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Imune

O documento discute a relação entre nutrição e sistema imunológico, incluindo imunonutrientes, vitaminas e minerais importantes para a função imune, além de conceitos sobre resposta imune, inflamação, estresse e como a atividade física pode afetar o sistema imunológico.

Enviado por

Samantha Barros
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Imune

O documento discute a relação entre nutrição e sistema imunológico, incluindo imunonutrientes, vitaminas e minerais importantes para a função imune, além de conceitos sobre resposta imune, inflamação, estresse e como a atividade física pode afetar o sistema imunológico.

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Conceitos básicos

 Função fisiológica do Sistema Imune;


 Ocasiões que podem influenciar no Sistema Imune;
 Resposta Imune;
 Imunidade inespecífica e específica;
 Alergias e Hipersensibilidades;
 Relação: Sistema imunológico e a Nutrição;
 Inflamação;
 Imunidade intestinal.

Imunonutrientes e principais funções:

 Arginina, glutamina, aminoácidos de cadeia ramificada, ômega 3, nucleotídeos;


 Efeitos das vitaminas, minerais, antioxidantes na função imune;
 Cobre, magnésio, zinco, ácido fólico, complexo B, Vit. A, D, C, E;
 Planos alimentares e suplementos com foco na melhora Imunológica.

Qual a ligação da imunologia com a nutrição?

Um desequilíbrio do sistema imunológico pode agravar os danos causados aos


tecidos e provocar inflamação crônica e desenvolvimento de doenças alérgicas e
autoimunes. O funcionamento adequado da função imune pressupõe um delicado
equilíbrio entre destruir os patógenos invasores e impedir a autodestruição do corpo.

Para manter esse equilíbrio e poder desempenhar suas funções o sistema imune precisa
de:

 Energia (macronutrientes) – PTN (glutamina);


 Componentes básicos como vitaminas essenciais para a
produção de moléculas sinalizadoras (enzimas e citocinas);
 Proliferação celular;
 E a síntese de moléculas efetoras, como os anticorpos (IG).

Imunidade
Pode ser definida como o conjunto concatenado de mecanismos e respostas,
utilizados pelo corpo para defendê-lo contra substâncias estranhas, micro-organismos,
toxinas e células não compatíveis. Pode ser dividido em:

Inespecífica (inata): as defesas passivas incluem barreiras anatômicas, secreções


exógenas, atividade ciliar, fatores fisiológicos normais, flora microbiológica normal e
mesmo fatores ambientais e ocupacionais.

Específica (adaptativa): envolve a interação antígeno - anticorpo, que se inicia com o


reconhecimento do antígeno pelos receptores de linfócitos T e B, a proliferação de
clones linfocitários com reatividade antigênica específica, a produção e liberação no
plasma de imunoglobulinas de alta afinidade antigênica e a “memorização”.

O sistema imunológico é dividido em dois grandes ramos:

1) O sistema inato (não específico):

Além das barreiras físicas (pele) e químicas (lágrima, sistema complemento). Fatores
solúveis: proteínas de fase aguda e enzimas. Moléculas bactericidas como o óxido nítrico
(NO) e ânion superóxido (O2-). Células: Neutrófilos, eosinófilos, basófilos, monócitos e
células natural killer (NK).

2) O adaptativo (específico/memória):Linfócitos T (CD4+ e CD8+) e Linfócitos B.


Atuação por fatores humorais (citocinas), as imunoglobulinas. Anticorpos ou
imunoglobulinas são subdividas em cinco classes: IgA, IgD, IgE, IgG, IgM.
Citocinas
Classificadas como pró ou anti-inflamatórias, de acordo com as funções
desempenhadas:

 Citocinas anti-inflamatórias: IL-10 e TGF-beta (fator de transformação de crescimento β)


as quais podem inibir a produção de citocinas pró-inflamatórias;
 Citocinas pró-inflamatórias: IL-1, IL-2, IL-12, IL-18, IFN-γ e TNF-α.

Citocinas no balanço da resposta imune:

A resposta imune é caracterizada por um balanço de mensageiros químicos chamados


citocinas, que são produzidos por células inflamatórias que ativam outras células da
cascata imune. Além disso, há um efeito tanto pró como anti-inflamatório destas
citocinas. Na autoimunidade há um predomínio de citocinas que aumentam a
inflamação.

Células inflamatórias nos tecidos alvo?


Apresentação de antígenos
Linfócitos T reconhecem antígenos apenas quando células apresentadoras
(células dendríticas, macrófagos e linfócitos B) expõem antígenos em sua superfície
associados a moléculas do complexo principal de histocompatibilidade (MHC – major
histocompatibility complex).

Antígenos - qualquer substância capaz de ser reconhecida pelo sistema imune


adaptativo.

Sistema Complemento

É um sistema de proteínas plasmáticas que ativa uma cascata de reações proteolíticas


na superfície microbiana, mas não nas células do hospedeiro. Recobrindo as superfícies
(patógenos - LPS) com fragmentos que são reconhecidos e ligados pelos receptores
fagocíticos dos macrófagos. Essa cascata de reações também libera pequenos peptídeos
que contribuem para a inflamação.

Sinais cardinais da inflamação:


Calor Rubor Edema

Dor Perda da Função

O que pode disparar o processo inflamatório?

 Microrganismo;
 Alergia;
 Produtos químicos;
 Tumores;
 Ferida/lesão;
 Trauma;
 Queimadura.

O que modula a função imune?


A carência de energia de origem proteica costuma vir acompanhada
da deficiência de micronutrientes, como vitamina A, vitamina E, vitamina B6,
vitamina C, folato, zinco, ferro, cobre e selênio.

Os obesos são mais sujeitos do que pessoas de peso normal a desenvolver diferentes
tipos de infecção e a obesidade está associada a um maior risco de vários tipos de
câncer.

Os mecanismos que modulam a resposta imune ao exercício podem ser divididos em


três grupos:

 Hormonais (catecolaminas: adrenalina e o cortisol; hormônio do crescimento


(GH) e peptídeos 7pioides (endorfinas);
 Metabólicos (glutamina);
 Mecânicos (lesão).

Adrenalina X Cortisol
Estas moléculas ativam receptores em células imunológicas. A adrenalina está
associada à redução de responsividade de (⬇) linfócitos a mitógenos. A estimulação de
receptores β2-adrenérgicos por adrenalina pode inibir a proliferação linfocitária.
Cortisol também parece inibir a proliferação por ação direta celular e por inibição da
produção de IL-2 e reduzir ativação (⬇) NK.

Cortisol – Hormônio do estresse agindo metabolicamente


O cortisol apresenta ação oposta à da insulina e similar à do glucagon com a
importante diferença de que este (glucagon) age em receptores da membrana celular,
enquanto o cortisol interfere na transcrição, dentro do núcleo celular.

Ele afeta três tecidos relacionados com o suprimento de energia para o corpo:

 Fígado;
 Músculos;
 Adipócitos.

Estresse

Adrenalina = Fuga
Cortisol = Manutenção vida

Cortisol

Fígado
Proteólise (musculatura)
Cortisol
Eleva a glicose sanguínea e
Pico 8h Ações
Músculo pressão arterial e (fígado)
Reduz 0h
Lipólise (adipócito) eleva
gordura visceral

Adipócito

Imune
Estresse Reduz leucócitos circulantes (LT) Estimula produção
desregula REDUZ IL1 e REDUZ anticorpos de leucócitos na
Altera homeoestase cellular medula

Hormonal

Eleva secreção gástrica HCL = úlcera


Reduz hormônios sexuais Eleva o deslocamento de
Reduz GH e massa óssea (inibe leucócitos para a lesão
reabsorção cálcio renal e intestinal) e
reduz produção colágeno tipo 1
Estresse

 O estresse agudo foi definido como estresse que tem a duração de minutos a
horas, e estresse crônico como o estresse que persiste por várias horas por dias
para semanas ou meses;
 A ligação entre o hipotálamo e função imunológica permite percepções
neurológicas para modular o impacto da atividade física sobre os sistemas
fisiológicos, incluindo células do sistema imunológico;
 O estresse psicológico e atividade física intensa parecem ter efeitos
semelhantes;
 Ambos induzem respostas neuro-hormonais semelhantes, incluindo a secreção
de cortisol, hormônio de crescimento (GH), epinefrina e norepinefrina.

Alteração imune

Exercícios aeróbios prolongados e extenuantes diminuem a expressão de


receptores do tipo Toll (Toll-like receptor – TLRs) em macrófagos e comprometem a
apresentação de antígenos para os linfócitos T, impedindo, sobretudo, a resposta
inflamatória Th1. Esse efeito anti-inflamatório impede o dano tecidual causado pelos
mediadores inflamatórios e reduz o risco de doenças inflamatórias crônicas, mas
aumenta a susceptibilidade de infecções por microrganismos intracelulares.

A Sociedade Internacional de Exercício e Imunologia (ISEI), em seu posicionamento


oficial  preconiza que a disfunção imune observada após o exercício é mais
pronunciada quando:

 O exercício é contínuo, prolongado (> 1h30 min);


 Realizado em intensidade variando de moderada a alta (55 e 80% do VO 2
máximo).
Respostas imunológicas

Th1 (+ tolerância) induz citotoxicidade e resposta inflamatória decorrente da


produção de interleucinas como a IL-2 (estimula multiplicação de linfócitos T e B), o
interferon-gama (IFN-gama) e o fator de necrose tumoral alfa (TNF-alfa).
Há ativação dos macrófagos e da fagocitose, e dos mecanismos citotóxicos
(linfócitos T), levando a extensa destruição das zonas infectadas. É eficaz na eliminação
dos patógenos intracelulares (vírus e bactérias intracelulares).
Th2 (- tolerância) produz citocinas como IL-4 (diferenciação LB), IL-5 (anticorpos), IL-
6 (anticorpos), e IL-10 contrarreguladora, que são importantes na formação de
anticorpos.
→ Células Th1 e Th2 desempenham papéis distintos em várias condições
fisiológicas ou patológicas.

Em resposta a um exercício físico intenso ocorre neutrofilia (⬇), linfopenia (⬇) e


monocitose temporariamente (⬆).
O exercício físico intenso pode induzir inibição de muitos aspectos da defesa do
organismo, incluindo a atividade das células NK (vírus e câncer), a resposta proliferativa
dos linfócitos e a produção de anticorpos pelos plasmócitos (LB).
Estas alterações comprometem a defesa do organismo contra agentes infecciosos e
oncogênicos, assim como nos processos alérgicos e na autoimunidade.

Doenças da imunidade
Hipersensibilidade

 Alergias e choque anafilático (IgE);


 Degranulação (complemento) ou calor (sol) ou frio;
 Hipersensibilidade tipo 2 (citotóxico), transfusão ou materna (IgG);
 Hipersensibilidade do tipo 3 (imunocomplexos);
 Hipersensibilidade 1 tardia (celular, tuberculose/granulomatoma, transplante).

Autoimunidade

 Alteração na anergia das células t/tolerância.


Imunodeficiências

 AIDS.
Alergia

Os alérgenos alimentares são definidos como componentes específicos do alimento,


sendo representados, na maioria das vezes, por glicoproteínas hidrossolúveis,
termoestáveis, resistentes à ação de ácidos e proteases. São reconhecidos por células
especificas do sistema imunológico, desencadeando resposta imunológica humoral (IgE)
ou celular, que resultam em manifestações clínicas características. Os recentes avanços
tecnológicos relacionados à̀ biologia molecular tem permitido o mapeamento dos
epítopos dos alérgenos alimentares. Epítopo é a parte de um antígeno capaz de
estimular resposta imunológica.

