E.E.E.M.
Felipe Camarão
Nomes: Gustavo Gailhard e Alexandre Kayser
Disciplina: Filosofia
Emmanuel Lévinas
Biografia
Emmanuel Lévinas foi um filósofo francês nascido numa família judaica na Lituânia.
Bastante influenciado pela fenomenologia de Edmund Husserl, de quem foi tradutor,
assim como pelas obras de Martin Heidegger e Franz Rosenzweig, o pensamento de
Lévinas parte da idéia de que a Ética, e não a Ontologia, é a Filosofia primeira. É no
face-a-face humano que irrompe todo sentido. Diante do rosto do Outro, o sujeito se
descobre responsável e lhe vem à idéia o Infinito.
Nascido Emanuelis Levinas no seio de uma família judaica, sendo o pai um livreiro,
Lévinas logo teve contato com os clássicos da literatura russa, como Dostoiévski – tão
citado em suas obras. Aos doze anos, na Ucrânia, assistiu à revolução de Outubro
(1917). Mais tarde, estabeleceu-se na França (1923) e iniciou seus estudos de filosofia
em Strasbourg. Dirigindo-se a Friburgo (1928-1929), tornou-se aluno de Edmund
Husserl e Martin Heidegger, dos quais seria um dos primeiros a introduzir o
pensamento na França. No ano seguinte, apresentou sua tese de doutorado sobre “La
Théorie de l’Intuition dans la Phénoménologie de Husserl” (1930) e continuou
escrevendo artigos sobre os dois autores, alguns recolhidos mais tarde em seu En
découvrant l’existence avec Husserl et Heidegger (1949).
Retornou a Paris, até que, tendo eclodido a II Guerra Mundial (1939), é capturado e
feito prisioneiro pelos alemães. Exilado por cinco anos, não poderá mais esquecer a
marca do ódio do homem contra o outro homem deixada pela violência nazista. No
cativeiro, foi escrita grande parte de sua obra De l’existence à l’existant (1947),
publicada dois anos após o fim da guerra.
Durante dezoito anos (1946-1964), dedicou-se à direção da Escola Normal Israelita
Oriental de Paris. Nesse período, publicou sua grande obra Totalité et Infini (1961), a
qual representa um momento de síntese das investigações a que vinha se dedicando
até então. Difficile liberté (1963) aparecerá dois anos depois, enfocando questões
sobre o judaísmo. Leciona depois na universidade de Poitiers (1964-1967), na de Paris-
Nanterre (1967-1973) e na de Paris-Sorbonne (1973-1984). Faleceu em Paris em
dezembro de 1995.
Obras
Abaixo, a primeira edição de cada obra e sua respectiva tradução para o português,
quando existente. A maioria já se encontra traduzida para o espanhol e inglês.
• Théorie de l’intuition dans la phénoménologie de Husserl (Paris: Alcan, 1930; Paris:
Vrin, 1963)
• De l’évasion. Recherches philosophiques, v. V, 1935-1936; rééd. introduite et annotée
par Jacques Rolland (Montpellier: Fata Morgana, 1982)
• De l’existence à l’existant (Paris: Vrin, 1947; Da existência ao existente. Trad. Paul
Albert Simon & Ligia Maria de Castro Simon. Campinas: Papirus, 1999)
• Le temps et l’autre (Paris: Arthaud, 1947 (Trad. José Luis Pérez. Lisboa:
Phainomenon - Revista de Fenomenologia, nº 11-Outono 2005, p.149-190)
• En découvrant l’existence avec Husserl et Heidegger (Paris: Vrin, 1949. Descobrindo
a existência com Husserl e Heidegger. Trad. Fernanda [Link]: Instituto Piaget,
1999).
• Totalité et Infini. Essai sur l’extériorité (La Haye: Martinus Nijhoff, 1961. Totalidade e
Infinito. Trad. José P. Ribeiro. Lisboa: Edições 70, 1988)
• Dificile liberté. Essai sur le Judaïsme (Paris: Albin Michel, 1963)
• Quatre lectures talmudiques (Paris: Minuit, 1968. Quatro leituras talmúdicas. Trad.
