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Electricidade

1) O documento descreve os processos de magnetização de materiais ferromagnéticos, incluindo magnetização por influência, contato, fricção e correntes elétricas. 2) A teoria de Weber sobre o magnetismo assume que os materiais magnéticos são compostos por pequenos ímanes elementares que se alinham sob campo magnético. 3) O documento também explica as leis fundamentais do magnetismo, como a atração entre pólos opostos e repulsão entre pólos iguais.

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Electricidade

1) O documento descreve os processos de magnetização de materiais ferromagnéticos, incluindo magnetização por influência, contato, fricção e correntes elétricas. 2) A teoria de Weber sobre o magnetismo assume que os materiais magnéticos são compostos por pequenos ímanes elementares que se alinham sob campo magnético. 3) O documento também explica as leis fundamentais do magnetismo, como a atração entre pólos opostos e repulsão entre pólos iguais.

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INSTITUTO DE TRANSPORTES E COMUNICAÇÕES

MÓDULO: Aplicar Fundamentos de Electrotecnia em Corrente Alternada (AFECA)


PLANO DAS SESSÕES 1 a 8
Qualificação: Electricidade Industrial Turmas:TEI-4A/B/CV3
Semana de: 08 a 13/11/2021
Unidade de Competência 1. Explicar e considerar o campo magnético de ímanes permanentes e
dos electroímanes
Critérios de Desempenho:
a) Descreve o princípio de funcionamento em aplicações técnicas de ímanes permanentes e de
electroímanes
b) Descreve o ciclo de histerese
c) Magnetiza e desmagnetiza diferentes materiais
Evidências requeridas:
Evidência escrita e/ou prática de que o candidato é capaz de:
a) Descrever diferentes aplicações dos vários tipos de electroímanes;
a) Magnetizar e desmagnetizar pequenas peças metálicas e ferromagnéticos.

1. MAGNETISMO

1.1. Introdução

O magnetismo é a expressão de uma forma de energia, normalmente associada a forças de


atracção e de repulsão entre alguns tipos particulares de materiais, chamados de ímanes. Os
ímanes naturais encontrados na natureza, chamados de magnetites, são compostos por óxido de
ferro (Fe3O4). Os ímanes artificiais são materiais geralmente compostos de metais e ligas
cerâmicas aos quais se transmitem as propriedades magnéticas e estes podem ser temporários ou
permanentes. Os temporários são fabricados com ferro doce (mais puro) e os permanentes com
ligas de aço (Ferro e Carbono), geralmente contendo Níquel ou Cobalto.

Não é ainda completamente conhecida a natureza das forças magnéticas de atracção e repulsão,
embora conheçamos as leis que orientam suas acções e como utilizá-las. Assim como qualquer
forma de energia, o magnetismo é originado na estrutura física da matéria, ou seja, no átomo.

Em 1269, Pierre de Maricourt fez uma importante descoberta ao colocar uma agulha sobre um
íman esférico natural em várias posições e marcou as direcções de equilíbrio da agulha.
Descobriu então que as linhas envolviam o íman, da mesma forma que os meridianos envolviam
a Terra, e passavam por dois pontos situados sobre as extremidades de um diâmetro da esfera.
Em virtude da analogia com os meridianos terrestres, estes dois pontos foram denominados os
pólos do íman. Muitos observadores verificaram que, qualquer que fosse a forma do íman,

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sempre haviam dois pólos, um pólo norte e um pólo sul, onde a força do íman era mais intensa.
Os pólos de mesmo nome de dois íman repelem-se e os de nomes opostos atraem-se.
A figura 1.1ilustra a interacção entre polos magnéticos de ímanes permanentes.

Figura 1.1-(a) Pólos de nomes


(a) contrários atraem-se; (b)(b)Pólos do mesmo nome repelem-se.

