Introdução à Probabilidade
Introdução à Probabilidade
Probabilidade
Agosto 2015
Sumário
1.1 Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1
1.3.1 Interseção . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5
1.3.2 Exclusão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6
1.3.3 União . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6
1.3.4 Complementação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7
1.3.5 Diferença . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7
2.1 Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13
i
ii SUMÁRIO
4.1 Exemplos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 43
4.2 Os teoremas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 52
5 Exercícios propostos 55
A Análise combinatória 77
A.3 Permutações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 80
A.4 Arranjos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 83
A.6.1 Aplicações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 95
Capítulo 1
1.1 Introdução
No nosso cotidiano, lidamos sempre com situações em que está presente a incerteza do
resultado, embora, muitas vezes, os resultados possíveis já sejam conhecidos. Por exemplo:
o sexo de um embrião pode ser masculino ou feminino, mas só saberemos o resultado exato
quando o bebê nascer. Se estivermos interessados na face voltada para cima ao jogarmos um
dado, os resultados possíveis serão 1, 2, 3, 4, 5, 6. Mas só saberemos o resultado quando o
experimento se completar, ou seja, quando o dado atingir a superfície sobre a qual foi lançado.
É conveniente, então, dispormos de uma medida que exprima a incerteza presente em cada
um desses acontecimentos. Tal medida é a probabilidade.
No estudo das distribuições de frequências, vimos como essas são importantes para
entendermos a variabilidade de um fenômeno aleatório. Por exemplo, quando sorteamos uma
amostra de empresas para analisar a distribuição do número de empregados, sabemos que
uma outra amostra fornecerá resultados diferentes. No entanto, se sortearmos um grande
número de amostras, esperamos que surja um determinado padrão que irá refletir a verdadeira
distribuição da população de todas as empresas. Através de um modelo teórico, construído
com base em suposições adequadas, podemos reproduzir a distribuição de frequências quando
o fenômeno for observado diretamente. Esses modelos são chamados modelos probabilísticos
e serão estudados na segunda parte deste curso. A probabilidade é a ferramenta básica na
construção de tais modelos e será estudada nesta primeira parte.
essa proporção deve ser 16 . Nessas condições, nosso modelo probabilístico para o lançamento
de um dado pode ser expresso da seguinte forma:
Face 1 2 3 4 5 6 Total
1 1 1 1 1 1
Frequência teórica 6 6 6 6 6 6 1
Suponhamos que uma mulher esteja grávida de trigêmeos. Sabemos que cada bebê
pode ser do sexo masculino (M) ou feminino (F). Então, as possibilidades para o sexo das três
crianças são: MMM, MMF, MFM, FMM, FFM, FMF, MFF, FFF. Uma suposição razoável é que
todos esses resultados sejam igualmente prováveis, o que equivale a dizer que cada bebê tem
igual chance de ser do sexo masculino ou feminino. Então cada resultado tem uma chance de
1
8 de acontecer. Assim, o modelo probabilístico para esse experimento seria
Sexo MMM MMF MFM FMM FFM FMF MFF FFF Total
1 1 1 1 1 1 1 1
Freq. teórica 8 8 8 8 8 8 8 8 1
Meninas 0 1 2 3 Total
1 3 3 1
Freq. teórica 8 8 8 8 1
O lançamento de uma moeda é um experimento aleatório, uma vez que, em cada lançamento,
mantidas as mesmas condições, não podemos prever qual das duas faces (cara ou coroa) cairá
para cima. Por outro lado, se colocarmos uma panela com água para ferver e anotarmos a
temperatura de ebulição da água, o resultado será sempre 100o C. Logo, este é um experimento
determinístico.
Uma urna contém 4 bolas, das quais 2 são brancas (numeradas de 1 a 2) e 2 são pretas
(numeradas de 3 a 4). Duas bolas são retiradas dessa urna, sem reposição. Defina um espaço
amostral apropriado para esse experimento e os seguintes eventos:
4 CAPÍTULO 1. PROBABILIDADE: CONCEITOS BÁSICOS
Solução
Considerando a numeração das bolas, o espaço amostral pode ser definido como:
Ω = {(i, j) : i = 1, 2, 3, 4; j = 1, 2, 3, 4; i 6= j}
= {(1, 2), (1, 3), (1, 4), (2, 1), (2, 3), (2, 4), (3, 1), (3, 2), (3, 4), (4, 1), (4, 2), (4, 3)}
Os eventos são:
A = {(i, j) : i = 1, 2; j = 1, 2, 3, 4; i 6= j}
= {(1, 2), (1, 3), (1, 4), (2, 1), (2, 3), (2, 4)}
B = {(i, j) : i = 1, 2, 3, 4; j = 1, 2; i 6= j}
= {(2, 1), (3, 1), (4, 1), (1, 2), (3, 2), (4, 2)}
C = {(i, j) : i = 1, 2; j = 1, 2; i 6= j}
= {(1, 2), (2, 1)}
Três cartas são retiradas, sem reposição, de um baralho que tem três cartas de cada uma das
seguintes cores: azul, vermelha, preta e branca. Dê um espaço amostral para esse experimento
e, em seguida, liste os eventos:
Solução
Ω = {(x1 , x2 , x3 ) : xi = A, V , P, B; i = 1, 2, 3}
Os eventos são:
A = {(V , V , V )}
Como temos quatro cores diferentes e apenas três extrações, não é possível obter todas
as cores. Logo,
D = ∅
1.3.1 Interseção
Note que
x ∈A∩B ⇔ x∈A e x∈B (1.1)
Solução
Ω = {(1, 1), (1, 2), . . . , (1, 6), (2, 1), . . . , (2, 6), . . . , (6, 6)}
B = {(4, 6), (5, 5), (5, 6), (6, 4), (6, 5), (6, 6)}
Dos seus elementos, os únicos que pertencem ao evento A, isto é, aqueles que
têm soma das faces par, são os elementos (4, 6) , (5, 5) , (6, 4) e (6, 6). Logo, A ∩ B =
{(4, 6) , (5, 5) , (6, 4) , (6, 6)} . Note que não precisamos listar o evento A, que tem 18 elementos!
6 CAPÍTULO 1. PROBABILIDADE: CONCEITOS BÁSICOS
1.3.2 Exclusão
1.3.3 União
Observe que
x ∈A∪B ⇔ x∈A ou x∈B (1.2)
1.3.4 Complementação
Observe que
x∈A ⇔ x∈
/ A (1.3)
e também que
A∪A=Ω (1.4)
1.3.5 Diferença
Note que
x ∈A\B ⇔ x∈A e x∈
/ B ⇔ x ∈A∩B (1.5)
e também que
A = (A \ B) ∪ (A ∩ B) (1.6)
Além disso, A \ B 6= B \ A, conforme ilustrado na Figura 1.6.
B = {(4, 6), (5, 5), (5, 6), (6, 4), (6, 5), (6, 6)}
Logo,
(1, 1) , (1, 3) , (1, 5) , (2, 2) , (2, 4) , (2, 6) , (3, 1) , (3, 3) , (3, 5) ,
(4, 2) , (4, 4) , (5, 1) , (5, 3) , (6, 2)
A\B =
1. Identidade
A∩∅ = ∅
A∪Ω = Ω (1.7)
1.3. OPERAÇÕES COM EVENTOS ALEATÓRIOS 9
A∪∅ = A
A∩Ω = A (1.8)
2. Complementar
Ω = ∅
∅ = Ω (1.9)
A∩A = ∅
A∪A = Ω (1.10)
3. Involução
A = (Ac )c = A
4. Idempotência
A∩A = A
A∪A = A (1.11)
5. Comutatividade
A∩B = B∩A
A∪B = B∪A (1.12)
6. Associatividade
(A ∩ B) ∩ C = A ∩ (B ∩ C )
(A ∪ B) ∪ C = A ∪ (B ∪ C ) (1.13)
7. Distributividade
A ∩ (B ∪ C ) = (A ∩ B) ∪ (A ∩ C )
A ∪ (B ∩ C ) = (A ∪ B) ∩ (A ∪ C ) (1.14)
A B A B A B
C C C
A B A B A B
C C C
8. Absorção
A ∩ (A ∪ B) = A
A ∪ (A ∩ B) = A (1.15)
9. Leis de De Morgan
A∩B = A∪B
A∪B = A∩B (1.16)
A A B A B
B
C C C
A B A B A B
C C C
A B A B A B A B
2.1 Introdução
Uma solução seria lançar o dado um grande número de vezes e observar a proporção
dos lançamentos que resultam no evento A. Se denotarmos por n(A) o número de vezes que
ocorreu o evento A em n lançamentos, a definição de probabilidade com base na frequência
relativa é
n(A)
n→∞ n
P(A) = lim
Essa definição tem alguns problemas, a saber: quão grande deve ser n? quem garante
que a razão n(A)
n converge e converge sempre para o mesmo número cada vez que repetimos
o experimento? Temos que buscar, então, uma nova forma de definir probabilidade.
a definição frequentista vista acima. A primeira observação que podemos fazer é a seguinte:
dado um experimento aleatório, desejamos atribuir probabilidade aos eventos do respectivo
espaço amostral, ou seja, para cada evento, queremos determinar um número que indique a
probabilidade desse evento. Assim, probabilidade é uma função definida no conjunto de todos
os eventos de um espaço amostral Ω. Vamos denotar tal função por P.
I. Axioma 1: P(A) ≥ 0
1. P(∅) = 0
Demonstração
Temos que Ω = Ω ∪ ∅ e como Ω ∩ ∅ = ∅, podemos aplicar o Axioma III para obter que
P(Ω) = P(Ω) + P(∅), de onde segue que P(∅) = 0.
2. P(A) = 1 − P(A)
Demonstração
2.2. DEFINIÇÃO AXIOMÁTICA DE PROBABILIDADE 15
Temos que Ω = A ∪ A e como A ∩ A = ∅, podemos aplicar o Axioma III para obter que
P(Ω) = P(A) + P(A) e o Axioma II nos dá que 1 = P(A) + P(A), de onde segue o resultado.
A = (A \ B) ∪ (A ∩ B)
de onde segue o resultado pela aplicação do Axioma III, já que as partes sombreadas
não têm interseção.
