Apostila CM II
Apostila CM II
Tabela comparativa: aumento progressivo com a idade, aumento geral da prevalência em torno de 15%.
Negros tem mais HAS em comparação com demais etnias.
Prevalência da HAS:
A prevalência global de HAS foi estimada em 1,13 bilhões em 2015.
A prevalência geral da HAS em adultos é de cerca de 30-45%.
A HAS torna-se progressivamente mais comum com o avanço da idade, com uma prevalência >60% em
pessoas com idade >60 anos.
Estima-se que o número de pessoas hipertensas aumentará de 15 a 20% até 2025, chegando a quase 1,5
bilhões de pessoas.
Importante: associação por si tem sinergismo, potencializando efeito anti-hipertensivo. Por isso,
reduzimos dose ao associar.
Sociedade Americana:
Tratamento não farmacológico-SBC: usar três pilares, pois moderação de álcool para padrões brasileiros
é muito pouco.
Metas:
Tendência mundial: reduzir para 130x80 mmHg.
Sociedade Europeia:
No tratamento medicamentoso, o primeiro objetivo deve ser reduzir a PA para <140/90 em todos
os pacientes.
Desde que o tratamento seja bem tolerado, os valores de PA devem ser direcionados para 130/80
mmHg ou menos na maioria dos pacientes, embora alguns grupos as evidências sejam menos
convincentes.
Em pacientes idosos (>65 anos), a PAS deve ser direcionada para entre 130 e 140 e PAD <80
mmHg. A PAS tratada não deve ser direcionada para <120 mmHg.
Tratamento farmacológico:
Ter demonstrado capacidade de reduzir morbimortalidade cardiovascular
Ser eficaz por VO
Ser bem tolerado
Poder ser usado no menor número de tomadas por dia
Ser iniciado com as menores doses efetivas
Poder ser usado em associações
Ser utilizado por um período mínimo de quatro semanas, antes de modificações, salvo em
situações especiais
Ter controle de qualidade em sua produção
Preenchem os critérios- medicina baseada em evidências:
Diuréticos:
São baratos, eficazes e bem tolerados.
Indicações: hipertensos idosos, hipertensão sistólica isolada; pacientes de raça negra; pacientes com ICC.
Indicação possível: diabetes em baixa dose.
CI: gota.
CI possíveis: dislipidemia e homens sexualmente ativos.
Uso em dose baixa.
Os tiazídicos são ditos como média potência, mais usados em HAS; de alça de alta potência; poupadores
de K+ são de baixa potência.
Inibidores da ECA:
Eficazes em reduzir a morbidade e mortalidade da insuficiência cardíaca e em retardar a progressão da
doença renal em diabéticos insulinodependentes, principalmente quando proteinúria está presente.
Indicações: insuficiência cardíaca, disfunção ventricular esquerda, pós IAM, nefropatia diabética.
CI: gravidez, hipercalemia, estenose bilateral da artéria renal.
Betabloqueadores:
Relativamente baratos, eficazes, bem tolerados.
Indicações: angina de peito; pós IAM; taquiarritimias.
Indicação possível: IC, DM, gravidez.
CI: asma e DPOC, bloqueio cardíaco.
CI possíveis: dislipidemia, atletas, pacientes fisicamente ativos, doença vascular periférica.
Os betas de terceira geração tem menos relação com efeitos negativos em doenças metabólicas.
É uma classe heterogênea, de acordo com a seletividade cardíaca. Carvedilol e succinato de Metoprolol
são os de terceira geração mais utilizados.
Vasodilatadores diretos:
Hipertensão de difícil controle.
CI possíveis: cefaleia, retenção de líquido e taquicardia.
São eles: Hidralazina e Minoxidil.
Arritmias Cardíacas
Cardiologia – Dr Álvaro
Julia Araújo – Med XXXV
Caso clínico: Homem de 52 anos chega ao PS com palpitação APP de DPOC. Como proceder?
Flutter atrial: FC de 300 bpm. Comum em pacientes com patologias pulmonares, muitas vezes precisamos
alentecer o ventrículo para avaliar. Importante avaliar a derivação longa e serrilhado entre os intervalos
de QRS.
Batimentos ectópicos:
ESSV:
Acima do ventrículo: alterações antes do QRS
Atrial:
Nó AV:
Ausência de onda P.
Taquiarritmias:
Formular 5 perguntas para o traçado ECG:
1. Existe uma taquicardia?
Observar: QRS ventrículos
P átrios
A frequência de QRS > 100 bpm?
A frequência de P, se houver, é > 100 bpm?
Sim próxima:
2. Existe onda P? Observar onda P em DII ou V1.
Sim: taquicardia sinusal, atrial, atrial multifocal.
Não próxima:
3. Existe onda F de Flutter atrial?
Lembrar do aspecto de dente de serra.
Observar onda P: DI, III, aVF e V1.
Sim: diagnóstico de Flutter atrial.
Não próxima:
4. QRS estreito ou alargado?
Estreito: < 120 mseg
Alargado > ou = 120 mseg
120 seg = 3 quadradinhos
QRS alargado: taquicardia ventricular
QRS estreito:
5. Intervalo RR regular ou irregular?
Regular: TVSP- taquicardia supraventricular paroxística
Irregular: FA- fibrilação atrial
Vamos praticar:
Frequência de P e QRS maior que 100 bpm (108bpm). Presença de onda P. É sinusal? Taquicardia sinusal.
Frequência 150 bpm. Tem onda P? negativa em DII. Se nãi é sinusal, é uma taquicardia atrial. Paciente foi
tratada com MSC, manobra de seio carotídeo (vagal), seguida de cardioversão elétrica.
TAM: multiplos focos, originando vários traçados de onda P. Ritmo atrial multifocal.
Flutter Atrial.
FC de 300 bpm.
Seguindo as perguntas, QRS estreito (dois quadradinhos): RR irregular ou irregular? É regular: taquicardia
supraventricular –TSV – RAV.
Algumas manobras vagais: paciente sentado, elevação MMSS, assoprar a seringa. Também há o estímulo
do vômito, tendo risco de aspiração e engasgo. A manobra do globo ocular é potente, sendo pouco feita
por risco de lesão ocular.
Frequência de QRS: 150 bpm, ausência de onda P e Flutter. QRS é largo? Sim, 4 quadradinhos (0,16): TV.
FA: ausência de onda P com RR irregular. Como calcular a FC? Contar vários intervalos e fazer uma média.
Exemplo:
Alterações do traçado para cima: supraventricular. Abaixo: ventricular – quando entra no QRS.
Frequência cardíaca:
Entender o que o papel do ECG me traz de informação:
OBS: quando o ritmo for muito irregular, como FA: pedimos DII longa, pegamos pelo menos cinco
intervalos e calculamos a média da FC.
D: taquicardia sinusal.
Eixo cardíaco:
Triângulo de Einthoven:
Brevilíneos podem ter eixo mais à esquerda e longilíneos um pouco para a direita.
Exemplo:
Eixo em 30º.
Regras:
1. Quem tem o maior QRS dentro desse quadrante? No caso, aVF, DII, AVR e DI. O ângulo está ali
próximo.
2. Outra regra: quem ficou de fora isodifásico? Sobraram duas derivações no caso: aVL e DIII. O DIII
é isodifásico, pegar a perpendicular a ele. Ele é o preferível.
Outro exemplo:
Outro exemplo:
Eixo em +90º.
Eixo em +120º.
Eixo em -30º.
Desvio à esquerda, cabe a clínica? É algo a ser questionado nesse caso.
Como calcular a P da artéria pulmonar? Pelo ECO, pequeno aumento da pressão no VD, há refluxo para
AD, em pequenos volumes é aceito como normal. Mas com o aumento da P no VD, há aumento da
regurgitação, calculamos pela velocidade de fluxo no doppler, inferimos a pressão da artéria pulmonar.
Então, recorrer ao Eco-Doppler em suspeita de HP. Além disso, podemos avaliar o aumento das cavidades,
identificando o Cor pulmonale crônico (hipertrofia de VD em decorrência de HP).
Em comparação com um coração normal, no cor pulmonale encontramos pelo aumento da pressão na
artéria pulmonar, uma hipertrofia com dilatação do VD, aumento do AD, e as arteríolas pulmonares ficam
atrofiadas, muitas vezes ocluídas. Em corte transverso é possível avaliar que o septo IV geralmente tem a
concavidade para dentro do VE, mas no cor pulmonale ele fica reto às custas de empurrar o septo para
dentro do VE, e isso leva a uma incapacidade diastólica do VE. O que pode enganar, principalmente,
pacientes em fase inicial, apresentando somente descompensação de VD: anasarca, jugular ingurgitada,
ascite, hepatomegalia. Geralmente o pulmão é seco. Mas em fases avançadas, paciente muito
hipervolêmico, o VE não consegue receber a mesma quantidade de sangue pela incapacidade diastólica,
o que vai gerar congestão pulmonar.
Ou seja, atendemos um paciente com ICC e congestão pulmonar, já podemos pensar que a clínica primária
é esquerda, descartando cor pulmonale, o que não é uma realidade, pois a congestão pode ser a
manifestação secundária a um cor pulmonale crônico.
No aumento da P das artérias pulmonares, formam-se fístulas com as veias pulmonares, mas essas fístulas
permanecem fechadas. Elas só se abrem se por acaso a P na artéria pulmonar elevar-se muito, similar à
sistêmica, às vezes maiores que a PA. Agora, a pressão na vênula normalmente é baixa. Então, essa
abertura das fístulas na elevação da P da artéria pulmonar faz com que o paciente sobreviva, impede a
morte por insuficiência ventricular direita. Então, esse escape de sangue para as veias pulmonares, causa
uma mistura de sangue oxigenado com venoso. Paciente em cor pulmonale irreversível é pletórico,
porque essa saturação baixa do sangue venoso misturado com o arterial, vai ser interpretada pela MO
como anemia. Assim, há uma poliglobulia, sendo que o HT pode exceder até 60%.
Então: paciente pletórico + extremidades cianóticas. Característica típica de paciente com instauração
crônica.
Hipertrofia de VD:
1. Impulsões paraesternais 2 ao 5 EIC: VD é anterior e VE posterior, com a ponta anterior – ictus
2º EIC: artéria pulmonar – dilatada
3º EIC: via de saída do VD
4º e 5º EIC: massa ventricular
2. Ictus normal ou não palpável
3. P2 palpável: sentir vibração do fechamento da valva pulmonar
4. P2 desdobrada: P arterial pulmonar próxima ou > 50 – VD vai demorar a esvaziar, com isso o
desdobramento de P2.
Bloqueio de ramo direito também causa desdobramento de segunda bulha, sem sinais de
hipertensão pulmonar, + clique sistólico.
5. Clique protossistólico FP
6. B3 (dilatação) ou B4 (AD contraindo com força) de VD
7. Sopro holossistólico FT de regurgitação, Rivero-Carvalho + (aumenta de intensidade com
inspiração)
8. Hiperfonese de segunda bulha P, tem que ser menos intensa que a aórtica no adulto. Então se
Hiperfonese de P2 é mais intensa que A2: suspeita clínica de HP crônica. Seguir com Eco-Doppler.
Incidência:
Normalmente o fluxo sanguíneo é maior na base que no ápice, e quando a pressão pulmonar começa a
subir, por volta de 50-40 mmHg há uma redistribuição do fluxo, em que o ápice fica tão vascularizado
quanto a base. Quando acontece uma inversão, ou seja, ápice mais perfundido que base, a pressão da
artéria pulmonar já ultrapassou 70-80 mmHg, sendo uma hipertensão grave.
Ecocardiograma:
PCA: inversão do shunt da artéria pulmonar, porque o canal não se fechou no final da
vida fetal, sendo que o sangue que era para circular nos pulmões vai para a aorta. Em
pessoas com PCA, quando inverte o shunt, só passará sangue do seio venoso para aorta
descendente, diferente de CIA e CIV que vai desde o início da aorta.
Então, esse paciente não terá cianose em MMSS, apenas em MMII. Baqueteamento
digital dos dedos dos pés apenas.
Estenose mitral: leva a uma hipertensão venocapilar importante, podendo haver ruptura de vênulas e
capilares, ocasionando sangramento pulmonar: HB – grupo heme reabsorção e formação de BI, mas ferro
fica retido no pulmão, ocasionando hemossiderose pulmonar + dilatação das artérias pulmonares.
HP em consequência da pressão venocapilar elevada por estenose mitral. Essa HP é irreversível, não
adianta corrigir estenose em HP avançado. Transplante coração-pulmão.
ECG da estenose mitral: onda P predomina fase negativa em V1 (deve ser bifásica ou +, se – há desvio do
eixo para trás), sinal mais importante de sobrecarga atrial esquerda. QRS – em DI e + em aVF,
perpendicular próximo a avR, perpendicular ao avR é o DIII 120º. Sobrecarga AE + sobrecarga VD:
“barreira” mitral.
Sinal de Penrose Tranchesi: baixa voltagem (AD enorme, exerce efeito isolante) em V1 (AD e
ventrículos) e alta voltagem em V2 (sai do VD)- sinal indireto de sobrecarga atrial D.
Mixoma de AE: benigno, mas na sístole sobe e na diástole fecha entrada da mitral. Pode dar ECG
semelhante a estenose, sendo DD, já que a estenose no brasil geralmente é sequela de febre reumática.
TEP contínuo: tromboflebite crônica, perda de circulação pulmonar, HP. Taladafila e inibidores da
fosfodiesterase tem seu uso nesse caso, aproveitando efeito vasodilatador. + Rivaroxabana
(anticoagulante).
TC: HP crônica e aguda – se embolia pulmonar (trombos impedem passagem de fluxo pela artéria
pulmonar)
HP por tromboembolismo tem tratamento cirúrgico: retirada cirúrgica dos trombos. Abertura da artéria
pulmonar, circulação extracorpórea. As partes mais escuras são mais recentes, e as esbranquiçadas já
indicam processo crônico e organizado.
Esquistossomose:
Artéria pulmonar dilatada + granulomas em pulmões (patologia parenquimatosa associada à vascular).
Outras condições:
1. Lúpus: eritema malar em asa de borboleta- trombos e arterite coronária. Pode causar HP assim.
2. Esclerodermia: disfagia, rigidez da pele grudada no subcutâneo. É causa de esclerose cardíaca,
levando a restrição diastólica em coração, mas pode causar arterite também de artéria
pulmonar.
3. Granulomatose de Wegner: DAI que afeta cartilagem acometida, vasculites, alterações em
artérias da conjuntiva ocular, hipertensão pulmonar.
4. Enfisema:
Tratamento da HP:
1. Exercícios moderados
2. Fisioterapia respiratória: melhora funcional pulmonar e do VD
3. Oxigênio: importante, potente vasodilatador
Quando a criança nasce, na hora que inspira há diminuição da pressão das artérias pulmonares:
pulmão ventila e oxigena o sangue, que levará a uma pequena redução da P das artérias
pulmonares. Nas primeiras 24H há uma HP fisiológica, depois começa a cair quando o CA fecha.
+ liberação de prostaciclinas: auxilia abertura do canal.
4. Tratamento da ICC- se VD descompensando: IECA, BBLOQ, Espironolactona, diurético, digitálico
Medicamentos HP:
1. BCC – anlodipina, Diltiazem, etc.
2. Inibidores da fosfodiesterase 5 – Sildenafil, tadalafil
3. Prostaglandinas I2 – epoprostenol, iloprost: casos + graves, pacientes internados.
4. Inibidores do receptor de endotelina – bosentan
5. Ativadores da guanil ciclase solúvel – cinaciguat: dilatação das artérias pulmonares e sistêmicas
Invasivo:
1. Atriosseptoplastia: faz uma fístula AV – cateterismo: cateter balão atravessa forame oval, insufla
e puxa de volta, “rasgando” o septo.
2. Tromboembolectomia: quando causa é embolia.
3. Transplante pulmão-coração
Insuficiência Aórtica
Cardiologia – Dr Carlos Henrique
Julia Araújo – Med XXXV
Sangue retorna da aorta para VE durante a diástole ventricular, que irá receber sobrecarga de volume
(sangue do AE + sangue retorna da aorta). A cada sístole, o VE joga dois volumes para aorta. Com isso, há
uma hipertrofia excêntrica (aumento da cavidade, hipertrofia em série). O pulmão fica protegido pela
valva mitral (sem ICC), VD sem sobrecarga.
Etiologia:
1. Reumática: 2/3 homens. Nunca dá estenose pura: insuficiência com posterior calcificação e
estenose, chamada lesão dupla.
2. Ectasia ânulo-aórtica: dilatação do anel aórtico, cúspides da valva não se conectam mais.
3. Síndrome de Marfan: membros comprimidos, aracnodactilia (dedos longos), hiperelasticidade,
acompanha luxação de cristalino.
4. Síndrome de Ehlers-Danlos: hiperelasticidade: fragilidade do anel aórtico.
5. Espondiloartrose: aspecto radiológico de coluna de bambu.
6. Osteogênese imperfeita: hiperelasticidade + esclera azulada: defeito conjuntivo leva a fragilidade
do anal aórtico.
7. Pseudoxantoma elástico: hiperelasticidade e alteração na pele que lembra uma galinha
depenada, em região de pescoço e axila. Envolvimento do tecido conjuntivo.
8. Policondrite: DAI que acomete cartilagem da orelha e nariz, acometimento do tecido conjuntivo.
9. Endocardite: leva à insuficiência cardíaca – forma aguda, não dá tempo do coração se adaptar.
Destruição do folheto valvar, geralmente a evolução é cirúrgica.
10. Degeneração mixomatosa: acomete mais mitral, causando prolapso de valva
11. LUES – sífilis, forma 3ária: cuidado com reação de Handerson-Hasselbach: vasodilatação intensa.
12. LES
13. Congênita
14. Aneurisma de aorta, ascendente (+ relação) e descendente
15. Traumatismo de tórax: durante a diástole, coração está mais “mole”, pode lacerar a valva aórtica
e evoluir para insuficiência. Pode apresentar hemopericárdico ou IC aguda, quanto + grave: +
curto é o sopro, sangue retorna todo de uma vez. Caso cirúrgico.
IA aguda: IC
Instalação lenta: onda de pulso aumentada na sístole do VE
1. Pulso de Corrigan: martelo d’água (PAS elevada e PAD reduzida)
2. Dança das artérias
3. Pulsação na fúrcula
4. Sinal de Musset: pulsação úvula
5. Sinal de Quincke: variação da tonalidade subungueal pulsátil, palidez e ruborização à pressão
leve.
6. Sinal de Hill: PAS em MMII > que MMSS
7. Sinal de Duroziez: duplo sopro auscultado à compressão femoral
8. Sinal de Traube: ruído em “tiro de pistola” auscultado na artéria femoral, som agudo.
Sinais clínicos:
1. Ictus > 3 cm, podendo desviar para baixo do 5º espaço
2. Impulsões paraesternais: VE aumentado joga VD para cima
3. Sopro diastólico: sangue refluindo da aorta para VE, duração proporcional à gravidade (mais
rápido é mais grave).
4. Sopor sistólico: turbilhonamento da saída
5. Sopro de Austin Flint: impede abertura do folheto anterior da mitral, dá um sopro diastólico
como uma “falsa estenose mitral”.
6. B3 +: coração está dilatado, VE: FE mantida, até aumentada (maior volume sistólico)
Inspeção e palpação:
1. Dança das artérias
2. Aorta palpável
3. Impulsões paraesternais
4. Ictus aumentado
5. Pulso de Corrigan: artéria braquial
Sopro reumático: mais audível no foco aórtico acessório. Patologia do anal: foco aórtico.
ECG: QRS de amplitude aumentada, índice de Sokolov-Lyon + (>35 mmHg). Quando hipertensão arterial
pulmonar se associa, teremos alteração de repolarização, é o que acontece na hipertrofia concêntrica.
Caso Clínico:
Homem de 70 anos procura o ambulatório de cardiologia devido a quadro de dispneia aos esforços
(atividades habituais de higiene e deambular no plano dentro de casa), ortopneia e dispneia paroxística
noturna. Também apresenta o corpo todo inchado, principalmente o abdome e pernas. Relata que esse
edema piorou há 30 dias, mas já ocorre há 6 meses com piora progressiva. Utiliza Anlodipino 10 mg para
tratamento da pressão arterial associada a Hidroclorotiazida 25 mg.
Ao exame: PA de 140x90 mmHg, FC 96 bpm, afebril. Paciente em anasarca. Jugulares túrgidas à 45 graus.
Crepitações pulmonares nos 2/3 inferiores de ambos os hemitórax. Bulhas rítmicas em 3T (B3 em galope),
sopor sistólico aspirativo IV/VI em foco mitral com irradiação axilar. Abdome globoso, peristaltismo
diminuído. Fígado doloroso à palpação há 7 com RC. MMII edemaciados com cacifo +. Pulsos palpáveis.
Pergunta-se:
1. Qual o diagnóstico? IC bilateral e HAS. Sendo a etiologia da IC provavelmente hipertensiva.
2. Qual a classificação da doença que o trouxe a consulta? NYHA III, AHA/ACC=C (alteração
estrutural + sintomas, sendo C3: necessita do uso de diurético).
3. Qual o melhor tratamento nesse momento? Furosemida + IECA + Espironolactona (no retorno
avaliar BB). Na descompensação é necessário primeiro diminuir o edema, principalmente o
pulmonar, para controle da dispneia, por isso o uso de Furosemida.
4. Qual exame complementar solicitar? Hemograma, Na, K, Cr, Ur, glicemia, TSH, CT, HDL, TG,
ecocardiograma.
Conceito: é a incapacidade do coração executar a sua função principal, bombear o sangue de modo a
gerar e manter o fluxo sanguíneo circulante adequado para a perfusão orgânica e tecidual. Ou quando,
para manter o bombeamento adequado, só o faz às custas de alta pressão. Pode ser clássica, com
deficiência da função diastólica, ou com função sistólica preservada.
Tentar responder essas perguntas diante de um caso:
1. O que exatamente está falindo?
2. Como exatamente está falindo?
3. Por que exatamente está falindo?
Remodelamento ventricular:
Sempre buscar etiologia, seja ela coronariana, cardiopatia congênita, HAS de longa data sem tratamento,
etc.
Ação deletéria do sistema neuro-humoral, SRAA e sistema adrenérgico.
1. Angiotensina II: receptores AT1, apoptose do miocárdio, proliferação de fibroblastos, liberação
local de noradrenalina e aldosterona.
2. Aldosterona: receptores citoplasmáticos, proliferação de fibroblastos.
3. Noradrenalina: injúria do miocárdio (receptores beta 1 e 2), apoptose, “down regulation”.
Classificação:
A) De acordo com a fração de ejeção, necessitando de ecocardiograma. A fração de ejeção pode
ser reduzida, intermediária ou preservada. É reduzida se for menor que 40%; intermediária entre
40 e 49%; fração de ejeção preservada quando maior ou igual a 50%.
B) De acordo com a gravidade dos sintomas. É dada pelo NYHA.
I. Assintomático.
II. Sintomas leves quando ao realizar atividades físicas habituais. Consiste em limitação
leve.
III. Sintomas moderados quando realizam atividades físicas menos intensas que as
habituais. Consiste em limitação importante, porém confortável em repouso.
IV. Sintomas graves. Incapacidade de realizar qualquer atividade sem apresentar
desconforto. Os sintomas acontecem mesmo em repouso.
Diagnóstico:
É baseado em sinais e sintomas de IC.
Sintomas: IC desenvolve de forma lenta, podem ocorrer vários anos sem sintomatologia. Como
dificuldade para respirar, edema de MMII, cansaço, fraqueza.
1. Esquerdo -VE: dispneia, cansaço, tosse (noturna), DPN. Pode conter secreção avermelhada/rosa
devido a ruptura de micro capilares pulmonares. Pulmão: cianose (água dentro dos alvéolos),
dispneia pela rigidez, sibilos (asma cardíaca – edema de mucosa: uso de diuréticos e
vasodilatadores, diferente da asma brônquica, que usamos broncodilatadores). Congestão
pulmonar.
2. Direito -VD: edema (MMII, fígado e estômago), nictúria. Congestão sistêmica, edemas sempre
bilaterais.
OBS: quando edema unilateral: pensar em estase ou trombose.
Exame físico:
1. Íctus de VE desviado para esquerda e para baixo, difuso e fraco.
2. Íctus de VD pode ser palpável.
3. B1 hipofonética: Hipocontratilidade de VE
4. B2 hiperfonética: hipertensão arterial pulmonar
5. B3: bulha acessória da IC, desaceleração do fluxo de sangue no final da fase de enchimento
rápido da diástole
6. SS mitral – dilatação VE
7. SS tricúspide – dilatação VD
Exames complementares:
Ecocardiograma: é recomendado para avaliação inicial de TODOS os pacientes com suspeita de IC para
avaliar a estrutura e função cardíacas, a fim de planejar o tratamento e estratificação prognóstica. Não é
indicado para rastreamento!
Peptídeos natriuréticos: recomendada a dosagem de peptídeos natriuréticos quando há dúvida
diagnóstica de IC. Pode ser usada para estratificação prognóstica na IC. Se o BNP é alto, confirma
insuficiência cardíaca.
O BNP é secretado pelas células cardíacas, especialmente do átrio direito quando detecta altos níveis de
aldosterona/hipervolemia para reduzir a sobrecarga cardíaca. Seus efeitos são diurese, natriurese,
vasodilatação e aumento do débito cardíaco.
Tratamento:
IECA
IECA é a droga principal, sendo BRA usado para os intolerantes ao IECA. Complicações: função renal e
elevação do potássio.
BB
Espironolactona
Sacubitril/Valsartana
B1- TUM, seguida de sístole limpa, B2- logo após a segunda bulha podemos ter ruído de abertura, com P
muito elevada na válvula mitral, assim B2 fica desdobrada- TRÁ: estalido de abertura precoce. Quando a
estenose não é grave, esse estalido de abertura é mais tardio, pois a P de abertura não está tão elevada-
TARÁ. Em seguida do estalido de abertura, temos um ruflar semelhante ao barulho de um tambor, e
quando chega na contração atrial esse sopro aumenta de intensidade, com reforço pré-sistólico e logo
depois vem B1 outra vez. Esse ritmo é chamado de Ritmo de Duroziez, característico de estenose mitral.
ECG: sobrecarga AE – onda P
predominantemente negativa em V1, QRS +
em DI e isodifásico aVR: eixo em DIII,
desviado em 120º para a D. Em V1 tem onda
R pura e V5 e V6 onda S – sobrecarga
direita. Também há sinal de Penrose
Tranchesi: V1 com QRS de baixa voltagem e
V2 alta voltagem, porque entre o eletrodo
de V1 e o ventrículo temos um AD enorme,
que está isolando o ventrículo. É um sinal
indireto de sobrecarga AD.
EM: sobrecarga AE + AD. DD: mixoma de
AE.
Ecocardiograma: vai quantificar aumento de VD, a válvula mitral geralmente tem formato de M (abre, no
enchimento lento ela quase fecha outra vez, e na contração abre outra vez), já na estenose ela é reta e
espessada. Na visão das quatro câmaras conseguimos medir o perímetro da área de abertura da mitral,
que é reduzido (normal: 4 cm^2, quando se aproxima de 1 cm^2 é EM grave). Os átrios ficam aumentados
de tamanho, já os ventrículos não são muito grandes.
Outra doença congênita que pode levar a EA é a deficiência da enzima que metaboliza a tirosina, e vai
acumular ácido almogenístico nos tecidos conjuntivos e cartilagens. A urina fica escura: alcaptonúria.
Pacientes também costumam apresentar as extremidades escuras, assim como manchas em conjuntiva
ocular. Essa deposição de ácido almogenístico promoverá o endurecimento da válvula aórtica, gerando a
clínica de estenose.
Pacientes com EA desenvolvem hipertrofia concêntrica, com consequente maior demanda de oxigênio.
Coronárias também se hipertrofiam até o coração atingir aproximadamente 500 gramas (normal 350
gramas), ao ultrapassar esse valor, a hipertrofia das coronárias já não mais será suficiente para oxigenar
as fibras cardíacas aumentadas. Assim, começa a ter uma desproporção entre demanda e consumo de
oxigênio. Assim, as células subendocárdicas serão as que mais sofrerão com isquemia e morte celular, em
que músculo será substituído por processo cicatricial. Quando isso começa a acontecer, o coração começa
a dilatar.
Sintomas:
Inicialmente não apresenta muitos sintomas, pois a alteração estará sendo compensada pela hipertrofia
concêntrica. Sintomas surgem com insuficiência diastólica, porque o coração hipertrofiado perde
elasticidade.
1. Dispneia aos esforços: aumento de retorno venoso, AD, VD e acúmulo pulmonar.
2. Angina aos esforços: simula doença coronária, angina estável, pela dissociação entre oferta e
demanda de oxigênio.
3. Pré-síncope aos esforços: vasodilatação da musculatura esquelética, coração não consegue
suprir essa necessidade, não consegue aumentar DC pela obstrução na via de saída.
4. Morte súbita: por esforço súbito – isquemia subendocárdica pode fazer dispersão do ritmo
elétrico, FV e morte súbita.
Sopro:
RX: área cardíaca normal, mas em P – calcificação no nível da válvula aórtica, a hipertrofia concêntrica
nem sempre se manifesta. Ao contrário da hipertensão pulmonar, que dilata as veias pulmonares,
conseguimos ver a concavidade.
ECG: normal ou no máximo sobrecarga de AD. Se mostrar alteração de repolarização é sinal que ventrículo
já está deteriorado, fibrose cardíaca.
Ecocardiograma: possível medir o perímetro da valva aórtica, velocidade de passagem do sangue pelo
orifício aórtico. Na contratilidade normal, pelo doppler conseguimos medir a diferença de P entre
ventrículo e aorta. Geralmente, costuma aparecer uma dilatação pós-estenótica.
A P dentro do ventrículo é maior que na aorta na EA.
Intervenção:
1. Gradiente de pressão VE-Aorta> 50 mmHg (estenose grave): se estenose próxima 30 mmHg
pode ter uma vida normal, devendo evitar exercícios e esforços; se ele tem 40 mmHg e precisa
de cirurgia geral grande, a diretriz recomenda troca da valva aórtica antes da cirurgia geral.
2. Orifício valvar <0,8 cm^2 (0,5 cm/m^2)
Tratamento: trocar valvar, seja ela biológica ou metálica. A biológica é mais tolerada, porém tem duração
limitada e pode sofrer calcificação, principalmente em pacientes mais jovens. Já a metálica é para o resto
da vida, só que o seu inconveniente é precisar tomar anticoagulante para o resto da vida, limita atividade
física intensa, como futebol.
Hoje existe a possibilidade de inserir a prótese por balão, esmaga o cálcio encarcerado, não tendo risco
de embolização em pacientes mais idosos. Sua indicação para pacientes mais jovens está em estudo.
RESSUCITAÇÃO CARDIOPULMONAR
Cardiologia – Dr Álvaro
Julia Araújo – Med XXXV
Caso Clínico:
Pela manhã, ao sair de casa para a faculdade você se depara com a vizinha que desesperadamente chama
por ajuda. Ela diz: Me ajuda! Meu marido acabou de desmaiar na cozinha. Relata que o marido sentiu
uma forte dor no peito, parou de respirar, ficou todo roxo e desmaiou. Então você entra na casa e
encontra o marido caído no chão, imóvel.
