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Epage - Pub Excelencias de Cristo Versao Final

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AS

EXCELÊNCIAS
de CRISTO
ALLEN HOOD

Casa Internacional de Oração


IHOPKC.ORG
Traduzido do original em inglês:
The Excellencies of Christ, por Allen Hood
© 2017 Organização da Base

Todos os direitos em língua portuguesa reservados por Organização da Base.

Este livro ou partes deste livro não poderão ser reproduzidos de nenhuma maneira, guar-
dado em sistemas de arquivo, transmitido de qualquer forma por quaisquer meios
(eletrônico, mecânico, fotocópia, gravação ou qualquer outro) sem autorização prévia
por escrito da Organização da Base, salvo em breves citações , com indicação da fonte.
Índice
1. INTRODUÇÃO 05

2. O CONHECIMENTO DE DEUS 14

3. A SABEDORIA DE ESTUDAR A CRISTOLOGIA 22

4. CONTEMPLANDO JESUS: O CORAÇÃO DO NOIVO 37

5. CONTEMPLANDO JESUS: A ESTRADA PARA EMAÚS 57

6. A PRÉ-EXISTÊNCIA DE CRISTO 73

7. A ENCARNAÇÃO 86

8. A DIVINDADE DE JESUS 95

9. A HUMANIDADE DE JESUS 105

10. O ZELO DO SENHOR DOS EXÉRCITOS 118

11. O DOCE AROMA DA MANSIDÃO 131

12. A CRUCIFICAÇÃO 149

13. A CRUZ: O CORAÇÃO DA QUESTÃO 160

14. A CRUZ: A BELEZA DIVERSA DA SALVAÇÃO 168

15. A CRUZ: A BUSCA INEXORÁVEL PELO NOIVO 176

16. A CRUZ: O DELEITE DOS SANTOS 183

17. O SENHOR RESSURRETO 191

18. A ASCENSÃO E SESSÃO DE CRISTO 211

19. O RETORNO DO REI 218

20. A FÚRIA DO NOIVO: ISAÍAS 63 – 64 233

21. CONSIDERAÇÕES FINAIS 244


AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

LIÇÃO UM
INTRODUÇÃO

I - CRISTO, O ANSEIO DE TODOS OS SANTOS NA BÍBLIA


A. Seria possível perder a única coisa necessária? A única que satisfaz todos os nossos
bons e nobres desejos – Jesus Cristo?

B. Cristo era o anseio de todos os santos do Velho Testamento. Adão e Eva ansiavam
pela promessa de um descendente enviado, um Rei que iria triunfar sobre todas as obras do
Diabo. A linhagem do Ungido seria feita de geração em geração e registrada
cuidadosamente. A esperança da humanidade seria completa no cumprimento dessa
promessa.

“E eu colocarei inimizade entre você e a mulher, e entre sua descendência e a descendência


dela; esta esmagará sua cabeça e você ferirá o seu calcanhar” (Gn. 3:15).

C. Abraão contemplou Sua glória, viu o dia de Cristo e se alegrou (Jo. 8:56). Então
ele deixou tudo pela promessa de fazer parte da linhagem desse descendente, aquele que
abençoaria todas as nações da terra. (Gn. 12:1-8, 15:1-7, 17:1-19; Jo. 8: 52-58). Deus
compartilhou com Abraão o sentimento da entrega do seu Filho.

“Abraão, vosso pai, exultou por ver o meu dia, e viu-o e alegrou-se.” (Jo. 8:56)

D. Moisés previu que Jesus seria o rei que viria (Dt.18:15-19), estimou a riqueza de
Cristo como maior que os tesouros do Egito (Hb.11:24- 26). Balaão, contratado para
amaldiçoar os filhos de Israel, foi tomado pelo terror do Senhor e estremeceu diante a visão
da Estrela que viria e destruiria todos os filhos do mal (Nm.24: 15-19).

E. Josué caiu diante da majestade do Comandante dos exércitos do céu (Josué 5:13-
15) e os pais de Sansão ponderaram sobre seu encontro com o belo Homem, cujo nome,
além de seu entendimento, era Maravilhoso. (Jz.13:15-22)

F. Davi cantou sobre a glória do Messias vindouro mesmo antes dessa Criança nascer
de sua linhagem. Na verdade, a mão do Senhor descansava divinamente sobre Davi
enquanto ele via a ordem da adoração dos céus, aonde os anjos contemplavam a glória do
Senhor em seu santuário (Sl.45, 110, I Cr. 28:19). Testemunhando tal esplendor, Davi, em
seu primeiro ato como rei de Israel, deu a nação um reflexo terreno da adoração no céu
colocando a arca da aliança em uma tenda com o véu removido.

G. Por trinta e três anos Davi levantou cantores Levitas e músicos para fitarem a
glória manifesta de Deus repousando sobre o trono de misericórdia entre dois querubins. Ele
comandou os levitas para adorarem ao Senhor na beleza de Sua santidade (I Cr. 16:28-30).
Muitas vezes, quando a glória do Senhor repousava sobre seu trono de misericórdia, Davi
entrava no futuro e profetizava sobre o Filho que viria, que era também seu Senhor antes da
fundação dos tempos (Sl.110:1). Traços proféticos de um rei vindouro que iria sofrer, morrer
5
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

e ressuscitar para reinar sobre todas as coisas, foram revelados naquela tenda. (Sl. 2; 8; 16;
22; 24; 40; 45; 68-69; 72; 102; 109; 110; 118). Tão maravilhosos eram aqueles vestígios do
Messias que Davi resumiu sua visão de vida em um santo anseio:

“Uma coisa eu pedi ao Senhor e isso eu buscarei: que possa habitar na casa do Senhor todos
os dias de minha vida, para contemplar a beleza do Senhor e meditar em Seu santuário.”(Sl. 27:4).

H. A declaração a Deus de Davi foi: “Você pode tirar o meu reino e remover meu poder
militar, mas é isso que eu busco. Meu maior desejo é contemplar a beleza do Senhor e ter comunhão com
Ele em seu templo. Oh, Deus, se eu pudesse ser como o pardal que tem seu ninho em Seu tabernáculo,
eu iria permanecer em Sua presença para sempre.”

I. Outros profetas após Davi também experimentaram o efeito fascinante de Jesus.


Isaías viu a glória do Senhor, alto e sublime, sentado em Seu trono. Ele ouviu os serafins
declarando uns aos outros: “Santo, santo, santo é o Senhor dos exércitos; toda a terra está
cheia de Sua glória!” (Is. 6:3; Jo. 12:41)

J. Isaías falou sobre a vinda do Emanuel, que significa “Deus conosco”. Esse ser de
toda a eternidade viria em carne e osso. Como isso seria possível? O descendente prometido
desde o momento em que a humanidade caiu seria o Senhor do céu. A criança a nascer e o
Filho a ser dado para estabelecer o trono de Davi seria “Maravilhoso, Conselheiro, Deus
forte, Pai da eternidade, Príncipe da Paz” (Is.7:14, 9:6). Isaias descobriu que o mesmo Rei
da glória, visto alto e sublime, viria como uma criança e cresceria diante das pessoas sem
formosura (Is. 53:2). Ele viria da raiz de Jessé e seria chamado filho de Davi. (Is. 11:1, Ap.
22:16). Isaías testificou que um dia o conhecimento de Sua glória seria revelado a toda a
carne como belo e glorioso (Is. 40:5; 4:2-6).

K. Isaías anunciou Cristo como o Servo sofredor, que morreria pelos pecados do
homem, sendo esmagado pela vontade do Pai. Ele foi comparado a um Cordeiro, sendo
levado ao matadouro, pois não saiu palavra da sua boca, na sua hora de maior aflição e
opressão. Mas Isaías também profetizou que depois do seu sofrimento, Ele veria a luz e
ficaria satisfeito, tendo justificado a muitos e levado suas iniquidades. Tendo agido com
sabedoria, seria engrandecido, elevado e muitíssimo exaltado. (Is. 52:13, 53:1-12). Apesar
do trabalho do Servo parecer ser vão, Yaweh faria dele rei sobre todas as coisas (Is. 49:1-8).
O Servo de todos estabeleceria o reino de Deus, reinaria em misericórdia sobre a pobreza,
traria justiça e paz sobre toda a terra e até mesmo restauraria toda a criação do curso do
pecado. A terra estaria em concordância com Seu maravilhoso esplendor e grande poder.
No dia de seu poder, Jesus “será por coroa de glória e diadema de formosura para o restante
do seu povo” (Is. 28:5). Jesus também foi apresentado por Isaías como o Senhor dos
Exércitos, Santo, O Redentor de Israel (Is. 47:4, 59:20) e o Noivo (Is.61:10).

L. O fascínio dos profetas continuou enquanto Miquéias declarou que Ele seria a Paz
de Israel, Aquele que converteria as espadas das nações em arados e suas lanças em foices.
(Mq. 4:1-3; 5:4-5). Jeremias profeticamente o chamou como o Ramo do Senhor, o Rei da
descendência de Davi, que também seria “O SENHOR, A NOSSA JUSTIÇA” (Jr. 33:15-
16). Ezequiel acabou prostrado diante da grandeza e beleza das revelações e contemplou a
Cristo, na glória do Senhor (Ez. 1:26-28).
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AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

M. Daniel viu Cristo vindo como o Filho do Homem nas nuvens, recebendo o
domínio, a honra e o reino sobre todos os povos, línguas e nações (Dn.7:13-14). Ageu
declarou que viria o “Desejado das Nações” e que a “Casa de Deus” seria cheia de glória,
de forma que a glória desta última Casa, seria muito maior do que a primeira (Ag. 2:7).

N. O profeta Habacuque declarou que a glória de Deus cobriria a terra como as águas
cobrem o mar, pois o desejo do Senhor dos Exércitos não é que os homens se gastem pela
vaidade (Hb 2:14). Zacarias exclamou que o Messias seria o Ramo do Senhor que carregaria
a glória e como o sacerdote em seu trono Ele edificaria o templo do Deus vivo (Zc 6:12-13).

O. Malaquias fechou o Antigo Testamento com a promessa de que Cristo viria como
fogo refinador para purificar o sacerdócio (Ml 3:1-3) e como o “Sol da Justiça” Ele traria
cura em suas asas para eliminar todos os inimigos do amor (Ml 4:2-3).

II - CONTEMPLAR A GLÓRIA DE CRISTO É O CUMPRIMENTO DE


TODOS OS DESEJOS DIVINOS.
A. Cristo era o anseio de todos os santos do Velho e Novo Testamento. Aquele que
era esperado, era a grande expectativa de Israel.

Simeão e Ana: Quais foram os sentimentos de Simeão, em lágrimas, segurando o


bebê Jesus diante de Deus? Para ele “A consolação de Israel” chegara! (Lc 2:25). Anos de
espera e anseio transformados em palavras santas enquanto ele dizia: “Senhor, agora você está
permitindo que seu servo vá em paz, de acordo com a sua palavra; pois os meus olhos viram a salvação
que você preparou diante da face de todos os povos, uma luz para trazer revelação aos gentios e a glória
do Seu povo Israel” (Lc. 2:29-32).

E sobre Ana? Uma viúva de quase 84 anos que não se afastou mais do templo depois
da morte do seu marido, após sete anos de casamento. Ela servia a Deus dia e noite no
Templo, esperando para ver com seus próprios olhos o cumprimento da promessa de um
Salvador que viria. Ainda hoje precisamos nos perguntar, se com nossos próprios olhos e
em nossa própria geração, já olhamos Aquele a quem Israel esperava?

Como não lembrar de João Batista? O cumprimento da profecia de Isaías, aquele


que seria enviado para preparar o caminho diante de Jesus Cristo (Mc.1:2-4, Mt.3:3, Is.40:3,
57:14). Quando foi questionado sobre quem era ele, João respondeu: “Eu sou a Voz do que
clama no deserto: “Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas!” (Jo. 1:21-23).
Muitos pensavam que ele era o próprio Elias, por causa da profecia de Malaquias 4:5-6 que
dizia: “Eis que eu vos envio o profeta Elias, antes que venha o dia grande e terrível do Senhor; e
converterá o coração dos pais aos filhos e coração dos filhos aos seus pais, para que eu não venha e fira a
terra com maldição”.

Mas podemos entender melhor o que o profeta quis dizer quando olhamos para a
palavra dada a Zacarias, pai de João Batista, pelo anjo do Senhor: “E terás prazer e alegria, e
muitos se alegrarão no seu nascimento, porque será grande diante do Senhor, e não beberá vinho, nem
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AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

bebida forte, e será cheio do Espírito Santo, já desde o ventre de sua mãe. E converterá muitos dos filhos
de Israel ao Senhor, seu Deus, e irá diante dele no espírito e virtude de Elias, para converter o coração
dos pais aos filhos e os rebeldes à prudência dos jutos, a fim de preparar ao Senhor um povo bem disposto
(Lc.1:14-17).

Certamente João Batista foi muito inspirado pela vida de Elias. Sabendo que seu
chamado e sua unção eram semelhantes a do profeta Elias, ele desenvolveu um estilo de vida
comparável a dele. João andava vestido de pelos e usava um cinto de couro, aparência esta
que lembrava o profeta Elias. (II Rs.1:7-8, Jo.3:4, Mc.1:6).
João confrontou desde o povo até os fariseus e saduceus, pregando sobre a
necessidade do verdadeiro arrependimento e do conhecimento do Filho de Deus. É visível
que João compreendia que ele era a resposta de Deus para sua geração, ele era um parceiro
de Cristo na terra, alguém que fora criado e ensinado a viver por algo maior, com um
propósito claro em sua existência.

B. A vida de Jesus tocou a vida de milhares de pessoas em seu tempo de forma


profunda e inesquecível. Ele transformou vidas gerando arrependimento, perdoando
pecados, trazendo salvação, cura e libertação. Enfim, Ele foi a revelação de Deus como Pai
naquela geração e em todas as que se seguiram. Ele veio como a luz verdadeira sobre todo
o homem no mundo, Ele estava no mundo que foi feito por Ele, mas este mundo não o
conheceu. Ele veio para o que era seu, mas muitos não o receberam. Mas a esperança é que
todos os que o receberem poderão ser tornados filhos do Deus vivo, aqueles que crerem em
seu nome, estes receberão Vida! Ele veio como o Verbo, Aquele que dá sentido e razão a
todas as coisas, a revelação completa da glória de Deus, seu Único Filho, cheio de graça e
de verdade.

C. Como teria sido a vida de Nicodemos ou a breve vida de Lázaro? Onde Maria
Madalena teria encontrado libertação e sentido a sua existência, aquela que teve a partir de
Jesus uma nova vida, de devoção e entrega? Ou como teriam continuado sua caminhada o
servo paralítico do centurião de Cafarnaum, a mulher do fluxo de sangue, a filha
endemoninhada da mulher cananéia ou o filho da viúva de Naim? Todos levantaram da
morte para a vida e encontram Deus nos olhos de seu Filho.

D. Jesus decidiu caminhar com doze, os quais ele escolheu e chamou, dando a eles
uma missão e um rumo completamente diferente. No futuro eles seriam estabelecidos como
apóstolos, aqueles que iriam manter a centralidade de Cristo na doutrina e na vida da igreja.
Iriam fazer lembrado para sempre através de suas vidas e suas cartas, quem era o único
alicerce sobre o qual a igreja deveria ser construída - Jesus Cristo. Porque haveriam
momentos onde a tendência do ser humano seria causar divisões e facções, andando segundo
homens e não como construtores de um só Edifício. (I Co. 3:3-9, 17-23).

E. Ninguém se compara a Cristo, Ele é a plenitude de Deus em forma humana, nele


nós vivemos, nos movemos e existimos (Atos 17:28). Ministros do evangelho são
trabalhadores do campo de Deus, mas Jesus é a imagem exata do esplendor de Deus. Nele
estão escondidas todas as riquezas e sabedoria de Deus. Paulo considerou tudo como perda
comparado com experimentar o conhecimento de Cristo. Na verdade, Paulo disse: “Para
mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro” (Fl 1:21). Ele alertou os filipenses que lembrassem da
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AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

centralidade de Cristo sobre todas as coisas: “E não somente essas coisas, mas considero tudo
como perda, comparado com aquilo que tem mais valor, isto é, conhecer Cristo Jesus, por quem eu
sofri a perda de todas as coisas e considerei como esterco, a fim de poder ganhar a Cristo e estar
unido com Ele, não tendo minha própria retidão.” (Fl 3:8-9a)

F. Paulo foi um trabalhador incansável, ele continuamente avisava as igrejas da Ásia


Menor, Macedônia e Grécia para manter a centralidade de Jesus. Ele alertou os crentes da
Igreja de Colosso:

“Portanto, já que vocês aceitaram Cristo Jesus como Senhor, vivam unidos com ele,
enraizados nele e estabelecidos na fé, como foram ensinados, abundantes em ações de graça. Cuidem
para que ninguém os torne escravos por meio de argumentos sem valor, que vêm da sabedoria
humana, de acordo com os princípios do mundo e não de acordo com Cristo. Pois nele, como ser
humano, está presente toda a natureza de Deus; e vocês estão unidos com Ele, que domina todos os
poderes e autoridades espirituais”. (Cl 2:6-10).

G. A revelação de Jesus Cristo gerou um clamor no coração dos apóstolos Paulo e


João: “Maranata! Ó Senhor, vem!” (I Co. 16:22; Ap. 22:20). Jesus foi revelado aos apóstolos
de tal forma que o único desejo insaciável deles era trabalhar pelo Seu retorno, para ver Seu
reino estabelecido na terra como no céu. Pedro exortou Jerusalém a se arrepender para que
o Pai mandasse Jesus de volta dos céus para a restauração de todas as coisas. O amor de
Cristo induziu Paulo a pregar o evangelho a todas as nações (Atos 3:19; 21:13).

H. Você já contemplou a glória do único gerado do Pai, cheio de graça e verdade? O


seu coração já experimentou um intenso desejo porque você viu seu esplendor e provou seu
amor? Até que você tenha encontrado pessoalmente essa forma fascinante da vida e da
personalidade de Jesus, você ainda precisa descobrir o verdadeiro significado do propósito
da sua existência, que é se comunicar em amor com o Deus de prazer, luz e poder. Você não
foi criado para a religião e o dever, mas para o amor! Você foi criado para uma comunhão
em amor com o Criador do Universo, que se juntou a você eternamente na pessoa de Seu
Filho Jesus.

III – A NECESSIDADE FUNDAMENTAL E O DESEJO MAIS PROFUNDO

A. Apesar do significado da vida ser achado na beleza de Jesus Cristo, nós somos
facilmente distraídos por esse mundo caído. Nos foi oferecido o abraço daquele que é
perfeito; mas o inimigo de nossas almas continuamente nos afasta da contemplação, com
carinhos passageiros e falsos. Facilmente caímos nas seduções de novidades oferecidas por
homens, através de ensinamentos práticos, que nos deixam anestesiados e se tornam apenas
aplicações superficiais e passageiras de uma verdade tão maior e eterna. Quanto dano tem
sido causado ao Corpo de Cristo em nome da praticidade e do abandono do verdadeiro
conhecimento do Santo!

Significado da vida X Distrações do mundo


Abraço perfeito X Carinho passageiro

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AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

Contemplação X Sedução da última novidade


Conhecimento de Cristo X Ensinamentos pastorais práticos

B. Consumidos em “consertar” a nós mesmos, ignoramos a resposta ao nosso desejo


mais profundo: o conhecimento de Deus em Jesus Cristo. Muitos dos sermões e materiais
de estudo são direcionados sobre como lidar com depressão, ansiedade, vícios, solidão,
exageros, dietas não saudáveis, casamentos não saudáveis, inseguranças, medo, rejeição e o
gigante do nosso dia: superar o estresse. Sermões sobre questões políticas oportunas e as
necessidades humanas são abundantes, mas raramente os sermões nas Igrejas são focados
na pessoa de Jesus, Aquele que é a resposta do Pai para cada condição humana.

C. São raras, nas igrejas hoje, as pregações sobre a glória de Cristo e as maravilhas
de suas excelências. O Pai conhece Sua glória, os anjos sua beleza e até mesmo as pedras
estão dispostas a proclamarem seu nome. Mas quão rapidamente Ele é esquecido por aqueles
que foram comprados por Seu próprio sangue! Quão longe caímos da doutrina apostólica da
Igreja antiga. Quão longe muitas vezes nos encontramos das riquezas insondáveis de Cristo!

D. Jesus conhece a tendência humana de viver fora das suas necessidades


fundamentais, nunca levantando os olhos além da crise da sobrevivência. Em Mateus 4:23-
25 Jesus percebeu como eram as multidões. Os doentes e os oprimidos vinham ouvir as suas
mensagens para receberem cura e libertação. Eles eram como ovelhas sem pastor, levados
por suas necessidades básicas, deixando de lado a principal delas, sem ter noção da grandeza
de Deus e do destino de sua criação em Cristo. Tomados por aflições, eles não conseguiam
perceber que eles portavam a imagem de Deus. Eles tinham sido criados pelo próprio Deus,
para governar através de comunhão íntima e designados a serem o reflexo do grande Deus.
Quão longe desta realidade eles viviam! Como o pecado os reduzira! “Vendo as multidões”,
Jesus deu a eles uma visão mais alta e estabeleceu as Bem-Aventuranças, proclamando: “Este
é quem você é! Isto é o que eu vim para dar a vocês!”

E. Poucas pessoas, incluindo cristãos, estão em contato com o propósito de vida para
o qual foram criados. Na verdade, a maioria vive bem abaixo da “linha da pobreza” do
Reino, enquanto são designados como as únicas criaturas feitas para um relacionamento
pessoal com Deus. Olhando as multidões, Jesus as chamava para mais alto. Até hoje, seu
convite é o mesmo: Ele nos chama para suprir nossa necessidade mais básica: a vida eterna
e a comunhão com Deus, através dele.

“E essa é a vida eterna: que eles conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e Jesus Cristo a
quem enviaste”. (Jo 17:3).

IV- O ESCÂNDALO DA CRISTOLOGIA


A. Em João 6 Jesus fez algo que soaria escandaloso para os cristãos modernos, foi
no dia que Ele alimentou uma multidão multiplicando pães e peixes. A multidão, satisfeita
por ter sido alimentada, desejava fazê-lo rei. Jesus discerniu que o interesse deles era ter suas
necessidades diárias supridas mais do que descobrir a verdadeira identidade dele e o que a
sua vida significava para a salvação deles. Então Ele se recusou a alimentá-los novamente.
(Jo 6:22-40)
10
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

B. Por um momento, imagine a recusa de Jesus. Israel estava sobre domínio


estrangeiro, sem muitos recursos e experimentando os terríveis efeitos da pobreza. Jesus não
somente recusava a reforma política, mas também fechou as portas para o “programa de
bem-estar social”. Ele fechou a cozinha e os desafiou a buscarem o pão que vem do céu, que
os livraria da morte para sempre. Jesus não mais daria a eles a sua comida diária até que eles
entendessem que a sua necessidade mais básica não era do pão que perece, mas do
conhecimento de Deus encontrado somente nele.

C. Jesus se lembrou da primeira tentação do Diabo: fazer a humanidade ter toda a


sua vida envolta por sua sobrevivência básica como prioridade. Em Mateus 4:3-4 Satanás
tentou Jesus em tal necessidade: “Se você é Filho de Deus, ordena a essas pedras para se tornarem
pães”. Jesus, porém, disse: “Está escrito, ‘Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que
sair da boca de Deus”.

D. As pessoas vinham por comida para se alimentarem, mas Jesus falava a eles sobre
o pão do céu que nunca perece e ordenava que eles o comessem. Ele os desafiou ainda mais,
dizendo para comerem de sua carne e beberem de seu sangue. Assim como Jesus foi
sustentado por comunhão íntima e conhecimento do Pai, nós seremos sustentados por
comunhão íntima e conhecimento de Jesus.

“Pois minha carne é verdadeiramente alimento, e meu sangue verdadeiramente é bebida.


Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. Assim como o Pai,
que vive, me enviou, eu vivo pelo Pai, quem de mim se alimenta, também viverá por mim.”
(Jo.6:55-57).

E. A vida deve ser achada em um encontro com o Senhor da Glória e com a sua obra
de redenção. Cuidado, seguidor do evangelho: a sedução das necessidades vem para nos
desviar do principal desejo de Deus e do homem: o conhecimento de Deus na pessoa de
Jesus Cristo. A Cristologia nunca será secundária, se tratando das necessidades humanas e
Jesus nunca será reduzido para o conserto de nossa justiça social. Jesus nunca será nosso rei
se não entregarmos completamente nossos corações a Ele, enquanto nos comunicamos com
Ele e contemplamos suas excelências. Na verdade, a mais alta honra e alegria que Deus
poderia nos dar é que baseássemos nosso relacionamento em Seu filho, pois Ele é o mais
elevado, Aquele que era, que é e que há de vir.

F. Para testar seus corações e ver se eles verdadeiramente o buscavam, Jesus


diretamente questionava as multidões sobre a importância da Cristologia. Ex.20:5 e 34:14
nos dizem que Deus é ciumento. Ele não nos compartilhará com outro. A ideia de que Deus
iria terminar com o programa de bem-estar social para o pobre para levar as multidões a
buscarem o conhecimento de Jesus é ofensivo ao nosso sentimentalismo moderno. Quando
Jesus parou o programa de alimentação para as pessoas oprimidas, Ele desejava que eles o
compreendessem! De qualquer modo, Deus sabe que somos propensos a receber suas
bênçãos sem um coração de amor em aliança e ainda assim jamais desistirá de chamar nossa
atenção para a verdade.

11
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

G. O testemunho dos profetas declara nossa tendência a esquecer do Senhor. (Dt.


32:13-15). As palavras de Jeremias (2:2-13) são particularmente de cortar o coração.

H. Através da Escritura nós podemos relatar todas as maneiras pelas quais Deus foi
esquecido durante tempos de bênçãos. Depois dos poderosos milagres feitos através de
Moisés o povo “esqueceu Deus, seu Salvador, que fez grandes coisas no Egito” (Sl 106:21). Os filhos
de Efraim “esqueceram Suas obras e Suas maravilhas que Ele havia mostrado a eles.” (Sl 78:11).

“Pois ela não reconhece que fui eu o que lhe dei o grão, e o vinho, e o azeite, e que lhe
multipliquei a prata e o ouro, que eles usaram para Baal. Portanto, tornarei a tirar o meu grão a
seu tempo e meu vinho no seu tempo determinado; e arrebatarei a minha lã e o meu linho, com que
cobriam a sua nudez... E devastarei a sua vide e sua figueira, de que ela diz: É esta a paga que me
deram os meus amantes, eu pois, farei delas um bosque, e as feras do campo as devorarão. Castigá-
la-ei pelos dias dos Baalins, nos quais lhes queimou incenso, e se adornou dos seus pendentes e das
suas joias e, andou atrás dos seus amantes, mas de mim se esqueceu, diz o Senhor”. (Os. 2:8-9, 12-
13).

I. O difícil comando de Jesus para comer de seu corpo e beber de seu sangue afastou
as multidões e muitos dos seus discípulos. João 6:66 explica: “A vista disso, muitos dos seus
discípulos o abandonaram, e já não andavam com Ele.”

Visualize isto: Jesus encarregou seus discípulos de expulsar demônios, curar os


doentes, ressuscitar os mortos e pregar o reino de Deus por Ele. Ainda assim Ele estava
disposto a afastá-los com essa questão. Jesus deveria ser tudo ou Ele não seria nada! O
conhecimento de Deus em Jesus Cristo era a maior necessidade do homem e ainda é.
Infelizmente, daquele momento em diante muitos discípulos o deixaram.

J. Alguns têm que lutar com a natureza ofensiva de Deus revelada nessa passagem
onde Ele os chama para comer de seu corpo e beber de Seu sangue. Deus preferiria que você
o deixasse do que ficasse na periferia para sempre, ignorante sobre quem Ele é e quem você
foi criado para ser. Por que? Porque você foi criado para comunhão íntima. Olhando para
os Seus doze, Jesus pediu se eles também queriam sair. Pedro então toca na questão crucial:
Em quem ou no que estamos alimentando nossa alma? Naquele que tem as palavras de vida
eterna?

“Para quem iremos nós? Só tu tens as palavras de vida eterna. E nós temos crido e
conhecido que tu és o Cristo, o Filho de Deus.” (Jo. 6:68-69).

K. Jesus levou a ofensa ainda mais longe chamando um de seus discípulos, Judas, de
demônio. Mais tarde Judas trairia Jesus. Na verdade, a extravagância de Maria em quebrar
o vaso de alabastro sobre Jesus colaborou para que Judas permitisse que Satanás entrasse
nele e então caminhasse para a traição. “Que desperdício!” Judas reclamou. “Esse dinheiro
poderia ter sido dado aos pobres”. Poderia a ofensa de Judas estar relacionada a demanda
de Jesus sobre o conhecimento de Deus ser supremo, mesmo diante da necessidade social
imediata? Agora, mais uma vez, Jesus aponta nossa maior necessidade: a comunhão com
Deus através do conhecimento dele mesmo.

12
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

“Mas Jesus disse, Deixai-a, para que a molestais? Ela fez uma boa obra para Mim. Pois
os pobres, sempre os tende convosco, e podeis fazer-lhes bem quando quiserdes; mas a mim nem
sempre me tendes”. (Mc 14:6-7).

L. No meio de seus discípulos, ocupados discutindo sobre quem seria o maior, Maria
era a única que ouviu o Salvador. Somente ela estava ouvindo-o falar sobre sua morte que
se aproximava. Assim enquanto ouvia, Maria foi movida a derramar tudo o que tinha sobre
Ele. Enquanto ninguém mais parecia ouvir, ela ouvia e respondia em amor. Dando tudo, ela
ganhou tudo. Jesus era sua vida. Maria fez uma boa obra para Ele, que ninguém poderia
tirar dela.

V - CRISTO, NOSSA MAIOR ALEGRIA

A. Nossa visão, metodologia e materiais de discipulado devem ser fundamentados


sobre a Pedra Angular. Nós precisamos construir sobre a única fundação: Jesus! Nossa maior
necessidade e maiores alegrias são encontradas nele. O conhecimento de Deus na face de
Jesus Cristo é o nosso pão diário. É o nosso sustento. Até que nossas vidas sejam
estabelecidas sobre experimentar o conhecimento de Deus, nós vamos continuar cavando
atrás de comida que perece e bebida que nunca satisfaz.

B. Grande parte da igreja é consumida com muitas coisas além de Jesus. Correndo
atrás de satisfazer as necessidades de nosso dia e gastar muita energia para construir nossas
visões, nós esquecemos de que uma coisa só é necessária: Sentar aos pés daquele que tem as
palavras de vida eterna, em quem estão todos os mistérios de Deus e do homem. O presente
desinteresse da Igreja em Jesus está passando, a mudança que os profetas declararam através
dos anos, está chegando. O conhecimento da glória de Deus será revelado e toda carne verá
(Is. 40:5). A sua glória cobrirá a terra como as águas cobrem o mar (Hb. 2:14). Deus tem
algo muito prático no seu estoque para nos dar, que vai responder cada anseio de nossos
corações: Ele planejou comunhão íntima conosco através de Seu belo Filho Jesus, onde o
principal assunto é Ele mesmo.

C. O Senhor está levantando precursores em nossos dias, os quais, como o profeta


João no deserto, estão se preparando e preparando outros para o Rei que está vindo!

“Prepare o caminho do Senhor; endireitai no ermo vereda a nosso Deus... A glória do


Senhor se manifestará, e toda a carne a verá, pois a boca do Senhor o disse” (Is. 40:3-5).

D. Nesse curso envolveremos aquilo que permanece, que salva, limpa, cura, fascina
e nos transforma na imagem daquele que nos criou. Proclamaremos Jesus como o Messias,
aquele que habita de eternidade a eternidade e que foi enviado pelo Pai para cumprir o sonho
do coração de Deus e o sonho do nosso próprio coração. Nosso desejo é adentrar no mistério
tão profundo que fez um serafim clamar: “Santo!” É examinar a beleza de Cristo em toda a
sua glória e maravilha, descobrindo mais uma vez a verdade atrás do Homem que nos chama
para Ele mesmo para que tenhamos vida e vida em abundância.

13
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

LIÇÃO DOIS
O CONHECIMENTO DE DEUS
I - O CONHECIMENTO DO SANTO

A. Em todas as culturas e se estendendo através de todas as religiões está a ideia de


mistério, algo “completamente diferente”. Na crença religiosa e em sua prática existe a
misteriosa e alarmante presença sobrenatural. Na alma da humanidade está a marca inegável
de que há algo maior, maravilhoso, tão poderoso e tão belo que é assustador contemplar e
perigoso ver. Bem no interior do ser humano há um temor, um senso de que há algo superior,
que é digno de ser adorado e pode tanto nos ajudar, como nos ferir em nossa frágil condição.

B. Mas como definir esse ser “completamente diferente”? Qual é a nossa resposta a
essa grande presença misteriosa? Essa definição e resposta é o núcleo da crença religiosa.

A. W. Tozer diz:

O que vem em nossa mente quando pensamos sobre Deus é


a coisa mais importante sobre nós. A história da espécie humana
provavelmente nos mostrará que ninguém jamais se levantou acima
de sua religião, e a história espiritual do homem vai positivamente
revelar que nenhuma religião jamais foi maior que sua ideia de
Deus... Por esta razão a mais importante questão diante da igreja é
sempre o próprio Deus. (A.W.Tozer, The Knowledge of The Holy,
pg.1)

D. A Bíblia vai além para informar que a nossa concepção de Deus e nossa resposta
a ela tem consequências eternas. Nossa existência eterna depende de conhecer a Deus e
responder a Ele adequadamente.

“E essa é a vida eterna, que eles conheçam a Ti, o único Deus verdadeiro, e Jesus
Cristo quem você enviou.” (Jo. 17:3)

II - A DIFICULDADE DE CONHECER: A DOUTRINA DA


INCOMPREENSIBILIDADE

A. Como nós podemos conhecer a Deus? Uma observação natural é que se há um


criador dos céus e terra, o poder e intelecto desse ser é além de nossa compreensão. O simples
fato é que não podemos, pelo menos não por nós mesmos. A Bíblia claramente estabelece
que Deus é além do nosso entendimento. Deus é transcendente, eterno, completamente sábio
e completamente poderoso. Ele é acima de tudo, e as Escrituras testificam que Ele é o
incompreensível; cujo poder e sabedoria são imensuráveis (I Tm.1:17, 6:15-16)

B. Deus é transcendente, sempre existiu, e a eternidade vai muito além do que a


mente humana pode compreender. Deus é verdadeiramente incompreensível no ponto de
que Ele não pode ser completamente conhecido, nem somente um de Seus atributos.

1. Além de nossa imaginação está o Deus transcendente que é completamente


diferente de Sua criação. Ele é infinitamente além de todas as coisas em ambos alcance e
profundidade; ninguém e nada é comparável a Ele. Tudo está contido dentro dele, pois nele
todas as coisas vivem, se movem e tem sua existência. Envolto em “luz inacessível”, Deus
está separado de toda a criação. Por isso os quatro seres viventes, cheios de olhos dentro e

14
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

fora, não descansam dia e noite, dizendo: “Santo, santo, santo, Deus Todo Poderoso, que
era, é e há de vir.” (Ap 4:8).

“O Senhor está exaltado acima de todas as nações, e sua glória acima dos céus. Quem é
semelhante ao Senhor nosso Deus, que reina em seu trono nas alturas, mas se inclina para ver o
que acontece no céu e na terra?” (Sl. 113: 4-6)

“Poderás descobrir as coisas profundas de Deus, ou descobrir perfeitamente o Todo-


Poderoso? Mais altas que o céu, o que tu podes fazer? Mais profunda que Seol, o que tu podes saber?
Sua medida é mais comprida do que a terra e mais larga que o mar” (Jó 11:7-9)

W. Tozer escreve:

Nós não podemos pensar em Deus como o mais elevado em


uma ordem crescente de seres, começando com uma pequena célula
e indo do peixe ao pássaro, do animal ao homem, do anjo ao
querubim, então a Deus. Isso seria conceder a Ele eminência, até
mesmo preeminência, mas isso não é o suficiente nós precisamos
conceder a Ele transcendência, no sentido completo da palavra.
Para sempre Deus está além, em luz inacessível. Ele é tão acima de
um arcanjo como é de uma lagarta, pois a diferença que separa o
arcanjo da lagarta é finita, mas entre Deus e o arcanjo é infinita.
(A.W.Tozer, The Knowledge of The Holy, pg.70)

2. A transcendência de Deus torna impossível defini-lo através de observação natural


ou pesquisa científica. Como você define algo completamente diferente de qualquer outra
coisa?
No seu livro “Busca do Santo”, Corey Russel descreve Deus nesses termos:

Deus nos deixa nervosos porque simplesmente não podemos


defini-lo da nossa própria maneira. Ele desafia definição. Ele é
indefinível, e isso irrita o ser humano. Salmos 113:6 estabelece que
Deus se inclina para contemplar as coisas no universo. Ele é
misterioso, Ele é transcendente, e quando nós olhamos para Ele,
não podemos articular o que nós estamos vendo. Lidar com o
mistério nos assusta. Nós queremos algo com o qual podemos lidar,
algo que podemos definir e vender a outras pessoas, mas Deus não
será contido em nossas percepções sobre Ele. (Corey Russel, Pursuit
of The Holly, pg.10)

3. Meditar na auto existência e na eternidade de Deus inclusive deixa alguns sem


palavras, porque Deus não tem ponto de referência e nenhum outro recurso de
abastecimento. Ele infinitamente existe e é sustentado por Ele mesmo. Deus é eterno; a
existência dele é infinita sem padrões de tempo. Deus é imensurável; infinito e sem padrões
de espaço. O salmista declarou: “De eternidade a eternidade, tu és Deus”. (Sl. 90:2)

“Contemple, Deus é grande, e nós não o conhecemos; nem o número de seus anos pode ser
descoberto.” (Jó 36:26)

“Eu sou o Alfa e o Ômega, o Início e o Fim, diz o Senhor, Aquele que era, que é e que há
de vir, o Todo-Poderoso.” (Ap 1:8)

15
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

Agora considere isto: “Quem é o pai de Deus? Quem trouxe Deus a existência?”
Pense sobre Gênesis 1:1 “No princípio, Deus...” Quando o princípio começou, Deus estava
lá, o que significa que Ele estava antes do princípio. Se Ele era antes do princípio, então
quando Ele começou? É aí que você salta de Genesis 1 para a eternidade. Essas três palavras
são o começo de nossa jornada para o abismo de “antes da fundação do mundo” que Jesus
descreveu em João 17:5 e João 17: 24.

C. As Escrituras nos falam sobre o poder imensurável de Deus e sua sabedoria


insondável (Jó 26:9-14, Is. 40:28, Rm. 11:33-36).

“Grande é o Senhor, digno de ser louvado; sua grandeza é insondável.” (Sl. 145:3)

“Aquele que faz grandes coisas e insondáveis, maravilhosas e incontáveis.” (Jó 5:9)

D. A mente caída da humanidade e o engano demoníaco compõem o nosso


problema de conhecer a Deus. De várias maneiras a Bíblia claramente testifica a
impossibilidade do homem encontrar a Deus por si mesmo. (I Co. 2:14, Ef. 4:17-18)

“Visto como na sabedoria de Deus o mundo pela sua sabedoria não conheceu a Deus,
aprouve a Deus salvar pela loucura da pregação os que crêem.” (I Co. 1:21)

III. O DEUS QUE FAZ A SI MESMO CONHECIDO: A DOUTRINA DA


REVELAÇÃO

A. Conhecer a Deus é algo que está além das nossas próprias forças, mas Deus deseja
nos atrair e mostrar-se a nós! A Escritura revela que Deus é pessoal e nos fez a Sua imagem
para revelar a Si mesmo. Esse fato torna a incompreensibilidade de Deus uma grande
benção, pois Deus sempre vai se revelar, lançando novas profundidades de Sua
personalidade sobre nós.

“O desejo pelo mistério, até mesmo pelo Grande Mistério,


está basicamente na natureza humana e é indispensável à fé
religiosa, mas não é o suficiente. Nas escrituras hebraicas e cristãs
Deus carrega a revelação de Si mesmo e entrega ela pessoalmente e
moralmente. Essa presença se mostra não como uma Coisa mas
como um Ser moral cheio de qualidades e personalidade genuína.
Mais do que isso, Ele é absolutamente completo em excelência
moral, infinitamente perfeito em retidão, pureza e santidade
incompreensível. E em tudo isso Ele não foi criado, é auto suficiente
e além do que o pensamento humano pode conceber ou a fala
humana pode explicar”. (A.W.Tozer, Knowledge of The Holy,
pg.105)

B. Nós podemos verdadeiramente conhecer a Deus porque Ele escolheu Se revelar;


na verdade, Ele ama fazer isso. A Bíblia nos informa que Deus se fez conhecido na natureza,
no governo das nações e na consciência humana (Rm 2:14-15). Essa revelação geral, apesar
de deixar a humanidade sem desculpas diante de Seu Criador, não nos leva a um
conhecimento compreensivo e seguro de Deus (At. 14:17, 17:24-27)

“Pois os seus atributos invisíveis, o seu eterno poder e divindade, são claramente vistos
desde a criação do mundo, sendo percebidos mediante as coisas criadas, de modo que eles são
inescusáveis.” (Rm. 1:20)

16
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

C. Deus também se revelou de uma maneira específica e especial a humanidade. As


Escrituras testificam que enquanto as outras nações adoravam o que elas não conheciam,
Israel adorava o único Deus verdadeiro, que fez a Si mesmo conhecido. Deus declarou Seu
nome de uma maneira muito específica a nação de Israel. A Bíblia é o registro da revelação
de Deus a Israel:

“Agora, pois, pergunta aos tempos passados que te precederam desde o dia em que Deus
criou o homem sobre a terra, desde uma extremidade do céu até a outra, se aconteceu jamais coisa
tão grande como esta, ou se jamais se ouviu coisa semelhante? Ou se algum povo ouviu a voz de
Deus falar do meio do fogo, como tu a ouviste, e ainda ficou vivo? Ou se Deus intentou ir tomar
para si uma nação, por meio de provas, de sinais, de maravilhas, de peleja, de mão poderosa, de
braço estendido, bem como de grandes espantos, segundo tudo quanto fez a teu favor o Senhor teu
Deus, no Egito, diante dos teus olhos? A ti foi mostrado para que soubesses que o Senhor é Deus;
nenhum outro há senão ele.
Do céu te fez ouvir a sua voz, para te instruir, e sobre a terra te mostrou o seu grande fogo,
do meio do qual ouviste as suas palavras. E, porquanto amou a teus pais, não somente escolheu a
tua descendência depois deles, mas também te tirou do Egito com a sua presença e com a sua grande
força; para desapossar de diante de ti nações maiores e mais poderosas do que tu, para te introduzir
na sua terra e te dar por herança, como neste dia se vê. “Pelo que hoje deves saber e considerar no
teu coração que só o Senhor é Deus, em cima no céu e embaixo na terra; não há nenhum outro.”
(Dt. 4:32-39)

“Jesus disse a ela: “Mulher, acredite em mim, a hora está vindo em que nem nessa
montanha, nem em Jerusalém, adorareis ao Pai. Vocês adoram o que não conhecem, nós
conhecemos o que adoramos, pois a salvação vem dos judeus. ”(Jo. 4:21-22)

D. Deus escolheu especificamente se revelar na pessoa de Jesus. Na plenitude do


tempo, no ponto certo da história, Deus se derramou e revelou completamente o prazer dos
prazeres, Seu Filho. Na formação de Israel Deus preparou o mundo para a vinda do
esplendor incomparável, da glória inimaginável. O verbo se fez carne e habitou entre nós. O
Filho eterno se tornou Jesus de Nazaré. No que o Pai sempre se deleitou, agora homens e
mulheres também poderiam se deleitar. O objeto do prazer do Pai agora tinha se tornado
acessível à humanidade.

“[Deus] nestes últimos dias a nós falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as
coisas, e por quem fez também o mundo; sendo Ele o resplendor da sua glória e a expressa imagem
do seu Ser, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo Ele mesmo feito a
purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade nas alturas”. (Hb. 1:2-3)

E. Deus é pessoal e se revela a nós por causa do projeto da criação e do seu desejo
por relacionamento. Em “Teologia Sistemática”, Wayne Grudem escreve:

... É a Deus mesmo quem nós precisamos conhecer, não


simplesmente fatos sobre Ele ou as ações que Ele faz. Nós fazemos
distinção entre conhecer fatos e conhecer pessoas em nosso uso
ordinário da linguagem. Seria verdade se eu dissesse que conheço
muitos fatos sobre o presidente dos Estados Unidos, mas não seria
verdade se dissesse que o conheço. Dizer que eu o conheço
implicaria no fato de o ter encontrado e ter conversado com Ele e
ter chegado ao menos a algum degrau de relacionamento pessoal
com Ele. (Wayne Grudem, Systematic Theology: An Introduction
to Biblical Doctrine, pg.151-152)

17
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

De acordo com Grudem, muitas passagens falam sobre conhecer ao próprio Deus.
As palavras de Deus em Jeremias dizem:
“Que o homem sábio não se glorie em sua sabedoria, que o homem poderoso não se glorie
em seu poder, que o homem rico não se glorie em sua riqueza; mas aquele que se gloria que se glorie
nisso, em me entender e conhecer, que eu sou o Senhor que pratica amor, justiça e retidão na terra;
pois nessas coisas eu me alegro, diz o Senhor” (Jr. 9:23-24).

J.I Packer escreveu:

A impressionante resposta que a Bíblia dá a essa questão é


que o propósito de Deus na revelação é nos fazer seus amigos. Para
esse fim Ele nos criou seres racionais, tendo Sua imagem, capazes
de pensar e escutar, falar e amar; Ele queria que fosse uma afeição
e uma amizade pessoal genuína, recíproca, entre Ele e nós. Uma
relação, não como entre um homem e seu cachorro, mas como um
pai e seu filho, ou um marido com sua esposa. Uma amizade
afetuosa entre duas pessoas não tem nenhum motivo externo; tem
o fim no próprio relacionamento. E esse é o objetivo de Deus em
revelar- se. Ele fala conosco simplesmente para cumprir o propósito
pelo qual nós fomos feitos; isto é, nos trazer a um relacionamento
no qual Ele é um amigo para nós, e nós para Ele, Ele encontra
alegria em nos presentear e nós encontramos a nossa em agradecê-
lo. (J.I.Packer.God Has Spoken, 3rd ed. pg.50-51)

IV. O PRAZER DE DEUS SOBRE A REVELAÇÃO

A. O apóstolo Paulo descreve o evangelho como “o evangelho glorioso do Deus


bendito” (I Tm. 1:11). Deus é bem-aventurado, é um Deus feliz que ama a Si mesmo. Ele
tem prazer infinito em si mesmo, como o ser mais amável, belo, justo, gentil e puro que
existe. Como a consumação de toda a perfeição, Ele é eternamente feliz. Sua santidade é o
esplendor de todos os Seus atributos trabalhando em perfeita harmonia, perfeita pureza,
perfeita força e perfeita alegria. Ele é além de tudo; nada se compara a Deus em quem não
há falta, mas é abundante em todas as Suas perfeições.

“Em Sua presença há plenitude de alegria e em Sua destra prazeres para sempre”. (Sl
16:11).

B. No coração da humanidade há uma acusação sutil de que o Deus invisível Se


esconde de nós, se revelando muito pouco, enquanto nos mantém eternamente responsáveis
pela pouca revelação que Ele dá. Dessa forma nossos corações condenam a Deus como duro
e injusto. Porém, o testemunho bíblico relata uma história muito diferente.

C. Toda a adoração do Velho Testamento, incluindo o ministério sacerdotal e


profético, nasceu do confronto com o Santo. Quando Deus revelou a Si mesmo aos filhos de
Israel, Ele Se revelou como santo. O resplendor e beleza de todos os Seus atributos foram
revelados para fascinar o coração e produzir uma resposta de adoração. É o encontro com o
belo e aterrorizante Deus que produz adoração, conduz para a fidelidade e escreve a
declaração divina nos corações humanos.

D. Deus é o Deus de prazer que ama compartilhar a Si mesmo, ama fascinar os


sentidos daqueles que foram formados a Sua imagem. Ele é o glorioso, Deus prazeroso que
constrói realidade ao redor da revelação de Sua beleza, luz e amor. Quão maravilhoso é que

18
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

o Deus transcendente ama manifestar e revelar a gloriosa essência do divino, tudo para o
nosso prazer e resposta de amor! Deus é prazer imensurável, prazer consumidor; e a maior
honra e alegria que Ele poderia nos dar é basear nosso relacionamento sobre o tema dele
mesmo.

E. A única razão pela qual você existe é o prazer. É a única razão pelo qual você foi
feito. Deus precisa da sua ajuda? Deus estava com falta de algo em Si mesmo? Com certeza
não. Você foi a criatura feita para adentrar as profundezas do Deus vivo. Tudo para você foi
construído ao redor da revelação de Deus, Ele deixando você conhecer algo sobre Ele
mesmo.

F. Ele é o Deus que ama manifestar a Si mesmo, para que conheçamos beleza. Ele
revela a Si mesmo através de tudo o que existe. Você já se perguntou por que Deus se
manifesta de tal maneira? Por que uma sarça ardente a Moisés? Por que uma nuvem escura
em fogo e trovões para Israel no Monte Sinai? Por que uma nuvem no dia e fogo na noite?
Por que uma pequena voz a Elias? Por que todas essas vozes e criaturas estranhas, luzes,
cores brilhantes ao redor do trono, quando no céu uma porta foi aberta para o apóstolo João?
Por que o Deus eterno viria como um bebê em roupas simples, deitado em uma manjedoura
de Belém? Por que Deus tomaria forma de homem para sempre? Duas razões: Ele decidiu
fazê-lo, e foi para o seu prazer.

V. O CONHECIMENTO QUE AMA

A. À medida que caminhamos na busca pelo conhecimento de Deus, precisamos


compreender o objetivo principal desta busca, e também os enganos que o inimigo tentará
lançar sobre nós nessa caminhada. Paulo em I Coríntios 8:1-11 nos ajuda discernir coisas
importantes a serem observadas durante nosso crescimento.

B. O orgulho está sempre espreitando à porta da nossa mente, tanto em relação ao


instruído como ao iletrado. O ser humano tem a tendência de sentir orgulho pelo
conhecimento que possui e que os outros não possuem. Para os instruídos esse conhecimento
pode vir de muito esforço e QI superior, enquanto para o iletrado, pode vir de revelações
particulares, experiências pessoais ou ainda da escola das adversidades da vida.

C. Neste texto de I Coríntios, Paulo aborda o assunto referente ao cristão alimentar-se


de comidas oferecidas aos ídolos. No verso 4, a palavra “sabemos” se refere a um
conhecimento que se tornara uma causa de orgulho para alguns na Igreja de Corinto. Os
versículos 7,9,11 revelam que alguns membros da Igreja estavam usando esse conhecimento
para ostentar seu direito de comerem livremente, sem qualquer preocupação com os cristãos
mais fracos.

D. No verso 9, Paulo os advertiu a não usarem seu “conhecimento” de forma


descuidada, porque, “por causa do teu saber, perece o irmão fraco”. Sendo assim, a questão na
Igreja de Corinto, era que o conhecimento estava produzindo orgulho, que por sua vez,
estava destruindo o amor. Por isso, Paulo disse: “O saber ensoberbece, mas o amor edifica”.

E. O conhecimento é suscetível ao orgulho porque é o resultado de obter, não de dar, é


algo que conquistamos, por isso a tendência natural de nos orgulharmos dele. Por outro lado,
o amor é o ato de dar, e não de obter. O amor não é uma aquisição, mas nos move para fora,
compartilha, visa o interesse dos outros. O amor edifica a fé dos outros, e não o ego daquele
que ama.

19
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

F. No verso 2 Paulo disse: “Se alguém julga saber alguma coisa, com efeito, não aprendeu
ainda como convém saber”. Isso não significa que Paulo achava que os cristãos não sabiam as
coisas, mas ele chama atenção deles por não saberem coisas cruciais que já deviam saber
sobre Deus e a vida. Paulo os repreendeu por julgarem “saber alguma coisa”, seu foco era a
atitude deles, pois em um sentido “eles sabiam”, mas não sabiam como lhes convinha saber,
não tinham o verdadeiro conhecimento.

G. Então o que tornaria esse “saber imaginário” em “saber verdadeiro”? No início Paulo
disse que o amor edifica. Isso implica que qualquer conhecimento que não está a serviço do
amor não é conhecimento verdadeiro, é conhecimento prostituído. Saber e pensar existem
por causa do amor, por causa da edificação do povo de Deus na fé. O pensar que produz
orgulho, em vez de amor, não é o verdadeiro pensar na perspectiva divina.

H. Paulo comparou o “como devemos saber” com o amar a Deus e fez do amar as
pessoas o critério para o verdadeiro saber. Paulo estava dizendo que amar a Deus é o que
fazemos quando sabemos “como nos convém saber”. Sendo assim, pensar e saber nos são
dados por Deus visando o propósito de amar a Deus e amar as pessoas.

I. No verso 3 Paulo disse: “Se alguém ama a Deus, esse é conhecido por Ele”, então mais
profundo do que conhecer a Deus é ser conhecido por Ele, isso é o que nos define como
cristãos, o fato de que Ele nos conheceu e nos tornou seu povo. A partir desse lugar devemos
manifestar o conhecimento unido ao amor, esse é o sinal da nossa filiação.

J. Negligenciar o conhecimento é tão perigoso quanto fazer do conhecimento um


motivo de vanglória. Se existe uma maneira de “saber como convém” e se o alvo desse saber
é amar a Deus e aos homens, negligenciar isso destruirá o amor. Não estaremos livres do
orgulho negligenciando o conhecimento e nos afastando dele (Os.4:6, Is.5:13).

K. O que precisamos não é menos conhecimento, mas uma descoberta sincera da graça
de Deus em Cristo, que abre as portas do conhecimento humilde. Esse conhecimento é o
combustível para o fogo do amor a Deus e ao homem. Se abandonarmos a busca pelo
conhecimento de Deus o fogo se apagará.

1. Pensem conscientemente para a glória de Cristo: façam de todo pensar de vocês


um companheiro no propósito divino de magnificar a suprema dignidade da
glória de Cristo. Esse é o tema e o propósito central das Escrituras (Rm.11:36).

2. Tornem-se pequeninos: Humilhem-se sob a poderosa mão de Deus, e tornem-se


como crianças para poderem entrar no Reino dos céus. A humildade é o grande
pré-requisito para entendermos a verdade de Deus. Porque sem Ele nada
podemos fazer!

3. Desfrutem a Palavra de Deus como ouro e mel: Deleitem-se na Palavra de Deus


dia e noite (Sl.1:2, 19:8-10, Jr.15:16). Deus não nos deu mentes com fins em sí
mesmas, a mente provê faíscas para o fogo no coração. A reflexão serve à afeição
e a contemplação à exultação.

4. Pense por causa do amor: Façam de todo pensar um ato de amor para com as
pessoas (I Co. 13:2, 16:14, I Tm.1:5). O pensar que não tem como alvo mostrar
a Cristo e edificar as pessoas não é digno da aprovação de Deus.

“Se clamares por inteligência e por entendimento alçares a voz, se buscares a sabedoria
como a prata e como a tesouros escondidos procurares, então, entenderás o temor do Senhor e

20
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

acharás o conhecimento de Deus. Porque o Senhor dá a sabedoria, e da sua boa vem a inteligência
e o entendimento” (Pv.2:3-6).

21
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

LIÇÃO TRÊS
A SABEDORIA DE ESTUDAR CRISTOLOGIA
I - A SABEDORIA DE ESTUDAR A CRISTOLOGIA

A. Em João 17:3 Jesus declarou: "E esta é a vida eterna, que Te conheçam, o único Deus
verdadeiro, e a Jesus Cristo a quem enviaste". Salvação é encontrada somente no nome de
Jesus, portanto a vida eterna é encontrada em conhecer a pessoa de Jesus Cristo como
mostrado nas Escrituras certamente. A decisão de cada pessoa concernente a pessoa e obra
de Jesus de Nazaré tem consequências eternas (Jo. 3:16-18, 5:21-23, 8:24, I Jo. 5: 1012).

“Ora, quem crê no Filho de Deus tem em si mesmo esse testemunho. Todavia, todo aquele
que não deposita fé em Deus o faz mentiroso, porquanto não crê no testemunho que Deus proclama
acerca do Seu Filho. E o testemunho é este: que Deus nos concedeu a vida eterna, e essa vida está
em Seu Filho! Quem tem o Filho, tem a vida; quem não tem o Filho de Deus, não tem a vida.” (I
Jo. 5: 10-12)

B. O conhecimento de Jesus Cristo não é apenas a forma de salvação para o perdido,


mas é também a forma de santificação dos crentes. A estratégia de Deus para trazer a Igreja
a plenitude é destacar a glória do Seu Filho, fazendo com que a Igreja entre em um amor
maduro. Nada é mais poderoso na graça de Deus do que quando Deus revela a Si mesmo
ao coração humano. Isto transforma nossas emoções, o processo do pensamento e satisfaz
nossos corações. A mais transformadora e emocionante revelação de Deus é Jesus Cristo
(Ef. 1:17-20, 22-23, 3; 14-19, 4:11-15)

“Também sujeitou tudo o que existe debaixo de Seus pés e o designou cabeça sobre
absolutamente tudo o que há, e o concedeu à Igreja que é o Seu corpo, a plenitude daquele que
satisfaz tudo quanto existe, em toda e qualquer circunstância.” (Ef. 1: 22-23)

C. Paulo resume o seu propósito de vida em Filipenses 3:7-10. Ele contou "todas as
coisas como perda pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus" (vs. 8). A religião não
pode mudar o coração humano ou fazer de nós uma nova criatura, só a salvação através de
Jesus Cristo pode. Ganhar a Cristo é ganhar todas as coisas. Perder a Cristo é perder tudo.
(II Co.5:17, Gl.6:15)

“Portanto, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram, eis que
tudo se fez novo!” (II Co. 5: 17)

II - O CONHECIMENTO DE JESUS: CRUCIAL PARA O FIM DOS TEMPOS


A. A Igreja é atualmente consumida com muitas outras coisas além de Jesus, isto
ainda demanda mudanças. Toda Sua glória já não é oculta, pois Deus está providenciando
um cenário para o fim dos tempos que irá claramente demonstrar a glória de Seu Filho sobre
todas paixões opostas.

B. Jesus é o assunto sobre o fim dos tempos que mais importa. Nós devemos
compreender quem Ele é nas Escrituras e o que Ele tem realizado. Sem o correto
conhecimento e entendimento de Jesus, as pressões antes de Seu retorno serão insuportáveis.
Isaías 33:6 comenta sobre o fim dos tempos: "Sabedoria e conhecimento serão a estabilidade do
seu tempo, e a força da sua salvação; o temor do Senhor será seu tesouro".

22
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

Isto é crucial para a Igreja ser enraizada na verdadeira sabedoria baseada na pessoa e
na obra de Jesus Cristo, a fim de sermos capazes de suportar as pressões vindas antes do
retorno do Senhor.

C. A estratégia do inimigo é cegar a mente dos não crentes para a verdade de Cristo.
O Maligno também busca difamar o Filho de Deus, diminuindo a visão da Igreja da
singularidade e esplendor de Jesus para que eles falhem na caminhada em plenitude de amor,
deixando-os abertos para as transgressões deste século. Ter nossos corações agarrados com
Cristo Jesus nos salva da perversão e pecado que dominam a cultura destes dias. Por causa
disto o inimigo ataca os assuntos sobre Jesus: Sua preexistência, divindade, ressurreição e
salvação através do Seu nome somente, Sua segunda vinda, o Reino Milenar e o Trono de
juízo.

D. A Bíblia claramente descreve a vinda de uma hora de incomparável engano.


Mensageiros das trevas se levantarão e enganarão a muitos. Como as abordagens do fim,
Lúcifer irá lutar pelo direito de manter o coração da humanidade sob sua liderança, sob seu
jugo (Mt.24:11, II Ts.2:9-10, II Co.11:13-14)

“Então, numerosos falsos profetas surgirão e enganarão a muitos.” (Mt. 24: 11)

E. O Novo Testamento deixa claro que ele é o "príncipe deste mundo" ou o


"governador deste mundo" e o "deus deste século" (João 12:31; 14:30; 16:11; II Cr 4:4; cf.
Efésios 6:12).

“Contudo, se o nosso evangelho está encoberto, para os que estão perecendo é que está
encoberto. O deus, desta presente era perversa, cegou o entendimento dos descrentes, a fim de que
não vejam a luz do Evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus.” (II Co. 4: 3- 4)

F. Três vezes Jesus chamou Lúcifer de "governante deste mundo": "Eu não falarei
muito com vocês, pois o governante deste mundo está vindo e ele não tem nada em Mim"
(Jo. 14:30; cf. 12:31; 16:11).

G. Satanás ("o adversário") é um ser cheio de ódio, maldade e animosidade contra


Deus. Ele não abandonará sua posição e poder facilmente, pois a perda desta batalha
significa o poço sem fundo e o lago de fogo eterno. A parte principal de sua estratégia para
resistir a vinda do reino de Deus é produzir mensageiros em todas as esferas da sociedade,
os quais já trabalham para enganar a humanidade concernente às coisas de Deus e Seu Filho
(II Co. 11: 3-4, 11:13-15).

“Entretanto, receio que, assim como a serpente enganou Eva com sua astúcia, também a
vossa mente seja de alguma forma seduzida e se afaste da sincera e pura devoção a Cristo.
Porquanto, se alguém vos tem pregado um Jesus que não é aquele que ensinamos, ou se recebeis um
outro espírito, que não o Espírito que creio terdes recebido, ou ainda um evangelho diferente do que
tendes abraçado, a tudo isso muito facilmente rejeiteis.” (II Co. 11: 3- 4)

III - O ALERTA DE JESUS EM MATEUS 24:4-5: ESTEJAM ATENTOS PARA


QUE NINGUÉM OS ENGANE

“Então, Jesus saiu do templo e, ao caminhar, seus discípulos chegaram mais perto dEle para
lhe apontar as construções do templo. Ele, entretanto, lhes observou: Estais vendo todas estas coisas?
Com toda a certeza Eu vos afirmo que não ficará aqui pedra sobre pedra, pois serão todas
derrubadas. Tendo Jesus se assentado no monte das Oliveiras, os discípulos chegaram até Ele em
particular e lhe pediram: Dize-nos quando ocorrerão estas coisas? E qual será o sinal da Tua vinda

23
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

e do final dos tempos? Então lhes revelou: Estejam atentos de que ninguém os engane.” (Mt. 24:1-
4)

A. Este diálogo resulta da admiração dos discípulos pelo templo. A semana


começara com Jesus limpando o templo, curando, fazendo sinais e maravilhas, pregando a
Palavra e com pessoas tentando fazê-lo rei. Lá pela terça-feira Jesus dá Seu último sermão
público aos líderes religiosos do dia, com um tom de censura. Os líderes não são capazes de
reconhecer que seu Messias de Salmos 110 está diante deles. Finalmente Jesus anuncia que
eles tem perdido o tempo da sua visitação e que não o verão novamente até que digam:
“Bendito é aquele que vem em nome do Senhor!" (Sl. 118:26).

B. Os líderes rejeitaram Jesus e conspiraram matá-lo. O templo de Salomão perdeu


a arca do poder de Deus no exílio da Babilônia e agora, no templo de Herodes a nação rejeita
a manifestação da glória de Deus na pessoa do seu Filho. Jesus não está admirando as
construções, mas pensando no iminente julgamento e nas consequências de Israel rejeitar
seu Messias. Jesus está entristecido sobre a cidade, a qual está ordenada a ser lugar de
descanso de Seu governo eterno, mas que por enquanto está desolada.

C. A primeira vinda do Messias é tipificada pela dureza do coração de Israel e


lentidão para crer no que os profetas escreveram. Isto termina com a rejeição de Israel e
morte de Jesus. O que precederá a segunda vinda do Messias? As primeiras palavras de Jesus
definem o contexto: "Atentem para que ninguém vos engane. Pois muitos virão em Meu nome,
dizendo, "Eu sou o Cristo", e enganarão a muitos" (Mt. 24:4-5). Falsos profetas e cristos virão
a tona para enganar muitos no contexto da guerra, seguidos de desastres naturais,
perseguição e impiedade.

D. Engano estará intensificado antes da próxima vinda de Jesus. Ele cobra seus
discípulos para que "estejam atentos. Não aceitem esta leviandade. Entendam a estratégia
do Maligno. No meio da grande calamidade Satanás trará mensageiros das trevas que
distribuirão mentiras concernentes a Jesus. Por causa da impiedade o coração das pessoas
irá ser excepcionalmente frio e receptivo ao engano. Estejam atentos: este engano virá através
de mensageiros das trevas que farão grandes sinais e maravilhas para enganar, se possível,
até os eleitos. A magnitude desta onda de engano é diferente de tudo que vocês já tenham
visto. Saibam disto, Eu tenho alertado vocês. Estejam atentos!" (Mt. 24:10-12, 23-25)
“Nessa época, muitos ficarão escandalizados, trairão uns aos outros e se odiarão
mutuamente. Então, numerosos falsos profetas surgirão e enganarão a muitos. E, por causa da
multiplicação da maldade, o amor da maioria das pessoas se esfriará.” (Mt.24:10-12)

“Então, se alguém vos anunciar: “Vede, aqui está o Cristo!” ou “Ei-lo ali”. Não acrediteis.
Pois se levantarão falsos cristos e falsos profetas e apresentarão grandes milagres e prodígios para,
se possível, iludir até mesmo os eleitos. Vede que Eu o preanunciei a vós!” (Mt.24:23-25)

E. Três vezes Jesus enfaticamente alerta os discípulos do engano vindouro e


identifica o assunto da discussão - a pessoa de Cristo. Quem é o verdadeiro Messias de Israel?
É preciso notar que Jesus dá o discurso no mesmo monte no qual ele retornará à Jerusalém.
Jesus entendia completamente Zacarias 14:1-5. Ele reconhecia completamente que Sua
próxima vinda a Jerusalém seria no tempo da grande desolação quando as nações estivessem
devastando Israel e Jerusalém em particular.

“Atentai todos vós! Eis que vem o dia do Senhor, quando todos os teus bens se tornarão
despojos e serão repartidos no meio de ti. Porquanto ajuntarei todas as nações para a luta contra
Jerusalém; a cidade será tomada, as habitações serão saqueadas, e as mulheres, violentadas;
metade da cidade será sequestrada e levada para o cativeiro; contudo, o restante do povo não será

24
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

exterminado da cidade. Então Yahweh se apresentará pessoalmente para a guerra contra aquelas
nações, como ele costuma fazer em dia de batalha. Naquele dia os seus pés estarão sobre o monte
das Oliveiras, a leste de Jerusalém, e o monte se dividirá ao meio, do oriente para o ocidente, e
haverá um vale muito grande; e metade do monte será retirado para o norte e a outra metade para
o sul.” (Zc.14:1-4)

F. A destruição de Jerusalém foi um prenúncio deste evento, mas o comprimento do


ultimato antes do retorno de Jesus será maior do que a destruição de Jerusalém por Tito.

A Bíblia conta a história da cidade de Jerusalém, ela era a capital do povo de Deus.
Era conhecida como a cidade da paz (Jr.33:9). O salmista canta: “Desde Sião bendito seja o
Senhor, que habita em Jerusalém! Aleluia!” (Sl.135:21). Jesus demonstrou seu amor por esta
cidade ao declarar: “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te foram
enviados! Quantas vezes quis eu reunir teus filhos, como a galinha ajunta os do seu próprio
ninho debaixo das asas, e vós não o quisestes!” (Lc.13:34).

Justamente por haverem rejeitado Cristo, veio a profecia: “e te arrasarão e aos teus
filhos dentro de ti, não deixarão em ti pedra sobre pedra, porque não reconheceste a
oportunidade da tua visitação” (Lc.19:44). Esta profecia teve seu exato cumprimento quando
Jerusalém foi destruída no ano 70 AD, pelo imperador romano Tito. Todavia, há ainda uma
promessa para o povo de Deus, esperamos agora pela Nova Jerusalém.

G. Todas as nações, lideradas por um governante de Satanás, atacarão e assolarão


Jerusalém. A mesma cidade que rejeitou seu verdadeiro Messias, que veio oferecendo paz,
aceitará um falso messias com poderes concedidos por Satanás. Esta aliança com o
Anticristo conduzirá a destruição de Israel e Jerusalém. Contudo, a cidade que rejeitou Jesus
um dia será liberta por Ele, mas primeiro a cidade deve matar seu verdadeiro Rei e receberá
um falso.

H. Todas as coisas estão conduzindo para este fim, o clímax das eras, quando Jesus
retornar como todas as profecias tem predito nas Escrituras. Conforme esse tempo se
aproxima, devemos atentar às palavras de Jesus. Engano está vindo e devemos estar
vigilantes em todas as coisas.

IV - A CARGA APOSTÓLICA: CONTENDER POR FÉ E TER CUIDADO COM O


ENGANO

“Amados, enquanto me preparava com grande expectativa para vos escrever acerca da
salvação que compartilhamos, senti que era necessário, antes de tudo, encorajar-vos a batalhar,
dedicadamente, pela fé confiada aos santos de uma vez por todas.” (Jd.1:3)

Os escritores do Novo Testamento repetidamente exortaram os crentes à batalhar pela


fé dada à eles através dos apóstolos. Crentes estão batalhando pela fé, bem como estão em
guarda contra o engano, pois Satanás vem como um anjo de luz para enganar.

A. As cartas de Paulo aos Coríntios: (I Co.3:10-13, 4:1-2, 15:1-4, II Co. 11:3, 13-15)

“Segundo a graça de Deus que me foi outorgada, eu, como prudente construtor, lancei o
alicerce e outro está edificando sobre ele. Entretanto, reflita bem cada um como constrói. Porque
ninguém pode colocar outro fundamento além do que está posto, o qual é Jesus Cristo! Se alguma
pessoa edifica sobre esse alicerce utilizando ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno ou palha,
sua obra será manifesta, porquanto o dia a trará à luz; pois será revelada pelo fogo, que provará a
qualidade da obra de cada um.” (I Co.3:10-13)
25
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

B. A carta de Paulo aos Gálatas:

Paulo contende pelo coração do evangelho na sua carta aos Gálatas. Muitos falsos
mestres (como os Judaicos) estavam liderando os Gálatas a desviarem-se da verdade que
fundamenta o evangelho - justificação vem através da fé nas obras salvadoras de Jesus Cristo
e santificação vem pelo trabalho no interior feito pelo Espírito Santo, não por obediência às
leis de Moisés. Ele também define autoridade apostólica sobre revelação sobrenatural. Os
Gálatas deveriam permanecer fiéis ao evangelho dado a eles.

“Contudo, ainda que nós ou mesmo um anjo dos céus vos anuncie um evangelho diferente
do que já vos pregamos, seja considerado maldito! Conforme já vos revelei antes, declaro uma vez
mais: qualquer pessoa que vos pregar um evangelho diferente daquele que já recebestes, seja
amaldiçoado!” (Gl.1:8-9)

“Ó gálatas insensatos! Quem vos enfeitiçou? Ora, não foi diante dos vossos olhos que Jesus
Cristo foi exposto como crucificado?” (Gl.3:1)

C. A carta de Paulo aos Efésios:

“Embora eu seja o menor dos menores de todos os santos, foi-me concedida a graça de
proclamar aos gentios as insondáveis riquezas de Cristo, e revelar a todos qual é a dispensação deste
mistério que, desde os séculos passados, foi mantido oculto em Deus, que tudo criou. A intenção
dessa graça era que agora, mediante a Igreja, a multiforme sabedoria de Deus se tornasse conhecida
dos principados e autoridades nas regiões celestiais, conforme o eterno propósito de Deus realizado
em Cristo Jesus, nosso Senhor.” (Ef. 3:8-11)

D. A carta de Paulo aos Filipenses:

“Tomai cuidado com os “cães”, cuidado com esses que praticam o mal, cuidado com a falsa
circuncisão!” (Fl. 3:2)

“Todavia, o que para mim era lucro, passei a considerar como prejuízo por causa de Cristo.
Mais do que isso, compreendo que tudo é uma completa perda, quando comparado à superioridade
do valor do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor, por quem decidi perder todos esses valores,
os quais considero como esterco, a fim de ganhar Cristo, e ser encontrado nEle, não tendo por minha
a justiça que procede da lei, mas sim a que é outorgada por Deus mediante a fé.” (Fl. 3:7-9)

“Porquanto, como já vos adverti repetidas vezes, e agora repito com lágrimas nos olhos, que
há muitos que vivem como inimigos da cruz de Cristo. O fim dessas pessoas é a perdição; o deus
deles é o estômago; e o orgulho que eles ostentam fundamenta-se no que é vergonhoso; eles se
preocupam apenas com o que é terreno.” (Fl.3:18-19)

E. Carta de Paulo aos Colossenses:

Paulo estava combatendo dois erros: ideias erradas sobre a pessoa de Jesus e o processo
de transformação. Ele abordou estas duas realidades com precisão porque elas estão
intrinsicamente conectadas com o coração de Deus. É por contemplar a glória de Cristo
Jesus em Sua real identidade que nós somos transformados à Sua semelhança.

1. Colossenses 1: Veja a oração de Paulo (versículos 9-12), a qual fundamenta o


conhecimento de Cristo. Paulo diz aos crentes que eles agora são reconciliados com Deus
através da morte de Jesus.
26
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

“Se de fato permaneceis na fé, alicerçados e firmes, sem vos afastar da esperança do
Evangelho que ouvistes e que está sendo pregado a todas as pessoas em todo o mundo, do qual eu,
Paulo, me tornei ministro.” (Cl. 1:23)

“A quem Deus, entre os que não são judeus, aprouve dar a conhecer as riquezas da glória
deste ministério, isto é, Cristo em vós, a esperança da glória! A Ele, portanto, proclamamos,
aconselhando e ensinando a cada pessoa, com toda a sabedoria, para que apresentemos todo homem
perfeito em Cristo. E para cumprir esse propósito, eu me esforço arduamente, lutando conforme o
Seu poder que opera eficazmente em mim.” (Cl. 1:27-29)

2. Colossenses 2: Paulo alerta os crentes em Colosso a "terem cuidado para que


ninguém os escravize a vãs e enganosas filosofias, que se baseiam em tradições humanas"
(Cl 2:8). Estas tradições estavam enraizadas nos princípios básicos do mundo e não de
acordo com Cristo (Cl.2:1-10, 3:16-17).

F. As cartas de Paulo aos Tessalonicenses:

II Tessalonicenses 2:1-12: Observe que Paulo inicia sua exortação concernente ao fim
dos tempos com: "Não vos deixes enganar de forma alguma, por ninguém." (II Ts. 2:3)

“Ora, o aparecimento desse anticristo é de acordo com a ação de Satanás, com todo o poder,
com sinais e com maravilhas ilusórias, e com todas as artimanhas e engano provenientes da
injustiça para os que estão perecendo, porquanto rejeitaram o amor à verdade que os poderia salvar.
É por este motivo que Deus lhes envia uma espécie de poder sedutor, a fim de que creiam na mentira,
e sejam condenados todos os que não creram na verdade, mas decidiram usufruir dos prazeres da
injustiça.” (II Ts.2:9-12)

G. As cartas pastorais de Paulo a Timóteo e Tito: I Tm.3:14, 4:2, II Tm. 1:8-11, 2:10-
13, 2:15, 3:8, 13-14, 4:1-4)

H. A carta de Tiago:

“Queridos irmãos, se algum de vós se desviar da verdade e alguém o reconduzir a ela,


lembrai-vos disto: quem ajudar um pecador a se arrepender do seu mau caminho salvará da morte
essa alma e contribuirá para o perdão de uma grande multidão de pecados.” (Tg. 5:19-20)

I. As cartas de Pedro: (I Pe. 1:10-13, II Pe. 2:1-3, 3:1-4, 3:17)

“Sendo assim, amados, estando bem informados, guardai-vos para que não sejais
conduzidos pelo erro e sedução dos que não têm princípios morais, vindo a perder a vossa segurança
e cair.” (II Pe. 3:7)

J. As cartas de João: (I Jo.2:18, cf. Vs.19-26, I Jo.2:22, cf. Vs.26-27, I Jo.4:2-3, 5:10-
12, II Jo.7-9)

“Deste modo, podeis reconhecer o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus
Cristo veio em carne é de Deus; mas todo espírito que não confessa Jesus não provém de Deus. Ao
contrário, este é o espírito do anticristo, a respeito do qual tendes ouvido que havia de vir e,
presentemente, já está no mundo.” (I Jo. 4:2-3)

K. A carta de Judas:
27
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

“Amados, enquanto me preparava com grande expectativa para vos escrever acerca da
salvação que compartilhamos, senti que era necessário, antes de tudo, encorajar-vos a batalhar,
dedicadamente, pela fé confiada aos santos de uma vez por todas. Porquanto, certos indivíduos,
cuja condenação já estava sentenciada há muito tempo, infiltraram-se em vossa congregação com
toda espécie de falsidades. Essas pessoas são ímpias e adulteraram a graça de nosso Deus em
libertinagem e negam Jesus Cristo, nosso único Soberano e Senhor.” (Jd.3-4)

“Vós, entretanto, amados, lembrai-vos das palavras anteriormente proferidas pelos apóstolos
de nosso Senhor Jesus Cristo, os quais vos alertavam: ‘Nos últimos tempos, haverá zombadores que
seguirão as suas próprias e ímpias vontades”. (Jd. 17-18)

L. Apocalipse escrito por João: (Ap. 13:11-14, 16:13, 17:3-6, 18:2-3)

Em Apocalipse 2-3 Jesus aborda sete igrejas na Ásia Menor e identifica o engano como
o elemento chave – falsos apóstolos, Nicolaítas, doutrina de Balaão, Jezabel e as blasfêmias
da “sinagoga de Satanás”.

Apocalipse 13 e 17-18 mostra as quatro forças mais hediondas de engano de Satanás


– a meretriz Babilônia, a confederação dos dez reis, o Anticristo e o Falso Profeta.

V - AS SEMENTES DO ENGANO

A. Judas exortou a Igreja a “contender seriamente pela fé a qual uma vez foi entregue
aos santos” (v. 3). A frente de batalha primária no reino é a verdade sobre Jesus. De fato a
primeira pregação de Jesus e profecia sobre a fundação da Igreja, função e certeza de vitória
(Mateus 16:13-19) foram centradas na questão de como os lideres O viam, da sua revelação
pessoal sobre Ele. O Espírito está perguntando aos líderes da Igreja a mesma questão hoje.
Nenhuma outra questão é mais importante (Mt.16:13-19).

“Quando Jesus chegou à região de Cesaréia de Filipe, consultou seus discípulos: “Quem as
pessoas dizem que o Filho do homem é?” E eles responderam: “Alguns dizem que é João Batista;
outros Elias; e ainda há quem diga, Jeremias ou um dos profetas”. Então Jesus interpelou: “Mas
vós, quem dizeis que Eu sou?” E, Simão Pedro respondeu: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”.
Ao que Jesus lhe afirmou: “Abençoado és tu Simão, filho de Jonas! Pois isso não foi revelado a ti
por carne ou sangue, mas pelo meu Pai que está nos céus. Da mesma maneira Eu te digo que tu és
Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra
ela. Eu darei a ti as chaves do Reino dos céus; o que ligares na terra haverá sido ligado nos céus, e
o que desligares na terra, haverá sido desligado nos céus”. (Mt. 16:13-19)

B. Hoje muitas crenças erradas tem se enraizado na Igreja. Em numerosos púlpitos


“outro Jesus” está sendo pregado (II Coríntios 11:4), segundo a própria imagem dos homens.
Muitos desejam um Jesus manejável e domesticado, que não faz exigências do seu tempo,
dinheiro, palavras, vida social e sexualidade. Contudo, como cristãos devemos nos
comprometer a proclamar a verdade de Jesus Cristo como ensinada nas Escrituras e não um
Jesus falsificado pela cultura ocidental. O apóstolo Paulo expressou sua preocupação com a
igreja de Corinto para que não se colocassem junto daquele que pregaria outro Jesus ou um
evangelho diferente (II Co. 11:4).

C. Algumas ideias errôneas que permeiam a Igreja hoje, incluem:

28
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

1. A remoção da autoridade da Escritura. A alta crítica bíblica ao longo dos últimos 200
anos prejudicou a confiança da Igreja na autoridade das Escrituras. Essa mudança na Igreja
tem dado espaço para qualquer outra forma maior de engano.
No livro “God Has Spoken”, 3 ed, J. I. Parker diz:

“Hipnotizados pelos problemas da crítica racionalista, nós


não podemos mais ouvir a Bíblia como a Palavra de Deus. A
Teologia liberal, em seu orgulho, há muito tempo insistiu que somos
mais sábios que nossos pais à respeito da Bíblia e não devemos lê-la
como eles leram, mas que devemos embasar nossas abordagens dela
em “resultados garantidos” da crítica, fazendo admissíveis as
imperfeições humanas e erros de seus autores. Esta insistência tem
um triplo efeito. Ela produz um novo papalismo – a infalibilidade
dos estudiosos, de quem aprendemos o que são os “resultados
garantidos”. Ela levanta uma dúvida sobre toda passagem bíblica,
se ela realmente incorpora revelação ou não. E ela destrói a
reverência e receptividade, gerando uma atitude de auto-
desconfiança sobre a abordagem da Bíblia, sem a qual não podemos
conhecer a “Palavra de Deus escrita”. (J.I.Parker, God has Spoken,
pg.25-26 - 1993).

2. A negação da divindade de Jesus. Teorias não ortodoxas de Jesus Cristo, Sua


identidade e propósito, tem surgido como um resultado do questionamento da autoridade
da Escritura. Assim falsos cristos surgem em abundância. Três das seguintes verdades
relatadas sobre a divindade de Jesus ofendem nossa cultura humanísta moderna:

A. Direito supremo de Jesus como Deus, de estabelecer normas absolutas da quais


as nações serão responsabilizadas.

B. Reivindicação exclusiva de Jesus de que Ele é o único caminho da salvação.

C. Possessão perfeita de Jesus da sabedoria e amor para julgar o pecado no tempo e


na eternidade.

“Os núcleos centrais da revelação – o que costumava ser


definido no catecismo como “os dois grandes mistérios da nossa fé”
– são a Trindade e a Encarnação. Deus é um e três; Jesus Cristo é
Deus e homem. No novo sistema, este núcleo é reduzido ao
seguinte: Deus é um e Jesus Cristo é homem. A divindade de Cristo
se foi e com ela a Trindade”. (Raniero Cantalamessa, Jesus Christ,
The Holy One of God, pg. 124 -1991).

3. A síndrome de “todos os caminhos levam ao mesmo lugar”. Jesus é um caminho dentre


muitos outros e todas as religiões servem ao mesmo Deus. Todas as reivindicações religiosas
são igualmente válidas e vêm da mesma origem do desejo humano por significado, esperança
e o estabelecimento da moralidade. Proponentes desta visão propõem o término do
dogmatismo religioso, com várias religiões se reunindo em torno do assunto de ajuda aos
pobres e resolução dos males da sociedade.

a. Em outubro de 2007, um grupo de 138 estudiosos muçulmanos, clérigos


intelectuais enviaram uma carta aberta intitulada “Uma Palavra comum entre nós e vós”
endereçada aos líderes de todas as igrejas do mundo. O objetivo desta carta aberta era

29
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

prevenir conflitos religiosos de proporções catastróficas entre 2 bilhões de cristãos e 2 bilhões


de muçulmanos. A carta identificava duas áreas de interesse comum para diálogo ecumênico
e parceria.

b. Estes estudiosos muçulmanos identificaram o monoteísmo como a primeira área


de interesse comum. Enquanto afirmavam que ambos, Islamismo e Cristianismo, creem no
Único Deus Verdadeiro, a carta passou a remover Jesus do diálogo, afirmando que mesmo
estudiosos Cristãos não estão em acordo concernente à divindade de Jesus. Teologia
trinitária e a divindade de Jesus estão sendo postas de lado por uma questão de unidade
religiosa.

c. A segunda área de interesse comum foi concernente ao pobre. Ambas religiões


colocaram um alto valor na ajuda aos pobres e necessitados. O ministério para os pobres
podem se tornar uma área de parceria entre Muçulmanos e Cristãos.

4. A negação do pecado original. A humanidade é uma lousa branca (conceito da tábula


rasa; John Locke e David Hume) e pode ser condicionada em direção ao bem ou ao mal. A
socialização e educação, não a expiação, são a resposta para os problemas da humanidade.
A crença na expiação pelo pecado é uma sobra remanescente do desatualizado e antiquado
sistema religioso. A humanidade deve ser educada e condicionada em direção a um futuro
mais tolerante e gentil.

5. Universalismo e negação do inferno. O inferno é uma realidade terrena e do presente.


Não é uma punição eterna para aqueles que rejeitaram a Verdade e Satanás é um conceito
antiquado. O diabo e o inferno desapareceram há muito tempo para as massas educadas.

6. Humanismo. A humanidade não precisa mais de religião como um fundamento


para a moralidade. O Humanismo está frequentemente na Igreja. O evangelho não é mais
sobre fé em Deus e sua necessidade de redenção. A Igreja é uma organização social chamada
para aliviar um pouco os infortúnios males da sociedade. Assim as doutrinas de Deus não
são mais importantes. A divindade de Jesus não é o centro crucial da crença. Amar e
glorificar a Deus no jeito que Ele define não é mais o mais alto propósito da religião. Aliviar
o sofrimento da humanidade é agora o mais alto propósito.

7. Graça como licenciosidade. Uma falsa doutrina da graça é apresentada como


desculpa para o pecado. Esta falsa graça, disponível para nós, apesar do nosso pecado, é
erroneamente entendida como a misericórdia de Deus. Considerando que a verdadeira graça
é o poder capacitador de Deus para superar a tentação do pecado, uma vez que exista
arrependimento, então misericórdia divina é liberada. Muitos são levados a acreditar que o
pecado é mais como uma pequena sujeira em nossa camisa do que uma doença mortal
injetada em nosso corpo. Paulo afirma especificamente que “o salário do pecado é a morte”
(Rm. 6:23). Devemos resistir ao pecado, fugir do pecado e morrer para o pecado (Rm. 6:1-
14).

VI. O DILEMA DE JERUSALÉM

A. As três religiões monoteístas – Cristianismo, Judaísmo e Islamismo – são


representadas em Jerusalém. Cada uma tem sua própria declaração concernente a Jesus e
como Ele relata Jerusalém no fim dos tempos. O Judaísmo recusa reconhecer a identidade
messiânica de Jesus e ainda espera por seu Messias para livrar Israel da opressão estrangeira,

30
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

reconstruir o Templo e liderar a nação. Há várias opiniões islâmicas diferentes sobre a vinda
do messias mundial, que os islamitas chamam o “Iman Mahdi. Muitos islamitas estão à
espera do reaparecimento de um antigo Iman, que unirá as várias facções da fé islâmica,
destruirá todos os infiéis e estabelecerá o reinado mundial de Allah, de acordo com o Corão
e a lei islâmica Sharia. Mas existe também uma crescente escola de pensamento, que ensina
que Jesus Cristo será o Messias mundial – não o Jesus da Bíblia, mas o distorcido Jesus do
Corão. O Cristianismo espera pelo retorno de Jesus para derrubar todas as nações e
estabelecer Seu reino de justiça e amor.

B. Na crença Islâmica, o Domo da Rocha é considerado o local onde o profeta


Maomé ascendeu ao céu. Além disso, o Islamismo nega a encarnação e ressurreição de Jesus
e a Trindade.

Inscrições no exterior do Domo da Rocha declaram que Deus não tem um filho
unigênito, assim negam que Jesus é o Filho de Deus. Disponível em
http://www.learn.columbia.edu/courses/islamic/pdf/Inscrip_Dome.pdf,accessed.

C. O Judaísmo nega que Jesus é o Messias Judeu.

Alguns tem argumentado que não é tanto o que o Judaísmo afirma que importa, mas o que ele
nega. O dogma central do Judaísmo rabínico é uma negação de que Jesus é o Messias, muito menos,
que Ele é Deus. Uma vez que a historicidade de Jesus é difícil de negar, o Judaísmo tem abraçado apenas
como Ele é despojado de divindade e de Seu papel como Messias. Quando os estudiosos Judaicos falam
da recuperação do Judaísmo de Jesus, eles na maioria das vezes se referem ao aprendizado Judaico e
conceitos que Jesus expressou, mas não admitem autoridade ou originalidade a Ele. Ele foi simplesmente
um humilde Judeu reformador e mestre. Tal mestre só precisa ser “reivindicado” como uma obscura
nota de rodapé na história Judaica. Um Jesus que não precisa ser rejeitado, contudo, não precisa ser
reivindicado. (Judaísm – Jim R. Sibley, acesso em 30 de outubro de 2014).
David Baron, em “The Servant of Jehovah” (O Servo de Jeová), escreveu:

“O precioso nome Yeshua (“Jesus, Salvador”) tem sido


mudado em “Yeshu” composto das letras inicias que significam,
“Deixe Seu nome e Sua memória serem apagados”. O Único Santo
que não conheceu pecado nem foi achado engano em Sua boca, é
muitas vezes denominado “transgressor”; e outro termo
frequentemente presente na boca dos Judeus é “Tolui” (“o
enforcado”), que é equivalente a “o maldito”... Assim Suas obras
ainda estão atribuídas à bruxaria e Belzebu. Seu evangelho é
chamado Aven ou Avon-gillajon, “o pecaminoso ou malicioso
escrito”; enquanto o ódio Rabínico por Seus seguidores ... subiu até
a altura de instituir uma oração pública diária na mais solene parte
de sua liturgia, que “os Nazarenos” devem, juntos com todos
apóstatas, “ser subitamente destruídos”, sem esperança e ser
‘apagados do livro da vida!” (BARON, 2001, p. 75-76).

VII. COMO EVITAR O ENGANO

A. O apóstolo Paulo enfatiza sobre como evitar o engano: Devemos amar a verdade
e habitar na pessoa e doutrinas de Cristo; observar nossas doutrinas e nossa maneira de viver.

“Ora, o aparecimento desse anticristo é de acordo com a ação de Satanás, com todo o poder,
com sinais e com maravilhas ilusórias, e com todas as artimanhas e engano provenientes da
31
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

injustiça para os que estão perecendo, porquanto rejeitaram o amor à verdade que os poderia
salvar.” (II Ts. 2:9-10)

“Não aceiteis que alguém seja árbitro contra vós, fingindo humildade ou culto a anjos,
fundamentando-se em visões, ostentando a inútil arrogância do seu conhecimento carnal. Trata-
se, pois, de uma pessoa que não está unida à Cabeça, a partir da qual todo o Corpo, sustentado e
unido por seus ligamentos e juntas, efetua o crescimento concedido por Deus.” (Cl. 2:18-19)

“Tem cuidado de ti mesmo e do teu ensino; persevera nesses deveres, pois agindo assim,
salvarás tanto a tua própria vida quanto a todos que te derem ouvidos.” (I Tm. 4:16)

“Tu, porém, tens seguido atentamente minha teologia, procedimento, propósitos, fé


paciência, amor, perseverança; observando minhas perseguições e aflições, que sofri em Antioquia,
Icônio e Listra. Quantas perseguições suportei! Contudo, de todas o Senhor me livrou! De fato,
todas as pessoas que almejam viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidas. Todavia, os
perversos e impostores andarão de mal a pior, enganado e sendo enganados. Tu, no entanto,
permanece no ensino que recebeste e sobre o qual tens plena convicção, sabendo perfeitamente de
quem o tem aprendido. Porque desde a infância sabes as Sagradas Letras que têm o poder de fazer-
te sábio para a salvação, por intermédio da fé em Cristo Jesus.” (II Tm. 3:10-15)

“Toda a Escritura é inspirada por Deus e proveitosa para ministrar a verdade, para
repreender o mal, para corrigir os erros e para ensinar a maneira certa de viver, a fim de que todo
o homem de Deus tenha capacidade e pleno preparo para realizar todas as boas ações.” (II Tm.
3:16-17)

“Eu te encorajo solenemente, na presença de Deus e de Cristo Jesus, que há de julgar os vivos
e os mortos, por ocasião da sua manifestação pessoal e mediante o Seu Reino. Prega a Palavra,
insiste a tempo e fora de tempo, aconselha, repreende e encoraja com toda paciência e sã doutrina.”
(II Tm. 4:1-2)

B. Nós devemos observar nossa doutrina de perto, pelo apego ao que a Igreja tem
consensualmente acreditado por cerca de vinte séculos concernentes a Jesus Cristo. Nós
devemos nos focar sobre as “maiores” questões da fé – a encarnação, vida, morte,
ressurreição, ascensão e segunda vinda de Jesus. Paulo orou para que as igrejas em Colosso
e Laodicéia pudessem atingir “toda a riqueza do pleno entendimento, para que pudessem
conhecer perfeitamente o mistério de Deus, a saber, Cristo, onde estavam ocultos todos os
tesouros da sabedoria e do conhecimento” (Cl. 2:2-3)

C. O assunto de Cristo é o que faz com que nossos corações amem a Deus e nos
abraça na hora da provação. O livro do Apocalipse é um livro enviado por Deus para
fortalecer a Igreja e prepará-la para a perseguição e o sofrimento. A revelação dada à Igreja
para fortalecê-la é a revelação de Jesus Cristo. De fato, esta revelação não só nos fortalece
para suportar a perseguição, ela é eternamente o assunto da adoração, tanto de anjos quanto
de homens.

