Revista RG
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índice ARQUIVO HISTÓRICO DE GUARULHOS
MÁRCIO MONTEIRO
18
capa
Moradores
contam sua
história dos
bairros de
12 entrevista Guarulhos
Elton Soares de Oliveira,
historiador Vista aérea da praça Getúlio Vargas, em 1987
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JOÃO MACHADO
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4
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A emoção de A a Z
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orgulho d e f a z e r p a r t e
da históri a d a e d u c a ç ã o
de u m a c i d a d e c o m o
Guarulhos!
wikipedia
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editorial
Por Valdir Carleto
expediente cartas
Ter nas mãos a RG de outubro, caminhar por ela de todas as formas e
Diretor responsável: Valdir Carleto (MTb 16674) em todos os sentidos e não se encantar...impossível!
Diretor Executivo: Fábio Carleto
Editora Executiva: Vivian Barbosa (MTb 56794) Estupenda e extraordinária, sem sombra de dúvidas, é o que se pode
Assistente de Edição: Amauri Eugênio Jr. dizer, diante do primoroso trabalho de pesquisa, de distribuição das eta-
Redação: Daniela Villa-Flor, Elís Lucas, Michele Barbosa e Tamiris Monteiro pas, dos assuntos ventilados a fundo nesse que é o livro da educação, de
Revisão: Simone Carleto como ela se comporta, onde está e como pode ser vista e sentida.
Diagramação: Aline Fonseca, Kátia Alves, Ricardo Lima e Williane Rebouças
Fotos: Márcio Monteiro e Rafael Almeida De parabéns a direção segura e firme no propósito do bem fazer, do
Administrativo: Érika Silva e Viviane Sanson fazer sério, do compromisso com a cidade, sua população, suas crianças -
Comercial: Ana Guedes, Eliane Sant’Anna, Laila Inhudes, Maria José Gonzaga, tratadas com o respeito que merecem. De parabéns essa equipe valorosa
Patrícia Matos, Régia Gênova, Thais Cristine e Thaís Tucci. que mostra trabalho, que sente o que faz e faz bem. De parabéns Guaru-
Distribuição: Luiz aparecido Monteiro
lhos, por contar com trabalhadores sérios e competentes que caminham
A RG - Revista Guarulhos é uma publicação da Carleto Editorial Ltda. na busca da excelência e fazem dela sua trilha, seu foco. De parabéns nós
[email protected] - www.revistaguarulhos.com.br
outros, que podemos com orgulho dizer: o tempo é agora, o que preten-
Redação e Comercial: Av. João Bernardo Medeiros, 74 - Bom Clima - Guarulhos/SP díamos aconteceu, o sonho aqui está, solidificado na ética, na sapiência,
CEP 07197-010 - Telefone: (11) 2461-9310 - [email protected]
nesse titanesco trabalho.
Impressão e acabamento: Silvamarts Gráfica e Editora Ltda. Tel. (19) 3112-8700.
Tiragem desta edição: 8 .500 exemplares. Jandilisa Grassano
8
Concluímos mais
uma etapa.
2013 chega ao fim e com ele a sensação de dever
cumprido. Mas, com 2014 se aproximando, o anseio
por novas metas aflora e já começamos a nos planejar
para os próximos 365 dias. Em 2014 aguardamos por
você, para vivermos juntos mais um ano de aprendizado,
de amizade e de conquistas.
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abertas para 2014.
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O Novo Rumo foi concebido, desde o projeto arquitetônico, para abrigar uma escola atual, com filosofia
diferenciada, bem equipada, capaz de oferecer um elevado padrão de qualidade de ensino.
De sua inauguração até os dias de hoje, o Novo Rumo cresceu e ampliou suas atividades para todos os
segmentos da educação básica, da Educação Infantil até o Ensino Médio.
O modelo de gestão fecha com outro elemento essencial: o número de alunos. Em cada turma, o
número de alunos reduzido permite ao professor um trabalho mais próximo do estudante, com mais
diálogo e compreensão de suas necessidades, promovendo a aprendizagem efetiva.
O número de turmas reduzido, permite à Direção, Coordenação e Orientação Educacional mais tempo e
dedicação ao atendimento às famílias e estudantes. Assim, garantimos as condições necessárias à
formação integral e ao pleno desenvolvimento do potencial de nossas crianças e adolescentes.
Revista Guarulhos - Onde nasceu, quan- RG - Quando e por que decidiu que RG - Qual o motivo que o levou a
do e por que veio a Guarulhos? desejava ser historiador? interessar-se particularmente pela
ESO - Sempre fui pesquisador, gos- história de Guarulhos?
Elton Soares de Oliveira - Nasci na tava de ouvir os casos que os idosos ESO - Aí fui notando que a história
Bahia, em Jacaraci, distrito de Irun- contavam na minha terra. Quando de Guarulhos é muito rica, a cida-
diara. Vim para Guarulhos em 1973, vim para cá, sentia muita saudade, de tem imensa diversidade, muito
porque meu pai veio trabalhar na voltava lá duas vezes por ano. Quem mais do que as pessoas percebem;
obra do Parque Cecap. Ele vendeu vem de uma cidade tão pequena e desde lepra até aviação, há um leque
uma fazenda lá e comprou um lote enfrenta outra tão grande, estranha, de descobertas; sua localização ge-
de terreno aqui. Nasci lá, mas é aqui porque perde todas as raízes, enfren- ográfica, nesse triângulo dos cami-
que escolhi viver. ta discriminação. Nessa de ir e voltar, nhos de São Paulo para Minas e Rio;
fiquei me perguntando o que fazia as o aquífero Cumbica, sobre o qual
RG - Qual sua formação? pessoas se fixarem lá, naquela seca, desenvolveu-se o parque industrial;
ESO - Vim para cá e fui estudar no sem nenhuma condição de vida. In- Guarulhos teve ouro. O pico mais
Mobral, depois na EE Enio Chiesa, ventei de entrevistar pessoas, gra- alto da região metropolitana, o de
no Conselheiro; fiz supletivo e me var, acabei montando um museu lá Itaberaba, com 1422 metros, as vár-
formei em história na Faficil, atual com todo tipo de coisas antigas. Aí zeas dos rios Tietê, Cabuçu, Baquiri-
Faculdades Guarulhos. descobri que queria fazer história. vu. É uma das poucas áreas em tor-
12
no de São Paulo em que ainda existe seu entorno. De frente para ela havia ro Lobato e ali, na parte mais baixa,
uma casa como a da Candinha, no a de Nsa. Sra. dos Homens Pretos, passaram a ser sepultados os negros
Bananal. A Festa de Bonsucesso é que também era igreja-cemitério. da Associação do Rosário. Em 1965,
uma das mais antigas do País, tal- Na da Conceição, uma santa branca, quando essa parte do cemitério foi
vez só perca para a das Virgens, na que não expressa na face nenhum desativada, houve um movimento
Bahia, se ainda houver lá. sofrimento, frequentavam os bran- fortíssimo das famílias tradicionais,
cos, os chamados “homens bons da para manter a parte que ainda per-
RG - Quais descobertas de suas pes- terra”, os que tinham fazendas, uma manece na rua Felício Marcondes,
quisas pode destacar? determinava renda, tinham escravos onde estão sepultados os membros
ESO - O tamanho da área que ser- e eram católicos. A do Rosário, ou dessas famílias.
viu ao ciclo do ouro, anterior em cem dos Pretos, era para os que não po-
anos à de Minas Gerais e que ocupa diam frequentar a Matriz. Foi benta RG - Entende que o guarulhense tem
quase um terço da cidade. Levei três em 1750 e ficava perto do atual Poli interesse pela história da cidade? Se
anos mapeando todos os veios do Shopping, não exatamente onde foi não, por qual razão?
ouro, indo reconhecer os lugares, por- colocado um marco no calçadão. Se ESO - Infelizmente não tem. Creio
que tudo tem a ver com a colonização, não tivesse a igreja dos pretos, po- que porque as pessoas vinham para
com a história. Há o estudo da forma- deria haver na igreja dos brancos cá com a ideia de voltar, não desen-
ção do pensamento religioso católico: um altar de São Benedito ou de Nsa. volveram um relação afetiva porque
temos a figura da Nsa. Sra. da Con- Sra. do Rosário. A partir de 1828, foi se entendiam em um rito de passa-
ceição, a santa poderosa que condu- proibido o sepultamento dentro de gem. Defendo que, nas escolas, as
ziu o exército português, e seu culto igrejas. Então foi criado o Cemité- crianças de cinco a dez anos estudem
é estendido por todo o Brasil. E tem rio São João Batista, que se estendia o patrimônio local e também o visi-
todas as capelas do Bom Jesus, como até onde é hoje a Biblioteca Montei- tem, para que no futuro as pessoas
a do Macedo; Bom Jesus da notem mais esse rico pa-
Cabeça, do Cabuçu; Bom Je- trimônio cultural. Sem
sus da Capelinha. As capelas essa identidade, o que se
da Santa Cruz, como a do vê é pichação, degrada-
Taboão. Desde aquela épo- ção, porque não se tem
ca, Guarulhos era área de uma relação afetiva.
interesse econômico, teve
muitos escravos. Outra coi- RG - Em sua opinião, quais
sa é a diversidade de povos os aspectos positivos e ne-
que forma sua identidade: gativos de Guarulhos?
o Censo de 1980 apontou ESO - Positivos: o patri-
73% de imigrantes, vindos mônio natural que é a
de várias nações e outros serra da Cantareira, de
estados. extrema importância para
Guarulhos e para a Região
RG - Fale um pouco sobre a Metropolitana, pela beleza
Igreja de Nsa. Sra. dos Ho- natural, pelas quase 600
mens Pretos. espécies da nossa fauna;
ESO - A Igreja de Nsa. pela riqueza da água - o
Sra. da Conceição era uma sistema Cantareira forne-
igreja-cemitério. Ainda há ce 65% da água que con-
pessoas sepultadas lá e no sumimos; pelo controle
13
entrevista
do calor; formações rochosas de 1,6 cias se fosse prefeito de Guaru-
bilhão de anos. Quanto ao que foi lhos por uma semana?
construído pelas pessoas, o núcleo do ESO - Eu desapropriaria toda
centro de Guarulhos, com o triângulo a Serra da Cantareira, man-
das ruas D. Pedro, João Gonçalves e tendo as pessoas residindo
Capitão Gabriel e seu significado his- lá. Planejaria o uso ecológico-
tórico. A D. Pedro teve nome de rua -econômico. Quem produz
Direita. Por que? Quando se criava mel de abelha, por exemplo,
uma paróquia, o nome da rua de fren- não precisaria sair de lá. Fa-
te era Direita. Quando o profeta Ana- ria um sistema de vigilância
nias converte Paulo, é num local com permanente via satélite. Não
o nome de Via Recta. Há uma ligação desapropriar e abandonar,
da história da cidade com a universal. porque não funciona. O Par-
Acho que falta criar hábito de se visi- que Estadual da Cantareira
tar e conhecer esses locais, entender é exemplo: as crianças e os
sua importância. Outros aspectos po- cesso de urbanização, de expansão, vai pais vão lá e ficam maravilhados com
sitivos de Guarulhos: o aeroporto e o dizimando os recursos naturais. aquilo. Se Guarulhos fizesse um pro-
parque industrial. jeto sustentável da Cantareira, seria
RG - Quantos livros já lançou e como cartão-postal do mundo. Outra coi-
RG - E os negativos? conseguiu editá-los? sa: criar o museu da cidade, coerente
ESO - Não ter ligação férrea com São ESO - Começou por acaso; a editora com o tamanho da nossa história, no
Paulo e ter uma malha rodoviária Noovha América conheceu o site “Gua- porte do Arquivo Histórico do Esta-
que não atende a demanda. A falta rulhos tem história”, que eu lancei. A do. É mais econômico, porque pode-
de moradias dignas para parte signi- empresa Rio Negro fez um contrato -se reunir tudo em só lugar. E seria
ficativa da população é outro. com eles para produzir um livro e a imprescindível investir em transpor-
editora notou que o que havia no site te sobre trilhos, porque não é mais
RG - Guarulhos foi até a primeira era o conteúdo que buscava. O livro possível dispender tanto tempo no ir
metade do século XX uma estação tem 14 autores, porque, embora eu o e vir; e só tende a agravar.
climática. Além da chegada de em- tenha organizado, acho importante
presas à Dutra e do aumento popula- fazer jus a quem contribuiu com as RG - Aconselharia um jovem que está
cional, quais fatos influenciaram na pesquisas. A razão de nosso trabalho decidindo qual carreira seguir a cur-
perda desse status? ser bem aceito é que se percebeu a coe- sar história?
ESO - Se olharmos o mapa de nascen- rência de cruzar os elementos naturais ESO - Quem trabalha com histó-
tes de água que tínhamos, veremos com os fatos históricos, não forçar a ria, cultura e meio ambiente sofre
que perdemos grande parte delas; a interpretação, mas apenas fornecer os três vezes. Você vê algo interessan-
mata Atlântica, que se estendia até elementos para que o eleitor busque te como patrimônio cultural e uma
São Paulo; o caminho mais antigo de entender. De certa forma, trabalho escavadeira vai lá e derruba, sem
Guarulhos era estrada velha da Con- por encomenda: a editora tem uma de- atentar para a importância daquilo.
ceição, caminho dos Bandeirantes, por manda, eu pesquiso e escrevo. Para a Então, é preciso gostar do que faz.
onde é a vila Sabrina hoje. A várzea Secretaria de Educação de Guarulhos, Mas, recomendo sim: é preciso for-
do rio Tietê leva seis meses para secar produzimos algumas obras, por inter- mar pessoas que gostem de pesqui-
quando enchia. A serra da Cantareira médio da Noovha. sa. Todos têm de sobreviver, ganhar
se chamava Jaguamimbaba, que quer dinheiro, mas é fundamental fazer
dizer onça parda. É natural que o pro- RG - Quais suas primeiras providên- algo que dê prazer.
14
capa ARQUIVO HISTÓRICO DE GUARULHOS
A cidade
é sua!