Pergunta-se:
1. Qual a primeira coisa a fazer? Verifico consciência e respiração, respectivamente.
2. Supondo que a situação é grave, qual seria a próxima conduta? Aciono o SAMU.
3. E em seguida, o que você faria? Checar pulso, iniciar RCP até que o sistema acionado chegue.
Suporte Básico de Vida – BLS:
Quando uma pessoa sofre PC, cada minuto conta muito para salvar a vida do paciente, por isso o
atendimento deve ser organizado. A cada minuto há uma perda de 10% de sobrevivência, sendo 10
minutos a sobrevivência quase nula.
Pulso é difícil de ser identificado, principalmente em pacientes chocados. Por isso usamos a respiração
como parâmetro.
Procedimentos iniciais na suspeita de uma PCR:
1. Avalie responsividade: se não responsivo, sem respiração ou com respiração anormal
2. Peça ajuda
3. Verifique o pulso
4. Inicie a RCP
Ao palpar o pulso, se certeza da sua ausência ou dúvida: iniciar RCP em inconsciência e ausência de
respiração:
Na PC teremos dois caminhos: ritmos rápidos (FV, TV) ou lentos (AESP, assistolia- pior prognóstico). Esses
ritmos são identificados pelo DEA- desfibrilador elétrico automático (identifica tremor no ECG da FV, TV).
Locais de colocação das pás: infraclavicular direito e apex cardíaco (ictus cordis).
Algoritmo avançado:
Assistolia – protocolo da via reta: não faça uma “cagada”!
Checar: cabo – ganho (tamanho do QRS, 1 mV é N- normal: ganho, avaliar com lupa para identificar;
N/valor x em por exemplo Sokolv-Lyon) – derivação. Não usamos desfibrilação em AESP e assistolia.
Após o choque inicial, partimos para acesso venoso. As ações são seguidas por análise do ritmo.
Nunca quebre o elo da corrente de atendimento. Essa sequência é importante:
1. Reconhecimento imediato da PCR e acionamento do serviço de emergência/urgência – chamar
ajuda
2. RCP precoce, com ênfase nas compressões torácicas
3. Rápida desfibrilação
4. Suporte avançado de vida eficaz
5. Cuidados pós-PCR integrados
Cardiomiopatia dilatada
A cardiomiopatia dilatada ocorre quando a fração de ejeção é menor que 0,5 (50%) com dilatação das câmaras.
Se a fração de ejeção está diminuída, ao iniciar a próxima diástole há um volume residual e com o retorno
venoso o coração precisa suportar todo esse volume e acaba dilatando.
Então, a dilatação é consequência da diminuição da fração de ejeção.
O septo mantém o seu tamanho normal. Muitas vezes, o coração pode ficar um pouco mais fino. É o “coração
fraco”.
Na cardiomiopatia dilatada ocorre perda de fibra cardíaca, substituída por cicatriz fibrosa. O tecido conjuntivo
passa a ter uma proporção maior e as fibras cardíacas remanescentes hipertrofiam para tentar suprir o trabalho das
que se perderam. *Após 3 anos de idade, não há regeneração de fibra cardíaca.
20 a 35% dos casos são de causa congênita, predominantemente autossômica dominante com polimorfismo dos
genes: sistema adrenérgico, SRA, citoesqueleto, etc. Nos casos mais graves, pode ocorrer na infância ou adulto
jovem, porém outros casos podem manifestar-se aos 60 anos.
Miocardite: Reação inflamatória no tecido cardíaco, com perda de fibra cardíaca e infiltrado mononuclear.
60% das cardiomiopatias são sequelas de uma miocardite, as fibras cardíacas não se recuperam e são
substituídas por tecido fibroso.
Ex: miocardite por Coxsackie vírus. Essa infecção é acompanhada por acometimento do trato respiratório,
superiores ou inferiores. Na maioria das vezes, essa miocardite não leva a uma disfunção cardíaca, não sendo
diagnosticada na fase aguda. O paciente recupera da infecção viral em 10 dias, mas dependendo da quantidade de
células cardíacas acometidas, posteriormente, o paciente pode apresentar diminuição da fração de ejeção e
apresentar o quadro de cardiomiopatia dilatada.
Outro exemplo: Miocardite com presença de granuloma caseoso no corte histológico, típico da tuberculose.
Paciente com TB, por contiguidade, atingiu o miocárdico. É feito tratamento para a TB, mas as células cardíacas não
se recuperam, assim após algum tempo há o desenvolvimento da cardiomiopatia dilatada.
Doença de Lyme: Causada pela Borrelia burgdorferi, é muito comum nos EUA e Inglaterra. Assim, brasileiros que
estiveram nessa região trouxeram a cepa da bactéria, sendo uma zoonose. É uma doença febril de 9 semanas, com
linfadenopatia e acometimento de vários órgãos. Transmitida por picada de carrapato, no local forma-se a lesão
“olho de boi”.
Streptococcus pyogenes: Paciente com pneumonia por S. pyogenes, que além de acometer o pulmão pode
atingir o miocárdio. Assim, o paciente cura a pneumonia e a miocardite, mas as fibras cardíacas não regeneram.
Doenças de Chagas: Criança com febre há 4 semanas, linfonodomegalia, hepatoesplenomegalia e edema
bipalpebral (sinal de Romana - causado pela picada do “barbeiro”). Causada pelo Trypanossoma cruzi. No corte
histológico há infiltrado de polimorfonucleares e pode ser encontrada células parasitadas com a forma amastigota
do agente etiológico. A maioria dos pacientes, não apresentam fase aguda e após algum tempo apresentam
sequela (cardiomiopatia dilatada com a ponta do VE afinada).
Com o afinamento da ponta do VE, esse local pode ser sede de coágulos que podem embolizar para qualquer
parte do organismo (50% impactar no cérebro). Também pode apresentar como ICC ou acometimento do sistema
de condução (BAV).
Em fase crônica, não há tratamento etiológico.
O paciente com doença de Chagas pode desenvolver o megaesofago ou o megacolon, dependendo da cepa.
Caso clínico: 29 anos, dor torácica há 48 horas que piora em decúbito e melhora sentado. Há 4 dias
apresentando febre 39°, seguido de exantema bolhoso no tronco, face e braço. HD: Varicela.
A dor torácica é causada por pericardite e derrame pericardio. No ECG, há superdesnivelamento.
DOENÇAS QUE PROVOCAM SUPRADESNIVELAMENTO: pericardite e infarto.
Então, pacientes com cardiomiopatia dilatada pode ser consequência da infecção por Varicela, sequela de uma
miocardite.
Sarcoidose: Doenças autoimunes como, por exemplo, a sarcoidose também podem provocar a miocardite por
ação do próprio virus. Na histologia, apresentam um infiltrado polimorfonuclear. O diagnóstico é importante, pois
com o uso de corticóide e imunossupressor é possível estabilizar a doença. A sarcoidose também leva a alterações
pulmonares e de pele.
O paciente com cardiomiopatia dilatada terá sintomas inicialmente caracterizados pela fração de ejeção
intermediária e depois pela fração de ejeção diminuída.
Podem apresentar estertores pulmonares, dispneia.O coração estará aumentado de tamanho e pode apresentar
terceira bulha.
No raio X pode ser percebido a sombra cardíaca aumentada e também congestão pulmonar.
No tratamento, pode haver melhora, porém não há cura - não é possível regenerar o miocárdio. O prognóstico
da cardiomiopatia dilatada é: 70% morrem nos primeiros 10 anos.
O tratamento definitivo seria somente transplante de coração. No entanto, a ICC pode ser tratada, aumentando
a expectativa de vida do paciente.
No eletrocardiograma: Como a cavidade do coração aumenta, a amplitude do QRS também aumenta: índice de
Sokolow – Lyon: R V5 ou V6 + S de V1 > 35 mm = SVE (sobrecarga de ventrículo E).
As alterações de repolarização são difusas, podendo haver em todas as paredes onda T achatada ou
infradesnivelamento do segmento ST. Também pode ocorrer bloqueio de ramo direito.
O diagnóstico é através do ecocardiograma, onde se encontra aumento do VD e do VE - o normal do exame
seria até 56 mm de espessura. Existe uma diferença pequena entre a diástole e a sístole.
Algumas vezes o paciente pode ser assintomático, mas se há histórico de alguma infecção que leve à suspeitade
miocardiopatia dilatada (ex: COVID) pode ser realizado o ECO, pois nesse exame é verificada que se a fração de
ejeção está comprometida/diminuída. No ECO bidimensional, é verificada a dilatação das câmaras cardíacas.
A ressonância também pode mostrar alterações: área aumentada e área de fibrose, inclusive de uma miocardite
ainda em atividade.
>> Às vezes, o paciente com miocardite aguda com o uso de corticoide pode melhorar, pois mesmo virótica pode
ser auto- imune, como no Covid, que é mais uma doença auto imune do que uma doença infecciosa, já que a
maioria das manifestações inflamatórias de coagulação ocorrem devido os auto anticorpos produzidos pelo vírus. O
vírus até desaparece, mas o paciente continua com a atividade inflamatória devido aos anticorpos. Por isso o
corticoide é usado durante esse tratamento.
Em resumo, o paciente com cardiomiopatia dilatada terá fração de ejeção intermediária (40-49%) ou reduzida
(<40%) e na maioria das vezes terá um diagnóstico de cardiomiopatia idiopática, já que o processo
infeccioso/inflamatório [virus/bactéria] não existirá mais na hora do diagnóstico. A doença pode ser também por
causa congênita e para isso é preciso fazer o mapeamento genético e isso é caro, então, não é realizado.
Na maioria das vezes a causa é sequela de uma miocardite que já não existe mais. O tratamento será feito com
uso de medicamentos, tratando a ICC, e quando não tiver mais jeito, será necessário o transplante.
Cardiomiopatia Hipertrófica
É uma doença específica, congênita, autossômica dominante.
Ocorre em 1//500 nascimentos, então é a cardiopatia congênita mais frequente. É a causa principal de morte
súbita em jovens, principalmente durante atividade física.
O indivíduo pode ter o genótipo e não desenvolver o fenótipo da hipertrofia cardíaca. Fatores ambientais
contribuem para isso, como a hipertensão, dislipidemia, diabetes (fatores de RCV). Porém, algumas pessoas que
possuem o genótipo e não tem evidência clínica, podem ter um risco maior de morte súbita por arritimia.
O mecanismo de morte da cardiomiopatia hipertrófica:
- O coração com cardiomiopatia hipertrófica obstrutiva: quando acontece uma hipertrofia predominante no
septo interventricular que geralmente leva a uma obstrução da saída do VE, levando a uma estenose
subaórtica. Esse paciente tem uma pressão muito maior dentro do coração do que na aorta. A forma obstrutiva
é a mais grave e depende do grau de obstrução. Além de estreitar a vida de saída do VE, a contração vigorosa
do septo hipertrofiado faz uma sucção no folheto anterior da mitral de encontro ao septo, o que agrava mais
ainda a estenose e pode levar a uma pequena insuficiência mitral, que pode predispor a endocardite.
- A forma não obstrutiva é quando a hipertrofia não é predominante no septo e não leva a obstrução. 30% dos
casos são do tipo não obstrutivo.
A espessura normal do coração é entre 10-20mm e na cardiomiopatia hipertrófica essa espessura é aumentada.
No corte histológico, as fibras cardíacas estão em feixes longitudinais, transversais, oblíquos. Normalmente, as
fibras cardíacas são paralelas e o paciente que não tem esse paralelismo desenvolve hipertrofia do coração, sem
alteração hemodinâmica. Dependendo do grau da desorganização, há dispersão do estímulo elétrico e por isso há
arritmia. Nesse caso, a hipertrofia se desenvolve desde a infância, no entanto pode ser diagnosticada apenas na
vida adulta, indivíduos assintomáticos. Dependendo do grau de desorganização, a evolução pode ser precoce o
tardioa.
Ressonância na cardiomiopatia hipertrófica: O septo interventricular é espesso, por isso, durante a sístole fica
mais espesso e o folheto anterior da mitral se aproxima do septo. Na fase mais avançada, o folheto anterior da
mitral pode encostar no septo e obstruir a via de saída do VE. A pressão dentro do coração fica muito maior do que
a pressão na aorta, então para o sangue chegar até o endocárdio durante o esforço físico pode ser insuficiente e
com isso ocorrer isquemia do endocárdio, apresentando angina aos esforços - igual em pacientes que têm doença
coronária. Então, uma das manifestação da cardiomiopatia hipertrófica, além da dispneia, porque o sangue não
entra direito no coração - há dificuldade diastólica - , então em qualquer esforço ocorre acúmulo de sangue nos
pulmões e pode ocorrer a angina.
Raio X: A sombra cardíaca pode ser aumentada, embora não tenha aumento da câmara cardíaca (podendo ser
até mesmo diminuída), devido a parede ser hipertrofiada, geralmente em tipo gota.
No eletrocardiograma: As alterações podem ser importantes, como o aumento da amplitude do QRS, já que há
uma hipertrofia excêntrica e assimétrica.
Podem ocorrer também alterações mais discretas como algumas assimetrias, principalmente se a onda T for
apiculada, com suspeita de isquemia de subendotélio.
Esses pacientes também podem apresentar arritmias como taquiarritmias, devido a dispersão do estímulo
elétrico. Se esse paciente tem uma taquicardia ventricular polifocal, pode apresentar fibrilação ventricular e há
indicação de implantar um desfibrilador para evitar parada cardíaca.
Na ressonância, a utilidade é mostrar a espessura e o grau de fibrose. Além de representar a alteração da
estrutura cardíaca, ocorre essa fibrose. Quando é maior que 15% do miocárdio, o SUS já autoriza o implante do
desfibrilador.
O diagnóstico é a partir do Ecocardiograma, é possível medir o septo e a parede posterior. A camara pode vir
diminuída [insuficiência diastólica].
No ecobidimensional é possível ver o septo hipertrofiado, espesso. O átrio esquerdo de tanto fazer força para
esvaziar em um coração ‘’duro’’ as vezes fica com a cavidade diminuída, o AE acaba dilatando e o AD também já
que o septo pertence as duas cavidades.
Tratamento:
- Betabloqueadores (Proponalol, Atenolol, Metoprolol, Bisoprolol).
Alternativas em pacientes asmáticos,por exemplo, é usar Verapamil - bloqueador de cálcio que não deixa o
coração contrair com mais força, pois com quanto mais força ele contrai, maior a obstrução da via de saída e maior
o risco de arritmia.
Também pode ser usada a Amiodarona para diminuição das arritmias
Tratamento invasivo:
1. Gradiente de repouso >30mmHg. Pacientes que apresentam um gradiente de pressão com diferença de
pressão entre aorta e ventrículo esquerdo, acima de 30 mmhg deve levar preocupação, mesmo esses sendo
assintomáticos.
2. Hand grip ou Eco stress > 50mmHg. Se caso esse paciente fizer um esforço, como por exemplo a manobra de
hand grip e esse gradiente aumentar acima de 50 mmHg.
3. Sintomatologia não controlada.
4. Teste ergométrico. Mostrando que a pressão sistólica não apresenta uma elevação com exercícios, sendo
assim, não apresenta aumento do débito cardíaco aos esforços levando a pensar que o paciente em questão
apresenta uma obstrução importante na saída do ventrículo esquerdo.
5. Espessura do ventrículo acima de 30.
Primeiro tratamento que pensamos é o tratamento cirúrgico em casos
obstrutivos;
Por exemplo na imagem ao lado, em que a correção cirúrgica se dá com a
retirada de parte do septo, apresentando bom resultado e ‘’liberando’’ a saída
de sangue do ventrículo esquerdo, e assim diminuindo o gradiente,
melhorando a qualidade de vida.
Em casos de pacientes que apresentam um risco cirúrgico aumentado e assim
não podem operar, uma das alternativas é a injeção septal de etanol, para isso é
necessário passar um cateter na artéria septal anterior, após injetar álcool as
ocorrera um infarto da região devido a trombose local formada a partir do
álcool, assim o tecido muscular será substituído por tecido fibroso liberando a
saída do ventrículo esquerdo. É um tratamento que, na maioria das vezes,
apresenta resultado.
CARDIOMIOPATIA RESTRITIVA
Ocorre quando o coração apresenta uma grande incapacidade diastólica. A causa mais comum é amiloidose ,
em que tem deposição de proteínas amiloides entre as fibras cardíacas podendo ser secundário a uma
tuberculose, doenças auto imune, sendo, na maioria congênita autossômica de manifestação tardia, na quarta
quinta década de vida.
Normalmente, pode ser acompanhada, de deposição amiloide no sistema nervoso periférico em que paciente
pode apresentar parestesia nas mãos/pés, síndrome do carpo bilateral.
Através da coloração vermelho congo podemos observar as deposições amiloides entre as fibras cardíacas.
Normalmente a estrutura cardíaca apresenta uma intensa hipertrofia, sendo um coração totalmente aprisionado,
com dificuldade tanto para sístole quanto para diástase. A dificuldade diastólica faz com que o ecocardiograma
mostre um átrio mais dilatado.
Outra doença restritiva é a esclerose sistêmica progressiva (esclerodermia) paciente, além de apresentar
esclerose do subcutâneo em que a pele fica ‘’grudada’’ ao subcutâneo e o paciente não apresenta expressão
fisionômica, no coração também ocorre essa infiltração.
Existe também uma cardiomiopatia restritiva idiopática em que paciente apresenta uma substituição do tecido
muscular por fibroso, esses casos podem ser de origem congênita.
Síndromes restritivas
- Pericardiopatias
- Cardiomiopatias restritivas (não infiltrativas X infiltrativas)
- Endocardiopatias
Endocardiofibroses
No ecocardiograma é observado um espessamento que pode ser retirado através de correção cirúrgica.
Normalmente, apresentam um átrio dilatado acompanhado de insuficiência mitral.
Indicação cirúrgica é em últimos casos, sendo uma mortalidade pós cirúrgica 10%.
Pericardite
É um outro exemplo que leva restrição cardíaca, em que o coração apresenta-se aprisionado. A pericardite
aguda, em alguns casos, pode evoluir para forma crônica, principalmente a autoimune.
A pericardite idiopática com o tempo além de aumentar a espessura do miocárdio, pode levar uma calcificação.
Esse coração aprisionado não apresenta uma efetiva expansão diastólica. Apresentando alguns sinais como:
- Pulso paradoxal de kussmaul: durante a inspiração apresenta acentuada diminuição do pulso.
*Não tem outra doença que leva isso a não ser pericardite.
- Paciente apresenta a jugular ingurgitada.
Na curva de pressão na pericardite constritiva, através do cateterismo é possível observar uma elevação
súbita da pressão diastólica.
- Pericardial knock ‘’soco pericárdico’’. Apresenta uma intensidade maior que a primeira e segunda
bulha, no local da terceira bulha, com uma intensidade maior. Causado devido ao enchimento rápido do
coração.
DISPLASIA ARRITMOGÊNICA DO VD
Doença congênita autossômica dominante.
É uma infiltração gordurosa fibrosa do ventrículo direito, em que esse apresenta espesso, com pontos de
necrose; No entanto o ventrículo esquerdo, apresenta normal. Sendo assim, o ventrículo esquerdo apresenta
uma contração preservada, diferente do VD que não contrai.
Em alguns pacientes, de 20/30% dos pacientes apresentam
alteração no ECG comum, chamada de onda épsilon, em que
apresenta uma espícula logo após o QRS. Muitas vezes sendo
confundido com bloqueio de ramo. Pode apresentar também a
onda T negativa e o QRS alargado.
SÍNDROME DE NAXOS
Normalmente pacientes portadoras dessa síndrome apresentam
displasia de VD, alteração do cabelo e queratose palmo/plantar.
Normalmente, cabelo parecido com de carneiro.
Cardiopatia isquêmica
Cardiologia – Carlos Henrique
A cardiopatia isquêmica é ocasionada por alguma alteração nas coronárias, responsáveis por levar o sangue
até o coração, ou seja, que nutrem o coração.
Na maioria das vezes, a cardiopatia isquêmica é provocada pela aterosclerose (placas de ateroma localizadas
nas coronárias, que podem levar a isquemia). Antigamente, essa etiologia era responsável por 95% dos casos,
atualmente, é de, aproximadamente, 80%, uma vez que antigamente não era corretamente diagnosticado
(hoje a “cintilocoronariorrafia” é realizada quase que de rotina, em pacientes com cardiopatia isquêmica).
Portanto, a principal causa é ateroscletose.
OBS: podem ocorrer também espasmo de coronária, como demonstrado na
coronariografia ao lado, na qual o fluxo não está obstruído, porém está
estreitado. Na imagem “B”, o mesmo paciente utilizou nitrato, possibilitando o
reestabelecimento do fluxo, ou seja, era apenas um espasmo e não uma doença
esclerótica. Mas, na maioria das vezes que ocorre um
espasmo é encima de uma placa de ateroma, assim,
quando ocorre a dilatação, é possível visualizar que há
uma placa subjacente, como demonstrado na figura do
lado E.
Atualmente, têm aparecido muitos casos de IAM em decorrência do COVID, os quais não ocorrem por
alteração das coronárias, mas sim por um fluxo sanguíneo coronariano mais lento – no
fluxo normal com, aproximadamente, 8
batimentos o contraste já passou para as
veias coronárias e desapareceu, o que é
chamado de TIMI 3; no TIMI 2 o fluxo é mais
lento; no TIMI 1 praticamente não tem fluxo;
e no TIMI 0 não tem nada de fluxo -. O
paciente da imagem ao lado E apresentava
um quadro de dor típica de infarto, S-T supradesnivelado e fluxo diminuído na coronária,
evoluindo para óbito em 48 horas. O exame do coração (imagem a D) mostra um edema intersticial típico do
IAM, seguido por necrose tanto do miocárdio quanto do epicárdio, ou seja, uma necrose transmural, a qual foi
provocada não pela oclusão de uma grande coronária, mas sim pela oclusão de micro vasos coronarianos. O
COVID, ao estimular mecanismos autoimunes, estimula a desagregação plaquetária, gerando a oclusão de
pequenos vasos. Portanto, tornou-se comum pacientes com covid e IAM por oclusão de pequenos vasos.
O paciente que apresenta uma isquemia do miocárdio pode ter um quadro agudo ou crônico
Coronariopatia aguda: paciente que apresenta um IAM, angina instável ou infarto no S-T. Esse paciente, após
passada a crise, o infarto vai cicatrizar, vai se estabilizar e irá se tornar um coronopata crônico.
Coronariopatia crônica: paciente apresenta angina estável, a qual só aparece após determinados esforços ou
então é um paciente que já teve infarto, que cicatrizou ou paciente que fez uma angioplastia ou cirurgia de
revascularização e encontra-se assintomático. Portanto, esse paciente será para o resto da vida portador de
uma coronariopatia. Além disso, um coronopata crônico pode agudizar novamente.
Assim, esses quadros são intercambiáveis, e ambos podem evoluir para MORTE SÚBITA, pois, no crônico,
durante o período de isquemia, as células não vão despolarizar,
podendo provocar arritmia; e, no agudo, a maioria dos
pacientes morre antes da arritmia por taquirritmia (na imagem,
o ECG de cima exemplifica uma taquirritmia que é positiva e
torna-se negativa = taquicardia polifocal, evoluindo para
fibrilação ventricular), fibrilação, etc.
A arritmia que ocorre na cardiopatia isquêmica pode ser ocasionada por três mecanismos:
A imagem ao lado representa uma microscopia eletrônica de varredura das células endoteliais, as quais estão
em contato intimo com o sangue e o isolam do contato de outros tecidos (qualquer outro tecido que entrar
em contato com o sangue, irá sofrer imediatamente agregação
plaquetária). Em um aumento maior, na parte de baixo da figura,
percebe-se que as células endoteliais são achatadas, com núcleos
salientes na luz do vaso e junções intercelulares muito firmes, resistentes
a pressão arterial. Portanto, as células endoteliais cumprem o papel de
isolar o sangue do restante do organismo. Além disso, essas células
secretam óxido nítrico (potente vasodilatador sistêmico e local) e
prostaciclina (prostaglandina vasodilatadora), os quais são
antiagragantes plaquetários que facilitam o fluxo sanguíneo. Caso uma
célula endotelial sofra qualquer tipo de agressão, seja com o aumento de shear stress de varredura da
circulação ou com a diminuição do shear stress (estase venosa, por exemplo), essa célula, ao invés de produzir
NO e prostaciclina, irá produzir endotelina, a qual é vasoconstritora e agregante plaquetária, uma vez que uma
célula endotelial agredida representa um risco de extravasamento de sangue.
Fisiopatologia:
Toda célula precisa de colesterol, principalmente as células produtoras de hormônios esteroides, além disso, a
camada média da membrana celular é composta por colesterol. Assim, toda célula, inclusive a endotelial,
necessita de colesterol, o qual circula no sangue sob a forma de lipoproteínas. As lipoproteínas de baixa
densidade (LDL) são compostas por CT e TG e, através de receptores da parede celular, fornecem colesterol
para dentro da célula. Já as lipoproteínas de alta densidade (HDL) circulam apenas com CT. O colesterol que
não é utilizado dentro da célula é captado pelos receptores de HDL, os quais retiram esse CT de dentro da
célula.
Se existe um equilíbrio entre LDL e HDL não há acúmulo de colesterol dentro da célula, porém, se
houver desequilíbrio, pode ocorrer acúmulo de colesterol na célula endotelial, a qual
praticamente não possui citoplasma, logo, não possui reserva para guardar esse colesterol não
utilizado, que acaba sendo liberado para a parede vascular (dentro da parede do vaso), onde o
colesterol é considerado um corpo estranho pelos linfócitos T que produzem substâncias para
atrair os monócitos, os quais se aderem à parede do vaso (representado na imagem a D),
atravessando entre uma célula endotelial e outra e conseguem penetrar no tecido. Ao penetrar
no tecido, monócito transforma-se em macrófago e seus lisossomos vão se encher de metaloproteinases
(potentes enzimas proteolíticas); esses macrófagos são dotados de movimento ameboide, assim, emitem
pseudópodes e conseguem fagocitar cocos, os quais serão digeridos no citoplasma
pelas metaloproteinases, logo, qualquer proteína que o macrófago fagocitar, ele vai
digerir. Porém, ao fagocitar um colesterol, o macrófago não consegue digerir, uma vez
que ele não possui lipase, permanecendo com colesterol em seu interior. Dessa forma,
a histologia de macrófagos que fagocitaram macrófagos se assemelha a células vazias
(ao fixar a lâmina com parafina, o colesterol dissolve), como mostrado na imagem do
lado E, e são chamados de células espumosas (= macrófago cheio de colesterol), sendo
essa a primeira alteração estrutural que ocorre na aterosclerose.
A aterosclerose ocorre em alguns locais propícios, principalmente em regiões onde tem mais pressão
sanguínea, onde o sangue tem certo atrito com a parede vascular, portanto, hipertenso que tem atrito maior
tem mais aterosclerose; nas bifurcações arteriais, onde o sangue tem maior atrito, são mais propensas a
desenvolver placas de ateroma. Assim, uma vez que o colesterol entra em contato com a parede vascular, vão
aparecer às células espumosas, as quais são macroscopicamente identificadas como estrias gordurosas (placas
amareladas) na parede das artérias.
Em seguida, como os macrófagos não conseguem digerir, eles acabam rompendo e liberando o colesterol
novamente, como também liberam as metaloproteinases, as quais acabam fazendo autólise do próprio tecido
conjuntivo da íntima arterial, acarretando em uma reação inflamatória maior. Então, na verdade, a
aterosclerose é uma reação inflamatória desencadeada pelo colesterol. Assim, uma vez iniciado o acúmulo
de colesterol, os macrófagos não vão dar conta e será formada uma placa de ateroma.
Etiologia:
Vários fatores predispõem a aterosclerose e infarto do miocárdio. Os gráficos a seguir mostram a relação entre
pressão arterial elevada, LDL alto, baixo HDL e mortes por doença coronariana.
De acordo com os gráficos, considera-se ideal o LDL em torno de 40mg/dL – muito extremo -, o recomendado
para quem possui doença coronariana é um LDL < 70 mg/dL.
Características:
Uma placa que possui um núcleo de colesterol não muito grande em relação a
capsula fibrosa, é uma placa mais estável, que tem menos risco de instabilzar.
Já um paciente que tem uma placa com um núcleo de colesterol maior, com
uma camada mais delgada, apresenta maior facilidade de romper a cápsula,
seja com um fluxo sanguíneo mais forte ou uma pressão mais elevada; essa
placa é chamada de placa de ateroma vulnerável. Ao romper a cápsula ocorre
exposição do colágeno ao sangue, seguido de adesão plaquetária e
desencadeando uma cascata de coagulação.
Outra situação também é de um paciente com placa estável sofrer uma
entrada aguda de colesterol, essa placa irá crescer repentinamente (pode
ocorrer também por uma inflamação qualquer), o que irá
desencadear necrose e sangramento dentro da placa, seguido de
um rompimento da placa de dentro para fora.
Na figura do lado D está representado esquemáticamente uma
placa estável, com núcleo de colesterol pequeno e cápsula
fibrosa mais delgada; em baixo uma placa vulnerável, com núcleo maior e cápsula fibrosa mais
espessa. Porém a placa com cápsula mais delgada tem muito mais chances de instabilizar do que
a placa com cápsula mais fibrosa que obstrui mais a artéria, uma vez que a proporção de cápsula
e núcleo dessa última é menor. Inclusive, um dos primeiros sintomas em metade dos pacientes
com infarto do miocárdio já é a isquemia do miocárdio, uma vez que possuiam o primeiro tipo de
placa, o que os permitia realizar grandes esforços e permanecer assintomático, até a placa
instabilizar. Enquanto que, os pacientes que apresentam uma estenose importante
(segundo tipo de placa), ao realizar esforço físico, que ultrapasse a capacidade dessa
coronária de produzir fluxo sanguíneo necessário, esse paciente terá isquemia e dor, a
qual desaparece com a diminuição do esforço físico, caracterizando uma angina estável. A
vantagem é que os pacientes com angina estável tem bem menos chances de ter um
infarto do que os pacientes que não sentem nada e não se tratam.
Exemplificando melhor, o paciente da imagem E tem mais de 70% (até 70% pode ser assintomático) do vaso
comprometido, logo, quando realizar esforço físico terá uma angina estável e sua placa tem menos chance de
instabilisar; já o paciente da imagem a D possui uma placa com osbtrução de, no maximo, 30% do vaso, ou
seja, é assintomático, porém possui uma placa com cápsula delgada e com chances muito maior de
instabilizar. Além disso, mesmo o paciente possuindo uma placa pequena, ele pode formar coágulo, uma vez
que depende da quantidade de endotelina e da produção de NO e prostaciclinas. Ou então, pode ocorrer a
ruptura da placa, seja de dentro para fora ou de fora para dentro, expondo o colágeno e desencadeando a
formação do coágulo.
O problema, ou seja, o que mata não é a placa, mas sim a associação da placa com o coágulo.
A imagem ao lado exemplifica que, quando há um placa que faz saliência para dentro da luz do vaso, o fluxo
sanguíneo naquele vaso deixa de ser linear, uma vez que as moléculas vão chegar linear, mas vão bater na
célula, sofrendo uma desaceleração, a qual é transformada em vibração. Ou
seja, a porção da placa que sofre o choque das moléculas, fica vibrando, e,
se houver aumento da pressão sanguínea, o choque será muito maior,
podendo até lacerar a placa, ou, caso não ocorra laceração, as células
endoteliais vão sofrer agressão, deixando de produzir NO, prostaciclinas e
endotelina. Então, mesmo sem lacerar a placa, pode produzir um coágulo.