Fisiopatologia nas alergias alimentares


Alergia Alimentar (AA)

Segundo os mecanismos imunológicos envolvidos, as AAs podem ser classificadas em:

→ Mediadas pela IgE;


→ Não mediadas pela IgE (linfócitos T);
→ Mistas.

AAs mediadas por IgE

As alergias alimentares mediadas pela IgE, em comparação as não mediadas, são


de mais fácil diagnostico e o seu mecanismo imunológico é melhor compreendido. Em
indivíduos geneticamente predispostos, a exposição à alérgenos alimentares
(geralmente glicoproteínas), por via inalatória, cutânea ou parenteral, ocasiona a
produção de anticorpos IgE-específicos. Após a sensibilização, os anticorpos circulantes
se ligam a receptores de alta afinidade nas superfícies dos mastócitos e basófilos e a
receptores de baixa afinidade nos linfócitos, eosinófilos e plaquetas.
O que são alérgenos?

Leite Ovos
Peixes; Crustáceos;
(caseína); (albumina);

Soja; Amendoim; Pólen; Ácaros;

Centeio,
Trigo
cevada e
(glúten);
aveia.

Contatos posteriores com o alérgeno alimentar induzem a ligação com as


moléculas de IgE específicas deflagrando uma cascata de eventos intracelulares, que
culminam com a liberação de mediadores pré-formados e neoformados, responsáveis
pelas diferentes manifestações alérgicas.
Os sintomas podem ocorrer de quatro a seis horas após a ingestão, visto que se
faz necessário tanto a digestão como o processamento do alérgeno para o
desenvolvimento da reatividade clínica.

AAs não mediadas por IgE

1) Geralmente se manifestam com sintomas tardios envolvendo preferencialmente o


trato gastrointestinal.
2) Os mecanismos imunológicos envolvidos ainda permanecem “obscuros".
3) Fazem parte deste grupo: coloproctite, proctite ou proctocolite eosinofílica ou
alérgica, enterocolite induzida por proteína e a hemossiderose pulmonar (doenças
autoimunes).

AA – Reações mistas

São exemplos a esofagite eosinofílica, a gastroenteropatia eosinofílica, a


dermatite atópica e a asma. As manifestações clínicas são decorrentes de mecanismos
mediados por IgE, com participação de linfócitos T, eosinófilos e citocinas pró-
inflamatórias e mecanismos celulares complexos demonstrados pela presença de
linfócitos CD8 no epitélio.

Hipersensibilidade mediada IgE e mistas

Manifestações clínicas:

 Sistêmica – choque anafilático;


 Localizada – rinite alérgica, asma, alergia alimentar, eczema.

Reações de hipersensibilidade:

Hipersensibilidade Tipo 1:

Alergia Atopia
 Caracterizada por uma reação alérgica que se estabelece imediatamente após o
contato com o antígeno por indivíduo sensibilizado;
 Vasodilatação;
 Aumento da permeabilidade capilar;
 Espasmo das células musculares lisas;
 Secreção glandular;
 Iniciada 5-30 min após a exposição do indivíduo sensibilizado ao alérgeno específico;
 Mediada por IgE.

Ocorre inflamação mediada por IgE quando o antígeno ligado aos anticorpos IgE
ocupam os receptores de alta afinidade dos mastócitos.

Resposta de duas fases:


Efeito imediato inicial: sobre os vasos, músculo liso e secreção glandular. Deve-se aos
mediadores pré-formados: histamina, fator quimiotático de eosinófilo e derivados do
ácido araquidônico de síntese rápida.

Efeito tardio: infiltração celular da área afetada. Deve-se ao TNF, PAF, IL-4 e outros
mediadores.

Fase imediata Fase tardia

Hipersensibilidade tardia

Enterocolite induzida por Proteínas Alimentares (EIPA):

A enterocolite induzida por proteínas alimentares (EIPA) é uma hipersensibilidade


gastrointestinal alimentar. Os linfócitos intestinais são ativados pelas proteínas dos
alimentos produzem citocinas inflamatórias. O que resulta em um aumento da
permeabilidade intestinal, má absorção, dismotilidade, vômitos, diarreia, dor abdominal
e má progressão ponderal.

→ O leite de vaca, soja e arroz são as causas mais comuns de EIPA.

 A EIPA também está descrita em associação com outros cereais (aveia, milho,
cevada), frango, peru, ovo, leguminosas, batata, batata-doce, abóbora, frutos
frescos e moluscos.
 Surge tipicamente entre o primeiro e o terceiro mês de vida ao ofertar o alimento
ao bebê.
 Pode surgir em adultos, mas é mais raro.
 Possui característica genética.

Choque anafilático

Os sintomas na anafilaxia surgem rapidamente (minutos - horas), atingindo o pico


entre 3 e 30 minutos, podendo permanecer quiescente por um período de 1 a 8 horas,
quando se inicia, então, a fase tardia.
Lista de alimentos  alergenicidade:

 Leite de vaca e derivados;


 Amendoim;
 Ovo;
 Soja;
 Trigo;
 Peixes;
 Aditivos alimentares (corantes, conservantes, glutamato monossódico);
 Adoçantes artificiais;
 Chocolate.

Alergia Alimentar

A alergia alimentar é uma patologia relativamente comum nos primeiros


anos de vida especialmente a mediada pela IgE. Contudo, a maioria das
crianças com antecedentes de alergia alimentar adquire tolerância até à
idade escolar. Na vida adulta podemos desenvolver Intolerância ou
Hipersensibilidade tardia (IgG4).

Tolerância Oral

 Capacidade de o organismo compreender que aquela proteína não representa


um risco hoje;
 Reagir produzindo resposta não inflamatória;

O trato gastrintestinal (TGI) é considerado o maior órgão linfoide do corpo,


representando uma das maiores áreas de contato com o meio externo. Diariamente,
recebe grande quantidade de alimentos contendo proteínas com potencial alergênico,
sendo atribuída a ele a difícil tarefa de orquestrar o desenvolvimento de tolerância oral.
Tolerância oral (TO) é definida como um estado de não reatividade local e sistêmica
do sistema imunológico que é induzida por um antígeno administrado pela via oral.
Embora esta seja a definição mais encontrada é interessante ressaltar que a não
reatividade aos antígenos encontrada nesta situação não representa ausência de
inflamação local. Pelo contrário, a infiltração celular; em especial de linfócitos, é uma
característica do TGI, mesmo na ausência de doenças. Este fato é uma evidência de que
a TO é mantida à custa de uma reação imunológica de supressão contínua,
caracterizando a TO como um processo ativo. Como a produção de IgA e IL10.

Esta tolerância pode ser adquirida de forma especialmente precoce nos lactentes com
alergia ao leite de vaca por mecanismos não mediados primariamente pela IgE, mas
por células e cujas manifestações são predominantemente gastrintestinais.

Artigo publicado recentemente (2012), é referido que 85% das crianças alérgicas
ao leite de vaca e 66% das alérgicas ao ovo se tornam tolerantes a estes alimentos até
aos cinco anos de idade.

Alergia X Tolerância

Se, por um lado, a tolerância a alimentos como o leite, o ovo, o trigo e a soja
ocorrem na maioria das crianças, a alergia a frutos secos, peixes e mariscos, tende a
persistir na idade adulta. O amendoim é um forte gatilho imunológico, assim como o
leite, ovo, trigo, peixe e soja. A alergia alimentar pode ser encarada como um marcador
de predisposição atópica. Em muitas crianças coexiste com diversas condições de
alergia, como eczema atópico, asma e rinite alérgica. Esses pacientes são de alto risco.
A prevenção primária de alergia alimentar poderá, assim, contribuir para a prevenção
de doença atópica em geral.

Alergia Alimentar - Papel da microbiota intestinal

A formação da microbiota intestinal acontece de forma predominante até os dois


anos de vida e sofre influência de fatores ambientais. O parto cesáreo associa-se a maior
risco de alergia alimentar nos dois primeiros de vida. O uso indiscriminado de
antibióticos em crianças e jovens aumenta o risco de doenças atópicas em geral. A
exposição a animais de estimação pode reduzir o risco de sensibilização a alérgenos
alimentares e ambientais até os cinco anos de idade.
Consequências da Disbiose

Rota virus e
infecção Esteatose hepática

DII X Candida Resistencia a insulina


(fungo) e obesidade

Doença Inflamatória
Intestino Irritável Obesidade
Intestinal

RELEMBRAR A CÉLULA

LISO LIP
RUGOSO PTN

PTN REPARO
ENZIMAS
HORMÔNIOS
CONCEITOS SOBRE GENÉTICA

• QUE A CÉLULA PRODUZ?


• SAÚDE, MANUTENÇÃO OU INFLAMAÇÃO?

Disbiose

Estado em que microrganismos de baixa virulência se tornariam patogênicos em


virtude do desequilíbrio qualitativo e quantitativo que está instalado. Disbiose foi
conceituada como um antônimo para simbiose que expressa uma convivência
harmônica entre os seres.

O conceito atual de Disbiose intestinal diz que:

→ Disbiose é um estado no qual a microbiota produz efeitos nocivos via:

1) Mudanças qualitativas e quantitativas na própria microbiota intestinal;


2) Mudanças na sua atividade metabólica;
3) Mudanças em sua distribuição no trato gastrointestinal.

Equilíbrio entre ingestão de alimentos e o intestino

Ingestão de toneladas de
alimentos ao longo da vida.

Maior superfície de contato


com o meio ambiente.

Maior órgão linfoide.

Proteção X Tolerância.
Desenvolvimento da Imunidade Intestinal

Colonização bacteriana inicial

Leite materno

Oligossacarídeos não digestíveis


Fermentados no colón

Proliferação de probióticos

Consequência das mudanças da sociedade ocidental, como da redução do


contato das crianças com microrganismos, propiciada tanto por melhores condições de
higiene e vacinação como por mudanças na alimentação que, em conjunto, determinam
alterações na microbiota intestinal.
Frequentemente, as mães introduzem, de forma precoce, alimentos ricos em
dissacarídeos e monossacarídeos, como mel, xarope de frutose e sacarose na
alimentação de seus filhos. Estes alimentos são conhecidos promotores da disbiose
intestinal, em qualquer idade.

Equilíbrio Imunológico

Controle pH (AGCC)
Aumentando Bifidios
Produzindo bacteriocinas
BACTÉRIAS
BACTÉRIAS PATOGÊNICA
SIMBIONTES BACTÉRIAS COMENSAIS S

ALIMENTOS ALIMENTOS
AMBIENTE ESTAR VIVO DOENÇAS
ESTAR VIVO

BEIJOS
CONTATO
O ácido lático e os ácidos carboxílicos de cadeia curta, principalmente acetato,
propionato e butirato, são os produtos finais da fermentação de substâncias prebióticas
que contribuem para a redução do pH do intestino grosso.
O aumento do número de bifidobactérias, por serem resistentes em meio ácido,
enquanto que as patogênicas, sensíveis à acidez, são diminuídas. As bifidobactérias, ao
lado dos lactobacilos, produzem e secretam bacteriocinas, substâncias antibacterianas
que exercem efeito sobre a microbiota patogênica.

Microbiota
Função imunomoduladora:

A flora bacteriana interage com as células do epitélio intestinal do hospedeiro e


provoca uma resposta contínua do sistema imune, este, por sua vez, tende a
desenvolver-se, fortificando o mecanismo de defesa do individuo (tolerância).
O desenvolvimento do sistema imune local e sistêmico com o estímulo da
microflora matura (amadurece) o sistema imune, impede a estruturação de resposta
alérgica alimentar, o eczema atópico, doenças inflamatórias intestinais e artrite.

