Curso Básico de Hipnose: Módulo XIII
Curso Básico de Hipnose: Módulo XIII
Módulo XIII
EL - Esperança da Luz
Por Tania Lacerda
Primeira Experiência
É necessário fazer experiência constantemente. Ao aluno não
basta, porém, só a leitura deste curso e nem deixar de lado,
dizendo para si mesmo que já sabe o suficiente para, no futuro,
poder fazer algumas pequenas experiências, quando ocorrer uma
oportunidade. É absolutamente essencial que aproveite cada
oportunidade que se lhe depare, a fim de realizar cotidianamente
uma ou mais experiências deste gênero. Você deve se tornar um
perito em cada experiência antes de passar para outras.
O objeto destas experiências: Para esse fim, apresentamos aqui
uma série de seis experiências Graduadas, cujo objetivo é
desenvolver no operador aquela ponderação no caráter, à qual
denominamos confiança em si mesmo, e mostrar‐lhe, ao mesmo
tempo, a base das leis pelas quais o hipnotismo se tornou um fato
científico. A primeira coisa que o aluno deve não esquecer é o não
haver necessidade de adormecer o sujeito para conseguir nele a
produção de fenômenos do hipnotismo nas suas primeiras fases.
Como evitar o fracasso: Muito naturalmente, o principiante tem receio,
antes de tudo, do fracasso, e do ridículo que pode ocorrer; mas,
como acabamos de dizer, pode, desde o começo, previnir‐se
contra estes dois inconvenientes.
Em primeiro lugar: omitindo com cuidado a palavra “hipnotismo” e
arredando a ideia de que tais experiências são de caráter
hipnótico. Pode chamar, se quiser, de experiências curiosas sobre
as atrações magnéticas ou nervosas, ou técnicas de relaxamento,
afastando o fato real.
Em segundo lugar: explicando com muito cuidado este fato tão
evidente, que o bom resultado da experiência depende
inteiramente da força do poder da vontade e da concentração
exercida pelo sujeito. O operador é um simples guia; se o sujeito
dispõe de força de vontade para repelir com energia e afastar de
sua mente todos os outros pensamentos, é seguro o bom êxito.
Depois de explicar isto aos sujeitos e mostrar claramente que o
interesse e o valor das experiências se assentam inteiramente
sobre a inteligência determinada da cooperação deles.
Se bem explicado estes fatos, evita‐se o ridículo, preparando‐se
para o bom resultado.
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Experiência no estado de Vigília: A experiência seguinte tem por
fim demonstrar que uma pessoa pode exercer um império sobre
outra pessoa, quando esta está de plena posse das suas
faculdades despertas:
Iniciando a Experiência
Ainda que, relativamente a esta experiência, o ideal seria agir
sobre um certo número de pessoas reunidas, o que permitiria ter
maior probabilidade de se obter bons sujeitos, fica subentendido
que, no caso em que o operador não alcance bom êxito em
diversas pessoas ao mesmo tempo, quer por impossibilidade, quer
por embaraço, pode fazer a experiência com um si indivíduo.
Provocação do afrouxamento muscular: Reúna um certo número
de jovens de ambos os sexos, da idade de quinze a vinte anos,
fazendo‐os se sentarem em cadeiras confortáveis, em semicírculo,
a sua frente, tendo o cuidado de recomendar que não devem fazer
nenhuma brincadeira, nem ainda a mais leve, no correr da sessão.
E faço um pequeno discurso como este, por exemplo:
“Viemos aqui, esta noite, para fazer algumas experiências sobre os
fenômenos psíquicos, e espero dos senhores que me dirijam toda atenção
e inteira cooperação no desenvolvimento dos trabalhos, sejam quais forem,
que vamos fazer. Vai ser muito difícil sair‐me bem, se não tiver captado
toda a sua atenção e, se quiserem resistir de maneira absoluta a minha
influência, vai ser impossível o bom êxito da experiência. Assim peço que
por alguns momentos, permaneçam totalmente passivos prontos para
acatar minhas palavras, a fim de que possa produzir sobre seus cérebros a
impressão necessária para chegar a um resultado efetivo. Antes de
começar as experiências, peço com todo meu empenho que fiquem em um
estado de completo afrouxamento muscular, porque é a primeira coisa a
fazer para conseguir‐se um afrouxamento mental perfeito. ”
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Como se Sentar: “Sentem‐se por favor, a vontade em suas cadeiras, de
maneira que seus pés se fixem em toda a largura sobre o solo; ponham as
mãos sobre os joelhos e, quando eu disser: Direita, esquerda – levantem
primeiro a mão direita, depois a esquerda, e deixem cair ambas sobre os
joelhos, brandas e inteiramente inertes. Recomendo que façam umas dez
vezes este exercício em cada uma das mãos”.
