ÉFESO
Edição – 2014
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JEFFERSON CARMO
ÉFESO
A Jesus Cristo, meu Senhor e Salvador!
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO ......................................................................... 9
1. A ORIGEM DO AVIVAMENTO .................................... 13 2. O
GOVERNO DE JESUS CRISTO
NO AVIVAMENTO ................................................................ 17 3. A
REALIDADE DOS BATISMOS
NO AVIVAMENTO ................................................................ 23 4. O
AMOR A DEUS E AOS HOMENS
NO AVIVAMENTO ................................................................ 31
5. A MENSAGEM NO AVIVAMENTO ............................ 37
6. O PODER DE DEUS NO AVIVAMENTO ................. 43
7. ARREPENDIMENTO, FÉ E CONVERSÃO NO AVIVAMENTO
............................................................... 49 8. SEPARAÇÃO DE
OBRAS NO AVIVAMENTO ......... 53 9. TEMOR DE DEUS E O
NOME DE JESUS ENGRANDECIDO NO AVIVAMENTO
......................... 59 10. GUERRA ESPIRITUAL E OPOSIÇÃO DE
HOMENS NO AVIVAMENTO
................................................................ 65 11. FORMAÇÃO DE
DISCÍPULOS
NO AVIVAMENTO ................................................................ 73 12.
LÍDERES E IGREJAS NO AVIVAMENTO .............. 81
INTRODUÇÃO
Tenho ouvido, ó Senhor, as tuas declarações, e me sinto alarmado;
aviva a tua obra, ó Senhor, no decorrer dos anos, e, no decurso dos
anos, faze-a conhecida; na tua ira, lembra-te da misericórdia.
(Habacuque 3.2)
feso era uma cidade greco-romana, situada na Ásia Menor. Durante
o domínio do Império Grego, no período clássico, foi uma das doze
principais da Liga Jônia. No período do Império Romano, era
conhecida como a segunda maior cidade do mundo, menor apenas
do que Roma, a capital do império. Era uma cidade muito rica por
causa do turismo, do comércio portuário e da estrada que dava
acesso à cidade de Roma.
Na cidade de Éfeso havia um grande anfiteatro, o segundo maior
daquela época. Nele, gladiadores lutavam entre si ou contra feras.
Cristãos e criminosos também eram jogados na arena e eram
obrigados a lutar contra os animais, para o delírio do público.
A cidade abrigava muitos templos, mas o principal era o templo da
Ártemis, nome que homenageia a deusa dos gregos, construido por
volta de 550 A.C. Era conhecido naquele tempo como uma das sete
maravilhas do mundo. A deusa também era conhecida como a
Diana dos efésios. Anualmente dedicavam-lhe uma festa,
moradores de várias partes do mundo se dirigiam a Éfeso para
adorar a divindade. As hospedarias e as casas ficavam cheias de
peregrinos. Segundo a história, o número da população efésia era
superior a 250 mil habitantes. Nos dias das comemorações, esse
número quase dobrava.
Por causa da idolatria dos moradores e turistas em relação à deusa
Diana e à própria cidade, Deus decidiu escrever uma nova história
ali. Estendeu as mãos e com um simples toque de seu dedo, iniciou
um avivamento para curar, libertar e salvar moradores e visitantes.
Enviou homens capacitados para dar início à sua igreja em Éfeso. A
partir desse acontecimento, outras cidades foram evangelizadas e
se espalharam pela Ásia Menor e pela Europa.
O avivamento foi algo tão grandioso que houve muitas curas e
milagres, de modo que, muitos se converteram a Jesus Cristo pelo
poder do toque do Espírito Santo e da palavra de Deus. Então,
muitos cidadãos locais abandonaram a deusa Diana e passaram a
seguir a Jesus Cristo e a adorar somente a Deus.
Foi um alvoroço. Por causa dos resultados alcançados pelo
avivamento, Éfeso tornou-se referência e fez com que cristãos de
outras regiões fossem conferir o que Deus estava fazendo naquele
lugar.
Éfeso, a cidade tocada pelo dedo de Deus
Passado algum tempo, o Espírito Santo inspirou o apóstolo Paulo a
escrever uma carta à igreja de Éfeso. Segundo a maioria dos
estudiosos, é a carta mais espiritual da Bíblia, pois seu conteúdo é
bastante rico e revelador. Ao estudarmos o livro de Atos, vemos
que, de fato, a igreja de Éfeso foi espiritual e viveu o avivamento de
Deus.
Nesse livro, quero mostrar a você alguns aspectos da vida daqueles
cristãos que viveram um avivamento genuíno. Em minha opinião, o
avivamento genuíno de Deus ocorre quando seus filhos estão na
igreja, cheios do Espí- rito Santo e de sua palavra, realizando as
obras em Cristo. E mais ainda, quando estão dispostos a receber
um simples toque do dedo do Senhor.
Veja bem: Jesus Cristo foi o maior avivalista nesta terra, foi a
manifestação prática do avivamento na terra de Israel. Sua vida foi
sempre cheia do Espírito Santo, da palavra do Senhor e viveu para
realizar as obras de Deus Pai. A igreja tocada por ele pode viver
essa realidade nos dias atuais.
Minha oração e meu desejo é que, ao ler este livro, o Senhor fale ao
seu coração e desperte sua vida para desejar o avivamento
verdadeiro e genuíno. Acredite, uma igreja avivada, que causa
impacto no mundo, está cheia do Espírito Santo, cheia da palavra
do Senhor e faz as obras de Deus, em Cristo.
Que você seja mais um cristão cheio do Espírito Santo, e que esteja
entre aqueles que clamam dia e noite para que o avivamento venha
sobre a igreja e sobre a terra.
Jesus, encha sua igreja com sua vida e com sua palavra, para que
cada cristão realize suas obras em Cristo.
Senhor, estenda sua mão poderosa sobre sua igreja e toque-a,
encha-a com o calor do seu avivamento e gere mudança nela e
através dela.
A Deus, em Cristo, seja dada toda glória na igreja e na terra, como é
no Céu.
Boa leitura.
1
A ORIGEM DO AVIVAMENTO
Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai
das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de
mudança. (Tiago 1.17)
avivamento aconteceu de forma maravilhosa e transformou de modo
marcante e decisivo a vida de muitos cidadãos que viviam ou
visitavam Éfeso. A igreja estabelecida ali experimentou a
abundância da presença do Espírito Santo e da palavra de Deus.
Em Cristo, realizaram a obra de Deus naquela cidade e em outras
partes do mundo.
Como foi a origem do avivamento em Éfeso? Foi através de Paulo
com os primeiros discípulos que lá estavam? De certa forma sim, é
óbvio, mas a verdadeira origem do avivamento naquela cidade não
começou através da igreja, jamais poderia ter sido, pois, não seria
obra de Deus.
Antes do avivamento, a igreja buscava a Deus, fervorosamente, em
oração, jejum e na palavra. Era um período em que os cristãos
estavam famintos e sedentos da presença do Senhor, pois queriam
intensamente sua presença dentro da igreja e na cidade. Mas, esse
desejo não foi suficiente, pois o despertar para querer a presença, e
para exercitar as disciplinas espirituais sempre vem do próprio
Deus. É o Espírito Santo que desperta os cristãos a terem fome e
sede por Deus e os induz às práticas espirituais. De modo que, é o
próprio Deus quem opera nos cristãos tanto o querer, como o
realizar, segundo a sua boa vontade1. Por isso, a origem do
avivamento é em Deus e começa no céu. Acredite, tudo o que
acontece na terra como obra de Deus, já aconteceu primeiro no céu.
Avivamento é um momento onde Deus manifesta seu poder para a
edificação da igreja e a salvação dos homens. Essas verdades são
vontade de Deus para sua igreja e para o homem, se é sua vontade,
obviamente nasceu no Senhor e no céu, que é o lugar eterno de sua
habitação. Portanto, o avivamento que aconteceu em Éfeso, teve a
sua origem no céu. Jesus em sua oração disse: “Venha o teu reino;
faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu2”.
Em Éfeso, o avivamento aconteceu no tempo e no propósito de
Deus, exatamente na hora que o Senhor determinou, pois como
está escrito, há tempo para todo propósito debaixo do céu3. Deus
uniu seu tempo (Kairós) com o tempo do homem (Cronos), ou seja,
o seu relógio com o da sua igreja! O avivamento já havia acontecido
no céu, porque estava no Verbo, no coração do Pai. Tudo isso só foi
possível porque Paulo e os outros discípulos estavam conectados
com o céu. De modo que o céu (Deus) conectou-se com a terra
(igreja), e assim eles deram respostas favoráveis ao Senhor.
_________________
1Filipenses 2.13; 2Mateus 6.10; 3Eclesiastes 3.1 Éfeso, a cidade tocada pelo dedo de
Deus
O avivamento veio sobre a igreja de Éfeso no primeiro século da era
cristã, em um dia, um mês e um ano específico, porque, segundo o
propósito deDeus, para que ele acontecesse, era necessário que os
cristãos buscassem sua presença em jejum e oração.
Paulo e os demais discípulos agiram como cooperadores do Senhor,
guiados pelo Espírito Santo, nesse grande mover de Deus.
Os cristãos, em fé e obediência, participaram intensamente do
avivamento como simples canais de Deus, eles não tinham nenhum
poder sobre os acontecimentos, pois como já mencionado, esse
fenômeno espiritual era controlado pelo Espírito Santo.
É importante ressaltar que Paulo e os discípulos não estavam em
Éfeso por vontade própria, mas porque foram enviados pelo Senhor
para dar início à sua igreja. Naquele tempo, os discípulos tinham
muita intimidade com o Espírito Santo, viviam do modo que Jesus
havia dito a Nicodemos: “O vento sopra onde quer, ouves a sua voz,
mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo o que
é nascido do Espírito4”.
Os discípulos eram filhos de Deus por adoção em Jesus Cristo
(Teknon), mas também eram filhos maduros (Huios). Por isso, foram
guiados pelo Senhor para a cidade de Éfeso, onde havia também
doze discípulos de João Batista. Eles amavam a Deus e foram para
Éfeso em obediência ao Senhor. De modo que, nenhum desses
cristãos estava fazendo turismo.
Os discípulos, por serem amigos e servos de Jesus Cristo, viram e
ouviram, com olhos e ouvidos espirituais, _________________
4João 3.8
o que Deus já havia realizado no céu em favor dos cristãos e do
povo da cidade. Eles viram uma igreja avivada, cheia do Espírito e
da palavra de Deus, e, através dela, um avivamento que se
espalharia por várias partes da Ásia Menor e da Europa. A igreja
intercedeu intensamente para que o avivamento alcançasse tanto
eles, quanto a cidade. Assim, o clamor dos filhos de Deus subia
diariamente ao céu, en- tão tudo aconteceu como o Senhor havia
planejado.
O avivamento em Éfeso não foi diferente dos outros avivamentos.
Se olharmos com muita atenção os moveres de Deus no Velho e no
Novo Testamento e na história, perceberemos que o clamor
levantado entre os homens sempre acontecia após o céu se
conectar com a terra. Deus, em sua soberania e amor, conecta-se à
terra. No seu tempo, o Senhor providencia os meios e faz com que
circunstâncias favoráveis e desfavoráveis preparem seus filhos para
sua visitação. Foi assim ao descer ao Egito para libertar Israel. Do
mesmo modo, o céu se moveu no tempo dos juízes e dos reis de
Israel. Foi assim nos avivamentos relatados na história. Se o leitor
observar o livro de Atos, verá que os avivamentos em Jerusalém,
Samaria, Antioquia e Éfeso começaram no céu. Deus, em amor,
soberania e providência, prepara meios e circunstâncias para que
seus filhos deem respostas favoráveis para que o avivamento
aconteça. Portanto, todos os avivamentos acontecidos na Bíblia e
na história da igreja, tiveram sua origem no céu, para depois
acontecer na terra. De modo que, Deus é quem semeia o
avivamento no céu e o colhe na terra, através da sua igreja.
Naquele dia, eu serei obsequioso, diz o Senhor, obsequioso aos
céus, e estes, à terra; a terra obsequiosa ao trigo, e ao vinho, e ao
óleo; e estes, a Jezreel. (Oseias 2.21-22).
2
O
GOVERNO DE JESUS CRISTO NO AVIVAMENTO
E pôs todas as coisas debaixo dos pés e, para ser o cabeça sobre
todas as coisas, o deu à igreja, a qual é o seu corpo, a plenitude
daquele que a tudo enche em todas as coisas. (Efésios 1.22-23)
o avivamento da igreja de Éfeso, Jesus Cristo era o cabeça, e não
Paulo e os líderes naquela obra. Na verdade, para que aconteça um
avivamento genuíno de Deus na igreja e na cidade, os líderes e os
liderados precisam estar debaixo do governo de Jesus Cristo, o
cabeça do corpo. Se não for assim, até pode ser que ocorra a
manifestação do Espírito Santo, do poder da palavra de Deus,
como: cura, libertação e salvação, mas, jamais um verdadeiro
avivamento. É por isso que, para que ele aconteça de fato, na igreja
e na cidade, os líderes e os liderados precisam estar debaixo do
controle do Espírito Santo e da palavra de Deus. Se líderes e
liderados, conscientes ou por ignorância, impedirem que o Espírito
Santo exerça seu senhorio na igreja, o avivamento de Deus fica
impossibilita- do de acontecer, porque ele ocorre para glorificar a
Jesus Cristo na igreja, para que através dela, ele seja glorificado
nas pessoas deste mundo.
