Matemática I
Funções Reais de Variável Real
Anabela Pereira
Depart. de Matemática
Ano letivo 2021/22
Anabela Pereira (Depart. de Matemática) Funções Reais de Variável Real Matemática I 1 / 26
Generalidades de f.r.v.r.
Domínio e contradomínio
Zeros e sinal
Paridade e bijectividade (injectividade e sobrejectividade)
Monotonia e extremos
Concavidades e pontos de in‡exão
Funções limitadas
Anabela Pereira (Depart. de Matemática) Funções Reais de Variável Real Matemática I 2 / 26
Ponto de acumulação
De…nição
Seja A subconjunto de R e a 2 R. Diz-se que a é um ponto de
acumulação de A se, qualquer que seja o valor ε > 0, no intervalo
]a ε, a + ε[ (vizinhança de a com raio ε), existe pelo menos um
elemento de A diferente de a.
Notação: A0 ! conjunto dos pontos de acumulação de A.
Observações:
O ponto de acumulação a pode pertencer ao conjunto A ou não;
se a = 0 e A = [0, 2[ , então A0 = [0, 2] ;
exemplos:
se a = 0 e A = ]0, 2[ , então A0 = [0, 2] .
Se a 2 A e a é um ponto isolado, então não é ponto de acumulação
A; exemplo: se a = 0 e A = f0g [ ]1, 2[, então A0 = [1, 2].
Anabela Pereira (Depart. de Matemática) Funções Reais de Variável Real Matemática I 3 / 26
Limites Finitos
De…nição (Limite segundo Cauchy)
Sejam a um ponto de acumulação de Df e b 2 R. Diz-se que f tende
para b quando x tende para a, isto é,
lim f (x ) = b sse
x !a
8 δ > 0 9 ε > 0 8 x 2 Df n f a g : j x a j < ε ) j f ( x ) b j < δ
ou
8δ > 09ε > 08x 2 Df n fag : a ε < x < a + ε ) b δ < f (x ) < b + δ
Lê-se:
qualquer que seja o número real δ > 0,
existe um número real ε > 0
tal que, para qualquer x 2 Df n fag ,
se x se aproxima de a numa vizinhança de raio ε, jx aj < ε ,
então f aproxima-se de b numa vizinhança de raio δ, jf (x ) b j < δ.
Anabela Pereira (Depart. de Matemática) Funções Reais de Variável Real Matemática I 4 / 26
Limites Laterais
Observações:
Se lim f (x ) = lim+ f (x ) = b então lim f (x ) = b;
x !a x !a x !a
Se lim f (x ) 6= lim+ f (x ) = b então não existe lim f (x ).
x !a x !a x !a
Proposição (Unicidade de Limite): O limite de uma função num ponto,
quando existe, é único.
Anabela Pereira (Depart. de Matemática) Funções Reais de Variável Real Matemática I 5 / 26
Propriedades dos limites …nitos
Proposição: Se f e g são f.r.v.r. com limite …nito em a (para a …nito ou
in…nito) e k 2 R, então:
lim kf (x ) = k lim f (x );
x !a x !a
lim [(f + g ) (x )] = lim f (x ) + lim g (x );
x !a x !a x !a
lim [(f g ) (x )] = lim f (x ) lim g (x );
x !a x !a x !a
lim [(f g ) (x )] = lim f (x ) lim g (x );
x !a x !a x !a
lim jf (x )j = lim f (x ) .
x !a x !a
(nota: j f j pode ter limite no ponto a e a função f não ter)
se lim g (x ) 6= 0, então
x !a
h i lim f (x )
f x !a
lim g (x ) = lim g (x )
.
x !a x !a
Anabela Pereira (Depart. de Matemática) Funções Reais de Variável Real Matemática I 6 / 26
Propriedades dos limites in…nitos
Sejam f , g f.r.v.r e a …nito ou in…nito, então:
Para a soma:
1. se lim f (x ) = +∞ e lim g (x ) = +∞, lim [(f + g ) (x )] = +∞;
x !a x !a x !a
2. se lim f (x ) = ∞ e lim g (x ) = ∞, lim [(f + g ) (x )] = ∞;
x !a x !a x !a
3. sendo b 2 R,
se lim f (x ) = +∞ e lim g (x ) = b, lim [(f + g ) (x )] = +∞;
x !a x !a x !a
se lim f (x ) = ∞ e lim g (x ) = b, lim [(f + g ) (x )] = ∞.
