LEI COMPLEMENTAR N.
º 76/2006
“Dispõe sobre o Estatuto dos
Servidores Públicos do Município de
São Sebastião, da administração direta,
autárquica e fundacional pública, e dá
providências correlatas”.
Dr. JUAN MANOEL PONS GARCIA, Prefeito de São
Sebastião faz saber que a Câmara Municipal aprovou e ele sanciona e promulga a
seguinte lei:
TÍTULO I
DAS DISPOSIÇÕES PRELIMINARES
Artigo 1º. Esta lei reformula e atualiza o Estatuto dos Servidores
Públicos do Município de São Sebastião, compreendidos os servidores da Prefeitura e
da Câmara Municipais, das autarquias e das fundações públicas do Município.
Artigo 2º. Para os efeitos desta lei, são adotadas as seguintes
definições:
I - cargo público é o conjunto de atribuições, deveres e
responsabilidades cometidas ao servidor público, criado por lei, com denominação
própria, número certo e vencimento a ser pago pelos cofres públicos;
II - servidor público é toda pessoa física legalmente investida
em cargo público, de provimento efetivo ou em comissão;
III - classe é o agrupamento de cargos da mesma natureza
funcional e grau de responsabilidade, mesmo nível de vencimento, mesma
denominação, substancialmente idênticos, quanto ao grau de dificuldade e
responsabilidade para seu exercício;
IV - carreira é a estruturação dos cargos em classes;
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LEI COMPLEMENTAR N.º 76/2006
V - cargo isolado é aquele que não constitui carreira.
TÍTULO II
DO PROVIMENTO E DO EXERCÍCIO
CAPÍTULO I
DO PROVIMENTO
Seção I
DISPOSIÇÕES GERAIS
Artigo 3º. São requisitos básicos para investidura em cargo
público:
I - a nacionalidade brasileira, salvo exceção estabelecida em
legislação federal autorizada pela Constituição Federal;
II - o gozo dos direitos políticos;
III - a regularidade com as obrigações militares e eleitorais;
IV - o nível de escolaridade exigido para o exercício do cargo e,
no caso de profissões regulamentadas por legislação federal específica, apresentação
da carteira profissional expedida pelo órgão de classe respectivo;
V - a idade mínima de 18 (dezoito) anos;
VI - não ter sentença penal condenatória transitada em julgado
contra si;
VII - aptidão física e mental.
Parágrafo único. Às pessoas portadoras de deficiência é
assegurado o direito de se inscrever em concurso público para provimento de cargo
cujas atribuições sejam compatíveis com a deficiência de que são portadoras. Para tais
pessoas serão reservadas, no mínimo, 5% (cinco por cento) das vagas oferecidas, no
percentual e nas condições a serem definidas em cada edital de concurso público. Caso
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LEI COMPLEMENTAR N.º 76/2006
a aplicação do percentual de que trata este parágrafo resulte em número fracionado,
este deverá ser elevado até o primeiro número inteiro subsequente.
Artigo 4º. O provimento dos cargos públicos far-se-á mediante
ato da autoridade competente de cada Poder.
Artigo 5º. A investidura em cargo público ocorrerá com a posse.
Artigo 6º. São formas de provimento de cargo público:
I - nomeação;
II - promoção;
III - readaptação;
IV - reversão;
V - aproveitamento;
VI – reintegração;
VII – recondução.
Seção II
DO CONCURSO PÚBLICO
Artigo 7º. Nos concursos públicos poderá estar condicionada a
inscrição do candidato ao pagamento do valor fixado no edital.
Artigo 8º. O concurso público, que poderá abranger cargos
diferentes, terá a validade de até dois anos, prorrogável uma vez, por igual período.
§ 1º As condições do concurso público serão fixadas em cada
respectivo edital, que será publicado em jornal diário de grande circulação no
Município, onde deverão constar, entre outros, os seguintes requisitos:
I - o prazo de validade do concurso;
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II - os requisitos a serem satisfeitos pelos candidatos, tal como o
grau de instrução exigível, a ser comprovado no momento da convocação, mediante
apresentação de documentação competente;
III - número de vagas a serem preenchidas nos respectivos
cargos públicos, distribuídas por especialização ou disciplina, quando for o caso, com
o respectivo vencimento do cargo.
§ 2º Salvo em situações justificadas não se abrirá novo concurso
enquanto houver candidato aprovado em concurso anterior para o mesmo cargo, com
prazo de validade não expirado.
Seção III
DA NOMEAÇÃO
Subseção I
Disposições Gerais
Artigo 9º. A nomeação far-se-á:
I - em caráter efetivo, quando se tratar de cargo isolado ou
constituído em carreira;
II - em comissão, para cargos definidos na lei como de direção,
chefia e assessoramento, de livre nomeação e exoneração pela autoridade competente;
III - em encarregatura, exercida exclusivamente por servidores
ocupantes de cargos efetivos.
Artigo 10. A nomeação para cargo de provimento efetivo
depende de prévia habilitação em concurso público de provas ou de provas e títulos,
obedecidos à ordem de classificação e o prazo de sua validade.
Parágrafo único. Os demais requisitos para o ingresso e o
desenvolvimento do servidor na carreira, mediante promoção, serão estabelecidos pela
legislação municipal pertinente.
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LEI COMPLEMENTAR N.º 76/2006
Artigo 11. Os cargos em comissão poderão ser ocupados por
servidores de carreira, no percentual mínimo de 10 % (dez por cento) das vagas que
forem preenchidas do quadro de comissionados, e por servidores não integrantes do
quadro permanente municipal.
§ 1º Os servidores efetivos, ocupantes de cargo em comissão,
perceberão o vencimento-base do cargo efetivo e as vantagens pessoais já
incorporadas ao vencimento, consistindo a diferença entre esta soma e a referência
remuneratória atribuída ao cargo em comissão em gratificação pelo exercício de cargo
comissionado, que será acrescida aos vencimentos do servidor enquanto perdurar o
comissionamento.
§ 2º O servidor efetivo nomeado para cargo em comissão poderá
optar, ainda, por perceber 30 % (trinta por cento) do valor do cargo comissionado, que
será acrescido, a título de gratificação, ao valor da respectiva remuneração, enquanto
durar o comissionamento.
Artigo 12. Ao servidor ocupante de cargo efetivo que esteja
exercendo encarregatura, é devida gratificação pelo seu exercício, estabelecida nas leis
de organização dos quadros de pessoal de cada Poder e entidade.
Parágrafo único. A designação para o exercício de
encarregatura será feita por ato do Prefeito ou Presidente da Câmara Municipal.
Artigo 13. As gratificações por exercício de cargo comissionado
e por encarregatura não se incorporam ao vencimento para todos os efeitos.
Subseção II
Da Posse e do Exercício
Artigo 14. A posse do servidor dar-se-á pela assinatura do
respectivo termo, no qual poderão constar as atribuições, os deveres, as
responsabilidades e os direitos inerentes ao cargo ocupado, que resultarão aceitos, com
o compromisso de bem servir.
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LEI COMPLEMENTAR N.º 76/2006
§ 1º A posse ocorrerá no prazo máximo de 10 (dez) dias
contados da publicação do ato de provimento, renováveis uma vez, por igual período, a
pedido do interessado e a critério da Administração.
§ 2º O servidor municipal, aprovado e classificado em concurso
público para outro cargo na Administração Municipal, ao tomar posse, será
automaticamente exonerado do cargo anteriormente ocupado.
§ 3º Só haverá posse nos casos de provimento de cargo por
nomeação.
§ 4º No ato da posse, o servidor apresentará declaração de bens e
valores que constituem seu patrimônio, declaração de que não exerce outro cargo,
emprego ou função pública inacumulável, bem como declaração de antecedentes
criminais, sob as penas da lei.
§ 5º Será tornado sem efeito o ato de provimento se a posse não
ocorrer no prazo previsto no § 1º deste artigo.
§ 6º A posse não poderá ser tomada por procuração.
Artigo 15. A posse em cargo público dependerá de prévia
inspeção médica oficial.
Parágrafo único. Só poderá ser empossado aquele que for
julgado apto física e mentalmente para o exercício do cargo, conforme laudo da junta
médica oficial da Unidade de Saúde Ocupacional.
Artigo 16. Exercício é o efetivo desempenho das atribuições do
cargo público, que coincidirá com a data da assinatura do termo de posse.
§ 1º É de 10 (dez) dias o prazo para o servidor entrar em
exercício, renováveis por um único igual período a pedido do interessado e a critério
da Administração, contados da publicação oficial do ato nos casos de reintegração e
reversão.
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§ 2º O servidor será exonerado do cargo, ou será tornado sem
efeito o ato de sua designação para função de confiança, se não entrar em exercício nos
prazos previstos no parágrafo anterior.
§ 3º À autoridade competente do órgão ou entidade para onde for
nomeado ou designado o servidor compete dar-lhe exercício e comunicar formalmente
ao Departamento de Recursos Humanos o início do exercício no prazo de 24 (vinte e
quatro) horas, sob pena de responsabilidade.
Artigo 17. O início, a suspensão, a interrupção e o reinício do
exercício serão registrados no assentamento individual do servidor.
Parágrafo único. Ao entrar em exercício, o servidor apresentará
ao órgão competente os elementos necessários ao seu assentamento individual.
Artigo 18. O servidor apenas poderá ter exercício dentro do
Município, salvo em caso de cessão a órgão público que não municipal, na forma desta
lei.
Artigo 19. Os servidores, efetivos ou em comissão, cumprirão
jornada de trabalho fixada nas leis de organização do quadro de pessoal de cada Poder
ou entidade, observados os limites constitucionais.
Artigo 20. A promoção, a readaptação e a recondução não
interrompem o tempo de exercício.
Seção IV
DA ESTABILIDADE E DO ESTÁGIO PROBATÓRIO
Artigo 21. Ao entrar em exercício, o servidor nomeado para
cargo de provimento efetivo antes de estabilizar-se no serviço público ficará sujeito a
estágio probatório pelo período de 03 (três) anos, observadas como condição para
aquisição de estabilidade:
I - avaliação periódica de desempenho, nos termos desta Lei e de
regulamento próprio;
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II - as demais regras constantes da legislação municipal
aplicáveis, se existente.
§ 1º O servidor que, observadas as regras constantes deste artigo,
não for aprovado no estágio probatório será exonerado, mediante instauração de
processo administrativo.
§ 2º O servidor em estágio probatório não poderá exercer
quaisquer cargos de provimento em comissão ou funções de direção, chefia ou
assessoramento e encarregatura no Poder ou na entidade respectiva.
§ 3º Ao servidor em estágio probatório é vedado o gozo de
licença para tratar de assuntos particulares.
§ 4º Suspende-se a contagem do período de estágio probatório
quando o servidor estiver em gozo das demais licenças e afastamentos elencados no
Título III, Capítulos IV e V desta Lei, salvo a licença por acidente de serviço.
Artigo 22. O servidor em estágio probatório será submetido a
três avaliações de desempenho, uma a cada 10 (dez) meses, a contar do início do
exercício, cada uma das quais integrada de exames periódicos que atestem sua aptidão
para exercer seu cargo, sob pena de se configurar insubordinação.
Parágrafo único. Os exames a que se refere o caput, serão
compostos, conforme o caso, de provas escritas, técnicas e operacionais, podendo ser
incluídas provas psicotécnicas, e com ocasional participação de equipes médicas e
paramédicas, sendo sempre avaliados por comissões especialmente designadas.
Artigo 23. Será considerado inapto para o serviço e demitido o
servidor que durante o estágio probatório for reprovado em duas avaliações, das três a
que se refere o artigo anterior, se após exercitada sua ampla defesa for esta
considerada insatisfatória.
§ 1º A avaliação completa do desempenho do servidor em
estágio probatório, e sua exoneração, quando for o caso, deverá estar concluída dentro
do período de estágio probatório, sob pena de responsabilidade da autoridade
responsável pela avaliação.
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§ 2º A falta de avaliação especial de desempenho por comissão
instituída para essa finalidade dentro do prazo de 03 (três) anos não acarreta aquisição
automática da estabilidade pelo servidor, que deverá representar contra a omissão da
autoridade responsável pela avaliação, na forma do artigo 195, inciso XII e parágrafo
único desta Lei.
Artigo 24. O servidor estável só perderá o cargo em virtude de
alguma das causas previstas na Constituição Federal, observada a legislação federal e
municipal aplicável por força de disposição constitucional.
Seção V
DA PROMOÇÃO
Artigo 25. Promoção é a elevação do servidor à classe
imediatamente superior àquela a que pertence, na mesma carreira, desde que
comprovada, mediante avaliação prévia, sua capacidade para exercício das atribuições
da classe correspondente.
Parágrafo único. A promoção far-se-á a cada 03 (três) anos,
obedecendo aos critérios definidos em regulamento próprio, acerca da avaliação de
desempenho.
Artigo 26. Para efeitos de promoção, não serão considerados
como de efetivo exercício:
I – as faltas injustificadas;
II – as licenças e afastamentos sem remuneração dos cofres
municipais;
III – suspensão disciplinar.
Artigo 27. A promoção não interrompe o tempo de exercício,
que é contado do novo posicionamento na carreira a partir da data de publicação do ato
que promover o servidor.
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LEI COMPLEMENTAR N.º 76/2006
Seção VI
DA READAPTAÇÃO
Artigo 28. Readaptação é a transformação da investidura do
servidor para um cargo de atribuições e responsabilidades compatíveis com a limitação
que tenha sofrido em sua capacidade física ou mental, verificada por junta médica
oficial da Unidade de Saúde Ocupacional.
§ 1º Se julgado incapaz para o serviço público, o servidor
readaptado ou readaptando será aposentado por invalidez.
§ 2º A readaptação será efetivada em cargo de atribuições afins,
respeitada a habilitação e o nível de escolaridade exigido, garantida a irredutibilidade
de salário, e, na hipótese de inexistência de cargo vago, o servidor será colocado em
disponibilidade até a vacância de cargo compatível com a sua capacidade.
Seção VII
DA REVERSÃO
Artigo 29. Reversão é o retorno à atividade de servidor
aposentado por invalidez, quando, por junta médica oficial da Unidade de Saúde
Ocupacional, forem declarados insubsistentes os motivos determinantes da
aposentadoria.
Artigo 30. A reversão far-se-á no mesmo cargo ou no cargo
resultante de sua transformação.
Parágrafo único. Encontrando-se provido ou extinto o cargo, o
servidor será colocado em disponibilidade, até a ocorrência de vaga.
Artigo 31. Não poderá reverter o aposentado que já tiver
completado 70 (setenta) anos de idade.
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LEI COMPLEMENTAR N.º 76/2006
Seção VIII
DO APROVEITAMENTO
Artigo 32. Aproveitamento é o retorno obrigatório à atividade
do servidor em disponibilidade em cargo de atribuições e remunerações compatíveis
com o anteriormente ocupado.
Seção IX
DA REINTEGRAÇÃO
Artigo 33. Reintegração é a reinvestidura do servidor estável no
cargo anteriormente ocupado, ou no cargo resultante de sua transformação, quando
invalidada a sua demissão por decisão administrativa ou judicial, com ressarcimento
de todas as vantagens e reconhecimento dos direitos inerentes ao cargo.
§ 1º Na hipótese de o cargo ter sido extinto, o servidor ficará em
disponibilidade, com remuneração proporcional ao tempo de serviço, até seu adequado
aproveitamento em outro cargo.
§ 2º Encontrando-se provido o cargo, o seu eventual ocupante
será reconduzido ao cargo de origem, sem direito a indenização ou aproveitado em
outro cargo, ou, ainda, posto em disponibilidade com remuneração proporcional ao
tempo de serviço.
