Alteração ao SNC:
- Novas regras para as microempresas
Foi divulgado no dia 16 de Dezembro no site da Comissão de Normalização
Contabilística (CNC) o projecto de regulamentação sobre as microentidades.
Com base no projecto das microentidades vejamos o âmbito de aplicação do
normativo contabilístico em 2010 (falta confirmar se o novo normativo das
microentidades se aplicará nesse ano, mas tudo leva a querer que sim).
Norma Contabilística Aplicação
NIC/IAS (Normas
Entidades cotadas, sector Financeiro e
internacionais adoptadas
sector segurador
pela EU directamente)
NCRF(Sistema de
normalização contabilístico
Entidades sem títulos à negociação
Português elaborado com
Contas consolidadas
base nas normas do IASB
Contas Individuais
adoptadas pela União
europeia)
SNC
Pequenas entidades (que não integrem
consolidação)
Não sujeitas a certificação legal de contas
NCRF-PE (Norma simplificada e Não ultrapassem 2 dos limites
para as pequenas entidades) - Total de balanço: € 1.500.000
- Total de rendimentos: € 3.000.000
- Nº trabalhadores: 50
Microentidades (que não integrem
Consolidação)
Não sujeitas a Certificação legal de contas
Regime das micro e Não ultrapassem 2 dos limites no
empresas(falta publicar a exercício anterior
regulamentação) - Total de balanço: € 500.000
- Volume de negócios líquido: € 500.000
- N.º trabalhadores: 5
Estes vários regimes preconizam regras específicas na elaboração das
demonstrações financeiras.
Demonstrações financeiras
A principal característica do SNC, por clara inspiração das Normas Internacionais de
Contabilidade, é a preocupação com os aspectos qualitativos da informação
financeira. Deste modo, o conjunto de “peças contabilísticas” que se denominam por
Demonstrações Financeiras, passam a ter um novo enquadramento com o claro
objectivo de afastar a ideia de que a informação contabilística tem uma natureza
meramente quantitativa.
No caso das entidades obrigadas à aplicação do SNC, a Estrutura Conceptual
estabelece quais as demonstrações financeiras que devem ser elaboradas. No caso
das microentidades será na sua regulamentação que se estabelecem as obrigações.
Vejamos então ao que estão obrigadas:
Sistema geral NCRF- Pequenas entidade Microentidades
Um balanço; Um balanço reduzido Um balanço reduzido
Uma demonstração dos Uma demonstração dos Uma demonstração dos
resultados; resultados reduzida; resultados reduzida;
Uma demonstração das
alterações no capital
próprio
Uma demonstração dos
fluxos de caixa;
Um anexo em que se Um anexo em que se
divulguem as bases de divulguem as bases de
Um anexo com 16 notas
preparação e políticas preparação e políticas
previamente estabelecidas
contabilísticas adoptadas e contabilísticas adoptadas
por portaria (a publicar)
outras divulgações exigidas e outras divulgações
pelas NCRF. exigidas pelas NCRF.
Modelo a publicar (pode ser
Modelos publicados pela Modelos publicados pela
consultada a proposta de
portaria 986/2009 de 7 de portaria 986/2009 de 7 de
portaria no site da CNC -
Setembro Setembro
[Link])
Microentidades – Alguns apontamentos em que se diferenciam do SNC
Às microentidades não se aplica o SNC, em resultado da publicação da Lei 35/2010,
de 2 de Setembro, foi criada uma norma específica com o regime contabilístico dessas
entidades. A regulamentação ainda não foi publicada, mas os projectos de lei, portaria
e avisos já se encontram divulgados no site da Comissão de Normalização
Contabilística, pelo que a abordagem sobre este regime é feito com base na proposta.
As microentidades ficam dispensadas da aplicação do SNC, excepto se estiverem
sujeitas a certificação legal de contas ou integrem perímetros de consolidação. No
entanto, não obstante esta dispensa, as microempresas podem sempre optar pela
aplicação do SNC (NCRF-PE ou Normas “Gerais”)
O regime das microempresas é ainda mais simples e menos exigente que o regime
das pequenas entidades. Em termos genéricos, este regime não permite a aplicação
do justo valor, remetendo para o custo histórico.
Vejamos então algumas diferenças significativas entre as microentidades e o SNC:
- Não está prevista a aplicação supletiva de outras normas, tais como o SNC ou as
Normais Internacionais de Contabilidade.
- No caso de activos fixos tangíveis e intangíveis não permite a revalorização.
- Os custos dos empréstimos obtidos devem ser sempre reconhecidos como gastos
contrariando o que permite o SNC (serem acrescidos aos valores dos activos).
- Os activos biológicos consumíveis e os produtos agrícolas são reconhecidos como
inventários e tratados como tal, pelo que não se aplica o justo valor.
- Os activos biológicos de produção são tratados como activos fixos tangíveis.
- Não prevê a aplicação do custo amortizado no redito nem nas rubricas de activos e
passivos financeiros.
- Só se apuram impostos correntes, não se aplicam impostos diferidos.
- Não se aplicam as imparidades de acordo com a NCRF12 do SNC, as normas
prevêem as situações de aplicação de imparidades e a sua forma de mensuração.
- Não se aplica o método de equivalência patrimonial nas participações.
- Não se aplicam os conceitos de propriedade de investimento, pelo que os
investimentos em imóveis são tratados como activos fixos tangíveis.