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02 - Tipologia Textual

Este documento apresenta uma introdução sobre tipologia textual, definindo narrativa, descrição e dissertação. Em seguida, fornece exemplos de cada tipo de texto e exercícios para identificar qual é o componente predominante em cada um.

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Este documento apresenta uma introdução sobre tipologia textual, definindo narrativa, descrição e dissertação. Em seguida, fornece exemplos de cada tipo de texto e exercícios para identificar qual é o componente predominante em cada um.

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LÍNGUA PORTUGUESA

TIPOLOGIA TEXTUAL



NARRAÇÃO, DESCRIÇÃO E DISSERTAÇÃO.

NARRAÇÃO: Desenvolvimento de ações. Tempo em andamento.

DESCRIÇÃO: Retrato através de palavras. Tempo estático.

DISSERTAÇÃO: Desenvolvimento de idéias. Temporais/Atemporais.

Texto

Em um cinema, um fugitivo corre desabaladamente por uma floresta fechada, fazendo


zigue-zagues. Aqui tropeça em uma raiz e cai, ali se desvia de um espinheiro, lá transpõe um
paredão de pedras ciclópicas, em seguida atravessa uma correnteza a fortes braçadas, mais adiante
pula um regato e agora passa, em carreira vertiginosa, por pequena aldeia, onde pessoas se
encontram em atividades rotineiras.

Neste momento, o operador pára as máquinas e tem-se na tela o seguinte quadro: um


homem (o fugitivo), com ambos os pés no ar, as pernas abertas em larguíssima passada como quem
corre, um menino com um cachorro nos braços estendidos, o rosto contorcido pelo pranto, como
quem oferece o animalzinho a uma senhora de olhar severo que aponta uma flecha para algum
ponto fora do enquadramento da tela; um rapaz troncudo puxa, por uma corda, uma égua que se faz
acompanhar de um potrinho tão inseguro quanto desajeitado; um pajé velho, acocorado perto de
uma choça, tira baforadas de um longo e primitivo cachimbo; uma velha gorda e suja dorme em
uma já bastante desfiada rede de embira fina, pendurada entre uma árvore seca, de galhos grossos e
retorcidos e uma cabana recém-construída, limpa, alta, de palhas de buriti muito bem amarradas...

Antes de exercitar com o texto, pense no seguinte:

Narrar é contar uma história. A Narração é uma seqüência de ações que se desenrolam na linha do
tempo, umas após outras. Toda ação pressupõe a existência de um personagem ou actante que a
prática em determinado momento e em determinado lugar, por isso temos quatro dos seis
componentes fundamentais de que um emissor ou narrador se serve para criar um ato narrativo:
personagem, ação, espaço e tempo em desenvolvimento. Os outros dois componentes da narrativa
são: narrador e enredo ou trama.

Descrever é pintar um quadro, retratar um objeto, um personagem, um ambiente. O ato descritivo


difere do narrativo, fundamentalmente, por não se preocupar com a seqüência das ações, com a
sucessão dos momentos, com o desenrolar do tempo. A descrição encara um ou vários objetos, um
ou vários personagens, uma ou várias ações, em um determinado momento, em um mesmo instante
e em uma mesma fração da linha cronológica. É a foto de um instante.

Página 1 de 13.
A descrição pode ser estática ou dinâmica.

· A descrição estática não envolve ação.

Exemplos: "Uma velha gorda e suja."

"Árvore seca de galhos grossos e retorcidos."

· A descrição dinâmica apresenta um conjunto de ações concomitantes, isto é, um conjunto de ações


que acontecem todas ao mesmo tempo, como em uma fotografia. No texto, a partir do momento em
que o operador pára as máquinas projetoras, todas as ações que se vêem na tela estão ocorrendo
simultaneamente, ou seja, estão compondo uma descrição dinâmica. Descrição porque todas as
ações acontecem ao mesmo tempo, dinâmica porque inclui ações.

Dissertar diz respeito ao desenvolvimento de idéias, de juízos, de pensamentos.

Exemplos:

"As circunstâncias externas determinam rigidamente a natureza dos seres vivos, inclusive o
homem..."

"Nem a vontade, nem a razão podem agir independentemente de seu condicionamento


passado."

