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BLU1993008 - Azeredo Coutinho

1) O deputado Nunes Pires defendeu vigorosamente na Assembléia Provincial o Colégio São Paulo de Blumenau contra a retirada de subsídios governamentais. 2) Ele argumentou que o colégio precisava de apoio depois de construir um novo prédio de 14 contos de réis e atendia a centenas de alunos internos e externos. 3) Nunes Pires alegou que a retirada de subsídios forçaria o fechamento do colégio, que já oferecia pensões baixas para alunos de famí
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BLU1993008 - Azeredo Coutinho

1) O deputado Nunes Pires defendeu vigorosamente na Assembléia Provincial o Colégio São Paulo de Blumenau contra a retirada de subsídios governamentais. 2) Ele argumentou que o colégio precisava de apoio depois de construir um novo prédio de 14 contos de réis e atendia a centenas de alunos internos e externos. 3) Nunes Pires alegou que a retirada de subsídios forçaria o fechamento do colégio, que já oferecia pensões baixas para alunos de famí
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enau

eln

ernos PORTE PAGO


TOMO XXXIV Agosto de 1993 NO. 8 DR/se
isrセUX@ セ@ 603/87

Digitalizado pelo Arquivo Histórico José Fereira da Silva - Blumenau - SC


A QUEM DEVEMOS A REGULARIDADE
DESTAS EDiÇÕES

A FUNDAÇÃO "€ASA DR. BLUMENAU", editora desta re·


vista, torna público o agradecimento aos aqui relacionados pe'
la contribuição finanGeira que garantirão as edições mensais
durante o corrente ano:

TEK.A - Tecelagem Kuehnrich SI A.


G0mpanhia Hering
Creme r SI A. P-rodutos Têxteis e cゥイァセッウ@
Casa Willy Sievert SI A. Comercial
Distribuidora Catarinense de Tecidos SI A .
Livraria Blumenauense SI A.
Sohrader SI A . Comércio e Rel'lresent-aqões
Companhia Comercial Schrader
Buschle & Lepper SI A.
João Felix Hauer (Curitiba)
Madeireira OdQbrecht Ltda.
Móveis Rossmark
セエィオイ@ Fouquet
Pal!11 Fritz Kuehnrich
Walter Schmidt Com. e Ind. Eletromecânica Ltda.
Cristal Blumenau SI A .
Moellmann Comercial SI A.
Stll Fabril SI A.
Herwig Shimizu Arquitetos e Assot'Jiados
Auto Mecâniea Alfredo Breitkopf S. A.
Maju Indústria Textil Ltda.
HOR Máquinas e Equipamentos Ind. lLtda.
Casa Meyer.
ONEDA - Equipamentos para Escritório Ltda .
Casa Buerger Ltda.
UNIMED . Blumenau
Casa Flamingo Ltda.
Gráfica 43 SI A Ind. e Com.
Família Atílio ZOI'lta
Lindner Arquitetura e Gerenciamento SIC Ltda.

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( .

EM CADERNOS
TOMO XXXIV I Agosto de 1993
________ セMi@

SUMARIO Página

Ensino Público e Particular em Blum enau - W . J. Wandall .......... . . . .......... 246


Toponimia Barriga-Verde - Theobaldo Costa Jamundá ........ . ..... .. ....... . .. .. 249
Os Gonçalves de Leão em Santa Catarina - Antônio Roberto Nascimento .. . .. . ... 250
Autores Catarinenses - Enéas Ath anázi o . ......... . ........ . ................. .. 256
A Imprensa Jovem e Dinâmica da nossa Região . .... . ........... _. . ..... . . . . . . .. 258
Reminiscências de Ascurra - Atílio Zonta ... ...... .. .................... . .. . .... 259
Enchente - Erna Deeke Hosang ........ . ...... .... . .. .... . .... . .... . .. . ........ 262
Registros de Tombo da Paróquia de Gaspar (IX) - Pe. Antônio Francisco Bohn .... 268
Faleceu Lauro Lara .... ........ .. ....... .. . .... ... ....... ............ . ......... . 270
Subsídios Históricos - Rosa Herkenhoff ........................................ 271
A Degola de Procópio José de Bayer - Edison D'Avila . ..... ...... .... ....... .. . 272

BLUMENAU EM CADERNOS
Fundado por José スッセ・イゥ。@ da Silva
órgãQ destinado ao Estudo e Divulgação da História de Santa Catarina
Propriedade da FUNDAÇÃO "CASA DR. BLUltIiENAU"
Diretor responsável '. José Gonçalves - Reg. n. O 19
Assinatura por Tomo (12 nOs.) CrS 200.000,00
Número avulso Cr$ 40.000,00
Assinatura para o exterior (porte via aérea) CrS 400.000 ,00
Alameda Duque de Caxias. 64 - Caixa Postal 425 - Fone: 22-1711
89.015 -B L U M E NAU - SANTA CATARINA - B R A S 1 L

Foto: Prédio atual da Prefeitura, construído no governo Renato Vianna (1978/ 82), que
após 11 anos retorna ao poder municipal, usufruindo da obra que construiu, reconduzido
pela força do voro dos eleitores blumenauenses.
Clichê: Gentileza da Clicheria Blumenau Ltda.
-245 -

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ENSINO PÚBLICO E PARTICULAR EM BLUMENAU
W . J . Wandall

7. Colégio São Paulo merecedor de elogios


o pedido de uma subvenção Admira, realmente, que o Sr.
solicitado ao governo provincial de 1°. Secretário e o nobre líder da
Santa Catarina, encaminhado pelo maioria, os mais empenhados em
Padre José Maria Jacobs, mereceu proteger a instrução pública, quei -
uma ampla discussão na Assem- ram matar um colégio nas condi-
bléia Provincial, encontrando uma ções do de São Peulo de Blume-
acolhida apaixonada do Deputado nau. Vejo na fisionomia do nobre
Cristovão Nunes Pires, cujo teor da líder o seu constrangimento ; meteu-
defesa apresentada naquela casa se num beco sem saída. Disse S.
legislativa repercutiu, inclusive no Excia., respondendo ao nobre co-
Rio de Janeiro, tornando-se publi- lega, Sr. Barreiros, アuヲセ@ não era
cação do «Jornal do Comércio» da perseguição política.
capital do Império. Eu não digo que seja, mas,
creio que seja ainda pior: creio ser
Eis o teor da publicação: o dedo do protestantismo, para que
«O Sr. NUNES PIRES. - Sr. não progridam na colônia as idéias
Presidente, não posso deixar de cotólicas romanas. O Padre Jacobs
combater este projeto porque vai é um dos melhores Padres de San-
consumar uma grande injustiça e ta Catarina e cumpridor de seus de·
ferir a instrução pública. (Apoiados) . veres. Sinto que o nobre deputado
Sr. Presidente, é para notar, tendo- Sr. Asseburg esteja ausente, por-
se votado aqui escolas até para que quando levei alí um filho meu,
arraiais, se queira agora tirar a sub- perguntei ao Sr. Asseburg que tal
venção ao Colégio de Blumenau, era o Colégio e respondeu-me que
especialmente agora que este mais fazia bem em alí deixá-lo a educar;
precisa, pois há pouco construiu isso há mais de um ano.
um novo edifício em que gastou Em Blumenau, para me certifi-
Rs. 14:000$000. car mais, perguntei a um negocian-
O Colégio do Padre Jacobs te de critério e muito honrado, Sr.
tem tido cento e tantos alunos, in- Luiz Sachtleben e ao Sr. H. Koehler
ternos e externos, e é um colégio Júnior, que me informaram bem re-
nestas condições que se quer ma- lativamente ao Oolégio. E, então,
tar! A retirada da subvenção vai, levei o meu filho e entreguei-o ao
sem dúvida, .fazê-lo fechar a força. Padre Jacobs e não tive motivo de
A pensão que pagam os internos arrependimento.
de 1a. classe é de Rs. 200$000, os O nobre líder disse que dese-
de 2a . classe 120$000 e os de 3a . ja é que a instrução será bem apro-
clssse Rs . 60$000 anualmente; ora veitada; ora, como se quer isso, se
já se vê que a casa com uma pen- se retira a subvenção na ocasião
são tão diminuta não é possível tra- menos oportuna? O que predomi-
tar os alunos a vela de Rs. 60$000 na neste país é a destruição. Cria-
e 50$000 mensais! se para depois se destruir. Desde

....;. 246-

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que se cria um estabelecimento co- téria sem estudá-Ia bem. Parece
mo este, deve-se-Ihe dar apoio e que há uma certa propaganda pro-
não retirá-lo. Como é que os Srs . testante que quer destruir aquele
Prado Faria e Thomaz de Oliveira b alu arte de propaganda católica .
querem consumar um ato que de- Vou concluir, tendo defendido
pois vai falar contra nós? O Colé- os interesses da instrução pública,
gio recebe pens ionistas pobres que ainda que mal. (Não apoiado. O
nada pagam. Existem alguns, e se nobre líder foi mal informado, ou
outros se têm retirado é porque o vítima de uma tenta.ção . (Risos).
Colégio está necessitando de auxí- O nobre colega é meu amigo Sr .
lios. Lepper, que ficou meio incomoda-
Sobre a fuga de alunos direi do comigo por haver eu falado no
que, retiraram-se alguns alunos protestantismo, mas não sustentei
porque muitos não querem sujei- isso, foi uma suposição » .
tar-se ao regime do Colégio. Diz o Qual o resultado daquela dis-
nobre líder que viu os meninos cussão não conseguimos reunir
com as mãos grossas de trabalha- nenhuma qualquer outra informa-
rem na roça; aqui bem perto, em ção. No [Link] ao solicitado pelo
Santa Isabel, existe um colégio on - Padre José Maria Jacobs, também
de os meninos pobres, que não po- nenhum historiador ou outro infor-
dem pagar, t rabalham na horta. me se conseguiu , .f icando o assun-
E não é isso um fato digno de cen- to sem uma resposta, pelo menos
sura. A trabalho, conforme as for- de nossa parte. Com a subvenção
ças de cad a um , é um ato higiêni- ou sem ela o fato é que o Colégio
co. São Paulo conseguiu sobreviver à
O Colégio de São Paulo de crise .
Blumenau é muito bem dirigido, Com a implantação oficial do
mas hoje está lutando com gran- Município de Blumenau , em 1883
des dificuldades. Fez um novo edi- e o retorno do Dr. Blumenau para
f ício com esmolas obtidas e ficou a Alemanha, em 1884, os novos di-
sem recursos. Então, bem vêem os rigentes blumenauenses não só se
nobres colegas que não é agora preocuparam em dotar o Município
a ocasião de tirar-se-Ihe a subven- com uma atuação comparável com
ção. Quer despir-se um santo para sua nova condição , como ainda
vestir-se outro. buscaram analisar os vários aspec-
Disse o nobre líder que aí não [Link] de suas atribuições, voltados
se ensina o idio ma português per- para a educação, a saúde, a admi-
fflitmnente . Concordo com isso, por- nistração, as comunicações e, p!' in-
que os professores são alemães G cipalmente, para o bem-estar so-
não podem , portanto, falar o portu- cial. Gomo vinham de uma intensa
guês; então obrigue-se o Colég io atividade de recuperação econômi-
a se tornar habilitado e não seja ca , face à catástrofe de setembro
esse pretexto para negar-se a sub- de 1880, a parte social mereceu
venção. prioridade básica.
Recordo-me que, na 1a. discus- No entanto, a crescente ativi-
são deste projeto, o Sr. 2°. Secre- dade política surgida com a nova
tário fa lou em informações do Sr. categoria a que foi elevada a Co-
Dr. Fritz Müller; peço aos nobres lônia , naturalmente apareceu um
deputados que não votem nesta ma- intercâmbio maior de opiniões e

- 247 ,.--

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sentimentos, notadamente com a des, possibilitando dotar Blumenau
chegada de pessoas das regiões de um ensino digno dos foros de
mais evoluídas do País. Apareciam Município vanguardeiro em Santa
lentamente, entre os blumenauen- Catarina.
ses, seguidores das idéias republi-
canas, em sua maioria contrários A ação dos interessados na
aos procedimentos monarquistas, melhoria do ensino público, foi fa-
desgastando-se a administração im- cilitada por um fato assim narrado
perial a olhos vistos, face à avança- por Edith Kormann: «em 1885 re-
da idade de Dom Pedro II e aos presentantes do comércio de Ham-
movimentos an'ti-escrav,agistas. burgo (Alemanha) resolveram co-
crescendo de maneira apreciável nhecer Blumenau, sendo procura-
no eixo Rio-São Paulo. dos por pessoas da comunidade
interessadas em conseguir uma es-
Como o Padre José Maria Ja- cola pública . Com seu prestígio os
cobs era um ferrenho defensor da visitantes procuraram interceder
Monarquia, talvez pel·os grandes junto à Côrte do Rio de Janeiro,
.favores recebidos da Côrte do Rio porém nada conseguiram. Para
de Janeiro, sérios atritos teve com criar a escola os representantes
os primeiros administradores blu- do comércio de Hamburgo manda-
menauenses, em especial com o ram para Blumenau o professor
Dr. José Bonifácio da Cunha, médi- Draht; organizaram em Hamburgo
co baiano para cá trazido pelo ami- uma pequena associação de ami-
go, Dr. Victorino de Paula Ramos, gos, remetendo dinheiro inclusive
nos primeiros tempos da implanta- do Kaiser e do Parlamento Alemão
ção do Município de Blumenau. (Reichstagh>.
Foi, inclusive Bonifácio da Cunha,
na função de Inspetor Escolar do A segunda parte do processo
Município, quem denunciou o Co- de implantação da escola em Blu-
lég io São Paulo de não ensinar a menau deveria ser realizada pel a
língua portuguesa aos seus alunos, comunidade local. O trabalho fei to
resultando no corte da subvencão aqui é assim analisado pelo «Der
provincial, já abordada nas pág inas Urwaldsbote Kalander für die Deu-
anteriores. tschen in Sud Brasilien, 1900», tra-
duzido por Edith Sophia Eimer:
Por outro lado, analisando a ne- «em feverei ro de 1889 foram dados
cessidade de se melhorar a quali- os primeiros passos para a 'funda-
dade do ensino no Município, pois ção de um melhor estabelecimento
as escolas existentes na Grande de ensino na cidade de Blumenau .
Blumenau careciam de um melho- Existia até então uma escola me-
ramento substancial em sua capa- lhor, sob a direção do religioso Jo-
cidade de absorção de alunos, as- sé Maria Jacobs, mas justamente
sim como, na quantidade e quali- para aqueles que não pertenciam
dade do seu quadro docente, pen- a sua igreja, apresentavam-se inú-
saram os administradores em ado- meros empecilhos, que por fim le·-
lar medidas compatíveis e capaz es varam à fundação de uma outra es-
de minimizarem aquelas necessida- cola».

