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Revista RG

1) O documento é uma revista sobre a cidade de Guarulhos que celebra 453 anos, contendo entrevistas com moradores de bairros sobre a história local e matérias sobre fotografia e moda. 2) A revista inclui uma entrevista com o historiador Elton Soares de Oliveira sobre a história de Guarulhos e uma matéria especial sobre como fotógrafos e leitores veem a cidade. 3) Há também dicas de presentes, looks para o Natal e Ano Novo, e informações sobre cursos universitários e event

Enviado por

Tuany Lee
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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Revista RG

1) O documento é uma revista sobre a cidade de Guarulhos que celebra 453 anos, contendo entrevistas com moradores de bairros sobre a história local e matérias sobre fotografia e moda. 2) A revista inclui uma entrevista com o historiador Elton Soares de Oliveira sobre a história de Guarulhos e uma matéria especial sobre como fotógrafos e leitores veem a cidade. 3) Há também dicas de presentes, looks para o Natal e Ano Novo, e informações sobre cursos universitários e event

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Ano XI - nº 83 - Dezembro/ 2013

Diretor Responsável: Valdir Carleto REVISTA GUARULHOS

Guarulhos, 453 anos


Moradores dos principais bairros
falam de sua relação com a cidade
gente passarela especial
Elton Soares de Oliveira Looks para o Natal Como os fotógrafos
e Kiko Dinucci e o Ano Novo veem Guarulhos
C

CM

MY

CY

CMY

K
índice ARQUIVO HISTÓRICO DE GUARULHOS
MÁRCIO MONTEIRO

18
capa
Moradores
contam sua
história dos
bairros de
12 entrevista Guarulhos
Elton Soares de Oliveira,
historiador Vista aérea da praça Getúlio Vargas, em 1987

DIVULGAÇÃO
JOÃO MACHADO

152 Currículo - Como ampliar as chances de admissão


162 Empresa - Contratação de jovens aprendizes
166 Livros - Sugestões sobre astrologia
168 Por aqui - O que acontece na cidade
172 Menu - Dicas de pratos que vale conhecer
122 especial 178 Lista 7 - As mansões mais caras no planeta
A cidade pelo olhar 176 acelera
de fotógrafos e leitores O que acontece de novo
no universo sobre quatro rodas
GINA DINUCCI

DIVULGAÇÃO

DIVULGAÇÃO

140 perfil 144 eu quero 148 passarela


Ideias de lembrancinhas para presentear Looks certeiros para o
Kiko Dinucci
a quem você gosta no fim do ano Natal e para o Ano Novo

4
Natal
A emoção de A a Z

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A ENI A C t e m o m a i o r
orgulho d e f a z e r p a r t e
da históri a d a e d u c a ç ã o
de u m a c i d a d e c o m o
Guarulhos!

wikipedia

A ENIAC é uma das maiores e mais tradicionais instituições de


ensino de Guarulhos, já tendo formado, desde a sua fundação em 1985,
da educação infantil até a pós-graduação, gerações de guarulhenses.
Por isso, é com orgulho que a ENIAC deseja, para toda a cidade,
um grande e entusiasmado “PArAbéNs GuArulhos”!

idade
.com.br Qual
Educação superior, sempre.
editorial
Por Valdir Carleto

Histórias que o povo conta


Quando Silvio Santos tinha programa de rádio, no é fruto do empenho e da criatividade de muita gente,
início de sua carreira, havia um quadro com esse tí- desde altos executivos até quem atua nas funções mais
tulo, no qual casos de bichos de sete cabeças e coisas humildes. Ouvir pessoas comuns para contar, pelo seu
parecidas eram relatados. ângulo de visão, a história da cidade, é uma forma de res-
Nesta edição comemorativa do 453º aniversário de gate e de fazer justiça, ainda que não seja algo pioneiro.
Guarulhos, a RG recorre a histórias que o povo conta, Por falar em contar a história da cidade, a entrevista
mas nada do outro mundo. São relatos de quem viveu a do mês é com o historiador Elton Soares de Oliveira, que
cidade em outros tempos, gente que guarda recordações, consegue a façanha de ganhar a vida editando livros que re-
dados, fotografias. São testemunhas dos fatores que fi- latam as pesquisas que gosta de fazer sobre os bairros e o
zeram a pacata província transformar-se em metrópole. patrimônio histórico e cultural de Guarulhos e de sua gente.
Cada um ao seu modo, com sua memória, sua linguagem, Editar a revista que tem o nome da cidade é mui-
suas verdades e convicções, conta a história recente de ta responsabilidade. Por isso, procuramos fazê-lo com
Guarulhos, a história que ainda não está nos livros, mas todo zelo e dedicação, buscando a cada mês elaborar
que, tornando-se pública agora, quem sabe poderá ser reportagens interessantes e matérias que sejam úteis
base dos livros de um futuro próximo. às famílias que nos prestigiam com sua leitura, fazen-
A cidade é construída a cada dia por todos os seus do jus à imunidade tributária que a Constituição ga-
habitantes. Engana-se quem atribui o progresso aos que rante ao papel de imprensa.
ocupam cargos importantes, aos detentores de manda- Ao findar mais um ano de muito trabalho e de edi-
tos, aos que se destacam nessa ou naquela atividade. O ções marcantes da sua RG, agradecemos mais uma
papel dos líderes é imprescindível, mas eles nem sempre vez o apoio e incentivo de todos que têm contribuí-
são aqueles que costumam aparecer no noticiário: há lí- do para esse sucesso. Desejamos a todos um Natal de
deres anônimos em cada vila, em cada profissão, onde muita paz e alegria e um novo ano de muitas realiza-
menos se possa imaginar. O progresso de Guarulhos ções, em todos os sentidos. 

expediente cartas
Ter nas mãos a RG de outubro, caminhar por ela de todas as formas e
Diretor responsável: Valdir Carleto (MTb 16674) em todos os sentidos e não se encantar...impossível!
Diretor Executivo: Fábio Carleto
Editora Executiva: Vivian Barbosa (MTb 56794) Estupenda e extraordinária, sem sombra de dúvidas, é o que se pode
Assistente de Edição: Amauri Eugênio Jr. dizer, diante do primoroso trabalho de pesquisa, de distribuição das eta-
Redação: Daniela Villa-Flor, Elís Lucas, Michele Barbosa e Tamiris Monteiro pas, dos assuntos ventilados a fundo nesse que é o livro da educação, de
Revisão: Simone Carleto como ela se comporta, onde está e como pode ser vista e sentida.
Diagramação: Aline Fonseca, Kátia Alves, Ricardo Lima e Williane Rebouças
Fotos: Márcio Monteiro e Rafael Almeida De parabéns a direção segura e firme no propósito do bem fazer, do
Administrativo: Érika Silva e Viviane Sanson fazer sério, do compromisso com a cidade, sua população, suas crianças -
Comercial: Ana Guedes, Eliane Sant’Anna, Laila Inhudes, Maria José Gonzaga, tratadas com o respeito que merecem. De parabéns essa equipe valorosa
Patrícia Matos, Régia Gênova, Thais Cristine e Thaís Tucci. que mostra trabalho, que sente o que faz e faz bem. De parabéns Guaru-
Distribuição: Luiz aparecido Monteiro
lhos, por contar com trabalhadores sérios e competentes que caminham
A RG - Revista Guarulhos é uma publicação da Carleto Editorial Ltda. na busca da excelência e fazem dela sua trilha, seu foco. De parabéns nós
[email protected] - www.revistaguarulhos.com.br
outros, que podemos com orgulho dizer: o tempo é agora, o que preten-
Redação e Comercial: Av. João Bernardo Medeiros, 74 - Bom Clima - Guarulhos/SP díamos aconteceu, o sonho aqui está, solidificado na ética, na sapiência,
CEP 07197-010 - Telefone: (11) 2461-9310 - [email protected]
nesse titanesco trabalho.
Impressão e acabamento: Silvamarts Gráfica e Editora Ltda. Tel. (19) 3112-8700.
Tiragem desta edição: 8 .500 exemplares. Jandilisa Grassano

8
Concluímos mais
uma etapa.
2013 chega ao fim e com ele a sensação de dever
cumprido. Mas, com 2014 se aproximando, o anseio
por novas metas aflora e já começamos a nos planejar
para os próximos 365 dias. Em 2014 aguardamos por
você, para vivermos juntos mais um ano de aprendizado,
de amizade e de conquistas.

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entrevista
Por Valdir Carleto

FOTOS: MÁRCIO MONTEIRO


Guarulhos tem
muita história
pra contar
Elton Soares de Oliveira adora fazer pesquisa
e contar detalhes do que descobriu

Revista Guarulhos - Onde nasceu, quan- RG - Quando e por que decidiu que RG - Qual o motivo que o levou a
do e por que veio a Guarulhos? desejava ser historiador? interessar-se particularmente pela
ESO - Sempre fui pesquisador, gos- história de Guarulhos?
Elton Soares de Oliveira - Nasci na tava de ouvir os casos que os idosos ESO - Aí fui notando que a história
Bahia, em Jacaraci, distrito de Irun- contavam na minha terra. Quando de Guarulhos é muito rica, a cida-
diara. Vim para Guarulhos em 1973, vim para cá, sentia muita saudade, de tem imensa diversidade, muito
porque meu pai veio trabalhar na voltava lá duas vezes por ano. Quem mais do que as pessoas percebem;
obra do Parque Cecap. Ele vendeu vem de uma cidade tão pequena e desde lepra até aviação, há um leque
uma fazenda lá e comprou um lote enfrenta outra tão grande, estranha, de descobertas; sua localização ge-
de terreno aqui. Nasci lá, mas é aqui porque perde todas as raízes, enfren- ográfica, nesse triângulo dos cami-
que escolhi viver. ta discriminação. Nessa de ir e voltar, nhos de São Paulo para Minas e Rio;
fiquei me perguntando o que fazia as o aquífero Cumbica, sobre o qual
RG - Qual sua formação? pessoas se fixarem lá, naquela seca, desenvolveu-se o parque industrial;
ESO - Vim para cá e fui estudar no sem nenhuma condição de vida. In- Guarulhos teve ouro. O pico mais
Mobral, depois na EE Enio Chiesa, ventei de entrevistar pessoas, gra- alto da região metropolitana, o de
no Conselheiro; fiz supletivo e me var, acabei montando um museu lá Itaberaba, com 1422 metros, as vár-
formei em história na Faficil, atual com todo tipo de coisas antigas. Aí zeas dos rios Tietê, Cabuçu, Baquiri-
Faculdades Guarulhos. descobri que queria fazer história. vu. É uma das poucas áreas em tor-

12
no de São Paulo em que ainda existe seu entorno. De frente para ela havia ro Lobato e ali, na parte mais baixa,
uma casa como a da Candinha, no a de Nsa. Sra. dos Homens Pretos, passaram a ser sepultados os negros
Bananal. A Festa de Bonsucesso é que também era igreja-cemitério. da Associação do Rosário. Em 1965,
uma das mais antigas do País, tal- Na da Conceição, uma santa branca, quando essa parte do cemitério foi
vez só perca para a das Virgens, na que não expressa na face nenhum desativada, houve um movimento
Bahia, se ainda houver lá. sofrimento, frequentavam os bran- fortíssimo das famílias tradicionais,
cos, os chamados “homens bons da para manter a parte que ainda per-
RG - Quais descobertas de suas pes- terra”, os que tinham fazendas, uma manece na rua Felício Marcondes,
quisas pode destacar? determinava renda, tinham escravos onde estão sepultados os membros
ESO - O tamanho da área que ser- e eram católicos. A do Rosário, ou dessas famílias.
viu ao ciclo do ouro, anterior em cem dos Pretos, era para os que não po-
anos à de Minas Gerais e que ocupa diam frequentar a Matriz. Foi benta RG - Entende que o guarulhense tem
quase um terço da cidade. Levei três em 1750 e ficava perto do atual Poli interesse pela história da cidade? Se
anos mapeando todos os veios do Shopping, não exatamente onde foi não, por qual razão?
ouro, indo reconhecer os lugares, por- colocado um marco no calçadão. Se ESO - Infelizmente não tem. Creio
que tudo tem a ver com a colonização, não tivesse a igreja dos pretos, po- que porque as pessoas vinham para
com a história. Há o estudo da forma- deria haver na igreja dos brancos cá com a ideia de voltar, não desen-
ção do pensamento religioso católico: um altar de São Benedito ou de Nsa. volveram um relação afetiva porque
temos a figura da Nsa. Sra. da Con- Sra. do Rosário. A partir de 1828, foi se entendiam em um rito de passa-
ceição, a santa poderosa que condu- proibido o sepultamento dentro de gem. Defendo que, nas escolas, as
ziu o exército português, e seu culto igrejas. Então foi criado o Cemité- crianças de cinco a dez anos estudem
é estendido por todo o Brasil. E tem rio São João Batista, que se estendia o patrimônio local e também o visi-
todas as capelas do Bom Jesus, como até onde é hoje a Biblioteca Montei- tem, para que no futuro as pessoas
a do Macedo; Bom Jesus da notem mais esse rico pa-
Cabeça, do Cabuçu; Bom Je- trimônio cultural. Sem
sus da Capelinha. As capelas essa identidade, o que se
da Santa Cruz, como a do vê é pichação, degrada-
Taboão. Desde aquela épo- ção, porque não se tem
ca, Guarulhos era área de uma relação afetiva.
interesse econômico, teve
muitos escravos. Outra coi- RG - Em sua opinião, quais
sa é a diversidade de povos os aspectos positivos e ne-
que forma sua identidade: gativos de Guarulhos?
o Censo de 1980 apontou ESO - Positivos: o patri-
73% de imigrantes, vindos mônio natural que é a
de várias nações e outros serra da Cantareira, de
estados. extrema importância para
Guarulhos e para a Região
RG - Fale um pouco sobre a Metropolitana, pela beleza
Igreja de Nsa. Sra. dos Ho- natural, pelas quase 600
mens Pretos. espécies da nossa fauna;
ESO - A Igreja de Nsa. pela riqueza da água - o
Sra. da Conceição era uma sistema Cantareira forne-
igreja-cemitério. Ainda há ce 65% da água que con-
pessoas sepultadas lá e no sumimos; pelo controle

13
entrevista
do calor; formações rochosas de 1,6 cias se fosse prefeito de Guaru-
bilhão de anos. Quanto ao que foi lhos por uma semana?
construído pelas pessoas, o núcleo do ESO - Eu desapropriaria toda
centro de Guarulhos, com o triângulo a Serra da Cantareira, man-
das ruas D. Pedro, João Gonçalves e tendo as pessoas residindo
Capitão Gabriel e seu significado his- lá. Planejaria o uso ecológico-
tórico. A D. Pedro teve nome de rua -econômico. Quem produz
Direita. Por que? Quando se criava mel de abelha, por exemplo,
uma paróquia, o nome da rua de fren- não precisaria sair de lá. Fa-
te era Direita. Quando o profeta Ana- ria um sistema de vigilância
nias converte Paulo, é num local com permanente via satélite. Não
o nome de Via Recta. Há uma ligação desapropriar e abandonar,
da história da cidade com a universal. porque não funciona. O Par-
Acho que falta criar hábito de se visi- que Estadual da Cantareira
tar e conhecer esses locais, entender é exemplo: as crianças e os
sua importância. Outros aspectos po- cesso de urbanização, de expansão, vai pais vão lá e ficam maravilhados com
sitivos de Guarulhos: o aeroporto e o dizimando os recursos naturais. aquilo. Se Guarulhos fizesse um pro-
parque industrial. jeto sustentável da Cantareira, seria
RG - Quantos livros já lançou e como cartão-postal do mundo. Outra coi-
RG - E os negativos? conseguiu editá-los? sa: criar o museu da cidade, coerente
ESO - Não ter ligação férrea com São ESO - Começou por acaso; a editora com o tamanho da nossa história, no
Paulo e ter uma malha rodoviária Noovha América conheceu o site “Gua- porte do Arquivo Histórico do Esta-
que não atende a demanda. A falta rulhos tem história”, que eu lancei. A do. É mais econômico, porque pode-
de moradias dignas para parte signi- empresa Rio Negro fez um contrato -se reunir tudo em só lugar. E seria
ficativa da população é outro. com eles para produzir um livro e a imprescindível investir em transpor-
editora notou que o que havia no site te sobre trilhos, porque não é mais
RG - Guarulhos foi até a primeira era o conteúdo que buscava. O livro possível dispender tanto tempo no ir
metade do século XX uma estação tem 14 autores, porque, embora eu o e vir; e só tende a agravar.
climática. Além da chegada de em- tenha organizado, acho importante
presas à Dutra e do aumento popula- fazer jus a quem contribuiu com as RG - Aconselharia um jovem que está
cional, quais fatos influenciaram na pesquisas. A razão de nosso trabalho decidindo qual carreira seguir a cur-
perda desse status? ser bem aceito é que se percebeu a coe- sar história?
ESO - Se olharmos o mapa de nascen- rência de cruzar os elementos naturais ESO - Quem trabalha com histó-
tes de água que tínhamos, veremos com os fatos históricos, não forçar a ria, cultura e meio ambiente sofre
que perdemos grande parte delas; a interpretação, mas apenas fornecer os três vezes. Você vê algo interessan-
mata Atlântica, que se estendia até elementos para que o eleitor busque te como patrimônio cultural e uma
São Paulo; o caminho mais antigo de entender. De certa forma, trabalho escavadeira vai lá e derruba, sem
Guarulhos era estrada velha da Con- por encomenda: a editora tem uma de- atentar para a importância daquilo.
ceição, caminho dos Bandeirantes, por manda, eu pesquiso e escrevo. Para a Então, é preciso gostar do que faz.
onde é a vila Sabrina hoje. A várzea Secretaria de Educação de Guarulhos, Mas, recomendo sim: é preciso for-
do rio Tietê leva seis meses para secar produzimos algumas obras, por inter- mar pessoas que gostem de pesqui-
quando enchia. A serra da Cantareira médio da Noovha. sa. Todos têm de sobreviver, ganhar
se chamava Jaguamimbaba, que quer dinheiro, mas é fundamental fazer
dizer onça parda. É natural que o pro- RG - Quais suas primeiras providên- algo que dê prazer.

14
capa ARQUIVO HISTÓRICO DE GUARULHOS

Por Amauri Eugênio Jr.

A cidade
é sua!

Guarulhos, na década de 1950

O melhor do jornalismo é, ao lado falar com propriedade sobre como era mas que se tornou ponto estratégi-
de informar, trazer à tona histórias cada local, o que acontecia por lá, quais co em Guarulhos; o lugar que surgiu
relevantes e ricas em conteúdo e de- dificuldades foram enfrentadas e, em como extensão do Centro, mas criou
talhes. Afinal, de que adiantariam especial, o que fez daquela região parte identidade própria com o passar do
dados, números, gráficos e letras frias fundamental de sua vida. tempo; o elo entre a cidade e a ca-
se não fossem as pessoas? O jornalis- Nas próximas páginas, diversos pital paulista, que um dia chegou a
ta norte-americano Gay Talese, uma bairros de regiões com realidades ver o rio Tietê receber banhistas; e
das lendas vivas do new journalism, para lá de diversificadas serão retra- a região que reúne tradição religio-
cujo estilo de texto misturava o me- tados e desbravados por alguém que sa e mudanças a perder de vista. Em
lhor do jornalismo com o melhor da viu o lugar crescer tal qual vê um comum, todos os bairros retratados
literatura, certa vez disse que presta- filho deixar de correr pelo quintal passaram pela mesma coisa: a ação
va atenção em pessoas comuns, pois para ganhar o mundo. Por exemplo, do tão falado progresso.
ele também era comum, além de que você sabia que um dos bairros de Todas essas histórias foram ouvi-
a pessoa mais comum (!) também era Guarulhos chegou a ter nome e ruas das e retratadas para abrir as portas
interessante e merecia virar notícia. com temática espírita? Ou que esse da percepção da cidade para o leitor
Por esse motivo, a edição de de- mesmo bairro teve o nome mudado da RG. Quem sabe seja esta edição
zembro da RG traz a história da cidade por causa de uma imobiliária? Ah, guardada para mostrar às futuras
contada pela ótica de quem vive nela, a entre tantas outras histórias, estão gerações!
construiu e a faz pulsar com mais força a do bairro que vê a cidade (literal- Esperamos, acima de tudo, que
dia após dia. Já que a história é feita por mente) decolar para demais regiões você, leitor, assimile e delicie-se com
pessoas, nada mais justo que elas pu- do Brasil e para pontos diversos do cada história com o mesmo entusias-
dessem contá-la. Afinal, só quem viveu mundo; a do lugar que transita en- mo com o qual os repórteres da RG
e sentiu na pele as mudanças que acon- tre a calmaria e a correria; o bairro ouviram aqueles que fizeram e fazem
teceram com o passar do tempo pode tido um dia como afastado de tudo, a história da cidade. Aproveite.