Volte à Figura 2.1 para ver que o evento B\A = B∩A corresponde à parte não sombreada
do evento B e que P(B \ A) = P(B ∩ A) = P(B) − P(A ∩ B)
Demonstração
Note que esse resultado generaliza o Axioma III para dois eventos quaisquer, ou seja,
não estamos exigindo que A e B sejam mutuamente exclusivos. Veja a Figura 2.2:
Toda a parte sombreada representa a união dos dois eventos, que pode ser decomposta
nas duas partes com diferentes sombreamentos, isto é, A ∪ B = (A \ B) ∪ B. Como
(A \ B) ∩ B = ∅, o Axioma III nos dá que
B ⊂ A ⇒ A = B ∪ (A \ B) ⇒
P(A) = P(B) + P(A \ B) ⇒ P(A) ≥ P(B)
Figura 2.3 – B ⊂ A
Axiomas
P(A) ≥ 0
P(Ω) = 1
A ∩ B = ∅ ⇒ P(A ∪ B) = P(A) + P(B)
Propriedades
P(∅) = 0
P(A) = 1 − P(A)
P(A \ B) = P(A ∩ B) = P(A) − P(A ∩ B)
P(A ∪ B) = P(A) + P(B) − P(A ∩ B)
A ⊂ B ⇒ P(A) ≤ P(B)
P(A) ≤ 1
Vamos considerar, agora, uma situação especial, em que o espaço amostral Ω é finito e
todos os seus eventos elementares são igualmente prováveis. Esse contexto leva à definição
clássica de probabilidade, que foi a primeira definição formal de probabilidade, explicitada
por Girolamo Cardano (1501-1576).
Ω = E1 ∪ E2 ∪ · · · ∪ EN
e esses eventos elementares são mutuamente exclusivos dois a dois. Pode-se provar, por
indução, que
Como estamos supondo que todos eles são igualmente prováveis, resulta
∀i
1 1
P(Ei ) =
N n(Ω)
=
Mas, qualquer evento A ⊂ Ω pode ser escrito como união de eventos elementares. Logo,
n(A)
n(Ω
P(A) =
18 CAPÍTULO 2. PROBABILIDADE: AXIOMAS E PROPRIEDADES
Seja Ω um espaço amostral finito, cujos eventos elementares são todos igualmente
prováveis, isto é, podemos escrever
Ω = E1 ∪ E2 ∪ · · · ∪ EN
onde
∀i
1 1
P(Ei ) =
N n(Ω)
=
n(A)
n(Ω)
P(A) =
Solução
Note que esse é um espaço amostral finito em que os eventos elementares são
igualmente prováveis, pois estamos supondo que o dado seja honesto. Já sabemos que
n(Ω) = 6 e que o evento de interesse é A = {5, 6). Logo, P(A) = = .
2 1
6 3
Considere um baralho usual composto de 52 cartas divididas em 4 naipes: ouros, copas, paus
e espadas, cada naipe com 13 cartas. As cartas dos 2 primeiros naipes são vermelhas e as
dos dois últimos, pretas. Em cada naipe, as cartas podem ser Ás, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10,
Valete, Dama e Rei. Essas três últimas são figuras que representam a realeza. Retira-se, ao
acaso, uma carta desse baralho. Qual é a probabilidade de que seja
Solução
n(Ω) = 52. Vamos denotar por F o evento “carta retirada é uma figura” e por P o evento
“carta retirada é preta”.
(a) Em cada um dos 4 naipes há três figuras. Logo, o número total de figuras é 4 × 3, ou seja,
n(F ) = 12. Logo,
.
12 3
P(F ) = =
52 13
(b) Metade das cartas é de cor preta. Logo,
= .
26 1
P(P) =
52 2
(a) par?
(b) primo?
Solução
Temos um espaço amostral finito com eventos elementares equiprováveis, pois estamos
escolhendo o número aleatoriamente.
Uma urna contém 6 bolas pretas, 2 bolas brancas e 8 bolas verdes. Uma bola é escolhid,a ao
acaso, desta urna. Qual é a probabilidade de que essa bola
Solução
P(V ) = 1 − P(V ) = 1 −
8 8 1
= =
16 16 2
(b)
n(B)
= .
2 1
n(Ω)
P(B) = =
16 8
(c) Se a bola não é branca nem verde, ela tem de ser preta. Observe que estamos pedindo
P(B ∩ V ). Pela lei de De Morgan e pela Propriedade 2 e Axioma III, temos
P(B ∩ V ) = P(B ∪ V ) = 1 − P(B ∪ V )
= 1 − [P(B) + P(V )] = 1 − −
2 8 6
=
16 16 16
3
= = P(P)
8
Solução
A visualização do espaço amostral desse experimento pode ser vista na tabela a seguir,
onde, para cada par possível de resultados, apresentamos também a soma das faces:
Dado 2
1 2 3 4 5 6
1 (1, 1) →2 (1, 2) →3 (1, 3) →4 (1, 4) →5 (1, 5) →6 (1, 6) →7
2 (2, 1) →3 (2, 2) →4 (2, 3) →5 (2, 4) →6 (2, 5) →7 (2, 6) →8
Dado 3 (3, 1) →4 (3, 2) →5 (3, 3) →6 (3, 4) →7 (3, 5) →8 (3, 6) →9
1 4 (4, 1) →5 (4, 2) →6 (4, 3) →7 (4, 4) →8 (4, 5) →9 (4, 6) → 10
5 (5, 1) →6 (5, 2) →7 (5, 3) →8 (5, 4) →9 (5, 5) → 10 (5, 6) → 11
6 (6, 1) →7 (6, 2) →8 (6, 3) →9 (6, 4) → 10 (6, 5) → 11 (6, 6) → 12
Podemos ver que :
(1, 1) , (1, 2) , (1, 3) , (1, 4) , (1, 5) , (1, 6) ,
(2, 1) , (2, 2) , (2, 3) , (2, 4) , (2, 5) , (2, 6) ,
(3, 1) , (3, 2) , (3, 3) , (3, 4) , (3, 5) , (3, 6) ,
⇒ n(Ω) = 36
(4, 1) , (4, 2) , (4, 3) , (4, 4) , (4, 5) , (4, 6) ,
Ω=
1) , (5, 2) , (5, 3) , (5, 4) , (5, 5) , (5, 6) ,
(5,
(6, 1) , (6, 2) , (6, 3) , (6, 4) , (6, 5) , (6, 6)
(1, 1) , (1, 3) , (1, 5) , (2, 2) , (2, 4) , (2, 6) ,
A= (3, 1) , (3, 3) , (3, 5) , (4, 2) , (4, 4) , (4, 6) , ⇒ n(A) = 18
(5, 1) , (5, 3) , (5, 5) , (6, 2) , (6, 4) , (6, 6)
22 CAPÍTULO 2. PROBABILIDADE: AXIOMAS E PROPRIEDADES
Em uma urna ,há 4 bolas brancas e 3 verdes. Duas bolas são retiradas dessa urna,
seqüencialmente e sem reposição. Qual é a probabilidade de obtermos
Solução
Ω = {(C1 , C2 ); C1 , C2 = B1 , B2 , B3 , B4 , V1 , V2 , V3 ; C1 6= C2 }
A primeira bola pode ser qualquer uma, logo, há 7 bolas possíveis. Como a extração é sem
reposição, para a segunda bola, só há 6 possibilidades. Assim, o número total de pares é
7 × 6 = 42, ou seja, n(Ω) = 42.
(a) Para os pares do evento A = “2 bolas brancas”, a primeira bola pode ser qualquer uma
das brancas, e a segunda, qualquer uma das brancas restantes. Logo,
n(A) = 4 × 3 ⇒ P(A) =
12 2
=
42 7
n(B) = 3 × 2 ⇒ P(B) =
6 1
=
42 7
É interessante notar o seguinte fato sobre a extração das bolas: em vez de fazermos extrações
sequenciais, podemos retirar 2 bolas simultaneamente. Em ambos os casos, as extrações são
sem reposição, ou seja, a mesma bola não pode sair duas vezes. O que muda, então?
Solução
Nas extrações simultâneas, não podemos diferenciar a ordem das bolas: por exemplo,
os pares V1 V2 e V2 V1 são os mesmos. Dessa forma, a cardinalidade do espaço amostral fica
reduzida por 2, que é 2!, número de maneiras de organizar as 2 bolas. Se fossem 3 bolas,
ficaria reduzido por 3! = 6. Para ajudar na compreensão dessa diferença, vamos listar o espaço
amostral nos dois casos, bem como os eventos que estudamos.
3 1 6 2 12 4
Extrações simultâneas 21 = 7 21 = 7 21 = 7
Prove que:
P A ∩ B ∪ A ∩ B = P(A) + P(B) − 2 P(A ∩ B)
Observe que a afirmação trata da probabilidade da ocorrência de exatamente um dos eventos
A ou B.
Solução
24 CAPÍTULO 2. PROBABILIDADE: AXIOMAS E PROPRIEDADES
Logo,
P A ∩ B ∪ A ∩ B = P(A) + P(B) − 2 P (A ∩ B)
Em uma prova, caíram dois problemas. Sabe-se que 132 alunos acertaram o primeiro, 86
erraram o segundo, 120 acertaram os dois e 54 acertaram apenas um. Sorteando-se, ao
acaso, um desses alunos, qual é a probabilidade de que o sorteado:
Solução
P ({−1, 1}) = 0, 6
P ({0, 1}) = 0, 9
P ({−1, 0}) = 0, 5
Solução
Note que o evento {−1, 1} = {−1} ∪ {1}. Logo, as probabilidades dadas se transformam
no seguinte sistema de 3 equações com 3 incógnitas:
P (−1) + P(1) = 0, 6
P(0) + P(1) = 0, 9
P(−1) + P(0) = 0, 5
P(0) + 0, 6 − P(−1) = 0, 9
P(−1) + P(0) = 0, 5
ou
P(0) − P(−1) = 0, 3
P(0) + P(−1) = 0, 5
2 × P(0) = 0, 8 ⇒ P(0) = 0, 4
26 CAPÍTULO 2. PROBABILIDADE: AXIOMAS E PROPRIEDADES
Substituindo, obtemos
P(1) = 0, 6 − P(−1) = 0, 6 − 0, 1 = 0, 5
Como todos os valores obtidos estão no intervalo (0, 1), a atribuição dada é válida.
Capítulo 3
Probabilidade condicional e
independência de eventos
Suponhamos, agora, que o dado tenha sido lançado e a seguinte informação fornecida:
“saiu face par”. Qual é a probabilidade de ter saído face 2?
Note a diferença: agora nós temos uma informação parcial sobre o experimento e
devemos usá-la para reavaliar a nossa estimativa. Mais precisamente, sabemos que ocorreu o
evento B = “face par”. Com essa informação, podemos nos concentrar no evento B = {2, 4, 6} ,
uma vez que as faces 1, 3, 5 ficam descartadas em função da informação dada. Dentro dessas
três possibilidades, a probabilidade do evento A passa a ser 13 .