Em 1600, William Gilbert, físico e médico Inglês, descobriu a razão de a agulha de uma bússola
orientar-se em direcções definidas: a própria Terra é um íman permanente. De cada vez que o
pólo norte da agulha da bússola é atraído para o pólo norte geográfico, este pólo norte geográfico
da Terra é, na realidade, um pólo sul magnético. A figura 1.2 mostra a Bússola devido à
orientação geográfica de um íman. Os pólos geográficos e magnéticos da Terra não coincidem
exactamente. O ângulo entre eles é chamado de declinação magnética. A declinação magnética e
a intensidade do campo magnético terrestre variam lentamente ao longo dos milhões de anos.

Figura 1.2 – Bússola: Orientação Geográfica dos pólos de um íman (Fonte: Moretto, V.P.
Eletricidade e Electromagnetismo, ed. Ática, 3a ed, 1989).
A atracção e a repulsão dos pólos magnéticos foram estudadas quantitativamente por John
Michell, em 1750. Usando uma balança de torção, Michell mostrou que a atracção e a repulsão
dos pólos de dois ímanes tinham igual intensidade e variavam inversamente com o quadrado da
distância entre os pólos. Estes resultados foram confirmados pouco depois por Coulomb. A lei
da força entre dois pólos magnéticos é semelhante à existente entre duas cargas eléctricas, mas
há uma diferença importante: os pólos magnéticos ocorrem sempre aos pares. É impossível
isolar um único pólo magnético. Se um íman for quebrado ao meio, aparecem pólos iguais e
opostos no ponto de fractura, de modo que se formam dois novos ímanes, com pólos iguais e

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opostos. Coulomb explicou este resultado admitindo que o magnetismo estava contido em cada
molécula do íman.

Figura 1.3. Forças entre dois pólos magnéticos


1.2. Teoria de Weber
Em 1260, o francês Petrus Peregrinus observou que os pólos de um imã não existem
separadamente. Cortando-se um imã em duas partes iguais, que por sua vez podem ser
redivididas em outras, figura abaixo, observa-se que cada uma destas partes constitui um novo
imã que, embora menor, tem sempre dois pólos. É possível continuar esse processo de divisão,
até que chega-se a um ponto em que encontra-se o átomo ou molécula do material de que ele é
feito. Cada átomo ou molécula do imã, possui propriedades magnéticas devido à orientação dos
seus spins. Esses átomos ou moléculas reúnem-se em pequenos conjuntos de mesma orientação,
denominados imãs elementares.
A teoria mais popular do magnetismo considera este alinhamento atómico ou molecular do
material. Isto é conhecido como Teoria de Weber. Esta teoria assume que toda substância
magnética é composta de ímanes muito pequenos, chamados de Ímanes Elementares. Qualquer
material não magnetizado tem as forças magnéticas de seus ímanes elementares neutralizados
pelos ímanes elementares adjacentes, dessa forma eliminando algum efeito magnético possível.
A figura abaixo pode ilustrar.

Figura 1.4. Inseparabilidade dos pólos magnéticos


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Um material magnetizado terá a maioria de seus ímanes elementares organizados em fileiras,
com o pólo norte de cada átomo ou molécula apontando em uma direcção e a face do pólo sul em
direcção oposta. Um material com átomos ou moléculas assim alinhados terá pólos magnéticos
efectivos.

Uma ilustração da Teoria de Weber é mostrada na figura 1.5 onde uma barra de ferro é
magnetizada quando submetida a um campo magnético externo, resultando no alinhamento de
seus ímanes elementares.

Figura 1.5. Magnetização de materiais ferromagnéticos


Um material apresenta propriedades magnéticas, quando há uma predominância de imanes
elementares orientados sobre os não orientados. Assim, genericamente, pode-se dizer que:
• Materiais Magnéticos: são aqueles que permitem a orientação dos seus imanes
elementares. Exemplos: ferro, níquel e algumas ligas metálicas, como o aço.
• Materiais Não-Magnéticos: são aqueles que não permitem a orientação dos seus imãs
elementares. Exemplos: alumínio, madeira, plástico, entre outros.

