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Inquérito 4878/DF: Oitiva de Bolsonaro

O documento trata de uma manifestação da Advocacia-Geral da União representando o Presidente Jair Bolsonaro no inquérito 4878 no STF. A AGU pede que o Presidente possa declinar da oitiva pessoal no inquérito, com base em seus direitos constitucionais, e também solicita que seja investigada a divulgação indevida de informações sigilosas do inquérito na imprensa.
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Inquérito 4878/DF: Oitiva de Bolsonaro

O documento trata de uma manifestação da Advocacia-Geral da União representando o Presidente Jair Bolsonaro no inquérito 4878 no STF. A AGU pede que o Presidente possa declinar da oitiva pessoal no inquérito, com base em seus direitos constitucionais, e também solicita que seja investigada a divulgação indevida de informações sigilosas do inquérito na imprensa.
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INQUÉRITO 4.

878 DISTRITO FEDERAL

RELATOR : MIN. ALEXANDRE DE MORAES


AUTOR(A/S)(ES) : SOB SIGILO
ADV.(A/S) : SOB SIGILO
INVEST.(A/S) : SOB SIGILO
ADV.(A/S) : SOB SIGILO
INVEST.(A/S) : SOB SIGILO
ADV.(A/S) : SOB SIGILO
INVEST.(A/S) : SOB SIGILO
ADV.(A/S) : SOB SIGILO

DECISÃO

Trata-se de manifestação do Presidente da República, JAIR


BOLSONARO (petição 3.375/2022), representado nesta oportunidade pela
Advocacia-Geral da União - AGU.
Sublinha a AGU, em síntese, que:

a) "por meio de Portaria da PF, a Delegacia de Repressão a


Crimes Contra o Meio Ambiente e Patrimônio Histórico –
DELEMAPH/DRCOR/SR/PF/DF instaurou o Inquérito Policial
tombado sob o número 2021.0061542, 'com a finalidade de realizar a
investigação dos fatos que, em tese e inicialmente, incidem nos tipos
penais previstos no art. 153, §2º e art. 325, ambos do Código Penal, e
materializar os atos de Polícia Judiciária necessários e/ou por
determinação do Excelentíssimo Senhor Ministro Relator Alexandre
de Moraes do Supremo Tribunal Federal no bojo do INQ 4878-STF'.";
b) após o acolhimento em 12/8/2021, nos autos do
Inquérito 4.781/DF, de "notitia criminis encaminhada pelo
TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL ao STF em face do Presidente
da República, em razão de divulgação de conteúdo do Inquérito nº
1361/2018-4/DF, supostamente sigiloso, em publicações de redes
sociais, [...] o agente político vindicou 'a concessão de prazo adicional
de 60 dias – aos 15 consignados na decisão do dia 29/11/2021', o que
foi acolhido parcialmente, com deferimento de 45 dias adicionais

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àqueles já em curso, com termo no próximo dia 28/01/2022 para a


indicação de dia e hora para a oitiva";
c) "nada obstante o caráter sigiloso do Inquérito n° 4.878/DF, a
defesa restou surpreendida com o vazamento de informação sensível –
e sigilosa –, qual seja, a divulgação na imprensa da data máxima para
a tomada do depoimento do Senhor Presidente da República [...]".
Aduz que o "ocorrido repercute em constrangimentos ao Senhor
Presidente da República, uma vez que cria expectativa e interesse da
imprensa, que já lhe aborda com perguntas para maiores detalhes
sobre a aludida oitiva e aspectos correlatos do inquérito, ampla
publicidade que tem o condão de romper com a presunção de
inocência, ou mesmo ser objeto de incompreensões pela sociedade civil,
que não domina detalhes técnicos do Direito Processual Penal e do
Sistema Acusatório a repercutir, até mesmo, em pré-julgamentos e
prejuízos que não se pode, ainda, mensurar [...]";
d) "[...] é cristalina a compreensão de que se está diante de
conduta manifestamente atípica por parte do Senhor Presidente da
República, na medida em que NÃO divulgou documentos agasalhados
pelo timbre do sigilo, assim cadastrados contemporaneamente à data
do fato investigado (04/08/2021), o que elucida a ausência de um dos
elementos essenciais dos tipos constantes dos arts. 153 e 325, qual
seja, divulgar informação confidencial/sigilosa, não havendo que se
falar em retroatividade da novel classificação, sob pena de ofensa aos
princípios do tempus regit actum e da legalidade";
e) "as razões declinadas nesta petição revelam que a existência
de fundamentação idônea do interessado, com destaque ao fato de que,
sob o ponto de vista da defesa, não se identificam elementos outros que
possam ser agregados ao inquérito, em depoimento pessoal, por parte
do agente político, àqueles que já o instruem e os ora disponibilizados,
pelo que não há falar em oposição genérica à participação em oitiva"; e
f) "outrossim, essa postura do Senhor Presidente da República
ampara-se no direito de ausência assegurado em decisões plenárias,
transitadas em julgado, desse Supremo Tribunal Federal, no bojo das
ADPF's n° 395 e nº 444, em que realizada interpretação conforme ao
art. 260 do CPP, para arredar a possibilidade de condução coercitiva, à
presença da autoridade, para fins de depoimento, por