O melhor do jornalismo é, ao lado falar com propriedade sobre como era mas que se tornou ponto estratégi-
de informar, trazer à tona histórias cada local, o que acontecia por lá, quais co em Guarulhos; o lugar que surgiu
relevantes e ricas em conteúdo e de- dificuldades foram enfrentadas e, em como extensão do Centro, mas criou
talhes. Afinal, de que adiantariam especial, o que fez daquela região parte identidade própria com o passar do
dados, números, gráficos e letras frias fundamental de sua vida. tempo; o elo entre a cidade e a ca-
se não fossem as pessoas? O jornalis- Nas próximas páginas, diversos pital paulista, que um dia chegou a
ta norte-americano Gay Talese, uma bairros de regiões com realidades ver o rio Tietê receber banhistas; e
das lendas vivas do new journalism, para lá de diversificadas serão retra- a região que reúne tradição religio-
cujo estilo de texto misturava o me- tados e desbravados por alguém que sa e mudanças a perder de vista. Em
lhor do jornalismo com o melhor da viu o lugar crescer tal qual vê um comum, todos os bairros retratados
literatura, certa vez disse que presta- filho deixar de correr pelo quintal passaram pela mesma coisa: a ação
va atenção em pessoas comuns, pois para ganhar o mundo. Por exemplo, do tão falado progresso.
ele também era comum, além de que você sabia que um dos bairros de Todas essas histórias foram ouvi-
a pessoa mais comum (!) também era Guarulhos chegou a ter nome e ruas das e retratadas para abrir as portas
interessante e merecia virar notícia. com temática espírita? Ou que esse da percepção da cidade para o leitor
Por esse motivo, a edição de de- mesmo bairro teve o nome mudado da RG. Quem sabe seja esta edição
zembro da RG traz a história da cidade por causa de uma imobiliária? Ah, guardada para mostrar às futuras
contada pela ótica de quem vive nela, a entre tantas outras histórias, estão gerações!
construiu e a faz pulsar com mais força a do bairro que vê a cidade (literal- Esperamos, acima de tudo, que
dia após dia. Já que a história é feita por mente) decolar para demais regiões você, leitor, assimile e delicie-se com
pessoas, nada mais justo que elas pu- do Brasil e para pontos diversos do cada história com o mesmo entusias-
dessem contá-la. Afinal, só quem viveu mundo; a do lugar que transita en- mo com o qual os repórteres da RG
e sentiu na pele as mudanças que acon- tre a calmaria e a correria; o bairro ouviram aqueles que fizeram e fazem
teceram com o passar do tempo pode tido um dia como afastado de tudo, a história da cidade. Aproveite.
18
capa
Por Amauri Eugênio Jr.
Parque
Cecap
Progress
o conqu
com mu istado
ita luta Luiz Gouveia
Q uem vê de passagem o
Parque Cecap, enquanto
trafega pelas rodovias
Presidente Dutra ou Hélio Smi-
dt, não faz ideia da dimensão do
como os moradores conseguem ir
e vir ali dentro sem confundir-se
ou perder-se. Afinal, são 4.680
apartamentos.
Sim, o Cecap parece ser um
tal de sua vida há 41 anos. O re-
pórter e o fotógrafo foram parar
em outro bloco dentro do condo-
mínio onde Luiz mora, enquanto
tentavam localizá-lo. Mas isso não
bairro que reúne dez condomínios grande labirinto para os novatos é inédito: “No início, os moradores
construídos pela atual CDHU, an- ou “estrangeiros” que chegam lá. erravam de apartamento e entra-
tiga Caixa Estadual de Casas para o Essa foi a sensação da reportagem vam nos de outras pessoas, porque
Povo - Cecap – a sigla que dá nome da RG quando foi entrevistar o todas as unidades eram iguais”, ex-
ao bairro. Mas quem já passou por professor de matemática Luiz Go- plica Luiz, ao dizer que os condo-
dentro do conjunto pôde ter ideia mes Gouveia, 62, que faz daquele mínios ainda não tinham as grades
do tamanho dali e se pergunta bairro o seu lar e parte fundamen- que os cercam. Houve muita polê-
20
Em sentido horário: crianças brincando em lago próximo ao Cecap (ao fundo); o
Terminal Metropolitano da EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos);
vista panorâmica do Cecap nos dias atuais; e vista aérea do bairro, nos anos 70.
mica para colocar as grades, mas de fala calma, que conta com or-
hoje não dá para imaginá-los sem gulho as lutas da comunidade local
Chegada e primeiras
essas proteções. para conquistar melhorias. histórias
Em cerca de uma hora de con- Sempre ativo, Luiz Gouveia foi Logo quando chegou com o ir-
versa, muita água passou por baixo presidente executivo do Conselho mão ao Cecap para morar no Con-
da ponte, que antigamente era de Comunitário, entidade criada para in- domínio São Paulo, o primeiro a
madeira e liga o Cecap à região de tegrar os condomínios e fazer reivin- ter sido construído em 1972, seo
Cumbica – “cheguei a pescar ali”, dicações aos poderes públicos. Ele fez Luiz estudava e trabalhava na capi-
ele comentou durante a entrevista. parte do Grupo Espírita Bezerra de tal paulista, e o choque de realidade
E ele também contou muitas histó- Menezes e da USE - União das Socie- foi dos grandes. “Não havia nada de
rias, que entrelaçam a história do dades Espíritas de Guarulhos e agora infraestrutura. Por exemplo, a pada-
bairro e a trajetória desse senhor integra o Instituto Pró-Cultura. ria era ambulante, dentro daqueles
21
capa
furgões em que eram trazidos pães o Condomínio Rio Grande do Sul, me Militar, no fim dos anos 1970:
e leite. Para tomar o ônibus, era ne- construído pouco tempo depois. “Fizemos uma passeata para reivin-
cessário andar até a Toddy, na Dutra, “Para conseguir tudo aqui foi na base dicarmos uma escola e uma creche.
o que era perigoso à noite por causa da luta: linhas de ônibus, creche, Fomos chamados ao batalhão do
de assaltos”, relembra, ao citar a par- escola, centro comercial e posto de Exército e até hoje não voltei lá para
ticipação popular, quando ele havia saúde”, explica Luiz, que viveu um saber se o meu nome está fichado ou
se mudado com a esposa, Ana, para episódio curioso em meio ao Regi- não”, narra aos risos.
22
Por Amauri Eugênio Jr.
capa
Vila Aug
Um oási usta
s, apesa
emaranh r do
ado de p
rédios
Rua Vitalina Leite Balduíno, em 1990.
S
e há uma sensação que a vila lidades, o clima do momento e a
Augusta causa em quem anda última notícia que passou no tele-
por suas ruas arborizadas é a jornal do começo da tarde.
de que é um bairro calmo. Não dá Foi nesse clima de calma que
para dizer que é como se distanciar Cecília Manfrinatti, 66, recebeu a
da loucura tão peculiar às metró- equipe da RG em uma tarde típi-
poles, até porque a verticalização ca de Primavera: agradável e com
e o consequente aumento do fluxo calor na medida certa. Tanto que,
de carros são efeitos colaterais do durante a visita à sua casa, ela se
que se costuma chamar de progres- prontificou a fazer suco para os
so. Logo, ver a molecada na rua visitantes – “faço em um instan-
correndo atrás de uma bola de ca- te” –, avisava, enquanto mostrava
potão, brincando de taco e outras a água caindo da torneira, não tão
tantas atividades infantis é cada abundante como tempos atrás, e se
vez mais raro, mas com alguma queixava das construções cada vez Cecília Manfrinatti
sorte ainda é possível presenciar mais frequentes de condomínios
vizinhos batendo papo na calça- no bairro: “Isso entristece um pou-
da e trocando impressões sobre co, pois parte da essência daqui foi
assuntos que variam entre bana- perdida”, argumenta.
24
Adaptação
e identificação
Desde 1974 em Guarulhos, Cecília
levou um choque de realidade logo ao
chegar à cidade, por uma série de fa-
tores, a começar pela escassez de ôni- À esquerda, a recente onda de verticalização da
bus, o que a fazia atravessar a rodovia vila Augusta. As outras imagens são da rua Cônego
Presidente Dutra quando vinha visi- Valadão, uma das principais vias do bairro.
tar o então noivo, Henrique, quando
ela ainda morava na capital paulista.
Mas o lado humano também reservou
surpresas para ela: “diferente de como
era em São Paulo, a hospitalidade era
maior e sempre havia quem ajudasse
quando era necessário. Isso causava
sensação de segurança”, conta.
Foi nessa época que ela passou por
uma experiência que marcaria positi-
vamente a sua vida e a de sua família.
Ao visitar a casa que poderia ser o seu
futuro lar, no final da rua Francisco
Bondança, ela ficou preocupada com
um campo aparentemente abando-
nado em frente ao imóvel e levou o
marido para conhecê-lo horas depois,
na esperança de convencê-lo a desis-
tir do negócio. Mas a vida é uma cai-
xinha de surpresas. “Pensei em não ir
para lá, mas ele se encantou pela casa.
Os meus três filhos tiveram alguns
dos melhores anos de suas vidas, ao
lado das crianças dali, e eles aprende-
ram naquela rua o valor da amizade”,
narra, com misto de nostalgia, alegria
e dever cumprido. E assim foi até a fa-
mília mudar-se para outra casa, pró-
xima ao Parque Júlio Fracalanza.
25
capa
Clássico e contemporâneo
De alguns anos para cá, a família de calma por ali, tal qual um oásis
teve de acostumar-se a uma nova re- em meio ao deserto. O lado tradi-
alidade: a vila Augusta, que sempre cional pode ser destacado pelos fa-
foi um bairro tradicionalmente tran- mosos mercadinhos de vilas, onde
quilo, ganhou ares um pouco mais há de tudo o que se possa imaginar
frenéticos. A mudança de ares acon- e que são as opções mais procuradas
teceu, em especial, após construto- em situações de emergência domés-
ras voltarem a atenção para lá, o que tica; e a tranquilidade ainda resiste
motivou o surgimento de número no Parque Júlio Fracalanza, que vi-
significativo de condomínios, o que rou o novo point da garotada após
não poupou sequer terrenos aban- eles perderem espaço para os car-
donados e antigos prédios, como o ros nas ruas. E a tradição e a calma
do Hospital Menino Jesus. Claro, o são alguns dos motivos que fazem
trânsito passou a ser mais complica- a simpática senhora a continuar no
do. Para quem sempre esteve acos- bairro. “Às vezes sinto vontade de ir
tumada à calma e à paz tão comuns embora, mas não consigo me des-
ao bairro, como no caso de Cecília, a prender daqui, assim como os meus
mudança de perfil da região impac- filhos”, ressalta.
ta, não dá para negar. Ainda mais Ao final da reportagem, os ex-
quando interfere em atividades bá- tremos entre a tradicional e o novo
sicas no dia a dia. “Há fila para tudo. puderam ser vistos lado a lado: uma
Para ir ao mercado, por exemplo, te- motorista encostou o seu carro na
nho de chegar lá antes das 8 horas rua para comprar pães de um ho-
para conseguir uma vaga no estacio- mem que os vendia em uma moto.
namento”, queixa-se. “Isso é a vila Augusta, meu filho”,
Ainda assim, ainda há um pouco finaliza Cecília.
26
capa
Por Amauri Eugênio Jr.
Ponte G
rande
Dos cam
avenidas pinhos às
movimen
tadas Maria Teresa
P
or algum tempo, a Ponte bus para ir ao Centro é o mesmo que Mas era ali, quando ainda dominado
Grande foi a única ligação de você leva para tomar outro para ir pelo descampado e pelo verde das fa-
Guarulhos com São Paulo, por ao Brás”, relata a aposentada Maria zendas existentes, que as crianças –
meio de uma ponte de madeira, que Teresa Liberato Fonseca, 55, que inclusive Maria Teresa – brincavam.
serviu como inspiração para o nome vive há mais de 50 anos no bairro. “Aqui havia jogos marcados aos do-
do bairro. Antes, os moradores pas- Não por acaso, a Ponte Grande tem mingos e, como morávamos perto,
savam por ali para, na maioria das como vizinhas a rodovia Presidente íamos assisti-los. Era um lugar mui-
vezes, divertir-se no rio Tietê. Hoje, Dutra e a Marginal Tietê, além de fi- to bom, pois brincávamos na rua o
moradores e não habitantes do bair- car próximo à via Fernão Dias. dia inteiro e havia muito espaço para
ro passam pela avenida Guarulhos, Quem hoje passa por ali depara empinar pipa e andar no mato, que
que corta a região, para atravessar a -se com casas por todos os lados; era baixo”, falava com saudosismo,
atual ponte do Imigrante Nordestino empresas e galpões antigos, como o enquanto traçava um paralelo com
e ir à Penha, bairro da Zona Leste da da Philips, transformado em campus os dias atuais: “não era como hoje,
capital paulista. “É mais fácil chegar a da UnG (Universidade Guarulhos) quando não dá para brincar na rua.
São Paulo. Se você quer ir ao Mercado e no Auto Shopping Guarulhos; e o Minha filha não sabe andar de bi-
Municipal, há um de boa qualidade. trânsito caótico na avenida Guaru- cicleta, pois não dá para ensinar
Há também o centro comercial da lhos e em ruas próximas à via, em aqui. Para ter uma ideia, a uma
Penha, que é mais acessível para especial no horário de pico. Nem dá hora dessas, eu estaria brincando
nós do que o Centro de Guarulhos. para imaginar que aquele local um no meio da chuva”, narrava, en-
O tempo em que você toma um ôni- dia foi abrigo de fazendas e olarias. quanto a chuva caía lá fora.
28
capa
Perto e distante
Antes, os moradores da região da
Ponte Grande pagavam meia passa-
gem no ônibus quando o usavam para
andar até antes da ponte, enquanto
pagavam a inteira para ir após a pon-
te. Hoje, há diversas linhas de ônibus
para a Zona Leste da capital paulista,
em especial para as estações Penha e
Carrão do metrô, mas linhas que circu-
lam só dentro de Guarulhos quase não
passam lá. Antes, passava um carro de
cada vez na antiga ponte de madeira.