Em tal momento você está sentado em uma cadeira em frente ao
círculo de discípulos e levantando a mão direita cerca de trinta
centímetros do joelho, dizendo: “Direita”
Efeito do Sinal: A esse sinal, assegure‐se que todos os sujeitos
ergam a mão direita, imitando você e mantendo no ar durante dois
ou três segundos; no momento em que dizer: “Esquerda” – deixe cair
o braço e a mão direita molemente e sem força sobre o joelho e
levante ao mesmo tempo a mão esquerda. Procedendo da mesma
forma com esta mão, quando repetir: “Direita” – as mãos
esquerdas cairão pesadas e mortas sobre os joelhos. Os
discípulos começarão a compreender que a ideia de passividade
que suas palavras lhe sugeriram, está agindo sobre seus músculos
de modo que se produza um repouso físico completo; a ideia que
ressalta desta experiência é, portanto, toda de afrouxamento
muscular.
Depois de repetir isto cinco ou seis vezes, levante‐se de sua
cadeira e diga, passando na frente de cada membro do
semicírculo: “Seja completo o afrouxamento”, levantando, no
mesmo instante, a mão direita, depois a esquerda e deixando‐a
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recair, seguro de que eles estão inertes; no caso afirmativo,
conseguiu‐se um afrouxamento muscular.
Mais conselhos – Diga agora: “Como vocês estão se sentindo totalmente
a vontade e sem nenhuma fadiga, vou pegar cada um separadamente, para
a primeira experiência importante. Não quero absolutamente de
cochichem ou conversem uns com os outros. Prestem particular atenção à
idéia que minhas palavras vão transmitir as suas mentes. E fiquem seguros
disso. Entendam que a tendência da mente é desenvolver o pensamento
sugerido. Sintam‐se seguros que estão fazendo o que vos digo, que estão
sentindo o que vos digo que sintais, e obteremos fenômenos
interessantes”.
Como dirigir a primeira experiência: Escolha entre os
participantes a pessoa que lhe pareça melhor, a mais apta para
sentir sua influência e, fazendo‐a ficar de pé, com as costas
voltadas para o círculo, diga que olhe nos seus olhos e fixe, ao
mesmo tempo, olhe os dela na base de seu nariz, olhando‐a
justamente entre ambos os olhos e não deixando jamais arredar
deste ponto o seu olhar, ainda mesmo um instante. Fale e, nestas
experiências, por exemplo, fale sempre com calma, em tom
positivo, e sem levantar a voz, como se tivesse o hábito de ser
obedecido e como se pensasse que ela deve obedecer. É bom, ao
mesmo tempo, para dar mais força a influência que tens sobre ela,
repetir a você mesmo: “Deves fazer exatamente o que digo”. Diga isto
a si mesmo, e repita continuamente esta afirmação durante suas
experiências.
Como fortificar a confiança que depositou em você mesmo: Isto
terá como resultado a fortificação da confiança que tens em você
mesmo, e dar aos seus olhos aquele olhar de decisão e de força
que influenciará poderosamente as pessoas que o rodeiam.
Levante, agora, as mãos, e ponha muito de leve sobre a cabeça
do sujeito, justamente por cima das orelhas, a fim de não lhes
causar nenhuma sensação desagradável, pela pressão delas no
rosto. Olhe bem entre os dois olhos, deixando suas mãos nesta
posição durante uns dez segundos.
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Então, recuando um passo com o pé esquerdo, retire devagar e
lentamente as mãos, pondo‐as a uma pequena distância de cada
lado de sua cabeça e, ao mesmo tempo, curve seu corpo um pouco
para trás; as suas mãos virão reunir‐se em frente a sua fronte;
desuna‐as, então, com um movimento vagaroso e, curvando‐se de
novo para frente, descanse as mãos, vagarosamente, na mesma
posição inicial. Faça isto três vezes antes de falar.