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incompatibilidade com o Texto Constitucional, notadamente, com os


princípios da presunção de inocência, da dignidade da pessoa e não
autoincriminação".

Ao final, pede-se para:

I) informar, respeitosamente, que o Presidente da


República declina da oitiva pessoal que lhe foi oportunizada
pela autoridade policial, no bojo do Inquérito n° 4878, como lhe
garantem as normas constantes dos arts. 1º, III; 5º, LIV, LV, LVII,
e LXIII todos da CRFB/88, do Artigo 8º, item 2, alínea "g", da
Convenção Americana sobre Direitos Humanos, o princípio do
nemo tenetur se detegere e a jurisprudência em controle
concentrado do STF (ADPF's 395 e 444), pugnando, assim, pelo
regular prosseguimento do feito, sem realização do ato solene;
II) vindicar a esse Supremo Tribunal Federal seja levado
ao conhecimento da Procuradoria-Geral da República, nos
moldes do art. 230-B, do RISTF, a corrente manifestação, que,
quanto ao tópico II, assume a natureza de notícia-crime, para
viabilizar seja elucidada a autoria da publicidade indevida de
informação sob sigilo nos autos n° 4.878 e o exercício das
competências contidas no art. 129, da CRFB/88;
II.1) ainda no que diz respeito à PGR e por ser instituição
destinatária única da peça investigativa, solicitar que seja
facultada sua prévia oitiva sobre o direito de ausência e,
mormente, acerca da flagrante atipicidade dos fatos, conforme
demonstrado no tópico III desta manifestação, a quem desde
logo se requer a valoração da quaestio à luz do que dispõe a
parte final do art. 1º, da Lei n° 8.038/90, ou seja, a promoção de
arquivamento dos autos;
III) reforçar o status de sigilo, atribuído por este juízo ao
presente inquérito, em todos os atos da tramitação do
procedimento, por ser a publicidade ostensiva incompatível
com o art. 20, do CPP, vulnerando, assim, direitos individuais
do agente político, que é salvaguardado por garantias como a
presunção de não culpabilidade;

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IV) acaso essa Relatoria entenda pelo não acolhimento do


contido no item "I", requer a remessa do pleito a julgamento
colegiado, haja vista o pedido encontrar amparo nas decisões
das ADPF’s 395 e 444, por incidência de similitude fática entre
este procedimento e o quanto decidido nas ações concentradas,
certo de que o overruling não é autorizado em sede de decisão
monocrática, em observância ao art. 927, I, do CPC;
V) seja intimada a Advocacia-Geral da União das decisões
que vierem a ser tomadas nestes autos, por ser órgão investido
em atribuições de defesa, de acordo com as disposições da Lei
n° 9.028/95 e;
VI) a juntada dos seguintes documentos, que instruem a
manifestação: a) Ofício CE nº 0015/2021, de 14 de julho de 2021;
b) e-mail do Grupo de Repressão de Crimes Cibernéticos; c)
Ofício n° 3392577/2021-GRCC/DRCOR/SR/PF/DF; d)
Expedientes de Reuniões e Notas Taquigráficas, ambos relativos
à PEC 135/2019.

É o relatório.
DECIDO.

Em 29/11/2021, verificando a pertinência da inquirição do Presidente


da República para o completo esclarecimento dos fatos investigados,
revelando-se em verdadeiro instrumento de preservação do direito à
ampla defesa (art. 5º, LV, da Constituição Federal), deferi o requerimento
da autoridade policial e determinei à Polícia Federal que procedesse a
oitiva pessoal do Presidente da República JAIR BOLSONARO, no prazo
de 15 (quinze) dias, concedendo-lhe a oportunidade de prévio ajuste de
local, dia e hora.
O investigado tomou ciência da decisão e, concordando com sua
oitiva, solicitou, por intermédio da petição 117.832/2021, a concessão de
prazo adicional de 60 (sessenta) dias para sua realização, alegando que:

"a agenda Presidencial, mormente neste período de final de ano,


lhe impõe série de compromissos alguns deles em agendas externas

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que dificultam sobremaneira a sinalização de dia e hora no exíguo


lapso ofertado pela Senhora Delegada de Polícia Federal.".

