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Texas STAND UP - Sable Hunter

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© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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TM: Cris Guerra

Tradução: VanZ, Iza, Josie Baker, Lih

Bitencourt, T. de Bortoli

Revisão: Lise, Mery L, E.Quinn, Su,

Blosson89, Lu

Revisão Final: RahCa

Leitura Final: Anna Azulzinha

Formatação: Lola

Verificação: Lola
Um confronto é definido com uma situação
acalorada entre dois oponentes que possuem o mesmo
nível. Esta palavra descreve perfeitamente a tensão
sexual entre o SEAL Deacon Jones e a mulher que o
chefe pediu para ele avaliar. Deacon não está feliz com
a situação, mas prometeu para o seu amigo, Grey
Holden e ele irá cumprir, mesmo que isso acabe o
matando. Ela vai para a casa isolada pelo Rio
Pedernales, no coração do Texas Hill Country, doida
para provar que tem o que é necessário para fazer parte
do Ômega Team. Tendo perdido uma mulher da sua
equipe quando esteve no Afeganistão, Deacon se sentia
responsável por esta perda e não queria ser responsável
por deixar outra mulher em perigo.

Mas ela é boa... isso ele não pode negar. Talvez seja
ainda melhor que ele. Tudo nela o deixa excitado, desde
o corpo sexy até as habilidades de super espiã. Mas
Deacon não quer se comprometer com ninguém. Desistiu
de ter relacionamentos desde que sua esposa o deixou
quando ele perdeu a perna na guerra.

Natasha Levin tinha uma outra opinião sobre a


situação. Em toda sua vida, não conheceu uma pessoa
como Deacon Jones e queria aprender tudo que ele pode
ensiná-la desde o campo de tiros até o quarto.

Ambos têm cicatrizes que tentam esconder, Deacon


se machucou servindo o seu país e Natasha foi torturada
pelos inimigos do seu pai depois que ele fugiu para os
Estados Unidos. O que acontece quando uma força
irresistível compete de igual para igual com objeto
estático 1 ? Eles descobrirão quando forem chamados
para trabalhar juntos no resgate de uma criança
mantida refém na disputa entre um fazendeiro com o
governo federal sobre os direitos da terra. Uma coisa é
certa, haverá fogos de artifício... e muito, muito sexo.

1
https://pt.wikipedia.org/wiki/Paradoxo_da_omnipot%C3%AAncia
P ró log o
O passado está sempre presente

Deacon - Jalalabad, Afeganistão

— Sinto muito que não tenha aprovado, senhor. Ela é a


melhor que tenho a oferecer.

Deacon amaldiçoou em voz baixa. O batalhão de


Fuzileiros Navais que ele foi designado para auxiliar, pediu
ajuda de uma unidade do exército. Jalalabad era uma zona
de perigo. Eles perderam quatro SEALs em poucos dias.

— Muito coisa ruim está acontecendo, Major. Eu não me


importo que você tenha poucos homens. Esse inferno não é
lugar para uma mulher.
— Eu não disse que eu tinha poucos homens, disse que
ela era a melhor.

Deacon teve dificuldades para acreditar no que ouviu. A


Tenente Annie Lynch era uma mulher muito bonita, pequena
e de fala suave.

— Bem, eu não a quero aqui. Proteger meus homens e


completar a missão já é bastante difícil para ter que me
preocupar com uma mulher.

— Lide com isso, Jones. Este é o Exército dos EUA. As


mulheres estão nestes postos de trabalho com a aprovação do
Congresso. Se o Congresso quiser a sua opinião, eles pedirão.

— Eu vou testá-la por duas semanas, mas é só isso. —


Deacon declarou enfaticamente.

— Se você não aproveitar o meu melhor soldado, eu


prometo que da próxima vez eu vou te enviar o meu pior,
Comandante.

— Merda. — O Major não ouviu seu xingamento. A


ligação já tinha sido encerrada. Ele se levantou e caminhou
ao redor do Centro de Comando de Operações. — Nossa
situação está indo de mal a pior. — Eles teriam que lidar com
esta situação, por enquanto...

Uma semana depois, Deacon teve que se redimir. A


Tenente Lynch provou ser uma carta na manga.

Seu pelotão estava sendo encurralado e derrotado


seriamente.
— Tudo bem, Lynch, vamos testar as suas habilidades,
— ele berrou através do fone de ouvido. Eles podiam ver os
caras maus, agora era hora de eliminá-los.

Em voz baixa, ela pediu permissão para abrir


fogo. Prendendo a respiração, esperou para ver o que
aconteceria. Geralmente, quando um atirador pedia
permissão, uma rodada de tiros era disparada e depois do
impacto, então era determinado se precisaria de uma próxima
rodada. Geralmente, precisava de três ou mais tiros para
acertar.

A próxima coisa que Deacon ouviu foi a voz de Lynch


dizendo “tiro de eficácia”, o que significava que ela acertou o
alvo.

— Você não precisa reajustar? — Ele perguntou.

— Não, senhor. Tiro de eficácia. — Deacon olhou para


cima a tempo de ver o tiro da pequena Lynch atingir o
alvo. Ela acabou destruindo o inimigo com um tiro e salvou
todo o pelotão. Depois disso, Deacon não teve nenhum
problema com ela. Ele perguntou-lhe sobre sua precisão e ela
foi modesta, explicando que seu primeiro tiro foi por
instinto. Quando o Comandante voou uma semana depois e
se ofereceu para trocar os líderes de pelotão, Deacon
recusou.

— Não, vamos mantê-la.

E eles mantiveram.

Ela era ótima, o melhor atirador de todo o pelotão. Annie


Lynch não errava. Até que ela foi morta em um maldito
ataque de uma RPG2. Ela tinha vinte e três anos e ele se
sentiu responsável por sua morte.

Deacon decidiu então que nunca colocaria outra mulher


em perigo de novo.

D ea co n - Sa la r Ba n,
A f eg a nistã o

— Abaixe, Grey, se abaixe! — Deacon gritou para seu


amigo pouco antes de tudo explodir. A equipe deles estava
sob ataque em uma aldeia afegã, onde estavam rastreando
informações sobre o Fantasma. Eles perderam Lucky em uma
missão anterior e ele não queria perder Grey Holden também.

— O que você vê? — Grey perguntou, sua voz soando


através do fone de ouvido.

— Temos um atirador nas colinas às dez horas. — Ele


ergueu a cabeça alguns centímetros, mirou e
disparou. Deacon soltou um grito de guerra.

— Temos que nos aproximar, — disse Grey, ficando em


pé e se escondendo atrás dos carros da melhor forma que
podia.

2
RPG (Rocket-propelled grenade) é uma arma de apoio de fogo da infantaria destinada ao lançamento
de granadas especiais com a capacidade de autopropulsão.
— Deixe-me ir na frente, consigo ver melhor as
coisas. Eu vou cobrir você. — Deacon examinou a área mais
uma vez antes de se mover para a direita e assumir a
liderança.

Não houve movimento, nenhum ruído.

— Algo está prestes a acontecer. Posso sentir isso, —


disse Deacon para si mesmo, mas Grey ouviu.

— Receio que você esteja certo. Isso é muito


estranho. Temo que seja uma armadilha. — Deacon
desacelerou e Grey o alcançou. — Talvez devêssemos abortar
missão.

— Ei, senhor, cuidado! — A voz de uma criança pequena


falando com um sotaque carregado fez com que ambos
virassem a cabeça, bem a tempo de ver uma granada pousar
alguns metros dos pés de Grey.

O tempo parou.

— Não no meu turno! — Deacon gritou, caindo na


granada.

— Não — gritou Grey, mas Deacon não o escutou.

D ea co n - B ethesda , M ar yla nd
Deacon lutou para sentar-se. Ele gemeu.

— Deus, minha cabeça dói para cacete!


— Não tente se mover, a morfina está passando o
efeito. Vou chamar a enfermeira.

A luz estava muito brilhante. Deacon apertou os olhos,


tentando enxergar.

— Sylvia, querida, é você?

— Sim, sou eu.

— O que está errado? Onde estou? — E por que sua voz


soava tão sem emoção.

— Você está no Centro Médico Naval Nacional de


Bethesda.

— Maryland? Por quê? O que há de errado comigo? —


Ele começou a contabilizar mentalmente seus ferimentos. Ele
podia ver. Ele podia ouvir. Ele sentia que o rosto dele ainda
estava lá. — Venha me beijar, vamos ver se meus lábios
ainda funcionam. Mal posso esperar para ir para casa. Quero
começar uma família, você sabe que quero ter uma filha com
você. — Os olhos de Deacon se encontraram com os de sua
bela esposa. Ela era ex-Miss Texas, a adorável filha de uma
ex-senadora estadual, tão boa na cama como na quadra de
tênis. — O que há de errado? — Sua expressão era triste,
resignada. Ela não se moveu para vir até ele. Seus olhos
correram sobre seu corpo bonito, então ele seguiu seu olhar
para o seu próprio corpo.

Deacon olhou fixamente para o pé da cama por um


minuto, sem ver o que estava errado. E o mundo dele caiu,
lhe mostrando uma horrível realidade. Onde deveria haver
dois pés, duas pernas, ele só viu uma. Sua perna direita
desapareceu, logo abaixo do joelho.

— Puta que pariu, — ele respirou. — Essa maldita


granada me pegou.

— O que você esperava? Você estava tentando ser um


herói ou é apenas estúpido?

Deacon não sabia o que lhe afetava mais, o fato de que


agora era deficiente ou que sua esposa estava olhando para
ele como se fosse a maior aberração do mundo.

— Eu não pensei, eu apenas reagi.

— Então estúpido é a resposta certa. — Sylvia levantou-


se, ela era loira e alta, com os olhos agora frios como gelo.

— Onde você vai?

— Para longe daqui — disse ela friamente. — Vou para


casa e quando você sair, não se junte a mim. Vou arrumar
suas coisas e mandá-las para onde você disser.

— Você está me deixando? — Ele sabia a resposta,


Deacon só queria ouvi-la dizer isso. Acho que poderia
adicionar masoquista, além de estúpido na lista de adjetivos
que o descrevia.

— Sim — ela estremeceu, jogando uma pasta em seu


peito. — Aqui estão os papéis do divórcio. Eu não quero ser
casada com um aleijado. Você não é mais o homem que
costumava ser. De jeito nenhum eu poderia deixar você me
tocar novamente.
Deacon bufou, jogando o maço de papéis no
chão. Colocando a cabeça para trás, fechou os olhos.

— Obrigado por deixar isso claro, querida. Tenha uma


ótima vida.

— Oh, eu pretendo. Gostaria de desejar o mesmo para


você, mas eu não acho que isso seja possível agora. — Ela
bateu a porta, acenando com sua mão um adeus. — Ciao,
Deacon. Boa sorte.

— Obrigado, vou precisar. — Ele bateu na cama o mais


forte que pôde. — Porra! Porra! Droga! — Sylvia estava certa,
sua vida tinha acabado. O que ele poderia fazer? Para onde
iria? Porra, ele só queria chegar a um lugar seguro e se
esconder pelo resto de sua vida. Um lugar onde não tocasse
em nada e que ninguém pudesse tocá-lo.

Na t a sha - Cher noko zo vo ,


R ússia
— Então, pequenina, você acha que seu pai virá buscá-
la?

Natasha Levin virou a cabeça, não querendo que o


monstro de um olho a visse chorar.

— Sim, ele vai. E quando o fizer, você vai se arrepender.

Sua confiança inflexível fez Vlad Sokolov rir.


— Oh, estou tremendo de medo.

Natasha não respondeu, não conseguiu. Se abrisse a


boca, um soluço escaparia e ela não queria parecer fraca.

— Veremos. Espero que ele venha. Eu preferiria tê-lo


deitado sobre esta mesa. Você é uma substituta muito
pequena e pobre para o grande guerreiro, Mikhail Levin. No
entanto... estou certo de que com sua ajuda, poderemos
derrotá-lo.

Para o horror de Natasha, Sokolov tirou uma faca do


cinto, uma faca bem afiada.

— Você já ouviu falar de uma morte por mil cortes?

— Não… — Sua voz tremia. Ela queria gritar. Queria


implorar. Mas ela não faria isso. Seu pai achava que a força
era o maior tesouro de cada um.

— Já que você é tão pequena, teremos que improvisar


ou você não vai durar o suficiente para servir ao nosso
propósito. Agora, me diga onde ele está! — Sua voz era
pretenciosa, soando como uma cobra.

— Nunca!

— Muito bem. Vamos ver se posso convencê-la.

Os olhos de Natasha se arregalaram de horror quando


ele pegou a ponta de sua lâmina e marcou de seu ombro até a
metade do cotovelo. No começo, pensou que ele apenas a
riscou, mas então começou a sangrar e ela percebeu que foi
cortada. Sua respiração congelou em sua garganta. Havia
pouca dor, mas a visão dele agitando a faca em seu rosto a
encheu de terror.

— Isso não doeu! — Ela disse para ele. Com treze anos,
poderia ser pequena para sua idade, mas seu pai disse o que
lhe faltava em estatura, compensava com coragem.

— Sério? Eu sinto muito. Deixe-me tentar novamente. —


Como uma serpente, ele a atacou. Pegando sua mão, ele a
puxou para fora da superfície plana. Pressionando-a para
baixo, ele pegou a faca e com um brilho maligno em seus
olhos, cortou o dedo mindinho.

Natasha nunca soube que o grito que ouviu tinha vindo


de seus próprios lábios.
Ea g le' s Nest - per to de J o hnso n
C it y, T ex as, na s mar g ens do
R io P ederna les
— Grey, você só pode estar brincando comigo. Pensei
que éramos amigos. — Deacon estava de pé a beira do
penhasco, com vista para o rio. Sua casa estava atrás dele,
uma verdadeira fortaleza que construiu com suas próprias
mãos. A distância, Eagle’s Nest se misturava com a rocha que
a cercava. Ninguém poderia surpreendê-lo, ninguém poderia
emboscá-lo. Ninguém poderia sequer chegar perto, sem ele
estar ciente. Ele tinha câmeras e sensores em todos os
lugares. Havia um farol perto da margem do rio que Deacon
restaurou, o equipando com todos os dispositivos de
inteligência tecnológica que ele poderia adquirir legalmente e
alguns adquiridos não tão legalmente.

Sim, estava bem onde queria estar, o ponto mais alto do


condado. Ele poderia não ser a pessoa mais amigável do
mundo, mas pelo menos tinha uma boa recepção de telefone
celular graças à sua própria torre. Durante anos depois de
seu acidente, ele se isolou de tudo. Não tocou em ninguém e
ninguém o tocou. Mas agora... Cristo, alguns diriam que ele
estava ficando com o coração mole. Recentemente se
aventurou e se tornou bombeiro voluntário em Stonewall. O
chefe Logan Grey era o tipo de homem que ele podia apreciar,
um sujeito integro que não tolerava besteiras de ninguém. Ele
não foi capaz de ajudar todas as vezes que era chamado, mas
ia quando podia. Combater incêndios deu-lhe algo para fazer,
além de escrever manuais de treinamento da equipe SEAL ou
preencher pedidos ocasionais feito pelo líder do time Ômega,
Grey Holden. Claro que sempre tinha seus hobbies,
projetando brinquedos, especialmente brinquedos para
crianças deficientes. Isto era algo que gostava bastante
porque os brinquedos não eram somente mais fáceis de
manobrar, eles, também, foram projetados para que
possibilitasse a prática fisioterápica que estas crianças
necessitavam.

Este pedido em especial de Grey não o agradava. Ele não


se importava em rastrear ocasionalmente um bandido ou
fazer a segurança de algumas estrelas de Hollywood aqui ou
ali, mas o que ele estava pedindo agora era muito além da
obrigação. Não era como se não treinasse mais, treinava
rigorosamente. Também podia reconhecer o potencial em
outras pessoas, que era o motivo pelo qual o ex-companheiro
de armas estava ligando para Deacon. Mas isso, ele não
queria fazer.

— Somos amigos, Deacon, é por isso que estou pedindo


que me faça esse favor.

— Eu acho que você tem isso coberto, eu acho que você


me deve. — Deacon deslocou seu peso, apoiando-se em sua
perna boa, dando a seu joelho acima da prótese um
descanso.

— Sim, você salvou minha vida. Eu sempre estarei em


dívida e é por isso que estou fazendo isso. Você precisa ficar
ocupado, se sentir útil. Além disso... Preciso de você. Este
novato pode ser um verdadeiro trunfo para nossa equipe, só
preciso que você execute uma bateria de testes. Avalie a
capacidade do candidato e me diga o que você pensa. Você é
o melhor e isso é o que preciso agora.

Deacon lentamente subiu a colina. O caminho era


íngreme e cheio de pedras. Não importava. Ele poderia correr
pelo declive e ter orgulho de que sua deficiência não o
atrasaria.

— Eu não sou um dos projetos de Athena, Grey. Eu sou


ocupado e me sinto útil. Cristo, não estou no conselho
municipal ou qualquer coisa assim, mas me juntei aos
Voluntários do Corpo de Bombeiros. Não sou um maldito
eremita.
— Ninguém disse isso, Deacon. Mas você não precisa
mais ser tão cuidadoso, todos os seus velhos inimigos estão
mortos.

Bufando, Deacon chutou uma rocha da beira do


penhasco, observando-a saltar antes de finalmente pousar na
água. Ele não conseguiu ouvir o splash de onde ele estava.

— Eu não tenho tanta certeza disso. Além do mais, eu


provavelmente fiz novos. Por que você não está avaliando este
candidato? Já treinei alguns de seus protegidos antes, mas
desde quando você transfere suas tarefas pessoais?

— Bem… — Holden fez uma pausa como se estivesse


considerando o que dizer. — Athena está me pressionando e
se o candidato não for bom o suficiente, não quero ser o
único a decepcioná-la.

— Então, você está me dando o trabalho sujo. Você não


acha que pode ser objetivo?

— Algo assim, — Grey soltou um suspiro.

— Você não está me dando esta tarefa porque acha que


não ligo mais para minha vida ou algo assim, é?

Grey riu.

— Bem, posso matar dois coelhos com uma cajadada só.

— Babaca. Ok. Se eu disser que sim, o que isso vai


significar?

— Eu quero que você a faça dançar conforme o


ritmo. Certifique-se de que ela é tão boa quanto pensa que
é. Teste-a. Não mostre misericórdia. Você está no
comando. Se você diz que ela é boa, vou contratá-la. Se você
disser que não está em forma, eu a despacho. — Grey riu. —
E você que dormirá na casa do cachorro de Athena, em vez de
mim, coisa boa que você é um grande e mal SEAL.

Deacon ouviu o que Grey disse, mas apenas uma


palavra prendeu sua atenção.

— Ela?

— Sim. Natasha Levin. Ela é a única filha do ex-agente


russo da KGB/FSB, Mikhail Levin. Supostamente, ele mesmo
a treinou.

— Você sabe como me sinto sobre lidar com mulheres!


— Deacon explodiu.

— Olhe, você está no telefone, no viva voz e Athena está


no quarto ao lado. — A voz de Grey diminuiu para um
sussurro.

Deacon sabia o quanto Grey amava sua mulher, mas


Grey conhecia Deacon igualmente bem.

— Você sabe como me sinto sobre as mulheres em


combate. Eu escrevi uma carta ao Congresso, expressando
minha discordância. Nós não deveríamos ter que mudar
nossos padrões para encaixar a fragilidade delas.

— Boa reposta, Jones. Pena que eu sei a razão para o


seu protesto. Isso tem mais a ver com Annie Lynch do que
qualquer outra coisa.
Observando um gavião planando em uma corrente de ar
abaixo das falésias de pedra calcária, ele tentou bloquear a
imagem da explosão.

— Ela era minha responsabilidade, Holden. Se eu


tivesse a mandado de volta para o exército, ela provavelmente
ainda estaria viva hoje.

— A pequena Lynch morreu servindo o seu país. Ela


sabia os riscos. Não foi sua culpa. — Houve um momento ou
dois de silêncio. Finalmente, Grey soltou um longo suspiro. —
Eu entendo as suas razões. Ainda assim, estou pedindo que
você faça isso por mim. Não dê a esta mulher qualquer folga,
mas lhe dê uma chance. Ela pode ter algo para oferecer e
minha parceira sexy está me importunando sobre isso.

— Qual é a conexão delas? Gostaria de perguntar se elas


estavam na mesma irmandade ou algo assim, mas eu sei que
Athena não gosta destas coisas.

— Não, você está certo. Athena a conheceu no trabalho


há algum tempo, antes de eu entrar em cena.

— A russa é policial?

— Não, houveram arrombamentos em um parque de


trailers fora de Tampa. A polícia não conseguiu nenhuma
pista e o problema aumentou quando uma mulher idosa foi
morta durante um dos roubos. Uma noite, outra chamada
veio, mas desta vez a situação era um pouco diferente. A
mulher que telefonou tinha os assaltantes sob
custódia. Quando Athena chegou lá, Natasha os subjugou e
os amarrou como perus de Natal. Ela interrogou Taz e
descobriu, digamos... habilidades únicas. Elas formam uma
dupla estranha, mas se tornaram amigas e amam
televisão. Enquanto Athena gosta de novelas, Taz adora
filmes antigos.

— Podemos confiar nela ou eu terei uma lâmina de faca


enfiada entre as minhas costelas enquanto estou dormindo?

Grey riu.

— Eu não sugeri que você a levasse para a cama, Jones.

Deacon rosnou.

— Quando começa esse fiasco?

— Ela está parada em frente ao seu portão. Eu


apreciaria se você abrisse a porta e a deixasse entrar.

— Maldito! — Ele terminou o telefonema e pisou na


casa, seu passo tão duro que ele pode sentir a pressão em
sua perna desde suas nádegas até o quadril.

Subindo as escadas até seu ponto de observação,


Deacon viu um trailer velho esperando na entrada.

— Só para Grey Holden. — Ele pegou o controle remoto


e ligou o interruptor, murmurando em voz baixa. — Não
pense que isso será fácil, senhora. Se você não for boa o
suficiente para o Ômega Team, não terei problemas em
chutar sua bunda para o meio-fio.

Lá em baixo... o som da abertura do portão tirou Taz do


seu devaneio. Ela não se importava de esperar. O atraso deu-
lhe tempo para rever seus planos. Trabalhar com Athena e a
equipe Ômega lhe daria uma saída para toda a energia
reprimida que queimava dentro dela. Tentou ser uma mulher
normal, foi a uma universidade americana e fez amigos
americanos. As aulas eram divertidas, mas a ideia de sentar-
se atrás de uma mesa todos os dias pelo resto de sua carreira
profissional era intolerável. Seu pai morreu, mas desde o dia
em que a resgatou da câmara de horror de Sokolov, ele
começou a ensinar-lhe todos os truques do livro, como
sobreviver, a lutar, a vencer.

Agora, ela precisava de um lugar para colocar essas


habilidades em bom uso. Nenhuma academia de polícia a
deixaria entrar. Nenhuma agência governamental lhe daria
uma chance. Apesar de passar no teste de cidadania. Apesar
de prometer lealdade a seu novo país, ela era suspeita. Tudo
por causa do seu pai. Ela não entendia. Ele tinha desertado,
sabendo que iria enfrentar um pelotão de fuzilamento se
tivesse sido pego. Nem mesmo os detalhes do que ela sofreu
nas mãos de um louco fizeram a diferença. Então, essa era
sua grande chance. Este trabalho daria a ela um propósito de
vida. Athena assegurou-lhe que Deacon Jones era o
melhor. Ela disse a Taz que era homem honrado, duro, mas
justo. Seu coração batia rapidamente antecipando a chance
de aprender com um mestre, para lhe mostrar o que podia
fazer.

Assim que o portão abriu o suficiente para que pudesse


atravessar, ela entrou, se dirigiu para a entrada de uma
garagem. Em poucos instantes, a porta abriu e Taz entrou no
interior escuro. Não havia ninguém esperando por ela, então
desligou o motor e abriu a porta.
— As escadas estão ao virar na esquina.

— Muito bem. — A voz poderia ser humana, ela não


podia dizer. Ele tinha características robóticas
também. Ouvindo as portas fecharem onde entrou, Taz
presumiu que não havia necessidade de trancar qualquer
coisa. Seria preciso um tanque para entrar em um lugar
como este e ela realmente não tinha nada que valesse a pena
roubar. Abrindo a porta pesada, ela começou a subir as
escadas. Três andares. Sem janelas. Onde quer que estava
indo, ficava bem lá no alto. No topo, havia uma porta, mas
nenhum botão ou alavanca. Taz esperou alguns segundos e a
porta abriu. Ela olhou para os cantos, procurando por uma
câmera.

— Ah, sim.

Lá estava. Resistiu ao impulso de acenar.

Em sua sala de controle, Deacon assistiu Natasha


Levin. Por alguma razão, esperava uma mulher maior, mais
alta com músculos óbvios. Não havia nada intimidador sobre
esta fada de cabelos castanho aloirado. Ela não parecia forte
o suficiente para abrir um pote de maionese, muito menos
lidar com uma arma. E combate corpo a corpo? Talvez se
estivessem competindo pela melhor cor das unhas.

Ele sorriu. Isso não demoraria muito. Quando ela


chegou ao último posto de segurança, Deacon estava
esperando.

Taz apertou o único botão que podia ver.

— Posso entrar, por favor?


A grande porta de metal se abriu e ela se encontrou cara
a cara com um homem grande. Cabelo loiro cumprido até o
ombro, emoldurando um rosto que agora estava contorcido
em uma carranca. Taz não pôde evitar, a visão a
surpreendeu. Uma pequena risada surgiu de sua boca antes
de pará-la, pressionando seus lábios juntos.

— Algo te diverte?

Este belo homem queria intimidá-la. Embora Taz


respeitasse seus superiores e se curvasse para agradá-los,
não se assustava facilmente. Não depois do que
passou. Ficando de pé o mais reto possível, olhou-o nos
olhos.

— Sim senhor.

Sua resposta o surpreendeu.

— O que?

— Você. Parece que você está chupando limão.

Sua explicação o fez franzir ainda mais o cenho.

— Siga-me. — Virando as costas para ela, ele saiu,


aparentemente esperando que o seguisse.

Ela fez e quando ele parou abruptamente, Taz congelou,


seu nariz a poucos centímetros de suas costas largas.

— O que está errado?

— Nada. — Honestamente, ele não sabia muito bem o


que fazer com ela. Era muito bonita para sua paz de
espírito. Ele começou a caminhar novamente, virando para a
direita e levando Natasha para um quarto grande com janelas
de vidro com vista para o rio.

— A prova de balas?

Deacon fez um gesto para que se sentasse em uma


grande cadeira de couro perto da lareira e escolheu uma em
frente a ela.

— Sim.

— Do que você tem medo?

Sua pergunta o surpreendeu. A pequena coisa era


atrevida. Ela lembrou-o de Annie, o que o incomodou
profundamente. Naquele momento, Deacon decidiu que não
gostaria dessa mulher. Ele não podia.

— Nada. — O que assombrava seus sonhos à noite não


era nada disso.

— Todo mundo tem medo de algo, Sr. Jones.

Quando levantou o rosto para ele, enfatizando aquele


pequeno queixo determinado, não pôde deixar de contar as
sardas espalhadas por suas bochechas... treze.

— Mesmo? O que a mantém acordada à noite, senhorita


Levin? — Com sua tendência a dizer o que ela estava
pensando, ele supôs que não era um homem.

Sem hesitação, ela disse enfaticamente.

— Recordações.

Deacon podia dizer pelo jeito de sua boca que não tinha
a intenção de falar mais nada.
— Então, Grey me disse que você quer entrar na Equipe
Ômega.

— Sim senhor. Eu sou qualificada para ser uma guarda-


costas, realizar missões de resgate, até mesmo treinar
soldados para missões antiterrorismo.

Sua autoconfiança impetuosa e entusiasmada lhe dava


dor de cabeça. Ele inclinou a cabeça, descansando o rosto na
palma de suas mãos.

— Dai-me forças, — ele orou em voz baixa.

— Não se preocupe, enquanto eu estiver aqui, serei sua


força.

Suas palavras pareciam chocá-lo, ele levantou a cabeça


e olhou para ela.

— Eu não preciso de proteção. — Ela lembrou-lhe da


Ariel. Tudo o que precisava era a parte de cima do biquíni e
uma cauda de peixe. Droga, ele se moveu na almofada,
puxando a perna da calça para baixo para ajustar seu pacote
inchado. Porra. Talvez ele precisasse se proteger... dela.

Ela encolheu os ombros.

— Será uma boa prática.

As últimas palavras que ela pronunciou continham o


único vestígio de um sotaque que ele ouviu.

— Você está aqui para eu avaliar suas habilidades. Isso


é tudo.

Sua frase não parecia exigir uma resposta, então ela não
o fez.
— Qual é o seu histórico? Que tipo de treinamento você
teve?

Sua voz parecia cansada. Taz não sabia se era apenas


porque estava frustrado com sua presença ou se algo mais o
perturbava. Felizmente, ela gostava de um mistério.

— Minha formação é russa. Eu não tenho nenhum


treinamento formal. Meu pai foi, o meu professor.

Esta mesma escassa quantidade de informações que


Grey compartilhou lhe dizia muito. Ela não era qualificada.

— O que dá a Holden a ideia de que você é qualificada


para a Ômega? Você tem talentos especiais que a tornariam
digna de estar na equipe? Você atira? Luta? Fala uma dúzia
de línguas, ou o quê?

— Sim. — Ela deu uma resposta para todas as suas


perguntas. — Me teste. Eu sou bem-dotada.

— Com prazer. — Ele deu a ela um rápido olhar de cima


a baixo. A mulher não estava mentindo, ela era bem-dotada
em várias áreas. Peitos. Quadris. Enquanto olhava, Natasha
Levin não piscou um olhou. Ela certamente era calma. Por
um momento, ele se perguntou se seria calma na cama ou
uma gata selvagem. Pare. Ele não precisava saber.

— Amanhã começamos. Vou testá-la em tudo.


Resistência. Prontidão para o combate. Inteligência.

— Estou ansiosa para isso, — disse. Era uma pena que


este homem estivesse fora dos limites para ela, Taz o achou
muito atraente. Ele parou, então ela também parou.
— Grey não me deu muita informação. Na verdade, não
sabia que você estava vindo até que você já estava aqui.

— Desculpe. — Ele não parecia um homem que gostava


de surpresas. Que pena. Ela certamente pretendia
surpreendê-lo.

— Então, eu acho que vamos começar amanhã na


primeira luz da manhã.

— Tudo bem. — Ela ficou lá como se estivesse


esperando por alguma coisa, então ele deu-lhe um olhar
duro, questionando com uma sobrancelha levantada. — Eu
devo voltar para Austine, ficar aqui na casa com você ou
dormir no meu trailer?

Houve aquela careta novamente.

— Fique em seu trailer, eu acho.

Ele parecia tão perdido e confuso, que Taz nem se


incomodou em perguntar se tinha mantimentos. Lidaria com
esses detalhes com ele amanhã. Pois esta noite, ela
conseguiria. Havia água suficiente nos tanques para algumas
noites e ela tinha comida e uma colcha extra. A única luz que
ela tinha era uma lanterna a bateria, mas Taz sofreu com
coisa pior. Muito pior.

— Tudo certo. Obrigada. — Ela começou a se afastar,


depois parou. — Eu posso dizer que você não está fazendo
isto de bom grado. Você está fazendo um favor para o Sr.
Holden. Só quero que você saiba que realmente quero este
trabalho e vou ser boa nisso. Agradeço por me dar a chance.
Deacon tentou não notar aqueles grandes olhos escuros
ou a forma completamente feminina que ela simplesmente
não conseguia esconder.

— Não me agradeça. Você não vai passar no teste. No


que me diz respeito, isso é um desperdício total do meu
tempo.

Ela deu-lhe um curto aceno de cabeça. O homem tinha


direito a ter sua opinião. Seu trabalho era provar que estava
errado.

Apenas sabendo que Natasha Levin estava perto deixava


Deacon preocupado. Estava acostumado a ficar
sozinho. Estava sozinho desde que sua esposa o abandonou
depois que perdeu a perna. Sozinho era o jeito que
gostava. Se ele precisava de sexo, tinha pornografia e uma
mão direita capaz. No entanto, esta noite, tudo o que podia
fazer era ficar aqui e imaginar todas as curvas suaves de
Levin debaixo dele enquanto ele... merda! Só de saber que
aquela mulher sexy estava debaixo do seu teto estava quase o
levando a loucura. Bem, ela não estava realmente debaixo do
seu teto, ele mandou-a de volta para o seu trailer...

Para o trailer, que estava estacionado na garagem. Sem


eletricidade. Ela tinha um gerador? Ou luzes? Ou água
corrente? Droga! Ele não queria sentir remorso ou culpa. Ele
com certeza não queria sentir desejo.
— Que coisa ridícula... — Ele acabou de ir para a cama
e agora ele não podia descansar. Quem diabos sabia que ele
ainda tinha consciência?

Levantando-se, ele puxou sua prótese e suas calças,


então abriu o criado-mudo para pegar uma
lanterna. Seguindo pelo corredor, ele desceu as escadas e
saiu para o anexo. Com um simples botão, entrou na
garagem. Instantaneamente, um calafrio o atingiu. Porra,
estava frio aqui. Todo o concreto, os ventos do Norte, nenhum
calor.

Ligando a lanterna, apontou para o trailer. Escuridão


total. Ela deve estar dormindo. Deveria acordá-la ou deixar
sua convidada indesejada onde ela estava até de manhã? Ele
hesitou, pensando, seu senso inato de decência tirando o
melhor dele.

— Maldição. — Indo até a porta, ele bateu nela.

Bam! Bam!

O som áspero despertou instantaneamente Taz. Que ao


levantar de seu beliche, bateu a cabeça na grade,
instintivamente indo para a arma que mantinha debaixo do
travesseiro. Por um momento, ela não sabia onde estava ou o
que estava acontecendo. Mas só por um segundo...

— Levin! Venha aqui! — Berrou seu


anfitrião. Conhecendo o trabalho do grupo para o qual estava
fazendo o teste, Taz assumiu que algo estava
errado. Rapidamente, Taz levantou-se de seu cubículo,
rasgando o lençol do colchão estreito. Este era um trailer de
segunda mão e ela usava o quarto maior para
armazenamento. Tudo o que ela tinha no mundo estava
dentro dessa pocilga. Segurando o material de algodão na
frente dela, ela correu para a frente.

— Levin!

Abrindo a porta, ela perguntou.

— Sim? O que está errado? Como posso ajudá-lo?

Deacon logo esqueceu o que ia dizer. Quando chegou


seu cabelo estava preso em um rabo de cavalo
apertado. Agora ele caía em ondas saltitantes passando por
seus ombros. As calças jeans, embora confortáveis e a camisa
lisa, haviam desaparecido e uma grande quantidade de pele
cremosa estava a mostra, ombros, braços, a parte superior de
seus seios, o lado de seu quadril. Ela usava um lençol, mas
cobria apenas as partes mais básicas. Antes que olhasse
ainda mais ou perdesse o que restava de sua sanidade, ele
abaixou a luz, deixando apenas sua silhueta visível. Deacon
tinha uma grande imaginação. Ele não teve dificuldade em
preencher os espaços em branco e desejava que pudesse
verificar se a imaginação combinava com a realidade.

— Está quase congelando! Onde diabos estão seus


pijamas?

— Eu não uso pijama, — ela respondeu


simplesmente. — Prefiro dormir nua. Sou naturalmente
quente.

Deacon quase engasgou. Palavras mais verdadeiras


nunca foram ditas. A mulher era um nocaute.
— Vista suas roupas e me siga. — Ele se virou e
começou a caminhar de volta pelo caminho que veio.

Isso despertou Taz completamente.

— Vamos para uma missão? — Então, o óbvio a atingiu


como um tijolo. — Você está me fazendo sair? Agora?

Deacon soltou um suspiro resignado e chamou por cima


do ombro.

— Não, a ambas as perguntas. Estou apenas levando


você até a casa. Você pode dormir no segundo quarto. Eu não
o chamo de quarto de hóspedes porque não tenho
hóspedes. Enquanto você estiver aqui, você pode usá-lo.

Taz sorriu. Agora, isso era um progresso.

— OK. Um momento por favor.

— Bem, apresse-se. Não tenho a noite toda.

Ela podia ouvir mais resmungos lá fora. Ele era


realmente o homem mais rabugento que já conheceu. Por um
instante, Taz se perguntou por quê. Ela sofreu ao perder a
mãe e o pai, sofreu nas mãos de um homem que só queria
machucá-la, teve mais medo do que uma criança pequena
deveria ter. E, no entanto, conseguiu manter uma visão
positiva da vida em sua maior parte.

Quando encheu uma mochila pequena com tudo o que


ela pensou que precisaria para o dia seguinte, Taz se juntou a
ele na porta vestida apenas com uma camiseta no
comprimento da coxa.

— Estou pronta. Obrigada.


Ele não falou, apenas grunhiu, liderando o
caminho. Quando estavam lá em cima, apontou para o
corredor à esquerda.

— Primeira porta à sua direita. Banheiro fica em frente


ao hall. Não faça muito barulho. O café da manhã é às seis e
meia. Não se atrase.

— Obrigada. Boa noite, Sr. Jones.

— Nada de bom nisso, Levin.

A manhã chegou cedo. Taz estava animada. Ela


derrotou Deacon e tomou café da manhã esperando por
ele. Quando se juntou a ela, ele não sorriu, apenas passou os
olhos dela para o fogão e para a mesa.

— Isso é muito presunçoso.

Taz sentiu seu coração palpitar. Ela queria ganhar um


pouco de terreno com ele.

— Eu sinto muito. Experimente-o, por favor. Eu prometo


que é bom.

Mais uma vez, o sotaque dela escorregou. Ele fez uma


careta. Como Holden podia confiar nela? Sua unidade foi
traída por um dos seus próprios. A granada que roubou sua
perna foi jogada por um menino, mas na direção de um
traidor. Um traidor que se disfarçou como um amigo. Depois
de ser traído por sua esposa e um amigo, não admira que
tinha problemas de confiança.

Ela segurou a cadeira para ele com um sorriso. Se Taz


pensasse que funcionaria, ela iria tentar influenciá-lo com
seus artifícios femininos. Não que ela tivesse muito, Sokolov
tinha se encarregado disso. Deacon Jones era realmente
bastante atraente. Pena que não gostava de mulheres.

— Passe o sal, — ele murmurou, puxando sua cadeira


para a mesa, ao mesmo tempo. Que diabos ela estava
fazendo? Ele sentiu como se estivesse em um encontro e ela
fez o pedido. — Levin, eu tenho uma arma na minha bota. Se
há veneno nesta comida, prometo que vou atirar em você
antes que minha cabeça caia no meu prato.

— Não há veneno e eu tenho uma arma também. —


Tomando um assento em frente a ele, Taz observou-o
solenemente. — Se você tentar me machucar, vou me
proteger.

Deacon bufou.

— Não se preocupe. Você está segura. Você não faz meu


tipo.

— Eu sei.

Ela deu sua primeira mordida, completamente


imperturbável. Deacon franziu a testa. Ele mentiu, não havia
absolutamente nada de errado com ela, tanto quanto ele
podia ver.
Eles comeram sem trocar uma palavra. Ele olhou para o
pote de café e ela serviu-lhe um copo. Ela olhou para a
pimenta e ele passou. Ele limpou a garganta e ela deu-lhe o
último bacon. Taz estava satisfeita, eles só estiveram juntos
um pouco e eles já funcionavam juntos

Uma vez que terminaram, ela limpou a mesa enquanto


ele colocou os pratos na máquina de lavar.