A palavra de Deus na igreja e na vida dos filhos é poderosa e
operante. Pensemos um pouco, seria possível a glória de Deus
(Shekinah) ser presente e abundante em uma igreja onde os líderes
e liderados ainda têm o controle de suas vidas? Na prática, Jesus
Cristo ainda não seria o Senhor e o governante, pois avivamento
não significa cul- tos abençoados, com boas músicas e palavras
poderosas. Avivamento significa que os filhos de Deus tornaram-se
cheios do Espírito Santo e da palavra de Deus!
Paulo foi escolhido para ir a Éfeso com a missão de plantar uma
igreja para Jesus Cristo naquela cidade. Apesar de ter sido
encorajado pelos líderes e pela igreja de Antioquia, ele não foi para
Éfeso por causa das palavras e das orações confortadoras dos
irmãos, nem por causa das necessidades ou importância da cidade,
que era a segunda do Império Romano. Eu avalio que foi a fé e a
obediência a Cristo que o guiou até lá, porque ele tinha certeza que
o Espírito Santo falaria e mostraria tudo o que Jesus já tinha feito no
céu para aquela missão.
Como disse, em Éfeso Paulo encontrou doze discípulos que
serviram João Batista anteriormente5, mas apesar de crerem em
Jesus, ainda não conheciam o Espírito Santo, pois só conheciam o
batismo de João.
_________________
5Atos 19.1,7
Curiosidades sobre o número 12 na Bíblia
Doze é um número importante na Bíblia e tem alguns significados
relevantes. Esse número representa per- feição, completude,
plenitude e abundância que há no céu. O livro de Apocalipse nos
mostra o fim do mundo e o começo de um novo céu e de uma nova
terra. Em suas páginas, é possível ver a importância do número
doze. Por exemplo, doze mil judeus, de cada uma das doze tribos
de Israel, foram selados por um anjo para Deus e para a salvação.
Em outro capítulo, aparecem cento e quarenta e quatro mil remidos
pelo Cordeiro diante dele no monte Sião, que haviam sido
comprados da terra por Jesus Cristo, eram seus adoradores e o
seguiam por onde quer que ele fosse. Cento e quarenta e quatro mil
é o resultado de doze mil x doze mil. Pessoalmente, não creio que
foram apenas cento e quarenta e quatro mil judeus das doze tribos
de Israel selados para a salvação. E, também não acredito que
apenas cento e quarenta e quatro mil serão os vencedores remidos
da terra pelo Cordeiro para estarem em sua presença. Para mim,
esse número representa completude. A cidade da nova Jerusalém
mede doze mil estádios, ela é quadrada, seu cumprimento, sua
largura e altura são iguais. A árvore da vida produz doze frutos,
dando o seu fruto de mês em mês.
Portanto, concluo que o número doze representa perfeição,
completude, plenitude e abundância que há no céu.
O número doze também representa governo, por exemplo: as doze
tribos de Israel, os doze apóstolos de Jesus Cristo. Os 24 tronos ao
redor do trono de Deus e do Cordeiro, neles estão assentados 24
anciãos vestidos de branco e com coroas de ouro nas suas
cabeças. Ou seja, 24 é a soma de doze mais doze. A maioria dos
estudiosos da Bíblia crê que os 24 anciãos são os doze filhos de
Israel e os doze apóstolos de Jesus Cristo. O décimo segundo é um
mistério, pode ser Matias ou Paulo.
A nova Jerusalém que desce do céu tem doze portas de pérolas
com o nome das doze tribos de Israel e, nessas portas, doze anjos.
A cidade também tem doze fundamentos e neles estão escritos os
nomes dos doze apóstolos do Cordeiro.
Os doze discípulos estavam em Éfeso com Paulo e outros cristãos e
foram usados por Deus no avivamento que aconteceu na igreja e
naquela cidade. Como já escrevi, o número doze tem significado,
então quero aplicá-lo ao governo. Avivamento é uma obra de Deus,
e para ser genuíno no Senhor, tem que estar debaixo do seu
governo. Então, quando líderes e liderados estão debaixo do
governo de Jesus Cristo, o avivamento de Deus acontece. Desse
modo, a obra de Deus é perfeita, completa, plena e abundante.
O Senhor Jesus Cristo, através do apóstolo João, enviou uma carta
para cada uma das sete igrejas da Ásia, a última delas foi para a
igreja de Laodiceia. Em seu início, ela estava debaixo do governo de
Jesus Cristo, seu cabeça. A igreja de Laodiceia foi fruto do
avivamento acontecido na igreja de Éfeso e, da mesma forma,
experimentou o poder do Espírito Santo e da palavra de Deus. De
modo que, a igreja e a cidade de Laodiceia foram marcadas pela
glória do Senhor. A igreja de Laodiceia cresceu espiritualmente e
teve inúmeras experiências com o Espírito Santo e muita revelação
na palavra de Deus. A igreja cresceu estatisticamente, pessoas de
todas as classes se converteram a Jesus Cristo. Em seu início, era
uma igreja fervorosa, guiada pelo Espírito Santo e submissa ao
governo de Jesus Cristo, seu cabeça.
A igreja de Laodiceia tornou-se muita rica espiritualmente e
materialmente, então seus dirigentes começaram a ter o seguinte
pensamento: “Somos ricos e não precisamos de mais nada”. Com o
passar do tempo, os líderes e os liderados dessa igreja diminuíram
o fervor de espírito e, aos poucos, foram deixando as instruções do
Espírito Santo. Passaram a confiar neles mesmos e no conheci-
mento espiritual que haviam adquirido. Então, o governo da igreja
passou a ser dos homens, e não de Jesus Cristo. Como
consequência, ao invés de ser fervorosa, tornou-se morna, assim
como águas destemperadas.
A cidade de Laodiceia possuía um rico comércio por sua forte
atuação na indústria e na agricultura. Até fora destruída por um
terremoto uma vez, mas por possuir tanta riqueza, na cidade e no
campo, foi reconstruída rapidamente.
Próximo a Laodiceia, a menos de 10 km, havia uma cidade
chamada Hierapólis, conhecida por suas águas termais, com
propriedades medicinais, por isso era uma cidade turística. Os
laodicenses e outros povos gostavam muito de frequentá-la. Com
tanta riqueza, decidiram construir um aqueduto de Hierapólis a
Laodiceia, a fim de que eles tivessem piscinas quentes em sua
própria cidade. No entanto, as águas não chegavam nem quente,
nem fria, elas chegavam mornas, assim como tornou-se a igreja de
Laodiceia.
A palavra Laodiceia é de origem grega e significa “justiça do povo”
ou “direito do povo”. Por abandonar o comando de Jesus Cristo,
passou a seguir a própria justiça, baseando-se em homens, ou seja,
deixou de ser uma igreja teocrática para ser democrática. Jesus
Cristo, o cabeça, chegou ao ponto de ter que bater à sua porta
pedindo para entrar e cear. Que absurdo!
Infelizmente, segundo relatos históricos, o que aconteceu com a
igreja de Laodiceia tem acontecido na igreja do Senhor Jesus Cristo
a cada geração. É um mal que tem assolado igrejas grandes e
pequenas. Profeticamente, a igreja de Laodiceia representa a última
igreja dos últimos dias. Não precisamos ser profundos observadores
para percebermos que a igreja de Laodiceia está presente nessa
geração.
Que sejamos controlados e guiados pelo Espírito Santo, a fim de
vivermos debaixo do governo de Jesus Cristo, o cabeça!
Pois pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor maior
encargo além destas coisas essenciais. (Atos 15.28)
3
A
REALIDADE DOS BATISMOS NO AVIVAMENTO
Então, Paulo perguntou: Em que, pois fostes batizados?
Responderam: No batismo de João. (Atos 19.3)
O
avivamento na igreja de Éfeso teve outra característica fundamental,
os discípulos do Senhor Jesus Cristo tiveram fé para viver as
realidades dos batismos a cada dia, pois entendiam que, mais do
que uma prática litúrgica, era uma realidade que precisava ser
vivida, em Cristo, a cada dia.
Os cristãos daquela igreja aprenderam, em amor, a obedecer esse
mandamento de Deus, foram batizados em Jesus e no Espírito
Santo. Para eles, esse momento tinha muito mais significado do que
um simples ritual, não era apenas a experiência de descer às águas
ou de serem cheios uma única vez pelo Espírito Santo. Eles
entenderam seu significado espiritual, então, passaram a praticálos
em fé e obediência. De modo que, com esse exemplo, a igreja de
Éfeso mostrou que em tempo de avivamento, os cristãos, em fé e
obediência, vivem as realidades dos batismos.
O batismo de João
Paulo voltou a Éfeso. Ao chegar, encontrou alguns discípulos, como
Priscila e Áquila, e lhes perguntou: “Vocês receberam o Espírito
Santo?”. Eles alegaram que não e que nem mesmo ouviram falar de
sua existência. Então, Paulo perguntou: “Em que fostes batizados?”,
e eles responderam: “No batismo de João”. Aqueles primeiros
discípulos em Éfeso conheciam apenas o batismo de João, que foi
muito importante, pois em fé viviam aquela realidade no dia a dia,
demonstrando o testemunho da obra de Deus em suas vidas.
Jesus Cristo e seus primeiros discípulos, em fé e obediência a
Deus, passaram pelo batismo de João. A igreja de Jesus Cristo não
precisa passar por esse ritual, mas precisa, em fé e obediência,
viver diariamente a realidade dele, porque ele representa
arrepender-se e voltar-se para Deus. Quando João esteve no
deserto de Israel, sua mensagem foi: “Arrependam de seus pecados
e voltem-se para Deus”, então batizava as pessoas no rio Jordão.
Em Éfeso, Paulo, os doze discípulos e outros da igreja viviam, em fé
e obediência, a realidade do batismo de João, pois eram pessoas
quebrantadas e arrependidas, que sempre se voltavam para Deus
quando saíam do caminho. Quem é que não peca? Os cristãos não
vivem habitualmente no pecado, mas todos estão sujeitos a pecar.
Podemos pecar com os olhos, com o pensamento, com a
motivação, com atitudes, palavras e ações.
O testemunho dos cristãos da igreja de Éfeso causou um tremendo
impacto aos moradores e aos visitantes daquela cidade, pois viam
arrependimento e mudança de vida naquele povo, porque de fato,
se arrependiam e voltavam para Jesus Cristo quando erravam.
Dessa maneira, ao testemunharem esses fatos, eram contagiados e
buscavam agir da mesma forma.
Podemos constatar que, não pode haver um avivamento de Deus na
igreja e em uma cidade se os cristãos locais não viverem em fé e
obediência a realidade do batismo. Tem que haver a prática do
arrependimento por parte dos filhos de Deus, para que o avivamento
aconteça na igreja, então, o rio do avivamento fluirá para a cidade,
atingindo os habitantes. Foi isto que aconteceu em Jerusalém e em
Éfeso.
O batismo de Jesus Cristo
Paulo disse-lhes: “João realizou o batismo de arrependimento,
dizendo ao povo que cresse naquele que vinha depois dele, a saber,
em Jesus Cristo”. Tendo ouvido essas palavras, foram batizados em
nome do Senhor Jesus. Aqueles doze discípulos experimentaram o
ritual do batismo no Senhor Jesus Cristo. Da mesma forma, ocorreu
com os homens e as mulheres que se converteram em Éfeso, eles
passaram pelas águas.
O batismo do Senhor Jesus Cristo significa a identi - ficação da
igreja com ele. De modo que, os filhos de Deus não mais vivem,
mas Cristo é quem vive neles. Eles viviam em Éfeso, na fé e na
obediência ao Filho de Deus, que os amou e se entregou por eles.
Os cristãos daquela cidade morriam todos os dias, para que Cristo
vivesse neles, e em fé e obediência, praticavam a realidade desse
batismo. Por isso, formaram uma igreja avivada naquela cidade.
Jesus Cristo morreu na cruz para salvar a humanidade e, como o
segundo homem, é o Salvador dos homens e o único mediador
entre Deus e todos nós6. Jesus é o último Adão, segundo a palavra
de Deus. O que esta verdade quer dizer é que todo homem que
viveu antes dele, ou na sua época e após ele, não será o último
Adão. Jesus é o último Adão.
Na cruz, Jesus foi condenado e crucificado como o último Adão. A
raça adâmica foi crucificada com Jesus. Porque o salário do pecado
é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Jesus
Cristo. Portanto, a esperança de quem está em Adão é Jesus Cristo,
o último Adão. Somente em Cristo Jesus, o homem vive e morre
com esperança neste mundo. Segundo a palavra de Deus, quem
está em Cristo é nova criatura, as coisas velhas se passaram e,
tudo se fez novo7.
No avivamento, os filhos de Deus, em fé e obediên - cia, vivem a
realidade do batismo do Senhor Jesus Cristo e se identificam com o
seu Senhor e Salvador. De modo que, a vida que vivem não é
natural em Adão, mas sim espiritual em Cristo Jesus.
É impossível uma igreja ser avivada e causar impacto em uma
cidade se não viver em fé a realidade desse batismo. Os primeiros
cristãos que foram batizados no Senhor Jesus renunciavam a si
mesmos, ao pecado, ao mundo e ao príncipe da potestade do ar
que antes os controlava. Antes de descerem às águas, recebiam e
confessavam a Jesus como o Senhor e Salvador de suas vidas, só
então mergulhavam para serem batizados. Os cristãos saíam das
águas para viverem a vida de Cristo, eles morriam para si mesmo
todos os dias para viver a nova vida. Essa é a verdade da obra de
Jesus Cristo na cruz.