§ 3º Se o servidor não entrar em exercício no prazo previsto no
artigo 16, § 1º, sua ausência será considerada como falta injustificada, salvo em caso
de doença comprovada em inspeção médica oficial da Unidade de Saúde Ocupacional.
Seção X
DA RECONDUÇÃO
Artigo 34. Recondução é o retorno do servidor estável ao cargo
anteriormente ocupado e decorrerá de reintegração do anterior ocupante.
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LEI COMPLEMENTAR N.º 76/2006
Parágrafo único. Encontrando-se provido o cargo de origem, o
servidor será aproveitado em outro, observadas as regras de compatibilidade previstas
nesta Lei.
CAPÍTULO II
DA MOVIMENTAÇÃO DE PESSOAL
Seção I
DA REMOÇÃO
Artigo 35. Remoção é o ato pelo qual o servidor passa a ter
exercício em outro órgão da Administração Municipal, no âmbito do mesmo quadro de
pessoal.
§ 1º Dar-se-á a remoção:
I - de ofício, no interesse da Administração;
II - a pedido, a critério da Administração.
§ 2º A remoção de ofício ocorrerá para ajustamento de lotação e
da força de trabalho às necessidades do serviço, inclusive nos casos de reorganização
da estrutura interna da Administração Municipal.
§ 3º A remoção por permuta de servidores será precedida de
requerimento de ambos os interessados.
§ 4º Dar-se-á a remoção a pedido:
I - para acompanhar cônjuge ou companheiro;
II - por motivo de saúde do servidor, cônjuge, companheiro ou
dependente que viva às suas expensas e conste do seu assentamento funcional,
condicionada à comprovação por junta médica oficial da Unidade de Saúde
Ocupacional.
§ 5º A remoção a pedido fica condicionada à existência de vagas.
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LEI COMPLEMENTAR N.º 76/2006
Artigo 36. A remoção se dará por acordo entre os chefes das
unidades interessadas aprovada pela autoridade máxima de cada Poder ou entidade.
Seção II
DA RELOTAÇÃO
Artigo 37. Relotação é o deslocamento de servidor efetivo, com
o respectivo cargo, para o quadro de pessoal de outra entidade da Administração
Municipal, no âmbito do mesmo Poder, observados os seguintes preceitos:
I - interesse da Administração, e;
II - manutenção das atribuições e das responsabilidades do cargo.
§ 1º A relotação ocorrerá ex officio para ajustamento de lotação e
da força de trabalho às necessidades dos serviços, inclusive nos casos de reorganização
do Poder ou da entidade.
§ 2º A relotação dar-se-á mediante decreto ou ato equivalente.
Seção III
DA CESSÃO
Artigo 38. O servidor poderá ser cedido, para ter exercício em
outro órgão ou entidade dos Poderes da União, dos Estados ou do Distrito Federal, em
havendo interesse da Administração, sempre sem prejuízo de sua remuneração, e com
as demais condições estabelecidas no ato de afastamento.
§ 1º O ônus da remuneração e encargos será do órgão ou
entidade cessionário, que arcará, inclusive, com parcela remuneratória referente às
vantagens pessoais já incorporadas, salvo nos casos previstos em lei, convênio ou
acordo.
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LEI COMPLEMENTAR N.º 76/2006
§ 2º É vedada a cessão de servidores quando em período de
estágio probatório.
CAPÍTULO III
DA DISPONIBILIDADE E DO APROVEITAMENTO
Artigo 39. Dar-se-á a disponibilidade do servidor estável em
virtude da extinção de seu cargo ou da declaração de sua desnecessidade, com
remuneração proporcional ao tempo de serviço.
Artigo 40. O retorno à atividade de servidor em disponibilidade
far-se-á mediante aproveitamento, obrigatório sempre que vagar cargo de atribuições e
vencimentos compatíveis com o anteriormente ocupado.
Parágrafo único. O Departamento de Recursos Humanos de
cada Poder ou entidade determinará o imediato aproveitamento de servidor em
disponibilidade, sempre que ocorrer vaga, na forma do caput.
Artigo 41. Será tornado sem efeito o ato que determinar o
aproveitamento se o servidor não entrar em exercício no prazo estipulado no ato de
convocação, salvo se por doença comprovada por junta médica oficial da Unidade de
Saúde Ocupacional.
Parágrafo único. A falta de comparecimento do servidor
convocado dentro do prazo determinado acarretará sua demissão, salvo em caso de
doença comprovada em inspeção médica oficial da Unidade de Saúde Ocupacional.
CAPÍTULO IV
DA DECLARAÇÃO DE DESNECESSIDADE DE CARGOS
Artigo 42. Caso o cargo declarado desnecessário esteja ocupado
por servidor em estágio probatório será esse desligado do serviço público, e caso esteja
ocupado por servidor estável este permanecerá em disponibilidade, com remuneração
proporcional ao tempo de serviço.
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LEI COMPLEMENTAR N.º 76/2006
CAPÍTULO V
DA VACÂNCIA
Artigo 43. A vacância do cargo público decorrerá de:
I - exoneração;
II - demissão;
III - promoção;
IV - readaptação;
V - aposentadoria;
VI - falecimento.
Artigo 44. A exoneração de cargo efetivo dar-se-á a pedido do
servidor, ou de ofício.
§ 1º A exoneração de ofício dar-se-á quando a autoridade
destituir o servidor do cargo em comissão.
§ 2º A exoneração será deferida ao ocupante de cargo em
comissão que a requeira, indicando ou não seus motivos.
CAPÍTULO VI
DA SUBSTITUIÇÃO
Artigo 45. Haverá substituição no impedimento legal e
temporário do ocupante de cargo de Secretário, Chefe, Diretor e Coordenador por
período igual ou superior a 20 (vinte) dias consecutivos.
§ 1º O substituto perceberá a diferença de vencimento entre as
duas situações, no grau que se encontrar classificado.
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LEI COMPLEMENTAR N.º 76/2006
§ 2º Nas demais substituições, não caberão diferenças do
vencimento fixado para o cargo que ocupa no serviço público.
Artigo 46. Qualquer que seja o período de substituição, o
substituto retornará, após, ao seu cargo de origem.
CAPÍTULO VII
DO TEMPO DE SERVIÇO
Artigo 47. Observadas as disposições constitucionais
pertinentes, será contado para efeitos de aposentadoria e disponibilidade o tempo de
serviço público federal, estadual e municipal, prestado à administração direta,
autárquica e fundacional pública daqueles entes.
Artigo 48. A apuração do tempo de serviço será feita em dias,
que serão convertidos em anos, considerado o ano como de trezentos e sessenta e
cinco dias.
Artigo 49. Além das ausências ao serviço previstas nesta Lei,
são considerados como de efetivo exercício os afastamentos em virtude de:
I - férias;
II - participação em programa de treinamento oficialmente
instituído;
III - júri e outros serviços obrigatórios por lei;
IV - licença:
a) à gestante, à adotante e à paternidade;
b) por motivo de acidente em serviço ou doença profissional.
V - participação em competição desportiva nacional ou
convocação para integrar representação desportiva nacional, no país ou no exterior, se
autorizada pela Administração;
VI - servir em organismo internacional de que o Brasil participe
ou com o qual coopere.
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LEI COMPLEMENTAR N.º 76/2006
VII – exercício em outro cargo municipal de provimento em
comissão.
TÍTULO III
DOS DIREITOS E VANTAGENS
CAPÍTULO I
DO VENCIMENTO E DA REMUNERAÇÃO
Artigo 50. Vencimento é a retribuição pecuniária básica, devida
pelo exercício de cargo público, com valor fixado em lei.
Artigo 51. Remuneração é o vencimento do cargo, acrescido das
vantagens pecuniárias estabelecidas em lei, incorporáveis ou não.
Artigo 52. Nenhum servidor poderá perceber, mensalmente, a
título de remuneração, importância superior ao limite constitucionalmente
estabelecido.
Artigo 53. O servidor perderá:
I - a remuneração do dia em que faltar ao serviço, sem motivo
justificado;
II - no caso de faltas sucessivas injustificadas, os dias
intercalados: domingos, feriados e aqueles em que não haja expediente – serão
computados exclusivamente para efeito de desconto do vencimento ou remuneração;
III - a parcela da remuneração diária, proporcional aos atrasos ou
às saídas antecipadas, salvo na hipótese de compensação de horário, previamente
estabelecida pelo Chefe do Executivo;
IV - a remuneração, quando afastado por motivo de prisão em
flagrante, preventiva ou temporária, determinada pela autoridade competente,
enquanto perdurar a prisão; e durante o afastamento, em virtude de condenação, por
sentença definitiva, a pena que não determine a perda do cargo.
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LEI COMPLEMENTAR N.º 76/2006
Artigo 54. Salvo por imposição legal, ou mandado judicial,
nenhum desconto incidirá sobre a remuneração ou provento.
Parágrafo único. Mediante autorização escrita do servidor,
poderá ser consignado em folha de pagamento descontos em favor de terceiros, a
critério da Administração e com reposição de gastos, na forma definida em
regulamento.
Artigo 55. As reposições, por pagamentos indevidos, e as
indenizações, por prejuízos ao erário, serão previamente comunicadas ao servidor e
descontadas da sua remuneração, independentemente de sua anuência.
§ 1º A indenização será procedida em parcelas mensais cujo
valor não exceda um décimo da remuneração.
§ 2º A reposição será procedida em uma única parcela, quando
constatado pagamento indevido no mês anterior ao do processamento da folha.
§ 3º A reposição será procedida em parcelas cujo valor não
exceda um quarto da remuneração, após o prazo do parágrafo anterior.
Artigo 56. O servidor em débito com o erário, que for demitido
ou exonerado ou ainda aquele cuja dívida relativa à reposição seja superior a cinco
vezes o valor de sua remuneração terá o prazo de sessenta dias para quitar o débito.
§ 1º A não quitação do débito no prazo previsto implicará sua
inscrição em dívida ativa, salvo nos casos em que o servidor solicite, mediante
requerimento, parcelamento maior, cujo deferimento será submetido à autoridade
competente.
§ 2º Os valores percebidos pelo servidor, em razão de decisão
judicial que posteriormente venha a ser cassada ou revista, deverão ser repostos no
prazo de trinta dias, contados da notificação respectiva, sob pena de inscrição em
dívida ativa.
Artigo 57. O vencimento, a remuneração e o provento não serão
objeto de arresto, seqüestro ou penhora, exceto por decisão judicial.
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LEI COMPLEMENTAR N.º 76/2006
CAPÍTULO II
DAS VANTAGENS
Seção I
DISPOSIÇÕES GERAIS
Artigo 58. Além do vencimento, poderão ser pagas ao servidor
as seguintes vantagens:
I - gratificações;
II - adicionais;
III - abono família.
§ 1º As gratificações não se incorporam ao vencimento ou
provento para nenhum efeito.
§ 2º O adicional por tempo de serviço incorpora-se ao
vencimento ou provento, observado o teto constitucional.
Seção II
DAS GRATIFICAÇÕES E DOS ADICIONAIS
Artigo 59. Além do vencimento e das vantagens previstas nesta
Lei, e daquelas obrigatórias por força da Constituição Federal, serão deferidos aos
servidores as seguintes gratificações e adicionais:
I - décimo-terceiro vencimento constitucional;
II - adicional noturno constitucional;
III - adicional constitucional pela prestação de serviço
extraordinário;
IV - adicional por tempo de serviço;
V - adicionais de insalubridade e periculosidade;
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LEI COMPLEMENTAR N.º 76/2006
VI - adicional constitucional de férias;
VII - gratificação pela participação em órgão de deliberação
coletiva;
VIII - gratificação de representação em gabinete;
IX - gratificação de nível universitário;
X - gratificação de pronto socorro;
XI - gratificação de plantão à distância em pronto socorro;
XII - gratificação de produtividade.
Subseção I
Do décimo terceiro vencimento constitucional
Artigo 60. O décimo terceiro vencimento, constitucionalmente
assegurado ao servidor, corresponde a um vencimento integral, acrescido das
vantagens incorporadas.
Artigo 61. O décimo terceiro vencimento será pago aos
servidores efetivos e comissionados, independentemente de requerimento e dividido
em duas parcelas:
I – a primeira parcela será paga no mês anterior ao aniversário
natalício do servidor, correspondendo a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração
paga ao servidor neste período;
II – a segunda parcela do décimo terceiro vencimento será paga
até o dia vinte de dezembro e será calculada sobre a remuneração recebida no mês de
dezembro, abatendo-se a primeira parcela descrita no inciso anterior.
Parágrafo único. O servidor em estágio probatório receberá o
décimo terceiro vencimento no mês de dezembro.
Artigo 62. O servidor efetivo que for exonerado perceberá seu
décimo terceiro vencimento proporcionalmente aos meses de exercício após o mês de
seu aniversário, calculado sobre o valor de pagamento do mês da exoneração,
considerando-se mês integral, para esse efeito, toda fração superior a 15 (quinze) dias.
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LEI COMPLEMENTAR N.º 76/2006
Artigo 63. O décimo terceiro vencimento não será considerado
para cálculo de qualquer vantagem pecuniária.
Subseção II
Do adicional noturno constitucional
Artigo 64. O serviço noturno, assim considerado aquele prestado
em horário compreendido entre 22 (vinte e duas) horas de um dia e 05 (cinco) horas do
dia seguinte, terá o valor hora acrescido de 25% (vinte e cinco por cento),
computando-se cada hora como cinqüenta e dois minutos e trinta segundos.
Parágrafo único. Em se tratando de serviço extraordinário, o
acréscimo de que o caput trata será cumulado com o adicional por serviço
extraordinário.
Artigo 65. O adicional noturno percebido pelo servidor não será
incorporado ou considerado para fins de cálculo de férias e décimo terceiro
vencimento constitucional.
Subseção III
Do adicional constitucional por serviço extraordinário
Artigo 66. O serviço extraordinário será remunerado com
acréscimo de 50% (cinqüenta por cento) em relação à hora normal de trabalho, e a
hora extraordinária será calculada com base na carga horária diária de 08 (oito) horas
para servidores submetidos à jornada integral de trabalho, e proporcionalmente nos
demais casos.
Artigo 67. Somente será permitido serviço extraordinário para
atender a situações excepcionais e temporárias e sempre por autorização escrita da
autoridade máxima de cada Poder ou entidade.
21
LEI COMPLEMENTAR N.º 76/2006
Artigo 68. O adicional por serviço extraordinário não será
incorporado ou considerado para fins de cálculo de férias e décimo terceiro
constitucional.
Subseção IV
Do adicional por tempo de serviço
Artigo 69. O adicional por tempo de serviço é devido somente a
cada 05 (cinco) anos de efetivo serviço público municipal prestado pelo servidor
ocupante de cargo de carreira, à razão de 5% (cinco por cento) do valor do respectivo
vencimento básico, ainda que investido o mesmo servidor em encarregatura ou cargo
de confiança.
Parágrafo único. O servidor fará jus ao adicional,
independentemente de requerimento, a partir do mês em que completar o qüinqüênio
de efetivo exercício do cargo.
Subseção V
Dos adicionais de insalubridade e periculosidade
Artigo 70. Será concedido adicional de insalubridade ou
periculosidade ao servidor municipal que exerça atividade considerada insalubre ou
perigosa.
Parágrafo único. A atividade insalubre ou perigosa é aquela
exercida em local insalubre ou perigoso, assim considerados aqueles que tenham sido
previamente avaliados e classificados pela Administração Pública.