O que importa dizer na prova da queda para frente: Depois da
terceira vez, diga muito lentamente, de maneira que o impressione,
mantendo sempre seu olhar fixo na base do seu nariz e tendo o
cuidado que ele não desvie seus olhos nem por um segundo: ‐
“Está na presença de um impulso atrativo que vai te fazer cair
para frente. Não resista; eu vou te segurar, deixe ir... está caindo
para frente. Não pode se opor a isto, está caindo para frente...
deixe ir, assim”. Nesse momento, o sujeito, mantendo sempre os
olhos fixos nos seus, se inclinará para frente e trate naturalmente
de ampará‐lo para que não se machuque.
Cuide para que o sujeito não se machuque: Em todas essas
experiências, tome todo o cuidado de não deixar cair um sujeito,
porque, do contrário, destruirá no mesmo instante toda a confiança
que ele depositou em você, e é precisamente sobre esta confiança
que está depositada toda a influência que tem sobre ele.
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Depois de apanha‐lo, diga: “Tudo vai bem, está perfeitamente
acordado”. Mande‐o sentar e não permita nenhuma discussão
entre os membros do círculo. Deve proceder da mesma forma com
cada indivíduo, separada e individualmente, por duas razões: a
primeira é que pode determinar entre os assistentes aquele que é
mais fácil de influenciar, e a segunda, que prepara, assim, os
diferentes participantes para as experiências que vão se seguir.
Não deixe estas tentativas até que se torne mestre nelas e de estar
apto para provocar essa queda para frente, em cada sujeito que
exercer sua influência.
Como fazer face à oposição e ao ceticismo: No caso de se
deparar com sujeitos que sejam teimosos ou que manifestem
tendência a discussão, deve dizer‐lhes: ‐ “Se quiser, podes, sem
dúvida, ter resistido a essa influência atrativa, mas eu já disse que
deve permanecer perfeitamente passivo e não posso obter bom
êxito nestas experiências com você, se as discuti comigo ou com
você mesmo. Tudo o que peço é o auxílio de sua imaginação e
obediência cega. Não desejo que analise mesmo suas sensações.
Quero sua atenção totalmente absorvida por minhas palavras”. Isto
será suficiente para mostrar ao sujeito da índole argumentativa que
não faz o menor caso da sua opinião e achareis que algumas
palavras nesse sentido bastarão amplamente para ter seus
assistentes completamente dispostos à simples obediência.
A experiência realizada em sentido contrário: Faça, agora, a
experiência no sentido oposto, escolhendo entre os assistentes
aquele que acha mais apto para conseguir um melhor resultado na
queda para frente. Chame‐os uns depois dos outros, colocando‐os
com a cabeça voltada para a parede e apresentando as costas
para o círculo. Conserve‐os por detrás do primeiro, com as costas
voltadas para os circundantes e, colocando levemente o indicador
da mão direita na base do cérebro, justamente acima do pescoço,
ponha sua mão esquerda contra o lado da cabeça, por cima do
ouvido, de forma que os dedos se achem assentes sobre sua
têmpora esquerda.
Prova da queda para trás: Diga, agora, que feche os olhos, e retire
vagarosa e gradualmente sua mão, até que fique totalmente
destacada da cabeça dele e, enquanto vai diminuindo por graus a
pressão que sua mão direita está exercendo e, afim de que ele mal
possa senti‐la, vá falando: “Está, agora, sentindo‐se atraído para trás,
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graças a minha influência. Caia para trás, nos meus braços. Deixe ir, logo
que perceba que a ação se torna mais forte. Está caindo para trás.”
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2ª e 3ª Experiências
2ª EXPERIÊNCIA
Chamando uma das três pessoas presentes e fazendo‐a ficar de
costas para as restantes, diga que olhe de novo em seus olhos e
não desvie o olhar. Estenda, agora, suas mãos para ela, com as
palmas para o ar e diga que as aperte com bastante força, tanta
força quanto for possível. Ao mesmo tempo, curve sua cabeça um
pouco para frente até que fique a uns 15 centímetros da dela.
Prova da junção das mãos: Olhe‐a, então, silenciosamente durante dez
segundos e diga, muito positiva e vagarosamente: “Não pode
desunir nossas mãos, não pode tira‐las das minhas. Estão ligadas as minha
e não pode mexe‐las. Perceberá que os músculos estão ligados. Ainda que
faça força para afasta‐las, não conseguirá”.
