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Ebook - Oftalmologia

Este documento fornece informações sobre a anatomia ocular básica e sobre o exame oftalmológico básico que todo médico deve saber, incluindo a avaliação da acuidade visual e da integridade do olho e anexos.

Enviado por

Pedro
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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mediatria

Este produto é destinado exclusivamente a profissionais da área da saúde. O exercício de atividades regidas pelos conselhos profissionais de saúde sem a
devida habilitação constitui uma atividade ilegal"

BRUNO FREITAS LAGE FILIPE FERREIRA LEMOS


Medicina UFMG Medicina UFMG

mediatria
ÍNDICE
1 - Introdução ....................................................3 6 - Córnea............................................................36

2 - Anatomia ocular básica...............................4 7 - Olho vermelho .............................................37

3 - Exame oftalmológico básico ....................10 8 - Glaucoma ......................................................47

4 - Trauma ocular .............................................17 9 - Catarata .........................................................51

5 - Conjuntivites ................................................26 10 - Retina ..........................................................53

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3

Introdução
Este material foi produzido para trazer ao estudante
de medicina e médicos já formados o conhecimento
básico de Oftalmologia que todo médico deveria
saber.

Cientes da preparação deficitária dada nesta área aos


médicos em formação, criamos um material sucinto,
objetivo e didático para preparar adequadamente o
médico generalista para conduzir todos os casos
relacionados a doenças oculares.

Para garantir qualidade didática e entrega do


conteúdo realmente relevante ao generalista,
omitiremos alguns detalhes histopatológicos e
doenças muito específicas da especialidade.

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4

Anatomia ocular
básica
Canal hialóideo
(artéria hialóidea primitiva) Músculo extra-ocular
Esclera

Corpo vítreo (cavidade vítrea)

Retina
Ligamento
suspensor
do cristalino
Mácula ou zônula
(a depressão central
da mácula se chama fóvea)

Íris

Vasos centrais da retina Córnea

Nervo
óptico
Pupila

Câmara anterior (humor


aquoso)
Coroide
Cristalino

Ângulo da câmara anterior

Corpo ciliar

Ora serrata (periferia da retina)

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5

Anatomia ocular
básica
O olho é como uma esfera cheia de líquido. É
composto por um envelope e seu interior tem um
conteúdo que determina uma pressão interna.

O envelope é o envelope esclerocorneano (córnea e


esclera) e o conteúdo intra-ocular é composto
majoritariamente por um GEL (chamado de corpo
vítreo e que preenche a cavidade vítrea) e o humor
aquoso (que é líquido e preenche a câmara anterior
do olho).

O principal mecanismo que controla a pressão


interna é a produção e drenagem do humor aquoso.
O humor aquoso é produzido no corpo ciliar,
atravessa a pupila, é drenado no ângulo da câmara
anterior e daí para o meio extra-ocular.

Essa pressão interna é chamada de pressão intra-


ocular (PIO) e seus valores são considerados
normais entre 8 e 18 mmHg.

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6

Anatomia ocular
básica
Pode parecer óbvio, mas é importante
mencionar: para haver visão normal, é
necessário haver transparência dos meios ao
longo de todo o eixo visual.

Desta maneira, opacidades na córnea (cicatrizes), no


cristalino (catarata) ou no corpo vítreo (hemorragia
vítrea), por exemplo, causarão baixa acuidade visual.

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7

Anatomia ocular
básica
O olho possui 6 (apenas seis!) músculos extra-
oculares e que controlam a chamada motilidade
ocular extrínseca: reto medial, reto lateral, reto
inferior, reto superior, oblíquo inferior e oblíquo
superior. Ou seja, são 4 retos e 2 oblíquos.

DECORE: todos são inervados pelo nervo oculomotor


(III nervo craniano), exceto o reto lateral, inervado
pelo nervo abducente (VI nervo craniano), e o
músculo oblíquo superior, inervado pelo nervo
troclear (IV nervo craniano).

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8

Anatomia ocular
básica
Note na figura abaixo: o músculo oblíquo superior
atravessa uma estrutura chamada tróclea, por isso o
nervo que o inerva é chamado de nervo troclear.
Esse fato também afetará sua função: como o
oblíquo superior se insere de anterior para posterior
e atrás do meridiano do olho, ele terá uma função de
abaixar o olho, além de causar intorção.
Tróclea: estrutura
fibrosa que serve de
roldana para o
músculo oblíquo
superior

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9

Anatomia ocular
básica
Como um detalhe adicional: o nervo oculomotor,
além de inervar todos os músculos extra-oculares
(exceto o m. reto lateral e o m. oblíquo superior)
inerva também o m. levantador da pálpebra superior,
o músculo ciliar e o esfíncter da pupila.

