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Lógica Matemática: Conceitos e História

Este documento apresenta um resumo sobre a história da Lógica em três períodos: (1) período grego, onde Aristóteles sistematizou a Lógica; (2) período booleano, influenciado por Boole e De Morgan, que aproximaram a Lógica da Matemática; (3) período contemporâneo, no qual se desenvolve a Lógica Simbólica. O texto também define proposições e conectivos proposicionais.

Enviado por

Rodrigo Brito
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Lógica Matemática: Conceitos e História

Este documento apresenta um resumo sobre a história da Lógica em três períodos: (1) período grego, onde Aristóteles sistematizou a Lógica; (2) período booleano, influenciado por Boole e De Morgan, que aproximaram a Lógica da Matemática; (3) período contemporâneo, no qual se desenvolve a Lógica Simbólica. O texto também define proposições e conectivos proposicionais.

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Alessandro Ferreira Alves

José de França Bueno

Lógica Matemática

José de França Bueno


Alessandro Ferreira Alves
Lógica Matemática
Lógica Matemática

José de França Bueno


Alessandro Ferreira Alves

Curitiba
2016
Ficha Catalográfica elaborada pela Fael. Bibliotecária – Cassiana Souza CRB9/1501

B928l Bueno, José de França


Lógica matemática / José de França Bueno, Alessandro Ferreira
Alves. – Curitiba: Fael, 2016.
153 p.: il.
ISBN 978-85-60531-38-7

1. Lógica matemática I. Alves, Alessandro Ferreira II.


Título
CDD 511.3

Direitos desta edição reservados à Fael.


É proibida a reprodução total ou parcial desta obra sem autorização expressa da Fael.

FAEL

Direção Acadêmica Francisco Carlos Sardo


Coordenação Editorial Raquel Andrade Lorenz
Revisão FabriCO
Projeto Gráfico Sandro Niemicz
Imagem Capa [Link]/Senoldo
Arte-Final Evelyn Caroline dos Santos Betim
Sumário

Carta ao aluno | 5

1. Introdução à Lógica, breve histórico da


Lógica e cálculo proposicional  |  7

2. Operações Lógicas sobre Proposições  |  21

3. Tabelas-verdade | 41

4. Tautologias, contradições, implicações lógicas   |  55

5. Equivalências lógicas  |  67

6. Argumentos: regras de inferência 1  |  81

7. Argumentos: regras de inferência 2  |  93

8. Quantificadores e sentenças abertas  |  105

9. Métodos de demonstração: direta, contrapositiva, redução


ao absurdo, de inclusão e de igualdade de conjuntos   |  119

10. Indução matemática  |  133

Conclusão | 147

Referências | 151
Carta ao aluno

Prezado aluno, uma das habilidades que a sociedade espera


encontrar em um profissional de Ciências Exatas é a capacidade de
pensar logicamente. Também se espera desse profissional que iden-
tifique argumentos que não são válidos, bem como apresente as suas
ideias com clareza, precisão e rigor.
Áreas do conhecimento, como Matemática, Física, Filo-
sofia, Ciência da Computação, Engenharia Elétrica, Sistemas de
Informação, Linguística e mesmo Direito foram, e ainda são, na
atualidade, objeto de interesse, aplicações práticas e pesquisa cientí-
fica de fronteira na área da Lógica. Além disso, concursos públicos
para as mais diversas formações vêm exigindo conhecimentos de
Lógica. Como outras áreas do pensamento humano, a Lógica pode
ser estudada por seu interesse próprio ou por suas aplicações.
Lógica Matemática

A disciplina, cujos conteúdos estão oferecidos neste material, apresenta os


conceitos básicos da Lógica: proposições, conectivos; tautologias, contradições
e implicações; equivalências; argumentos válidos; regras de inferência; senten-
ças abertas; quantificadores; técnicas de demonstração e indução matemática.
Esperamos que, ao final dos estudos, você tenha ampliado as suas com-
petências de:
22 Interpretar textos matemáticos com rigor;
22 Utilizar tabelas-verdade na resolução de problemas;
22 Apresentar argumentos válidos;
22 Identificar falhas em argumentos;
22 Dominar as técnicas básicas de demonstração de teoremas;
22 Desenvolver demonstrações, utilizando os conceitos apresentados
nesta disciplina.

Seja bem-vindo(a) à nossa jornada!


Bons estudos e boas leituras!

– 6 –
1
Introdução à Lógica,
breve histórico da
Lógica e cálculo
proposicional

Neste capítulo vamos conhecer um pouco da história da


Lógica, desde Aristóteles até o século XX. O objetivo é proporcio-
nar-lhe o conhecimento que a Lógica, assim como as outras áreas
do pensamento humano, apresentaram em sua própria evolução ao
longo dos [Link],ela não se encontra estagnada. Na sequ-
ência, definiremos as primeiras noções relativas ao cálculo proposi-
cional: os princípios da Lógica Clássica, o que são proposições e os
conectivos proposicionais.
Lógica Matemática

Objetivos de aprendizagem:
22 Distinguir sentenças que são proposições daquelas que não o são;
22 Definir proposições e conectivos;
22 Identificar os conectivos proposicionais em uma sentença;
22 Listar os princípios das lógicas clássicas.

1.1  Introdução e histórico da Lógica


Em nosso dia a dia, apresentamos uma sequência de sentenças, segui-
das de uma conclusão. Essa sequência de sentenças constitui um argu-
mento. Esperamos convencer os nossos interlocutores da validade de nos-
sos argumentos.
Costuma-se dividir o estudo da Lógica Matemática (também denomi-
nada Lógica Simbólica) em três períodos:
22 período grego (para alguns autores estende-se até o início do século
XIX),
Figura 1: Selo em homenagem
ao filósofo grego Aristóteles, 22 período booleano (referência ao lógico
fundador da Lógica como disci- matemático britânico George Boole).
plina intelectual. 22 período contemporâneo.
A seguir, explicamos um pouco a res-
peito de cada período.
Acredita-se que a primeira pessoa a
realizar a sistematização da Lógica foi o filó-
sofo grego Aristóteles (384 a 322 a.C.), em
sua obra Organon. O sistema desenvolvido
Fonte: Schutterstock, 2015.

por Aristóteles foi denominado de “Lógica


dos termos”.
Outras escolas lógicas dos gregos foram
as escolas dos megáricos (cerca de 300 a.C.) e a
escola dos estoicos (cerca de 260 a.C.) (Bispo;
Castanheira; Souza Filho, 2011, p. xii).

– 8 –
Introdução à Lógica, breve histórico da Lógica e cálculo proposicional

Não obstante a enorme importância da Lógica Aristotélica, tal sistema é


considerado reduzido em suas possibilidades. É verdade que muitas argumen-
tações podem ser formuladas em termos de proposições sujeito-predicado,
contudo, este não é sempre o procedimento adequado para representar uma
argumentação. E, mais ainda: inúmeras argumentações não podem ser adap-
tadas ao modelo silogístico.
Apesar do trabalho dos pensadores medievais Pedro Abelardo (1079-
1142) e W. Ockham (1285-1347), a Lógica permaneceu praticamente mil
anos sem maiores inovações.

Figura 2 – Selo publicado pela Conquanto o filósofo e matemático


Alemanha, em homenagem a G.W. alemão Gottfried Leibniz (1646-1716)
Leibniz: suas pesquisas influencia- tenha produzido obras relacionadas com
ram os desenvolvimentos posterio- a Lógica Matemática, visto que foram
res da Lógica publicadas vários anos após a sua morte,
acabaram por não ter grande influência na
comunidade científica da época. Sua influ-
ência se fez sentir apenas ao final do século
XIX. Leibniz lançou a proposição de uma
“Álgebra Universal”, uma linguagem sim-
bólica extensível a qualquer língua. Apesar
Fonte: Schutterstock, 2015.

disso, Leibniz é considerado o primeiro


filósofo a pensar de forma profunda nas
vantagens da Lógica Simbólica.
No segundo período, começou a pre-
dominar uma concepção da Lógica mais
próxima do cálculo algébrico e simbólico
da Matemática. Os principais autores dessa fase são George Boole (1815-
1864) e o também matemático e lógico britânico Augustus De Morgan
(1806-1871). Considera-se como marco inicial desse período a publicação da
obra de Boole: Análise Matemática da Lógica (1847). Outra obra de Boole,
Investigations of the Laws of Thought, publicada em 1854, apresenta a compa-
ração daálgebra com as leis do pensamento. Já De Morgan, na obra Formal
Logic, or the Calculus of Inference, Necessary and Probable, de 1847, superou o
trabalho de Boole (Eves, 1997).

– 9 –
Lógica Matemática

O tratamento algébrico booleano ultrapassa de forma bastante abran-


gente algumas das críticas ao sistema aristotélico. Enquanto no sistema aris-
totélico parte-se de argumentações, utilizando proposições de certo tipo, na
lógica booleana são consideradas proposições básicas. É a chamada lógica
proposicional, uma lógica abstrata, na qual “os padrões lógicos revelados
estão inteiramente desprovidos de qualquer conteúdo” (Devlin, 2002, p. 52).
Foi o matemático inglês John Venn (1834-1923) quem efetuou o aperfei-
çoamento do uso de diagramas no estudo da Lógica. Com os seus diagramas,
Venn formalizou aspectos do trabalho de Leonhard Euler (matemático suíço,
1707-1783) e Gottfried Wilhelm Leibniz (matemático, filósofo e diplomata ale-
mão, 1646-1716). Considera-se que G.W. Leibniz foi o primeiro a buscar uma
representação geométrica de silogismos (um silogismo é modelo de raciocínio
constituído por duas premissas que resultam em uma conclusão). Euler utilizou
os denominados diagramas de Euler (curvas fechadas no plano) para representar
argumentos de um silogismo, em [Link] vezes, os diagramas de Venn tam-
bém são denominados diagramas de Venn-Euler. Com esses diagramas ele pre-
tendia facilitar o estudo das relações de união e intersecção entre conjuntos. Tais
diagramas, atualmente, são conhecidos como diagramas de Venn.

Figura 3 – Diagramas de Venn.


Fonte: Schutterstock, 2015.

– 10 –
Introdução à Lógica, breve histórico da Lógica e cálculo proposicional

Há uma aproximação importante entre as ideias de Boole e os diagra-


mas de Venn: ambos buscaram considerar que as proposições dizem respeito
a classes ou conjuntos de objetos. A proposta de Boole foi desenvolver uma
“aritmética” das classes. Para maiores detalhes, consulte Devlin (2002, p. 49).

Você sabia
Muito embora a Álgebra de Boole já existisse há mais de um século,
ela não era utilizada em aplicações práticas até 1937. A primeira apli-
cação prática da Álgebra de Boolefoi na análise de circuitos de relés,
por A. Nakashima, em 1937.
Notável também é que muitas linguagens de programação de compu-
tadores possuem um tipo lógico denominado “booleano” ou “boo-
lian”, em alusão a George Boole. (Daghlian 1995, p. 18).
Aplicações da álgebra booleana: [Link]
aulas/9899/me/trabalhos/alunos/Circuitos_Logicos/[Link]
Biografia de George Boole: [Link]
[Link]/2015/11/[Link]
Aplicações da álgebra booleana aos circuitos digitais: http://
[Link]/jspui/bitstream/1/424/1/REV.%20ACAD._
Dias,%20Carlos%20Magno%20Corr%C3%AAa_1994.pdf

No processo para tentar representar os padrões das demonstrações mate-


máticas, temos o esforço realizado por Giuseppe Peano e Gottlob Frege. O
filósofo alemão G. Frege (1848-1925) apresentou a sua contribuição à Lógica
com o trabalho relacionado com a Lógica de Predicados. Citamos Eves (1997,
p. 670): “o trabalho de Frege derivava da necessidade de uma fundamentação
mais sólida para a matemática”.
O esforço do matemático e lógico italiano Giuseppe Peano (1858-1932)
buscava “expressar toda a matemática em termos de um cálculo lógico” (Eves,
1997, p. 670). Eles procuravam acrescentar novas ferramentas e procedimen-
tos à Lógica Proposicional. O trabalho de Frege, posteriormente, terá como
resultado o paradoxo de Russel: um tipo de inconsistência que surge em situ-
ações nas quais um conjunto possui a si mesmo como membro. Bertrand

– 11 –
Lógica Matemática

Arthur William Russel (1872-1970), mais conhecido como Bertrand Russel,


foi um matemático, filósofo e lógico britânico. A seguir, vamos conhecer um
pouco sobre alguns paradoxos famosos.
Um exemplo bastante famoso é o paradoxo do Barbeiro: em certa loca-
lidade havia um barbeiro que:
a) Fazia a barba de todos os que não se barbeavam a si mesmos;
b) Ele fazia a barba apenas de quem não se barbeava a si mesmo.
O paradoxo aparece se buscamos descobrir se o barbeiro faz a sua própria
barba, ou não. Caso ele faça a sua própria barba, não pode barbear a si mesmo
(para não quebrar a condição b). Contudo, se ele não fizer a sua própria barba,
então terá que barbear-se a si mesmo (pois é o que está expresso na condição a).

Paradoxo: a palavra “paradoxo” é constituída do pre-


fixo de origem grega “para” (que quer dizer “contrá-
rio”) e pelo sufixo, também de origem grega, “doxa”
(que quer dizer “opinião”). Assim, paradoxo signi-
fica “algo que é contrário à opinião comum”.

Figura 4 – Selo em homenagem
O terceiro período costuma ter o seu iní-
a Bertrand Russel, lógico, mate-
mático e filósofo inglês, autor, em cio identificado pelo lançamento da obra Prin-
parceria com A.N. Whitehead, da cipia Mathematica, cujos autores são Alfred
obra Principia Mathematica. North Whitehead e Bertrand Russel. Alfred
Whitehead (1861-1947) e Bertrand Russel
foram dois filósofos e matemáticos britânicos.
Essa obra teve cada um dos seus três volumes
Fonte: Shutterstock 2015.

publicados, respectivamente, em 1910, 1912 e


1913, e apresentou grande contribuição para o
desenvolvimento da Lógica ao longo dos últi-
mos 100 anos. A partir de críticas, controvér-
sias e debates originados do Principia Mathe-
matica, surgiram as lógicas polivalentes.

– 12 –
Introdução à Lógica, breve histórico da Lógica e cálculo proposicional

A partir do trabalho de Whitehead e Russel, os matemáticos e lógicos


iniciaram uma divergência teórica que deu origem a três linhas de pensa-
mento sobre a matemática:
22 logicismo (associado principalmente a Russel);
22 intuicionismo (associado a Brower);
22 formalismo (associado principalmente ao matemático alemão David
Hilbert).
Na atualidade, a Lógica é utilizada em pesquisas em Inteligência Arti-
ficial, bancos de dados relacionais, teoria de linguagens, projeto de circuitos
lógicos, teoria de autômatos, dentre outras.

Saiba mais
Os microprocessadores são baseados na lógica clássica (Verda-
deiro ou Falso). Contudo, inúmeros desenvolvimentos tecnológicos
(Robótica, Inteligência Artificial e sistemas digitais de controle com
processamento de sinais, por exemplo), fazem uso das chamadas
lógicas não-clássicas. Para saber mais a respeito das Lógicas não
clássicas, consulte: [Link]
Noturna/Monografia_AnaPaulaVargas.pdf, [Link]
br/GLPA/downloads/[Link] e [Link]
tica/semana/arquivos/[Link]

1.2 Proposições
Definição: define-se como proposição qualquer conjunto de palavras (ou
símbolos), declarativas, que apresentam um pensamento com sentido completo.
As proposições podem ser simples ou compostas. Inicialmente, tratare-
mos das proposições simples. As proposições simples também são deno-
minadas atômicas.
Exemplos de proposições simples:
i. 2+3 = 5
ii. Todos os homens são mortais.

– 13 –
Lógica Matemática

iii. A Lua é um satélite da Terra.


iv. 22+32 = 10
v. Lisboa é a capital de Portugal.
vi. Pernambuco é um Estado do Brasil.
vii. O Japão é uma monarquia.

Exemplos de frases que não são proposições:


i. “Que foto magnífica!” (é uma frase exclamativa e não declarativa)
ii. “Vá arrumar o seu quarto, João” (é uma frase imperativa e não
declarativa)
iii. “O dia de hoje” (é uma frase que não possui verbo)
iv. “Você torce para qual time de futebol?” (é uma frase interrogativa e
não declarativa)
v. “3x + 5 > 12” (é uma sentença aberta, seu valor lógico depende do
valor de x)
As sentenças a seguir não são declarativas (assim, não são proposições, pois
não se pode estabelecer valor lógico para as mesmas):
i. Joãozinho, vá tomar banho agora!
ii. Que dia da semana é hoje?
iii. 5x + 11 = 19
A sentença i) não é declarativa, pois é uma sentença imperativa. A sen-
tença ii) não é declarativa (é uma sentença interrogativa). A sentença iii) tam-
bém não é uma proposição. Não podemos definir um único valor lógico a ela.
Esse valor lógico depende do valor de x.

Importante
Diz-se que o valor lógico de uma proposição é verdade, se a proposição
for verdadeira, e é falsidade, se a proposição for falsa.

– 14 –
Introdução à Lógica, breve histórico da Lógica e cálculo proposicional

É usual representar proposições por letras do alfabeto latino: p, q, r, s,


t. Para representar o valor lógico das proposições, utilizamos a notação valor
lógico da proposição p é verdade:
V(p) = V
valor lógico da proposição p é falsidade:
V(p) = F
Alternativamente, pode-se utilizar também V(p) = 1 (para verdade) e
V(p) = 0 (para falsidade).
Assim, escrevemos:
p: 2+3 = 5
q: Todos os homens são mortais
r: A Lua é um satélite natural da Terra
s: 22+32 = 13
t: Lisboa é a capital de Portugal.
u: Pernambuco é um Estado do Brasil.
v: O Japão é uma monarquia.
V(p) = 1 ou V(p) = V
V(q) = 1 ou V(q) = V
V(r) = 0 ou V(r) = F
V(s) = 0 ou V(s) = F
V(t) = 0 ou V(t) = F
V(u) = 1 ou V(u) = V
V(v) = 0 ou V(v) = F
Para unir teoria e prática, resolva a questão e verifique quais das expres-
sões a seguir são proposições
i. Qual é a sua nacionalidade?
ii. Sen(Θ) = 0,5

– 15 –
Lógica Matemática

iii. 1 < 0
iv. 20 + 30 = 50
v. Fique quieto!

Respostas:
i. É uma sentença interrogativa. Não é uma proposição.
ii. O valor lógico depende do valor de Θ. Não é uma proposição.
iii. É uma proposição. Seu valor lógico é falso.
iv. É uma proposição. Seu valor lógico é falso.
v. É uma sentença imperativa. Não é um a proposição.

1.3  Princípios da Lógica Clássica


A Lógica Matemática Clássica apresenta três princípios fundamentais:
o princípio da identidade, o princípio da não contradição, e o princípio do
terceiro excluído. Vejamos, a seguir, uma breve explicação de cada um destes
princípios.
i. Princípio da Identidade
Toda proposição é idêntica a si mesma.
ii. Princípio da não contradição
Uma proposição não pode ser, simultaneamente, verdadeira e falsa.
iii. Princípio do terceiro excluído
Toda proposição da Lógica Clássica ou é verdadeira ou é falsa. Exis-
tem apenas esses dois valores lógicos, não existindo um terceiro
valor lógico.
Em função do Princípio do terceiro excluído, dizemos que a Lógica
Matemática Clássica é uma lógica bivalente (uma proposição pode assumir
apenas dois valores lógicos: verdadeiro ou falso).

– 16 –
Introdução à Lógica, breve histórico da Lógica e cálculo proposicional

Importante
Os princípios da Lógica Clássica são derrogados pelas lógicas não
clássicas. Como exemplo de Lógica Não Clássica temos as lógicas
paraconsistentes. Nas chamadas lógicas paraconsistentes, o princípio
da não contradição é, em certo sentido, restringido. Já com o trabalho
do lógico polonês Lukasiewicz, assume-se a possibilidade de termos
sentenças para as quais poderá haver um terceiro valor de verdade, que
não coincide com os clássicos verdadeiro ou falso. Mac Coll (1837-
1909) desenvolve um sistema de lógica proposicional para o qual as
proposições podem assumir cinco valores: verdade, falsidade, certeza,
impossibilidade e variabilidade.

1.4  Proposições compostas e conectivos


As proposições compostas são formadas pela combinação finita de duas
ou mais proposições simples. Também são denominadas de moleculares.
Exemplos de proposições compostas:
i. Pedro é forte e Maria é alta.
ii. O número 36 não é quadrado perfeito, ou a função cosseno é limitada.
iii. Pedro é magro ou Maria é alta.
iv. Se Pedro é magro, então é palmeirense.
v. Se cos(1) = 0,5, então 5 > 2
Note que as proposições que constituem uma proposição composta
podem ser, elas mesmas, proposições compostas.

Importante
As proposições compostas podem ser denominadas também de fór-
mulas proposicionais, ou mais simplesmente, fórmulas.

– 17 –
Lógica Matemática

Notação: se p, q, r representam proposições simples, e P representa uma


proposição composta formada pelas proposições p, q e r, denotamos: P (p, q, r).
Exemplos de proposições compostas
i. Na proposição “Sou feliz e torcedor do Amigos da Praia Futebol
Clube” temos uma proposição composta formada por duas pro-
posições simples: “Sou feliz (a primeira proposição) e torcedor do
Amigos da Praia Futebol Clube” (a segunda proposição). Essas
duas proposições estão conectadas pelo conectivo “e”.
ii. Na proposição “Se não fizermos exercícios físicos, então ficaremos
doentes”, temos uma proposição composta constituída das proposi-
ções simples:
“Se não fizermos exercícios físicos,” (esta é a primeira proposição) e
“então ficaremos doentes” (segunda proposição). Nessa proposição,
temos o conectivo se...então.

1.5 Conectivos
Denominam-se conectivos as palavras que são utilizadas para, a partir de
proposições, constituir novas proposições.
Como apresentaremos o cálculo proposicional, faremos uso dos conec-
tivos conhecidos como conectivos.
Os conectivos que usaremos são:
“e”
“ou”
“se ...então...”
“se e somente se”
“não”
O ato de combinar proposições na Lógica Matemática é denominado de
operação. Os conectivos são também denominados operadores.

– 18 –
Introdução à Lógica, breve histórico da Lógica e cálculo proposicional

Quadro 1 – Operações lógicas, conectivos e respectivos símbolos.

Operação Conectivo Símbolo


Negação não ~
Disjunção Ou ˅
Conjunção E ˄
Condicional se ... então →
Bicondicional se e somente se ↔

Fonte: Elaborada pelo autor, 2015.

Exemplos de negação em linguagem natural.


A negação de “algum” é “nenhum”. A negação de “nenhum” é “algum”.
Veja os exemplos a seguir:
i. p: nenhum trabalhador é poliglota.
ii. ~p: algum trabalhador é poliglota.
iii. q: algum animal não é verde.
iv. ~q: nenhum animal é verde.
v. r: alguém ganhou na Mega-sena.
vi. ~r: ninguém ganhou na Mega-sena.
Sentenças em linguagem natural e sua tradução para símbolos
Considere as proposições:
p = Está escuro
q = está chovendo
Então, podemos escrever a sentença “não está escuro e não está cho-
vendo”, em símbolos como:
~p˄ ~q
Poderíamos ter apresentado essa mesma sentença em linguagem natural
como: “não está escuro nem está chovendo”.

– 19 –
Lógica Matemática

Já a sentença “não está escuro, mas está chovendo” pode ser traduzida
em símbolos como:
~p ˄ q
Observe que o “mas” na segunda sentença possui um sentido “aditivo”
do conectivo “e”.
Para unir teoria e prática, resolva a questão.
1. Apresente a negação das proposições seguintes
i. A audiência da TV aberta brasileira está em queda.
ii. Há sempre um corintiano em Buenos Aires
Respostas:
i. A audiência da TV aberta brasileira não está em queda.
ii. Nem sempre há um corintiano em Bueno Aires

Para determinar o valor lógico de proposições compostas, temos que


definir operações e fornecer o resultado para todas as combinações possíveis
de valores lógicos das proposições.

Resumindo
Neste primeiro capítulo, vimos um resumo da História da Lógica: lembre-
se o conhecimento humano não está “congelado” no tempo – está em perma-
nente evolução. Na sequência, vimos a definição de proposição simples, valor
lógico de uma proposição e os princípios da Lógica Clássica. Foram apresen-
tados os conectivos proposicionais (“e”, “não”, “se...então”, “se e somente se”,
“ou”) e as proposições compostas.