MUCOSA SAUDÁVEL PERMEABILIDADE


São renovadas a cada 3-5 dias - Enterócitos

Células especializadas em
Alto turn-over; Adesão celular.
absorção e secreção;

Homeostase

Eixo vilosidade Cripta-Intestinal


Formação da Barreira Intestinal

Células Tronco

Diferenciam-se em:
 Enterócitos;
 Células endócrinas;
 Células caliciformes;
Diferenciam-se no  Células de Paneth.
tipo celular que esta
precisando e migram

O equilíbrio entre a morte e a


proliferação celular é reconhecido
como determinante para homeostase
intestinal.
Origem Embrionária

 Pode originar-se dos 3 folhetos embrionários.

→ Ectoderma:
Epitélios de revestimento externos (epiderme, boca, fossas nasais, orifício retal).

→ Endoderme:
Epitélio de revestimento do tubo digestivo, da árvore respiratória, do fígado e do
pâncreas.

→ Mesoderma:
Endotélio (vasos sanguíneos e linfáticos) e mesotélio (revestimento de serosas).

Microbiota
Quais os benefícios de uma microbiota saudável?

pH
Competição NUTRIENTES
e sítios
Bacteriocinas

Junções

Função Metabólica:

→ Diferenciação de células epiteliais intestinais;

→ Metabolização de carcinógenos;

→ Síntese de vitaminas/Fermentação de fibras dietéticas.


Contribuição nutricional:

As bactérias intestinais atuam na produção de vitaminas (complexo B) e na


digestão de alimentos, principalmente carboidratos não digeridos no trato
gastrointestinal superior  formando ácidos graxos de cadeia curta (AGCC/Butirato) 
FOS, que constituem a fonte alimentar energética das células intestinais (colonócitos).

DISBIOSE = REDUÇÃO DE LACTOBACILUS E BIFIDIUS

O que causa a disbiose?

 Vida sedentária;
 Ingestão de álcool em excesso;
 Baixa ingestão de fibras;
 Estresse físico e emocional;
 Consumo de bebidas e alimentos com aditivos químicos;
 Contaminantes veiculados pelo alimento e água;
 Uso de antibióticos;
 Idade;
 Clima;
 Fumo;
 Infecções;
 Alimentação Industrializada.
Lúmen Intestinal

Muco
Enterócitos e células
especializadas (células
de Paneth, células M.
Calciformes etc.)

Lâmina própria/GALT

Disbiose

Alterações da microbiota intestinal natural trazem como consequência um


desequilíbrio na resposta inflamatória sistêmica ou exacerbação do processo
inflamatório pré-existente intensificando a resposta aos estímulos dolorosos e
provocando artrites, vasculites, e dores musculoesqueléticas.
Este desequilíbrio imunológico tem efeito irrefutável nas inflamações e pode ser
secundário ao consumo frequente de dieta pró-inflamatória intolerâncias e alergias
alimentares, disbiose microbiana de diferentes órgãos, desequilíbrios hormonais e
exposição e acúmulo de xenobióticos que podem resultar em imunotoxicidade por
ativação na produção de autoantígenos.

Prisão de ventre ou constipação intestinal?

 Menos de três evacuações por semana;


 Esforço ao evacuar;
 Presença de fezes endurecidas ou fragmentadas;
 Sensação de evacuação incompleta;
 Sensação de interrupção da evacuação;
 Manobras manuais para facilitar as evacuações.
2 critérios ou mais

Constipação

 Menos de três evacuações por semana;


 Esforço ao evacuar;
 Presença de fezes endurecidas ou fragmentadas;
 Sensação de evacuação incompleta;
 Sensação de interrupção da evacuação;
 Manobras manuais para facilitar as evacuações.

Em qual nível você está?

1 e 2 – Fezes duras, T. intestinal lento =


CONSTIPAÇÃO.
3 e 4 – Fezes brandas – T. INTESTINAL
REGULAR.
5 6 e 7 – Fezes pastosas ou líquidas – T.
INTESTINAL RÁPIDO OU DIARREIA.
A constipação intestinal leva à presença no colón de fezes putrefativas, gerando
placas duras e aderentes na mucosa intestinal, que liberam toxinas para todo o
organismo. Estas toxinas podem ser absorvidas pela pele, resultando em um quadro de
urticária e acne, ou para as articulações, gerando quadros de inflamação e até mesmo
lesões articulares como a artrite reumatoide.

Cepa específica:

 SII: Bifidius. Infantis;

 Intolerância lactose: Streptococcus thermophilus e Lactobacillus delbrueckii subsp.


Bulgaricus;

 Constipação: Bifidobacterium bifidum;

 Diarreia por Clostrium (pós-antibiótico grave): Sacaromiceas (Floratil®);

 Diarreia pós-antibiótico simples: Lactobacillus acidophilus e casei;

 Alergia e eczema: Lactobacillus acidophilus e Bifidobacterium lactis;

 Rinite: Lactobacillus casei, L. reuteri.


 Colesterol: Bifidobacterium longun

 Elevar HDL: Enterococcus faecium

 Obesidade e Diabetes 2: Bifidobacterium e Lactobacillus acidophilus (gran positivas)

 Disbiose: Lactobacillus acidophilus e Bifidobacterium bifidum

 Candidíase: Lactobacillus rhamnosus e Fermentum.

 Melhora imunológica: Lactobacillus salivarius; Lactobacillus plantarum.

 Colite: Sacaromiceas Boulardi, S. cerevisiae.

Alergias Alimentares
Diagnósticos laboratoriais para Disbiose e Alergias Alimentares

 O diagnóstico é o primeiro passo para o tratamento da disbiose intestinal e,


consequentemente, da obesidade.
 Primeiro, é preciso uma avaliação completa do paciente, com história clínica e
avaliação da composição corporal, exames laboratoriais.
 Além do teste de hidrogênio expirado, que mede o crescimento bacteriano no
intestino e tem se mostrado um diferencial pelos resultados.
 Neste exame, o paciente ingere uma substância específica e depois se avalia o ar
expirado, indicando se a pessoa possui ou não um crescimento bacteriano
normal.

Características do Perfil Organix™ de Disbiose:

1) Amostra de urina colhida pela manhã, resultando numa aceitação melhor do


paciente que o exame de fezes;
2) Discernimento entre classes microbiais, permitindo terapias mais focadas;
3) D-arabinitol, um marcador específico para Candida SP;
4) D-lactato, um indicador de crescimento excessivo de L. acidófilos e má absorção
de carboidrato;
5) Como componente, o Perfil Orgânico (Organix™) pode ser usado como um
acompanhamento para controlar as terapias.
(Sem comprovação científica)
Diagnóstico SII

Calprotectina exame de fezes para descobrir doença inflamatória


intestinal em pacientes com suspeita de SII, embora, provavelmente, a causa seja
doença inflamatória intestinal (DII). Agora é feito rotineiramente em muitos pontos de
atenção primária no Reino Unido.

Sinais clínicos SII e disbiose:

Efeitos clínicos podem ser diversos, como:

 Distúrbio de comportamento;
 Fadiga crônica;
 Depressão;
 Dor de cabeça;
 Disfunção imunológica;
 Insônia;
 Dores articulares;
 Distúrbio de aprendizado;
 Deficiências nutricionais;
 Distúrbio de pele;
 Sudorese noturna.

Marcadores para alergia

 IgE;
 IgG;
O número crescente de aquisições tem melhorado o valor preditivo de alguns
testes laboratoriais empregados no diagnóstico de alergias alimentares.
Entretanto, até hoje não há teste in vitro ou in vivo que mostre correlação
completa com a clínica da alergia alimentar.

Diagnóstico de alergia alimentar

Com relação à̀ alergia, os testes diagnósticos mais utilizados são:

1) Testes cutâneos como prick test ou patch test;


2) Diagnóstico Laboratorial: análise sérica IgE específica (ImmunoCap®),
RAST (radioallergosorbent test) e ELISA;
3) Endoscopia Digestiva alta e baixa;
4) Biópsia intestinal;
5) Dieta de exclusão;
6) Teste de Desencadeamento Oral.

Teste cutâneo para alergia

Testes laboratoriais para alergias:

Ex. IgE no soro.

 IgE total no soro;


 Elisa competitivo;
 IgE contra alérgeno específico;
 Placas sensibilizadas com o alérgeno.
IgG4 = Alergias Tardias

Os anticorpos IgG4 estão associados a reações não-atópicas ou “tardias” que


podem complicar ou contribuir para vários problemas de saúde e são considerados
como a forma mais comum de intolerância imunológica imediada (celular). Essas
reações são mais complicadas de serem identificadas, pois podem ocorrer horas ou até
mesmo dias após o consumo do alimento agressor.
Intolerância a lactose

Métodos diagnósticos:

1) Biopsia;
2) Os testes de tolerância à lactose são realizados com desafio, o paciente
ingere de 25g a 50g de lactose e se avalia os sintomas por duas a três horas.
A técnica mais difundida nos laboratórios de análises clínicas é a curva glicêmica.
Nesta técnica, é coletada a glicemia em jejum e depois é feita uma curva. Se o paciente
absorver a lactose, a glicemia deve se elevar de 1,4 mmol/l ou mais.

1) O teste respiratório do hidrogênio expirado (realizado no Hospital das Clínicas da


FMUSP) é considerado padrão-ouro para o diagnóstico de intolerância à lactose,
seguindo o primeiro Consenso de Roma para metodologia e indicações de teste
respiratório do hidrogênio expirado para doenças gastrintestinais.

O paciente tem que fazer o preparo na véspera, só podendo ingerir dieta não
fermentativa com restrição total de lactose, sem fumar (o cigarro aumenta o hidrogênio
expirado). Deve também evitar antibióticos por um mês antes do exame (a presença da
flora bacteriana é essencial para a produção do hidrogênio), não pode fazer exercícios
físicos (aumentam o hidrogênio expirado) e tem que se apresentar para o exame com
jejum de 10 a 12 horas, podendo ingerir água. A sensibilidade do exame é de 80% a
92,3% e a especificidade 100% com 25g de lactose, desde que o preparo esteja correto.
A flora bacteriana colônica fica com atividade diminuída em pH ácido (é esse o pH das
fezes quando se dá a fermentação da lactose), podendo neste pH o exame ser falso-
negativo.
Prevalência de intolerância

No intestino humano, os níveis de lactase são baixos até a 27ª- 32ª semana de
gestação, quando se elevam, rapidamente, começando a cair por volta dos cinco anos
de idade. Desta forma, os bebês prematuros nascidos com 28 a 32 semanas de gestação
têm atividade reduzida de lactase, porém se forem de outra maneira saudáveis, o cólon
pode recuperar os carboidratos não absorvidos, prevenindo a desnutrição e diarreia.

57% adultos brancos


Os sintomas típicos incluem:

 Dor abdominal;
 Sensação de inchaço no abdome;
 Flatulência;
 Diarreia;
 Borborigmos;
 E particularmente nos jovens, vômitos;
 A dor abdominal pode ser em cólica e frequentemente é localizada na região
periumbilical ou quadrante inferior esquerdo;
 O borborigmo pode ser audível no exame físico e para o paciente;
 As fezes usualmente são volumosas, espumosas e aquosas; ácidas;
 Uma característica importante é que estes indivíduos, mesmo com quadro de
diarreia crônica, geralmente não perdem peso.