— Me passe a frigideira, eu acho que vai caber na


prateleira de cima.

— Deixe-me lavá-la primeiro.

Quando ela a entregou, ele percebeu que havia algo


errado com seu dedo mindinho. Ele não conseguiu ver
realmente, mas era óbvio que estava faltando metade.

— Acidente?

Natasha olhou para ele.

— O que?

— Seu dedo mindinho.

— Mindinho? — Ela torceu o nariz. — Desculpe, eu não


sei muitas gírias americanas.

Ele mexeu seu menor dedo para ela.

— Seu dedo mindinho. Você não tem metade dele.


Acidente?

Ela fechou seu punho para que a deformidade fosse


menos evidente.
— Não, ele fez isso de propósito. — Finalizando o mais
rápido que podia, ela limpou as mãos.

Deacon estava curioso para saber quem iria ferir alguém


tão pequena e bonita. Esperou que ela dissesse mais, mas
não o fez. Não importava, ele ia descobrir tudo o que
precisava saber na entrevista, se chegasse a esse ponto.

— Você trouxe tênis?

— Sim, tenho que ir buscá-los no trailer.

— Vá rápido, em seguida, se reúna comigo na frente. —


Ele ficou ali, observando-a ir embora, incapaz de se impedir
de olhar para a vista muito agradável de sua
bunda. Enquanto ela estava fora, ele substituiu sua perna
protética diária por um modelo flexível mais leve que usava
para se exercitar. Pelo menos a sua conexão com os militares
lhe dava acesso ao melhor disponível. Deacon escolheu
esconder a sua prótese com calças compridas, meias e
tênis. Não havia nenhuma razão para Levin saber. Ele
esperava que Grey ou Athena não tivessem revelado o seu
segredo. Eles sabiam como se sentia sobre isso.

Quando estava pronto, ele saiu de casa, tendo apenas


tempo para verificar os perímetros da propriedade nos
monitores e para agarrar o seu apito. Quando se juntou a ela,
estava esperando pacientemente, seu cabelo puxado para
trás em um coque apertado. Apesar de sua tentativa de
domesticar a massa selvagem, algumas mechas delicadas se
penduravam pelo pescoço tentando-o a beijar a pele macia
que estavam acariciando. A tentação o deixou desconfortável.
— Por que você não corta todo o seu cabelo? Não te
atrapalha?

— Não, meu pai gostava. Eu não sei se algum dia eu vou


cortá-lo, — ela respondeu, com nenhuma emoção em seu
rosto.

— Se você diz. — Deacon resmungou. — Vamos. — Ele


partiu em um trote, levando-a para atrás da casa onde um
caminho íngreme levava para a água. Havia degraus cortados
na pedra, quase perpendicular ao leito do rio. Quando estava
se reabilitando, ele correu por este percurso várias vezes.
Gostava de pensar nisso como tortura produtiva. — Vamos
ver como você corre por quinze minutos. Qualquer coisa
menos e você sai hoje.

Ele esperava alguma discussão, mas para sua surpresa,


ela apenas balançou a cabeça e começou a correr. As
primeiras vezes que ela fez a corrida, fez de forma
relativamente lenta. Ele sorriu maliciosamente. Isso acabaria
antes que ele percebesse, não havia nenhuma maneira que
fosse durar. Estava no topo e deixou seus olhos seguirem os
movimentos de seu corpo gracioso. Mas em vez de abrandar,
ela acertou o passo e, em seguida, acelerou. Era como se ela
tivesse se adaptado e agora estava deixando a memória
muscular assumir. Cruzando os braços sobre o peito, ele a
observava. Ela não usava calções como ele esperava. Mesmo
com este tempo, a corrida poderia aquecê-lo até que estivesse
pronto para tirar as roupas do seu corpo. Natasha escolheu
vestir calças de ioga e uma camiseta de manga longa que
agora estavam coladas a seu corpo e moldando um belo par
de grandes seios redondos. Ele engoliu em seco. Ao contrário
dele, sua roupa, obviamente, não foi escolhida para esconder
um defeito em seu corpo. Para o seu descontentamento,
Deacon notou que o pau dele ficou animado.

Quando ela não mostrou sinais de abrandamento, o


pequeno demônio que sentou no ombro desde o Afeganistão
sussurrou para ele ver quanto tempo ele iria levá-la a
vacilar. Perdeu a conta de quantas vezes ela correu o curso,
mas seu tempo atribuído havia passado por pelo menos cinco
minutos. Não houve sequer uma vez que ela levantou a
cabeça para exprimir uma palavra de reclamação. Depois de
trinta minutos, ela tropeçou, não caindo, mas se ajustando,
apenas para continuar. Merda. Levantando o apito aos lábios,
ele falou:

— Já chega.

Taz o ouviu pedindo-lhe para parar. Ela subiu os poucos


degraus que levam ao topo, em seguida, inclinou-se,
apoiando as mãos nos joelhos. Estava tremendo, mas apenas
deu-se alguns segundos para se recuperar, permitindo que
seu batimento cardíaco abrandasse. Se endireitando, ela se
voltou ao treinador que não falou uma palavra de elogio ou
qualquer outra coisa para ela. Nem mesmo lhe ofereceu
água. É claro que ela sabia que em uma missão, a água não
seria necessariamente disponível.

— Eu passei?

— Quem disse que nós terminamos? — Com um


assobio, ele começou a correr. Para lhe dar crédito, ele só foi
alguns metros antes que ela chegasse ao seu lado,
combinando seu passo. Deacon endureceu sua
expressão. Cada vez que seus pés atingiam a Terra, havia
uma fisgada de dor na sua perna amputada. Mesmo depois
de anos de corrida, ainda era desconfortável. Ele empurrou a
dor para o mesmo lugar em que guardava as suas
emoções. Essas coisas eram melhores quando
ignoradas. Depois de correr três milhas, ele diminuiu a
velocidade, parando em um pequeno suporte com um
armário fechado. Ele retirou a chave do bolso e o abriu,
entregando-lhe uma garrafa de água.

— Obrigada. — Natasha estava respirando


pesadamente. Se agachando, ela abriu a garrafa e bebeu com
avidez.

— Nada mal, Levin.

— Obrigada. — Ela ergueu a garrafa, piscando na luz do


sol, olhando para o líquido claro. Dando-lhe um leve aperto,
murmurou secamente. — Você não tem medo que alguém
quebre a fechadura, a substitua para enganá-lo, em seguida,
use uma seringa para colocar veneno dentro da garrafa?

— Bem não. Não até agora. — Eu tenho câmeras e


sensores em todos os lugares. Ninguém vem na minha
propriedade, a menos que eu saiba sobre isso.

— A menos que eles sejam tão inteligentes ou mais


espertos que você. Eu poderia fazê-lo, — disse ela secamente.

Ele deu-lhe um sorriso mal.

— Devemos acrescentar esta missão nas suas tarefas.


Tomando outro gole, ela se levantou.

— Tudo bem. Eu dou conta disso. Eu quero que você


teste os meus limites. Me teste além do que você pensa ser
possível.

— Será um prazer. — Oh, ela ia se arrepender. Ele já


estava pensando em testá-la. Agora, pretendia ver se ela
poderia quebrar. — Vamos correr de volta. — Ele jogou a
garrafa de plástico em um recipiente e ela seguiu o exemplo.

— Quantos da equipe você treinou?

— Eu não estou treinando você, eu estou testando você.

— Semântica.

— Na verdade não. Quando estou treinando alguém, eu


estou investindo no resultado. Um simples teste é uma
avaliação em que eu não tenho participação. Na verdade,
estou esperando que você falhe. Não gosto de mulheres... —
Ele estava prestes a acrescentar “em operações militares”,
mas ela o interrompeu antes que ele pudesse terminar a
frase.

— Isso é o que me disseram.

Ele achou que ela entendeu o que ele queria dizer.

— Alguém fofocou coisas para você. — Ele não tinha


certeza se gostava.

— Athena.

Assim como ele esperava. Era só colocar duas mulheres


juntas para elas começarem a fofocar. Correram os 4
quilômetros de volta ao seu complexo sem falar mais. Deacon
ficou um pouco surpreso. Ela foi a primeira mulher que ele já
ficou em volta de que não parecia ter a necessidade
incessante de falar.

— Lá embaixo. — Sem dar-lhe a chance de descansar,


ele a levou para a sala de exercício. — Vamos ver como você é
nas barras. — Esta era uma façanha que poucas mulheres
poderiam dominar. Elas não tinham força na parte superior
do corpo. Escalar paredes, superar barreiras, fugir, tudo isso
muitas vezes era necessário nas missões. Ser capaz de lidar
com uma arma era apenas metade da batalha. — Quero
trinta. — Ela provavelmente não poderia fazer duas, mas
então ele pensou que não iria conseguir correr nas escadas
também.

— Apenas trinta? — Ela andou até as barras, ergueu a


mão e pulou, pegando-a. Em seguida, com a forma perfeita,
ela executou uma barra após a outra. Quando tinha
completado o número requerido, ela se deixou cair. —
Satisfatório?

— Por enquanto. — Resmungou algo ininteligível sob


sua respiração. Ele ficou hipnotizado ao observá-la erguer-se,
com seu bonito corpo se enrijecendo e relaxando.

Prendendo o cabelo com uma mão, Taz abanou o rosto


com a outra.

— Agora, que tal me dar algo difícil?

Deacon tossiu. Oh, ele tinha algo duro que ele poderia
dar a ela... rapidamente se virou antes que ela pudesse ver a
evidência por si mesma.
—Vamos almoçar, em seguida, vamos começar de novo.

Taz caminhou ao lado dele.

— Você vive aqui sozinho ou você tem um parceiro?

Um parceiro? Seu estranho modo de falar as coisas deve


vir de sua origem estrangeira.

— Eu vivo sozinho. Eu costumo trabalhar sozinho. —


Ele olhou para ela, percebendo o rubor em sua pele
cremosa. — Eu prefiro assim.

— Eu entendo. — Ela assentiu com a cabeça. — Estive


sozinha também, desde que meu pai morreu. — Sua mãe
estava morta também, mas descobrir sobre a traição de Talia
Levin matou qualquer dor de Natasha.

Ele não ouviu nenhuma emoção em sua voz, então ele


não ofereceu qualquer simpatia.

— Isso não vai ser extravagante. Eu não estava


esperando companhia. Tudo o que tenho são ingredientes
para sanduíche.

— Eu não me importo. — Então seus olhos


brilharam. — Eu tenho algo a oferecer. Quão faminto você
está?

Vê-la sorrir, com aqueles lábios macios... o deixou


totalmente faminto.

— Eu poderia comer.

— Ótimo. Vou encontrá-lo lá dentro. — Enquanto ele ia


para o andar de cima, ela correu para pegar a carne de
churrasco que pegou em Austin.
Deacon esperou por ela. Seus músculos faciais queriam
sorrir, mas ele conseguiu controlar o impulso. Seria possível
que estivesse gostando de sua companhia? Nah. Ela era uma
mulher sexy e ele estava com tesão. Muito tesão. A mulher
dormia nua! Quando ele começou a fantasiar com ela
subindo na sua cama, ele a ouviu retornar. Se recomponha,
Jones! Ele cruzou uma perna sobre a outra, então
estremeceu quando empurrou suas bolas doloridas.

— Olhe! — Ela sorriu triunfante enquanto colocou sobre


a mesa um pedaço de peito bovino, peito de peru fatiado e
presunto defumado. — Eu também tenho salada e feijão.

— Stubbs? Franklins? — Ele nomeou bons restaurantes


de churrasco em Austin.

— County Line, — disse ela com orgulho. — Eu já comi


lá algumas vezes. Você não vai ficar desapontado.

— Eu comi lá. Você está certa. — Ele pegou um pedaço


de pão no balcão e pratos de papel, utensílios e
guardanapos. — O que você quer beber?

— Água. — Ela escolheu um pedaço de peito bovino e


uma fatia peito de peru, deixando a maior parte da carne
para ele.

— Gelo?

— Não, da torneira está OK, — respondeu ela, colocando


a carne em um pedaço de pão, em seguida, regando-o com
algumas gotas de molho. — O que vamos fazer a seguir? Tiro
ao alvo?
Ela parecia tão ansiosa. Ele teve que admitir que não
era nada como ele esperava. Deacon quase desejava que
pudesse mudar de ideia sobre recomendá-la. Mas não podia...
ele simplesmente não poderia se responsabilizar por isso. Ele
colocou o copo de água na frente dela e sentou-se com um
copo de chá gelado.

— Desativação de uma bomba.

Seus olhos se arregalaram.

— Mesmo?

— Sim. Algum problema? — Ele estava adiantando este


teste. Quanto mais rápido ele pudesse tirá-la daqui e dizer a
Grey que ela não era qualificada para a Ômega, melhor seria
para ele.

— Nem um pouco. — Ela estreitou os olhos e estudou


seu rosto, mastigando um pedaço de sanduíche
lentamente. Uma vez que engoliu em seco, ela se inclinou um
pouco mais perto. — Eu recebo uma roupa de proteção?

Ela estava se referindo a um ABS, um traje antibomba


muito grosso e pesado, projetado para proteger o corpo de
uma explosão.

— Não, este é um exercício de raciocínio rápido. —


Quando ela começou a fazer outra pergunta, ele só levantou a
mão. — Basta esperar e ver.

Taz assentiu.

— Isso é legal. Athena estava errada, você não é


assustador.
Droga.

— Não tire conclusões precipitadas, Levin. Você vai


acabar me odiando antes do nosso tempo acabar.

Balançando a cabeça, Taz declarou.

— Não. Eu só odiei um homem na minha vida e a


energia que eu depositei nisso foi um desperdício.

— Será que isso tem algo a ver com o seu...? — Ele


estendeu seu dedo mindinho.

— Sim. — Ela encolheu os ombros. — Quando meu pai


desertou, minha mãe e eu íamos fugir do país, através de um
navio de carga. Um dia antes de estarmos preparadas para
sair, fui tirada da casa segura onde estávamos. — Vendo a
sua expressão confusa, ela continuou. — Um agente
americano estava nos ajudando. — Ela olhou para baixo. —
Ele morreu naquele dia, minha mãe nos vendeu. Eles
queriam me usar para fazer o meu pai se entregar. — Ela
olhou para sua própria mão. — Meu dedo foi parte do
incentivo.

— Parte? — Deacon sentiu o ódio surgir em seu


peito. Ele viu o suficiente de tortura no Oriente Médio para
saber que havia coisas infinitamente cruéis. — Quantos anos
você tinha?

— Treze. — Ela balançou a cabeça. — Essa parte da


minha vida acabou e agora estou vivendo em um país
livre. Vamos falar sobre algo mais agradável.

Ele queria saber mais, mas segurou a língua.


— Posso comer mais? — Deacon perguntou
educadamente apontando para o churrasco.

— Oh, por favor, pegue tudo. — Ela ergueu a metade


restante do sanduíche. — Isso é tudo que eu quero.

— Você precisa comer mais do que isso, se você está


pensando em aguentar o teste. — Ele deixou seus olhos
passarem pelo corpo dela. — Não me diga que você acha que
precisa vigiar seu peso.

Taz abaixou o que restava de seu sanduíche.

— Eu preciso ficar em forma.

Ele ficou surpreso que ela fosse tão razoável. A maioria


das mulheres estavam mais preocupados com algum padrão
idealizado de beleza feminina. Sua esposa tinha sido
obcecada em ser uma modelo magra. Ele tentou dizer a Sylvia
que a preferia como era quando eles se conheceram, suave e
curvilínea. Natasha parecia ser suave e ela era
definitivamente cheia de curvas, mas ela tinha uma força
subjacente, uma feroz vontade de se empurrar além das
expectativas, especialmente dela, de mais ninguém.

— Eu concordo, mas o seu corpo tem que ter calorias


para queimar.

— Eu bebo shakies de proteína. E você gosta de


churrasco.

Ah, agora ele entendeu. Ela estava sendo boa com


ele. Talvez ela pensou que desde que ele era solteiro e vivia
sozinho que não comia bem... ou talvez estava tentando
suavizá-lo.

— Eu vejo através de sua cortina de fumaça,


Levin. Vamos ambos comer outro sanduíche, há muito para
compartilhar.

— Eu não fumo3, isso é muito ruim para sua saúde. —


Quando Deacon olhou para ela como se fosse louca, Taz
admitiu. — Ok, talvez eu coma metade. — Ela queria manter
sua energia. Impressionar este homem com suas habilidades
era a sua única opção.

Como antes, eles comeram na maior parte em silêncio,


ela passou-lhe o feijão quando ele olhou para o recipiente e
ele deu-lhe um guardanapo para limpar um pouco molho no
canto de seu lábio. Quando ela deu a ele um olhar
interrogativo, ele tocou no mesmo ponto em seu próprio
lábio. Esse movimento foi de autopreservação de sua parte,
porque tinha um enorme desejo de limpar o molho com um
beijo.

Assim que terminaram, ele se levantou. A limpeza foi


feita em pouco tempo.

— Vamos para a minha oficina. Vou elaborar uma


possível situação e dar-lhe diversas ferramentas para
trabalhar. Vamos ver o que acontece.

— Ok. — Ela fez um estudo sobre isso. Taz sabia que


desativar bombas na vida real não funcionava como nos

3
Deacon usou a palavra “smoke” que significa fumaça ou fumar dependendo da frase, no entanto ele
falou no sentido de fumaça e a Natasha, por ser estrangeira, entendeu que era fumar.
filmes. Cortar um único fio raramente salvava o dia. — Esta é
uma verdadeira bomba?

— Bem... se você não a desarmar corretamente, te


mando de volta de onde você veio. Então, de qualquer forma,
se você falhar vai haver um monte de barulho.

Ele quis dizer que ela iria chorar. Estava errado. Taz
percebeu que estava sutilmente tirando sarro dela. Ele não
gostava muito dela e não havia flexibilidade no homem. Era
um osso duro de roer.

— Muito bem. Estou pronta.

— Excelente. — Quanto mais cedo ele a tirasse de sua


cola, melhor. Ela estava jogando com sua libido. Quando
estavam fora, apontou para o chão. — Por que você não para
e faz cinquenta enquanto eu deixo tudo pronto?

Seu comentário foi formulado como uma pergunta, mas


de verdade não era. Ela foi para o chão seguindo o seu
pedido. Resmungar não era seu estilo, mas ela o amaldiçoou
em sua mente. A sujeira debaixo de suas mãos estava cheia
de pequenas pedras que estavam cavando em sua carne. Oh,
bem, esta era uma forma leve de tortura, ela iria sobreviver.

Apesar de sua determinação em não gostar dela, Deacon


não podia deixar de admirar sua atitude. Ela não segurou
nada e não pediu nenhuma clemência, o que o deixou ainda
mais curioso sobre ela como pessoa. O que passou para criar
tal armadura impenetrável?

Indo para seus armários de armazenamento, ele


encontrou o que precisava. A bomba falsa parecia real, uma
caixa de plástico contendo explosivos e fio suficiente para
assustar um eletricista. A maioria das bombas eram
controladas com um controle remoto, mas para tornar isso
mais divertido e o progresso mensurável, instalou um
temporizador. Antes de programá-lo, ele colocou algumas
ferramentas em um cortador de fios na mesa, uma máquina
de raio-X portátil, uma broca, solução salina e ao lado, ele
deixou uma arma carregada. Várias opções e apenas uma
solução correta. Bem, isso seria divertido. Agora eles dois
saberiam quão totalmente despreparada estava para o mundo
dele.

Quando tudo estava preparado de acordo com suas


especificações, Deacon foi buscá-la. Ela estava de pé,
esperando por ele. Sua respiração ainda estava um pouco
pesada e depois de vê-la em ação, ele não tinha dúvidas de
que ela fez como pediu. Chamando-a com um dedo, ele
esperou que ela o seguisse.

— Tudo bem, Levin, estou prestes a ativar a bomba e é


seu trabalho desarmá-la antes que ela exploda. — Ele não
deu nenhum desconto. Caminhando para a bomba, ligou o
interruptor e noventa segundos surgiu no
temporizador. Apenas o tempo suficiente para frustrá-la
antes que a merda batesse no ventilador, proverbialmente
falando.

De pé ao lado, ele cruzou os braços e observou seu


trabalho. Ela calmamente foi até a bomba, deu uma olhada
para ela. Olhando em volta, ela viu a arma. Para sua
surpresa, ela caminhou para a arma, pegou, deu um passo
para trás alguns metros e encheu a bomba tiros.

— Bem, inferno, — ele murmurou. — Eu suponho que


você saiba que isso só funciona se a bomba não está
ameaçando pessoas ou bens insubstituíveis.

— Claro. — Ela acenou com a mão em direção a mesa


cheia de ferramentas inúteis. — Das opções que você colocou,
esta era claramente a única. A maioria das bombas não são
tão facilmente acessível. Elas estão geralmente alojadas em
caixas fechadas e estão fora do caminho. Os robôs são uma
boa escolha, mas a maioria dos terroristas são muito
inteligentes para ter um fio que controla tudo. A broca e
solução salina são uma possibilidade, mas não tinha tempo.
—Taz levantou a arma. — Nesta situação, a arma era a
melhor resposta.

Deacon assentiu, com relutância.

— Você passou.

Iria matar o homem se ele sorrisse? Sua aparente


incapacidade de elogiá-la irritou um pouco.

— Obrigada.

Deacon esfregou o rosto.

— Olha, eu tenho algumas coisas para fazer depois que


eu limpar isso. — Ele realmente não tinha, mas precisava de
algum espaço para respirar. — Por que não fazemos uma
pausa até amanhã. Esteja pronta às sete. Vou deixar alguns
cereais disponíveis para você, assim você não terá que
cozinhar o café da manhã e as carnes que mencionei
anteriormente estão na geladeira. Fique à vontade.

— Você quer que eu limpe isto? — Ela apontou para os


detritos no chão. — Eu não me importo.

— Claro, a vassoura está no armário. Obrigado. — Com


esse pequeno discurso, ele fez uma saída rápida.

— Só eu acho? — Ela sussurrou para si mesma — Ou


ele é sempre tão encantador?

Era ela. Ela estava chegando até ele. Esta era uma
mulher que poderia relacionar-se e que poderia se relacionar
com ele. Por um segundo, imaginou os dois juntos. Cristo, ela
provavelmente iria caçar cervos com ele. Amou Sylvia, mas
além do sexo ocasional, ela mal tolerava suas paixões. Algo
lhe disse que Natasha compartilharia qualquer coisa que ele
gostasse, sexo inclusive.

— Porra. — Murmurou. Assim que ele começou a


fantasiar, se lembrou da perna maldita e o desgosto que sua
esposa não tinha sequer tentado esconder. Não, ele poderia
viver o resto dos seus dias sem ver aquele olhar no rosto de
uma mulher novamente.

O que precisava era de ar fresco. Deacon decidiu


caminhar pelos limites de sua propriedade e apenas olhar em
volta. Ele poderia matar dois coelhos com uma cajadada só.
Se certificar que tudo estava normal e se distanciar da
Mulher Maravilha. Merda. Agora estava imaginando-a
naquela roupa curta vermelho, branco e azul.

— Para baixo, rapaz. —Deacon espalmou o seu pau e


deu-lhe um tapinha consolador.

No interior da casa, Taz lavou as mãos. Ela tinha


limpado a bagunça, em seguida, encontrou algo totalmente
inesperado. Quando ela estava procurando o lugar
apropriado para armazenar a máquina de raio-X portátil, ela
descobriu outra sala cheia de brinquedos de crianças,
pequenos jipes, carros movidos a bateria e pequenos
caminhões com pedais. Parecia que Deacon Jones estava
trabalhando neles. Ela nunca esperava encontrar a loja de
brinquedos do Papai Noel neste campo de treinamento quase
militar, mas isso é o que parecia. Taz queria perguntar a ele
sobre o que descobriu, mas ele não era exatamente um
conversador convidativo. Então fechou a porta, deixando o
seu segredo intacto.

Agora que tinha algum tempo livre, ela não sabia o que
fazer com ele. Talvez fosse ler. Depois de tomar um banho
rápido, ela se vestiu e deixou-se cair sobre a colcha xadrez,
pegando seu kindle da mesa de cabeceira. Isso era algo que
simplesmente não poderia viver sem. Sua paixão eram
mistérios, especialmente aqueles localizados na Inglaterra e
se eles incluíssem uma casa assombrada, ela não
reclamava. Afundando no travesseiro, leu um par de
capítulos, em seguida, foi descalça até a cozinha para fazer
um sanduíche com ketchup. Vendo algumas latas de
refrigerante, ela pegou uma, então se sentiu culpada e
colocou de volta. Em vez disso, encontrou um copo no
armário e encheu com água.

Levando a comida de volta para o segundo quarto, como


Deacon chamou, ela se arrumou para comer, tocando no
botão em seu Kindle periodicamente para virar as
páginas. Um ruído fora de sua porta do quarto lhe disse
Deacon retornou. Ela ficou tensa, pensando que talvez ele iria
bater em sua porta, mas não bateu. Com uma pequena
expressão, Taz percebeu que estava desapontada. Depois que
terminou seu sanduíche, olhou ao redor da sala, observando
quão funcional tudo aparecia. Mesmo que a casa fosse uma
maravilha arquitetônica, os móveis poderiam ter sido
comprados na IKEA. Finalmente, seus olhos pousaram em
uma pequena TV. Taz adorava televisão, especialmente filmes
antigos. Com um sorriso, se levantou e vasculhou até que
encontrou o controle remoto. Depois apertar o botão de ligar,
Natasha ficou aliviada quando uma imagem
apareceu. Passou os canais até que encontrou uma reprise de
“Deal or No Deal”4 e se ajeitou para vê-lo, sempre a
surpreendeu que os competidores fossem tão gananciosos
que arriscariam uma fortuna quando lhe era oferecida outra
maleta.

Depois de um tempo, ela decidiu tirar suas roupas e


ficar debaixo das cobertas. Taz tentou dormir, mas sua
barriga roncando não iria deixá-la. Droga... sua pequena

4
Aqui no Brasil este formato foi comprado pelo SBT, com o nome de “Topa ou não Topa” apresentado
pelo Silvio Santos.
refeição não foi muito gratificante. Ela começou a ter visões
com o pão de forma que viu no armário de Deacon. Olhando
para o relógio, viu que já passava de meia noite. Certamente,
ele estava dormindo. Jogando para trás a coberta, levantou-
se, depois, lentamente, abriu a porta e começou a esgueirar-
se pelo corredor para um lanche.

Do outro lado da casa, Deacon estava deitado em sua


cama, ainda completamente vestido e usando sua prótese,
tentando esquecer que Natasha estava a apenas alguns
metros de distância. Estava tão excitado. Parte dele queria
lhe dar um pé na bunda e mandá-la embora. Outra parte
dele, que geralmente ficava pendurado para baixo entre as
pernas, mas agora estava forçando suas calças, queria
mantê-la aqui tanto tempo quanto possível. Um ruído
abafado e um ranger o fez se levantar. Ele nem sequer parou
para verificar os monitores, para ver se era Natasha, mas
velhos hábitos custam a morrer. A possibilidade de que fosse
outra pessoa o fez pegar sua arma da gaveta do criado mudo
e esgueirar-se para fora do quarto.

O mais silenciosamente possível, ele se arrastou pelo


corredor. O luar estava claro o suficiente então escolheu não
acender a luz. Preferiu surpreender o intruso com a ponta
fria de uma arma em suas costas. Mas quando virou a
esquina, a visão que encontrou quase o deixou de joelhos.

Natasha Levin estava de pé em sua cozinha


gloriosamente nua.
Deacon fechou os olhos e em seguida, os abriu
novamente. Sim, Natasha ainda estava nua. Estava em pé na
janela da cozinha mastigando alguma coisa. Estava
cantarolando e seu traseiro mexia de maneira sedutora. Todo
aquele cabelo vermelho-escuro fluía pelas costas e ele queria
implorar à bela mulher que se virasse para que ele pudesse
apreciar a parte da frente, tanto quanto apreciava a parte de
trás. Seu pênis concordava com ele, Cristo. Estava
ovacionando de pé sua outrora indesejada visitante.
Abaixando a arma, ele limpou a garganta, fazendo-a tomar
um grande susto.

— O quê? — Ela suspirou, virando-se. — Deacon?

Ela segurou um dos seios, cobrindo o outro com o


braço. Pegando um pano de prato que estava perto, ela o
segurou na frente de sua boceta.

— Eu pensei que você estivesse dormindo!


— Mas é claro — ele falou demoradamente. — Você acha
que este traje é adequado a uma hóspede?

Não que ele estivesse reclamando. Deacon apoiou seu


ombro na porta da geladeira e se acomodou para aproveitar o
show.

— Pensei que não era uma hóspede.

Se ele não estivesse bloqueando o caminho, ela teria


corrido naquele momento.

— Uma rosa com qualquer outro nome ainda teria


espinhos.

Droga, ele estava gostando disso.

— Terminou? Posso sair agora?

Ele deu um passo para o lado, não tirando os olhos de


seu corpo esbelto.

— De qualquer forma, sou uma mulher. Estar nua não


deveria interessá-lo ou incomodá-lo ou… o que seja!

Muito do seu cérebro sedento por sangue focou em olhar


para o corpo atraente dela, demorando alguns segundos para
que suas palavras fossem compreendidas.

— Espere. — Ele agarrou seu braço. — Por que você


diria isso? Acha que sou gay ou algo assim?

Taz tentou fugir do seu aperto.

— Você é gay. Não tenho problema com isso. Então não


precisa esconder isso de mim.
Deacon não a soltou. Em vez disso, a puxou para perto.
Não tinha como ela não perceber o seu membro inchado.

— O quê, em nome de Deus, lhe deu a ideia que sou


gay?

Agora, estava confusa... Ele estava excitado. Por ela?

— Athena.

— Ela disse que eu era homossexual?

Alguma coisa não fazia sentido.

— Não com tantas palavras. — Ela tentou se afastar,


mas o braço forte dele estava firmemente preso em sua
cintura. — Ela disse que você era um homem daqueles.

— E isso a fez pensar que sou gay? — Ele soltou um


rosnado do fundo do peito.

— Bem, você não parece ser assim ou age desta forma e


eu estou um pouco… — ela deixou a voz abrandar. — Mas,
não é isso o que significa? Você é um man’s man, um homem
que pertence a outro homem. De acordo com minhas aulas
de inglês, o apóstrofo mostra posse!5

— Não! — Ele arrastou a palavra por mais tempo do que


o necessário. — Ser um homem daqueles significa que você é
mais homem, não menos!

— Ah!

5
A expressão em inglês “Man’s man” significa algo próximo a “homem daqueles” ou “homem de
verdade”, um cavalheiro. No entanto, a personagem se confunde, pois na língua inglesa, a utilização do
apóstrofo em geral, em construções assim indicam posse. Dessa forma, “Man’s man” seria “Homem do
homem”.
Ela não tinha base para discussão. Seus ombros eram
mais largos do que a geladeira e ele não usava camisa, seus
olhos desviaram para o peito dele e permaneceu lá. Não era
de admirar que sua boca encheu d’água quando olhou para
ele. Mesmo que a frase anterior a confundisse, agora entendia
completamente o significado. Ele era delicioso e Taz queria
muito dar uma pequena mordida.

— Agora termine sua sentença. “Estou um pouco...?”


Irritada? Cega? — Ele a cutucou com sua ereção. — Confusa?

— Constrangida e um pouco irritada. — Ela retirou seu


braço do aperto dele e o empurrou para fora de seu caminho.
— Eu disse que não estou familiarizada com todas as gírias
americanas. Por que vocês não tentam dizer o que de fato
querem dizer?

— Ok, vamos tentar. Seus mamilos estavam inchados e


me cutucando no peito! — Ele gritou atrás dela. — Você não
está com raiva, está excitada!

— Primeiro o inferno congelaria! — Natasha gritou de


volta enquanto corria pelo corredor. Droga, que pedaço de
mau caminho!

Deacon sorriu.

— Tenho certeza que eles iam aproveitar o tempo mais


frio.

Deacon ficou ali por um momento, sem saber o que


fazer. Seu sorriso desapareceu. O que o deixou tão feliz? Tudo
o que ela sentia por ele morreria no momento em que
percebesse que era apenas metade de um homem.
Taz bateu a porta do quarto o mais forte que conseguiu.

— Arrogante, cuzão presunçoso. Aha! — aí estava uma


parte das gírias americanas que dominou. Ela xingou um
pouco mais, alguns no idioma dele, outros em russo.
Agarrando suas roupas, voltou a se vestir antes de rastejar
para baixo das cobertas. — Eu nunca mais dormirei nua.

Nos dias que se seguiram, as coisas pareceram ter


mudado. Deacon não tinha vergonha, mas se arrependeu pôr
a ter irritado. Era mulher e era, tecnicamente, uma hóspede
em sua casa. Ele ainda não queria trabalhar com ela, mas
isso não significava que não poderia ser.... cortês.

Quando Natasha se juntou a ele na cozinha, o sorriso


feliz que esperava dela tinha ido embora. Ela estava diante
dele, rígida, recusando-se a olhá-lo nos olhos.

— Peço desculpas por meu comportamento na noite


passada. Foi impróprio. — Ela comentou.

O queixo de Deacon teria se escancarado se sua boca


não estivesse cheia de cereal. Ela estava se desculpando? Até
o momento em que engoliu em seco. Ela estava prestes a ir
embora.

— Pare!

Ela parou, mas não o encarou. Ele afastou-se da mesa,


se levantando.
— Olha, sou eu quem deveria pedir desculpas. Não
deveria ter ficado lá apenas olhando como um…

— Vouer. — Natasha terminou por ele.

— Na verdade, é Voyeur — ele a corrigiu, depois sacudiu


a cabeça. — Dá na mesma. De qualquer forma, peço
desculpas.

Movendo-se para onde ele poderia ver o rosto dela,


Deacon pode dizer que ela não estava convencida.
Levantando os braços em sinal de rendição, ele explicou com
exasperação.

— Ei, você é uma mulher bonita e eu realmente não sou


gay.

— Tudo bem. — Ela acenou com a mão. — Vamos


apenas terminar os testes. A menos que você tenha mudado
de ideia em passar tempo comigo.

— Não. — Deacon pegou o casaco da parte de trás de


sua cadeira. — Eu ainda quero ver isso, dar a você todas as
oportunidades para provar a si mesma. — Ele atirou a roupa
por cima do ombro. — Então, quando você não conseguir,
vou poder assegurar a Grey que fiz o meu melhor.

Taz mordeu o lábio inferior para não dizer o que não


deveria. No momento em que conheceu Deacon, ela se sentiu
atraída por ele. Agora, sabendo que gostava de mulheres... A
tensão entre eles poderia ser cortada com uma faca. O único
problema era: enquanto ela estava experimentando tensão
sexual, ele estava tenso, porque estava ansioso para se livrar
dela.
— Vamos fazer um acordo.

Deacon bufou, incapaz de tirar da cabeça a visão de


seus mamilos chupáveis.

— Um pacto com o diabo? — Uma velha canção de Elvis


seguiu por sua mente, Devil in Disguise6. — O que tem em
mente?

Ela sustentou o olhar. Se ela não achava que podia fazer


o trabalho, se não fosse tão importante, desistiria.

— Uma competição. Vamos competir. Se você ganhar a


maioria dos testes, chamarei Grey e eu mesma direi que
falhei. Se eu ganhar, você diz a ele que eu sou integrante da
equipe Ômega.

Deacon sorriu.

— Me convencer de sua qualificação será bem difícil, me


vencer será impossível.

Colocando as mãos nos quadris, ela o encarou. Bonito e


idiota.

— Não conte vitória antes da tempo.

— Antes “do tempo”. — Ele fez uma careta. — Quem te


ensinou inglês?

— Eu fui à escola e assisto muita TV americana. Então?


— Ela esperou, sua postura enfatizando os quadris redondos
exuberantes.

— Beleza, Levin. Este será o seu fim!

6
O demônio disfarçado.
Deacon ergueu as mãos. Ela não se sairia melhor que
ele. Era um maldito SEAL. O fato de ser, também, um
aleijado não era um problema. Sua deficiência não o
impediria de provar a ela que as mulheres não pertencem a
situações perigosas.

Ele saiu do quarto e ela caminhou atrás dele. Seu


coração batia muito rápido e partes dela formigavam quando
não havia motivo para formigar. Antes, quando pensava que
Deacon era gay, ele estava fora dos limites, era como admirar
um carro esportivo e caro à distância. Mas agora parecia que
a besta sexy e musculosa estava demasiado perto para o seu
conforto. Taz tinha uma vontade quase incontrolável de
estender a mão e tocá-lo. Mas ela não faria isso. Deacon
Jones poderia saber que ela era uma mulher, mas claramente
não a respeitava como pessoa.

Deacon podia ouvir seus passos. Estava muito quieta.


Não que falasse pelos cotovelos, mas ele estava acostumado
com ela, pelo menos, perguntando o que vinha a seguir.

— Vamos ver o quão bem você pode atirar.

Ele parou em uma porta estreita com um teclado


eletrônico na parede.

— Vire-se.

Ela se virou e ele digitou a senha e entrou. Natasha não


se moveu, mas podia ouvi-lo abrir as gavetas.

— Tudo bem.
Quando ela o encarou mais uma vez, pôde ver que ele
tinha uma sacola no ombro. Rifles de cano duplo estavam à
mostra.

— Agora, estamos armados. — Ele a levou para uma


área um pouco distante da cabine de prática.

Taz considerou perguntar se poderia usar suas próprias


armas. Ela tinha um pequeno arsenal sob a cama no trailer,
as armas de seu pai. Mas pedir implicaria em ter de
conversar com ele, coisa que não tinha vontade de fazer mais
do que o necessário. A razão dele não gostar tanto dela era
desconhecida. Era evidente que ele se dava bem com Athena,
sua amiga o tinha em grande consideração. No fim, Taz pode
concluir que Deacon só tinha problemas com ela. Talvez
simplesmente não conseguisse esquecer quem ela era: filha
de Mikhail Levin.

— Ok, vamos nessa.

Ele parou em um pequeno galpão, abriu a porta e


segurou-a para que ela pudesse se juntar a ele.

— Aqui, carregue sua arma e vamos praticar no alvo. Mil


e quinhentos metros. E isso não é arma teleguiada em que se
usa óculos especiais como em alguns videogames idiotas.
Precisa de muita habilidade para competir comigo.

Taz pegou a arma, familiarizando-se com o seu peso e


sensação.

— O que você tem? O gato comeu sua língua? — Deacon


não sabia por que estava brincando com ela. A verdade era
que adoraria ser o gato em questão.
— Apenas concentrada.

Seguindo as indicações dele, ficou atrás da linha da


marca mais próxima ao alvo e se preparou para atirar. Era
uma boa distância, mas nada que ela não tivesse feito antes.

— Conte até três, dê cinco tiros, e em seguida, prepare-


se para chorar. — Piscou para ela, em seguida, levantou a
arma e apontou.

Taz tremeu de maneira graciosa.

— Preparar, apontar, fogo!

A saraivada de tiros teria sido ensurdecedora sem


proteção auditiva. Quando acabaram, Taz o acompanhou
para ver os resultados.

