar a Independência do Brasil.2

4 BRASIL IMPÉRIO

O Brasil Império foi o período da História do Brasil que teve seu início com a
aclamação do Imperador D. Pedro I, em 1822, e se prolongou até a Proclamação da
República, em 1889.

4.1 Primeiro Reinado (1822-1831)

D. Pedro I (1798-1834) foi aclamado “Imperador Constitucional e Defensor


Perpétuo do Brasil”, fato que se oficializou no dia 12 de outubro de 1822. Era o início
do Império, embora a coroação apenas tenha sido realizada no dia 1º de dezembro
de 1822.

2
Extraído do link: www.todamateria.com.br
7
Depois de coroado, D. Pedro teve que enfrentar a difícil situação criada por
algumas províncias onde as Juntas Governamentais eram dominadas por
portugueses.
A separação entre o Brasil e Portugal não foi aceita, e declarando-se fieis às
Cortes de Lisboa não o reconheciam como governante.

4.2 A Constituição do Brasil Império

A Assembleia Constituinte foi convocada por D. Pedro I, no dia 3 de junho de


1822, no entanto, só se reuniu pela primeira vez no dia 3 de maio de 1823, para
elaborar a primeira Constituição do Brasil.
A declaração de D. Pedro de que defenderia a pátria e a constituição desde
que “fosse digna dele e do Brasil”, desencadeou vários desentendimentos entre os
deputados liberais radicais e o imperador, o que levou D. Pedro a dissolver a
Assembleia seis meses depois.
Depois da dissolução da Assembleia, D. Pedro escolheu uma comissão de dez
pessoas de sua confiança e encarregou-as de elaborar uma Constituição para o País.
Em 16 dia estava pronta, baseada no projeto que fora elaborado pela
Constituinte. No dia 25 de março de 1824, D. Pedro I jurou obedecer a Carta Magna
que outorgava no Brasil.

8
Fonte:
www.sentinelalacerdista.com.br

A Constituição de 1824 concentrava grandes poderes nas mãos do imperador


e reservava o exercício da atividade política para a classe privilegiada. A política
absolutista e pró-lusitana recebeu críticas de diversas províncias.
Entre elas estava a Confederação do Equador, que estourou em Pernambuco
em 1824. O estado era um tradicional centro revolucionário do País. A nova revolução
teve adesão da Paraíba, do Rio Grande do Norte e do Ceará.
O movimento revolucionário conseguiu por pouco tempo, manter um governo
revolucionário. A repressão foi violenta e um dos líderes, o popular pernambucano,
Frei Caneca (1779-1825), foi preso e fuzilado.

4.3 A Abdicação de D. Pedro I

D. Pedro I enfrentou grande dificuldade financeira durante seu governo. A


população sofreu os efeitos da crise generalizada. O absolutismo, a violenta repressão
à Confederação do Equador, os constantes empréstimos, as falências do Banco do
Brasil, entre outros fatores, contribuíram para alabar o prestígio do imperador.
Depois de dez anos no governo do Brasil, D. Pedro I abdicou de seus direitos
do trono brasileiro, deixando para seu filho mais velho, Pedro de Alcântara (1499-

9
1562), que tinha pouco mais de cinco anos de idade, e só reinou mais tarde, com o
título de D. Pedro II.

As Regências (1831-1840)

A Constituição de 1824 determinava que o Império seria governado por uma


regência. A medida foi tomada porque o imperador era menor de idade. A regência
era composta por três membros, e governaria o Brasil até a maioridade do imperador.
Nesse período, governou o Império a Regência Trina Provisória (1831); a
Regência Trina Permanente (1831-1835).
Em 1934 foram introduzidas algumas alterações importantes no texto
constitucional, entre elas, a eleição de um regente único do Império.
Realizada as eleições, foi eleito o padre Antônio Feijó (1859-1917), que tomou
posse em 12 de outubro de 1835.
A Regência de Diogo Antônio Feijó governou até o ano de 1837, quando depois
de sucessivas crises, Feijó renunciou ao cargo de regente.
No dia 22 de abril de 1838, Pedro de Araújo Lima (1793-1870) foi escolhido
como novo regente. A Regência de Araújo Lima não conseguiu afastar o clima de
insatisfação reinante.
A antecipação da maioridade de D. Pedro II era apresentada como solução
para a luta entre facções políticas e para as rebeldias nas províncias, pois o imperador
seria um poder neutro.
A maioridade antecipada do imperador foi proclamada dia 23 de julho de 1840,
perante a Assembleia Geral. Ele subiu ao trono com a idade de 14 anos e 7 meses.
No período regencial ocorreram diversas crises políticas, marcadas por
rebeliões populares contra a fome e a miséria, entre elas:
 Cabanagem (1835-1840), no Pará;
 Sabinada (1837-1838), na Bahia
 Balaiada (1838-1840), no Maranhão;
 Guerra dos Farrapos (1835-1845), no Rio Grande do Sul.

10
4.4 O Segundo Reinado (1840-1889)

D. Pedro II governou o Brasil durante quase meio século. O início desse período
foi marcado pelas lutas partidárias pelo poder, dando origem às Revoluções Liberais
de São Paulo e de Minas Gerais.
A Revolução Praieira foi outro movimento de caráter liberal que aconteceu em
Pernambuco. Só a partir de 1850, o Império conheceu a fase de calmaria na política
interna.
A política externa do Brasil, durante o Segundo Reinado esteve voltada para o
equilíbrio sul-americano. O objetivo básico era manter a livre navegação dos rios
platinos (Prata, Uruguai, Paraná e Paraguai).
O Brasil empreendeu três campanhas políticas na região do rio da Prata no
período de 1851 e 1870. Foram: a Campanha contra Oribe (Uruguai); a Campanha
contra Rosas (Argentina) e a Campanha contra Aguirre (Uruguai).

Economia e Sociedade no Segundo Reinado

O açúcar, o algodão, o cacau, o tabaco e a borracha representaram parte


significativa da produção agrícola durante o Império. Na Região Sudeste, o café foi
responsável pelo aparecimento da aristocracia do Segundo Reinado.
A abolição da escravatura, em 1888, gerou profunda crise nas zonas cafeeiras.
O braço escravo começou a ser substituído pelo trabalho livre do imigrante europeu,
que se acentuou em 1848, quando ocorriam na Europa várias crises políticas.
A indústria brasileira teve grande impulso em 1844. Foram construídas estradas
de ferro, estradas de rodagens, bancos, usinas de açúcar etc. Entre os empresários
da segunda metade do século XIX, destacou-se o Barão de Mauá.

11
5 BRASIL REPÚBLICA

A crise do império e a consequente Proclamação da República foram


decorrência direta das transformações econômicas e sociais da segunda metade do
século XIX.3

Período republicano teve início em 1889, com a proclamação da República


pelo Marechal Deodoro

A era republicana no Brasil teve início em 1889, com a proclamação da


República pelo Marechal Deodoro da Fonseca, e vigora até os dias de hoje. Nesses
anos, o país passou por importantes mudanças de governo, inclusive um período de
ditadura militar.
O Brasil República pode ser dividido em cinco fases: República Velha, Era
Vargas, República Populista, Ditadura Militar e Nova República.

República Velha (1889 – 1930)


O período começa com a Proclamação da República, liderada pelo Marechal
Deodoro da Fonseca em 1889. Em 1891, é promulgada a primeira constituição da era
republicana.
Também conhecido como República das Oligarquias, o período foi marcado
por governos ligados ao setor agrário, que se mantinham no poder de forma alternada:
a “política do café com leite”. A quebra dessa troca de governo provocou a Revolução
de 1930 e marcou o fim da República Velha.

Era Vargas (1930-1945)


Os primeiros anos da Era Vargas foram marcados pelo clima de tensão entre
as oligarquias e os militares - principalmente no estado de São Paulo – o que provocou
a Revolução Constitucionalista de 1932.

3
Extraído do link: www.todamateria.com.br
12
Em 1935, a Aliança Nacional Libertadora (ANL) promoveu uma tentativa de
golpe contra o governo Getúlio Vargas – a Intentona Comunista. Getúlio aproveitou o
episódio para declarar estado de sítio e ampliar seus poderes políticos. Nessa época,
Getúlio adotou um discurso nacionalista e começou a articular um movimento pela
sua permanência no cargo. Mas em 1945, o Exército derrubou o presidente.

República Populista (1945-1964)


Após a queda de Getúlio, o general Eurico Gaspar Dutra foi eleito presidente.
A Assembleia Constituinte criou a quinta constituição brasileira, que estabeleceu os
poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.
Em 1950, Getúlio volta ao cenário político e vence as eleições presidenciais.
Graças a sua postura nacionalista, ele recebe apoio de empresários, Forças Armadas,
grupos de políticos no Congresso, da União Nacional dos Estudantes (UNE) e da
sociedade.
Enquanto isso, a oposição crescia e se organizava contra o governo. Em 23 de
agosto de 1954, 27 generais exigem publicamente a renúncia de Vargas. Na manhã
de 24 de agosto, Vargas comete suicídio.
Juscelino Kubitschek assume a presidência em janeiro de 1955 com a
promessa de realizar “cinquenta anos em cinco”. A reação à política de JK veio com
a eleição do populista Jânio Quadros, que renunciou ao mandato no ano seguinte. Na
época, especulou-se que a renúncia foi uma estratégia usada pelo presidente para
conseguir que o Congresso lhe oferecesse poderes totais. Mas ao contrário do que
Jânio esperava, o Congresso aceitou prontamente sua saída.

Ditadura Militar (1964-1985)


Com o aumento da crise política e das tensões sociais, em março de 1964
tropas em Minas Gerais e São Paulo saem às ruas. No dia 9 de abril, é decretado o
Ato Institucional Número 1 (AI-1), que cassa mandatos políticos e tira a estabilidade
de funcionários públicos.
O marechal Humberto de Alencar Castello Branco foi eleito presidente. Em seu
governo, foram promulgados os Atos Institucionais, que suspenderam os direitos
políticos dos cidadãos.

13
Em 1967, o marechal Arthur da Costa e Silva assume a presidência e decreta,
em 1968, o Ato Institucional Número 5 (AI-5), que fechou o sistema político e ampliou
a repressão da ditadura.
No final de 1969, Costa e Silva adoece e é substituído por uma junta militar.
Em seguida, o general Emílio Garrastazu Médici assume a presidência. Com ele,
cresce a repressão e uma severa política de censura é colocada em prática para todos
os meios de comunicação e expressão.
Sucessor de Médici, o general Ernesto Geisel inicia um lento processo de
transição rumo à democracia. Em 1978, ele acaba com o AI-5 e impõe o general João
Batista Figueiredo para a sucessão. Figueiredo decreta então a Lei da Anistia e
restabelece o pluripartidarismo.