Intolerância a lactose - Genético

Com a validação do polimorfismo LCT-13910C>T, o exame genético passou a


incorporar a rotina de exames de laboratório para diagnosticar hipolactasia. Na Europa
o exame é feito com kit MutaReal Lactase Test que utiliza o PCR em tempo real, e com
kit GenoType LCT que se baseia na hibridização dos produtos de PCR de PCR multiplex
com sondas selvagens e mutantes aderidas às tiras de nitrocelulose.
O kit que emprega hibridização reversa não sofre interferência dos
polimorfismos africanos observados nos pacientes da raça negra imigrantes da África
que vivem na Europa, e que provocam um desvio da curva de melting por PCR em tempo
real, sendo considerado melhor.
Doenças Inflamatórias

Doenças autoimunes

Diversas doenças são ativadas por este mecanismo autoimune inflamatório como:

 Asma;
 Rinites;
 Sinusites;
 Dermatites;
 Artrite reumatoide;
 Lúpus;
 Psoríase;
 Espondilite anquilosante;
 Gastrenterites e esofagites eosinofílicas alérgicas;
 Síndrome do intestino irritável;
 Enterocolites;
 Infecções urinárias crônicas;
 Cefaleias;
 Tireoidite de Hashimoto e outras.

Urticária

 Caracterizada pela vasodilatação e aumento da permeabilidade vascular da pele.


 Trata-se de uma forma cutânea localizada da anafilaxia e uma das manifestações
da anafilaxia sistêmica.
 O mesmo mecanismo de anticorpos IgE é responsável pela patogenia da urticária
e da anafilaxia sistêmica e os alérgenos causais são muito semelhantes.
 Ao contrário da anafilaxia, a urticária é uma condição benigna, de ocorrência
muito mais comum.

Lesões típicas de paciente com urticária


Histamina

Dermatite Atópica (DA)

A incidência de doenças alérgicas vem aumentando nas últimas décadas como


consequência de predisposição familiar e fatores ambientais. Estima-se que cerca de
20% da população ocidental sofre de algum tipo de alergia. A dermatite atópica (DA) é
uma doença inflamatória crônica da pele que apresenta um impacto significativo na
qualidade de vida dos pacientes. Há associação entre aspectos psicológicos e DA.
Apresenta uma pele intensamente pruriginosa, inflamada, que permite a penetração de
irritantes e alérgenos e predispõe os pacientes à colonização e à infecção por micro-
organismos.
Princípios da imunologia

Modulação do sistema imune a partir da NUTRIÇÃO.

→ Imunonutrição;
→ Imunonutrientes;
→ Vitaminas e minerais e a função imune;
→ Alimentos imunoprotetores.

Nutrição x Imunologia
O funcionamento adequado do sistema imune é fortemente influenciado pelo
estado nutricional do organismo e pelos nutrientes ingeridos na alimentação. A ingestão
inadequada de energia, macronutrientes e micronutrientes resulta em efeito supressor
(diminuição) de funções imunes, aumentando os riscos de infecções.
Diversos nutrientes apresentam propriedades moduladoras do sistema
imunológico. Aminoácidos não essenciais, ou seja, que são produzidos pelo organismo
humano, como a arginina e a glutamina, podem se tornar essenciais em condições de
estresse e apresentar importante efeito no funcionamento da resposta imunológica.
A arginina aumenta a atividade de células exterminadoras naturais, linfócitos e
macrófagos, ajuda no tratamento de tumores e melhora a resposta tardia à
hipersensibilidade. A glutamina é uma importante fonte energética para células do
sistema imune e sua deficiência é associada com disfunção imune e maior mortalidade
em doentes críticos.
As vitaminas também podem exercer importante papel no funcionamento do
sistema imune. A vitamina e, por exemplo, é um importante antioxidante que previne
os efeitos agressivos do estresse oxidativo e ajuda a preservar o funcionamento
adequado da imunidade. Assim como a vitamina E, outras vitaminas são consideradas
antioxidantes, como a vitamina C.
Os lipídios são substâncias que exercem efeitos profundos na modulação do
sistema imune. Dentre eles destacam-se os ácidos graxos poli-insaturados ômega-6 e
ômega-3. Esses ácidos graxos são essenciais, isto é, o organismo humano é incapaz de
produzi-los, sendo necessária sua ingestão pela dieta. Exercem importante efeito
modulador em funções imunes, alteram a expressão de moléculas de superfície e
produção de citocinas, além de participarem na síntese de mediadores inflamatórios,
como leucotrienos, prostaglandinas e tromboxanos.

Imunonutrientes e principais funções:

 Arginina;
 Glutamina;
 Aminoácidos de cadeia ramificada (BCAA);
 Ômega 3;
 Nucleotídeos;
 Cobre;
 Magnésio;
 Zinco;
 Ácido Fólico;
 Complexo B;
 Vit. A, D, C, E.
 Planos alimentares e suplementos com foco na melhora.

Arginina

A arginina é um aminoácido semi-essencial, que se torna condicionalmente


essencial em situações de hipercatabolismo, como no trauma. Atua imunologicamente
através de proliferação do linfócito T. Como estimulante da síntese protéica, participa
da produção de prolina, importante na formação de colágeno e no processo de
cicatrização de feridas na presença de traumas. Controle da pressão arterial. A liberação
do óxido nítrico (ON) pelas células endoteliais vascular, via conversão da L-arginina,
regula a pressão sanguínea e perfusão tecidual. É também um secretagogo para
hormônio de crescimento, prolactina e insulina. Porem, a suplementação excessiva de
arginina pode levar à hiperprodução de ON, que induz a vasodilatação.

→ Doses de 3g/dia por 30 dias (Angeli, 2006);


→ Muito utilizada para Nutrição Enteral em dose de 7 a 30g/L.

BCAA ou ACR

O sistema imune é influenciado agudamente, e em menor extensão,


cronicamente, pelo exercício. Dados epidemiológicos e experimentais sugerem que o
exercício moderado aumenta a imunocompetência, enquanto que durante o
treinamento intenso e após um evento competitivo ocorre aumento da incidência de
infecções do trato respiratório superior (ITRS) em atletas. O exercício intenso e
prolongado está associado com temporária imunossupressão que afeta macrófagos,
neutrófilos e linfócitos. Os ACR podem atuar como precursores da síntese de glutamina
no tecido muscular. Esses aminoácidos fornecem grupamentos amino em reações de
transaminação, as quais acarretam na formação de glutamato que, posteriormente, na
reação catalisada pela enzima glutamina sintetase, participa da síntese de glutamina.
A suplementação com ACR (BCAA) promoveu maior capacidade de proliferação
de linfócitos obtidos do sangue periférico, quando estimulados com mitógenos, em
relação ao grupo placebo tanto antes quanto após o triatlo. Paralelamente a esses
efeitos, esse estudo também demonstrou redução da incidência de sintomas de
infecção (34%) reportada pelos atletas suplementados com ACR no decorrer do período
de suplementação – 30 dias antes do exercício intenso da prova de triatlon. Sendo assim,
não está elucidado qual o mecanismo de ação da suplementação com ACR sobre a
imunocompetência, ou seja, se é efeito decorrente da manutenção da concentração
plasmática de glutamina, ou se é efeito direto dos ACR.
Outros alimentos com potencial

 Soro do leite (Whey protein/ modulador/ Lactoferrina);


 Obs: A lactoferrina é a segunda proteína predominante no leite humano, com
concentrações mais elevadas no colostro. Antibacteriano e antiviral,
Bifidogênico, reduz NFKB;
 Alga Spirulina (PTN e fibras prebióticas).

Algas: Spirulina

 As proteínas presentes possuem digestibilidade de 70%;


 Aminoácidos não essenciais presentes na Spirulina: alanina, arginina, ácido
aspártico, cistina, ácido glutâmico, glicina, histidina, prolina, serina e tirosina;
 Aminoácidos essenciais: isoleucina, a leucina, a lisina, a metionina, a fenilalanina,
a treonina e a valina;
 A fim de suprir as necessidades diárias de aminoácidos essenciais requeridas por
um adulto saudável, seria necessário o consumo de 25 g/dia de Spirulina spp;
 Para resposta imunológica doses de 5 a 10g/dia.

Nucleotídeos

 São precursores de ácidos nucleicos: ácido desoxirribonucleico (DNA) e


ribonucleico (RNA), sendo indispensáveis para a síntese de proteínas celulares;
 São importantes na homeostase do sistema imunológico do adulto, onde o RNA
aumenta a contagem total de linfócitos;
 Os nucleotídeos da dieta são essenciais na imunidade célula-mediada. Sua
presença é especialmente importante durante o desenvolvimento, maturação e
reparo intestinal. Suplementos de nucleotídeos podem ajudar a preservar a
estrutura e função intestinal;
 Ainda não foi bem conhecida e não há um valor recomendado para sua
suplementação.

Vitamina A

 Consequências da deficiência de vitamina A: comprometimento da integridade


do revestimento dos tratos pulmonar, gastrointestinal e urinário, ficando assim
mais fácil para as bactérias patogênicas penetrar a barreira epitelial e provocar
infecções mais graves e inflamações mais exacerbadas;
 Um exemplo: a suplementação com vitamina a limita a diarreia, restaurando a
integridade intestinal;
 Foi demonstrado recentemente que o ácido retinóico, um metabólito da
vitamina A, é produzido exclusivamente por células imunes intestinais, mas não
do mesmo tipo de célula imune de outros órgãos linfoides;
 Esse ácido direciona a migração de células T antígeno especificas da periferia de
volta para o intestino, onde encontraram seu antígeno pela primeira vez.

Inflamação - Influência imunológica e Fenótipo da Dieta


Nutrigenômica - Estudo do efeito de componentes bioativos da dieta na expressão
de genes e consequências nas funções bioquímicas/fisiológicas.

Nutrigenética - Estudo do efeito da variação genética individual na resposta a dieta e


a nutrição.

Doenças:
 Doenças cardiovasculares;
 Câncer;
 Obesidade;
 Diabetes;
 Desordens neurológicas;
 Osteoporose;
 Desordens inflamatórias.

Macro e micro nutrientes

As macro moléculas são:

 Carboidratos (CHO)
 Proteínas (PTN)
 Lipídios (LIP)
As micro moléculas são os oligoelementos minerais e vitaminas, oferecidos todos os
dias para manutenção e crescimento de novos tecidos.

→ Todos os alimentos são mistos: CHO + PTN + LIP + H2O


Carboidratos
Proteínas
Gorduras totais

Carboidratos

Os carboidratos possuem a classificação entre os simples (absorção rápida para


obtenção de energia) e os complexos (precisam ser hidrolisados até simples para
obtenção de energia). Devido à diferença nos processos de digestão e a velocidade no
tempo de absorção dos carboidratos, foi determinado um mecanismo denominado
Índice Glicêmico, para avaliar a resposta da glicemia, de acordo com o tipo de
carboidrato. O índice glicêmico é um indicador qualitativo da habilidade de um
carboidrato ingerido, em elevar os níveis glicêmicos no sangue.

Para verificar a quantidade de carboidrato nos


alimentos, utiliza-se como referência o Manual de
contagem de carboidratos.
Índice glicêmico
 Tecidos DEPENDENTES de GLICOSE;

 Tecidos NÃO DEPENDENTES de INSULINA;


Cérebro; Hemácias; Cristalino do olho; Células da Medula Renal.