x !a x !a x !a
Anabela Pereira (Depart. de Matemática) Funções Reais de Variável Real Matemática I 7 / 26
Propriedades dos limites in…nitos
Para o produto:
4. sendo b 2 R+ ,
se lim f (x ) = +∞ e lim g (x ) = b, então lim [(f g ) (x )] = +∞;
x !a x !a x !a
se lim f (x ) = ∞ e lim g (x ) = b, então lim [(f g ) (x )] = ∞;
x !a x !a x !a
5. sendo b 2 R ,
se lim f (x ) = +∞ e lim g (x ) = b, lim [(f g ) (x )] = ∞;
x !a x !a x !a
se lim f (x ) = ∞ e lim g (x ) = b, lim [(f g ) (x )] = +∞;
x !a x !a x !a
6.
se lim f (x ) = +∞ e lim g (x ) = +∞, então lim [(f g ) (x )] = +∞;
x !a x !a x !a
se lim f (x ) = ∞ e lim g (x ) = +∞, então lim [(f g ) (x )] = ∞;
x !a x !a x !a
se lim f (x ) = ∞ e lim g (x ) = ∞, então lim [(f g ) (x )] = +∞.
x !a x !a x !a
Anabela Pereira (Depart. de Matemática) Funções Reais de Variável Real Matemática I 8 / 26
Propriedades dos limites in…nitos
Para o inverso e o quociente: seja g não nula numa vizinhança de a
(excepto, eventualmente em a).
7. se lim g(x)=∞ então lim g (1x ) = 0;
x !a x !a
8. se lim g (x ) = 0 então lim g (1x ) = ∞;
x !a x !a
f (x )
9. se lim g (x ) = ∞ e lim f (x ) é …nito, então lim g (x ) = 0;
x !a x !a x !a
10. se lim g (x ) = 0 e lim f (x ) é in…nito ou …nito e diferente de zero,
x !a x !a
f (x )
lim g (x ) = ∞. (dependendo do sinal de f e g , poderemos averiguar se este
x !a
limite é +∞ ou ∞)
Anabela Pereira (Depart. de Matemática) Funções Reais de Variável Real Matemática I 9 / 26
Propriedades dos limites
Observações complementares:
Diz-se que f é um in…nitésimo quando x tende para a se
lim f (x ) = 0.
x !a
Proposição: Se f é um in…nitésimo quando x tende para a e g é uma
f.r.v.r. limitada. então f g é um in…nitésimo quando x tende para a.
Os símbolos seguintes são designados por símbolos de indeterminação:
(+∞) (+∞) (+∞) + ( ∞) 0 (+∞)
∞
0 ( ∞) 0
0 ∞
00 ∞0 1∞
Anabela Pereira (Depart. de Matemática) Funções Reais de Variável Real Matemática I 10 / 26
Limites notáveis
Alguns limites notáveis ou de referência:
lim senx =1
x !0 x
x
lim e x
1
=1
x !0
ln (x +1 )
lim x =1
x !0
x ex
lim e = +∞ (caso geral lim p = +∞ (p 2 N))
x !+∞ x x !+∞ x
lim ln x =0 (caso geral lim ln
p x
p x = 0 (p 2 N))
x !+∞ x x !+∞
Anabela Pereira (Depart. de Matemática) Funções Reais de Variável Real Matemática I 11 / 26
Propriedades dos limites …nitos
Teorema (do Encaixe)
Sejam f , g e h f.r.v.r., de…nidas num intervalo I , e a pertencente ao
interior de I . Se
f (x ) g (x ) h (x ), 8x 2 I e
lim f (x ) = lim h(x ) = b,
x !a x !a
então
lim g (x ) = b.
x !a
Anabela Pereira (Depart. de Matemática) Funções Reais de Variável Real Matemática I 12 / 26
Funções Contínuas
Consideremos f : Df R ! R uma função real de variável real (f.r.v.r.)
e a um ponto de acumulacão de Df que pertence a Df .
