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GOVERNO DO DISTRITO FEDERAL
POLÍCIA MILITAR DO DISTRITO FEDERAL
CENTRO DE TREINAMENTO E
ESPECIALIZAÇÃO
MANUAL DE TÉCNICAS E TÁTICAS
POLICIAIS
Brasília – 2014
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Todos os direitos reservados aos autores, conforme lei dos direitos Autorais.
PINHO, Elke Márcio do Nascimento & ROLIM, Clayton Feliciano & SOUZA,
Timóteo Pontes de & SILVA, Jackson Martins.
Manual de Técnicas e Táticas Policiais da Polícia Militar do Distrito Federal
100 Folhas
Manual – Brasília – DF, 2014.
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SUMÁRIO
1. ABORDAGEM POLICIAL 04
1.1 Introdução 04
1.2 Sobrevivência policial 05
1.3 Aspectos Jurídicos 08
1.4 Tecnica Individual de Combate 14
1.5 Finalidades da abordagem 19
1.5.1 Averiguar 19
1.5.2 Orientar 19
1.5.3 Advertir 19
1.5.4 Assistir 19
1.5.5 Prender 19
1.5.6 Autuar 19
1.6 Princípios da abordagem 19
1.6.1 Segurança 20
1.6.2 Surpresa 20
1.6.3 Rapidez 20
1.6.4 Ação Vigorosa 20
1.6.5 Unidade de Comando 21
1.6.6 Simplicidade 21
1.7 Fases da abordagem 21
1.8 Níveis de Abordagem 21
1.9 Categorias de pessoas em atitude suspeita 22
1.9.1 Atitude positiva 23
1.9.2 Atitude meio termo 23
1.9.3 Atitude negativa 23
2. BUSCA PESSOAL 23
2.1 Técnicas de imobilização para a busca pessoal 23
2.1.1 Pegada do urso 23
2.2.1 Chave de dedo 24
2.2 Preliminar ou ligeira 24
2.3 Minuciosa ou completa 24
2.4 Técnicas de contenção para revista pessoal 25
2.4.1 Em pé sem anteparo 25
2.4.2 Em pé com anteparo 26
2.4.3 Ajoelhado 26
2.4.4 Deitado 27
2.4.5 Técnicas de algemamento 27
3. FUNCIONAMENTO DAS EQUIPES MOTORIZADAS 31
3.1 Funções Administrativas 31
3.2 Funções Operacionais 31
4. ABORDAGEM A TRANSEUNTES 32
5. ABORDAGEM A VEÍCULOS DE PASSEIO 44
6. ABORDAGEM A MOTOCICLETAS 54
7. ABORDAGEM A COLETIVOS E SIMILARES 62
8. ABORDAGEM A CAMINHÕES 71
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9. TATUAGENS 79
10. INTERVENÇÃO CONTRA ATIRADOES ATIVOS 83
11. O QUE É SUSPEITO AOS OLHOS DO POLICIAL 97
BIBLIOGRAFIA 100
1– ABORDAGEM POLICIAL
1.1 INTRODUÇÃO;
Para que a convivência em sociedade fosse possível, tornou-se imperiosa a
criação de regras aos seres humanos. Nesse contexto, instituíram-se princípios com o
objetivo de se impor respeito e cumprimento das leis e regulamentos em prol de toda
uma coletividade, onde o direito privado é postergado em face do direito coletivo.
Os conceitos e procedimentos encontrados nesta apostila visam servir como
fonte de consulta aos integrantes da Corporação, com vistas a proporcionar
conhecimentos técnicos e táticos para o bom exercício da atividade policial.
A abordagem é a mais eficiente e legítima das ações policiais em termos de
prevenção, é uma ação inerente dos encarregados de aplicação da lei quando no
desempenho de suas missões. Esta técnica policial é imprescindível para a constatação
em pessoas, quer isoladamente ou em grupo, onde emanam indícios de suspeição, de
estar praticando, praticaram ou na iminência de praticar ilícitos penais.
Em razão da função que desempenha o policial militar deve considerar o fator
tempo e muitas das vezes, o processamento, a decisão e a execução da ação policial
ficam comprometidos em face da escassez de tempo, o que aumenta o risco. A todo
instante o policial no transcorrer do serviço policial se depara com inúmeras situações
em que tem que verificar a idoneidade de pessoas através da aproximação e interpelação
dessas pessoas em atitude suspeita nos mais diversos ambientes, o que faz desse
momento o mais crítico devido ao risco iminente, pois nada impede de uma abordagem
a pessoa em atitude suspeita, alternar subitamente, para pessoa infratora da lei e nesse
caso a suspeição é confirmada da maneira mais trágica para o policial, ou seja, com a
sua morte por reação do suspeito.
Com vistas a inibir uma possível reação em uma abordagem, o policial deve
atentar para os Princípios, as Fases da Abordagem e aos Princípios Básicos do Uso da
Força e da Arma de Fogo – PBUFAF para legitimar a sua ação, pois o contato físico,
necessário e inevitável em alguns tipos de abordagem, principalmente aquelas que
geram busca pessoal, se torna um momento crítico, tanto para os policiais quanto para
os suspeitos. Por um lado, o suspeito pode se sentir constrangido pela intervenção à qual
foi submetido e, por outro, pode oferecer riscos ao policial. Por isso, ao realizar este
procedimento, deve-se atuar, respeitando a dignidade e os direitos fundamentais, sem
descuidar-se das medidas de segurança.
Nesse contexto, verifica-se a necessidade da existência de técnicas e
procedimentos padrões de abordagem, as quais cada policial deve seguir, sem se expor à
insegurança ou infringir os rigores da lei, por algum tipo de ação, ou mesmo, não venha
ferir direitos alheios, como crimes contra a liberdade individual, dentre outros.
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Saber trabalhar na rua no policiamento preventivo ou repressivo envolve
conhecimentos técnico-operacionais. O conhecimento da lei e a exata medida de sua
aplicação representam para o Policial, a certeza da correta aplicação de seu
procedimento.
1.2 – SOBREVIVÊNCIA POLICIAL
Neste momento, em algum lugar, alguém pode estar treinando para matar
você. “PREPARE-SE!”
Dados de relatórios e pesquisas anuais do FBI de 1982 a 2004. Livros e periódicos
policiais de grande circulação nos EUA. Publicações de autores mundialmente
reconhecidos pelo conhecimento técnico da prática policial.
●70% dos confrontos letais para policiais ocorreram durante missões
aparentemente rotineiras.
●85% das distâncias nos tiroteios são menores do que 5 metros.
●Em quase 100% dos casos, o tempo dos confrontos não excedeu os 3 segundos.
●A média de disparos foi de 3 tiros, contando policial e agressor.
●60% dos policiais mortos em serviço sequer conseguiram sacar suas armas.
●27% atiraram de volta e apenas 13% conseguiram atingir seus agressores
●Apenas 1% dos confrontos letais ocorreu sem nenhum aviso prévio ou indicativo
de risco.
●Ocorreu o resultado morte em 90% dos casos em que os agressores tomaram as
armas dos policiais. Destes, 20% foram mortos com suas próprias armas.
●De acordo com o FBI, 40% dos policiais mortos estavam a mais de 03 anos sem
treinamento de tiro.
●Uma pessoa muito bem adestrada leva aproximadamente 1,2 segundos para
sacar e atirar.
●Uma pessoa normal reage a uma agressão em, aproximadamente 1,5 segundos.
●Em duas a cada três vezes, o confronto se dará em condições de BAIXA
LUMINOSIDADE.
●Muitos dos policiais mortos alcançados por estas pesquisas eram excepcionais
atiradores nos estandes.
●Em quase todos os casos, os disparos iniciais determinaram o vencedor do
confronto.
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●Via de regra, o tempo que se leva para reagir é prioritário, tornando-se mais
importante do que a quantidade de munição que se carrega.
●Ações planejadas geralmente são executadas por mais de uma pessoa.
●Quando ocorrem confrontos em condições de baixa luminosidade, o nível de
perigo para o policial é mais elevado.
●Confrontos armados são dinâmicos, diferente do treinamento comum do estande.
●Na maioria das vezes, o policial terá pouca ou nenhuma chance de defesa.
●O risco aumenta em progressão geométrica à medida que a distância do
confronto diminui.
●A maioria dos tiros em um confronto armado é direcionada para baixo.
DESVANTAGENS DOS POLICIAIS
Uniformes e viaturas ostensivas.
●Uso controlado de força letal e preocupação com inocentes.
●Policiais trabalham reagindo à violência e não gerando violência.
●Pessoas comuns não enxergam a violência como elemento do seu cotidiano.
●Dificuldade de internalizar a agressividade necessária para reagir com eficiência.
●Conceitos morais, religiosos e de natureza pessoal podem interferir na
capacidade de reação.
● Influência do conceito de “politicamente correto”.
TREINAMENTO E ADESTRAMENTO
●Muitas vezes, o treinamento se mostra ineficaz, pois não prepara o policial para
agir de acordo com a realidade dos confrontos.
●Sempre que possível, o treinamento deve ser realizado sob condições de estresse
ou o mais próximo da realidade.
●Devem-se realizar, também, treinamentos em ambientes com baixa
luminosidade utilizando a lanterna tática.
●Independente da técnica utilizada é fundamental executá-la com precisão,
velocidade e segurança.
●O treinamento deve ter uma fundamentação técnica e estatística.
●O método utilizado deve ser de fácil aprendizado.
●O treinamento deve proporcionar uma alta capacidade de retenção do
conhecimento transmitido.
●A técnica e seu treinamento devem ser adequados à realidade do tipo de serviço
executado.
●O treinamento deve atender os seguintes princípios básicos:
- Simplicidade.
- Objetividade.
- Progressividade.
TRIÂNGULO DA SOBREVIVÊNCIA
Preparo físico e mental
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Tática Habilidade no tiro
A omissão de qualquer um destes fatores pode ser letal.
ESTADO MENTAL DE SOBREVIVÊNCIA
Tenha em mente que ser policial é uma tarefa sempre PERIGOSA e exige
constante alerta.
Procure resolver questões religiosas, morais e pessoais, de qualquer natureza, ANTES
de um possível confronto.
A antecipação é fundamental.
Procure identificar os possíveis pontos de riscos e proceda adequadamente para
minimizá-los.
Faça sempre uma análise da situação.
Execute uma ação precisa e imediata.
Adquira uma correta “memória muscular”.
Importância da equipagem correta e das táticas adequadas.
Atire sempre com os dois olhos abertos.
Crie “hábitos salutares”.
Tenha sempre em mente que TEMPO É FATOR CRUCIAL.
O policial deve estar em todos os momentos de sua vida, seja em serviço ou nas
horas de folga, atento aos NÍVEIS DE ALERTA. Esse tipo de preocupação o Policial
Militar nunca deverá negligenciar e a correta compreensão desses níveis podem decidir
situações críticas:
a) Nível 01: é aquele em que todo POLICIAL MILITAR armado deve estar, ou seja,
atento a tudo que o cerca; é o que denominamos “tensão soft” e que pode ser mantido
indefinidamente;
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b) Nível 02: o POLICIAL MILITAR tenta detectar ameaças em potencial,
atribuindo-lhes graduações e analisando eventuais abrigos, no caso da ameaça se
concretizar. É o nível ideal, porém, somente para pequenos períodos, pois é altamente
estressante;
c) Nível 03: é atingido quando o POLICIAL MILITAR já identificou a ameaça, engajou
o alvo e procura um abrigo e/ou uma situação vantajosa, pronto para responder a um
ataque;
d) Nível 04: a situação é tão crítica que ao POLICIAL MILITAR nada mais resta a não
ser fazer uso de sua arma na defesa própria ou de outrem, quando cessarem todos os
meios técnicos exigidos.
CONCLUSÃO
A sobrevivência começa muito antes do momento em que ocorre a necessidade do
disparo. Boa parte dos casos em que policiais que são alvejados e tombam em
confrontos se deve, em grande parte, por falta de atenção a pequenos detalhes táticos e
de procedimentos, aliado à falta de treinamento regular. Embora alguns destes tenham
recebido conhecimento tático e técnico, a falta de treinamento periódico ocasiona falhas
na sua utilização.
Durante o treinamento, deve haver total comprometimento com toda a doutrina,
atentando-se até aos PEQUENOS DETALHES.
Mantenha-se sempre treinado.
LEMBRE-SE:
“Hoje pode ser mais um dia normal na sua vida, ou pode ser o dia em que você
será testado sobre tudo o que aprendeu”.
“Treinamento com correção à exaustão leva à perfeição”.
1.3 – ASPECTOS JURÍDICOS DA ABORDAGEM
A abordagem deve ser realizada somente amparada na Lei, agir de forma
contrária à Lei está previsto como crime, ou seja, o Policial que abordar de forma não
prevista incorre no crime de abuso de autoridade, veremos isso mais adiante.
PODER DE POLÍCIA
Quando o Poder Público interfere na órbita do interesse privado para
salvaguardar o interesse público, restringindo direitos individuais, atua no exercício do
Poder de Polícia. Segundo Caio Tácito, “o poder de polícia é, em suma, o conjunto de
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atribuições concedidas à Administração para disciplinar e restringir, em favor do
interesse público adequado, direitos e liberdades individuais.”.
A polícia é um órgão do Poder Executivo, exercendo em consequência, os
poderes administrativos do estado (poder discricionário, disciplinar, hierárquico, de
polícia). O policial enquadra-se na categoria de agentes públicos, dentro de seus
respectivos graus hierárquicos na Administração.
Olhando-se a “Enciclopédia Saraiva do Direito”, sob a coordenação do
renomado professor RUBENS LIMONGI FRANCA, volume 9, p.351, Autoridade
Policial “indica a pessoa que ocupa cargo e exerce funções policiais, como agente de
Poder Executivo, tendo tais agentes o poder de zelar pela ordem e segurança públicas,
reprimir atentados à lei, ao direito e aos bons costumes”.
A Lei 5.172/66 (Código Tributário Nacional) traz em seu artigo 78 a definição
do Poder de Polícia, vejamos:
Art. 78 Considera-se poder de policia a Atividade da Administração Pública que,
limitando ou disciplinando direito, interesse ou liberdade,
regula a pratica de ato ou abstenção de fato, em razão de
interesse público concernente à segurança, à higiene, á
ordem, aos costumes, a disciplina da produção e do
mercado, ao exercício de atividades econômicas
dependentes de concessão ou autorização do Poder
Publico, à tranqüilidade pública ou ao respeito à
propriedade e os direitos individuais ou coletivos.
ATRIBUTOS DO PODER DE POLÍCIA
PODER DISCRICIONÁRIO OU DISCRICIONARIEDADE
O poder discricionário, segundo Moreira, “é aquele conferido por lei ao
administrador público para que nos limites nela previstos e com certa parcela de
liberdade, dote, no caso concreto, a solução mais adequada satisfazer o interesse
público”.
É concedido pelo direito à Administração Pública para a prática de atos
administrativos com liberdade na escolha a partir de critérios de conveniência e
oportunidade do administrador. Atendendo, além de tudo, os princípios do regime
jurídico administrativo.
É de competência exclusiva do administrador, por estar em contato com a
realidade tendo, por tanto, condições de apreciá-lo.
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Tem duplo condicionamento, tanto na esfera externa quanto na esfera interna.
Pois externamente limitar-se ao ordenamento jurídico e internamente pelas exigências
do bem comum e da moralidade administrativa.
A AUTOEXECUTORIEDADE
A auto-executoriedade, ou seja, a faculdade de a Administração decidir e de
executar diretamente a sua decisão através do ato de polícia, sem intervenção do
.Judiciário é outro atributo do poder de polícia. Com efeito, no uso desse poder, a
Administração impõe diretamente as medidas ou sanções de polícia administrativa,
necessárias à Contenção da atividade anti-social, que ela visa a obstar. Nem seria
possível condicionar os atos de polícia à aprovação prévia de qualquer outro órgão ou
Poder estranho à Administração. Se o particular se sentir agravado em seus direitos,
sim, poderá reclamar pela via adequada, ao Judiciário, que só intervirá “a posteriori”
para a correção de eventual ilegalidade administrativa ou fixação da indenização que for
cabível. O que o princípio da auto-executoriedade autoriza é a prática do ato de polícia
administrativa pela própria administração, independentemente de mandado judicial.
Assim, por exemplo, quando a Prefeitura encontra uma edificação irregular ou
oferecendo perigo à coletividade, ela embarga diretamente a obra e promove a sua
demolição, se for o caso, por determinação própria, sem necessidade de ordem judicial
para essa interdição e demolição.
COERCIBILIDADE
A coercibilidade, isto é, a imposição coativa das medidas adotadas pela
Administração, constitui também atributo do poder de polícia. Realmente, todo ato de
polícia é imperativo (obrigatório para o seu destinatário), admitindo até o emprego da
força pública para o seu cumprimento, quando resistido pelo administrado. Não há ato
de polícia facultativo para o particular, pois todos eles admitem a coerção estatal para
torná-lo efetivo, e essa coerção também independe da autorização judicial. É a própria
Administração que determina, e faz executar as medidas de força que se tornarem
necessárias para a execução do ato ou aplicação da penalidade administrativa resultante
do exercício do poder de polícia.