Em face da solicitação, determinei a prorrogação do prazo para a


realização da oitiva do Presidente da República em mais 45 (quarenta e
cinco) dias, com termo final em 28/01/2021, resultando no total de 60
(sessenta) dias para o cumprimento da diligência.
Ocorre, entretanto, que no dia anterior ao vencimento do prazo de 60
(sessenta dias) para que o Presidente da República indicasse local, dia e
horário para a realização de sua oitiva, a AGU protocolou nova petição,
onde, alterando anterior posicionamento do investigado, deixará não só
de indicar local, dia e horário para sua oitiva, mas também de realizar o
interrogatório.
Tenho ressaltado que a amplitude do interrogatório como meio de
defesa engloba não só o "direito ao silêncio", mas também o "direito de falar
no momento adequado", sob a ótica da impossibilidade de alguém ser
obrigado a produzir provas contra si mesmo, seja em suas declarações,
seja na compulsoriedade de entrega de provas com potencial lesivo à sua
defesa na persecução penal (T.R.S. ALLAN. Constitucional Justice. Oxford:
University Press, 2006, p. 12 ss).
A participação do investigado no inquérito ou do réu em seu
processo não é apenas um meio de assegurar que os fatos relevantes
sejam trazidos à tona e os argumentos pertinentes considerados. Mais do
que isso, o direito do acusado em manifestar-se livremente e em ser
ouvido no momento processual adequado é intrínseco à natureza do
julgamento, cujo principal propósito é justificar o veredicto final para o
próprio acusado, como resultado legal justamente obtido, concedendo-lhe
o respeito e a consideração que qualquer cidadão merece.
A previsão de interrogatório do acusado em procedimentos
sancionatórios, com a consagração do "direito ao silêncio" e do privilégio
contra a autoincriminação (privilege against self-incrimination), tornou-se
tema obrigatório a ser respeitado em relação ao direito constitucional à
ampla defesa, sendo direcionado no intuito de preservar o caráter
voluntário de suas manifestações e a regularidade de seu julgamento,

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com um diálogo equitativo entre o indivíduo e o Estado, como bem salientado


pelo citado professor da Universidade de Cambridge (Constitucional
Justice. Oxford: University Press, 2006, p. 12 ss).
Em uma República, o investigado – qualquer que seja ele – está
normalmente sujeito ao alcance dos poderes compulsórios do Estado
necessários para assegurar a confiabilidade da evidência, podendo, se
preciso, submeter-se à busca de sua pessoa ou propriedade, dar suas
impressões digitais quando autorizado em lei e ser intimado para
interrogatório.
Cabe-lhe, entretanto, escolher até onde vai auxiliar a acusação,
oferecendo explicações ou admissões à luz das evidências contra ele, bem
como consentir em ser interrogado, respondendo, ou permanecer em
silêncio, pois, como observado por KENT GREENAWALT, professor de
Colúmbia, "não é constitucionalmente razoável e exigível que alguém traia a si
mesmo – nemo debet prodere se ipsum" (Silence as a Moral and Constitucional
Right, 1981 – 23 William & Mary LR 15, pp. 35-41).
O diálogo equitativo entre o indivíduo e o Estado pressupõe absoluto
respeito à dignidade da pessoa, a possibilidade de acesso à defesa técnica,
com a participação do advogado em seu interrogatório; garantindo,
ainda, a ausência de qualquer tipo de coação ou indução nas declarações
do investigado, por parte do comportamento de autoridades públicas,
além de, no Brasil, vedar a possibilidade de condução coercitiva, no caso
de recusa injustificada de comparecimento por parte do investigado; em
que pese meu posicionamento em contrário, manifestado no julgamento
da ADPF 395.
O caráter voluntário de suas manifestações na ótica de um diálogo
equitativo entre o indivíduo e o Estado permite ao investigado exercer livre e
discricionariamente seu direito ao silêncio, podendo, inclusive, optar
pelas previsões legais que autorizem benefícios à sua confissão voluntária
ou adesão às hipóteses de colaborações premiadas. São suas opções e de
sua defesa técnica, pois como destacado pelo Juiz LORD KENNEDY
DIPLOCK, da mais alta Corte Inglesa de Justiça, na Câmara dos Lordes,
em 1980, no caso R. v. SANG, o "direito ao silêncio" configura legítima