1.3. LEIS QUANTITATIVAS DAS ACÇÕES MAGNÉTICAS


Dois ímanes suficientemente próximos um do outro interagem, podendo o comportamento de
ambos resumir-se qualitativamente nas duas seguintes leis:
1ª Lei - Pólos magnéticos do mesmo nome repelem-se.
2ª Lei - Pólos magnéticos de nomes contrários atraem-se.
Assim, será previsível uma atracção entre um pólo sul e um pólo norte de dois ímanes diferentes,
da mesma forma que a repulsão entre ambas as regiões norte ou sul.
1.4. MAGNETIZAÇÃO: CONCEITO E PROCESSOS
A magnetização consiste em tornar magneticamente activas substâncias de qualidades
ferromagnéticas.
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Estão neste caso os aços e algumas ligas que só após tratamento adequado podem exibir tais
propriedades.
Todas as outras as substâncias, não ferromagnéticas, portanto, como por exemplo, um grande
número de metais e ligas não ferrosas, recusa-se a qualquer tentativa de magnetização.
Existem vários processos de magnetização, que ordem ser assim sintetizados:

1.4.1. MAGNETIZAÇÃO POR INFLUÊNCIA


A peça a magnetizar é colocada na vizinhança de um íman. O processo de magnetização
prossegue inalterável se, em lugar do ar que separa naturalmente as partes influenciadora e
influenciada, entre elas existir outro meio não magnético.
1.4.2. MAGNETIZAÇÃO POR CONTACTO
Neste caso a peça a magnetizar é mantida em contacto com um íman permanente durante um
período mais ou menos longo, requerido pelo processo em cada caso.
1.4.3. MAGNETIZAÇÃO POR FRICÇÃO
A peça a magnetizar é friccionada, sempre no mesmo sentido e repetidas vezes, com um dos
pólos de um íman ou alternadamente, usando simultaneamente os pólos contrários de dois
ímanes necessários para o efeito.
Este processo conhece ainda algumas variantes, contudo a filosofia de princípio é a mesma.
1.4.4. MAGNETIZAÇÃO POR CORRENTES
1º Processo
A peça a magnetizar é introduzida no interior de uma bobina na qual se faz passar uma corrente
eléctrica. Esta peça constitui assim, temporariamente, o núcleo da referida bobina, no seu
conjunto designada por electroíman.

Figura 1.6. Magnetização por correntes usando uma bobina excitadora


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2º Processo
Um condutor rectilíneo de grande secção é abraçado por um certo número de peças a magnetizar.
A passagem de uma corrente eléctrica durante um certo tempo, conduz à magnetização dos
referidos materiais. Em qualquer caso, a corrente deve ser de grande intensidade de forma à
acção magnetizante ser apreciável. Além disso, e para fazer estabilizar as propriedades
magnéticas no material, o processo de magnetização deve ser regularmente interrompido para se
proceder ao recozimento da peça em água fervente.
Com igual objectivo e constituindo um processo alternativo, ou mesmo complementar do
anterior, a peça, previamente aquecida e sob campo magnético intenso, é submetida a forte
compressão em prensa hidráulica.

Figura 1.7. Magnetização por correntes usando um condutor rectilíneo


1.4.5. MAGNETIZAÇÃO TEMPORÁRIA E PERMANENTE
Uma vez magnetizados os materiais ferromagnéticos, distinguem-se uns dos outros por várias e
importantes características. Uma delas é a que respeita à permanência ou não das suas
propriedades, logo que cessa a acção magnetizante. O ferro puro, por exemplo, não conserva
quaisquer propriedades magnéticas, que apenas duram o tempo em que se faz sentir a excitação
do campo. É um íman temporário. Outros materiais como o ferro fundido e o aço duro, pelo
contrário, conservam o seu estado magnético já depois de haver terminado a referida excitação.
Mesmo assim há diferenças entre eles. Por exemplo, o ferro fundido é facilmente magnetizável,
em contrapartida perde rapidamente as suas propriedades magnéticas. Este e outros materiais em
idênticas circunstâncias são designados por ímanes temporários. O aço duro e muitas ligas
ferromagnéticas, apesar de serem de magnetização mais difícil, conservam as propriedades por
longo tempo. Constituem ímanes permanentes e o seu magnetismo designa-se por magnetismo
residual ou remanescente.