– 20 –
2
Operações Lógicas
sobre Proposições

Neste capítulo, você vai estudar operações lógicas sobre


proposições: a negação de uma proposição simples, a conjunção
de duas proposições, a disjunção de duas proposições, a disjunção
exclusiva e a condicional. Também veremos a negação conjunta e
a negação disjunta. Com estes conceitos, você estará apto a com-
preender como se dá a construção da tabela-verdade, bem como as
tabelas-verdade de cada uma das operações lógicas sobre proposi-
ções. Além disso, você verá como relacionar cada uma destas opera-
ções lógicas com exemplos da linguagem natural.
Ao final do capítulo teremos um conjunto de exercícios
resolvidos para fixar os conceitos vistos.
Esperamos que, ao final deste estudo, você diferencie cada
uma destas operações lógicas e apresente exemplos para cada
uma delas.
Lógica Matemática

Objetivos de aprendizagem:
22 Determinar o número de linhas para a construção da tabela-ver-
dade de uma proposição composta;
22 Relacionar as operações lógicas negação, conjunção, disjunção,
disjunção exclusiva, condicional, bicondicional, negação conjunta
e negação disjunta com a linguagem natural;
22 Construir as tabelas-verdade das operações lógicas negação, con-
junção, disjunção, disjunção exclusiva, condicional, bicondicional,
negação conjunta e negação disjunta.

2.1 Tabelas-verdade e o valor lógico


de uma proposição composta
Para determinar o valor lógico de uma proposição composta, pode-
mos utilizar uma forma de representação conhecida como tabela-verdade.
Observemos que a determinação do valor lógico de uma proposição com-
posta é função apenas dos valores lógicos das proposições simples que a cons-
tituem. Na tabela-verdade elencamos todos os possíveis valores lógicos das
proposições simples. Elas são as unidades das proposições compostas.
O número de linhas da tabela-verdade de uma proposição composta é função
do número de proposições simples que constituem essa proposição. A tabela-
verdade dela com duas proposições simples possui 22 = 4 linhas:

Quadro 1 – número de linhas em uma tabela verdadecomposição composta pelas


proposições simples (p, q).
Composição composta pelas
p q
proposições simples (p, q)
F F f(p,q)
F V f(p,q)
V F f(p,q)
V V f(p,q)
Fonte: elaborado pelo autor, 2015.
– 22 –
Operações Lógicas sobre Proposições

Pelo quadro, f (p,q) é uma função que terá valor lógico V (verdadeiro)
ou F (falso), dependendo dos valores lógicos de p e q. Observe que na pri-
meira coluna da tabela acima, temos metade dos valores lógicos iguais a F e
a outra metade, igual a V. Na segunda coluna, alternamos os valores V e F.
São as combinações de V e F que nos mostram este comportamento. É usual
afirmarmos que “F retorna V ou F”.
Mas se uma proposição composta for formada por três proposições sim-
ples, quantas linhas terá a tabela-verdade? Podemos representar as três propo-
sições simples pelas letras p, q e r, e sua tabela-verdade terá oito linhas.
Quadro 2 – Número de linhas em uma tabela verdade composição composta pelas
proposições simples (p, q, r).

Composição composta pelas


p q r
proposições simples (p, q, r)
F F F f(p,q,r)
F F V f(p,q,r)
F V F f(p,q,r)
F V V f(p,q,r)
V F F f(p,q,r)
V F V f(p,q,r)
V V F f(p,q,r)
V V V f(p,q,r)
Fonte: elaborado pelo autor, 2015.
Aqui f(p,q,r) é uma função que retorna V ou F, dependendo dos valores
lógicos de p, q e r. Observe a primeira coluna da tabela-verdade acima: a
primeira metade dos valores lógicos é F e a segunda metade é V. Na coluna
referente à proposição q, temos duas linhas com “F”, duas com ”V”, e assim
sucessivamente. Finalmente, na 3ª. coluna, referente à proposição r, alterna-
mos os valores V e F.
Este comportamento nos leva à seguinte afirmação: se temos k proposi-
ções simples na constituição de uma proposição composta, então a tabela-ver-
dade associada possui 2k linhas. Por exemplo, se temos a proposição composta
por 4 proposições simples, então a tabela verdade terá 24 = 16 linhas.
– 23 –
Lógica Matemática

2.2 Operações lógicas com proposições


envolvendo conectivos e tabelas-verdade
Você já viu que a partir das proposições simples p e q é possível construir
novas proposições utilizando-se conectivos. Para as p e q, temos: negação de
p, conjunção de p e q, disjunção de p e q, condicional de p e q, disjunção
exclusiva, negação conjunta e negação disjunta. Na sequência, veremos em
detalhes cada uma destas proposições. A seguir descreveremos cada uma delas.

Figura 1 - A programação de computadores e a microeletrônica são os exemplos


mais importantes das aplicações das operações lógicas no nosso diaadia.

Fonte: Shutterstock, 2015.

2.2.1 Negação
A negação, denotada por ~ ,inverte o valor lógico de uma proposição.
Se p éverdadeira, então ~p será falsa e, se p é falsa, então ~p será verdadeira.
Também podemos escrever: ~V = F e ~F = V caso estejamos nos refe-
rindo aos valores lógicos de uma proposição qualquer.
Além do símbolo ”~”,outras notações são encontradas para representar
a negação lógica: p e ~p.
Exemplos:
a. Considere a proposiçãop: 5 é um número primo.
O valor lógico da proposição p é dado por V(p) = V (verdadeiro).
De fato, 5 é um número primo.

– 24 –
Operações Lógicas sobre Proposições

Anegação da proposição p é a proposição ~p: 5 não é um número


primo. Neste caso, V(~p) = F (falso).
b. Considere a proposição q: Antonio é motorista.
A negação de q
~q: Antonio não é motorista.
Supondo que Antonio é motorista, V(q) = V (verdadeiro) e V (~q)
= F (falso).
22 Tabela-verdade para a negação
Para a negação de uma proposição simples, a tabela-verdade possui
apenas duas linhas, pois uma dada proposição p pode assumir ape-
nas os dois valores lógicos: V ou F. Observe o quadro.
Quadro 3 – tabela verdade da negação.

p ~p
V F
F V

Fonte: definição da operação de negação


Exemplos de negação na linguagem natural
Considere a proposição p: Está chovendo
A negação de p é: ~p: Não está chovendo.
Podemos escrever a negação de p de outras formas:
~p: É falso que esteja chovendo
Ou ainda: ~p: Não é verdade que esteja chovendo

2.2.2 Conjunção
Considere as proposições:
p: o arroz está quente.
q: o feijão está quente.
– 25 –
Lógica Matemática

Define-se a conjunção de duas proposições p e q como a que é verda-


deira quando p e q são ambas verdadeiras, e será falsa nos casos restantes.
Para representar a conjunção das proposições p e q usa-se o símbolo ˄: p˄q.
Assim, a conjunção das proposições p e será verdadeira apenas quando
o arroz ”e” o feijão estiverem ambos quentes. Nos demais casos tempos valor
lógico falso V(p˄q) = F: V (p) = F ou V (q) = F, V (p)=V e V(q)=F, ou, ainda,
se V (p) = V (q) = F,
Exemplos:
a. p: e5 > 8
q: 2 5 < 12
Temos que V (p) = V e V (q) = F. Então V (p˄q) = F

Lembre-se, e = 2,718 é um número irracional, chamada constante de Euler.

b. p: 12 é primo
q: 3 + 5 < 100
Neste caso V (p) = F e V (q) =V. Então V (p˄q) = F.
c. p: a temperatura de ebulição da água, ao nível do mar, é de 250ºC.
q: a Lua é um satélite artificial da Terra.
Agora temos que V (p) = F e V (q) =F. Então V (p˄q) = F.

Logaritmo natural: diz-se logaritmo natural o


de base e, em que e é um número irracional apro-
ximadamente igual a 2,71828182845...
Em símbolos: ln(x) = loge(x).

d. p: o número e (base dos logaritmos naturais) é um número trans-
cendente.
q: o número π é um número transcendente.

– 26 –
Operações Lógicas sobre Proposições

Temos que V (p) = V e V (q) = V. Então V (p^q) = V.

Importante
Número transcendente: define-se como transcendente a todo
número real ou complexo que não é raiz de nenhuma equação poli-
nomial com coeficientes racionais.

22 Tabela-verdade da conjunção
Abaixo apresentamos a tabela-verdade para a conjunção.

Quadro 4 – tabela verdade da conjunção


p q p˄q
V V V
V F F
F V F
F F F
Fonte: definição da operação de conjunção
Exemplos de conjunção na linguagem natural
Na linguagem natural, a conjunção de duas proposições apresenta-se
frequentemente ligada pelo conectivo “e”. Observe.
João foi nadar e Antonio foi correr.
Em símbolos: p: João foi nadar.
q: Antonio foi correr
Em símbolos temos p˄q.
A conjunção p˄q será verdadeira apenas se João foi nadar e Antonio foi
correr. Se algum deles deixou de fazer o indicado (ou se ambos deixaram de
fazê-lo), a conjunção p˄q terá valor lógico falso.
No caso da linguagem corrente, ao invés do conectivo ”e”, também
podem ser usadas as palavras mas, embora, contudo, todavia, dentre outras.
Exemplo: João foi à praia,mas Carlos foi ao cinema.

– 27 –
Lógica Matemática

Essa sentença é equivalente a: João foi à praia e Carlos foi ao cinema.


p: João foi à praia.
q: Carlos foi ao cinema.
Temos a conjunção: p˄q.
Consultando outros livros ou materiais de lógica matemática, você tam-
bém poderá deparar-se com outros símbolos para a conjunção de proposi-
ções: p.q e p˄q.

2.2.3 Disjunção (disjunção inclusiva ou soma lógica)


Define-se a disjunção de duas proposições p e q, denotada por p′q cujo
valor lógico é V quando ao menos uma das proposições é verdadeira. Se
ambas forem falsas, a disjunção é falsa.
Considere as proposições:
Pedro é prefeito ou professor.
Pedro é baiano ou paranaense.
Na primeira proposição, o ”ou” foi usado no sentido inclusivo: Pedro
pode ser prefeito e professor ao mesmo tempo.
Já no caso da segunda proposição, o ”ou” é exclusivo: ou Pedro é baiano
ou paranaense. Mas não pode ser baiano e paranaense simultaneamente. Uma
situação exclui a outra. Esta é uma situação de disjunção exclusiva. Veremos
mais sobre a disjunção exclusiva mais adiante.
O símbolo para a disjunção inclusiva é ˅.

Exemplos:
a. p: sen(30º) < 1.
q: π é um número irracional.
V(p) = V e V(q) = V
Então, V(p˅q) = V.

– 28 –
Operações Lógicas sobre Proposições

b. p: 20 é um número par.
q: log(5) é um número racional.
V (p) = V e V (q) = F
Então, V (p˅q) = V.
c. p: 2 é um número algébrico.
q: 3 2 + 5 não é um número inteiro algébrico.

Importante
Definição de número algébrico: define-se um número a∈C como
algébrico se existe um polinômio p(x) com coeficientes inteiros tal
que p(a) = 0. Definição de número inteiro algébrico: denomina-se
o número algébrico a como número inteiro algébrico se a é raiz de
uma equação polinomial de grau n, com coeficientes inteiros, tal que
o coeficiente do termo de grau n é igual a 1.

A partir das definições de número algébrico e número inteiro algébrico


apresentadas nos verbetes, temos que
V (p) = V e V (q) = F.
Então, V (p˅q) = V.
d. p: 20 é um número primo.
q: log(5) é um número racional.
V (p) = F e V (q) = F.
Então, V (p′q) = F

22 Tabela verdade para disjunção


Quadro 5 – Tabela verdade da disjunção
p q p˅q
V V V

– 29 –
Lógica Matemática

p q p˅q
V F V
F V V
F F F
Fonte: definição da operação de disjunção.
Você poderá encontrar a notação “+” para a disjunção inclusiva.

Você sabia
Já comentamos sobre a importância da Álgebra Booleana para a
Computação. Nos links a seguir você poderá conhecer um pouco
mais sobre a relação da Lógica Matemática com as Portas Lógicas na
área da Eletrônica Digital (fundamental para o desenvolvimento dos
circuitos integrados e da microeletrônica).
Link 1: [Link]
[Link]
Link 2 :[Link]

2.2.4 Disjunção Exclusiva


No caso da disjunção exclusiva, a proposição composta assume valor
lógico verdadeiro se V (p) ≠ V (q). Se V (p) = V (q) então V (p q) = F
Lemos uma disjunção exclusiva p q da seguinte forma: V (p q) = V se
ou V (p) = V ou (exclusivamente) se V (q) = V, mas não ambos verdadeiros
ao mesmo tempo. O valor lógico de p q será falso se V (p) = V (q) = V ou se
V (p) = V (q) = F.
Na linguagem natural ou corrente encontramos a disjunção exclusiva
em afirmações do tipo ”ou a proposição A é verdadeira (excluindo a propo-
sição B) ou a proposição B é verdadeira (excluindo a proposição A)”, mas
“nunca ambas são verdadeiras ou falsas simultaneamente”.
Voltemos ao exemplo dado anteriormente: ou Pedro é baiano ou paranaense.

– 30 –
Operações Lógicas sobre Proposições

Pedro não pode ser baiano e paranaense ao mesmo tempo.


Quadro 6 – Tabela verdade da disjunção exclusiva.
p q p˅q
V V F
V F V
F V V
F F F
Fonte: definição da operação de disjunção exclusiva.

Você poderá encontrar a disjunção exclusiva representada por p ⊕ q

2.2.5 Condicional
Considere a proposição:
“Se fizer Sol, então a temperatura vai subir.”
Na proposição acima, temos uma condicional pela presença da expres-
são: “se...então”. O símbolo para a condicional é à.
Se p e q são proposições, dizemos que p à q é condicional de p e q. Deno-
mina-se a proposição p de “antecedente” e a proposição q de “consequente”.
Logo, em um condicional a proposição p é uma condição para a proposição q.
A seguir apresentamos a tabela-verdade para a condicional.
Quadro 7 – Tabela verdade da condicional.
p q pà q
V V V
V F F
F V V
F F V
Fonte: definição da operação condicional.

Observe a segunda linha da tabela-verdade para a condicional. Esse é o


único caso no qual pàq é falsa. Se p for verdadeira e q for falsa, então é falso
afirmar pàq. Nas demais possibilidades de valores lógicos para p e q, a con-
dicional pàq assume valor lógico verdadeiro.

– 31 –
Lógica Matemática

Veja que nas duas últimas linhas o condicional pàq apresentar valor
verdadeiro significa que se p for falso, então q pode assumir qualquer valor
lógico que a condicional pàq será verdadeira.
Como podemos ”traduzir” isto? Podemos concluir qualquer coisa (sobre
a proposição q) se a proposição antecedente (a proposição p) for falsa.
Note que para a lógica não existe a preocupação com o conteúdo (o sig-
nificado) das expressões, mas sim com sua forma. Para a lógica também não é
relevante se o antecedente é causa do consequente.

Considere as condicionais:
22 Se Martinho da Vila inventou o Jazz, então neva no deserto do Saara;
22 Se Martinho da Vila inventou o hip-hop, então ocorrem tempestades
de areia no Saara.
Nas duas proposições o antecedente é falso. Assim, a condicional pàq
será verdadeira.
Em uma condicional não há relação real entre o antecedente e o conse-
quente. Por exemplo,“se nevar amanhã no Piauí, então serão vendidas mais
maçãs”. A condicional afirma que serão vendidas mais maçãs, mas é uma
“consequência” de se nevar amanhã no Piauí.
A condicional pàq também “não” afirma que podemos “deduzir” que
serão vendidas mais maçãs com base no fato de se nevar no Piauí amanhã.
A afirmação da condicional pàq diz respeito à relação dos valores lógi-
cos da proposição p (o antecedente) e a proposição q (o consequente), tal
como apresentado na tabela-verdade da condicional.

Uma proposição pàq pode ser lida como:


i. p implica q;
ii. p é condição suficiente para q;
iii. Se p então q;
iv. q é condição necessária para p.

– 32 –
Operações Lógicas sobre Proposições

Exemplos:
a. p: a derivada da função sen(t) é cos(t).
q: a soma dos ângulos internos de um polígono é dada pela expressão
Si = (n – 2).180º.
Temos que V (p) = V e V (q) = V.
pàq: se a derivada da função sen(t) é cos(t), então a soma dos ângu-
los internos de um polígono é dada pela expressão Si = (n – 2).180º.
V (pàq) = V
b. p: a soma dos ângulos externos de um polígono convexo é igual a 360º,
independentemente do número de lados.
q: a área de um círculo de raio r é dada por 2πr.
Temos que V (p) = V e V (q) = F
pàq: se a soma dos ângulos externos de um polígono convexo é
igual a 360º, independentemente do número de lados, então a área
de um círculo de raio r é dada por 2πr.
V (pàq) = F
O condicional de proposições também pode ser denotado por“′”: p ′ q

2.2.6 Bicondicional
Uma proposição é denominada bicondicional de duas proposições p, q
se, e somente se, ela assumir valor lógico verdadeiro quando V(p) = V(q) e
assumir valor lógico falso quando V (p) ≠ V (q).
Podemos ler uma bicondicional como:
i. p se e somente se q;
ii. p é condição necessária e suficiente para q.
O símbolo empregado usualmente para representar a bicondicional
é ”↔”.
Exemplos:
a. p: log (5) < 100

– 33 –
Lógica Matemática

q: ∫sen(x)dx = – cos(x) + Constante


Temos que V (p) =V e que V (q) = V.
Então, V (p↔q) = V.
b. p: ∫tg(x)dx = ln v sec(x) v + Constante
q: ∫cotg(x)dx = ln v cos(x) v + Constante
Temos que V (p) =V e que V (q) = F.
Então, V(p ↔ q) = F.

Quadro 8 – tabela verdade da bicondicional


p q p↔q
V V V
V F F
F V F
F F V
Fonte: definição da operação bicondicional

2.3 Outras operações lógicas: a negação


conjunta e a negação disjunta
Nesta seção, apresentaremos outras duas operações lógicas: a negação
conjunta e a negação disjunta.
2.3.1 Negação conjunta (ou Adaga de Quine)
Denomina-se negação conjunta das proposições p e q a proposição
~p˄~q, ou seja, é a conjunção entre as negações de p e de q.
A negação conjunta possui valor lógico verdadeiro se as duas proposições
são falsas e valor lógico falso nos outros casos. Em outras palavras, a negação
conjunta é a negação da disjunção.
Ou seja, ~p˄~q é equivalente a~(p ˅ q).
Em linguagem natural, uma negação conjunta está associada a uma frase
do tipo “não p e não q”, ou, dito de outra forma, a negação conjunta está
associada ao conectivo ”nem”.
– 34 –
Operações Lógicas sobre Proposições

Utiliza-se o símbolo ↓ (também denominado Adaga de Quine) para


representar a negação conjunta de duas proposições: p ↓ q.
Exemplo:
Sejam as proposições p: Pedro é paranaense, e q: Carlos é baiano.
A negação conjunta de p e q será p↓q:
~p˄~q: não é verdade que Pedro seja paranaense e que Carlos seja baiano.
Ou seja: Pedro não é paranaense, nem Carlos é baiano. Observe que
também poderíamos dizer (negação da disjunção): “Não é verdade que Pedro
seja paranaense ou que Carlos seja baiano”. A proposição “nem Pedro é para-
naense nem Carlos é baiano” terá valor lógico verdadeiro se ambas as pro-
posições p: Pedro é paranaense e q: Carlos é baiano forem falsas. Nas outras
situações a negação conjunta de p e q será falsa.
Quadro 9 – tabela verdade da negação conjunta
p q p↓ q
V V F
V F F
F V F
F F V
Fonte: definição da operação de negação conjunta

2.3.2 Negação disjunta


Denomina-se negação disjunta de duas proposições p e q à proposição
~p v ~q.
Utiliza-se o símbolo ↑ e chamado conectivo de Sheffer, ou ainda o sím-
bolo |, denominado de traço de Sheffer para representar a negação disjunta
de duas proposições.
Representa-se a negação disjunta de p e q pelo símbolo p↑q.
A negação disjunta das proposições p e q é a negação da conjunção p˄q.
Ou seja, ~p ˅ ~q é equivalente a ~(p ˄ q).
Em linguagem natural a negação disjunta está associada a ”não p ou não q”.

– 35 –
Lógica Matemática

Exemplo:
p: Pedro é paranaense.
q: Carlos é baiano.
~p: não é verdade que Pedro é paranaense.
~q: não é verdade que Carlos é baiano.
A negação disjunta de p e q, ~p ˅ ~q terá valor lógico verdadeiro se
Pedro não for paranaense ou se Carlos não for baiano, ou, ainda, se ambas as
afirmações forem falsas. Além disso, se “nem Pedro é paranaense nem Carlos
é baiano” for verdadeira, então também ~p ˅ ~q terá valor lógico verdadeiro.
Também poderíamos afirmar, equivalentemente, que (negação da conjun-
ção): “não é verdade que Pedro seja paranaense e que Carlos seja baiano”.
A negação disjunta ~p ˅ ~q terá valor lógico falso se Pedro for parana-
ense e Carlos for baiano. Ou seja, se ambas as proposições p e q forem verda-
deiras, então a negação disjunta p ↑ q será falsa.
Quadro 10 – tabela verdade da negação disjunta
p q p↑q
V V F
V F V
F V V
F F V
Fonte: definição da operação de negação disjunta
Compare esta tabela com aquela de p˄q a fim de perceber o fato de que
~p ˅ ~q é equivalente a ~(p ˄ q).

2.4 Exercícios resolvidos


1. A partir dos valores lógicos dados, determine o valor lógico da proposi-
ção p e o valor lógico da proposição q.
a. V (p ˄ q) = V e V (p ↔ q) = V
b. V (p ˅ q) = F e V (p → q) = V
c. V (p → q) = F e V (p ↔ q) = F

– 36 –
Operações Lógicas sobre Proposições

Resolução:
No caso do item (a), destacamos as células apresentadas na tabela-ver-
dade que são as opções possíveis para a situação apresentada.
p Q p→q p˄q p˅q p↔q
V V V V V V
V F F F V F
F V V F V F
F F V F F V
Fonte: elaborado pelo autor, 2015
Pela tabela-verdade, obrigatoriamente, o valor lógico da proposição p tem
que ser verdadeiro e o valor lógico da proposição q também tem que ser verdadeiro.
Repetimos o mesmo procedimento para o item (b), mas destacamos os
valores lógicos apontados.
p q p→q p ˄q p˅q p↔q
V V V V V V
V F F F V F
F V V F V F
F F V F F V
Fonte: elaborado pelo autor, 2015
Então: V (p) = F e V (q) = F.
No caso do item (c) destacamos as células:
p Q p→q p ˄q p˅q p↔q
V V V V V V
V F F F V F
F V V F V F
F F V F F V
Fonte: elaborado pelo autor, 2015
Então: V (p) = V e V (q) = F

Você sabia
Em muitos concursos públicos e vestibulares encontramos questões
sobre Raciocínio Lógico. O livro Matemática e Lógica para Concur-
– 37 –
Lógica Matemática

sos, do prof. José Luiz de Morais, apresenta centenas de questões


extraídas de concursos públicos. Ele também apresenta material sobre
silogismo categórico e hipotético. A questão abaixo foi extraída deste
livro. Veja nas referências bibliográficas todos os dados sobre o livro.

2. (FCC – ICMS/SP) Considere a proposição “Paula estuda, mas não passa


no concurso”. Nela, o conectivo lógico é:
a. Disjunção inclusiva.
b. Conjunção.
c. Disjunção exclusiva.
d. Condicional.
e. Bicondicional.
Fonte: Morais, 2012, página 55
Resolução:
Este é um exemplo de utilização do conectivo “mas” no lugar do conec-
tivo “e”: “Paula estuda e não passa no concurso”. Assim, o conectivo
lógico é conjunção, alternativa b).

3. Considere as proposições:
p: Antonio é trabalhador
q: O avestruz sabe voar
Escreva em linguagem simbólica as frases seguintes:
a. Não é verdade que o avestruz sabe voar.
b. É falso que Antonio é trabalhador .
c. Ou Antonio é trabalhador ou o avestruz sabe voar.
d. Antonio é trabalhador se e somente se o avestruz sabe voar.
e. Antonio é trabalhador ou o avestruz não sabe voar.
f. Se o avestruz sabe voar então Antonio é trabalhador.
g. Se não é verdade que Antonio é trabalhador então o avestruz sabe voar.