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rOPONÍMIA BARRIGA. VERDE
(Referências municipais - II)
THEOBALDO COSTA JAMUNDA

Sem preocupação com equívoco se po- Garibaldi " no mUnlClplO da Microregião


de dizer que dois municípios catarinenses dos Campos de Curitibanos . - E entendá-
homenageiam à memória de Anita Garíbal- mo-lo com uma .referência um tanto com
di, e três requerem a glória de ser a sua raiz na História dos farroupilhas passando
terra natal: dois dos três por intelectuais por ali. Como se sabe: gaúcho de brio
como W. L. Rauh, um gabaritado especia- maior tem zelo g;'ônde pela qualidade far-
lista em estudos garibaldinos com nome roupilha .
feito, no Brasil e na Itália, e mais onde O outro município de topônimo home-
se cultui a memória de GIUSEPE GARI- negeador da memória de Anita Garibaldi,
BALDI (1807-1882). e como Licurgo Costa, é .. Anitápolis". Este pertence a .. M icrorre·
um catarinense nascido em Lages (SC), gião Colonial Serrana Catarinense ".
diplomata aposentado como ministro @ Quem andou em demoradas pesquisas
velho jornalista profissional. E mais ainda por al i e circunvizinhanças f oi o padre
pessoa que sabe escrever e é o autor do Dall 'Alba , pessoa de dedicado talento prag-
livro "O Continente das Lagens - Sua mático como vários títulos na Bibliogra-
História e Influência no Sertão da Terra fia Catarinense . E disse-me numa conver-
Firme"_ sa e escreveu em páginas, que os pionei-
Licurgo Costa e W . L. Rauh, desfru- ros do lugar 'Rio da Prata ", não relaciona-
tam posições certas e maiores, nas Letras vam conhecimento com o topônimo .. Anitá-
Brasileiras, entretanto cada um tem ver· polis" .
são para lugar onde Anita Garibaldi nas Como se sabe este município é nes-
ceu, respectivamente, um diz ter sido em ga subtraída do município de " Palhoça
Lages e o outro diz ter sido na Laguna . (SC) " e portanto, vem como outros , da
Discordando dos dois existe em Tubarão região do município de .. São José (SC) ".
(SC) quem admita por dedução que Anita O acanhamento dos lugares e mais os
nasceu lá: uma vez que o lugar foi lagu· obstáculos naturais também o idioma dos
nense até quando disposição legal passou· colonizadores alimentaram um isolamento
o a ser chão tubaronense. espacial. E os topônimos inspirados nos
A versão de W. L. Rauh está diluida gerenciamentos de colonizadores ou pelo
no grande público lagunense, e a de Li- interesse desta autoridade homenageando
curgo Costa alcança o universo aêaaêmi- aquela, nem sempre foram divulgados ou
co ou de interessados em aspectos histó· sequer ensinados. Esta distância entre po-
ficOR regionais. voador e executores de providências colo-
Pela geografia dos Campos de Lages nizadoras , captou Dall'Alba com os que
Anita Garibaldi passou peleando contra moravam em chão catarinense ciiãmado
os imperiais . E ficou entendida na concep- "Lauro Müller".
ção do peleador campeiro-gaúcho como Entretanto, os caboclos como os colo-
se fosse uma segunda alma do seu ho- nos herdeiros de pioneiros , ao próprio mo-
mem Gieseppe Garibaldi . do cada um, depunham sobre o combate
Daí ter certo nexo o topônimo • Anits sangrento da 'Serra da Garganta". - Eis-

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to por que aquele ou aquel'outro estive- isto aconteceu nos fins da década de 20.
ram engajados no pelotão da PoliêTa M ili- - E o êxodo rural não consistia sequer
tar de Santa Catarina operando , posiciona- ser percebido. E se o idealismo não colheu
mento, na Revoluç ão de 1930 . sucesso se deve a impropriedade dãs con-
E também quem divulgou" Anitápolis" dições topográficas para uma agricultura
foi a existência do Patronato Agrícola Ani - rentável. Mas reconhecer se pode que o
tápolis, que o Ministério da Agricultura, idealismo do gaúcho dr. Dulfe Pinheiro
manteve instalado ali como unidade de Machado ori entava para caminho certo.
ensino elementar agrícola. - Entenda-se A aplicação do idealismo é que fõT politi-
bem, não foi uma colônia correcional. E camente equivocada.
sim uma unidade de ensino agrícola, de Voltando à critica dos topônimos cria-
certo modo pretendendo formar novos dos em gabinete como "Anitápolis", se
agricultores com os filhos das famílias t em "ANGELINA" (já comentado) ou se
radicadas no fazeres e que fazeres 6a ter- tem um como o que substituiu -" Nossa
ra . - Na qual se tenha conhecimento ho- Senhora do Desterro", " Florianópoli s".
j e, que pelo modulado do terreno, exigiu Se "Anitápolis" é Anita+polis, Floria-
muito e não respondeu compens adoramen- nópolis é Floriano+polis. - Logo, cidade
t e. O Patronato Agrícola de Anitápo lis fez de Anita e igualmente, cidade de Floriano.
parte do sistema de patronatos agricolas - Sendo Floriano, do Marechãl de ferro
mantidos pelo Ministério da Agricul tura, r-Ioriano Peixoto.
onde o dr. Dulfe Pinheiro Machado, se Se pode entender o simbo lismo quan-
tornou o mais interessado no envolvimen- to encontrar em Anita Gariba ldi uma ener-
to de crianças e adolescentes ruricolas gia para o sucesso. Porém entender que
sabedoras de técnicas agrícolas atualiza- na Ilha de Santa Catarina o Marechal Flo-
da<>. ri ano Peixoto mereça homenagem ( ... )
- Quero dizer, que o dr. Dulfe Pinhei- - Não é fácil. - O acontecido em Anh a-
ros Machado achou que o patronato agrf- tomirim em 1894, dificulta. E mais a mais
cola instalado em Anitápo lis, evitasse que o topônimo "Nossa Senhora do Desterro"
os filhos de agricultores fossem inscritos já estava com a idade de um século e
na fila do êxodo rural. - Calculem que mais 68 anos.

OS GONÇALVES DE LEÃO EM SANTA CATARiNA


Antônio Roberto Nascimento

O Capitão Marcos de Azeredo , nasci- 5. D. Helena Coutinha;


do em Guimarães por volta de 1559, e f a- 6. D. Isabe l Coutinha;
lecido em Vitó ria (ES), depois de 19.5.1618, 7 . Domingos de Azeredo Coutinho .
casou, em torno de 1589, com D. Maria
de Melo Coutinha , com quem teve os Domingos de Azere do Coutinho nasceu
seguintes filhos (1): na Capitania do Espírito Santo, onde foi
1. João de Azevedo Coutinho; batizado aos 18 .5. 1596, tendo sido casa-
2. Belch ior de Azer ed o Coutinho ; do no Rio de JlIneiro , por vol ta de 1619,
3 . Fre i Migu el de São Marcos; com Ana Ten re ira da Cunha, filha de Cris-
4. Antônio de Azeredo Coutinho: pim da Cunha Tenreiro e de Isabel de

( 1) - CARLOS G. RHEINGANTZ , Primeiras Famílias do Rio de Janeiro, Vol. I. 1965,


p. 143 .
-250-

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Mariz, com quem teve, de seu turno, os Maria Coutinha de Melo nasceu em
segu i ntes fil hos (2): S. Gonçalo (RJ), por volta de 1698, e ca-
1.1. Capitão Marcos de Azeredo sou, aos 18.10.1718, com o Tenente José
Coutinho; Ferreira Ramos, natural do Rio de Janeiro,
1 .2. Capitão Antônio de Azeredo filho de Ambrósio Ramos Ferreira e de
Coutinho: Joana de Faria. Desse casal foi filha:
1 .3. Bernardino de Azeredo Couti- 1. 11. 3.2.1. D. Rita Maria do Espírito
nho; Santo (5).
1 . 4 . D. Maria Coutinha; D. Rita Maria do Espírito Santo, natu-
1 . 5. D. Ana Tenreiro da Cunha; ral da freguesia de N. sa. da Candelária
1 .6. D. Cândida Coutinha: do Rio de Janeiro, foi casada com o Capi-
1 .7. Domingos de Azeredo Couti- tão Miguel Gonçalves de Leão (Júnior) na-
nho; tural da freguesia de Santo Antônio de
1 .8. Crispim da Cunha Tenreiro; Sá da Vila de Macacu, no Rio de Janeiro,
1.9. D. Joana Coutinha; filho de Miguel Gonçalves de Araújo e
1.10. D. Helena Coutinha; de Barbara da Costa, naturais da fregue·
1.11. D. Isabel Tenreira da Cunha . sia de N. sa. do Desterro do Rio de Ja-
D. Isabel Tenreira da Cunha nasceu neiro, conforme batismo do filho Henri-
no Rio de Janeiro, aos 18 .6.1627 e casou, que, aos 02 . 10.1754, na Ilha de Santa
por volta de 1651, com o Capitão LuíR Catarina (6) . Tiveram os seguintes filhos
Cabral de Távora, falecido em São Gonça- (7) :
lo (RJ), aos 22.5.1689, filho de Francisco 1 . 11 .3 . 2.1 .1. Tenente-Coronel Alexan-
Cabral de Távora e de Maria Maldonado dre José Azeredo Leão
tendo , por sua vez, os seguintes filhos (3): Coutinho;
1.11.1. D. Isabel de Azeredo Couti- [Link] . 1.2. Comnel Henrique José
nho; Leão Coutinho;
1.11.2. Diogo de Azeredo Coutinho; 1.11.3 . 2.1.3. Capitão David de Aze-
1.11.3. Capitão Tomás Gomes Cabral redo Leão Coutinho;
de Távora. 1_11 . 3 . 2.1 . 4 . Ana de Melo Coutinho;
O Capitão Tomás Gomes Cabral de 1 . 11 . 3.2 . 1.5. Miguel Nicolau de Aze-
Távora (1169-1726) foI casado, em primei . redo Leão (8).
ras núpcias, com Josefa Correia de Mariz O Tennete-Coronel Alexandre José A-
e, em segundo leito, aos 05.8.1694, tam- zeredo Leão Coutinho, natural do Rio de
bém no Rio de Janeiro, com D. Maria de Janeiro, foi Porta-Bandeira do Regimento
Melo de Vasconcelos, filha do Capitão da Ilha de Santa Catarina, quando foi a
André Ferreira da Silva e de D. Maria de Portugal requerer a remuneração de seus
Melo Vasconcelos . Teve, do segundo lei- serviços e de seu pai, depois que houve
to, dois filhos: a reabilitação de seu nome. É que seu pai,
1.11 . 3.1 . Tenente Diogo de Azeredo Governador da Fortaleza de Anhatomi rim .
Coutinho; fo ra acusado de covardia no episódio da
[Link]. Maria Coutinha de Melo invasão espanhola, quando esteve preso pe-
(4) • los espanhóis . Depois de promovido aD

( 2) - Ob. cit., p. 145.


( 3) - Ob . cit., p. 159 .
( 4) - Ob . cit., p. 160.
( 5) - O: R. CABRAL, Rafzes Secul ares de Santa Catarina , 1953, p. 83 .
( 6) - Livro nO. 2 de batismos da Matri z de N. sa. do Desterro
( 7) - LUCAS A. BOITEUX, Os " Leão Couti nho ", Blumenau em Cadel'l1os Tomo I, nO. 3,
janeiro de 1858, pp. 49-50.
( 8) - CABRAL, Raízes Seculares cit., p. 83.

- 251 ----

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posto de Câpitão, Alexandre José Azere- Cremos que o último fosse o João Pe-
do leão Coutinho também se tornou Go- dro de Azevedo Coutinho, proprietário do
vernador da Fortaleza de Santa Cruz de lote nO. 28 da Carta Organizada pelo De-
Anhatomirim , que assumiu aos 03.11 . 1787. partamento Estadual de Geografia de Car-
Promovido a M ajor, foi reformada no pos- tografia referente ao ano de 1876 (12) .
to de Ten ente-Coronel pelo decreto de Houve, também do segundo leito, a filha
14.1.1786 . Em 1793 , obteve sesmaria no Carolina de Melo de Azeredo Coutinho, ba-
Itajaí onde estabeleceu - ou já exist ia? - tizada em São Miguel e casada com o Ca-
uma fazenda. Foi casado, em primeiras pitão Benigno Lopes Moncam uruguaio,
núpcias , com D. Fortunata Amélia de A- natural de Paisandu (13) , filho de Félix Lo-
ze redo Leão Coutinho Catela , filha de Jo- pes, relOjoeiro, natural de Biscaia , Espa-
sé Antônio Catela, natural de Milão, e de nha, e de Juliana Monção, natural de Pai.
Ana Joaquina Catela, Enviuvando aos sandu . Esse Capitão tinha cinco irmãos
26 . 2.1798, passou a segundo leito com que vieram para Santa Catarina com el e,
D . Felicia Al exandrina Azeredo Couti- entre 1814 e 1818, sendo citados " vários
nho . Faleceu aos 8 de outubro de 1815, ha- cunhados de Benigno, os Azeredo Leão
vendo filhos de ambos os casamentos (9). Coutinho" que "tinham terras ao longo do,
Sua pr imeira mulher. D. Fortunata Amé· Itajaí-Açu" .
lia de Azeredo Coutinho , faleceu aos
27 . 2 . 1798 (10) , declarando-se natural de O Coronel Henrique José Leão Coutinho ..
Lisboa , filha de José Antônio Melo e de já natural da Ilha de Santa Catarina (v.
D. An a Joaquina Melo, e casada com o batismo acima), era sargento quando ca·
Capitão-Governador Alexandre José de A- sou com Engrácia Joaquina (14), tendo si,
zeredo Leão Coutinho , com quem tivera do assassinado em Santa Catarina, quan-.
quatro filhos . L. A . BOITEUX (11) identifi- do era Coronel de Milícias (15) .
ca os seguintes filhos :
1 . 11 .3 . 2 . 1 . 1 . 1 . Violante, falecida em O Capitão David de Azeredo Leão Cou-
1793; tinho, natural da freguesia de N. sa. da'
1.11 .3 .2.1 . 1.2 . Maria, batizada aos Candelária do Rio de Janeiro, casou , aos
25.5 . 1796: 07.9.1782 , na Matriz de Na. do Desterro
1 . 11 . 3 . 2 . 1 . 1 .3 . João, falecido: da Ilha de Santa Catarina, quando seus
1 . 11 .3.2 . 1.1.4 . Ilegível, já do 2° . lei- pais já eram falecidos (16). com Mariana
to; Angélica de Jesus, natural do Desterro ,
1 . 11 .3 . 2 . 1 . 1.5 . José, do 2° . leito filha de Antônio Dias da Rocha e de Ma-
morto em 1800: ria Rodrigues da Costa. Viúvo de sua pri-
1 . 11 .3 .2 . 1 . 1 .6 . João. também do 2° . meira mulher aos 07 . 1 . 1786 (17), passou
leito, estabelecido em a segundo leito, quando era " Porta-Bandei-
Pedra de Amolar, de- ra do Regimento desta Praça", com Faus-
fronte da Ilhota, à tina Luiza do Amor Divino , natural da Ilha
margem esquerda do de Santa Catarina, filha de Pedro Cost a
Itajaí.