Lesões deste nervo poderão causar, portanto, ptose


palpebral e midríase ipsilateral.

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10

Exame
oftalmológico básico
No exame oftalmológico, temos que ter os seguintes
objetivos:
Avaliar a visão (acuidade visual);·
Avaliar a integridade do olho e anexos (física e
funcional);·
Pensar nos diagnósticos diferenciais.

Para testar a acuidade visual, o oftalmologista faz


no consultório o teste da acuidade visual que
consiste em verificar se o paciente consegue ler letras
pequenas a uma determinada distância. O teste é
monocular, ou seja, feito em um olho de cada vez (o
paciente pode ocluir um dos olhos enquanto
testamos a visão do outro olho).

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11

Exame
oftalmológico básico
Basicamente, o que precisamos saber
neste teste é se o paciente está
enxergando o que enxergava antes com
este olho. O clínico, por exemplo, pode
apenas perguntar se o paciente consegue
contar quantos dedos ele está vendo ou se
percebe a mão passando no campo de
visão do olho examinado.

Claro que, para ser mais fidedigno, o


oftalmologista geralmente pede para o
paciente ler um cartão de letras
progressivamente menores a uma
distância de 6 metros (20 pés) e anota a
menor linha de letras que o paciente foi
capaz de ler. Esta é a acuidade visual deste
olho.

Se o oftalmologista disser que a visão é


20/20 significa dizer que o paciente viu a
20 pés o que uma pessoa normal veria a
20 pés, ou seja, visão normal.

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12

Exame
oftalmológico básico
Se o paciente apresentar uma visão de
20/100 no olho examinado, significa que
este olho enxerga a 20 pés (distância do
exame) o que uma pessoa normal
enxergaria a 100 pés, ou seja, a uma
distância maior. Significa que a visão deste
olho está ruim.

É importante ressaltar que o teste de


acuidade visual ideal seja feito com a
melhor correção visual possível. O
paciente deve, portanto, testar a sua visão
com os óculos atualizados ou o exame de
refração correto.

Sabemos que o olho humano não é


sempre um sistema óptico perfeito e que
muitas pessoas usam óculos. Graus de
óculos (erros de refração), em geral, não
denotam doença, de maneira que, para o
clínico, basta testar a acuidade visual com
a melhor correção possível.

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13

Exame
oftalmológico básico
Para avaliar a integridade do olho e anexos o clínico
deve pesquisar se há:
Anormalidades palpebrais como ptose palpebral,
retração palpebral (como nos casos de proptose
ou exoftalmia), lacerações palpebrais, ectrópio ou
entrópio;
Paralelismo ocular, ou seja, se os olhos estão
alinhados ou se há algum estrabismo;
Olho vermelho e qual o aspecto da vermelhidão
(mais detalhes no capítulo 6 sobre "Olho
Vermelho");

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Exame
oftalmológico básico
Lacrimejamento: pode ser ativo (excesso de
produção de lágrimas como numa conjuntivite) ou
passivo (falha na drenagem da lágrima como nas
obstruções da via lacrimal);
Pressão ocular: o oftalmologista mede a pressão
dos olhos com o uso do tonômetro. O clínico
pode mensurar pela palpação. Fazemos a
chamada tonometria bidigital, apertando o olho
com os dois dedos indicadores do examinador e
comparando com o olho normal. Olho duro
sugere hipertensão ocular e olho mole sugere
hipotensão ocular.

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15

Exame
oftalmológico básico
Anormalidades pupilares podem ocorrer em casos
de déficits neurológicos, traumas mecânicos,
uveítes (sinéquias - adesões entre a íris e o
cristalino);

Hérnia de íris em ferida


penetrante: observe pupila
irregular.

Opacidades grosseiras da córnea ou cristalino.

Úlcera de córnea (ceratite


bacteriana).

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Exame
oftalmológico básico

Para o adequado diagnóstico oftalmológico, o


oftalmologista dispõe de equipamentos
especializados, em especial a lâmpada de fenda e o
oftalmoscópio. Com a lâmpada de fenda, o
oftalmologista consegue ver detalhes em
magnificação, como um microscópio, observando até
mesmo células. A lâmpada de fenda, assim como o
oftalmoscópio, servem para o exame do interior do
olho e exame do fundo do olho.