– 38 –
Operações Lógicas sobre Proposições

Resolução:
a. ~q
b. ~p
c. p˅q
d. p ↔ q
e. p˅ ~q
f. qàp
g. (~p) à q
4. Indique o valor lógico das proposições seguintes:
a. Se log(2) é número primo então 5/3 é número transcendente.
b. É falso que cos(x) > 2.
c. log(7) é número primo se e somente se 5/3 é número algébrico.

Resolução:
a. O valor lógico da proposição p: log(2) é número é V (p) = F.
O valor lógico da proposição q: 5/3 é um número transcendente é
V (q) = F.
Temos a proposição p à q. Como V (p) = F e V (q) = F, V (pà
q) = V.
b. O valor lógico da proposição p: cos(x) > 2 é V(p) = F. Então, o valor
lógico da proposição ~p é V (~p) = V.
c. O valor lógico de p: log(7) é um número primo é V (p) = V O valor
lógico de q: 5/3 é número algébrico é V (q) = V. Como temos a
proposição p ↔ q, então V(p < – > q) = V.
5. Traduza para a linguagem simbólica as proposições matemáticas:
a. x > 11 e x < 17
b. x = log(20) ou 3x + 2 = 5
c. se x = log(20) então 5 é um número primo

– 39 –
Lógica Matemática

Resolução:
a. Escrevemos: p: x > 11 , q: x < 17
Traduzindo a proposição apresentada para a linguagem simbólica:
p˄q
b. Escrevemos: p: x = log(20) , q: 3x + 2 = 5
Traduzindo a proposição apresentada para a linguagem simbólica:
p˅q
c. Escrevemos: p: x = log(20),q: 5 é um número primo
Traduzindo a proposição apresentada para a linguagem simbólica:
pàq

Resumindo
Você foi apresentado ao conceito de tabela-verdade que estabelece as
possibilidades de valores lógicos de proposições compostas. Aqui, foram apre-
sentados conetivos lógicos com suas respectivas tabelas.
É importante que você estabeleça a relação entre valor lógico e o seu
emprego na lógica, mas, especialmente, que você possa perceber o peso do
sentido neste estudo.
Feita a apresentação da forma de uma tabela-verdade e dos conectivos
lógicos com seus respectivos valores lógicos, é chegada a hora de ampliar estes
conceitos para outras situações que envolvam proposições compostas e tabe-
las-verdade. Vamos, então, ao próximo capítulo.

– 40 –
3
Tabelas-verdade

Neste capítulo, veremos a ordem de precedência em propo-


sições compostas, bem como se ela pode apresentar ambiguidades.
E, para evitá-las, é importante o correto uso dos parênteses.
Nem toda a lista de símbolos da lógica proposicional é uma
fórmula bem estruturada. É necessário caracterizar o que constitui
essa formulação (well formed formula).
Apenas após ter clareza destes tópicos é que podemos ini-
ciar o item seguinte: a construção de tabelas-verdade para analisar o
valor lógico de proposições compostas.
Vamos lá?
Lógica Matemática

Objetivos de aprendizagem:
22 Identificar a ordem de precedência em uma proposição composta;
22 Identificar se uma fórmula é bem formada;
22 Construir tabelas verdade de proposições compostas.

3.1 Proposições compostas, ordem de


precedência, parênteses e fórmulas bem formadas
Já vimos, anteriormente, que é possível combinar proposições simples
utilizando os conectivos ~, ˅, ˄, → , ↔ para construir proposições compos-
tas. Vejamos.
Considere as proposições simples p, q e r e algumas composições entre
elas denotadas por P.
P(p,q) = (p ˄ q) ˅ (~q)
P(p,q,r) = (p ↔ r) ˄ (~q ˅ r)
P(q, r) = (~r) → q

3.1.1 Ordem de precedência


Para evitar dúvidas na leitura de proposições compostas, deve-se estabe-
lecer uma ordem de precedência entre os conectivos, qual seja:
22 Em primeiro lugar a negação: ~
22 Em segundo lugar a conjunção e a disjunção: ˅, ˄
22 Em terceiro lugar a implicação: →
22 Em quarto lugar a bicondicional: ↔
Além disso, as fórmulas devem ser lidas da “esquerda para a direita”.
Exemplo:
a) p ˄q ↔ q ˄ p

Obedecendo a ordem estabelecida, como a conjunção deve ser realizada


antes da bicondicional, primeiro determinamos o valor de p ˄ q e de q ˄ p.

– 42 –
Tabelas-verdade

Só então determinamos o valor da bicondicional a partir dos valores


lógicos anteriormente determinados.
b) q ˅ ~p → s ˄ p

Em primeiro lugar, determinamos o valor lógico de ~p. Após, definimos


o valor lógico de q ˅ ~p e, em seguida, de s ˄ p. Na sequência, precisaremos
o valor lógico de q ˅ ~p → s ˄ p
Assim, em decorrência das ordens de precedência dos conectivos, deno-
minamos a proposição a: r ˅ q ↔ p ˄ q como um bicondicional e não como
uma conjunção ou como uma disjunção.
Por que isto?
Em primeiro lugar faz-se a conjunção p ˄ q e a disjunção r ˅ q. Só então
avaliamos o bicondicional ↔.
Pode-se destacar a precedência utilizando parênteses entre os conectivos.
Por exemplo, a proposiçãob: r ˅ (q ↔ p ˄ q) passa a ser uma disjunção, se
assim os parênteses estabelecerem.
Da mesma forma,a proposição b: (r ˅ q ↔ p) ˄ q passa a ser
uma conjunção.
É importante destacar, caro estudante, que você deve estar atento à
ordem de precedência para avaliar o valor lógico de uma composição de pro-
posições. A ordem equivocada pode alterar totalmente o valor lógico de uma
proposição composta.
Logo a seguir veremos mais sobre parênteses.

3.1.1 Parênteses
Além da regra de precedência entre os conectivos, também existe uma
regra para o uso dos parênteses: “os parênteses mais internos devem ser calcu-
lados antes dos mais externos”. Além disso, quando um parêntese for aberto,
ele deve ser obrigatoriamente fechado.
Exemplos:
a) Considere a proposição: p ˅ (q → r)

– 43 –
Lógica Matemática

Levando em conta a ordem de precedência, a proposição é diferente


da proposição (p ˅ q) → r.
Na proposição p ˅ (q → r), temos que determinar em primeiro
lugar o valor lógico da implicação (q → r).
Já na proposição (p ˅ q) → r, temos que definir em primeiro lugar
o valor lógico de (p ˅ q).
b) No caso da proposição composta ~(p ˄ q) ˅ ~(q → p) temos que
determinar, em primeiro lugar, o valor lógico de (p ˄ q) e de (q →
p). Em seguida, precisarmos o valor lógico de ~(p ˄ q) e de ~(q → p).
Só então podemos delimitar o valor lógico de ~(p ˄ q) ˅ ~(q → p).
c) Considere a proposição composta (q → p ˄ ( ~s ↔ p)) ˅ ~p.
Devemos iniciar pelos parênteses mais internos: ( ~s ↔ p).
Dentro deste parêntese, devemos iniciar pela negação ~s.
Em seguida, determinamos o valor de ~s ↔ p.
Depois, vamos para o parêntese externo: (q → p ˄ ( ~s ↔ p)).
Agora a precedência é pelo símbolo ˄.
Assim, devemos definir o valor lógico de p ˄ ( ~s ↔ p).
Feito isto, precisamos o valor lógico de q → p ˄ ( ~s ↔ p).
Na sequência, determinamos o valor de ~p.
Finalmente, terminamos o cálculo achando o valor lógico de (q →
p ˄ ( ~s ↔ p)) ˅ ~p.
Se a ausência dos parênteses não provocar ambiguidades na fórmula,
então eles podem ser retirados. Por exemplo, considere a proposição p: (a ˅
b). É possível retirar os parênteses que ainda assim a leitura não apresentará
ambiguidade. Então, podemos simplesmente escrever: p: a ˅ b.

3.2 Fórmula bem formada

Fórmula: diz-se que qualquer sequência de sím-


bolos do cálculo proposicional é uma fórmula.

– 44 –
Tabelas-verdade

Contudo, não é porque temos uma fórmula que ela será considerada
aceita para o cálculo proposicional.
Por exemplo, Pq )~p~(q˄(˅q) não tem significado lógico.
Como identificar quando Figura 1: será que qualquer conjunto de
uma sequência de símbolos símbolos matemáticos constitui uma fórmula
representa uma proposição bem formada?
composta? Para determinar se
uma fórmula pode ser aceita

Fonte: Shutterstock, 2015.


para o cálculo proposicional,
temos que determinar se ela é
uma fórmula bem formada ou
well-formed formula (ou, wff).
Veja as regras que devem
ser seguidas para identificar
wff, segundo Bispo e Souza
Filho (2012, p.13)
1. Uma letra proposicional isolada é uma wff (em outras palavras, pro-
posições simples são fórmulas);
2. se p é uma wff, então ~p também é uma wff;
3. se p e q são wff´s, então p ˅ q, p ˄ q, p → q e p ↔ q também são wff´s.

Exemplos

a) A fórmula p → ˅ q não é wff, pois não satisfaz a regra 3.


b) A fórmula q ↔ p ˄ r é wff, pois há precedência do conectivo ˄
sobre o conectivo ↔ (não é necessário que utilizemos parênteses).
c) A fórmula p → q) ~r não é bem formada pois um parêntese foi
fechado sem ter sido aberto.
d) A fórmula r ↔ q → p não é bem formada pois os conectivos ↔ e
→ possuem precedência igual. Para que ela fosse wff teríamos que
escrever de uma das duas formas:
(r ↔ q) → p ou r ↔ (q → p)

– 45 –
Lógica Matemática

Você Sabia
Já ouviu falar de linguística computacional? Ela é utilizada em proble-
mas como reconhecimento de fala, síntese de voz, robôs de tradução
automáticas e ferramentas de correção automática de textos por exem-
plo. A linguística computacional é uma área que junta conhecimentos
da Inteligência Artificial, da Informática, da Lógica Matemática, da Esta-
tística e da Linguística. Os linguistas computacionais buscam, utilizando
modelos lógicos-matemáticos (ou probabilísticos/estatísticos) das lín-
guas naturais, construir ferramentas automáticas que consigam processar
textos apresentados na linguagem natural.
Para saber mais consulte: [Link] pesquisa-
[Link]?id_laboratorio=67,
[Link]
File/597/428,
[Link]

3.3 Construção de tabelas-verdade


de proposições compostas
Considere uma proposição composta P(p, q, r). A partir dos valores
lógicos das proposições simples p, q e r, podemos construir a tabela-verdade
correspondente à proposição composta P(p, q, r) para determinar o valor
lógico da proposição composta em função dos valores lógicos das proposições
simples que a compõem.
Vamos construir juntos uma tabela-verdade de proposições compostas?
Siga os passos indicados abaixo.
1. A partir do número de proposições simples da proposição com-
posta, determine o número de linhas da tabela-verdade, usando
a relação de que, se temos k proposições simples então a tabela-
-verdade terá 2k linhas;
2. Preencha as colunas das proposições simples com os valores lógicos
Verdadeiro e Falso, de forma a atender a todas as combinações pos-
síveis de V ou F;

– 46 –
Tabelas-verdade

3. Verifique a ordem de precedência dos conectivos;


4. Insira colunas adicionais (se julgar necessário) para explicitar os cál-
culos intermediários do valor lógico da proposição composta;
5. Utilizando-se das definições para os valores lógicos das proposições
simples, calcule o valor da proposição composta;
6. A sequência de passos acima foi construída a partir das sugestões de
procedimentos de construção de tabelas-verdade para proposições
compostas apresentadas por Alencar (2002) e Daghlian (1995).

Exemplo:
a) Construa a tabela verdade para a proposição P(p,q): ~p ˅ q.
Como temos duas proposições simples p e q, a tabela-verdade terá
4 linhas.
Preenchemos as colunas referentes às proposições simples com V ou F de
forma a cobrir todas as possíveis combinações.
Inserimos a coluna adicional ~p para facilitar nossos cálculos. Não é
obrigatória a inclusão desta coluna, mas inicialmente vamos detalhar para
conduzir você à compreensão do sentido da tabela-verdade. De qualquer
forma, a inclusão de colunas adicionais para a determinação dos valores lógi-
cos intermediários é aconselhável em proposições mais complexas.

p q ~p ~p ˅ q
V V F V
V F F F
F V V V
F F V V

b) Construa a tabela-verdade para a proposição ~(p ˄ q) ˅ ~(q  p).


Neste caso, a proposição composta é formada por apenas duas propo-
sições simples p e q, o que nos leva a concluir que a tabela-verdade possui
22 = 4 linhas.
– 47 –
Lógica Matemática

Pelos parênteses, temos que determinar, primeiramente, o valor lógico


de (p ˄ q) e de (q p). Só após definimos o valor lógico de ~(p ˄ q) e de ~(q →
p). Lembre-se que a negação possui precedência sobre a conjunção e disjun-
ção. Por isso, efetuamos primeiro a negação de (p ˄ q) e de (q p) para só
então determinarmos o valor lógico da disjunção de ~(p ˄ q) com ~(q → p).

p q p˄q q→p ~(p ˄ q) ~(q → p) ~(p ˄ q) ˅ ~(q → p)


V V V V F F F
V F F V V F V
F V F F V V V
F F F V V F V

c) Construa a tabela-verdade para a proposição q ˅ ~p  s ˄ p.


Observe que é a mesma proposição apresentada no item sobre
precedência dos conectivos (exemplo b). Como a proposição é formada por
três proposições (p, q e s), a tabela-verdade deverá ter 23= 8 linhas.

p q s ~p q ˅ ~p s˄p q˅~p → s ˄ p
V V V F V V V
V V F F V F F
V F V F F V V
V F F F F F V
F V V V V F F
F V F V V F F
F F V V V F F
F F F V V F F

Veja que a última coluna apresenta o valor lógico de todas as possíveis


combinações para a composição.

d) Construa a tabela-verdade para a proposição (q → p ˄ ( ~s ↔ p))


˅ ~p.

– 48 –
Tabelas-verdade

Essa é a composição apresentada no item sobre precedência dos conec-


tivos (exemplo c). Como esta proposição é formada por p, q e s proposições
simples, deverá possuir 23 = 8 linhas.
Devemos iniciar pelos parênteses mais internos: ( ~s ↔ p) e, dentro
destes parênteses, devemos iniciar pela negação ~s.
Em seguida, determinamos o valor de ~s ↔ p.
Depois, vamos para o parêntese externo: (q → p ˄ ( ~s ↔ p)).
Agora a precedência é pelo símbolo ˄.
Assim, devemos definir o valor lógico de p ˄ ( ~s ↔ p).
Feito isto, chegamos ao valor lógico de q → p ˄ ( ~s ↔ p).
Na sequência, precisamos o valor de ~p.
Finalmente, terminamos o cálculo determinando o valor lógico de
(q → p ˄ ( ~s ↔ p)) ˅ ~p.
A sequência é:
1. ~s
2. ( ~s ↔ p)
3. q → p
4. q → p ˄ ( ~s ↔ p)
5. ~p
6. (q → p ˄ ( ~s ↔ p)) ˅ ~p

p ˄ (~s (q → p ˄ (q → p ˄ ( ~s
p q s ~p ~s (~s ↔ p)
↔ p) ( ~s ↔ p)) ↔ p)) ˅ ~p
V V V F F F F F F
V V F F V V V V V
V F V F F F F V V
V F F F V V V V V
F V V V F V F F V
F V F V V F F F V
F F V V F V F V V
F F F V V F F V V

– 49 –
Lógica Matemática

e) Construa a tabela-verdade para a proposição


P(p,q,r) = (p ↔ q) ˅ ~((r → p) → ~ q) .

Seguindo o mesmo raciocínio apresentado nos itens anteriores, P pode


ser avaliada logicamente a partir da tabela-verdade.

q→p˄ (q → p ˄ ( ~s
p q s ~s ~s ↔ p q→p ~p
( ~s ↔ p) ↔ p)) ˅ ~p
V V V F F V F F F
V V F V V V V F V
V F V F F V F F F
V F F V V V V F V
F V V F V F F V V
F V F V F F F V V
F F V F V V V V V
F F F V F V F V V

Dica
Dica: ao se construir tabelas-verdade de proposições compostas é útil
ter ao seu lado um ”lembrete” com uma tabela-verdade ”resumo” dos
conectivos ~, ˅,˄,→, ↔.
p q p˅q p˄q p→q p↔q
V V V V V V
V F V F F F
F V V F V F
F F F F V V

– 50 –
Tabelas-verdade

3.4 Valor lógico de uma proposição composta


Considere uma proposição composta P (p, q, r, s, ...). Suponha que
sejam dados os valores lógicos das proposições p, q, r, s etc. Então, é possível
determinar o valor lógico da proposição composta P (p, q, r, s, ...).
Exemplos:
a) Considere a proposição composta: P(p,q) = p → q ↔ (~p ˅ q).
Determine o valor lógico de P(p,q) se V(p) = F e V(q) =V.
Inicialmente devemos identificar a ordem de precedência das operações:
1. ~p
2. ~p ˅ q
3. p → q
4. p → q ↔ (~p ˅ q)
Como V(p) = F, então V(~p) = V.
Como V(q) = V, então V(~p ˅ q) = V ˅ V = V
Como V(p) = F e V(q) = V, então V(p → q) = V
Finalmente, V(p → q ↔ (~p ˅ q)) = V (V ↔ V) = V.
Resposta: se V(p) = F e V(q) = V, então o valor lógico da proposição
composta P(p,q) = p → q ↔ (~p ˅ q) é verdadeiro.

b) Considere a proposição P(p,q,r) = (p ˅ (r ˄ ~q) ˅ ~(~p ˅ (r ˄ q)).


Determine o valor lógico de P(FFV).
Resolução:
Pelo enunciado sabemos que V(p) = F, V(q) = F e V(r) = V. Então,
V(~q) = V. Assim, V(r ˄ ~q) = V(V ˄ V) = V e V(r ˄ q) = V(V ˄ F) = F.
Como V(p) = F, então V(~p) = V.
Temos que: V(p ˅ (r ˄ ~q)) = V(V ˅ V) = V.
E que: V(~p ˅ (r ˄ q)) = V(V ˅ F) = V
Finalmente: V(p ˅ (r ˄ ~q) ˅ ~(~p ˅ (r ˄ q)) = V(V ˅ ~(V)) = V(V ˅
F) = V

– 51 –
Lógica Matemática

Chegamos então à seguinte reposta: se V(p) = F, V(q) = F e V(r) =


V, então o valor lógico da proposição composta P(p,q,r) = (p ˅ (r ˄ ~q)
˅ ~(~p ˅ (r ˄ q)) é verdadeiro.

c) Suponha que a proposição p: x é um número amigo e tenha valor


lógico V, que a proposição q: y é um número de Mersenne e tenha
valor lógico F, e que a proposição r: z é um primo de Mersenne com
valor lógico F. Nestas condições, determine o valor lógico da pro-
posição composta P(p,q,r) = q  (~r ˄ ~p).

Importante
Denominam-se a e b números amigos se cada um deles é igual à soma dos
divisores próprios do outro. Exemplo: 284 e 220 são números amigos.

Definem-se números de Mersenne todo número natural tal que Mn=


2n – 1, com n um número natural.

Dizemos que um número é primo de Mersenne quando um número


de Mersenne também for número primo. A série de números de
Mersenne primos é M2 = 3, M3 = 7, M5 = 31, M7 = 127, M13 =
8.191, M17 = 131.071, M19 = 524.287, ....

Resolução:
Como V(p) = V, então V(~p) = F. Como V(r) = F, então V(~r) = V.
Assim, V(~r ˄ ~p) = V(V ˄ F) = F
Como V(q) = F e V(~r ˄ ~p) = F, então V(q  (~r ˄ ~p)) = V(F  F) = V.

Saiba mais
Qual a relação entre a lógica no cotidiano e a lógica na matemática?
Em um minicurso apresentado no IX ENEM (Encontro Nacional
de Educação Matemática), os professores Flávia Soares (PUC-RJ) e
Geovani Nunes Dornelas (Universidade Severino Sombra/RJ) inves-
tigaram estas relações, bem como o ensino da Lógica, e apresentam
– 52 –
Tabelas-verdade

atividades relacionando a linguagem natural e a lógica. Vale a pena


consultar o texto. O link para o texto é: [Link]
br/files/ix_enem/Html/[Link]

Resumindo
Neste capítulo, apresentamos proposições compostas e procedimentos
para a sua construção. Vimos que deve ser obedecida uma ordem de prece-
dência entre os conectivos para eliminar-se possíveis ambiguidades na leitura
de proposições compostas.
Além disso, aprendemos que os parênteses também são utilizados nas propo-
sições compostas para que se deixe clara a sequência de aplicação dos conectivos.
Você também foi apresentado ao conceito de fórmula bem formada no
cálculo proposicional.
E, finalmente, concluímos com as operações lógicas sobre proposições.
No próximo capítulo, estudaremos as tautologias, contradições e contingências.

– 53 –
4
Tautologias, contradições,
implicações lógicas

Você deve ter percebido que em determinadas tabelas-ver-


dade encontramos na última coluna valores lógicos V ou F. Em
alguns casos, apenas V ou F. Outras apresentam os dois em linhas
diferentes. Cada um destes conceitos mostra uma característica de
proposições compostas em relação aos valores lógicos apresentados
nas tabelas.
Cada uma das situações tem nomenclaturas específicas e este é o
tema do presente capítulo: veremos as tautologias (do grego ταὐτολογία,
significa ”dizer o mesmo”), as contradições e as contingências.
Lógica Matemática

Veremos também o princípio da substituição para tautologias e o prin-


cípio da substituição para contradições e suas aplicações.
Por fim, você conhecerá o conceito de implicação lógica e suas pro-
priedades.
Preparado? Vamos começar?

Objetivos de aprendizagem:
22 Definir tautologias, contradições e contingências;
22 Identificar tautologias, contradições e contingências utilizando
tabelas verdade;
22 Aplicar corretamente o Princípio da Substituição para Tautologias;
22 Aplicar corretamente o Princípio da Substituição para Contradições;
22 Definir implicações lógicas;
22 Distinguir a condicional de uma implicação lógica.

4.1 Tautologias
Definição: uma proposição composta é denominada tautologias quando
a última coluna de sua tabela-verdade possui apenas o valor lógico verdadeiro,
quaisquer que sejam os valores lógicos das proposições componentes.
A seguir, serão apresentadas as tautologias encontradas frequentemente
em problemas envolvendo lógica. A proposição p ˅ ~p é um exemplo.
Para verificar se uma proposição é uma tautologia, construímos sua
tabela verdade. Em seguida verificamos se a última coluna da tabela apresenta
apenas valores lógicos verdadeiros para todos os possíveis valores das proposi-
ções simples constituintes da proposição composta.
a) A proposição p ˅ ~p é uma tautologia
p ~p p ˅ ~p
V F V
F V V

– 56 –
Tautologias, contradições, implicações lógicas

b) A proposição p à p é uma tautologia


Neste caso, a tabela verdade possui apenas duas linhas.
p p p→p
V V V
F F V
c) A proposição p ↔ p é uma tautologia
Também neste caso a tabela verdade possui apenas duas linhas.
p p p↔p
V V V
F F V
d) A proposição ~(p ˄ ~p) é uma tautologia.
p ~p p ˄ ~p ~(p ˄ ~p)
V F F V
F V F V
A tautologia aqui pode ser “traduzida” em palavras como: “é sempre ver-
dadeiro afirmar que qualquer proposição p não pode ser, ao mesmo tempo,
verdadeira e falsa”.
e) A proposição (p à q) ↔ (~q à ~p) é uma tautologia.
p q p→q ~q ~p ~q → ~p (p → q) ↔ (~q → ~p)
V V V F F V V
V F F V F F V
F V V F V V V
F F V V V V V
Esta proposição é denominada de contrapositiva.
f ) A proposição~(p ˄ q) ↔ (~p ˅ ~q), é uma tautologia. Ela é bas-
tante empregada em problemas de argumentação e é chamada Tau-
tologia De Morgan.
~(p ˄ q) ↔
p q p˄q ~( p ˄ q) ~p ~q (~p ˅ ~q)
(~p ˅ ~q)
V V V F F F F V
V F F V F V V V
F V F V V F V V
F F F V V V V V

– 57 –
Lógica Matemática

4.2 O princípio de substituição para tautologias


Seja uma tautologia T(p,q,r,...). Considere ainda P(p,q,r,...), Q(p,q,r,...)
e R(p,q,r,...) proposições quaisquer.