18
capa
Por Amauri Eugênio Jr.

Construção dos condomínios


do Cecap, nos anos 70.

Parque
Cecap
Progress
o conqu
com mu istado
ita luta Luiz Gouveia

FOTOS: MÁRCIO MONTEIRO E ARQUIVO HISTÓRICO DE GUARULHOS

Q uem vê de passagem o
Parque Cecap, enquanto
trafega pelas rodovias
Presidente Dutra ou Hélio Smi-
dt, não faz ideia da dimensão do
como os moradores conseguem ir
e vir ali dentro sem confundir-se
ou perder-se. Afinal, são 4.680
apartamentos.
Sim, o Cecap parece ser um
tal de sua vida há 41 anos. O re-
pórter e o fotógrafo foram parar
em outro bloco dentro do condo-
mínio onde Luiz mora, enquanto
tentavam localizá-lo. Mas isso não
bairro que reúne dez condomínios grande labirinto para os novatos é inédito: “No início, os moradores
construídos pela atual CDHU, an- ou “estrangeiros” que chegam lá. erravam de apartamento e entra-
tiga Caixa Estadual de Casas para o Essa foi a sensação da reportagem vam nos de outras pessoas, porque
Povo - Cecap – a sigla que dá nome da RG quando foi entrevistar o todas as unidades eram iguais”, ex-
ao bairro. Mas quem já passou por professor de matemática Luiz Go- plica Luiz, ao dizer que os condo-
dentro do conjunto pôde ter ideia mes Gouveia, 62, que faz daquele mínios ainda não tinham as grades
do tamanho dali e se pergunta bairro o seu lar e parte fundamen- que os cercam. Houve muita polê-
20
Em sentido horário: crianças brincando em lago próximo ao Cecap (ao fundo); o
Terminal Metropolitano da EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos);
vista panorâmica do Cecap nos dias atuais; e vista aérea do bairro, nos anos 70.

mica para colocar as grades, mas de fala calma, que conta com or-
hoje não dá para imaginá-los sem gulho as lutas da comunidade local
Chegada e primeiras
essas proteções. para conquistar melhorias. histórias
Em cerca de uma hora de con- Sempre ativo, Luiz Gouveia foi Logo quando chegou com o ir-
versa, muita água passou por baixo presidente executivo do Conselho mão ao Cecap para morar no Con-
da ponte, que antigamente era de Comunitário, entidade criada para in- domínio São Paulo, o primeiro a
madeira e liga o Cecap à região de tegrar os condomínios e fazer reivin- ter sido construído em 1972, seo
Cumbica – “cheguei a pescar ali”, dicações aos poderes públicos. Ele fez Luiz estudava e trabalhava na capi-
ele comentou durante a entrevista. parte do Grupo Espírita Bezerra de tal paulista, e o choque de realidade
E ele também contou muitas histó- Menezes e da USE - União das Socie- foi dos grandes. “Não havia nada de
rias, que entrelaçam a história do dades Espíritas de Guarulhos e agora infraestrutura. Por exemplo, a pada-
bairro e a trajetória desse senhor integra o Instituto Pró-Cultura. ria era ambulante, dentro daqueles
21
capa
furgões em que eram trazidos pães o Condomínio Rio Grande do Sul, me Militar, no fim dos anos 1970:
e leite. Para tomar o ônibus, era ne- construído pouco tempo depois. “Fizemos uma passeata para reivin-
cessário andar até a Toddy, na Dutra, “Para conseguir tudo aqui foi na base dicarmos uma escola e uma creche.
o que era perigoso à noite por causa da luta: linhas de ônibus, creche, Fomos chamados ao batalhão do
de assaltos”, relembra, ao citar a par- escola, centro comercial e posto de Exército e até hoje não voltei lá para
ticipação popular, quando ele havia saúde”, explica Luiz, que viveu um saber se o meu nome está fichado ou
se mudado com a esposa, Ana, para episódio curioso em meio ao Regi- não”, narra aos risos.

Moradores da região aproveitam para banhar-se em lago próximo


ao Cecap; e trailers, que foram a primeira forma de comércio na região,
O tal do progresso resistem às mudanças que aconteceram com o passar do tempo.

Se antes os moradores do Cecap


precisavam ir ao Centro ou à capital
para fazer compras, ir ao médico ou
levar os filhos à escola, hoje a his-
tória é outra: há centro comercial
no bairro; o Hospital Geral de Gua-
rulhos foi aberto por lá em 2000; a
Rodoviária de Guarulhos, apesar de
ser pouco utilizada, está instalada
ao lado do Cecap; daqui a alguns
anos o bairro será sede de uma es-
tação de trem (estação Guarulhos-
-Cecap, da Linha 13-Jade da CPTM)
e espera, ainda que em um futuro
distante, ter uma estação do Metrô.
É inegável que há muito mais
comodidade hoje do que há pouco
mais de 30 anos, mas algo causa
estranheza a Luiz: as consequên-
cias das facilidades da vida atual.
“Antes havia união por causa da
necessidade de melhorias e porque
À esquerda, autoridades acompanham a construção de um dos
tínhamos causas pelas quais lutar.
condomínios, nos anos 70. À direita, um dos prédios nos dias atuais.
Hoje, como tudo está encaminhado
e pronto, a sociedade passou a ser
mais fria”, lamenta, ao dizer que as
pessoas estão mais individualistas.
Mudanças e evoluções à parte, o
fato é que o ex-analista de sistemas,
que após aposentar-se passou a le-
cionar na Escola Francisco Antunes
Filho - ou “Chicão” para o povo do
Cecap -, gosta mesmo do bairro. Ele
cogitou em alguns instantes morar
no interior, mas ao pensar nisso
a sério, uma espécie de vazio sur-
ge em seu peito. “Gosto daqui por
causa das amizades que fiz, pois
um cuida do outro. As únicas coisas
que pesam são os três andares que
tenho de subir para chegar ao meu
apartamento”, finaliza. 

22
Por Amauri Eugênio Jr.
capa

Avenida Guarulhos, em 1960. Atual sede do Ciet (Centro Integrado de Emprego,


Trabalho e Renda), na rua Antônio Iervolino, 225

Vila Aug
Um oási usta
s, apesa
emaranh r do
ado de p
rédios
Rua Vitalina Leite Balduíno, em 1990.

FOTOS: RAFAEL ALMEIDA E ARQUIVO HISTÓRICO DE GUARULHOS

S
e há uma sensação que a vila lidades, o clima do momento e a
Augusta causa em quem anda última notícia que passou no tele-
por suas ruas arborizadas é a jornal do começo da tarde.
de que é um bairro calmo. Não dá Foi nesse clima de calma que
para dizer que é como se distanciar Cecília Manfrinatti, 66, recebeu a
da loucura tão peculiar às metró- equipe da RG em uma tarde típi-
poles, até porque a verticalização ca de Primavera: agradável e com
e o consequente aumento do fluxo calor na medida certa. Tanto que,
de carros são efeitos colaterais do durante a visita à sua casa, ela se
que se costuma chamar de progres- prontificou a fazer suco para os
so. Logo, ver a molecada na rua visitantes – “faço em um instan-
correndo atrás de uma bola de ca- te” –, avisava, enquanto mostrava
potão, brincando de taco e outras a água caindo da torneira, não tão
tantas atividades infantis é cada abundante como tempos atrás, e se
vez mais raro, mas com alguma queixava das construções cada vez Cecília Manfrinatti
sorte ainda é possível presenciar mais frequentes de condomínios
vizinhos batendo papo na calça- no bairro: “Isso entristece um pou-
da e trocando impressões sobre co, pois parte da essência daqui foi
assuntos que variam entre bana- perdida”, argumenta.

24
Adaptação
e identificação
Desde 1974 em Guarulhos, Cecília
levou um choque de realidade logo ao
chegar à cidade, por uma série de fa-
tores, a começar pela escassez de ôni- À esquerda, a recente onda de verticalização da
bus, o que a fazia atravessar a rodovia vila Augusta. As outras imagens são da rua Cônego
Presidente Dutra quando vinha visi- Valadão, uma das principais vias do bairro.
tar o então noivo, Henrique, quando
ela ainda morava na capital paulista.
Mas o lado humano também reservou
surpresas para ela: “diferente de como
era em São Paulo, a hospitalidade era
maior e sempre havia quem ajudasse
quando era necessário. Isso causava
sensação de segurança”, conta.
Foi nessa época que ela passou por
uma experiência que marcaria positi-
vamente a sua vida e a de sua família.
Ao visitar a casa que poderia ser o seu
futuro lar, no final da rua Francisco
Bondança, ela ficou preocupada com
um campo aparentemente abando-
nado em frente ao imóvel e levou o
marido para conhecê-lo horas depois,
na esperança de convencê-lo a desis-
tir do negócio. Mas a vida é uma cai-
xinha de surpresas. “Pensei em não ir
para lá, mas ele se encantou pela casa.
Os meus três filhos tiveram alguns
dos melhores anos de suas vidas, ao
lado das crianças dali, e eles aprende-
ram naquela rua o valor da amizade”,
narra, com misto de nostalgia, alegria
e dever cumprido. E assim foi até a fa-
mília mudar-se para outra casa, pró-
xima ao Parque Júlio Fracalanza. 

25
capa

Avenida Guarulhos, em 1975.

Clássico e contemporâneo
De alguns anos para cá, a família de calma por ali, tal qual um oásis
teve de acostumar-se a uma nova re- em meio ao deserto. O lado tradi-
alidade: a vila Augusta, que sempre cional pode ser destacado pelos fa-
foi um bairro tradicionalmente tran- mosos mercadinhos de vilas, onde
quilo, ganhou ares um pouco mais há de tudo o que se possa imaginar
frenéticos. A mudança de ares acon- e que são as opções mais procuradas
teceu, em especial, após construto- em situações de emergência domés-
ras voltarem a atenção para lá, o que tica; e a tranquilidade ainda resiste
motivou o surgimento de número no Parque Júlio Fracalanza, que vi-
significativo de condomínios, o que rou o novo point da garotada após
não poupou sequer terrenos aban- eles perderem espaço para os car-
donados e antigos prédios, como o ros nas ruas. E a tradição e a calma
do Hospital Menino Jesus. Claro, o são alguns dos motivos que fazem
trânsito passou a ser mais complica- a simpática senhora a continuar no
do. Para quem sempre esteve acos- bairro. “Às vezes sinto vontade de ir
tumada à calma e à paz tão comuns embora, mas não consigo me des-
ao bairro, como no caso de Cecília, a prender daqui, assim como os meus
mudança de perfil da região impac- filhos”, ressalta.
ta, não dá para negar. Ainda mais Ao final da reportagem, os ex-
quando interfere em atividades bá- tremos entre a tradicional e o novo
sicas no dia a dia. “Há fila para tudo. puderam ser vistos lado a lado: uma
Para ir ao mercado, por exemplo, te- motorista encostou o seu carro na
nho de chegar lá antes das 8 horas rua para comprar pães de um ho-
para conseguir uma vaga no estacio- mem que os vendia em uma moto.
namento”, queixa-se. “Isso é a vila Augusta, meu filho”,
Ainda assim, ainda há um pouco finaliza Cecília. 

26
capa
Por Amauri Eugênio Jr.

Vista aérea da Ponte Grande, nos anos 50.

Ponte G
rande
Dos cam
avenidas pinhos às
movimen
tadas Maria Teresa

FOTOS: RAFAEL ALMEIDA E ARQUIVO HISTÓRICO DE GUARULHOS

P
or algum tempo, a Ponte bus para ir ao Centro é o mesmo que Mas era ali, quando ainda dominado
Grande foi a única ligação de você leva para tomar outro para ir pelo descampado e pelo verde das fa-
Guarulhos com São Paulo, por ao Brás”, relata a aposentada Maria zendas existentes, que as crianças –
meio de uma ponte de madeira, que Teresa Liberato Fonseca, 55, que inclusive Maria Teresa – brincavam.
serviu como inspiração para o nome vive há mais de 50 anos no bairro. “Aqui havia jogos marcados aos do-
do bairro. Antes, os moradores pas- Não por acaso, a Ponte Grande tem mingos e, como morávamos perto,
savam por ali para, na maioria das como vizinhas a rodovia Presidente íamos assisti-los. Era um lugar mui-
vezes, divertir-se no rio Tietê. Hoje, Dutra e a Marginal Tietê, além de fi- to bom, pois brincávamos na rua o
moradores e não habitantes do bair- car próximo à via Fernão Dias. dia inteiro e havia muito espaço para
ro passam pela avenida Guarulhos, Quem hoje passa por ali depara empinar pipa e andar no mato, que
que corta a região, para atravessar a -se com casas por todos os lados; era baixo”, falava com saudosismo,
atual ponte do Imigrante Nordestino empresas e galpões antigos, como o enquanto traçava um paralelo com
e ir à Penha, bairro da Zona Leste da da Philips, transformado em campus os dias atuais: “não era como hoje,
capital paulista. “É mais fácil chegar a da UnG (Universidade Guarulhos) quando não dá para brincar na rua.
São Paulo. Se você quer ir ao Mercado e no Auto Shopping Guarulhos; e o Minha filha não sabe andar de bi-
Municipal, há um de boa qualidade. trânsito caótico na avenida Guaru- cicleta, pois não dá para ensinar
Há também o centro comercial da lhos e em ruas próximas à via, em aqui. Para ter uma ideia, a uma
Penha, que é mais acessível para especial no horário de pico. Nem dá hora dessas, eu estaria brincando
nós do que o Centro de Guarulhos. para imaginar que aquele local um no meio da chuva”, narrava, en-
O tempo em que você toma um ôni- dia foi abrigo de fazendas e olarias. quanto a chuva caía lá fora. 

28
capa

Perto e distante
Antes, os moradores da região da
Ponte Grande pagavam meia passa-
gem no ônibus quando o usavam para
andar até antes da ponte, enquanto
pagavam a inteira para ir após a pon-
te. Hoje, há diversas linhas de ônibus
para a Zona Leste da capital paulista,
em especial para as estações Penha e
Carrão do metrô, mas linhas que circu-
lam só dentro de Guarulhos quase não
passam lá. Antes, passava um carro de
cada vez na antiga ponte de madeira.
É comum ver a avenida Guarulhos,
antiga estrada Nossa Senhora da Con-
ceição, travada nos horários de pico,
o que causa uma espécie de efeito-
-borboleta no dia a dia de quem mora
por perto. “Apesar de haver acesso, os
motoristas vêm para cá quando há um
problema na Dutra ou na Marginal.
Nunca imaginei que teria trânsito na
porta de casa”, contava, enquanto a
conversa mudava de rumo – ou me-
lhor: de estação, por causa da estação
Ponte Grande, da Linha 2-Verde do
metrô, prevista para ser entregue em
2017. “Com a chegada do metrô, a re-
gião provavelmente ficará valorizada,
mas aqui ficará mais movimentado.”
Mesmo com mudanças tão grandes
no perfil do bairro, cujo boom foi entre
a segunda metade dos anos 1960 e co-
meço dos anos 1970, uma coisa conti-
nua a mesma: as pessoas ainda conver-
sam umas com as outras. Ou, pelo me-
nos, ainda se lembram. “Somos muito
conhecidos aqui na Ponte Grande.
Certo dia, minha filha comentou que
encontrou uma pessoa que disse que
me conhecia e parou para perguntar se
Acima, a avenida Guarulhos, nos anos 80 e nos dias atuais, e a avenida ela era minha filha. Após descrevê-lo,
Professor José Munhoz, no Jardim Munhoz, em 2013. eu disse que sabia quem era”. 

30
capa
Por Amauri Eugênio Jr.

Estádio do A.A.
Flamengo, nos anos
de 1990

Tranqui
li dade
História q
ue se co
com a d nfunde
a A. A. F
lamengo
FOTOS: ARQUIVO HISTÓRICO DE GUARULHOS, MÁRCIO MONTEIRO E RAFAEL ALMEIDA Wilson Alves David

O
Hospital Padre Bento está dências e era cheio de campinhos ajudaram-na a crescer; e o Flamen-
em uma espécie de limite de futebol. Por isso, ela fez um ra- go, por sua vez, ajudou a formar
geográfico entre o Gopoú- balho com a garotada do bairro e a identidade do bairro. “Dali, eu
va e o Jardim Tranquilidade, masa criou o Flamenguinho do Jardim guardo com carinho a Associação
referência deste é, sem dúvida, o Tranquilidade”, narra o advogado Atlética Flamengo. A torcida era
Estádio Antônio Soares de Olivei- Wilson Alves David, 67, que era fanática e acompanhava o a equipe
ra, onde a Associação Atlética Fla- um desses garotos e foi presiden- m qualquer lugar”, conta Wilson,
mengo manda as partidas da Série te da equipe entre 1966 e 1974, que chegou ao bairro em 1951,
A3 do Campeonato Paulista. Quem ao suceder a própria Guiomar, que vindo do Tatuapé, com o pai, que
vê o bairro movimentado em dia esteve à frente da associação entre trabalhava em um porto de areia à
de jogo da equipe nem imagina que 1954 e 1956. Como se pode ima- época existente na cidade. E foi na-
o seu início foi despretensioso. “A ginar, ela torcia pelo Flamengo do quele bairro onde ele formou a sua
dona Guiomar Pereira Xavier, que Rio de Janeiro. identidade. “Fiz parte da primeira
foi a primeira presidente da equi- Daí veio a inspiração do nome turma de formandos do primário
pe, era carioca e veio a Guarulhos da equipe, cuja história confunde- [atual ensino fundamental] da EE
porque o marido veio para cá a tra- -se com a do bairro: os moradores João Álvares de Siqueira Bueno,
balho. O bairro tinha poucas resi- que passaram a jogar pela equipe em 1957”, relembra. 

32
Foto atual da rua Bezerra
de Menezes

Espírito presente
Pouca gente sabe que, antes de ser
conhecido como Jardim Tranquilida-
de, o bairro teve outro nome. E, da
mesma forma, quais são as origens
dos nomes das ruas Jacob, Leon Di-
niz ou Bezerra de Menezes.
A região era conhecida como
vila Allan Kardec, pseudônimo de
Hippolyte Léon Denizard Rivail
(1804-1869), um dos fundadores da
doutrina espírita. Logo, os nomes
das ruas foram atribuídos para ho-
menagear pessoas importantes liga-
Vista aérea do Jardim das ao espiritismo. Segundo o livro
Tranquilidade, nos anos 50. “Jardim Tranquilidade – Um bairro e
suas lembranças”, de Maria Thereza
Avelino Testone, Jacob era o pseu-
dônimo de Frederico Figner, diretor
da Federação Espírita Brasileira em
1920; a Leon Denis atribui-se ser
um dos principais continuadores da
obra de Allan Kardec, considerado o
filósofo do espiritismo; e Bezerra de
Menezes foi médico e presidente da
FEB (Federação Espírita Brasileira),
de 1895 a 1899. O local passou a ser
conhecido pelo nome atual após os
lotes terem sido vendidos pela Tran-
quilidade Companhia Imobiliária.
Algumas vias receberam outros no-
mes, mas as ruas citadas são conhe-
cidas até hoje pelos mesmos nomes.
Outro ponto a ser destacado
Estádio Antônio Soares de Oliveira na região é a série de condomínios
construídos pela CDHU (Companhia
de Desenvolvimento Habitacional e
Urbano) no terreno que fazia parte
Entrega dos apartamentos
do Complexo Padre Bento.
da CDHU, em 1993
Curiosidades à parte, o fato é que
a memória afetiva fala alto entre os
moradores do Jardim Tranquilidade,
como em reuniões para relembrar
os velhos tempos. “Quem mora ali
é quem realmente gosta dali. Hoje
moro na vila Galvão, mas guardo a
Tranquilidade como local de cresci-
mento”, finaliza Wilson Alves David,
que foi secretário de Esportes de
Guarulhos, no período de grandes
conquistas da cidade nesse setor. 