— Bem, bem... olhe isto.

Ele apontou e Taz cerrou os dentes. Ele acertou quatro


dentro do círculo central do alvo e ela só três. Não importava
que estivessem no centro, a um fio de cabelo de distância,
Deacon Jones venceu-a de forma justa.

— Farei melhor no campo de mil metros.

— Você acha que será melhor com o dobro de distância?

Seu tom era brincalhão e cético.

— Sim, serei. — Ela respondeu com confiança.

Desta vez, não deixaria pensamentos dele estragarem


sua concentração. Juntos, eles se mudaram para a marca
mais distante. Quando ele mandou atirar, ela se preparou e
puxou o gatilho cinco vezes em rápida sucessão.
— Vamos ver quem é o vencedor desta vez. — Taz
deixou os olhos seguirem Deacon. A vida não fazia sentido.
Por que ele tinha que ser o homem por quem estava atraída?

Baixando o equipamento de proteção, ela se


surpreendeu ao ouvir um tipo diferente de explosão.

— Mas que porra!

Incapaz de esconder seu sorriso, Taz chegou mais perto.

— Surpreso?

Surpreso não era a palavra. Ele sacudiu a cabeça para


olhar para ela. Se fosse um homem, ele teria oferecido uma
cerveja e pedido aulas. Mas esta... esta deusa camuflada, o
enfurecia.

— Como em nome de Deus que você fez isso? Há apenas


um furo no centro. Se tivéssemos atirando flechas, você teria
conseguido o Robin-Hood em todas as cinco7!

— Conseguido o quê?

Deacon não se preocupou em explicar.

— Vamos continuar.

Ela ofereceu a arma e ele a pegou, caminhando com


raiva para a próxima área. Depois de alguns segundos, ele
soltou um suspiro exasperado.

— Bom trabalho, Levin. Você é uma exímia atiradora.

O elogio fez seu coração disparar.

7
Em tiro com arco conseguir o Robin Hood é acertar flechas sucessivas no mesmo ponto, de modo a
não alargar o buraco original. A flecha seguinte "entra" na anterior como se fossem bonecas matrioska.
— Estou feliz que não esteja irritado.

— Irritado? — Ele apontou para o próprio peito. — Eu?


Por que eu estaria com raiva? Posso prometer que você não
vai ter tanta sorte no arremesso de faca ou no combate corpo-
a-corpo.

Ela não estava preocupada com as lâminas, seria fácil.


Sua precisão era perfeita por conta de muita prática. O outro
exercício seria muito mais difícil, teria de tocá-lo, estar perto
dele. Não importava se eles estivessem lutando, haveria
contato e Natasha não sabia se poderia fazê-lo sem revelar o
que sentia.

— Sorte vai ter muito pouco a ver com tudo isso,


Deacon.

O jeito que ela disse o seu nome era quase a ruína para
Deacon. Na noite anterior, depois de encontrá-la nua, ele
retornou ao quarto e se masturbou até gozar, sussurrando o
nome dela como uma oração.

— Veremos.

No mesmo galpão, ele recolocou os rifles nos seus


devidos lugares e pegou duas facas.

— Vamos passar para aquelas estacas.

Ele apontou para um espaço cercado, onde ela podia ver


dois círculos brancos pintados em cada uma das estacas, do
tamanho do fundo de uma caneca de café.

— Atire nas duas, ao mesmo tempo, distância de 5


metros.
Ela cumpriu as orientações, alinhando as pontas de
seus sapatos com a linha na grama.

— Estou pronta.

— Bem. Preparar, Apontar!

Ela segurou a faca pela ponta da lâmina, o braço


puxado para trás e tenso.

— Lance!

Taz girou e deixou a lâmina ir. As duas facas


assobiaram pelo ar e caíram com um baque, com
milissegundos de intervalo. Mas, mesmo a essa distância, Taz
podia ver claramente que as dela estavam no centro do
círculo, enquanto as dele pairavam no limite.

— Eu acho que o placar está 2 a 1 — disse com calma.


— Gosto de praticar com você.

— Para o tatame, precisamos resolver esta coisa.

Ela estendeu a faca, com o cabo voltado para ele,


Deacon a arrancou de suas mãos. Taz não reagiu, mesmo
quando algumas gotas de sangue do pequeno ferimento nos
dedos pingaram na palma da mão. Era sua culpa. Ela deveria
ter agarrado a arma de forma diferente.

— Quais são as regras?

— Não há regras.

Mesmo ele sendo enfático, o que disse não era


exatamente verdade. Seu próprio código seria se calar, mas
ele queria ver o que ela faria.
— Concordo.

Quando eles entraram na casa e voltaram para a sala de


ginástica, Taz seguiu o seu exemplo e tirou os sapatos. Dois
combatentes inimigos não fariam isso, mas sabia que para
este teste seria sábio. Indo para as esteiras, ela parou de um
lado e Deacon foi para o outro. Ele ergueu os punhos em uma
pose defensiva, movendo-se levemente na superfície
acolchoada como um boxeador. Taz fez o mesmo. Ela sabia
que um deles tinha que dar o primeiro golpe, então tomou a
dianteira, se lançando e desferindo um pontapé no ombro
direito. Ele cambaleou para trás com uma risada meio
rosnada e então a atingiu na barriga com os ombros e
lançando-a sobre suas costas.

Taz caiu com um baque, mas estava em pé antes que


Deacon se virasse, mergulhou para ele e o atingiu com golpes
no peito e em seguida, torceu uma perna entre as dele
jogando-o ao chão. Para sua surpresa, ela caiu com ele,
aterrissando em seu peito, o rosto a poucos centímetros do
dele.

Ambos respiravam com dificuldade e Deacon não pode


evitar, a sensação do corpo dela sobre o seu foi mais
excitante que nunca. Lutou contra a vontade de beijá-la. Em
vez disso, contraiu seu corpo, lançando Natasha, usando todo
o seu peso para descansar em cima dela.

Taz lutou contra seus instintos. Em vez de lutar com ele,


queria envolver uma perna em torno de seus quadris e se
esfregar contra ele enquanto provava aqueles lábios perfeitos
tão perto dela. Mas... ela também queria estar na equipe
Ômega. Sustentando o olhar dele, ela lhe deu um leve sorriso,
então resistiu, usando o elemento surpresa e pressão em seu
braço e perna direita para inverter suas posições.

— Humpft. — Deacon resmungou.

Ficando logo de pé, Taz estava pronta para mais.

— Vamos, Jones. Me impressione.

Seu desafio pouco picante deixou-lhe apenas mais


ansioso por dominá-la. Ele optou por uma postura guerrilha
clássica, convidando-a a dar tudo o que fosse capaz de
entregar.

— Pegue-me, Levin. Venha me pegar.

Seus olhos vidrados com determinação. Ela levantou a


perna direita, pronta para plantar em seu peito e ele a
agarrou, atirando-a facilmente ao chão. Com um xingamento
abafado, ela caiu com força de costas, nunca interrompendo
o contato visual. Quando ele se aproximou o suficiente, Taz
se desvencilhou, envolvendo o joelho em torno da perna
direita dele, puxando-o para baixo.

Um gemido escapou de sua boca quando ele bateu no


chão, um som que alarmou Taz.

— Deacon? Você está bem?

Mas quando ela se agachou, ele aproveitou, passando a


mão em torno de seu braço. Ela se preparou, pensando que
esta era a sua maneira de pedir uma mão para cima, mas ela
estava errada. Com um puxão forte, a trouxe para baixo,
contra ele. Seus olhos estavam desfocados, escuros com
alguma emoção que não conseguia definir. Ela não teve que
esperar muito tempo para descobrir o que estava em sua
mente. Deacon a puxou segurando seu rosto e esmagando a
boca contra a dela.

Taz quase desmaiou de prazer. Aqueles lábios carnudos


e firmes com que fantasiava beijar estavam agora
arrebatando os dela. Não havia gentileza, seu beijo dominava,
sua língua empurrava e enrolava com a dela com uma
imitação ousada do que ela sabia que ele poderia fazer com
seu pênis. Quando ele puxou de volta o ar, não a soltou. Eles
olharam um para o outro, ofegantes, esperando o tempo
suficiente que Taz sentiu-se desconfortável sob seu
escrutínio. Ela começou a se afastar, mas ele apertou ainda
mais.

— Não tão rápido. Eu quero mais.

Ela, também. Dando livre curso aos seus desejos, Taz


amoleceu contra ele, seus dedos indo explorar o queixo dele,
a intrigante sombra da barba por fazer. Uma e outra vez ele
tomou os lábios dela, a língua deslizando e acariciando. Taz
gemeu em sua boca e apertou os quadris, amando a
evidência de sua excitação, ficando mais excitada.

— Deacon. — Ela sussurrou seu nome, esfregando os


seios contra o peito duro. — É tão bom.

Como se alguém tivesse jogado um balde de água gelada


sobre sua cabeça, Deacon ficou gelado de pânico. O que
estava fazendo? Colocando as mãos em seus ombros,
levantou-a e em seguida, saiu de debaixo dela, levantando-se
tão rápido, que quase não chegou a se equilibrar sobre sua
perna ruim.

— Deacon? — Taz levantou-se, de repente se sentindo


extremamente vulnerável.

— Acho que podemos dizer com segurança que ganhei.

Seu peito arfava, seu coração batia forte.

— Está ficando tarde, vamos falar sobre isso pela


manhã.

Ele começou a se afastar, colocando distância entre eles,


antes que fosse tentado a grudar seu corpo no dela e agarrar
sua bunda com as duas mãos. Ela queria um trabalho que
não deveria querer e tudo o que ele conseguia pensar era
mantê-la pressionada e comer sua boceta até ela pedir por
mais.

Taz piscou, tentando organizar seus pensamentos.

— Espere! — Ela foi atrás dele, seguindo os seus passos.


— Acho que precisamos conversar sobre isso.

— Não há nada para falar.

Deacon não parou até que chegou na cozinha. Sem se


preocupar em ligar a luz, ele foi até a pia e encheu um copo
com água.

— Deacon!

Deacon se virou, seu pau forçando o zíper.


— Olha, você é competente. De muitas maneiras, você é
tão boa quanto qualquer um com quem eu já trabalhei.
Mas... eu tenho minhas razões. Chegamos em um impasse.

— Eu não quero um impasse.

Taz andou à direita em seu espaço, envolvendo os


braços em volta do pescoço, apertando-se contra ele.

— Eu quero ficar perto.

— Dane-se.

Isto seria um erro, um erro que ele não tinha outra


opção, senão cometer. Ele a queria tanto que não conseguia
pensar. Antes que pudesse respirar fundo, ele jogou seus
braços em torno dela. Era tão pequena. Ele levantou-a,
capturou seus lábios e a colocou sobre o balcão. Num
segundo, estava em cima dela, colocando as mãos bem onde
sonhava em tocar.

Deacon agarrou seus seios através da camisa enquanto


ela se esforçava para desabotoar os botões dando-lhe todo o
acesso que desejava. Ela seguiu até o nível do sutiã quando
ele agarrou o tecido logo acima das mãos dela e o rasgou.

Em vez de protestar por suas ações, ela gemeu em


aprovação, movendo os dedos até o emaranhado de sua juba
rebelde de cabelos dourados. A necessidade de esfregar seu
corpo todo no dele era irresistível.

— Deacon…

— O que você quer, Levin? — Ele rosnou.


Fazia muito tempo desde que esteve dentro de uma
mulher por quem estava louco de desejo. Esta não era a
primeira mulher que se envolveu desde Sylvia, mas Natasha
foi a primeira que o deixou disposto a baixar a guarda. O
prazer em seu rosto aumentou, os lábios rosas deixavam
impossível não roubar outro beijo.

— Você. Eu quero você — ela engasgou quando Deacon


puxou o bojo do sutiã para baixo e seus seios pularam para
fora. Imediatamente ele os cobriu, esfregando a carne macia,
apertando os mamilos.

— Oh sim por favor.

Deus, ele estava perdido. Amava seios. Deacon estava


desesperado para prová-la, marcá-la. Ele se inclinou e tomou
um mamilo rosado na boca e começou a chupar. Longos e
rítmicos puxões que tomavam toda a sua aréola, rodando sua
língua em torno da ponta, inalando o perfume doce de sua
pele. Só desejava que a luz não fosse tão fraca. Não podia vê-
la tão bem quanto queria, mas não estava disposto a parar
para ligar a luz... Ele começava a chegar onde queria.

— Está bom? — Murmurou enquanto mudava de um


mamilo para o outro.

— Oh, sim. Eu preciso tocar em você também.

Ela massageou os ombros dele, colocando as pernas em


torno de sua cintura para puxá-lo ainda mais perto. Taz
queria montar seu pênis mais do que queria ar. Nunca
pensou em sexo dessa forma antes, não com esta fome
dolorida.
Deacon deixou sua boca deslizar para cima da carne
doce e quente de seu peito em uma missão. Quando se
endireitou, suas pequenas mãos começaram a abrir os botões
de sua camisa e uma vez que ela os tinha aberto, ele rosnou
de desejo, quando raspou as unhas sobre a pele dele,
esfregando através do pelo como um gatinho.

— Deus, Natasha, você tem um gosto tão bom.

Seus beijos eram frenéticos e tudo que Deacon podia


pensar era em levá-la para a cama e transar com ela até o
amanhecer. Mas, isso seria um erro... A decisão foi
subitamente retirada de suas mãos quando ela começou a
puxar o cós da calça, tentando empurrá-los para baixo do seu
quadril. Quando suspirou com impaciência, Deacon a
ajudou, segurando a respiração quando ela o encontrou, com
as mãos envolvendo-o, acariciando para cima e para baixo.
Estava tão desesperada por ele como ele estava por ela.

Erro.

Deacon ignorava seu cérebro estúpido.

— Agora você… — disse ele, enquanto ambos lutavam


para arrancar suas roupas. — Porra, você cheira bem. Abra
suas pernas.

Quando abriu os joelhos, o ar frio acariciou seus lábios


molhados e ela estremeceu sob seu toque. Ele não conseguia
evitar, precisava saber quão suave ela estava. Seus olhos
acariciavam a carne rosa brilhante quando deslizou seus
dedos dentro da vagina, esfregando o clitóris.

— Não me faça esperar, Deacon.


Taz colocou-a mais próxima da beira e rogou que ele
ficasse mais perto.

— Por favor.

Se alguém tivesse lhe oferecido um bilhete da loteria


premiado para rechaçá-la, ele teria rejeitado o bilhete. Não
havia nada no mundo que queria… céus, necessitava, mais
do que isso.

— Guie-me.

Taz segurou em seu ombro com uma mão, enquanto ela


posicionava seu longo e grosso pau na entrada de seu corpo
com a outra. Uma vez que ela sentiu a ponta contra sua tenra
entrada, Taz não o soltou.

— Adoro ver como se sente, você está pulsando com


vida.

Deacon tremeu.

— Lento, baby, ou eu vou gozar muito rápido.

Ela trouxe as duas mãos para os ombros, quando ele


segurou seus quadris e começou a empurrar, entrando na
mais apertada e doce boceta que já fodeu. Deacon respirou
fundo e segurou-a, fechando os olhos.

— Perfeito. — Deacon se sentiu inundado de êxtase.


Como ele viveu sem isto?

— Oh, Bozhe!8 — Ela suspirou, enterrando o rosto em


seu pescoço.

8
N.T. Meu deus em russo.
A intrusão bem-vinda de sua masculinidade em seu
corpo era algo que Taz desejava, mas, ainda assim, foi um
choque para o seu corpo. Deacon era tão grande e ela tinha
tão pouca experiência, apenas uma vez na faculdade. Ela
mordeu o lábio inferior quando começou a preenchê-la,
balançando os quadris para preenchê-la lentamente com seu
pênis rígido. Cada célula de seu corpo estava viva e
implorando para ser tocada.

Deacon estava no céu, passando as mãos sob a blusa,


acariciando a pele suave de suas costas. Conforme ele
bombeava dentro e fora dela, ele apertava seus seios, rodando
os mamilos inchados doces entre os dedos. Sua vagina lisa
apertava em torno dele e ele gemeu em apreciação.

— Foda-se, baby. — Ele rezou por controle.

— Foda-me, Deacon.

Taz cravou os calcanhares nos seus quadris, um gemido


escorregou por entre os lábios. Ela ansiava por ele, queria ser
possuída, fodida com força. Deacon apertou as bochechas de
seu traseiro, ela sabia que deixou a marca de seus dedos,
marcando-a. Conforme deslizava dentro e fora empurrando e
bombeando, cada nervo da sua boceta despertou e chiou.

— Não pare, não pare. — Ela sussurrou, precisando dele


mais do que poderia suportar.

— Eu não posso, não quero parar. Nunca.

Esfregou o lugar macio debaixo da orelha dela. Ela era


tão doce, tão quente. Ele gostaria de poder transar com ela
por horas, mas o seu controle estava desaparecendo
rapidamente.

Estar dentro dela era tão bom, transar com ela era
inacreditável. Suas mãos estavam ocupadas em seus seios,
provocando e beliscando seus mamilos até que pulsavam
entre os dedos.

— Gosto de tocar em você aqui. E aqui. — Acrescentou,


enquanto suas mãos curvavam sobre ela.

— Me beije.

Taz mordeu seu ombro até que ele levantou a cabeça, e


então ela mergulhou seus lábios nos dele e bebeu
profundamente. Segurando firmemente seus grandes bíceps,
se agarrou a ele quando bateu em sua vagina, rápido e
profundo. O estiramento, o prazer, o fato emocionante que
Deacon estava gostando de estar com ela levou Taz para o
limite. Seu pescoço arqueou quando clímax a atingiu.

— Oh, Deus, sim.

Ela estremeceu em seus braços enquanto ele puxava e


entrava nela duro e profundo.

— Deacon... Eu…

Ela perdeu as palavras enquanto ele ondulava seus


quadris, garantindo que nenhum ponto prazeroso em sua
vagina fosse esquecido. Colocando a cabeça em seu ombro,
ela sentiu a onda de felicidade que cada penetração profunda
desencadeava. Uma nova onda de choque irradiando de seu
clitóris para cada centímetro de sua carne sensível.
— É isso aí, baby. Goze bastante para mim.

Deacon amou isso. Amou para caralho! Enquanto ela


agarrava-se com força, os músculos de sua pequena boceta o
espremiam, apertando-o tão bom que quase desmaiou.

Seu corpo ficou tenso, suas coxas tremeram, cada parte


dele estava voltada para essa mulher e a felicidade de estar
dentro de seu corpo. De forma febril e louca ele levantou e
martelou dentro dela, indo rumo o auge. Quase lá… ele
queria parar de pensar e simplesmente deixar-se sentir.
Dentro-fora-dentro-fora, mais e mais.

— Tasha, baby, sim — ele choramingou quando a onda


esmagadora de um orgasmo o atingiu tão poderosa que
abalou seu mundo, inundando Deacon de um prazer tão
completo que não sabia se recuperaria o fôlego.

Com o coração batendo forte no peito, ela beijou seu


pescoço e ombros uma e outra vez. Este era um homem que
ela poderia se importar muito, um homem que poderia
admirar, aprender com ele, apreciar e amar.

— Obrigada — ela sussurrou. — Amei isso.

Deacon ofegava, o peito arfando enquanto tentava


retomar o controle de seu corpo e seu cérebro. Céus. O que
ele fez? Ele tomou a mulher como se tivesse o direito para tal
coisa. Isso não mudaria nada. Porra! Agora ele a queria a
cada momento do dia e não podia deixar isso acontecer
novamente! Ele não fugiu, mas se acalmou, ajeitou suas
roupas e recuou.

— Natasha... Eu não acho que...


— Não há necessidade de pensar.

Ela estendeu a mão para ele, tentando atraí-lo de volta


em seus braços.

— Não. Este foi um erro da minha parte.

Ele saiu de seu alcance. Se ele tivesse dado um tapa em


seu rosto, Taz não teria se chocado tanto.

— Eu não entendo. Isso foi algo que fizemos juntos.

— Recomponha-se. — Disse baixo, mas com clareza. —


Estarei em meu escritório.

Taz seguiu suas ordens. Estava tão confusa. Ela não o


tinha satisfeito? Tinha tão pouca experiência com homens. O
que ela fez de errado? Eles tinham muito em comum. Ela não
o compreendeu por completo. Lágrimas surgiram em seus
olhos, mas não caíram. Natasha Levin não chorava há anos e
não choraria agora. Precisando falar com alguém, Taz voltou
para seu quarto para ligar para Athena.

Do outro lado da casa, Deacon olhou pela janela, mal


vendo a bela paisagem à sua frente. Altas falésias de calcário
branco refletiam o pôr do sol. Zimbros e cedros verde-escuros
disputavam por espaço com pedras do tamanho de carros
nas encostas rochosas. Ele estava envergonhado. Por mais
que tentasse, mal conseguia se lembrar do que foi antes do
Afeganistão. A guerra mudou tanto seu corpo como sua alma.
Antes de Annie e Sylvia, ele não trataria uma mulher do jeito
que tratou Natasha Levin com menos dignidade que um
filhote de esquilo. Não estava sendo ele mesmo. O que ela fez
para merecer tal frieza?
Nada. Ela foi cooperativa, respeitosa e.... Porra... Doce
como mel. Tudo na mulher era sexy, mesmo a forma como
tirava as calças dele. Ele gemeu, cobrindo o rosto com as
mãos. Ela conseguiu tirar as calças dele como ninguém.
Lembrando como se sentiu quando seu pênis estava
enterrado até as bolas profundamente dentro dela, ele gemeu,
seu pau crescendo de flácido para erguer mais rápido que um
Tesla vai de 0 a 100. Apenas o zumbido de seu telefone
celular o impediu de abrir as calças e fazer algo a respeito.

Sem sequer olhar para a tela, ele latiu.

— Jones!

— Bem, acho que não preciso perguntar como vão as


coisas. Lembre-se, ela é treinada. Se deixá-la muito zangada,
ela pode retaliar. Ouvi dizer que é especialista em nunchaku9
e em jogar shurikens10 também.

Deacon não duvidava.

— Ela parece ser mesmo capaz disso.

— Ah, então você está a recomendando.

Ele podia ouvir o tom de provocação na voz do amigo. O


pensamento cruzou sua mente que tudo era uma armação.
Será que seus amigos fariam isso com ele? Claro que sim.

10
— Eu não disse isso. Não preciso lembrá-lo que a ideia
de enviar uma mulher para o perigo embrulha meu estômago.

Ele olhou para a camisa, vendo uma mancha de sangue.


Mas que diabos?

— Esta não é uma mulher comum, Jones.

— Não, não é. Ainda quero entrevistá-la, ver como


responde a algumas perguntas incisivas, então o aviso de
uma maneira ou de outra.

Claro, Deacon sabia que Holden faria exatamente como


bem entendesse. Apesar de avisar Deacon, seguiria sua
recomendação, se Grey sentisse que Deacon estava sendo
injusto, seria substituído. Deacon respeitaria a decisão.

— Então, se ela está fazendo tudo bem. O que o impede?

Deacon apertou os lábios.

— Ela é.... diferente.

— Diferente de quem? Sylvia? Deus, espero que sim.

Seu comentário seco fez Deacon bufar.

— Você ligou apenas para me importunar ou quer algo


em particular?

— Quero que você se mude para a Flórida e trabalhe em


tempo integral comigo e quero que você se junte à raça
humana. Isso é pedir muito?

Deacon endireitou-se na cadeira, esticando a perna


direita, esfregando o joelho dolorido. Ele não pôde deixar de
sorrir, lembrando o treino que só ele gostava. Senhor, tenha
piedade, se sentiu bem dentro de Natasha.

— Eu acho que você gostaria de ter uma filial no Texas.


Como está Athena?

— Está bem, está ao telefone com sua protegida agora.

Deacon franziu a testa.

— Ela não é minha protegida. Quanto sobre mim a sua


mulher já falou para ela.

— Hmmm, deixe-me ver. Eu não sei. Mas não acho que


ela quebraria sua confiança, Athena não é assim. Algo
errado?

— Não, acredito que não. Athena disse a ela que eu era


um homem daqueles e Levin entendeu que eu era gay.

A gargalhada que encontrou os ouvidos de Deacon o


irritou para caralho.

— Não foi tão engraçado.

— Ah, sim, foi. Isso não tem preço. E como isso veio à
tona?

— Não pergunte. — Deacon resmungou. Ele olhou para


o sangue novamente. Teria a machucado?

— Ok, vou usar a minha imaginação. — Ele riu um


pouco mais. — Veja. Estou apenas checando. Me avise o que
pensa depois da entrevista e tente não deixar seus
preconceitos fazer de você mais idiota do que já é.

— Com amigos como você...


— Você é um homem de sorte de ter um amigo como eu.
Você não é exatamente o exemplo perfeito de melhor amigo.

Deacon resmungou:

— Eu não sei o que você está falando. Sou a alma da


festa.

— De velório talvez. Ei, tenho outra chamada que


preciso atender. Espero ouvir de você em breve.

A linha ficou muda e Deacon desligou seu telefone,


perguntando-se como diabos ele lidaria com esta situação.

No outro quarto, Taz estava sentada na beira da cama.

— Eu não sei como responder a essa pergunta.

— Você não pode me dizer se está progredindo com


Deacon Jones? — Athena perguntou com uma pitada de
diversão.

No momento em que pegou o telefone, Taz perdeu a


coragem. Ela decidiu não mencionar o fato de que transou
com o amigo de Grey e Athena.

— Ele é mal-humorado. — Afirmou com absoluta


certeza. — Não gosta muito de mim. Não acho que isso vá
acabar bem.

— Deacon não teve uma vida fácil. Ele foi ferido no


Afeganistão e sua esposa o abandonou quando voltou para
casa. Mas ele salvou a vida de Grey uma vez, então, por mim
ele é Deus na Terra.

— Deus na Terra? Eu não entendo.

— Ah, você e sua interpretação literal. Quis dizer que eu


acho que ele é uma pessoa maravilhosa. Inglês não é a língua
mais fácil de aprender é?

— Não, não é.

— Dê uma chance ao cara, Taz. Ele é um bom homem.

— Não sou eu que tenho que dar uma chance, Athena.


Não é ele que está sendo testado, eu estou. — Ela sentiu uma
sensação de desespero tomar conta. — Preciso te perguntar
uma coisa.

— O quê? — A voz de Athena tornou-se cheia de


preocupação — Algo errado?

— Se Deacon me rejeitar, isso significa que você vai me


rejeitar também? — Ela não esperou por uma resposta. — Por
que ele tem que me testar? Eu não poderia ser testada por
Grey? Ele não poderia me testar?

— Ei, ei, Taz. — Athena riu. — Que enxurrada de


perguntas.

— Desculpa.

— Bem, para responder a sua pergunta, de forma


simples, nós confiamos no julgamento de Deacon. Achamos
que vai ser justo, apesar do fato de que ele diz que não
suporta a ideia de mulheres em combate.
— Eu não entendo. Por que você acha que ele mudou de
ideia?

Claramente, Athena não encontrou o Deacon que Taz


conheceu.

Athena suspirou.

— Porque trabalhou com mulheres, lutou com elas lado


a lado. Havia uma em sua unidade no Afeganistão. Ela foi
morta em uma das missões e Deacon se culpa, mas não acho
que ele vá deixar que isso influencie seu julgamento.

Taz lutou com sua explicação.

— Então, eu sou um teste? E se for boa o suficiente e ele


não conseguir ver isso? Vou ser a única a pagar o preço.

Mesmo que as palavras que disse a magoasse, ela viu o


que era importante. Só ela pagou o preço antes.

— Escuta, eu sei como você é boa. Fui eu quem te


encontrei de pé sobre os bandidos, a quem você sozinha,
abordou e amarrou com linha de pesca. Mas a equipe Ômega
não existia ainda. Eu sequer conhecia Grey naquele tempo. O
ano passado foi uma loucura, eu deixei a força e ele e eu
decidimos criar um negócio juntos. Para dizer a verdade, você
foi uma das primeiras pessoas que pensei quando
começamos a montar a equipe. Mas nessa época, você já
estava longe. Jacqui procurou durante semanas até
encontrá-la e o trailer, você não deixou uma trilha fácil. Onde
você estava é muito mais próximo de Deacon do que de
Tampa. Apesar de encher o saco de Deacon sobre a vida no
Texas, o sonho de Grey é ter uma rede de agentes altamente
qualificados localizados em várias partes do país. Achamos
que você e Deacon trabalhariam bem em conjunto. Eu não
consigo vê-lo prejudicando alguém de propósito. Então, não
vamos nos preocupar sobre algo que pode até não acontecer.
Pensamos nisso quando chegar a hora.

— Eu espero que você esteja certa. Agora sinto que


tenho mais chance de ser convidada para ser companheira de
chapa de Hilary Clinton que parte da Equipe Ômega.

Athena riu.

— Você seria uma melhoria em relação à maioria dos


políticos, embora eu ache que os conspiradores teriam uma
síncope. Sério, só observe e acho que você vai se surpreender
com a forma como tudo funciona.

Taz não concordou. Estava com muito medo de saber


como tudo isto terminaria. Deacon Jones ia partir seu
coração… e esta era uma expressão que ela entendia muito
bem.
Quando Deacon saiu de seu escritório, ele procurou
Natasha, mas ela estava longe de ser encontrada. Teria ela
saído sem dizer nada a ele? Uma estranha sensação de
pânico se apoderou dele. Embora não tenha mudado de ideia
sobre a aprovação dela para a equipe Ômega, não gostou da
maneira que deixaram as coisas. Ele não precisava agir como
um idiota. Ele deveria ter sido homem o suficiente para
manter suas mãos para si mesmo.

Depois de pesquisar todos os cômodos da casa, ele foi


imediatamente para a garagem, a meio caminho esperando
encontrá-la vazia. Deixar o Ninho da Águia foi fácil, todos os
portões se abriram automaticamente. Mas quando ele abriu a
porta, o antigo RV ainda estava lá.

Ele deixou escapar um longo suspiro aliviado. Ela ainda


estava aqui em algum lugar.
Na base das escadas de pedra, nas margens do
Pedernales, Natasha sentou em uma rocha com pensamentos
profundos. Desde que falou com Athena, Taz compreendeu
melhor Deacon Jones. Como ela, ele tinha experiência com
perdas. As circunstâncias de sua vida o moldaram para o
homem que era hoje. Um homem duro, irritado, mal-
humorado e sexy que virou o seu mundo de cabeça para
baixo.

O tempo que passara em seus braços foi incrível. Ele a


fez se sentir como uma mulher desejável. Ela ainda não
entendia por que ele a afastou. Ela foi uma substituta pobre
para a esposa que o deixou? Ou ele esteve sozinho por tanto
tempo, que qualquer mulher seria suficiente? Esfregou uma
linha cansada em sua testa. Era triste pensar que o único
outro homem que esteve disse que ela era muito agressiva,
confusa, porque nenhum dos dois sabiam o que eles estavam
fazendo. Vince também se sentiu enojando por suas
cicatrizes. Lembrando sua reação, Taz deu de ombros. As
marcas da brutalidade sofrida faziam parte dela,
simbolizando que sobreviveu. Normalmente, poderia esquecer
que elas estavam lá, desapareceram ao longo do tempo, até
que ficou apenas um padrão fraco em sua pele. Deacon não
mencionou suas cicatrizes, talvez não as tivesse visto na luz
fraca ou talvez fosse por isso que ele a afastou.
Taz pegou uma pedra e atirou-a para dentro do rio que
fluía suavemente. A luz da lua brilhante que refletia na água
lançava um brilho sobrenatural ao seu redor. Ela não estava
perto o suficiente para ver seu reflexo, mas não tinha que ver
para saber que estava pálida. Sem dúvida, suas sardas se
destacaram em nítido contraste fazendo-a aparecer jovem e
vulnerável.

E talvez ela fosse. Mesmo com tudo o que passou, ainda


poderia ser ferida. Hoje foi a prova disso. Sua esperança de
encontrar um lugar para pertencer parecia mais evasiva do
que nunca. Gostando ou não, Deacon Jones mantém o futuro
dela em suas mãos e pelo que Athena lhe disse, havia muitas
coisas em jogo e ela não tinha controle sobre nada.

A pergunta era, o que ela fará sobre isso? Deve apenas


sair? Esquecer as perdas e seguir em frente, na esperança de
encontrar um lugar neste vasto país onde pudesse escapar de
seu passado? Ou deveria esquecer isso e esperar que seja
acolhida em uma organização onde ela poderia usar as
habilidades que seu pai lhe ensinou? Habilidades tão
profundamente enraizadas que eram uma segunda natureza.

Uma brisa leve levantou seu cabelo no ar frio sobre sua


pele. Pesando suas opções, ela chegou a uma decisão. Queria
isso, queria o suficiente para lutar. E queria mais deste
homem que a fazia sentir coisas que não sabia que era
possível. Se ele não a desejasse em troca, ela poderia viver
com isso, mas pelo menos ela sabia que tentou.

— Levin!
Taz levantou a cabeça. Ele a encontrou. Seu pulso
acelerou como se antecipando o desejo que sentiria. Isso a
excitou. Deacon Jones era um adversário digno.

— Aqui, — ela chamou.

No topo, Deacon sorriu, um sentimento de alívio


fazendo-o se sentir mais leve.

— Se escondendo? — Ele deu um passo para mais


perto, onde podia vê-la subindo em direção a ele.

— Não, não estava me escondendo. Eu precisava de um


lugar para pensar.

— Cuidado, esse lugar pode ser traiçoeiro no escuro.

— Eu sempre tenho cuidado, — respondeu, sabendo que


nem sempre foi assim. Ela não foi cuidadosa com ele. — Você
se sente melhor?

— Melhor? — O que ela estava fazendo? — Eu não me


sinto mal. — Ele deu um passo para trás quando ela chegou
ao topo, o cheiro dela envolvendo-o. Sempre cheirava fresco,
como o mar. Ele amava esse cheiro.

— Você sempre afasta uma mulher depois de ter feito


amor com elas? — A pergunta surgiu de seus lábios. Taz
percebeu que estava incitando uma reação em Deacon. Ela
temia que se não o fizesse, ele fingiria que nada disso
aconteceu.

— Nós não fizemos amor, eu transei com você no meu


balcão da cozinha. — As palavras retumbavam em seu peito
como um trovão.
Outro corte, mais preciso e profundo do que a faca de
Sokolov.

— Eu vejo. — Sem esperar por ele, ela começou a voltar


para a casa.

Deacon quase agarrou a mão dela para impedi-la, mas


tinha medo que se a puxasse, iria cair em seus braços.

— Eu não acho que você veja nada.

— Eu vejo bem o suficiente, a Lua fornece luz suficiente.

Deacon fechou os olhos em frustração. Ele não sabia se


a mulher estava sendo deliberadamente obtusa ou se ela
estava jogando algum tipo de jogo que ele não entendia.

— Eu machuquei você antes, vi sangue em minhas


roupas.

Taz tinha que pensar.

— Não. Foi um pequeno corte quando tirou a faca da


minha mão, isso é tudo.

— Sinto muito, você deveria ter dito alguma coisa. —


Este era o seu medo, que ele iria machucá-la e nunca sequer
saber disso, ser o único responsável por ter ela morta. —
Sobre antes, aquilo não deveria ter acontecido.

Taz continuou andando.

— Eu gostei.

Deacon sentiu seu pênis se contrair quando começou a


descer a trilha atrás dela.
— Eu ainda acho que uma mulher na equipe Ômega é
uma má ideia.

— Eu não seria a primeira, ou mesmo a


segunda. Athena e Jacqui fazem parte da equipe e pode haver
mais agora. — O choro de um pássaro noturno perfurou o
escuro e ela se encolheu involuntariamente com a intrusão
repentina. Cruzando os braços sobre o peito, se abraçou com
força.

— Sim, mas nenhuma que eu aprovei. As mulheres têm


um lugar, suas contribuições podem ser valiosas sem expô-
las às duras realidades da guerra ou violência. — O que ele
disse faz sentido absoluto. Não sabia por que todo mundo
não concordava.

— Que generoso você é, Sr. Jones. Infelizmente, a guerra


e a violência nem sempre podem ser evitadas, por vezes,
estamos enfiadas no meio delas contra a nossa vontade.

— Eu sei. Ao contrário de você, estive na guerra e fui


responsável por colocar uma mulher em perigo, a qual me
arrependo.

Taz parou em seu caminho. A tristeza em sua voz


rasgou seu coração. Quando isso veio, ela não poderia
impedir de chegar até ele se tentasse.

— Você não deve se responsabilizar


desnecessariamente. A mulher que você fala fez sua própria
escolha. Eu tenho que enfrentar meu destino também.

Deacon odiava que Natasha sabia mais sobre ele do que


sabia sobre ela.
— Eu não posso culpar suas habilidades. Você esteve
muito bem comigo, é tão talentosa como Grey disse que era.

Taz absorveu suas palavras, elas eram um bálsamo para


a sua alma.

— Obrigada, você não vai se arrepender. Vamos


trabalhar bem juntos.

— Nós empatamos nos testes, Levin. Estamos bem


equiparados. — Deus, não podia discutir esse fato. Nunca
esteve com uma mulher que poderia estar com ele em cada
situação. — Eu não posso negar que você tem
habilidades. Mas, não disse que mudei de ideia. Temos ainda
a entrevista para fazer. — Deacon não sabia se estava lhe
dando falsas esperanças ou se estava enlouquecendo. —
Vamos entrar. A temperatura está caindo rapidamente. O
jornal disse que o mau tempo está a caminho.

Quando ele colocou a mão na parte inferior das costas,


Taz tremia.

— Eu estou pronta para esta entrevista.

— Amanhã, quando nós dois estaremos mais lúcidos. —


Hoje à noite, sua mente ainda estava muito nublada com o
desejo que sentia cada vez que ela estava perto. Como
agora. Não podia esquecer como respondeu a ele, como se
sentiu quando voou para seus braços. Se as coisas fossem
diferentes, se ele estivesse completo, ela estaria em sua cama
agora e estaria enterrado até o punho em seu calor
aveludado. Deacon reprimiu um gemido. Sentia-se como um
homem faminto que foi dado apenas uma amostra do céu e
agora doía por mais.

Seus dedos se moveram? Ele estava acariciando-a. Taz


precisava ter certeza.

— Eu gostei de estar com você, Deacon.

Porra! Deacon quase tremia de frustração. Ela poderia


aceitá-lo? Porra, ele sempre achou que era um homem
corajoso. Estava errado. Deacon agora sabia que era um
covarde da pior espécie. A única coisa que poderia pensar em
fazer era comprar uma briga com ela para obter sua mente
em outras coisas.

— Tenho certeza que você gostou, Natasha. — Esse tom


frio foi o suficiente? — Que tipo de nome é Natasha,
afinal? Se você for viver nos Estados Unidos, você pode não
querer ter um nome russo tão cliché. Toda vez que digo isso,
eu continuo olhando ao redor para ver alces e esquilos.

Em face de seu insulto, ela não queria rir de sua piada


terrível. Natasha nem sempre entendia todas as suas
referências, mas o fato de que estava se divertindo à custa
dela era bastante clara. Por que estava agindo desta
maneira? Ela não foi a única a desfrutar de seu encontro,
ainda podia lembrar o respingo quente de seu gozo dentro
dela. Com relação ao seu nome...

