DIREÇÃO - GERAL DOS ESTABELECIMENTOS ESCOLARES – DIREÇÃO DE SERVIÇOS REGIÃO
ALENTEJO
AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DE VIDIGUEIRA (135112)
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Teste de Avaliação de Português
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GRUPO I
QUESTIONÁRIO
Lê o texto com atenção e responde às questões que te são colocadas.
A CONSEQUÊNCIA DOS SEMÁFOROS
A consequência dos semáforos
Odeio os semáforos. Em primeiro lugar porque estão
sempre vermelhos quando tenho pressa e verdes
quando
não tenho nenhuma, sem falar do amarelo que provoca
em mim uma indecisão horrível: travo ou acelero?
travo ou acelero? travo ou acelero? acelero, depois
travo, volto a acelerar e ao travar de novo já me entrou
uma furgoneta pela porta, já se juntou uma data de
gente na esperança de sangue, já um tipo de chave-
inglesa
na mão saiu da furgoneta a chamar--me Seu camelo, já
a companhia de seguros me propõe calorosamente
que a troque por uma rival qualquer, já não tenho carro
por uma semana, já me ponho na borda do passeio a
fazer sinais de náufrago aos táxis, já pago um
dinheirão por cada viagem e ainda por cima tenho de
aturar o
pirilampo mágico e a Nossa Senhora de alumínio do
tablier, o esqueleto de plástico pendurado do
retrovisor,
o autocolante da menina de cabelos compridos e
chapéu ao lado do aviso «Não fume que sou
asmático»,
proximidade que me leva a supor que os problemas
respiratórios se acentuaram devido a alguma perfídia
secreta da menina que não consigo perceber qual seja.
A segunda e principal razão que me leva a odiar os
semáforos é porque de cada vez que paro me surgem
no
vidro da janela criaturas inverosímeis: vendedores de
jornais, vendedores de pensos rápidos, as senhoras
Português 9.º ano – Bloco n.º 8 Página 2 de 2
virtuosas com uma caixa de metal ao peito que nos
colam autoritariamente sobre o coração o caranguejo
do
Cancro, os matulões da Liga dos Cegos João de Deus
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nas vizinhanças de um altifalante sobre uma camioneta
com um espadalhão novo em folha em cima, o sujeito
digno a quem roubaram a carteira e que precisa de
dinheiro para o comboio do Porto, o tuberculoso com o
seu atestado comprovativo, toda a casta de aleijões
[...]
Resultado: no primeiro semáforo já não tenho trocos.
No segundo não tenho casaco. No terceiro não tenho
sapatos. No quinto estou nu. No sexto dei o
Volkswagen. No sétimo aguardo que a luz passe a
encarnado para
assaltar por meu turno, de mistura com uma multidão
de bombeiros, de estudantes, de drogados e de
microcefálicos, o primeiro automóvel que aparece. Em
média mudo cinco vezes de vestimenta e de carro até
chegar ao meu destino, e quando chego, ao volante de
um camião TIR, a dançar numas calças enormes, os
meus amigos queixam-se de eu não ser pontual.
António Lobo Antunes, Livro de crónicas, Dom Quixote, 19
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1 – O texto que acabaste de ler é uma crónica.
1.1 – Qual o facto do quotidiano que serve de pretexto para a sua criação?
1.2 - Indica mais duas características desta tipologia textual e exemplifica-as.
2- Sobre os semáforos o narrador exprime ( Assinala a resposta correcta):
2.1 – A sua repulsa;□
2.2 - Nítidos sentimentos de rejeição;□
2.3 - Algo que não consegue explicar.□
3– “Odeio os semáforos.”, diz o cronista. Porquê?
3.1 – Identifica a figura de estilo presente em “ acelero, depois travo, volto a acelerar e ao travar de novo…”.
3.2 – Explica o que o autor tenta transmitir com ela.
4 –Assinala com F ou V as frases seguintes:
4.1 - Enquanto o autor vai parando nos semáforos, um conjunto de personagens precipita-se sobre a sua
viatura. □
4.2 - Enquanto vai parando nos semáforos, um conjunto de vendedores tenta impingir-lhe vários produtos. □
4.3 - Enquanto vai parando nos semáforos, um conjunto de peripécias vai sucedendo.
□
5 – Justifica a utilização do adjectivo “inverosímeis” para caracterizar as pessoas que abordam o autor nos
semáforos.
6 – A partir do que Lobo Antunes enuncia no segundo parágrafo, é possível construir uma certa imagem de cidade.
Assim … (Escolhe a opção mais correcta):
6.1 – … aparece-nos uma cidade desordenada e com manifesta falta de segurança. □
6.2 – … aparece-nos uma cidade cheia de taxistas ridicularizados.□
6.3 - … aparece-nos uma cidade onde o autor se sente um náufrago.□
GRUPO II
1 – Considera as frases: “ Odeio os semáforos. Em primeiro lugar porque estão sempre vermelhos quando
tenho pressa e verdes quando não tenho nenhuma, sem falar do amarelo, que provoca em mim uma indecisão
horrível: travo ou acelero? travo ou acelero? travo ou acelero?”
1.1 – Analisa morfologicamente os vocábulos sublinhados.
1.2 - Identifica o grau de “horrível”.
1.3 - Coloca-o no superlativo absoluto sintético, sabendo que o seu étimo latino é HORRIBILE-.
2 – Identifica os actos ilocutórios presentes nas frases:
2.1 – “Odeio os semáforos.”
2.2 - “Não fume que sou asmático.”
2.3 – “De cada vez que paro, surgem-me no vidro criaturas inverosímeis.”
4– Considera as frases:
a) Respeito os semáforos. Odeio-os.
b) O cronista parou nos vários sinais vermelhos. Não foi multado
4.1 - Une as frases simples através das conjunções/locuções coordenativas ou subordinativas adequadas, de modo a
obteres frases complexas com semântica correcta.
4.2 – Classifica as conjunções/locuções que usaste.
GRUPO III
Escolhe UM dos temas indicados a seguir e redige um texto de opinião com entre 100 a 200 palavras.
TEMA 1 – Acidentes rodoviários: O asfalto é a peste negra do século XXI. Uma epidemia que ceifa perto de 1,22
milhões de pessoas por ano. E reduz a esperança média de vida das populações em 30 anos. Em 2020, segundo a
Organização Mundial de Saúde, a sinistralidade rodoviária será a 3.ª causa de morte, ultrapassando flagelos como
a guerra e a SIDA.
POR Jorge Flores , MARÇO 2003
TEMA 2 - A pobreza enquanto “miséria”, isto é, a carência de bens de sustentação que aviltam a pessoa humana,
comprometendo-lhe a sua dignidade e impedindo o exercício da liberdade, constitui um dos problemas mais
dramáticos do mundo contemporâneo. O fenómeno sempre existiu, mas na actualidade ele agudizou-se: pela
dramaticidade das suas concretizações; pela sua extensão, atingindo nações e continentes; pela convivência
escandalosa com situações de luxo irracional e de esbanjamento perdulário.
Mensagem do Patriarca de Lisboa, lida na Celebração promovida pela Fundação Pro Dignitate sob o Arco da Rua
Augusta, Lisboa, 2002
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Bom Trabalho!!!:)