É comum ver a avenida Guarulhos,
antiga estrada Nossa Senhora da Con-
ceição, travada nos horários de pico,
o que causa uma espécie de efeito-
-borboleta no dia a dia de quem mora
por perto. “Apesar de haver acesso, os
motoristas vêm para cá quando há um
problema na Dutra ou na Marginal.
Nunca imaginei que teria trânsito na
porta de casa”, contava, enquanto a
conversa mudava de rumo – ou me-
lhor: de estação, por causa da estação
Ponte Grande, da Linha 2-Verde do
metrô, prevista para ser entregue em
2017. “Com a chegada do metrô, a re-
gião provavelmente ficará valorizada,
mas aqui ficará mais movimentado.”
Mesmo com mudanças tão grandes
no perfil do bairro, cujo boom foi entre
a segunda metade dos anos 1960 e co-
meço dos anos 1970, uma coisa conti-
nua a mesma: as pessoas ainda conver-
sam umas com as outras. Ou, pelo me-
nos, ainda se lembram. “Somos muito
conhecidos aqui na Ponte Grande.
Certo dia, minha filha comentou que
encontrou uma pessoa que disse que
me conhecia e parou para perguntar se
Acima, a avenida Guarulhos, nos anos 80 e nos dias atuais, e a avenida ela era minha filha. Após descrevê-lo,
Professor José Munhoz, no Jardim Munhoz, em 2013. eu disse que sabia quem era”.
30
capa
Por Amauri Eugênio Jr.
Estádio do A.A.
Flamengo, nos anos
de 1990
Tranqui
li dade
História q
ue se co
com a d nfunde
a A. A. F
lamengo
FOTOS: ARQUIVO HISTÓRICO DE GUARULHOS, MÁRCIO MONTEIRO E RAFAEL ALMEIDA Wilson Alves David
O
Hospital Padre Bento está dências e era cheio de campinhos ajudaram-na a crescer; e o Flamen-
em uma espécie de limite de futebol. Por isso, ela fez um ra- go, por sua vez, ajudou a formar
geográfico entre o Gopoú- balho com a garotada do bairro e a identidade do bairro. “Dali, eu
va e o Jardim Tranquilidade, masa criou o Flamenguinho do Jardim guardo com carinho a Associação
referência deste é, sem dúvida, o Tranquilidade”, narra o advogado Atlética Flamengo. A torcida era
Estádio Antônio Soares de Olivei- Wilson Alves David, 67, que era fanática e acompanhava o a equipe
ra, onde a Associação Atlética Fla- um desses garotos e foi presiden- m qualquer lugar”, conta Wilson,
mengo manda as partidas da Série te da equipe entre 1966 e 1974, que chegou ao bairro em 1951,
A3 do Campeonato Paulista. Quem ao suceder a própria Guiomar, que vindo do Tatuapé, com o pai, que
vê o bairro movimentado em dia esteve à frente da associação entre trabalhava em um porto de areia à
de jogo da equipe nem imagina que 1954 e 1956. Como se pode ima- época existente na cidade. E foi na-
o seu início foi despretensioso. “A ginar, ela torcia pelo Flamengo do quele bairro onde ele formou a sua
dona Guiomar Pereira Xavier, que Rio de Janeiro. identidade. “Fiz parte da primeira
foi a primeira presidente da equi- Daí veio a inspiração do nome turma de formandos do primário
pe, era carioca e veio a Guarulhos da equipe, cuja história confunde- [atual ensino fundamental] da EE
porque o marido veio para cá a tra- -se com a do bairro: os moradores João Álvares de Siqueira Bueno,
balho. O bairro tinha poucas resi- que passaram a jogar pela equipe em 1957”, relembra.
32
Foto atual da rua Bezerra
de Menezes
Espírito presente
Pouca gente sabe que, antes de ser
conhecido como Jardim Tranquilida-
de, o bairro teve outro nome. E, da
mesma forma, quais são as origens
dos nomes das ruas Jacob, Leon Di-
niz ou Bezerra de Menezes.
A região era conhecida como
vila Allan Kardec, pseudônimo de
Hippolyte Léon Denizard Rivail
(1804-1869), um dos fundadores da
doutrina espírita. Logo, os nomes
das ruas foram atribuídos para ho-
menagear pessoas importantes liga-
Vista aérea do Jardim das ao espiritismo. Segundo o livro
Tranquilidade, nos anos 50. “Jardim Tranquilidade – Um bairro e
suas lembranças”, de Maria Thereza
Avelino Testone, Jacob era o pseu-
dônimo de Frederico Figner, diretor
da Federação Espírita Brasileira em
1920; a Leon Denis atribui-se ser
um dos principais continuadores da
obra de Allan Kardec, considerado o
filósofo do espiritismo; e Bezerra de
Menezes foi médico e presidente da
FEB (Federação Espírita Brasileira),
de 1895 a 1899. O local passou a ser
conhecido pelo nome atual após os
lotes terem sido vendidos pela Tran-
quilidade Companhia Imobiliária.
Algumas vias receberam outros no-
mes, mas as ruas citadas são conhe-
cidas até hoje pelos mesmos nomes.
Outro ponto a ser destacado
Estádio Antônio Soares de Oliveira na região é a série de condomínios
construídos pela CDHU (Companhia
de Desenvolvimento Habitacional e
Urbano) no terreno que fazia parte
Entrega dos apartamentos
do Complexo Padre Bento.
da CDHU, em 1993
Curiosidades à parte, o fato é que
a memória afetiva fala alto entre os
moradores do Jardim Tranquilidade,
como em reuniões para relembrar
os velhos tempos. “Quem mora ali
é quem realmente gosta dali. Hoje
moro na vila Galvão, mas guardo a
Tranquilidade como local de cresci-
mento”, finaliza Wilson Alves David,
que foi secretário de Esportes de
Guarulhos, no período de grandes
conquistas da cidade nesse setor.
34
GANHE O MUNDO.
FAÇA UM INTERCÂMBIO.
Camila Zamboni
Experimenter, Estados Unidos | 2012
CONSULTE O REGULAMENTO EM
WWW.EXPERIMENTO.ORG.BR
CERTIFICADO DE AUTORIZAÇÃO
CAIXA N°. 6-0658/2013
capa
Por Jéssica Batista
Cumbic
Servente a
de pedre
fundou a iro
Comunid
do Santa ade
na
FOTOS: ARQUIVO PESSOAL E RAFAEL ALMEIDA
N
a casa do funcionário públi- um terreno de mil metros quadrados nhamos nada, então sabíamos o que
co aposentado Délio Tavares no bairro. “Quando vim para Cum- aquelas famílias estavam passando.”
Dias, de 76 anos, e da dona bica, só havia cerca de três casas na Hoje, cerca de trinta famílias moram
de casa Zulmira Maria Tavares, de região e, como estava com sete filhos, no local, conhecido como Comunida-
77 anos, todo dia é uma festa. A mú- resolvi bater no gabinete do prefei- de do Santana.
sica “A grande família”, do cantor de to para ver o que ele podia fazer por Depois de dez anos, Délio conse-
samba Dudu Nobre, parece ter sido mim. Quando recebi os documentos guiu construir uma casa maior para a
feita para eles. Com dez filhos, vinte do terreno, me senti realizado.” família, e os próprios filhos, à medi-
netos e 12 bisnetos, a família Ta- Porém, enquanto muitos pensa- da em que foram envelhecendo, tam-
vares vive em Cumbica há mais de riam em montar negócios e empresas bém construíram suas próprias casas
quarenta anos e provocou uma mu- em um espaço de localização privile- no mesmo terreno dos pais. Hoje,
dança significativa no aspecto de giada, Délio construiu uma pequena além do lar do casal, seis dos dez fi-
parte do distrito. casa de dois cômodos com tijolos que lhos construíram moradia e vivem
A família saiu de Joanópolis, no iam ser descartados de outras obras, no mesmo quintal com suas famílias.
interior de São Paulo, e mudou-se e com telhadinho de sapé para ele, a “Quando morávamos na casinha de
para a região metropolitana em 1968. esposa e os filhos. O restante do ter- sapé, sempre chegavam famílias que
Depois de uma rápida passagem por reno foi dividido entre migrantes que, precisavam de uma estadia e a gente
Atibaia, escolheram Guarulhos como assim como os Tavares, mudaram-se acolhia. Mesmo com 12 pessoas na
lar. Délio começou a trabalhar na Pre- para a região em busca de prosperi- casa, cabia mais uma família. Infeliz-
feitura como servente de pedreiro e o dade. “Sempre que alguém chegava mente nestes tempos não é mais pos-
prefeito à época, Fioravante Iervoli- aqui, vinha me perguntar e eu cedia sível confiar tanto em quem passa na
no, cedeu para o funcionário público um pedaço do terreno. Nós não tí- rua”, conta Zulmira.
36
capa
A casinha de sapé construída à ção de porcos e galinhas e tudo era sa, este é o melhor lugar do mundo.
época não é mais utilizada, mas ain- manual. A vida está bem mais fácil Eu não penso em outra coisa a não
da está de pé. Ela é reflexo do que o hoje”, conta Zulmira. ser Cumbica, pois foi aqui que fui
bairro foi um dia, com fogão a lenha Sobre o amor que têm pelo bairro, acolhido e nosso estilo de vida com-
e lamparinas. “Quando viemos para os dois estão felizes em ter constru- binou muito com o bairro. Nós nos
cá, não havia energia elétrica, tínha- ído uma história no local. Com 56 damos bem com os vizinhos e eu não
mos de cozinhar no fogão a lenha e anos de casamento, Délio e Zulmira me vejo morando em outro lugar”,
pegar água no poço para beber e to- passaram por muitas experiências e conta Délio. Para ele, o local ficaria
mar banho. Ao redor da comunidade hoje se dizem contentes com a vida ainda melhor para viver se tivesse
existiam muitas chácaras com cria- que levam. “Para mim e minha espo- um pronto-socorro próximo.
38
capa
Por Jéssica Batista
Construção do Inocoop,
em 1981. À direira, imagens
de José na Banca Dutra.
Jardim
Preside
nte Du tra
Com 85
aposenta anos,
da conta
história n s
o bairro ua
Nair Camilo
FOTOS: ARQUIVO HISTÓRICO DE GUARULHOS E ARQUIVO PESSOAL
S
ão Paulo está repleta de gente muita gente que se instalou em busca ainda não havia ruas asfaltadas, trata-
que veio em busca de oportuni- de trabalho. A família de Nair Camilo mento de esgoto ou comércio diversifi-
dades de emprego. O Estado foi de Almeida mudou anos antes para o cado. “Quando nos mudamos, logo co-
um dos mais evidenciados no proces- Jardim Presidente Dutra, em 1979. mecei a trabalhar como chacareira em
so migratório, precisando acolher to- Nair, na época com 51 anos, mudou um sitiozinho, enquanto o João conse-
das as culturas e tradições de diversas com o marido João Amaro, 52 anos, guiu um emprego de padeiro”, diz.
partes do Brasil, além de pessoas que e os três filhos, José Amaro, 28, Davi Os filhos seguiram em diversas pro-
vinham para oferecer mão de obra Camilo de Almeida, 30, e Adriana de fissões, como auxiliares de pedreiros e
e contribuir para a evolução de seus Cássia, com menos de um ano. montadores de carrocerias, mas foi em
bairros. O Jardim Presidente Dutra Hoje, Nair é viúva e lembra das di- 1982 que a família conseguiu abrir seu
surgiu no fim dos anos 1950, com a ficuldades enfrentadas quando saiu do próprio negócio. A Banca Dutra, na rua
divisão de diversos sítios em lotes Paraná para se aventurar em São Pau- Amélia Rodrigues, 34, foi a primeira do
que, mais tarde, se transformariam lo. “Todos nós trabalhamos na roça bairro e até hoje funciona, agora sob
em residências e comércios da região. quando morávamos em Minas Gerais administração do filho José. “Resolve-
O bairro começou a despontar com e, mais tarde, no Paraná. Mas não con- mos abrir esta banca no bairro, pois
a chegada do Aeroporto Internacio- seguíamos nos sustentar e meu marido na época era preciso ir até o São Luiz
nal, localizado em Cumbica. Surgido e meus filhos resolveram mudar com a [bairro vizinho] para encontrar um jor-
em 1985, o aeroporto tem pistas de esperança de tudo melhorar”, conta. A nal. Esta poderia ser uma oportunida-
pouso e decolagem que se aproximam família encontrou o bairro pouco de- de para respirarmos mais aliviados em
do bairro, o que chamou a atenção de senvolvido e, mesmo nos anos 1980, relação às contas”, conta.
40
capa
Há 34 anos no bairro, Nair é po- bairro mudou, fico assustada (risos).” quanto pela locomoção”, diz. Entre
pular entre os vizinhos. Muito co- O filho José continua morando histórias curiosas, o jornaleiro lem-
nhecida, a aposentada às vezes sofre no bairro. Assume que procurou ou- bra de quando o aeroporto estava
para lembrar o nome de um ou outro tro lugar para viver, na vila Augus- em seus primeiros anos de funcio-
vizinho que a cumprimenta na rua. ta, mas decidiu retornar ao bairro namento e a vizinhança era surpre-
Após sofrer dois AVCs, desenvolveu depois de sete meses, por ter en- endida. “Sempre quando um pouso
esclerose múltipla e tem dificuldades contrado dificuldade na adaptação. era revertido, fazia um barulhão por
em memorizar detalhes. Mas se re- “Eu gosto muito de morar aqui, pois aqui e assustava todo mundo (risos).
corda muito bem de como era o bair- é um bairro calmo. A única coisa Também teve uma vez, há muito
ro quando chegou. “Aqui tinha muita que, para mim, atrapalha é estar- tempo, em que uma turbina de avião
área verde, árvores e animais silves- mos entre o Aeroporto e a Dutra, caiu na casa de um morador e isso
tres. Só de pensar o quanto que este o que incomoda tanto pelo barulho virou comentário durante meses.”