— Natasha é um nome russo muito respeitado. É


derivado de Natalia que se refere ao Dia de Natal ou o
nascimento de Cristo. Muitas meninas nascidas perto do
Natal são dadas este nome. — Imitando a sua pergunta,
retornou com uma de sua própria autoria. — Que tipo de
nome é Deacon11? Não é de um padre ou um servo
religioso? Você não me parece ser muito piedoso.

Eles estavam se aproximando da porta, então ele se


aproximou e segurou-a aberta para ela.

— Na verdade, é um apelido. Meu nome real é David


Jonathan Jones.

Ela gostava de todos os seus nomes, mas não diria


isso. Com os braços ainda cruzados com força, ela se
arrastou atrás dele para a cozinha. Estava com fome.

— Eu não sei o que significa apelido. O que significa


isso? — Antes que ele pudesse responder, ela foi até o
fogão. — Eu vou cozinhar. Qual comida posso preparar?

— Que tal uma mistura feita a partir de corned beef12,


batatas e cebolas?

— Tudo bem. — Ela teria gostado de adicionar couve


para o prato, torná-lo semelhante a um borscht13, mas ela
não iria sugerir isso. Ele provavelmente iria fazer alguma
referência a comida camponesa russa se ela fizesse. E então
teria que matá-lo e seria uma bagunça. Ela sorriu,
divertindo-se com sua própria piada.

11
Diácono

12
O corned-beef é carne de bovino inicialmente tratada em salmoura e posteriormente fervida em
vinagre em fogo lento. Os pedaços empregados de carne costumam pertencer a cortes do que se
denomina fralda.

13
O borsch, borscht, ou borche, também grafado como borshtch, é uma sopa tradicional em diversos
países do Leste Europeu como a Ucrânia, Polônia, Rússia, Roménia, entre outros
Deacon se encontrou sorrindo para ela. Fez sua cozinha
parece um local quente e acolhedor.

— Eu vou cortar os legumes. — Ele tirou os ingredientes


e encontrou uma frigideira. — Nós teremos que usar carne
enlatada, mas vai ficar bom mesmo assim.

— Vou procurar um pouco de óleo. — Ela inclinou-se e


começou a mexer no armário inferior.

A mão de Deacon congelou enquanto seu olhar a


seguiu. Deus, sua bunda era boa.

— Tem óleo vegetal e azeite lá, eu acho. — Quando ela


se levantou com um frasco na mão, ele voltou para os
legumes. — Um apelido é algo que seus amigos te chamam.

Taz derramou o óleo na frigideira, em seguida, diminuiu


o fogo.

— Nós vamos cozinhar os legumes em primeiro lugar,


em seguida, adicionar a carne mais tarde. Tudo bem?

— Sim, está bem. — Eles trabalharam juntos em


silêncio por alguns minutos.

— Eu tenho um apelido também, — ela finalmente


anunciou. — Meu pai e meus amigos me chamam de Taz.

Deacon riu, entregando-lhe um prato cheio de batatas


cortadas para adicionar ao óleo.

— Eu não estou surpreso. Na verdade, isso explica


muita coisa.
— O que isso explica? — Ela baixou o calor do fogo e
colocou uma tampa na frigideira. — Vou acrescentar a cebola
quando estiver pronto. Onde está a pimenta preta?

Ele abriu uma porta na despensa e deu-lhe a lata.

— Aqui. Bem, agora sei o que você me lembra e seu


apelido diz tudo. — Quando ela lhe deu uma expressão
interrogativa, continuou ele. — Taz. Diminutivo para o diabo
da Tasmânia14. Você nunca viu aquele desenho animado, que
gira como um vortex e morde tudo à vista? Ele é como um
pequeno tornado feroz.

Taz lhe deu língua, em seguida, o chocou por curvar-se


e puxar suas calças para baixo, apenas baixo o suficiente
para ele ver uma pequena tatuagem em seu quadril do
personagem de desenho animado que ele falou.

— Esse?

Cristo sim, ele gostava disso.

— Uh, sim. Se encaixa como uma luva. — Ele terminou


de cortar a cebola, deu a ela e esperava que não percebesse a
enorme ereção lutando contra a sua braguilha. Apenas um
vislumbre de sua bunda bem torneada acendeu um fogo em
seu sangue.

— Então, você era casado?

Sua pergunta o pegou de surpresa.

14
Diabo da Tasmânia em inglês é Tasmanian devil, que no diminutivo fica “Taz”.
— Hey, a entrevista é amanhã e eu irei fazer as
perguntas.

— Isso é uma daquelas coisas que você tem medo?


Abrir-se para outra pessoa? — Taz nunca teve falta de
coragem, mas mesmo ela sabia que estava empurrando-o.

— Eu não tenho... — Ele começou a dizer que não tinha


medo de nada, mas a mentira ficou presa em sua
garganta. — Só porque não quero compartilhar a minha vida
pessoal com uma verdadeira estranha não significa que estou
com medo.

Taz acrescentou a carne enlatada, em seguida,


recolocou a tampa no fogo brando.

— Você não é um estranho para mim. Esta tarde, me


conheceu muito bem, eu acho.

Deacon não tinha resposta para isso. Estava certa. Ele


sentiu uma conexão com ela que era difícil de combater. Uma
vez que a comida estava pronta, sentaram-se para comer,
caindo para trás em sua rotina silenciosa de ler mentes um
do outro até que o silêncio foi quebrado pelo riso.

Um pouco chocado, Deacon olhou para sua


companheira de jantar.

— O que é tão engraçado, Taz?

Ela cobriu a boca, um pouco surpresa com sua própria


explosão e seu uso de seu apelido.

— Eu só estava pensando...
— Eu posso ver que isso pode ser perigoso, ele disse
secamente.

— Pare. Por um segundo nos vi como outros fariam. Nós


parecemos um casal que está junto há tanto tempo que eles
têm pouca necessidade de palavras.

— E isso te pareceu engraçado?

— Sim, eu não acho que nenhum de nós poderia ser um


casal suburbano normal. Ir trabalhar, voltar para casa, eu
cuidando da casa, você cortando a grama. — Ela não esperou
que ele respondesse, mas deu outra garfada de comida e
mastigou-a cuidadosamente. — Não negarei que sonhava com
uma vida assim. Eu queria uma família e um cão. — Desta
vez, sua risada era um pouco triste.

— Eu não acho que você tem muita sorte misturando o


estilo de vida que descreveu com a equipe Ômega. Se você
fosse minha, não a colocaria nessa situação totalmente
absurda. Se dependesse de mim a manteria descalça e
grávida ou amarrada à minha cama pronta para o meu
prazer.

Bum! Taz deixou cair o garfo. As palavras “eu aceito”


estava na ponta da língua. Apesar de fingir, o homem sentiu
algo por ela também. Pelo resto do jantar, assumiu uma nova
missão.

Seduzir Deacon Jones.

Deacon percebeu que a surpreendeu. Bom. Deu uma


pequena dose de como ele se sentia.
E como ele se sente? Como se estivesse saindo de sua
pele. Por um lado, encontrou uma paz com ela que não sentia
há anos. Mas, ao mesmo tempo, a queria tanto.

— Quer mais? — Ela perguntou, oferecendo-lhe mais


comida, dando-lhe um sorriso tímido, então lambendo o lábio
inferior.

— Uh, sim. — Ele pegou o prato dela e serviu-se. —


Aqui, deixei um pouco para você. Você é magra demais. —
Ela não era, tudo dela era malditamente quase perfeito.

Taz aceitou a comida, enchendo seu prato. Mas se


recusou a deixar o seu comentário passar.

— Que parte de mim precisa de mais comida? —


Segurando seu olhar, correu as palmas das mãos sobre os
seios e até a cintura.

Observando-a, hipnotizado, Deacon engoliu em seco e


um pouco de cebola desceu pelo lado errado. Quando
começou a tossir, Taz levantou e ficou atrás dele, batendo em
suas costas.

— Aqui, beba isso. — Ela entregou-lhe o copo de água.

Ele tomou um gole e engoliu, tentando recuperar o


fôlego. Depois de alguns segundos, conseguiu se
recuperar. Ela estava tão perto que podia sentir o calor de
seu corpo. Seu coração acelerou com força, seu sangue
pulsando em suas veias. E quando passou os dedos suaves
por sua bochecha, ele desistiu. Tomando-a pelo braço,
puxou-a para o seu colo e cobriu a sua boca com a
dele. Depois de anos de solidão, ele se sentia vivo.
Onde quer que ele a tocou, Taz se sentia como se
estivesse pegando fogo. Ele estava beijando sua boca com
desespero, suas línguas colidindo. Segurou-o com força,
beijando-o de volta com todo o desejo em seu coração.

Com os olhos fechados, Deacon saboreava o gosto


dela. Passou a mão pelas costas, puxando-a o mais perto
possível, os fundindo. Excitação queimava por ele como um
incêndio. Mais e mais beijou seus lábios, lambendo e
mordendo, chupando sua língua apenas para ouvi-la
ronronar. Quando se moveu para respirar, encontrou Taz
olhando para ele com uma expressão de êxtase puro no
rosto. Seus olhos corriam de sua boca para os olhos, em
seguida, de volta para sua boca.

— Deacon, por favor... — Ela levantou o rosto, unindo


suas bocas, levando o que queria. Não teve força para afastá-
la.

Taz passou as mãos sobre seu peito, em seguida, até o


pescoço e sua mandíbula. Não conseguia o suficiente
dele. Ela aprofundou o beijo, compensando o tempo perdido
quando não tinha ninguém. E quando ele a empurrou
gentilmente, ela gemeu.

— Deacon.

— Taz, não, — ele sussurrou. Ela estava olhando para


ele como se fosse a única coisa que ela podia ver. E Deus
Todo-Poderoso, como queria acreditar nela.

— Não? Por quê? — Sua baixa voz rouca vibrou pelo


corpo de Deacon.
— Não é uma boa ideia. — Ele gentilmente a tirou de
seu colo. — Vou limpar a cozinha enquanto você vai se
preparar para dormir. Tenho certeza que gostaria de tomar
um banho.

Taz não sabia se ria ou chorava por causa das suas


habilidades de sedução.

Depois que ela se foi, Deacon fez um punho e bateu em


uma das portas de armário com tanta força que a quebrou.
Como ele deveria sobreviver a isso? Ela estava em sua casa,
dormindo enrolada em seus lençóis, mesmo agora estava nua
em seu chuveiro. Segurando sua mão machucada, descansou
a cabeça contra a geladeira de aço inoxidável. Apenas o
pensamento da água correndo sobre cada centímetro de seu
belo corpo o fez fraco.

— Porra! — Ele gemeu.

No outro quarto, Taz estava triste. Ele a queria. Seu


corpo não podia mentir. Sentiu o quão duro estava sob seus
quadris. Ela sentiu-o estremecer sob seu toque. Provou a sua
paixão. Então, por que estava empurrando-a para longe?

Ela tomou banho e estava agora olhando para a janela


escrevendo seu nome no vidro embaçado. Outra coisa estava
acontecendo, mas o quê? Como um amante de mistério, ela
começou a tentar analisar objetivamente a situação. O que
faria um homem puxá-la para perto com uma mão e afastá-la
com a outra? Era ela? Estava atraído por ela ou se ressentia
por quem ela era? Era algo sobre o seu passado? A esposa
dele? A guerra?

— Deacon! — Ela respirou em frustração, assistindo sua


respiração fazer uma pequena nuvem na janela.

Afastando-se da janela, foi sentar-se na


cama. Alcançando o controle remoto, ligou a TV e escolheu
um canal que estava passando um filme. Quando ela chegou
pela primeira vez na América, assistiu a rede “game show” e
“CNN” para aprender sozinha como falar corretamente. Mas o
que tinha absolutamente se apaixonado era com filmes
antigos. Puxando um travesseiro para o pé da cama, deitou
de barriga para baixo, com o queixo apoiado nele. Sua
atenção não estava totalmente no filme passando diante de
seus olhos, mas sobre o que aconteceu com Deacon
anteriormente. Até que abruptamente sentou-se observando
uma mulher tentando entrar pela janela do quarto de um
homem e ir na ponta dos pés até sua cama. Ele estava de
frente para a outra direção e não estava ciente até que ela
pegou os lençóis e deitou a seu lado. Taz sentou-se na cama,
totalmente absorta na história se desenrolando. Prendendo a
respiração, colocou a mão sobre seu coração quando a atriz
tocou no ombro de seu amante e ele virou-se, surpreso. O
que faria? Para seu alívio, o homem abriu os braços e saudou
a mulher, puxando-a para um beijo. Esta foi sua
resposta. Será que ela teria coragem? De pé, olhou para a
porta e decidiu que era hora de tomar o assunto em suas
próprias mãos.
Em sua cama, Deacon esfregou seu joelho, fazendo
amplas varreduras. Mesmo antes de olhar, a dor em seu
membro fantasma lhe disse que uma tempestade estava se
aproximando. Ele virou-se para a janela e viu o relâmpago no
céu noturno. A única coisa doendo mais do que a perna era
seu pênis inchado. Como conseguiu se afastar dela de
novo? Havia um tipo especial de inferno reservado para
idiotas como ele. Amanhã ele a entrevistaria, em seguida,
enviaria sua própria sedutora pessoal embora.

Fora de seu quarto... Taz hesitou, ganhando


coragem. Se dependesse de sua sorte, Deacon iria matá-la
antes que ela fosse capaz de convencê-lo a recebê-la na
cama. Murmurando uma oração rápida para o São Judas
Tadeu, o pai das causas perdidas, abriu a porta tão
silenciosamente como pôde. O vento pegou e chuva estava
soprando contra a casa, então talvez o barulho mascaria a
sua entrada.

Ela prendeu a respiração, esperando um grito irritado


ou uma explosão. Quando não houve nenhum, empurrou a
porta o suficiente para passar. A primeira coisa que notou foi
que um raio de luz brilhava através do banheiro. Ela seguiu o
caminho do feixe e teve que morder o interior de sua
bochecha para não gemer. Como a cena do filme que inspirou
esta ação possivelmente perigosa, Deacon estava deitado de
lado olhando para o outro lado. Mas o que podia ver dele
quase parou seu coração. Ele estava nu e os músculos de
suas costas nuas e ombro chamavam seu toque. O lençol
estava em seu quadril, seu corpo parecia esculpido e
absolutamente adorável. Querendo sentir pele contra pele, ela
passou a camiseta que vestia sobre sua cabeça. Sabendo o
que ele poderia fazer com ela se o surpreendesse, Taz achou
melhor chamar o seu nome.

Um sorriso brincou em seus lábios. Um filme americano


que ela gostava era Senhor e Senhora Smith, a história de
dois espiões que tiveram uma relação tumultuada. Agora, ela
se sentia como Angelina Jolie subindo em Brad Pitt.

— Deacon?

Os olhos de Deacon estavam fechados. Sua mão estava


preguiçosamente acariciando seu pau, relembrando. Droga,
ele quase podia ouvir sua voz.

— Deacon? — Taz colocou um joelho na cama, quando


ela tocou seu ombro. Como no filme, ele se virou de costas,
com os olhos arregalados de surpresa. Mas ao contrário da
estrela do filme, Deacon não sorriu. Emoções surgiam sobre
seu rosto mais rápido do que Taz poderia entendê-las.

Crua necessidade pulsava através dele. Em um


momento estava sozinho e no próximo ela estava perto dele,
seus cheios peitos balançando na frente de seu rosto como
uma deliciosa fruta madura.

— Taz? — Ele sussurrou, ainda não tendo certeza se a


visão diante dele era real ou um produto de sua
imaginação. Seus olhos a percorriam, seus cabelos sedosos
pendurados em ambos os lados do rosto, ombros delicados e
o resto de seu corpo completamente nu e lá para ser tomado.

— Eu não poderia ficar longe.


Como antes, uma pitada de seu sotaque original poderia
ser ouvido-melodioso e quente. Ondas de emoção conflitantes
caíram sobre ele. Precisava abrir os braços em boas-vindas,
mas ao mesmo tempo queria afastá-la antes que descobrisse
que ele não era o homem que achava que conhecia. Alguns
segundos passaram quando seu coração e mente lutavam até
que ela tomou a decisão de suas mãos, vindo para ele,
esticando seu belo corpo ao lado do seu, suas mãos
encontrando seu peito, a boca em busca da sua e Deacon
perdeu a capacidade de pensar, ele só podia sentir.

Taz suspirou de alívio, enquanto ele a puxou para a


cama, envolvendo seus braços em torno dela, seu corpo
contra o dela. Seus olhos estavam selvagens, seu grande
corpo tomando o dela quando seu corpo tremendo a abraçou
com força. Suas mãos subiram para tocar seu rosto, para
deslizar sobre sua mandíbula, a textura áspera de sua nuca
fazendo cócegas em sua palma.

— Eu quero você, Deacon.

Sofrimento guerreava com o desejo. Aqui estava ela em


seus braços, em sua cama, exatamente como ele sonhou.
Deveria afastá-la novamente ou ele poderia tomá-la, fazer
amor com ela sem ela saber? Deveria dizer a ela agora e
arriscar que se afastasse ou esperar até depois, em seguida,
assistir seu rosto alterar de saciedade para nojo? Esta não
era uma escolha que queria fazer.

— Você está me rasgando em pedaços, — confessou.


Taz levantou, juntando seus lábios nos dele para um
beijo suave.

— Diga-me o que fazer, — ela sussurrou, querendo


apenas amenizar a aparência de tormento em seus olhos. —
Eu não o agrado?

Deacon gemeu, um rugido selvagem de angústia.

— Você me agrada muito. — Ele fechou os olhos e


enfrentou seus demônios. Agora era a hora de acabar com
isso de uma maneira ou de outra. Tirar o curativo e expor
não só a falha em seu corpo, mas a ferida em sua alma. — Eu
escondi algo de você, — ele começou com palavras pomposas.

Taz se esforçou para ver o rosto dele claramente.

— Você ama outra? — A pergunta saiu de seus lábios


enquanto a possibilidade queimava através de seu cérebro.

Ele fechou os olhos como se estivesse com dor.

— Não. — Ele jogou para trás o lençol. — Eu fui ferido


no Afeganistão. Voltei metade de um homem.

Seu ato não fez qualquer sentido por um


momento. Como poderia alguém ser metade de um
homem? Ela não entendeu sua alusão até que seus olhos se
moveram sobre seu peito perfeitamente esculpido, abdome
definido, sua masculinidade ereta, coxas fortes e.... apenas
uma perna abaixo do joelho.

— Oh, Deacon, — ela sussurrou, dor perfurando sua


alma.
Durante seu tempo como um SEAL, seu quociente de
inteligência foi medido. Ele não era inteligente como Einstein,
mas ele não era burro também. Ele não teve nenhuma
dificuldade para ler Natasha, não era preciso ser um gênio
para ver e ouvir a pena atordoada em seu rosto ou na sua
voz. Deacon sentiu que estava preso sob um fluxo de lava
lenta vergonhosa tão quente que rolava sobre ele.

— Sim, pobre Deacon. — Ele rolou, dando-lhe as


costas. — Feche a porta quando sair. — Isso era pior do que
ele imaginou, muito pior. Ter esta mulher forte vê-lo como
menos, rasgou seu espírito. Ficou tenso, esperando o som da
porta.

Às vezes, o tempo para. Uma revelação tão inesperada


varre o chão de seus pés. Taz vacilou quando soube que
Deacon foi ferido, parte de seu corpo violentamente
arrancado. Como ele deve ter sofrido! Quando processou esta
informação humilhante, a percepção de que ele esperava que
ela o rejeitasse bateu Taz tão forte que perdeu a capacidade
de respirar.

— Não, não, — ela eliminou a distância entre eles,


pressionando seu corpo nele, passando a mão sobre seu
peito, selando seus lábios em um ponto entre as
omoplatas. — Eu não vou te deixar.

Deacon ficou imóvel, com medo de respirar, com medo


de pensar, medo de ter esperança. Ele não podia interpretar
mal suas ações.
— Eu não preciso de sexo por pena, Levin. Eu não sou
inteiro, eu tenho um coto nojento onde minha perna
costumava estar. Não finja que isso não embrulha o seu
estômago. Minha esposa não poderia mesmo olhar para ele,
muito menos me tocar ou me permitir tocá-la.

Carinhosos sentimentos de proteção encheram o peito


de Natasha. Seu desejo por ele só cresceu. Ela o tinha
colocado em um pedestal, um deus da guerra, como se fosse
indiferente e não fosse afetado pelo que ocorria à sua
volta. Mas isso não era verdade, tudo o que ela descobriu
recentemente confirmou que ele era quente, era real e poderia
ser ferido. Mas nunca por ela. Ela o entendia muito melhor
do que ele achava.

— Eu não acho nada indesejável sobre você. Nossas


imperfeições apenas provam que somos reais, estamos
vivos. Nada e ninguém é perfeito.

— Você é. — Ele permaneceu de costas para ela, mas ele


não se afastou.

— Longe disso. — Ela beijou-lhe onde seu ombro


encontrava seu pescoço. — Eu tenho cicatrizes também.

— Eu não acho que um punhado de sardas podem ser


consideradas imperfeições, — ele resmungou, sua pele se
excitando quando sua mão deslizou sobre seu quadril e para
baixo em sua coxa. Antes que ela pudesse ir mais baixo, ele
virou, olhando-a nos olhos. — O que mais você tem? Uma
marca de beleza? Mais tatuagens?

— Eu vou te mostrar.
Para surpresa de Deacon, ela se levantou da cama e
acendeu a luz no teto. Seu primeiro movimento instintivo foi
fechar os olhos e o segundo foi garantir que o lençol cobria o
seu coto.

— O que diabos você pensa que está fazendo?

— Desnudando minha alma para você.

E então ele olhou para cima... e olhou. Deus, ela era


linda. Mas quanto mais perto ela vinha e ela veio até a cama
e, em seguida, subiu nela, vindo a se ajoelhar ao lado dele,
melhor ele podia ver a teia de cicatrizes em seu corpo. Elas
estavam desbotadas, linhas brancas fracas que cruzam seus
braços, abdômen e pernas. Algumas tinham sulcos e algumas
ficaram retas, mas todas eram visíveis e eram um
testemunho de seu sofrimento.

— Meu Deus, Natasha. O que eles fizeram com você?

— Ele me cortou, ele nomeou como “uma morte por mil


cortes”. Para ter tudo isso removido, eu teria que suportar
muitas horas de cirurgia, mas eu não quis. Essas cicatrizes
provam o quanto eu amava meu pai. Sua feiura não me
define, minha falta de vontade de trair e o meu amor, o
define.

Deacon desviou o olhar, incapaz de compreender a dor e


o medo que resistiu e a mulher incrível que ela era agora.

— Ninguém deveria ter que... — ele não poderia dizer


mais, ele sentiu como se estivesse sendo sufocado.
Taz permaneceu na cama por mais um momento, antes
que ela começasse a se afastar.

— Eu penso que você é.... como é que eles dizem? — Ela


engoliu em seco. — Um homem e tanto. Se sacrificou
bastante. — Ela levantou-se da cama e se abaixou para pegar
sua camiseta para cobrir o corpo que queria compartilhar
com ele. — Eu entendo que você não quer estar comigo, mas
não desista disso porque sua esposa era indigna de seu amor.

Às vezes, ele era apenas lento para captar as coisas,


mas Deacon finalmente percebeu o que ela estava dizendo e
que estava prestes a ir embora deixando-o sozinho mais uma
vez.

— Pare, Levin! Não mova um maldito músculo, — ele


gritou. Taz obedeceu, os braços já nas mangas da camisa. Ela
levantou a cabeça e olhou diretamente em seus olhos e ele
pode ver lágrimas brilhando em seus belos olhos
profundos. — Onde você pensa que está indo?

— Voltar para o.... quarto de hóspedes.

Com uma respiração profunda, ele jogou o lençol para o


pé da cama, expondo seu coto, em seguida, bateu no
colchão.

— Coloque seu belo traseiro aqui e me deixe aproveitar


de você.

Taz sentiu seu coração tremer.

— Você me quer?

Deacon sustentou seu olhar.


— Mais do que você jamais poderia saber. — O sorriso
que ela lhe deu em troca de suas palavras valia um bilhão de
dólares.

— Ok, aqui vou eu. — Ela jogou a camisa e se lançou


para ele e Deacon a pegou, rolando-a sob ele. Sua boca
estava apenas um centímetro da dela, tão perto que suas
respirações se misturaram. — Assim está melhor?

— Muito melhor, — ele respirou enquanto seus lábios se


tocaram. Isso... isso era o que ele precisava. Desejava-a
completamente, descontroladamente, além da razão. O beijo
que começou suave tornou-se duro. Ela gemeu quando ele
enfiou a língua em sua boca, saboreando sua doçura.

— Meu guerreiro, — ela sussurrou enquanto o pegou


pelo pescoço e puxou-se para mais perto. Deacon sentiu algo
descongelar ao redor de seu coração. Nenhuma mulher
jamais lhe deu mais prazer do que isso. Passando seus dedos
em seu cabelo castanho espesso, permitiu-se a ilusão de que
isso era mais do que apenas uma noite, que iria deixar de
lado suas ambições e se contentaria em deixá-lo cuidar dela.
Deacon fingiu que lá era onde ela pertencia, que ele nunca
mais teria que enfrentar outra noite solitária nesta cama.

Deacon deslizou a palma da mão levemente sobre seu


corpo, seu toque sensível o suficiente para que pudesse sentir
as cicatrizes em seu corpo. Ele acariciou, esfregou,
acariciando quando ela o beijou com entusiasmo total. Antes
que ele pudesse parar, visões de Sylvia vieram e na
comparação, sua ex-mulher era muito inferior.
Enquanto ele adorava seu corpo, acariciando seus seios,
amassando seu quadril, a mão dela estava ocupada
também. Estendeu a mão para sua coxa e puxou a perna, a
perna amputada, em cima dela. E ele sabia que o que ela
estava fazendo era simples, não estava apenas o aceitando e
sim o recebendo. Quando tentou se afastar para olhar mais
uma vez em seu rosto bonito, ela não lhe permitiu, pegando
seu lábio inferior entre os dentes. Droga, seu controle
escorregou e seu pênis subiu, batendo contra ela. Quando ele
rosnou, ela era a pessoa que puxou para trás e com um
pouco de risada, perguntou:

— Você gostou disso?

— Obviamente... gosto muito. — Ele precisava obter o


controle, ir mais devagar.

— Não é possível, — ela sussurrou, mordiscando o lábio


inferior.

— Levin, me escute. — Ele acariciou um dedo em seus


lábios inchados da paixão.

— O quê? — Ela se afastou um pouco para vê-lo


melhor. Sonhadora, o estudou, o rosto cheio de
admiração. Ele nunca esqueceria a forma como olhou para
ele, mesmo que vivesse até os cem anos. Confiança,
aceitação, paixão, exatamente o que estava ausente por tanto
tempo.

— Isso não vai mudar nada. — Mesmo enquanto fazia


seu pronunciamento, ele sabia que estava errado. Isso
mudaria tudo. Para ele.
Ela considerou suas palavras, tentando entender o que
estava dizendo a ela. Onde momentos atrás seu coração foi
luz, agora ele se sentia sobrecarregado com pesar para o que
poderia ter sido. Se ele estava achando que ela iria fazer
exigências, não a conhecia muito bem. Esta talvez fosse a
única noite que Taz poderia ter com ele, mas seria uma noite
que ela se lembraria.

— OK. Não espero nada. Estamos vivendo o momento.

— Bom. — Ele não ia mudar de ideia só porque ela e


Deus lhe deram um presente incrível. — Agora, onde
estávamos?

Ele estava olhando para ela com todo o calor que Taz
poderia ter desejado. E daí que ele não poderia oferecer
mais? Ela não tinha espaço em sua vida para qualquer coisa
permanente. Mesmo que a lógica estivesse em seu cérebro,
havia uma parte dela que concordava com esta ideia.

— Aqui, — ela disse, com o rosto tão perto do


dele. Deacon tinha os cílios espessos para um homem e os
mais profundos olhos azuis. Seu guerreiro era assombrado
pelo passado. Ele pode não querer o para sempre com ela,
mas Taz poderia afugentar as sombras de seus olhos.

— Bom lugar para estar. — Ele apertou a perna em


torno dela e puxou-a perto o suficiente para que eles
estivessem totalmente se tocando. — Eu amo seu corpo.

Taz observava seus lábios formar as palavras.

— Eu amo o seu também. — Sua boca era grande e


cheia, mas completamente masculina, cheia de confiança e
poder. Ela sabia que Deacon possuía essas coisas em
abundância. A única coisa que não gostava era que ele não
confiava no futuro deles. Esse terrível equívoco era algo que
ela poderia mudar.

— Você não tem que mentir para mim.

— Se você não pode acreditar em minhas palavras,


acredite nisso. — Ela empurrou seu ombro até que ele estava
completamente de costas na cama, então ela subiu nele,
cobrindo seu corpo com beijos e carícias. Começando no seu
pescoço, ela o banhava com a língua, traçando os músculos,
dando pequenas mordidas no seu abdome tanquinho. Deacon
gemeu. Ela se moveu mais para baixo, beijando pela trilha
sexy da pele de seu peito até a parte dele que lhe deu tanto
prazer.

Deacon prendeu a respiração, mas ela passou o lugar


onde ele a queria mais... para encontrar o lugar onde
precisava mais dela. Com os lábios, com seu beijo, ela
mostrou que não havia nenhuma parte de seu corpo que ela
poderia não apenas olhar, mas tocar. Ela segurou o lugar
onde a perna foi arrancada e ela o curou com seu beijo.

— Taz... Natasha... — Ele colocou uma mão em sua


cabeça, prendendo os dedos em seu cabelo.

Ela não se apressou, mas começou seu caminho de


volta. Deacon prendeu a respiração quando ela pegou seu
pênis na mão, plantando beijos desde a base até a
ponta. Seus quadris se levantaram involuntariamente quando
Taz fez o mesmo caminho com a língua, lambendo
delicadamente de suas bolas até a cabeça.

— Você é tão grande, — ela sussurrou, posicionando a


mão ao longo de seu eixo, medindo da raiz até a ponta. — Eu
adoro sentir como você é. — Deacon gemeu quando tentou
cercá-lo com sua mão pequena. Agarrando sua cintura, o
deixava louco, sua respiração sibilante em sua boca. A
necessidade dela causava desejo atravessando-o como um
relâmpago. Seu pênis saltou na sua mão e ela riu. — Você
gosta disso?

— Você. Eu gosto de você. — Realmente não entendia


porquê, mas se importava com que ela soubesse que era
diferente e única. Seus quadris empurraram enquanto ela o
acariciava. Ele gemeu o seu nome. — Natasha, minha Taz. —
Porra, até mesmo o seu toque era diferente de qualquer outra
pessoa. Ela o acariciava como se ele fosse querido, tocou-o
como se fosse quebrar, o masturbava como se não quisesse
fazer mais nada. Com Taz, tudo era diferente, novo. Quando
sussurrou seu nome, ela ergueu os olhos para ele. Taz
lambeu os lábios e Deacon sabia que queria senti-los
envolvidos em torno de seu pênis mais do que queria o sol na
manhã seguinte. — Não brinque comigo.

— Oh, eu acho que é exatamente o que você quer que eu


faça. — Dando-lhe um sorriso tímido, ela ficou entre as
pernas e beijou a ponta, abrindo os lábios e deixando-os
deslizar sobre a cabeça, com uma sucção animada. Seus
olhos se encontraram quando esfregou o final sensível de seu
pênis com a ponta da sua língua.
— Puta merda, — rosnou, levantando seus quadris
novamente, não resistindo como antes. Desta vez, ele os
manteve no ar como se estivesse suplicando. Ela não
decepcionou, firmemente envolvendo seus lábios em torno de
sua base grossa quando ele deslizou seu grande comprimento
de cima para baixo contra a pequena língua quente. Incapaz
de se controlar, torceu o cabelo em torno de sua mão,
controlando o quão profundo e quão rápido fodia sua boca. E
nada que ele fazia parecia ser demais. Deacon estava
encantado com a maneira como o chupou, como se não
houvesse mais nada no mundo que ela gostasse. Ecstasy, ele
não tinha problemas para reconhecer enquanto bombeava
dentro e fora dos seus lábios doces.

Logo, o prazer roubou seu controle.

— Estou prestes a gozar, deixe-me... — Ele tentou sair


da sua boca, mas Taz cerrou o aperto de veludo de sua boca e
punho, convencendo-o que queria continuar. Não havia nada
no mundo como a sensação de sua pequena boca quente
queimando uma trilha descendo o seu pênis. Ela não lhe
mostrou nenhuma misericórdia. Uma mão bombeava seu
pênis, logo abaixo de seus lábios indo até a raiz e a outra mão
massageava suas bolas doloridas. — Você é linda, —
murmurou enquanto levantava uma mecha de seu lindo
cabelo vermelho e segurou-a contra a lateral de seu rosto
enquanto subia e descia em suas mãos.

O elogio dele a fez sorrir e isso o fez rir. Alegria que não
sentiu em anos caiu em cascata sobre ele como chuva que dá
vida. Para provocá-lo, ela piscou e o raspou com os dentes e
foi quando se perdeu. Sentando-se, segurou sua cabeça
enquanto se movia dentro e fora de sua boca, rápido, mais
profundo, sempre observando o seu rosto para se certificar de
que não ia além do que ela queria. Mas não houve protesto,
aceitou tudo dele até que ele gozou duro, banhando o fundo
da sua garganta com seu esperma quente.

— O que você faz para mim, — admitiu sem fôlego.

Taz não o deixou ir, ela pediu a ele para ficar em sua
boca enquanto ela o acalmava com suaves sucções e
pequenas lambidas, amolecendo-o um pouco de cada vez. Ele
fechou os olhos e apenas mexeu os quadris suavemente, até
que a felicidade foi tanta que mal podia suportar. Quando ele
finalmente se afastou, ela mandou-o embora com um último
beijo no pênis cansado. Deacon estava em êxtase, nunca
esteve com qualquer uma que mostrou seu puro prazer de
estar com ele tão abertamente e honestamente.

— Você me faz ficar doido, mulher.

— Ah, eu espero que você faça o mesmo por mim.

Deacon riu.

— Oh, eu pretendo. — Quase com reverência, a puxou


para ele e começou a acariciar seus seios, seus dedos
roçando sua maciez como se fossem asas de borboleta. Ele
viu seios maiores, mas nenhum tão perfeito. Redondo e
gordo, que inchava com seu toque, convidando-o para tocar e
apertar. Taz choramingou e gemeu, arqueando as costas e
empurrando a carne firme na palma da mão. Para o seu
prazer, quanto mais ele brincava com ela, mais duro seus
pequenos mamilos se tornavam. Dando um aperto firme, ele
engoliu seu suspiro ofegante, beijando-a profundamente.

— Faça isso de novo, —sussurrou, quando Deacon


moveu os lábios, fazendo-a ofegar assim como ele. Então, fez
de novo e de novo. Ela se retorceu contra ele, exigindo mais e
mais. E Deacon não queria nada mais do que lhe dar
prazer. Tomando o mamilo entre o indicador e o polegar, deu
um pequeno aperto, em seguida, um mais duro, fazendo com
que Taz gemesse e levantasse os quadris para empurrar
contra seu pênis. Deus, ele estava perdido. Estava tendo mais
diversão ao jogar na cama com Taz, do que já teve com
qualquer outra.

Ele deu um beijo mais duro e, em seguida, foi para o


final da cama, substituindo as mãos em seus seios pela boca,
lambendo, mordiscando, amando-os até que ela gritou:

— Por favor, Deacon.

Deacon sorriu, agora seria a vez dela de sentir o


raio. Empurrando-se ainda mais baixo na cama, ele
empurrou as suas pernas abertas.

— Abre mais, por favor. — Ela obedeceu, sua pele


ficando vermelha. Sua mulher bonita estava corando toda. —
Você é perfeita. — Sua vagina era tão delicada quanto o resto
do seu belo corpo. Usando as duas mãos ele abriu sua boceta
e viu as dobras rosas macias florescerem sob o seu
olhar. Com adoração, beijou no pequeno botão pulsante de
seu clitóris. Ela era um paradoxo, tão capaz e corajosa, mas
tão inegavelmente feminina. Poderia ir até os confins da terra
e não encontraria nenhuma mulher mais perfeita para ele...

— Deacon, eu vou.... Maçãs... laranjas... alguma coisa,


— ela gemeu.

— Bananas, — ele disse, antes de recompensá-la com


uma lambida que a fez saltar. Na segunda e terceira, ela
abriu as pernas ainda mais, choramingando a cada toque e
beijo.

— Deacon! — Ela gritou quando ele cobria seu clitóris


com a boca e chupava. — Agora, por favor, agora!

Em breve. Em breve. Mas não até que desse o mesmo


que ela lhe deu. Usando lábios, língua e os dedos, acariciou e
esfregou com cada vez maior intensidade até que ela
endureceu e engasgou. A tensão estalou e o êxtase surgiu
através dela em ondas.

— Esse é o meu bebê, esse é meu bebê. — Deacon


deslizou por seu corpo e abraçou-a, embalando-a através de
espasmos e tremores.

— Obrigada, — murmurou. Taz não sabia o que era


melhor: o orgasmo ou que ele estava segurando-a como se
fosse importante. Ela se orgulhava de nunca mais se sentir
fraca ou necessitada, mas este homem deu-lhe ambos os
sentimentos de uma forma que a fez desesperadamente feliz
que ela era uma mulher. — Agora, podemos ir para as coisas
boas?
Sua pequena observação resoluta o chocou, então
Deacon jogou a cabeça para trás e riu
ruidosamente. Maldição, ela era divertida.

— Você não gostou?

— Oh, sim, gostei muito, — ela


assegurou. Emoldurando seu rosto, beijou-o à direita na
boca. — Mas há uma parte de mim que se sente vazia e
dolorida. Você pode fazer melhor.

— Eu acho que entendi...

— Venha aqui. — Ela puxou para perto, colocando sua


perna esquerda sobre a coxa direita, levantando e esfregando
contra ele, vagina contra pênis, seios aninhados contra seu
peito. Sentiu seus mamilos endurecer quando tocaram nos
cabelos do peito dele. — Agora, me fode. Será que eu disse
isso direito?

Deacon estava beijando seu pescoço e ela podia sentir


seu sorriso contra sua pele.

— Oh sim, a frase construída com mais precisão que já


ouvi. — Ele deslizou a mão entre eles e guiou seu pau direto
para onde pertencia, aconchegando-o no poço quente de sua
vagina. — Olhe para mim, — sussurrou quando notou que
seus olhos estavam fechados.

Saindo de uma nuvem de euforia, Taz seguiu sua


direção.

— É tão bom, — murmurou, saboreando o que sentia ao


estar tão intimamente ligada ao homem que desejava acima
de todas as coisas. Precisando que ele se sentisse da mesma
forma, ela apertou-se em torno dele. — Oh, Deus, — ela se
sentia ainda melhor.

— Porra, Taz! — Ele gemeu, seus olhos rolando com


prazer.

— Sim, eu concordo, foda Taz! — Ela lhe deu uma


segunda ajuda, apertando sua vagina em seu pênis.
Levantando-se contra ele, ela o levou tão profundo quanto
podia.

— Sim, senhora. — Colocando uma mão em seu quadril,


ele a firmou. — Devagar, bebê, eu não tenho o melhor
equilíbrio do mundo.

— Segure-se em mim. Eu serei sua âncora.