_________________
6I Timóteo 2.5; 7II Coríntios 5.17
O velho homem (Adão) foi crucificado com Jesus. Então, quando
alguém é batizado em Jesus Cristo, sepulta o corpo nas águas
batismais. Após o batismo, ele sai das águas para viver sua nova
vida em Cristo Jesus8.
O batismo do Espírito Santo
Quando Paulo impôs as mãos sobre os doze discípulos, veio sobre
eles o Espírito Santo, então, começaram a falar em línguas
estranhas e a profetizar, assim como havia acontecido com Paulo.
Do mesmo modo, os cristãos de Éfeso foram batizados no Espírito
Santo. Todos eles receberam o dom da profecia e o dom de falar em
outras línguas. Esses sinais são evidentes naqueles que são cheios
do Espírito Santo.
O batismo do Espírito Santo representa transmitir a Deus e aos
homens as próprias palavras do Senhor. A igreja de Éfeso falava em
línguas, nessa linguagem, os cristãos falavam a Deus palavras que
eles mesmos ou os ouvintes não podiam compreender, a não ser
que o Espírito Santo lhes desse a interpretação. Em línguas, os
cristãos falavam mistérios a Deus, e, suas palavras não eram
próprias, mas sim do Espírito Santo, pois eram palavras do próprio
Deus. Eles oravam e cantavam em línguas, adorando ao Senhor,
edificando assim suas próprias vidas. Além disso, a igreja intercedia
revestida do Espírito Santo, para que o céu de Éfeso se abrisse e os
poderes espirituais do mal nas regiões celestiais fossem derrotados.
_________________
8Romanos 6.3,6
Orando e cantando em línguas, os cristãos intercediam diante de
Deus para que o avivamento acontecesse na igreja e na cidade. Foi
Paulo que lhes ensinou a proceder assim, explicou-lhes que, nem
ele mesmo e nenhum homem sabe orar segundo a vontade de
Deus, mas todos precisam do Espírito Santo para orar, porque
somente o Espírito conhece a mente de Deus. Por isso, intercede
dentro de nós com gemidos inexprimíveis (línguas estranhas).
Com palavras de profecias, os cristãos de Éfeso se edificavam
mutuamente e ministravam cura, libertação e salvação, isso fazia
com que as pessoas ouvissem diariamente a palavra de Deus.
Orar em línguas é orar o que o Espírito Santo está orando.
Profetizar é falar o que o Espírito Santo está falando. É anunciar,
segundo Deus, o que está para acontecer, é exortar, edificar e
consolar as vidas que estão na igreja e fora dela.
Que notícia maravilhosa! As pessoas ouviam diariamente palavras
proféticas que promovia libertação, cura, esperança e salvação a
eles e aos seus familiares.
O batismo no Espírito Santo também representa viver a alegria de
Deus. A cidade de Éfeso, por intermédio da igreja, transbordava
essa alegria evidenciada na presença do Senhor e na presença do
Espírito Santo que neles habitava. De modo que, os efésios e os
forasteiros se admiravam com tanta alegria na vida dos cristãos. A
alegria do Senhor era a força deles a todo o momento,
especialmente nos mais difíceis. O vinho natural não era o
verdadeiro prazer deles, mas sim o vinho espiritual, ou seja, seu
prazer e alegria não eram terrenos, e sim celestial.
A igreja de Éfeso, em fé e obediência, viveu a realidade do batismo
no Espírito Santo. Seus membros falavam a Deus através de
línguas estranhas, profetizavam entre si e ao povo da cidade e se
alegravam em Deus.
É impossível um genuíno avivamento em uma igreja ou em uma
cidade, se os filhos de Deus não viverem em fé e obediência a
realidade do batismo no Espírito Santo.
E não embriagueis com vinho, no qual a dissolução, mas enchei-vos
do Espírito. (Efésios 5.18)
4
O
AMOR A DEUS E AOS HOMENS NO
AVIVAMENTO
E andai em amor, como também Cristo nos amou e se entregou a si
mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em aroma suave.
(Efésios 5.2)
O
amor a Deus e aos homens foi outra realidade na igreja de Éfeso,
de fato, eles praticaram o amor a Deus e aos homens. Aqueles
cristãos eram apaixonados por Jesus Cristo, eles buscavam
diariamente a presença do Senhor com muita intensidade. Eram
fervorosos em seu amor ao Senhor e Salvador de suas vidas. Em
comunhão com o Espírito Santo, buscavam a Jesus de todo o
coração, o que mais queriam era estar diante dele. De modo que, o
amor por Jesus era demonstrado por suas palavras e por suas
ações. A adoração e o serviço a Deus eram feitos com muita
simplicidade e devoção, a motivação era adorar e encontrar a
Jesus. Era realmente uma noiva apaixonada pelo noivo! Não havia
lugar para outro no coração da igreja de Éfeso, porque estavam
enamorados por Jesus. Julgavam que a bênção de Deus era muito
importante e acreditavam tê-la recebido, mas a prioridade era o
Senhor Jesus. Em comunhão e dependência do Espírito Santo,
adoravam e serviam a Jesus apaixonadamente.
Paulo amava muito a Jesus Cristo, e por amor ao seu Senhor, foi
para Éfeso para dar início à obra de Deus. Durante a caminhada,
perdeu algumas coisas, mas não se importou com esse fato, pois,
para ele, tudo se tornou menos importante, por causa do amor que
sentia por Cristo. Os doze discípulos que antes conheciam apenas o
batismo de João, eram também apaixonados por Jesus Cristo. Junto
com Paulo, Priscila e Áquila, contagiaram os novos convertidos e
discípulos da igreja de Éfeso. Na dependência do Espírito Santo,
enchiam a igreja e o céu da cidade de oração a Jesus. Desejavam
com muita paixão a presença do Senhor para que o avivamento
acontecesse. Como a igreja de Éfeso amava a Jesus!
Águas do Espírito Santo
Um dos símbolos do Espírito Santo é o rio que manifesta o amor de
Deus. Esse rio transbordava na igreja de Éfeso, porque seus
membros estavam cheios do amor de Deus e foram amados
primeiro pelo Senhor. O Espírito Santo é o rio de amor, que sempre
leva os cristãos à presença de Jesus. No novo céu e na nova terra,
o rio da vida e de amor flui do tono de Deus e do Cordeiro para a
nova Jerusalém. O rio não para de correr do trono para a cidade,
essa realidade permanecerá por toda eternidade.
Hoje, o Espírito Santo está na igreja e nos cristãos, segundo Jesus,
são rios de águas vivas que fluem dentro daqueles que nele creem.
No novo céu e na nova terra, esse rio que está na igreja e na vida
dos filhos de Deus continuará para sempre na nova Jerusalém. De
modo que, hoje e por toda a eternidade, o Espírito Santo nos leva
para o trono de Deus e do Cordeiro.
A verdade é: quanto mais cheios do Espírito Santo formos, mais
apaixonados seremos por Jesus Cristo e por Deus Pai. Essa
realidade era uma constante no cotidiano da igreja de Éfeso. Por
causa desse amor, os cristãos receberam muita revelação e
tornaram-se espirituais. Eles também tiveram muitas experiências
com o poder do Espírito Santo, então, agiram no sobrenatural sendo
agentes de muitos milagres. No entanto, os líderes e os liderados da
igreja de Éfeso se descuidaram da espiritualidade com as obras.
Colocaram o coração nas verdades reveladas, nas experiências
adquiridas e no trabalho ao Senhor. Sem perceber, a paixão por
Jesus foi se esfriando. Eles estavam tão ativos no Senhor, que nem
perceberam que o fervor do início estava se diluindo, se perdendo.
Tanto é verdade o que escrevo que, depois que isto aconteceu,
Jesus Cristo não os abandonou, foi atrás deles para trazê-los de
volta. Jesus lhes enviou uma carta através do apóstolo João, que
dizia: “Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro
amor9”.
Oh, como a igreja de Éfeso amou a Jesus! Os cristãos de Éfeso
amaram ao próximo, praticando o amor ágape na igreja e na cidade.
Quem de fato ama a Deus, ama também aos homens.
_________________ 9Apocalipse 2.4
No avivamento, os cristãos praticavam o amor de Deus com
seguidores e não seguidores de Jesus Cristo, na comunhão e no
relacionamento diário. Porque Deus é amor e sua presença está na
igreja e na vida dos cristãos, na pessoa do Espírito Santo.
Com a prática do amor de Deus, os laços de fraternidade e de união
se fortaleciam e eram realidades na igreja de Éfeso. Assim, havia
cuidado e uns serviam aos outros, sem limites. As necessidades de
cada um eram supridas no meio deles, por Jesus Cristo.
Paulo, por vontade de Deus, teve que viajar para outra região, e
assim deixar para trás o avivamento que estava acontecendo em
Éfeso. Ele era um homem livre em Cristo, mas ao mesmo tempo um
prisioneiro do amor que sentia por ele. O apóstolo julgava que Jesus
era mais importante do que o avivamento. Paulo estava em Mileto e,
daquela cidade, mandou chamar os presbíteros da igreja de Éfeso,
que foram até lá para encontrá-lo. Então, Paulo os lembrou de sua
entrada na Ásia e do seu proceder em todo o tempo que viveu no
meio deles. Deu orientações práticas aos presbíteros de como
deveriam agir diante da igreja, e lhes disse que não veriam mais o
seu rosto. Na despedida choraram bastante, porque sabiam que
nunca mais se encontrariam. Como os líderes e a igreja de Éfeso
amavam Paulo!
Durante todo o tempo que viveu com os efésios, Paulo, com
perseverança, semeou o amor de Deus em suas vidas. Ele foi um
exemplo do amor a Deus e aos homens para a igreja.
Por causa das ações e mensagens da igreja de Éfeso, as pessoas
conheceram o amor dos cristãos, então, perdoaram aqueles que os
perseguiam por não se curvarem à Diana. Os cristãos jamais
deixaram de orar, de amar e de servir ao semelhante naquela
cidade, e jamais fizeram acepção de pessoas. O amor foi
dispensado a todos, como se fossem irmãos da igreja ou o próprio
Senhor Jesus Cristo.
A igreja de Éfeso socorreu muitos pobres, viúvas, órfãos e
estrangeiros. Desempenhava o papel de acolhedora e provedora
naquela cidade. Esse testemunho de amor impactou a cidade e
atravessou fronteiras para alcançar outras regiões. De modo que, a
prática do amor a Deus e aos homens influenciou várias igrejas de
Jesus Cristo na Ásia Menor e na Europa. Pessoalmente, creio que a
prática do amor na igreja de Éfeso refletiu graciosa e
poderosamente nas igrejas da Macedônia.
Na verdade, é impossível acontecer um avivamento genuíno em
uma cidade se a igreja não praticar o amor a Deus e aos homens.
Com o amor a Deus, ela buscará apaixonadamente a presença de
Jesus. Com o amor aos homens, ela deixará de ser egocêntrica
para ser cristocêntrica. No avivamento, os cristãos praticam a
generosidade dentro de igreja e na cidade em que vivem, eles são
altruístas, cheios do amor de Cristo. Portanto, no avivamento, a
igreja vive apaixonada por Jesus, ama os homens e pratica a bem-
aventurança do dar. Essas práticas foram exemplificadas por Deus
Pai e Jesus Cristo. Eles nos amaram pri- meiro, pois se entregaram
por nós.
De Mileto, Paulo mandou chamar os presbíteros da igreja de Éfeso
para lembrá-los de como foi seu procedimento em todo o tempo que
lhes pastoreou naquela igreja. Ele os orientou a presidir a igreja
após sua partida e os lembrou de que deveriam continuar a praticar
a bemaventurança do dar.
Tenho-vos mostrado em tudo que, trabalhando assim, é mister
socorrer os necessitados e recordar as palavras do próprio Senhor
Jesus: Mais bem-aventurado é dar que receber. (Atos 20.35)
5
A MENSAGEM NO AVIVAMENTO
Assim, a palavra do Senhor crescia e prevalecia poderosamente.
(Atos 19.20)
N
a igreja e na cidade de Éfeso, a palavra de Deus foi poderosa, viva
e operante na vida das pessoas. Diariamente, elas eram
alimentadas, edificadas e transforma- das pela palavra de Deus.
Nas reuniões públicas e nas casas, a palavra era abundante, ungida
e absorvida com fé e gratidão. De modo que, os filhos de Deus
cresciam na graça e no conhecimento de Jesus Cristo e a palavra
de Deus habitava e crescia em suas vidas.
Devemos nos lembrar de que, as verdades mais claras no Novo
Testamento a respeito do Cristo e da igreja, foram reveladas pelo
Espírito Santo a Paulo e escritas para aquela igreja. Quão ricas
eram as mensagens de Deus ministradas na igreja de Éfeso!
A mensagem de Deus também foi viva e operante para os cidadãos
que não faziam parte da igreja, eles foram impactados pela palavra
ministrada e vivida pelos cristãos. Muitos foram libertos, curados,
salvos e edifica- dos em Cristo, pelo poder da palavra de Deus.
Inúmeras pessoas foram salvas pelas ministrações ocorridas
naquele avivamento, não temos ideia de quantos foram.
