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Expressões Racistas e Suas Origens

O documento lista várias expressões racistas da língua portuguesa brasileira que associam negativamente o negro ou a cor preta a situações ruins, como trabalho malfeito, ilegalidade e pecado. Muitas dessas expressões têm origem no período da escravidão e refletem como os negros eram vistos e tratados na época.
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Expressões Racistas e Suas Origens

O documento lista várias expressões racistas da língua portuguesa brasileira que associam negativamente o negro ou a cor preta a situações ruins, como trabalho malfeito, ilegalidade e pecado. Muitas dessas expressões têm origem no período da escravidão e refletem como os negros eram vistos e tratados na época.
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• “Meia tigela”: Os negros que trabalhavam à força nas minas de ouro

nem sempre conseguiam alcançar suas “metas”. Quando isso


acontecia, recebiam como punição apenas metade da tigela de
comida e ganhavam o apelido de “meia tigela”, que hoje significa algo
sem valor e medíocre.

• “Mulata”: Na língua espanhola, referia-se ao filhote macho do


cruzamento de cavalo com jumenta ou de jumento com égua. A
enorme carga pejorativa é ainda maior quando se diz “mulata tipo
exportação”, reiterando a visão do corpo da mulher negra como
mercadoria. A palavra remete à ideia de sedução, sensualidade.
• “Cor do pecado”: Utilizada como elogio, se associa ao imaginário da
mulher negra sensualizada. A ideia de pecado também é ainda mais
negativa em uma sociedade pautada na religião, como a brasileira.

• “Não sou tuas negas”: A mulher negra como “qualquer uma” ou “de
todo mundo” indica a forma como a sociedade a percebe: alguém com
quem se pode fazer tudo. Escravas negras eram literalmente
propriedade dos homens brancos e utilizadas para satisfazer desejos
sexuais, em um tempo no qual assédios e estupros eram ainda mais
recorrentes. Portanto, além de profundamente racista, o termo é
carregado de machismo.
• “Denegrir”: Sinônimo de difamar, possui na raiz o significado de
“tornar negro”, como algo maldoso e ofensivo, “manchando” uma
reputação antes “limpa”.

• “A coisa tá preta”: A fala racista se reflete na associação entre


“preto” e uma situação desconfortável, desagradável, difícil, perigosa.

• “Serviço de preto”: Mais uma vez a palavra preto aparece como


algo ruim. Desta vez, representa uma tarefa malfeita, realizada de
forma errada, em uma associação racista ao trabalho que seria
realizado pelo negro.
• “Mercado negro, magia negra, lista negra e ovelha negra”: Entre
outras inúmeras expressões em que a palavra ‘negro’ representa algo
pejorativo, prejudicial, ilegal.

• “Inveja branca”: Mais uma expressão que associa o negro ao


comportamento negativo. Inveja é algo ruim, mas se ela for branca é
suavizada.
• “Amanhã é dia de branco”: Essa expressão tem muitas
explicações. De acordo com estudiosos e por explicações do senso
comum, tal afirmação foi criada em alusão ao uniforme da marinha.
Outra justificativa para a declaração é feita com menção a nota de mil
cruzeiros, que possuía a estampa do Barão do Rio Branco e, portanto,
usava trajes brancos. Resumindo, dizer que o dia posterior é "de
branco" significa que é um dia de trabalho ou de ganhar dinheiro. Mas,
sabe-se que tal dito popular foi ganhando sentidos preconceituosos,
uma maneira de demonstrar a "inferioridade dos negros".
• “Criado-mudo”: O nome do móvel que geralmente é colocado na
cabeceira da cama vem de um dos papéis desempenhados pelos
escravos dentro da casa dos senhores brancos: o de segurar as
coisas para seus “donos”. Como o empregado não poderia fazer
barulho para atrapalhar os moradores, ele era considerado mudo.
Logo essa expressão se refere a esses criados.

• “Doméstica”: Domésticas eram as mulheres negras que


trabalhavam dentro da casa das famílias brancas e eram
consideradas domesticadas. Isso porque os negros eram vistos como
animais e por isso precisavam ser domesticados através da tortura.
• “Nasceu com um pé na cozinha”: Expressão que faz associação
com as origens. “Ter o pé na cozinha” é literalmente ter origens
negras. A mulher negra é sempre associada aos serviços domésticos,
já que as escravas podiam ficar dentro das casas grandes na parte
da cozinha, onde, inclusive, dormiam no chão (sua presença dentro
da casa grande facilitava o assédio e estupro por parte dos senhores).

• “Barriga suja”: Outro termo que faz relação à origem é usado


quando a mulher tem um filho negro. Se ela teve um filho negro, algo
impuro — como uma “barriga suja” — explica esse fato.
• “Cabelo ruim ou cabelo duro”: São falas racistas mais usadas,
principalmente na fase da infância, pelos colegas. No entanto, elas se
perpetuam até a vida adulta. Falar mal das características dos
cabelos Afro também é racismo.

• “Feito nas coxas”: A origem da expressão popular "feito nas coxas"


deu-se na época da escravidão brasileira, onde as telhas eram feitas
de argila, moldadas nas coxas de escravos.
• “Samba do crioulo doido”: Título do samba que satirizava o ensino
de História do Brasil nas escolas do País nos tempos da ditadura,
composto por Sergio Porto (ele assinava com o pseudônimo de
Stanislaw Ponte Preta). No entanto, a expressão debochada, que
significa confusão ou trapalhada, reafirma um estereótipo e a
discriminação aos negros.

• “Crioulo/Negão”: Era a designação do filho de escravizados, é um


termo extremamente pejorativo e discriminador do indivíduo negro ou
afrodescendente.
• “Tem caroço nesse angu”: A expressão possui origem em um
truque realizado pelos escravizados para melhor se alimentarem.
Quando o prato era composto de angu de fubá, o que acontecia com
frequência. A escravizada que lhes servia, por vezes, conseguia
esconder um pedaço de carne ou alguns torresmos embaixo do angu.

• “Nhaca”: Desde o português do Brasil Colônia, vem sendo usada


para referir-se ao mal cheiro, forte odor, no entanto Inhaca é uma Ilha
de Maputo, em Moçambique, onde vivem até hoje os povos Nhacas,
um povo Ban.
• “Disputar a nega”: Possui sua origem não só na escravização, como
também na misoginia e no estupro. Quando os “senhores” jogavam
algum esporte ou jogo, o prêmio era uma escravizada negra.

• “Preto de alma branca”: Tentativa de elogiar uma pessoa preta


fazendo referência à dignidade dela como algo pertencente apenas
às pessoas brancas.

• “Macumbeiro/Galinha de macumba/ Chuta que é


macumba”: Expressão que discrimina as(os) praticantes de religiões
de matriz africana.

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