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Trauma ocular
O trauma na região dos olhos pode comprometer o
olho, pálpebras e a órbita.

TRAUMAS OCULARES

Os traumas oculares são basicamente divididos em:

a) Trauma ocular fechado: trauma sem lesão de


espessura total na parede ocular;
b) Trauma ocular aberto: trauma com lesão de
espessura total da parede ocular.

Existem algumas outras modalidades de trauma que


recebem nomes específicos:
ruptura ocular: é um trauma ocular aberto
decorrente de lesão contusa. Uma bolada no olho,
por exemplo, produzindo uma explosão ocular por
aumento importante da pressão intra-ocular.
laceração: é uma ferida na parede ocular e pode
ser de espessura total ou parcial;
um corpo estranho pode se alojar na superfície
do olho ou permanecer retido no interior do olho.

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18

Trauma ocular
O principal sinal de trauma ocular aberto é a
HIPOTENSÃO OCULAR !!! Ou seja, o olho furado
pode ficar murcho, como um bola de futebol furada.

Normalmente, o olho fica hipotenso, mas raramente


com pressão zero devido ao tamponamento da ferida
penetrante pelas estruturas internas: íris, corpo vítreo
ou até mesmo coróide e retina que podem se insinuar
e tamponar a ferida.

Traumas oculares abertos, seja por mecanismo


cortante ou contuso, devem ser imediatamente
encaminhados ao oftalmologista para adequado
fechamento da ferida.

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Trauma ocular
Traumas oculares fechados, ou seja, sem ferida de
espessura total da parede, podem levar a diversas
alterações oculares:

abrasões corneanas superficiais;


abrasões ou lacerações conjuntivais;
uveíte traumática;
descolamentos de retina e coroide;
hemorragia vítrea;
entre outras.

Todas essas alterações oculares, sejam elas decorrentes


de trauma aberto ou fechado, poderão levar o paciente
a manifestar dor ocular (inflamação ou lesões
superficiais), baixa visão, anisocoria, entre outros.

Dessa maneira, recomendamos que todo trauma


ocular seja referenciado a um oftalmologista. A
urgência dependerá da magnutude e gravidade do
trauma. Geralmente, traumas que necessitem de
cirurgia ocular terão melhor prognóstico quanto mais
precoce ocorrer a cirurgia.

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Trauma ocular
Alguns traumatismos superficiais do olho podem ser
adequadamente tratados num primeiro momento
por um clínico. Os principais traumatismos superficiais
do olho nos quais o clínico pode ter importante
contribuição são:
1. Trauma contuso com dedo no olho ("dedada" no
olho): geralmente não chega a perfurar o olho, mas
pode trazer muita dor se causar abrasão ou
desepitelização da córnea. Como tratamento
recomendamos: pingar uma gota de colírio
anestésico na consulta (não prescrever!), ocluir o
olho e encaminhar a um oftalmologista. Se houver
desepitelização coreana, o anestésico causará alívio
imediato da dor e o paciente irá com mais conforto
ao especialista.
2. Queimadura por solda: causa grande
desepitelização corneana geralmente bilateral.
Pingar 1 gota de colírio anestésico em cada olho
(não prescrever!) e encaminhar a um oftalmologista.
O anestésico causará alívio imediato da dor e o
paciente irá com mais conforto ao especialista.

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Trauma ocular
3. Corpo estranho superficial (na conjuntiva bulbar
ou tarsal): o clínico deve inspecionar a conjuntiva em
busca de corpos estranhos. Se identificar o corpo
estranho na conjuntiva poderá ser facilmente
retirado com um "cotonete".

Caso observe um corpo estranho na córnea não


tente retirar: frequentemente quando não retirados
na lâmpada de fenda ficam resíduos que podem
levar a cicatrizes permanentes na córnea. Alguns
corpos estranhos ficam retidos na conjuntiva da
pálpebra tarsal superior (escondidos na parte
interna da pálpebra superior) e causam abrasões
coreanas a cada piscada.

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Trauma ocular

Para retirar corpos estranhos da conjuntiva tarsal


devemos everter a pálpebra superior:

corpo
estranho

Cotonete

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Trauma ocular
4. Queimaduras químicas: toda substância química
estranha, ácida ou básica, pode causar queimaduras
oculares potencialmente graves e que podem levar até
mesmo a cegueira. O princípio básico que norteia o
tratamento é irrigar o olho com soro fisiológico ou
ringer lactato abundantemente até que o pH
conjuntival fique neutro (o que pode ser medido
facilmente com uma fita de pH colocada no saco
conjuntival, parte interna da pálpebra). O clínico deve
pingar 1 gota de colírio anestésico em cada olho e irrigar
abundantemente. Caso não tenha fita de pH, irrigar com
cerca de 1L de soro fisiológico ou por 30 minutos.