“Revelação de Jesus Cristo, que Deus lhe concedeu para mostrar a seus servos os
acontecimentos que em breve devem se realizar, e que Ele, por intermédio do seu anjo, expressou ao
seu servo João, o qual comprovou tudo quanto viu da Palavra de Deus e o testemunho de Jesus
Cristo.” (Ap. 1:1-2)

“Diante disso, lancei-me aos seus pés num gesto de adoração, mas ele imediatamente, me
orientou: “Olha, não faças isso; sou conservo teu e de teus irmãos, que têm o testamento de Jesus.
Adora a Deus, porquanto o testemunho de Jesus é a essência da profecia”. (Ap. 19:10)
32
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

VIII - LEVANTANDO TESTEMUNHAS: A VINDA DO MOVIMENTO


APOSTÓLICO

A. Qual é a resposta de Deus ao engano do inimigo? São mensageiros – pregadores


apostólicos que proclamarão Cristo e toda Sua glória. O Espírito Santo está atualmente
restaurando a fascinação e o amor por Jesus através da revelação de todas Suas excelências.
Esta revelação irá produzir alguns dos maiores mensageiros da história da igreja. Eles
ajudarão a inaugurar o avivamento na Igreja em torno do conhecimento de Cristo,
restaurando o primeiro mandamento ao primeiro lugar. O Espírito Santo está preparando
estes vasos para estarem queimando e iluminando durante a hora de maior treva no mundo
e para fazer Jesus conhecido.

B. Estes mensageiros proclamarão o seguinte sobre Jesus:


 Preexistência
 Encarnação
 Santidade
 Poder
 Mansidão
 Palavras
 Liderança
 Morte expiatória
 Ressurreição
 Ascenção
 Julgamentos
 Segunda vinda
 Reinado milenar
 Reino eterno

C. O Espírito Santo está chamando e preparando mensageiros que procurarão as


Escrituras para ganhar o entendimento de Cristo e Seu reino. Ele está ainda tomando pessoas
no “Caminho de Emaús” (Lc. 24:13-25), revelando a forma como Cristo teve de sofrer antes
de entrar em Sua glória. Aqueles que esperarão no lugar de oração e meditação sobre a
Palavra de Deus, com a orientação do Espírito. Ele os lidera através da Lei, dos Salmos e
dos Profetas, revelando o propósito eterno de Deus em Cristo Jesus.

D. O Espírito também está orquestrando uma restauração mundial da oração e jejum


para nutrir o ambiente do estudo rigoroso e adorador do conhecimento de Deus como nas
Escrituras e para contender pelo derramar do Espírito Santo.

1. Casas de oração e igrejas que oram estão emergindo em todas as nações,


comissionadas a adorar, meditar, estudar diligentemente a Palavra e orar por um
rompimento do poder e dos propósitos de Deus. A crença que oração corporativa e jejum
(Jl. 2:15) é a escolha de Deus para que Seu povo experimente Sua presença manifesta está se
tornando uma visão comum na Igreja de hoje (Jl. 2:12-17)

2. A oração global e o movimento de adoração está criando uma cultura de cantar a


Palavra de Deus e escrever canções formadas de um profundo estudo da Escritura. Muitas
canções concernentes a Jesus ainda serão cantadas.

33
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

IX - A ÚLTIMA GRANDE TESTEMUNHA: JOEL 2 E ATOS 2:17


A. Antes da ascensão de Jesus à direita do Pai, Ele ordenou aos apóstolos que
permanecessem em Jerusalém até que fossem equipados com poder do Espírito Santo.

“Eis que Eu envio sobre vós a promessa de meu Pai; contudo, permanecei na cidade, até que
sejais revestidos do poder do alto!” (Lc. 24:49)

“Contudo, recebereis poder quando o Espírito Santo descer sobre vós, e sereis minhas
testemunhas, tanto em Jerusalém, como em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra!”
(At. 1:8)

B. Durante o Pentecoste 120 crentes, incluindo os apóstolos, esperaram em


Jerusalém para receber o poder de Deus. Eles estavam tentando o impossível. Jesus havia
dito a eles para voltarem para a cidade que tinha acabado de rejeitá-lo e de crucificá-lo.
Imagine isto na sua mente: quando Jesus disse: “Permaneçam em Jerusalém”, os apóstolos não
estavam pensando, “Oh, isto faz sentido.”, eles estavam questionando: “Por que nesta parte do
mundo? Jerusalém? Nós temos mais eficiência em Cafarnaum. Ele nos disse primeiro para encontrá-lo
na Galiléia – vamos começar lá. Por que Jerusalém? Jerusalém é onde eles mataram os profetas!”. De
fato, ali fora morto o mais poderoso Homem que já caminhou na terra.

C. Jesus foi o maior mensageiro, médico, evangelista, profeta, libertador, exorcista e


mestre. Ainda assim, eles o mataram. Por que Jerusalém? Certamente Deus poderia querer
que os discípulos começassem em algum outro lugar. Desde que Jerusalém havia rejeitado e
matado seu Mestre, certamente os seus servos não se sairiam melhor. Você pode ouvir o
Senhor dizendo: “Eu justamente escolhi Jerusalém a fim de exibir a grandeza do Meu poder. No
princípio da propagação do evangelho, Eu quero mostrar qual é a verdadeira unção. Eu quero mostrar
a diferença entre palavras humanas expressando ideias e o poder do Espírito Santo que toma palavras
fracas e penetram o mais duro dos corações!!!”

D. Como os apóstolos obedientemente esperaram em Jerusalém, eles foram cheios


com o Espírito Santo. Pedro ligou este acontecimento com a profecia de Joel:

“E aconteceu que, colocando-se em pé, juntamente com os onze, Pedro tomou a palavra e,
em alta voz, pregou à multidão reunida: “Homens judeus e todos os que habitais em Jerusalém,
permitais que vos esclareça o que se passa! Dai, pois, atenção às minhas palavras. Estes homens
não estão embriagados como pensais. Até porque são apenas nove horas da manhã. Muito diferente
disto. O que está ocorrendo foi predito pelo profeta Joel: Nos últimos dias, diz o Senhor, que
derramarei do meu Espírito sobre todos os povos, os seus filhos e as suas filhas profetizarão, os
jovens terão visões, os velhos terão sonhos. Sobre os meus servos e as minhas servas derramarei do
meu Espírito naqueles dias, e eles profetizarão. Mostrarei maravilhas em cima, no céu, e sinais
embaixo, na terra: sangue, fogo e nuvens de fumaça. O sol se tornará em trevas e a lua em sangue,
antes que venha o grande e glorioso Dia do Senhor. E todo aquele que invocar o nome do Senhor
será salvo!” (At. 2:14-21).

E. Joel profetizou sobre o derramamento mundial do Espírito sobre toda a carne.


Inicialmente, no Pentecostes, o Espírito só repousou sobre os 120 judeus cristãos reunidos
em Jerusalém. Depois da proclamação de Pedro, 3.000 judeus foram salvos e cheios com o
Espírito Santo.

“E com muitas outras palavras dava seu testemunho pessoal e os encorajava, proclamando:
“Sede salvos desta geração que perece!” Assim, todos quantos aceitaram a sua palavra foram
batizados; e naquele mesmo dia juntaram-se a eles cerca de três mil pessoas. Eles perseveraram no

34
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

ensino dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações. E na alma de cada pessoa
havia pleno temor, e muitos feitos extraordinários e sinais maravilhosos eram realizados pelos
apóstolos. Todos os que criam estavam unidos e tinham tudo em comum. Vendiam suas
propriedades e bens, e dividiam o produto entre todos, segundo a necessidade de cada um.
Diariamente, continuavam a reunir-se no pátio do templo. Partiam o pão em suas casas e juntos
participavam das refeições, com alegria e sinceridade de coração, louvando a Deus por tudo e sendo
estimados por todo o povo. E, assim, a cada dia o Senhor juntava à comunidade as pessoas que iam
sendo salvas.” (At. 2:40-47)

F. A plenitude da profecia de Joel ainda requer uma dimensão global. Pedro sabia
que ele só tinha experimentado as primícias da profecia de Joel. A expressão completa desta
profecia não acontecerá até pouco antes do grande e maravilhoso dia do Senhor quando o
Espírito Santo será derramado sobre toda a carne.

“Então, depois desses eventos, derramarei do meu Espírito sobre todos os povos! Os seus
filhos e as suas filhas profetizarão, os idosos terão sonhos, os jovens ganharão visões! Inclusive sobre
os escravos e serviçais da época, derramarei do meu Espírito naqueles dias. E farei com que ocorram
eventos espantosos no céu e na terra: sangue, fogo e grandes nuvens de fumaça! O sol se converterá
em trevas e a lua em sangue, antes que chegue o grandioso e temível Dia do Senhor.” (Jl. 2:28-31)

G. Antes da segunda vinda de Jesus, Deus liberará um grande testemunho sobre Seu
Filho pelo derramar do Espírito Santo, o qual culminará na maior pregação apostólica já
vista ou ouvida. Corações serão quebrantados e rendidos. Sinais e maravilhas testificarão a
verdade do evangelho de Jesus Cristo. Jesus será restaurado à preeminência dentro da Igreja
e a terra será abalada antes das demonstrações de poder que acompanharão o testemunho.

H. Um movimento de oração como Joel 2:12-17 precederá o derramar global do


Espírito Santo. O que aconteceu localmente em Jerusalém acontecerá de forma global no
fim dos tempos. O derramar inicial aconteceu em Jerusalém e foi até os confins da terra. O
último derramar do Espírito Santo virá sobre toda a carne (toda tribo, língua, povo e nação;
cf. Apocalipse 5:9) e focado sobre Jerusalém. Este será o maior rompimento na história do
mundo, será o maior rompimento já visto, maior do que o terrorismo ou o colapso da
economia. Este mover do Espírito trará a Igreja mundial à maturidade.

“Pois do Oriente ao Ocidente, grande é o meu Nome entre as nações. Em toda parte incenso
especial é queimado e ofertas puras são trazidas em adoração ao meu Nome, porquanto, grande
será o meu Nome entre todas as nações da terra! Declara o Senhor dos Exércitos.” (Ml. 1:11)

I. Sobre este povo que estiver orando, o derramar do Espírito Santo liberará o maior
mover profético de Deus já testemunhado na história (Apocalipse 11). Eles profetizarão com
grande poder e autoridade. Deus trará de volta seus mensageiros com maravilhas nos céus e
sinais na terra. A Igreja será uma Igreja de oração e irá operar no espírito profético,
declarando fielmente o evangelho de Jesus Cristo.

J - MORDOMOS DOS MISTÉRIOS DE DEUS E DAS RIQUEZAS


INSONDÁVEIS DE CRISTO
A. Em I Coríntios 4 Paulo descreveu os apóstolos como “servos de Cristo e
mordomos dos mistérios de Deus”. Paulo esteve cego no caminho de Damasco pela radiante
glória de Cristo e declarou em Efésios 3:8 que a graça lhe havia sido dada para que ele
“pudesse pregar entre os gentios as insondáveis riquezas de Cristo”. Pedro foi uma
testemunha ocular da majestade de Jesus na transfiguração e ouviu a voz que declarou dos
céus: “Este é o meu Filho amado, em quem Eu tenho prazer” (II Pe. 1:16-17). João viu Jesus em
Sua ressurreição e glorificado e caiu a Seus pés como um homem morto (Ap. 1:17). Estes
35
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

homens proclamaram as excelências de Cristo na sua geração e também as registraram em


suas cartas. Cristo é o poder e sabedoria de Deus (I Co. 1:24). Ele é o resplandecer da glória
do Pai (Hb. 1:3). Ele é o Verbo que se fez carne (Jo. 1:14), a plenitude da divindade em forma
corporal (Cl. 2:9). Em Jesus são encontrados todos os mistérios de Deus e do homem.

B. Este pequeno grupo de apóstolos viraram o mundo antigo de cabeça para baixo
com seus destemidos testemunhos do evangelho de Jesus Cristo. Cidades tremeram diante
deste grupo desorganizado de homens Judeus que estiveram com Jesus. Atos 17:6-7 dá uma
clara imagem disto em Tessalônica.

“Porém, os líderes judeus sentiram forte inveja e reuniram alguns homens perversos dentre
os desocupados e, agitando a população, iniciaram um tumulto na cidade. Invadiram a casa de
Jason, em busca de Paulo e Silas, com o objetivo de arrastá-los para o centro do ajuntamento da
multidão. Todavia, não os encontrando, agarraram Jason e alguns outros irmãos e os entregaram
aos governantes da cidade, exclamando: “Estes que têm causado alvoroço em todo o mundo, agora
chegaram também aqui. E Jason os hospedou em sua casa. Todos eles estão agindo contra os
decretos de César, proclamando que existe um outro rei, chamado Jesus” (At. 17:5-7).

C. Os cidadãos de Tessalônica temeram por duas razões – a mensagem e seu efeito.


As boas novas são tão verdadeiras e poderosas hoje como elas eram com os apóstolos. Nós
temos boas novas para proclamar. Há um Rei! Seu nome é Jesus e Ele é o ressurreto Senhor
da glória. Perdão não é achado em outro nome e as boas novas de Sua salvação ainda viram
o mundo de cabeça para baixo.

D. O Senhor está procurando por testemunhas fiéis que proclamarão as excelências


de Seu Filho. O Espírito Santo ainda está chamando mensageiros que despertarão a Igreja
para as riquezas da glória de Cristo e responderão a investida do engano do Maligno. Talvez,
o Mestre esteja chamando você para ser uma luz brilhante na maior hora de trevas deste
mundo. Você responderá a este convite? Você se tornará um mordomo dos mistérios de Deus
e um pregador das insondáveis riquezas de Cristo? Eu penso que não há privilégio maior ou
um chamado mais excelente!

36
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

LIÇÃO QUATRO
CONTENPLANDO JESUS: O CORAÇÃO DO NOIVO

I - JOÃO 17 – A ORAÇÃO DE TODAS AS ORAÇÕES


A. O Salmo 2 nos dá uma imagem do eterno conselho de Deus, quando o Pai definiu
seu Rei – Seu Filho Jesus – como rei de todas as nações. Ele então descreveu o método pelo
qual seu Filho receberia o Reino. Ele viria através de um pedido e em João 17 Jesus faz
exatamente isto. (Sl. 2:8)

B. O Evangelho nos conta sobre a vida excepcional de Jesus, mas raramente nos diz
o conteúdo específico das suas orações. Contudo João 17 perscruta até as profundezas da
divindade e nos dá um vislumbre santo sobre o relacionamento da Trindade. Momentos
antes da cruz, Jesus oferece a maior oração já registrada. Naquele santo momento o véu é
rasgado e o Filho é ouvido em oração por Deus, o Pai, através do poder e da inspiração do
Espírito. Deus está falando para Deus através do poder de Deus, sobre o eterno destino de
Jesus e sua Noiva.

1. Não há nenhuma outra oração como esta. “A oração do Senhor” é um simples


modelo de como nós devemos orar. João 17 é o transbordamento do relacionamento da
trindade. Nessa oração perscrutamos aquilo que é mais raro e misterioso. Neste lugar Deus
está falando com Deus. Deus Filho está falando para Deus Pai, através do poder do Espírito
de Deus, sobre seu próprio desejo por nós. Isto é inimaginável!

2. Entramos no mais íntimo lugar do Onipotente, onde o Deus Filho fala com Deus
Pai sobre as coisas mais queridas do seu coração. Paulo nos diz que o Espírito procura as
coisas profundas de Deus e as faz conhecidas a nós (I Co. 2:9-10). Na divindade residem as
coisas profundas, os conselhos eternos, os pensamentos que são mais santos e preciosos, que
somente o Espírito pode nos revelar. Serafins não podem perscrutar o interior desses
mistérios. Alguns mistérios são cercados por inacessível luz e fogo divino. Pedro expressa
que os anjos anseiam olhar para as coisas concernentes a salvação (I Pe. 1:12). No entanto,
nenhum anjo pode passar através do turbilhão de fogo, luz e poder para contemplar os planos
eternos para seu amado Filho e para a humanidade, a criação mais preciosa, feita à sua
imagem. Somente o Espírito Santo conhece todo o coração e mente do Pai e do Filho e Ele
os revela a nós.

C. Em João 17 somos escoltados para o lugar de eterna habitação de Deus, onde o


Espírito Santo toma as coisas mais profundas do coração do Filho de Deus, quando Ele orou
a perfeita vontade de Deus. Nela encontramos a revelação do mais íntimo da natureza de
Deus e dos planos concernentes ao seu povo. Devemos entender que esta oração será
respondida em detalhes antes do retorno de Jesus. Jesus apenas fez e disse o que viu seu Pai
dizendo e fazendo. Assim, em João 17, Ele orou a vontade completa do Pai. Isso nos dá
confiança, principalmente porque:

1. Primeiro, sabemos que a fonte é verdadeira. As palavras vieram diretamente dos


lábios de Jesus para seu Pai, debaixo da inspiração do Espírito Santo. Portanto, podemos
confiar em cada sílaba, em cada movimento e em todos os pensamentos e emoções. As ideias
presentes nesta oração são os pensamentos mais sublimes e elevados em relação a nossa vida
e a natureza de Deus.

37
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

2. Segundo, esta oração será atendida em sua totalidade. Uma vez que Jesus só disse
e fez o que o Pai estava dizendo e fazendo, toda oração de Jesus será respondida porque Ele
estava em perfeito acordo com o seu Pai.

D. Jesus depois de instituir a ceia do Senhor e compartilhar palavras encorajadoras


com os seus discípulos, oferece sua oração sacerdotal, pouco antes de sua rejeição, flagelação
e crucificação:

1. Nos versos 1 a 5 Jesus conectou-se com o desejo do seu Pai, afirmando ter feito
tudo o que seu Pai lhe tinha pedido.

“Pai, é chegada a hora. Glorifica o teu Filho, para que o teu Filho de glorifique... Eu te
glorifiquei na terra, finalizando a obra que me entregaste para realizar. E agora, Pai, glorifica-me
junto a Ti, com a glória que Eu tinha contigo antes que o mundo existisse.” (Jo. 17:1, 4-5)

2. Nos versos 6 a 19 Jesus ora por seus onze discípulos e declara que sua fé é
autêntica e que eles realmente crerão. Jesus afirma que estava com eles e ora para que fossem
protegidos do maligno e para que permanecessem na verdade.

“Santifica-os pela tua verdade. Tua Palavra é a verdade”. (Jo. 17:17)

3. Nos versos 20 a 23 Jesus prevê o desdobramento do futuro, vendo todos aqueles


que viriam a crer nele através do testemunho dos apóstolos. Contemplar a Noiva através do
tempo faz o coração de Jesus transbordar, enquanto ela leva a sua declaração de missão
adiante. Ele responde a questão mais fundamental dos discípulos. O que Deus quer? Para o
que a Igreja deve olhar? Isso pode ser resumido em duas frases: Deus deseja unidade e glória
- a plenitude dEle sendo expressa através do preenchimento completo dos nossos templos
humanos.

4. No verso 24 Jesus irrompe com ardente desejo: “Pai, eu desejo...” Seu coração
transborda enquanto Ele expõe o caminho para essa união e glória.

5. Os versos 24 a 26 exibem três anseios muito claros do coração de Jesus que a


Igreja deve conhecer e compreender. Ele deseja que estejamos com Ele onde Ele está,
contemplando sua glória e que o amemos como o Pai o ama. Antes do Gólgota, Jesus
declarou: “Pai, se eu for para a cruz, em seguida deixe a minha noiva trilhar esse caminho. É o que eu
desejo e pelo que eu estou disposto a morrer. Deixe-a ficar comigo onde eu estou. Deixe-a contemplar
minha Glória. E deixe-a me amar como você me ama, Pai”.

E. Nada acelera mais nosso coração na graça de Deus do que entrar em acordo com os
anseios do coração de Jesus. Quando estudamos e oramos estes desejos, cessam as acusações
do nosso coração concernentes a natureza de Deus e elas perdem seu poder de aderência.
Mentiras concernentes ao propósito para o qual fomos criados perdem o poder de
permanecer, quando nos tornamos confiantes no anseio de Deus por estar perto de nós.
Encontramos os desejos de Jesus, que são maiores do que a nossa sequidão e a sua
capacidade para nos trazer para esses desejos e para nos transformar através da sua glória é
maior do que as nossas fraquezas. Nisso nossa alma encontra descanso e nossa visão se torna
clara.

38
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

F. Temos lido e criado muitas declarações de missão, mas raramente temos lido
nelas aquilo pelo que o coração de Jesus clama. Se quisermos ver a Igreja caminhar em
maturidade e enfrentar a questão do discipulado em nossos dias, precisamos compreender
estes três anseios de Jesus. Eles são a prioridade e o centro na mente do Espírito Santo.

G. Se a Igreja quiser experimentar a unidade e a glória expressa nos versos 20 a 23,


ela deverá dar ao coração de Jesus o que Ele deseja nos versos 24 a 26. Nós devemos meditar
sobre esses desejos, orar sobre eles, ensinar sobre eles e persegui-los com todo nosso coração,
alma, mente e força, nada menos que isso.

H. Jesus tem santos desejos concernentes ao seu relacionamento conosco. Ele nos
deseja no lugar onde Ele está para contemplar sua glória e para amá-lo. Por isso Jesus morreu
e esse é o seu anseio até agora. Você está decidido a dar a Jesus os desejos do seu coração?

II – O PRIMEIRO DESEJO DE JESUS: UMA COMPANHEIRA E UMA


PARCEIRA
“Pai, eu desejo que os que me deste estejam comigo onde Eu estou e contemplem a minha
glória, a glória que me deste, porque me amaste antes da criação do mundo”. (Jo. 17:24)

A. Em João 17 Jesus estabeleceu os três anseios do seu coração por nós. Seu primeiro
desejo é que estejamos com Ele onde Ele está. Este é o pedido fundamental, no qual os outros
dois devem basear-se. Este pedido não é simplesmente uma declaração concernente ao nosso
destino eterno. Sim, Cristo deseja que sejamos salvos para a vida eterna pelo dom gratuito
da justiça. Traduzindo, este desejo vai além de garantir a nossa herança eterna e reflete na
“ontologia”, (no estudo do porque existimos e de quem somos) tanto quanto nas doutrinas
da salvação.

B. O desejo de Jesus aprofunda a natureza do nosso ser e o projeto para o qual fomos
criados. Somos uma criatura feita por Deus para intimidade com Ele. Como portadores da
imagem e semelhança de Deus, temos um desenho único e capacidade para nos
comunicarmos com Ele. A glória de Deus não é simplesmente dada para repousar sobre nós,
como nos anjos, ela deve habitar em nós. Somos quadros criados para abrigar a própria
presença do Deus vivo e para refletir sua glória nos níveis mais profundos e nas formas mais
dinâmicas.

No livro, “Man: the Dwelling Place of God”, Tozer diz:

Do ponto de vista do homem a perda mais trágica que ele


sofreu na queda foi a desocupação deste santuário interno pelo
Espírito de Deus. No extremo do centro oculto do ser do homem,
ele é como um arbusto em condições de ser a morada do Deus que
é três em um. Deus planejou esse lugar para descansar e brilhar com
fogo moral e espiritual. O homem, por causa do pecado, perdeu esse
indescritível e maravilhoso privilégio e agora mora lá sozinho. Este
é um lugar tão intimamente privado que nenhuma criatura pode se
intrometer, ninguém pode entrar, mas Cristo, Ele vai entrar apenas
através do convite da fé. (Ap. 3: 20). (A. W. Tozer, 1966, p. 10)

39
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

C. Deus não tem necessidade ou falta de nada. Ele habita em perfeita plenitude. Ele
é santo, transcendente em sua glória, beleza e poder! Não há deficiências nEle, mas ainda,
em algum lugar, nas profundezas do ser de Deus, há um desejo de permanecer e morar com
a humanidade. Deus tem ordenado que a humanidade compartilharia da santa comunicação
do Pai, Filho e Espírito Santo. A história do Evangelho está enraizada em um santo desejo
de Deus de nos trazer em profunda intimidade e relacionamento com seu coração (Ef. 2:13).

D. A Bíblia descreve nosso relacionamento com Deus em vários e diferentes


caminhos.

1. Deus é nosso criador e Rei que soberanamente colocou regras sobre as nações e
sobre todos os povos. Ele exige ser reconhecido em todos os lugares e que suas leis sejam
obedecidas. Cada pessoa ficará diante dele e dará conta de toda palavra falada e cada ação
feita durante sua vida. Nós trememos diante de sua Majestade e infinito poder. Deus é
impressionante como nosso Criador e Soberano como nosso Rei. Nós tememos ao Senhor
em sua incomparável supremacia e devemos obedecer seus comandos (Sl. 99:1, Ap. 19:16)

2. Deus é nosso Salvador que nos livra dos nossos inimigos e somos os felizes
destinatários da redenção. Ele nos redimiu de toda forma de pecado e da morte. Jesus nos
comprou para Deus e somos os seus filhos. Nós respondemos para o Senhor pelo sacrifício
expiatório com amor, gratidão e serviço humilde ( I Co. 6:20, Hb. 9: 14).

3. Deus é nosso Pai amoroso que nos reconciliou com Ele mesmo e somos seus
filhos. Nosso Pai do céu nos trouxe para perto, restaurando nossa família através do sangue
do seu Filho. Nós fomos adotados na família de Deus e temos recebido todos os direitos do
nome da família e a herança como seus amados filhos. Temos recebido seu nome, herança,
riqueza e honra. Respondemos como filhos e filhas no amor familiar chamando Deus de
“Abba” e “Paizinho”. Descansamos com segurança sendo amados por nosso Pai dos céus e
respondendo com atos de amor e obediência. Dennin F. Kinlaw, em “Let’s Start with Jesus”:

“Deus, o Pai, deseja que sejamos seus filhos e filhas, não seus
servos. Ele procura não apenas uma mudança em nosso status legal
diante dele, mas procura pessoas em quem fará fluir a mesma vida
que flui nEle. Perdão não é suficiente. Deus deseja internalizar seus
valores e caminhos que nos fará eternamente compatíveis com Ele.
Nós precisamos ser regenerados para que possamos estar
confortáveis em nosso nova família e ser recíprocos no amor que
Deus nos estende” (KINLAW, 2005, p. 44).

4. Deus é um noivo no núcleo do seu coração. Nós somos a noiva corporativa,


amada e querida por Jesus, nosso Noivo. Quando cremos, somos muito mais do que
indivíduos e servos, somos filhos do nosso Pai do céu. A Bíblia ainda declara que nosso
relacionamento vai ainda mais fundo do que o amor familiar. Estendendo para o fervor e
amor apaixonado que existe somente entre um marido e uma esposa, nossa resposta vai além
de obediência e segurança, é fervor e parceria amorosa.

Mas o Pai deseja mais do que filhos e filhas para Ele mesmo. Quando
Ele criou a humanidade, tinha um propósito adicional em mente: Ele
40
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

buscou uma esposa para seu Filho. Na Terra há somente dois


relacionamentos de intimidade: família e casamento – planejados a
imagem de Deus. O evangelho deixa muito claro que a razão da
encarnação e expiação era apenas para nos preparar para tal
comunhão com Deus (Ibid).

5. Isaías recebeu uma revelação significativa: “O nosso criador é nosso marido”. O


propósito primário de Deus para a criação estava na intimidade. Ele nos criou
predominantemente para mais relacionamento não para dar um show maior de sua
superioridade. Oséias teve a mesma revelação, Jeremias reiterou como vital esta verdade.
Na perspectiva do céu o pacto entre Deus e o homem não é definido com um acordo de
serviço, mas como um pacto de casamento (Is.54:5, Os. 2:16- 20, Jr. 3: 1, 14)
E. O último propósito do Pai para a criação é providenciar uma família para Ele
mesmo e uma noiva para seu Filho, como sua eterna companheira para reinar com Ele para
sempre. O princípio que tem guiado o Pai, ao longo da história, tem sido dar à luz e preparar
um noiva para seu adorado Filho (Ef. 5: 31-32, Ap. 19: 7).

F. O casamento determinado por Deus desde as eras passadas exibirá a


incomparável glória de Deus. Seus planos incluem trazer a tona uma Noiva santa que irá
aprontar-se, escolhendo voluntariamente amar a Jesus. Fomos criados para que Deus
pudesse expressar mais seu amor, não para aumentar seu poder ou para ganhar mais servos
que dariam mais atenção a Ele. O Deus triuno está tão feliz e seguro que Ele deseja
compartilhar conosco seu amor e glória.

G. Em João 17:24 Jesus atinge o coração da humanidade em sua acusação


fundamental e em seu desejo ardente. Nas profundezas do nosso ser, ansiamos por saber que
somos desejados e amados por Deus. Muitos vivem com acusação em seus corações contra
Deus, acreditando que Ele está na maioria do tempo com raiva deles, pensando que Ele não
os deseja. Mas Jesus eleva seus olhos para o Pai e declara suas santas intenções: “Pai, eu
desejo que aqueles que você me deu, estejam comigo onde eu estou”. Com isso Jesus estava dizendo
ao Pai que Ele nos deseja, para estarmos perto dele, vivendo em proximidade e na sua própria
natureza. Jesus não nos deseja vivendo a distância, Ele anseia ardentemente por uma
companheira com quem possa compartilhar a mesma intensidade de amor que Ele tem,
como um noivo para sua noiva.

H. Somos chamados para estar com Jesus onde Ele está, de duas formas primárias:

1. Co-herdeiros com Cristo: Por causa do trabalho da cruz temos sido adotados na
família de Deus, como filhos de Deus. Posicionalmente somos filhos de Deus. Isto é, somos
co-herdeiros com Cristo, governando e reinando como a própria aristocracia do céu e da
terra.

2. Noiva de Cristo: A descrição de um co-herdeiro com Cristo não consegue definir a


intensidade e qualidade do nosso relacionamento, somos mais do que servos de um chefe,
somos filhos do Pai. Nosso companheirismo com Jesus deve ser tipificado por saudade e por
fervoroso e ardente amor, como um noivo e uma noiva que desejam muito tempo para amar
um ao outro.

41
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

a. O amor de Jesus vai além da amizade e pode somente ser descrito através do mais
intenso relacionamento humano, aquele entre um marido e sua esposa. Somente a
linguagem do noivado expressa a intensidade da afeição que Jesus tem por nós.

b. “Noiva de Cristo” qualifica e descreve o tipo de afeições que Deus tem por seu
povo. Nosso relacionamento vai além de um acordo contratual e de fiel obediência. A bíblia
começa e termina com um casamento (Gn.2: 20-24, Ap.19: 7,9. 21:9; 22:17).

“Assim como um jovem se casa com sua noiva, os seus filhos se casarão com você, assim como
o noivo se regozija por sua noiva, assim o seu Deus se regozija por você.” (Is. 62: 5)

I. No coração de todo homem e mulher há um anseio ardente pelo retorno do


verdadeiro amor, um desejo e uma sede por um lugar de intimidade, perdido em um jardim,
muito tempo atrás. Portanto, duas histórias causam impacto no coração humano e
despertam o amor:
1. A primeira história é de um Rei que ama os assuntos do seu povo, Ele se humilha
e luta pela liberdade desse povo. O filme Coração Valente é um clássico exemplo disto.
Pessoas amam um rei que não vai vender o seu povo por riqueza e poder, mas irá atendê-los
com humildade até à morte.

2. A segunda história é a de um marido que luta em favor do coração, honra e


nobreza de sua noiva, até mesmo ao ponto de colocar em risco a sua vida. Os Miseráveis e
o Homem de La Mancha ilustram essa ideia. Jesus recupera a dignidade da sua noiva para
devolver a ela, porque essa é a maneira de ser do nosso Noivo Jesus. Muitas vezes nos
afastamos do seu caminho, mas a declaração da cruz é: “Você é o único que eu quero”. Há
algo sobre um marido que profeticamente evoca o que a sua Noiva deve ser.

3. Em Jesus, nossos anseios serão realizados: Ele é um inabalável Rei e um


apaixonado Noivo que entregou sua vida por amor. Paixão está eternamente escrita em
nossos corações (Ec. 3:11) e nós amamos esta história porque ela conta a nossa própria
história.

J. Nós somos o objeto das afeições de Jesus. Ele anseia por uma parceira, não apenas
mais um em seu Reino. A Bíblia começa com um casamento no Éden e termina com o
casamento final do Cordeiro. De fato, o livro de Apocalipse termina com a Igreja como a
Noiva de Cristo, clamando: “Maranata, Vem, Senhor Jesus!! Não somos somente filhos de
Deus, mas somos também a Noiva de Cristo, desposadas por Ele em amor.

“E o Espírito e a Noiva dizem: ‘Vem’”! (Ap. 22:17)

III – O SEGUNDO DESEJO DE JESUS: QUE CONTEMPLEMOS A SUA


GLÓRIA – A REVELAÇÃO DE JESUS

“Pai, quero que os que me deste estejam comigo onde eu estou e vejam a minha glória, a
glória que me deste, porque me amaste antes da criação do mundo.” (Jo. 17:2)
42
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

A. O desejo de Jesus pelos afetos de uma companheira é o método de transformação


que Ele solicita. Jesus deseja que contemplemos sua glória para transformação. Deus está
olhando para aqueles que se submetem a Ele, simplesmente baseados no medo de irem para
o inferno. Ele deseja que no encontro com sua revelação possamos amá-lo com todo o nosso
coração, alma, mente e força. O método de Deus é projetado para um parceiro - para criar
fascinação e um tremendo amor. John Piper, em “Seeing and Savoring Jesus Christ”:

“Quando vemos Jesus como Ele realmente é, nós o


saboreamos. Isto é, nós nos deliciamos nEle como verdadeiro, belo
e satisfatório. Este é meu objetivo, porque duas coisas fluem desta
experiência com Jesus Cristo: Ele é honrado e nós somos libertos
para trilharmos, com alegria, o estreito caminho do amor. Cristo é
mais glorificado em nós quando estamos mais satisfeitos nEle. E
quando estamos satisfeitos nEle, somos crucificados para o
mundo.” (John Piper, Seeing and Savoring Jesus Chirst, pg. 16 -
2001)

B. Jesus nos deseja contemplando sua glória por quatro razões primárias:

1. Jesus é a completa revelação do Pai.

2. Contemplar Jesus é o fundamento da salvação.

3. Contemplar Jesus é o primeiro meio de transformação do coração humano.

4. Contemplar a glória de Jesus gera a maior resposta de amor no coração humano.

IV. DEUS SE REVELA PLENAMENTE NA PESSOA DE JESUS


A. Na plenitude do tempo, no ponto de maior sabedoria na história, Deus
transbordou e revelou plenamente o verdadeiro prazer, seu Filho. Deus profetizou através
de Amós que viria um dia em que Deus enviaria fome por sua palavra sobre Israel. Assim,
400 anos antes da vinda de João Batista, não houve mais profecias. Na maioria destes anos,
Israel foi governado por potencias estrangeiras, sem nenhum rei da linhagem de Davi, sem
a arca, com a Shekinah gloriosa descansando sobre ela, sem revelação de misericórdia na
reconstrução do templo. Nenhum profeta falando e sem direções vindas de Deus para o
povo.
"Estão chegando os dias”, declara o Senhor, o Soberano, em que enviarei fome a toda esta
terra; não fome de comida nem sede de água, mas fome e sede de ouvir as palavras do Senhor. Os
homens vaguearão de um mar a outro, do Norte ao Oriente, buscando a palavra do Senhor, mas
não a encontrarão.” (Am. 8:11-12)

B. Nesse contexto de silêncio, de dominação estrangeira, perversão sacerdotal e com


um rei não Davídico, chamado Herodes sobre o reino de Roma, a palavra de Deus veio à
João no deserto. João chamou a nação para arrepender-se de seus pecados como preparação
para a vinda do rei Davídico, que já havia sido anunciado pelos profetas. Aquele que iria
redimir Israel de seus pecados e estabelecer o Reino de Deus na terra.
43
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

C. O ministério de João era focado no testemunho da vinda do Reino de Deus


através do Messias e em batizar no Jordão até a vinda de Jesus, o filho de Deus, que foi
revelado como Aquele em quem o Espírito desceria e permaneceria. A vocação de João era
preparar as pessoas para terem seus próprios encontros com o Senhor, para que assim
pudessem perseverar e se beneficiar do seu encontro com o Santo (Jo.1:6-8, 15, 26-27, 29-37;
cf.Lc.3:21-22)

D. Na formação de Israel, Deus preparou o mundo para a inauguração de um


incomparável esplendor e um inimaginável brilho. A Palavra se tornou carne e habitou entre
nós. O Filho eterno se tornou Jesus de Nazaré. Aquele em quem o Pai sempre se deleitou,
seria também o prazer dos homens. O objeto da alegria do Pai se tornava o objeto de
adoração da humanidade.


E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória,
glória como do unigênito do Pai”. (Jo. 1:14)

No seu livro “The Pleasures of God”, cita Piper:

O deleite de Deus no Filho é Deus se deleitando em Deus. O


original, o primeiro, o mais profundo, a alegria fundamental de
Deus é a alegria que Ele tem em sua própria perfeição refletida na
glória de seu Filho. Paulo fala sobre “a glória de Deus na face de
Cristo” (II Coríntios 4:6). Por toda a eternidade Deus tem
contemplado o panorama de suas próprias perfeições na face de seu
Filho. Tudo o que Ele é, Ele vê refletido plenamente e perfeitamente
no semblante de seu Filho. E nisso Ele se regozija com infinita
alegria. (John Piper – The Pleasures of God, pg.38 - 1991).

E. A revelação de Deus sobre sua interação para com toda a criação é expressa na
pessoa do Seu Filho. A Revelação se assumiu em carne e sujeitou-se a rejeição dos homens
e a ira de Deus. Suas profundezas devem ser vistas! As excelências de Jesus devem ser
expostas! Elas são o manancial de prazeres eternos e de alegria inexplicável. Elas
exemplificam a imensidão do desejo de Deus para serem seu objeto de gozo e prazer.

“Nós não podemos contemplar Deus a parte desses caminhos


que nos levam até Ele, os quais o revelam a nós, pois é assim que
Ele se manifesta e é dessa maneira que Ele nos conforta. Até mesmo
na “vista desvelada” da eternidade, nunca devemos ver Deus de
outra forma a não ser em sua soberana e incompreensível auto
revelação, na qual Ele dá a si mesmo, pisando adiante de sua
inacessibilidade e colocando uma ponte sobre o infinito abismo que
nos separa dele”. (Prayer, pg.155 - 1986).

F. Sem deixar de ser o que Ele sempre foi, o eterno Filho de Deus se tornou o
humano Jesus e sem deixar de ter totalmente humano, é o eterno Filho de Deus.

44
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

Jesus não “experimentou” Deus; Ele era Deus. Em nenhum


momento Ele veio a se tornar Deus; Ele era Deus desde o princípio.
Sua vida foi o único processo pelo qual essa inata divindade veio em
si própria. Sua tarefa era colocar a realidade divina e todo seu poder
dentro de sua consciência e vontade humana para refletir santidade
e pureza em sua relação com todas as coisas e para conter infinito
amor e a plenitude de uma divindade sem limites em seu coração de
carne e sangue. (Guardini, pg. 20 - 1982).

G. Jesus se revelou à humanidade e, assim, tornou a contemplação algo possível. A


única razão de conhecermos como Deus é, se deve ao fato de Ele ter se revelado plenamente
em Jesus (Jo.1:18; 14:7-11). Jesus disse, em Mateus 11:27, que ninguém conhece o Filho
senão o Pai e ninguém conhece o Pai senão o Filho e aqueles à quem o Filho deseja revelar
o Pai.

Ele (Jesus) está falando de uma relação intertrinitária: coigual,


coeterna e infinita. Isso por causa desta relação do Filho conhecer o Pai tanto
quanto o Pai conhece o Filho; e cada um conhecer o outro tanto quanto
conhece a si mesmo! Em uma palavra, Jesus Cristo é parte do
autoconhecimento da mente de Deus. Ele é parte da própria autoconsciência
de Deus. Essa é a verdade central da identidade completa de Jesus. (Lewis,
pg.79 - 2004),

Esta é a glória a qual o Pai lhe deu (a Jesus), e a qual, através


da fé nós podemos contemplar. Ele por si só faz conhecido
(declarado, representado) tanto para anjos, quanto para homens, a
essencial glória do Deus invisível (seus atributos e vontades), tal
glória, que sem sua existência, as trevas cobririam toda a criação.
(Owen, pg. 12 - 1994).

H. Muitas escrituras suportam a verdade de que Jesus é Deus e que Ele e o Pai são
um:

1. Evangelhos sinópticos

“Tudo me foi entregue por meu Pai. Ninguém conhece o Filho, senão o Pai; e ninguém
conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar.” (Mt. 11:27)

“Naquela hora, exultou Jesus no Espírito Santo e exclamou: “Graças te dou, ó Pai, Senhor
do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos e as revelaste aos pequeninos.
Sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado.Tudo me foi entregue por meu Pai. Ninguém sabe quem
é o Filho, senão o Pai; e também ninguém sabe quem é o Pai, senão o Filho, e aquele a quem o
Filho o quiser revelar.” (Lc. 10:21-22)

2. Literatura Joanina:
45
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. (Jo. 1:1)

“E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória,
glória como do unigênito do Pai”. (Jo. 1:14)
“Ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou.”
(Jo. 1:18)
“Não que alguém tenha visto o Pai, salvo aquele que vem de Deus; este o tem visto.” (Jo.
6:46)
“Eu e o Pai somos um.” (Jo. 10:30)
“E quem me vê a mim vê aquele que me enviou.” (Jo. 12:45)

“Disse-lhe Jesus: Filipe, há tanto tempo estou convosco, e não me tens conhecido? Quem me
vê a mim vê o Pai; como dizes tu: Mostra-nos o Pai?” (Jo. 14:9)
“E, agora, glorifica-me, ó Pai, contigo mesmo, com a glória que eu tive junto de ti, antes que
houvesse mundo.” (Jo.17:5)

“Achei-me em espírito, no dia do Senhor, e ouvi, por detrás de mim, grande voz, como de
trombeta, dizendo, “Eu sou o Alfa e o Ômega, o Principio e o Fim.” (Ap. 1:10, 1:8)
Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Princípio e o Fim. Bem aventurados

aqueles que lavam as suas vestiduras (no sangue do Cordeiro), para que lhes assista o direito à
árvore da vida, e entrem na cidade pelas portas. Fora ficam os cães, os feiticeiros, os impuros, os
assassinos, os idólatras e todo aquele que ama e pratica a mentira. Eu, Jesus, enviei o meu anjo
para vos testificar estas coisas às igrejas. Eu sou a Raiz e a Geração de Davi, a brilhante Estrela
da manhã.” (Ap. 22:13-16)

3. As Epístolas de Paulo (Rm. 9:5;1 Co. 1:24; 2 Co. 4:5-6; 1Ti 3:16; Tt 2:13)

“Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois Ele, subsistindo
em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou,
assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura
humana,a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz. Pelo que
também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome.” (Fl. 2:5-9)

Este é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação;pois, nele, foram criadas

todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias,
quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para Ele.Ele é antes de todas as
coisas. Nele, tudo subsiste.Ele é a cabeça do corpo, da igreja. Ele é o princípio, o primogênito de
entre os mortos, para em todas as coisas ter a primazia,porque aprouve a Deus que, nele, residisse
toda a plenitude e que, havendo feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele, reconciliasse
consigo mesmo todas as coisas, quer sobre a terra, quer nos céus”. (Co. 1:15-20)

46
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO


Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos
profetas, nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas,
pelo qual também fez o universo. Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser,
sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, depois de ter feito a purificação dos pecados,
assentou-se à direita da Majestade, nas alturas, tendo se tornado tão superior aos anjos quanto
herdou mais excelente nome do que eles.” (Hb. 1:1-4)

I. Deus, em sua infinita sabedoria, enviou o verdadeiro esplendor da Sua glória, a


expressão exata dele mesmo em Jesus. Ele veio para nascer de uma virgem para revelar o
amor e o poder do Pai, ser crucificado (morto e enterrado). Descer até as profundezas do
inferno, ressuscitar dentre os mortos, subir até os céus, reinar a destra do Deus majestoso,
ser admirado e amado por toda a eternidade por aqueles que foram remidos pelo seu próprio
sangue.

J. Jesus testificou que Ele era a plena revelação do Pai e o redentor da humanidade.
Em um Homem, Deus convocou todas as coisas fazendo algo sem precedentes. Deus
manifestou sua plenitude na forma de um corpo humano. Através de Jesus, Deus estabeleceu
a plena revelação dele mesmo e a plena revelação do seu propósito para o homem. Deste
ponto adiante, as profundezas do Pai foram vistas na pessoa de Jesus Cristo e o grande
desígnio do homem foi refletido na forma humana de Jesus. Através deste celestial e
Davídico Rei, Deus liberou o conhecimento dele através de toda a terra.

Não somos nós quem forçamos o conhecimento do Absoluto para nós mesmos por
meios e técnicas sob nosso controle. Do seu próprio modo, Deus livremente se revela,
expressando-se em seu Filho e nos dando a Palavra que satisfaz nossas almas famintas. Nós
aprendemos que o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus (Gn. 1:27) para que
assim, um dia Deus possa colocar em sua criação a perfeita imagem (II Co. 4:4; Cl.1:15) e a
completa semelhança (Hb.1:3) daquele que é invisível... Por toda a história da religião, a
reivindicação de Jesus é sem paralelo. Ele demanda ser amado absolutamente... Qualquer
um que não ouve e não entende a palavra de Deus falada através dele e não o amar do modo
como essa Palavra reivindica, não desenvolverá um relacionamento pessoal com Deus: “Se
Deus fosse seu pai, você me amaria”. (Hans Urs von Balthasar – Christian Meditation, pg.11-
12, 1989).

V. A CONTEMPLAÇÃO TORNANDO-SE O PRINCIPAL


A. Contemplar o conhecimento de Deus em Cristo Jesus é o caminho da
transformação. Nós entramos na fé que salva quando a revelação de Cristo - quem Ele é e o
que Ele fez - atinge os nossos corações pelo trabalho do Espírito Santo nos levando a
acreditar no Seu testemunho. Nós também continuamos na graça santificadora enquanto a
revelação dEle atinge os nossos corações, acomodando as nossas vontades, renovando
nossas mentes e subjugando nossos membros a justiça. “Contemplar é se tornar. Ver a Cristo
salva e santifica.” – (John Piper, Seeing and Savoring Jesus, 16).

B. O apóstolo Paulo apresenta em II Coríntios 3:17-18 o que Jesus estava pedindo


ao seu Pai. Paulo aborda como o Espírito opera dentro da alma do homem para trazer
liberdade em todas as facetas da vida. No verso 1, Paulo nos dá o princípio fundamental:

47
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

transformação vem através do olhar fixo na pessoa de Jesus. Tudo que os olhos contemplam
em Cristo, o Espírito reproduz, na mesma realidade, no coração daquele que contempla.

“Ora o Senhor é o Espírito; e, onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade. E todos nós,
com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos
transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito”. (II Co.
3:17-18)

C. Há sabedoria em contemplar! O importante desígnio dos olhos é que eles são o


portal para a fascinação. As afeições do coração seguem o olhar fixo. O Deus de prazer nos
designou para nos deleitarmos naquilo que contemplamos. Se você puder ver o que Paulo
viu, você poderá viver como Paulo viveu.

“Porque o Pai ama ao Filho, e lhe mostra tudo o que faz, e maiores obras do que estas lhe
mostrará, para que vos maravilheis.” (Jo. 5:20)

E é através da contemplação da glória de Cristo e por fé que


somos espiritualmente edificados e fortalecidos nessa palavra, pois
contemplando Sua glória, a vida e o poder da fé cresce cada vez
mais forte. E é por fé que nós crescemos em amor por Cristo. Então
se desejamos uma fé forte e um amor poderoso, que nos dá
descanso, paz e satisfação, devemos buscar diligentemente a
contemplação da glória de Cristo por meio da fé. E nesse dever eu
desejo viver e morrer. Na glória de Cristo meus pensamentos podem
ser consertados e quanto mais eu ver da glória de Cristo, mais as
belezas desse mundo vão murchar aos meus olhos e mais e mais
serei crucificado para esse mundo. Isso irá se tornar para mim como
algo morto e podre, impossível para o meu deleite. (Owen – The
Glory of Christ, pg.7).

D. Em Mateus 6:22-23 Jesus disse: “A lâmpada do corpo são os olhos. Se os teus olhos
forem bons, todos o seu corpo será cheio de luz. Mas se os seus olhos forem maus, todo o seu corpo será
cheio de escuridão. Se a luz que há em você é escuridão, quão grande é essa escuridão!” Simplificando,
naquilo em que você se deleita, isso você se tornará. Não foque em nada menos do que a
nobreza de Jesus. É por isso que Jesus nos chamou para considerar a gravidade da luxúria
dos olhos e a luxúria da carne: “Se o teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o e lança-o de
ti; pois te convém que se perca um dos teus membros, e não seja todo o teu corpo lançado
no inferno” (Mt. 5:29).

E. Isso exige uma determinação feroz em acreditar que podemos nos aproximar em
comunhão com o Onipotente porque os inimigos da nossa alma tentam subverter esse
processo de revelação de Deus no coração humano. Nós podemos viver nossas vidas
servindo religiosamente e estudando a Palavra, mas nunca olhando e nunca adorando o
verdadeiro objeto da adoração. Nós fomos feitos para encontros, para experimentar a
presença e as profundezas de Deus. Paulo nos informa que até mesmo um simples relance é
o suficiente para fascinar nossos corações, transformar nossa mente e nos capacitar em nossa
vontade. Apenas fragmentos de revelação já são suficientes.

48
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

F. Existem muitos prazeres divinos legítimos nessa vida; a forma mais alta de prazer
disponível para seres humanos é o prazer espiritual de Deus se revelando a nós. Essas são as
mais emocionantes, maravilhosas e aterrorizantes experiências que nos moldam. Fomos
feitos para experimentar as profundezas de Deus, para procurar o vasto oceano da divindade
e para explorar os tesouros, os quais a criação anseia olhar.

1. Deus ama fascinar os olhos: Há muitas escrituras no Antigo Testamento


demonstrando isso; o jardim do Éden (Gn. 2:9); o chamado de Abraão (Gn. 12; At. 7:2); a
sarça ardente (Ex. 3); o Êxodo (Ex. 5-15); o Monte Sinai (Ex. 19:24;33-34); Balaão (Nm.
24:15); a travessia do Jordão (Js. 3). Assim, há o conceito da Arca da Aliança e o tabernáculo
de Moisés no deserto; o tabernáculo de Davi; a aparição do anjo para Davi e o fogo vindo
do céu (ICr.21); fogo e glória na consagração do templo de Salomão (IICr.5-7); O Monte
Carmelo (IRe.18); sonhos e visões proféticas (Nm.12). Os encontros de Deus com Jacó, José,
Salomão, Isaías, Jeremias, Ezequiel, Daniel, Zacarias, e etc. (Esta lista não inclui todas as
vezes que Jesus se revelou para Israel, como o Anjo do Senhor).

2. No Novo Testamento Jesus demonstra o mesmo desejo de Deus em fascinar os


olhos: o batismo de Jesus; curas e milagres, assim como alimentar os 5.000; acalmar o Mar
da Galileia e Jesus e Pedro andando sobre as águas. Há o Monte da Transfiguração;
ressurreições; a transladação de Filipe; a visão aberta de Estevão; a experiência de Paulo na
ida para Damasco; a visão do apóstolo João e, no futuro, a segunda vinda de Jesus. As
excelências dele estavam sendo reveladas antes dos apóstolos.

“Mas, para que saibais que o Filho do Homem tem sobre a terra autoridade para perdoar
pecados – disse ao paralítico: Eu te ordeno: Levanta-te, toma o teu leito e vai para casa.
Imediatamente, se levantou diante deles e, tomando o leito em que permanecera deitado, voltou
para casa, glorificando a Deus. Todos ficaram atônitos, davam glória a Deus e, possuídos de temor,
diziam: Hoje, vimos prodígios”. (Lc. 5:24-26)

“Chegando-se a ele, despertaram-no dizendo: Mestre, Mestre, estamos perecendo!


Despertando-se Jesus, repreendeu o vento e a fúria da água. Tudo cessou, e veio a bonança. Então,
lhes disse: Onde está a vossa fé? Eles, possuídos de temor e admiração, diziam uns aos outros: Quem
é este que até aos ventos e às ondas repreende, e lhe obedecem?” (Lc. 8:24-25)

G. Existem dois meios para os crentes contemplarem a Jesus. O primeiro é pela fé,
neste tempo. E o outro será por vista, no tempo que está porvir. Contemplar através da fé
nos santifica e contemplar através dos olhos nos glorifica. Quando o vemos, devemos nos
tornar como Ele.

“Amados, agora, somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que haveremos de ser.
Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo como
ele é. E a si mesmo se purifica todo o que nele tem esta esperança, assim como ele é puro” (I Jo. 3:2-
3)

49
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

VI. O TERCEIRO DESEJO DE JESUS: QUE O CONTEMPLEMOS

“Eu lhes fiz conhecer o teu nome e ainda o farei conhecer, a fim de que o amor com que me
amaste esteja neles, e eu neles esteja”. (Jo. 17:26)
A. Jesus afirma que o Pai verdadeiramente viu a glória do Filho e o amou antes da
fundação do mundo (Jo. 17:24). Jesus sabe que o encontro com sua auto revelação irá
produzir maior quantidade de amor no coração humano. Contemplar Jesus é o método de
Deus para nos transformar através da revelação, do temor e do amor.

B. O coração de Jesus clama em João 17 intensificando seu desejo por nosso amor.
Ele ora que nós possamos amá-lo com o mesmo amor com que o Pai o tem amado. Isso é
totalmente maravilhoso, que Jesus deseja o nosso amor. Ele não é dependente do nosso
amor, ele simplesmente o deseja. A revelação desse desejo acalma o nosso coração em
direção a Jesus e nos move a amá-lo mais.

C. O objetivo do ministério de Jesus é produzir um amor sincero no coração do


homem e comunhão com a sua criação, feita a sua própria imagem. De fato, uma das grandes
pinturas do casamento em toda a terra é fidelidade sem afeição. Henry Scougal fecha a sua
citação anterior com isto:

Amor é a maior e mais excelente coisa que nós temos em


nossas mãos; e por isso é loucura e ridículo concede-lo
indignamente, isto é, no entanto, a única coisa que podemos chamar
de nosso, outras coisas podem ser tiradas de nós por violência, mas
nada pode sumir com o nosso amor: se alguma outra coisa for
contada nossa, por dar o nosso amor, nós damos tudo.

D. Jesus disse que amar a Deus é o primeiro grande mandamento. Cultivar o amor
por Deus é a prioridade mais alta de Deus e a primeira ênfase do Espírito Santo. Cultivar o
amor por Jesus tem o maior impacto no coração de Deus, nos nossos corações e no coração
dos outros.

“Mestre, qual é o grande mandamento na Lei? Respondeu-lhe Jesus: Amarás o Senhor, teu
Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e
primeiro mandamento.” (Mt. 22:36-38)

E. A estratégia de Deus é colocar um amor voluntário vindo de um coração entregue


e desejoso. Assim Deus se revela em seu Filho de tal maneira que nos deixa indefesos contra
as suas afeições. Santos, durante a história da igreja, chamam isso de “ferida divina”. Esse é
o furo causado no coração através da flecha da revelação de Cristo em seu amor. Sendo isso
o despertar inicial do coração deixado em dor, em sua incompletude, o coração faminto por
consumação. Uma vez despertado pelo Grande Deus de amor, o coração tem vida suficiente
para ansiar pela promessa da plenitude trazida pelo primeiro toque. Por isso, o grande
amante de Jesus Cristo, Paulo, disse: “O amor de Cristo nos impele” (II Co. 5:14).

50
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

VII. DISCIPLINA COMO UMA EXPRESSÃO DE AMOR

A. Em Mateus 9:14-17 Jesus respondeu a uma questão colocada pelos discípulos de


João Batista em relação ao modo como Ele estava treinando líderes. O ponto em questão
era o jejum. Os discípulos de João apontaram que até mesmo os hipócritas fariseus haviam
compreendido a necessidade de jejuar. Por que Jesus não havia treinado seus discípulos para
jejuarem?

“Vieram, depois, os discípulos de João e lhe perguntaram: Por que jejuamos nós, e os fariseus
[muitas vezes], e teus discípulos não jejuam? Respondeu-lhes Jesus: Podem, acaso, estar tristes os
convidados para o casamento, enquanto o noivo está com eles? Dias virão, contudo, em que lhes
será tirado o noivo, e nesses dias hão de jejuar. Ninguém põe remendo de pano novo em veste velha;
porque o remendo tira parte da veste, e fica maior a rotura. Nem se põe vinho novo em odres velhos;
do contrário, rompem-se os odres, derrama-se o vinho, e os odres se perdem. Mas põe-se vinho novo
em odres novos, e ambos se conservam.” (Mt. 9:14-17)

1. Jesus estava colocando um fundamento muito mais profundo que a metodologia.


Era o fundamento do amor. Nesta passagem Jesus introduziu-se como o Noivo e estabeleceu
o contexto apropriado para as disciplinas espirituais.

2. Os discípulos de João perguntaram: “Por que os seus discípulos não jejuam?”


Jesus respondeu a pergunta deles com uma pergunta aparentemente estranha: “Podem os
amigos do noivo chorar enquanto o noivo está com eles?” Ele usou essa oportunidade para
se introduzir como o Noivo. Oséias e Isaías profetizaram sobre o dia vindouro em que Israel
não iria conhecer seu Senhor simplesmente como seu Mestre mas como seu amado Marido,
cheio de amor ardente pelo seu povo.

“Naquele dia,” diz o SENHOR, “ela me chamará: ‘Meu marido’ e já não me chamará:
‘Meu Baal.’” (Os. 2:16)

“Porque o teu Criador é o teu marido; o SENHOR dos Exércitos é o seu nome; e o Santo de
Israel é o teu Redentor; ele é chamado o Deus de toda a terra.” (Is. 54:5)

“Porque, como o jovem desposa a donzela, assim teus filhos te desposarão a ti; como o noivo
se alegra da noiva, assim de ti se alegrará o teu Deus.” (Is. 62:5)

3. Então Jesus anuncia que viria o dia em que Ele seria tirado dentre eles, se
referindo ao dia que viria após a sua morte e ressurreição, quando Ele iria ascender aos céus
e sentar a destra de seu Pai. Ele iria em breve ser fisicamente ausentado dos seus discípulos.
Em sua ausência os discípulos iriam chorar por Ele e entrar em jejum com desejo por sua
presença. Eles iriam jejuar com a mesma intensidade que os seguidores de João, o jejum
deles iria fluir de um coração desejoso e em luto pela presença de Jesus.

4. Jesus desejou incitar uma santa paixão em seus seguidores. Ele queria os “viciar”
em sua presença antes de introduzi-los a disciplina espiritual do jejum.

51
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

5. Jesus explicou as disciplinas e metodologias no relacionamento de um coração


ardente de amor. Jesus identificou o tempo para disciplinas espirituais, mas encontro e amor
devem vir antes. Viria o dia no qual o Noivo seria tirado de Seus discípulos e então eles
jejuariam como uma expressão de seu grande amor por Jesus e seu desejo pelo retorno de
sua presença.

B. Jesus não estava procurando por mais força de vontade em termos religiosos. Ele
queria pessoas que perseguissem sua presença e encontros com Seu amor. Quando nos
entregamos para serviços religiosos sem o fundamento da intimidade e amor pelo Senhor,
os resultados são desapontamento, estresse e desilusão. Muitas pessoas praticam as
disciplinas com uma mentalidade de desempenho e acabam desistindo da vida de oração e
jejum. Apenas um coração motivado pelo amor pode ser plenamente dado a décadas de
frutífero jejum e oração.

VIII. SERVOS MOVIDOS POR AMOR


A. O amor de Cristo cria servos, cuja identidade está apenas em Cristo.
Historicamente, houve servos que escolheram não ser libertos por amor ao seu mestre e
renunciaram a si mesmos se dispondo a uma vida de devota escravidão. Nós lemos em
Êxodo: “Mas se o servo claramente diz: ‘eu amo meu mestre, minha esposa e meus filhos; eu não sairei
para a liberdade’, então seu mestre deve levá-lo aos juízes. Ele também deve levá-lo à porta ou ao umbral
da porta e o senhor lhe furará a orelha com uma sovela; e ele o servirá para sempre” (Ex 21:5-6). Os
discípulos foram feridos por amor de Cristo e trabalharam diligentemente para ver a sua
volta. As pregações apostólicas fluem de feridas apostólicas. O amor de Cristo os compele.

1. Servos são separados por amor a Jesus Cristo apenas. Acima de função, lugar e
posição, eles querem a manifestação de Jesus em suas vidas. Eles estão plenamente unidos
a Ele em amor e devotos ao propósito do seu Reino.


Paulo, servo de Deus e apóstolo de Jesus Cristo... (Tito 1:1)
“Tiago servo de Deus...” (Tg 1:1)

“Simão Pedro, servo e apóstolo de Jesus Cristo, aos que convosco alcançaram fé igualmente
preciosa na justiça do nosso Deus e salvador Jesus Cristo...” ( II Pe.1:1)
“Judas, servo de Jesus Cristo e irmão de Tiago, aos chamados, amados em Deus pai, e
guardados em Cristo.” (Jd. 1)
“Paulo e Timóteo, servos de Jesus Cristo...” (Fp.1:1)
“Revelação de Jesus Cristo, que Deus lhe deu para mostrar aos seus servos as coisas que
brevemente devem acontecer; e, enviando-os pelos seu anjo, as noticiou ao seu servo João; qual
testificou da palavra de Deus, e do testemunho de Jesus Cristo, de tudo o quanto viu.” (Ap. 1:1-2)

2. Como servos somos separados para Cristo exalando a fragrância de amor por
Jesus. Eles anseiam por Ele mais do que seu próprio prestígio, seguindo no caminho Daquele
que fez a si mesmo sem nenhuma reputação. Eles valorizam a honra e deleite de amar a
Cristo e o conhecer acima de todas as honras e alegrias terrenas. Esses servos, compelidos
52
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

pelo amor, trabalham apenas para o Seu propósito mais elevado e para o retorno Dele à
terra, pois seria melhor se Ele estivesse aqui.

3. Pedro clamou para que Jerusalém se arrependesse de forma que o Pai enviasse
Jesus de volta. Tendo experimentado Cristo na rota para Damasco, Paulo, que era opressor
do Evangelho, passou a estar disposto a sofrer grandemente pela fé que um dia ele perseguiu.
De fato ele foi intensamente impactado por Cristo a ponto de desejar a própria morte para
que pudesse estar na presença do Senhor. Tanto Paulo, como o apóstolo João clamaram:
“Maranata! Vem, Senhor Jesus!” Eles foram quebrantados pela sua poderosa presença, amor e
anseio pelo seu retorno (At.3:19-21, Fl.1:21-24, 3:7-9, I Co.16:22, Ap. 22:20).

IX. COMTEMPLANDO CRISTO PELA FÉ


A. Participar dos três desejos do coração de Jesus é muito simples. Seu primeiro
anseio demonstra o tipo de relacionamento que Ele deseja ter conosco: Jesus nos deseja
como sua noiva, estando com Ele, onde Ele está, uma companheira que irá governar e reinar
com Ele. Seu terceiro anseio é que o amor com que Deus, o Pai o ama, esteja em nós,
direcionando o objetivo do nosso relacionamento com Ele para o amor. Jesus deseja cada
movimento de nosso coração e que todo trabalho de nossas mãos aconteçam a partir do
amor. Seu segundo desejo é que possamos contemplar sua glória. Este é o método no qual
nós crescemos em amor na parceria com Jesus. Como crentes devemos nos dar a
contemplação de Cristo em toda sua glória manifesta, sabedoria e poder.

Se intimidade em grande parte consiste em conhecimento, e


o modo como conhecemos é por revelação, e o foco de revelação
está em Cristo, então devemos chegar a uma importante conclusão:
a substância da intimidade é oração em plenitude, adoração da
pessoa e o trabalho de Cristo dentro do contexto de uma vida de
obediência (Stephen Venable – True Intimicy, 2008).

Se os crentes podem entrar em um melhor, profundo e pleno


conhecimento de Deus, eles devem orar e estudar completamente a
pessoa e o trabalho do Senhor Jesus Cristo, como está revelado nas
escrituras! Deixe isso se tornar seu negócio principal, seu grande
deleite para perscrutar reverencialmente e meditar sobre as
excelências do nosso divino Salvador, enquanto elas são exibidas
nas páginas das sagradas escrituras, então e apenas então, devemos
“entrar no Reino de Deus” (Cl. 1:10). A “luz do conhecimento da
glória de Deus” é vista apenas “na face de Jesus Cristo” (II Co. 4:6).
(Arthur W. Pink – Exposition of The Gospel of John, pg. 23, 24 -
1975).

João da Cruz escreveu: “Deus poderia argumentar: Se eu já


tivesse falado todas as coisas através da minha palavra e do Meu
Filho e seu eu não tivesse nenhuma outra palavra, que resposta ou
revelação poderia eu agora fazer que iria ultrapassar isso? Coloque
seus olhos apenas Nele porque Nele eu falei e revelei tudo e Nele
você descobrirá ainda mais do que você pede e deseja. Você está

53
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

fazendo um apelo por revelações que estão incompletas, mas se


você tornar seus olhos para Ele, você as encontrará completas. Pois
Ele é toda a minha locução e resposta, visão e revelação, a qual já
falei, respondi, manifestei e revelei a você lhe entregando Ele como
irmão, companheiro, mestre, redentor e recompensa.” (St. John of
the Cross, pg. 128-129 - 1987).

B. Devemos contemplar Cristo em sua incomparável preeminência como Unigênito


do Pai. Devemos contemplar a plenitude da divindade em forma humana olhando para o
pleno brilho do Deus encarnado.

“Deixemos isso fixado em nossa mente, que esta glória de


Cristo em sua divina humanidade é a melhor, mais nobre e
beneficente verdade que podemos pensar ou colocar nosso coração”.
(Owen – The Glory of Christ, 30)

C. Devemos contemplar Cristo através da Palavra de Deus. O discípulo de Jesus


deve andar na estrada de Emaús novamente, permitindo que o Espírito de Deus abra a Lei,
os Salmos, o profético sofrimento de Cristo e a glória vindoura. Assim, permanecemos
seguros nos limites das Escrituras (II Co. 12:4; Ap. 10:4).

Devemos usar as escrituras como um ponto de procura para


meditar e saborear sobre a vida de Cristo, a revelação de sua glória
e beleza e suas maravilhosas ações. Jesus era a preocupação da
igreja apostólica. Reflexão em sua beleza, zelo pelo seu nome e uma
ardente expectativa pelo seu retorno consome página após página
do Novo testamento. Se desejamos intimidade autêntica um tempo
com propósito deve ser gasto em adoração, considerando tudo o que
a bíblia revela sobre Ele...

Se chamamos uma geração para a sinceridade é de


fundamental importância entender que a não ser que Jesus seja o
centro do nosso estudo, devoção e disciplina, eles se tornarão
desmotivados dentro de poucos anos, arraigados em uma vida de
desânimo e compromisso. A razão não é porque eles ficaram
relutantes mas porque eles estavam tentando viver uma radical
expressão de Cristianismo desprovido de Cristo. Eles estavam
desejando abraçar um estilo de vida sacrificial a parte da
preocupação com aquele que é Belo e que sozinho pode fazer o
caminho difícil ser razoável e doce para nossa alma. (Venable – True
Intimacy)

D. Nosso dever e deleite é meditar em Cristo diariamente. Enquanto vasculhamos as


escrituras em estudo e devoção, podemos focar nas multiformes descrições de Jesus:

54
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

1. Observe e faça descrições de Sua pessoa e trabalho (preexistência, encarnação,


vida, morte, ressureição, ascensão, segunda vinda, reino milenar e governo eterno).

2. Personagens bíblicos que servem como tipos de sua pessoa e trabalho, por
exemplo: Adão, Abraão, José, Moisés, Davi.

3. Profecias sobre Jesus, por exemplo, em Salmos 22 e Isaías 9:6-7.

4. Instituições sagradas de adoração divina, tipos e sombras representando sua


pessoa, ocupação, ou trabalho, incluindo o sistema sacrificial, festas e a ocupação de
altíssimo sacerdote.

5. Salmos, hinos e poesias.

E. Seremos beneficiados grandemente e por muito tempo com meditação


apaixonada sobre as emoções de Deus que foram manifestas em Cristo. O Pai declarou Seu
nome a Moisés em Êxodo 34:5-7, e, após esse encontro, a face de Moisés brilhou. Note que
a natureza de Deus e suas emoções, que motivam suas ações, são inerentes a Seu nome.

“Tendo o SENHOR descido na nuvem, ali esteve junto dele e proclamou o nome do
SENHOR. E, passando o SENHOR por diante dele, clamou: SENHOR, SENHOR Deus
compassivo, clemente e longânimo e grande em misericórdia e fidelidade; que guarda a misericórdia
em mil gerações, que perdoa a iniquidade, a transgressão e o pecado, ainda que não inocenta o
culpado, e visita a iniquidade dos pais nos filhos e nos filhos dos filhos, até à terceira e quarta
geração!” (Ex. 34:5-7)

F. Peça para contemplar Jesus em sonhos, visões e visitações. Peça a Deus para
revelar Cristo em você em diversas facetas e em divina comunicação. Dedique seu sono ao
Senhor, orando para que Ele revele sua pessoa e seus caminhos através de sonhos.

G. Decida “respirar” orações durante o dia, ore sem cessar ao Senhor. Exemplos
desse tipo de oração:

1. Diga o nome Dele delicadamente e devagar durante o dia.

2. Diga frases das escrituras de sua leitura diária, por exemplo, “Seu amor é melhor
que a vida” ou “O senhor é o meu refúgio” ou “Ele é a imagem do Deus invisível” ou “Tu és digno.”

3. Repita esta famosa oração: “Jesus Cristo, Filho de Deus, tenha misericórdia de
mim pois sou pecador.”

4. Sussurre desejos santos para Ele, por exemplo: “Eu te amo, Jesus” ou “Senhor Jesus,
torna-me santo, torna-me puro.”

5. Simplesmente sussurre: “Muito obrigado”.

H. Enquanto contempla a Cristo, o adore com salmos, hinos, e canções espirituais.


Cante e ore com sua mente e espírito. Paulo nos fala que quando oramos e cantamos com

55
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

nossa mente, ganhamos entendimento. Quando oramos e cantamos com nosso espírito,
falamos mistérios de Deus e edificamos a nós mesmos. O famoso santo Agostinho disse:
“Cantar é orar duas vezes.”( I Co. 14:15-18, Ef.5:18-20, Cl.3:16, Jd.20-21)

“Pois quem fala em outra língua não fala a homens, senão a Deus, visto que ninguém o
entende, e em espírito fala mistérios.3 Mas o que profetiza fala aos homens, edificando, exortando
e consolando.4O que fala em outra língua a si mesmo se edifica, mas o que profetiza edifica a
igreja.” (I Co. 14:2-4)

I. Permita que seus pensamentos, ações de graça e adoração a Ele aumentem


continuamente.

56
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

LIÇÃO CINCO
CONTEMPLANDO JESUS: A ESTRADA PARA EMAÚS
I - INTRODUÇÃO: CAMINHANDO COM JESUS NA ESTRADA PARA
EMAÚS

A. Muitas pessoas pensam sobre como desenvolver paixão por Jesus. Precisamos
olhar para como Jesus gerou paixão por Ele mesmo em seus discípulos. Em Lucas 24 vemos
que os discípulos tinham passado pela pior estação em suas vidas. Judas tinha traído Jesus e
Pedro, “a rocha”, o tinha negado. Os demais discípulos estavam dispersos e se escondendo
das autoridades. Eles acreditavam que seu Mestre e o esperado Messias estava morto. A
paixão deles estava em seu nível mais baixo e aqueles que eram chamados para serem
apóstolos haviam retornado para suas antigas ocupações. Como Jesus reuniria novamente
os futuros líderes de Seu movimento?

B. O Jesus ressurreto começou conversando com dois discípulos sobre as Escrituras.


Na estrada para Emaús o Senhor os guiou através da Lei, dos Salmos e dos Profetas sobre
os sofrimentos do Messias e sua glória subsequente. Enquanto Ele falava, os corações deles
queimavam. Você já desejou poder ter andado com eles, ouvindo essa conversa?

“Então Ele lhes disse: Ó néscios, e tardos de coração para crerdes tudo o que os profetas
disseram! Porventura não importa que o Cristo padecesse essas coisas e entrasse na glória? E,
começando por Moisés, e por todos os profetas, explicou-lhes o que dele se achava em todas as
Escrituras... E disseram um para o outro: “Porventura não se nos abrasava o coração, quando pelo
caminho nos falava, e quando nos abria as Escrituras?” (Lc 24:25-27, 32)

C. A verdade é que também podemos receber um “tour” guiado pelas Escrituras,


através da companhia do Espírito Santo. Jesus disse que o Espírito Santo iria glorificá-lo,
pois Ele tomaria do que era dele para declarar a nós (Jo 16:14). I Coríntios 2:10 diz que o
Espírito sonda as profundezas de Deus e as faz livremente conhecidas a nós. Assim o mesmo
Espírito que dava poder as palavras de Jesus e as fazia queimar no coração dos discípulos,
com revelação na estrada para Emaús, pode nos guiar através das Escrituras. Ele da mesma
forma pode fazer nossos corações queimarem (I Co.2:9-12, Jo.16:13-15, 14:26).

“Mas como está escrito: “Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem entrou em coração
humano aquilo que Deus tem preparado para aqueles que o amam. Mas Deus nos revelou pelo seu
Espírito. Pois o Espírito perscruta todas as coisas, até as profundezas de Deus... ... para que
pudéssemos conhecer o que gratuitamente nos foi dado por Deus.” (I Co. 2:9-12)

D. O maior prazer da humanidade é Deus revelando-se a nós na pessoa de Seu Filho.


Essa dinâmica entre a sua revelação e o nosso entendimento é a mais prazerosa, inebriante,
maravilhosa e temível que qualquer outra experiência no universo. Fomos feitos para
adentrar as profundezas de Deus, para mergulhar nesse oceano de sua divindade e explorar
os tesouros que a criação anseia descobrir.

E. Em João 17:24, Jesus declara ao Pai seu desejo de que vejamos sua glória. O
apóstolo Paulo, em II Coríntios, apresenta a essência do que Jesus estava pedindo ao Pai.
Paulo aborda como o Espírito opera no interior da alma do homem para trazer liberdade em
todas as áreas da vida. No verso 18 ele nos dá a chave principal: Transformação vem através
de contemplar o coração de Jesus. O que os olhos contemplam em Cristo, o Espírito
reproduz na mesma realidade, no coração daquele que o está contemplando.

57
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

“Ora, o Senhor é o Espírito; e onde está o Espírito do Senhor aí há liberdade. Mas todos nós,
com rosto descoberto, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória
em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor.” (II Co 3:17-18)

F. Testemunho Allen Hood: “Por muitos anos como cristão eu lutei com transformação
porque eu estava tentando conseguir isso nas minhas próprias forças. Eu não conseguia romper para o
próximo nível em certas áreas de minha vida. Nos primeiros anos do meu casamento, eu estava falhando
como o líder de minha própria casa, estava falhando miseravelmente em mostrar o amor de Cristo a
minha esposa. Então eu tomei I Coríntios 13: 4-5: “O amor é paciente, o amor é benigno; o amor não é
invejoso; o amor não se vanglória, não se ensoberbece, não se porta inconvenientemente, não busca os
seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita mal.” Eu fiz um plano. Eu começaria com paciente
e acharia cada versículo sobre paciência, então meditaria nesses versos até que eu tivesse isso!

Depois de quatro dias, minha mulher veio até mim e disse, “Allen, o que você está fazendo? O
que está acontecendo?” eu disse: “Querida, você notou a diferença, não notou?” Então eu contei a ela o
que eu estava fazendo e declarei que dentro de um ano ela teria um marido transformado! Minha mulher
é muito doce, mas a resposta dela me derrubou completamente: “O que você está pensando? Nesses
quatro dias você foi o mais impaciente e mal-humorado de todos nossos anos do nosso casamento. Seja
o que for que você estiver fazendo, não está funcionando!”

Eu voltei ao Senhor me sentindo completamente derrotado e clamei em desespero: “Deus, eu sou


um desastre. Eu não consigo nem fazer o primeiro corretamente. Eu falhei antes mesmo de sair dos
portões.” O Senhor foi tão gentil enquanto me explicava os Seus caminhos, dizendo: “Allen, o que você
está fazendo? Não é sobre você, é sobre Mim. Ao invés de tentar em suas próprias forças ganhar algo que
você não tem, lembre que você foi feito para refletir a Minha imagem; você é portador da minha
imagem.” A luz começou a vir enquanto Ele continuou a falar: “Você não tem que ser paciente por você
mesmo. Medite em quão paciente, gentil e amoroso Eu fui com você na cruz e veja quão paciente você se
tornará. Medite em mim, olhe fixo para mim, esqueça de medir a si mesmo e abandone a si mesmo para
buscar o conhecimento de Deus. Somente olhe muito sobre como Eu sou e veja o que começa a acontecer.”
Eu comecei a entender que o Senhor ama nos purificar quando vamos a Ele em arrependimento para
alcançá-lo em esperança. É contemplando a Ele que somos transformados”.

G. Podemos descobrir que a revelação de Jesus e a redenção serão uma das


descobertas mais emocionantes da nossa vida cristã enquanto lemos as Escrituras. A beleza
de Jesus vem à luz, a redenção então faz sentido, e nos encontramos no meio dessa historia,
sabendo como cooperar com o plano de Deus para a restauração de todas as coisas. É
contemplando a glória de Cristo pela fé que somos espiritualmente edificados e estabelecidos
nesse mundo, pois enquanto contemplamos sua glória, a vida e o poder da fé crescem mais
e mais. É pela fé que crescemos em amar a Cristo. Então se desejamos uma fé firme e um
amor poderoso, que nos dá descanso, paz e satisfação, precisamos buscá-los diligentemente,
contemplando a glória de Cristo pela fé. Na glória de Cristo sejam fixados todos os nossos
pensamentos e desejos e quanto mais olharmos para ela, mais as belezas falsas desse mundo
vão murchar aos nossos olhos... Assim estaremos cada dia mais crucificados para esse
mundo e ele se tornará para nós como algo morto e sem graça, impossível de se ter prazer,
se comparado ao que encontramos em Cristo!

H. A estratégia de Deus para o fim dos tempos é revelar o esplendor de seu Filho, de
tal forma que amor extravagante, corações apaixonados e explosões de fé serão produzidas
em Seu povo. Vamos adentrar na gloriosa preparação de Deus para a vinda de Seu Filho.
Como os discípulos na estrada para Emaús. Precisamos pedir ao Espírito Santo que nos guie
pelas Escrituras, tanto a respeito dos sofrimentos de Cristo quanto a glória que se seguiu,
sabendo que enquanto o ouvimos, o Espírito Santo fará com que nossos corações queimem.

II - A CRIAÇÃO DA HUMANIDADE: GÊNESIS 1-2


58
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

A. Gênesis 1:1 a 2:3 foca na inquietante presença do Espírito Santo e no poder de


Deus para trazer a existência pela Sua palavra todas as coisas. O amplo contexto é
estabelecido. No capítulo um, o principal personagem é introduzido, O Todo-Poderoso e
amoroso Deus Criador. O capítulo dois destaca a mais querida criação, o foco das afeições
do personagem principal. As cortinas se abrem no capítulo dois, com a forma dos portadores
da imagem do Criador sendo anunciada.

B. Deus então formou o homem, mas não como formou o céu, através de uma única
e criativa palavra. A mão daquele que é a Palavra forma a obra-prima e o seu sopro é
introduzido em uma alma vivente. O sopro e força de vida do próprio Deus moldam e
formam o coração do homem, e Deus deixa a sua marca sobre Adão, Seu santo sopro
preenchendo a alma do homem.

C. Deus molda criaturas feitas à sua própria imagem e dá a elas domínio sobre toda
a terra. Elas são suas representantes nessa obra criativa de Yahweh. O governo de Deus sobre
a terra virá dessas nobres criações feitas a imagem dele. Elas serão únicas em seu
relacionamento com Ele e únicas em exercer autoridade sobre a terra. A glória de Deus deve
ser refletida e mediada através desses guardiões e despenseiros da bela e criativa obra de
Deus. Não há outra criatura como nós, formados do pó, mas preenchidos com o Sopro do
próprio Deus. Somos o tesouro da criação de Deus.

D. Desde o princípio Deus trouxe a humanidade a terra dentro de uma estrutura


moral. Foi concedida a liberdade e oferecida a alegria da obediência. O cultivo da comunhão
e do prazer seria um ato voluntário. Livre arbítrio seria acompanhado por limites de
segurança para o proveito da beleza de Deus e da sua criação. Assim Deus ordenou: “Mas
da árvore do conhecimento do bem e do mal vocês não comerão” (Gn 2:17). Os humanos não
foram feitos para governar independentemente, baseados em suas observações
independentes e entendimento do ambiente onde vivem. Os humanos foram projetados para
refletir o governo de Deus, fluindo de íntima comunhão com o Deus vivo, o governador de
todas as coisas.

E. Nesse jardim Deus define realidade ao homem desde o princípio. Deus deseja
uma companheira para Adão. Essa não é uma alternativa para um sistema desfeito, é a visão
profética da natureza das coisas que aconteceriam na vinda do segundo Adão. Assim como
foi o desejo de Deus nos criar segundo a Sua imagem e se juntar a humanidade na pessoa de
Seu Filho, Ele também queria que o primeiro Adão se juntasse a uma companheira.

F. O fato de Adão ter nomeado os animais é usado por Deus para ajudá-lo a
descobrir os atributos dados por Deus de amor e desejo. Você pode imaginar a dor de Adão
enquanto ele os nomeia, dois de cada espécie, ao mesmo tempo reconhecendo sua falta de
companhia e descobrindo o poder de uma nova emoção? O desejo está atingindo o seu
clímax, mas espere, há um casamento vindo!

G. Nós vemos o prenúncio da cruz de Cristo no nascimento da criação. As noivas de


ambos, do primeiro e segundo Adão viriam através do amor sacrificial do noivo. O Deus
sábio estabeleceu a história de Seu Filho e da Noiva desde o começo. Deus proveria uma
companheira para o segundo Adão assim como proveu ao primeiro. O Pai celestial o
colocaria para dormir e satisfaria Seu desejo. Do lado ferido do segundo Adão, Deus
projetaria uma bela esposa para Seu filho Amado. O casamento dos séculos estava declarado
desde o começo dos tempos no DNA da humanidade.

59
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

H. Deus traz a noiva ao segundo Adão, assim como ao primeiro. Esse foi um noivado
divino, planejado no coração de Deus. Do escárnio da humanidade pecadora o Pai vai gerar
uma eterna companheira para Seu Filho. Sua intervenção sobrenatural será necessária para
que esse casamento aconteça. Deus está formando Sua noiva a partir do lado ferido do Filho
e o Espírito Santo vai apresentar essa bela esposa ao Seu Filho. O Filho anseia por uma
companheira, o Pai o põe para dormir e o Espírito forma e traz a bela esposa para o Filho
com grande alegria.

III. A QUEDA

A. Gênesis 3 revela o momento trágico quando a humanidade aderiu a rebelião de


Satanás. Em algum lugar entre Gênesis 1:31, quando Deus viu que todas as coisas eram
boas, e Gênesis 3, um conflito começou no céu. As Escrituras contam que Satanás, um anjo
poderoso e de alto escalão, se tornou orgulhoso de seu grau angelical e exaltou a Si mesmo
como sendo similar a Deus. Ele solicitou a adoração de Deus e foi seguido por um terço dos
anjos do céu (Ez.28:12-17, Is.14:12-15).

“Tu eras o selo da perfeição, cheio de sabedoria e perfeito em formosura. Estavas no Éden,
jardim de Deus; de todas as pedras preciosas te cobrias: o sárdio, o topázio, o ônix, a crisólita, o
berilo, o jaspe, a safira, a granada, a esmeralda; de ouro se fizeram os engastes e ornamentos no
dia em que foste criado foram eles preparados. Tú eras querubim da guarda ungido, e te estabeleci,
permanecias no monte santo de Deus; no brilho das pedras andavas. Perfeito eras nos teus
caminhos, desde o dia em que foste criado, até que em ti se achou iniquidade. Na multiplicação do
teu comércio, se encheu o teu interior de violência, e pecaste; pelo que te lançarei, profanado, fora
do monte de Deus e te farei perecer, ó querubim da guarda, em meio ao brilho das pedras. Elevou-
se o teu coração por causa da tua formosura, corrompeste a tua sabedoria por causa do teu
resplendor; por terra te lancei; diante dos reis te pus, para que te contemplem.” (Ez. 28:12-17)

B. A rebelião se estendeu a Terra enquanto Satanás estabelecia seu reino na esfera


natural seduzindo a mais estimada das criaturas de Deus. A decisão de Adão e Eva foi muito
além de um fruto a comer. Foi sobre que voz a humanidade deveria ouvir e a quem eles
seguiriam. A humanidade se juntou a rebelião e as consequências dessa escolha mudaram
todo o quadro da ordem da criação. Os efeitos continuam sendo desastrosos e mortais.

1. Seguindo a Satanás, a humanidade caiu do reino de Deus. O reino das trevas tinha
agora uma fortaleza e os reinos da terra entraram debaixo da influência do Mal.

“Novamente o Diabo o levou a um monte muito alto; e mostrou-lhe todos os reinos do


mundo, e a glória deles; e disse-lhe: Tudo isto te darei, se, prostrado, me adorares.” (Mt. 4:8-9)

“Sabemos que somos de Deus, e que o mundo inteiro jaz no maligno.” (IJo. 5:19)

2. Morte física, espiritual e eterna chegou à humanidade. Estávamos espiritualmente


separados de Deus e fisicamente condenados a morrer.

“Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal vocês não devem comer, pois no dia em
que comerem certamente morrerão.” (Gn. 2:17)

“Pois o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo
Jesus nosso Senhor.” (Rm. 6:23)

60
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

“Pois assim como do homem veio a morte, do Homem também veio a ressurreição dos mortos.
Pois assim como todos morreram em Adão, do mesmo modo em Cristo todos serão vivificados.” (I
Co. 15:21-22)

“E, como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo depois o juízo.” (Hb. 9:27)

“E vi os mortos, grandes e pequenos, em pé diante do trono; e abriram-se os livros, e abriu-


se outro livro, que é o da vida, e os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos
livros segundo as suas obras. O mar entregou os mortos que nele havia e a morte e o Hades
entregaram os mortos que neles havia; e foram julgados, cada um segundo as suas obras. E a morte
e o Hades foram lançados no lago de fogo. Esta é a segunda morte, o lago de fogo. E todo aquele
que não foi achado inscrito no livro da vida, foi lançado no lago de fogo.” (Ap. 20:12-15)

3. A culpa pelo pecado e o castigo justo de Deus entraram na experiência humana.

“Pois do céu é revelada a ira de Deus contra toda a impiedade e injustiça dos homens que
detêm a verdade em injustiça.” (Rm. 1:18)

“Mas, segundo a dureza do teu coração impenitente, entesouras ira para ti no dia da ira e
da revelação do justo juízo de Deus, que retribuirá a cada um segundo as suas obras.” (Rm. 2:5-6)

4. A criação experimenta o gemido dos efeitos do pecado.

“Pois a criação aguarda com ardente expectativa a revelação dos filhos de Deus. Pois a
criação foi sujeita a vaidade, não por sua vontade, mas por causa daquele que a sujeitou; na
esperança de que também a própria criação há de ser liberta do cativeiro da corrupção, para a
liberdade da glória dos filhos de Deus.” (Rm. 8:19-21)

5. A humanidade não somente experimenta a separação de Deus, mas o efeito do


pecado causa separação social e injustiça.

“Mas se andarmos na luz como Ele está na luz, teremos comunhão uns com os outros e o
sangue de Jesus Cristo Seu Filho nos purifica de todo pecado.” (I Jo. 1:7)

6. A humanidade perdeu a habilidade para manter corretamente o conhecimento de


Deus. Na perda da comunhão com Ele, a habilidade para percebê-lo e refletir Sua glória foi
perdida. Seu assunto com a humanidade sempre girou em torno do conhecimento de quem
Ele é e a resposta apropriada de adoração, que vem com a beleza revelada ao Seu povo.

7. Uma grande separação tomou conta das esferas celestiais e terrenas.

“E, havendo lançado fora o homem, pôs ao oriente do jardim do Éden os querubins, e uma
espada flamejante que se envolvia por todos os lados, para guardar o caminho da árvore da vida.”
(Gn. 3:24)

C. Deus preanunciou o trabalho da redenção pelo sacrifício de um animal e fazendo


vestes para cobrir Adão e Eva (Gn.3:21). A redenção final viria através de um sacrifício que
somente Deus poderia prover.

IV - O DESCENDENTE VINDOURO E A JUNÇÃO DE TODAS AS COISAS


EM CRISTO

61
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

A. Logo após a criação, o pecado da humanidade causou grandes mudanças. Adão


foi expulso do Éden e querubins foram postos nos seus lugares para guardar a árvore da vida.
Onde está a árvore da vida agora? Apocalipse 22:2 nos informa que ela aguarda na Nova
Jerusalém e que seus galhos serão para a cura das nações. O reino sobrenatural foi afastado
até o dia final da redenção, quando novos céus e nova terra serão trazidos à luz com a Nova
Jerusalém, unindo os dois reinos em perfeita harmonia. Deus fará seu tabernáculo com o
homem e os tronos de Deus e do Cordeiro estarão lá.

B. Qual foi a resposta de Deus para a queda da humanidade e sua morte iminente?
Qual foi a resposta de Deus para a grande separação? Jesus Cristo! Um Descendente
vindouro foi profetizado, um Rei que faria todas as coisas se tornarem certas expiando o
pecado, reparando a comunhão com Deus, restaurando o conhecimento de Deus e
quebrando todos os poderes das trevas. O desdobramento de toda revelação seria relacionado
a vinda desse Ungido, que destruiria as obras das trevas, fazendo tudo novo, abençoando
todas as famílias da terra e enchendo a terra com o conhecimento da glória de Deus como
as águas cobrem o mar (Is.11:9). A Bíblia é o registro de como Deus trouxe o único
Prometido (Gn. 3:15).

C. Paulo nos diz que era o prazer de Deus que na dispensação da plenitude dos
tempos, todas as coisas pudessem convergir em Cristo, tanto as que estão nos céus como as
que estão na terra. A Bíblia é iniciada com a presença celestial e sobrenatural de Deus em
harmonia com a esfera terrestre e natural. Deus caminhava com Adão na viração do dia.
Comunhão e cooperação estavam entre essas duas esferas. A atividade sobrenatural de Deus
permeava a ordem natural e Deus considerou isso como “muito bom”. Na junção das esferas
celestiais e terrenas os propósitos e a personalidade de Deus são completamente expressados
(Ef.1:9-10).

D. Cristo trouxe com Ele o Reino de Deus. Ele é aquele que restabelece o governo
de Deus (sobre o homem) de acordo com o Seu designo original. Em Cristo, Deus agora
habita com o homem e em Cristo todas as coisas são unidas nos céus e na terra.

