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Apelação Criminal: Defesa de Alícia F.

Alicia F. interpôs recurso de apelação contra sentença que a condenou por furto qualificado. Seu advogado alega nulidade do processo por não ter sido ouvida a defesa e pede absolvição por falta de provas ou desclassificação para furto simples com suspensão condicional do processo.
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Apelação Criminal: Defesa de Alícia F.

Alicia F. interpôs recurso de apelação contra sentença que a condenou por furto qualificado. Seu advogado alega nulidade do processo por não ter sido ouvida a defesa e pede absolvição por falta de provas ou desclassificação para furto simples com suspensão condicional do processo.
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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA____VARA

CRIMINAL DA COMARCA DE____ (1)

(espaço de cinco linhas)

ALICIA F., já qualificada nos autos do processo-crime n.____, que lhe move
a Justiça Pública, (2) por seu advogado que esta subscreve, vem
espeitosamente perante Vossa Excelência, não se conformando com a
respeitável sentença que a condenou como incursa nas penas do art. 155,
§ 4º, I, do CP, interpor RECURSO DE APELAÇÃO, com fundamento no art.
593, I, do CPP. (3) Requer seja recebido, processado e encaminhado o
presente recurso, com as inclusas razões, ao Egrégio Tribunal de Justiça do
Estado de ... (4)
Termos em que,
pede deferimento.
Local e data.
Advogado...
OAB n...