Nesses exemplos, tomados do historiador norte-americano Carlton Hayes, nota-se bem que o
emissor não está tentando fazer um retrato (descrição); também não procura contar uma história
(narração); sua preocupação se firma em desenvolver um raciocínio, elaborar um pensamento,
dissertar.

Quase sempre os textos, quer literários, quer científicos, não se limitam a ser puramente
descritivos, narrativos ou dissertativos. Normalmente um texto é um complexo, uma composição,
uma redação, onde se misturam aspectos descritivos com momentos narrativos e dissertativos e,
para classificá-lo como narração, descrição ou dissertação, procure observar qual o componente
predominante.

Exercícios de fixação

Classifique os exercícios a seguir como predominantemente narrativos, descritivos ou dissertativos.

I. Macunaíma em São Paulo

Quando chegaram em São Paulo, ensacou um pouco do tesouro para comerem e barganhando
o resto na bolsa apurou perto de oitenta contos de réis. Maanape era feiticeiro. Oitenta contos não
valia muito mas o herói refletiu bem e falou pros manos:

- Paciência. A gente se arruma com isso mesmo, quem quer cavalo sem tacha anda de a-pé...

Com esses cobres é que Macunaíma viveu.

Página 2 de 13.
(ANDRADE, Mário de. Macunaíma, o herói sem nenhum caráter. 15ª ed., São Paulo, Martins,
1968. p. 50.)

II. Subúrbio

O subúrbio de S. Geraldo, no ano de 192..., já misturava ao cheiro de estrebaria algum


progresso.
Quanto mais fábricas se abriam nos arredores, mais o subúrbio se erguia em vida própria sem que
os habitantes
pudessem dizer que a transformação os atingia. Os movimentos já se haviam congestionado e não
se poderia
atravessar uma rua sem deixar-se de uma carroça que os cavalos vagarosos puxavam, enquanto um
automóvel
impaciente buzinava lançando fumaça. Mesmo os crepúsculos eram agora enfumaçados e
sanguinolentos. De
manhã, entre os caminhões que pediam passagem para a nova usina, transportando madeira e ferro,
as cestas de
peixe se espalhavam pela calçada, vindas através da noite de centros maiores.

(LISPECTOR, Clarice. A cidade sitiada. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1982. p. 13.)

III. São Paulo

Que aconteceria, entretanto, se conseguisse dar de repente a todos esses párias uma moradia
condigna, uma vida segundo padrões civilizados, à altura do que se ostenta nas grandes avenidas do
centro, com seu trânsito intenso, suas lojas de Primeiro Mundo e seus yuppies* esbaforidos na
tarefa de ganhar dinheiro? Aí está outro aspecto da tragédia, também lembrado por Severo Gomes.
Explica-se: São Paulo é o maior foco de migrações internas, sobretudo do Nordeste; no dia em que
as chagas da miséria desaparecessem e a dignidade da existência humana fosse restaurada em sua
plenitude, seriam atraídas novas ondas migratórias, com maior força imantadora. Assim, surgiriam
logo, num círculo vicioso, outros focos de miséria.

(CASTRO, Moacir Werneck de. Alarma em São Paulo. Jornal do Brasil, 9 mar. 1991.)

IV.
A Declaração Universal dos Direitos. Humanos, aprovada em 1948 pela Assembléia-Geral
das Nações Unidas, manteve-se silente em relação aos direitos econômicos, sociais e culturais, o
que era compreensível pelo momento histórico de afirmação plena dos direitos individuais.

V.

"Depois do almoço, Leôncio montou a cavalo, percorreu as roças e cafezais, coisa que bem
raras vezes fazia, e ao descambar do Sol voltou para casa, jantou com o maior sossego e apetite, e
depois foi para o salão, onde, repoltreando-se em macio e fresco sofá, pôs-se a fumar
tranqüilamente o seu havana."

Página 3 de 13.
VI.

"Os encantos da gentil cantora eram ainda realçados pela singeleza, e diremos quase pobreza
do modesto trajar. Um vestido de chita ordinária azulclara desenhava-lhe perfeitamente com
encantadora simplicidade o porte esbelto e a cintura delicada, e desdobrando-se-lhe em rodas
amplas ondulações parecia uma nuvem, do seio da qual se erguia a cantora como Vênus nascendo
da espuma do mar, ou como um anjo surgindo dentre brumas vaporosas."

