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Argula Von

Argula de Stauff Grumbach foi uma das primeiras mulheres reformadoras protestantes no século 16. Ela desafiou publicamente a proibição de ler os escritos de Lutero na Baviera através de cartas bem argumentadas baseadas na Bíblia. Como resultado, seu marido perdeu seu cargo político, mas ela continuou sua luta pela reforma com coragem e fé. Ela manteve correspondência com Lutero, que a respeitava por seu trabalho.

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Argula de Stauff Grumbach foi uma das primeiras mulheres reformadoras protestantes no século 16. Ela desafiou publicamente a proibição de ler os escritos de Lutero na Baviera através de cartas bem argumentadas baseadas na Bíblia. Como resultado, seu marido perdeu seu cargo político, mas ela continuou sua luta pela reforma com coragem e fé. Ela manteve correspondência com Lutero, que a respeitava por seu trabalho.

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Algumas mulheres também tiveram um papel fundamental para que o movimento da reforma se
expandisse. Porém, como muitas vezes ainda acontece, a história dessas mulheres ficou no
esquecimento.
Queremos conhecer a vida de Argula de Stauff Grumbach. Argula nasceu no ano de 1492. Quando
ainda era menina, seus pais a levaram à casa do regente da Baviera, Alberto IV, para receber
formação nobre com as três filhas do regente. Desde pequena, seu pai quis lhe dar uma boa
educação. Quando tinha 10 anos recebeu um grande presente de seu pai, muito caro e raro: uma
Bíblia. Na época, poucas mulheres tinham o privilégio de saber ler e escrever. Já Argula, desde cedo,
teve um pai que a incentivou a ler e a pensar de forma independente.
Quando Argula tinha 17 anos, seus pais vieram a falecer. Alguns anos depois, ela conheceu
Frederico von Grumbach com quem se casou aos 23 anos. Ele era regente de uma região da Baviera.
Hoje seria algo como prefeito ou governador.
Argula era uma mulher muito corajosa. Quando ficou sabendo do silêncio que estava sendo imposto
a professores simpatizantes das ideias de Lutero, ela não se conteve. Começou a escrever cartas,
fazendo uso de seus sólidos conhecimentos bíblicos. Ela também escreveu ao governador da
Baviera, queixando-se da proibição de se ler qualquer texto de Lutero. Em suas cartas, desafiou os
professores da Universidade a argumentarem teologicamente com ela, na presença de autoridades
políticas. Como na época as mulheres não podiam expressar-se livremente, ela baseou-se em Joel
2.28, onde o profeta diz que Deus derramará o seu Espírito sobre todas as pessoas, os filhos e as
filhas anunciarão a sua mensagem.
Assim como muitas vezes acontece ainda hoje, Argula não recebeu nenhuma resposta escrita, mas
sofreu fortes represálias. Seu esposo, Frederico, perdeu o cargo de regente. O argumento foi que se
não conseguia colocar ordem na própria casa e reprimir a mulher, não era capaz de governar uma
região. O extraordinário foi que o seu esposo não se revoltou contra ela, antes a apoiou.
Em toda a sua vida, Argula sustentava-se nas Sagradas Escrituras. Um dos textos que ela usava
muito era Atos 5.29, onde o apóstolo Pedro diz que importa obedecer mais a Deus do que aos
homens. Para um parente seu escreveu: “Me chamam de luterana. Mas não sou, fui batizada em
nome de Cristo, este reconheço e não Lutero. Mas também reconheço que Lutero é fiel a Cristo. Os
homens da Igreja de Würzburg confiscaram as terras de meu marido. Deus proverá para minhas
quatro crianças, elas comerão com os passarinhos do céu, se vestirão com as flores dos campos.”
Argula ficou viúva aos 38 anos e lutou para dar boa formação às quatro crianças. Casou-se mais uma
vez com um luterano de nome Schlik. Durante a sua vida foi presa algumas vezes por posicionar-se
contra a Igreja de Roma.
A partir de pesquisas históricas, Argula é reconhecida como a primeira escritora protestante. As suas
cartas foram publicadas em forma de panfletos e foram reeditadas várias vezes, sendo lidas por cerca
de 30.000 pessoas.
Argula também manteve correspondência com Martim Lutero. Ele a considerava a reformadora da
Baviera e a chamava de “discípula de Cristo” e “um instrumento especial de Cristo”. Tanto a
respeitava que em 1524, escreveu para alguns conhecidos pedindo que orassem por Argula: “Ela
merece que nós todos oremos por ela e pela batalha que está travando em nome do Evangelho.”
Concluímos que Argula trouxe uma grande contribuição para o Movimento da Reforma e tem muito
a nos ensinar com a sua coragem, determinação, fé e testemunho. Uma mulher ousada, que nos
inspira, como mulheres, a continuar lutando pelo nosso direito de participação no sacerdócio geral,
no ministério ordenado e em todos os outros âmbitos. 

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