Artigo 71. À insalubridade de grau mínimo corresponderá um
adicional de 8% (oito por cento, à de grau médio, um adicional de doze por cento (12
%) e à de grau máximo, um adicional de 16% (dezesseis por cento), quaisquer deles
calculados sobre o valor inicial da referência I da tabela de vencimentos dos servidores
municipais.
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LEI COMPLEMENTAR N.º 76/2006
Artigo 72. O adicional de periculosidade será de 20% (vinte por
cento) calculado sobre o salário base do servidor solicitante.
Artigo 73. Compete ao órgão responsável pela Segurança do
Trabalho Municipal elaborar laudo de avaliação e classificação dos locais e atividades
insalubres ou perigosas recorrendo, se necessário, à Unidade de Saúde Ocupacional
Municipal, obedecidas as normas regulamentadoras do Ministério do Trabalho.
Parágrafo único. Expedido laudo avaliatório da insalubridade e
dele discordando o servidor interessado, fica-lhe assegurado o direito de solicitar a
elaboração de outro.
Artigo 74. Os adicionais serão devidos enquanto persistirem as
ações dos agentes insalubres ou perigosos da atividade.
Parágrafo único. Compete à chefia imediata do servidor, sob
pena de responsabilidade funcional, a imediata comunicação, por escrito, ao
Departamento de Recursos Humanos, de seu afastamento do local ou atividade
insalubre ou perigosa.
Artigo 75. O servidor afastado das suas atividades perceberá o
adicional de insalubridade ou periculosidade por 15 (quinze) dias contados da cessação
do exercício do cargo ou função, salvo nos casos de inatividade previstos em lei
municipal.
Artigo 76. É vedada a acumulação de adicionais de
insalubridade e de periculosidade, devendo o servidor optar formalmente por um ou
por outro, quando cabíveis.
Artigo 77. Os adicionais de periculosidade e de insalubridade
não serão incorporados ou considerados para fins de cálculo de férias e 13º (décimo
terceiro) vencimento constitucional.
23
LEI COMPLEMENTAR N.º 76/2006
Subseção VI
Do adicional constitucional de férias
Artigo 78. Independentemente de solicitação, será pago ao
servidor, no mês anterior ao gozo das férias, um adicional correspondente a 1/3 (um
terço) da remuneração devida neste período.
Parágrafo único. No caso de o servidor exercer função de
direção, chefia ou assessoramento, ou ocupar cargo em comissão, a respectiva
vantagem será considerada no cálculo do adicional de que trata este artigo.
Subseção VII
Da gratificação pela participação em órgão de deliberação coletiva
Artigo 79. Poderá ser concedida gratificação pela participação
em comissões ou grupos de trabalho especiais, de deliberação coletiva, no valor de
50% (cinqüenta por cento) da referência I, grau A, da tabela de vencimentos dos
servidores públicos municipais vigente, observado o teto constitucional, quando sem
prejuízo das atribuições normais.
§ 1º A gratificação de que trata este artigo será paga
mensalmente, enquanto a comissão ou o grupo de trabalho de que trata o caput estiver
em atividade, observado o prazo estabelecido no ato de instituição.
§ 2º Fica limitada somente a duas comissões a concessão
cumulativa de pagamento de gratificações pela participação simultânea do servidor em
mais de um ato de designação a qualquer título.
24
LEI COMPLEMENTAR N.º 76/2006
Subseção VIII
Da gratificação de representação em gabinete
Artigo 80. Ao servidor lotado no gabinete do Prefeito ou
Presidente da Câmara Municipal será paga gratificação no valor correspondente ao
vigente da referência I, grau A da tabela de vencimentos dos servidores municipais.
Subseção IX
Da gratificação de nível universitário
Artigo 81. O servidor de carreira fará jus à gratificação
universitária a partir do início do ano letivo, desde que haja requerimento, quando
deverá comprovar, mediante documentação, sua matrícula em curso de ensino superior
reconhecido pelo Ministério da Educação, ficando vinculado o início do pagamento à
data do requerimento formalmente em ordem.
§ 1º A gratificação de que trata o caput não se incorporará ao
vencimento do servidor e será calculada tendo por base o grau A da respectiva
referência do solicitante, observadas as seguintes porcentagens:
I - da referência I a VI – 40% (quarenta por cento);
II - da referência VII a X – 20% (vinte por cento);
III - da referência XI a XIII – 15% (quinze por cento).
§ 2º Cada servidor poderá solicitar a gratificação de que trata o
caput apenas um vez para cada um dos seguintes cursos de nível superior:
a) Curso de graduação;
b) Curso de pós-graduação lato sensu e scricto sensu.
§ 3º O servidor de carreira que ocupar cargo em comissão terá a
gratificação universitária calculada sob a remuneração do cargo efetivo.
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LEI COMPLEMENTAR N.º 76/2006
§ 4º O servidor deverá comprovar, semestralmente, a atualidade
de sua matrícula junto à Instituição de Ensino Superior, mediante apresentação de
declaração do órgão de ensino ou documento que ateste a inscrição de disciplinas, caso
em que deverá se dirigir ao Departamento de Recursos Humanos.
§ 5º O servidor efetivo perderá a gratificação de que trata este
artigo no caso de desistência do curso ou de mais de uma inscrição para o mesmo
período.
§ 6º Os servidores municipais com cargos acumuláveis na forma
da Constituição Federal terão direito à gratificação de que trata o caput em somente
um dos cargos.
Subseção X
Da gratificação de pronto socorro
Artigo 82. Poderá ser instituída esta espécie de gratificação aos
servidores municipais lotados no pronto socorro, incidindo apenas sobre as efetivas
horas trabalhadas no pronto atendimento.
Parágrafo único. As hipóteses e condições para o pagamento da
gratificação de que trata este artigo serão disciplinadas em regulamento.
Subseção XI
Da gratificação de plantão à distância em pronto socorro
Artigo 83. Poderá ser instituída gratificação aos servidores
ocupantes do cargo de médico e dentista que realizem plantões de cobertura.
Parágrafo único. As hipóteses e condições para o pagamento da
gratificação de que trata este artigo serão disciplinadas em regulamento.
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LEI COMPLEMENTAR N.º 76/2006
Subseção XII
Da gratificação de produtividade
Artigo 84. Poderá ser instituída gratificação aos servidores por
produtividade, devendo a matéria ser disciplinada por decreto.
Parágrafo único. As hipóteses e condições para o pagamento da
gratificação de que trata este artigo serão disciplinadas em regulamento.
Seção III
DO SALÁRIO FAMÍLIA
Artigo 85. O salário-família é devido ao servidor do quadro
permanente, ativo ou inativo, com vencimentos iguais ou inferiores à referência IV,
grau A, da tabela de vencimentos do servidor público municipal, à razão de 1/10 (um
décimo) do valor do piso da Prefeitura Municipal vigente à época da concessão, por
cada dependente econômico.
Parágrafo único. Consideram-se dependentes econômicos para
efeitos de percepção do salário-família os filhos, inclusive enteados, até 14 (quatorze)
anos de idade, ou se inválido, de qualquer idade.
CAPÍTULO III
DAS FÉRIAS
Artigo 86. O servidor fará jus a 30 (trinta) dias de férias por ano
de serviço, as quais não poderão ser acumuladas por mais de 02 (dois) períodos, sob
pena de responsabilidade da autoridade que o permitir.
§ 1º Para cada período aquisitivo de férias serão exigidos 12
(doze) meses de efetivo exercício, sendo vedado descontar do período de férias as
faltas do servidor ao serviço.
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LEI COMPLEMENTAR N.º 76/2006
§ 2º Após cada período de 12 (doze) meses de efetivo exercício,
o servidor fará jus às férias, na seguinte proporção:
I - 30 (trinta) dias corridos, quando não houver faltado
injustificadamente ao serviço mais de 05 (cinco) vezes;
II - 24 (vinte e quatro) dias corridos, quando houver tido de 06
(seis) a 14 (quatorze) faltas injustificadas;
III - 18 (dezoito) dias corridos, quando houver tido de 15
(quinze) a 23 (vinte e três) faltas injustificadas;
IV - 12 (doze) dias corridos, quando houver tido de 24 (vinte e
quatro) a 32 (trinta e duas) faltas injustificadas.
§ 3º As férias poderão ser parceladas em até duas etapas, desde
que assim requeridas pelo servidor, e no interesse da Administração Pública.
§ 4º O servidor poderá requerer a conversão em pecúnia de 1/3
(um terço) de cada período aquisitivo de férias, a título de abono pecuniário, com a
antecedência de 30 (trinta) dias ao início do gozo, ficando o deferimento vinculado à
disponibilidade do erário.
Artigo 87. O servidor exonerado do cargo efetivo ou em
comissão perceberá indenização relativa ao período das férias a que tiver direito e ao
incompleto, na proporção de 1/12 (um doze avos) por mês de efetivo exercício, ou
fração igual ou superior a 15 (quinze) dias.
Parágrafo único. A indenização será calculada com base na
remuneração do mês em que for publicado o ato exoneratório.
Artigo 88. O servidor que opera direta e permanentemente com
raios-X ou substâncias radioativas gozará obrigatoriamente 20 (vinte) dias
consecutivos de férias, por semestre de atividade profissional, proibida em qualquer
hipótese a acumulação, sendo vedada à conversão em pecúnia de qualquer período
relativo às férias a título de abono pecuniário.
Artigo 89. As férias somente poderão ser interrompidas por
motivo de necessidade do serviço, declarada pela autoridade máxima do órgão ou
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LEI COMPLEMENTAR N.º 76/2006
entidade, hipótese em que o restante do período interrompido será gozado de uma só
vez.
CAPÍTULO IV
DAS LICENÇAS
Seção I
DISPOSIÇÕES GERAIS
Artigo 90. Conceder-se-á ao servidor licença:
I - para o serviço militar;
II - para atividade política;
III - prêmio;
IV - para tratar de interesses particulares;
V - para exercer cargo em comissão;
VI - para tratamento de saúde;
VII - à gestante, aos adotantes e pela paternidade;
VIII - por acidente em serviço;
IX - por motivo de doença em pessoa na família.
Seção II
DA LICENÇA PARA O SERVIÇO MILITAR
Artigo 91. Ao servidor convocado para o serviço militar será
concedida licença, na forma e condições previstas na legislação específica.
Parágrafo único. Concluído o serviço militar, o servidor terá até
30 (trinta) dias sem remuneração para reassumir o exercício do cargo, cujo início do
prazo se dará na data de desincorporação do servidor.
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LEI COMPLEMENTAR N.º 76/2006
Seção III
DA LICENÇA PARA ATIVIDADE POLÍTICA
Artigo 92. O servidor terá direito à licença, sem remuneração, se
a requerer, durante o período que mediar entre a sua escolha em convenção partidária,
como candidato a cargo eletivo, e a véspera do registro de sua candidatura perante a
Justiça Eleitoral.
§ 1º O servidor candidato a cargo eletivo na localidade onde
desempenha suas funções e que exerça cargo efetivo de direção, chefia,
assessoramento, arrecadação ou fiscalização, se requerer a licença de que trata o caput,
dele será afastado, a partir do dia imediato ao do registro de sua candidatura perante a
Justiça Eleitoral, até o 10º (décimo) dia seguinte ao do pleito.
§ 2º A partir do registro da candidatura e até o 5º (quinto) dia
seguinte ao da eleição, o servidor fará jus à licença como se em efetivo exercício
estivesse, sem prejuízo de sua remuneração, mediante comunicação, por escrito, do
afastamento, acompanhado de documento comprobatório.
§ 3º Não será considerado como de efetivo exercício o período
de licença sem remuneração previsto no caput deste artigo.
Seção IV
DA LICENÇA-PRÊMIO
Artigo 93. Será concedida, ao servidor de cargo de provimento
efetivo, licença-prêmio de 90 (noventa) dias consecutivos, remunerados com todos os
direitos de seu cargo de carreira, após cada quinquênio de efetivo exercício em cargo
público municipal.
Parágrafo único. Somente o tempo de serviço público, prestado
ao Município, será contado para efeito da licença-prêmio.
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LEI COMPLEMENTAR N.º 76/2006
Artigo 94. Não terá direito à licença-prêmio o servidor que, no
período aquisitivo, houver:
I - sofrido qualquer pena disciplinar;
II - faltado ao serviço injustificadamente por mais de 10 (dez)
dias consecutivos ou interpolados;
III - gozado qualquer licença ou afastamento por período
superior a 30 (trinta) dias, exceto as previstas no artigo 90,
incisos V, VII e VIII.
Artigo 95. A licença-prêmio será concedida pelo Chefe do
Executivo e pelo Presidente da Câmara, nas respectivas competências.
Artigo 96. A licença-prêmio poderá ser gozada integralmente ou
em até duas vezes, em tempo não inferior a 30 (trinta) dias consecutivos, condicionada
à necessidade da Administração.
Artigo 97. O servidor deverá aguardar em exercício a concessão
da licença-prêmio, sob pena de, não o fazendo, ficar caracterizado o abandono de
emprego.
Artigo 98. Se o servidor não iniciar o gozo da licença-prêmio
deferida no prazo máximo de 10 (dez) dias, dependerá de novo ato a ser apreciado pelo
Chefe do Executivo.
Artigo 99. É facultado à autoridade competente, tendo em vista
o interesse da Administração, devidamente fundamentado, decidir dentro dos 12
(doze) meses seguintes ao deferimento de concessão da licença-prêmio, quanto à data
de seu início e à sua concessão por inteiro ou parceladamente.
Artigo 100. É vedada a conversão em pecúnia da licença-
prêmio.
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LEI COMPLEMENTAR N.º 76/2006
Seção V
DA LICENÇA PARA TRATAR DE INTERESSES PARTICULARES
Artigo 101. A critério da Administração, poderá ser concedida
ao servidor ocupante de cargo efetivo, desde que não esteja em estágio probatório,
licença para o trato de assuntos particulares, pelo prazo de até 03 (três) anos
consecutivos, sem remuneração, vedada prorrogação.
§ 1º A licença poderá ser interrompida, a qualquer tempo, a
pedido do servidor ou no interesse do serviço.
§ 2º Não se concederá nova licença antes de decorridos 03 (três)
anos do término da anterior.
Seção VI
DA LICENÇA PARA EXERCER CARGO EM COMISSÃO
Artigo 102. A critério da administração, será concedida ao
servidor ocupante de dois cargos efetivos, acumuláveis na forma da Constituição
Federal, desde que não esteja em estágio probatório em nenhum deles, licença sem
remuneração, em um dos cargos, para exercer cargo comissionado.
§ 1º Cabe ao servidor optar pelo cargo que pretende o
afastamento previsto no caput deste artigo.
§ 2º A remuneração será paga com base no artigo 11 e seus
parágrafos.
§ 3º A licença será automaticamente revogada quando o servidor
for exonerado do cargo em comissão, retornando esse ao cargo licenciado de origem.
32
LEI COMPLEMENTAR N.º 76/2006
Seção VII
DA LICENÇA PARA
TRATAMENTO DE SAÚDE
Artigo 103. Será concedida ao servidor licença para tratamento
de saúde, a pedido ou de ofício, com base em atestado médico, sem prejuízo da
remuneração.
Artigo 104. Para licença por prazo superior a 02 (dois) dias, a
inspeção será feita por médico da Unidade de Saúde Ocupacional.
§ 1º Sempre que necessário, a inspeção médica será realizada na
residência do servidor ou no estabelecimento hospitalar onde se encontrar internado.
§ 2º O servidor que durante o mesmo exercício atingir o limite
de 30 (trinta) dias de licença para tratamento de saúde, consecutivos ou não, para a
concessão de nova licença, independentemente do prazo de sua duração, será
submetido à inspeção por médico da Unidade de Saúde Ocupacional.