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1.5. DESMAGNETIZAÇÃO: CONCEITO E PROCESSOS
O processo de desmagnetização pode igualmente ser resultado de um processo natural ou
artificial.
Todos os materiais magnetizados sofrem ma depreciação das suas propriedades com o decorrer
do tempo, embora esse fenómeno seja lento, particularmente nos chamados ímanes permanentes.
É um processo natural que não é alheio, entre outros, o efeito do campo magnético terrestre.
Tomam-se cuidados especiais nesse sentido, a que nos referimos no ponto seguinte.
Vejamos os factores que podem levar à desmagnetização.
1.5.1. INFLUÊNCIA DA TEMPERATURA
A variação da temperatura, dentro dos valores de ambiente, pouco afecta as propriedades
magnéticas. Contudo, à medida que a temperatura se eleva para além daquele intervalo, a
intensidade dessas propriedades aumenta ligeiramente. Porém atinge-se uma determinada
temperatura, designada por temperatura de Curie ou ponto de Curie, para o qual o material perde
todas as qualidades ferromagnéticas.
Para o ferro essa temperatura é de 700 ºC, para o níquel 380 ºC e para o cobalto 1110 ºC.
1.5.2. INFLUÊNCIA DAS ACÇÕES MECÂNICAS
Vibrações ou choques mecânicos têm efeito determinante na desmagnetização dos materiais. O
facto deve-se à destruição, por choque, do ordenamento das moléculas na microestrutura do
material.
1.5.3. INFLUÊNCIA DE CAMPOS MAGNÉTICOS EXTERIORES
A existência de correntes eléctricas magnetizantes alternadas ou a proximidade de campos
magnéticos podem igualmente fazer desaparecer, total ou parcialmente, as propriedades
magnéticas.
1.6. CONSERVAÇÃO DOS ÍMANES

Figura 1.8. Método de conservação dos ímanes

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1.7. CAMPO MAGNÉTICO E ACÇÃO À DISTÂNCIA
A noção de campo é fundamental em toda a física e relaciona conceitos aparentemente distintos,
como são os campos magnético, eléctrico ou gravítico.
No magnetismo, em particular, pode entender-se campo magnético como:
Toda a região do espaço onde se fazem sentir as acções magnéticas.
Analogamente ao campo eléctrico e ao campo gravítico, e muito embora as acções magnéticas
tenham diferente natureza, elas caracterizam-se por não necessitarem de qualquer suporte físico
ou meio material para o seu estabelecimento. Esta particularidade é chamada acção à distância e
justifica a existência e propagação de campos magnéticos no vazio (vácuo).
1.8. DENSIDADE DE CAMPO MAGNÉTICO OU DENSIDADE DE FLUXO
MAGNÉTICO
O Fluxo magnético, simbolizado por  (fi), é definido como o conjunto de todas as linhas de
campo que atingem perpendicularmente uma dada área, como mostra a figura 1.9. A unidade
de Fluxo Magnético é o Weber (Wb). Um Weber corresponde a 1x108 linhas do campo
magnético [Giancoli].

Figura 1.9 – Fluxo Magnético: quantidade de linhas de campo numa área.


A Densidade de Campo Magnético também conhecida como Densidade de Fluxo Magnético
ou simplesmente Campo Magnético, é uma grandeza vectorial representada pela letra B, cuja
unidade é o Tesla (T) e é determinada pela relação entre o Fluxo Magnético  e a área (A ou S)
de uma dada superfície perpendicular à direcção do fluxo magnético. Assim:
 
B ou B  [1.1]
A S
onde:
B – Densidade de Campo Magnético ou Densidade de Fluxo Magnético, Tesla (T);
 - Fluxo Magnético, Weber (Wb);
A ou S – área da secção perpendicular ao fluxo magnético, m2.
Da equação 1.1 podemos verificar que 1T = 1Wb/m2.
A direcção do vector Densidade de Campo Magnético B é sempre tangente às linhas de campo
magnético em qualquer ponto, como mostra a figura 1.10. O sentido do vector Densidade de
Campo Magnético é sempre o mesmo das linhas de campo. A figura 1.11 mostra as linhas de