PODER DA POLÍCIA
É o poder exercido pela polícia em atividades concernentes aos ilícitos penais,
em quanto o Poder DE Polícia pode ser exercido por qualquer órgão do Estado, o Poder
DA Polícia somente pode ser executado pelas POLÍCIAS, a busca pessoal é um
exemplo desse poder.
BUSCA PESSOAL
DECRETO LEI 3689/41 (CPP)
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Art. 240. A busca será domiciliar ou pessoal.
§ 1º - Proceder-se-á à busca domiciliar, quando fundadas razões a autorizarem, para:
- prender criminosos;
- Apreender coisas achadas ou obtidas por meios criminosos;
- Apreender instrumentos de falsificação ou de contrafação e objetos falsificados ou
contrafeitos;
- Apreender armas e munições, instrumentos utilizados na prática de crime ou
destinados a fim delituoso;
- descobrir objetos necessários à prova de infração ou à defesa do réu;
- Apreender cartas, abertas ou não, destinadas ao acusado ou em seu poder, quando haja
suspeita de que o conhecimento do seu conteúdo possa ser útil à elucidação do fato;
- Apreender pessoas vítimas de crimes;
- colher qualquer elemento de convicção.
§ 2º - Proceder-se-á à busca pessoal quando houver fundada suspeita de que alguém
oculte consigo arma proibida ou objetos mencionados nas letras b a f e letra h do
parágrafo anterior.
Art.244. A busca pessoal independerá de mandado, no caso de prisão ou quando houver
fundada suspeita de que a pessoa esteja na posse de arma proibida ou de objetos ou
papéis que constituam corpo de delito, ou quando a medida for determinada no curso de
busca domiciliar.
“NÃO EXISTE PESSOA SUSPEITA, E SIM PESSOA EM ATITUDE
SUSPEITA.”
“A fundada suspeita’, prevista no art. 244 do CPP, não pode fundar-se em
parâmetros unicamente subjetivos, exigindo elementos concretos que indiquem a
necessidade da revista, em face do constrangimento que causa. Ausência, no caso, de
elementos dessa natureza, que não se pode ter por configurados na alegação de que
trajava o paciente, um “blusão” suscetível de esconder uma arma, sob risco de
referendo a condutas arbitrárias ofensivas a direitos e garantias individuais e
caracterizadoras de abuso de poder. Habeas corpus deferido para determinar-se o
arquivamento do Termo.”
(HC 81.305, Relator: Min. ILMAR GALVÃO, Primeira Turma, julgado em
13/11/2001).
DECRETO LEI 1002/69 (CPPM)
Art.180. A busca pessoal consistirá na procura material feita nas vestes, pastas, malas e
outros objetos que estejam com a pessoa revistada e, quando necessário, no próprio
corpo.
Art.181. Proceder-se-á à revista, quando houver fundada suspeita de que alguém oculte
consigo:
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- instrumento ou produto do crime; elemento de prova.
Art.182. A revista independe de mandado: quando feita no ato da captura de pessoa que
deve ser presa; quando determinada no curso da busca domiciliar; quando ocorrer o
caso previsto na alínea a do artigo anterior; quando houver fundada suspeita de que o
revistando traz consigo objetos ou papéis que constituam corpo de delito; quando feita
na presença da autoridade judiciária ou do presidente do inquérito.
Art.183 e Art. 249 do CPP. A busca em mulher será feita por outra mulher, se não
importar retardamento ou prejuízo da diligência.
RECUSA DE IDENTIFICAÇÃO
DECRETO LEI Nº 3.688/41 (Lei de Contravenções Penais)
O Art. 68 da Lei de Contravenções Penais fala sobre a recusa de identificação
por parte do cidadão à autoridade, é importante conhecer esse artigo, haja vista em
algumas situações a pessoa abordada pode tentar dificultar a abordagem se recusando a
fornecer dados ou até mesmo a identidade ao policial.
Art. 68. Recusar à autoridade, quando por esta, justificadamente solicitados ou exigidos,
dados ou indicações concernentes à própria identidade, estado, profissão, domicílio e
residência:
Pena – multa, de duzentos mil réis a dois contos de réis.
Parágrafo único. Incorre na pena de prisão simples, de um a seis meses, e multa, de
duzentos mil réis a dois contos de réis, se o fato não constitui infração penal mais grave,
quem, nas mesmas circunstâncias, faz declarações inverídicas a respeito de sua
identidade pessoal, estado, profissão, domicílio e residência.
LEI 4.898/65 (Abuso de Autoridade)
Art. 3º. Constitui abuso de autoridade qualquer atentado:
a) à liberdade de locomoção;
b) à inviolabilidade do domicílio;
i) à incolumidade física do indivíduo;
Art. 4º Constitui também abuso de autoridade:
a) ordenar ou executar medida privativa da liberdade individual, sem as formalidades
legais ou com abuso de poder;
b) submeter pessoa sob sua guarda ou custódia a vexame ou a constrangimento não
autorizado em lei;
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Art. 5º Considera-se autoridade, para os efeitos desta lei, quem exerce cargo, emprego
ou função pública, de natureza civil, ou militar, ainda que transitoriamente e sem
remuneração.
SÚMULA VINCULANTE N° 11 STF
Vejamos a íntegra do texto aprovado: “Só é lícito o uso de algemas em caso de
resistência e de fundado receio de fuga ou de perigo à integridade física própria ou
alheia, por parte do preso ou de terceiros, justificada a excepcionalidade por escrito, sob
pena de responsabilidade disciplinar civil e penal do agente ou da autoridade e de
nulidade da prisão ou do ato processual a que se refere, sem prejuízo da
responsabilidade civil do Estado”.
...“Não se proíbe o seu uso, sim, o seu abuso. E para se saber se houve ou não abuso,
relevante é que o agente público fundamente sua necessidade”...
...” O uso de algemas deve ficar restrito aos casos extremos de resistência e
oferecimento de real perigo por parte do preso. É abominável o Direito penal da
humilhação (típico do Estado de Polícia, que exerce o chamado poder punitivo paralelo
bruto). O uso infamante das algemas constitui abuso”...
...” Se um cidadão tiver que ser conduzido a uma delegacia de polícia ou ao fórum ou a
um tribunal, que o seja sem atingir-lhe inutilmente o decoro, evitando-se a todo custo
aumentar ainda mais a sua aflição. O uso de algemas, por expressa determinação legal,
deve ficar restrito aos casos extremos de resistência e oferecimento de real perigo por
parte do preso...”
...”Conclusão: todas as vezes que houver excesso pode resultar configurado "abuso de
autoridade", nos termos dos arts. 3º, "i" (atentado contra a incolumidade do indivíduo)
e 4º, "b" (submeter pessoa sob sua guarda ou custódia a vexame ou a constrangimento
não autorizado em lei) da Lei 4.898/65 (lei de abuso de autoridade). Esse excesso será
devidamente controlado agora, depois da Súmula Vinculante 11, em razão da
obrigatoriedade de fundamentação escrita da excepcionalidade do uso das algemas.
Além da configuração do delito de abuso de autoridade, importante sublinhar que,
agora, também depois da Súmula Vinculante 11, a prisão em flagrante torna-se ilegal
(e abusiva) justamente quando o uso das algemas não foi adequado. A prisão ilegal
deve ser relaxada, por força de mandamento constitucional “... Texto por Luiz Flávio
Gomes, doutor em Direito Penal pela Faculdade de Direito da Universidade
Complutense de Madri, mestre em Direito Penal pela USP e secretário-geral do Instituto
Panamericano de Política Criminal (IPAN).
Não obstante a omissão legislativa quanto à utilização de algemas, esta não pode
ser arbitrária, uma vez que a forma juridicamente válida do seu uso pode ser inferida a
partir da interpretação dos princípios jurídicos vigentes, especialmente os princípios da
proporcionalidade e o da razoabilidade. Algumas normas que sinalizam hipóteses em
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que aquela poderá ser usada: CPP, artigos 284 e 292; CF, art. 5º, incisos III, parte final e
X; as regras jurídicas que tratam de prisioneiros adotados pela ONU, N. 33; o Pacto de
San José da Costa Rica, art. 5º, 2. Entende-se, pois, que a prisão não é espetáculo e que
o uso legítimo de algemas não é arbitrário, sendo de natureza excepcional e que deve ser
adotado nos casos e com as finalidades seguintes: a) para impedir, prevenir ou dificultar
a fuga ou reação indevida do preso, desde que haja fundada suspeita ou justificado
receio de que tanto venha a ocorrer; b) para evitar agressão do preso contra os próprios
policiais, contra terceiros ou contra si mesmo.
1.4 – TÉCNICA INDIVIDUAL DE COMBATE
Postura Tática
Diante da evolução da criminalidade, é cada vez mais necessário capacitar o
agente de segurança pública a utilizar os meios disponíveis, quer sejam armas letais,
tecnologias de baixa letalidade ou acessórios, aprimorando as técnicas individuais, para
melhor garantir a sobrevivência em situações hostis e amenizar riscos. Contudo,
capacitar apenas não é o suficiente, deve-se garantir a continuidade dos treinamentos e
instruções, para melhorar cada vez mais o condicionamento individual, a fim de que
seja desenvolvido o trabalho em equipe, atuando de forma organizada e treinada, com
vistas acompanhar a evolução do armamento, equipamentos e acessórios.
Fundamentos Táticos
Empunhadura – Embora haja outras formas de empunhar o armamento. É
recomendável que o policial adote a empunhadura dupla, mão forte e mão fraca. A
vantagem está na estabilidade e nos disparos mais precisos e controláveis, em especial,
nos disparos seqüenciados. É dividida em 03 (três):
Altura – É importante que o policial coloque sua mão o mais alto possível no
punho. Assim os efeitos do recuo, produzidos pelo disparo serão minimizados.
Envolvimento – O punho deve receber o envolvimento da mão forte sobreposta
pela mão fraca exercendo pressão uniforme sobre a coronha.
Pressão – Deve ser exercida de forma equilibrada entre as duas mãos. Para que a
arma não fique nem solta, nem tremendo.
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Saque – É o movimento de retirada da arma do coldre de forma segura e rápida,
em ITI (instrução técnica individual) deve ser treinado didaticamente em 04 tempos,
visando aperfeiçoar o movimento para que o policial possa sacar sua arma frente a uma
ameaça armada, pronto a realizar um disparo instintivo ou intuitivo, não perdendo a
visão periférica.
Retenção – Consiste em potencializar a segurança, onde a arma na mão forte
permanece pressionada na lateral do corpo, vigiando para o cotovelo não ficar exposto.
Possibilita verbalizar, emanar comandos por gestos ou repelir ou conter o suspeito. A
arma ficará acondicionada na lateral do corpo para a sua proteção, pois coldreada
compromete a segurança. Tem por finalidade ainda tem por finalidade desviar de
obstáculos que impeçam a progressão com os braços estendidos. A retenção da arma é
eficiente em ambiente com pouco espaço para locomoção, em tomada de ângulos e em
varreduras.
Terceiro Olho – Partindo da posição 04/Pronto alto mantendo a arma apontada
sempre para a direção onde se está olhando, ou seja, o cano da arma, dependendo do
nível de risco, funciona como o “terceiro olho”, prevendo uma ação imediata e eficaz de
uso do armamento. Não se recomenda, portanto, a completa efetivação do aparelho de
pontaria (massa e alça), para que, assim, o policial não diminua a visão periférica.
Redução de Silhueta – Consiste na diminuição da exposição da silhueta do
policial, de maneira que este exponha uma área menor do corpo em relação à posição
habitual, deixando-o menos vulnerável a uma agressão, bem como em condições de
evoluir para uma progressão tática e se preciso realizar disparos estáveis.
Caminhar Tático – O policial realiza a caminhada tática na Posição 4 / Pronto
Alto. Quando em progressão deve tocar o solo primeiro com o calcanhar e
posteriormente com a planta dos pés. Em regressão, pisa primeiro com a ponta dos pés e
posteriormente com o calcanhar. Essa conduta possibilita a estabilidade do armamento e
a diminuição dos riscos enfrentados através da diminuição da silhueta.
Posição - Refere-se a postura do corpo enquanto se utiliza o armamento, tendo
como prioridades os aspectos: Proteção Balística, Equilíbrio e Conforto. Vale ressaltar
que nos treinamentos atuais a posição do corpo deve ficar de frente para a ameaça, uma
vez que o colete balístico da corporação não tem proteção lateral eficiente, protegendo
apenas o tórax e as costas. Considera-se ainda que e os deslocamentos mais comuns são
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para frente e pra trás. A posição também deve sofrer variações decorrentes do tipo de
Terreno e da Seleção de Abrigos, para garantir uma melhor proteção balística.
Posição 1 / “Weaver” (Boxeador) – O policial adota uma postura de “base de
luta” com as pernas semiflexionadas, silhueta reduzida, ombros relaxados, tronco
ligeiramente projetado a frente e cotovelos não expostos. Podendo ser utilizada para a
iminência de um saque. Nessa posição o policial vai localizar sua arma no coldre, ou
seja, vai fazer a pegada na coronha, pode ser feita para ou em movimento.
Posição 2 / Seme coldreada – O policial partindo da posição 1 vai destravar o
coldre e retirar o armamento, deixando-o junto ao corpo com o cano voltado para frente.
Posição 3 / Pronto Baixo - Utilizadas em abordagens, quando se tem o controle
das mãos da pessoa em atitude suspeita e/ou infrator. Na posição “Weaver” com a
silhueta reduzida a arma se mantém apontada para baixo num ângulo aproximado de 45º
graus. Utilizado como controle de cano, em deslocamentos táticos e em possíveis
disparos. Possui algumas variações da arma, podendo ficar próximo do peito ou com os
braços levemente estendidos.
Posição 4 / Pronto Alto – É empregada quando não se tem o controle visual das
mãos, pela periculosidade do suspeito e/ou infrator ou para proceder em varreduras.
Partindo da posição “Weaver” seja em deslocamento ou estático, o cano da arma é
apontado para a ameaça, utilizando-se da semi-visada, onde o atirador está na condição
de tiro instintivo durante a aproximação ou varreduras.
Controle do cano e dedo fora do gatilho: Em todas as posições previstas para o
uso do armamento acima descritas (semi-coldreada, pronto baixo, pronto alto, retenção),
o policial deverá o tempo todo se ater ao controle do direcionamento do cano e manter o
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dedo fora do gatilho, pois não sendo o momento do disparo, não se justificará disparos
precipitados ou acidentais durante o desenrolar de uma ocorrência em que, quase
sempre, o policial poderá estar alterado pelo estresse do quadro de risco que se
apresenta.
Progressão Policial
Consiste no avanço da equipe policial, atentando-se para a diminuição da silhueta,
nas Posições Pronto Alto, Baixo ou Retenção e fazendo uso da Caminhada Tática ou
Lanço, as quais tem por objetivo progredir no terreno com a máxima cautela para
identificar, decidir e executar a melhor alternativa tática para cessar a atual e injusta
agressão vinda de qualquer direção.
O avanço tático deve primar pela necessidade de aplicar a disciplina de luz e som,
o tempo de deslocamento, o posicionamento e a distribuição dos policiais na área.
A progressão do policial em locais críticos vem se tornando alvo permanente de
estudos técnicos, devido aos altos índices de mortes ou de ferimentos na transposição de
tais locais.
Janelas - Segundo estatísticas, são locais onde muitos policiais morreram ou
foram atingidos por não saberem como progredir. É imprescindível que se evite
exposições do corpo frente a uma janela, mesmo que esta esteja coberta por cortinas,
onde a silhueta ficará marcada pela luz.
Portas - Devem ser transpostas com o máximo de cuidado, utilizando-se,
sempre que possível de espelhos, ou técnicas de tomada de ângulo. “O policial deve
lembrar-se sempre de empurrar a porta até seu limite, evitando que desagradáveis
surpresas possam estar por trás.
Armários, Cortinas, Cama, Biombos, outros móveis – O Policial não deve
desconsiderar a probabilidade de que esses itens possam abrigar uma pessoa, sem antes
revistá-los como possíveis esconderijos, o que possibilitaria um oponente às suas costas.
Escadas e Corredores - De todos os locais existentes numa área interna
edificada, provavelmente nenhuma representa mais perigo aos policiais, são locais
considerados como críticos para a progressão do policial, pois nos deparamos
constantemente com curvas e ângulos mortos onde, geralmente, o domínio é do
oponente, que estará acima de nós.
Considerações acerca de Escadas e Corredores
O problema em atravessar corredores ou descer ou subir escadas se resume à
falta de uma rota segura. É possível o deslocamento para frente e para trás, mas
praticamente impossível deslocamento lateral, o que cria um cone fatal.