Artigo 105. Findo o prazo da licença, o servidor será submetido
à nova inspeção médica pela Unidade de Saúde Ocupacional, que concluirá pela volta
ao serviço, pela prorrogação da licença ou pela aposentadoria por invalidez.
Artigo 106. O atestado e o laudo da junta médica não se
referirão ao nome ou natureza da doença, salvo quando se tratar de lesões produzidas
por acidente em serviço, doença profissional ou qualquer das doenças especificadas na
legislação securitária municipal.
Parágrafo único. O servidor que apresentar indícios de lesões
orgânicas ou funcionais será submetido à inspeção médica na Unidade de Saúde
Ocupacional.
33
LEI COMPLEMENTAR N.º 76/2006
Seção VIII
DA LICENÇA À GESTANTE, À ADOTANTE E
DA LICENÇA-PATERNIDADE
Artigo 107. Será concedida licença à servidora gestante por 120
(cento e vinte) dias consecutivos, sem prejuízo da remuneração.
§ 1º A licença poderá ter início no primeiro dia do 9º (nono) mês
de gestação, salvo antecipação por prescrição médica.
§ 2º No caso de nascimento prematuro, a licença terá início a
partir do dia do parto.
§ 3º No caso de natimorto, decorridos 30 (trinta) dias do evento,
a servidora será submetida a exame médico pela Unidade de Saúde Ocupacional, e, se
julgada apta, reassumirá o exercício.
§ 4º No caso de aborto atestado por médico oficial, a servidora
terá direito a 30 (trinta) dias de repouso remunerado.
Artigo 108. Pelo nascimento ou adoção de filhos o servidor terá
direito à licença paternidade de 05 (cinco) dias consecutivos, contados a partir do
primeiro dia útil após o dia do nascimento ou da adoção.
Artigo 109. Para amamentar o próprio filho, até a idade de 06
(seis) meses, a servidora lactante terá direito, durante a jornada de trabalho, a uma hora
de descanso, que poderá ser parcelada em 02 (dois) períodos de meia hora.
Artigo 110. A mãe adotiva e a guardiã gozarão do benefício da
licença maternidade nos seguintes prazos, contados da decisão judicial que concedeu a
guarda ou a sentença de adoção:
I - criança de até dois anos de idade, pelo prazo de 120 (cento e
vinte) dias;
II - criança de dois a quatro anos de idade, pelo prazo de 60
(sessenta) dias;
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LEI COMPLEMENTAR N.º 76/2006
III - criança de quatro a oito anos de idade, pelo prazo de 30
(trinta) dias.
Parágrafo único. Só fará jus ao benefício a servidora que
apresentar o termo de guarda, onde se especifique que é para fins de adoção, ou a
sentença transitada em julgado concedendo a adoção.
Seção IX
DA LICENÇA POR ACIDENTE EM SERVIÇO
Artigo 111. Será licenciado, com remuneração integral, o
servidor acidentado em serviço.
Artigo 112. Configura acidente em serviço o dano físico ou
mental sofrido pelo servidor, que se relacione, mediata ou imediatamente, com as
atribuições do cargo exercido.
Parágrafo único. Equipara-se ao acidente em serviço o dano:
I - decorrente de agressão sofrida e não provocada pelo servidor
no exercício do cargo;
II - sofrido no percurso da residência para o trabalho e vice-
versa.
Artigo 113. O servidor acidentado em serviço que necessite de
tratamento especializado poderá ser tratado em instituição privada, à conta de recursos
públicos.
Parágrafo único. O tratamento recomendado por junta médica
oficial constitui medida de exceção e somente será admissível quando inexistirem
meios e recursos similares em instituição pública.
Artigo 114. A prova do acidente será feita no prazo de 05
(cinco) dias, prorrogáveis por igual período, quando as circunstâncias o exigirem.
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LEI COMPLEMENTAR N.º 76/2006
Seção X
DA LICENÇA POR MOTIVO DE DOENÇA
DE PESSOA NA FAMÍLIA
Artigo 115. O servidor poderá obter licença por motivo de
doença de ascendente, descendente, irmão ou cônjuge não separado legalmente,
provando ser indispensável sua assistência pessoal permanente e não podendo esta ser
prestada simultaneamente com o exercício do cargo.
§ 1º Provar-se-á a doença mediante exame médico de junta
oficial da Unidade de Saúde Ocupacional;
§ 2º A licença de que trata este artigo será concedida com
remuneração integral até 01 (um) mês, e após, com os seguintes descontos:
I - de 1/3 (um terço), quando exceder 01 (um) mês e prolongar-
se até 03 (três) meses;
II - de 2/3 (dois terços), quando exceder 03 (três) meses e
prolongar-se até 06 (seis) meses, e;
III - sem remuneração, a partir do 7º (sétimo) mês, até o máximo
de 02 (dois) anos, vedada sua renovação ou concessão de licença para tratar de
interesses particulares no período de 36 (trinta e seis) meses.
§ 3º A licença concedida com o mesmo fundamento da anterior,
dentro de um prazo de 60 (sessenta) dias, será considerada como prorrogação.
§ 4º Quando a pessoa da família do servidor encontrar-se em
tratamento fora do Município, será admitido exame médico por profissionais
pertencentes aos quadros de servidores federais, estaduais ou municipais, na
localidade.
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LEI COMPLEMENTAR N.º 76/2006
CAPÍTULO V
DOS AFASTAMENTOS
Seção I
DO AFASTAMENTO PARA EXERCÍCIO DE MANDATO ELETIVO
Artigo 116. Ao servidor investido em mandato eletivo aplicam-
se disposições constitucionais pertinentes à matéria.
Parágrafo único. O servidor investido em mandato eletivo ou
classista não poderá ser redistribuído de ofício para localidade diversa daquela onde
exerce o mandato.
Seção II
DO AFASTAMENTO PARA ESTUDO NO EXTERIOR
Artigo 117. O servidor, se autorizado pela Administração,
poderá ausentar-se do país para estudo ou missão oficial, sem remuneração, por prazo
não excedente a 04 (quatro) anos.
Parágrafo único. As hipóteses e condições para a autorização de
que trata este artigo serão disciplinadas em regulamento de cada Poder e entidade a
que se aplica esta Lei.
CAPÍTULO VI
DAS OUTRAS CONCESSÕES AO SERVIDOR
Artigo 118. Sem qualquer prejuízo, considerar-se-ão faltas
justificadas apenas:
I - 01 (um) dia, para doação de sangue;
II - 01 (um) dia, para se alistar como eleitor;
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LEI COMPLEMENTAR N.º 76/2006
III - 05 (cinco) dias corridos em razão de falecimento de filhos,
cônjuge, pais, avós e irmãos;
IV - 08 (oito) dias consecutivos em razão de casamento.
Artigo 119. Poderá ser concedido horário especial ao servidor
estudante universitário, quando comprovada a incompatibilidade entre o horário
escolar e o da repartição, desde que não haja prejuízo do exercício do cargo.
Parágrafo único. Para efeito do disposto neste artigo, será
exigida a compensação de horário no órgão ou entidade que tiver exercício, respeitada
a duração semanal do trabalho, e não sendo admitida alteração superior a 01 (uma)
hora por jornada.
Seção I
DO VALE TRANSPORTE
Artigo 120. O Poder Executivo concederá aos servidores
públicos municipais de carreira vale-transporte, a título de antecipação, para custeio
das despesas com o deslocamento da residência ao local de trabalho e vice-versa, nos
limites do município.
Artigo 121. A concessão do benefício consiste no fornecimento
mensal de vale-transporte, adquiridos de concessionária dos serviços públicos de
transporte coletivo deste município, aos servidores públicos municipais, cujo
deslocamento da residência ao local de trabalho exigir a utilização do transporte
urbano.
§ 1º Os vales transportes serão fornecidos em quantidade
suficiente, para deslocamento de ida e volta, nos dias úteis de cada mês, mediante
pedido expresso do servidor.
§ 2º Excepcionalmente, para atender necessidade de prestação de
serviços extraordinários, em dias não considerados úteis, poderão ser fornecidos vales-
transportes adicionais ao servidor, mediante autorização expressa do Chefe do
Executivo.
38
LEI COMPLEMENTAR N.º 76/2006
§ 3º O Poder Executivo participará dos gastos de deslocamento
do trabalhador com a ajuda de custo equivalente à parcela que exceder a 6% (seis por
cento) da remuneração do servidor, computadas as devidas vantagens pessoais já
incorporadas. Se o servidor estiver ocupando cargo em comissão levar-se-á em conta a
remuneração deste cargo.
Artigo 122. O vale-transporte não tem natureza remuneratória,
não se incorpora aos vencimentos do servidor beneficiário para quaisquer efeitos, não
é considerado para efeito de pagamento de décimo terceiro salário, nem constitui base
de incidência de contribuição previdenciária.
Artigo 123. Não terá direito ao vale-transporte:
I - o servidor licenciado ou afastado do serviço por um dos
motivos elencados nos artigos 90, 116 e 117 desta Lei, excetuando-se o inciso V do
artigo 90;
II - o servidor que residir próximo do seu local de trabalho, ou
que residir em local não servido por transporte coletivo urbano.
Seção II
DO VALE ALIMENTAÇÃO
Artigo 124. A concessão do vale alimentação, regulamentado
por legislação municipal, será devido aos servidores municipais de carreira até a
referência 5, grau “E”.
Artigo 125. Se o servidor estiver ocupando cargo em comissão,
será levado em conta para concessão do benefício a remuneração do cargo
comissionado e não a do cargo de carreira.
Parágrafo único. Será regulamentado por decreto a forma de
pagamento, concessão e reajuste do vale alimentação.
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LEI COMPLEMENTAR N.º 76/2006
Seção III
DO VALE REFEIÇÃO
Artigo 126. Será devido vale refeição a todos os servidores
públicos municipais do quadro permanente e do quadro em comissão, nos meses em
que estiverem em efetivo exercício de suas funções, em número proporcional ao de
dias úteis do mês.
Artigo 127. O vale refeição é devido aos servidores com carga
horária de 08 (oito) horas diárias.
Artigo 128. Será regulamentado por decreto o valor, forma de
pagamento e reajuste.
CAPÍTULO VII
DO DIREITO DE PETIÇÃO
Artigo 129. É assegurado ao servidor o direito de requerer aos
poderes públicos, em defesa de direito ou interesse legítimo.
Artigo 130. O requerimento será dirigido à autoridade
competente para decidi-lo, e encaminhado por intermédio daquela à que tiver
imediatamente subordinado o requerente.
Artigo 131. Cabe pedido de reconsideração à autoridade que
houver expedido o ato ou proferido a primeira decisão, não podendo ser renovado.
Parágrafo único. O requerimento e o pedido de reconsideração
de que tratam os artigos anteriores deverão ser despachados no prazo de 10 (dez) dias
e decididos dentro de 30 (trinta) dias.
Artigo 132. Caberá recurso:
I - do indeferimento do pedido de reconsideração;
40
LEI COMPLEMENTAR N.º 76/2006
II - das decisões sobre os recursos sucessivamente interpostos.
§ 1º O recurso será dirigido à autoridade imediatamente superior
à que tiver expedido o ato ou proferido a decisão, e, sucessivamente, em escala
ascendente, às demais autoridades.
§ 2º O recurso será encaminhado por intermédio da autoridade a
que estiver imediatamente subordinado o requerente.
Artigo 133. O prazo para interposição de pedido de
reconsideração ou de recurso é de 30 (trinta) dias, a contar da publicação ou da
ciência, pelo interessado, da decisão recorrida.
Artigo 134. O recurso poderá ser recebido com efeito
suspensivo, a juízo da autoridade competente.
Parágrafo único. Em caso de provimento do pedido de
reconsideração ou do recurso, os efeitos da decisão retroagirão à data do ato
impugnado.
Artigo 135. O direito de requerer prescreve:
I - em 05 (cinco) anos, quanto aos atos de demissão e de
cassação de aposentadoria;
II - em 120 (cento e vinte) dias, nos demais casos, salvo quando
outro prazo for fixado em lei.
Parágrafo único. O prazo de prescrição será contado da data da
publicação do ato impugnado ou da data da ciência pelo interessado, quando o ato não
for publicado.
Artigo 136. O pedido de reconsideração e o recurso, quando
cabíveis, interrompem a prescrição.
Artigo 137. A prescrição é de ordem pública, não podendo ser
relevada pela Administração.
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LEI COMPLEMENTAR N.º 76/2006
Artigo 138. Para o exercício do direito de petição, é assegurada
vista do processo ou documento, na repartição, ao servidor ou a procurador por ele
constituído, sob pena de suspensão dos prazos recursais enquanto não disponível o
processo.
Artigo 139. A Administração deverá rever seus atos, a qualquer
tempo, quando eivados de ilegalidade.
TÍTULO IV
DO MAGISTÉRIO
CAPÍTULO I
DAS DISPOSIÇÕES PRELIMINARES
Seção I
DOS SEUS OBJETIVOS
Artigo 140. Este Título dispõe sobre a organização da carreira
dos profissionais do Quadro do Magistério do sistema público educacional,
estabelecendo as normas peculiares à categoria, pertinentes ao regime jurídico, direitos
e vantagens, deveres e progressão funcional.
Artigo 141. Seu objetivo é incentivar, coordenar e orientar o
processo educacional na rede municipal de São Sebastião, de modo a proporcionar ao
educando amplo desenvolvimento, preparando-o para o exercício da cidadania, assim
como, na forma da legislação em vigor, valorizar os profissionais do Quadro do
Magistério, dotando-os das melhores condições para desenvolver seu trabalho, por
meio de instrumentos institucionais adequados e necessários à plena consecução
daquele objetivo, em especial, garantia de adequadas condições de trabalho e de
produção científica, e de efetiva aplicação dos recursos constitucionais destinados à
educação.
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LEI COMPLEMENTAR N.º 76/2006
Artigo 142. Aplica-se aos profissionais do Quadro do Magistério
Municipal todos os artigos deste Estatuto, quanto a todas as situações que não estejam
excepcionadas por este Título em face das peculiaridades do magistério.
Parágrafo único. Os servidores da Secretaria Municipal de
Educação e da Secretaria de Esportes incumbidos das funções administrativas e de
apoio aos profissionais do Quadro do Magistério não estão incluídos neste Título.
Seção II
DO QUADRO DO MAGISTÉRIO
Artigo 143. Entende-se por pessoal do Quadro do Magistério
Público Municipal da Estância Balneária de São Sebastião o conjunto de servidores
que, nas unidades escolares e demais órgãos da estrutura da Secretaria Municipal de
Educação e da Secretaria de Esportes ministra aulas e administra, assessora, dirige,
supervisiona, coordena, orienta, planeja e avalia as atividades inerentes ao ensino e à
educação a cargo do Município e que, por sua condição funcional, está subordinado às
normas pedagógicas e aos regulamentos deste Título.
Artigo 144. O Quadro de Pessoal do Magistério Público
Municipal de São Sebastião é constituído pelos seguintes subquadros:
I - Subquadro de cargos de professor, com as respectivas classes,
providos por concurso público;
II - Subquadro de cargos em comissão, compostos por
especialistas em educação;
III - Subquadro de cargos de servidores do Quadro do
Magistério, com os respectivos cargos em extinção.
§1° Os cargos de provimento efetivo a que se refere o inciso I
deste artigo serão regulamentados no plano de cargos e carreira, os quais serão
preenchidos na medida das necessidades por professores habilitados aprovados por
concurso público de provas e títulos;
§2° Os cargos em comissão, a que se refere o inciso II deste
artigo, têm sua habilitação mínima expressa no anexo I desta Lei.