Nova República (1985-hoje)


A Nova República é o período que se seguiu ao governo militar caracterizado
pela democratização política e pela estabilização econômica.
Em 1984, o movimento “Diretas Já” mobilizou milhões de brasileiros que
pediam eleições diretas para presidente. A Câmara dos Deputados, no entanto, não
aprova e o Colégio Eleitoral elege o deputado oposicionista Tancredo Neves que
concorria contra Paulo Maluf.
Tancredo não chega a tomar posse, falecendo vítima de infecção hospitalar. O
vice, José Sarney assume e, no seu governo, é promulgada a Constituição de 1988.
O documento instituiu o Estado democrático e a república presidencialista.
Em 1989, Fernando Collor de Mello vence as primeiras eleições diretas para
presidente realizadas desde 1960. Praticamente desconhecido no resto do país, sua
campanha foi baseada na promessa de combate à corrupção e da construção de uma
imagem de líder jovem e dinâmico.

14
Fonte:
institutopoimenica.com

Após dois anos de governo, o Congresso Nacional instaura uma CPI cujas
conclusões levam ao pedido de afastamento do presidente (impeachment), mas Collor
renunciou antes de ter seu impedimento aprovado. Mesmo assim, o ex-presidente
teve seus direitos políticos suspensos por dez anos.
Um dos fatos mais marcantes desse período foi o movimento dos “Caras
Pintadas”, quando milhares de estudantes saíram às ruas pedindo o impeachment de
Collor.
Após a renúncia, o vice-presidente Itamar Franco assume o cargo. Em sua
administração, é implantado o Plano Real. O projeto foi executado pela equipe do
então ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, que se elegeu presidente
em 1994 e foi reeleito em 1998.
Em 2002, Luiz Inácio Lula da Silva é eleito presidente da República e reeleito
em 2006.4

4
Extraído do link: www.brasil.gov.br
15
6 OS DEZ NOMES MAIS FUNDAMENTAIS DA HISTÓRIA DO BRASIL

A História é feita de pessoas. Faz toda a diferença, por exemplo, que tenha sido
o ambicioso e ideologicamente flexível Getúlio Vargas a tornar-se presidente
provisório na Revolução de 1930 – e não um dos tenentes radicais que o cercavam.
O país também não seria o mesmo sem as qualidades pessoais do intelectualizado e
tolerante dom Pedro II, que estabeleceu um exemplo de liberdade para as gerações
seguintes. E o próprio Pedro não seria quem era sem seu primeiro tutor, o cientista-
filósofo José Bonifácio de Andrada e Silva. Esses grandes brasileiros não apenas
tiveram a chance de decidir o futuro do país, como encarnam o espírito e as
contradições de sua época.

GETÚLIO VARGAS – Herança onipresente


As contradições na vida do maior personagem da História do Brasil

Nenhum brasileiro poderia ser mais polêmico. E, ao mesmo tempo, não há


dúvidas que não deveria ser outro na primeira posição desta lista. Getúlio Vargas foi
um ditador – e um presidente democrático – que dividiu o país. É possível amar ou
detestar seu legado. Mas é impossível negar que ele está em todo lugar. A
Consolidação das Leis do Trabalho, a legislação sindical, a Petrobras, a Ordem dos
Advogados do Brasil, e mesmo coisas mais abstratas, como um certo nacionalismo
excludente, que encara adversários como “entreguistas”, inimigos da nação, todas são
heranças da Era Vargas, que, 80 anos depois, ainda não é objeto de consenso entre
pesquisadores.
A própria natureza política de Vargas é difícil de avaliar. A Revolução de 1930,
na qual ascendeu ao poder como presidente provisório, prometia industrializar o Brasil
e corrigir os defeitos antidemocráticos da República Velha. Em 1932, o voto tornou-se
secreto, obrigatório e passou a incluir as mulheres, de forma a acabar com o “voto do
cabresto”, no qual líderes locais pressionavam os eleitores a elegerem seus
candidatos, já que era possível saber quem votava em quem. A demora em entregar
uma nova Constituição e o fato de a Revolução ter deposto um paulista, Washington
Luís, levaram São Paulo a uma guerra civil, a Revolução Constitucionalista de 1932.

16
O estado foi derrotado, mas a Constituição saiu, por meio de uma assembleia eleita
de acordo com novas leis, em 1934.
Eleito indiretamente no mesmo ano, Vargas detestou o resultado da
Constituição, para ele oneroso demais para o orçamento público e liberal no combate
à subversão – em 1935, houve um levante comunista. Antes que seu mandato
acabasse, em 1937, ele deu um autogolpe, impondo uma nova Carta, que proibia
greves, acabava com os governos estaduais e permitia ao governo demitir
funcionários públicos, baseada na Constituição da Polônia, de inspiração fascista.
O Brasil desenvolveu indústrias de base, como a Companhia Siderúrgica
Nacional, de 1941, e a Vale do Rio Doce, no ano seguinte. Também deu uma séria
guinada para o fascismo. Foi estabelecido um culto à personalidade do ditador, e as
manifestações culturais foram enquadradas numa perspectiva nacionalista e
construtiva. Em 1942, esse país autoritário entraria em guerra contra o fascismo,
tornando-se o único da América Latina a enviar tropas à Europa – e vencer os
alemães, diga-se.
A contradição em lutar por democracia com uma ditadura em casa não passou
despercebida. Ao fim da guerra, Vargas foi deposto. Mas sua popularidade era
imensa, e ele voltou como presidente eleito em 1951. O Getúlio democrático governou
um país sectário. A imprensa e a classe média estavam contra ele. A esquerda, que
Vargas havia perseguido, passou a apoiá-lo. Em tempos de Guerra Fria, essa aliança
apenas exaltou os ânimos. Em meio a uma furiosa polêmica causada por uma
tentativa de assassinato ao jornalista opositor Carlos Lacerda por um membro da
guarda pessoal do presidente, Vargas escreveu seu famoso “Saio da vida para entrar
para a História” e deu um tiro no coração. Seu fantasma assombraria o país para
sempre. Seriam seus aliados ou opositores que decidiriam o futuro do Brasil pelas
próximas gerações.

DOM PEDRO II – Imperador cidadão


O monarca que queria ser presidente

Ele reinou por 58 anos, no mais longo período de estabilidade política do país.
E isso em si já é uma conquista: quando, em 23 de julho de 1840, foi declarado maior
de idade, aos 14 anos, e assumiu o trono, o Brasil enfrentava três revoltas
17
separatistas: a Cabanagem, no Pará, a Balaiada, no Maranhão, e a Farroupilha, no
Rio Grande do Sul. Além dos conflitos civis, Pedro também venceria três guerras
externas – a do Prata (1851-1852), do Uruguai (1864) e do Paraguai (1864-1870).
Apesar do histórico militar impecável, não é pelas glórias da caserna que o
imperador ficou conhecido. Pedro foi, como diz o historiador Jean Marcel Carvalho
França, “um dos melhores governantes que teve o Brasil, quiçá o melhor”. Enquanto
os vizinhos saltavam de caudilho em caudilho, o Brasil contava com plena liberdade
de pensamento e direitos constitucionais, ao mesmo tempo que ferrovias e as
primeiras indústrias se instalavam no país. As eleições podiam ser falhas e
manipuladas localmente por liberais e conservadores, mas a existência dos partidos
era garantida.
O imperador jamais abusou de seus poderes. E a sociedade aproveitava a
liberdade. A imprensa fazia críticas tão ferozes que até viajantes europeus as
consideravam excessivas. A reação do monarca intelectual deveria servir de exemplo
para políticos brasileiros de hoje: ele mesmo pegava na pena e escrevia réplicas,
publicadas sob pseudônimo.
A liberdade política convivia com a grande mácula da escravidão. “Pedro
consubstancia, como Vargas, as contradições do Brasil. Soberano culto, moderado,
antenado com a ciência, foi também o monarca da escravidão”, diz Pedro Paulo
Funari, da Unicamp. As contradições eram grandes. Pedro era liberal convicto, até
demais. Em 1862, registrou em seu diário: “Nasci para consagrar-me às letras e às
ciências, e, a ocupar posição política, preferiria a de presidente da República ou
ministro à de imperador”. A seu próprio exemplo, os liberais brasileiros eram, em
maioria, republicanos. Quem apoiava a monarquia era o Partido Conservador, dos
proprietários de escravos. Assim, um imperador liberal, que repudiava a escravidão,
era sustentado por quem vivia da instituição.
Pedro buscou uma abolição gradual. A Lei do Ventre Livre, de 1871, evitava o
nascimento de novos escravos. E a Lei dos Sexagenários, de 1885, libertou os mais
velhos. Elas costumam ser subestimadas, mas a população de escravos caiu de 1,6
milhão em 1872 para 720 mil em 1887. Assinada por sua filha Isabel, a Lei Áurea, sem
indenização aos proprietários, fez com que os conservadores retirassem o apoio à
monarquia.

18
Com ninguém interessado em que a caseira e carola princesa Isabel fosse
imperatriz, em 15 de novembro de 1889 um golpe militar acabou com o regime – e
com todas as liberdades civis. O imperador republicano não fez nada para manter seu
trono. Ele se mostrou mais ofendido com o exílio do que com a queda da monarquia.
Longe do país, em depressão, morreu o “governante que amava o Brasil acima de
tudo e que dedicou sua vida a tentar fazer de sua pátria um país melhor”, nas palavras
da historiadora Isabel Lustosa. O Brasil guardaria os exemplos de tolerância e
liberdade plantados em seu governo.

DOM PEDRO I – O herói de dois países


O monarca corajoso que salvou o Brasil e Portugal

É piada velha no Brasil lembrar um detalhe patético – e irrelevante – da


independência, que o imperador passava mal dos intestinos. Mas ninguém pode negar
o intenso teor nas palavras “Independência ou morte”. E morte houve: a pouco falada
Guerra de Independência se estenderia até 1824, deixando 1 800 baixas. É
relativamente pouco diante do que enfrentaram os vizinhos hispânicos. Portugal não
empenhou todas suas forças em impedir que alguém de sua casa imperial fosse rei
do novo país. Pedro, assim, se tornou o “artífice da forma conciliatória de nossa
independência”, como afirma o professor Lincoln Secco, da USP.
O primeiro imperador do Brasil fazia o que queria. Em 9 de janeiro de 1822, por
causa de suas amizades e do amor ao lugar no qual havia passado a maior parte da
vida, decidiu não embarcar para Portugal, onde nasceu e era o primeiro na linha de
sucessão. Recusando um trono europeu, preferiu tornar-se o único monarca da
América. Aliás, recusou dois tronos: a Grécia, que conquistou a independência do
Império Otomano em 1820, havia proposto a Portugal que lhes enviasse o herdeiro
para fundar uma nova monarquia.
O imperador também era radical nas ideias. Nascido após a Revolução
Francesa, no que era uma das últimas monarquias absolutistas da Europa, tornou-se
adepto do liberalismo – ideologia então revolucionária, e, vale lembrar, esposada pelo
maior inimigo de Portugal, a França de Napoleão Bonaparte.