Ele segurou uma mão em seu quadril e a outra


descansava perto de sua cabeça, com os dedos entrelaçados
em seu cabelo, seus lábios cobrindo os dela. Sua língua
entrava em sua boca no mesmo ritmo que seu pênis
bombeava em sua vagina. Ela aceitou tudo o que ele tinha
para dar, seus dedos massageando seu pescoço, as unhas de
sua outra mão deslizando ao longo da pele das costas. Uma e
outra vez, ele enterrou-se profundamente, sabendo que
estavam cada vez mais perto do clímax. Quando ficou rígida,
congelada, Deacon levantou a cabeça apenas para ver a
maravilha em seu rosto.

— Deacon!

Alguns momentos são dignos de serem marcados entre


as páginas de sua mente. Ele se acalmou, não queria perder
nenhum momento enquanto gozava ao redor dele. Absorveu
cada ondulação, cada tremor, cada doce contração. Se as
coisas fossem diferentes... se o futuro pudesse ser recuperado
a partir das cinzas do passado, ele nunca mais a deixaria
ir. A euforia do orgasmo dela despertou o dele e Deacon
sentiu o inevitável começar. Suas bolas apertaram, um
formigueiro irresistível entrou em erupção na base de sua
espinha. Cegamente, febrilmente, bombeava dentro dela, até
que, com um grito rouco, ele explodiu. Arfando sua
respiração, seu pau sacudindo, sua essência jorrando dentro
dela, tornando-os um.

Deacon jogou as cobertas sobre eles. Taz estava


dormindo, abraçando-o como um gatinho. Ele passou a mão
pelo seu lado, reavaliando sua vida. O que ela provou a ele
nesta noite jogou, tudo o que acreditava ser verdade,
fora. Esta mulher incrível invadiu sua vida e mostrou-lhe que
ele não tinha nenhum defeito, não era metade de um homem,
era completo e digno como qualquer outra pessoa. Deacon
não sabia o que fazer com isso. Ele construiu muralhas em
torno de si tão altas quanto as falésias que formam a base de
sua casa.

Incapaz de se conter, esfregou os lábios no topo da sua


cabeça. Quando fez isso, uma dor apunhalou seu
coração. Ela era pequena, era suave. Era tão extremamente
inteligente e corajosa. E queria se arriscar em um trabalho
onde a expectativa média de vida de uma pessoa era
literalmente cortada pela metade. Se ela se juntasse a equipe
Ômega, seria convidada a ir a lugares perigosos e fazer coisas
arriscadas que a ameaçariam ao longo da vida, várias
vezes. Ele sabia que nunca seria capaz de se olhar no
espelho, se fosse o único responsável por colocar sua vida em
perigo, de jeito nenhum.

Amanhã, ele teria a oportunidade de fazer perguntas,


poderia entender por que ela estava tão decidida a se pôr em
perigo por causa de um país que nem mesmo nasceu. E o que
quase o matou foi o quanto ela queria. E Deacon realmente
não sabia o porquê. Será que nunca estaria satisfeita em
viver uma vida normal? Ele tentou parar o pensamento,
porque uma vez que imaginasse essa possibilidade, a imagem
iria assombrá-lo para o resto de sua vida. Mas não pode
parar de imaginá-la nos próximos dez anos, deitada como
está agora, com ele.

O sono demorou um tempo para chegar, mas quando o


fez, teve sonhos impossíveis, sonhos de um homem, uma
mulher e uma menina com cabelo ruivo e sardas nas
bochechas.
Taz afundou no travesseiro tentando ignorar os raios do
sol de inverno que brilhavam em seu rosto por entre as
fendas das venezianas. Abrindo os olhos, ela os estreitou, sua
mente lentamente processando que estava em uma cama que
não era a sua.

Deacon!

Ela se sentou na cama e lembrou de tudo o que eles


fizeram. Eles fizeram sexo de forma incrível, selvagem e
maravilhosa. Ela dormiu nos braços de Deacon, o travesseiro
ainda tinha a marca da cabeça dele. Cedendo ao seu impulso,
colocou o rosto no travesseiro e o cheirou. O homem cheirava
a céu.

Na noite passada, ela ficou chocada ao descobrir que foi


ferido em serviço e ainda mais arrasada ao descobrir que ele
pensava que sua deficiência pudesse fazer um pouquinho de
diferença na maneira como ela o via, ou o desejava.
Sentando, Taz jogou o lençol para o lado. Deacon Jones era
um homem forte, honesto, inteligente e gostoso para cacete.
Se ela tivesse a sorte de ter alguém para amar...

Chort vozmi15! Será que ela o ama? Caiu sobre o


travesseiro de uma vez. Seu coração estava batendo, as
palmas das mãos suavam e os sentimentos em seu peito
pareciam quase impossíveis de conter. Será que ele irá deixá-
la fazer parte de seu mundo?

Realmente não sabia, mas hoje era o dia de descobrir.

No andar de baixo... Deacon andava em seu escritório.


Sabia exatamente o que estava fazendo, estava escondido. Ele
fez café para os dois, ovos e bacon, em seguida, deixou o
prato dela no forno e se escondeu no escritório para comer
sozinho, onde estaria seguro. Sinceramente, acordar ao lado
dela era tão bom que não queria sair da cama nunca. E ao se
dar conta disso, levantou-se e correu para fora do quarto
mais rápido do que um relâmpago.

A cada barulho, ele ia até a porta para ouvir, tentando


determinar se Taz tinha descido pronta para começar o dia.
Céus! Ele passou a mão pelos cabelos em frustração. Ele
enfrentou o inimigo, se jogou em uma maldita granada para
salvar um amigo, no entanto, aqui estava ele, escondido
porque a mulher o fazia sentir coisas que pensou que nunca
faria.

15
Expressão russa que significa que algo teve um resultado diferente daquilo que fora esperado, mas
num sentido um pouco mais dramático.
Mas não foi isso o que vinha fazendo nos últimos anos?
Se escondendo? Sylvia o fez sentir coisas que nunca esperou.
Vergonha. Dúvida. Insegurança. E agora uma mulher
diferente, maravilhosamente diferente, estava fazendo-o
sentir coisas diferentes. Paixão. Ser desejado. Esperança.

— Deacon?

Ele ouviu sua voz. Na noite passada, quando foi até seu
quarto, ele pensou que a voz era invenção da sua cabeça.
Mas ela foi real, quente e tão sexy que só de pensar nela já
ficava duro como uma rocha. Novamente.

— Deacon?

Hora de encarar a fera.

— Estou indo. — Claro que sim, ele a fez vir várias vezes
na noite passada.16

Quando a encontrou, ela estava comendo o último


pedaço de bacon.

— Era para mim, eu espero, porque comi tudo. — Ela


andou alguns passos mais perto, esperando que fosse puxá-
la em seus braços e lhe dar um beijo.

— Era, eu já comi. Você está pronta?

— Sim. — Ela limpou seu prato, colocou na máquina de


lavar louças e seguiu-o de volta para seu escritório.

— Sente-se. — Ele apontou para uma cadeira perto da


janela. — Como você sabe, há algumas perguntas que tenho

16
Porque em inglês gozar é cumming, palavra que tem o mesmo som de comming (estar indo).
que fazer para saber se você é adequada ou não para a equipe
Ômega, é o melhor para você... e para nós. — Seus grandes
olhos de corça olharam diretamente para ele, um leve rubor
cobriu suas bochechas enquanto seus olhos se encontravam
sem conseguir desviar. Sim, ambos sabiam a verdade. Eles se
encaixavam como uma luva. Ela era tão apertada, perfeita
para ele.

— Compreendo.

— Então, me diga se você se considera russa ou


americana?

Sua voz era tão fria, que a fez estremecer. Taz colocou as
mãos sob as coxas para aquecê-las.

— Eu sou americana, passei em meu teste de cidadania.


Também sou russa por nascimento e sangue. Eu acho que
todos os americanos se identificam com o local de nascimento
de seus antepassados. Desde que eu estive na América, que
conheci ítalo-americanos, irlandeses americanos, afro-
americanos, americanos francês.

Ele levantou a mão.

— Eu entendi. — Deacon estava prestes a prosseguir,


mas ela começou a falar novamente.

— Quais são os seus antecedentes?

Deacon pareceu surpreso.

— Um pouco britânico, mas principalmente alemães.

— Seu pai ou avô eram suspeitos por causa do Hitler?

Seus olhos se estreitaram.


— Talvez. Mas você tem que admitir sua conexão é
imediata e irregular. Seu pai era um agente da KGB, a
agência responsável por crimes contra a humanidade.

Taz levantou a cabeça.

— Meu pai serviu o seu país. Eu não sei tudo o que ele
fez como KGB e FSB, mas ele reclamou quando pensou que
algo estava errado e desertou para expor os crimes que
testemunhou. Ele foi assassinado pela bravura que mostrou,
envenenado com polônio.

— O envenenamento por radiação. Sim eu lembro.

Engolindo em seco, Taz olhou para o chão.

— Ele sofreu terrivelmente por quase um mês antes de


morrer.

— Ele lhe contou os segredos dele?

— Alguns. Ele também trabalhou para a CIA e escreveu


alguns livros detalhando as atrocidades cometidas por um
regime que não apoiava.

Deacon franziu a testa.

— Se ele não apoiou os regimes, por que ele serviu as


agências de segurança?

Ela estudou seu rosto. Esta era uma pessoa


completamente diferente daquela da noite anterior. Ele agiu
como se nada tivesse acontecido entre eles.

— Para conhecer o inimigo bem, você sabe, mantenha


seus amigos por perto e seus inimigos mais perto ainda.
Ele soltou uma risada áspera.

— É por isso que você quer ser parte da equipe Ômega?

Taz empalideceu, não por culpa, mas pelo fato dele


pensar isso a seu respeito depois da noite que
compartilharam.

— Eu acho que nossas ações e a nossas perdas falam


por si.

Deacon fez uma pausa, como se estivesse considerando


o que acabou de dizer, antes de continuar.

— Por que você quer ser parte da equipe Ômega?

Ela não falou imediatamente, sabendo que o que falasse


poderia significar a diferença entre sucesso e fracasso.

— Eu tenho as habilidades para ser um bom membro da


equipe. — Ela olhou para ele buscando afirmação.

— Eu não posso negar isto.

A alegria que sentiu ao ouvir suas palavras foi de curta


duração. Havia um "mas" implícito que soava em alto e bom
som. Ele não estava convencido de que era sábio deixá-la
fazer parte da equipe Ômega.

— Gostaria de fazer um bom trabalho. Eu daria tudo de


mim. A contribuição que poderia dar seria inestimável. — A
voz dela sumiu e se moveu em seu assento. O que teria a
perder? — Eu também preciso de um lugar que me encaixe,
que as pessoas consigam me entender.

Deacon bateu a ponta da caneta num bloco de


anotações. Ah, agora eles estavam chegando a algum lugar.
— Por que seu pai a treinou? Não teria sido melhor
afastá-la dessa vida?

Ela tentou dar a resposta mais direta.

— É claro que meu pai queria o melhor para mim. Seu


desejo de me proteger e dar oportunidades infinitas, por
conta disso que desertou. Ele simplesmente subestimou o
quão duro os russos revidariam e quão ínfima seria a ajuda
do lugar que lhe deu asilo.

— O que você quer dizer? — Deacon se inclinou para


frente, parecendo ouvir com total atenção.

— O primeiro agente americano que convenceu meu pai


a desertar fez um monte de promessas que não cumpriu. Meu
pai conseguiu sair do país como planejado, mas eu fui
capturada e usada para chantageá-lo.

— A traição de sua mãe deve ter sido devastadora para


você.

— Sim, — ela disse, sem rodeios. — Sua lealdade ficou


dividida... e eu perdi. — Ela olhou para Deacon diretamente.
— Quando meu pai veio pela primeira vez para a América,
passou muito tempo cooperando com a CIA e outras
agências. Ele mostrou as estratégias russas e do crime
organizado que ameaçavam diretamente os interesses dos
EUA. Em troca, eles prometeram proteção e segurança, tanto
física quanto financeira.

— Isso não aconteceu?

Ela balançou a cabeça.


— Não no grau que ele esperava. Então, quando se
tornou evidente que estava por conta própria, tentou garantir
que eu fosse autossuficiente. Para ele, eu ser capaz de me
proteger era mais valioso do que as habilidades sociais ou
domésticas.

— Eu não acho que você esteja falhando em qualquer


área, ao meu ver. — O elogio escapou de seus lábios antes
que Deacon pudesse se conter.

Taz sentiu aquecida com o elogio.

— Obrigada.

— O que você tem feito desde que o seu pai foi


assassinado? Vocês não estavam vivendo na Virginia na
época?

A percepção de que sabia mais sobre ela do que deixou


transparecer deixou Taz inquieta.

— Sim, nós morávamos numa casa alugada a poucas


milhas do Quântico17, onde meu pai dava aulas aos recrutas
do FBI. Depois que foi envenenado, levou vinte e dois dias
para morrer e usou esse tempo para me ensinar o que eu
precisava saber. Ele estava convencido de que eles viriam
atrás de mim, então eu liquidei os bens que tínhamos,
comprei o trailer e desapareci. Acho que é correto afirmar que
tenho vivido em fuga. Eu estava vivendo em um trailer ao
redor de Tampa quando conheci Athena. Tenho vivido uma

17
Base militar.
vida nômade, fazendo bicos para complementar o que meu
pai me deixou.

— Que tipo de bicos?

Ela encolheu os ombros.

— Eu tenho trabalhado em todo tipo de serviços, desde


fast foods, babá de cachorro até empregada de hotel.

— O seu pai pensava que sua vida estava em perigo? —


Ele falou de forma displicente sem deixar transparecer
nenhuma emoção na pergunta, apesar do medo espetando-o
no estômago.

— Ele não podia saber com certeza, mas sabia como eles
agiam, assim me deixou preparada para qualquer
possibilidade. Há aqueles no poder que me atacariam, não só
para impedir de revelar os seus segredos, mas por vingança,
pela traição de meu pai.

— Boas companhias que ele tinha. — Deacon bufou


sarcasticamente.

— Eles torturaram uma criança de treze anos de idade,


não hesitariam em vir me atacar.

Deacon esfregou seu joelho inquieto.

— Vamos resumir isso. Você, sem dúvida, tem


habilidades. Eu pessoalmente não aprovo mulheres nestes
tipos de empregos, mas vamos supor que vou relevar isto.

— OK.

— Quando você se torna parte de uma equipe, você


assume parte da responsabilidade pela sua segurança. Você
tem inimigos, grandes inimigos. Você estaria disposta a expor
os outros ao mesmo perigo? Se eles vêm atrás de você, não
iria estar arriscando as vidas daqueles ao seu redor? —
Mesmo enquanto fazia essa pergunta, Deacon estava
combatendo o desejo de escondê-la em sua própria fortaleza,
protegê-la contra qualquer um ou qualquer coisa que
pudesse machucá-la.

Taz ficou sem reação.

— Eu sinto muito. Você está certo. Eu não pensei nisso.

Assim que viu flash de resignação em seu rosto, ele


lamentou ter falado. Quem era ele para falar? Quando Carter
contratou o garoto para jogar a granada contra eles, o traidor
não trabalhou sozinho. Depois que ele foi capturado e
perseguido por vender armas roubadas, era sabido que teve
ajuda. Outras pessoas tinham motivos para vir atrás dele e
de Holden. Carter e Lucky não eram os únicos inimigos que
ele fez ao longo dos anos. Quem era ele para privar esta
mulher da proteção que ela teria ao se juntar com a equipe
Ômega? Especialmente desde que a equipe Ômega a
procurou e não o contrário? Ela era mais do que qualificada.
A única coisa que verdadeiramente o impedia de recomendá-
la era o fato que estava pensando com o coração e não com o
cérebro.

— Deixe-me fazer algumas anotações. — Ele precisava


pensar.

— Não. — Ela se levantou. — É hora de eu sair. Eu


entendo e concordo com o que disse. — Ela se sentiu vazia.
Não haveria nenhuma equipe Ômega e não haveria mais
tempo com Deacon. O que a machucou não foi perder o
emprego, mas ver quão pouco a noite passada significava
para ele. Aquela foi a maior emoção que já sentiu e a pessoa
para quem se entregou achou inútil. O que, para ela,
significou fazer amor, para ele, foi apenas sexo. — Agradeço
por sua hospitalidade. — Ela baixou a cabeça e andou para a
porta.

Deacon entrou em pânico.

— Absolutamente não. — Ele andou em linha reta até


ela. — Nós dois devemos à Grey e Athena uma resposta
sensata. Eu disse que preciso fazer algumas anotações e
olhar para os fatos de forma organizada. Você vai esperar
enquanto eu faço.

— Você não vai mudar de ideia. Não vejo nenhuma


necessidade de adiar o inevitável. — Tudo o que podia pensar
era ficar longe dele. Estar tão perto e não ser desejada a
machucava.

A reação de Deacon à sua decisão era um mistério que


ele não poderia parar para pensar. Tudo o que sabia era que
não podia deixar isso acontecer. Não até ter alguma ideia ou
resposta, isto iria mantê-la segura e ele tranquilo.

— Eu estou lhe dizendo para ficar. Isso ainda não


acabou.

Taz se sentiu como um fantoche, ele a controlava e ela


nunca obtinha o controle de si mesma.
— Desde que cheguei, queria ficar e você queria que eu
fosse embora. Agora, estou pronta para ir e você está me
pedindo para ficar.

Deacon assentiu, teve que se controlar para não a tocar.

— Eu só estou pedindo tempo para fazer isso direito.

— Mas você não vai mudar de ideia, estamos mais uma


vez em um impasse. — Ele não disse mais nada e ela não
sabia o que acrescentar. — Estarei em meu... no quarto de
visitas se precisar.

Observando-a ir, Deacon sabia que precisava dela mais


do que tudo. O que ele iria fazer sobre isso? Porra, ele sabia.

Taz não aguentou mais um minuto. Estar na mesma


casa com Deacon, mas tão distantes um do outro, a estava
matando. Não podia pensar. Não podia respirar. Saindo do
quarto, desceu as escadas. Ela não iria sair, mas não podia
ficar também. O único lugar que conseguiria ficar era o seu
trailer. Não importa quantos passos estivesse dele, ainda
sentia a atração. Pena que ele não se sentia da mesma
maneira.

Quando chegou à garagem, ela abriu a porta velha e


entrou. A sensação de paz caiu sobre ela. Ela estava com
uma coisa de seu pai, seus livros, os poucos itens que foi
capaz de trazer de casa. Silenciosamente andou tocando as
fotos, pegou o cachimbo de seu pai de uma estante cheia.
Sua vida foi difícil, mas sabia que se fosse dada a chance, ela
teria um propósito bom.

O silêncio dentro da estrutura de metal era


ensurdecedor. Ela se sentiu tão sozinha. Ontem à noite nos
braços de Deacon, teve a audácia de sonhar com mais.
Deixando o cachimbo de lado, seus olhos foram atraídos para
uma fotografia desbotada. A única que tinha de sua mãe. Era
um retrato de família, ela e seus pais, antes de tudo
enlouquecer. Taz pensou que eles estavam felizes, ela não
conheceu a fundo o engano e traição que ameaçaram tudo o
que amava. Era errado para ela querer alguma aparência de
normalidade? Colocou a foto no lugar, mas desta vez virou de
cabeça para baixo.

Ainda em seu escritório, Deacon tomou todo seu café,


em seguida, jogou a caneca o mais forte que conseguiu.

— Porra! — Estava entre a cruz e a espada. Como o seu


mundo mudou tão drasticamente em apenas dois dias?
Suspirando, foi limpar sua própria bagunça. Ele poderia
responder a sua própria pergunta. A razão pela qual sentiu
como se seu coração estivesse sendo espremido era a mulher
que acabou de machucar. A única cujo os sonhos ele poderia
esmagar em suas mãos. A mulher que pediu nada mais dele
do que uma recomendação para um trabalho que era
bastante qualificada. Uma mulher que chegou a sua cama e o
curou com seu beijo. A mulher que ele não queria que saísse
de sua vida, mesmo que tivesse de segurá-la contra sua
vontade. Merda!
O toque do seu telefone quebrou o silêncio pesado.

— Sim! — Ele nem sequer teve a intuição de se


identificar.

— Deacon?

A voz de Grey Holden cortou seus pensamentos.

— Caralho, Grey, não estou pronto ainda.

— Você nem sabe o que eu ia dizer!

— Sim, você quer uma resposta, de uma forma ou de


outra, sobre Natasha Levin e não estou pronto.

— Sentindo-se dividido? — Deacon pensou ter ouvido


uma leve risada.

— Isso não é engraçado. Levin é uma mulher de


primeira classe, mais do que capaz...

— Mas ela é uma mulher. — Grey disse o óbvio.

Deus, tudo girava ao redor dessa mulher.

— E você não quer se sentir culpado no caso de ela se


machucar ou morrer no trabalho. — Grey continuou. —
Entendi. No entanto, surgiu um novo assunto que coloca essa
discussão de lado. Eu tenho um trabalho para vocês dois.

— Para os dois? Grey, você não ouviu uma palavra do


que eu disse?

— Apenas ouça. Há um impasse na fronteira do Texas-


Oklahoma. O que queremos evitar é outra situação como em
Oregon. Esta é uma disputa entre os cidadãos e o governo
federal sobre a intenção dos federais de apreender a terra
desses fazendeiros que possuem documentação e pagaram
impostos por gerações.

Deacon foi para sua mesa e sentou-se, escutando.

— Uma questão de domínio iminente?

— Quase. O Departamento de Distribuição de Terras


notificou um fazendeiro chamado Charles Ainsley que cerca
de metade da área cultivada da fazenda não é dele. Os
federais estão rejeitando a escritura, dizendo que o Estado
cometeu um erro. A propriedade de Ainsley foi construída
sobre a área que o Departamento afirma ser terra pública.

— Aposto que não terminou bem. Não entendo, isso não


parece ser um caso em que a equipe interceda. O que
podemos fazer?

— Dê-me um segundo, vou explicar. — Deacon podia


ouvir vozes abafadas no fundo, em seguida, Holden
continuou. — Me desculpe por isso. Athena disse que
Natasha ligou para dizer que não queria mais o trabalho. O
que você fez para assustá-la? Dormiu com ela?

Deacon sabia que seu amigo estava brincando, mas ele


não estava rindo.

— Eu pensei que não íamos ter esta discussão agora.

— Se essa é a maneira que você quer jogar. De qualquer


forma, Ainsley e seu filho reagiram e fizeram uma barricada
na casa, recusando-se a desocupar o imóvel. O que começou
tudo isso é que o Red River mudou de direção ao longo dos
anos, de modo que a linha que separa terras públicas de
privadas desviou para o sul cerca de meia milha, engolindo
uma boa parte do rancho de Ainsley.

— Isto parece ser complicado, — Deacon suspirou, sem


realmente ver a urgência.

— Bem, isso fica ainda pior. Há uma regra confusa onde


consta que se o rio se desviar devido à erosão natural, os
federais podem exercer o direito de se apropriar do pedaço de
terra particular, mas se é devido à evasão do rio, ou a
mudança de curso devido a uma inundação ou alguma outra
catástrofe, o proprietário prevalece. Ninguém tentou saber
qual a razão pela qual o rio mudou de curso. Os Ainsleys
estão programando um protesto pacífico, muito parecido com
o impasse entre os Texas Rangers e um cara chamado Ponder
que agrediu um oficial de DPS em Henderson County. Ouviu
falar dele?

— Acho que não. — Deacon apoiou o pé bom em cima


da mesa. — Eu tenho certeza que você vai me contar.

— Sim eu vou. Ponder ficou escondido em sua casa


durante quinze anos e ninguém entrou. Ele havia dito que
caso alguém viesse era melhor trazer sacos para os corpos. A
verdade é que decidiram o deixar em paz. Eles não estavam
dispostos a colocar seus funcionários em perigo por uma
acusação de agressão simples. Ele e sua família patrulhavam
a fronteira da propriedade com rifles para manter as pessoas
fora de suas terras. Durante esse tempo, as acusações foram
retiradas contra ele, mas ele não acreditou quando alguém
tentou lhe dizer. Eu acho que pode-se afirmar que ele se
colocou na prisão e lá permaneceu por quinze anos.

Deacon reclinou a cabeça contra a cadeira. Ele esqueceu


como prolixo Grey poderia ser.

— Então qual é o problema? Se isto é pacífico e ele não


está prejudicando ninguém, quem está chamando a equipe
Ômega?

— Bem, o jogo mudou seriamente. Ainsley não é


necessariamente o maior problema. A publicidade sobre o
acordo Rancher x Governo Federal chamou atenção de forma
errada. Três radicais que adoram uma briga vieram se juntar
a Ainsley. Um é chamado Ron Helmer, ele é um ex-
mercenário do Novo México. Ele é anti-Islam, anti-Obama,
apenas um anti tudo, com raiva. Outro é um homem
chamado Paxton Rice, um encanador de Wyoming. Ele afirma
ser um Navy Seal, mas nós descobrimos que a alegação é
falsa. O último cara é um ex-wildcatter18, Curtis Burgess, ele
voluntariamente patrulhava a fronteira EUA/México. De
qualquer forma, estes três estão lá por conta própria e pelo o
que entendemos Ainsley pediu para eles sair e eles não
saíram. Eles parecem querer mostrar algo.

— Parece que isso pode se se transformar em outro


Ruby Ridge19.

18
Pessoa que perfura terra desconhecidas em busca de petróleo.

19
Ruby Ridge e conhecido como um episódio onde ocorreu troca de tiros entre FBI e as famílias Weaver
e Harris no dia 21 de agosto de 1992. O episódio durou 11 dias, na cidade de Naples em Idaho, na
residência da família Weaver, onde Vikki Weaver e Samuel Weaver morreram em meio a troca de tiros,
assim como um oficial das forças Marshall, chamado Willian Francis Deagon foi morto. Gerou-se uma
— Oh, ele fica muito pior. O agente do Departamento de
Distribuição de Terras, Tex Zachary viajou para Wichita Falls
a fim de negociar com Ainsley pessoalmente. Eles se
conheceram em terreno neutro na casa de um vizinho.
Zachary é apenas um cara tentando fazer o seu trabalho. Ele
decidiu levar sua família com ele e dar ao seu filho de sete
anos de idade um presente ao levá-lo para o parque de
diversões Six Flags perto de Dallas depois de resolver o caso.
O problema é que, enquanto ele estava conversando com
Ainsley, Rice e Burgess se esgueiraram e raptaram o filho de
Zachary, que estava no carro com sua mãe. Eles estão
mantendo este pequeno refém no rancho Ainsley e exigindo
que o departamento saia de cena ou eles vão matá-lo. Mas
preste atenção, eles também estão exigindo a libertação de
um amigo deles, que está na cadeia por matar quatro
mulheres e um médico que saiam de uma clínica de aborto.

— Merda. — Deacon endireitou-se com esta notícia. Um


garoto estava envolvido. — O que eu posso fazer?

— A situação está começando a esquentar. O


governador do Texas, Kyle Chancellor, me chamou. Ele é um
amigo meu e não sabe o que fazer. Ele tem sua própria
equipe, os Equalizers, mas agora eles estão no México
rastreando uma quadrilha de tráfico humano. Mas fique
ciente que o Texas, sendo o estado que é, não vai apoiar o
Governo Federal, mas esse assunto já não se trata somente
sobre terras. Ele se transformou em um impasse entre

discussão em torno desse episódio, pois era FBI contra a civis norte-americanos. O caso demorou para
ser esquecido, pois contestava a conduta adotada pelas forças de operação norte-americanas.
terroristas locais e alguns Texas Rangers. Kyle não quer
chamar as tropas federais, isso poderia se transformar em
outro cerco Waco20, mas ele tem o apoio total do presidente e
se todas as tentativas falharem, é o que vai ser feito. Você é
muito jovem para se lembrar quando o Branch Davidiano e
David Koresh entraram em confronto com a ATF em Waco?
Setenta pessoas acabaram morrendo. Foi um fiasco.

— Foi em 1993, eu tinha cerca de nove anos de idade.


Mas eu me lembro, passou tudo na televisão. Agora vamos
direto ao assunto, isso parece ser perigoso e não vejo
qualquer razão para envolver Natasha. Você acabou de me
dizer o que precisa ser feito.

— Não é tão simples assim. Um negociador de reféns de


Dallas está lá para fazer um acordo. O que eu preciso é que
vocês dois se dirijam até Burkburnett, não muito longe de
Wichita Falls. Uma vez que eu tenha arquitetado um plano
com o governador, vou entrar em contato com você. Esteja
preparado para qualquer coisa.

Deacon estava longe de estar satisfeito.

— Eu vou, não vejo motivo para envolver Taz.

— Eu não estou te dando uma escolha. Eu não vou


mandar um agente sem reforço e não há mais ninguém
agora. Estamos com serviço até o pescoço. Nós encontramos
uma casa cheia de explosivos, uma dica de que ISIS está
envolvido e um par de bombas.

20
https://pt.wikipedia.org/wiki/Cerco_de_Waco
— Eu não gosto disso, Grey.

— Deixe-me perguntar uma coisa, Deacon. Sob sua


orientação, ela é capaz de lidar com isso?

Porra!

— Não. Sim. — De repente, estava se sentindo enjoado.


— Se ela se machucar, Holden...

— Bem, certifique-se de que isso não aconteça. Estarei


em contato. E não pense que pode me enganar, Athena já
entrou em contato com a garota. Ela vai estar aí a qualquer
minuto.

Alguns minutos mais cedo...

— Sim, eu aprecio sua confiança em mim, Athena. Eu


queria que as coisas tivessem dado certo. Claramente, não
sou o que a equipe Ômega precisa. Deacon está certo. Como
os programas de TV sempre dizem, venho com muita
bagagem emocional.

— Absurdo. Nós todos temos. Deacon coincidentemente


também.

Taz sorriu tristemente.

— Esperamos que ele seja capaz de abrir mão de


alguma. — Ela se levantou da cama para abrir a porta do
armário onde pendurou algumas roupas.
— Eu queria ligar e dizer que estou seguindo em frente.
Acho que vou para o norte, talvez oeste. Estou pensando em
mudar meu nome, algo mais americano.

— Apenas espere um minuto. — Taz esperou ouviu o


som de vozes moderadas. Ela não tentou bisbilhotar. Em vez
disso, ela prendeu o telefone entre seu rosto e ombro, de
modo que tivesse as mãos livres para dobrar sua roupa. —
Estou de volta. — Disse Athena. — Olha, eu preciso te dizer
uma coisa.

— OK. Claro. — Ela colocou as roupas em uma pilha,


em seguida, atravessou o corredor para pegar a sua escova de
dentes.

— Você precisa adiar a sua saída precipitada. Algo


surgiu e precisamos da sua ajuda.

Taz imediatamente se tornou alerta.

— O que foi?

— Eu não sei se você viu as notícias ultimamente, mas


há uma situação ao norte do Texas. Não vou entrar em
detalhes, mas é uma situação com um refém. Uma criança.
As autoridades temem que o pior aconteça. Eu tenho certeza
que você percebeu que as coisas estão tensas em nosso país.
Está dividido entre política e ideologia. Há mais fuzilamentos
que dias do ano. Este impasse diz respeito a fazendeiros e um
escritório do governo que quer se apropriar de terras com
base em uma lei obscura. Mas isso não é importante, o que é
importante é que os homens que se juntaram ao fazendeiro e
sequestraram o filho de um representante do governo e eles
estão ameaçando matá-lo se suas exigências não forem
atendidas.

— Qual a idade da criança?

— Sete.

— O que eu posso fazer? — Ao ouvir que uma criança


estava envolvida seu coração encolheu. Ela bem lembrou o
terror de estar à mercê de alguém.

— Grey está falando com Deacon agora.

— Ele não quer trabalhar comigo.

—Deacon é um membro da equipe e não tem nenhuma


escolha. Ele precisa de reforço. Grey nunca envia alguém em
uma missão sem apoio e não temos ninguém neste momento.

— Claro que vou ajudar, ficarei feliz de fazer qualquer


coisa ao meu alcance. — Mesmo que ele não quisesse, isso
lhe daria um pouco mais de tempo com Deacon. Poderia
provar que tinha habilidades para ele e mantê-lo seguro.
Terminando a ligação, um arrepio de desconforto flutuava
sobre ela. Enquanto estava entusiasmada para fazer isso,
sabia que ele estaria furioso.

Taz começou a andar pelo quarto incessantemente.

— Ok, Levin, tempo para se recompor. Não vai ser uma


tarefa fácil. Você vai até este homem e faça o que precisa ser
feito. Não deixe que ele a intimide. Você é tão boa quanto ele.
— Assim que as palavras deixaram seus lábios, sabia que não
eram verdadeiras. Ela era páreo para ele em algumas áreas,
mas não sabia que ele possui desvantagens. Perder a perna
afetava o equilíbrio, o que tornava tudo em risco. E Taz
nunca teria descoberto. Ao perceber que seria seu reforço,
ficou chocada. Eles seriam parceiros. Deacon era sua
responsabilidade. — Eu posso fazer isso.

— Você está tentando me convencer ou a você mesma?

Taz virou a cabeça e o encontrou de pé na porta de seu


quarto.

— Não. É apenas afirmando o óbvio. — Ela lhe deu um


olhar desafiador. — Você precisa de mim.

Sim, ele precisa. Mas não da maneira como ela pensa.

— Eu estou preso a você.

Preso a ela? Ela ponderou a frase, estudando seu


significado.

— Como não estamos presos um ao outro, suponho que


isto seja um insulto.

— Você assumiu corretamente. Esta não é minha


escolha, é uma má ideia. Não quero trabalhar com você. —
Por que ele estava sendo um idiota? Enquanto a observava
absorver suas palavras, seu corpo endureceu e se endireitou
como se armado com um escudo invisível. — Mas a vida de
uma criança está em jogo, por isso vamos ter que lidar com
isso. — Ele olhou para a pilha de roupas na cama. — Você
está pronta? Temos que sair imediatamente.

— Eu vou estar em cinco minutos.

— Bom. — Ele hesitou por um momento, os olhos


atraídos pela sua beleza. Ela era tão graciosa, mas ao mesmo
tempo capaz. Frágil, mas tão forte que lhe tirava o fôlego. — E
não se preocupe, vou mantê-la segura.

— Como eu vou mantê-lo seguro. Nós vamos ser


parceiros. — Taz permaneceu de costas para ele.

— Não. Eu estou no comando. Você vai fazer o que eu


mandar, quando eu disser. Estou sendo claro? — Com as
mãos nos quadris, esperou pela resposta dela. Como ele ia
suportar isso? Tudo o que queria fazer era atirá-la numa
cama e fazer amor com ela até ficar satisfeito. Não sabia
quanto tempo isso levaria.

— Claro como diamante. Vidro. Qualquer coisa dessas.


— Ela fechou o zíper de sua pequena sacola de pertences.

— Acho que a palavra que você está procurando é


“cristal”. — Ele estendeu a mão para o saco, pelo menos ele
poderia ser um cavalheiro.

— Não me trate como uma mulher, Deacon. Pense em


mim como um homem. — Ela andou em torno dele e se
dirigiu para a porta.

Deacon revirou os olhos, deixando a mão cair.

— Peça-me para fazer o impossível. Meu pênis esteve


profundamente dentro de você, nunca poderia esquecer que
você é uma mulher.

— Experimente, — ela falou por cima do ombro. — Vai


ser fácil. Eu não vou me jogar aos seus pés.

— Oh, sério? — Deacon rosnou, bem atrás dela. — Fazer


amor com um aleijado não era sua coisa?
Taz parou tão de repente que se chocou contra ela. Ele a
segurou, mas ela se moveu.

— Não me toque. E não, você está errado, como de


costume. — Ela olhou para ele, recusando-se a permitir que
seu corpo respondesse àquela atração magnética. — Eu ainda
quero você. Você é incrível. — Apesar das diferenças, se
recusou a deixá-lo pensar mal de si mesmo. — Eu só não
quero ter relações sexuais com alguém que não me respeita e
realmente não me quer. Você se privou de intimidade por
tanto tempo que você teria tido relações sexuais com
qualquer uma que se atirasse em você.

Seu discurso o surpreendeu. Ela virou-se e se afastou


rapidamente, antes que pudesse falar alguma coisa.

— Agora, espere um minuto... — Deacon amaldiçoou


quando seu telefone tocou. Era Grey, ele não podia se dar ao
luxo de ignorar a ligação. — Jones. — Ele começou a andar
novamente, seguindo a mulher irritante que se dirigia para a
garagem. Deacon podia ver que ela estava esperando por ele
do lado de fora. Será que ela realmente pensava aquelas
coisas? — Tudo bem?

— Você está na estrada?

— Quase.

— O impasse tem ido de mal a pior. Nós descobrimos


que a criança tem diabetes. Ele só pode ficar sem a sua
medicação por alguns dias ou ele pode entrar em coma
diabético.
— Merda, nós estamos a caminho. Você vai ter plantas,
mapas, instruções esperando por mim?

— Sim, eu vou mandar por e-mail. O governador vai


mandar todos os agentes se retirarem assim que você estiver
lá, mas temos até amanhã para montar um plano. Me ligue
quando chegar em Dallas e vou lhe dizer onde Athena tem
reservas para você. Um quarto ou dois?

— Dois. — Ele respondeu, então pensou melhor. — De


jeito nenhum. Um. Precisamos resolver uma merda e tenho
que ficar de olho nela.

Grey riu.

— Parece que vocês dois estão quase se tornando outro


Tony e Ziva.

— Eu não sei quem é, — ele mentiu. Ele sabia o quanto


seu amigo amava NCIS21. — Vamos apenas dizer que estamos
treinando no momento.

— Adoro brincar disso com Athena. — Grey suspirou. —


Tudo bem, eu vou deixar você ir. Dirija com cuidado.

— Pode deixar. — Deacon guardou o telefone. Quando


se aproximou de Taz, viu que ela estava assistindo uma águia
plainando numa corrente de ar. — Linda vista, não é? —
Decidiu que teria uma trégua. Eles tinham um trabalho a
fazer e ele tinha que encontrar um meio termo. Não podia
deixar que sua atração por ela ficasse no caminho. Cumprir a
missão estaria em primeiro lugar, mas mantê-la a salvo e

21
Série de TV norte americana, em que Tony e Ziva são uns dos personagens principais.
bem, era praticamente o segundo. E era exatamente por isso
que não queria trabalhar com uma mulher, especialmente
uma pela qual tinha sentimentos. Ele gemeu mentalmente, o
seu pensamento adquiriu uma dimensão tão grande, que
balançou a própria base do seu mundo. — Eu me pergunto o
que nós somos do ponto de vista dela.

— Pequenos e insignificantes, — ela sussurrou, não era


para ele ter escutado. — Era Grey no telefone?

— Sim, ele está organizando tudo para gente. Ele estará


nos informando o tempo todo. — Deacon a levou até outra
parte da garagem, abrindo a porta para ela passar. — Depois
de você. — Ela lhe deu um leve sorriso e ele ficou analisando
o que ela disse. Será que ela se sentia pequena e
insignificante? — Você deixou familiares na Rússia?

— Não, meus pais eram filhos únicos e eu também. —


Ela ficou surpresa ao descobrir que ele tinha uma grande
caminhonete preta. — Eu imaginei que você dirigia um carro
esportivo. Você é um cowboy?

— Você viu alguma vaca por aqui? — Ele abriu a porta


do passageiro de trás. — A maioria dos Texanos usam botas e
chapéu, às vezes, eles podem até ter um cavalo. Mas isso não
faz deles um vaqueiro.