Infância difícil
Nair conta que perdeu os pais marido e dos filhos e ainda tra-
ainda criança, quando tinha 10 balhava fora, como chacareira
anos. Analfabeta, foi criada pelos ou doméstica, sempre levando
irmãos mais velhos e trabalhava na a filha menor consigo. Ficou vi-
roça em serviços braçais ou como úva em 1994 e perdeu o filho
empregada doméstica em casas de mais velho, Davi, em um aci-
fazendeiros mineiros. Casou com dente na estrada no ano pas-
João Amaro quando completou 19 sado. Mesmo assim, mantém
anos. Com o passar dos anos e de- a alegria. “Tenho meus netos
pois de ter dois filhos homens, deci- que são uns amores e gosto
diu adotar Adriana, mesmo com di- muito da minha vida. Não
ficuldades financeiras e com planos posso reclamar, apesar da
de mudança de Estado. Nair conta idade me trazer dores no-
que, durante os primeiros anos vas todos os dias”, diz Nair,
trabalhando no bairro, precisava como é conhecida, que tem
cuidar da casa, da alimentação do cinco netos e quatro bisnetos.
O bairro
O nome do bairro é em homenagem ao presidente da República Eurico
Gaspar Dutra que, durante sua gestão, foi o responsável pela inauguração
do trecho de 21 quilômetros da Rodovia Dutra e do loteamento do bairro.
Quando a família de Nair se mudou, em 1979, ainda não havia opções de
condução ou comércio no local. Hoje a situação é diferente e muitos mora-
dores de bairros vizinhos vão ao Jardim Presidente Dutra para fazer com-
pras ou contratar prestadores de serviço. José conta que não pode reclamar
da qualidade dos serviços prestados, mas que ainda falta infraestrutura no
bairro. “Não temos uma área de lazer adequada, um local onde as crianças
podem realmente brincar com segurança”, finaliza.
42
capa
Por Jéssica Batista
Visão do bairro
pela varanda do aposentado
Taboão
O apose
ntado Tio
conta su M
a relação ané
carinho c d
om o ba e
irro
FOTOS: ARQUIVO PESSOAL E RAFAEL ALMEIDA
O
aposentado Manoel Sera- Em 1970, após uma briga entre me mudar definitivamente para cá.
fim dos Santos, de 70 anos, um casal de amigos, sua colega pre- Naquela época, quase não havia ca-
mora há 37 no bairro do cisou se desfazer do terreno que sas, mas havia muitos eucaliptos. Era
Taboão. Ao lado de sua casa, a Pre- havia comprado, alguns anos an- bem bonito”, conta.
feitura de Guarulhos inaugurou o tes, de um loteamento no Taboão Manoel está casado há 38 anos
Restaurante Popular Josué de Cas- anos e o ofereceu para Manoel. com a dona de casa Maria de Lurdes
tro, capaz de servir três mil refei- O cearense, na época, vivia no da Costa dos Santos, de 73 anos, e
ções por dia. O restaurante fica em Tatuapé com a família e viu a ofer- tem três filhos: Sérgio, de 37, Mau-
frente a um centro comercial de for- ta como uma oportunidade de se rício, 35, e Leandro, 33 anos. O
te movimento e muitas empresas estabelecer. Como não podia arcar aposentado é popular no Taboão.
estão instaladas no local. A cons- sozinho com o custo do lote, dividiu Há quase quarenta anos vivendo na
trução do restaurante na região é o terreno com outra amiga que, seis mesma casa, diz que conhece todo
prova da demanda de pessoas que anos mais tarde, em 1976, iria tor- mundo na região, em bairros como
escolheram o bairro que, segundo nar-se sua esposa. Porém, quando Tio Santa Inês e no entorno da praça
dados do Censo de 2010, tem quase Mané, como é conhecido, se mudou Oito de Dezembro, mas que, nos úl-
75 mil habitantes – o quarto mais para o distrito, o cenário era muito timos dois anos, apareceram mui-
populoso de Guarulhos. diferente. “Demorei seis anos para tos rostos novos no bairro.
44
capa
Fotos de arquivo
da família Serafim no bairro
durante os anos 1980
Crescimento desordenado
Manoel conta que o bairro era que era criança e descobria a vizi-
bem pacato e com vasta vegetação. nhança. “A infância era muito boa
Só viu a situação mudar depois dos por aqui. Fazia o que todo garoto
anos 1990, quando a migração cau- gostava, que era jogar bola na rua de
sou êxodo para periferias como o terra e andar de bicicleta. Quando
Taboão, que, assim como outros, asfaltaram as vias, nos anos 1990,
cresceu desordenadamente. Só de- comecei a andar de skate”, lembra.
pois de o distrito ser completamente Indagado sobre o que mudaria no
habitado, as empresas e o comércio local, Manoel aponta a precária in-
em geral começaram a se instalar na fraestrutura no trânsito e transporte
região. “Mesmo antes de eu sair de da região, que carecem de investi-
São Paulo e nunca ter vindo para cá, mentos. “A rua em que moramos não
já ouvia falar de empresas que saíam suporta a quantidade de caminhões
da capital para montar seus prédios que passam por aqui e arruínam
aqui. Mas isso foi potencializado de- nosso asfalto. Todos os ônibus que
pois dos anos 1990”, diz. vão para a garagem passam pela rua,
O próprio Manoel montou um bar mas, por outro lado, não temos uma
em frente à sua casa em 1992 e o man- linha de ônibus sequer que atenda
teve até 2004. “Foi ali no bar onde fiz quem mora por aqui”, finaliza.
as minhas maiores amizades. Sempre No entanto, ele se sente muito fe-
tem gente boa e gente ruim em lugares liz e afirma que o bairro é seu lugar.
como estes, mas nós precisamos sepa- “Estou satisfeito aqui. Foi aqui que
rar as coisas. Infelizmente, minha es- construí minha casa e criei meus fi-
posa estava bem cansada e eu não que- lhos, que estudaram desde o pré até o
ria tocar o negócio sozinho. Só por isso colegial no Taboão. Cultivei e manti-
decidimos fechar o comércio”, conta. ve muitas amizades, ninguém nunca
Leandro Serafim, filho mais novo mexeu comigo e sempre fui conside-
de Manoel, lembra dos tempos em rado amigo de todos”, finaliza.
46
capa
Por Jéssica Batista
Bonsuc
Morador
esso
a acredit
no poten ou
econôm cial
ico do b
airro
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FOTOS: ARQUIVO PESSOAL E RAFAEL ALMEIDA
Atualmente, além da loja de ma- Com dois filhos e cinco netos mo- anos na mesma casa, asfaltaram minha
teriais de construção, Rosa conseguiu rando no bairro, Rosa se sente em rua só no ano passado e já está toda es-
montar seis salas comerciais e um casa no lugar que a acolheu há quase buracada”, desabafa.
salão de festas no bairro, todos em 50 anos. “Eu não troco este bairro Casada há 56 anos, Rosa espera
funcionamento. A clientela de Rosa é por nada neste mundo. Por mais que curtir mais o bairro e a cidade após a
vasta, já que Bonsucesso é o segun- tudo tenha mudado, quando estou aposentadoria, prevista para aconte-
do distrito mais populoso da cidade. aqui ainda me sinto em contato com cer assim que vender a loja. “Sinto-me
De acordo com o Censo realizado em a natureza. Esse clima de mata faz muito feliz em ter contribuído para a
2010, o bairro ocupa uma área com bem para minha saúde e quero me construção do bairro – literalmente –
mais de 20 km² e tem 93.666 habi- manter sempre assim”, diz. nestes últimos 17 anos. Como meus
tantes. “Trouxe meu dinheiro para Mesmo satisfeita com as mudan- filhos não se interessam pelo negócio,
investir no bairro porque levava sem- ças feitas do entorno, a comerciante se pretendo vender para aproveitar a
pre no coração a esperança de que sente triste por ver que ainda há coisas minha vida. Eu me sinto bem em ter
Bonsucesso pudesse prosperar e é para serem feitas e melhoradas. “Ainda arriscado apostar nesta região quan-
graças a ele que já fiz meu pé de meia tem muitas coisas que me irritam aqui. do não havia nada e ver que meu pal-
e posso parar de trabalhar”, conta. Por exemplo, moro há quase cinquenta pite deu muito certo”, finaliza.
49
capa
SIDNEI BARROS
Nossa Senhora
de Bonsucesso
Na parte central do bairro, a tra-
dicional Igreja de Nossa Senhora de
Bonsucesso está situada em uma
pracinha bem preservada. Todos os
anos ocorrem as mais antigas festi-
vidades religiosas de Guarulhos. As
festas da Carpição e de Bonsucesso
reúnem centenas de moradores e fi-
éis que trabalham para os vários dias
de comemoração. Católica, Rosa e
sua família participam todos os anos
ajudando a montar os preparativos
desde quando se mudaram. “Sou
muito devota e desde que viemos
para cá contribuímos para promo-
ver essas festas com o maior prazer.
Quando não ajudo no caixa, frito sal-
Fiéis durante a festa em Louvor à Nossa Senhora do Bonsucesso. gadinhos e me divirto muito”, conta.
Mudanças no bairro
Por causa do tamanho e localização, Bonsu-
cesso apresenta um perfil misto, com muitas fá-
bricas e comércio variado, incluindo o Shopping
Bonsucesso, situado no lado direito da via Du-
tra, fazendo com que a produção econômica do
bairro integre parte importante do total fatura-
do em Guarulhos. Em 2010, o PIB (Produto In-
terno Bruto) de Guarulhos estava em torno dos DIVULGAÇÃO
50
capa
Por Jéssica Batista
Pimenta
Comerci
s
mudanç ante fala sobre
as nos ú
20 anos ltimos
no local Heliodoro Peixoto
D
o alto do Parque São Miguel do centro de Guarulhos, e esse fato se a 15 km de distância] quando a
é possível contemplar milha- contribuiu para que os moradores Tuany tinha menos de um ano. Nos-
res de casas construídas com passassem alguns anos sem se senti- sa situação econômica era ruim e só
blocos de tijolos vermelhos que se rem cidadãos guarulhenses – fazen- tínhamos essa opção naquele mo-
amontoam em quase 15 km² de ex- do sempre uma ponte até a cidade mento. Então, decidimos comprar o
tensão em telhas cinzas e antenas em vizinha para se divertir ou resolver terreno”, conta Neraci.
busca da melhor recepção de sinal. O problemas pessoais e profissionais. Há 23 anos na região, Heliodoro
distrito mais populoso de Guarulhos Por mais que seja cortado pelas conta que o bairro era bem precário
é dividido entre mais de 40 bairros Rodovias Dutra e Ayrton Sen na, quando se mudaram. “Quase não
como Jardim Aracília, Jardim Angé- demorou muito para que os empre- havia casas por aqui quando com-
lica, Marcos Freire, Parque Jurema, sários reconhecessem o potencial pramos o terreno e asfalto só se via
Parque Estela, entre outros, e, nos econômico do bairro. A família Pei- em poucas ruas de alguns bairros,
últimos 20 anos, tornou-se o bairro xoto - composta pelos pernambuca- como Parque Jurema ou Estela”,
mais populoso de Guarulhos. nos Heliodoro Peixoto da Silva, de lembra. De uns anos para cá, no en-
Uma das áreas periféricas da ci- 59 anos, Neraci Maria de Melo, de tanto, a própria população contri-
dade tem, segundo Censo realizado 46, e os filhos guarulhenses Tuany, buiu para o crescimento da região,
em 2010, mais de 156 mil pessoas. de 24 anos e Taylan, de 17 - vive no que ainda carece de muitos equipa-
O bairro é mais próximo de São Mi- Jardim Angélica II desde 1990. “Saí- mentos do governo para funcionar
guel Paulista, em São Paulo, do que mos do Uirapuru [bairro guarulhen- melhor. O local conta hoje com o
52
capa
À esquerda, o casal posa com a filha mais velha no fim dos anos 1980
e, à direita, no mercado que construíram por acaso há 14 anos.
Hospital Municipal Pimentas-Bon- região. Pensei mesmo em dar um jeito A única reclamação que Heliodoro
sucesso, dois Centros de Educação em nossa situação e, aos poucos, fui faz em relação ao bairro é o aumento
Unificados (CEUs), o Shopping Bon- montando um estoque”, fala Neraci. do IPTU (Imposto Predial e Territorial
sucesso e uma unidade da Unifesp Neste meio tempo, o casal sofreu Urbano), que chegou a mais de 600%,
(Universidade Federal de São Paulo). mais de dez assaltos, que os assusta- o que ele considera abusivo. Neraci
Tuany estudou letras na universida- ram. Apesar do problema de segurança sente falta de áreas de lazer para as
de, até ser aprovada no processo se- pública, Heliodoro não reclama dos lu- crianças e os idosos, pois o bairro tem
letivo da Fuvest. Hoje, a filha mais cros obtidos no comércio e ressalta que poucas praças e piscinas públicas para
velha mora em São Paulo, mas visita o desenvolvimento econômico do bair- lazer aos fins de semana. São seis, se
os pais sempre que possível. ro foi o aspecto mais positivo de todos considerar toda a região, localizadas
Em 1999, o casal se viu em outro estes anos vivendo e trabalhando na dentro dos CEUs Pimentas, Paraíso-
aperto financeiro. Após Heliodoro ter região. “Acho que agora o comerciante -Alvorada e Parque São Miguel. Mes-
sido mandado embora de uma fábrica acredita mais na região e por isso vem mo com os contratempos, o casal sen-
de metalurgia, Neraci decidiu comprar para cá investir nos negócios. Hoje, te-se feliz em ter apostado sua vida
alimentos e produtos de limpeza para o Pimentas é uma verdadeira cidade! no local. “Eu gosto muito daqui, por
deixar à venda em um galpão que ha- Temos tudo aqui: bancos, hospitais, ser um lugar tranquilo, e também me
viam construído no terreno. Mais tar- shopping center e lojas. Antes precisá- acostumei com a vizinhança. Não me
de, aquele local se tornaria o Mercado vamos atravessar a cidade até o Centro, arrependo do tempo que passei aqui,
Peixoto. “Nem pensei muito na concor- simplesmente para pagar uma conta no pois foi onde criei meus filhos e sou
rência, pois já havia mercadinhos na banco. Hoje está tudo mais acessível.” feliz assim”, finaliza Heliodoro.