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Trauma ocular
TRAUMAS PALPEBRAIS

Lacerações palpebrais superficiais e que não


envolvem a margem palpebral, podem ser reparadas
com fechamento primário, até mesmo pelo clínico ou
cirurgião.

Lacerações que envolvem a margem palpebral ou que


acometam os canalículos lacrimais, devem ser
reparadas pelo especialista devido ao risco de lesões
oculares ou lesões permanentes da via lacrimal que
resultarão em lacrimejamento crônico.

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Trauma ocular
TRAUMAS DA ÓRBITA

Lesões orbitárias podem causar edema e equimoses


palpebrais, limitação da motilidade ocular extrínseca,
enoftalmia ou exoftalmia e ptose palpebral. Exames
de imagem, especialmente tomografia
computadorizada de órbitas, são essenciais para boa
condução dos casos. Todos esses casos merecem
encaminhamento ao especialista pois pode haver
aprisionamento de músculos extra-oculares ou lesões
do nervo óptico.

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Conjuntivites
A conjuntiva é uma membrana transparente que
recobre o bulbo ocular externamente e as pálpebras
internamente. Perceba que ela delimita um espaço
chamado saco conjuntival cuja única abertura é a
fenda palpebral. Isso significa dizer que a partir da
abertura do olho (chamada de fenda palpebral) o olho
estaria todo coberto pela conjuntiva. A conjuntiva só
não recobre a córnea porque se funde a ela na sua
borda (no limbo esclerocorneano). Dessa forma,
nenhum corpo estranho ou mesmo lentes de contato
poderiam ir para trás do olho se não perfurassem a
conjuntiva: ficam alojados no fundo de saco
conjuntival, local onde a conjuntiva se rebate saindo
do bulbo ocular (conjuntiva bulbar) para se tornar
conjuntiva palpebral.

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Conjuntivites
Conjuntivite é a inflamação da conjuntiva e que tem
diversas causas: químicas, traumáticas, infecciosas,
alérgicas, autoimunes...

Em geral, conjuntivites causam o que chamamos de


sintomas de superfície: ardência ou queimação,
sensação de corpo estranho, lacrimejamento ou
secreção e prurido. Sintomas mais profundos, como
dor, sugerem gravidade no contexto de conjuntivite.

Vejamos os achados clínicos gerais e os mais


específicos:
.
Achados... Secreção...
Lacrimejamento Aquosa Viral / Alérgica aguda
Sensação de areia nos olhos
Pontada / Queimação Mucoide Alérgica crônica / Olho seco
Hiperemia conjuntival
Mucopurulenta Bacteriana / Clamídia
Prurido Doença alérgica / blefarite / olho seco
Moderadamente purulenta Bacteriana
Dor
Fotofobia Envonvimento corneano Purulenta grave Gonocócica

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Conjuntivites

Vemos que o clínico precisa dominar apenas 2 tipos


de conjuntivites: ALÉRGICA e INFECCIOSA. Agora veja
como é fácil:

A MARCA DA DOENÇA ALÉRGICA É O PRURIDO.

A MARCA DA DOENÇA INFECCIOSA É A SECREÇÃO.

Dessa maneira, na conjuntivite alérgica o que


predomina é o prurido, não havendo muita secreção.
A conjuntivite alérgica ocorre com bilateralidade
simultânea e e sem período de incubação entre os
olhos. Embora conjuntivites infecciosas sejam
geralmente bilaterais, geralmente os sintomas nos
dois olhos não são simultâneos: a infecção começa
em um olho e após alguns dias vai para o outro.
.

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Conjuntivites

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Conjuntivites
DETALHES ESPECÍFICOS
Conjuntivite alérgica
Existem várias formas clínicas de alergia ocular. A
conjuntivite alérgica tende a ser mais grave em
crianças, surgindo normalmente depois dos 4 anos de
idade (média de 7 anos de idade). Nesta faixa etária, o
tratamento deve ser agressivo e feito por especialista.
O prurido ocular excessivo e recorrente pode levar a
sérias alterações oculares, especialmente ceratocone
(uma forma de deformidade da córnea e que leva a
baixa visão). O tratamento baseia-se em medidas
ambientais para alérgicos (afastar alérgenos), colírios
lubrificantes, anti-histamínicos tópicos e sistêmicos,
corticoides tópicos e, nos casos mais graves,
imunomoduladores.