E. A resposta de Deus para o grande divórcio da história humana entre Ele e o


homem é Cristo. Através dele tudo foi criado e por Ele todas as coisas serão feitas novas e
unidas em amor. Tudo se resume nele. Nas eras passadas Deus falou com Seu povo através
dos profetas, mas agora o Pai tem falado conosco através de Seu Filho (Hb. 1:1). Cristo é o
início e o ponto final da raça humana (Hb.1:1-4, Ap. 22:13)

V. PERÍODO PRÉ-DILÚVIO

A. A tragédia de Abel e Caim. Depois de Deus dar a promessa do Descendente


vindouro, Satanás ataca a essência da promessa. Ele se move contra os filhos de Eva,
tentando aniquilar a linhagem da qual virá esse Descendente. Caim falha em resistir a
pressão do pecado batendo em sua porta e assassina seu irmão. Em um momento repentino
Abel, o irmão que Deus favoreceu (Gn. 4:4-6), é assassinado e o assassino, Caim, é
amaldiçoado por Deus. A questão então passa a ser: Como a promessa pode se cumprir com
um irmão morto e o outro amaldiçoado?

B. Sete, Enos e o ministério da intercessão. Sete nasceu quando Adão tinha 130 anos
e seu nome significa “o indicado”. Depois do assassinato de Abel, é provável que Adão e
Eva vissem Sete como aquele que preencheria a promessa de Genesis 3:15 do Descendente
vindouro. Depois da instituição da Páscoa, nós sabemos quem é o Messias, mas imaginemos
Adão e Eva em seus assentos, aguardando pela promessa, esperando desesperadamente pela
criança que iria retorná-los a sua glória antes da queda. Eles tinham experimentado a glória
de Deus no jardim do Éden e perdido tudo. Imagine a profundidade de seu desespero vendo
62
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

os efeitos dos seus pecados manifestos na vida de seus filhos. Um deles está morto,
assassinado por seu irmão amaldiçoado.

1. Torna-se aparente que a libertação não virá através de Sete; essa percepção é
refletida na nomeação de seu filho Enos, que significa “fragilidade”. Em outras palavras, o
cumprimento da promessa é percebido como estando fora de sua capacidade, a promessa
não virá pela força humana. A linhagem de Eva simplesmente não pode alcançá-la.

2. Com o reconhecimento de sua fragilidade e fraqueza em cumprir a promessa, a


linhagem de Sete começa a clamar pelo nome do Senhor. Em contraste com a linhagem
amaldiçoada de Caim, os descendentes de Sete intercedem pela libertação da humanidade.

“E a Sete também nasceu um filho; e foi nomeado Enos. Então os homens começaram a
invocar o nome do Senhor.” (Gn. 4:26)
C. Enoque e Noé foram frutos dessas orações. Enoque se torna o primeiro profeta da
vinda do Messias (Judas 14-15), e Noé encontra graça aos olhos do Senhor (Gn.6:8)

“E Enoque andou com Deus; e não mais foi achado, pois Deus o tomou para Si.” (Gn. 5:24)

“Para estes também profetizou Enoque, o sétimo depois de Adão, dizendo: Eis que veio o
Senhor com os seus milhares de santos, para executar juízo sobre todos e convencer a todos os ímpios
de todas as obras da impiedade, que impiamente cometeram, e de todas as duras palavras que
ímpios pecadores contra ele proferiram.” (Judas 14-15)

VI - A ALIANÇA ABRAÂMICA

A. Depois do dilúvio Deus dá aos filhos de Noé um decreto divino relativo a ordem
das nações. Sem seria escolhido como eleito de Deus através do qual o Descendente viria.
Contudo, Ninrode, da linhagem de Cam, lidera a primeira rebelião mundial e exibe a força
humana como o caminho para a restauração do domínio da humanidade. Deus libera o
julgamento de línguas diversas e espalha as pessoas sobre a face da terra, terminando a
rebelião de Ninrode.

“Cuxe gerou a Ninrode, o qual começou a ser poderoso na terra. Foi valente caçador diante
do Senhor; daí foi dizer-se: Como Ninrode, poderoso caçador diante do Senhor. O princípio de seu
reino foi Babel, Ereque, Acade e Alné, na terra de Sinar.” (Gn. 10:8-10)

B. A humanidade se torna mais rebelde e é dispersa pela terra em um novo contexto


multilíngue. Gênesis foca mais uma vez nos descendentes de Sem, à procura do Descendente
vindouro. À Abraão, um dos descendentes de Sem, é prometida a terra de Canaã e que todas
as famílias da terra seriam abençoadas através de sua descendência. Em Gênesis 15, é
contado a Abraão que seus descendentes iriam ao Egito e seriam afligidos por 400 anos. A
história de José completa essa profecia.

1. Deus faz uma aliança com Abraão e se compromete a trazer o prometido


Descendente através da descendência de Abraão, abençoando e restaurando todas as
famílias da terra (Gn. 12:1-3, 15:12-14, 15:17-18, 17:1-3).

2. Em Gênesis 22 Abrão obedece ao Senhor em sua disposição a sacrificar seu filho


prometido, Isaque. Enquanto descia a faca para matar seu filho, o Anjo do Senhor o impede
e provê um sacrifício apropriado. Essa descrição se torna a figura de Deus, o Pai se dispondo
a sacrificar Seu próprio Filho pelos pecados do mundo. Abrão experimenta a profundeza

63
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

do amor sacrificial de um pai e então se torna digno de ser pai de muitas nações. (Gn.22:15-
18).

3. Em Gênesis 28, numa visão aberta do céu, Deus promete a Jacó que Ele
providenciaria recursos para que o Descendente prometido viesse através da linhagem de
Jacó:

“Então sonhou: estava posta sobre a terra uma escada, cujo topo chegava ao céu; e eis que os
anjos de Deus subiam e desciam por ela; por cima dela estava o Senhor, o Deus de Abraão teu pai,
e o Deus de Isaque; esta terra em que estás deitado, eu a darei a ti e à tua descendência; e a tua
descendência será como o pó da terra; dilatar-te-ás para o ocidente, para o oriente, para o norte e
para o sul; por meio de ti e da tua descendência serão benditas todas as famílias da terra.” (Gn.
28:12-14)

4. A história de José (Gn.37-50) é uma das providências do Senhor. José se torna


aquele que protege a linhagem de Judá para que o Descendente possa vir através dela. José
reúne as tribos, mas somente após um tempo de grande sofrimento pessoal e de fome pela
terra, que afeta seus irmãos. Então ele se torna a figura do Messias que primeiro seria
rejeitado pelos seus irmãos e sofreria injustamente, somente para se tornar seu libertador em
um tempo de grande necessidade para Israel. (Gn. 45:4-7)

5. Jacó profetiza que o Descendente virá através da tribo de Judá. A expectativa do


Descendente vindouro cresce enquanto ele é traçado de Sem a Abraão, de Isaac a Jacó e a
Judá. (Gn.49: 8-10)

VII - ÊXODO, A FORMAÇÃO DE ISRAEL E A PRESERVAÇÃO DA


LINHAGEM

A. Deus restaura o relacionamento com a linhagem de Abraão, formando a nação


com a entrega do tabernáculo de Moisés, o sacerdócio e a lei.
B. Deus aparece a Moisés na sarça ardente e o informa que ele está de pé sobre o
lugar santo. Essa é a primeira vez que a palavra “santo” aparece na Escritura. Deus estava
manifestando a Si mesmo no fogo de Sua glória. O Deus fascinante estava revelando a luz
de Sua presença através da sarça ardente. Daquele dia em diante Deus começou estabelecer
uma nação através da revelação de Sua glória. (Êx. 3:2-5)

C. Moisés liderou os filhos de Israel para fora do Egito 430 anos depois de terem
entrado na terra. No Monte Sinai o Senhor os separa como um especial tesouro e um reino
de sacerdotes, definindo como eles abençoariam as nações da terra. Deus escolhe Israel,
como uma nação de sacerdotes, para refletir sua liderança benevolente para os gentios, nas
nações.

1. Após Deus demonstrar a perfeição de Seus juízos e a profundeza de Seu poder,


Moisés exclama em cântico, proclamando que não há outro como o Senhor, que é glorioso
em sua santidade. Ele declara: “Olhe o que o Deus ardente e glorioso da sarça ardente tem
feito!”

“Quem é como tu, Ó Senhor, entre os deuses? Quem é como tu, glorioso em santidade,
admirável em louvores, operando maravilhas?” (Ex. 15:11)
2. A mensagem é que somente Yahweh é santo e eterno. O Deus de Abraão, Isaque
e Jacó liberou seu poder e esplendor para demonstrar a Israel que Ele não é como os outros
deuses, mas que somente Ele é Deus, o Santo.

64
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

3. Deus então dá a Moisés uma figura clara para a nação de Israel e para o mundo,
de como se relacionar com esse belo e temível Deus santo. Assim como Ele está separado de
qualquer outra coisa e outro deus, assim Israel será separado como um tesouro especial de
Deus, uma nação santa, reino de sacerdotes. Eles revelarão a beleza da pessoa e da liderança
de Deus para as nações.

4. Deus restaura sua presença manifesta sobre o seu povo em um espaço geográfico.
A obediência de Israel a lei, junto com seu serviço sacerdotal, provê um contexto para que
Israel habite na presença de Yahweh. O tabernáculo de Moisés e a aliança com ele são
entregues para definir como Israel habitaria seguramente na presença santa de Deus, na terra
que Ele lhes deu, como o povo de sua aliança. (Nm. 1: 52- 53, Ex. 19: 4 -6, 9, Êx. 24: 9- 11,
25: 8)

5. Deus separa uma das tribos de Israel, os Levitas e escolhe o sacerdócio dos
descendentes de Arão para serem santos para o Senhor. Ele estabelece vários lugares para
exibir as diferentes facetas de Sua natureza e para revelar a diferença entre o que é santo e o
que é comum. Vestimentas santas de beleza e glória foram feitas, para serem usadas apenas
pelos sacerdotes. Isso representou o dia vindouro onde o Santo Deus viria em carne humana,
o dia onde Jesus, o grande Sumo Sacerdote, se faria carne, adornado com Sua própria
divindade.

6. Quando o povo se rebelou, Moisés intercedeu para que a presença de Deus


permanecesse no meio deles; isso resultou em Deus enviando uma nuvem e revelando Sua
glória. (Êx. 33:1,3,13-14,18-20; 34:5-7,29).

7. No Monte Nebo, Moisés renova a aliança com os filhos de Israel antes deles
entrarem na terra e profetiza sua futura apostasia, rebelião, julgamento, e restauração final
(Dt 31:26-32:43). Na sua última declaração para Israel, em Moabe no lado leste do Rio
Jordao, ele profetiza que um profeta como ele iria falar as palavras do Senhor. Qualquer que
não o ouvisse seria eliminado. (Dt. 18:15-19, Jz.1:45)

8. Deus reafirma a Josué, enquanto ele está em terra sagrada, que Ele, o Capitão do
exército do Senhor, lideraria sua campanha. (Js. 5:13-15).

9. Os filhos de Israel conquistaram a maior parte da Canaã sobre o comando de


Josué e as escrituras testificam que o povo de Israel permaneceu santo para o Senhor todos
os dias de Josué, apesar de terem falhado em conquistar toda Canaã. O livro de Josué
termina com a renovação da aliança: Josué lembra ao povo do Deus santo e os exorta a
escolherem por si mesmos nesse dia quem eles iriam servir” (Js. 24:16-20,31).
10. O livro de Juízes começa com o Anjo do Senhor apontando a falta de disposição
do povo em obedecer completamente ao Senhor. Os povos ao redor se tornam uma pedra
no caminho, e seus deuses se tornam uma cilada para Israel. Então o Senhor entrega Israel
nas mãos de seus inimigos. Quando o povo clama por libertação, Deus levanta
juízes/libertadores para derrotar os inimigos de Israel. Juízes termina sem rei na terra e cada
indivíduo fazendo o que é certo aos seus próprios olhos (Jz. 2:1-3, 21:25).

VIII - A ERA DA TRANSIÇÃO: SAMUEL E O ANSEIO DE ISRAEL POR UM


REI

A. Em I Samuel, Deus responde as orações de Ana e traz através dela um profeta


para comunicar Suas revelações para Israel. (I Sm. 2:1-2)

65
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

B. Sem um rei humano na terra e todos fazendo o que era certo em seus próprios
olhos, Deus estabelece Samuel como profeta e juiz e a casa corrupta do sacerdote Eli é
removida. O testemunho da presença de Deus no meio do povo agora vem através de Samuel
enquanto ele declara a palavra de Deus e demonstra o Seu poder. (I Sm. 3:19-4:1)

C. I Samuel 8 reconta a história de Israel rejeitando sua teocracia. Ser um reino de


sacerdotes não é sua preocupação. Israel anseia por um rei como as outras nações.
Descontente, Samuel alerta-os sobre as consequências de querer ser como as nações ao redor
e de terem um rei humano: opressão e escravidão. Ainda assim eles insistem em ter um rei
que os conduzirá em suas batalhas.

D. Deus dá ao povo aquilo que pediram, um rei opressivo como as outras nações
tinham. Ele dá a eles o rei Saul. Saul fará do Senhor sua grande recompensa? Ele honrará os
fundamentos sacerdotais? Ou ele ouvirá a voz das pessoas e de sua própria ambição focando
em dominar separadamente de ministrar ao Senhor?

E. Saul se desqualifica e desqualifica sua casa do trono por se recusar a esperar


Samuel fazer a oferta. Ele desobedece a Palavra do Senhor e age de acordo com sua força e
ingenuidade. Deus anuncia que Ele encontrou um homem segundo o seu coração, um jovem
pastor chamado Davi. (I Sm. 13:13-14)

IX - A ALIANÇA DAVÍDICA, O TEMPLO E A VOZ PROFÉTICA

A. Semelhante a história de José, a ascensão de Davi ao poder inclui rejeição e


sofrimento. Davi precisa exercitar grande persistência e paciência enquanto ele espera pelo
Senhor para vencer seus inimigos e pelas palavras do profeta se tornarem verdade.
Novamente, a salvação pertence ao Senhor e Deus se revela como o grande libertador de
Israel.

B. A casa de Davi carrega a linhagem do Messias. O Velho Testamento testifica que


o Descendente viria de Eva através de Sete, Sem, Abraão, Jacó, então da tribo de Judá, e da
casa de Davi. Debaixo de Davi uma aliança eterna é estabelecida e a redenção das nações é
conquistado. (II Sm. 7:12-16, Is. 11:1-4, 10, Jr. 33:15-17, Is. 9:6-9, Zc. 6:12-13).

C. O tabernáculo de Davi inaugura uma nova estação de revelação. Davi se


encontrou com o Santo e Deus deu a ele planos para um novo tabernáculo, onde a arca
estaria descoberta em uma tenda. O tabernáculo de Davi fez conhecido que Yahweh
desejava estar na presença de Seu povo, para ser contemplado e adorado dia e noite. A
santidade de Deus não deveria ficar separada do Seu povo para sempre por véus.

1. Davi gastou a sua fortuna (I Cr. 29:1-5) e o tesouro nacional para estabelecer 4.000
músicos de tempo integral e 288 cantores no tabernáculo de Davi (I Cr. 23:5, 25: 1-7).

2. O estabelecimento do tabernáculo de Davi foi sem precedentes. Deus proibiu


estritamente qualquer um, exceto o sumo sacerdote, de entrar no Santo dos Santos e olhar
sobre a arca da aliança; pois sua glória apareceria sobre o assento de misericórdia. Na
verdade, ao sumo sacerdote só era permitido ver o Santo Lugar uma vez por ano, depois de
ter expiado seus pecados e os do povo. (Êx. 25:21-22, Lv. 16:2, 12-13)

3. Davi se tornou uma figura do Rei vindouro que traria a presença imediata do
Santo no meio deles, não separada por véus. Deus habitaria mais uma vez com seu povo.
Como Davi, o Rei-Sacerdote lideraria Seu povo em adoração e vitória nas batalhas.

66
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

4. Muitos Salmos descrevem o ministério do Messias:


a. Salmo 2 - Filiação e governo
b. Salmo 8- Domínio
c. Salmo 16- Enterro e ressurreição
d. Salmo 22- Crucificação, ressurreição e exaltação
e. Salmo 24- Entrada em Jerusalém e segunda vinda
f. Salmo 29- Palavra trovejante e poderosa glória
g. Salmo 31- Libertação de perseguição injusta
h. Salmo 40- Obediência (Hb. 10:5-10)
i. Salmo 41- Traição
j. Salmo 45- Divindade e casamento real
k. Salmo 60- Libertação de Israel e conquista das nações
l. Salmo 68- Ascensão
m. Salmo 69- Zelo pela Sua casa
n. Salmo 72 - Reino no milênio
o. Salmo 102 - Salvação de Israel
p. Salmo 110- Governo ascendente e segunda vinda - o Rei-Sacerdote
q. Salmo 118- Pedra angular
r. Salmo 149- Rei conquistador vindouro

5. No tabernáculo eles cantavam salmos para o glorioso, belo e majestoso Rei e


recebiam revelação Dele (Sl. 11:4; 22:3-4; 47:8; 93:3-5; 99:1-3; 105:3; 111:9; 119:96)

D. Agora outro fato estranho na escolha da linhagem do Messias é apresentado: de


todos os filhos de Davi, Salomão é escolhido como aquele que construiria o templo e de cuja
linhagem o Messias viria. Ao filho de um casamento que começou em adultério e assassinato
é dada a maior honra de todas. Na escolha de Salomão a misericórdia de Deus é apresentada
em grande forma. (II Sm. 12:24-25, I Cr. 28:5-7)

E. Satanás lança um ataque duplo através do censo de Israel e do golpe de Adonias


para tomar o trono.

1. Através do censo, Satanás move Davi para confiar em sua própria força, ao invés
de confiar na provisão do Senhor e então governar através de intimidade. (I Cr. 21:1)

a. Em II Samuel 24:1 nós lemos que a ira do Senhor se levanta em direção a Israel e
Ele moveu Davi contra eles. A escritura nos deixa saber que Deus permitiu que aquilo viesse
sobre Davi. Ele confiaria em suas próprias forças ou confiaria no Senhor?

b. Joabe e seus capitães resistem, mas Davi, influenciado por Satanás, derrota a sua
resistência. A palavra do rei prevalece sobre Joabe e os capitães do exército. (II Sm 24:3-4)

c. Deus manda o profeta para confrontar Davi, que escolhe a correção da mão do
Senhor. Em resposta, o anjo do Senhor é enviado para punir Davi por sua iniquidade. Então,
sobre a direção do profeta, Davi constrói um altar na eira de Araúna para fazer um sacrifício.
Deus recebe sua oferta e responde com fogo do céu. Esse ponto se torna o lugar onde é
ordenado a Salomão que construa o templo. O templo será construído no exato lugar onde
o julgamento de Deus caiu sobre Davi para livrá-lo de sua própria força. A libertação de
Israel não virá através de força humana mas de intercessão humana e intervenção divina. (II
Sm. 24:13-14, I Cr. 21:16-17, I Cr. 21:26-22:2)

2. Na tentativa de Adonias para se tornar rei, Satanás move para estabelecer Adonias
no trono e prevenir que Salomão suba ao poder. Esse foi um movimento decisivo contra a
vinda do Descendente através de Salomão e contra a construção do templo.
67
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

X - A PERDA DO CONHECIMENTO DE DEUS

A. Salomão constrói o templo e traz a nação a um alto ponto de aquisição de terras,


saúde e expressão religiosa em Jerusalém. Seu reino pacífico e sábio se torna uma
representação do reino milenar de Cristo. A Rainha de Sabá faz uma visita e reconhece a
sabedoria e esplendor do reinado de Salomão, prenunciando o dia, quando todos os reis da
terra virão a Jerusalém para honrar o Messias e adorar o Deus de Israel. (I Rs. 10:6-9)

B. De qualquer forma, as muitas esposas de Salomão se tornam uma cilada para ele,
enquanto ele permite que altares a outros deuses sejam construídos em Israel. Seu reinado
termina com idolatria na terra e o reino sendo dividido. Jeroboão toma as dez tribos do norte
(conhecidas como Israel e Efraim) e estabelece um governo em Samaria. As duas tribos do
sul (Judá e Benjamin) seguem a casa de Davi sobre a liderança de Roboão, centralizada em
Jerusalém. (I Rs. 11: 4)

C. Deus continua Se revelando à nação de Israel, ainda que eles tivessem violado a
aliança e falhado em caminhar nos caminhos do Senhor. Israel não mantém a lembrança da
glória de Deus e de seu testemunho para a terra. Eles repetidamente trocam a adoração a
Yahweh por adoração a outros deuses. Houve dezoito reis no norte e nenhum foi fiel ao
Senhor. Dos dezoito reis do sul, apenas a metade foi fiel.

D. Para ambos os reinos Deus envia profetas que se levantam sobre a aliança
Mosaica como renovado no livro de Deuteronômio. Eles explicam as maldições presentes
da terra como resultado direto de violação de Israel a aliança com Deus. Oséias e Amós
apelam a Israel para que retorne da iniquidade e profetizam sobre um exílio que viria,
enquanto Isaías e Miquéias da mesma forma alertam a Judá (Sl. 106:21; 78:11, Is. 44:19, Os.
2:13, 4:6, 8:14; 13:6). Jeremias e Ezequiel também profetizaram sobre o exílio (Jr.3:21, 10:14,
13:25, 18:15, 50:6, Ez. 23:35, 22:12)

“Pode uma virgem esquecer de seus adornos, ou uma noiva de seus enfeites? Ainda assim
Meu povo se esqueceu de Mim por dias incontáveis.” (Jr. 2:32)

XI - A ESPERANÇA PROFÉTICA

A. Isaías profetizou por pelo menos 58 anos, de 739 a 681 a.C. Ele profetizou sobre
um rei vindo de Davi que restauraria todas as coisas. O livro de Isaías adentra mais na
natureza do Messias, em sua identidade e missão (nessa era e na era vindoura) do que
qualquer outra obra do Velho Testamento. Então, Isaías pode ser descrito como o profeta da
beleza do Senhor. Nas escrituras seguintes, Isaías retrata o Senhor Jesus sendo exaltado em
sua majestade, sua humildade isenta de vergonha e Seu reinado ungido acabando com a
maldição e preenchendo o propósito de Deus para a criação: a unidade em Cristo de todas
as coisas, terrenas e celestiais. (Ef. 1:9-10)
1. Is. 2:2-5: Um reinado/governo vindouro do Monte Sião que se estabeleceria em
paz.

2. Is. 4:2-6: O Ramo do Senhor, um rei humano e divino, redimiria Jerusalém.

3. Is. 6:1-7: Isaías vê o Senhor em um trono, sublime e exaltado.

4. Is. 7:14: Emanuel nasceria de uma virgem.

68
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

5. Is. 9:6-7: Um governo seria estabelecido através de uma criança que seria dada. O
zelo do Senhor estabeleceria um governo no qual o povo amaria ao seu Rei, que é
“Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz.”

6. Is. 11:1-6: O Rei terá os sete espíritos de Deus, e trará paz.

7. Is. 16:5: “Em amor um trono será estabelecido.”

8. Is. 24:23: “Então a lua se envergonhará, e o sol se confundirá quando o Senhor


dos Exércitos reinar no monte Sião e em Jerusalém; perante os seus anciãos haverá glória.”

9. Is. 25:6-8: “O Senhor dos Exércitos dará neste monte a todos os povos um
banquete de coisas gordurosas, uma festa com vinhos velhos, pratos gordurosos com tutanos
e vinhos velhos bem purificados. Destruirá neste monte a máscara do rosto que envolve todos
os povos e o véu que está posto sobre todas as nações. Tragará a morte para sempre e assim,
enxugará o Senhor Deus as lágrimas de todos os rostos e tirará da terra o opróbrio do seu
povo...”

10. Is. 27:1: “Naquele dia o Senhor castigará com sua dura espada, grande e forte, o
dragão, serpente veloz e o dragão, serpente sinuosa e matará o monstro que está no mar.”

11. Is. 28:5: “Naquele dia o Senhor dos Exércitos será a coroa de glória e o formoso
diadema para o restante de Seu povo.”
12. Is. 32:1: “Eis que reinará um rei com justiça e em retidão governarão príncipes.”

13. Is. 33:17: “Seus olhos verão o Rei em Sua beleza; eles verão a terra que está muito
distante”.

14. Is. 35:1-10: Ele virá para trazer libertação no deserto.

15. Is. 40:1-31: Ele trará conforto e perdão dos pecados. Ele está vindo com libertação
e gentil carinho. (Is 40:3-5,10-11)
16. Is. 42:1-17: Esse Rei é o Servo em quem o Pai se deleita. Ele é gentil e resoluto
em Seu mandamento para trazer retidão e justiça. Ele trará liberdade. (Is 42:1-4, 42:13)

17. Is. 49:1-13: Ele é o Servo, cuja recompensa e trabalho repousam em Deus. Ele
salvará judeus e gentios, trazendo conforto e misericórdia. (Is 49:1-6)

18. Is. 50:4-9: Ele é o Servo submisso que tem uma língua de eruditos e uma palavra
para sustentar o cansado, até mesmo ao ponto de deixar os objetos de seu amor rejeitarem e
abusarem dele. (Is 50:4-6)

19. Is. 52:13 - 53:12: Esse Rei servirá até a morte. Ele fará o último sacrifício em favor
de Seu povo e trará remissão aos seus pecados. Seu retorno será em grande louvor, e os reis
“se calarão” por causa dele (Is 52). Aquele que não pode preservar a própria vida (Sl 22:29)
será o Rei que liberta Seu povo e receberá os despojos de todas as nações. (Is 53:2-6, 10-11)

20. Is. 54:1 - 62:12: Então Ele sairá do túmulo e estabelecerá um reino de sacerdotes
que conhecerão a Ele como Noivo e Rei. Eles serão frutíferos. Eles serão ungidos com o
Espírito Santo e farão grandes coisas. Ele se regozijará neles como um noivo se alegra em
sua noiva e estabelecerá oração dia e noite pela libertação de Israel e pela segunda vinda de
Cristo.

69
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

21. Is. 63:1-19: Isaías testemunha uma visão assustadora e majestosa do Messias. Ele
está vindo de Edom, nos dias modernos Jordânia, com vestes tingidas e glorioso em Sua
aparência. Desta vez Ele não está vindo como um cordeiro para ser morto, mas como o Rei
vestido em beleza e realeza. Ele está cavalgando na grandeza de Seu poder, o Leão da Tribo
de Judá está conquistando as nações da terra. O profeta vê o Messias de maneira diferente a
visão anterior de Isaías 53. O Servo sofredor é agora o Rei majestoso vindo na grandeza de
Seu poder. (Is. 63:1-6)

22. Is. 66:1-24: O reino de Deus está entre os homens e o templo está dento do coração
do contrito e quebrantado.

C. Enquanto profetizava o castigo de Deus, Isaías e outros profetas também profetizavam


sobre um tempo onde o conhecimento de Deus seria restaurado na nação de Israel,
até mesmo afetando gentios e toda a ordem da criação. Eles predizem Deus
estabelecendo uma nova aliança, que envolveria o perdão dos pecados e o
conhecimento de Deus estabelecido dentro do coração dos homens para sempre.
Essa nova aliança seria estabelecida por um descendente de Davi, o Ungido, que um
dia sentará no trono de seu pai Davi em Jerusalém para estabelecer um governo
mundial de paz entre as nações. Através desse governante Davídico os ministérios
sacerdotal e real funcionarão juntos, reestabelecendo o governo de Deus por toda a
terra, unindo as nações a adoração a Yahweh, e restaurando a criação pelo
conhecimento de Deus.
1. Jeremias: Jr. 3: 15, 31: 31-34, 33: 14- 16
2. Ezequiel: Ez. 34: 22-24, 37: 24-27
3. Miquéias: Mq. 4: 1- 2, 5: 1- 5)
4. Habacuque: Hb. 2: 14

XII - UMA VOZ CLAMANDO NO DESERTO – “PREPARAI O CAMINHO DO


SENHOR”

A. Deus enviou uma profecia através de Amós que chegaria o dia em que Ele enviaria
fome de Sua Palavra à terra de Israel. Assim, por mais de 400 anos antes da vinda de João
Batista, nenhum profeta profetizou. Durante a grande maioria destes anos, Israel foi
governado por potências estrangeiras, sem o reinado de Davi no lugar, sem a arca com a
glória Shekinah descansando sobre o propiciatório no Templo reconstruído e nenhum
profeta proferindo a Palavra de Deus ou direcionando o povo.

"Eis que os dias estão chegando", diz o Senhor Deus, "que eu vou enviar uma fome sobre a
terra, não fome de pão, nem sede de água, mas de ouvir as palavras do Senhor. Andarão errantes
de mar a mar, e do norte para o leste; eles deverão correr para lá e para cá, buscando a palavra do
Senhor, mas não a acharão." (Amós 8:11-12)

B. Nesse contexto de silêncio - de domínio estrangeiro, perversão sacerdotal, e um rei


não Davídico chamado Herodes no trono de Roma - a palavra do Senhor veio a João no
deserto. João chamou a nação de Israel para se arrepender de seus pecados como preparação
para a vinda do rei Davídico, predito pelos profetas, aquele que iria redimir Israel de seus
pecados e estabelecer o reino de Deus na Terra (Lc.1:68-79).

D. João deu muito mais do que uma pregação profética. De fato, Jesus declarou em
Mateus 11:9 que ele era “mais do que um profeta”. A Bíblia o chama “a voz”. Fariseus e
levitas do Sinédrio de Jerusalém foram enviados para perguntar sobre sua identidade. A
resposta de João foi inspirada por Isaías 40: “Eu não sou o Cristo. Eu não sou Elias, Eu sou

70
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

a voz que clama no deserto ”(Jo.1:19-23). Um profeta declara um oráculo. Um pregador


prega uma mensagem. Uma voz é muito mais do que isto (Jo.1:22-23, Lc.1:17).

E. Uma mensagem transmite informações, uma voz liberta pessoas. Muitas pessoas
podem transmitir uma mensagem, mas somente uma vida consagrada pode ser uma voz.
Uma mensagem pode transmitir conteúdo, mas uma voz vem a partir de uma vida ungida
que tem na verdade, o poder de transformar as pessoas. Esta é uma vida de devoção que
explode com o poder para transformar corações.

F. O ministério de João foi para dar testemunho da vinda do Reino de Deus no


Messias até batizar Jesus no Rio Jordão. O Filho de Deus foi revelado como o único a quem
o Espírito veio reconhecer. A tarefa de João foi preparar o povo para encontrar seu Deus.
Seu chamado era prepará-los para entrar em acordo com Deus, então eles poderiam subsistir
sendo beneficiados através de um encontro com o Santo!
XIII - DEUS SE REVELA PLENAMENTE NA PESSOA DE JESUS

A. Desde que Deus é Deus (eternamente), Ele tem consciência de Si próprio. A


imagem que Ele tem de si mesmo é tão perfeita, tão completa e tão plena quanto a
reprodução pessoal e vivente de Si mesmo. E esta imagem ou radiância deste ser vivente ou
em forma de Deus é Deus, ou seja, Deus o Filho... o deleite de Deus no Filho é o deleitar-se
em si mesmo. O original, o primitivo, o mais profundo, a fundamental alegria de Deus é a
alegria que Ele tem em suas próprias perfeições, como Ele próprio vê refletida na glória de
Seu Filho. Paulo fala da "glória de Deus na face de Cristo" (II Co. 4:6). Desde toda a
eternidade Deus contempla o panorama de Sua própria perfeição no rosto do Filho. Tudo o
que Ele é, Ele vê refletido plenamente e perfeitamente na face de Seu Filho. E nisto Ele se
alegra com a alegria infinita.

B. Na plenitude dos tempos, o mais sábio tema da história, Deus transbordou e


revelou plenamente o deleite dos deleites, Seu Filho. Deus preparou o planeta terra e formou
Israel para a inauguração do esplendor inigualável e brilho inimaginável. O Verbo se fez
carne e habitou em nós. O Filho eterno tornou-se Jesus de Nazaré. O que o Pai tanto sempre
apreciou, agora homens e mulheres poderão também desfrutar. O objeto de admiração do
Pai, agora se torna disponível para humanidade.

"E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a Sua glória, glória como do unigênito
do Pai, cheio de graça e de verdade" (Jo. 1:14).

C. A revelação de Deus e interação para com toda a criação é expressa na pessoa de


Seu Filho. Deus penetra no mais profundo afim de revelar a Si mesmo. A revelação se fez
carne e sujeitou-se a rejeição do homem e a ira de Deus. Devemos enxergar tal profundidade!
Suas excelências devem ser reveladas! Elas são o conteúdo do prazer maior, a alegria
indescritível. Elas exemplificam o imenso desejo de Deus a ser visto, observado, a ser objeto
da nossa contemplação e prazer.

D. Deus, em Sua infinita sabedoria, manifestou o resplendor da Sua glória e a


imagem expressa de Si mesmo em Jesus. Ele enviou Seu Filho para nascer de uma virgem,
para mostrar o amor e o poder do Pai, para ser crucificado, morto e enterrado, para descer
as profundezas do inferno. Para ressuscitar dos mortos, subir ao Céu, governar a direita da
Majestade e para ser admirado e amado por toda a eternidade por aqueles a quem Ele
redimiu com o Seu próprio sangue.

E. Jesus testificou que Ele foi a revelação plena do Pai e o redentor da humanidade.
Em um Homem, Deus resumiu tudo. Ele manifestou sua plenitude em forma corporal. Ele

71
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

restabeleceu sua revelação plena para a humanidade e restabeleceu a capacidade humana


para receber e refletir a revelação Dele. Deus fez algo inédito, algo que faria reis taparem
suas bocas. Ele se concentrou em forma corporal. A partir deste ponto, as profundidades de
Deus seriam vistas na pessoa de Jesus Cristo. E através deste Reinado celestial e Davídico,
Deus liberou o conhecimento de Si mesmo por toda a terra.

72
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

LIÇÃO SEIS
A PRÉ-EXISTÊNCIA DE CRISTO

I - A TRINDADE, UM DEUS EM TRÊS PESSOAS


A. “Sem a premissa da pré-existência, não se pode falar sobre encarnação.”A
Encarnação do Filho requer que Ele tenha existido anteriormente. Ele é o unigênito, enviado
do Pai. Sua origem é de eternidade a eternidade. Jesus é o eterno Deus conosco. Como Jesus
ensinou, Ele tem uma relação especial com o Pai. Vê-lo é ver o Pai. Ouvi-lo é ouvir o Pai.
Encontrá-lo é encontrar o Pai. Ele diz a Filipe que Ele e o Pai são um. Ele chocou a multidão,
alegando ter autoridade maior do que Abraão teve e o fez ao afirmar que Ele existiu antes
que Abraão existisse, assim como o próprio Deus, Ele sempre existiu. “Antes que Abraão
existisse, Eu sou” (Jo. 8:58).

Na difícil hora antes da cruz, Ele foi ainda mais longe e se fortaleceu em amor através
das memórias da Sua relação eterna com o Pai. Ele refletiu na glória que tinha com o Pai
antes que o mundo existisse. Ele meditou no amor que o Pai tinha por Ele antes da fundação
do mundo (João 17).

B. Após a Ressurreição, Jesus foi adorado e exaltado como Senhor e Cristo. Ele
recebeu a adoração dada somente a Deus. Ouça Tomé ao passar a mão no lado de Jesus:
“Meu Senhor e meu Deus!” (Jo. 20:28). Assim que Ele subiu aos céus, prostraram-se e O
adoraram. Depois de sua morte e ressurreição, Jesus não só foi visto por seus discípulos, mas
"por mais de quinhentos de uma vez" (I Co. 15:6). Agora, esses judeus são confrontados com
um dilema teológico: eles vêem um Jesus ressuscitado, que não os impede de dar-lhe o culto
que só podia antes ser dado ao Senhor. Como pode o "Senhor teu Deus" ser um Deus e agora
existir para sempre como o homem-Deus?

C. O Senhor do Shemá (Dt. 6: 4-5) é Emanuel, “Deus conosco” (Mt.1: 23, Is. 7: 14).
Ao despertar da Ressurreição, a revelação de Deus se torna clara - Ele é um só, em três
pessoas, iguais em substância, poder e autoridade. Assim, Jesus declarou em Mateus 28:18-
19: “ Foi me dada toda a autoridade no céu e na terra. Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações,
batizando-os em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo.”

“Ouve ó Israel; o Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás, pois, ao Senhor teu Deus
de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todas as tuas forças. (Dt. 6 :4-5)

Portanto o Senhor mesmo vos dará um sinal: eis que uma virgem conceberá, e dará à luz um
filho, e será o seu nome Emanuel (Is. 7 :14)

D. Paulo abençoa a igreja de Corinto, em II Coríntios 13, dizendo: “A graça do Senhor


Jesus Cristo e o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo Espírito Santo sejam com todos vós.”
Paulo também confirmou a Unicidade de Deus em I Corintios 8 e Efésios 4 e defendeu o
monosteísmo , ao expandir o Shema para incluir Jesus dentro da identidade divina (I Co.8:4-
6, Ef. 4:4-6, II Ts. 2: 13-14, I Pe. 1:1-2, Jd. 20-21).
Quanto, pois ao comer das coisas sacrificadas aos ídolos, sabemos que o ídolo nada é no
mundo, e que não há outro Deus, senão um só. Pois, ainda que haja também alguns que se
73
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

chamem deuses, quer no céu quer na terra (como há muitos deuses e muitos senhores), todavia
para nós há um só Deus, o Pai, de quem são todas as coisas e para quem nós vivemos (I Co. 8 :4-6)

E há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da


vossa vocação, um só Senhor, uma só fé, um só batismo ; um só Deus e Pai de todos, o qual sobre
todos, e por todos, e em todos (Ef. 4 :4-6).

E. Assim, a Trindade é um dos grandes mistérios da fé. A doutrina da Trindade


afirma que Deus é Um em Três pessoas distintas: Pai, Filho e Espírito Santo. As três pessoas
compartilham uma natureza. Norman Geisler descreve desta forma:

Os três Quem (pessoas) compartilham o mesmo “O que”


(essência). Assim, Deus é uma unidade de essência, com uma
pluralidade de pessoas. Cada pessoa é diferente, mas eles
compartilham uma natureza comum. Deus é um em Sua
substância. A unidade está em sua essência (o que Deus é), e a
pluralidade está nas pessoas de Deus (como Ele se relaciona dentro
de si mesmo). Essa pluralidade de relacionamentos é tanto a nível
interno como externo. Dentro da Trindade cada membro se
relaciona com os outros em determinadas maneiras. Estes são de
alguma forma análogas as relações humanas. (“The Trinity,
Dr.Normam Geisler)

F. Santo Agostinho ilustrou a Trindade, enfatizando a dinâmica relacional de Deus


em três pessoas. Deus é amor. Amor envolve três aspectos: o amante, um amado e o espírito
de amor entre eles. O Pai é semelhante ao amante. O Filho é o amado. O Espírito é o amor
entre o Pai e o Filho.

Todos os expositores católicos das divinas Escrituras, tanto


do Antigo como do Novo, os quais eu tive a capacidade de ler, que
escreveram antes de mim sobre a Trindade e quem é Deus, se
determinaram a ensinar, segundo as Escrituras, esta doutrina, que o
Pai e o Filho e o Espírito Santo, uma unidade íntima divina de uma
e mesma substância em uma igualdade indivisível e, portanto, que
eles não são três Deuses, porém um só Deus: embora o Pai gerou o
Filho, e sendo assim Ele que é o Pai não é o Filho. O Filho é gerado
pelo Pai, e assi, Ele que é o Filho não é o Pai e o Espírito Santo não
é nem o Pai nem o Filho, mas somente o Espírito do Pai e do Filho,
Ele mesmo, também co-igual com o Pai e o Filho, e pertencentes a
unidade da Trindade” (Santo Agostinho, On The Trinity, Livro 1).

G. Jonathan Edwards, tentou descrever o grande mistério da Santíssima Trindade.


Ele admitiu: “Estou longe de pretender explicar a Trindade, de modo a não torná-la mais um mistério.
Eu penso que isso seja ainda o maior e mais profundo de todos os mistérios divinos.” Edwards
continua:

74
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

Se um homem pudesse ter uma idéia absolutamente perfeita


de tudo o que se passou em sua mente, toda a série de idéias e
exercícios em todos os aspectos de forma perfeita e ordenada, em
grau, circunstância e por qualquer espaço específico de tempo
passsado. Suponha que na última hora, ele iria realmente para todas
as intenções e propósitos ser uma vez mais o que foi durante essa
última hora. E se fosse possível para um homem, por perfeita
reflexão, contemplar tudo o que está em sua própria mente em uma
hora, como é, e ao mesmo tempo que está lá na sua primeira e direta
existência. Se um homem, isto é, que tivesse um perfeito reflexo ou
idéia contemplativa de todos os pensamentos no mesmo momento
ou momentos em que pensou e de cada exercício quando e durante
o mesmo instante que esse exercício aconteceu, e assim através de
uma hora inteira, um homem seria realmente dois durante esse
tempo, ele seria de fato duplicado, ele seria dois de uma vez. A idéia
que ele tem de si mesmo seria ele novamente ...

Assim, como Deus com perfeita clareza, plenitude e força,


compreende a Si mesmo, vê sua própria essência (na qual não há
distinção de substância e ato, mas que é completo, pleno, em
substância e ato), a idéia que Deus tem de si mesmo é absolutamente
própria. Esta representação da natureza divina e essência é a
natureza divina e a essência do novo: de modo que o pensamento
de Deus da deidade deve certamente ser gerado. Nisto há uma outra
pessoa gerada, há outro Infinito Eterno Todo-Poderoso e mais santo
e o mesmo Deus, a próprio natureza Divina ...
O Deus Supremo é, portanto, unigênito, gerado por si mesmo… aí
procede a mais pura atitude, e uma infinitamente santa e sagrada
energia cresce entre o Pai e o Filho, mutuamente amando-se e
deleitando-se um no outro, pois o amor e alegria deles é mútua (Pv.
8:30:“Eu estava ao seu lado como arquiteto; e era cada dia as suas delícias,
alegrando-me perante Ele em todo o tempo”). Este é o eterno, mais
perfeito e essencial ato da natureza Divina, onde o Deus Supremo
atua a um grau infinito e da maneira mais perfeita possível. A
deidade torna-se todo ato, a essência Divina flui de si mesma e é
como se fosse soprada para fora em amor e alegria. Assim o
Supremo Deus se molda, no entanto em outra forma de
subsistência, e assim procede a terceira Pessoa da Trindade, o
Espírito Santo, a deidade em ato, pois não há nenhum outro ato,
mas o ato da vontade ...
E esta eu suponho ser a Santíssima Trindade, que lemos nas
Sagradas Escrituras. O Pai é a Divindade subsistindo no auge, sem
origem e de maneira mais absoluta, ou a Divindade em sua
existência direta. O Filho é a Divindade gerada pelo entendimento
de Deus, ou tendo uma idéia de Si mesmo e subsistindo nessa idéia.
O Espírito Santo é a Divindade subsistindo em ato, ou a essência
Divina fluindo e sendo soprada no amor infinito de Deus e prazer
em Si mesmo. E eu acredito que toda a essência Divina verdadeira
75
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

e distintivamente subsistem, ambos na idéia divina e divino amor, e


que cada um deles são pessoas adequadamente distintas. (John
Piper, The Pleasures of Loving God, 1991, pg. 38, 42 - 44).

II - TEOFANIAS E PROFECIAS DO ANTIGO TESTAMENTO

A. O Anjo de Yahweh :Enquanto Deus declarou que “nenhum homem me verá e


permanecerá vivo” (Ex. 33: 20), o Antigo Testamento registrou o aparecimento contínuo de
Deus para os patriarcas e profetas na forma de um homem – isso é conhecido como teofania.
Os nomes nas Escrituras são individuais: "o anjo do Senhor" ou "o anjo de Deus",
reconhecendo-o assim como a manifestação do próprio Yaweh.

1. A Serva egípcia Hagar recebeu duas visitações:

“Então, lhe disse o Anjo do Senhor: “Volta para a tua senhora e humilha-te sob suas mãos”.
Disse-lhe mais o Anjo do SENHOR: “Multiplicarei sobremodo a tua descendência, de maneira
que, por numerosa, não será contada”. Disse-lhe ainda o Anjo do SENHOR: “Concebeste e darás
à luz um filho, a quem chamarás Ismael, porque o SENHOR te acudiu na tua aflição.” (Gn. 16:9-
11)

“Deus, porém, ouviu a voz do menino; e o Anjo de Deus chamou do céu a Agar e lhe disse:
“Que tens, Agar? Não temas, porque Deus ouviu a voz do menino, daí onde está.”(Gn. 21:17)

2. Em Gênesis 18 três visitantes foram até Abraão anunciar o nascimento de Isaque


e a vinda do julgamento sobre Sodoma e Gomorra. Dois deles são reconhecidos como sendo
anjos. O nascimento foi revelado por nada menos que o próprio Yahweh. (Gn. 18:1-3)

3. Em Gênesis 22 Abraão iria sacrificar seu filho Isaque como oferta ao Senhor, mas
um anjo de Deus interferiu, falando com Ele do céu. Abraão foi reconhecidamente provado
no amor e o Senhor disse: “Agora eu sei que você teme a Deus, desde que não poupou seu próprio
filho, seu único filho por mim” . Imagine o Cristo pré-encarnado chamando Abraão para que
ele parasse com o sacrifício do seu filho porque o Senhor havia providenciado algo maior.
Este foi o Cristo pré-encarnado clamando a Abraão: “Pare, Abraão! Você não tem que matar seu
filho para ser aprovado como o pai das nações. O Pai dos céus vai entregar a mim, o seu Filho. Eu sou
o único sacrifício. Mas você é bem-aventurado porque sentiu as emoções que meu Pai vai sentir quando
Ele redimir a humanidade através do sacrifício de seu amado Filho”. Aqui nós temos um ensaio do
dia em que o Pai do céu atingiria seu próprio Filho para o resgate das nações.

“Mas o Anjo do SENHOR lhe bradou do céu, e disse: “Abraão! Abraão!” Ele respondeu:
“Eis-me aqui!” Então disse o anjo: “Não estendas a mão sobre o mancebo, e não lhe faças nada;
porquanto agora sei que temes a Deus, visto que não me negaste teu filho, o teu único filho.” Nisso
levantou Abraão os olhos e olhou, e eis atrás de si um carneiro embaraçado pelos chifres no mato;
e foi Abraão, tomou o carneiro e o ofereceu em holocausto em lugar de seu filho. Pelo que chamou

76
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

Abraão aquele lugar Jeová-Jiré, donde se diz até o dia de hoje: “O Senhor proverá.” Então o anjo
do Senhor bradou a Abraão pela segunda vez desde o céu”. (Gn. 22:11-15)

4. Outras aparições do anjo do Senhor aos patriarcas são as que seguem:

“Disse-me o anjo de Deus no sonho: “Jacó!” Eu respondi: “Eis-me aqui.” (Gn. 31:11)

“Jacó, porém, ficou só; e lutava com ele um homem até o romper do dia”. (Gn. 32:24)

“E abençoou a José, dizendo: “O Deus em cuja presença andaram os meus pais Abraão e
Isaque, o Deus que tem sido o meu pastor durante toda a minha vida até este dia.” (Gn. 48:15)

“E apareceu-lhe o anjo do Senhor em uma chama de fogo do meio duma sarça. Moisés olhou,
e eis que a sarça ardia no fogo, e a sarça não se consumia.” (Ex. 3:2)

5. O anjo do Senhor continuou a aparecer em toda a história de Israel:


Nm. 22:22-35 , Js. 5:13, 6:2, Jz. 2: 1- 4, 6: 11- 14,13: 3- 22, Zc.1:12, 3:1,12:8

B. Teofanias e profecias sobre Jesus encontradas nos Profetas Maiores:

1. Isaías

“Naquele dia o renovo do Senhor será cheio de beleza e de glória, e o fruto da terra excelente
e formoso para os que escaparem de Israel. E será que aquele que ficar em Sião e permanecer em
Jerusalém, será chamado santo, isto é, todo aquele que estiver inscrito entre os vivos em Jerusalém;
Quando o Senhor tiver lavado a imundícia das filhas de Sião, e tiver limpado o sangue de Jerusalém
do meio dela com o espírito de justiça, e com o espírito de ardor. E criará o Senhor sobre toda a
extensão do monte Sião, e sobre as assembléias dela, uma nuvem de dia, e uma fumaça, e um
resplendor de fogo flamejante de noite; porque sobre toda a glória se estenderá um dossel. Também
haverá de dia um pavilhão para sombra contra o calor, e para refúgio e esconderijo contra a
tempestade e a chuva.” (Is. 4:2-6)

“No ano da morte do rei Uzias, eu vi o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono, e as
abas de suas vestes enchiam o templo. Serafins estavam por cima dele; cada um tinha seis asas:
com duas cobria o rosto, com duas cobria os seus pés e com duas voava. E clamavam uns para os
outros, dizendo: Santo, santo, santo é o SENHOR dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua
glória. As bases do limiar se moveram à voz do que clamava, e a casa se encheu de fumaça. Então,
disse eu: ai de mim! Estou perdido! Porque sou homem de lábios impuros, habito no meio de um
povo de impuros lábios, e os meus olhos viram o Rei, o SENHOR dos Exércitos!” (Is. 6:1-5)
77
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

“Portanto, o Senhor mesmo vos dará um sinal: eis que a virgem conceberá e dará à luz um
filho e lhe chamará Emanuel.” (Is. 7:14)

“Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e
o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz. ”(Is.
9:6)
“Do tronco de Jessé sairá um rebento, e das suas raízes, um renovo... Naquele dia, recorrerão
as nações à raiz de Jessé que está posta por estandarte dos povos; a glória lhe será a morada”. (Is.
11:1,10)

2. Ezequiel teve uma visão de um homem em um trono na semelhança da glória do


Senhor. O homem impetuoso tendo a aparência da glória de Yahweh apareceu para Ezequiel
novamente (Ez. 8–9) e falou como Yahweh, isto está escrito em Ezequiel 8: 1- 3.

“Por cima do firmamento que estava sobre a sua cabeça, havia algo semelhante a um trono,
como uma safira; sobre esta espécie de trono, estava sentada uma figura semelhante a um homem.
Vi-a como metal brilhante, como fogo ao redor dela, desde os seus lombos e daí para cima; e desde
os seus lombos e daí para baixo, vi-a como fogo e um resplendor ao redor dela. Como o aspecto do
arco que aparece na nuvem em dia de chuva, assim era o resplendor em redor. Esta era a aparência
da glória do SENHOR; vendo isto, caí com o rosto em terra e ouvi a voz de quem falava.” (Ez.
1:26-28)

3. Daniel: Dn. 3: 24- 25, 7: 13- 14

“Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha com as nuvens do céu um
como o Filho do Homem, e dirigiu-se ao Ancião de Dias, e o fizeram chegar até ele. Foi-lhe dado
domínio, e glória, e o reino, para que os povos, nações e homens de todas as línguas o servissem; o
seu domínio é domínio eterno, que não passará, e o seu reino jamais será destruído” (Dn. 7:13-14).

2. Profetas Menores:

“Agora, ajunta-te em tropas, ó filha de tropas; pôr-se-á sítio contra nós; ferirão com a vara
a face do juiz de Israel. E tu, Belém-Efrata, pequena demais para figurar como grupo de milhares
de Judá, de ti me sairá o que há de reinar em Israel, e cujas origens são desde os tempos antigos,
desde os dias da eternidade. Portanto, o SENHOR os entregará até ao tempo em que a que está em
dores tiver dado à luz; então, o restante de seus irmãos voltará aos filhos de Israel. Ele se manterá
firme e apascentará o povo na força do SENHOR, na majestade do nome do SENHOR, seu Deus;
e eles habitarão seguros, porque, agora, será Ele engrandecido até aos confins da terra. Este será a
nossa paz. Quando a Assíria vier à nossa terra e quando passar sobre os nossos palácios,
levantaremos contra ela sete pastores e oito príncipes dentre os homens.” (Mq. 5:1-5)

78
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

III - O TESTEMUNHO DE JOÃO BATISTA

A. No Novo Testamento a declaração da preexistência de Jesus foi desde cedo


anunciada através de João Batista. De fato, João ministrava para preparar Israel para a
revelação de Yahweh na forma de um homem. João citou Isaías 40:3 e identificou a si
mesmo como aquele que preparava o caminho para a vinda de Yahweh (Mc. 1: 1-3, Mt. 3:1-
12).

“João testemunha a respeito dele e exclama: “Este é o de quem eu disse: o que vem depois de
mim tem, contudo, a primazia, porquanto já existia antes de mim.” Porque todos nós temos
recebido da sua plenitude e graça sobre graça. Porque a lei foi dada por intermédio de Moisés; a
graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo” (Jo. 1:15-17).

“Respondeu-lhes João: Eu batizo com água; mas, no meio de vós, está quem vós não
conheceis” (Jo. 1:26).

B. O primeiro sermão público de João a respeito de Jesus apresentou uma Cristologia


altamente desenvolvida. Ele declarou ambos, o nascimento e a pré-existência de Jesus.

“No dia seguinte, viu João a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que
tira o pecado do mundo! É Este a favor de quem eu disse: após mim vem um varão que tem a
primazia, porque já existia antes de mim. Eu mesmo não o conhecia, mas, a fim de que Ele fosse
manifestado a Israel, vim, por isso, batizando com água. E João testemunhou, dizendo: Vi o
Espírito descer do céu como pomba e pousar sobre Ele. Eu não o conhecia; aquele, porém, que me
enviou a batizar com água me disse: Aquele sobre quem vires descer e pousar o Espírito, esse é o
que batiza com o Espírito Santo. Pois eu, de fato, vi e tenho testificado que ele é o Filho de Deus”
(Jo. 1:29-34).

C. João, mais uma vez aponta a identidade de Jesus, quando uma discussão é
levantada entre os seus discípulos a respeito de como as multidões estavam se voltando para
os discípulos de Jesus afim de que fossem batizados na água.

“João respondeu, e disse: O homem não pode receber coisa alguma, se não lhe for dada do
céu. Vós mesmos me sois testemunhas de que disse: Eu não sou o Cristo, mas sou enviado adiante
dele. Aquele que tem a esposa é o esposo; mas o amigo do esposo, que lhe assiste e o ouve, alegra-se
muito com a voz do esposo. Assim, pois, já este meu gozo está cumprido. É necessário que ele cresça
e que eu diminua. Aquele que vem de cima é sobre todos; aquele que vem da terra é da terra e fala
da terra. Aquele que vem do céu é sobre todos. E aquilo que ele viu e ouviu isso testifica; e ninguém
aceita o seu testemunho. Aquele que aceitou o seu testemunho, esse confirmou que Deus é
verdadeiro. Porque aquele que Deus enviou fala as palavras de Deus; pois não lhe dá Deus o
Espírito por medida. O Pai ama o Filho, e todas as coisas entregou nas suas mãos. Aquele que crê
no Filho tem a vida eterna; mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus
sobre ele permanece” (Jo. 3:27-36).

IV – A SABEDORIA / TRADIÇÃO DA PALAVRA

A. A sabedoria no Antigo Testamento é personificada e vista como o agente criativo


usado por Deus na criação. A Palavra de Deus vem como sabedoria personificada.
Provérbios 8:22-30 nos dá o melhor exemplo do Antigo Testamento sobre a sabedoria
personificada e também nos dá uma imagem clara do Cristo pré- encarnado.

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AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

1. Provérbios 8:22-31

a. Provérbios 8:22-26: a personificação e eternidade da sabedoria.

b. Provérbios 8:27-29: a presença da sabedoria durante a criação.

c. Provérbios 8:28-31: o prazer de Deus na sabedoria

1. A Sabedoria, como instrumento de criação, é retratado como o artesão ao lado do Pai.


Sabedoria é o objeto de maior afeto e mais alto prazer do Pai. O Pai se deleita em criar
através do Filho e para o Filho.

2. A Sabedoria / o Filho está sempre regozijando-se, sempre deleitando-se no Pai.

3. A Sabedoria regozija-se na humanidade.

2. João 1:1-18

“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no
princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez. Nele
estava a vida, e a vida era a luz dos homens” (Jo. 1: 1-4).

a. João 1:1-3 imediatamente leva o leitor judeu de volta a Gênesis 1: 1 e coloca Jesus
na história do Gênesis.

b. Fonte hebraica de Logos: a origem do uso “Logos” no Novo Testamento, é


encontrada no conceito hebraico de "Dabar Yahweh, a "Palavra de Deus". “Dabar Yahweh” é
o que fez o mundo e que inspirou os profetas. Ela é vista como a força criadora da Divindade.
A Palavra de Deus cria, ela vai adiante, cumprindo seu propósito (Isaías 55).

c. No Evangelho de João, Cristo é visto como separado de Deus, ao mesmo tempo


que sendo plenamente Deus. Jesus, como o Logos, é o instrumento da criação.
B. Textos Paulinos: nas cartas de Paulo, Cristo é visto como a sabedoria de Deus e
o mediador de toda a criação. EJ Schnabel escreveu em seu artigo “Sabedoria”: "O pré-
existente Cristo é o mediador da criação e o Cristo encarnado é o mediador da salvação."

“Mas para os que são chamados, tanto judeus como gregos, lhes pregamos a Cristo, poder de
Deus, e sabedoria de Deus.” (I Co. 1:24)

“Mas vós sois dele, em Jesus Cristo, o qual para nós foi feito por Deus sabedoria, e justiça,
e santificação, e redenção”. (I Co. 1:30)

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AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

“Mas falamos a sabedoria de Deus, oculta em mistério, a qual Deus ordenou antes dos
séculos para a nossa glória.” (I Co. 2: 7)

“Porque a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus; pois está escrito: Ele apanha os
sábios na sua própria astúcia. E outra vez: O Senhor conhece os pensamentos dos sábios, que são
vãos. Portanto, ninguém se glorie nos homens; porque tudo é vosso; Seja Paulo, seja Apolo, seja
Cefas, seja o mundo, seja a vida, seja a morte, seja o presente, seja o futuro; tudo é vosso, E vós de
Cristo, e Cristo de Deus.” (I Co. 3:19-23)

“Todavia para nós há um só Deus, o Pai, de quem é tudo e para quem nós vivemos; e um só
Senhor, Jesus Cristo, pelo qual são todas as coisas, e nós por ele.” (I Co. 8:6)

“O qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; porque nele foram
criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam
dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele. Porque nele
foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam
dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele. E ele é a cabeça
do corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a
preeminência.” (Cl. 1:15-18)

“Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos
profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho, A quem constituiu herdeiro de tudo, por
quem fez também o mundo. O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua
pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a
purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da majestade nas alturas.” (Hb. 1:1-3)

C. Nos textos de Pedro, ele estabelece o Espírito de Cristo como o agente ativo em
inspirar os profetas do Antigo Testamento.

“Da qual salvação inquiriram e trataram diligentemente os profetas que profetizaram da


graça que vos foi dada, indagando que tempo ou ocasião de tempo o Espírito de Cristo, que estava
neles, indicava, anteriormente testificando os sofrimentos que a Cristo haveriam de vir e a glória
que se lhes havia de seguir.” (I Pe. 1:10-11)

D. Livro de Apocalipse: O Pai e Jesus compartilham do mesmo título de Alfa e


Ômega.

“Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, diz o Senhor, que é, e que era, e que há de
vir, o Todo-Poderoso. (Ap. 1:8)

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AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

“Eu sou o Alfa e o Omega, o primeiro e o derradeiro; e o que vês, escreve-o num livro, e
envia-o às sete igrejas que estão na Ásia: a Éfeso, e a Esmirna, e a Pérgamo, e a Tiatira, e a Sardes,
e a Filadélfia, e a Laodicéia”. (Ap. 1:11)

V – TRADIÇÃO ORAL PRÉ-PAULINA

A. Logo após a Ressurreição, os crentes em Cristo, provavelmente crentes judaicos


que queriam simular cultos de adoração nas sinagogas, começaram a trazer hinos e credos
litúrgicos para serem usados em suas configurações de adoração. Hinos e fragmentos de
liturgia são encontrados em toda a literatura paulina e declaram tanto a pessoa quanto a obra
de Jesus Cristo.

B. Plínio, o Jovem governador de Ponto e Bitínia, em 110-113 d.C, escreveu uma


carta ao imperador romano Trajano, perguntando sobre o processo pelo qual se deve julgar
os cristãos em relação a sua recusa em cultuar aos deuses romanos. Em sua carta, ele se
refere a seus cantos de louvores a Cristo.

Eles afirmaram, porém, que a soma e a substância de sua


culpa ou erro foi que eles estavam acostumados a encontrar-se em
um dia fixo, antes do amanhecer, e cantavam um hino a Cristo
como sendo para um deus, jurando não cometer crime, fraude,
roubo, ou adultério, não falsificar sua crença, nem recusar o
regresso da fé quando chamados a fazê-lo. (Plínio, Letters 10, 96-
97).

C. Ao comentar sobre o aspecto cristológico dos hinos, Ralph P. Martin escreveu:

O ensinamento do Novo Testamento sobre a pessoa de Cristo


está contida em seus hinos ... O Senhor dos cristãos é retratado em
um papel cosmológico de duplo sentido do adjetivo. Primeiro, sua
pré-existência e pré-temporal atividade na criação são feitas no
frontispício dos hinos, e à partir da ordem divina na qual Ele existe
eternamente, Ele desce "como o encarnado em uma epifania. Em
segundo lugar, na conclusão de sua vida terrena, Ele toma o seu
lugar na presença de Deus, recebendo a homenagem universal e
aclamação dos poderes espirituais cósmicos, que confessa seu
senhorio e por isso são obrigados a abandonarem seu título de
controle sobre o destino humano. (R.P.Martin,”Hymns, Hymn
Fragments, Songs, Spiritual Songs”, 422)

D. As passagens seguintes foram a inspiração e o conteúdo de vários hinos


cristológicos da Igreja primitiva.

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AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

“De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, que,
sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo,
tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem,
humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz. Por isso, também Deus o
exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome; para que ao nome de Jesus se
dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda a língua confesse
que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai.” (Fl. 2: 5-11)

“O qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; porque nele foram
criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam
dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele. E ele é antes
de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele. E ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o
princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência”. (Cl. 1: 15-
18)

“E, sem dúvida alguma, grande é o mistério da piedade: Deus se manifestou em carne, foi
justificado no Espírito, visto dos anjos, pregado aos gentios, crido no mundo, recebido acima na
glória.” ( I Tm. 3:16)

“O primeiro homem, da terra, é terreno; o segundo homem, o Senhor, é do céu. (I Co. 15:47)

VI - O ÚNICO FILHO ENVIADO PELO PAI

A. Jesus é apresentado no Evangelho de João como o Filho Unigênito do Pai.


“Unigênito” é a palavra grega “monogenes”, que significa único, o único da espécie ou
família.

Pode-se também, nessas passagens, traduzir como “o único


Filho de Deus”, pelo que a ênfase parece estar mais em sua
singularidade que em sua filiação, embora ambas as ideias estejam
corretamente presentes. Ele é o filho de Deus no sentido em que
nenhum outro é. “Monogenes descreve a relação única do Filho
para com o Pai em Sua natureza divina. (Westcott em Hebreus 1:6)
– (From Internacional Standart Bible Encyclopaedia, 1996).


Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo
aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (Jo. 3:16)

“Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê
no nome do unigênito Filho de Deus.” (Jo. 3:18)

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AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

B. O Novo Testamento consistentemente descreve Jesus como vindo de Deus, sendo


enviado e sendo oferecido pelo Pai.

“Disse-lhes, pois, Jesus: Se Deus fosse o vosso Pai, certamente me amaríeis, pois que eu saí,
e vim de Deus; não vim de mim mesmo, mas ele me enviou.”(Jo. 8:42)

“E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo,
a quem enviaste.” (Jo. 17:3)

“Porque lhes dei as palavras que tu me deste; e eles as receberam, e têm verdadeiramente
conhecido que saí de ti, e creram que me enviaste.” (Jo. 17:8)

“Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo.” (Jo. 17:18)


“Porquanto o que era impossível à lei, visto como estava enferma pela carne, Deus, enviando
o seu Filho em semelhança da carne do pecado, pelo pecado condenou o pecado na carne.” (Rm.
8:3)
“Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob
a lei.” (Gl. 4:4)

“Nisto se manifesta o amor de Deus para conosco: que Deus enviou seu Filho unigênito ao
mundo, para que por ele vivamos. Nisto está o amor, não em que nós tenhamos amado a Deus, mas
em que ele nos amou a nós, e enviou seu Filho para propiciação pelos nossos pecados. Amados, se
Deus assim nos amou, também nós devemos amar uns aos outros. Ninguém jamais viu a Deus; se
nos amamos uns aos outros, Deus está em nós, e em nós é perfeito o seu amor. Nisto conhecemos
que estamos nele, e ele em nós, pois que nos deu do seu Espírito. E vimos, e testificamos que o Pai
enviou seu Filho para Salvador do mundo.”(I Jo. 4:9-14)

VII - OUTRAS PASSAGENS DO NOVO TESTAMENTO

A. Glória e amor pré-existentes:

“E agora glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes
que o mundo existisse.” (Jo. 17:5)
“Pai, aqueles que me deste quero que, onde eu estiver, também eles estejam comigo, para que
vejam a minha glória que me deste; porque tu me amaste antes da fundação do mundo.” (Jo. 17:24)

“Porque já sabeis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo que, sendo rico, por amor de vós se
fez pobre; para que pela sua pobreza enriquecêsseis.” (IICo. 8:9)

B. Antes da fundação do mundo:

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AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

“Disse-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que antes que Abraão existisse, eu sou.”
(Jo. 8:58)

“Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e
irrepreensíveis diante dele em amor” (Ef. 1: 4).

“Mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado, O


qual, na verdade, em outro tempo foi conhecido, ainda antes da fundação do mundo, mas
manifestado nestes últimos tempos por amor de vós.” (I Pe. 1:19-20)

“E adoraram-na todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no
livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo.” (Ap. 13:8)

C. Cristo como o Humilde Redentor.

1. Na encarnação, Jesus, como pré-existente Filho de Deus, voluntariamente


abraçou a pobreza, a fim de que nós nos tornássemos ricos (II Co. 8:9).
2. Jesus, sendo em forma de Deus, voluntariamente esvaziou-se com o propósito da
redenção. (Fl. 2: 5-8)

D. Interpretação Cristológica do Novo Testamento:

1. Cristo como a Rocha no deserto: assim como os israelitas beberam da rocha,


agora nós bebemos de Cristo, a sabedoria de Deus. Cristo é a sabedoria divina pré-existente
que se revelou na história de Israel e agora negocia a redenção através de Sua vida, morte e
ressurreição.

“Ora, irmãos, não quero que ignoreis que nossos pais estiveram todos debaixo da nuvem, e
todos passaram pelo mar. E todos foram batizados em Moisés, na nuvem e no mar, e todos comeram
de uma mesma comida espiritual, e beberam todos de uma mesma bebida espiritual, porque bebiam
da pedra espiritual que os seguia; e a pedra era Cristo.” (I Co. 10:1-4)

“Ele é a Rocha, cuja obra é perfeita, porque todos os seus caminhos justos são; Deus é a
verdade, e não há nele injustiça; justo e reto é.” (Dt. 32:4)

“E, engordando-se Jerusum, deu coices (engordaste-te, engrossaste-te, e de gordura te


cobriste) e deixou a Deus, que o fez, e desprezou a Rocha da sua salvação.” (Dt. 32:15)

“Esqueceste-te da Rocha que te gerou; e em esquecimento puseste o Deus que te formou.”


(Dt. 32:18)

“Como poderia ser que um só perseguisse mil, e dois fizessem fugir dez mil, se a sua Rocha
os não vendera, e o SENHOR os não entregara? Porque a sua rocha não é como a nossa Rocha,
sendo até os nossos inimigos juízes disto”. (Dt. 32:30-31)

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AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

LIÇÃO SETE
A ENCARNAÇÃO

I - O GRANDE MISTÉRIO – A ENCARNAÇÃO

Qualquer um que contempla a vida de Jesus precisa estar profundamente ciente de que
algo escandaloso ocorreu: que Deus, em seu absoluto ser, resolveu se manifestar em uma
vida humana. Muitos na história ficaram escandalizados, sentiram sua mente e seus pés
cambalearem. Eles experimentaram ‘o êxtase’ da não-compreensão, ficaram chocados e
maravilhados com a pessoa de Cristo. (Mc. 2:12, 5:42, 6:51)

“E, sem dúvida alguma, grande é o mistério da piedade: Aquele que se manifestou em carne,
foi justificado em espírito, visto dos anjos, pregado entre os gentios, crido no mundo, e recebido
acima na glória.” (I Tm. 3:16)

A. A encarnação é muito mais do que apenas uma doutrina, é objeto de


contemplação. É o lugar onde os anjos e os seres humanos igualmente fixam seus olhares,
neste mistério tão profundo como o Todo-Poderoso. Assim quando a compreensão entra em
sua mente, a cognição perde a sua aderência e recua no abismo da não-compreensão. Esta é
a verdadeira alegria, o ponderar sobre aquilo que não pode ser plenamente apreendido.

B. Paulo afirmou enfaticamente que a grandeza do mistério da piedade foi


incontestável. Paulo não estava falando como um ignorante. II Coríntios 12 nos diz que
Paulo havia ido ao terceiro céu. Ele havia visto o Senhor e não houve questionamentos
diante da magnitude de Deus tornando-se um homem. É algo além do entendimento
humano. Paulo declarou que ambos, o Céu e a Terra, estão em acordo sobre o Homem-
Deus, Jesus Cristo. Os anjos admirados, anseiam por ver essas coisas (I Pe. 1:12) e os seres
humanos não compreendem o que Deus fez.

C. Grande é o mistério da piedade! Alguma vez você já se perguntou: "O que há na


figura humana que tanto agradou a Deus, que Este que fez todas as coisas escolheu tornar-
se humano para sempre?" Jesus não é apenas o seu divino Rei e Criador, agora Ele é seu
irmão. O que Deus fez na forma de Seu Filho?

D. Que desejo é esse no coração de Deus que fez com que Ele encarnasse em forma
humana por toda a eternidade e governasse como um rei humano? Como foi o plano no qual
a encarnação começou e cresceu na mente de Deus? Qual foi o diálogo entre a Santíssima
Trindade, quando antes da fundação do mundo, o Cordeiro foi morto no coração da
Majestade do Céu?

E. Quão misterioso é esse plano que nasceu no coração puro do infinito Deus santo.
Um plano perfeito, gerado por um Deus perfeito, para que o Deus-Homem se sentasse no
trono do governo. Alguma vez você já pensou que agora, no seio da Trindade, há um corpo
humano? No centro do trono habita o Cordeiro, um descendente de Davi, nascido do ventre
de uma jovem donzela judia.
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AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

F. A União entre a “trindade” é um mistério porque é projetada para nos trazer a


adoração, não apenas compreensão. É o êxtase da falta de compreensão. Esse mistério tem
sido objeto de grande afeição em toda a história da igreja. Deus se fez homem. Ele assumiu
a nossa estrutura por amor de nós. A Igreja é incapaz de explicar suas profundezas. Dessa
forma, a doutrina tem o direito de procurar dar parâmetros de definição sobre a União da
“Trindade”.

II – UNIÃO DA “TRINDADE” / UNIÃO HIPOSTÁTICA: O DEUS HOMEM

A. Quatro ensinamentos bíblicos elementares são essenciais para a compreensão da


personalidade distinta de Cristo:

1. Cristo é verdadeiramente Deus


2. Ele é verdadeiramente humano.
3. Ele é uma pessoa.
4. Há nele duas naturezas distintas, divina e humana. "

Jesus é o "Deus-Homem." A Pessoa de Jesus é indivisível. Ele é plenamente Deus e


plenamente homem em um.

“Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade.” (Cl. 2:9)

B. Sem deixar de ser o que Ele sempre foi, o Filho Eterno de Deus tornou-se o
homem Jesus. E Jesus, sem deixar de ser totalmente humano, é o Filho eterno de Deus.

Jesus não "experienciou" Deus, Ele era Deus. Ele nunca, em


qualquer dado momento, "tornou-se" Deus, mas era Deus desde o
início. Sua vida foi somente o processo pelo qual essa divindade
inata veio em si próprio. Sua tarefa foi colocar a realidade e o poder
divino diretamente na esfera de sua consciência e vontade humana,
de modo a refletir a pureza santa em sua relação com todas as
coisas, e conter o infinito amor e infinita plenitude da divindade em
seu coração de carne e sangue. (Romano Guardini – The Lord,
pg.20, 1954)

C. Expectativa profética de Emanuel: Os profetas falaram que um rei messiânico


estava vindo, que também seria Deus conosco. Assim, enquanto pode-se dizer que a
encarnação foi uma experiência nova na história humana, não se pode dizer que ela não
estava prevista.

“Portanto o mesmo Senhor vos dará um sinal: Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um
filho, e chamará o seu nome Emanuel.” (Is. 7:14)

“Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros,
e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da
Paz. Do aumento deste principado e da paz não haverá fim, sobre o trono de Davi e no seu reino,
87
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

para o firmar e o fortificar com juízo e com justiça, desde agora e para sempre; o zelo do SENHOR
dos Exércitos fará isto”. (Is. 9:6-7)

“Eis que vêm dias, diz o SENHOR, em que levantarei a Davi um Renovo justo; e, sendo rei,
reinará e agirá sabiamente, e praticará o juízo e a justiça na terra. Nos seus dias Judá será salvo,
e Israel habitará seguro; e este será o seu nome, com o qual Deus o chamará: O SENHOR JUSTIÇA
NOSSA”. (Jr. 23:5-6)

“Agora ajunta-te em tropas, ó filha de tropas; pôr-se-á cerco contra nós; ferirão com a vara
na face ao juiz de Israel. E tu, Belém Efrata, posto que pequena entre os milhares de Judá, de ti me
sairá o que governará em Israel, e cujas saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da
eternidade. Portanto os entregará até ao tempo em que a que está de parto tiver dado à luz; então
o restante de seus irmãos voltará aos filhos de Israel. E ele permanecerá, e apascentará ao povo na
força do SENHOR, na excelência do nome do SENHOR seu Deus; e eles permanecerão, porque
agora será engrandecido até aos fins da terra. E este será a nossa paz; quando a Assíria vier à nossa
terra, e quando pisar em nossos palácios, levantaremos contra ela sete pastores e oito príncipes
dentre os homens”. (Mq. 5: 1-5)

D. Jesus é o Mediador. Um mediador é aquele que representa duas partes um ao


outro a fim de promover a reconciliação. O Mediador entre Deus e a humanidade teria que
ser nada menos que Deus e nada menos que totalmente humano, caso contrário esta
mediação seria impossível, pois como se pode mediar um conflito no qual um não tem
capacidade de empatia com o outro lado?

“Pecando homem contra homem, os juízes o julgarão; pecando, porém, o homem contra o
SENHOR, quem rogará por ele? Mas não ouviram a voz de seu pai, porque o SENHOR os queria
matar”. (I Sm. 2:25)

“Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem. O


qual se deu a si mesmo em preço de redenção por todos, para servir de testemunho a seu tempo.” (I
Tm. 2:5-6)

“Contudo, o mediador representa mais de um; Deus, porém, é um.” (Gl. 3:20)

“Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas
da sua graça, que Ele tornou abundante para conosco em toda a sabedoria e prudência,
descobrindo-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito, que propusera em si mesmo,
de tornar a congregar em Cristo todas as coisas, na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as
que estão nos céus como as que estão na terra.” (Ef.1:7-10)

III. HERESIAS E A SOLUÇÃO DE CALCEDÔNIA

As heresias da igreja sempre rejeitam tanto a humanidade quanto a divindade de


Cristo. Ele é completamente Deus, completamente homem. Duas naturezas em uma pessoa.

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AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

Quando você sai destes quatro parâmetros, o ato da expiação é afetado e nós ainda estamos
mortos em nossos delitos.
A. Heresias que rejeitam a humanidade de Cristo:

1. Docetismo: Cristo não veio em carne. A palavra docetismo vem do grego “dokeo”,
que significa, “parecer com”. Qualquer posição teológica que diz que Jesus não era realmente
homem, mas que Ele apenas se parecia como um homem, é chamado de posição docética.
Por detrás do docetismo existe uma suposição de que o material usado na criação é
inerentemente mau e portanto o Filho de Deus não poderia ser unido a uma natureza
humana. Nenhum líder proeminente da Igreja advogou o docetismo, mas esta teoria foi uma
heresia problemática que conseguiu o apoio de várias pessoas nos quatro primeiros séculos
da Igreja.

2. Apolinarianismo: Apolinário foi o bispo de Laodicéia em 361 d.C. Ele ensinou


que a pessoa de Cristo teve um corpo humano, mas não teve uma mente e espírito humano.
Sua mente e espírito vieram do eterno Logos. O problema com este ponto de vista é que a
pessoa humana completa que é corpo, mente e espírito deve ser representada para que a
redenção possa acontecer.

B. Heresias que rejeitam a divindade de Cristo:

1. Ebionismo: Este ponto de vista desafiou o nascimento virginal, dizendo que Jesus
era nascido de José. Eles rejeitam a divindade de Jesus e mantém estritamente as
observâncias das leis de Moisés.

2. Arianismo: Em 325 d.C. Arius, bispo de Alexandria, “ensinou que o Filho foi a
uma altura criado por Deus, o Pai e que antes deste tempo o Filho não existia, nem o Espírito
Santo, mas apenas o Pai”. Ele ensinava que houve um tempo em que não havia o Filho.
Arius disse que o Filho era parecido com a substância (homoousios), mas não da mesma
substância (homoousios) do Pai. A Igreja se reuniu e no Conselho de Nicéia rejeitou a ideia
de Arius e aceitou a ideia de Athanasius sobre a Trindade. O credo de Nicene diz: “Nós
acreditamos em um Deus, o Pai poderoso, que faz todas as coisas visíveis e invisíveis.
Acreditamos em um Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus, nascido do Pai, o unigênito,
aquele que tem a essência do Pai, Deus dos Deuses, Luz das Luzes, o próprio Deus, não
criado, sendo de uma substância (homoousios) com o Pai...”

C. Heresias que rejeitam a união da pessoa de Cristo:

1. Nestorianismo: Nestorius foi um pregador popular em Antioquia e depois de 428


d.C. foi bispo em Constantinopla. Ele acreditava que existiam duas pessoas separadas em
Cristo- humana e divina. A Igreja rejeitou esta ideia como não tendo base bíblica que a
apoiasse. Em nenhum lugar da Bíblia encontramos qualquer indicação de que duas pessoas
estavam lutando dentro de Cristo.

2. Monofisitismo / Eutiquianismo: Eutiques, um líder monástico em


Constantinópla em d.C. 379-454, disse que a natureza humana de Cristo era levada e
absorvida pela natureza divina de Cristo, de forma que ambas as naturezas foram
transformadas e uma terceira natureza combinada surgiu. De alguma forma, a metamorfose
aconteceu. A Igreja rejeitou esta visão baseada pelo fato de que ela deixou Jesus não sendo
nem totalmente homem, nem plenamente Deus.

89
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

D. Solução Calcedônica: Em 451 d.C. um grande Conselho na Igreja se reuniu para


responder a estas ideias concernentes a pessoa de Cristo. O Conselho decidiu pela seguinte
definição, a qual abrangeu também as prévias heresias aqui mencionadas:

Nós então, seguindo os Pais da Igreja, todos com um só


consenso, ensinamos os homens a confessarem um e um único
Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, o mesmo perfeito Deus eterno e
também perfeito em sua humanidade: verdadeiramente Deus e
verdadeiramente homem, com uma apropriada alma e corpo: com
a mesma substância do Pai de acordo com o Deus eterno e da
mesma substância nossa de acordo com a humanidade, em todas as
coisas parecido conosco, sem pecado. Criado antes de todas as eras
do Pai de acordo com o Deus eterno e nestes últimos dias, por nós
e por nossa salvação, nascido da virgem Maria, a mãe de Deus, de
acordo com a humanidade: um e o mesmo Cristo, Filho, Senhor,
Unigênito, para ser conhecido em duas naturezas, sem confusão,
sem mudança, não divisível, não separado. A distinção de cada
natureza sendo preservada e concordando em uma Pessoa e uma
Substância, que não se parte ou divide em duas pessoas, mas um e
o mesmo Filho e o único nascido Deus, a Palavra, o Senhor Jesus
Cristo, como os profetas desde o início declararam sobre Ele, e o
próprio Senhor Jesus Cristo nos ensinou e o Credo dos santos Pais
foi deixado para nós. (Wayne Grudem, Systematic Theology, 243,
1994).

IV– O SIGNIFICADO DA ENCARNAÇÃO:

A. A Encarnação assegura e garante a revelação cristã de Deus. Quem vê o Filho, vê


o Pai. A questão não é “como Deus é”? A grande questão é “Deus é como Cristo”? Cristo é
a revelação completa de Deus?

1. A Encarnação revelou Deus a humanidade (Jo. 1:18, 14:7-11). Jesus faz a


contemplação tornar-se possível. A única razão que nos leva a saber como Deus é está no
fato de que Ele se revelou plenamente em Jesus.

Não podemos contemplar Deus além destas vias que nos


levam à Ele e que O revela a nós. Pois é assim que Ele se manifesta
e é assim que Ele nos confronta. Mesmo com nossa "visão
descoberta" da eternidade, nunca veremos Deus de outra forma,
mas em sua soberana e incompreensível auto-revelação, na qual Ele
se doa, vindo a nós, partindo do seu ser inacessível e fazendo-se
ponte entre o abismo infinito que nos separa dele. Tudo é possível a
criatura, exceto uma coisa: ela não pode ser Deus. A criatura está
em uma raiz e medula fundamentalmente diferente da dele e assim
permanecerá para sempre. E quanto mais o homem se aproxima
dele em termos de vontade e conhecimento, mais ele experimenta o
abismo que o separa daquele que é "tudo" e não conhece distinção...
É a angústia do homem e sua glória, sua fraqueza e sua dignidade,
que ele deve e pode referir-se a Deus desta forma. Ele só pode ser

90
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

ele mesmo através de Deus, e ele nunca pode ser Deus... (Balthasar,
Prayer, 155 – 158)

2. O Cristianismo mantém a crença de que Deus é transcendente e imanente. Deus é


transcendente – além de todas as coisas. A diferença entre Deus e a humanidade é um abismo
infinito. Assim, muitos concluíram que nada pode positivamente ser conhecido sobre Deus.
Os místicos entenderam que a distância entre Deus e nós (chamada teologia negativa) é tal
que Deus é tão grande, não há nada que possamos saber sobre Ele. Mas Ele tornou-se tão
pequeno em Jesus que nós podemos saber muito sobre Ele. Este é o paradoxo do Deus-
Homem.

“Deus nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, esse o revelou”.
(Jo. 1:18)

John Owen, escreveu em seu livro, A Glória de Cristo:

Em sua personalidade considerada absolutamente divina, Ele


é a imagem essencial de Deus, até mesmo como Pai. Ele é o Pai e o
Pai está nEle em união na mesma essência (Jo.14:10). Agora Ele
está com o Pai (Jo.1:1), distinto em sua pessoa, assim Ele é a sua
imagem essencial (Cl. 1:15, Hb.1:3). Em sua encarnação Jesus
torna-se a imagem que representa Deus para a Igreja (II Co. 4:6),
sem a qual nossa compreensão não pode fazer nenhuma
aproximação das excelências divinas, mas Deus continua a ser para
nós Aquele que está Nele: “O Deus invisível”. Na face de Cristo nós
vemos a sua glória.

Esta é a glória original de Cristo, dada a Ele por seu Pai e que
através da fé podemos contemplar. Ele, e somente Ele, declarou,
representou e fez conhecido para os anjos e homens a glória do Deus
invisível, seus atributos e vontade, sem o qual, uma perpétua
escuridão comparativa estaria em toda a criação, especialmente
sobre a Terra.

Este é o fundamento da nossa religião, a Pedra na qual a


Igreja está construída, o fundamento de toda a nossa esperança de
salvação, da vida e imortalidade: Tudo está resumido nisso, a
representação que é feita da natureza e vontade de Deus na pessoa
e trabalho de Cristo. Se isso falhar para nós, estamos perdidos para
sempre, se esta Rocha permanecer firme, a Igreja está segura nela e
será triunfante (John Owen, The Glory of Christ, pg. 12, 1965).

91
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

3. E encarnação revelou o apaixonado, zeloso e perseguidor coração de Deus e


demonstrou seu amor desenfreado. Ele percorrerá grandes distâncias para redimir a
humanidade porque Ele é o fogo consumidor de Êxodo 19 – 20, que iniciou uma aliança de
amor e segurança, capturando-os do abandono com um desejo irresistível, tornando-os
objetos de sua afeição (I Co. 13: 4-8)

4. Para aqueles que acreditam, o amor de Deus nunca desiste, nunca falha, não para
ou deixa de alcançar seus filhos conformados na imagem daquele que os criou (Cl. 3:10) e
eles recebem a herança conquistada por Ele para nós no Calvário. O Amor “não teve por
usurpação ser igual a Deus, mas a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo,
tornando-se semelhança de homens”. (Fl. 2:6-7)

Jesus veio sendo um homem porque Deus, o


compassivo, não poderia sofrer e ser derrotado. Deus precisou de
uma maneira para dar suas costas para receber golpes e, assim,
manifestar sua compaixão, e então pregá-la. (Meister Eckhart,
“Jesus Became a Human Being,” The Book of Jesus, 211, 1998).

B. A encarnação oferece à humanidade um padrão ou um exemplo de plenitude de


vida humana (I Pe. 2:21, I Jo. 2:6). Jesus está no ápice de toda experiência sendo plenamente
Deus e plenamente homem. Ele não é somente a maior revelação que o Pai nos enviou. Ele
é aquele que faz a criatura humana voltar-se em adoração a Deus. Quão grande é Aquele
que pode conter tudo o que Deus é e tudo o que nós somos e mantê-los juntos em perfeita
harmonia e amor. Ele é incrível em Sua pessoa como um Rei e ainda, nosso irmão. Ele não
somente nos mostra como Deus é, mas nos mostra o que fomos feitos para ser.

“Aquele que diz estar nele, também deve andar como Ele andou”. (I Jo. 2:6)

C. A encarnação provê um sumo sacerdote que está intercedendo por nós, que
simpatiza com as fraquezas humanas.

“Visto que temos um grande sumo sacerdote, Jesus, Filho de Deus, que penetrou nos céus,
retenhamos firmemente a nossa confissão. Porque não temos um sumo sacerdote que não possa
compadecer-se das nossas fraquezas; porém, um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem
pecado. Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar
misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno”. (Hb. 4:14-16)

D. A encarnação assegurou e garantiu a redenção dos cristãos. Deus estava


estabelecendo que Ele redimiria a humanidade, por meio de juntar-nos a Ele. Nosso destino
foi envolto e entrelaçado a Jesus. A encarnação foi o grande “sim” de Deus para a
humanidade.

“Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo” (II Co. 5:19)

92
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

E. Para fornecer um sacrifício adequado que substituísse os pecados de toda a


humanidade (Rm. 8:3, I Co. 15:21, Hb. 2:14)

“Não há ninguém que possa cumprir essa exigência exceto Deus... Mas
ninguém deveria fazê-lo, exceto um homem, caso contrário, o homem não ficaria
satisfeito... Portanto foi necessário que aquele que é Deus-homem o fizesse.” (St.
Anselm, Cur Deus Homo, bk 2, chap. 6).

“Ora, todo sacerdote se apresenta dia após dia, ministrando e oferecendo muitas vezes os
mesmos sacrifícios, que nunca podem tirar pecados; mas este, havendo oferecido um único sacrifício
pelos pecados, assentou-se para sempre a direita de Deus.” (Hb. 10:11-12)

F. A encarnação assegurou e garantiu a possibilidade de nossa regeneração e


participação na vida divina. Quando Cristo veio ao mundo, vida eterna se tornou
incorporada em forma humana e se tornou fonte de vida para todos aqueles que o receberam.

“... aos irmãos que, mediante a justiça de nosso Deus e Salvador Jesus Cristo, receberam
conosco uma fé igualmente valiosa: Graça e paz vos sejam multiplicadas, no pleno conhecimento
de Deus e de Jesus, nosso Senhor. Seu divino poder nos concedeu tudo de que necessitamos para a
vida e para a piedade, por intermédio do pleno conhecimento daquele que nos convocou para a sua
própria glória e virtude, pelas quais nos tem outorgado suas preciosas e grandiosas promessas, para
que por elas vos torneis coparticipantes da natureza divina, livrando-vos da corrupção das paixões
que há no mundo.” (II Pe. 1:1-4)

G. A encarnação proporcionou à humanidade um Juiz final, para o fim dos tempos.

“Porque o Pai a ninguém julga, mas deu ao Filho todo o julgamento”. (Jo. 5:22-27)

“Este nos mandou pregar ao povo, e testificar que ele é o que por Deus foi constituído juiz
dos vivos e dos mortos”. (At. 10:42)

“Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará
naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda”. (II Tm. 4:8)

H. Somente a encarnação garantiu a comunhão cristã. O Corpo de Cristo é


conectado por uma vida compartilhada e mútua. Temos uma cabeça, o mesmo Irmão. A
Igreja é aquele lugar onde “escolhemos Jesus e ganhamos uns aos outros” (I Co. 12:12-26;
Ef 4:1-16, I Jo. 4:7-11).

“Mas se andarmos na luz como Ele é a luz, teremos comunhão uns com os outros, e o sangue
de Jesus Seu Filho nos purifica de todo pecado.” (I Jo 1:7)

93
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

I. A encarnação assegurou e garantiu o entendimento cristão da história e de seu


final vindouro.

1. A encarnação torna possível um entendimento linear e não cíclico da história. Do


ponto sagrado da encarnação, a fé olha para trás e para frente. Toda experiência humana
importa. A história humana não é cíclica, está se movendo para algum lugar. Nos moveu
para a encarnação de Jesus e está se movendo para o Seu retorno.

2. Em algumas religiões no mundo o volante da vida continua dando voltas e voltas,


a história repete-se. O alvo da vida espiritual é extinguir a si mesmo e escapar dos ciclos da
história. Não é assim com o Cristianismo. Deus se juntou a humanidade e entrou no tempo.
Jesus redimiu a história. Do tempo da concepção ao tempo de Sua morte e ressurreição,
Jesus estava redimindo a experiência humana em todas as áreas. Do lugar mais baixo, Jesus
trouxe a experiência humana para fora da sepultura. Fazendo isto, Jesus redimiu a história
e garantiu seu significado.

J. A encarnação amarrou os poderes demoníacos e restaurou o domínio da


humanidade no planeta Terra. Essa é a razão pela qual Ele veio. Ele nos trouxe de volta a
nossa dignidade e propósito, o que fomos feitos para ser. Deus mais uma vez estabeleceu Seu
governo através de seres humanos. O que foi perdido no jardim foi restabelecido na pessoa
de Jesus. Um rei humano veio através da linhagem de Judá da casa de Davi e terá domínio
eternamente. Através da encarnação os portadores de imagem de Deus foram restaurados a
seu lugar de criação. Como o apóstolo João escreveu:

“Para isto o Filho de Deus se manifestou: para destruir as obras do Diabo”. (I Jo. 3:8)

94
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

LIÇÃO OITO
A DIVINDADE DE JESUS

I - A QUESTÃO CRUCIAL DA VIDA: QUAL É A VERDADE SOBRE JESUS?


“E, chegando Jesus às partes de Cesaréia de Filipe, interrogou os seus discípulos, dizendo:
Quem dizem os homens ser o Filho do homem?
E eles disseram: Uns, João o Batista; outros, Elias; e outros, Jeremias, ou um dos profetas.
Disse-lhes ele: E vós, quem dizeis que eu sou?
E Simão Pedro, respondendo, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.

E Jesus, respondendo, disse-lhe: Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, Porque to não


revelou a carne e o sangue, mas meu Pai, que está nos céus.
Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as
portas do inferno não prevalecerão contra ela;

E eu te darei as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e
tudo o que desligares na terra será desligado nos céus”. (Mt.16:13-19)

A. Jesus fez aos seus discípulos uma pergunta crucial para suas vidas: “Quem vocês
dizem que eu sou?” A resposta determina o único caminho para o sucesso nesta vida e na vida
eterna. Pedro fez a melhor confissão: “Você é o Cristo, o Filho do Deus vivo”. Jesus então
declarou que Ele construiria sua Igreja sobre esta verdade e que as portas do inferno não
prevaleceriam contra ela.