54
capa
Por Michele Barbosa
Vila Gal
vão
Aqui é tu
do bom
“
Eu amo este bairro e não me mu- Fátima é pernambucana e veio para morar no centro de Guarulhos, depois
daria para nenhum outro local Guarulhos ainda criança. “Gosto mui- para o bairro Cocaia, mas o interesse
do mundo”, diz Maria de Fátima to dessa cidade que abriga tanta gente de residir em vila Galvão foi maior.
Lima da Silva, 60, comerciante, que que vem de fora, assim como eu vim”. “Nós já tínhamos loja no bairro, vi-
reside em vila Galvão há 25 anos. Mãe Ao se casar com o comerciante Laér- mos então uma chance de ficar perto
de Andréia, 38, e Davi, 32, Maria de cio Aparecido da Silva, 64, o casal foi do nosso estabelecimento”, explica.
56
Foto atual da rua Treze de Maio
Evolução do comércio
O bairro está em constante evolução, o número de comerciantes cresceu e a loja da família não ficou para trás.
“Começamos em um salão pequeno, mas a demanda de clientes nos ajudou a mudar para um local maior, na mesma
rua.” O estabelecimento ficou por dezoito anos no primeiro salão e está há doze no atual. “Além da nossa loja, outras
vieram pra cá, aqui tem de tudo, bancos, farmácias. Não nos falta nada, antes tínhamos de ir até o centro de Guaru-
lhos”, comenta Maria de Fátima.
Foto da loja da família no primeiro salão em 2001
Infância no bairro
58
Foto do lago de vila Galvão,em 1970
Construção do reservatório
O bom daqui
60
capa
Por Amauri Eugênio Jr.
Parque
Contine
nta Entre a c l
alma
e o agito
Rogério Gouveia
E nquanto crianças brincam nas ruas do Parque Continental e nos playgrounds na praça instalada na avenida
Transguarulhense, um dos pontos de referência da região, e a tradicional sensação de tranquilidade toma con-
ta do comércio e das sacadas da região, o trânsito e os condomínios que começam a surgir no bairro passam a
mudar a cara dali. “Antes, quem comprava um terreno no Continental era chamado de louco, pois falavam que aqui
era o fim do mundo. E olha no que esse lugar se transformou”, relata Rogério Gouveia, 45, proprietário da Auto Capas
Tio, há 25 anos no bairro e que viu o quanto a região mudou de lá para cá.
62
Da caderneta à tapeçaria
Quem vê o Parque Continental (I luz], que as socorria e levava para os
ao V) pulsante, bem povoado e com hospitais”.
estilo de vida que começa a mudar de Como Rogério não tinha interesse
pacato para acelerado, não imagina em trabalhar no comércio da família
como a região mudou após ter sido - “era ‘moleque’ e não gostava, pois
loteada pela imobiliária que dá achava que [trabalhar no bar] prendia
nome à série de bairros. E Rogério muito”, Rogério foi trabalhar com o tio
foi testemunha ocular do começo em uma tapeçaria automotiva na Pe-
das mudanças que aconteceram com nha, na Zona Leste de São Paulo, e de-
o passar do tempo. “Havia dez casas cidiu iniciar o seu próprio negócio aos
no bairro, sendo uma delas o bar e 20 anos. “Abri uma tapeçaria na gara-
mercearia do meu pai, que era o único gem da casa do meu pai, mas o serviço
comerciante da região. Ele vendia caiu porque o bairro era pequeno”, re-
fiado aos clientes, que levavam uma lata. O passo seguinte foi procurar por
caderneta para anotar tudo o que era outro local, onde ficou por dois anos,
vendido. Cada um levava para casa e até mudar-se de endereço novamente.
vinha pagar no fim do mês”, relata, “Estou há 23 anos neste endereço [rua
ao destacar uma passagem curiosa Teixeira Mendes] e quero fazer uma
que dá ideia de como era o bairro no festa de bodas de 25 anos da Auto Ca-
começo de tudo. “As grávidas usavam pas Tio em março [de 2014]”, detalha,
o carro do meu pai [para darem à sobre o tempo que trabalha na região.
Parque Transguarulhense
64
capa
Por Tamiris Monteiro
Gopoúv
O bairro
a
surgiu
em volta
Complex do
o Padre
Be nto Wallace Pereira
A
história do Gopoúva começa diferente: as pessoas que passaram nem autoestima existia quando esses
no Hospital Padre Bento, que por tratamento, como Wallace, pas- internos saíam, pois o preconceito
era antigo Sanatório, inau- saram a viver no bairro. “Quando era severo demais. Com a falta de es-
gurado em junho de 1931. Foi refe- recebi alta, ia visitar minha família tímulo, 80% dos pacientes que rece-
rência no tratamento da hanseníase no bairro de Santana, em São Paulo, biam alta decidiam ficar por aqui. Eu,
(conhecida na época como lepra). mas preferi ficar por aqui, embora eu como muito outros, compramos ter-
“Eu me internei em 1957 e tive alta nunca tivesse tido nenhum problema renos, pois existia muita área desabi-
em 1963 e aí passei a me radicar no com eles, diferente de muitos inter- tada. Havia um grande loteamento
próprio bairro”, afirma o morador nos que cortavam laços com as famí- de uma imobiliária de São Paulo, que
Wallace Pereira. lias por causa do abandono”, relata. ajudava até com material; eles davam
Com a chegada da sulfa (sulfa- Segundo Wallace, os hansenianos dez mil tijolos para iniciar a obra e os
namida) no Brasil, houve uma re- tinham muita dificuldade de arrumar terrenos custavam muito pouco. Isso
volução no tratamento da doença e emprego quando saíam das colônias porque ninguém queria ser vizinho
milhares de pacientes foram cura- e inserir-se novamente na sociedade de leprosos. Dessa forma teve início
dos. Na região de Gopoúva não foi era quase impossível. “Na verdade, e evolução do bairro”, comenta.
66
capa
Trem da Cantareira
O Gopoúva também guarda re-
cordações do trenzinho da Canta-
reira, fator importante para o cres-
cimento do município. “A estação
ficava onde hoje é a praça Antônio
Nader, antiga praça Gopoúva. Ele
percorria até a praça Quarto Cente-
nário, na região central, e lá era seu
ponto final. Quando aconteceu a di-
tadura em 1964, um dos projetos co-
locados em prática em São Paulo era
acabar com as vias ferroviárias para
dar espaço para as rodovias. Lembro
que 1968, o trenzinho já não existia
mais. Porém, um pouco antes, eu e
outros moradores fizemos um movi- Acima, o anel viário, em 1979. Abaixo,
mento com a participação de poucas a praça Antônio Nader, também no anel viário, em 1975.
pessoas para que a locomotiva não
fosse extinto. Houve cobertura da
imprensa e tudo, mas não tivemos
êxito”, conta Wallace.
Com a chegada da urbanização,
os trilhos foram substituídos por
importantes avenidas, como a Emí-
lio Ribas e Presidente Humberto de
Alencar Castelo Branco, e a estação
deu lugar à praça de Gopoúva. Hoje
o bairro conta com mais de 32 mil
moradores, tendo um movimenta-
do centro comercial, escolas concei-
tuadas, a paróquia São Francisco de
Assis e histórias guardadas na lem-
brança de cada morador.
68
Avenida Emílio Ribas,
na altura do anel viário.
Foto da fachada da Associação.
Paróquia São Francisco de Assis. Avenida Nossa Senhora Mãe dos Homens, nos anos 80.
70
D O B E R Ç Á R I O A O E N S I N O M É D I O.
Onde PRAZER e CONHECIMENTO caminham juntos.
www.colegioaugustoruschi.com.br
capa
Por Valdir Carleto
Vila End
res
e Itapeg
ica
Os Sara
ceni
e o polo
industria
l Ronaldo B. Saraceni
F
oi em 1919 que Giuseppe Sa- existia, mas era menor. O casal que foi utilizado para fabricar cal-
raceni chegou a Guarulhos teve onze filhos e a família rami- çados e artefatos de couro.Eram
com a família e instalaram- ficou-se, atuando nos mais diver- cartucheiras, cinturões, perneiras
-se no bairro que veio a chamar- sos ramos de atividade na cidade. e talabartes, vendidos à Força Pú-
-se vila Endres, em homenagem Ronaldo Beltran Saraceni é um de blica do Estado de São Paulo. Há
à família que era proprietária de seus muitos netos. Filho de Bel- autores que consideram essa ma-
grandes áreas da região, vizinha tran Saraceni e Maria Vallardi, ele nufatura a precursora da indústria
do bairro do Itapegica, nas pro- nasceu em 1936, em uma casa si- guarulhense.
ximidades do caminho para a Pe- tuada em frente ao casarão, na rua Foi Giuseppe Saraceni quem
nha. Giuseppe encantou-se com José Saraceni - nome abrasileirado vendeu à Olivetti boa parte do ter-
o terreno onde hoje está situado de seu avô. Ronaldo conta que Gi- reno onde viria a ser construída a
o Internacional Shopping e o ad- seppe sentiu que a casa que adqui- lendária fábrica, que, quando de-
quiriu. O imóvel que ficou conhe- ra era pequena para toda a família sativada, deu lugar ao Shopping.
cido posteriormente como casarão e resolveu ampliá-la. Na parte in- O casarão ficava na parte baixa do
Saraceni - demolido em 2010 - já ferior da nova ala, havia um porão atual estacionamento.
72
Avenida Rotary: ao fundo,
o Colégio Júlio Mesquita
Reminiscências
Além de lembrar-se de ter visto a
fábrica de máquinas de escrever ser
erguida, Ronaldo recorda-se que do
alpendre do casarão era possível avis-
tar a estação de vila Augusta e ver o
trem da Cantareira passando e api-
tando. Sua esposa, Norma Zacharias,
chegou a utizar-se do trem para ir es-
tudar no Colégio Santa Inez, em São
Paulo. Um dos tios de Ronaldo ia logo
cedo, uma ou duas vezes por semana,
ao Mercado Municipal de São Paulo,
comprar um saco de pão para toda a
família e voltava no trem seguinte.
A primeira escola do bairro foi ins-
talada pelo Estado na casa onde Ronal-
do nasceu, cedida por sua avó. Chama-
va-se Escola Mista do Itapegica.
Hospital Stella Maris
74
capa
Por Tamiris Monteiro
Jardim
Maia
Onde a
natureza
requinte e
se encon o
tram
Maria Stangari
76
capa
78
paz
amor
mizade
fé beleza
luz vida
esper ança
saúde paz
F e l i z 2 0 a1m o4r
alegria força
união luz
since
saudade r i dade
pac i ê n c i a
mulher
beleza s u m i r ê
fé respeito bondade
hu paciência
equilíbrio
felicidade
natal
amizade
conforto
mil ano novo
s u c e s s o
mulher
s u m i r ê
da alegria união
bondade de saudade
amizade
pac i ê n c i a
felicidade união
sorte
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vida
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saudade
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s u m i r ê humildade luz equilíbrio
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lici
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Est es são o s n o s s o s voto s pa r a o p róx i m o a n o
f e l i z n ata l e u m p r ó s p e r o a n o n o v o
S aú d e b e l e z a e b e m e s ta r , T u d o n u m s ó l u g a r !
11 2440-1404
Rua. Dom Pedro, 61 - Centro - Guarulhos/SP
capa
80
82
84
capa
Por Tamiris Monteiro
Centro, em 1959
e foto atual da fonte
da praça Getúlio Vargas
Centro
Onde tu
do come
e onde t çou
udo aco
ntece
Leonildo Zampoli
FOTOS: MÁRCIO MONTEIRO E ARQUIVO HISTÓRICO DE GUARULHOS
86
Foto antiga da fonte da praça Getúlio Vargas
começa exatamente no Centro. “Ori- do casamento, minha mãe optou Na primeira moradia, Leonil-
ginariamente, sou do bairro que era por morar na Ponte Grande e por lá do fala de uma infância saudável e
chamado Bairro dos Alves ou conhe- ficou alguns anos. Meu pai, um ho- cheia de estripulias. Segundo ele,
cido como São Roque, bem ao lado mem extremamente simples, mas o rio Baquirivu era usado para pes-
de onde está o Cecap. Meu pai, filho dedicado e trabalhador, montou um ca e muitas pessoas nadavam lá. As
de imigrantes italianos, radicou-se comércio na avenida Monteiro Lo- poucas famílias que povoavam a área
na cidade ainda muito jovem e mo- bato, onde hoje fica a indústria Le- se conheciam intimamente e indús-
rava na Ponte Grande. E minha mãe, vorin. Na época, a Monteiro Lobato trias como Pfizer e Toddy sequer
portuguesa legítima, veio ainda não era calçada e existia apenas uma existiam. Mesmo vivendo em uma
criança para o Brasil e mais tarde o bifurcação que dava acesso à avenida área um pouco afastada, o primeiro
conheceu. Aqui se casaram, tiveram Octávio Braga de Mesquita. Foi nes- contato que o advogado teve com o
quatro filhos, eu e mais três irmãs, sa região que passei minha infância Centro foi ainda na adolescência, por
sendo que uma já faleceu. No início e boa parte da juventude”, relembra. causa dos estudos. “Na adolescência,
87
capa
tive a oportunidade de estudar no para o Centro e, então, constituiu a Brasileiro, o primeiro de Guarulhos,
colégio Capistrano de Abreu, dife- sua própria família. “Viemos morar que ficava na rua Dom Pedro. Na se-
rente das minhas irmãs que estuda- na rua Padre Celestino. Quando me quência, trabalhei por um tempo na
ram em escolas rurais. Na escola fiz casei, também preferi ficar por aqui Prefeitura e depois me dediquei ao
muitos amigos da região central e a e morei em um apartamento próxi- direito. Mas sempre atuei efetiva-
minha vivência com essas pessoas mo à praça Getúlio Vargas. Vivi lon- mente no desenvolvimento da cida-
tornou-se muito constante. Minhas gos anos no edifício Nahim Rachid de. Recordo que certa vez queriam
principais lembranças de garoto são e atualmente moro na rua Antonio colocar os departamentos públicos
do local onde hoje fica a praça Getú- Francisco de Miranda. Ao longo no prédio da biblioteca da rua João
lio Vargas. No tempo de escola, não desses anos, pude testemunhar to- Gonçalves. Eu e mais alguns cole-
existia construção no local, apenas das as transformações que aconte- gas fizemos um movimento e fomos
um campo de futebol”, conta. ceram. Comecei a trabalhar muito reivindicar com faixas e bandeiras
Meio lá, meio cá, aos 21 anos Le- cedo, não por necessidade, mas por para que isso não acontecesse. E não
onildo finalmente veio com a família vocação, no Banco do Trabalho Ítalo aconteceu”, lembra com orgulho.