VII.

"Só depois da chegada de Malvina, Isaura deu pela presença dos dois mancebos, que a certa
distância a contemplavam cochichando a respeito dela. Também pouco ouvia ela e nada
compreendeu do rápido diálogo que tivera lugar entre Malvina e seu marido. Apenas estes se
retiraram ela também se levantou e ia sair, mas Henrique, que ficara só, a deteve com um gesto."

VIII.

"Bois truculentos e nédias novilhas deitadas pelo gramal ruminavam tranqüilamente à sombra
de altos troncos. As aves domésticas grazinavam em torno da casa, balavam as ovelhas, e mugiam
algumas vacas, que vinham por si mesmas procurando os currais; mas não se ouvia, nem se divisava
voz nem figura humana. Parecia que ali não se achava morador algum."

(GUIMARAES, Bernardo. A escrava Isaura. 17ª ed., São Paulo, Ática, 1991.)

IX.

A demissão é um dos momentos mais difíceis na carreira de um profissional. A perda do


emprego
costuma gerar uma série de conflitos internos: mágoa, revolta, incerteza em relação ao futuro e
dúvidas sobre sua
capacidade. Mesmo sendo uma possibilidade concreta na vida de qualquer profissional, somos
quase sempre
pegos de surpresa pela notícia.

X.

Não basta a igualdade perante a lei. É preciso igual oportunidade. E igual oportunidade
implica igual
condição. Porque, se as condições não são iguais, ninguém dirá que sejam iguais as oportunidades.

XI.

"A palavra nepotismo foi cunhada na Idade Média para designar o costume imperial dos
antigos papas de transformar sobrinhos e netos em funcionários da Igreja. Meio milênio depois, tais
hábitos se multiplicaram na administração pública brasileira. Investidos em seus mandatos, os
deputados de Brasília chamam a família para assessorá-los, como se fossem levar problemas
domésticos, e não os da comunidade, para o plenário."

Página 4 de 13.
GABARITO

I - Narrativo
II - Descritivo
III - Dissertativo-Argumentativo
IV - Dissertativo
V - Narrativo
VI - Descritivo
VII - Narrativo
VIII - Descritivo
IX - Dissertativo
X - Dissertativo
XI - Dissertativo-Informativo

PARÁFRASE, PERÍFRASE, SÍNTESE E RESUMO.

PARÁFRASE

Paráfrase é o comentário amplificativo de um texto ou a explicação desenvolvida de um


texto.

O maior perigo que enfrenta quem explica um texto é a paráfrase. Vamos tomar como
exemplo:

"Um gosto que hoje se alcança,


Amanhã já não o vejo;
Assim nos traz a mudança
De esperança em esperança
E de desejo em desejo.
Mas em vida tão escassa
Que esperança será forte?
Fraqueza da humana sorte,
Que, quanto na vida passa,
Está receitando a morte."
(Camões)

Eis aqui um tipo de paráfrase:

"Luís Vaz de Camões, o grande poeta luso, nos fala, nestes versos, da fugacidade dos bens,
que hoje alcançamos e amanhã perdemos; mesmo a esperança e os desejos são frágeis e a própria
vida se esvai rapidamente, caminhando para a morte. Tinha o poeta muita razão, pois, realmente, na
vida, todos os gostos terrenos se extinguem como um sopro: o homem, que sempre vive esperando
e desejando alguma coisa, tem constantemente a alma preocupada com o seu destino. Ora, mesmo
que chegue a realizar seus sonhos, estes não perduram ..."

Poderíamos, assim, continuar indefinidamente, dando voltas ao redor do texto, sem penetrar
em seu interior, sem saber o que é que realmente existe nele. Ou então, tendo em mente a forma em
que o poema é construído, poderíamos acrescentar umas observações vulgares:

Página 5 de 13.
" ... estes versos são muito bonitos; soam muito bem e elevam o espírito. Constituem uma
décima."

Um exercício realizado assim não é uma explicação, é palavreado inútil. A paráfrase pode ser
bela quando realizada por um grande escritor ou por um bom orador.