B. Tragicamente muitos na Igreja hoje não crêem na divindade de Jesus. De fato,


esta é uma das mais contestadas doutrinas na Igreja. A Bíblia adverte: “Mas o Espírito
expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos
enganadores, e a doutrinas de demônios” (I Tm. 4:1).

Então por que todos esses atuais alaridos sobre a história de


Jesus? Mais especificamente por que são muitas as pessoas
enfeitiçadas com reinterpretações da sua vida? Pouca atenção é
dada para a Escritura portadora de Cristo. No entanto, quando uma
nova perspectiva sobre Ele - uma que está decididamente fora de
sincronia com a Bíblia - é revelada, ela atrai uma multidão.
Mas por que a sociedade não está interessada na reinvenção
de outras grandes figuras religiosas? Por que não Maomé, Buda,
Moisés ou Confucius? Por que Jesus? Em uma palavra,
responsabilidade. Pessoas no mundo ocidental civilizado
geralmente sabem algo sobre Jesus e a mensagem do Evangelho e
seu interesse por Ele cresce sempre que surge uma nova teoria que
pode aliviar a sua consciência. Pessoas gravitam em torno de um
Jesus fraco – um Jesus que pode ser controlado, um Jesus que não
é ameaçador, um Jesus que valoriza o que eles valorizam e que não
exige nada deles em coisa alguma. Em outras palavras, um Jesus
95
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

que não é Senhor e Salvador. É difícil evitar a sensação de que a


nossa cultura tem tomado a pergunta de Jesus: “Quem você diz que
eu sou?” E a transformado para “Quem você deseja que eu seja?”
Mas o Jesus real não fará essa pergunta. O Jesus real não é fraco
nem inofensivo. (J. Ed Komoszewski, M. James Sawyer e Daniel
B. Walace. Reiventing Jesus, pg. 261- 262, 2006)

C. A alegação da verdade sobre a divindade de Jesus tem muita influência sobre as


pessoas hoje. Três verdades são particularmente atacadas sobre Jesus ser divino:

1. Primeiro: como o Filho divino de Deus, Ele tem o direito de estabelecer padrões
absolutos e manter as nações sob a responsabilidade dele.

2. Segundo: somente Ele tem o direito de definir o caminho da salvação e da vida


eterna. Jesus sustentou que Ele é o único caminho para a salvação.

3. Terceiro: como o Filho de Deus, Ele tem o direito e a capacidade (amor, santidade
e sabedoria) para julgar o pecado hoje e no dia do Juízo.

D. Como a autoridade final, Jesus não tem tolerância e aceitação com qualquer outro
ponto de vista de justiça, amor e salvação. Somente Ele tem o direito de determinar o
significado e o limite da autêntica humanidade. Nenhum outro assunto é tão crucial como a
divindade de Jesus. Se suas reivindicações a divindade são verdadeiras, então tudo está em
jogo.

II – INTRODUÇÃO PARA A DIVINDADE DE JESUS


A citação seguinte é atribuída a Napoleão Bonaparte, falando sobre a divindade de
Jesus e expressando como Ele é incomparável a nenhum outro homem:

Eu conheço homens e digo-vos que Jesus Cristo não é um


homem. Mentes superficiais vêem uma semelhança entre Cristo e
os fundadores de impérios e os deuses de outras religiões. Essa
semelhança não existe. Existe entre o Cristianismo e qualquer
religião a distância da infinidade...
Tudo sobre Cristo me espanta. Seu espírito me intimida e Sua
vontade me confunde. Entre Ele e qualquer outro no mundo, não
há possibilidade de comparação. Ele é verdadeiramente um ser por
Ele mesmo. Suas ideias e seus sentimentos, a verdade a qual Ele
anuncia, a sua maneira de convencer, não são explicadas por
organização humana nem pela natureza das coisas.
Quanto mais próximo eu chego, quanto mais eu examino
com cuidado, tudo está acima de mim. Tudo continua a ser grande
– uma grandeza que domina. Sua religião é uma revelação que vem
de uma inteligência que certamente não é a do homem. Existe aí

96
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

uma profunda originalidade que criou uma série de palavras e


máximas antes desconhecidas. Jesus não pediu nada emprestado da
nossa ciência. Você não pode encontrar nada aqui, mas nEle
somente a imitação ou o exemplo da Sua vida... Eu procuro em vão
na história encontrar algo igual a Jesus Cristo ou qualquer coisa que
possa se aproximar do evangelho. Nem história ou a humanidade,
nem as eras ou a natureza me oferecem qualquer coisa com a qual
eu possa comparar ou explicar isso. Aqui tudo é extraordinário.
Quanto mais eu considero o evangelho, mais tenho certeza que não
há nada que não esteja além da marcha dos acontecimentos e acima
da mente humana. (Napoleão Bonaparte, “I Know Men”)

A. Wayne Gruden dá três razões sucintas para a necessidade da divindade de Jesus,


além do fato de que é escritural. (Você precisa saber essas razões quando conversar com
Testemunhas de Jeová ou Mormons).

1. Somente alguém que é infinitamente Deus poderia suportar a pena completa por
todos os pecados de todos aqueles que acreditariam Nele – qualquer criatura finita seria
incapaz de suportar toda a pena.

2. Salvação vem do Senhor (Jn. 2:9) e a mensagem completa da Escritura é


desenvolvida para mostrar que nenhum ser humano, nenhuma criatura, poderia salvar o
homem – somente Deus poderia.

3. Somente alguém que é verdadeiramente e plenamente Deus poderia ser o


mediador entre Deus e o homem (I Tm. 2:5), ambos para nos trazer de volta para Deus e
também revelar Deus mais plenamente para nós (Jo. 14:9).

B. João Calvino declarou:

Finalmente, uma vez que Deus não poderia sofrer, e como


homem em si só não conseguiu superar a morte, Ele uniu a natureza
humana com a divina, para que Ele pudesse submeter a fraqueza da
morte, como uma expiação do pecado e pelo poder do outro, manter
uma luta com a morte, para poder ganhar, para nós, a vitória.
Através da fraqueza da natureza humana, Ele poderia provar a
morte e com a força de sua natureza divina, Ele iria superá-la. (John
Calvin, Institutes of the Christian Religion)

C. Thomas C. Oden, escreveu: “Ele tornou-se “o que somos”, para que Ele pudesse nos
levar a ser então o que Ele próprio é”. (Thomas C. Oden, The Word of Life, Systematic Theology)

III – INCLUSÃO NA IDENTIDADE DIVINA


A. No judaísmo, Deus era identificado como o único Criador dos céus e da Terra,
Soberano sobre todas as coisas e o único a ser adorado. Yahweh estabeleceu nos dois
primeiros, nos Dez Mandamentos, que Israel não deveria ter outros deuses depois dEle e que
não deveriam adorar outros deuses, porque isso provocaria seus ciúmes (Ex. 20:1-6). A
Escritura também deixa claro que Deus é o único criador e que Ele não precisou de ajuda de
97
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

nenhuma outra criatura (Is. 40:12-14, 24-26). Todos os ídolos são inúteis e todas criaturas
são apenas isso, seres criados e não parceiras do Santo, o Deus eterno incriado, que governa
sobre todas as coisas desde o seu trono. (Jr. 10:10-12, Dt. 4:35,39, Dn. 4:34-35, Sl. 11:4,
103:19-22).

B. O Novo Testamento testifica que o Pai criou todas as coisas através de Jesus
Cristo, falando que todas as coisas vieram a existência através dEle (I Co. 8:5-6, Ef. 3:8-9,
Cl. 1:15-17, Hb. 1:1-2,10).

“Todas as coisas foram feitas através dEle, e sem Ele nada do que foi feito se fez”. (Jo. 1:3)

C. Jesus é também descrito como assentado no Trono glorioso de Deus, sobre


quaisquer outras coisas criadas (Ef. 1:20-21, Hb.1:2-4, 12:1-2, Ap. 22:3-4).

“Nós temos um Sumo Sacerdote, que está assentado a direita do Trono de Majestade nos
céus”. (Hb. 8:1)

D. O Novo Testamento cita ou faz alusão ao Salmo 110 pelo menos vinte e uma
vezes, demonstrando Jesus sentado no trono de glória. Richard Bauckham declarou: “A
exaltação de Jesus ao trono celestial de Deus só poderia significar, para os primeiros cristãos que estavam
no monoteísmo judaico, sua inclusão na identidade única de Deus" (Mt. 22:41-46, At. 2:34-36, Hb.
1:13).
E.
“Jesus disse para eles:... depois disso vocês verão o Filho do Homem sentado a sua mão
direita em Poder, e vindo sobre as nuvens do céu”. (Mt. 26: 64)

F. O Novo Testamento claramente demonstrou Jesus recebendo adoração e louvor.


Jesus é o objeto de louvor na comunidade ressurreta e no santuário celestial.

1. Tomé, depois de ver o Senhor ressuscitado, respondeu com adoração:

“Senhor meu, e Deus meu!” (Jo. 20:28)

2. Os discípulos o adoraram na sua ascenção.

“E aconteceu que, enquanto os abençoava, apartou-se deles; e foi elevado ao céu. E, depois
de o adorarem, voltaram com grande júbilo para Jerusalém”. (Lc. 24:51-52)

3. Os apóstolos oraram para Jesus, pedindo-lhe para perdoar pecados de outros. (At.
1:24-25, 13;2, II Co. 12:7-9, I Ts. 3:11-13, II Ts. 3:5,16).

“E eles apedrejaram Estevão enquanto ele estava falando com Deus e dizendo: ‘Senhor Jesus,
recebe meu espírito.’ Então ele se ajoelhou e clamou com grande voz: "Senhor, não lhes imputes
este pecado". E, havendo dito isto, ele adormeceu”. (At. 7:59-60)

4. Os anjos e os redimidos o adoram juntamente com o Pai em Apocalipse 5 (Jo.


5:23, 14:13-14, At. 7:59, I Co. 11:24-25, Fl. 2:9-11, Hb. 1:6).

98
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

“Ouvi também a toda criatura que está no céu, e na terra, e debaixo da terra, e no mar, e a
todas as coisas que neles há, dizerem: Ao que está assentado sobre o trono, e ao Cordeiro, seja o
louvor, e a honra, e a glória, e o domínio pelos séculos dos séculos: e os quatro seres viventes diziam:
Amém. E os anciãos prostraram-se e adoraram”. (Ap 5:13-14)

IV - OS TÍTULOS DE JESUS

A. Deus (Theos)

A palavra Deus é usada para Cristo nas Escrituras. Diversas passagens no Novo
Testamento usam Theos, a palavra grega reservada somente para Deus, para se referir a
Cristo.
Exemplos: Jo. 1:1, 18, 20:28, Rm. 9:5, Tt. 2:12-14, Hb. 1:7-8, II Pe. 1:1.

B. Senhor (Kyrios): Esta palavra é usada 6.814 vezes na Septuaginta (Antigo


Testamento grego) para traduzir a palavra hebraica para Deus, "Yahweh". Este foi o título
atribuído a Jesus no cristianismo primitivo. Após a ressurreição, a comunidade cristã
corajosamente proclamou que Jesus não era apenas o Messias, mas Ele também era Senhor.
A palavra “Senhor” não significa que Jesus era algum mestre humano ou um hábil líder. Isso
significava que Ele era o governante soberano ressuscitado que derrotou o poder da morte,
do pecado e do inferno e foi o portador e executor do Reino de Deus.

Isso nos para a significância básica do título Kyrios (Senhor).


Essa é a atribuição de Jesus nas funções divinas. Se a confissão do
Senhorio de Jesus significa salvação (Rm 10:9), o fundamento para
isso é o conceito do Velho Testamento do chamado no nome de
Yahweh. O próprio Paulo deixa isso claro quando ele cita em Joel
2:32: “E há de ser que todo aquele que invocar o nome do Senhor
será salvo” (Rm 10:13). Assim, vemos que o dia do Senhor (I Co.
5:5; II Ts. 2:2, 5:2) tornou-se o Dia do Senhor Jesus (II Co. 1:14), o
Dia do Senhor Jesus Cristo (I Co. 1:8), ou até mesmo o Dia de
Cristo (Fl. 1:6, 10; 2:16)... Como o Senhor, o Cristo exaltado
exercita as prerrogativas de Deus. Assim, o trono do juízo de Deus
(Rm. 14:10) é também o trono de julgamento de Cristo (II Co. 5:10).
Deus julgará o mundo através de Cristo (Rm. 2:16) e até o fim de
seu reinado messiânico, Deus governa o mundo através do Senhor
exaltado. (George Eldon Ladd, A Theology of The New Testament,
pg. 457, 1993)

1. Os Evangelhos:

“E donde me provém isto, que venha visitar-me a mãe do meu Senhor?” (Lc. 1:43).

“Porque este é o anunciado pelo profeta Isaías, que diz: Voz do que clama no deserto;
Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas”. (Mt. 3:3)

Jesus cita o Salmo 110 sobre si próprio: “Replicou-lhes Ele: Como é então que Davi, no
Espírito, lhe chama Senhor, dizendo: Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te a minha direita,
até que eu ponha os teus inimigos de baixo dos teus pés? Se Davi, pois, lhe chama Senhor, como é
Ele seu filho?” (Mt. 22:43-45)

2. Epístolas de Paulo: Paulo usou esse título mais de 250 vezes nas suas cartas:

99
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

“Porque, se com a tua boca confessares a Jesus como Senhor, e em teu coração creres que
Deus o ressuscitou dentre os mortos, será salvo”. (Rm. 10:9)

“Todavia para nós há um só Deus, o Pai, de quem são todas as coisas e para quem nós
vivemos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual existem todas as coisas, e por ele nós também”. (I
Co. 8:6)

“Portanto vos quero fazer compreender que ninguém, falando pelo Espírito de Deus, diz:
Jesus é anátema! E ninguém pode dizer: Jesus é o Senhor! Senão pelo Espírito Santo”. (I Co. 12:3)

“Pois não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus como Senhor; e a nós mesmos
como vossos servos por amor de Jesus”. (II Co. 4:5)

“Pelo que também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu o nome que é sobre todo nome;
para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da
terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai”. (Fl. 2:9-11)

“Conjuro-te diante de Deus e de Cristo Jesus, que há de julgar os vivos e os mortos, pela sua
vinda e pelo seu reino.” (II Tm. 4:1)

“Tu, Senhor, no princípio fundaste a terra, e os céus são obras de tuas mãos; eles perecerão,
mas tu permaneces; e todos eles, como roupa, envelhecerão, e qual um manto os enrolarás, e como
roupa se mudarão; mas tu és o mesmo, e os teus anos não acabarão”. (Hb. 1:10-12)

3. Literatura Joanina:
“Da sua boca saía uma espada afiada, para ferir com ela as nações; ele as regerá com vara
de ferro; e ele mesmo é o que pisa o lagar do vinho do furor da ira do Deus Todo-Poderoso. No
manto, sobre a sua coxa tem escrito o nome: REI DOS REIS E SENHOR DOS SENHORES”.
(Ap. 19:15-16)

C. Filho do Homem: Esta era a atribuição favorita de Jesus. Na verdade, Ele usou
esse nome para descrever a si mesmo mais de 65 vezes. Jesus identificou-se com a figura
celestial de Daniel 7:13-14, que veio com as nuvens do Céu e recebeu toda autoridade do
Ancião de Dias sobre todos domínios e povos. O Filho foi enviado para destruir as obras do
diabo (I Jo. 3:8).

1. Como o Filho do Homem, Jesus tem a autoridade para perdoar pecados (Mt. 9:6;
Mc. 2:10; Lc. 5:24) e é o Senhor do Sábado (Mt. 12:18; Mc. 2:27; Lc. 6:5).

2. Realização escatológica: como o Filho do Homem, Jesus virá na glória de seu


Pai, com os santos anjos. Ele é visto como sentado à direita do poder, e virá com as nuvens
do Céu (Mt. 16:27, 24:30, 26:63-64; Mc. 8:38, 13:26, 14:62; Lc. 9:26, 21:27, 22:69)

3. É também digno de nota, que Jesus acrescentou para o entendimento desta figura
de governo celestial de Daniel 7, destacando Sua missão como a de um servo sofredor.

“Dizendo: Eis que subimos a Jerusalém, e o Filho do homem será entregue aos principais
sacerdotes e aos escribas; e eles o condenarão a morte, e o entregarão aos gentios; e hão de escarnecê-
lo e cuspir nele, e açoitá-lo, e matá-lo; e depois de três dias ressurgirá”. (Mc. 10:33-34)

“Pois também o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua
vida em resgate de muitos”. (Mc. 10:45)

100
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

D. Filho de Deus: João afirmou que o propósito de escrever seu evangelho era “para
que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” (20:31).
Jesus falou de Deus como “Pai” 106 vezes em João e disse “meu Pai” 24 vezes em João. Em
João, Jesus é descrito como o Filho Unigênito, o único Filho de Deus. Mesmo nos
evangelhos sinópticos, Jesus é descrito como o “Filho Amado”, que considerava-se o mais
apto a compreender a vontade do Pai e exclusivamente capaz de revelar Deus (Mt.
3:17, 11:27, 17:5; Lc. 10:21-22. At. 9:20).

E. Cristo: O título que é mais frequentemente dado a Jesus no N.T. é aquele que nos
é familiar, mas que não entendemos bem. É o título de “Cristo”. Ele é usado tantas vezes em
conjunto com o nome de “Jesus”, que temos a tendência de pensar que esse é o seu
sobrenome. Mas se fosse assim, Jesus seria conhecido como “Jesus Bar-José”, que significa
“Jesus, filho de José”. Ao invés disso, “Cristo” é o título supremo de Jesus. Mas o que
significa? O significado de Cristo é tirado do Antigo Testamento. Deus prometeu aos antigos
israelitas que o Messias viria para libertá-los do pecado. A ideia do Messias é transportada
para o N.T. com o título de “Cristo”. A palavra grega Christos, de onde todos nós obtemos a
palavra Cristo, em português, é a tradução do termo hebraico Mashiach, que é a fonte para a
palavra Messias, em português. Mashiach, por sua vez, está relacionada com o verbo hebraico
masach, que significa “ungir”. Portanto, quando o N.T. fala de Jesus Cristo, ele está dizendo
“Jesus, o Messias”, que significa literalmente “Jesus, o Ungido”.

Quando Jesus começou os seu ministério público, poucos o reconheceram por quem Ele era,
apesar das muitas evidências de que Ele possuía uma unção de Deus que ultrapassou um
muito aquela que repousara sobre qualquer outro homem. Sabemos que houve uma grande
confusão a seu respeito, mesmo depois dele haver ministrado por algum tempo. Houve um
momento onde Jesus perguntou aos seus discípulos: “Quem diz o povo ser o Filho do
Homem?” (Mt.16:13) Ele estava analisando a sua cultura, verificando os rumores sobre si
mesmo. Em resposta àquela pergunta de Jesus, os discípulos enumeraram vários pontos de
vista que estavam sendo apresentados: “Uns dizem: João Batista, outros Elias, e outros,
Jeremias ou algum dos profetas (Mt.13:14). Jesus estava sendo identificado com todos os
tipos de pessoas, mas nenhuma dessas especulações estava correta. Em seguida Jesus
perguntou aos discípulos: “Mas quem vocês dizem que eu sou?” Pedro respondeu com o que
é conhecido como a grande confissão, uma declaraçãoo de sua crença sobre a identidade de
Jesus: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mt. 13:15-16). Com essas palavras, Pedro
declarou que Jesus era o Christos, o Mashiach, o Ungido (R.C.Sproul – Jesus Cristo, o
Ungido).

V – JESUS POSSUINDO ATRIBUTOS DIVINOS

A. Sua onipotência:

1. Superou as tentações de Satanás no deserto (Mt. 4:1-11, Lc. 4:1-13).

“Então ordenou-lhe Jesus: Vai-te, Satanás; porque está escrito: Ao Senhor teu Deus
adorarás, e só a ele servirás. Então o Diabo o deixou; e eis que vieram os anjos e o serviram”. (Mt.
4:10-11)

2. Jesus acalmou tempestades.

“Ele lhes respondeu: Por que temeis, homens de pouca fé? Então, levantando-se repreendeu
os ventos e o mar, e seguiu-se grande bonança. E aqueles homens se maravilharam, dizendo: Que
homem é este, que até os ventos e o mar lhe obedecem?” (Mt. 8:26-27)

101
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

3. Ele multiplicou pães e peixes.

“Tendo mandado às multidões que se reclinassem sobre a relva, tomou os cinco pães e os dois
peixes e, erguendo os olhos ao céu, os abençoou; e partindo os pães, deu-os aos discípulos, e os
discípulos às multidões. Todos comeram e se fartaram; e dos pedaços que sobejaram levantaram
doze cestos cheios. Ora, os que comeram foram cerca de cinco mil homens, além de mulheres e
crianças”. (Mt. 14:19-21)

4. Ele expulsou uma legião de demônios.

“Chegando-se a Jesus, viram o endemoninhado, o que tivera a legião, sentado, vestido, e em


perfeito juízo; e temeram”. (Mc. 5:15)

5. Ele transformou a água em vinho.

“Assim deu Jesus início aos seus sinais em Caná da Galiléia, e manifestou a sua glória; e os
seus discípulos creram nele”. (Jo. 2:11)

6. Ele ressuscitou os mortos.

“O que estivera morto sentou-se e começou a falar. Então Jesus o entregou a sua mãe”. (Lc.
7:15)

“Então ele, tomando-lhe a mão, exclamou: Menina, levanta-te. E o seu espírito voltou, e ela
se levantou imediatamente; e Jesus mandou que lhe desse de comer”. (Lc. 8:54-55)

7. Ele andou sobre as águas e capacitou Pedro a andar com Ele.

“À quarta vigília da noite, foi Jesus ter com eles, andando sobre o mar. Disse-lhe ele: Vem.
Pedro, descendo do barco, e andando sobre as águas, foi ao encontro de Jesus”. (Mt. 14:25,29)

B. Sua onisciência:

1. Jesus conhecia as pessoas, seus pensamentos e as intenções do seu coração.

“... porque os conhecia a todos, e não necessitava de que alguém lhe desse testemunho do
homem, pois bem sabia o que havia no homem”. (Jo. 2:24-25)

2. Os discípulos declararam que Jesus sabia todas as coisas.

“Agora conhecemos que sabes todas as coisas, e não necessitas de que alguém te interrogue.
Por isso cremos que saíste de Deus”. (Jo. 16:30)

“Senhor, tu sabes todas as coisas; tu sabes que te amo”. (Jo. 21:17)

3. Nós entendemos em Isaías 40 - 48 que somente Deus conhece o futuro. Jesus sabia
de sua morte e ressurreição, Ele sabia que Judas iria traí-lo e momentos antes de ir para a
cruz, Jesus falou algumas palavras a respeito de Judas (Jo.13:18-20, Is. 46:9-10, Mt.16:21).

C. Sua soberania:

102
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

1. Jesus demonstrou o poder de perdoar pecados.

“E Jesus, vendo-lhes a fé, disse ao paralítico: Filho, perdoados são os teus pecados”. (Mc.
2:5)

Ele unicamente interpretou a lei e cancelou tradições com a frase: “Eu, porém, vos
digo...” (Mt. 5:22,28,32,34,39,44).

“Ouvistes que foi dito: Amarás ao teu próximo, e odiarás ao teu inimigo. Eu, porém, vos
digo: Amai aos vossos inimigos, e orai pelos que vos perseguem”. (Mt. 5:43-44)

2. Ele ousadamente declarou que o estado eterno de cada pessoa dependia de sua
crença em Deus.

“Quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, porém, desobedece ao Filho não verá a vida,
mas sobre ele permanece a ira de Deus”. (Jo. 3:36)

3. Jesus falou sobre si mesmo, o Filho do Homem, também afirmou ser o juiz
soberano de toda a humanidade (Mt. 25:31-46, Jo. 5:24-29). Ele vai mostrar sua onipotência
elevando todas as pessoas ao som de sua voz e, em seguida, mostrar sua soberania ao decidir
o eterno destino de cada uma delas (Dt. 32:39).

“Em verdade, em verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me
enviou, tem a vida eterna e não entra em juízo, mas já passou da morte para a vida. Em verdade,
em verdade vos digo que vem a hora, e agora é, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus,
e os que a ouvirem viverão. Pois assim como o Pai tem vida em si mesmo, assim também deu ao
Filho ter vida em si mesmo; e deu-lhe autoridade para julgar, porque é o Filho do homem. Não vos
admireis disso, porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz e
sairão: os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida, e os que tiverem praticado o mal,
para a ressurreição do juízo”. (Jo. 5:24–29)

D. Sua Imortalidade:

1. Jesus disse em João 10:17-18, pelo seu poder próprio Ele entregaria a sua vida e a
tomaria novamente. Em João 2:21-22, Jesus afirmou que o templo do Seu corpo seria
destruído e que ele iria levantar-se.

“Por isto o Pai me ama, porque dou a minha vida para a retomar. Ninguém a tira de mim,
mas eu de mim mesmo a dou; tenho autoridade para a dar, e tenho autoridade para retomá-la.
Este mandamento recebi de meu Pai”. (Jo. 10:17-18)

2. Hebreus 7:15-16 afirma que Jesus se tornou sacerdote, não de acordo com uma
exigência legal, relativa a existência do corpo, mas pelo poder de uma vida indestrutível.

“E ainda muito mais manifesto é isto, se a semelhança de Melquisedeque se levanta outro


sacerdote, que não foi feito conforme a lei de um mandamento carnal, mas segundo o poder duma
vida indissolúvel”. (Hb. 7:15-16)

VI – O “EU SOU” DECLARADO POR JESUS

Jesus usou a frase “Eu sou” com um predicado para demonstrar que a salvação
A.
encontra-se com Ele somente. No Evangelho de João, Jesus declarou: Eu sou:
103
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

- O Pão da Vida: 6:35, 41, 48


- A Luz do mundo: 8:12
- O Bom pastor: 10:11,14
- A Porta das Ovelhas: 10:7,9
- A Ressurreição e a Vida: 11:25
- O Caminho, a Verdade e a Vida: 14:6
- A Videira Verdadeira: 15:1

B. No absoluto "Eu sou" frases onde nenhum predicado é usado, a palavra “Ele” não
é parte da tradução literal, mas está implícito:

- “Eu sou”: Jo. 8:23,24,28, 13:19, 18:5,6,8


- “Antes de Abraão, Eu Sou”: Jo. 8:56-59

“Abraão, vosso pai, exultou por ver o meu dia; viu-o, e alegrou-se”. Disseram-lhe, pois, os
judeus: “Ainda não tens cinquenta anos, e viste Abraão?” Respondeu-lhes Jesus: “Em verdade, em
verdade vos digo que antes que Abraão existisse, EU SOU”. Então pegaram em pedras para lhe
atirarem; mas Jesus ocultou-se, e saiu do templo”. (Jo. 8:56-59)

104
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

LIÇÃO NOVE
A HUMANIDADE DE JESUS
I – A HUMANIDADE DE JESUS

A. A resposta de Deus para a decepção provocada pela serpente, para a queda da


humanidade, e para a morte do corpo está em Gn.3:15. Na promessa de uma criança que
viria da linhagem de Eva, Aquele que esmagaria a cabeça do diabo e restauraria o doce
abraço do Éden. O plano de Deus para a redenção, desde o início foi centrado no nascimento
de uma criança.

B. Nas sessões passadas nós espiamos dentro do mistério da Encarnação. Nascido


de uma virgem e concebido pelo Espírito Santo, esta criança da promessa, sendo totalmente
humano e também, totalmente Deus. Nós exploramos o mistério da divindade de Cristo e
ficamos impressionados com seu incrível poder. Demônios imploraram a Jesus para não
atormentá-los. O Mar e as ondas obedeceram seus comandos. Água foi tornada em vinho, e
mortos foram levantados para a vida. Ele é o Filho do Homem que virá nas nuvens do céu e
receberá o Reino. Anjos e humanos semelhantes a Ele o adorarão. Ele é tanto o Senhor dos
Exércitos, como o Senhor das Nações. Ele é o verdadeiro e grande Deus, a Luz das luzes,
com a mesma essência do Pai. Todas as coisas foram feitas por Ele e para Ele. Quando
contemplamos suas divinas excelências, trememos diante da sua majestade e esplendor, nos
curvando em reverência (Cl.1:16-18).

C. Estar em pé no temor de Deus é uma coisa, amá-lo é outra, completamente


diferente. Atingidos por sua vida divina e poder impressionante, podemos gritar com os
salmistas: “Trema diante dEle toda a Terra” e “Une meu coração ao temor do seu Nome!” (Sl. 96:9,
86:11). No entanto, ainda é outra questão ser tocado por sua ternura. Quando nós
entendemos a humanidade de Cristo e a sua terna amizade com o nosso corpo, nosso coração
sente-se seguro para nos mover em direção a Ele e para fazer as perguntas que normalmente
não poderíamos fazer.

D. Jesus tem uma terna amizade com nosso corpo. Ele conhece cada pensamento,
cada movimento, cada emoção, e cada problema corpóreo. Ele está intimamente
familiarizado com você, não para escrever um manual do desenho humano, mas para juntar-
se a você para sempre. Jesus deseja compartilhar alegria e engajar-se com seus santos irmãos
em diálogo e adoração, tornando-os livres para amá-lo com suas personalidades particulares.
Esta é uma alegria para ser usufruída, enquanto desfrutamos dEle.

E. No nascimento de Jesus, Deus se aproximou, já não há distância. Ele encontrou-


se em uma manjedoura, envolto em panos. Anjos contaram aos pastores as boas novas e a
grande alegria, anunciando o nascimento de Cristo, o Senhor, um Rei que passaria a ser o
Senhor deles. Milhares de anjos explodiram em louvor: “Glória a Deus nas alturas, e paz na
Terra aos homens aos quais, Ele concede o seu favor”. (Lc. 2:14)

F. Deus tornou-se acessível e se juntou ao nosso mundo, não como um observador


externo, mas como parte dele, assumindo nossa forma. O conhecimento da humanidade de
Jesus nos escolta para contemplá-lo em amor adorador. Quando compreendemos que fomos
criados para viver perto de Deus, porque Ele veio para perto de nós, isto acaba com a
distância e com a opção de retornar para uma religião sem inspiração ou comercializar com
Ele ou de permanecer em qualquer outro sistema religioso distante. Nós precisamos ter Jesus,
e a Ele somente.

105
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

II – A ENCARNAÇAO É O PONTO INICIAL PARA A CONTEMPLAÇÃO DE


DEUS

A. A encarnação é o ponto inicial para toda contemplação cristã. Deus se fez


conhecido na pessoa de Cristo. Ele é a Palavra feita em carne e a expressão da imagem do
Pai. Quando nós olhamos para Ele, nós vemos o Pai. Quando nós ouvimos Ele, nós ouvimos
o Pai. O olhar cristão em meditação não está definido mediante uma força energética, um
princípio abstrato do cosmos ou uma luz mística brilhante. A Contemplação meditativa deve
se concentrar unicamente na revelação do conhecimento em tempo e espaço real – na pessoa
de Jesus Cristo. O apóstolo João iniciou sua primeira carta apontando esta poderosa
verdade:

“O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que nós temos visto com nossos olhos, o que nós
temos contemplado, e nossas mãos tem tocado, acerca da Palavra da Vida – A vida foi manifesta,
e nós temos visto, e temos testemunhado, e declarado para vocês que a vida eterna que estava com
o Pai e foi manifestada a nós - O que nos temos visto e ouvido declaramos para vocês, que vocês
também poder ter relacionamento conosco, e verdadeiramente nosso relacionamento é com o Pai e
com seu Filho Jesus Cristo. (I Jo. 1:1-3)

Este é o lugar onde a contemplação começa a trabalhar. Por


um lado, aquele que é Filho, é também humano, portanto torna-se
compreensível... Mesmo a qualidade da humanidade de Cristo é tão
diferente de toda a humanidade dos outros e também de tudo o que
há no mundo. Tudo é igual, mas a humanidade do Filho do Homem
é divina: não há interferência, não há nenhuma distorção grotesca
que ostenta a capacidade de sua qualidade divina, como o ferro
quente mostra o seu calor, na verdade, a divindade revela o seu
poder incomparável no fato de que o que é humano não é destruído.
Se duas magnitudes fossem da mesma ordem, a maior seria uma
ameaça para a menor. Como uma árvore plantada em um vaso de
flores que vai estourar. Só Deus pode se revelar em uma criatura
sem destruí-la. Fé é o processo capaz de contemplar o divino na
forma criada.

O olhar fixo da contemplação se volta continuamente com


grande atenção para a humanidade de Jesus. Este é o tesouro
inexaurível que nos foi confiado pelo nosso Pai celeste. De uma
forma muito verdadeira Ele “se despojou” (Jo. 3:16) daquele a
quem Ele está sempre apontando: “ipsum audite!” (“Olhe para Ele!”)
(Mt. 17:5). O Filho não é um corpo flutuante interestelar; Ele é o
fruto da terra e de sua história; Ele vem de Maria (que é o expoente
da Velha Aliança e de toda humanidade) assim como Ele vem do
Pai. Ele é graça ascendente assim como Ele é graça descendente;
Ele é a resposta mais alta da criação para o Pai tanto quanto Ele é a
Palavra do Pai. Ele não é um Deus disfarçado, agindo “como se”,
para simplesmente nos dar um exemplo… Não. Ele é o ápice do
mundo em todo o seu esforço em direção à Deus, e Ele corta um
caminho para todos nós, ajuntando todo o empenho de todos os
homens nele mesmo, o pioneiro, o cabeça. Ele só é capaz de fazer
isto sendo “como nós, em tudo … tentado, mas sem pecado” (Hb.
4:15), e carregando nossos pecados como o bode expiatório (Hb.
13:11), o Cordeiro levado a morte, morto desde antes da fundação

106
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

do mundo (Ap. 13:8). Assim, Ele permanece no pico do céu e da


terra”. (Hans Urs von Balthasar, Prayer)

B. O alegre presente do Deus Poderoso, feito carne, causa em nós maravilha.

1. Ele nasceu. O propósito da Encarnação é fazer você refletir, para se maravilhar,


para fundir sua mente. Maravilhar foi precisamente o que Maria fez.

“Ora, havia naquela mesma região pastores que estavam no campo, e guardavam durante
as vigílias da noite o seu rebanho. E um anjo do Senhor apareceu-lhes, e a glória do Senhor os
cercou de resplendor; pelo que se encheram de grande temor. O anjo, porém, lhes disse: Não temais,
porquanto vos trago novas de grande alegria que o será para todo o povo: É que vos nasceu hoje, na
cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor. E isto vos será por sinal: Achareis um menino
envolto em faixas, e deitado em uma manjedoura. Então, de repente, apareceu junto ao anjo grande
multidão da milícia celestial, louvando a Deus e dizendo: Glória a Deus nas maiores alturas, e paz
na terra entre os homens de boa vontade. E logo que os anjos se retiraram deles para o céu, diziam
os pastores uns aos outros: Vamos já até Belém, e vejamos isso que aconteceu e que o Senhor nos
deu a conhecer. Foram, pois, a toda a pressa, e acharam Maria e José, e o menino deitado na
manjedoura, e, vendo-o, divulgaram a palavra que acerca do menino lhes fora dita; e todos os que
a ouviram se admiravam do que os pastores lhes diziam. Maria, porém, guardava todas estas coisas,
meditando-as em seu coração. E voltaram os pastores, glorificando e louvando a Deus por tudo o
que tinham ouvido e visto, como lhes fora dito”. (Lc. 2:8-20)

A. A alegria da vida cristã é contemplar os mistérios de Jesus. Lucas 2:7 descreve o


nascimento vindo de uma virgem. Maria deu à luz, em trabalho de parto, trouxe-o para fora
com dor real. Ela trouxe a luz o seu filho primogênito, envolveu-o em panos, e o deitou em
uma manjedoura. Então os anjos cantavam e os pastores o homenageavam, Ele o rei recém-
nascido.

B. Veja o que Maria fez quando Jesus nasceu. Ela estava perplexa. Ela deu à luz ao
bebê que os anjos estavam elogiando. No verso dezenove, a encontramos considerando todas
as coisas em seu coração. Talvez ela tenha pensado: "Eu sei que Ele é Deus, mas eu senti uma
dor real e movimentos reais na minha barriga enquanto ele estava crescendo. Como pode ser isso? Como
pode ser que os anjos dizem aos pastores sobre este e sábios vem visitá-lo trazendo presentes? Ele ainda
saiu de minhas entranhas. Como pode ser que Deus tenha os meus olhos e o meu nariz?" Ela encontrou
a alegria em refletir sobre o mistério, e ela guardava todas estas coisas no seu coração.

2. Quando Jesus nasceu, nós também fomos convidados ao poder misterioso,


através da sua encarnação, que é o grande e misterioso presente dado a todos nós.

Quando o Filho de Deus se fez homem por nós, Ele poderia


vir para a terra como um homem adulto, desde o primeiro momento
de Sua existência humana. Mas a visão de crianças pequenas nos
atrai com uma atração especial para amá-los, Jesus optou por fazer
sua primeira aparição na Terra, como uma criança pequena... "Deus
quis nascer como um bebezinho", escreveu São Pedro Crisólogo,
"Para que Ele pudesse nos ensinar a amar e não a temer." O profeta
Isaías havia profetizado muito tempo, antes que o Filho de Deus
estivesse para nascer como uma criança e, assim, se entregasse, mais
tarde, por causa do amor que Ele tinha por nós: "Um menino nasceu
para nós, um filho nos foi dado”.
Meu Jesus, Deus supremo e verdadeiro! O que foi que te
atraiu do céu para nascer em um estábulo frio, se Não o amor que
107
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

Tu dá a nós homens? O que te atraiu para deixar o seio de teu pai,


para colocar-te em uma rígida manjedoura? O que te trouxe do teu
trono que é acima das estrelas para deitar-se sobre um monte de
palha? O que foi que Te levou sair do meio dos nove coros de anjos,
para ficar entre dois animais? Tu, que inflamaste os serafins com o
fogo santo, e agora está ai tremendo de frio neste estábulo! Tu, que
pões as estrelas no céu em movimento, não podes agora nem mesmo
se mover sem que outros te carreguem no colo!
Tu que dás aos homens e feras a sua comida, precisas agora
de um pouco de leite para poder sobreviver! Tu que és a alegria de
céu, agora chora e pranteia em sofrimento! Diga-me quem foi que
Te reduziu a tanta miséria? "Foi o amor que fez isso”, diz São
Bernardo. O amor que dás a nós homens, trouxe tudo isso em Ti.
“Mas, vindo à plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho,
nascido de mulher, nascido debaixo de lei” (Gl. 4:4). (Saint
Alphonuss Maria de Liguoli, The Book Of Jesus, pg 226)

3. Lucas nos diz que Jesus não somente nasceu com um corpo humano; Ele cresceu.
Existe prazer em imaginar isso. Como foram as "inábeis fases” do crescimento de Jesus?
Você pode imaginar o momento em que suas orelhas cresceram mais do que sua cabeça,
enquanto Ele ainda tinha mais dois anos de escola rabínica, antes que sua cabeça se
desenvolvesse? Você já pensou sobre isso alguma vez? Ele era assim como você, exceto pela
ausência de pecado. Como será que foi o dia em que Jesus perdeu seu primeiro dente e o dia
em que cortou seu cabelo pela primeira vez? Como foi? Lucas conta que a criança cresceu e
que Maria foi surpreendida fase após fase. Isto é tudo o que sabemos sobre Jesus até que o
encontramos na idade de doze anos no templo. Ele simplesmente cresceu como um ser
humano. Podemos olhar para os menininhos hoje e perguntar: "Jesus, você era como eles? Como
você era? O que era brincadeira santa pra você, Jesus? Aliás, você brincava Jesus? O que foi uma diversão
inofensiva para você Jesus?” Deve ter sido excelente!

4. Jesus também cresceu no Espírito Santo e estava cheio de sabedoria. A graça de


Deus estava sobre Ele. Ele cresceu mentalmente e espiritualmente. Muitas perguntas podem
ser feitas sobre seus primeiros momentos! Como foram os estágios em que Ele começou a
entender que Ele era o Deus-Homem? Talvez às vezes Ele pensasse consigo mesmo: "Há algo
diferente em mim. Eu nunca entro em problemas como o Tiago entra." Como foi quando sua
capacidade mental e espiritual chegou a um ponto onde começou a se lembrar da sala do
trono? Como foi para Ele ler a Palavra como um ser humano pleno e começar a se lembrar
de declará-la como Deus? Como foi para Ele crescer, enquanto podia ver todos os anjos entre
todas as outras pessoas?

Como foi o dia em que o Pai decidiu que Jesus estava pronto para ver as realidades
espirituais? Como foi que Ele respondeu ao seu primeiro encontro angelical? Imagino-o
tremendo de fascínio, dizendo: "Eu sinto como se eu te conhecesse de algum lugar. Já nos
encontramos antes?" Nós raramente pensamos nessas coisas. Mas esta é a realidade. Este é o
seu Deus, este é o seu Rei, este é seu irmão e seu Noivo! Você pode se apaixonar por Ele!
Não tem problema, você sabia disso? Você pode realmente se apaixonar por Ele por causa
da Encarnação. Nós fomos roubados de Jesus por muito tempo. É tempo de ponderarmos.
É hora de desfrutar as profundezas do seu mistério e as riquezas da sua vida compartilhada.

108
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

5. Nós temos tantos espaços vazios, tudo que nós sabemos das Escrituras é que Ele
cresceu (Lc. 2). Ele teve as maçãs do rosto de Maria? Ele era totalmente Deus, mas Ele
cresceu como todos os outros homens antes e depois dele.

C. Por que foi necessário o nascimento virginal? Em Gênesis 3:15, Deus havia
prometido que, através da "semente" da mulher a serpente seria esmagada. Ele tinha que vir
através de uma linha de família. Deus escolheu que Ele viesse através da linha de Judá e da
casa de Davi, e escolheu Maria para ser a favorita. Quando o Espírito Santo ofuscou Maria,
a unificação da plena divindade e a humanidade foi completamente possível em uma pessoa
(Lc.1:35, Gl.4:4). No nascimento virginal, a humanidade de Jesus foi criada, embora Ele
estivesse sem pecado. Wayne Grudem aponta no seu livro de Teologia Sistemática, a
importância doutrinal do nascimento virginal em três maneiras principais:

1. Ele mostra que Deus é aquele que inicia e traz a salvação. Não há salvação fora
da intervenção sobrenatural de Deus. Esforço humano nunca pode salvar-nos da
profundidade do nosso pecado diante de Deus.

2. Isso torna a união hipostática possível, a união da completa divindade e a plena


humanidade.

3. Isso faz com que seja possível para Cristo ser verdadeiramente humano, mas sem
ter herdado pecado. Não há uma única pessoa na história que tenha sido capaz de provar
que Jesus pecou, nem um só pecado, nem um fracasso moral, ninguém, especialmente
aqueles da sua própria geração.

“Respondeu-lhe o anjo: Virá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te cobrirá com
a sua sombra; por isso o que há de nascer será chamado santo, Filho de Deus”. (Lc. 1:35)

D. Maria e José: criando e amando o Filho de Deus

O que Jesus fazia quando Ele era uma criança? Max Lucado escreveu vinte e
cinco questões para Maria:

Como era assistir Ele orar? Como Ele reagia quando via
outras crianças rindo durante o culto na sinagoga? Quando viu um arco íris,
Ele nunca fez menção de um dilúvio? Você se sentiu estranha quando
ensinava Ele a maneira com que Ele mesmo criou o mundo? Quando via um
cordeiro sendo levado para o abate, Ele se comportava de forma diferente?
Você já viu Ele com um olhar distante sobre o seu rosto, como se Ele estivesse
ouvindo alguém que você não podia ouvir? Como Ele se comportou em
funerais? Será que o pensamento nunca lhe ocorreu que o Deus a quem você
estava orando estava dormindo sob o seu próprio teto? Alguma vez você
tentou contar as estrelas com Ele... e teve sucesso? Ele já voltou para casa
com um olho roxo? Como agiu quando cortou seu cabelo pela primeira vez?
Ele teve algum amigo com o nome de Judas? Ele ia bem na escola? Você
nunca o disciplinou? Ele te fez alguma pergunta sobre as Escrituras? O que
você acha que Ele pensou quando viu uma prostituta oferecendo, pelo maior
lance, o corpo que Ele fez? Ele já ficou bravo quando alguém foi desonesto
com Ele? Alguma vez você o pegou pensativo olhando para o seu próprio
109
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

braço enquanto tinha um punhado de terra em suas mãos? Ele já acordou


com medo? Quem foi o seu melhor amigo? Quando alguém se referia a
Satanás, como Ele reagia? Alguma vez você acidentalmente chamou-o de
Pai? Sobre o que Jesus e seu primo João falavam quando eram crianças? Será
que seus outros irmãos e irmãs entendiam o que estava acontecendo? Você
já pensou, naquele que era Deus, comendo a sua sopa?
(Max Lucado, “Twenty-Five Questions for Mary,” The Book of Jesus, Calvin
Miller,107).

E sobre José? Quem foi esse homem justo que assumiu a paternidade de Jesus
diante dos homens, depois de ter sido visitado por um anjo? (Mt.1:19-25) Ele cuidou de
Maria e daquela criança que estava por vir. Toda sua vida foi transformada a partir daquela
estação. Não sabemos o que aconteceu com José, seu papel foi tão importante que
esperávamos vê-lo no restante da história, mas a última menção sobre José aconteceu
quando Jesus tinha doze anos de idade.

Max Lucado também escreveu sobre José e seu envolvimento na história do Filho
de Deus. Ele nos leva a imaginar a reação e o conflito no interior de José do dia do
nascimento de Jesus:

Entre todas as minhas perguntas, a primeira seria sobre Belém. Eu


gostaria de saber sobre aquela noite na estrebaria. Posso imaginar José
naquele lugar. Os pastos iluminados pela lua. As estrelas brilhando no
céu... E lá José, esperando com paciência do lado de fora da estrebaria.

No que ele estava pensando enquanto Jesus nascia? O que se passava por
sua mente enquanto Maria dava a luz? Ele fez tudo quanto estava ao seu
alcance: esquentou água, preparou um lugar onde a esposa pudesse deitar.
Ofereceu a Maria o máximo de conforto possível dentro de um galpão e,
em seguida, saiu. Maria lhe pedira para sair, e José achou mesmo que era a
melhor coisa a fazer. Naquela eternidade entre o pedido de Maria e o
nascimento de Jesus, no que José pensava? Ele caminhou a noite inteira,
olhando as estrelas. Será que ele orou?

Por alguma razão, não consigo imaginá-lo em silêncio. Vejo José agitado,
andando de um lado para o outro... Não era bem isso que tinha em mente.
Fico imaginado o que ele teria dito a Deus... Não foi bem assim que eu
planejei, Deus. De jeito nenhum. Meu filho nascendo em uma estrabaria?
Não foi assim que imaginei que seria. Uma caverna com ovelhas e burros,
palha e feno? Minha esposa dando a luz tendo apenas as estrelas como
testemunha de sua dor? Queria a família reunida, queria os avós aqui, os
vizinhos se amontoando do lado de fora da casa e os amigos ao meu lado.
Queria o som do primeiro choro do bebê enchendo a casa. Tapinhas nas
costas, muito riso e júbilo. Achei que seria assim...

Tem alguma coisa errada aqui. Que tipo de marido sou eu? Não consegui
nem uma parteira para ajudar minha esposa. Não há sequer uma cama na
qual ela possa se deitar. O travesseiro é a manta que uso para colocar sobre
o meu burro. A casa que posso oferecer para ela é um abrigo cheio de palha
e feno. O cheiro é ruim, os animais fazem muito barulho. Por quê? Até
mesmo eu estou cheirando com um pastor. Será que eu fiz alguma coisa
errada? Fiz, Deus? Quando o Senhor enviou o anjo para falar sobre o filho
110
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

que nasceria, não foi isso que eu imaginei. Vislumbrei Jerusalém, o


Templo, os sacerdotes e as pessoas se aproximando para ver. Talvez um
cortejo, um desfile, no mínimo um banquete. Afinal de contas, trata-se do
Messias! Ou então se não fosse para nascer em Jerusalém, que tal Nazaré?
Pelo menos lá eu tenho minha casa e meus negócios... Não foi desse jeito
que eu planejei o nascimento do meu filho. Ai, meu Deus, fiz aquilo de
novo. Fiz de novo, não foi, Pai? Não era essa a minha intenção, foi só por
esquecimento.

Ele não é meu filho... é seu. A criança é sua, o plano é seu, a idéia é sua. E
perdoe-me por questionar, mas... é assim que Deus entra no mundo? A
chegada do anjo, eu aceitei. As perguntas que as pessoas faziam sobre a
gravidez, consigo tolerar. A viagem a Belém, tudo certo. Mas por que o
nascimento do bebê em uma estrebaria, Deus?

Não estou acostumado com tanta coisa fora do comum. Deus. Sou um
carpinteiro. Faço as coisas se encaixarem. Meço as bordas. Sigo o prumo.
Só corto a madeira depois de medir as duas vezes. Gente que monta coisas
não está acostumada com surpresas. Gosto de ter um plano. Gosto de ver o
plano antes de começar. Contudo dessa vez não sou eu quem está
montando nem construindo, sou? Desta vez, sou apenas uma ferramenta.
Um martelo em suas mãos. Um prego entre seus dedos. Uma talhadeira à
sua disposição. Esse projeto é seu, não meu. Acho que é uma bobagem da
minha parte questionar o Senhor. Perdoe-me por este conflito. Essa coisa
de confiança não é muito fácil pra mim... (Gente como a Gente, cap. 1 –
José)

Tanto Maria, quanto José obedeceram a Deus, quando as coisas estavam claras
e também quando elas não estavam. Eles não permitiram que a confusão em sua mente os
impedisse de obedecer. Eles provavelmente não sabiam tudo o que estava acontecendo,
mas fizeram o que sabiam que tinham que fazer, mesmo quando o céu estava escuro.
Possivelmente Deus não ofereceu a eles todas as respostas às suas perguntas, mas eles
tiveram certeza de que o Senhor estava com eles, e que eram parte de um plano maior,
eram parceiro de Deus nessa Terra.

E. A humanidade de Jesus envolveu fraquezas e limitações

“E o menino ia crescendo e fortalecendo-se, ficando cheio de sabedoria; e a graça de Deus


estava sobre ele”. (Lc. 2:40)

1. Corpo humano: Jesus nasceu como todos os seres humanos em Lucas 2:7. Em
Lucas 2:40, lemos que Jesus cresceu e se tornou forte. Ele sentiu sede e teve fome (João
19:28, Mateus 4:2). Ele ficou cansado e dormiu (Mateus 8:24). No final de seu rápido tempo
no deserto, os anjos vieram e o assistiram (Mateus 4:11). Ele sangrou e sofreu muito no corpo
ao longo do evento da crucificação. De fato, em Lucas 23:26 Jesus já não podia fisicamente
carregar a cruz. Ele estava lutando por cada grama de compostura que Ele podia. Esta
fraqueza faz com que Ele se torne amável para nós. O evento culminou com o fim de sua
vida e com o enterro de seu corpo em um túmulo no jardim. Os detalhes da Teoria Kenosis
da relação entre Sua natureza divina e a natureza humana, são vistos em Filipenses 2:5-11:
quando Ele veio como homem, Ele estabeleceu o que operava em sua natureza divina. Ele
esvaziou-se e nos deu um exemplo do que significa confiança no Espírito Santo como um
homem.

111
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

2. Crescimento Mental: na Sua infância, Jesus cresceu em sabedoria e estatura.


Hebreus 5:8 parece apontar seu crescimento até mesmo na área de obediência diante do seu
Pai: “Embora sendo Filho, Ele aprendeu a obedecer por meio daquilo que sofreu”. Não que Ele
não conseguiu, mas que Ele continuou a ir às profundezas da devoção diante seu Pai, em
última análise, obedecendo-o até à morte na cruz.

3. Alma humana e as emoções humanas: em João 12:27, Jesus revelou que Ele
estava incomodado em sua alma. Ele experimentou emoções humanas reais, isso permite
que Ele simpatize conosco. No Getsêmani Ele disse: "Minha alma está muito triste, mesmo até
a morte” (Mt. 26:38). Ele respondeu ao sofrimento de Maria sobre Lázaro com choro (Jo.
11:35). Ele também chorou a dureza de Jerusalém e a futura destruição (Lc. 19:41-44). No
entanto, em Lucas 10:21-24, Jesus se alegrou por aqueles a quem Ele tinha se revelado.

4. O que significou para Jesus ser “cheio do Espírito Santo?” Ele dançou? Isaías 35
diz que Ele conduzirá a procissão em Jerusalém depois de sua segunda vinda, e alegria nos
tomará e a tristeza será expulsa. Qual será a aparência dele quando Ele entrar em seu reino?
Ele é um Rei inteligente, maravilhoso e alegre. Ele experimenta a profundidade e as alturas
das emoções humanas. Portanto, você pode se aproximar do seu trono da graça com ousadia.
Ele é seu irmão.

“Tendo, portanto, um grande sumo sacerdote, Jesus, Filho de Deus, que penetrou os céus,
retenhamos firmemente a nossa confissão. Porque não temos um sumo sacerdote que não possa
compadecer-se das nossas fraquezas; porém um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem
pecado. Cheguemo-nos, pois, confiadamente ao trono da graça, para que recebamos misericórdia e
achemos graça, a fim de sermos socorridos no momento oportuno”. (Hb. 4:14-16)

F. Jesus manteve a sua humanidade depois da ressurreição: Ele acalmou o medo e


as dúvidas dos discípulos em Lucas 24:36-43, dizendo: "Eis minhas mãos e meus pés, este sou eu
mesmo. Toquem-me e vejam, pois espírito não tem carne nem ossos, como podem ver, Eu tenho!" (v.
39). Ele pediu-lhes comida e comeu peixe assado e alguns favos de mel. “Tomé colocou a mão
no corpo de Jesus e seus dedos nas mãos de Jesus” (Jo. 20:25-28). Mais tarde, em João 21:1, Jesus
tomou café com os discípulos no mar de Tiberíades. Quando você encontrá-lo face a face,
Ele terá cicatrizes reais, experiências reais, e emoções reais para compartilhar com você.

G. A identificação do Filho Eterno como o Jesus Humano é completa, pessoal e


permanente. A humanidade de Jesus não é visionária ou irreal; é genuína e completa. I João
estabelece enfaticamente a humanidade de Jesus e desafia todas as noções docéticas.
Docetismo expressa a idéia de que tudo que é físico é intrinsicamente mal e portanto Jesus
não poderia ser humano, ter um corpo físico. Seu corpo era uma ilusão. João diz “não” para
este ponto de vista e declara que qualquer pessoa que diz que Jesus não veio em carne tem o
espírito do Anticristo. Jesus veio como homem. Os discípuloso viram. Eles o ouviram. Eles
o tocaram e quando a sua hora chegou, João presenciou Jesus dando sua vida na cruz em
expiação pelo pecado.

“O que era desde o princípio, o que temos ouvido, o que temos visto com os nossos próprios
olhos, o que contemplamos, e as nossas mãos apalparam, com respeito ao Verbo da vida (e a vida
se manifestou, e nós a temos visto, e dela damos testemunho, e vo-la anunciamos, a vida eterna, a
qual estava com o Pai e nos foi manifestada), o que temos visto e ouvido anunciamos também a vós
outros, para que vós, igualmente, mantenhais comunhão conosco. Ora, a nossa comunhão é com o
Pai e com seu Filho, Jesus Cristo. Estas coisas, pois, vos escrevemos para que a nossa alegria seja
completa.” (I João 1:1-4).

112
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

III – A GLÓRIA DO CORPO HUMANO

“Amado, desejo que te vá bem em todas as coisas, e que tenhas saúde, assim como bem vai a
tua alma”. (III Jo. 2)

A. A encarnação do Filho de Deus na pessoa de Jesus, nos ajudou a descobrir a glória


do corpo humano. Nós podemos de boa vontade crer que Deus deseja salvar nossas almas,
entretanto, nós somos lentos para crer que o Senhor se preocupa com nossa existência física.
O Evangelho da salvação eterna é uma doutrina tanto física como uma doutrina espiritual,
e a Bíblia é clara que nossa salvação somente será completa quando nós recebermos nossos
corpos glorificados e ressurretos.

B. As “boas novas” são completas apenas quando nós entendemos o quadro da


glória do corpo humano e do nosso destino eterno diante de Deus. Deus nos criou a sua
imagem, nós somos uma criatura designada para a comunhão com Ele. Está é uma verdade
surpreendente que poucos consideram. Deus criou nosso quadro físico com habilidade para
conter a grandeza da sua santa presença. O Deus vivo soprou em Adão, que, em seguida,
tornou-se uma alma vivente (Gn. 2:7). Deus falou e o resto da criação veio a existência, mas
Adão e Eva, Ele formou com seus próprias mãos e soprou vida dentro das suas narinas (Gn.
1:26, 2:7)

C. Embora a Bíblia afirme que nós somos feitos belos, muitos de nós gastam nossas
vidas pensando em como nossa aparência física é ruim, ou pelo menos como poderíamos
melhorar, mas o fato é que Jesus ama nossos corpos. Embora nos desejemos ter o cabelo da
nossa irmã ou o físico do nosso irmão, Deus ama nosso grande desenho. Se a verdade fosse
conhecida, aqueles, em nosso meio, que imaginamos e olhamos como o melhor podem ser
alguns dos mais atormentados sobre esta questão da imagem corporal.

D. Nosso quadro humano é tão glorioso que a segunda pessoa da Trindade veio
eternamente habitar em um corpo humano. A encarnação foi uma decisão para o resto da
eternidade. Jesus não se tornou na forma de um homem, morreu na cruz e então levantou
da morte e disse: “Meu Deus, obrigado porque esta pequena estação acabou!”

E. Você sabe quão nobre criatura nós somos? Somos tão nobres que a Trindade
entraria em um novo tempo, a segunda pessoa da Trindade – O Filho de Deus – assumindo
a forma humana e nunca mais voltando atrás. Neste momento um homem está assentando
a direita do Deus Pai Onipotente. Nós compreendemos isso? Jesus se juntou a humanidade
para sempre, quando o Espírito Santo cobriu Maria.

1. Jesus experimentou todas as estações da vida humana. Isaías 53:2 declarou que
“nEle não havia beleza, nem formosura”, nenhum beleza nos levaria a desejá-lo. Jesus sabe
qual é a sensação de ter uma aparência mediana.

2. Havendo crescido na empobrecida Nazaré, debaixo do domínio Romano, Jesus


soube o que é carência de alimentos. Ele pode ter sofrido a acusação de ser um filho ilegítimo,
e isso o teria feito experimentar a calúnia e ridículo. Ele conheceu todos os aspectos da
experiência humana e nos amou por completo.

3. Jesus conheceu como é sentir dor excruciante infligida em seu corpo enquanto se
perguntava onde estava seu Pai: “Meu Deus, meu Deus, porque você me desamparou?” (Mt.
27:46). Todas ocasiões de um homem foram conhecidas por Ele, e a grande nova do
113
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

Evangelho é que Jesus veio redimir todas estas estações, desde a concepção, até a morte e a
ressurreição. Porque Ele conhece e conquistou todas as estações, nós agora temos a promessa
que suas temporadas se tornarão nossas, se confiarmos nEle.

F. Contemplar a humanidade de Jesus nos capacita a compreender corretamente a


glória de nossos corpos humanos.

1. Jesus nasceu com um corpo humano físico.

2. Jesus, como um humano, exibiu a completa revelação da humanidade para o Pai.


Como Jesus foi, assim somos feitos para ser.

3. Jesus morreu por nós em nosso lugar, e a expiação, para os corpos humanos, foi
feita em um corpo humano sem pecado. Morrendo para que nós pudéssemos viver, Jesus
tornou-se uma maldição, para que fôssemos abençoados. Em sua carne Jesus nos redimiu,
apaziguando a ira de Deus e nos reconciliando com o Pai.

“Porque aprouve a Deus que nele habitasse toda a plenitude, e por Ele reconciliasse todas as
coisas para si mesmo, por ele, as coisas na terra ou as coisas no céu, tendo feito paz através do seu
sangue na cruz”. (Cl. 1:19-22)

4. Jesus foi ressuscitado em um corpo humano. Cristandade afirma que a


ressurreição não foi uma mera ressurreição espiritual nos corações dos discípulos. Jesus, em
tempo e espaço real, levantou-se da morte com um corpo físico e apareceu em carne para
milhares de pessoas (Lc. 24:36-46).

5. Jesus sentou a direita de Deus em um corpo humano glorificado. Ele passou


através das nuvens e ascendeu para a direita da mão do Pai. Como o Deus-homem, Cristo
está agora no Santo dos Santos. Ele está sentado na direita do Pai, onde o Filho de Deus,
um corpo humano, intercede para Deus, o Pai, por nós, para sermos preenchidos com Deus,
o Santo Espírito e para amadurecermos em justiça (Ef. 4:10).

6. Jesus irá retornar para a Terra em seu corpo humano ressurreto. (At. 1:9-11)

7. Jesus irá ressuscitar todos nossos corpos humanos quando Ele retornar e julgar
toda humanidade. Paulo disse que a ressurreição era mais do que apenas uma ocorrência
histórica. Foi também um evento escatológico, o primeiro fruto de uma transição na
experiência humana. Assim como Cristo foi ressuscitado da morte, então, também, nós
seremos ressuscitados da morte quando Ele aparecer (Jo. 5: 24-29, At. 17:31).

8. Jesus irá governar em Jerusalém como o Deus-homem para sempre. Como o Rei
dos reis, governando em um corpo humano, Jesus irá destruir todos os trabalhos do diabo e
o poder da morte (Dn. 7:13-14, Is.9:6-7, 11:1-4, Ap. 1:5-7, 11:15).

IV – O ÓDIO DE SATANÁS POR CORPOS HUMANOS

A. O destino final da humanidade é a razão para o ódio de Satanás. Este é o porquê


a ponta da seta no ataque diz respeito à nossa carne, e não apenas aos nossos caminhos
carnais. Por que Ele odeia nossos corpos? Porque, no retorno de Jesus, acreditamos que os
corpos humanos irão ressuscitar e juntar-se com Cristo e seus anjos, para triunfar sobre
Satanás e lançá-lo no abismo e no lago de fogo para sempre.

114
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

B. A promessa da Bíblia é que um humano irá esmagar Satanás debaixo dos seus pés
(Rm. 16:20). Ele irá queimar no lago de fogo eternamente, homens irão governar e reinar
com Cristo por toda eternidade. Nenhum demônio irá receber redenção, mas toda a multidão
dos homens irá entrar no destino para o qual foram criados no dia do retorno de Jesus.

C. O ódio de Satanás o movimenta para rebaixar, atormentar, oprimir e matar corpos


humanos. Ele trabalha para perverter o propósito de Deus para o funcionamento dos nosso
corpos. Este ódio extremo motiva o seu prazer em trazer doença, a dívida, fome e guerra. O
Diabo unicamente procura causar perdas em massa de vidas através da falta de comida e da
agitação civil.

D. Satanás tem prazer em levar as pessoas a perder a sua dignidade com imoralidade
sexual, sabendo que traz prejuízos para seus próprios corpos (I Co. 6:18). Para os demônios,
a luxúria é sobre degradar e prejudicar corpos humanos.

E. A revelação extrema do ódio de Satanás pela humanidade nos ajuda a


compreender o que acontece depois dos cristãos sucumbirem à tentação. Se os demônios
estivessem apenas interessados no fator luxúria, eles estariam incentivando-nos a cometer
imediatamente o pecado da luxúria, e novamente. No entanto, após o ato imoral, a
influência demoníaca se transforma em vergonha, auto-ódio e depressão. Vozes demoníacas
começam sussurrar: “Você não é nada. Você perdeu sua dignidade, e o que você fizer a partir de agora
não importa. Você está usado e ninguém vai desejar você depois disso”.

F. O corpo de um cristão é o Templo do Espírito Santo, e, como tal, nossos corpos


são o objeto do ódio demoníaco. O Espírito Santo se movimenta através das nossas mãos,
palavras e olhos. Como o Templo do Deus vivo, nós somos o ponto de conexão entre o céu
e a terra. Quando nosso corpo está em linha com a dignidade, nobreza e glória para os quais
Deus nos criou, nós formamos uma gloriosa conexão entre o céu e a terra, que Deus pode
usar.

G. A Escritura nos conta que Deus fez maravilhas extraordinárias através das mãos
de Paulo. “Deus fazia milagres extraordinários por meio de Paulo, de modo que até lenços e
aventais que Paulo usava eram levados e colocados sobre os enfermos...” (At. 19:11-12). Paulo
trabalhou arduamente na fabricação de tendas e redes, e esses lenços e aventais tinham o
suor da testa do apóstolo, enquanto trabalhava. Então, depois do contato com o corpo de
Paulo, eles foram trazidos para curar os doentes e libertar os demonizados. Quando o
contato era feito, a doença deixava as pessoas e os espíritos malignos partiam.

H. Imagine que nosso corpo é tão glorioso, que sua sombra pode transmitir o poder
de Deus! Isto foi verdade sobre Pedro. Quando ele andava, se a sua sombra passasse sobre
os doentes, eles eram curados. Isto foi declarado sobre a glória do corpo físico de Pedro.
Quando a sombra dos seus pequenos dedos passava sobre a doença ou a opressão, havia cura
e libertação instantânea (At. 5: 15-16).

V – TORMENTOS DEMONÍACOS ATRAVÉS DO AUTO-ÓDIO

A. Satanás trabalha para trazer os humanos em cativeiro através do ódio a si


mesmos, levando-os a concordar com suas mentiras sobre o seu pecado, traumas e
inseguranças.

B. Pessoas vão a Igreja para ouvir a Palavra ou para receber uma oração de 10 a 30
minutos pela cura de sua doença, mas enquanto isso, elas continuam gastando milhares de
horas olhando em seus espelhos, concordando com mentiras demoníacas. Assim, eles se

115
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

curvam diante dessas mentiras demoníacas e amaldiçoam seus corpos feitos à imagem de
Deus. Poucas pessoas percebem que muitos altares aos demônios são construídos por meio
de acordos com as mentiras de Satanás.

C. Demônios atormentam através do auto-ódio. Que coisas estão sussurrando em


seus ouvidos em frente ao seu espelho? “Isto é muito grande, isto é muito pequeno, esta é a forma
errada, seu marido nunca irá gostar disso, e sua esposa nunca aceitará isso”. Estes pensamentos
pavimentam o caminho para o auto-ódio, produzindo medo do que os outros pensam e do
que o seu futuro esposo ou esposa irá pensar sobre isso. Como um resultado, demônios
inspiram medo e tormento em conjunto.

D. Às vezes, participando de um culto e recebendo oração, nós podemos


experimentar alívio por algumas horas. O demônio se rende por um momento, somente para
retornar mais tarde, quando nós olharmos no espelho, e de novo nos entretermos com suas
mentiras.

E. Falhas morais do passado alimentam auto-ódio e levam à vergonha, causando


repetição de comportamentos pecaminosos. Quando uma pessoa tem quinze anos de idade,
muito mais mentiras demoníacas entram em acordo com ela sobre seu corpo, porque
ninguém lhes disse ainda, o quão gloriosa ela é diante do trono de Deus. Quando isso
acontecer e essa realidade tocar seu interior, ela explodirá em seu primeiro amor. Mas
enquanto isso não acontece, com a perda da dignidade, o assalto demoníaco se intensifica
no espelho, conservando-a debaixo do medo, da condenação e da vergonha. Os sussurros
demoníacos são: “Então você pode muito bem fazê-lo novamente. Você já fez isso, de qualquer
maneira já está comprometido". Acusação acompanhada de vergonha mantém as pessoas em
escravidão.

F. Nós não precisamos ser vítimas das mentiras demoníacas. Cristo veio para
destruir o trabalho de Satanás (I Jo. 3:8) Em Cristo você pode ter sua dignidade de volta.
Nenhum homem ou mulher tem o direito de tomar qualquer coisa de você, porque você é
um filho de Deus, feito a sua imagem. Não há necessidade de apenas se contentar com
qualquer coisa. Se alguém não gosta de você do jeito que você é, que ele ou ela sigam em
frente. Você tem um chamado superior. Escolha a sua dignidade de volta, porque Deus fez
de você uma nova criatura. Você é seu filho precioso, radiante e belo em sua presença!

VI - UM FUTURO GLORIOSO

A. Alguns tem estado em frente do espelho para escutar as mentiras do diabo por um
longo tempo. Cristo veio para destruir o trabalho do diabo (I Jo.3:8), incluindo o inimigo,
que mente sobre você. Jesus disse: “Você conhecerá toda a verdade, e a verdade te libertará” (Jo.
8:32). A verdade é que você é admiravelmente e maravilhosamente feito na completa
imagem de Deus. E em Cristo você é uma nova criatura. As coisas velhas já passaram e um
caminho novo tem chegado.

B. Este é o tempo para resistir mentiras demoníacas e começar a entrar em acordo


com a verdade da Palavra de Deus, verdades essas, concernentes aos seus corpos. É tempo
de permitir ao Espírito Santo trazer libertação do auto-ódio, do desespero, da rejeição, da
culpa e da condenação.

C. Ainda existem muitas coisas que todos nós gostaríamos de mudar sobre nossos
corpos, mas nós temos a promessa de um grande avanço no tempo por vir, quando a
ressurreição e glorificação dos nossos corpos irá revelar a beleza e o poder de Deus. Até
aquele dia, devemos nos posicionar contra essas mentiras induzidas por demônios e adorar

116
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

a Deus sem querer saber o que os outros estão pensando. Nenhum, exceto Deus, tem o
direito para ditar seus sentimentos e pensamentos, e Ele declara que você foi admiravelmente
e maravilhosamente feito (Sl. 139:14). Você é a noiva de Cristo e será unida ao Rei do
Universo em luz e amor.

VII – DESCOBRINDO A GLÓRIA DO SEU CORPO HUMANO

A. A chave para o livramento de uma auto-imagem danificada é contemplar a


encarnação de Jesus Cristo e perceber a glória dos nossos corpos humanos. Nós devemos
perceber que Deus nos chamou para sermos a sua imagem e semelhança.

B. Devemos caminhar para a restauração da dignidade, que se encontra em Cristo.


Deus não tem nos chamado para pureza apenas nos fazendo dizer não às coisas. Ele deseja
que nossos corpos sejam cheios de luz, poder e amor. Nós podemos conhecer a alegria de
deitar nossas cabeças no travesseiro a noite, com uma consciência e um amor sem culpa.
Todos nós somos limpos porque fomos lavados no sangue do Cordeiro, nós somos
preenchidos com dignidade para poder governar e reinar com Ele para sempre, em amor.

C. Devemos nos relacionar de forma correta uns com os outros. Sendo assim,
endireite agora se você está em um relacionamento romântico que está causando grande
tropeço e grande vergonha. Sinta-se encorajado a não se contentar com menos do que a
alegria e a beleza que Deus pode proporcionar a você. Venha para o alto. Abandone o medo
de que você vai perder, se você disser não ao pecado. Mantenha o melhor de Deus. Ele tem
muito mais para aquele que confia e acredita nEle e no seu plano perfeito para suas vidas.

D. Nós deveríamos saber que Deus tem prazer em nós. Durante o mover do Espírito,
você deve começar a resistir as mentiras demoníacas, renunciar o auto-ódio em seus corações
e parar com esse comportamento autodestrutivo. Você pode iniciar um pacto em seu coração
diante de Deus para pensar e falar outras coisas quando as mentiras do diabo vierem
sussurrar em seus ouvidos diante do espelho. Você pode se determinar a acreditar no que
Deus tem escrito em sua Palavra. Deus disse em Isaías 62:1-5 que Ele nos chama de “Hefzibá”
que significa “o meu prazer está nela” e “Beulah” que significa “O Senhor está casado com você”.
A Palavra é a verdade de Deus!

E. Nós necessitamos uma nova consciência de que um casamento está chegando. O


Pai do Universo determinou que o grande presente que Ele dará ao seu Filho é você. Você
foi feito a sua imagem e desposará o Filho de Deus. Deixe a presença, o poder de Cristo e
sua Palavra lavarem seu interior. Ele tem prazer em você, porque você é a noiva dEle (I Co.
6: 12-20).

F. Não se contente com nada menor do que a sua herança em Deus. Nós
necessitamos a revelação de quão gloriosos nossos corpos humanos são no plano de Deus.
Nós deveríamos prometer que não iremos mais dizer uma única coisa negativa sobre os
nossos corpos. Todo tempo que estamos em frente ao espelho nós precisamos falar a verdade
de Deus. Que nossas palavras sejam: “Eu sou fui feito de forma extraordinária e bela! Deus ama
meu corpo humano e tem um bom futuro para mim. Eu me determino, pela fé, para caminhar na
dignidade para a qual eu fui feito em sua imagem. Eu vou ser a maravilhosa esposa ou o lindo marido
de alguém. Eu não desejo mais caminhar em medo e condenação, não me contentando com nada menos
do que a herança completa de Deus em minha vida. Eu sou “Hefzibá”, o único em quem Deus tem
prazer! Eu sou “Beulah”, a única com quem Ele vai ser casar!”

117
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

LIÇÃO DEZ
O ZELO DO SENHOR DOS EXÉRCITOS

I- INTRODUÇÃO: O ZELO DO SENHOR DOS EXÉRCITOS

A. O que poderia mover Deus para que Ele se tornasse um homem? Seu zelo - a
natureza ciumenta de Deus e o coração impetuoso de Deus o moveram para se tornar carne.
A palavra hebraica para zelo é “qinah”, que é associada a aliança, amor e fogo. O qinah de
Deus é a paixão que Ele dirige contra todo inimigo interno e externo do amor e contra tudo
que tentar impedir o verdadeiro amor.

B. O estudo do zelo do Senhor nos capacita a ver o Senhor Jesus corretamente. É


típico vermos o Pai e o Filho como um ser distante e que não se envolve, sem preocupação
com os pequenos detalhes e as emoções das nossas pequenas e insignificantes vidas, no dia
a dia. Deus é visto como sábio, porém afastado. Parece que Ele governa o cosmos com
facilidade, porém é contido para qualquer íntima conexão real. Deus é visto como o sensato
e sábio Juiz que é alienado e sem emoção para com a Sua criação. Esta é perspectiva errada,
mas então como Ele realmente é?

C. Consideramos a encarnação anteriormente e a partir dela iremos examinar a


motivação de Deus tornando-se um homem. Isto foi seu zelo – sua natureza ciumenta, seu
coração em fogo, amando o ser humano.

D. Deus tem emoções, mas não é emocionalmente independente. Os profetas


declararam “o peso da palavra do Senhor” para Israel. Este peso não era apenas sobre um
Juiz revelando Suas palavras para os profetas a distância, com uma apresentação meramente
baseada em fatos. Não, os profetas receberam o peso (carga) do Senhor. Suas palavras foram
carregadas com as emoções de Deus, com a agitação, compaixão e ira divina. Uma das mais
fascinantes sentenças na Bíblia está em Isaías 16:11, onde Deus falou com Moabe através de
Isaías: “Toda a minha compaixão vibra dentro de mim por Moabe”. Em Ezequiel 33:11, Deus
rogou a Israel, “Voltem, voltem de seus maus caminhos! Por que vocês deveriam morrer, ó casa de
Israel?” Deus é resoluto em remover tudo que atrapalha o amor.

Com o profeta, nós temos notado, Deus não se revela em uma


abstrata absolutividade, mas em uma pessoal e íntima relação para
com o mundo. Ele não comanda simplesmente e espera por
obediência; Ele é também movido e afetado pelo que acontece no
mundo e reage de acordo com o que acontece. Eventos e ações
humanas despertam nele alegria ou tristeza, prazer ou ira. Ele não
concebe julgar o mundo de uma maneira isolada. Ele reage de uma
maneira íntima e subjetiva e portanto, determina o valor dos
eventos. É óbvio na visão bíblica que as obras dos homens podem
movê-lo, afetá-lo, afligi-lo ou por um outro lado, alegrar e agradá-
lo. Esta noção de que Deus pode ser intimamente afetado e de que
Ele possui não somente inteligência e vontade, mas também pathos,
basicamente define a consciência profética de Deus... Pathos não dá
uma idéia de bondade, mas de um cuidado vivo; não um exemplo
118
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

imutável, mas um desafio que sai para fora, uma relação dinâmica
entre Deus e o homem; não apenas sentimento ou afeição passiva,
mas um ato ou atitude composta de vários elementos espirituais;
não uma mera pesquisa contemplativa do mundo mas uma
convocação apaixonada. (Abraham J. Heschel, The Prophets, 288)

E. Dentro do coração humano há uma acusação latente contra Deus: a crença de


que Ele não deseja cuidar de nossas vidas ou pelo menos que está atrasado em sua
sensibilidade... Esta acusação sutil impacta grandemente a nossa vida de oração e resulta em
orações anêmicas. Colocamos mais fé na potencialidade da nossa cultura, do que na
potencialidade da paixão ardente de Deus para vir e fazer com que as coisas erradas da nossa
vida se tornem certas. Falhamos, pois deixamos de lançar mão de algo que está lutando em
nosso favor: a grande compaixão de Deus em direção a nós. Se não entendermos seu zelo
por nós poderemos oferecer palavras, mas a fé para preencher a oração estará ausente. Então,
tudo que poderemos dizer serão palavras fracas, que expressarão nosso desesperado desejo
para que Deus nos ouça, ao invés de orações que toquem o coração zeloso de Deus e o
chamem para que Ele venha e faça o que Ele ama fazer.

F. Existem momentos onde nos sentimos fracos e limitados, mas nesse lugar, Deus
vem com sua voz de trovão e nos faz lembrar quem Ele é... Você sabe quantas culturas Deus
já reduziu a nada em um só momento? Ele derruba reis e levanta reis, culturas não são
problema para Ele! Você sabe o que a sua Palavra faz? Ela é como um martelo que quebra a
rocha e como um fogo que queima a palha... Olhemos para Jerusalém, eles mataram Jesus,
o Filho de Deus e 50 dias depois o seu poder rompeu naquele lugar e começou a abalar as
estruturas da cidade. Eles não puderam parar o mover e o poder de Deus. O que aconteceu
em Samaria, Antioquia, Éfeso? Indústrias de ídolos fecharam suas portas, economias inteiras
tremeram diante da Palavra do Senhor. Será que a maçonaria é tão forte ou o ocultismo ou
qualquer outra religião que se levanta contra o conhecimento de Deus? Olhe para a história
da Igreja na terra, quantos avivamentos, quantos milagres, quanto impacto sua Palavra já
causou e continua causando... Nada, nem ninguém pode conter o poder e o zelo do Senhor
dos Exércitos quando Ele se manifesta!

G. Quando começamos a olhar para a Encarnação através das lentes da paixão de


Deus, a química da nossa emoção é alterada, fé nasce e a nossa oração se torna mais intensa.
Poder entra no nosso homem interior e começamos a orar de um lugar de força, onde a força
de Deus e a nossa fé se juntam. Precisamos pedir perdão a Deus pela nossa descrença e por
nossas latentes acusações em relação a sua atividade em nossas vidas, a não ser que
acreditemos que a nossa cultura é mais forte que o zelo do Senhor dos Exércitos.

H. Necessitamos de entendimento do que aconteceu no dia em que Deus se tornou


um homem. Precisamos de revelação sobre qual poder foi liberado na Terra, quando Jesus
estava sendo batizado no rio Jordão e o Espírito sem medida pousou sobre Ele. Em Cristo,
o zelo do Senhor dos Exércitos foi liberado no campo da humanidade. Precisamos de um
vislumbre do que estava acontecendo em Cristo e o que está acontecendo em nós pela
habitação do Espírito Santo.

II - O DEUS ARDENTE DO SINAI

119
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

A. Deus estabeleceu a sua aliança de amor com Israel, no Monte Sinai. Ele
aproximou-se de Israel com tremendo e maravilhoso poder, mas só depois a nação se
consagrou em aliança. O Senhor desceu em fogo sobre a montanha, com desejo que
queimava por uma santa aliança de casamento. No Sinai, Ele separou um povo para Si
mesmo, um povo de justiça, um povo de adoração, para o louvor da sua glória na terra.
Êxodo 20 descreve como o Senhor deu a Israel os Dez Mandamentos e avisou-os de seu
zeloso amor. Nos versículos 4 a 6, ordenou-lhes que se abstivessem da idolatria e de se curvar
aos ídolos. Ele justificou esse comando pelo seu coração ardente de amor: "Porque eu, o
Senhor, teu Deus, sou Deus zeloso" (Ex. 20:5).

Se alguém caísse em adultério, Ele viria com zelo e puniria a iniquidade daquela
geração até a sua quarta geração. No entanto, para aqueles que fossem fiéis no amor, Ele iria
mostrar misericórdia e amor até suas milhares de gerações posteriores. Quando Deus
estabeleceu a lei, ele revelou seu coração de noivo apaixonado, que arde com ciúmes pelos
objetos de suas afeições.

B. Anotações do estudo da Bíblia NVI em Êxodo 20:5: Deus é ciumento. Deus não
vai colocar-se em situações de rivalidade ou infidelidade. Seu ciúme de Israel assumiu um
relacionamento de aliança (análogo ao do casamento) e o direito exclusivo para possuir
Israel e reivindicar o seu amor e fidelidade. Na verdade, o ciúme faz parte do vocabulário do
amor.

1. O "ciúme" de Deus:

1) Exige exclusiva devoção a Ele (cf. Ex. 34:4, Dt. 4:24;32:16,21; Js. 24:19, Sl. 78:58,
I Co. 10:22, Tg. 4:5)

2) Libera julgamento a todos os que se opõem a Ele (cf. Dt. 29:20, I Rs. 14:22, Sl. 79:5,
Is. 42:13, 59:17, 5:13 Ez. 16:38; 23:25, 36:5; Nm. 1:2; Sf. 1:8, 3:8)

3) Justifica Seu Povo (II Rs. 19:31, Is. 9:7; 26:11, Ez. 39:25, Jl. 2:18; Zc. 1:14, 8:2).
Esta aliança não é facilmente desfeita, na verdade, ela nunca é desfeita. Ele sempre terá esta
aliança com seu povo.

C. Mais tarde, no Sinai, Deus revelou sua glória a Moisés, declarando o seu nome
em Êxodo 34:6: "O Senhor, o Senhor Deus, misericordioso e piedoso, sofredor e abundante em
bondade e verdade”.
Então o Senhor renovou a aliança com Moisés e o avisou de sua afeição irrestrita, em
relação a Israel. Ele não iria compartilhar os afetos de Israel com qualquer outro, porque seu
nome é zeloso.

"Pois você não deve adorar outro Deus, porque o Senhor, cujo nome é zeloso, é de fato Deus
zeloso." (Ex. 34:14)

120
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

D. Muitas vezes na Lei, a palavra "ciúme / zelo" é usado para descrever a inveja
absoluta de um marido quando ele suspeita de infidelidade em sua mulher (ver Números 5,
sobre a oferta de ciúme. Deus estabeleceu uma oferta inteira, dedicada a proteger as mulheres
dos maridos que tinham ciúmes). Na verdade, Provérbios 6:34 avisa para o jovem não
cometer adultério com a esposa de outro homem:

"Quem comete adultério com uma mulher tem falta de entendimento, e quem faz isso destrói a
sua própria alma. Ferimentos e desonra que ele terá, e seu opróbrio não será levado embora. Pois
o ciúme é a fúria de um marido, por isso ele não vai poupar o dia da vingança. Ele não aceitará
nenhuma recompensa, nem será apaziguado mesmo que você dê muitos presentes.”

E. O nome de Deus é Zeloso. Ele é um marido ciumento e em sua paixão


desenfreada, Ele reclama o direito exclusivo, em relação aos corações dos que Ele ama. Seu
zelo se move como uma testemunha veloz, contra tudo que impede o amor divino. Este amor
se move contra o pecado que existe dentro. Este amor lutou contra a opressão e a perseguição
dos inimigos de Israel que impediam a adoração deles. Ele não permitirá que seu amor seja
desprezado. Seu amor não é domável, não é facilmente espezinhado e não pode ser ignorado.
"Se alguém não ama o Senhor Jesus Cristo, seja anátema" (I Co. 16:22). Ser indiferente ou ignorá-
lo é cometer o pior crime contra Deus.

F. No final de sua vida, Moisés lembrou-os novamente da aliança (Dt. 4:24) e voltou
a enfatizar o coração ardente de Deus contra a idolatria: "Porque o Senhor vosso Deus é um fogo
consumidor, um Deus zeloso". Se não fosse por esse amor nós não teríamos qualquer esperança.

G. Em sua velhice, Josué despediu-se do povo e renovou a aliança entre eles e o


Senhor. Dando ao povo a responsabilidade de servir ao Senhor. Josué disse-lhes que o
Senhor era santo e ciumento e que se eles pecassem contra Ele, Ele traria desgraça a eles.
Santidade e ciúme andam juntos (Js. 24:19-20).

III - O DEUS ARDENTE DOS PROFETAS

Os profetas carregaram esse tema. Olharam para a frente e apontaram para trás, para
o pacto e como Israel o violou e como isso despertou Deus, tanto para julgamento como
para redenção.
O profeta não é um porta-voz, mas uma pessoa. Não um instrumento, mas um
parceiro, um companheiro de Deus. Uma análise das palavras proféticas mostra que a
experiência fundamental do profeta é uma comunhão com os sentimentos de Deus, uma
simpatia com a emoção divina, uma comunhão com a consciência divina, que vem através
da reflexão do profeta e da sua participação com o divino. A experiência emocional do
profeta se torna o ponto focal para a sua compreensão acerca de Deus. Ele não vive apenas
a sua vida pessoal, mas também a vida de Deus. O profeta ouve a voz de Deus e sente seu
coração. Ele tenta dar o pathos (emoção) da mensagem juntamente com o seu logos (lógica).
Como aquele que transfere algo da sua alma que transborda e a forma como ele fala é fora
do seu controle, não está relacionado a desejar ser duro ou simpático.

121
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

A. O zelo de Deus nos profetas Maiores: Isaías e Ezequiel

Isaías 9:7: O zelo "do Senhor Todo-Poderoso" foi declarado como a principal base
para estabelecer e defender o Reino Messiânico. O zelo de Deus estabelecerá o reinado do
Messias.

Isaías 26:11: O zelo de Deus para com o seu povo é como o de um amante ciumento.
Ele traz a sua ira ardente contra as pessoas que se recusam a viver em santidade e vivem
impiamente. A paixão ardente de Deus removerá todos os obstáculos do amor entre Ele e
Seu povo.

Isaías 37:32: O “zelo do Senhor" foi o agente realizador no campo de batalha contra
Senaqueribe, rei da Assíria. Isaías profetizou a Ezequias que a Assíria fracassaria e que o
Deus Guerreiro lutaria a favor de Israel. O anjo do Senhor matou 185 mil soldados assírios
enquanto o exército Assírio dormia, em hebraico literalmente é dito "acordaram mortos". O
amor ciumento de Deus para com o Seu povo, iria protegê-los contra a investida de todas as
forças inimigas.

Isaías 42:13: O Senhor sairá como um homem poderoso, Ele levantará seu zelo como
um Homem de guerra. Ele gritará e prevalecerá contra seus inimigos. Deus é zeloso e
ciumento para com o estabelecimento de seu Reino amoroso e justo.

Isaías 59:17: Deus mais uma vez veio como o guerreiro que envolve a si próprio em
zelo, como um manto. Seu zelo era seu amor ciumento, que se recusou a aceitar a
infidelidade de seu povo. Deus, como um amante ciumento guerreou contra os infiéis,
contando-os como seus inimigos. Foi exatamente o zelo do Senhor que trouxe juízo sobre o
seu povo, pelo seu adultério e pecado. É este mesmo zelo que traz destruição sobre as forças
inimigas. Qualquer coisa que se opõe a aliança de amor entre Deus e Seu povo, seja dentro
ou fora do campo, desperta o zelo e o ciúme de Deus e traz à tona sua ira ardente.

Isaías 63:15: Isaías intercedeu pela redenção que o Senhor prometeu. Ele apelou para
o zelo do Senhor, perguntando: "Onde está o seu zelo e seu poder?" A base para a redenção é
sempre encontrada no zelo do Senhor para trazer o povo, a quem Ele pode amar, no
esplendor da santidade. Isaías recorreu ao caráter de Deus e ao seu zelo por seu povo quando
pediu por reavivamento.

Ezequiel 5:13: Por causa do seu zelo, o Senhor prometeu que derramaria sua ira contra
o seu povo, por causa do seu amor adúltero aos ídolos. O ciúme de Deus acendeu-se contra
a idolatria. Ezequiel 5:8 diz: "Portanto, isto é o que o Senhor Deus diz: Eu mesmo sou contra você,
Jerusalém, e Eu vou infligir punição sobre você, a vista das nações. Por causa de todos os seus ídolos
detestáveis, farei para você o que nunca fiz antes e nunca mais farei novamente."
122
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

Ezequiel 8:3: Havia sido colocado no templo um ídolo, uma estátua de Astarote (deusa
cananita da fertilidade). Ezequiel chamou esta estátua de “o ídolo” que provocou o ciúme.
Este ciúme fez com que Deus ditasse um comando para que todos em Jerusalém, que
adoravam a estátua, fossem marcados como idólatras e mortos. Quando Ezequiel viu Jesus,
este era como um homem do fogo que ardia em zelo e ciúme.

Ezequiel 16:38, 42: A ira de Deus, ciumento como um marido, vem de encontro a
prostituição de sua esposa infiel, Israel. Deus, em sua ira ciumenta, usará os reais amantes
de Israel para castigá-la. Israel desprezou sua aliança de amor com o Senhor e, portanto,
trouxe sobre si mesma a ira do Deus ciumento.

Ezequiel 23:25: O ciúme de Deus contra seu povo foi evidenciado pelo ataque da
Babilônia contra Jerusalém.
Ezequiel 35:11: Deus julgou Edom por sua raiva e inveja em relação a Israel e Judá.
Por causa de seu ciúme, Deus julgou o seu povo e também julgou aqueles que oprimiam seu
povo.
Ezequiel 36:5–6: Porque Israel era desprezado pelas nações, Deus, em sua Raiva
zelosa, prometeu juízo sobre as nações opressoras.
Ezequiel 38:19: Pelo zelo e ira de Deus, Ele mostraria a sua grandeza e sua santidade
aos olhos de muitas nações, destruindo o invasor do Norte, Gog, que viria contra Israel.

B. O zelo de Deus nos profetas Menores:

Joel 2:18: Depois de um jejum santo, assembleia solene e arrependimento de Israel, o


Senhor seria zeloso (ciumento) de seu povo. Isto levaria a sua piedade e as bênçãos
manifestas de Sião.
Naum 1:2: O Senhor estava com ciúmes e tomou a vingança contra seu inimigos. Deus
esmagou a Assíria, que tinha oprimido Israel.
Sofonias 1:18: Pelo fogo do ciúme de Deus, toda a terra será consumida no Grande
Dia do Senhor. O ciúme ardente de Deus trará um fim súbito para todos os que vivem na
terra. Por esta altura, eles terão a marca da besta e adorarão a um rei demonizado.
Sofonias 3:8: A reafirmação de Sofonias 1:18: "O mundo inteiro será consumido pelo fogo
do meu ciúme”.

Zacarias 1:14: A palavra qana é usada aqui ao lado da palavra qinah para enfatizar o
amor zeloso do Senhor sobre o Seu povo. O zelo do Senhor Todo-Poderoso para Jerusalém
e Sião O levou a reivindicar Israel entre as nações. Se ele não protegesse as fronteiras do
amor, nenhum de nós o faria.

123
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

Zacarias 8:2: A palavra qana é usada de novo aqui ao lado da palavra qinah e enfatizam
o amor zeloso do Senhor sobre o Seu povo. O Senhor Todo-Poderoso é enfático a respeito
de seus ciúmes por Sião. Na verdade, Ele está queimando de ciúmes por ela, o que traz a
grande bênção para Israel.