Diariamente, os cristãos anunciavam o evangelho e diziam que
Jesus Cristo era a boa nova para a humanidade. Eles pregavam que
Jesus Cristo é Deus que se fez homem para redimir a todos. A
mensagem era simples e clara, mas muitos ainda acreditavam que a
boa nova era Diana ou o imperador romano que ajudava o povo.
A mensagem que dizia que Deus estava em Cristo, reconciliando
consigo mesmo o mundo, não imputando mais aos homens as suas
transgressões, foi pregada no poder do Espírito Santo e com o
exemplo de vida dos cristãos. A igreja pregava que Jesus Cristo é o
segundo homem, e que, como homem, cumpriu o propósito eterno
de Deus. Ensinavam que Jesus viveu à imagem e semelhança de
Deus na terra. Na igreja de Éfeso, os cristãos foram ensinados que
Jesus Cristo e sua igreja são o cumprimento do propósito eterno de
Deus, a fim de, por meio deles, muitos filhos serem gerados na terra
à imagem e semelhança de Jesus Cristo, o primogênito entre muitos
irmãos.
Os cristãos de Éfeso ouviam mensagens a respeito da eleição e
escolha de Deus, foram ensinados que foram escolhidos antes da
fundação do mundo para serem santos e irrepreensíveis perante
ele, em amor.
Os cristãos aprenderam com Paulo que o Espírito Santo residia
neles e na igreja, e que Deus, com seu poder, lhes faria
infinitamente mais do que eles pediam e pensa- vam.
Os efésios receberam revelação da posição de Jesus no céu e na
terra, aprenderam que ele havia dado toda sua autoridade e poder à
sua igreja, que é o seu corpo, a plenitude daquele que enche todas
as coisas. De modo que, para aquela igreja, o Espírito Santo,
através do apóstolo Paulo, revelou a posição e a autoridade dela e
dos cristãos nas regiões celestiais. A igreja está acima de toda
autoridade e poder e, através dela, a multiforme sabedoria de Deus
é revelada aos principados e potestades, segundo o eterno
propósito do Senhor, em Cristo Jesus.
Paulo e os outros líderes anunciavam aos cristãos as riquezas
insondáveis deles em Cristo. A mensagem mostrava o que é a igreja
na terra na ótica de Deus. Eles aprenderam que cada cristão é a
imagem e semelhança de Jesus Cristo neste mundo e, que tinham o
privilégio e a responsabilidade de manifestar a glória de Deus na
terra. Foram ensinados que, como igreja, faziam parte do corpo de
Cristo e, por isso não deveria haver inimizade e divisão no meio
deles, porque Jesus Cristo os unira na cruz e, dessa forma, o Cristo
que vivia neles era um. Então, foram ensinados que como corpo
deveriam andar em humildade, longanimidade e precisavam
suportar uns aos outros em amor, ou seja, deveriam se esforçar
diligentemente para manter a unidade do Espírito, no vínculo da
paz.
Em Éfeso, os cristãos aprenderam que precisavam dos cinco
ministérios, por meio deles conheceriam a obra do ministério,
chegariam à unidade da fé, ao pleno conhecimento do Filho de
Deus e à dimensão da plenitude de Cristo. Eles foram ensinados
que eram a família de Deus, então, como filhos de Deus, deveriam
amar ao Pai e amar uns aos outros, para viverem na prática a
realidade da família celestial na terra. Como aprenderam que a
igreja é o edifício de Deus, os cristãos diariamente se submetiam ao
Espírito Santo para serem pedras vivas em sua morada.
A mensagem que dizia que eles eram ministros de Jesus Cristo foi
bastante difundida no meio daqueles cristãos, de modo que se
tornaram verdadeiros servos de Deus. Eles foram frutíferos e
trabalharam arduamente na obra de Deus. De fato, formaram um
reino de sacerdotes, que ministrava diariamente ao Senhor e ao
povo. Foram instruídos que eram a noiva de Jesus Cristo e estavam
sendo lavados pela palavra para encontrar o noivo para o
casamento. Então, mensagens contra o pecado, contra as obras da
carne e contra o amor ao mundo foram bastante enfatizadas na
igreja. Quem ouvia a mensagem e a aceitava era a noiva
apaixonada que desejava ardentemente a volta do noivo para as
bodas.
A igreja de Éfeso ouvia diariamente a mensagem que dizia que eles
faziam parte do exército de Deus na terra, então, aquele povo
aprendeu a guerrear nas regiões celestiais, em Cristo Jesus.
Passaram a ter consciência da importância da igreja neste mundo e
de quem eles eram em Cristo Jesus. Isso se deve ao fato de que a
palavra de Deus era anunciada em sua inteireza e no poder do
Espírito Santo.
A palavra do arrependimento e do crer em Jesus Cristo foi bastante
proclamada, na unção e no poder do Espírito Santo, dentro da igreja
e pela cidade. A mensagem da cruz foi ensinada com bastante
ênfase, de modo que as pessoas compreendessem a necessidade
da morte de Jesus Cristo na cruz e a importância de cada um tomar
sua própria cruz para seguir ao Senhor e ser seu discípulo.
Ensinava-se que o velho homem havia sido julgado, condenado e
morto com Jesus Cristo na cruz, então, os cristãos se despiam
diariamente de suas vidas naturais para se revestirem de Jesus
Cristo em sua vida espiritual.
A mensagem do retorno de Jesus Cristo foi bastante apregoada.
Eles amavam ao Senhor e desejavam apaixonadamente a sua volta
à terra para buscá-los.
A mensagem do reino de Deus foi muito enfatizada, Jesus Cristo e
todos os apóstolos foram muito claros quanto a essa verdade. No
início do livro de Atos é possível ver que, após a ressurreição, Jesus
Cristo permaneceu quarenta dias na terra e pregou enfaticamente
aos seus discípulos a mensagem do reino de Deus. Ao final do
mesmo livro, vemos que Paulo, em uma casa alugada em Roma,
pregava diariamente a mensagem do reino de Deus. Durante três
meses, o apóstolo frequentou a sinagoga, onde falava ousadamente
sobre o reino de Deus10 e os ouvintes entendiam que ele estava
dentro de cada um e que deveriam, espiritualmente, manifestá-lo
naquela cidade.
Pregou-se bastante sobre toda a sorte de bênçãos que o Senhor
derramara sobre seus filhos, assim, os cris- tãos daquela igreja
tomavam posse de suas bênçãos e eram muito abençoados em
Cristo.
_________________ 10Atos 19.8
Portanto, no avivamento de Éfeso, a palavra de Deus foi pregada
em sua inteireza, sem parcialidade ou limitação. Jesus Cristo era o
centro, o foco e a ênfase. Na media em que aprendiam sobre qual
era a vontade de Deus, os cristãos cresciam no conhecimento e na
graça do Senhor Jesus.
No avivamento prega-se a palavra de Deus, fazendo com que os
cristãos cresçam e amadurecem em Cristo. É impossível um
avivamento genuíno em Deus, se não for pregado toda a palavra de
Deus!
Portanto, eu vos protesto, no dia de hoje, que estou limpo do
sangue de todos; porque jamais deixei de vos anunciar todo o
desígnio de Deus. (Atos 20.26-27)
6
O PODER DE DEUS NO AVIVAMENTO
E Deus, pelas mãos de Paulo, fazia milagres extraordinários, a
ponto de levarem aos enfermos lenços e aventais do seu uso
pessoal, diante dos quais as enfermidades fugiam das suas vitimas,
e os espíritos malignos se retiravam. (Atos 19.11-12)
o avivamento em Éfeso, a presença do Espírito Santo foi abundante
e poderosa. Seu poder foi liberado na igreja e na cidade, onde
curas, sinais e milagres aconteciam diariamente. De fato, a
liberação do sobrenatural de Deus é uma das marcas de um
genuíno avivamento. Esse fenômeno já havia acontecido no início
da igreja em outras cidades. Na festa do pentecoste em Jerusalém,
o Espírito Santo desceu sobre os apóstolos e sobre os discípulos de
Jesus e, a partir daquele evento, o avivamento começou naquela
cidade. Muitos sinais, curas e milagres acontecerem. Pessoas foram
libertas e curadas pelo poder do Espírito Santo. Alguns foram
ressuscitados dentre os mortos.
Com a perseguição à igreja em Jerusalém, vários irmãos foram
dispersos para diferentes cidades. Filipe, um diácono evangelista,
foi para Samaria, onde o poder de Deus se manifestou através de
sua vida, promovendo muitas curas, milagres e salvação. Essa
cidade foi palco de um avivamento quando a igreja foi estabelecida
ali. O livro de Atos e livros históricos comprovam que o sobrenatural
de Deus ocorreu em Jerusalém, Samaria e outras cidades no
primeiro século através da igreja. Em Antioquia, onde os seguidores
de Jesus Cristo foram chamados pela primeira vez de cristãos,
houve muita manifestação do sobrenatural de Deus. Nessa cidade,
a mão de Deus estava sobre seus discípulos, e muitos se
converteram ao Senhor. A igreja em Antioquia cresceu muito rápido
por causa da pregação da palavra, do testemunho dos discípulos e
pela ação poderosa do Espírito Santo.
Em épocas de avivamento, há o mover sobrenatural do Espírito
Santo e o que é impossível para nós, humanos, acontece
abundantemente, pois para Deus todas as coisas são possíveis.
Somos incapazes de operar no sobrenatural, mas, para Deus tudo é
natural. Portanto, em tempos de avivamento, Deus, com seu poder,
manifesta o sobrenatural na igreja e na cidade.
Paulo foi muito usado por Deus para operar milagres
extraordinários. Pessoas levavam até ele lenços e aventais dos
enfermos e oprimidos pelas forças malignas, ele colocava as mãos
por cima daquelas vestes, orava e as devolvia. Então, os pertences
eram entregue aos seus donos, que eram curados e libertos.
Milhares de pessoas foram curadas, libertas e salvas dessa
maneira. Não era apenas um método para Deus agir, mas sim a
ação poderosa do Espírito Santo através da fé do apóstolo e da fé
que o povo tinha em Deus.
Da mesma forma que alguns não podiam participar das reuniões,
havia também aqueles que não participavam por serem incrédulos
ou simplesmente porque não queriam Jesus Cristo como Senhor e
Salvador de suas vidas.
De acordo com as Escrituras, pelo fato do poder de Deus estar
sobre a igreja e sobre a cidade de Éfeso, as enfermidades fugiam e
os espíritos malignos saíam. Na Bíblia aprendemos que há
enfermidades provenientes de espíritos malignos, que colocam
doenças sobre as pessoas, e que quando saem, elas são curadas.
Nos evangelhos podemos ver Jesus curando pessoas e os espíritos
saindo de seus corpos.
Na igreja e na cidade de Éfeso, cura, libertação e milagre eram
fenômenos corriqueiros, porque em tempo de avivamento, o poder
do Espírito Santo transborda da igreja para a cidade. Jesus afirmou
que a presença do Es- pírito Santo se compara a rios que correm
dentro daqueles que têm sede e que creem nele conforme diz as
Escrituras, é o que acontece nos ciclos de avivamento.
Os rios de Deus fluíam com poder através de Pau - lo e dos
discípulos, nas casas dos irmãos, espalhadas por toda a cidade.
Paulo era apenas um homem, não poderia estar presente em todos
os lugares ao mesmo tempo. Mas, outros filhos de Deus se faziam
presente, cheios do poder do Espírito Santo, prontos para realizar
curas, sinais e milagres.
A manifestação do sobrenatural tem propósito, Deus não é um
exibicionista. Não precisa mostrar seu poder para ser reconhecido
com Senhor e único Deus. O propósito de Deus era fazer o bem,
porque aquele povo vivia sofrendo com enfermidades, com a
opressão dos demônios e da deusa Diana, com a tirania dos
governantes e por não terem a salvação em Jesus Cristo. Foi por
todas essas razões que Deus resolveu mudar a história da cidade
de Éfeso. Nos períodos de avivamento, a densidade da presença da
glória de Deus se manifesta intensamente na igreja e na cidade.
Houve muitas curas de cegos, mudos, surdos e paralíticos, pelo
poder do nome de Jesus Cristo e pela ação poderosa do Espírito
Santo, por intermédio dos cristãos. Pessoalmente, creio que mortos
foram ressuscitados na ocasião do avivamento. Sabe por quê?
Porque esse fenômeno acontecia na igreja do primeiro século, o
livro de Atos registra essa verdade.
Em ciclo de avivamento, a presença do Espírito Santo se manifesta
com muita unção e poder, então a palavra de Deus é ministrada e
liberada com fé e autoridade para o cumprimento da vontade de
Deus. Podemos crer que na agenda de Deus existe a vontade de
ressuscitar os mortos, por isso, no avivamento, muitos são
ressuscitados para a glória de Deus, assim como Lázaro. No livro de
Atos e em livros históricos há registros de muitos que foram
ressuscitados por Deus. E, o livro de Atos comprova que a presença
do Espírito Santo e da palavra de Deus era abundante na vida dos
apóstolos e da igreja.
Outro fenômeno que ocorre em avivamento é o aparecimento de
anjos. Eles se manifestam para cooperar com Jesus Cristo e sua
igreja, para servir, proteger, dar livramento, enfim, trabalham para
que a vontade de Deus seja realizada através da igreja. De modo
que, em período de avivamento, o céu e a terra estão trabalhando
juntos de maneira sobrenatural para a glória de Deus, para a edifica-
ção da igreja e salvação dos homens.