( 9) - L. A . BOITEUX , ob . cit., p. 50 .
(10) - Primeiro livro de óbitos da Matriz de N. sa.
do Desterro .
(11) - Ob . cit .. p. 50.
(12) - O. R, CABRAL , Brusque, 1958, p. 253 .
(13) - JEAN R. RUL, Os Colonizadores do Vale do Itajaí, Blumenau em Cadernos
Tomo XVIII , julho de 1977, nO . 7, p. 210 .
(1 4) - L. A . BOITEUX, ob. cit., p. 50 .
(15) - HENRIQUE BOITEUX , Santa Catarina no Exército , 1942, 10. vol. , p . 110 .
(16) - 3°. livro de casamentos da Matriz de N. sa,
do Desterro .
(17) - Id. ib.
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Cardoso (18), natural de Santo André da carreira pública e que foi casado com D.
Vila de Mafra, e de Joana Maria de Santa Cândida Júlia Marmontel Lacerda, filha de
Rosa, neta paterna de Manoel Cardoso e Antônio Silveira Lacerda e de D. Ana Ma-
de Francisca Maria. ria Lacerda, com quem teve descendên-
Ana de Melo Coutinho, batizada no cia.
Desterro aos dois de maio de 1759, foi ca- No manuscrito "Notas para a Hisló-
sada com Estácio Borges de Bittencourt ria e Corographia da Parochia de São Pe·
do Canto (19). negociante (20). filho de dro Apóstolo do Gaspar", parcialmente pu-
Joaquim Borges de Bittencourt do Canio blicado pelo Pe. Antônio Brancisco Bohn
e de Rosa Luiza de Jesus, com quem teve (26), o sobredilo João Pedro de Azeredo
a filha Rita de Melo de Azeredo Coutinho, Coutinho recebeu sua educação de seu
casa, por seu turno, com o Capitão-Mor tio, o sacerdote Domingos. Segundo o
Manoel José Pires da Silveira Casado, na- mesmo documento, ainda, a primeira mu-
tural de Porto Alegre, filho do Capitão- lher do Tenente-Coronel Alexandre de A-
Mor José Francisco da Silveira Casado, zeredo Leão Coutinho teria sido uma Jo·
natural da ilha do Pico, nos Açores, e de sefa, com quem veio morar na barra do
Bibiana Josefa Bittencourt do Canto, natu- Rio Itajaí-Açu, por volta de 1790, com quem
ral da Ilha Terceira. Desse último casal teve, além do referido João Pedro, a filha
foi filho Manuel José Pires da Silveira, Maria. Esta última, após receber a herança
natural de Porto Alegre, onde nasceu em de bens móveis, casou e foi morar em
1°. de janeiro de 1804, casado com Rita I' orlo Alegre. João Pedro, por seu turno,
Fausta Correia da Câmara, natural também herdou uma légua de terras de frente por
de Porto Alegre, aos 25.1.1825 (21). duas de fundo na margem norte do Rio
Miguel Nicolau de Azeredo Leão, sem de Itajaí, desde a Pedra de Amolar até a
outras notícias. fre ,te de Ilhota, perto da barra do Lu iz Al-
Cremos que o Domingos de Azeredo ves, que veio a ocupar, por volta de 1825,
Leão Coutinho (22) fosse filho de Alexan· após dar baixa militar por motivos de saú-
dre José de Azeredo Couti nho, não de Mi- de. Encontrou suas terras ocupadas por
guel Gonçalves de Leão, segundo informou famílias pobres, casou com moça de uma
L. A. BOITEUX. Morava na "Volta Gran- dessas famílias, teve 10 filhos, entre hn-
de", à margem esquerda do Rio Itajaí. Fo- mens e mulheres, e faleceu em 1875, já
ra, em 1786 (23), Capelão da Fortaleza de com idade avançada. Do segundo leito.
Santa Cruz de Anhatomirim. Foi admitida Alexandre de Azevedo Coutinho teve ap8-
na V. Ordem Terceira do Desterro aos nas a filha Carolina, casada com Benigno
2.8.1822 (24), o que parece demonstrar não Lopes de Mello, com quem teve os filhos:
ter ele ido para o Rio Itaj aí. Talvez fosse Pedro, Antônio, Ana e Maria. Os dois pri-
ele o Pe. Domingos Francisco de Sousa meiros morreram ainda em solteiros, sen-
Coutinho que teve, com D. Genoveva do que Pedro Lopes de Mello foi o .. Pe-
Francisca de Sousa (25). o filho João drinho da Fazenda". Aliás, foi Maria que
Francisco de Sousa Coutinho, nascido no morreu solteira, pois Antônio Lopes de
Desterro, aos 25.3.1804, onde faleceu Me llo foi herdeiro da Fazenda, transmiti-
também aos 11.9 .1869, após importante da a seu filhos empobrecidos, que a ven-

(18) - CABRAL, Raízes Seculares, cit., p. 39 .


(19) - L. A. BOITEUX, ob. cit., p. 50.
(20) - CABRAL, Raízes, cit., p. 39 .
(21) - L. A. BOITEUX, ob. cit., p. 50.
(22) - Id. ib.
(23) - CABRAL, Raízes. cit., p. 51.
(24) - W . F. PIAZZA, A Igreja em Santa Catarina, p . 239.
(25) - W. F. PIAZZA, Dicionário Político Catarinense, p. 187.

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deram gradativamente. Ana teve um filho sua segunda mulher D. Ana Maria de Sou-
que morreu tísico, alguns aos depois ' da sa Pereira, neto paterno do Capitão Fran-
morte dela. Embora contenha preciosas cisco Dias Ferreira e de sua segunda mu·
informações acerca da família Gonçalves Iher D. Brites de Sá Soutomaior, e mater-
de Leão, é fácil perceber que o manuscri- no de Antônio Ferrão Castelo Branco e de
to citado contém algumas erronias. D. Andreza de Sousa Pereira. Foi irmão
Sabe-se, atualmente (26). que o Capi- de Antônio Barbosa de Sá Freire, casado
tão Marcos de Azeredo, irmão de Antônio no Rio Pardo, aos 22.11.1761 (29), com
de Azeredo, era bisneto de Maria de Aze· D. Gertrudes da Fontoura, filha do Tenen-
redo, filha de "uma negra da terra" (índia) te João Barbosa da Si Iva Gama e de D.
do sertão de Porto Seguro, casada com Inácia Maria Velosa da Fontoura. Saint- Hi-
Manoel Fernandes. O dito Alferes Antô- laire teve péssima impressão do Vigário
nio de Azeredo, morador da Vila de Vitó- Bento Barbosa de Sá Freire de Azevedo
ria, Capitania do Espírito Santo, foi casa- Coutinho, a despeito de lhe reconhecer cer-
do com Leonor de Queirós, também do to grau de instrução. Em 1808, requereu e
Espírito Santo, sendo irmãos o pai 'dele e obteve 3.500 braças de terras em quadra,
o pai dela, ambos bisnetos da referida no lugar denominado Rio do Piraí. hoje
Maria de Azeredo, mameluca. Ora, tantn Município de Joinville, onde pretendia ins·
Marcos como Antônio seriam já nascidos talar fazenda para criação de animais, ao
no Brasil, o que desfaz a presumida na- lado das terras de Francisco de Miranda
turalidade lusa de Marcos, declarada --em Coutinho e de um certo Lamim (30). Não
seu testamento. Além disso, Maria de sabemos se, de fato, chegou a instalar di-
Galegos, a mulher do Alferes Antônio de ta fazenda, mas faleceu em S. Francisco
Azeredo Coutinho, era filha de Jorge de do Sul. aos três de dezembro de 1848 (31).
Sousa Coutinho - irmão do pai dele - João de Azeredo Coutinho, descenden-
e de Maria de Galegos, a mostrar que te dessa ilustre família (32). traz algum,
Marcos não nascera em Guimarães, con· esclarecimentos sobre ela. Assim é que
forme já se escrevia. João Pedro de Azeredo (não Azevedo)
Leão Coutinho foi casado com Tomásia
Outro equívoco que impende desfazer Maria da Conceição, filha de Francisco
é o da naturalidade lusa do Pe. Bento de Rangel de Britto e de D. Floriana Dias.
Sá Freire Azevedo Coutinho (27), também Permitimo-nos acrescentar ao autor que a
membro de tal família. Era natural do Rin dita Tomásia tem seu batismo noticiado
de Janeiro, mais precisamente da freguo- em 28.10.1816 (33) e que seu pai era
sia de Jacarepaguá, onde foi batizado aos Francisco Rangel de Mendonça, natural de
5.8.1765 (28). sendo filho do m・ウエイ M 、セ@ freguesia do Pilar, filho de Antônio Rangel
Campo João Barbosa de Sá Freire e de do Couto e de Ana Rangel de Brito, casa·

(26) - Blumenau em Cadernos, Tomo XXXII, fevereiro de 1991, nO. 2, p. 58 .


(26) - DALMIRO DA MOTTA BUYS DE BARROS, Banhos, Resumos dos Processos de
Casamentos do Bispado do Rio de Janeiro, VaI. 1, 1990, 1°. Fascículo, ano da
1675, pp. 10-12.
(27) - W. F. PIAZZA, A Igreja em Santa Catarina, 1977, p. 239.
(28) - C. G. RHEINGANTZ, Primeiras Famílias do Rio de Janeiro,1965, Vol. I, p. 201 .
(29) - J. GODOFREDO GELlZARDO , Genealogia Rio-Grandense, 1937, p. 179.
(30) - Arquivo Histórico de Joinville, cópias das sesmarias concedidas na região .
(31) - V. Blumenau em Cadernos, Tomo XXXII, junho de 1991, nO. 6, p. 183.
(32) - Reparos que se tornam necessários nas Pesquisas Históricas do Pe. F. Bohn,
Blumenau em Cadernos, Tomo XXXII, pp. 173 e ss.
(33) - V. nosso A Descendência de Cornélio de Arzão em Santa Catarina, Blumenau
em Cadernos, Tomo XXXI, dezembro de 1990, nO. 11/12, p. 261.

-254 -

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do na então Capela de S. João Batfsta de to provavelmente, o Alexandre Elói de aコセᄋ@
Itapocoróia, filial da Matriz de N. sa. da vedo Leão Coutinho (37), vereador em
Graça, aos 15.9.1813 (34) , com Floriana 1853. Filha do já então finado Cel. Henri·
Rosa da Silva, viúva de José Antônio Nu· que de Azevedo Leão Coutinho foi D. Ana
nes da Silva e filha de Mathias Dias de Amélia Pereira, dirigente da primeira esco·
Arzão e de Isabel Nunes da Silva, natu- la pública provincial feminina (38). criada
rais de Paranaguá. João Pedro teve o fi- pela Lei nO. 192, de 28.3 . 1844. O Cel.
lho David de Azeredo Leão Coutinho, mo- Henrique obteve 70 votos, em 1836, nas
rador na barra do Rio Luiz Alves , em ter- eleições para escolha dos deputados àr.
ras herdadas ao genitor, que, à certa, her- Assembléias (39) .
dara-nas ao progenitor, e casou, aos 11
de janeiro de 1879, em Gaspar, com Virgí- Nos primórdios da povoação de Dp,s··
nia Maria de Sousa, filha de Manoel Fran- terro (40). um Ignácio de Azeredo, natu-
cisco de Sousa e de Jesuína Maria de Je- ral de freguesia de N. Sa. de Macaê de
sus, com que teve o filho Saturnino de fora do Rio de Janeiro, casou com Estella
Azeredo Leão Coutinho, casado , por seu Soares, natural do Desterro, sendo teste-
turno , aos 10.2 . 1917, também em Gaspar, munha Francisco Antônio Branco, o genro
com Maria Luiza Vieira Pamplona (Sinhá), de Manoel Manso de Avelar .
filha de João Vieira Pamplona e de Luiza
Leopoldina Müller, esta filha do alemão Irmão do Capitão Benigno Lopes Mon-
Jacob Müller e da brasileira Ana Maria çam (v. supra) teria sido, a nosso ver, o
Kehrbach, neta paterna de João Müller e José Antônio Monção, casado com Vicên-
de Ana Reinartz, os avós, também pater- cia Inácia, com quem teve a filha Maria
nos, de Lauro Severiano Müller, consoante Felícia da Graça, que foi morar em São
se vê no batismo do ilustre catarinensp, Francisco do Sul, nas Laranjeiras, onde
(35) . toi casada com Cipriano Alves de Espín-
doia, cujos bens ela inventariou em 1885
o coronel reformado Henrique de Aze- (41). José Antônio Monção já era finádo
vedo (sic) Leão Coutinho morava na fre- em 1835 e sua filha teve quatro filhos
guesia de São Miguel da Terra Firme, fio- francisquenses: João Francisco de Assis ,
je Biguaçu (SC). e seu nome estava na Manoel aャカ・セ@ Espíndola, Cipriana Eufrásia
lista dos eleitores, em 1833, para o car- de Jesus e Maria Jacinta da Graça. casada
go de juiz de paz (36). Foi seu filho, mui- com José de Sousa Lopes (42) .

(34) - Livro nO. 1 da Penha.


(35) - Cf . HENRIQUE DA SILVA FONTES , Pensamentos, Palavras e Obras , Terceiro
Caderno, de Itajaí, 1963 , p. 38 .
(36) - Cf. IAPONAN SOARES, Hist. do Mun. de Biguaçu, 1988, p. 33.
(37) - Ob. cit., p. 37.
(38) - Ob . cit., p. 91.
(39) - Cf. W. F. PIAZZA, S. Miguel e o seu Patrimônio Histórico, 1970, p. 22 .
(40) - Primeiro livro de batismos da Matriz de N. sa . do Desterro .
(41) - Arquivo judiciário francisquense .
(42) - Id. ib.

255. ,.....

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AUTORES CA TARINENSES
ENÊAS ATHANÁZIO

FASCICULO SOBRE HOLDEMAR

A Fundação Catarínense de Cultura acaba de pub licar m::iis um


fascículo da série «Escritores Catarinenses Hoje», contemplando desta
vez o romancista, contista e cronista Holdemar Menezes. É o quinto a
ser publicado. Sempre com vinte e quatro páginas, ele contém uma entre-
vista especial , concedida a Flávio José Cardozo, uma cronologia biblio-
gráfica ilustrada, um apanhado das principais apreciações críticas sobre
a obra do autor, alguns textos de sua lavra, incluindo in éditos. e, por
fim , uma bibliografia ativa e passiva tão completa quanto possível. O
fascículo reproduz fotos, capas de livros e outras ilustrações relaciona-
das com o escritor e tem esmerada apresentação gráfica.
Na entrevista, Holdemar revela fatos de sua vida e descreve sua
carreira. É interessa nte o trecho em que relata seu process o criativo,
diferente no conto e no romance . Também é curiosa a história de sua
·opção pela literatura de ficcão . E muitos outros tópicos que contêm im-
portantes lições de art.e e técnica literárias.
Autor de dois livros de contos , entre eles «A coleira de Peggy»,
com o qual qanhou o Prêm io Jabuti rle 1972, três romances , dois volu-
mes de crônicas e um ensaio . além de muitas participações em coletâ-
neas e incontáveis t rabalhos PL'hlicados na imprensa, Holdemar Menezes
é um escritor consaÇlrado e este fascículo lhe faz justiça, além de contri-
buir para a divulgaç80 de seu nome e sua obra.