Diz-se que f é contínua em a se lim f (x ) = f (a).
x !a
Diz-se que f é contínua à esquerda em a se lim f (x ) = f (a).
x !a
Diz-se que f é contínua à direita em a se lim+ f (x ) = f (a).
x !a
Diz-se que a f é contínua no intervalo [a, b ] se f é contínua em
qualquer ponto de ]a, b [, contínua à direita em a e contínua à
esquerda em b.
Diz-se que f é contínua se f é contínua em qualquer ponto do seu
domínio.
Anabela Pereira (Depart. de Matemática) Funções Reais de Variável Real Matemática I 13 / 26
Funções Contínuas
Nota: São consideradas contínuas em todo o seu domínio as seguintes
funções:
polinomiais,
racionais,
com raízes,
trigonométricas,
exponenciais e
logarítmicas.
Proposição: Se f , g são funções contínuas em a e k 2 R, então:
as funções kf , f + g , f g, f g e j f j são contínuas em a;
1 f
se g (a) 6= 0, as funções g e g são contínuas em a.
Proposição: Se f é uma função contínua em a e g é contínua em f (a),
então g f é contínua em a.
Anabela Pereira (Depart. de Matemática) Funções Reais de Variável Real Matemática I 14 / 26
Prolongamento por Contínuidade
Sendo f e g duas funções com domínios Df e Dg , diz-se que g é um
prolongamento de f (ou que f é uma restrição de g ) se
Df & Dg e 8 x 2 Df , f (x ) = g (x ).
Proposição: Seja f : Df R ! R e a um ponto de acumulação de Df ,
com a 2
/ Df .
f é prolongável por continuidade a a sse existe (e é …nito) lim f (x ).
x !a
Neste caso, o prolongamento por continuidade de f a a é a função
g : Df [ f a g ! R
de…nida por (
f (x ) , se x 2 Df
g (x ) = lim f (x ) , se x = a
x !a
Anabela Pereira (Depart. de Matemática) Funções Reais de Variável Real Matemática I 15 / 26
Teoremas Fundamentais
Teorema (de Bolzano)
Seja f : Df R ! R uma função contínua em [a, b ], com a < b. Então,
para qualquer k estritamente compreendido entre f (a) e f (b ), existe pelo
menos um c 2]a, b [ tal que f (c ) = k, isto é, 9c 2]a, b [: f (c ) = k.
Corolário (1)
Se f é contínua no intervalo [a, b ] e não se anula em algum ponto de
[a, b ], então em todos os pontos de [a, b ] a função f tem o mesmo sinal.
Corolário (2)
Se f é contínua no intervalo [a, b ] e f (a) f (b ) < 0 então f tem pelo
menos um zero em ]a, b [, isto é, 9c 2]a, b [: f (c ) = 0
Anabela Pereira (Depart. de Matemática) Funções Reais de Variável Real Matemática I 16 / 26
Teoremas Fundamentais
Teorema (de Weierstrass)
Qualquer função contínua num intervalo [a, b ] (fechado e limitado) tem
máximo e mínimo nesse intervalo.
Observação: Em qualquer um destes resultados, as condições são apenas
condições su…cientes; não são condições necessárias.
Teorema (continuidade da função inversa)
Se f : I R ! R é uma função contínua e estritamente monótona em I ,
então:
f é invertível em I ;
f 1 é estritamente monótona;
f 1 é contínua.
Observação: O facto de f ser estritamente monótona em I garante que f é
injectiva em I .
Anabela Pereira (Depart. de Matemática) Funções Reais de Variável Real Matemática I 17 / 26
Funções Trigonométricas Inversas
Função Seno e sua inversa Arco Seno
Considere-se a função seno, de…nida por:
f : R ! [ 1, 1]
x ! sen x
1
/1 2
−2π 2π
−3π −π 0 π 3π
/−
12
−1
Esta função é contínua em R mas não é injectiva. Para a inverter vamos
π π
considerar a sua restrição principal 2 , 2 onde a função seno é
contínua e estritamente crescente.