B = {(3, 6) , (4, 5) , (4, 6) , (5, 4) , (5, 5) , (5, 6) , (6, 3) , (6, 4) , (6, 5) , (6, 6)}
Se ocorreu B, a única chance de ter ocorrido A é que tenha ocorrido o evento
10 ,
4
e, nesse caso, a probabilidade é ou seja,
4 4
36 P(A ∩ B)
P(A|B) = = 10
=
10 36
P(B)
Esses dois exemplos ilustram o fato geral que está representado na Figura 3.1. Se
sabemos que aconteceu o evento B, esse evento passa a ser o “novo espaço amostral” e,
nesse novo espaço amostral, a única parte de A presente é A ∩ B – a parte sombreada mais
clara.
Com esses exemplos, ilustramos uma situação bastante comum, em que temos de
calcular a probabilidade de um evento tendo uma informação parcial. Esse é o conceito
de probabilidade condicional.
P (A ∩ B)
P(A|B) =
P (B)
Note que, nessa definição, temos que supor que o evento B é um evento possível, já que
ele ocorreu. Logo, é óbvio que P(B) > 0.
Um grupo de 100 alunos foi classificado quanto ao sexo e à atividade de lazer preferida,
obtendo-se a distribuição dada na tabela a seguir.
3.1. PROBABILIDADE CONDICIONAL 29
1. Qual é a probabilidade de que uma pessoa, escolhida ao acaso nesse grupo, seja do
sexo masculino?
2. Se a pessoa escolhida preferir a praia como atividade de lazer, qual será a probabilidade
de ser um homem?
Solução
35
P(M) = = 0, 35
100
P(M ∩ P) 12
≈ 0, 2264
100 12
P(M|P) = = 53
=
P(P) 100
53
(a) Qual é a probabilidade de que ele tenha algum plano de aposentadoria complementar?
(b) Qual é a probabilidade de que ele não possua qualquer plano de aposentadoria
complementar?
Solução
P(P ∩ E) =
200 2 400 4 200 2
P(P) = = P(E) = = =
500 5 500 5 500 5
Note que essas informações podem ser dispostas em forma de tabela, como podemos
ver a seguir:
A probabilidade de que uma nova campanha publicitária fique pronta antes do prazo
estipulado pela diretoria foi estimada em 0,60. A probabilidade de que a diretoria aprove essa
campanha é de 0,50. A probabilidade de que ambos os objetivos sejam atingidos é 0,30.
3.1. PROBABILIDADE CONDICIONAL 31
(a) Qual é a probabilidade de que pelo menos um dos objetivos seja atingido?
(c) Se a campanha ficar pronta antes do prazo estipulado, qual é a probabilidade de ela ser
a provada pela diretoria?
Solução
P(A ∩ P) 0, 3
(c) P(A|P) = = = 0, 5.
P(P) 0, 6
Axioma 1:
P(A ∩ B)
P(A|B) = ≥0
P(B)
pois P(A ∩ B) ≥ 0 e P(B) > 0.
Axioma 2:
P(Ω ∩ B) P(B)
P(Ω|B) = = =1
P(B) P(B)
P(B)
Na verdade, como P(B|B) = = 1, toda a probabilidade condicional está concentrada
P(B)
em B, o que justifica considerarmos B como o novo espaço amostral para essa nova lei de
probabilidade.
Axioma 3:
Mas, como A1 e A2 são mutuamente exclusivos, resulta que (A1 ∩ B) e (A2 ∩ B) também
o são – esses dois eventos correspondem à parte sombreada mais clara da figura. Logo,
Se um avião está presente em determinada área, um radar detecta sua presença com
probabilidade 0,99. No entanto, se o avião não está presente, o radar detecta erradamente
a presença de um avião com probabilidade 0,02. A probabilidade de um avião estar presente
nessa área é de 0,05. Qual é a probabilidade de um falso alarme? Qual é a probabilidade
de o radar deixar de detectar um avião? (Note que esses são os dois erros possíveis nessa
situação.)
Solução
A = “avião presente”
D = “radar detecta presença de avião”
O problema pede
Considere que duas cartas de um baralho (13 cartas de cada um dos naipes copas, paus,
ouros, espadas) sejam extraídas, sem reposição, uma depois da outra. Qual é a probabilidade
de
Solução
3.1. PROBABILIDADE CONDICIONAL 35
Para solucionar esse problema, devemos notar que as cartas no baralho são igualmente
prováveis, antes e depois da primeira extração. Vamos definir os seguintes eventos:
13
P(C1 ) =
52
39
P(C 1 ) =
52
Na segunda extração, dado que na primeira saiu copas, temos 12 cartas de copas e 39
cartas que não são de copas em um baralho com 51. O evento representado pelo caminho
superior da árvore é C1 ∩ C2 e sua probabilidade é
Suponhamos agora a extração de três cartas sem reposição e o evento “nenhuma carta
de copas”. Como podemos generalizar a regra da multiplicação para esse caso?
Solução
Como antes, quando caminhamos ao longo de cada galho no diagrama de árvores, cada
nó representa a ocorrência de um evento condicional à ocorrência dos eventos anteriores.
Por exemplo, vamos considerar o galho superior: o primeiro nó corresponde ao evento C1 ;
o segundo, ao evento C2 , condicionado à ocorrência de C1 ; e o terceiro e último, ao evento
C3 , condicionado à ocorrência de C1 ∩ C2 . Quando multiplicamos as probabilidades desses 3
eventos, obtemos a seguinte probabilidade da interseção:
11/50
C3
12/51
C2 C3
39/50
12/50
13/52 C3
C2
C1
39/51
C3
38/50
12/50
C3
C1 13/51
39/52 C2 C3
38/50
13/50
C3
C2
38/51
C3
37/50
Em uma pesquisa realizada com um grupo de alunos da UFF, constatou-se que 10%
dos estudantes não utilizam transporte público para ir às aulas e que 65% dos estudantes
que utilizam o transporte público fazem refeições no bandejão do campus. Selecionando-se,
aleatoriamente, um estudante desse grupo, calcule a probabilidade de que ele use transporte
público e faça refeições no bandejão.
Solução
Uma urna contém seis bolas pretas e cinco bolas amarelas. Extraem-se,
sequencialmente, três bolas dessa urna, sem reposição. Qual é a probabilidade de que as
três bolas sejam da mesma cor?
Solução
Vamos definir os eventos Pi = “bola preta na extração i”e Ai = “bola amarela na extração
i”, i = 1, 2, 3.
Considere novamente um baralho usual, com 52 cartas, 13 de cada naipe, do qual será
retirada uma carta. Vamos definir os seguintes eventos:
C = “carta é de copas”
R = “carta é um rei”
V = “carta é vermelha”
P(R ∩ C ) 1
52 4 1
P(R|C ) = = 1
= = = P(R)
P(C ) 4
52 13
P(V ∩ C )
P(V |C ) = = 1 6= P(V )
P(C )
=
P(C ) P(C )
3.2. INDEPENDÊNCIA DE EVENTOS 39
No primeiro caso, saber que a carta é de copas não acrescentou informação útil para
avaliarmos a probabilidade de sair rei, ou seja, saber ou não que saiu copas não altera a
probabilidade de sair rei.
Já no segundo caso, saber que saiu carta de copas faz com que mudemos a probabilidade
de sair carta vermelha. Como podemos ver, se sabemos que saiu carta de copas, então a carta
tem de ser vermelha.
P(A|B) = P(A)
Demonstração
P(A ∩ B)
A, B independentes ⇒ P(A|B) = P(A) ⇒ = P(A) ⇒ P(A ∩ B) = P(A) P(B)
P(B)
Demonstração
P(A ∩ B)
P(A ∩ B) = P(A) P(B) ⇒ P(A|B) = = P(A) ⇒ A, B independentes.
P(A) P(B)
=
P(B) P(B)
Provamos, então, que A e B são independentes ⇔ P(A ∩ B) = P(A) P(B). Esse resultado
nos permite estabelecer uma outra definição equivalente para a independência de dois
eventos.
40 CAPÍTULO 3. PROBABILIDADE CONDICIONAL E INDEPENDÊNCIA DE EVENTOS
P(B ∩ A)
A, B independentes ⇒ P(B|A) = = P(B) ⇒ B, A independentes.
P(A) P(B)
=
P(A) P(A)
• A e B independentes ⇒ A, B independentes.
Demonstração
P(A ∩ B) = P(A ∪ B)
= 1 − P(A ∪ B)
= 1 − P(A) − P(B) + P(A ∩ B)
= 1 − P(A) − P(B) + P(A) P(B)
= [1 − P(A)] − P(B)[1 − P(A)]
= P(A) − P(B) P(A)
= P(A)[1 − P(B)]
= P(A) P(B) ⇒ A, B independentes.
P(A ∩ B
P(A|B) = = 0 6= P(A) ⇒ A, B não são independentes.
P(B)
3.2. INDEPENDÊNCIA DE EVENTOS 41
Solução
Temos
2 4
P(P) = P(E) =
5 5
P(P ∩ E) = 6= P(P) P(E)
2
5
Logo, os eventos P e E não são independentes. Outra forma de ver isso é
= 1 6= P(E) =
200 4
P(E|P) =
200 5
42 CAPÍTULO 3. PROBABILIDADE CONDICIONAL E INDEPENDÊNCIA DE EVENTOS
Capítulo 4
Neste capítulo, você estudará dois importantes teoremas da teoria das probabilidades e
verá suas aplicações em diversas situações envolvendo tomadas de decisão. Esses teoremas,
conhecidos como Teorema da Probabilidade Total e Teorema de Bayes, resultam diretamente
da definição de probabilidade condicional e das propriedades já vistas da probabilidade. Sua
apresentação será feita, inicialmente, através de exemplos, para que você compreenda bem o
contexto de sua aplicação. Em seguida, será apresentada a formulação geral desses teoremas.
4.1 Exemplos
(a) Qual é a proporção de peças defeituosas colocadas no mercado por essa fábrica?
(b) Se um cliente identificar uma peça defeituosa, qual será a probabilidade de ela ter sido
produzida pela máquina 1?