Figura 1 - O valor lógico de uma Se substituirmos na tautolo-


tautologia será sempre verdadeiro gia T(p, q, r,...) a proposição p por
P(p,q,r,...), a q por Q(p, q, r, ...), a r
por R(p, q, r, ...), e assim sucessiva-
mente, então o valor lógico de T(P(p,
Fonte: Shutterstock, 2015. q, r,...), Q(p,q,r,...), R(p,q,r,...), ...)
será sempre verdadeiro.
Exemplo: Considere a proposição
T(p, q, r) = (p à q) à (p ˅ r à q ˅
r). Se você construir a tabela verdade de
T(p, q, r) verá que se trata de uma tau-
tologia (verifique!).
Considere agora a proposição P(p, q, r) = ~p ˄ q. Vamos substituir na
proposição T(p, q, r):p por P(p, q, r) = ~p ˄ q. Então:
T(P(p, q, r), q, r) = (P(p, q, r) à q) à (P(p, q, r) ˅ r à q ˅ r)
T(P(p, q, r), q, r) = ((~p ˄ q) à q) à ((~p ˄ q) ˅ r à q ˅ r)

Teremos, então, a tabela-verdade conforme segue.


(~p ˄ q) ˅ r → (~p ˄ q)
p q r ~p (~p ˄ q) (~p ˄ q) ˅ r q ˅ r
q ˅r →q
V V V F F V V V V
V V F F F F V V V
V F V F F V V V V
V F F F F F F V V
F V V V V V V V V
F V F V V V V V V
F F V V F V V V V
F F F V F F F V V
Finalmente, as últimas colunas da tabela verdade determinam a tautolo-
gia conforme o princípio da substituição.

– 58 –
Tautologias, contradições, implicações lógicas

(~p ˄ q) ˅ r → ((~p ˄ q) → q) →
(~p ˄ q) → q
q˅r ((~p ˄ q) ˅ r → q ˅ r)
V V V
V V V
F V V
F V V
V V V
V V V
V V V
V V V

Saiba mais
Assista ao divertido vídeo A Alegria da Lógica (The Joy of
Logic) com o professor e cientista da computação Dave Cliff.
Tenho certeza que você vai gostar. É bastante elucidativo e
bem-humorado.
O link é:
[Link]

4.3 Contradições
Definição: uma contradição é toda proposição composta, tal que a
última coluna da sua tabela verdade apresente somente falsidade, quaisquer
que sejam os valores das proposições simples que a constituem.
Exemplos
a) p ˄~p
p ~p p ˄~p
V F F
F V F
b) p ˄ q) ˄ (~p)
p q ~p p ˄q (p ˄ q) ˄ (~p)
V V F V F
V F F F F
F V V F F
F F V F F

– 59 –
Lógica Matemática

c) (p ˄ q) ˄ (~p ˄ ~q)
p q ~p ~q p˄q ~p ˄ ~q (p ˄ q) ˄ (~p ˄ ~q)
V V F F V F F
V F F V F F F
F V V F F F F
F F V V F V F
d) (p ˄ q) ˄ (q ↔~p)
p q ~p p˄q (q ↔~p) (p ˄ q) ˄ (q ↔~p)
V V F V F F
V F F F V F
F V V F V F
F F V F F F

Importante
As contradições também são denominadas de proposições
contraválidas.

4.3.1 Princípio da substituição para contradições


Da mesma forma que vale o princípio da substituição para tautologias,
temos o princípio da substituição para contradições.
Seja uma contradição dada por C(p,q,r,...). Considere ainda P(p,q,r,...)
e Q(p,q,r,...) e R(p,q,r,...) proposições quaisquer.
Se substituirmos na contradição C(p, q, r,...) a proposição p por
P(p,q,r,...), a q por Q(p, q, r, ...), a r por R(p, q, r, ...), e assim sucessivamente,
então a proposição C(P(p, q, r,...), Q(p,q,r,...), R(p,q,r,...), ...), também é
uma contradição.

Você sabia
Que foi um brasileiro o criador de toda uma nova área de pesquisa
na Lógica Matemática em meados do Século XX?
O nome dele é Newton Carneiro Affonso da Costa. Ele nasceu em
Curitiba (capital do Paraná) em 16 de setembro de 1929. Formou-se

– 60 –
Tautologias, contradições, implicações lógicas

em Engenharia Civil (em 1952) e em bacharelado (1955) e licen-


ciatura (em 1956) em Matemática. O prof. Newton da Costa con-
cluiu seu Doutorado em matemática em 1961. Eleé mundialmente
reconhecido por seu importante trabalho na área de Lógica Mate-
má[Link] trabalhos científicos apresentaram grande repercussão no
mundo todo: já ultrapassaram mais de 1500 citações, em pelo menos
10 idiomas. Em seu trabalho, rompeu com a abordagem aristotélica
ao desenvolver sistemas lógicos que podiam lidar com contradições
(sem que com isso, incorresse em trivialização). A partir de 1976,
surgiu o nome de Lógica Paraconsistente.
Você pode encontrar mais detalhes sobre a vida e a obra do prof.
Newton da Costa no link: [Link]
toricos/ ?destino=Newton_Costa/newtondacosta_biografia.html
Você também pode assistir à palestra: Lógica, teoria da computação
e direito,prof. Newton da Costa: [Link]

4.4 Contingências
Definição: denomina-se contingência toda equalquer proposição com-
posta tal que na última coluna de sua tabela-verdade tenhamos tanto valores
lógicos verdadeiros quanto valores lógicos falsos.
Exemplos
a) p à ~p
p ~p p → ~p
V F F
F V V
b) (~p ˅ ~q) ˄ (q à p)
p q ~p ~q ~p ˅~q q→p (~p ˅ ~q) ˄ (q → p)
V V F F F V F
V F F V V V V
F V V F V F F
F F V V V V V

– 61 –
Lógica Matemática

c) (p ˄ q) ↔ q
p q p˄q (p ˄ q) ↔ q
V V V V
V F F V
F V F F
F F F V
d) (~q à ~p) à (q à p)
p q ~p ~q ~q → ~p q→ p (~q → ~p) → (q → p)
V V F F V V V
V F F V F V V
F V V F V F F
F F V V V V V

Importante
As contingências também são denominadas proposições inde-
terminadas.

Não se deve confundir pleonasmo com tautologia.


Pleonasmo é a repetição, na fala ou na escrita, de
ideias que apresentem o mesmo sentido. Lembra-
mos que, em grego, pleos significa abundante.

4.5 Implicação Lógica


Definição: uma proposição composta P(p, q, r, ...) implica logicamente
uma proposição Q(p, q, r, ...) se, sempre que P(q, r, r, ...) apresentar valor lógico
verdadeiro, então o valor lógico de Q(p, q, r, ...) também será verdadeiro.
Representa-se simbolicamente a implicação lógica com a seta ⇒.
Destaca-se que na tabela verdade de uma implicação lógica não existe
nenhuma linha na qual tenhamos a sequência Verdadeiro Falso.

– 62 –
Tautologias, contradições, implicações lógicas

Importante
ão confunda o símbolo para a condicional → à com o símbolo
utilizado para a implicação lógica ⇒ .

Estudante, fique atento! O símbolo à é uma operação lógica entre pro-


posições. Seu resultado é outra proposição. O símbolo representa uma relação
entre duas proposições. A flecha dupla indica uma “implicação lógica”.
Exemplos
a) p ⇒ q à p
p q q→p
V V V
V F V
F V F
F F V
Observe que não existe sequência V – F (da coluna ”p”´´ para a coluna
”q”à “p”). Logo, podemos concluir a implicação lógica p ⇒ q àp.
Observe que, na primeira linha da tabela-verdade, a sequência é V – V.
Na segunda linha, é V – V, na terceira linha, F – F e na quarta linha a sequ-
ência é F – V.
b) p ˄ q ⇒ p ˅ q
p q p˄q p˅q
V V V V
V F F V
F V F V
F F F F
Na tabela verdade de p ˄ q e p ˅ q não temos linha alguma com V – F
(entre as colunas ”p” ˄ “q”e “p” ˅ “q” -nesta ordem!).

Veja que “não é verdade que p ˅ q ⇒ p ˄ q”. Na tabela verdade


para p ˅ q e p ˄ q (nesta ordem!) existe ao menos uma linha com a
sequência V – F. Destaque-se que existir ao menos uma sequência do
tipo V – F na tabela verdade nos leva a concluir que não temos uma
implicação lógica. Apresentamos a tabela-verdade abaixo para conferir

– 63 –
Lógica Matemática

que p ˅ q ⇒ p ˄ q não é uma implicação lógica (observe as células em


cinza escuro).
p q p˅q p ˄q
V V V V
V F V F
F V V F
F F F F
c) p ↔ q ⇒ p à q
p q p ↔q p→ q
V V V V
V F F F
F V F V
F F V V
A seguir, apresentamos algumas implicações usuais empregadas em
demonstrações. Nos próximos capítulos, voltaremos a elas. Elas recebem o
nome de “Regras de Inferência”. Outras implicações lógicas notáveis serão
apresentadas no capítulo oportuno.
Adição p ⇒ p˅ q
p˄q⇒p
Simplificação
p ˄q ⇒ q
(p ˅ q) ˄ ~p ⇒ q
Silogismo disjuntivo
(p ˅ q) ˄ ~q ⇒ p
Modus Ponens (p à q) ˄p ⇒ q
Modus Tolens (p à q) ˄ ~q ⇒ ~p
Fonte: elaborado pelo autor, baseado em DAGHLIAN e FILHO.

[Link] Propriedades da Implicação Lógica


A implicação lógica possui três propriedades:
i) Propriedade reflexiva: p ⇒ p
ii) Propriedade transitiva: se p ⇒ q e q ⇒ r, então p ⇒ r
iii) Para que uma implicação p ⇒ q seja verdadeira é condição
necessária e suficiente que p à q seja tautologia.
– 64 –
Tautologias, contradições, implicações lógicas

Como consequência das propriedades da implicação lógica temos


que, se P(p, q, r, ..) ⇒ Q(p, q, r, ..), então também é verdadeiro que
P(p1, q1, r1, ..) ⇒ Q(p1, q1, r1, ..).

Resumindo
O presente capítulo apresentou a você as tautologias, as contradições e as
contingências lógicas. São, em verdade, possíveis resultados lógicos encontra-
dos na análise de proposições compostas quanto ao seu valor lógico.
A partir desses conceitos, você pode conhecer o conceito de implicação
lógica e suas propriedades que serão empregadas mais adiante.
No próximo capítulo, você estudará a equivalência lógica e outros con-
ceitos que derivam dela. Esteja pronto para isso revisando todos os conceitos
e propriedades vistos até o momento. As equivalências lógicas envolvem todo
o exposto até aqui. Bons estudos.

– 65 –
5
Equivalências lógicas

Neste capítulo, você vai conhecer o conceito de equivalên-


cia lógica, que segue a linha da implicação lógica. Veremos como
identificá-las usando a tabela-verdade e conheceremos algumas
equivalências lógicas notáveis. Na sequência, identificaremos as suas
aplicações e as propriedades delas. Veremos também o teorema que
relaciona equivalências lógicas e tautologias
Também, neste capítulo, serão definidas as proposições recí-
proca, contrária e a contrapositiva de uma condicional.
Preparado? Vamos começar?
Lógica Matemática

Objetivos de aprendizagem:
22 Definir equivalência lógica;
22 Reconhecer equivalências lógicas notáveis;
22 Aplicar equivalências lógicas;
22 Conhecer as propriedades das equivalências lógicas;
22 Apresentar a recíproca, contrária e contrapositiva de uma condicional.

5.1 Conceituação
Definição: diz-se que uma proposição p é logicamente equivalente a
uma proposição q se p ↔ q é tautológica. Utiliza-se a notação p ⇔ q. E que
duas proposições são equivalentes se suas tabelas verdade são idênticas.
Note que os símbolos ↔ e ⇔ são distintos, assim como na implicação
lógica. O símbolo ↔ significa uma operação lógica e o símbolo ⇔ mostra
que a proposição p ↔ q é tautológica.
Adicionalmente, deve ser observado que todas as equivalências lógicas
continuam válidas quando substituímos as proposições simples por proposi-
ções compostas. Exemplos:
a. ~(~p) ⇔ p (dupla negação)
Quadro 1 – Dupla negação

p ~p ~(~p)
V F V
F V F
Fonte: elaborado pelo autor, com base em Filho, 2002.
A equivalência lógica entre ~(~p) e p é válida, pois as duas colunas
em destaque na tabela-verdade são iguais. Este fato se repetirá ao
longo dos próximos exemplos. Algumas das equivalências lógicas que
apresentaremos são usadas tão frequentemente em demonstrações
que receberam nomes específicos.
A equivalência seguinte é conhecida como Regra de Clavius.

– 68 –
Equivalências lógicas

b. Regra de Clavius: ~p →p⇔ p


Quadro 2 – Regra de Clavius
p ~p ~p→p
V F V
F V F
Fonte: elaborado pelo autor, com base em Filho, 2002.

c. Regra da absorção: p→p ∧ q ⇔ p →q


Quadro 3 – Regra da absorção
p q p∧q p→p ∧ q p→q
V V V V V
V F F F F
F V F V V
F F F V V
Fonte: elaborado pelo autor, com base em Filho, 2002.

d. Primeira Lei de de Morgan: ~(p ∨ q) ⇔ ~p∧ ~q


Quadro 4 – Primeira Lei de de Morgan
p q p∨q ~( p ∨ q) ~p ~q ~p∧ ~q
V V V F F F F
V F V F F V F
F V V F V F F
F F F V V V V
Fonte: elaborado pelo autor, com base em Filho, 2002.

Observe na tabela-verdade as duas colunas em destaque. Como elas


apresentam os mesmos valores lógicos, vale a equivalência lógica
~(p ∨ q) ⇔~p∧ ~q.
22 Generalização: podemos generalizar a equivalência lógica acima
para um número n de proposições.
Sejam p1, p2,...,pn, proposições. Então,
( (~ p1) v (~ p2) v ... v(~ pn) ) ⇔ ~(p1 ∧ p2 ∧ ... ∧ pn)

– 69 –
Lógica Matemática

Tal equivalência pode ser reescrita de forma mais compacta:

(~ pi) ~ (pi)

e. Segunda Lei de de Morgan: ~(p ∧ q) ⇔ ~p ∨ ~q


Quadro 5 – Segunda Lei de de Morgan
p q p∧q ~( p ∧ q) ~p ~q ~p∨ ~q
V V V F F F F
V F F V F V V
F V F V V F V
F F F V V V V
Fonte: elaborado pelo autor, com base em Filho, 2002.
22 Generalização: de forma análoga à generalização do item d, pode-
mos generalizar a equivalência lógica acima para um número n de
proposições.
Sejam p1, p2,...,pn, proposições. Então,
( (~ p1) ∧ (~ p2) ∧ ... ∧(~ pn) ) ⇔ ~(p1 v p2 v ... v pn)

A equivalência acima pode ser reescrita de forma mais compacta:

(~ pi) ~ (pi)

f. p → q ⇔ ~p ∨ q
Quadro 6 – p → q ⇔ ~p∨ q
p q p→q ~p ~p∨ q
V V V F V
V F F F F
F V V V V
F F V V V
Fonte: elaborado pelo autor, com base em Filho, 2002.

– 70 –
Equivalências lógicas

Novamente, em destaque, as colunas da tabela verdade para p →


q ⇔ ~p ∨ q
g. p → q ⇔ ~q → ~p
Quadro 7 – Equivalência lógica da condicional e sua contrapositiva
p q p →q ~q ~p ~q→ ~p
V V V F F V
V F F V F F
F V V F V V
F F V V V V
Fonte: elaborado pelo autor, com base em Filho, 2002.
Essa equivalência é bastante empregada na demonstração de teore-
mas e resultados matemáticos. O condicional e sua contrapositiva
são logicamente equivalentes.
h. p↔q ⇔ (p ∧ q) ∨ (~p ∧ ~q)

Quadro 8 – p↔q ⇔ (p ∧ q) ∨ (~p ∧ ~q)


p q p↔q p∧ q ~p ~q ~p ∧ ~q (p∧ q) ∨ (~p∧ ~q)
V V V V F F F V
V F F F F V F F
F V F F V F F F
F F V F V V V V
Fonte: elaborado pelo autor, com base em Filho, 2002.
Esta equivalência merece destaque, pois permite substituir uma
bicondicional por uma disjunção.

5.1.1 Aplicação da equivalência lógica


Com o conceito de equivalência lógica podemos demonstrar que, por
vezes, bastam as operações de negação, de conjunção e a de disjunção para
que qualquer expressão proposicional possa ser representada.
i. É possível eliminar o bicondicional a partir da equivalência
lógica:
p ↔ q ⇔ (p ∧ q) ∨ (~p ∧~q)

– 71 –
Lógica Matemática

ii. É possível eliminar o condicional a partir da equivalência


lógica:
p à q ⇔ ~p∨ q
iii. É possível reescrever a conjunção a partir da disjunção:
p ∨ q ⇔ ~(~p ∧ ~q)
iv. É possível reescrever a disjunção a partir da conjunção:
p ∧ q ⇔ ~(~p ∨ ~q)
Exemplos:
a. Eliminação do bicondicional
Considere a proposição: (p ↔ q) ∧ (~p ∨ q)
Podemos eliminar a bicondicional substituindo (p ↔ q) por
(p ∧ q) ∨ (~p ∧ ~q)
Assim:
(p ↔ q) ∧ (~p ∨ q) ⇔ ((p ∧ q) ∨ (~p ∧ ~q)) ∧ (~p ∨ q)
b. Reescrever a conjunção em função da disjunção
Considere a proposição: ((p ∧ q) ∨ (~p ∧ ~q)) ∨ (~p ∨ q)
Usando que p ∧ q ⇔ ~(~p ∨ ~q), teremos, na proposição acima:
(~(~p ∨ ~q) ∨ (~p ∨ ~q)) ∧ (~p ∨ q)
Em seguida usamos que ~p ∧ ~q ⇔ ~(p ∨ q):
(~(~p ∨ ~q) ∨ ~(p∨ q)) ∨ (~p ∨ q)

5.1.2 Propriedades da equivalência lógica


Relacionamos, a seguir, propriedades importantes da relação de equiva-
lência lógica.
a. Reflexiva: p ⇔ p
b. Simétrica: Se p ⇔ q então q ⇔ p
c. Transitiva: Se p ⇔ q e q ⇔ r então p ⇔ r

– 72 –
Equivalências lógicas

Importante
A propriedades citadas valem tanto para proposições simples
quanto para proposições compostas.

Você sabia
As propriedades reflexiva, simétrica e transitiva não aparecem
apenas na Lógica Matemática. Quando estudamos uma Relação
Binária R sobre um conjunto A, também falamos nas proprieda-
des reflexiva, simétrica e transitiva.

Define-se a propriedade de reflexividade de uma rela-


ção R sobre um conjunto A, quando, para o elemento x
pertencente ao conjunto A, é verdadeiro que o elemento
x esteja em relação com ele mesmo pela ligação R.

5.2 Equivalências lógicas e tautologias


A relação entre equivalência lógica e tautologia em um bicondicional é
conceitual, o que podemos observar no teorema a seguir.
Teorema: a proposição P(p, q, r, ...) é equivalente logicamente à propo-
sição Q(p, q, r, ...), se, e somente se, a bicondicional P(p, q, r, ...) ↔ Q(p, q,
r,...) for uma tautologia.
Demonstração: é dividida em duas partes:
22 Primeira parte: vamos supor que P(p, q, r, ...) e Q(p, q, r, ...) sejam
proposições logicamente equivalentes.
Como, por hipótese, as proposições P(p, q, r, ...) e Q(p, q, r, ...)
são logicamente equivalentes, suas tabelas-verdade são idênticas.

– 73 –
Lógica Matemática

Assim, o bicondicional P(p, q, r, ...)↔ Q(p, q, r,...) apresentará


valor lógico em todas as linhas de sua tabela-verdade, o que deter-
mina a existência de uma tautologia, como queríamos mostrar.
22 Segunda parte: agora vamos supor que o bicondicional P(p, q, r, ...)
↔ Q(p, q, r,...) é uma tautologia.
Sendo o bicondicional uma tautologia, sua tabela-verdade terá a
última coluna totalmente preenchida com valores lógicos verdade
(V). Logo, os valores lógicos das proposições P(p, q, r, ...) e Q(p, q,
r, ...) são ambos verdadeiros ou falsos. Concluímos, então, que as
proposições P e Q são equivalentes.

5.3 Proposições recíprocas,


contrárias e contrapositivas
Há associações especiais entre proposições e condicional e que são rela-
cionadas para você, caro aluno.
22 Definição (Recíproca): Vamos denominar a proposição p à q de
direta. A proposição q à p recebe a denominação de recíproca de
p à q.
22 Definição (Contrária): Considere a condicional p à q. Deno-
mina-se contrária de p à q a proposição ~p à ~q. A proposição
contrária também recebe o nome de inversa de p à q. A recíproca q
à p e a inversa ~p à ~q são logicamente equivalentes.
22 Definição (Contrapositiva): Considere a condicional p à q.
Denomina-se contrapositiva de p à q a proposição ~q à ~p.
A proposição contrapositiva também recebe o nome de contrare-
cíproca (por ser a contrária da recíproca). A condicional p à q e a
contrapositiva ~q à ~p são logicamente equivalentes.
O quadro, resume as definições para sua melhor compreensão e
visualização das associações de proposições com o condicional,
indicando como forma direta o condicional p à q.

– 74 –
Equivalências lógicas

Quadro 9 – Resumo das relações entre as proposições contrária, recíproca e


contrapositiva da condicional direta
Condicional
Direta pà q
Contrária ~p à ~q
Recíproca qàp
Contrapositiva ~q à ~p
Fonte: elaborado pelo autor, com base em Filho, 2002.
A seguir, apresentamos duas equivalências lógicas importantes relacio-
nadas com a condicional p à q, sua contrapositiva, a recíproca e a contrária
da condicional p à q.

Saiba mais
Qual é o teorema recíproco do Teorema de Pitágoras? Antes
de tudo, precisamos saber qual o enunciado da condicional
direta do Teorema de Pitágoras.

Escrevemos a condicional direta assim: ”se um triângulo possui um


ângulo de noventa graus, então o quadrado da medida do lado oposto ao
ângulo de noventa graus é igual à soma dos quadrados dos catetos”.
A recíproca fica: “se o quadrado da medida de um lado de um triângulo
é igual à soma dos quadrados dos outros dois lados, então o ângulo oposto
possui medida igual a noventa graus”.
I. O condicional p → q e sua contrapositiva ~q → ~p são logica-
mente equivalentes.
Veja a tabela-verdade:
Quadro 10 – Equivalência lógica entre a condicional e a contrapositiva
p q ~p ~q p→q ~q → ~p
V V F F V V
V F F V F F
F V V F V V
F F V V V V
Fonte: elaborado pelo autor, com base em Filho, 2002.
– 75 –
Lógica Matemática

Assim, a forma direta p à q equivale logicamente à contrapositiva


~q à ~p.
II. A recíproca q → p e a contrária ~ p → ~q são logicamente equi-
valentes. Veja a tabela verdade:
Quadro 11 – Equivalência lógica entre a recíproca e a contrária
p q ~p ~q q→p ~p → ~q
V V F F V V
V F F V V V
F V V F F F
F F V V V V
Fonte: elaborado pelo autor, 2015.
Assim, o teorema afirma que a forma recíproca q à p equivale
logicamente à sua forma contrária ~p à ~q.
Quadro 12 – Proposições associadas a uma condicional

Proposições associadas a uma condicional


p à q ⇔ ~q à ~p A forma direta é equivalente à contrapositiva
q à p ⇔ ~p à ~q A recíproca é equivalente à contrária
Fonte: elaborado pelo autor, 2015.

Importante
Em alguns textos você poderá encontrar a denominação de inversa para
a proposição contrária. Da mesma forma, a proposição contrapositiva
também é denominada contrarecíproca em alguns textos (pois é a con-
trária da recíproca).

Exemplos:
a. Considere o condicional: se x é um primo de Mersenne, então x é
um número algébrico.