É aconselhável então, ao entrar por um corredor atravessá-lo o mais
silenciosamente possível e com rapidez até alcançar o seu final. Contudo esta rapidez
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não pode significar correria, mas sim em caminhar mais rápido até o próximo ponto de
entrada.
Em uma situação em escadas é sempre mais fácil o combate de cima para baixo,
pois se perde muito menos tempo descendo uma escada do que ao subi-la. Além do
mais, o policial poderá fazer com que o marginal tenha uma via de escape,
proporcionando a sua captura por outros policiais que eventualmente estejam do lado de
fora do prédio.
Subindo, o policial irá encurralar o oponente pela ausência de vias de fuga,
forçando-o a enfrentá-lo. Assim sendo, em havendo opção, o policial deve realizar a
busca descendo a escada, entretanto, na maioria dos casos a polícia leva desvantagem,
pois inicia a abordagem á edificação sempre por baixo.
É importante salientar que muitas escadas possuem cortes de ângulos retos, o
que dificulta a visualização de quem está por trás. Desta forma, faz-se necessário
utilizar as técnicas já descritas para se operar com maior segurança, devendo-se sempre
manter a arma em Posição 4 / Pronto Alto. Desse modo deve a equipe tomar algumas
medidas de segurança antes de optar em deslocar em corredores e escadarias:
● Observar o tipo de escada (retas ou em caracol);
● Cuidados com curvas e ângulos;
● Observar tipo de piso. Se de madeira, subir pelas extremidades;
● Considerar a existência de superfícies reflexivas (ver técnica visual reflexiva);
● Utilizar técnicas de observação e;
● Utilizar se houver condições, capacetes e escudos balísticos.
Barricada
Todo anteparo que seja capaz de proteger o policial contra disparos de armas de
fogo e outras situações de perigo, durante abordagens de risco elevado, como: árvores,
postes, muros, meio fio entre outros. Devendo ser utilizado com técnica apropriada,
mantendo a visualização e, simultaneamente, o enquadramento “terceiro olho” com
exposição mínima do policial.
Lanços – São deslocamentos curtos e rápidos entre duas posições abrigadas ou
cobertas.
Cobertura (ocultação) – São acidentes naturais ou artificiais que protegem o
policial das vistas do oponente, mas não dos disparos de arma de fogo.
Abrigo (proteção) – São acidentes naturais ou artificiais que protegem das vistas
e dos disparos de arma de fogo do oponente.
É de primordial importância utilizar Abrigos que suportem o poder de fogo do
infrator. Para tanto, é importante buscar conhecimentos básicos de balísticas, para eleger
adequadamente um bom abrigo. Assim, realizar exercícios que condicionem as tomadas
de posições em barricadas.
Varredura – Consiste em promover a conferência de todos os ambientes
suspeitos e de risco, tornando-os seguros para a progressão.
Técnica de Angulação - É o ato de realizar a visualização paulatina (angulada)
com o armamento em condições de pronta-resposta a agressão letal, tal como ocorre na
Posição 3 / Pronto Baixo, Posição 4 / Pronto Alto, evitando-se a exposição
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desnecessária do corpo. Para isso é necessário treinar as situações que ocorrem com
mais frequência, no entanto as tomadas de ângulos podem salvar vidas quando o policial
antes de adentrar em um local de risco, se precaver e primeiro visualizar o perigo
exercitando este fundamento como forma de proteção. As Tomadas de ângulos mais
usuais são: Olhada Rápida e Fatiamento.
a) Olhada Rápida – Técnica utilizada quando não for possível fazer a tomada de
ângulo. Consiste em uma rápida jogada de cabeça para o interior do local a ser varrido,
retornando imediatamente para o local de proteção. Na necessidade de uma Segunda
olhada, o ponto de entrada deve ser alterado. É executada com o policial em pé ou
abaixado, da seguinte forma: o policial apoiará as mãos na parede, caso queira, para
impulsionar e retirar rapidamente o rosto em direção ao ponto que a equipe irá se
deslocar.
b) Fatiamento – É o ato de promover varredura do ambiente suspeito e de risco,
utilizando-se de técnica de angulação e fragmentação progressiva, realizando a
visualização completa (alto e baixo) do local.
Condução de Armamento
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O policial, seja ele integrante de equipe tática ou não, deve ter o domínio do
armamento que conduz, em especial, o controle do cano e o dedo fora da tecla do
gatilho. O Policial deve priorizar a segurança tanto sua, como dos demais integrantes da
equipe. Há de se ter o cuidado de não apontar a arma para as costas ou cabeça dos
demais policiais em quaisquer situações, inclusive quando estiver ocupando viatura
policial.
Cabe ressaltar: na transição do armamento, o cano deve OBRIGATORIAMENTE
estar voltado para o solo.
Mudança de Frente e Direção; Também conhecido como Giros Estacionários é
o fundamento que tem por escopo aprimorar a técnica policial referente à tomada de
posição para uma pronta-resposta armada ou não, porque trabalha a coordenação
motora, onde o policial deve exercitar em conjunto outros fundamentos de Controle de
Cano e Retenção do Armamento ao mudar de frente ou direção. É fato, que nas atuações
policiais a possibilidade de sermos surpreendidos em uma nova frente de risco deve ser
considerada e necessitamos estar aptos a responder de forma eficaz nas mais diversas
direções.
1.5 – FINALIDADES DA ABORDAGEM
A abordagem deve ter uma finalidade, estes fins caracterizam a necessidade de
se realizar a abordagem. As condições fim são:
1.5.1 Averiguar – normalmente se processa para esclarecimento de comportamento
incomum ou inadequado na disposição de objetos e instalações.
1.5.2 Orientar – É o ato de prevenir a ocorrência de delitos através do esclarecimento
ao cidadão sobre as medidas de segurança que deverá tomar.
1.5.3 Advertir – é todo ato de interpelar o cidadão encontrado em conduta
inconveniente, sugerindo a mudança de atitude, a fim de evitar o cometimento
de contravenção penal ou crime;
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1.5.4 Assistir – é todo auxilio prestado ao público, eventual e não compulsório que
embora não constituam um dever legal, repercutem favoravelmente para a
Corporação.
1.5.5 Prender – é o ato de privar de liberdade alguém, encontrado em flagrante delito
ou mediante mandado judicial.
1.5.6 Autuar – É o registro escrito da participação do Policial Militar em ocorrência,
retratando aspectos essenciais, para fins legais e estatísticos, normalmente feito
em ficha ou talão.
1.6 – PRINCÍPIOS DA ABORDAGEM
A abordagem é uma técnica policial que visa aproximar-se de pessoas, das quais
emanem indícios de suspeição, ou que estejam em flagrante delito ou na eminência da
prática de ilícitos penais, estejam elas a pé, motorizadas ou homiziadas em instalações
físicas. A abordagem é composta por princípios, sendo eles:
1.6.1. – SEGURANÇA; Basicamente é estar cercado de todas as cautelas necessárias
para a eliminação dos riscos de perigo. Alguns fatores devem ser observados em relação
à segurança:
- Estabelecer perímetro de segurança e respeitar o princípio da
proporcionalidade.
-Os policiais devem se posicionar corretamente, seguindo uma tática de
abordagem e empregando uma técnica previamente padronizada e treinada.
- Escolher o local apropriado.
1.6.2. – SURPRESA; Ato ou efeito de surpreender, aparecer inopinadamente. O fator
surpresa, além de contribuir decisivamente para a segurança da equipe, é dissuasório
psicológico da resistência do abordado. A surpresa visa impedir a reação da pessoa a ser
abordada, seja ela uma tentativa de fuga ou um investida contra a equipe policial ou
terceiros e ainda impedir a dispensa de qualquer objeto lícito ou ilícito à revelia da
observação policial. Ressalta-se que a importância de se evitar qualquer tipo de conduta
negativa por parte do abordado implica diretamente no fator segurança.
1.6.3. - RAPIDEZ; Qualidade de ser rápido, instantâneo, ligeiro, veloz. O princípio da
rapidez, dentro da progressão policial, visa impossibilitar uma reação por parte do
abordado. Estabelecer um perímetro de segurança é tão importante quanto as ações que
se seguem. Tal procedimento busca garantir o isolamento e a contenção do fato evitando
seus desdobramentos indesejáveis.
1.6.4. - AÇÃO VIGOROSA; Maneira como se exerce uma força física. Não se pode
confundir vigor com força excessiva. O policial deve fazer com que o infrator da lei
sinta que há decisão de sua parte, neutralizando o menor esboço de reação. O importante
é o impacto psicológico, a postura e a conduta, fatores inibidores de uma possível
22
reação. Uma atitude firme não significa agir de forma grosseira, tem de se ter controle
emocional para não se envolver com o fato, pois o que interessa é a finalidade pública e
não a particular do agente de segurança. Significa agir com a energia necessária e a
agressividade controlada, saber usar da força com moderação dos meios até que se
consiga impedir as reações negativas do suspeito.
1.6.5. UNIDADE DE COMANDO; Ao se realizar uma abordagem, certos comandos
verbais devem ser emitidos visando o entendimento por parte do abordado das ações
que será realizado. Somente um dos policiais da equipe deve ser incumbido de
comandar a abordagem e de dar as ordens objetivando o êxito das ordens emanadas.
Cada agente de segurança envolvido na abordagem pode verbalizar com o suspeito, com
o objetivo de aplicar a técnica, mas não pode tomar decisões que impliquem em um
novo rumo para a ação policial.
1.6.6. – SIMPLICIDADE; Durante o processo da abordagem, vários fatores
influenciam na execução. Nem sempre, os procedimentos serão seguidos fielmente,
contudo as adaptações durante o procedimento de abordagem devem ser o mais simples
possível, de forma que os princípios da segurança, rapidez, ação vigorosa, surpresa e
unidade de comando não fiquem prejudicadas.
1.7 - FASES DA ABORDAGEM
O Policial Militar ao verificar a necessidade de abordar alguém ou algo, deve observar
as fases.
1ª FASE (Planejamento Mental) – Antes da abordagem, a equipe ao tomar
conhecimento ou deparar com uma ocorrência, deve colher o maior número de
informações sobre o ocorrido (delito praticado, local do evento, ânimos e número de
meliantes, quais os obstáculos naturais e artificiais existentes, vias de escape, meios
utilizados, veículos envolvidos, tipo de armas, etc.) e após essas informações, traçar um
plano de ação para que seja solucionada de forma aceitável a ocorrência. O plano deverá
ser o mais simples possível para evitar mal entendido.
2ª FASE (Execução) - Avaliada a situação, identificados os suspeitos, e tomadas todas
as precauções quanto à segurança, a equipe inicia a abordagem, ou seja, executa o
plano.
3ª FASE (Conclusão) – Conduzir a delegacia da área ou especializada de acordo com a
natureza da ocorrência ou em caso de nada constatado, a equipe encerra a abordagem
liberando as pessoas abordadas.
1.8 – NÍVEIS DE ABORDAGEM
Serão determinados levando-se em consideração fatores de suspeição, que se
traduzem em maiores ou menores riscos para da equipe durante Patrulhamento:
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A) Abordagem Nível 01: é o tipo de abordagem mais simples. Normalmente feita para
alguma orientação do POLICIAL MILITAR ao indivíduo. Exemplo: orientação a
pedestres e motoristas no trânsito, etc.;
B) Abordagem Nível 02: é o tipo de abordagem levada a efeito quando há alguma
fundada suspeita; não há certeza de que os abordados estão envolvidos com situações
delituosas. Durante esta abordagem, é realizada a busca pessoal. Aqui todos os
POLICIAIS MILITARES estão com suas armas na posição “pronto baixo” / “posição
3”, não sendo recomendado enquadrar na linha de visada os abordados, exceto quando
houver progressão no nível da abordagem. Exemplo: abordagens a suspeitos
aleatoriamente;
C) Abordagem Nível 03: é o tipo de abordagem onde há fortes indícios de que os
suspeitos tenham praticado algum tipo de delito. Nessa abordagem, a busca é mais
minuciosa, devendo ser feita uma revista mais detalhada no interior de veículos, além da
conferência da numeração do chassi e dos antecedentes criminais. Os POLICIAIS
MILITARES podem enquadrar os indivíduos suspeitos, deixando suas armas em
“pronto alto” / “posição 4”. Exemplo: houve uma comunicação via rede-rádio que
indivíduos em um veículo de cor amarela cometeram um crime e a equipe de
Patrulhamento se depara com um veículo semelhante;
D) Abordagem Nível 04: nesta situação os abordados estão em flagrante delito. Os
POLICIAIS MILITARES realizarão o enquadramento dos indivíduos suspeitos,
deixando suas armas na posição “pronto alto” / “posição 4”. Aqui, os abordados
deverão ser colocados ajoelhados ou deitados ao solo, com as mãos sobre a cabeça,
onde serão algemados e posteriormente revistados;
Observação:
O nível de abordagem pode iniciar pelo nº 01 e terminar no mais elevado ou
vice-versa, logo, a atenção deverá ser a mesma em todos os níveis. Em qualquer
situação, o POLICIAL MILITAR respeita as garantias constitucionais das pessoas,
mesmo que sejam criminosos. Durante as abordagens, o comandante da equipe
(Patrulheiro 01) verbaliza com o abordado e os comentários proferidos são aqueles
referentes à situação da abordagem. Os outros policiais militares envolvidos na AÇÃO
POLICIAL sempre ratificarão o que for verbalizado pelo Patrulheiro 01. Não é
permitido discussão entre os policiais e as pessoas abordadas.
1.9 – CATEGORIAS DAS PESSOAS EM ATITUDE SUSPEITA.
A abordagem de pessoas em atitude suspeita são situações de alto risco. Por
mais simples que a situação possa parecer, esteja sempre alerta identificando seus riscos
potenciais, avaliando suas possibilidades e controlando qualquer ameaça que apareça. A
maior parte das ocorrências é resolvida através da verbalização; por isso você necessita
desenvolver habilidade de se comunicar claramente e sem agressividade. A maneira
como você se relaciona com a pessoa em atitude suspeita é fator decisivo para que o
caso tenha uma solução satisfatória.
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Durante o serviço operacional é rotineiro que ocorram situações em que é
necessário o emprego da força. A resistência e/ou agressão não está relacionada apenas
com a natureza da ocorrência, mas em grande parte também com a forma que você se
comporta no atendimento da ocorrência.
Em sua maioria, as pessoas em atitude suspeita com os quais o policial militar
lida se enquadra em três categorias, a saber:
1.9.1 Atitude Positiva: São pessoas cooperativas. Obedecem a todos os comandos sem
que seja necessário o uso da força, utilizando apenas palavras. Quando é necessário
prende-los, eles não oferecem resistência e podem ser conduzidos facilmente.
1.9.2 Atitude Meio Termo: São pessoas indecisas. Eles tendem a oferecer resistência
passiva. São “passivamente não cooperativas”. Movimentam-se devagar procurando
uma via de escape. Pedem para repetir as ordens ou fazem demasiadas perguntas sobre
os procedimentos. Possuem mudança repentina de humor. Por vezes se faz necessário o
uso de algum nível de força física.
1.9.3 Atitude Negativa: São pessoas ativamente não cooperativas que tentam fugir ou
debatem-se quando se tenta controlá-los com chutes, socos, mordidas, cuspe e agressões
de todas as formas, até mesmo utilizar uma arma contra você. O seu trabalho não é
debater-se com eles, mas contê-lo e imobilizá-lo o mais rápido possível para que sejam
algemados.
Obviamente você está mais seguro se evitar confronto físico. É mais fácil não
entrar no problema do que sair dele. Trabalhe sempre para mudar o comportamento de
uma pessoa em atitude Meio Termo para uma pessoa de Atitude Positiva, em vez de
permitir ou colaborar para que ela se torne uma pessoa de Atitude Negativa.
2 – Busca Pessoal
É a ação seguinte à abordagem. Consiste em vistoriar a pessoa em atitude suspeita a fim de
verificar a posse de arma de fogo ou instrumentos utilizados na prática de crimes ou
destinados a fim delituoso. Pode ser realizada por qualquer policial militar, com o
respectivo mandado ou sem ele, bem como, pode ser realizada a qualquer hora do dia ou
da noite, respeitadas as restrições referentes à entrada em casa alheia (a casa é asilo
inviolável do individuo).
O abordado deverá ficar com as costas voltadas para a equipe policial, mãos na
cabeça com os dedos entrelaçados, pernas abertas e olhando para frente (um ao lado do
outro, quando for mais de um abordado).