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atenção que ele prestava às suas palavras, não lhe era possível
desunir as mãos.
Reforço da Impressão: A fim de impressiona‐lo bastante e, ao
mesmo tempo, mostrar aos outros participantes que não existe
nenhum truque na produção deste efeito, repita sua experiência
com ele, dizendo: “Vamos tentar mais uma vez, e vai reconhecer que
quanto mais atenção liga as minhas mãos, tanto menos possível será
dominar a suas mãos, até que eu diga que o faça.” Repita, então, a
experiência e verá que toda sua atenção estará ao seu dispor,
durante cinco ou seis segundos, no correr dos quais seu rosto
ficará vermelho pelo esforço feito para largar sua mão. Diga, então:
“Muito bem, perfeitamente calmo e a vontade, agora”, e quando ele as
deixa ir, se os seus olhos ficam fixos no vosso, bata palmas, ponha
vossa mão sobre sua fronte, e diga: ‐ “Muito bem, desperte
completamente”.
Exercite até a perfeição: Cabe insistir sobre a importância que há
de realizar as experiências de maneira perfeita. Não vá com pressa
pulando de uma parte para outra. Pode não conseguir bons
resultados em sete ou oito casos sobre doze, mas isto vem de que
os sujeitos não adquiriram o poder de concentração. Se seguir os
nossos conselhos, a falta não é vossa e achareis sempre pelo
menos três ou quatro sujeitos sobre doze, que são capazes de ser
influenciados, porque a sua natureza é dada à obediência das
ordens dos outros.
3ª EXPERIÊNCIA
Nas duas primeiras Experiências, reforçou as suas ordens, pondo‐
se em contato com o sujeito, isto é, pois pessoalmente a mão sobre
ele; mas nesta terceira experiência, vai ver que podes demonstrar
a você mesmo que já não tem necessidade de tocar no sujeito a
fim de provocar nele uma perda de domínio muscular, o que é um
dos fenômenos mais surpreendentes produzidos no estado de
vigília.
Ação de influenciar sem contato: Faça, agora, um sujeito sentar‐
se na poltrona, mande‐o voltar as costas para o círculo e avance
sua cadeira para perto dele a fim de que seus joelhos quase
toquem os dele. Para esta experiência, em particular, escolha
aquele que mais se deixou influenciar nas experiências anteriores.
Ponha suas mãos bem espalmadas sobre os seus joelhos, com a
palma para dentro; incline‐se para frente, de maneira que
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impressione, tendo os vossos olhos fixos na base do nariz do
sujeito e dizendo a este que te olhe bem nos olhos e não desvie o
seu olhar sob nenhum pretexto. Ordene, então: “Junte bem
estreitamente suas mãos, com mais força, o mais estreitamente
que seja possível. Estão soldadas uma na outra e, por mais que
se esforce, não vai conseguir abri‐las ou separa‐las”. Diga isto
pausadamente, espaçando cada palavra, afim de o que lhe diz, lhe
penetre na mente. Se o seu olhar vacila, significa que ele está
procurando resistir as sugestões; neste caso, deve suspender
imediatamente a experiência e adverti‐lo de que deve prestar
atenção, estritamente.
Efeito da concentração do olhar: Não esqueça que se cuidar para
que seus olhos não desviem dos deles ele não poderá pensar. Se
ele pensar, pode resistir. Nada pode fazer, a não ser receber a sua
ideia. Entre os três sujeitos que achou mais aptos para estas
experiências, não encontrará resistência alguma.
4ª e 5ª Experiências
4ª EXPERIÊNCIA
Observação: Não tente esta experiência sem estar bem treinado
nas experiências anteriores.
Escolha, dos seus sujeitos, aquele que julga ser o mais sensível,
e faça‐o sentar em uma cadeira, de costas para o círculo.