88
capa
Cabuçu
O que re
sta de ve
cidade e rde na
stá amea
çado
Oziel Souza
FOTOS: MÁRCIO MONTEIRO E ARQUIVO HISTÓRICO DE GUARULHOS
92
capa
Represa do Cabuçu
94
Sheila Paula
de Souza
24 anos,
contadora.
CCurta
Cu
uurrrtata nossa FFa
Fanpa
anpage
ge
facebook.com/vilafeliccita
capa
Foto recente
96
capa
Por Michele Barbosa
Cocaia
Do inabi
à superp tável
opulação
D
aniele Nunes Oliveira, 32, enfermeira, detalha sua vida no Cocaia, desde sua infância até os dias atuais, com
muito carinho. “Eu nasci, cresci e brinquei muito por aqui; aliás, as crianças de hoje não têm o mesmo hábito”,
diz Daniele, que descreve como era o bairro e as mudanças positivas que ele teve.
Mudanças no bairro
A enfermeira confessa que sente
falta e tem excelentes recordações
do passado. Os vizinhos não têm o
mesmo contato de antes. “Não saio
na rua com tanta frequência, parece
que o pessoal não é mais o mesmo.
Muitos se casaram, tiveram filhos e
ficaram mais reservados.” O bairro
mudou bastante. Antigamente não
existia asfalto, só colocaram em
1990. Em dias de chuva, o barro
atrapalhava a vida de quem precisa-
va por os pés para fora de casa. Em
períodos quentes, o pó consumia as Avenida Brigadeiro Faria Lima, em1990
narinas. “Quem tinha alergia sofria
no Verão.” O transporte era demo-
rado, de uma em uma hora passava
apenas um ônibus. “Às vezes o horá-
rio não era respeitado pelos moto-
ristas, que se atrasavam ainda mais
a passar no ponto e, quando minha
mãe perdia a hora, era um desespe-
ro total, como se nunca mais conse-
guíssemos pegar outra condução.”
Não tinha muito comércio, só um
supermercado, um açougue e uma
avícola. Com o tempo, o progresso
Foto atual da Avenida Brigadeiro Faria Lima
chegou à região.
Segundo Daniele, o que ficou
ruim com o passar dos anos foi o
trânsito pois, por causa das melho-
rias, muita gente se mudou para o
Cocaia, e se acumulam os carros nas
O futuro será em outro lugar
Após se casar, Daniele pretende se mudar para algum lugar próximo
ruas. “Antes eu demorava 15 minu-
ao metrô, mas não disse de qual estação. Sabe que sentirá falta da rotina
tos para chegar ao centro de Guaru-
que tem hoje, mas pensa em construir uma nova vida em um outro bair-
lhos, agora levo 40 minutos.” Eram
ro. As lembranças irão permanecer na casa de seus pais e dentro de seu
poucas as pessoas que queriam mo-
coração. “O meu lugar preferido daqui é minha rua; a cada passo fora do
rar na região, mas agora o número
portão, é como se eu ainda fosse menina e estivesse saindo de casa para ir
de moradores aumentou.
brincar. Até hoje tenho essa sensação, que nem o tempo pode apagar."
100
capa
Por Michele Barbosa
Bom Cl
ima
Onde tu
do é per
to
Margit Mary
FOTOS: RAFAEL ALMEIDA E ARQUIVO HISTÓRICO DE GUARULHOS
E
mpresária, mãe de dois filhos, Margit Mary de Lima Guedes, 48, é empresária e, como toda mulher que
trabalha fora de casa, precisa dividir-se em mil para dar conta dos muitos afazeres. Em 1987, casou-se
com Wagner Guedes,49, empresário, formando uma família no bairro Bom Clima.
102
capa
Após dez anos, Margit e Wag- nova história e plantar novas re-
ner planejaram a compra da casa cordações. “O mais engraçado é que
própria, mas não queriam sair do nos mudamos de casa, mas não de
bairro e, depois de pesquisarem rua, não sinto exagero ao dizer que
um imóvel na região, encontraram sou privilegiada em morar no Bom
um terreno perfeito para a cons- Clima.” A empresária diz isso pelo
trução do novo lar. Quando tudo fato de o bairro ter vários benefí-
estava pronto, era hora de mudar cios como comércio variado, hospi-
e deixar o sobrado antigo e cheio tal e pontos de transporte perto de
de lembranças para começar uma onde reside.
Pode melhorar
Segundo Margit, apesar de ser urbana está em falta, principal-
uma região de muitos acessos co- mente nas praças, que estão cheias
merciais, as ruas precisam ser reca- de entulhos e lixo. “Tenho certeza
peadas, as calçadas são esburacadas que em breve essas questões serão
e não têm acessibilidade para um solucionadas. Os pontos positivos
deficiente andar com tranquilidade do bairro são maiores para que eu
sem que se machuque. A limpeza não queira sair daqui”.
104
Do barro
ao concreto
A dona de casa Gilda Maria dos
Santos Lima Stelari, 58, e seu es-
poso, o taxista Mário Stelari, 58,
moram há mais de 30 anos no Bom
Clima e nele criaram os filhos Vitor
Stelari, 27, e Mário Stelari Júnior,
32. Com tanto tempo de moradia,
a família acompanhou a evolução
da região de pertinho. “Ali só havia
mato, as casas estavam sendo cons-
truídas, não havia comércio e tudo
que precisava fazer tinha que me
deslocar até o centro de Guarulhos”,
explica Gilda. Antes, o casal morava
no Macedo, mas viu no Bom Clima
uma oportunidade de ter o imóvel
próprio e cuidar de sua família no
lugar que fosse deles de fato.
Gilda Maria dos Santos Lima Stelari
Passado e presente
Assim como Margit, Gilda con- construído o Fácil e a Prefeitura.
corda que o Bom Clima tem o be- É engraçado lembrar que, antes de
nefício de ter tudo próximo, mas existirem, em seus terrenos não
conta que nem sempre foi assim. havia nada de significante.” Mário
“Minha região não tinha asfalto, propôs a Gilda que se mudassem
era um barro danado, e o transpor- para uma apartamento fora do bair-
te era precário.” A dona de casa ain- ro, pois seus filhos estão prestes a
da diz que seus filhos brincavam na casar-se e, segundo ele, uma casa
rua com segurança e tranquilidade, grande como a deles é sinônimo de
mas hoje seu neto não tem esse pri- trabalho extra, mas ela não quer.
vilégio, pois o movimento de carros “Um dos melhores lugares para se
cresceu, assim como o comércio e morar é aqui, por isso não quero Juliana Maiagem e Mário dos Santos
alguns orgãos públicos. “Eu vi ser sair para nenhum outro canto.” Lima Stelari Júnior, em 1991
106
RESORTS
VIAJE
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e Monteiro Lobato, em 1994
Macedo
Uma infâ
ncia tran
quila
Priscila Evangelista
FOTOS: RAFAEL ALMEIDA E ARQUIVO HISTÓRICO DE GUARULHOS
Q
ueimada, esconde-esconde e infância foi muito boa, na rua da mi- gar. “Aqui eu cresci e tive minha filha,
bicicleta eram as brincadei- nha casa tinha muita criança e todos não sei como seria viver longe daqui.”
ras preferidas da gerente de éramos amigos”, confirma. A jovem conta que o bairro teve
contas Priscila Evangelista de Souza, Priscila mora há trinta anos no muitas mudanças e que sente falta
30, de quando era criança. “Minha Macedo e não se imagina em outro lu- de como era antigamente.
Amizade na vizinhança
Priscila detalha quão forte era a elas não se queixavam muito.” meio da rua, os carros eram poucos
união entre os vizinhos que sempre Nas férias, a criançada fazia a e os que passavam andavam sempre
se ajudavam. As crianças frequenta- festa com muitas brincadeiras e o devagar e não havia perigo. A gente
vam umas as casas das outras, sem piquenique era de lei, sempre tinha. até deitava no asfalto. Isso depois,
problemas. “Cada dia era uma casa Cada um trazia um prato de doce ou porque antes nem tinha asfalto: meu
diferente que escolhíamos para brin- salgado, refrigerante e suco. Pronto! avô buscava água no lago do bairro.
car. Nossas mães ficavam de cabelos A diversão estava garantida e a comi- Meus primos mais velhos nadavam
em pé por causa da bagunça, mas lança era farta. “Fazíamos tudo no lá”, relembra.
108
Tempo bom,
que não volta
nunca mais...
Claro que para quem nasce e mora
há tanto tempo em um bairro, como é o
caso de Priscila, as recordações são mui-
tas e a saudade do que passou e foi bom
é grande. “Aos domingos eu ia ao culto
com a minha mãe e irmã, acordávamos
cedo, íamos a pé, pois a igreja era pró-
xima de casa. Eu reclamava por acordar
cedo, mas sinto falta até disso.” O tra-
jeto era cheio de flores, e a ela diz que
sempre pegava uma para dar à profes-
sora da escolinha dominical. Após o cul-
to, a criançada andava a cavalo em uma
rua próxima que é sem saída. “Contava
as horas para sair da igreja e cavalgar;
era muito divertido.”
Alegria na simplicidade
Uma infância divertida e tranqui- reuniões não perduraram, o peque-
la, conforme descreve, não poderia no parque foi danificado e por um
emendar em uma adolescência que fu- período tornou-se o local preferido
gisse da regra. Apesar de ser uma ati- de usuários de drogas. “Ficou tudo
vidade simples, Priscila e seus amigos pichado. Os poucos brinquedos que
se reuniam no parquinho, que era do existiam foram destruídos. Minha
lado da igreja. A sensação de liberdade filha não pode brincar lá como eu
trazia o frescor da nova fase. brinquei.” O parque passoupor re-
Antes as brincadeiras e os pique- vitalização, como compensação pelo
Varzea do Macedo, em 1960
niques; agora, os que antes eram impacto de um condomínio de luxo
crianças já são adolescentes, que se que foi construído em frente, e recebe
mantinham em rodinhas para jogar algumas escolas de samba que fazem De lá para cá
conversa para o alto. Infelizmente, as ensaios por lá.
Como qualquer lugar, o Macedo
teve suas mudanças, algumas boas e
outras nem tanto. O número de empre-
endimentos cresceu e bons comércios
chegaram à região. O local que Priscila
foi criada era o encontro das crianças,
mas hoje raramente tem movimento
de pessoas. Alguns idosos reúnem-se
para tomar Sol ou jogar cartas e dama.
A jovem vê o contraste do tipo de gen-
te que hoje movimenta o local em que
ela se divertiu muito na infância e sabe
que o importante é viver o presente. O
que passou foi bom, mas a vida segue
e o futuro reserva muitas surpresas. O
Foto atual da Avenida Monteiro Lobato tempo não para.
110
capa
Por Michele Barbosa
Vila Fát
ima
A família
e sua fáb Kida
rica de pip
ocas
Vitória S. Kida, Akira Kida e Elisete Kida
FOTOS: RAFAEL ALMEIDA E ARQUIVO HISTÓRICO DE GUARULHOS
E
m 1953, a família da arquiteta Elisete Akemi Kida, nascida em 1956, chegaram à vila Fátima e se estabe-
leceram com uma fábrica de pipocas de canjica. “Meus pais, Akira Kida e Vitória S. Kida, deram continui-
dade ao trabalho de meus avós Tsurukite Kida e Maria de Fátima Kida. A fábrica tinha uns 60 funcionários
e fazia entregas em vários locais, inclusive na Bahia”, afirma Elisete. Mas a história da família da arquiteta não
para por aí: viu como tudo começou e teve grande influência no desenvolvimento do bairro, participando ativa-
mente em momentos significativos.
112
113
Casa da família Kida, em 1960 Foto atual da casa da família Kida
A infância
Elisete conta que teve uma infân- viu a vila Fátima crescer. res e cafezinhos. “Hoje o que falta nas
cia muito tranquila e alegre, pois to- Até hoje, quase todos os vizinhos pessoas é o sentimento de união. Tal-
dos os moradores do bairro se conhe- ainda têm contato e bater papo na rua vez a correria do dia a dia nos impeça
ciam. “Antigamente era tudo muito é um costume que não acabou nem de sermos amigos como antes.”
sossegado, brincávamos bastante, com o passar o tempo. “Sinto falta dos
e no horário de almoço nos reunía- amigos que se foram, mas só tenho
mos com os funcionários da fábrica lembranças alegres de meu passado.”
de pipocas para jogarmos queimada O que era bem comum no bairro
e vôlei. Todos os dias eram cheios de eram as visitas inesperadas do prefei-
diversão.” Tendo participação ativa to, dos amigos, das crianças. Todos se
na história da região, a família Kida sentavam à mesa em almoços, janta-
Antes e depois
Assim como qualquer região, na
Akira Kida fotografando as crianças
vila Fátima não havia asfalto, eram
em frente à capela Nsa. Sra. de Fátima.
ruas de barro e, no calor, o pó era
tanto que era necessário tirar o pó
dos móveis todos os dias. As crian-
ças iam para suas casas “vermelhas”
dos pés a cabeça. O comércio era es-
casso; o transporte, precário. “Hoje
temos escolas, comércios e empresas.