– 76 –
Equivalências lógicas

Resolução:
Denotemos por:
p: x é um primo de Mersenne, e
q: x é um número algébrico.
O condicional direta é p à q. A recíproca deste condicional será q
à p. Dito de outra forma, temos que:
Se x é um número algébrico então x é um primo de Mersenne.
A contrapositiva é dada por ~q à ~p, que se expressa por:
Se x não é um número algébrico então x não é um primo de
Mersenne.
A contrária será: ~p à ~q
Se x não é um primo de Mersenne então x não é um número algé-
brico.

b. Considere a condicional: p à q: se x é um número par então x2 é par.


Resolução:
Temos que:
p: x é um número par, e
q: x2 é par.
A recíproca será: q à p: se x2 é par então x é par
A contrapositiva será: ~q à ~p: se x2 não é par então x não é um
número par.
A contrária será: ~p à ~q: se x não é um número par então x2 não
é par.

c. Qual a contrapositiva da contrapositiva de p à q?


Resolução: a contrapositiva de p à q é ~q à ~p.
A contrapositiva de ~q à ~p é dada por ~(~p) à ~(~q)

– 77 –
Lógica Matemática

Ou seja: p à q.

d. Determine a contrapositiva da recíproca de p à q.


Resolução:
A recíproca de p à q é dada por q à p
A contrapositiva de q à p é dada por ~p à ~q
Portanto, a contrapositiva da recíproca de p à q é a contrária de
pàq

e. Considere a proposição: se Antonio vai à praia então Antonio pra-


tica atividade física.
Resolução:
Podemos denotar p: Antonio vai à praia e q: Antonio pratica
atividade física.
22 A proposição recíproca será:
qàp
22 Se Antonio pratica atividade física então Antonio vai à praia.
A proposição contrária será:
~p à ~q
22 Se Antonio não vai à praia então Antonio não pratica atividade
física.
A proposição contrapositiva será:
~q à ~p
22 Se Antonio não pratica atividade física então Antonio não vai
à praia.
Assinale a alternativa que apresenta a sentença logicamente equivalente
a “Se Carlos é engenheiro então Fernanda é supervisora”.
a. Carlos é engenheiro ou Fernanda não é supervisora.

– 78 –
Equivalências lógicas

b. Se Fernanda não é supervisora então Carlos não é engenheiro.


c. Se Fernanda é supervisora então Carlos é engenheiro.
d. Carlos é engenheiro e Fernanda é supervisora.
e. Fernanda é supervisora ou Carlos é engenheiro.
Resolução:
Escrevemos p: Carlos é Engenheiro e q: Fernanda é supervisora.
Temos que a direta é logicamente equivalente à contrapositiva:
p à q ⇔ ~q à ~p
~q: Fernanda não é supervisora.
~p: Carlos não é engenheiro.
~q à ~p
Se Fernanda não é supervisora então Carlos não é engenheiro.
Alternativa correta: b)

Resumindo
Neste capítulo, estudamos as equivalências lógicas, apresentando algu-
mas das principais equivalências exemplos de aplicações em situações particu-
lares. Por fim, estudamos a recíproca, a contrária e a contrarrecíproca de uma
proposição condicional p à q.
Em destaque, observamos que a proposição direta p à q é logicamente
equivalente à contrarrecíproca ~q à ~p e que a proposição recíproca q à p
é logicamente equivalente à contrária ~p à ~q.

– 79 –
6
Argumentos:
regras de inferência 1

Caro estudante,
Neste capítulo você conhecerá os elementos básicos da teo-
ria envolvendo a argumentação, bem como as primeiras regras de
inferência. É sabido que a Lógica é utilizada em vários contextos
atuais. Num primeiro momento, pode-se pensar que ela visa inves-
tigar a validade dos argumentos. Isto nos diz que lógica, lingua-
gem e argumentos são palavras diretamente relacionadas, já que nos
fazem entender e defender pontos de vistas, mesmos que sejam con-
traditórios, seja por meio da exposição oral ou escrita de discursos.
Lógica Matemática

Neste sentido, serão apresentadas a definição e validade de argumentos,


caracterizando os bons, ruins, válidos e inválidos em termos lógicos. Discuti-
remos o problema da validade e a simbolização dos argumentos, assim como
iremos explorar as regras de inferência na sua primeira parte, especificamente.
Fala-se, neste momento, por exemplo, das regras da simplificação, modus ponens,
e modus tollens. Este aparato é de grande valia para o entendimento e resolução
de problemas envolvendo lógica, independentemente da área de atuação.

Objetivo de aprendizagem:
Esperamos que, ao final deste capítulo, você esteja apto para distinguir
argumentos válidos e inválidos, bem como familiarizado com as primeiras regras
de inferência que são peças chave para a descrição da validade da argumentação.

6.1 Argumentos: o que são?


Nos dias atuais, seja em nível pessoal ou organizacional, é sabido que
o processo decisório acerca de problemas envolve complexidade, subjetivi-
dade e uma sequência lógica de etapas. Desta maneira, quando falamos em
argumentação e, por conseguinte, nas suas células constituintes, que são os
argumentos, a inteligência própria nos leva a uma dada direção para o con-
vencimento de ideias.
Para caracterizarmos formalmente a noção de argumento, é necessário
retomar a noção de sentença ou proposição. Sabe-se que uma proposição é
uma expressão de uma dada linguagem, que tem valor lógico verdadeiro ou
falso, de modo exclusivo, em um particular contexto. Vamos relembrar exem-
plos de proposições? Confira:
22 Alessandro é professor de Matemática;
22 Cauã é filho de Alessandro;
22 2 é um número par;
22 Meu nome é Matheus;
22 O mercado municipal de determinada cidade possui pelos menos
8 caixas de morangos contendo o mesmo número de morangos.

– 82 –
Argumentos: regras de inferência 1

Contrariamente, não podem ser consideradas proposições:


22 Estude para o teste;
22 Que concurso complicado!
22 Qual foi a seu presente de natal no ano passado?
Segundo Alves (2011), deve-se salientar que, ao propor uma específica
interpretação ou análise via proposições, o que é de interesse diz respeito ao
seu valor lógico, ou seja, se ela é verdadeira ou falsa. Por consequência, o
alicerce para tal decisão pode ser feito por meio de dois caminhos peculiares
da lógica, que são a lógica dedutiva e a lógica indutiva. Especificamente
falando, temos que:
22 Lógica Dedutiva: toda proposição tem apenas um único valor
lógico, ou seja, V (Verdadeira) ou F (Falsa).
22 Lógica Indutiva: de acordo com Martins (2012, p. 4), “uma pro-
posição pode ter diferentes graus de plausibilidade associados a ela,
de acordo com esta parecer ser mais ou menos verdadeira”.

Saiba mais
Em termos gramaticais, as expressões descritas são proposições
imperativa, exclamativa e interrogativa, respectivamente. Toda-
via, do ponto de vista da Lógica, não são sentenças.

Note então que definimos um argumento como uma sequência finita


de proposições, em que uma delas é a conclusão, e as outras são as premissas.
Cabe salientarmos que as premissas funcionam como espécies de passos que
caracterizam a conclusão. Exemplificando: se os preços dos produtos aumen-
tam, aumentam os salários dos trabalhadores; e se aumentam os salários dos
trabalhadores, aumenta a inflação; logo, se aumentam os preços dos produtos,
aumenta a inflação. Esta argumentação pode ser descrita de outros modos:
22 Se os preços dos produtos aumentam, aumentam os salários
dos trabalhadores.
22 E se aumentam os salários dos trabalhadores, aumenta a inflação.

– 83 –
Lógica Matemática

22 Logo, se aumentam os preços dos produtos, aumenta a inflação.


Ou:
p: Os preços dos produtos aumentam
q: aumentam os salários dos trabalhadores
r: aumenta a inflação
Que nos leva a partir da tradução da linguagem simbólica à repre-
sentação simbólica:
p→q, q→r e, portanto, p→r
Ou ainda:
p→q
q→r
p→r

Importante
Comumente, a transcrição do argumento é feita com esta forma
padrão, separando as premissas sobre uma linha horizontal e,
em seguida, a conclusão sob o traço.

Ainda constituem exemplos de argumentos:


i. (Adaptado de Bispo 2012) Alessandro é homem.
Todos os homens são mortais.
Portanto, Alessandro é mortal.
ii. Papai se chama Lúcio.
Mamãe se chama Flávia.
Por consequência, eu me chamo Lúcio Flávio.
iii. Nunca foi provado que a sequência dos números primos é finita.
Daí, existe uma quantidade infinita de números primos.

– 84 –
Argumentos: regras de inferência 1

Contrariamente, a sequência de proposições a seguir não constitui um


exemplo de argumento, já que as premissas não são em número finito. São
infinitas premissas, o que descaracteriza argumento.
iv. 1 é um número natural e é positivo.
2 é um número natural e é positivo.
3 é um número natural e é positivo.
4 é um número natural e é positivo.
...
Então, todo número natural é positivo.

Figura 01: Elementos básicos da argumentação.

Proposição Argumento Premissa

Conclusão Indução Dedução

Fonte: elaborado pelo autor, 2015.

6.2 Validade de um argumento:


qual o seu significado?
Comumente utilizam-se as premissas como elementos válidos para che-
garmos à sua conclusão, porém é interessante observar que em algumas situa-
ções as premissas com certeza justificam a sua conclusão. Todavia, em outras,
isso não ocorre. Logo, surgem os chamados argumentos bons e argumentos
ruins. De acordo com Bispo (2012), os argumentos bons são aqueles em que
as premissas são suficientes para garantir a sua conclusão, enquanto que os
ruins são aqueles em que as premissas sozinhas não garantem a conclusão.

– 85 –
Lógica Matemática

Em linhas gerais, usamos a argumentação para estabelecermos a ver-


dade de uma determinada proposição. Logo, argumentamos sobre determi-
nadas bases (premissas) de forma que o que queremos mostrar (a conclusão)
tenha a sua verdade caracterizada sobre a verdade das premissas. Ou seja, aqui
podemos visualizar que argumentar corretamente não quer dizer que estamos
certos. Além disso, ressalta-se que mesmo que as premissas sobre as quais
argumentamos não sejam verdadeiras, podemos sim descrever boas argumen-
tações. Sendo assim, você deve perceber que o argumento do exemplo (i) é
bom e o argumento do exemplo (ii) é ruim.
Alves (2011) nos fala que o ponto determinante para uma boa argumen-
tação não reside na verdade das premissas sobre as quais nos baseamos, mas
sim no fato de que se aceitar as premissas do argumento em questão como
verdadeiras, você não poderá considerar como falsa a sua conclusão.
A partir da descrição realizada anteriormente, já podemos então
definir formalmente o significado de um argumento válido e inválido.
Segundo Alves (2011), um argumento é dito válido se, independente-
mente do contexto, é impossível que sua conclusão seja falsa, caso admi-
tamos que suas premissas são verdadeiras. Em contrapartida, dizemos que
um argumento é inválido obviamente se não é válido, ou seja, existe um
particular contexto em que suas premissas são verdadeiras e determina-
mos que a sua conclusão é falsa.
Por exemplo:
i. Todo número par é natural.
Dois é par.
Daí, dois é natural.
Este argumento é válido, pois não é possível que todos os números
pares sejam naturais e que, ao mesmo tempo, existe um número
par 2 que não seja natural.
ii. Alguns números são pares.
Alguns números são ímpares.
Portanto, concluímos que alguns números são pares e ímpares.

– 86 –
Argumentos: regras de inferência 1

Este argumento é inválido, pois é possível descrever um contexto em que


as premissas sejam verdadeiras, simultaneamente, e a conclusão falsa. Note-
mos o contexto com os números 11, 12, 13 e 14. Teremos que a proposição
“Alguns números são pares” é verdadeira, já que 12 e 14 são pares. A propo-
sição “Alguns números são ímpares” é verdadeira, pois 11 e 13 são ímpares.
Porém, a proposição “Alguns números são pares e ímpares” é falsa, pois como
12 e 14 não são ímpares e como 11 e 13 não são pares, nenhum número é par
e ímpar de modo simultâneo.
Pelo formalismo da definição de argumento válido, vemos que um
argumento é válido se a verdade das bases nos leva necessariamente à ver-
dade da conclusão, ou seja, os termos “possível” e “admitir” possuem rele-
vância fundamental para a caracterização da validade dos argumentos. Em
verdade, de acordo com Bispo (2012), tais termos nos levam a pensar que
na verificação da validade de um argumento, não nos importa saber se suas
premissas são efetivamente proposições verdadeiras, mas sim, devemos
simplesmente admitir que as premissas sejam verdadeiras em um contexto
qualquer e, a partir daí, devemos averiguar se sob tais circunstâncias é pos-
sível que a conclusão seja falsa.

Vejamos mais alguns exemplos.

i. Alessandro foi imperador de Roma.


Todos os imperadores de Roma morreram envenenados.
Portanto, Alessandro morreu envenenado.
Observe que este argumento é válido, onde o mesmo possui pre-
missas falsas e conclusão verdadeira.

ii. Todos os homens são seres humanos.


Todos os seres humanos falam.
Portanto, todos os homens falam.
Aqui temos um argumento válido que possui uma premissa falsa e
conclusão falsa.

– 87 –
Lógica Matemática

Você sabia
Podemos ter situações em que os argumentos são válidos, sendo
que suas premissas e conclusão são verdadeiras. Similarmente,
existem argumentos válidos em que uma ou mais premissas são
falsas e a conclusão é verdadeira.

iii. Goiânia é a capital de Goiás.


Então, Recife é a capital de São Paulo.
Note que este argumento é inválido, já que o ele possui premissa
verdadeira e conclusão falsa.

iv. Goiânia é capital de Goiás.


Portanto, São Paulo é capital do Rio de Janeiro.
Observe que este argumento é inválido, já que o mesmo possui pre-
missa verdadeira (Goiânia é capital de Goiás e, ao mesmo tempo,
conclusão falsa.

6.3 Entendendo melhor o problema


da validade de um argumento
Já percebemos que a descrição da validade de um argumento não parece
ser uma tarefa tão simples em situações peculiares. Em verdade, o problema
da validade consiste em determinarmos se um dado argumento é válido ou
inválido. Ou seja, o problema da validade pode ser visto da seguinte maneira:
Dado: um argumento qualquer.
Questão: caracterizar se ele é válido ou inválido.
Sendo assim, Alencar (2000) nos diz que a caracterização da validade ou
invalidade de um argumento pode ser fundamentada nos seguintes princípios:
22 Princípio 01: o argumento será válido desde que consigamos mos-
trar a verdade de sua conclusão a partir da verdade das premissas.

– 88 –
Argumentos: regras de inferência 1

22 Princípio 02: a exibição de um contexto particular em que as pre-


missas do argumento são verdadeiras e a conclusão é falsa nos leva
à descrição da invalidade de tal argumento.
O que devemos observar claramente é que, diante da definição formal de
validade, conseguimos a priori classificar a argumentação em válida ou inválida,
porém a partir dos dizeres dos princípios anteriores tal definição nos fornece
uma metodologia para comprovação de validade do argumento em questão.
Segundo Martins (2012), deve-se salientar que o primeiro princípio nos
diz que um dado argumento é válido a partir do momento em que a verdade
de sua conclusão decorre necessariamente da verdade de suas bases (premis-
sas). Todavia, qual seria o significado de “decorrer necessariamente”? De
outra forma, o segundo princípio nos fala que um argumento é caracterizado
como inválido, desde que exibamos um contexto peculiar em que suas pre-
missas são verdadeiras e sua conclusão seja falsa. Observe mais uma vez que
aqui não temos o significado preciso da terminologia “exibir um contexto”.
Ressalta-se que um dos objetivos centrais da Lógica é descrever nas entreli-
nhas a interpretação precisa das duas noções citadas anteriormente.
Figura 02: Classificando e caracterizando a validade de argumentos.

Definição Formal

Validade de um Argumento (não temos uma metodologia


para caracterizar argumentos válidos e inválidos)

Princípios Básicos da Validade de Argumentos

- Princípio 01 (nos permite caracterizar argumentos válidos)

- Princípio 02 (nos permite caracterizar argumentos inválidos)

Noções Importantes

- “decorrer necessariamente”

- “exibir um contexto

Fonte: elaborado pelo autor, 2015.


– 89 –
Lógica Matemática

6.4 Introdução às regras de inferência


Sabe-se que uma tautologia ou proposição logicamente verdadeira é
uma proposição composta cuja sua tabela-verdade só apresenta valores lógi-
cos verdadeiro (V), constituindo desta forma como raciocínios lógicos para a
comprovação da validade de argumentos.
Cabe salientarmos que de acordo com as inúmeras tautologias que temos,
muitas podem ser caracterizadas a partir de equivalências e implicações lógicas,
sendo que algumas destas são consideradas de fundamental importância para
a descrição da validade de argumentos. Tais tautologias são conhecidas como
regras de inferência, ou seja, as regras de inferências são as células fundamen-
tais e básicas para a comprovação ou dedução da argumentação.

Regras de inferência são regras de transformações sintáticas que


podem ser usadas para mensurar uma dada conclusão, a partir
de uma premissa com o intuito de criação de um argumento.

Em geral, temos uma série de regras de inferência. Dentre elas, cita-
mos: Adição (AD), Simplificação (Simp), Modus Ponens (MP), Modus Tollens
(MT), Silogismo Hipotético (SH) e Silogismo Disjuntivo (SD). Vejamos a
descrição de cada uma delas a seguir.
22 1ª Regra (Regra da Adição): se tivermos um enunciado verdadeiro,
podemos caracterizar uma disjunção verdadeira, independentemente
do enunciado. Em símbolos, temos que: p ⇒ p∨q. Esquematica-
mente, temos que:
p
p∨q
22 2ª Regra (Regra da Simplificação – SIMP): a partir de uma con-
junção verdadeira, podemos concluir que qualquer uma de suas
sentenças é individualmente verdadeira. Em símbolos, temos que:
p∧ q ⇒ p. Esquematicamente, temos que:
p∧q
p

– 90 –
Argumentos: regras de inferência 1

22 3ª Regra (Modus Ponens – MP): se o antecedente de uma condicio-


nal for verdadeiro, então seu consequente será verdadeiro. Em símbo-
los, escrevemos: p∧ (p → q) ⇒ q. Esquematicamente, temos que:
p→q
p
q
22 4ª Regra (Modus Tollens – MT): se contradizemos o consequente
de uma condicional, então temos a contradição do antecedente. Sim-
bolicamente, : ~ q ∧ (p → q) ⇒ ~ p. Esquematicamente, temos que:
p→q
~q
~p

Você sabia
A regra Modus Ponens é chamada de afirmação do antecedente,
enquanto que a regra Modus Tollens é chamada de contradição do
consequente.

22 5ª Regra (Silogismo Disjuntivo – SD): se tivermos uma disjunção


verdadeira com uma das proposições sendo falsa, então a outra pro-
posição é verdadeira. Simbolicamente, segue que: (p ∨ q)∧ ~ p ⇒
q. Esquematicamente, temos que:
p∨q
~p
q
22 6ª Regra (Silogismo Hipotético – SH): o Silogismo Hipotético
possui como alicerce a transitividade envolvendo a implicação de
duas condicionais. Em verdade, se o consequente de um coincide
com o antecedente de outro, então o antecedente do primeiro
implica no consequente do segundo. Simbolicamente escrevemos:
(p → q)∧(q → r) ⇒ p → r. Esquematicamente, temos que:

–  91  –
Lógica Matemática

p→q
q→r
p→r

Resumindo
A caracterização de um argumento ser válido ou inválido não é uma
tarefa simples a partir de sua definição formal, em verdade, é que diante
da definição formal de validade até é possível classificarmos a argumen-
tação em válida ou inválida, todavia apresentamos dois princípios lógicos
básicos que visam minimizar o grau de complexidade para a descrição da
validade de argumentos.
Por fim, foram apresentadas as primeiras regras de inferência que desem-
penham papel importante e essencial para a comprovação e dedução da vali-
dade de argumentações diversas, tais como Modus Ponens, Modus Tollens e
Silogismo Disjuntivo.

– 92 –
7
Argumentos: regras
de inferência 2

Neste capítulo, você conhecerá mais algumas informações


e técnicas importantes para a caracterização da validade de argu-
mentos, bem como serão apresentadas e aplicadas outras regras de
inferências. É interessante observarmos que as sentenças repassam
pensamentos, ou seja, confirmam versões ou descrevem juízos que
formamos a partir das premissas, ou, de outro modo, nos levam
a argumentações válidas ou inválidas. Além disso, sabe-se que um
dispositivo pertinente para a descrição de valores lógicos, associados
às proposições, são as tabelas-verdade. Aqui criaremos, a partir desta
ferramenta, uma técnica para a validação de argumentos, ou seja,
para a descrição de argumentos válidos e inválidos, bem como, para
a dedução de outras regras de inferência, tais como as regras do
dilema construtivo, dilema destrutivo e dupla negação.
Lógica Matemática

Objetivo de aprendizagem:
Esperamos que, ao final deste capítulo, você interprete e aplique a tabela-
verdade na caracterização de argumentos válidos e inválidos, bem como se
familiarize com outras regras de inferência usadas também para a validação
da argumentação.

7.1 Validade de argumentos e tabela-verdade


Segundo Alves (2011), utilizamos uma tabela-verdade para determinarmos
o valor lógico de uma proposição composta a partir dos valores lógicos das pro-
posições simples que a definem, ou seja, o valor lógico da proposição composta
obviamente depende dos valores lógicos de suas componentes individuais.
Desta forma, tendo como referência este dispositivo, temos sim como
caracterizar argumentos válidos e argumentos inválidos.   Primeiramente,
vamos considerar a seguinte argumentação:
Se Alessandro toma medicamento, Alessandro melhora.
Ora, Alessandro tomou medicamento.
Portanto, Alessandro melhorou.
Note que, o argumento acima pode ser transformado para a linguagem
simbólica, como segue:
pep→q∴q

Importante
O símbolo ∴ significa “portanto” ou “logo” ou “então”.

De outra forma, a linguagem pode ser descrita na forma válida (Modus


Ponens) como segue:
p→q
p
q

– 94 –
Argumentos: regras de inferência 2

Agora, vejamos a caracterização do argumento a partir da tabela-verdade


associada. Em linhas gerais, para alcançarmos a validade ou não validade de
um dado argumento, inicialmente construímos a sua tabela-verdade, dis-
pondo uma coluna para cada premissa e uma para a conclusão. Sendo assim,
em termos do nosso argumento, descrevemos como é mostrado na Figura 1
a seguir.
Figura 1: Caracterizando a validade do argumento.

p → q, p q
V V V 1ª linha
F V F 2ª linha
V F V 3ª linha

V F F 4ª linha

Fonte: elaborado pelo autor, 2015.


Através da tabela-verdade, é possível perceber que apenas na primeira
linha as premissas p → q e p possuem valor lógico V, sendo que aqui a con-
clusão q também apresenta valor lógico V, o que nos diz que temos então
uma argumentação válida, já que para argumentos válidos, sendo as premis-
sas verdadeiras, não podemos ter a conclusão falsa.
Salientamos, ainda, que existe uma forma alternativa para descrevermos
a validade de um argumento via a tabela-verdade. Neste sentido, transforma-
mos o argumento em uma condicional, de tal forma que o antecedente seja
formado por um enunciado ou por uma conjunção de enunciados e o con-
sequente é encarado como o enunciado conclusão. Note, então, que vamos
obter um argumento válido desde que a condicional em que o argumento foi
modificado seja uma tautologia.
Sendo assim, consideremos a regra de inferência do Silogismo Hipoté-
tico (SH) que na linguagem simbólica é descrito por:
p → q, q → r ∴ p → r
Dessa maneira, o passo inicial é colocarmos as premissas na forma de
uma conjunção, ou seja, escrevemos:
– 95 –
Lógica Matemática

(p → q) ∧ (q → r)
A seguir, olhamos o símbolo da conclusão como uma condicional e iso-
lamos a conjunção das premissas, como segue:
[(p → q) ∧ (q → r)] → [p → r]

Importante
Separamos a conjunção das premissas da conclusão por meio
de colchetes.

No último passo, obviamente construímos a tabela-verdade associada


à condicional que acabamos de criar. A Figura 2 nos mostra tal construção.
Figura 2: Caracterizando a validade do argumento.
(p → q) ∧ [(p → q) ∧ (q →
p q r p→q p→r q→r
(q → r) r)] → [p → r]
V V V V V V V V
V V F V F F F V
V F V F V V F V
V F F F F V F V
F V V V V V V V
F V F V V F F V
F F V V V V V V
F F F V V V V V
Fonte: elaborado pelo autor, 2015.
Claramente visualizamos que a tabela-verdade da condicional pela qual
foi alterado o nosso argumento é uma tautologia, sendo assim, acabamos de
concluir que o argumento em questão é válido.