Oclusão dos olhos: Mantendo‐se de pé na sua frente, diga‐lhe
que dirija os olhos para os seus e não os desvie. Quando ele tiver
olhado desta maneira durante uns dez segundos, feche os olhos
dele com seus dedos e ponha seu polegar e indicador sobre pulso
dele, dizendo‐lhe que olhe, concentrando o seu olhar. Recomende,
também, muito devagar e de modo que o impressione: “Não pense
nem raciocine um minuto”. Empregue todas as forças concentradas
da sua vontade e da sua imaginação em acreditar no que está
dizendo: “Logo que eu retirar os meus dedos, perceberá que já não pode
abrir os olhos. Terá perdido o domínio dos músculos das suas pálpebras,
os seus olhos ficarão estreitamente fechados, inteiramente cerrados e não
se abrirão”.
Resultado de uma ideia fixa: O sujeito moverá as sobrancelhas,
esforçando‐se, em vão, para abrir os olhos, visto que lhe
ordenaram que não os abrisse, mas produz‐se a mesma falta de
domínio que a união das mãos, dado precedentemente. Permita‐
lhe que faça todo o possível para abrir os olhos, e ele o conseguirá
depois de um lapso de tempo de dez a doze segundos. É bom
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fazer um duplo ensaio desta experiência, a fim de que, depois de
haver aberto os olhos, possa dizer: “Muito bem, achastes a coisa
dificílima, não é verdade? Vamos, agora, refazer a experiência e, desta vez,
não poderá abri‐los enquanto não lhe der permissão”. Proceda, então,
exatamente da mesma forma que antes, mas quando ele fizer
diversas tentativas sem efeito para abrir os olhos, pode bater
palmas e acrescentar: “Muito bem, por agora, a influência está
acabada, Recuperará agora o domínio de si mesmo. Abri os olhos; desperta
completamente”.
Ação de tranquilizar o sujeito: Depois desta experiência que te
conduz ao hipnotismo real, fará bem em pôr as mãos sobre a fronte
do sujeito e em falar‐lhe de um modo tranquilizador. Eu desejaria
que pudesse fazer nascer no sujeito uma tal condição mental, que
ele se sentisse satisfeito e com boas disposições. Eu queria que
fizesse ele ver que é seu amigo – pode facilmente – e que tivesse
o cuidado de que nada lhe fizesse mal, seja o que for. Fazei com
que suas palavras animem nele um sentimento de relações
amistosas e de inteira confiança. Verá que, nesse período, ele se
tornará tão interessado como você nesta experiência e fará
sempre todo o possível para prestar atenção quando dela tiver
necessidade: não necessita de mais nada para retirar dela todo
efeito desejado.
É impossível não ser bem sucedido: Lembre-se de que não pode
fracassar em nenhuma experiência que acabo de descrever se
escolhe sujeitos adequados e se observa cuidadosamente, nos
seus mínimos pormenores, todas as instruções que tenho dado,
não omitindo nenhuma delas.
5ª EXPERIÊNCIA
Até o presente, estamos ocupados com a proibição ou o
afastamento da ação muscular.
Interdição da palavra: Chegamos, agora, à proibição da palavra,
o que não é senão uma manifestação um pouco mais elevada.
Achareis, talvez, que é difícil impedir a uma pessoa acordada que
se lembre do seu nome e que o enuncie em voz alta, mas, se você
não se esquecer do que eu já havia dito antes sobre a mente não
aprender senão uma única ideia num dado tempo, compreendereis
como esta experiência é tão fácil de se levar a efeito como
qualquer outra das precedentes. Importa adverti‐los, porém, de
que só haveis de tentar nos melhores sujeitos, isto é, naqueles em
que conseguiu bons resultados nas experiências anteriores.
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Como dirigir a experiência: Faça que o sujeito se mantenha em
pé, com as costas voltada para o círculo e coloque e coloque suas
duas mãos de cada lado da sua cabeça, como na prova da queda
para frente e peça, como anteriormente, que olhe fixamente em
seus olhos, enquanto você dirige seu olhar para a base do nariz
dele, como de costume. Incline a cabeça ligeiramente para o seu
lado e diga em tom penetrante: “Preste muita atenção. Esqueceste seu
nome. Não pode mais pronunciá‐lo. Já não lembra mais dele. Não sabe
mais. Não pode mais produzir este som, esqueceu”.
Retire sua mão e recue um passo. Coloque seu dedo na base do
nariz dele e repita claramente: “Não pode pronunciar seu nome”.
Deixe um tempo de três ou quatro segundos para ele fazer a
tentativa e bata palme, dizendo: “Muito bem, pode dizer, agora. Qual
é?” Então, ele o pronunciará imediatamente em voz alta, em tom
de grande alívio.