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campo magnético usando limalha de ferro e bússolas indicando a acção da força magnética e a
direcção tangente para o Vector Densidade de Campo Magnético.
O número de linhas de campo magnético que atravessam uma dada superfície perpendicular por
unidade de área é proporcional ao módulo do vector B na região considerada. Assim sendo, onde
as linhas de indução estão muito próximas umas das outras, B terá alto valor. Onde as linhas
estiverem muito separadas, B será baixo.
Observação: se as linhas de campo não forem perpendiculares à superfície considerada devemos
tomar a componente perpendicular, como será estudado posteriormente.

Figura 1.10 – Vector Densidade de Campo Magnético tangente às linhas de campo.

Figura 1.11 – Acção do campo magnético de um íman sobre uma bússola: direcção tangente às linhas
de campo.

No interior de um íman as linhas de campo encontram-se mais concentradas e, portanto, a


intensidade do campo magnético é elevada. Há, portanto, alta densidade de fluxo magnético.
Externamente ao íman as linhas de campo encontram-se mais dispersas ao longo dos caminhos
entre os pólos, como mostra claramente a figura 1.10. Podemos concluir que a intensidade do
campo magnético nesta região é menor, ou seja, há menor densidade de fluxo magnético.
No entanto, percebemos que o número de linhas de campo no interior do íman e no exterior é

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exactamente o mesmo, já que são linhas fechadas. Assim o fluxo magnético no interior e no
exterior de um íman é exactamente o mesmo, porém percebemos que a Densidade de Fluxo
Magnético é maior no interior do íman que no exterior, pois o mesmo número de linhas está
concentrado numa área menor.
A densidade de fluxo magnético também pode ser medida em Gauss no sistema CGS:
1T = 104gauss
Exemplo 1.1:
Um fluxo magnético de 8.10-6 Wb atinge perpendicularmente uma superfície de 2cm2. Determine
a densidade de fluxo B.
Resolução:
Temos: 2cm2 = 2.10-4 m2. Substituindo na equação 1.1:
 8  10 6
B   4  10 2 T
A 2  10 4
Assim, a densidade de fluxo magnético é de 4.10-2 T.
1.9. INDUÇÃO MAGNÉTICA-MAGNETIZAÇÃO OU IMANTAÇÃO
É o fenómeno de magnetização ou imantação de um material provocada pela proximidade de um
campo magnético.
Como podemos ver na figura 1.12, o íman induz magneticamente (magnetiza) os pregos e estes
sucessivamente magnetizam-se uns aos outros e atraem-se.

Figura 1.12 – Magnetização por Indução Magnética


Quando o ferro encontra-se próximo de um iman, o campo magnético faz com que a barra de
ferro se transforme temporariamente em um imane. Isto acontece porque na presença de um
campo magnetizante (ou campo indutor) os domínios magnéticos do ferro, que normalmente
estão orientados em todas as direcções ao longo da barra, ficam orientados em uma direcção
predominante, como num iman. Esta situação está demonstrada na figura 1.13.

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Figura 1.13 – Indução magnética (Fonte: Gozzi, G.G.M., Circuitos Magnéticos, Ed. Érica, 1996).

Quando afastamos o íman indutor, a maioria dos domínios magnéticos do ferro voltam ao estado
de orientação desorganizada fazendo com que o material praticamente perca as suas propriedades
magnéticas. Materiais com esse comportamento, como o ferro puro, são chamados Materiais
Magneticamente Moles.
Os materiais nos quais os domínios magnéticos não perdem a orientação obtida com a
aproximação de um campo magnético são chamados Materiais Magneticamente Duros, como
o aço e o ferrite. Isto acontece porque nessas ligas os átomos de ferro uma vez orientados sob a
acção do campo magnético são impedidos de voltar à sua orientação inicial pelos átomos do
outro material da liga, permanecendo magnetizados. É assim que são fabricados os ímanes
permanentes.