Se o coágulo for pequeno, não terá repercussão, o paciente nem vai sentir,
pois terá parte absorvida pela própria lise tecidual e a outra parte pela placa,
tornando-a mais espessa, até atingir 70% de ocupação do vaso e gerar uma
angina estável. Por outro lado, se ocorre um estreitamento no lúmen do vaso, o fluxo sangíneo deve aumentar
a velocidade para conseguir passar nessa região mais estreita, e, ao aumentar a velocidade, vai diminuir a
tensão na parede. Então, as células endoteliais do topo da placa apresentam menor tensão, uma vez que a
velocidade do fluxo é maior na região que não tem a placa, porém, isso as torna mais vulneráveis, seja pela
vibração já mencionada ou pela diminuição da tensão, que diminui o shear stress. Diante disso, a endotelina
pode ativar a agregação plaquetária e, uma vez que as plaquetas aderem, elas liberam trmboxano A2,
permitindo a agregação de outras plaquetas, gerando também a constrição do vaso e desencadeando a
cascata de formação do coágulo (forma a malha de fibrina e aprisiona os elemntos do sangue, formando o
coágulo vermelho).
Na primeira imagem abaixo um paciente com uma placa não muito obstrutiva (era assintomático), mas que
lacerou a placa, formando um coágulo obstrutivo na coronária, assim, sofreu infarto e foi a óbito. Na segunda
imagem, um paciente com placa estável que formou coágulo e obstruiu, sofreu infarto e foi a óbito. Na
terceira, um paciente com uma placa de ateroma grande que formou um coágulo (região preta). Na quarta
imagem, um paciente sintomático de IAM, a coronariografia mostra a A. descendente anterior interrompida
(artéria de cima) e angioscopia dessa artéria mostra uma placa de ateroma não uito grande do lado E e um
coágulo vermelho enorme do lado D, ocluindo totalmente a artéria.
OBS: Um paciente que tem uma placa de ateroma com coágulo ou ele tem uma angina instável ou ele tem um
infarto no S-T, no qual já tem necrose das células subendocárdicas, o que não ocasiona o supradesnivelamento
do segmento, porém os marcadores de necrose (troponina, CKMB) estaram positivos, mostrando que o
paciente tem células cardíacas necrosadas, mas se ele não supradesnivelou, o infarto dele não foi transmural
(não pegou toda a parede do coração, pegou só endocárdio). Então o infarto no S-T é uma angina instável
mais grave. Portanto, da Síndrome Coronariana Aguda temos: infarto do miocárdio, infarto de S-T e angina
instável.
O paciente que já teve um infarto que cicatrizou ou ele tem uma angina estável, que só aparece aos esforços e
há vários meses/semanas, ou então ele fez angioplastia ou então não sente nada, mas ao realizar um teste
ergométrico constatou-se isquemia; esse paciente tem uma cardiopatia isquêmica crônica.
OBS 2: De acordo com a fisiopatologia, a dor cardíaca tem que ser em crescendo e depois decrescendo. Dor
em pontada de início e término súbido não é dor de isquemia cardíaca.
Se infarto ocorre em 15 – 20 minutos após inicio da dor (e após 24 hrs a dor desaparece, uma vez que já está
tudo necrosado), um paciente com dor intermitente há 3 dias provavelmente não está relacionado a isquemia
do miocárdio.
1. Clínica: dor em crescendo (nunca é uma dor súbita) que vai aumentando de
intensidade até que, após 1 hora, é insuportável/lancinante, podendo durar
até 24 horas (se o paciente não for tratado), depois vai diminuindo e desaparece após 30
horas, uma vez que todas as células já necrosaram. A localização da dor pode ser do umbigo
para cima e do nariz para baixo, podendo ser anterior ou posterior ao tórax. Na maioria das
vezes é retroesternal e pode irradiar para o braço E, braço D, para mandíbula ou para o
epigástrio.
A dor é tão intensa que o paciente coloca a mão em garra no precórdio, o chamado sinal de
Levine, caracterizado pela mão em garra ou espalmada encima do peito.
OBS: não é uma dor em pontada! Nenhum infarto começa em pontada. Além disso, paciente
que queixa de dor contínua por 4 dias também não é infarto. Paciente com dor súbita e
intensa, pensar em dissecação da aorta, perfuração de esôfago ou outro diagnóstico
diferencial de infarto. Infarto nunca é súbito, sempre em crescendo!
OBS 2: 25% dos pacientes não apresentam dor típica. Um paciente diabético, por exemplo,
que tem uma polineurite, pode ter uma dor atípica ou as vezes nem ter uma dor importante.
2. Eletrocardiograma:
Se ocorrer necrose de célula epicárdica, temos o supradesnivelamento do
seguimento S-T (supra ST). Se o infarto for apenas subendocárdio (não
atingir o epicárdio), tem a necrose, mas não ocorre supra, sendo chamado
de infarto sem supra e, geralmente, é um infarto que não aconteceu por
completo ainda, ou seja, um infarto que está para ser completado. O supra
é, inicialmente, com a concavidade para cima, mas depois a onda T fica
negativa e ele muda a concavidade para baixo.
Na imagem a E está representado um supra em DII, DIII e avF, portanto, na parede inferior do
coração. E na parede anterior (em v2 e v3), está representado um infra desnivelamento, o que é
uma imagem em espelho do que está ocorrendo na
parte de baixo do coração. Esse quadro ocorre
quando há oclusão da coronária direita, responsável
por irrigar o VD e toda a parede inferior do coração
através da artéria intraventricular posterior e artéria
marginal anterior. Portanto, quando oclui a coronária
direita, o infarto é na parede inferior.
OBS: 50% dos pacientes não tem ECG característico, ou seja, com supradesnivelamente de ST,
podendo apresentar um infarto subendocárdio.
Portanto, o diagnóstico de IAM se baseia em três pilares, mas na confirmação de dois deles é
possível concluir o diagnóstico de infarto. Ou seja, um paciente sem dor, mas com ECG
alterado e marcadores de infarto presentes, ele tem infarto; um paciente sem supra no eletro,
mas com dor e troponinas elevadas, ele tem um infarto não ST.
Após o diagnóstico de infarto no PS é necessário responder a duas perguntas antes de definir a medicação
do paciente:
Tratamento:
o Acesso venoso
o Aspirina sublingual 200mg (2cp)
o Morfina ou meperidina 4 a 40 ou 8-80 mg IV para alívio da dor. A dor contribui para o consumo de
O² no infarto, aumentando a extensão do infarto.
o B-bloqueador VO (Metoprolol, Atenolol) ou IV (5 mg de Metoprolol/Propranolol), se não houver IC.
o Nitrato sublingual, se não houver infarto de VD. Com a vasodilatação, ocorre diminuição do retorno
venoso e há diminuição da pressão de enchimento do VD, com isso há uma menor contração do VD,
com risco de choque cardiogênico e alta mortalidade.
O infarto acontece em média em 6 horas e no momento da oclusão da coronária, as células que
dependem exclusivamente daquela artéria, entram em necrose, mas as células vizinhas que recebem
circulação colateral não entram nesse processo. Assim, se for possível desobstruir a coronária em até 6
horas, será possível salvar muitas células.
O ideal é ir para um ambulatório de hemodinâmica, descobrir qual coronária está obstruída, inserir um
cateter que atravessa o trombo e inflar um balão, esmagando o trombo e a placa de ateroma, colocando o
stent, mantendo a coronária aberta, o que é chamado de angioplastia, a qual deve ser feita em até, no
máximo, 36 horas.
Se não for possível realizar a angioplastia no momento ou ser for necessário transferir o paciente,
demorando mais de 1-2 horas, está indicado trombólise, com medicamento em até 6 horas, para diminuir
o tamanho do coágulo. Após 6 horas, não é indicado trombólise, devido ao maior risco de hemorragia
cerebral.
Se o paciente for fazer a angioplastia, administrar Clopidogrel 300 a 600mg VO (4 a 8 cp) - dose de ataque.
O Clopidogrel, após angioplastia, é usado durante 3 meses até 1 ano.
Angioplastia de salvamento:
Trombólise:
Anticoagulação:
Se a trombólise foi realizada com Estreptoquinase (mais disponível no SUS), a anticoagulação é iniciada 24
horas depois. Normalmente, é realizada Enoxaparina (SC 12/12 hrs). Se trombólise com Alteplase ou
outros, iniciar anticoagulante em seguida.
No ECG, após ser feita trombólise e recanalização da artéria coronária, o supradesnivelamento desaparece.
M.A.P. 71 anos, feminino, casada, borda da mata. Dor precordial em queimação e intensa, iniciada
após esforço físico habitual, pela manhã do dia 05/09/2013,
procurando hospital 2 horas após.
PA 180/100 FC 96, eupneia, RCR 2 tempos. Nega etilismo e
tabagismo. Pai e irmão com IAM.
Lembrar...
Cirurgia de revascularização é indicada quando a pessoa apresenta lesão em mais de 2 coronárias.Até
2 coronárias com lesão realiza-se a angioplastia.
Lesão no tronco da coronária esquerda normalmente é fatal. Coração causa assistolia. Nesse caso,
realiza-se ponte de safena.
Coronariopata crônico apresenta uma angina estável, que estenosa a luz do vaso, mas não leva uma
isquemia. O tratamento é com 4 drogas que aumentam a sobrevida, como aspirina, estatina, beta
bloqueador, IECA ou BRA. Em casos de diabéticos, usar o bloqueador de SGLT2 como dapaglifozina,
que gera uma proteção coronária, além de controlar diabetes. A metformina também deve ser
utilizada.
Em casos de aterosclerose a colchicina pode ser favorável. Utilizada em crises de gotas, é um anti-
inflamatório que diminui a incidência de IAM sendo uma estabilizadora da placa de ateroma.
Lembrar que atividade física tem um fator terapêutico/ protetor importante.
Isadora Martins Garcia, Helena Machado Galhardo e Estela Setoguchi – MED XXXVI
ENDOCARDITE INFECCIOSA
Prof. Dr. Carlos Henrique Vianna
É uma doença frequente que ocorre em 7/100.000 habitantes. Antes da era antibiótica (1948), o problema da
endocardite era ser uma doença sem tratamento com alta taxa de mortalidade, a qual todos que a adquiriam não
conseguiam se curar. Isso porque a endocardite só é curável com antibioticoterapia em altas doses e por tempo
prolongado (no mínimo 4-6 semanas). Mesmo hoje, a paciente com prótese valvar tem alta mortalidade de 30%.
Mortalidade de 10 a 30%.
Para ter endocardite precisa ter pré-disposição, ou seja, é preciso ter lesão endotelial, logo não é todo mundo
que tem. Os mais sujeitos em ordem decrescente são:
1. Prótese valvar
2. Quem já teve endocardite (Causa uma lesão em vegetação, um amontoado de colônias bacterianas com
plaquetas e fibrinas que não é reabsorvido e pode pré-dispor reinfecção)
3. Valvulopatias (ex: estenose aórtica, insuficiência mitral)
4. Cardiopatia congênita (ex: CIV. Não é frequente em crianças, mas deve-se pensar em edocardite
principalmente naquelas cinoticas por uma possivel tetralogia de fallot/ estenose grave pulmonar)
5. Marcapasso
6. Usuários de droga injetavel
OBS: O endocárdio é a camada mais interna do coração e também reveste as valvas e é contínuo com o revestimento
dos vasos sanguíneos que entram e saem do coração.
Normalmente as células endoteliais por conta do shear stress (stress do coração em varrer as células endoterais)
produzem oxido nítrico e prostaciclina (substâncias antiagregantes, antiplaquetárias e vasodilatadoras). Quando
alterado o shear stress, deixa de produzir essas substâncias e começa a produzir endotelina (substância agregante
plaquetária e vasoconstritora). Exemplo de alteração de shear stress: estreitamento (imagem a seguir).
No local do estreitamento há aumento da
velocidade do fluxo sanguíneo, pois o mesmo número de
moléculas que fluíam linear agora deve passar por uma área
menor. Por consequência, segundo a lei de conservação de
energia, com o aumento da velocidade há diminuição da
pressão. Logo, o contrario também é verdadeiro, se for
alargamento, as moléculas vão fluir mais devagar e a pressão
aumenta. Ambos alteram o shear stress e propiciam a
formação de pequenos trombos.
1- ETIOPATOGENIA:
Aguda (causada por organismos altamente virulentos que produzem
lesões necróticas, ulcerativas e destrutivas)
Staphylococcus aureus (principal)
Streptococcus pneumoniae
Streptococcus pyogens
Hemophilus influenza
Subaguda (organismos são de baixa virulência que geralmente causam
infecções insidiosas das valvas deformadas que são menos destrutivas)
Streptococcus viridans
Streptococcus bovis
Sthaphlococcus epidermidis
Grupo HACEK (gram - / crescem depois de 3 semanas na
hemocultura)
Coxiela burnetti (febre Q)
Bartonella quintana e hanselae
Difteroides, Clamidophilas
Strepticiccus faecalis e fungos (HIV)
No paciente com endocardite em que na hemocultura
cresce o streptococous bovis, 70% pode ter adenocarcinoma de
colo associado. Por isso, deve-se fazer uma colonoscopia. O
adenocarcinoma modifica a flora intestinanal e a aumenta a
quantidade da bactérica no TGI, com isso facilita a sua
penetração na corrente sanguinea.
O primeiro a chamar essas
lesões de vegetação foi o médico
frances Corvisart. Ao lado podem
ser observadas o nível de
destruição na valva aórtica com
vegetações.
1. Vegetações de mienólise em uma válvula mitral, sendo uma endocardite subaguda de evolução mais lenta.
2. Válvula aórtica estenosada (com um grau de abertura visível de 0,5 cm², e uma pequena vegetação na borda,
paciente tem uma endocardite subaguda.
3. Também uma lesão aórtica e pelo tamanho da vegetação já da para inferir que esse paci ente tinha uma
endocardite aguda.
4. Paciente com prótese metálica, a parte esbranquiçada são vegetações.
No entanto, pode acontecer da nossa defesa não ser capaz de impedir a proliferação, podendo formar abscesso
em qualquer local do organismo, em qualquer órgão, como o abscesso cerebral.
Quando nós temos um fragmento fluído, vaso – vasorum, em
um vaso elástico, como o das artérias, da Aorta, a oclusão desses
vasos vai levar a necrose das células que dependem daquele vaso e
por outro lado vai levar a uma reação inflamatória, na maioria das
vezes, essa detém a proliferação, mas deixa uma cicatriz, quando
ocorre na aorta as fibras elásticas daquela porção vai ter uma cicatriz
fibrosa, se em uma artéria de médio calibre, como uma artéria
muscular, as células musculares lisas vão necrosar e formar também
uma fibrose, essa atrapalha uma vez que esse vaso passa a não ter
mais a mesma resistência de um vaso normal, começando a dilatar
formando um aneurisma.
Na imagem à direita vemos uma Aorta Abdominal, com um aneurisma, chamado de micótico porque ocorre
durante a endocardite. Esse nome foi dado pelo Osler, filósofo do século IX, que ao descrever um caso de endocardite
aguda chamou essas dilatações assim, por estar começando a microbiologia nessa época e ele achava que era
provocada por fungos a endocardite, continuando esse nome até hoje.
ANAMNESE:
Portanto dependendo do tipo de evolução que vamos definir se é subaguda ou não, sendo isso importante para
orientar o início do tratamento. É claro que haverá situações intermediárias, como em casos em que acreditamos
que a evolução é subaguda, mas as mudanças são muito rápidas ficando intermediárias entre aguda e subaguda.
EXAME FÍSICO:
Febre;
Cardiomiopatia de base, levam alterações encontradas ao exame, como por
estenose valvar ou IC.
Petéquias, toda trombocitopenia pode ocasioná-la;
Splinter (lascas no leito ungueal);
Manchas de Janeway (mácula e pápula hemorrágica em palma da mão e planta
do pé);
Nódulos de Osler (nódulo pequeno em palma das mãos, planta dos pés e nas
falanges distais);
Sinal de Roth (mancha retiniana hemorrágica vista no fundo de olho);
Hepatomegalia, devido a uma hepatite transinfecciosa por reação imunológica
do retículo endotelial.
Esplenomegalia
Petéquia de leito ungueal, geralmente essa é a que costuma ocorrer, mas pode
ter nos braços, abdome, mas no leito é mais sugestivo da endocardite, não é
pagtonomônico, pois pode ocorrer em lúpus, ou outras doenças autoimunes, sendo
um indício de endocardite, principalmente se o centro for claro.
Pode ter também lascas longitudinais no leito ungueal como nas imagens a baixo, também podem ocorrer em
outras doenças, mas é muito sugestivo de endocardite, em paciente que apresenta uma disfunção valvar qualquer,
ainda mais cursando com febre e essas lesões, que são chamadas de splinter. A terceira imagem é o splinter mais
grosseiro.
Paciente com mancha avermelhada,
chamada de Janeway, nas
extremidades das mãos e pés, além
dessa mancha há um pequeno
nódulo acizentado, que geralmente
é sensível, é chamado de nódulo de
Osler.
Paciente com várias petéquias por endocardite estafilocócica, em uma de prótese aórtica, que
dentro de poucos dias desenvolveu essas petéquias em
MII.
Hepatoesplenomegalia:
3- DIAGNÓSTICO LABORATORIAL:
Hemograma
1. Leucocitose com desvio para esquerda
2. Granulações Tóxicas e Vacúolos citoplasmáticos, vistos pela hematoscopia, característicos de uma
infecção, inflamação.
3. Anemia, tratada rapidamente
VHS: velocidade de hemossedimentação, que acelera em torno de 50 mm/h, mas nem tanto como nas
doenças autoimunes, como lúpus, febre reumática que levam a um VHS em trono de 100 mm/h, portanto na
endocardite a elevação é mais discreta.
Mucoproteínas: acima de 10, ou seja, podem se elevar, as vezes essa elevação pode demorar
Urina: evidencia de nefrite local podendo levar a hematúria
1. EAS: hematúria microscopia
PCR: aumentada, servindo como critério de melhora do paciente, portanto acompanhamento da evolução e
resposta ao tratamento, que a medida que é existente essa proteína vai diminuindo.
HEMOCULTURA:
3 Pares de Amostra (uma em cada braço) de 10ml 30/30min.
Uso prévio de antibióticos: Suspender e aguardar 24-48 horas.
Incubar durante 3 semanas (Grupo HACEK).
ECOCARDIOGRÁFICO:
Vegetações
Massas oscilantes: vegetação quadriculada
Abscessos
Nova regurgitação: válvula que funcionava bem e derrepente começa a entrar em
disfunção, ou prótese que começa a apresentar disfunção
Lesão paravalvar: que leva a um refluxo paravalvar
Disfunção recente de prótese
Essas modificações são facilmente encontradas no ECO, desde que maiores do que 4mm, nas
menores a resolução do eco não capta, portanto, um eco normal não afasta endocardite.
Ao lado endocardite com vegetações, tendo uma parte pendular, móvel durante a movimentação
do coração. E logo a baixo, vegetação da tricúspide, em paciente em uso de droga injetável.
ECO TRANSESOFÁGICO
RM CEREBRAL
PT- SCAN
É a presença de:
2 critérios maiores; ou
1 critério maior e 3 menores; ou
5 critérios menores.
6- PROFILAXIA:
A Sociedade Americana indica a profilaxia a pacientes possuem propensão, como quem irá realizar procedimento
invasivo como cirurgia dentaria.
Nesse caso administra Amoxicilina ou Ampicilina 2g (4cp) VO ou 50mg/kg IV, 30-60 minutos antes. Ou
Clindamicina quando alergia.
Prótese valvar
Endocardite previa
Criança com cardiopatia crônica previa, com cianose mesmo após operada.
E assim a Sociedade Brasileira recomenda a profilaxia em todas essas ocasiões.
Porém é sabido que a melhor profilaxia para a endocardite é: Higiene oral cuidadosa, evitar utilizar antisséptico oral;
Combater infecções; Vacinação contra gripe e pneumonia; Não recomendado piercing e tatuagens; Mupirocina ou
clorexedine nasal diariamente.
7- TRATAMENTO ENDOCARDITE:
Oxacilina: 6 semanas
Aminoglicosideo: 2 semanas
Quando sem resposta pode utilizar Fectriaxona ou Vancomicina.
Vancomicina: 6 semanas
Aminoglicosídeo: 2 semanas
Rifampicina: 1 semana
INFECTOLOGIA
1. Introdução à Infectologia
2. COVID-19
3. Síndrome da Imunodeficiência Adquirida ( HIV/AIDS)
4. Paracoccidioidomicose
5. Chikungunya Virus
6. Zika Vírus
7. Febre Amarela
8. Hepatite Viral
9. Dengue
Introdução à Infectologia
Infectologia – Dr. Breno
Julia Araújo – Med XXXV
Definição: subespecialidade da clínica médica dedicada ao diagnóstico e tratamento das doenças
causadas por agentes biológicos, classificada no CID-10, com os códigos A e B.
Pilares da infectologia:
1. Microbiologia: relação do micróbio com o hospedeiro, como reage frente à invasão do agente,
essencial para o diagnóstico etiológico, seja por cultura ou colorações específicas, destacando
Gram, além de outras como Ziel-Nielsen (TB).
2. Imunologia: resposta imunológica frente à qualquer agressão, seja ela capaz de defesa ou entrar
em equilíbrio, podendo ter alguns desfechos como controle, eliminação do agente etiológico
infectante, desfavorável como morbidade e mortalidade em relação às doenças infecciosas.
Setor celular é linfócito T, B é humoral, TCD8 é citotoxicidade, setor NK está bem relacionado à
vigilância oncológica. Esses setores são comandados pelo linfócito T, modulando resposta frente
à agressão.
3. Epidemiologia: rastreio e estudo de doenças infecciosas, substancial em doenças infecciosas e
parasitárias para fazer vínculo epidemiológico, como área geográfica com presença de vetor,
como a dengue. Dinâmica de incidência e prevalência, nos traz dados.
4. Clínica Médica: raciocínio clínico, coleta adequada de dados, exame físico, exames
complementares (laboratório, radiologia, sorologia e microbiologia).
Desafios da infectologia:
1. Doenças em declínio: poliomielite, sarampo, rubéola, chagas, hanseníase, febre tifoide.
2. Doenças persistentes: malária, leishmaniose visceral, febre amarela, esquistossomose,
leptospirose, tracoma, tuberculose.
3. Doenças emergentes e re-emergentes: cólera, dengue, hantavirose, febre maculosa, novos vírus
como coronavírus e variações da Influenza (H5N1).
4. Infecções hospitalares e resistência bacteriana: IRAS, complicador causa de mortalidade
hospitalar
5. Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS)
6. Hepatites virais: complicação da cronicidade, com carcinoma hepático e cirrose.
7. Vacinas
8. Medicina de viagem: novas ameaças, como gripe aviária, síndrome respiratória aguda grave,
influenza A (H1N1).
9. Febre Chikungunya, Zikavirose (em gestantes infectadas, microcefalia e óbito fetal), febre
amarela e COVID-19.
As doenças infecciosas têm exercido uma profunda influência sobre o curso da história da humanidade:
1. Peste Negra (Yersinia pestis): modificou a estrutura social da Europa Medieval.
2. Peste Branca (Tuberculose): dizimou milhares de vidas na Europa, gripe espanhola: milhões de
mortes.
3. Disenteria e Tifo: modificou resultados de campanhas militares.
4. Malária: influenciou o padrão geográfico e racial da distribuição das hemoglobinas e antígenos
eritrocitários.
5. AIDS: influenciou o comportamento sexual da população mundial.
6. 2009: epidemia da gripe suína, grupo de vírus Influenza tem alta capacidade de mutação e alta
variabilidade genética.
7. 2019: SARS-COV-2
Mudanças mundiais: urbanização acelerada (aglomerações desorganizadas, favelizações, falta de
infraestrutura higiênica e sanitária, o que contribui para a disseminação de doenças infecciosas),
mudanças comportamentais (manter hábitos saudáveis e comportamento de prevenção), globalização da
produção agrícola, pecuária, conhecimento e tecnologias (globalização: disseminação de agentes
infecciosos, orquestrado pela OMS). As doenças infecciosas não respeitam fronteiras.
Endemia: mantém número de casos, localizada.
Epidemia: aumento repentino do número de casos, surto, de uma doença
infecciosa que se mantinha constante, localizada.
Pandemia: generalização para vários continentes.
COVID-19:
Linha do tempo: estudos de uma pneumonia atípica. Capacidade de causar síndrome respiratória grave –
SARS. Vínculo com mercado que comercializa roedores e morcegos.
Agente causal: os coronavírus (CoV) constituem em grupo de vírus que causam enfermidades: desde
resfriado comum até infecções graves. Existem 4 subgrupos principais: alfa, beta, gama e delta.
Coronavírus humanos comuns:
1. 229E: alfa
2. NL63: alfa
3. OC43: beta
4. HKU1: beta
Outros coronavírus humanos:
1. MERS-CoV: beta coronavírus que causa síndrome respiratória do oriente médio, ou MERS.
2. SARS-CoV: coronavírus beta que causa síndrome respiratória aguda severa, ou SARS.
3. Novo coronavírus 2019: 2019-nCoV.
Os coronavírus são zoonoses. As pessoas comumente se infectam com coronavírus humanos 229E, NL63,
OC43 e HKU1. Às vezes, os coronavírus que infectam os animais podem evoluir e infectar humanos:
mutações. Três exemplos recentes: 2019-nCoV, SARS-CoV, MERS-CoV.
Informações:
Família: Coronaviridae
Gênero: Coronavírus
Genoma: ARN monocatenário linear + pleomórficos, capsulados.
80 a 22 nm.
30 sorotipos.
Aspectos radiológicos:
Desde infiltrados inespecíficos, vidro fosco periférico desde 10-50% por cento de
comprometimento.
Nas fases de SARA: pulmão branco de choque, por hipoxemia severa.
Testes da COVID:
1. PCR-RT: PCR em tempo real. Objetivo de identificar o RNA do terceiro ao oitavo dia. Depois do
oitavo dia, há queda viral da secreção, podendo dar falso negativo.
2. IgM e IgG tem baixa acurácia, TR- não exclui a doença, assim como TR+ pode ser falso positivo.
Selecionar possibilidade de covid ou não, mais útil para inquérito epidemiológico, não confirma
diagnóstico.
3. Sorologia IgM e IgG: IgM para fase aguda, IgG fase de convalescência. Falsos resultados é
comum. Ideal colher a partir do décimo dia de sintomas. Nem sempre é útil em assintomáticos.
Notificação: os casos suspeitos e confirmados devem ser notificados de forma imediata, até 24 horas,
pelo profissional de saúde responsável pelo atendimento, à Vigilância Epidemiológica. As informações
devem ser inseridas na ficha de notificações, e a CID10 que deverá ser utilizada é a: B34.2 – infecção por
coronavírus de localização especificada.
Como tratar:
Não há tratamento curativo. Discussão de estratégias terapêuticas. Tem-se usado a associação de
Ceftriaxona + Azitromicina, que combate in vitro o COVID, Tamiflu associado. Fase inflamatória, uso de
corticoterapia como imunomoduladores e anti-inflamatórios. Protocolo com heparinas e
anticoagulantes, devido ao estimular eventos tromboembólicos. Para usar Hidroxicloroquina é necessário
assinar termo de reponsabilidade, devido sua cardiotoxicidade.
Prevenção:
1. Lavagem frequente das mãos: higienização das mãos.
2. Etiqueta da tosse.
3. Evite o contato direto como beijar, tocar ou compartilhar utensílios com pessoas com sintomas
respiratórios.
4. Evite contato com animais vivos ou mortos de granja e mercado.
5. Precaução de contato é essencial na área de saúde, além de álcool em gel e lavagem das mãos.
6. Limpar e desinfetar superfícies como metal com álcool 70% ou hipoclorito de sódio.
Uso de máscaras:
Umidifica de três a quatro horas, devendo ser trocada.
Máscara de pano: para uso da população em geral.
N-95 e face-shield: para trabalhadores de área de saúde que serão expostos, como atendimento e
manobras de risco, como IOT em pacientes com síndrome respiratória.
Síndrome da Imunodeficiência Adquirida – HIV/AIDS
Infectologia – Dr Breno
Julia Araújo – Med XXXV
Trajetória HIV:
1981: 5 casos de pneumonia por Pneumocystis carinii em Los Angeles. Todos os pacientes homossexuais
e masculinos jovens. 26 casos de sarcoma de Kaposi em NY e são Francisco. Síndrome similar observada
em hemofílicos, receptores de sangue e em seus parceiros sexuais.
Reflexões epidemiológicas: agente infeccioso - via sexual no primeiro grupo, no segundo grupo via
sanguínea/parenteral. Leva a um estado de imunodeficiência e predisposição de infecções oportunistas
Principal aspecto da infecção: perda seletiva de células CD4+ (imunidade celular).
1983: isolamento do vírus –retrovírus RNA, enzima transcriptase reversa produz doenças em animais e
humanos, geralmente determinam doenças crônicas. (Montagnier e Gallo). – LAV (vírus associado a
linfadenomegalia), HTLV3 (imunidade celular).
1986: adoção do termo HIV.
Definição: AIDS é a forma mais grave da infecção pelo HIV. O vírus da imunodeficiência humana, HIV,
infecta as células do sistema imunológico e as destrói acarretando uma progressiva imunodeficiência.
Predispõe infecções oportunistas e neoplasias oportunistas.
Origem: África.
O HIV é um vírus descendente do vírus da imunodeficiência do macaco (SIV), ele é um retrovírus assim
como o HTLV 1 e 2, do macaco para o homem (zoonose).
Teoria mais aceita – teoria do caçador: contato através do abate e consumo da carne de macaco ou
contato do sangue dos animais abatidos com ferimentos na pele do homem. Do primeiro contato, há
adaptações (mutações do SIV) ao corpo humano, formando o HIV. Sendo explicado assim, por
transmigração de espécies pela semelhança do RNA do SIV com o HIV.
Etiologia:
1983: isolamento do HIV-1:
Luc Montagnier, França: LAV – vírus associado à linfadenopatia.
Roberto Gallo, EUA: HTLV-3: vírus T-linfotrópico humano tipo III.
1986: HIV-2 – termo HIV.
Subtipos:
HIV-1: M (major): A, B, C (acredita-se que seja mais virulento), D, E, F, G, H e I. O (outlier).
HIV-2 (A,B,C,D,E).
Família Retroviridae:
1. Subfamília Oncovirinae:
Gênero Oncovírus
HTLV-1: leucemia e linfomas de células T, doenças neurodegenerativas.
HTLV-II: não associado a patologia.
2. Subfamília Lentivirinae:
Gênero Lentivírus:
HIV-1 (epidêmico)
HIV-2 (endêmico – África ocidental)
Transmissão do HIV:
Vias de transmissão do vírus: presente no sangue, sêmen, secreções genitais e leite materno, LCR e
líquido amniótico.
3. Sexual: hetero ou homo
4. Parenteral: transfusão, IVDU, ocupacional (ambiente hospitalar)
5. Vertical: intrauterina, no parto ou aleitamento
6. Receptores de Tx de órgãos
Fatores de risco biológico e comportamentais:
1. Concentração do vírus nos fluídos biológicos – carga viral
2. Estágio da infecção – primeiros 6 meses
3. Integridade da mucosa envolvida (mucosa genital íntegra é proteção, investigar DST ulcerativa;
mulher tem mucosa mais extensa)
4. Co-infecções (outras DSTs)
5. Multiplicidade de parceiros, não uso de preservativos
6. Intercurso anal, compartilhamento de seringas, indivíduos não circuncidados (proteção da
glande).
OBS: relação vaginal insertiva e receptiva, assim como anal: maior risco de contaminação.