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capa
Por Jéssica Batista

Fotos de arquivo da família


Tavares. No detalhe,
Délio e Maria

Cumbic
Servente a
de pedre
fundou a iro
Comunid
do Santa ade
na
FOTOS: ARQUIVO PESSOAL E RAFAEL ALMEIDA

N
a casa do funcionário públi- um terreno de mil metros quadrados nhamos nada, então sabíamos o que
co aposentado Délio Tavares no bairro. “Quando vim para Cum- aquelas famílias estavam passando.”
Dias, de 76 anos, e da dona bica, só havia cerca de três casas na Hoje, cerca de trinta famílias moram
de casa Zulmira Maria Tavares, de região e, como estava com sete filhos, no local, conhecido como Comunida-
77 anos, todo dia é uma festa. A mú- resolvi bater no gabinete do prefei- de do Santana.
sica “A grande família”, do cantor de to para ver o que ele podia fazer por Depois de dez anos, Délio conse-
samba Dudu Nobre, parece ter sido mim. Quando recebi os documentos guiu construir uma casa maior para a
feita para eles. Com dez filhos, vinte do terreno, me senti realizado.” família, e os próprios filhos, à medi-
netos e 12 bisnetos, a família Ta- Porém, enquanto muitos pensa- da em que foram envelhecendo, tam-
vares vive em Cumbica há mais de riam em montar negócios e empresas bém construíram suas próprias casas
quarenta anos e provocou uma mu- em um espaço de localização privile- no mesmo terreno dos pais. Hoje,
dança significativa no aspecto de giada, Délio construiu uma pequena além do lar do casal, seis dos dez fi-
parte do distrito. casa de dois cômodos com tijolos que lhos construíram moradia e vivem
A família saiu de Joanópolis, no iam ser descartados de outras obras, no mesmo quintal com suas famílias.
interior de São Paulo, e mudou-se e com telhadinho de sapé para ele, a “Quando morávamos na casinha de
para a região metropolitana em 1968. esposa e os filhos. O restante do ter- sapé, sempre chegavam famílias que
Depois de uma rápida passagem por reno foi dividido entre migrantes que, precisavam de uma estadia e a gente
Atibaia, escolheram Guarulhos como assim como os Tavares, mudaram-se acolhia. Mesmo com 12 pessoas na
lar. Délio começou a trabalhar na Pre- para a região em busca de prosperi- casa, cabia mais uma família. Infeliz-
feitura como servente de pedreiro e o dade. “Sempre que alguém chegava mente nestes tempos não é mais pos-
prefeito à época, Fioravante Iervoli- aqui, vinha me perguntar e eu cedia sível confiar tanto em quem passa na
no, cedeu para o funcionário público um pedaço do terreno. Nós não tí- rua”, conta Zulmira. 

36
capa
A casinha de sapé construída à ção de porcos e galinhas e tudo era sa, este é o melhor lugar do mundo.
época não é mais utilizada, mas ain- manual. A vida está bem mais fácil Eu não penso em outra coisa a não
da está de pé. Ela é reflexo do que o hoje”, conta Zulmira. ser Cumbica, pois foi aqui que fui
bairro foi um dia, com fogão a lenha Sobre o amor que têm pelo bairro, acolhido e nosso estilo de vida com-
e lamparinas. “Quando viemos para os dois estão felizes em ter constru- binou muito com o bairro. Nós nos
cá, não havia energia elétrica, tínha- ído uma história no local. Com 56 damos bem com os vizinhos e eu não
mos de cozinhar no fogão a lenha e anos de casamento, Délio e Zulmira me vejo morando em outro lugar”,
pegar água no poço para beber e to- passaram por muitas experiências e conta Délio. Para ele, o local ficaria
mar banho. Ao redor da comunidade hoje se dizem contentes com a vida ainda melhor para viver se tivesse
existiam muitas chácaras com cria- que levam. “Para mim e minha espo- um pronto-socorro próximo.

Erosão de terra no Jardim


Cumbica, nos anos 80.
Na imagem, uma pessoa ajuda
uma criança a cruzar
uma ponte improvisada

ARQUIVO HISTÓRICO DE GUARULHOS


Paixão por aviação
Na sala de jantar, diversas imagens
de aviões e do aeronauta mineiro San-
tos Dumont estampam as paredes.
Aficionado por aviação, Délio conta
que trabalhou na Aeronáutica e sen-
te muita saudade dos tempos em que
consertava aeronaves. A Base Aérea
de Cumbica também fez parte, duran-
te muitos anos, da rotina dos morado-
res de Cumbica e de Délio. Por mais
que não fossem moradores do local,
só havia duas opções de ônibus para o
bairro e um deles passava por dentro
da Base Aérea. “Todos os dias pegáva-
mos um ônibus que saía da praça dos
Estudantes, no Centro, e que ia para
o São João. Quando o ônibus passava
pela Base Aérea, éramos obrigados a
descer e só partíamos depois que éra-
mos revistados”, conta. 

38
capa
Por Jéssica Batista

Construção do Inocoop,
em 1981. À direira, imagens
de José na Banca Dutra.

Jardim
Preside
nte Du tra
Com 85
aposenta anos,
da conta
história n s
o bairro ua
Nair Camilo
FOTOS: ARQUIVO HISTÓRICO DE GUARULHOS E ARQUIVO PESSOAL

S
ão Paulo está repleta de gente muita gente que se instalou em busca ainda não havia ruas asfaltadas, trata-
que veio em busca de oportuni- de trabalho. A família de Nair Camilo mento de esgoto ou comércio diversifi-
dades de emprego. O Estado foi de Almeida mudou anos antes para o cado. “Quando nos mudamos, logo co-
um dos mais evidenciados no proces- Jardim Presidente Dutra, em 1979. mecei a trabalhar como chacareira em
so migratório, precisando acolher to- Nair, na época com 51 anos, mudou um sitiozinho, enquanto o João conse-
das as culturas e tradições de diversas com o marido João Amaro, 52 anos, guiu um emprego de padeiro”, diz.
partes do Brasil, além de pessoas que e os três filhos, José Amaro, 28, Davi Os filhos seguiram em diversas pro-
vinham para oferecer mão de obra Camilo de Almeida, 30, e Adriana de fissões, como auxiliares de pedreiros e
e contribuir para a evolução de seus Cássia, com menos de um ano. montadores de carrocerias, mas foi em
bairros. O Jardim Presidente Dutra Hoje, Nair é viúva e lembra das di- 1982 que a família conseguiu abrir seu
surgiu no fim dos anos 1950, com a ficuldades enfrentadas quando saiu do próprio negócio. A Banca Dutra, na rua
divisão de diversos sítios em lotes Paraná para se aventurar em São Pau- Amélia Rodrigues, 34, foi a primeira do
que, mais tarde, se transformariam lo. “Todos nós trabalhamos na roça bairro e até hoje funciona, agora sob
em residências e comércios da região. quando morávamos em Minas Gerais administração do filho José. “Resolve-
O bairro começou a despontar com e, mais tarde, no Paraná. Mas não con- mos abrir esta banca no bairro, pois
a chegada do Aeroporto Internacio- seguíamos nos sustentar e meu marido na época era preciso ir até o São Luiz
nal, localizado em Cumbica. Surgido e meus filhos resolveram mudar com a [bairro vizinho] para encontrar um jor-
em 1985, o aeroporto tem pistas de esperança de tudo melhorar”, conta. A nal. Esta poderia ser uma oportunida-
pouso e decolagem que se aproximam família encontrou o bairro pouco de- de para respirarmos mais aliviados em
do bairro, o que chamou a atenção de senvolvido e, mesmo nos anos 1980, relação às contas”, conta. 

40
capa

Há 34 anos no bairro, Nair é po- bairro mudou, fico assustada (risos).” quanto pela locomoção”, diz. Entre
pular entre os vizinhos. Muito co- O filho José continua morando histórias curiosas, o jornaleiro lem-
nhecida, a aposentada às vezes sofre no bairro. Assume que procurou ou- bra de quando o aeroporto estava
para lembrar o nome de um ou outro tro lugar para viver, na vila Augus- em seus primeiros anos de funcio-
vizinho que a cumprimenta na rua. ta, mas decidiu retornar ao bairro namento e a vizinhança era surpre-
Após sofrer dois AVCs, desenvolveu depois de sete meses, por ter en- endida. “Sempre quando um pouso
esclerose múltipla e tem dificuldades contrado dificuldade na adaptação. era revertido, fazia um barulhão por
em memorizar detalhes. Mas se re- “Eu gosto muito de morar aqui, pois aqui e assustava todo mundo (risos).
corda muito bem de como era o bair- é um bairro calmo. A única coisa Também teve uma vez, há muito
ro quando chegou. “Aqui tinha muita que, para mim, atrapalha é estar- tempo, em que uma turbina de avião
área verde, árvores e animais silves- mos entre o Aeroporto e a Dutra, caiu na casa de um morador e isso
tres. Só de pensar o quanto que este o que incomoda tanto pelo barulho virou comentário durante meses.”

Infância difícil

Nair conta que perdeu os pais marido e dos filhos e ainda tra-
ainda criança, quando tinha 10 balhava fora, como chacareira
anos. Analfabeta, foi criada pelos ou doméstica, sempre levando
irmãos mais velhos e trabalhava na a filha menor consigo. Ficou vi-
roça em serviços braçais ou como úva em 1994 e perdeu o filho
empregada doméstica em casas de mais velho, Davi, em um aci-
fazendeiros mineiros. Casou com dente na estrada no ano pas-
João Amaro quando completou 19 sado. Mesmo assim, mantém
anos. Com o passar dos anos e de- a alegria. “Tenho meus netos
pois de ter dois filhos homens, deci- que são uns amores e gosto
diu adotar Adriana, mesmo com di- muito da minha vida. Não
ficuldades financeiras e com planos posso reclamar, apesar da
de mudança de Estado. Nair conta idade me trazer dores no-
que, durante os primeiros anos vas todos os dias”, diz Nair,
trabalhando no bairro, precisava como é conhecida, que tem
cuidar da casa, da alimentação do cinco netos e quatro bisnetos.

Nair, aos 67 anos, na casa que dividiu


com filhos, genros, noras e netos por mais
José, em imagem
de trinta anos
dos anos 80.

O bairro
O nome do bairro é em homenagem ao presidente da República Eurico
Gaspar Dutra que, durante sua gestão, foi o responsável pela inauguração
do trecho de 21 quilômetros da Rodovia Dutra e do loteamento do bairro.
Quando a família de Nair se mudou, em 1979, ainda não havia opções de
condução ou comércio no local. Hoje a situação é diferente e muitos mora-
dores de bairros vizinhos vão ao Jardim Presidente Dutra para fazer com-
pras ou contratar prestadores de serviço. José conta que não pode reclamar
da qualidade dos serviços prestados, mas que ainda falta infraestrutura no
bairro. “Não temos uma área de lazer adequada, um local onde as crianças
podem realmente brincar com segurança”, finaliza. 

42
capa
Por Jéssica Batista

Visão do bairro
pela varanda do aposentado

Taboão
O apose
ntado Tio
conta su M
a relação ané
carinho c d
om o ba e
irro
FOTOS: ARQUIVO PESSOAL E RAFAEL ALMEIDA

O
aposentado Manoel Sera- Em 1970, após uma briga entre me mudar definitivamente para cá.
fim dos Santos, de 70 anos, um casal de amigos, sua colega pre- Naquela época, quase não havia ca-
mora há 37 no bairro do cisou se desfazer do terreno que sas, mas havia muitos eucaliptos. Era
Taboão. Ao lado de sua casa, a Pre- havia comprado, alguns anos an- bem bonito”, conta.
feitura de Guarulhos inaugurou o tes, de um loteamento no Taboão Manoel está casado há 38 anos
Restaurante Popular Josué de Cas- anos e o ofereceu para Manoel. com a dona de casa Maria de Lurdes
tro, capaz de servir três mil refei- O cearense, na época, vivia no da Costa dos Santos, de 73 anos, e
ções por dia. O restaurante fica em Tatuapé com a família e viu a ofer- tem três filhos: Sérgio, de 37, Mau-
frente a um centro comercial de for- ta como uma oportunidade de se rício, 35, e Leandro, 33 anos. O
te movimento e muitas empresas estabelecer. Como não podia arcar aposentado é popular no Taboão.
estão instaladas no local. A cons- sozinho com o custo do lote, dividiu Há quase quarenta anos vivendo na
trução do restaurante na região é o terreno com outra amiga que, seis mesma casa, diz que conhece todo
prova da demanda de pessoas que anos mais tarde, em 1976, iria tor- mundo na região, em bairros como
escolheram o bairro que, segundo nar-se sua esposa. Porém, quando Tio Santa Inês e no entorno da praça
dados do Censo de 2010, tem quase Mané, como é conhecido, se mudou Oito de Dezembro, mas que, nos úl-
75 mil habitantes – o quarto mais para o distrito, o cenário era muito timos dois anos, apareceram mui-
populoso de Guarulhos. diferente. “Demorei seis anos para tos rostos novos no bairro. 

44
capa

Fotos de arquivo
da família Serafim no bairro
durante os anos 1980

Crescimento desordenado
Manoel conta que o bairro era que era criança e descobria a vizi-
bem pacato e com vasta vegetação. nhança. “A infância era muito boa
Só viu a situação mudar depois dos por aqui. Fazia o que todo garoto
anos 1990, quando a migração cau- gostava, que era jogar bola na rua de
sou êxodo para periferias como o terra e andar de bicicleta. Quando
Taboão, que, assim como outros, asfaltaram as vias, nos anos 1990,
cresceu desordenadamente. Só de- comecei a andar de skate”, lembra.
pois de o distrito ser completamente Indagado sobre o que mudaria no
habitado, as empresas e o comércio local, Manoel aponta a precária in-
em geral começaram a se instalar na fraestrutura no trânsito e transporte
região. “Mesmo antes de eu sair de da região, que carecem de investi-
São Paulo e nunca ter vindo para cá, mentos. “A rua em que moramos não
já ouvia falar de empresas que saíam suporta a quantidade de caminhões
da capital para montar seus prédios que passam por aqui e arruínam
aqui. Mas isso foi potencializado de- nosso asfalto. Todos os ônibus que
pois dos anos 1990”, diz. vão para a garagem passam pela rua,
O próprio Manoel montou um bar mas, por outro lado, não temos uma
em frente à sua casa em 1992 e o man- linha de ônibus sequer que atenda
teve até 2004. “Foi ali no bar onde fiz quem mora por aqui”, finaliza.
as minhas maiores amizades. Sempre No entanto, ele se sente muito fe-
tem gente boa e gente ruim em lugares liz e afirma que o bairro é seu lugar.
como estes, mas nós precisamos sepa- “Estou satisfeito aqui. Foi aqui que
rar as coisas. Infelizmente, minha es- construí minha casa e criei meus fi-
posa estava bem cansada e eu não que- lhos, que estudaram desde o pré até o
ria tocar o negócio sozinho. Só por isso colegial no Taboão. Cultivei e manti-
decidimos fechar o comércio”, conta. ve muitas amizades, ninguém nunca
Leandro Serafim, filho mais novo mexeu comigo e sempre fui conside-
de Manoel, lembra dos tempos em rado amigo de todos”, finaliza. 

46
capa
Por Jéssica Batista

Bonsuc
Morador
esso
a acredit
no poten ou
econôm cial
ico do b
airro

O bairro de Bonsucesso guar-


da muitas histórias. Famí-
lias de todas as partes do
Brasil que se mudaram para o local
e tantas outras que se formaram a
com 1 ano, e Antônio, com 4 – Rosa
conta que foi difícil adaptar-se, pois
estava em dificuldades financeiras e
precisava arrumar um modo de sus-
tentar a família. “Meu marido era
lhos, na avenida Armando Bei, 526,
Bonsucesso, há 17 anos. A primeira
experiência de Rosa com o empreen-
dedorismo havia sido no bairro Tre-
membé, na Zona Norte de São Paulo,
partir desses novos encontros têm assalariado e o lugar era deserto, mas, com o passar dos anos, a neces-
algo em comum: todas adotaram, tudo era terra plana e quase não ti- sidade de deixar o aluguel e montar
mesmo temporariamente, a área pe- nha vizinhos por perto”, conta. Rosa um negócio próprio a fez arriscar e
riférica como lar e contribuíram para também lembra não havia nenhum montar a primeira loja do gênero na
seu desenvolvimento. A paulista Rosa bairro próximo construído. “Estes região. “No começo era uma incerte-
Riciardi Marcusso, hoje com 69 anos, bairros como Inocoop, Ponte Alta, za, pois no Tremembé havia muitas
acompanhou as transformações do Jardim Presidente Dutra, surgiram linhas de ônibus e comércios ao re-
bairro desde quando se mudou com a bem depois que eu vim pra cá.” dor, era mais fácil aparecer clientela.
família, em 1965. A moradora está há 48 anos no Quando montei a loja, em 1996, ain-
Na época com 21 anos, casada e local e administra o depósito de da não tinha certeza que os negócios
com dois filhos pequenos – Soraia, materiais de construção Rosa & Fi- prosperariam por aqui”, completa.

48
FOTOS: ARQUIVO PESSOAL E RAFAEL ALMEIDA

Na página anterior e ao lado, imagens


da família Marcusso no Bonsusesso.
Acima, a Igreja de Nossa Senhora
de Bonsucesso, em 1929; e Rosa
Riciardi Marcusso.

Atualmente, além da loja de ma- Com dois filhos e cinco netos mo- anos na mesma casa, asfaltaram minha
teriais de construção, Rosa conseguiu rando no bairro, Rosa se sente em rua só no ano passado e já está toda es-
montar seis salas comerciais e um casa no lugar que a acolheu há quase buracada”, desabafa.
salão de festas no bairro, todos em 50 anos. “Eu não troco este bairro Casada há 56 anos, Rosa espera
funcionamento. A clientela de Rosa é por nada neste mundo. Por mais que curtir mais o bairro e a cidade após a
vasta, já que Bonsucesso é o segun- tudo tenha mudado, quando estou aposentadoria, prevista para aconte-
do distrito mais populoso da cidade. aqui ainda me sinto em contato com cer assim que vender a loja. “Sinto-me
De acordo com o Censo realizado em a natureza. Esse clima de mata faz muito feliz em ter contribuído para a
2010, o bairro ocupa uma área com bem para minha saúde e quero me construção do bairro – literalmente –
mais de 20 km² e tem 93.666 habi- manter sempre assim”, diz. nestes últimos 17 anos. Como meus
tantes. “Trouxe meu dinheiro para Mesmo satisfeita com as mudan- filhos não se interessam pelo negócio,
investir no bairro porque levava sem- ças feitas do entorno, a comerciante se pretendo vender para aproveitar a
pre no coração a esperança de que sente triste por ver que ainda há coisas minha vida. Eu me sinto bem em ter
Bonsucesso pudesse prosperar e é para serem feitas e melhoradas. “Ainda arriscado apostar nesta região quan-
graças a ele que já fiz meu pé de meia tem muitas coisas que me irritam aqui. do não havia nada e ver que meu pal-
e posso parar de trabalhar”, conta. Por exemplo, moro há quase cinquenta pite deu muito certo”, finaliza. 

49
capa
SIDNEI BARROS

Nossa Senhora
de Bonsucesso
Na parte central do bairro, a tra-
dicional Igreja de Nossa Senhora de
Bonsucesso está situada em uma
pracinha bem preservada. Todos os
anos ocorrem as mais antigas festi-
vidades religiosas de Guarulhos. As
festas da Carpição e de Bonsucesso
reúnem centenas de moradores e fi-
éis que trabalham para os vários dias
de comemoração. Católica, Rosa e
sua família participam todos os anos
ajudando a montar os preparativos
desde quando se mudaram. “Sou
muito devota e desde que viemos
para cá contribuímos para promo-
ver essas festas com o maior prazer.
Quando não ajudo no caixa, frito sal-
Fiéis durante a festa em Louvor à Nossa Senhora do Bonsucesso. gadinhos e me divirto muito”, conta.