NO LIVRO DE OTTO

Em seu livro póstumo «Bom di a para nascer» (C ia. das Letras -


S'. Paulo - 1993) , o saudoso Otto Lara Resende esc reveu o seÇluinte:
«Outro carte ador emérito foi Monteiro Lobato .. Durante mais de quarenta
anos trocou um sem-número de cartas com Godofredo Ranqel. «Isso de
cartas é sapato de defunto - depois aue o autor mo rre é que elas ana-
recem », escreveu Lohato . auando resol/eu publicar A Barca de Glevre ,
com as suas cartas. O aue é uma pena é que até hoje não tenham apa-
recido as cartas de Godof redo RAngei Dara Monteiro Lobato. O paulista
e o mineiro tinham temne ra mentos diferentes, quase ooostos. Lobato ,
empreendedor. cosmooolita. tagarela. Ranqel. um bicho ele concha . tími-
do. taciturno . Ené3s Athan ázio lemb rou-o em O Amigo Escrito, título da
biografia que publicou e que tem a ver com a epíqrafe de Monteiro Lo-
bato: «Não somos amiÇloc; fa 1ad0s, somos amigos escritos». Lobato saiu
rJe Taubaté e andou pelo mundo. rセョァ・ャ@ viveu e morreu em Minas.
Só se viram qllando estudantes em São Paulo». (Páq. 120) .
E por falar nisso, A Academia [Link] ira de letra s ;:lC'lI)E\ de preen-
cher a vaqa do escritor mineiro , eleqendo para el8 o imnal 'sta Rob erto
Marinho. Pobre Otto! Deve estar se retorcend o no tLP')1U:O . Cada vez
entendo menos os propósitos da conspícua institu ição.
- 256--

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OUTRAS PUBLICAÇõES
O Prof. Odilon Nogueira de Matos, editor da revista «Notícia
Bibliográfica e Histórica», da PUC de Campinas, acaba de publicar o
livro «Páginas Catarinenses», reunindo depoimentos de viajantes estran-
geiros sobre nosso Estado. É uma edição da pontes, daquela cidade.
* * * SER - Editora Ramos, de Brasília, acaba de publicar um caderno
especial com poemas de Adair José de Aguiar com o título «Migalhas de
Poemas». Poeta e contista, Aguiar é autor de uma obra vasta e que
começa agora a vir a público. * * * Está circulando número 3 de «ô
Oatarina! », suplemento cultural da FCC, contendo reportagem de Raul
Caldas Filho sobre a era do rádio em Santa Catarina, entrevista com o
poeta e artista plástico Hugo Mund Jr., contos, crônicas, artigos, notas
e outras matérias. * * * Está circulando também o número 45 do su-
plemento literário «A Ilha», comemorativo dos 13 anos de existência do
grupo e da revista, contendo artigos e poemas de seus integrantes,
sempre liderados por Luís Carlos Amorim. * * * Ele também acaba de
publicar a «sanfona» Todas as Crianças, contendo seis poemas recentes
de sua autoria .
EVENTOS
A Academia Catarinense de Letras promoveu sessão da saudade
para reverenciar a memó ria de Nereu Co rrêa, o grande crítico conterrâ-
neo falecido no ano passado. Vários oradores se manifestaram e foram
recordados fatos de sua vida e trechos de sua obra. * * * Paschoal
Apóstolo Pítsica lançou em Flo rianópolis o livro «A Capitania de Santa
Catarina - Alguns Momentos», de sua autoria, no Palácio CnJz e Sousa.
* * * O Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina promoveu no
final do mês passado a XII Reunião Anual da Sociedade Brasileira de
Pesquisa Histórica e se prepara para promover o 11 Encontro Catari-
nense de Micro-História, a ocorrer de 1°. a 4 de setembro próximo, na
cidade de Joaçaba. Maiores informações podem ser obtidas pelo tele-
fone (0495) 22-0288. * * * O artista plástico Elio Hahnemann promoveu
exposição de óleos e aquarelas pe sua autoria no salão de festas do
Teatro Carlos Gomes, em Blumenau . * * * A Editora Paralelo 27 vem
promovendo reuniões com escritores para elaborar um projeto editorial
para nosso Estado. Espe ro que ele se concretize e não seja mais uma
iniciativa frustrada como tantas outras que tenho visto . * * * Realizou-
se em Blumenau, com grande sucesso, a XI Conferência Estadual de
Advogados Catarinenses, numa promoção do Conselho Seccional e da
Subseção de Blumenau da OAB, com a participação ativa de [Link]-
res, profissionais da área jurídica e estudantes.
CULTIVANDO O HAICAI
Do conhecido poeta Cláudio Feldman, transcrevo o seguinte:

«AMADA
Teu olhar fabrica
Todas os noites
A estrela da manhã» .
.- 257-

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A IMPRENSA JOVEM E DINÂMICA DA NOSSA REGIÃO
Tem sido agradável para pelos milhares de cidadãos que
nós, que editamos esta revista têm sua sobrevivência ligada à
há quase dezesseis anos, receber quela empresa. O "Noticiário
com frequência, os novos jornais Cremer" já está nos seus 26 a-
que surgem em nossa reg;i;ão. nos de circulação. Destaque·se,
São órgãos de imprensa que SÓI também, o "Jornal da Noite', que
podem orgulhar aos que os edi- circulou pela primeira vez no dia
tam _ Trazendo em seu bojo ma- 1 0 . de dezembro de 1982, portan-
terial atualizado e objetivo, bus- to, há quase 11 anos. Este tam-
cando, através de suas páginas bém já firmou seu elevado concei-
dar destaque ao que tudo de bom to em Blumenau e na região. A-
se faz na região - cada um de- gera vamos aos mais jovens da
les destacando a atividade de nossa imprensa: "Tribuna do
sua comunidade - a par de uma Garcia" - circula há quase dois
redação excelente, linguagem anos e está no nO, 10. É porta-voz
esmerada sob todos os aspectos, do populoso bairro que lhe dá
estes novos m ensageiros dos an- o nome e seu conceito cresce a
seios de suas comunidades inte- cada edição. "Ascurra" - está no
gram-se perf ittmente ao que há seu 6° número e já tem conceito
de melhor na imprensa de nossa garantido na comunidade do vi-
região, Estado e País, moderni- zinho município, pela seriedade e
zando-s9 em suas colunas, pági- oportunidade de SEU mate·rial de
nas, excelente- [Link]ção, sem, divulgação, inclusive buscando,
no entanto, deixar de cumprir em cada edição, resgatar a histó·
fielmente o que a boa imprensa ria do município. "A Verdade" -
deve ter em seus objetivos: preso Em notícias - está no seu rio 7,
tar serviços à comunidade, exal- primeiro ano. Apoia tudo o que
tar aos que trabalham pela mes- de bom se faz no serviço público
ma e, assim colocar à frente dos e seu conceito tende a crescer
leitores, as figuras que passam a muito. pelo estilo de sua reda-
merecer seus apalusos. ção e bela diagramação . " Jornal
Os redatores destes jornais de Pomerode". - Está no seu 5°
são pessoas jovens . E cabe a número, com bela feitura e exce-
eles, naturalm ente, conduzir a o- lente redação e reportagem. O
pinião pública de cada espaço vizinho município tem, agora, um
que ocupam, da maneira mais forte porta-voz que poderá desta-
justa e perfeita para que estes car com vigor todas as boas ini-
leitores, bem esclare'cidos, sejam, ciativas da administração e de
amanhã, também, eleitores e·sela- suas classes produtoras e conser-
recidos para saberem escolher os vadoras4
reprEsentantes de sua comunida- Como observação final, que-
de. remos lembrar que não encontra-
Os jornais aos quais nos re·fe- mos neste-.:; jornais o necessário
rimos, são os seguintes: primeira- "Expediente' para conhecermos
mente lembramos que há muitos seus redatores e diretores respon-
anos o "Noticiário Cremer", que sáveis, a excessão do "Cremer" e
abrange a comunidade formada do "Jornal da Noite"_
- 258"":"

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REMINISCe:NCIAS DE ASCURRA
Atilio Zonta.
- Elementos preciosos de valor histórico irão compor
a História de Ascurra;
- Primeiro jornalzinho editado em Ascurra, agosto de
1913;
- Visita Oficial do GovernadGr Irineu Bornhausen.
Padre Salesiano Benze a Indústria de Madeiras Ascur-
ra Ltda. e,
Bodas de Ouro Matrimoniais em Guaricanas.

Queremos, ao compor a Histó- bres colonos Em destaque, na pri-


ria da Imigração Italiana, Funda- meira página de seu primeiro nú-
ção e Desenvolvimento de Ascurra, mero, o editor prestou relevante
narrar com todos os pormenores, homenagem a Dom João Borges
inicialmente, na revista «Blumenau Quintão, que viria a ser o sucesso r
em Cadernos», o produto de nos- do bispo titular da Diocese de Flo-
sas pesquisas realizadas em regis- rianópolis, Dom João Becker. A po-
tros públicos e materiais tradicio- pulação de Ascurra, um tanto eufó-
nais, e ainda o que se consegue rica com a notícia, habituada às
levantar em entrevistas junto à pes- rezas quotidianas, católicos prati,
soas de idade respeitável, as quais, cantes e zelosos que liam com re-
guardam em Sua lembrança, fatos lativa dificuldade, porém , o catecis-
sucedidos de alta relevância da mo escrito em italiano, ヲゥ」。イ セ ュ M an-
GOlônia, onde nossos ancestrais [Link] por conhecer a biografia do
se implantaram na década de se- novo antistote, em cujas páginas
tenta do século passado. Todos es- desse periódico recém-lançado, não
ses elementos preciosos, de valor conseguiam encontrar a história
histórico, irão formar a História de da vida de Dom Quintão . Frustados ,
Ascurra, cujo livro será lançado perguntavam aos transeuntes qu e
quando todos os fatos averiguados se dirigiam às próprias choupanas
forem compilados minuciosamente. «qui é il vescovo?» (quem é o bis-
Nesses registros públicos que fo- po?).
ram destinados a cópias textuais Ocorreu, porém, que o reveren -
de documentos, com datas autên- do João Quintão , indicado a pleni-
ticas, há pouco tempo neles encon- tude do sacerdócio pelo Sumo Pon-
tramos , também, que em agosto de tífice, não gozava de saúde e re-
1913, uma agradável surpresa inva- nunciara a ordenação episcopal
diu os corações de todos os mora- antes de receber o Ofício do Vati -
dores dessa Colônia. Um jornalzi- cano.
nho intitulado 'La voce dei parroco Esse jornalzinho, posteriormen-
in famiglia », inteiramente manus- te , foi impresso nas oficinas tipo-
crito, cujo formato era de 27x36 cm gráfi cas de Hoemke I rmãos, esta-
com 4 páginas, publicado em idio- belecidos na sede do município
ma italiano, começou a despertar de BI u menau . Ignora-se, entretan-
muita 」オイゥッウ、。セ@ em meio aos po- to, o tempo de vida do periódico,

- 259,.....

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«La voce dei parroco in famiglia». Ascurra, como já tecemos conside-
Padre João Canônico, que [Link] no- rações sobre esse assunto, em ou-
meado o primeiro vigário da Paró- tros capítulos . Mas os novos habi-
quia de Ascurra, em 1912, fez o tantes italianos que se radicaram
lançamento dos primeiros números em meio às matas virgens nessa
por sua inspiração e, portanto, fora tão pequena colôni a, após terem
indubitavelmente, o seu fundador e construído suas choupanas para
redator. morar, nos finais de semana con-
Nas oficinas de Hoemke, o nú- seguiram edificar um capitel de
mero 4 deste mensário, o de no- troncos de árvores e o dedicaram
vembro de 1913, de ,f ormato 23,50x a Santo Antônio, na localidade de
33cm com 4 páginas, em duas co- Vai Nova, para, aos domingos e em
lunas abertas, trazia à população dias santos de guarda, reunirem-se
da Colônia de Ascurra, vários arti- afim de elevar seu pensamento a
gos de cunho religioso , em idioma Deus numa prece . Faziam, ao mes-
italiano, porém , (um deles: Pelo de- mo tempo, tríduos e novenas em
senvolvimento da Indústria, em por- honra ao grande santo, cuja devo-
tuguês) . Uma das metas prioritárias ção já a cultuavam em seu país de
de «La voce de parroco in tami- origem. Mas, logo que se implanta-
glia», (A voz do pároco na família) ram na Colônia de Ascurra ergue-
era demonstrar simpatias voltadas ram uma cruz no morrinho do ca-
para o governo italiano e a sua po- minho que demandava a Ribeirão
lítica exterior. Vimos aí, portanto, São Paulo. E lá se juntavam todos
como surgiu o primeiro jornalzinho R cantar e rezar e re lembrarem os
genuinamente a scurrense que co- dias remotos de sua infância e, so-
meçou a circular na povoação ita- bretudo dos parentes e amigos que
liana, lançado pelo primeiro vigário iamais teriam condições de revê-
Padre João Canônico. los. As orações ajudavam-nos a
amenizar a saudade e a lembrança
Apesar do isolamento cul fural de sua Itália.
dos italianos estabelecidos em As- Em 28 de junho de 1953, visi-
curra no início da colonização, de- tou a paróquia de Ascurra, o Mon-
vido à distância geográfica das co- senhor Arruda Câmara, Deputado
lônias dos centros populacionais já Federal e Presidente do Partido De-
existentes no médio Vale do Itajaí- mocráta Cristão, (P . D . C.) , que à
açu, as famílias ficavam seaentas noite, no Salão do Ginásio «São
de notícias e procuravam, esperan- Paulo», fez demorada e aplaudida
çosas, o pároco ou os padres que, conferência contra o divórcio no
com pouca frequência lhes davam Brasil. Acorreram para ouví-Io, re-
assistência espiritual, para inteirar- presentantes de todas as Canelas
se do que ocorria em Blumen au e, que pertenciam à referida paroquia.
máxime, em seus países de origem.
Tudo, porém, era extremamente di- Aos 29 do mesmo mês e ano,
fícil, senão impossível deles obte- festa de São Pedro e Dia do Papa
rem notícias de seus parentes e em cujas missas foi lida a Circular
amigos que deixaram no além mar, exped ida pelo Bispo da Dioces de
ou mais, específicamente, na Itáli a Joinville, segundo a qual, comuni-
longínqua. cava às Paróquias, a visita de Nos-
Lugar de lazer não havia em sa Senhora de Fátima Peregrina, e

- 260 セ@

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que visitaria também, Joinville, São em ação de graça, celebrada pelo
Francisco, Itajaí e Blumenau, de fi lho do casal, Padre Virgínio Fis-
30 de junho a 4 de julho. tarol, Diretor do Instituto São Fran-
No dia 22 de agosto de 1953, cisco de Sales e Vigário da paró-
o Governador I rineu Bornhausen, quia São João Bosco, Riactiuelo,
fez visita oficial a Ascurra. Nesse Rio de Janeiro. O celebrante foi
distrito, foi solenemente recebido acolitado pelos reverendos padres
na balsa e em seguida, procedeu-se Angelo Moser e Sílvio Mondini , sa-
ao lançamento da primeira pedra lesianos, parentes dos jubilares e
da ponte a ser construída sôbre o naturais de Guaricanas.
Rio Itajaí-Açu. Na ausência do Pa- Iniciando a cerimônia, revesti-
dre Vigário Alfredo Bortolini, que da de extraordinária pompa, falou
se encontrava internado no Hospi- o Padre Fistarol, tecendo belíssi-
tal de Rodeio, Padre Ivo Junkes, mas considerações sobre a sanida-
benzeu a primeira pedra e Padre de do sacramento do matri môn io .
Walter Ivan de Azevedo, hoje Bispo Os aspirantes do Colégio «São Pau-
da Diocese do Rio Negro, Amazonas lo» executaram a «M issa Pontifica-
proferiu vibrante discurso saudando lis» de Perosi, a 3 vd. Ao meio dia,
a visita oficial de I rineu Bornhau- na residência do casal, em Guari·
sen, Governador de Santa Catarina, canas , houve lauto banquete ofere-
e agradecendo a dádiva que Ascur- cido aos Padres, parentes e ami-
ra estava recebendo do Governo do gos da ditosa Família Fistarol.
nosso Estado . As 12 :00 h no Hotel A banda de música do Ginásio,
Angelo Zonta, foi ofe rec ido ao Che- abrilhantou a solene festa de Bo-
fe do Estado e comitiva, bem como, das de Ouro Matrimoniais do casal
às autoridades de Ascurra , Indaial João e Filomena Fistarol.
e Rodeio, um banquete regado a vi-
nhos fabricados artesanal mente em
Guaricanas. Após o ágape, visita ASCURRA , TERRA VESTIDA
oficial ao Ginásio «São Paulo », DE LUZ E COROADA DE MONTES.
sendo alvo de carinhosa homena-
ÇJem ao som da banda do Colégio
Salesiano.
No dia 8 de novembro de 1954,
na sede do distrito de Ascurra, um Na próxima ed ição desta revis-
Padre do Colégio «São Paulo», ben- ta:
zeu a nova medeireira, propriedade
de Eugênio Pofo , Aristid es Sacenti - Modalidades de esportes
e Emílío Poffo , hoje sob a razão so- em Ascurra;
cial de In dústria de Madeiras Ascur- - Provisão de Cura a fav·or
do Pe. Canônico;
ra Ltda.
Grande festa em Guaricanas, - Pe . Alfredo Bortolini, nome-
Quando no dia 7 de novembro de ado Vigário;
1954, foram solemente festejadas - Eleições em 3 de outub ro
as Bodas de Ouro de matrimônio de 1950;
de João Fistarol e Filomena Fista- - Atuação dos Vereadores e,
rol . Pela manh ã, às 8:00 h houve - Solene inauguração do ór-
na matriz de Ascura, missa solene gão da Matriz.