História natural:
Redução do tempo de vida em relação ao HIV mesmo indivíduos tratados e “controladores de elite” –
processo inflamatório crônico é visto mesmo com carga viral baixa.
Diagnóstico:
A infecção pelo HIV: diagnóstico clínico, provas virológicas e sorológicas.
1. Virológicas: isolamento viral, PCR.
2. Sorológicas: ELISA, western-blot. Diagnóstico indireto.
Janela imunológica: é o tempo compreendido entre a aquisição da infecção a soroconversão. É de 6 a 12
meses, com média de 2,1 meses.
Soroconversão: é a positivação da sorologia. É acompanhada de uma queda expressiva na quantidade de
vírus no plasma – carga viral, seguida pela recuperação parcial dos linfócitos TCD4+ no sangue periférico.
Reservatórios: macrófagos e micróglia.
Onde fazer o teste de AIDS? Os testes são realizados gratuitamente pelo SUS, nas unidades da rede
pública.
1. Triagem inicial: provas sorológicas, sendo confirmadas com virológicas.
2. Monitoramento dos pacientes: linfometria e carga viral.
IO- Infecção oportunista: agente com pequeno potencial patogênico em indivíduo com deficiência nos
mecanismos de defesa imunológico, causa patologias graves. Depende mais do sistema de defesa
primário que da exposição e patogenicidade do agente.
CD4+ de 350: pneumonia, sinusite de repetição, candidíase genital, herpes zoster, tuberculose.
CD4+ 200 – AIDS: PNEUMONIA POR Pneumocistis jiroveci, febre e diarreia prolongada,
toxoplasmose cerebral, meningite por fungos e vírus.
CD4+ de 50: Micobacteriose atípica, câncer: sarcoma de Kaposi e linfoma.
AR e IO:
Pacientes devem ser vacinados com vacina da gripe e pneumocócica em pacientes com CD4 de 350.
Infecções SNC:
Neurotoxoplasmose:
CD4+<100 células/mm^3.
Clínica: febre, rebaixamento da consciência, déficit focal (acometimento de regiões
motoras, tálamo) 80% e convulsões 30%.
Evolução <2 semanas.
IgG + toxo: >95%.
Associação de Sulfadiazina + Pirimetamina + ácido folínico. Se não houver melhora em
2 semanas, partir para biópsia para DD de outras neuroinfecções e neoplasias.
LCR: pleocitose discreta, linfomono ou normal.
Linfoma primário do SNC: lesões múltiplas, captantes de contraste. Diagnóstico por biópsia para avaliar
padrão imunohistoquímico. Tratamento é oncológico. Apresentam alteração do sensório, confusão
mental, cefaleia, déficits focais.
DD de neurotoxoplasmose x linfoma:
LEMP- Leucoencefalopatia multifocal progressiva: afeta substância branca do SNC, levando a
degeneração de lobos cerebrais. Está associado ao vírus JC, próximo aos príons da “vaca louca”, então há
um quadro demencial importante. Biópsia revela o RNA viral. Não há tratamento específico, apenas
paliativo e sintomático demencial.
Neurotuberculose: disseminação hematogênica para SNC, principalmente em HIV com foco pulmonar.
Quadro de semanas de alteração sensório, confusão, cefaleia, letargia, coma. Pode evoluir para
hidrocefalia por granulomas caseosos obstruírem drenagem liquórica. RNM e TC evidenciam granulomas
próximos aos ventrículos cerebrais e hidrocefalia. Líquor: pleocitose às custas de LMN, ADA+,
Micobacterium tuberculosis na microscopia. Tratamento RIPE, com segunda fase estendida, podendo
chegar a 7-12 meses. Na primeira fase pode associar GC para evitar hidrocefalia, podendo ser necessário
DVP.
Neurocriptococose: evitar alimentos crus, exposição em cavernas e áreas de ninhos de aves. Fungos
utilizam do nitrogênio das fezes dessas aves, o indivíduo pode inalar o vírus que tem neurotropismo e,
quando imunossuprimidos (CD4+ geralmente está <200 células/mm^30, pode gerar neurocriptococose.
PI das leptomeninges e encéfalo. Cefaleia importante, sinais de HIC, sinais meníngeos podem estar +. TC
e RNM podem relevar alteração de contraste nas leptomeninges, por quebra de barreira. Líquor: aumento
da P raquidiana, aumento de celularidade as custas de linfomononucleares (LMN), tinta nanquim/tinta da
china identifica dupla membrana da criptococos, dosagem do antígeno criptocóccico. Tratamento:
Anfotericina B + Fluconazol, punções liquóricas seriadas podem ser feitas para reduzir produção liquórica,
com melhora de sintomas de HIC e cefaleia. Depois, mantém Fluconazol oral até esterilização liquórica.
Coriorretinites: tanto de câmara anterior ou posterior. Clínica de ardor, queimação, perda de campo
visual. DD de uveítes.
Caquexia:
Perda de peso >10% + diarreia crônica não explicada >1 mês ou febre prolongada não explicada >1 mês.
Manifestações dermatológicas:
As lesões dermatológicas estão entre as mais frequentes nos pacientes HIV+. Sinais de alerta para o
diagnóstico da infecção.
Acometimento primário: infecções ou neoplasias; ou manifestações secundárias de doenças sistêmicas
(oportunistas).
Mais prevalentes:
Dermatite seborreica: infecção fúngica de pele e anexos. Sulco nasolabial, sobrancelhas, couro
cabeludo são acometidos. Lesões eritemato-descamativas com prurido. Tratamento local com
antifúngicos, como Cetoconazol, ou imunossupressores, como Imecrolinus.
Herpes zoster: conhecido como “cobreiro”. Latência do vírus varicela, da catapora, se houver
quebra da barreira imunológica, pode recorrer. Lesões que respeitam o metâmero da inervação,
há dor neuropática importante, e depois eclodem lesões. Avaliar situações de risco de quebra de
imunidade. Tratamento: sais de aciclovir.
Na leucoplasia é importante fazer biopsia, pois tem bastante relação com câncer. No HIV, tem
relação com o vírus Epstein-Barr.
Candidíase oral: pode progredir para esôfago. É percebida pela EDA, pode levar a estenose em
grau mais intenso. Então, em dor retroesternal, odinofagia e disfagia devemos pensar em causas
esofageanas. Tratamento: Nistatina tópica + fluconazol EV ou parenteral.
Esofagites ulcerativas: biópsia para DD de CMV (Ganciclovir) e herpes simples (sais de aciclovir).
Tratamento e controle:
Não há cura, o tratamento antirretroviral é contínuo. Apoio psicossocial e nutricional.
DTG- Dolutegravir não pode ser usado em gestante, e pacientes em uso de anticonvulsivantes
há interação (trocar droga).
TDF- Tenofovir: evitar em pacientes com lesões renais.
3TC- Lamivudina: droga bastante segura.
Estudo HAART: terapia tripla ajuda na recuperação imunológica, enorme impacto na morbimortalidade.
Fatores de sucesso da TARV:
1. Médico: experiência clínica e relação médico-paciente.
2. HIV: redução da replicação, taxa de mutação e reservatórios.
3. Paciente: fase da doença, acesso à assistência, à medicação, adesão.
4. ARV: potência, farmacocinética, barreira genética, tolerabilidade, conveniência e toxicidade.
Efeitos adversos:
1. Qualquer droga: sintomas TGI, hepatotoxicidade.
2. ITRN:
a. Anemia: AZT
b. Lipoatrofia: d4T
c. Neuropatia: dd1 e d4T
3. IP: distúrbios metabólicos: dislipidemia, DM.
Longo prazo: aterogênicas, lipoatrofia e Lipodistrofia,
hepatotoxicidade.
Prevenção:
Dia 1 de dezembro: dia mundial de luta contra HIV/AIDS.
Inicia-se na prevenção das vias de contaminação: educação sexual, preservativos, higiene, vacinação
(HBV, HPV), não compartilhar agulhas e seringas, nem instrumentais.
Conscientização + sexo seguro + envolvimento sociedade.
De cuidados à cura: controle da replicação HIV (ART), HIV em tecidos (ART otimizada: mega-ART?),
reservatório latente (ART em infecção aguda), reservatório latente (reativação + boster resposta
imunológica – TLR7, PD-1/CTLA-4, anticorpos). Vacina em estudo: cura?
HIV na gestação:
Perinatal: transmissão através da placenta e das membranas amnióticas – infecção e inflamação.
Parto: tempo e extensão do contato com o sangue materno e com as secreções vaginais.
Prematuridade e BP.
Pós parto: leite materno. AM é proibido em gestantes HIV+.
Paracoccidioidomicose
Infectologia – Dr Breno
Julia Araújo – Med XXXV
Fungos – importância médica:
Aproximadamente mais de 300 espécies patogênicas em humanos.
FR: imunocomprometimento, autoimunidade (corticoterapia com GC), imunodeficiências
adquiridas ou congênitas
Aumento da frequência de infecções fúngicas (alta morbidade e mortalidade)
Maior incidência de infecções disseminadas pelo sangue
Aumento da resistência a antifúngicos, pelo uso indiscriminado prescritos inadequadamente
Organismo eucariótico: dificuldade para drogas específicas
Apenas uma droga nova, equinocandinas, como novo alvo (parede celular)
1910- Adolpho Lutz: pesquisa em trabalhadores rurais com lesões ulcerativas da cavidade oral. “Uma
micose pseudococcidica localizada na boca e observada no Brasil. Contribuição ao conhecimento das
hyphoblastomicoses americanas”.
Outros autores contribuíram para o estudo: Alfonso Splendore (1912), Floriano de Almeida (1930).
Epidemiologia:
Micose sistêmica mais prevalente da América Latina.
Atinge segmentos sociais específicos, como trabalhadores rurais.
Faixa etária de 30-50 anos: impacto social e econômico.
Não é doença de notificação compulsório: dificulta seu estudo epidemiológico. Planejamento de
programa de controle público é necessário.
3181 casos de óbito entre 1980-95 (1,45 casos/ milhão de habitantes).
8ª causa de mortalidade por doença infecciosa.
Não dispõe de mecanismo de prevenção, não é objeto de vigilância epidemiológica
rotineiramente.
Infantojuvenil: PI curto, doença sistêmica grave com alta taxa de mortalidade, simula doença
linfoproliferativa, com anemia, emagrecimento e hepatoesplenomegalia.
Forma adulta: prevalência maior no homem, que se expõe mais em atividades agrícolas (30-50 anos
principalmente), menor na mulher que se expõe menos e estrogênio é benéfico ao retardar a
transformação do micélio na forma leveduriforme (até menopausa há proteção). Doença mais insidiosa,
podendo envolver pulmões, e formas também multifocais.
A doença é importante no Brasil e América Latina? Sim. É uma micose sistêmica de maior prevalência na
AL. 10 milhões de pessoas infectadas, 2% de doença. Endêmica no Brasil, Venezuela, Colômbia e
Argentina. Brasil tem o maior número de casos da doença, com coinfecção de TB em 10% dos casos. No
Brasil, mais frequente no sudeste, sul e centro-oeste, com maiores taxas de mortalidade em SP, PR, MG,
RS e RJ.
Célula miceliana (no solo em 25º C): mononucleada, Beta1,3 glucana (resposta inflamatória).
Levedura (temperatura corporal): multinucleada, 4-5 cromossomos. Alfa1,3 glucana (virulência). Parede
celular: interna (quitina) e externa (glicopeptídeos, glicolipídeos, polissacarídeos). (Roda de leme, ou
cabeça de Mickey-Mouse).
Fatores de risco:
1. Atividades relacionas ao manejo de solo: atividades agrícolas, terraplanagem, preparo do solo.
2. Tabagismo (14x maior).
3. Alcoolismo (3,6x maior).
4. Brasil (HLA-B40, HLA-A2: imunossupressão).
5. Contagem de TCD4+ baixa.
Transmissão:
Aérea: aspiração de conídios do P. brasiliensis do meio ambiente.
Não há evidência de transmissão inter-humana.
A transmissão da patologia não é pelo hábito de mascar capim.
Existem raros relatos de infecção acidental por P. brasiliensis através de inoculação direta na
pele.
Fisiopatogenia:
Diagnóstico:
1. Demonstração microscópica do agente etiológico (exame a fresco, biopsia ou exame
anatomopatológico- colorações: Grocott).
Coloração Giemsa.
2. Isolamento do fungo através do cultivo de material clínico (ágar Sabouraud ou BHI). ED:
sensibilidade 85-100%, cultura: sensibilidade baixa 4%. Exame a fresco em KOH, corado por
Lactofenol.
3. Técnicas sorológicas também são usadas do seguimento do paciente: imunodifusão dupla
(sensibilidade 84% e especificidade 99%), contraimunoeletroforese, imunofluorescência
indireta, ELISA- ensaio imunoenzimático, imunoblot.
Sorologia: coadjuvante para diagnóstico, parâmetro de acompanhamento terapêutico e pós-TT.
Suspeita diagnóstica:
Consulta inicial: vínculo clínico-epidemiológico.
Dermatologia a pneumologia, psiquiatria a pediatria, oftalmologia a urologia – é multifatorial.
Odontológica: clínica geral, estomatologia.
Estabelecer diagnóstico clínico e epidemiológico, investigar trajetória epidemiológica.
Clínica:
PCM- micose sistêmica:
No RX podemos encontrar o padrão de infiltrado da asa de borboleta, mas não é
patognomônico. Padrão intersticial: imagens reticulares grosseiras, distribuição dimétrica nos
campos médios do pulmão. Pode apresentar padrão nodular, com múltiplos nódulos isolados ou
agrupados. Pode apresentar padrão fibrótico, e raramente cavitário (mais prevalente em TB,
principalmente quando apical).
A forma ganglionar evolui para supurativa.
Ulceras genitais são por disseminação hematogênica, DD de DST.
PCM – doença:
Envolvimento sistêmico: pulmões, tegumentos, ganglionar, SNC (é mais frequente que o admitido:
diagnóstico clínico 5%, imagem- RNM 12,5% e documentação em necropsia 20%), adrenal, GI,
osteoarticular, genital, CV, etc.
Acometimento da suprarrenal – disseminação hematogênica: doença de Addison – astenia, hipotensão,
hiperpigmentação, hiponatremia.
Doença grave:
1. Depressão da imunidade celular (LTCD4+): teste cutâneo negativo, ausência de transformação
blástica de linfócitos, diminuição de células TCD4+, granulomas frouxos ricos em parasitas,
diminuição do IFN-G (principal mediador- ativação de macrófagos, produção de óxido nítrico).
2. Corticoesteróides
3. Transplantados
4. AIDS
DD de tuberculose:
Quadro pulmonar:
OBS: como o Itraconazol não é disponível pelo SUS, o Bactrim é mais prescrito.
Um caso que não é muito comum, é a forma cerebral imitando um abcesso. Usamos Bactrim, que cursa
com a cicatrização das lesões. Após isso, controle com anticonvulsivantes.
Sulfametoxazol-Trimetoprima
T- 160/240 mg; S- 800/1200 mg
Dose inicial: 3 cp (80-400) 12/12H por 21 dias
2 cp 12/12H por 21 dias
1 cp 12/12H por 1 ano nas formas leves, 18-24 meses nas formas moderadas.
Crianças: 8-10 mg/kg de Trimetoprima ou 40-50 mg/kg de Sulfametoxazol de 12/12 horas.
>80% de cura.
Considerações gerais:
1. Medidas de suporte às complicações clínicas.
2. P. brasiliensis é fungo sensível a maioria dos antifúngicos, inclusive às sulfas.
3. Limitação de informações disponíveis em estudos comparativos com diferentes esquemas de
tratamentos.
4. Itraconazol é melhor opção nas formas leve/moderada.
5. Sulfametoxazol + Trimetoprima é alternativa mais utilizada no tratamento ambulatorial da PCM.
6. Restrição de fumo e álcool.
7. Tratamento de parasitoses intestinais.
8. Tratamento de coinfecção – TB.
9. Tratamento é de longa duração.
10. Pacientes devem ser acompanhados até obterem critérios de cura.
Critérios de cura:
Critério microbiológico não é bem definido, pois se tiver um granuloma cicatrizado, mas contendo o fungo
em seu interior, se adquirir imunossupressão pode haver desorganização do granuloma, desenvolvendo
a doença normalmente.
Modo de transmissão:
1. Pela picada dos mosquitos dos gêneros citados acima, sendo os principais vetores.
Principalmente pelas fêmeas hematófagas.
2. Nas epidemias urbanas, a transmissão ocorre entre os seres humanos e vetores.
3. Nos períodos interepidêmicos, outros reservatórios como os primatas não humanos, roedores e
aves podem ser reservatórios do vírus.
4. Ciclo silvestre – descrito, mas não na Ásia nem nas Américas.
5. Período de incubação: 4-7 dias, em média (mínimo de 1, máximo de 12)
6. Período de transmissibilidade: de 2 dias do aparecimento dos sintomas até o final do período
sintomático, o paciente pode transmitir aos vetores.
Considerações: embora não seja uma doença de alta letalidade, tem elevada morbidade associada à
artralgia persistente, que pode levar a incapacidade e, consequentemente, redução da produtividade e
da qualidade de vida.
Sintomas típicos:
1. Febre alta (40º C)
2. Dores articulares: lombar, tornozelos, joelhos, punhos ou falanges. Poliartralgia simétrica de
pequenas e grandes articulações, com dor e edema, geralmente sem calor e rubor; artrite febril
aguda.
3. Edema articular
4. Rash
5. Cefaleia
6. Mialgias
7. Náuseas e fadiga
Quadro clinico na criança:
1. Lesões cutâneas
2. Febre e irritabilidade
3. Quadro álgico exuberante
4. Lesões articulares
5. Choque
Vínculo clínico e epidemiológico: paciente com febre de início súbito maior de 38,5º C e artralgia ou
artrite intensa com início agudo, não explicado por outras condições clínicas, sendo residente ou com
história de viagem a áreas endêmicas ou epidêmicas, até duas semanas antes do início dos sintomas ou
que tenha vínculo epidemiológico com quadro confirmado.
Considerações gerais:
1. Infecção semelhante ao vírus da dengue
2. PI de 1-12 dias, com média de 2-4 dias
3. Febre de início súbito, é alta e há grave artralgia e mialgia associada a cefaleia, fotofobia e
exantema
4. A infecção assintomática é rara
5. A poliartralgia, característica da doença, sintoma debilitante, geralmente simétrica, quase
sempre compromete mais de uma articulação –dedo, punhos, cotovelos, tornozelos
6. O edema é mais comum, mas não há outros sinais de inflamação
7. As articulações previamente lesadas por osteoartrites, são mais susceptíveis
8. Os sinais e sintomas usualmente se resolvem dentro de uma a duas semanas, mas a artralgia
pode permanecer por meses ou anos, pode levar a artropatia destrutiva.
Doença aguda:
1. Febre súbita
2. Artralgia intensa, poliartrite geralmente simétrica
3. Cefaleia e mialgia
4. Náuseas e vômitos
5. Conjuntivite
6. Exantema entre 2 e 5º dia de evolução da febre: disposição máculo-papular envolvendo tronco
e extremidades, pode envolver palmas e plantas dos pés, lém de face; nas crianças pode
apresentar vesículas e descamação
Gestantes:
Não altera o curso da gravidez, não há evidencias de efeitos teratogênicos, mas há raros relatos
de abortamento espontâneo
Mães que sofrem da patologia no período perinatal podem transmitir o vírus ao RN no momento
do parto
A taxa de transmissão nesse período pode chegar até 85%, resultando em formas graves dos
neonatos em 90%
Ao que tudo indica, a realização de cesariana não altera o risco de transmissão do vírus e o vírus
não é transmitido pelo leite materno
Doença Subaguda:
Após 10 dias, maioria dos pacientes sentirá uma melhora na saúde geral e dor articular
1. Alguns pacientes apresentam uma recaída, com sintomas reumáticos, incluindo poliartrite
distal, exacerbação da dor articular e óssea, tenossinovite hipertrófica subaguda dos punhos e
tornozelos.
2. Podem desenvolver distúrbios vasculares periféricos: como Raynaud.
3. Podem ter também sintomas depressivos, cansaço geral e fraqueza.
4. Podem estar presentes também prurido generalizado e exantema maculopapular em tronco,
membros e região palmo-plantar.
Doença crônica:
Sintomas persistem por mais de 3 meses
1. Sintomas persistente mais comum é a artralgia inflamatória nas mesmas articulações afetadas
durante os estágios agudos. Podem apresentar cansaço e depressão.
2. Parte dos pacientes se recupera em 1-3 semanas
3. Persistência dos sintomas: >60% por 12 meses, 12% por mais de 3 anos.
4. Poliartralgia, poliartrite e tenossinovite – mesmas articulações da fase aguda, com evolução
variável de meses a anos.
FR para não recuperação: idade > 65, problemas articulares preexistentes e doença aguda mais grave.
Acompanhar com reumatologistas, em terapia com corticoide e Imunobiológicos.
Acometimento articular na fase crônica:
1. Dor com ou sem edema, limitação do movimento, deformidade e ausência de eritema
2. Geralmente poliarticular e simétrica
3. Relatos de dor em regiões sacroilíacas, lombossacra e cervical
4. Alguns pacientes poderão evoluir com artropatia destrutiva semelhante à artrite psoriasíca ou
reumatoide.
Formas atípicas:
Exames específicos:
Amostras em sangue ou soro, e nos casos neurológicos LCR.
1. Isolamento do vírus: realizado em amostras coletadas até 3º dia do início dos sintomas.
2. Pesquisa de ácidos nucleicos virais: RT-PCR em tempo real ou RT-PCR convencional – será
realizada em amostra coletadas até o 8º dia do início dos sintomas.
3. Sorologia IgM e IgE – ELISA: serão realizadas em soro ou plasma coletados a partir do 4º dia do
início dos sintomas.
As amostras devem ser colhidas na primeira consulta e encaminhadas para o Instituto Adolpho Lutz,
juntamente com ficha de investigação epidemiológica.
Tratamento:
1. Drogas anti-inflamatórias não esteroides
2. A ribavirina tem pouca ação
3. Deve-se utilizar paracetamol e/ou dipirona
4. Para os casos crônicos: utiliza corticoterapia, Imunobiológicos, antidepressivos
Zikavirose
É uma doença viral aguda, transmitida principalmente por mosquitos, tais como Aedes aegypti,
caracterizado por exantema maculopapular pruriginoso, febre intermitente, hiperemia conjuntival não
purulenta e sem prurido, artralgia, mialgia, cefaleia. Apresenta evolução benigna e os sintomas
geralmente desparecem espontaneamente após 3-7 dias.
Preocupação: gestação e fenômenos de microcefalia e malformações fetais graves, óbito fetal e
abortamento.
Etiologia: RNA vírus que pertence ao gênero Flavivírus com duas linhagens: africana e asiática.
Principal forma de transmissão: Aedes aegypti e Aedes albopictus. Há possibilidade de
transmissão sexual.
Reservatórios: primatas humanos e não humanos.
Período de incubação: 3-12 dias. 20% dos infectados desenvolvem a doença.
Doença autolimitada: 4-7 dias.
Acredita-se que a fêmea ao picar o indivíduo inocula o vírus, infecta as células dendríticas
próximas ao local da inoculação, acomete nódulos linfáticos e cai na corrente sanguínea.
Tratamento/ prevenção: não há vacina. Tratamento sintomático: AINES, analgésicos não-
salicílicos.
Vínculo clínico e epidemiológico: pacientes com quadro de exantema maculopapular e 2 ou mais dos
seguintes sinais e sintomas:
1. Febre ou
2. Hiperemia conjuntival sem secreção e com ou sem prurido ou
3. Poliartralgia ou
4. Edema periarticular
Definição de caso suspeito para gestantes: toda gestante em qualquer IG, com doença exantemática
aguda, se excluídas outras hipóteses não infecciosas. Deve incluir Zikavirose como DD nesses casos.
Curso clínico: febre, cefaleia, exantema intenso, prurido, conjuntivite, artralgia que pode ser intensa,
raramente promove quadro leucopênico. Curso habitualmente benigno.
Diagnóstico:
Métodos diretos:
1. Isolamento viral
2. Detecção do genoma
3. Detecção antigênica
Métodos indiretos:
1. Sorologia IgM
2. Sorologia IgG
Prevenção:
1. Não há vacina
2. Usar camisas de mangas compridas e calças
3. Eliminação dos criadouros dos mosquitos
4. Evitar locais com presença do mosquito
5. Uso de telas/mosqueteiro de cama
Importante:
Atualização de carteira vacinal no caso de DD
Repelentes usados em aparelhos elétricos ou espirais devem ficar a 2 metros de distância das
pessoas, além de não serem usados em ambiente com pouca ventilação e na presença de
pessoas asmáticas ou com alergias respiratórias
Uso de preservativos para o casal até 6 meses para homens com sintomas de ZIKV ou até 8
semanas para homens que viajaram para áreas endêmicas de circulação do ZIKV.
Período sazonal: a febre amarela tem uma sazonalidade bastante marcada, sendo uma característica
fundamental para o delineamento dos planos de vigilância e controle. A esmagadora maioria dos casos
registrados ao longo da série histórica ocorreram entre o final de novembro e abril, se estendendo até
maio.
Particularidades:
É uma arboviroses com dois perfis de transmissão: silvestre e urbano
Causada por uma Flavivírus, geneticamente estável
Os mosquitos perpetuam o vírus na natureza
Os macacos adoecem com rapidez e morrem, sinalizando a presença do vírus
Apresenta marcada sazonalidade – dezembro a maio
Importância na saúde pública: elevado potencial de gravidade e óbito, para a qual não há tratamento
específico. 20 a 50% das pessoas com formas graves vão a óbito, o vírus pode ser transmitido pelo
mosquito Aedes aegypti. Pode ser evitada através de imunização.
Manifestações clínicas:
PI de 3-6 dias, pode ser até 10-15 dias
Transmissibilidade/viremia: 24 a 48 H antes dos sintomas até 3-5 dias após início dos sintomas
Forma leve – 20 a 30% dos pacientes:
1. Início súbito de febre alta, cefaleia principalmente supraorbital e mialgia
2. Náuseas e vômitos, hiperemia conjuntival
3. Sinal de Faget: bradicardia + febre alta (dissociação pulso-temperatura) pode estar + ou não
4. A resolução espontânea do quadro geralmente ocorre em 2-4 dias
Forma grave e maligna – 15 a 60% dos pacientes:
1. Sintomas iniciais mais intensos acompanhados de oligúria e manifestações hemorrágicas.
2. A forma grave e maligna apresenta-se em duas fases com uma fase de remissão dos sintomas de
6-48H, entre o 3º e 5º dias. Segunda fase: piora da icterícia, IR, manifestações hemorrágicas
graves principalmente do TGI – hematêmese e melena.
Impacto epidemiológico:
1. Doença infecciosa febril não contagiosa
2. PI 3-6 dias
3. Gravidade variável
4. Curta duração – máximo 12 dias
5. Letalidade de 50% nas formas graves
6. Importância: gravidade clínica e elevado potencial de disseminação em áreas urbanas.
Notificação compulsória e imediata – em até 24H.
7. Acomete cerca de 200.000 pessoas no mundo a cada ano e causa em torno de 30.000 mortes –
OMS
8. Letalidade elevada
9. Elevado potencial epidêmico
10. Alto custo social e econômico em situações de surtos e epidemias
11. Reemergência em áreas silenciosas há décadas no Brasil
OBS:
Ciclo silvestre não é passível de eliminação
Sem tratamento específico
Doença viscerotrópica vacinal: CI da vacinação em pacientes oncológicos, imunossuprimidos e
gestantes.
Clamor público
Como ela se transmite:
Agente etiológico: vírus RNA fita simples, gênero Flavivírus, família Flaviviridae.
Formas epidemiológicas: urbana e silvestre (ocorre acidentalmente pela penetração do homem no ciclo
enzoótico). Diferença entre as duas: vetor, hospedeiro e localização geográfica.
Reservatório:
FA urbana: homem
FA silvestre: macaco prego, macaco sagui e guariba
Vetor:
Urbana: Aedes aegypti
Silvestre: Haemagogus, Sabethes, Aedes – África: hábitos diurnos e vivem nas copas das árvores.
PI: 3 a 6 dias, máximo de 10 dias, após a picada do mosquito infectado.
Período de transmissibilidade:
1 dia antes do início dos sintomas até 3 a 5 dias de doença – período de viremia
Não se transmite por contágio de direto, bem através de objetos contaminados
Susceptibilidade:
Universal
IM ativa: doença – imunidade natural permanente; vacina – imunidade artificial por 10 anos
IM natural: lactentes filhos de mães imunes
Ciclo silvestre: indivíduos não vacinados adentra área silvestre com presença do vírus amarílico, se picado
por Haemagogus sp e Sabethes sp. Os macacos são os hospedeiros silvestres. Esse ciclo não é passível de
interrupção.
Corredores ecológicos: porções de ecossistemas naturais ou seminaturais, ligando unidades de
conservação, que possibilitam entre elas o fluxo de genes e o movimento da biota, facilitando a dispersão
de espécies e a recolonização de áreas degradadas, bem como a manutenção de populações que
demandam para sua sobrevivência áreas com extensão maior do que aquelas unidades individuais.
Fisiopatologia:
Exames pertinentes:
Formas clínicas:
Forma assintomática
Forma leve:
1. Febre baixa e cefaleia, e às vezes, náuseas e vômitos
2. Duração de 2-3 dias
3. DD: gripe, dengue, doenças TGU e TGI
4. Indistinguível de outras doenças infecciosas febris agudas
Forma moderada:
1. Febre alta e início súbito e cefaleia
2. Náuseas e vômitos
3. Calafrios
4. Mialgia e artralgia generalizadas
5. Dor lombossacral
6. Colúria
7. Icterícia – ausente em alguns casos
8. Duração: 2-3 dias, geralmente evoluindo para a cura
9. DD: malária, hepatites, febre tifoide, outras arboviroses
Forma grave:
1. Tríade: sangramentos + icterícia + albuminúria
2. Instalação de período de intoxicação, com exacerbação dos sintomas gerais
3. Hematêmese
4. Icterícia
5. Outros sangramentos, inclusive hematúria
6. Oligúria e anúria
7. Sinal de Faget
8. Duração: 5-7 dias, evoluindo frequentemente para a morte
9. DD: malária grave, hepatites, leptospirose, febre tifoide, sepse, outras arboviroses intoxicação
por Halotano.
Prognóstico:
1. Rápida progressão do período de intoxicação e aumento acelerado da bilirrubina sérica
2. Diátese: tendência hemorrágica grave e aparecimento de CIVD
3. IR por necrose tubular aguda
4. Aparecimento precoce de hipotensão
5. Choque
6. Coma e convulsões
DD:
Tratamento:
Formas leves e moderadas: tratamento sintomático da febre, cefaleia, mialgia e artralgia.
Formas graves: sendo uma doença sistêmica com comprometimento de múltiplos órgãos, se necessário,
o paciente deve ser atendido em UTI. Hemodiálise precoce/ TX hepático. Sofosbuvir?
Prevenção:
Notificar todo caso suspeito em 24H.
Combate ao vetor urbano.
