EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DO JUIZADO
ESPECIAL CRIMINAL DE TERESINA/PI
Processo-crime número: ...
Carline Sousa, brasileira, solteira, fisioterapeuta, inscrita no CPF sob o n.
900.000.000-00, titular do documento de identidade RG n. 0.000.000-1 SSP/PI,
residente e domiciliada na Rua 13, n. 9981, bairro Novo Sacy, Teresina – PI, vem
na presença de vossa excelência por meio de seu advogado nomeado, com
escritório na rua ..., n..., bairro ..., município de Teresina-PI, com fundamentos
no art. 396 e 396-A, do código de processo penal, Apresentar:
RESPOSTA À ACUSAÇÃO
às alegações, formuladas pela parte autora Débora Meneses, brasileira,
divorciada, autônoma, inscrita no CPF sob o n. 000.000.000-01, titular do
documento de identidade RG n. 0.000.008 SSP/PI, residente e domiciliada na
Rua Bonfim Costa, n. 7777, bairro Bela Vista, Teresina - PI, pelos fatos e
fundamentos de direito expostos a diante:
I. DOS FATOS
1. Da inicial
Carline Sousa, foi denunciada pela prática de injúria por segundo a querelante
“ofender a dignidade e o decoro moral da Querelante” a parte autora ainda alega
que a ré teria cometido crime “pela prática de crime de injúria em detrimento da
honra subjetiva da querelante sobretudo pelo fato de a querelada ter exarado
xingamentos graves face a querelante, por tê-la chamado de imbecil, idiota,
despeitada, invejosa e mentirosa”
Ainda segundo a inicial em 26 de março de 2021, às 19h20, a Querelante Débora
Meneses, encontrava-se no Centro Estético Bio Corpo, espaço que frequenta de
forma regular, quando foi abordada agressivamente pela Querelada Carline
Sousa, que lhe proferiu palavras de baixo calão atentando contra a sua honra.
2. Da verdade dos fatos
Carline Sousa ao chegar no centro estético Bio Corpo, onde frequentava
periodicamente, soube através de Jéssica Duarte, funcionária do
estabelecimento, que uma outra cliente Débora Meneses, por diversas vezes
preferiu-lhe ofensas, Jéssica afirmou para Carline que inclusive no dia anterior,
25 de março de 2021, Débora falava em voz alta com uma outra funcionária,
Sueli Montenegro, que Carline não passava de uma desocupada, sustentada
por homens ricos e que tão somente por isso ostentava em suas redes sociais
uma vida de luxo com carros importados, celulares caros e viagens ao exterior.
Débora chega ao local e é prontamente questionada por Carline sobre tais
ofensas ditas em seu desfavor, Em ato contínuo, Débora não só confirma toda
a versão apresentada, como também afirma que este é o real motivo dela ter
tamanha preocupação com beleza e que na verdade, ela (Carline) tira o seu
sustento através da exploração do próprio corpo.
Carline, no calor do momento, por estar indignada pelas acusações que lhe
foram impostas REBATE AS OFENSAS, afirmando que Débora é uma
mentirosa, idiota, imbecil, despeitada e invejosa, a querelada só reage dessa
forma pois já estava cansada de sofrer pelas mentiras contadas por Debora.
Após a discursão Débora Meneses se dirige a uma Delegacia de Polícia, onde é
feito um Termo Circunstanciado em desfavor de Carline Sousa.
Logo após teve DESIGNO audiência preliminar para o dia 06/09/2021, em aluída
audiência, as partes compareceram. Todas as propostas de conciliação se
mostraram frustradas. Juntada queixa-crime pelo querelante. Designada
audiência de instrução e julgamento para 01 de outubro de 2021.
Diante da verdade dos fatos logo se ver que houve uma tentativa frustrada de
ludibriar os fatos e próprio poder judiciário.