Solução
44 CAPÍTULO 4. TEOREMA DA PROBABILIDADE TOTAL E TEOREMA DE BAYES
Pelos dados do problema, temos uma estimativa a priori das proporções de peças
produzidas em cada máquina, ou seja, as probabilidades a priori dos eventos M1 e M2
são:
P(M1 ) = 0, 35
P(M2 ) = 0, 65
Sabemos, também, a proporção de peças defeituosas produzidas por cada máquina. Essa
proporção se traduz em uma probabilidade condicional: se a peça foi produzida pela
máquina 1, existe 5% de chance de ser defeituosa. Para a máquina 2, essa chance reduz-
se a 2,5%. Em termos de probabilidade, temos
P(D|M1 ) = 0, 05
P(D|M2 ) = 0, 025
D = (D ∩ M1 ) ∪ (D ∩ M2 )
P(D) = P [(D ∩ M1 ) ∪ (D ∩ M2 )]
= P(D ∩ M1 ) + P(D ∩ M2 )
n
S
1
A1 , A2 , · · · , An formam uma partição do espaço amostral Ω se (i) Ai ∩ Aj = ∅ ∀i 6= j; (ii) Ai = Ω
i=1
4.1. EXEMPLOS 45
Observe que a probabilidade de uma peça ser defeituosa é uma média ponderada das
probabilidades de defeito em cada máquina. Os pesos são definidos de acordo com o
nível de produção (probabilidade) de cada máquina.
(b) Na segunda parte do exemplo, temos uma informação sobre a peça: ela é defeituosa,
isto é, sabemos que ocorreu o evento D. O que o problema pede é que, com essa
informação, reavaliemos a probabilidade de a peça ter sido produzida pela máquina 1.
Essa probabilidade é chamada de probabilidade a posteriori, ou seja, é a probabilidade
que calculamos com base em informação parcial obtida depois de realizado o experimento
de sorteio e teste da peça. Em notação matemática, temos de calcular P(M1 |D). Por
definição, temos
P(M1 ∩ D)
P(M1 |D) =
P(D)
Usando a regra da multiplicação e o resultado encontrado no item anterior, resulta
P(M1 |D) =
P(M1 ) P(D|M1 )
P(M1 )Pr(D|M1 ) + P(M2 ) P(D|M2 )
0, 35 × 0, 05
0, 35 × 0, 05 + 0, 65 × 0, 025
=
0, 0175
= = 0, 5185
0, 03375
Compare os resultados:
(b) Se um cliente identificar uma peça defeituosa, qual será a probabilidade de ela ter sido
produzida na máquina 1? E na máquina 2? E na máquina 3?
46 CAPÍTULO 4. TEOREMA DA PROBABILIDADE TOTAL E TEOREMA DE BAYES
Solução
(a) O espaço amostral desse experimento está ilustrado no diagrama de árvore da Figura 4.2.
Como já visto anteriormente, cada galho da árvore corresponde ao condicionamento do
evento aos eventos dos galhos anteriores. Assim, na parte superior da árvore, temos os
eventos D|M1 e D|M1 . Na parte do meio, temos os eventos D|M2 e D|M2 ; e na parte
inferior, D|M3 e D|M3 .
Os dados do problema dão que
P(M1 ) = 0, 30 P(D|M1 ) = 0, 05
P(M2 ) = P(M3 ) = 0, 35 P(D|M2 ) = 0, 025
P(D|M3 ) = 0, 02
(b) Na segunda parte do exemplo, deseja-se saber P(M1 |D), P(M2 |D) e P(M3 |D). Por definição,
temos
P(M1 ∩ D)
P(M1 |D) =
P(D)
Usando a regra da multiplicação e o resultado encontrado no item anterior, temos
P(M1 |D) =
P(M1 ) P(D|M1 )
P(M1 ) P(D|M1 ) + P(M2 ) P(D|M2 ) + P(M3 ) P(D|M3 )
0, 30 × 0, 05
0, 30 × 0, 05 + 0, 35 × 0, 025 + 0, 35 × 0, 02
=
0, 015
= = 0, 487805
0, 03075
P(M2 |D) =
P(M2 ) P(D|M2 )
P(M1 ) P(D|M1 ) + P(M2 ) P(D|M2 ) + P(M3 ) P(D|M3 )
0, 35 × 0, 025
0, 30 × 0, 05 + 0, 35 × 0, 025 + 0, 35 × 0, 02
=
0, 00875
= = 0, 284553
0, 03075
P(M3 |D) =
P(M3 ) P(D|M3 )
P(M1 ) P(D|M1 ) + P(M2 ) P(D|M2 ) + P(M3 ) P(D|M3 )
0, 35 × 0, 02
0, 30 × 0, 05 + 0, 35 × 0, 025 + 0, 35 × 0, 02
=
0, 007
= = 0, 227642
0, 03075
Sabe-se que um “soro da verdade”, quando aplicado em um suspeito, é 90% eficaz quando
a pessoa é culpada e 99% eficaz quando é inocente. Um suspeito é retirado de um grupo de
pessoas em que 95% jamais cometeram qualquer crime.
Solução
48 CAPÍTULO 4. TEOREMA DA PROBABILIDADE TOTAL E TEOREMA DE BAYES
Note que você deve definir os eventos de acordo com a execução do experimento. Ao se
aplicar um soro da verdade, a resposta será “culpado” ou “inocente” e não “soro acerta”
ou “soro erra”. Errar ou acertar dependerá de o suspeito ser culpado ou inocente.
Os dados do problema nos dão as seguintes probabilidades:
P(U|C ) = 0, 90
P(U|C ) = 0, 99
P(C ) = 0, 95
P(U|C ) = 0, 90 P(U|C ) = 0, 10
P(U|C ) = 0, 99 P(U|C ) = 0, 01
P(C ) = 0, 95 P(C ) = 0, 05
Logo,
P(A) = P (C ∩ U) + P C ∩ U
= P(C ) P(U|C ) + P(C ) P(U|C )
= 0, 05 × 0, 90 + 0, 95 × 0, 99 = 0, 9855
4.1. EXEMPLOS 49
P(C ∩ U)
P(C |U) =
P (U)
O soro pode indicar culpado, sendo o suspeito culpado (acerto do diagnóstico), ou inocente
(erro no diagnóstico), ou seja:
P (U) = P (U ∩ C ) + P U ∩ C
= P (U|C ) × P(C ) + P U|C × P(C )
= 0, 90 × 0, 05 + 0, 01 × 0, 95
= 0, 045 + 0, 0095 = 0, 0545
P U ∩ C = P U|C × P(C ) = 0, 01 × 0, 95 = 0, 0095
Logo,
P(C |U) =
0, 0095
= 0, 1743
0, 0545
Uma caixa contém três moedas. A moeda 1 é honesta, a moeda 2 tem duas caras e a
moeda 3 é viciada de tal modo que cara é duas vezes mais provável que coroa. Uma moeda
é escolhida ao acaso e lançada.
(c) Se o resultado foi cara, qual a probabilidade de que a moeda lançada tenha sido a moeda
1?
Solução
K = cara C = coroa
M1 = moeda 1 M2 = moeda 2 M3 = moeda 3
É dado que
P(K |M1 ) =
1
2
P(K |M2 ) = 1
50 CAPÍTULO 4. TEOREMA DA PROBABILIDADE TOTAL E TEOREMA DE BAYES
P(K |M3 ) =
2
3
Como a moeda lançada é escolhida aleatoriamente, temos
1
P(M1 ) = P(M2 ) = P(M3 ) =
3
Veja a Figura 4.4:
P (K ∩ M1 ) = P (M1 ) × P (K |M1 ) = × =
1 1 1
3 2 6
P (K ) = P (K ∩ M1 ) + P (K ∩ M2 ) + P (K ∩ M3 )
= P (M1 ) × P (K |M1 ) + P (M2 ) × P (K |M2 ) + P (M3 ) × P (K |M3 )
× = ×
1 1 2 1 13 13
= +1+ =
3 2 3 3 6 18
P (K ∩ M1 ) P (M1 ) × P (K |M1 ) 1
P (M1 |K ) = 6 3
= = 13
=
P (K ) P (K ) 18
13
Um gerente de banco tem de decidir se concede ou não empréstimo aos clientes que
o solicitam. Ele analisa diversos dados para estudar a possibilidade de o cliente vir a ficar
inadimplente. Com base em dados passados, ele estima em 15% a taxa de inadimplência.
Dentre os inadimplentes, ele tem 80% de chance de tomar a decisão certa, enquanto essa
chance aumenta para 90% entre os clientes adimplentes. Esse gerente acaba de recusar um
empréstimo. Qual é a probabilidade de ele ter tomado a decisão correta?
Solução
I = “cliente é inadimplente”
C = “gerente concede empréstimo”
I = “cliente é adimplente”
C = “gerente não concede empréstimo”
Note que temos duas possibilidades de acerto e duas possibilidades de erro. Os acertos
são “cliente é inadimplente e gerente não concede o empréstimo” e “cliente é adimplente e
gerente concede o empréstimo”. Os erros são: “cliente é inadimplente e gerente concede o
empréstimo” e “cliente é adimplente e gerente não concede o empréstimo”.
Com relação ao que o problema pede, temos que, dado que o gerente recusou o
empréstimo, a decisão só será certa se o cliente for inadimplente. Logo, temos de calcular
P(I ∩ C )
P(I|C ) =
P(C )
Mas o gerente pode recusar o empréstimo sendo o cliente inadimplente ou não, ou seja,
Logo,
P(I ∩ C )
P(I|C ) =
P(C )
P(I) P(C |I)
=
P(I) P(C |I) + P(I) P(C |I)
0, 15 × 0, 80
= = 0, 5854
0, 205
4.2 Os teoremas
A1 A2 A3
A4 A6 B
A7
A5
A 11
A8 A9 A 10 A 12
O fato de alguns desses termos serem o conjunto vazio (por exemplo, B ∩ A4 = ∅) não
invalida o resultado, uma vez que A∪∅ = A. Por definição de partição, os Ai ’s são mutuamente
4.2. OS TEOREMAS 53
exclusivos dois a dois; logo, os eventos Ai ∩ B também o são. Então, pela lei da probabilidade
de eventos disjuntos, podemos escrever
P (B) = P [(A1 ∩ B) ∪ (A2 ∩ B) ∪ · · · (An ∩ B)] =
= P (A1 ∩ B) + P (A2 ∩ B) + · · · + P (An ∩ B)
e a regra da multiplicação fornece
P(B) = P(A1 ) P(B|A1 ) + P(A2 ) P(B|A2 ) + · · · + P(An ) P(B|An )
Esse resultado é conhecido como Teorema da probabilidade total.