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"E N CHEN TE"
1'ulho; os póreos-espinhos gritavam.
Numa oporTunidade, o avô construiu
uma escada com [Link] bastões de
ERNA DE EKE HOSANG madeira muito dura, um bom cipó; aí
surgiu uma escada: com pequenos bas-
tões, bem amarrados juntos com cipó,
tinha uma escada para. poder olhar o
Memól'ias relativas a enchentes
telhado e ver se em algum lugar algu-
em Bllllucnau e r ct;iãO, relatadas
ma telha estivesse quebrada. As te-
pela senhora El'lla Deel,e Hosallg
lhas eram do:: tocos de madeira, aliás
(em alcnulo) c traduzidas 1)01'
dc bca qualidade. Porém, estava cha-
Antonio Walter R . Junior.
[Link] através delas. Os bisavós mora-
vam mais para cima, as lanternas a
;,leo estavam sempre prontas e cheias
ENCHE TE de óko; エ。ュ「セ@ as lamparinas esta-
(HochwassE'r überschw mmung) \'am sempre prontas e cheias de óleo;
também as [Link] estavam sem-
ャ セ イ」@ I,: ror:t,;s com óleo para a noite.
i\ chm'a [Link] a cair; eram
"Eu creio que era: ャ ゥZX P M Q Xセ@ . jà beiTI 2 ou 3 horas da manhã . Ca-
Era uma noite muito escuro.. da um deles pegou uma lanterna
chovia já alguns dias. De rcpc'1te: muito boa e um 「。ウエ セ ッN@ Não havi'i
uma trovoada! Relam peja\'u; vinha claridade. A lanterna queimava e
um trovão após o outro. Como "aos proporcionava uma boa luminosida-
câ[Link] ·', vinha a água do céu. de. Assim, eles Iam ver: como eles
O filho do Augusto: o velho G n também iam seus filhos com as res-
jovem; moravam em Rio da Luz peclivas mulheres e suas crianças. A
Os colonos fugiam, pois o rio nflo água ia ・ヲセ←@ os joelhos; tudo vinha
suportava mais o volume de igun chegm:do: baldes de ordenha, panelas,
crescente, sendo que já tr:msbol'da\- <.I tonéis de manteiga, pequenos bancos,
e corria através das ruas, nas casas e porcos, galinhas, bezerros, era uma.
celeiros, arrastando tudo o que esta\':! g ritaria. e ainda o barulho dos ani·
nos terrenos baixos. Assim, a água mais. Todos estm'um com suas lan-
[Link] também nos filhos do Augusto, krnas e chega\-am as criar.ças. Es-
que necessitavam ficar em cima 02- tes já tinham um metro de água em
mesa na casa. A água corria tJ.o .Lor- casa; as miíes, com suas criar.ças,
te que levava tudo. pequenos pá"sa- sentavam-se sobre as mesas . Havia
ros, galinhas, pintinhcs, ninhns con l {l!;Ua 1':.as camas. O avô tinha uma lan-
passarinhos, porcos com seu chique;- terna (,om ci:16 nft escada e queria,
1'0. procurar lá em cima um lugar par':'
A chuva recomeçav.:.!. Os [Link] as mu1l1erC's e as crianças . Aí chega-
alemães estav8Jm ll1struídos para s:!-- l'flm o pai e a mãe para ajudar . Co-
&llirom para as áreas mais [Link] d') mo a noite estava escura, eles neces-
Vale. As 」セウョ@ ficaram guardadas e sjt'l\'am da [Link] a óleo e a lam-
sc algum feroz animal [Link] "iog- r::uina par8 ajudar.
se, seria abatido: cobras. tam3i1duá. Toelos agradeciam, dando graças a
porcos-%pinÍ1os, etc... Conl in lava '1 Deus. pois as crianças estava.m vivas.
tro,,"cj:'r e a chover. :\0 rUa seguinte, pr,;'ticamE'nte in-
Os sapos-bois faziam mui;!o ba- do foi recolhIdo l:ovamente: os tonéis

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de manteiga, os batdes da ordenha, canoas. Com isso, eles poderiam sal-
os soquetes, os pilões, etc .. var muito, [Link] pelo Ribeirão g。イセ@
Passado meio ano, chegava um cia, por onde hoje é a Colina do Ce-
vapor da Alemanha e trazia tudo :pa- mitério Evangélico.
ra consttruir uma C3sa nova (como Durou ainda uma semana a en-
pregos, por exemplo). Foram corta. chente, até que o nivel das águas cdi-
dos cipós suficientes para a constru- minuisse.
çrlo de cercas. O avô e Felix se arriscavam, ape-
No vapor, havia セ・」ゥ、ッウ@ de linho sar de tudo, para ir ver sua casa na
para as roupas. Assim, a vida conti- colir:a.
nuou normal r:a nova economia do- A casa estava novamente livre,
méstica. porém na "baixada" estava ainda tudo
embaixo da água.
Era 188C. Decorr..:'r:;,m ainda alguns dias a-
Frederico Deeke e Christiane h; que eles voltassom para a casa.
Johanna Krohberger, moravam com DepOls, eles エ L セカ・イ。ュ@ que procurar
sua família em Blumenau, onde ィッェセ@ também a casa do vizinho, que tir:ha
estão as dependências do Teatro Car- sido arrastada. O l' elix disse para
los Gomes. Era uma colina e do seu pai: - "Papa, onele està a casa
lado, mais adiante acima, o canal cha- do Balcha (ou Batschauer , era mais ou
mado antigamente de Peterskanal" menos assim que se chamava)? Fe-
(Canal do Pedro). lix e seu pai procuravam através da
Próximo, [Link] r-ovos pionei- lama e entulho e r.ão tinham o que
ros (principiantes): o marido, a espo- "char.
sa e uma fllh:l (mais ou menos com 'A ... ", dizia o avô: "Deve estar
a idade de 12 a 13 ano!:'). no Monte". (onde hoje está o Hospi-
Eles falavam um alemüo engraço.- tal Católico).
do, muito cômico; por isso, minha a- Mais uma vez, no dia seguinte,
vó r.ão con!:oeguia conversar bem com [Link] eles com as pessoas procurar .
eles. Eles eram, eu creio, da Saxô- A grande árvore ainda está lá:
nia (Alemanha). Suas vestimentas e- estava, na ocasião, cheia de entulho,
ram muito meticulosas, geralment . musgo e lama.
vermelhas, muita rebuscadas, com pre- De reper:le, Felix viu algo preso
gas e bordados; as blusas rendadas c na árvore. Ele gritou:
com gregas; os avenl,ais bem iranzi- - '" Fides, Marie, Papa, Mama, etc."
dos, com um bom laço, tudo de pri (cham ando todos).
meira qualidade. Lá, no topo da árvore, estavam
Eles moravam muito bem. Pas- todos bem amarrados: no galho mais
sado um ano aqui eles tinham uma alio, a filha, amarrada e bem presa
simpática e confortável casa, muitas com seu próprio avental; também 1-1
louças de primeira qualidade, assim mulher, bem amarrada com seu a-
como talheres, xícaras, [Link], tudo o vental e o marido, com seus suspen-
que eles tjnham trazido junto de seu セ￳イゥッウL@ também hem amarrado: To-
país (Alemanha) em boa ordem . Do dos mortos.
lado da casa ficava uma grande flo- A água tinha ido também sobre a
re$í1·a. Daí veio a enchente de 1880. úrvore ; certamer:te eles sentiram que
Felix Deeke tinha 15 anos de idade. estariam salvos na árvore, ao contrá··
Eles cortaram algumas árvores, rio do telhado da easa.
chamadas "Maria Mole" para construir Infelizmente, o homem, pelilsando

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Digitalizado pelo Arquivo Histórico José Fereira da Silva - Blumenau - SC


na segurança da família, tinha amar- tr'aS tarefas da casa: fazia bolos e cd-
rado todos muito bem; por{'n'l t udo [Link] muito bem, especialmente aves
foi eiTI vão: todos os três foram se. recheadas.
pultados no cemitério da colina. Tínhamos também muito mel, cerve-
Alguns anos depois foram plan- ja, temperos e licores. Mamãe comuni-
tadas três .. palmeira do rei ,. no lo- cava sempre às セ・イNィッ。ウ@ e suas filhas
cal, as quais estão ali ainda hoje. (Já. da necessidade de ajuda no serviço;
estão há 100 anos lá). assim, mamHe podia ensinar todos os
Algum tempo depois, ocorl'eu no· seus conhecimentos para as meninas
vailnente uma terrível enchente. To- (aprendizes), especiaLmente costura.
elos os 。」ッョエ・ゥュセウ@ desta foram Perto de nossa propriedade existia.
relatados por meu pai, quando ele já uma colônia, mais acima, em uma
estava doente, na cama, em 19413 . grande planície, às margens do Rio
Esta f&milia que morreu, conhe- Serro. Ali mOr'a\"am. italianos. Eles vi-
cida por Patisc:ha ou Batschauer: eram nham muitas vezes nos visitar e fica-
pessoas muito bonitas A ュ・AQゥイZセ@ era. vam maravilhados com o escritório da
muito loiril, com longas tranças. Fe- mamãe: especialmente pelo polimento
lix então com 15 anos, tinIu se 。セ@ e qualidade da madeira, as j anelas de
paixonado pela linda mer:ina. Elo vidro, etc .
sempre me contava desta linda garo· Meus pais foram presen,!leados, no C:1-
10, loira com tranças, e seu destino smnenLo, por }::<tl'entes da Alemanha,
crucl. com um serviço C'om,pleto para caI;) e
-- '''NrlO, nJ.o!! Foi horrível! Eu jantar. Eram porcelanas finíssim3.s·
per::so sempre nos três amarrados no "Kaiser Wilhclm" (Impcrador Guilh:}r-
topo da árvore; que destir:o triste te- lTIe) .
ve esta boa gente . .. ··, dizia eb. Eles examinava.m tudo e se admira-
vam.
1S>11 - ENCHENTE A mamãe já podia até falar um pou_
Papai, Mamãe, com SUél.5 crianças, co em língua italiana, o que ajUdava
Todos viviam em Rio Serro - Rio bastante.
da Luz - em J araguá do Sul. Certa vez, uma senhor" disse à mio
Mamãe tinha sempre muito o que nha ュセエ・Z@ "Senhora administrajora (era
fazer': cuidar de seu escritório, os ma· assim que todas as pessoas se dil'üriam
pas que o papai trazia, após haver me- i': minha ュ セ・@ em Rio Serro e 。イ・、ッセ@
dido as terras. res) - "[Link] administradora, cu
Porém, ele trazia apenas as indica- gostaria muito se minha filha Mariazi-
ções desenhadas de um grosso modo, 1:11a ficasse aqui, para que a senhora en_
em um pedaço de papel. Daí a mamãe sine tudo o que puder".
precisava refazer precisamente o mapa Mariazinha tinha mais ou menos 15
em um papel de -boa qualidade: onde anos de idade, era muito amável e apli-
corria um ribeirão, grandes elevações, cada. Assim, seus pais vinham sempre
colina, pedreira, etc. visitá-la. Ela tmha também um irmão
Eles tinham sempre muitos funcio- com 8 anos de idade.
ná rios que cuidavam dos animais, os Um dia, em 1911, veio uma terrível
quaiS conduziam as carroças a boi. As [Link] . Chovia muito, escureceu de
empregadas domésticadas trabalhavam repente, relampejava muito e a trovoa-
habilmente, e ajudavam na casa. da era muito forte um estrondo após
Mamãe também precisava costurar o outro.
muito para suas crianças e realizar ou- Durou ainda alguns dias. Certo dia,