Vacinação:
Recomendada para população residente em área endêmica, área de transição e de risco elevado
a partir de nove meses de idade,
Vacinar população de risco que se dirigem esporadicamente ou com frequência às áreas de risco,
vacina deve ser administrada pelo menos 10 dias antes do deslocamento
Em situações de epidemia recomenda-se vacinação a partir dos seis meses de vida
A vacina confere imunidade em 95% a 99% dos vacinados, ocorre após o 10º dia da vacinação e
perdura por um período mínimo de 10 anos
CI da vacina:
1. Id <6m
2. Pessoa com história e reação anafilática aos derivados do ovo, ou a outros componentes da
vacina, como Kanamicina e Eritromicina
3. Doença infeciosa aguda em estado febril >38,5º C
4. Pacientes em terapia imunossupressora e/ou imunomoduladoras
5. Desordens do timo, com disfunção imunológica
6. Portadores do HIV que estejam sintomáticos ou que tenham TCD4+ <200 (<15% do total em
crianças <6 anos)
7. Transplantes, imunodeficiências primárias
8. Neoplasias malignas – precauções, condições em que os riscos da vacina e da doença devem ser
criteriosamente considerados
9. Idade entre 6 a 8 meses e idade > ou =60 anos
10. Portadores de HIV que estejam assintomáticos e tenham TCD4+ entre 2000 e 400
11. Gestação, devido aos riscos da vacina atenuada
12. Mulheres em amamentação não devem receber a vacina pelo risco de transmissão do leite, salvo
em situações em que a exposição à febre amarela não pode ser evitada ou adiada
13. Indivíduos com DAI, doenças neurológicas, ou outros problemas de saúde crônicos.
4)Hepatite A
-RNA vírus
-Doença aguda
-Transmissão mais comum é pela água e alimentos contaminados com o vírus (fecal-oral)
-Período de incubação de 2 á 6 semanas
-Tratamento é sintomático e geralmente evolui para cura (autolimitada)
-A vacina é ofertada para menores de 5 anos e grupos de risco
-Não cronifica
-Há poucos casos de evolução para hepatite fulminante
-Diagnóstico
*Dosar o anti HAV IgM e IgG
*IgM + indica infecção aguda
*igG + indica infecção passada ou vacinação
-Prevenção
*Cuidados higiênicos e vacinação.
-Vacinação
*Indicações: portadores de hepatite B,viciados em drogas,pacientes com hepatite
crônica tipo B e C,homosexual,crianças residentes em áreas endêmicas,viajantes para
áreas endêmicas
5)Hepatite B
-DNA vírus
-Nem sempre apresenta um quadro agudo. Porém tem mais frequência de apresentar
quadro agudo do que a hepatite C
-Transmissão:
*Sexo desprotegido(principal). Através do líquido espermático e secreções vaginais.
*Transfusão sanguínea e hemoderivados
*Usuários de drogas injetáveis
*Acupuntura
*Transplantados
*Tatuagem
*Contato com sangue contaminado
*Compartilhamento de objetos cortantes e de uso pessoal
*Durante o parto ou gestação (trasmissão vertical-perinatal). Mais comum no vírus B do
que no C.
*Leite materno
-A vacina é ofertada a todos e qualquer idade. São 3 doses (1 ao nascer, 1 com 30 dias e
a última com 6 meses)
-Além da vacina também podemos prevenir com: sexo seguro, evitar compartilhamento
de agulhas e seringas, pré natal habitual.
-A taxa de cronificação do vírus B é de 15% em média nos adultos. Podemos ter a
forma crônica ativa e a crônica inativa
-Quando cronifica, o tratamento ajuda a diminuir complicações como cirrose e câncer.
Devemos lembrar que como o vírus da hepatite B é DNA vírus, quando cronifica não
haverá cura, mas somente controle da doença. Quando cronifica, o DNA vírus vai se
juntar ao DNA humano e com isso não haverá como destrui-lo.
-Diagnóstico
*Quantificamos o HBs ag que é o antígeno Austrália. Ele é o primeiro a aparecer na
infecção aguda, devemos solicitar. O antígenos s é da superfície do vírus B
*O HBc é um antígeno do interior do vírus B. Após a infecção o paciente vai produzir
anticorpos contra o antígeno c. Logo, devemos pesquisar o anti HBc para ver infecção.
Devemos solicitar anti HBc IgM e IgG. Se IgM + significa infecção recente pelo vírus B, se
IgG + significa infecção passada pelo vírus B.
*Quando o paciente obtém cura pela infecção da hepatite B ele vai produzir anticorpos
contra a superfície do vírus B. Logo, anti HBs + significa cura de infecção passada se
estiver associado ao anti HBc. Se estiver somente o anti HBs + significa vacinação pelo
vírus da hepatite B. O anti HBs sempre é solicitado junto ao anti HBc para ver se o
paciente já teve infecção passada ou já foi vacinado.
*O antígeno e que é o HBe ag significa replicação viral. Não é pedido de rotina, mas so
em fases crônicas para verificar a replicação viral. Quando paciente evolui para um
controle do vírus temos fim da replicação viral, diante disso vai surgir o anti HBe que
mostra que o vírus não esta mais em replicação.
6)Hepatite C
-RNA vírus
-Muito raro apresentar fase aguda
*Quando sintomáticos na fase aguda podemos obsservar:
-Clínica da hepatite C crônica
-Não há vacina
-Hoje falamos em cura da hepatite C crônica com os novos antivirais.
-Quadro de hepatite fulminante é incomum
-Diagnóstico
*Pesquisa do anti HCV (pode ter falso positivo). Marcador de triagem.
*Diante de um anti HCV + devemos sempre fazer a confirmação com o RNA PCR do vírus
7)Hepatite D
-RNA vírus
-Infecção ocorre quando há presença do vírus B
-Assim, a vacina contra hepatite B também protege contra hepatite D
-Vírus delta (D)
-Prevalência na área norte (bacia amazônica)
-Podemos ter risco de cronicidade que pode evoluir para fibrose e cirrose hepática.
-A superinfecção que é a associação aguda do vírus B e D pode evoluir para hepatite
fuminante.
-Aspectos clínicos
-Diagnóstico
*Pesquisa do anti HDV IgG e IgM
8)Hepatite E
-RNA vírus
-Transmissão fecal-oral (água e alimentos contaminados)
-Ocorrência em surtos, sendo sua prevalência baixa no Brasil
-O risco maior de hepatites fuminantes é a hepatite E em gestantes.
-Não existe vacina.
-Não cronifica
-Diagnóstico
*Pesquisa do anti HEV IgG e IgM
9)Resumo das hepatites
10)Quadro clínico
-Icterícia, colúria, acolia, hepatomegalia, dor em hipocôndrio direito,febre.
-Esse quadro citado é muito sugestivo de hepatite, porém esta presente em
menos de 30% dos casos
-Na hepatite B temos um quadro agudo mais frequente que na hepatite C. Na hepatite C
o quadro tende a ser silencioso e quando descobrimos o paciente já esta com quadro
avançado de fibrose, cirrose ou até mesmo com hepatocarcinoma.
11)Hepatite aguda viral
A)Diagnóstico laboratorial
-Aminotransferase > 10x
-ALT(TGP) > AST(TGO)
-Se forma ictérica: BD>BI
B)Diagnóstico etiológico
-Para hepatites A,B,D,E
*Anticorpos da classe IgM específicos (ELISA)
-Para hepatite C
*Positivação do RNA do HCV pelo PCR confirma o diagnóstico.
12)Hepatite crônica viral
A)Diagnóstico laboratorial
-Aminotransferases > 1,5 a 5 X
-ALT>AST
B)Diagnóstico etiológico
-Presença por mais de 6 meses de:
*AgHBs para hepatite B
*Anticorpos contra o HDV+AgHBs para hepatite D
*RNA PCR do HCV para hepatite C
13)Formas clínicas e complicações
A)Hepatite crônica viral
-Inflamação lenta do fígado(>6 meses), durando anos, normalmente assintomáticas,que
pode ser benigna ou agressiva,podendo evoluir para cirrose ou câncer.
-Eventualmente as formas crônicas da hepatite B e C levam a manifestações extra
hepáticas como: artrite reumatóide, psoríase, glomerulonefrites,uveíte,endocardite
dentre outras afecções.
B)Cirrose
-Fibrose progressiva do fígado,levando a hipertensão portal(o fígado murcha e aperta a
circulação intra-hepática ocasionando aumento da pressão sanguínea retrógada para a
veia porta) e insuficiência hepática crônica e suas complicações.
-Devemos lembrar que a cirrose é um diagnóstico anatomopatológico. Mas podemos
supor se o paciente apresentar uma clínica de cirrose hepática.
C)Carcinoma hepato-celular
-Câncer primário do fígado mais comum
-Prognóstico muito ruim
-Marcado pela alfa fetoproteína que devemos sempre solicitar quando paciente com
hepatite crônica.
14)Como devemos agir na prática clínica
A)Hepatite B
-Na suspeita de hepatite B devemos solicitar
*anti HBs
*Anti HBc IgM e IgG
*HBs antígeno (austrália)
-Podem dar sintomas agudos
-Na média 10% das hepatites B cronificam.
-A hepatite B crônica apresenta dois tipos:
*Assintomática: vírus detectável,mas sem sintomas. Nesse caso só fazemos o
acompanhamento atual.
*Sintomática: nesse caso devemos tratar e acompanhar.
-A hepatite B cronifica pelo fato do vírus incorporar seu DNA ao DNA humano
-Se é hepatite B crônica devemos solicitar carga viral pelo HBV PCR
-Paciente com HBV crônico será tratado com tenofovir
*Paciente com hepatite B crônica tem critérios de suspensão do tratamento, que são 2
ou mais desses fatores: carga viral indetectável pelo PCR, anti HBs + ou anti HBe +
*Se o paciente apresenta os critérios de suspensão nós devemos suspender o
tratamento e marcar retorno com 1 ano. O acompanhamento do paciente será
permanente pois, a hepatite B crônica não tem cura. Se 2 daqueles critérios voltar como
antes devemos retornar com o tratamento.
-Lembrar que hepatite B tem vacina. Logo, é melhor previnir do que chegar ao ponto de
cronificar uma hepatite B que é incurável.
B)Hepatite C
-Lembrar que a hepatite C é silenciosa, e muitas vezes paciente vai chegar sem sintomas.
-Na suspeita de hepatite C fazer teste de triagem com anti HCV
-Se anti HCV + devemos confirmar com o PCR(reação em cadeia da polimerase) para o
HCV.
-O PCR vai nos confirmar o diagnóstico de hepatite C e também vai nos mostrar a carga
viral. Após confirmado o diagnóstico devemos solicitar a genotipagem do vírus hepatite
C. De acordo com a genotipagem que vamos direcionar a droga específica para o
tratamento. Cada genotipo de vírus da Hepatite C tem um tratamento específico. O
genotipo mais comum de vírus C no Brasil é o tipo 1 e 3.
-Junto com a genotipagem também devemos fazer o estadiamento hepático para ver o
grau de comprometimento do fígado nesse paciente com Hepatite C crônica. O
estadiamento hepático pode ser feito de 3 maneiras:
*Biópsia hepática: avalia grau de fibrose e atividade inflamatória,escore de
METAVIR,importante para guiar decisão terapêutica.Seria o ideal a se realizar,mas é
pouco disponível. É somente pela biópsia que temos diagnóstico de cirrose com certeza.
*Elastrografia hepática: através de um Ultrassom específico vamos conseguir estimar o
grau de fibrose. Através da onda do US o médico consegue estimar a rigidez do fígado.
*Teste com aplicativo APRI e FIB4: para esse cálculo com o aplicativo vamos necessitar
da idade do paciente, AST, ALT e plaquetas.É o mais feito atualmente devido a
indisponibilidade dos outros 2 métodos. São marcadores sanguíneos.
*Indivíduos na primainfecção pelo vírus 2 podem evoluir para a forma grave da dengue.
-Características do indivíduo
*Jovens: crianças e adolescentes.
*Sexo feminino
*Obesidade
*Características genéticas (HLA)
7)Definição de um caso suspeito de dengue
8)Definição de um caso suspeito de dengue com sinais de alarme
-O período de defervescência(queda da febre) da febre vai do 3 ao 6 dia de febre.
*Temos febre até 3 dias e depois começa a declinar.
10)Sintomas da dengue
-Na maioria das vezes os sintomas da dengue são leves e as vezes nem há sintomas.
-Os sintomas surgem de 4 a 10 dias após a picada
-Os sintomas duram de 2 a 7 dias
*Após 1 semana de sintomas o doente entre na fase de covalescência apresentando
adinamia e fraqueza. Essa fase de covalescência dura em média 7 dias.
-Grupos de maior risco
*Extremos de idade: lactentes(<2anos) e idosos(>65anos)
*Pacientes imunossuprimidos
*Gestante
*Pacientes com comorbidades:HAS,DCV graves,DM,DPOC,doenças
hematológicas(anemia falciforme),DRC,doença autoimune,
-Todo caso suspeito de dengue deve ser notificado á vigilância epidêmiológica
-Sintomas que nos levam a pensar em dengue
*Febre
*Dor retroorbital
*Mialgia
*Petéquias
*Artralgia
*Cefaleia
11)Evolução da dengue
Localização:
1. Esôfago no terço inferior (3ª mais comum)
2. Estômago (2ª + comum)
3. Bulbo duodenal é + frequente
4. Duodeno distal e jejuno proximal (acentuada hipercloridria: Síndrome de Zollinger-Ellison: dor,
diarreia, gastrinoma em duodeno, tratamento cirúrgico podendo ser necessário quimioterapia,
mais comum em mulheres)
5. Divertículo de Meckel (mucosa gástrica ectópica, congênito do delgado, mais comum em
homens, 98% são assintomáticos e só descobrem quando há sangramento ou obstrução,
diagnóstico por cintilografia e TC).
Prevalência:
Declínio a partir de 1955: melhores condições sanitárias e uso de ABT.
Brasil: prevalência de 10%.
UPD 5 vezes + comum que UPG
Sexo masculino: UPD 3x +, UPG 60% dos casos
Idade: UPD 20-40 anos, UPG >40 anos
Fatores predisponentes:
Hereditariedade: gêmeos univitelinos 50% de concordância, familiares 3x maior que na população geral
(HP?), e 30-40% com DUP em familiares de 1º grau e tipo sanguíneo O para UPD e tipo A para UPG)
Tabagismo: reduz fatores defensivos (diminuição do bicabornato e fluxo sanguíneo)
Dieta e álcool: sem evidências comprovadas
Emocional: sem evidências comprovadas
Quadro Clínico:
50% assintomáticos: perigosas, sintomas quando complicação por sangramento ou estenose
Dor epigástrica: dor de fome ou queimação, bem delimitada, com ritmicidade (dói, come e passa na
UPD, na UPG dói ao comer e depois passa) e periodicidade, “clocking”.
Plenitude pós-prandial
Vômitos pós-alimentares: por estreitamento
HDA (melena, hematêmese, sangue oculto nas fezes e raramente enterorragia)
Complicações:
1. HDA 20%: primeira manifestação em cerca de 10% dos pacientes que apresentam essa
complicação. Mortalidade de 5-10%.
2. Perfuração 6%: primeira manifestação em cerca de 1/3 dos pacientes com esta complicação, 2/3
dos óbitos por DUP por choque.
3. Estenose 2%: edema e cicatrização. Principalmente em úlceras de canal pilórico ou bulbo
duodenal.
Exames complementares:
1. EDA (endoscopia digestiva alta): possibilita o diagnóstico, a realização de biopsia, pesquisa do H.
pylori e, por vezes, é terapêutica.
2. REED (radiografia de esôfago, estomago e duodeno): menos preciso que a EDA, porém tem sua
importância nos pacientes em contraindicação para exame endoscópico e nos casos de estenose.
3. Gastrinemia (VN: 50-60 pg/mL: acima de 150 sugere gastrinoma, porém se apresenta
comumente em torno de 1.000).
Tratamento:
Clínico:
Sintomático e cicatrização:
Orientações dietéticas e comportamentais
Suspender fatores irritantes: AINES, álcool e fumo (nicotina estimula secreção ácida, dificulta cicatrização
da úlcera). Orientar diminuir a quantidade de cigarros fumados por dia, e orientar que sejam fumados
após alimentação.
Medicamentos:
1. Anti-secretores: diminuem a secreção ácida. Bloqueadores H2, inibidores de bomba de prótons
(1ª escolha).
2. Pró-secretores: aumentam a capacidade de defesa da mucosa. Antiácidos, Sucralfato, bismuto
coloidal, misoprostol (não é mais usado por ser abortivo).
Anti-HP:
Utiliza-se de 2 a 3 antimicrobianos associados a um anti-secretor por um período de 7-14 dias.
Todo paciente portador de DUP e HP+ deverá ser submetido ao tratamento anti-HP.
A recidiva ulcerosa cai de 80% em 1 ano para 5%, após a erradicação do HP.
Endoscópico:
HDA: hemostasia endoscópica, escleroterapia, vasoconstrictor, hemoclip.
Estenose: dilatadores e balões pneumáticos.
Cirúrgico:
HDA que não cessa após tratamento endoscópico, perfuração e estenoses que persistem pós dilatação.
Antrectomia: úlcera gástrica. Para estudo anatomopatológico, para afastar malignidade.
Vagotomia: úlcera duodenal.
Comentários:
Úlcera de estresse: importância de evitar os irritantes, álcool e fumo.
Úlcera perfurada: peritonite, abdome em tábua ao realizar a palpação, dor abrupta. RX visualiza
pneumoperitôneo.
UPD: cirrose, DPOC, hipertireoidismo, insuficiência renal crônica.
Omeprazol e CA, Alzheimer e osteoporose: tem-se discutido muito sobre isso, não está provado
cientificamente que a acloridria por ele pode causar CA. O que foi recomendado é que todo paciente que
usar a longo prazo inibidor de bomba de prótons, deve anualmente dosar ferro sérico (perda de sangue,
anemia e câncer), cálcio, magnésio (controle ósseo) e vitamina B12 (relação com manifestação futura de
Alzheimer). Nos exames alterados, tratar e repetir. Se ao repetir a alteração se manter, retirar o
medicamento.
Helicobacter pylori e afecções do aparelho digestivo
Gastroenterologia – Dr. Luiz Henrique
Julia Araújo – Med XXXV
Histórico:
1892: Helicobacter no estômago de cães – Bizzozero.
1979: Warren – examina gastrite crônica.
1981: Marshall – patologista (se contaminou propositalmente e uso de ABT para tratamento).
1983: publicação no Lancet
Médicos australianos (Marshall e Warren) ganharam prêmio Nobel em 2005.
Nomes: Campilobacter pyloridis – Campilobacter pylori – Helicobacter pylori.
Introdução:
Primeira descrição data em 1906: bactéria de forma espiralada presente no estômago, em estudos de
pacientes com ca gástrico.
1924: demonstração de atividade da enzima urease no estômago.
1954: contaminação e não infecção?
Após 20 anos: constatada a presença de um microorganismo no epitélio gástrico em pacientes com úlcera
gástrica.
1994: introdução do tratamento para erradicação do HP.
Microbiologia:
Bacilo espiralado gram negativo, família spirillaceae, microaerófilo e flagelado (4-6 flagelos
unipolares).
Abundante produção da enzima urease, que permite mudança do pH do meio para alcalino,
viabilizando a colonização no epitélio gástrico.
Produz outras enzimas importantes: catalase, fosfolipase, A2, protease, glicossulfatase, ATPase
tipo P, hemolisina, aldeído desidrogenase, proteína inibitória da secreção do HCL.
Pode produzir toxinas, como toxina vacuolizante.
Foram, até o mento, identificadas cerca de 40 cepas.
Epidemiologia:
Distribuição cosmopolita. Infecção bacteriana mais prevalente em seres humanos (3 bilhões de pessoas
ao redor do mundo), acomete cerca de 50% da população mundial, com maior incidência nos países em
desenvolvimento. No Brasil, a cada 10 EDA, 7 apresentam Helicobacter pylori.
Transmissão:
1. As vias oro-oral (placa dentária e saliva) e fecal-oral (água e alimentos) são as principais formas.
2. Gastro-oral: vômitos e regurgitação (muitas pessoas no mesmo recinto).
3. Sexual (oro-anal).
4. Gastro-gástrica: EDA e sondas.
Fatores predisponentes: falta de saneamento básico e água potável, precária higiene, desnutrição e
superpopulação.
Principais FR no Brasil:
Condições de vida desfavoráveis: aglomeração familiar, hábitos de vida de higiene pessoal, baixa
renda familiar, baixos níveis de educação, falta de instalações sanitárias.
Serviços públicos de saúde deficientes: coleta de lixo doméstico, abastecimento de agua
potável, mal tratamento de resíduos recolhidos.
Em geral, a infecção nos países em desenvolvimento ocorre na infância: 70% das crianças até 5 anos de
idade, 80% dos indivíduos após a idade de 20 anos.
Quadro clínico:
Geralmente a infecção é assintomática. Mas predispõe doenças que trazem sintomas, como UGD e
gastrites.
Sinais e sintomas chaves (ocasionados pelas possíveis patologias associadas a infecção):
1. Epigastralgia
2. Saciedade precoce
3. Hemorragia digestiva alta
4. Vômitos e náuseas
5. Inapetência
OBS: pedir EDA na presença desses sintomas.
No estomago, o H. pylori evolui para três tipos:
1. Pangastrite leve: 90% > dispepsia funcional
2. Gastrite antral: evolui para úlcera duodenal
3. Gastrite proximal: fundo e corpo – úlcera gástrica (ADC gástrico)
Diagnóstico:
1. Métodos invasivos (através da EDA)
a) Diretos: histologia, cultura com antibiograma.
b) Indireto: teste da urease.
2. Métodos não invasivos:
a) Teste respiratório
b) Sorologia: pesquisa de IgG por ELISA para H. pylori
c) Antígeno fecal
Teste da urease: fragmentos da mucosa do antro e corpo gástrico são colhidos e colocados em um
recipiente contendo um líquido ou gel com ureia e marcador de pH (vermelho fenol). Sensibilidade de
90%, especificidade de 90%. Indicação: diagnóstico e confirmar erradicação.
Histologia: colhidos 2 fragmentos da mucosa do corpo e antro gástrico (2 de cada) para analise
histopatológica com coloração de Giemsa ou HE. Sensibilidade e especificidade de 90%. Indicação:
diagnóstico e confirmar erradicação. Tem mais valor que o teste da urease.
Cultura: fragmentos da mucosa do corpo e antro são coletadas e semeados em meio de cultura (ágar-
chocolate). Sensibilidade de 80-90%, especificidade de 95%. Indicação: realização de antibiograma, após
a segunda tentativa de tratamento.
Teste respiratório: paciente ingere solução com ureia marcada com isótopo (C13 não radioativo com C14
radioativo) e exala em um tubo. A ureia é hidrolisada pela bactéria e o CO2 marcado é detectado no ar
expirado através de espectrofotometria. Sensibilidade de 95%, especificidade 100%, indicado para
confirmação da erradicação. Suspender o IBP de 2 a 4 semanas.
Sorologia: detecção no soro de anticorpos anti-Helicobacter pylori. Não define infecção atual, pois pode
permanecer positivo por tempo prolongado após a erradicação. Sensibilidade e especificidade de 90%.
Indicação: estudos epidemiológicos e diagnóstico (em virgens de tratamento).
Antígenos fecais (HpSA): detecção nas fezes de antígenos oriundos pela bactéria. Pouco disponível e
necessita de materiais específicos.
Critérios para escolha do método:
Indicação de EDA: sinais e sintomas presentes (de alarme: perda de peso, anemia, sangramento),
incidência de neoplasia gástrica regional e idade do paciente (ponto de corte: idade aumenta o
risco de neoplasia gástrica na região): método invasivo.
Avaliar custo, disponibilidade.
Prevalência populacional da infecção: sorologia e HpSA.
Controle pós-erradicação: teste respiratório, se disponível. Este controle deve ser realizado, no
mínimo, 60 dias após o término no tratamento.
TR, HpSA e métodos invasivos: exigem suspensão de anti-secretores e ABT por 1-2 semanas.
Tratamento:
Consiste na utilização de um esquema de 2 ou 3 ABT associados a um inibidor da bomba de prótons
(esquemas tríplice e quadruplo, respectivamente), por um período de 7-14 dias. O esquema padronizado
hoje é de 14 dias.
Causas de falha terapêutica:
a) Resistencia bacteriana, principalmente ao metronidazol, 50-80% primária e à claritromicina, 5-
25% secundária. No brasil, evita-se o uso de metronidazol.
b) Falta de aderência.
c) Tipo de afecção: cepas mais virulentas respondem melhor? UD=22% e dispepsia funcional=33%
d) Esquemas de tratamento incorretos.
Indicações (II consenso brasileiro):
1. Úlcera gastroduodenal.
2. Linfoma MALT de baixo grau.
3. Pós-cirurgia de câncer gástrico avançado, em pacientes submetidos a gastrectomia parcial.
4. Pós-ressecção de câncer gástrico precoce (EDA ou cirúrgica).
5. Gastrite histológica intensa.
6. Pacientes de risco para úlcera/complicações que utilizarão AINES.
7. Pacientes com história previa de úlcera ou HDA e que utilizarão AINES.
8. Indivíduos de risco para câncer gástrico.
9. Dispepsia funcional: sem consenso, benefício em 8% dos casos (aumenta após 2 anos).
10. Gastrite atrófica.
11. Desejo do paciente.
Esquema terapêutico:
1º tratamento tríplice:
1. IBP (omeprazol ou pantoprazol) + AMO 1g (2 cp de 500 mg) + CLARIT 500 mg 2x ao dia por 7 ou
14 dias (4 cp de manhã de jejum, 4 cp de tarde antes do jantar)
2. IBP + CLARIT 500 mg + FURAZOLIDONA 200 mg 2x ao dia por 7 dias ou
3. IBP + FURAZOLIDONA 200 mg 3x + TETRACICLINA 500 mg 4x por 7 dias
Retratamento:
Depende da negativação nos exames, EDA ou teste respiratório em quadros mais leves. Geralmente são
feitas em média de 60 dias após fim do 1º esquema terapêutico.
Se o 1º esquema foi: IBP + AMO + CLARIT ou IBP + AMO + FUARZ, pode-se utilizar:
1. IBP 1x + SAL DE BISMUTO 240 mg + FURAZOLIDONA 200 mg + AMO 1g 2x ao dia por 10-15 dias
ou
2. IBP 2x + LEVOFLOXACIN 500 mg 1x + AMO 1g 2x por 10 dias (4 cp de manhã e 3 cp de tarde) ou
3. IBP 2x + LEVOFLOXACIN 500 mg 1x + FURAZOLIDONA 200 mg 2x por 10 dias.
Se o 1º esquema foi: IBP + FURAZ + TETRA, pode-se utilizar:
1. IBP + AMOX 1 g + CLARIT 500 mg 2x ao dia por 7 ou 14 dias.
2. IBP + sal de bismuto 240 mg + MO 1g 2x ao dia por 10 a 14 dias.
OBS: a taxa de erradicação na primeira linha de tratamento, a chance de sucesso é de 80-90% e no
retratamento de 70-80%. Casos de câncer gástrico em pacientes tratados e erradicados. Então, a
erradicação não exclui a possibilidade de neoplasia, mas ao erradicar diminui 92% as chances.
Novas perspectivas de tratamento:
1. Rifabutina (esquema tríplice com AMO e IBP). Não disponível no Brasil.
2. Probióticos: antes ou durante o esquema de ABT. Pode reduzir os efeitos colaterais do
tratamento (diarreia, disgeusia, flatulência), melhora eficácia (reduz a densidade bacteriana e a
gastrite).
3. Vacina: em estudo.
OBS: o consenso nacional não estabelece limites para o número de retratamentos.
Epidemiologia:
1. Atinge 20% da população brasileira.
2. É uma afecção crônica crescente entre os indivíduos.
3. Ocorre prejuízo à qualidade de vida, por isso deve ser tratada por quase toda a vida.
OBS: o aumento da pressão interna é uma causa importante de refluxo, assim a obesidade tem
contribuído para a gênese da doença. Nesse sentido, também recomenda-se evitar exercícios intensos
que aumentem a pressão intra-abdominal.
Incidência: afeta cerca de 12% da população urbana no Brasil, considerando-se, somente os sintomas
típicos (relacionados à obesidade). Estima-se que a prevalência é de cerca de 20% da população geral.
Fisiopatologia:
O relaxamento inadequado do esfíncter inferior esofageano (EIE) favorece o retorno do conteúdo ácido
gástrico, manifestando pirose e regurgitação (sensação de retorno alimentar). Outra causa de refluxo é a
hérnia de hiato esofágico.
Manifestações clínicas: a pirose (azia, queimação) precede a regurgitação, proveniente da acidez no
esôfago.
Etiopatogenia:
1. Relaxamentos transitórios do esfíncter esofageano inferior (EEI) não relacionados à deglutição,
correspondendo a 65% dos casos. Tônus normal.
2. Aumento da pressão intra-abdominal: exercícios físicos intensos, gravidez, ascite volumosa,
obesidade (pressão faz refluir mais ácido).
3. Hipotonicidade do EEI (tônus normal: 14 a 24 cm H2O).
4. Esvaziamento gástrico retardado. Se a digestão é dificultada, favorece-se o refluxo. Congênito ou
hábitos alimentares inadequados.
5. Imaturidade do EEI nos recém-nascidos. Pediatria!
Fatores predisponentes
1. Gravidez: alterações hormonais e aumento da pressão intra-abdominal.
2. Hérnia hiatal por deslizamento: ocasiona distúrbios motores que dificultam o esvaziamento
esofágico, alteração anatômica na transição esofagogástrica e pode ocasionar o refluxo. O mais
comum é o estomago deslizando para dentro do esôfago.
3. Esclerose sistêmica progressiva: doença neurológica, disfunção motora.
4. Gastrinoma: hipercloridria acentuada.
5. Obesidade: aumento da pressão intra-abdominal.
6. Fatores externos:
a. Intubação nasogástrica prolongada (principalmente em pacientes internados em UTI por
longo tempo, em IOT): altera o mecanismo anti-refluxo.
b. Medicamentos que reduzem a pressão do EIE como teofilina, anticolinérgicos,
anticoncepcionais orais, nitratos e bloqueadores de canal de cálcio.
c. Condições pós-cirúrgicas à miotomia esofagogástrica de Heller (empregada na correção de
megaesôfago).
Quadro clínico:
Manifestações típicas: pirose (queimação retroesternal) e regurgitação. Em muitos casos não há
correlação entre a intensidade dos sintomas e o grau de comprometimento do esôfago. A frequência dos
sintomas mínima de 2 vezes por semana por um período de 4 a 8 semanas, é altamente sugestiva de
DRGE.
Manifestações atípicas:
Esofageanas: hipersalivação, “globus” faríngeo (“bolo” no esôfago), eructações, soluços, disfagia
(sensação de que o alimento parou no tórax, dificuldade em deglutir), odinofagia (deglutição dolorosa),
dor torácica (simula angina pectoris, fazer ECG para descartar causa cardíaca).
Extra-esofageanas:
1. Otorrinolaringológicas: tosse crônica, pigarro, rouquidão, faringites, laringites, granuloma ou
úlcera de corda vocal.
2. Pulmonares: asma, bronquite crônica, apneia do sono, atelectasia, fibrose pulmonar intersticial
e pneumonias de repetição (mais comum em crianças).
3. Orais: desgaste do esmalte dentário (tártaros formados pela hiperacidez), aftas e halitose.
É comum pacientes com manifestações extra-esofágicas não apresentam sintomas típicos de esofagite
erosiva ou DRGE.
A microaspiração/macroaspiração e reações reflexas vagais têm sido atribuídas às manifestações extra-
esofágicas.
Complicações da DRGE:
1. Hemorragia é rara e geralmente leve.
2. Perfuração é rara e gravíssima.
3. Estenose acontece após anos de refluxo. Manifesta-se por disfagia progressiva.
4. Úlcera de esôfago: normalmente na transição esofagogástrica.