2.1 – TÉCNICAS DE IMOBILIZAÇÃO PARA BUSCA PESSOAL;
2.1.1 – PEGADA DO URSO – COM A MÃO SOBRE OS DEDOS
ENTRELAÇADOS DO SUSPEITO, O POLICIAL EXECUTA A ABORDAGEM
COM SEGURANÇA, FAZENDO A PEGADO DO URSO, CONFORME FIGURA
ABAIXO;
25
2.1.2 – CHAVE DE DEDO – SELECIONANDO APENAS ALGUNS DEDOS
ENTRELAÇADOS DO SUSPEITO, O POLICIAL EXECUTA A ABORDAGEM
COM SEGURANÇA, FAZENDO A PEGADO CHAVE DE DEDO, CONFORME
FIGURA ABAIXO;
2.2 BUSCA PRELIMINAR OU LIGEIRA O CMT da equipe policial avaliará a
necessidade da Busca Preliminar, que consiste em fazer uma revista rápida na linha de
cintura dos abordados e pernas, a fim de verificar a existência de armas. Tal
procedimento é usado em situações específicas como: um número maior de abordados
que policiais, ocorrência radiadas que certo grupo se encontra de posse de arma de fogo
e etc. Com esse procedimento diminui a tensão e adrenalina no cenário da abordagem
por parte da equipe policial, mas a atenção continuará a mesma. Lembrando que mesmo
após todos passarem pela Busca Preliminar o HOMEM BUSCA retorna fazendo a
Busca Minuciosa.
2.3 BUSCA MINUCIOSA OU COMPLETA O policial militar deve adotar uma
seqüência lógica para executar a busca pessoal, de forma que não perca o sentido do
deslizamento pelo corpo da pessoa, sob fundada suspeita ou infratora da lei (vide figuras
abaixo), a ser submetida à busca pessoal, ou seja, da cabeça aos pés ou vice-versa, pois
é muito comum fazê-lo aleatoriamente e algum ponto ou região do corpo passar
despercebidos.
Evitar apalpações, pois objetos podem deixar de ser detectados, contudo, elas
devem ser utilizadas para verificações externas de bolsos em geral. Cuidado ao
introduzir a mão no bolso do revistado, pois ele pode conter agulhas ou objetos
cortantes contaminados, os quais podem vir a infectar o policial militar com diversas e
graves doenças.
Como já foi dito, a região da cintura abdominal deve ser sempre priorizada, pois
dá fácil acesso ao armamento possivelmente portado pela pessoa. Verificar se não há
cheiro característico de substância entorpecente nas mãos da pessoa submetida à busca
pessoal.
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2.4 – TÉCNICA DE CONTENÇÃO PARA REVISTA
2.4.1 De pé sem anteparo - O abordado deverá ficar com as costas voltadas para a
equipe policial, mãos na cabeça com os dedos entrelaçados, um ao lado do, outro
quando forem mais de um abordado, pernas abertas e olhando para frente.
O policial aproxima-se do abordado, (com o armamento na posição pronto alto), desfaz
a empunhadura dupla e segura firmemente as mãos do abordado, apoiando pelos dedos
entrelaçados, (nesse momento se tem o controle das mãos, o policial trava sua arma e
coldrea), com seu cotovelo encostado nas costas do abordado, faz uma alavanca
forçando os braços do abordado para trás, deixando-o em posição de desequilíbrio. Ao
mesmo tempo, calce o calcanhar do abordado com seu pé, para, se necessário, o
desequilibrar mais ainda. Feito isso, proceda à revista pessoal.
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2.4.2 EM PÉ COM ANTEPARO – devem-se fazer os mesmos procedimentos do item
2.2.1, acrescentando apenas que, deve direcionar o(s) abordado(s) para que fique(m)
defronte ao anteparo, assim diminuindo o espaço físico de uma possível fuga por parte
da(s) pessoas em atitudes suspeitas.
2.4.3 AJOELHADO – esta abordagem será feita em pessoa infratora da lei, que tenha
cometido um crime ou que esteja na eminência de cometer.
Ao se deparar com tal situação, o policial tomará a posição 4/ Pronto Alto e
determinará para que o infrator da lei fique de joelhos, coloque as mãos sobre a cabeça,
com os dedos entrelaçados. Tendo a cobertura de outro policial na segurança da
abordagem o mesmo coloca sua arma no coldre, travando-o, retira sua algema do seu
porta e aproxima-se do infrator; com o pé o policial firma o pé cruzado por cima do pé
cruzado do abordado; segura firmemente suas mãos, apoiado pelos dedos entrelaçados,
procedendo no algemamento; auxiliar o infrator a ficar em pé; proceder à busca pessoal
conforme a seqüência abaixo;
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2.4.4 DEITADO – esta abordagem será feita em pessoa infratora da lei, que tenha
cometido um crime ou que esteja na eminência de cometer. Ao se deparar com tal
situação, o policial tomará a posição 4/ Pronto Alto e determinar ao infrator da lei que
deite no chão, com a frente do corpo voltada para o solo, com os braços abertos e com
as palmas das mãos voltadas para cima.
Tendo a cobertura de outro policial na segurança da abordagem o mesmo coloca
sua arma no coldre, travando-o, retira sua algema do seu porta e aproxima-se do infrator
pelo lado esquerdo ou direito, apoiando o joelho direito ou esquerdo, sobre as costas do
infrator, na altura dos pulmões, observar a pressão que será colocada, a fim de evitar
qualquer reação, procedendo no algemamento. Determinar ao infrator para que vire,
sente e levante, auxiliando e controlando seus movimentos o policial para em seguida
fazer a busca pessoal.
2.5 – TÉCNICAS DE ALGEMAMENTO - Atentar para alguns princípios para
realização desta técnica corretamente: Algemar sempre as mãos do detido para trás; As
costas das mãos do detido, voltadas uma para a outra; palmas das mãos voltadas para
fora;
Iniciar o algemamento partindo da posição de abordagem (de costas para a equipe,
as mãos na cabeça, dedos entrelaçados, pernas abertas e olhando para frente), é
imprescindível que o detido esteja sempre dominado pelo policial que realiza o
algemamento.
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Nunca utilizar as algemas travadas no porta algemas, posicionar a algema 2 a 3 cm
acima do punho, algemando os dois ossos do antebraço (Ulna e Rádio), ter cautela para
não deixar as algemas apertadas ou folgadas em demasia, para não causar lesões
desnecessárias no detido ou permitir que ele gire as mãos e mude a posição das algemas,
utilizar a posição de abordagem, inclusive todos os procedimentos e princípios, para
minimizar a possibilidade de reação por parte do detido, quando for efetuar a retirada
das algemas.
Nunca algemar o detido a um ponto fixo; Ex.: em árvores, postes, corrimão de
escadas, em veículos, etc.
Dois detidos e um par de algemas: algemar o antebraço direito de um detido no direito
do outro ou, esquerdo do primeiro detido no esquerdo do segundo; LEMBRAR QUE
AS ALGEMAS DEVERÃO SER POSICIONADAS NAS COSTAS DAS MÃOS;
Dois detidos e dois pares de algemas: Algemar um dos detidos na posição correta e, ao
realizar o algemamento do segundo, passar um dos braços deste por dentro do braço do
primeiro, completando, assim, o algemamento correto do segundo detido;
LEMBRANDO-SE SEMPRE QUE O ALGEMAMENTO DEVERÁ SER
PROCEDIDO: COSTAS DA MÃO COM COSTAS DA MÃO/ MÃOS PARA TRÁS;
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Três detidos e dois pares de algemas: algemar o antebraço direito do detido ao centro
no antebraço direito do detido à sua esquerda; algemar o antebraço esquerdo do que está
ao centro no antebraço esquerdo do que está à sua direita;
Ainda que os detidos mudem de posição entre si, depois de realizado o
algemamento, sempre haverá um ou mais detidos com um dos braços cruzados à frente
do corpo, o que dificultará o deslocamento deste.
Quatro detidos e dois pares de algemas: algemar, com o primeiro par de algemas, o
antebraço do primeiro detido, colocando a corrente do segundo par junto ao antebraço
do primeiro detido. Assim, o antebraço e a corrente do segundo par de algemas ficarão
algemados com uma algema do primeiro par. Desta forma, ficarão as outras três
algemas para algemar os outros três detidos, sendo um braço de cada em uma das três
algemas.
31
.
LEMBRANDO QUE SERÁ SEMPRE POSICIONADA NAS COSTAS DAS
MÃOS.
32
3 – FUNCIONAMENTO DAS EQUIPES MOTORIZADAS
3.1 FUNÇÕES ADMINISTRATIVAS
ada integrante de uma viatura policial tem suas funções administrativas
C
pré-definidas dentro da equipe, conforme descrito a seguir:
COMANDANTE; - Gerenciador (coordena, disciplina, fiscaliza e soluciona
problemas) das atividades administrativas e operacionais da Equipe;
- Responsável pela apresentação das ocorrências atendidas ao seu superior
imediato e outras autoridades;
- Responsável por toda documentação de Serviço produzida pela Equipe;
- Nada é feito sem o seu consentimento;
- Responsável pelo destino dado às ocorrências;
- Responsável por dar dinâmica ao Serviço;
MOTORISTA; -
- Conduz a viatura;
- É responsável pela manutenção e limpeza da viatura;
- É um policial militar de confiança do comandante da equipe;
- É responsável também, pelas anotações de dados de pessoas e veículos abordados em
relatório próprio;
- Respeita a legislação e as regras de direção defensiva;
- Cientifica ao Comandante da Equipe sobre as alterações da viatura;
HOMEM BUSCA; -
33
- Responsável pela equipagem da VTR;
- Responsável pela escrituração de alertas gerais;
- Com a viatura em movimento é responsável por as anotações diversas.
3.2 – FUNÇÕES OPERACIONAIS
Cada integrante de uma viatura policial tem suas funções operacionais
pré-definidas dentro da equipe, conforme descrito a seguir:
COMANDANTE; - Gerenciador (coordena, disciplina, fiscaliza e soluciona
problemas) das atividades administrativas e operacionais da Equipe;
- Responsável pela comunicação via rádio;
- Responsável pela apresentação das ocorrências atendidas na DP
- Responsável pelo patrulhamento do flanco frontal, direito e retaguarda da viatura,
sendo a última, realizada através do retrovisor direito da VTR;
- Faz a verbalização e dá os comandos durante as abordagens;
- No cenário de abordagem fica do lado direito dos abordados, sendo também
responsável pela a Segurança de Cena.
MOTORISTA; -
- Conduz a viatura;
- Procurar sempre se atualizar quanto ao conhecimento do local de atuação (Vias
principais, hospitais, DP e pontos referenciais);
- Responsável pelo patrulhamento no flanco frontal e esquerdo da viatura;
- Responsável pela segurança do perímetro externo nas abordagens.
HOMEM BUSCA; -
- Segurança da equipe com a viatura em movimento;
- Responsável pelo patrulhamento do flanco esquerdo e retaguarda da VTR.
- Responsável pela localização dos endereços.
- Segurança, Homem Busca e Anotador;
- No cenário da abordagem executa a busca pessoal;
- Responsável pelo de alertas gerais;
4 – ABORDAGEM A TRANSEUNTES
FUNÇÕES E PROCEDIMENTOS;
34
Na composição da equipe, cada membro deve conhecer seu próprio papel e o dos
demais componentes.
Seja em situações emergenciais, prestando ou recebendo apoio de outras equipes, o
policial deve ser capaz de exercer todas as funções necessárias para executar o
planejamento inicial, em integração com os demais envolvidos na abordagem.
Para isso toda a equipe deve seguir todos os procedimentos que são os passos que
devem seguir durante a abordagem.
Em todas as abordagens vamos ter as seguintes funções;
A- Comandante
B- Segurança na cena
C- Homem busca
D- Segurança periférica
A doutrina policial recomenda, pelo menos 04 (quatro) policiais para formação da
equipe. Podendo, de acordo com a situação, formar equipes reduzidas de (03três) ou 02
(dois) policiais. Ocorrendo tal hipótese, as funções se acumularão com atribuições
pré-definidas.
Com um numero maior que 04 (quatros) policiais dobram-se as funções, também
com atribuições pré-definidas.
No policiamento motorizado estas funções ficam bem definidas devido ao
posicionamento de cada membro da equipe policial dentro da viatura. Veja a ilustração;
Na execução do policiamento a pé (POG) o mais antigo da equipe (CMT)
designará funções ao restante dos policiais, ex;
- Equipe com 02 (dois) policiais; CMT, HOMEM BUSCA (haverá acúmulo de
funções),
- Equipe com 03 (três) policiais; CMT, HOMEM BUSCA, SEGURANÇA de CENA
(haverá acúmulo de funções),
- Equipe com 04 (quatro) policiais; CMT, HOMEM BUSCA, SEGURANÇA de CENA
e SEGURANÇA PERIFÉRICA (não haverá acúmulo de funções).
35
Com um efetivo maior que quatro policiais o CMT decidirá qual funções irá dobrar,
lembrando que todas estas pré-definições serão feitas no quartel, antes da saída da
equipe para execução do serviço de POG.
ABORDAGEM A TRANSEUNTES À FRENTE DA VIATURA
Abordagem com 02 (dois) policiais militares
Identificada à atitude suspeita e decidida a realização da abordagem, os Policiais
Militares devem ficar atentos à reação dos suspeitos e observar se nada será dispensado
por estes, LEMBRANDO SEMPRE QUE O PERIGO VEM DAS MÃOS, então:
O CMT da equipe fará a seguinte verbalização; “POLICIA, PARADO! MÃOS
NA CABEÇA, DE COSTA PRA MIM, UM AO LADO DO OUTRO (no caso de
mais de um abordado) ABRA AS PERNAS, OLHE PARA FRENTE!
Estando o abordador na posição determinada o CMT dará o início à
movimentação/aproximação, verbalizando à sua equipe: “HOPP!” (por exemplo,
podendo ser qualquer outra verbalização por eles convencionada, mas que denote um
“start” da ação policial.
Dando inicio a aproximação e posicionamento de sua equipe no terreno, partindo
da posição de semi-desembarque, caso estejam em uma viatura policial. Como as
funções e atribuições de cada componente é pré-definida, e, tendo como referência o
abordado sempre de costas para a equipe policial,
36
O CMT e MOTORISTA/REVISTADOR, desembarcam e se posicionam no flanco
direito e esquerdo do abordado, ficando responsável pela segurança da abordagem o
CMT, sendo que o segundo policial (motorista/revistador) ficará responsável pela
revista pessoal no abordado.
37
Em seguida O HOMEM BUSCA coloca a arma no coldre, travando-o; segura
firmemente suas mãos, apoiado pelos dedos entrelaçados e procede na busca pessoal
ABORDAGEM COM APOIO DE OUTRA VIATURA:
Em caso de um número maior de abordados em relação ao número de componentes
da equipe, o comandante deverá solicitar apoio ao Centro de Operações, sendo que as
funções do efetivo em caso de apoio policial ficarão a cargo do comandante da viatura
que solicitou o apoio ou que primeiro estiver atendendo a ocorrência. Neste caso,
duplicam-se as funções, exceto a do comandante. A dinâmica da abordagem é igual aos
procedimentos com quatro policiais, sendo neste caso mudado as funções dos dois
motoristas (o motorista da primeira viatura assume as funções de HOMEM BUSCA e o
38
motorista da segunda viatura assume as funções de SEGURANÇA PERIFÉRICA),
conforme ilustração que se segue.
Figura 1
39
ABORDAGEM COM 03 (TRÊS) POLICIAIS MILITARES
O CMT dará dinâmica ao teatro da abordagem, dando inicio a aproximação e
posicionamento de sua equipe no terreno, partindo da posição de semi-desembarque,
caso estejam em uma viatura policial. Como as funções e atribuições de cada
componente é pré-definida, e, tendo como referência o abordado sempre de costas para
a equipe policial, o CMT dará o início à movimentação/aproximação, verbalizando à
sua equipe: “HOPP!” (por exemplo, podendo ser qualquer outra verbalização por eles
convencionada, mas que denote um “start” da ação policial.
Nesse momento o HOMEM BUSCA desembarca passa pelo MOTORISTA, (que
fica com o armamento na posição três/ pronto baixo), fazendo a aproximação
simultaneamente com o CMT no caminhar tático, sendo que o CMT deve se posicionar
no flanco direito do abordado emanando as ordens e fazendo a SEGURANÇA de
CENA, e o HOMEM BUSCA no flanco esquerdo do abordado, devendo o
MOTORISTA se posicionar a retaguarda dos dois componentes a fim de efetuar a
SEGURANÇA PERIFÉRICA de toda a equipe.
40
Em seguida o HOMEM BUSCA coloca a arma no coldre, travando-o; segura
firmemente as mãos do abordado, apoiado pelos dedos entrelaçados e proceder à busca
pessoal conforme ilustração que se segue.
41
ABORDAGEM A TRANSEUNTES DO LADO DIREITO DA VIATURA,
EQUIPE COM 2 (DOIS) POLICIAIS;
Identificada a atitude suspeita e decidida à realização da abordagem, os Policiais
Militares devem ficar atentos à reação dos suspeitos e observar se nada será
arremessado por eles.