DIAPEDESE = SAÍDA DO VASO/CELULAS

ESTASE
HEMÁCIAS ACUMULO BACTERIANO

INFLAMAÇÃO

MONÓCITOS
SINALIZAÇÃO INTRACELULAR NA RESISTÊNCIA A INSULINA/INFLAMAÇÃO

Via de sinalização da Insulina


e leptina.
Via de ativação serina/TNF-α

Diabetes 2

Aterosclerose PPAR família receptores nucleares


protetores

Produtos de Glicação Avançada (AGEs)

 AGEs (advanced glycation end-products);


 São formados por meio da reação de glicação não enzimática de escurecimento,
também conhecida como reação de Maillard;
 Os principais AGEs formados no organismo são: carboximetil-lisina, pentosidina,
pirralhinha e dímeros de glioxal e metilglioxa.
 Os produtos de glicação avançada constituem uma grande variedade de
moléculas formadas a partir de interações aminocarbonilo, de natureza não
enzimática;
 Entre açúcares redutores ou lipídeos oxidados e proteínas, aminofosfolipídeos
ou ácidos nucléicos;
 E ocorrem aceleradamente no estado hiperglicêmico;
 A glicação não enzimática de proteínas ou reação de Maillard é um mecanismo
relacionado à̀ hiperglicemia crônica, a qual ocasiona uma série de alterações
fisiológicas importantes no desenvolvimento das complicações crônicas do
diabetes (Placa de Ateroma e lesão renal).
ESTÍMULO INFLAMATÓRIO
DENTRO DO GLOMÉRULO

A dieta é a principal fonte exógena de AGEs. AGEs podem ser absorvidos no trato
gastrintestinal e transportados pela albumina e ou por partículas de LDL-c (lipoproteína
de baixa densidade). Os alimentos que têm sido descritos com altas concentrações de
AGEs são aqueles ricos em gorduras, como manteiga e margarina, carnes e queijos
(especialmente o queijo parmesão), produtos industrializados, como cereais matinais,
biscoitos e batatas do tipo chips ou fast food.
As técnicas de processamento empregadas pela indústria podem promover a
formação de AGEs nos alimentos, especialmente a desidratação e o aquecimento a altas
temperaturas. A utilização de temperaturas superiores a 170°C, como fritar, assar e
grelhar potencializa a formação de AGEs. A cocção em temperaturas mais brandas (em
torno de 100°C) na presença de umidade (H2O), como o cozimento em água ou em
vapor, contribui para o menor conteúdo de AGEs.
Cerca de 10% dos AGEs ingeridos com a dieta são absorvidos. Da fração absorvida,
aproximadamente 2/3 são armazenados no organismo e apenas 1/3 é eliminado pela
urina por indivíduos com função renal normal, dentro de 48 horas. Os macrófagos fazem
a retirada dos AGEs formados nos tecidos pela endocitose de AGEs (via receptores) e
que, após a degradação intracelular, liberam na circulação AGE-peptídeos, também
denominados “segunda geração de AGEs” solúveis e de baixo peso molecular,
posteriormente eliminados na urina, dessa forma, a eficácia da remoção de AGEs
depende do clearance renal. O alvo principal da sinalização dos AGEs é o fator de
ativação nuclear NF-κB.

AGEs promovem:

 Estresse oxidativo;
 Alterações morfofuncionais celulares;
 Aumento da expressão de mediadores inflamatórios;
 A formação de AGEs ocorre vagarosamente sob condições fisiológicas;
 Afeta predominantemente moléculas de meia-vida longa, como o colágeno,
exercendo importante função no processo de envelhecimento.

AGEs se formam in vivo na presença de hiperglicemia e contribuem para a


fisiopatologia da doença vascular no diabetes.

Vários receptores diferentes para AGEs foram


descobertos, um dos quais, denominado receptor
de AGEs (RAGE), que inicia a cascata de sinalização
que estimula NADPH oxidase, aumenta as
espécies reativas de oxigénio (ROS), e ativa p21
RAS e MAPKs (mitogen-activated protein kinases).

NF-kB é também ativado em resposta à ligação do RAGE, embora os mecanismos


ainda não estejam claramente definidos.
A ativação de monócitos por albumina sérica humana sérica modificada por AGE
leva à expressão do RNAm da IL-1β e do TNFα.

Os AGEs podem danificar as células por três mecanismos básicos:

1) A modificação de estruturas intracelulares, incluindo aquelas envolvidas com a


transcrição gênica (DNA e RNA).
2) A interação de AGEs com proteínas da matriz extracelular modificando a
sinalização entre as moléculas da matriz e a célula, gerando disfunção.
3) A modificação de proteínas sanguíneas como citocinas e fatores de crescimento
(neutrófilos).
4) As proteínas e os lipídeos circulantes modificados por AGEs podem ligar-se a
receptores específicos, causando a produção de citocinas inflamatórias e fatores
de crescimento, que, contribuem para a patologia vascular do diabetes e
envelhecimento (Barbosa, 2008).

A formação de AGEs in vivo pode envolver:

→ Neutrófilos, monócitos e macrófagos.


Que após estímulo inflamatório, produzem mieloperoxidase (derivada de
neutrófilos catalisa formação ERO) e a enzima NADPH oxidase (de superfície celular de
macrófagos), induzindo a formação de AGEs por meio da oxidação de aminoácidos. Sob
condições de hiperglicemia (diabetes e excessos alimentares) e ou estresse oxidativo, a
geração de AGEs aumenta intensamente. A mensuração da hemoglobina glicosilada
(HbA1C) reflete a ocorrência de hiperglicemias nos últimos 4 meses e, indiretamente,
de glicação avançada (AGEs). A alta concentração de glicose intracelular é considerada
atualmente o evento iniciador primário da formação de AGEs intra e extracelular.

Produtos da reação de Maillard (PRM)

Os PRM estão presentes em alimentos submetidos a qualquer tipo de


tratamento térmico, incluindo alimentos fritos, assados em churrasqueiras, cozidos em
forno convencional ou de micro-ondas. Sendo a temperatura o parâmetro crítico
relativamente a essa reação.
Métodos mais brandos de cozimento e com alta atividade de água, como
preparações ensopadas e a vapor, geram teores menores de PRM.

O teor de PRM em peito de frango pode variar de:

 1.100kU/100g - quando cozido em cocção úmida;


 4.700kU/100g - quando frito (1/3 recomendação).
A preparação frita atinge cerca de um terço da recomendação de ingestão desses
compostos por diabéticos, a qual não deve ser ultrapassar 16.000kU por dia.

Combate aos AGES

Recomendação:

 Evitar alimentos FRITOS e ou grelhados a altas temperaturas;


 Evitar preparações assadas (seco) a altas temperaturas (200° c);
 Utilizar fogo mais baixo e temperaturas de forno médias e sempre envoltas em
líquidos;
 Assados marinados e grelhados com um pouco de líquidos (cozidos) e com
temperos protetores;
 Reduzir o consumo de CHO de alto índice glicêmico.

Preferir:

 Farinha de amêndoas ou 60g de amêndoas/dia;


 Farinhas ou cereais: quinoa, aveia, trigo sarraceno;
 Frutas de baixo índice glicêmico;

Orientar ao uso de especiarias secas e condimentos como:

 cúrcuma, açafrão, curry, gengibre, (cravo e canela/cápsulas);


 O uso de cebola e alho é protetor na reação de Mailard;
 Suplementação de B6 (piridoxina) inibidor natural dos AGEs;
 ALA – Óleo de linhaça ou chia;
 Ômega 3 – EPA e DHA;
 Óleo de semente de uva – 125mg (3x) ao dia.

Lipídeos
Gorduras

São substâncias orgânicas de origem animal ou vegetal, formadas


predominantemente de produtos de condensação entre glicerol e ácidos graxos,
chamados triacilgliceróis. Além de fonte de energia, são veículos importantes de
nutrientes, como vitaminas lipossolúveis (A, D, E, K) e ácidos graxos essenciais.

Estrutura química

São compostos de carbono, hidrogênio e oxigênio. Diferencia-se dos


carboidratos pela proporção desses nutrientes. Cada molécula de gordura possui
glicerol (álcool) combinado com ácidos graxos (ácido).

Ácidos graxos saturados, monoinsaturados e poli-insaturados:

O grau de saturação de um ácido graxo é definido pelo número de ligações duplas


entre os átomos de carbono nas cadeias. A cadeia que não apresentar ligações duplas é
um ácido graxo saturado. Já, a cadeia que apresentar um ácido graxo apenas insaturado
é monoinsaturado ou pode ser um ácido graxo poli-insaturado que contém várias duplas
ligações.
Saturados: Presentes em carnes gordas, banha, manteiga, palma, cacau, laticínios, coco,
etc. Deve ser limitada a menos de 10% do total de ingestão calórica. Aumentam o
colesterol total e a LDL.

Monoinsaturados: Presentes no azeite de oliva, canola, açaí, abacate e frutas


oleaginosas (amendoim, castanhas, etc.). Diminui o LDL e o colesterol total.

Poli-insaturados: Presentes nos peixes, óleos vegetais (girassol, soja, milho, canola,
açafrão, algodão, gergelim, etc.) e nas frutas oleaginosas (castanhas, nozes, avelãs, etc.).

Diminuem a concentração de colesterol na LDL, possuem efeito anti-inflamatório


sobre as células vasculares, inibindo a expressão de proteínas endoteliais pró-
inflamatórias. São os ácidos graxos essenciais, que o organismo não produz,
necessitando serem incorporados na dieta. Têm papel importante no transporte de
gorduras e na manutenção da integridade das membranas celulares.

Lipídeos poli-insaturados:

1) Ômega 6 (ácido Linoleico): Carnes, prímula, girassol, semente de abóbora, milho,


soja, gergelim, canola, linhaça, groselha negra (açaí), oliva e leite humano. Reduz o
colesterol total, LDL e eleva HDL;
2) Ômega 3 (ácido Alfa-Linolênico): Óleo de peixe (salmão, atum, arenque, sardinha,
etc.) chia, linhaça. Reduz os triglicerídeos e o colesterol total.
ALA
Apenas 5% de
conversão

Lipídeos x Imunologia
A PGE2 tem muitos efeitos pró-inflamatórios como a indução de febre, aumento
da permeabilidade vascular, aumento da dor e edema. Entretanto, a PGE2 também
diminui a proliferação de linfócitos e a atividade das células NK, além de inibir a
produção de TNF-α, IL-1, IL-2, IL-6 e INF-γ, portanto, a PGE2 também possui efeitos anti-
inflamatórios. Já́ o LTB4 pode aumentar a produção de citocinas pró-inflamatórias, a
permeabilidade vascular, o fluxo sanguíneo local e a atividade das células natural killer.
SAT

MONO

W6

W3

TCM (óleo de coco)

 Os triacilgliceróis de cadeia média (TCM) são formados por ésteres de glicerol


contendo ácidos graxos com 6 a 12 átomos de carbono;
 Os TCM são absorvidos através da parede intestinal sem ação enzimática e sem
ressíntese dos triacilgliceróis nas células intestinais;
 Os TCM sofrem, predominantemente, β-oxidação (energia) e não são estocados nas
células adiposas;
 Consequentemente, constituem boa fonte de energia para pacientes com
insuficiência pancreática e má́ absorção lipídica.
Apesar dos potenciais benefícios do óleo de coco no HDL, os estudos
experimentais comprovam o efeito hipercolesterolêmico do coco e seus subprodutos,
como o recente estudo com cobaias que comparou óleo de coco com azeite de oliva e
óleo de girassol. O grupo tratado com óleo de coco apresentou aumento significativo da
fração não HDL e triglicérides.

Lipídeos x Colesterol

Somente três ácidos graxos de cadeia longa podem elevar a concentração de


colesterol plasmático:

 Láurico (12:0);
 Mirístico (14:0);
 Palmítico (16:0);

Composição do chocolate amargo:

 33% de ácido oleico (cis-18:1 monoinsaturado);


 25% de ácido palmítico (16:0 saturado ⬆ colesterol);
 33% de ácido esteárico (SAT) NÃO ELEVA O COLESTEROL.
Ponto Fumaça

Óleo Temperatura (ºC) e tempo

Azeite 185 – 7 min

Girassol 183 – 5 min

Soja 240 – 7 min

Canola 233 – 9 min

Milho 215 – 17 min


Gorduras Saturadas

Óleo de coco - muito lauritico - 50%

Ponto de fusão de 44 a 69 graus.


Então qual é o melhor óleo para se usar?