19
Fonte:
franciscoteihwaz.jusbrasil.com.br

Foi por esses ideais que, afinal, havia sido criado no Brasil, após a fuga da corte
portuguesa diante das tropas napoleônicas, em 1808. Ele poderia tentar, como seus
ancestrais, governar como monarca absoluto – e não faltavam brasileiros que
apoiassem a ideia. Em vez disso, fez questão que o Brasil tivesse uma Constituição,
em grande parte inspirada na Carta da França revolucionária. A Constituição de 1824
foi outorgada depois que ele cassou a Assembleia Constituinte, que se recusou a dar
poder político ao imperador. A Assembleia estabelecia uma separação de poderes e
um governo indireto do imperador, por meio de ministros apontados por ele.
A impulsividade de Pedro I acabaria levando à sua queda. No ano da
independência, havia se tornado amante de uma fidalga paulista, a divorciada Domitila
de Castro. Ele não fez questão de ocultar o romance – dando à amante o título de
Marquesa de Santos, um dos mais altos da nobreza. Isso chocou visitantes
estrangeiros e alienou sua esposa, a austríaca Maria Leopoldina. Amada pelos
brasileiros, a imperatriz morreu em 1826, sob suspeita (falsa) de violência doméstica.
Os políticos o viam como um personagem autoritário e lançavam suspeitas sobre seus
laços com Portugal. O libertador do Brasil abdicou do trono em 1831.
Pedro foi a Portugal para lutar contra seu irmão, dom Miguel IV, que havia
tomado o poder em 1828, num golpe absolutista. Com a vitória de Pedro, garantiu-se
a liberdade constitucional em Portugal. Para a historiadora Isabel Lustosa, “Pedro I foi
20
personagem fundamental para o processo de implantação do liberalismo político no
Brasil e em Portugal”. Atacado pela tuberculose, morreu como herói de dois países no
mesmo quarto onde nasceu 35 anos antes.

JOSÉ BONIFÁCIO – O pai da pátria|


O cientista e intelectual que moldou o Brasil independente

Na independência, Bonifácio tinha quase 60 anos. Vinha de uma longa carreira,


a maior parte dela na Europa. Estudou direito e filosofia natural na Universidade de
Coimbra, onde entrou em 1783, e tornou-se um dos mais respeitados cientistas do
Império Português, tratando principalmente de química e mineralogia. Em 1808,
quando as tropas de Napoleão invadiram Portugal, ele não veio ao Brasil junto com a
corte portuguesa. Ficou lá para defender o país que considerava seu: tornou-se
comandante do Batalhão Acadêmico, uma milícia formada por estudantes e
professores. A iniciativa aparentemente quixotesca teve alguns sucessos, como a
tomada do Forte de Santa Catarina das forças napoleônicas, no primeiro ano da
guerra. Os franceses nunca conseguiriam dominar totalmente o país. À primeira vista,
pode parecer uma imensa “zebra” que um homem que nunca governou o país nem
deixou uma obra extensa esteja em posição tão alta na lista. Mas os historiadores têm
razão. José Bonifácio é o nosso “pai da pátria”, como lembra Mary del Priore. Ele
representa para o Brasil o que Benjamin Franklin é para os Estados Unidos: um
filósofo-cientista que conseguiu moldar um novo país às suas ideias. “Além de ter
antecipado temas importantes para o destino do Brasil, como a abolição, a
independência econômica, a organização da Marinha, a preservação da natureza e a
redistribuição de terras, foi o brasileiro mais inteligente de seu tempo”, diz a
historiadora Isabel Lustosa.
Assim, foi como um patriota português que José Bonifácio voltou ao Brasil em
1819. Com a perspicácia de cientista, começou a desvelar vários planos para o país:
o fim da escravidão, a criação de escolas públicas, a preservação ambiental e a
reforma agrária, confiscando propriedades improdutivas. Ele só se tornou adepto da
independência na última hora, defendendo a representatividade igualitária dos
brasileiros nas cortes de Lisboa – mas as cada vez mais claras intenções portuguesas
em tornar o Brasil novamente colônia o fizeram aderir ao movimento. Quando dom
21
Pedro I decidiu ficar no Brasil, ele chamou José Bonifácio para ocupar o cargo de
ministro de Negócios do Império – jamais um brasileiro havia ocupado posto tão alto.
No ano seguinte, com seu irmão Martim Francisco, foi um dos membros da
Assembleia Constituinte, liderando o bloco dos liberais. Com a Assembleia propondo
tornar o imperador uma figura simbólica, sem poder nenhum, dom Pedro I a dissolveu
em 12 de novembro de 1823, outorgando uma Constituição liberal, mas que mantinha
o imperador como chefe do Poder Executivo. Perseguido, o velho pai da pátria foi
exilado para a França. Mas esse não seria seu fim.
Em 1828, os irmãos Andrada puderam voltar ao Brasil. Dom Pedro I enfrentava
uma crise de popularidade aqui e problemas externos em Portugal. Quando abdicou
da coroa e foi para a Europa, em 1831, deixou a José Bonifácio o cargo de tutor oficial
de seus filhos. Assim, a formação intelectual de dom Pedro II, um dos pontos mais
notáveis do monarca, deve seu início a José Bonifácio. O “líder ilustrado da
independência do Brasil”, como define o professor Lincoln Secco, da USP, merece ser
chamado de “pai da pátria”.

JUSCELINO KUBITSCHEK – Senhor simpatia


Seu legado é duvidoso, mas ele nunca foi esquecido

Na opinião dos leitores, não resta dúvida: JK é o número 1. É testamento vivo


de seu carisma que um presidente que assumiu o poder há quase 60 anos, cuja maior
realização é uma cidade que não está exatamente em alta conta no imaginário
popular, e que deixou o país em situação complicada para seus sucessores, consiga
se manter como o mais amado da História do Brasil. Em 2001, numa pesquisa similar
entre seus leitores, ele foi eleito pela revista Época como o “brasileiro do século”.
Boêmio, amante das coisas boas da vida e famoso por seu gosto por dançar,
Juscelino assumiu a cadeira presidencial no Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, em
31 de janeiro de 1956. Já tinha fama de “grande modernizador, responsável pela
busca do futuro, em detrimento do passado”, como define Pedro Paulo Funari, da
Unicamp. Sua promessa de campanha era fazer o Brasil avançar “50 anos em 5”, e a
principal peça desse plano era a nova capital. A ideia vinha desde tempos coloniais,
por considerações estratégicas – evitar um ataque naval à capital – e também como
forma de levar parte da população para o centro do país, praticamente desabitado.
22
Quando JK deixou a cadeira, em 1961, sem possibilidade de reeleição pelas
leis da época, o fez do Palácio do Planalto, em Brasília. Deixava também uma
“herança maldita” a seus sucessores, na forma de dívidas acumuladas na construção
da capital e uma inflação galopante.
A outra parte de seu plano era trazer a modernidade capitalista para o Brasil,
construindo obras para resolver os gargalos de infraestrutura – o famoso “custo Brasil”
que ainda hoje aparece no noticiário econômico. Isso consistia na criação de
hidroelétricas, como o complexo de Furnas, e inauguração de estradas, como a
Fernão Dias, de São Paulo a Belo Horizonte. As obras se davam em paralelo à
abertura do país para o capital estrangeiro, com a chegada de montadoras de
automóveis, além do corte de impostos para importações de máquinas. As novas
oportunidades deram início ao ciclo de migração do Nordeste para os polos industriais
do sul do país.
O Brasil avançou menos de 50 anos, mas a mística de JK tem mais a ver com
seu tempo do que com suas realizações. JK assumiu após o suicídio de Getúlio
Vargas, enfrentou tentativas de impedir sua posse e conseguiu governar por um
período de paz e liberdade. O Brasil ganhou sua primeira Copa do Mundo em 1958 e
a Bossa Nova fez sucesso no exterior. Brasília era uma cidade de ficção científica,
inteiramente planejada. Parecia a quem viveu então que finalmente se cumpriria a
profecia do escritor alemão Stefan Zweig, que “o Brasil é o país do futuro”. A era JK
ficou conhecida como os “Anos Dourados” – ainda mais pelo contraste com o que viria
a seguir, uma crise institucional que só terminou no golpe de 1964. Durante a ditadura,
em 1966 ele se aliou ao ex-adversário Carlos Lacerda e ao presidente deposto João
Goulart, que havia sido vice-presidente em seu governo, na Frente Ampla pela
Redemocratização. Morreu em um acidente na Via Dutra em 1976, um fato que ainda
é colocado em dúvida por muita gente. A Comissão da Verdade da Câmara Municipal
de São Paulo concluiu que sua morte foi uma conspiração de militares.

JOAQUIM NABUCO – A consciência da elite brasileira


Nascido privilegiado, enfrentou a escravidão e a Igreja

Ilustre desconhecido para o leitor – ficou na 27ª colocação na votação pela


internet, atrás de Pelé e Ayrton Senna –, Joaquim Nabuco é um personagem que
23
precisa de introdução. Nascido em uma geração de talentos brilhantes, a mesma de
Machado de Assis e Rui Barbosa, foi o maior pensador brasileiro de seu tempo. “Em
um país carente do gênero, foi um intelectual e um político de primeira grandeza, que
deu uma contribuição relevante para fazer avançar a ‘civilização brasileira’”, afirma
Jean Marcel Carvalho França, da Unesp.
A principal herança de Nabuco foi como figura central da campanha
abolicionista. “Herdeiro da nobreza do Império, sobre a qual escreveu obra notável,
foi ativo militante da causa abolicionista, autor da obra mais consistente de seu tempo
sobre o assunto”, diz Isabel Lustosa. O escritor não poupava palavras: “A história da
escravidão africana na América é um abismo de degradação e miséria que se não
pode sondar”, escreveu. Mas a questão foi sondada, e por isso sabe-se hoje a
profundidade do problema. Durante o século 20, sociólogos como Gilberto Freyre e
Sérgio Buarque de Holanda deixaram claro o quanto a instituição cravou uma
vergonhosa marca nos costumes e cultura do país, visível ainda hoje.
A biografia do intelectual é, de certa forma, um contraponto à de Machado de
Assis, com o qual travou uma longa amizade. Se o último nasceu pobre e mulato, e
nunca conseguiu estudar, o primeiro era um fruto do privilégio. Filho do senador
pernambucano José Tomás Nabuco de Araújo, formou-se em direito e sua primeira
ação política foi defender um escravo acusado de assassinar o senhor, em 1869. Em
1876, conseguiu um cargo como adido da legação brasileira nos EUA, vivendo em
Nova York e Washington. Dois anos depois, foi eleito deputado por Pernambuco pelo
Partido Liberal. Defendeu não apenas a abolição, mas também os direitos dos
indígenas, posicionando-se contra um projeto de exploração do Rio Xingu. Em 1880,
fundou a Sociedade Brasileira Contra a Escravidão, a ponta de lança em seu combate.
Foi ousadia demais mesmo para os liberais, vários dos quais eram senhores
de terras. Sem apoio do partido, não conseguiu se reeleger. Assim, em 1882, iniciou
carreira como jornalista, chegando a correspondente em Londres. Escreveu sobre
tudo, tornando-se uma espécie de voz da consciência da elite brasileira. Isso inclui
uma segunda causa, menos lembrada: a laicidade do Estado. O intelectual chegava
a soar anticlerical ao tratar da influência do catolicismo no Estado – que ainda o tinha
como religião oficial. Nabuco criticava a hipocrisia dos padres em relação à
escravidão: “A Igreja Católica, apesar do seu imenso poderio em um país ainda em
grande parte fanatizado por ela, nunca elevou no Brasil a voz em favor da
24
emancipação”. Foi por influência dele e de outros intelectuais que a República
abandonou a ideia de religião oficial.
Nabuco defendeu até o fim, a monarquia constitucional. Convidado a participar
da Assembleia Nacional Constituinte de 1891, recusou a oferta, lançando o manifesto
Por Que Sou Monarquista. A briga com a República acabou em 1900, quando aceitou
um cargo na Inglaterra. Ainda seria embaixador em Washington, em 1905, e presidiria
a III Conferência Pan-Americana, no ano seguinte.