ARQUIVO HISTÓRICO DE GUARULHOS

Mudanças no bairro
Por causa do tamanho e localização, Bonsu-
cesso apresenta um perfil misto, com muitas fá-
bricas e comércio variado, incluindo o Shopping
Bonsucesso, situado no lado direito da via Du-
tra, fazendo com que a produção econômica do
bairro integre parte importante do total fatura-
do em Guarulhos. Em 2010, o PIB (Produto In-
terno Bruto) de Guarulhos estava em torno dos DIVULGAÇÃO

R$ 37 bi. E, com o crescimento desordenado que


surgiu após a industrialização nos anos 1980, o
bairro passou a enfrentar os mesmos problemas
de uma cidade grande. Um dos principais entra-
ves da região é o trevo de Bonsucesso. A presi-
dente Dilma Rousseff esteve em Guarulhos em
Acima, a via
novembro para liberar recursos do Programa de
Dutra nos anos
Aceleração do Crescimento (PAC) para Guaru-
70. Ao lado, a
lhos e Osasco, o que promoverá a reformulação
rodovia e o trevo
da via para destravar o trânsito da região corta-
de Bonsucesso.
da pela rodovia Presidente Dutra. 

50
capa
Por Jéssica Batista

Em sentido horário: vista aérea


do Bairro dos Pimentas, Ponte
Nitroquímica (1993) e Conjunto
Habitacional Marcos Freire, nos
anos 1990.

Pimenta
Comerci
s
mudanç ante fala sobre
as nos ú
20 anos ltimos
no local Heliodoro Peixoto

FOTOS: ARQUIVO PESSOAL, ARQUIVO HISTÓRICO DE GUARULHOS E RAFAEL ALMEIDA

D
o alto do Parque São Miguel do centro de Guarulhos, e esse fato se a 15 km de distância] quando a
é possível contemplar milha- contribuiu para que os moradores Tuany tinha menos de um ano. Nos-
res de casas construídas com passassem alguns anos sem se senti- sa situação econômica era ruim e só
blocos de tijolos vermelhos que se rem cidadãos guarulhenses – fazen- tínhamos essa opção naquele mo-
amontoam em quase 15 km² de ex- do sempre uma ponte até a cidade mento. Então, decidimos comprar o
tensão em telhas cinzas e antenas em vizinha para se divertir ou resolver terreno”, conta Neraci.
busca da melhor recepção de sinal. O problemas pessoais e profissionais. Há 23 anos na região, Heliodoro
distrito mais populoso de Guarulhos Por mais que seja cortado pelas conta que o bairro era bem precário
é dividido entre mais de 40 bairros Rodovias Dutra e Ayrton Sen na, quando se mudaram. “Quase não
como Jardim Aracília, Jardim Angé- demorou muito para que os empre- havia casas por aqui quando com-
lica, Marcos Freire, Parque Jurema, sários reconhecessem o potencial pramos o terreno e asfalto só se via
Parque Estela, entre outros, e, nos econômico do bairro. A família Pei- em poucas ruas de alguns bairros,
últimos 20 anos, tornou-se o bairro xoto - composta pelos pernambuca- como Parque Jurema ou Estela”,
mais populoso de Guarulhos. nos Heliodoro Peixoto da Silva, de lembra. De uns anos para cá, no en-
Uma das áreas periféricas da ci- 59 anos, Neraci Maria de Melo, de tanto, a própria população contri-
dade tem, segundo Censo realizado 46, e os filhos guarulhenses Tuany, buiu para o crescimento da região,
em 2010, mais de 156 mil pessoas. de 24 anos e Taylan, de 17 - vive no que ainda carece de muitos equipa-
O bairro é mais próximo de São Mi- Jardim Angélica II desde 1990. “Saí- mentos do governo para funcionar
guel Paulista, em São Paulo, do que mos do Uirapuru [bairro guarulhen- melhor. O local conta hoje com o 

52
capa

À esquerda, o casal posa com a filha mais velha no fim dos anos 1980
e, à direita, no mercado que construíram por acaso há 14 anos.

Hospital Municipal Pimentas-Bon- região. Pensei mesmo em dar um jeito A única reclamação que Heliodoro
sucesso, dois Centros de Educação em nossa situação e, aos poucos, fui faz em relação ao bairro é o aumento
Unificados (CEUs), o Shopping Bon- montando um estoque”, fala Neraci. do IPTU (Imposto Predial e Territorial
sucesso e uma unidade da Unifesp Neste meio tempo, o casal sofreu Urbano), que chegou a mais de 600%,
(Universidade Federal de São Paulo). mais de dez assaltos, que os assusta- o que ele considera abusivo. Neraci
Tuany estudou letras na universida- ram. Apesar do problema de segurança sente falta de áreas de lazer para as
de, até ser aprovada no processo se- pública, Heliodoro não reclama dos lu- crianças e os idosos, pois o bairro tem
letivo da Fuvest. Hoje, a filha mais cros obtidos no comércio e ressalta que poucas praças e piscinas públicas para
velha mora em São Paulo, mas visita o desenvolvimento econômico do bair- lazer aos fins de semana. São seis, se
os pais sempre que possível. ro foi o aspecto mais positivo de todos considerar toda a região, localizadas
Em 1999, o casal se viu em outro estes anos vivendo e trabalhando na dentro dos CEUs Pimentas, Paraíso-
aperto financeiro. Após Heliodoro ter região. “Acho que agora o comerciante -Alvorada e Parque São Miguel. Mes-
sido mandado embora de uma fábrica acredita mais na região e por isso vem mo com os contratempos, o casal sen-
de metalurgia, Neraci decidiu comprar para cá investir nos negócios. Hoje, te-se feliz em ter apostado sua vida
alimentos e produtos de limpeza para o Pimentas é uma verdadeira cidade! no local. “Eu gosto muito daqui, por
deixar à venda em um galpão que ha- Temos tudo aqui: bancos, hospitais, ser um lugar tranquilo, e também me
viam construído no terreno. Mais tar- shopping center e lojas. Antes precisá- acostumei com a vizinhança. Não me
de, aquele local se tornaria o Mercado vamos atravessar a cidade até o Centro, arrependo do tempo que passei aqui,
Peixoto. “Nem pensei muito na concor- simplesmente para pagar uma conta no pois foi onde criei meus filhos e sou
rência, pois já havia mercadinhos na banco. Hoje está tudo mais acessível.” feliz assim”, finaliza Heliodoro. 

O bairro mais populoso de Guarulhos


recebeu intensa migração nos anos 1990

54
capa
Por Michele Barbosa

Foto da rua Treze


de Maio, em 1980

Vila Gal
vão
Aqui é tu
do bom

Laércio Aparecido, Davi Lima


FOTOS: ARQUIVO HISTÓRICO DE GUARULHOS E ARQUIVO PESSOAL
e Maria de Fátima


Eu amo este bairro e não me mu- Fátima é pernambucana e veio para morar no centro de Guarulhos, depois
daria para nenhum outro local Guarulhos ainda criança. “Gosto mui- para o bairro Cocaia, mas o interesse
do mundo”, diz Maria de Fátima to dessa cidade que abriga tanta gente de residir em vila Galvão foi maior.
Lima da Silva, 60, comerciante, que que vem de fora, assim como eu vim”. “Nós já tínhamos loja no bairro, vi-
reside em vila Galvão há 25 anos. Mãe Ao se casar com o comerciante Laér- mos então uma chance de ficar perto
de Andréia, 38, e Davi, 32, Maria de cio Aparecido da Silva, 64, o casal foi do nosso estabelecimento”, explica.

Nem tudo são flores


Dez anos atrás, a situação do entrada de água na loja, mas não era afirma Laércio. Uma situação difícil
bairro era outra: quando chovia, ala- a solução do problema de moradores que não fez com que o casal desistis-
gava tudo e a enchente tomava conta e comerciantes que se desesperavam se de morar em vila Galvão. “Graças
das ruas e avenidas. “A água chegava quando viam as nuvens acinzenta- a Deus foram feitas intervenções que
a um metro de altura, era desespera- das anunciando temporal. “Cansei de eliminaram alguns pontos de alaga-
dor. A gente via nossas coisas sendo varar a noite cuidando do meu esta- mento em minha região, mas no lago
levadas pela enxurrada”, explica La- belecimento, que às vezes ficava sem de vila Galvão [conhecido como lago
ércio com a voz embargada. Compor- portas e não tinha quem pudesse vir dos Patos], o problema ainda existe”,
tas eram utilizadas para diminuir a me ajudar, devido ao horário tardio”, conta Fátima.

56
Foto atual da rua Treze de Maio

Evolução do comércio
O bairro está em constante evolução, o número de comerciantes cresceu e a loja da família não ficou para trás.
“Começamos em um salão pequeno, mas a demanda de clientes nos ajudou a mudar para um local maior, na mesma
rua.” O estabelecimento ficou por dezoito anos no primeiro salão e está há doze no atual. “Além da nossa loja, outras
vieram pra cá, aqui tem de tudo, bancos, farmácias. Não nos falta nada, antes tínhamos de ir até o centro de Guaru-
lhos”, comenta Maria de Fátima.
Foto da loja da família no primeiro salão em 2001

Infância no bairro

Davi se lembra com saudades da época em que brin-


cava na rua de sua casa. “Eu empinava pipa, jogava
bola... Tempinho gostoso, era tudo muito mais tranqui-
lo”, conta sorrindo. O jovem se casou e foi morar com
sua esposa no Parque Continental IV. Apesar de gos-
tar da nova moradia, confessa que sente falta de alguns
pontos positivos que, segundo ele, têm na vila Galvão e
estão a desejar no Parque Continental. “O lago dos Pa-
tos é um local onde eu gostava de caminhar, andar de
pedalinho; já perto da minha atual casa não tem nada
de lazer. O policiamento da vila é bem melhor. Mudei
de região, mas meu coração guarda lembranças boas de
vila Galvão”, conclui. A escola e os amigos são recorda-
ções preciosas que marcaram a infância de Davi. 

Foto atual da loja da família

58
Foto do lago de vila Galvão,em 1970

Construção do reservatório

Desde 2012 estão sendo realizadas obras referentes à construção de


um reservatório de contenção de cheias no córrego do Jacinto, canali-
zado abaixo do canteiro central da avenida Francisco Conde (conhecida
como Vinte Metros). O reservatório ocupará uma área de sete mil me-
tros quadrados, com capacidade de armazenar 33 mil m³. Outra parte
da obra é a readequação dos sistemas de drenagem e novas galerias nas
avenidas Campista, Gabriel Vasconcelos, Francisco Conde, praça Cícero
Miranda (lago da vila Galvão), rua dos Coqueiros, rua Francisco Gonza-
ga Vasconcelos e rua São Daniel.

Foto atual do lago de vila Galvão

O bom daqui

Maria de Fátima fala sobre as nhadas”. A comerciante fala com


belas e antigas árvores que estão a boca cheia das coisas boas que
na avenida em que mora, mas en- tem na vila Galvão, entretanto
fatiza que precisam ser podadas reclama de sua avenida, Tomé de
para evitar problemas nas casas Souza, que é de paralelepípedos e
ao redor. Outro detalhe que faz está afundando. Já Laércio diz que
a diferença para Fátima é a vizi- o bom do bairro é que tem saída
nhança, pois assim como ela, os para qualquer lugar de São Paulo.
vizinhos moram há muito tempo “Eu chego em dez minutos aos do-
no bairro e a amizade entre todos mingos, quando vou para lá”. Pro-
é de longa data. São muitos pon- blemas existem em qualquer lugar
tos positivos. “Meu lugar preferi- e não poderia ser diferente no caso
do é o lago dos Patos, eu passeio da vila Galvão. Mas, como em toda
com meu netinho e minha filha, história de amor, o lado positivo
Foto atual do lago de vila Galvão
a gente come pipoca e faz cami- sempre fala mais alto. 

60
capa
Por Amauri Eugênio Jr.

Avenida Transguarulhense, nos anos 80

Parque
Contine
nta Entre a c l
alma
e o agito
Rogério Gouveia

FOTOS: ARQUIVO HISTÓRICO DE GUARULHOS, MÁRCIO MONTEIRO E RAFAEL ALMEIDA

E nquanto crianças brincam nas ruas do Parque Continental e nos playgrounds na praça instalada na avenida
Transguarulhense, um dos pontos de referência da região, e a tradicional sensação de tranquilidade toma con-
ta do comércio e das sacadas da região, o trânsito e os condomínios que começam a surgir no bairro passam a
mudar a cara dali. “Antes, quem comprava um terreno no Continental era chamado de louco, pois falavam que aqui
era o fim do mundo. E olha no que esse lugar se transformou”, relata Rogério Gouveia, 45, proprietário da Auto Capas
Tio, há 25 anos no bairro e que viu o quanto a região mudou de lá para cá.

62
Da caderneta à tapeçaria
Quem vê o Parque Continental (I luz], que as socorria e levava para os
ao V) pulsante, bem povoado e com hospitais”.
estilo de vida que começa a mudar de Como Rogério não tinha interesse
pacato para acelerado, não imagina em trabalhar no comércio da família
como a região mudou após ter sido - “era ‘moleque’ e não gostava, pois
loteada pela imobiliária que dá achava que [trabalhar no bar] prendia
nome à série de bairros. E Rogério muito”, Rogério foi trabalhar com o tio
foi testemunha ocular do começo em uma tapeçaria automotiva na Pe-
das mudanças que aconteceram com nha, na Zona Leste de São Paulo, e de-
o passar do tempo. “Havia dez casas cidiu iniciar o seu próprio negócio aos
no bairro, sendo uma delas o bar e 20 anos. “Abri uma tapeçaria na gara-
mercearia do meu pai, que era o único gem da casa do meu pai, mas o serviço
comerciante da região. Ele vendia caiu porque o bairro era pequeno”, re-
fiado aos clientes, que levavam uma lata. O passo seguinte foi procurar por
caderneta para anotar tudo o que era outro local, onde ficou por dois anos,
vendido. Cada um levava para casa e até mudar-se de endereço novamente.
vinha pagar no fim do mês”, relata, “Estou há 23 anos neste endereço [rua
ao destacar uma passagem curiosa Teixeira Mendes] e quero fazer uma
que dá ideia de como era o bairro no festa de bodas de 25 anos da Auto Ca-
começo de tudo. “As grávidas usavam pas Tio em março [de 2014]”, detalha,
o carro do meu pai [para darem à sobre o tempo que trabalha na região.

Parque Transguarulhense

Apostar nas raízes


Houve um tempo em que os serviços prestados em Guarulhos custa-
vam menos do que em comparação com a capital paulista, mas a realidade
passou a ser outra faz algum tempo. Muito disso deve-se à vinda para cá
de gente que morava lá, o que ajudou a valorizar o comércio local. Mesmo
assim, a essência simples do Continental continua a dar as caras. “Tenho
clientes também do Rio de Janeiro e do interior de São Paulo, mas nunca
fiz propaganda. A divulgação foi no ‘boca a boca’”, narra.
A identificação com a região é tamanha, ao ponto de ter investido no comércio
local, por meio de outras frentes - “o meu irmão abriu uma lotérica e eu abri uma
lanchonete [Cenoura’s Lanches Naturais] no Shopping Pátio Guarulhos”, conta.

“O que quero é sossego”


É inegável que o Parque Continental público que vai até lá em busca de pizza-
não é o mesmo se comparado com o lu- rias, lojas, padarias e afins.
gar que foi dividido um dia em inúmeros Por fim, a mudança de perfil da re-
lotes e cinco bairros - “moro no Jardim gião e a vinda de mais pessoas, muito
City [na mesma região], em um terreno por causa da verticalização do bairro,
que comprei do Jorge Tadeu Mudalen causa preocupação. “Guarulhos cres-
[deputado federal], que fica em uma rua ceu, mas as vias e o saneamento básico
sem saída”. E também é inegável que não acompanharam esse crescimento.
a essência tranquila de outros tempos A cidade está mais bonita, com lagos,
também mudou. “O Continental I ain- playgrounds e praças, mas haverá pro-
Velhos hábitos da tem característica residencial, mas o blemas se não forem feitos viadutos”,
ainda são preservados na região II, por exemplo, não é mais tão tranqui- finaliza, ao citar a necessidade de me-
lo”, queixa-se, por causa do aumento do lhorias na infraestrutura do bairro. 

64
capa
Por Tamiris Monteiro

Vista aérea do Gopoúva, com destaque


para a caixa d’água, nos anos 80

Gopoúv
O bairro
a
surgiu
em volta
Complex do
o Padre
Be nto Wallace Pereira

FOTOS: ARQUIVO HISTÓRICO DE GUARULHOS, MÁRCIO MONTEIRO E RAFAEL ALMEIDA

A
história do Gopoúva começa diferente: as pessoas que passaram nem autoestima existia quando esses
no Hospital Padre Bento, que por tratamento, como Wallace, pas- internos saíam, pois o preconceito
era antigo Sanatório, inau- saram a viver no bairro. “Quando era severo demais. Com a falta de es-
gurado em junho de 1931. Foi refe- recebi alta, ia visitar minha família tímulo, 80% dos pacientes que rece-
rência no tratamento da hanseníase no bairro de Santana, em São Paulo, biam alta decidiam ficar por aqui. Eu,
(conhecida na época como lepra). mas preferi ficar por aqui, embora eu como muito outros, compramos ter-
“Eu me internei em 1957 e tive alta nunca tivesse tido nenhum problema renos, pois existia muita área desabi-
em 1963 e aí passei a me radicar no com eles, diferente de muitos inter- tada. Havia um grande loteamento
próprio bairro”, afirma o morador nos que cortavam laços com as famí- de uma imobiliária de São Paulo, que
Wallace Pereira. lias por causa do abandono”, relata. ajudava até com material; eles davam
Com a chegada da sulfa (sulfa- Segundo Wallace, os hansenianos dez mil tijolos para iniciar a obra e os
namida) no Brasil, houve uma re- tinham muita dificuldade de arrumar terrenos custavam muito pouco. Isso
volução no tratamento da doença e emprego quando saíam das colônias porque ninguém queria ser vizinho
milhares de pacientes foram cura- e inserir-se novamente na sociedade de leprosos. Dessa forma teve início
dos. Na região de Gopoúva não foi era quase impossível. “Na verdade, e evolução do bairro”, comenta. 

66
capa
Trem da Cantareira
O Gopoúva também guarda re-
cordações do trenzinho da Canta-
reira, fator importante para o cres-
cimento do município. “A estação
ficava onde hoje é a praça Antônio
Nader, antiga praça Gopoúva. Ele
percorria até a praça Quarto Cente-
nário, na região central, e lá era seu
ponto final. Quando aconteceu a di-
tadura em 1964, um dos projetos co-
locados em prática em São Paulo era
acabar com as vias ferroviárias para
dar espaço para as rodovias. Lembro
que 1968, o trenzinho já não existia
mais. Porém, um pouco antes, eu e
outros moradores fizemos um movi- Acima, o anel viário, em 1979. Abaixo,
mento com a participação de poucas a praça Antônio Nader, também no anel viário, em 1975.
pessoas para que a locomotiva não
fosse extinto. Houve cobertura da
imprensa e tudo, mas não tivemos
êxito”, conta Wallace.
Com a chegada da urbanização,
os trilhos foram substituídos por
importantes avenidas, como a Emí-
lio Ribas e Presidente Humberto de
Alencar Castelo Branco, e a estação
deu lugar à praça de Gopoúva. Hoje
o bairro conta com mais de 32 mil
moradores, tendo um movimenta-
do centro comercial, escolas concei-
tuadas, a paróquia São Francisco de
Assis e histórias guardadas na lem-
brança de cada morador.