O Motorista deverá parar a VTR antes dos abordados, O CMT e o MOT
desembarcam e ficam em condições de disparo, O CMT e o MOT, o CMT engaja os
indivíduos e determina que os abordados coloquem as mãos na cabeça, dedos
entrelaçados, virem-se de costas, abram bem as pernas e permaneçam olhando para
frente, o CMT, dá um “HOP” indicando para o MOT que faça a aproximação para
iniciar a busca, esse deslocamento é feito com a técnica da caminhada tática, quando o
MOT estiver à esquerda do abordado e o CMT à direita ambos com o alvo engajado o
MOTORISTA/HOMEM BUSCA coloca a arma no coldre, travando-o; segura
firmemente as mãos do abordado, apoiado pelos dedos entrelaçados e procede a busca
pessoal conforme ilustração que se segue;
42
ABORDAGEM A TRANSEUNTES DO LADO DIREITO DA VIATURA,
EQUIPE COM 3 (TRÊS) POLICIAIS;
Identificada a atitude suspeita e decidida à realização da abordagem, os Policiais
Militares devem ficar atentos à reação dos suspeitos e observar se nada será
arremessado por eles.
O Motorista deverá parar a VTR antes dos abordados, O CMT, o HOMEM
BUSCA se deslocam em direção aos abordados na caminhada tática, com redução de
silhueta, o MOT fará a Segurança Periférica, O CMT e o HB engajam os indivíduos e o
CMT determina que coloquem as mãos na cabeça, dedos entrelaçados, virem-se de
costas, abram bem as pernas e permaneçam olhando para frente. O MOTORISTA cobre
a retaguarda da VTR (há ser avaliado).
43
Montado o Cenário de Abordagem o HOMEM BUSCA coloca a arma no coldre,
travando-o; segura firmemente as mãos do abordado, apoiado pelos dedos entrelaçados
e proceder à busca pessoal conforme ilustração que se segue:
Fica a cargo do CMT conforme avaliação do mesmo no momento da abordagem,
se o MOTORISTA assume a função de SEGURANÇA DE CENA ou SEGURANÇA
PERIFÉRICA.
ABORDAGEM A TRANSEUNTES DO LADO ESQUERDO DA VIATURA,
EQUIPE COM 2 (DOIS) POLICIAIS;
Identificada a atitude suspeita e decidida à realização da abordagem, os Policiais
Militares devem ficar atentos à reação dos suspeitos e observar se nada será
arremessado por eles.
O Motorista deverá parar a VTR antes dos abordados, O CMT e o MOT
desembarcam e ficam em condições de disparo, O MOT engaja os indivíduos e
determina que coloquem as mãos na cabeça, dedos entrelaçados, virem-se de costas,
abram bem as pernas e permaneçam olhando para frente, o CMT, dá um “HOP”
indicando para o MOT que faça a aproximação para iniciar a busca, esse deslocamento
é feito com a técnica da caminhada tática, quando o MOT estiver à esquerda do
abordado e o CMT à direita ambos com o alvo engajado o MOTORISTA/HOMEM
BUSCA coloca a arma no coldre, travando-o; segura firmemente as mãos do abordado,
apoiado pelos dedos entrelaçados e proceder à busca pessoal conforme ilustração que se
segue:
44
O CMT dá um “HOP” indicando o desembarque do MOTORISTA com segurança,
que assumi o lado esquerdo dos abordados ficando o CMT no lado direito. Em seguida
o MOTORISTA/HOMEM BUSCA coloca a arma no coldre, travando-o; segura
firmemente as mãos do abordado, apoiado pelos dedos entrelaçados e proceder à busca
pessoal conforme ilustração que se segue;
ABORDAGEM A TRANSEUNTES DO LADO ESQUERDO DA VIATURA,
EQUIPE COM 3 (TRÊS) POLICIAIS;
Identificada a atitude suspeita e decidida à realização da abordagem, os Policiais
Militares devem ficar atentos à reação dos suspeitos e observar se nada será
arremessado por eles.
O Motorista deverá parar a VTR antes dos abordados, O CMT, o HOMEM
BUSCA se deslocam em direção aos abordados na caminhada tática, com redução de
silhueta, o MOT fará a Segurança Periférica, O CMT e o HB engajam os indivíduos e o
CMT determina que coloquem as mãos na cabeça, dedos entrelaçados, virem-se de
costas, abram bem as pernas e permaneçam olhando para frente. o MOTORISTA cobre
a retaguarda da VTR (há ser avaliado).
45
Montado o Cenário de Abordagem o HOMEM BUSCA coloca a arma no coldre,
travando-o; segura firmemente as mãos do abordado, apoiado pelos dedos entrelaçados
e proceder à busca pessoal conforme ilustração que se segue:
Fica a cargo do CMT conforme avaliação do mesmo no momento da abordagem,
se o MOTORISTA assume a função de SEGURANÇA DE CENA ou SEGURANÇA
DE PERIFÉRICA
46
5 – ABORDAGEM A VEÍCULO
Abordagem com 02 (dois) Policiais militares
Ao avistar o veículo em atitude suspeita, o Motorista deve alertar o condutor do
veículo para que pare, através do acionando de um toque de sirene e um sinal de farol,
enquanto a atenção do CMT estar voltada para o engajamento do veículo suspeito.
Após o veículo a ser abordado parar, o Motorista deve parar a viatura a
aproximadamente 05 (cinco) metros, imediatamente atrás, alinhando o foral direito da
viatura com placa de identificação traseira do veículo.
O Comandante dará dinâmica ao teatro da abordagem, dando início a
aproximação e posicionamento de sua equipe no terreno, partindo da posição de
semi-desembarque devendo realizar as verbalizações com o armamento na posição
pronto alto (posição 4) para que o(s) ocupante(s) do veículo desembarque(m) e fique na
posição ideal para a aproximação, na traseira do veículo, de costas para a equipe com as
mãos na cabeça e dedos entrelaçados.
47
O CMT deve verbalizar com motorista:
MOTORISTA, SAIA DO VEÍCULO COM A CHAVE NA MÃO,
COLOQUE AS MÃOS NA CABEÇA!
DEIXE A PORTA ABERTA!
TEM MAIS ALGUÉM NO VEÍCULO?
MANDE SAIR COM AS MÃOS NA CABEÇA!
VENHAM TODOS PARA TRÁS DO VEÍCULO.
VIRE-SE DE COSTAS,
PERMANEÇAM COM AS MÃOS SOBRE A CABEÇA E OS DEDOS
ENTRELAÇADOS, OLHANDO PARA FRENTE.
(não esquecendo de verbalizar aos outros passageiros de deixar as portas abertas.)
48
Após o posicionamento do(s) abordado(s), os policias devem desembarcar e se
posicionar, o CMT no flanco direito do(s) abordado(s) e o Motorista no flanco esquerdo
do(s) abordado(s).
O procedimento seguinte é o da chamada VARREDURA, que consiste no CMT
efetuar uma caminhada tática do lado direito do veículo com o objetivo de verificar se
ainda existem mais passageiros em seu interior, “varrendo-o” (motivo da verbalização
ao motorista e passageiro(s) para manterem sempre as portas do veículo aberta,
melhorando a visualização no interior do veículo), ao mesmo tempo em que o
MOTORISTA, se posicionará atrás dos abordados, mais próximo ao flanco direito para
dar cobertura ao CMT e destinar atenção ao motorista e passageiro(s), que ainda não
foram abordados.
Tal varredura deve ser executada sempre com armamento em posição
4/pronto-alto, utilizando-se da técnica de fatiamento, que consiste na tomada de ângulo
gradual do compartimento a ser observado, visto que o perigo é iminente e o interior do
veículo ainda não foi verificado.
49
Terminado a varredura ao interior do veículo, o CMT ficará na função de
SEGURANÇA de CENA do teatro de abordagem e MOTORISTA, assumirá sua função
de HOMEM BUSCA, colocando sua arma no coldre, travando-o, realizando a busca
pessoal nos abordados
Ao término da abordagem pessoal aos suspeitos, MOTORISTA/ HOMEM
BUSCA, em nada tendo sido constatado, sinalizará ou verbalizará ao CMT: “LIMPO”
(podendo ser utilizada qualquer outra verbalização por eles padronizada e compreendida
por todos da equipe, mas com a interpretação única de que nada foi encontrado). Em se
encontrando algum objeto ilícito como armas, drogas, o MOTORISTA/ HOMEM
BUSCA verbalizará ao CMT informando-o, por exemplo: “ARMA!” ou “DROGA!”,
onde o CMT adotará a conduta de colocar o abordado de joelhos ou no chão para fins de
prisão e algemamento.
Feita a busca pessoal, o CMT perguntará ao motorista se tem alguém no
porta-malas do veículo e solicitará ao abortado que entregue a chave do veículo. Em
seguida, ordenará que o(s) abordado(s) se posicione na calçada próximo ao veículo,
devendo permanecer na vigilância dos mesmos.
O MOTORISTA/ HOMEM BUSCA com a arma em posição 4/pronto-alto, se
posicionará no flanco direito, e, com a mão sobre o porta-malas, baterá levemente,
verbalizando duas ou três vezes: “POLÍCIA! TEM ALGUÉM AÍ?” Em tendo ou não
resposta, o MOTORISTA/ HOMEM BUSCA usará como proteção, a parte traseira
direita do veículo, abrirá a porta levantando imediatamente e se posicionando em um
ângulo de 45° em relação à quina traseira direita do veículo, com arma apontada para o
interior do porta-malas (convém que o policial mantenha sua arma apontada ao
porta-malas a uma distância não inferior a 01(um) metro).
Feito o procedimento e nada tendo sido constatado, não se iniciará a busca veicular
a partir do porta-malas. A abertura do porta-malas neste momento tem por objetivo
checar se existe alguma pessoa homiziada no interior do veículo que possa oferecer
risco a equipe policial, ou mesmo um refém.
50
Ao término da abertura do porta-malas, o MOTORISTA/ HOMEM BUSCA,
iniciará a busca veicular, conforme ordem de inspeção, sendo que o CMT deve orientar
o motorista do veículo, para se posicionar acerca de 03 (três) metros à direita de seu
veículo e observe, através da(s) porta(s) aberta(s) do lado direito, a busca veicular. Em
não sendo localizado qualquer objeto ilícito, armas ou drogas no interior do veículo, o
MOTORISTA/ HOMEM BUSCA sinalizará ou verbalizará ao CMT: “LIMPO”
(podendo ser utilizada qualquer outra verbalização por eles padronizada e compreendida
por todos da equipe, mas com a interpretação única de que nada foi encontrado).
Em seguida, o MOTORISTA/ HOMEM, de posse dos documentos do abordo e do
veículo, verificará junto ao Centro de Operações, se o veículo é ou não produto de
furto/roubo, bem como checará se o mesmo possui pendências administrativas junto ao
órgão de trânsito.
Por fim, em nada sido constatado, CMT devolverá a documentação pessoal e
veicular ao abordado, agradecerá a cooperação e explicará o motivo da abordagem
policial, liberando-o para seguir viagem.
51
Abordagem Com apoio policial
As funções do efetivo com apoio policial ficarão a cargo do CMT da viatura que
solicitou o apoio ou que primeiro estiver atendendo a ocorrência. Neste caso,
duplicam-se as funções, exceto a do comandante. A dinâmica da abordagem com apoio
policial será igual aos procedimentos com quatro policiais
52
Abordagem com 03 (três) Policiais Militares
Ao avistar o veículo em atitude suspeita, MOTORISTA deve alertar o condutor do
veículo para que pare, através do acionando de um toque de sirene e um sinal de farol,
fazendo o engajamento com atenção o CMT.
Após o veículo a ser abordado parar, o MOTORISTA deve parar a viatura a
aproximadamente 05 (cinco) metros, imediatamente atrás alinhando o foral direito da
viatura entre a placa traseira e o farolete esquerdo do veículo abordado.
CMT dará dinâmica ao teatro da abordagem, dando início a aproximação e
posicionamento de sua equipe no terreno, partindo da posição de semi-desembarque,
devendo realizar as verbalizações para que o(s) ocupante(s) do veículo desembarque(m)
e fique na posição ideal para a aproximação, na traseira do veículo, de costas para a
equipe com as mãos sobre a cabeça e dedos entrelaçados.
53
O CMT deve verbalizar com motorista:
MOTORISTA, SAIA DO VEÍCULO COM A CHAVE NA MÃO,
COLOQUE AS MÃOS NA CABEÇA!
DEIXE A PORTA ABERTA!
TEM MAIS ALGUÉM NO VEÍCULO?
MANDE SAIR COM AS MÃOS NA CABEÇA!
VENHAM TODOS PARA TRÁS DO VEÍCULO.
VIRE-SE DE COSTAS,
PERMANEÇAM COM AS MÃOS SOBRE A CABEÇA E OS DEDOS
ENTRELAÇADOS, OLHANDO PARA FRENTE.
(não esquecendo de verbalizar aos outros passageiros de deixar as portas abertas.)
Após o posicionamento do(s) abordado(s), os policias devem desembarcar e se
posicionar o CMT no flanco direito do(s) abordado(s), o HOMEM BUSCA no flanco
esquerdo do(s) abordado(s) e o MOTORISTA a retaguarda da equipe, próximo à porta
do lado direito da viatura, fazendo a segurança periférica.
54
O procedimento seguinte é o da chamada VARREDURA, que consiste em que o
CMT deve efetuar uma caminhada tática do lado direito do veículo com o objetivo de
verificar se ainda existem mais passageiros em seu interior, “varrendo-o” (motivo da
verbalização ao motorista e passageiro(s) para manterem sempre as portas do veículo
aberta), ao mesmo tempo em que o HOMEM BUSCAse posicionará atrás dos
abordados, mais próximo ao flanco direito para dar cobertura ao CMT e destinar
atenção ao motorista e passageiro(s), que ainda não foram abordados.
Tal varredura deve ser executada sempre com armamento em posição pronto-alto,
utilizando-se da técnica de fatiamento, que consiste na tomada de ângulo gradual do
compartimento a ser observado, visto que o perigo é iminente e o interior do veículo
ainda não havia sido verificado.
Terminado a varredura no interior do veículo o CMT ficará na função de segurança
da abordagem e o HOMEM BUSCA colocará sua arma no coldre, travando-o, iniciando
a busca pessoal nos abordados
55
Ao término da abordagem pessoal aos suspeitos, o HOMEM BUSCA, em nada
tendo sido constatado, sinalizará ou verbalizará ao CMT dizendo: “LIMPO” (podendo
ser utilizada qualquer outra verbalização por eles padronizada e compreendida por todos
da equipe, mas com a interpretação única de que nada foi encontrado). Em se
encontrando algum objeto ilícito como armas, drogas, HOMEM BUSCA verbalizará ao
CMT informando-o, por exemplo: “ARMA!” ou “DROGA!”, onde o CMT adotará a
conduta de colocar o abordado de joelhos ou no chão para fins de prisão e algemamento.
Feita a busca pessoal, o CMT perguntará ao motorista se tem alguém no
porta-malas do veículo e solicitará ao HOMEM BUSCA para pegar as chaves do
veículo. Em seguida, ordenará que o motorista e passageiro(s) se posicionem na calçada
próximo ao veículo, devendo permanecer na vigilância dos abordados.
O MOTORISTA com a arma em posição 4/pronto-alto, se posicionará no flanco
direito, fazendo a cobertura do HOMEM BUSCA que se posicionará na lateral traseira
direita do veículo e com a mão sobre o porta-malas, baterá levemente, verbalizando
duas ou três vezes: “POLÍCIA! TEM ALGUÉM AÍ?” havendo ou não
resposta, o HOMEM BUSCA tendo como proteção, a parte traseira direita do veículo e
ainda o MOTORISTA, abrirá a porta levantando imediatamente e se posicionando em
um ângulo de 45° em relação à quina traseira direita do veículo, com arma apontada
para o interior do porta-malas, juntamente com o MOTORISTA (Convém que os
policiais mantenham suas armas apontadas ao porta-malas a uma distância não inferior a
01(um) metro).
Feito o procedimento e nada tendo sido constatado, o MOTORISTA retorna a sua
posição de segurança periférica e não se iniciará a busca veicular a partir do
porta-malas. A abertura do porta-malas neste momento tem o objetivo de checar se
existe alguma pessoa homiziada no interior do veículo que possa oferecer risco a equipe
policial.
Ao término da abertura do porta-malas, o HOMEM BUSCA, iniciará a busca
veicular, conforme ordem de inspeção, sendo que o CMT deve orientar o motorista do
veículo, para se posicionar acerca de 03 (três) metros à direita de seu veículo e observe,
através da(s) porta(s) aberta(s) do lado direito, a busca veicular. Em não sendo
localizado qualquer objeto ilícito, armas ou drogas no interior do veículo, o HOMEM
BUSCA sinalizará ou verbalizará ao CMT dizendo: “LIMPO” (podendo ser utilizada
56
qualquer outra verbalização por eles padronizada e compreendida por todos da equipe,
mas com a interpretação única de que nada foi encontrado).