Saiba mais
Observe que se a condicional pelo qual transformamos o nosso
argumento for uma contradição ou uma contingência, então o
nosso argumento é inválido.

– 96 –
Argumentos: regras de inferência 2

7.2 Prova de não validade – procedimento


útil para tabelas-verdade maiores
Possivelmente, podemos ter situações em que o número de proposições
seja bem maior. Consequentemente, o número de linhas da tabela-verdade
vai aumentar e, por conseguinte, o grau de complexidade para a sua forma-
ção. Sabemos que o número de linhas de uma tabela-verdade é dado por
2n, sendo n o número de proposições simples. Note, então, que descrever a
validade de argumentos se torna uma tarefa árdua, a partir do momento que
o número de proposições componentes aumenta. Para tais casos, então pode-
ríamos indagar: como simplificar o caminho para chegarmos a validade ou
não da argumentação? A resposta é que temos um procedimento conhecido
como prova de não validade que faz com que o caminho fique mais curto.
Na verdade, a prova de não validade consiste em colocarmos valores
lógicos das proposições componentes, de tal forma que, pelo menos em uma
linha, tenhamos premissas verdadeiras com conclusão falsa, o que nos leva
a um argumento inválido. Contrariamente, não obtendo tal contexto, con-
cluímos que o argumento é válido.
Vejamos um exemplo.
Se Alessandro vence, então Cauã é derrotado. (p → q)
Se Cauã é derrotado, sua esposa briga. (q → r)
Se a esposa não briga, tem-se harmonia. (~ r → s)
Segue-se que Alessandro vence, existe harmonia. (p → s)
Sendo assim, podemos escrever:
p→q
q→r
~r→s
p→s
Desta maneira, devemos atribuir valores V ou F a cada uma das pro-
posições, a fim de que as premissas sejam verdadeiras e a conclusão falsa.
Mas como proceder com estes valores lógicos? Note que como a conclusão
é uma condicional, sabemos que ela é falsa desde que seu antecedente seja
verdadeiro e seu consequente seja falso. Então, logicamente, vamos tomar p

– 97 –
Lógica Matemática

como V e s como F. Similarmente, observe que, se descrevermos q e r como


V, temos que todas as premissas são verdadeiras e, consequentemente a con-
clusão é falsa, o que nos leva a deduzir que o argumento é inválido. Vejamos
a Figura 3 que nos mostra este raciocínio por meio da prova de não validade.
Figura 3: Caracterizando a validade do argumento.
p q r s p → q, q → r, ~r→s p→q

V V V F V V V F

Fonte: elaborado pelo autor, 2015.

Importante
Salienta-se que, quando não for possível a descrição de valores
lógicos das proposições componentes que fazem as premissas ver-
dadeiras e a conclusão falsa, conclui-se a validade do argumento.

7.3 Equivalência lógica, implicação


lógica e validade de um argumento
Acabamos de averiguar que, a partir do momento em que aumenta
muito o número de proposições componentes na da tabela-verdade relacio-
nada, torna-se mais complexa a classificação do argumento. Com o objetivo
de simplificar os passos para a validade ou não de um argumento, pode-se uti-
lizar uma técnica mais eficiente, que consiste numa sequência lógica de racio-
cínios padronizados válidos a priori, ou seja, independentemente do contexto
estes raciocínios são válidos, já que suas formas são tautologias. Além disso,
podem nos levar a outras formas válidas.

Chamamos de dedução natural, demonstração ou prova formal o


procedimento de utilização de raciocínios padronizados válidos
a priori para caracterizar a validade ou não de argumentos.

– 98 –
Argumentos: regras de inferência 2

Cabe ressaltar que a prova formal tem como referência dois elementos
básicos, a equivalência lógica e a implicação lógica. Vejamos a descrição de
cada um deles a seguir, de acordo com Alves (2011).
22 Implicação Lógica: uma proposição P implica logicamente em
uma proposição Q, quando Q for verdadeira todas as vezes que P for
verdadeira. Para representarmos tal relação utilizamos o símbolo ⇒.
Sendo assim, a proposição (p→q) ∧ p implica logicamente a pro-
posição q como nos mostra a tabela-verdade abaixo.
Figura 4: Exemplificando a implicação lógica.
p q p→q (p → q) ∧ p
V V V V
V F F F
F V V F
F F V F
Fonte: elaborado pelo autor, 2015.
22 Equivalência Lógica: uma proposição P é logicamente equiva-
lente a proposição Q quando ambas apresentam a mesma tabela-
-verdade, ou seja, apresentam os mesmos valores lógicos. Para
representarmos tal relação utilizamos o símbolo ⇔.
Sendo assim, a proposição “p → (p ∧ q)” é logicamente equivalente
a “p → q”, conforme nos mostra a tabela-verdade a seguir.
Figura 5: Exemplificando a equivalência lógica.
p q p∧q p → (p ∧ q) p→q
V V V V V
V F F F F
F V F V V
F F F V V
Fonte: elaborado pelo autor, 2015.
Lembre-se que os símbolos ↔ e ⇔ são diferentes! O primeiro
refere-se a uma operação lógica, enquanto o segundo é de relação,
ao qual estabelece uma tautologia entre proposições.

– 99 –
Lógica Matemática

7.4 Outras regras de inferência


É sabido que as regras de inferência são amplamente utilizadas para
comprovar a validade de argumentos, ou seja, nos auxiliam na mensuração de
uma conclusão, a partir de premissas, com o objetivo de criarmos argumen-
tos. Sendo assim, estaremos apresentando outras regras de inferência, que
aumentam na verdade as opções para justificativa da validade ou não de argu-
mentos, dentre elas citamos: Dilema Construtivo (DC), Dilema Destrutivo
(DD), Absorção (ABS), Conjunção (Conj), Dupla Negação (DN), Idempo-
tência (ID), Comutação (COM) e Associação (Assoc), Distribuição (Dist) e
Transposição (Trans). Vamos conhecer cada uma delas? Confira:
22 1° Regra (Regra do Dilema Construtivo – DC): tem como refe-
rência a Regra Modus Ponens (MP), sendo uma disjunção que
possui como componentes dois antecedentes de duas condicionais.
Simbolicamente escrevemos:
(p→q) ∧ (r→s)
p∨r
q∨s
22 2ª Regra (Regra do Dilema Destrutivo – DD): tem como refe-
rência a Regra Modus Tollens (MT), sendo uma disjunção que
possui como componentes dois consequentes de duas condicio-
nais. Sendo assim, escrevemos:
(p→q) ∧ (r→s)
~ q∨~ s
~ p∨~ r
22 3ª Regra (Absorção – ABS): a partir de uma condicional podemos
descrever uma nova condicional, a qual possui como antecedente o
mesmo antecedente da condicional inicial e, como consequente, a
conjunção das proposições que formam a condicional. Esquemati-
camente, vem que:
p→q
p → (p ∧ q)

– 100 –
Argumentos: regras de inferência 2

22 4ª Regra (Conjunção – Conj): se dois ou mais enunciados são ver-


dadeiros de forma individual, então eles formam uma conjunção
verdadeira. Esquematicamente, temos que:
p
q
p∧q
22 5ª Regra (Dupla Negação – DN): aqui visualizamos que a dupla
negação de uma proposição equivale a ela mesma, ou seja, podemos
escrever:
p ⇔~ (~ p)
22 6ª Regra (Idempotência – ID): nada mais é do que uma tautolo-
gia, ou seja, aqui escrevemos:
i. p⇔p∧p
ii. p ⇔ p ∨ p
22 7ª Regra (Comutação – COM): temos que a comutatividade entre
os elementos de conjunções, disjunções e bicondicionais propicia
possíveis simplificações. Desta forma, temos que:
i. p∧q⇔q∧p
ii. p ∨ q ⇔ q ∨ p
22 8ª Regra (Associação – Assoc): temos que a associatividade entre
os elementos de conjunções, disjunções e condicionais propicia
possíveis simplificações. Desta forma, temos que:
i. p ∧ (q ∧ r) ⇔ (p ∧ q) ∧ r
ii. p ∨ (q ∨ r) ⇔ (p ∨ q) ∨ r
22 9ª Regra (Distribuição – Dist): esta regra nos mostra que uma
conjunção pode ser distribuída em uma disjunção, analogamente
que uma disjunção pode ser distribuída em uma conjunção. Além
disso, a associação nos diz que uma condicional pode ser distribu-
ída em termos de uma conjunção, bem como de uma disjunção.
Sendo assim, temos que:

– 101 –
Lógica Matemática

i. p ∧ (q ∨ r) ⇔ (p ∧ q) ∨ (p ∧ r)
ii. p ∨ (q ∧ r) ⇔ (p ∨ q) ∧ (p ∨ r)
22 10ª Regra (Transposição – Trans): aqui percebe-se que pode-
mos realizar a transposição das componentes de uma condicional
e de uma bicondicional, desde que precedidos da negação. Desta
maneira, simbolicamente temos que:
p→q⇔~q→~p

7.5 Regras de inferência aplicadas


a validade de argumentos
A partir do momento em que trabalhamos com a descrição das regras
de inferência, podemos então aplicá-las no sentido de classificar um argu-
mento válido ou inválido, a partir da sequência de passos a seguir.
22 Passo 01: de modo uniforme descrevemos os enunciados na lin-
guagem simbólica.
22 Passo 02: denotamos as premissas precedidas pela letra P (P1, P2,
etc.) e escrevemos a conclusão separada das premissas por uma
linha horizontal.
22 Passo 03: do lado direito das premissas, indicamos o número dos
enunciados precedentes dos quais aquele foi criado e em conjunto
com a regra de inferência.
22 Passo 04: escrevemos a conclusão precedida da notação C.

Vejamos um exemplo ilustrativo.


Exemplo: Consideremos a argumentação:
Se os preços crescem, a inflação aparece. (p → q)
Os preços crescem e a economia foge da normalidade. (p ∧ r)
Portanto, a inflação aparece. (q)

–  102  –
Argumentos: regras de inferência 2

Desta forma, de acordo com os passos descritos anteriormente, vem que:


22 Passo 01: na linguagem simbólica, temos que: p → q, p ∧ r∴q.
22 Passo 02: aqui, escrevemos:
P1: p → q
P2: p ∧ r
3 q
22 Passo 03: abreviando temos que:
P1 p→q
P2 p∧r
3 p 2 – SIMP
4 q 1,3 – Modus Ponens (MP)
22 Passo 04: escrevemos a conclusão precedida da notação C1: q.

Resumindo
Sabemos que a tabela-verdade é uma importante metodologia usada para
caracterizarmos os valores lógicos V ou F das proposições compostas, a partir
da descrição de todos os possíveis valores lógicos das proposições simples que
a compõe. Desta forma, vimos neste capítulo que tal metodologia surge como
uma ótima opção para a caracterização da validade de argumentos, seja para
simplificação do grau de complexidade ou de ideias.
De outro modo, discutimos a prova da não validade, bem como inter-
pretamos em conjunto com as tabelas verdade a prova formal da validade
de um argumento por meio da equivalência e implicação lógica. Por fim,
apresentamos outras regras de inferência, tais como as do dilema construtivo,
dilema destrutivo e dupla negação, que nos auxiliam para a criação de outras
regras voltadas para a validação de argumentos.

– 103 –
8
Quantificadores e
sentenças abertas

Neste capítulo, você ficará familiarizado com os quantifica-


dores e as sentenças abertas. Em verdade, no âmbito da Matemática,
é sabido que ela se utiliza de símbolos com o intuito de quantificar
elementos. Sendo assim, em um primeiro momento tais símbolos são
as representações de quantificadores, que especificamente falando, são
utilizados nos estudos envolvendo a Lógica Matemática, a Matemá-
tica Discreta e a Álgebra de Boole, áreas fundamentais para a criação
de novas teorias no mundo computacional, entre outras.
É interessante salientarmos que os quantificadores têm a
função de nos informar a respeito de determinada quantidade de
Lógica Matemática

elementos em um contexto peculiar. Em grosso modo, os quantificadores


podem ser classificados em dois tipos: “Quantificador Universal” ou “Quan-
tificador Existencial”, que serão objetos de nosso estudo aqui neste capítulo,
conjuntamente com as sentenças abertas, já que comumente é de desejo des-
crever para quais elementos x satisfazem uma dada proposição p(x).

Objetivo de aprendizagem:
Esperamos que, ao final deste capítulo, você interprete e aplique os
quantificadores para a caracterização de valores lógicos associados a sentenças
abertas simples e compostas.

8.1 Aspectos introdutórios


De acordo com Alves (2011), frequentemente demonstrações na área
da Matemática, bem como na área da Computação, especificamente falando
em diversos algoritmos computacionais, se baseiam em expressões lógicas do
tipo: “se p então q” ou “se p¹ e p², então q¹ ou q²”. Para entendermos exa-
tamente o papel dos quantificadores em termos lógicos, vejamos a expressão
“para todo x, x maior do que zero”. Podemos dizer que ela é verdadeira,
considerando o conjunto universo dos inteiros positivos, todavia, não pode-
mos simplesmente representá-la em símbolos apenas com letras, parênteses
e conectivos lógicos (e/ou). Note que, para a descrição de proposições como
está, será necessário o uso de quantificadores e os predicados.
Em termos específicos, os quantificadores se dividem em: quantificador
universal e quantificador existencial, que serão descritos logo na sequência.
Desta maneira, é interessante, primeiramente, entendermos que os quanti-
ficadores podem ser encarados como representações de expressões textuais
como “para todo” e “para cada”, ou seja, em orações que dizem respeito à
quantidade de elementos em uma específica propriedade. A oração ou frase
“x > 0” que caracteriza uma propriedade da variável x de ser positiva é deno-
minada de predicado.
De outro modo, a notação p(x) ou P(x) é usada para representar alguma
propriedade ou predicado, não explicitada, que a variável x possa ter. Neste
sentido, a expressão anterior assume a seguinte forma geral (∀x) p(x), onde

– 106 –
Quantificadores e sentenças abertas

o símbolo ∀ representa o quantificador universal “para todo”. Contraria-


mente, o quantificador existencial “existe pelo menos um” é representado
pelo símbolo ∃.

Figura 1: Tipos de quantificadores.

Quantificador Universal

• Para todo ou Para cada ou Qualquer que seja

Quantificador Existencial

• Existe pelo menos um


Fonte: elaborado pelo autor, 2015.

Importante
Existe um outro tipo de quantificador que se refere à expressão
“existe um único” sendo representado pelo símbolo ∃! .

8.2 O quantificador universal e as proposições


Podemos iniciar a nossa discussão acerca do quantificador universal res-
saltando que ele pode ser útil no desejo de nos referirmos a todos os elementos
de um determinado contexto, ou seja, de um determinado conjunto. Neste
sentido, observe, por exemplo, que se afirmamos “todo número natural
par se escreve como múltiplo do número natural 2”, podemos descrever
de forma alternativa tal afirmação, como segue: considerando a ∈ A, com A
sendo o conjunto dos números naturais pares e p(a): a = 2n, onde n ∈ Z.
Tal reescrita pode ser interpretada ainda como “para todo a pertencente
ao conjunto dos números naturais pares têm-se a = 2n”. Geralmente, a fim

– 107 –
Lógica Matemática

de simplificarmos, podemos substituir a escrita “para todo” pelo símbolo do


quantificador universal ∀ (para todo), o qual, quando associado a uma pro-
posição qualquer p(x), denotamos alternativamente:
(∀ x ∈ A) (p(x)) (∀ x ∈ A) p(x) ∀ x∈ A .
Cabe salientarmos que o valor lógico da proposição ou “sentença aberta”
a ser analisada depende do domínio dos elementos (objetos) que estamos
referenciando. Definimos, então, como sentença aberta com uma variável
em um conjunto A a toda expressão p(x) tal que, para qualquer elemento a
de A, p(a) é verdadeira ou falsa.
O conjunto A é chamado conjunto universo da variável x. Aqui fala-
mos, então, que o conjunto universo contém todos os valores a que podem
ser atribuídos à variável x,
Então, se o valor “a” pertencente ao conjunto A atribui valor lógico V à
p, então dizemos que a satisfaz (ou verifica) p. Veja o exemplo.

Exemplo de sentença aberta:


Seja A = {±1, ±2, ±3, ...} o conjunto dos números inteiros e a proposição
p: x é divisor de 10.
Os valores que verificam p, ou seja, que fazem com que p seja verdadeira
são: ±1, ±2, ±5, ±10 – divisores inteiros de 10.
O conjunto de todos os valores de A que satisfazem p(x) é chamado con-
junto verdade e denotado por Vp . São os valores tal que p(a) é verdadeira.
No exemplo, Vp = { ±1, ±2, ±5, ±10}.
Retomando os quantificadores, quando se estabelece o conjunto de valo-
res pelo qual a proposição está definida, uma expressão quantificada (∀ x
∈A) p(x) pode ser simplesmente denotada por:
(∀ x) (p(x)) (∀ x) p(x) ∀ x, p(x)
Segundo Alves (2011), uma leitura de uma proposição quantificada (∀
x ∈ A) p(x) pode ser lida da seguinte maneira:
“qualquer x, p(x)” ou “para todo x, p(x)”

– 108 –
Quantificadores e sentenças abertas

Além disso, observe que, de acordo com a interpretação do quantifica-


dor universal, em termos de leitura, tendo como ponto de referência o valor
verdade de uma proposição quantificada pelo mesmo, temos que:
(∀ x ∈ A) p(x) é verdadeira, se p(x) for verdadeira para todos os
elementos de A.
Com base no formalismo matemático, pode-se definir o quantificador
universal como segue.
Quantificador Universal: consideremos p(x) uma proposição lógica
sobre um conjunto A (ALVES, 2011). Desta forma, definimos:
Quantificador Universal: a proposição (∀ x ∈A) p(x) é:
22 Verdadeira, se o conjunto verdade for igual ao conjunto A;
22 Falsa, contrariamente.

Figura 02: Interpretando a definição do quantificador universal.

Quantificador Universal Quantificador Universal

• p(x) sobre o conjunto A • p(x) sobre o conjunto A

• p(x) é verdadeira se o • p(x) é falsa se o conjunto


conjunto verdade for o verdade for o diferente do
próprio conjunto A conjunto A

Fonte: elaborado pelo autor, 2015.

Vamos explorar alguns exemplos ilustrativos envolvendo o quantificador


universal associado a proposições.
Exemplo 01
Seja a proposição:
p(x): (∀ n∈ Z) (n < 5)

– 109 –
Lógica Matemática

Temos que p(x) é Falsa, já que podemos ter n (como por exemplo, n =
6, 7, 8, ou 9, dentre vários outros) de tal forma, que n > 5. Em outras
palavras, claramente observamos que o conjunto verdade associado a
p(x) não é igual ao conjunto A = Z.
Exemplo 02
Seja a proposição:
p(x): (∀ n ∈ N) (2n + 1 não é múltiplo de 2).
Temos que o seu valor lógico é Verdadeiro, já que podemos notar que
para qualquer n natural, 2n + 1 sempre é um número ímpar, logica-
mente não é múltiplo de 2.
Exemplo 03
Seja a proposição:
p(x): (∀ n ∈ N) (2n é par).
Temos que o seu valor lógico é Verdadeiro, pois podemos notar obvia-
mente que para qualquer número natural dado n, tem-se que 2n é um
número par.
Exemplo 04
Seja a proposição:
p(x): (∀ n ∈ N) (n + 1 > n).
Temos que p(x) é VERDADEIRA, já que podemos notar que para
qualquer n natural, n + 1 > n. Observe que aqui, o conjunto verdade
associado a p(x) é igual ao conjunto A = N.

8.3 Quantificador existencial e proposições


Com relação ao quantificador existencial, temos que o mesmo se
diferencia do quantificador universal porque não se refere a todos os ele-
mentos de um dado contexto ou conjunto. Isto nos diz que o quantifica-
dor existencial faz referência a pelo menos um elemento pertencente ao
contexto ou conjunto.

– 110 –
Quantificadores e sentenças abertas

Exemplificando de modo simples, posso afirmar que um ônibus escolar só


faz um caminho específico se existir pelo menos um aluno que irá à escola AFA.
Sendo assim, não é relevante ao contexto se existe mais alunos que irão para a
escola AFA, ou mesmo se todos os alunos estudam nela. O que devemos observar
claramente é que o fato de termos “pelo menos” um aluno da escola AFA, já é o
suficiente para o condutor do ônibus fazer o caminho que o conduz à instituição.
Mais uma vez, a fim de simplificarmos, podemos substituir a escrita
“pelo menos um” por símbolo do quantificador existencial $ (algum ou
existe), o qual, quando associado a uma proposição qualquer p(x), denota-
mos alternativamente como segue:
($ x∈ A) (p(x)) ($ x∈ A) p(x) $ x∈ A, p(x).
De outra forma, por exemplo, existe pelo menos um número natu-
ral n que, subtraído de seu quadrado, resulta em 0, isto é;
$ n∈ N/ n² – n = 0
Sendo assim, se pensarmos em termos do quantificador universal, pode-
ríamos indagar: tal afirmação é válida para qualquer valor de n natural?
Obviamente, sem grandes dificuldades, por tentativa, a resposta seria não.
Basta escolhermos o natural n = 2. Porém, se observarmos com relação ao
quantificador existencial, temos que existe pelo menos um natural, de tal
forma que a proposição é verificada, ou seja, temos que para n = 0 e n = 1 e
a igualdade se verifica.
Em linhas gerais, quando estabelecemos o conjunto de valores pelo qual
a proposição está definida, uma expressão quantificada (∃x A) p(x) pode ser
simplesmente denotada por:
($ x) (p(x)) ($ x) p(x) $ x, p(x).
Segundo Alves (2011), uma leitura de uma proposição quantificada ($
x∈ A) p(x) pode ser feita da seguinte maneira:
“existe pelo menos um x tal que p(x)” ou “existe x tal que p(x)”.
Além disso, observe que, de acordo com a interpretação do quantifica-
dor existencial, em termos de leitura, tendo como ponto de referência o valor
verdade de uma proposição quantificada , temos que:

– 111 –
Lógica Matemática

($ x∈ A) p(x) é verdadeira, se p(x) for verdadeira para pelo menos


um elemento de A.
Com base no formalismo matemático, pode-se definir o quantificador
existencial como segue.
Quantificador Existencial (ALVES, 2011): consideremos p(x) uma
proposição lógica sobre um conjunto A. Desta forma, definimos:

Quantificador Existencial: a proposição ($ x∈ A) p(x) é:


22 Verdadeira, se o conjunto verdade for não vazio.
22 Falsa, contrariamente.

Figura 03: Interpretando a definição do quantificador existencial.

Quantificador Existencial Quantificador Existencial

• p(x) sobre o conjunto A • p(x) sobre o conjunto A

• p(x) é verdadeira se o • p(x) é falsa se o conjunto


conjunto verdade for verdade for igual ao
não-vazio conjunto vazio

Fonte: elaborado pelo autor, 2015.

Saiba mais
Agora vamos conferir alguns exemplos ilustrativos envolvendo
o quantificador existencial associado a proposições.

Exemplo 05
Seja a proposição:

– 112 –
Quantificadores e sentenças abertas

p(x): ($ n∈ N) (n < 5).


Temos que p(x) é Verdadeira, já que podemos ter n (como por exemplo,
n = 1, 2, 3, ou 4) de tal forma, que n < 5. Em outras palavras, claramente
observamos que o conjunto verdade associado a p(x) é não vazio.

Exemplo 06
Seja a proposição:
p(x): ($ n∈ N) (n! > 10).
Temos que p(x) é Verdadeira, já que existe por exemplo o número natu-
ral n = 4 de tal forma que n! = 4! = [Link] = 24 > 10, ou seja, 24 > 10.
Observe que o conjunto verdade relacionado a p(x) é não vazio.

Exemplo 07
Seja a proposição:
p(x): ($ n∈ N) (n + 1 > 1).
Temos que p(x) é Verdadeira, já que existe pelo menos um número
natural, por exemplo, n = 3, de tal forma que n + 1 = 3 + 1 = 4 >
1. Note, mais uma vez, que o conjunto verdade relacionado a p(x) é
não vazio.
Um fato importante que deve ser salientado, como visualizado nos
exemplos anteriores, é que sempre que uma proposição quantificada univer-
salmente é verdadeira, a mesma proposição, porém quantificada existencial-
mente, também é verdadeira.