— Quando eu era criança passava os verões com a


minha avó. Eu a amava muito, ela vivia em uma pequena vila
rural e ajudei-a em tudo o que pude. Ela estava doente uma
grande parte do tempo, então eu tinha muito orgulho de
cuidar dela. Todas as manhãs, era o meu trabalho levantar
cedo e deixar as vacas fora da estrebaria para que o cowboy
pudesse conduzi-las ao pasto. Ele trazia de volta à noite e
novamente as prendia. Ele não usava um chapéu ou botas, —
ela disse enquanto subia e apertava o cinto de segurança.
Quando ele subiu no assento ao lado dela, ela estava muito
consciente de seu tamanho e as lembranças de como era a
sensação de estar sob ele na cama a fez encolher. Cruzou as
pernas para tentar aliviar a dor em seu núcleo.

Ele ligou o motor e abriu a porta da garagem, dirigindo


para o sol da tarde.

— O hábito não faz o homem, mas é uma história doce.


Eu não conheci meus avós, — ele falou, sua mente ainda
confusa sobre o fato de ela se sentir insignificante. — Você
tem amigos aqui nos Estados Unidos?

— Não.

Quando ela não entrou em detalhes, mas continuou a


olhar pela janela, ele decidiu tomar uma abordagem
diferente.

— Como você acabou em Austin?

A vista de sua janela valia a pena. A viagem por várias


milhas seria ao redor de Eagle’s Nest que ficava na beira do
rio e ela gostava de assistir o brilho dos raios do sol sobre a
água.

— Eu vim para o festival de música e decidi ficar por


algum tempo. — Por mais que estivesse encantada com a
paisagem, ela tinha muito mais prazer em olhar Deacon
Jones. Ele estava vestido com calça jeans preta e uma camisa
preta apertada. Não usava um chapéu de cowboy ou botas,
mas certamente era másculo. Ela, mais uma vez, olhou-o,
desta vez ele estava olhando e ela pulou um pouco.

— Eu estou vendo você me olhar de soslaio, — ele


brincou, precisava vê-la sorrir. — Quem você viu no festival?
— Ela corou lindamente e ele sentiu seu pênis se contrair.

— Asleep at the Wheel, Billy Idol e Foo Fighters. — Ela


nomeou alguns dos artistas apresentados. — Você estava lá?
— Taz gostava de pensar que eles poderiam ter se encontrado
durante o mundialmente famoso Festival de Austin.

— Clássico. Mas, não. — Ele balançou a cabeça. — Não


gosto de multidões.

— Você tem muitos amigos aqui?

Ah, ela estava virando a mesa.

— Poucos. — Ele podia ver seus dedos firmemente


atados juntos. — Nervosa?

— Não. — Ela separou as mãos. — Um pouco.

— Eu cuidarei de você. Você não tem que ter medo. —


Deacon não poderia resistir, ele estendeu a mão e apertou a
mão dela, colocando no console entre eles.

— Oh, eu não tenho medo de nossa missão, — ela


assegurou, tentando tirar a mão do seu alcance. — Conte-me
sobre os seus amigos.

Deacon apenas apertou sua mão, acariciando a palma


da mão com o polegar.
— Tudo bem. Se você me disser o que lhe deu o
nervosismo.

— Nervosismo. Essa é uma palavra estranha.

— Você sabe o que eu quero dizer. Não brinque comigo,


Levin.

De alguma forma ele se dirigindo a ela por seu último


nome a fez se sentir melhor.

— A noite passada foi... intensa. Eu realmente não sei


como agir em torno de você agora. Você é apenas o segundo
homem com quem eu estive e o primeiro com o qual
compartilhei uma noite na cama. E hoje, você está tão
diferente. Eu não sei o que esperar de você.

Uau. Bem, agora ele teve sua resposta.

— Como você quer que eu seja?

Ela balançou a cabeça, desviando sua atenção para a


janela novamente.

— Eu não sei.

— Eu vou te dizer uma coisa. O que você disse


anteriormente sobre eu fazer sexo com você só porque você
estava acessível e disposta é uma merda. Você realmente
acha que eu sou incrível na cama?

Taz podia ouvir o sorriso em sua voz sem vê-lo. Ela


também sorriu, mas manteve o rosto longe de sua vista.

— Sim. Mas eu não tenho muita experiência. Lembra?

Deacon riu.
— Ai!

Sua cabeça virou para lhe dar um olhar interrogativo.

— Você disse algo espirituoso e ligeiramente depreciativo


para mim, — explicou e ela balançou a cabeça, o que o fez rir
novamente. — Você é fofa.

Ela balançou a cabeça.

— Conte-me sobre os seus amigos. — Quando ele


começou a falar, manteve sua mão na dela. Ela esperava que
não percebesse que seu coração estava disparado.

— Além da equipe Ômega, eu conheci algumas pessoas


que vivem na área. Logan Grey é o chefe dos bombeiros e eu
sou voluntário quando posso. Eu entrei por causa de
Maverick Sawyer, nossos caminhos se cruzaram no
Afeganistão algumas vezes. Ele é um cara bom. Eu também
conheci um dos meus vizinhos que mora cruzando o rio que
se chama Micah Wolfe. Eu não o conheço bem, mas eu sou
voluntário junto com ele no abrigo Angel House em Austin.

— Então, você é um filantropo de todas as formas?

Ele riu.

— É pouca coisa. Eu só sei como é precisar de uma mão


amiga. — Por alguma razão, decidiu abrir-se, para falar com
ela de coisas que nunca contou a ninguém. — Depois que eu
perdi a minha perna, pensei que minha vida tinha acabado.
Minha esposa me deixou. Passei meses e meses numa clínica
de reabilitação, aprendendo como andar com uma prótese.
Eu quase desisti. Se não tivesse sido por uma mulher
chamada Cady McCoy, eu não sei se teria conseguido. Ela é
fisioterapeuta. Ela me colocou na linha e ficava pegando no
meu pé. — Taz apertou sua mão e ele apertou de volta. — Por
causa dela, eu conheci um monte de gente boa, seu marido
Joseph e seus irmãos. Eles me apresentaram a uma amiga
deles, Cassie Cartwright, que estava em uma cadeira de
rodas naquela época. Aprendi muito com ela sobre a
esperança e como lidar com a dor. Cassie está melhor agora.
Ela fez uma cirurgia para remover um estilhaço. Joseph e seu
amigo Beau LeBlanc patrocinam um rodeio para as crianças
deficientes e me envolvi com isso, ajudando a projetar alguns
passeios e prêmios para as crianças.

— Será que isso tem alguma coisa a ver com esses Jeeps
de brinquedo e motocicletas que eu vi no seu galpão?

Ele sorriu.

— Você é uma espiã, é sim. Eu amo pegar esses


brinquedos e ajustá-los para que as crianças possam usá-los
para a fisioterapia sem ao menos perceberem. Eles só acham
que estão brincando quando na realidade estão exercitando
os músculos e repetindo movimentos para torná-los mais
fortes. Uma menina, Chelsea, tem problema em manter a
cabeça erguida. Então, mudei a localização do pedal de
acelerar do chão para um painel flexível atrás de sua cabeça.
Se ela inclina a cabeça para trás com a pressão, o carro vai.

— Isso é engenhoso, Deacon!

— Você deveria ter visto o sorriso dela. Há uma outra


criança, um menino, chamado Jeremy que não pode andar
ou ficar em pé sem ajuda. Mas se ele se agarra no volante e
puxa-se para cima, seu carro de bombeiros anda.

— Eu acho isso maravilhoso. Eu gostaria de poder fincar


raízes e fazer amigos.

Sua voz foi sumindo e Deacon não perguntou mais


nada. Ele estava muito ocupado pensando. Hipóteses
martelavam sua cabeça como uma manada de cavalos
selvagens.

Quando ela ouviu o som do pisca, Taz percebeu que


chegaram na rodovia em Austin.

— Vá para a faixa da direita. Houve um deslizamento de


pedras. As notícias que ouvi disseram que tinham descoberto
que isso não é acidental.

— Sim, eu ouvi sobre isso. Micah Wolfe tem ajudado a


força-tarefa do governador tentando descobrir quem está
fazendo isso. Houve mais de cinquenta casos nos últimos oito
meses.

— Bem, eu só estive aqui desde outubro. Espero que


peguem o maníaco em breve. — Ele relaxou seu aperto,
moveu a mão como desculpa para mudar o ângulo da
ventilação do ar condicionado. — Eu provavelmente já terei
ido embora até lá. Eu disse para Athena que vou estar saindo
em breve. Estou pensando em ver as montanhas no Oeste.

Deacon franziu a testa.

— Se você não se juntar à equipe Ômega, o que você vai


fazer?
— Eu não sei. Mudar meu nome, parar em alguma
pequena cidade pacata a noroeste, talvez trabalhar em um
escritório. — O pensamento era tão chato que ela quase
bocejou.

— De forma alguma, não posso imaginar que você ache


essa vida gratificante.

Ele provavelmente estava certo, mas ela não podia dizer


isso.

— Como você pode saber o que me satisfaz? — Assim


que as palavras deixaram seus lábios, Taz corou. Mesmo ela,
com sua compreensão limitada do inglês, entendeu a
ambiguidade.

— Eu diria que sou um especialista no que te satisfaz,


Levin. E já que estamos compartilhando um quarto hoje à
noite, eu vou provar meu ponto.

— Vamos compartilhar um quarto?

— Pode apostar. — Ele deu um sorriso malicioso. — Eu


preciso de mais tempo, uma noite com você não foi o
suficiente para me satisfazer.
No momento em que eles chegaram a Burkburnett, Taz
estava agitada. Às vezes, Grey fazia coisas apenas para ver o
quão longe ela iria. Ela também aprendeu com Athena que
esses momentos em que eles irritavam um ao outro, por
vezes, levaram a “sexo de reconciliação” maravilhoso. Se ela e
Deacon ficassem juntos esta noite, isto se enquadraria nesta
categoria.

Depois que ele informou a ela que compartilhariam um


quarto, ela ficou sem palavras. A ideia de estar com ele
novamente fez seu corpo vibrar de antecipação. Seu coração e
sua mente estavam ainda muito mais hesitantes. Ela poderia
facilmente ficar viciada neste homem, afastar-se dele seria
difícil.

E então Grey ligou e ela testemunhou em primeira mão


um outro conceito para a frase “a merda bater no ventilador”.
— Eu recebo ordens de você ou de Grey? — Ela
perguntou novamente.

— De mim.

— E de quem você recebe ordens? — Ela pressionou, o


que provavelmente não era sábio. A única resposta que
obteve foi um rosnado baixo e profundo. — Eu não vejo o
problema. Grey acha que isso é um bom plano.

— Eu não. É muito perigoso. Se alguém entrar naquela


fazenda com o medicamento para aquela criança, serei eu,
não você.

Taz levantou as mãos.

— A ideia é que não pareço tão ameaçadora quanto


você. — Ela fez um gesto em direção ao seu corpo grande.

— Exatamente. Aqueles homens no rancho Ainsley não


estão blefando. Se você acha que vou deixar você ir para
aquele lugar sem proteção, está completamente enganada.
Nós vamos elaborar um plano melhor.

— Eu não sei nada sobre deque e cadeira de balanço22,


mas você não conheceria um bom plano mesmo que te
mordesse… — Em vez de terminar a frase, ela deixou o seu
próprio grunhido de frustração escapar.

A boca de Deacon se abriu e suas sobrancelhas


levantaram. Uma risada surpresa irrompeu de seus lábios.

22 Neste caso, ela faz referência à expressão em inglês You’re off your rocker, que no português é algo
próximo a “Você está completamente enganada”. Rocker pode ser traduzido como cadeira de balanço.
— Você disse o que acho que você disse? Eu acho que
vou lhe mostrar esta noite o que é um pouco de mordidas na
bunda.

— Você faria isso? — Ela murmurou com descrença. Ela


sabia que deveria estar com raiva, mas isso não era o que
sentia naquele momento.

— Num piscar de olhos, querida. — Ele diminuiu a


velocidade e entrou em um pequeno motel. — Espere aqui.
Vou pegar a chave.

— Eu estou com fome, — ela anunciou quando ele


começou a sair. — Que tal se eu atravessar a rua? — Taz
apontou para um pequeno restaurante com uma enorme vaca
de plástico do lado de fora. — Eu poderia comprar alguns
hambúrgueres para viagem e encontrar você aqui.

— Espere por mim e vou com você. — Ele ordenou. —


Você não precisa ficar perambulando por conta própria.

Taz apertou os lábios. Ele não achava que fosse capaz


de atravessar a rua sozinha. Soltou o cinto de segurança,
abriu a porta e saiu do carro. No momento em que ele
voltasse, ela teria o jantar deles.

Poucos minutos depois… Deacon colocou o cartão-chave


no bolso da frente. Ele não percebeu que estava com fome até
Taz mencionar. Com um sorriso, bateu em seu estômago.
Tinha dois apetites para satisfazer esta noite. O check-in
levou mais tempo do que previu. Tinha apenas uma
funcionária, que estava lidando com um casal que insistia em
camas individuais. Ele, com certeza, sentia pena do pobre
rapaz casado com uma mulher que tinha que ter o seu
próprio “espaço”.

Enquanto caminhava em direção às portas automáticas,


ele prometeu colocar algum sentido em Grey. Tinha que
marcar uma reunião para que Deacon e Taz encontrassem
com os pais do garotinho, primeira coisa a fazer na parte da
manhã e esperava que eles tivessem um plano para entrar na
propriedade Ainsley pela tarde. Rice e Burgess estavam
fazendo mais exigências. Mas a sugestão de que Natasha
fosse a única a assumir o risco era totalmente inaceitável
para ele.

Saindo do lobby do motel, ele foi para seu carro.


Olhando pela janela, viu a cabine vazia.

— Porra. — Ele olhou em volta e a viu, andando rápido


com dois sacos brancos em suas mãos. — Eu pensei que
disse para você ficar parada!

O sorriso bonito em seu rosto desvaneceu um pouco.

— Eu só queria ajudar. Eu tenho jalapeños em nossos


hambúrgueres! — Segurando os sacos, ela lhe deu um olhar
esperançoso.

— Este não é o ponto, — disse ele, subindo ao volante.


— Eu preciso ser capaz de confiar em você. Entre.

Taz estava desapontada, consigo mesma e com ele


também.
— Eu sinto muito. Esta era uma coisa tão simples.
Temos de tomar decisões rápidas e tenho um bom
julgamento. Às vezes, os planos têm que mudar.

Sim, Deacon sabia que os planos poderiam mudar. Ele


estava lutando com isso.

— Sim, meu plano é bater em sua pequena bunda


atrevida, assim, da próxima vez, você vai lembrar o que eu te
digo.

Sua sugestão a fez ofegar, parte em estado de choque e


parte excitada.

— Você não ousaria. — Os olhos dela se arregalaram e


seu coração começou a palpitar.

— Oh, sim, querida. Eu ousaria. Você pode ter certeza.

O longo cabelo loiro de Deacon fazia Taz lembrar de um


leão. Ela engoliu em seco, gostando muito da comparação.

— Eu acho que prefiro ir para o nosso quarto do que


para o banco23.

Ele quebrou a tensão, rindo.

— Desta vez eu concordo com a sua lógica. — Ele seguiu


com a caminhonete pelo estacionamento e parou em frente ao
quarto. — Este lugar não é extravagante, apenas normal. Dê-
me a comida, vou carregar isto e vou pegar a bagagem se você
quiser se refrescar.

23
Ele falou em inglês “You can take that to the bank” que traduzindo de forma literal seria “Você pode
levar isto para o banco”, como a Taz não é uma americana de berço, então ela costuma não entender as
expressões.
Eles estiveram na estrada por um tempo, um chuveiro
seria bom.

— Esta parte do Texas é muito diferente da área central


de onde você vem, Deacon.

— Sim, você está certa. — Ele abriu a porta e, por conta


do hábito, rapidamente verificou o quarto. — O norte do
Texas é monótono. Combina perfeitamente com Oklahoma e
Kansas. Estamos precisamente no Furacão Alley. — Diante
de sua expressão questionadora, ele explicou. — Eles
chamam esta área e a parte norte do Kansas de “Tornado
Alley” por causa de muitos tornados moverem-se por corredor
de terra.

— Sim, eu já vi o Mágico de Oz.

— Eu também, mas eu não acho que o Homem de Lata


ou o Leão Covarde vão ser de muita ajuda. — Deacon notou
que ela estava mordendo o lábio, pensando profundamente.
— Fique confortável. — Ele colocou as sacolas do restaurante
em uma pequena mesa redonda. — Volto já.

— Ok. — Ele estava certo. Ela ficou em vários lugares


como este e todos eles pareciam o mesmo. Layout padrão.
Cores monótonas. A única coisa interessante era uma grande
pintura de Álamo24 sobre a cama. Gostava daquele filme,
apesar de triste.

24
N.T. Referência ao filme The Alamo (2004), filme que narra o impasse entre um grupo
texano e mexicano que aconteceu em 1836.
Uma cama. Ela olhou, ansiosa por compartilhá-la com
Deacon. Seria desta maneira? Ele não mudaria de ideia, não
importava quão bem ela fosse nesta missão. Suas convicções
arraigadas eram mais fortes do que qualquer habilidade que
poderia ter. Enquanto imaginava Deacon descansando na
cama, com as mãos atrás da cabeça, músculos ondulando,
lambeu os lábios. Os anos seguintes poderiam ser solitários,
mas Taz não tinha ideia do que aconteceria. Essa incerteza
fazia ela querer agarrar cada pedaço de felicidade que
pudesse ter e estar com Deacon a fazia feliz.

Com essa consciência, ela correu para se limpar e, como


ela ouviu tantas vezes nos filmes, “vestir algo mais
confortável”.

Quando Deacon voltou para o quarto, ouviu o chuveiro


ligado. Ele pensou em juntar-se a ela, mas a ideia de estar nu
em sua prótese, não lhe agradava. Em casa, ele tinha um
banco de madeira para tomar banho, por Deus! Ele odiava
ser deficiente. Para dar crédito a Taz, ela restaurou a sua
confiança um pouco. Se ficassem juntos durante um tempo,
ele provavelmente perderia toda a sua insegurança.

Sorte dele que ela veio junto. Ele sorriu, sem perder a
ironia. Ela não era um “diabo disfarçado”, como pensou na
primeira vez. A mulher era um anjo misericordioso.

Quando ouviu a água parar de cair, ele gritou.

— Se apresse! A comida está ficando fria!

Dentro do banheiro, Taz se virou, segurando uma toalha


para afofar o cabelo. Apesar do seu desejo de se vestir de
forma provocativa, percebeu que não trouxe nada sexy. O
melhor que podia fazer era usar uma camisa rosa de dormir
na altura do joelho com “e embora ela seja pequena, ELA É
FEROZ” em letras negrito prateada. Nem sequer tinha
qualquer maquiagem com ela, não que já usasse muito.

— Ahh, isto vai ter que servir.

Quando a porta se abriu e Taz saiu, Deacon quase


deixou cair o refrigerante que levava à sua boca.

— Droga, garota. Você é tão bonita como um filhote de


cachorro malhado. — A mensagem estampada em toda o seu
impressionante busto não lhe escapou. — Você não comprou
essa camisa para si mesma, não é?

— Athena comprou para mim quando eu fiquei com ela,


enquanto nós concluíamos um caso de roubo de um anel. —
Ela puxou a bainha, desejando que a camisa fosse um pouco
maior. — Eu não tenho mais nada para vestir.

— Não, não, ela é perfeita. — Ele ofereceu uma cadeira


para ela. — Eu acho que você está linda. — Deacon nunca foi
bom em romance, mas elogiar Natasha vinha naturalmente.

— Obrigada. — Ela se acomodou em sua cadeira,


pegando um guardanapo para espalhar sobre seu colo. — Eu
acho que fico mais confortável contigo quando você está me
criticando.

— Eu não critico. Eu treino. Eu ensino. — Ele abriu os


sacos. — Qual dos dois é o meu?
— Eles são iguais. Eu vi um pote de jalapeños em sua
despensa, então eu pensei que você gostasse. Porém, não tem
cebolas. — Ela respirou fundo e disse apenas o que estava
pensando. — Eu pensei que nossos beijos teriam um sabor
melhor, sem cebolas.

Naquele momento, Deacon sentiu um desejo profundo.

— Às vezes você diz as coisas mais estranhas, Levin. —


Ele considerou pular o hambúrguer e apenas comer nela. —
Se eu não precisasse das minhas forças para o sexo, eu
comeria você.

— Eu posso esperar, — ela acrescentou calmamente e


ele riu.

O toque do seu telefone indicou a Deacon que tinha um


e-mail. Dando uma mordida no hambúrguer, ergueu o celular
para olhar.

— Grey. — Ele tocou a tela para abrir a mensagem.


Enquanto comia, deu uma olhada no que foi enviado. —
Porra. — Soltou um suspiro. — Eu vou deixar você olhar isto
daqui a pouco. Grey enviou mapas, fotos e informações
disponíveis sobre todas as pessoas envolvidas. Ele ainda está
insistindo na ideia que você seja a pessoa que entre, mas eu
discordo. Nós vamos ter que estudar este material e planejar
algum tipo de estratégia de saída. Temos que tirar aquele
garotinho e para fazer, isso vai ter que chegar a um fim. Eu
não vejo nenhuma outra maneira.

Ela comeu silenciosamente e esperou sua vez. Quando


lhe deu seu telefone, leu tudo com cuidado.
— Precisamos saber como está dividido o interior da
casa.

— Eu duvido que haja plantas baixas disponíveis em um


arquivo em qualquer lugar. Quem sabe? O velho poderia ter
construído ele mesmo.

Taz assentiu.

— Devemos falar com os vizinhos, talvez eles pudessem


nos dizer.

— Boa ideia, — Deacon admitiu. Ele observou o seu


rosto dela enquanto se concentrava, droga, os lábios dela
eram macios e doces. Ele pegou o guardanapo e limpou as
mãos e boca. — Você sabe que acho a inteligência muito sexy.

Para sua sempre amável surpresa, ela lhe devolveu o


telefone, deu-lhe uma piscadela atrevida e sorriu.

— Eu também.

Com um grunhido baixo, Deacon lentamente se


levantou.

— Você já terminou?

— Não… — Brincou ela, tão feliz que recordou de uma


pequena e apropriada brincadeira sexual. — Mas estou
pronta para a sobremesa. — Taz esperou muito tempo para
poder dizer isso a alguém.

Quando ela olhou-o com aqueles grandes olhos de corça


e aquele pequeno sorriso sexy, Deacon sabia que ela o tinha
envolvido em torno de seu dedo mindinho e não estava ciente
disso. Com movimentos deliberados, começou a desabotoar a
camisa, andando lentamente da mesa até ela.

Ao vê-lo se aproximar, ela sabia o que uma gazela


encurralada sentia quando era perseguida por um leão
faminto. Taz se levantou, sua respiração rápida e superficial.
As palavras eram desnecessárias, então nervosamente
lambeu os lábios.

— Aqui, deixe-me fazer isso por você. — Com um só


golpe, ele juntou as mãos e levou-a até a parede, segurando
seus braços no alto, pressionando as palmas das mãos na
parede enquanto ainda mantinha suas mãos presas.

Taz sentiu-se derreter contra ele, ofegando enquanto ele


inclinava a cabeça, fazendo exatamente o que disse, usar sua
própria língua para acariciar os lábios. Ela sentiu os joelhos
cederem. Lambendo a boca, pressionou, exigindo que ela
abrisse para ele. Com um gemido de concordância, os lábios
entreabriram para que sua língua pudesse entrar. E quando
o fez, ele gemeu de prazer.

Beijos quentes e molhados de boca aberta. Ela


empurrou os seios contra seu peito, desejando que não
houvesse barreira entre eles. Roubando sua respiração, Taz
beijou de volta, levando pequenas mordidas em seus lábios,
antes de capturar a língua e chupar.

Taz ficou na ponta dos pés, sentiu que seu clitóris


estava em chamas. Desesperada para estar mais perto,
empurrou seus quadris contra os dele, abrindo as pernas o
suficiente para permitir que ele empurrasse seu joelho entre
elas. Quando sentiu a coxa dele esfregar contra sua boceta
gulosa, ela montou sua perna. O atrito era tão bom que
pensou que poderia desmaiar.

Deacon se preparou, tendo a maldita certeza que não


perderia o equilíbrio. Sua pequena boneca estava
encontrando seu prazer nas esfregadas da sua doce boceta
em sua perna e ele não estava prestes a pedir-lhe para parar.
Arrastando sua boca na dela, ele deixou seus lábios
deslizarem em seu pescoço, chupando e mordendo a carne
macia.

— Isso baby, se esfregue na minha perna, isso é tão


bom.

Oh Deus. Ela estava se comportando mal, mas não


conseguia parar.

— Olhe para mim, — ela sussurrou. Quando olhou,


Deacon sorriu, excitando-a mais. Ela gozou forte. — Deacon!

— Eu preciso te ver, te tocar. — Ele deixou suas mãos


encontrarem a bainha de sua camisa. Puxando-a para cima,
olhava fixamente para os seios nus. — Eu vou te comer viva,
doçura. — Com as duas mãos, ele agarrou a beira superior
da calcinha e rasgou.

— Deacon! — Ela não protestou, em vez disso começou


a empurrar a camisa pelos ombros dele e salpicou sua pele
com beijos. Ao realizar esta tarefa, ela começou a abrir seu
cinto e o botão da calça, buscando febrilmente encontrar seu
corpo nu. Todo o tempo, ele estava apalpando e tocando seus
seios, chupando os mamilos e beijando seus lábios. Seus
dedos tremiam, seu coração batia mais rápido que o bater de
asas do beija-flor.

— Essas pequenas mãos serão a minha morte, — ele


murmurou enquanto empurrava sua cueca para baixo,
liberando seu pênis. Ele não pôde deixar de sorrir quando ela
gemeu, um sinal de satisfação, uma vez que estava com as
mãos sobre ele.

Entre beijos, Taz ofegava palavras.

— Eu sei… cerca de uma dúzia de… maneiras… para


matar um homem... com as minhas mãos… nuas. —
Respondendo de forma sexy, ela acariciou seu pênis e
massageou suas bolas, agindo como se não houvesse nada
que quisesse mais.

Enquanto Taz acariciava seu pênis, ele beliscava um


mamilo e usava o dedo para foder sua doce boceta.

— Este deve ser o número treze. — Quando inclinou


seus quadris e enganchou uma perna por trás dele, Deacon
sabia que ela precisava o que somente ele poderia dar. —
Espere, querida. Eu não acho que possa segurá-la e manter-
me de pé. Eu tenho medo de arriscar e te deixar cair.

Seu tom era de desculpas.

— Deixe-me ajudar, — ela ofereceu. — Vamos despi-lo e


eu vou ajudá-lo com a sua prótese. — Ela ficou de joelhos a
seus pés, pronta para tirar uma bota.

— Eu tenho uma ideia melhor. Deixe-me ficar com a


prótese um pouco mais. Vá para cama e fique de quatro.
Engraçado, eles estavam discutindo a sua deficiência
naturalmente, sem vergonha, sem julgamento, simplesmente
o tesão. Com a calça e a cueca em torno de suas
panturrilhas, era claramente visível o lugar onde o coto se
localizava no topo da prótese. E daí? Seu pênis estava duro,
sua mulher queria apenas ele e não estava disposto a deixar
passar esta oportunidade.

A visão dela ajoelhada diante dele, a bela linha de sua


coluna vertebral, a curva de seus quadris, ele não resistiu.

— Lembra quando eu disse que eu bateria em sua


bunda pequena e atrevida?

— Sim, — ela respondeu com um sussurro.

Chegando bem perto, ele correu as duas mãos sobre os


globos da bunda dela.

— Linda.

Ela esperava um golpe e se preparou para isso. Tinha


lido sobre mulheres que gostavam de palmadas e não tinha
ideia se gostaria ou não. Mas ela estava disposta a tentar
qualquer coisa com Deacon.

— Estou pronta.

Quando ela mexeu o traseiro cheio, redondo, na frente


dele, Deacon sentiu seu quadril empurrar em resposta.
Tomando seu pênis na mão, ele o usou para espancá-la.
Várias batidas afiadas em cada bochecha. Taz olhou para
trás por cima do ombro e se moveu naquela direção,
querendo mais.
— Quer isso? — Perguntou. Deus, ele queria e gostava
para caralho.

— Oh, sim, — ela choramingou, em seguida, se


submeteu completamente. Ela apertou o rosto no travesseiro,
abriu as pernas e levantou seus quadris, dando-lhe uma
visão total e completa de sua boceta. Ela estava inchada, rosa
e brilhante com a excitação.

Deacon queria prová-la, mas ele não tinha a força para


esperar. Guiando seu pau, ele arrastou a cabeça entre as
pernas dela, banhando-se em seus sucos. A erótica sensação
de satisfação o envolveu e queria isto de novo e de novo. Para
cima e para baixo, ele empurrou a ponta contra o clitóris,
dando-lhe um toque do êxtase que estava por vir.

— Você está me provocando. Você aceita um suborno?


— Um ofego um pouco frustrado pontuou suas palavras.

— Talvez. — Ele flexionou os quadris, trabalhando seu


pau para cima e para baixo na beira dos seus lábios. — O
que você está oferecendo?

— Duas chupadas e uma dúzia de biscoitos de


chocolate.

— Você tem biscoitos?

— Eu vou conseguir biscoitos! — Gritou ela com uma


risadinha. — Apenas foda-me agora!

— Russinha exigente. — Suas palavras foram


carinhosas, suas ações firmes. Colocando a ponta do seu
pênis dolorido na entrada da sua vagina, ele entrou com um
impulso duro. Um suspiro grato saltou dos lábios dela.

Taz arqueou as costas recebendo ele em seu corpo.

— Agora estou feliz.

Ela segurou-se sobre as mãos e empurrou para trás, o


quanto podia, movendo-se tão profundamente em seu pau e
então ela dobrou seus músculos em um ritmo inebriante que
roubou a sanidade dele. Deacon teve que se mover.
Descendo, soltou. Com uma das mãos sobre o colchão,
começou a distribuir beijos ao longo de toda as costas
enquanto seus quadris bombeavam o pênis dentro e fora da
vagina apertada. Ele empurrou mais e mais rápido, se
sustentando em uma mão, enquanto acariciava os seios dela
com a outra.

O poder com que ele a possuía era quase esmagador


para Taz. Ela fechou os olhos, saboreando o céu. Seu corpo
abalado, os seios balançavam. As mãos dele a mantinham
perto, seus lábios pressionavam beijos aquecidos na pele
dela. Nunca esperou sentir o que sentia, nunca esperou que
alguém como Deacon Jones fosse entrar em sua vida. Estar
com ele era como enfrentar os ventos selvagens de um
furacão furioso.

— Vamos lá, baby. — Ele sussurrou. — Eu não vou


durar. Goza para mim.

Como se a sua ordem fosse um interruptor, ela


sucumbiu à sua vontade. Seu clímax queimou com chamas
fora de controle.
— Deacon! — Ela gritou, seu corpo convulsionando em
contrações arrebatadoras.

Sentindo-a voar para além em seus braços, ele moveu-se


mais rápido e mais duro, movendo-se dentro dela com
intensidade primal. Com cada bombeada de seus quadris,
seu pau deslizava dentro e fora dela. Com fome gananciosa,
ele espalhou beijos sobre suas costas, mordendo a carne
macia perto de sua clavícula, esfregando o bigode sobre a
pele aveludada.

Era difícil para Taz permanecer em pé, mas ela não


estava prestes a desapontá-lo. Ele entrou nela uma e outra
vez, fazendo com que tremores se espalhassem por todo o seu
corpo. Ela fechou os olhos, mordeu o lábio e apenas se deixou
levar pelo prazer. E então Deacon parou, todo o seu corpo
tremendo e soltou um som tão lindamente masculino que ela
quase chorou. Seu sêmen a preencheu. Taz tomava-o, não só
para trazer-lhe mais prazer, mas para reivindicar tudo que
ele podia dar.

Com um suspiro pesado, ele rolou de cima dela para


deitar na horizontal, puxando Taz para perto.

— Você nunca vai saber o quanto eu precisava disso, —


ele murmurou, enfiando a cabeça em seu ombro.

Ele nunca saberia o quanto Taz precisava dele. O


pensamento nasceu em sua mente, assombrando-a. Ela se
aninhou contra ele, esfregando a mão para cima e para baixo
do seu braço. Quando sua respiração se acalmou, Taz
percebeu que ele dormiu. Movendo-se lentamente, ela se
levantou e, com toda a cautela que pôde reunir, começou a
remover a roupa dele, sapatos primeiro, em seguida, meias.
Depois, ela tirou a calças e cueca, então inspecionou a
prótese e a destravou, removendo-a suavemente e o
revestimento que protegia a perna. Sua pele estava vermelha
e ela desejava aliviá-la com algo, mas ela não queria
despertá-lo.

Deacon já estava acordado. Ele congelou quando ela


começou a explorar, olhando para ela através dos cílios. Não
houve hesitação, nem olhar de desgosto, nada mais que um
olhar de… amor em seu rosto.

Em momento roubado, ele se deleitou com a sensação.


O que o futuro reservava para eles? Quando se acomodou ao
lado dele, seu braço enrolou sobre sua cintura e seu rosto
descansou contra o peito dele. Ela se aconchegou tão
profundamente em seu abraço quanto poderia conseguir. Ele
não sabia a resposta à sua pergunta, mas a primeira coisa
que importava era que ambos sobrevivessem à missão.
Depois disso, ele tinha medo de ter esperanças. O destino não
foi gentil com Deacon, talvez o seu tempo chegou. Talvez esta
mulher bonita que ele segurava em seus braços fosse o seu
futuro.

— Deixe-me fazer com que falem, — ele ordenou


enquanto dirigiam-se para o hotel onde deveriam se
encontrar com o agente do Departamento de Distribuição de
Terras e sua esposa.

Taz não disse nada, ela o deixou liderar. Quando


Deacon bateu à porta, um Texas Ranger25 estava esperando
por eles. Ela foi capaz de identificá-lo pela estrela solitária de
metal, emblema do Texas, em sua camisa. Ele era um homem
bonito, alto com cabelo escuro, mas não tão bonito como
Deacon, pensou Taz.

— Entre. Sou Dallas McClain.

— Deacon Jones, Time Ômega. Esta é Natasha Levin, a


minha parceira.

Sua parceira? Taz vibrou com felicidade quando eles


apertaram as mãos. Essa sensação de euforia logo
desapareceu quando viu os rostos tristes e tensos de Tex
Zachary e sua esposa.

Dallas os apresentou e Taz olhou para Melissa. Ela foi


até a mulher, sentou-se e estendeu a mão.

— Eu sinto muitíssimo. Estamos aqui para ajudá-los.

A simpatia na voz de Taz parecia ser o catalisador para


Melissa, que se emocionou.

— Ele tem apenas sete anos, pequeno para sua idade e


está doente.

Deacon abaixou a cabeça, colocou a mão no braço de


Zachary e falou humildemente.

25 Uma divisão policial, principalmente investigativa, que atua no Texas.


— Estão sendo tomadas providências para resgatar o
seu filho e para ter esta situação sob controle. — Deacon fez,
então, uma pergunta para Dallas. — Você acompanhou esta
situação desde o início, qual é a sua opinião?

Dallas levou os dois homens para uma pequena mesa


em frente ao quarto onde as mulheres estavam sentadas em
um sofá. Talvez ele apenas estivesse em sintonia com
Natasha, mas ele podia ouvir sua voz claramente.

Eu fui tomada de minha família também. Sei


exatamente como seu filho está se sentindo e ele tem fé em
vocês. Sabe que você e o pai dele estão fazendo o que for
preciso para levá-lo para casa. Mickey não perdeu a
esperança e você também não deveria. A Equipe Ômega é a
melhor do mundo, eles não vão te desapontar.

Dallas limpou a garganta, capturando a atenção de


Deacon novamente.

— Sim, eu estava ciente da decisão do Departamento de


Distribuição de Terras. Todo mundo sabia que seria um
decreto difícil de realizar. Ninguém quer desistir da
propriedade que eles estão firmemente convencidos que é
deles por direito.

Tex Zachary estendeu a mão.

— Olha, agora não me incomodo com as motivações do


Departamento de Distribuição de Terras. Meu filho é mais
importante para mim do que o resto do mundo todo. Mas
posso dizer que existem momentos em que o DDT trabalha
para o melhor interesse da nação. Eles protegem a terra de
ser engolida pela indústria, fornecem pasto para fazendeiros,
ajudam a combater incêndios, trabalham na defesa da
energia solar e eólica, droga, o que estou dizendo é que eu
não concordo com tudo o que fazem, mas estava apenas
fazendo meu trabalho. Isto não era pessoal.

— Nós sabemos disso, Sr. Zachary, — Dallas ofereceu.


— Na verdade, eu posso prometer-lhe que Ainsley e o filho
dele não são o problema. Eles não querem desistir de suas
terras, mas eu aposto que eles nunca quiseram que nada
disso acontecesse, nem em um milhão de anos. Posso quase
garantir quando alguém entrar lá para ver o que realmente
está acontecendo, vai descobrir que Ainsley e sua família são
tão reféns como seu filho.

— Eu preciso saber o que estar por vir. Vou gravar isto,


no caso de precisarmos esclarecer algo no futuro. — Deacon
olhou do Ranger para o pai com medo, ambos lhe deram um
aceno de concordância. — Em que condição você acha que
encontrará o seu filho, com base na quantidade de tempo em
que ele esteve sem o seu remédio? — Ele perguntou,
pressionando o botão de gravar em seu telefone.

— É difícil saber, vai depender do tipo de comida que ele


tem comido. Nós verificamos várias vezes por dia o açúcar no
seu sangue. — Quando Zachary enumerou uma lista
perturbadora que incluía tudo, desde fadiga e náuseas a
apatia e sede extrema, ele também podia ouvir a conversa de
Melissa e Natasha. A mãe estava desesperada.
Se não chegar até ele em breve, ele pode entrar em coma
diabético. Ele pode morrer!

Deacon podia ver Taz confortar a mãe.

Eu entendo completamente. Minha avó sofria de


diabetes e aprendi muito rapidamente como verificar o seu
açúcar no sangue, avaliar a sua condição e ter certeza que ela
tomou o remédio que precisava. Quando for até seu filho,
faremos tudo ao nosso alcance para garantir que ele chegue
vivo e bem em casa para você.

— Meu filho é inocente, Sr. Jones. Por favor, não deixe


que esta luta burocrática o leve a perder a sua vida. Eu vou
sair do meu emprego. Eu farei qualquer coisa. Para dizer a
verdade, eu quero ir atrás dele agora!

Dallas entregou ao Sr. Zachary uma garrafa de água.

— Vamos fazer o nosso trabalho, Senhor. Os homens


que mantêm o seu filho são voláteis e temos que conduzir isto
da melhor maneira. Nós temos que ter alguém lá dentro que
tome conta da situação antes mesmo de saber o que os
atingiu. A Equipe Ômega é especialista neste tipo de
situações. O que estamos tentando evitar é uma situação
pior, onde seu filho estará em fogo cruzado.

— Oh, Deus! — Tex Zachary começou a chorar e o


coração de Deacon sofreu por ele.