Figura 1.14 – Influência da temperatura no magnetismo (Gozzi, G.G.M., Circuitos Magnéticos, Ed.
Érica, 1996).

Porém, aquecendo-se uma barra de ferro sob a acção de um campo magnético acima de uma
certa temperatura, no caso 770°C, ela deixa de ser atraída pelo imane. Esta temperatura é
denominada Ponto Curie. Isto acontece, pois o aquecimento provoca uma agitação nos átomos
de ferro, de tal maneira que eles se desorganizam e a barra de ferro perde as suas propriedades
magnéticas. Quando a barra de ferro é esfriada, ela novamente será atraída pelo imane. A figura
1.15 ilustra essa situação.

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Figura 1.15 – Saturação Magnética

Um material também pode perder suas propriedades magnéticas quando submetido a choques
mecânicos que propiciem a desorientação dos seus átomos.
Um material pode ter os seus átomos orientados até um determinado limite. O efeito devido à
limitação na orientação e alinhamento dos átomos do material, mesmo sob a acção de campos
magnéticos intensos, é chamado de Saturação Magnética. A figura 1.15 ilustra a condição de
saturação magnética.
1.10. CLASSIFICAÇÃO DAS SUBSTÂNCIAS QUANTO AO COMPORTAMENTO
MAGNÉTICO
As substâncias são classificadas em quatro grupos quanto ao seu comportamento magnético:
ferromagnéticas, paramagnéticas , diamagnéticas e ferrimagnéticas.
1.10.1. Substâncias Ferromagnéticas
Seus imanes elementares sofrem grande influência do campo magnético indutor. De modo que,
eles ficam maioritariamente orientados no mesmo sentido do campo magnético aplicado e são
fortemente atraídos por um íman. Exemplos: ferro, aços especiais, cobalto, níquel, e algumas
ligas (alloys) como Alnico e Permalloy, entre outros. A figura 1.16 ilustra o comportamento
das substâncias ferromagnéticas.

Figura 1.16 –Substâncias ferromagnéticas (Fonte: Gozzi, G.G.M., Circuitos Magnéticos, Ed. Érica, 1996).

1.10.2. Substâncias Paramagnéticas


Seus imanes elementares ficam fracamente orientados no mesmo sentido do campo magnético
indutor. Surge, então, uma força de atracção fraca entre o imane e a substância paramagnética.
Exemplos: alumínio, manganês, estanho, cromo, platina, paládio, oxigénio líquido, etc. A figura
1.17 ilustra o comportamento das substâncias paramagnéticas.

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Figura 1.17 – Substâncias paramagnéticas (Fonte: Gozzi, G.G.M., Circuitos Magnéticos, Ed. Érica, 1996).

1.10.3. Substâncias Diamagnéticas


Substâncias Diamagnéticas são aquelas que quando colocadas próximas a um campo magnético
indutor proveniente de um imane, os seus imanes elementares sofrem uma pequena influência,
de modo que eles ficam fracamente orientados em sentido contrário ao campo externo aplicado.
Surge, então, entre o imane e a substância diamagnética, uma força de repulsão fraca. Exemplos:
cobre, água, mercúrio, ouro, prata, bismuto, antimónio, zinco, etc. A figura 1.18 ilustra o
comportamento das substâncias diamagnéticas.

Figura 1.18 –Substâncias diamagnéticas (Fonte: Gozzi, G.G.M., Circuitos Magnéticos, Ed. Érica, 1996).