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jã era. tarde da noite, os porcos-espi- O garoto conseguiu alcançar um ga-
nhos gritavam na florestla e os sapos- lho. Porém, a mãe, que q':leria também
bois coaxavam. O vento zunia e bra- pular para um galho, caiu junto com o
mia. pai da Mariazinl1a, pois o cachorro pu_
O ribeirão estava ruidoso = o rio lou e quebrou o galhc. Assim, eles nfto
Serro muito barulhento e estrondoso tinham [Link] segurar e ;(,entaram nadar.
acima das pedras e cncas. Tudo loi em vão pois ele::. fOT!l!Tl leva-
O papai e a mamãe estavam apavo- [Link] pela correnteza, que estava muito
rados. A r..oite era muito escura e as forte, arrastando tudo por uns 2:Xi me-
lamparinas queimavam em cima da me- tros até a barragem de uma serraria.
sa. Porém, a luz era muito fraca e ha- A cusa toda se qUE;brou e eles afun-
via muita ejcuridão, pois não havia daram juntos.
lua e nem mesmo estrelas. Pai e mije (da Mariazinha) morre-
[Link]ém a [Link] est:[Link] pl'eO- ram. Alguns dias depois foram encon-
cupada e muito apavor aa. Nesta ;.:.oi- trados os cor'pos, quando o niVAI do rio
te ela abriu um pouco a, janela e olha- diminuiu nas marger.s. Ambos foram
va a escuridão. erltjermdos no cemitério, junto aos
De repente, escutou-se uma voz Weege セ@ Piazera, na embocadura do
chamando (em português). "Ai Deus ... Rio Serro e do Rio Jaraguá.
Ai Deus, minha filha ... " Todos ajudaram Mariazinha e séu ir-
lVlariazinha, aRsim como papai e ュ[Nセᆳ mão, inclusive com vestuário e 。ャゥュ・セᄋ@
mãe escutaram. Porém, não da a para tação.
ver nada. Mariazinha se [Link] e dis- Por tilll longo tempo eles !110r'arr:l11
se para a セイ。N@ udminisl1\radora (Fr'::m conosco. Minha mãe costurou roupas
Landrat. em alemão): para l'l'lariazinha e seU irm5.o, pois eles
- .. Eu escutei a, voz da minha perderam tudo.
mãe"! Passados alguns meses, vieram seus
O nervosismo e alvoroço foram parentes de Rodeio e Ascurra. Eles fo ...
[Link]. Quando amanheceu foram ave- l'.1m €.il1bora com os tios.
riguar. Mariazinha correu depressa do Mamãe lembrava sempre deles; po-
Rio das Almas CRio Alma) até um Mor'_ réiTI o nome da família eu r.ão me
1'0; de lá podIa ver a casa de seus pais. lembro mais.
Logo ela voltava gritando: 1917-1918: n.ós mudamos para Rio
'"Meu Deus, meu Deus, a casa toda do Sul.
foi levada embora ... ; quem gritou {oi Nunca mais soube da Mariazinha e
a minha mãe ("Ai Deus, ai Deus, minha de seu irmão. Nas brincadeiras de cri-
filha, l\'l:ariazinha ... "), a mamãe viu a ança, sempre nos lembrávamos das pa-
luz aqui na mesa e percebeu que aqui lavras em português: - "Ai Deus, ai
estava a casa da Senhora [Link]- Deus, minha filha [Link] . .. "
dora " .
Toda casa haNia sido arrastada ! Lá 1920
no trInado estavam o homem, a espo- Parai e mam5e sempre fi,::avam preo-
sa, e o filho com ú cachorro . Qnando cupados qu,:mdo chovia muito e a en-
セャiョ[GQィ・」オL@ o homem agm-rou o セ。ャィッ@ chente vinha. Nós moramos por algum
de uma árvore IlOdos C'staVD.n1 senh- tempo em Rio do Sul.
dos sobre o telhaão, que' Nゥセャ@ est8va pra- O Rio dos IIóspedes estava, muito
ticamente d estruido: as telhas eram cheio. As águas já haviam ultrapassa-
firmes, porém já.. estavam fracas, com a do as margens e ・セャBZlカ。ュ@ na. 」ウエイ。、セL@
correnteza, [Link]. que levava a casa. subindo pela cobr.a. :Papai foi pelo ea,-

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minha, à frente: os trabalhadores atrás "Crianças, não construarrn na planí-
dele, com ferramentas (pás, foices, es- cie".
tacas, etc). Agora, o papai e a mamãe já estão
Eu , Erna, sempre curiosa queria mortos.
ver o que era feito. Coloquei uma velha E, ao contrário, as crianças cons·
bota e com um velho guarda-chuvas, truíram onde acharam mais bonito . ャウ セ@
também queria ajudar. to foi uma grande imprudê[Link]!
Então perguntei: A casa da Frieda, a da Rosalia a.
- "Papai, qual a finalidade de do Alfredo, a casa da Ruth (filha da
[Link] uma escada tão alta? Onde Friedal, a da セᄋゥ「ャ。@ (Filha da Milly) ,
irá colocar? todas foram atingidas pela enchente:
E ele respondeu: Muitas foram cobertas até a parte su-
- 'lÊ para a mamão poder melhor [:crior da iachada.
subir 6 poder te pegar quancto a. en- Por exemplo, a casa da Milly, ne
chente chegar . Dai, nós ャQ ・」ウ ェエ。イ・セ@ dois andares - eles tiveram que subir
,mos partir.' para o segundo andar com os InÓveis_
O caminho foi bem arrumado até E em casa dos pais, a água foi
uma grande elevação . quase acima das janelas, bem acima do
Lã havia um [Link] de uma gran- chão. Todas as casas eram decoradas
de árvore, onde papai construiu U!11 com móveis [Link], poltronas novas e
rancho ou choupana (com acomodações modernas.
para a família). Tudo foi lT'uito bem A nova C:1sa da Sibilla, com banbei-
limpo e papai arrumou alguns pedaçcs ra de hidromassagem, enfLm - todas
de madeira para a segurança, e até um as casas cu r.} tapetes e carpetes, tudo
varal para pendurar roupas. .foi atlngido.
Papai disse: Assim, com a enchente (1984) , esta.
.- "Erna, vá agora para casa e va tudo com lama e estragado .
diga ã mamüe para mar..dar uma garra- A água veio tão depressa! A repre-
fa com querosene e me traga uqui esta sa de Ituporanga [Link] - a re-
garrafa . " presa em Mirim Doce também que-
O :)apai passou toda a querosene brou, a represa em Saiete também,
no tronco da árvore . Entiío ele pre- assim como a, grande represa em Taió,
gou tudo. Tudo foi muito limpo. teve um lado gravemente atingido.
Então eU. perguntei: iセエjo@ aconteceu ao anoitecer, quan-
-- "Papai, qual a razão do quero- do as águas atingira.m 4 metros e mais
ウ・イセ_@ " [Link] em Taió.
Ele [Link]: Toda a Fecularia ficou submersa.
-- "Irá nos proteger de formigas , Podia-se ver somente metade do seca-
larga tas venenosas e C"obras, que mor- dor.
rerão com o querosene. Assim, se nós Em Rio do Sul, a Christel (Filha da
precisarmos colocar nossas crianças frida) e Sf'U marido Eribert Schütz tive-
aqui, elas estarão seguras. " ram n empresa de leite atingida e a ca.
Tão prudentes eram os nossos pais! r,a completamente cheia com a água até
Porém, nós nunca precisamos usar o o 10. andar. No 2° andar, 16 pessoas
rancho. foram salv;,s.
Mas agora, depOis de 1934, muito Suas 20 vacas leiteiras também sal-
deveria ser feito nos morros, muito, vas durante a noite, mesmo cem inten...
muito ... 82, tempé'stnclc, c alojadas na monta-
Papai e Mamãe diziam sempre: nha .

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[Link], com sua mulher, arrumou e a terceira no outro braço (pela mão)
várias roupas e fez uma trouxa (ir.... c atra és da tempestade ela fez a via-
clusive com cobertores e travesseiros) gem 4 vezes até em cima no Morro r.a
levando tudo para o vizinho que mo- casa de uma amiga, com a água atin-
rava em um monte, salvo da enchen- gindo a barriga.
te (segundo acreditavam) . (Rosalia tinha 82 anos).
Os rios Mosquito e Tigre subiram O 20. andar da casa. da Milly já
muito e atingiram as estradas. Assim. estava cheio de gente. Eles chegavam
[Link]ém atingiram os vizinhos no Mon- sem perguntar ou pedir, ウゥューャ・ョセ@
te. te chegavam . ..
O Alfred levou seus perterlCes nas Ja era 2 horas da manhã: à [Link]
costas. Todas as outras coisas foram escura: havia apenas uma ー・アセャ ・ ョ。@ ャ。ョセ@
sendo salvas. transportadas para um tema com pouca bateria: Milly esta-
morro, através da tempestade. Porém, va lá em cima no balcão (varanda):
Alfredo (já com 80 anos), não con- ela iluminava セ£@ embaixo sobre as
seguia ter muita firmeza com suas águas para ver se seu genro aparecia.
pernas e caiu na águ:l com a trouxa A água estava sobre a [Link], qua ...
de roupas. Ele [Link] nadar e se seI no 2° . andar: de repente ela viu
agarrar em um toco de uma Gerca e uma pequena luz, que parecia [Link]
salvou sua trouxa. Aí vieram as ou- numa canoa.
t,ras pessoas ajudar c puxaram-no pa- Ela gri tou com loda a força e
ra o barranco. Graças a, Deus. ele foi fazia sinais com a lanterna, dizendo:
salvo! - "Vão buscar a Lida e a RosaJia,
Sua esposa gritava aterrorizada: - bUSCai" a Lida e a Rosalia. "
"Alfredinho, AlIredinho!!" e desmaiou Era o genro. Ele foi buscar a Tia
A Sibilirt, com seu marido. conse- em sua casa. A porta estava aberta.
guiram com um funcionário do Ban- Não havia nenhuma luz; Iluminou lá
co, uma velha canoa (um velho bote dentro e ambas estavam sobre a mesa.
a remo). Mas, eles [Link] tinham re- com uma pequena trouxa e um guar-
mado _ Porém, eles conseguiram salvar da-chuva: a água já estava nos joe-
muitas pessoas e esqueceram até de lhos .
sua própria família . Elas ficara.m muito alegres e pula-
A Ema, de 'faiõ, telefonou: ram r.a canoa, para que ele as pudesse
.. Sibilla, querida sobrinha, a água levar até a Mi1ly no 2°. andar. A
aqui no rio Mirim-Doce quebrou a re- corren teza jogou a canoa violentamen-
presa. Ela já subiu ainda mais ou te em mn 110s1.e: os guarda-chuvas
menos 2 meiros." voaram. longe sobre as águas, pois a
Sibilla calculou que a água chegaria tempestade continuava.
pelo menos melo ,m etro em minha ca- A car:.oa queria virar, mas ambas
sa. Ela levou todas as coisas, [Link]- aprenderam com O papai, o que se
ve vários documentos, títulos e dinhei- deve fazer quando uma canoa estives-
ro para sua casa, com Mama l\filly. se na iminência de virar: eles estende-
Elas ficaram muito preocupadas. ram os braços, curvando o corpo, com
pois o marido não voltava e já fazia as mãos segurando de lado firmemer.-
tempo que ele tinha saido após o '11- te. Assim, eles se salvaram e foram
moço. para a casa da Mi11y. Ao chegar, pre-
Sibila fez uma trouxa com as rou- cisaram pular o muro do balcão; a
pas para as crianças. Colocou uma água j á estava no 2°. Andar.
criança em um braço, outra nas costas O terror era grande, todos ・ウエ。セ@

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vam apavorados. Mi1ly conseguiu dei- muito estreito no porão da Mi1ly. Mas
xar boa parte da roupa seca. Por tod:l ァイ。セウ@ a Deus, ela sobreviveu e so-
parte escutava-se gritos de soC'orro. mente agora há pouC'o tempo, no dia
De repente , alguém lembrou: 11 de julho de 1991 ela faleceu, aos
'·Meu Deus, onde está a Ruth?" 88 ar:os de idade.
Er:tão a Milly gritou com tlodas Naquela ocasiüo, todos estavam
as forças; apavorados: mães e filhos.
- "Vão buscar a Ruth!!!" Existe um ditado que diz: "Qu2m
Foram com o bote inflável até a não pode escutar, precisa sentir··. Pa-
Ruth. que também já estava sobre a pai e mamãe diziam sempre: ··Crian-
mesa. Com ajuda ela veio p;.ua o bo- ças, construam nos montes, nunca nas
te. Todas se alegravam bastante ao planícies .. . "
vê-la no balcão da Milly. Eles a pega- Agora, 1992, r.o começo de junho,
ram e deram-lhe uma chícara de café, novamente um 1. enchente crítica. A
o úmmo da garrafa ttérmica . O fogão Linda em Blumenau, teve água nova·
a gás já estava embaixo d'água. mente em casa. Não se escutou a chu-
No outro dia, quando 。ュョィセ」・オL@ va e a água veio.
todos se dirigiam pa,ra o monte, lá Em Taió, na Err.a, sua fecularia
onde estava a Slbilla, porque eles foi atingida novamente pela "nchent3,
pensaram que o Hio tinha levado a ca- sendo obrig:1da a tirar todos os mo-
sa em Rio do Oeste. tores da fabrica .
A Ruth [Link] a todos mais Vúrlas m;::cs, filhos e netos já
adiante, em um carro de boi, no mon- ;110l·am nos montes.
te. Havia pessoas que ainda t:inham Sibilla 0 a l\iilly c também outras
madeira para queimar. ー・ウッセ@ tomaram a decisão de morar
Apesar de estar salva, a Ruth es- em segurança nos mOI r os .
tava completamente em estado de セN[ュー イ・@ digo:
choque, fiC'ando sentada durante 9 "Ah, assim é a vida, tudo se repe-
dias em uma cadeira, alimentada so- te novamenj'.e. "
mer:te com chá, ministrado com uma Agora, todas as mães e crianças
colher. da família já estão velhas. As novas
A casa estava tão cheia, com ne-l gerações da família não terilo mais
nhum lugar para deitar. No 90 . dia, nenhuma preocupação.
veio ajuda e com uma canoa pude- Agora cu t ambém estou com 82
l"am levá-la ao hospi,t,al. anos de idade e escrevo com m ãos trê-
Porém, tudo continuava ainda mulas. "

Registros de Tombo da Paróquia de Gaspar (IX)


Pe. Antônio Francisco Bohn
ANO DE 1968: Termo 3: Campanha da fイ。エ・ョゥセ@
Termo :í.: Trar..sferência de Fr. dade e Semana Santa.
Godofredo para Petrópolís . Tomada de Termo 4: Festa da Gruta, em
posse do novo vigário Fr. Valeriano 05.05 .
Prangenber g, em 13.02. Termo 5: Celebração do Dia das
Termo 2: Curso para formação Mães, em 12.05.
de ャ セ 、 ・イウ@ cristãos em Blumenau , em Termo 6: Programas r eligiosos da
22.03. Ave Maria pela Rádio de Gaspar .