IV – JESUS, A MANIFESTAÇÃO DO ARDENTE ZELO DE DEUS – ISAÍAS


9:6-7

E encarnação estava no coração zeloso de Deus. É notável que Ele feche o norte de
Israel, Galiléia, como o centro de sua restauração.
“Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o governo estará sobre os seus ombros;
e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai Eterno, Príncipe da Paz. Do aumento
do seu governo e da paz não haverá fim, sobre o trono de Davi e no seu reino, para o estabelecer e
o fortificar em retidão e em justiça, desde agora e para sempre; o zelo do Senhor dos exércitos fará
isso.” (Is. 9:6-7)

A. A Assíria impediu o norte de Israel de se rebelar contra ela, matando todos os


homens ou misturando diferentes grupos familiares. Por exemplo, Assíria tomou algumas
famílias e as enviou para muitas outras partes da região, em seguida, enviou outros grupos
de pessoas para o Norte de Israel, para casar com os israelitas remanescentes. Esses
casamentos tiraram a identidade da nação e a vontade de revidar contra a Assíria. Nos dias
de Jesus, os samaritanos eram observados e desprezados por seus antepassados terem se
casado e a fé deles ter se misturado. Eles faziam parte dos que foram deixados depois do
exílio do Norte.

B. Isaías, após ter profetizado sobre a iminente destruição que a Assíria traria ao
norte de Israel, profetizou sobre um dia, quando a terra destruída pela Assíria, seria o centro
de grande atividade divina. O lugar de idolatria desenfreada, opressão ao pobre, perversão
sexual e alianças profanas seriam o epicentro da maior e sem precedente atividade do Deus
Altíssimo. O Deus santo, belo e não criado, mandaria o Filho para a nação de Israel e através
deste Filho, Ele inauguraria um Reino sem paralelos e inabalável.

C. Este Filho seria a manifestação de zelo do Senhor e que estabeleceria o governo


de Deus. O Senhor dos exércitos, o soberano governante dos exércitos celestes, expressaria
um ciúmento amor em chamas através do Filho. Zelo transbordaria nas bordas do céu,
tomando a forma de carne e derrotando os inimigos do amor. Um homem seria preenchido
com o próprio fogo que desceu sobre o Monte Sinai e Ele derrotaria todos os inimigos de
Deus. João batizou com água, mas Ele batizaria com o Espírito Santo e com fogo (Mt. 3:11;
Lc. 3:16). As afeições do Noivo Rei seriam manifestas. Ele sairia marchando como um
poderoso homem de guerra e triunfaria sobre Seus inimigos.

D. Jesus, como homem, veio tomar de volta o domínio que foi roubado da
humanidade no Jardim do Éden. O que Adão perdeu, o zelo consagrado do Senhor dos
Exércitos tomaria de volta, apoiado por toda a autoridade da paixão e poder de Deus. O
massacre do antigo reino de Satanás chegou ao fim. Um ser humano, sem pecado, assumiu

124
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

novamente a autoridade. Aquele que formou os céus e a terra, Aquele que dá ordens aos
anfitriões do céu, assumiu a carne. O segundo Adão veio e virá novamente para reinar.

E. O zelo do Senhor não é um conceito abstrato. É o coração de Deus trazendo à


tona o amor e restaurando os seres humanos à sua original e legítima posição na qual foram
criados. Não é simplesmente sobre a nossa redenção, é sobre o domínio.

V – O ZELO DE DEUS MANIFESTO EM JESUS: O RENASCIMENTO


GALILEO

A. A profecia de Isaías

O profeta Isaías tinha profetizado que um dia que a Galiléia experimentaria um


avivamento sem precedentes. O profeta declarou: “O povo que andava em trevas viu uma
grande luz, e sobre os que habitavam na região da sombra da morte resplandeceu a luz” (Is.9:2).
No mesmo lugar que sofreu destruição da Assíria, a perseguição de Judá e a opressão de
Roma, Jesus liberaria a maior demonstração de poder e de salvação. A Galiléia iria
testemunhar grandes avivamentos quando Jesus proclamasse as boas novas do Reino de
Deus, cura da doença, libertação de demônios e ressurreição da morte.

B. O Renascimento Galileu

O Renascimento Galileu começou com o batismo de Jesus (Lc. 3:21-22). O zelo de


Deus se manifestou em um carpinteiro, pouco conhecido, de Nazaré.

C. Jesus demonstrou domínio do reino espiritual

1. A luta no deserto: A amarração do homem forte.

“Jesus, sendo preenchido com o Espírito Santo, retornou do Jordão e foi levado pelo Espírito
para o deserto” (Lc.4:1), onde Ele seria tentado por Satanás (Mt.4: 1-11, Mc.1: 12-13). O
Espírito levou Jesus para o deserto, onde o mais perverso ser do universo veio para tentá-lo
com todos os recursos demoníacos. O Espírito Santo finalmente tinha um homem que iria
citar a Palavra de Deus debaixo da completa unção do Espírito. Esta foi uma batalha de
proporções épicas. Nunca antes Satanás tinha ouvido um homem falar a Palavra de Deus
com tanta fé e autoridade. Depois que Jesus disse: “Dei um jeito em você, Satanás,” a Bíblia
declara que Satanás esperou por mais uma oportunidade (e três anos mais tarde tentou
novamente).

2. Retornando no poder do Espírito: Demolindo os poderes reinantes.

Depois de amarrar o homem forte, Jesus no poder do Espírito Santo retornou para
libertar os cativos.
125
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

“Então, no poder do Espírito Santo, voltou Jesus para a Galiléia, e a sua fama correu por
todas as terras em derredor”. Lc. 4:14

3. Um céu aberto.

“Jesus respondeu, e disse-lhe: "Porque eu disse a você: 'Vi-te debaixo a figueira’, você
acredita? Você vai ver coisas maiores do que estas. E Ele disse-lhe: "Em verdade, vos digo que,
daqui em diante vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do homem".
(Jo. 1: 50-51)

a. Depois de profetizar para Natanael, Jesus o abençoou com fascinação em seu


coração, dizendo-lhe ainda: "Natanael, você ainda não viu nada! Um céu aberto está chegando e
você não pode sequer imaginar o que vai acontecer. Anjos subindo e descendo sobre o Filho do Homem.
Esta é a hora em que o Reino de Deus prevalecerá na pessoa de Seu Filho."

b. Jesus se remeteu a Gênesis 28:10-17, quando Jacó estava correndo e fugindo de


seu irmão, Esaú. Depois de tê-lo enganado roubando a bênção de seu pai. Esaú jurou matar
Jacó, depois que seu pai morreu. A promessa em Gênesis 3:15 e Gênesis 22:18 estava agora
em risco, quando Jacó fugiu para salvar a sua vida. Depois que Jacó escapou, ele adormeceu
e sonhou com um céu aberto. Ele recebeu a promessa, de que um Reino viria através de sua
semente e que iria abençoar todas as nações da terra. Ele viu a "porta do céu" e uma divina
ligação, onde a atividade do Céu estava conectada com o governante da Terra. Agentes
divinos, chamados anjos, trabalhavam para assegurar que o governo de Deus seria
estabelecido através da linhagem prometida, na terra prometida e entre as nações da terra.
Jacó viu a "Casa de Deus". Ele contemplou o próprio trono de Deus, da "escada" que
conectava este Trono com a Terra.

c. Jacó teve um encontro com o divino, onde Deus lhe garantiu assistência divina,
na realização das promessas feitas a seu pai Isaque e a seu avô Abraão. "Céu aberto" não é
uma expressão figurativa que Jesus usou, Ele estava descrevendo a peça central de Deus e
seus propósitos redentores: unir o Céu e a Terra. Natanael foi tão facilmente fascinado por
essa palavra de conhecimento, mas Jesus declarou: "Você não viu nada ainda. Espere até você
ver o ápice da história da redenção, quando todas as coisas no céu e na terra serão trazidas juntas no
Deus-homem. Aguarde até que o Rei dos reis, apoiado pelos recursos do Céu, trará uma hora sem
precedentes, onde Deus reinará sobre todas as nações. Todas as esferas da vida serão colocadas sob a
influência de um Rei que governará com a mão direita da sua Majestade, e terá todos os recursos
celestiais à sua disposição."

d. Apesar de todo o mundo atual estar sob a influência do maligno, o prometido


Reino de Deus virá. Na pessoa de Jesus, o Reino será estabelecido e plenamente realizado.
É por isso que Jesus descreve a si mesmo como a escada em João 1:51. Jesus é o Mediador
dessa União. Ele é o único que irá inaugurar uma nova era no Reino, o início de um dia
glorioso, que será as primícias de um reinado mais completo no Milênio. O Rei veio em
carne. O divino Filho do Homem é a escada. Ele é o único trazendo a atividade de Deus
para derrubar o reino das trevas, com o próprio dedo de Deus. Ele progressivamente levará
isso a efeito, de maneira parcial, substancial e suprema.
126
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

1. Fase 1: Parcial (boa) – Essa fase ocorre agora, principalmente nos corações
do seu povo (da Cruz, até a Segunda Vinda). Jesus é o príncipe dos reis da
terra agora, mas não manifesta a sua liderança abertamente, exceto em raras
ocasiões. Atualmente, Jesus senta-se à direita da Majestade (At. 2:33). Ele
declarará à Igreja em todo o mundo a Palavra, afirmando que o reino de
escuridão chegou ao fim e que um Rei da Casa de Davi reinará sobre todas as
coisas, julgando os vivos e os mortos.

2. Etapa 2: Substancial (melhor) - Seu governo político sobre todas as nações (o


Reino Milenar).

3. Fase 3: Última (melhor) – Seu domínio sobre a Nova Terra (depois do Reino
Milenar).

e. Mesmo antes da Era Milenar, onde Cristo se manifestar[a, no natural com a


primeira descida da Nova Jerusalém, o reavivamento será parcialmente manifesto no
natural, como um testemunho antes da vinda de Jesus a Jerusalém. A Nova Jerusalém é a
manifestação do Reino do poder de Deus, poder este que torna a oposição inútil e impotente.

f. Avivamentos históricos são estações divinas, onde Deus manifesta o seu Reino
em poder, como um testemunho para a vinda milenar de Jesus Cristo. Eles são horas divinas
em que o céu se abre e o reino da escuridão é saqueado. Nestas estações, o povo de Deus é
encorajado com a promessa profética de Gênesis 3:15: a semente da mulher esmagará a
cabeça da semente da serpente. Estas estações nos lembram de que um dia virá, onde o mal
será, em última instância e finalmente, julgado e destruído. Exemplos de revitalização estão
no êxito e nas conquistas de Davi, no reinado de Salomão, com Elias no Monte Carmelo,
com Eliseu e Ezequias (Lc. 10:17-20).

4. O Poder da Proclamação.

Jesus vem demolindo os poderes que reinam, dele é todo o domínio e o poder. Poder
emanava de Jesus, enquanto Ele pregava e ensinava. A palavra de Deus libera muitas coisas
no Espírito, ela move as coisas. É por isso que a restauração da palavra pregada é uma grande
expressão do zelo do Senhor que virá nestes dias e não virá somente nas igrejas, mas também
nas ruas, nos campos e nos estádios.
Manifestações de poder no ministério terreno de Cristo:

a. Curou um endemoninhado no sábado: Mc. 1:21-28, Lc.4:31

b. Ele expulsou muitos demônios e curou as multidões: Mt. 4:23, 12:15, 14:35-36,
15:30-31; Mc. 1:34, 3:7-12; Lc. 6:17-19

127
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

c. Libertou o endemoninhado gadareno: Mt. 8:28-34; Mc. 5:1-20 (Legião); Lc. 8:26-
37

d. Curou e libertou o endemoninhado mudo e cego: Mt. 9:32-33, 12:22


e. Curou e libertou o garoto epiléptico: Mt. 17:14-21; Mc. 9:14-29; Lc.9:37-42

f. Libertou a mulher corcunda do espírito de enfermidade: Lc 13:10

D. O Domínio de Cristo sobre doenças e enfermidades

1. O filho do homem nobre, à distância: Jo. 4: 49- 50

2. A sogra de Pedro: Mt. 8:14; Mc. 1:29-31; Lc. 4:38

3. Lepra: Mt. 8:1–4; Mc. 1:40–42; Lc. 5:12, 17:11–19 (10 leprosos)

4. Paralisia: Mt. 9:1–8; Mc. 2:1–12; Lc. 5:17–26

5. Pecados perdoados e cura (Tanque de Betesda): Jo. 5:15

6. Mão encolhida: Mt. 12:9–14; Mc. 3:1–6; Lc. 6:6–11

7. Ressuscitando os mortos:

a. O filho da viúva: (Lc. 7:11-15)


b. A filha de Jairo; a mulher com hemorragia: Mt. 9:18–26; Mc. 5:21–43; Lc. 8:40-
56
c. Lázaro: Jo. 11:38- 44
d. Cegueira: Mt. 9:27–31;16:5–12; Mc. 8:14–21,10:46– 52; Lc. 18:35–43; Jo. 9:1–41
e. O cego e o paralítico no Templo: Mt. 21:14
f. O cego de nascença: Jo. 9:1- 6

E. Domínio sobre o pecado: Ele demonstrou o poder de perdoar pecados

1. O paralítico: perdão e cura no mesmo momento: Mt. 9:1-8; Mc. 2:1–12; Lc. 5:17-
26

2. A mulher pecadora. Ele pronunciou que os seus pecados foram perdoados na


presença dos fariseus: Lc. 7:48

3. A mulher flagrada em adultério: Jo. 8:2-3, 10-11

128
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

F. Domínio sobre a natureza:

1. Jesus transformou água em vinho: Jo. 2:1-10


2. Ele liberou uma palavra, através da qual os discípulos recolheram grande número
de peixes: Lc. 5:4-6
3. Ele acalmou a tempestade: Mt. 8:23-26; Mc. 4:35-41, Lc.8: 22-24

4. Ele alimentou mais de cinco mil pessoas: Mt.14:13-21, 15:32-38; Mc 6:37-44, 8:1-
9; Lc. 9:10-17; Jo. 6:1-14

5. A Transfiguração: Mt. 17:1-9; Mc. 9:2; Lc. 9:28-29

6. A figueira amaldiçoada: Mt. 21:18-21; Mc. 11:12-14; Lc. 19:45

7. Jesus caminhou sobre as águas: Mt. 14:22-33; Mc. 6:45-51, Jo. 6:15-21

G. Domínio sobre as tradições

1. Sobre o jejum: Mc. 2:18-22; Lc. 5:33-39

2. Sobre o sábado: Mt. 12:1-8; Mc. 2:23-3:5, Lc. 6:1-5

3. Sobre as tradições e sobre o que diz respeito a lavagem das mãos: Mc. 7:1-23
(“Corbã”); Lc. 11:37-52

H. Domínio sobre a oposição

1. Em Nazaré: Jo. 8:59, 10:39, Lc. 4:28-30

Houve um grupo de pessoas que tentou matar Jesus, mas Ele de alguma forma passou
pelo meio deles. Jesus estava sempre passando pelo meio dos seus adversários sem que eles
fossem capazes de prendê-lo.

2. Jesus curou no sábado: Lc. 11:14-23

3. Ele foi questionado sobre o imposto do templo: Mt. 17:24-27

4. Ele curou o cego de nascença: Jo. 9:1-12

5. As crianças o adoraram no templo: Mt. 21:15-16

129
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

6. A autoridade de Jesus foi questionada: Mt. 21:23-27

7. Ele foi questionado sobre o pagamento de impostos a César: Mt. 22:17-22

8. Jesus encerrou com os questionamentos: Mt. 22:34, 23:39

Assim a vida de Jesus Cristo na terra expressou toda a autoridade e domínio que
pertencem a Deus. Ele demonstrou o zelo do Senhor dos Exércitos em suas palavras e ações,
se moveu com sabedoria deixando todos depois dele perplexos! Jesus envolveu-se com o ser
humano a ponto de não haver dúvidas sobre o quanto Ele os valorizou. Jesus foi intenso em
amor e em demonstrar suas emoções, todos os que o cercavam podiam saber o que Ele estava
pensando e sentindo, podiam sentir-se amados e confrontados em seu estilo de vida,
desafiados a algo maior e melhor! A vida de Cristo apontou para o zelo e para a paixão de
Deus, assim como toda a Palavra e os profetas.

130
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

LIÇÃO ONZE
O DOCE AROMA DA MANSIDÃO

I - INTRODUÇÃO
A. Davi testemunhou o coração manso e suave de Deus, depois de ter sido liberto da
mão de todos os seus inimigos. Não mais um menino pastor, mas um rei, Davi apontou para
o segredo de seu sucesso: “Também me deste o escudo da tua salvação; a tua mão direita me
susteve, e a tua mansidão me engrandeceu ” (Sl. 18:35). Davi anunciou que Deus tinha feito
seu Reino grande por causa da sua gentileza para com ele. A força do caráter de Deus é vista
em sua grande humildade e mansidão.

“A benignidade e a verdade guardam o rei; e com benignidade sustém ele o seu trono”. (Pv.
20:28)

B. Não foi um grande empenho de Davi que lhe permitiu estabelecer um reino de
sucesso. A mansidão do Senhor foi o fator determinante na realização de Davi. Davi estava
intimamente consciente da bondade do Senhor para com Ele. Isaías 55:1- 4 declara que Davi
estava sendo dado como um testemunho para as nações, e que o Senhor faria conosco uma
aliança eterna, dando-nos as fiéis misericórdias de Davi.

C. Nesta sessão nós desejamos explorar o tema mais belo apresentado nas Escrituras
– O coração manso de Deus em Cristo Jesus, sua gentil relação com toda sua criação.

II – DEFINIÇÃO DE MANSIDÃO
A. Mansidão é poder sob controle. É a limitação do poder para a realização de uma
causa maior. Isso não deve ser confundido com fraqueza. Fraqueza é a falta de força e poder,
uma completa falta de opções. Mansidão é possuir poder, contudo decidir abster-se de usá-
lo. Jesus escolheu ser manso, focando na redenção, por amor. Mansidão também não deve
ser confundida com traços de personalidade. Uma personalidade descontraída não é igual a
mansidão. Um exemplo de mansidão versus fraqueza foi claramente visto na cena do
tribunal com Jesus e Pôncio Pilatos, pouco antes da cruz.

1. Jesus refutou a falsa suposição de Pilatos. “Disse-lhe, então, Pilatos: ‘Não me


respondes? Não sabes que tenho autoridade para te soltar, e autoridade para te crucificar?`
Respondeu-lhe Jesus: ‘Nenhuma autoridade terias sobre mim, se de cima não te fora dado”. (Jo.
19:10–11)

2. Muitas pessoas olham para Jesus e dizem que neste momento, Ele foi fraco. Não
foi assim. Jesus teve poder disponível para si próprio, muito além do que podemos imaginar,
contudo conteve-se de usá-lo. Mesmo na hora mais crucial e no momento de maior fraqueza,
Ele respondeu a revisão falsa de Pôncio Pilatos, sobre a situação, com a poderosa verdade.
Uma palavra dos lábios de Jesus, e doze legiões de anjos teriam demolido toda a cidade.
Uma palavra - somente isso seria o necessário. Manso? Sim. Fraco? Absolutamente não!

3.Jesus restringiu o seu poder para a realização de uma causa maior. Ele estava
disposto a ser censurado por causa do amor. Salmo 36:5 declara: “A tua benignidade, Senhor,
chega até os céus, e a tua fidelidade até as nuvens.” Misericórdia e mansidão descem somente
131
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

do céu e possuem o incrível poder de mudar o coração humano. Ninguém cobre fragilidade
e pecado, somente Deus. Na Terra, nós exploramos a fragilidade e capitalizamos sobre as
falhas dos outros. Em perfeição, Jesus desceu do Céu na batalha quebrada da humanidade e
se recusou a nos explorar. Ao invés disso, Ele nos cobriu com mansidão. Ele até permitiu,
pequenas criaturas, com absolutamente nenhum poder, se reunirem, carregarem um direito
de defesa própria, indiciá-lo injustamente e sentenciá-lo a morte. Mansidão foi mais longe,
ainda que pequenos, homens frágeis o pregaram na viga da cruz. Ao mesmo tempo, amor
estava cobrindo o nosso pecado e mansidão estava imobilizando o poder divino. Apenas
pense - um comando, e doze legiões de anjos o teriam libertado.

4. Mansidão começou no coração de Deus – em sua boa vontade para dar seu Filho
para causa da redenção. O Salmo 36:5 declara: “Sua graça, Oh, Senhor, está no céus.”
Graça e mansidão desceram do céu, e tem adorável poder para transformar o coração
humano.

B. O Salmo 37 nos dá uma promessa que “os mansos herdarão a Terra”. Este é um
conceito estranho na Terra, onde poder é exercido para garantir domínio. Ao citar o salmista
em seu sermão do Monte (Mt. 5:4), Jesus virou tudo de cabeça para baixo (Sl.37:7-11, Mt.5:
2,5).

C. O majestoso Deus de Gênesis 1 é também o manso e bom Pastor do Salmo 23.

O Senhor é o meu pastor; nada me faltará. Deitar-me faz em pastos verdejantes; guia-me
mansamente a águas tranquilas. Refrigera a minha alma; guia-me nas veredas da justiça por amor
do seu nome. Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum, porque tu
estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam. Preparas uma mesa perante mim na presença
dos meus inimigos; unges com óleo a minha cabeça, o meu cálice transborda. Certamente que a
bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida, e habitarei na casa do Senhor
por longos dias. (Salmo 23)

D. Mansidão não deve ser confundida com uma personalidade descontraída ou


passividade. Indiferença e passividade podem ser orgulhosas e cruéis. Algumas das coisas
mais cruéis podem ser ditas em indiferença e com uma voz suave. Mansidão não é uma
personalidade padrão. Ela é um comprometimento interno para usar a força da
personalidade de forma humilde, serva e gentil.

III – A RESISTÊNCIA DA HUMANIDADE À MANSIDÃO

A. Mansidão é uma das oito beatitudes do Sermão de Jesus no Monte e um fruto


sobrenatural do Espírito Santo. Ela é o dom mais sobrenatural dado à humanidade e,
contudo, o mais resistido dentre todos os dons celestiais. Desde o início, o pecado de orgulho
(amargura e inveja) manifestou-se em violência e opressão.

B. Em Gênesis 4, a queda da humanidade foi exibida no assassinato violento de


Abel. A violência continuou a se espalhar por toda a Terra, até que Deus decidiu inundar a
terra, porque Ele viu que a terra estava “corrompida e cheia de violência” (Gn.6:11). Imagine o
132
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

que aconteceria se uma pessoa tivesse uma vida de mil anos para perfeita violência e
maldade.

“Falou Caim com o seu irmão Abel. E, estando eles no campo, Caim se levantou contra o
seu irmão Abel, e o matou”. (Gn. 4:8)
“Viu o Senhor que era grande a maldade do homem na terra, e que toda a imaginação dos
pensamentos de seu coração era má continuamente”. (Gn 6:5)

“A terra, porém, estava corrompida diante de Deus, e cheia de violência. Viu Deus a terra,
e eis que estava corrompida; porque toda a carne havia corrompido o seu caminho sobre a
terra”. (Gn. 6:11-12)

C. Após o dilúvio, as sementes de violência permaneceram. A inclinação da


humanidade para a violência ainda estava presente, por isso Deus fez uma aliança com Noé,
para fazer lembrado seu desejo de restauração. Além disso, medo e violência foram
introduzidos entre a humanidade e o mundo animal.

“Terão medo e pavor de vós todo animal da terra, toda ave do céu, tudo o que se move sobre
a terra e todos os peixes do mar; nas vossas mãos são entregues. Tudo quanto se move e vive vos
servirá de mantimento, bem como a erva verde; tudo vos tenho dado. A carne, porém, com sua
vida, isto é, com seu sangue, não comereis. Certamente requererei o vosso sangue, o sangue das
vossas vidas; de todo animal o requererei; como também do homem, sim, da mão do irmão de cada
um requererei a vida do homem. Quem derramar sangue de homem, pelo homem terá o seu sangue
derramado; porque Deus fez o homem à sua imagem. Mas vós frutificai, e multiplicai-vos; povoai
abundantemente a terra, e multiplicai-vos nela.” (Gn. 9:2-7)

D. Violência continuou a se espalhar ao passo que cidades e tribos ganharam poder


sobre os outros. Práticas perversas não inspecionadas surgiram, acompanhadas de horríveis
atrocidades violentas. Sodoma e Gomorra foram um bom exemplo. Além disso, veja
Quedorlaomer e os reis aliados que atacaram Ló e levaram suas mulheres e posses. Nós
vemos mais exemplos de violência e perversão nas Escrituras:

1. A Palavra profética concedida ao filho de Abraão, Ismael, retrata violência. (Gn.


16:9-12)

2. O tratamento dos anjos que visitaram Sodoma mostram as práticas perversas que
se levantavam. (Gn. 14:1-4,12, 19: 4-13, Mt. 11: 23-24, Lc. 17: 28-32, Rm. 1: 18-32).

3. Em Romanos 1, Paulo descreve a descendência da humanidade em idolatria,


imoralidade e violência (Rm. 1:18, 21-26).

E. A história da humanidade, tanto do povo de Deus, quanto das nações pagãs, é


crivada de violência. As nações pagãs foram tão violentas e perversas, que Deus as chamou
para uma completa aniquilação. Conviver com estas culturas significava abraçar a
prostituição e, muitas vezes o sacrifício humano. Na verdade, Deus ficou tão furioso com a
133
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

maldade do Rei Manassés, por matar seu filho em um ritual pagão, que Ele recusou ceder
em relação ao exílio babilônico (II Rs. 21:16, 24:2-4).

1. Em Gênesis 27:41 Esaú jurou matar seu irmão, Jacó, depois que o período de luto
pela morte de seu pai tivesse acabado.

2. Os filhos de Jacó fizeram justiça com suas próprias mãos, após o estupro de sua
irmã Diná (Gn. 34: 25-29).

3. O ciúme colocou irmão contra irmão, e os irmãos de José conspiraram contra ele
para matá-lo. Somente a intervenção divina salvou a vida de José (Gn. 37: 18-24, 28).

4. Êxodo 1 descreve a transição de Israel, do favor de Israel no Egito, durante os dias


de José, à escravidão nas mãos de um novo faraó. O texto descreve o medo e o ciúme do
novo faraó e suas práticas para escravizar e assassinar as crianças de Israel (Ex. 1: 11- 17).

5. Embora Israel estivesse em cativeiro, um tempo estava vindo, onde eles iriam
aniquilar aqueles a quem Deus iria julgar. Deus disse para Abraão: “Mas a quarta geração
tornará para cá; porque a medida da injustiça dos amorreus não está ainda cheia.” (Gn. 15:16).
Depois de 400 anos de violência e sacrifícios humanos, Deus julgou as nações conforme a
promessa, dando a terra a Israel através da conquista militar.

6. Moisés e Josué advertiram Israel para não adorarem outros deuses das nações
vizinhas, nem seguirem seus maus caminhos. Israel falhou em seguir este comando e trouxe
o julgamento de Deus sobre si. Este julgamento veio em forma de invasão militar e do saque
dos seus bens através daqueles que os cercavam (Jz. 6: 1-2,6).

7. Israel iria se conformar ainda mais com as práticas das nações vizinhas violentas,
pedindo um rei a Deus, para liderá-los nas batalhas, como as outras nações vizinhas. Samuel
advertiu-os sobre a opressão que viria com um rei humano governando sua nação e liderando
seus exércitos (I Sm. 8: 10-18).

8. A maioria dos reis de Israel não seguiram os caminhos do Rei Davi, mas fizeram o
que era mau aos olhos do Senhor. O Rei Manassés praticou violência em níveis sem
precedentes, instituindo o sacrifício de crianças por toda Judá. Deus enviaria a Babilônia
para conquistar e levar Judá para o exílio, devido ao pecado brutal de Manassés (II Rs. 21:16,
24: 3-4).

IV – A TENDÊNCIA DA VIOLÊNCIA CONTINUAR HOJE

A. Fome

B. Pobreza

134
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

C. Doenças

D. Guerras

E. Aborto

F. Escravidão (incluindo tráfico humano)

G. Pornografia

H. Refugiados (imigração)

V. ANUNCIADO UM REI MANSO

A. No contexto dos esforços e da violência humana, as Escrituras profetizaram a


vinda de um Messias, um Rei que iria estabelecer o Reino de Deus em paz e em justiça em
todas as nações da Terra. Este Rei iria terminar com todo medo e com toda guerra.

B. Salomão, o rei da paz, construiu o Templo (I Cr. 22:6-10), que estabeleceu uma
temporada incomum de paz e da benção de Deus sobre Israel, durante o seu reinado. Este
reino pronunciava um Rei que viria governar em Jerusalém e trazer paz para as nações
(Is.2 :1-4, 11 :1-10, 42 :1-4). Como a rainha de Sabá solicitou o conselho de Salomão, então
as nações iriam aprender a justiça do Messias, quando a lei saísse de Jerusalém, para os
confins de toda a Terra.

Então chamou a Salomão seu filho, e lhe ordenou que edificasse uma Casa ao Senhor Deus
de Israel. E disse Davi a Salomão: “Filho meu, quanto a mim, tive em meu coração o propósito de
edificar uma casa ao nome do Senhor meu Deus. Porém, veio a mim a palavra do Senhor, dizendo:
Tu derramaste sangue em abundância, e fizeste grandes guerras; não edificarás casa ao meu nome;
porquanto muito sangue tens derramado na terra, perante mim. Eis que o filho que te nascer será
homem de repouso; porque repouso lhe hei de dar de todos os seus inimigos ao redor; portanto,
Salomão será o seu nome, e paz e descanso darei a Israel nos seus dias. Ele edificará uma casa ao
meu nome, e me será por filho, e eu lhe serei por Pai, e confirmarei o trono de seu reino sobre Israel,
para sempre.” (I Cr. 22:6-10)

C. Salmos Messiânicos – Esses salmos profetizaram sobre um Rei que viria acabar
com a violência das nações, estabelecer a justiça e a retidão, e produzir o fruto da paz sobre
a Terra.

1. Salmo 2: “Pede-me, e eu te darei os gentios por herança, e os fins da terra por tua
possessão. Tu os esmigalharás com uma vara de ferro; tu os despedaçarás como a um vaso de
oleiro”. (Sl. 2:8-9)

135
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

2. Salmo 21: “A tua mão alcançará todos os teus inimigos, a tua mão direita alcançará
aqueles que te odeiam. Tu os farás como um forno de fogo no tempo da tua ira; o Senhor os devorará
na sua indignação, e o fogo os consumirá. Seu fruto destruirás da terra, e a sua semente dentre os
filhos dos homens. Porque intentaram o mal contra ti; maquinaram um ardil, mas não
prevalecerão. Assim que tu lhes farás voltar as costas; e com tuas flechas postas nas cordas lhes
apontarás ao rosto”. (Sl. 21: 8-12)

3. Salmo 22:“Todos os limites da terra se lembrarão, e se converterão ao SENHOR; e


todas as famílias das nações adorarão perante a tua face. Porque o reino é do Senhor, e Ele domina
entre as nações. Todos os que na terra são gordos comerão e adorarão, e todos os que descem ao pó
se prostrarão perante ele; e nenhum poderá reter viva a sua alma”. (Sl. 22: 27-29)

4. Salmo 37: “Porque os malfeitores serão desarraigados; mas aqueles que esperam no
Senhor herdarão a terra. Pois ainda um pouco, e o ímpio não existirá; olharás para o seu lugar, e
não aparecerá. Mas os mansos herdarão a terra, e se deleitarão na abundância de paz”. (Sl. 37:9-
11)

5. Salmo 45: “Tu és mais formoso do que os filhos dos homens; a graça se derramou em
teus lábios; por isso Deus te abençoou para sempre. Cinge a tua espada à coxa, ó valente, com a tua
glória e a tua majestade. E neste teu esplendor cavalga prosperamente, por causa da verdade, da
mansidão e da justiça; e a tua destra te ensinará coisas terríveis. As tuas flechas são agudas no
coração dos inimigos do rei, e por elas os povos caíram debaixo de ti. O teu trono, ó Deus, é eterno
e perpétuo; o cetro do teu reino é um cetro de equidade. Tu amas a justiça e odeias a impiedade;
por isso Deus, o teu Deus, te ungiu com óleo de alegria mais do que a teus companheiros”. (Sl.
45:2-7)

6. Salmo 72: “Dominará de mar a mar, e desde o rio até às extremidades da terra.
Aqueles que habitam no deserto se inclinarão ante ele, e os seus inimigos lamberão o pó. Os reis de
Tarsis e das ilhas trarão presentes; os reis de Sabá e de Seba oferecerão dons. E todos os reis se
prostrarão perante ele; todas as nações o servirão. Porque ele livrará ao necessitado quando clamar,
como também ao aflito e ao que não tem quem o ajude. Compadecer-se-á do pobre e do aflito, e
salvará as almas dos necessitados. Libertará as suas almas do engano e da violência, e precioso será
o seu sangue aos olhos dele”. (Sl. 72:8-14)

7. Salmo 110: “Disse o Senhor ao meu Senhor: “Assenta-te à minha mão direita, até que
ponha os teus inimigos por escabelo dos teus pés.” (Sl. 110:1)

8. Salmo 118: “Todas as nações me cercaram, mas em nome do Senhor eu as


exterminei. Cercaram-me, sim, cercaram-me; mas em nome do Senhor eu as exterminei”. (Sl.
118:10-11)

“Louvar-te-ei, pois me escutas-te, e te fizeste a minha salvação. A pedra que os edificadores


rejeitaram tornou-se a cabeça da esquina. Da parte do Senhor se fez isto; maravilhoso é aos nossos
olhos. Este é o dia que fez o Senhor; regozijemo-nos, e alegremo-nos nele”. (Sl. 118:21-24)

136
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

D. Os Profetas também predisseram que um Rei manso estava vindo, que iria
instituir a paz.

1. Isaías: Em meio a uma queda e um mundo violento, vieram arautos como Isaías;
mensageiros dizendo que viria Um que traria paz à terra. Isaías falou do Servo do Senhor,
que viria como o Ungido de Deus. Ele traria a libertação de Israel e seria luz para os gentios.
Isaías 2 afirma que "Este julgará entre as nações e resolverá as disputas entre muitos povos. Ele
converterá suas espadas em arados e suas lanças em foices. Nação não levantará espada contra outra
nação, nem mais treinarão para a guerra. "Isaías 9:6 O chama de o "Príncipe da Paz".

Isaías 11 expõe nos versículos 2 e 9, indicando que o Ramo do Senhor frutificaria. O


fruto da sua justiça "será a paz, e o efeito da justiça, repouso e segurança para sempre" (Is. 32:17).
Sob seu governo, as maldições de violência descritas nos primeiros nove capítulos de Gênesis
seriam revertidas. Lutas entre animais e entre os seres humanos e animais, acabariam. A
maldição da queda seria inteiramente removida com a eliminação da violência. Isaías 16:5
declara que este trono não seria estabelecido através de coação ou força violenta, porém o
amor seria seu fundamento.

Isaías 42 descreve a mansidão da vinda do Rei Servo: "Eis o meu servo, a quem sustento,
meu escolhido, em quem tenho prazer. Porei nele o meu Espírito, e Ele trará justiça às nações Não
gritará nem clamará, nem erguerá a voz nas ruas. Não quebrará o caniço rachado, e não apagará
o pavio fumegante. Com fidelidade fará justiça." (Is. 42:1-3). Então, em grande estilo, Isaías
52:13 - 53:12 descreve a mansa humilhação do servo de Deus que sofreria afim de trazer a
redenção e estabelecer a Sua regra.

2. Miquéias: O profeta Miquéias predisse a vinda do Reino Messiânico, como um


Reino de Paz. De fato, o Messias se “fez a paz” (Mq. 5:5).

“Agora ajunta-te em tropas, ó filha de tropas; pôr-se-á cerco contra nós; ferirão com a vara
na face ao juiz de Israel. E tu, Belém Efrata, posto que pequena entre os milhares de Judá, de ti me
sairá o que governará em Israel, e cujas saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da
eternidade. Portanto os entregará até ao tempo em que a que está de parto tiver dado à luz; então
o restante de seus irmãos voltará aos filhos de Israel. E ele permanecerá, e apascentará ao povo na
força do Senhor, na excelência do nome do Senhor seu Deus; e eles permanecerão, porque agora
será engrandecido até aos fins da terra. E este será a nossa paz.” (Mq. 5:1-5)

3. Zacarias: O Ungido sofreria em mansidão, cumprindo a profecia no Salmo 37:11


“Mas os mansos herdarão a terra, e se deleitarão na abundância de paz.” Jesus reafirmou esta
profecia em Mateus 5:5 e entrou em Jerusalém como o Rei descrito em Zacarias 9, manso e
montado em um jumento.

“Alegra-te muito, ó filha de Sião; exulta, ó filha de Jerusalém; eis que o teu rei virá a ti,
justo e salvo, pobre, e montado sobre um jumento, e sobre um jumentinho, filho de jumenta. E de
Efraim destruirei os carros, e de Jerusalém os cavalos; e o arco de guerra será destruído, e ele

137
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

anunciará paz aos gentios; e o seu domínio se estenderá de mar a mar, e desde o rio até às
extremidades da terra”. (Zc. 9: 9-10)

VI - EM BUSCA DA MANSIDÃO
A. Devemos deixar esta verdade nos empurrar direto para coração humilde de Deus.
O orgulho causou a queda de anjos e dos homens, e humildade e mansidão irão restaurar
um mundo em ruínas. Somente os mansos herdarão a terra, enquanto o orgulhoso verá o
seu fim (Sl. 37: 1-11).

B. Isaías 2:11-22 descreve o Dia do Senhor como um dia de julgamento contra o


orgulho e a altivez da humanidade. Sofonias 3:12 anuncia que Deus irá remover o orgulho
do seu povo, deixando-os mansos e humildes. Devemos declarar guerra contra o orgulho em
nossos corações e lutar pela mansidão e a humildade.

“Os olhos do arrogante serão humilhados e o orgulho dos homens será abatido, somente o
Senhor será exaltado naquele dia. O Senhor dos exércitos tem um dia reservado para todos os
orgulhosos e altivos, para tudo o que é exaltado, para que eles sejam humilhados.” (Is. 2:11-12)

“Mas deixarei no meio da cidade os mansos e humildes, que se refugiarão no nome do


Senhor.” (Sf.3:12)

C. O Livro de Tiago nos informa um caminho primário para receber a graça de Deus.
Nós devemos resistir o orgulho e abraçar a humildade e a mansidão, porque Deus nos dá
graça para isso. Mansidão é o ímã que atrai o favor de Deus. Ela é o doce aroma que faz
com que Deus libere mais graça na vida de uma pessoa.

“Antes, Ele dá maior graça. Portanto diz: Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos
humildes”. (Tg. 4:6)

“Semelhantemente vós jovens, sede sujeitos aos anciãos; e sede todos sujeitos uns aos outros,
e revesti-vos de humildade, porque Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes. Humilhai-
vos, pois, debaixo da potente mão de Deus, para que a seu tempo vos exalte; Lançando sobre Ele
toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós”. (I Pe. 5:5-7)

“Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra”. (Mt. 5:5)

D. A busca da mansidão é um processo de uma vida de fé que envolve três estágios:

1. Estágio um de mansidão: tornar-se consciente da importância da mansidão para o


Reino de Deus.

138
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

2. Estágio dois de mansidão: trabalhar nossa mente para buscar a mansidão (para
valorizá-la).

3. Estágio três de mansidão: avanço (transferência) do nosso coração para possuir


mansidão (para apreciá-la).

E. Compreender e aplicar o principio da contemplação é crucial para nossos


corações experimentarem avanço em mansidão. Paulo escreveu em II Corintios 3:17-18 que
o Espírito opera dentro da alma do homem, para trazer liberdade em todas as facetas da vida.
No verso 18 Paulo nos dá um princípio chave: Transformação vem através do coração que está
adorando e olhando sobre a pessoa de Jesus. Quaisquer que sejam os olhos a contemplarem a
Cristo, o Espírito reproduz essas mesmas qualidades do coração daquele que contempla.

“Ora, o Senhor é Espírito; e onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade. Mas todos nós,
com rosto descoberto, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória
em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor”. (II Co. 3:17-18)

1. Não há nada tão humilhante quanto contemplar a mansidão de Jesus. Este atributo
fez parte de seu caráter em toda sua vida. A partir do momento em que nasceu, o Pai
contemplou sua própria humildade, na pessoa de Seu Filho. Seu amor seria demonstrado
abertamente à medida que Ele ia tornando-se cada vez menor, e cada vez mais humilde.
Qualquer um que verdadeiramente olha para o homem Jesus Cristo e a sua mansidão,
contempla um grande mistério: como alguém tão forte pôde ser tão terno à medida que se
inclinava?

2. Olhar para Jesus, purifica e santifica as áreas de orgulho e raiva no coração humano.
Produz lágrimas santas de anseio por ser como Ele e produz um desejo que purifica a alma
do trauma da violência e atrai a graça de Deus até a humildade.

VII - SETE EVIDÊNCIAS DA HUMILDADE

1. Tem um espírito ensinável: O humilde é ansioso para aprender com os outros e fácil
para corrigir. A humildade é rápida para ouvir ou para ser ensinada e é lenta para falar
ou para corrigir e instruir os outros (Tg. 1:19) . Ao contrário o orgulhoso procura falar
rapidamente ou ensinar aos outros em vez de ser rápido para ser ensinado e para ouvir
(I Co. 3:18, 8:1, Tg.1:19)

2. Reconhece suas falhas sem demora. Pessoas com falta de humildade não são rápidas
para assumir a responsabilidade por falhas pessoais e tem dificuldade de pedir perdão.
O orgulho não vê falhas pessoais, é defensivo em vez de ser rápido para reconhecer
seus próprios erros (I Tm.3:6).

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AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

3. Demonstra gratidão. Um espírito humilde é grato, percebe que está recebendo algo
melhor do que merece. O orgulhoso reclama muito, se sente maltratado e tem um
espírito amargo.

4. Valoriza os outros. A humildade tem uma profunda consciência dos outros, sendo
assim, vê o valor dos outros. Todo mundo tem uma história importante que envolve a
sua alegria, sua dor, suas faltas, presentes e compromissos. O orgulho é auto-
absorvido e distraído com muito tráfego emocional na tentativa de gerenciar muitas
das suas emoções negativas.

5. É gentil e paciente com os defeitos dos outros. A humildade não é facilmente


insultada, ofendida ou irritada. O orgulho é rapidamente exasperado com os defeitos
dos outros e facilmente ofendido e insultado. A medida da nossa raiva é a medida do
nosso orgulho despercebido.

6. Faz o bem em segredo. A humildade faz o bem em segredo, porque busca primeiro a
aprovação e o reconhecimento de Deus, em vez das pessoas (Mt. 6:1-6, 16-18). Nós,
naturalmente, chamamos a atenção para o quão dedicados, inteligentes, diligentes,
ungidos e generosos somos (com nosso dinheiro e tempo).

7. Beneficia os outros. A humildade utiliza a sua posição de influência para o benefício


dos outros em vez de tratar os outros com assédio moral e com intimidação (Fl.2:3-5)

VIII – MANSIDÃO: LIMITAÇÃO DIVINA REVELADA EM JESUS


A. Jesus, como a imagem expressa e a representação exata do Pai

Jesus é a primeira expressão completa de Deus sobre a Terra. Jesus expressou a


humildade do Pai na Terra, para que os homens pudessem vê-la. Aqui está uma verdade
muito importante: A humildade sempre esteve no Pai desde a eternidade passada, não era
uma força nova para Deus, mas uma nova revelação do Pai na Terra através de Jesus. A
maior revelação da humildade do Pai e do Filho, foi quando Cristo encarnou, se tornando
um homem para sempre e viveu nessa Terra por 33 anos, deixando de lado os seus privilégios
divinos.

Jesus sempre foi Deus, mas viveu como se fosse apenas um homem ungido. Jesus
nunca foi nada menos do que Deus, mas viveu por trinta anos, como se não fosse nada mais
do que um homem, isso é algo notável. Jesus poderia ter usado sua divindade no momento
que quisesse, mas Ele colocou-as de lado. Ele aceitou viver sob muitas restrições, para que
pudesse se qualificar como nosso Salvador e nosso perfeito sacerdote. Aquele que conhece
todas as limitações, fraquezas e tentações de um ser humano, e por isso pode interceder por
eles, diante do Pai.

Jesus sempre apresentou as profundezas da ternura de Deus para os fracos e


corrompidos seres humanos caídos. Esta ternura gera poços de amor que descendem em nós,

140
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

pois o coração humano é rapidamente penetrado por tal misericórdia. Um coração ganho
pela ternura é um coração guardado da forma mais segura, e que jamais cederá nas horas
mais sombrias.

“Desde que Cristo é a encarnação demonstrada da riqueza das


misericórdias de Deus, não é de estranhar que a sua vida na Terra
foi uma exibição luxuosa das misericórdias para todos os tipos de
pessoas. Toda necessidade ou dor foi tocada pela misericórdia de
Jesus, em seus poucos anos na terra.” (John Piper, Seeing and
Savoring Jesus, pg.92)

B. Através da revelação da identidade de Jesus, no Evangelho, nós claramente


vemos sua mansidão e humildade.

1. Como homem

Podemos contemplar a glória de Cristo, em sua infinita vontade de humilhar-se, para


ter este cargo de mediador em si mesmo, e com o propósito de unir nossa natureza à dele.
Ele não se tornou mediador por acaso. Também isto não foi imposto a Ele contra a sua
vontade. Ele humilhou-se voluntariamente a fim de fazer sua justiça de paz entre Deus, o
justo Juiz e o homem pecador. Podemos compreender em Filipenses 2:6 que que Jesus não
considerou seus privilégios divinos como algo superior, mas Ele os abandonou por uma
temporada, para que pudesse se tornar um homem.

2. Como Servo de homens e mulheres

Jesus se esvaziou da sua reputação aos olhos dos homens. Filipenses 2:7 diz que Ele
aniquilou a si mesmo. Não foi esforço para Jesus servir ou demonstrar amor, não foi esforço
para Jesus se ajoelhar e lavar os pés dos seus discípulos, porque sua identidade central está
no amor e na humildade. Tudo isso é chocante aos nossos olhos humanos, pois sentimos
que ao ajoelhar-se Jesus teve seu poder e glória diminuídos, quando a verdade de Deus diz
ao contrário, a humildade é a expressão da sua glória. Nossa humildade é baseada em nossa
fraqueza, mas a humildade de Deus em sua grandeza, Ele tem tudo em si mesmo.

“Porque o Filho do Homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a
sua vida em resgate de muitos”. (Mc. 10:45)

“Não atente cada um para o que é propriamente seu, mas cada qual também para o que
é dos outros. De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus,
Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, Mas esvaziou-se a si mesmo,
tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; E, achado na forma de homem,
humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz. Por isso, também Deus o

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AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome; Para que ao nome de Jesus se
dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, E toda a língua confesse
que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai”. (Fl. 2:3-11)

“E, acabada a ceia, tendo o diabo posto no coração de Judas Iscariotes, filho de Simão,
que o traísse, Jesus, sabendo que o Pai tinha depositado nas suas mãos todas as coisas, e que havia
saído de Deus e ia para Deus, Levantou-se da ceia, tirou as vestes, e, tomando uma toalha, cingiu-
se. Depois deitou água numa bacia, e começou a lavar os pés aos discípulos, e a enxugar-lhes com
a toalha com que estava cingido”. (Jo. 13:2-5)

3. Sua auto-descrição: Jesus se descreve como manso e humilde de coração.

A humildade de Jesus não começou com a sua humanidade, só expressou o que


sempre foi verdade sobre Ele desde a eternidade passada. Jesus não se tornou algo em seu
caráter que Ele não era antes. Existe uma relação entre caminhar na humildade e na
mansidão de Cristo e encontrar descanso para nossa alma agitada. Apenas aqueles que
param de lutar por seus direitos, que deixam de buscar honra ou admiração humana, que
abrem mão de privilégios, conseguem largar os fardos pesados e tomar o fardo de Jesus, que
é leve e suave, pois eles percebem que não precisam mais de muitas coisas.

“Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós
o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para
as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”. (Mt. 11:28-30)

4. Ele sofreu tentações e por isso simpatiza com nossas fraquezas.

Como nosso sumo-sacerdote Jesus, além de simpatizar com nossas fraquezas, tem
profunda compaixão. Essa compaixão para com as pessoas foi exibida em seus muitos atos
de cura e libertação. A Escritura testemunhou que em muitos casos, os doentes vieram de
todas as regiões para serem curados, e Jesus curou a todos. Quantas horas de ministério Jesus
realizou para que todos fossem curados? (Mt. 9:36, 14:14, 15:32, 18:27,33, 20:34; Mc. 1:40-
42, 5:18-19, 6:34, 8:2, 9:22; Lc.7:11-15, 10:33, 15:20- 21).
“Pelo que convinha que, em tudo, fosse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel
sumo sacerdote naquilo que é de Deus, para expiar os pecados do povo. Porque naquilo que ele
mesmo, sendo tentado, padeceu, pode socorrer, aos que são tentados.” (Hb. 2: 17-18)

“Tendo, portanto, um grande sumo sacerdote, Jesus, Filho de Deus, que penetrou os céus,
retenhamos firmemente a nossa confissão. Porque não temos um sumo sacerdote que não possa
compadecer- se das nossas fraquezas; porém um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem
pecado. Cheguemo-nos, pois, confiadamente ao trono da graça, para que recebamos misericórdia e
achemos graça, a fim de sermos socorridos no momento oportuno. Porque todo sumo sacerdote
tomado dentre os homens é constituído a favor dos homens nas coisas concernentes a Deus, para

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AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

que ofereça dons e sacrifícios pelos pecados, podendo ele compadecer-se devidamente dos ignorantes
e errados, porquanto também ele mesmo está rodeado de fraqueza”. (Hb. 4:14-5:2)

C. Jesus de bom grado submeteu-se ao Seu Pai

1. Seu batismo

a. Jesus submeteu-se ao Pai esperando. Ele esperou até os seus trinta anos para
então começar seu ministério público.
b. Jesus submeteu-se ao batismo de João: Em sua humildade, Jesus
se identificou com o sofrimento do seu povo e de bom grado submeteu-se a
todas as exigências da justiça.

2. Sua missão:

Jesus somente fez e falou o que Ele viu o Seu Pai falando e fazendo.
“Disse-lhes, pois, Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que o Filho de si mesmo nada
pode fazer, senão o que vir o Pai fazer; porque tudo quanto ele faz, o Filho o faz igualmente. Porque
o Pai ama ao Filho, e mostra-lhe tudo o que ele mesmo faz; e maiores obras do que estas lhe
mostrará, para que vos maravilheis”. (Jo. 5:19-20)

“Eu não posso de mim mesmo fazer coisa alguma; como ouço, assim julgo; e o meu juízo é
justo, porque não procuro a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou”. (Jo. 5:30)

3. O seu Segredo Messiânico

A. Jesus continuamente evitou chamar a atenção para si mesmo. Ele não usou
milagres ou libertações como oportunidades para ganhar poder. Sua motivação era a
obediência aos desejos do Pai de liberar o doente e o oprimido. Ele não levantou Sua voz
nas ruas ou atraiu as multidões para assegurar poder político. (Is. 42:2; Mt. 12:15-19)

“Jesus, percebendo isso, retirou-se dali. Acompanharam-no muitos; e ele curou a todos, e
advertiu-lhes que não o dessem a conhecer; para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta Isaías:
“Eis aqui o meu servo que escolhi, o meu amado em quem a minha alma se compraz; porei sobre
Ele o meu espírito, e Ele anunciará aos gentios o juízo. Não contenderá, nem clamará, nem se
ouvirá pelas ruas a sua voz. Não esmagará a cana quebrada, e não apagará o morrão que fumega,
até que faça triunfar o juízo; e no seu nome os gentios esperarão” (Mt. 12:15-21)

B. Jesus não fez campanha para receber elogios, aprovação humana ou vantagem
política. Ele não entreteve os príncipes ou anciãos de Jerusalém. Na verdade, Ele preferiu
atender a banquetes que foram acolhidos por publicanos e pecadores. Compare o banquete
de Mateus, os jantares nas casas de dois fariseus, e o jantar na casa de Zaqueu.

1. Cobradores de impostos e pecadores


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AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

- Banquete na casa de Mateus: Lc. 5: 27 - 32

- Mulher pecadora no jantar de Simão, o Fariseu: Lc. 7: 36 - 48

- Jesus repreendeu os Fariseus no jantar: Lc. 11: 37 - 52


- Jantar na casa de Zaqueu: Lc. 19: 1- 10

2. Os Líderes religiosos nos dias de Jesus:


- Mulher pecadora no jantar de Simão, o Fariseu: Lc. 7: 36 - 48

- Jesus repreendeu os Fariseus no jantar: Lc. 11: 37 - 52

C. Em João 6:15, Jesus precisamente retirou-se porque as multidões tinham intenção


de agarrá-lo à força e fazê-lo rei. Mais tarde, Ele recordou enfaticamente a Pôncio Pilatos
que, se o seu reino fosse para ser terreno, Ele já o teria estabelecido e que teria seguidores
dispostos à lutar por Ele até a morte.
“Percebendo, pois, Jesus que estavam prestes a vir e levá-lo à força para o fazerem rei, tornou
a retirar-se para o monte, Ele sozinho”. (Jo. 6:15)

“Respondeu Jesus: O meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste mundo,
pelejariam os meus servos, para que eu não fosse entregue aos judeus; entretanto o meu reino não é
daqui. Perguntou-lhe, pois, Pilatos: Logo tu és rei? Respondeu Jesus: Tu dizes que eu sou rei”. (Jo.
18:36-37)

4. A vida de oração de Jesus:

a. O Evangelho de Lucas maravilhosamente ilustra a vida de oração de Jesus: Lc. 3:


21- 22, 5: 15- 16, 6: 12-13, 9: 18-20, 28-29, 11: 1- 4, Lc. 22: 31-32, Lc. 22:39- 44, 23: 33- 34.
b. Jesus muitas vezes despedia as multidões pelo caminho para então poder ter um
tempo privado de oração (Mt. 14:23, Lc. 5: 15-16).

D. A bondade de Jesus em seus relacionamentos

1. A família de Jesus: Ele obedece Maria em João 2:5 e aparece à Tiago depois de
sua Ressurreição em I Coríntios 15:7.

2. Jesus lidou com os discípulos: Ele não desprezou as suas humildes origens. Ele
forneceu ensino em amor e constante paciência. Ele os encorajou em Lucas 10 e deu a eles
as chaves do Reino – explicou parábolas e respondeu suas questões.

a. Mateus Levi: Jesus convidou um coletor de impostos para os Doze.


“Depois disso saiu e, vendo um publicano chamado Levi, sentado na coletoria, disse-lhe:
Segue-me. Este, deixando tudo, levantou-se e o seguiu”. (Lc. 5:27-28)
144
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

b. Judas: Jesus permitiu que Judas continuasse a fazer parte dos Doze e até mesmo
tomasse conta das finanças.

c. Tiago e João

1. Tiago e João expressaram seu desejo para governar eternamente sobre a


humanidade com Jesus. Em vez de acentuadamente repreender seu pedido ambicioso, Jesus
respondeu convidando-os para o sacrifício e para sofrer em favor dos outros (Mt. 20:20-23).
Jesus respondeu ao seu desejo de governar eternamente com Ele: “Vocês são os que tem
permanecido ao meu lado durante as minhas provações. E eu lhes designo um Reino, assim como
meu Pai o designou a mim, para que vocês possam comer e beber no meu Reino e sentar-se em
tronos, julgando as doze tribos de Israel.” (Lc. 22:28-30)

2. Em seu zelo, Tiago e João desejaram chamar fogo do céu para matar os
samaritanos. Novamente, notamos Jesus pacientemente respondendo para refletirem em que
espírito eles estavam operando: “Vós não sabeis de que espírito sois. Pois, o Filho do Homem não
veio para destruir as vidas dos homens, mas para salvá-las”. (Lc. 9:51-56)

d. Filipe: Jesus gentilmente respondeu à incredulidade de Filipe: “Respondeu-lhe


Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim. Se vós me
conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai; e já desde agora o conheceis, e o tendes visto.
Disse-lhe Felipe: Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta. Respondeu-lhe Jesus: Há tanto tempo
que estou convosco, e ainda não me conheces, Felipe? Quem me viu a mim, viu o Pai; como dizes
tu: Mostra-nos o Pai? Não crês tu que eu estou no Pai, e que o Pai está em mim? As palavras que
eu vos digo, não as digo por mim mesmo; mas o Pai, que permanece em mim, é quem faz as suas
obras. Crede-me que eu estou no Pai, e que o Pai está em mim; crede ao menos por causa das
mesmas obras.” (Jo. 14: 6-11)

e. Pedro: A bondade de Jesus é vista no chamado, negação e restauração de Pedro.


Chamado: Lc. 5: 4-11
Negação predita: Mc.14: 27-31, Lc. 22: 31-34, 59-62
Restauração: Jo. 21: 15-19

f. Os onze discípulos: Na noite em que Jesus foi traído, Ele conheceu a rejeição dos
seus discípulos, ainda assim Ele os serviu lavando seus pés e assegurando-lhes a sua pureza
diante dos seus olhos (Jo.13:1-17,15:3). Jesus estava plenamente consciente do que estava
para acontecer, e na sua bondade, Ele fez com que os discípulos soubessem que eles não
seriam desqualificados mesmo que eles tropeçassem em sua hora mais escura (Mc.14: 27-
31,Jo.16: 32).

g. Tomé: Tomé descaradamente transmitiu sua incredulidade na ressurreição de


Jesus, exigindo ver Jesus e tocando suas mãos perfuradas pelos pregos e o seu lado. Jesus
mansamente concedeu a Tomé seu pedido e deu-lhe inegável prova física da sua ressurreição
(Jo. 20: 24-29).

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AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

h. A parceria com os discípulos: Jesus exibiu sua alegria com os discípulos na


parceria do trabalho no Reino de Deus, apesar de sua falta de fé, falta de maturidade e da
sua pouca servidão (Lc.10:21-24).

3. O tratamento de Jesus com pecadores e gentios

a. A mulher pecadora: Lc. 7:36-50


b. A mulher Samaritana no poço: Jo. 4:5-26
c. Zaqueu: Lc. 19:1-10
d. A mulher pega em adultério: Jo. 8:11
e. A filha da mulher Samaritana: Mc. 7:24-30
f. O servo do Centurião: Lc. 7: 1- 10
g. O jovem rico: Mc. 10: 17-22

4. O tratamento de Jesus com as mulheres: Jesus reconheceu o valor das mulheres


diante de Deus.

c. Mulheres faziam parte da “equipe ministerial” de Jesus: “Logo depois disso, andava
Jesus de cidade em cidade, e de aldeia em aldeia, pregando e anunciando o evangelho do reino de
Deus; e iam com ele os doze, bem como algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos
malignos e de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual tinham saído sete demônios.
Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes, Susana, e muitas outras que os serviam com os
seus bens”. (Lc. 8:1-3)

d. Jesus permitiu que Maria de Betânia, embora fosse uma mulher, se assentasse aos
seus pés e aprendesse com Ele. Isso foi algo sem precedentes na sociedade judaica daquele
tempo.

“Ora, quando iam de caminho, entrou Jesus numa aldeia; e certa mulher, por nome Marta,
o recebeu em sua casa. Tinha esta uma irmã chamada Maria, a qual, sentada e aos pés do Senhor,
ouvia a sua palavra. Marta, porém, andava preocupada com muito serviço; e aproximando-se,
disse: “Senhor, não se te dá que minha irmã me tenha deixado a servir sozinha”? Dize-lhe, pois,
que me ajude. Respondeu-lhe o Senhor: “Marta, Marta, estás ansiosa e perturbada com muitas
coisas; entretanto poucas são necessárias, ou mesmo uma só; e Maria escolheu a boa parte, a qual
não lhe será tirada.” (Lc. 10:38-42)

e. Jesus curou o filho único de uma viúva. A perda deste único filho desta viúva deve
ter sido algo devastador para ela. Seu filho deveria ser seu único recurso de provisão, e com
sua morte, ela provavelmente foi deixada na miséria. Jesus viu a crise e teve compaixão por
ela. Ele levantou seu filho da morte e então entregou-o a ela de volta (Lc.7:11-17)

5. Jesus interagiu com as crianças. Jesus dispensou grande amor para as crianças
e reconheceu seu valor (Mt. 19: 13-15, Mc. 10: 13-16).

“E chegaram-se a ele no templo cegos e coxos, e ele os curou. Vendo, porém, os principais
sacerdotes e os escribas as maravilhas que ele fizera, e os meninos que clamavam no templo:
“Hosana ao Filho de Davi!” indignaram-se, e perguntaram-lhe: “Ouves o que estes estão dizendo?”
Respondeu-lhes Jesus: “Sim; nunca lestes: Da boca de pequeninos e de criancinhas de peito tiraste
perfeito louvor?” (Mt. 21:14-16)

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AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

6. Jesus lidou de maneira gentil com as multidões. Jesus demonstrou sua


compaixão quando alimentou os quatro mil e os cinco mil (Mt. 15:32)

“Jesus chamou os seus discípulos, e disse: “Tenho compaixão da multidão, porque já faz três
dias que eles estão comigo, e não têm o que comer; e não quero despedi-los em jejum, para que não
desfaleçam no caminho.” (Mt. 15:32)

7. Como Jesus respondia às interrupções. Jesus gastou tempo para interagir com
aqueles que o chamavam.

a. A filha de Jairo e a mulher com sangramento: Lc.8:40-48


b. Os dois homens cegos curados: Mt. 9:27-31
c. O cego Bartimeu: Lc. 18: 35-43
d. Jesus lidou com as inacabáveis perguntas das pessoas e dos Seus discípulos com
mansidão e paciência.

8. A reafirmação de Jesus aos seus discípulos. Jesus confortou seus discípulos,


dando-lhes confiança no amor e no cuidado do Pai por eles (Lc.12:20-34, Mt.10:27-31, 19:24-
29, Jo.14:1-4, 16:33).

VIII - O EXEMPLO MANSO DE JESUS

A. Jesus é o autor e consumador da nossa fé e foi Aquele que abriu o caminho


(Hb.12:1-2). Seu caminho de busca do Pai é o maior exemplo de procura completa e
apaixonada a Deus. Jesus como o Deus-homem é a grande revelação de Deus para nós. O
que mais nos perguntamos: Como Jesus deu-se ao Pai? Como Ele abondonou-se no Pai?
Como Ele viveu na terra a fim de fazer um grande impacto nesta vida e na próxima?

B. Porque Jesus viveu tendo seu ponto de vista na eternidade, Ele pode devotar a si
mesmo para as mais altas ideias de mansidão e amor. As coisas grandes do Reino são muitas
vezes o que o mundo considera como as menores, as coisas mais básicas. Em contraste o que
muitos consideram ser as maiores coisas neste tempo, elas serão exibidas abertamente na
próxima era, como tão pequenas e inconsequentes. Paulo ilustrou essa realidade
comparando nosso trabalho nesta vida com uma construção material (I Co.3:10-15). Ele
listou preciosidades, valores materiais que são purificados pelo fogo (ouro, prata e pedras
preciosas), bem como os materiais que são comuns e que são destruídos pelo fogo (madeira,
feno e palha). No banco do julgamento, o fogo de Jesus irá testar nosso trabalho e revelará
o valor que eles tem. O que muitos veem como ser grandeza e sucesso será exposto como
verdadeiramente é: madeira, feno e palha – trabalho incapaz de suportar o fogo de Jesus
Cristo (I Co. 3:11-15).

C. Os coríntios estavam medindo a grandeza baseados no seu impacto e aparência,


comparando Pedro com Paulo e Paulo com Apolo. Paulo escreveu e advertiu os coríntios
para considerarem sabiamente qual será a ferramenta avaliativa real diante do tribunal de
Cristo. A pessoa e trabalho de Cristo é o único fundamento da vida cristã (I Co.3: 18-23, II
Co. 5:12).

“Porque ninguém pode pôr outro fundamento, além do que já está posto, o qual é Jesus
Cristo.” (I Co. 3:11)

147
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

D. Uma visão bíblica de eternidade capacita a pessoa a manter uma vida contra
cultura em uma sociedade que foca predominantemente na aparência exterior. Jesus mostra-
nos os maiores e mais altos meios para perseguir o Pai, o que terá o maior impacto tanto
nesta vida como na próxima! Devemos tomar nota disto!

E. Embora poucos consideram a qualidade da vida interior como a medida de sua


autoridade e maturidade nesta vida, Jesus nos advertiu enfaticamente que muitos que são os
primeiros nesta vida serão os últimos na próxima (Mt. 19:30). O orgulhoso será humilhado
naquele dia, e o humilde será exaltado (Lc.14:11). Paulo também faz alusão para aqueles
“que se vangloriam na aparência e não no coração” (II Co. 5:12, Mt. 23:11-12).

F. A sabedoria na qual uma pessoa verdadeiramente vive, geralmente é percebida


postumamente. Nós devemos entender que Deus pode permitir que um ministério floresça
de forma a ser um exemplo para a próxima geração, sobre como não fazê-lo.

1. Quando Saul morreu, ele havia sido visto com um grande rei, mas depois ele foi
considerado como exemplo de uma liderança que se tornou pobre e ímpia. Ele confiou
totalmente em sua própria força e perdeu o seu reino (I Sm. 9:1-2).

2. João Batista e Jesus morreram como aparentes fracassos em sua própria geração
– todos abandonaram Jesus, e João perdeu sua cabeça – mas 2.000 anos depois a história de
suas vidas continuam válidas. Por outro lado, nomes respeitáveis do dia, como Pilates e
Caifás, foram mais tarde revelados como companheiros de insensatos e tendo um pequeno
coração (Mt.11:16-19).

G. A opção não é entre impactar nesta vida ou impactar na próxima. A definição de


nossos corações com uma perspectiva eterna nos possibilita a fazer uma escolha forte, que
suporte mais frutos neste tempo e no tempo por vir.

H. A compreensão de Jesus da eternidade lhe permitiu tomar o lugar mais baixo na


história humana a fim de que Ele pudesse ser exaltado ao mais alto, à mão direita do Pai.
(Fl. 2: 5-11).

I. Quais foram os grandes milagres do ministério de Jesus? Talvez o maior milagre


do seu ministério não seja o que Ele fez, mas o que Ele não fez. Jesus não veio a Terra para
provar o quão poderosos Ele era. Seu ministério foi um milagre pequeno, exibiu apenas uma
pequena fração do seu poder. Nós desejamos em todo tempo ver o brilho do poder, mas
Deus também nos quer contemplando sua humildade em Cristo. Desejamos e buscamos ter
poder, mas Ele nos quer desenvolvendo humildade. Por quê? Porque com humildade
teremos uma capacidade de interagir com Ele de uma forma profunda para sempre. Ele
decidiu caminhar em humildade, nos aproximar e ter relacionamento conosco para sempre!

148
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

LIÇÃO DOZE
A CRUCIFICAÇÃO

I – NASCIDO PARA MORRER

A. Imaginem as orações de todo o povo de Deus, por todas as eras onde clamavam
por um Messias. Imaginem a surpresa de todos eles sobre como os eventos ocorreram. Quem
poderia prever que a vinda do Rei de Israel seria como foi? Quem poderia ter compreendido
o quão profundamente Deus está envolto em amor conosco e quão grande é seu
compromisso de retidão, santidade, justiça, compaixão e misericórdia?

B. Nenhuma mente poderia ter concebido que o Messias de Israel, que veio com o
trovão da voz de mil anjos cantando “Glória a Deus no mais alto lugar” morreria com uma
coroação de espinhos, com sangue, insultos, escárnio e zombaria. Quem teria acreditado que
sua carne inocente seria rasgada pelas unhas dos romanos? Mas na hora de trevas do
Calvário a verdade brutal foi desvendada: “O Rei nasceu para morrer”.

C. Quando João Batista testificou: “Vejam! O Cordeiro de Deus que tira o pecado do
mundo!” (Jo 1:29), esse arauto do deserto estava anunciando: “Vejam seu Rei, Aquele marcado
para ser morto, Aquele designado desde o nascimento para ser abatido pelos pecados do mundo.”

D. Pilatos tinha espancado Jesus, exibindo sua figura com um manto de púrpura e
uma coroa de espinhos diante de uma multidão agitada, e anunciou: “Eis o Homem!” (Jo
19:5). “Ai está o seu Rei” (v. 14). Naquele momento você poderia ter ouvido um sussurro do
céu: “Não ainda. Ele ainda está respirando. O Rei está marcado para ser morto”. Não muito depois,
quando Ele está desfigurado, além da aparência humana, quando seu sangue e sua carne
manchavam a cruz, inundado por provocações e zombarias, quando o Filho tateia em busca
da presença do Pai, quando Ele respira pela última vez, então e só então você pode
contemplar o Homem, o Rei em toda sua glória. Este que nasceu para morrer.

Tal era a vida de Jesus na terra. O Evangelho conta de um


homem que foi cortado na flor da idade, seu trabalho destruído
quando estava apenas na sua raiz, seus amigos dispersados, sua
honra quebrada, seu Nome uma chacota. Nas palavras de Isaías,
Ele foi “um verme e não um homem, uma coisa desprezada e rejeitada pelos
homens, foi um homem de dores e familiarizado com o sofrimento”, que
experimentou o ponto mais baixo da agonia, tal como nenhum
outro homem ou mulher já sonhou. Ninguém jamais morreu como
Jesus morreu, porque Ele era em si a vida. Ninguém jamais foi
punido pelo pecado como Ele foi – o inocente. Ninguém jamais
mergulhou para dentro do vácuo do mal, como fez Jesus de Nazaré.
Quem iria conhecer qual a dor excruciante por trás de suas palavras:
“Meu Pai, por que você me abandonou?” Assim é como o Novo
Testamento retrata Jesus – o servo sofredor, um homem que viveu
como um lacaio e morreu em desgraça. Ele foi desprezado, evitado,
tratado como um leproso, como alguém nascido para perder. Ele foi
um ferido de Deus, espancado publicamente, chicoteado com
149
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

desgosto, pela sociedade aparentemente justa. O eliminaram


dizendo: Ele é de mau gosto! O levaram pelo caminho, fora da cidade,
fora da sociedade. Ele foi maltratado, empurrado, retirado, morto e
enterrado entre os malfeitores.” (Brennan Manning, The Relentless
of Jesus, pg. 83, 84 - 2004)

E. A coroação deste Rei não estava sendo como a de nenhum outro Rei. Neste
momento nós encontramos a justaposição da realeza e da pobreza, pureza e impureza, da
glória e rejeição. Na colina do Calvário, Ele tomou o seu lugar como o regente de toda a
humanidade. Naquele dia Ele subiu a escada para o trono. Quem teria pensado? Das
profundezas do ser ofendido, rejeitado e desprezado, nosso Rei deu um grande passo da
morte para a mão direita de Deus – A glória, a majestade do céu (Hb.1:3). Este é nosso Rei,
a justaposição, a tensão e o paradoxo! O eterno Filho tornou-se o homem de dores, que se
tornou o Senhor ressuscitado!

Desperta agora, minha alma, sacode o pó, e com atenção


mais profunda contemple este homem, a quem maravilhosamente,
no vidro da história do Evangelho, por assim dizer, foi apresentado
diante de ti. Considere, Óh minha alma, quem Ele é, Aquele que
andou com estilo, como se fosse de um rei, e, no entanto, teve sua
vida envolvida na confusão de um escravo mais desprezado. Ele foi
coroado: mas a sua própria coroa se tornou uma tortura para Ele e
acabou com mil perfurações na sua mais gloriosa cabeça. Ele se
vestiu de púrpura: Ele foi ainda mais desprezado do que honrado
nisso. Ele teve um cetro na mão, mas com Ele a sua respeitável
cabeça foi espancada. Eles adoram diante dele com os joelhos
curvados; eles o aclamam rei, mas imediatamente saltam cuspindo
sobre suas bochechas lindas, espancam os seus maxilares com as
palmas das suas mãos e desonram seu ilustre pescoço.
Veja mais, como em todas as coisas Ele foi constrangido,
cuspido, desprezado. Ele foi ordenado a dobrar o pescoço sob o peso
da sua cruz, e Ele levou a sua própria ignomínia. Trazido para o
lugar do castigo, onde lhe foi dado a beber mirra e fel. Ele foi
levantado na cruz, e Ele disse: “Pai, perdoa-lhes, eles não sabem o que
estão fazendo.” Que tipo de homem é esse, que em todas as suas
aflições, nunca, nem uma vez, abriu a sua boca para proferir uma
palavra de queixa ou súplica, ou de ameaça ou maldição contra
aqueles cães malditos, e por última de todas, derramou sobre seus
inimigos uma palavra de bênção, como não tinha sido ouvida desde
o princípio? Qual mais amável do que este homem, qual mais gentil,
Oh, minha alma, você viu? Contemple-o, no entanto, ainda mais
intensamente, pois Ele é digno tanto de grande admiração quanto
da mais terna compaixão.
Vê-lo despido, e rasgado, vergonhosamente entre ladrões,
fixado com pregos de ferro na cruz, dado vinagre para beber em
cima da cruz, e depois morrer perfurado em seu lado com uma
lança, derramando fluxos abundantes de sangue das chagas de suas

150
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

mãos, pés e do seu lado. Derramem suas lágrimas, os meus olhos,


derrete, ó minha alma, com o fogo de compaixão, com os
sofrimentos desse homem do amor, a quem, no meio de tanta
gentileza, vejo aflito e com dores tão amargas. (Saint Anselm, “The
Crucified Christ”, The Book os Jesus, pg. 357, 358)

F. Que esta seja nossa oração nesses dias: “Pai, glorioso Pai, como poderia ser isso, que
você feriria o seu próprio Filho para nos aproximar? Jesus, precioso Jesus, como poderia ser que você iria
morrer em nosso lugar e resgatar nossa vida com seu próprio sangue precioso? Que tipo de amor penetra
tão profundamente, se inclina tão baixo, e luta com tanta tenacidade, até mesmo ao ponto da morte?
Nós ficamos chocados e humilhados por seu amor. Obrigado, Pai, obrigado Jesus! Que a gratidão seja
demonstrada por todos os nossos dias, porque Tu és digno! Espírito Santo, mostre-nos as profundezas
deste Rei humilde, cujas origens são desde a eternidade, cujo amor teria permitido o fôlego ser roubado
e seu coração explodido”.

II – FATOS HISTÓRICOS SOBRE A MORTE DE JESUS

A. A cruz de Cristo é uma porta de entrada para os lugares mais profundos do coração
de Deus. O fato de que Jesus morreu pode causar arrependimento e transformação no mais
difícil coração humano. De uma vez por todas, este evento exibiu o coração de Deus para os
homens, tornou possível a proximidade do coração dos homens a Deus. Esta história tem
movido homens e mulheres de todas as práticas religiosas a cederem sob seu poder. Este é
nosso eterno privilégio, considerar a crucificação.

O grande e central evento em toda a história é a morte do


nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Os séculos rodeiam
circulando a cruz. Centenas de figuras imponentes - alguns em
brilho deslumbrante, alguns na mais profunda escuridão –
multidões olhando por cima, como a história do mundo se
desenrola diante de nós; mas infinitamente mais nobre do que o
maior destes, na forma pálida de Jesus, pendurado na madeira
áspera e avermelhada no Calvário - morto, mas vitorioso mesmo na
morte - mais forte na medida do que todas as hostes arregimentadas
do pecado e da morte.
Não teve a melhor vista apenas, mas foi o mais forte já visto,
por lá, ao pé da cruz, a morte mentiu, que Ele foi morto com seu
próprio dardo, e o inferno foi vencido em sua própria porta. Tudo o
que já viveu – todos os que vivem agora - todos os que virão depois
de nós, até que o tempo do fim venha, deverão sentir o poder da
cruz. (W.F.Collier, The Great Events of History, 57-58)

B. A cruz compõe três quintos do total do Evangelho de Marcos, dois quintos de


Mateus e um terço de Lucas. Os Evangelhos são frequentemente chamados de ‘a narrativa
da paixão’ com introduções prolongadas. De fato, eles foram escritos para dar uma
explanação do porque o Messias tinha que primeiro sofrer e morrer, antes de entrar em sua
realeza.
151
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

Outras religiões baseiam suas reivindicação de


reconhecimento sobre o ensino de seus fundadores. O Cristianismo
é distinguido de todas elas através da importância que ele atribui a
morte do seu fundador. Tirar a morte de Cristo tal como
interpretada pelas Escrituras, é você reduzir o Cristianismo para o
nível de religiões étnicas. Embora ainda teríamos um sistema maior
de ética, se tirarmos a cruz de Cristo, não teríamos mais salvação
do que as outras religiões. (Henry C. Thiessen – Lectures in
Systematic Theology, pg. 230-231)

C. Jesus previu a sua própria morte muitas vezes (Mc.8:31-34, 9:30-31, 10:32-34,45).
Após Pedro confessar Jesus como o Cristo, em Cesaréia de Filipe, Jesus começou a ensinar
aos seus discípulos sobre a vinda da sua rejeição e dos seus sofrimentos. Os próximos seis
meses foram uma estação solitária para Jesus, enquanto se aproximava o tempo da sua
morte.

D. Desde o começo do ministério de Jesus, os membros das religiões e instituições


políticas intentavam matá-lo.

1. Tão cedo quanto o incidente recordado em Marcos 3:5-6, os fariseus e herodianos


trabalharam juntos, planejando destruir Jesus.

2. Houveram também rumores que o Rei Herodes desejava matar Jesus (Lc. 13:31-
33)

3. A ressurreição de Lázaro colocou tremenda pressão nas instituições políticas para


matarem Jesus, porque muitas pessoas começaram a acreditar nele como o Messias, depois
do incidente (Jo.11: 45-52).

E. Muitos eventos dramáticos cercam a paixão de Cristo, incluindo a traição e


negação do Servo de todos.

1. Sexta-feira e sábado: Jesus chegou em Betânia, vindo de Jericó, seis dias antes
da Páscoa, no sábado, às vésperas do Sabbat (Jo.12:1). Dois eventos se destacaram no
sábado, antes da semana da Paixão. Um jantar foi realizado em honra a Jesus na casa de
Simão, provavelmente no sábado a noite, antes da conclusão do Sabbat, jantar no qual Maria
de Betânia ungiu Jesus com óleo perfumado, para seu sepultamento. Segundo, Satanás
tentou Judas e levou-o a fazer um acordo com as autoridades judaicas. Ele entregaria Jesus
em suas mãos por trinta moedas de prata, o preço de um escravo (Mt. 26: 6- 14, 25, 47, Jo.12:
1-8)

Quando Maria esbanjou sua aflição por Jesus derramando um perfume caro sobre
Ele, Judas questionou: “Por que este desperdício?” No entanto, a unção de Maria de Betânia
152
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

não era sobre o perfume ou a fragrância, era sobre o amor humano que fortaleceu Jesus para
a cruz. Quando Ele viu Maria derramando seu amor por Ele, era como se Ele dissesse: “Pai,
isto é o que eu desejo como resultado do meu sofrimento – um coração que ame como este.” (Lc. 22:1-
6)

2. Domingo: A entrada triunfal ocorreu quando Jesus entrou em Jerusalém


montado em um jumento, com a multidão colocando ramos de palmeira diante dele e
clamando: “Hosana ao Filho de Davi! Bendito é Aquele que vem em nome do Senhor! Hosana nas
alturas!” (Mt.21:1-17). Crianças cantaram, mercadores fugiram, e coxos e cegos foram
curados ao toque de Jesus. Mas, o que Jesus está fazendo quando monta no filhote da
jumenta e desce o monte das Oliveiras sobre ele até entrar em Jerusalém? Observem que esse
é o único caso registrado nos evangelhos no qual Jesus andou montado em vez de caminhar
(mesmo sendo apenas cerca de 3 quilômetros), e os peregrinos que vinham para a festa da
Páscoa vinham normalmente a pé. Jesus, então, faz aqui algo singular. Mas o que isso
significa? De que se trata tudo isso? A resposta é que Jesus está cumprindo deliberadamente
a profecia de Zacarias no capítulo 9, versículos 9-10, que diz:

“Alegra-te muito, ó filha de Sião; exulta, ó filha de Jerusalém; o teu Rei vem a ti; Ele é
justo e traz a salvação; ele é humilde e vem montado num jumento, num asninho, filho de
jumenta. Eu darei fim aos carros de Efraim, aos cavalos de Jerusalém, e o arco de guerra será
destruído. Ele anunciará paz às nações e o seu domínio se estenderá de mar a mar, e desde o Rio
até as extremidades da terra.” (Zc.9:9-10)

Jesus está deliberada e provocativamente afirmando que é o rei prometido de Israel,


aquele que reestabelecerá o trono de Davi. Seu modo de agir é como uma parábola viva,
representada para revelar a sua verdadeira identidade. O segredo messiânico é agora
notícia escancarada. A entrada triunfal mostra-nos a autoconsciência messiânica e quem
ele considerava ser. Ele se identificou com o Pastor-Rei predito por Zacarias (Ver Artigo: A
Entrada Triunfal, de William L. Graig)

3. Segunda: Jesus amaldiçoou a figueira e ensinou no templo.

4. Terça: Jesus ensinou a parábola do Viticultor malvado. Ele também repreendeu


os escribas e fariseus, e deu o Sermão Profético, focado no final dos tempos.

5. Quarta: As autoridades planejaram a morte de Jesus (Mc. 14:1)

6. Quinta: A ultima Ceia e o confronto do traidor.

a. Jesus comeu a Páscoa com seus discípulos, anunciando o novo governo que
seria estabelecido através do rompimento de seu corpo e do seu sangue derramado.

b. O Evangelho de João se desvia dos evangelhos sinóticos ao retratar a última


ceia. A ênfase de João foi o contraste entre a servidão de Jesus e o escândalo da traição de
Judas. Jesus lavou os pés dos discípulos e atingiu Judas publicamente, dando a ele toda
oportunidade para arrepender-se. Quando Jesus revelou seu traidor, Satanás tentou Judas
para a traição real (Jo. 13:1-5, 18-21, 26,27)

153
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

c. Somente dois homens foram chamados de “filhos da perdição” na Escritura:


Judas (Jo. 17:12) e o Anticristo (Ts 2:3).

d. Lucas nos informa que durante a refeição os discípulos ainda estavam


argumentando sobre quem seria o maior (Lc. 22:24-27)

e. No meio da Ceia, Jesus entregou a mensagem de João 14-16. A fim de preparar


dos discípulos para a sua crucificação. Ele prometeu que na sua partida seria uma grande
alegria para ele, com o presente do Espírito Santo.

f. Depois da Ceia, Jesus e os seus discípulos cantaram um hino juntos. Na


antiguidade, quando Jesus celebrou a Páscoa, eles tradicionalmente cantavam os Salmos
113-118. Outras tradições sustentam que Jesus e seus discípulos cantaram o Grande Hallel,
do Salmo 136. (Mt. 26:30)

7. Jesus no Jardim do Getsêmani: No meio da angustia e da tristeza de Jesus, Ele


entrou no seu destino, intercedendo junto ao Pai (Mt. 26:30, 36-46, Mc. 14:26, 32-42, Lc.
22: 39-46, Jo. 18:1)

a. Entre a ultima Ceia e o Jardim, Jesus orou a sua grande oração sacerdotal de
João 17.

b. Jesus tomou Pedro, Tiago e João de lado e entrou em um nível de intercessão


nunca visto antes. Seu espírito estava conturbado e triste. Ele estava buscando parceria no
hora do seu sofrimento e desejando amigos que entrassem com Ele em sua mesma carga
diante do Senhor. Este é um quadro profético para nós. Quem irá entrar com a mesma carga
diante do Senhor, com essa mesma profundidade em intercessão? Quem irá dar seu coração
para clamar pelo que está no coração de Deus? (Mt. 26:36-38)

c. Os discípulos continuamente adormeceram, embora Jesus os tivesse advertido


para orarem para que não entrassem em tentação. Jesus estava sendo fortalecido por um anjo
no jardim, para que Ele pudesse orar mais intensamente ( Lc. 22:43-44).

d. Na oração Jesus esteve face a face com o sofrimento, Ele iria suportar carregar
o cálice da ira de Deus pelos pecados acumulados de todo o mundo. Sua angústia aumentou
e gotas de suor como o sangue escorreram pelo chão. Hebreus 5:7 nos informa que Jesus
clamou com grande clamor e lágrimas para o Pai.

Agora João vê porque o sangue saltou da sua pele. Foi a partir


de uma luta interna violenta, que Ele lutou com os horrores de beber
o cálice do Pai. Edwards disse: ‘Ele estava coberto de sangue coagulado,
pois através de seus poros fluíram a violência de sua agonia’.

154
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

Lá no Jardim do Getsêmani, o jovem discípulo finalmente viu


o Senhor levantar o seu rosto para o céu. Com lágrimas escorrendo
dos seus olhos, amor chorando do seu coração, e sangue jorrando
dos seus poros, Jesus clamou: ‘Não a minha vontade, mas a sua seja
feita’ (Lc.22:42). Jesus, então, caiu no chão, exausto e fraco,
banhado em seu próprio sangue. Ele estava exausto por lutar com
Deus em oração, mas pronto para beber do cálice da ira do Pai.
(Sandy Davis Kirk, The Glory of the Lamb, 67-68).

8. A prisão de Jesus: Alguns dos principais sacerdotes, anciãos e escribas,


juntamente com Judas, vieram para prender Jesus (Mt. 26:47-56, Mc.14:43-52, Lc. 22:47-53,
Jo. 18:2-12).

a. O Evangelho de João descreve o poder de Jesus, mesmo quando os guardas o


prenderam (Jo. 18:4-6).

b. Judas traiu Jesus com um beijo. No contexto da traição de Judas, Mateus


recorda Jesus chamando Judas de “amigo” (Lc.22:47-48, Mt.26:50).

c. Na tentativa de Pedro para defender Jesus, ele cortou a orelha de Malco


(Lc.22:49-53, Mt.26:52-53).

d. Jesus pediu aos seus captores para deixarem seus discípulos irem, e os discípulos
fugiram do local, cumprindo o verso: "Ferirão o pastor e as ovelhas se dispersarão" (Zc.13:7,
Jo.18:8, Mc. 14:50-52).

F. O Julgamento de Jesus foi o seu momento de glória, onde Ele mostrou a grandeza
de sua força através da mansidão.

1. Jesus foi levado para a casa de Anás, sogro de Caifás, o grande sacerdote. Pedro
negou Jesus lá, e alguns dos principais sacerdotes e escribas escarnecendo, feriam-no no
rosto, dizendo: "Profetiza, quem é aquele que te bateu?" (Lc.22: 60-65)

2. Na madrugada, Caifás reuniu o sinédrio. Jesus foi levado a esse conselho onde
falaram falso testemunho contra Ele. Jesus afirmou que Ele era o Filho de Deus e o Filho do
Homem e que Caifás iria vê-lo sentando na direita da mão de Poder, vindo nas nuvens do
céu (Mt. 26:63-68).

3. Quando Jesus estava diante de Pilatos, os judeus pediram que Ele fosse
condenado à morte por traição e revolta contra César. Pilatos questionou Jesus e não
encontrou merecimento para sua morte. Depois, descobrindo que Jesus era galileu, Pilatos
de bom grado o enviou para o palácio de Herodes em Jerusalém, porque Herodes mantinha
jurisdição sobre a Galiléia (Lc.23:2-7, Jo.18:33-38).

155
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

4. Jesus apareceu diante de Herodes, este e seus soldados trataram Jesus com
desprezo, zombando dEle (Lc. 23:8-12).

5. Jesus foi enviado de volta para Pilatos. Pilatos não desejava que Jesus fosse
executado, experimentando duas abordagens diferentes para libertá-lo. Ele primeiro ordenou
que Jesus fosse chicoteado para ganhar a simpatia da coroa e, em seguida, ofereceu-se para
libertá-lo em honra do “passe livre” em função da Festa (Mc.15: 16-20).

G. O amor de Jesus pelo Pai e por nós o compeliu para sofrer a dor da crucificação.

1. O caminho para o Monte (Gólgota- A Caveira)

a. Simão de Cirineu carregou a viga: Jesus realmente precisou de ajuda neste


tempo. Seu corpo estava severamente castigado, e suas forças estavam chegando ao fim.
Isaías 52:14 descreve Jesus neste ponto: “Assim como houve muitos que ficaram pasmados diante
dele, sua aparência estava tão desfigurada, que Ele se tornou irreconhecível como homem, não parecia
um ser humano.” Salmo 22:6 descreveu o Messias no tempo da seu sofrimento e crucificação:
“Mas eu sou verme, e não homem, motivo de zombaria e objeto de desprezo do povo”.

b. Carpideiras seguiram Jesus (Lc.23:27-31)

2. Descrição da Crucificação:

O prisioneiro iria primeiro ser publicamente humilhado


através de ser desnudado. Ele seria então deitado de costas sobre o
chão, enquanto suas mãos ou eram pregados ou amarradas à viga
de madeira horizontal (o patíbulo), e os seus pés ao poste vertical.
A cruz era então içada para uma posição vertical e colada em um
soquete que havia sido cavado para ela no chão. Usualmente uma
estaca ou assento rudimentar era fornecido para tirar um pouco de
peso do corpo da vítima e evitar que eles fossem sendo arrancados.
Mas lá ele iria cair, impotente exposto a intensa dor física, ao
ridículo publicamente, ao calor diurno e ao frio noturno. A tortura
iria durar vários dias. (John R. W. Stott, The Cross of Christ, pg.
48)

Em cada passo a crucificação de Jesus, intencionalmente cooperou com o plano do


Pai. Sua vontade disse “sim” para prego após prego. Teria sido impossível ter penetrado sua
carne ou ter atingido o seu queixo, a menos que Ele tivesse de bom grado consentido. Jesus
declarou enfaticamente a Pilatos: “Você não poderia ter nenhum poder contra mim se não tivesse
sido dado do alto a você” (Jo.19:11). O que dirigiu Jesus para o sofrimento voluntário? Amor
pelo Pai e amor por nós fortaleceram seu coração para dizer “sim” de novo e de novo!

156
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

3. A duração da crucificação, 6 horas: “Terceira hora”: 9am; “Sexta hora”: 12pm;


“Nona hora”: 3pm.

4. As últimas palavras de Jesus:

a. As palavras de Jesus na terceira e na sexta hora foram ditas com graça e


compaixão. Perdão foi primeira dita através dos seus lábios: “Pai, perdoa-lhes!” Cuidado por
sua mãe e graça para o penitente fluíram de um coração sem mácula, apesar do barulho dos
insultos e das vaias no fundo. Verdadeiramente a grandeza de Jesus foi mostrada ali. Nas
horas da sua grande mansidão, ele mostrou a grande quantidade de contenção do seu poder
e revelou suas verdadeiras cores. Jesus amou todo o tempo.

1. “Pai, perdoa-lhes, porque eles não sabem o que fazem” (Lc.23:34).


2. “Mulher, olhe seu filho!” Então Ele disse para o discípulo:“Olhe sua mãe!”
(Jo.19:26-27).
3. “Eu lhe garanto: Hoje você estará comigo no paraíso” (Lc.23:43).

b. Da sexta para a nona hora, escuridão cobriu a terra, quando Jesus sofreu a
penalidade do pecado e foi esmagado pela ira de Deus. Ele expressou o grito de abandono e
a sede de alívio. Jesus tornou-se “o Cordeiro de Deus que tirou o pecado do mundo” (Jo.1:29). Fé
e verdade, Ele encerrou a tarefa do servo sofredor, por que carregou o pecado de muitos e
intercedeu pelos transgressores (Is.53:12).

1. “Meu Deus, Meu Deus, porque você me desamparou?” (Mt.27:46, Mc.15:34).


Jesus clamou isso quando carregou a ira de Deus que veio contra o pecado coletivo de toda
a humanidade. Somente o Deus-homem poderia levar nossa punição pelo pecado (Is.53:5).

2. “Eu tenho sede!” (Jo.19:28)


3. “Está consumado!” (Jo.19:30)
4. “Pai, em suas mãos entrego o meu Espírito!” (Lc.23:46)

c. A morte de Jesus aconteceu na nona hora:

1. Jesus entregou seu Espírito ao Pai (Mt.27:50-54).

2. Os soldados quebraram as pernas dos dois ladrões para acelerar o processo da


morte, ainda, em cumprimento do Salmo 34:20, as pernas de Jesus não foram quebradas
(Jo.19:32-37, Sl.34:20).

3. Jesus clamou com alta voz e entregou seu Espírito. Então, como resultado da
sua morte, certas anomalias aconteceram (Mt.27:50-54):

a. O véu do templo foi rasgado para baixo.

b. A terra tremeu e rochas se partiram.


157
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

c. Sepulturas foram abertas, e muitos santos foram ressuscitados da morte.


Estes santos levantados apareceram a muitos na cidade.

d. O centurião testificou: “Verdadeiramente este era o Filho de Deus!” (Mt.27:54).