Não devemos usar o texto como pretexto, ou seja, o comentário de um texto não deve servir
de meio para expormos certos conhecimentos que não iluminam ou esclarecem diretamente a
passagem que comentamos.

Para tornar isto claro, voltemos ao exemplo anterior. Se alguém tomasse a estrofe de Camões
como pretexto para mostrar seus conhecimentos histórico-literários poderia escrever, por exemplo,
o seguinte:
"Estes versos são de Luís Vaz de Camões. Este poeta nasceu em Lisboa, em 1524. Supõe-se
que estudou em Coimbra, onde teria iniciado suas criações poéticas. Escreveu poesias líricas, peças
de teatro e `Os Lusíadas', o imortal poema épico da raça lusitana..."

Quem assim procede perde-se num emaranhado de idéias secundárias, desprezando o


essencial. Utiliza o texto como pretexto, mas não o explica.

Para comentar ou explicar um texto não devemos deter-nos em dados acidentais, perdendo de
vista o que é mais importante.

Em resumo:

1°) explicar um texto não consiste em uma paráfrase do conteúdo, ou em elogios banais da
estrutura.

2°) não consiste, também, num alarde de conhecimentos a propósito de uma passagem literária.

EXPLICAR E NÃO PARAFRASEAR

Embora não se trate de uma tarefa demasiado difícil, comentar um texto consiste em ir
raciocinando, passo a passo, sobre o porquê daquilo que o autor escreveu. Isto pode ser feito com
maior ou menor profundidade.

Podemos concluir que explicar um texto é ir dando conta, ao mesmo tempo, daquilo que um
autor diz e de como o diz.

Podemos acrescentar, ainda, que uma determinada passagem (ou texto) poderá ter
explicações (interpretações) diferentes, conforme a cultura, a sensibilidade e até mesmo a
habilidade de quem as realizar.

Página 6 de 13.
A interpretação de textos exige uma ordem, afim de que as observações não se misturem. As
fases que constituem o comentário obedecem, pois, à seguinte ordem:

1) LEITURA ATENTA DO TEXTO

A explicação inicia-se, logicamente, com a leitura atenta do texto, que nos levará à sua
compreensão. Para isto é preciso ler devagar e compreender todas as palavras.

Logo, esta fase requer o uso constante do dicionário, o que nos proporciona conhecimentos
que serão úteis em certas ocasiões, tais como provas e exames, quando já não será possível recorrer
a nenhuma fonte de consulta.

Ao consultar o dicionário, temos que ficar atentos aos vários sinônimos de uma palavra e
verificar somente a acepção que se adapta ao texto.

Observe:

"Cordeirinha linda / Como folga o povo

Porque vossa vinda /Lhe dá lume novo." (Anchieta)

Folgar = tornar largo; descansar; divertir-se; regozijar-se.

Qual destas acepções interessa ao texto, para que o entendamos? A resposta é regozijar-se.

2) LOCALIZAÇÃO DO TEXTO

Em primeiro lugar, devemos procurar saber se um determinado texto é independente ou


fragmento. Geralmente percebemos isto no primeiro contato com o texto.

Quando se tratar de um texto completo, devemos localizá-lo dentro da obra total do autor.

Quando se tratar de um fragmento, devemos localizá-lo dentro da obra total do autor e a que
obra pertence. Se não nos for dito se o texto está completo ou fragmentário, iremos considerá-lo
como completo se tiver sentido total.

3) DETERMINAÇÃO DO TEMA

O êxito da interpretação depende, em grande parte, do nosso acerto neste momento do


exercício.

Procuremos fixar o conceito de tema. Isto exige atenção e reflexão. É a fase de importância
capital, pois dela depende o sucesso do trabalho, que é interpretar.

Consideremos, por exemplo, a seguinte passagem do romance "Vidas Secas", de Graciliano


Ramos:

Página 7 de 13.
Estavam no pátio de uma fazenda sem vida. O curral deserto, o chiqueiro das cabras arruinado
e também deserto, a casa do vaqueiro fechada, tudo anunciava abandono. Certamente o gado se
finara e os moradores tinham fugido.