! Teorema de Bayes
Seja A1 , A2 , . . . , An uma partição do espaço amostral Ω e seja B um evento
qualquer em Ω. Então
P (Ai ) P (B|Ai )
P (Ai |B) = n
P
P Aj P B|Aj
j=1
54 CAPÍTULO 4. TEOREMA DA PROBABILIDADE TOTAL E TEOREMA DE BAYES
Em uma turma de Administração, 65% dos alunos são do sexo masculino. Sabe-se
que 30% dos alunos têm carro, enquanto essa proporção entre as alunas se reduz para 18%.
Sorteia-se ao acaso um estudante dessa turma usando o seu número de matrícula e constata-
se que ele possui um carro. Qual é a probabilidade de que o estudante sorteado seja do sexo
feminino?
Solução
H = homem M = mulher
C = possui carro C = não possui carro
P(H) = 0, 65 ⇒ P(M) = 0, 35
P(C |H) = 0, 30 ⇒ P(C |H) = 0, 70
P(C |M) = 0, 18 ⇒ P(C |M) = 0, 82
O problema pede P(M|C ), e para calcular essa probabilidade, temos de calcular P(C ). Pelo
teorema da probabilidade total, sabemos que
Logo,
Capítulo 5
Exercícios propostos
(a) Em uma pesquisa de mercado, conta-se o número de clientes do sexo masculino que
entram em um supermercado no horário das 8 às 12 horas.
(b) Em um estudo de viabilidade de abertura de uma creche própria de uma grande
empresa, fez-se um levantamento, por funcionário, do sexo dos filhos com menos de
56 CAPÍTULO 5. EXERCÍCIOS PROPOSTOS
A = soma par
B = soma ≥ 9
C = máximo das faces é 6
Calcule A ∩ B, A ∪ B, A \ B, B \ A, B ∩ C , B \ C .
• A = {1, 3, 5, 7, 9}
• B = {0, 2, 4, 6, 8, 9}
• D = {9}
(a) A ∪ (B ∩ D)
(b) B ∪ (A ∩ D)
(c) A ∪ B
(d) A ∩ B
57
(e) A \ B
(f) B \ A
(g) A ∩ B
(h) A ∪ B
7. Se P (A) = 1/3 e P B = 1/4, A e B podem ser mutuamente exclusivos?
11. Um lote é formado por 10 artigos bons, 4 com defeitos menores e 2 com defeitos graves.
Um artigo é escolhido ao acaso. Ache a probabilidade de que:
12. Quatro bolsas de estudo serão sorteadas entre 30 estudantes, dos quais 12 são do
sexo masculino e 18 são do sexo feminino. Qual a probabilidade de que haja entre os
sorteados:
58 CAPÍTULO 5. EXERCÍCIOS PROPOSTOS
13. Em uma urna há 15 bolas numeradas de 1 a 15. Três bolas são retiradas da urna sem
reposição. Qual é a probabilidade de que:
14. Num período de um mês, 100 pacientes sofrendo de determinada doença foram
internados em um hospital. Informações sobre o tipo de tratamento aplicado em cada
paciente e o resultado final obtido estão resumidas no quadro a seguir.
Tratamento Total
A B
Cura total (T) 24 16 40
Resultado Cura parcial (P) 24 16 40
Morte (M) 12 8 20
Total 60 40 100
Sorteia-se o registro de um desses pacientes.
(a) Qual é a probabilidade de que seja de um paciente que teve cura total?
(b) Qual é a probabilidade de que esse registro seja de um paciente que faleceu ou que
recebeu o tratamento A?
(c) Sabendo-se que esse paciente recebeu o tratamento A, qual é a probabilidade de
que tenha tido cura total?
17. Uma sala possui três soquetes para lâmpadas. De uma caixa com 10 lâmpadas, das quais
seis estão queimadas, retiram-se três lâmpadas ao acaso, colocando-se as mesmas nos
três bocais. Calcular a probabilidade de que:
19. Na urna I há cinco bolas vermelhas, três brancas e oito azuis. Na urna II há três
bolas vermelhas e cinco brancas. Lança-se um dado equilibrado. Se sair três ou seis,
escolhe-se uma bola da urna I; caso contrário, escolhe-se uma bola da urna II. Calcule
a probabilidade de
20. Joana quer enviar uma carta a Camila. A probabilidade de que Joana escreva a carta
8
é 10 . A probabilidade de que o correio não a perca é 10
9
. A probabilidade de que o
carteiro a entregue é também 10 .
9
21. Sejam A e B dois eventos tais que P(A) = 0, 4 e P(A∪B) = 0, 7. Seja P(B) = p. Determine
o valor de p para que
• B é um subconjunto de A;
• A e C são independentes e
• B e C são mutuamente exclusivos.
24. Uma comissão de dois estudantes deve ser sorteada de um grupo de 5 alunas e 3 alunos.
Sejam os eventos:
26. Solicita-se a dois estudantes, Maria e Pedro, que resolvam determinado problema.
Eles trabalham na solução do mesmo independentemente, e têm, respectivamente,
probabilidade 0,8 e 0,7 de resolvê-lo.
27. Joga-se um dado duas vezes. Considere os seguintes eventos: A =“resultado do primeiro
lançamento é par” e B =“soma dos resultados é par”. A e B são independentes?
Justifique.
28. Um aluno responde a uma questão de múltipla escolha com quatro alternativas, com
uma só correta. A probabilidade de que ele saiba a resposta certa da questão é de 30%.
Se ele não sabe a resposta, existe a possibilidade de ele acertar “no chute”. Não existe
a possibilidade de ele obter a resposta certa por “cola”.
3. (a) Ω = {0, 1, 2, . . .}
(b) Vamos denotar por M o evento “bebê é do sexo masculino” e por F o evento “bebê
é do sexo feminino”. Então,
M, F , MM, MF , F M, F F ,
MMM, MMF , MF M, F MM, F F M, F MF , MF F , F F F ,
Ω= F F F F , F F F M, F F MF , F MF F , MF F F , MMF F ,
MF MF , MF F M, F F MM, F MF M, F MMF ,
MMMF , MMF M, MF MM, F MMM, MMMM
Note que representamos aí os casais com um filho, dois filhos, três filhos e quatro
filhos.
63
64 CAPÍTULO 6. GABARITO DOS EXERCÍCIOS PROPOSTOS
(a) Ac ∩ Bc (b) A − B
(c) (A ∪ C ) ∩ B (d) (A ∪ B) ∩ C
(c) A lâmpada pode queimar logo ao ser ligada e, teoricamente, pode durar para
sempre; logo, Ω = (0, ∞).
(d) Como temos que sortear as 3 mulheres, serão necessários, no mínimo, 3 sorteios
e, no pior dos casos, a última mulher será a última a ser sorteada. Como estamos
interessados apenas no número de sorteios, o espaço amostral é
Ω = {3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10}
(e) Podemos obter cara logo no primeiro lançamento ou então no segundo ou no
terceiro... Teoricamente, pode ser necessário lançar a moeda infinitas vezes. Logo,
Ω = {1, 2, 3, . . .}
AA, AB, AC , AD, AE, BA, BB, BC , BD, BE, C A, C B, CC ,
C D, C E, DA, DB, DC , DD, DE, EA, EB, EC , ED, EE
(f) Ω =
AB, AC , AD, AE, BA, BC , BD, BE, C A, C B, C D, C E,
DA, DB, DC , DE, EA, EB, EC , ED
(g) Ω =
4. (a) O evento “somente A ocorre” significa que A ocorreu e B não ocorreu e C não
ocorreu; em linguagem de conjunto:
Somente A ocorre = A ∩B ∩ C
(b) Exatamente um ocorre significa que apenas A ocorre, ou apenas B ocorre ou apenas
C ocorre.
Exatamente um ocorre = A ∩ B ∩ C ∪ A ∩ B ∩ C ∪ A ∩ B ∩ C
(c) O evento “A, B e C ocorrem” significa que os três eventos ocorreram; em linguagem
de conjunto,
A, B e C ocorrem = A ∩ B ∩ C
(d) A ∩ B ∩ C = A ∪ B ∪ C
(e) O evento “pelo menos um ocorre” significa que pode ter ocorrido apenas um, ou dois
ou três; essa é a própria definição de união, ou seja, em linguagem de conjunto,
temos que
65
(a) A ∪ (B ∩ D) = A ∪ D = A = {1, 3, 5, 7, 9}
(b) B ∪ (A ∩ D) = B ∪ D = B = {0, 2, 4, 6, 8, 9}
(c) A ∪ B = A ∩ B = D = {0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8}
(d) A ∩ B = A ∪ B = Ω = ∅
(e) A \ B = {1, 3, 5, 7}
(f) B \ A = {0, 2, 4, 6, 8}
(g) A ∩ B = D = {0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8}
(h) A ∪ B = Ω = ∅
7. P(B) = 1 − P(B) = 34 .
Se A e B fossem mutuamente exclusivos, teríamos que ter
P(A ∪ B) = P(A) + P(B) = 1
3 + 3
4 = 13
12 > 1.
Logo, A e B têm que ter interseção, ou seja, A e B não podem ser mutuamente exclusivos.
9. Veja a Figura 6.2, onde é representado um esquema do espaço amostral. Vamos calcular
a probabilidade de cada um dos eventos aí indicados.
(a) Seja o evento N =uma família não é sócia de qualquer um dos clubes.
(c) Seja o evento M =uma família é sócia de pelo menos dois clubes.
Note que M = (N ∪ U)c ⇒ P(M) = 1 − P(N ∪ U) = 1 − P(N) − P(U), uma vez que
N e U são mutuamente exclusivos.
10. Sejam os eventos S = “uma pessoa do bairro tem curso superior”, C = “uma pessoa do
bairro é casada, D = “ uma pessoa do bairro está desempregada”. O problema dá que
P (S ∪ D) = P (S) + P (D) − P (S ∩ D) = 0, 22 + 0, 10 − 0, 06 = 0, 26
11. Sejam os eventos B = “artigo é bom”, M = “artigo tem defeitos menores” e G = “artigo
tem defeitos graves”. Pelos dados do problema, temos que
, , .
10 4 2
P(B) = P(M) = P(G) =
16 16 16
Note que B, M, G são mutuamente exclusivos.
10 5
(a) P(não ter defeito) = P(B) = =
16 8
(b) P(não ter defeito grave) = P(G c ) = 1 − P(G) =
14 7
=
16 8
(c) P(ser perfeito ou ter defeito grave) = P(B ∪ G) = P (B) + P (G) =
10 2 3
+ = .
16 16 4
12. Vamos definir os eventos Mi = i−ésimo estudante sorteado é do sexo masculino e
Fi = i−ésimo estudante sorteado é do sexo feminino, i = 1, 2, 3, 4.
(a) Um homem entre os sorteados significa também que 3 mulheres foram sorteadas.