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LEI COMPLEMENTAR N.º 76/2006
§3° Os cargos em extinção a que se refere o inciso III deste
artigo estarão disciplinados no plano de cargos e carreira.
Artigo 145. As atribuições e competências dos profissionais do
Quadro do Magistério Público Municipal do Município de São Sebastião são as
constantes do Regimento Interno.
CAPÍTULO II
DO CARGO EM COMISSÃO
Artigo 146. Os servidores pertencentes ao quadro de pessoal do
magistério público municipal poderão ser designados para exercício em cargo
comissionado de supervisor, diretor de escola, vice-diretor, coordenador pedagógico e
psicopedagogo.
§ 1º Será interrompida a contagem de tempo dos professores que
estiverem atuando em cargos comissionados para efeito de aposentadoria especial;
§ 2º O docente em estágio probatório não poderá ser designado
para o exercício do cargo em comissão mencionado no caput deste artigo.
Artigo 147. Os cargos em comissão da Secretaria Municipal da
Educação são os relacionados no anexo I desta Lei.
CAPÍTULO III
Seção I
DA LOTAÇÃO
Artigo 148. A lotação representa a força de trabalho, em seus
aspectos qualitativo e quantitativo, necessária ao desempenho das atividades do
Magistério Público Municipal de São Sebastião.
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LEI COMPLEMENTAR N.º 76/2006
Artigo 149. A lotação das unidades escolares será estabelecida
anualmente, por portaria da Secretaria Municipal de Educação.
Artigo 150. Os docentes aprovados em concurso de provas ou
provas e títulos, poderão, no ato de sua posse, escolher a unidade escolar onde serão
lotados, observado o quadro de vagas disponíveis divulgado pela Secretaria de
Educação.
Artigo 151. A distribuição dos docentes nas unidades escolares
do Sistema Municipal será feita através de convocação para inscrição, mediante edital
ao qual será dado ampla divulgação.
§1° As providências para divulgação, execução,
acompanhamento e avaliação das normas que orientarão a distribuição de que trata
este artigo, são de responsabilidade da Secretaria de Educação.
Artigo 152. Fica caracterizada a excedência do professor quando
na sua unidade escolar de lotação ocorrerem as seguintes hipóteses:
I - inexistência de classe relativa à sua área de atuação;
II - insuficiência de aulas para compor o bloco de seu
componente curricular, ou afim, ou ainda de outras disciplinas, para as quais esteja
legalmente habilitado.
Artigo 153. Ocorrendo a excedência do professor, será o mesmo
encaminhado à Secretaria Municipal de Educação que lhe atribuirá:
I - classe ou vaga de titular em impedimento legal;
II - aulas de seu componente curricular ou de componente afim,
ou ainda de outras disciplinas, para as quais esteja legalmente habilitado, em unidades
de ensino que tenham déficit de profissionais.
§ 1º Para atendimento do que dispõe o presente artigo, a
Secretaria Municipal da Educação incluirá as vagas no concurso de remoção, do qual
deverão participar os servidores excedentes, juntamente com os interessados inscritos,
escolhendo de acordo com a ordem de classificação obtida.
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LEI COMPLEMENTAR N.º 76/2006
§ 2º Quando do retorno do servidor às funções próprias do cargo
de que é titular, cessarão os efeitos da excedência.
Artigo 154. São atribuições do servidor excedente, que não
estiver enquadrado nos incisos I e II do artigo 153, enquanto perdurar esta situação:
I - participar do processo de planejamento, execução e avaliação
das atividades escolares;
II - atuar nas atividades de apoio curricular;
III - participar do processo de avaliação, adaptação e recuperação
de alunos com aproveitamento insuficiente;
IV - colaborar no processo de integração escola-comunidade;
V - exercer toda substituição em classe ou aulas, que lhe forem
atribuídas;
VI - cumprir as demais atribuições inerentes, à função docente.
§ 1º O servidor excedente deverá cumprir o calendário escolar da
Secretaria Municipal da Educação, exercendo a jornada de trabalho na qual estiver
incluído, no horário normal das atividades escolares, no turno de classificação de seu
cargo.
§ 2º A estes servidores excedentes não é devida hora atividade.
Artigo 155. Caberá ao titular da Secretaria Municipal de
Educação baixar normas complementares para o procedimento de distribuição da força
de trabalho do Quadro de Pessoal do Magistério Público no Sistema Municipal de
ensino.
Seção II
DA ACUMULAÇÃO
Artigo 156. É vedada a acumulação de cargos e empregos
públicos ao profissional do Quadro do Magistério, exceto:
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LEI COMPLEMENTAR N.º 76/2006
I - 02 (dois) cargos, ou 01 (um) cargo efetivo e 01 (um) emprego
de professor;
II - 01 (um) cargo de professor e outro cargo ou emprego técnico
ou científico.
§1° A acumulação é condicionada à compatibilidade de horários,
inclusive para a realização das horas de trabalho pedagógico, observados os limites
remuneratórios estabelecidos na Constituição Federal.
§2° A proibição de acumular abrange autarquias, fundações
públicas, empresas públicas e sociedades de economia mista, assim como suas
subsidiárias, e sociedades correlatas, direta ou indiretamente, pelo poder público.
§3° O profissional do Quadro do Magistério que ocultar ou
omitir a acumulação de cargo será processado administrativamente por falta grave, na
forma deste Estatuto.
§ 4o Na hipótese de acumulação de 02 (dois) cargos, que dispõe
este artigo, a carga total não poderá ultrapassar o limite de 64 (sessenta e quatro) horas
semanais.
CAPÍTULO IV
DA REMOÇÃO, DA ATRIBUIÇÃO DE
CLASSES OU AULAS E DO REMANEJAMENTO
Seção I
DA REMOÇÃO
Artigo 157. Remoção é a movimentação do ocupante de cargo
do Quadro do Magistério de uma para outra unidade de ensino ou unidade
organizacional da Secretaria Municipal de Educação, sem que se modifique sua
situação funcional.
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LEI COMPLEMENTAR N.º 76/2006
§1° Dar-se-á a remoção nas seguintes situações:
I - de ofício, no interesse da Administração, desde que
devidamente justificada;
II - a pedido, atendida a conveniência do serviço e observada a
data da última remoção.
§2° A remoção poderá ocorrer:
I - por concurso;
II - por permuta.
Artigo 158. A remoção só será admissível no período
compreendido entre o término de um ano letivo e o início do outro ou,
excepcionalmente, atendendo à necessidade da Administração.
Artigo 159. Os critérios de pontuação para classificação dos
candidatos à remoção, serão estabelecidos em edital específico, expedido pela
Secretaria Municipal de Educação, anualmente, atendidos os critérios mínimos de
tempo no serviço público e:
I - tempo de serviço público em sala de aula;
II - títulos de formação e capacitação profissional, sendo:
a) pós-graduação lato sensu na área de educação;
b) pós-graduação, mestrado, stricto sensu na área de educação;
c) pós-graduação, doutorado, na área de educação;
d) licenciatura na área de educação, não exigida para o exercício
do cargo;
e) cursos seqüenciais, de aperfeiçoamento, especialização ou
capacitação na área de educação.
§ 1º Haverá desconto na pontuação do profissional da educação
que apresentar faltas justificadas, não justificadas e afastamentos, exceto os previstos
em Lei.
§ 2º A regulamentação da remoção será feita por decreto.
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LEI COMPLEMENTAR N.º 76/2006
Artigo 160. A remoção por permuta far-se-á a requerimento de
ambos os interessados não podendo, todavia, permutar os docentes que não estejam no
efetivo exercício da regência de classe.
§1° A remoção por permuta somente poderá ser concedida
quando os requerentes exercerem atividades da mesma natureza, nível e grau de
habilitação além de integração com o plano de trabalho da Secretaria Municipal de
Educação.
§2° Não será autorizada permuta ao profissional de educação
que:
I - já tenha alcançado o tempo de serviço necessário à
aposentadoria ou para aquele a quem faltem apenas 03 (três) anos para completar este
prazo;
II - encontre-se em processo de avaliação médica para
readaptação profissional.
Artigo 161. O professor em situação excedente será inscrito
automaticamente no próximo concurso de remoção, com prioridade de escolha.
Parágrafo único. Havendo mais de um professor em situação
excedente, será estabelecida uma classificação obedecendo aos mesmos critérios do
concurso de remoção.
Seção II
DA ATRIBUIÇÃO DE CLASSES E AULAS
Artigo 162. A atribuição de classes e aulas, objetiva:
I - a acomodação dos docentes nas unidades escolares do
Sistema Municipal de Ensino de São Sebastião;
II - a fixação da forma de cumprimento da jornada de trabalho e;
III - a definição do horário de trabalho e período correspondente.
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LEI COMPLEMENTAR N.º 76/2006
Parágrafo único. A atribuição a que se refere este artigo será
anual, precedendo o início do ano letivo.
Artigo 163. Caberá aos Diretores de Unidade Educacional tomar
as providências necessárias à divulgação, à execução, ao acompanhamento e à
avaliação das normas que orientarão as atribuições de classes e/ ou aulas dos docentes,
respeitado o Plano de Trabalho da Secretaria Municipal de Educação e demais
diretrizes emitidas nesse sentido.
Artigo 164. Os critérios de pontuação para classificação dos
docentes para a atribuição de classes e/ou aulas, serão estabelecidos em edital
específico, expedido pela Secretaria Municipal de Educação, ao final do ano letivo,
atendidos os seguintes critérios mínimos:
I - tempo de serviço público em sala de aula;
II - tempo de docência na série;
III - títulos de formação e capacitação profissional a ser
divulgado através de regimento próprio tendo em vista a diversidade de projetos de
capacitação e prioridades estabelecidas no Plano de Trabalho da Secretaria Municipal
de Educação.
Parágrafo único. Haverá desconto na pontuação do profissional
da educação que apresentar faltas e afastamentos, exceto os previstos em lei.
Artigo 165. O processo de que trata esta Seção compreenderá as
seguintes etapas:
I - convocação;
II - inscrição / classificação;
III - atribuição.
Artigo 166. A atribuição de classes e/ou aulas será realizada em
primeira instância nas Unidades Escolares e, para os docentes excedentes ou que não
completaram sua jornada, em segunda fase, na Secretaria Municipal de Educação.
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LEI COMPLEMENTAR N.º 76/2006
Artigo 167. Competirá aos Diretores de Unidade Educacional,
ou seu substituto legal, compatibilizar e harmonizar os horários das classes e turnos de
funcionamento, visando o cumprimento da proposta educacional da Secretaria
Municipal de Educação, de acordo com o plano de lotação aprovado.
§1° No decorrer do ano letivo, as classes e/ou aulas de escolas
que forem instaladas, em virtude de incorporação ou fusão de unidades escolares ou,
ainda, em decorrência de incorporação de classes de outra unidade escolar, serão
atribuídas, inicialmente, na unidade escolar incorporadora.
§2° As classes e/ou aulas que forem criadas ou ficarem livres,
durante o processo inicial de atribuição, serão oferecidas, prioritariamente, aos
docentes declarados excedentes.
§3° Caberá ao Chefe do Executivo baixar normas
complementares para o procedimento de atribuição de aulas e/ou classes.
Seção III
DO REMANEJAMENTO
Artigo 168. Observados os requisitos legais, haverá
remanejamento do pessoal do quadro do magistério para suprir vagas emergentes por
impedimento legal dos docentes e especialistas de educação.
Artigo 169. Entende-se por remanejamento o deslocamento
provisório, por período determinado, do professor efetivo para ministrar aulas em
outra unidade escolar, permanecendo o seu cargo na sede de origem.
Artigo 170. O processo de remanejamento para função docente
será coordenado pela Secretaria Municipal de Educação.
Artigo 171. O processo de remanejamento será regulamentado
por decreto.
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LEI COMPLEMENTAR N.º 76/2006
CAPÍTULO V
DA JORNADA DE TRABALHO
Artigo 172. Os profissionais do Quadro do Magistério terão sua
jornada de trabalho fixada no mínimo de 20 (vinte) horas semanais.
Artigo 173. A jornada semanal de trabalho docente pode ser:
I - Jornada básica de trabalho docente, composta por:
a) 24 (vinte e quatro) horas em atividades com alunos;
b) 04 (quatro) horas semanais de trabalho pedagógico, a serem
regulamentadas por decreto.
II - Jornada inicial de trabalho docente, composta por:
a) 20 (vinte) horas semanais em atividades com alunos;
b) 04 (quatro) horas semanais de trabalho pedagógico, a serem
regulamentadas por decreto.
§1º Entende-se por carga horária semanal o conjunto de horas
em atividades com alunos, horas de trabalho pedagógico individual na escola e horas
de trabalho pedagógico coletivo na escola.
§ 2º As Horas de Trabalho Pedagógico Coletivo na escola serão
utilizadas para reunião destinadas: à preparação de trabalho didático, à colaboração
com a administração da unidade escolar, às reuniões pedagógicas, à articulação com a
comunidade e ao aperfeiçoamento profissional, de acordo com a proposta pedagógica
de cada unidade escolar, e a outras atividades pedagógicas e de estudo, de caráter
coletivo, organizadas pelo estabelecimento de ensino, bem como para atendimento a
pais de alunos.
§ 3º As Horas de Trabalho Pedagógico Individual que se refere o
§ 1º deverão ser realizadas fora do período de atividades com alunos.
Artigo 174. A distribuição do trabalho do profissional do
Quadro do Magistério, observada cada carga horária semanal é de responsabilidade da
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LEI COMPLEMENTAR N.º 76/2006
unidade escolar ou administrativa, e deve estar articulada com o projeto pedagógico da
escola com acompanhamento da Secretaria Municipal da Educação.
Artigo 175. Entende-se por carga suplementar de trabalho o
número de horas prestadas pelo docente, além daquelas fixadas para a jornada de
trabalho, a fim de atender as necessidades das Unidades Escolares.
§ 1º As horas prestadas a título de carga suplementar de trabalho
são constituídas de horas em atividades com alunos, horas de trabalho pedagógico
coletivo e individual na escola.
§ 2º O número de horas semanais de carga suplementar de
trabalho corresponderá à diferença entre a jornada do docente e a quantidade de aulas
semanais atribuídas, regulamentadas por decreto.
Artigo 176. O cálculo da remuneração referente à carga
suplementar será feito pelo vencimento básico inicial da categoria.
Artigo 177. Fica vedada a atribuição ou a remuneração da carga
suplementar nos seguintes casos:
I - em gozo da licença-prêmio;
II - em gozo de férias;
III - em atestado médico ou licença-saúde;
IV - falta justificada ou injustificada;
V - afastamento por disponibilidade;
VI - afastamento eleitoral;
VII - licença sem vencimentos;
VIII - licença por motivo de doença de pessoa na família.
Parágrafo único. Durante o período de atribuição de carga
suplementar, a docente que estiver em licença gestante, poderá participar da escolha e
só fará jus à carga suplementar ao retornar da licença gestante.
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LEI COMPLEMENTAR N.º 76/2006
Artigo 178. A fixação da sede de controle de freqüência e os
critérios relativos à apuração das faltas do pessoal docente serão regulamentados por
decreto.
CAPÍTULO VI
DOS DIREITOS E VANTAGENS
Seção I
DO VENCIMENTO E DA REMUNERAÇÃO
Artigo 179. O vencimento dos profissionais do Quadro do
Magistério somente poderá ser fixado ou alterado por lei observada a iniciativa do
Poder Executivo, assegurada à revisão geral anual, sempre na mesma data e sem
distinção de índices desde que não ultrapasse os limites de despesa com pessoal.