Figura 04: p(x) quantificada universalmente verdadeira então p(x) quantificada


existencialmente verdadeira.

p(x) p(x)
p(x) é p(x) é
quantificada quantificada
verdadeira verdadeira
universalmente existencialmente

Fonte: elaborado pelo autor, 2015.

– 113 –
Lógica Matemática

Os predicados vistos até o presente momento e que


envolvem apenas um quantificador por vez nas propo-
sições quantificadas recebem o nome de unários.

8.4 Generalizando o tratamento de proposições


p(x) em termos dos quantificadores
Uma pergunta que pode surgir naturalmente é como trabalhar com pro-
posições quantificadas por mais de um quantificador, ou seja, em uma mesma
proposição poderíamos ter a presença de quantificadores na forma (∀)
($)(p(x)) ou ($)(∀) (p(x))? Sendo assim, como podemos caracterizar o valor
de uma proposição com este formato? A grosso modo, o tratamento dado
a uma proposição p(x) com um único quantificador pode ser generalizada,
conforme descreveremos a seguir.

Importante
A ordem dos quantificadores é de fundamental importância
para a caracterização do valor lógico de proposições com dois
ou mais quantificadores.

Generalização de uma proposição p(x): a generalização da noção de


uma proposição p(x) sobre um conjunto resulta em uma proposição p, a qual
descreve uma dada propriedade sobre os elementos descritos como x¹ ∈ A,
x² ∈ A, x³ ∈ A, …, xn ∈ A. Esta proposição é comumente representada por:
p(x¹, x², …, xn). (ALVES, 2011)
É de fundamental importância visualizarmos que cada um dos ele-
mentos descritos x¹, x², …, xn pode ser quantificado de modo indivi-
dual, o que nos leva a atentarmos para a ordem de descrição dos quanti-
ficadores existencial e universal, pois com a alteração da ordenação deles
podemos diretamente modificar o valor lógico da proposição quantificada
em questão.

– 114 –
Quantificadores e sentenças abertas

Exemplo 08
Seja a proposição p quantificada como segue:
p: ($ m) (∀ n) (n < m)
Temos que a proposição p é Falsa, já que a mesma nos diz que temos a
existência de um número natural maior que qualquer outro natural e, tal
fato não ocorre porque o conjunto dos naturais é infinito.

Exemplo 09
Consideremos A = {1,2, ...,9, 10} e a proposição p quantificada como
segue:
(∀ x∈A) ($ y∈A) (x + y < 14)
Temos que p é Verdadeira, já que para qualquer elemento do conjunto
A, existe um elemento também de A, tal que x + y < 14. Verifiquemos
alguns valores como seguem:
22 x = 1 existe y = 10 tal que x + y = 1 + 10 = 11 < 14.
22 x = 10 existe y = 2 tal que x + y = 10 + 2 = 12 < 14.

Exemplo 10
Consideremos A = {1,2, ...,9, 10} e a proposição p quantificada como
segue:
(∀ x∈A) (∀ y∈A) (x + y < 14)
Temos que p é Falsa, já que por exemplo para x = 10 temos que para y = 5,
que a soma x + y = 10 + 5 = 15 não é menor do que 14.

Exemplo 11
Consideremos A = IR, o conjunto dos números reais e a proposição p
quantificada como segue:
(∀ y ∈IR) ($ x∈ IR) (x + y = y)
Temos que p é Verdadeira, já que independentemente do número real y
dado, existe um número real x = 0 tal que y + x = y.

– 115 –
Lógica Matemática

Exemplo 12
Consideremos A = R, o conjunto dos números reais e a proposição p
quantificada como segue:
(∀ y∈IR) ($ x ∈IR) (x + y = 0)
Temos que p é Verdadeira, já que independentemente do número real
y dado, existe um número real x = – y (simétrico aditivo de y) tal que
x + y = 0.
Exemplo 13
Seja a proposição aberta “x é filho de y”, o universo das variáveis x e y
sendo o conjunto A = IH, formado por todos os seres humanos. Sendo
assim, notamos que:
A proposição (∀ x)( $ y) (x é filho de y) é Verdadeira.
22 A proposição ($ y)( ∀ x) (x é filho de y) é Falsa.

Você sabia
Os predicados envolvendo dois quantificadores são chama-
dos binários.

8.5 Negação de proposições


envolvendo os quantificadores
Como podemos negar uma proposição que envolve os quantificadores
universal e existencial? De acordo com Alves (2011), a negação para este tipo
de proposição é feita de modo intuitivo, ou seja, analisando de forma especí-
fica cada quantificação envolvida.
Exemplificando, com relação ao quantificador universal, note que com
relação à proposição (∀ x ∈A) p(x), vimos anteriormente que ela possui
como valor lógico V, (∀ x ∈A) p(x) é verdadeira, se p(x) for verdadeira
para todos os elementos de A. Olhando intuitivamente, vemos que a sua
negação significa que não é verdadeira para todos os elementos de A, ou

– 116 –
Quantificadores e sentenças abertas

seja, que existe pelo menos um x, tal que p(x) não se verifica e, neste sen-
tido, escrevemos:
($ x∈A) p(x)
Ou ainda,
¬ ((∀ x ∈A) p(x)) ⇔ ($ x ∈A) ¬ p(x)

Saiba mais
A terminologia ¬ p(x) significa a negação de p(x). Uma outra
representação para tal fato é ~ p(x).

Analogamente, com relação ao quantificador existencial temos a seguinte


nomenclatura para a sua negação:
(¬ ($ x ∈A) p(x)) ⇔ ( ∀ x ∈A)¬ p(x)
Sendo assim, por exemplo, observe que:
22 ¬(∀ n ∈ N) (n < 5) ⇔ ($ n∈ N) (n ≥ 5) ⇔ V
22 ¬ (∀ n ∈ N) (n! < 15) ⇔ ($ n∈ N) (n! ≥ 15) ⇔ V
22 ¬ ($ n∈ N) (n < 3) ⇔ (∀ n ∈ N) (n ≥ 3) ⇔ F
22 ¬ ($ n∈ N) (n! < 8) ⇔ (∀ n ∈ N) (n! ≥ 8) ⇔ F

Resumindo
É sabido que na linguagem e na lógica a quantificação é uma construção
que especifica a quantidade de indivíduos de um domínio de discurso, que se
aplicam a uma proposição aberta, ou seja, especificamente falando com rela-
ção à Lógica Matemática, é tudo que existe no âmbito de determinado domí-
nio de discurso (contexto ou conjunto).
Além disso, discutimos que temos dois tipos de quantificadores o uni-
versal “para todo” denotado por “∀” e o existencial “existe pelo menos um”

– 117 –
Lógica Matemática

representado por “∃”, bem como apresentamos alguns exemplos envolvendo


proposições quantificadas por um único elemento, por dois, e analisamos a
negação de proposições quantificadas universalmente e existencialmente.

– 118 –
9
Métodos de
demonstração: direta,
contrapositiva, redução ao
absurdo, de inclusão e de
igualdade de conjuntos

Neste capítulo, você conhecerá algumas técnicas de demons-


tração utilizadas na justificativa formal de argumentos diversos. Em
verdade, no âmbito da Matemática, da Computação e da Engenha-
ria, entre outros, diversos resultados devem ser devidamente com-
provados. Sendo assim, torna-se indispensável o conhecimento de
técnicas para que se possa efetuar estas comprovações, independen-
temente do contexto analisado.
Para ser um pouco mais específico, vários pontos da Mate-
mática e da Computação, diferentemente de outras ciências exatas
empíricas, como a Química, não obtêm suas verdades a partir de
Lógica Matemática

experiências e de testes. A grosso modo, só para termos uma ideia inicial, se


tivermos um único elemento para o qual aquela propriedade ou argumento
não é válido, então tal propriedade é descartada com relação ao conjunto uni-
verso estudado. Neste sentido, aqui serão apresentadas técnicas de demons-
tração, tais como a prova direta e redução ao absurdo, bem como exemplifi-
cadas a validação ou não de argumentos via tais técnicas.

Objetivo de aprendizagem:
Esperamos que, ao final deste capítulo, você interprete e aplique as prin-
cipais técnicas de demonstração para a comprovação de propriedades e/ou
validação de argumentos.

9.1 Aspectos introdutórios


De acordo com o dicionário, demonstrar significa “comprovar”, “pro-
var”, “confirmar”, “validar”, “atestar”, ou ainda, “certificar”. De outro
modo, demonstrar pode ser encarado como fazer com que alguma coisa
(propriedade e/ou argumento) torne-se evidente, por meio de provas ou
demonstrações. Quando relacionamos a Lógica Matemática com as téc-
nicas de demonstração, num primeiro momento, de acordo com Bispo
(2012), temos o “Princípio da Razão Suficiente”, que nos diz o seguinte:
“tudo o que existe e tudo o que acontece tem uma razão para existir ou
para acontecer, e tal razão pode ser conhecida pela nossa razão”. Desta
maneira, a necessidade de evidenciarmos resultados surge como consequên-
cia direta deste princípio. Em outras palavras, interpretamos que ele exige
que qualquer afirmação feita deva ter uma fundamentação, ou seja, uma
demonstração ou comprovação formal.
É interessante observarmos que, em linhas gerais, os resultados presentes
na Matemática e áreas afins têm a forma “se P, então Q” ou “P → Q”, onde P
e Q podem descrever proposições compostas. Ou seja, em uma argumentação
como esta tentamos comprovar Q, a partir de P, usando as afirmações aceitas
como verdadeiras sem demonstração (os chamados axiomas), bem como as
regras existentes na inferência lógica. Vamos tentar entender melhor com um
exemplo simplificado:

– 120 –
Métodos de demonstração: direta, contrapositiva, redução
ao absurdo, de inclusão e de igualdade de conjuntos

Suponhamos que Alessandro seja um pesquisador e está tentando for-


mular e validar uma dada argumentação. Na verdade, Alessandro examinou
alguns números nos quais se P é verdadeiro, então Q também é verdadeiro.
Sendo um pouco mais específico, Alessandro examinou quatro a cinco
números divisíveis por 6 e encontrou que tais números também são divisíveis
por 3. Sendo assim, a partir do que Alessandro encontrou nas observações
anteriores, ele poderia afirmar que “se P então Q”, ou seja, “se um inteiro p é
divisível por 6, então p também é divisível por 3”. Obviamente, quanto mais
números divisíveis por 6, que são também divisíveis por 3, Alessandro encon-
trar, mais convencido ficará de que o resultado é verdadeiro para quaisquer
outros inteiros divisíveis por 6.
Este procedimento nos mostra indutivamente uma argumentação sendo
averiguada, onde a conclusão é baseada em observações ou experiências. Mas a
pergunta que surge então seria “como comprovar que tal argumentação é válida
para qualquer inteiro p divisível por 6?”, ou ainda, “existe um inteiro p divisível
por 6 que não seja divisível por 3”? Não importa o quanto a proposição aparenta
ser “verdadeira”. O fundamental é a dedução dela através de uma comprovação.
Sendo assim, apresentamos, nas entrelinhas, técnicas de demonstra-
ção que possam responder questões como essas, dentre elas, a demonstração
exaustiva, a demonstração direta, a contrapositiva e a Redução ao Absurdo.
Figura 1: Algumas técnicas de demonstração.

Demonstração
Demonstração Demonstração
Contraposição por Redução ao
Direta Exaustiva
Absurdo

Fonte: elaborado pelo autor, 2015.

9.2 Conceitos fundamentais


Associados ao aparato das técnicas de demonstração, temos alguns ele-
mentos fundamentais para o seu entendimento. Com certeza, de forma direta
ou indireta, você já se deparou com estes elementos, ou seja, não são com-
pletamente desconhecidos para você. Vejamos a seguir as definições formais
destas células fundamentais para as técnicas de demonstração.

– 121 –
Lógica Matemática

22 Entes primitivos (Alves, 2011): são termos aceitos sem uma


explicação formal de seu significado. Por exemplo, na Geome-
tria Euclidiana temos como entes primitivos a noção de ponto,
reta e plano. São também chamados “noções” ou “conceitos
primitivos”.
22 Proposições Primitivas ou Postulados ou Axiomas (Alves, 2011):
são afirmações aceitas como verdadeiras sem demonstrações. Por
exemplo, um postulado bastante conhecido que nos diz: “por dois
pontos distintos existe (passa) uma e somente uma reta”.
22 Teorema (Alves, 2011): um Teorema é uma proposição do tipo
“se P então Q”, ou seja, “P → Q” a qual prova-se ser verdadeira
sempre, ou seja, aqui temos uma tautologia. Em símbolos lógicos
temos que, P ⇒ Q.

Saiba mais
As proposições P e Q são chamadas de hipótese e tese, res-
pectivamente.

Desta maneira, deve ficar claro que a hipótese representa o conjunto


de condições tomadas como verdadeiras, enquanto que a tese é o que se
pretende concluir verdadeiro como consequência das informações contidas
na hipótese.
A seguir, listamos algumas de um vasto número de afirmações que são
comprovadas como sendo teoremas diversos.
22 A sequência dos números primos é infinita.
22 Se um triângulo é equilátero então ele é equiângulo.
22 Todo subconjunto de um conjunto finito é também um conjunto
finito.
22 Toda função derivável no ponto x = a é contínua no ponto x = a.
22 Toda série absolutamente convergente é convergente.
22 1 é o único elemento neutro da multiplicação em IN

– 122 –
Métodos de demonstração: direta, contrapositiva, redução
ao absurdo, de inclusão e de igualdade de conjuntos

Observe então, que por exemplo, no primeiro teorema citado acima,


temos que a hipótese seria a sequência formada pelos números primos e a tese
é que esta sequência é infinita, ou seja, o que se deve comprovar aqui é que
existe infinidade de números primos. Similarmente, para o segundo teorema
anterior, temos como hipótese um triângulo equilátero (com três lados con-
gruentes) e o que se deve demonstrar é que ele é equiângulo, ou seja, possui
os três ângulos internos congruentes.
Corolário (Alves, 2011): chama-se Corolário ao teorema que é uma
consequência quase direta de um outro já demonstrado, ou seja, cuja com-
provação é imediata ou trivial.
A seguir, listamos algumas afirmações que são comprovadas como sendo
Corolários diversos:
22 Um subconjunto X⊂ IN é finito se, e somente se, é limitado.
22 Se f:lm → X e g:ln → X são duas funções bijetoras então m = n.
22 Não pode existir uma bijeção entre um conjunto finito e uma parte
própria sua.
22 Dada f: X → Y, se Y é finito e f é injetiva então X é finito. Por outro
lado, se X é finito e f é sobrejetiva então Y é finito.

Saiba mais
Note que todo o Corolário é um teorema, desta forma, também
é uma afirmação aceita como verdadeira mediante demonstração.

Proposição (Alves, 2011): chama-se Proposição a uma afirmação aceita


como verdadeira perante demonstração.
A seguir, listamos algumas afirmações que são comprovadas como sendo
Proposições diversas:
22 O limite de uma função f(x) quando existe é único.
22 O número √2 é irracional.
22 O conjunto dos números racionais é enumerável.

– 123 –
Lógica Matemática

22 O conjunto dos números reais não é enumerável.


Lema (Alves, 2011): chama-se Lema a um teorema auxiliar que é utili-
zado na demonstração de um outro teorema.
Sendo assim, podemos citar como exemplos de lemas.
22 O conjunto dos números irracionais não é enumerável.
22 Se existe uma função bijetiva f: X→ Y então, dados a∈ X e b∈ Y,
existe também uma bijeção g: X→ Y tal que g(a) = b.

Você sabia
Uma das noções mais importantes na área computacional é a
noção de Algoritmo que pode ser visto de modo intuitivo uma
sequência finita de instruções, as quais podem ser realizadas
mecanicamente, em um dado tempo finito.

9.3 Provar ou não provar?


Uma das respostas clássicas quando nos deparamos com uma situação
problema, em que temos que descrever a validade de uma dada argumen-
tação mediante uma comprovação ou não, é entender quando devemos
realmente justificá-la como verdadeira, ou se ela não seria válida para todo
elemento no contexto considerado. Sendo assim, segundo ALVES (2011),
temos duas formas de raciocinar, que são:
22 Raciocínio Indutivo: aqui temos a comprovação de determinada
proposição a partir de experiências. Em alguns casos, temos que P
sempre é verdadeira, Q também é verdadeira, e formulamos uma
conjectura da seguinte forma: “quanto mais verificamos que Q
segue de P, mais convictos ficamos que a conjectura é verdadeira.”

Importante
Uma conjectura é uma proposição que ainda não foi provada
como verdadeira e nem descartada como verdadeira.

– 124 –
Métodos de demonstração: direta, contrapositiva, redução
ao absurdo, de inclusão e de igualdade de conjuntos

22 Raciocínio Dedutivo: aqui desenvolvemos uma prova formal para


justificarmos que a conjectura é verdadeira, ou ilustramos um ele-
mento, em que ela não seria válida. Ou seja, neste sentido, produ-
zimos uma demonstração P → Q, modificando a conjectura para
um teorema. Ou, contrariamente, apresentamos um contra exem-
plo, mostrando que a conjectura é falsa, ou seja, um caso onde P é
verdadeira e Q é falsa.

9.4 Demonstração exaustiva


É sabido que tomar a decisão acerca de se utilizar a abordagem indutiva
ou a dedutiva não é tão simples como parece. Especificamente falando, depen-
dendo da situação a ser analisada, não é fácil encontrarmos um contra exemplo.
Desta maneira, seria interessante demonstrar uma dada afirmação a par-
tir de métodos. Se tivermos um contexto com um número finito de elemen-
tos, ou seja, se tivermos uma coleção finita de termos, podemos comprovar
uma dada afirmação analisando se ela é verdadeira para cada um dos termos.
Esta técnica é conhecida como demonstração exaustiva. Observe que aqui
exaurimos todos os possíveis casos.
Exemplificando, pense se for de nosso interesse demonstrar que a afir-
mação: “seja p um inteiro entre 1 e 15, tal que p é um múltiplo de 6, então
ele também é múltiplo de 3”. Note que aqui temos um número finito de
casos a serem analisados. Podemos comprovar ou não que a afirmação é ver-
dadeira, analisando para cada inteiro p entre 1 e 15, que seja múltiplo de 6,
ou seja, se ele é ou não múltiplo de 3.
Uma outra situação em que poderíamos utilizar a demonstração exaus-
tiva seria para comprovarmos ou não a afirmação: “para qualquer inteiro
positivo menor ou igual a 5, o quadrado do inteiro é menor ou igual a
soma de 10 mais 5 vezes o inteiro.”

9.5 Demonstração direta


Segundo Alves (2011), uma prova é chamada Prova Direta ou Demons-
tração Direta quando admitimos verdadeira a hipótese e, utilizando-a com-
provamos ser verdadeira a tese.

– 125 –
Lógica Matemática

Vejamos a ilustração de algumas situações envolvendo esta técnica de


demonstração:
Teorema 1
Se x e y são dois números naturais pares, então a soma (x + y) também
é par.
Demonstração: neste caso, observe inicialmente que se escrevermos na
forma P → Q, temos que:
“Se x e y são dois números pares quaisquer, então x + y é um número par”
Sendo assim, a justificativa formal é dada a seguir.
Seja x um número natural par, então x = 2r, com r natural. Desta forma,
sejam x e y dois naturais que são pares (hipótese do Teorema), então deve-se
provar que (x + y) é um número natural par (tese do Teorema). Pela hipótese
do teorema existem r, s∈ IN tais que:
x = 2r e y = 2s
Logo:
x + y = 2r + 2s = 2 (r + s)
Como a soma de dois números naturais r + s é um número natural, vale
x + y = 2 (r + s) é um número natural par. Ou seja, acabamos de mostrar a
tese do teorema, ou, ainda, acabamos de concluir que a soma x + y é um
número par.
c.q.d.

A sigla c.q.d. significa “como queríamos demonstrar”, sendo


comumente usada ao término da justificativa de teoremas.

Teorema 02
Sejam x e y dois números naturais quaisquer. Pede-se para mostrar que
sendo x e y ímpares, então o produto xy é ímpar.

– 126 –
Métodos de demonstração: direta, contrapositiva, redução
ao absurdo, de inclusão e de igualdade de conjuntos

Demonstração: neste caso, temos por hipótese que x e y são dois núme-
ros naturais ímpares e devemos mostrar que o produto x.y é um número
natural ímpar. Observe que pela hipótese do teorema, existem r e s naturais,
tais que x = 2r + 1 e y = 2s + 1. Daí:
x.y = (2r + 1).(2s + 1) = 4rs + 2r + 2s + 1 = 2 (2rs + r + s) +1= 2t + 1
com t = 2rs + r + s. Note que o produto xy é, obviamente, um
número ímpar.
c.q.d.

Teorema 03
Consideremos x e y dois números reais quaisquer: Sempre podemos afir-
mar que x2 + x.y + y2 ≥ 0? Justificar a sua resposta.
Demonstração: primeiramente, note que por hipótese temos dois
números reais quaisquer x e y e devemos demonstrar que a soma x2 + x.y + y2
é maior ou igual a zero. Observe também que para quaisquer x e y reais temos
que x² ≥ 0 e y² ≥ 0. Sendo assim, são dois casos a considerar:

Primeiro: quando x.y > 0, logo x2 + x.y + y2 ≥ 0.


Segundo: quando x.y < 0, segue que:
x.y < 0, então – x.y > 0 e, daí, 2xy – xy > 2xy
Ainda podemos escrever que:
xy > 2xy
Então, vamos somar (x² + y²) a ambos os membros da desigualdade,
donde segue que:
(x² + y²) + xy > 2xy + (x² + y²)
x2 + xy + y2 > (x + y)² ≥ 0
Portanto, concluímos que:
x2 + xy + y2 ≥ 0
c.q.d.

– 127 –
Lógica Matemática

9.6 Contrapositiva
Esta técnica pode ser encarada como um derivativo da prova direta. Em
verdade, quando tentamos a prova direta P → Q, e não conseguimos êxito,
podemos tentar algumas variações dela. Tal metodologia consiste em mos-
trarmos que a proposição ¬Q →¬P é equivalente a P→ Q. A equivalência
P ¬Q →¬Q →¬P é conhecida como contraposição.
Prova por Contraposição (Alves, 2011): uma prova é chamada Prova
por Contraposição ou Demonstração por Contraposição quando, para
provarmos P → Q, evidenciamos ¬Q→¬P, pois são formas equivalentes.
Para provar¬Q →¬P basta, a partir de ¬Q, obter ¬P (Prova Direta).
Vejamos uma situação ilustrativa da aplicação desta técnica de demonstração.
Teorema 4
Seja n∈ IN, vamos provar o seguinte:
n! > n + 1→ n > 2
22 Solução: de acordo com o descrito anteriormente, podemos mos-
trar de forma equivalente por contraposição que:
n ≤ 2→ n! ≤ n + 1
22 Demonstração: notemos que é muito simples provarmos que n ≤
2→ n! ≤ n + 1, pois basta testarmos a proposição para os casos n =
0, n = 1 e n = 2 (demonstração por exaustão), ou seja, neste caso
temos que:
22 Para n = 0: 0! = 1 (por definição), daí 0! = 1 ≤ 0 + 1 = 1
22 Para n = 1: 1! = 1 ≤ 1 + 1 = 2
22 Para n = 2: 2! = 2 ≤ 2 + 1 = 3
c.q.d.

Importante
A tautologia P → Q ⇔ ¬ Q → ¬P vem da regra de inferência
onde P → Q pode ser deduzida de ¬ Q → ¬ P.

– 128 –
Métodos de demonstração: direta, contrapositiva, redução
ao absurdo, de inclusão e de igualdade de conjuntos

9.7 Demonstração por redução ao absurdo


De acordo com Alves (2011), tal técnica de demonstração se baseia no
resultado conhecido como redução ao absurdo, que simbolicamente na
lógica é escrito como P → Q⇔ (P∧¬ Q) → F.
Prova por Redução ao Absurdo (Alves, 2011): uma prova é chamada
Prova (Demonstração) por Redução ao Absurdo ou simplesmente Prova
(Demonstração) por Absurdo quando a prova de P → Q consiste em supor
a hipótese P, supor a negação da tese ~ Q e concluir uma contradição, que
geralmente pode ser entendida como Q∧ ~ Q.

Você sabia
A técnica conhecida como prova por contra exemplo é uma
demonstração por absurdo.