Fabiano procurou em vão perceber um toque de chocalho. Avizinhou-se da casa, bateu, tentou
forçar a porta. Encontrando resistência, penetrou num cercadinho cheio de plantas mortas, rodeou a
tapera, alcançou o terreiro do fundo, viu um barreiro vazio, um bosque de catingueiras murchas, um
pé de turco e o prolongamento da cerca do curral. Trepou-se no mourão do canto, examinou a
caatinga, onde avultavam as ossadas e o negrume dos urubus. Desceu, empurrou a porta da cozinha.
Voltou desanimado, ficou um instante no copiar, fazendo tenção de hospedar ali a família. Mas
chegando aos juazeiros, encontrou os meninos adormecidos e não quis acordá-los. Foi apanhar
gravetos, trouxe do chiqueiro das cabras uma braçada de madeira meio roída pelo cupim, arrancou
toureiras de macambira, arrumou tudo para a fogueira.

Acreditamos que a noção de assunto é clara, pois seu uso é comum quando se faz referência
ao "assunto" de um filme ou de um romance. Um texto pequeno, como este fragmento de
Graciliano Ramos, também tem um assunto; poderíamos contá-lo da seguinte maneira:

"Fabiano estava no pátio de uma fazenda. Ao seu redor, só havia ruínas. Não havia ninguém,
nem mesmo dentro da casa. As plantas e os animais estavam mortos. Ele procurava um lugar para
alojar a família. Como a casa estava fechada, pensou em ficar por ali mesmo e resolveu acender
uma fogueira."

Trata-se, como podemos verificar, de uma simples redução do citado trecho, de uma síntese
daquilo que o texto narra de maneira mais extensa. Mas, os detalhes mais importantes da narração
permanecem.

Para chegarmos ao tema devemos tirar do assunto, que contamos acima, todos os detalhes e
procurar a intenção do autor ao escrever estes parágrafos.

Evidentemente, a intenção de Graciliano Ramos foi descrever a inutilidade da ação do


homem, subjugado pelo flagelo implacável da seca. Este é o tema, célula germinal do fragmento.
Para exprimir o tema, Graciliano tomou elementos como Fabiano e sua família, a fazenda
abandonada, as ossadas, etc., e deu forma definitiva a tudo isto no texto.

O tema deve ter duas características importantes: clareza e brevidade. Se tivermos que usar
muitas palavras para definir o tema, é quase certo que estamos enganados e que não chegamos,
ainda, a penetrar no âmago do texto.

O núcleo fundamental do tema poderá, geralmente, ser expresso por meio de uma palavra
abstrata, acompanhada de complementos. No exemplo anterior, esse núcleo fundamental é a
inutilidade (da ação do homem, etc.).

O tema não deve possuir elementos supérfluos que façam parte do assunto. Quando o autor
nos mostra Fabiano procurando, inutilmente, entrar na casa para abrigar-se, está usando elementos
do assunto para demonstrar-nos a inutilidade da ação do homem, naquelas circunstâncias adversas.

A definição do tema será, pois, clara, precisa e breve (sem falta ou sobra de elementos).

A tarefa de fixar o tema exige bastante cuidado e atenção porque é essencial para a
interpretação.

Página 8 de 13.
4) DETERMINAÇÃO DA ESTRUTURA

Um texto literário não é um caos. O autor, ao escrever, vai compondo. Compor é colocar as
partes de um todo de tal modo que possam constituir um conjunto.

Até o menor texto - aquele que nos dão para comentar, por exemplo -, possui uma composição
ou estrutura precisa.

Os elementos da estrutura são solidários: todas as partes de um texto se relacionam entre si. E
isto por uma razão muito simples: se, num determinado texto, o autor quis expressar um tema,
todas as partes que possamos achar como integrantes daquele fragmento, estão contribuindo,
forçosamente, para expressar o tema e, portanto, relacionam-se entre si.

Para que se torne clara a explicação desta fase, fragmento é cada uma das partes que podemos
descobrir no texto.

Por outro lado, há textos tão breves e simples, que se torna difícil, ou mesmo impossível,
definir sua composição.

5) CONCLUSAO

A conclusão é um balanço de nossas observações; é, também, uma impressão pessoal.