Ceratoconjuntivite vernal,
uma forma de conjuntivite
alérgica em crianças.
Observe os nódulos
límbicos - nódulos de
Horner-Trantas

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Conjuntivites
DETALHES ESPECÍFICOS
Conjuntivite infecciosa
Doença contagiosa, tipicamente há história de
contactantes com conjuntivite e acometimento
sequencial de um olho depois do outro.

Como já mencionado, é marcada pela secreção. Nas


infecções virais, a secreção tende a ser aquosa (uma
espécie de lacrimejamento pegajoso), ao passo que as
bacterianas tendem a apresentar alguma purulência.
Como as conjuntivites tendem a ser benignas, não
fazemos cultura de material conjuntival de rotina e o
diagnóstico etiológico acaba sendo presumido.

Embora geralmente benignas, as conjuntivites podem


complicar com formação de membranas, diversas
formas de ceratite e até mesmo perfuração ocular.

Importante ressaltar que diversos vírus podem causar


conjuntivite: herpesvírus, vírus do molusco contagioso,
adenovírus, etc. Somente em relação adenovírus, mais
de 40 sorotipos podem estar associados.

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Conjuntivites

Dentre as conjuntivites bacterianas, devemos diferenciar


3 tipos de conjuntivites: não-gonocócica, gonocócica e
conjuntivite por clamídia.

A conjuntivite não-gonocócica é causada principalmente


por S. pneumoniae, S. aureus, H. influenzae e Moraxella
catarrhalis. Responde bem a antimicrobianos tópicos de
amplo espectro.

A conjuntivite gonocócica é causada pelo Gonococo e


tem um potencial de gravidade maior, exigindo muitas
vezes tratamento sistêmico hospitalar. Manifesta-se de
maneira hiperaguda, com grave purulência logo nas
primeiras 24h e o diagnóstico etiológico com Gram,
cultura e antibiograma é fundamental.

A conjuntivite por clamídia pode se tornar crônica e


pode ser sexualmente transmitida. Seu tratamento deve
envolver também o parceiro sexual.

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Conjuntivites
ABORDAGEM DAS CONJUNTIVITES PELO
CLÍNICO
Conjuntivite alérgica
Diante de um paciente com prurido ocular e
conjuntivite alérgica aguda, ou seja, uma CRISE
alérgica, recomendamos tratamento sintomático com
anti-histamínicos tópicos e/ou orais, associados ou
não a corticoides tópicos. Casos crônicos ou em
crianças, encaminhar ao oftalmologista.

Receita m
édica
USO OCU
LAR
1) Patano
l S ou
Lastacaft
ou cromo
Pingar 01 lerg 2% --
gota em c ----colírio-
ada olho 1 -----------1
x/dia por fr
7 dias.
2) Flutinol
-------------
Pingar 01 ---- colírio
gota em c -------------
ada olho d ----------- 1
e 6/6h po fr
r 7 dias.
OBS: afas
tar-se do
animais s alérgen
doméstico os poten
s, ciais, com
cortinado m o fo , o
s, carpete poeira,
s, coberto pólen,
res felpud
os, etc.

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Conjuntivites
ABORDAGEM DAS CONJUNTIVITES PELO
CLÍNICO

Conjuntivite infecciosa
Sempre prescrever lavagem e higiene abundante com
soro fisiológico. Soro gelado pode dar mais alívio dos
sintomas. Recomendar medidas anti-contágio: não
compartilhar toalhas, travesseiros, evitar contato
íntimo e ter higiene das mãos. Na presença de
purulência, prescrever colírio de antibiótico e
corticoide associado. Encaminhar ao oftalmologista
imediatamente se não melhorar em 2 dias, se houver
membranas, se houver indícios de cronicidade ou
sinais de gravidade (sintomatologia exuberante, baixa
visão, dor ou membranas). Casos virais específicos,
como conjuntivite herpética, tem diagnóstico difícil
para o clínico desarmado (sem lâmpada de fenda).

Uma observação importante é que casos de


conjuntivite neonatal (oftalmia neonatal) devem ser
todos encaminhados ao oftalmologista!