268 -

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Termo 7 : Festa de São Pedro, em Lages, em 08.11 .1973.
junho. 2. Frei Ernesto | セHュ・ョ、ッイNヲ@
Termo 8: [Link]ção do salão pa- OFM - Ordenado em 18 .04.1920. Fa·
roquial . lecido em Trier-Alemanha, em . . ... .
Tern10 9: Curso de Enfermagem e PSNRQYセo@
Curso de lセエイオァゥ 。 L@ em agosto. 3. Frei João Evangelista Reinert -
Termo 10: Encontro Regional da OFM -- Ordenado em 18.12.1920. Fa-
Ordem Terceira, em 25.08. lecido em Blumenau, em 36.01.1948 .
Termo 11: Curso de Açáo Social, 4. Frei Antonino Zimmermann -
em setembro. OFM - Ordenado em 19.12 .1925. Fa-
Tenno 12: Homenagem a São lecido em Blumenau, em 06. 08 .1965.
Francisco, em 04.10. 5. Frei Anacleto wゥセHャオウ」ィョァ@ -- OFM
Termo 13: la. Comunhão de 156 . - Ordenado em 23.12.1928. Falecido
crianças na m atriz, em 27.10. em Florianópolis, em 1'3 . 10.1974 .
Termo 14: Passeio das crianças 6. Frei Canísio Eberardt - OFM -
de catequese, em 17 .11. Ordenado em 02 .12 .1934. Falecido em
Termo 15: Visita, de D. Quírir.o Curitiba, em 25 . OZ .1970.
Schmltz, bispo de Teófilo Otoni, em 7. Frei Reinaldo Muller - OFM -
24.11. OrdeI!ado E'm 28 .11. 1937. Falecido em
Termo 16: Jubileu sacerdotl'.l de Agudos. em ú7. 05 .1971.
D . Quirino, em 28.1.1. 8. Pe . [Link] Emmendoerfer --
Termo 17: Curso de Liderançg, SCJ - Ordenado em 08 .12 .1938.
Cristã, em 03.12. 9. Frei Quirino Schmitz - OFl\1 --
Termo 18: Visita de D. Carlos Ordenado em 28.11.1943.
Schmitt, em 11 .12. 11. Frei Leonardo Wilbert - OFM
Termo 19: Recepção do neo-sacer- - Ordenado em 30.11.1945.
dote FI'. Tarcísio Theiss, em 14.12. 12. Pe. Roque Schmitt - SCJ
Termo 20: Ordenação sacerdotal de . - Ordenado em 07.07.1946.
FI' . Tarcísio Theiss e ordenação dia- 13 . Pe. Júlio Lenfers - SCJ
conal de FI'. Mário Manrich em Gas- [Link] em 07.07.1946.
par . em 15.12. 14. Frei Argemiro Schmitt - OFM
Termo 21: Missa do galo, em .- Ordenado em 03 .12 NQYTセ@
'25 .12. 15. Pe. Leopoldo Muller - SCJ -
Termo 22: Missa de fir.a,l do Ano, Ordenado em 06 .07 .1947.
em 31.12. 16. Pe. José Vailati セ@ SEC - Or-
Nota: O 3°. Livro de Tombo da denado em 28 .01.1931.
paróqub Süo Pedro ADós/'olc de 17 . Frei Libório Schmitt - OFM -
Gaspar, possuindo 15D folhas foi en- Ordenado m 26 .07 .1951. Falecido em
cerrado em 28.11.1983. No entanto, Barra Velha.
enceno a セ■ョエ・ウ@ dos termos com o 18. Frei Juvenal Sansão - OFM
ano de 1968, salvaguardando assim Ordenado em 01.07.1954.
o tempo 、Lセ@ sigilo ans termos anota- 19. Frei Wilson Zimmermann
dos. OFM - [Link] em 15.12.19340 .
20. Pe. Lino Fistarol - SDB -- Or-
apセndice@ denado em 01.07.1965.
Lista dos sacerdOj"(2s e hispos gas- 21. Frei Antônio Moser - OFM -
parenses: Ordenado em 15.12.1965.
1. Frei [Link] Hostin -- OFM - Or- 22. Frei Ivo Theiss - OFM - Orde·
denado em 30 .11.1917 . Falecido em [Link] em 2í .12 .1966,

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23. Frei Guido Scotini - OFM .- Or- SEC - [Link] em 02.09 .1990 .
denado em 22.12.1966. 35. Frei Jaimbe Spengler -- OFM -
24. Frei Mário Manrich OFM Ordenado em 17.11.1990.
Ordenado em 12.1967. Destes saccrdo.t,8s , três foram sagra-
25. Frei Tarcisiô Theiss OFM dos para o episcop ado:
[Link] enl 15.12.1968 . 1. Dom Frei Daniel Hostin - Bispo
de Lages - SC - em 29.09.1929.
26. Frei Flaviano Oecksler - OFM
2. Dom Frei Carlos Schmitt -- Bis·
- Ordenado em 13.12.1970.
po de Dourados - MS . - em .. . .... .
27. Frei José Fernando Eberardt
28.10.1950.
OFM - Ordenado em 19.12 .1971.
3. Dom Frei Quirino Schmitz -
28. Frei Guido Scheid - OFM
Bispo de Tcófilo Otoni - MG - em
Ordenado em 15.12.1973.
25 . 04 .1931 .
29. Pe. Claudionor Schmitt -- S-CJ
- Ordenado em 13.12.1975.
Resenlu\.:
30. Frei Lindolfo Schmitz .- OFM
- Ordenado em 02 .07.1983. セイ。ョ」ゥウッ@ ................... .. . 2J
31. Frei Evaristo Pascoal [Link] E,agrado Coração ................. 5
- OFM - Ordenado em 19.05.1984. Seculares ....... . .. . ....... . . .. . .. 3
32 . Pe . Antônio Francisco Bolm - Salesianos .. .. . .... . .. . ..... ... ... 1
SEC - Orãenado em lI. 05l. J 985. Cistercienses .... ... ............ . . . 1
33. Frei Fidélis Bittencourt - Ocist Sagrados Bispos . .. . .............. 3
- Ordenado em 08.12.1988. Já falecidos . ............ . ........ 8
34. Pe. Celso Antônio Marquetti - Deixaram o ministério .... ...... . 4

FALECEU LAURO LARA

Embora já 'Estivesse há muito diá", coordenou, editando "Blu-


lutando contra pertinaz enfermi- menália Poética" e partia para
dade, e, por isso mesmo" muitos outras r Ealizações quando foi ven-
de seus amigos sabiam que sua cido pela morte.
vida não seria longa, assim mes- Lauro Lara foi sepultado no
mo a notícia do falecimento de mesmo dia em que morreu: 27 de
Lauro Lara, causou aquela triste julho, ::m Timbó, cidade em que
repercussão que a mort 3 de um nasceu.
amigo sempre nos causa. Isto Lauro Lara não possuía ini-
porque, nos últimos anos, é qU3 migos: porque não tinha como
o jovem (43 anos) escritor e jor- fazê-lo, dadas suas caractGrísticas
nalista estava decolando em vôo fraternas e acessíveis a todos.
mais alto nos seus objetivos não Leva, portanto, a melhor baga-
só de jornalista mas especialmen- gem que todos desejariam levar
t2, nas atividades culturais dire- 、セアオゥ Z@ amizade, lembranças agra-
」ゥョ セ ェ。ウ@ pelo mundo das letras. daveis (. saudade, o m21hor leniti-
Editou seu primeiro livro "Jun- vo r:lra c descanso de sua alma.

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Subsídios í-i;stórico$ Coordenação e Tradução: Rosa HerkenhCilH

Excertos da pagina de anúncios do «Kolonie-Zeitung » (Jornal da


Colôn ia) de 26 de novembro de 1881.

AOS ELEITORES!
A 4 de dezembro realiza-se a eleição de deputados para a Assem-
bléia Provincial. Para este .fim, a nossa Província foi dividida em dois
distritos eleitorais, dos quais cada um deverá eleger 11 deputados.
Mas, cada eleitor só poderá dar o seu voto a um único cidadão.
No entanto, esta eleição só pode ter resultado benéfico para o
bem da comunidade, se todos os eleitores se unirem em torno de um
único nome, deixando de lado os partidos ou as simpatias pessoais,
cidadão este, que pela sua atividade comprovada e profundo conheci-
mento das condições e das particularidades locais, prometa uma re-
presentação proveitos a de nossos interesses.
Para este fim, os eleitores reunidos no dia de ontem, aqui em
Joinville, resolveram dar os seus votos ao cidadão Hermann Augus!
Lepper, escolhido por votação, e depois da aquiescência do mesmo, os
eleitores abaixo assinados foram constituídos em comissão a fim de
convidar todos os eleitores não presentes à reunião, para darem o seu
voto ao candidato escolhido. .
Todos aqueles, convictos de que a dispersão de votos entre o
eleitorado não leva a resultado algum , pelo presente são convidados
a entregarem a sua cédula com os dizeres abaixo .
Joinville, 21 de novembro de 1881.
O. Doerffel, C. J. Parucker, Friedrich Heeren, Crispim de Oliveira
Mira, Antônio José Ribeiro, Francisco Machado da Luz, Friedrich Jor-
dan, Jean Bauer .
Anotar sobre a cédula:
Germano Augusto Lepper,
negociante, residente em Joinville .
Escrever no envelope:
Para Deputado da Assembléia Provincial do 1°. Distrito.

EXAME ESCOLAR
Segunda-feira, 5 de dezembro, realiza-se o exame escolar do cor-
rente ano na Primeira Escola Pública, começando セウ@ 8 horas da manhã.
Foram nomeados examinadores os senhores: C. W. Boehm e C. Monich.
Os .f amiliares dos alunos, assim como a Diretoria e os amigos da
Escola, são convidados para assistirem ao exame.
JOinville, 24 de novembro de 1881 .
O Delegado Literário Dr. Wigand Engelke .

A coleção do «Kolonie-Zeitung» faz parte do acervo do Arquivo


Histórico MuniCipal de Joinville.

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A Degola ele Procópio José ele Bayer
Edison d'Ávila
A Revolução Federalista de .1 893 em Itajaí foi marcada por acon-
tecimentos de extrema violência, nunca antes nem depois conhecidos
nos anais históricos do Município.
A ocupação da ci dade por t rop as do Exército Libertador, sob o
com ando do GEmeral federa li sta Gumercin do Saraiva, no começo de
dezembro de 1893; a chegada quase imediata das tropas republicanas
da Divisão do Norte, comandadas pelo General Franc isco Rogrigues Li-
ma e pelo Senador Pinheiro Machado; e o comb ate terrível travado entre
os dois exérc itos encheram de temor a população e tingiram o solo de
Itajaí de muito sangue das centenas de combatentes mortos ou feridos.
(1 )
A violência, porém, não se perpetrou apenas entre os combaten-
tes, mas também con tra os adversários políticos e a popl'lação civil.
Dos inúmeros episódios acontecidos, aquele que mais chocou a cidade
foi ce rtamente a degola do comerciante Procópio José de Bayer .
Pro cóp io residia no bairro Fazenda, onde tinha uma casa de co-
mércio, na esquina da hoje rua 11 de Junho com a rua Agostinho Fer-
nandes Viei ra. Era casado com Luiza Zeis Bayer e t inha oito filhos me-
nores.
A identidad e deste trági co personagem da história itajaiense re-
vela informes curiosos. Segundo dados colhidos nos arquivos da Pa ró-
quia de São Pedro Apóstolo de Gaspar, (2 ) ele era natural do Rio Grande
do Sul e, em verdade, chamava-se Procóp io José de Bailon; sendo .filho
de Juventino José de Bailon e Franci sca de Bail on. No entanto, nos
registros de qualificação de eleitores da Paróquia de São Pedro Após-
tolo de Gaspar, de 1876, constantes do acervo do Arquivo Histórico de
Itajai, seu nome é Procópio José de Bairo ou Bairro; tendo na ocasião
32 anos; era sol teiro e alfabetizado e exercia a profissão de carpintei-
ro. (3)
Sua mulher por outro lado, Luiza Zeis ou Sais, era natural de
Belchior, Gaspar, e filha de Pedro Sa is e Catarina Rausch. Procópio e
Luiza eram moradores em Belchior, quando em 1887 batizaram na Ma-
triz de Gaspar o filho Procópio José de Bailon, nascido naquele ano.
Não há indicações da época em que a família se mudou para
Itajaí. O certo é que, nesta cidade, já se identificava com o patronímico
germânico Bayer, tendo abandonado o castelhano Bailon . Foi assim que
o Presidente do Conselho de Intendência Municipal de Itajaí, Dr. Pedro
Ferreira e Silva, identificou-o, como vítima da Revolução de 1893, em
rel atório ao Governador Moreira César, em 17 de julho de 1894. (4)
Também .foi como Luiza Zeis Bayer que a viúva se identificou nos
registros do seu segundo casamento, em 5 de junho de 1897, com Ber-
t ino Fernandes Vieira, na Matriz de Itajaí. O mesmo filho, batizado em
Gaspar como Procópio José de Bailon, casou-se em Itajaí, a 14 de junho
de 1909, com o novo nome de Procópio José de Bayer. (5)

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Teriam sido a influência do meio alemão, que imperava em 8el-
chiar, e as origens germanlcas da esposa responsáveis pela germaniza-
ção do nome da família?
As razões da trágica morte de Procópio são divergentes. Há a
versão, segundo a qual Procópio teria denunciado às tropas republica-
nas da Divisão do Norte diversos simpatizantes federalistas de Itajaí
que, por caus a disso, foram presos e sofreram violências, (6) Outros
contam que, adversário dos federalistas, teria à noite, cortado a cauda
do cavalo de um comandante maragato. O gesto cruel e atrevido foi
tomado por retaliação politica. (7)
Quando retornaram a Itajaí, depois da retirada estratégica do dia
10 de deze mb ro, os .federalistas destacaram um piquete de soldados
a cavalo para ir pren der Procópio. Na tarde do dia 14 de dezembro de
1893, encontrara m-no sentado à porta de casa e o prenderam.
Os cavalarianos o trouxeram de arrasto até a esquina da rua Pe-
dro Ferreira com a rua Silva, local ermo à beira do rio Itajaí-açu . O pre-
so es tava aterroriz ado e a cada instante implorava clemência, sempre
alegando ser inocente. Os soldados, todavia, pouco se importaram com
aqueles rogos desesperados e com o pavor que tomara conta da vítima,
a qual iá antevia seu trágico fim.
Então. amarraram Procópio num poste de madeira que servia à
linh a telegráfica. Um dos soldados sacou da cintura afiada faca, com a
mão esquerda, pelos cab elos, puxou para trás a cabeça de Procópio
que, de olhos esbuqalhados, e soltando terríveis berros, teve a garganta
cortada . O corpo do infe liz pendeu inerte, pois o corte lhe fora fatal.
Eram duas horas da tarde.
Por cerca de três dias, o cadáver ,ficou insepulto, amarrado ao
poste . Parentes e amiqos, temendo represália, tardaram em dar sepul-
tura ao corpo do desditoso Procópio.
Notas Bibliográficas:
(1) d'AVILA. Edison. Pequena História de Itajaí. Itajaí, PMI , 1982 .
(2) Paróquia de São Pedro Apóstolo de Gaspar . Livro nO. 3 de Batizados.
(3) Arquivo Histórico de Itajaí. CMI/S/RE/qe. Cx. 03 . Lv . 02. 1876 .
(4) Arquivo Histórico de Itaiaí. CMI 1S/ CE. Cx. 02, Lv. 09 , 1894 .
(5) Paróquia do SS. Sacramento de Itajaí. Livro de Casamentos, 1897/ 1909 .
(6) Carlos de Paula Seára, entrevista ao autor em 1993.
(7) Maria Jorda d'Avila, entrevista ao autor em 1991 e Pedro Ary Agacci , entrevista
ao autor em 1993.

ACONTECEU ... JULHO DE 1993

- DIA 10 . - De acordo com relatórios divulgados pela imprensa . o fatura-


men to nas vendas realizadas por ocasião da Feira da Amizade, realizada de 11 a 13
deste mês de julho, alcancaram a cifra de CrS 1 . 435.294 ,00. A divulgação f oi feita
pela Secretaria Municipal de Acão Comunitária através de seu Departamento de Bem
Estar Social. * * * As 20:30 horas, no Museu de Arte de Santa Catarin a. em Flo-
ria nópolis , foi inaugurada a série de três exposições individuais de artes plásticas.
com artistas de Blumenau , Joinville e Curitiba.