MACHADO DE ASSIS – Amargura nos trópicos


O maior autor brasileiro contrasta com todos os estereótipos do país
Poucos personagens destoam mais daquilo que se costuma popularmente
associar ao Brasil que o maior autor da literatura nacional. Em pleno Rio de Janeiro
tropical, suas histórias revelam obsessões por morte, melancolia e traição. E, ao
mesmo tempo, ninguém podia ser mais representativo: nascido de um pintor de
paredes mulato e uma lavadeira portuguesa, tornou-se órfão de mãe aos 10 anos de
idade. Sem nunca pisar na sala de aula de uma universidade, Machado de Assis teve
de inventar a si mesmo.

Fonte:
blogdoparrini.blogspot.com

25
E que colossal construção foi essa: na definição de Jean Marcel Carvalho
França, da Unesp, Machado foi “um dos poucos escritores brasileiros que podem, sem
qualquer apelo ao nacionalismo tolo que atualmente contamina o país, ser incluído no
rol dos grandes literatos do Ocidente”. O crítico literário americano Harold Bloom, um
dos mais respeitados do mundo, o colocou entre os 100 maiores autores de todos os
tempos, ao lado de figuras como Homero, Shakespeare Cervantes e Dante Alighieri.
Bloom afirmou que o brasileiro foi o “maior autor negro da História” – e o coloca acima
de clássicos como o francês Alexandre Dumas e o russo Alexander Pushkin.
Relacionado ao fato de ser negro está uma das maiores controvérsias de sua
carreira. Ele enfrentou o preconceito da família de sua esposa, a portuguesa Carolina
Novais, que foi rejeitada pelos pais por ter-se casado com o mestiço. Grande mestre
da ironia, Machado nunca usava de linguagem direta para expressar suas opiniões.
Por isso, foi acusado por contemporâneos, como José do Patrocínio e Lima Barreto,
de ficar em cima do muro sobre a maior questão de seu tempo, a escravidão. Seus
livros abordam o tema do ponto de vista do dominador, com personagens centrais
brancos e privilegiados. Em décadas mais recentes, críticos como Roberto Schwarz
têm tentado tirar do autor essa mácula de “embranquecido”, ressaltando quanto sua
crítica da escravidão e relações raciais pode ser lida nas entrelinhas. Em Memórias
Póstumas de Brás Cubas (1880), por exemplo, o personagem principal aparece
recordando com saudades como fazia um escravo de cavalinho na infância – e esse
mesmo escravo, depois alforriado, torna-se proprietário de escravos, uma amarga
ironia sobre a condição dos negros. Em uma obra escrita depois da abolição, o conto
Pai Contra Mãe, de 1906, o autor foi mais explícito: um capitão do mato sem condições
de sustentar o filho captura uma escrava fugida grávida.
Em todo caso, é difícil cobrar engajamento político de um autor que, como diz
Mary del Priore, “começa a vida progressista e liberal e termina num paternalismo
conservador”. A revolução, em Machado de Assis, ficava para a literatura, com seu
livro mais radical, Memórias Póstumas, tendo passagens que soam experimentais
ainda hoje. Ele recusava as novidades ideológicas da época, como o socialismo, o
darwinismo social e o positivismo. Em um país que tentou se refundar por três vezes,
por meio de golpes que levaram ao chão as instituições, não deixa de ser salutar haver
essa voz contrastante. Machado de Assis temperou os açucarados excessos tropicais
brasileiros com uma bem-vinda dose de amargura.
26
OSCAR NIEMEYER – O arquiteto do futuro
Brasileiro deu origem a um estilo de construção internacional

A cena se repetiu várias vezes na última década: quando alguém perguntava


ao centenário arquiteto sobre sua inspiração, ele se punha a desenhar mulheres nuas.
“A forma segue o feminino”, dizia Oscar Niemeyer, que desafiou ao longo de toda a
vida a tendência internacional por torres fálicas e caixotões angulosos. Dessa maneira
algo folclórica, argumentava o “arquiteto mais importante do Brasil”, de acordo com
Andrea Casa Nova Maia, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, no que parece
ser um consenso quase universal, mesmo entre seus piores detratores.
Em 1934, quando pegou seu diploma de arquiteto, a maior novidade era o
chamado estilo internacional, que é fácil de reconhecer: são as típicas torres
corporativas, sem qualquer ornamento e com janelas de vidro reflexivo. Niemeyer
começou na profissão como adepto do estilo: seu primeiro trabalho importante, o
Palácio Gustavo Capanema, projetado em 1939 e concluído em 1943 como sede do
Ministério da Educação e Saúde, parece à primeira vista uma típica caixa modernista.
Mas pequenas “heresias” entregam o autor: as caixas-d’água são curvas, e um mural
de azulejos decora o vão do prédio – decoração era palavrão para os modernistas de
então. Concluído no mesmo ano, a pedido do então prefeito Juscelino Kubitschek, o
Conjunto Arquitetônico da Pampulha, em Belo Horizonte, revela de uma vez por todas
as formas curvilíneas que fariam sua fama para sempre.
As duas obras lançaram o brasileiro ao estrelato internacional – que não pode
ser subestimado. Em 1939, ele projetou a sede da Organização das Nações Unidas
em Nova York, junto com um de seus inspiradores, o suíço Le Corbusier. Por duas
vezes, ele foi convidado a dar aulas em universidades americanas, primeiro em Yale,
em 1946, e depois em Harvard, em 1953. Em ambas, seu visto de trabalho foi barrado
por ser abertamente comunista – e isso custaria ao Brasil seu exílio por quase todo o
período militar, amargamente instalado na capital que, em grande parte, ele havia
desenhado. “Niemeyer representa bem a ânsia de progresso técnico e social, com
reconhecimento mundial. Suas contradições – pouco interesse pelo passado e pelas
liberdades individuais – retratam bem o Brasil”, afirma Pedro Paulo Funari, da
Unicamp. Até Niemeyer, a tendência no Brasil era imitar o que se passava no exterior,
27
às vezes de forma literal – concluído em 1939, o Edifício Altino Arantes, em São Paulo,
é uma quase cópia do Empire States, com um terço do tamanho do original. Passou-
se então a imitar Niemeyer.
E não só aqui: existe até um nome em inglês para a arquitetura que remete a
ele: googie, um estilo futurista que foi usado em cassinos de Las Vegas, em
aeroportos e até lava-rápidos nos anos 50 e 60. A arquitetura brasileira acabou no
desenho animado Os Jetsons, série na qual todos os prédios pareciam ter sido
transplantados de Brasília: “A arquitetura é claramente inspirada em profissionais que
trabalharam no estilo moderno da metade do século 20, como John Lautner e Oscar
Niemeyer”, escreveu o especialista em ficção científica Matt Novak, da Fundação
Smithsonian, ao tratar do desenho animado. O estilo pode ter saído de moda, mas,
graças a Niemeyer, houve um dia em que o Brasil realmente foi o país do futuro.

ZUMBI DOS PALMARES – Em guerra contra o sistema


Figura do líder assumiu proporções míticas

Existe uma razão por que a data de morte Zumbi dos Palmares tornou-se o Dia
da Consciência Negra. O Brasil teve vários abolicionistas, alguns deles negros, como
José do Patrocínio (1853-1905). Mas todos tinham algumas características em
comum: eram, brancos ou negros, respeitáveis senhores nas suas elegantes casacas
novecentistas, parte do sistema sustentado pela escravidão, e defendiam uma
reforma, não uma revolução. Patrocínio até mesmo organizou uma “guarda negra”,
formada por ex-escravos, para atacar comícios republicanos. Zumbi não apenas não
fazia parte disso como viveu em guerra contra o sistema que sustentou o Brasil
colonial e imperial.
Sobrinho do rei Ganga Zumba, Zumbi iniciou uma insurreição contra o tio
quando ele tentou um acordo de paz com os portugueses, em 1678. Zumbi não queria
viver como um subalterno nas terras dos brancos, se é que eles cumpririam a
promessa de não torná-los escravos novamente. O antigo rei foi envenenado por um
de seus seguidores, e ele ascendeu ao trono, para passar mais de 20 anos em guerra
contra os portugueses. Resistiu até a fatídica tomada do quilombo pelo bandeirante
Domingos Jorge Velho, em fevereiro de 1694. O líder escapou e passaria quase dois
anos rondando pela floresta com sua tropa, até ser traído e cercado com seus últimos
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20 soldados. Sua cabeça foi exposta ao público para desmentir sua fama de imortal –
“zumbi” quer dizer “espírito” nas línguas bantu do sul da África.
Palmares era um pedaço da África bantu transplantado para o Brasil. “Em plena
escravidão, Zumbi foi líder de uma comunidade livre e que acolhia pessoas
perseguidas, como judeus, muçulmanos, mulheres acusadas de bruxaria e índios”,
afirma Pedro Paulo Funari, da Unicamp. A população geral dos Palmares pode ter
chegado a 30 mil pessoas, em vilas e numa aldeia central fortificada, defendida por
armas de fogo. Quem mandava eram os monarcas bantus, mantendo costumes
ancestrais. E isso incluía a escravidão: só quem chegava por seus próprios meios,
fugido, era considerado livre. Aqueles que fossem capturados em ataques contra
fazendas continuavam a ser escravos.
Isso talvez soe chocante, mas seria anacrônico exigir de um líder africano do
século 17 que fosse contra a instituição da escravidão. Negros, brancos e índios
escravizavam-se mutuamente desde a Pré-História. E, afinal, Palmares continuava a
ser um refúgio para os perseguidos. “Com todas as limitações da época, constitui um
exemplo de convivência que pode nos inspirar ainda hoje”, afirma Pedro Paulo Funari.
E, em todo caso, é recomendável uma leitura cuidadosa da história de Zumbi. Talvez
ele pertença mais ao domínio do mito do que da realidade. Tudo o que se sabe sobre
ele foi escrito por seus inimigos, e alguns historiadores nem mesmo acham que ele
fosse uma pessoa real. Jean Marcel Carvalho França – que participou da eleição, mas
não votou em Zumbi – afirma em seu livro Três Vezes Zumbi que o nome
provavelmente se referia a um título, o general do quilombo, e não a uma única
pessoa. O professor Lincoln Secco, da USP, define Zumbi como uma “figura mítica da
resistência ao escravismo”. É assim, com tal sentido mítico, que o grande guerreiro
negro deve ser entendido.