— Nós precisamos ter tudo no lugar para quando chegar


a hora, para não haver nenhum atraso. — Ele encarou
Dallas, falando em voz baixa. — Sabe o que mais eles estão
pedindo além da libertação dos prisioneiros?
O guarda deu uma risada curta e dura.

— Eles estão pedindo dinheiro, um milhão de dólares do


Departamento de Distribuição de Terras, uma viagem de
avião para o México e, por último, aparentemente como uma
reflexão tardia, eles estão exigindo que o terreno seja
reintegrado à família Ainsley.

Deacon sabia das suas prioridades.

— Nós não somos negociadores, mas se conseguirmos


entrar lá, não teremos que negociar nada. Eu…

Dallas os interrompeu, levantando a sua mão.

— Recebi uma chamada telefônica. Isso pode ser alguma


notícia.

Enquanto se afastava, Deacon dirigiu-se a Tex Zachary.

— Assim que sairmos daqui, Natasha e eu vamos nos


encontrar com alguns dos vizinhos. O que vamos procurar é
por informação privilegiada sobre a casa, as pessoas e da
situação. Meu chefe, Grey, está trabalhando com o
Governador e posso garantir-lhes que todos estão cooperando
para tirar o seu filho de lá o mais rápido possível.

— Eu agradeço, Sr. Jones. Rezo para que você esteja


certo.

Deacon assentiu, notando que Taz deixou a Sra Zachary


bastante calma. Elas estavam falando em tons mais baixos
agora e ele tinha que dizer que ficou impressionado com a
sua… parceira. Ainda não queria que ela se metesse em
qualquer coisa perigosa, mas ela poderia ser muito útil no
recolhimento de informação ou apenas em ser um elo entre a
equipe e quem quer que eles estivessem trabalhando para
assegurar que a comunicação fluísse sem problemas. Deacon
percebeu que estava tentando se justificar para dar a ela uma
recomendação. Estava tentando encontrar algum tipo de
compromisso onde ele poderia oferecer-lhe um lugar que se
encaixasse, como ela ansiava, e ainda mantê-la segura no
processo.

Quando Dallas voltou, ele tinha um olhar estranho em


seu rosto. Dirigindo seu comentário a Deacon, ele apontou
para Taz.

— É melhor vocês dois pegarem a estrada para falar com


os vizinhos. Essa coisa pode piorar mais rápido do que
pensávamos. O negociador de reféns está prestes a convencer
Rice a permitir que um médico entre e trate o menino antes
de qualquer uma das outras exigências sejam atendidas.
Estão dizendo a eles que se algo acontecer com a criança
todas as exigências não serão atendidas.

— Ótimo! — Zachary estava atento. — Vamos fazer isso.

Dallas fez contato visual com Deacon, dando-lhe a ideia


de que estavam prestes a ter uma conversa privada.

— Você pode ter certeza que vamos fazer o melhor para


o seu filho. Se você nos der licença, preciso sair com estes
dois e lhes passar uma mensagem de seu chefe.

Agora foi a vez de Deacon ficar confuso.

— Você falou com Grey?


— Sra. Levin, você pode se juntar a nós lá fora? — O
Ranger chamou Taz, que deu um abraço de despedida em
Melissa Zachary e passou pela porta que Dallas estava
segurando aberta para Deacon e Natasha passar.

— O que está acontecendo? — Ela perguntou para


Deacon. — Aconteceu alguma coisa na fazenda?

Deacon colocou a mão na parte inferior das costas dela.


Ele achava que se sentia mais confiante quando estava
tocando ela. — Sim, Dallas tem informações para nós. O que
você ficou sabendo?

— Eu represento o chanceler Kyle. Ele não é o


governador que vocês estão acostumados. Eles o chamavam
de Thunderbird na guerra, como você provavelmente sabe.

Deacon assentiu.

— Sim, eu conheço ele. Nós não servimos juntos.


Embora tenha votado nele.

— O que eu estou tentando dizer é que Kyle está


intimamente envolvido. Ele teve experiências com missões
como esta, tanto na guerra quanto em sua equipe privada, os
Equalizers. Como você provavelmente pode adivinhar, o
Governador quer enviar alguém que pode convencer os
bandidos que é um médico ou um Técnico em Emergência
Médica, dar à criança o que ele precisa e tirá-lo de forma
segura. Seu objetivo é finalizar isto pacificamente. Ele não
quer um tiro disparado até que a criança saia com segurança
do rancho.
— Sim, sei o plano e concordo com você. Eu só espero
que isso seja possível. — Deacon tinha que ser honesto.

Taz queria muito dizer algo que pensou que fosse


enlouquecer. Mas preferia não discutir na frente do Texas
Ranger. Em vez disso, ela comentou:

— Então, temos de nos reunir com os vizinhos agora


mesmo.

— Correto. — Dallas assentiu.

— E sobre a mensagem do meu chefe que você


mencionou anteriormente? — Deacon verificou seu telefone,
mas não havia nenhuma mensagem, chamada ou e-mail de
Grey.

— Ah, sim, — Dallas sorriu, — Kyle disse que Grey


Holden está vindo para cá. Ele deve pegar o voo em Wichita
Falls em um par de horas.

Deacon não se surpreendeu. Ele se perguntou a razão


de Holden querer que Deacon trabalhasse com Taz. Ele e
Grey seriam capazes de trabalhar juntos perfeitamente. Taz
não teria que se envolver. Seria capaz de mantê-la segura.
Deacon estava aliviado.

— Por que ele está vindo? — Taz perguntou em voz alta.


— Algo deve estar errado. Algo que não sabemos.

— Tenho certeza que ele só precisava sair da cidade. —


Disse Deacon e Dallas deu-lhe uma olhada. — Nós vamos
ligar para ele depois de visitar os vizinhos. Você me indica
alguém?
— Sim. — Dallas assentiu. — Vou enviar por e-mail,
imediatamente, os endereços e todas as informações que
tenho. — Os homens apertaram as mãos e Dallas tirou o
chapéu para Taz. — Senhora, foi um prazer conhecê-la.

Eles se despediram e Taz seguiu Deacon para fora.

— Eu me sinto tão triste pela mãe. Ela está tão


assustada. — Instintivamente, pegou a mão dele.

Eles caminharam juntos até que se aproximaram do


carro e ela tentou se afastar para ir para o lado do passageiro
do veículo. Para sua surpresa, ele deu a volta, abriu a porta e
levantou-a para o banco, roubando um beijo.

— Eu ouvi você falar com ela. Você sabe exatamente


como aquele menino se sente, não é? Você foi roubada de sua
família. Sozinha. Amedrontada.

Taz colocou os braços em volta do pescoço dele.

— Esperamos que Mickey não esteja sendo ferido, mas


ele está em perigo. Nós temos que fazer alguma coisa.

— Nós iremos. — Deacon colocou o cinto de segurança.


— Eu prometo.

Eles dirigiram para o norte da cidade, em direção a Red


River. Taz estava sentada com uma perna debaixo dela, nem
mesmo tentando esconder o fato de que estava olhando para
Deacon.

— Por que é que Grey está vindo ao Texas?

— Ele provavelmente está vindo para visitar Kyle e me


checar. Com todos os fuzilamentos em massa e a tensão
entre o governo e as facções radicais ultimamente, esta
situação tem o potencial para se tornar incendiária. Como
Dallas disse, o governador quer isso resolvido tão
rapidamente e pacificamente quanto possível.

Taz assentiu. Ela realmente não pensou que sua


chegada tinha a ver com ela.

— Vocês dois lutaram juntos no Oriente Médio?

— Sim. — Deacon ajustou o espelho retrovisor. — Grey


tem sido um bom amigo. Nós nos conhecemos logo após que
me alistei. — Ele sorriu, lembrando-se. — O homem é louco.
Tivemos alguns bons momentos e vimos o inferno também.
Ele foi o meu padrinho no meu casamento e me disse que eu
estava cometendo um erro. Gostaria de ter ouvido.

— A sua esposa deve ser louca, ela largou você.

Deacon encontrou seu olhar.

— Nós não estávamos casados já faz muito tempo. Eu


estava fora de casa mais do que estávamos juntos. Eu não
tenho certeza se o nosso relacionamento teria durado, mesmo
se eu não tivesse perdido minha perna. Nós não temos muito
em comum.

Taz queria lembrá-lo o quanto os dois tinham em


comum, mas não o fez. Seus sentimentos por Deacon eram
tão inesperados, mas tão poderosos que realmente não sabia
o que fazer com eles. Deacon era um enigma às vezes. Taz
não tinha ideia do que o futuro reservava, se ele permitiria
que ela ficasse e trabalhasse com a equipe Ômega ou se iria
mandá-la embora. Foi difícil para ela imaginar que eles
pudessem compartilhar o corpo um do outro como eles
fizeram na noite passada e não terem algum relacionamento
mais duradouro, ela estava com muito medo de ter
esperança.

— Você tem família?

Deacon passou a mão sob seu joelho direito,


massageando o músculo que se encaixava na prótese.

— Eu tenho um irmão. Eu não o vejo muitas vezes, mas


estamos juntos a cada verão no Colorado. Nossos pais eram
mais velhos, minha mãe morreu enquanto eu estava na
faculdade e meu pai morreu logo depois que me casei com
Sylvia. Eu tive uma boa infância, nada como o que você
passou. — Quando diminuiu a velocidade no sinal, ele
colocou a mão em seu joelho. — Você percebe que eu admiro
muito você, não é? Sei que ninguém que sofreu o que você
sofreu pode ser tão forte. E é tão pequenina... — Ele sacudiu
a cabeça para trás para ver a estrada quando uma buzina de
carro explodiu.

— Eu não podia desistir. Tinha que tentar ser alguém.


— Ela não queria falar desta forma, não queria chorar. —
Quem nós vamos encontrar?

— Você é alguém, Natasha Levin. — Ele entregou o seu


telefone. — Uma pessoa muito doce. Leia o último e-mail do
Ranger McClain.

Uma lágrima correu por sua bochecha e leu o nome e


endereço.

— Vamos encontrar um Sr. e Sra Baxter.


— Sim, eles podem não nos dizer nada que já não sei,
mas temos que tentar.

— Você realmente acha que isso vai acabar em breve?

— Há muita coisa acontecendo que não temos


conhecimento. Dallas me disse em seu e-mail que
estabeleceram uma espécie de quartel-general no Rancho
Baxter. Eles compartilham uma parte da propriedade com os
Ainsleys e todos podem conferir e monitorar a situação.

— Será que vou ser capaz de ajudar ou a chegada de


Grey significa que não sou necessária?

Deacon podia ouvir o desapontamento em sua voz, mas


ele não mentiria.

— Você já tem sido útil. Você vai assistir a missão se


desdobrar com todo mundo do quartel-general. Não há
possibilidade de eu deixar você em perigo, não importa o que
Grey disse. Este é um princípio meu que não vou deixar de
lado. As mulheres não pertencem a situações de combate.
Ponto final.

Não havia necessidade de dizer mais alguma coisa. Ela


estava cansada de empurrar, de ter esperança. Deacon
deixou o que pensava bem claro. Ele nunca saberia que Taz
queria ficar por ele, ser uma parte da equipe era importante,
mas não tão importante quanto Deacon. Olhando pela janela,
como se encontrasse o cenário de passagem cativante, Taz
admitiu para si mesma que era hora de dizer adeus.
— Olha lá, — Rob Baxter apontou para um cartaz que
dizia: — Divisa Estadual. — Eles estavam no gramado ao sul
de uma ponte que cruzava o Red River. — Desde que a
margem sul desse rio faz fronteira entre Texas e Oklahoma,
você pensaria que nós estaríamos olhando para a água
barrenta e bancos de areia. De jeito nenhum. Graças a ações
judiciais, juízes e atos de Deus, a linha é agora cerca de meia
milha ao sul, localizado em nossas pastagens.

— Eu posso ver o quão perturbador isso deve ser. —


Deacon lastimou-se com o fazendeiro.

— Você já viu o Duke no “Red River”26, quando ele sai do


rio e diz que chegou no Texas?

— Sim, eu amo John Wayne. — Disse Taz.

Deacon escondeu um sorriso. Taz e seus filmes.

26
É um filme com Johnny Cash de 1988, no qual Duke era um personagem do filme.
— Bem, ele não estaria em pé no Texas agora. Esses
dias acabaram.

Enquanto Deacon ouviu os lamentos do Sr. Baxter, Taz


puxou o desenho do bolso. Ela sentou-se com Lois Baxter e
desenhou um esboço da casa de Ainsley baseado em sua
descrição. Ela observou cada saída, cada janela, incluindo o
porão, que continha um abrigo para tempestade com uma
abertura para o exterior protegido por portas duplas que
eram protegidas, de acordo com o que a senhora Baxter podia
lembrar, uma tranca simples. Taz fez cada pergunta que
poderia pensar e agora ela e Deacon tinham uma boa ideia do
que a pessoa que entrasse podia esperar no rancho dos
Ainsleys. Lois Baxter explicou que a esposa de Ainsley estava
em um andador, em reabilitação devido a uma cirurgia no
quadril. A casa era grande e uma vez que o fazendeiro e sua
esposa estavam envelhecendo, seu filho, Clive e sua esposa
Lisa viviam com eles. Eles tinham uma filha que tinha doze
anos. Lois não conhecia os três forasteiros, mas ela
concordou com os outros. A família Ainsley não eram o tipo
de pôr em perigo a vida de uma criança nem das deles e nem
de ninguém.

— Esta situação ficou fora de controle. — Lois


sussurrou. — Se essa criança morrer, Margaret Ainsley
nunca vai se perdoar. — Ela agarrou a mão de Taz. — Diga-
me que eles não vão ser responsabilizados por essa bagunça.
— Taz explicou a ela que não tinha certeza, mas pelo que ela
ouviu do governador, ele era um homem justo.
— Vamos voltar, — Deacon sinalizou para Taz. — Dallas
acabou de ligar e nós temos companhia.

Eles saíram da casa dos Baxters, que agora estava


repleta de guardas florestais, técnicos e membros da força
policial local.

— Há pessoas suficientes aqui para lutar uma pequena


guerra, — Deacon anunciou calmamente. — Eu vou ficar feliz
quando Grey chegar aqui. O homem impõe respeito como
ninguém.

— Com certeza. — O tempo que passou com Athena foi


antes de sua amiga encontrar Grey. Mas ela e Athena
mantiveram contato e quando Grey e Athena decidiram
formar a Equipe Ômega, Athena a chamou. Depois de
semanas de discussão, Grey pediu-lhe para ir até Deacon. E
o resto, como era dito em tantos filmes, era história.

— Estamos longe do rancho da família Ainsley? —


Deacon perguntou a Dallas, que os encontrou perto da
garagem de Baxter.

— Cerca de oito quilômetros em linha reta, doze se


dirigir contornando a estrada.

Taz foi para perto de Deacon. Mesmo que não fosse


passar mais muito tempo com ele, não poderia fingir que não
se importava com ele.

— Temos alguma ideia do tipo de armas que eles têm


por lá?
Deacon não teve chance de responder. Dallas interveio,
se aproximando deles.

— Nós mandamos um helicóptero até lá para tirar


fotografias, mas eles atiraram em nós. Sabemos que a família
Ainsley tem uma coleção de rifles de caça e uma ou duas
pistolas. Quanto aos outros três, nós achamos que eles
trouxeram um arsenal. Não há como dizer o que vai
encontrar. Burgess ficou conhecido por carregar uma arma
automática.

Taz estremeceu, não por si mesma, mas por Deacon.

— Será que eles têm coletes para você usar?

— Grey vai trazê-los, tenho certeza. — Deacon


assegurou-lhe, empurrando uma longa mecha de seu cabelo
ruivo fora de seu ombro.

— Temos de sobra. — Disse Dallas antes de falar no


rádio. — Tudo certo. Muito bom. Grey está prestes a pousar.

Taz olhou para o céu a tempo de ver um helicóptero


aparecer sobre as árvores. Sim, ele a fazia lembrar de um
pássaro grande, talvez um pré-histórico. Depois de alguns
instantes, um homem alto com cabelo escuro curto, usando
óculos escuros e uma jaqueta de couro preta saiu.

— Esse é o Grey?

— Sim, é. — Deacon deu um passo adiante e eles


apertaram as mãos antes de Grey o puxar para um abraço
viril.
Eles trocaram algumas palavras antes de voltar para
onde ela e Dallas ficaram esperando.

— Eu não tenho que perguntar quem é. Esses selfies


que você enviou para Athena está agora em um quadro em
nosso escritório. Natasha, é bom finalmente conhecê-la
pessoalmente.

— Você também, Senhor. Obrigada por tudo.

— Nenhum agradecimento necessário, se você é tão boa


como Athena e Deacon diz que é, estou preparado para ficar
impressionado.

Deacon parecia tão surpreso com a resposta de Grey


quanto Taz.

— McClain, eu presumo? — Grey voltou sua atenção


para o Ranger. — Você tem o remédio do pequeno Taylor
pronto?

— Nós temos.

— Eu presumo que você tenha uma ambulância em


stand-by. — Sem esperar por uma resposta, continuou. —
Pode trazer. Quero usá-la para levar os membros da minha
equipe para o portão quando for a hora. Nós temos que fazer
essa coisa parecer real. Não há espaço para erros.

— Você terá, Sr. Holden. — McClain se afastou para


garantir que tudo estava conforme programado.

— Vocês dois, venham comigo, nós não temos muito


tempo. — Ele se afastou tendo Deacon e Taz o
acompanhando. Ela olhou para Deacon, sem saber se era
bem-vinda. Ele não fez contato visual com ela. Um policial
uniformizado abriu a porta para eles, mostrando a Grey um
pequeno escritório que Baxter lhes deu para usar. Quando
eles estavam todos dentro da sala, Grey fechou-a, mandou
então os dois se sentarem. — Eu suspeito que ficaram
surpresos ao descobrir que eu estava vindo.

Taz não respondeu, mas Deacon sim.

— Isso é importante. Não estou surpreso que você


queira participar. Como você disse, não queremos outra Waco
ou Ruby Ridge. Estou pronto para fazer o que precisa ser
feito. Você pode contar comigo.

Grey se inclinou para trás e soltou um longo suspiro.

— Eu não tenho nenhuma dúvida sobre isso, Deacon.


Mas desta vez você vai ter que ficar para trás. Natasha irá
entrar.

Taz não acreditou no que ouvia e olhando para Deacon,


ela não acreditou em seus olhos. Ele empalideceu.

— Grey, eu gostaria de falar com você, agora.

Grey piscou para Taz e seguiu seu amigo para fora. Taz
apenas sentou lá estupefada. Ela poderia participar, sabia
que podia. Enquanto eles se foram, ela tirou o desenho da
casa e jardim e começou a memorizá-los.

Lá fora, Deacon explodiu.

— O que você pensa que está fazendo? O que você está


pensando? Que possiv...?
— Firme, Jones. Eu sou seu amigo, mas eu era seu
superior e agora sou seu chefe. Você pode ter certeza que
avaliei todas as possibilidades.

Deacon respirou.

— Com o devido respeito, Senhor, — ele enfatizou a


última palavra. — Eu peço que você me envie em vez de
Natasha. Ela...

— É tão boa quanto você, como você disse antes. —


Grey viu o olhar de acordo tácito nos olhos de Deacon até
mesmo a angústia sobre seus medos. — Olha, eu tenho
minhas razões, se você estiver disposto a ouvir.

— Vá em frente. — Deacon murmurou, sua confiança


inata em Grey guerreando com sua preocupação por Taz.

Grey colocou uma mão no ombro de Deacon e levou-o


para uma sala vazia com cadeiras flanqueando uma lareira.

— Vamos sentar. — Eles fizeram e Grey inclinou-se para


Deacon com os antebraços apoiados nos joelhos. — Primeiro,
a imagem inicial que Natasha apresenta é de fraqueza. Eles
não vão desconfiar de nada quando eles a olharem. Ela pode
fazer mais, dizer mais, observar com maior facilidade do que
você ou eu poderíamos.

Deacon começou a tentar discutir, mas Grey levantou a


mão.

— Ainda não terminei. Eu sabia desde o momento em


que falamos que você iria quer entrar lá não importando o
que eu dissesse. — Quando Deacon tentou protestar, Grey
sorriu. — Eu não sou idiota, Jones. Sou capaz de ler os
sinais. Eu estive onde você está. Eu iria proteger Athena com
a minha vida, mas tive que aprender a confiar nela. O que
você não sabe e o que tenho tentado dizer é que nem você
nem eu deveríamos participar, porque a mulher do filho de
Ainsley é amiga da Sylvia, antigamente chamada de Lisa
Foster. Estava em seu casamento. Reconheceria qualquer um
de nós e ela nos conhece bem. Lisa sabe que não são médicos
ou Técnicos em Emergência Médica, poderia muito bem nos
delatar. Não podemos correr esse risco. — Ele olhou
fixamente para Deacon. — Você sabe tão bem quanto eu,
além de você e eu... — ele apontou ao redor, como se para
indicar todos os Rangers e pessoal da polícia em torno deles,
— Não há ninguém mais qualificado ou capaz do que ela. Taz
foi habilmente treinada por um homem que tinha um
interesse em fazer-lhe uma mulher bonita, mas também uma
máquina mortífera.

Deacon conseguia entender as informações que Grey


passava.

— Eu não gosto, mas entendo. — Ele sentiu um arrepio


gelado escoar em seus ossos. — Vamos nos arrumar.

Durante o próximo par de horas, Taz se preparou. Ela


passou um tempo sendo treinada pela equipe de emergência
médica, como cuidar de Mickey e a melhor maneira de ajudá-
lo. Ela também ouviu e fez perguntas quando Deacon e Grey
repassavam por todos os cenários possíveis com ela.
— Você estará usando um transmissor, — disse Grey.
Deu-lhe um pequeno clipe ornamentado para seu cabelo. —
Nós vamos ser capazes de ouvir o que está acontecendo.
Comporte-se da forma mais natural possível. Fale com o
menino. Queremos saber a sua condição. Descreva-o.
Teremos uma equipe de emergência de verdade ouvindo isso
e vamos saber o que esperar quando ele sair. Você vai ter que
tentar negociar, tentar convencê-los de que você possa sair
com a criança. Se isso não for possível, você vai ter que
avaliar a situação. Você pode escapar? Você tem que avaliar
onde eles estão, como agem, se há alguém no comando, que
tipo de poder de fogo que têm.

Deacon fechou os olhos. O medo que nunca conheceu o


fez se sentir bastante mal. Havia tantas coisas que poderiam
dar errado. Se fosse ele lidando com esta situação de perigo
desconhecida, estaria melhor preparado para pensar por si
mesmo. Taz, embora fosse altamente qualificada, não tinha
nenhuma experiência prática.

— Quais armas você está planejando dar para Taz usar?

Taz começou a falar, mas Grey falou primeiro.

— Estou feliz que você perguntou. — Ele se levantou. —


Desculpe-me, eu já volto com algo para lhe mostrar.

Uma vez que ele se foi, Taz não sabia para onde olhar.
Ver a desaprovação e desconfiança no rosto de Deacon era
negativo para o resultado da sua missão. Mas ela tinha que
dizer alguma coisa...
— Eu sei que você não pensa muito bem sobre mim. Eu
vou fazer isso, Deacon. Eu não vou deixar você ou a equipe
desapontados.

— Você não faz parte dessa equipe, — ele falou as


palavras entre os dentes. — Este não é um trabalho que
deveria fazer. Diga a Grey que você não quer fazer isso. Você
não tem que fazer isso.

Sua falta de fé nela quase desanimou Taz.

— Você não vai se envergonhar, eu prometo.

Deacon se perdeu. Ele se levantou, agarrou-a pelos


ombros e puxou Taz para seus pés.

— Eu não estou preocupado em ser envergonhado ou


decepcionado. Você não entende? Eu temo pela sua
segurança!

Sua admissão surpreendeu Taz.

— Não há necessidade.

— Há toda necessidade. — Incapaz de resistir, a puxou


para ele e beijou-a com força, sem se importar com quem
pudesse ver.

Chocada, Taz levantou a mão para tocar seu ombro, em


seguida, a deixou cair. Ela não teve a chance de beijá-lo de
volta, foi tão rápido que não conseguiu reagir.

— Deacon…

— Não é hora, — Grey anunciou quando ele voltou com


o que parecia ser um pequeno saco da equipe médica.
— Dentro desse saco deve ter tudo que você precisa,
mas há também alguns extras. — Ele mostrou seus dois
bolsos secretos costurados no forro, camuflados com retalhos
de couro que continha seringas, tesouras, gaze, qualquer
coisa que ela precisa. — Por trás dessas áreas, há uma faca e
uma arma. Duas dessas seringas estão cheias com um
poderoso sedativo, se você encontrar uma oportunidade de
usá-las.

Deacon gemeu.

— Obrigado, Q27. Jane Bond28 está preparada para


qualquer eventualidade.

— Eu acredito que ela está, Jones. — Ele sorriu para


Taz. — A partir dos relatos de Deacon, você não disse a ele
toda a extensão da formação que seu pai te deu.

— Não. — Taz sacudiu a cabeça. — Eu realmente não


tive a chance, não que tivesse feito diferença.

Deacon ignorou o seu corte delicado.

— Eu sei que Mikael trabalhou com ela. Ela é uma


exímia atiradora, seu arremesso com faca é certeiro, se
garante num combate mano-a-mano e sua resistência é
incrível. Ela só não tem experiência.

Grey colocou o braço em volta dos ombros de Deacon.

27
Chefe do James Bond nos filmes.

28
Ele brincou com o nome, como quem vai participar da missão é a Taz, ele usou Jane ao invés de
James.
— O que ela não te disse é que passou pelo mesmo
treinamento extenuante que os novos recrutas do FBI. Eles
são confrontados com vários cenários, treinados para tomar
decisões em frações de segundo e criar estratégias em
situações perigosas. Ela passou com distinção.

— Como?

— Seu pai estava no corpo docente. Eu acreditava que


ela tivesse lhe dito.

Taz sorriu com a lembrança.

— Sim, a minha parte favorita foi a Yellow Brick Road.

Apesar de sua preocupação, ele não pôde resistir,


Deacon sorriu de volta.

— Eu não posso dizer que estou surpreso, Dorothy29. —


Ele sabia que ela estava se referindo a lendária e cansativa
trilha de seis milhas, feito pela Marinha como um desafio de
aptidão, numa trilha montanhosa e arborizada. Os
participantes deveriam escalar paredes de rocha, rastejar sob
o arame farpado, riachos e subir e descer rampas íngremes.
— Você ganhou o seu Yellow Brick? — A prática de marcar o
caminho com tijolos amarelos levaram ao nome e à prática de
dar para as pessoas capazes de concluir o curso.

— Várias vezes, mas eu estava fazendo isso por


diversão, então eu não fiquei com ele. — Até agora, essa era a
história de sua vida. Ela tinha uma mãe que a traiu, um pai

29
O filme “O Mágico de Oz” possui uma Yellow Brick Road e Deacon brinca, a chamando de Dorothy, a
personagem principal do filme.
que morreu, uma casa que teve que sair e agora Deacon. Não
adiantava ficar apegada a qualquer coisa ou pessoa, ela não
conseguia mantê-los.

— Tudo bem, chega. Precisamos agir. — Grey foi para a


porta. — Eu vou deixar a equipe pronta. Taz faça o que você
precisa fazer e coloque o seu colete, está na hora.

Assim quando Grey se foi, Deacon levantou a mão para


tocar suavemente seu rosto. Colocou um dedo sob o queixo e
o levantou.

— Eu não gosto disso. Eu trocaria de lugar com você


num piscar de olhos, mas tenho fé em você. — Ele a deu um
curto, doce beijo. — Você consegue fazer isso. Mas estou
dizendo a você agora para ter cuidado. Não tome quaisquer
riscos desnecessários. Estarei o mais perto que Grey permitir
se você ficar em apuros, chame meu nome. Vou mover céus e
terra para chegar até você.

Taz estava hipnotizada por suas palavras, o olhar em


seu rosto.

— OK.

— E se você se machucar, eu juro por Deus...

— Você vai bater na minha pequena bunda sexy?

Deacon soltou uma risada desesperada.

— Não. Morra. Entendeu?

Concordando, Taz jogou os braços em volta do pescoço.

— Obrigada por ser bom para mim.


Um nó estava alojado na garganta de Deacon. Ele
começou a dizer-lhe que era boa para ele, mas Grey chamou
o seu nome e, em seguida, ela se foi.

A ambulância foi até a porta que dava para a


propriedade dos Ainsleys, Taz mentalmente revisava tudo. Ela
tocou o pequeno transmissor, garantindo que estava no local.
O colete que ela usava era confortável, não tinha muito
espaço para seus seios. Taz sorriu, ajustando a pequena
trava tanto quanto podia.

— Você entendeu o que fazer com a criança? — Morris


perguntou pela terceira vez.

— Sim. — Ela deu um tapinha na bolsa contendo suas


armas, bem como os suprimentos médicos que ela precisava.
Pouco antes dela embarcar na ambulância, os Zachary
chegaram. Nem pareciam surpresos que ela seria a pessoa a
entrar. Melissa pediu a ela para salvar seu filho e Tex
agradeceu por estar disposta a entrar.

Grey parecia o mais seguro. Tinha lhe dado uma


piscadela e a deixou falar com Athena no telefone. Como
Grey, Athena estava otimista e encorajadora. Taz sentiu-se
muito melhor depois de falar com sua amiga. A última pessoa
que ela viu era Deacon e ele não disse mais nada, mas o
olhar que eles trocaram derreteu seu coração. Ela estava com
medo de assumir o que significava, mas seus olhos
prenderam com os dela como se estivesse desejando que ela
estivesse segura.

Como seu pai ensinou-lhe, ela focou em si mesma, na


tarefa e colocou seus medos e outras emoções de lado por
hora. Seu objetivo era atender Mickey, recolher informações
e, se possível, sair em segurança com a criança. O que mais
poderia acontecer, não tinha certeza. Não ia resolver a
situação, mas se a oportunidade ou necessidade surgisse, ela
estaria pronta.

A estrada em que viajavam era estreita e irregular, ela


balançava de um lado para o outro no veículo.

— Morris? Você vai estar por perto?

— Sim, senhora. — O técnico olhou para ela no espelho


retrovisor. — Eu vou estar no portão da frente.

Ela assentiu com a cabeça.

— Obrigada. — Grey também lhe disse que ele e Deacon


estariam perto da linha da cerca que servia de fronteira entre
as propriedades. Alguém comentou que um oficial foi
recebido por franco-atiradores quando eles tentaram entrar
dessa maneira, então suas ações iriam depender de qualquer
informação que Taz pudesse fornecer ou se ela tivesse
problemas.

Problema. Ela esperava que isso corresse bem, mas uma


coisa que seu pai sempre lhe disse que era para esperar
problemas, preparar para o problema, então nada a pegaria
desprevenida. Fechando os olhos, ela fez uma rápida oração
para todos os envolvidos. Ela rezou por proteção, orou por
Mickey e orou por Deacon a perdoar. Isso não era pedir
muito, era? Taz não foi fiel, ela não entrou numa igreja nos
últimos anos. Mas ela tinha certeza de que Deus cuidava
dela. Respirando fundo, acrescentou um pedido apressado
em sua oração.

“Por favor, Deus, eu não estou pedindo por um milagre.


Mas se houver alguma maneira de Deacon me deixar ficar...”
A verdade a atingiu com força. Suas prioridades mudaram.
Ela ainda queria estar na equipe Ômega, se possível, mas ela
trocaria essa honra e qualquer outra coisa que ela já possuiu
por uma chance de fazer parte da vida dele. “Por favor, deixe
que ele queira ficar comigo.”

— Nós estamos aqui, senhorita. — Morris anunciou. —


Eu vejo que alguém vem até o portão e eles têm uma arma.

Taz olhou por cima do banco da frente. O portão para a


propriedade Ainsley foi pintado de vermelho, branco e azul
como a bandeira Texas. Ela sempre teve essa imagem
estampada em sua mente, um símbolo para manter-se firme.
Texas era famoso por aquilo. A batalha do Álamo veio à
mente. Claro, isso não era o mesmo, mas ela se sentia dessa
forma em relação aos Ainsleys. Tudo o que queriam fazer era
preservar a sua terra, a sua herança familiar. Se estes
indivíduos não se envolvessem, talvez eles pudessem ter
resolvido este problema.

— Está tudo bem, deixe-me sair e você pode ir até uma


distância segura. Isto é exatamente o que esperávamos. Eles
estão vindo para se certificar de que estamos cumprindo as
suas regras.

— Mas você não está...

Sua voz sumiu quando o homem se aproximou do


portão.

— Sim, Morris, estou... preparada, mas tenho que


parecer inofensiva.

Morris observou a mulher pequena andar até o homem


corpulento, cabeludo que estava firmemente com uma AK-47
apontado diretamente para ela, ele admitiu que ela parecia
mais do que inofensiva. A imagem de um gatinho abaixo de
um Rottweiler veio à mente. O que aqueles homens estavam
pensando enviando esta menina no meio de um impasse era
um mistério para ele.

— Bem, eu estou indo embora enquanto as coisas estão


boas por aqui. — Ele balançou a cabeça grisalha e ficou a
uma distância segura para aguardar novas ordens.

— Você é a doutora? — Ron Helmer apontou uma arma


para ela.

— Sim, — respondeu Taz confiante enquanto ela


caminhava até vinte centímetros do cano da arma.

— Coloque o seu saco para baixo e o abra. — Ela não


hesitou, sabendo muito bem que os itens estavam escondidos
em um forro acolchoado. — Como está o Mickey?

— Cale-se. Eu faço as perguntas. — Ele chutou o saco,


empurrando o conteúdo. Taz estava tentada a lutar pela arma
dele. Ele estava acima do peso, sem fôlego e lembrava um
policial caipira.

Ela escolheu ignorá-lo.

— Como esta Mickey? — Ela repetiu.

— Parece-me muito bem, apenas se senta e assiste a


desenhos animados com a menina. Sempre bebendo Coca-
Cola. Dorme muito.

— Leve-me até ele, esses são sinais de uma complicação


diabética.

— Bem, se é isso, toda criança que já conheci tem


diabetes. — Ele estendeu a mão e a puxou pelo colarinho de
sua jaqueta, jogando-a para a frente. Ela tropeçou, mas não
caiu. Ficando em pé direito, pegou sua bolsa antes de ir na
direção que ele indicou. A ponta dura da arma estava
pressionada em suas costas. Ela sabia que teria um
hematoma amanhã.

— Quão longe até a casa?

— Não muito longe e cale-se. Você faz um movimento


errado e faço um buraco em você.

Taz lembrou que ele era o único identificado como um


radical de extrema-direita. Seu perfil coincidiu com o atirador
que atacou uma clínica de planejamento familiar em Colorado
Springs. Ela não vacilou quando ele cutucou novamente. Em
vez disso, ela se concentrou no horizonte e ficou aliviada
quando uma casa de tijolos de dois andares veio à tona. Taz
poderia ver um outro homem armado esperando por eles na
varanda. Quando ela andou um pouco mais, ela reconheceu
Paxton Rice.

— Bem, bem, olha o que temos aqui.

Taz sentiu uma inquietação desagradável através de sua


mente. Paxton era muito mais perigoso do que Helmer.
Helmer era um seguidor. Paxton era mais agressivo.

— Sim, não é o que esperava, hein? — Helmer zombou.

Taz manteve os olhos sobre o homem na frente dela que


a avaliou com um sorriso de escárnio.

— Qual o seu nome, querida?

Ela iria responder, alcançaria seu objetivo de forma


mais fácil, se eles sentissem uma falsa sensação de
superioridade e controle.

— Natasha.

Paxton dobrou os joelhos e cantou.

— Nome bonito para uma menina bonita. Eu não acho


que vamos deixá-la sair.

— Posso ver Mickey, por favor?

— Eu tenho certeza que podemos fazer uma pequena


negociação. Eu a deixo ver o garoto e você deixe-me ver.... —
Ele lambeu os lábios lascivamente.

Taz não piscou.

— Eu preciso ver a criança. Agora.

Sua expressão endureceu.

— Você vai fazer o que eu disser, quando eu disser.


Deacon disse a ela a mesma coisa, mas mesmo quando
eles discordaram, ela nunca se sentiu ameaçada, sempre
soube que ele tinha a melhor intenção.

— Por favor. — Taz não se importava em deixar eles


pensarem que tinham vantagem.

— Agora sim. — Ele abriu a porta de tela. — Burgess


temos companhia. — Quando Taz passou, Paxton passou a
palma da mão sobre seu quadril. Ela saltou, mas não fez
nada para ele. Este não era o momento de mostrar força.
Assim que entrou na casa, Taz começou a orientar-se pela
casa de acordo com as informações que recebeu de Lois
Baxter. Para a esquerda era o escritório, à sua direita era a
sala de jantar e cozinha. As escadas estavam para um lado.
Um homem de rosto corado usando um chapéu de vaqueiro,
com sua barriga redonda que estava para fora de seu cinto e
estava descansando em frente a lareira. Ainsley. Uma
mulher, sem dúvida, sua esposa sentava-se nas
proximidades. Ela estava pálida, com o braço em torno de
uma menina com cabelo comprido usando óculos. Em frente
a eles estava um casal mais jovem. A semelhança de família
entre o homem mais novo e o mais velho dos Ainsley era
óbvia. Ao seu lado estava uma morena bonita, com o rosto
coberto de lágrimas. Ela tinha razão. Os Ainsley não
passavam de reféns. Taz fez contato visual com eles, mas não
disse nada.

Da cozinha, outro homem surgiu vestindo um boné de


beisebol e um colete de caça. Ele também estava armado.
— Você parece muito jovem para ser uma médica.

— Eu sou assistente de médico. — Taz tinha sua


resposta pronta. — Onde está Mickey?

— Leve-a para ele, Burgess. Ele está doente e cada vez


pior. — O dono da casa falou.

— Quieto, Ainsley! Eu que mando aqui, não você. Suba


as escadas, cadela!

— Eu pensei que havia apenas um refém, agora eu sei


que há seis. — Taz falou em tom de conversa, sua primeira
mensagem para quem estivesse escutando.

— Cale-se. Você não sabe nada. — Ele recuou e atingiu-


a com a coronha da arma entre as omoplatas.

Um pequeno suspiro foi o único som que ela fez.

— Eu sei que é uma arma muito grande que você está


carregando. O que são aquelas? AK-47? Você não acha que é
um pouco exagerado?

— Eu disse cale-se! — Desta vez, ele engatilhou a arma.


— Eu vou explodir sua cabeça, idiota. Me dê um motivo.

Taz sabia quando ficar quieta, pelo menos agora sua


equipe sabia que tipo de armas o trio estava carregando.

Quando ela subiu o último dos degraus de madeira


estreitas, o homem atrás dela grunhiu as palavras.

— À esquerda, primeira porta à sua direita.

O batimento cardíaco do Taz acelerou quando ela


percebeu que ela estava prestes a encontrar Mickey.
— Você o deixou sozinho? — Um medo enorme oprimiu
ela. “E se ele já estiver morto?”

— Eu estive muito ocupado conversando com esses


idiotas que apoiam uma aquisição maioritária do governo dos
Estados Unidos. Temos de levantar-nos e proteger os nossos
direitos, proteger a Constituição!