Abaixo, o anel viário nos dias atuais

68
Avenida Emílio Ribas,
na altura do anel viário.
Foto da fachada da Associação.

Associação Fraternal Doutor Lauro de Souza Lima


Em abril de 1966, foi criada a a reinserir na sociedade os pacientes “No começo era difícil até mesmo
Associação Fraternal Doutor Lauro que se recuperavam da hanseníase, manter um profissional na Asso-
de Souza Lima, como homenagem levantando fundos. Isso por meio de ciação, por causa do preconceito.
ao médico e diretor do Sanatório. A trabalhos manuais, como sapataria Mas o barbeiro, Florentino, está
princípio, o lugar foi aberto com o e costura de couro, que contava com conosco até hoje, e é um ser ilumi-
nome de Associação Padre Bento e, trabalho dos próprios colaboradores. nado, despido de qualquer precon-
anos depois, foi feita uma homena- Sendo assim, eles iniciaram um tra- ceito e estigma. Também conser-
gem ao médico diretor do hospital, balho colaborativo, que até hoje se vamos a sapataria ortopédica, com
por isso, até hoje leva o nome de mantém. Com a criação da Associa- exclusividade para o atendimento
Lauro de Souza Lima. Wallace des- ção, as pessoas que se recuperavam de ex-hansenianos. Aqui fazemos
de o início participa do Grupo, que de hanseníase tiveram as primeiras próteses e calçados adaptados”,
mais tarde agregou também mem- conquistas: uma farmácia, uma bar- explica. Quando necessário, a As-
bros da extinta AAG - Associação bearia, um gabinete dentário e, por sociação também abriga familiares
Amigos de Gopoúva. último, uma sapataria especializada. de pacientes de lugares distantes
Aberta oficialmente em 25 de se- Apenas a barbearia e a sapata- que por algum motivo precisam de
tembro de 1970, a Associação visava ria continuam em funcionamento. atendimento no Padre Bento.

Paróquia São Francisco de Assis. Avenida Nossa Senhora Mãe dos Homens, nos anos 80.

70
D O B E R Ç Á R I O A O E N S I N O M É D I O.
Onde PRAZER e CONHECIMENTO caminham juntos.

“O conhecimento não vem pronto, é produzido a


cada momento e é algo questionável e dinâmico.”

Unidade de Ensino Fundamental e Ensino Médio


(11) 2453-3535 | Alameda Yayá, 976 | Guarulhos

Unidade de Berçário e Educação Infantil


(11) 2440-9755 | Alameda Yayá, 389 | Guarulhos

www.colegioaugustoruschi.com.br
capa
Por Valdir Carleto

À esquerda da via Dutra, fábrica


da Olivetti; à direita, obra da Philips

Vila End
res
e Itapeg
ica
Os Sara
ceni
e o polo
industria
l Ronaldo B. Saraceni

FOTOS: ARQUIVO HISTÓRICO DE GUARULHOS E ARQUIVO PESSOAL

F
oi em 1919 que Giuseppe Sa- existia, mas era menor. O casal que foi utilizado para fabricar cal-
raceni chegou a Guarulhos teve onze filhos e a família rami- çados e artefatos de couro.Eram
com a família e instalaram- ficou-se, atuando nos mais diver- cartucheiras, cinturões, perneiras
-se no bairro que veio a chamar- sos ramos de atividade na cidade. e talabartes, vendidos à Força Pú-
-se vila Endres, em homenagem Ronaldo Beltran Saraceni é um de blica do Estado de São Paulo. Há
à família que era proprietária de seus muitos netos. Filho de Bel- autores que consideram essa ma-
grandes áreas da região, vizinha tran Saraceni e Maria Vallardi, ele nufatura a precursora da indústria
do bairro do Itapegica, nas pro- nasceu em 1936, em uma casa si- guarulhense.
ximidades do caminho para a Pe- tuada em frente ao casarão, na rua Foi Giuseppe Saraceni quem
nha. Giuseppe encantou-se com José Saraceni - nome abrasileirado vendeu à Olivetti boa parte do ter-
o terreno onde hoje está situado de seu avô. Ronaldo conta que Gi- reno onde viria a ser construída a
o Internacional Shopping e o ad- seppe sentiu que a casa que adqui- lendária fábrica, que, quando de-
quiriu. O imóvel que ficou conhe- ra era pequena para toda a família sativada, deu lugar ao Shopping.
cido posteriormente como casarão e resolveu ampliá-la. Na parte in- O casarão ficava na parte baixa do
Saraceni - demolido em 2010 - já ferior da nova ala, havia um porão atual estacionamento. 

72
Avenida Rotary: ao fundo,
o Colégio Júlio Mesquita

Impossível passar pela região e não sentir o cheiro exalado


pela fábrica da Bauducco, que ocupa vários imóveis

Ruas bucólicas ainda prevalecem

Reminiscências
Além de lembrar-se de ter visto a
fábrica de máquinas de escrever ser
erguida, Ronaldo recorda-se que do
alpendre do casarão era possível avis-
tar a estação de vila Augusta e ver o
trem da Cantareira passando e api-
tando. Sua esposa, Norma Zacharias,
chegou a utizar-se do trem para ir es-
tudar no Colégio Santa Inez, em São
Paulo. Um dos tios de Ronaldo ia logo
cedo, uma ou duas vezes por semana,
ao Mercado Municipal de São Paulo,
comprar um saco de pão para toda a
família e voltava no trem seguinte.
A primeira escola do bairro foi ins-
talada pelo Estado na casa onde Ronal-
do nasceu, cedida por sua avó. Chama-
va-se Escola Mista do Itapegica. 
Hospital Stella Maris

74
capa
Por Tamiris Monteiro

FOTOS: MÁRCIO MONTEIRO E ARQUIVO HISTÓRICO DE GUARULHOS


Bosque Maia,
na década de 1980

Jardim
Maia
Onde a
natureza
requinte e
se encon o
tram
Maria Stangari

Q uem passa pelo Jardm


Maia, às margens da ave-
nida Paulo Faccini - uma
das mais importantes da cidade -,
depara-se com ruas planejadas e
ros bairros da cidade a ser povoado e
também teve papel fundamental no
progresso guarulhense.
Embora venha se transforman-
do gradativamente em área comer-
que, quando cheguei, a cidade não
tinha quase nenhum prédio, ape-
nas uns poucos na região central.
Um bem conhecido era o Nahim
Rachid. A princípio, fui morar na
casas que parecem ter sido tiradas cial, ainda é predominantemente vila Augusta, na passagem Soinco.
de filmes americanos. E não é à toa residencial, tem um charme todo Por lá fiquei um ano e meio, na casa
que o bairro apresente esse cenário; especial e a maioria dos moradores de uma tia, e em seguida trouxe a
afinal, é lá que está uma das maio- só faz elogios ao lugar. É o caso da minha família e fomos morar na rua
res rendas per capita de Guarulhos, psicóloga Maria Stangari, que mora Cerqueira César. Depois meu pai
o que faz com que os imóveis sejam na região há mais de 30 anos. Minei- comprou uma casa na vila Augusta e
comercializados por altíssimos pre- ra de nascimento e guarulhense de nos mudamos novamente. Quando
ços. Outro ponto forte do bairro é o coração, Maria veio para Guarulhos me casei, fui para a rua Sete de Se-
Bosque Maia, bastante frequentado em 1968 com o intuito de estudar. tembro, mas quando já tinha meus
por moradores de diversas regiões. “Tinha 23 anos e cheguei sozinha filhos, eu e meu ex-marido optamos
O Jardim Maia foi um dos primei- para estudar psicologia. Lembro-me por morar no Maia”, narra. 

76
capa

Avenida Paulo Faccini, em 1974 Bosque Maia, em 1940

Assim como muita gente não se


vê morando no bairro por causa do
valor dos imóveis, Maria também
não se via. “No início, quando co-
meçamos a procurar casa, jamais
imaginei conseguir morar no local.
Compramos de uma pessoa conhe-
cida e fizemos notas promissórias.
Mas a ideia não era morar lá por ser
um bairro nobre, mas sim porque
eu queria que meus filhos estudas-
sem n’O Pequeno Príncipe, onde
hoje é o Mater Amabilis. Por isso,
sempre procurávamos casas próxi-
mas dali. Fizemos muitas reformas
até a casa ficar do modo que sonhá-
vamos, mas digo que não foi uma
conquista fácil”, ressalta.
Quando chegou ao bairro, a psi-
cóloga lembra que não existiam co-
mércios próximos e tudo era muito
tranquilo. “Para se ter ideia, nem ba-
rulho tinha. Quando o caminhão da
coleta de lixo passava na rua, meus
filhos iam para fora, pois era a única
coisa diferente que passava por ali.
Por essa tranquilidade, numa deter-
minada idade, meus filhos caminha-
vam até a escola sozinhos, pois era
bem próxima da minha casa e não Corrégo na avenida Paulo Faccini
existia essa efervescência das gran-
des metrópoles”, conta. 

78
paz
amor

mizade
fé beleza

luz vida
esper ança
saúde paz

F e l i z 2 0 a1m o4r
alegria força
união luz
since
saudade r i dade
pac i ê n c i a
mulher
beleza s u m i r ê
fé respeito bondade
hu paciência
equilíbrio

felicidade

natal
amizade
conforto
mil ano novo
s u c e s s o
mulher
s u m i r ê
da alegria união
bondade de saudade
amizade
pac i ê n c i a

felicidade união
sorte
natal f é
vida
força luz
ano novo fe
saudade
conforto
s u m i r ê humildade luz equilíbrio
f é autoestima
lici
dade
mulher beleza saudade união
Est es são o s n o s s o s voto s pa r a o p róx i m o a n o
f e l i z n ata l e u m p r ó s p e r o a n o n o v o
S aú d e b e l e z a e b e m e s ta r , T u d o n u m s ó l u g a r !

11 2440-1404
Rua. Dom Pedro, 61 - Centro - Guarulhos/SP
capa

Fotos atuais das ruas do bairro


O Bosque, que já existia na épo-
ca em que Maria mudou-se, não era
ainda tão frequentado. “O parque
já existia, mas não com a estrutura
que tem hoje.” O lazer das famílias
que moravam na região era desfru-
tado no Clube Recreativo. “Tenho
muitas recordações do clube, sem-
pre íamos em grupos de amigos, as
famílias eram muito unidas. Acredi-
to que, na época, era um dos lugares
mais frequentados e animados da
cidade. Durante o dia, levávamos os
filhos e à noite eram feitos os bailes.
O Carnaval também era bastante
divertido. Outra festa boa era a da
Ilha da Fantasia, que homenageava
a série de tevê que levava o mesmo
nome”, relembra.
Após anos muito bem vividos,
hoje Maria tem uma filha recém-ca-
sada, outra que lhe deu o prazer de
tornar-se avó e um filho que mora
com ela. A paixão por Guarulhos
tornou-se tão grande que, apesar
da origem mineira, a psicóloga en-
raizou-se na cidade e jamais pensou
em ir embora. “Estou feliz com o lu-
gar onde moro e com tudo que tem
por perto. Vou muito para Minas,
amo lá, mas acho que vou morrer
em Guarulhos. Aqui consegui meu
trabalho, me casei e tive meus fi-
lhos. Adoro este lugar”, conclui.  Baile Ilha da Fantasia, no Clube Recreativo

80
82
84
capa
Por Tamiris Monteiro

Centro, em 1959
e foto atual da fonte
da praça Getúlio Vargas

Centro
Onde tu
do come
e onde t çou
udo aco
ntece
Leonildo Zampoli
FOTOS: MÁRCIO MONTEIRO E ARQUIVO HISTÓRICO DE GUARULHOS

Q uem trabalha ou frequenta a


região central de Guarulhos
sabe bem o quanto é um lugar
acalorado. Cheio de gente, na maioria
atraída pelo comércio, o Centro é o co-
até mesmo para moradores de cidades
mais próximas como Arujá e distritos
da zona Leste de São Paulo que têm li-
mites com Guarulhos.
Felício Marcondes, Capitão Ga-
gião. Mas, apesar de tantos elemen-
tos atrativos, quem anda hoje pelas
ruas do bairro nem imagina que o
lugar já foi um cenário vazio, com
pouquíssimo comércio, casas e quase
ração pulsante da cidade. Abarrotada briel, Sete de Setembro, Dom Pedro nenhum prédio.
de prédios comerciais, a região abriga II e algumas outras ruas são bas- Leonildo Zampoli é morador
uma enorme variedade de lojas: de tante populares. Contudo, Dom Pe- antigo do Centro e, nos últimos 50
roupas, calçados, acessórios, móveis, dro II tem como particularidade o anos, tem sido testemunha viva da
eletrodomésticos e outras tantas que calçadão. Também é no Centro que transformação progressiva que se
suprem as necessidades de consumo se localiza o primeiro shopping da instalou na área. E apesar de ser pro-
dos cidadãos. Inclusive, com tantas cidade, o Poli Shopping, patrimônio tagonista deste enredo, a história
opções, o Centro é uma alternativa de uma das famílias pioneiras na re- do simpático e gentil advogado não

86
Foto antiga da fonte da praça Getúlio Vargas

começa exatamente no Centro. “Ori- do casamento, minha mãe optou Na primeira moradia, Leonil-
ginariamente, sou do bairro que era por morar na Ponte Grande e por lá do fala de uma infância saudável e
chamado Bairro dos Alves ou conhe- ficou alguns anos. Meu pai, um ho- cheia de estripulias. Segundo ele,
cido como São Roque, bem ao lado mem extremamente simples, mas o rio Baquirivu era usado para pes-
de onde está o Cecap. Meu pai, filho dedicado e trabalhador, montou um ca e muitas pessoas nadavam lá. As
de imigrantes italianos, radicou-se comércio na avenida Monteiro Lo- poucas famílias que povoavam a área
na cidade ainda muito jovem e mo- bato, onde hoje fica a indústria Le- se conheciam intimamente e indús-
rava na Ponte Grande. E minha mãe, vorin. Na época, a Monteiro Lobato trias como Pfizer e Toddy sequer
portuguesa legítima, veio ainda não era calçada e existia apenas uma existiam. Mesmo vivendo em uma
criança para o Brasil e mais tarde o bifurcação que dava acesso à avenida área um pouco afastada, o primeiro
conheceu. Aqui se casaram, tiveram Octávio Braga de Mesquita. Foi nes- contato que o advogado teve com o
quatro filhos, eu e mais três irmãs, sa região que passei minha infância Centro foi ainda na adolescência, por
sendo que uma já faleceu. No início e boa parte da juventude”, relembra. causa dos estudos. “Na adolescência, 

87
capa

Colégio Capistrano de Abreu, em 1940 Foto atual do colégio

tive a oportunidade de estudar no para o Centro e, então, constituiu a Brasileiro, o primeiro de Guarulhos,
colégio Capistrano de Abreu, dife- sua própria família. “Viemos morar que ficava na rua Dom Pedro. Na se-
rente das minhas irmãs que estuda- na rua Padre Celestino. Quando me quência, trabalhei por um tempo na
ram em escolas rurais. Na escola fiz casei, também preferi ficar por aqui Prefeitura e depois me dediquei ao
muitos amigos da região central e a e morei em um apartamento próxi- direito. Mas sempre atuei efetiva-
minha vivência com essas pessoas mo à praça Getúlio Vargas. Vivi lon- mente no desenvolvimento da cida-
tornou-se muito constante. Minhas gos anos no edifício Nahim Rachid de. Recordo que certa vez queriam
principais lembranças de garoto são e atualmente moro na rua Antonio colocar os departamentos públicos
do local onde hoje fica a praça Getú- Francisco de Miranda. Ao longo no prédio da biblioteca da rua João
lio Vargas. No tempo de escola, não desses anos, pude testemunhar to- Gonçalves. Eu e mais alguns cole-
existia construção no local, apenas das as transformações que aconte- gas fizemos um movimento e fomos
um campo de futebol”, conta. ceram. Comecei a trabalhar muito reivindicar com faixas e bandeiras
Meio lá, meio cá, aos 21 anos Le- cedo, não por necessidade, mas por para que isso não acontecesse. E não
onildo finalmente veio com a família vocação, no Banco do Trabalho Ítalo aconteceu”, lembra com orgulho. 

Avenida Tiradentes com a rua Felício Marcondes

88
capa

Edifício Nahim Rachid

Rua Felício Marcondes, em 1968

Saudosista, Leonildo recorda de


um período único, no qual a cidade
galgava os primeiros passos para
tornar-se umas das maiores potên-
cias de São Paulo. E mesmo em meio Praça Getúlio Vargas
a tanto progresso, para ele, o Centro,
assim como o restante da cidade, po-
deria ter se desenvolvido com mais
qualidade. “Nas últimas quatro déca-
das, Guarulhos sofreu uma agressão
ao seu progresso, sem efetivamente
um planejamento maior do poder
público. Poderíamos estar numa si-
tuação de equilíbrio social, boa mo-
bilidade urbana, entre outros. E digo
mais: se hoje somos o que somos é
por causa de famílias como os Bau-
ducco, Ianone, Rossetti e Martello,
que acreditaram na cidade e ajuda-
ram a transformá-la. Acredito que o
mérito desse progresso deve-se em
grande parte à população e a essas
pessoas que acreditaram em Guaru-
Centro, em 1987
90
capa
Por Tamiris Monteiro

Foto antiga da estrada do Cabuçu

Cabuçu
O que re
sta de ve
cidade e rde na
stá amea
çado
Oziel Souza
FOTOS: MÁRCIO MONTEIRO E ARQUIVO HISTÓRICO DE GUARULHOS

D ividida em seis bairros:


Recreio São Jorge, Novo
Recreio, Chácaras Cabuçu,
Jardim Monte Alto, Jardim Siqueira
Bueno e Jardim dos Cardosos, a re-
artista plástico e mantenedor do
“Movimento Cabuçu”, é um desses
guarulhenses que levantam a ban-
deira pela região. Protagonista do
progresso e também das lutas tra-
ceu. “Conheci o bairro por causa da
minha primeira esposa. A família
dela mora na região e comecei a
frequentar o bairro no fim da déca-
da de 1970. Como já trazia comigo
gião do Cabuçu está em expansão e vadas para que áreas de mata densa um propósito ambiental, o Cabuçu
conta com uma imensa área verde. fossem conservadas, Oziel sempre despertou minha curiosidade, pois
Inclusive, lá se encontra o Núcleo pautou sua vida no desenvolvimen- a natureza era muito vasta. No en-
Cabuçu, parte do Parque Estadual da to de ações comunitárias. Tanto tanto, apesar das belezas naturais,
Cantareira. Embora seja privilegiada que, em 2009, o Movimento Cabu- os recursos eram escassos, a estrada
pela natureza, a região apresenta as- çu nasceu por causa do histórico so- principal nem era asfaltada e não
pectos negativos, como altos índices cioambiental e cultural encabeçado existia iluminação pública. Em con-
de desmatamento e moradias irregu- por ING’s (Indivíduos Não Governa- traponto, lembro-me que as pessoas
lares em zonas de risco. mentais), que são voluntários com se conheciam por nome e sobreno-
Muitos moradores lutam para experiência técnica e saber local. me. E como todos eram muito pró-
que os bairros sejam mais bem es- Quando chegou a Guarulhos, a ximos, fui traçando relacionamento
truturados, porém, sempre pensan- primeira residência habitada pelo com as lideranças do bairro, aderin-
do na preservação ambiental, que artista foi na avenida Timóteo Pen- do a algumas causas e, assim, me
é a essência de boa parte do que o teado, e foi por meio de um namoro engajei na defesa da fauna e flora
Cabuçu representa. Oziel Souza, que a paixão pelo Cabuçu aconte- que caracterizam a região”, afirma. 

92
capa

Antigo lixão do Cabuçu

Represa do Cabuçu

A mudança de Oziel para o Ca-


buçu aconteceu somente após o ca-
samento; até então, ele ainda traba-
lhava em São Paulo. Contudo, após
instalar-se, a relação com o bairro
estreitou-se tanto, que o desejo de fi-
car apenas em Guarulhos falou mais
alto. “Trabalhava com literatura, ar-
tes cênicas e plásticas, mas sempre
trabalhei com artesanato. Quando
vim para cá, vivia especificamente do
artesanato, fazendo peças em couro
e outros materiais. Com o tempo,
fui desenvolvendo outras facetas e Aterro sanitário, em 1999
recordo que logo que me instalei no
Cabuçu desenvolvi um projeto deno-
minado Semente. Atuava como arte-
-educador sem vínculo empregatício
com escolas públicas. Sempre tive
essa ousadia, criatividade e vontade
de exercer minha cidadania. Levava
meu projeto às escolas, fazia uma
negociação com a coordenadoria e
desenvolvia ações, como oficinas.
Sempre achei importante buscar
esse crescimento pedagógico para a
região, pois antes ouvia muito a po-
pulação falar que aqui era uma área
do governo, e o meu trabalho foi
passar para eles que isto aqui é área
de mata Atlântica, que deve e preci-
sa ser conservada, com consciência e
respeito”, pontua.  Santuário e capela Bom Jesus da Cabeça

94
Sheila Paula
de Souza

24 anos,
contadora.

