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Nome Turma _____ N.o ___ Data ___ /___ /____
RNA – a terapia que nos devolve a esperança
SARS-CoV-2 é o nome do vírus responsável pelo desenvolvimento de COVID-19. É um
coronavírus cujo genoma é formado por RNA de cadeia simples, no sentido 5´-3’. Em 2020, a
sequência completa desse RNA foi publicada poucas semanas depois da sua identificação e
isolamento.
O seu genoma possui 29 838 bases e contém as informações de como o vírus transforma as
células humanas em autênticas «fábricas de produção» de 12 proteínas virais. Dessas proteínas,
quatro são estruturais: M, de membrana; E, de envelope; N, de nucleoproteína; S, de spike;
as restantes oito proteínas participam no processo de replicação do vírus dentro das células
hospedeiras (Fig. 1).
As vacinas desenvolvidas pela metodologia mais tradicional contêm uma versão atenuada do
vírus, em que este já não é capaz de causar doença, mas ainda consegue provocar uma reação
imunológica – é o caso das vacinas do sarampo, tuberculose ou papeira. Outra técnica comum
consiste na injeção de componentes do vírus no hospedeiro, tal como acontece nas vacinas da
gripe e da poliomielite, em que apenas são inoculadas proteínas da superfície do vírus,
suficientes para ativar as defesas desse hospedeiro.
Há exemplos destas metodologias de investigação entre as mais de 200 vacinas contra o
SARS-CoV-2 desenvolvidas desde o início da pandemia. Porém, as primeiras vacinas à base de
mRNA é que foram vanguardistas nesta área. Ao contrário das vacinas tradicionais, induzem o
sistema imunitário do hospedeiro a ativar mecanismos de defesa, sem ser necessário inocular o
vírus ou as suas proteínas. Neste caso, será o próprio organismo do hospedeiro a produzir
proteínas específicas do vírus, e estas desencadeiam uma reação imunológica. Nas vacinas
contra o SARS-CoV-2, a informação inserida laboratorialmente em moléculas de mRNA contém
o código necessário para que o hospedeiro possa produzir uma das proteínas do vírus, a
proteína spike, que constitui os espigões e que servem de chave de entrada do coronavírus nas
células humanas. Individualmente, a proteína spike não é prejudicial ao organismo, mas, devido
à sua especificidade, é suficiente para ser detetada
como intrusa. Quando a vacina é administrada,
as inúmeras moléculas de mRNA estão envolvidas
numa cápsula lipídica para conseguirem entrar nas
células. Depois de entrarem, essa cápsula degrada-
se e os constituintes celulares descodificam a
informação contida no mRNA, começando a
produzir as proteínas spike. Quando esta proteína
é detetada pelo organismo, são formados
anticorpos específicos, que alertam o sistema
imunitário para eliminar a potencial ameaça. «Os
anticorpos guardam na memória a informação de
que, quando aquelas proteínas spike forem
detetadas, isoladamente ou agregadas a outras
células, são para combater», explica Pedro Fontes
Oliveira, investigador do Departamento de Fig. 1 Estrutura do vírus SARS-CoV-2.
Química da Universidade de Aveiro.
Adaptado de [Link]/wp-content/uploads/2020/11/iBET@Vis%C3%[Link];
[Link]/ciencia/[Link]
(consultados em 12/10/2021)
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2 © Texto | BIOGEO 11
1. Assinale, das afirmações seguintes, as duas que são verdadeiras.
(A) As vacinas contra a COVID-19 impedem a infeção pelo SARS-CoV-2.
(B) A vacina de mRNA permitirá que o sistema imunitário da pessoa infetada reaja à presença
do SARS-CoV-2, pelo reconhecimento da proteína de membrana M.
(C) A sequência de codões precursora da proteína spike é diretamente replicada nos
ribossomas da pessoa inoculada com mRNA sintético.
(D) Em pessoas inoculadas com a vacina de mRNA, os vírus SARS-CoV-2 terão dificuldade em
aderir às células hospedeiras.
E) As vacinas de mRNA poderão ser pouco eficazes, uma vez que o significado dos codões
(
virais difere do das células hospedeiras.
F) Caso surjam mutações no genoma viral, será mais fácil adequar as vacinas de mRNA às
(
novas variantes do vírus do que as vacinas tradicionais.
2. Em setembro de 2021, Portugal tornou-se no país com a maior taxa de cobertura da população
com a vacinação completa contra a COVID-19 (85%). No entanto, há países africanos cuja taxa
de vacinação não ultrapassa os 4%.
Comente a afirmação do coordenador da Task Force da Vacinação em Portugal, o Vice-
Almirante Gouveia e Melo: «Enquanto houver um sítio no mundo onde o processo de
vacinação não esteja completo, esse local será a incubadora de vírus mais violentos que nos
poderão vir atacar.»
3. Elabore uma pesquisa que lhe permita enumerar outras situações da aplicação do RNA em
determinadas doenças.
4. O Plano Nacional de Vacinação (PNV) português visa proteger os indivíduos e a população em
geral contra as doenças com maior potencial de constituírem ameaças à saúde individual e
comunitária. Em grupo, elabore uma breve pesquisa sobre o PNV centrada nos seguintes
aspetos:
- a quem se aplica e que vacinas inclui;
- comparação das taxas de morbilidade/mortalidade atuais de doenças como rubéola,
sarampo, varíola, poliomielite, difteria, malária, e COVID-19, em Portugal e no mundo.
O grupo deverá concluir sobre a relação riscos/benefícios da vacinação na saúde individual e
comunitária, apresentando os argumentos considerados pertinentes numa discussão aberta à
turma.
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Propostas de solução
1. D, F
2. Possíveis tópicos de discussão:
- A eficácia da vacinação no controlo da propagação da infeção e do surgimento de casos clínicos
graves poderá ser condicionada pelo aparecimento de novas variantes do vírus SARS-CoV-2, para os
quais as vacinas vigentes não oferecem imunidade.
- Dada a rapidez com que a ciência e a tecnologia evoluíram na tentativa de dar resposta ao flagelo
social causado pela pandemia COVID-19, existem ainda muitos aspetos por compreender, como, por
exemplo, a durabilidade da imunidade conferida pelas vacinas atuais.
- A imunidade de grupo aumenta o tempo necessário para que ocorram mutações significativas no
genoma viral, perante as quais as vacinas em vigor possam perder eficácia, pelo que a taxa de
mutação será mais significativa em populações com baixas taxas de vacinação, podendo
rapidamente as novas variantes do vírus ultrapassar fronteiras e propagar-se nos países com maior
taxa de cobertura da população com a vacinação completa.
- É um dever cívico e de solidariedade dos países desenvolvidos contribuírem para o acesso dos países
pobres à vacinação, promovendo o direito à saúde individual e comunitária dessas populações, ao
mesmo tempo que proporcionam um maior controlo da pandemia e da sobrecarga hospitalar, assim
como a diminuição de mortes por COVID-19 a nível global.
3. Por exemplo, a aplicação de vacinas de mRNA no tratamento de certos tipos de cancro, como exemplo
de medicina de precisão personalizada, e a utilização de RNA de interferência (RNAi) no bloqueamento
de mRNA codificantes de proteínas anómalas e causadoras de doenças.
4. Pretende-se que os alunos reconheçam a importância da universalidade do PNV e o papel da vacinação
na redução da morbilidade/mortalidade causadas por doenças infeciosas com impacte na saúde
individual e comunitária, valorizando os benefícios em detrimento dos riscos associados às vacinas
vigentes. Deverão apresentar dados que permitam comparar Portugal e outros países com diferentes
contextos socioeconómicos.
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