MONTEIRO LOBATO – Tempestade intelectual


Em causas certas e erradas, ele mandou às favas o “homem cordial”

Nacionalista fã dos Estados Unidos. Modernista que odiou a Semana de Arte


Moderna. Empresário sagaz que fundou a indústria editorial no país e morreu com
fama de comunista. Adepto inicial de teorias racistas, que depois embarcou numa
cruzada para salvar o homem do campo. Autor de livros infantis que amava viver em
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guerra com os adultos. Esse foi Monteiro Lobato – um brasileiro que podia estar
errado, mas não podia ser ignorado.
Hoje, ele é lembrado como o “criador de uma literatura infantil genuinamente
brasileira, com cheiros, cores e sabores das casas do interior do país”, na definição
de Isabel Lustosa, da Fundação Casa de Rui Barbosa. Mas seria uma injustiça limitar
o turbilhão intelectual que foi Monteiro Lobato aos seus personagens do Sítio do Pica-
Pau Amarelo. Metade do que escreveu se destinava a adultos, e ele levava isso
ferrenhamente a sério: defendia suas ideias – que eram muitas, e nem sempre boas
– de forma sincera, cruel e virulenta. Em um país que preza a conciliação, ele era a
voz rebelde e ruidosa a discordar da maioria. Para Pedro Paulo Funari, da Unicamp,
foi “inspiração como intelectual engajado”.
Lobato entrou no discurso público chutando a porta, em 1912, quando o jornal
O Estado de S. Paulo publicou seu artigo Velha Praga, no qual descrevia o caboclo,
mestiço de índio e português que habitava desde os tempos coloniais as zonas rurais
do Brasil como um “funesto parasita... inadaptável à civilização”. Morando em uma
fazenda em Taubaté, interior de São Paulo, ele andava às turras com seus vizinhos
caboclos, que insistiam em fazer queimadas mesmo em época de secas, arruinando
suas terras. Na véspera de Natal daquele ano, o mesmo jornal lançou o conto Urupês
– nome para o orelha-de-pau, um fungo que cresce em madeira podre. Foi a estreia
nada simpática do Jeca Tatu, cuja preguiça seria a causa de todos os males do país.
Em 1918, fundou a Monteiro Lobato & Cia., primeira editora criada por um
brasileiro, que lançou os pioneiros best-sellers nativos. Lobato dizia que “livro é
sobremesa, tem que ser posto debaixo do nariz do freguês”. Com livros coloridos e
ilustrados, fez fortuna na década seguinte. O racismo anticaboclo foi abandonado nos
anos 20, quando leu a respeito da ancilostomose, o amarelão, doença que causava o
que ele julgava ser preguiça – o Jeca passou a ilustrar cartilhas de conscientização
dos órgãos de saúde. Lobato partiria para outras brigas: desancou o modernismo ao
criticar uma exposição de Anita Malfatti, no artigo Paranoia ou Mistificação, acusando
os modernistas de colonizados. Na década seguinte, entrou em campanha para a
exploração do petróleo no Brasil pela iniciativa privada, acusando o governo Vargas
de “não perfurar e não deixar que se perfure”. Foi parar na cadeia em 1941.
Anglófilo, viveu nos Estados Unidos entre 1927 e 1931 como adido comercial
do governo, e não se importava em enfiar personagens como Popeye no Sítio do Pica-
30
Pau. Seu desgosto com o Estado Novo o levou à esquerda, aproximando-se de Luís
Carlos Prestes. Em seu último livro, Zé Brasil (1947), criticou a estrutura fundiária e
as desigualdades sociais. O grande empreendedor morreria como simpatizante do
comunismo.5

7 A HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO NO BRASIL: UMA LONGA JORNADA RUMO À


UNIVERSALIZAÇÃO

Uma educação focada exclusivamente na catequização. Foi assim que nasceu


o embrião do ensino no Brasil, em 1549, quando os primeiros jesuítas desembarcaram
na Bahia. A educação pensada pela Igreja Católica - que mantinha uma relação
estreita com o governo português - tinha como objetivo converter a alma do índio
brasileiro à fé cristã. Havia uma divisão clara de ensino: as aulas lecionadas para os
índios ocorriam em escolas improvisadas, construídas pelos próprios indígenas, nas
chamadas missões; já os filhos dos colonos recebiam o conhecimento nos colégios,
locais mais estruturados por conta do investimento mais pesado.
“Os índios são papel em branco”, escreveu, certa vez, o líder jesuíta no Brasil,
o padre Manuel de Nóbrega, em carta enviada à corte portuguesa. A educação dos
índios, em especial da tribo curumim, era uma tarefa encampada pelo padre José de
Anchieta, homem considerado um dos mais atuantes pedagogos da Companhia de
Jesus. Para educar os indígenas, Anchieta lançava mão de recursos ainda atuais em
algumas escolas brasileiras, como o teatro, a música e a poesia. Por causa de sua
obra preservada, especialmente as cartas em que documentava as rotinas escolares,
Anchieta pode ser apontado como um dos nomes de maior destaque da história da
educação brasileira.

5
Extraído do link: aventurasnahistoria.uol.com.br
31
Fonte:
mundoeducacao.bol.uol.com.br

Em outra ponta da educação, com um atendimento diferenciado, estavam os


filhos de portugueses. Os descendentes de europeus também frequentavam as aulas
dos jesuítas, mas recebiam um ensinamento mais aprofundado, inclusive de outras
matérias. O conhecimento repassado aos alunos não se restringia à propagação do
ensino religioso, e envolvia mais conteúdo voltado às letras. A diferenciação do ensino
para este público privilegiado era um pedido que vinha de cima, feito pela própria elite
colonial que morava no Brasil.
De acordo com os registros históricos, a hierarquia familiar dos portugueses
funcionava da seguinte maneira: o primogênito teria direito sobre todas as
propriedades da família; o segundo filho era enviado aos colégios e, possivelmente,
completaria seus estudos superiores na Europa; já o terceiro seria entregue à Igreja
para seguir a vida religiosa. A educação letrada no Brasil colonial era direcionada
somente aos homens. As mulheres não tinham acesso aos colégios e eram educadas
somente para a vida doméstica e religiosa.
Ainda que houvesse uma segregação clara entre os ensinamentos repassados
aos índios e aos filhos dos colonos, a educação jesuítica seguia (ou tentava seguir)
um documento curricular: o Ratio Studiorum. Elaborado em 1599, a diretriz curricular
era a base do conteúdo pensada pela Igreja. No Ratio, constava o ensino da gramática
média, da gramática superior, das humanidades, da retórica, da filosofia e da teologia.

32
A partir do ensino das letras, começava a se formar no país uma organização da
sociedade hierarquizada pelo acesso à alfabetização. Isto é: teria mais chances de
prosperar na colônia aquele que aprendesse a ler e escrever. Nos locais de ensino da
Companhia de Jesus, os comportamentos exemplares eram bastante cobrados pelos
padres. Os alunos que desrespeitassem os princípios morais cristãos eram punidos
com castigos.
Ao todo, até ser expulsa do Brasil, a Companhia de Jesus criou 25 residências,
36 missões e 17 colégios e seminários. “Talvez a Companhia tenha sido a mais
importante, mas tivemos outras ordens religiosas operando no ensino brasileiro”,
lembra Rosa Fátima de Souza, professora da Universidade Estadual Paulista (Unesp)
em Araraquara.
Em 1750, ano da assinatura do Tratado de Madrid entre Portugal e Espanha, a
até então confortável situação da Companhia de Jesus no Brasil começou a se
deteriorar. Nove anos depois, ocorreu a expulsão desta ordem religiosa das terras
brasileiras. A educação jesuítica guarda poucas semelhanças com o que vemos hoje
em dia nas escolas. O legado deixado pelos soldados de Cristo, porém, ainda é muito
debatido na academia. Afinal, eles foram os predadores ou construtores da cultura?

Um Ensaio da Educação Pública

A expulsão dos jesuítas, comandada pelo então primeiro-ministro de Portugal,


Marquês do Pombal, significou uma remodelação total do sistema de ensino brasileiro.
Por ordem do Estado, os jesuítas tiveram seus livros e manuscritos destruídos pelos
portugueses, e a religião foi deixada de lado nos currículos. Tratava-se de uma
tentativa de introduzir matérias mais práticas no dia a dia escolar. Entre a expulsão
dos jesuítas e a organização de um novo modelo no Brasil, no entanto, o país amargou
um hiato de cerca de dez anos sem uma escola estruturada.
Influenciado pelos ideais iluministas, Pombal tinha convicção de que era
preciso modificar a educação no Brasil. E isso ocorre formalmente em 1772, com a
chamada reforma pombalina. Após a instauração dessas mudanças, o Brasil dá seus
primeiros passos na criação de um ensino público. A desestruturação da escola
jesuíta, porém, fez com que os índios perdessem espaço no sistema de ensino. Por
outro lado, a reorganização tornou o professor uma figura central do processo
33
educacional. Neste período, foram criadas as aulas régias, ministradas por docentes
concursados, que eram funcionários do Estado. “Portugal foi pioneiro na Europa em
criar um ensino público. Era a própria monarquia que pagava o professor. Foram
criadas poucas escolas, mas temos nessa época o nascimento dessa semente”,
explica Rosa Fátima.
Curiosamente, as aulas régias eram realizadas nas casas dos próprios
professores. Essa pulverização dos locais de ensino foi uma das principais
dificuldades enfrentadas pelo governo português, que, além de não conseguir dar
conta da formação de professores - uma carência histórica no país -, deixou vários
jovens sem acesso às aulas. Não havia, também, uma sistematização da idade
escolar. Eram atendidas crianças a partir dos sete anos, mas não existia um limite
estabelecido para o tempo de estudo. Ainda há muito o que se pesquisar sobre este
período, mas o que se tem de documentação histórica mostra que o alcance do ensino
após as reformas pombalinas foi menor do que as práticas estruturadas pela
Companhia de Jesus, cujo trabalho se espalhou por quase todo o país.