Em seguida, o HOMEM BUSCA, de posse dos documentos do abordo e do
veículo, verificará junto ao Centro de Operações, se o veículo é ou não produto de
furto/roubo, bem como checará se o mesmo possui pendências administrativas junto ao
órgão de trânsito.
Por fim, em nada tendo sido constatado, o CMT devolverá a documentação pessoal e
veicular ao abordado, agradecerá a cooperação e explicará o motivo da abordagem
policial, liberando-o para seguir viagem.
6 – ABORDAGEM A MOTOCICLETA
Abordagem com 02 (dois) Policiais Militares
Ao avistar o veículo em atitude suspeita, o MOTORISTA deve alertar o condutor
do veículo para que pare, através do acionando de um toque de sirene e um sinal de
farol, fazendo o engajamento com atenção o CMT.
57
Após o veículo a ser abordado parar, o MOTORISTA deve parar a viatura a
aproximadamente 05 (cinco) metros, imediatamente atrás alinhando o foral direito da
viatura na placa da motocicleta a ser abordada.
O CMT dará dinâmica ao teatro da abordagem, dando início a aproximação e
posicionamento de sua equipe no terreno, partindo da posição de semi-desembarque,
devendo realizar as verbalizações para que o(s) ocupante(s) do veículo desembarque(m)
e fique na posição ideal para a aproximação (na traseira da motocicleta) e de costas para
a equipe com as mãos sobre a cabeça e dedos entrelaçados.
O CMT deve verbalizar com o passageiro: “PASSAGEIRO COLOQUE AS
MÃOS NA CABEÇA!” logo em seguida “PILOTO DESLIGUE A MOTOCICLETA,
RETIRE A CHAVE E COLOQUE AS MÃOS NA CABEÇA!”.
58
Continuar a verbalização o CMT determinando aos abordados que desçam da
motocicleta, sendo primeiro o passageiro, para tanto deve verbalizar com o piloto para
que aguarde o passageiro descer.
Verbalizar com o passageiro: “PASSAGEIRO! DESÇA DA MOTOCICLETA E
SE POSICIONE ATRÁS DO VEÍCULO, SEM RETIRAR O CAPACETE,
PERMANECENDO COM AS MÃOS NA CABEÇA E DEDOS ENTRELAÇADOS!”;
Após o passageiro se posicionar na posição ideal, verbalizar com o piloto:
“PILOTO! DESÇA DA MOTOCICLETA E SE POSICIONE ATRÁS DO VEÍCULO,
AO LADO DO PASSAGEIRO, PERMANECENDO COM AS MÃOS NA CABEÇA E
DEDOS ENTRELAÇADOS!”
Após o posicionamento do(s) abordado(s), os policias devem desembarcar e se
posicionar o CMT no flanco direito do(s) abordado(s) e o MOT/ HOMEM BUSCA no
flanco esquerdo do(s) abordado(s).
Terminado o posicionamento o CMT ficará na função de segurança da abordagem
e o MOT/ HOMEM BUSCA colocará sua arma no coldre, travando-o, iniciando a busca
pessoal nos abordados.
59
Ao término da abordagem pessoal, MOT/ ABORDADOR, em nada tendo sido
constatado, sinalizará ou verbalizará ao CMT dizendo: “LIMPO” (podendo ser utilizada
qualquer outra verbalização por eles padronizada e compreendida por todos da equipe,
mas com a interpretação única de que nada foi encontrado). Em se encontrando algum
objeto ilícito como armas, drogas, o MOT/ HOMEM BUSCA verbalizará ao CMT
informando-o, por exemplo: “ARMA!” ou “DROGA!”, onde o CMT adotará a conduta
de colocar o abordado de joelhos ou no chão para fins de prisão e algemamento.
Feita a busca pessoal, o MOT/ HOMEM BUSCA solicitará ao abordado que retire
o capacete, devendo orientá-lo para que o faça bem devagar e com bastante cuidado,
mantendo uma distância segura, para o caso de o abordado tentar contra o policial,
devendo fazer uma verificação interna e posteriormente devolução do capacete ao
abordado, solicitando que coloque o capacete em um local seguro.
Em seguida o CMT solicitará que o motorista e passageiro se posicionem na
calçada, na lateral da motocicleta, devendo permanecer na vigilância dos abordados
enquanto o MOT/ HOMEM BUSCA iniciará a busca veicular. O CMT orientará o
motorista para que se posicione acerca de 03 (três) metros à direita de seu veículo e
observe a revista. Em não sendo localizado qualquer objeto ilícito, armas ou drogas no
veículo, o MOT/ HOMEM BUSCA sinalizará ou verbalizará ao CMT dizendo:
“LIMPO” (podendo ser utilizada qualquer outra verbalização por eles padronizada e
compreendida por todos da equipe, mas com a interpretação única de que nada foi
encontrado).
60
Finalizada a revista veicular o MOT/ HOMEM BUSCA, de posse dos documentos
do abordo e do veículo, verificará junto ao Centro de Operações, se o veículo é ou não
produto de furto/roubo, bem como checará se o mesmo possui pendências
administrativas junto ao órgão de trânsito, enquanto o CMT permanece na vigilância
dos abordados.
Abordagem com 03 (três) Policiais Militares
Ao avistar o veículo em atitude suspeita, o MOT/ HOMEM BUSCA deve alertar
o condutor do veículo para que pare, através do acionando de um toque de sirene e um
sinal de farol, fazendo o engajamento com atenção o CMT.
Após o veículo a ser abordado parar, o MOT/ HOMEM BUSCA deve parar a
viatura a aproximadamente 05 (cinco) metros, imediatamente atrás alinhando o foral
direito da viatura na placa da motocicleta a ser abordada.
61
O CMT dará dinâmica ao teatro da abordagem, dando início a aproximação e
posicionamento de sua equipe no terreno, partindo da posição de semi-desembarque,
devendo realizar as verbalizações para que o(s) ocupante(s) do veículo desembarque(m)
e fique na posição ideal para a aproximação (na traseira da motocicleta) e de costas para
a equipe com as mãos sobre a cabeça e dedos entrelaçados.
O CMT deve verbalizar com o passageiro: “PASSAGEIRO COLOQUE AS
MÃOS NA CABEÇA!” logo em seguida “PILOTO DESLIGUE A MOTOCICLETA,
RETIRE A CHAVE E COLOQUE AS MÃOS ACIMA DA CABEÇA!”.
Continuar a verbalização o CMT determinando aos abordados que desçam da
motocicleta, sendo primeiro o passageiro, para tanto deve verbalizar com o piloto para
que aguarde o passageiro descer.
Verbalizar com o passageiro: “PASSAGEIRO! DESÇA DA MOTOCICLETA E
SE POSICIONE ATRÁS DO VEÍCULO, SEM RETIRAR O CAPACETE,
PERMANECENDO COM AS MÃOS NA CABEÇA E DEDOS ENTRELAÇADOS!”;
após o passageiro se posicionar na posição ideal, verbalizar com o piloto: “PILOTO!
DESÇA DA MOTOCICLETA E SE POSICIONE ATRÁS DO VEÍCULO, AO LADO
DO PASSAGEIRO, PERMANECENDO COM AS MÃOS NA CABEÇA E DEDOS
ENTRELAÇADOS!”.
62
Após o posicionamento do(s) abordado(s), os policias devem desembarcar e se
posicionar o CMT no flanco direito do(s) abordado(s), HOMEM BUSCA no flanco
esquerdo do(s) abordado(s) e o MOTORISTA na retaguarda fazendo a SEGURANÇA
PERIFÉRICA.
Terminado o posicionamento o CMT ficará na função de SEGURANÇA DE
SENA e o HOMEM BUSCA colocará sua arma no coldre, travando-o, iniciando a
busca pessoal nos abordados
Ao término da abordagem pessoal, o HOMEM BUSCA, em nada tendo sido
constatado, sinalizará ou verbalizará ao CMT dizendo: “LIMPO” (podendo ser utilizada
qualquer outra verbalização por eles padronizada e compreendida por todos da equipe,
mas com a interpretação única de que nada foi encontrado). Em se encontrando algum
objeto ilícito como armas, drogas, o HOMEM BUSCA verbalizará ao CMT
63
informando-o, por exemplo: “ARMA!” ou “DROGA!”, onde o CMT adotará a conduta
de colocar o abordado de joelhos ou no chão para fins de prisão e algemamento.
Feita a busca pessoal, o HOMEM BUSCA solicitará ao abordado que retire o
capacete, devendo orientá-lo para que o faça bem devagar e com bastante cuidado,
mantendo uma distância segura, para o caso de o abordado tentar contra o policial,
devendo fazer uma verificação interna e posteriormente devolução do capacete ao
abordado, solicitando que coloque o capacete em um local seguro.
Em seguida o CMT solicitará que o motorista e passageiro se posicionem na
calçada, na lateral da motocicleta, devendo permanecer na vigilância dos abordados
enquanto o 3º policial iniciará a busca veicular. O CMT orientará o motorista para que
se posicione acerca de 03 (três) metros à direita de seu veículo e observe a revista. Em
não sendo localizado qualquer objeto ilícito, armas ou drogas no veículo, o HOMEM
BUSCA sinalizará ou verbalizará ao CMT dizendo: “LIMPO” (podendo ser utilizada
qualquer outra verbalização por eles padronizada e compreendida por todos da equipe,
mas com a interpretação única de que nada foi encontrado).
Finalizada a revista veicular o HOMEM BUSCA, de posse dos documentos do
abordo e do veículo, verificará junto ao Centro de Operações, se o veículo é ou não
produto de furto/roubo, bem como checará se o mesmo possui pendências
administrativas junto ao órgão de trânsito, enquanto o CMT permanece na vigilância
dos abordados.
64
Por fim, e nada sido constatado, o CMT devolverá a documentação pessoal e
veicular aos abordados, agradecerá a cooperação e explicará o motivo da abordagem
policial, liberando-o para seguir viagem, embarcando somente depois da saída do
veículo abordado.
7 – ABORDAGEM A COLETIVO E SIMILARES;
A atenção nas abordagens a esses tipos de veículos tem que ser redobrada por
não se tratar de um veículo de passageiro, e que normalmente, circula com um
grande número de pessoas, motivo pelo qual, jamais uma viatura composta por
apenas 02 (dois) policiais deverá executar tal abordagem. Deverá sempre pedir
apoio de outra viatura ao Centro de Operações e somente realizar a abordagem
quando da chegada do apoio e em local apropriado, devido às dimensões do veículo
a ser abordado
Ao avistar o veículo em atitude suspeita, o MOTORISTA deve alertar o condutor
do veículo para que pare, através do acionando de um toque de sirene e um sinal de
farol, fazendo o engajamento com atenção o CMT.
65
Após a parada do veículo a ser abordado, o MOTORISTA deverá parar a viatura a
aproximadamente 05 (cinco) metros, imediatamente atrás, alinhando o foral direito da
viatura com a lanterna traseira esquerda do veículo.
O CMT dará dinâmica ao teatro da abordagem, dando início à aproximação e
posicionamento da equipe no terreno, partindo da posição desembarcada.
O CMT desembarca e fica na posição pronto alto; o MOTORISTA desembarca,
ficando na posição de pronto alto de forma a visualizar uma possível evasão ou se
algum objeto que poderá ser jogado pelas janelas do lado esquerdo do veículo; o 4º
policial desembarca e se posiciona atrás do CMT; o SEGURANÇA DE CENA
desembarca passa por trás da viatura, se posicionando atrás do HOMEM BUSCA,
dando o pronto do posicionamento para o início do deslocamento/aproximação.
66
Estando todos os policiais em suas posições, será dado o início ao
deslocamento/aproximação, onde o CMT verbalizará à sua equipe: “HOPP!” (por
exemplo, podendo ser qualquer outra verbalização por eles convencionada, mas que
denote um “start” da ação policial). O deslocamento será realizado, um atrás do outro, a
fim de se aproximar do veículo. Ao chegar próximo ao veículo a equipe irá formar um
leque, com o CMT se posicionando na porta dianteira do veículo, o HOMEM BUSCA
se posicionando entre a porta dianteira e traseira, e, por fim o SEGURANÇA DE CENA
se posicionando frente à porta traseira do veículo. O MOTORISTA desloca para frente
da viatura continuando a visualizar a lateral esquerda do veículo.
67
Após o posicionamento da equipe, o CMT verbalizará com o motorista:
“MOTORISTA! DESLIGUE O VEÍCULO, RETIRE A CHAVE DA IGNIÇÃO E
SAIA DO VEÍCULO COM AS MÃOS ACIMA DA CABEÇA E DEDOS
ENTRELAÇADOS”, em seguida determinará que o motorista vire de costas, enquanto
o MOT se posiciona na lateral traseira direita da viatura assumindo a função de
segurança periférica.
O HOMEM BUSCA colocará sua arma no coldre, travando-o, e dará início a
busca pessoal no motorista (se necessário)
68
Feita a busca pessoal no motorista, o CMT determinará que o motorista se
posicione um pouco a frente do veículo e à direita, a fim de observar a continuidade do
procedimento policial, entrando no veículo e verbalizando com o cobrador:
O CMT faz a seguinte verbalização; “COBRADOR! NINGUÉM DESCE DO
VEÍCULO AINDA!”, em seguida com os passageiros da frente do veículo:
“ATENÇÃO AS SENHORAS E SENHORES PASSAGEIROS DA FRENTE DO
VEÍCULO, DESÇAM TRÊS DE CADA VEZ COM AS MÃOS NA CABEÇA E COM
TODOS OS SEUS PERTENCES!”, devendo se posicionar na lateral do veículo, com as
mãos acima da cabeça e dedos entrelaçados.
69
O HOMEM BUSCA colocará sua arma no coldre, travando-o, e dará início a
busca pessoal nos passageiros
Ao termino da busca pessoal nos passageiros que ainda não haviam passado pela
roleta, o CMT deverá orientá-los para que se desloquem, com as mãos para trás, e se
posicionem ao lado da viatura policial sob a vigilância do MOTORISTA; Tal
procedimento de abordagem continuará até que todos os passageiros que ainda não
passaram pela roleta sejam abordados.
Posicionamento dos abordados após revista pessoal
Finalizada esta etapa, o SEGURANÇA DE CENA verbalizará com os
passageiros da parte de trás veículo, portanto, pessoas que já passaram pela roleta:
“ATENÇÃO AS SENHORAS E SENHORES PASSAGEIROS, DESÇAM TRÊS DE
CADA VEZ COM AS MÃOS NA CABEÇA E COM TODOS OS SEUS
PERTENCES!”, devendo se posicionar na lateral do veículo, com as mãos acima da
cabeça e dedos entrelaçados.
70
Verbalização, descida e posicionamento do(s) passageiro(s) da parte de trás pelo
SEG. de CENA.
Ao termino da busca pessoal, o CMT deverá orienta os passageiros para que se
desloquem, com as mãos para trás, e se posicionem ao lado da viatura policial sob a
vigilância do MOTORISTA. O mesmo deve organizar 02 (dois) grupos de abordados, o
1º grupo formado de passageiros que foram abordados e estavam na parte da frente do
veículo, antes da roleta, passageiros que ainda não pagaram sua passagem e o 2º grupo
formado de passageiros que estavam na parte de trás do veículo, após a roleta,
passageiros que já pagaram sua passagem. Tal atitude tem por finalidade evitar que
pessoas que ainda não pagaram a passagem embarque na parte de trás, gerando com
isso, prejuízo para a empresa.
Terminada a revista pessoal nos passageiros, o SEGURANÇA DE CENA e o
HOMEM BUSCA policial irá adentrar no veículo pela porta traseira e executar a
varredura no interior do veículo, que consistirá na tomada de ângulo de observação
policial (fatiamento), com armamento na posição pronto alto, com intuito de averiguar a
71
presença de mais alguém no interior do veículo, ou mesmo a localização de algum
objeto ou arma deixado dentro do veículo.
Adentramento do SEG. CENA e HOMEM BUSCA na parte de trás do veículo e
varredura
A varredura seguirá até a roleta, onde também deve ser realizada a revista
pessoal no cobrador (se necessário) e, posteriormente, em compartimentos que possam
ser colocados objetos, tais como: teto, compartimento de sinalização de itinerário, etc.
O cobrador do veículo deve ser a última pessoa a ser revistada, devendo ser procedida
dentro do próprio veículo, pois tal trabalhador possui em sua responsabilidade um cofre
onde é depositado todo o dinheiro recolhido, bem como valores que ficam na “caixa de
troco”.
72
Ao término da varredura interna, o SEGURANÇA DE CENA e o HOMEM
BUSCA irá proceder na varredura externa do veículo.
Finalizado todo o processo de abordagem e revista veicular, o SEGURANÇA
DE CENA, de posse dos documentos do motorista e do veículo, se necessário for,
verificará junto ao Centro de Operações se o veículo é ou não produto de furto/roubo,
bem como checará se o mesmo possui pendências administrativas junto aos órgãos de
trânsito. Em nada tendo sido constatado, o CMT devolverá a documentação pessoal e
veicular ao motorista, liberando-o para embarcar no veículo.