Vejamos algumas situações ilustrativas da aplicação desta técnica


de demonstração.

Teorema 5
Provemos por Redução ao Absurdo o seguinte Teorema:
Zero é o único elemento neutro da adição em IN.
Solução: primeiramente, note que, reescrevendo na forma p → q,
temos que:
Se 0 é o elemento neutro da adição em IN, então 0 é o único ele-
mento neutro da adição em IN
Demonstração: por hipótese, temos que “0 é elemento neutro da adi-
ção em IN” e que a negação da tese é “0 não é o único elemento neutro da
adição em IN”. Observe que se 0 não é o único elemento neutro da adição,
logo existe um outro natural diferente de 0, que é também elemento neutro
da adição Então, consideremos um outro natural e um elemento neutro da
adição em IN tal que e ≠ 0.

– 129 –
Lógica Matemática

Sendo assim, podemos escrever que:

22 Como 0 é elemento neutro, para qualquer n natural, vale n = 0 + n


= n + 0. Em particular, para n = e, vale e = 0 + e = e + 0.

22 Como e é elemento neutro, para qualquer n natural, vale n = n + e


= e + n. Em particular, para n = 0, vale 0 = 0 + e = e + 0.

22 Portanto, como e = 0 + e = e + 0 e 0 = 0 + e = e + 0, pela transiti-


vidade da igualdade, vale e = 0, o que é uma contradição, pois foi
suposto que e ≠ 0.
Logo, é absurdo supor que o elemento neutro da adição em IN não é
único. Desta maneira, conclui-se que 0 é o único elemento neutro da adi-
ção em IN.
c.q.d.

Teorema 6 (Adaptado de LIMA, 2002)


Seja n um número natural não nulo. Prove que não existe um número
natural x tal que n < x < n + 1.

Demonstração: vamos efetuar a prova por Redução ao Absurdo.


Desta forma, vamos supor por absurdo que existe um número natural x tal
que n < x < n + 1, assim, x pode ser escrito como, x = n + p, com p natural.
Observe que tal fato implica que n + p < n + 1 (substituindo x por n + p), o
que nos leva a p < 1 (o que é um Absurdo). Portanto, dado n natural não
existe x natural tal que n < x < n + 1.
c.q.d.

Consideremos um teorema apresentado sob a forma P ⇒ Q.


De acordo com Alves (2011), se trocarmos a hipótese pela
tese e a tese pela hipótese temos uma nova proposição q ⇒ p,
chamada Teorema Recíproco ou Recíproca do Teorema.

– 130 –
Métodos de demonstração: direta, contrapositiva, redução
ao absurdo, de inclusão e de igualdade de conjuntos

Teorema 7 (Um exemplo de prova do tipo se, e somente se)


Este tipo de prova exige a demonstração nos dois sentidos, ou seja, é o
que chamamos popularmente de prova do tipo se, e somente se. Em verdade,
é como se fosse um Teorema sendo visto nas duas direções. Vejamos uma
situação específica.
Exemplo: mostre que: a é par se, e somente se, a2 é par.
(⇒) Neste sentido (ida) temos por hipótese que “a” é par e devemos pro-
var que a2 é par. Sendo “a” par, podemos escrever a = 2r, com r natural, logo:
a2 = (2r)2 = 4r2 = 2 ( 2r2) que é um número par.
(⇐) Neste sentido (volta), vamos fazer a prova por absurdo. Ou seja,
suponhamos por absurdo que a não é par, e chegar em uma contradição com
a hipótese de que a2 é par. Sendo assim, supondo por absurdo que a não é par,
então a é ímpar e escrevemos a = 2k +1, desta forma:
a2 = (2k + 1)2 = 4. k2 + 4.k + 1 = 2 ( 2k2 + 2k) + 1 que é ímpar (Absurdo)
Portanto, a é par se, e somente se, a2 é par.
c.q.d.

Resumindo
No âmbito da Matemática e da Computação, contrariamente à Química
e Física, entre outros, vários resultados não podem ser comprovados apenas por
conta de experiências. É necessária, nas entrelinhas, a justificativa formal para
tais afirmações ou argumentações. Neste sentido, o ato de comprovar, provar
ou demonstrar é realizado por meio das técnicas de demonstração, que são
metodologias próprias voltadas exatamente para a justificativa de resultados.
Neste sentido, aqui foram apresentadas algumas técnicas de demonstração
amplamente utilizadas na área computacional, bem como a aplicabilidade de
cada uma delas em demonstrações de argumentações especificas.

– 131 –
10
Indução matemática

Neste capítulo, você ficará familiarizado com uma das téc-


nicas mais utilizadas para a caracterização de fórmulas de recorrên-
cia e resultados diversos no âmbito da Matemática e áreas afins,
que é a indução matemática. Se você fosse indagado sobre: “qual é
a fórmula para a soma dos primeiros n inteiros ímpares positivos?”
Qual seria a sua resposta? Questões como esta podem ser respondi-
das através da indução matemática. Ela funciona provando que o
enunciado é verdadeiro para um valor particulark0, e, supondo ver-
dadeiro para um valor k, se prova a veracidade para o subsequente
(k + 1), de onde se conclui que a proposição é válida para qualquer
elemento k do contexto ou conjunto considerado.
Falando em um linguajar bem popular, poderíamos relacionar
com um jogo bem conhecido, que é o dominó, da seguinte forma:
se você tem uma longa fila de dominós em pé e puder assegurar
que: i) a primeira peça do dominó cairá e ii) sempre que uma peça
do dominó cair, a sua peça vizinha também cairá, então podemos
Lógica Matemática

garantir que todas as peças do dominó cairão. Esta é a base de funcionamento


do Princípio da Indução Finita, que é a base de estudo deste capítulo.

Objetivo de aprendizagem:
Esperamos que, ao final deste capítulo, você interprete e aplique a indu-
ção matemática para a justificativa de resultados e expressões diversas.

10.1 Aspectos introdutórios


da indução matemática
Em um primeiro momento, poderíamos dizer que a técnica da indução
matemática possui uma relação direta com o conjunto dos números naturais,
que foi o primeiro conjunto de números a ser desenvolvido com a ideia de
contagem. Quando falamos especificamente da área computacional, a indu-
ção matemática é uma técnica muito utilizada para a justificativa de procedi-
mentos diversos, tais como alguns presentes nas linguagens de programação.
Segundo Alves (2011), a indução matemática é conhecida a partir do
Princípio da Indução Finita (PIF), que é uma metodologia para lidar com
tipos de dados que têm uma relação de boa ordenação, ou seja, poderíamos
pensar em uma relação onde todo subconjunto não vazio tem um elemento
mínimo, segundo essa relação de ordem. Observe que um exemplo típico é o
conjunto dos números naturais, que na realidade é um tipo de dado.

Importante
A partir de uma boa ordem, podemos aplicar o PIF para provarmos
propriedades que valem para todo elemento do tipo de dado.

PIF (Alves, 2011): consideremos p(n) uma proposição sobre o conjunto


M = {n ∈ IN | n ≥ m e m ∈ IN}. O Princípio da Indução Matemática é
definido como:
a) p(m) é verdadeira.
b) Para qualquer k∈∈ M, vale p(k) ⇒ p(k + 1).

– 134 –
Indução matemática

c) Então, para qualquer n ∈ M, p(n) é verdadeira.


Dessa maneira, comumente utilizamos a seguinte nomenclatura:
22 Base de indução: a proposição p(m).
22 Hipótese de indução: a proposição p(k).
22 Passo de indução: a implicação p(k) ⇒ p(k + 1).
Salientamos que a descrição anterior do PIF é a sua forma tradicional
apresentada na Matemática, que é chamada de Primeiro Princípio da Indu-
ção Matemática.

Saiba mais
Existem formulações derivativas do primeiro princípio que carac-
terizam o PIF de modo alternativo.

É interessante observarmos que, apesar do PIF ser definido tendo como


referência o conjunto dos números naturais, pode-se delimitar o PIF se base-
ando em conjuntos que apresentem propriedades equivalentes ao conjunto
dos números naturais, ou seja, a qualquer conjunto X que seja isomorfo a
IN. Com relação a aplicabilidade do PIF no contexto da Matemática e Com-
putação, podemos descrever duas aplicações relevantes, que são: a Prova por
Indução e a Definição Recursiva, descritas a seguir.
a) Prova Indutiva ou Prova por Indução – é uma técnica de demons-
tração que usamos para justificar resultados em uma grande varie-
dade de objetos discretos.
b) Definição Recursiva – aqui o item é definido em termos de si
mesmo, ou seja, o item que queremos definir faz parte de sua
própria definição. Dentre exemplos que demandam deste tipo de
definição, podemos citar o fatorial de um número e a sequência
de Fibonacci.

Dois conjuntos são ditos isomorfos se existe uma fun-


ção específica, sendo uma bijeção entre eles.

– 135 –
Lógica Matemática

10.2 Prova indutiva ou prova por indução


Inicialmente, devemos notar que a prova indutiva (ou por indução) se
baseia no Princípio da Indução Finita, ou seja, aqui estaremos interessados
em confirmar se uma dada conjectura p(n) sobre os elementos n∈M = {n∈
IN | n ≥ m e m∈ IN} é verdadeira.
Cabe salientarmos que, de acordo com Alves (2011), em uma demons-
tração por indução devemos provar a base de indução p(m) e, tendo fixado
um k, supor verdadeira a hipótese de indução p(k) e provar o passo de indu-
ção, ou seja, que a implicação p(k) → p(k + 1) é verdadeira.

Figura 01: Passos para o desenvolvimento da Prova de Indução.

• Mostramos que a afirmação


Passo 01 é válida para um dado valor
particular de n.

• Suponhamos ser verdadeira


Passo 02 a afirmação para n = k
(hipótese de indução).

• Devemos mostrar que o


Passo 03 resultado é verdadeiro para
n = k + 1 (tese de indução).

Fonte: elaborado pelo autor, 2015.

– 136 –
Indução matemática

Especificamente falando, se o nosso contexto for o conjunto dos núme-


ros naturais, podemos escrever o Princípio da Indução Finita ou Prova da
Indução como descrito a seguir:
PIF (Primeira Forma nos Naturais): uma proposição p(n) sobre o con-
junto dos naturais é verdadeira para todo número natural n tal que n ≥ n0, se
e somente se:
1ª Parte: p(n) é verdadeira para n = n0.
2ª Parte: a validade da proposição p(n) para um número natural
qualquer n=k implica na validade para o natural n = k + 1. Salientamos
que a suposição da validade para o número n = k é a chamada hipótese
de indução, enquanto que a afirmação a ser justificada é conhecida como
a tese de indução.

Saiba mais
No desenvolvimento e justificativa da tese de indução sempre
é necessária a utilização da hipótese de indução.

Vejamos alguns exemplos que ilustram a aplicabilidade do PIF ou da


Prova de Indução relacionado à justificativa de conjecturas e resultados.
Exemplo 01: através do PIF demonstrar a seguinte afirmação:

Solução: neste caso, temos que:


1ª Parte: a proposição é verdadeira para n = 1, pois:

– 137 –
Lógica Matemática

Ou seja, acabamos de comprovar que o resultado (afirmação) é válido


para um dado valor particular de n, no caso n = 1.
2ª Parte: aqui, temos que:

Hipótese de Indução: (ou seja, estamos


supondo que o resultado é válido para o número n = k).

Tese de Indução: (ou seja, deve-


mos provar que o resultado é válido para n = k + 1).
Sendo assim, para justificarmos a tese de indução, vamos partir do pri-
meiro membro com procedimentos algébricos e, com o uso da hipótese de
indução, devemos encontrar o segundo membro da tese.
Logo, vem que:

c.q.d.
Exemplo 02: por meio do PIF demonstrar a seguinte afirmação:

Solução: neste caso, temos que:


1ª Parte: a proposição é verdadeira para n = 1, pois:
12 ⋅ ( 1+1 )2
20 membro = =1
4
1° membro = 2° membro
2ª Parte: aqui, temos que:

Hipótese de Indução:

– 138 –
Indução matemática

Tese de Indução:
Desta forma, escrevemos:

c.q.d.
Exemplo 03: através do PIF demonstrar a seguinte afirmação:

Solução: novamente, utilizando um raciocínio similar, podemos escrever:


1ª Parte: a proposição é verdadeira para n = 1, pois:

Ou seja, a proposição é válida para o valor particular n = 1. Desta forma,


justificamos a primeira etapa do PIF.
2ª Parte: aqui, temos que:

Hipótese de Indução: ,

isto é, vamos usar como informação que o resultado é válido para n = k.


Tese de Indução:

– 139 –
Lógica Matemática

Novamente, vamos partir do primeiro membro da igualdade da tese de


indução. Daí:

(tiramos o mínimo) =

como queríamos encontrar.


c.q.d.
Exemplo 04: provar pelo PIF que 1n = 1, n∈ IN.
Solução: neste caso, temos que:
1ª Parte: a proposição é verdadeira para n = 0, pois:

2ª Parte: aqui temos que:

Hipótese de Indução:1K = 1, isto é, vamos usar como informação que o


resultado é válido para n = k.
Tese de Indução: temos que provar que 1K+1 = 1, logo:

1k +1 = 1k .11 = 1.11 = 1.1 = 1 , como queríamos mostrar.


hipótesedeindução
c.q.d.

– 140 –
Indução matemática

Exemplo 05: seja a matriz diagonal A = 3 0  . Demonstrar por


 
0 2 
meio do PIF que a matriz potência An é dada por An = 3n 0  n∈IN ∗ .
 
0 2 n 
Solução: note que este problema utiliza a teoria envolvendo matrizes
que apresenta grande aplicabilidade na área computacional. Desta forma,
temos que:

1ª Parte: a proposição é verdadeira para n = 1, pois:

2ª Parte: aqui escrevemos:


Hipótese de Indução: suponhamos que o resultado é válido para n = k,

isto é, A K = 3k 0 .
 
0 2 k 

Tese de Indução: devemos provar que A K +1 = 3k+1 0 .


 
Sendo assim: 0 2 k+1 

c.q.d.
Exemplo 06: demonstrar pelo PIF que 10n– 1 é divisível por 9, n∈IN.
Solução: neste caso, temos que:

– 141 –
Lógica Matemática

1ª Parte: a proposição é verdadeira para n = 0, pois:


100 – 1 = 1 – 1 = 0 é divisível por 9, já que 0 = 9.0.
2ª Parte: aqui, escrevemos:

Hipótese de Indução: 10k – 1 é divisível por 9, isto é, podemos escrever

que

Tese de Indução: devemos provar que


Ou seja:

(escrevemos 10 = 9 + 1)

(usamos a distributiva da multiplicação em relação

à soma) = (que obviamente é um número

inteiro), digamos p2, como queríamos mostrar.


c.q.d.
Exemplo 07: vamos provar pelo PIF que o produto de dois naturais
positivos consecutivos e não nulos é sempre par, ou seja, n (n + 1) é par, n∈Ni.
1ª Parte: a proposição é verdadeira para n = 1, já que 1.2 = 2 que é um
número par.
2ª Parte: aqui temos que:

Hipótese de Indução: k.(k + 1) é par


Tese de Indução: devemos mostrar que (k + 1).(k + 2) é um número par

– 142 –
Indução matemática

Sendo assim:

E, como a soma entre dois pares também é par o resultado segue.


c.q.d.
Exemplo 08: através do PIF demonstrar a seguinte afirmação nos naturais:

Solução: neste caso, temos que:


1ª Parte: a proposição é verdadeira para n = 0, pois:
9 | (100 + 3.40+2+ 5)
9 | 54
Pois, 54 = 9.6.
2ª Parte: neste caso, temos por hipótese de indução que a afirmação é
verdadeira para n = k e, devemos mostrar que o resultado é válido para n = k
+ 1, ou seja, temos que:

Hipótese de Indução: , ou seja, temos por


hipótese que o resultado é válido para n = k.

Tese de Indução: , ou seja, deve-


mos provar que a afirmação é válida para n = k + 1.
Desta maneira, notemos que:
(10k+1 + 3.4(k+1)+2 +5)= 10k.101+ 3.4(k+1)+2 +5 = 10k.(9+1)+ 3.4(k+2).41+5=
9.10k +10k +3.4(k+2).(3+1)+5= 9. 10k+10k+ 3.4(k+2) . 3+3.4(k+2) +5
Deduzimos que esta soma é divisível por 9, já que:
9.10k é múltiplo de 9

– 143 –
Lógica Matemática

3.4(k+2).3 = 9.4(k+2) é múltiplo de 9


10k+ 3. 4(k+2) + 5 é divisível por 9 (pela hipótese de indução)
Portanto, concluímos a Tese de Indução, ou seja, que
, como queríamos provar.

10.3 Recursão
A noção de recursão está inteiramente ligada à ideia de indução e muito
difundido na área computacional no trabalho com linguagens de programa-
ção, como, por exemplo, associado à linguagem Pascal. De acordo com Alves
(2011), a noção de recursão é inspirada no formalismo das Funções Recur-
sivas de Kleene, as quais são equivalentes ao da Máquina de Turing e ao da
gramática de Chomsky, no que se refere ao poder computacional.
Além disso, é sabido que qualquer definição em termos indutivos pode
ser simulada por uma recursão. Contrariamente, também é sabido que nem
toda recursão possui uma correspondente definição indutiva, pois, não neces-
sariamente a recursão respeita a boa ordem da indução.
Vejamos um exemplo ilustrativo envolvendo a recursão no âmbi-
to computacional.
Exemplo 09: (Fatorial – Recursão) para qualquer número natural n,
definimos o fatorial de n! por meio da fórmula recursiva:

Primeiramente, observe que para o caso n > 0, temos que n! pode ser
reescrito como segue:
n.(n – 1)! sendo que (n – 1)!=(n – 1).(n – 2)....1
Similarmente, (n – 1)! pode ser reescrito como segue:
(n – 1).(n – 2)! sendo que (n – 2) != (n – 2).(n – 3)....1

– 144 –
Indução matemática

E, assim de modo sucessivo.


Logo, fica evidente que o fatorial de um número n pode ser deter-
minado multiplicando n pelo fatorial de seu antecessor n – 1. De outra
forma, percebe-se claramente que este raciocínio pode ser recursivamente
aplicado até chegarmos ao fatorial de zero. Portanto, a função fatorial
pode ser definida em termos dela mesma, até atingir o fatorial zero, con-
forme descrição a seguir:

a) Base de Indução:
0! = 1.

b) Passo de Indução:
n! = n. (n – 1)!.

Exemplificando, o cálculo do fatorial de 5 é:


5! = 5.(5 – 1)! = 5.4! =
4! = 4 .(4 – 1)! = 4.3!=
4.3. (3 – 1)! = 4.3.2!=
4.3. .2(2 – 1)! = 4.3. 2.1!=
4.3. 2. (1 – 1)! = [Link].0!= [Link] = 24

Você sabia
Essa argumentação acerca da noção de recursão pode ser ado-
tada nas linguagens de programação na área computacional.

Resumindo
Diversas conjecturas e afirmações no contexto da Matemática e da Com-
putação podem ser diretamente justificados a partir da noção de indução e
da recursão. Em termos específicos, com a utilização do Princípio da Indução

– 145 –
Lógica Matemática

Finita (PIF) e de um derivativo, que são as fórmulas de recorrência. Cabe


salientarmos que a ideia do princípio da indução finita poderia ser facilmente
entendida como uma sequência de peças de dominó, em que a queda de uma
primeira peça leva a queda das demais em rede.
Especificamente falando na área computacional, o PIF é usado para
provar resultados em uma grande variedade de objetos discretos, tais como
complexidade de algoritmos, corretude de alguns tipos de programas de
computador, bem como, teoremas sobre grafos e árvores e uma grande
leque de inequações.

– 146 –
Conclusão
Lógica Matemática

Chegamos ao final de nossa disciplina de Lógica Matemática. Como você


deve ter notado, ao longo da disciplina, este é um assunto que é, por essência,
formativo: saímos diferentes da forma como começamos esta jornada..
Iniciamos nosso aprendizado conhecendo um pouco da História da
Lógica Matemática, desde os gregos até alguns dos mais recentes desenvolvi-
mentos na área, passando pelas importantes contribuições de Boole, Russel,
Whitehead. Destacamos aplicações à tecnologia e à Ciência da Computação.
Logo, tivemos a oportunidade de perceber que este não é um assunto de
interesse apenas teórico.
Entramos em contato com as tabelas-verdade e as operações lógicas
negação, conjunção, disjunção exclusiva, condicional, bicondicional, nega-
ção conjunta e negação disjunta, bem como a relação entre estas operações e a
linguagem natural. Oportunidade em que aprendemos a construir as tabelas-
verdade para estas operações lógicas.
Compreendemos os importantes aspectos relativos à ordem de prece-
dência em uma proposição composta, como identificar quando uma fórmula
é bem elaborada (well-formed formula) e o correto uso dos parênteses nas
questões de lógica simbólica.
Entendemos as tautologias, contradições e contingências, aprendemos a
aplicar corretamente o Princípio da Substituição para Tautologias e para Con-
tradições. Também vimos o que são implicações lógicas e como distingí-la
de uma condicional.
Conhecemos o que são equivalências lógicas, momento em que foram
apresentadas algumas das equivalências lógicas notáveis e as aplicações das
equivalências lógicas. Também estudamos a recíproca, contrária e contrapo-
sitiva de uma condicional.
Vimos a distinção entre lógica indutiva e lógica dedutiva, os elemen-
tos básicos da argumentação (proposição, argumentos, premissa, conclusão,
indução dedução) e por fim, as principais regras de inferência.
A validade de argumentos, as provas de não-validade com tabela-ver-
dade bem como as principais Regras de Inferências também foram temas do
nosso estudo.

– 148 –
Conclusão

Identificamos os quantificadores e as sentenças abertas, bem como o


quantificador universal e o existencial. Vimos, ainda, em quais situações uma
proposição com o quantificador universal é verdadeira ou falsa e em quais situ-
ações uma proposição com o quantificador existencial é verdadeira ou falsa.
Estudamos os métodos de demonstração: direta, exaustiva, contrapo-
sição e demonstração por redução ao absurdo. E, entendemos a importante
técnica denominada Princípio da Indução Finita. Muitos teoremas importan-
tes são demonstrados com esta técnica.
Por fim, lembre-se: você, que é aluno de lógica matemática, mantenha-se
sempre atualizado, ampliando constantemente seus estudos para obter um
melhor desempenho no mercado de trabalho.

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Referências
Lógica Matemática

ALENCAR FILHO, E. de. Iniciação à lógica matemática. São Paulo:


Nobel, 2000.
______. Iniciação à lógica matemática. 2. ed. São Paulo: Nobel 2002.
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BARONETT, S. Lógica: uma introdução voltada para as ciências. Porto Ale-
gre: Bookman, 2009.
BISPO, C. A. F.; CASTANHEIRA, L. B.; SOUZA FILHO, O. M. Introdu-
ção à lógica matemática. São Paulo: Cengage Learning, 2011.
______; ______, ______. Introdução à lógica matemática.  3. ed. São
Paulo: Cengage Learning, 2012.
DAGHLIAN, J. Lógica e álgebra de Boole. São Paulo: Atlas, 1995.
______. Lógica e álgebra de Boole. 4. ed. São Paulo:  Atlas, 2008.
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Juruá, 2011.
ZEGARELLI, M. Lógica para leigos. Rio de Janeiro: Alta Books, 2013.

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Prezado aluno, uma das habilidades que a sociedade espera
encontrar em um profissional de Ciências Exatas é a capacidade de pen-
sar logicamente. Também se espera desse profissional que identifique
argumentos que não são válidos, bem como apresente as suas ideias com
clareza, precisão e rigor.
Áreas do conhecimento, como Matemática, Física, Filosofia,
Ciência da Computação, Engenharia Elétrica, Sistemas de Informação,
Linguística e mesmo Direito foram, e ainda são, na atualidade, objeto
de interesse, aplicações práticas e pesquisa científica de fronteira na área
da Lógica. Além disso, concursos públicos para as mais diversas for-
mações vêm exigindo conhecimentos de Lógica. Como outras áreas do
pensamento humano, a Lógica pode ser estudada por seu interesse pró-
prio ou por suas aplicações.
A disciplina, cujos conteúdos estão oferecidos neste material,
apresenta os conceitos básicos da Lógica: proposições, conectivos; tau-
tologias, contradições e implicações; equivalências; argumentos váli-
dos; regras de inferência; sentenças abertas; quantificadores; técnicas de
demonstração e indução matemática.

ISBN 978-85-60531-38-7

9 788560 531387

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