A condução melhorou muito.” Elisete
se sente feliz e sabe que a participação
de sua família faz parte da história do
bairro. A presença do sobrenome em
uma rua representa mais do que um
ato meramente oficial: é a retribuição
de um carinho por uma vila que, mes-
mo com o desenvolvimento, mantém
laços de amizade e as lembranças de
uma infância feliz. Capelinha construída
Igreja Nossa sª de Fátima,1960
pela família,1960
114
115
capa
Por Michele Barbosa
Haroldo
Veloso
Do vale a
o progress
o
Loide de Almeida
FOTOS: ARQUIVO HISTÓRICO DE GUARULHOS E RAFAEL ALMEIDA
“
Está vendo aquelas casas? An- balho que em Guarulhos estavam farmácias, e o comércio demorou a
tes elas não existiam, ali era vendendo casas em um conjunto surgir. Era um vale que só contava
um vale verde no meio do nada, habitacional. Loide veio conhecer com aquele conjunto habitacional
sem asfalto. Hoje tudo mudou”, o local e gostou. “Eu não tinha e as pessoas que moravam ali. As
explica Loide Reis de Almeida, 73, imóvel próprio. Mesmo sendo lon- mães tinham de andar até o bairro
consultora de beleza que há mais ge de tudo, vi ali uma oportunida- vizinho, a fim de pegar a condução
de 40 anos reside no Conjunto Re- de de ter minha casa.” Pronto! O e chegar no centro de Guarulhos,
sidencial Haroldo Veloso. casal se mudou para o lar doce lar. onde eram feitas as compras, pa-
Mineira de Monte Carmelo, “Estava muito feliz, e o fato de sa- gamentos de contas e idas ao mé-
veio para São Paulo após se casar ber que a casa era minha fez com dico. Mãe de três filhos, Loide sen-
com o falecido Walter Almeida. O que eu esquecesse as dificuldades tiu o drama de criar as crianças em
casal morava no bairro do Ipiranga da região.” um local “deserto”. “Vivi momen-
em São Paulo e, em 1970, Walter A consultora conta que não ha- tos difíceis aqui, fora a adaptação
soube através de um colega de tra- via mercados, ponto de ônibus e por estar longe da família.”
116
117
A união faz a força
São dez casas e os vizinhos são
como amigos. “Eles recebem mi-
nhas encomendas sem problema
algum.” Antigamente eram bem
mais unidos; infelizmente, alguns
dos mais chegados faleceram, ou-
tros mudaram-se. A união de antes
era tão forte, que os moradores se
juntaram e asfaltaram a rua para
que todas as crianças brincassem
por lá. “São pessoas com quem sei
que posso contar sempre e, como eu
Jardim São João, em 1995
conheço quase todos os moradores,
facilita quando eu preciso de algo.”
Sua popularidade se deu através das
vendas de cocada que ela mesma
fazia e vendia de porta em porta.
“Parei de vender para cuidar de meu
neto, mas até hoje sou mais conhe-
cida como ‘a mulher da cocada’ do
que como revendedora de produtos
de beleza.” As crianças saíam da es-
cola e iam direto à casa dela para
comprar a última fornada.
Antigo centro administrativo Seródio, 1995
Antes e depois
Como o vale era bem deserto,
como dito anteriormente, a tranqui-
lidade reinava entre os moradores.
“As portas ficavam abertas, as crian-
ças andavam de bicicleta e ninguém
mexia nas coisas de ninguém. Hoje
Conjunto Habitacional Haroldo Veloso, em 1975
tenho de deixar tudo trancado com
cadeado”, diz Loide, apontando para
as grades de sua janela. “Sinto falta
de não ter medo de morar.” Porém,
até na dificuldade é possível ter boas
lembranças e uma saudade boa. “Na-
quela época, há 20 anos, um carro-
ceiro vendia pães que, no período
de chuva, molhavam, e tínhamos
de colocar no forno para requentar.
Agora temos muitas padarias e o co-
mércio cresceu bastante. O ônibus
para na minha porta. As coisas me-
lhoraram”, conclui, emocionada ao
descrever tais situações. Foto atual do Conjunto Habitacional Haroldo Veloso
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Foto atual do Conjunto Habitacional Haroldo Veloso
“O que gosto daqui”
O bairro tem muitas árvores,
dentre elas algumas cerejeiras, la-
ranjeiras e limoeiros. Em um terreno
próximo, Loide tem uma hortinha
com pé de acerola, folhagens, flores
e verduras, que ajudam a compor a
beleza local. “Eu gosto daqui, pois
tem muito verde e dá para respirar
ar puro.” Foi perceptível que a minei-
ra gosta mesmo de onde vive, tanto
que, apesar de sua filha ter com-
prado um apartamento espaçoso
no centro de Guarulhos, Loide dis-
se que não sai do conjunto em que
mora. “Boa parte de minha vida está
aqui, meus amigos e meu trabalho.
Não posso deixar minha casa com
minhas recordações.”
A maior riqueza
Uma senhora simples, mas rica
em lembranças e de uma história
de vida cheia de lutas e vitórias. Na
humildade de seu bairro, ela encon-
trou sua maior riqueza: a felicidade
de saber que seus maiores tesouros
são seus vizinhos, amigos, familia-
res e um lar construído com muito
esforço e amor. “Amo esta região, vi
nascer e ser construída como se fos-
se ontem. Viveria tudo novamente
com a mesma alegria.”
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especial
Por João Machado
Metrópole
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especial
Por João Machado
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especial
Por Gustavo Mandú
Cidade Vazia
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especial
Por Gustavo Mandú
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especial
Por Diego Calvo
Uma outra
Guarulhos
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especial
Por Diego Calvo
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especial
Por Alexandre de Paulo
Andanças
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especial
Por Rodrigo Madureira
Olha o passarinho!
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especial
Mauro Alvarenga
Mauro Alvarenga
Silvana de Souza
Neide Tokacs
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perfil PAULO BRITO
Atitude
samba’n’roll
Cristiano Dinucci, 36, é guarulhense
da gema e cresceu pessoal e artistica-
mente na cidade. Kiko Dinucci é da
metrópole: o artista cresceu e tornou-
-se um dos nomes mais emblemáticos
da nova cena musical paulistana, que
conta com nomes de respeito na cena
alternativa, como os dos badalados
Rômulo Fróes e Juçara Marçal, com
quem ele toca em diversos projetos.
Seja na música, no audiovisual, nas ar-
tes plásticas, no rock ou no samba, Kiko
Dinucci é um cara que trabalha por
música. Ou melhor: respira e vive por
música e demais linguagens artísticas.
O primeiro contato com Kiko para trevista foi feita por telefone e, por cer- conversar comigo no Facebook. Você
entrevistá-lo foi no fim de outubro, por ca de meia hora em pleno domingo, sua mesmo entrou em contato lá, falou co-
meio de conversas no Facebook, para carreira, projetos paralelos e até mes- migo [em referência às conversas dias
entrevistá-lo ao vivo e em cores. Mas a mo alguns planos para o futuro foram antes] e não precisou conversar com
sua vida à época estava para lá de cor- assuntos da conversa com o artista. empresário ou assessor. Acho mais fá-
rida, seja por motivos pessoais ou por Para quem estranhou ler “domingo”, a cil fazer contato direto com o artista.
estar na produção de um novo projeto entrevista foi feita nesse dia e Dinucci Às vezes aparecem uns loucos [risos],
de Juçara Amaral, com quem ele toca mostrou-se bem solícito, como de cos- mas são a minoria”, explica, sobre sua
no projeto Metá-Metá. Por isso, a en- tume. “Quem quiser trocar ideia pode postura mais próxima do público.
Do rock ao samba
O contato com a música aconte- tocar guitarra e montar uma banda do samba como Zé Keti e Nelson do
ceu ainda cedo, por volta dos 12 anos de rock. Mas, com o passar do tem- Cavaquinho, ele viu semelhanças en-
– “ganhei o primeiro instrumento po, a sensação de mesmice musical tre o ritmo e o tal de rock’n’roll. “O
aos 6 anos, mas ele ficou encostado começou a tocar em “repeat eterno” samba era uma espécie de rock bra-
em casa. O violão estava todo arre- e, por causa da mesmice, ele come- sileiro. Havia contestação e postura
bentado, coloquei durex nele e fi- çou a desbravar novos horizontes e meio marginal na sociedade, e ainda
quei tocando do meu jeito”, conta. os discos de samba de sua mãe. Após tem, mesmo sendo algo que vende e
Daí, o passo seguinte foi começar a aprofundar-se nas obras de mestres todos ouvem”, relata.
140
Um brinde aos 453 anos da cidade
qUe faz o nosso sUcesso voar alto.
É com muito orgulho que comemoramos mais um ano de
sucesso da cidade que nos acolheu com tanto carinho e,
desde o início, faz história.
Obrigado, Guarulhos. www.europa.com.br
GINA DINUCCI
Inquietude artística
Passo Torto. Metá-Metá. Bando hits como “Não
Afromacarrônico. E a lista segue. existe amor em
Esses são alguns dos projetos em SP”, “Subirusdois-
que Dinucci está ou esteve envolvi- tiozin” e “Bogotá”;
do. Diz a sabedoria popular que há ou composições
casos em que a fome se junta com a suas nas vozes
vontade de comer e, de certo modo, da própria Juçara
pode-se dizer que é o que acontece Amaral, com quem
nesse exemplo. Os projetos em que ele divide o palco
ele está envolvido são, ao mesmo no Metá-Metá, e
tempo, maneiras para ele extrava- Ná Ozzetti.
sar a criatividade e ajudar na renda. No fim das con-
“Tenho a minha agenda com uma tas, essa é conclusão que se pode
quantidade de shows do Metá-Me- tirar: não há diferença alguma
tá, do Passo Torto e de um projeto entre Kiko e Cristiano Dinucci;
novo, e isso também é uma saída logo, não dá para separar a vida
para completar o orçamento men- da arte. “Sou viciado em traba-
sal”, relata. De quebra, volta e meia lho e talvez por isso ele tome
é possível ouvir composições suas quase 24 horas do meu dia”, fi-
sendo interpretadas por outros ar- naliza Kiko, que entrará em es-
tistas, como “Mariô”, conhecida na túdio em 2014 para a gravação
RDIN
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aniversário_guarulhos_RG.pdf 1 02/12/2013 13:38:19
CM
MY
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CMY
Cópias e Impressões
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eu quero
Por Daniela Villa-Flor
Hora
FOTOS: DIVULGAÇÃO
dos presentinhos
O fim de ano costuma ser aquela e colegas de trabalho, não é mesmo?
época de reflexão, onde fazemos uma “As tais lembrancinhas definem de for-
retrospectiva de tudo que passou e ma objetiva o que queremos: presente-
Criatividade
traçamos novas metas para o próximo ar, fazer a pessoa se sentir lembrada,
Os objetos coloridos dão um
ano. E, com o clima de união e as festas mas de forma simples. Isso não signifi-
toque alegre à decoração e criam
em família chegando, lembramos tam- ca dar um presente ruim. Pode-se esco-
possibilidades aos ambientes, mes-
bém das pessoas queridas que nos cer- lher algo funcional e criativo”, orienta
mo os mais básicos. “Os presentes
cam e é hora de achar um presente que a designer Ana Campos Mello.
criativos são ótimos e divertidos,
defina o afeto que sentimos de forma Separamos opções para você distri-
geralmente são objetos de decora-
delicada, simples e sem exageros. Afi- buir presentes neste fim de ano. Cria-
ção, o que complementa qualquer
nal, haja bolso para presentear todas as tivas, moderninhas, tradicionais ou
lugar da casa”, diz Ana.
pessoas que convivemos, sejam elas da funcionais? Escolha o perfil do mimo
família ou mesmo os amigos, parceiros que quer dar.
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eu quero
Deck Station
Americanas
R$ 349
USB ventilador
Downtown – R$ 42,66
Kit Manicure
Downtown – R$ 35
Luminária
Tok Stok
R$ 89
Óculos retrô
Endossa – R$ 120
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passarela
Por Tamiris Monteiro
BANCO DE IMAGENS
Que atire a primeira pedra a
mulher que ainda não pensou nos
looks para as festas de fim de ano.
Às vésperas das comemorações
mais esperadas pelo mundo todo, é
natural pensar com que roupa fes-
tejar com os familiares e amigos.
Afinal, estar entre quem amamos
é único e, por isso, estar apresen-
tável para esses dias é mais do que
importante. Mas com tantas opções
oferecidas pelo universo da moda,
às vezes, fica difícil decidir qual é
a melhor opção para cada ocasião.
Caso pinte uma dúvida, não se
desespere, pois a democracia do
mundo fashion permite misturar
peças antigas, clássicos e tendências,
ou seja, é quase impossível fazer
feio nas festas de fim de ano. Basta
um pouco de ousadia, criatividade e
bom senso para criar composições
bonitas e harmoniosas. Para ajudar,
a RG, junto com Ronaldo Santos,
consultor de moda e professor da es-
cola ProModa, dá algumas dicas so-
bre o que vestir no Natal e Ano Novo.
Natal
Para o Natal aposte em peças rendadas, como blusas, vestidos ou
camisas. Também vale investir em cores como o azul, verde, bran-
co e vinho. Além de serem tendências, lembram cores natalinas.
O Natal, geralmente, é uma festa mais formal comemorada junto de
familiares e amigos; por isso, deve-se ter atenção ao escolher o look des-
ta data. “Cuidado com os comprimentos de saias e vestidos e fique aler-
ta com as transparências, pois todos esses detalhes podem estar na moda,
mas menos é mais e o bom senso é sempre uma peça-chave”, pontua Ro-
naldo. Para não cair na vulgaridade, opte por blusas ou vestidos vazados e
transparências estratégicas, que deixam o look com cara de sofisticado.
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passarela
Ano Novo
Para o Ano Novo, o velho e bom
branco continua em alta. E como
BANCO DE IMAGENS
essa é uma festa mais descola-
da, brilho e paetê estão liberados.
Quem deseja comemorar o Ano
Novo e fugir do tradicional bran-
co, pode apostar em roupas amare-
las e azuis em vários tons. E tam-
bém em vermelhos como o bordô.
Na praia, o short saia, além de
ser uma tendência, é muito fácil
de combinar. “Uma boa composi-
ção é o short saia branco ou nude
com uma blusa ou regata de paetê,
que pode passar do fosco ao bri-
lho nas cores dourado-velho, co-
bre ou azul”, sugere o consultor.