Ora, àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que
tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que
opera em nós. (Efésios 3.20)
7
ARREPENDIMENTO, FÉ E CONVERSÃO NO
AVIVAMENTO
Muitos dos que creram vieram confessando e denunciando
publicamente as suas próprias obras. (Atos 19.18)
A
lguns fatos do avivamento em Éfeso foram: arrependimento, fé e
conversão de muitos ao Senhor Jesus Cristo. Na verdade, em todos
os ciclos de avivamentos, esses elementos estão presentes e são
gerados pelo poder do Espírito Santo e da palavra de Deus.
O arrependimento bíblico é uma mudança de vida e de direção, o
homem deixa de seguir seu próprio caminho para seguir a Jesus
Cristo, o caminho de Deus para sua vida. O arrependimento que
vem de Deus não é emocional e passageiro, não é remorso, mas
sim uma convicção do Senhor no interior do homem, proporcionada
pelo impacto do poder do Espírito Santo e da palavra de Deus. O
arrependimento é uma mudança do coração e da mente.
Fé é um dom de Deus para o homem crer em Jesus Cristo e na sua
obra, a fim de ser salvo e de desenvol- ver sua salvação neste
mundo. O cristão que tem fé toma posse, dia a dia, da vontade de
Deus e de suas promessas, para viver nesta terra servindo e
agradando ao Senhor. Já escrevi que os discípulos viviam uma vida
de renúncia e com essa maneira de viver, eles influenciaram muitos
po- vos naquela cidade.
No avivamento em Éfeso, a presença e a unção do Espírito Santo
transbordavam na vida dos discípulos que viviam a palavra de Deus
e a proclamava com fé e autoridade. Por causa disso, as pessoas
eram tocadas pelo poder de Deus e de sua palavra para se
arrependerem, crerem e se converterem a Jesus Cristo.
Já mencionei que Éfeso era bastante visitada por turistas de várias
partes do mundo, que viajavam para visitar o templo de Diana. Por
causa do avivamento, muitos seguidores da deusa se
arrependeram, creram e se converterem a Jesus Cristo. Esse fato
fez com os devotos de Diana, junto com os comerciantes locais, se
voltassem contra Paulo e a igreja. A partir daí, desencadeou uma
guerra espiritual nas regiões celestiais de Éfeso, porque antes, era
comum que as pessoas frequentassem o templo para adorar aquela
divindade. Mas, ao ouvirem falar das maravilhas de Jesus Cristo,
essas pessoas passaram a frequentar a igreja em busca de curas e
milagres, pois não conheciam estas coisas. A palavra de Deus era
pregada com muita unção e vida, para falar ao coração dos
visitantes, e assim impactar suas vidas.
Geralmente, em tempo de avivamento, o arrependimento é público.
As pessoas estavam tão compungidas em seus espíritos e
corações, por causa da presença de
Éfeso, a cidade tocada pelo dedo de Deus
Deus e de sua palavra, que nem se preocupavam com a reputação
e com o que os outros pudessem dizer. Então, voltavam para suas
casas libertos e salvos por Jesus Cristo. Elas abandonaram o culto
à deusa Diana e passaram a participar dos cultos da igreja,
tornaram-se membros do corpo de Cristo e foram batizadas em
Jesus Cristo e no Espírito Santo. Suas vidas foram transformadas
para sempre. Os efésios e os estrangeiros que se converteram a
Jesus Cristo deixaram de participar das festas dedicadas a Diana e
nunca mais retornaram ao templo para adorá-la. Os estrangeiros
convertidos até retornavam a Éfeso, mas somente por vontade de
Deus e para glorificar o nome de Jesus em algum trabalho, jamais
por causa da idolatria.
Em Éfeso havia muitos praticantes de mágica que se arrependeram,
creram e se converteram a Jesus Cristo, então, levaram os seus
livros de magia para serem queimados diante de todos. Fizeram o
cálculo do preço daqueles livros, e concluiu-se que eles valiam
cinquenta mil denários. Naquele tempo, um denário equivalia a um
dia de trabalho de um empregado. Para um trabalhador receber
cinquenta mil denários, ele precisaria trabalhar diariamente por mais
de cento e trinta e seis anos. De modo que, o valor dos livros
queimados publicamente naquele dia foi exorbitante.
Aquela cena causou um impacto tremendo em muitas pessoas e
acredito que, após aquele fato, muitos outros religiosos e
materialistas se mostraram publicamente arrependidos, crendo e
recebendo Jesus Cristo como Senhor e Salvador de suas vidas. E,
provavelmente seguiram o exemplo dos ex-mágicos, devem ter
levado livros e objetos de idolatria para serem destruídos.
Por ser uma cidade portuária e a segunda maior do Império
Romano, abrigava comerciantes prósperos, que também se
converteram a Jesus por causa do avivamento. A partir de então,
abandonaram a vida materialista, os pecados relacionados à
ganância, avareza e idolatria. Deixaram também de praticar
negócios escusos e ilícitos.
Roma, a capital do império, estava ligada a Éfeso por uma estrada
real, principal rodovia daquele reino, e também tinha conexão com o
porto de Éfeso, que era muito grande. Diariamente havia embarque
e desembarque de navios com mercadorias. Por causa disso, Éfeso
estava numa rota de contrabandistas e de traficantes, que
comercializavam seus produtos pela cidade. Com isso, os negócios
ilegais cresciam, prejudicando o comércio legal.
Havia na cidade muita gente envolvida com a prostituição e com o
consumo de bebidas e de outras drogas, mesmo entre os religiosos
e adoradores da deusa Diana. No avivamento, muitos deles se
arrependeram, creram e se converteram a Jesus Cristo, então,
foram libertos e salvos dos vícios e dos negócios ilícitos. De modo
que, no avivamento, muitos efésios e povos da cidade abandonaram
religiosidade, materialismo e vícios, para serem ovelhas e discípulos
de Jesus Cristo.
Do mesmo modo, no avivamento, muitos visitantes de Éfeso foram
salvos. Abandonaram deuses feitos por mãos humanas e passaram
a adorar o único Senhor e Deus no céu e na terra. Portanto, em
período de avivamento, é tempo de arrependimento, de fé e de
conversão a Jesus Cristo.
E estais vendo e ouvindo que não só em Éfeso, mas em quase toda
Ásia, este Paulo tem persuadido e desencaminhado muita gente,
afir- mando não serem deuses os que são feitos por mãos humanas.
(Atos 19.26)
8
S
EPARAÇÃO DE OBRAS NO AVIVAMENTO
Mas o espírito maligno lhes respondeu: Conheço a Jesus e sei
quem é Paulo; mas vós, quem sois? (Atos 19.15)
N
o avivamento na igreja de Éfeso, aconteceu outro fato: a separação
da obra de Deus da obra dos homens. De fato, em períodos de
avivamento, há separação do que é divino daquilo que é humano.
Estudos bíblicos e históricos evidenciam essa realidade, claramente.
Em determinado momento, fez-se distinção do que era realizado
pelo poder de Deus, do que era feito pela capacidade do homem.
Os ciclos de avivamentos são momentos em que Deus se manifesta
intensamente sobre sua igreja, com sua glória e poder, para edificá-
la e salvar o povo da cidade.
No início de um avivamento, a obra de Deus e a obra do homem
parecem ser iguais, ainda não é perceptível a diferença entre elas.
Mas, chega um momento que a iluminação da glória de Deus na
face de Cristo, o fogo e o poder de sua presença fazem a diferença
e a separação do que é feito pela igreja, em Cristo, e do que é feito
pela força do homem.
O povo de Israel vivia como escravo no Egito, o tempo de Deus para
libertá-los se cumpriu, então, o Senhor enviou o seu servo para
avivar e libertar seu rebanho. Assim, através de Moisés, Deus
começou a se manifestar através de sinais. No início, alguns
religiosos egípcios, com suas capacidades e ciências ocultas,
fizeram os mesmos sinais. Mas em determinado momento, Deus,
através de Moisés, realizou um sinal que os magos do Egito não
puderam realizar. Então, eles disseram para Faraó: “Isto é o dedo
de Deus11”. Na verdade, avivamento é isso, é a manifestação do
dedo de Deus para realizar sua vontade no meio do povo. Essa
verdade aconteceu no Egito, em muitos outros períodos de
avivamento, e na cidade de Éfeso. De modo que, o dedo de Deus
se manifestou em Éfeso primeiro na igreja para avivar os cristãos e
depois libertar os habitantes daquela cidade.
Em ciclo de avivamento, sempre haverá a separação da obra de
Deus em Cristo através da igreja, do cristianismo religioso e das
religiões. No avivamento em Éfeso fezse uma distinção clara e
indubitável entre igreja, judaísmo e religiosidade. Antes de Paulo
chegar para iniciar a igreja, a religiosidade era abundante e
predominante. Cidadãos de várias partes do mundo viviam em
Éfeso: gregos, romanos, judeus, egípcios, árabes e outros povos do
oriente e do ocidente.
_________________ 11Êxodo 8.19
Os romanos dominavam a cidade, e além de serem politeístas,
adoravam o imperador e a deusa Diana. Toda essa gente era
religiosa, exceto os judeus e os árabes, pois de acordo com a Bíblia,
eles eram monoteístas, mas não reconheciam Jesus Cristo como
Deus, Senhor e Salvador dos homens.
Os judeus eram os descendentes das diásporas judaicas que foram
residir em Éfeso com propósito religioso ou secular. A maioria deles,
especialmente os ortodoxos, se reunia religiosamente aos sábados
nas sinagogas para observar a Lei de Moisés.
Éfeso, uma cidade com forte influência religiosa e secular, precisou
do dedo de Deus para libertar e avivar a população residente ou
visitante. Por vontade de Deus, Paulo foi enviado para viabilizar
essa vontade do Senhor.
No início, certamente o povo pensava que a igreja era uma nova
seita religiosa, uma nova instituição humana adoradora de algum
deus. Na verdade, assim são todos os que não adoram ao Senhor
segundo a sua palavra. As religiões do mundo são frutos da torre de
Babel. Ela foi destruída por Deus, mas sua filosofia e prática
religiosa continuaram na terra e perpetuará até o retorno de Jesus.
A filosofia de Babel é o homem alcançar o céu no seu próprio
esforço. E, sua prática religiosa é fazer a obra sem Cristo. Eles até
hoje não entenderam que o homem não pode alcançar o céu, mas
foi o céu que desceu ao homem. Além do mais, a obra de Deus não
pode ser realizada pelo próprio homem, somente através do Cristo
em sua vida.
Havia comentários acerca dos milagres de Jesus na igreja de Paulo.
Uns se admiravam, outros diziam que não era grande coisa, afinal,
no templo de Diana, nas sinagogas e em outros templos também
havia “transformação” e cura.
O avivamento sobre os cristãos fez com que a igreja começasse a
crescer na cidade, por essa razão, fanáticos religiosos faziam
comparações para denegrir a obra de Deus. Diziam com arrogância
que as outras religiões também cresciam pela cidade e que
nenhuma delas se comparava ao culto à deusa Diana. Por causa
dessa idolatria, Éfeso abrigava muita opressão demoníaca, bebidas,
vícios, sexo e drogas ilícitas. Por causa disso, era constante a
necessidade de expulsar o mal. Alguns judeus exorcistas
expulsavam demônios. No templo de Diana e em outras instituições
religiosas também havia a prática de libertação, no entanto, pouco
tempo depois, aqueles que haviam sido libertos dos demônios,
novamente ficavam possessos.
Na época do avivamento em Éfeso, os judeus exorcistas
encontraram um homem possuído por demônios, e tentaram
exorcizá-lo segundo suas práticas, mas não conseguiram, então
tentaram o método do avivamento. Como sabiam que Paulo e seus
discípulos expulsavam o mal em nome de Jesus, eles disseram ao
demônio para sair em nome “desse” Jesus, de quem Paulo tanto
falava. Contudo, não conseguiram, pois o espírito maligno disse que
conhecia a Jesus e sabia quem era Paulo, mas que não os
conhecia. Então, o possesso saltou sobre eles, subjugando a todos
e prevalecendo sobre eles, de tal modo que, desnudos e feridos
fugiram daquela casa.
Homens religiosos e do segmento secular se envolveram com a
igreja na época do avivamento, no entanto, não eram nascidos
espiritualmente em Cristo, mas por serem carismáticos e por
interesse carnal, assumiram responsabilidades e cargos na igreja.
Também surgiram falsos apóstolos, que não tinham o coração
convertido a Jesus Cristo, por isso, suas motivações e obras eram
humanas e carnais, não seguiram o exemplo de Paulo e dos outros
presbíteros.
Com a saída de Paulo, esses falsos apóstolos tentaram mudar a
direção de Deus na igreja, mas a doutrina apresentada por eles era
contrária a que o apóstolo Paulo havia ensinado. Portanto, não era a
doutrina de Cristo, mas de homens. Os cristãos e discípulos de
Jesus eram espirituais, foram bem doutrinados por Paulo, Priscila,
Áquila, Timóteo e os demais líderes, então, puseram à prova os
falsos apóstolos. Eles foram desmascarados na igreja de Éfeso,
mostraram-se mentirosos e descobriu-se que eles não andavam na
vontade de Deus, em Cristo. No avivamento, Paulo havia ensinado
aos cristãos que eles eram um reino de sacerdotes, que cada um
deveria oferecer a Deus sacrifícios espirituais por meio de Jesus
Cristo e servir aos homens conforme o dom que haviam recebido
dele. Paulo ensinou a igreja de Éfeso que ela era o corpo vivo de
Cristo na terra, que cada membro era importante e tinha função
especifica no corpo, para sua edificação pessoal e de todos, a fim
de que Jesus fosse glorificado em sua igreja.