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Conjuntivites
ABORDAGEM DAS CONJUNTIVITES PELO CLÍNICO

Conjuntivite infecciosa

Receita m
édica
USO OCU
LAR
1) Tobrad
ex ou Tob
ou Nepod racort
ex ou Max
ou Cilode itrol
x ou Cyloc
Pingar 01 ort ------co
gota em c lírio--------
ada olho d ----1 fr
e 6/6h po
r 7 dias.
2) Soro fis
iológico 0
Lavar abu ,9%--------
ndanteme -------------
n --- 1fr
acumular te os olho
secreções s, não pe
podem se . Secreç rmitindo
tornar me ões acu
retirar, ev m branas e se m uladas
entualme rem difíce
gelado dá nte gerand is de
mais conf o cicatriz
orto. es. O sor
o

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Córnea
Este capítulo destina-se a informar que diante de um
paciente usuário de lentes de contato que apresente
olho vermelho, a independentemente da presença de
purulência ou contactantes com conjuntivite, a principal
suspeita é de ceratite bacteriana (ou seja, úlcera de
córnea). Usuários de lentes de contato podem ter
conjuntivites mas nesses casos é fundamental descatar
úlcera de córnea pois o uso de lentes é um importante
fator de risco. Sempre encaminhar ao oftalmologista.

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Olho vermelho
Falar sobre olho vermelho é equivalente a falar sobre dor
abdominal. Tem uma vasta lista de condições que
causam olho vermelho. Este eBook já abordou diversas
causas de olho vermelho: traumas, queimaduras,
conjuntivites, ceratites, corpos estranhos...

Neste capítulo, discorreremos a respeito das principais


condições ainda não mencionadas neste texto mas que
são possíveis serem diagnosticadas mesmo por um
clínico desarmado (sem uma lâmpada de fenda).

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38

Olho vermelho
HEMORRAGIA SUBCONJUNTIVAL

É uma hemorragia abaixo da conjuntiva. O paciente


queixa-se de olho vermelho súbito, vermelho-vivo, sem
sintomas associados. Não há baixa visual.

É causado principalmente por traumas superficiais leves


(como podem ocorrer no ato de coçar os olhos) ou pode
ocorrer devido a manobra de Valsalva, crise hipertensiva
ou coagulopatia.

A conduta, em geral, é expectante e o sangramento é


reabsorvido sem sequelas em algumas semanas. O
clínico deve tranquilizar o paciente, que normalmente fica
muito preocupado.

Para ter certeza que é apenas uma hemorragia


subconjuntival, peça ao paciente que olhe para baixo e
levante sua pálpebra superior: você verá um olho calmo
(não inflamado) com apenas a região da hemorragia
tingida de sangue. O espalhamento do sangue, ou seja,
aumento da área de hemorragia é comum e não implica
gravidade.

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Olho vermelho
HEMORRAGIA SUBCONJUNTIVAL

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Olho vermelho
Pterígio
É uma degeneração fibrovascular da conjuntiva que
avança sobre a córnea. Quando não avança sobre a
córnea, chama-se pinguécula. É causado por radiação
ultravioleta solar, sendo mais prevalente em países
equatoriais como o Brasil e em pessoas que se expõem
muito ao Sol.

Pode inflamar por ressecamento ocular ou pequenos


traumas, gerando sintomas de superfície leves e olho
vermelho. O tratamento é o uso de óculos de qualidade
(com filtro ultravioleta 100%) e lubrificantes. Corticoides
tópicos por poucos dias podem ser usados em pacientes
mais sintomáticos. Pode causar baixa visão se atingir o
eixo visual. O tratamento definitivo é cirúrgico, mas
devido a altas taxas de recidiva nem sempre é indicado.

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Olho vermelho

EPISCLERITE E ESCLERITE

É a inflamação da episclera e esclera, respectivamente.

Causam olho vermelho focal, não em toda a conjuntiva.


Episclerite gera pequeno desconforto, é autolimitada e
benigna. Alguns casos estão associados a doenças
reumatológicas como artrite reumatoide e algumas
vasculites.

A esclerite é uma inflamação mais profunda, gerando dor


mais exuberante. Pode ser de causa infecciosa ou
também associada a doenças sistêmicas.

O diagnóstico pelo clínico pode ser difícil, mas pode ser


suspeitado na presença de doença sistêmica.

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Olho vermelho
OLHO SECO

É o ressecamento ocular e pode ser do tipo evaporativo,


por deficiência de produção da lágrima ou por
instabilidade do filme lacrimal.