5. Esôfago de Barret é a principal complicação. É a metaplasia do epitélio estratificado esofágico
em colunar intestinal com extensão acima de 2 cm, na porção distal do esôfago (abaixo de 2 cm
é chamado de segmento curto do epitélio de Barret). Pode se apresentar como um
prolongamento circunferencial ou digitiforme e como ilhotas na EDA. É condição pré-maligna.
Noman Barret foi um cirurgião torácico que descobriu esta condição clínica em 1950. É mais
frequente em pacientes com mais de 40 anos porque a metaplasia surge a partir de esofagites
recorrentes, acidez e azia. Atinge mais os homens (4:1 mulher).
Acompanhamento de endoscopia/biópsia nos 4 quadrantes esofágicos. Os inibidores de bomba
de prótons, IBP, devem ser rotineiramente prescritos, como proteção e controle da
sintomatologia.
Manometria para verificar o funcionamento do esôfago e medir as contrações musculares
(peristaltismo).
FR: sexo maculino, raça branca, HF de esôfago de Barret, presença de hérnia hiatal, tabagismo,
obesidade, idade>40 anos, Barret longo (3 cm ou mais, tem maior tendência de evoluir para
câncer).
A metaplasia pode evoluir para displasia e então para carcinoma.
O adenocarcinoma provém do epitélio de Barret. Acredita-se que cerca de 10% dos portadores
de metaplasia desenvolverão câncer. Para o diagnóstico do epitélio de Barret e a confirmação da
existência de displasia ou adenocarcinoma necessita-se, OBRIGATORIAMENTE, da realização de
biópsias.
Exames complementares:
1. EDA: padrão ouro é a endoscopia digestiva alta, detecta as consequências do refluxo como
esofagite, estenose, hérnia hiatal. É indicada para pacientes com pirose por 2 ou mais vezes por
semana, por 6 a 8 semanas, pacientes com sinais de alarme (anemia, emagrecimento),
manifestações atípicas, avaliação do tratamento em esofagites moderada a grave e vigilância do
Barret. Apresenta alta especificidade, porém baixa sensibilidade. É o primeiro exame a ser
solicitado.
Considerações importantes:
40-60% dos paciente com DRGE tem EDA normal.
Biópsias em refluidores com EDA normal: verificação de dilatação dos espaços
intercelulares por microscopia eletrônica. Aumenta a probabilidade de certeza diagnóstica
e permite avaliar a resposta terapêutica (oneroso e pouco disponível ainda).
Hérnia hiatal por deslizamento: graus I (2 cm), II (3-4 cm) e III (>5 cm).
2. REED (RX esôfago, estômago e duodeno): é útil para disfagia, estudo da motilidade esofágica e
gástrica e pode evidenciar a hérnia hiatal. Não detecta esofagite.
3. Manometria esofágica: detecta alterações motoras. Usada na avaliação pré-operatória para
cirurgia anti-refluxo e para localizar o EEI na pHmetria. Define o funcionamento do esôfago e
mede o peristaltismo ao engolir.
4. Cintilografia é empregada na pediatria porque indica o local do refluxo e estuda o esvaziamento
gástrico. Não quantifica o refluxo. É mais prática que a endoscopia em crianças.
Outros exames:
1. PHmetria de 24 horas: eletrodos detectam PH na luz esofágica (PH<4 em mais de 4,2% do tempo
de exame). Alta sensibilidade e especificidade na detecção do refluxo ácido (93-90%).
Indicações:
Pacientes com sintomas típicos, sendo EDA normal.
Avaliação da terapêutica clínica e cirúrgica.
Pacientes com manifestações atípicas e sem esofagite, porém em 35% destes casos o refluxo
é não ácido.
Documentação da exposição ácida em pacientes candidatos a tratamento cirúrgico, com
EDA negativa.
Limitações: não determina refluxo não ácido e volume do refluxato, há dificuldade para
localização do eletrodo, deslocamento do cateter e limitações físicas e dietéticas para o paciente.
2. PHimpedanciometria intra-esofágica:
Mede a resistência elétrica de um segmento cilíndrico delimitado por dois eletrodos adjacentes.
Z (impedância) é inversamente proporcional a condutividade elétrica (alimento – parede do
esôfago – ar).
Maior sensibilidade que a PHmetria de 24 h.
Indicações: avaliação terapêutica, correlacionar sintomas com refluxo, suspeita de DRGE com
EDA normal.
VR ainda estão sendo estabelecidos, além de ser um método de alto custo.
Teste terapêutico: utiliza inibidor de bomba de prótons em dose plena, por 30 dias. É indicado para
pacientes com manifestações clínicas de DRGE, com EDA não evidenciando esofagite. A prova terapêutica
substitui os exames complementares. Se o paciente evolui bem, diagnostica o refluxo.
Tratamento:
Tipos: orientações higieno-dietéticas, tratamento medicamentoso, endoscópico, cirúrgico.
Objetivos: alívio dos sintomas, cicatrização das lesões, prevenção de recidivas e complicações.
Orientações higieno-dietéticas:
1. Elevar a cabeceira da cama de 15 a 10 cm.
2. Redução de peso em obesos.
3. Evitar roupas apertadas porque comprimem o estômago.
4. Evitar deitar após refeições porque o EEI leva de 30 a 40 minutos para fechar, favorecendo o
refluxo se o paciente estiver em decúbito. O hiato está aberto nesse período.
5. Fracionar a dieta evitando a distensão gástrica e facilitando o esvaziamento.
6. Não ingerir líquidos durantes as refeições. No máximo meio copo, ajuda na deglutição ao lavar a
porção gustativa.
7. Evitar alimentos ácidos, café, álcool, tabagismo, chocolate, bebidas gasosas, condimentos,
gorduras, frutas cítricas. Esses alimentos dificultam a digestão, retardando o esvaziamento
gástrico e favorecendo refluxo. Direcionar essa orientação de acordo com a anamnese.
8. Reduzir AINES e tabagismo porque são irritantes gástricos.
9. Evitar exercícios físicos intensos ou que aumentem a pressão intra-abdominal.
Tratamento medicamentoso:
1. Antiácidos: o efeito é discutível, alívio dos sintomas é de 1 a 3 horas.
2. Bloqueadores H2 têm eficácia inferior no tratamento do refluxo que o tratamento da úlcera.
Ranitidina, cimetidina.
3. Procinéticos auxiliam a motilidade do esôfago e melhoram o esvaziamento gástrico. Sempre
associados aos IBP. Por exemplo, domperidona (melhor efeito na motilidade na dose de 10 mg),
metoclopramida, bromoprida.
4. Anti-secretores: IBP em dose plena: omeprazol 20 mg, lanzoprazol 30 mg, pantoprazol 40 mg,
rabeprazol 20 mg e esomprazol 40 mg (estes dois últimos atuam na esofagite).
Estas são as doses plenas, que devem ser prescritas em dose única pela manhã ou metade da
dose plena 2x ao dia, sempre 30 minutos antes das refeições.
OBS: 20 a 40% dos pacientes não respondem bem aos IBPs.
Esquema de dose:
Ataque: 4-8 semanas com dose plena. 30 dias em média.
Manutenção: metade da dose.
Sob demanda: tomar quando tiver sintomas. Menor custo, aumenta a aderência, indicado na
DRGE não-erosiva.
Pacientes com sintomas atípicos, a dose plena é dobrada, administrada por 2 a 6 meses, sendo
uma dose em jejum e outra antes do jantar.
Tratamento cirúrgico:
Cerca de 10% dos pacientes requerem desse tipo de tratamento, seja ele convencional ou por
laparoscopia. A cirurgia proporciona bons resultados em 85% dos pacientes. Pode ser realizada
fundoplicatura na técnica convencional ou por laparoscopia. A recidiva em 5 a 15 anos é de 50% dos
pacientes, necessitando do retorno de uso do IBP.
Indicações:
1. Esôfago de Barret: risco de ADC, recusa tratamento clínico.
2. Estenose extensa ou sem melhora após dilatação.
3. Afecções cirúrgicas concomitantes: já vai ser submetido a cirurgia, aproveita o campo aberto.
4. Complicações respiratórias sem resposta ao tratamento clínico.
5. Pacientes jovens (abaixo de 40 anos) com esofagite e que requerem tratamento prolongado.
6. Insucesso do tratamento clínico.
7. Aderência frágil.
8. Preferência do paciente pela cirurgia.
Parasitoses:
Patogenia: ovos, larvas, auto-infestação (oxiuríase)
Quadro clínico – diversificado
1. Principais sintomas: dor, diarreia/constipação, anemia, prurido (na pele naqueles que
penetram, ou anal), náusea, anorexia, plenitude pós-prandial, distensão abdominal.
2. Responsável pelo início de queixas abdominais, deve ser sempre pesquisada.
3. Depende de: hábitos de higiene de cada indivíduo, cuidados de saúde pública de cada área.
Diagnóstico:
A olho nu
Exame de fezes: parasitológico, coprotest, MIF (3 colheitas no MIF, 1 no coprotest – indicada
para pacientes com intestino preso: tem um líquido que preserva as fezes mais secas)
Hemograma:
a.Eosinofilia – áscaris, estrongyloides, S. mansoni. N. americanos e Ancilostoma
duodenali.
b. Anemia – Ancilostoma duodenali, N. americanos, Trichuris trichiura.
Síndrome disabsortiva: Giardia Lamblia
Icterícia obstrutiva e pancreatite: Ascaris lumbricoides
Métodos de exame:
1. Hoffmann, Pons, Janer
2. Faust
3. Baermann-Moraes
4. Graham – fita gomada
Helmintos:
Ascaridíase
Ascaris lumbricoides + comum na população brasileira
Transmissão via oral: ovos expulsos nas fezes contaminadas por: água, alimentos.
Condições higiênicas e sanitárias precárias.
Presença de ciclo pulmonar
Quadro clínico: carga parasitária e localização, habitat natural é o intestino delgado, outros
locais: obstrução.
Diagnóstico: exame de fezes, expulsão da cavidade anal.
Tratamento:
1. Levimazol 150 DU – Mebendazol 40
2. Albendazol 400 DU
3. Obstrução intestinal: Piperazina
Potencial agressivo muito grande, é o primeiro a ser tratado em casos de outros vermes.
Requer repetição de tratamento por ter ciclo pulmonar.
Icterícia obstrutiva, pancreatite, apendicite podem ser complicações.
Ancilostomíase
Ancylostoma duodenale, Necator americanus
Hábito de andar descalço.
Exame de fezes, sangue oculto.
Epigastralgia
Anemia microcítica e hipocrômica, palidez
Anemia ferropriva: lâmina cortante penetra intestino e “consome” o sangue
Perversão de apetite: comer terra
Tem ciclo pulmonar: repetir tratamento em 15 dias.
Tratamento:
1. Albendazol 400 mg: 1 dose, repetir após 7 dias.
2. Mebendazol 100 mg: 3 dias consecutivos.
Estrongiloidíase:
Strongyloides stercoralis
Exames de fezes: larvas
Quadro clínico: epigastralgia importante, náusea/ vômito/ diarreia, perda de peso, irritabilidade.
Tratamento:
1. Ivermectina 6 g
2. Tiabendazol 2 g/dia: 3 dias – extremamente tóxico
3. Albendazol 400 mg: 3 dias
Repetir tratamento – ciclo pulmonar
Oxiuríase:
Enterobius vermicularis ou oxyuros vermicularis
Fêmeas fecundas descem até canal anal; sugestão de ovos – auto contaminação
Prurido: anal e vaginal – desenvolvimento de vaginite por proximidade
Irritação, insônia
Diagnóstico: swab anal, fita adesiva
Tratamento:
1. Mebendazol – com associações
2. Albendazol
3. Pamoato de pirvínio: 1 vez só, 2 horas após uma das refeições, pyr-pan (nome comercial).
Repetir em 15 dias.
Medidas comportamentais: cortar unhas, lavar roupas íntimas com água quente, roupas de cama
devem ser expostas ao sol e lavadas com água quente.
Tricocefalíase:
Trichocephalus Trichuris
Contaminação por VO: água, alimentos
Quadro clínico: pouco sintomáticos, dor, inapetência, anemia, baixo rendimento escolar em
crianças
Exame de fezes – diagnóstico
Tratamento:
1. Albendazol em DU
2. Mebendazol em 3 dias
3. Ivermectina + Albendazol: quando não houver resposta ao tratamento
Não tem ciclo pulmonar, não precisa de repetir tratamento.
Teníase
Taenia solium – carne de porco, Taenia saginata – carne de vaca
Hábito de comer carne crua
No corpo: anéis e proglotes (identificar para diagnóstico)
Pouco sintomáticos: diarreia, dor, emagrecimento
Tratamento:
1. Prazinquantel – CESTOX: DU pela manhã, 4 comprimidos
2. Albendazol (Zentel, Zolbem e Parazim) 400 mg, 3 dias
3. Mebendazol 200 mg 2x ao dia, 3-5 dias
Complicações: cisticercose, hidrocefalia, epilepsia
Protozooses:
Amebíase – 3 tipos de ameba, E. coli, E. nana, E. histolytica a única patogênica é:
Entamoeba histolytica
Diagnóstico: exame de fezes
Clínica: dor (lembra úlcera, dor em 3 tempos), diarreia, febrícula
Abcesso hepático
Tratamento:
1. Tinidazol 2 g/fia: 2-5 dias
2. Metronidazol 250 mg 3x/dia: 10 dias
3. Secnidazol 1g/dia: 1x dia, 3 dias
Giardíase:
Giardia lamblia
DD com síndromes disabsortivas
Diagnostico: exame de fezes – método de Faust: cistos
Clínica: empachamento e alternância diarreia/constipação, causando mais diarreia em crianças
Tratamento:
1. Secnidazol 1g: 2 comprimidos
2. Tinidazol 2 g: DU
3. Metronidazol 250 mg: 3x/dia, 7-10 dias
4. Não ingerir bebidas alcoólicas: mal-estar
5. Albendazol 400 mg, 5 dias
Esquema polivalente- helmintos e protozoários: Albendazol, próximo dia 2 comprimidos de
Secnidazol. Quando tomar Secnidazol, não pode ingerir álcool um dia antes e dois dias depois.
Esquistossomose mansônica:
S. mansoni
Hospedeiro intermediário: Biomphalaria glabata
Ovos são eliminados com as fezes: exame de fezes, biopsia retal, característica de zona endêmica
Tratamento:
1. Oxamniquina, MANSIL: adulto DU
2. Praziquantel: DU
Controle: exame de fezes mensais – 6 meses
Complicação: hipertensão portal – causa de óbito
Epidemiologia:
Dados fidedignos são de difícil obtenção
9-23% na população geral
Eua: 7%
Brasil: 17%
Brancos 2:1
Sexo feminino: 3:1
Início dos sintomas: adulto jovem + comum, mais comumente antes dos 50 anos (idosos têm
mais relação com patologia orgânica)
Procuram assistência médica: 20-50% dos pacientes e com 30-50 anos
Diagnóstico:
Deve ser positivo e, algumas vezes, por exclusão.
Roma IV 2016: prevalência de doença orgânica identificável, em pacientes que preencham os critérios
diagnósticos, com menos de 50 anos e sem sinais/sintomas de alarme (inapetência, emagrecimento,
sangramento) é menor que 1,2%.
Critérios de Roma IV: dor abdominal recorrente pelo menos 1 dia por semana, nos últimos 3 meses,
associado a:
a. Mudança na frequência das fezes
b. Mudança na forma das fezes
Seis meses antes do diagnóstico, 90% do diagnóstico.
A colonoscopia deve ser realizada sempre que houver suspeita de neoplasia ou doença inflamatória e
paciente acima de 50 anos de idade. Segundo a SBCP, todos obrigatoriamente após 45 anos devem fazer
anualmente a pesquisa de sangue oculto nas fezes, e se HF+ de câncer de qualquer órgão, rastreamos
acima de 40 anos. Se sangue oculto +: obrigatoriamente pedir colonoscopia. Pode ser DI, pólipo,
verminose, hemorroida, tumor benigno, neoplasia. Método monoclonal: método biológico separa
alimentos de sangue.
Formas clínicas:
1. Com diarreia: 3 ou + evacuações por dia, fezes amolecidas e/ou aquosas acima de 25% das
evacuações.
2. Com constipação: 3 ou – evacuações por semana, fezes endurecidas e/ou cibaliformes (“cocô de
cabrito”) acima de 25% das evacuações.
3. Alternante ou mista: ambas as características em mais de 25% das evacuações.
4. Não subclassificada: sem alteração na consistência fecal.
Exame físico:
Dor a palpação abdominal, mais comumente da região do sigmoide e, eventualmente difusa,
timpanismo aumentado, RHA aumentados.
Toque retal: sensação de hipertonia do esfíncter anal, o qual poderá ocasionar dor durante o
toque.
DD:
Parasitoses intestinais
Distúrbios psiquiátricos: depressão e somatização
Uso de drogas: laxativos e antiácidos
Deficiência de lactase
Doença celíaca
DII- RCUI e doença de Chron
Distúrbios metabólicos: DM e tireopatias
Infecções bacterianas: salmonelose, Clostridium difficile, etc
Tumores endócrinos: carcinoide e Vipoma
Neoplasia: adenoma viloso (pré-malígno) e ADC colônico
Tratamento:
Depende: aceitação do paciente + conscientização que não evoluirá para doença grave + medicamentos
para alívio dos sintomas.
Exige: orientações higienodietéticas + terapêutica medicamentosa + psicoterapia.
Orientações:
1. Dieta rica em fibras: feijão, iogurte, polenta, etc.
2. Aumentar a ingestão diária de líquidos.
3. Evitar alimentos que produzem gases: chocolate, gelatina de frutas, alimentos diet que
contenham sorbitol ou frutose, grãos, repolho, etc.
4. Diminuir a ingesta de alimentos gordurosos e de alimentos que precipitam crise.
5. Atividade física regular.
OBS: avaliar diariamente alimentos consumidos. Uma orientação legal é pedir para o paciente anotar o
que consumiu no dia que apresentou sintomas e no dia anterior.
3. Formadores de massa: agem retendo água em sua estrutura, aumentando o volume fecal. São
reguladores intestinais, podendo ser utilizados na forma diarreica quanto constipada.
Drogas: psyllium (metamucil), policarbofila (muvinor), plântago (Plataben).
6. Antidiarreicos: reduzem motilidade intestinal por ação direta nos plexos mioentéricos,
melhorando a consistência do bolo fecal.
Drogas: Loperamida (Imosec) e Difenoxilato (Lomotil). Evitar em idosos > 80 anos; e crianças com
< 3 anos.
7. ABT: uso reservado a casos refratários e por curto prazo, máximo 14 dias.
Neomicina e Metronidazol foram os que se mostraram mais eficazes.
Norfloxacino 7 dias, Cipro 10 dias.
9. Antidepressivos/ansiolíticos:
Psicoterapia:
Indicado nos casos onde componente emocional é muito atuante
É importante a boa relação médico-paciente e a conscientização adequada do paciente a
respeito do caráter benigno e da evolução da SII.
Explicar a doença, confiança no médico é fundamental.
“Momento futuro”:
1. Transplante de microbiota fecal: para pacientes com infecção com Clostridium difficile. Diarreia
predominante + empachamento significativo.
2. Aconselhamento dietético: teor reduzido de CHO fermentáveis de cadeia curta.
3. Hipnoterapia (hipnose): é mais eficaz no tratamento da SII.
Intestino delgado:
1. Deficiência de dissacaridases: mais comum intolerância à lactose – deficiência enzimática
2. Alterações epiteliais: Síndrome do intestino curto, doença celíaca, doença de Whipple
(Tropheryma whippelli), parasitoses (Estrongiloidíase, giardíase, ancilostomíase) e doenças
inflamatórias (Chron, TB e Blastomicose – depende da extensão e localização)
3. Enteropatias perdedoras de proteínas: linfomas, linfangectasias, TB
4. Doenças vasculares: isquemia intestinal e vasculites
Quadro clínico:
1. Diarreia (osmótica ou secretora): perda de água e eletrólitos
2. Esteatorreia: fezes com excesso de gordura – fezes boiam no vaso
3. Cólicas, distensão abdominal e flatulência: aumento da produção de H2 e CO2
4. Emagrecimento: CHO, gorduras e proteínas
5. Parestesias, tetania, sinal de Chvostek, fraturas ósseas patológicas: vitamina D, cálcio e magnésio
deficientes
6. Edema e anasarca: hipoalbuminemina
7. Sangramento/equimose: vitaminas C e K
Doenças principais que levam a má absorção: ruptura do equilíbrio da digestão e absorção de nutrientes
pelo TGI.
1. Doença celíaca:
Sensibilidade ao glúten, centeio, cevada, aveia e malte.
Sintomas: atraso no crescimento, anorexia, cansaço e perda de peso.
Ocorre em qualquer idade (ligeiro declínio na infância), maior incidência na 5ª década.
Predomínio entre as mulheres.
Tagabismo: fator protetor – nicotina
Sinais: astenia, glossite, desnutrição.
Laboratório: dois exames + importantes: Ac anti-endomísio IgA, anti-transglutaminase
IgA.
Tratamento: dieta sem glúten, reposição de vitaminas.
Complicação: associação com linfoma de intestino delgado, câncer de boca, faringe e
esôfago, carcinoma intestinal.
2. Doença de Whipple:
Moléstia crônica, reicidivante, perda de peso. Progressão lenta.
Doença rara, causada por bacilo TROPHERYOUS WHIPPLEI.
Mais comum em homens na 4ª e 5ª década de vida.
Atralgia que precede os sintomas – não deformante.
Sintomas: diarreia, dor tipo cólica, má absorção, distensão, flatulência, esteatorreia,
perda de peso, enteropatia perdedora de proteínas.
Diagnóstico difícil: biopsia de duodeno e teste de PCR.
Tratamento: ABT com bom prognóstico: Sulfametoxazol + Trimetropima (6-12 meses),
alergia: Cloranfenicol e Ceftriaxona.
Sintomas SNC: cefaleia, convulsão, ataxia, fraqueza. Ocular: irite ou perda de visão.
Anemia, hipoalbuminemina e índice elevado de gordura fecal podem estar +.
3. Supercrescimento bacteriano:
Colonização do intestino delgado por alta concentração de bactérias, desde bactérias
que vivem em simbiose como aquelas patológicas.
Má absorção por danos na mucosa e impedimento da absorção.
BCT mais encontradas: Estreptococos, E. coli, Estafilococos, Klebsiella.
Idosos estão mais sujeitos.
Recorrências são comuns.
Doença correlatada: esclerodermia.
Sintomas: diarreia, timpanismo, dor abdominal, perda de peso. Idosos: anorexia e
náuseas.
Diagnóstico: cultura e antibiograma, DD de diarreia crônica.
Tratamento: ABT – duração limitada (7-10 dias). Corrigir deficiências nutricionais.
Probióticos ainda estão em estudo. Os mais usados são: Nor, Ciprofloxacino e
Metronidazol.
4. Síndrome do intestino curto
Decorrente de: doença vascular mesentérica, doença de Chron, câncer.
Ressecção que deixa o paciente com menos de 70 a 100 cm de delgado.
Sintomas: diarreia, perda de peso, depleção de volume.
Sinais: caquexia e depleção de volume.
Melhor resultado em paciente jovem.
Tratamento: reposição de nutrientes, inibidores de motilidade, reduzir calorias,
suplementar vitaminas.
5. Doenças inflamatórias intestinais: Chron e RCUI
São consideradas as principais doenças inflamatórias intestinais idiopáticas.
Doenças imprevisíveis: surtos recorrentes, episódios de atividade inflamatória.
Manifestação digestivas e extra digestivas.
Períodos de remissão são imprevisíveis.
Doença de Chron:
Bimodal: 20 e 50 anos.
1/3 dos casos envolve o intestino delgado –íleo terminal, metade dos casos acometem
1 delgado e 4 cólons, 20% somente o cólon envolvido.
Apresentação clínica:
a. Doença inflamatória crônica- ileíte: febre baixa, mal-estar, perda de peso, astenia
intensa, diarreia sem sangue 5-6 vezes ao dia. Dor abdominal em cólica.
b. Obstrução intestinal: estreitamento por estenose de alça
c. Fistulização com ou sem infecção
d. Doença perianal: 1/3 desenvolvem fístulas
e. Manifestações extra digestivas: lesões orais, calculoses, artrite, úlceras de boca,
colangite esclerosante, eritema nodoso, piodermia gangrenosa.
20% maior em mulheres.
Condições socioeconômicas mais altas, evidencias de pré-disposição genética.
Envolve da boca ao ânus.
Febre baixa, febre alta/complicação: anemia, leucocitose, abcesso.
Complicação: Ca colorretal, linfoma e osteoporose.
Tratamento:
a. Doença leve: dieta, Sulfasalazina, Metronidazol, Ciprofloxacino.
b. Doença moderada: corticoides (prednisona em 70%)
c. Doença grave: hospitalização, esteroides IV, ABT.
1. Semiologia Neurológica
2. Coma e estado alterados da consciência
3. Hipertensão intracraniana
4. Doença de Parkinson
5. Cefaleia
6. Epilepsia
7. Doença de Alzheimer
8. AVE
9. Doenças Desmielinizantes do SNC
10. Paralisias Flácidas
11. Meningite inflamatória de evolução aguda
12. Movimentos involuntários
PNEUMOLOGIA
1. Avaliação do Paciente Pneumológico
2. Dispositivos Inalatórios
3. DPOC -Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica
4. Asma Brônquica
5. Derrame Pleural e Câncer de Pulmão
6. Doenças Pulmonares Intersticiais
7. Distúrbios Respiratórios do Sono
8. Tabagismo
9. Tromboembolismo Pulmonar Agudo
10. Hipertensão Pulmonar
11. Infecções de Via Aérea Superior
Avaliação do Paciente Pneumológico
Pneumologia – Dra. Kátia
Julia Araújo – Med XXXV
Sintomas respiratórios: tosse, dispneia, dor torácica, hemoptise.
Tosse:
1. Início
2. Evolução
3. Duração: tosse aguda <3 semanas, subaguda: 3-8 semanas, tosse crônica >8 semanas.
4. Seca ou produtiva: quantidade e coloração do catarro esbranquiçada ou serosa etiologia
inflamatória, amarelo purulenta ou amarelo esverdeada pensar em doença infecciosa, se
componente amarronzada pensar em presença de sangue, podendo ser um processo neoplásico.
5. Característica: intermitente ou constante, se maior prevalência em algum horário ou época do
ano (piora a noite ou inverso, pensar em doença inflamatória obstrutiva).
6. Fatores agravantes e atenuantes.
Dispneia:
1. Início
2. Evolução
3. Duração: aguda ou crônica (>30 dias)
4. Variante posicional: ortopneia na ICC e platipneia nos shunts
5. Características: intermitente ou constante, se maior prevalência em algum horário ou época do
ano.
6. Intensidade: escala mMRC.
7. Fatores agravantes ou atenuantes
8. Sintomas associados
Dor torácica:
1. Início
2. Evolução
3. Tipo: somática (dores mais localizadas: cutâneo, subcutâneo e muscular) ou visceral
4. Não esquecer: parênquima pulmonar e pleura visceral não doem. A dor respiratória é da pleura
parietal, sendo uma dor do tipo pleurítica.
5. Localização
6. Duração
7. Irradiação
8. Intensidade
9. Qualidade ou caráter
10. Fatores agravantes ou atenuantes
11. Sintomas associados
Ausculta pulmonar:
International Lung Sound Association – ILSA:
1. Ruídos contínuos: sibilos e roncos (VA inferiores, resultado da vibração da parede brônquica, são
melhores auscultados nas regiões de VA centrais).
Ocorrem quando há pontos e obstrução na VA: secreção, espasmo local, corpo estranho, etc.
Estridores: regiões superiores das VA inferiores. Etiologia; obstrução, laringite, edema
de glote. Som intenso e agudo. Aparece em qualquer fase da respiração, sendo mais
comum na inspiração. É melhor audível na região da obstrução.
Roncos: frequência mais baixa, <200 Hz. Mais grave e rude. Ocorre mais na expiração,
podendo ocorrer na inspiração também.
Sibilos: frequência mais alta, > 400 Hz. Mais agudo e musical. Inspiração e/ou expiração.
Característico das crises asmáticas.
Grasnido: ocorre pela abertura súbita das VA de menor calibre em doenças intersticiais
pulmonares e bronquiolites. Regiões periféricas dos pulmões.
2. Ruídos descontínuos: estertores finos e grossos. Sons de origem pleural (atrito pleural).
Estertores finos: equalização das pressões pela abertura súbita das VA de pequeno
calibre, ou seja, pela abertura dessas vias que antes estavam fechadas pela presença de
líquido ou secreção presente no parênquima ou mesmo por alteração do tecido de
suporte dessas vias. Som semelhante ao friccionar fios de cabelo próximo ao ouvido, ou
velcro se abrindo. Aparece do meio para o final da inspiração, sendo melhor auscultado
na região periférica dos pulmões. É observado no edema pulmonar, pneumonia e
fibrose pulmonar.
Estertores grossos: abertura e fechamento das VA de menor calibre, contendo
secreções viscosas. É semelhante ao barulho de líquido borbulhando. Pode ocorrer na
inspiração e/ou expiração, podendo ser auscultado em qualquer região pulmonar. É
encontrado na bronquite crônica, bronquiectasia, edema pulmonar avançado.
Existem também os grasnados, que são sibilos mais agudos. E dentro os estertores finos há uma
subdivisão do tipo velcro (patologias intersticiais, como fibrose pulmonar).
Condições respiratórias mais frequentes:
Cortes: avaliar em todos, para não perder a possibilidade de identificar massas pulmonares.
AngioTC de tórax: aplicação EV de contraste, usada para melhorar visualização vascular da TC e conseguir
identificar êmbolos em tronco de artéria pulmonar. O contraste também pode ajudar na identificação de
neoplasia.
Ecocardiograma com doppler colorido:
1. TAPSE- excursão sistólica do plano ano anel tricúspide: anormal <1,6 cm (demonstra disfunção
sistólica do VD)
2. E/e’: demonstra disfunção diastólica de VD. Pode ser usada em IC com FE preservada.
3. PSAP – pressão sistólica da artéria pulmonar: anormal >35 mmHg (hipertensão pulmonar).
4. VRT – velocidade de refluxo da tricúspide: anormal >2,9 m/s.
5. Espessura do ventrículo direito (VD): anormal >5 mm (indica hipertrofia do VD e pode sugerir
sobrecarga de pressão de VD na ausência de outras doenças).
6. Tamanho atrial direito – AD: anormal área >18 cm^2, comprimento >53 mm e diâmetro de AD
>44 mm ao final da diástole (demonstra aumento do AD).
Exemplo de como solicitar o eco.
Provas de função pulmonar:
1. Espirometria
Uso de filtro.
O que medimos nesse exame?
Solicitamos: CVF, VEF1, VEF1/CVF, FEF 25-75.
a. CVF: volume de gás que pode ser expirado fortemente do pulmão depois de uma
inspiração máxima. Do que entrou, quanto sai.
b. VEF1: volume de gás expirado no primeiro segundo da manobra. Avalia se há obstrução
de saída. Volume de saída de grandes vias aéreas, como brônquios. O VEF1 diz se há
atraso do ar durante a expiração. Exemplo, paciente com DPOC tem tempo de expiração
prolongado pelo aprisionamento de ar, por isso no primeiro segundo eliminam um
volume inferior ao normal. Auxilia na classificação de gravidade.
c. FEF 25-75%: fluxo médio expiratório forçado, pequena VA.
d. VEF1/CVF (índice de Tiffenau): se baixo nos indica obstrução ao fluxo de ar, resistência
para saída.