Aqui mostramos os nossos rresultados.


esultados.
esul tados.
Mulheres
Mulher
Mulhe res rreais,
eais, rresultados
esultados rreais.
eais.

CCurta
Cu
uurrrtata nossa FFa
Fanpa
anpage
ge
facebook.com/vilafeliccita
capa

Tijolo fabricado na região

Foto antiga da capela Bom Jesus da Cabeça

O maior problema da região é a


ocupação ilegal de terras. “O Cabuçu,
que era aberto em termos de espaço
e tinha terrenos com baixo valor em
relação a outras áreas, foi tomado
da noite para o dia. Grosso modo, a
população não vê o impacto ambien-
tal que a moradia sem planejamen-
to pode causar. Hoje nós temos um
inchamento do bairro, o que traz
situações contrárias”, avalia. Embo-
ra as dificuldades existam, Oziel não
pretende abandonar o bairro, tam-
pouco seus ideais. “Meu sobrenome
é Cabuçu. Este lugar me proporciona
qualidade de vida. E por mais que eu
tenha que enfrentar discussão, estar
aqui vale muito a pena”, declara. 

Foto recente

Santuário Bom Jesus da Cabeça

96
capa
Por Michele Barbosa

Avenida Brigadeiro Faria Lima, 1980

Cocaia
Do inabi
à superp tável
opulação

FOTOS: ARQUIVO HISTÓRICO DE GUARULHOS, RAFAEL ALMEIDA


Daniela Nunes
E ARQUIVO PESSOAL

D
aniele Nunes Oliveira, 32, enfermeira, detalha sua vida no Cocaia, desde sua infância até os dias atuais, com
muito carinho. “Eu nasci, cresci e brinquei muito por aqui; aliás, as crianças de hoje não têm o mesmo hábito”,
diz Daniele, que descreve como era o bairro e as mudanças positivas que ele teve.

O bom da rua era a amizade


Todos eram muito amigos e Daniele com quitutes, bebidas e brincadeiras.
andava com um grupinho de sete me- “Era o momento que tínhamos para ter
ninas e cinco meninos, que quando se contato com os meninos. Para os meus
juntavam não davam sossego. Dentre pais, não tínhamos idade para namo-
as inúmeras brincadeiras, as preferi- rar: quando um garoto vinha me cha-
das eram vôlei e esconde-esconde. Em mar no portão, lá ia minha mãe igual a
época de Festa Junina, os moradores um cão de guarda. Era constrangedor”,
do bairro se uniam e faziam a festa conta aos risos. 
Graciele Nunes, Filipe Abreu
e Daniele Nunes, em 2003
98
Igreja do Cocaia, em 1970 Foto atual da Igreja do Cocaia

Mudanças no bairro
A enfermeira confessa que sente
falta e tem excelentes recordações
do passado. Os vizinhos não têm o
mesmo contato de antes. “Não saio
na rua com tanta frequência, parece
que o pessoal não é mais o mesmo.
Muitos se casaram, tiveram filhos e
ficaram mais reservados.” O bairro
mudou bastante. Antigamente não
existia asfalto, só colocaram em
1990. Em dias de chuva, o barro
atrapalhava a vida de quem precisa-
va por os pés para fora de casa. Em
períodos quentes, o pó consumia as Avenida Brigadeiro Faria Lima, em1990
narinas. “Quem tinha alergia sofria
no Verão.” O transporte era demo-
rado, de uma em uma hora passava
apenas um ônibus. “Às vezes o horá-
rio não era respeitado pelos moto-
ristas, que se atrasavam ainda mais
a passar no ponto e, quando minha
mãe perdia a hora, era um desespe-
ro total, como se nunca mais conse-
guíssemos pegar outra condução.”
Não tinha muito comércio, só um
supermercado, um açougue e uma
avícola. Com o tempo, o progresso
Foto atual da Avenida Brigadeiro Faria Lima
chegou à região.
Segundo Daniele, o que ficou
ruim com o passar dos anos foi o
trânsito pois, por causa das melho-
rias, muita gente se mudou para o
Cocaia, e se acumulam os carros nas
O futuro será em outro lugar
Após se casar, Daniele pretende se mudar para algum lugar próximo
ruas. “Antes eu demorava 15 minu-
ao metrô, mas não disse de qual estação. Sabe que sentirá falta da rotina
tos para chegar ao centro de Guaru-
que tem hoje, mas pensa em construir uma nova vida em um outro bair-
lhos, agora levo 40 minutos.” Eram
ro. As lembranças irão permanecer na casa de seus pais e dentro de seu
poucas as pessoas que queriam mo-
coração. “O meu lugar preferido daqui é minha rua; a cada passo fora do
rar na região, mas agora o número
portão, é como se eu ainda fosse menina e estivesse saindo de casa para ir
de moradores aumentou.
brincar. Até hoje tenho essa sensação, que nem o tempo pode apagar."

100
capa
Por Michele Barbosa

Paço municipal, em 1959

Bom Cl
ima
Onde tu
do é per
to

Margit Mary
FOTOS: RAFAEL ALMEIDA E ARQUIVO HISTÓRICO DE GUARULHOS

E
mpresária, mãe de dois filhos, Margit Mary de Lima Guedes, 48, é empresária e, como toda mulher que
trabalha fora de casa, precisa dividir-se em mil para dar conta dos muitos afazeres. Em 1987, casou-se
com Wagner Guedes,49, empresário, formando uma família no bairro Bom Clima.

Lar doce lar


Uma sobrado grande com quin- rua era tranquila e de pouco aces- ses de torcida a favor do País. As
tal espaçoso abrigava os primos e so de carros, por não ter saída. A bandeirolas e fitas faziam parte
amigos de Caroline, 24, e Vinicius, criançada fazia a festa, as mães da decoração do bairro, que ficava
17, filhos do casal, nas férias e fe- sentavam na calçada para obser- muito mais verde-amarelo duran-
riados. Foram dias inesquecíveis var os filhos brincarem. te o período dos jogos. “Vivemos
de brincadeiras, principalmente Na época de Copa do Mundo, por dez anos nessa casa, foram
no Verão, pois havia na casa um Margit e a família uniam-se com momentos muito bons em nossas
poço de água, que refrescava a tar- os vizinhos para pintar a rua com vidas. Jamais esquecerei. Sinto
de de todos com banhos gelados. A as cores do Brasil e muitas fra- saudade.” 

102
capa

Daqui eu não saio,


desse bairro ninguém me tira
Terreno do Paço Municipal, em 1950

Após dez anos, Margit e Wag- nova história e plantar novas re-
ner planejaram a compra da casa cordações. “O mais engraçado é que
própria, mas não queriam sair do nos mudamos de casa, mas não de
bairro e, depois de pesquisarem rua, não sinto exagero ao dizer que
um imóvel na região, encontraram sou privilegiada em morar no Bom
um terreno perfeito para a cons- Clima.” A empresária diz isso pelo
trução do novo lar. Quando tudo fato de o bairro ter vários benefí-
estava pronto, era hora de mudar cios como comércio variado, hospi-
e deixar o sobrado antigo e cheio tal e pontos de transporte perto de
de lembranças para começar uma onde reside.

Pode melhorar
Segundo Margit, apesar de ser urbana está em falta, principal-
uma região de muitos acessos co- mente nas praças, que estão cheias
merciais, as ruas precisam ser reca- de entulhos e lixo. “Tenho certeza
peadas, as calçadas são esburacadas que em breve essas questões serão
e não têm acessibilidade para um solucionadas. Os pontos positivos
deficiente andar com tranquilidade do bairro são maiores para que eu
sem que se machuque. A limpeza não queira sair daqui”. 

104
Do barro
ao concreto
A dona de casa Gilda Maria dos
Santos Lima Stelari, 58, e seu es-
poso, o taxista Mário Stelari, 58,
moram há mais de 30 anos no Bom
Clima e nele criaram os filhos Vitor
Stelari, 27, e Mário Stelari Júnior,
32. Com tanto tempo de moradia,
a família acompanhou a evolução
da região de pertinho. “Ali só havia
mato, as casas estavam sendo cons-
truídas, não havia comércio e tudo
que precisava fazer tinha que me
deslocar até o centro de Guarulhos”,
explica Gilda. Antes, o casal morava
no Macedo, mas viu no Bom Clima
uma oportunidade de ter o imóvel
próprio e cuidar de sua família no
lugar que fosse deles de fato.
Gilda Maria dos Santos Lima Stelari

Vitor dos Santos Lima Stelari e Juliana Maiagem, em 1987

Passado e presente
Assim como Margit, Gilda con- construído o Fácil e a Prefeitura.
corda que o Bom Clima tem o be- É engraçado lembrar que, antes de
nefício de ter tudo próximo, mas existirem, em seus terrenos não
conta que nem sempre foi assim. havia nada de significante.” Mário
“Minha região não tinha asfalto, propôs a Gilda que se mudassem
era um barro danado, e o transpor- para uma apartamento fora do bair-
te era precário.” A dona de casa ain- ro, pois seus filhos estão prestes a
da diz que seus filhos brincavam na casar-se e, segundo ele, uma casa
rua com segurança e tranquilidade, grande como a deles é sinônimo de
mas hoje seu neto não tem esse pri- trabalho extra, mas ela não quer.
vilégio, pois o movimento de carros “Um dos melhores lugares para se
cresceu, assim como o comércio e morar é aqui, por isso não quero Juliana Maiagem e Mário dos Santos
alguns orgãos públicos. “Eu vi ser sair para nenhum outro canto.” Lima Stelari Júnior, em 1991

106
RESORTS
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COM A CVC
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154, 149,
5 e 8 dias – Saídas diárias 5 e 8 dias – Saídas diárias

177, 239,
10X 10X
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205,
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6 e 8 dias – Saídas diárias A PARTIR DE
10X

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10X REAIS
169,
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117,
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A PARTIR DE

5 e 8 dias - Saídas diárias

179,
5 e 8 dias - Saídas diárias 5 e 8 dias - Saídas diárias
REAIS
SEM

182, 199,
JUROS
10X
A PARTIR DE

10X 10X À vista R$ 1.170. Pacote incluindo


A PARTIR DE

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REAIS
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Natal: 10/fevereiro; Serrano Resort: 16/fevereiro; Serrambi Resort: 16/fevereiro; Enotel Resort & Spa: 16/fevereiro.
capa
Por Michele Barbosa

Paulo Faccini
e Monteiro Lobato, em 1994

Macedo
Uma infâ
ncia tran
quila
Priscila Evangelista
FOTOS: RAFAEL ALMEIDA E ARQUIVO HISTÓRICO DE GUARULHOS

Q
ueimada, esconde-esconde e infância foi muito boa, na rua da mi- gar. “Aqui eu cresci e tive minha filha,
bicicleta eram as brincadei- nha casa tinha muita criança e todos não sei como seria viver longe daqui.”
ras preferidas da gerente de éramos amigos”, confirma. A jovem conta que o bairro teve
contas Priscila Evangelista de Souza, Priscila mora há trinta anos no muitas mudanças e que sente falta
30, de quando era criança. “Minha Macedo e não se imagina em outro lu- de como era antigamente.

Amizade na vizinhança
Priscila detalha quão forte era a elas não se queixavam muito.” meio da rua, os carros eram poucos
união entre os vizinhos que sempre Nas férias, a criançada fazia a e os que passavam andavam sempre
se ajudavam. As crianças frequenta- festa com muitas brincadeiras e o devagar e não havia perigo. A gente
vam umas as casas das outras, sem piquenique era de lei, sempre tinha. até deitava no asfalto. Isso depois,
problemas. “Cada dia era uma casa Cada um trazia um prato de doce ou porque antes nem tinha asfalto: meu
diferente que escolhíamos para brin- salgado, refrigerante e suco. Pronto! avô buscava água no lago do bairro.
car. Nossas mães ficavam de cabelos A diversão estava garantida e a comi- Meus primos mais velhos nadavam
em pé por causa da bagunça, mas lança era farta. “Fazíamos tudo no lá”, relembra. 

108
Tempo bom,
que não volta
nunca mais...
Claro que para quem nasce e mora
há tanto tempo em um bairro, como é o
caso de Priscila, as recordações são mui-
tas e a saudade do que passou e foi bom
é grande. “Aos domingos eu ia ao culto
com a minha mãe e irmã, acordávamos
cedo, íamos a pé, pois a igreja era pró-
xima de casa. Eu reclamava por acordar
cedo, mas sinto falta até disso.” O tra-
jeto era cheio de flores, e a ela diz que
sempre pegava uma para dar à profes-
sora da escolinha dominical. Após o cul-
to, a criançada andava a cavalo em uma
rua próxima que é sem saída. “Contava
as horas para sair da igreja e cavalgar;
era muito divertido.”

Alegria na simplicidade
Uma infância divertida e tranqui- reuniões não perduraram, o peque-
la, conforme descreve, não poderia no parque foi danificado e por um
emendar em uma adolescência que fu- período tornou-se o local preferido
gisse da regra. Apesar de ser uma ati- de usuários de drogas. “Ficou tudo
vidade simples, Priscila e seus amigos pichado. Os poucos brinquedos que
se reuniam no parquinho, que era do existiam foram destruídos. Minha
lado da igreja. A sensação de liberdade filha não pode brincar lá como eu
trazia o frescor da nova fase. brinquei.” O parque passoupor re-
Antes as brincadeiras e os pique- vitalização, como compensação pelo
Varzea do Macedo, em 1960
niques; agora, os que antes eram impacto de um condomínio de luxo
crianças já são adolescentes, que se que foi construído em frente, e recebe
mantinham em rodinhas para jogar algumas escolas de samba que fazem De lá para cá
conversa para o alto. Infelizmente, as ensaios por lá.
Como qualquer lugar, o Macedo
teve suas mudanças, algumas boas e
outras nem tanto. O número de empre-
endimentos cresceu e bons comércios
chegaram à região. O local que Priscila
foi criada era o encontro das crianças,
mas hoje raramente tem movimento
de pessoas. Alguns idosos reúnem-se
para tomar Sol ou jogar cartas e dama.
A jovem vê o contraste do tipo de gen-
te que hoje movimenta o local em que
ela se divertiu muito na infância e sabe
que o importante é viver o presente. O
que passou foi bom, mas a vida segue
e o futuro reserva muitas surpresas. O
Foto atual da Avenida Monteiro Lobato tempo não para. 

110
capa
Por Michele Barbosa

Praça de vila Fátima


nos anos de 1970

Vila Fát
ima
A família
e sua fáb Kida
rica de pip
ocas
Vitória S. Kida, Akira Kida e Elisete Kida
FOTOS: RAFAEL ALMEIDA E ARQUIVO HISTÓRICO DE GUARULHOS

E
m 1953, a família da arquiteta Elisete Akemi Kida, nascida em 1956, chegaram à vila Fátima e se estabe-
leceram com uma fábrica de pipocas de canjica. “Meus pais, Akira Kida e Vitória S. Kida, deram continui-
dade ao trabalho de meus avós Tsurukite Kida e Maria de Fátima Kida. A fábrica tinha uns 60 funcionários
e fazia entregas em vários locais, inclusive na Bahia”, afirma Elisete. Mas a história da família da arquiteta não
para por aí: viu como tudo começou e teve grande influência no desenvolvimento do bairro, participando ativa-
mente em momentos significativos.

Virou nome de rua


Tsurukite Kida, avô de Elisete, quermesses, cujas barracas fica- de fora. “Nós brincávamos em fren-
cedeu uma parte de seu terreno vam em frente à casa de Elisete; te dela e não tinha perigo algum.
para as construções da igreja de vila havia bailes no galpão da fábrica Era como se fosse a extensão de
Fátima e de uma capela, em frente de pipocas e na garagem da família nossa casa.”
à residência. “Por esta, entre outras Moreno, na avenida Octávio Braga, Infelizmente, a capela teve de
razões, quando minha avó faleceu, além de rifas; todas essas ações com ser demolida, pois ela foi constru-
a rua onde era a capela recebeu o intuito de arrecadar fundos para as ída em no meio da rua e, de certa
nome dela, Maria de Fátima Kida.” obras. A capela era pequena, então forma, segundo a Prefeitura, atra-
As famílias da região faziam a maioria das pessoas ficava do lado palhava o trânsito. 

112
113
Casa da família Kida, em 1960 Foto atual da casa da família Kida

A infância
Elisete conta que teve uma infân- viu a vila Fátima crescer. res e cafezinhos. “Hoje o que falta nas
cia muito tranquila e alegre, pois to- Até hoje, quase todos os vizinhos pessoas é o sentimento de união. Tal-
dos os moradores do bairro se conhe- ainda têm contato e bater papo na rua vez a correria do dia a dia nos impeça
ciam. “Antigamente era tudo muito é um costume que não acabou nem de sermos amigos como antes.”
sossegado, brincávamos bastante, com o passar o tempo. “Sinto falta dos
e no horário de almoço nos reunía- amigos que se foram, mas só tenho
mos com os funcionários da fábrica lembranças alegres de meu passado.”
de pipocas para jogarmos queimada O que era bem comum no bairro
e vôlei. Todos os dias eram cheios de eram as visitas inesperadas do prefei-
diversão.” Tendo participação ativa to, dos amigos, das crianças. Todos se
na história da região, a família Kida sentavam à mesa em almoços, janta-

Antes e depois
Assim como qualquer região, na
Akira Kida fotografando as crianças
vila Fátima não havia asfalto, eram
em frente à capela Nsa. Sra. de Fátima.
ruas de barro e, no calor, o pó era
tanto que era necessário tirar o pó
dos móveis todos os dias. As crian-
ças iam para suas casas “vermelhas”
dos pés a cabeça. O comércio era es-
casso; o transporte, precário. “Hoje
temos escolas, comércios e empresas.
A condução melhorou muito.” Elisete
se sente feliz e sabe que a participação
de sua família faz parte da história do
bairro. A presença do sobrenome em
uma rua representa mais do que um
ato meramente oficial: é a retribuição
de um carinho por uma vila que, mes-
mo com o desenvolvimento, mantém
laços de amizade e as lembranças de
uma infância feliz.  Capelinha construída
Igreja Nossa sª de Fátima,1960
pela família,1960

114
115
capa
Por Michele Barbosa

FOTOS: MÁRCIO MONTEIRO E ARQUIVO HISTÓRICO DE GUARULHOS


Jardim São João, 1977

Haroldo
Veloso
Do vale a
o progress
o

Loide de Almeida
FOTOS: ARQUIVO HISTÓRICO DE GUARULHOS E RAFAEL ALMEIDA


Está vendo aquelas casas? An- balho que em Guarulhos estavam farmácias, e o comércio demorou a
tes elas não existiam, ali era vendendo casas em um conjunto surgir. Era um vale que só contava
um vale verde no meio do nada, habitacional. Loide veio conhecer com aquele conjunto habitacional
sem asfalto. Hoje tudo mudou”, o local e gostou. “Eu não tinha e as pessoas que moravam ali. As
explica Loide Reis de Almeida, 73, imóvel próprio. Mesmo sendo lon- mães tinham de andar até o bairro
consultora de beleza que há mais ge de tudo, vi ali uma oportunida- vizinho, a fim de pegar a condução
de 40 anos reside no Conjunto Re- de de ter minha casa.” Pronto! O e chegar no centro de Guarulhos,
sidencial Haroldo Veloso. casal se mudou para o lar doce lar. onde eram feitas as compras, pa-
Mineira de Monte Carmelo, “Estava muito feliz, e o fato de sa- gamentos de contas e idas ao mé-
veio para São Paulo após se casar ber que a casa era minha fez com dico. Mãe de três filhos, Loide sen-
com o falecido Walter Almeida. O que eu esquecesse as dificuldades tiu o drama de criar as crianças em
casal morava no bairro do Ipiranga da região.” um local “deserto”. “Vivi momen-
em São Paulo e, em 1970, Walter A consultora conta que não ha- tos difíceis aqui, fora a adaptação
soube através de um colega de tra- via mercados, ponto de ônibus e por estar longe da família.” 