 Soja;
 Girassol;
 Canola;
 Milho;
 Azeite.

Ao se fritar um alimento se evapora a água (0 kcal) e adiciona gordura = 9kcal/g. A


partir de aproximadamente 200°C o efeito é drástico, por isso recomenda-se para o uso
de temperatura até 180°C no processo de fritura. O melhor é o óleo de soja (?), porque,
além de ser fácil de encontrar e manusear tolera melhor altas temperaturas. Esse
produto contém ômega 3 e 6 e bom custo-benefício (é mais barato e melhor para a
saúde).

Lipídeos – Gorduras trans

 São formadas a partir do processo de hidrogenação industrial ou natural (rumem


dos animais) dos ácidos graxos;
 Encontram-se nos alimentos industrializados;
 Alimentos de origem animal (carnes gordas e leites integrais) apresentam
pequenas quantidades dessas gorduras;
 Possuem a finalidade de melhorar a consistência, sabor dos alimentos e
aumentar a vida de prateleira de alguns produtos;
 O consumo excessivo aumenta a concentração de LDL e diminuem a
concentração de HDL plasmático.

→ Fontes alimentares: naturais (carnes, leites e derivados) e industrializados


(biscoitos, salgadinhos, frituras, bolos, margarinas, pães, sorvetes, doces, etc.).

MEMBRANA BICAMADA LIPÍDICA

Gordura Trans Gordura saturada

Ômega-3

O ácido graxo poli-insaturado ômega-3 é derivado do óleo de peixe e tem


potentes efeitos anti-inflamatórios em pacientes com trauma, substituindo o ácido
araquidônico dos fosfolipídios das membranas das células imunes e inibindo a
ciclooxigenase.
Esse efeito reduz inflamação sistêmica, através de uma menor produção de
prostaglandinas da série 2 (PGA-2) e leucotrienos da série 4.
As citocinas produzidas pelo ácido graxo poli-insaturado ômega-3 são as PGAS-3
e tromboxano 3, que têm como principais funções a redução da agregação plaquetária,
diminuição do potencial pró-inflamatório e imunomodulação na resposta inflamatória.

CLA x Imunidade

Entre os mecanismos de modulação do processo inflamatório exercido pelo CLA


está a alteração no padrão de produção dos eicosanoides.
Da mesma forma que os outros poli-insaturados isômeros e metabólitos do CLA
podem ser incorporados nos fosfolipídios das membranas celulares.
O CLA parece ser capaz indiretamente de diminuir as concentrações de ômega-6
ao aumentar os ômega-3, reduzindo dessa forma a produção de PGE2.
Sendo assim, o CLA pode modular o sistema imune diminuindo o acúmulo de
ácido araquidônico nos fosfolipídios das membranas celulares e os seus eicosanoides
derivados.
Efeitos colaterais: redução HDL, elevação LDL e a glicose sanguínea.

Vitamina E

Estudos experimentais mostrando que a deficiência de vitamina E compromete


vários aspectos da resposta imune, entre eles a imunidade mediada por células B e T.
A vitamina É capaz de aumentar a produção de imunoglobulinas de uma forma
semelhante ao CLA (diminuindo o acúmulo de ácido araquidônico nos fosfolipídios das
membranas celulares).
Já́ foi observado que a suplementação com vitamina E deprime a produção de
PGE2 que por sua vez inibe a IL-2.
Como já́ foi citado anteriormente, a IL-2 é responsável pelo aumento da síntese
de IgG, IgA e IgM.

DOSES: 15mg (DRI), UL 100mg (ANVISA).

Vitamina A

Para Diarreias e doenças respiratórias.

A vitamina A promove a regeneração do epitélio


danificado da mucosa e a atividade fagocítica dos neutrófilos e
macrófagos.

Além disso, restaura a capacidade das células imunes do


intestino de produzir anticorpos (IgA e IgG) contra toxinas
bacterianas, que mostram comprometimento na deficiência de
vitamina A.

Palmitato de Retinila: UL 2000 microgramas (30 dias).


Vitamina D

Estima-se que um bilhão de pessoas no


mundo todo tenham deficiência ou insuficiência de
vitamina D.
Seus receptores (RVD) ocorrem na maioria
das células do corpo, inclusive nas células imunes.
O Institute of Medicine acabou aumentando
o valor para 600 UI no fim de 2010.

A pele é a principal:

Metabolismo e função da vitamina D:

Ações clássicas

Ação hormonal:
- Metabolismo mineral e saúde esquelética (promove a mineralização da matriz
óssea);

Ação intestinal:

- Aumenta a absorção de cálcio e de fosfato.

Literatura científica recente:

- Prevenção de doenças neurológicas, ex: depressão.

- Prevenção de câncer;

- Obesidade;

- Prevenção de doenças autoimunes: DM tipo 1 Artrite reumatoide, Esclerose múltipla


e etc.

- Prevenção de doenças inflamatórias: Ex: Doença Inflamatória Intestinal .

Ação da vitamina D ligada aos receptores:


Receptor de vitamina D (RVD):

RVD em várias células do sistema imune, entre elas linfócitos T, linfócitos B e células
dendríticas, despertou interesse pela vitamina D como um fator imunorregulatório.

NOS LINFÓCITOS, AS PRINCIPAIS AÇÕES DA VITAMINA D SÃO:

 Alteração na secreção de citocinas pró-inflamatórias, como a diminuição de


Interferon-Gama (IFN-γ) e a Interleucina-2 (IL-2), bloqueando, assim, o principal
sinal de retroalimentação das células dendríticas, gerando uma diminuição da
capacidade de apresentação de antígenos aos linfócitos e diminuição da ativação
e expansão clonal dos linfócitos.

 Ao mesmo tempo, ela aumenta a produção de IL-4, IL-5 e IL-10, e gera uma
mudança de fenótipo T helper 1 (Th1) para T helper 2 (Th2), o que leva a uma
maior tolerância imunológica.

Vitamina D X Doenças Autoimunes

A ação da vitamina D sobre o sistema imune também afeta a subpopulação de


linfócitos Th17. Esses linfócitos T helper se caracterizam por secretar IL-17 e com isso
participam na fisiopatogenia de doenças autoimunes. Outras citocinas também sofrem
diminuição na sua produção na presença de vitamina D, como IL-6, IL-12 e IL-23.
As células Tregs reguladoras (células T) são críticas para a manutenção da
tolerância imunológica e se caracterizam por secretar IL-10 e prevenir o
desenvolvimento de enfermidades autoimunes.

Os linfócitos B também são alvo da ação da vitamina D:

Sobre essas células, eles têm efeitos diretos e potentes, estimulando a apoptose,
inibindo sua proliferação e formação de células de memória, impedindo a diferenciação
de células plasmáticas e síntese de imunoglobulinas.
Resposta Imune Dependente de Vitamina D

Deficiência de Vitamina D

↓Controle da asma;
↑Doenças alérgicas;
↑ Obesidade e DM;
Deficiência de Vitamina D ↑ Doenças neurológicas.
Níveis sanguíneos de 25
OH D3 <20ng/mL
↑Colite ulcerativa e ↑ Doença de Crohn.

Alteração da microbiota intestinal?

A ausência de receptores intestinais de vitamina D causa achatamento das vilosidades:

Receptor de Vitamina D & Barreira Intestinal

Ulceração
Colite intestinal em
experimental camundongo
Sulfato de sódio com ausência de
(2,5%DSS)
VDR.
Por 7 dias.
Sem VDR = permeabilidade:

Ausência de VDR em camundongos


promove maior permeabilidade do
complexo tight junction
VS.
Camundongos com presença de VDR

Receptor de Vitamina D tem papel fundamental na integridade da


barreira da mucosa intestinal.

Humanos com deficiência de vitamina D

Associação entre deficiência na ingestão de


vitamina D & microbiota

Americanos africanos = 42 adultos

Análise da microbiota intestinal:


- Extração de DNA; Questionário de frequência alimentar
- Denaturing Gradient Gel
Electophoresis (DGGE);
- Fluorescentin situ hybridization
(FISH);
- Quantitative PCR (qPCR).
BACTERIAS
PATOGÊNICAS

Menor ingestão de vitamina D


Altera a composição da microbiota intestinal (p<0,05)
↑ Bacteroidetes; ↑ Clostridium
Probióticos

Probióticos podem aumentar níveis plasmáticos de


vitamina D

Adultos com hipercolesterolemia e IMC entre 22 – 32Kg/m²

n=127

9
L. reuteri NCIME semanas Placebo
30242
9
2,9 x 10 UFC/cápsula
2 cápsulas por dia

Lactobacilus reuteri ⬆
25% VIT D sanguínea

Como o nutricionista pode atuar nesse cenário?

Anamnese alimentar:

 Verificar a quantidade de alimentos consumidos ricos em vitamina D;


 Verificar função intestinal e disbiose;
 Solicitar exames bioquímicos para avaliar os níveis plasmáticos de 25OHD3;
 Orientar alimentação rica em alimentos fontes de vitamina D, e explicar a
exposição solar adequada (se possível);
 Se necessário suplementar de acordo com as normas da ANVISA.
Suplementação de Vitamina D

ANVISA: 200UI/dia

Esquema de suplementação: 1 mês e meio de suplementação com a dose máxima,


realização de novo exame e depois manutenção pela DRI por tempo indeterminado.

Indicação Dose recomendada Nível de evidência


(duração)
Manutenção da saúde
Idade 18 – 65 anos, sem Exposição ao sol D
doenças crônicas. (Indefinido)
Idade ≥65 anos para saúde 800-2.000 UI/dia A
óssea
Idade ≥65 anos, para 800-5.000 UI/dia A
prevenção de fraturas. (Indefinido)
Idade < 18 anos sem 400 UI/dia (Até 18 anos) B
doenças crônicas
Deficiência de Vitamina D 50.000 UI/semana (3 B
(20ng/ml) meses) OU 50.000 UI/3x
semana (1 ½ mês).

Índice Inflamatório da Dieta

Este potencial inflamatório foi analisado por meio da proteína C-reativa (PCR),
que é um conhecido marcador inflamatório.
Esta proteína é produzida em resposta a estimulação de interleucinas (IL), que
são produzidas por células hematopoiéticas;
Portanto, a partir de revisão de estudos científicos originais a dieta foi avaliada
sobre os seis principais marcadores inflamatórios: IL-1beta⬆, IL-6⬆, TNF-alfa⬆ e PCR⬆ IL-
4⬇, IL-10 ⬇ (inflamação⬆ ou ⬇)
Foi criada uma pontuação para diversos compostos alimentares e alguns
alimentos, dependendo de seu potencial inflamatório.

 A pontuação de -1 foi dada aqueles alimentos ou nutrientes com efeitos pró-


inflamatórios (ou seja, que aumentaram significativamente a IL-1beta, IL-6, TNF-
alfa e PCR, ou diminuíram a IL-4 ou IL-10);
 +1 para os alimentos cujos efeitos foram anti-inflamatórios (quando diminuíram
significativamente) a IL-1beta, IL-6, TNF-alfa e PCR; ou aumentaram IL-4 ou IL-
10;
 E 0 para as variáveis dietéticas que não produziram mudanças nos marcadores
inflamatórios.