Gera olho vermelho geralmente bilateral. O paciente


pode referir diagnóstico prévio de síndrome de Sjögren
ou uso frequente de lubrificantes. O tratamento se baseia
no uso de colírios lubrificantes, eventualmente pomadas
ou géis.

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Olho vermelho
GLAUCOMA AGUDO

O termo "glaucoma agudo" foi substituído pelo termo


"fechamento angular primário agudo". Basicamente, é o
fechamento do ângulo da câmara anterior do olho, que
ocorre em determinadas pessoas predispostas, gerando
aumentos substanciais da pressão intraocular (40-
80mmHg).

O diagnóstico baseia-se na história de dor ocular súbita,


olho vermelho unilateral, baixa visão acentuada, náuseas
e vômitos e hipertensão ocular. Ao clínico, cabe
reconhecer a situação através da palpação do olho
(tonometria bidigital) e sintomas típicos.

O tratamento inicia-se com uso de acetazolamida


(Diamox) 500mg via oral, analgésicos e anti-eméticos.
Pode ser necessário manitol venoso, mas caso seja
necessário, recomendamos diagnóstico definitivo por
especialista. Pode ser necessário tratamento cirúrgico de
urgência.

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Olho vermelho
UVEÍTES

É a inflamação da ÚVEA. A úvea é composta por 3


estruturas que devem ser memorizadas: ÍRIS, CORPO
CILIAR E COROIDE. Essas estruturas têm coloração
arroxeada, cor de uva, daí o nome úvea. A inflamação
dessas estruturas é genericamente chamada de uveíte.
Portanto, a uveíte pode ser uma irite, uma ciclite ou uma
coroidite. Devido à íntima relação com essas estruturas, a
retinite frequentemente é descrita junto às uveítes.

As uveítes são classificadas em uveíte anterior, uveíte


posterior, uveíte intermediária e panuveíte. Essa
classificação visa principalmente facilitar o diagnóstico
diferencial, uma vez que são conhecidas as principais
etiologias de cada tipo de uveíte.

Para o clínico desprovido de uma lâmpada de fenda, o


diagnóstico vai depender se os sintomas estão típicos.
Nos casos leves, o diagnóstico pode ser difícil. História
pregressa de uveíte deve levar a forte suspeição de
recorrência.

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Olho vermelho
Como as uveítes correspondem a inflamação intra-ocular,
devemos perceber que não há sintomas ou sinais de
superfície. Não há, portantanto, sensação de areia ou
corpo estranho, secreção ou alterações palpebrais.

Os principais sinais e sintomas são: dor ocular, baixa


visão, inflamação pericerática (ao redor da córnea), miose
(redução do diâmetro da pupila) e depósitos no interior
da córnea (chamados de precipitados ceráticos) ou na
câmara anterior inferiormente (na forma de hipópio).
Pode haver, também, sinéquias entre a íris e o cristalino
gerando uma deformação ou irregularidade no contorno
da pupila.

Hipópio

Precipitados ceráticos

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Olho vermelho
CONDUTA GERAL NOS CASOS DE OLHO VERMELHO

De maneira geral, casos leves ou evidentes de:


conjuntivite alérgica não complicada;
conjuntivite infecciosa não complicada;
hemorragia subconjuntival;
corpos estranhos conjuntivais que podem
ser facilmente removidos com um
"cotonete" ou pela eversão palpebral;
olho seco, pterígio;
queimaduras químicas leves;
podem ser adequadamente conduzidos pelo
clínico.
Todos os demais casos, recomendamos
fortemente o encaminhamento ao
oftalmologista. Especialmente casos
complicados, recorrentes, após falha
terapêutica inicial ou casos em que há
sintomatologia grave (dor forte ou baixa visão).

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Glaucoma
O glaucoma pode ser definido como um conjunto de
doenças caracterizadas por uma neuropatia óptica
progressiva e com defeitos de campo visual típicos, nas
quais a redução da pressão intra-ocular é a principal
forma de tratamento.

Pode ser classificado da seguinte maneira:


1. Glaucoma primário do adulto: de ângulo aberto e
ângulo fechado;
2. Glaucoma primário da criança: glaucoma congênito
primário;
3. Glaucoma secundário.

Para o clínico, é importante saber como o oftalmologista


diagnostica o glaucoma e como é o seu tratamento geral.
Os tipos específicos e causas de glaucoma não fazem
parte do escopo deste material.

O glaucoma é uma doença crônica (exceto episódios de


fechamento angular agudo descritos no capítulo de Olho
vermelho), bilateral e de evolução lenta.