Seja U o evento “um homem sorteado”. Então
13. (a) Se o menor número é 7, isso significa que uma das bolas é a de número 7 e as
outras 2 têm número de 8 a 15 e a ordem não importa. A probabilidade de sortear
1
a bola 7 é . Se a bola 7 é sorteada, sobram 14, das quais 8 têm número maior
15
que 7. A probabilidade de sortear duas bolas específicas com número maior que 7,
×
8 7
nesse caso, é . Como a ordem não importa, a bola 7 pode ser retirada em
14 13
qualquer uma das 3 extrações, ou seja, há 31 maneiras de sortear essas 3 bolas.
Logo, a solução é
× × × ×3 =
1 8 7 4
15 14 13 65
(b) Se o maior número é 7, isso significa que uma das bolas é a de número 7 e as outras
2 têm número de 1 a 6 e a ordem não importa. A probabilidade de sortear a bola
. Se a bola 7 é sorteada, sobram 14, das quais 6 têm número menor que 7.
1
7é
15
A probabilidade de sortear duas bolas específicas com número menor que 7, nesse
× . Como a ordem não importa, a bola 7 pode ser retirada em qualquer
6 5
caso, é
14 13
uma das 3 extrações, ou seja, há 31 maneiras de sortear essas 3 bolas. Logo, a
solução é
× × ×
1 6 5 3 3
=
15 14 13 1 91
16. Vamos definir os eventos A = “face 6 em pelo menos um dado” e B = “faces iguais”.
Então,
A = {(1, 6), (2, 6), (3, 6), (4, 6), (5, 6), (6, 6), (6, 1), (6, 2), (6, 3), (6, 4), (6, 5)}
B = {(1, 1), (2, 2), (3, 3), (4, 4), (5, 5), (6, 6)}
11
(a) P(A) =
36
P(A ∩ Bc ) P(A) − P(A ∩ B) 11
− 1
(b) P(A|Bc ) = 6= P(A)
36 36 1
c 1 − P(B)
= = 5
=
P(B ) 6
3
70 CAPÍTULO 6. GABARITO DOS EXERCÍCIOS PROPOSTOS
P(E) = P (E ∩ B) + P (E ∩ M) + P (E ∩ A)
Logo,
(b) Vamos definir o evento R = “Camila recebe a carta”. O problema pede P(R).
P(R c ) = P(J c ) + P(J ∩ C c ) + P(J ∩ C ∩ T c )
= P(J c ) + P(J) × P(C c |J) + P(J) × Pr(C |J) × P(T c |C ∩ J)
× × ×
2 8 1 8 9 1 352
= + + =
10 10 10 10 10 10 1000
(c) O problema agora pede P(J c |R c ) :
P(R c ∩ J c ) P(J c ) P(R c |J c )
P(J c |R c ) =
P(R c ) P(R c )
=
O evento R c |J c significa “Camila não receber a carta, dado que Joana não a escreveu”.
Ora, se Joana não escreveu, é claro que Camila não recebe a carta! Logo, esse evento
é o evento certo e, portanto,
P(J c ) P(R c |J c ) 10 × 1
2
P(J c |R c ) =
25
P(R c )
= 352
=
1000
44
24. (a) Veja a Figura 6.6, em que Hi , i = 1, 2 representa o evento “i−ésimo estudante
sorteado é homem.
(b) Temos que
5
P(M1 ) =
8
P(M2 ) = P(M1 ∩ M2 ) + P(H1 ∩ M2 )
= P(M1 ) P(M2 |M1 ) + P(H1 ) P(M2 |H1 )
× + × =
5 4 3 5 35 5
= =
8 7 8 7 56 8
• A = “Alberto ganha”
• B = “Bosco ganha”
• C = “Carlos ganha”
Note que pode haver empate entre Bosco e Carlos. No entanto, é razoável supor
que os eventos B e C sejam independentes, uma vez que, numa competição honesta,
nenhum competidor interfere no desempenho dos outros. Logo,
P(M) = 0, 8 ⇒ P(M c ) = 0, 2
P(E) = 0, 7 ⇒ P(E c ) = 0, 3
P (E c ∩ M c ) = P(E c ) × P(M c ) = 0, 3 × 0, 2 = 0, 06
(b) Seja R = “problema resolvido”. O problema pede P(R) = P(E ∪ M). Temos que
27. O espaço amsotral tem 36 elementos, dos quais 18 pertencem ao evento A, ou seja,
P(A) = 12 . Temos, também que P(B) = 12 .
Para estudar a independência dos eventos A e B, temos que analisar a interseção A ∩ B.
Para que um resultado pertença à interseção, o primeiro lançamento tem resultar em
um número par e a soma tem que ser um número par. Isso significa que temos que ter
face par em ambos os lançamentos. É fácil ver que P(A ∩ B) = 36
9
= 41 = P(A) P(B). Logo,
os eventos são independentes.
28. Veja a Figura 6.7, onde temos os eventos S = “aluno sabe a resposta” e A = “aluno
acerta a questão”. É dado que
P(S) = 0, 3 ⇒ P(S c ) = 0, 7
Se o aluno sabe a resposta, ele acerta a questão. Se ele não sabe, ele pode “chutar”
entre as quatro alternativas. Logo,
P(A|S) = 1 P(A|S) = 0, 25
76 CAPÍTULO 6. GABARITO DOS EXERCÍCIOS PROPOSTOS
29. Sejam os eventos E = “ganhar parte elétrica” e H = “ganhar parte hidráulica”. Temos
que
P(H|E c ) =
1 3 1
P(E) = P(H|E) =
2 4 3
Resulta que
P(E c ) = P(H c |E) = P(H c |E c ) =
1 1 2
2 4 3
(a)
P(E ∩ H) = P(E) P(H|E) = × =
1 3 3
2 4 8
(b)
Análise combinatória
Neste capítulo iremos trabalhar com espaços amostrais finitos. Veremos, então, diversas
técnicas de contagem do número de elementos de eventos desses espaços amostrais. Dado
um evento qualquer A, representaremos por n(A) o número de elementos de A.
A1 A4
A2 A3
A5 A6
A7
77
78 APÊNDICE A. ANÁLISE COMBINATÓRIA
Analogamente,
n(B \ A) = n(B) − n(A ∩ B) (A.5)
Obtenha uma expressão para n(A ∪ B ∪ C ), onde A, B, C são eventos aleatórios com número
finito de elementos.
Solução
A.2. PRINCÍPIO FUNDAMENTAL DA MULTIPLICAÇÃO 79
n(A ∪ B ∪ C ) = n[(A ∪ B) ∪ C ]
= n(A ∪ B) + n(C ) − n[(A ∪ B) ∩ C )]
= n(A) + n(B) − n(A ∩ B) + n(C ) − n[(A ∩ C ) ∪ (B ∩ C )]
= n(A) + n(B) − n(A ∩ B) + n(C ) − n(A ∩ C ) − n(B ∩ C ) + n(A ∩ C ∩ B ∩ C ) =⇒
n(A ∪ B ∪ C ) = n(A) + n(B) + n(C ) − n(A ∩ B) − n(A ∩ C ) − n(B ∩ C ) + n(A ∩ C ∩ B ∩ C )
O espaço amostral é
h1 m1 , h1 m2 , h1 m3 , h1 m4 , h1 m5 ,
Ω= h2 m1 , h2 m2 , h2 m3 , h2 m4 , h2 m5 ,
h3 m1 , h3 m2 , h3 m3 , h3 m4 , h3 m5 ,
Solução
Para o primeiro algarismo (milhar), existem nove possibilidades, já que o zero não
pode ocupar a primeira posição. Para a segunda posição, escolhida a primeira, sobram nove
algarismos (agora já podemos considerar o zero) e para a terceira, escolhidos os dois primeiros,
sobram oito algarismos. Logo, existem 9 × 9 × 8 = 648 números. (Já pensou o trabalho que
seria listar todos eles?)
Um prédio possui oito portas. De quantas maneiras posso entrar e sair desse prédio, se não
quero usar na saída a mesma porta que usei na entrada?
Solução
Para a entrada, posso escolher qualquer uma das oito portas. Escolhida a porta de
entrada, sobram sete portas para a saída. Logo, existem 8 × 7 = 56 maneiras de entrar e sair
por portas diferentes.
Quantos números pares de três algarismos distintos podemos formar com os algarismos
1, 2, 3, 4, 5, 6?
Solução
Para que o número seja par, ele tem que terminar com 2, 4 ou 6. Seja, então, P o evento
de interesse Vamos denotar por A2 o evento “número par que termina com 2” e de maneira
análoga, definimos os eventos A4 e A6 . Resulta que A2 , A4 e A6 são mutuamente exclusivos dois
a dois e P = A2 ∪ A4 ∪ A6 . Pelo princípio da adição, resulta que n(P) = n(A2 ) + n(A4 ) + n(A6 ).
Para calcular n(A2 ), note que o último algarismo é 2 e sobram duas posições para serem
preenchidas com algarismos distintos escolhidos entre 1, 3, 4, 5, 6. Para a primeira posição,
temos cinco possibilidades; escolhida a primeira posição, sobram quatro para a segunda
posição. Pelo principio fundamental da multiplicação existem 5 × 4 = 20 números pares com
três algarismos distintos terminando com 2, ou seja, n(A2 ) = 20. Analogamente, n(A4 ) = 20 e
n(A6 ) = 20, o que implica que n(P) = 20 + 20 = 20 = 60.
A.3 Permutações
a1 a2 a3 a4 a1 a2 a4 a3 a1 a3 a2 a4 a1 a3 a4 a2
a1 a4 a2 a3 a1 a4 a3 a2 a2 a1 a3 a4 a2 a1 a4 a3
a2 a3 a1 a4 a2 a3 a4 a1 a2 a4 a1 a3 a2 a4 a3 a1
a3 a1 a2 a4 a3 a1 a4 a2 a3 a2 a1 a4 a3 a2 a4 a1
a3 a4 a1 a2 a3 a4 a2 a1 a4 a1 a2 a3 a4 a1 a3 a2
a4 a2 a1 a3 a4 a2 a3 a1 a4 a3 a1 a2 a4 a3 a2 a1
Cada uma dessas ordenações é chamada uma permutação simples. Podemos ver que o
número de tais permutações é bem grande. Note que, para apenas quatro objetos, temos 24
permutações. O cálculo do número de permutações é uma consequência direta do princípio
da multiplicação.