116
117
A união faz a força
São dez casas e os vizinhos são
como amigos. “Eles recebem mi-
nhas encomendas sem problema
algum.” Antigamente eram bem
mais unidos; infelizmente, alguns
dos mais chegados faleceram, ou-
tros mudaram-se. A união de antes
era tão forte, que os moradores se
juntaram e asfaltaram a rua para
que todas as crianças brincassem
por lá. “São pessoas com quem sei
que posso contar sempre e, como eu
Jardim São João, em 1995
conheço quase todos os moradores,
facilita quando eu preciso de algo.”
Sua popularidade se deu através das
vendas de cocada que ela mesma
fazia e vendia de porta em porta.
“Parei de vender para cuidar de meu
neto, mas até hoje sou mais conhe-
cida como ‘a mulher da cocada’ do
que como revendedora de produtos
de beleza.” As crianças saíam da es-
cola e iam direto à casa dela para
comprar a última fornada.
Antigo centro administrativo Seródio, 1995

Antes e depois
Como o vale era bem deserto,
como dito anteriormente, a tranqui-
lidade reinava entre os moradores.
“As portas ficavam abertas, as crian-
ças andavam de bicicleta e ninguém
mexia nas coisas de ninguém. Hoje
Conjunto Habitacional Haroldo Veloso, em 1975
tenho de deixar tudo trancado com
cadeado”, diz Loide, apontando para
as grades de sua janela. “Sinto falta
de não ter medo de morar.” Porém,
até na dificuldade é possível ter boas
lembranças e uma saudade boa. “Na-
quela época, há 20 anos, um carro-
ceiro vendia pães que, no período
de chuva, molhavam, e tínhamos
de colocar no forno para requentar.
Agora temos muitas padarias e o co-
mércio cresceu bastante. O ônibus
para na minha porta. As coisas me-
lhoraram”, conclui, emocionada ao
descrever tais situações.  Foto atual do Conjunto Habitacional Haroldo Veloso

118
119
Foto atual do Conjunto Habitacional Haroldo Veloso
“O que gosto daqui”
O bairro tem muitas árvores,
dentre elas algumas cerejeiras, la-
ranjeiras e limoeiros. Em um terreno
próximo, Loide tem uma hortinha
com pé de acerola, folhagens, flores
e verduras, que ajudam a compor a
beleza local. “Eu gosto daqui, pois
tem muito verde e dá para respirar
ar puro.” Foi perceptível que a minei-
ra gosta mesmo de onde vive, tanto
que, apesar de sua filha ter com-
prado um apartamento espaçoso
no centro de Guarulhos, Loide dis-
se que não sai do conjunto em que
mora. “Boa parte de minha vida está
aqui, meus amigos e meu trabalho.
Não posso deixar minha casa com
minhas recordações.”

A maior riqueza
Uma senhora simples, mas rica
em lembranças e de uma história
de vida cheia de lutas e vitórias. Na
humildade de seu bairro, ela encon-
trou sua maior riqueza: a felicidade
de saber que seus maiores tesouros
são seus vizinhos, amigos, familia-
res e um lar construído com muito
esforço e amor. “Amo esta região, vi
nascer e ser construída como se fos-
se ontem. Viveria tudo novamente
com a mesma alegria.” 

“Vai diminuindo a cidade


Vai aumentando a simpatia
Quanto menor a casinha
Mais sincero o bom dia”
Pato Fu

120
121
especial
Por João Machado

Metrópole

Como em toda edição especial de fim


de ano, comemoramos o aniversário
de Guarulhos. Desta vez, convidamos
alguns dos importantes nomes da
fotografia na cidade para mostrar, por
meio de suas lentes, a Guarulhos que
ninguém vê. Acompanhe nas próximas
páginas e tente identificar os locais
fotografados. Você vai perceber que
muitos deles fazem parte da nossa
rotina, mas a correria de sempre não
permite que enxerguemos a beleza
que há ao nosso redor.
Agradecemos a todos os fotógrafos
que aceitaram nosso convite e, assim,
emprestam seu talento para deleite
dos leitores da RG. 

122
123
especial
Por João Machado

124
125
especial
Por Gustavo Mandú

Cidade Vazia

126
127
especial
Por Gustavo Mandú

Colaboraram com este ensaio:


Paulo Oliveira e Leonardo Valente

128
129
especial
Por Diego Calvo

Uma outra
Guarulhos

130
131
especial
Por Diego Calvo

132
133
especial
Por Alexandre de Paulo

Andanças

Alexandre ressalta que todas as fotos foram


capturadas com iPhone 4S.

134
135
especial
Por Rodrigo Madureira

Olha o passarinho!

136
137
especial

Mauro Alvarenga

Mauro Alvarenga

Silvana de Souza

A vez dos leitores


Além dos fotógrafos profissionais, convidados a enviar fotos para ilustrar
esta edição comemorativa da RG, abrimos espaço para nossos leitores. Pelas
redes sociais, foram incentivados a enviar material produzido por eles para
Jacques Miranda
mostrar outros ângulos de Guarulhos. Confira.

Neide Tokacs

138
perfil PAULO BRITO

Por Amauri Eugênio Jr.

Atitude
samba’n’roll
Cristiano Dinucci, 36, é guarulhense
da gema e cresceu pessoal e artistica-
mente na cidade. Kiko Dinucci é da
metrópole: o artista cresceu e tornou-
-se um dos nomes mais emblemáticos
da nova cena musical paulistana, que
conta com nomes de respeito na cena
alternativa, como os dos badalados
Rômulo Fróes e Juçara Marçal, com
quem ele toca em diversos projetos.
Seja na música, no audiovisual, nas ar-
tes plásticas, no rock ou no samba, Kiko
Dinucci é um cara que trabalha por
música. Ou melhor: respira e vive por
música e demais linguagens artísticas.

O primeiro contato com Kiko para trevista foi feita por telefone e, por cer- conversar comigo no Facebook. Você
entrevistá-lo foi no fim de outubro, por ca de meia hora em pleno domingo, sua mesmo entrou em contato lá, falou co-
meio de conversas no Facebook, para carreira, projetos paralelos e até mes- migo [em referência às conversas dias
entrevistá-lo ao vivo e em cores. Mas a mo alguns planos para o futuro foram antes] e não precisou conversar com
sua vida à época estava para lá de cor- assuntos da conversa com o artista. empresário ou assessor. Acho mais fá-
rida, seja por motivos pessoais ou por Para quem estranhou ler “domingo”, a cil fazer contato direto com o artista.
estar na produção de um novo projeto entrevista foi feita nesse dia e Dinucci Às vezes aparecem uns loucos [risos],
de Juçara Amaral, com quem ele toca mostrou-se bem solícito, como de cos- mas são a minoria”, explica, sobre sua
no projeto Metá-Metá. Por isso, a en- tume. “Quem quiser trocar ideia pode postura mais próxima do público.

Do rock ao samba
O contato com a música aconte- tocar guitarra e montar uma banda do samba como Zé Keti e Nelson do
ceu ainda cedo, por volta dos 12 anos de rock. Mas, com o passar do tem- Cavaquinho, ele viu semelhanças en-
– “ganhei o primeiro instrumento po, a sensação de mesmice musical tre o ritmo e o tal de rock’n’roll. “O
aos 6 anos, mas ele ficou encostado começou a tocar em “repeat eterno” samba era uma espécie de rock bra-
em casa. O violão estava todo arre- e, por causa da mesmice, ele come- sileiro. Havia contestação e postura
bentado, coloquei durex nele e fi- çou a desbravar novos horizontes e meio marginal na sociedade, e ainda
quei tocando do meu jeito”, conta. os discos de samba de sua mãe. Após tem, mesmo sendo algo que vende e
Daí, o passo seguinte foi começar a aprofundar-se nas obras de mestres todos ouvem”, relata. 

140
Um brinde aos 453 anos da cidade
qUe faz o nosso sUcesso voar alto.
É com muito orgulho que comemoramos mais um ano de
sucesso da cidade que nos acolheu com tanto carinho e,
desde o início, faz história.
Obrigado, Guarulhos. www.europa.com.br

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141
perfil

Arte é vida e vice-versa


Dinucci já era artista antes mes- 2005, Kiko dirigiu o documentário
mo de saber que era um, pois passou “Dança das cabaças - Exu no Brasil”,
boa parte de sua vida desenhando e sobre como a divindade africana
tocando música. Mesmo assim, por que dá nome ao filme é retratada
muito tempo, ele não via o cenário no imaginário popular brasileiro, e
desse jeito, ainda mais porque ter foi nessa época em que ele se apro-
algum talento artístico não era tão ximou do candomblé e ingressou
valorizado na cidade, graças ao per- na religião. Para quem está de fora,
fil industrial – “todo o mundo tem traçar paralelos entre a relação de
de fazer Senai e ir para uma gráfica”. Kiko – e a religião – e como o eterno
Mas a história passou a ser outra al- Vinícius de Moraes aderiu ao can-
gum tempo depois, ao descobrir que domblé, é inevitável, mas a história
ser artista era, sim, uma profissão. é um pouco diferente nesse caso:
“Isso abriu uma porta para mim. A “Moacir Santos [músico pernambu-
insistência na arte foi em fazer algo cano] e Abigail Moura, da Orquestra
que eu sabia e que um dia deu cer- Afro Brasileira, faziam isso antes do
GINA DINUCCI to. Foi assim que superei, mas não ‘Os Afro-sambas’ [parceria entre Ba-
foi escolha. Foi por falta de escolha, den Powell e de Moraes] e com mais
mesmo”, destaca. propriedade do que Vinícius. Fui
A arte, inclusive, influenciou di- influenciado até mais pelo Abigail
retamente em sua vida religiosa. Em Moura do que por ele”, detalha.

GINA DINUCCI
Inquietude artística
Passo Torto. Metá-Metá. Bando hits como “Não
Afromacarrônico. E a lista segue. existe amor em
Esses são alguns dos projetos em SP”, “Subirusdois-
que Dinucci está ou esteve envolvi- tiozin” e “Bogotá”;
do. Diz a sabedoria popular que há ou composições
casos em que a fome se junta com a suas nas vozes
vontade de comer e, de certo modo, da própria Juçara
pode-se dizer que é o que acontece Amaral, com quem
nesse exemplo. Os projetos em que ele divide o palco
ele está envolvido são, ao mesmo no Metá-Metá, e
tempo, maneiras para ele extrava- Ná Ozzetti.
sar a criatividade e ajudar na renda. No fim das con-
“Tenho a minha agenda com uma tas, essa é conclusão que se pode
quantidade de shows do Metá-Me- tirar: não há diferença alguma
tá, do Passo Torto e de um projeto entre Kiko e Cristiano Dinucci;
novo, e isso também é uma saída logo, não dá para separar a vida
para completar o orçamento men- da arte. “Sou viciado em traba-
sal”, relata. De quebra, volta e meia lho e talvez por isso ele tome
é possível ouvir composições suas quase 24 horas do meu dia”, fi-
sendo interpretadas por outros ar- naliza Kiko, que entrará em es-
tistas, como “Mariô”, conhecida na túdio em 2014 para a gravação
RDIN

voz do rapper Criolo, intérprete de do álbum “Cortes curtos”. 


EVERTON BALLA

Acima, Dinucci (à esquerda) com Thiago França e Juçara


Marçal no projeto “Metá-Metá”). Abaixo, Kiko (com camisa florida) com
Rômulo Fróes, Rodrigo Campos e Marcelo Cabral, no projeto Passo Torto.

142
aniversário_guarulhos_RG.pdf 1 02/12/2013 13:38:19

CM

MY

CY

CMY

Cópias e Impressões

Nosso atendimento faz a diferença!

143
eu quero
Por Daniela Villa-Flor

Hora
FOTOS: DIVULGAÇÃO

dos presentinhos
O fim de ano costuma ser aquela e colegas de trabalho, não é mesmo?
época de reflexão, onde fazemos uma “As tais lembrancinhas definem de for-
retrospectiva de tudo que passou e ma objetiva o que queremos: presente-
Criatividade
traçamos novas metas para o próximo ar, fazer a pessoa se sentir lembrada,
Os objetos coloridos dão um
ano. E, com o clima de união e as festas mas de forma simples. Isso não signifi-
toque alegre à decoração e criam
em família chegando, lembramos tam- ca dar um presente ruim. Pode-se esco-
possibilidades aos ambientes, mes-
bém das pessoas queridas que nos cer- lher algo funcional e criativo”, orienta
mo os mais básicos. “Os presentes
cam e é hora de achar um presente que a designer Ana Campos Mello.
criativos são ótimos e divertidos,
defina o afeto que sentimos de forma Separamos opções para você distri-
geralmente são objetos de decora-
delicada, simples e sem exageros. Afi- buir presentes neste fim de ano. Cria-
ção, o que complementa qualquer
nal, haja bolso para presentear todas as tivas, moderninhas, tradicionais ou
lugar da casa”, diz Ana. 
pessoas que convivemos, sejam elas da funcionais? Escolha o perfil do mimo
família ou mesmo os amigos, parceiros que quer dar.

144
145
eu quero

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Americanas
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USB ventilador
Downtown – R$ 42,66
Kit Manicure
Downtown – R$ 35

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R$ 89

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Endossa – R$ 120

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R$ 99

Porta lente de contato


de Coruja
Imaginarium
R$18,91

146
147
passarela
Por Tamiris Monteiro

BANCO DE IMAGENS
Que atire a primeira pedra a
mulher que ainda não pensou nos
looks para as festas de fim de ano.
Às vésperas das comemorações
mais esperadas pelo mundo todo, é
natural pensar com que roupa fes-
tejar com os familiares e amigos.
Afinal, estar entre quem amamos
é único e, por isso, estar apresen-
tável para esses dias é mais do que
importante. Mas com tantas opções
oferecidas pelo universo da moda,
às vezes, fica difícil decidir qual é
a melhor opção para cada ocasião.
Caso pinte uma dúvida, não se
desespere, pois a democracia do
mundo fashion permite misturar
peças antigas, clássicos e tendências,
ou seja, é quase impossível fazer
feio nas festas de fim de ano. Basta
um pouco de ousadia, criatividade e
bom senso para criar composições
bonitas e harmoniosas. Para ajudar,
a RG, junto com Ronaldo Santos,
consultor de moda e professor da es-
cola ProModa, dá algumas dicas so-
bre o que vestir no Natal e Ano Novo.

Natal
Para o Natal aposte em peças rendadas, como blusas, vestidos ou
camisas. Também vale investir em cores como o azul, verde, bran-
co e vinho. Além de serem tendências, lembram cores natalinas.
O Natal, geralmente, é uma festa mais formal comemorada junto de
familiares e amigos; por isso, deve-se ter atenção ao escolher o look des-
ta data. “Cuidado com os comprimentos de saias e vestidos e fique aler-
ta com as transparências, pois todos esses detalhes podem estar na moda,
mas menos é mais e o bom senso é sempre uma peça-chave”, pontua Ro-
naldo. Para não cair na vulgaridade, opte por blusas ou vestidos vazados e
transparências estratégicas, que deixam o look com cara de sofisticado. 

148
149
passarela

Ano Novo
Para o Ano Novo, o velho e bom
branco continua em alta. E como
BANCO DE IMAGENS
essa é uma festa mais descola-
da, brilho e paetê estão liberados.
Quem deseja comemorar o Ano
Novo e fugir do tradicional bran-
co, pode apostar em roupas amare-
las e azuis em vários tons. E tam-
bém em vermelhos como o bordô.
Na praia, o short saia, além de
ser uma tendência, é muito fácil
de combinar. “Uma boa composi-
ção é o short saia branco ou nude
com uma blusa ou regata de paetê,
que pode passar do fosco ao bri-
lho nas cores dourado-velho, co-
bre ou azul”, sugere o consultor.
Para um local mais formal, um
macacão tomara que caia na cor azul,
ou um vestido de crepe, que pode ser
curto ou longo. “Quem gosta do bran-
co, pode dar um up ao look com cola-
res e pulseiras. E os sapatos podem ir
da sandália com salto alto até a ras-
teirinha. Para dar um toque especial,
a carteira de mão deixa o visual mais
clássico e fica um luxo”, avalia. 

150
151
currículo
Por Tamiris Monteiro

Criatividade
no papel
FOTOS: BANCO DE IMAGENS E ARQUIVO PESSOAL

Currículo com atrativos diferentes pode ser


a porta de entrada para o emprego almejado
Segundo dados do IBGE (Instituto de sete cabeças, muita gente desconsi- Quando existem muitos elementos
Brasileiro de Geografia e Estatística), dera que características diferenciadas desnecessários, isso atrapalha para
mais de dois milhões de jovens entre podem ser atrativos a mais na hora da fazermos a análise. Por exemplo, ima-
15 e 24 anos estão desempregados. escolha. Afinal, tudo começa por ele. gens e foto podem ser utilizadas, mas
E com a aproximação do ano novo, o A simplicidade dos currículos usa- a foto não pode ser aquela colocada nas
desejo de muitos é começar 2014 com dos antigamente deixou de ser padrão redes sociais. Precisa passar uma ima-
emprego novo. É bem verdade que a na hora do recrutamento. E aquela gem séria do candidato”, ressalta Nair.
procura nem sempre é fácil, mas um mania de colocar a vida no papel tam- Douglas Caetano é designer e sabe
bom currículo pode ser meio caminho bém não é mais tão apreciada pelos bem o quanto um currículo criativo
andado para conseguir aquele traba- recrutadores, pois hoje o tempo é es- pode fazer a diferença em sua área.
lho dos sonhos. Embora a elaboração casso. “A avaliação feita pelo recruta- “Como trabalho com criação, sempre
do currículo não seja nenhum bicho dor dependerá da experiência dele e busquei colocar em meus currículos
da descrição da função solicitada pela trabalhos com desenhos, caricaturas e
vaga. Mas, na média, lê-se o currículo arabescos. Acho que o currículo de um
em um minuto. Do contrário, existe designer tem que ser bem chamativo e
uma análise além da leitura quando a colorido, pois isso se torna um diferen-
pessoa tem muita bagagem e, então, cial. Inclusive, para mim, sempre foi algo
isso pode levar uns cinco minutos”, destacado pelos recrutadores e que me
explica Nair Mota Ferreira, diretora ajudou a conquistar empregos”, conta.
do Grupo Auxiliar, em Guarulhos. Para criar um currículo criativo,
Se o tempo é curto e a ideia é des- o ideal é utilizar programas como In-
tacar-se no meio da multidão, vale a Design e Photoshop, pois ambos têm
pena colocar a criatividade em prática mais ferramentas que ajudam a viabi-
para chamar atenção. As imagens, por lizar a elaboração de imagem e texto
exemplo, ajudam na objetividade. Po- de forma harmônica. “Se a pessoa não
rém, é preciso ter inteligência ao usá- domina o funcionamento desses pro-
-las. “O currículo pode conter o que a gramas gráficos e quer ter um material
pessoa quiser, mas não é conveniente, bonito e elaborado, o ideal é procurar
pois o documento é uma descrição de por um designer ou alguém que domi-
trajetória profissional e não um folhe- ne esses recursos. Garanto que é mais
to publicitário cheio de informações. satisfatório”, aconselha Douglas. 

152
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153
currículo

Seis passos que podem ajudar

1• Faça um resumo 4• Torne suas informa-


O currículo precisa ter informa- ções mensuráveis
ções relevantes em no máximo duas Gráficos e porcentagens sempre
páginas. O conteúdo precisa estar re- proporcionam visão melhor do todo.
sumido e organizado de acordo com Com suas qualificações e habilidades,
o cargo pretendido. isso pode ser uma boa pedida.

2• Menos é mais 5• Pense no design


Não exagere nos textos nem na Antes de elaborar o currículo,
parte visual. Um currículo criativo pense nas imagens, fontes e cores a
precisa ter as informações simplifi- serem utilizadas. É recomendado uti-
cadas, de fácil acesso e compreensão. lizar tons claros para versões impres-
sas e na web é possível brincar um
3• Comunicar é cortar pouco mais com as cores de fundo.
palavras Mas nada de exageros.
Evite número de documentos, re-
ferências pessoais, motivos de saída 6• Mantenha-o atualizado
de empregos anteriores ou certifica- Cada vez que algo importante
dos dos cursos realizados. O currícu- acontecer na carreira, vale colocar no
lo criativo precisa mostrar apenas a currículo, para mais tarde não haver
trajetória profissional. nenhum esquecimento. 