II. DO DIREITO
II.I DAS PRELIMINARES
NULIDADE AB INITIO / DENÚNCIA INEPTA
A peça acusatória é manifestamente inepta pois não atende os requisitos
previstos no art.41 do código de processo penal, qual seja in verbis:
Art. 41. A denúncia ou queixa conterá a exposição do fato
criminoso, com todas as suas circunstâncias, a
qualificação do acusado ou esclarecimentos pelos quais
se possa identificá-lo, a classificação do crime e, quando
necessário, o rol das testemunhas.
A denuncia não expôs todas as circunstâncias como foi evidenciado pelas
testemunhas nos fatos desta peça, exige-se a descrição individualizada da
conduta e cada agente e a especificação de todos os elementos do crime o que
não se teve, a querelante inverteu os fatos inclusive omitindo as testemunhas
em sua inicial, a denúncia DEVERÁ SER REJEITADA nos termos do art. 395, I
do CPP.
II.II DO MERITO
CASO NÃO SEJA ACEITA A INÉPCIA DA INICIAL
Como se percebe, a Ré apenas rechaçou às palavras disparadas pela Autora,
que, a propósito, deu início às ofensas verbais, no calor da emoção, palavras
ofensivas foram ditas mutuamente.
Nessas passadas, a querelada agiu em legítima defesa, máxime porquanto a
repulsa foi proporcional à agressão verbal sofrida; o ataque foi atual e, por fim;
foi totalmente descabida por parte da querelante.
Desse modo, a exposição fática, que embasa o pleito condenatório, amolda-se
à descrição disposta na Legislação Penal, in verbis:
Art. 140 - Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou
o decoro:
(...)
§ 1º - O juiz pode deixar de aplicar a pena:
I - quando o ofendido, de forma reprovável, provocou
diretamente a injúria;
II - no caso de retorsão imediata, que consista em outra
injúria.
Por isso, Guilherme de Souza Nucci promove uma definição assentada de que:
6.7.1 Provocação reprovável
Configura-se uma hipótese semelhante à violenta emoção, seguida de injusta provocação da
vítima. Aquele que provoca outra pessoa, indevidamente, até tirar-lhe o seu natural equilíbrio,
pode ser vítima de uma injúria. Embora não seja correto, nem lícito, admitir que o provocado
ofenda o agente provocador, é causa de extinção da punibilidade. Não haveria razão moral para o
Estado punir quem injuriou a pessoa que o provocou.
6.7.2. Retorsão imediata
É uma modalidade anômala de “legítima defesa”. Quem foi ofendido, devolve a ofensa. Mais
uma vez: embora não seja lícita a conduta, pois a legítima defesa destina-se, exclusivamente, a
fazer cessar a agressão injusta que, no caso da injúria, já ocorreu, é preciso ressaltar que o ofendido
tem em mente devolver a ofensa para livrar-se da pecha a ele dirigida. Trata-se de uma maneira
comum dos seres humanos sentirem-se recompensados por insultos recebidos. A devolução do
ultraje acaba, internamente, compensando quem a produz. Por isso, o Estado acaba perdoando o
agressor. [ ... ]
Dessa maneira, da situação emerge o desiderato de perdão judicial.
III. DOS PEDIDOS
Diante do exposto, reitera-se as cordiais e respeitosas saudações, assim a
querelada requer que:
a) Seja recebida a presente Resposta a acusação
b) Seja reconhecida a inépcia nos temos nos termos do art. 395, I do CPP
c/c art. 41 do CPP;
c) Caso não seja aceita a inépcia da inicial se profira o perdão judicial nos
termos do art. 140, § 1º, I e II Do CPP;
d) Seja arroladas e intimadas as devidas testemunhas
Nestes termos,
Pede deferimento
Teresina/PI, 18 de outubro de 2021
Advogado
Número da OAB.
TESTEMUNHAS
Testemunha 1, Jéssica Duarte..., endereço...
Testemunha 2, Sueli Montenegro..., endereço...