73
Após o embarque do motorista, o CMT solicitará que os passageiros que
estavam na parte da frente do veículo, aqueles que ainda não passaram pela roleta,
embarquem pela porta da frente.
Finalizando o embarque do 1º grupo, o CMT solicitará aos passageiros que
estavam na parte de trás do veículo, aqueles que já passaram pela roleta, que
embarquem pela porta de trás.
Embarque dos passageiros da parte de trás do veículo
O CMT deve agradecer a cooperação de todas as pessoas que, direta ou
indiretamente, participaram da ação policial, bem como explicar aos abordados o
motivo da abordagem, liberando em seguida o veículo para seguir seu deslocamento.
74
Liberação do veículo após o termino da ação
8 – ABORDAGEM A CAMINHÃO;
A atenção nas abordagens a esses tipos de veículos deve ser redobrada por
não se saber o que há no compartimento de carga, e ainda, pela possibilidade de
haver uma escolta armada do veículo, motivo pelo qual, uma viatura composta por
apenas 02 (dois) policiais não deverá executar tal abordagem. Deverá sempre pedir
apoio de outra viatura ao Centro de Operações e somente realizar a abordagem
quando da chegada do apoio e em local apropriado, devido às dimensões do veículo
a ser abordado.
Ao avistar o veículo em atitude suspeita, o MOTORISTA deve alertar ao
condutor para que pare, através do acionando de um toque de sirene e um sinal de farol,
fazendo o engajamento com atenção o CMT.
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Engajamento do veículo pelo CMT
Após a parada o veículo a ser abordado, o MOTORISTA deve parar a viatura a
aproximadamente 05 (cinco) metros, imediatamente atrás, alinhando o foral direito da
viatura com a lanterna traseira esquerda do caminhão.
O CMT dará dinâmica ao teatro da abordagem, dando início a aproximação e
posicionamento da equipe no terreno, partindo da posição desembarcada.
O CMT desembarca e fica na posição pronto alto; o MOTORISTA desembarca,
passando por trás da viatura, ficando responsável pela SEGURANÇA PERIFÉRICA; o
HOMEM BUSCA desembarca e se posiciona atrás do CMT; o MOTORISTA
desembarca e se posiciona próximo a lanterna dianteira esquerda da viatura dando o
pronto do posicionamento para o início do deslocamento e aproximação.
76
Estando todos os policiais em suas posições, será dado o início ao deslocamento
tático onde o CMT verbalizará à sua equipe: “HOPP!” (por exemplo, podendo ser
qualquer outra verbalização por eles convencionada, mas que denote um “STAR” da
ação policial). O deslocamento será realizado, um atrás do outro, a fim de se aproximar
do veículo.
Ao chegar próximo ao veículo a equipe irá formar um leque sendo, com o CMT
se posicionando no flanco mais a direita possível do veículo, o HOMEM BUSCA se
posicionando também no flanco direito ao lado esquerdo do CMT, e, por fim o
SEGURANÇA DE CENA seguirá em frente posicionando no flanco esquerdo do
veículo.
Início do deslocamento tático e aproximação do veículo
Continuando a progressão o CMT se posicionará no flanco direito, próximo à
porta do lado direito do caminhão; o HOMEM BUSCA acompanhará o CMT, bem
próximo deste, e atento ao compartimento de carga e a cabine, fazendo à segurança; O
SEGURANÇA DE CENA se posicionará no flanco esquerdo do veículo, em um ângulo
seguro e de visibilidade do motorista, utilizando-se como escudo a coluna da cabine do
caminhão.
77
Posicionamento da equipe após a progressão tática
O CMT deve verbalizar com motorista:
MOTORISTA, SAIA DO VEÍCULO COM A CHAVE NA MÃO,
COLOQUE AS MÃOS NA CABEÇA!
DEIXE A PORTA ABERTA!
TEM MAIS ALGUÉM NO VEÍCULO?
MANDE SAIR COM AS MÃOS NA CABEÇA!
VENHAM TODOS PARA TRÁS DO VEÍCULO.
VIRE-SE DE COSTAS,
PERMANEÇAM COM AS MÃOS SOBRE A CABEÇA E OS DEDOS
ENTRELAÇADOS, OLHANDO PARA FRENTE.
(não esquecendo de verbalizar aos outros passageiros de deixar as portas abertas.)
Desembarque e posicionamento do motorista e passageiro
Após o desembarque do motorista e passageiro, o SEGURANÇA DE CENA
fará a varredura visual fazendo o fatiamento pela frente do veículo até observar toda a
cabine do veículo a fim de perceber se todos desceram.
78
Varredura visual no interior da boleia do caminhão pelo SEGURANÇA DE CENA
Terminada a varredura o SEGURANÇA DE CENA passará por trás do CMT e
HOMEM BUSCA, assumindo a sua função, enquanto o HOMEM BUSCA assume a
sua função, se posicionando logo atrás dos abordados, colocando a arma no coldre e
travando.
Posição do SEGURANÇA DE CENA e HOMEM BUSCA após a varredura inicial
O HOMEM BUSCA deverá se aproximar com cuidado e realizar a revista
pessoal no(s) abordado(s), tendo como segurança do teatro de abordagem, o CMT e o
SEGURANÇA DE CENA
79
HOMEM BUSCA realizando a revista pessoal
Realizada a revista pessoal o CMT, perguntara ao motorista: “MOTORISTA!
TEM MAIS ALGUÉM NA CABINE E BOLEIA?” “MOTORISTA! TEM ALGUÉM
NO COMPARTIMENTO DE CARGA?” “MOTORISTA! QUE TIPO DE
MERCADORIA VOCÊ ESTÁ TRANSPORTANDO?”.
Em seguida o HOMEM BUSCA solicitará ao motorista que retorne na cabine do
caminhão e abra as cortinas e abaixe o banco, se for o caso, realizando em seguida uma
vistoria no interior da cabine do caminhão, com o intuito de localizar alguma pessoa
homiziada em seu interior.
Finalizada a revista pessoal e ao interior da cabine, o HOMEM BUSCA
solicitará ao motorista que o acompanhe e abra o compartimento de carga, para que seja
feita a verificação interna. Neste momento o SEGURANÇA DE CENA fará a segurança
do HOMEM BUSCA, posicionando-se ao lado oposto da abertura do compartimento de
80
carga, permanecendo na posição pronto alto e atento a abertura da porta, com o
MOTORISTA se posicionando na parte traseira da viatura, utilizando-a como cobertura.
Abertura do compartimento de carga
No momento da abertura o SEGURANÇA DE CENA fará o fatiamento até a
completa abertura da porta.
Fatiamento durante a abertura do compartimento de carga
Completado a abertura o SEGURANÇA DE CENA se posiciona em frente à porta
aberta, enquanto o HOMEM BUSCA solicita ao motorista que se junte ao passageiro,
sob a vigilância do CMT, se posicionando na lateral esquerda do SEGURANÇA DE
CENA, para iniciar o deslocamento ombro a ombro, com a finalidade de vistoria ao
interior do compartimento de carga do caminhão.
81
Posicionamento para vistoria interna do compartimento de carga
A entrada ao compartimento de carga é feita primeiramente pelo HOMEM
BUSCA, tendo como segurança o SEGURANÇA DE CENA; após o HOMEM BUSCA
fazer a varredura inicial, sinalizará para o SEGURANÇA DE CENA também subir,
onde farão juntos a vistoria dentro do compartimento de carga.
Entrada do HOMEM BUSCA e SEG. de CENA policial dentro do compartimento
de carga
Caso exista algum objeto ou carga obstruindo a visão dentro do compartimento
de carga, deverá ser utilizada a técnica de fatiamento para progressão dentro do
compartimento de carga.
Realizando fatiamento dentro do compartimento de carga
Por fim, em nada tendo sido constatado, o CMT devolverá a documentação
pessoal e veicular ao abordado, agradecerá a cooperação e explicará o motivo da
abordagem policial, liberando-o para seguir viagem.
82
Devolução das documentações ao(s) abordado(s)
9 - TATUAGENS DE PRESÍDIOS;
A INFLUÊNCIA E O SIGNIFICADO DAS TATUAGENS NOS PRESOS
A classificação do condenado é requisito fundamental para dar início à execução
científica das penas privativas de liberdade, o primeiro passo para o tratamento
penitenciário, a primeira fase de conhecimento do indivíduo preso no Sistema
Penitenciário. Em função disso, a importância do conhecimento por parte dos
profissionais de segurança pública e, em especial aquele que atuam direta ou
indiretamente com os presos.
O significado das tatuagens no submundo do crime é fundamental, pois trata de
uma linguagem codificada, onde se traduzem em sinais de poder, comando,
subordinação, tipos de crimes, enfim, prática bastante comum em todo o mundo entre os
marginais, onde possuem diversos significados.
Importante, como o conhecimento social do preso, do exame clínico, psiquiátrico,
psicológico, enfim, dos dados para obtenção dos elementos necessários a uma adequada
classificação e com vistas à individualização da execução, o conhecimento da
linguagem e forma de comunicação através das “tatuagens criminais”. O estudo
83
minucioso dos signos diversos adotados nos mostra um cunho todo especial, por suas
tatuagens, seja por espírito violento, vingativo, arrastado a atos e desespero, outros
indícios fornecidos pela região do corpo onde é traçado.
Observou-se, entretanto, que tais códigos, são considerados secretos e quase
nenhum detento se presta a revelá-los, motivo pelo qual esta pesquisa científica foi
desenvolvida, visando colaborar com a execução da política penitenciária e melhor
exercício das funções do servidor penitenciário, contribuindo na segurança da Unidade,
na reeducação do preso, em sua ressocialização e conseqüentemente, para a promoção
do bem estar para a sociedade.
Vejamos agora algumas Tatuagens reais e seus significados no mundo prisional:
PISTOLA; uma pistola tatuada na perna traduz o elemento praticante de assalto com morte -
latrocínio.
SEREIA; quando tatuada na perna direita, identifica elementos condenados por crimes
de estupro.
ÂNCORA significa esperança, proteção, ligada à arte do mar.
CRUZ; Uma cruz, tatuada no meio das costas, identifica um elemento perigoso. Se for
preciso vai até as últimas conseqüências nos seus atos.
84
IMAGEM DE JESUS; Quando usada nas costas indica “proteção divina”. Quando
usada no peito identifica presos participantes de crimes de latrocínio
TEIADEARANHA; Significa morte dos DIABO; Significa matador.
cúmplices.
85
NOSSA SENHORA APARECIDA; Desenhada nas costas, próximo do ombro em
tamanho pequeno significa elemento praticante de crime de latrocínio.
Tatuada no peito em tamanho pequeno significa desejo de proteção.
Em tamanho grande, no meio das costas significa que o preso foi violentado
durante a prisão e praticou o crime de estupro.
PONTOS MARCADOS NAS MÃOS – Punguista, batedor de carteira.
PONTOS;
5 (cinco) pontos na mão direita, praticante de roubo
4 (quatro) pontos na mão esquerda, praticante de furto
86
REGISTRO NAS MÃS; Datas que não querem esquecer Ex: data da morte dos
companheiros de cela
10 - INTERVENÇÃO CONTRA ATIRADORES ATIVOS
87
DEFINIÇÃO
O atirador ativo é definido como "... uma pessoa armada que tenha usado força
física mortal em outras pessoas e continua a fazê-lo ao ter acesso irrestrito às vítimas
adicionais". A definição inclui os chamados “tiroteios em escolas” e
“franco-atiradores”. Nos EUA atiradores ativos têm causado uma mudança de
paradigma no que se refere a aplicação da lei e táticas policiais, especialmente porque
essas pessoas não esperam escapar ou mesmo sobreviver nessas situações. De acordo
com pesquisas na área de ciências policiais, quando um atirador ativo começa seu
ataque, é imperativo que os respondedores iniciais da polícia imediatamente busquem
estabelecer contato com o atirador.
Quanto mais cedo o atirador puder ser contido, capturado ou neutralizado, mais
vidas poderão ser salvas. Durante a localização do atirador, os policiais devem
ultrapassar áreas ainda não seguras de forma rápida, e ignorar os cidadãos mortos,
feridos e em pânico. É importante dotar o policial com as técnicas mais adequadas para
que o mesmo não se torne mais uma vítima.
Sabe-se que estes atiradores são pessoas com problemas psicológicos ou de
relacionamento e que possuem o objetivo claro de matar o maior número de pessoas.
Raramente fazem reféns e não esperam a chegada rápida da polícia. O fator surpresa
torna-se essencial para o sucesso da ação policial. Após os primeiros disparos a audição
do atirador fica prejudicada o que possibilita a entrada rápida dos policiais sem serem
notados.
Apesar de serem bastante comuns em escolas, os casos de atiradores ativos
podem ocorrer em qualquer ambiente que inclua grande número de pessoas. Ex.
Shopping centers, escritórios ou em competições esportivas.
A técnica descrita a seguir chama-se “Initiative Based” ou Iniciativa Baseada
que consiste em uma evolução da tática conhecida como “Accelerated Deployment” ou
Implantação Acelerada.
88
BREVE HISTÓRICO
1966 – Texas –EUA.“Em 1966, quando Charles Whitman subiu numa torre da
Universidade do Texas e matou 13 pessoas , ele abriu a "era do homicídio em massa"
nos EUA. Desde então, há uma média superior a 20 casos anuais com pelo menos
quatro vítimas cada, segundo Fox”. - James Alan Fox, professor de Direito Criminal na
Universidade Northeastern, em Boston.
O Massacre da
Universidade de Texas é
o nome dado ao ataque a
tiros ocorrido
na Universidade de Texas,
em Austin, no estado
de Texas, nos Estados
Unidos, ocorrido no dia 1º
de agosto de 1966,
deixando 14 pessoas
mortas e 31 outras
feridas. O responsável foi Charles Whitman, um antigo major da marinha (fuzileiro naval)
e engenheiro-arquiteto dos Estados Unidos e estudante desta universidade. Naquele dia,
Whitman matou a facadas e tiros a mãe na residência em que moravam juntos, depois
entrou de picape para a universidade, escondendo armas para promover o ataque, entrou
e subiu na torre do
edifício principal com um rifle de Remington 700 6mm e várias outras armas. Depois
começou a atirar contra alunos e pessoas dentro e fora da universidade durante 96
minutos seguidamente, matando 14 e ferindo 31, enquanto enfrentava a polícia que foi
chamada. Só parou com os tiroteios quando dois policiais conseguem entrar na torre e
matar o perpetrador.
89
Littleton, EUA – 20 de abril de 1999.
Dois estudantes da Columbine High
School atiraram contra alunos e
funcionários. Eric Harris, de 18 anos, e
Dylan Klebold, de 17, planejaram o
ataque meses antes. Utilizaram armas
automáticas, rifles, e bombas caseiras.
Doze alunos e um professor foram
mortos. Depois, os dois se mataram.
Blacksburg, EUA – 16 de abril de 2007. O estudante sul-coreano Cho Seung-hui
entrou em um alojamento de sua universidade, o Instituto Politécnico da Universidade
Estadual de Virgínia, e atirou em duas pessoas. Duas horas depois, voltou ao campus e
matou outras trinta pessoas que estavam em salas de aula. Este foi o pior massacre em
uma universidade registrado nos Estados Unidos.
Binghamton, Nova York. No dia 03 de abril de 2009 um tiroteio em massa em
deixa pelo menos 14 mortos. Após o fato as táticas policiais foram criticadas depois que
um atirador matou 13 pessoas e cometeu suicídio em um centro de imigrantes em
Binghamton. A polícia de Nova York chegou depois de três minutos da primeira
chamada, mas se manteve na contenção. Demorou 43 minutos para uma equipe da
SWAT entrar no prédio. A Polícia se defendeu alegando que depois da chegada dos
90
primeiros policiais os disparos já haviam cessado, e como eles acreditavam não haver
mais atiradores no prédio decidiram esperar pela equipe da SWAT.
“Nós definitivamente podemos dizer que ninguém foi baleado depois da chegada da
polícia, e ninguém que tinha sido baleado poderia ter sido salvo, mesmo se a polícia
tivesse entrado no primeiro minuto” Afirmou o promotor Gerald F. Mollen
RALEIGH, Carolina do Norte. O policial que deteve um homem que matou a tiros
outras oito pessoas em uma casa de repouso na Carolina do Norte diz que foi muito
assustador buscar sozinho pelo atirador nos corredores do edifício. O Policial Justin
Garner disse na NBC "Today" que primeiro pensou que a chamada de emergência se
tratava de um mal-entendido, só soube que era sério quando ele viu um carro com
janelas quebradas no estacionamento. Garner entrou no edifício sozinho. Ele disse que o
confronto se deu no momento que Robert Stewart saiu de outro corredor no interior do
posto de saúde. Após ordenar que soltasse a arma Garner acertou Stewart no ombro,
mas foi atingido por dois disparos em sua perna.