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- DIA 2 - No Quartel situado à rua 7 de Setembro, realizaram-se varias sol e-
nidades comemorativas ao Dia do Bombeiro e que contaram com a presenca de re-
presentantes da comunidade. * * * As 19 horas realizou-se a solenidade de inaugu-
ração da nova ala do Fórum , denominada de Desem bargador Guilherme Abry. O custo
inicial da obra, fora orçado em 700 milhões de cruzeiros e a nova ala inaugurad8 .
numa ampliação de 460 metros quadrados, foi denominada de ala " Ayres Gonçalves"
em homenagem ao ex-advogado recém-falecido em Florianópolis e que militou no
Fórum de Blumenau durante toda sua carreira profisSional. A nova ala é composta
por 12 salas. * * * Foi aberto o 7° . Festival Universitário de Teatro de Blumena u:
local: Teatro Carlos Gomes. Um evento que , segundo a imprensa, ganha notoriedade
e respeito em todo o país .
- DIA 6 - Na rua da G!ória , bairro Garcia, proximidades do Centro Social
Urbano , foi encontrada uma ossada humana . Presume-se que trata-se de pessoas de-
saparecidas com a enxurrada de outubro de 1990 e que até agora ainda não haviam
sido encontradas.
- DIA 8 - Segundo declarações feitas à imprensa, o médico legista Roland
Dagnoni afirmou que a ossada encontrada no bairro Garcia , próximo ao Centro Soci al
Urbano , não seria de um ser humano , mas de um animal qualquer . * * * ladrões
entraram na Casa Flamingo, invadiram o recinto de contabilidade e turismo e levaram
um bilhão de cruzeiros . Isto aconteceu em plena luz do dia. O ataque foi de surpresa,
imobilizando os funcionários que se achavam no local do assalto.
- DIA 9 - A Secretaria da Crianca e do Adol escente , assinou convênio com
a Secretaria Municipal de Saúde, de Educação e empresas blumenauenses, objetivando
a execução do Programa Social de Trabalho Educativo, abrindo assim novas 24 vagas
nas diversas empresas locais , A cerimônia aconteceu no Salão Nobre da Prefeitura,
presidida pelo Secretário Roberto Saut.
- DIA 11 - A imprensa blumenauense (JSC) destaca a performance da PUC,
do Paraná, que conquistou , com a peça "Bella Ciao", o prêmio de melhor montagem
no 7° . Festival Universitário de Teatro , encerrado no dia anterior.
- DIA 13 - Começou o 1\ Festiva l Blu Jazz, um dos maiores e mais importan-
tes eventos musicais na cidade. As apresentações das orquestras aconteceram no
palco do Teatro Carlos Gomes.
- DIA 14 - O general Sérgio Henrique Taval'es , comandante da 14 a . BriÇJada
de Infantaria Motorizada , fez uma visita de inspeção ao 10°. Batalhão de Policia Militar
sediado em Blumenau. * * * O Projeto Crise, da FURB , registrou a manhã mais fria
do ano, com cinco graus centígrados às 6:30 da manhã. Enquanto isso , geou em 14
cidades do Estado, no planalto, sendo que a temperatura mais baixa ocorreu em Bom
Jardim da Serra, com 14 graus negativos, segundo informações da imp rensa (JSC) ,
com dados não oficiais.
- DIA 15 - Repercutiu dolorosamente no meio da comunidade blumenauense ,
a notícia do falecimento, do sr. Paul Fritz I<uehmich, fundador da Tecelagem Kuehmich e
que dedicou toda sua vida dinâmica em prol do crescimento da hoje conceituadíssima
indústr ia blumenauense, reconh eCida em todo mundo. Paul Fritz Kuehnrich faleceu no
Hospital Santa Catarina , depois de lutar muito contra pertinaz enfermidade, Seu sepulta-
mento ocorreu no dia seguinte, às 10 horas no cemitério de Itoupava Norte, com grande
acompanhamento . Blumenau e grande parte da população de Itoupava Norte, onde se
localiza a conceituada empresa que fundou , muito deve a Paul Fritz Kuehnrich, pelos
elevados benefcios que resultaram para aqu ela população no crescimento e abso rç ão
de mão-de-obra ocorrido nestes longos anos, resultado da semente lançada por seu
fundador. * * * A As soc iação Voluntári os de São Roqu e recebeu , nesta tarde, a doa-
ção de uma Kombi, da Secretaria Estadual de Administração e Justiça.
- DIA 16 - Segundo divulgou a imprensa (JSC), o prefeito Ren ato Vi anna dell
15 dias para que seu secretariado apresente dados e avaliações para definir onde e
como será feito a redução nas despesas do município.
- DIA 17 - Mais uma vez os termômetros cairam em Blumenau, nesta manhã,
para 3,1 grélus , surpreendendo a população . Aconteceu também gear nos bairros, especia l-
mente no Progresso e Vila Itoupava. * * * Após uma sequência notável de suces-
sos nas apresentações que se sucederam desde sua abertura, encerrou-se o II BlU-
JAZZ de Blumenau, que foi a repetição do sucesso da primeira . Mesmo com a tempe-
ratura muito baixa nestes dias de apresentação, contou sempre com a casa cheia
e não faltaram fartos aplausos a todos os conjuntos musicais que desfilaram no palco
do Teatro Carlos Gomes. Parabéns aos organizadores,

- 274-

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- DIA 19 - Uma solenidade simbólica, marcou o início da implantação dó
siste ma de esgotos de Blumenau . Os trabalhos começaram na rua Sete de Setembro,
entre a praça da Fonte Luminosa e a ponte Udo d ・セォN@ * * * Num ambiente de
descontracão e muito entusiasmo , foi realizado o ato solene de abertura oficial do
XVI Congresso Naciona l das APAEs. O evento aco nteceu no Pavilhão B da PROEB,
às 19 horas do dia 18, domingo.
- DIA 20 - Uma "b litz" - Operação Férias da Polícia Rodovi ária Federal, no
posto situado na BR-470, em Salto do Norte, resultou na ap licaçãQ de 168 notificações,
com a vistoria de 1300 veículos. As infrações foram diversas - f alta de decumenta-
ção, carteiras vencidas, excesso de peso, licenciamentos, equipa mentos, etc.
- DIA 21 - Encerraram-se, no Biergarten, as apresentações da 1a. Mostra de
Danças Populares . .
- DIA 22 - Começou o IV Festival de Música no .Teatro Carlos Gomes, com
a Orquestra de Câmara de Blumenau , apresentando-se com co nvidados especiais.
* * * Paralelamente a este evento, foi aberta a exposição "Ó leos e Aquarelas ", no
Salão de Festas do Teatro Carlos Gomes, pelo artista plástico Élio Hahnemann.
- DIA 24 - À 8 horas da manhã, 19 cavale iros reuniram-se em frente à Igreja
Matriz de São Pau lo Apóstolo, para dar início a uma cavalgada de 530 quilômetros, ou
seja, de Blumenau até a cidade de Iguape. O grupo denominou-se de " Cavalgada dos
Independentes " . O destino é participar da festa de Nosso Senhor Bom Jesus de
Iguape. * * * Como parte do IV Festival de Música, Renato Borguetti uniu-se à
Orquestra de Câmara de Blumenau, numa apresentação admirável, aliando os acordes
eruditos aos sons típicos de sua gaita, com música campeira, alca nçando extraordi-
nário sucesso e fartos aplausos da numerosa platéia que lotou o Teatro Garlos Gomes.
- DIA 27 - O grupo de música andina " Los Atipak", apresentou-se às 20 :30
horas no Teatro Carlos Gomes. O grupo vem de uma tournée pelo Rio Grande do Sul ,
defendendo a idéia de que com o Mercosul o intercâmbio cultural é mais do que
necessano . * * * Nesta madrugada, faleceu o escritor e jornalista Lauro Lara, um
dos maiores incentivadores dos movimentos artísticos e culturais da cidade. Lauro
Lara contava apenas 43 anos de idade. Seu falecimneto causou profunda consterna-
ção nos meios artísticos e intelectuais da cidade e da reg ião. •
- DIA 29 - A partir desta data, passou a funcionar o Comitê Central de
Ação da Cidadania Contra a Fome, a Miséria e pela Vid a de Blumenau, instalado
oficialmente às 20 horas, no auditório do Bloco "T" da FURB. * * * O artista plás-
tico Tadeu Bittencourt inaugurou exposição individual às 20:30 horas , no Espaço de
Arte Açu-Açu. A solenidade contou com um coquete l aberto ao público . 15 traba lhos
passaram a ser expostos pelo aplaudido artista plástico blumenauense. * * * No
pavilhão "B" da PROEB, foram descarregadas trinta toneladas de feijão doados pelo
Governo Federal à Prefeitura de Blumenau para distribuição à população carente.

Reminiscências cachoeira que fornece energia à


indústria.
No alto da margem esquerda
JUBILEU EM ENCANO ALTD está uma tecelagem, e na mar-
EM 1930 gem direita se localiza a Fecula-
(Transcrito do "Blumenauer ria Lorenz.
Z·[Link]", pg. 2) Para os cat6licos de Blume-
nau, o Encano tem o seu valor
o Encano, vulgarmente CO n simbólico. Os colonos que ali
nhecido por "Kannebach" , está moravam, ergueram a capela de
localizado na estrada geral que' São Bonifácio e o inesquecível Pe.
vai de Blumenau em direção a Carl Boegershausen, que na épo'
Indaial. 88 for de trem da Estra- ca atendia Joinville e Blumenau,
da de Ferro, leva-se até lá 45 mi- inaugurou em janeiro de 1,8 75,
nutos. Um pouco antes da foz do aquela casa de Deus.
Ribeirão Encano se forma uma A primeira missão do Padre
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José Maria Jacobs, foi pregada Prof. Frenzel, fez um beio pro-
no período de 04 a 11 de nov'em- jeto que fora aprovado por todos
bro no Encano e posteriormente os associados. O material para a
ele passou a atender com regula- construção, foi em grande parte
ridade aquela comunidade. doado e os serviços de r emoção
1 a entrada da "Paustiefe" de terras e ajudante foi feito por
r esidia o Sr. Johann Tilmann, voluntários. A inauguração será
que cuidava da Cap2'l a e alojava 110 dia 17 de agosto. Este dia
ú Padre. As aulas de catecismo trará muita alegria para a pe-
eram dadas dEbaixo de uma gran- quena comunidade. A escola é um
de' figueira. E nfE,ite para toda a região. O
Todos os habitantes de lá se belo frontispício está voltado pa-
relacionavam com a capela, pois ra a Estrada Geral e a linha da
os cultos, casamentos, batizados E.F.S.C. A escola tem uma
e sepultamentos no cemitério a- largura de 9 metros e 13 metros
nexo 'eram realizados ali. de altura. Atrás dos arcos está
Em 1906, no lugar da capela uma varanda, na direita; e a es-
São Bonifácio, construída em ma- querda, está um quarto. As la-
deira. deu lugar a uma nova cons- terais medem 17 metros dos quais
trução, maior e em estilo enxai- 10 metros são tomados por cor-
mel. redores. A sala de aula é Esp a-
Mais tarde intalou-se na ca- çosa e fica no meio, junto à pa-
pela uma Escola Paroquial. O rede dos fundos há 2 quartos e
primeiro Professor foi o Sr. J 0 - um palco.
sef Wamser, hoje (1930) está com O aspecto ger al é agradável,
81 anos. As aulas tiveram início Golunas brancas, paredes amare-
no dia 10 de, abril. relas são intercaladas com outras
Sucedeu-o o Professor Ben- core's .
n o Frenzel, para o qual a comu- O terreno hem nivelado re-
nidade construiu uma residência. alça e causa 'boa impressão. Não
Depois veio o professor Eu- se pode deixar de falar da rica co-
gen Hettrich e mais tarde o pro- munidade católica escolar de En-
fessor Florentin Vetter, falecido cano Baixo, o número de seus as-
em 11 de novembro de 1928. sociados não ultrapassa 40 e não
Quando construiu-se a torre há no seu meio nenhum capitalis-
que· embelezou a capela, a Escola ta ou atacadista . Todos são colo-
transferiu-se para a residência nos ou obreiros qUê' com sacrifício
do Professor, que por sua vez fo· e trabalho edificaram uma oora
ra ampliada com uma construcão em conjunto e em harmonia.
de madeira . セ@ Que a ajuda de São BonifáCio,
Neste ano (1930), por ocasião o apóstolo dos alemães, mante-
da passagem dos seus 25 anos, o nha este valioso espírito comuni-
P. DionYsius Mebus .o.F.M. con- tário.
citou a comunidade a costruir Nosso agradecimento a todos
uma nova Escola. O apelo foi que colaboraram: VIVAT CRES-
atendido e temporariamente a Es- CEAT FLOREAT.
cola foi transferida para a cape-
la. A velba escola foi demolida, o (Tradução: C. Vii. H . )
engenheiro M. Kaulich, genro do <Abril/1993)
- 276-

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F U N DAç A O .r,c A S A D R. B L UM E NAU"
Instituida pela Lei Municipal nr. 1835, d e 7 de ahril de 19'72.
Declarada de Utilidade Pública Municipal p ela Lei nr. 2.028, de 4/ 9/74.
Declara da de Utilida d e P úolica E stadual pela Lei nr. 6.643 , <lle 3/10/ R5 .
Registrada no Cadastro N ac ional de P essoas Jurídicas de Natureza
Cultural do Ministério da Cultura, sob o nr. 42 . 0022;}'!:l/ 87-50,
instituído pela Lei 7 . 505, de 217 / S6.
83015 B L U M E NAU Santa Catal'ina
INSTITUiÇÃO DE FINS EXCLUSIVAMENTE CULTURAIS

SÁO OBJETIVOS DA FUNDAÇÃO :

- Zelar pela cOru!lervação do patrimônio histórico e cultUl'al


do municipio;
Organizar e manter o Arquivo Histórico do Munlcipie;
Promover a conservaçã o e a divulgaçã o das tradições cul·
turais e do folclore regional;
Promover a ediçã o de livros e [Link] pUblicações que estu·
dem e divulguem as tradições hist5rico-culturais do Muni-
cípiO;
Criar e manter museus, bibliotecas, ゥョ。」ッエ・ウL@セ discotecas
e outras atividades, permanentes ou não. que si-rvam de
instrumento de divulg ação cll'ltura·l;
Promover est wdos e pesquisas sobre a história, as tradiçõe-'l,
o fol clore, a genealogia e outros aspectos de iô teresse cul-
tural do Município ;

- A Fundaçã o r ealizará os seus objt:ltivos atravÉ's da m anu·


ten ção d as bibliotecas e m useus , d e instalaçã o e manuten-
ção d e novas unidades culturais d e todos os tipos ligados
a esses objetivos, bem como atr avés da rea lização de cur
sos , palestras, exposições, estu dos , p esquisas e publi€ações .

A FUNDAÇAO " CAS A DR. BLUMENAU", MANT:E:M:


Biblioteca Municip a l "Dr . F ntz Müller "
Ar quivo Histór i€o "Pr oL J osé Ferreira da Silva"
Museu da Família Colonial
Horto F lorestal ... Edith Gaer tne r"
Ed ita a r evista "Blumenau em Cadernos"
Tipogr afia e Enca dernacã o
CONSELHO DELIB ERATIVO : Presidente - Aiga Ba rreto Mueller Hering
Vice·Presidente - Friederic h Ideker
CO NS ELHE IROS - Dinora h Krieger Gonça lves - Noe mi Kell ermann -
Fred e rico Kilian - Ma nfredo Bubeck - Hans Prayon -
Loriva l Harry Hübner Saade - Fra nk Graf - Ha ns
Martin . Meye r
DIRETORIA
Presidente - El ke Hering
Diretor Administrat ivo-Financeiro - Walter Os te rmann
Diretor de Cultura - Lygia Helena Roussenq Neves

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