Fluxo x volume, volume x tempo (tempo expiratório normal é 7 segundos, sendo estendido em
DPOC).
Distúrbios:
DVO- obstrutivo:
DVR- restritivo:
Distúrbio ventilatório misto:
Restrição no início era por aprisionamento aéreo. D: DVO com BD + em volume e fluxo.
2. Pico de fluxo expiratório
Medido com peak flow, durante as consultas ambulatoriais. Fazer pelo menos três manobras e
selecionar maior pico de fluxo da expiração forçada, sendo importante da asma, que tem uma
obstrução de variação diária, diferentes do DPOC em que a obstrução é fixa.
3. Pletismografia
4. Medida de difusão pulmonar – DLCO
5. Teste cardiopulmonar de exercício
6. PI max e PE max: investigação de dispneia associada a fraqueza muscular.
7. Exame de escarro: espontâneo ou induzido.
Gram, cultura, antibiograma.
TRM-Tb.
Pesquisa de BK.
Cultura para microbactérias.
Pesquisa de fungos.
Cultura para fungos.
Parasitoses: Ascaris lumbricoides e Strongiloides stercoralis.
Vírus: pesquisa de herpesvírus e CMV.
Fungos: pesquisa de P. jiroveci e P. brasiliensis, C. neoformans, H. capsulatum.
Pesquisa de células neoplásicas.
Citometria diferencial.
-Sem espaçador
-Com espaçador
-O medicamento esa na forma de pó. Esse pó deve atingir o mais profundo do sistema
respiratório do paciente.
-O turbuhaler acaba sendo uns dos mais difíceis de se usar, por isso são usados mais por jovens
que tem um quadro cognitivo melhor
A)B2 agonistas
-O formoterol têm início de ação muito rápida comparado com o outro B2 de longa duração.
-Berotec (fenoterol)
-Os B2 de ultra longa duração foram liberado para o uso no SUS.
B)Anticolinérgicos
-Os efeitos colaterais em pacientes com glaucoma ocorrem quando a névoa dos nebulizadores
atingem o olho.
-Atrovent (brometo de ipratrópio)
-O brometo de ipratrópio pode ser usado junto com os B2 de curta duração durantes crises.
C)Corticoides inalatórios
-Temos a fluticasona, budesonida e beclometasona.
-A fluticasona é uma das mais potentes
-Devido á imunossupressão na cavidade oral, devemos sempre orientar nosso paciente que
usa CI á escovar a língua e fazer gargarejo com água para retirar produto da cavidade oral, com
isso evitaremos candidíase oral.
-Os disponíveis na rede SUS são: Aerolin e Clenil. Todos os outros produtos teremos que
entrar com ação judicial e a secretaria estadual de saúde para conseguir o produto pelo SUS.
Como utilizar os dispositivos
1)Inaladores pressurizados dosimetrados
-Agitar o produto antes de usar para misturar o medicamento com o gás.
-Esvaziar o pulmão com uma expiração profunda
-Colocar o dispositivo na boca
-Apertar o dispositivo
-Aspirar o produto profundamente
-Prender a respiração por 10 segundos (contar de 1 até 10,para que o produto atinja as vias
aéreas totalmente
-Expirar
2)Inaladores de pó seco
A)Aerolizer
-Colocar a cápsula dentro do dispositivo
-Apertar o botão 2 vezes para romper a cápsula
-Esvaziar o pulmão com uma expiração profunda
-Colocar o dispositivo na boca
-Aspirar profundamente, deixando os buraquinhos do lado livre para a entrada de ar
-Prender respiração por 10 segundos
-Expirar
-Checar se a cápsula foi rompida e se sobrou pó no dispositivo.
B)Turbohaler
-Rodar o dispositivo, quando ouvir o clique é porque esta pronto para uso
-Esvaziar o pulmão com uma expiração profunda
-Colocar o dispositivo na boca
-Aspirar profundamente
-Prender respiração por 10 segundos
-Expirar
-Cuidado que o turbohaler não tem odor, e o barulho que faz quando balançado não é do
medicamento,mas sim de um produto interno. Logo, é difícil saber se o medicamento foi
inalado corretamente e se já esta acabando ou não.
3)Inaladores de névoa suave
-Agitar o dispositivo
-Esvaziar o pulmão com uma expiração profunda
-Colocar o dispositivo na boca
-Apertar o botão do dispositivo,com isso sairá a névoa
-Aspirar profundamente
-Prender respiração por 10 segundos
-Expirar
4)Inaladores com espaçador
-Usamos somente os pressurizados dosimetrados e os de névoa suave junto ao espaçador, os
de pó seco nunca.
-Recomendar lavar o espaçador 1 vez por semana, e falar para o paciente não perder a válvula,
porque sem ela o dispositivo perde sua capacidade funcional.
-Esvaziar o pulmão com uma expiração profunda
-Colocar a máscara na face do paciente
-Se for idoso com baixa cognição, ao invés de pedir para aspirar e contar até 10 podemos falar
para ele fazer 5 aspirações consecutivas.
OBS:Se for usar 2 doses seja qualquer o dispositivo devemos fazer uma de cada vez e nunca
inalar 2 jatos consecutivos.
Interação: Dispositivo, Medicamento, Paciente
-Dentro do dispositivo inalatório pode ter vários tipos de medicamentos. Logo, é importante o
paciente levar o dispositivo inalatório na consulta.
-Para cada dispositivo podemos ter vários produtos. Logo, o paciente precisa saber o nome do
medicamento.
Quando suspeitar?
Episódios recorrentes de agravo dos sintomas de tosse ou falta de ar em um paciente que seja fumante
ou ex-fumante não pode ser tratada apenas como bronquite aguda e liberado somente com sintomáticos,
deve sempre ocorrer suspeita de DPOC como doença de base.
Perguntas básicas:
1. Você tem 40 anos ou mais?
2. Você é fumante ou ex-fumante?
3. Você tem tosse pela manhã na maioria dos dias?
4. Você tem secreção pela manhã na maioria dos dias?
5. Você se cansa mais que uma pessoa da sua idade ao caminhar com ela?
DPOC é uma doença inflamatória sistêmica:
Caso clínico 1:
AMMO, mulher, 50 anos, tabagista desde os 14 anos de 1 maço por dia. Refere “falta de ar” para subir
morros nos últimos 4 anos. Nega uso contínuo de medicamentos.
Exame físico: PA 130/80 mmHg, FC 80 bpm, SpO2 96% em ar ambiente, BRNF em 2T, MV com roncos e
sibilos esparsos.
RX:
Fenótipo:
Soprador róseo – PP:
Magro e longilíneo
Dispneia precoce, progressiva e grave
Lábios e pele bem corados, sem cianose
Tórax acentuado/insuflado
Capacidade física reduzida
Predomínio do enfisema pulmonar
RX tórax: redução da trama vascular, aumento do diametro AP, retificação diafragmática.
Tratamento farmacológico:
1. Qual o grau de obstrução na espirometria? Leve, moderado ou grave?
2. Os sintomas são intensos? Escala de disnpenua do mMRC
DPOC precoce: paciente ainda tem função pulmonar normal, espirometria ainda é normal. DPOC GOLD 1
e 2 tem perda pulmonar mais rápida, o que diminui em vinte anos a sobrevida. Podemos afirmar que
DPOC é uma doença progressiva.
Beta 2 agonista:
Abrem os canais de K+, aumentando o AMP cíclico.
EC: em doses usuais causam taquicardia, tremores fugazes e hipocalemia, mas sem repercussões clínicas
significativas.
São eles:
Anticolinérgico:
Antagonistas dos receptores muscarínicos.
EC: boca seca. Evitar Ipratrópio em paciente com glaucoma, devido à névoa de aerossol.
São eles:
Inibidor da fosfodiesterase 4:
Roflumilaste: agente anti-inflamatória não esteroide concebido para combater a inflamação sistêmica e
pulmonar associada a DPOC grave, grau três e quatro. Daxas (seu nome comercial, ainda patenteado) é
indicado para tratamento de manutenção da doença pulmonar obstrutiva crônica, DPOC, grave (VEF1 pós
BD <50% do previsto) associada a bronquite crônica em doentes adultos com história de exacerbações
frequentes, como complemento do tratamento broncodilatador.
A dose recomendada é um comprimido de 500 microgramas de Roflumilaste 1 vez ao dia.
Tratamento:
Uso regular quando necessário de SABA ou SAMA melhora o VEF1 e os sintomas.
LABA e LAMA melhoram significativamente a função pulmonar, a dispneia, o estado de saúde e
reduzem as taxas de exacerbações.
LAMA tem um efeito maior na redução da exacerbação em comparação com os LABAS (evidência
A) e diminuem as internações (evidência B).
Grupo A: pode usar até de broncodilatador de curta sob demanda. O mais importante é parar o tabagismo.
Grupo B: tratamento de forma contínua.
Conduta: orientar sobre a importância de parar o tabagismo, prescrever salbutamol de spray em caso de
crise. Retorno em 3 meses.
Sempre checar em cada consulta:
4. Dosagem das medicações prescritas
5. Aderência ao tratamento
6. Técnica inalatória
7. Efetividade do tratamento atual
8. Efeitos adversos
Ciclo de tratamento:
1. Revisão:
a. Sintomas
b. Dispneia
c. Exacerbações
2. Ajuste:
a. Escalonar
b. Trocar DI
c. Descalonar: principalmente grupo A.
3. Avaliação:
a. Técnica inalatória e aderência
b. Otimizar medidas não farmacológicas: reabilitação e auto-manejo
Seguimento de tratamento:
Se boa resposta ao tratamento inicial, mantê-lo.
Se não:
Considerar o que tratar: o que predomina como alvo (dispneia ou exacerbação).
Se ambos necessitam ser alvo, inicie pela exacerbação.
Esta recomendação não depende do ABCD do início do tratamento.
ICS- motivo de estar sendo cada vez menos usado: aumento de prevalência de pneumonia e
monilíase oral.
Exacerbações: aumento da dose e frequência do uso de medicação de alívio, idas ao PS não
programadas, uso de ABT e CO por exacerbações.
Presença de eosinófilos no escarro: marcador de paciente exacerbação. Há boa correlação com
eosinófilos no hemograma.
Azitromicina: macrolídeo de ação imunomoduladora e anti-inflamatória. 500 mg 3 x por semana,
sempre no mesmo horário. IMC baixo podemos usar 250 mg. Pode ser usado de 3, 6 meses, 1
ano. Lembrar que pode está induzindo resistência bacteriana.
Caso clínico 2: MC, mulher de 69 anos, com dispneia de início há 6 anos, com piora há 1 ano atualmente
para caminhar no plano, refere várias idas ao OS por “crises de bronquite”, tabagista por 37 anos, de 5
cigarros de palha por dia, parou há 17 anos. Refere uso de salbutamol inalatório por 6 vezes ao dia além
de furosemida 1 cp cedo, Carvedilol 6,25 mg 12/12H, Losartana 50 mg/cedo. EF: PA 120x80 mmHg, FC 65
bpm, SpO2 89% aa, BRNF em 2T, sopro panfocal ++, MV com roncos e sibilos difusos. Comparece já
trazendo TC de tórax de alta resolução e espirometria e exame de sangue solicitadas pelo seu médico
cardiologista que encaminhou para a avaliação.
Espirometria:
DPOC - GOLD 4.
CVF baixo- componente de restrição. Pós BD variou 340 mL: indica aprisionamento aéreo. Essa paciente
parece ter distúrbio obstrutivo + restritivo. Qual exame poderia ajudar? TC.
Janela de parênquima pulmonar: visualizamos traqueia, pedaço do esôfago
e parênquimas pulmonares. Áreas hipodensas, mais escuras de predomínio
central – ar aprisionado, devido à perda de elasticidade alveolar por
enfisema pulmonar. No caso, a CVF está explicada pela presença do
enfisema, por isso a espirometria traz componente obstrutivo e restritivo.
Tratamento: LABA + LAMA (paciente muito sintomática, CAT>20). Não passamos CI na primeira consulta,
eosinófilo não está >300.
Após 4 meses da sua consulta inicial, a paciente retorna ao ambulatório referindo melhora parcial com
uso da sua medicação incial e prescrita, inclusive com 2 idas ao PS neste período, sem necessidade de
internação, tendo diagnóstico de “exacerbação de DPOC”.
Ao exame físico: PA 120/70 mmHg, FC 70 bpm, SpO2 94% ao ar ambiente, BRNF em 2T, sopro panfocal
++, MV com roncos e sibilos esparsos. MRC 1 hoje. Tratar exacerbação.
Caso clínico 3: MASM, mulher de 43 anos, com tosse pouco produtiva de início há 3 anos, com piora há 1
ano associada a dispneia atualmente para subir ladeiras, refere várias idas ao PS por “crises de bronquite”
no último ano. Nunca fumou, nega exposição a tabagismo passivo ou fogão a lenha. É recepcionista de
um consultório odontológico há 13 anos. Refere uso de Salbutamol inalatório 3 vezes por semana há uns
6 meses. Nega comorbidades. EF: PA 130/80 mmHg, FC 65 bpm, SpO2 98% aa, BRNF em 2T, MV sem RA.
Comparece já trazendo RX de tórax e espirometria solicitados pelo seu clínico geral que a encaminhou a
seguir.
HD: asma?
Seguir para exames:
Espirometria:
Descartamos DPOC. É compatível com asma. Clínica 3 vezes por semana, STEP 2: CI em base dose diária
(Budesonida 200 mcg de 12/12H contínuo) ou adicionar Formoterol sob demanda.
Suplementação O2 domiciliar:
Quando indicar gasometria? Se evidenciar SpO2<92%, principalmente se sintomático:
Fenótipos:
1. Asma alérgica: geralmente começa na infância e está associada a histórico familiar e de atopias
como dermatite atópica, rinite alérgica ou alergia alimentar ou medicamentosa (AINES e AAS).
Inflamação eosinofílica no escarro induzido. Respondem bem aos ICS.
2. Asma não alérgica: normalmente não estão associados a alergias. Inflamação neutrofílica ou
eosinofílica ou paucelular no escarro induzido. Menor resposta aos ICS. Associar broncodilatador.
3. Asma de início tardio, no adulto: primeiro episódio de asma na vida adulta. Mais comum em
mulheres. Tendem a não estar associados a alergias. Requerem altas doses de ICS ou são
refratários a ICS. Asma ocupacional deve ser sistematicamente descartada nesses pacientes.
Necessitam de altas doses de ICS ou são relativamente não respondedores.
4. Asma com limitação persistente do fluxo aéreo: evolução de asma brônquica de longa duração
que ocorre devido a remodelamento da parede brônquica e portanto, limitação ao fluxo aéreo
persistente, fixa. DD de DPOC.
5. Asma com obesidade: desenvolvimento dos sintomas respiratórios e inflamação eosinofílica no
escarro induzido.
Objetivos de tratamento:
1. Controle dos sintomas
2. Evitar riscos futuros: exacerbações, limitação fica ao fluxo aéreo, efeitos adversos dos
medicamentos.
Espirometria deve ser feita a cada três a seis meses para estimar o risco futuro d exacerbações e de perda
acelerada da função pulmonar.
Tratamento farmacológico:
Corticoides inalatórios:
Retorno:
1. Revisão: sintomas, exacerbações (principalmente nas últimas quatro semanas), efeitos
colaterais, satisfação do paciente e função pulmonar.
2. Avaliação: confirmar diagnóstico se necessário (asma no adulto geralmente tem resolução em 5
anos), controle dos sintomas e fatores de risco (incluindo função pulmonar), técnica inalatória,
aderência ao tratamento, preferência do paciente.
3. Ajuste: medicamentos, estratégias não farmacológicas, tratar fatores de risco modificáveis.
Seguimento do paciente:
1. Plano de educação individualizado
2. Tratar fatores de risco modificáveis e comorbidades
3. Incentivar estratégias não farmacológicas: controle de peso, atividade física regular, controle de
ambiente
4. Considerar step up: sintomas não controlados após avaliar aderência e técnica inalatória
5. Considerar step down: sintomas controlados por mais de três meses e baixo risco de
exacerbações
Controle da asma:
Nas últimas quatro semanas:
1. Sintomas diurnos >2 vezes por semana?
2. Despertares noturnos por asma?
3. Medicação de resgate >2 vezes por semana?
4. Limitação em atividade física?
A importância disso é que mesmo se houver indicação de colher material para análise do agente, esse
teste só fica pronto em média de dois dias, assim iniciamos o uso de ABT empírico. Cultura + antibiograma
para saber se o ABT usado é eficaz no combate do agente.
Patogênese:
1. Microaspiração de partículas e germes das vias aéreas superiores
2. Disseminação hematogênica
3. Contiguidade
4. Macro aspiração: sequela de AVC, doença neuromuscular
5. Defeitos nos mecanismos de defesa do hospedeiro
Mortalidade: 1ª causa de morte no Brasil dentre as doenças respiratórias, 8% em <5 anos e 61% em >70
anos.
Passo a passo- como atender uma PAC?
1. Diagnóstico correto
2. Avaliar a gravidade da pneumonia
3. Decidir o local de tratamento
4. Reconhecer fatores de risco
5. Escolher o ABT
Sintomatologia:
Tosse, seja ela seca ou produtiva. Quadros virais em evidência apresentam tosse seca, já bacterianos a
princípio há secreção produtiva amarelado purulenta ou esverdeada. Dispneia presente em maior ou
menor grau. Febre deve estar presente à princípio, 30% não apresentam. Somado a isso, se não apresenta
clínica de via aérea inferior, como tosse e dispneia, questionamos se o diagnóstico está correto. Infiltrado
pulmonar no RX de tórax é a “cereja de bolo”, na dúvida TC. Exame físico deve sempre trazer alterações.
Exclusão de outras patologias pelo RX, como exacerbação de DPOC (mais roncos, ausência de estertores
finos, não há achado em RX), asma exacerbada, IVAS (tosse sem dispneia).
Sinais e sintomas dependem das características funcionais e imunológicas do paciente, severidade da
infecção, coexistência de fatores de risco e presença de complicações.
Sinais de gravidade: taquipneia >18 irpm, uso de musculatura acessória, dor torácica, confusão mental,
cefaleia, sudorese, calafrios, mialgias, hipertermia >38º C ou hipotermia <35º C, cianose periférica ou
central.
Pneumonia no idoso: tosse, expectoração, febre, dispneia menos prevalentes. Podem apresentar
confusão mental, diminuição da capacidade funcional, descompensação das doenças de base são os mais
prevalentes.
Exame físico:
1. Estertores finos, pode ter roncos e sibilos localizados sendo mais encontrados em crianças
2. MV diminuído localmente, principalmente se derrame parapneumônico
3. FTV aumentado a palpação
4. Macicez a percussão
5. Egofonia
6. Atrito pleural
7. Desvio da traqueia
8. Linfadenomegalia
RX de tórax: PA e P. Essencial para o diagnóstico, auxilia na definição da gravidade e realiza diagnóstico
diferencial.
PA só evidencia elevação da hemicúpula D (seta amarela) e perfil evidenciando infiltrado pulmonar- sinal
da coluna (seta azul).
As três são pneumonia, a primeira tem um padrão mais de consolidação e a terceira padrão intersticial.
Imagem da direita: Consolidação nos dois terços inferiores do pulmão direito. Seio costofrênico livre,
ausência de derrame pleural com borramento da silhueta.
Imagem do meio: Consolidação com presença de broncograma aéreo. Pneumonia se compatível com
clínica.
Imagem da esquerda: Pneumonia intersticial.
DD:
Imagem da direita:
Infiltrado intersticial difuso acometendo praticamente todo pulmão direito, com consolidação de pulmão
esquerdo em terço médio. Esse é o padrão de SARA, síndrome de desconforto respiratório agudo.
Pacientes em IOT por ser uma complicação.
1. SARA leve: 200 mmHg <PaO2/FiO2 < ou igual 300 mmHg (com PEEP ou CPAP > ou igual 5 cm, ou
não ventilado).
2. SARA moderado: 100 mmHg <PaO2/FiO2< ou igual 200 mmHg (com PEEP ou CPAP > ou igual 5
cm, ou não ventilado).
3. SARA grave: PaO2/FiO2<100 mmHg (com PEEP ou CPAP > ou igual 5 cm, ou não ventilado).
Quando a PaO2 não está disponível, SpO2/FiO2< ou = 315 sugere SARA (inclusive em pacientes não
ventilados).
Diagnóstico por imagem:
US de tórax:
Maior sensibilidade e maior acuraria que o RX
TC de tórax:
Maior sensibilidade, alto custo, alta exposição à radiação
Útil nos casos em que a acurácia do RX e US de tórax é baixa: pacientes obesos, imunossuprimidos e com
alterações radiológicas prévias ou duvidosas.
Quando devemos repetir o RX de tórax? Deve ser repetido após 6 semanas em fumantes e com mais de
50 anos (pesquisa de adenocarcinoma) e na persistência dos sintomas ou achados anormais ao exame
físico. Ex-fumante com menos de 15 anos também repetimos.
É possível estabelecer correlação entre os achados radiológicos e o agente etiológico específico
causador da PAC com segurança? Não. Agentes etiológicos causam apresentações clínicas e radiológicas
variáveis as quais são modificadas ou intensificadas tanto ao longo do curso da doença quanto são
influenciadas pelo estado funcional e imunológico do paciente. A classificação em padrões radiológicos,
como lobar, bronco pneumônico e intersticial é de utilidade limitada quanto à predição do agente
etiológico. Tanto a clínica quanto a radiologia podem ser similares entre pacientes com patógenos atípicos
e típicos, portanto o termo “pneumonia atípica” possui valor clínico muito limitado.
Quais são os agentes atípicos?
Bactérias atípicas: Mycoplasma pneumoniae, Chlamydophila pneumoniae, Legionella pneumoniae.
Pneumonias por Mycoplasma sp têm resolução mais rápida e por Legionella sp tem resolução
particularmente lenta.
Este grupo tem como característica microbiológica comum o fato de serem todas bactérias
intracelulares e, do ponto de vista terapêutico, de serem sensíveis à ação dos macrolídeos,
tetraciclinas e Quinolonas e resistentes aos beta-lactâmicos.
Quanto tempo demora a resolução radiológica da PAC?
A resolução radiológica ocorre de maneira relativamente lenta, depois da recuperação clínica. A resolução
completa das alterações ocorre em duas semanas após a apresentação inicial na metade dos casos e, em
seis semanas em dois terços dos casos.
SCAP:
SMART-COP:
O que pedir além do RX de tórax?
Pacientes com indicação de tratamento ambulatorial de PAC devem realizar apenas o RX de tórax como
exame complementar.
Se critério de internação- fazer exames:
Hemograma: tem baixa sensibilidade e especificidade. Acompanhar leucócitos de chegada e queda, ou
aumento com falência de tratamento.
PCR: colher no dia de internação, três dias depois tem que cair 50% ou acima de 75 mg/dL há maior risco
de falha de tratamento e morte em 30 dias. PCR >100 é indicativo de agente bacteriano na etiologia da
PAC.
Quando devo tentar identificar o agente etiológico?
Desnecessário em pacientes ambulatoriais: devido a eficácia elevada do tratamento empírico
Indicado nos casos de PAC grave (CRB de 3-4) e falência o tratamento empírico inicial.
1. Escarro: são consideradas amostras válidas para cultura quando com <10 células epiteliais e >25
células PMN/campo.
2. Hemocultura/ aspirado traqueal e/ou lavado broncoalveolar: reservado para pacientes
definidos como PAC grave e pacientes que não responderam ao tratamento inicialmente
prescrito.
Antígenos urinários:
1. Pesquisa de S. pneumoniae em pacientes com PAC grave.
2. Pesquisa de L. pneumophila em todos pacientes não responsivos ao tratamento prévio.
Qual o papel dos vírus na etiologia da PAC?
A coparticipação de vírus e bactérias parece associar com um quadro clínico de PAC mais grave.
Fora do contexto da pandemia, estudos recentes mostram que um 1/3 das etiologias da PAC têm sido
associadas aos vírus.
O vírus influenza é o mais comumente isolado. Outros vírus encontrados como rinovírus, vírus sincicial
respiratório, vírus parainfluenza, adenovírus e metapneumovírus.
Para diferenciar:
H1N1: TCAR mostrando áreas de consolidação e opacidade em vidro fosco aos lobos superiores e
inferiores de ambos os pulmões.
COVID: TCAR mostrando áreas de consolidação e opacidade em vidro fosco com predomínio periférico e
em lobos inferiores de ambos os pulmões.
Conclusão: opacidade em vidro fosco tem sido associada à quadro viral.
Avaliação da troca gasosa: colher gasometria se saturação pelo oxímetro menor que 92%. A saturação
periférica deve ser avaliada de rotina, antes do uso eventual de oxigênio. A presença de hipoxemia indica
o uso de oxigênio suplementar e admissão hospitalar.
Tratamento:
Inicial é sempre empírico, baseado no patógeno provável, terapia correta. Tempo de início do ABT <6
horas para tratamento domiciliar, e se PAC grave <1 hora. Ajustar após identificar agente, se for o caso.
Ambulatorial:
Cefepima é 4ª G.
Ciprofloxacino: não tem ação sobre o agente mais comum das PAC, o pneumococo, por isso não
aparece como opção terapêutica ambulatorial e em paciente de enfermaria. É usado em UTI
porque tem ação sobre a Pseudomonas, mas sempre em terapia combinada.
Cefitazidima: cefalosporina 3ª G que tem ação sobre Pseudomonas.
Ceftriaxona e cefotaxima: cefalosporina 3ª G que não tem ação sobre Pseudomonas.
Alerta FDA:
Reforço cinco anos depois. A eficácia das vacinas em geral gira em torno de 70%.
A revacinação está indicada após 5 anos para aqueles indivíduos com sistema imunológico
comprometido, ou adultos com idade acima de 60 anos e que tenham recebido a primeira dose antes dos
65 anos de idade.
Prevenar 13 – vacina conjugada 13 valente: Brasil – liberada recentemente pela ANVISA a partir dos 50
anos, possui impacto epidemiológico importante, pois diminui o estado de portador do pneumococo pela
inibição da colonização na nasofaringe, reduzindo assim a transmissão e a ocorrência da doença em
crianças e adultos. Apenas particular.
Derrame Pleural e Câncer de Pulmão
Pneumologia – Dra. Kátia
Julia Araújo – Med XXXV
Derrame Pleural:
Reconhecimento de imagem:
Intersecção de uma linha horizontal, passando pela base do apêndice xifoide, com uma linha vertical
passando pela linha axilar média ou linha axilar posterior ou infra escapular. Não pode tirar mais que 1,5-
2 L: pode haver complicação – reexpansão pulmonar rápida pode gerar EAP.
Melhor janela para avaliar DP é a janela de mediastino na TC, não é a janela de parênquima.
Se localiza mais nas porções inferiores, quando deitado fica posterior. É um DP livre. Pode puncionar
infra escapular.
Quanto à cor:
1. Amarelo claro/citrino: transudato.
2. Hemorrágico: acidente de punção, excluído acidente de punção há probabilidade de neoplasia
ou secundário à embolia pulmonar.
3. Quiloso: obstrução do ducto torácico, pode ser complicação temporária de cirurgia bariátrica por
ampla manipulação próxima.
Transudato x exsudato:
Critérios de Light: pelo menos 1 dos critérios - exsudato
Proteína LP/ sangue >0,5
DHL LP/ sangue >0,6
DHL LP >2/3 DHL do método
Transudato Exsudato
IC Pneumonia
Cirrose Hepática Neoplasia
Síndrome nefrótica Tuberculose
Pleura normal: doenças sistêmicas que levaram Pleura anormal
acúmulo de líquido pleural entre as pleuras.
TB pleural:
Associada a TB primária pulmonar – reação de hipersensibilidade tardia tipo IV à proteína do bacilo no
espaço pleural.
Forma extrapulmonar mais frequente (40% dos casos) entre imunocompetentes.
Nas 1ª a 3ª semanas há predomínio de neutrófilos na LP - fase aguda; e depois predomínio de
linfócitos no LP.
Clínica inicial: febre baixa, emagrecimento, dor pleurítica unilateral.
Clínica tardia: febre alta e dispneia.
Associada a lesões pulmonares visíveis (20% dos casos de TB pleural). Escarro muitas vezes é negativo,
análise do LP é importante para diagnóstico nesses quadros.
Seta vermelha: lesão parênquima. + DP (seta amarela). Pedir escarro e seguir com toracocentese se
necessário.
Características do LP:
Aspecto: amarelo citrino/ serohemorrágico raramente
Proteína ↑↑↑
ADA > 40 U/L
Exsudato Linfocítico > 80% linfócitos
Biopsia pleural: granuloma caseoso
Tratamento: clínico – esquema RIPE
DP parapneumônico – DPP:
Ocorre durante o curso de uma pneumonia ou com abcesso pulmonar. 20-50% dos pacientes evoluem
com DOO e 5-10% dos DPP evoluem para empiema.
Clínica: semelhante a pneumonia – ausência de melhora importante após 72h de ATB – reavaliação,
considerar complicações.
a. Não complicada: podem ser resolvidos com ATB, sem drenagem pleural.
b. Complicado: necessidade de drenagem pleural.
c. Empiema: caracterizado pela presença de pus franco.
Aspecto do LP:
Seroso, turvo ou purulento-empiema
Celularidade:
Total de leucócitos ↑↑
Predomínio de neutrófilos > 60%
Bioquímica – gravidade:
DHL ↑↑
Glicose normal ou
PH normal ou
DPP complicado ou empiema devem ser drenados. Risco de infecção local e sistêmica –sepse.
Tratamento: PAC.
DP maligno:
Presença de células neoplásicas no LP ou na biopsia de pleura = disseminação e/ou progressão de ca
primário.
Sobrevida média após diagnóstico de DP metastático varia entre 3-13 meses. 75% dos DP malignos tem
ca primário em adenocarcinoma de pulmão, carcinoma de mama e linfoma.
DP paramaligno: não são resultado de envolvimento direto da pleura (sem malignidade do DP) e sim,
secundário a pneumonite obstrutiva, obstrução do ducto torácico (Quilotórax), embolia pulmonar, DP do
tipo secundário a atelectasia pós-obstrutiva, radioterapia e quimioterapia.
Análise do LP:
Aspecto do líquido:
Serohemorrágico ou hemorrágico franco
Celularidade:
Total de leucócitos ↑↑
Neutrófilos =~ linfócitos
Citologia oncótica: células malignas
Bioquímica:
DHL ↑↑↑
Glicose e pH : pior prognóstico.
Tumor central: broncoscopia fecha diagnóstico, se periférico pode ser mini toracotomia ou
biopsia.
Atelectasia pode ser sinal de ca central.
Prevalência:
40% ADC – atenção para sinal da cauda na TC.
30% CEC
15% Carcinoma indiferenciado de grandes células
15% Carcinoma indiferenciado de pequenas células
Todo ca de pulmão já foi um nódulo. Então, nódulo pulmonar: como e quando suspeitar?
Nódulo pulmonar: opacidade arredondada, menor que 3 cm, moderadamente bem delimitada. É um
achado frequente em exame de imagem, amplo DD, muito ligados a processos benignos, alguns podem
corresponder a câncer em fase inicial - diagnóstico precoce.
Espiculado
4. Crescimento do nódulo
5. Margens e contornos
OBS:
Redução da mortalidade de ca de pulmão com TC em baixa dosagem: trabalho respaldado por sociedades
pneumológicas, oncologia e cirurgia torácica.