154
LOGGIA

155
8 de dezembro
Dia da Justiça
Celebrado no mesmo dia do aniversário de Guaru-
lhos, o Dia da Justiça consiste em homenagem ao Poder
Judiciário. A data, instituída em 1951 pelo então pre-
sidente Getúlio Vargas, é comemorada em âmbito na-
cional e visa a lembrar sobre aspectos básicos da justiça,
que são estabelecer a ordem e promover a paz entre os
indivíduos.
A deusa grega Têmis, símbolo da justiça, foi escolhida
para representá-la, no sentido moral, por meio da defini-
ção dos sentimentos de verdade, humanidade e equidade
– imparcialidade.
Parabéns aos profissionais que defendem os princí-
pios da Justiça e da promoção da igualdade entre todos.

156
08 de dezembro - Dia da Justiça

157
08 de dezembro - Dia da Justiça

Mais do que um escritório


de Advocacia, uma equipe totalmente
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159
08 de dezembro - Dia da Justiça

160
empresa
Por Amauri Eugênio Jr.

Ah, o primeiro
emprego...
FOTOS: BANCO DE IMAGENS

Da primeira oportunidade no mer- Com base na CLT (Consolidação


cado de trabalho, a gente nunca es- das Leis de Trabalho), a idade mínima
quece. Todo aquele entusiasmo juve- para um adolescente entrar no merca-
nil, tão comum aos adolescentes, está do de trabalho é a partir dos 14 anos,
à flor da pele e a vontade de querer na condição de aprendiz. Com base
fazer tudo ao mesmo tempo e de con- no Manual da Aprendizagem, do Mi-
quistar o mundo é indomável. Mesmo nistério do Trabalho e Emprego, o re-
assim, os novos trabalhadores estão gime “cria oportunidades tanto para
em fase de aprendizado e começan- o aprendiz quanto para as empresas,
do a conhecer o mundo. Por isso, eles pois prepara o jovem para desempe-
mesmos, assim como empregadores nhar atividades profissionais e ter ca-
e pais, precisam ter em mente que pacidade de discernimento para lidar
trata-se de uma fase de aprendizado com diferentes situações no mercado
e, por isso, a paciência para ensiná-los de trabalho e, ao mesmo tempo, per-
a portar-se no ambiente de trabalho mite às empresas formarem mão de
deve ser redobrada. obra qualificada”. 

162
163
empresa

Vivendo e aprendendo a jogar


O contrato para aprendizagem, fei- Senar (Rural), Transporte (Senat) e Ses- jovem recebe remuneração de um sa-
to com base na CLT e no ECA (Estatu- coop (Cooperativismo); escolas técnicas lário mínimo e benefícios como vale-
to da Criança e do Adolescente), prevê de educação – as ETECs, por exemplo – -transporte e vale-refeição. “Como o
condições de trabalho especiais, em que e entidades sem fins lucrativos de assis- aprendiz não tem experiência pro-
o prazo limite deve ser de dois anos, e tência ao adolescente. fissional e precisa ser treinado, ele é
garantias para formação técnico-profis- A Randstad, empresa prestadora visto na empresa como alguém que
sional condizentes com a realidade do em recursos humanos, oferece opor- está começando. Por isso, o objetivo é
jovem. As empresas credenciadas para tunidades a jovens aprendizes por formá-lo como profissional e é preciso
esse tipo de formação fazem parte do meio de parceria com o Senac, em ter em mente que ele está em aprendi-
“Sistema S”. Ou seja, estão credenciados que o novato fica por dias no órgão zado e poderá errar”, explica Michelly
o Senai (Serviços Nacionais de Aprendi- e outros três na empresa, quando o Takabayashi, gerente coorporativo e
zagem Industrial), Senac (Comercial), expediente é de seis horas diárias. O merchandising da Randstad Staffing.

Direitos e deveres
Assim como a empresa deve le-
var em conta a condição do apren- Formação caseira
diz e ajudá-lo a desenvolver-se pes- Os pais, claro, têm papel fundamental no apoio ao jovem durante
soal e profissionalmente, o jovem o período de aprendizado, pois o aprendiz começa a assimilar aos
também deve fazer a sua parte en- poucos situações diversas do dia a dia e não sabe como se portar. Por
quanto o contrato estiver vigente. isso, quanto mais presente a família estiver na formação do jovem e
Ele deve cumprir os horários pre- quanto mais ela der dicas sobre como se portar em situações diver-
vistos no contrato tanto na empre- sas, como conversas possivelmente mais acaloradas com trabalha-
sa como nas aulas. Em contraparti- dores da empresa, mais lúcidas serão as atitudes do aprendiz.
da, o desligamento da empresa e do
programa de formação de aprendi-
zes ocorre nas seguintes situações*:
a)Término da duração do contrato; Estagiário ou aprendiz?
b)Quando o aprendiz completar 24
Volta e meia, os jovens que estão prestes a ingressar no mercado
anos, salvo quando se tratar de pessoa
de trabalho ficam em dúvida sobre procurar um estágio ou regime
com deficiência;
de aprendizagem. No caso, o estágio é indicado para os jovens que
c)Desempenho insuficiente ou inapti-
sabem qual rumo querem seguir na vida profissional, estando na
dão do aprendiz;
maioria dos casos na faculdade, enquanto o menor aprendiz ajuda
d)Falta disciplinar grave;
a descobrir o que fazer da vida. “O jovem é o garoto de 14 ou 16
e)Ausência sem justificativa na escola
anos que não sabe se quer trabalhar com números ou pessoas. Ele
que resulte na perda do ano letivo;
aprende como funciona determinado ramo e descobre se quer ser
f)A pedido do aprendiz.
engenheiro ou contador, por exemplo”, finaliza Michelly.
*Fonte: Manual da Aprendizagem

164
165
mundo das letras FOTOS: DIVULGAÇÃO

Por Tamiris Monteiro

Escrito nas
estrelas
Chegamos à reta final de mais um ano e os planos para a chegada de uma
nova fase começam a transbordar no pensamento. Afinal, esse é um período
em que as pessoas enchem-se de energia positiva para reiniciar tudo o que
não foi concluído no ano que passou. Há quem prefira colocar os planos e
expectativas no papel, mas também há quem conte com a ajuda da astrologia
para saber mais sobre si e sobre o que os astros reservam para o futuro. Pois
bem! Para quem acredita na astrologia e deseja interar-se sobre o assunto,
fizemos uma seleção de dicas de livros sobre o tema.

Bíblia da astrologia
Pensamento / Autor: Judy Hall

Seja você um leigo no assunto ou um astrólogo expe-


riente, este livro é uma opção para quem deseja aprofun-
dar-se no tema, pois é considerado um guia abrangente
sobre astrologia tradicional e moderna. A obra traz um
conteúdo bastante completo sobre os efeitos da ativida-
de planetária e sua relação com o comportamento hu-
mano, personalidade, saúde, karma e mais.

Astrologia real – O que seu signo quer dizer a você


Rocco / Autor: Oscar Quiroga

Poder, amor e inteligência são aspectos destacados pelo


autor Oscar Quiroga sobre a astrologia. O autor destaca
que a vida pode ser experimentada com ou sem senti-
do. Para ele, a arte de interpretar os astros é a harmo-
nização das atividades e preocupações terrestres com
esferas superiores do universo, que também se traduz
na expressão do luminoso e pleno intercurso de tudo.

Segredos do céu – Astrologia e a arte da previsão


Globo Editora / Autor: David Berlinski

O matemático David Berlinski investiga as origens, de-


senvolvimento e força da astrologia no mundo contem-
porâneo. Ele torna simples e acessível o que antes era con-
fuso e intimidador para muitos. Suas histórias, aliadas
ao texto ágil e a um raciocínio crítico, mostram porque a
ideia astrológica ainda desempenha importante papel.

166
167
Por Valdir Carleto

Padre Marcelo Rossi


em Guarulhos
Padre Marcelo Rossi esteve no dia 3 em Guaru-
lhos, para autografar exemplares de seu livro “Kai-
rós”, e lançar edição de luxo da obra, na livraria No-
bel do Internacional Shopping Guarulhos.

DIVULGAÇÃO

Sonia Lago lança livro


A empresária Sonia Lago reuniu os principais
editoriais que publicou na Revista É! e lançou o li-
vro “Mais de mim”, em concorrido evento, na For-
neria Capannone.

MARCIO MONTEIRO

ALEXANDRE SALLES/REVISTA É

Agora também por quilo


A família Coladello, que há vários anos faz su-
cesso com o restaurante Pio XII, que adota o sis-
tema self-service à vontade, atendeu sugestões de
clientes de adotar também o sistema por quilo. Po-
rém, preferiu abrir outro estabelecimento, o res-
taurante Talher, na mesma avenida Papa Pio XII,
número 205, quase em frente ao anterior.

DIVULGAÇÃO

Ação social
do Rotary Guarulhos-Sul
A renda da Festa do Queijo e do Vinho do Rotary
Club de Guarulhos-Sul foi utilizada para trocar 160
metros de piso na Creche Joana D’arc (foto). Através
de outros eventos, foram instaladas duas salas de
inclusão digital na comunidade São Rafael e doado
um forno para cerâmicas para trabalhos manuais na
Escola Estadual Coronel Ary Gomes.
168
169
Por Valdir Carleto

VALDIR CARLETO

Inauguração da Chocolândia
em Guarulhos
Foi inaugurada dia 4 a loja Guarulhos da rede
Chocolândia, que conta com outras cinco unidades
espalhadas na região metropolitana de São Paulo.
A loja, cujo carro-chefe é o comércio de produtos à
base de chocolate, também comercializa itens bási-
cos de mercearia, hortifruti, bebidas, laticínios, em-
balagens e produtos para limpeza. Cursos de culiná-
ria são outro destaque da rede. A unidade Guarulhos
está localizada na avenida Monteiro Lobato, 300,
Centro, com estacionamento. Informações: 4574-
7620 ou www.chocolandia.com.br. O fundador Osvaldo Nunes (ao centro) e familiares
cortando faixa da inauguração da unidade. Abaixo,
detalhe da seção de hortifruti e um dos corredores

NATA NEUMANN

II Eniac Music Festival


Aconteceu, entre 26 e 28 de novembro, no audi-
tório da Faculdade Eniac, a segunda edição do Eniac
Music Festival. O evento, prestigiado por cerca de
350 pessoas, contou com participações de 12 ban-
das, sendo que cinco grupos foram à final – inclusive
a Luneta Vinil, da jornalista Elís Lucas, redatora da
RG. O festival foi vencido pela banda Dec 04, que
recebeu o prêmio de R$ 3 mil.

170
171
menu

Combinado Japastel
Por R$24,90 o prato é bem servido com opções
da culinária oriental, composto por 8 sashimis,
4 uramakis, 4 hot rolls, 4 hossomakis, 2 joys e 2
niguiris.
Japastel
Avenida Avelino Alves Machado, 42, Guarulhos
Tel.: 2461-2564
DIVULGAÇÃO

MÁRCIO MONTEIRO

Fondue de Carne
Fondue de carne servido na pedra. Acompanha 4
tipos de carnes: lombo, calabresa, filé mignon e
frango, além do pão e molho. Serve 2 pessoas.
Vira Latas
Av. Dr. Timóteo Penteado, 904 – vila Progresso
Tels.: 2382-7032 / 2382-7033

MÁRCIO MONTEIRO

Escondidinho Vegetariano
Purê de mandioca e mandioquinha com recheio
de legumes. Finalizado com queijo parmesão.
Luma Art Café com arte
Av. Papa João XXIII, 95
Tel.: 2440-5839

DIVULGAÇÃO

Espetinhos
Práticos, os churrascos, de vários sabores, são
servidos no espetinho, o que facilita qualquer
comemoração.
Cia dos Espetinhos
Rua Tapajós, 56 - Jd. Barbosa
Tel.: 2442-7977

172
173
Mude o mundo. Você pode!
As recentes manifestações populares o menor município brasileiro), sempre ha-
levantaram uma questão importante so- verá o que fazer, pelo que lutar, pelo que
bre o modo como desenvolvemos nossa reivindicar, no que trabalhar, o que ofere-
cidadania e como atuamos na comuni- cer, o que mudar. Nós, que vimos milhões
dade em que vivemos. O que vimos fo- de pessoas ou até participamos juntos com
ram milhões de pessoas saindo às ruas e elas, querendo mudar o país em alguns dias
reivindicando algo melhor. Em diversas ou noites nas ruas, podemos – e devemos –
capitais, as vozes foram ouvidas e os ma- continuar a fazer isso diariamente.
nifestantes conseguiram o que queriam. Mudar o mundo não implica necessa-
O que sobra de reflexão após essa onda riamente sair gritando palavras de ordem e
de questionamentos e insatisfações é: o impondo menos corrupção. Muda o mun-
que mais podemos fazer? De que forma do aquele que age positivamente e trans-
somos atuantes onde estamos inseridos? forma a sua realidade e a dos que estão
Ao contrário de já levantar o dedo e próximos. Você pode mudar o mundo de

STUDIO LEAO
dizer que não tem jeito, que o país é lide- um adulto lixando a lousa da sala da igre-
rado por uma corja de ladrões corruptos ja onde ele é alfabetizado à noite, depois
e inacessíveis, vale uma reflexão mais que trabalha pesado na obra da esquina.
aprofundada. Será mesmo que estamos Você pode encher de alegria a vida de uma
tão distantes assim do que julgamos ser criança, fazendo um balanço no parquinho Por Yasushi Arita
a direção do país? As coisas não são tão da creche comunitária de seu bairro. Você
grandes e centralizadas como imagina- pode ajudar a melhorar o comércio de sua
mos, tudo dentro da sala da justiça em região, participando em conjunto com os
Brasília, essa cidade que só ouvimos fa- líderes locais para criar regras para a co-
lar no telejornal das nove da noite. mercialização de ambulantes.
Não, não! A vida política em comuni- A mudança é simples porque ela está
dade acontece todos os dias dentro do con- em nós e não no outro, no País ou nos po-
domínio onde você mora, na associação de líticos. O desejo de ser atuante e de fazer
moradores de sua cidade ou região, na usi- algo por nós mesmos e pelas pessoas que
na de reciclagem e compostagem de lixo na vivem neste mundo conosco pode ser facil-
esquina de sua casa, na escola comunitária mente saciado, basta expandir nossos con-
onde o amiguinho de seu filho estuda, na ceitos de ajuda. Está em nossas mãos, sim,
subprefeitura de seu bairro, nas aulas pro- mudar o mundo! E isso é mais fácil do que
fissionalizantes que a comunidade cristã a gente imagina. Se cada um de nós nos
ministra em sua sede, logo ali à frente. lançarmos no desafio e abrirmos os olhos,
Se prestarmos atenção, seja nossa cida- veremos que por toda parte tem gente pre-
de uma São Paulo ou uma Borá (o maior e cisando de mãos dispostas a ajudar.

174
13 Anos nova era
de bons serviços Centro de Troca de Óleo

Trocas
» Óleo do motor, câmbio manual
e automático e diferencial
» filtros e aditivos
» baterias, extintor e palhetas

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motor, radiador, direção
hidráulica e sistema de freio

Filtros de ar condicionado
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Motor • regulageM • SuSpenSão • Freio

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175
FOTOS: DIVULGAÇÃO

acelera
FOTOS: DIVULGAÇÃO
A Mercedes-Benz vai oferecer seu
Por Luiz Fernando Lovik segundo SUV diesel no Brasil. Depois
do GLK, chega ao País o ML 350
BlueTec. Serão duas configurações: a

Estrela azul de entrada, que vai custar R$ 259.900


e a Sport, onde o preço pula para R$
326.500. Ambas trazem sob o capô um
motor V6 3.0 turbodiesel que rende 258
cv de potência e 63,4 kgfm de torque.
Gerenciado por uma transmissão
automática de sete marchas com
tração integral, o SUV cumpre o zero a
100 km/h em 7,4 segundos e chega a
224 km/h velocidade de máxima.
Itens em comum das duas
versões são o sistema multimídia
com tela de sete polegadas com
acesso à internet e GPS integrado,
sistema start/stop, controle
eletrônico de estabilidade, detector
de sonolência e alerta de pressão
de pneus. A versão Sport adiciona
faróis bixênon com Intelligent Light
System, sistema de iluminação em
led que adapta automaticamente a
iluminação às condições climáticas
e da via, rodas de 20 polegadas, teto
solar, sistema de entretenimento
para os bancos traseiros, porta-
malas com acionamento elétrico e

Céu fechado
bancos esportivos.

A Jaguar finalmente mostrou o F- cano e US$ 7 mil a menos do que o de surpresa ficou para a “top”, com
-Type Coupé. A versão com teto fixo conversível. Ela é equipada com mo- motor V8 5.0 litros sobrealimenta-
do esportivo britânico foi exibida no tor V6 3.0 litros de 340 cv e cumpre do, que passou dos 495 cv da roads-
Salão de Los Angeles, nos EUA. Sem o zero a 100 km/h em 5,3 segundos. ter V8S para 550 cv de potência. Ela
todo o aparato para guardar a capo- Já a intermediária F-Type S Cou- atinge 100 km/h em 4,2 segundos e
ta, o F-Type ficou mais barato e, além pé traz o mesmo propulsor V6, mas custa US$ 99 mil – cerca de R$ 230
disso, a Jaguar injetou ainda mais a potência é elevada em 40 cv – para mil. A Jaguar confirmou a chegada
potência. A versão de entrada agora o total de 380 cv. O preço acompanha do novo modelo ao Brasil no segun-
custa US$ 65 mil – equivalente a R$ a “cavalaria” extra e parte de US$ 77 do semestre do ano que vem, mas
149 mil – no mercado norte-ameri- mil – em torno de R$ 177 mil. A gran- ainda não tem valores definidos. 

176
27

177
lista7
Por Michele Barbosa

1 2 3
FOTOS: DIVULGAÇÃO

Na minha humilde
residência #SQN
Pois é... Enquanto pessoas comuns utilizam o plano do governo “Minha
Casa, Minha Vida” para adquirir a sonhada casa própria, alguns magnatas
4
pagam à vista bagatelas altíssimas por imóveis que parecem o paraíso. Veja
quais são as mansões mais caras do mundo, de acordo com a revista Forbes.

1- Antilia
Mumbai, Índia 5-One Hyde Park
O arranha-céu de 37.161 m² e que Londres, Inglaterra
recebeu o nome de uma ilha mística no O apartamento mais caro do
Oceano Atlântico tem seis níveis sub-
terrâneos de estacionamento, três he-
liportos e um posto de saúde com 600
funcionários. O valor? R$ 2,4 bilhões*.
mundo, situado em Knightsbridge,
foi comprado pelo homem mais rico
da Ucrânia, Rinat Akhmetov. Dispõe
de escalonamento de 2.322 m², vidro
5
à prova de bala e 24 horas de serviços
2- Villa Leopolda de hotel. Valor da propriedade: R$
Villefranche-sur-mer, França 533 milhões, em 2011.
A propriedade, que vale “apenas”
R$ 1,8 bilhão, tem vinte hectares e 6- Ellison Estate
foi construída pelo Rei Leopoldo II Woodside, Estados Unidos
para uma de suas amantes. São 23 acres em estilo japonês,
dez edifícios, um lago artificial, uma
3- Fair Field casa de chá, uma de banho e um lago
Sagaponack, Estados Unidos de carpas. O local está avaliado em
O local conta com 29 quartos, 39
banheiros, três piscinas e sua própria
usina de energia. Custa R$ 595 mi-
mais de R$ 167,3 milhões.

7- Kensington Palace Gardens –


6
lhões. Londres, Inglaterra
Dentre os inúmeros cômodos, a
4- Kensington Palace Gardens – mansão tem extensão subterrânea,
Londres, Inglaterra que inclui uma quadra de tênis, cen-
O proprietário Lakshmi Mit- tro de saúde e museu. R$ 334,6 mi-
tal tem três casas na rua conhecida lhões, em 2011. 
como "Linha dos Bilionários", in-
cluindo uma mansão neo regoriana
perto da Embaixada Israelense. R$ * cotação do dólar comercial: R$
528,19 milhões, em 2008. 2,39 em 4 de dezembro

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