CURSO BÁSICO DE HIPNOSE
Módulo I
EL - Esperança da Luz
Por Tania Lacerda
Definição da Hipnose
É um processo de aprendizagem
Segundo o modelo do Dr. John G. Kappas (1925-2002), a hipnose
é um processo de aprendizagem, baseado em identificar e
associar. Por exemplo, o odor de um perfume. Uma pessoa ao
senti-lo pode associar ao cheiro de sua mãe, ou simplesmente a
uma época muito ruim de sua vida. São memórias positivas e
negativas, envolvendo aprendizagem por identificação e
associação.
A ação da terapia é modificar essas associações, positiva e
negativa. É pegar a associação negativa, normalmente
inconsciente e irracional, mas que é mais forte que o próprio
sujeito, e transformá-la em positiva. Exemplo: tratamento para
fobia de barata, que retira o medo irracional, e substitui pela
instalação de um pensamento selecionado positivo de buscar um
inseticida, ou dedetizar o local.
É ultrapassar o fator crítico rebaixado
Segundo Dave Elman, hipnose é o rebaixamento da capacidade
crítica, para a instalação de pensamentos selecionados.
Isto é, se seu fator crítico está rebaixado, e você consegue instalar
pensamentos selecionados, você está em estado de hipnose.
A lógica e a razão, por si só, mesmo sabendo que existem
associações negativas equivocadas na nossa mente (como a fobia
do exemplo anterior), não conseguem desfazer essa associação.
Em hipnose, com nossa capacidade crítica rebaixada,
conseguimos criar novos condicionamentos e novas associações.
Hipnose é o uso da linguagem para criar novas realidades
Não importa se existe estado alterado de consciência (transe
hipnótico) ou não. Você pode, apenas utilizando a linguagem,
eliciar estados, modificar comportamentos, e criar novas
realidades.
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Toda hipnose é auto hipnose
Afirma-se que um indivíduo só pode ser hipnotizado se autorizar.
Apesar de muito usada, essa definição não expressa a realidade
em vários casos.
- Se considerarmos como o simples uso da linguagem para criar
novas realidades. Exemplo: sujeito sentindo dor na cadeira do
dentista que, utilizando a linguagem hipnótica, faz com que ele
sinta dor antes mesmo de a broca encostar no seu dente.
- Se considerarmos os indivíduos altamente sonambúlicos, que
aceitam qualquer sugestão sem indução formal de transe.
- Se considerarmos a confusão mental como geradora de transe.
Só podemos afirmar verdadeiramente que “toda hipnose é auto
hipnose” quando estivermos falando de indução formal de transe.
O sujeito aceita o transe hipnótico, mas pode rejeitar sugestões,
ou até mesmo aceitá-las cegamente.
É um fenômeno natural
O transe hipnótico é um fenômeno natural, que acontece todos os
dias, várias vezes por dia, com todas as pessoas.
Diferente do que muitos pensam, trata-se de um momento que a
atividade cerebral está acima da média. A concentração e o nível
de percepção, daquilo que está em foco, aumentam. A atenção
encontra-se muito focada em algo específico, ao ponto de rejeitar
a compreensão simultânea de outra questão.
Um exemplo de ocorrência do transe é quando a concentração
está muito alta em algo que está sendo lido ou assistido, alguém
fala conosco, sabemos que alguém falou, mas não conseguimos
compreender as palavras, pois ocorreu uma modificação na
atenção.
Outro bom exemplo é quando ocorre distorção temporal.
Concentramos em demasia no livro que estamos lendo, ou no bom
filme que estamos assistindo, e não percebemos o tempo passar.
O ser humano tem alta capacidade de entrar em transe sozinho,
sem precisar da ajuda de terceiros. Com a ajuda de estímulos, com
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a ajuda de um condutor hipnotista, torna-se mais fácil alcançar o
estado de transe hipnótico ainda mais profundo.
Loop Hipnótico
A hipnose acontece em ciclos que se retroalimentam, e inicia-se
em um dos elementos deste ciclo, que são: crença, fisiologia,
experiência e imaginação.
Em uma experiência de dedos magnéticos, a fisiologia é aspecto
fundamental. Ao separar os dedos magnéticos, o sujeito repara
que os dedos de fato se atraem, sendo este processo apenas
fisiológico.
A experiência que o sujeito teve com o fato dos dedos realmente
se aproximarem faz com que a imaginação comece a funcionar, no
sentido que os dedos ficarão colados.
Essa imaginação começa a estabelecer uma crença de que
realmente está colado. Essa crença vai criando novas fisiologias
que não existiam, com base no princípio ideomotor, de que todo
pensamento causa uma reação física.
A união destes fatores é chamada ritual, e inicia-se pela criação de
expectativa.
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A Lei de Miller
O neurofisiólogo George Miller, na década de 1960, detectou que
os seres humanos só conseguem perceber através dos sentidos
uma capacidade de 7+-2 estímulos simultâneos. Ultrapassada
essa capacidade, produz-se uma inibição do córtex cerebral. E é
sabido que o fenômeno hipnótico se produz por inibição paulatina
dos estímulos externos no córtex cerebral. Ou seja: a pessoa entra
em processo de transe hipnótico quando é muito grande a
quantidade de estímulos simultâneos.
A Lei de Miler é uma indução ao transe hipnótico. Considere um
“médium” em uma roda de incorporação, onde ele dança, canta,
ouve som de batidas de tambores, ouve saudações espirituais,
sente odores de defumadores e incensos. Ele então entra em
transe, ele passará a aceitar as sugestões de incorporações de
espíritos.
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