! Permutações simples
Dados n objetos distintos, o número de permutações simples de tais
objetos é dado por
Pn = n × (n − 1) × (n − 2) × · · · × 2 × 1 = n! (A.7)
Solução
Temos cinco livros de Estatística, três livros de Matemática Financeira e quatro livros
de Contabilidade. De quantas maneiras podemos organizar esses livros em uma prateleira?
Qual seria a sua resposta se os livros do mesmo assunto tivessem que ficar juntos?
82 APÊNDICE A. ANÁLISE COMBINATÓRIA
Solução
Ao todo, há 12 livros; logo, se não é necessário agrupar por assunto, existem 12! =
479.001.600 maneiras de organizar os livros.
Se os livros do mesmo assunto têm que ficar juntos, devemos observar que, primeiro,
temos que contar as maneiras como podemos organizar os assuntos. Como são três assuntos,
há 3! = 6 maneiras de organizar os assuntos. Para os livros de Estatística, há 5! = 120
maneiras de organizá-los; para os livros de Matemática Financeira, 3! = 6 maneiras, e para
os livros de Contabilidade, 4! = 24 maneiras.
Cinco moças e cinco rapazes têm que se sentar em cinco bancos de dois lugares, de
modo que em cada banco fique uma moça e um rapaz. De quantas maneiras podemos fazer
isso?
Solução
Comecemos com as meninas. A primeira menina pode escolher qualquer dos 10 lugares.
Logo, ela tem 10 possibilidades. Já a segunda menina só tem 8 possibilidades, porque ela não
pode sentar junto com a primeira. Analogamente, a terceira menina tem 6 possibilidades, a
quarta tem 4 e a quinta tem 2 possibilidades.
Definidas as posições das meninas, temos cinco rapazes para sentar em cinco lugares,
o que pode ser feito de 5! maneiras. Logo, o número total de possibilidades, pelo princípio
fundamental da multiplicação, é 10 × 8 × 6 × 4 × 2 × 5! = 3.840 × 120 = 460.800.
Solução
2 Fixada a letra T na primeira posição, as outras cinco podem ser organizadas de 5! = 120
maneiras diferentes.
4 Temos quatro vogais. Esse bloco pode ser organizado de 4! = 24 maneiras. Para juntar
esse bloco com as duas consoantes, há 3! = 6 maneiras diferentes. Logo, o número total é
24 × 6 = 144.
A.4 Arranjos
Suponhamos, por exemplo, que quatro pessoas serão sorteadas dentre dez. Quantas
filas podemos formar com as quatro pessoas sorteadas?
Como no caso das permutações, para a primeira posição da fila temos disponíveis as 10
pessoas. Para a segunda, temos 9; para a terceira, temos 8, e para a quarta e última posição,
temos 7. Logo, o número total de filas com as quatro pessoas sorteadas é 10×9×8×7 = 5.040.
Note que, para a quarta posição, já escolhemos as três anteriores; assim, sobram apenas
(10 − 3) = [10 − (4 − 1)]. Uma outra observação interessante é a seguinte:
(10 × 9 × 8 × 7) × (6 × 5 × 4 × 3 × 2 × 1)
10 × 9 × 8 × 7 =
(6 × 5 × 4 × 3 × 2 × 1)
(10 × 9 × 8 × 7) × 6!
=
6!
10! 10!
(10 − 4)!
= =
6!
Vamos ver, agora, o caso geral. Para calcular o número de arranjos de k dentre n
objetos distintos, devemos notar que, para a primeira posição, existem n possibilidades. Para
a segunda, n − 1 possibilidades. Para a k-ésima e última posição, já foram escolhidos k − 1
84 APÊNDICE A. ANÁLISE COMBINATÓRIA
objetos; portanto, sobram n−(k −1), ou seja, para a k-ésima posição, há n−(k −1) = n−k +1
possibilidades.
Ank = n × (n − 1) × · · · × (n − k + 1)
Ank = n × (n − 1) × · · · × [n − (k − 1)]
(n − k)!
= n × (n − 1) × · · · × [n − (k − 1)] ×
(n − k)!
=
n × (n − 1) × · · · × (n − k + 1) × (n − k) × (n − k − 1) × · · · × 2 × 1
(n − k)!
= =
n!
(n − k)!
=
! Arranjos simples
Dados n objetos distintos, o número de arranjos simples de k objetos
dentre n, denotado por Ank , é
n!
Ank =
(n − k)!
(A.8)
Solução
A resposta é A20
3 , pois a ordem faz diferença nesse caso. Note que
20 × 19 × 18 × 17!
A20 = 20 × 19 × 18 = 6.840
3 20!
= =
17! 17!
A.5. COMBINAÇÕES SIMPLES 85
De um grupo de 15 pessoas deve ser extraída uma comissão formada por um presidente,
um vice-presidente e um secretário. Quantas comissões é possível formar?
Solução
A ordem aqui importa, já que os cargos não são equivalentes. Assim, a solução é
A15 = 12 × 11 × 10 = 1320
3 15!
=
12!
O segredo de um cofre é formado por uma sequência de três dígitos escolhidos entre
0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9. Suponha que uma pessoa saiba que o segredo é formado por três
algarismos distintos. Qual o número máximo de tentativas que ela terá de fazer para abrir o
cofre?
Solução
Nos segredos de cofre, a ordem importa. Como os algarismos são distintos, a resposta
é A10
3 = 10 × 9 × 8 = 720
Vamos considerar agora, a situação análoga a um arranjo, mas onde a ordem não
importa, ou seja, a1 a2 a3 é igual a a3 a1 a2 .
Objetos envolvidos
(1,2,3) (1,2,4) (1,2,5) (1,3,4) (1,3,5) (1,4,5) (2,3,4) (2,3,5) (2,4,5) (3,4,5)
a1 a2 a3 a1 a2 a4 a1 a2 a5 a1 a3 a4 a1 a3 a5 a1 a4 a5 a2 a3 a4 a2 a3 a5 a2 a4 a5 a3 a4 a5
a1 a3 a2 a1 a4 a2 a1 a5 a2 a1 a4 a3 a1 a5 a3 a1 a5 a4 a2 a4 a3 a2 a5 a3 a2 a5 a4 a3 a5 a4
a2 a1 a3 a2 a1 a4 a2 a1 a5 a3 a1 a4 a3 a1 a5 a4 a1 a5 a3 a2 a4 a3 a2 a5 a4 a2 a5 a4 a3 a5
a2 a3 a1 a2 a4 a1 a2 a5 a1 a3 a4 a1 a3 a5 a1 a4 a5 a1 a3 a4 a2 a3 a5 a2 a4 a5 a2 a4 a5 a3
a3 a1 a2 a4 a1 a2 a5 a1 a2 a4 a1 a3 a5 a1 a3 a5 a1 a4 a4 a2 a3 a5 a2 a3 a5 a2 a4 a5 a3 a4
a3 a2 a1 a4 a2 a1 a5 a2 a1 a4 a3 a1 a5 a3 a1 a5 a4 a1 a4 a3 a2 a5 a3 a2 a5 a4 a2 a5 a4 a3
86 APÊNDICE A. ANÁLISE COMBINATÓRIA
Esta listagem está organizada de modo que, em cada coluna, os objetos envolvidos são
os mesmos. Note o seguinte: como a ordem não importa, os elementos de cada coluna são
iguais, ou seja, só precisamos de um deles. Mas em cada coluna temos as permutações dos
três objetos envolvidos. Logo, o número de elementos em cada coluna neste exemplo é 3! = 6.
Como só precisamos de um de cada 3!, o número total é
.
60 5!
=
3! 2!3!
! Combinações simples
Dados n objetos distintos, o número de combinações simples de k
elementos tomados dentre os n é
Ank
k n! n
Cn =
k! (n − k)!k! k
= = (A.9)
combinatório.
De um grupo de oito homens e cinco mulheres devem ser escolhidos três homens e três
mulheres para formar uma comissão. Quantas comissões podem ser formadas se João e Maria,
que pertencem ao grupo original, não aceitam participar em conjunto da comissão?
Solução
×
8 5
O número total de comissões é = 560,. O número de comissões em que
3 3
Maria e João estão juntos é dado por
7×6 4×3
× × ×
7 4 7! 4!
= = = 126
2 2 2!5! 2!2! 2 2
Logo, o número de comissões em que João e Maria não estão juntos é 560 − 126 = 434.
A.5. COMBINAÇÕES SIMPLES 87
Considere o experimento aleatório que consiste na extração aleatória de três cartas vão
ser retiradas de um baralho normal de 52 cartas. Calcule o número de elementos de cada um
dos seguintes eventos:
Solução
2. O mesmo cálculo feito no item anterior vale para os 4 naipes. Sejam E, C , P, O os eventos
“três cartas de espadas”, “três cartas de copas”, “três cartas de paus” e “três cartas de ouro”,
respectivamente. Então, M = E ∪ C ∪ P ∪ O e como são eventos mutuamente exclusivos,
resulta que
3. Para a primeira carta, temos 52 possibilidades – qualquer carta serve. Para a segunda
carta, temos que excluir as cartas do naipe da primeira; logo, sobram 39. Para a terceira,
temos que excluir as cartas dos dois naipes anteriores; logo, sobram 26. Pelo princípio da
multiplicação, resulta que 52 × 39 × 26, e
n(D) = 52 × 39 × 26 = 52.728
Solução
88 APÊNDICE A. ANÁLISE COMBINATÓRIA
Note que, na Mega-Sena, a ordem não importa; logo, o número total de jogos simples é
60 60!
=
6 6!54!
60 × 59 × 58 × 57 × 56 × 55 × 54!
6 × 5 × 4 × 3 × 2 × 1 × 54!
=
= 50.063.860
1
Isso significa que a sua chance de acertar a sena é = 0, 000000019974.
50.063.860
Num cartão com 15 números marcados, o número de jogos simples é
15 15 × 14 × 13 × 12 × 11 × 10 × 9!
6 × 5 × 4 × 3 × 2 × 1 × 9!
= = 5005
6
e, assim, o preço desse cartão é 1, 50 × 5005 = 7507, 5.
Solução
× × ×
2 6 7 4
= 6.300
1 4 4 2
Em um torneio no qual cada participante enfrenta todos os demais, são jogadas 780
partidas. Quantos são os participantes?
Solução
√
n × (n − 1) 1± 1 ± 79
= 780 ⇒ n2 − n − 1.560 = 0 ⇒ n =
1 + 6.240
=
2 2 2
As raízes de tal equação são n = 40 e n = −39. Como n tem que ser positivo, a solução
é n = 40 partidas.
A.6. TRIÂNGULO DE PASCAL E BINÔMIO DE NEWTON 89
Linha
0 1
1 1 1
2 1 1
3 1 1
4 1 1
5 1 1
6 1 1
.. ..