Educação Vira Lei

Um dos momentos mais importantes da história da educação no Brasil ocorre


com a chegada da família real ao Brasil, em 1808, fugida da Europa por conta da
invasão napoleônica a Portugal. Em um dos navios vindos da Europa,
desembarcaram no Rio de Janeiro cerca de 60 mil livros que, mais tarde, dariam
origem à Biblioteca Nacional, na própria capital carioca. A presença da coroa
portuguesa impulsionou alguns investimentos na área da educação, aportes que
culminaram na criação das primeiras escolas de ensino superior. Estes locais tinham
como foco, exclusivamente, preparar academicamente os filhos da nobreza
portuguesa e da aristocracia brasileira.
De acordo com a historiadora Maria de Lourdes de Fávaro, esses locais tiveram
duas características marcantes: o ensino profissionalizante e a preparação para o
trabalho no serviço público - ou seja, para exercer diferentes funções na corte
portuguesa. Na Bahia, os primeiros cursos criados foram nas áreas de Medicina e
Economia. Em 1818, em Salvador, também foi criado o curso de Desenho Industrial.
No Rio de Janeiro, além do curso de Medicina, foram abertos locais onde eram
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ensinadas práticas de agricultura e química. Inicialmente, apenas nesses dois estados
as escolas de ensino superior foram instaladas.
Apesar de o país ter se tornado independente em 1822, a educação, durante o
período Imperial, não contabilizou muitos avanços práticos. A gratuidade do ensino,
estabelecida por determinação da corte portuguesa, não representou, de fato,
investimentos em construção de escolas com espaços físicos adequados, muito
menos contratação de professores bem formados e uso de métodos e materiais
didáticos aprofundados. A falta de prioridade do investimento em educação prejudicou
de forma mais significativa as classes populares do país. Os filhos das famílias mais
ricas, por outro lado, tinham acesso facilitado ao colégio, e poderiam cursar
universidades em Portugal.
Em 1827, foi sancionada a primeira lei brasileira que tratava exclusivamente da
educação. O texto, em seu artigo 1º, afirmava que “Em todas as cidades, vilas e
lugares mais populosos, haverá as escolas de primeiras letras que forem
necessárias”. A nova regra também foi um marco para as garotas, que passaram a se
misturar aos meninos nas escolas de letras do Estado. Não havia, ainda, uma duração
de tempo definida para o ensino primário, mas a lei foi o início de uma nova forma de
organizar o ensino brasileiro.
No artigo 6º, a lei versava sobre as matérias que os professores deveriam
ensinar em sala de aula. Constava do texto da lei o ensino da leitura, da escrita e da
matemática, além princípios de moral cristã da religião católica e da história do Brasil.
No mesmo texto, estranhamente, havia a previsão de que os professores
considerados pouco qualificados para lecionar deveriam complementar a sua
formação de forma individual - o Estado não bancaria a capacitação do docente. Neste
ponto, o governo se isentou de investir e direcionar a capacitação dos profissionais de
ensino - sendo que ainda predominavam os professores régios no país, decorrentes
da reforma pombalina do século 18.
Só depois de alguns anos que a preocupação com a formação do professor
voltou a se tornar uma prioridade. Os concursos para contratação de professores
públicos avaliavam, como critério mais importante do que a formação formal, o nível
de conhecimento sobre os assuntos de sala de aula. Em 1834, o governo monárquico
inaugurou a primeira escola de formação de professores, a Escola Normal de Niterói.

35
Durante os primeiros 50 anos de funcionamento, as escolas normais eram
frequentadas quase que exclusivamente por homens.

Durante o período regencial, ocorreu uma reforma na Constituição que dura até
hoje. No chamado Ato Adicional, instituído pelo governo, foi definido que o ensino
elementar, o secundário e a formação de professores seriam de responsabilidade das
províncias, e o ensino superior ficaria sob o guarda-chuva do poder central. Com isso,
foi fortalecida a descentralização do ensino, com consequências negativas para a
organização da educação no país.

Efervescência de Pensamento

Após a proclamação da República, algumas reformas pontuais foram


realizadas. A primeira delas foi do ministro da Instrução, Benjamin Constant, realizada
em 1890, com foco no ensino superior. As escolas de base, no entanto, não entraram
nas prioridades dos primeiros governos republicanos. Uma das heranças do período
imperial brasileiro na Constituição Republicana de 1891 foi a manutenção da
dualidade do sistema escolar: boas e poucas escolas para as elites e escolas de
qualidade duvidosa para os demais. Basicamente, as escolas mantidas pelo governo
federal eram destinadas aos mais ricos. Sobravam para as camadas mais pobres os
colégios do sistema estadual, que, mesmo com um investimento maior após a lei
republicana, eram locais com estrutura carente e composto por professores de baixa
qualificação.
A tentativa de mudar essa realidade teve maior impulso a partir da década de
1920. O movimento da Escola Nova ganhou força no ambiente educacional, que
sofreu reformas estaduais inspiradas nas ideais escola novistas. Nomes como o do
educador Anísio Teixeira despontaram como lideranças do movimento. A Escola
Nova, no Brasil, ficou marcada pela tentativa de tornar a educação mais inclusiva e
adotar um modelo mais moderno de ensino, voltado para uma educação prática da
vida, tendo como base as ideias do filósofo americano John Dewey.
O modelo de escolas parque, por exemplo, implantado na Bahia e no Distrito
Federal, embora tenha fracassado, foi um produto das ideias da Escola Nova. “Alguns
estados conseguem se desenvolver mais, como Minas Gerais, São Paulo, Rio de
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Janeiro e Rio Grande do Sul, mas em toda parte vemos esse esforço”, diz Rosa
Fátima. Neste período, mesmo que com caráter privado, inicia-se uma preocupação
com a educação infantil.
Ainda na década de 1920, é fundada a Associação Brasileira de Educação
(ABE), criada por Heitor Lira. A entidade tinha a função era promover os primeiros
grandes debates sobre a educação em nosso país. Apesar dos esforços para tentar
avançar na implantação de um sistema educacional consistente, o analfabetismo
entre jovens e adultos, um problema de âmbito nacional, continua assolando a
sociedade. De acordo com o IBGE, a taxa de analfabetismo na década de 1920, para
pessoas a partir dos 15 anos, era de 65%. O percentual só foi baixar da metade da
população na década de 1940, quando caiu para 40%, o que representava cerca de
15 milhões de pessoas.

Escolas Profissionalizantes e a LDB


Com o golpe de 1930, alguns nomes de projeção na educação da década
anterior ocuparam posições de destaque no cenário educacional. É no governo
ditatorial de Getúlio Vargas que, apesar do controle ideológico que havia nas salas de
aula, inicia-se um movimento em direção à criação de um sistema organizado de
ensino. Uma das primeiras iniciativas do governo foi a criação do Ministério da
Educação - ocupado primeiramente por Francisco Campos - e das secretarias
estaduais de Educação.

Fonte:www.comune.grosseto.it

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A Constituição de 1934 foi a primeira a incluir em seu texto um capítulo inteiro
sobre a educação. Fruto da forte centralização nacional que marcou o período
varguista, o sistema educacional seguia as orientações e determinações do governo
federal. A autonomia dos Estados era bastante limitada e regulada. Em 1942, foi
regulamentado o ensino industrial. No mesmo ano, surgem as escolas do SENAI,
direcionadas, especialmente, às camadas mais pobres da população.
Mas foi só após o governo varguista que a educação apareceu na Constituição
como “um direito de todos”. No fim da década de 1940, as escolas secundárias têm
forte expansão e, aos poucos, vão perdendo seu caráter elitista, embora o acesso
ainda não fosse de todos. Segundo dados do Serviço de Estatística do Ministério da
Educação e Cultura, em 1940, eram 155 mil frequentadores dessa etapa escolar. Dez
anos depois, o número sobre para 365 mil. No ensino profissionalizante, também, a
quantidade de alunos mais que dobra. É nesta época, inclusive, que as ideia do
pedagogo pernambucano Paulo Freire ganham repercussão nacional, em especial
seus métodos de alfabetização e de educação da população carente.
Em 1961, é promulgada a primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação
(LDB). Histórico, o documento institui um núcleo de disciplinas comuns a todos os
ramos. Mas é na segunda versão da LDB, porém, que se torna possível enxergar um
sistema de ensino mais parecido com o atual. “Outra questão é que, neste período,
cresce a participação das mulheres no ensino público; a divisão entre os sexos fica
quase metade a metade”, compara a professora. Neste documento, de 1971, fica
obrigatória a conclusão do primário, fixado em oito anos, e passam a ser utilizados os
termos 1º grau e 2º grau - nesta segunda fase escolar, procura-se imprimir um caráter
mais técnico, por preferência dos militares que comandavam o país. Essa ideia
prevalece até 1982.
Essa estrutura permanece até LDB de 1996, quando entra em vigor a
denominação de Ensino Fundamental e Ensino Médio. A mudança ocorrida naquele
ano incluiu ambos os períodos como etapas da educação básica, e integrou,
oficialmente, a educação infantil, que ganhou mais relevância no cenário nacional.
Apesar da construção educacional brasileira ter uma trajetória de quase 500
anos, o país ainda enfrenta gargalos na área. E o analfabetismo é um deles. O Plano
Nacional de Educação (PNE), por exemplo, estabelece que o problema deve ser
erradicado até 2025. Números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),
38
porém, são desanimadores. Em 2017, foram computados 12 milhões de analfabetos,
o que representa 7,2% da população adulta - o mesmo PNE, inclusive, estabeleceu
uma meta de 6,5% até 2015.
Embora o Ensino Fundamental esteja praticamente universalizado no Brasil, o
acesso à educação para crianças entre 4 e 5, que se tornou obrigatório, é de 90%. O
dado é ainda pior nas faixas entre 15 e 17 anos, cuja taxa de escolarização é de
87,2%. “A valorização do magistério e as condições de estrutura das escolas são
exemplos de coisas que avançamos pouco. Temos escolas ótimas, mas em várias
regiões do país há uma precariedade absurda. A valorização do professor é um
problema secular no Brasil, o que faz da qualidade do ensino, desde a educação
infantil, nosso maior gargalo”, pondera Rosa Fátima.6

8 10 CIDADES QUE CONTAM UM PEDACINHO DA HISTÓRIA DO BRASIL

Um pedaço da história do nosso País.

1- Porto Seguro
Marcado como o primeiro local onde a frota de Pedro Álvares Cabral desceu
em 1500, foi lá que aconteceu o registro do descobrimento do Brasil. Desempenhando
papel importante nos primeiros anos de colonização, Porto Seguro é considerado o
primeiro núcleo habitacional do país.