Durante o avivamento em Éfeso, surgiu a doutrina dos nicolaítas.
Tratava-se de uma obra humana, contrária à obra de Deus. Por isso,
foi odiada por Deus e pela igreja de Éfeso.
Nicolaíta é um nome grego formado por duas palavras: “Nikao”
(dominador) e “Laos” (povos). Esses homens se achavam
superiores ao demais e queriam dominar os fiéis da igreja, com um
ensino contrário ao de Jesus Cristo e ao de Paulo. Eles queriam
instituir um modelo de adoração baseado no judaísmo, em que uma
tribo de Levi servia a Deus e ao povo. Mas a vontade do Senhor
para Israel no princípio não era essa, a vontade de Deus era a
mesma que havia sido dada para a igreja posteriormente, ou seja,
um reino de sacerdotes que serve a Deus e aos povos da terra.
Dessa forma, a doutrina Nicolaíta não prevaleceu na igreja de
Éfeso, seus reformadores tiveram que ir embora.
Posteriormente, essa doutrina cresceu e se solidificou na igreja do
Senhor. De modo que, está presente em vários segmentos da igreja
de Jesus. Mas um reino de sacerdotes, baseado no modelo de
Deus, não exclui a autoridade dos líderes da igreja representados
pelos cinco ministérios fundamentais, mas se submete aos seus
pastores e líderes, para que todo o corpo cresça para sua edificação
em Cristo. Saiba que, no avivamento, o fogo de Deus está presente,
então a obra de Deus é separada da obra do homem, assim, o que
prevalece e permanece é a obra de Cristo.
Porque ninguém pode lançar outro fundamento, além do que foi
posto, o qual é Jesus Cristo. Contudo, se o que alguém edifica
sobre o fundamento é ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno,
palha, manifesta se tornará a obra de cada um; pois o Dia a
demonstrará, porque está sendo revelada pelo fogo; e qual seja a
obra de cada um o próprio fogo o provará. (1 Coríntios 3.11-13)
9
T
EMOR DE DEUS E O NOME DE JESUS
ENGRANDECIDO NO AVIVAMENTO
Chegou este fato ao conhecimento de todos, assim judeus como
gregos habitantes de Éfeso; veio temor sobre todos eles, e o nome
de Jesus era engrandecido. (Atos 19.17)
O
temor de Deus e o engrandecimento do nome de Jesus Cristo foram
outros fatos ocorridos no avivamento da igreja de Éfeso. Na
verdade, essas realidades estão presentes em todos os períodos de
avivamento na igreja, porque dentro dela e pela cidade, os
convertidos reverenciam o nome de Deus e passam a respeitá-lo.
Ao mesmo tempo, o nome de Jesus era engrandecido como Senhor
e Salvador dos homens. Há diferença entre temer a Deus e ter
medo dele. Muitos acreditam que essas palavras são a mesma
coisa e não conseguem separar os seus significados. Temor não é
medo, embora em muitos casos, o temor tenha o sentido de medo.
Em vários textos da Escritura Sagrada encontramos o termo “não
temais.” Nos contextos em que aparece essa expressão, o sentido é
“não tenha medo”. Mas, na Bíblia, “temer” também é usado para o
homem andar e viver diante de Deus. Nesses casos, aprendemos
que temer nem sempre é ter medo, mas sim, um comportamento e
uma postura do homem diante de Deus, seu Criador. De modo que,
na Bíblia e em outros livros, os termos “temer” e “ter medo” não
podem ser interpretados da mesma forma, pois têm sentido e
significado diferentes.
Em Éfeso, o povo não conhecia a Deus, portanto, não o temia para
andar e viver diante dele em humildade. Eles tinham temor e medo
da deusa Diana e de outros deuses que eles adoravam. Mas penso
que, na verdade, havia muito mais medo.
O imperador romano era um deus vivo para eles, e ele se sentia
realmente assim. O povo sentia uma mistura de medo com temor.
Acredito que o medo prevalecia do mesmo modo que acontecia em
relação às divindades. Essa era a realidade dos moradores e dos
visitantes de Éfeso e de outras cidades. Historicamente, diferentes
povos, de diferentes religiões se relacionavam com seus deuses
baseados no medo, porque os viam como implacáveis e cruéis com
os erros humanos. Então, viviam oprimidos pelo medo de
desagradá-los e de receberem punição.
Os judeus que viviam em Éfeso eram diferentes dos demais
moradores, porque tinham temor e medo somente de Deus e, por
mais que o adorassem, o medo se sobrepunha ao temor. Também
nutriam sentimentos de medo e de respeito pelo imperador romano.
Quanto à Diana, creio que não havia qualquer sentimento em
relação a ela nesse sentido.
Os judeus do tempo de Moisés e daquela época se relacionavam
com Deus através de seus líderes, das cerimônias e das
ordenanças da Lei, mas sempre fugiram do relacionamento pessoal
com o Senhor, por causa do medo. “Fala-nos tu, e te ouviremos;
porém não fale Deus conosco, para que não morramos12”.
Aos sábados, frequentavam assiduamente as sinagogas da cidade,
onde estudavam a Escritura Sagrada, aprendiam que Abraão, os
patriarcas, Moisés, Davi e os profetas andaram e viveram no temor
de Deus, mas, eles mesmos não conseguiam andar e viver nessa
prática. A Escritura é clara ao mostrar que a base da relação desses
homens com Deus foi o temor, ao invés do medo. O medo faz o
homem se afastar de Deus, enquanto o temor o faz aproximar-se
dele.
Os judeus da cidade de Éfeso conheciam a letra da Escritura, eram
religiosos, mas não tinham comunhão profunda com Deus. Por isso,
eles tinham medo dele. A solução era o afastamento e o
relacionamento apenas com práticas religiosas. Outro fato é que os
judeus daquela cidade não engrandeciam o nome de Jesus, eles
não o reconheciam como Deus, Senhor e Messias.
_________________ 12Êxodo 20.19
Paulo e os discípulos de Jesus eram diferentes dos habitantes de
Éfeso, eles andavam e viviam no temor do Senhor e engrandeciam
o seu nome, através de palavras e atitudes. Eram homens e
mulheres cheios do Espírito Santo e verdadeiros discípulos de
Jesus naquela cidade, onde estabeleceram uma igreja para Deus.
Para eles, Deus Pai e Filho estavam assentados em seus tronos no
céu, mas, o Deus Espírito estava ligado a seus espíritos13. Eles não
tinham medo de Deus, sentiam um santo temor da presença do
Senhor. Então, andavam e viviam em uma comunhão diária com
Deus, cientes de sua presença no céu e em suas vidas, o que os
fazia andar e viver em santidade. Não era uma santidade própria,
mas sim a de Cristo. Portanto, não era natural, mas sim espiritual.
O temor de Deus fez com que seus servos vivessem pela fé em
Éfeso, assim, manifestavam a vida e o poder do Senhor Jesus.
Paulo e os discípulos reverenciavam a presença de Deus no céu e
em suas vidas, eram verdadeiros adoradores de Deus e do
Cordeiro. Por causa do temor a Deus que vivia no céu e neles,
Paulo e os discípulos eram obedientes à sua vontade, preferiram
fazer as obras do Senhor em Cristo, do que nas suas próprias obras
ou na religiosidade. A proximidade com o Senhor fazia com que o
amassem ainda mais. Eles viviam para exaltá-lo e glorificálo, dessa
forma, temiam a Deus, engrandeciam o nome de Jesus e
influenciavam os novos convertidos. Por isso, essa realidade vivida
pela igreja foi realidade em muitos povos na cidade.
_________________ 13I Coríntios 6.17
A manifestação poderosa do Espírito Santo na igreja e o exemplo
dos cristãos que viviam no temor de Deus, engrandecendo o nome
de Jesus, causou impacto nos efésios e abalou as regiões celestiais
da cidade. De maneira que, a cada dia, mais moradores e visitantes
passavam a temer a Deus e a engrandecer o nome de Jesus. À
medida que isso acontecia, eles eram libertos do medo que tinham
da deusa Diana e dos outros deuses. O Deus Criador de todas as
coisas nos céus e na terra passou a ser temido, e Jesus, o Senhor e
Salvador dos homens, engrandecido. Que mudança maravilhosa de
cenário!
Efésios e não efésios foram libertos não só do sentimento de medo
que tinham dos seus deuses, mas também ficaram livres da
escravidão religiosa e da tirania dos demônios. Então, passaram a
seguir a Cristo e creram na sua obra por suas vidas na cruz. O
imperador romano deixou de ser visto como “a boa nova,” o
“euangelion14” de suas vidas, pois souberam que Jesus Cristo é a
verdadeira e única boa nova para o homem, tanto para sua vida
presente, como para a futura. A deusa Diana, tão temida e
engrandecida em Éfeso, caiu em descrédito, a maioria do povo a
abandonou para se entregar a Jesus Cristo, o verdadeiro Deus e a
vida eterna15. Os convertidos passaram a viver em santidade.
Ora, se invocais como Pai aquele que, sem acepção de pessoas,
julga segundo as obras de cada um, portai-vos com temor durante o
tempo da vossa peregrinação. (1Pedro 1.17)
_________________
14Euangelion é uma palavra grega que significa boa nova; 15I João 5.20
10
GUERRA ESPIRITUAL E OPOSIÇÃO DE HOMENS
NO AVIVAMENTO
Ficarei, porém, em Éfeso até o Pentecoste; porque uma porta
grande e oportuna para o trabalho se me abriu; e há muitos
adversários. (1 Coríntios 16.8-9)
m período de avivamento, a guerra espiritual de anjos contra
demônios nas regiões celestiais é intensa. Ao mesmo tempo, na
terra há oposição dos homens e de sistemas políticos e religiosos
contra a igreja. Esses fenômenos sempre acontecem quando há
avivamento, pois existe um mover genuíno de Deus.
Como já relatado, nos ciclos de avivamento, muitas pessoas são
curadas, libertas, salvas e transformadas pelo poder de Deus. É um
tempo marcante para aqueles que são visitados pelo Senhor, pois a
maioria se torna discípulo de Jesus. Nesse período, há muita
alegria, muita celebração e gratidão no meio das pessoas por causa
da manifestação da graça, do amor e do poder de Deus. De um
modo geral, onde acontece avivamento, muitas pessoas se tornam
simpatizantes da igreja.
Quando ocorre avivamento na igreja, os filhos de Deus são cheios
do Espírito Santo e da palavra de Deus. Então, a igreja toma posse
de sua autoridade em Cristo Jesus e ocupa experimentalmente sua
posição nas regiões celestiais. Legalmente, a igreja já tem essa
posição no céu, mas, no avivamento, ela ocupa seu lugar de direito.
Nesse momento, o diabo e seus demônios se levantam para lutar
contra a igreja, então anjos são enviados para lutar com o povo de
Deus, contra o império do mal.
Os principados e potestades têm poder sobre governos, instituições
humanas e religiosas, eles influenciam e fazem com que líderes
humanos se oponham contra a igreja de Deus. Foi o que aconteceu
com Jesus, o maior avivalista na história humana. Desde o início do
seu ministério na terra de Israel, uma guerra espiritual entre anjos e
demônios acontecia no céu daquela região e, ao mesmo tempo,
Jesus, em intercessão pelo povo e em oração de guerra contra os
demônios, lutava ao lado dos anjos contra os seus inimigos. O diabo
influenciou religiosos e governantes de Israel que faziam intensa
oposição a Jesus naquela terra.
No início de seu ministério, Jesus levou avivamento para a Galileia,
os habitantes daquela região jaziam nas trevas e viviam na sombra
da morte. Com sua chegada, as pessoas viram nele uma grande luz
que resplandeceu sobre as suas vidas. Ele libertou e salvou muitas
almas, foi um tempo de avivamento para aquele povo.
Posteriormente, Jesus foi para outras regiões de Israel e, do mesmo
modo, uma grande luz brilhou sobre os moradores daquele país
para a libertação e salvação deles.
Com sua obra, Jesus avivou a terra de Israel e levou esperança e
um novo tempo para seus moradores. Muitos judeus foram libertos e
salvos, suas vidas foram transformadas pelo poder do Espírito
Santo e da palavra de Deus. Posso afirmar sem nenhuma dúvida,
que Jesus foi o maior de todos os avivalistas nesta terra. E desde o
início de seu ministério, até sua morte na cruz, Jesus Cristo lutou
em oração ao lado dos anjos na guerra espiritual contra o diabo e
seus demônios, nas regiões celestiais de Israel. E, ao mesmo
tempo, enfrentou intensa oposição de homens em cada cidade que
passava. Portanto, no tempo de Jesus, houve guerra espiritual no
céu de Israel e oposição de homens na terra.
No avivamento, a luz da presença de Deus se manifestou na igreja
para edificar os cristãos e para libertar e salvar os homens. Nesse
ínterim, a igreja cooperou com Deus em sua obra, intercedendo
intensamente pelo povo, e fez oração de guerra contra o império
das trevas que estava sobre e dentro da cidade. Uma luta foi
travada entre anjos e demônios no céu e na terra. Demônios foram
derrotados e expulsos da região celestial, e quando desocuparam a
posição que haviam usurpado, a igreja assumiu a região celestial
daquele lugar, a posição que Jesus deu ao seu corpo após
conquistá-la na cruz. A partir desse momento, o avivamento fluiu
sobre a cidade, a igreja foi edificada, o povo liberto e salvo, e o
nome de Jesus foi exaltado.