— Neste momento, estou apenas preocupada com os


direitos de um menino inocente, — ela sussurrou mais para
si mesma do que o homem atrás dela. Quando ele tentou
abrir a porta, ela abriu. No momento em que entrou, ela
podia sentir o cheiro de doença. Suor. Urina. Vomito. A
simpatia aumentou em sua alma. — Mickey?

Ela foi até ele, de joelhos no colchão. Ele era um menino


pequeno com cabelo loiro e sardas como as dela. Estendendo
a mão para a mesa de cabeceira, ela acendeu a lâmpada.
Para seu imenso alívio, podia ver o fraco subir e descer de
seu peito.

— Ele está vivo, — ela anunciou, sabendo que sua


equipe poderia ouvir.

Imediatamente ela começou a trabalhar, vendo os seus


sinais vitais, medindo o seu açúcar no sangue.

— Mickey, Mickey, você precisa acordar para que eu


possa conhecê-lo. — Sua pele estava úmida. — Eu preciso de
um pouco de água quente e pergunte para eles se têm suco.

Burgess, que estava na porta, gritou para ela.


— Eu não sou a empregada. Rice! Pegue a nora de
Ainsley e diga-lhe para vir aqui!

Em alguns momentos, a mulher assustada entrou na


sala onde Taz examinava Mickey. Sorrindo, Taz pediu-lhe
para pegar os itens que ela precisava.

— Eu gostaria de lavá-lo um pouco. Você tem alguma


coisa limpa que ele poderia usar? Ele é tão pequeno.

— Poderia usar algumas camisetas que minha filha


costumava usar e meu sobrinho pode ter deixado alguma
roupa aqui. Vou verificar.

A leitura de glicose no sangue de Mickey indicou que


precisava de insulina. Ela preparou uma dosagem e esperava
que estivesse fazendo a coisa certa. Cuidadosamente, Taz
recapitulou em sua mente as indicações que foi dada. Sim,
estava certa.

— Ok, amiguinho. Isso deve fazer você sentir-se melhor


em breve.

Deacon gemeu, ouvindo a transmissão.

— Eu vou matá-los se eles a machucarem.

— Aqui, pegue um biscoito. — Grey entregou-lhe um


Oreo. — Ela pode cuidar de si mesma.

— Eu sei, mas agora está tentando ajudar Mickey. Ela


está aceitando tudo o que eles quiserem. Não pode se dar ao
luxo de irritá-los de qualquer maneira.
— Não, mas olhe o que nós já sabemos. Ainsley e sua
família não estão na frente disso tudo. Sabemos que Mickey
está vivo e nós sabemos quais as armas que estão
carregando. Ela está fazendo um bom trabalho.

— Quando você falou com ela sozinho, o que você disse


para ela fazer quando tiver que sair?

— Eu disse a ela para não sair sem a criança. Também


disse a ela se as coisas começam a ficar ruim, levasse a
criança para o lugar mais seguro que pudesse encontrar e
nos chamasse. Ela sabe que sair com Mickey é o melhor
cenário possível, mas agora que sabemos que Ainsley e sua
família estão em risco, tudo ficou mais complicado.

Deacon compreendeu.

— Um monte de coisas pode dar errado, Grey. — Não


importa o quanto esperasse que isso tudo acabasse bem para
todos os envolvidos, Taz era, sem dúvida, a sua principal
preocupação. Seus sentimentos apenas confirmaram o que
ele temia. Quando ela participava da missão, suas
prioridades mudavam e o trabalho vinha em segundo lugar
quando comparado a sua mulher.

Sua mulher. Deus, ele estava em sérios apuros.

Por uns bons dez minutos, Taz assistiu Mickey de perto.


Ela o banhou com água quente e trocado de roupa para fazê-
lo o mais confortável possível. A insulina deveria fazer efeito
em breve. Sua avó tivera períodos de fraqueza, mas ela nunca
esteve tão fraca assim. Ela orou um pouco mais.
Ocasionalmente, sussurrava para ele, os comentários mais
para Deacon, se ele estava ouvindo, do que a criança.

— Tudo vai ficar bem. Nada de ruim vai acontecer.


Assim que você se sentir melhor, vamos explorar um pouco.
Vamos, Mickey. Meu nome é Taz e eu mal posso esperar para
conhecê-lo. — Como se acordando de um sono profundo, o
menino se mexeu. — Mickey? — Ele gemeu, as pálpebras
tremeram.

— Mamãe?

— Você vai ver sua mãe em breve, querido. — Ela


colocou a mão sob seu pescoço. — Você pode se sentar?
Tenho suco.

Com a ajuda dela, sentou-se e bebeu o suco com muita


sede. Ela o ajudou, esfregando suas costas.

— Agora que o garoto está bem, você pode sair daqui! —


Burgess anunciou.

— Só se você deixá-lo sair comigo, — ela respondeu,


mantendo um olho em cima dele e um olho em Mickey.

— Sem chances. Eu só quis dizer para fora deste quarto


e de volta para baixo com os outros. Tenho certeza de que nos
três podemos encontrar algo divertido para fazer.

Ela tentou ignorá-lo, sabendo que seu comentário era


uma ameaça sexual velada.

— O que você acha de ir lá para baixo, Mickey? — Taz


sabia que o andar de cima não oferecia nenhuma esperança
de escape, era melhor ir para a sala. Burgess fez sinal com a
arma como se estivesse observando-os. Mickey estava fraco,
por isso Taz o pegou. Ele era grande para ela levar, mas
conseguiu. O que eles fariam em seguida, ela ainda não
sabia.

— Depressa! — Ele apontou a arma para suas costas


novamente. Assim que chegaram ao último degrau, Taz
abaixou Mickey.

— Vamos, vamos encontrar um lugar para sentar. Você


quer assistir televisão?

— Burgess! — Rice gritou. Os policiais estão chamando


novamente.

— Saia do meu caminho. — Burgess empurrou-a para o


lado. — O que eles estão dizendo?

— Eles estão perguntando sobre a cadela e o garoto.

Boa cobertura, pensou Taz. Perguntar sobre ela e Taz


seria normal. Ao manter estes homens no escuro, ela poderia
enviar mensagens para fora que era primordial.

A família Ainsley acomodou-se na sala e encontrou um


canal de desenhos animados para Mickey. Ela se levantou,
tentando cumprir suas metas.

— Posso pegar-lhe algo para comer? — Olhando em


volta para os outros, ela os incluiu. — Estão com fome? Posso
ajudar com a comida?

— Sente-se! — Rice latiu.


— Eu poderia comer, — disse Helmer com uma
expressão esperançosa. Taz percebeu que ele era o elo mais
fraco.

— Há carne do almoço e alguns bolos Little Debbie. —


Lisa ofereceu. — Eu posso ajudar.

Taz olhou para Helmer pedindo permissão.

— Eu vou fazer algo para todos. Talvez um pouco de


café?

— Merda. — Rice acenou com a mão com desdém. — Vá


com eles, Helmer. Pelo menos bloqueamos a porta de trás,
esta pregada. Não os deixe fugir com qualquer merda ou
embolsar uma faca na cozinha ou algo assim.

— Eu não vou. — Helmer assegurou seu parceiro


quando ele andou atrás de Taz como um grande São
Bernardo. — Nós não tivemos muito para comer.

— Bem, nós podemos remediar isso. — Ela direcionou


os olhos para a Ainsley mais nova. — Temos salgadinhos de
algum tipo?

— Eu acho que sim. — Lisa começou a remexer na


despensa, tirando os salgadinhos, bem como alguns cookies.

Taz encontrou os ingredientes de sanduíche e começou


a montar tudo. Logo ela tinha um prato cheio.

— Deixe-me fazer o café. Nós vamos ter tudo pronto em


poucos minutos.

— Parece bom, — Helmer olhou para os sanduíches.


— Espero que eu tenha feito o suficiente, senão eu vou
fazer mais. — Ela olhou para um saco de pão fechado e um
pouco de atum enlatados na despensa. — Você pode pegar
isso? — Ela indicou o prato de doces e batatas fritas para
Lisa.

— Sim, com certeza. — Ela pegou e saiu, deixando-a


sozinha com Helmer.

— Por que você não pega um agora. Antes dos outros


começarem a comer. — Com um leve sorriso, ela ofereceu o
prato de sanduíches para Helmer.

— Puxa, obrigado. — Ele aceitou um e começou a


comer.

— Você acha que eu poderia usar o banheiro? — Ela


perguntou com voz esperançosa.

— Certo. Vire à direita no corredor. — Ele apontou,


mastigando ruidosamente.

Recordando o desenho da casa, ela seguiu a direção,


parando para abrir e fechar a porta. Mas, em vez do
banheiro, ela andou mais um pouco pelo corredor até a porta
do porão. Sua intenção era descobrir se a entrada exterior
para o abrigo de tempestade estava destrancada.

Prendendo a respiração, ela virou a maçaneta da porta,


ela olhou para trás quando a maçaneta rangeu um pouco.
Por enquanto, tudo bem. Abrindo a porta, ela entrou.

— Eu estou indo para o porão, — ela anunciou à


escuridão. Empurrando a porta se fechou atrás dela, tateou a
parede em busca de um interruptor. Quando o encontrou,
Taz soltou um suspiro de alívio. Diante dela havia uma área
cheia de tralhas. Ela desceu, então caminhou entre as pilhas
de caixas e móveis antigos empoeirados. Outra porta à
esquerda chamou sua atenção. Passando por cima, ela abriu-
a e começou a pensar em filmes de terror e fantasmas. Taz
estremeceu, em seguida, tirou os pensamentos tolos de sua
cabeça. Havia coisas piores para ter medo neste mundo, mas
a maioria delas andavam sobre dois pés.

Uma vez que estava na sala menor, percebeu que as


paredes foram reforçadas e havia água e enlatados
armazenados em prateleiras. Do outro lado tinha quatro
degraus que conduziam a duas portas que estavam
posicionadas no canto.

— Por favor, por favor, esteja aberto. — Se não estivesse,


ela teria que tentar escorregar para fora. — Eles não vão me
deixar sair por livre vontade. Mas se essas portas abrirem,
temos uma chance. — Ela agarrou as alças e empurrou.
Depois de alguns segundos, elas cederam e seu rosto foi
atingido por uma onda de ar frio. — Eureka! — Exclamou,
depois olhou em volta culpada. — Isso vai servir. Obrigado
Mágico de Oz! Quando puder, este será o nosso bilhete de
saída daqui.
— Você ouviu isso? Ela encontrou uma saída. — Grey
anunciou orgulhosamente. — O que ela quis dizer sobre o
Mágico de Oz?

— Ela usou a televisão e os filmes para ajudá-la a


dominar o idioma. Taz adora filmes antigos. Aparentemente,
a cena do ciclone ficou presa nela, ela se lembrou de todos
indo para o porão.

— Engenhosa. Eu tenho que confessar que eu usei


alguns movimentos que vi em “Os Mercenários”.

Deacon revirou os olhos.

— Isso faz de você o Rambo e de mim Jason Statham?

— Talvez. — Grey riu, mas ele manteve os olhos


apontando para a casa de Ainsley e seu ouvido na
transmissão.

— Aqueles homens com quem ela está são loucos. Estou


preocupado. Nós temos que estar prontos para ir atrás dela,
se necessário.

— Não se preocupe, nós vamos manter a sua mulher


segura.

— Ela não é.... — Ele suspirou, a mentira ficou presa em


sua garganta.

— Ela não é Sylvia. — Grey disse simplesmente.

— Não, ela não é. — Ele não se conteve, mas lembrou da


noite anterior e como se sentiu ao fazer amor com ela. — Ela
é diferente de qualquer pessoa que já conheci.
Taz observou Rice, andando pelo chão. Ele estava,
obviamente, muito irritado. Burgess estava no telefone com
os negociadores. Estava se esforçando para ouvir uma parte
da conversa. Aparentemente, eles não estavam mais perto de
ter suas demandas atendidas.

— Ouça-me, imbecil! Ou você obtém o que eu quero ou


alguém morre!

Taz endureceu. Seus olhos se moveram ao redor para os


rostos dos outros. Eles não parecem conscientes, ela estava
errada? Esta não era mais a guerra dos Ainsley. Ela colocou
um braço protetor em torno de Mickey que amontoou contra
ela, um de seus pequenos punhos segurando em sua camisa
como se dependesse dela para viver.

— Besteira! Deixe-me explicar direito para você. Você


tem uma hora para aterrissar um helicóptero no portão para
nos tirar daqui. E é bom ter um milhão de dólares à espera e
uma garantia de que meu amigo foi libertado. Uma hora ou
eu vou começar a matar pessoas, começando com as crianças
e mulheres. Eu não sou idiota. Se formos apanhados, vamos
passar o resto de nossas vidas na prisão e não pretendo ser
preso por algo tão simples como defender os direitos de todos
os americanos. Em toda revolução precisa ter um pouco de
sangue derramado.

— Eu não me sinto muito bem, — Mickey gemeu, como


se fosse um sinal.
Ela olhou para ele, preocupado.

— Talvez você tenha comido demais com a insulina e o


suco. Você precisa ir ao banheiro?

— Sim, senhora, — ele murmurou em voz baixa.

— Posso levá-lo, Sr. Helmer?

Helmer estava prestando mais atenção à Burgess do que


em seus cativos. Ele acenou confirmando.

— Já volto.

— Ele pode ter que vomitar. — O que ela disse parecia


ter provocado caretas ao redor. — Vamos, Mickey. Deixe-me
pegar minha bolsa, apenas no caso. — Ela colocou a criança
para trás. Esta era a sua chance. Eles teriam apenas alguns
minutos. Chegar até o portão da frente estava fora de
questão. Chegar até a cerca da propriedade seria difícil, mas
Taz tinha que tentar. Depois de liderar Mickey alguns passos,
ela o pegou e correu para a porta do porão. Assim que eles
estavam a salvo trás dela, ela começou a falar, tanto para
Mickey e Deacon. — Eu sei que você não se sente bem, mas
temos que sair daqui. Eles dizem que só vão esperar mais
uma hora antes... — Ela baixou o tom de sua voz, não
querendo assustar a criança. Antes de partir, ela deslizou a
faca, arma e duas das seringas cheias com sedação em seus
bolsos. Ela só orava a Deus para que não fosse necessário
usá-los. — Nós estamos indo para cerca da propriedade
Baxter. Deacon, se você estiver ouvindo, eu espero que
alguém esteja lá esperando por nós. Mickey ainda precisa de
atenção médica.
Deacon estava ouvindo, mas nos últimos minutos, todo
o inferno se soltou.

— Droga, eu queria que fosse um transmissor de mão


dupla. — Ele não podia falar com Taz, não poderia dizer-lhe o
que procurar. — Eu preciso ir atrás dela.

— Má ideia, — Grey falou com Deacon enquanto se


dirigia a uma das caminhonetes que eles conduziam. — De
onde você está, você pode ver um quilômetro da linha
divisória em cada sentido. Se você entrar, você pode não
encontrar ela. Eu tenho que ir para frente. Quando
descobriram que Taz e Mickey não estavam no banheiro,
Burgess levou a menina dos Ainsleys para a frente e eles
estão segurando uma arma apontada para a cabeça.

— Eles provavelmente não sabem sobre o porão. Tenho


certeza de que eles estão procurando pela casa, logo eles vão
começar a procurar os motivos.

— Certo. — Grey voltou sua atenção para o rádio,


conferindo com os Rangers que estavam à espera de um sinal
para montar um ataque em grande escala.

— Fale comigo, Taz. Fale comigo. — Ele sentiu como se


estivesse ficando louco.

Taz queria chamar Deacon, ela só não sabia se estava


longe o suficiente da casa para tentar. Eram eles lá fora
esperando por ela? Sua adrenalina estava alta, mas carregar
Mickey não era fácil, especialmente no escuro. Tinha alguma
luz da lua, mas as sombras das árvores circundantes fizeram
com que o caminho ficasse mais difícil. Ela andava o mais
leve possível, tentando não fazer barulho.

— Em breve, Mickey, — ela tentou confortá-lo. Se ele


começasse a chorar, o ruído daria a sua localização.

— Cadela!

A voz irada soou atrás dela. Taz engasgou, agarrando


Mickey mais apertado.

— Quieto, bebê, quieto, — ela sussurrou. — Vamos


jogar um jogo. OK?

— OK.

— Eu vou matar você, cadela!

— Será que o homem está nos perseguindo? Nós ainda


vamos brincar de esconde-esconde?

— Sim, vamos. — Ela parou, abaixou-se em uma


sombra e congelou, tentando determinar a distância entre ela
e o homem seguinte. Se ele a pegasse, tudo estaria acabado.

Na cerca, Deacon se esforçou para ver qualquer prova de


que Taz estava a caminho. Uma ou duas vezes ele pensava
que ouviu um grito abafado de sua voz, mas não conseguia
entender o que estava sendo dito. Grey conduziu em torno da
estrada do portão da frente, assumindo o assunto
pessoalmente. Ele sabia que eles tinham um franco-atirador
no lugar, pronto para atirar caso parecesse que o homem
fosse atirar na menina.

— Deacon! — De algum lugar seu grito veio do alto-


falante.
— Taz! — Ele gritou, mas não tinha ideia se podia ouvi-
lo. — Eu estou aqui! — Esperou, olhando para a escuridão.
Não havia nenhuma barreira entre ele e ela, se só ele
soubesse qual o ângulo que ela estava vindo. Deacon sabia
como uma pessoa poderia pensar que estava indo em linha
reta apenas para descobrir mais tarde que eles desviaram do
caminho. Droga, ele precisava de uma lanterna. De repente,
uma ideia veio a ele, ele piscou os faróis da caminhonete.

A alguma distância, Taz pensava suas opções. A criança


estava tremendo e o homem estava se aproximando
rapidamente. Não havia como escapar. Se fosse Helmer, ela
tentaria argumentar com ele, mas a voz parecia de Paxton.
Ele e Burgess eram os exaltados. Eles não hesitariam em
matar ninguém neste momento.

— Cadela! Eu vou pegar você e o garoto. Você está


pronta para morrer? Os outros vão morrer também, não há
escapatória a menos que esses idiotas atendam às nossas
exigências.

— Será que o homem vai nos machucar? — Mickey


sussurrou.

— Não se eu puder ajudá-lo, bebê. — Ela segurou a mão


dele e puxou a pistola do bolso. Passos soando estar perto a
alertou para o fato de que o tempo estava se esgotando. Ela
tinha que levar Mickey para a segurança, em seguida, voltar e
ajudar os outros. De repente, uma luz brilhou na escuridão.

— Deacon? — Ela não podia dizer o quão longe, mas ele


estava lá fora. — Mickey, você vê a luz?
— Sim, senhora.

— Nós vamos jogar outro jogo. Há um homem que está


piscando a luz e ele vai levá-lo para sua mãe. Você acha que
você pode ir nessa direção?

— Estou com medo, — ele lamentou.

— Não tenha, sua mãe está esperando por você. Agora


corra!

O garotinho começou a correr e ela gritou tão alto


quanto podia.

— Deacon! Mickey está correndo em sua direção.


Encontre-o!

Antes que ela pudesse dizer todas palavras, o pop-pop-


pop de tiros podia ser ouvido. Ela abaixou-se, sabendo que
Paxton estava disparando cegamente. Mesmo que tivesse um
alcance de visão noturna, havia muitas árvores para uma
visão clara. Parte dela queria correr em direção Deacon, ele
iria mantê-la segura. Mas a melhor parte dela tinha um
objetivo, tinha que salvar os inocentes capturados.

Sabendo que ela teria que parar Paxton antes dele


perseguir Mickey que ia em direção de Deacon, decidiu dar-
lhe outra coisa para perseguir. Assim, em vez de fugir do
perigo, ela se virou e correu em direção a ele.

Deacon não podia esperar.

— Taz! Taz! — Ele atravessou o arame farpado e


caminhou um pouco tentando escutar algo. Droga! Tiros! —
Taz! — Assim que ele estava pronto para ir atrás dela, ouviu o
barulho de vegetação sendo esmagada e a respiração ofegante
de uma criança. — Mickey?

— Aqui. Você é o homem que vai me levar para minha


mãe?

— Sim, — disse ele, agachado quando o garoto correu


para seus braços. — Onde está Taz, a senhora que ajudou
você?

Ele apontou atrás dele.

— Ela voltou para lá, ela está brincando de esconde-


esconde com esse homem.

Esconde-esconde não era o jogo que estava jogando


agora. Era mais como Red Rover30, porque ela estava
correndo em direção a seus adversários, não longe deles. Pop-
pop-pop-pop. Taz podia ver o fogo vermelho, então ela tomou
uma direção um pouco diferente. Paxton estava fazendo tanto
barulho pisando no chão, ele não podia ouvi-la correndo para
ele. Puxando a arma, ela foi para o porão. Se eles não
tivessem descoberto como ela saiu, eles não saberiam quando
ela voltasse. Inclinando-se para dar um puxão na maçaneta,
ela suspirou de alívio quando a porta abriu. Abrindo-a o
suficiente para passar, Taz voltou para o porão.

Enquanto isso, Deacon entregou Mickey para seus pais


emocionados. Assim que seus braços estavam vazios, ele
estava no rádio com Grey.

30 Red Rover e uma brincadeira criada no século 19, onde duas equipes jogam contra si. Um jogador é
desafiado a quebrar a linha que a outra equipe faz, se não conseguir ultrapassar a linha acaba agregado
a equipe.
— Taz enviou Mickey, mas ela voltou. Eu vou atrás dela.

— Eu te escuto. Nos desistimos das negociações. Houve


tiros. Se ele não soltar esta menina, vamos abatê-lo e
avançaremos.

Dentro do porão, Taz parou um momento para


recuperar o fôlego. Suas orelhas estavam atentas para ouvir
quaisquer movimentos no andar de cima. Estranho. Ela não
ouvia nada. Com a arma na mão, subiu as escadas e abriu a
porta.

— Ninguém se mexe. — Era a voz de Helmer. Passo após


passo, cuidadosamente, ela andou pelo corredor. Quando
estava perto o suficiente, ela podia ver que ele tinha uma
arma apontada para a família Ainsley. Ele estava nervoso, o
cano da arma estava tremendo. Não o culpava. Nada disso
estava saindo como eles planejaram. Eles escolheram algo
que não dava para ganhar. Helmer sabia que em poucos
minutos ele iria ser preso ou morto. Bem, talvez ela pudesse
se certificar de que nem ele, nem as pessoas que estava
apontando a arma morresse.

Estava de costas para ela quando colocou um dedo


sobre os lábios e moveu-se para a frente. Tirando a mais
jovem Sra. Ainsley, eles não deram qualquer sinal de que
estavam cientes de sua presença. Abaixando a arma, ela
puxou uma das seringas de seu bolso. Tomando-a entre os
dedos, pronta para uso, ela estava prestes a colocá-lo no
pescoço de Helmer quando Rice passou pela porta.

— Que diabos?
Ok, era isso. Agora ou nunca. Ela furou Helmer com a
agulha assim quando ele estava se virando, movendo a arma
descontroladamente.

— Abaixem-se! — Ela gritou. Helmer cambaleou, não


estaria de pé por muito tempo. Agarrando seu pescoço, ele
caiu como um grande carvalho. Taz abaixou-se atrás do sofá
quando balas choviam à sua volta. Felizmente, ele não estava
atirando na família somente nela. Será que sobreviveria a
isso?

— Vamos lá para fora, cadela! Eu sabia que havia algo


estranho em você no momento em que a vi. — Taz ficou
tensa, pronta para se mover. Ela foi ligeiramente em direção à
ponta do sofá, tentando descobrir a posição dos atiradores.
Um centímetro. Dois. E então viu a ponta da bota, ele estava
a um passo de detectá-la. Levantando, ela foi para cima dele,
empurrando a arma dele com uma mão e o chutando no
peito. Rice não caiu, mas deixou a arma cair. Ela caiu sobre
seus pés na frente dele, levantando a arma e apontando-o
para seu peito.

— Mãos para cima.

— Eu não penso assim, Ruiva. — Ele se jogou contra


ela, batendo em seu rosto com o punho. Taz deu um passo
para o lado, dando outro chute direto em suas bolas. Ele caiu
de joelhos e ela o desarmou pressionando em um ponto ao
lado de sua clavícula. Ofegante, olhou para a família Ainsley.
— Está tudo bem?
— Sim, obrigado, mocinha. Tente salvar a minha neta.
— Ainsley parecia exausto. Taz não achava que dormiu muito
desde que isto começou.

— Sim senhor, eu vou. — Naquele momento, ela ouviu


tiros vindo da frente. — Todos recuem. Alguém está entrando.

A porta da frente se abriu e a jovem foi empurrada para


dentro seguido por Burgess. Quando ele viu seus
companheiros no chão e seus cativos agachados, ele voltou
sua atenção e sua arma para Taz. Não havia tempo nem lugar
para o elemento surpresa. Ela estava cara a cara com a arma,
com um homem que parecia pronto para derramar sangue. O
único problema era que ela tinha uma pistola enquanto ele
tinha uma arma automática.

— Solte a arma, cadela.

— Você a solte — ela respondeu. Por que eles voltaram?

— Eu posso matar você e todo mundo nesta sala antes


de você puxar o gatilho.

Taz não podia discutir com isso.

— Seus amigos não estão mortos. Ninguém foi morto.


Ainda há chance que isto termine pacificamente.

Gritos de fora confirmaram suas suspeitas de que


Deacon e os outros estavam, provavelmente, a caminho.
Mesmo isso não ajudava a resolver a situação. Ela estava
olhando a morte nos olhos e ela sabia disso.

— Eu não pretendo ir para a cadeia pelo resto da minha


vida. — Ele apontou a arma, ela levantou a dela e, em
seguida, um tiro ecoou por trás dela e Burgess bateu no
chão, o sangue se espalhando de um ferimento no peito. No
momento seguinte, ela estava nos braços de Deacon.

— Taz? — Ele a envolveu. — Você está bem?

Fraca e aliviada, ela pressionou a cabeça contra ele.

— Sim, eu contive os outros dois.

Ele beijou sua testa.

— Sim, você conteve. Você foi ótima.

— Como está Mickey?

— Ele está muito bem. Com a família dele.

— Você veio pelo porão? — Ela sabia que ele deveria ter
vindo, uma vez que veio da parte de trás da casa.

— Sim, eu estava ouvindo você. — Ele esfregou os lábios


contra o cabelo dela. A porta da frente se abriu e vários
homens vieram. Era hora de limpar essa bagunça. — Vamos
sair daqui. — Deacon a levou para fora, não soltando sua
mão.
Saindo do chuveiro, Taz se secou. Ela não estava tão
mal, apenas alguns hematomas. Tudo terminou e todos
sobreviveram. Mesmo Burgess iria sobreviver. Ele foi levado
às pressas ao hospital para uma cirurgia de emergência, mas
ele ainda teria o seu dia no tribunal.

Grey retornou ao Ninho da Águia com eles. Ela dormiu


todo o caminho para casa e quando chegaram, Deacon a
mandou tomar banho e descansar. Agora, depois de ter
seguido metade da ordem, ela só queria saber o que estava
acontecendo.

Quando Deacon a tirou do rancho dos Ainsleys,


demorou alguns minutos até a verdade bater em sua
cara. Ele salvou a sua vida. Ela o parou e jogou-se em seus
braços.

— Se você não tivesse vindo naquele exato momento, eu


teria morrido. Os outros teriam morrido.
Ele a abraçou, balançando-a para frente e para trás.

— Eu disse que ia protegê-la. Não acreditou em mim?

Ele não perdeu a esperança, nem mesmo nos momentos


mais sombrios. Algo dentro dela esperava que ele fosse
aparecer em um cavalo branco para salvá-la. E Deacon Jones
não decepcionou.

Mas o que isso significa? Ela estava na equipe


Ômega? Teria ganhado seu lugar? Havia chegado a hora de
descobrir se ela entraria.

Ela se vestiu rapidamente e foi para a cozinha. Estava


vazia, assim como a sala de jantar e a de estar. Caminhou até
a janela e olhou para fora. O sol ainda não estava alto e não
havia ninguém à vista. Voltando para o corredor, ouviu
vozes. Elas vinham do escritório de Deacon. Incapaz de parar
seus pés de se moverem, ela saiu pela porta. Colocou a mão
na maçaneta e começou a entrar, mas a voz elevada de
Deacon a deteve.

— Olha, eu não sei como posso ser mais claro. Não


jamais recomendarei que você contrate Natasha Levin para
trabalhar com a equipe Ômega.

Reprimindo um soluço, ela tirou a mão e fugiu antes


que eles percebessem que estava ouvindo.

Dentro do escritório, Deacon estava fazendo um buraco


no tapete, andando para lá e para cá na frente de sua mesa
onde Grey estava sentado confortavelmente. Ele estava
ouvindo sem o interromper.
— Não em Tampa. Se ela vai trabalhar em qualquer
lugar, eu quero ela aqui comigo, você entendeu? Ela pertence
a mim.

Grey sorriu e se levantou.

— Claro, isso é exatamente o que Athena e eu


pretendíamos desde o início. — Ele se esticou e bocejou. —
Meu trabalho aqui está feito. Vamos encaminhar via fax toda
a documentação necessária. Acho que vou voltar para a
Flórida. Eu sinto falta do sol e de uma certa mocinha atrevida
de cabelo escuro. — Ele empurrou Deacon por trás. — Eu
vou deixar você dar a notícia a ela. Vocês vão fazer um time e
tanto.

Sentindo como se estivesse vivendo a reprise de um


filme triste, Taz juntou suas coisas. Ela se debateu se deveria
dizer adeus. Ela deveria. Apenas um covarde sairia
assim. Isto não deveria ser uma surpresa. Deacon foi honesto
com ela desde o início. Taz só esperava que ele mudasse de
ideia. Esperava conquistar um lugar... com ele. Taz enxugou
as lágrimas do rosto. Deus, isso dói. Ser uma parte da Equipe
Ômega parecia ser a resposta. Após a reunião com Deacon e
passar um tempo com ele, a fez entender que o trabalho era
apenas uma pequena parte do seu sonho. Taz foi gananciosa,
ela queria tudo.

Ela queria Deacon.


Mas se a vida lhe ensinou uma coisa, era que ela não
poderia ter tudo o que queria.

Preparando-se para enfrentá-lo, pegou suas


coisas. Antes que pudesse ir, a porta abriu. O olhar de
Deacon se mudou da bolsa em sua mão ao olhar triste em
seu rosto.

— Eu sinto como se já tivéssemos vivido esta cena


antes.

— Eu estava indo lhe dizer adeus e agradecer por tudo.

Deacon não se mexeu.

— Entendo. — Ele enfiou as mãos nos bolsos para que


ela não o visse tremer. — Grey acabou de sair.

— É? Eu aposto que ele está louco para ir para casa e


ver Athena. — Ela baixou a cabeça. — Eu fui ao seu
escritório. Eu queria... parabenizar vocês dois pelo sucesso
da sua missão.

— Por que não entrou? — Ele perguntou


cuidadosamente dando um passo em direção a ela.

Taz sacudiu a cabeça. Qual era a necessidade de


arrastar esse assunto?

— Não importa. Eu sei que é hora de ir embora.

— Por que você não entrou? — Ele repetiu. — Você nos


ouviu falar? — Ele tinha que ter certeza do que ouviu. Se
estava saindo por conta do que declarou que queria que ela
ficasse com ele, não poderia impedi-la. Ele não ia impedi-
la. Deacon já foi rejeitado antes. — O que você me ouvir dizer,
Levin?

Taz percebeu o tom de dominação na sua pergunta e


reagiu a isso. Por que isso importava? Ele que falou isso, ela
estava apenas respondendo a sua pergunta.

— Você disse que não me recomendaria para a equipe


Ômega.

— Eu disse. O que mais você ouviu?

Ela olhou para o chão.

— Nada, eu corri de volta para cá.

— Como você interpretou o que eu disse? — Ele deu um


passo mais para perto.

Por que ele estava fazendo isso? Seu coração estava


ferido.

— Eu acho que você quer que eu saia. Você não me


queria aqui, em primeiro lugar. Nós fizemos o que podíamos,
mas está na hora de eu ir.

— É isso que você quer? Você quer me deixar?

Outro passo. Ele estava no modo leão e ela não sabia se


corria para ele ou apenas esperava pelo ataque. Taz não sabia
como responder. Ela deveria resgatar sua dignidade ou dizer
a verdade? Ela engoliu seu orgulho.

— Não, eu não quero ir embora. Se fosse por mim, iria


ficar com você para sempre. Eu… te amo.
Isso era tudo o que precisava ouvir. Ele cobriu o resto da
distância antes que ela pudesse respirar
novamente. Pegando-a em seus braços, ele depositou beijos
por todo seu rosto.

— Se você tivesse esperado mais um segundo, você me


ouviria dizer a Grey que eu não queria que você trabalhasse
em Tampa. Eu quero que você fique aqui comigo. Eu disse a
ele que você pertence a mim.

Felicidade transbordava dela. Ela o abraçou, correndo


as mãos sobre seu peito e ombros. Taz tinha que ter certeza
que isso era real, de que ele era real.

— Eu quero ficar. Por favor.

— Bom. Já que você arrumou todas as suas coisas, por


que não aproveitamos para levá-la para onde você vai dormir
a partir de agora?

— Eu não estou com sono.

Deacon riu.

— Nem eu. — Ele a levou pelo corredor como uma noiva


e a colocou no meio de sua grande cama. — Agora, você está
onde você pertence. — Ele começou a se despir. — Eu tenho
estado tão solitário. Não sabia, mas eu estava esperando por
você. Você não me falou que dormia nua?

A crua masculinidade desse homem lhe arrepiou o corpo


inteiro.

— Sim, mas eu achei que nós não íamos dormir.

Deacon deu um daqueles sorrisos de parar o coração.


— Você está planejando ser difícil?

Encorajada pelo desejo que ela podia ler em seus olhos,


ficou de joelhos na cama.

— Não, estou planejando ter você me dando orgasmos


múltiplos.

— Agora, você está falando a minha língua. —


Arrancando o resto das roupas de seu corpo lindo, ele se
juntou a ela na cama.

Taz não conseguia tirar os olhos dele. Deacon era tudo


para ela. Ela se sentia vulnerável, mas poderosa.

— Não me faça esperar.

Esmagando Taz contra ele, tocou a boca na dela. Esse


beijo era diferente, era melhor. Seus lábios dominaram os
dela e ela sentiu que a estava marcando, deixando clara a
sua reivindicação.

Ele a tomou. Não havia melhor maneira de descrever


isso.

O seu corpo se derretia com o toque sensual dele e fez o


melhor para demonstrar como estava faminta por ele. Taz
ansiosamente o acariciou, amando a dureza de seu peito e a
força das suas coxas. Quente, viva, a pele dele era tanto
áspera quanto suave de um jeito masculino, ela estava
queimando e seu corpo estava se contorcendo debaixo
dele. Tremeu quando suas mãos percorreram o seu corpo e
sua respiração ficou presa na garganta quando apertou seus
seios, então deslizou para baixo até esfregar o clitóris, o
tempo todo, seus lábios nunca deixaram sua boca, era como
se ele não pudesse suportar a ideia de não a beijar.

— Eu nunca vou deixar você ir embora, — ele


sussurrou. Suas palavras não eram nenhuma ameaça, ela
era uma prisioneira voluntária. Este era um sonho tornando
realidade.

Sua boca brincou com seus seios, seu hálito quente


fazendo seus mamilos tão duros como pedra. E quando
cobriu um, rolando sua língua com ternura sobre a aréola
enrugada, ela engasgou. Taz agarrou sua cabeça enquanto
ele chupava seu seio, chupou forte deixando seus mamilos
sensíveis. E quando sua boca se moveu para o sul, ela tentou
puxá-lo de volta até que percebeu onde estava indo.

— Deacon! — Ela gemeu quando sua boca começou a


dar total atenção a sua boceta, adorando-a com lambidas e
beijos. Arqueando as costas, ela se rendeu, impotente
implorando por mais da sua língua talentosa. — Oh, você é
tão homem!

Deacon riu.

— Um homem... daqueles?

— Melhor... Meu homem.

Com um grunhido, ele subiu em seu corpo, abrindo as


pernas dela e fazendo um lugar para ele entre elas. Suas
palavras pareciam que o inflamaram, ele colocou a mão entre
eles, guiando seu pau em sua entrada e foi colocando,
centímetro por centímetro.
— Eu sou seu.

— Sim, você é. — Ela emoldurou seu rosto, olhando em


seus olhos enquanto ele lhe dava prazer. Um prazer doce
cresceu e se espalhou por seu corpo como fogo. Seus lábios
procuraram os dela novamente e eles se beijaram
profundamente, tão docemente que fez seu peito doer.

— Me agarre forte, venha31 comigo. — Ela não sabia se


ele estava pedindo para ela gozar ou convidando-a para uma
viagem. Não importa, daria o que ele precisava. Envolvendo
suas pernas e braços ao redor dele, ela se rendeu.

Deacon se afundou nela, o prazer que sua pequena e


apertada vagina lhe dava era indescritível. Movendo-se
lentamente para dentro e para fora, ele a segurou, seu corpo
se movendo sobre o dela, pele com pele, coração com
coração. A felicidade rolava sobre ele em ondas. Por muito
tempo foi negado e agora ele tinha tudo, tudo o que sempre
precisou... sua Natasha.

A vagina dela cada vez mais ficava molhada, sua paixão


pulsava enquanto seus quadris giravam em formato de
preguiçosos oitos. Enquanto ele bombeava dentro dela, seus
músculos queimavam com a doce aceitação. Uma onda de
êxtase surgiu, fazendo ela levantar os quadris, oferecendo
mais, tudo dela.

— É tão bom, — ela gritou enquanto se agarrava a ele,


seu desejo aumentando, galopando rumo ao ápice do

31
O verbo “come” em inglês pode significar gozar ou vir.
desejo. Ela teve que se mover, arranhando suas costas, ela o
incitou. Elevando seus quadris, ela o provocou a ir mais
fundo. Apertando seu pênis, ela o apertou até que ele
estremeceu, seu gemido ecoando pelo quarto. Absorvendo a
sua paixão, ela gozou enquanto ele a fodia com força, ambos
se movendo para chegar ao clímax.

Quando acabou, ele não se moveu, não queria se mover


nunca mais. Taz passou suas mãos sobre a perfeição
esculpida de seus músculos.

— Nós fizemos isso, — ela sussurrou.

Fizemos isso?

— Você está certa. Nós fizemos, nós encontramos um ao


outro. Nós sobrevivemos. Nós fizemos amor e eu nunca vou
deixar você partir.

— Eu não quero que você me deixe partir. Eu te amo, —


ela disse a ele novamente.

Desta vez, ele respondeu, dando-lhe a sua promessa...


seu voto.

— Natasha Levin, eu te amo com todo o meu


coração. Você nunca mais vai estar sozinha novamente.

— Nosso confronto acabou pacificamente. — Ela


suspirou, dando um beijo sobre o coração.

— Oh, eu não teria tanta certeza, — ele brincou,


beijando-a nos lábios. — Eu vou gostar de brincar com
você. Nós vamos ser parceiros e eu espero que você me
desafie o tempo todo. — Movendo seus lábios para baixo em
seu pescoço, ele beliscou a carne macia. — Mas há uma coisa
que você pode sempre contar.

— O que? — Ela sussurrou, encantada com o amor que


podia sentir em sua voz, em seu toque.

Repetindo o que ela lhe disse uma vez, ele prometeu.

— Eu não vou confrontar..., mas eu vou ficar ao seu


lado o resto da minha vida.

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