Anabela Pereira (Depart. de Matemática) Funções Reais de Variável Real Matemática I 18 / 26
Funções Trigonométricas Inversas
Função Seno e sua inversa Arco Seno
y y
π/2
y = arcsenx
y = senx
1 1
−π/2 −1 0 −1 0
x x
1 π/2 1
−1 −1
−π/2
f : π π
! [ 1, 1] 1 [ 1, 1] ! π π
2, 2 f : 2, 2
x ! sen x x ! arcsen x
é contínua é contínua
é estritamente crescente é estritamente crescente
é impar é impar
tem zero em x = 0 tem zero em x = 0
Anabela Pereira (Depart. de Matemática) Funções Reais de Variável Real Matemática I 19 / 26
Funções Trigonométricas Inversas
Função Coseno e sua inversa Arco Coseno
Considere-se a função coseno, de…nida por:
f : R ! [ 1, 1]
x ! cos x
y
1
/1 2
−3π −2π −π/2 π/2 3π/2 2π x
0
−π /−
12 π
−1
Esta função é contínua em R mas não é injectiva. Para a inverter vamos
considerar a sua restrição principal [0, π ] onde a função coseno é contínua
e estritamente decrescente.
Anabela Pereira (Depart. de Matemática) Funções Reais de Variável Real Matemática I 20 / 26
Funções Trigonométricas Inversas
Função Coseno e sua inversa Arco Coseno
π
y = arccos x
1
y = cos x
π/2 π π/2
−1
−1 1
! [ 1, 1] 1 [ 1, 1] !
f : [0, π ] f : [0, π ]
x ! cos x x ! arccos x
é contínua é contínua
é estrit. decrescente é estrit. decrescente
tem zero em x = π2 tem zero em x = 1
Anabela Pereira (Depart. de Matemática) Funções Reais de Variável Real Matemática I 21 / 26
Funções Trigonométricas Inversas
Função Tangente e sua inversa Arco Tangente
Considere-se a função tangente, de…nida por:
tg : Rnfx : x 6= π
2 + kπ, k 2 Zg ! R
sen x
x ! tg x = cos x
10
−3π/2 −π −π/2 0 π/2 π 3π/2
−5
−10
Para a inverter a tangente vamos considerar a sua restrição principal
π π
2 , 2 onde a função é contínua e estritamente crescente.
Anabela Pereira (Depart. de Matemática) Funções Reais de Variável Real Matemática I 22 / 26
Funções Trigonométricas Inversas
Função Tangente e sua inversa Arco Tangente
10
5
π/2
− π/2 0 π/2 0
−π/2
−5
− 10
f : π π
2, 2 ! R f 1 : R ! π π
2, 2
x ! tg x x ! arctg x
é contínua é contínua
é estrit. crescente é estrit. crescente
tem zero em x = 0 tem zero em x = 0
Anabela Pereira (Depart. de Matemática) Funções Reais de Variável Real Matemática I 23 / 26
Funções Trigonométricas Inversas
Função Cotangente e sua inversa Arco Cotangente
Considere-se a função cotangente, de…nida por:
cotg : Rnfx : x 6= kπ, k 2 Zg ! R
cos x 1
x ! cotg x = sen x = tg x
10
−π 0 π
−π/2 π/2 3π/2
−5
−10
Para inverter a cotangente vamos considerar a sua restrição principal
]0, π [ onde a função é contínua e estritamente decrescente.
Anabela Pereira (Depart. de Matemática) Funções Reais de Variável Real Matemática I 24 / 26
Funções Trigonométricas Inversas
Função Cotangente e sua inversa Arco Cotangente
10
5
π/2
0 π
π/2 0
−5
−10
f : ]0, π [ ! R f 1 : R ! ]0, π [
x ! cotg x x ! arccotg x
é contínua é contínua
é estrit. decrescente é estrit. decrescente
tem zero em x = π2 não tem zero
Anabela Pereira (Depart. de Matemática) Funções Reais de Variável Real Matemática I 25 / 26
Fórmulas Trigonométricas
Algumas fórmulas trigonométricas:
sen 2 α + cos2 α = 1
1
sen2 α = 2 (1 cos (2α))
1
cos2 α = 2 (1 + cos (2α))
sen (α β) = sen α cos β cos α sen β
cos (α y ) = cos α cos β sen α sen β
1
tg2 α = 1 sec2 α (com sec α = cos α )
Anabela Pereira (Depart. de Matemática) Funções Reais de Variável Real Matemática I 26 / 26