Fábio Landa. São Paulo: Perspectiva, 2003)
• Humanisme de l’autre homme (Montpellier: Fata Morgana, 1972. Humanismo do outro
homem. Trad. Pergentino S. Pivatto (Coord.). Petrópolis: Vozes, 1993)
• Autrement qu’être ou au-delà de l’essence (Paris: Kluwer Academic, 1974)
• Noms propres (Montpellier: Fata Morgana, 1976)
• Sur Maurice Blanchot (Montpellier: Fata Morgana, 1976)
• Du sacré au saint. Cinq nouvelles lectures talmudiques (Paris: Minuit, 1977. Do
sagrado ao santo - cinco novas interpretações talmúdicas. Trad. Marcos de Castro. Rio
de Janeiro: Civilização Brasileira, 2001)
• L’au-delà du verset. Lectures et discours talmudiques (Paris: Minuit, 1982)
• De Dieu qui vient à l’idée (Paris: Vrin, 1982. De Deus que vem à idéia. Trad.
Pergentino Stefano Pivatto (Coord.). Petrópolis: Vozes, 2002)
• Ethique et infini. Dialogues avec Philippe Nemo (Paris: Librairie Arthème Fayard et
Radio France, 1982. Ética e infinito. Diálogos com Philippe Nemo. Trad. João Gama.
Lisboa: Edições 70, 1988)
• Transcendance et intelligibilité. Suivi d’un entretien (Genebra: Labor et Fides, 1984.
Transcendência e inteligibilidade. Trad. José F. Colaço. Lisboa: Edições 70, 1991)
• Hors sujet (Montpellier: Fata Morgana,1987)
• A l’heure des nations (Paris: Minuit, 1988)
• De l’oblitération. Entretien avec Françoise Armengaud à propos de l’oeuvre de Sosno
(Paris: La Différence, 1990)
• Entre nous. Essais sur le penser-à-l’autre (Paris: Grasset & Fasquelle, 1991. Entre
nós: ensaios sobre a alteridade. Trad. Pergentino S. Pivatto (Coord.). Petrópolis: Vozes,
1997)
• La mort et le temps (Paris: L’herne, 1991)
• Dieu, la mort et le temps (Paris: Grasset, 1993. Dios, la muerte y el tiempo. Trad.
María Luisa Rodríguez Tapia. Ediciones Cátedra, 1998)
• Liberté et commandement (Montpellier: Fata Morgana, 1994)
• Les imprévus de l’histoire (Montpellier: Fata Morgana, 1994)
• L’intrigue de l’infini (Textes réunis et présentés par Marie-Anne Lescourret) (Paris:
Flammarion, 1994)
• Nouvelles lectures talmudiques (Paris: Minuit, 1995)
• Altérité et transcendance (Montpellier: Fata Morgana, 1995)
• Quelques réflexions sur la philosophie du l’hitlérisme (Paris: Éditions Payot & Rivages,
1997)
• Éthique comme philosophie première (Paris: Éditions Payot & Rivages, 1998)
Problema e solução apontada por Emmanuel Lévinas
Este ensaio investiga a relação entre duas grandes lógicas civilizatórias, a lógica
da “preocupação em ser”, ou lógica da preocupação consigo mesmo, e a lógica
do cuidado do outro. Acompanhamos, por um lado, a análise crítica que Lévinas
faz do Ocidente e de seus Humanismos; por outro, acompanhamos a lógica da
Escritura Bíblica e a indicação de outro processo civilizatório, de outra Humanidade.
Pretendemos mostrar, como resultado, que essas duas lógicas, em tensão, constituem
o “fio da navalha” da proposta de Lévinas; aproximar essas lógicas, a partir da
noção de Subjetividade, é, em Lévinas, andar sobre o fio da navalha. A metodologia
que utilizamos é a pesquisa bibliográfica aplicada a obras centrais de Lévinas e
conduzida sob inspiração da Hermenêutica Crítica de Paul Ricoeur
No discurso filosófico de Lévinas, o ser humano como Subjetividade é o fio
da navalha onde se passam, se cruzam e se transpassam a lógica da apropriação
para si e a lógica do cuidado do outro. Por um lado, se o Eu se inclinar
predominantemente para o lado da preocupação por si, a navalha vai continuar ferindo
o outro, muitas cabeças vão rolar, muitas barrigas ficarão vazias, muitos pés
serão atrofiados, uma humanidade viverá alienada. A história real com suas
violências múltiplas já é demais para mostrar no que vai dar. Por outro lado,
se a navalha se inclinar predominantemente na direção do cuidado do outro, o
mesmo fio da navalha perde o corte sem perder o poder de dividir a cada Um
o que lhe é essencial e necessário, no que Eu estou incluído.
Referências bibliográficas
[Link]
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[Link]/import/pdf_articles/OQNFP_38_10_gilmar_francisco_bonamigo.pdf