2- São João Del Rei


A 200 quilômetros de Belo Horizonte, a mistura da modernidade com o estilo
barroco que remete aos tempos do Brasil Colônia constrói as características dessa
cidade tipicamente mineira. De um simples povoado do século XVIII, terra também do
Ex-Presidente Tancredo Neves, o município se transformou em um importante polo
comercial e turístico do estado.

3- Diamantina

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Extraído do link: www.gazetadopovo.com.br
39
Literalmente um tesouro, também do estado de Minas Gerais, a formação da
cidade foi sustentada à exploração do ouro e do diamante. Personalidades como
Chica da Silva, a escrava que teve vida de rainha ao se casar com um contratador
português; e o ex-presidente Juscelino Kubsticheck, reforçam a fama da região. Além
de todas as edificações históricas e uma natureza intocável, Diamantina guarda uma
sólida tradição religiosa, folclórica e musical, além do reconhecimento mundial de
Patrimônio Cultural da Humanidade.
4- Ouro Preto
Considerada uma das principais cidades brasileiras relevantes à construção da
memória nacional, Ouro Preto é também reconhecida pelas ladeiras e o marcante
estilo barroco na sua belíssima arquitetura. Ilustre por ser o cenário da inconfidência
mineira em pleno ciclo do ouro, o município preserva joias e tradições.

5- Tiradentes
Foi a descoberta de ouro nas encostas da Serra de São José que fundou o
município de Tiradentes, considerada uma das cidades históricas mais charmosas do
estado de Minas Gerais.

6- Petrópolis
O município localizado no interior do Rio de Janeiro, muitas vezes referido à
‘Cidade Imperial’, foi fundado por D. Pedro I que escolheu a região para escapar do
calorão do litoral carioca. Pois é exatamente pelo mesmo motivo que a maior cidade
da Região Serrana Fluminense se tornou um dos destinos preferidos dos cariocas no
inverno. O clima fresco da serra é só mais um aliado à excelente estrutura do comércio
e da rede de hotéis que atendem os turistas calorosamente.

7- Paraty
A região já foi terra dos índios Guaianases e fez parte do ‘Caminho do Ouro da
Piedade’ – rota que atravessava a Serra do Mar, partindo do litoral carioca até o vale
do Rio Paraíba, no interior de São Paulo. Seu porto chegou a ser o segundo mais
importante do Brasil e, em 1966, foi contemplada como Monumento Nacional.

8- Olinda
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As ladeiras da terceira maior cidade de Pernambuco conserva o título de
Patrimônio Cultural da Humanidade, respeitando seu passado e mantendo a
arquitetura quatrocentista dos seus casarios. Considerada uma das localidades
coloniais mais bem preservadas do Brasil, Olinda já vem se firmando como um dos
mais novos polos gastronômicos da Região Metropolitana de Recife.

9- São Luiz
A influência da cidade do litoral maranhense vem de uma mistura cultural dos
nativos portugueses, franceses e africanos. Seus casarões e fachadas azulejares,
construções do século XIX, transformaram a capital no maior conjunto arquitetônico
homogêneo da América Latina. Nas raízes também estão a riqueza de poemas dos
seus grandes escritores; dos ritmos do tambor de crioula, do reggae e do bumba-meu-
boi.

10- Salvador
Pode-se dizer que a história do Brasil teve início na Bahia. Sendo intitulada a
primeira capital do país (até 1763), a também capital baiana foi descoberta depois que
um navio francês naufragou na região. Na bagagem, trouxe a bordo um dos mais
importantes personagens históricos da colonização baiana, Diogo Álvares, conhecido
como Caramuru; além da também famosa índia Paraguaçu.7

9 COMO FOI A HISTÓRIA MILITAR DO BRASIL?

As forças de defesa e as Forças Armadas do Brasil se formaram ao longo de


toda a série de conflitos ocorridos na História do país. Embora tenham sido
institucionalmente formadas tardiamente (Exército, em 1824; Marinha, em 1824; e
Força Aérea, em 1941), as forças armadas brasileiras remontam as suas origens às
disputas do período colonial e da Guerra de Independência.

Era Colonial (1500-1808)

7
Extraído do link: viajando.expedia.com.br
41
No período colonial o rei D. Manuel I, mandou organizar expedições militares
com a finalidade de proteger os domínios portugueses na América, então recém-
descobertos. À medida que colonização avançou na Capitania de Pernambuco e na
Capitania de São Vicente, as autoridades militares nativas e bases da organização
defensiva da colônia começaram a ser esboçadas para fazer frente às ambições dos
franceses, ingleses e holandeses.
As primeiras intervenções relevantes foram a expulsão dos franceses da baía
da Guanabara (França Antártica), em 1566, e de São Luís (Maranhão) (França
Equinocial), em1615.
À medida que avançou a interiorização através do amplo movimento de
expansão territorial no século XVII e do início do século XVIII, as entradas e bandeiras,
com seus bugreiros e bandeirantes, forçaram a organização da defesa do território
recém conquistado.

Fonte:
www.diariodepernambuco.com.br

As forças expedicionárias de caráter eminentemente militar iniciaram a


utilização da população local, particularmente da região de São Paulo, pelos capitães-
mores, em busca de riquezas ou da escravização dos indígenas. Houve diversos
choques com tribos hostis, como os caiovás e cadivéus na região do Mato Grosso, os
caetés na da Bahia e a Confederação dos Tamoios na do Rio de Janeiro.
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Morro dos Guararapes, local onde foram travadas as Batalhas dos Guararapes,
com Recife ao fundo. O Parque Histórico Nacional dos Guararapes é bem tombado
pelo IPHAN.
A guerra contra os holandeses e a Insurreição Pernambucana, no século XVII,
pela primeira vez mobilizou grandes efetivos no país, e particularmente começou a
haver um sentimento de defesa nacional, independentemente da influência da Coroa.
A primeira Batalha dos Guararapes (19 de abril de 1648) marcou o início da
organização do exército como força genuinamente brasileira formada por brancos
locais, liderados por André Vidal de Negreiros, indígenas, liderados por Felipe
Camarão e negros/mulatos, liderados por Henrique Dias. A data da batalha é
comemorada como o aniversário do Exército Brasileiro, tradição estabelecida no
século XX.
As forças militares (junto com os bandeirantes) também foram usadas para
reprimir os quilombos, comunidades formadas por escravos fugidos das plantações.
O maior desses conflitos foi a Guerra dos Palmares, na qual se sobressaíram os
líderes estrategistas Ganga Zumba e Zumbi, de um lado, e Domingos Jorge Velho, do
outro.
Ao longo do século XVIII o Brasil-colônia vivenciou diversos conflitos internos
que demandaram intervenções militares, como a Guerra dos Emboabas (1707-1709),
a Guerra dos Mascates (1710-1711), a Revolta de Vila Rica (1720) e nas fronteiras,
principalmente no extremo sul. Naquela época, eram frequentes os choques entre
luso-brasileiros e hispano-platinos, além disso, a força terrestre enfrentou ameaças
como a Guerra Guaranítica.
O Marquês de Pombal tentou organizar de forma mais profissional o exército
colonial, contratando para esse fim o conde Wilhelm Schaumburg-Lippe, militar
alemão, que trouxe para auxiliá-lo vários oficiais estrangeiros. Na reorganização
promovida por Böhm, construíram-se quartéis, casas de armas, fortificações e
hospitais. A guarnição do Rio de Janeiro passou a ser centro de preparação para as
tropas que demandavam o sul.

Período Joanino (1808-1821)

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Com a invasão de Portugal pelas tropas de Napoleão houve a Transferência
da corte portuguesa para o Brasil (1808-1821). Em 1810, foi criada a Academia Real
Militar, no Rio de Janeiro. O curso, tinha a duração de sete anos. Foram organizados
os hospitais militares e os arsenais de guerra. Foram construídas indústrias de armas
e fábricas de pólvora. A estrutura militar se organizou e se modernizou. As tropas de
primeira linha começaram a admitir brasileiros. Estes passaram a integrar os
regimentos de cavalaria do Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do
Sul, os corpos de artilharia de Santos, Santa Catarina e capitanias do Norte e os
batalhões de caçadores do Rio Grande do Sul.
Em 1815, com a elevação da colônia à categoria de reino muitas tropas
regulares de Portugal desembarcaram no Brasil. A primeira era a divisão do Visconde
da Laguna, Carlos Frederico Lecor. Esta época foi de importância extrema para a
organização do sistema militar brasileiro. Começou a haver maior autonomia em
relação a Portugal culminando com a criação do Ministério da Guerra e a centralização
de todas as forças militares de terra. Mercenários (como o Lorde Cochrane) foram
contratados para combater a Revolução Pernambucana e acabaram compondo o
primeiro oficialato fixo das forças armadas brasileiras.
Logo após a independência, em decreto mandado redigir por D. Pedro I, em 1º
de dezembro de 1824, foram organizadas as forças militares brasileiras.

Guerras de Independência (1822-1828)

À época da Independência do Brasil, não foi alheia ao governo da nação recém-


emancipada, a necessidade da operação de uma força bélica naval, capaz de
sustentar os compromissos e atender as providências requeridas face à vasta
extensão da costa e riqueza da rede hidrográfica do território, capaz de assegurar o
comércio e as comunicações entre as suas diversas regiões.
Desse modo, a 10 de novembro de 1822, foi solenemente içado, a bordo da
nau “Martim de Freitas” – rebatizada como “Pedro I” e capitânia da Esquadra brasileira
em formação -, pela primeira vez, o pavilhão nacional, sob salva de 101 tiros. A
Esquadra teria, dali em diante, papel decisivo na Guerra de Independência do Brasil.
Também no Norte, os mercenários contratados pelo Império foram usados para
sufocar a Confederação do Equador. No Sul, travou-se a Guerra da Cisplatina, entre
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o Brasil e a Argentina junto com rebeldes uruguaios (1825-1828). Mais tarde, estes
mercenários amotinaram-se e chegaram a tentar sequestrar D. Pedro I.

Consolidação (1828-1865)

Em 1838, o governo tentava suprimir quatro revoltas ao mesmo tempo. O


exército imperial brasileiro foi reorganizado em 1831, em seguida, foi criada a Guarda
Nacional, foram extintos os antigos corpos de milícias e ordenanças e as guardas
municipais.
Desde 1837 começou a haver a tentativa do serviço militar obrigatório no Brasil.
A legislação tentou em vão em 1822, 1837, 1841,1848 e 1852, a resolver o problema
do recrutamento obrigatório. Porém, mais por razões políticas do que militares, não
foi resolvido.
O exército imperial brasileiro foi se formando ao longo das sucessivas revoltas
do Período Regencial, como a Cabanada, a Cabanagem, a Sabinada, a Balaiada, a
Federação do Guanais e a Revolta dos Malês. A maior delas, no entanto, que durou
dez anos e chegou à escala de uma verdadeira guerra civil, foi a Revolução
Farroupilha (1835-1845), travada no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina contra
rebeldes separatistas e republicanos.
Com a ascensão de D. Pedro II, as forças armadas continuaram se
desenvolvendo e o Brasil tomou uma posição externa mais ofensiva e intervencionista,
principalmente na região do Prata, onde ocorreram as guerras contra Oribe e Rosas,
contra Aguirre e a maior de todas, a Guerra do Paraguai (1865-1870).