III – A QUESTÃO DE QUEM MATOU JESUS (Lucas 23:33-48)

A loucura começou a desvanecer. Compulsão transformou-se em tristeza, enquanto a


multidão, na escuridão profunda, estava certa de que algo escandaloso tinha ocorrido.
Olhando para o corpo morto de Jesus, o centurião quebrou o silêncio e adicionou mais culpa
no momento: “Este era o verdadeiro Homem!” A zombaria e o escárnio anterior da multidão
silenciaram, mas eles não conseguiam fazer parar as vozes internas da condenação. Em uma
tentativa fracassada para remover sua vergonha, eles batiam no seu peito, mas as vozes
continuavam:“Quem é este? O que aconteceu aqui? O véu foi rasgado em dois, e a terra está tremendo,
uma vez que está morto, o santo homem que caminhou sobre Jerusalém. Algo deu errado. Algo dera
errado naquela morte e alguém era culpado. Alguém tinha sangue nas suas mãos. Quem?

A. Judas, depois de ser tentado por Satanás, traiu Jesus por trinta moedas de prata.

B. O Sumo sacerdote e os anciãos, junto com o povo judeu, demandaram que Jesus
fosse crucificado (Mt.27:22-25, Jo.19:10-11).

C. Pôncio Pilatos e as autoridades romanas escarneceram, acoitaram e crucificaram


Jesus (Mc.10: 33-34, Lc.18: 32-33).

D. Nosso pecado pregou Jesus na Cruz.

1. Antes de vermos a cruz como algo feito para nós, nos devemos vê-la como algo
feito por nós.

“De fato, só o homem que é preparado para assumir sua parcela de culpa na cruz, pode
reclamar a sua parte na graça de Deus” (Canon Peter Green).

2. O Filho deu a sua própria vida e o Pai feriu o Filho (Jo.10:18, Is.53:10, Gl.2:20).

3. Octavius Winslow respondeu a questão sobre quem matou Jesus:

Quem entregou Jesus para morrer? Não Judas, por dinheiro,


nem Pilatos, por medo, não judeus, por inveja – mas o Pai, por
amor!... No nível humano, Judas entregou-o ao sacerdote, que o
158
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

entregou para Pilatos, que o entregou para os soldados, que o


crucificaram. Mas no nível divino, o Pai o entregou, e Ele entregou
a si mesmo, para morrer por nós. Assim, em face da cruz, nós
podemos dizer para nós mesmos: “Eu fiz isso, meus pecados o
mandaram para lá” e “Ele fez isso, seu amor o levou lá”. (Stott, The
Cross, of Christ, 61)

159
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

LIÇÃO TREZE
A CRUZ: O CORAÇÃO DA QUESTÃO

I – A OFENSA DA CRUZ

A. Cristianismo é impossível sem a cruz. A vida cristã gira em torno de caminhar para
a Cruz e seguir Aquele que foi crucificado. Nossa aceitação dentro da família de Deus
começa na cruz, e a essência do ministério cristão é a pregação da cruz. O antigo
Cristianismo é uma clara testemunha – a cruz é o único ponto de redenção e de encontro
entre Deus e o homem. É nos tons escarlates do Calvário que a pessoa recebe nova vida.

B. No entanto, no discurso teológico de hoje, há pouco espaço para a Cruz. Mentes


modernas consideram a necessidade de expiação primitiva e antiquada. A Cruz é o último
vestígio de um Deus irado em uma Era escura... A cruz se tornou um conceito antigo.
Expiação é deixada de lado na linguagem de liberação de uma humanidade interiormente
oprimida. O que a Bíblia declara como ilegal e injusto, a pessoa moderna vê como liberação.

C. Exemplo: Aconteceu em Mineápolis, nos EUA a primeira Conferência Re-


imaginando, onde mulheres, das principais denominações evangélicas, se reuniram para re-
imaginar o conceito de Deus. Delores Williams, uma professora (presbiteriana) na União de
Seminário Teológico em Nova York, ousadamente sugeriu: “Eu não acho que precisamos de
uma teoria de expiação, de forma alguma... expiação tem muito a ver com a morte... Eu não acho que
precisamos de gente pendurada na cruz, sangue escorrendo, e coisas estranhas... nós só precisamos ouvir
ao deus interior.” Outra pregadora, Virginia Mollenkott, que atua no Conselho Nacional de
Igrejas, alegou que a morte de Jesus foi o ápice no abuso de crianças. Ela disse que a visão
comumente aceita da expiação de Cristo, revela Deus como um pai abusivo, e Jesus como
um filho obediente. Mais tarde, em uma outra conferência, Williams chamou a remoção da
Cruz do santuário da igreja de “dar a vida.” (Ver artigo).

D. Independentemente da tentativa moderna de re-imaginar ou substituir a visão


ortodoxa de Deus, o testemunho bíblico testifica que a separação de Deus e o homem é mais
do que uma questão de iluminação. A solução para a falta de Deus na humanidade não virá
por entrar em contato com alguma força espiritual interior. O centro do problema é que uma
quebra tenha ocorrido entre Deus e a humanidade. O problema não é que a humanidade tem
dificuldade em encontrar Deus e de articular como corretamente se relacionar com Ele. O
problema é que a humanidade se rebelou contra Deus e odeia seus caminhos. Assim, há uma
colisão divina entre o pecado da humanidade e a perfeição do amor santo de Deus. Eles são
incompatíveis.

E. A Cruz de Cristo sempre será a ofensa para todas as gerações. Em I Coríntios 1:21-
25 Paulo estabelece a loucura da cruz tanto para as pessoas religiosas como para as seculares.
A Cruz tira tanto religiosos e humanistas do orgulho, deixando a sua alma nua e
desamparada diante de Deus. Nenhuma de nossas palavras, nem de nossas visões deram luz
à salvação. A cruz nos lembra de nossa absoluta impotência para salvar a nós mesmos, mas
para o humilde e contrito, a cruz é todo poder e visão de Deus. Chegar nu ao pé da cruz é
sobre despojar-se de todos os vestígios de orgulho, confiando na obra da cruz, e se deixando
vestir com as vestes justas da resplandecente majestade.

160
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

II – O PROBLEMA DO PECADO

A. Antes de podermos compreender a grandeza da salvação efetuada na Cruz,


devemos primeiro entender de quem e do que fomos salvos. Deus poderia simplesmente
perdoar nosso pecado através da sua vontade quando nós sinceramente pedíssemos perdão
a Ele? A resposta é não, Deus não poderia simplesmente nos perdoar. Deus pode nos
perdoar, mas seu perdão deve estar de acordo com a demanda da sua própria natureza justa
e reta. Deus nunca suspende um de seus atributos em sua ordem para satisfazer outro. Deus
nunca abre mão da sua natureza justa para satisfazer sua natureza misericordiosa, Ele é
santo!

B. Imagine o horror de um juiz simplesmente absolver um serial killer porque foi


solicitado seu perdão. Seu arrependimento pode ser sincero, ainda assim a justiça demanda
que sua sentença seja julgada pelo crime e que sua sentença seja aplicada. O juiz deve
satisfazer a demanda da justiça ou ser expulso do cargo por prevaricação. Nós não
poderíamos tolerar tal juiz em nossa cidade, então deve o Juiz do Universo fazer menos?

C. Se a Cruz produz um eterno fruto de humildade e gratidão, devemos compreender


a gravidade do pecado humano. A crucificação de Cristo foi a coroação do pecado da raça
humana. O meio pelo qual somos salvos é também a exibição da nossa grande depravação.
A Crucificação mostra claramente o coração da humanidade, a grandeza de Deus, e os meios
necessários para absolver uma raça culpada.

D. A Escritura é clara: depois da queda da humanidade no Jardim do Éden, física,


espiritual e eterna morte entraram dentro da experiência humana. Nós ficamos
espiritualmente separados de Deus e fisicamente condenados a morte. Nós tornamos por
natureza filhos da ira de Deus e ficamos sem esperança, incapazes de salvar a si mesmos
enquanto sofrem os efeitos contínuos de um pecador e depravado coração. Em Efésios 2:3
Paulo estabeleceu que nos somos “por natureza filhos da ira”.

E. Muitos consideram o pecado como ações que nos fazem errar o alvo ou que nos
fazem ficar aquém do objetivo pretendido. No entanto, a Bíblia descreve o pecado como um
estado muito pior do que meros atos. Toda nossa natureza tornou-se degradada. Nós
geralmente vemos o pecado como sujeira em uma camisa que pode ser meramente escovada.
Contudo, na atualidade, pecado é como um vírus mortal, corroendo nossos órgãos vitais e
corrompendo todos os nossos pensamentos e desejos. Paulo declara que o salário do pecado
é a morte (Rm.6:23).

1. Wayne Grudem define pecado em sua Teologia Sistemática como: “qualquer falta
de conformidade com a lei moral de Deus no ato, atitude ou natureza".

2. Emil Brunner descreve pecado como: “desafio, arrogância e desejo de ser igual a Deus...
a afirmação da independência humana contra Deus,... a constituição da razão autônoma, na
moralidade e cultura”.

3. Arcebispo Anselmo afirmou que se alguém imagina que Deus pode simplesmente
nos perdoar, como perdoamos aos outros, essa pessoa não tem levado em conta duas
realidades: “a gravidade do pecado” e “a majestade de Deus.” Seres humanos, através da
desobediência intencional e rebelião contra o seu Criador, tem altamente ofendido a honra
de Deus.

4. C.H. Spurgeon declarou: “Pecado é um desafio ao rosto de Deus, um esfaqueamento, o


qual, à medida que o homem o faz, chega no seu coração. Pecado é um monstro, uma coisa odiosa, uma

161
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

coisa para a qual Deus não vai olhar, e que seus puros olhos não irão contemplar, mas que receberá a
sua máxima repulsa. Uma torrente de lágrimas, é a forma adequada por meio do qual um cristão deve
olhar para o pecado.”

III – A CRUZ EXIBE TANTO A SANTIDADE COMO O AMOR DE DEUS


A. Na cruz nos vemos a santidade e o amor de Deus, sua ira e graça em perfeita
harmonia. Deus nos ama, mas devido ao pecado, Ele foi separado de nós e de fato, é por
natureza, oposto a nós.

Que Deus é santo, é fundamental para a religião bíblica. Assim esta


é a evidencia de que o pecado é incompatível com sua santidade.
Seus olhos “são puros demais para olhar para o mal” e Ele “não
pode tolerar o que é errado” (Is 59:1-2; Hq 1:13). Portanto, o nosso
pecado efetivamente nos separa dEle; de modo que seu rosto está
oculto de nós e Ele se recusa a ouvir as nossas orações. Em
consequência, os autores bíblicos claramente entenderam que
nenhum ser humano jamais poderia colocar os olhos em Deus e
sobreviver à experiência. (Stott , The Cross of Christ, 102)

B. Deus nunca suspende um atributo em sua ordem, para exibir nenhum outro
atributo. Ele nos ama e odeia nosso pecado. Assim, Deus mostrou a sua misericórdia de tal
maneira que honrou sua demanda por retidão e justiça.
Era imprescindível que essa pessoa fosse muito amada por Deus Pai
para que Ele concedesse um valor infinito ao acordo feito entre os
dois, devido a Sua estima por essa pessoa, de modo que o amor do
Pai por essa pessoa pudesse equilibrar a ofensa e a provocação
causada pelos nossos pecados. E em relação a esse aspecto, Cristo é a
pessoa mais adequada para ser o redentor. Somos aceitos pelo Pai, "no
Amado" (Ef 1.6). (A Sabedoria de Deus na morte substitutiva de
Cristo – Jonathan Edwards)

IV – ESCRITURAS CONCERNENTES A IRA DE DEUS CONTRA O PECADO


A. Provocado e queimando com justa indignação sobre o pecado, Deus irrompe contra
ele. Sua santa justiça será satisfeita. O pecado deve ser contabilizado em seu universo e deve
ser punido. Deus estava disposto a esmagar seu Filho pelo pecado da humanidade. A ira de
Deus, nas palavras de Leon Morris, é a sua “divina e pessoal repulsa ao mal” e sua “vigorosa e
pessoal oposição” à isso.

B. Nós precisamos louvar a Deus por esta indignação com respeito ao pecado. Ele está
comprometido em remover o pecado dos seres humanos, para que não sofram o mesmo
destino de Satanás e seus demônios. A boa notícia é que a punição que estava destinada para
nós, foi colocada em cima do Filho de Deus, que por amor a nós, morreu em nosso lugar.

C. No Velho Testamento podemos ver o pecado do povo de Deus, provocando sua ira
em muitas ocasiões: Dt.32:16, Jz.2:11-13, I Rs. 15:29-30, 21:20-22, Jr. 32:30-31, Ez.8:3,
Os.12:14
“Com deuses estranhos o moveram a zelos; com abominações o provocaram à ira”. (Dt.
32:16)
“Então os filhos de Israel fizeram o que era mau aos olhos do Senhor, servindo aos baalins;
abandonaram o Senhor Deus de seus pais, que os tirara da terra do Egito, e foram-se após outros

162
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

deuses, dentre os deuses dos povos que havia ao redor deles, e os adoraram; e provocaram o Senhor
à ira, abandonando-o, e servindo a baalins e astarotes.” (Jz. 2:11-13)
“Por causa dos pecados que Jeroboão cometera, e com que fizera Israel pecar, e por causa da
provocação com que provocara à ira o Senhor Deus de Israel.” (I Rs. 15:30)
D. Também podemos perceber a ardente ira de Deus retratada quando Davi fez um
censo de Israel e Judá.
“Mas os filhos de Israel cometeram uma transgressão no tocante ao anátema, pois Acã, filho
de Carmi, filho de Zabdi, filho de Zerá, da tribo de Judá, tomou do anátema; e a ira do Senhor se
acendeu contra os filhos de Israel. (Js. 7:1)
“Quando transgredirdes o pacto do Senhor vosso Deus, que ele vos ordenou, e fordes servir a
outros deuses, inclinando-vos a eles, a ira do Senhor se acenderá contra vós, e depressa perecereis
de sobre a boa terra que ele vos deu”. (Js. 23:16)
“Então Satanás se levantou contra Israel, e incitou Davi a numerar Israel. E disse Davi a
Joabe e aos príncipes de povo: “Ide, cantai a Israel desde Berseba até Dã; e trazei-me a conta, para
que eu saiba o número deles.” Então disse Joabe: “O Senhor acrescente ao seu povo cem vezes tanto
como ele é! Porventura, é rei meu senhor, não são teus os servos de meu senhor? Por que requer isto
e meu senhor. Por que traria ele culpa sobre Israel?” Todavia a palavra de rei prevaleceu contra
Joabe. Pelo que saiu Joabe, e passou por todo o Israel; depois voltou para Jerusulém. E Joabe deu
a Davi o resultado da numeração do povo. E era todo o Israel um milhão e cem mil homens que
arrancavam da espada; e de Judá quatrocentos e setenta mil homens que arrancavam da espada.
Mas entre eles Joabe não contou os de Levi e Benjamim, porque a palavra do rei lhe foi
abominável.” (I Cr. 21:1-6)
“A ira do Senhor tornou a acender-se contra Israel, e o Senhor incitou a Davi contra eles,
dizendo: “Vai, numera a Israel e a Judá.” (II Sm. 24:1)
“O teu bezerro, ó Samária, é rejeitado; a minha ira se acendeu contra eles; até quando serão
eles incapazes da inocência?” (Os. 8:5)
E. Escrituras de Deus rompendo contra o pecado
“Circuncidai-vos ao Senhor, e tirai os prepúcios do vosso coração, ó homens de Judá e
habitadores de Jerusalém, para que a minha indignação não venha a sair como fogo, e arda de
modo que ninguém o possa apagar, por causa da maldade das vossas obras”. (Jr. 4:4)
“E á casa do rei de Judá dirás: Ouvi a palavra do Senhor: “O casa de Davi, assim diz o
Senhor: ‘Executai justiça pela manhã, e livrai o espoliado da mão do opressor, para que não saia o
meu furor como fogo, e se acenda, sem que haja quem o apague, por causa da maldade de vossas
ações.” (Jr. 21:11-12)
F. Ira não é um conceito apenas no Velho Testamento. Muitos tentam dividir o Velho
e o Novo Testamento, atribuindo no Velho Testamento Yahweh como um Deus de ira e no
Novo Testamento o Pai de Jesus como um Deus de amor. Contudo, o Novo Testamento
claramente reafirma a ira de Deus contra o pecado.

Exemplos: Lc 3: 7, Jo. 3: 18-19, 36, Rm.1:18, 2:1, 3:9-12,23, 6:23, Ef. 2:3, 4:17-18, 5:3-
7, Cl.3: 5-6, I Ts. 1:10, Hb.10:26-31, Jd.14-15, Ap.6:15-17, 14:9-11, 19:15.
“Porque a ira de Deus é revelada do céu sobre toda impiedade e injustiça do homem, que
suprime a verdade em injustiça, porque o que pode ser conhecido de Deus é manifestado neles,
porque Deus tem mostrado a eles. Porque desde a criação do mundo seus invisíveis atributos são
claramente vistos, sendo compreendidos através das coisas que foram feitas, até mesmo seu eterno
poder e divindade, para que fiquem inexcusáveis, porque embora eles conheceram a Deus, não o
glorificaram como Deus...” (Rm. 1: 18-21)
163
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

V – AS ESCRITURAS DO AMOR MISERICORDIOSO DE DEUS

A. O Velho Testamento proclamou o amor da aliança de Deus:

1. No Pentateuco, Deus demonstra seu amor para com a nação de Israel ao fazer a
aliança e revelar o seu próprio nome. Yahweh foi gracioso e compassivo, tardio em irar-se e
abundante em amor (Ex. 34:6, Dt. 7: 6-9, 10:14-15).

2. Deus demonstrou seu amor ao longo dos Profetas Menores: Sf.3:17, Ml. 1:2
3. A graça e amor de Deus são exibidos nos Profetas Maiores:
a. Isaías 43:3-4, 49:14-16
b. Jeremias 3:1, 12-14
c. Ezequiel 33:11

B. As Escrituras do Novo Testamento testificam o amor de Deus. Exemplos: Jo. 3: 16,


Rm. 5:8-9, Ef. 2: 4-9, Gl.2: 20-21, I Jo.4:9-10, Ap.1:5-6.

C. A cruz é um lugar onde a perfeita graça e a perfeita justiça se abraçam juntas, onde
a santidade divina e o amor divino são perfeitamente expressados, e onde a justiça e a paz se
beijam (Sl. 85:10)
Eu realmente não acredito que seja possível de entender o
drama central da Bíblia até que comecemos a sentir essa tensão. Até
a volta de Jesus Cristo, a Bíblia é como uma peça de música cuja
dissonância implora por alguma resolução final em harmonia... A
morte e ressurreição de Jesus Cristo são a resolução da sinfonia da
historia. Na morte de Jesus os dois temas do amor de Deus, sua
glória e seu amor pelo pecador são resolvidos. (John Piper, The
Pleasures of God, 162)

D. O Filho se coloca na brecha como o intercessor dos tempos. Em sua pessoa, Ele
invoca a causa de Deus e a causa da humanidade. Em Cristo, a própria justiça e misericórdia
de Deus encontram consolo. Ele é o intercessor maior! Entre a soberania de Deus e o destino
do homem, encontra-se o intercessor. Lá, no grande abismo entre a ardente justiça de Deus
e a queda do homem, um intercessor é encontrado em espera. Lá, o amor espera e luta para
que Deus seja ouvido, e o homem seja compadecido. O mais corajoso é encontrado lá,
lutando para que Deus seja adorado, e homem seja aceito. Nesse santo lugar, vemos o
coração sofredor do Mediador, Jesus, que reivindica o glorioso nome de Seu Pai e a expiação
por rebelião. Este é um lugar santo, um encontro divino onde portas se abrem para as
profundas cavernas do paradoxo divino, onde as emoções de Deus conduzem para os
gemidos e ao apelo por vitória e redenção. Feliz é o homem que espera nesse lugar.

VI – A AUTO-SUBSTITUIÇÃO DE DEUS
A. É crucial compreender a cruz no conceito da substituição. Jesus morreu em meu
lugar por meus pecados e pagou a penalidade que eu deveria pagar. O justo pelos injustos. O
único homem perfeito viveu para substituir uma raça pecadora. Jesus foi sacrificado por nós
e se deu por nossos pecados.

“Expurgai o fermento velho, para que sejais massa nova, assim como sois sem fermento.
Porque Cristo, nossa páscoa, já foi sacrificado”. (I Co. 5:7)

164
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

“Graça a vós, e paz da parte de Deus nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo, o qual se deu a si
mesmo por nossos pecados, para nos livrar do presente século mau, segundo a vontade de nosso Deus
e Pai”. (GL. 1:3-4)
B. Porque, Deus, em sua misericórdia quis perdoar os homens pecadores, e, sendo
verdadeiramente misericordioso, desejou perdoá-los justamente, ou seja, sem de forma
alguma tolerar o pecado, se propôs a dirigir contra si mesmo, todo peso da sua justa ira, a
qual, eles mereciam.

C. A Auto substituição de Deus foi previamente demonstrada no sistema de sacrifício


no Antigo Testamento. Duas noções básicas e complementares de sacrifícios (foram
mostradas) na revelação do Antigo Testamento. O primeiro expressa o senso que os seres
humanos devem pertencer a Deus como direito, e segundo, o seu senso de alienação de Deus,
por causa de seu pecado e culpa. A característica do primeiro é a paz ou a oferta queimada,
que muitas vezes foi associada com ações de graças (Lv. 7:12), e o holocausto e o ritual anual
da colheita de três festivais (Ex. 23:14-17). As características do segundo são a oferta pelo
pecado e a oferta pela culpa, em que a necessidade de expiação foi claramente conhecida.

1. O sistema sacrificial apontava para as duas realidades da santidade


e o amor de Deus. Jesus satisfez as exigências de ambos os sacrifícios
na Cruz. Ele não só morreu como uma oferta de culpa/expiação do pecado, Ele morreu
como uma oferta para trazer-nos em comunhão com Deus.

2. No ritual do Antigo Testamento quando acontecia o sacrifício de animais, o


adorador trouxe a oferta, impôs as mãos sobre ele (significando que o animal tomou o lugar
do adorador), e matou-o. Então o sacerdote aplicou o sangue, queimou partes da carne, e
consumiu o resto do animal.

3. Expiação no Antigo Testamento veio através do derramamento de sangue.


"Porque a vida da carne está no sangue; pelo que vo-lo tenho dado sobre o altar, para fazer expiação
pelas vossas almas; porquanto é o sangue que faz expiação, em virtude da vida." (Lv. 17:11)

4. O Novo Testamento descreve os sacrifícios do Velho Testamento como


imperfeitos comparados com o sacrifício de Cristo na cruz. Os sacrifícios de bois e cabras
foram sacrifícios temporários que não possuíram eficácia eterna. Dia após dia e ano após
ano os sacerdotes tinham que oferecer aquelas provisões temporárias. Aqueles sacrifícios
estavam em curso e não fizeram nada para mudar a natureza pecadora do homem. Contudo,
a crucificação de Cristo foi o único e suficiente sacrifício que para sempre expiou o pecado
da humanidade e fez para sempre a paz entre Deus e o homem.

5. Os sacrifícios do Velho Testamento foram imperfeitos, temporários e terrenos. O


sacrifício expiatório de Cristo foi feito com o sangue perfeito e singular do Cordeiro de Deus.
O sangue de Cristo foi oferecido no santuário celestial e teve um beneficio eterno. O escritor
de Hebreus declarou que a nova aliança foi uma promessa e um sacrifício superior (Ef. 5:2,
Hb. 9:11-15, 24-26, 10:8-14)

D. A Páscoa prenunciou o último sacrifício expiatório, Cristo (Ex. 12)

1. Na primeira Páscoa representada em Êxodo 12, Yahweh se revelou com um Juiz,


Redentor e como Aquele que faz Alianças. A última praga do Egito trouxe o anjo da morte
para matar os filhos primogênitos. Yahweh deu um comando para os Israelitas que iria
garantir a segurança deles. Eles deviam tomar um cordeiro e mais duas coisas. Primeiro, eles
deveriam pegar o sangue e colocá-lo sobre os umbrais das duas portas das suas casas. Então
eles deviam assar o Cordeiro e comê-lo todo, incluindo suas vísceras. O sangue deveria ser

165
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

um sinal para o Senhor. Quando Ele viesse o sangue, Ele iria passar sobre aquela casa,
poupando o filho primogênito.

2. Cristo é visto como o cumprimento da Páscoa. Assim como o anjo da morte


passou sobre os Israelitas e os livrou quando viu o sangue do cordeiro pascoal sobre os
umbrais das portas dos homens, então todos que acreditarem no sacrifício expiatório do
Cordeiro de Deus irão ser livres da morte e pelo dom gratuito da vida eterna. De fato, a
morte de Jesus aconteceu durante a Páscoa (Jo. 1:29-30, 35-36, 13:1, 18:28-29, Jo.19:14, I
Co. 5:6-8).

E. Cristo é o portador do pecado. Cristo, em seu corpo, carregou a punição do nosso


pecado (Is. 53). Quando nós somos unidos a Cristo uma misteriosa troca ocorre: Ele toma o
nosso curso, de modo que nós recebemos sua benção; Ele se torna pecado com nosso pecado,
a fim de nós nos tornemos justos com sua justiça (Gl. 3:13-14, II Co. 5:21, Hb. 9:28, I Pe.
2:24-25).

F. Deus estava em Cristo – Deus nEle, em Cristo, é o nosso substituto pelo pecado.
Jesus realizou a redenção sozinho, mas “Deus estava em Cristo reconciliando o mundo para
si mesmo”(II Co. 5:19).

Nosso substituto, então, quem tomou nosso lugar e morreu nossa morte na
cruz, não foi nem Cristo sozinho (desde que faria dele um terceiro impulso
entre Deus e nós), nem Deus sozinho (desde que prejudicaria a história da
encarnação), mas Deus em Cristo, quem foi verdadeiramente e plenamente
tanto Deus e homem, e que por conta disso foi singularmente qualificado
para representar a Deus e ao homem e para fazer mediação entre eles.
Pois a essência do pecado é o homem substituindo-se por Deus, enquanto a
essência da salvação é Deus substituindo-se pelo homem. O homem afirma-
se contra Deus e coloca-se em um lugar onde apenas Deus merece estar,
Deus se sacrifica pelo homem e coloca a Si mesmo onde o homem somente
merece estar. O homem requer créditos que pertencem somente a Deus, Deus
aceita a punição que pertence somente ao homem. (Stott, The Cross of
Christ, 156, 160)
É este fato marcante que diferencia o conceito bíblico de propiciação de
noções pagãs indignas de suborno celestial e demonstra que, nas Escritura
propiciação não significa "fazer gracioso", mas "para permitir ser" gracioso.
Deus é misericordioso já na intenção, e está fazendo um caminho para sua
misericórdia operar sem prejuízo a sua justiça e verdade. O pecado é a causa
e os pecadores são os objetos de sua ira, e na expiação substitutiva Deus
remove a sua indignação manifestando-a sobre o substituto, como um
sacrifício pelo pecado, toda sua indignação santa contra o pecado, trazendo
sobre Ele toda a pena, devido à justiça divina. Assim, o próprio Deus oferece
a expiação para o pecado – tanto simbolicamente na instituição dos
sacrifícios do Antigo Testamento e efetivamente na entrega, até a morte
sacrificial do seu próprio Filho. ( Peter Lewis, The Glory of Christ, 266, 267)

G. Feliz é o homem que entra nas câmaras secretas onde a justiça e a misericórdia dão
início ao amor em ação. Feliz é aquele que entra na unidade divina da natureza do próprio
Deus. Justiça requer sentença sobre os transgressores. Misericórdia cobre o pecado, a
bondade se move para adornar a feiura. No espiral das paixões do próprio Deus, o intercessor
é convidado a entrar no lugar onde Deus ora a Deus, onde o Filho pede ao Pai que os perdoe,
e o Pai concorda, esmagando o Filho com o fardo das massas. O intercessor encontra Jesus,
166
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

crucificado no triunfo de Gólgota e lá encontra plenitude: a plenitude de Deus e a nossa


aceitação para com ela!
“Certamente Ele tomou sobre si as nossas enfermidades e levou sobre si as nossas doenças;
contudo nós o consideramos castigado por Deus, por Deus atingido e afligido. Mas Ele foi
transpassado por causa das nossas transgressões, foi esmagado por causa de nossas iniquidades, o
castigo que nos trouxe paz estava sobre Ele, e pelas suas feridas fomos curados. Todos nós, tal qual
ovelhas, nos desviamos, cada um de nós se voltou para o seu próprio caminho, e o Senhor fez cair
sobre Ele a iniquidade de todos nós”. (Is. 53: 4-6)

167
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

LIÇÃO QUATORZE
A CRUZ: A BELEZA DIVERSA DA SALVAÇÃO

I - A SALVAÇÃO PERTENCE AO SENHOR

“Depois disso olhei, e diante de mim estava uma grande multidão que ninguém podia contar,
de todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé, diante do trono e do Cordeiro, com vestes brancas
e segurando palmas. E clamavam em alta voz: ‘A salvação pertence ao nosso Deus, que se assenta
no trono, e ao Cordeiro’” (Ap. 7: 9,10)

A. A identidade cristã é estabelecida na doutrina da salvação, porque cristianismo


termina e começa neste ponto e há singularidade em abordar a questão de como a
humanidade é salva. Cristianismo é a única entre as outras religiões no sentido de que a
salvação está fora da própria humanidade, que não tem os meios para salvar a si mesma,
nem mesmo os meios para iniciar o processo. A origem da salvação para o cristão é
totalmente diferente.

B. Tem sido dito que a religião é a tentativa da humanidade para alcançar a Deus, que
habita em um lugar mais alto, a fim de ganhar o seu favor, ao passo que o cristianismo
começa com Deus, descendo para a humanidade, a fim de conceder o favor imerecido. “Deus
estava em Cristo reconciliando consigo o mundo” (II Co.5:19). O que nós não poderíamos fazer
por nós mesmos, Deus fez em Cristo e nos alcançou. Salvação começou independente da
humanidade no coração e mente de Deus. No cristianismo salvação é ser capturado pela fé
no divino, evento dramático que ocorreu na plenitude dos tempos, quando Deus enviou o
seu Filho como um sacrifício por nosso pecado e o ressuscitou da morte, vencendo a morte.

C. Neste evento divino da crucificação e ressurreição de Jesus a humanidade encontra


redenção, assim o relacionamento entre Deus e sua preciosa criação é restaurado! A Bíblia
descreve de diversas maneiras como este resgate ocorreu. Jesus nos falou que Ele veio “não
para ser servido, mas para servir e dar sua vida em resgate de muitos” (Mc.10:45). Paulo nos conta
em II Co. 5:21 que Cristo, Aquele não conhecia pecado, se fez pecado por nós. E que nós
fomos feitos justiça de Deus, nEle. Jesus levou sobre si o pecado da humanidade e sofreu as
consequências, a ira do santo Deus contra o pecado. Em Filipenses 2:8 Paulo declara que
Cristo não somente morreu, mas voluntariamente deu sua vida em obediência ao Pai.

D. I João 4 nos conta que esta redenção foi um ato de extremo amor pela humanidade.
Neste ato único da história, Deus decisivamente revelou o seu amor: “Isto é como Deus mostrou
seu amor entre nós: Ele enviou o seu único Filho ao mundo para que nós pudéssemos viver por meio
dele. “Isso é amor: Não que nós tenhamos amado a Deus, mas que Ele nos amou e enviou seu Filho
como um sacrifício expiatório pelos nossos pecados” (I Jo. 4: 9-10). Não era o Filho contra Pai,
nem o Filho passando “somente por um momento crítico do tempo” a fim de que o Pai não
destruísse a humanidade. A crucificação era uma expressão do coração de Deus.

E. Em primeiro lugar e acima de tudo, a crucificação foi um estabelecimento do amor


e da graça de Deus sobre sua preciosa criação. Deus está comprometido com o resgate da
humanidade falida, em remover o pecado do mundo pertencente a Ele. Jesus em sua
humanidade nos representa e carrega a consequência em si mesmo de toda uma raça que se
rebelou contra Deus. Além de sua divindade e do seu grande amor por sua criação, Ele tem
o seu próprio furor e supera o pecado por sua própria natureza santa.

168
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

F. Nós participamos através da fé, deste maravilhoso evento divino o qual Jesus Cristo
realizou por nós na cruz e na ressurreição. Romanos nos conta que nos apropriamos deste
belo trabalho de salvação através da fé: “Se você declarar com sua boca: ‘Jesus é o Senhor’, e crer
em seu coração que Deus o ressuscitou dos mortos, você será salvo” (Rm.10:9). Assim, na cruz nós
encontramos redenção para nossos pecados e a ressurreição nos dá esperança para nosso
futuro glorioso.

II – A MORTE DE JESUS NA CRUZ FOI VOLUNTÁRIA

A. A crucificação de Jesus foi planejada e implementada pelo Deus triuno que


livremente escolheu fazer expiação pela humanidade. Ninguém estava requerendo isso de
Deus ou forçando-o para providenciar expiação, Ele é soberano e absolutamente livre em
suas decisões.

B. Muitos costumam ver a cruz como o Filho amoroso sendo jogado entre a
humanidade pecaminosa e a ira de Deus. Nada poderia estar mais longe da verdade. A
crucificação foi o plano belo e cheio de graça do Deus triuno. As Escrituras são claras que
Jesus de bom grado deu a sua vida pelo pecado do mundo, e que Deus, o Pai, foi motivado
para dar seu Filho, para nossa salvação unicamente por amor. Esta foi a boa vontade do Pai
em dar seu Filho por nós. Em II Coríntios 5:19 Paulo nos conta que Deus estava em Cristo,
reconciliando o mundo consigo mesmo. Paulo em Efésios 2:4-8 atribui nossa salvação em
Cristo para a rica graça e amor de Deus (Jo.3:16, 10:15-17, II Co.5:19, Ef. 2:4-8, Is. 53:10)

C. A eterna alegria do Filho estava em dar sua própria vida e glorificar o Pai

1. Nascido para morrer

Pela Jordânia, João Batista testemunhou de Jesus dizendo: “Vejam, o Cordeiro de Deus
que tira o pecado do mundo!” (Jo,1:29). O arauto do deserto anunciou: “Vejam seu Rei, o marcado
para morrer, Aquele que foi designado desde o seu nascimento para ser o sacrifício pelos pecados do
mundo”.

Jesus é descrito como o “Cordeiro morto desde a fundação do mundo” (Ap.13:8). Desde o
início, o propósito divino na vida de Jesus era para ser morto pelos pecados do mundo. Pedro
tentou falar a respeito disso dizendo: “Não, Senhor, nunca!” Mas Jesus lhe respondeu dizendo:
“Arreda-te de mim Satanás!” (Mt.16:23, Mc.8:33, Lc.4:8). Jesus compreendeu que Ele havia
nascido para morrer. Pilatos procurou uma maneira de libertar Jesus, mas Jesus permaneceu
em silêncio. Ele estava determinado a trilhar seu caminho e morrer pelos nossos pecados.
2. Glorificando o Pai
“Pai, glorifico o teu nome”. Então uma voz veio do céu dizendo: “Eu já o glorifiquei e o
glorificarei novamente”. (Jo.12:28).

“Depois disso Jesus olhou para o céu e orou: ‘Pai, chegou a hora. Glorifica o teu Filho, a
para que o teu Filho te glorifique”. Jo.17:1

“Eu os fiz conhecer o teu nome, e continuarei a fazê-lo, a fim de que o amor que tens por
mim esteja neles, e eu neles esteja”. (Jo.17:26)
3. Havia um plano eterno em seu Coração: I Pe 1:17-21, Ap. 13:8
“E lhes disse: ‘Desejei ansiosamente comer esta Páscoa com vocês antes de sofrer.” (Lc.
22:15)
4. Jesus se alegrou em dar sua vida e em interceder pelos nossos pecados: Hb. 12:2,
7:25, Jo. 13:6-7, Fl. 2: 5-8

169
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

“Porque o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir , e dar a sua vida no
lugar de muitos”. (Mc.10:45)
D. O Espírito Santo participou do plano eterno a respeito da vida e da morte de Jesus

1. Ele esteve envolvido na encarnação


“O anjo respondeu: ‘O Espírito Santo virá sobre você, e o poder do Altíssimo, a cobrirá com
sua sombra. Assim, aquele que há de nascer será chamado Santo, Filho de Deus”. (Lc. 1:35)
2. Envolveu-se no reconhecimento publico do Pai de Jesus, Jesus como Filho de
Deus.
“Quando todo o povo estava sendo batizado, também Jesus o foi. E, enquanto Ele estava
orando, o céu se abriu e o Espírito Santo desceu sobre Ele em forma corpórea, como pomba. Então
veio do céu uma voz: ‘Tú és o meu Filho amado, em ti me agrado’”. (Lc. 3:21-22)

“Então João deu o seguinte testemunho: ‘Eu vi o Espírito descer dos céus como pomba e
permanecer sobre Ele. Eu não o teria reconhecido, se aquele que me enviou para batizar com água
não me tivesse dito: ‘Aquele sobre quem você vir o Espírito Santo descer e permanecer , esse é o que
batiza com o Espírito Santo’. Eu vi e testifico que este é o Filho de Deus”. (Jo. 1: 32-34)
3. Envolveu-se na expiação:
“... quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu de forma imaculada
a Deus, purificará a nossa consciência de atos que levam à morte, para que sirvamos ao Deus vivo!”
(Hb. 9:14)

III – A EFICÁCIA DA CRUZ


A. A cruz é eficaz tanto em profundidade como em alcance. Os pecados mais
hediondos são limpos pelo sangue de Jesus. Você sente o poder das primeiras palavras de
Jesus na cruz? “Pai, perdoa-os, porque eles não sabem o que eles estão fazendo.” (Lc. 23:34). O
pecado culminante da raça humana foi o assassinato de um inocente, o Filho de Deus, isento
de pecado que já havia infinitamente se humilhado ao tomar a nossa forma, vindo para nos
servir a partir do momento do seu nascimento. Em nosso pior momento, quando a
humanidade rejeitou Jesus, Ele pediu ao seu Pai para nos perdoar.

B. A queda inaugurou cinco realidades trágicas - a cruz redime todas as cinco. A cruz
salva de forma extrema, até o fim.

1. A queda nos separou de Deus, e fomos trazidos sob sua justa ira pelas nossas
transgressões. Morte física, espiritual e eterna entraram na experiência humana. Nós fomos
espiritualmente separados de Deus e fisicamente condenados a morte. Nós somos por
natureza objetos da ira. Jesus tornou-se o sacrifício expiatório por nós, por nossos pecados,
e morreu em nosso lugar, sofrendo a pena do nosso pecado, e nos levou para perto do seu
sangue, o sangue do Cordeiro sem pecado (Gn.2:17, Is.53:5-6, Rm.3:23-26, 5:9-10, Rm.6:23,
I Co. 15:21-22, 15: 51-57, Ef. 2:13, Cl. 1: 19-22).

2. A queda acumulou culpa e condenação sobre a raça humana. Foi nossa culpa que
nos levou a nos escondermos de Deus, em vez de corrermos para seu perdão e graça. No
jardim nós tentamos cobrir nossa vergonha pelo que fizemos. Mas Jesus levou nossa
desgraça quando Ele morreu nu em uma cruz, para que pudéssemos estar vestidos com a sua
justiça (Gn.3:9-10, Is.50:6, Rm.8:1, 10:9-10).

3. A humanidade não somente experimentou a separação de Deus, mas o efeito do


pecado causado pela separação e injustiça em todas as áreas dos relacionamentos humanos.
A cruz trouxe verdade para dentro do nosso relacionamento com Deus e com os outros.
Confissão e perdão removem os pecados de natureza destrutiva da nossa vida comunitária e
170
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

o mais profundo vínculo comum é formado em uma vida compartilhada mutuamente,


através de Cristo (I Jo. 1:7, Fl.2: 1-8)

4. O pecado nos colocou sob a escravidão de Satanás. Satanás estabeleceu seu Reino
no âmbito natural, seduzindo a criatura mais preciosa de Deus. A decisão de Adão e Eva era
sobre muito mais do que frutas para comer. Foi sobre o que a humanidade deveria fazer e
quem deveria seguir. Os reinos do mundo foram colocados sob a influência do Maligno. No
entanto, Jesus triunfou sobre os poderes das trevas na cruz (Cl. 1: 13-14, 2:15).

5. A criação estava sujeita a futilidade e experimentou as consequências do pecado.


A cruz tornou-se o fundamento pelo qual a humanidade e a criação encontraram sua
restauração (Ef.1:7-10).

IV. A SALVAÇAO DOS PECADORES

Nós estávamos em grande necessidade, e Deus enviou o Seu Filho na plenitude dos
tempos para salvar os pecadores. A cruz é o lugar onde os pecadores encontram refúgio. A
Linguagem por todo registro bíblico testemunha isso. A Cruz é vista como um diamante com
diferentes brilhos e de muitos ângulos diferentes, cada faceta é digna de nossa plena atenção.
Os escritores bíblicos retrataram a Cruz com uma grande variedade de linguagem ritual,
legal, e como uma aliança / familiar. O trabalho do Calvário é vasto, com uma amplitude
tão infinita quanto o céu. Este momento de seis horas no Gólgota, quando Deus foi
glorificado e salvou a humanidade será objeto de contemplação para sempre. Mesmo nos
séculos vindouros, os santos hão de refletir sobre o Cordeiro em busca de mais revelação
sobre Aquele que foi morto desde a fundação do mundo. A Cruz é o nosso acesso ao nosso
futuro, tudo está contido nesse mesmo lugar para sempre.
A. Propiciação: linguagem ritual. Propiciação é a linguagem do sacrifício e ministério.
Propiciar significa aplacar a ira, apaziguar Deus da sua indignação contra o pecado.
Propiciação significa "um sacrifício que carrega a ira de Deus até o fim
e, assim transforma a ira de Deus para conosco em favor.” Deus não é simplesmente
incomodado pelo pecado. Pecado não é um mero incômodo para Ele. Deus é provocado
pelo pecado, que provoca sua inveja por nosso amor. A justiça de Deus deve atacar e
erradicar iniquidade. Na cruz, Deus satisfez sua própria ira, derramando-a sobre Cristo.
Quando Jesus gritou: "Meu Deus, por que me desamparaste?" Ele estava levando a ira de Deus.
Você pode imaginar o quadro da alma e do corpo de um homem sofrendo a ira do poderoso
Deus? No fardo dos nossos pecados sobre Jesus, começamos a ver a força do Deus-Homem.

1. No pensamento de Paulo, o homem é alienado de Deus pelo pecado e Deus é


alienado do homem pela ira. É na morte substitutiva de Cristo que o pecado é
vencido e a ira evitada, para que Deus possa olhar para o homem sem
descontentamento e o homem possa olhar para Deus sem medo. O pecado é expiado
e Deus tem sua ira aplacada.

B. Redenção: Terminologia do Mercado


Redimir significa comprar de volta ou a compra da escravidão. Jesus Cristo nos
comprou para Deus. O Novo Testamento diversas vezes nos diz para quem o preço foi pago,
mas é claro que o sacrifício da culpa e nosso pecado foi pago ao próprio Deus. Muitos
confundem essa linguagem dizendo que Jesus pagou a dívida do pecado a Satanás. Esta
visão não é correta. Deus não deve nada a Satanás. A dívida que tinha que ser paga, era

171
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

devida a Deus pela humanidade pecadora. Jesus veio e pagou uma dívida, porque nós não
poderíamos pagá-la (Gl.3: 13-14, 4:4-5, At. 20:28, Rm.3:24-26, Ap.5:8-9)

“Pois também o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua
vida em resgate de muitos.” (Mc. 10:45)

“Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da
vossa vã maneira de viver, que por tradição recebestes dos vossos pais, mas com precioso sangue,
como de um cordeiro sem defeito e sem mancha, o sangue de Cristo”. (I Pe. 1:18-19)

C. Justificação: Terminologia Jurídica

Justificação significa ser justo diante de Deus. Em Cristo, estamos absolvidos perante
o Senhor. Deus enviou Seu Filho tanto como o advogado de defesa, quanto como Aquele
que ficou em nosso lugar para receber o castigo que nós merecíamos. (Rm.3:24-26, 5:9-11,16-
18, Gl.2:16-17)

Quando Deus justifica os pecadores, Ele não está declarando boas, pessoas que são
más, ou dizendo que elas não são mais pecadores. Na verdade Ele os pronuncia legalmente
justos, livres de qualquer responsabilidade sobre a lei que foi quebrada, Ele mesmo em Seu
Filho suportou a pena dos nossos pecados.

A graça de Deus é a fonte e o sangue de Cristo é o fundamento da nossa justificação,


a fé é apenas o meio pelo qual somos unidos a Cristo. Nós somos justificados pela graça,
através da fé e, assim, fazemos parte de uma comunidade. A partir desta fé as obras
prosseguem.

D. Reconciliação: Terminologia Familiar

A reconciliação é a linguagem de pacto e relacionamento pessoal. Dois partidos


estavam em desacordo, mas em Cristo a família é restaurada. Usando essa linguagem, o Pai
é retratado ao remover a inimizade, aproximando-nos de si mesmo, e faz paz com seus
filhos, através do sangue derramado de seu Filho Jesus. (Rm.5:9-11, Cl.1:19-22,Ef.2:13-18)

“Mas todas as coisas provêm de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Cristo, e nos
confiou o ministério da reconciliação; pois que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o
mundo, não imputando aos homens as suas transgressões; e nos encarregou da palavra da
reconciliação. De sorte que somos embaixadores por Cristo, como se Deus por nós vos exortasse.
Rogamo-vos, pois, por Cristo que vos reconcilieis com Deus. Aquele que não conheceu pecado, Deus
o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus.” (II Co. 5:18-21)

E. Em resumo: A Propiciação ressalta a ira de Deus, que havia sobre nós, a redenção,
revela que éramos cativos ao pecado, e fomos libertos. A justificação termina com a nossa
culpa, e a reconciliação desfaz nossa inimizade contra Deus e acaba com nossa alienação
em relação a Ele.

V - A REVELAÇÃO DE DEUS ATRAVÉS DA CRUZ

A. O que foi que a Cruz revelou? Glória! A Cruz glorificou a harmonia, o equilíbrio e
a perfeição das excelências de Deus. A cruz é o resumo de todas as suas virtudes, reveladas
em um momento santo – uma declaração às eras vindouras. É assim que o seu Deus é, esta
é a beleza de Deus. Por causa da cruz, não temos dúvidas sobre a sua natureza.
172
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

Depois de assim falar, Jesus, levantando os olhos ao céu, disse: “Pai, é chegada a hora;
glorifica a teu Filho, para que também o Filho te glorifique; assim como lhe deste autoridade sobre
toda a carne, para que dê a vida eterna a todos aqueles que lhe tens dado.” (Jo. 17:1-2)

Esplendor consumado em um horror monstruoso: a paixão e


a crucificação do Senhor da glória... Muito além de todas as belezas
criadas é a divina glória que resplandece deste amor insuperável que
encontramos na tortura da Semana Santa: Perfeição, mesmo
apanhando em meio ao seu próprio sangue, coroado com espinhos,
escarnecido, cuspido, ridicularizado, pregado, tudo porque Ele ama
você e eu, aqueles que em troca de tamanho amor, pecaram contra
ele. (Thomas Dubay, The Evidential Power of Beauty, pg 310-311)

B. A justiça de Deus foi revelada na Cruz

1. Na justiça de Deus, o amor não será desprezado. A justiça preservará a dignidade


do amor, a santa justiça irá contra tudo o que deseja perverter o amor de Deus. Pecados serão
julgados, e não continuarão a existir.

2. Quão comprometido Deus é para eliminar o pecado do universo? Quão


comprometido é Deus para julgar o pecado e removê-lo? Ele é comprometido o suficiente
para matar seu Filho. Precisamos compreender que a Cruz demonstra a incondicionalidade
de Deus em julgar tudo o que é profano. Jesus suportou a ira de Deus por você, mas se você
não aceitar seu sacrifício, Ele vai liberar tal ira em cima de você, no último dia.

C. O amor de Deus: o amor verdadeiro e puro foi exibido na Cruz.

A profundidade da compaixão de Deus foi exibida no


Calvário. Nada é mais precioso ao cristão que uma consciência
pessoal do amor de Deus. A falta do seu amor a sua santidade nos
aterrorizaria, o seu poder nos esmagaria e a sua eternidade (e a
nossa) seria o nosso pesadelo maior. Mas o conhecimento de que
Deus é amor, e de que em Cristo, Deus se aliançou conosco em
amor, para nos limpar do nosso pecado e nos reconciliar consigo
mesmo, para todo o sempre, nos traz tanto paz, como alegria. Em
Cristo, o poder de Deus é nossa proteção, a sua justiça é nossa
justificação e a sua eternidade nosso destino glorioso: o Deus eterno
é a nossa habitação, e por baixo estão os seus braços eternos (Dt.
33:27). (Perter Lewis, The Glory of Christ, pg 255)

A profunda compaixão e simpatia de Deus são reveladas no Calvário: I João 2:1-2,


4:9–11, Gl 2:16-17, 20-21, Jo. 3:16, Rm.1:16-17, 3:24-25, Ef.3:8-12, I Co.1:17-2:5, Cl.2:1-3,
Hb.2:17 Ap.1:5-6.

“Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, mediante a redenção que há em Cristo
Jesus, ao qual Deus propôs como propiciação, pela fé, no seu sangue, para demonstração da sua
justiça por ter ele na sua paciência, deixado de lado os delitos outrora cometidos”. (Rm. 3:24–25)

“Pelo que convinha que em tudo fosse feito semelhante a seus irmãos, para se tornar um
sumo sacerdote misericordioso e fiel nas coisas concernentes a Deus, a fim de fazer propiciação pelos
pecados do povo”. (Hb. 2:17)

D. O poder e a sabedoria de Deus foram revelados na Cruz

173
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

1. A cruz faz pouco sentido para o mundo. Deuses e messias não morrem. Paulo
declarou que a cruz é uma pedra no caminho dos judeus e loucura para os gregos (I Co.1:23).
J.C. Ryle foi sem dúvida correto, quando ele disse: “Tão extenso como o mundo é, a cruz
irá parecer loucura para o homem natural”.
E também A.W. Tozer foi certo quando disse: “Tentar encontrar um terreno comum entre
a mensagem da cruz e a razão caída do homem é tentar achar o impossível, e se persistirmos em mais
resultados teremos uma razão prejudicada, uma cruz sem sentido, e um cristianismo impotente”.

2. Para o cristão, a cruz é todo o poder e sabedoria de Deus, é o precioso momento


de amor, quando Deus, o Filho, depositou sua vida em humildade pelos pecadores do
mundo. É o momento épico para a justiça, onde Deus confirmou o seu próprio padrão de
justiça. Nós todos olhamos a cruz, em toda a sua grandeza, com a boca coberta e o rosto no
pó, não dizendo nada mais do que “obrigado” em nossos corações.

3. A mensagem da cruz deve ser anunciada em toda Terra, ela é a revelação do amor
de Deus, é o poder e a justiça sendo manifestas, é o único e verdadeiro caminho para a
salvação. Os primeiros apóstolos pregaram sobre a cruz intensamente, as cartas de Paulo
contém preciosas revelações sobre o poder da cruz, assim como toda a história da Igreja é
baseada na cruz. Essa mensagem precisa ser restaurada hoje, ela deve ser pregada em todas
as nações, para que o nome de Jesus Cristo seja feito grande nessa Terra!

"Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e ser-me-eis testemunhas, tanto
em Jerusalém, como em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra." (At. 1:8)

E. A Cruz revela a humildade de Deus

1 . Jesus foi a primeira expressão da humildade de Deus sobre a Terra. Essa humildade
esteve no Pai desde a eternidade passada, não é uma nova força, mas uma nova revelação.
A maior expressão da humildade de Deus foi quando Ele enviou seu Filho para viver nessa
Terra por 33 anos, deixando de lado todos os seus privilégios divinos. Jesus era
completamente Deus, mas viveu aqui como se não fosse mais do que apenas um homem.
2 . Em Filipenses 2 encontramos uma grande declaração sobre a humildade de
Deus, em Cristo (Fl.2:5-10). Jesus aniquilou a si mesmo, abriu mão de sua reputação diante
dos homens. Nele não se achava beleza alguma, Ele foi rejeitado, criticado, maltratado,
passou fome, sede e por muitas vezes esteve cansado. Tudo isso porque abriu mão dos seus
privilégios divinos.
3 . A maior revelação de Deus em Jesus não foi o seu poder, mas sua humildade.
Podemos considerar que grande milagre no ministério de Jesus não foi o que ele fez, mas
talvez o que Ele deixou de fazer. Todos os mortos não foram levantados junto com Lázaro,
no dia em que Jesus o ressuscitou, porque Jesus estava contendo o seu poder, porque ainda
não era o momento da sua completa revelação.

4 . Os homens sempre desejaram ver o poder de Deus sendo manifesto na Terra, mas
Deus também deseja ser contemplado em sua humildade. Por que? Porque a nação de Israel,
por exemplo, viu muito desse poder, mas o poder em sí, não a transformou, foi necessário a
revelação dos afetos divinos para tocar Israel, a revelação de um Deus humilde, que não
desiste dos seus, e que continuou a lutar por aquela nação infiel, como um marido luta por
sua esposa até o fim!

5. A humildade de Deus revelada em Cristo, impacta a humanidade até hoje e


continua a transformar vidas e a mudar destinos. Aquele que se tornou o único padrão de
medida para o homem na Terra, transformará as nações para sempre!

174
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

VI. A BATALHA CONTRA O MAL

A. A remissão também é vista como a destruição de todos os feitos do diabo e como a


libertação da humanidade, que vivia debaixo do controle e da escravidão de Satanás. O
inimigo de Deus, que nos enganou no Jardim e usurpou nossa autoridade sobre a criação,
perdeu a sua autoridade sobre a humanidade. O pecado foi expiado, e poder foi dado à
humanidade para superar a tentação e o pecado.

A arma que destrói a alma, o pecado e a culpa é tomada das


mãos de Satanás. Ele está desarmado da única arma que pode nos
condenar – o pecado imperdoável... apenas o pecado não perdoado
pode condenar a alma e fazer da morte uma porta para o inferno,
não para o céu. (John Piper, Seeing and Savoring Jesus Christ, pg
83)

B. Cristo batalhou com os poderes demoníacos em sua morte e os derrotou. Nos


fomos libertos da morte, do inferno e do pecado através do sangue de Cristo. (Rm. 8:37-39,
I Co. 15:56-57, II Co.2:14, Cl.2:13-15, Hb.2:14-18, I Jo.3:8, Ap.12:11)

“O aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei. Mas graça a Deus que nos dá
a vitória por nosso Senhor Jesus Cristo.” (I Co. 15:56-57)

“Mas em todas estas coisas somos mais que vencedores, por aquele que nos amou. Porque
estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem anjos, nem principados, nem coisas presentes,
nem futuras, nem potestades, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura nos
poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor”. (Rm. 8:37-39)

C. Em Apocalipse 1:17–18, Jesus falou a João: "Joao, não tenha medo. Eu tenho as chaves
da morte e do inferno. Conquistei e venci o inimigo, eu tenho o direito. Agora eu possuo o acesso aos
seres humanos, de modo que, quando morrerem, irão direto a Deus. Desarmei o poder do Seol. A
morada dos mortos foi desarmada. Não tema, João. Você nunca sofrerá o dano da morte"!
D. Você pode imaginar a hora em que a escuridão reinou, quando o inimigo
convenceu Jerusalém, Israel e as pessoas da liderança para matarem o Filho? Mas nesse
momento, quando sangue sagrado foi espalhado naquela madeira, um tremor foi liberado
pelos poderes das trevas. As hordas do inferno compreenderam que o sangue de Jesus
intercedia pelo perdão do pecado da humanidade.

E. Quando o Filho do Homem, o general militar, foi levantado, Ele avaliou o campo
de batalha de um lugar alto - do ponto de vista do Calvário. Nesse momento, quando o seu
sangue Santo e precioso tocou o chão e a remissão foi feita, a batalha foi ganha. A Cruz é
uma vitória militar! E Ele fez isso em mansidão. A primeira batalha foi ganha pelo Cordeiro
em mansidão. A próxima batalha será ganhada pelo Leão da Tribo de Judá, numa exibição
aberta de poder, a medida que Ele prende Satanás e liberta os cativos.

F. E. Stanley Jones afirmou uma vez: “Quando Satanás atacar você, ordene a ele em nome
de Jesus que dobre seu pescoço. Na parte de trás você vai encontrar marcas de um pé com cicatrizes de
pregos!”

175
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

LIÇÃO QUINZE
A CRUZ: A BUSCA INEXORÁVEL PELO NOIVO
I – A CRUZ – O PREÇO APROPRIADO DO AMOR

“Vejam como é grande o amor que o Pai nos concedeu: sermos chamados filhos de Deus, o
que de fato somos! Por isso o mundo não nos conhece, porque não o conheceu.” I Jo. 3:1

A. Alguma vez você já se perguntou sobre as regras que foram criadas para fazer
expiação? Quem decidiu que para expiação seria necessário o derramamento de sangue?
Existe algum livro no céu sobre o assunto que Deus precisou consultar?

B. Alguns parecem imaginar que a queda pegou Deus de surpresa, como se os anjos
estivessem nervosamente sussurrando um ao outro: "Oh! Não, eles caíram! Alguém pegue o livro
sobre expiação! Yahweh precisa para saber o que fazer a seguir.” Então os serafins teriam se
embaralhado ansiosamente ao redor, para encontrar o livro de regras sobre a redenção.
Assim de algum lugar do céu, eles o trouxeram para o Pai, dizendo: “O livro parece dizer que
só pelo derramamento de sangue a expiação pode ser feita!”

C. Outros não compreendem a questão toda, e pensam que todo o conceito de


sacrifício é um pouco estranho, mesmo que ligeiramente bárbaro. Outros vão mais longe,
denunciando a ideia de fazer expiação por meio do derramamento de sangue, acreditando
ser algo muito violento e abusivo.

D. Contudo, o sacrifício expiatório de Deus nunca foi uma ordem forçada, nem uma
abordagem estranha ou arcaica de salvação para a humanidade. De fato, é essencial que
possamos compreender isso. Não existe padrão fora de Deus, não há outro padrão no qual
Deus devesse estar em conformidade. O próprio Deus é o padrão. Expiação veio através do
sacrifício, e retrata duas verdades dramáticas:

1. Primeiro, pecado é dispendioso, e o sistema sacrificial nos faz lembrar da


natureza dispendiosa do nosso pecado. Expiação poder ser feita somente através do
derramamento de sangue precioso. Pecado não é algo que aconteceu por acaso ou por
acidente e tem separado toda a raça humana de uma comunhão íntima com Deus e da
comunhão proposta com os outros. Pecado tem sacrificado milhares de vidas por meio da
guerra, estupro, escravidão, ciúme e cobiça. O sistema de sacrifício nos faz lembrar que o
“salário do pecado é a morte” (Rm.6:23). Nosso pecado tem nos custado muito, e nosso pecado
custou muito para Jesus também. Pecado não pode simplesmente ser perdoado e esquecido
- não mais do que as incontáveis vidas perdidas na Segunda Guerra Mundial poderiam ser
ignoradas. De fato, os sobreviventes do holocausto judeu nos fazem lembrar de ‘nunca
esquecer’ o que Hitler fez com seis milhões de mães judias, pais, sobrinhos, primos e outros
membros da família.

Deus, por causa da sua graça quis perdoar os homens


pecadores e, sendo verdadeiramente misericordioso, quis perdoá-los
com justiça, isto é, sem de modo algum tolerar seu pecado, se
propôs a dirigir contra si mesmo, na pessoa do seu Filho o peso total
da justa ira que eles mereciam”. (Charles Granfiel, The Cross of
Christ, pg 134)

2. Segundo, através do sacrifício de Jesus, Deus desejou exibir as profundezas de


seu sofrimento, e do seu amor tenaz. Até onde Deus iria por amor? Deus projetou a expiação
precisamente desta forma, porque há uma profundidade infinita de amor em seu coração que
176
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

está disposto a derramar-se até mesmo ao ponto da auto-entrega e do auto-sacrifício. A


profundidade do seu amor deve ser vista. Deus não apenas fez provisão para expiação, Ele
projetou a expiação de tal forma que mostra a grandeza do seu amor e a tenacidade do seu
coração para se sacrificar por causa do amor. O apóstolo João nos fala para olhar esta forma
de amor, e ao fazê-lo cairemos apaixonados por nosso Noivo Rei. É por isso que nós o
chamamos Maravilhoso Conselheiro, Deus Todo-Poderoso, Pai da Eternidade e Príncipe da
paz (Is.9:6).

II - VENDO A CRUZ ATRAVÉS DO PARADIGMA DA NOIVA

A. A Cruz foi mais que absolvição legal, e foi mais que substituição penal. A Cruz
foi um acontecimento glorioso, foi a evidência do coração extravagante de um Noivo
encantador, que estava disposto a lutar pela Noiva prometida a Ele pelo Seu Pai.

B. Desde o início, o Pai prometeu ao Seu Filho uma companheira: uma esposa com
jugo igual, em luz e amor, adornada com a virtude da Própria Divindade. (Ef.1:4) Esta Noiva
faria parte das próprias afeições da Trindade. Seria vestida com santidade e adornada com a
paixão inflamada de um adorador doente de amor. Amaria o Filho, como o Pai ama o Filho.
Amaria o Pai, como o Filho ama o Pai. Esta história é a história de romance de todas as
eras.

C. A pequena “Noiva de Cristo” qualifica e descreve o tipo de afeição que Deus tem
pelo seu povo. Posicionalmente nós somos filhos de Deus. Como redimidos, somos a
aristocracia do céu, co-herdeiros com Cristo; fomos feitos por Deus na sua imagem, para
governar e reinar com Ele para sempre. Porém, a Bíblia não descreve apenas a nossa função
na ordem da criação de Deus; mas também descreve a qualidade do nosso relacionamento
com Ele. Nosso relacionamento vai além de um acordo contratual e obediência fiel. Ele deve
ser caracterizado por amor e desejo ardente e fervoroso, da mesma maneira que um noivo e
uma noiva anseiam e amam um ao outro. É exatamente por isso que a Bíblia começa e acaba
com um casamento. Nós fomos feitos para o amor, e não funcionamos bem de qualquer
outra maneira.

D. Deus é um noivo no núcleo do seu coração. Nós somos uma noiva corporativa,
amada e querida através do nosso Noivo Jesus. Como cristãos somos muito mais que
subordinados e servos – nós somos filhos do nosso Pai dos céus. A Bíblia ainda declara que
esse relacionamento é ainda mais profundo do que o amor familiar. Ele se estende para a
fervente paixão e amor existente somente entre em marido e uma esposa, assim, nossa
resposta vai além da obediência e segurança para uma fervorosa parceria de amor.
E. Se não vivermos apaixonadamente, então estaremos suscetíveis aos piores
torturadores da alma: o tédio espiritual e o legalismo duro. Nos tornaremos suscetíveis a toda
a forma de pecado e falta de retidão, se a paixão e o amor ardente não estiverem no centro
do nosso relacionamento com Deus.

F. O Senhor tem aguardado com grande expectativa a ceia das bodas do Cordeiro,
um momento culminante na redenção, quando Cristo é apresentado com uma Noiva que "se
aprontou" (Ap. 19:1-9).

1. Para podermos entender completamente a Cruz, precisamos primeiro entender


o produto final da redenção. A redenção é consumada em um banquete de casamento, e com
a Noiva de Cristo vestida de branco. É consumado no jantar de casamento do Cordeiro.

2. No fim do dia, os santos não serão identificados primariamente como os


absolvidos; antes, os redimidos serão apresentados como a esposa do Cordeiro. No fim, você
e eu seremos estabelecidos numa identidade na qual não podemos nem imaginar. A
177
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

prostituta que foi uma vez infiel será tornada a esposa do Cordeiro, a Noiva do Rei dos Reis
e dos Senhor dos Senhores.

3. No coração e na mente de Deus este casamento é o plano pelo qual a Trindade


operou desde o começo. É a razão pela qual Ele desenhou a remissão da maneira que Ele
fez. É a razão pela qual Ele determinou que o derramar de sangue fosse o método de
sacrifício pelos pecados. É a razão pela qual Ele demonstraria tais profundezas de amor
sacrificial, para ganhar de volta uma noiva. Deus Pai move todas as coisas em torno do
casamento, a fim de dar uma companheira ao Seu Filho. O Filho, na sua morte e
ressurreição, assegurou aquilo que o Pai prometeu, e o Espírito agora enche os prometidos e
os traz a perfeição.

G. O dote era o pagamento que garantia uma noiva baseada na sua posição social. A
Cruz foi nosso dote. A glória e a beleza da noiva foi equivalente ao preço do dote. Não existe
nenhum preço mais alto do que Deus se dando por inteiro, por amor. É isto que você vale
para Deus - o equivalente ao Seu Filho derramando o Seu sangue num madeiro. Da Cruz
nós ouvimos o grito do Filho: "Com tudo o que tenho e com tudo o que sou, Eu te honro".

H. Isto é precisamente porque a Bíblia começa e termina com um casamento. Amor


é para o que nós fomos feitos, e nós não funcionaremos corretamente com outras coisas
menores. Quando os cristãos compreenderem a natureza de Deus como um Noivo, então
eles serão capacitados a viver apaixonadamente pelo Senhor.

III. A VINDA DE UM NOIVO QUE LUTA PELA SUA NOIVA ATÉ A MORTE

A. No início da criação Deus revelou um desejo consumidor em seu coração, um dia


que Ele anseia com grande expectativa: O casamento do seu Amado Filho (Ap. 19:6-10)

“Então o Senhor Deus fez cair um sono pesado sobre o homem, e este adormeceu; tomou-lhe,
então, uma das costelas, e fechou a carne em seu lugar; e da costela que o senhor Deus lhe tomara,
formou a mulher e a trouxe ao homem. Então disse o homem: Esta é agora osso dos meus ossos, e
carne da minha carne; ela será chamada varoa, porquanto do varão foi tomada. Portanto deixará
o homem a seu pai e a sua mãe, e unir-se-á ã sua mulher, e serão uma só carne”. (Gn. 2:21-24)

1. Desde o início, Deus prenunciou o dia glorioso que viria quando o segundo Adão
(Jesus) seria colocado para dormir e uma Noiva bela seria gerada do Seu lado.

2. A formação do homem não foi como os céus, que vieram por uma simples palavra
criativa. A própria mão da Palavra trabalhou para fazer esta obra-prima, e o Seu próprio
fôlego trouxe a Sua obra uma alma viva. O próprio fôlego e força da vida de Deus moldaram
e formaram o coração do homem. Deus deixou a Sua marca indelével sobre Adão, o Seu
fôlego sagrado enchendo uma alma preciosa.

3. Desde o início, Deus definiu a realidade para o homem neste jardim. Deus
desejou uma companheira para Adão. Isto não foi um plano alternativo para um sistema
sem sucesso. Isto foi o esclarecer da realidade para o homem e foi o prenunciar profético da
natureza da vinda do segundo Adão. Assim como Deus desejou criar a humanidade à sua
imagem e uní-la a Si mesmo na pessoa do Seu Filho, então Deus desejou que o primeiro
Adão fosse unido a uma companheira.

4. Deus usou a solidão para cultivar algo no coração de Adão. Deus criou desejo no
seu coração e fez com que Adão passasse por um processo rigoroso de reconhecimento do

178
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

que lhe faltava. A solidão se tornou o lugar de nascimento de desejo e anseio. A solidão
pressupõe desejo e anseio. Sem solidão, desejo por algo mais é impossível. Adão carregou o
peso de nomear tudo que foi criado, enquanto o seu coração notava que algo estava faltando
e também que algo estava sendo inflamado. O desejo por uma companheira crescia. Deus
estava dando a maior lição para que Adão pudesse entender algo sobre ele mesmo. Ele era
uma criatura de desejo e intimidade, feito na imagem do Seu Criador. O desejo no coração
de Deus por comunhão é selado na própria natureza dos seres humanos.

Este foi o projeto de Deus: criar desejo e paixão no coração do homem. O homem,
como nenhuma outra criatura, foi projetado para sentir o anseio do amor, a busca inexorável
do coração por outra pessoa. A humanidade compartilharia da experiência de Deus com o
amor desejoso.

B. Nós vemos o prenuncio da Cruz de Cristo no início da criação. A Noiva de


ambos, o primeiro e o segundo Adão, seria gerada pelo amor sofredor do Noivo. O Deus
sábio estabeleceu a história do Seu Filho e a Sua Noiva desde o começo. Adão ansiou por
uma companheira. No Seu desejo, o Pai Celestial satisfez o seu coração, primeiro pondo-o
à dormir. Do lado quebrado de Adão, Deus moldou uma esposa bela para o Seu filho belo e
a trouxe a Adão. É a história das eras. O casamento das eras é escrito desde o começo no
DNA da humanidade.

1. Isto é um quadro do noivado divino que Deus planejou para o Seu Filho.
Necessitará uma intervenção sobrenatural de Deus para este casamento acontecer. O Filho
anseia por uma companheira, o Pai O põe para dormir e forma sua noiva do lado ferido do
Filho, e o Espírito traz a Esposa bela ao Filho com grande alegria.

2. Em um clímax de amor, Deus estruturaria toda a sociedade ao redor da realidade


de um homem e uma mulher que desejam estar juntos, para nos levar ao maior desejo de
todos: o coração humano desejando ser unido ao seu Criador e Rei (Gn. 2: 24)

C. O pacto formado no Monte Sinai foi mais do que um contrato de servidão entre
Yahweh e Israel, foi um pacto de amor. Israel era um tesouro especial, um povo escolhido
entre todas as nações e chamado a não quebrar esse pacto por adultério, o que despertaria o
zelo de Deus. O Senhor é retratado como um marido ciumento que não irá nos compartilhar
com nenhum outro (Ex. 19:5-6, 20:4-5, Dt.7:3-9, 10:14-15)

“Não contrairás com elas matrimônios; não darás tuas filhas a seus filhos, e não tomarás
suas filhas para teus filhos; pois fariam teus filhos desviarem-se de mim, para servirem a outros
deuses; e a ira do Senhor se acenderia contra vós, e depressa vos consumiria. Mas assim lhes fareis:
Derrubareis os seus altares, quebrareis as suas colunas, cortareis os seus asserins, e queimareis a
fogo as suas imagens esculpidas. Porque tu és povo santo ao Senhor teu Deus; o Senhor teu Deus
te escolheu, a fim de lhe seres o seu próprio povo, acima de todos os povos que há sobre a terra. O
Senhor não tomou prazer em vós nem vos escolheu porque fôsseis mais numerosos do que todos os
outros povos, pois éreis menos em número do que qualquer povo; mas, porque o Senhor vos amou,
e porque quis guardar o juramento que fizera a vossos pais, foi que vos tirou com mão forte e vos
resgatou da casa da servidão, da mão de Faraó, rei do Egito. Saberás, pois, que o Senhor teu Deus
é que é Deus, o Deus fiel, que guarda o pacto e a misericórdia, até mil gerações, aos que o amam e
guardam os seus mandamentos”. (Dt. 7:3-9)

D. Salmo 45 é um salmo de casamento descrevendo o Messias e sua gloriosa Noiva,


Hebreus 1: 8-9 cita o Salmo 45:6-7e claramente identifica o noivo neste Salmo como Jesus o
Messias.

179
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

E. O Livro de Oséias foi o primeiro de todos os livros proféticos escritos. O profeta


Oséias revela o amor de Yahweh através de sua vida e casamento com Gomer, a prostituta.

“Eu me casarei com você para sempre, eu me casarei com você com justiça e retidão, com
amor e compaixão. Eu me casarei com você com fidelidade e você reconhecerá o Senhor.” (Os. 2:
19, 20)

No livro de Oséias, sua esposa Gomer continua seu padrão de adultério, até mesmo
ao ponto de tonar-se escrava, pelos prazeres de outro homem. A dor de Oséias é aguda
quando ele levanta os filhos da prostituição de Gomer. Traição, adultério e desamparo estão
pesando sobre Oseias e abatendo o seu coração. No meio da sua dor, a voz de Deus dá
comandos a Oséias: “Vai outra vez, ama uma mulher que é amada por um amante e está cometendo
adultério, assim como é o amor do Senhor para com os Filhos de Israel, que olham para outros deuses,
e amam o bolo de passas dos pagãos.” O comando de Deus para Oséias foi para que ele
continuasse amando Gomer e a comprasse de volta. A graça e o amor de Deus são os fatores
atenuantes. Deus amou pessoas indignas e escolheu mostrar graça a elas. Então Oséias é
trazido para o turbilhão de amor insondável de Deus. Isso foi como se o Senhor estivesse
dizendo para Oséias: “A paixão que me leva a ser provocado pelo pecado de Israel é a mesma paixão
que leva-me a amar e buscar Israel”. Oséias vai em uma viagem de descoberta de misericórdia e
amor nas profundezas de sua dor e caridosa benevolência. (Os. 6:1, 11: 8-9)

1. Profetas suportam os encargos do coração de Deus sobre o Seu povo. O profeta


não é um porta-voz, mas uma pessoa, não um instrumento, mas um parceiro de Deus ...
Uma análise de expressões proféticas mostram que a experiência fundamental do profeta é
uma comunhão com os sentimentos de Deus, uma simpatia com o ‘pathos’ divino, uma
comunhão com o divino na consciência que vem através da reflexão sobre o profeta, ou
participação no ‘pathos’ divino.

2. A Cruz é o momento em que a glória de Deus e o amor são apresentados como


em nenhum outro. Assim é como a glória se apresenta. É sobre abandonar a sua própria vida
em busca de salvar o outro. É humilhar-se sem sentir vergonha, por amor. Era esperado que
esse sacrifício partisse de um fidalgo por sua donzela. No entanto, para um rei escolher a
vergonha, o sofrimento, a humilhação e desonra por uma prostituta é inédito nas crônicas
reais. A vida de um rei por uma experiente meretriz? Insanidade! Ridículo! Mas o Céu chama
esse escândalo de ato de glória.

3. A cruz é a consequência do que Deus falou ao profeta Oséias muito antes. "Vai
outra vez, ama uma mulher que é amada por um amante e está cometendo adultério, assim como o
amor do Senhor para com os filhos de Israel, que olham para outros deuses e amam os bolos de passas
dos pagãos" (Os. 3:1). Oséias casou com a prostituta Gomer e ela continuou a perseguir outros
amantes, cometendo adultério após adultério e, finalmente, acabou como escrava de outro
homem. E pelo mesmo preço da taxa da traição de Judas, Oséias a comprou de volta. A
Cruz é o grande "faça novamente" de Deus. É a recusa do amor em desistir do objeto de sua
afeição.

4. Até onde vai o amor? Na medida em que o leva, mesmo na encostas dos lugares
distantes, onde os braços são esticados, as articulações são rasgadas, o sangue é derramado,
e sussurro fraco alcança os céus, dizendo: "Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem" (Lc.
23:34).

Disse-me o Senhor: Vai outra vez, ama uma mulher, amada de seu amigo, e adúltera, como
o Senhor ama os filhos de Israel, embora eles se desviem para outros deuses, e amem passas de uvas.
(Os. 3:1)

180
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

F. Isaías recebeu uma significante revelação que nosso Criador é o nosso Marido.
Isaías 53 descreve o sofrimento, morte e ressurreição do Messias em nome do pecado do seu
povo. Imediatamente no capítulo seguinte, Isaías anuncia que Yahweh não foi somente o
comprador de Israel, mas é também o seu marido. O primeiro propósito de Deus para a
criação foi intimidade. Ele nos criou predominantemente para um relacionamento com Ele,
não para um grandeza revelada de sua superioridade. A partir da perspectiva do céu o pacto
entre Deus e o homem não é definido como um contrato de serviço mas como um pacto de
casamento. Deus tem prazer um nos e se alegra em nós como um noivo se regozija em sua
noiva (Is. 54:5, 62:1-5)

“Por amor de Sião, me não calarei e, por amor de Jerusalém, não me aquietarei, até que
saia a sua justiça como um resplendor, e a sua salvação, como uma tocha acesa. As nações verão a
tua justiça, e todos os reis, a tua glória; e serás chamada por um nome novo, que a boca do
SENHOR designará. Serás uma coroa de glória na mão do SENHOR, um diadema real na mão
do teu Deus. Nunca mais te chamarão Desamparada, nem a tua terra se denominará jamais
Desolada; mas chamar-te-ão Minha-Delícia; e à tua terra, Desposada; porque o Senhor se delicia
em ti; e a tua terra se desposará. Porque, como o jovem desposa a donzela, assim teus filhos te
desposarão a ti; como o noivo se alegra da noiva, assim de ti se alegrará o teu Deus”. (Is. 62:1-5)

G. Em Jeremias 2:1-3:1, os profetas reiteram a verdade de Deus sendo marido de


Israel e fazem disso a base de seu apelo para que Israel se arrepender e voltar para Ele (Jr.
3:1,14)

H. A mensagem de Ezequiel 16 é: "O noivo está aqui, Ele vai mostrar sua paixão para
ganhar você."

IV - UM NOIVO IMPLACÁVEL

A. João testificou que a vinda de Jesus era como um noivo vindo para uma noiva.

Aquele que tem a noiva é o noivo; mas o amigo do noivo, que está presente e o ouve, regozija-
se muito com a voz do noivo. Assim, pois, este meu gozo está completo. (Jo. 3:29)

B. Mateus 22 Jesus comunica o contexto do que estava acontecendo em Jerusalém


durante a Semana Santa (Cf. Mt. 25:1-13). Entre a glória do Templo, a regalia dos anciãos e
líderes religiosos, e a inconstância da multidão, Jesus revelou que tudo isso fazia parte do
plano de Seu Pai para arranjar um casamento para seu Filho. Poucos dias mais tarde Jesus
pagou o dote por sua Noiva com a entrega da sua própria vida.

“Então Jesus tornou a falar-lhes por parábolas, dizendo: “O reino dos céus é semelhante a
um rei que celebrou as bodas de seu filho.” (Mt. 22:1-2)

1. A oração sacerdotal de Jesus, horas antes da Cruz revelam seu desejo por nós
(João 17). Nós somos o objeto de Suas afeições. Ele anseia por uma companheira. A Bíblia
começa com um casamento e termina com o jantar do casamento do Cordeiro. De fato, no
final do livro do Apocalipse, somos nós como a Noiva de Cristo, que gritamos, "Maranata!
Vem Senhor Jesus." Deus não pode ser um espectador nos assuntos dos homens, eles são o
objeto de Suas afeições. Apatia e indiferença não são opções para a humanidade, pois o
próprio Deus, nosso amado Criador e Pai, colocou Suas afeições em cima de nós. (Jo.17:24-
26)

181
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

2. Somos as criaturas feitas à imagem de Deus, para Deus, criados para sermos uma
companhia eterna e co-herdeiros com Cristo para sempre. Jesus é humano até agora, e Ele
manterá um corpo humano ressuscitado para sempre. Ele se aliou a nós para sempre.

3. O Pai e o Filho estão em concordância. O Pai quer dar à Seu filho uma noiva e o
Filho, quer uma eterna companhia com Ele, onde Ele está, em plena parceria com Ele e
adornada com Sua beleza. Esta oração de concordância sela o fim de Satanás e sua opressão
da humanidade. Esta oração envia ondas de choque através do reino demoníaco

a. Paul interpretou todo o seu ministério como o de preparar uma Noiva para o
Noivo (II Co.11:2)

Em Efésios 5, Paulo estava exortando a igreja sobre as relações conjugais. De repente, ele
voltou-se para o grande mistério de Deus, desejando unir a Si mesmo a humanidade, em
Cristo (Ef. 5:30-32)

4. O livro de Apocalipse revela o santo desejo de Cristo de restaurar todas as coisas


ao seu propósito inicial de criação. A noiva é o ponto focal de Suas afeições. Em Apocalipse,
vemos a liderança de Jesus trazendo a Igreja, Sua Esposa, à um amor de todo o coração e
pureza nos níveis mais profundos possíveis, enquanto remove a iniquidade e julga o pecado.
Apocalipse 22:17 nos informa que a Igreja irá ser cheia de união com o Espírito Santo em
sua identidade como a Noiva de Cristo, e clamará pelo retorno do se u Amado! (Ap.1:4-6)

182
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

LIÇÃO DEZESSEIS
A CRUZ: O DELEITE DOS SANTOS
I - CONTEMPLANDO CRISTO CRUCIFICADO

A.A chave para compreender como crescer em paixão por Jesus é dada em I João
4:19: “Nós o amamos porque Ele nos amou primeiro.” Em outras palavras, nosso amor por
Jesus é proporcional a nossa compreensão do seu amor por nós. Nosso amor não é auto
gerado pelo esforço de uma energia mental. Nossa habilidade para amar a Deus é uma
resposta para a recepção e compreensão do seu amor por nós. Davi refletiu essa verdade
buscando a Deus por toda sua vida, para ampliar seu coração e poder obedecer a todos os
comandos do Senhor.

“Corro pelo caminho que os teus mandamentos apontam, pois me deste maior
entendimento.” (Sl.119:32)

“Ensina-me Senhor, o teu caminho, e andarei na tua verdade, une o meu coração ao temor
do teu nome.” (Sl. 86:11)

A recepção e a compreensão deste amor é mais do que sentimentos "ardentes".


B.
João definiu a cruz de Cristo como o lugar onde nós testemunhamos o amor de Deus ao
extremo, e a maior resposta de amor no coração humano é provocada!

“Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco: que Deus enviou seu Filho unigênito ao
mundo, para que por Ele vivamos. Nisto está o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus,
mas em que Ele nos amou e enviou seu Filho para propiciação pelos nossos pecados.” (I Jo. 4:9-
10)

C. João nos ordena a ver que grande amor o Pai nos concedeu a tal ponto de
sermos chamados seus filhos, somos chamados para contemplar o quanto Deus nos amou.
Veja isto! Contemple! Olhe para o que Deus fez! Veja como o quão longe o seu amor já foi
para garantir o nosso amor e a nossa salvação. A cruz se torna o objeto de meditação que
amacia o nosso coração (I Jo. 3: 1-2).

II - A CRUZ GERA GRANDE AFEIÇÃO NO CORAÇÃO DO CRISTÃO

A. Como a Cruz afeta o comportamento cristão? Quais são as respostas que a Cruz
suscita no coração de um cristão? Como a cruz de Cristo impacta a comunidade dos cristãos?

B. Deus criou a expiação conhecendo o seu poder para causar grande amor e
devoção por Ele. Expiação era mais do que uma exigência legal para a vida eterna. Ele
simplesmente não se limitou a estabelecer uma expiação estéril, onde seguimos algumas
orientações. Deus, em sua brilhante criatividade, designou a expiação para provocar uma
resposta de amor no coração humano. Na cruz, vemos a grandeza do amor e ela dá forma a
todas as suas implicações (Jo. 15: 13, Rm. 5: 6-9)

“Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos”. (Jo.
15:13)

C. A Cruz é o grande "SIM"! de Deus para a humanidade. A Cruz é uma declaração


do desejo de Deus e de seu compromisso para com os seres humanos. É o carimbo oficial do
seu amor. É o lugar onde a humanidade foi eternamente afirmada no coração de Deus e
diante dos olhos de todos.
183
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

D. À medida que contemplamos a ternura de Jesus exibida na cruz, nosso coração


cresce no amor por Aquele que ama como nenhum outro.

1. A cruz apreende nossas afeições e amorosamente nos marca com "a ferida
divina". O que é a ferida divina? É quando o coração se despedaça, transpassado pela flecha
do amor de Deus. A estratégia de Deus é gerar amor voluntário de um coração que se doa
ao desejo sem restrições. Assim, Ele se revela para o vaso de tal forma que o deixa indefeso
às afeições de Deus. A divina ferida é na verdade o despertar inicial de um coração deixado
em dor por sua incompletude. É o coração carente por consumação. Uma vez despertado
pelo Grande Amante, o coração tem vida o suficiente para almejar a promessa de plenitude
trazida no primeiro toque.

2. O clamor do coração de Jesus em João 17 é que nós pudéssemos estar com Ele
onde Ele está, contemplando a sua glória, e apaixonados por Ele da mesma forma que o Pai
o ama. O desejo do Senhor é que ao encontrarmos sua auto-revelação, sua Palavra, nós
sejamos sinceramente apaixonados por Ele. Contemplar a cruz produzirá grande fascinação,
tremor e amor!

“Pai, desejo que onde eu estou, estejam comigo também aqueles que me tens dado, para
verem a minha glória, a qual me deste; pois que me amaste antes da fundação do mundo. Pai justo,
o mundo não te conheceu, mas eu te conheço; conheceram que tu me enviaste; e eu lhes fiz conhecer
o teu nome, e o farei conhecer ainda; para que haja neles aquele amor com que me amaste, e também
eu neles esteja”. (Jo.17:24-26)

3. A ternura de Jesus nos fere porque coração humano não tem defesa contra duas
coisas: misericórdia imerecida e bondade incondicional. Jesus supera o coração e o deixa
rasgado por nos amar onde estamos e da forma que somos. Estamos acostumados a criar
sombras e ilusões para que os outros nos dêem o seu amor. Enquanto isso, todas essas coisas
alimentam as fortalezas em que nos escondemos. Mas eles nunca alcançam o nosso coração,
solitário, em sua condição humilde. Jesus move-se através da camada de ilusões para falar
diretamente ao coração. Após a recepção de tamanha bondade, o coração não tem mais
defesas. Ele entra em colapso, apenas para ser capturado pelo “gentil Amante” que
compartilha Dele próprio, transformando-nos nos níveis mais profundos.

4. A Cruz gera servos que foram feridos por amor e que farão qualquer coisa para
tê-lo novamente. A pregação apostólica, no N.T., fluiu de uma ferida de amor. A verdade é
que amor de Cristo os impelia. Eles eram separados por amor a Ele somente. Acima da
função, acima de lugar e posição, eles queriam Jesus e sua manifestação em suas vidas. Eles
eram loucos de amor por Jesus.
5. A cruz santifica as pessoas para Cristo. A Cruz produz nelas o perfume de amor
por Jesus. Por causa da cruz elas anseiam por Ele mais do que o prestígio de uma plataforma
ou ministério. Elas seguem o caminho de Jesus, Aquele que abandonou sua própria
reputação. Por causa da cruz elas consideram a honra e o prazer de amá-lo e conhecê-lo
acima de toda honra e alegria terrestre, trabalhando só para trazê-lo de volta à Terra, pois
seria melhor se Ele estivesse aqui. (Fl. 3: 4-13)

“Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, de sorte
que venham os tempos de refrigério, da presença do Senhor, e envie ele o Cristo, que já dantes vos
foi indicado, Jesus, ao qual convém que o céu receba até os tempos da restauração de todas as
coisas, das quais Deus falou pela boca dos seus santos profetas, desde o princípio”. (At. 3:19-21)

184
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

“Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é lucro. Mas, se o viver na carne resultar para
mim em fruto do meu trabalho, não sei então o que hei de escolher. Mas de ambos os lados estou
em aperto, tendo desejo de partir e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor; todavia, por
causa de vós, julgo mais necessário permanecer na carne. E, tendo esta confiança, sei que ficarei, e
permanecerei com todos vós para vosso progresso e gozo na fé”. (Fl. 1:21-25)

6. Paulo amou Cristo de forma que exclamou para os coríntios que se eles não
amassem Cristo, eles seriam amaldiçoados. Então ele termina sua primeira carta com um
clamor pela volta do Senhor.

“Todos os irmãos vos saúdam. Saudai-vos uns aos outros com ósculo santo. Esta saudação
é de meu próprio punho, Paulo. Se alguém não ama ao Senhor, seja anátema! Maranata! A graça
do Senhor Jesus seja convosco. O meu amor seja com todos vós em Cristo Jesus”. (I Co. 16:20-24)

7. O apóstolo João foi chamado por Jesus de “Filho do Trovão” (Mc.3:17). Quando
os samaritanos recusaram a passagem de Jesus através da sua cidade, João desejou chamar
fogo do céu para queimar todos eles. Contudo, no final da sua vida, ele seria conhecido
através de outro nome – o apóstolo do amor. O que transformou o Filho do Trovão no
apóstolo do amor? O que amaciou o coração de João e o transformou em um amável e
humilde apóstolo? João nos contou: a Cruz!

“Vede quão grande amor nos tem concedido o Pai: que fôssemos chamados filhos de Deus.
Por isso, o mundo não nos conhece, porque não conhece a Ele.” I Jo. 3:1

E. Grandes santos que foram parte da Igreja de Cristo falaram da influência essencial
da cruz sobre suas vidas.

1. Em Filipenses 1:9-11, Paulo apela para a Igreja em Filipos, para crescerem no


amor, como Jesus. Logo a seguir ele define este amor como o amor de Cristo ao humilhar-
se a si mesmo, ao ponto de morrer na Cruz (Fl.2: 5-11)

2. Saint Alphonsus Liguori e São Francisco de Sales consideraram o impacto do


amor sacrificial de Jesus sobre os seus corações.

Daí que um grande amante de Jesus Cristo, São Paulo, disse


uma vez: "O amor de Cristo nos constrange" (II Co. 5:14). Escute o
que São Francisco de Sales diz sobre este texto de Coríntios:
"Sabendo que Jesus Cristo, o verdadeiro Deus, nos amou, sofrendo
a morte, e morte de cruz, por nós, não significa que Ele tenha posto
nossos corações em um torno, fazendo sentir a sua força, e
espremendo amor dentro deles, mas foi um poder que é mais forte,
mais agradável." Ele continua a dizer: "Como então, não nos
entregaremos ao Jesus crucificado, para morrer na cruz com Ele,
que escolheu morrer por amor a nós? Vou abraçá-lo e nunca deixá-
lo-ei ir; vou morrer com Ele, e serei consumido nas chamas do seu
amor. Uma chama consumirá este Criador divino e sua criatura
miserável. Jesus dá de si mesmo a mim sem reservas, e eu dou-me
a Ele sem reservas. Eu vou viver e morrer em Seus braços amorosos,
nem a vida nem a morte jamais me separarão Dele. O eterno amor,
minha alma anseia por você, e escolhe Você sempre. Venha,
Espírito Santo, e inflame os nossos corações em amor. O amar! O
morrer! A fim de morrer para todos os outros amores, e viver
somente para o amor de Jesus Cristo! Oh, Redentor de nossas

185
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

almas, concedei-nos o poder de cantar eternamente, Jesus que vive


eternamente, a quem eu amo. Eu amo Jesus, que vive para sempre
e eternamente. (Saint Alphonsus Liguori – The Practice of The Love
of Jesus Christ, 5)

III - A CRUZ NOS PERMITE MORRER PARA O PECADO E VIVER PARA


DEUS

A. Através do trabalho da Cruz, somos levados a um novo relacionamento com


Deus. Estamos recebendo a identidade de filhos amados de Deus, co-herdeiros com Cristo;
filhos da luz e do amor, que já não andam de acordo com as tradições dos homens e das
ações das trevas.

“Tendo, pois, irmãos, ousadia para entrar no santuário, pelo sangue de Jesus, pelo novo e
vivo caminho que Ele nos consagrou, pelo véu, isto é, pela sua carne. E tendo um grande sacerdote
sobre a casa de Deus, cheguemo-nos com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé, tendo os
corações purificados da má consciência, e o corpo lavado com água limpa”. (Hb. 10:19-22)

B. Paulo viu o batismo cristão como uma entrada para a morte e ressurreição de
Cristo, onde já não se vive para servir a carne. Nós morremos para o pecado e tornamo-nos
vivos em Cristo. Somos batizados na morte de Cristo, a fim de que não vivamos para o
pecado. A morte de Cristo cancela a culpa e o poder do pecado. A cruz nos dá forças para
dizer não ao pecado, resistindo ao pecado, até mesmo ao derramamento do nosso sangue
(Hb. 12:4, Rm. 6:4-11).

1. Muitos de nós vivem o cristianismo como se fosse uma religião natural. Vendo
a Cruz como um "evento ocorrido", e não como o “evento de todos os tempos" que diz
respeito ao que Cristo fez para que pudéssemos entrar no Céu. Depois disso, depende de nós,
precisamos de tenacidade e da vontade de viver uma verdadeira vida cristã! Cristianismo é
sobre seguir a Cristo, sobre caminhar através da fé em sua vida. Paulo declarou em Romanos
6:3-5 que quando somos batizados, estamos fazendo parte da morte de Cristo e iremos fazer
parte também da sua ressurreição.