CASOS BRASILEIROS
No cenário brasileiro os casos de atiradores ativos não são muito claros
nem muito divulgados. Porém nos últimos anos é possível verificar o aumento deste tipo
de ocorrência:
USP – São Paulo -1995.
O estudante Christian Hartmann, 21, matou a tiros sua ex-namorada, Renata Cristina
Francisco Alves, 20, baleou o namorado dela na época, Winston Hooki Goldoni, 23, e,
em seguida se matou com um tiro na boca na Escola Politécnica. Christian não aceitava
o fim de seu namoro com Renata.
91
Osasco/ São Paulo – 1999.
No dia de 3 de novembro , dentro de uma sala de cinema no Morumbi Shopping, zona
sul da capital paulista, Mateus teria levantado de seu lugar, ido ao banheiro - onde teria
dado um tiro no espelho com sua submetralhadora Cobray M-11. Em seguida foi para a
frente da platéia e abriu fogo. Dessa tragédia resultaram 3 mortes e 4 pessoas feridas.
92
Taiúva, Ribeirão Preto/ SP – 2003.
Em 27 de janeiro de 2003, um ex-aluno abriu fogo dentro da escola estadual Coronel
Benedito Ortiz, feriu oito pessoas e se matou. Edmar Aparecido Freitas tinha 18 anos,
havia acabado de se formar no ensino médio, quando entrou na escola durante as férias
93
e atirou em seis estudantes, no caseiro e em uma professora. A polícia de Taiúva
acredita que Edmar Aparecido Freitas, 18, tinha definido os alvos que pretendia matar.
Realengo /RJ - 7 de abril de 2011.
Realengo /RJ - 7 de abril de 2011. Um ex-aluno da Escola Municipal Tasso da Silveira
invadiu a escola armado com
dois revolveres e começou a disparar
contra os alunos presentes.
Wellington Menezes de Oliveira, de
23 anos, matou doze alunos e feriu
outros 13. As vítimas tinham idades
entre 12 e 14 anos. O Atirador foi
94
interceptado pelo sargento Márcio Alves da PMRJ, que atingiu Wellington na barriga.
Depois de alvejado o atirador cometeu suicídio.
Ocorre que com a evolução dos estudos sobre este tipo de crime, verifica-se que
muitos homicídios, que não ocorrem apenas no ambiente escolar, podem ser
considerados caso de atirador ativo, porém não têm grande repercussão na mídia
nacional:
19 de dezembro de 2010 - Camaragibe (PE). Um supervisor de vendas assassinou a
esposa, uma advogada, o chefe dele, o padrinho do casal, e depois se matou com um tiro
na testa, na madrugada de domingo. O irmão da noiva também ficou ferido.
20 de outubro de 2012 – Iputinga, Recife - Um homem de 56 anos, que teria
problemas mentais, esquartejou a irmã de 51 e manteve a mãe refém, na manhã deste
sábado (20). A situação foi controlada por 29 policiais da Companhia Independente de
Operações Especiais (CIOE) e do 13° Batalhão de Polícia Militar, que invadiram a casa
do homem. Os vizinhos falaram que o homem estaria no meio de um surto
esquizofrênico, e que chegou a ir até a padaria, com as roupas ensangüentadas.
18 de outubro de 2012 - Homem com problemas mentais atira em 3 pessoas no
centro de SP. Fernando - que sofre de esquizofrenia - recebeu uma intimação. A família
queria interná-lo para que passasse por um tratamento. Três enfermeiros, um médico,
um advogado e um oficial de Justiça chegaram à casa. Uma mulher - identificada como
Silva - tentou impedir que Fernando fosse levado. No meio da discussão, Fernando
pegou uma arma e começou a atirar. O oficial de Justiça, um enfermeiro e a própria
mulher foram atingidos. Os vizinhos chamaram a polícia, que foi recebida a tiro. Após
mais de 8 horas de negociações, Fernando se entregou.
Grande parte dos crimes passionais pode ser considerado caso de atirador ativo:
23 de Julho de 2008. Um GNR, de 34 anos, matou a mulher, de 22, com um tiro de
caçadeira, na residência do casal, na Graciosa, Açores. O homem pôs termo à própria
vida, usando a mesma arma.
23 de Janeiro de 2009. Um empresário têxtil de Barcelos, de 50 anos, matou a
mulher, de 47, a tiro e suicidou-se. O crime foi no escritório da empresa têxtil de que o
casal era dono, em Alvelos.
24 de Fevereiro de 2009. Um guarda prisional não terá gostado de ver o ex-marido
da companheira na casa onde ambos viviam. Matou o ex-companheiro e baleou a
mulher, suicidando-se depois.
FASES DA INTERVENÇÃO
Primeira fase - identificar a necessidade deste tipo de operação
95
A primeira fase consiste em identificar a necessidade deste tipo de operação, que
deverá conter os seguintes requisitos:
- Presença de suspeito armado e perigoso;
- Muitas vítimas no local;
- Perda de vidas em andamento;
- A espera de unidades táticas pode demorar muito tempo.
Segunda fase - Progressão policial para localizar o suspeito
O primeiro policial que chegar ao local deve esperar até a chegada de no mínimo
outros dois policiais para formarem a equipe de intervenção contra atirador ativo
(ICAA). A equipe ICAA deve formar duas "células" de maneira a ficarem separadas
umas das outras, porém sem perder a comunicação verbal e visual para que possam se
ajudar mutuamente. O número de policiais em cada célula pode variar.
A divisão da equipe em células permite que as vítimas consigam escapar mais
facilmente passando por entres elas (gravura 1), além de possibilitar a triangulação ao
confrontar o suspeito (gravura 2). Esta triangulação faz com que o atirador ativo tenha
sua atenção dividida de forma a não possibilitar que ele atire contra todos os policiais ao
mesmo tempo. (técnica do Contact and Cover). No instante em que o atirador visualiza
uma célula a outra se encontra apta a neutralizá-lo.
96
Figura 1 Figura 2
A velocidade do deslocamento é baseada na presença ou ausência de disparos e
na presunção da localização do suspeito. Para presumir a localização de um atirador na
ICAA o policial deve considerar sua audição (levando-se em consideração o efeito
ECO), o fluxo das vítimas em fuga, e as informações adquiridas com as vítimas.
- Sem barulho de tiros velocidade de busca em edificações;
- Com barulho de tiros Movimentação rápida para a localização.
Esta velocidade de movimentação pode variar diversas vezes durante a ICAA.
A progressão ponto a ponto com cobertas e abrigos podem ser utilizados para
proporcionar um maior grau de segurança para a equipe de forma que em quanto uma
célula se move, a outra forneça a cobertura.
Ao mover-se através de um corredor, a "cobertura cruzada" deve ser utilizada
para a aproximação de esquinas (figura 3). Ao aproximar de interseções em "cruz" ou
em "T", deve-se determinar previamente qual direção a equipe irá tomar antes de
cruzá-las. Durante o movimento, os dois primeiros policiais de cada célula irão
determinar o movimento da equipe (figuras 4 a 16)
97
Figura 3 Figura 4
98
Figura 5 Figura 6
99
Figura 7 Figura 8
100
Figura 9 Figura 10
101
Figura 11 Figura 12
102
Figura 13 Figura 14
103
Figura 15 Figura 16
De acordo com a técnica mais recente não existe mais atribuições por áreas de
responsabilidades baseadas na posição do policial na equipe. Todos são responsáveis
por cobrir todos os flancos da melhor maneira que conseguirem durante o
deslocamento. Movimentos Rápidos oferecem certo grau de segurança ao passar por um
ponto sensível.
“Ocupar e fluir”. Encontre um ponto sensível para cobrir ou alguém para
apoiar. Mantenha-se ocupado!
Podem ser lançadas múltiplas equipes ICAA caso haja comunicação via rádio
entre elas.
Vale ressaltar que, ao adentrar em edifícios numa ICAA, é essencial que todos
os policiais estejam visualmente identificados, caso contrário, corre-se o risco do
policial ser confundido com um atirador ativo por outra equipe.
Terceira fase: Contato com o atirador
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Ao contatar o suspeito, seja em uma sala, corredor ou área aberta, deve-se
aplicar a triangulação tanto quanto o ambiente permitir.
Se a equipe ICAA se aproxima do quarto onde acredita estar o suspeito, devem
fazer uma pequena pausa para determinar o que o suspeito está fazendo, e decidir se a
entrada é necessária.
De preferência três policiais devem realizar a entrada na sala para maximizar o
poder de fogo e oprimir o suspeito. Se o terceiro policial não for necessário na sala, ele
pode postar-se na entrada da porta e cobrir o corredor.
Antes de entrar no ambiente, ainda na porta, o primeiro policial deve dar o
“hitch step”, o que proporciona a observação rápida de grande parte da sala sem que o
mesmo se exponha em seu interior.
Figura 17 Figura 18
Com parte da sala já segura, a próxima meta é entrar no quarto. Para isso, o
primeiro policial (“o coelho”) deve se movimentar de maneira a se tornar um alvo difícil
de atingir. Ele percorre rapidamente a área da sala já visualizada anteriormente,
servindo de distração para que o segundo policial atinja o alvo. O primeiro homem não
deve permanecer junto a porta e deve permitir que o segundo policial entre na sala para
realizar a triangulação. O quão longe os dois policiais avançam no interior da sala e, no
que eles se concentram, vai depender do ambiente (móveis, obstáculos, etc). De
preferência o segundo homem não deve se distanciar muito da porta permanecendo-se a
poucos passos da porta e da parede.
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Figura 21 Figura 22
Figura 23 Figura 24
Quarta fase: Localização e extração das vítimas de forma controlada
Na quarta fase não existe mais a necessidade da formação de equipes
ICAA. O número de policiais nesta fase depende da quantidade de vítimas para resgatar,
da localização das vítimas, e do trajeto para a área de segurança. Policiais podem ser
posicionados ao longo do trajeto para orientar as vítimas na direção correta.
Deve ser formada uma equipe de segurança, composta por três policiais que se
postarão no local de onde as vítimas estão sendo resgatadas, de forma a garantirem a
segurança enquanto os outros policiais retiram as vítimas. Se outro suspeito se apresenta
durante a extração, a equipe de segurança torna-se imediatamente uma equipe de ICAA
e confronta o suspeito.
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O QUE É SUSPEITO AOS OLHOS DO POLICIAL MILITAR
Os órgãos dos sentidos transmitem ao cérebro do policial dados que aguçam sua
desconfiança de algo que pode vir a ferir a segurança de alguém. Mas o que é
segurança? As pessoas confundem segurança com proteção do patrimônio, devido a
índole do ser humano, principalmente em povos de cultura não tão antiga e
desenvolvida de apego às coisas materiais. Na realidade, quem tem mentalidade de
segurança, o verdadeiro profissional da área, tem-na como manutenção da vida, na
integridade física. E é pensando assim que o profissional procura desenvolver, e estar
sempre atento, suas percepções pelos órgãos dos sentidos, procurando detectar as
pessoas, coisas ou situações que possam “quebrar” a segurança, ou seja, macular a
integridade física de alguém (é claro que quem se preocupa com a vida, detecta também
o que é contra o patrimônio).
Nesse aspecto a polícia percebe pelo tato, ao fazer vistorias, revistas de porte de
armas, sensações de aquecimento excessivo, ar quente, volumes, tentativas de
arrombamentos, situações que podem levar a morte ou lesões, por incêndio, explosão,
desabamento, latrocínio, etc.
Percebe ainda, pelo ouvido, ao detectar sons suspeitos passíveis de verificação,
para que a vida não seja maculada, quais sejam: barulhos de grito, choro, latidos,
estrondos, tiros, carro freando ou arrancando brevemente, etc.
Outras percepções vêm do fato de sentir cheiros passíveis de suspeição, como
gás, álcool, gasolina, éter, maconha, cola, algo queimado, fio super aquecido, etc. Esta
percepção previne ou reprime princípios de incêndio, tráfico e uso de entorpecentes,
furtos, etc.
Mas, os órgãos mais utilizados pelo policial e por qualquer profissional da área
de segurança e ainda por pessoas que se preocupam com a própria segurança e de sua
família, são, sem dúvida, os olhos.
O policial jamais desconfia de alguém porque está bem ou mal vestido, porque é
negro ou branco ou amarelo, mas o que o faz desconfiar são as reações de medo, de
desconcerto que alguém esboça ao ver a polícia. Não é o medo comum de muitos por
não terem contato com a polícia, ou como aquele que ficou impregnado em seu
subconsciente quando a mãe dizia que se não comesse chamaria “o guarda”. É o medo
de quem deve à justiça, de quem acabou de praticar ou está prestes a praticar um delito.
Quem está nessa situação tem as mais variadas reações ao cruzar com a polícia: corre,
joga objetos fora, disfarça e muda de rumo, coça a cabeça, ri ou faz cara feia para o
policial, olha francamente o policial e o cumprimenta ou não olha de forma alguma,
entra na primeira casa chamando a mãe, etc.
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A observação desse medo, por vezes declarado e por vezes quase imperceptível
é que define o melhor policial, aquele que enxerga mais, que percebe mais, que tem o
olho de tigre, de lince, da águia, do gato, como se fala na linguagem policial. Há
situações muitas vezes contraditórias. Quando se pergunta ao policial porque ele
desconfiou de alguém e ele responde porque ele olhou para mim, ao passo que
desconfiou do outro porque não olhou. Quer dizer que se olha é suspeito, se não olha
também? Não. São formas diversas de disfarçar o medo ao cruzar com a polícia.
Fazendo uma analogia: se pegarmos um gato da China e um rato da Inglaterra,
pintarmos o gato de vermelho e o rato de azul e soltarmos os dois próximos, aqui no
Brasil, não importa de onde veio, como está vestido e onde está, um conhece o outro no
olhar, no medo que é transmitido como ondas eletromagnéticas.
O segredo do bom patrulheiro está aí, em perceber acima de tudo as reações de
medo sem qualquer preconceito de raça, cor, sexo, posição social, etc. Assim, em meio
a multidão e ao trânsito de veículos, situações devem ser detectadas e checadas das
quais relacionamos algumas abaixo:
VEÍCULOS:
1- Veículos com placas velhas, modificadas, da frente diferente da de trás,
encobertas, inexistentes, etc.
2- Velho com placas novas;
3- Com quebra vento ou vidros quebrados;
4- Com marcas de acidentes ou de perfurações;
5- Com o pneu estourado;
6- Com chave no contato;
7- Com manchas de sangue;
8- Com dinheiro e valores jogados;
9- Mal estacionado;
10- Com sujeira, demonstrando muito tempo sem uso;
11- Com ligação direta, etc.
PESSOAS A PÉ AO VER A POLÍCIA:
1- Correm;
2- Mudam de direção;
3- Demonstram medo já descrito;
4- Jogam objetos;
5- Escondem-se, desaparecem ou desfazem de algo;
6- Colocam algo na cintura;
7- Separam-se, etc.
PESSOAS A PÉ QUE DEVEM SER OBSERVADAS MAIS ATENTAMENTE:
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1- Estão em dia de calor de japona ou capuz;
2- Com camisas escuras e folgadas;
3- Bem vestido e calçado de tênis;
4- Com eletrodomésticos, objetos pesados, coisas não compatíveis, etc;
5- Com jóias nas mãos, etc.
PESSOAS EM VEÍCULOS AO VEREM A POLÍCIA:
1- Demonstram medo;
2- Jogam objetos;
3- Mudam de direção;
4- Abandonam o veículo e correm;
5- Abaixam-se e escondem-se atrás de colunas;
6- Dois homens na frente e um casal ou mulheres e/ou crianças atrás;
7- Discrepância entre o tipo do veículo e de quem o conduz ou está no interior;
8- Veículos em locais ermos;
9- Veículos apagados, Etc.
Finalmente, cumpre ressaltar que, por mais que se desenvolvam os equipamentos e o
modo operandi de marginais, o medo é imodificável, o gato continuará gato e o rato
continuará rato.
Está aí o segredo que fascina o bom policial, enxergar o que ninguém enxerga,
perceber o que ninguém percebe, como o gênio que descobre a fórmula, o atleta que cria
o caminho do gol, nós que salvamos, socorremos, ajudamos a nascer e temos orgulho de
sermos o que somos, e poder beijar e olhar os filhos de frente, nos olhos, com os
mesmos olhos que afastam o mal, e aos pequeninos transmitem SEGURANÇA.
Autor desconhecido.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS
Legislação
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Cadernos doutrinários
Doutrina de ROTAM; Polícia Militar do Distrito federal;
ARAÚJO, Éverson Caetano de. Manual de Força Tática. 14° Batalhão de Polícia
Militar do Distrito Federal.
Cartilha de Orientação Policial PMBA
Tatuagem Desvendando Segredos PMBA
Doutrina de
PATAMO BPCHOQUE PMDF
SANTOS, Daniel Borges. Apostila de Intervenção Contra Atirador Ativo (ICAA).
DANIEL BORGES SANTOS.