Os fatos em Éfeso não foram diferentes dos que haviam acontecido
com Jesus em Israel, e com o avivamento em Jerusalém. O Espírito
Santo encheu Paulo e os discípulos com sua presença para
intercederem pela cidade. Éfeso também travou uma guerra
espiritual entre anjos e demônios, houve intensa oposição de
homens à igreja. Antes de a igreja chegar a Éfeso, não havia guerra
espiritual no céu da cidade, porque esse tipo de guerra só acontece
onde a igreja está presente. Por isso, os principados e as
potestades controlavam a região celestial da cidade, mas não eram
donos dela. Porque do Senhor Deus é a terra. Mas, como
usurpadores, eles dominavam os moradores, tinham controle
espiritual. De modo que, exerciam influência sobre o governo, a
política, a religião e a economia da cidade. O homem sem Cristo
anda segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da
potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da
desobediência16.
Porém, antes do início da igreja em Éfeso e do avivamento que ela
proporcionou, o controle do diabo não era absoluto. Se fosse,
aquela cidade teria sido destruída junto com sua população e seriam
varridos do mapa. Havia sobre o céu da cidade e sobre os povos a
proteção de Deus, o Criador dos céus e da terra. De fato, Jesus
Cristo estava presente, sentado acima de todos os poderes na
região celestial de Éfeso e, em seu amor e soberania, protegia
aquela gente, porque do contrário,
_________________
inevitavelmente, teriam sidos destruídos pelo inimigo do Senhor e
dos homens. Segundo a Bíblia, o diabo é assassino e ladrão, ele
veio para matar, roubar e destruir17.
A igreja já começou avivada em Éfeso. Paulo e os primeiros
discípulos eram cheios do Espírito Santo e da palavra de Deus e se
enchiam diariamente da vida do Senhor. Os discípulos de Jesus, em
oração, se ajuntaram aos anjos na guerra espiritual, de modo que,
intercediam pelo crescimento da igreja, pela salvação do povo e
faziam oração de guerra contra o inimigo.
Paulo tinha a revelação de Deus e sabia da autoridade da igreja no
céu e na terra dada por Jesus Cristo, o Senhor de todos. Ele
recebeu a revelação da posição que os filhos de Deus ocupavam
nas regiões celestiais em Cristo Jesus, então, praticou, ensinou e
escreveu a respeito dessas verdades para a igreja18.
O diabo também tinha os seus seguidores naquela cidade, eles se
juntaram aos demônios na guerra espiritual, a fim de que o domínio
deles permanecesse sobre a cidade e sobre o povo. De modo que,
no avivamento de Éfeso, a guerra espiritual foi intensa. De um lado,
os discípulos de Jesus Cristo e os anjos ao lado deles. Do outro
lado, os seguidores do diabo e os demônios.
Em Éfeso havia pessoas que, conscientemente eram servas do
diabo e com suas práticas ocultas, trabalhavam para que o império
das trevas continuasse a dominar o povo.
Na primeira epístola à igreja de Corinto, Paulo escreveu para
aqueles cristãos a respeito da ressurreição de Jesus Cristo, dos
homens que estão em Cristo e dos que vivem fora dele. Nesta parte
de sua carta, ele disse que em Éfeso havia lutado como homem
contra feras. Naquela cidade havia o segundo maior anfiteatro do
Império Ro- mano, o maior estava em Roma, a capital. Naquele
lugar, como no de Roma, gladiadores, cristãos e condenados, eram
colocados dentro da arena e eram obrigados a lutar entre si ou
contra as feras. Não creio que Paulo lutou contra feras na arena de
Éfeso, nem ele e nem outro escritor registraram que isto aconteceu.
Paulo não era um homem forte fisicamente para ser um gladiador.
Creio que as feras que enfrentou foram os poderes demoníacos.
Porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra
os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo
tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões
celestiais19.
_________________
17João 10.10; 18Efésios 1.20,23; 2.6
Em Éfeso, a oposição de homens veio através dos governantes e
dos políticos; dos fabricantes de deuses e seus comerciantes; além
de satanistas e religiosos que havia naquela cidade. Muitos falavam
mal do Caminho diante das multidões. Vendo isto, Paulo apartou-se
deles e separou os discípulos daquela gente perversa e contagiosa.
Demétrio, um ourives de Éfeso, se opôs igreja, porque ele fabricava
nichos de prata para Diana, o que dava muito lucro para si e para os
artífices da cidade. Ele con- vocou os fabricantes e os comerciantes
dos nichos e das imagens da deusa Diana e disse-lhes:
_________________
Senhores, sabeis que deste ofício vem a nossa prosperidade e
estais vendo e ouvindo que não só em Éfeso, mas em quase toda
Ásia, este Paulo tem persuadido e desencaminhado muita gente,
afirmando não serem deuses os que são feitos por mãos humanas.
Não somente há o perigo de nossa profissão cair em descrédito,
como também o próprio templo da grande deusa Diana seja
estimado em nada, vindo a ser mesmo destruída a majestade
daquela que toda Ásia e o mundo adoram. Demétrio incitou aqueles
homens e a multidão na cidade. A multidão gritou por espaço de
duas horas: Grande é a Diana dos efésios20.
A oposição de homens em Éfeso foi intensa, mas a igreja
prevaleceu e o avivamento foi forte e abundante. Durante a guerra
espiritual, Paulo ensinou a igreja a se fortalecer no Senhor e na
força do seu poder, revestindose de toda armadura de Deus, para
poder ficar firme con- tra as ciladas do diabo, resistir no dia mau
para vencer e permanecer inabalável.
Na carta aos efésios, através de Paulo, Deus revelou à igreja a
armadura do cristão para vencer na guerra espiritual. Paulo também
ensinou na igreja que os cristãos deveriam amar os homens que
eram seus inimigos, então orou para que todos os santos em Éfeso
conhecessem e compreendessem o amor de Cristo. A largura, o
comprimento, a altura e a profundidade de conhecer o amor de
Cristo, que excede todo entendimento.
Porque não queremos, irmãos, que ignoreis a natureza da tribulação
que nos sobreveio na Ásia, porquanto foi acima das nossas forças,
a ponto de desesperarmos até da própria vida. (2 Coríntios 1.8)
_________________ 20Atos 19.24,27
11
F
ORMAÇÃO DE DISCÍPULOS NO AVIVAMENTO
Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em
nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. (Mateus 28.19)
A
formação de discípulos foi outra realidade no avivamento da igreja
de Éfeso. Na verdade, a formação de discípulos para Jesus, vem
acontecendo em toda a história da igreja, até mesmo no período
obscuro da idade média. Naquele tempo, a igreja havia apostatado,
porém, o Senhor tinha seus discípulos. De modo que, os seguidores
de Jesus sempre estiveram na igreja. O discípulo é aquele que
segue a Jesus por onde quer que ele vá, ele não tem morada neste
mundo, é um peregrino, assim como foi o seu mestre. Sua raiz não
está neste mundo, mas sim no Senhor seu Deus e na sua cidade
celestial.
O discípulo tem prazer em imitar o seu mestre, suas palavras e suas
obras são a extensão do seu discipulador. O verdadeiro mestre dá
exemplo ao seu discípulo, a fim de que ele esteja preparado para
seguir seus passos. Jesus deu o exemplo aos seus discípulos, ele
não viveu para mostrar a si mesmo, mas sim ao Pai. Jesus disse
para Filipe: “Quem vê a mim, vê o Pai, porque nós somos um”. As
palavras de Jesus não eram suas, e sim do Pai que o havia enviado.
Portanto, tudo o que disse, o Pai havia já havia lhe dito. As obras de
Jesus não eram suas, mas do Pai que o enviara. Ele via o que o Pai
fazia no céu, então, fez na terra.
Os primeiros discípulos de Jesus seguiram o exemplo de seu
mestre. Eles não viveram suas vidas para eles mesmos, mas sim,
para Cristo. De modo que, o Cristo vivia e se manifestava através
dos discípulos. As palavras e as obras dos primeiros discípulos de
Jesus não eram deles mesmos, mas de Cristo que vivia neles.
Foram feituras de Deus, criados em Cristo Jesus para as boas obras
que Deus havia preparado de antemão para que eles andassem
nelas. Portanto, o discípulo vive a vida de Cristo, fala as palavras de
Jesus e faz as obras do seu mestre.
A obra de Deus começa no céu, se começar na terra, não é obra
dele. Na oração do Pai nosso, Jesus disse: “Seja feita a tua vontade
na terra, assim como é feita no céu”. Relembrando, nos ciclos de
avivamento, a formação de discípulos é presente e abundante na
igreja. Em Éfeso, a igreja teve início com verdadeiros discípulos de
Jesus Cristo; Paulo e outros discípulos que haviam ido com ele para
iniciar aquele trabalho e o casal Priscila e Áquila, que alugaram uma
casa para iniciar as reuniões. Nesse ínterim, Paulo encontrou doze
homens que só haviam sidos batizados no batismo de João, que
também eram discípulos do Senhor.
No início do avivamento, Paulo alugou uma escola chamada Tirano,
nela, durante dois anos, ele se reunia diariamente com os discípulos
para buscar ao Senhor e conhecer sua palavra e vontade para suas
vidas. Nesse local, a igreja se reunia para celebrar a Deus durante
as noites. A presença do Espírito Santo se manifestava com poder,
operando muitos sinais, curas e milagres, enquanto a sua palavra
era transmitida com muita unção e vida, então, muitos eram salvos e
edificados pelo poder das mensa- gens. O que acontecia nos cultos
noturnos já era esperado por Paulo e pelos outros, pois pela manhã,
eles buscavam ao Senhor intensamente, então, ouviam e viam o
que Deus havia preparado para o culto da noite. De modo que, o
que acontecia na igreja de Éfeso, já havia acontecido no céu. Assim
viviam os discípulos de Jesus naquela igreja, eles viviam a vida de
Cristo, falavam as palavras de Jesus e faziam as obra de seu
mestre.
Na escola de Tirano havia muitos discípulos sendo discipulados por
Paulo, mas eles entenderam que não eram discípulos dele, e sim de
Jesus Cristo. Paulo lhes dizia: “Sede meus imitadores, como
também eu sou de Cristo”. Ao ouvir essas palavras durante o
avivamento da igreja de Éfeso, muitos se tornaram discípulos de
Jesus.
Jesus enviou sua igreja para fazer discípulos de todas as nações, e
não ovelhas. Porque quem é ovelha não pode fazer um discípulo,
somente um discípulo pode, em Cristo, fazer outro discípulo.
Ovelhas de Jesus todos os filhos de Deus são, tanto líderes, quanto
liderados e ele é o supremo Pastor de nossas almas. Na verdade,
somente o Cordeiro de Deus pode nos apascentar, enxugar as
nossas lágrimas e nos guiar às fontes de águas vivas. Nenhum
pastor consegue suprir as necessidades das ovelhas por si mesmo.
Somente através da vida de Jesus, o bom pastor, é que qualquer
pastor pode cuidar e alimentar os filhos de Deus.
Vejamos novamente o exemplo de Jesus Cristo, o mestre e
discipulador de todos os cristãos. Durante seu ministério, Jesus
discipulou muitos homens e mulheres, eles foram denominados
seus discípulos. Nos evangelhos vemos: doze, setenta, cento e
vinte e muitos outros anônimos que, direta ou indiretamente, foram
discipulados pelo Senhor. Alguns discípulos não eram tão próximos
de Jesus. Por isso, não tiveram o treinamento que os outros tiveram,
mas isso não os impediu de se tornarem seus seguidores. No pouco
tempo que viveram na presença de Jesus, entenderam que
deveriam viver como discípulos.
No Pentecoste, o Espírito Santo desceu para habitar na igreja e nos
filhos de Deus, então, continuaram apren- dendo a viver como
discípulos de Jesus. Os evangelhos mostram pessoas que
procuravam Jesus apenas por interesse. Após receberem a bênção,
se afastavam e seguiam seus próprios caminhos. Os judeus,
representantes da religião judaica, também procuravam Jesus, mas
infelizmente, na maioria das vezes, com atitude errada.
Havia três classes de pessoas que seguiam a Jesus: a multidão, as
que se tornaram ovelhas e, dentre essas, os que vieram a se tornar
discípulos. A multidão seguia a Jesus por causa do pão, da provisão
e das curas e milagres que recebiam dele. Jesus sabia disso,
entretanto, jamais deixou de amá-los e supri-los em suas
necessidades. Mas não era só por causa das bênçãos materiais e
espirituais que as ovelhas iam até ele, elas o amavam e tinham um
grau de compromisso com o Senhor. Jesus ia adiante e as ovelhas
o seguiam, então, o Senhor alimentava e cuidava delas diariamente.
As ovelhas conheciam a voz do seu pastor, elas queriam estar perto
dele.
Os discípulos seguiam Jesus de um modo diferente da multidão e
das ovelhas, eles eram agradecidos pelo pão de cada dia, se
alegravam com as curas e os milagres, mas no relacionamento,
foram além do que as ovelhas tinham ido, pois eram mais intensos,
se entregavam e se consagravam diariamente a Jesus, para que o
Espírito Santo formasse o Cristo neles. A formação do Cristo na vida
foi mais real na vida dos discípulos de Jesus de Jerusalém e de
Éfeso, do que nas suas ovelhas.