Doenças Pulmonares Intersticiais
Pneumologia – Dra. Kátia
Julia Araújo – Med XXXV
O que é interstício pulmonar? Promove a união de diferentes estruturas que constituem o pulmão. Tem
função de conexão – interface entre alvéolo e capilar – e sustentação. Serve de leito aos condutos aéreos,
vasos sanguíneos, linfáticos e nervos – verdadeiras bainhas. Resumindo, reveste brônquios, artérias e
veias pulmonares, sistema linfático e dá sustentação.
Estrutura respiratória:
1. Zona de condução: traqueia, brônquios e bronquíolos terminais.
2. Zona de transição: bronquíolos respiratórios, ductos alveolares, sacos alveolares.
3. Zona respiratória: alvéolos.
Lóbulo pulmonar: bronquíolos, arteríolas e vênulas, + parênquima ao centro.
Doenças pulmonares intersticiais (DPI ou DPPD) são doenças heterogêneas ~200 agrupadas em função
de achados clínicos, radiológicos e funcionais semelhantes. Acometem principalmente o interstício
pulmonar, mas também podem acometer alvéolos, vias aéreas distais e vasos pulmonares.
Fisiopatologia: habitualmente, seu processo fisiopatológico desencadeado por uma injúria ao epitélio
alveolar ou ao endotélio vascular. Em seguida, ocorre inflamação alveolar (alveolite), composta de
macrófagos alveolares e um número menor de linfócitos, neutrófilos eosinófilos, mastócitos, todos
presentes na luz alveolar e no interstício. As alterações seguintes são: danos às paredes alveolares, com
mudança no epitélio e espessamento fibróticos das paredes, e colapso alveolar. O problema é a injúria
contínua.
Essa inflamação intensa do tecido pode, com o tratamento e afastamento do agente etiológico (se houver,
pois pode ser uma DPI idiopática), regredir ou causar uma fibrose, ou seja, cicatrização do tecido
pulmonar, por meio da proliferação de tecido de reparação nas áreas acometidas.
A estrutura – interstício – que antes era delgada, agora se encontra espessada, dificultando a troca gasosa
e retraindo o parênquima pulmonar. Assim, começa a aparecer hipóxia e/ou hipercapnia.
Radiologia:
Esse é um padrão radiológico típico: padrão difuso, com acometimento
bilateral, padrão rendilhado ou reticular. O interstício subpleural, entre
pleura e parênquima visceral, é o principal acometido, e é por isso que o
acometimento é maior na periferia. Fase mais avançada da patologia.
DD: pneumonia? É comum a confusão, sempre que houver padrão
rendilhado + história clínica, suspeitar de DPI.
Padrão infiltrado em periferia, DPI em estágio inicial. Padrão rendilhado em periferia no perfil.
Diagnóstico é pela TC:
Aspecto em “favo de mel”: apresentação em camadas (2 camadas são suficientes para falarmos de
fibrose pulmonar).
Padrão “sujo” áreas de fibrose, áreas de aprisionamento aéreo + áreas de vidro fosco.
DD:
Enfisema em lobos superiores, + fibrose. Paciente com DPOC: enfisema. O tabagismo em si, por via
inalatória pode gerar fibrose por injúria crônica. Prognóstico horrível.
Aspecto funcional:
Prova de função pulmonar: DVR- distúrbio ventilatório restritivo.
Pode haver distúrbio misto, quando DPOC associada com componente obstrutivo.
Quadro clínico:
1. Dispneia
2. Tosse seca
Sintomas caracteristicamente progressivos.
Exame físico:
1. Estertores finos tipo velcro nas bases – sugestivo de doenças fibrosantes, mas não é patognômico
2. Grasnados – sibilos agudos (atentar para ausculta desses casos suspeitos em PS)
3. Baqueteamento digital: 30-50% dos pacientes
Etiologia:
Tabagismo
DAI
Pneumonites por hipersensibilidade
Induzidas por medicamento
Exposição ocupacional
Idiopática
DPI e hipersensibilidade:
Gases, fumaças, fontes químicas, aerossol, vapores – isocianato, paraquat, dióxido sulfúrico
Poeira orgânica: bactérias termofílicas – Actinomices sp -, fungos – Aspergillus sp, Penicillium sp.
Poeira orgânica: poeiras de animais, de aves.
Poeira inorgânica: sílica, asbesto, metais pesados, berílio.
Fármacos – sensibilização por via sistêmica:
Pneumonites intersticiais:
FIP- fibrose pulmonar idiopática
COP- pneumonia em organização criptogênica, ou mais conhecida como bronquiolites
obliterante com pneumonia em organização - BOOP
NSIP- pneumonia intersticial não especificada
AIP- pneumonia intersticial aguda
RB-ILD- pneumonia intersticial associada à bronquiolite respiratória
DIP- pneumonia intersticial descamativa
LIP- pneumonia intersticial linfocitária
Avaliação inicial:
Anamnese (idade, sexo, AF, tabagismo, exposição ambiental e ocupacional, drogas, DRGE) e exame físico
completos +:
1. Exames laboratoriais incluindo provas reumatológicas para DAI (DPI pode preceder a DAI quando
secundário à ela, em até 5 anos)
2. RX e TCAR de tórax
3. Gasometria arterial de SpO2 <92%
4. Prova de função pulmonar, incluindo DLCO
5. TCAM (teste de caminhada: avaliar FC, saturação e escala de casaço) de 6 minutos – valor prognóstico
6. Ecocardiograma com medida de PSAP, VRT, TAPSE – associadas à hipertensão pulmonar
Para definir qual é a DPI, a interpretação combinada: achados clínicos + tomográficos +
histopatológicos é fundamental.
Pneumonite de hipersensibilidade- PH: processo inflamatório que acomete o parênquima e vias áreas
em pacientes previamente sensibilizados por inalação de partículas orgânicas ou agentes químicos.
Algumas exposições denominam o processo causador da PH:
1. Bagaçose, pelo contato com cana de açúcar mofada
2. Bissinose, pelo contato dos trabalhadores de algodão
3. Pulmão do fazendeiro, pelo contato com mofo em feno e grãos
Em ambiente doméstico, estão associadas à exposição antigênica em locais onde predominam mofo e
umidade, contaminação de dutos de ventilação ou refrigeração, presença de aves domiciliares,
manutenção preventiva de equipamentos de ar condicionado, esterilização de vaporizadores e
umidificadores e o reparo de vazamentos hidráulicos. O afastamento de pássaros e materiais biológicos
potencialmente causadores de PH são medidas prioritárias na prevenção e tratamento da doença.
A)Interpletando a polissonografia
-Polissonografia basal
-Press
*É o sensor termistor
-Flow
*É a cânula
-THX
*Cinta torácia
-ABD
*Cinta abdominal
B)Hipinograma
-É um resumo do que ocorreu no exame de polissonografia
-Na apneia temos um desabamento durante o sono que leva uma obstrução das VAS maior que 90%.
-Na hipopneia temos uma redução do fluxo aéreo nas VAS de pelo menos 30%.
-Geralmente o paciente tem apneia e hipopneia durante a mesma noite de sono. *Quando a quantidade de
apneia é maior que de hipopneia o paciente tem um distúrbio mais grave.
B)Fisiopatologia do estreitamento da VAS
-No processo de envelhecimento temos perda da patente de manter as vias aéreas abertas durante o sono
*A complacência da VAS vai diminuindo
-A obesidade
*Paciente com circunferência do pescoço aumentada vai promover o estreitamento anatômico da VAS por
acûmulo de tecido gorduroso
-Doenças que diminuem o tônus neuromuscular da VAS
-Pacientes com macroglossia
*Vai ter queda da base da língua
-Pacientes com retrognatia
*VAS anatômicamente já é mais estreita
-Diagnóstico
*Redução de 30% da amplitude da onda no tremistor seguida de despertar ou queda da SpO2 maior/igual 3%. A
hipopneia deve ter uma consequência(despertar ou queda da SpO2) após a hipopneia para dar o diagnóstico.
*Duração na redução da amplitude da onda maior/igual 10 segundos
*Manutenção de esforço respiratório
F)Diagnóstico de SAHOS
-É notório ver nas ondas do termistor, cinta torácica e abdominal um padrão respiratório de Cheyne Stokes.
*Cheyne Stokes é um tipo de apneia central, mas nem toda apneia central é do tipo Cheyne Stokes
*A origem da Cheyne Stokes são eventos de apneia central
*A observação de CS durante a vigília está associado a pior prognóstico
*CS é definido por: maior/igual 3 apneias ou hipopneias centrais consecutivas separadas pelo padrão de
crescendo e decrescendo com ciclos de duração maior/igual 40 segundos
D)Diagnóstico
-Pensamos mais em apneia central do sono em pacientes com doenças cardíacas mais graves ou doenças
neurológicas.
-25-40% dos pacientes com IC clasee III ou IV aprsentam apneia central do sono
-Suspeita de apneia centra: colher gasometria do paciente ao amanhecer vai apresentar pCO2 menor que 38 mmHg.
E)Fisiopatologia das apneias centrais do sono
-Os quimioreceptrores da respiração estão localizados tanto de maneira central no SNC quanto de forma periférica
(pulmões)
-Os pacientes com apneia central apresentam instabilidade do controle respiratório
-Os pacientes apresentam um limiar para despertar muito pequeno (qualquer pequena oscilação nos receptores
pulmonares vão levar o paciente a despertar-despertam com muita facilidade). Quando o paciente despertar ele
vai fazer um padrão de hiperventilação, isso vai fazer o CO2 cair muito rápido.
-Além disso, existem um atraso dos receptores periféricos paraa mandarem comando aos receptores centrais para
ocorrer ventilação para expulsar o CO2 durante a respiração. O paciente desperta e elimina o CO2 que tem que
eliminar, e quando o estímulo dos receptores chegam atrasado faz com que o SNC faça hiperventilação
novamente. Diante disso, o CO2 cai bruscamente e o paciente entra em apneia.
9)Hipoventilação relacionada ao sono
-Antigamente chamada de Síndrome de Pickwick
-Síndrome de hipoventilação relacionada á obesidade (SHO)
-É a SAHOS em obesos
A)Achados
-Presença de obesidade: IMC maior que 30
-Presença de hipoventilação durante a vigília
*Pela manhã a pCO2 é maior que 45mmHg em vigília (característica relevante no diagnóstico).
-A hipoventilção não é primária de doenças pulmonares,neurológicas,da parede torácica ou uso de substâncias
*Deve estar relacionada á obesidade
-10-15% dos obesos apresentam síndrome de hipoventilação relacionada á obesidade
-SAHOS esta frequentemente associado, e neste caso,ambos os diagnósticos devem ser dados.
-Tanto na SAHOS quanto na SHO temos a pCO2 elevada.
B)Quadro clínico
-Sonolência diurna excessiva
-Cefaleia matinal
-Sono fragmentado
-Ortopneia
-Sintomas respiratórios recorrentes
-Cor pulmonale ou congestão pulmonar
*Pletórico, edema de MMII
-Disfunção neurocognitiva
10)Hipoxemia relacionada ao sono
-Teremos na PSG somente uma baixa saturação de O2
A)Diagnóstico
B)Polissonografia
11)Tratamento da SAHOS
A)A primeira coisa é tratar os fatores desencadeantes da SAHOS
-Controle da obesidade
-Mudança nos hábitos de vida
-Encaminhar á um otorrinolaringologista
*A etiologia da SAHOS pode ser por uma hipertrofia de adenoide, hipertrofia de amigdalas, desvio de septo,
pólipos nasais... Portanto, o tratamento cirúrgico dessas alterações pode acarretar com o tratamento da SAHOS.
B)Tratamento conservador
-O paciente com SAHOS quando entra em apneia/hipopneia a saturação de O2 diminui. Diante disso, os
quimioreceptores vão enviar um estímulo ao SNC e fazer o paciente a ter um despertar completo ou um
microdespertar para voltar a respirar. O paciente que vai á um médico mal preparado e reclama que esta com
dificuldade para dormir e esta acordando muitas vezes no período da noite e no outro dia acorda muito cansado
vai na maioria das vezes ser medicado com um benzodiazepínico. Isso vai ser muito agravante para o paciente pois,
ao fazer uso de benzodiazepínico vai ocorrer uma depressão do SNC e diante disso o quimioreceptor vai ter
dificuldade em despertar o paciente com apneia. Como consequência, o paciente vai fazer períodos de apneia
prolongados com dissaturação de O2 muito acentuadas. Portanto, no paciente com SAHOS o uso de
benzodiazepínicos e de outras drogas pioram muito o quadro ao invés de ajudar. Logo, uma anamnese e um
exame físico bem feito vai nos orientar se os problemas de sono do paciente estão relacionado com SAHOS ou
com algum outro distúrbio.
-Os opióides podem levar á uma apneia central.
-Os tarja preta devem ser muito bem estudados antes de ser indicados aos pacientes.
C)CPAP
-Pressão positiva contínua de ar (CPAP)
-Foi utilizado para o tratamento dos distúrbios do sono em 1980 por Sulivan.
-Aparelho de ventilação não invasivo (não é IOT nem traqueostomia)
-Essa distensão previne o colapso entre os tecidos da orofaringe e da base da língua , evitando o fechamento das
VAS.
12)Tratamento dos outros distúrbios respiratórios relacionadas ao sono
A)Hipoxemia relacionada ao sono
-Buscar a causa da hipoxemia e tratar essa causa
B)Hipoventilação relacionada ao sono
-Tratar com CPAP
-Controle do peso
C)Apneia central do sono
-A princípio pode experimentar um CPAP ou um BPAP.
-Mas, na maioria dos casos a doença só vai ser tratada com servoventilador.
-Encaminhar ao pneumologista por ser um tratamento complexo
Tabagismo
Pneumologia – Dra. Katia
Julia Araújo – Med XXXV
O que é dependência de uma droga? É o uso e necessidade tanto física quanto psicológica, de uma
substância psicoativa, apesar do conhecimento de seus efeitos prejudiciais à saúde. Existência de um
padrão de autoadministração que, geralmente, resulta na tolerância, abstinência e comportamento
compulsivo para consumir a droga.
Aspectos da dependência:
1. Compulsão: forte desejo de consumir uma substância.
2. Tolerância: necessidade de doses cada vez maiores da substância para alcançar efeitos
inicialmente conseguidos com menores doses.
3. Síndrome de abstinência: aparecimento de sintomas desagradáveis quando se para o uso da
substância.
Dependência à nicotina: grupo de transtornos mentais e de comportamento decorrentes do uso de
substância psicoativa. CID 10, revisão (F17), OMS 1997.
Apresentação do tabaco:
Tanto a combustão como vaporização produzem alcatrão, substância relacionada com câncer.
Tabagismo é associado a cinquenta tipos de doenças:
O tabagismo é uma doença pediátrica, em que a idade de experimentação geral gira em torno de 12 anos.
Experimentação: 3 em 4 pessoas já experimentaram.
Progressão para uso diário: 3 em cada 5 dos experimentadores (60%)
1. Fumante experimentador: provou o tabaco, <1 cigarro por semana
2. Fumante uso habitual: fuma pelo menos 1 cigarro por semana (fumante em iniciação)
Dependência nicotínica: 1 em cada 5 fumantes diários de cigarro (50%)
Componentes da dependência:
1. Física
Teste de Fagerstrom:
2. Psicológica
Uso de ADT e ansiolíticos podem ajudar em pacientes com depressão e ansiedade de base.
3. Condicionamento
Demanda nacional:
25 milhões de fumantes – 20%
20 milhões querem deixar de fumar – 80%
19 milhões necessitam de tratamento – 97%
8 milhões necessitam de medicamento – 40%
Atuação: o objetivo não é “perseguir fumantes”, e sim apoia-los no processo de cessação de tabagismo,
e na preservação de sua saúde. Devemos procurar envolver os fumantes com atitudes agregadoras, não
conflitantes, onde predominam o bom-senso e a preocupação com o bem-estar comum.
4 passos:
1. Querer
2. Preparar: apoio técnico – TCC, medicamentos
3. Marcar o dia “D”: compromisso objetivo
4. Manter: prevenção da recaída
Estágios da mudança:
1. Pré-contemplativo: não pretendem parar em 6 meses e negam malefícios do tabagismo.
2. Contemplativo: pretendem parar nos próximos 6 meses / ambivalente, aceitam malefícios, mas
valorizam o tabagismo.
3. Preparação para a ação: pretendem parar no próximo mês, uso intuitivo de técnicas
comportamentais.
4. Ação: houve suspensão efetiva do tabagismo.
5. Manutenção: até 6 meses após a suspensão.
Considerar prioritariamente a realidade do paciente:
Grau de motivação
Grau de dependência
Aspectos comportamentais
Outras dependências
Perfil sociocultural
Crenças e temores
Para parar de fumar, motivação e mudança costumam ser fatores fundamentais.
Tratamento medicamentoso:
Objetivos:
Minimizar os sintomas da síndrome de abstinência
Facilitar abordagem TCC
Situações potenciais para utilização de apoio medicamentoso:
Adesivo transdérmico:
Não há relato de dependência
Boa aderência do paciente
Dessensibilização de receptores
Liberação lenta e contínua pela corrente sanguínea através da pele e absorção corresponde a
75% da nicotina contida no adesivo.
Doses: 7, 14, 21 mg. Começamos com a maior dose, trocar diariamente e reduzir dose
mensalmente.
Paciente não pode estar fumando junto, porque estará recebendo dose de nicotina muito alta já, risco de
vasoconstrição intensa – IAM, AVC.
Goma / pastilha de nicotina:
Absorção pela mucosa oral
Mascação lenta por 30 minutos
Liberação não contínua, em picos
Absorção média durante 15 horas do dia
Goma: o nível sérico atinge o pico em 20 minutos
Pastilha: a absorção é mais rápida que a goma.
Boa indicação: momentos de fissura, número máximo por dia, geralmente associado com
adesivo.
Doses: 2-4 mg.
Bupropiona:
É um antidepressivo atípico de ação lenta
Simulação da nicotina
Absorção: rápida TGI
Pico plasmático em 3 horas
Eliminação principal: renal
CI: histórico de convulsões, etilismo pesado, TCE e AVC recente.
Vareniclina:
Atividade agonista parcial no receptor acetilcolínico-nicotínico alfa4-beta2: prevenindo ligação
da nicotina. É o medicamento mais eficaz.
Reduz fissura e sintomas de abstinência – atividade agonista
Produzem redução dos efeitos de recompensa e reforço do tabagismo – atividade antagonista
CI: histórico familiar e pessoal de ideias suicidas.
Manuseio:
Passo a passo:
1. Quadro clínico
2. Reconhecer FR
3. Calculo da probabilidade clinica pré-teste
4. Como interpretar os exames complementares
5. Pesando o risco de morte e a estratégia ed tratamento a ser usada
6. Tratamento
7. Prevenção é sempre o melhor remédio
Quadro clínico:
Extremamente variável: assintomáticos ou sintomas inespecíficos, instabilidade hemodinâmica e PCR em
PS.
1. Dispneia 73%
2. Taquicardia 70%
3. Dor torácica 66%: dor pleurítica ou subesternal, quando chega em arteríola pulmonar
subsegmentar mais periférica, tende a apresentar mais esse tipo de dor, auscultamos atrito
pleural nesse local. Ou apenas dor subesternal em trombos maiores ocluindo artérias mais
centrais.
4. Síncope 17%
Reconhecer o FR:
Alto:
1. Fratura de MMII
2. Hospitalização por Flutter ou AF nos últimos 3 meses
3. IAM nos últimos três meses
4. Trauma grande por acidente automobilístico
Moderado:
Baixo FR:
Classificação:
Etiologia:
Não provocada ou idiopática
Provocada: transitória ou persistente (reversível ou irreversível)
Sintomas: sintomático ou assintomático do ponto de vista respiratório
Anatomia
TVP: proximal (maiores coágulos) e distal
TEP: em sela (divisão do tronco pulmonar) – lobar – segmentar – subsegmentar
Temporal: agudo, subagudo, crônico
Probabilidade pré-teste:
Levantou suspeita de TEV? Calcule probabilidade pré-teste: baixa, intermediaria, baixa.
Escore de Wells para TVP e escore de Genebra para TEP.
TVP: dor, edema e empastamento muscular. Outros sintomas são dor no trajeto venoso, dilatação venosa
superficial, cianose e calor local. Sinal de Homans (dor em panturrilha após dorsiflexão passiva do pé),
sinal da bandeira (menor mobilidade da panturrilha comparada com o outro membro), sinal de Bancrofti
(dor à palpação da panturrilha).
Organograma diante da probabilidade pré-teste: direcionado pela instabilidade hemodinâmica.
Sem instabilidade hemodinâmica:
OBS: exames específicos. CTPA é angioTC. Clínica pré-teste de alto risco faz direto angioTC, não é correto
fazer D-dímero antes. Investigate further – ECO.
Instabilidade hemodinâmica:
Ecocardiograma a beira leito é o primeiro a ser feito, se houver disfunção de VD, seguir para angioTC se
disponível e factível de ser realizada.
2. ECG: pode ser absolutamente normal, podendo achar taquicardia sinusal, inversão de onda T
anterosseptal V1-V4 (indicativo de estresse de VD), inversão de onda T em DII, DII e aVF,
BRD/SVD, arritmias atriais (principalmente FA). S1Q3T3 (+ específico): E de 62%, presente em <
10-20%.
3. D-dímero: produto da degradação de fibrina. ELISA: S 95% ou 0,5 mcg/mL
D-dímero +: >500 ng/mL ou 0,5 mcg/mL, >50 anos corrigir resultado para idade: idade x 10 ng/mL
ou x0,01 mcg/mL.
Exames confirmatórios:
1) AngioTC de tórax:
Principal exame para TEP agudo: falha de enchimento no interior das Aa. Pulmonares.
Auxilia no DD: pneumonia, DP, neoplasia, pneumomediastino.
Prognóstico: relação VD/VE>0,8; carga trombótica/tamanho do trombo.
CI: alergia a contraste iodado, insuficiência renal grave AngioRNM, Cintilo V/Q, arteriografia.
É aceitável diagnostico de TEV com embolia pulmonar se ultrassom mostrar TVP proximal – instabilidade
hemodinâmica tem maior relação, hipótese bem aceita. Apto a tratar paciente.
Estratificação de risco:
Diagnosticou TEP? Realize estratificação de risco: baixo, intermediário-baixo, intermediário-baixo, alto.
Fazer pelo escore de PEPSI, BNP/ECOTT, troponina.
Tratamento:
Estabilização clínica e hemodinâmica:
Suporte respiratório: SatO2>90%, IOT + VM se necessário.
Suporte hemodinâmico: expansão volêmica com cautela para não aumentar pós-carga do VD
(500 mL em 15-30 min). DVA: noradrenalina, Dobutamina.
Principal causa de morte: falência de VD + hipoperfusão sistêmica.
Anticoagulação:
Se probabilidade pré-teste intermediária/alta de TEP, o paciente deve ser anticoagulado
imediatamente, sem retardo – NE IC.
HBPM ou Fondaparinux é o tratamento recomendado na maioria dos pacientes – NE IA.
CI: sangramento ativo, plaquetopenia, hipertensão grave, trauma e/ou cirurgia recente.
Profilaxia:
Pacientes cirúrgicos: Caprini
Paciente clínico: Pádua
Exame Físico:
1. Normal
2. B2 hiperfonética no foco pulmonar
3. Turgência de jugular
4. Sopro holossistólico em foco tricúspide
5. Propulsão de VD
6. B4
7. Hepatomegalia
8. Edema de MMII
9. Cianose de extremidades
Diagnóstico:
Exame de triagem: Ecocardiograma + doppler
PSAP >35-40 mmHg é sugestivo de HP
Detectar defeitos congênitos relacionados com HP
Confirmar doença cardíaca por IVE
Teste de vaso reatividade com ON inalado no CCD. Respondedor ao teste de VR em CCD: única indicação
de usar BCC, fora isso NÃO usar, maior risco de morte.
Não respondedor – tratamento específico: CF- NYHA
Tratamento cirúrgico:
Grupo 2 em troca valvar, correção de CIV
Grupo 4: TEP crônico
Infecções de Via Aérea Superior
Pneumologia – Dra. Kátia
Julia Araújo – Med XXXV
Infecções respiratórias agudas: imunocompetente ou imunossuprimidos? PAC, pneumonia aspirativa,
pneumonia associada a cuidados de saúde, pneumonia nasocomial (PH, PAV). Exacerbações infecciosas:
asma, DPOC, bronquiectasia, doença intersticial pulmonar.
Tratamento:
1. Lavagem nasal: com SF 0,9% ou hipertônica 3% é de grande valia e deve ser repetida 3-6 x ao
dia.
2. Paracetamol ou dipirona: alívio da cefaleia e mialgia.
3. Descongestionantes sistêmicos: pseudoefedrina são importantes da congestão nasal.
Encontrado em antigripais, como benegripe, que tem analgésico + descongestionante +
antialérgico, alguns com anti-inflamatórios.
4. AINES e anti-histamínicos: podem aliviar os sintomas de IVAS, mas não reduzem o tempo da
doença.
5. Vasoconstritores tópicos: afrin, neosoro. Devendo ser uado por no máximo 5 dias para diminuir
o risco de efeito rebote.
6. Mucocinéticos: modificam a consistência das secreções do aparelho respiratório, facilitando seu
transporte e eliminação.
GC nasal não têm indicação de serem usados nesse momento. O uso não é primeira linha, mas pode ser
feito em pacientes com história e clínica de rinite alérgica associada.
Síndrome Gripal:
Prevenção:
A proteção da vacina da gripe por cepas de vírus influenza que compõem a vacina ou cepas que
apresentam relação antigênica próxima.
Geralmente contém dois fragmentos do vírus influenza A e um fragmento do vírus influenza B.
O grau de proteção pela imunização pode ser parcial ou insuficiente para prevenir manifestação
da doença se a exposição ao agente infeccioso for intensa ou se as cepas responsáveis pela
infecção não forem antigenicamente relacionadas com aquelas utilizadas na produção da vacina.
O efeito de proteção tem início de 10-15 dias após a aplicação e estende-se por 1 ano.
Os títulos máximos de anticorpos são obtidos 1 a 2 meses após a imunização e declinam
gradativamente.
Deve ser realizada anualmente.
RSA- Rinossinusites:
Processo inflamatório da mucosa de revestimento da cavidade paranasal. Aguda com duração menor que
4 semanas e subaguda entre 4-12 semanas.
Ocorre geralmente após uma IVAS viral (causam 80% das RSA bacteriana) ou após uma inflamação alérgica
(20% das RSA bacteriana).
Estima-se que 0,5% a 2% das IVAS apresentam evolução para RSA bacteriana.
RSA bacteriana x viral:
Tratamento:
1. Lavagem nasal com solução salina. É importante para todos os pacientes. Repetir o
procedimento várias vezes ao dia.
2. Analgésicos e AINH
3. Descongestionantes tópicos podem ser usados por um curto período de tempo, no máximo 3
dias, por causa do efeito rebote e desenvolvimento de rinite medicamentosa com o uso cônico:
cloridrato de oximetazolina (Afrin, Aturgyl) e nitrato de nafazolina (Naridrin, Sorine).
4. Descongestionantes orais (cloridrato de fenilefrina) também podem ser utilizados, sendo
geralmente disponíveis em apresentações que associam anti-histamínicos orais (Aviant Efe,
Allegra D, Zyrtec D).
5. Fitoterápicos: pode ser útil em rinossinusites virais, exemplo Pelargonium sidoides extrato EPS
7630, Kaloba (total de 5-7 dias). Pacientes em uso de anticoagulantes devem evitar seu uso.
6. Sprays nasais com corticoesteróides: podem ser usados quando se suspeita de rinite alérgica
como fator predisponente.
7. Antileucotrienos: bons resultados em pacientes com hiper-reatividade brônquica de base.
ABT: sintomáticos primeiro, reavaliação em 48-72 horas ou prescrição “wait and see” (somente nos casos
de RSA bacteriana)
Faringotonsilite aguda:
Processo inflamatório envolvendo a mucosa e submucosa da garganta, afetando assim a orofaringe,
nasofaringe, hipofaringe e tonsilas palatinas (amigdalas) e faríngea (adenoide).
Sintomatologia: odinofagia, febre, calafrios, comprometimento do estado geral, astenia, mialgia, cefaleia,
artralgia, rouquidão, congestão nasal, otalgia reflexa e aumento dos linfonodos cervicais.
Agentes etiológicos: rinovírus, coronavírus, adenovírus, herpes simples, influenza, para influenza,
coxsackie.
Quadro clínico viral: 75% dos casos, dor de garganta, disfagia, mialgia, febre baixa, tosse, coriza hialina e
espirros.
Duração: de 3-7 dias.
Exame físico: hiperemia e edema de mucosa faríngea e das amígdalas, com presença de exsudato,
raramente, ausência de adenopatia.
Faringotonsilites bacterianas correspondem a 15%. O agente etiológico mais comum é o estreptococo
beta-hemolítico grupo A. Complicações são febre reumática e glomerulonefrite difusa aguda. Mais
preocupante na pediatria.
Caso clínico 1:
Paciente do sexo masculino, 22 anos, hígido previamente, vem ao consultório com queixa de congestão
nasal e secreção nasal de coloração amarelada. Além disto, refere tosse, certa dor de garganta e no corpo.
Os sintomas se iniciaram há 48 horas e o mesmo vem utilizando paracetamol. O exame clínico revela
conchas nasais inferiores congestas e presença de secreção nasal intensa em ambas as cavidades nasais.
A faringe está avermelhada e sem exsudato nas tonsilas palatinas. O exame geral é normal e AR: MVF sem
RA.
Caso clínico 2:
Paciente do sexo masculino, 22 anos, estudante universitário, comparece no seu plantão com queixa de
dor forte e pressão na face, na região do maxilar direito. A história clínica detalhada evidencia que
sintomas tipo gripais (coriza, entupimento nasal e tosse), iniciaram há 4 dias e que na noite anterior
pioraram com o aparecimento de dor facial intensa. O uso de paracetamol e descongestionante oral tem
ajudado pouco. No exame físico, constata-se mucosa nasal direita congesta e presença de secreção
mucopurulenta na parede posterior da faringe. Diante do acima exposto, você indicaria:
Caso clínico 3:
Mulher, 48 anos, procura OS com relato de que há 15 dias apresenta tosse produtiva de coloração
amarelada, com início de febre há 7 dias associada a dor torácica à esquerda. Refere ser tabagista de 1
maço de cigarro/dia desde os 12 anos, nega outras patologias. Ao exame físico: PA 120x80 mmHg, FC 95
bom, FR 28 bpm, SPO2 96%. AR: MV com estertores finos em base de hemitórax esquerdo.
Qual a melhor conduta a ser adotada? RX de tórax PA e P. É uma suspeita de pneumonia.
Caso clínico 4:
Mulher, 44 anos, procura pronto-socorro com relato de que há 7 dias apresenta tosse produtiva de
coloração amarelada, associada a febre. Refere ser tabagista de 1 maço de cigarro/dia desde os 12 anos,
nega outras patologias. Ao exame físico: PA de 80x50 mmHg, FC 108 bpm, FR 38 irpm, SpO2 89%, AR: MV
com estertores finos em 2/3 inferiores de hemitórax direito.
Qual a conduta mais adequada? Estabilização clínica na sala da emergência. Cateter nasal de O2 a 2L/min,
reposição volêmica com cristaloide (1000 mL de SF). Se não responder, usar adrenalina pois paciente está
provavelmente em choque séptico.