1.10.4. Substâncias Ferromagnéticas:


O Ferrimagnetismo permanente ocorre em sólidos nos quais os campos magnéticos associados
com átomos individuais se alinham espontaneamente, alguns de forma paralela, ou na mesma
direcção (como no ferrimagnetismo) e outros geralmente antiparalelos, ou emparelhados em
direcções opostas, como ilustra a figura 1.19. O comportamento magnéticos de cristais de
materiais ferrimagnéticos pode ser atribuído ao alinhamento paralelo. O efeito desses átomos no
arranjo antiparalelo mantém a força magnética desses materiais geralmente menor do que a de
sólidos puramente ferrimagnéticos como o ferro puro.
O Ferrimagnetismo ocorre principalmente em óxidos magnéticos conhecidos como Ferritas. O
alinhamento espontâneo que produz o ferrimagnetismo também é completamente rompido acima
da temperatura de Curie, característico dos materiais ferromagnéticos. Quando a temperatura do
material está abaixo do Ponto Curie, o ferrimagnetismo aparece novamente.

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Figura 1.19 – Ferrimagnetismo

1.11. CURVA DE MAGNETIZAÇÃO E HISTERESE MAGNÉTICA

Como pudemos verificar um núcleo de ferro doce submetido a um Campo Magnético Indutor
H concentra as linhas de campo com uma dada Densidade de Fluxo Magnético B. Se o campo
magnético indutor H for aumentado pelo aumento da corrente nas bobinas, haverá maior
orientação dos ímanes elementares do ferro e, consequentemente, maior será a densidade de
fluxo magnético B. No entanto, a relação entre B e H não é uma constante para todos os valores
de H. Verificamos que um aumento no campo magnético indutor H propicia um aumento na
densidade de fluxo magnético B. Haverá um ponto em que a densidade de fluxo B não mais
aumentará sensivelmente com o aumento do campo indutor H, pois já não há tantos domínios
magnéticos disponíveis para serem orientados. Assim, por mais que H aumente B não aumenta.
Esse ponto é chamado de Saturação Magnética.

A curva que representa esse comportamento, figura 1.20, é chamada Curva de Magnetização e
varia para cada material em função da sua permissividade magnética μ, pois:

(1.2)

Figura 1.20. Curva de magnetização

1.12. PERMEABILIDADE MAGNÉTICA


Se um material não magnético, como vidro ou cobre for colocado na região das linhas de campo
de um íman, haverá uma imperceptível alteração na distribuição das linhas de campo. Entretanto,

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se um material magnético, como o ferro, for colocado na região das linhas de campo de um íman,
estas passarão através do ferro em vez de se distribuírem no ar ao seu redor porque elas se
concentram com maior facilidade nos materiais magnéticos, como indicam as figuras 1.21 e
1.22. Este princípio é usado na Blindagem Magnética de elementos e instrumentos eléctricos
sensíveis e que podem ser afectados pelo campo magnético. A figura 1.23 mostra um exemplo de
blindagem magnética pois as linhas de campo ficam concentradas na carcaça metálica não
atingindo o instrumento no seu interior.
Portanto, um material na proximidade de um íman pode alterar a distribuição das linhas de
campo magnético. Se diferentes materiais com as mesmas dimensões físicas são usados a
intensidade com que as linhas são concentradas varia. Esta variação se deve a uma grandeza
associada aos materiais chamada Permeabilidade Magnética, μ. A Permeabilidade Magnética de
um material é uma medida da facilidade com que as linhas de campo podem atravessar um dado
material. As figuras 1.24 e 1.25 mostram a concentração das linhas de campo um magnético
devido à presença de um material de alta permeabilidade. Podemos entender a permeabilidade
magnética como um conceito similar ao conceito da condutividade eléctrica dos materiais.

Figura 1.21 – Distribuição das linhas de campo na proximidade de um material magnético


e não magnético. (Fonte:R.L. Boylestad, Introductory Circuit Analysis, 10a ed. 2003)

Figura 1.22 – Concentração das linhas de campo devido a um meio de alta permeabilidade.