Seção II
DAS FÉRIAS
Artigo 180. Aos docentes em exercício de regência de classe,
ficam assegurados 30 (trinta) dias consecutivos de férias e 15 (quinze) dias de recesso,
de acordo com o calendário escolar, ficando vedado o abono pecuniário, salvo em
casos devidamente justificados pela Secretaria de Educação e aprovados pelo Chefe do
Executivo.
Parágrafo único. No período de recesso, poderá haver
convocação para participação em cursos, congressos ou simpósios, ocasião em que se
respeitará a jornada e o turno de trabalho do professor.
Artigo 181. Os comissionados especialistas terão direito a 30
(trinta) dias de férias, que poderão ser gozadas em 02 (dois) períodos, sem prejuízo das
atividades escolares e em atendimento ao que dispuser a Secretaria Municipal de
Educação.
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LEI COMPLEMENTAR N.º 76/2006
Seção III
DA CONTAGEM DO TEMPO DE SERVIÇO
Artigo 182. O tempo de serviço dos profissionais do Quadro do
Magistério é contado na forma da Constituição Federal e deste Estatuto.
Parágrafo único. A fixação da sede de freqüência e de critérios
relativos à apuração de faltas do pessoal docente será regulamentada por decreto.
CAPÍTULO VII
DOS DIREITOS E DEVERES ESPECIAIS DOS
PROFISSIONAIS DO QUADRO DO MAGISTÉRIO
Seção I
Dos Direitos Especiais
Artigo 183. Além dos direitos previstos neste Estatuto, são
direitos dos profissionais do quadro do magistério:
I - ter acesso a informações educacionais, bibliografia, material
didático e outros instrumentos, bem como contar com assessoria pedagógica que
auxilie e estimule a melhoria de seu desempenho profissional e a ampliação de seus
conhecimentos;
II - ter assegurada a oportunidade de freqüentar cursos de
formação, atualização e especialização profissional desde que não represente redução
da jornada ou prejuízo dos dias letivos;
III - dispor, no ambiente de trabalho, de instalações e material
técnico-pedagógico, suficientes e adequados, para exercer com eficiência e eficácia
suas funções;
IV - igualdade de tratamento no plano administrativo-
pedagógico, independentemente do vínculo funcional;
V - participação como integrante do Conselho de Escola em
estudos e deliberações que se refiram ao Processo Educacional;
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LEI COMPLEMENTAR N.º 76/2006
VI - receber remuneração de acordo com o disposto nesta Lei;
VII - participar do processo de planejamento, execução e
avaliação das atividades, bem como dos conselhos de escolas e outros colegiados;
VIII - ter liberdade de expressão, manifestação e organização,
em todos os níveis, especialmente na Unidade Escolar;
IX - reunir-se na Unidade Escolar, para tratar de assuntos de
interesse da categoria e da educação em geral, sem prejuízo das atividades escolares;
X - ter acesso à formação sistemática e permanente através da
Secretaria Municipal de Educação ou outras instituições e órgãos oficiais;
XI - receber auxílio para a publicação de trabalho e livros
didáticos ou técnico científicos, quando solicitado e aprovado pela Secretaria
Municipal de Educação;
XII - receber, através dos serviços especializados de educação,
assistência ao exercício profissional.
Seção II
DOS DEVERES ESPECIAIS
Artigo 184. Aos integrantes do Quadro do Magistério, no
desempenho de suas atividades, além dos deveres comuns aos servidores públicos
municipais, cumpre:
I - conhecer e respeitar as leis;
II - preservar os princípios, os ideais e fins da educação
brasileira, através de seu desempenho profissional;
III - empenhar-se em prol do desenvolvimento do aluno,
utilizando processos que acompanhem o progresso científico da Educação;
IV - participar das atividades educacionais que lhes forem
atribuídas por força das suas funções dentro de seu horário de trabalho;
V - comparecer ao local de trabalho com assiduidade e
pontualidade, executando suas tarefas com eficiência, zelo e presteza;
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LEI COMPLEMENTAR N.º 76/2006
VI - manter o espírito de cooperação e solidariedade com a
equipe escolar e a comunidade em geral;
VII - incentivar a participação, o diálogo e a cooperação entre
alunos, educadores e a comunidade em geral, visando à construção de uma sociedade
democrática;
VIII - promover o desenvolvimento do senso crítico e da
consciência política do aluno, bem como prepará-lo para o exercício consciente da
cidadania e para o trabalho;
IX - respeitar o aluno como sujeito do processo educativo e
comprometer-se com a eficácia de seu aprendizado;
X - comunicar à autoridade imediata as irregularidades de que
tiver conhecimento, na sua área de atuação, ou às autoridades superiores, no caso de
omissão por parte da primeira;
XI - assegurar a efetivação dos direitos pertinentes à criança e ao
adolescente, nos termos do Estatuto da Criança e do Adolescente, comunicando à
autoridade competente os casos de que tenha conhecimento, envolvendo suspeita ou
confirmação de maus-tratos;
XII - fornecer elementos para a permanente atualização de seus
registros junto aos órgãos da Administração Municipal;
XIII - considerar os princípios psicopedagógicos, a realidade
socioeconômica da clientela escolar, as diretrizes da Política Educacional na escola e
utilização de materiais, procedimentos didáticos e instrumentos de avaliação do
processo ensino-aprendizagem;
XIV - participar do Conselho da Escola e acatar as suas decisões,
em conformidade com a legislação vigente;
XV - participar do processo de planejamento, execução e
avaliação das atividades escolares;
XVI - zelar pela defesa dos direitos profissionais e pela
reputação da categoria profissional;
XVII - assegurar ao aluno a participação nas atividades escolares
independentemente de qualquer carência material;
XVIII - participar da elaboração da proposta pedagógica do
estabelecimento de ensino;
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LEI COMPLEMENTAR N.º 76/2006
XIX - elaborar e cumprir plano de trabalho, segundo a proposta
pedagógica do estabelecimento de ensino;
XX - zelar pela aprendizagem dos alunos;
XXI - estabelecer estratégias de recuperação para os alunos de
menor rendimento;
XXII - ministrar os dias letivos e horas-aula estabelecidos, além
de participar integralmente dos períodos dedicados ao planejamento, à avaliação e ao
desenvolvimento profissional;
XXIII - colaborar com as atividades de articulação da escola com
as famílias e a comunidade;
XXIV – participar da APM – Associação de Pais e Mestres.
Parágrafo único. Os integrantes do quadro do magistério que
descumprirem o disposto neste artigo ficarão sujeitos às penalidades previstas neste
Estatuto.
CAPÍTULO VIII
DO DESENVOLVIMENTO PROFISSIONAL
Artigo 185. Fica instituído, como atividade permanente na
Secretaria Municipal de Educação, o desenvolvimento profissional dos servidores do
Quadro do Magistério.
Artigo 186. Desenvolvimento profissional, para os efeitos desta
Lei, é a capacitação do profissional do Quadro do Magistério em cursos de formação,
especialização ou outra modalidade, em instituições de ensino autorizadas e
reconhecidas pelo Conselho Nacional de Educação.
Parágrafo único. São objetivos da capacitação:
I - estimular o desenvolvimento funcional, criando condições
próprias para o aperfeiçoamento constante de seus servidores e a melhoria da Rede
Municipal de Ensino;
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LEI COMPLEMENTAR N.º 76/2006
II - possibilitar o aproveitamento da formação e das experiências
anteriores em instituições de ensino e em outras atividades;
III - propiciar a associação entre teoria e prática;
IV - criar condições propícias à efetiva qualificação pedagógica
de seus servidores através de cursos, seminários, conferências, oficinas de trabalho,
implementação de projetos e outros instrumentos para possibilitar a definição de novos
programas, métodos e estratégias de ensino, adequadas às transformações
educacionais;
V - integrar os objetivos de cada membro do Quadro do
Magistério às finalidades da Rede Municipal de Ensino;
VI - criar e desenvolver hábitos e valores adequados ao digno
exercício das atribuições do Quadro do Magistério;
VII - promover a valorização do profissional da Educação.
Artigo 187. A capacitação, baseada em programas objetivos e
práticos, visará, prioritariamente:
I - a habilitação;
II - a complementação pedagógica;
III - as áreas curriculares carentes de professor.
Artigo 188. Compete à Secretaria Municipal de Educação:
I - identificar as áreas e servidores carentes de aperfeiçoamento e
estabelecer programas prioritários;
II - planejar a participação do servidor do Quadro do Magistério
nos programas de aperfeiçoamento e adotar as medidas necessárias para que os
afastamentos que ocorrerem não causem prejuízo às atividades educacionais;
III - estabelecer a data de realização dos programas de
capacitação contínua, respeitados o turno de trabalho e a jornada do profissional.
Artigo 189. Os programas de capacitação serão conduzidos:
I - sempre que possível, diretamente pela Secretaria Municipal
de Educação;
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LEI COMPLEMENTAR N.º 76/2006
II - através de contratação de especialistas ou instituições
especializadas, observada a legislação pertinente;
III - mediante encaminhamento do servidor a organizações
especializadas, sediadas ou não no Município;
IV - através da realização de programas de diferentes formatos,
utilizados também os recursos da educação à distância.
Artigo 190. Os programas de capacitação serão elaborados e
organizados anualmente em articulação com a Secretaria Municipal de Administração
a tempo de se prever, na proposta orçamentária, os recursos para sua implementação.
Artigo 191. Independentemente dos programas de capacitação, a
Secretaria Municipal de Educação deve realizar reuniões para estudo e discussão de
assuntos pedagógicos e divulgação e análise de leis, bem como de normas legais e
aspectos técnicos referentes à educação e à orientação educacional, para propiciar seu
cumprimento e execução.
Artigo 192. A Secretaria Municipal de Educação proverá os
recursos financeiros necessários para que o servidor do Quadro do Magistério,
convocado ou designado para participar dos programas de capacitação, possa
locomover-se e se manter afastado do Município para freqüentar cursos e outras
modalidades de treinamento.
CAPÍTULO IX
DAS DISPOSIÇÕES COMPLEMENTARES
Artigo 193. As atribuições específicas dos profissionais do
Quadro do Magistério poderão ser complementadas por regulamento do Executivo.
Artigo 194. Aos atuais integrantes da Carreira do Magistério
que, na data da promulgação desta Lei, estiverem cursando Pedagogia, Licenciatura
Plena ou Curso Normal Superior, será garantido o direito ao enquadramento
automático quando da apresentação do certificado de conclusão do curso.
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LEI COMPLEMENTAR N.º 76/2006
TÍTULO V
DO REGIME DISCIPLINAR
CAPÍTULO I
DOS DEVERES
Artigo 195. São deveres do servidor:
I - exercer com zelo e dedicação as atribuições do cargo;
II - ser leal às instituições a que servir;
III - observar as normas legais e regulamentares;
IV - cumprir as ordens superiores, exceto quando
manifestamente ilegais;
V - atender com presteza:
a) ao público em geral, prestando as informações requeridas,
ressalvadas às protegidas por sigilo;
b) à expedição de certidões requeridas para defesa de direito ou
esclarecimento de situações de interesse pessoal;
c) às requisições para a defesa da Fazenda Pública.
VI - levar ao conhecimento da autoridade superior as
irregularidades de que tiver ciência em razão do cargo;
VII - zelar pela economia do material e conservação do
patrimônio público;
VIII - guardar sigilo sobre assunto de repartição;
IX - manter conduta compatível com a moralidade
administrativa;
X - ser assíduo e pontual ao serviço;
XI - tratar com urbanidade as pessoas e companheiros de
trabalho;
XII - representar contra ilegalidade, omissão ou abuso de poder
de que tenha conhecimento;
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LEI COMPLEMENTAR N.º 76/2006
XIII - apresentar-se ao serviço em boas condições de asseio e
convenientemente trajado, ou com uniforme que for determinado;
XIV - providenciar para que esteja sempre atualizada no assento
funcional sua declaração de família.
Parágrafo único. A representação de que trata o inciso XII será
encaminhada pela via hierárquica e apreciada pela autoridade superior àquela contra a
qual é formulada, assegurando-se ao representado ampla defesa.
CAPÍTULO II
DAS PROIBIÇÕES
Artigo 196. Ao servidor é proibido:
I - ausentar-se do serviço durante o expediente, sem prévia
autorização do chefe imediato;
II - retirar, sem prévia anuência da autoridade competente,
qualquer documento ou objeto da repartição;
III - recusar fé a documentos públicos;
IV - opor resistência injustificada ao andamento de documento e
processo ou execução de serviço;
V - promover manifestação de apreço ou desapreço no recinto da
repartição;
VI - cometer à pessoa estranha à repartição, fora dos casos
previstos em lei, desempenho de atribuição que seja de sua responsabilidade ou de seu
subordinado;
VII - coagir ou aliciar subordinados no sentido de filiarem-se a
associação profissional ou sindical, ou a partido político;
VIII - incitar greves ou praticar atos de sabotagem contra o
serviço público;
IX - valer-se do cargo para lograr proveito pessoal ou de outrem,
em detrimento da dignidade da função pública;
62
LEI COMPLEMENTAR N.º 76/2006
X - participar de gerência ou administração de empresa privada,
de sociedade civil, ou exercer o comércio, exceto na qualidade de acionista, cotista ou
comanditário;
XI - atuar, como procurador ou intermediário, junto a repartições
públicas, salvo quando se tratar de benefícios previdenciários ou assistenciais de
parentes até o segundo grau, e de cônjuge ou companheiro;
XII - receber propina, comissão, presente ou vantagem de
qualquer espécie, em razão de suas atribuições;
XIII - aceitar comissão, emprego ou pensão de estado
estrangeiro;
XIV - proceder de forma desidiosa;
XV - cometer a outro servidor atribuições estranhas ao cargo que
ocupa, exceto em situações de emergência e transitórias;
XVI - exercer quaisquer atividades que sejam incompatíveis com
o exercício do cargo ou função e com o horário de trabalho;
XVII - recusar-se a atualizar seus dados cadastrais quando
solicitado;
XVIII - utilizar pessoal ou recursos materiais da repartição em
serviços ou atividades particulares.
CAPÍTULO III
DA ACUMULAÇÃO
Artigo 197. Ressalvados os casos previstos na Constituição
Federal, e observadas as demais condições ali estabelecidas, é vedada a acumulação
remunerada de cargos públicos.
Parágrafo único. A acumulação de cargos, ainda que lícita, fica
condicionada à comprovação da compatibilidade de horários.
Artigo 198. O servidor não poderá exercer mais de um cargo em
comissão no Município.
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LEI COMPLEMENTAR N.º 76/2006
Artigo 199. O servidor vinculado ao regime desta Lei, que
acumular licitamente 02 (dois) cargos efetivos, não poderá exercê-los no período em
que estiver investido em cargo de provimento em comissão.
CAPÍTULO IV
DAS RESPONSABILIDADES
Artigo 200. O servidor responde civil e penalmente, por ato
omissivo ou comissivo, na forma da legislação federal aplicável, e
administrativamente, na forma da Constituição Federal, desta Lei e da restante
legislação municipal, pelo exercício irregular de suas atribuições.
Artigo 201. A responsabilidade penal abrange os crimes e
contravenções imputadas ao servidor nessa qualidade.
Artigo 202. As sanções civis, penais e administrativas poderão
cumular-se, sendo independentes entre si.
Artigo 203. A responsabilidade administrativa do servidor será
afastada no caso de absolvição criminal que negue a existência do fato ou de sua
autoria.