A renúncia dos discípulos foi diferente da renúncia das ovelhas. Os
discípulos negavam a si mesmos, tomavam a cruz diariamente para
seguir a Jesus na direção do Senhor, mas, as ovelhas não tinham
esse comportamento. Às vezes elas escolhiam seus caminhos,
enquanto os discípulos não tinham mais caminho, o Senhor era o
caminho deles, em todo o tempo. Ou seja, foram mais dedicados e
zelosos no trabalho de Deus. Os evangelhos, o livro de Atos e a
história da igreja mostram essa verdade, por isso, os discípulos
sempre dão mais frutos do que as ovelhas, porque elas, geralmente
querem agradar a Jesus, são gratas por tantos benefícios que
recebem e acreditam que no próprio esforço podem agradá-lo. Já os
discípulos desistiram de agradar ao Senhor, porque receberam a
revelação que só podem agradar a Deus em Cristo.
Davi havia recebido essa revelação no passado, ele também queria
agradar a Deus, então, disse: “Que darei ao Senhor por tantos
benefícios?”. A resposta foi uma revelação de Deus: “Tomarei o
cálice da salvação!”. Tomar o cálice da salvação é compreender e
aceitar a obra de Deus, e essa obra é Jesus Cristo. Portanto,
somente em Cristo Jesus podemos agradar a Deus, ele é o Filho
amado em quem Deus tem todo prazer. Os discípulos, por
compreenderem essa verdade, caminhavam na dependência do
Espírito Santo para que a obra de Deus, em Cristo, fosse feita neles,
através de suas vidas.
As ovelhas se sentam para ver Jesus realizar os milagres e comem
os pães e os peixes multiplicados pelo Senhor. Os discípulos não se
sentam, eles querem servir, então, fixam seus olhos em Jesus, e
seus ouvidos ficam atentos para ouvir sua voz. Os discípulos veem
o que o seu Mestre fez e escutam o que ele falou, então, em
obediência, caminham para servir as ovelhas e, ao mesmo tempo,
são agentes e canais dos milagres de Jesus.
Em relação às circunstâncias da vida, o comportamento dos
discípulos é diferente do comportamento das ovelhas. Geralmente,
as ovelhas mudam de humor e de comportamento nas
circunstâncias adversas. Confiam ou duvidam, dependendo da
situação que estão passando. Elas se alegram e agradecem a
Jesus quando são supridas e têm ganhos na vida, mas se
aborrecem e reclamam na falta e nas perdas.
A ovelha geralmente é cheia de sua própria vida, então, quando as
coisas não são favoráveis, ela se desespera e adoece. O discípulo
não é assim, ele é cheio da vida de Deus, então, adora a Deus e
confia em Jesus nas circunstâncias contrárias, porque sabe e crê
que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a
Deus e que são chamados segundo o seu propósito. O discípulo diz
a Jesus: “Eu estava morto em meus delitos e pecados, e o Senhor
meu deu vida. Então, eu não tenho mais vida, tu és a minha vida”. O
discípulo pode, muitas vezes, agir e reagir como uma ovelha, da
mesma forma, uma ovelha pode ter o mesmo comportamento de um
discípulo. Porém, esses casos não são a regra, mas sim a exceção.
Sabe por quê? Porque o discípulo é íntimo e amigo de Jesus, por
isso, a sua relação com o Senhor é mais estreita e profunda. Então,
o discípulo vê e escuta o que a ovelha não é capaz de ver e escutar.
A percepção espiritual do discípulo é mais aguçada do que a da
ovelha, então, as realidades espirituais são mais reveladas e mais
compreendidas pelo discípulo do que pela ovelha. Deus disse: “Não
posso ocultar o que vou fazer a Abraão, porque ele é meu amigo.”
Para o profeta Amós, o Senhor disse: “Certamente, o Senhor Deus
não fará coisa alguma, sem primeiro revelar o seu segredo aos seus
servos, os profetas21”. Os profetas eram discípulos da palavra e de
Deus. Jesus chamou seus discípulos de amigos ao invés de servos,
porque tudo que ouvia de seu Pai, falava para eles.
_________________ 21Amós 3.7
Portanto, podemos crer que, no avivamento da igreja de Éfeso,
como em todos os avivamentos, as ovelhas, em sua maioria,
tornam-se discípulas de Jesus. Elas deixam de viver as suas
próprias vidas para viver a vida de Cristo. Elas deixam de falar as
suas próprias palavras para falar as palavras de Jesus. E
abandonam as suas próprias obras para realizar as obras de Deus,
em Cristo.
O discípulo não está acima do seu mestre; todo aquele, porém, que
for bem instruído será como o seu mestre. (Lucas 6.40)
12
LÍDERES E IGREJAS NO AVIVAMENTO
De Mileto, mandou a Éfeso chamar os presbíteros da igreja. (Atos
20.17)
P
or último, escrevo a respeito de líderes e igrejas no avivamento em
Éfeso. Líderes foram treinados, formados e levantados para
servirem na igreja de Éfeso. Líderes foram treinados, formados e
enviados pela igreja de Éfeso para darem início a igrejas em outras
cidades. Essa é uma realidade na história da igreja, em todas as
gerações. Mas, em tempo de avivamento, a proporção de líderes
treinados para essas funções é bem maior do que em qualquer
outra época, porque nesse período, a presença de Deus e da sua
palavra são abundantes na igreja. Em ciclos de avivamento, o
crescimento numérico da igreja é extraordinário, há uma
multiplicação de conversão de vidas que tornam-se membros da
igreja do Senhor.
Na igreja de Éfeso, muitos se converteram a Jesus Cristo, dentre
eles, religiosos e adoradores da deusa Diana e de outros deuses.
Eles foram ensinados a fugir da idolatria e não andarem mais
segundo o curso deste mundo. Pessoas escravizadas pelas bebidas
se converteram a Jesus Cristo, aprenderam que não deveriam se
embriagar com o vinho deste mundo, mas deveriam ser cheias do
Espírito Santo, o vinho do céu. Muitos que viviam na prostituição se
converteram a Jesus Cristo, aprenderam a despir-se do velho
homem que se corrompe e a se revestir do novo Jesus, para viver a
santidade, em Cristo.
Muitos dos que se converteram ao Senhor, tornaram-se suas
ovelhas e, devido a abundância da presença de Deus e de sua
palavra na igreja de Éfeso, tornaram-se discípulos de Jesus. E como
discípulos, foram treinados para serem líderes na igreja local e para
dar início a novas igrejas em outras cidades.
Em Éfeso, os novos líderes ajudaram nos cultos que eram
realizados nos lares, em várias partes da cidade. Outros foram para
regiões da Ásia e da Europa para abrir novas igrejas.
Já relatei que em Éfeso a igreja começou com discípulos de Jesus,
que já eram líderes na obra de Deus. Paulo chegou a Éfeso
acompanhado de dois de seus discípulos, Áquila e Priscila, um
casal judeu, obreiros e companheiros. Eles tinham o mesmo ofício,
eram fabricantes de tendas. Áquila e Priscila alugaram uma casa em
Éfeso e junto com Paulo e outros discípulos deram início à igreja
naquele local. Como eram judeus, Áquila e Priscila foram até a
sinagoga da cidade para pregar aos judeus que Jesus Cristo era o
Senhor e o Cristo deles e dos gentios.
Paulo teve que partir de Éfeso, mas deixou Áquila e Priscila
cuidando da igreja. Na sinagoga, conheceram Apolo, um judeu de
Alexandria, homem eloquente e poderoso nas Escrituras. Apolo era
instruído no caminho do Senhor, fervoroso no espírito. Na sinagoga,
ensinava com precisão a respeito de Jesus, porém conhecia apenas
o batismo de João. Após a reunião na sinagoga, Priscila e Áquila
conversaram com Apolo, então, com mais exatidão, expuseram-lhe
o caminho de Deus. Apolo foi a alguns cultos na igreja, formada na
casa de Priscila e Áquila, depois foi para Acaia ajudar os discípulos
de Jesus e a igreja naquela região.
Paulo retornou para Éfeso, e em sua chegada, doze discípulos que
conheciam apenas o batismo de João foram batizados em Jesus
Cristo e no Espírito Santo. De modo que, os primeiros membros da
igreja em Éfeso eram discípulos de Jesus e obreiros de Deus.
Durante as ministrações na casa de Priscila e Áquila, a presença do
Espírito Santo transbordava como rios de águas vivas na vida de
cada discípulo, então, a igreja começou a crescer na cidade.
Paulo teve que alugar uma escola para ensinar e reunir a igreja, o
seu proprietário se chamava Tirano. Nesse local, Paulo instruía os
discípulos na doutrina dos apóstolos e dos profetas, que é a
doutrina de Cristo. Eles aprendiam a servir com o dom de Cristo,
que estava presente em suas vidas. Eles aprenderam que o Senhor,
ao subir, levou cativo o cativeiro e deu dons aos homens. Paulo
ensinou aos discípulos a importância e a função dos cinco
ministérios e os encorajou a praticá-los. Os discípulos
compreenderam que esses ministérios seriam fundamentais na
igreja, pois, apóstolo, profeta, evangelista, pastor e mestre
pertencem a Cristo e ao Espírito Santo, porque eles são um.
Entenderam espiritualmente que, latentemente e potencialmente, na
proporção do dom de Cristo, todos tinham o dom de apóstolos, de
profetas, de evangelistas, de pastores e de mestres, porque Deus
habitava neles. Muitos nunca tiveram o título e a posição desses
cinco ministérios no corpo de Cristo, entretanto, serviram aos
homens com esses dons do Senhor. De modo que, os discípulos
foram ensinados e treinados para liderarem na obra de Deus. Paulo
era um líder cheio de fé, ele orava e pregava revestido pela fé de
Deus que estava em sua vida. Ele ensinou e treinou os discípulos a
orar e pregar cheios da fé de Deus.
Quão rico de Deus e de sua palavra era o discipulado feito por
Paulo na escola de Tirano! Muitos discípulos de Jesus saíram
daquela escola para serem líderes frutíferos na obra de Deus
naquela cidade e em outras partes daquele mundo!
Na escola de Tirano, durante as noites, a igreja reunia para celebrar
seus cultos com a participação dos cristãos e do povo na cidade.
Eram cultos avivados, o mover de Deus era genuíno e poderoso.
Durante os cultos aconteciam muitas curas, sinais, milagres e
conversões, então, o número de discípulos interessados em estudar
ali foi aumentando.
A vida e o poder de Deus estavam presentes nos cultos da igreja.
Moradores de toda parte da cidade e visitantes iam até lá para ver o
mover de Deus. A igreja de Éfeso continuava a crescer pela cidade,
então, era preciso se reunir em mais casas. De modo que, as
reuniões aconteciam publicamente nas casas22. E pelo fato de a
cidade ser muito grande, havia novos convertidos em toda parte,
então, era necessário mais obreiros para liderar os cultos nos lares.
Novos líderes estavam sendo treinados e formados na escola de
Tirano para essa finalidade, outros seriam enviados para cidades
próximas, para fundar novas igrejas. Não sabemos quantos líderes
eram, mas podemos crer que não eram poucos.
Não sabemos quantas igrejas foram abertas na Ásia e na Europa,
mas uma coisa podemos afirmar: elas che- garam até nós. Segundo
alguns historiadores, Epafras, um discípulo de Paulo que estudou na
escola de Tirano, fez parte da equipe que Deus usou para plantar
igrejas. Ele foi um dos fundadores das igrejas em Colossos, em
Hierápolis e Laodiceia. Muitos líderes formados na escola de Tirano
foram presbíteros em igrejas locais. Eles exerceram função
apostólica, profética, evangelística, pastoral e de ensino nas igrejas
que lideraram.
Muitos líderes treinados e formados na escola de Tirano praticaram
os cinco ministérios fundamentais na abertura das novas igrejas em
suas viagens missionárias. Em Éfeso, a igreja teve vários homens
de Deus em sua liderança; Paulo, Áquila e sua esposa Priscila,
Timóteo, o apóstolo João e outros. A igreja de Éfeso era muito
espiritual, mas, com o passar do tempo, seu amor por Jesus foi
diminuindo, até que abandonaram o primeiro amor. Com isso, o
avivamento foi diminuindo até terminar. O que aconteceu com eles,
infelizmente tem acontecido em todos os avivamentos até os dias de
hoje. Creio que o avivamento que aconteceu na igreja e na cidade
de Éfeso pode acontecer na igreja de Jesus em cada cidade que ela
está estabelecida.
_________________ 22Atos 20.20
Que venha o avivamento sobre a igreja e sobre a terra! Mas, que
venha para permanecer, a fim de que a igreja seja preparada para a
última colheita e para o retorno do Senhor Jesus Cristo.
Amém! Vem Senhor Jesus!
Mas o que ocorre é o que foi dito por intermédio do profeta Joel: E
acontecerá nos últimos dias, diz o Senhor que derramarei do meu
Espírito sobre toda carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão,
vossos jovens terão visões, e sonharão vossos velhos; até sobre os
meus servos e sobre as minhas servas derramarei do meu Espírito
naqueles dias, e profetizarão. (Atos 2.16-18)
Sobre o autor
J
efferson Carmo é casado e pai de três filhos. É pastor e escritor,
com bacharelado em teologia no Brasil e nos Estados Unidos. Tem
contribuído com trabalho de plantação da igreja e com a formação
de líderes nesses países, desde a década de 80.
Mestre na palavra, com ênfase no evangelismo e na salvação do
homem, na vida de Cristo na igreja, no reino espiritual de Deus e na
restauração da igreja.