Deve terminar com uma opinião sincera a respeito do texto: muitas vezes, nos textos que nos
apresentam, temos que elogiar, se assim exigir a sua qualidade. Outras vezes, porém, o sentido
moral ou o tema talvez não nos agradem, e devemos dizê-lo.

Não devemos, também, repetir opiniões alheias. Nunca devemos dizer: "... é um texto (ou
passagem) muito bonito"; ou: "tem muita musicalidade ...". Ainda: "... descreve muito bem e com
muito bom gosto", etc.

Podemos, então, rematar a conclusão do exame do texto de Graciliano Ramos, da seguinte


maneira:

"O autor atinge plenamente seus fins através da expressão elaborada, que se condensa,
despindo-se de acessórios inúteis, numa plena adequação ao tema. Sem sentimentalismo algum,
toca a sensibilidade do leitor, através do depoimento incisivo e trágico da condição sub-humana em
que se acham aquelas criaturas, que escapam de sua posição de meras personagens de uma obra de
ficção para alçarem-se em protagonistas do drama social e humano que se desenrola no Nordeste
brasileiro".

Em essência, este é o método de comentário de textos. É preciso que tudo o que foi exposto
seja compreendido e fixado para que se torne possível a perfeita assimilação das normas do método.

PERÍFRASE

É o rodeio de palavras ou a frase que substitui o nome comum do próprio. Na perífrase sempre
se destaca algum atributo do ser. Exemplos:

Página 9 de 13.
! Visitei a Cidade Maravilhosa. (= Rio de Janeiro)

! O astro rei brilha para todos. (= Sol)

! O Rei do Futebol será homenageado em Paris. (= Pelé)

SÍNTESE E RESUMO

1) O QUE É UM TEXTO LITERÁRIO

Um texto literário pode ser uma obra completa (um romance, um drama, um conto, um poema
... ), ou um trecho de uma obra.

De modo geral, os textos dados para comentário e interpretação devem ser breves; por isso,
salvo quando se trata de uma poesia curta, costumam ser fragmentos de obras literárias mais
extensas. Atualmente, crônicas e artigos de jornais e revistas costumam ser tomados para estudo e
explicação.

2) COMENTANDO UM TEXTO

Embora não se trate de uma tarefa demasiado difícil, comentar um texto consiste em ir
raciocinando, passo a passo, sobre o porquê daquilo que o autor escreveu. Isto pode ser feito com
maior ou menor profundidade. Temos que ir dando conta, ao mesmo tempo, daquilo que um autor
diz e de como o diz.

O comentário de textos exige uma ordem, a fim de que as observações não se misturem; são
fases que obedecem à seguinte ordem:

a) LEITURA ATENTA DO TEXTO

A leitura atenta do texto, que nos levará à sua compreensão. Para isto é preciso ler devagar e
compreender todas as palavras; requer, portanto, o uso constante do dicionário, o que nos
proporciona conhecimentos que serão úteis em certas ocasiões, tais como provas e exames, quando
já não será possível recorrer a nenhuma fonte de consulta.

Ao consultar o dicionário, temos que ficar atentos aos vários sinônimos de uma palavra e
verificar somente a acepção que se adapta ao texto.

b) DETERMINAÇÃO DO TEMA

O êxito da interpretação depende, em grande parte, do nosso acerto neste momento do estudo.
Procuremos fixar o conceito de tema. Isto exige atenção e reflexão.

É a fase de importância capital, pois dela depende o sucesso do trabalho, que é interpretar.

O tema deve ter duas características importantes: clareza e brevidade. Se tivermos que usar
muitas palavras para definir o tema, é quase certo que estamos enganados e que não chegamos,
ainda, a penetrar no âmago do texto.

Página 10 de 13.
O núcleo fundamental do tema poderá, geralmente, ser expresso por meio de uma palavra
abstrata, acompanhada de complementos.

3) TEMA E ASSUNTO

Acreditamos que a noção de assunto é clara, pois seu uso é comum quando se faz referência
ao "assunto" de um filme ou de um romance.

Consideremos, por exemplo, a seguinte passagem do romance "Vidas Secas", de Graciliano


Ramos:

"Estavam no pátio de uma fazenda sem vida. O curral deserto, o chiqueiro das cabras
arruinado e também deserto, a casa do vaqueiro fechada, tudo anunciava abandono. Certamente o
gado se finara e os moradores tinham fugido.