. .
Linha
0 1
1 1 1
2 1 2 1
3 1 1
4 1 1
5 1 1
6 1 1
.. ..
. .
Linha Linha
0 1 0 1
1 1 1 1 1 1
2 1 2 1 2 1 2 1
3 1 3 1 3 1 3 3 1
4 1 1 4 1 1
5 1 1 5 1 1
6 1 1 6 1 1
.. .. .. ..
. . . .
90 APÊNDICE A. ANÁLISE COMBINATÓRIA
Continuando com esse procedimento, obtém-se o triângulo de Pascal a seguir (note que
esse triângulo tem infinitas linhas e infinitas colunas...)
Linha
0 1
1 1 1
2 1 2 1
3 1 3 3 1
4 1 4 6 4 1
5 1 5 10 10 5 1
6 1 6 15 20 15 6 1
.. ..
. .
Os números que aparecem em cada linha do triângulo nada mais são que os números
binomiais. Numerando
as linhas e colunas do triângulo a partir de zero,
oelemento
da linha
n n n
n e coluna k é . Então, em cada linha n, os elementos vão desde .
k n
até
0
0 1 2 3 4 5 6 ··· 0 1 2 3 4 5 6 ···
0
0 1 0
1
1
1 1 1 0 1
2 2
2
2 1 2 1 0 1 2
3 3 3
3
3 1 3 3 1 0 1 2 3
4 4 4 4
4
4 1 4 6 4 1 0 1 2 3 4
5 5 5 5 5
5
5 1 5 10 10 5 1 0 1 2 3 4 5
6 6 6 6 6 6
6
6 1 6 15 20 15 6 1 0 1 2 3 4 5 6
..
.
! Relação de Stifel
A soma de dois elementos consecutivos de uma mesma linha é igual ao
elemento situado abaixo da última parcela, ou seja
n n n+1
k k +1 k +1
+ = (A.10)
Demonstração
n n n! n!
k k +1 k! (n − k)! (k + 1)! (n − k − 1)!
+ = + =
n! n!
k! (n − k) (n − k − 1)! (k + 1) k! (n − k − 1)!
= + =
n! (k + 1) + n! (n − k) n! (k + 1 + n − k)
[(k + 1) k!] [(n − k) (n − k − 1)!] (k + 1)! (n − k)!
= = =
n! (n + 1) (n + 1)! n+1
(k + 1)! (n − k)! (k + 1)! (n − k)! k +1
= = =
Demonstração
n n! n! n
n−k (n − k)! [n − (n − k)]! k! (n − k)! k
= = =
92 APÊNDICE A. ANÁLISE COMBINATÓRIA
Em termos de somatório:
n
X n
= 2n
j
j=0
Demonstração
n
dá o número de subconjuntos de tamanho k de
k
Como visto, o número combinatório
um conjunto de tamanho n. Assim, na expressão (A.12), cada número combinatório dá o número
de subconjuntos de determinado tamanho e a soma deles dá o número total de subconjuntos
de um conjunto de tamanho n. Mas para formar subconjuntos de tal conjunto podemos usar o
seguinte artifício: cada elemento pode ser marcado com um + para indicar que pertence ao
subconjunto, ou com um −, para indicar que não pertence ao subconjunto. O número total de
formas de fazer isso é 2 × 2 × 2 × · · · × 2 = 2n e isso prova que o número total de subconjuntos
de um conjunto de tamanho n é 2n e isso completa a prova.
Em termos de somatório:
n
X k +j k +n+1
k k +1
=
j=0
Demonstração
A.6. TRIÂNGULO DE PASCAL E BINÔMIO DE NEWTON 93
Somando essas igualdades termo a termo, podemos ver que há parcelas iguais em lados
opostos, que podem ser simplificadas. Todos os termos do lado esquerdo, com exceção do
último, cancelam com termos do lado direito e o que sobra é:
k +n+1 k k +1 k +2 k +3 k +n−2 k +n−1 k +n
+· · ·+
k +1 k k k k k k k
= + + + + +
ou seja
n
X k +j k +n+1
k k +1
=
j=0
! Binômio de Newton
Dados quaisquer números reais x e a e um inteiro qualquer n, então
n
X n k n−k
(x + a)n = a x
k
(A.13)
k=0
Demonstração
(x + a)1 = x + a
1
X n k n−k
a x x+ a=x +a
1 1
k
=
0 1
k=0
• Suponhamos que o resultado seja válido para n qualquer e vamos provar que é válido
para n + 1. Mais precisamente, temos as seguintes hipótese de indução e tese:
n
X n k n−k
H.I. : (x + a)n = a x
k
k=0
n+1
X n + 1 k n+1−k
Tese : (x + a)n+1 a x
k
=
k=0
Demonstração:
Usando propriedades de potência e a hipótese de indução, podemos escrever:
n
" # "n−1 #
n 0 n−0+1 X n k n−k+1 X n n
(x + a)n+1 a x a x ak+1 x n−k + an+1 x n−n
k k n
= + +
0
k=1 k=0
n
" # "n−1 #
n 0 n+1 X n k n−k+1 X n n
a x a x ak+1 x n−k + an+1 x 0
k k n
= + +
0
k=1 k=0
Note que ambos os somatórios têm n parcelas cada um. Vamos fazer uma mudança de
variável no segundo somatório, de modo que a potência de a passe a ser j em vez de
k + 1. Mais precisamente, vamos definir
k =j −1
k +1=j ⇒ k =0⇒j=1
k =n−1⇒j =n
A.6. TRIÂNGULO DE PASCAL E BINÔMIO DE NEWTON 95
" n
# n
n 0 n+1 X n k n−k+1 X n n n+1 0
(x + a)n+1 a x a x + aj x n−j+1 + a x
k j −1 n
= +
0
k=1 j=1
n
" # " n #
n 0 n+1 X n k n−k+1 X n n
a x a x ak x n−k+1 + an+1 x 0
k k −1 n
= + +
0
k=1 k=1
Aqui, apenas trocamos o índice j por k. Note que as potências de a e x são as mesmas
em ambos os somatórios. Logo, podemos colocar em evidência num único somatório:
( n )
n+1 n 0 n+1 X n n k n−k+1 n n+1 0
(x + a) a x a x a x
k k −1 n
= + + +
0
k=1
Note, agora, os números combinatórios que aparecem entre colchetes: estamos somando
2 números combinatórios consecutivos da linha n. Pela relação de Stifel, sabemos que
n n n+1
k k −1 k
+ =
n
n+1 n + 1 0 n+1 X n + 1 k n−k+1 n + 1 n+1 0
(x + a) a x a x a x
k n+1
= + +
0
k=1
n+1
X n + 1 k n−k+1
a x
k
=
k=0
o que completa a prova.
A.6.1 Aplicações
3. Fórmula de Euler:
r
X m n m+n
k r−k r
= (A.14)
k=0
n 2
X n 2n
k n
=
k=0
Fazendo j − 1 = i
n n−1 n−2
X n X n! X n!
k(k − 1)
k (j − 1)!(n − j − 1)! i!(n − i − 2)!
= =
k=2 j=1 i=0
n−2 n−2
X n(n − 1)(n − 2)! X n−2
= n(n − 1) = n(n − 1)2n−2
i!(n − 2 − i)! i
=
i=0 i=0
Mais uma vez, usamos o teorema das linhas.
7. Se n é par, então
n n n n n n n
+ ··· + + ··· +
n−1 n
+ = + +
1 3 0 2 4
De fato: o desenvolvimento do binômio de Newton nos dá que
n n 0 n n 1 n−1 n 2 n−2
(x + a) = a x + a x + a x
0 1 2
n n n 0
+ ··· + an−1 x 1 + a x
n−1 n
≡ T0 + T1 + T2 + · · · + Tn−1 + Tn
98 APÊNDICE A. ANÁLISE COMBINATÓRIA
em que
n k n−k
Tk = a x
k
Analogamente, se n é par
n n 0 n n 1 n−1 n
(x − a) = (−a) x + (−a) x + (−a)2 x n−2
0 1 2
n n−1 1 n
+ ··· + (−a) x + (−a)n x 0
n−1 n
≡ T0 − T1 + T2 + · · · − Tn−1 + Tn
Então,
(x + a)n + (x − a)n = 2(T0 + T2 + · · · + Tn−2 + Tn )
e
(x + a)n − (x − a)n = 2(T1 + T3 + · · · + Tn−3 + Tn−1 )
Fazendo x = a = 1, resulta que
n n n n n
= 2(T0 + T2 + · · · + Tn−2 + Tn ) = 2 + ··· +
n
2 + +
0 2 4
n n n
2n = 2(T1 + T3 + · · · + Tn−3 + Tn−1 ) = 2 + ··· +
n−1
+
1 3
Logo, se n é par
n n n n n n n
+ ··· + + ··· + = 2n−1
n n−1
+ + = +
0 2 4 1 3
F0=1 1
F1=1 1 1
F2=2 1 2 1
F3=3 1 3 3 1
F4=5 1 4 6 4 1
F5=8 1 5 10 10 5 1
F6=13 1 6 15 20 15 6 1
F7=21 1 7 21 35 35 21 7 1
n − n2
n n−1 n−2 n−3
Fn = + + + + ··· n n par
0 1 2 3 2
n − n−1
n n−1 n−2 n−3
Fn = + + + + ··· n−1
2
n ímpar
0 1 2 3 2
A.6. TRIÂNGULO DE PASCAL E BINÔMIO DE NEWTON 99
Cada número na sequência de Fibonacci é a soma dos dois números anteriores, isto é:
Fn+2 = Fn + Fn+1
n − n2 − 1 n − n2
n n−1 n−2 n−3
Fn + Fn+1 = + ··· n n
2 −1
+ + + + +
0 1 2 3 2
" #
n + 1 − n+1−1
n+1 n n−1 n−2
+ + + + ··· + n+1−1
2
0 1 2 3 2
n + 1 − n2 n − n2
n n−1 n−2 n−3
+ ··· n n
2 −1
= + + + + +
0 1 2 3 2
n + 1 − n2
n+1 n n−1 n−2
+ + + + ··· + n
0 1 2 3 2
n+1 n n n−1 n−1 n−2 n−2
= + + + + + + + ··· +
0 0 1 1 2 2 3
n + 1 − n2 n + 1 − n2 n − n2
n n n
2 −1
+ +
2 2
n + 2 − n2 n − n2
n+1 n+1 n n−1
= + + + + ··· + n + n
0 1 2 3 2 2