Não pode pensar nem falar: Não é justo o pretender que ele se
lembrasse do seu nome e pudesse tê‐lo pronunciado, porque em
tal caso, como já tenho achado em muitos outros, a memória e a
palavra se tornaram impossíveis, ainda que o sujeito apresente
toda a aparência de um ser acordado. Sem dúvida, ele está
desperto, mas incontestavelmente também é certo que se acha em
estado anormal. Ele sente que assim é, mas é certíssimo que está
num estado de concentração que precede o estabelecimento da
hipnose, se desejarmos chegar a ela pelas experiências no estado
de vigília.
6ª Experiência
Chegamos, agora, a uma experiência que apresenta uma
significação inteiramente particular, tanto mais que ela mostra
como, obtido o domínio da mente de uma pessoa em estado de
vigília, podemos provocar nela uma alucinação de sensação que,
naturalmente, tem um fim: o de fazer sobressair o valor do
hipnotismo como agente terapêutico.
Método para afetar as sensações do corpo: É a todos
compreensível que, se no estado de vigília, podemos provocar
uma sensação de calor na mão de uma pessoa, podeis facilmente
fazer uso da sugestão inversa para a febre ou casos semelhantes
e, no leito dos doentes, enquanto o sujeito está bem acordado,
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atenuar consideravelmente o aborrecimento causado pela febre ou
calor excessivo, por sugestões positivas de frescura e bem-estar.
O meu interesse, nesta introdução, não é fazer você entrar nas
fases do hipnotismo considerado como terapêutico, mas não
posso resistir à oportunidade que aparece de mostrar quanto este
trabalho se relaciona de perto com as ações benéficas que se
podem praticar para reconfortar os doentes. Toda experiência que
você for aperfeiçoar, nesta introdução, pode e deve ser
desenvolvida sem nenhuma referência a palavra hipnotismo.
O que fazer: Mande o sujeito sentar em uma poltrona, com as costas
voltadas para o auditório e, no momento que olhe seus olhos,
mande que deixe cair seus braços e mãos sobre os joelhos,
ficando inertes. Diga, então, muito vagarosamente: “Feche os olhos
e fixe sua atenção sobre sua mão direita. Quando eu tocar esta mão com o
meu dedo, vai experimentar, no mesmo instante, uma sensação de calor
que vem vindo de trás da sua mão, até que esta se torne quente e comece a
queimar. Lembre que ela há de te queimar. Terá uma sensação de muito
calor. Ela te queimará. Fixe inteiramente sua atenção e sentirá uma dor
na mão”.
Havendo, com este fato, atraído a sua atenção, tocai muito de leve
as costas de sua mão direita com o dedo e dizei, com muito
clareza: “Está queimando. Senti calor, está experimentando uma
sensação de muito calor, e te queima, está queimando, queimando”.
Quando o efeito já se produziu, bata palmas e diga: “Muito bem,
acorde: foi‐se a sensação”, e tomai, ao mesmo tempo a sua mão
direita na vossa e aperte vivamente as costas da mão.
Explicação: Há uma explicação deste fenômeno que muitos podem
por inteligentemente em prática na sua vida cotidiana; darei
brevemente. Toda e qualquer concentração da mente sobre uma
parte do corpo tende a produzir um afluxo de sangue para a parte
onde dirigis a atenção. É o que chamamos “derivação do sangue”
e é possível, pela firme concentração da sua atenção sobre a
sensação de calor no pé, por exemplo, curar‐te do estado
conhecido como frio nos pés, pelo simples fato da força de sua
concentração. É, talvez, um dos mais belos exemplos do poder da
mente sobre o corpo; é somente a força da mente afetando a
circulação do sangue.
Onde se assenta a base da cura: É realmente sobre tal fato
fisiológico que se baseiam as curas operadas pela ciência mental
e hipnotismo, assim como pela ciência cristã e pela auto‐sugestão.
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Por isso temos a maior autoridade em falar que o hipnotismo nos
põe na posse dos fatos concernentes ao poder de curar que existe
no homem individual e baseado no poder que tem o pensamento
em produzir o fluxo de sangue.
Está, agora, na presença de sua experiência que demandam sua
inteira atenção e completa assimilação.