CAPÍTULO V
DAS PENALIDADES
Artigo 204. São penalidades disciplinares:
I - advertência;
II - multa;
III - suspensão;
IV - demissão;
V - cassação de aposentadoria;
VI - destituição de cargo em comissão.
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LEI COMPLEMENTAR N.º 76/2006
Artigo 205. Na aplicação das penalidades serão consideradas a
natureza e a gravidade da infração cometida, os danos que dela provierem para o
serviço público, as circunstâncias agravantes ou atenuantes e os antecedentes
funcionais.
Parágrafo único. O ato de imposição da penalidade mencionará
sempre o fundamento legal e a causa da sanção disciplinar.
Artigo 206. A advertência será aplicada por escrito, nos casos de
violação de proibição constantes do artigo 196, incisos I a VII e XVIII, e de
inobservância de dever funcional previsto em lei, regulamentação ou norma interna,
que não justifique imposição de penalidade mais grave.
Artigo 207. A suspensão será aplicada em caso de reincidência
das faltas punidas com advertência e de violação das demais proibições que não
tipifiquem infração sujeita a penalidade de demissão, não podendo exceder 90
(noventa) dias.
§ 1º Será punido com suspensão de até 15 (quinze) dias o
servidor que, injustificadamente, recusar-se a ser submetido à inspeção médica
determinada pela autoridade competente, cessando os efeitos da penalidade uma vez
cumprida a determinação.
§ 2º Quando houver conveniência para o serviço, a penalidade de
suspensão poderá ser convertida em multa, na base de 50% (cinqüenta por cento) por
dia de vencimento ou remuneração, ficando o servidor obrigado a permanecer em
serviço.
Artigo 208. As penalidades de advertência e de suspensão terão
seus registros cancelados, após o decurso de 03 (três) e 05 (cinco) anos de efetivo
exercício, respectivamente, se o servidor não houver, nesse período, praticado nova
infração disciplinar.
Artigo 209. A demissão será aplicada nos seguintes casos:
I - crime contra a administração pública;
II - abandono de cargo;
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LEI COMPLEMENTAR N.º 76/2006
III - inassiduidade habitual;
IV - improbidade administrativa;
V - incontinência pública e conduta escandalosa, na repartição;
VI - insubordinação grave em serviço;
VII - ofensa física, em serviço, a servidor ou a particular, salvo
em legítima defesa própria ou de outrem;
VIII - aplicação irregular de dinheiro público;
IX - revelação de segredo do qual se apropriou em razão do
cargo;
X - lesão aos cofres públicos e dilapidação do patrimônio
nacional;
XI - corrupção;
XII - transgressão dos incisos IX a XIV do artigo 196.
Artigo 210. Detectada a qualquer tempo a acumulação ilegal de
cargos, empregos ou funções públicas, a autoridade superior de cada Poder ou entidade
notificará o servidor, por intermédio de sua chefia imediata, para apresentar opção no
prazo improrrogável de 10 (dez) dias, contados da data da ciência e, na hipótese de
omissão, adotará procedimento sumário para a sua apuração e regularização imediata,
cujo processo administrativo disciplinar se desenvolverá nas seguintes fases:
I - instauração, com a publicação do ato que constituir a
comissão, a ser composta por 03 (três) servidores, e simultaneamente indicar a autoria
e a materialidade da transgressão objeto da apuração;
II - instrução, que compreende indiciação, defesa e relatório;
III - julgamento.
§ 1º A indicação da autoria de que trata o inciso I dar-se-á pelo
nome e matrícula do servidor, e a materialidade pela descrição dos cargos, empregos
ou funções públicas em situação de acumulação ilegal, dos órgãos ou entidades de
vinculação, das datas de ingresso, do horário de trabalho e do correspondente regime
jurídico, além dos demais dispositivos constitucionais, legais ou regulamentares
infringidos.
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LEI COMPLEMENTAR N.º 76/2006
§ 2º A comissão lavrará, até 03 (três) dias após a publicação do
ato que a constituiu, termo de indiciação em que serão transcritas as informações de
que trata o parágrafo anterior, bem como promoverá a citação pessoal do servidor
indiciado, para, no prazo de (05) cinco dias, apresentar defesa escrita ou requerer o que
entenda de direito para sua defesa, assegurando-se-lhe vista do processo na repartição
e dilatação de prazo, se entendida necessária pela comissão. Observar-se-ão, se
necessário, as normas da legislação processual para a citação do servidor.
§ 3º Apresentada a defesa, a comissão elaborará relatório
conclusivo quanto à inocência ou à responsabilidade do servidor, em que resumirá as
peças principais dos autos, opinará sobre a licitude da acumulação em exame, indicará
o respectivo dispositivo legal e remeterá o processo à autoridade instauradora, para
julgamento.
§ 4º No prazo de 05 (cinco) dias, contados do recebimento do
processo, a autoridade julgadora proferirá a sua decisão.
§ 5º Caracterizada a acumulação ilegal aplicar-se-á a pena de
demissão ou destituição em relação aos cargos, empregos ou funções públicas em
regime de acumulação ilegal, hipótese em que os órgãos ou entidades de vinculação
serão comunicados.
§ 6º O prazo para a conclusão do processo administrativo
disciplinar a que se refere este artigo não excederá 30 (trinta) dias, contados da data de
publicação do ato que constituir a comissão, admitida a sua prorrogação por até 15
(quinze) dias, quando as circunstâncias o exigirem.
Artigo 211. Será cassada a aposentadoria do inativo que a tenha
obtido com inconstitucionalidade ou ilegalidade, a qualquer tempo demonstrada pela
Administração.
Artigo 212. A destituição de cargo em comissão exercido por
não ocupante de cargo efetivo será aplicada nos casos de infração sujeita à penalidade
de demissão.
Artigo 213. A demissão, ou a destituição de cargo em comissão
por infringência do artigo 196, incisos IX e XI, incompatibiliza o ex-servidor para
nova investidura em cargo público municipal pelo prazo de 05 (cinco) anos.
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LEI COMPLEMENTAR N.º 76/2006
Parágrafo único. Não poderá retornar ao serviço público
municipal o servidor que for demitido ou destituído do cargo em comissão por crime
contra a Administração Pública, improbidade administrativa, lesão aos cofres públicos
ou prática de corrupção.
Artigo 214. Configura abandono de cargo a ausência
injustificada do servidor ao serviço por mais de 30 (trinta) dias consecutivos.
Artigo 215. Entende-se por inassiduidade habitual a falta ao
serviço, sem causa justificada, por 20 (vinte) dias, consecutivos ou interpolados,
durante cada ano civil.
Artigo 216. Na apuração de abandono de cargo ou inassiduidade
habitual, será adotado o procedimento a que se refere o artigo 210, observando-se
especialmente que:
I - a indicação da materialidade dar-se-á:
a) na hipótese de abandono de cargo, pela indicação precisa do
período de ausência injustificada do servidor ao serviço superior a 30 (trinta) dias;
b) no caso de inassiduidade habitual, pela indicação dos dias de
falta ao serviço sem causa justificada, por período igual ou superior a 20 (vinte) dias
consecutivos ou interpolados, dentro de cada ano civil.
II - após a apresentação da defesa, a comissão elaborará relatório
conclusivo quanto à inocência ou à responsabilidade do servidor, em que resumirá as
peças principais dos autos, indicará o respectivo dispositivo legal, opinará, na hipótese
de abandono de cargo, sobre a justificabilidade da ausência ao serviço superior a 30
(trinta) dias, e remeterá o processo à autoridade instauradora para julgamento.
Artigo 217. As penalidades disciplinares serão aplicadas:
I - demissão ou cassação de aposentadoria, ou suspensão
superior a 15 (quinze) dias, pelo Prefeito, Presidente da Câmara Municipal, ou
dirigente máximo da autarquia ou da fundação;
II - pelas autoridades administrativas de hierarquia
imediatamente inferior àquelas mencionadas no inciso anterior quando se tratar de
suspensão de até 15 (quinze) dias ou advertência;
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LEI COMPLEMENTAR N.º 76/2006
III - pela autoridade que houver feito a nomeação, quando se
tratar de destituição de cargo em comissão.
Artigo 218. A ação administrativa disciplinar prescreverá:
I - em 10 (dez) anos, quanto às infrações puníveis com demissão,
cassação de aposentadoria e destituição de cargo em comissão;
II - em 02 (dois) anos, quanto àquelas puníveis com suspensão;
III - em 180 (cento e oitenta) dias, quanto àquelas puníveis com
advertência.
§ 1º O prazo de prescrição começa a correr da data em que o fato
se tornou conhecido pela autoridade competente para iniciar o processo administrativo
respectivo.
§ 2º A abertura de sindicância ou a instauração de processo
disciplinar interrompe a prescrição, até a decisão final proferida por autoridade
competente.
§ 3º Interrompido o curso da prescrição, o prazo começará a
correr a partir do dia em que cessar a interrupção.
CAPÍTULO VI
DA SINDICÂNCIA, DO AFASTAMENTO PREVENTIVO E DO
PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR
Seção I
DA SINDICÂNCIA
Artigo 219. A autoridade que tiver ciência de irregularidade no
serviço público é obrigada a promover a sua apuração imediata, mediante sindicância,
ou se for o caso diretamente por processo administrativo disciplinar, neste caso
assegurada ao acusado ampla defesa.
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LEI COMPLEMENTAR N.º 76/2006
Artigo 220. As denúncias de irregularidades formuladas por
escrito serão objeto de apuração por sindicância, ainda que não contenham a
identificação do denunciante.
Parágrafo único. Quando o fato narrado, a juízo da autoridade
superior de cada Poder ou entidade, não configurar evidente infração disciplinar ou
ilícito penal, a denúncia será arquivada.
Artigo 221. Da sindicância poderá resultar:
I - arquivamento do respectivo processo;
II - aplicação de penalidade de advertência ou suspensão de 30
(trinta) dias;
III - instauração de processo disciplinar.
Parágrafo único. O prazo para conclusão da sindicância não
excederá 30 (trinta) dias, podendo ser prorrogado por igual período, a critério da
autoridade superior de cada Poder ou entidade.
Artigo 222. Sempre que o ilícito praticado pelo servidor for
punível com penalidade de suspensão por mais de 30 (trinta) dias, de demissão ou
cassação de aposentadoria, será obrigatória a instauração de processo disciplinar.
Artigo 223. Na hipótese de o relatório da sindicância concluir
que a infração está capitulada como ilícito penal, a autoridade competente
encaminhará cópia dos autos ao Ministério Público, independentemente da imediata
instauração do processo disciplinar.
Seção II
DO AFASTAMENTO PREVENTIVO
Artigo 224. Como medida cautelar e a fim de que o servidor
não venha a influir na apuração da irregularidade, a autoridade instauradora do
processo disciplinar poderá, se justificadamente imprescindível a medida, determinar o
seu afastamento do exercício do cargo, pelo prazo de até 30 (trinta) dias, prorrogável
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LEI COMPLEMENTAR N.º 76/2006
por igual período em caso de comprovada necessidade administrativa, sempre sem
prejuízo da remuneração.
Parágrafo único. Findo o prazo estabelecido no caput cessarão
os efeitos da suspensão, ainda que não concluído o processo.
Seção III
DO PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR
Artigo 225. O processo administrativo disciplinar é o
instrumento destinado a apurar responsabilidade de servidor por infração praticada no
exercício de suas atribuições, ou que tenha relação com as atribuições do cargo em que
se encontre investido.
Parágrafo único. Instaurado o processo administrativo serão
suspensas as férias e licenças, previstas no artigo 90, incisos III e IV, do servidor
indiciado, até o término do procedimento.
Artigo 226. O processo administrativo disciplinar será
conduzido por comissão processante composta de 03 (três) servidores de carreira
designados pela autoridade competente, que indicará, dentre eles, o seu presidente, que
deverá ser ocupante de cargo superior ou de mesmo nível de escolaridade com relação
ao cargo do indiciado.
§ 1º A comissão processante terá como secretário servidor
designado pelo seu presidente, podendo a indicação recair em um de seus membros.
§ 2º Não poderá participar de comissão de sindicância ou
processante cônjuge, companheiro ou parente do acusado, consangüíneo ou afim, em
linha reta ou colateral, até o terceiro grau.
Artigo 227. A comissão processante exercerá suas atividades
com independência e imparcialidade, assegurado o sigilo necessário à elucidação do
fato ou exigido pelo interesse da Administração.
71
LEI COMPLEMENTAR N.º 76/2006
Parágrafo único. As reuniões e as audiências das comissões
terão caráter reservado.
Artigo 228. Tipificada a infração disciplinar, será formulada a
minuciosa indiciação do servidor em processo administrativo disciplinar, com a
especificação dos fatos a ele imputados e das respectivas provas, obedecendo-se, em
todo o possível, ao artigo 41 do Código de Processo Penal.
Artigo 229. O processo disciplinar se desenvolve nas seguintes
fases:
I - instauração, com a publicação do ato que constituir a
comissão;
II - instrução, defesa e relatório;
III - julgamento.
Artigo 230. O prazo para a conclusão do processo administrativo
disciplinar não excederá 60 (sessenta) dias, contados da data de publicação do ato que
constituir a comissão, admitida a sua prorrogação por igual prazo, quando as
circunstâncias o exigirem, por requerimento da comissão e com autorização da
autoridade máxima de cada Poder ou entidade.
§ 1º Sempre que necessário, a comissão dedicará tempo integral
aos seus trabalhos, ficando seus membros dispensados do registro do ponto até a
entrega do relatório final.
§ 2º As reuniões da comissão serão registradas em atas que
deverão detalhar as deliberações adotadas.
Seção IV
DA INSTRUÇÃO, DA DEFESA E DO RELATÓRIO
Artigo 231. A instrução do processo administrativo obedecerá
ao princípio do contraditório, assegurada ao acusado ampla defesa, com a utilização
dos meios e recursos admitidos em direito.
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LEI COMPLEMENTAR N.º 76/2006
Artigo 232. Os autos da sindicância, se existente, integrarão o
processo disciplinar, como parte da instrução.
Artigo 233. O indiciado será citado para comparecimento em
audiência onde será colhido seu interrogatório.
§ 1º Na oportunidade da citação, será entregue ao indiciado
cópia da portaria instauradora do procedimento.
§ 2º No caso de existir mais de um acusado no mesmo processo,
cada um deles será ouvido separadamente, e sempre que divergirem em suas
declarações sobre fatos ou circunstâncias será promovida a acareação entre eles.
§ 3º O procurador do acusado poderá assistir ao interrogatório,
sendo-lhe vedado interferir nas perguntas e respostas, facultando-se-lhe, porém,
reinquirir as mesmas testemunhas e o indiciado, por intermédio do presidente da
comissão.
§ 4º Tomadas as declarações do indiciado a ele será dado prazo
de 05 (cinco) dias para oferecer defesa prévia, onde poderá apresentar provas e arrolar
testemunhas a serem ouvidas em sua defesa.
Artigo 234. Na fase de instrução a comissão promoverá tomada
de depoimentos, acareações, investigações e diligências cabíveis, objetivando a coleta
de prova, e recorrerá, quando necessário, a técnicos e peritos, de modo a permitir a
completa elucidação dos fatos.
Artigo 235. É assegurado ao servidor o direito de acompanhar o
processo pessoalmente ou por intermédio de procurador, arrolar e reinquirir
testemunhas, produzir provas e contraprovas e formular quesitos, quando se tratar de
prova pericial.
§ 1º O presidente da comissão poderá denegar pedidos
considerados impertinentes, meramente protelatórios, ou de nenhum interesse para o
esclarecimento dos fatos.
§ 2º Será indeferido o pedido de prova pericial, quando a
comprovação do fato independer de conhecimento especial de perito.