2. Jesus em si mesmo resume toda a humanidade. Irineu chamou de


"recapitulação", onde, a partir do momento em que Ele nasceu, até Sua morte e ressurreição,
Jesus foi o redentor da humanidade. Nos juntamos com Cristo em seu compromisso contra
o pecado, onde este foi julgado por Deus e também tornou-o impotente de uma vez para
todas.

3. Você deve ser um participante, entrando pela fé no fluir divino, o poder e a


força divina habitam, permitindo o sobrenatural, onde o Espírito Santo encherá seu homem
interior; onde a morte e ressurreição de Jesus Cristo serão o vigor em você, através do
Espírito Santo.

“No qual também estais circuncidados com a circuncisão não feita por mão no despojo do
corpo dos pecados da carne, a circuncisão de Cristo; Sepultados com ele no batismo, nele também
ressuscitastes pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos. E, quando vós estáveis
mortos nos pecados, e na incircuncisão da vossa carne, vos vivificou juntamente com ele, perdoando-
vos todas as ofensas, Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de
alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz. E, despojando os
principados e potestades, os expôs publicamente e deles triunfou em si mesmo”. (Cl 2:11-15)
186
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

IV - A CRUZ NOS CONCLAMA PARA O AUTO – SACRIFÍCIO

A. Dietrich Bonheoffer descreveu bem quando disse: "Quando Cristo chama um


homem, Ele ordena-o a vir e morrer." Deus, por amor, conquista nossos corações, e em seguida,
convida-nos para o deleite de entregar nossas vidas para que outros possam viver. A Cruz
torna-se o padrão de vida para o cristão, pela qual ele andará nos passos de Jesus, que
entregou-se até a morte, segundo a vontade do Pai.

B. Em João 12:12-36, no auge do ministério público de Jesus, Ele escolheu a estrada


menos percorrida, o caminho da humildade. O Calvário tornou-se o caminho de sua
coroação na glória. Ele disse que todos os seus servos devem escolher o mesmo caminho, e
que o Pai validou tal declaração do Céu com a Sua própria voz. Do céu, o Pai declarou que
o único caminho para a glória é a Cruz. A Cruz é colocada diante dos cristãos como um
exemplo de como nós iremos morrer para os nossos desejos, decidindo não servir mais
nenhum outro. (Jo.13:12-17,Ef.5:25-28, Fl.2:3-8, I Jo.3:16-17)

“E Jesus lhes respondeu, dizendo: E chegada a hora em que o Filho do homem há de ser
glorificado. Na verdade, na verdade vos digo que, se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer,
fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto. Quem ama a sua vida perdê-la-á, e quem neste mundo
odeia a sua vida, guardá-la-á para a vida eterna. Se alguém me serve, siga-me, e onde eu estiver,
ali estará também o meu servo. E, se alguém me servir, meu Pai o honrará”. (Jo. 12:23-26)

V. A CRUZ NOS ENCORAJA NA PERSEGUIÇÃO E NO SOFRIMENTO

A. Os apóstolos constantemente encorajavam as igrejas perseguidas, apontando-


lhes para a perseverança de Jesus na Cruz. Eles faziam lembradas as palavras de Jesus: assim
como Ele sofreu nesta vida, seus discípulos fariam o mesmo. Eles apontavam para Cruz e
lembravam-lhes da gloriosa Ressurreição.

A cartas de I Pedro nos deixa muito claro que somos chamados a compartilhar dos
sofrimentos de Cristo hoje, faz parte da nossa comissão. Ele também nos deixou um exemplo
de como perseverar em meio ao sofrimento (I Pe. 2:20-25).

“O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus. E, se nós somos
filhos, somos logo herdeiros também, herdeiros de Deus, e co-herdeiros de Cristo: se é certo que com
ele padecemos, para que também com ele sejamos glorificados”. (Rm. 8:16-17)

“Porque a vós vos foi concedido, em relação a Cristo, não somente crer nele, como também
padecer por Ele”. (Fl. 1:29)

“E também todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições”. (II
Tm. 3:12)

“Considerai, pois, aquele que suportou tais contradições dos pecadores contra si mesmo,
para que não enfraqueçais, desfalecendo em vossos ânimos. Ainda não resististes até ao sangue,
combatendo contra o pecado”. (Hb. 12:3-4)

B. Você tem uma visão de Deus diante da crucificação de seu Amado Filho? Muitas
pessoas acreditam na teoria da concepção divina, mas eles falham em acreditar em Deus,
como Pai, quando esta fé envolve um sofrimento injusto através da noite e da cruel cruz
romana. Saulo de Tarso ficou humilhado debaixo de todo este aspecto da natureza de Deus.

187
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

Ele recebeu um impacto em sua teologia sobre o sofrimento e a morte do Messias (At. 9:4-
5, 15-16)

C. A Cruz nos lembra que maus tratos e oposição são ambos o contexto e o fruto de
um mundo caído. Todos sofrem. Todos serão feridos, traídos, maltratados, oprimidos e se
encontrarão em desvantagem. No entanto, o tempo de maus tratos será contado somente
para os redimidos. Mesmo o sofrimento será usado por Deus para produzir frutos e
sinceridade nos seus filhos.

Santo Agostinho afirmou que as mesmas misérias enviam


alguns para o céu e outros para o inferno. O teste do sofrimento
separa o trigo do joio na Igreja de Deus, em momentos de
tribulação: aqueles que se humilharem à vontade de Deus serão
trigo para o paraíso, aqueles que crescerem arrogantes e furiosos,
Deus os abandonará, e serão palha para o inferno.
A condição dos santos na terra é sofrer, assim como eles amam; a
condição dos santos no céu (na próxima era) é regozijar-se como
eles amam. (Liguori, The Practice of the Love of Jesus, 43, 49)

D. É preciso quebrar a fantasia de que "comigo não vai acontecer". Todos serão
maltratados. Todos, neste exato momento, ou estão sendo maltratados, ou estão prestes a
serem maltratados, ou de maltratar alguém. Nós concordamos com o sofrimento dos não-
cristãos, fora da igreja. Mas em relação à Igreja, muitas vezes acreditamos na mentira de que
somos maduros e então devemos sofrer menos maus tratos.

E. Por que existe o mau trato? Ele expõe o grande inimigo da nossa alma, o orgulho
manifestando a raiva. A severidade trás pressão no coração humano, expondo as falhas que
não podiam ser vistas. O mau trato e a oposição tocam na área de orgulho, que de outra
maneira passaria despercebida, no nosso ambiente de controle. É por isso que o casamento
pode ser, se o casal cooperar, um grande santificador do coração humano. Quando somos
solteiros, temos mais facilidade em controlar o nosso, ambiente de tal forma a manter o nosso
pecado em lugares escondidos. No casamento, poderemos correr, mas não poderemos nos
esconder.

F. Receba maus tratos e sofrimento da mão de um Pai amoroso, que está fazendo
um trabalho de santificação dentro de você. É uma redentora contagem de sofrimento! Você
consegue perceber que os maus tratos não são somente um teste de mansidão? O teste contém
dentro de si os caminhos para a restauração e transformação. As pressões nos expõem e, se
respondidas corretamente, podem produzir mansidão em nosso coração. Entender como
crescer em mansidão, em meio aos maus tratos, pode nos dar oportunidades de dependência,
fé e confiança. Se conhecêssemos o nível de troca divina e o que isso pode gerar numa
próxima era, aqueles que fogem da mansidão, e vivem em meio a julgamentos, não ousariam
desperdiçar uma boa oportunidade para receber a correção da mão do Senhor. Nós não
iríamos jogar fora a moeda eterna do perdão e faríamos o bem para aqueles que nos
ofenderam. Existe algo melhor do que ser correto nesta vida. É ser livre!

“Porque, que glória será essa, se, pecando, sois esbofeteados e sofreis Mas se, fazendo o bem,
sois afligidos e o sofreis, isso é agradável a Deus. Porque para isto sois chamados; pois também
Cristo padeceu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigais as suas pisadas. O qual não
cometeu pecado, nem na sua boca se achou engano. O qual, quando o injuriavam, não injuriava, e
quando padecia não ameaçava, mas entregava-se àquele que julga justamente; Levando ele mesmo
em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, para que, mortos para os pecados, pudéssemos
viver para a justiça; e pelas suas feridas fostes sarados”. (I Pd. 2:20-24)
188
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

VI. A CRUZ DEMANDA ABRIR MÃO DOS NOSSOS INIMIGOS

A. No Sermão da Montanha, Jesus nos chamou para sermos perfeitos assim como o
Pai Celestial é perfeito (Mt.5:43-48). Isso foi no contexto de amar e perdoar os nossos
inimigos. Temos que ser perfeitos em amor, perdoando aqueles que pecam contra nós. O
extravagante e imerecido perdão estendido para cada um de nós na Cruz, anula qualquer
dos nossos direitos de manter alguma ofensa, mas exige que mostremos uma quantidade
relativamente pequena de perdão para com nossos inimigos, em comparação com a grande
quantidade de perdão que o Senhor demonstrou. Somos todos iguais, ao pé da Cruz.

B. Não há nada que você possa adicionar à Cruz, a liberdade vem quando você
compreende essa verdade. Quando você descobre isso, você pode amar os fracos, você
começa a amar a si mesmo, você para de lutar e você descansa.

C. A demanda da Cruz é que nós perdoemos aos nossos inimigos. Isto já foi visto
na vida do primeiro mártir, Estêvão. Ele perdoou seus assassinos assim como Cristo perdoou
os seus, quando o crucificaram na cruz. Saulo viu algo de outro mundo naquele dia. Você
só pode perdoar seus inimigos, se você conhece a Jesus.

“E, ouvindo eles isto, enfureciam-se em seus corações, e rangiam os dentes contra ele. Mas
ele, estando cheio do Espírito Santo, fixando os olhos no céu, viu a glória de Deus, e Jesus, que
estava à direita de Deus; E disse: Eis que vejo os céus abertos, e o Filho do homem, que está em pé
à mão direita de Deus. Mas eles gritaram com grande voz, taparam os seus ouvidos, e arremeteram
unânimes contra ele. E, expulsando-o da cidade, o apedrejavam. E as testemunhas depuseram as
suas capas aos pés de um jovem chamado Saulo. E apedrejaram a Estêvão que em invocação dizia:
Senhor Jesus, recebe o meu espírito. E, pondo-se de joelhos, clamou com grande voz: Senhor, não
lhes imputes este pecado. E, tendo dito isto, adormeceu”. (At. 7:54-60)

VII - A CRUZ NOS CONVIDA A UMA VIDA TRANSCENDENTE

A. Na Cruz, encontramos a liberdade de encarar a morte e resistir à vontade de nos


entregarmos ao medo, pecado e opressão. A cruz habilita o coração a viver em um outro
mundo, uma morada eterna com Deus. Morte para o cristão é a verdadeira passagem para a
vida. Morte inicia nossa promoção para toda a presença do Senhor. Paulo explicou isso bem,
dizendo que estar fora do corpo é estar presente com o Senhor (II Co. 5:8).

B. Uma lição que aprendemos na Cruz de Cristo é que a morte não é o final para os
cristãos, existe mais, nós somos livres para amar completamente. Na cruz, nós clamamos
com Moisés: "Você tem sido o nosso lugar de habitação" (Sl. 90:1). Nossa satisfação não está
nesta vida, mas está no Senhor. Ele é nossa satisfação e nossa herança. No Calvário, somos
livres de apaziguar os poderes corretores da sociedade. Nós podemos zombar dos poderes
deste mundo que não podem roubar nossas vidas por meio de intimidação, medo ou coação.
As forças desta vida usam a ameaça de morte para manter as pessoas em cativeiro. Sua
influência é a dor e a opressão. Os discípulos da Cruz observam o vazio da posição do
inimigo. De um fundamento transcendente, nós dizemos: "Não!", para os sistemas de
opressão e tormento.

C. Livres dos esforços vãos de poder, ambição e vaidade, os santos são livres para
amar os fracos, para buscar os perdidos e oprimidos. O verdadeiro poder é concedido quando
os santos estão livres do medo da morte. Assim os santos, vivos do ponto de vista do
Calvário, do alto e sublime lugar, onde o amor possa fluir, onde a confiança em Deus traz
uma fonte de vida para todos os que estão cansados e fracos de coração. A partir da Cruz, o
189
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

cristão examina o mundo e é livre para amar a Cristo e para dar a sua vida em favor dos
fracos e dos pobres, que serão exaltados com Ele nos lugares celestiais. Há apenas uma
maneira de amar os fracos: do ponto de vista da Cruz. Liberdade é ter poder para amar.

190
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

LIÇÃO DEZESSETE
O SENHOR RESSURRETO

I – INTRODUÇÃO

A. Uma pergunta e seis palavras deram testemunho para humanidade de que o


mundo, como nós tínhamos conhecido, acabara e que uma Nova Era estava sobre nós, o
amor finalmente tinha sido liberado e ganho: “Porque você busca o vivente entre os mortos? Ele
não está aqui! Ele ressuscitou!” (Lc.24:5-6). O que os anjos disseram para a mulher que estava
indo ao túmulo de Jesus, cedo, na manhã de domingo, testemunhou uma mudança
significativa na história humana.

B. Poucas coisas são constantes, e menos ainda são totalmente certas. Mas há algo
que todos nós conhecemos como verdade: cemitérios em todo o mundo testificam sobre a
constância e a certeza da morte.

C. A Bíblia nos informa que a morte entrou no mundo através do pecado da


humanidade e que o salário do pecado é a morte. No Jardim do Éden, para a maior e mais
querida criação de Deus, foi dada a dignidade de livremente escolher amar e obedecer a
Deus. A instrução foi muito clara: Caminhe de acordo com o caminho de Deus, e você irá
experimentar a comunhão sem fim e os prazeres de Deus. Caminhe de acordo com seus
próprios preceitos e segundo os desejos do seu próprio coração, e você certamente
experimentará a morte.

D. A Bíblia recorda o trágico dia no qual Adão pecou, trazendo a morte física e
espiritual para dentro da experiência humana. Hebreus 9:27 nos conta que foi designado ao
homem morrer uma só vez e dar contas a Deus. De fato, a sepultura vai abrir sua boca larga
hoje e aproximadamente 150.000 pessoas irão cair de cabeça em suas mandíbulas. Um
princípio iminente prevalece - quem entra não sai!

E. Contudo, 2.000 anos atrás, boas novas foram liberadas na história humana. Uma
Nova Era despontava. Um homem fez o impensável. Ele ressuscitou! Você pode dizer para
si mesmo: “Então, e daí? Foi apenas um homem. A pontuação maior ainda é da Morte: “bilhões,
contra um da humanidade”. Mas este era um homem diferente de qualquer outro homem. Ele
era o cumprimento da profecia de que Deus viria em carne, viver uma vida sem pecado,
morrer pelos pecados da humanidade, ressuscitar da morte, estabelecer o Reino de Deus na
Terra, conquistar todos os inimigos do amor e da justiça e levantar todos aqueles que creem
nEle para a vida eterna.

F. A semente prometida em Gênesis 3:15 que iria esmagar a cabeça da serpente tinha
chegado e vivido uma vida sem pecado, uma vida perfeita que Ele pode trocar por nossa vida
e morrer a morte que era devida a nós. Sua inocente e perfeita vida pela nossa culpa, vida
pecaminosa. Assim através do pecado de um único homem a morte entrou na história
humana, agora através da vida inculpável de um único homem, vida eterna entraria para a
experiência humana.

191
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

“Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em
Cristo” (Rm.6:23).

G. O que parecia tragédia na sexta-feira se tornou a maior notícia no domingo. A


morte perdeu seu aguilhão! Se Deus, na sexta-feira levantou as perguntas, no domingo de Páscoa
levantou o homem, e o homem levantado é a resposta a todas as questões provocadas. (E. Stanley
Jones)

II – A IMPORTÂNCIA HISTÓRICA DA RESSURREIÇÃO

A. A Ressurreição de Jesus foi histórica, física e permanente. A palavra para


ressurreição no Novo Testamento é anastasis, que significa vida depois da morte. A promessa
do Novo Testamento de ressurreição é diferente de uma crença na vida após a morte. Toda
cultura tem acreditado na vida após a morte como algum tipo de estado imaterial. Contudo,
o cristianismo estava proclamando que um novo tempo despontava na experiência humana,
um homem tinha saído da sepultura e ficado fora dela. Morte tinha sido revertida, uma nova
vida física em tempo e espaço real tinha emergido.

Quando os primeiros cristãos falaram de Jesus sendo


ressuscitado da morte, o significado natural dessa declaração, em
todo o mundo antigo, foi a alegação de que algo tinha acontecido a
Jesus que não havia acontecido com ninguém. Um grande número
de coisas supostamente aconteceram com os mortos, mas
ressurreição não. O mundo pagão assumiu que era impossível, o
mundo judeu acreditou isso iria acontecer eventualmente, mas sabia
perfeitamente bem que isso não tinha acontecido ainda...
“Ressurreição” (anastasis e seus cognatos) não estava em uso em
outras partes do mundo antigo como uma descrição da vida não-
corpórea após a morte. (N.T. Wrigth, The Resurrection of the Son
of God, pg. 83-84)

B. Dentre as quatro religiões baseadas em uma personalidade, algumas são apenas um


código de ética ou uma construção filosófica, mas somente uma tem um fundador, que
alegou que iria ressuscitar dos mortos e, em seguida, o fez. Somente um fundador triunfou
sobre o túmulo. Somente uma razão pode explicar por que os discípulos saíram de seus
esconderijos e fizeram uma declaração tão improvável que Deus veio na forma de um
homem e morreu na cruz para perdão dos pecados, iniciando uma religião global com
aproximadamente 2 bilhões de seguidores – o fundador veio do túmulo e manteve-se fora
dele.

C. A Ressurreição é o cerne da fé cristã. Nós somos o povo da ressurreição, nós


acreditamos na ressurreição da morte. Apenas tanto quanto a ressurreição é validada, o
Cristianismo pode permanecer ou cair.

192
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

D. O nascimento da Igreja era dependente da ressurreição de Cristo dentre os mortos.


Sem o túmulo vazio e Jesus aparecer ressuscitado após sua morte, nenhum dos discípulos
teria deixado seus postos de pesca para sempre, e eles certamente não teriam se reunido no
cenáculo. O que aconteceu no começo do terceiro dia selou o início de uma mudança
histórica.

E. Sem a ressurreição de Cristo dentre os mortos seria impossível manter a doutrina


do cristianismo. Peter Lewis esclarece:

Sem ela (a ressurreição), o cristianismo teria sido morto ainda


no nascimento, porque uma fé viva não pode sobreviver a um
salvador morto. Por que é que toda a verdade do cristianismo
depende deste evento ter sido um fato físico? A resposta
compreensiva é que ligada à realidade deste evento está a identidade
de Jesus, o sucesso da sua obra salvadora, sua presente vida e poder,
a integridade dos seus apóstolos e a certeza das boas novas do
cristianismo de que a humanidade pode receber o perdão dos
pecados e a vida eterna. (Peter Lewis, The GLory of Christ, 339)

F. Josh McDowell cita dois autores com relação a ressurreição de Jesus:

É difícil exagerar sobre o que o devastador efeito da


crucificação deve ter causado sobre os discípulos. Eles não tinham
a concepção de uma morte, muito menos uma ascensão, o Messias
iria reinar para sempre (cfe. Jo. 12:34). Sem crença anterior na
ressurreição, crença em Jesus como Messias seria impossível a luz
da sua morte. A ressurreição tornou a catástrofe em vitória... foi a
sua ressurreição que permitiu a morte vergonhosa de Jesus ser
interpretada em termos salvíficos. Sem ela, a morte de Jesus só
significou humilhação e maldição por Deus, mas na visão da
ressurreição ela só poderia ser vista como sendo o evento pelo qual
o perdão dos pecados foi obtido. Sem a ressurreição, o caminho
cristão nunca poderia ter surgido. (William Lane Craig, The New
Evidence That Demands a Verdict, 207)

Cristianismo não considera a ressurreição como um entre


muitos dogmas da crença. Sem fé na ressurreição não haveria todo
o cristianismo. A Igreja Cristã nunca teria iniciado, o movimento
Jesus teria fracassado como um rojão úmido com sua execução.
Cristianismo levanta ou cai com a verdade da ressurreição.
(Michael Green, 208 The New Evidence That Demands a Verdict,
208)

G. Jesus escorou a verdade de suas próprias declarações sobre a sua ressurreição. Ele
previu sua própria morte e afirmou que a evidência da sua identidade seria baseada sobre
193
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

sua ressurreição da morte. Imagine a ousadia de um líder religioso declarando: “A prova da


minha identidade messiânica está na minha morte e ressurreição da morte, no terceiro dia. Eu tenho
poder para derrubar minha vida e para levantá-la novamente!” Nenhuma outra religião teve um
fundador que baseou a veracidade da sua proclamação bem como sua ética sobre uma
aparente morte em um túmulo e após sua morte apareceu em um corpo físico ressuscitado.
Maomé, Buda e Joseph Smith, todos tiveram túmulos com ossos neles - mortos, com ossos
em decomposição (Jo. 2:18-22).

Jesus insistiu que o sinal da confirmação da sua identidade messiânica seria sua morte
e ressurreição, comparando isto com os três dias de Jonas dentro da barriga da baleia (Mt.
12:39-40).

III - REVELAÇÕES DO VELHO TESTAMENTO E PROFECIAS


CONCERNENTES A RESSURREIÇÃO

Jesus e os apóstolos não mostraram o conceito da ressurreição dentro do judaísmo, e


o conceito tinha sido muito debatido entre os saduceus e o fariseus. O Velho Testamento
proveu revelações de uma futura ressurreição do seu povo e profecias específicas sobre a
vinda do Messias, sua morte e ressurreição.

A. Jó profetizou a sua própria ressurreição e a ressurreição do Messias (Jó 14:7,14,


19:25-27).

B. Abraão tinha fé e revelação concernente a ressurreição (Gn.22, Hb. 11:17-19)

1. Em Gênesis Deus prometeu a Abraão que ele teria uma Terra como herança. Na
primeira vista, pode-se ser tentado a categorizar apressadamente a herança de Abraão como
sendo progressivamente recebida através dos seus descendentes. Ainda, várias vezes no livro
de Gênesis, a promessa é feita diretamente para Abraão, que ele mesmo iria herdar a Terra.
Abraão acreditou na promessa de Deus e sua fé lhe creditada como justiça. O Novo
Testamento especificamente declara que Abraão nunca herdou a terra durante seu tempo de
vida, e que ele estava esperando por uma cidade não construída por mãos humanas mas cujo
arquiteto e construtor é Deus (Hb.11:8-10)

2. Então se Abraão nunca herdou a terra em seu dia e ele está morto em um túmulo,
em seguida, o que significa a promessa? Qual cidade ele está para receber? Ele irá herdar a
cidade não construída por mãos humanas – a Nova Jerusalém. Apocalipse 21 nos conta que
a Nova Jerusalém irá vir para baixo do céu. Amados, isto é uma cidade literal que Deus tem
preparado na união do céu e da Terra na pessoa do seu Filho. Assim, o cumprimento do
pacto abrâmico necessita da ressurreição de Abraão e seus descendentes da morte.

3. Hebreus 11:13 afirma: “Todos estes morreram na fé, sem terem recebido as promessas,
mas, vendo-as de longe, e crendo nelas, e abraçando-as, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos
na terra.” Em outras palavras, Abraão conheceu que ele não iria provar isto em seu dia, mas
ele viu a grande figura e provou Deus.
194
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

4. A passagem de Hebreus 11 continua a dizer que o teste de oferecer Isaque esta


correlacionado com a fé de Abraão na ressurreição: “Pelo que também Deus não se envergonha
deles, de se chamar seu Deus, porque já lhes preparou uma cidade. Pela fé, ofereceu, Abraão a Isaque,
quando foi provado, sim, aquele que recebera as promessas ofereceu o seu unigênito” (Vv. 16,17).
Quando Deus pediu para Abraão ofereceu Isaque Ele estava testando sua fé em sua
promessa. Era como se Deus estivesse dizendo: “Abraão, você viu a grande figura, Você realmente
acredita em mim? Você realmente acredita no que eu mostrei? Se você acredita na ressurreição que eu
mostrei, Abraão, ofereça-o”. Este teste não era um teste aleatório feito por um Deus severo.

Em seguida, somos informados de que tal procedimento (A


promessa de Deus a Abraão) deve implicar na ressurreição dos
patriarcas. Precisamente por isso, nos sentimos seguros da fé
manifestada por Abraão na ressurreição de Isaque da morte
(Hb.11:17-19), ele o teria sacrificado, e em seu olhar à frente estava
o dia de Cristo (Jo.8:56, Hb.11:10,11), sua esperança se baseou no
cumprimento daquela promessa, na ressurreição da morte. A
ressurreição esta implícita, é tomada por garantia, na morte dos
patriarcas, a promessa não está realizada, mas ainda Deus é fiel em
sua promessa. (Georfe N.H.Peters - The Theocratic Kingdom, Vl.1,
pg. 295, 296)

Quando Abraão foi testado ele ofereceu Isaque Àquele de quem recebera as promessas,
e que nos ofereceu seu Filho unigênito, de quem se disse “em Isaque tua descendência será
chamada” (Gn.21:12), “concluindo que Deus era capaz de levantá-lo, mesmo dentre os mortos, de forma
que ele também o recebeu em sentido figurado” (Hb.11:19).

5. Abraão receberá a promessa para si mesmo na ressurreição do corpo com o resto


dos seus descendentes. Ele herdará a Terra na ressurreição do corpo, na segunda vinda de
Jesus e alegremente desfrutará da terra como um membro da Nova Jerusalém, a cidade
celestial que virá para a Terra (Gn.15:5-7, 17:7-8, Hb. 11;8-19, At. 7:5)

a. Muitos cristãos pensam que nós viveremos nesta Terra apenas espiritualmente,
em uma existência etérea e abstrata com Deus em algum lugar "lá fora" no espaço. Este pode
ser o "evangelho de George Lucas", mas não é o testemunho da Bíblia. Isto pode ser o Star
Wars, mas não o verdadeiro cristianismo. Não iremos nos tornar um com “a força”. O
“Evangelho de Star Wars” tem deformado e distorcido nosso pensamento cristão sobre a
eternidade. O Deus mais alto, não deixaria você por toda a eternidade à deriva em um estado
etéreo de existência.

b. Cristãos não estão buscando escapar do ciclo da vida. Cristãos estão focados em
obter sua herança neste planeta do qual veio a humanidade, com uma ressurreição, um corpo
glorificado que nunca irá morrer. Deus prometeu regenerar a ordem criada. Ele irá criar um
novo Céu e uma nova Terra, onde a humanidade ressuscitada irá habitar para sempre com
Ele em uma cidade eterna construída pelo mesmo Deus.

195
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

6. O Novo Testamento indica que Abraão sabia mais sobre o plano da redenção do
que se pode perceber à primeira vista. Gálatas nos conta que o Evangelho tinha sido pregado
a Abraão. De fato, Jesus, Em João 8:56, afirma que Abraão viu seu dia e alegrou-se. Os
judeus perguntaram como Jesus, que não tinha ainda cinquenta, poderia ter visto Abraão.
Jesus respondeu apontando para sua pré-existência. Em outras palavras, Jesus revelou que
Ele era o único que tinha aparecido para Abraão. Poder ser que Abraão soubesse mais de
Cristo e do que nós imaginamos. (Jo. 8:51-58, Gl. 3:8)

7. De fato, Jesus usou Abraão como o argumento do Velho Testamento para a


ressurreição da morte. Jesus respondeu a questão dos saduceus sobre a ressurreição, com o
que parece ser uma declaração sobre a existência eterna e a imortalidade, não ressurreição
do corpo. Contudo, Ele claramente usou a declaração em João 8:56 como um exemplo da
ressurreição dos mortos. Em outras palavras, Jesus não estava dizendo que agora Abraão é
imortal, Jesus não estava respondendo a questão de existência imortal, mas a questão da
ressurreição física da morte. Deus irá cumprir sua promessa para Abraão, Isaque e Jacó. Eles
receberão a terra prometida a eles. Deus irá ressuscitá-los no último dia.

8. Em Lucas 20, Jesus usa a identificação de Deus de si mesmo a Moisés como "o
Deus de teu pai – O Deus de Abraão, Isaque e Jacó” (Ex.3:6) para provar a ressurreição da
morte. Jesus exclamou para os saduceus que Deus prometeu que ele iria ter um Reino que
iria ser cheio de cristãos ressuscitados. Deus é o Deus dos vivos, não dos mortos. Todos que
crerem nele nunca irão morrer! Eles irão viver, e eles irão receber corpos ressurretos. Assim,
para justificar a ressurreição da morte, Jesus usou Abraão para afirmar que a promessa a
partir do início foi de ressurreição (Lc. 20:33-38).

C. Os Salmos contêm revelações da morte e da ressurreição de Jesus como também


da nossa ressurreição através dEle: Salmos 16, 22, 68:18-20, 116, 118.

D. Canção de Salomão

O capítulo oito da Canção de Salomão aponta para o persuasivo poder do amor. Amor
é mais forte do que a morte e o ciúme duro como a sepultura (Ct. 8:6-7)

E. Isaías

1. Isaías 24 - 27 é muitas vezes referido como o “Pequeno Apocalipse”. Nesses


capítulos, as nações são julgadas e as redimidas são libertas. O Senhor está reinando em
glória no Monte Sião, quando a sombra da morte sobre as nações é removida. As nações
estão regozijando-se com o reinado do Messias sendo estabelecido nos confins da terra.
Leviatã, a serpente retorcida, é derrotada pela espada do Senhor, e o poder da morte é
quebrado em Isaías 26:19, quando ocorre uma libertação poderosa – a ressurreição dentre os
mortos. A ideia principal desta ressurreição não é apenas que Israel vem à vida e as nações
da terra vem à vida com a salvação de Israel - é o cumprimento literal do plano de Deus para
superar o inimigo final da morte, pela ressurreição dos mortos. Os mortos são ordenados a
acordar e cantar (Is. 25: 6-9, 26:19).

196
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

2. Na segunda metade de Isaías, o profeta escreve uma mensagem de conforto para


Israel e declara que o braço do Senhor se moverá em seu favor. Ele vai descobrir seu braço e
conduzir um Servo que realizará o que a nação não poderia. O Senhor irá encorajar seu
Servo e se deleitar completamente nele. Como aquele que é agradável ao Senhor, este Servo
manso e humilde trará justiça e retidão na Terra. Ele não irá apenas redimir a cegueira de
Israel, mas Ele irá conduzir salvação para todas as nações da Terra.

3. O Servo do Senhor, com uma boca que é como uma espada afiada e ungido com
o Espírito, trará uma palavra para sustentar o cansado. Contudo, Ele será desprezado pelos
homens e abominado pelo seu próprio povo. Suportando uma morte horrível para carregar
a iniquidade de muitos, Ele dará sua vida em oferta pelo pecado. Embora o ministério do
Servo pareça pequeno e insignificante, justificação virá de Deus. O Servo justo será um pacto
para o povo e a luz dos gentios, pelo seu conhecimento muitos serão justificados.

4. No final, a glória do Servo será revelada. Israel verá sua beleza e se arrependerá
de sua cegueira. Na sua segunda vinda, reis se prostrarão perante Ele e serão surpreendidos
com o fato de que o humilhado, agora é revelado em poder, como “o braço do Senhor” (Is.
53:1). O humilde Servo Sofredor do Senhor será exaltado como o glorioso Rei do amor.
Isaías 2:1-4 virá adiante e o conquistador Emanuel do capítulo 11 irá reinar em poder, mas
primeiro Ele virá como alguém simples que não só irá suportar rejeição e desprezo, mas
acabará sofrendo uma morte violenta – tudo por nós! (Is.49:4-7, 50:4-10, 52:13-15)

5. Reis não fecharam suas bocas por causa da morte de Jesus; eles fecharam suas
bocas porque a morte não pode segurá-lo. Nenhum rei na Terra jamais teve qualquer motivo
para temer alguém que eles mesmos mataram - a menos que algum deles ressuscitasse dentre
os mortos. (Is. 53:10-12)

F. Oséias

O apóstolo Paulo cita Oséias 13:14 em I Coríntios 15:55 quando está escrevendo sobre
a ressurreição dos mortos.

“Eu os remirei da violência do inferno e os resgatarei da morte; onde estão ó morte, as tuas
pragas? Onde está, ó inferno, a tua perdição? O arrependimento será escondido de meus olhos”.
Os. 13:14

G. Miquéias

Miquéias descreve o julgamento de Israel como ser golpeado com uma vara, mas,
inevitavelmente, vindo com Aquele que há de reinar em Israel.

“Agora, ajunta-te em esquadrões, ó filha de esquadrões, pôr-se-á cerco contra nós; ferirão
com a vara no queixo ao juiz de Israel.” (Mq. 5:1-2)

197
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

H. Daniel

Daniel 12:2-3 é a mais clara escritura do Velho Testamento sobre a futura ressurreição
dos cristãos e não cristãos.

“E muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna e outras para
vergonha e desprezo eterno.” Dn.12:2

IV – PROFECIAS DA RESSURREIÇÃO FALADAS POR JESUS

A. No Evangelho de João, a primeira proclamação de Jesus após a limpeza do Templo


foi a profecia sobre sua morte e ressurreição. Os judeus que testemunharam Jesus limpando
o Templo pediram a Ele um sinal, para provar sua autoridade para purificar o Templo. Em
resposta Ele anunciou o sinal – “Destruirei este templo, e em três dias eu irei levantá-
lo”(Jo.2:19), o sinal da sua autoridade seria sua morte e ressurreição.

B. No Evangelho de Marcos, após os discípulos se retirarem para as aldeias de


Cesaréia de Filipe e Pedro confessar que Jesus era o Cristo, Jesus claramente falou para os
discípulos, pelo menos três vezes, a respeito de sua morte e ressurreição (Mc. 8:31, 9:31-32,
10:33-34)

C. Durante a Ceia do Senhor, Jesus falou do seu sofrimento e ressurreição. Ele


declarou que Ele não iria comer a Páscoa novamente ou “beber o fruto do vinho até o Reino
de Deus vir”, implicando que após seu sofrimento Ele iria ressuscitar entre os mortos
(Lc.22:18; cf. Mt. 26:26-30, Mc. 14:22-26, Lc. 22:14-23).

D. Após a crucificação, os inimigos de Jesus solicitaram que seu corpo fosse guardado
por causa das profecias da ressurreição de Jesus (Mt. 27:62-65).

V. OS RELATOS DA RESSURREIÇÃO

A. A ressurreição de Jesus aconteceu no inicio do terceiro dia, depois da sua morte.


Escuridão permaneceu, mas havia luz no horizonte.

B. Atividades angelicais seguintes a ressurreição de Jesus

1. De acordo com o Evangelho de Mateus houve um grande terremoto e um anjo


poderoso, descendo do céu. Ele rolou a pedra da frente do túmulo, e o medo golpeou o
coração dos guardas do túmulo, e ele anunciou a ressurreição de Jesus para uma mulher.

198
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

2. O Evangelho de Marcos nos conta que havia um anjo, semelhante a um homem


jovem vestido com uma longa túnica branca, ele estava sentado no lado direito do túmulo.
Esse Anjo anunciou a ressurreição.
3. O Evangelho de Lucas declara que a mulher encontrou a pedra removida do
caminho e que dois homens (anjos), com roupas brilhantes, anunciaram a ressurreição.

4. De acordo com o Evangelho de João, Maria Madalena, enquanto chorava


abaixada, olhou dentro do túmulo e viu dois anjos de branco. Um estava sentado na
cabeceira da lápide e o outro no pé; eles lhe perguntaram a razão porque ela chorava.

C. Jesus apareceu para seus discípulos em várias ocasiões diferentes, após sua
ressurreição.

1. Se você fosse Jesus quem você escolheria para aparecer em primeiro lugar? Talvez
Herodes? Pôncio Pilates? O Sinédrio? César? Jesus escolheu um dos mais fracos, dentre os
que tinham encontrado vida em sua presença, a pessoa que lavou seus pés com as suas
lágrimas e os enxugou com os seus cabelos. Maria tinha sido muito perdoada e tinha
aprendido a amar muito (Mc. 16:9)

Nosso amável Rei é tão diferente de nós. Ele visitou um dos mais frágeis entre os seus
seguidores; um que havia ficado completamente devastado através da sua morte. Maria
Madalena tinha sete demônios e provavelmente viveu uma vida de prostituição antes de ser
liberta por Jesus e ter sua vida transformada por Ele. Após a morte brutal de Jesus na cruz,
seus pensamentos poderiam ter sido: “Eu acreditava que Jesus era nosso salvador, o Messias.
Nada disso era verdadeiro? Será que nada disso realmente muda alguma coisa? Eu vou voltar
a ser como eu era antes que Ele me libertasse?" Ela estava absolutamente devastada. Jesus
deve ter dito para si mesmo: “Eu desejo ver Maria. Eu desejo ver a mais fraca entre eles”. A
decisão de Jesus por aparecer primeiro para Maria Madalena é uma declaração de como
nosso Deus é.

Maria vai até o sepulcro para demonstrar respeito pelo Homem que a tinha salvado da
opressão demoníaca e por quem Ela tinha se prostrado em amor. Ela está a caminho cedo
naquela manhã, e ainda está escuro quando ela percebe que a pedra foi removida da entrada
do túmulo. Muitos homens tinham colocado ela naquele lugar a poucos dias atrás.
Assustada, ela correu para Simão Pedro e João e disse para eles: “Eles tiraram o Senhor do
túmulo” (Jo.20:2). Os discípulos não entenderam o que havia acontecido. De fato, os
Evangelhos indicam que os discípulos não compreenderam a ressurreição até depois que ela
tinha ocorrido.

Maria assume que alguém havia pegado o corpo e profanado o Senhor: “Eles pegaram
o meu Senhor, e não sabemos onde eles o levaram.” Pedro e João foram até o túmulo para ver o
que havia acontecido. Eles correram juntos e João inclui no texto que ele passou a frente de
Pedro, homens são homens, mesmo no local da ressurreição.

199
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

João por algum motivo não entrou no túmulo. “E, abaixando-se, viu no chão os lençóis,
todavia, não entrou.” (Jo.20:5) Quando Simão Pedro finalmente o alcançou, entrou no
túmulo e viu os panos de linhos lá.

Após Pedro, João entra também: “Então, entrou também o outro discípulo, que chegara
primeiro ao sepulcro, e viu, e creu. Porque ainda não sabiam a Escritura que diz que era necessário
que ressuscitasse dos mortos.” (Jo. 20: 8-9). João acreditou! Pedro ficou em dúvida (Lc.24:12).
Maria simplesmente levantou do túmulo chorando, ela estava desolada, acreditando que
alguém roubara o corpo de Jesus. Os três estão no túmulo vazio. Quem Jesus vai escolher
para se revelar primeiro? O futuro pilar da fé ? Ou a garota que veio do lado errado do
caminho, mas que aprendeu o que é perdão e que o amor está acima de todas as coisas?

“E Maria estava chorando fora, junto ao sepulcro. Estando ela, pois, chorando, abaixou-se
para o sepulcro e viu dois anjos vestidos de branco, assentados onde jazera o corpo de Jesus, um à
cabeceira e outro aos pés. E disseram-lhe eles: Mulher, por que choras? Ela lhes disse: Porque
levaram o meu Senhor, e não sei onde o puseram.” (Jo.20:12-13)

Ela está chorando com o pensamento de que alguém roubou o corpo de Jesus. Os
anjos estão tentando mostrar algo para ele fazendo a pergunta: “Porque você está chorando?”
Ela responde: “Porque eu o amo, e Ele morreu, e agora eles fizeram absolutamente a pior coisa, eu
não posso nem prestar homenagem a Ele. Eu não sei onde eles o levaram.”

No momento quando ela disse isto, ela virou-se e viu Jesus em pé ali, e ela não
percebeu que aquele era Jesus (Jo.20:14). Ela provavelmente está chorando no chão em
grande desespero aos pés de Jesus (Jo.20:11) Na última vez que ela esteve aos seus pés ela
entrou na casa de um fariseu e chorou sobre eles, lavando seus pés com seus cabelos.
Ela, sem saber, encontra-se aos seus pés novamente. Curiosamente, Jesus faz a mesma
pergunta que os anjos, mas estende-se ainda mais incluindo: “Quem você está procurando?”
(Jo.20:15) Isto nos conta alguma coisa sobre Jesus: Ele ama saber que nós o desejamos, e
anseia por ouvir em nossa voz o nosso desejo por Ele. Jesus conhecia o coração dela, Ele
conhece todas as coisas, mas ele ansiava por ouvi-la expressar o que ela tinha no seu coração.
No processo de expressar o desejo, amor por Jesus cresce em nosso coração.

Jesus estava extraindo o desejo de dentro do coração de Maria através da pergunta:


“Mulher, por que você está chorando? Quem você está procurando?”, Ela julgando que Ele fosse o
jardineiro, disse-lhe: “Senhor, se você o levou, me diga onde você o colocou, e eu o levarei embora!”
(Jo.20:15)

Qual será foi o seu tom de voz quando ela se dirigiu ao jardineiro? Será que continha
nele uma pitada de esperança? Ela estava implorando? Ou estava cheia de desespero: “Eu
quebrarei suas pernas, jardineiro, se você não for buscar este corpo”? Nós teremos que perguntar a
ela sobre este dia!
200
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

Jesus não se demorou, Ele desejava ser encontrado por aqueles que ansiavam por Ele.
O anseio de Maria não era baseado em aspirações futuras para seu ministério e destino, seu
único motivo era o amor. Ela perdeu o único por quem ela esperava e amava.

Quando Ele chama o seu nome: “Maria!!!”, ela imediatamente reconhece sua voz, e
entusiasmadamente exclama: “Rabôni!” Jesus diz para ela: “Não me segure, pois ainda não
voltei para o Pai, mas vá até meus irmãos e diga-lhes: Estou voltando para meu Pai e o seu Pai, para
o meu Deus e o seu Deus” (Jo.20:17).

Efésios 1:19-20 nos conta que esse foi o trabalho do grande poder de Deus que ressuscitou
Cristo dentre os mortos.

Jesus chama para fora o que já havia no coração dela. Ela fala do seu anseio, e Jesus
antecipa o protocolo por uma questão de amor. "Maria! Sou eu! Estou bem! Vou ficar aqui um
tempo. Eu irei terminar o que eu comecei em você, e os demônios dos quais eu libertei você nunca mais
voltarão. Eu estou aqui, e eu estou aqui para ficar! Isto não acabou, este será apenas o começo!

2. De acordo com I Coríntios 15:5 Jesus apareceu para Pedro sozinho antes de ele
aparecer para os outros apóstolos. O contexto e conteúdo deste aparecimento não é dado a
nós.

3. Jesus apareceu para dois discípulos no caminho de Emaús (Lc.24). A forma como
Jesus os levou através das leis de Moisés, dos Profetas e dos Salmos, os discípulos ganharam
um entendimento sobrenatural das Escrituras, e foram capazes de ver tanto o sofrimento
como a glória do Messias.

4. Jesus apareceu para dez apóstolos, sem Tomé estar presente (Lc.24:33-39,
Jo.20:19-24).

5. Ele então apareceu para Tomé e os outros apóstolos (Jo. 20:27-29).

6. Em João 21, Jesus apareceu para alguns dos discípulos que estavam pescando no
mar de Tiberíades. Neste encontro Jesus questionou Pedro sobre seu amor por Ele e
restaurou sua liderança entre os discípulos.

7. Ele apareceu para todos os apóstolos na Galiléia e deu-lhes a Grande Comissão


(Mt.28:16-20).

8. Jesus apareceu por um período de quarenta dias, e contou aos apóstolos sobre o
Reino de Deus. Então Ele ascendeu aos céus (At.1: 1-9).

201
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

9. Ele apareceu para Tiago, a 500 irmãos de uma só vez, e para Paulo (I Co. 15:3-
8).

VI – UM EVENTO HISTÓRICO

A. O Cristianismo reivindica que a ressurreição não foi meramente espiritual, nos


corações dos discípulos, por alguma construção filosófica ou teológica. A ressurreição
aconteceu em tempo e espaço real. Jesus ressuscitou da morte com um corpo físico e
apareceu em carne para pessoas reais. Nós podemos acreditar na ressurreição de Jesus pois
a evidência aponta para a verdade da ressurreição e podemos ser confiantes por causa da
grande quantidade de evidências que provam esta veracidade.

Os escritores do Evangelho escreveram testificando que o túmulo estava vazio e que


Jesus apareceu para os discípulos por um período de quarenta dias. Naqueles encontros os
discípulos comeram com Ele e tocaram suas mãos e seu lado, onde Ele tinha sido pregado
durante sua crucificação (Lc. 24: 36-39).

B. Josh McDowell relata o testemunho de apoio de Inácius, sobre a ressurreição física


de Jesus:

Inácius (ca 50-115 AD), bispo de Antioquia, nascido na Siria e pupilo do apóstolo
João, diz-se que "foi jogado às feras no Coliseu em Roma. Suas epístolas foram escritas durante sua
jornada para Antioquia para seu martírio.” (Moyer, quem era quem na História da Igreja, 209).
Em um momento em que ele, sem dúvida, teria sido muito sóbrio de espírito, diz de
Cristo: “Ele foi crucificado e morreu debaixo de Pôncio Pilatos. Ele foi real, e não simplesmente de
aparência, foi crucificado e morreu, à vista dos seres do céu, e da Terra, e debaixo da Terra. Ele também
ressuscitou novamente em três dias...”

No dia da preparação, então, na terceira hora, Ele recebeu a


sentença de Pilatos, o Pai permitiu que isto acontecesse, na sexta
hora Ele estava crucificado, e na nona hora Ele entregou o espírito,
e antes do sol se pôr, Ele foi enterrado. Durante o Sabbah Ele
permaneceu debaixo da terra no túmulo em que José de Arimatéia
tinha-o colocado. Ele foi transportado no útero, como também
fomos, e foi na realidade alimentado com leite, e participou da carne
e da bebida comum como também nós o fazemos. E então Ele viveu
entre os homens por trinta anos, ele foi batizado por João,
verdadeiramente, não de aparência, e então Ele pregou o
Evangelho por três anos, e aconteceram sinais e maravilhas, Ele que
era Ele mesmo o juiz foi julgado pelos judeus, falsamente chamado,
e através do governador Pilatos, foi flagelado, foi golpeado no rosto,
foi cuspido, Ele usou uma coroa de espinhos e um manto de
púrpura, Ele foi condenado: Ele foi verdadeiramente crucificado,
não de aparência, não em imaginação, não em fraude. Ele

202
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

realmente morreu, e estava enterrado, e ressuscitou dos mortos”.


(McDowell, Evidence, 211-212).

VII – A EVIDÊNCIA

A. O túmulo vazio é levantado como prova da ressurreição.

1. Tudo o que teria levado a dissipar o "mito" e a esmagar o início desta religião
emergente teria sido apresentar o corpo de Jesus no sepulcro. Um corpo no túmulo de José
e o testemunho teria sido desacreditado instantaneamente.

Tom Anderson, o antigo presidente da Associação de


Advogados do estado da Califórnia, disse: “Vamos supor que os
relatos escritos de suas aparições para centenas de pessoas são
falsas. Eu quero refletir sobre uma pergunta. Com um evento tão
bem divulgado, você não acha que seria razoável que um
historiador, uma testemunha ocular, um antagonista fosse deixar
registrado para sempre que tinha visto o corpo de Cristo?... O
silencia da historia é ensurdecedor quando se trata do testemunho
contra a ressurreição. Como nós podemos ver, seus oponentes nem
sequer discutem o fato de que o túmulo estava vazio. Eles o
admitem. (Josh McDowell, The Ressurrection Factor, 66)

2. É importante notar que os inimigos do Evangelho admitiram que o túmulo estava


vazio, eles não tentaram dissuadir as pessoas de acreditar no túmulo vazio. Em vez disso
eles espalharam o rumor que os discípulos roubaram o corpo e pagaram os guardas para
dizerem isso também.

B. A mudança das vidas dos apóstolos pode ser atribuída a nada mais do que a
validação de sua fé - A Ressurreição de Jesus dentre os mortos.

1. Depois da crucificação, os apóstolos estavam desiludidos e sua fé foi diminuindo.


Sua confiança súbita e sua fé corajosa na ressurreição de Jesus era a prova de que Jesus tinha,
de fato, ressuscitado da sepultura.

Os Evangelhos são claros que os discípulos estavam em um


estado de desilusão quando a ressurreição ocorreu. O Evangelho
testifica que os discípulos não tinha compreendido as profecias de
Jesus sobre sua morte e ressurreição. Confusos e quebrados eles
estavam retornando para casa após a morte de Jesus. O caminho de
Emaús demonstrou sua fé destruída. Então após o túmulo vazio
alguns não creram até ver o Senhor ressurreto. Fica claro que Tomé
não acreditou. Antes da ressurreição Tiago, João, Simão e André
tinham retornado para pescar e Lucas tinha retornado para coletar
203
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

impostos. John Stott disse: “Talvez a transformação dos discípulos


de Jesus seja a maior evidência de toda para a ressurreição.
(McDowell, Evidence)

2. Sua mudança rápida de coragem. Os apóstolos foram movidos da negação,


dispersão e desilusão para proclamar audaciosamente a ressurreição de Jesus da morte.
Antes da crucificação de Jesus, Pedro negou Cristo por medo em frente ao questionamento
de uma jovem. Um pouco depois, Pedro estava audaciosamente proclamando a ressurreição
de Cristo dentre os mortos.

3. Seus auto-sacrifícios. Os apóstolos se moveram de discutir sobre quem era o maior


para a auto-entrega e sacrifício, para testemunhas de Cristo. Após a ressurreição, uma
mudança moral aconteceu entre aqueles homens percorrendo Atos 15, o leitor não tem
certeza de quem estava no comando. Era Pedro? Era Tiago? Humildade permeava na cena.
Este é um importante argumento da ressurreição. Como poderiam homens que pregavam e
que viveram vidas dos mais altos padrões morais criarem a base da sua construção moral em
uma decepção remota e intencional? Como poderiam eles ter roubado o corpo de Jesus e
então dizerem que Ele ressuscitou da morte? Eles transformaram vidas falando da veracidade
das suas afirmações a respeito da ressurreição.

4. Seus martírios. Mesmo estudiosos que não acreditam na ressurreição física de


Jesus admitem que alguma coisa muito poderosa deve ter acontecido com os discípulos a
fim de que eles estivessem dispostos a morrer de forma inimaginável, horrível e torturante.

C. Os discípulos pregaram em Jerusalém oferecendo forte evidência da ressurreição de


Jesus.

Os discípulos imediatamente pregaram a mensagem da ressurreição em toda cidade


onde os eventos descritos aconteceram à vista de todos. Não haveria tempo para mitos e
lendas serem criados, circulados e acreditados. Os eventos que estavam sendo proclamados
aconteceram apenas algumas semanas antes no próprio local, onde discípulos estavam
pregando. Criar lendas e mitos na mesma cidade em que a própria pessoa que eles estavam
atestando tinha sido morto poucas semanas antes teria sido impossível.

Note que quando os discípulos de Jesus proclamaram a


ressurreição, eles o fizeram como testemunhas e eles fizeram isso
enquanto as pessoas que haviam tido contato com os eventos
falados ainda estavam vivas. Em 56 A.D. Paulo escreveu que além
de 500 pessoas tinham visto o Jesus ressurreto e que muitos deles
ainda estavam vivos ( I Co. 15:6). Ele passa os limites da
credibilidade que os primeiros cristãos poderiam ter inventado tal
conto e depois pregado entre aqueles que poderiam facilmente ter
refutado isso simplesmente ao apresentar o corpo de Jesus. (John
Warwick Montgomery, Evidence, 249)

204
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

D. A dramática conversão de Saulo de Tarso para o apóstolo Paulo prova a


ressurreição de Jesus

1. A fim de disputar as reinvindicações do cristianismo e da ressurreição de Jesus, é


preciso explicar o dramático evento da conversão de Saulo de Tarso. Em Atos 7:58 e 8:1
Saulo foi encontrado na cena do martírio de Estevão, dando consentimento e assistindo a
sua execução e segurando a roupa do atirador de pedras.

2. Atos 8 e 9 descrevem o grande ódio de Saulo pelos que acreditavam em Jesus.


Atos 9:1 afirma que Saulo “respirava ameaças e morte” contra os discípulos do Senhor.

3. De repente, no caminho de Damasco, Saulo foi encontrado pelo Senhor ressurreto


e foi transformado em Paulo, o apóstolo. Desde dia em diante Paulo devotou sua vida para
o auto sacrifício e suportou a todas perseguições que ele tinha antes dispensado por causa do
seu amor por Custo e pelos discípulos.

4. Paulo deu o motivo de sua mudança surpreendente de crença e comportamento


perante o Sinédrio em Jerusalém (Atos 22) e novamente diante do Rei Agripa em Atos 26,
ele declarou que ele havia encontrado o Senhor ressurreto, Jesus o Messias (Atos 22:3-8,
26:9-16).

VIII - EXPLICAÇÕES ALTERNATIVAS PARA A RESSURREIÇÃO

A. A Teria do túmulo errado: Esta posição sustenta que estava escuro quando as
mulheres chegam ao sepulcro, assim as mulheres foram para o túmulo errado e encontraram
o túmulo errado vazio. Havendo encontrado o túmulo errado vazio, elas correram de volta
com alegria para contar para os discípulos, e assim, o que era um boato foi estabelecido como
verdade.
Argumentos contrários a teoria do túmulo errado:

1. Todo mundo sabia onde era o tumulo. Pedro e João verificaram o que as mulheres
contaram mais tarde e encontraram as roupas dobradas no tumulo vazio.

2. Os inimigos de Jesus sabiam onde era o túmulo e teriam facilmente encontrado o


corpo para silenciar o jovem movimento.

B. A teoria do corpo roubado: Esta teoria sustenta que ou as autoridades romanas ou


judaicas roubaram o corpo.

Argumentos contrários a teoria do corpo roubado:

1. Esta visão é impensável à luz do problema que os apóstolos pregando sobre a


ressurreição causavam para ambas as autoridades romanas e judaicas. Não se pode imaginar

205
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

que as autoridades teriam ocultado o próprio objeto que teria dissipado todos os rumores da
ressurreição.

2. A descoberta do corpo morto de Jesus teria encerrado todas as disputas.

C. A Teoria do desmaio: Esta teoria sustenta que Jesus na realidade não morreu na
cruz, mas, quando se apresentou para morrer, Ele na verdade desmaiou. Alega que seus
ferimentos o deixaram em estado de choque, mas ainda vivo, na frieza do túmulo reviveu de
tal maneira que ele foi capaz de sair da sepultura no terceiro dia.

Argumentos contrários à teoria do desmaio:

1. É Claro que Jesus estava morto. Ninguém poderia ter sobrevivido àquelas lesões,
especialmente sem ajuda ou assistência. Também, o sangue e água que jorraram do seu lado
claramente indicaram que Jesus estava morto.

2. Os soldados eram especialistas em crucificação. Eles tinham certeza que Jesus


estava morto e testemunharam seu final. Eles não quebraram suas pernas porque estavam
certos da sua morte e o furaram com uma lança em seu lado para assegurar que os seus
resultados estavam corretos.

3. Jesus foi coberto com roupas de enterro e com oitenta libras de especiarias depois
da crucificação. Como Jesus poderia viver por três dias sem comer ou beber tendo sido
completamente envolto da cabeça aos pés em linho e coberto por oitenta libras de
especiarias?

4. Como Jesus poderia reviver, desembrulhar-se, rolar uma grande pedra que muitos
homens colocaram no lugar, lutar contra um guarda romano, e então caminhar várias milhas
no caminho de Emaús dialogando com dois discípulos?

5. Como poderia Jesus ter desaparecido durante os próximos quarenta anos ou mais
sem deixar um traço enquanto os discípulos morriam para propagar uma mentira? E porque
ele o faria?

D. A teria da alucinação: Esta teoria sustenta que a ressurreição aconteceu na mente


dos discípulos. Dr. William McNeil articula esta posição em seu livro, A História do Mundo.
Ele escreve:

As autoridades romanas em Jerusalém prenderam e


crucificaram Jesus... Mas logo depois os desanimados apóstolos
estava reunidos em uma sala no andar superior e de repente
sentiram novamente a presença reconfortante de seu mestre. Isso
pareceu uma prova absolutamente convincente de que a morte de
Jesus na cruz não tinha sido o fim, mas o início... Os apóstolos
206
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

borbulharam de excitação e tentaram explicar a todos que


quisessem ouvir tudo o que tinha acontecido. (William McNeil, A
World History, 163)

Argumentos contrários a teoria da alucinação:

1. Alucinações deste tipo só podem acontecer em certas condições. Pessoas que


experimentaram alucinações se encaixam em um certo perfil psicológico. Ele são pessoas de
uma imaginativa natureza nervosa, e "tensa". Mesmo uma leitura precursora do Novo
Testamento revela que haviam muitos tipos de perfis psicológicos entre os discípulos.

2. Assim, alucinações são percebidas através indivíduos únicos, não grupos, e são
todas subjetivas. Todo grupo de pessoas viu o Senhor ressurreto, e eles todos viram a mesma
coisa.

3. Os discípulos não afirmaram ter tido uma visão. Eles testificaram que tocaram
nele e comeram com Ele (Lc.24:36-39).

4. Alucinações são muito restritas a respeito de quando, onde e com que freqüência
ocorreram. As aparições da ressurreição aconteceram em vários ambientes diferentes e em
momentos diferentes.
5. Alucinações ocorrem quando uma pessoa está esperançosa e esperando que algo
aconteça. Os discípulos não estavam esperançosos, ou com expectativas. Na verdade, eles
estavam desiludidos e em desespero. Jesus mostrou-se de repente e sem aviso prévio.

E. A Teoria do Roubo: Esta teoria é mais popular e foi com os judeus que circulou na
tentativa de desacreditar e abafar o ministério dos apóstolos em Jerusalém. Esta teoria
sustenta que os discípulos de Jesus roubaram o seu corpo do túmulo (Mt.28:11-15).

Argumentos contrários a Teoria do Roubo:

1. Se os romanos estavam dormindo, como eles saberiam que era os discípulos que
roubaram o corpo?
2. A possibilidade da guarda romana falhar por dormir no trabalho era altamente
improvável. Dormir na noite de vigília era punível através da morte do soldado romano.

3. Então, se os discípulos tivessem se reunido para executar tal plano, o túmulo


também estava fixado com um selo romano, e a punição para quebrar esse selo era a morte.
É inimaginável que os discípulos teriam arriscado suas vidas por seu Mestre quando ele havia
sido morto para não arriscar suas vidas por seu Mestre quando Ele estava vivo.

4. É altamente improvável que os discípulos estariam reunidos em um só lugar para


traçar estratégias para tal conspiração. Suas vidas estavam em perigo e eles estavam
escondidos.
207
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

5. Se os discípulos tinham vencido sua covardia, quebrado o selo romano, rolando


a pedra grande morro acima sem acordar os soldados, e roubado o corpo, porque eles teriam
tomado a tempo para desembrulhar Jesus e deixar suas importantes roupas bem dobradas
no túmulo?

IX – O SIGNIFICADO DA RESSURREIÇÃO

A. A ressurreição confirmou a identidade de Jesus como o Messias, o divino Filho de


Deus, e o Senhor. Jesus é o Senhor, o Cristo ressurreto, e nós somos o povo que testifica a
ressurreição. Ele está vindo para julgar a raça humana baseado no que nós acreditamos em
relação a sua ressurreição ( Jo. 2: 18-22).

B. A pregação apostólica do livro de Atos tem o centro ao redor da ressurreição de


Jesus Cristo. O destino eterno dos humanos é determinado sobre se eles acreditam ou não
em seus coração e confessam com suas bocas que Jesus é o Senhor que que Deus os
ressuscitou dentre os mortos (Rm. 10:9); assim, o futuro das pessoas é determinado através
do que elas acreditam sobre quem Jesus disse que ele é e o que ele fez três dias depois da sua
morte. Atos 4:33 diz: “Com grande poder os apóstolos continuavam a pregar, testemunhando da
ressurreição do Senhor, e maravilhosa graça estava sobre todos eles.” Nós devemos pregar sobre
a ressurreição de Jesus como uma parte essencial da apresentação do Evangelho.

C. Nós não temos nenhuma razão para recuar em face de algum ensino hostil. O
Evangelho tem convertido as maiores mentes desde os seus primeiros dias. O Novo
Testamento é historicamente confiável, e a evidência em si leva a uma única conclusão
honesta: Jesus Cristo morreu na cruz e ressuscitou dentre os mortos no terceiro dia. Desde
cedo daquela manhã de domingo em Jerusalém a Igreja tem fielmente testemunhado que
Deus tem feito este mesmo Jesus que esteve crucificado como Senhor e Cristo (At. 1: 21-22,
2: 32-36, 3: 26, 4:10-12,33, 5:30-32, At. 8:5, 10:38-42, 13: 29-35, 17:18, 26:22-23, Rm. 1:1-6,
Ef. 1:17-23, Fl.2:8-11).

D. A ressurreição sustenta a integridade de Cristo e a justiça de Deus. Deus estava


justificando como o justo juiz do pecado e Jesus foi justificado como o sacrifício aceitável
pelo pecado. No plano de Deus o pecado tinha sido julgado mas ao mesmo tempo o caminho
foi fornecido para toda humanidade para entrarem em um relacionamento com Deus através
do sacrifico expiatório de Jesus Cristo.

E. Nós compartilhamos do poder da ressurreição de Cristo. Sua vida ressuscitada


habita em cada cristão, liberando poder divino e poder para transformação. A vida ressurreta
de Jesus quebra o poder do pecado em nossas vidas e nos faz novas criaturas. Existe uma
nova vida trabalhando em nós. A lei do pecado e da morte não pode prevalecer sobre nosso
corpo mortal. O poder da ressurreição nos capacita a viver uma vida crucificada e produz
uma nova e gloriosa criação dentro de nós. Nós somos um povo sobrenatural e um povo
ressuscitado testificando do Cristo ressurreto que agora habita em nós através do seu
Espírito. Para olhar para o trabalho inseparável de Cristo e do Espírito Santo veja Atos 16:7-
10 e I Pedro 1:11 (Rm.5:9-11).

208
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

F. Paulo ensina que a ressurreição foi mais do que um evento histórico, foi um evento
escatológico. Foi o primeiro fruto da transição da experiência humana. Durante uma
colheita, os primeiros frutos são levados para fora para ver se a colheita é completa e são
apreciados diante de toda a safra colhida. A ressurreição de Jesus foi o inicio de uma
ressurreição escatológica de toda raça humana para o final dos tempos. Apenas Cristo foi
ressuscitado dentre os mortos, assim você será ressuscitado da morte quando Ele aparecer,
mas no tempo entre a sua ressurreição e nossa ressureição você terá acesso para sua vida
ressurreta através do Espírito (Rm.6:5-6, 8:11, Ef.1:19-21, 2:4-6, Cl.3:1-5, Fl.3:10-11, I Pe.
1:3-5, Hb. 13:20-21).

G. O Espírito Santo que vive dentro de nós é a garantia da nossa futura ressurreição.
Assim como a morte de nosso espírito na queda assegurou nossa morte física, assim a vida
do Espírito dentro do nosso espírito assegura a ressurreição dos nossos corpos. O Espírito
que habita em nós nos faz gemer pelo nosso corpo celeste (Ef.1:13-14, II Co.5:2-5).

H. A ressurreição anuncia a destruição da morte (I Co. 15:51-57).

“Jesus disse para ela: ‘Eu sou a ressurreição e a vida. Quem acreditar em mim, através
da morte, viverá. E quem viver e acreditar em mim, nunca morrerá”. (Jo.11:25-26)

I. A ressurreição de Jesus testifica para a vinda da ressurreição da morte onde Cristo,


“o primeiro fruto”, irá julgar entre o perverso e o justo. A Justo irá ressuscitar para a vida e
o perverso irá ressuscitar para destruição ( Lc. 14:14, 20:33-38, Jo.5:21-30, At.4:1-2, 10:42,
17:30-31, 23:6, At. 24;15-21, I co. 15:21-18, Ap. 20:5-6, 11-15).

J. A ressurreição celebra e dá honra ao corpo humano. De fato, o corpo ressurreto de


Jesus revela as mesmas características que o nosso corpo humano glorificado e ressurreto irá
ter (I Jo. 3:1-3)

O corpo é grandemente honrado no cristianismo (Rm.6:19,


12:1, I Co.6:19-20, (;27), não somente na encarnação, através da
vinda de Deus em carne, mas na ressurreição também, através da
reunião do corpo e alma humana compostos para um destino eterno
próximo ou separado de Deus. (Thomas C. Oden – Life in the Spirit
Vol. 3, 401)

“Assim também é a ressurreição da morte. O copo é semeado em corrupção, e irá ressuscitar


em incorrupção. Ele é semeado em desonra, e é ressuscitado em glória. Ele é semeado em fraqueza,
e ressuscita em poder. Ele é semeado um corpo natural, e ressuscita um corpo espiritual. Existe um
corpo natural e existe um corpo espiritual. E assim está escrito: ‘O primeiro homem Adão tornou-
se um ser vivo’. O último Adão tornou-se um espírito vivificante”. (I Co. 15:42-45)

K. Sobre o que nós baseamos nossa eternidade? Nossa existência é completamente


relacionada à um livro, com centenas de profecias cumpridas, que contam a história da
relação amorosa de Deus com sua preciosa criação. Este livro conta a história de como Deus
209
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

nos salvou de nossos pecados ao enviar seu Filho Jesus para morrer na cruz e então o
ressuscitando dentre os mortos. Nós somente basearemos nosso futuro eterno sobre o fato
histórico de Jesus ressuscitar da morte!

210
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

LIÇÃO DEZOITO
A ASCENSÃO E SESSÃO DE CRISTO
I - INTRODUÇÃO

A. A doutrina da Ascensão e Sessão de Cristo descreve e nos dá o significado das


atividades de Jesus entre sua ressurreição e sua segunda vinda. O que Jesus fez depois da
ressurreição? Para onde Ele foi, e o que Ele está fazendo agora?

B. Então o que Jesus fez depois da ressurreição? O Livro de Atos resume as atividades
pós ressurreição de Jesus, no seu aparecimento para os discípulos, em um corpo humano
ressurreto, pelo período de quarenta dias. Durante este tempo, Ele abriu seus entendimentos
concernentes as Escrituras, ensinando seus discípulos no Reino de Deus, e exortando-os para
permanecerem em Jerusalém para o batismo do Espírito Santo. Eles deveriam orar e esperar
para receber poder do alto, para que assim eles pudessem ser testemunhas em Jerusalém,
Judéia, Samaria e nos confins da Terra (Lc.24:44-49, At.1:1-8).

C. Ele disse: "Desde agora não mais beberei deste fruto da videira até aquele dia em que
convosco o beba novamente, no Reino de meu Pai." (Mt. 26:29). Jesus está jejuando da Ceia do
Senhor – da refeição de comunhão, da refeição da intimidade - até o dia em que Ele retornar
e beber do fruto da videira em seu Reino conosco. Hoje Ele intercede por nós, e deseja se
revelar sobre a Terra através de nós, até que chegue o grande Dia do seu retorno.

D. Onde Jesus está? Lucas 24:50-53 e Atos 1:9-11 descrevem a ascenção de Jesus.
Depois Jesus ficou quarenta dias falando para os discípulos sobre o Reino de Deus, Ele
ascendeu para o céu e foi para a direita da mão de Deus, o Pai onipotente. O Evangelho de
Lucas e o livro de Atos descrevem o evento atual. Jesus levou seus discípulos para Betânia,
os abençoou e então ascendeu nas núvens no céu. Os discípulos o adoraram e se regozijaram
assistindo sua ascensão e os anjos testemunharam o seu retorno (At.1:9-11, Lc.24;50-53,
Mc.16:19, Hb.1:3)

E. Jesus retornou para a presença do seu Pai, onde Ele estava antes, no início do
mundo. Em várias ocasiões o evangelho de João claramente afirma que Jesus veio descendo
do céu e que iria ascender ao céu de volta para o Pai (Jo.13:1,6:62,17:5).

F. A Bíblia testifica que Jesus foi para um lugar real, na ressurreição e glorificação de
seu corpo humano. A Escritura é clara. Jesus não ressuscitou nos corações dos discípulos de
um modo metafísico e abstrato. Ele ressuscitou em um corpo glorificado e foi para um lugar
real. Jesus ascendeu para o céu e está em uma sala, no trono, na Nova Jerusalém. Estevão,
o mártir da Igreja, viu o Cristo ressurreto em seu corpo glorificado, a direita da mão de Deus
(At. 7:55-56).

G. O que Jesus está fazendo agora? A palavra sessão significa “sentar”. Ele está
assentado, governando sobre todas as coisas com Deus, o Pai. A ascensão significa que Jesus
entrou em seu Reino celestial como Rei e Juiz.
“Enquanto o ofício sacerdotal necessitava de auto-sacrifício e
compaixão, o ofício de governo iria requerer infinita sabedoria e cuidado no
direito uso do poder através de ordenar, julgar, legislar e aperfeiçoar a
comunidade da fé”. (Thomas C. Oden – The Word of Life, Systematic,
Vl.2, 515).

211
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

H. O Salmo 110 dá uma clara figura de onde Jesus está e o que está acontecendo. De
fato, no sermão de Pedro durante o Pentecoste, ele testificou sobre a ascensão e usou o Salmo
110:1 como suporte nisso (At.2:34-36).

I. Jesus está assentando a direita da mão de Deus, o Pai, e espera que todos os seus
inimigos sejam feitos um escabelo embaixo dos seus pés. A direita da mão do Pai significa
um lugar de grande honra e absoluto poder (Ex.15:6, Sl. 89:13).

J. Jesus está esperando que todos os seus inimigos sejam subjugados debaixo dos seus
pés, e, portanto, está levando todas as coisas para o dia da sua ira, quando Ele irá
publicamente destruir todos os poderes das trevas. Apocalipse 6 nos conta que naquele dia o
sol irá escurecer, as estrelas começarão a cair do céu e a terra irá estremecer. Nessa hora
todas as pessoas da terra se esconderão em cavernas e clamarão no alto das montanhas: “caí
sobre nós e escondei-nos do rosto daquele que está sentado sobre o trono e da ira do Cordeiro, porque é
vindo o grande Dia da sua ira; e quem poderá subsistir?” Ap.6:16

K. O Reino veio à Terra na pessoa de Jesus Cristo, mas ainda não foi completamente
realizado. Até esse momento, Jesus se assenta na direita da mão do Pai, intercedendo para
que todos os inimigos sejam colocados debaixo dos seus pés. A partir do trono de Deus,
Cristo lidera a história humana, até o dia quando Ele virá com poder e executará sua ira
sobre todos os inimigos do amor. Quem Jesus é no céu, em toda sua glória e força, irá ser
revelado na Terra. Ele será abertamente revelado como o Rei dos reis e Senhor dos senhores
(Sl.110:1-7).

L. Paulo declara que os cristãos estão assentados nos lugares celestiais com Cristo
Jesus (Ef.2:4-6). Nós podemos ver a ascensão de uma perspectiva celestial. De fato, Estevão
contemplou Jesus a direita da mão de Deus, quando estava sendo martirizado por causa do
Evangelho. Ter o céu como perspectiva nos causa tremor diante da majestade celestial.
Apocalipse 4 e 5 nos dão uma visão do porquê Jesus pode abrir os selos, porque Ele tinha a
autoridade para governar toda a história humana e fechar o Fim dos tempos.

1. Em Apocalipse 4, os quatro seres viventes começam a abordar a realidade da


santidade de Deus: "Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus Todo-Poderoso" (Ap. 4:8). Eles
declaram que Deus sempre tem sido, sempre será, e ainda é santo. Ele é diferente de qualquer
outra coisa. Nada se compara a sua luminosidade, seu poder e sua pureza. Eles testemunham
da sua grandeza, da perfeição e consumação de todos os atributos de Deus, trabalhando
juntos em perfeita simetria. Você pode imaginar como é ter perfeita misericórdia, perfeita
justiça, perfeita bondade, perfeita sobriedade e perfeita sabedoria operando juntos de uma só
vez?

2. Deus não está comprometido apenas em uma faceta de sua natureza. Ele é o Deus
lindo, amável e perfeito. A única palavra que a Bíblia pode usar para descrever isso é "Santo".
Ele é totalmente "diferente", além de nossa compreensão. Ele nunca se dissipa, a única coisa
da qual Ele se alimenta é dele próprio. Ele reabastece a si mesmo. A.W. Tozer descreve a
completa transcendência de Deus:

Não devemos pensar em Deus como o mais alto em uma


ordem crescente de seres humanos, começando com a célula e
subindo dos peixes para o pássaro, do animal ao homem, ao anjo,
ao querubim à Deus. Isto seria conceder eminência à Deus, mesmo
preeminência, mas isso não é suficiente, precisamos conceder-lhe
transcendência no sentido mais pleno da palavra. Deus sempre se
destaca, à luz inacessível. Ele é tão acima quanto um arcanjo é mais

212
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

elevado que uma lagarta, mas o abismo que separa o arcanjo da


lagarta é finito, enquanto o abismo entre Deus e o arcanjo é infinito.
A lagarta e o arcanjo, embora longe um do outro na escala das
coisas criadas, são, no entanto um, uma vez que são ambos
igualmente criados. (A.W.Tozer, The Knowledge of The Holy, 70).

3. João viu o Santo, e então um dilema foi criado: Como uma humanidade pecadora
iria cobrir a grande distância entre eles e o Santo? Quem iria garantir que a raça humana
poderia ter um relacionamento com este Ser santo?

Em Apocalipse 5:2, o anjo forte levantou a questão: "Quem é digno de abrir o livro e
romper os seus selos?" O texto grego destaca o fato de que este era um desafio feito para toda a
criação. Quem é digno? Quem pode passar após o anjo forte, e quem pode passar através da
glória inacessível daquele que está sentado no trono? Quem irá proteger a história humana?
Quem é digno? João chorou porque ninguém em toda a criação foi achado digno. De
repente, um dos anciãos pediu que João não chorasse. O choro não era necessário, pois um
foi achado digno de abrir os pergaminhos e romper-lhe os selos. "O Leão da Tribo de Judá, a
raiz de Davi, prevaleceu" (Ap. 5:5). João assistiu quando Jesus passou por um anjo através da
luz inacessível. Tendo recebido toda a autoridade, Jesus tomou o livro da mão direita do Pai.

4. Salmo 72 descreve a regra de Jesus no Reino Milenar. O salmista começa dizendo:


"Dê ao rei os teus juízos, ó Deus". Isto é precisamente o que acontece em Apocalipse 5. A Jesus
foi dada toda a autoridade na Ascensão, e um dia o Pai vai liberá-lo para cumprir os
julgamentos de Deus, anunciando o Reino eterno de Deus sobre a Terra.

II - O SIGNIFICADO DA ASCENSÃO E SESSÃO DE CRISTO

A. A Ascensão e Sessão de Cristo não são doutrinas teológicas secundárias. O Novo


Testamento faz citações sobre o Salmo 110 pelo menos vinte e uma vezes. No Evangelho, o
livro de Atos, as cartas de Paulo, de Pedro e o Apocalipse do apóstolo João, todos certificam
a ascensão de Cristo aos céus e que Cristo está assentado a mão direita do Pai. Esta gloriosa
verdade é também incluída em todo o maior credo da Igreja.

B. O que Ascensão de Cristo para a direita da mão do Pai realiza para cada cristão?
A humanidade, na pessoa de Cristo, é trazida à direita de toda a presença do Onipotente, e
assim, o Espírito de Deus pode ser derramado no coração de todo cristão.

1. É certo que agora, à mão direita do Pai, a segunda pessoa da Trindade tem um
corpo humano. Você tem um irmão que está governando no céu, e a história humana está
garantida para continuar, porque há um homem lá, um homem Rei, sentado na direita da
mão de Deus. Como o Deus homem, Cristo está agora no Santo dos Santos, na Nova
Jerusalém, e a Bíblia declara que estamos lá com Ele. Jesus está sentado à direita do Pai, em
uma moldura humana intercedendo a Deus por nós, para sermos cheios do Espírito Santo e
maduros em justiça.

“Estando ainda mortos em nossos delitos, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça
sois salvos), e nos ressuscitou juntamente com Ele, e com Ele nos fez sentar nas regiões celestes em
Cristo Jesus”. (Ef. 2:5-6)

Mas o verdadeiro cristão salta de alegria, mesmo quando


derrubado por diversas dores e tentações, com a lembrança de que
Cristo é exaltado, no que ele encontra o suficiente para alegrar o seu

213
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

coração ... Ele sente que Jesus Cristo, o glorificado “Príncipe dos
reis da Terra” é seu irmão. Enquanto ele o reverencia como Deus,
ele o admira como o homem-Cristo, osso dos seus ossos, carne da
sua carne, e ele se deleita, em seus momentos de calma e plácida
comunhão com Jesus, para dizer a Ele: “Senhor, tu és o meu
irmão.” Sua canção é: “Meu amado é meu e Eu sou seu!”. É sua
alegria cantar: “No sangue como um pecador, Cristo Jesus esteve,
porque Ele é um homem, como nós somos!” E Ele que não é nem
menos, nem mais homem do que nós somos, nos salvou de todo
pecado. Sem dúvida, quando nós sentimos que estamos
relacionados com Cristo, sua exaltação é a fonte de grande alegria
para nosso espírito, nós bebemos suas delícias, vemos que é um da
nossa família que está sendo exaltado. Ele é o santo irmão de uma
grande e única família de Deus do céu e da Terra, o irmão a quem
todos nós estamos ligados. (Charles Spurgeon – The Exaltation of
Christ)

2. O Filho de Deus sentado na direita da mão do Pai, intercedendo por nós, para
que sejamos unidos com Deus e com o Espírito Santo, nos tornando assim maduros em
justiça. Em Efésios 4, Paulo nos conta que Cristo ascendeu nos céus e que Ele irá “cumprir
todas as coisas”. Ele deseja encher a Terra com o amor e a justiça do Pai através do
derramamento do Espírito Santo.

“Aquele que desceu é também o mesmo que subiu muito acima de todos os céus, para
cumprir todas as coisas”. (Ef. 4:10)
3. Em João 14-16 Jesus preparou os discípulos para sua crucificação. Neste tempo
Ele os introduziu para a nova Companhia que estava vindo. Ele prometeu que Ele não iria
deixá-los como órfãos, mas Ele iria enviar-lhes o Consolador, outro Ajudador. O Espirito
Santo iria liderá-los para dentro de toda verdade e os lembraria todas as palavras ditas por
Jesus. A ascensão de Cristo não seria um triste acontecimento, mas uma grande alegria.
Quando Jesus assentasse na direita da mão do Pai, o Espírito Santo iria ser derramado do
alto. (Jo. 14:15-18, 16:7-15, At. 2:33).

“Se me amardes, guardareis os meus mandamentos. E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará
outro Ajudador, para que fique convosco para sempre. A saber, o Espírito da verdade, o qual o
mundo não pode receber; porque não o vê nem o conhece; mas vós o conheceis, porque ele habita
convosco, e estará em vós. Não vos deixarei órfãos; voltarei a vós”. (Jo. 14:15-18)

4. Como um homem, Jesus só pode estar em um lugar, dessa forma com o


derramamento do Espírito Santo, seu ministério continua no interior dos santos. Ele está
agora em todo lugar, no coração dos cristãos, através do Espírito Santo. O cristão tem toda
presença de Deus, poder e força em seu homem interior. Nós somos participantes de todas
as bênçãos espirituais nos lugares celestiais. O Espírito é o selo e a garantia da nossa futura
herança até a redenção no final dos tempos (Ef.1:3, 13-14)

5. Deus deseja nos tornar sua Casa. Através do Santo Espírito tanto o Pai como o
Filho nos farão a sua Casa. Nós somos o Templo de Deus, e o lugar da habitação do Todo
Poderoso (Jo.14:20, 23, I Co.6:13,19).

6. Jesus agora está assentado a direita da mão do Pai. Estar a direita da mão de Deus
é sinônimo de ser cheio do poder e da autoridade de Deus. Cristo, como o Senhor
ressuscitado e o Rei que ascendeu, tem pleno acesso e comanda todos os recursos do céu.

214
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

a. A sabedoria e poder da cruz de Cristo são justificados através da exaltação de


Cristo. No pensamento de Paulo, a exaltação de Cristo é também o resultado e a justificação
da vida mansa e sacrificial de Cristo. O Messias entrou em seu Reino da forma mais
inesperada, através de um caminho de sofrimento, crucificação, morte e ressurreição. O
pequeno carpinteiro de Nazaré foi então exaltado e recebeu um Nome sobre todo nome. O
homem crucificado entre dois ladrões se tornou o Senhor de todos, diante de quem todos se
curvarão no último Dia (Fl.2:9-11).

b. Jesus ascendeu em sua ressurreição, com um corpo humano glorificado através


das nuvens, subjugando poderes e principados. Jesus Cristo é o Senhor de tudo! O Pai tem
dado a Ele todo poder e autoridade. Paulo e Pedro testificaram a exaltação e a autoridade
do governo de Cristo sobre todo poder e principado (Mt. 28:18, Ef.1:20-21, I Pe. 3:22).

c. Como o Deus-homem Jesus irá governar com todo poder e irá completar o plano
de redenção da história da humanidade. Ele agora reina em ascensão gloriosa e tem todo
poder sobre todas as coisas – forças demoníacas, doenças, padrões climáticos, etc. Portanto,
sentados com Cristo, governamos com Ele a partir deste ponto de vista, comandando
demônios e mandando embora as doenças, para deixarem os corpos, serem feitos sãos e
abrindo portas para o Evangelho. Jesus está governando no meio dos seus inimigos através
de nós (Hb.1:1-4, Sl. 110:1-2).

d. Paulo ora pelos cristãos para terem os olhos do seus entendimentos abertos, para
que eles possam conhecer a suprema grandeza do poder de Deus para com os que creem.
Nós temos a revelação de que Cristo está assentado acima de todas as coisas, e nós estamos
acima com Ele. O Espírito Santo trabalha poderosamente através de nós, continuando a
ministração de Jesus. Ele trabalha através de nós para destruir o trabalho do diabo e trazer
libertação aos cativos. Jesus declarou que os discípulos iriam receber poder do alto quando
o Espírito viesse sobre eles (Ef.1:16-23).

7. A eterna glória da intercessão de Jesus, pedindo ao seu Pai por todas as coisas
para sempre.

a. Jesus governará para sempre através da intercessão. Ele está intercedendo


através de seu sacrifício terrestre e garantiu a sua justificação, e sua intercessão celestial está
garantindo sua santificação e glorificação. Ele está constantemente pedindo ao Pai que lhe
dê as nações por herança (Sl. 2:8). Ele intercede continuamente diante de seu Pai (Hb. 7:25).
Mesmo o Deus-Homem tem que pedir ao Pai pelo Reino. É um reflexo da forma como Ele
designou que acontecesse com os seres humanos.

b. Nós somos as únicas criaturas no Céu e na Terra, que pedimos algo a Deus. Esta
é uma dignidade muito além de qualquer coisa que possamos imaginar. Que outra criatura
se achega ao eterno Rei da Glória a pede coisas? Pedir é uma honra muito além da nossa
capacidade de compreender. Pedimos, Deus ouve, e os anjos são enviados com decretos
divinos. Quão bela e forte é a realidade de que fracos seres humanos levantam suas vozes, e
o Deus do Céu ouve e libera seus decretos governamentais para mudar o planeta Terra.

c. A intercessão está enraizada na forma como fomos feitos. Deus nos fez a sua
imagem e nos deu o prazer governamental de pedir-lhe coisas. Deus conectou para sempre
governo e intimidade, nosso domínio está para sempre relacionado com nossa dependência
da intimidade e da busca. Decisões governamentais nunca estão fora do contexto de
intimidade, amor e fascinação. Deus ama receber pedidos, Ele ama nos ouvir e Ele ama nos
emocionar com suas respostas. Isto é vida — para sempre nos reclinarmos sobre o nosso
Noivo Deus, compartilhando com Ele as decisões a serem tomadas sobre a terra. Intercessão
é o fundamento do que significa ser humano e feito à imagem do Deus vivo. Governo no
215
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

Reino de Deus não é simplesmente fazer decisões com um determinado conjunto de fatos.
É sempre marcado de forma indelével com a inclinação, comunicação, e petição de coisas
ao Rei. Governo é mais do que impor a ordem divina. É cheio de intimidade, luz e amor. É
a interação fascinada de pedidos humanos e respostas divinas em adoração, contemplação e
sussurros de amor.

Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, porquanto vive
sempre para interceder por eles. (Hb. 7:25)

Pede-me, e eu te darei as nações por herança, e as extremidades da terra por possessão. (Sl.
2:8)

III - O FUNDAMENTO DA PODEROSA PREGAÇÃO NA IGREJA


PRIMITIVA

A. A Ressurreição e Ascensão de Cristo não apenas formam uma parte intrínseca da


pregação do Evangelho, elas também dão grande ousadia na atual proclamação do
Evangelho.

1. O evangelho de Marcos termina com os discípulos indo em todos os lugares para


pregar o evangelho depois da ascensão (Mc. 16:19-29).

“Ora, o Senhor, depois de lhes ter falado, foi recebido no céu, e assentou-se à direita de
Deus. Eles, pois, saindo, pregaram por toda parte, cooperando com eles o Senhor, e confirmando
a palavra com os sinais que os acompanhavam”. (Mc. 16:19-20)

2. Pedro, aquele que negou, tornou-se adornado de ousadia após a ressurreição.

Ora, a este Jesus, Deus ressuscitou, do que todos nós somos testemunhas. De sorte que,
exaltado pela destra de Deus, e tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto
que vós agora vedes e ouvis. (At. 2:32-33)

3. A Ressurreição e a ascensão de Jesus deram grande confiança aos apóstolos para


pregarem o Evangelho (At. 4:23-33).

4. Os apóstolos tiveram grande ousadia diante do Sinédrio depois da Ressurreição e


Ascensão de Jesus (At. 5:27-3).

5. Estevão, como o primeiro mártir, viu o Cristo exaltado quando Ele ousadamente
pregou o Evangelho (At. 7:54-60)

6. Paulo encontrou o ressuscitado e ascendido Senhor (At.9:1-22). Diante das


autoridades Paulo usou este encontro com Jesus como a base para sua proclamação do
Evangelho (At. 22: 23-26).

B. Salmos 2 e 110 são o pano de fundo para a compreensão da Igreja primitiva de sua
natureza e missão. Pela Ressurreição e Ascensão, Deus colocou o seu Rei em seu santo
monte. Ele vai sentar-se, entronizado no poder, até que todos os seus inimigos sejam
colocados debaixo de seus pés.

C. A Ascensão e Sessão de Jesus providenciam três realidades poderosas para o


cristão: presença, poder e oração. Nós estamos assentados com Cristo nos lugares celestiais
e temos o Espírito em nosso interior, sua presença, manifestando toda a vida e ministério de

216
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

Cristo através de nós com poder. Assentados com Ele nos unimos a Ele ministrando em
intercessão, clamando por todas as nações para serem dominadas através do seu Reino de
amor e justiça.

D. Cristo está no Trono. A história está nos movendo em direção ao grande clímax do
seu retorno, quando “este mesmo Jesus” irá descer do céu e subjugar as nações. Ele irá
destruir todos os oponentes do amor e trazer a justiça de Deus à Terra. Até esse dia
anunciamos as boas novas: as portas serão completamente abertas para o Reino. Cremos no
Cristo, o crucificado e o único exaltado, e recebemos o perdão dos pecados e a novidade de
vida. Dentro da promessa, somos feitos novos e unidos com o Espírito Santo em amor.

217
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

LIÇÃO DEZENOVE
O RETORNO DO REI
I. NOSSA ABENÇOADA ESPERANÇA

A. Em Mateus 9:14, Jesus falou de um tempo quando Ele não estaria mais com os
discípulos, e nesse tempo eles jejuariam pelo desejo de estar com Ele. O desenvolvimento da
estratégia da grande liderança de Jesus consistiu em levantar líderes que fossem tocados,
atingidos, fascinados e tomados pela força e poder da sua personalidade. Depois de ter
tomado seus corações nos três primeiros anos, eles trabalhariam para o Reino de uma forma
sacrificial. Eles desejariam Jesus. Eles dariam tudo para trabalhar pelo seu retorno. Assim,
os apóstolos falaram com muito carinho sobre a Segunda Vinda de seu Salvador e Rei. Eles
ansiavam por sua vinda. O trabalho sacrificial deles, a diligência, e a missão nasceram de
um profundo desejo de ver o retorno de seu Mestre e Amigo.

B. Jesus revelou um caminho que criou um desejo por Ele acima de todos prazeres
e ambições. Seus discípulos consideraram a honra e o prazer de amá-lo estando acima de
todas as alegrias terrenas. Ansiosos pelo retorno de Jesus, eles trabalharam para trazê-lo de
volta para a Terra. Sua revelação e seu testemunho foram tão poderosos que a Igreja nos dois
primeiros séculos ansiava por sua vinda.

C. Pedro apelou à Jerusalém que se arrependesse. Se eles se arrependessem, os tempo


de refrigério viria e Deus enviaria Jesus de volta (At. 3:19-22). Nós fomos feitos para a
presença de Jesus, especificamente projetados para a comunhão íntima com o Homem-Deus,
enquanto Ele não está aqui, nós sentimos sua falta. O desenvolvimento da estratégia de
liderança de Jesus era a de fazê-los viciados em sua presença porque dessa forma eles fariam
qualquer coisa para trazê-lo de volta (I Pe. 1:3-9).

D. Paulo chamou a segunda vinda do Senhor Jesus de abençoada esperança da


Igreja. No seu retorno nós iremos receber nossa glorificação e corpos ressurretos. A Terra irá
ser feita nova quando Ele estiver sobre o seu Trono em Jerusalém, governando sobre todas
as nações. Nossa esperança pessoal e a esperança do mundo inteiro encontram-se na volta
de Jesus e na consumação do Reino de Deus na Terra como no céu (Tt. 1:1-3, 2:11-14, Cl.
1:27-28, Gl.5:5).

Nós, entretanto, pelo Espírito aguardamos a esperança da justiça que provém da fé. (Gl.
5:5)

E. Paulo, no final de sua vida, afirmou que a coroa da justiça é a recompensa divina
para todos que desejarem e amarem a vinda de Cristo. Há um movimento atual em muitas
igrejas, para deixar de lado a importância do retorno do Senhor e o foco principal do Reino
vindo agora, através de nós. Esta ênfase no “agora”, da vinda do Reino, tem sido muito boa
para remover a passividade da Igreja. Contudo, enfatizar a "atualidade" do Reino, com a
exclusão da consumação do Reino na volta de Jesus, não foi a prática dos apóstolos. Seus
escritos são claros. Nós estamos no tempo da sua vinda e devemos viver de tal forma a
colaborar com a sua volta.

“Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará
naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda”. (II Tm. 4:8)

F. Pode-se dizer: “Mas não foi o próprio Jesus que disse que era bom que Ele fosse, para que
então o Espírito Santo viesse?” Sim, é verdade que nós deveríamos nos alegrar no enchimento
da presença do Espírito Santo. Jesus havia triunfado sobre o pecado e a morte, e por causa
218
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

do seu trabalho de salvação na cruz, nós temos todas as coisas que precisamos para a vida e
piedade através da capacitação do poder do Espírito Santo. Nosso anseio por Jesus não vem
de uma falta espiritual. O Espírito Santo é o primeiro fruto da nossa redenção que será
consumado no retorno de Jesus. De fato, as Escrituras são claras em afirmar que o mesmo
Espírito anseia, dentro de nós, pela nossa consumação, a ressurreição dos nossos corpos (II
Co.5:1-5, Gl.5:5, Ef.1:13-14).

G. No início do livro de Apocalipse, o Pai comissiona Jesus para revelar mais da sua
majestade para sua Igreja. A maior das razões para a revelação da majestade e glória de Jesus
no livro de Apocalipse é criar desejo no coração dos cristãos para clamarem por seu retorno
(Ap.1:1).

H. Wayne Grudem afirma em seu Livro de Teologia Sistemática: "De certa forma,
então, o grau em que nós realmente desejamos o retorno de Cristo é a medida da condição espiritual de
nossas próprias vidas no momento." (Wayne Grudem, Systematic Theology, 1093).