Compostos alimentares com características pró-inflamatórias (ou seja, aqueles


que adquiriram pontuação mais próxima de -1) em ordem decrescente:

 Carboidratos (-0,346) +++++;

 Lipídios (-0,323);
 Gordura saturada (-0,25);
 Colesterol (-0,21);

 Vitamina B12 (-0,09);


 Ácidos graxos monoinsaturados (-0,05)

 E ácido graxo ômega-6 (-0,016)

Compostos alimentares anti-inflamatórios (com pontuação mais próxima de +1)


em ordem decrescente:

 Magnésio (0,905) ++++++;


 Açafrão-da-índia (0,774);
 Betacaroteno (0,725); genisteína (isoflavona, 0,680);
 Vitamina A (0,580); chás (0,552); fibras alimentares (0,520);
 Vinhos (0,480); quercetina (flavonóide, 0,490);

 Luteolina (flavonoide, 0,430); vitamina E (0,401);


 Ácido graxo ômega-3 (0,384); vitamina C (0,367);
 Vitamina D (0,342); zinco (0,316), vitamina B6 (0,286);

 Alho (0,27); niacina (0,26); ácido fólico (0,214);


 Cerveja (0,2); gengibre (0,18); daidzeína (isoflavona, 0,17);
 Cianidina (pigmentos vermelhos de vegetais, 0,130); epicatequina (0,12); cafeína
(0,035); riboflavina (0,160);

 Bebidas alcoólicas (0,1);


 Proteínas e tiamina (0,05); ferro (0,029) e selênio (0,021).

Magnésio

O magnésio é um mineral que apresenta também um papel fundamental em


várias reações biológicas.
O magnésio é um mineral do meio intracelular. É ativador de sistemas
enzimáticos que controlam o metabolismo de carboidratos, lipídeos, proteínas e
eletrólitos;
Influencia a integridade e transporte da membrana celular; media as contrações
musculares e transmissões de impulsos nervosos.
Acredita-se que o fornecimento de quantidades adequadas de magnésio seja
importante para o funcionamento do sistema imune, uma vez que ele é necessário para
a realização de inúmeros processos metabólicos de fundamental importância para todas
as células do nosso organismo incluindo as células imunes.

Fonte alimentar: - Clorofila

- Leite de derivados

O meio ácido do estômago favorece a feofitinização, que corresponde à remoção


do átomo de Mg2+.
O estudo de Ferruzzi e colaboradores (2001) comprovam que 95% da clorofila é
totalmente convertida em feofitina.
De qualquer forma, o Mg2+ liberado durante esse processo pode ser absorvido
pelo organismo animal, contribuindo com as necessidades diárias desse mineral.
A ingestão de 100 g de espinafre disponibilizaria teoricamente aproximadamente
58 mg de Mg2+ para serem absorvidos.
UL 400 mg.
Deficiência de Magnésio:

A deficiência de magnésio é relacionada a prejuízos na função imune celular


(como macrófagos, neutrófilos e células endoteliais).
A deficiência grave desse mineral em ratos induziu, após alguns dias, a ativação
de macrófagos, liberação de citocinas pró-inflamatórias e maiores produções de EROs.

Zinco

A deficiência moderada de zinco induzida experimentalmente afetou as funções


das células T e provocou um desequilíbrio entre as subpopulações de células T, queda
na produção de citocinas (interleucina-2, interferon-γ) e atenuação na atividade das
células exterminadoras naturais.
Existem várias maneiras pelas quais a deficiência e a suplementação de zinco
afeta o sistema imune. Em primeiro lugar, o zinco é necessário para a atividade biológica
da timulina, um hormônio específico do timo que promove as funções das células T,
como a citotoxicidade e a produção de citocinas. Em segundo lugar, o zinco afeta as vias
de transdução do sinal que controla a expressão gênica de várias citocinas
imunorreguladoras.
Por último, o zinco é um cofator de várias enzimas envolvidas nas respostas
antioxidantes que contribuem para um menor dano oxidativo nas células imunes.
A ingestão de zinco duas vezes maior que a recomendada por dia não exerce
efeitos negativos sobre o sistema imune de adultos saudáveis, mas em quantidade
superior a essa, o zinco pode comprometer a imunidade.
No sistema imune, pelo fato de as células específicas e não-específicas
apresentarem alta proliferação, o zinco desempenha papel fundamental no processo de
transcrição, tradução e replicação do DNA.
O zinco, em conjunto com o cobre, participa da estrutura da enzima SOD, sendo
sua atividade reduzida pela deficiência desse mineral. Comprometimento no processo
de fagocitose realizado por macrófagos e neutrófilos na lise celular mediada pelas
células NK e na atividade antioxidante da SOD.
Os efeitos da deficiência de zinco sobre a produção de citocinas
imunorreguladoras em crianças e concluíram haver significativa redução de células
brancas e da IL-6.
Como o zinco estimula a síntese de anticorpos, a proliferação de células T, a
ativação do mecanismo natural de morte celular e citotoxidade.
Indica-se a suplementação terapêutica de zinco em duas situações bem definidas
pela Organização Mundial da Saúde: diarreia aguda e na desnutrição grave.
A deficiência de zinco pode ocasionar atrofia do timo e de outros órgãos
linfoides, acarretando diminuição da proliferação de linfócitos, reconhecida como
linfopenia, o que reduz a ação citolítica das células T e diminui a relação das células
CD4+/CD8+.
DOSES: 25mg /dia

Na diarreia aguda a recomendação é de 20 mg de zinco elementar/dia (crianças


acima 6 meses).

Cobre

Cobre, zinco e magnésio atuam como cofatores de


enzimas responsáveis tanto por diversas atividades
metabólicas como na resposta imune inata e adquirida,
além do papel importante na maturação dos tecidos e
células linfoides.
Sua deficiência acarreta neutropenia e linfopenia,
comprometendo a imunocompetência.
O cobre desempenha papel importante na
maturação dos tecidos linfoides. Atua também como
cofator para a enzima superóxido dismutase (SOD), enzima
chave na defesa antioxidante.

Portanto, sugere-se que a depleção de cobre contribua para uma maior


suscetibilidade a infecções.

UL 3000 mcg

Vitamina B6 (Piridoxina)

A vitamina B6 está amplamente distribuída


nos alimentos, sendo suas fontes mais ricas as aves,
peixes, fígado, cereais e grãos de leguminosas.
Sabe-se desde a década de 1940 que deficiências
de vitamina B6 debilitam a função imune.

Esse efeito não surpreende, já́ que a vitamina B6


é essencial para grande variedade de reações
necessárias para a síntese e o metabolismo de
aminoácidos e, durante a resposta imune, a
necessidade de síntese proteica é maior.

Estudos feitos com seres humanos demonstram


que a deficiência de vitamina B6 compromete a
produção de anticorpos e a atividade das células T. O
crescimento e a maturação dos linfócitos também
sofrem alteração, assim como cai a atividade das células
exterminadoras naturais.

Doses UL 10mg (ANVISA 100mg)

Glutamina

A glutamina é considerada um aminoácido condicionalmente essencial,


exercendo efeito benéfico na função imune através da produção de linfócitos T e B e
imunoglobulina A (IgA).
O principal combustível para CÉLULAS DE MULTIPLICAÇÃO RÁPIDA como o
rápido o sistema celular como o epitélio do trato gastrointestinal e células imunológicas.
Foi observado que a glutamina promove a manutenção do GALT. Serve como energia
para células intestinais.
A análise dos resultados permite concluir que a associação da glutamina e
probióticos confere um maior trofismo na mucosa colônica em ratos submetidos à
peritonite bacteriana.

Glutamina X Imunidade

Os macrófagos são consumidores de glutamina, tanto para o seu metabolismo


(síntese de purinas e de coenzimas) como para realizar suas funções.
Os animais que receberam glutamina apresentaram um maior ganho de peso
corporal, comparativamente aos seus pares que não a receberam.
Um dos fatores que pode influenciar a imunossupressão é a diminuição da
disponibilidade de glutamina no plasma. Entretanto, este estudo verificou que, mesmo
aumentando a disponibilidade de glutamina, não houve atenuação dos parâmetros
imunes analisados.
Obs: o Whey comum (concentrado) pode conter 3,5g de Glutamina e o isolado 6g.
Recomendação 5 a 10g/dia.

Estresse Oxidativo

Desequilíbrio entre radicais livres e antioxidantes.

Radicais livres e antioxidantes:

RADICAIS LIVRE
Oxigênio Singlete
NO· óxido nítrico
ONOO- peroxinitrito
Q· radical semiquinona

 C6-H12-O6 – CHO;
 C20-H30-O36 – LIP;
 -0H-C-C-NH2 – PTN;
 ALIMENTOS.

ALIMENTOS FONTES
NEUTRALIZAR
O2 e CO2 VITAMINA C
EXCESSO
VITAMINA E
SELÊNIO….
ORAC

O ORAC é um método que usa a avalia o teor de substancias que neutralizem radicais
livres.
O ORAC combina o tempo de inibição e a percentagem (%) de inibição da ação do
radical pelo antioxidante e usa a área sob a curva para a quantificação.

Radicais Livres
O estado crítico é associado à formação de radicais livres de oxigênio e diminuição
da capacidade antioxidante, levando ao estresse oxidativo. Acredita-se que o
suprimento exógeno de determinadas vitaminas e elementos-traço podem ajudar a
balancear os níveis de oxidantes e antioxidantes no paciente crítico.
Doses de selênio, zinco, vitaminas, C, E betacaroteno podem ser utilizados.
O efeito benéfico do estresse oxidativo em situações de infecção, o mesmo passa a
ser prejudicial quando a inflamação torna-se sistêmica.
Equilíbrio:
O sistema imunológico dos seres humanos é excelente, envolvendo métodos de
prevenção (executado por proteínas extracelulares), de reparo por meio de enzimas,
como a superóxido desmutase, catalase e glutationa peroxidase (ENDÓGENA).
O sistema não enzimático (EXÓGENO) inclui compostos sintetizados pelo organismo
como bilirrubina, hormônios sexuais, melatonina, coenzima Q, ácido úrico; e outros,
ingeridos por meio da dieta regular ou via suplementação como agentes antioxidantes,
como as vitaminas C e E os carotenoides.

Selênio

O selênio dietético ocorre em alimentos ricos em


proteína, como carne, peixe, frutas secas e sementes.
Trata-se de um elemento essencial para a resposta imune
mais adequada e que influencia tanto o sistema imune
inato quanto o adquirido, desempenhando papel
fundamental no equilíbrio de oxidação-redução inclusive
na proteção do DNA.

O selênio é também importante cofator de um grupo


de enzimas que contribuem para proteger as células de
dano oxidativo. Como os fagócitos geram grandes
quantidades de espécies de oxigênio reativo, o selênio
pode ser um fator na proteção dos fagócitos contra o
excesso desses oxidantes. Porem, a avaliação dos efeitos
diretos do selênio é difícil por causa das interações entre o
selênio e outro antioxidante, a vitamina E.

Foi feito um estudo com homens saudáveis, com ingestão baixa de selênio, que
receberam selênio suplementar durante várias semanas. Essa suplementação de
selênio (50 e 100 μg/dia) melhorou a resposta imune celular.
Vitamina C

Os mecanismos pelos quais a vitamina C afeta o sistema imune não estão bem
esclarecidos. Devido à̀ sua atividade antioxidante, pode ser que ela proteja as células
imunes do dano oxidativo e que alguns órgãos apresentem concentração de vitamina C
muito mais elevada do que a do sangue.
Um desses órgãos é o timo, que desempenha papel crucial na imunidade mediada
pelas ações dos linfócitos T.
A vitamina C também é encontrada em elevada concentração nas células imunes,
mas essa concentração cai rapidamente durante as infecções.
Ela modula as funções dos fagócitos, a proliferação de linfócitos T, a produção de
citocinas e a expressão gênica das moléculas de adesão dos monócitos.
Os efeitos da vitamina C no resfriado e eles mostram que quem consome
regularmente 200 mg/dia ou mais de vitamina C costuma sofrer um pouco menos com
resfriados (cerca de 10%) do que quem não consome. A suplementação com vitamina
C, porém, não afeta a incidência de resfriados na população normal; a redução na
incidência de resfriados pela suplementação com vitamina C é observada apenas nas
pessoas que praticam atividades físicas muito extenuantes (maratonistas, por exemplo)
ou expostas a ambientes subárticos.
Doses: 100mg 3x ao dia.
Ácido Fólico

Essa vitamina é essencial para a formação dos


leucócitos (glóbulos brancos) na medula óssea.
Segundo a literatura científica, existe uma relação
entre a deficiência de AF, a Hhcy (HOMOCISTEÍNA) e o EO
(ESTRESSE OXIDATIVO).
Embora as ERO estejam associadas com efeitos
negativos à saúde, elas são necessárias para a ocorrência
de várias reações do organismo, tais como apoptose,
fagocitose e reações de detoxificação.