Fabiano procurou em vão perceber um toque de chocalho. Avizinhou-se da casa, bateu, tentou
forçara porta. Encontrando resistência, penetrou num cercadinho cheio de plantas mortas, rodeou a
tapera, alcançou o terreiro do fundo, viu um barreiro vazio, um bosque de catingueiras murchas, um
pé de turco e o prolongamento da cerca do curral. Trepou-se no mourão do canto, examinou a
caatinga, onde avultavam as ossadas e o negrume dos urubus. Desceu, empurrou a porta da cozinha.
Voltou desanimado, ficou um instante no copiar, fazendo tenção de hospedar ali a família. Mas
chegando aos juazeiros, encontrou os meninos adormecidos e não quis acorda-los. Foi apanhar
gravetos, trouxe do chiqueiro das cabras uma braçada de madeira meio roída pelo cupim,
arrancou touceiras de macambira, arrumou tudo para a fogueira."

Um texto pequeno como o fragmento acima tem um assunto, que pode ser contado da seguinte
maneira:

"Fabiano estava no pátio de uma fazenda. Ao seu redor, só havia ruínas. Não havia ninguém,
nem mesmo dentro da casa. As plantas e os animais estavam mortos. Ele procurava um lugar para
alojar a família. Como a casa estava fechada, pensou em ficar ali mesmo e acendeu uma fogueira."

Trata-se de uma simples redução do citado trecho, de uma síntese, um resumo daquilo que o
texto narra de maneira mais extensa. Mas, os detalhes mais importantes da narração permanecem.

Portanto, para chegarmos ao tema de um texto, devemos tirar do assunto todos os detalhes e
procurar a intenção do autor ao escrever. No segmento apresentado, a célula germinal (o tema) é a
inutilidade da ação do homem, subjugado pelo flagelo implacável da seca.

É uma definição clara, breve e precisa do tema, sem sobra ou falta de elementos.

Quando resumimos um texto, seja ele fragmentário ou completo, retiramos dele tudo o que é
essencial ao seu entendimento, "desprezando" aquilo que é supérfluo, para não ficarmos girando ao
redor do texto e incidir em paráfrase, que é um comentário amplificativo, ao contrário do resumo.
Veja:

Página 11 de 13.
A SANTA INÊS

Cordeirinha linda
Como folga o povo
Porque vossa vinda
Lhe dá lume novo!

Cordeirinha santa,
De lesu querida,
Vossa santa vinda
O diabo espanta.
Por isso vos canta,
Com prazer o povo,
Porque vossa vinda
Lhe dá lume novo.

Nossa culpa escura


Fugirá depressa,
Pois vossa cabeça
Vem com luz tão pura.
Vossa formosura
Honra é do povo,
Porque vossa vinda
Lhe dá lume novo.

Virginal cabeça
Pola fé cortada,
Com vossa chegada,
Já ninguém pereça.
Vinde mui depressa
Ajudar o povo,
Pois com vossa vinda
Lhe dais lume novo.
(Anchieta)

Se, numa prova, nos pedissem para explicar resumidamente o sentido destes versos,
responderíamos:

"O poeta comunica-nos a alegria que todos sentem por causa da vinda da mártir Santa Inês, ou
porque necessitam do auxílio divino para manter a fé, segundo o ponto de vista do poeta catequista,
ou porque é uma ocasião festiva."

Como isto pudesse parecer insuficiente, acrescentaríamos alguns detalhes que justificassem as
afirmações:

"Mesmo falando da culpa do homem, do martírio de Santa Inês ou suplicando os benefícios da


santa, o sentimento preponderante é a alegria, pois a fé profunda traz a certeza de que os bens
almejados serão obtidos.
O martírio é encarado como a causa da glorificação da Santa, cuja cabeça resplandecente simboliza
as graças que iluminam as almas".

Página 12 de 13.
Para finalizar, devemos ter em mente que as provas em concurso são, na maioria das vezes,
em forma de testes; assim, escolha a alternativa que melhor resuma o texto. É claro que este resumo
deve conter o tema.

Página 13 de 13.

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