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Figura 1.23 – Efeito da Blindagem Magnética na distribuição das linhas de campo (Fonte:
R.L. Boylestad, Introductory Circuit Analysis, 10a ed. 2003).
A permeabilidade magnética do vácuo, μo vale:

(1.3)

A unidade de permeabilidade também pode ser expressa por Tesla-metro por Ampère, Tm/A ou
ainda, Henry por metro, H/m. Assim: H=Wb/A.
A permeabilidade magnética de todos os materiais não magnéticos, como o cobre, alumínio,
madeira, vidro e ar é aproximadamente igual à permeabilidade magnética do vácuo. Os materiais
que têm a permeabilidade um pouco inferior à do vácuo são chamados Materiais
Diamagnéticos. Aqueles que têm a permeabilidade um pouco maior que a do vácuo são
chamados Materiais Paramagnéticos. Materiais magnéticos como o ferro, níquel, aço, cobalto e
ligas desses materiais (Alloys) têm permeabilidade centenas e até milhares de vezes maiores que
a do vácuo. Esses materiais são conhecidos como Materiais Ferromagnéticos.
A relação entre a permeabilidade de um dado material e a permeabilidade do vácuo é chamada
de Permeabilidade Relativa, assim:

(1.4)

onde:
μr – permeabilidade relativa de um material (adimensional)
μm – permeabilidade de um dado material
μo – permeabilidade do vácuo

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Geralmente, μr ≥ 100 para os materiais ferromagnéticos, valendo entre 2.000 e 6.000 nos
materiais de máquinas eléctricas e podendo chegar até a 100.000 em materiais especiais. Para os
não magnéticos μr ≅ 1. A tabela 1.1 mostra uma relação simplificada dos valores de
permeabilidade relativa dos materiais. A tabela 1.2 apresenta valores de permeabilidade
magnética relativa para alguns materiais ferromagnéticos utilizados em dispositivos electrónicos.
Observação: devemos ter em mente que a permeabilidade de um material ferromagnético
não é constante e seu valor depende da densidade de campo magnético a que está submetido.
Tabela 1.1 – Materiais quanto à Permeabilidade Relativa

Tabela 1.2 – Permeabilidade Relativa de Materiais Ferromagnéticos

1.13. RELUTÂNCIA MAGNÉTICA


A relutância magnética é uma medida da oposição que um meio oferece ao estabelecimento e
concentração das linhas de campo magnético. A relutância magnética é determinada pela
equação:

(1.5)

onde:
ℜ - relutância magnética, em Ae/Wb (Ampéres-espiras por Weber);
l – comprimento médio do caminho magnético das linhas de campo no meio, em metros ( m);
μ - permeabilidade magnética do meio, Wb/A.m;
A – área da secção transversal, em m2.

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A relutância magnética é uma grandeza análoga à resistência eléctrica que pode ser determinada
pela equação que relaciona a resistividade e as dimensões de um material:

Podemos notar que a resistência eléctrica R e a relutância magnética ℜ são inversamente


proporcionais à área A, ou seja, maior área menor resistência ao fluxo de cargas eléctricas e ao
fluxo de linhas de campo. Estas grandezas são directamente proporcionais ao comprimento l do
material. Entretanto a relutância é inversamente proporcional à permeabilidade magnética,
enquanto a resistência é directamente proporcional à resistividade eléctrica ρ. Materiais com alta
permeabilidade, como os ferromagnéticos, têm relutâncias muito baixas e, portanto,
proporcionam grande concentração das linhas de campo magnético.
Quando dois materiais de permeabilidades diferentes apresentam-se como caminho magnético
para as linhas do campo, estas se dirigem para o de maior permeabilidade. Isto é chamado de
Princípio da Relutância Mínima, e é mostrado na figura 1.24. Este princípio pode ser aplicado
quando se necessita uma Blindagem Magnética, ou seja, liberar um dispositivo das influências
magnéticas, como ilustra a figura 1.23.

Figura 1.24 – relutância: (a) alta; (b) baixa; (c) mais baixa; (d) menor

Na figura 1.25 podemos perceber que o ferro, de alta permeabilidade, representa um caminho
magnético de menor relutância para as linhas de campo, concentrando-as. Já o vidro, de baixa
permeabilidade, não proporciona grande concentração das linhas de campo. Isso representa um
caminho magnético de alta relutância.

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Figura 1.25 – Caminhos Magnéticos de alta e baixa relutância.

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