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Glaucoma
Inicialmente é assintomático e, com sua
evolução, há perda progressiva do campo visual
periférico. O que ocorre basicamente é que o
aumento da pressão intra-ocular leva a um
aumento progressivo da escavação do nervo
óptico (NEUROPATIA ÓPTICA GLAUCOMATOSA),
gerando perda de campo visual progressiva. O
resultado final é o campo visual tubular, até
amaurose.

Escavação normal Escavação glaucomatosa

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Glaucoma

Evolução do campo visual em paciente com glaucoma não tratado:


observe um campo visual normal, depois um defeito arqueado típico e,
por fim, campo visual tubular.

O tratamento visa reduzir a pressão intra-ocular


para níveis normais, a fim de evitar a progressão
da neuropatia óptica e das alterações do campo
visual. A visão que foi perdida não pode ser
recuperada, ou seja, o tratamento do glaucoma
impede apenas a progressão das lesões.

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Glaucoma
Como opções para tratamento, temos colírios
hipotensores e cirurgia anti-glaucomatosa.

Os efeitos adversos sistêmicos mais


comumente relatados estão relacionados
aos colírios betabloqueadores. Portanto, o
clínico deve estar sempre atento aos colírios
cronicamente usados por seu paciente.
Diante de um paciente portador de
glaucoma crônico com bradicardia
sintomática, por exemplo, o efeito sistêmico
de um colírio betabloqueador deve ser
levado em consideração!

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Catarata
Catarata é o nome dado a qualquer opacidade
do cristalino.

A principal causa é a catarata relacionada ao


envelhecimento (catarata senil). Existem outras
diversas causas: traumática, secundária a
medicamentos, inflamação intra-ocular, etc.

Um dos medicamentos mais envolvidos com a


formação de catarata é o corticosteroide, seja
ele de uso tópico ou sistêmico.

O principal sintoma é a baixa visão progressiva e


o tratamento é geralmente muito bem sucedido
com a cirurgia de catarata.

Na cirurgia, removemos o cristalino opaco e


implantamos uma lente intra-ocular (que pode
inclusive diminuir o grau de óculos deste
paciente).

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Catarata

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Retina
Retina é um tecido neural que recobre a
superfície interna do olho.

A principal manifestação de uma doença


retiniana é a baixa visão. Pode ser baixa visão
central (acometimento da retina central) ou baixa
visão periférica (acometimento da retina
periférica).

A retina é sede de diversas doenças: congênitas,


hereditárias, doenças infecciosas, degenerativas,
etc. Neste material, iremos abordar apenas duas
doenças que exemplificam os principais
tratamentos das doenças retinianas:
descolamento de retina e retinopatia diabética.

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Retina
DESCOLAMENTO DE RETINA

É a separação da retina neurossensorial do


epitélio pigmentado da retina por fluido
subretiniano. Basicamente, é quando a retina se
descola da parede ocular. Como a retina é
composta por axônios neurossensoriais que
convergem para o nervo óptico, geralmente a
retina se descola apenas até o nervo óptico,
onde os axônios permanecem aderidos!

O tratamento é cirúrgico e deve ser feito com a


maior brevidade possível.

Para o clínico, a lição é: diante de um paciente


que queixa baixa visão súbita, a conduta é o
encaminhamento imediato para o oftalmologista.

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Retina

Descolamento
de retina
ruptura da retina

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Retina
Retinopatia diabética

É uma complicação ocular da microangiopatia


sistêmica causada pela hiperglicemia crônica dos
pacientes com Diabetes mellitus.

Ocorrem sangramentos retinianos que


progressivamente levam a isquemia retiniana. A
retina isquêmica passa a produzir VEGF (vascular
endothelial growth factor), um fator de
crescimento vascular, promovendo
neovascularização retiniana.

Neovasos são vasos mal formados e frágeis que,


com o tempo, podem sangrar ou autoinfartar,
gerando fibroses e trações na retina. Esse é o
mecanismo que explica a ocorrência de
hemorragia vítrea e descolamento de retina
tracional em portadores de retinopatia diabética
proliferativa (com proliferação de nevosos).

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Retina
Retinopatia diabética

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Retina
Retinopatia diabética

O tratamento consiste em destruir a retina


isquêmica produtora de VEGF por meio de
fotocoagulação a laser ou fazer uma injeção
intra-ocular de substâncias antiangiogênicas
(anti-VEGF). Casos graves, como hemorragia
vítrea ou descolamento de retina, são tratados
por cirurgia vitreorretiniana.

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