73
LEI COMPLEMENTAR N.º 76/2006
Artigo 236. A intimação do defensor deverá ser efetuada no
prazo mínimo de até 48 (quarenta e oito) horas antes da data designada para o ato.
Artigo 237. Caso a defesa não comparecer à audiência de
instrução, embora regularmente intimada, poderá ser nomeado defensor para assistir o
indiciado, preferencialmente bacharel em direito.
Artigo 238. As partes poderão arrolar até 05 (cinco)
testemunhas.
Artigo 239. As testemunhas, se servidores do mesmo Poder ou
entidade, serão convocadas a depor mediante mandado, expedido pelo presidente da
comissão, e comunicado ao chefe da repartição onde servem, com a indicação do dia e
hora marcados para inquirição, devendo a segunda via, com o ciente do interessado,
ser anexada aos autos.
Artigo 240. Se a testemunha for da Administração e não for
servidor do mesmo Poder ou entidade, será convidada a depor, indicando-se data, local
e horário.
Artigo 241. Se a testemunha for do indiciado, deverá por ele ser
conduzida a depor, na data determinada pela comissão.
Artigo 242. O depoimento será prestado oralmente e reduzido a
termo, não sendo lícito à testemunha trazê-lo por escrito, salvo pequenas anotações.
§ 1º As testemunhas serão inquiridas separadamente.
§ 2º Na hipótese de depoimentos contraditórios ou que se
infirmem, proceder-se-á à acareação entre os depoentes.
Artigo 243. Quando houver dúvida sobre a sanidade mental do
acusado, a comissão proporá à autoridade competente que ele seja submetido a exame
por junta médica oficial, da qual participe pelo menos um médico psiquiatra.
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LEI COMPLEMENTAR N.º 76/2006
Parágrafo único. O incidente de sanidade mental será
processado em auto apartado e apenso ao processo principal, após a expedição do
laudo pericial.
Artigo 244. O indiciado será intimado por mandado expedido
pelo presidente da comissão para apresentar defesa final escrita, no prazo de 10 (dez)
dias, assegurando-se-lhe vista do processo na repartição.
§ 1º Havendo 02 (dois) ou mais indiciados, o prazo será comum
e de 20 (vinte) dias, se os procuradores forem distintos.
§ 2º O prazo de defesa poderá ser prorrogado pelo dobro, para
diligências reputadas indispensáveis.
§ 3º No caso de recusa do indiciado em apor o ciente na cópia da
citação, o prazo para defesa contar-se-á da data declarada, em termo próprio, pelo
membro da comissão que fez a citação, com a assinatura de 02 (duas) testemunhas.
§ 4º Na falta de defesa, a comissão designará servidor, de
preferência bacharel em direito, para defender o indiciado.
Artigo 245. O indiciado que mudar de residência fica obrigado a
comunicar à comissão o lugar onde poderá ser encontrado.
Artigo 246. Achando-se o indiciado em lugar incerto e não
sabido, será citado por edital, publicado em jornal de grande circulação no Município,
para apresentar defesa.
Parágrafo único. Na hipótese deste artigo, o prazo para defesa
será de 15 (quinze) dias a partir da última publicação do edital.
Artigo 247. Considerar-se-á revel o indiciado que, regularmente
citado, não apresentar defesa no prazo legal.
§ 1º A revelia será declarada, por termo, nos autos do processo e
devolverá o prazo para a defesa.
75
LEI COMPLEMENTAR N.º 76/2006
§ 2º Para defender o indiciado revel, a autoridade instauradora
do processo designará um servidor qualificado como defensor dativo, que deverá ser
ocupante de cargo efetivo superior ou de mesmo nível, ou ter nível de escolaridade
igual ou superior ao do indiciado e preferencialmente ser bacharel em direito.
Artigo 248. Apreciada a defesa, a comissão elaborará relatório
minucioso, onde resumirá as peças principais dos autos e mencionará as provas em que
se baseou para formar a sua convicção.
§ 1º O relatório será sempre conclusivo quanto à inocência ou à
responsabilidade do servidor.
§ 2º Reconhecida a responsabilidade do servidor, a comissão
indicará o dispositivo legal ou regulamentar transgredido, bem como as circunstâncias
agravantes ou atenuantes, e a penalidade que entender cabível.
Artigo 249. O processo disciplinar, com o relatório da comissão,
será remetido à autoridade que determinou a sua instauração, para julgamento.
Artigo 250. Aplicar-se-á à sindicância e ao processo
administrativo subsidiariamente o Código de Processo Penal e Processo Civil vigentes.
Seção V
DO JULGAMENTO
Artigo 251. No prazo de 20 (vinte) dias, contados do
recebimento do processo, a autoridade julgadora proferirá a sua decisão de maneira
fundamentada.
§ 1º Se a penalidade a ser aplicada exceder a alçada da
autoridade instauradora do processo, este será encaminhado à autoridade competente,
que decidirá em igual prazo.
§ 2º Havendo mais de um indiciado e diversidade de sanções, o
julgamento caberá à autoridade competente para a imposição da pena mais grave.
76
LEI COMPLEMENTAR N.º 76/2006
Artigo 252. O julgamento por princípio acatará o relatório da
comissão, salvo quando contrário às provas dos autos.
§ 1º Reconhecida pela comissão a inocência do servidor, a
autoridade instauradora do processo determinará o seu arquivamento, salvo se, por
fundamentada convicção dessa última, for flagrantemente contrária à prova dos autos.
§ 2º Quando o relatório da comissão contrariar as provas dos
autos, a autoridade julgadora poderá, motivadamente, agravar a penalidade proposta,
abrandá-la ou isentar o servidor de responsabilidade.
Artigo 253. Julgado o processo e impondo-se aplicação de
penalidade, cabe pedido de reconsideração e os recursos hierárquicos, no prazo de 15
(quinze) dias, contados da ciência do servidor sobre a conclusão do processo.
Artigo 254. Verificada a ocorrência de vício insanável, a
autoridade que determinou a instauração do processo, ou outra de hierarquia superior,
declarará a sua nulidade, total ou parcial, e ordenará, no mesmo ato, o refazimento da
parte anulada ou de todo o processo, à mesma comissão ou a outra que designar.
§ 1º O julgamento fora do prazo legal, se por motivo justificado
nos autos, não implica nulidade do processo.
§ 2º A autoridade julgadora que der causa à prescrição da ação
disciplinar será responsabilizada na forma desta Lei.
Artigo 255. Extinta a punibilidade pela prescrição, a autoridade
julgadora determinará o registro do fato nos assentamentos individuais do servidor.
Artigo 256. O servidor que responder a processo disciplinar só
poderá ser exonerado a pedido, ou aposentado voluntariamente, após a conclusão do
processo, e o cumprimento da penalidade acaso aplicada.
Artigo 257. Será assegurado transporte, na forma desta Lei, aos
membros da comissão e ao secretário, quando obrigados a se deslocarem do Município
para a realização de missão essencial ao esclarecimento dos fatos.
77
LEI COMPLEMENTAR N.º 76/2006
Seção VI
DA REVISÃO DO PROCESSO
Artigo 258. O processo disciplinar poderá ser revisto, a qualquer
tempo, a pedido ou de ofício, quando se aduzirem fatos novos ou circunstâncias
suscetíveis de justificar a inocência do punido ou a inadequação da penalidade
aplicada.
§ 1º Em caso de falecimento, ausência ou desaparecimento do
servidor, poderá requerer a revisão do processo o cônjuge, o companheiro, ascendente
ou descendente de 1º grau, bem como o irmão do servidor.
§ 2º No caso de incapacidade mental do servidor, a revisão será
requerida pelo respectivo curador.
Artigo 259. No processo revisional, o ônus da prova cabe ao
requerente.
Artigo 260. A simples alegação de injustiça da penalidade não
constitui fundamento para a revisão, que requer elementos novos ainda não apreciados
no processo originário.
Artigo 261. O requerimento de revisão do processo será
encaminhado ao dirigente máximo de cada Poder ou entidade respectiva, em 03 (três)
dias.
Parágrafo único. Deferida a petição, a autoridade competente
providenciará, em 05 (cinco) dias, a constituição de comissão, na forma desta Lei.
Artigo 262. A revisão correrá em apenso ao processo originário.
Parágrafo único. Na petição inicial, o requerente pedirá dia e
hora para a produção de provas e inquirição das testemunhas que arrolar.
Artigo 263. A comissão revisora terá 60 (sessenta) dias para a
conclusão dos trabalhos, sob pena de responsabilidade.
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LEI COMPLEMENTAR N.º 76/2006
Artigo 264. Aplica-se aos trabalhos da comissão revisora, no
que couber, as normas e procedimentos próprios da comissão do processo disciplinar.
Artigo 265. O julgamento caberá à autoridade que aplicou a
penalidade, nos termos desta Lei.
Parágrafo único. O prazo para julgamento será de 20 (vinte)
dias, contados do recebimento do processo, no curso do qual a autoridade julgadora
poderá determinar diligências.
Artigo 266. Julgada procedente a revisão, será declarada sem
efeito a penalidade aplicada, restabelecendo-se todos os direitos do servidor, exceto
em relação à destituição de cargo em comissão, que será convertida em exoneração.
Parágrafo único. Da revisão do processo não poderá resultar
agravamento de penalidade.
TÍTULO VI
DAS DISPOSIÇÕES GERAIS, FINAIS E TRANSITÓRIAS
Artigo 267. O Dia do Servidor Público será comemorado a 28
(vinte e oito) de outubro.
Artigo 268. Poderão ser instituídos, no âmbito dos Poderes e das
entidades a que se aplica esta Lei os seguintes incentivos funcionais, além daqueles já
previstos nos respectivos planos de carreira:
I - prêmios pela apresentação de idéias, inventos ou trabalhos
que favoreçam o aumento de produtividade e a redução dos custos operacionais;
II - concessão de medalhas, diplomas de honra ao mérito,
condecoração e elogio.
Artigo 269. Os prazos previstos nesta Lei serão contados em
dias corridos, excluindo-se o dia do começo e incluindo-se o do vencimento, ficando
prorrogado, para o primeiro dia útil seguinte, o prazo vencido em dia em que não haja
expediente.
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LEI COMPLEMENTAR N.º 76/2006
Artigo 270. Por motivo de crença religiosa ou de convicção
filosófica ou política, o servidor não poderá ser privado de quaisquer dos seus direitos,
sofrer discriminação em sua vida funcional, nem eximir-se do cumprimento de seus
deveres.
Artigo 271. Consideram-se da família do servidor, além do
cônjuge e filhos, quaisquer pessoas que vivam às suas expensas e como tal constem do
seu assentamento individual.
Artigo 272. Ficam extintos todos os direitos e as vantagens,
pecuniários ou de outra natureza, constantes da Lei nº 359 de 17 de dezembro de 1981,
que não tenham sido previstos nesta Lei.
Artigo 273. Poderão ser complementadas por regulamento do
Executivo as disposições deste Estatuto.
Artigo 274. Os benefícios previdenciários dos servidores
públicos serão concedidos nos moldes do Artigo 40 e seguintes da Constituição
Federal e legislação previdenciária do Município de São Sebastião.
Artigo 275. As despesas com a execução desta Lei correrão à
conta das dotações específicas, consignadas a cada ano na respectiva lei orçamentária
quanto à Prefeitura, à Câmara e às autarquias, e quanto às fundações observando-se
suas peculiaridades institucionais.
Artigo 276. É parte integrante da presente Lei o Anexo I que a
acompanha.
Artigo 277. Esta lei entra em vigor na data de sua publicação,
com efeitos financeiros a partir do primeiro dia do mês subseqüente.
Artigo 278. Observados os direitos adquiridos dos servidores,
revogam-se as disposições em contrário, em especial a Lei nº 359 de 17 de dezembro
de 1981; a Lei nº 556 de 01 de dezembro de 1987; a Lei nº 577 de 26 de fevereiro de
1988; a Lei nº 681 de 04 de agosto de 1989; a Lei nº 725 de 30 de novembro de 1989;
a Lei nº 737 de 23 de fevereiro de 1990; artigos. 1º a 5º, 17 a 21 e 26 a 52, da Lei nº
840 de 27 de dezembro de 1991; a Lei nº 887 de 11 de janeiro de 1993; a Lei nº 972 de
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LEI COMPLEMENTAR N.º 76/2006
30 de junho de 1994; a Lei nº 1.030 de 10 de abril de 1995; a Lei nº 1.113 de 03 de
junho de 1996; a Lei nº 1.120 de 05 de julho de 1996; a Lei nº 1.178 de 17 de março
de 1997; a Lei nº 1.189 de 25 de junho de 1997; a Lei nº 1.213 de 24 de outubro de
1997; a Lei nº 1.226 de 12 de janeiro de 1998; a Lei nº 1.233 de 20 de fevereiro de
1998; a Lei nº 1.234 de 02 de março de 1998; a Lei nº 1.250 de 25 de maio de 1998; a
Lei nº 1.278 de 16 de setembro de 1998; a Lei nº 1.279 de 16 de dezembro de 1998; a
Lei nº 1.321 de 10 de março de 1999; a Lei nº 1.346 de 22 de junho de 1999; a Lei nº
1.492 de 31 de agosto de 2001, a Lei nº 1.503 de 31 de outubro de 2001; a Lei
Complementar nº 5 de 17 de dezembro de 2001; a Lei nº 1.507 de 31 de outubro de
2001; a Lei Complementar nº 11 de 04 de fevereiro de 2002; a Lei Complementar nº
14 de 29 de maio de 2002; a Lei nº 1.592 de 04 de dezembro de 2002; a Lei
Complementar nº 25 de 06 de dezembro de 2002; a Lei Complementar nº 32 de 18 de
março de 2002; a Lei Complementar nº 44 de 16 de dezembro de 2003; a Lei nº 1695
de 30 de junho de 2004; e a Lei Complementar nº 54 de 20 de agosto de 2004.
São Sebastião, 31 de março de 2006.
Dr. JUAN MANOEL PONS GARCIA
Prefeito
Registrada em livro próprio, e publicada por afixação data supra
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LEI COMPLEMENTAR N.º 76/2006
ANEXO I
SUBQUADRO DE CARGOS EM COMISSÃO DO MAGISTÉRIO PÚBLICO
MUNICIPAL DE SÃO SEBASTIÃO
REQUISITOS PARA PROVIMENTO DE
DENOMINAÇÃO
CARGO
Supervisor − Possuir licenciatura plena em Pedagogia com
habilitação em administração escolar ou supervisão
escolar ou inspeção escolar ou Pós Graduação na
área de Educação ou complementação pedagógica, e,
ter no mínimo 05 (cinco) anos de efetivo exercício de
Magistério.
− Ser professor efetivo ou municipalizado da rede
municipal de ensino.
Diretor de Escola, Diretor de − Possuir licenciatura plena em Pedagogia com
Centro Infantil e Vice Diretor habilitação em administração escolar ou Pós
Graduação na área de Educação, e ter no mínimo 05
(cinco) anos de efetivo exercício de magistério.
− Ser professor efetivo ou municipalizado da rede
municipal de ensino.
Coordenador Pedagógico - Possuir licenciatura plena, e, ter no mínimo 05
(cinco) anos de efetivo exercício de magistério.
- Ser professor efetivo ou municipalizado da
rede municipal de ensino.
Psicopedagogo - Possuir licenciatura plena em área da
Educação e ser especialista em psicopedagogia, e, ter
no mínimo 05 (cinco) anos de efetivo exercício de
magistério.
- Ser professor efetivo ou municipalizado da
rede municipal de ensino.
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