Para um local mais formal, um
macacão tomara que caia na cor azul,
ou um vestido de crepe, que pode ser
curto ou longo. “Quem gosta do bran-
co, pode dar um up ao look com cola-
res e pulseiras. E os sapatos podem ir
da sandália com salto alto até a ras-
teirinha. Para dar um toque especial,
a carteira de mão deixa o visual mais
clássico e fica um luxo”, avalia.
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currículo
Por Tamiris Monteiro
Criatividade
no papel
FOTOS: BANCO DE IMAGENS E ARQUIVO PESSOAL
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153
currículo
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LOGGIA
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8 de dezembro
Dia da Justiça
Celebrado no mesmo dia do aniversário de Guaru-
lhos, o Dia da Justiça consiste em homenagem ao Poder
Judiciário. A data, instituída em 1951 pelo então pre-
sidente Getúlio Vargas, é comemorada em âmbito na-
cional e visa a lembrar sobre aspectos básicos da justiça,
que são estabelecer a ordem e promover a paz entre os
indivíduos.
A deusa grega Têmis, símbolo da justiça, foi escolhida
para representá-la, no sentido moral, por meio da defini-
ção dos sentimentos de verdade, humanidade e equidade
– imparcialidade.
Parabéns aos profissionais que defendem os princí-
pios da Justiça e da promoção da igualdade entre todos.
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08 de dezembro - Dia da Justiça
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08 de dezembro - Dia da Justiça
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08 de dezembro - Dia da Justiça
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empresa
Por Amauri Eugênio Jr.
Ah, o primeiro
emprego...
FOTOS: BANCO DE IMAGENS
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empresa
Direitos e deveres
Assim como a empresa deve le-
var em conta a condição do apren- Formação caseira
diz e ajudá-lo a desenvolver-se pes- Os pais, claro, têm papel fundamental no apoio ao jovem durante
soal e profissionalmente, o jovem o período de aprendizado, pois o aprendiz começa a assimilar aos
também deve fazer a sua parte en- poucos situações diversas do dia a dia e não sabe como se portar. Por
quanto o contrato estiver vigente. isso, quanto mais presente a família estiver na formação do jovem e
Ele deve cumprir os horários pre- quanto mais ela der dicas sobre como se portar em situações diver-
vistos no contrato tanto na empre- sas, como conversas possivelmente mais acaloradas com trabalha-
sa como nas aulas. Em contraparti- dores da empresa, mais lúcidas serão as atitudes do aprendiz.
da, o desligamento da empresa e do
programa de formação de aprendi-
zes ocorre nas seguintes situações*:
a)Término da duração do contrato; Estagiário ou aprendiz?
b)Quando o aprendiz completar 24
Volta e meia, os jovens que estão prestes a ingressar no mercado
anos, salvo quando se tratar de pessoa
de trabalho ficam em dúvida sobre procurar um estágio ou regime
com deficiência;
de aprendizagem. No caso, o estágio é indicado para os jovens que
c)Desempenho insuficiente ou inapti-
sabem qual rumo querem seguir na vida profissional, estando na
dão do aprendiz;
maioria dos casos na faculdade, enquanto o menor aprendiz ajuda
d)Falta disciplinar grave;
a descobrir o que fazer da vida. “O jovem é o garoto de 14 ou 16
e)Ausência sem justificativa na escola
anos que não sabe se quer trabalhar com números ou pessoas. Ele
que resulte na perda do ano letivo;
aprende como funciona determinado ramo e descobre se quer ser
f)A pedido do aprendiz.
engenheiro ou contador, por exemplo”, finaliza Michelly.
*Fonte: Manual da Aprendizagem
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165
mundo das letras FOTOS: DIVULGAÇÃO
Escrito nas
estrelas
Chegamos à reta final de mais um ano e os planos para a chegada de uma
nova fase começam a transbordar no pensamento. Afinal, esse é um período
em que as pessoas enchem-se de energia positiva para reiniciar tudo o que
não foi concluído no ano que passou. Há quem prefira colocar os planos e
expectativas no papel, mas também há quem conte com a ajuda da astrologia
para saber mais sobre si e sobre o que os astros reservam para o futuro. Pois
bem! Para quem acredita na astrologia e deseja interar-se sobre o assunto,
fizemos uma seleção de dicas de livros sobre o tema.
Bíblia da astrologia
Pensamento / Autor: Judy Hall
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167
Por Valdir Carleto
DIVULGAÇÃO
MARCIO MONTEIRO
ALEXANDRE SALLES/REVISTA É
DIVULGAÇÃO
Ação social
do Rotary Guarulhos-Sul
A renda da Festa do Queijo e do Vinho do Rotary
Club de Guarulhos-Sul foi utilizada para trocar 160
metros de piso na Creche Joana D’arc (foto). Através
de outros eventos, foram instaladas duas salas de
inclusão digital na comunidade São Rafael e doado
um forno para cerâmicas para trabalhos manuais na
Escola Estadual Coronel Ary Gomes.
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169
Por Valdir Carleto
VALDIR CARLETO
Inauguração da Chocolândia
em Guarulhos
Foi inaugurada dia 4 a loja Guarulhos da rede
Chocolândia, que conta com outras cinco unidades
espalhadas na região metropolitana de São Paulo.
A loja, cujo carro-chefe é o comércio de produtos à
base de chocolate, também comercializa itens bási-
cos de mercearia, hortifruti, bebidas, laticínios, em-
balagens e produtos para limpeza. Cursos de culiná-
ria são outro destaque da rede. A unidade Guarulhos
está localizada na avenida Monteiro Lobato, 300,
Centro, com estacionamento. Informações: 4574-
7620 ou www.chocolandia.com.br. O fundador Osvaldo Nunes (ao centro) e familiares
cortando faixa da inauguração da unidade. Abaixo,
detalhe da seção de hortifruti e um dos corredores
NATA NEUMANN
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menu
Combinado Japastel
Por R$24,90 o prato é bem servido com opções
da culinária oriental, composto por 8 sashimis,
4 uramakis, 4 hot rolls, 4 hossomakis, 2 joys e 2
niguiris.
Japastel
Avenida Avelino Alves Machado, 42, Guarulhos
Tel.: 2461-2564
DIVULGAÇÃO
MÁRCIO MONTEIRO
Fondue de Carne
Fondue de carne servido na pedra. Acompanha 4
tipos de carnes: lombo, calabresa, filé mignon e
frango, além do pão e molho. Serve 2 pessoas.
Vira Latas
Av. Dr. Timóteo Penteado, 904 – vila Progresso
Tels.: 2382-7032 / 2382-7033
MÁRCIO MONTEIRO
Escondidinho Vegetariano
Purê de mandioca e mandioquinha com recheio
de legumes. Finalizado com queijo parmesão.
Luma Art Café com arte
Av. Papa João XXIII, 95
Tel.: 2440-5839
DIVULGAÇÃO
Espetinhos
Práticos, os churrascos, de vários sabores, são
servidos no espetinho, o que facilita qualquer
comemoração.
Cia dos Espetinhos
Rua Tapajós, 56 - Jd. Barbosa
Tel.: 2442-7977
172
173
Mude o mundo. Você pode!
As recentes manifestações populares o menor município brasileiro), sempre ha-
levantaram uma questão importante so- verá o que fazer, pelo que lutar, pelo que
bre o modo como desenvolvemos nossa reivindicar, no que trabalhar, o que ofere-
cidadania e como atuamos na comuni- cer, o que mudar. Nós, que vimos milhões
dade em que vivemos. O que vimos fo- de pessoas ou até participamos juntos com
ram milhões de pessoas saindo às ruas e elas, querendo mudar o país em alguns dias
reivindicando algo melhor. Em diversas ou noites nas ruas, podemos – e devemos –
capitais, as vozes foram ouvidas e os ma- continuar a fazer isso diariamente.
nifestantes conseguiram o que queriam. Mudar o mundo não implica necessa-
O que sobra de reflexão após essa onda riamente sair gritando palavras de ordem e
de questionamentos e insatisfações é: o impondo menos corrupção. Muda o mun-
que mais podemos fazer? De que forma do aquele que age positivamente e trans-
somos atuantes onde estamos inseridos? forma a sua realidade e a dos que estão
Ao contrário de já levantar o dedo e próximos. Você pode mudar o mundo de
STUDIO LEAO
dizer que não tem jeito, que o país é lide- um adulto lixando a lousa da sala da igre-
rado por uma corja de ladrões corruptos ja onde ele é alfabetizado à noite, depois
e inacessíveis, vale uma reflexão mais que trabalha pesado na obra da esquina.
aprofundada. Será mesmo que estamos Você pode encher de alegria a vida de uma
tão distantes assim do que julgamos ser criança, fazendo um balanço no parquinho Por Yasushi Arita
a direção do país? As coisas não são tão da creche comunitária de seu bairro. Você
grandes e centralizadas como imagina- pode ajudar a melhorar o comércio de sua
mos, tudo dentro da sala da justiça em região, participando em conjunto com os
Brasília, essa cidade que só ouvimos fa- líderes locais para criar regras para a co-
lar no telejornal das nove da noite. mercialização de ambulantes.
Não, não! A vida política em comuni- A mudança é simples porque ela está
dade acontece todos os dias dentro do con- em nós e não no outro, no País ou nos po-
domínio onde você mora, na associação de líticos. O desejo de ser atuante e de fazer
moradores de sua cidade ou região, na usi- algo por nós mesmos e pelas pessoas que
na de reciclagem e compostagem de lixo na vivem neste mundo conosco pode ser facil-
esquina de sua casa, na escola comunitária mente saciado, basta expandir nossos con-
onde o amiguinho de seu filho estuda, na ceitos de ajuda. Está em nossas mãos, sim,
subprefeitura de seu bairro, nas aulas pro- mudar o mundo! E isso é mais fácil do que
fissionalizantes que a comunidade cristã a gente imagina. Se cada um de nós nos
ministra em sua sede, logo ali à frente. lançarmos no desafio e abrirmos os olhos,
Se prestarmos atenção, seja nossa cida- veremos que por toda parte tem gente pre-
de uma São Paulo ou uma Borá (o maior e cisando de mãos dispostas a ajudar.
174
13 Anos nova era
de bons serviços Centro de Troca de Óleo
Trocas
» Óleo do motor, câmbio manual
e automático e diferencial
» filtros e aditivos
» baterias, extintor e palhetas
Limpeza
motor, radiador, direção
hidráulica e sistema de freio
Filtros de ar condicionado
e higienização
do sistema do ar condicionado
serviço especializado em
Motor • regulageM • SuSpenSão • Freio
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Tel.: 2443-2679
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175
FOTOS: DIVULGAÇÃO
acelera
FOTOS: DIVULGAÇÃO
A Mercedes-Benz vai oferecer seu
Por Luiz Fernando Lovik segundo SUV diesel no Brasil. Depois
do GLK, chega ao País o ML 350
BlueTec. Serão duas configurações: a
Céu fechado
bancos esportivos.
A Jaguar finalmente mostrou o F- cano e US$ 7 mil a menos do que o de surpresa ficou para a “top”, com
-Type Coupé. A versão com teto fixo conversível. Ela é equipada com mo- motor V8 5.0 litros sobrealimenta-
do esportivo britânico foi exibida no tor V6 3.0 litros de 340 cv e cumpre do, que passou dos 495 cv da roads-
Salão de Los Angeles, nos EUA. Sem o zero a 100 km/h em 5,3 segundos. ter V8S para 550 cv de potência. Ela
todo o aparato para guardar a capo- Já a intermediária F-Type S Cou- atinge 100 km/h em 4,2 segundos e
ta, o F-Type ficou mais barato e, além pé traz o mesmo propulsor V6, mas custa US$ 99 mil – cerca de R$ 230
disso, a Jaguar injetou ainda mais a potência é elevada em 40 cv – para mil. A Jaguar confirmou a chegada
potência. A versão de entrada agora o total de 380 cv. O preço acompanha do novo modelo ao Brasil no segun-
custa US$ 65 mil – equivalente a R$ a “cavalaria” extra e parte de US$ 77 do semestre do ano que vem, mas
149 mil – no mercado norte-ameri- mil – em torno de R$ 177 mil. A gran- ainda não tem valores definidos.
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27
177
lista7
Por Michele Barbosa
1 2 3
FOTOS: DIVULGAÇÃO
Na minha humilde
residência #SQN
Pois é... Enquanto pessoas comuns utilizam o plano do governo “Minha
Casa, Minha Vida” para adquirir a sonhada casa própria, alguns magnatas
4
pagam à vista bagatelas altíssimas por imóveis que parecem o paraíso. Veja
quais são as mansões mais caras do mundo, de acordo com a revista Forbes.
1- Antilia
Mumbai, Índia 5-One Hyde Park
O arranha-céu de 37.161 m² e que Londres, Inglaterra
recebeu o nome de uma ilha mística no O apartamento mais caro do
Oceano Atlântico tem seis níveis sub-
terrâneos de estacionamento, três he-
liportos e um posto de saúde com 600
funcionários. O valor? R$ 2,4 bilhões*.
mundo, situado em Knightsbridge,
foi comprado pelo homem mais rico
da Ucrânia, Rinat Akhmetov. Dispõe
de escalonamento de 2.322 m², vidro
5
à prova de bala e 24 horas de serviços
2- Villa Leopolda de hotel. Valor da propriedade: R$
Villefranche-sur-mer, França 533 milhões, em 2011.
A propriedade, que vale “apenas”
R$ 1,8 bilhão, tem vinte hectares e 6- Ellison Estate
foi construída pelo Rei Leopoldo II Woodside, Estados Unidos
para uma de suas amantes. São 23 acres em estilo japonês,
dez edifícios, um lago artificial, uma
3- Fair Field casa de chá, uma de banho e um lago
Sagaponack, Estados Unidos de carpas. O local está avaliado em
O local conta com 29 quartos, 39
banheiros, três piscinas e sua própria
usina de energia. Custa R$ 595 mi-
mais de R$ 167,3 milhões.
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