Alguns conselhos: Não tenha pressa em contar aos seus amigos
o que pode fazer; vale mais a pena não lhes fazer a menor
menção, porque eles estão dispostos a te conceder menos honra
que a estranhos. Estude cuidadosamente as regras aqui
consignadas. Lembre-se de que, se observar todas as instruções
no emprego destas experiências, não tem como deixar de
conseguir a produção dos fenômenos. Hão de acontecer, tão certo
como dois e dois são quatro. É a simples lei da causa e efeito.
Sendo dada uma certa causa, ela deve ser seguida, logicamente,
de um efeito; em verdade, ainda que os seus fenômenos sejam
surpreendentes nas suas manifestações exteriores, o hipnotismo
é um gênero de estudo, cujos efeitos são baseados sobre uma
inalterável lei. Não existe fenômeno, relacionado com o
hipnotismo, que seja irracional ou ilógico. É o mais importante de
todos os estudos, o estudo dos fatos da vida.
Conclusão
A experiência adquirida nos ensaios anteriores, fortificarão sua
confiança, fazendo‐o compreender os princípios do hipnotismo.
Depois de algumas experiências, estais certos de haverdes
desenvolvido um ou mais sujeitos bons que podeis fazer entrar nas
fases mais adiantadas do hipnotismo, como fica indicado nas
lições que se vão seguir e com as quais podeis dar um espetáculo
de uma profunda impressão, na presença de estranhos e de
observadores dados à crítica. Não é prudente experimentar com
sujeitos novos, diante dos críticos, a não ser que já seja um mestre
na arte. A sua presença exerce um efeito sobre vos e seu sujeito,
cujo interesse e atenção inteira devem, como já deixei explicado,
ter um fim único e cuja tarefa delicada é assegurar absolutamente
condições harmoniosas e eliminar voluntariamente a dúvida ou
análise mental da pessoa. À medida que vai se tornando
experimentado no manejo de sujeitos que já desenvolveste, vai
adquirindo, inconscientemente a “Destreza” que se ganha na
familiaridade de todo e qualquer processo e os vossos bons
resultados aumentarão em proporção direta dos processos que
fizerdes, tanto com os novos como com os sujeitos já provados.
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Aprofundamento
Testes de profundidade são utilizados para verificarmos qual
profundidade de transe que o sujeito conseguiu atingir. Serve tanto
para o hipnólogo ter esse feedback, quanto para o sujeito entender
que está em transe. Neste último caso, ele é chamado de
“convincer”, termo inglês que significa “convencimento”.
Yes Set: utilize testes de profundidade sempre do mais fácil até o
mais difícil de atingir.
Catalepsia
Quanto maior o membro, mais difícil atingir a catalepsia, sendo
assim indicativo de maior profundidade de transe.
Assim, tende a ser um exagero utilizar contagem para catalepsia
de pequenos membros, como olhos ou dedos. Vale ser feita
apenas para sujeitos resistentes, aumentando assim a expectativa
como ingrediente do transe.
Enquanto toco sua perna, contando de 1 a 5, você perceberá ela
ficando cada vez mais e mais pesada, imóvel. Dura quanto aço.
Quando eu chegar no 5, você vai se permitir um único teste de
tentar levantá-la, porém será impossível, porque ela estará
completamente rígida, como uma barra de chumbo.
Bloqueio do número
Não existe nada entre o número 3 e 5. Caso existisse, seria
apagado agora. Quantas rodas tem uma moto? E quantas rodas
tem um carro? Quanto é 2 + 1? 2 + 2?
Anestesia
Sensações de dormência, gelo ou anestesia por sugestão, como
através de uma luva anestésica. O sujeito percebe o toque, ao
mesmo tempo que observa a dormência ou formigamento. E não
consegue perceber dor.
Delírio
Você reparou que o relógio na parede está com os números em
ordem inversa? Daqui a pouco você irá perceber isso, quando abrir
os olhos.
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Distorção de tempo
A distorção temporal é um sintoma do transe.
- Assistimos um filme de 3 horas, e achamos que não durou isso
tudo (transe natural).
- Em transe induzido, a discrepância tende a ser maior devido a
maior profundidade do transe. O cliente fica 3 horas em transe, e
acha que a terapia demorou apenas 30 minutos.
Veja neste vídeo um exemplo prático de aprofundamento:
https://youtu.be/GKaT66qEYwo
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