1. Talvez muitos de nós, enquanto estamos crescendo, desejamos que Jesus não
volte antes que certas coisas aconteçam: receber nossa primeira carteira de motorista, formar-
se na faculdade, casar-se ou ter filhos. O retorno de Jesus pode ser apenas uma doutrina, e
pode não ser pessoal para nós. Mas a segunda vinda de Jesus era muito pessoal para os
discípulos e logo será para a Igreja mundial.

2. Apocalipse 22:17 fala de um tempo quando o Espírito e a Noiva estarão em uma


completa unidade em seu desejo para que Jesus volte e reine sobre a Terra. No final dos
tempos, o clamor do coração dos cristãos será de saudades do seu Rei e do seu Deus. Deus
vai liberar a revelação de seu Filho, que irá produzir a mais alta expressão de saudade e de
amor na Igreja. João concluiu Apocalipse com um diálogo divino. Jesus dá a revelação da
sua vinda, João recebe a revelação e responde com um grito de saudade e amor: "Vem, Jesus!
Sinto falta de você!"

“Aquele que testifica estas coisas diz: Certamente cedo venho. Amém! Ora, vem, Senhor
Jesus!” (Ap. 22:20)

O clamor da Igreja primitiva era: ‘Vem, Senhor Jesus!’ E não


foi mera coincidência que as últimas palavras da Bíblia são as
primeira palavras do Senhor: ‘Sim, eu estou vindo rapidamente’, e
então a resposta da Igreja: “Amém, Venha, Senhor Jesus!’ (Ap.
22:20). Este é o clamor para o qual toda a Bíblia é destinada
a deixar no coração dos eleitos. (John Piper – A Hunger for
God, 85-86)
II - PORQUE AS PESSOAS DESISTEM DE ESTUDAR O FINAL DOS TEMPOS

A. Se o anseio pelo aparecimento de Cristo era normativo na igreja apostólica do


Novo Testamento, em seguida, o que mantém os cristãos com saudade de seu retorno e
estudando o que as Escrituras dizem a respeito dele?

B. Uma ilusão comum: “Não há informação bíblica suficiente sobre o tema”. Você
pode ter ouvido alguém dizer: ‘A Bíblia não diz muito sobre o fim dos tempos’. Na atualidade
aproximadamente 150 capítulos da Bíblia relatam especificamente sobre o fim dos tempos.

C. Um medo comum: “O medo de enfrentar a montanha de evidências e a


multiplicidade de opiniões”. Isso se expressa na seguinte declaração: ‘De qualquer jeito eu não
consigo entender, porque ninguém realmente o entende’.

219
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

D. Uma acusação comum: “Pessoas que estudam o Final dos Tempos tornam-se
estranhas”. Um aspecto do medo dos homens é tentar ser politicamente correto e a profecia
do final dos tempos não é politicamente correta. Um espírito que agrada homens não
combina com o estudo da profecia do final dos tempos. Pessoas irão tirar todo o tipo de
conclusões quando você começar a estudar e ensinar sobre o final dos tempos. Contudo, nós
devemos entender que estudar o que os apóstolos altamente valorizaram nos dá muita
informação sobre a responsabilidade e o que deve ser normal para os cristãos.

E. Um equívoco comum: “Estudar o Final dos Tempos vai desviar a atenção da


Igreja do seu chamado principal de cumprir a Grande Comissão”. Na verdade uma visão
bíblica de qualquer doutrina não prejudicará um comando bíblico. Sã doutrina promove
comportamentos corretos. Uma visão correta do Final dos Tempos sempre irá conduzir o
serviço da Grande Comissão.

F. Um engano comum: “Jesus nos disse para não sermos excessivamente


preocupados e apegados com o Final dos Tempos”. Alguns pensam que Jesus nos
desencoraja na busca para entender os detalhes e, de fato, Ele nos conta que nós não
podemos conhecer o dia e a hora e diz que não devemos procurar conhecer os tempos e as
estações definidas pelo Pai. Contudo, o verso referido neste contexto é na realidade dado por
Jesus para “inspirar nossa vigilância” na espera do seu retorno (Mt.24:36-42).

G. Em II Pedro 3:3-4, Pedro nos informa qual é a estratégia do inimigo para nos
impedir de perscrutar as coisas que nos são dadas livremente pelo Espírito Santo para a
edificação da Igreja. De fato, hoje a maior parte da Igreja, sem saber, tem caído nessa
estratégia. Muitos cristãos ouvem fraseologias comuns para ausentar suas responsabilidades
de serem informados biblicamente. Um exemplo é quando as pessoas declaram que não são
nem pré-milenar, nem pós-milenar. Eles são simplesmente “pan” milenar- - eles acreditam
que tudo vai ficar bem no final. Pode parecer bonito, porém é muito prejudicial. A real
questão não é se tudo vai acabar bem no final. Claro que vai! Deus é soberano. Ele assenta-
se nos céus e faz tudo o que lhe agrada. Ele é o Senhor que executa toda a história humana,
segundo a sua vontade e a grandeza do Seu poder.
H. A verdadeira questão é: "Será que vai acabar bem para você? Sua família e sua
comunidade? Você vai estar preparado? Você vai reconhecer a hora na qual você vive, ou você será como
as cinco virgens imprudentes que não tinham óleo suficiente em suas lamparinas quando o Noivo veio?”
( II Pe. 3:1-5)

I. Pedro encerra sua carta com um comando para aguardarmos e nos preparamos
para a vinda do Senhor, para que no última dia sejamos encontrados irrepreensíveis diante
do Senhor. Ele também nos exorta a nos guardarmos do engano dos homens maus, e a
crescermos na graça e no conhecimento de Cristo. (II Pe. 3: 10-18).

III - A NATUREZA DA SUA VINDA

“Tendo ele dito estas coisas, foi levado para cima, enquanto eles olhavam, e uma nuvem o
recebeu, ocultando-o a seus olhos. Estando eles com os olhos fitos no céu, enquanto ele subia, eis
que junto deles apareceram dois varões vestidos de branco, os quais lhes disseram:“Varões galileus,
por que ficais aí olhando para o céu? Esse Jesus, que dentre vós foi elevado para o céu, há de vir
assim como para o céu o vistes ir.” Então voltaram para Jerusalém, do monte chamado das
Oliveiras, que está perto de Jerusalém, à distância da jornada de um sábado.” At. 1:9-12

A. Lucas testemunha em Atos 1:9-11 que Jesus subiu aos céus, e que dois homens
vestidos de branco (anjos) se referiram a Ele como "esse mesmo Jesus." Os mensageiros

220
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

confirmam que é Jesus, o homem de Nazaré, que está retornando. Esse detalhe é muito
importante: “Jesus não está voltando para os nossos corações na sua Segunda Vinda”. O
Deus-Homem está retornando em um corpo humano glorificado, para fisicamente reinar
sobre a terra.

B. Jesus está voltando para governar. Jesus deu o seu famoso discurso no Monte das
Oliveiras e ascendeu aos céus daquela mesma montanha. Zacarias sustenta a verdade de que
Jesus voltará à Jerusalém, à cidade do grande Rei, e virá para o Monte das Oliveiras
novamente. Assim, depois do seu retorno, Jesus irá reinar de Jerusalém, a cidade do Grande
Rei.

“Então o Senhor sairá, e pelejará contra estas nações, como quando peleja no dia da
batalha. Naquele dia estarão os seus pés sobre o monte das Oliveiras, que está defronte de Jerusalém
para o oriente; e o monte das Oliveiras será fendido pelo meio, do oriente para o ocidente e haverá
um vale muito grande e metade do monte se removerá para o norte, e a outra metade dele para o
sul”. (Zc. 14:3-4)

C. Haverão algumas diferenças entre a Ascensão e a Segunda Vinda. Ele virá com
grande poder quando Ele voltar. O céu vai escurecer, as estrelas cairão, e os céus tremerão.
Em seguida vamos ouvir sons penetrantes. Jesus descerá com alarido, a voz do arcanjo será
liberada, e a trombeta de Deus soará. O céu vai rolar para trás como um pergaminho ao
passo que Jesus aparecerá no céu, vindo com grande poder sobre as nuvens. Ele estará
acompanhado por todos os anjos e será encontrado pelos santos no ar. Todo olho o verá, e
Ele irá destruir as forças das trevas pelo resplendor da sua vinda... (Mt. 24:29-31, Lc. 17:24-26,
I Ts. 4:15-18, II Ts. 2:8-9, Ap. 1:7, 19:11-21).

IV - QUANDO JESUS VOLTARÁ?

A. É possível conhecer o tempo da volta de Jesus? As Escrituras criam uma tensão


maravilhosa relacionada com esta questão crucial.

1. Muitas passagens parecem indicar que a hora da sua vinda não pode ser conhecida
e que Ele poderia vir de repente, a qualquer momento, como um ladrão na noite, ou como
nos dias de Noé. Jesus disse aos seus discípulos que somente o Pai conhece a hora da sua
vinda (Mt. 24:36). Por isso Ele os exortou a vigiar e orar. (At.1:7, Mt.24:42-44, 25:13, I Ts.
5:2-3).

“Vigiai, pois, porque não sabeis em que dia vem o vosso Senhor; sabei, porém, isto: se o
dono da casa soubesse a que vigília da noite havia de vir o ladrão, vigiaria e não deixaria minar a
sua casa. Por isso ficai também vós apercebidos; porque numa hora em que não penseis, virá o
Filho do homem”. (Mt. 24:42-44)

“Vigiai pois, porque não sabeis nem o dia nem a hora”. (Mt. 25:13)

2. Por outro lado, Jesus nos avisou quais seriam os sinais de sua vinda. Ele declarou
essas coisas com antecedência, de modo que quando começarem a acontecer, saberemos que
a nossa redenção está próxima. Paulo disse aos Tessalonicenses que eles estavam sendo
preparados, para não serem apanhados desprevenidos, como aqueles que praticam a
escuridão. Além disso, tanto Jesus quanto Paulo deram condições claras que se apresentarão
antes da volta de Jesus, para que a Igreja seja capaz de identificar a época (Mt. 24:25, 13:23,
Lc.21:28, I Ts. 5: 1-5).

“Ficai vós, pois, de sobreaviso; eis que de antemão vos tenho dito tudo”. (Mc. 13:23)

221
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

3. Paulo explica ainda as condições antes do retorno de Jesus em sua segunda carta
para a Igreja de Tessalônica. Estava sendo espalhado um ensino de que o retorno de Cristo
já havia acontecido. Paulo cita duas coisas que iriam acontecer antes do retorno do Senhor:
a revelação do Anticristo e grande apostasia (II Ts. 2: 1-4).

B. Soluções possíveis

1. Uma solução é proposta por aqueles que possuem uma visão pré- tribulacionista do
arrebatamento. Nesta posição, há dois tipos distintos da vinda de Jesus. A primeira é para
os cristãos e pode acontecer a qualquer momento. Eles encontrarão o Senhor no ar e serão
levados para o céu. Em seguida, um período de sete anos de tribulação terá lugar na Terra.
As condições e os sinais que Jesus falou irão se realizar nestes sete anos, levando à destruição
do Anticristo e suas forças, bem como a salvação de Israel. O período culminará com a volta
de Cristo para governar no Reino Milenar.

2. Outra solução é tomar as passagens do seu iminente retorno como uma advertência
para os descrentes. As passagens relativas ao sinais e condições para a sua vinda são supostas
para reforçar os cristãos para a perseguição e evitar que caiam em engano.

3. A terceira abordagem é interpretar as passagens sobre sua iminente volta como uma
forma de lidar com algo na estrutura humana, que precisa da urgência da hora, a fim de
caminhar apaixonadamente em obediência e santidade. Os seres humanos foram feitos para
a paixão. Urgência capacita e faz com que as pessoas se apaixonem e vivam com um coração
pleno. Além disso, há um grande conforto em saber o que está por vir. Conhecendo a nossa
estrutura, Deus criou o coração para viver a partir de um local de urgência, sem tormento.
A urgência nos dá coragem moral e foco, e os sinais nos dão o conforto que Deus está no
controle e está direcionando todas as coisas.

V - PODEMOS SABER QUANDO O FINAL DOS TEMPOS IRÁ COMEÇAR?

A. Muitas pessoas usam a declaração de Jesus em Mateus 24:36 para fazer a


proposição de que os cristãos não podem saber o dia ou a hora do fim. Eles usam este
versículo para justificar a sua falta de estudo do Fim dos Tempos e falta de familiaridade
com a profecia bíblica. (Mt.24:36-44, cf. Mc.13:32-37, Lc.17:26-27,34-35, 21:34-36).

B. Quando se olha de perto para este versículo, alguns pontos importantes devem ser
observados.

1. O verso simplesmente declara que ninguém sabe a hora e o dia a não ser o Pai.
Não diz que nós não podemos e não iremos saber o dia e a hora no futuro ou que nós não
saberemos a estação ou as condições em torno da Segunda Vinda. De fato, nos versículos
precedentes, Jesus explicou as condições com profunda clareza e em detalhes. No relato de
Lucas do Sermão do Monte, Jesus disse: “Ora, quando estas coisas começarem a acontecer, olhai
para cima e levantai as vossas cabeças, porque a vossa redenção está próxima.” (Lc. 21:28).

C. Jesus comparou o período da Segunda Vinda com os dias de Noé. Nos dias de
Noé, o povo de Deus sabia o que estava por vir. Deus tinha profetizado desde os dias de
Enoque acerca do julgamento que estava por vir. Noé soube 120 anos antes acercado dilúvio
(Gn. 6:3), quando Deus lhe disse para construir a Arca. Em Gênesis 7:4, Deus avisou Noé
novamente que ele estava enviando a inundação em sete dias. Os remanescentes conheciam
os planos de Deus em detalhes. De fato, Hebreus 11:5 e II Pedro 2:5 nos dizem que Noé

222
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

pregou para sua geração a respeito do que estava por vir, condenando-os pela sua recusa em
receber o testemunho.

“Pela fé Noé, divinamente avisado das coisas que ainda não se viam, temeu e, para salvação
da sua família, preparou a arca, pela qual condenou o mundo, e foi feito herdeiro da justiça que é
segundo a fé.” (Hb.11:7)

D. As Escrituras nos dizem claramente que Noé sabia, e que os que não queriam se
arrepender optaram por não darem ouvidos aos avisos de Noé, que foram claramente
apresentados a eles. Assim será no final dos tempos. Mateus 24:36 nos diz que somente o
Pai sabe o dia e a hora. Isto não indica que os cristãos não saberão a época, nem afirma que
o Pai não vai revelar os detalhes para a Igreja do final dos tempos. A natureza da profecia
na Bíblia nos ensina claramente que Deus revela coisas específicas sobre sua vinda, a fim de
preparar o seu povo e trazer salvação para a multidão de não cristãos. Toda grande
calamidade bíblica foi profetizada com exatidão de detalhes para a geração afetada por esta.

“Certamente o Senhor Deus não fará coisa alguma, sem ter revelado o seu segredo aos seus
servos, os profetas. Rugiu o leão, quem não temerá? Falou o Senhor Deus, quem não profetizará?”
(Amós 3:7–8)

a. O Dilúvio

“Então disse o Senhor: “Não contenderá o meu Espírito para sempre com o homem; porque
ele também é carne; porém os seus dias serão cento e vinte anos.”(Gn. 6:3)

Em Gênesis 6:3, o tempo de 120 anos é provavelmente o espaço de


tempo que toda a humanidade ainda viveria, entre o dia da proclamação do
Dilúvio e do seu cumprimento (veja Gn. 5:32 e 7:6), em vez de uma afirmação
sobre o número dos anos de vida útil de um indivíduo. O julgamento de Deus
é temperado com graça (Hb. 11:7, I Pe. 3:20). O atraso de 120 anos permitiu
tempo para que as pessoas se arrependessem. Também o Senhor avisou Noé
do exato dia no qual o dilúvio iria começar (Gn.6:13, 7:4, 15:13-16,
Ex.12:40-41) – (Bruce K. Waltke com Cathi J. Fredricks - Genesis: a
Commentary, 117).

“Então disse Deus a Noé: “O fim de toda a carne é vindo perante a minha face; porque a
terra está cheia de violência; e eis que os desfarei com a terra”. (Gn. 6:13)

“Porque, passados ainda sete dias, farei chover sobre a terra quarenta dias e quarenta noites;
e desfarei de sobre a face da terra toda a substância que fiz”. (Gn. 7:4)

b. Estadia no Egito

“Então disse a Abrão: Sabes, de certo, que peregrina será a tua descendência em terra alheia,
e será reduzida à escravidão, e será afligida por quatrocentos anos. Mas também eu julgarei a
nação, à qual ela tem de servir, e depois sairá com grande riqueza. E tu irás a teus pais em paz; em
boa velhice serás sepultado. E a quarta geração tornará para cá; porque a medida da injustiça dos
amorreus não está ainda cheia.” (Gn. 15:13–16)

“O tempo que os filhos de Israel habitaram no Egito foi de quatrocentos e trinta anos. E
aconteceu que, passados os quatrocentos e trinta anos, naquele mesmo dia, todos os exércitos do
Senhor saíram da terra do Egito”. (Ex. 12:40–41)

223
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

c. A destruição de Nínive

“Levanta-te, vai à grande cidade de Nínive, e clama contra ela, porque a sua malícia subiu
até à minha presença. (Jn. 1:2)

“E começou Jonas a entrar pela cidade caminho de um dia, e pregava, dizendo: “Ainda
quarenta dias, e Nínive será subvertida.” (Jn. 3:4)
“E disse o Senhor: “Tiveste tu compaixão da aboboreira, na qual não trabalhaste, nem a
fizeste crescer, que numa noite nasceu, e numa noite pereceu; E não hei de eu ter compaixão da
grande cidade de Nínive em que estão mais de cento e vinte mil homens que não sabem discernir
entre a sua mão direita e a sua mão esquerda, e também muitos animais?” (Jn. 4:10-11)

d. A Queda do Norte de Israel

“E dize-lhe: “Acautela-te, e aquieta-te; não temas, nem se desanime o teu coração por causa
destes dois pedaços de tições fumegantes; por causa do ardor da ira de Rezim, e da Síria, e do filho
de Remalias.” Porquanto a Síria teve contra ti maligno conselho, com Efraim, e com o filho de
Remalias, dizendo: “Vamos subir contra Judá, e molestemo-lo e repartamo-lo entre nós, e façamos
reinar no meio dele o filho de Tabeal.” Assim diz o Senhor Deus: “Isto não subsistirá, nem
tampouco acontecerá. Porém a cabeça da Síria será Damasco, e a cabeça de Damasco Rezim; e
dentro de sessenta e cinco anos Efraim será destruído, e deixará de ser povo”. (Is. 7:4–8)

“Portanto o mesmo Senhor vos dará um sinal: Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um
filho, e chamará o seu nome Emanuel. Manteiga e mel comerá, até que ele saiba rejeitar o mal e
escolher o bem. Na verdade, antes que este menino saiba rejeitar o mal e escolher o bem, a terra,
de que te enfadas, será desamparada dos seus dois reis. Porém o Senhor fará vir sobre ti, e sobre o
teu povo, e sobre a casa de teu pai, pelo rei da Assíria, dias tais, quais nunca vieram, desde o dia
em que Efraim se separou de Judá.” (Is. 7:14–17)

e. A Queda de Judá e o exílio para a Babilônia

“Desde o ano treze de Josias, filho de Amom, rei de Judá, até o dia de hoje, período de vinte
e três anos, tem vindo a mim a palavra do Senhor, e vo-la tenho anunciado, madrugando e falando;
mas vós não escutastes. Também vos enviou o Senhor todos os seus servos, os profetas, madrugando
e enviando-os, mas vós não escutastes, nem inclinastes os vossos ouvidos para ouvir.... E toda esta
terra virá a ser um deserto e um espanto; e estas nações servirão ao rei de Babilônia setenta anos.
“Acontecerá, porém, que, quando se cumprirem os setenta anos, visitarei o rei de Babilônia, e esta
nação, diz o Senhor, castigando a sua iniquidade, e a da terra dos caldeus,” diz o Senhor; “farei
deles ruínas perpétuas.” (Jr. 25:3–4, 11–12)

f. O primeiro advento de Cristo foi predito “para e através” de: Maria, Gabriel,
Ana, Simeão e João Batista (Lc. 1: 26-35, 2:25-38, Jo.1:29-34).

g. A Fome Mundial de Atos 11:27-28

“E naqueles dias desceram profetas de Jerusalém para Antioquia. E, levantando-se um deles,


por nome Ágabo, dava a entender pelo Espírito, que haveria uma grande fome em todo o mundo, e
isso aconteceu no tempo de Cláudio César”. (At. 11 :27–28)

h. Destruição de Jerusalém

Três cristãos históricos (Eusébius, Hegesippus e Epiphanius) registraram, que os


cristãos foram poupados na invasão em Jerusalém por causa de um aviso sobrenatural dado
224
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

por um anjo. Por causa dos avisos angelicais, cristãos fugiram para a cidade de Pella e
sobreviveram ao ataque em Jerusalém.

i. O Anti Cristo e a Grande Tribulação

Jesus, Paulo e João deram especificidades relativas ao início da Grande Tribulação


e do seu intervalo de tempo (Mt. 24:15-16,21, II Ts. 2:3-4, Ap.13:4-7).

j. Sobre a Segunda Vinda:

Quanto mais irá Deus alertar os bilhões de pessoas que estarão em perigo de
condenação eterna em Sua Segunda Vinda?

E. Jesus também usou esta ilustração para combater a letargia e lentidão em


compreender os sinais dos tempos. As pessoas usam este versículo para enfatizar a principal
coisa contra a qual Jesus está falando. Jesus usa a falta de conhecimento, a fim de produzir
um espírito vigilante, uma postura ativa em discernir a estação. Em outras palavras, Ele não
quer que sejamos como os incrédulos nos dias de Noé. Ele está dizendo: "Saibam disto: eu
estou voltando, e vocês devem estar atentos como Noé esteve atento." Jesus exigiu que os discípulos
estivessem prontos.

VI - DEVERÍAMOS SABER QUANDO SERÁ O FINAL DOS TEMPOS?

A. Depois de usarem Mateus 24:36 para concluírem que saber quando Jesus
retornará é impossível, as pessoas usam Atos 1:7 para decidir que não devemos estar
preocupados com o conhecimento da estações. Novamente, esta atitude é refletida na
declaração: "Eu não sou nem pré-milenar, nem pós-milenar. Eu sou pan milenar. Tudo será arrasado
no final." Sim, tudo vai ser arrasado no final. Mas lembre-se, que esta não é a verdadeira
questão. A questão real é: "Será que este pan funcionará para você?" Você vai estar preparado, e
você vai ter preparado outros?

“E disse-lhes: “Não vos pertence saber os tempos ou as estações que o Pai estabeleceu pelo
seu próprio poder. Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis
testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra.”
(At. 1:7–8)

B. Mais uma vez, vários pontos importantes devem ser feitos a partir desta passagem
em Atos.

1. Jesus não estava dizendo que a última geração não deve saber a estação ou o tempo.
Ele simplesmente declarou que não era para os apóstolos conhecerem estes tempos e as
estações determinadas pelo Pai. Jesus já tinha ensinado para eles a respeito do Reino de Deus
por quarenta dias depois da Ressurreição. Eles sabiam os detalhes e condições. Foi por isso
que eles perguntaram se o reino seria restaurado para Israel naquele momento sobre o qual
Jesus estava falando.

2. Os apóstolos perguntaram uma questão inteligente em Atos 1:6. Eles perguntaram:


Jesus você vai restaurar o Reino para Israel antes Evangelho ser levado a todas as nações?
Não foi um nacionalismo fora do tempo. Jesus havia ensinado claramente sobre a salvação
do nação de Israel. No entanto, Jesus sabia que antes que isso possa acontecer, o Evangelho
deve ir para as nações. Jesus redirecionou o foco deles para a salvação nacional e de volta
para a tarefa de ser um testemunho para as nações. Lembrou-lhes do seu mandato

225
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

apostólico: Eles receberiam o poder do alto a fim de levar o Evangelho a Jerusalém, Judéia,
Samaria, e até o fim da terra.

3. Jesus reorientou-os e disse-lhes para não se preocuparem com isso, mas para se
concentrarem na grande tarefa da promulgação do Evangelho. Sabemos que eles lutaram
com isso, porque Deus precisou levantar Filipe e permitir a perseguição, a fim de causar que
os apóstolos levassem o Evangelho para além de Jerusalém. E em Atos 10, Pedro teve que
ter uma visão para testemunhar aos gentios.

4. Somos informados de forma clara nas Escrituras que devemos estar cientes dos
tempos e estações. Jesus chorou sobre Jerusalém, porque ela não reconheceu a hora da sua
visitação. Ele ensinou que o povo de Deus viria sob julgamento por não conhecerem o tempo
da visitação. Pedro falou do espírito de Cristo nos profetas que pesquisaram tanto na forma
e tempo do sofrimento e glória de Cristo. (Mt.23:37,Lc.12:54-56, I Ts.5:1-10, II Ts. 2: 1-5, II
Pe. 3: 1-7, Ap. 3: 1-3)

“E, quando ia chegando, vendo a cidade, chorou sobre ela, Dizendo: “Ah! se tu conhecesses
também, ao menos neste teu dia, o que à tua paz pertence! Mas agora isto está encoberto aos teus
olhos. Porque dias virão sobre ti, em que os teus inimigos te cercarão de trincheiras, e te sitiarão, e
te estreitarão de todos os lados; E te derrubarão, a ti e aos teus filhos que dentro de ti estiverem, e
não deixarão em ti pedra sobre pedra, pois que não conheceste o tempo da tua visitação.” (Lc.
19:41–44)

“Da qual salvação inquiriram e trataram diligentemente os profetas que profetizaram da


graça que vos foi dada, Indagando que tempo ou que ocasião de tempo o Espírito de Cristo, que
estava neles, indicava, anteriormente testificando os sofrimentos que a Cristo haviam de vir, e a
glória que se lhes havia de seguir. Aos quais foi revelado que, não para si mesmos, mas para nós,
eles ministravam estas coisas que agora vos foram anunciadas por aqueles que, pelo Espírito Santo
enviado do céu, vos pregaram o evangelho; para as quais coisas os anjos desejam bem atentar”. (I
Pe. 1:10–12)

VII - COMO PODEMOS SABER QUE ESTAMOS NOS TEMPOS DA ÚLTIMA


GERAÇÃO?

A. Jesus estabeleceu duas condições claras para o Seu retorno, que permitem
qualquer um que crê na Bíblia reconhecer a geração de seu retorno. Uma geração
testemunhará simultaneamente a salvação de Israel e o Evangelho sendo pregado a todas as
nações. Ambos os eventos se tornaram possíveis pela primeira vez desde 70 dC. Depois de
1900 anos, Israel está de volta à sua terra com sua língua e costumes religiosos intactos. Este
evento milagroso está ocorrendo simultaneamente com a existência da primeira geração
desde o Pentecostes que pode cumprir a Grande Comissão: pregar o Evangelho para cada
grupo de pessoas sobre a terra. Isso não é coincidência. Este é o início do cumprimento das
duas condições simultâneas para o retorno do Messias, conforme estabelecido pelo próprio
Jesus.

B. Em Mateus 23:37 Jesus declarou para a liderança religiosa de sua época que
Jerusalém não mais o veria, até que eles dissessem: "Bem-aventurado é aquele que vem em nome
do Senhor." Vemos o empenho de Jesus com isto quando Ele e os discípulos se encontraram
na Galiléia, após a Ressurreição. Seu regresso a Jerusalém não acontecerá até que a liderança
judaica o receba como o Messias.

C. O momento do final está ligado ao evangelismo mundial (Mt. 24:14).

226
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

“E este evangelho do reino será pregado no mundo inteiro, em testemunho a todas as nações,
e então virá o fim”. (Mt. 24:14)

1. Apocalipse 5:9 e 7:9 nos diz que um remanescente sairá de toda tribo, língua, povo
e nação.

“E cantavam um cântico novo, dizendo: “Digno és de tomar o livro, e de abrir os seus selos;
porque foste morto, e com o teu sangue compraste para Deus homens de toda tribo, e língua, e povo
e nação”. (Ap. 5:9)

“Depois destas coisas olhei, e eis uma grande multidão, que ninguém podia contar, de todas
as nações, tribos, povos e línguas, que estavam em pé diante do trono e em presença do Cordeiro,
trajando compridas vestes brancas, e com palmas nas mãos.” (Ap. 7:9)

2. Apocalipse 11:9-10 nos revela que as duas testemunhas no final dos tempos irão
profetizar ao mundo inteiro por 1.260 dias.

“E concederei às minhas duas testemunhas que, vestidas de saco, profetizem por mil duzentos
e sessenta dias”. (Ap. 11:3)

“E, quando acabarem o seu testemunho, a besta que sobe do abismo lhes fará guerra e as
vencerá e matará. E jazerão os seus corpos na praça da grande cidade, que espiritualmente se chama
Sodoma e Egito, onde também o seu Senhor foi crucificado. Homens de vários povos, e tribos e
línguas, e nações verão os seus corpos por três dias e meio, e não permitirão que sejam sepultados.
E os que habitam sobre a terra se regozijarão sobre eles, e se alegrarão; e mandarão presentes uns
aos outros, porquanto estes dois profetas atormentaram os que habitam sobre a terra. E depois
daqueles três dias e meio o espírito de vida, vindo de Deus, entrou neles, e puseram-se sobre seus
pés, e caiu grande temor sobre os que os viram”. (Ap. 11:7-11)

3. Apocalipse 14:6-7 revela que um anjo será liberado para proclamar o evangelho
eterno a toda nação, tribo, língua e povo.

“E vi outro anjo voando pelo meio do céu, e tinha um evangelho eterno para proclamar aos
que habitam sobre a terra e a toda nação, e tribo, e língua, e povo, dizendo com grande voz: Temei
a Deus, e dai-lhe glória; porque é chegada a hora do seu juízo; e adorai aquele que fez o céu, e a
terra, e o mar, e as fontes das águas”. (Ap. 14:6-7)

4. À luz da atividade do final dos tempos por duas testemunhas e o anjo que irá
pregar o evangelho eterno, Mateus 24:14 pode não ter que necessariamente ser completa pela
Grande Tribulação. Talvez a pregação seja cumprida pelas duas testemunhas durante a
Grande Tribulação. Isso significa que o cenário do fim dos tempos pode começar a qualquer
momento. No entanto, Apocalipse 5:9 parece indicar que há um resquício de toda tribo,
língua, povo e nação na iniciação de Jesus para com os planos de Deus nesse capítulo. É
provável que a pregação do Evangelho seja concluído pela Igreja no período de três-anos-e-
meio antes da Grande Tribulação, e será um dos principais fatores que levarão Jesus a tomar
o Livro do Pai e abrir os seus selos. Assim, as duas testemunhas em Apocalipse 11 tornam-
se um testemunho profético contra as nações que já ouviram o Evangelho e estão sem
desculpa.

227
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

VIII. OS SINAIS DO RETORNO DE CRISTO

A. Ajuntamento de Israel: A Bíblia fala do ajuntamento de Israel na terra em um


tempo de tribulação, que a levará a sua salvação e ao domínio sobre as nações rebeldes. Em
Romanos 11 Paulo fala do grande mistério do qual não devemos ter consciência. Está
chegando o dia em que toda a nação de Israel será salva, e será como a vida vinda de entre
os mortos para o mundo inteiro.

“A palavra que do Senhor veio a Jeremias, dizendo: Assim diz o Senhor, Deus de Israel:
Escreve num livro todas as palavras que te falei; pois eis que vêm os dias, diz o Senhor, em que farei
voltar do cativeiro o meu povo Israel e Judá, diz o Senhor; e tornarei a trazê-los ã terra que dei a
seus pais, e a possuirão. E estas são as palavras que disse o Senhor, acerca de Israel e de Judá.
Assim, pois, diz o Senhor: Ouvimos uma voz de tremor, de temor mas não de paz. Perguntai, pois,
e vede, se um homem pode dar à luz. Por que, pois, vejo a cada homem com as mãos sobre os lombos
como a que está de parto? Por que empalideceram todos os rostos? Ah! porque aquele dia é tão
grande, que não houve outro semelhante! É tempo de angústia para Jacó; todavia, há de ser livre
dela” (Jr. 30:1-7).

B. Pacto de paz com Israel: A 70ª semana de Daniel começa com um pacto de paz
confirmada com Israel pelo Anticristo.

“E ele fará um pacto firme com muitos por uma semana; e na metade da semana fará cessar
o sacrifício e a oblação; e sobre a asa das abominações virá o assolador; e até a destruição
determinada, a qual será derramada sobre o assolador”. (Dn. 9:27)

C. Pregação universal do Evangelho: Jesus nos fala que o Evangelho será pregado
em todas as nações e então o fim virá.

“E este evangelho do reino será pregado no mundo inteiro, em testemunho a todas as nações,
e então virá o fim”. (Mt. 24:14)

‘Mas importa que primeiro o evangelho seja pregado entre todas as nações. Quando, pois,
vos conduzirem para vos entregar, não vos preocupeis com o que haveis de dizer; mas, o que vos for
dado naquela hora, isso falai; porque não sois
vós que falais, mas sim o Espírito Santo”. (Mc. 13:10-11)

D. Séries de tribulações (Mt. 24:7-12)

a. Guerras e rumores de guerra


b. Várias dificuldades: desordem civil e social, e separação
c. Fomes
d. Pestes
e. Terremotos
f. Coisas espantosas e grandes sinais

1. A Grande Tribulação será iniciada pelo homem da iniquidade, quando ele se


exaltar como Deus no Templo. Este será um tempo de severa perseguição, fome, pragas e
conflitos, assim como os juízos de Deus atacarão a terra e atingirão os rebeldes.

2. Paulo revela em II Tessalonicenses 2:3-4 que o inicio da grande Tribulação será


quando o homem da iniquidade se colocar sobre o Templo e se exaltar como Deus. É neste
ponto que o Cordeiro começa abrir os selos do julgamento descrito em Apocalipse 6. Você
já leu sobre as pessoas que se exaltaram contra Deus, como Nabucodonosor ou Herodes?
228
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

Quando o filho da perdição fizer isso, o Leão da Tribo de Judá irá abrir os selos e liberar o
livro. Isto vai começar um tempo de angústia diferente de qualquer época anterior na terra.

E. Os julgamentos de Deus: Apocalipse 6-19 lista três séries de julgamentos divinos


(selos, trombetas e taças) que ocorrem nos últimos três anos e meio antes do retorno de Jesus.
O reino do anti Cristo receberá direta intervenção divina contra seu trabalho das trevas.

F. Duas testemunhas aparecem em Jerusalém: Apocalipse 11. Nenhum de nós hoje


compreende o peso deste verso; a comparação mais próxima é quando Moisés e Arão sem
esforço nenhum levaram o Egito a se ajoelhar. Durante todo o tempo em que as testemunhas
profetizarem, os céus serão fechados em todo o mundo. Não haverá chuva. Moisés e Arão
anteciparam estas duas testemunhas em Êxodo. Muitos acreditam que Moisés e Elias
retornarão como estas duas testemunhas.

G. Distúrbios extraordinários na natureza

“E haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas; e sobre a terra haverá angústia das nações em
perplexidade pelo bramido do mar e das ondas. os homens desfalecerão de terror, e pela expectação
das coisas que sobrevirão ao mundo; porquanto os poderes do céu serão abalados. Então verão vir
o Filho do homem em uma nuvem, com poder e grande glória”. (Lucas 21:25-27)

H. Extrema depravação e a pretensão de segurança (II Tm. 3:1-8,4:1-5, I Ts. 5: 2-4)

“E, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará. Mas quem perseverar até o
fim, esse será salvo”. (Mt. 24:12-13)

I Timóteo 4:1-5 é uma passagem estranha. A hora é chegada quando a flagrante


imoralidade sexual é permitida, o casamento é proibido, e a espiritualidade é baseada em
alimentos que se comem. Existe uma forma de religiosidade e uma aparência de
espiritualidade baseada em alimentos, mas há uma total ausência de moralidade Cristã.

I. Falsos profetas e messias: Jesus começou o Seu discurso com um forte alerta
contra o engano. Jesus advertiu-nos três vezes (v. 4,11, 23) contra o engano que acontecerá
durante esse período e durante o período da Grande Tribulação. Esta é a questão chave –
engano. Falsos Cristos virão. (Ap. 13:11-18)

J. A Apostasia: Em II Ts. 2: 1-12 Paulo endereça a segunda vinda de Cristo e a


ressureição dos santos da morte. Ele exorta os tessalonicenses para não serem abalados pelas
notícias erradas relativas a segunda vinda de Jesus. Ele então apresenta dois claros eventos
que terão lugar antes do retorno do Senhor. O primeiro evento irá ser um “afastamento”,
uma apostasia na Igreja. Grande decepção irá ocorrer e um grande afastamento da fé bíblica
irá acontecer (II Ts.2:2-3, I Tm.4:1-3, II Tm. 4:2-4).

“Nesse tempo muitos hão de se escandalizar, e trair-se uns aos outros, e mutuamente se
odiarão. Igualmente hão de surgir muitos falsos profetas, e enganarão a muitos.” (Mt. 24:10-11)

K. O homem da iniquidade revelado com a abominação desoladora. (Mt. 24:15-17,


Mc. 13:14-15, Lc. 21:20-22, II Ts. 2:3-4, 2:9-12, Ap.13:1-8)
Paulo então dá o segundo evento antes do retorno do Senhor. O homem da iniquidade
será revelado. Paulo o chama de “filho da perdição” e estabelece que ele irá se exaltar como
Deus, se colocando sobre o Templo, mostrando-se Deus. Ele ainda descreve o poder que está
por trás deste homem, como sendo de Satanás, liberando mentiras, sinais e prodígios para
enganar o mundo inteiro. Daniel 9:27, 11;31, 12:11 descrevem esta revelação do homem da
229
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

iniquidade, no templo como a abominação da desolação. Ele será o evento desencadeante


que põe em movimento os últimos três anos e meio da grande tribulação.

“Quando, pois, virdes estar no lugar santo a abominação de desolação, predita pelo profeta
Daniel (quem lê, entenda), então os que estiverem na Judéia fujam para os montes; quem estiver
no eirado não desça para tirar as coisas de sua casa.” (Mt. 24:15-17)

IX - OS EFEITOS DA SUA VINDA

A. A libertação e a glorificação do santos (I Jo.3:2-3, Hb.9:28, Ef.1:13-14, II Ts. 1:7-


10, Ap. 19: 11-16)

“Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então também vós vos manifestareis com
ele em glória”. (Cl. 3:4)

“Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará
naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda”. (II Tm. 4:8)

B. A salvação de Israel ( Rm.11:25-32, Zc.12:10-11, 13:1, Ap. 1:7)

“Eis que o Senhor proclamou até as extremidades da terra: “Dizei à filha de Sião: ‘Eis que
vem o teu Salvador; eis que com ele vem o seu galardão, e a sua recompensa diante Dele.’” E
chamar-lhes-ão: Povo santo, remidos do Senhor; e tu serás chamada Procurada, cidade não
desamparada”. (Is. 62:11-12)

C. A destruição do poder das trevas (Gn. 3:15, Ap. 19-20, II Ts. 2:8)

“Porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua descendência e a sua descendência; esta
te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar”. (Gn. 3:15)

“E então será revelado esse iníquo, a quem o Senhor Jesus matará como o sopro de sua boca
e destruirá com a manifestação da sua vinda”. (II Ts. 2:8)

D. A condenação dos ímpios (Mt. 25:31, II Tm. 4:14, Ap. 20:13, Dn.12:2, Jo. 5:28-
29)

“Quando, pois vier o Filho do homem na sua glória, e todos os anjos com Ele, então se
assentará no trono da sua glória”. (Mt. 25:31)

“E muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros
para vergonha e desprezo eterno”. (Dn. 12:2)

E. A recompensa dos justos (Dn. 12:2, I Co. 3:13, Jo. 5:28-29)

“E muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros
para vergonha e desprezo eterno”. (Dn. 12:2)

“Não vos admireis disso, porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão
a sua voz e sairão os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida, e os que tiverem praticado
o mal, para a ressurreição do juízo”. (Jo. 5:28-29)

F. A libertação da ordem criada a partir dos efeitos do pecado (Is. 11:6-9)

230
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

“Porque a criação aguarda com ardente expectativa a revelação dos filhos de Deus”. (Rm.
8:19)
“E o que estava assentado sobre o trono disse: “Eis que faço novas todas as coisas. E
acrescentou: “Escreve; porque estas palavras são fiéis e verdadeiras” (Ap. 21:5)

G. O estabelecimento do Reino de Deus na Terra para sempre (I Co. 15, Ap. 20-
22).

1. Por mil anos, Ele vai reinar sobre a terra para cumprir todas as promessas da
Palavra de Deus. Ele vai discipular as nações e estabelecer o Reino de Deus em todas as
esferas da vida humana (política, social, agrícola, econômica, espiritual, educacional, etc.)
Neste período de bênção iniciado na segunda vinda de Jesus, Satanás será preso e Jesus
governará a terra com um cetro de ferro (Dt. 8, 28, Sl. 2:6-12, 110:1-7; Is. 2:1-4, 9:6-9, 11:1-
16, 51:1-8, 60-62, 65:17-25; Mt. 5:5, 6:10, 17:11, 19:28, 28:19, At. 1:6, 3:21, Ap. 19:11-21,
20:1-6).

2. O resultado do governo de Jesus será um período de mil anos de paz, justiça,


prosperidade e bênçãos sem precedentes para a toda a terra ao passo que Jesus restaura a
vida com as condições vistas no Jardim do Éden. Jesus, como o Rei dos reis, vai governar
um Reino mundial a partir de Jerusalém. Ele reinará em parceria com os santos
ressuscitados, que governarão com Ele, estabelecendo uma ordem social baseada
biblicamente (Dn. 2:44-45; Mt. 19:28, 25:23; Lc. 22:29-30; 1 Co. 6:2-3, 15:23-28; II Tm. 2:12;
Ap. 2:26-27, 3:21, 5:10, 20:4-6, 20:1-6, 22:5).

3. A obra do Calvário e o ministério do Espírito Santo prepararam a terra para o


retorno do Senhor. Da mesma forma, o governo terreno de Jesus com o poder todo do
Espírito Santo, irão preparar a Terra para a vinda do Pai, quando o Céu e a Terra serão
totalmente unidos. Antes que isso aconteça, Deus irá libertar Satanás para um teste final das
nações no final dos mil anos. Esse conflito vai acabar com a eliminação de Satanás, dos
ímpios, e o próprio inferno no lago de fogo. Então todas as coisas serão feitas novas, e Deus
habitará com os homens. (Ap. 20:1 - 21:8)

X – CONTEMPLANDO A GLÓRIA DE JESUS EM SUA SEGUNDA VINDA

A. O livro de Apocalipse é mais do que imagens apocalípticas sobre a vinda do


anticristo. Seu maior foco é na gloriosa pessoa de Jesus. O livro começa com o Pai
comissionando Jesus para se revelar às nações. Esta é uma importante tarefa dada ao Filho.
Revelar a si mesmo às nações? Jesus já não tem se revelado para as nações em sua vida,
morte e ressurreição?

B. O Pai comissionou Jesus para se revelar na glória da sua segunda vinda como o
Noivo Rei que irá conquistar as nações para estabelecer seu Reino de amor e sua justiça na
Terra. O maior tema de Apocalipse é a revelação da personalidade, poder e do plano de
Jesus em preparar sua Igreja para participar com Ele na liberação da glória de Deus em todas
as nações (Ap.1:1, Jo.17:26)

1. Jesus é o Noivo apaixonado que é preenchido com afetos, ainda com amor
ciumento. Jesus irá retornar para uma Noiva preparada que vive em unidade com Ele e com
o Espírito (Ap. 19:7)

2. Jesus é o Rei que irá intervir para salvar a Terra assumindo o governo de todas as
nações para a glória de Deus e o bem do seu povo para sempre. Jesus irá substituir todo o
governo injusto na Terra, por sua liderança e suas leis justas (Ap. 11:15).

231
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

3. Jesus é o juiz justo e sábio, que trabalha de forma redentora para enfrentar o ódio
contra Deus e revelar a verdade, a fim de estabelecer o amor em toda a terra (Ap. 16:5-7;
19:1-5).

4. Na pessoa de Jesus Cristo, o mundo todo irá assistir Deus declarar seu Nome em
termos de graça, compaixão, libertação, proteção, justiça, guerra e amor. Jesus irá declarar
o nome de seu Pai novamente como o libertador dos santos, protetor e salvador de Israel,
destruindo os ímpios e lançando Satanás ao abismo – tudo através da parceria em oração,
com a Noiva purificada. Toda sua múltipla glória irá ser revelada enquanto Ele sustenta sua
natureza amorosa através da remoção da maldade da terra e da salvação de toda a ordem
criada.

a. O apóstolo João foi o discípulo apaixonado. Ele inclinou-se sobre o peito de


Jesus na Ceia do Senhor e perguntou-lhe quem seria o traidor. Ele seguiu Jesus para a cruz
e assistiu o Filho de Deus derramar sua vida como uma oferta pelo pecado. Jesus confiou
sua mãe aos cuidados de João. Ainda, no ilha de Patmos João experimentaria uma face
diferente de Jesus. Em Apocalipse 1: 9-20, João está no espírito no Dia do Senhor, quando
de repente o Senhor aparece em glória, como na sua segunda vinda. O apaixonado apostolo
cai como um homem morte diante da gloriosa majestade de Jesus.

b. Pelos próximos 22 capítulos Jesus revelaria a beleza de Deus na perspectiva da


vinda deste tempo do fim e da inauguração do Reino de Cristo. Desatada a glória, poder e o
amor de Jesus, João cai diante de toda a revelação, incapaz de continuar a escrever. No final
ele não pode se conter e clama: “Maranata! Venha Senhor Jesus!”

c. Apocalipse 19:12 nos conta que Jesus tem um nome que nós ainda não sabemos:
"Seus olhos são como chamas de fogo e na sua cabeça tem muitas coroas. Ele tem um nome escrito que
ninguém conhece, exceto Ele mesmo”. Ele tem toda eternidade para abrir as profundezas infinitas
da beleza de Deus, poder e glória contidas na pessoa do seu Filho. Quão bela é a realidade
de que Ele espera por nós, Ele anseia receber nossos corpos ressuscitados, para que possamos
nos envolver completamente com Ele e nos alegrarmos em sua revelação.

d. Nós lemos o que João viu? Nós temos um vislumbre do seu glorioso esplendor
e ansiamos por seu retorno, ou estamos atolados no mundo dos prazeres, muito ocupados
para olhar o Único que está vindo com o fogo do amor em seus olhos? Nós estamos
assistindo e esperando por nosso amado Noivo, ou nós estamos intimidados pelos sábios
loucos deste tempo que ignoram seu pedido para serem encontrados esperando pela vinda
do nosso Mestre? Relembre as palavras de João: “Eu digo a todos: Vigiai! Ele pode nos encontrar
prontos e esperando, ansiando por Ele como Ele nos deseja!

232
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

LIÇÃO VINTE
A FÚRIA DO NOIVO: ISAÍAS 63-64
O DIA DO SENHOR: O DESTINO FINAL DA ESCURIDÃO

A. Isaías 63:1 nos introduz para a face de Jesus, a qual muitos não contemplaram,
nem mesmo consideraram. Isaias nos dá um vislumbre do que a Bíblia refere como o Dia do
Senhor e retrata a ultima cena, na luta do Armagedon. À medida que perscrutarmos Isaías
63 nos encontraremos pedindo com o profeta: “É esta face de Jesus coerente com o Servo Sofredor
revelado em Isaías 53 e o Noivo Amável de Isaías 62 ?” À medida que perscrutamos a face de
Cristo iremos resistir ao pecado e orar reivindicando poder para a Igreja.

B. No último discurso público de Jesus, na terça-feira da Semana Santa, Ele dá três


parábolas aos líderes religiosos que indicam julgamento vindouro. A última parábola em
Mateus 22:1-14 foi de um Rei que arranjou um casamento para seu Filho. Através da
parábola o convite do Rei para o casamento é recusado e seus mensageiros são tratados com
ultraje e também mortos. Finalmente o rei fica furioso e envia seu exército para destruir a
suposta rebelião.

C. Essa geração na qual o Senhor retornará irá testemunhar a oposição completa de


Deus contra a rebelião humana, o governo ímpio e Satanás. Esta geração verá o Senhor na
plenitude do seu zelo, compaixão e amor a medida que Ele justifica os santos com a
ressurreição dentre os mortos e salva Israel em sua hora mais sombria. Eles encontrarão o
Noivo Rei em toda a sua paixão e fúria - paixão pelos que são seus e fúria contra aqueles que
têm desprezado o seu amor, recusado suas mansas afeições e abraçado a desprezível,
pervertida, sede maligna pela rebelião e iniquidade. Deus determinou um fim, um momento
em que Ele vai conduzir o usurpador fora. Nosso Noivo virá como um leão de pura força e
poder contra a maldade.

Mas o rei encolerizou-se; e enviando os seus exércitos, destruiu aqueles homicidas, e


incendiou a sua cidade. (Mt. 22:7)

D. O Dia do Senhor mostra as várias dimensões do amor de Deus em um único evento


que mudará para sempre o curso da história humana e nos posicionará na próxima era. É a
hora onde a natureza do amor de Deus será plenamente manifesta e esclarecida diante do
mundo inteiro. Na pessoa de Cristo, o mundo vai assistir Deus declarar seu nome - sua
misericórdia, compaixão, libertação, proteção, justiça e equidade. Jesus vai declarar o Nome
do Seu Pai vez após vez, ao passo que liberta os santos, protege e salva Israel, destrói os
ímpios, e prende Satanás no fundo do abismo. Toda a sua glória será exibida a medida que
Ele justifica sua natureza amorosa, ao passo que Ele salva e remove a maldade da Terra.

“Eis que o Senhor Deus virá com poder, e o seu braço dominará por Ele; eis que o seu
galardão está com Ele, e a sua recompensa diante dele como pastor Ele apascentará o seu rebanho;
entre os seus braços recolherá os cordeirinhos, e os levará no seu regaço; as que amamentam, Ele as
guiará mansamente”. (Is. 40:10-11)

“Para estes também profetizou Enoque, o sétimo depois de Adão, dizendo: Eis que veio o
Senhor com os seus milhares de santos, para executar juízo sobre todos e convencer a todos os ímpios
de todas as obras de impiedade, que impiamente cometeram, e de todas as duras palavras que
ímpios pecadores contra ele proferiram”. (Jd. 14-15)

E. Você não pode entender a Segunda Vinda de Cristo e os acontecimentos que o


cercam, sem primeiro olhar para o mistério da iniquidade.
233
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

1. O mistério da iniquidade é a maldade da humanidade se recusando em se


submeter as leis e a liderança de Deus. É a ativa agressão da humanidade em lançar fora as
restrições de Deus (Sl. 2:1-2). Mesmo a medida em que Jesus volta no céu, marcha pela terra,
e libera o último julgamento da taça, as pessoas ainda vão estar blasfemando contra Deus e
se reunindo para lutar contra Ele. Isso é impensável para nós, mas no entanto é verdade.
Quando tudo for visível e tudo estiver manifesto, a humanidade ainda vai resistir a Deus.
Não apenas resistirão, mas eles vão opor-se violentamente contra o governo de Jesus.

2. Durante três anos e meio, a terra vai testemunhar o desastroso governo do


Anticristo, o resumo da força e engenho humano. Seu governo será o protótipo da força e
criatividade do homem, porém, mesmo assim, irá liberar a maior devastação jamais vista na
história humana. A terra também testemunhará a mão de Deus, opondo-se e preservando a
humanidade através da manifestação de seus julgamentos. Mesmo a terra estando no auge
da sua rebelião, Deus está trabalhando para desmantelar as trevas, quebrar as ilusões e trazer
tantas pessoas quanto possível para o conhecimento da salvação em Jesus, enquanto estiver
usando o meio menos severo possível. No entanto, no final dos julgamentos das trombetas
e por todos os julgamentos das taças, as pessoas irão se recusar a se arrepender. Em vez disso,
elas irão blasfemar contra Deus (Ap.9:20-21, 16:9-11, 17:14).

3. Na última trombeta, Jesus voltará. Ele vai libertar os santos, liberar a vingança de
Deus contra toda a iniquidade, destruir os exércitos do Anticristo, e recolher o remanescente
de Israel. Jesus é firme em seu desejo de trazer os santos para consumação e livrar a terra de
todos os males. No grande dia do Senhor, a terra testemunhará um rosto de Jesus que ela
nunca viu. Ele veio pela primeira vez como o Cordeiro de Deus para salvar os pecadores.
Ele virá pela segunda vez como um Leão que destruirá todas as forças das trevas e salvará a
Terra do domínio de Satanás (Hb. 9:27-28).

F. Assim como a revelação de Cristo em sua primeira vinda impactou as nações pelos
últimos 2000 anos, do mesmo modo a revelação de Jesus em sua segunda vinda, como o
Noivo Rei e Juiz, irá impactar toda a experiência humana no Milênio e além. Mike Bickle,
em sua série do “Estudo do Livro de Joel”, cita algo sobre isso:

A memória desse evento (A segunda vinda de Jesus) impactará decisões sociais, emocionais, legais
e econômicas na terra pelos próximos mil anos (Ap. 20). A memória viverá para sempre e o poder dela
afetará geração após geração. Eles contarão a história para os seus filhos e para os seus descendentes, a
história desse rei zeloso que matou todos os seus inimigos com sua própria mão! A memória marcante
desta mostra de zelo divino provocará as nações da terra para dizerem sobre o Rei que reina em
Jerusalém: “Oh, você não deseja desobedecê-lo! Eu estava lá quando Ele pegou o varão de ferro e
esmurrou as nações!” Esse evento realinhara o “DNA” emocional da terra por mil anos! Essa história
será dita para as gerações, porque Deus deseja amores voluntários sobre toda terra que tremem na sua
majestade!

“Agora, pois, ó reis, sede prudentes; deixai-vos instruir, juízes da terra. Servi ao Senhor com
temor, e alegrai-vos com tremor. Beijai o Filho, para que se não ire, e pereçais no caminho, quando
em breve se acender a sua ira; bem-aventurados todos aqueles que nele confiam”. (Sl. 2: 10-12)

II - A FÚRIA DO NOIVO

A. Nos últimos dias, nós veremos a fúria do noivo enquanto Ele remove o poder de
Satanás do planeta Terra. O leão da tribo de Judá triunfará sobre todas as obras da trevas.
Este é o premeditado e predeterminado plano de Deus. A fúria do noivo é totalmente justa -
não deve ser equiparada com a raiva fora de controle de um homem de vontade fraca. Este

234
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

é um golpe calculado contra o reino das trevas. A paixão e o poder de Deus explodem contra
as trevas com seu pleno controle e em sua sábia administração de perfeita justiça. A Bíblia o
retrata como um leão pronto para atacar, em cima de sua presa. Jesus sozinho tem a
resolução e a coragem para fazer o que é necessário a fim de remover completamente o mal
da experiência humana (Gn.3:15, 49:10, Am.3:7-8).

B. A Bíblia revela que Jesus será visto naquele dia como o leão devorando sua presa e
esmagando seus inimigos. Ele será visto como um grande Rei, e todas as nações irão adorá-
lo (Gn.49:9-10, Nm.24:7-9,17, Pv.19:12, 20:2, Jr.25:30-31,38, Jl.3:14-16, Am.3:8)

C. A linguagem a respeito do Dia do Senhor: Jesus não está vindo disciplinar as


nações, Ele está vindo puní-las. Este é o dia de Sua ira. Jesus está vindo liberar os judeus e
trazer a retribuição sobre as nações que se juntaram contra eles (Sl.2:4-5,9, 68:17-18, 21-23,
110:2,5-6, Is.2:19, 13:4-13, 26:20-21, 33:18, 34:1-3, 34:6-9, 63:3-4, 66:14-16, Jr. 25:31-33,38,
30:23-24, Am. 9:8, Zc. 3:8, 14:12, Ml.4: 1-3, Ap. 14:19-20, 19:11-18).

“O Senhor estenderá o cetro de teu poder desde Sião, e dominarás sobre os teus inimigos!...
O Senhor está à tua direita; ele esmagará reis no dia da sua ira. Julgará as nações, amontoando os
mortos e esmagando governantes em toda a extensão da terra”. (Sl. 110: 2,5-6)

“Aproximem-se, nações, e escutem: prestem atenção, ó povos! Que o ouçam a terra e tudo o
que nela há, o mundo e tudo o que dele procede! O Senhor está indignado contra todas as nações;
sua ira está contra todos os seus exércitos. Ele os destruirá totalmente, ele os entregará à matança.
Seus mortos serão lançados fora e os seus cadáveres exalarão mau cheiro; os montes se encharcarão
do sangue deles”. (Is. 34:1-3)
“Quando vocês virem isso, o seu coração se regozijará, e vocês florescerão como a relva; a
mão do Senhor estará com os seus servos, mas a sua ira será contra os seus adversários. Vejam! O
Senhor vem num fogo, e os seus carros são como um turbilhão! Transformará em fúria a sua ira e
em labaredas de fogo, a sua repreensão. Pois com fogo e com a espada o Senhor executará
julgamento sobre todos os homens, e muitos serão os mortos pelo Senhor”. (Is. 66:14-16)

“Vejam, a tempestade do Senhor! Sua fúria está a solta! Um vendaval vem sobre a cabeça
dos ímpios. A ira do Senhor não se afastará até que Ele tenha completado os seus propósitos. Em
dias vindouros vocês compreenderão isso”. (Jr. 30:23-24)

“Sem dúvida, os olhos do Senhor, o Soberano, se voltam para este reino pecaminoso. Eu o
varrerei da superfície da terra, mas não destruirei totalmente a descendência de Jacó”, declara o
SENHOR”. (Am. 9:8)

D. Por que é importante entender a fúria do Noivo no Fim dos Tempos?

1. Essa revelação libera o temor do Senhor e purifica a Igreja. Deus odeia pecado! O
Rei noivo esta ativamente movendo-se contra a injustiça na terra, e no final Ele removerá o
pecado da sua criação. O pecado está matando aqueles que foram feitos a sua imagem. Esse
entendimento nos preserva de ver a graça como uma licença e nos livra de sermos amargos
e de não perdoar aos outros (I Pe.4:7-8, 17-19, II Pe. 3:14, II Co. 6: 14-17,7:1. 11:2)

“Portanto, amados, enquanto esperam estas coisas, empenhem-se para serem encontrados
por ele em paz, imaculados e inculpáveis”. (II Pe. 3:14)

2. Esse entendimento do coração de Jesus dá poder à nossa proclamação. Na luz da


ira de Deus que esta vindo, fazemos um apelo para que todas as pessoas em todos os lugares

235
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

entendam que Ele está vindo para julgar os vivos e os mortos (II Co. 5:9-11, At.10:42, 17:29-
31, II Tm.4:1-2, I Pe. 4:3-6).

“Ele nos mandou pregar ao povo e testemunhar que este é aquele a quem Deus constituiu
juiz de vivos e de mortos”. (At. 10:42)

3. Esta revelação nos dá força para resistirmos na perseguição, conhecendo que


Deus irá se vingar daqueles que continuarem a perseguir seu povo. O Senhor não é injusto
ao ouvir o clamor do seu povo. Deus vela por seu povo (II Ts. 1:6-8, Rm. 12:19-20, Ap. 6:10,
13:10, 14:9-12).

“Pois verdadeiros e justos são os seus juízos. Ele condenou a grande prostituta que
corrompia a terra com a sua prostituição. Ele cobrou dela o sangue dos seus servos". (Ap. 19:2)

4. A revelação de Jesus como o Rei conquistador nos dá mais do que fé para resistir,
nos dá fé para viver. Nós recebemos força em nosso homem interior pelo entendimento do
que Cristo realizou na Cruz e que será completo na Sua segunda Vinda. Ele destruirá a morte
e removerá doenças e pecados. Ele vai superar completamente e triunfar sobre os poderes
das trevas, completamente e totalmente. Quando meditamos nessas coisas, grande fé entra
em nossos corações e vida vem as nossas orações e ministérios (Rm.5:10).

III - UM SACRIFÍCIO EM BOZRA: ISAÍAS 63:1-6

“Quem é este, que vem de Edom, de Bozra, com vestiduras tintas de escarlate? Este que é
glorioso no seu traje, que marcha na plenitude da sua força? “Sou eu, que falo em justiça, poderoso
para salvar.” (Is. 63:1)
A. Isaías viu algo, ou melhor, Alguém, e pediu a identidade daquele que virá de Edom,
com vestes manchadas de Bozra.

1. Jesus irá marchar pela cidade de Bozra em Edom (Jordânia) e Temã, matando os
seus inimigos em seu caminho para Jerusalém. O sangue deles será aspergido sobre suas
vestes (Nm. 24:17-19, Dt. 33:2, Sl.110:5-6, Is.34:5-10, 63:1-6; Hb. 3:3-18; Zc. 9:14; Ap.19:11-
16).

2. A Bíblia recorda a história de Edom como de uma oposição contra o propósito de


Deus.

a. Até mesmo a origem da interação de Edom e Israel está marcada com discórdia.
No ventre de Rebeca, Esaú (antepassado dos edomitas) e Jacó (Israel) "lutavam dentro dela"
(Gn.25: 22). Quando ela perguntou ao Senhor qual era o significado dessa luta, ele
respondeu: “Há duas nações no teu ventre, e dois povos se dividirão das tuas entranhas e um povo será
mais forte do que o outro povo, e o mais velho servirá ao mais moço.” (Gn.25:23)

b. Muitas passagens do Velho Testamento retratam a oposição de Edom para


Israel. John Oswalt escreveu:

Por todo o VT, de Gênesis (25:23) até Malaquias (1:2-3), Edom é tratada
como a antítese de Israel. Mais ainda do que os amalequitas, Edom é
conhecido por tentar bloquear o que Deus estava fazendo para o mundo em
sua auto-revelação de Israel (Num. 20:14-21). Assim Edom era típico das
nações que insistiu em suas próprias maneiras, em oposição as de Deus.
(John Oswalt, The Book of Isaiah, 610).
236
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

c. Em Êxodo, Edom se recusou a permitir a passagem de Israel em suas terras


(Nm.20:14-21)

d. Davi foi o único rei israelita à subjugar Edom (II Sm. 8:14; cf. I Reis 11:15f). De
fato, uma rebelião edomita atormentou Salomão no final de seu reinado. (I Reis 11:1-17, 23-
25)

“E pós guarnições, em Edom, em todo o Edom pôs guarnições, e todos os edomeus ficaram
por servos de Davi; e o SENHOR ajudava a Davi por onde quer que ia”. (II Sm. 8:14)

e. Durante a destruição de Jerusalém e do Templo pelos Babilônicos, os Edomitas


assistiram e não fizeram nada para ajudar Israel. Em vez disso, eles se regozijaram, se
alegraram em assistir aos inimigos de Israel (Obadias 10-14)
“Lembra-te, Senhor, contra os edomitas, do dia de Jerusalém, porque eles diziam: “Arrasai-
a, arrasai-a até os seus alicerces!” (Sl. 137:7)

3. Edom se tornará o ponto de partida para a punição severa de Deus sobre as


Nações.

a. Depois que Jesus liberta os judeus do Egito, Ele passa pelo o deserto, onde se
inicia a série de batalhas mais sangrentas na história humana. As batalhas se estendem desde
a Bozra no Norte de Israel. O conflito atinge o clímax na batalha de Jerusalém, deixando
um caminho de sangue por 184 milhas de distância e se avolumando até a altura das rédeas
dos cavalos. (Ap. 14:20, Is.34:2-6)

b. John Oswalt, comentando sobre o sacrifício escatológico de Edom em Isaías 34,


aponta a tragédia do juízo de Deus contra Edom, devido à sua falta de vontade de receber
sacrifício gracioso de Deus pelo pecado através de Cristo:

O VT torna claro que o pecado é uma questão de vida ou morte.


Mesmo que pecado cometido inconscientemente tem que ser
reparados por uma morte sacrificial (Lv 4:1-12, etc; cf. Lv. 17:11;
Ez. 33:10–16). Assim, em um sentido real, todo o pecado deve
terminar com um sacrifício, seja do pecador ou de outro no lugar do
pecador. É essa verdade que Is. 53 compreende. A salvação que é
proclamada e prometida nos capítulos 49-52 só é possível porque
Alguém mais foi sacrificado. A tragédia de Edom, então, é que seu
sacrifício é desnecessário. Se as nações do mundo aprendessem os
caminhos de Deus (2:1-4), eles descobririam que o sacrifício já foi
oferecido para o perdão dos pecados. (Oswalt, Isaiah, 611-612)

c. Isaías testemunhou uma visão majestosa e terrível da Segunda Vinda de Cristo.


Ele vem de Edom, com vestes tintas e é glorioso em sua vestidura. Desta vez Ele não vem
como um cordeiro para ser morto, mas como o Rei vestido com as belas roupas da realeza.
Ele está caminhando na grandeza da sua força. Ele está caminhando como um leão
perseguindo sua presa. Com poder e força terrível, o Leão da Tribo de Judá está
conquistando as nações da terra. O profeta viu o Messias de forma diferente da sua visão
anterior em Isaías 53. O servo sofredor é agora o Rei majestoso que vem com a grandeza da
sua força. Isaías, perplexo com a visão, perguntou: "Quem é este?”

IV - JESUS: SALVADOR JUSTO E REI GUERREIRO (ISAÍAS 63:2)

237
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

“Quem é este que vem de Edom, de Bozra, com vestes tintas? Este que é glorioso em sua
vestidura, que marcha com a sua grande força? Eu, que falo em justiça, poderoso para salvar. Por
que está vermelha a tua vestidura? E as tuas vestes, como as daquele que pisa uvas no lagar?” (Is.
63:1-2)

A. Jesus respondeu à Isaías e declarou que é Ele quem fala em justiça, o que é
Poderoso para salvar. Jesus confirmou que essa face dele é consistente com a natureza de
justiça e de redenção. O que Isaías viu foi o último ato de redenção desta era. Jesus virá como
o Juiz de todas as nações para atropelar toda a resistência ao amor. Ele não vai lidar com a
resistência carnal da humanidade para sempre. Há um dia marcado, quando o amor triunfará
sobre o mal. Jesus, que fala em justiça, é poderoso para salvar o planeta Terra. Ele é poderoso
para salvar seu povo. Ele é poderoso para estabelecer seu governo de amor e bondade na
Terra de uma vez por todas. Suas ações são a consumação do Calvário, não contraditórias
ao Calvário. O que Ele começou no Calvário, Ele vai terminar.

B. Isaías, não estava acostumado a ver Jesus dessa forma, por isso perguntou-lhe
porque suas vestes estavam manchadas de vermelho. Isaías estava vendo a quebra das nações
a qual Davi advertiu aos governantes em Salmo 2 e Salmo 110.

“Tu os quebrarás com uma vara de ferro; tu os despedaçarás como a um vaso “de oleiro’.
Agora, pois, ó reis, sede prudentes; deixai-vos instruir, juízes da terra. Servi ao Senhor com temor,
e regozijai-vos com tremor. Beijai o Filho, para que não se ire, e pereçais no caminho; porque em
breve se inflamará a sua ira. Bem-aventurados todos aqueles que nele confiam”. (Sl. 2:9-12)

“O Senhor, à tua direita, quebrantará reis no dia da sua ira. Julgará entre as nações; enchê-
las-á de cadáveres; quebrantará os cabeças por toda a terra”. (Sl. 110:5-6)

C. Jesus responde que o sangue que mancha suas vestes é o sangue das nações rebeldes
que se reúnem contra o Senhor e contra o seu Ungido. As nações que resistem ao domínio
de Deus tornar-se-ão o foco da mais terrível força do Céu e da Terra - a fúria e a vingança do
Filho de Deus contra todos os adversários do amor. Assim como Ele zelosamente desejou
em João 17 ir para a cruz e suportar a ira de Deus em nome daqueles que o receberiam.
Agora Ele anseia com ciúme por dispensar a ira de Deus sobre aqueles que teimosamente
resistiram a bondade e os caminhos de Deus. Jesus é tanto o portador como o distribuidor
da ira de Deus. Se Jesus não suportar a ira de Deus por você, então Ele irá dispensar a ira de
Deus sobre você (Dt. 28:63, II Ts. 1: 6-10, Ap. 19: 11-16)

“E os reis da terra, e os grandes, e os chefes militares, e os ricos, e os poderosos, e todo escravo,


e todo livre, se esconderam nas cavernas e nas rochas das montanhas e diziam aos montes e aos
rochedos: “Caí sobre nós, e escondei-nos da face daquele que está assentado sobre o trono, e da ira
do Cordeiro! (Ap. 6:15-16)

D. Jesus, o Rei Guerreiro, é o manso Cordeiro do Calvário.

1. Quando olhamos para a severidade da liderança de Jesus em destruir as nações


rebeldes, devemos entender que Ele vai usar os meios menos severos para remover a
iniquidade, enquanto traz o maior número de pessoas à Ele, no nível mais profundo do
amor. Estas nações serão totalmente endurecidas e completamente insensíveis a graça de
Deus. Jesus vai usar a vara de seu poder com o propósito de remover tudo o que impede o
amor. O livro de Apocalipse é claro que o predominante Leão da tribo de Judá é o mesmo
Cordeiro que foi morto.

238
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

2. Jesus, o Rei Guerreiro, é o Cordeiro manso. Na verdade, Apocalipse 5 nos diz


muito claramente, que é justamente a humildade de Jesus em submeter-se a vontade de Seu
Pai, e suportar a ira de Deus sobre o Calvário que faz dele o único qualificado para executar
o plano do Pai para o fim dos tempos. Ele é o único que é capaz de pisar o lagar do vinho
do furor da ira do Deus Todo-Poderoso. Porque Jesus abriu mão de todo o seu poder por
amor, Ele será agora confiado para fazer uso do poder para o estabelecimento do amor.
Apenas o Cordeiro pode ser confiado com a plena utilização do poder e dos recursos do
Deus Todo-poderoso (Ap.5:12-13)

3. Jesus é totalmente empenhado em estabelecer o amor e a justiça na Terra para a


glória de Seu Pai. Sua atitude contra os ímpios é perfeitamente coerente com a sua
personalidade de ternura e amor. Jesus usará a barra de ferro para estabelecer a justiça na
terra. Ele vai criar um ambiente na terra onde o amor florescerá e brotará justiça. O amor irá
quão longe for necessário para vencer!

“Ele não faltará nem será quebrantado, até que ponha na terra a justiça; e as ilhas
aguardarão a sua lei... O Senhor sai como um valente, como homem de guerra desperta o zelo;
clamará, e fará grande ruído, e mostrar-se-á valente contra os seus inimigos”. (Is. 42:4,13).

4. Assim como Ele foi crucificado pelo prazer de fazer indivíduos livres, da mesma
forma Ele vai abraçar o plano do Pai para punir as nações, pelo prazer de fazer o mundo
livre da tirania de uma vez por todas. Temos que olhar novamente para Cristo e nos
apaixonarmos com seu coração, queimando de paixão. Precisamos enxergar a profundidade
onde Ele vai, a fim de trazer eternos amantes voluntários em um ambiente de justiça, paz e
alegria.

Tão severo é o Seu zelo pelo amor, que Ele se tornou humano
e foi esmagado pela ira de Deus. O que Ele fará em termos de zelo
na batalha do Armagedom, matando milhões com sua própria
espada, empalidece em severidade comparado com o que aconteceu
na Cruz. O que Ele fez em se tornar humano e ser esmagado pela
ira de Deus é sua declaração final de amor zeloso, o testemunho
eterno de severidade incomparável e paixão que será estimado para
todas as gerações (Ef. 2:7) – Mike Bickle, Studies in Joel, 145).

V - TRILHANDO O LAGAR SOZINHO (ISAÍAS 63:3-6)

A. Haverá reis e nações que não estarão com Jesus. Salmo 2 irá se cumprir: Sob os
auspícios de um rei demonizado chamado o filho da perdição, o Anticristo, todas as nações
vão se irar contra sua liderança.

“Por que se amotinam as nações, e os povos tramam em vão? Os reis da terra se levantam, e
os príncipes juntos conspiram contra o Senhor e contra o seu ungido, dizendo: “Rompamos as suas
ataduras, e sacudamos de nós as suas cordas.” Aquele que está sentado nos céus se rirá; o Senhor
zombará deles”. (Sl. 2:1-4)

B. “Porque o dia da vingança está no meu coração, e o ano dos meus redimidos chegou.” (Is.
63:4). Em sua Segunda Vinda, Jesus irá libertar o seu povo das nações que os oprimiram e
os mataram. Joel descreveu sua vinda como o "grande e terrível dia do Senhor." Jesus chama
esse dia de “o dia da vingança e o ano dos redimidos”. Sua decisão para executar este terrível
dia trará uma temporada longa de favor e bênção sobre a terra.

1. As duas festas de Apocalipse 19

239
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

a. A Ceia das Bodas do Cordeiro: o dia da libertação e da consumação final.

b. A festa das aves: as aves são convidadas para comer a carne dos que foram
mortos neste Dia do Senhor, conflito entre Jesus, as nações que se opõem e o exércitos do
Anticristo ( Ap. 19: 17-18)

C. Isaías retoma o tema da solidão de Jesus nesse ato de salvação. Jesus carrega
sozinho o fardo pela redenção da Terra. Ele sozinho estava disposto a suportar a ira de Deus
para redimir a humanidade caída do pecado e da morte, Ele sozinho estará disposto a
suportar o peso de dispensar a ira de Deus para remover o pecado e a morte do mundo.
Como o Filho unigênito do Pai, somente Ele cumpre a vontade de Seu Pai. Somente Ele
conhece as profundezas e as tensões do coração do Pai, para ambos, a redenção e a
condenação. Jesus vai declarar o nome do Seu Pai novamente diante de todas as nações:
Deus é santo, santo, santo.

D. As nações recebem a taça da ira e da fúria do Senhor. Antes em Isaías 57:17, Israel
bebe a taça da ira da mão do Senhor. Em Isaías 63:6 Israel é quem é salvo e as nações são
quem bebem a taça da ira e da fúria.

E. Esta visão foi terrível para Isaías. Imagine o estado emocional do profeta depois
disso.

VI – A ORAÇÃO DE ISAÍAS (IS. 63:7-19)

A.Isaías, viu o que esta por vir e o estado desviado no qual se encontra o povo de
Deus, e foi deixado com um incrível peso de intercessão. À luz do que está por vir, ele clamou
a Deus. Ele tinha apenas uma esperança para o povo de Deus naquele Dia - a misericórdia
de Deus.

B. Isaías lembrou da bondade de Deus para com Israel no Êxodo, sua mansa
liderança através do deserto, e as vitórias dadas sobre as nações vizinhas pelo Anjo de sua
Presença. Ele lembrou como Deus amorosamente os carregou e os manteve como seus
filhos.

C. Isaías em seguida reconheceu a rebelião do povo que causou os julgamentos de


Deus contra eles, assim como a bondade de Deus para mostrar favor a eles mais uma vez.

D. Isaías apelou para a misericórdia e o coração compassivo e zeloso de Deus. Ele


declarou nos versículos 16 - 19 que o povo de Deus estava irreconhecível agora por causa do
seu pecado. Eles eram ignorantes à respeito de Abraão. Os pais da fé não os reconheceram.
Eles tinham perdido; eles tinham cometido um erro. Isaías apelou para o poder soberano e
pela bondade de Deus para transformar o seu povo.
1. Este é o lugar onde estamos hoje, somos dificilmente reconhecidos como a Igreja
primitiva. Os apóstolos teriam dificuldade olhando para nós em nos reconhecer como seus
descendentes.

2. Nós não temos poder verdadeiro, nem qualquer influência significativa de


transformação no Brasil hoje. O regresso do Senhor está perto, e nós, como Isaías,
precisamos clamar para que Deus nos faça reviver!

VII – ORANDO PARA DEUS RASGAR OS CÉUS (ISAÍAS 64:1-4)

240
AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

A. Isaías orou por uma solução: "Deus, rasgue os céus e desça. Libere Seu poder manifesto e
Sua presença no meio do povo de Deus. Desça! Rasgue os céus! Manifeste Seu poder e glória, mude o
povo de Deus naquilo que eles deveriam ser, e libere o testemunho da sua realidade entre as nações." (Is.
64:1-5)

B. Isaías declarou que isso vai acontecer por causa da natureza de Deus: Ele responde
os fracos quando eles clamam. No meio da oração de Isaías existe um princípio chave: Deus
age em nome daqueles que esperam por Ele. Devemos ser fiéis em acreditar na Palavra de
Deus e sermos encontrados levantando suas promessas em oração.

C. Um movimento de oração em todo o mundo irá emergir no final dos tempos para
clamar por uma visitação poderosa do Senhor, que irá liberar o poder apostólico na Igreja
(Mc. 13: 32-33, Lc. 18:7-8)

“Mas já está próximo o fim de todas as coisas; portanto sede sóbrios e vigiai em oração” (I
Pe. 4:7-8)

D. Dois versos poderosos:

1. Respondeu-lhes: “A vós não vos compete saber os tempos ou as épocas, que o Pai reservou
à sua própria autoridade. Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e ser-me-eis
testemunhas, tanto em Jerusalém, como em toda a Judéia e Samária, e até os confins da terra.
” (At. 1:7-8)

2. E acontecerá nos últimos dias, diz o Senhor, que derramarei do meu Espírito sobre toda
a carne; e os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, os vossos mancebos terão visões, os vossos
anciãos terão sonhos; e sobre os meus servos e sobre as minhas servas derramarei do meu Espírito
naqueles dias, e eles profetizarão E mostrarei prodígios em cima no céu; e sinais embaixo na terra,
sangue, fogo e vapor de fumaça. O sol se converterá em trevas, e a lua em sangue, antes que venha
o grande e glorioso dia do Senhor. e acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor
será salvo. (At. 2:17-21)

VIII - QUEM CONTENDERÁ PELO ROMPER DO PODER DE DEUS? (IS.


64:5-7)

A. Isaías 64:5-7 revela que o temor ao Senhor está ausente na terra. As pessoas
desaparecerão como uma folha, mas elas continuam em seu pecado e não enxergam sua
necessidade por arrependimento.

B. O temor do Senhor é um dom que nos permite ver a diferença entre a avaliação
do Senhor sobre nós e nossa opinião de nós mesmos. É esta graça maravilhosa de Deus, que
nos permite ver a nós mesmos, justificados e entrar em acordo com a avaliação do Céu sobre
nossas vidas. É um sentimento solitário comparecer perante o juiz com uma avaliação
ilusória de nossas vidas. Devemos ouvir o que o Espírito diz à Igreja.

“A lei do Senhor é perfeita, e refrigera a alma; o testemunho do Senhor é fiel, e dá sabedoria


aos simples. Os preceitos do Senhor são retos, e alegram o coração; o mandamento do Senhor é
puro, e alumia os olhos. O temor do Senhor é limpo, e permanece para sempre; os juízos do Senhor
são verdadeiros e inteiramente justos. Mais desejáveis são do que o ouro, sim, do que muito ouro
fino; e mais doces do que o mel e o que goteja dos favos. Também por eles o teu servo é advertido;
e em os guardar há grande recompensa. Quem pode discernir os próprios erros? Purifica-me tu dos
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AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

que me são ocultos. Também de pecados de presunção guarda o teu servo, para que não se
assenhoreiem de mim; então serei perfeito, e ficarei limpo de grande transgressão. Sejam
agradáveis as palavras da minha boca e a meditação do meu coração perante a tua face, Senhor,
Rocha minha e Redentor meu!” (Sl. 19:7-14)

C. Em Ap. 2-3 Jesus aparece para as sete Igrejas da Ásia Menor e dá instruções a
eles, preparando-os para as horas de crise e perseguições. Que presente gracioso Jesus deu
aquelas igrejas falando a elas antes da hora de transições e crises! O temor do Senhor é o
presente de Deus para preparar a Igreja para um nova estação em Deus. Isaías 11 descreve o
Messias como Aquele que se deleita no temor do Senhor. A face de Jesus retratada em Isaías
63:1-6 nos faz tremer com o temor do Senhor. Devemos abraçar a visão de Jesus e deixá-lo
nos acompanhar a um maior grau de consagração.

D. Os profetas advertem que um leão está prestes a rugir (Am. 3:7-8). Deus está em
um curso de colisão com o planeta Terra e a única resposta adequada é a oração, mas
ninguém se moverá até obter força de Deus. Isaías disse que a falta de oração ocorre porque
Deus esconde sua face de pessoas que são persistentemente teimosas e rebeldes. Devemos
clamar em oração, pedindo por um movimento preparatório de Deus sobre a Terra que vai
fazer a Igreja se aprontar para os testes que estão por vir. É um engano pensar que teremos
graça para orar no momento de crise, se não orarmos no momento atual. No momento de
crise, fazemos o que é mais natural em nossa estrutura. Se somos preguiçosos,
indisciplinados e cheios de compromissos errados, vamos ser encontrados em falta na hora
em que será mais necessário orarmos.

“E não há quem invoque o teu nome, que desperte, e te detenha; pois escondeste de nós o teu
rosto e nos consumiste, por causa das nossas iniquidades”. (Is. 64:7)
“Certamente o Senhor Jeová não fará coisa alguma, sem ter revelado o seu segredo aos seus
servos, os profetas. Bramiu o leão, quem não temerá? Falou o Senhor Jeová, quem não
profetizará?” (Am.3:7-8)
1. Allen Hood conta uma experiência interessante de uma viagem de avião que ele
fez com o objetivo de falar a um grupo de pastores Metodistas, nos EUA, na Flórida. Ele
pegou o vôo de conexão em Atlanta e quando o avião subiu a altitude de cruzeiro, eles
passaram por uma turbulência assustadora. O avião caiu de repente como se o ar tivesse sido
retirado de debaixo do avião, várias pessoas voaram para fora de seus assentos.
Imediatamente, o piloto entrou em ação mergulhando em um campo íngreme. Muitos
compartimentos superiores abriram quando o avião balançou violentamente. Ele começou
a orar em voz alta para que o Senhor Jesus os salvasse daquele momento perigoso. Eu
pensava que os outros clamariam ao Senhor para que Ele nos ajudasse naquela crise. No
entanto, muitos dos outros estavam xingando o próprio nome de Jesus e gritando palavrões
usando o nome de Deus. Depois dessa experiência, o Senhor revelou a ele que “na hora de
crise o homem faz o que lhe é mais natural, porque a crise traz à tona o que existe dentro do
coração”. Sendo assim, é engano pensar que na hora da crise o coração humano irá
naturalmente invocar a Deus.

2. No Jardim do Getsêmani os discípulos continuamente adormeceram na hora que


Jesus mais precisava deles para orar. A Bíblia nos diz que eles foram oprimidos pelo medo e
tristeza. No momento de crise, os discípulos não foram capazes de orar, embora todos
ficaram cheios de medo do possível perigo.

3. Jesus adverte os cristãos a não estarem sobrecarregados na hora da sua vinda. O


julgamento virá como um laço sobre toda a terra. Laços são projetados para capturar a vítima
de surpresa. Como Igreja, estamos prontos para ver o rosto de Jesus? O julgamento começará
na casa de Deus.

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AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

“Olhai por vós mesmos; não aconteça que os vossos corações se carreguem de glutonaria, de
embriaguez, e dos cuidados da vida, e aquele dia vos sobrevenha de improviso como um
laço. Porque há de vir sobre todos os que habitam na face da terra. Vigiai, pois, em todo o tempo,
orando, para que possais escapar de todas estas coisas que hão de acontecer, e estar em pé na
presença do Filho do homem”. (Lc. 21:34-36)
“Porque já é tempo que comece o julgamento pela casa de Deus; e se começa por nós, qual
será o fim daqueles que desobedecem ao evangelho de Deus? E se o justo apenas se salva, onde
aparecerá o ímpio e o pecador?” ( I Pd. 4:17-18)

E. Para os santos justos que se prepararam, a vinda de Jesus será gloriosa. Apocalipse
22:17 fala de um momento em que o Espírito Santo e a Noiva estarão em perfeita unidade
em seu desejo pela volta de Jesus e por Seu governo na terra. No final dos tempos, o clamor
do coração dos cristãos será o de desejar seu Rei e seu Deus. Deus vai liberar a revelação
acerca de seu Filho que produzirá em nós a maior manifestação de saudade e amor. João
conclui Apocalipse com esse divino diálogo. Jesus deu-lhe a revelação da sua vinda. João
recebeu a revelação e respondeu de volta com o choro de saudade, o coração entregue ao
amor: "Venha, Jesus! Eu sinto falta de você!"

“Aquele que testifica estas coisas diz: “Certamente cedo venho.” Amém! Vem, Senhor
Jesus”. (Ap. 22:20)

F. Finalmente, nós e toda a terra seremos livres do pecado e livres para amá- lo face
a face, Aquele que é osso dos nossos ossos e carne da nossa carne. Paulo terminou seu
ministério com o pronunciamento da vitória. Que também nós possamos amar a vinda de
Jesus!

“Quanto a mim, já estou sendo derramado como libação, e o tempo da minha partida está
próximo. Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça
me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas
também a todos os que amarem a sua vinda.” (II Tm.4:6-8)

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AS EXCELÊNCIAS DE CRISTO

LIÇÃO VINTE E UM
CONSIDERAÇÕES FINAIS

I. O IMPACTO CONTÍNUO DA VIDA DE JESUS

A. As implicações da vida de Jesus estão sempre nos impactando em diferentes


estações. Sim, se você é um cristão, você tem comunhão com Ele sempre, através da
habitação do Espírito. Mas sua vida real nos instrui sobre as grandes verdades a respeito de
Deus, nós mesmos e a redenção. O ministério de Jesus revela para nós a sua paixão pelo
plano do Pai, pela revelação da verdadeira natureza de seu Pai, e para libertar os seres
humanos da opressão do pecado, doenças e demônios.

B. A semana da Paixão e a sexta-feira Santa nos lembram do compromisso de Deus


para julgar o pecado, bem como sua decisão de esmagar o seu Filho e nos oferecer um dom
gratuito imerecido. O nascimento de Cristo nos lembra de algo muito diferente. Lembramo-
nos de três realidades primárias: primeiro, a segurança de que Deus é acessível em Jesus,
segundo, o fascínio infantil no fato de que Deus tomou a nossa estrutura e se tornou
fisicamente observável, e terceiro, a esperança de que aquilo que o anjo proclamou no
nascimento de Jesus é verdadeiro (Lc.2:10-14).

C. Esta criança que nasceu na cidade de Davi carregou muito em si mesmo. Ele
estava envolvido na promessa, assim como Ele foi envolto em panos. Ele é o prometido da
semente, o profetizado desde o primeiro momento da nossa queda. A esperança de todos os
tempos estava descansando sobre este menino. Eis que Ele é o destinado a libertar o seu povo
do pecado e a esmagar a cabeça da serpente. Ele é o único digno de resgatar a semente caída
de Adão, de unir o Céu e a Terra e inaugurar um Reino de justiça eterna.

D. Hoje nos encontramos na pós-Crucificação e pós-Páscoa, perdoados e plenos com


seu Espírito, mas a manjedoura nos chama para vir olhar novamente. É o lugar onde nós
tivemos esperança pela primeira vez. Como Deus em toda a sua bondade poderia rebaixar-
se tanto e dar tudo de si mesmo por nós? A manjedoura é o primeiro vislumbre de sua graça,
é a primeira vez que acreditamos que Deus poderia nos receber com rugas e tudo mais. A
humildade de tudo isso nos leva a nos curvarmos em adoração. Se Ele se tornou como nós,
então certamente Ele fará um caminho para nos tornarmos semelhantes a Ele. Então estas
se tornarão as boas novas no final de todas as coisas.

E. Nestes breves estudos, tocamos somente nas franjas de sua grandeza. Os


vislumbres do passado, são sussurros de sua majestade. Nós necessitaremos de cada
momento da eternidade em nossos ressuscitados e glorificados corpos a fim de buscar a sua
profundidade infinita. Até então, acreditamos e refletimos sobre o mistério de como o
próprio Deus colocou a Si mesmo em exposição em uma moldura humana e nos amou como
nenhum outro. Estamos quebrados diante da humildade de Jesus, espantados com o seu
amor implacável. Nós sentimos saudades de Jesus! Aguardamos a sua vinda! Até lá, nós lhe
daremos a nossa afeição desenfreada e louvores sem restrições. Maranata! Vem, Senhor
Jesus!

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Common questions

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Jesus’ love for humanity as depicted in the scriptures profoundly influences the understanding of Christian servanthood and sacrifice. His example in selfless service and sacrificial love calls Christians to emulate such devotion. John 15:13 illustrates this by stating that there is no greater love than laying down one's life for friends. The Call to follow Jesus involves embracing a life of humble service, prioritizing others’ needs, and enduring hardships for the sake of extending Christ's love and spreading the Gospel .

Contemplating Christ's glory results in transformation through the work of the Holy Spirit. II Corinthians 3:17-18 explains that as individuals behold the glory of the Lord, they are transformed into the same image, from glory to glory, by the Spirit of the Lord. This process involves a deep understanding of Christ's nature and work, which renovates the mind and aligns the will to righteousness. The Spirit draws individuals into closer resemblance to Christ as they contemplate Him, leading to spiritual freedom and growth .

The identity of Jesus as both fully divine and fully human is pivotal to the Christian doctrine of redemption. His divinity ensures His authority and ability to provide salvation, whereas His humanity allows Him to identify with human struggles and intercede as a sympathetic high priest. This dual nature is crucial for bridging the gap between God and humanity, fulfilling the requirements of divine justice and offering Himself as the perfect sacrifice for sin, thereby reconciling humanity to God .

The transformative power of the Holy Spirit in the contemplation of Christ is portrayed as essential for spiritual growth and freedom. 2 Corinthians 3:17-18 describes how the Spirit enables believers to behold Christ's glory, leading to their transformation into His likeness 'from glory to glory.' This indicates a dynamic interaction between knowledge and spiritual renewal, where the Spirit facilitates an experiential understanding of Christ, resulting in personal and communal sanctification. Such contemplation not only enlightens the mind but also reshapes desires, aligning them with divine purposes .

The theme of divine love is profoundly manifested in the crucifixion of Jesus, as it epitomizes the ultimate act of love despite the horror it involved. The crucifixion demonstrates the perfection and harmony of God's attributes, including His justice and love. It showcases God's readiness to bear the penalty of sin for humanity. The cross reveals the depth of God's love as He willingly laid upon His Son the punitive wrath deserved by sin. This act of sacrificial love aimed to reconcile humanity with God, underscoring the depth and steadfastness of divine compassion .

Prophetic fulfillment plays a crucial role in establishing Jesus' identity as the Messiah and His mission. The Old Testament contains numerous prophecies pointing to the coming of a Savior who would bring redemption. Jesus' life, death, and resurrection fulfill these prophecies, acting as divine endorsements of His identity and mission. For instance, Isaiah 53 describes the suffering servant role that aligns with Jesus' sacrificial death. These fulfillments affirm the continuity of God's salvation plan and validate Jesus' claims of divinity .

The resurrection of Jesus is foundational to the Christian faith as it validates the claims of Jesus and the teachings of Christianity. Without the resurrection, Christianity loses its doctrinal basis, as it confirms Jesus' divinity and the efficacy of His atoning work. The empty tomb and post-resurrection appearances quelled the disciples' doubts and emboldened their proclamation of the Gospel, transforming fear into boldness (Acts 2:23-24). This event is central to Christian teaching of life after death and the hope of eternal life .

The scripture passages highlight that eternal salvation is found in the knowledge and understanding of Jesus Christ as stated in John 17:3, where Jesus declares, 'And this is eternal life, that they may know You, the only true God, and Jesus Christ whom You have sent.' The knowledge of Jesus is not merely intellectual but transformative, as belief in Him results in eternal life, whereas disbelief results in condemnation (John 3:16-18, 5:21-23, 8:24, I John 5:10-12).

The theme of divine justice is reconciled with mercy through the cross by satisfying God's righteous requirement for sin while extending grace to sinners. Justice is seen in God’s willingness to judge sin fully, directing His wrath at the cross. Mercy manifests as God offers forgiveness and reconciliation through Jesus' self-sacrificial death, providing a means for sinners to be justified. This act embodies both the holiness of God and His compassionate love, upholding justice while averting deserved punishment for those who trust in Jesus .

Prophetic scriptures depict God's zeal as a driving force for both protection and judgment. Zephaniah 1:18 and 3:8 underscore God's burning jealousy leading to judgment upon those opposing His people. His zeal safeguards and restores Israel, promising them blessings post-repentance (Joel 2:18). These prophecies emphasize God's passionate commitment to His people, resulting in divine intervention and deliverance from oppressive forces .

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