Guerra do Paraguai (1865-1870)

Em 1865, ao eclodir a Guerra do Paraguai, o Brasil não estava em condições


de enfrentar o inimigo. Isso ocorreu devido ao fato de o Império negligenciar o preparo
de suas forças armadas.
O exército imperial contava com apenas 16.834 oficiais e praças, disseminados
pelas províncias num território de tamanho continental. Foi o Duque de Caxias quem
reorganizou o exército de forma eficiente, mesmo assim só após cinco anos de luta.
O general Manuel Luís Osório também teve importantíssima participação.
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A guerra também teve importantes batalhas navais, como a batalha do
Riachuelo, comandada pelo Almirante Barroso.

Questão Militar e República (1870-1889)

Parte da historiografia brasileira aponta a consolidação do exército, resultado


da Guerra do Paraguai, como um dos principais fatores desestabilizantes da
Monarquia, na medida em que o corpo militar identificou-se, em torno de preceitos
positivistas, e adquiriu, por isso, maior ressonância política depois de 1870. Deveriam,
portanto, tomar as rédeas do Estado para que este reformasse a sociedade brasileira,
ainda que fosse por vias autoritárias, mas respeitando o ideário republicano. Não se
deve entender, contudo, que que os militares representavam um grupo político
homogêneo; a marinha, por exemplo, era bastante identificada com a monarquia; os
militares da Praia Vermelha também não se coadunavam necessariamente com os
gaúchos positivas.
De todo modo, a ascensão política dos militares foi fundamental para a
Proclamação da República. As elites locais de SP, MG e RJ uniram-se em torno do
Marechal Deodoro da Fonseca para que realizassem a revolução, que ocorreu a 15
de novembro de 1889, com a marcha do Marechal para o Ministério da Guerra, onde
reuniam-se os líderes monarquistas. Destaca-se, entretanto, que a participação dos
militares na proclamação não exclui a coexistência de outros fatores de queda da
monarquia, quais sejam a questão escravista e o desentendimento entre o Império e
a Igreja Católica, entre outros.

Revoltas da República Velha (1889-1932)

No período de 1889 a 1932, as forças armadas brasileiras foram usadas


basicamente na repressão a diversas rebeliões internas que beiraram guerras civis.
Nestas ocasiões, as armas brasileiras atiraram contra os próprios alvos brasileiros
(inclusive civis), como nos bombardeios a São Paulo em 1924 e 1932, ou na Guerra
de Canudos no interior da Bahia, nas revoltas da Armada e da Chibata no Rio de
Janeiro e na Revolução Federalista gaúcha (1893-1894).

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No ano seguinte à Proclamação da República, em 1890, o ensino militar no
Brasil foi reformado. Isto ocorreu por inspiração pelos ideais positivistas dos líderes
republicanos. Nas escolas militares e nas casernas pregava-se a ideia de uma paz
universal duradoura (o que não impediu o envolvimento em várias situações de
combate dentro do país, como a Revolta da Armada.
O marechal Hermes da Fonseca, ao assumir a pasta da Guerra em 1906, deu
vigoroso impulso à reforma da estrutura militar do país. Estabeleceu o serviço militar
obrigatório, por sorteio, e reorganizou o exército em bases modernas, reequipando-o.
A lei do sorteio teve muitos protestos, porém, foi efetivamente aplicada em 1916, por
contingência da Primeira Guerra Mundial.
Em 1919, o Exército Brasileiro foi reorganizado por uma missão militar
francesa, chefiada pelo general Maurice-Gustave Gamelin. O movimento
modernizante continuou após1930, como resultado do processo revolucionário que
alterou a vida nacional.
Militares de esquerda se rebelaram e fizeram a longa Coluna Prestes, que
marchou durante 3 anos pelo interior do Brasil e seguiu enfrentando tropas oficiais,
jagunços e cangaceiros encomendados sem nunca ser vencida, até cruzar a fronteira
se refugiar na Bolívia.
O Estado Novo transferiu em 1938 para o ministro da Guerra as funções
efetivas de comando, passando o Estado-Maior a órgão assessor, sem as
prerrogativas e responsabilidades deferidas pela legislação anterior.

Primeira Guerra Mundial (1914-1918)


O Brasil participou da Primeira Guerra Mundial, declarando guerra às potências
centrais (Alemanha, Império Otomano e Áustria-Hungria) e chegou a enviar um
pequeno contingente.
Embora o avião tenha sido inventado pelo brasileiro Alberto Santos Dumont e
usado como arma de guerra já em 1914, o Brasil ainda demorou a ter uma força aérea.

47
Fonte:
www.defesanet.com.br

Segunda Guerra Mundial (1943-1945)


A participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial se deu com a criação e o
envio da Força Expedicionária Brasileira, que lutou na campanha de libertação da
Itália contra o Eixo a partir de 1944.
Em 1939, no início da Segunda Guerra Mundial, a forma como se desenvolviam
os combates no além-mar surpreendeu e revelou o despreparo das forças armadas
brasileiras para enfrentar as exigências do conflito. Somando-se às carências
materiais típicos de um país com insuficiência de recursos financeiros, havia ainda
toda uma organização militar estruturada nos moldes da I Guerra Mundial.
Após amplo debate e campanhas na imprensa, Getúlio Vargas, em 20 de
janeiro de 1941, assinou o Decreto 2961, criando o Ministério da Aeronáutica e
estabelecendo a fusão das forças aéreas do Exército e da Marinha numa só
corporação, denominada Forças Aéreas Nacionais. Pouco depois, em maio de 1941,
um novo decreto mudou o nome da recém-nascida força aérea para Força Aérea
Brasileira (FAB), nome que permanece até os dias de hoje.
A Força Aérea Brasileira obteve seu batismo de fogo durante a II Guerra
Mundial participando da guerra antissubmarino no Atlântico Sul e, na Europa, como
integrante da Força Expedicionária Brasileira que lutou ao lado dos Aliados na frente
italiana.

48
Foram enviadas para a Itália mais de 25 mil soldados e duas unidades aéreas
da FAB, o 1º Grupo de Aviação de Caça, o Senta Pua! A Primeira Esquadrilha de
Ligação e Observação (1ª ELO).

Ordem democrática (1945-1964)


Os militares (com os generais Dutra, Góis Monteiro e o brigadeiro Eduardo
Gomes à frente) tiveram papel crucial na derrubada de Getúlio Vargas e no
restabelecimento da democracia assim que a guerra na Europa terminou. Desde
então militares fizeram nova pressão para a queda de Getúlio em 1954, agora já como
presidente eleito por voto direto. Desta vez, no entanto, o presidente cometeu suicídio,
o que causou uma comoção nacional e preveniu um golpe militar. Quando
conservadores tentaram impedir a posse do presidente eleito Juscelino Kubitschek, o
comandante do exército Henrique Teixeira Lott mobilizou tropas para garanti-la.
Durante o governo de JK, militares de baixa patente se revoltaram nas bases de
Jacareacanga e Aragarças.

Regime Militar (1964-1985)


A partir de 1960, passou a estudar e desenvolver (em conjunto com a
inteligência estadunidense) uma doutrina própria, adaptada às condições e à
realidade brasileira: a Doutrina de Segurança Nacional. Fortemente ideologizados, os
militares brasileiros assumiram como missão sua o combate ao comunismo e
decidiram passar das intervenções esporádicas na vida política nacional ao controle
total do Estado. Neste período o Exército Brasileiro tornou-se o terceiro maior do
mundo (em número absoluto de soldados), atrás apenas de EUA e URSS.
Após o golpe de 1964 e durante todo o período do regime militar, o Exército
participou de operações de repressão, raptos e tortura a movimentos de guerrilha
urbana e rural (ver Luta armada e Anos de chumbo). Com a promulgação da
constituição, em 1988, o Exército e as demais Forças Armadas se afastaram do núcleo
político brasileiro, voltando-se para suas missões constitucionais.
O Exército participou invasão da República Dominicana pelos EUA em 1965
também.

Época contemporânea (1985-2013)


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Desde 1980 foi permitido a mulheres ingressarem na Marinha, em funções
administrativas.
Com o novo cenário internacional após o fim da bipolaridade Estados Unidos
da América – União Soviética, o Exército foi chamado a respaldar a política externa
brasileira, passando a atuar em diversas missões de paz patrocinadas pela ONU, tais
como em Angola, Moçambique e Timor-Leste, além de enviar diversos observadores
militares para várias regiões do mundo em conflito. No ano de 2004 o Exército
Brasileiro passou a comandar as forças de paz que se encontram no Haiti.
Na atualidade, a Marinha do Brasil encontra-se equipada com um navio-
aeródromo, seis fragatas Classe Niterói modernizadas, três fragatas Classe
Greenhalgh, quatro corvetas, um contratorpedeiro, dois navios-tanque, dois navios de
desembarque-doca, um navio de desembarque de carros de combate, um navio de
transporte de tropas, cinco submarinos, um navio-escola, um navio-veleiro e um navio
de socorro submarino.
A esta força no mar, nos céus somam-se um Esquadrão de Aviões AF-1 (A-4
Skyhawk), um Esquadrão de Helicópteros de Esclarecimento e Ataque, um Esquadrão
de Helicópteros Anti-Submarinos, cinco Esquadrões de Helicópteros de Emprego
Geral e um Esquadrão de Helicópteros de Instrução.
Em 9 de novembro de 2003, foi inaugurado em Pianoro, Itália, mais
precisamente no distrito de Livergnano, uma placa em homenagem ao segundo
tenente-aviador John Richardson Cordeiro e Silva, primeiro piloto da FAB abatido em
combate, e a todos os demais integrantes da Força Aérea que estiveram lutando na
Itália durante a Segunda Guerra Mundial. A placa foi agregada ao monumento já
existente em homenagem aos que morreram combatendo os nazifascistas na guerra.
A localidade de Livergnano foi escolhida por ter sido o local onde a aeronave de caça
do tenente Cordeiro e Silva, um P-47 Thunderbolt, foi abatida em 6 de novembro de
1944, pela temida Flak, bateria antiaérea alemã, no regresso de uma missão de
combate no norte da Itália.8

8
Extraído do link: www.stive.com.br
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10 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AZEVEDO, Fernando. A cultura brasileira: introdução ao estudo da cultura no


Brasil. 4. ed. Brasília: Editora da Universidade de Brasília, 1963.

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perspectivas. Rio de Janeiro: Zahar, 1988.
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