RAZÕES DE RECURSO DE APELAÇÃO


APELANTE: Alícia F.
APELADA: Justiça Pública
PROCESSO N.____
Egrégio Tribunal de Justiça, (5) Colenda Câmara, Douto Procurador de
Justiça.
Em que pese o indiscutível saber jurídico do Meritíssimo Juiz a quo,
impõe-se a reforma da respeitável sentença proferida contra a Apelante,
pelas razões de fato e de direito a seguir expostas. (6)
I – DOS FATOS
Alícia F., ora apelante, viu-se processada pelo crime previsto no art. 155, §
4º, I, do CP. Segundo a denúncia, no dia dos fatos, Alícia F. foi vista saindo
da residência da vítima com uma sacola, que conteria os objetos do crime.
Durante a instrução, foram ouvidas testemunhas de acusação, não sendo
ouvida nenhuma testemunha de defesa, pois o juiz considerou que a
resposta do art. 396 fora apresentada fora do prazo de 10 dias, tendo
determinado seu desentranhamento dos autos. Ao final a apelante foi
condenada à pena de 2 anos de reclusão, em regime inicial aberto,
substituindo-se a pena privativa de liberdade por restritiva de direitos.
II – DO DIREITO
Com a devida vênia, a respeitável sentença foi proferida em processo
manifestamente nulo, não podendo subsistir.
De acordo com a normal inserta no art. 396-A, § 2º, do CPP, caso a
resposta à acusação não seja apresentada no prazo legal, o juiz nomeará
defensor para oferecê-la, concedendo-lhe vista dos autos por 10 dias. Tal
dispositivo deixa claro que o oferecimento da resposta constitui fase
indispensável do procedimento, que não pode ser suprimida sob nenhuma
circunstância, tratando-se, portanto, de elemento essencial ao processo. A
sua supressão viola não apenas o art. 564, IV, CPP, como também o art.
5º, LV, CF/88, que consagra como cláusula pétrea constitucional o
princípio da ampla defesa.
No caso em apreço, o D. magistrado a quo determinou o
desentranhamento da resposta já apresentada por defensor constituído,
obstando com isso não apenas a apreciação imediata das teses defensivas,
mas também a produção de prova testemunhal em favor da ré.
Dessa forma, há evidente nulidade no procedimento do magistrado que
determina a retirada, dos autos, da resposta à acusação por entendê-la
intempestiva, impondo-se a anulação a partir da fase para o oferecimento
da resposta à acusação, devolvendo-se o prazo para a sua apresentação.
Ainda que não se acolha a tese de nulidade, no mérito, impõe-se a
absolvição da apelante.
De acordo com o art. 386, V, do CPP, o juiz absolverá o réu quando não
houver prova de ter ele concorrido para a infração penal. De fato, a
absolvição por falta de prova é corolário lógico do princípio da presunção
de inocência, que encontra lastro no art. 5º, LVII, da CF/88, uma vez que o
cidadão deve necessariamente ser tido como inocente, até que se prove
cabalmente o contrário.
No caso em testilha, a testemunha ouvida nos autos que identifica a ré
como a pessoa que saía da casa da vítima estava acerca de 100 metros de
distância do local dos fatos. Trata-se de local escuro e, como a própria
testemunha Cristina afirma em seu depoimento, tem alguma dificuldade
de visão e possui 70 anos de idade.
Nestas condições, não é crível que a testemunha pudesse afirmar o que
disse em seu depoimento, sendo de rigor a reforma da decisão, com a
absolvição da ré.
Mas, ainda que assim não fosse, deveria ser afastada a qualificadora de
rompimento de obstáculo.
Conforme a dicção do art. 171 do CPP, a qualificadora da destruição ou
rompimento de obstáculo demanda exame pericial, incumbindo aos
peritos descrever os vestígios bem como indicar com que instrumentos,
por que meios e em que época se presumem praticados os fatos.
No caso em análise, o laudo pericial é claro ao afirmar que não há
elementos para que se identifique o alegado rompimento de obstáculo.
Desta forma, deve ser desclassificada a infração para o crime de furto
simples, previsto no art. 155 do CP.
Em havendo a desclassificação, deve ser anulado o processo (art. 564, IV,
do CPP) e remetidos os autos ao Ministério Público, a fim de que ofereça
proposta de suspensão condicional do processo, nos termos do art. 89 da
Lei n. 9.099/95.
De fato, segundo o art. 89 da Lei n. 9.099/95, nos crimes em que a pena
mínima cominada for menor ou igual a 1 ano, o Ministério Público poderá
propor a suspensão condicional do processo. Acrescente-se a isso o teor
da Súmula 337 do STJ, segundo a qual é cabível a suspensão condicional
do processo na desclassificação do crime.
No caso em apreço, sendo acolhida a tese desclassificatória para o delito
de furto simples, cuja pena mínima é de um ano, impõe-se a proposta de
suspensão condicional do processo, nos termos da lei.
III – DO PEDIDO
Diante do exposto, requer seja conhecido e provido o presente recurso,
anulando-se o processo a partir da resposta à acusação, nos termos do
art. 564, IV, do CPP. Caso não seja este o entendimento, requer a reforma
da r. sentença, com a absolvição da ré, com fundamento no art. 386, V, do
CPP. Subsidiariamente, requer a desclassificação da imputação para o
delito de furto simples, previsto no art. 155, caput, do CP, com a
consequente anulação do processo (art. 564, IV, do CPP) e remessa dos
autos ao Ministério Público, para que ofereça proposta de suspensão
condicional do processo (art. 89 da Lei n. 9.099/95). Requer, por fim, seja
permitido que aguarde em liberdade até o trânsito em julgado da
sentença penal condenatória, como medida de justiça.
Termos em que,
pede deferimento.
Local e data.
Advogado...
OAB n...
1. Outros endereçamentos possíveis da petição de interposição são: a) se a infração for de
menor potencial ofensivo: “Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito do Juizado Especial
Criminal da Comarca de ____”; b) se o crime for da competência da Justiça Federal:
“Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz Federal da____ Vara Criminal da Justiça Federal da Seção
Judiciária de ____”; c) se o crime for da competência do júri: “Excelentíssimo Senhor Doutor
Juiz-Presidente do____ Tribunal do Júri da Comarca de ____”.

2. Se a ação for privada, não se deve mencionar a justiça pública, e sim a parte contrária.

3. Se for infração de menor potencial ofensivo, o fundamento da apelação será o art. 82 da Lei
n. 9.099/95. Se se tratar de crime de júri, o fundamento legal será o art. 593, III, a, b, c ou d, do
CPP.
4. Se a infração for de menor potencial ofensivo, a apelação deverá ser remetida à Turma
Recursal. Se for crime da competência da Justiça Federal, a apelação será julgada pelo Tribunal
Regional Federal.

5. Se a apelação for julgada pela Turma Recursal, a saudação deve ser feita da seguinte forma:
“Egrégia Turma Recursal/Ilustre membro do Ministério Público”. Se a apelação for julgada pelo
Tribunal Regional Federal, a saudação deve ser feita da seguinte forma: “Egrégio Tribunal
Regional Federal/Colenda Turma/Douto Procurador da República”.

6. Se o problema disser que o recurso já foi interposto não há necessidade de nova


interposição. Nesta situação bastará apresentar as razões. Estas são apresentadas por aquilo
que se convencionou chamar de “petição de juntada” e seu fundamento encontra-se previsto
no art. 600 do CPP.

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