O sistema antioxidante remove apenas o excesso de ERO, mantendo as


concentrações necessárias para as reações citadas anteriormente.
O equilíbrio entre os antioxidantes e as ERO é importante para o adequado
funcionamento celular e o excesso pode inibir a apoptose e prejudicar a ação de
fármacos empregados no tratamento do câncer, agindo na indução da apoptose.
As alterações no sistema imunológico têm sido associadas com o
desenvolvimento, progressão e reincidência de cânceres. As células natural killer são
capazes de se ligar e destruir células infectadas por vírus e células tumorais. A deficiência
grave do AF está associada com o declínio da atividade dessas células.
Doses de 1000 mcg (ANVISA, UL).

Carotenoides e Flavonoides

Além dos nutrientes essenciais, alguns constituintes não nutritivos, como os


fitoquímicos, têm forte impacto sobre a saúde humana.
Substâncias que se acumulam no tecido conjuntivo.

Carotenoides:

Existem estudos demonstrando que a suplementação de β-caroteno pode ser


benéfica para quem está com o sistema imune comprometido.
A quantidade adequada para ingestão e as diferenças no potencial imunomodulador
dos vários carotenoides também não são ainda conhecidos.
Dose: 20 mg por 2 +1/2 meses.
Flavonoides:

São responsáveis pelas cores vermelha e azul de todos esses alimentos e também
pelo sabor característico de alguns vegetais.
A maioria dos estudos in vitro sugere que os flavonoides provocam efeitos
imunossupressores.
As antocianinas possuem atividade anti-inflamatória em doses dietéticas
relevantes (equivalentes à ingestão de 100 g de mirtilo).

Alimentos Funcionais e a redução da Inflamação


Planos alimentares e Suplementos com foco na melhora imunológica

 DISBIOSE

 ALERGIAS

 INTOLERANCIAS ALIMENTARES

 DOENÇAS AUTOIMUNES

 OBESIDADE

Como tratar a disbiose?

 Remover;
 Reinocular;

 Recolocar;
 Reparar.
Base da Dietoterapia Funcional:

 Remover: patógenos, xenobióticos e alérgenos alimentares (6).


 Reinocular: probióticos e prebióticos
 Recolocar: chás digestivos (alecrim e hortelã)
 Reparar: dieta não inflamatória e crescimento e reparo da mucosa + Ômega 3.
Tempo: mínimo de 15 dias a 21 dias por cada fase.
Suplementos:
FASE 1) PERMEABILIDADDE INTESTINAL (Retirada dos 6 alergênicos)

 Glutamina – 5g

 Psyllium – 3g

 Consumir nos 10 primeiros dias

 10 doses – sachês

FASE 2) REPOSIÇÃO DA FLORA

 Lactobacillus rhamnosus________ 1 bilhão

 Lactobacillus bulgaricus_________1 bilhão

 Lactobacillus bifidum___________1 bilhão

 Lactobacillus acidophilus________ 1 bilhão

 FOS – 5g (Fibregun)

 Sachês qsp- 20 doses.

POSOLOGIA: ingerir 1 dose ao dia à noite após o termino da fase 1

 1 bilhão = 109 = 100mg.

Alergia em crianças
Se não for possível a amamentação exclusiva utilizar:

As fórmulas extensamente hidrolisadas de caseína são


as mais eficazes, com melhores chances de sucesso, e
deverão ser as selecionadas.
Os estudos sugeriram que o papel preventivo do
aleitamento materno, quanto ao desenvolvimento de
eczema atópico; pode ser reforçado pela retirada de
alimentos, como o leite, amendoim, ovo e peixe, da dieta
da mãe durante a amamentação.
A gravidez poderá́ decorrer sem restrições dietéticas,
embora se aconselhe EVITAR o amendoim e os frutos
secos.
Concluiu-se que a fórmula à base de soja não deve ser recomendada para a
prevenção de alergia ou intolerância alimentar em lactentes de alto risco.

Alergias:

 Evitar alimentos sólidos é recomendado até aos 6 meses.


 Evitar a proteína específica de ovo e do peixe ate pelo menos até aos 12 meses.
 Os frutos secos, amendoim, frutos tropicais e mariscos devem ser evitados até aos 3
anos.
 Se a criança lactante apresentar eczema atópico, a mãe poderá́ ter que retirar da sua
dieta, durante o aleitamento, alimentos como leite, ovo, amendoim, peixe e frutos
secos.

Hereditariedade e fatores ambientais são os maiores predisponentes da alergia.

Como evitar?

1) Aleitamento materno exclusivo ate 6 meses;


2) Parto natural (lactobacilus);
3) Tratar a Disbiose (evitar antibióticos);
4) Não dar alimentos sólidos antes dos 6 meses.

Alergia Alimentar em Adultos

Tratamento nutricional

A base do tratamento da AA disponível até o


momento, é a dieta de EXCLUSÃO do produto e
derivados.
Aproximadamente 50% a 75% alcançam e toleram
a dose de manutenção apos o processo de
imunotolerização.
IMUNOTOLERIZAÇÃO: 1ml em 100ml de água por
5 dias. Depois 5ml em 100ml de água por 5 dias e
ingerir o produto normalmente.
Tolerização oral

A dieta Perricone

As décadas de prática clínica e pesquisas do Dr. Perricone têm demonstrado que a


inflamação celular é responsável pelo envelhecimento e pelas doenças relacionadas ao
envelhecimento.
Essa inflamação é resultado da ação dos radicais livres, que criam uma reação
maléfica em cadeia.

A ação dos radicais livres pode ser causada por:

 Dieta pro-inflamatória (rica em carboidratos de alto índice glicêmico, ω6);

 Fatores ambientais (poluição);


 Sistema imunológico debilitado;
 Excesso de exposição aos raios ultravioleta;

 Alterações hormonais;
 Estresse.
Alimentos proibidos

 Café (↑ cortisol);

 Chá Preto (desidrata);


 Açúcar (glicação);
 Amido de Milho (glicação);

 Arroz branco (glicação);


 Batata (glicação);
 Queijos macios (ω6);

 Margarina (Trans);
 Farinha de trigo refinada e todos os alimentos que a contém (glicação);
 Doces (glicação);
 Sorvete (glicação e ω6 );
 Mel (glicação);

 Melado (glicação);
 Geleias (glicação);
 Frituras (ω6);

 Fast-food (ω6);
 Embutidos (ω6);
 Álcool (aldeídos, tóxico e desidrata);

 Sal.
Dieta Anti-inflamatória, Dalmacio 2016.

 Baixo índice glicêmico;

 Sem frituras ou gorduras acima da recomendação OMS;


 Sem cafeína ou estimulantes;
 Probióticos;

 Vitaminas A, C, E D. Suplementadas;
 Minerais Selênio (castanha Pará 1 ao dia), Magnésio (suco Verde) e Zinco
(suplementar);

 Cápsulas de Ômega 3 (1 a 4g/dia) por 3º dias;


 Modo de preparo (muitas ervas e condimentos) sem gorduras adicionadas ou
grelhadas sem líquidos ou cebola;

 Atividade física 5x semana.


Estudo de Caso

 C.M;

 SEXO F;
 40 ANOS;
 DESIDROSE;

 PSORÍASE.

DIA 1

 CHO BAIXO IG;


 ω-3 - 4
CÁPSULAS/DIA;
 SUCO VERDE 3X
DIA;
 ERVAS;
 PROBIÓTICOS;
SEM CAFÉ.

5 DIAS DE DIETA

7 DIAS DE DIETA
Prescrição par Crohn

Nas áreas inflamadas da mucosa intestinal, a concentração de vitamina C cai e o


dano oxidativo dos lipídeos aumenta.
Em estudo feito com portadores da doença de Crohn, a suplementação com uma
combinação de vitamina C, vitamina E, óleo de peixe e β-caroteno reduziu a produção
de proteínas inflamatórias por monócitos do sangue.
O PUFA n-3 de óleo de peixe talvez tenha sido o componente mais eficaz da
combinação aplicada.
ATENÇÃO: Zero de fibras e nunca usar probióticos.
Asma

 A ingestão de grupos específicos de alimentos modula o risco da asma.

 A ingestão de peixe, principalmente óleo de peixe contendo PUFA n-3, pode ter
efeito protetor contra a asma.

 Dieta anti-inflamatória (Dalmacio, 2016).


Infecções respiratórias

Diversos micronutrientes estão associados a infecções


respiratórias, conforme já́ discutido: Vitaminas A, C, D e E,
selênio e zinco.
A vitamina A restaura a integridade da mucosa no trato
pulmonar e a vitamina D promove a produção do
antibiótico endógeno por dois mecanismos que protegem
o organismo da colonização e proliferação de patógenos.

Vitamina C: suplementar na dose de 200 a 500mg/dia.

Vitamina E: 100 mg/dia.

ATENÇÃO: O zinco, mais do dobro das RDA (12 a 15 mg/dia) pode comprometer a
resposta imune.

Obesidade

 Os ácidos graxos insaturados, especialmente o ω-3,


bem como os micronutrientes com capacidade
antioxidante e o controle na qualidade dos
carboidratos e fibras;

 Podem ter um importante papel na prevenção e no


tratamento da obesidade e a inflamação quando
incluídos em um padrão alimentar saudável.

 Dieta anti-inflamatória (Dalmacio, 2016).

Atividade Física

A prática regular do exercício provoca alterações, tanto da imunidade inata como na


adaptativa.
Estudos epidemiológicos sugerem que indivíduos que se exercitam têm menor
incidência de infecções bacterianas e virais e também menor incidência de neoplasias.
O exercício de média intensidade está associado à diminuição de episódios de
infecção, possivelmente decorrente da melhoria de funções de neutrófilo, macrófago e
células NK.
Porém, o exercício, quando praticado além de determinado limite, se associa a
aumento da incidência de doenças infecciosas, notadamente das vias aéreas superiores.
Outro ponto importante é o SONO regular e suficiente, associado à alimentação
adequada.
ANVISA 2007

Vitaminas Unidades Quantidade máxima admissível em dose diária


Vitamina A µg RE 2000
Vitamina D µg 10
Vitamina E mg α-TE 100
Vitamina K Não determinado
Vitamina B1 (tiamina) mg 10
Vitamina B2 (riboflavina) mg 10
Niacina ácido nicotínico mg 35
nicotinamida mg 500
Ácido pantoténico mg 40
Vitamina B6 (piridoxina) mg 10
Ácido fólico µg 1000
Vitamina B12 (cianocobalamina) µg 50
Biotina µg 500
Vitamina C mg 1200

Minerais Unidades Quantidade máxima admissível em dose diária


Cálcio mg 2000
Magnésio mg 400
Ferro mg 20
Cobre µg 3000
Iodo µg 200
Zinco mg 25
Manganês mg 5
Sódio Não determinado
Potássio mg 1000
Selénio µg 200
Crómio µg 200
Molibdénio µg 100
Flúor mg 1
Cloreto Não determinado
Fósforo Não determinado

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