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proteção ao investigado contra "uma confissão impropriamente obtida por


outros meios que destroem sua natureza voluntária (McDermott v. R. (1948) 76
CLR 501, p.512)".
Dessa maneira, será o investigado quem escolherá o "direito de falar
no momento adequado" ou o "direito ao silêncio parcial ou total"; mas não é o
investigado que decidirá prévia e genericamente pela possibilidade ou
não da realização de atos procedimentais ou processuais durante a
investigação criminal ou a instrução processual penal.
O respeito aos direitos e garantias fundamentais deve ser real e
efetivo, jamais significando, porém, que a Constituição Federal estipulou
verdadeira cláusula de indenidade absoluta aos investigados,
permitindo-lhes, inclusive, previamente afastar a possibilidade de
realização de atos procedimentais licitamente fixados pela legislação, tais
quais a fixação de data e horário para interrogatório em inquérito.
O absoluto e intransigente respeito às garantias fundamentais não
deve ser interpretado para limitar indevidamente o dever estatal de
exercer a investigação e a persecução criminal, função de natureza
essencial e que visa a garantir, também, o direito fundamental à
probidade e segurança de todos os cidadãos.
Em momento algum, a imprescindibilidade do absoluto respeito ao
direito ao silêncio e ao privilégio da não autoincriminação constitui
obstáculo intransponível à obrigatoriedade de participação dos
investigados nos legítimos atos de persecução penal estatal ou mesmo
uma autorização para que possam ditar a realização de atos
procedimentais ou o encerramento da investigação, sem o respeito ao
devido processo legal.
A Constituição Federal consagra o direito ao silêncio e o privilégio
contra a autoincriminação, mas não o "direito de recusa prévia e genérica à
observância de determinações legais" ao investigado ou réu, ou seja, não lhes
é permitido recusar prévia e genericamente a participar de atos
procedimentais ou processuais futuros, que poderão ser estabelecidos
legalmente dentro do devido processo legal, máxime quando já definidos
ou aceitos pela defesa, como na presente hipótese em que, inclusive,

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houve concordância do acusado em participar do ato procedimental e


solicitação de dilação de prazo para agendamento e oportunidade para o
Presidente da República exercer real, efetiva e concretamente seu direito
de defesa, como fator legitimador do processo penal em busca da verdade
real e esclarecimento de importantes fatos.
A manutenção da constitucionalidade desse diálogo equitativo entre
Estado-investigador e investigado na investigação criminal exige,
portanto, a estrita obediência da expressa previsão legal; que não
possibilita aos investigados a possibilidade, simplesmente, de impedir o
agendamento para realização de um ato procedimental, sob pena de total
desvirtuamento das normas processuais penais.

DIANTE DE TODO O EXPOSTO:

(1) Não tendo o Presidente da República indicado local,


dia e horário para a realização de seu interrogatório no prazo
fixado de 60 (sessenta) dias, DETERMINO SUA
INTIMAÇÃO, por intermédio da AGU (conforme solicitado
no item “V-v” de sua petição), para que compareça no dia
28/1/2022, às 14h00, PARA PRESTAR DEPOIMENTO
PESSOAL, na sede da Superintendência Regional da Polícia
Federal no Distrito Federal (SR/PF/DF), localizada no SAIS,
quadra 7, lote 23, Setor Policial Sul, Brasília/DF;

(2) DETERMINO O LEVANTAMENTO DO SIGILO


DOS AUTOS. Nos termos do inciso IX, do art. 93, da
Constituição Federal de 1988, todos os julgamentos dos órgãos
do Poder Judiciário serão públicos, e fundamentadas todas as
decisões, sob pena de nulidade, podendo a lei limitar a
presença, em determinados atos, às próprias partes e a seus
advogados, ou somente a estes, em casos nos quais a
preservação do direito à intimidade do interessado no sigilo
não prejudique o interesse público à informação. No caso dos
autos, embora a necessidade de cumprimento das diligências
e oitivas determinadas exigisse, inicialmente, a imposição de

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sigilo à totalidade dos autos, suas efetivações demonstram


não haver mais necessidade de manutenção da total restrição
de publicidade (HC 88.190/RJ, Rel. Min. CEZAR PELUSO;
Inq. 4.831/DF, Rel. Min. CELSO DE MELLO). Deverão
PERMANECER EM SIGILO toda a documentação relacionada
ao afastamento dos sigilos telemáticos e telefônicos, devendo
ser autuado em apartado e mantido o segredo de Justiça à sua
tramitação, nos termos do artigo 230-C, §2º do RiSTF.

Após a realização do interrogatório, IMEDIATA CONCLUSÃO.


Os demais requerimentos da AGU serão analisados no momento
procedimental adequado.

Providencie a Secretaria, com urgência, A INTIMAÇÃO DA AGU,


inclusive por meios eletrônicos.
Ciência ao Procurador-Geral da República.
Publique-se.

Brasília, 27 de janeiro de 2022.

Ministro ALEXANDRE DE MORAES


Relator
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