Índice
Introdução..........................................................................................................................1
Dança Ngalanga.................................................................................................................2
Instrumentos e vestuários..................................................................................................3
Dança Mutxongoyo...........................................................................................................4
Conclusão..........................................................................................................................6
Referências bibliográficas.................................................................................................7
Introdução
No âmbito do presente trabalho, irei abordar sobre as dancas tradicionais ngalanga e
mutxongoyo. A dança ngalanga tradicionalmente esta dança revelava um carácter
acentuadamente social, constituindo um factor de relevo para a manutenção da unidade
tribal e para a afirmação da comum lealdade dos seus membros ao respectivo chefe.
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Dança Ngalanga
Ngalanga é um termo que provém da palavra ngala, que na língua tsonga significa um
animal feroz e vencedor, objetivado na figura do leão. Assim, Ngalanga passou a
designar a dança que celebrava a bravurados guerreiros copi equiparada à ferocidade do
leão. Tratava-se de uma dança praticada por homens com idade aceitável para guerra,
que mostravam valentia, bravura e coragem.
O Ngalanga é uma dança originária da região de Zavala em Inhambane, que data das
guerras constantes que os chopes travaram contra os Ngunis.
O Ngalanga celebrava o regresso dos guerreiros, após uma guerra da qual saíam
vitoriosos. À medida que, no regresso, os guerreiros se aproximavam da sua aldeia, iam
tocando o Umpundo (chifre grande de impala) para anunciar o seu regresso, a sua
vitória.
É uma dança que data da época das guerras constantes que os chopes travaram contra os
Ngonis. Esta dança celebrava o regresso dos guerreiros, após uma batalha, da qual
tenham saído vitoriosos. A medida que etes se aproximavam da aldeia, iam tocanda
Mpundo (grande chifre de impala), para anunciar o seu regresso e a sua vitória.
Tradicionalmente esta dança revelava um caracter acentuadamente social, constituindo
um factor de relevo, para a manutenção da unidade tribal e para afirmação da lealdade
comum dos seus membros ao respectivo chefe. Com a colonização portuguesa em
Moçambique e a consequente modificação da sociedade, a dança de Ngalanga passou a
ter uma função diferente, continuando porem, a ter um significado de guerra e combate.
Nesta dança só participam homens. O compositorde Ngalanga deve ser,
simultaneamente, o músico, tocador de timbila e poeta.
Durante a preparação duma leve composi deste tipo de dança, observa-se 1 rigoroso
tabú acerca do qual, até agora, ninguém foi capaz de dar uma explicação razoável.
As mulheres não devem saber nada, sobre as provas do canto e das danças que os
homens estão a fazer. Estes, para estarem mais seguros de não serem ouvidos ou vistos
pelas mulheres enquanto estiverem a ensaiar, levam a timbila e os tambores e vão, de
noite, para um lugar isolado, possivel para o mato, longe da aldeia. As provas duram
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muito tempo. As vezes chegam a levar seis meses antes que a nova composiçaõ de
Ngalanga seja apresentada aos Madota (ansiãos) e ao público da aldeia.
Durante as provas, qualquer homem pode assistir ou tomar parte no canto ou na dança,
se quiser. Nenhuma mulher ou rapariga se aproxima do lugar dos ensaios, porque todas
sabem que isso é proibido.
Instrumentos e vestuários
O instrumental usado na orquestração musical da dança são três tambores:
O Mutchinga — parece um pilão cuja entrada foi coberta com uma pele.
O Chikluelu — um tambor maior coberto no topo por uma pele — hoje usa-se o
tambor de Diesel.
O Chindroma — tambor pequeno com 30 cm de altura e um palmo de largura.
Utiliza-se também o Mbila e o Shodi.
A vestimenta de dança era naturalmente a que usavam os guerreiros. Hoje tem-se só
conhecimento do chivenhula que eram fibras de casca de árvore que tratadas com óleo
de mafura e «tsumana» (argila vermelha utilizada para pintar o cabelo). Sabe-se também
que usavam penas.de avestruz o «Ngundu» sob forma de chapéu para confundir o
inimigo na guerra.
Com a colonização e a consequente modificação da sociedade, o Ngalanga passa a ter
uma função diferente, continua porém a ser uma dança de guerra, mas não de vitória.
Passa a ser uma dança que simboliza a derrota, a resignação . . .
Porém, nesta época uma nova característica surge — Ironiza-se o colono e o colonizado,
pois apesar da resignação, o Ngalanga continua a ser uma dança guerreira, que reflecte a
opressão colonial. O colonialismo, atendendo à alta qualidade artística do Ngalanga
procurou integrá-lo no que chamava «folclore africano português», esvaziando-lhe o seu
conteúdo social, transformando-o em «dança exótica» para ser assistida em sessões e
jantares de gala da burguesia colonial.
Hoje, o Ngalanga é uma arma cultural que mantendo ainda a mesma forma, modifica-se
a nível de conteúdo e na sua função social. Amplamente difundido por quase toda a
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zona Sul de Moçambique, o Ngalanga continua sendo uma dança de guerra, uma dança
de vitória, uma dança de combate.
Dança Mutxongoyo
Originária da África do Sul, esta dança foi trazida para Moçambique por velhos que
para lá haviam emigrado a partir da região dos «Machengues» (Bilene Macia).
Ela surge em Manica vinda de Gaza através de Mossurize.
O Mutxongoyo era a dança de acolhimento do filho que tinha ido trabalhar nas minas —
era uma forma de a família manifestar a alegria que sentia pelo regresso do filho.
O «regressado», que ficava entre a assistência, mudava várias vezes de roupa, não só
como uma forma de obter prestígio social, mas também com o objec- tivo de mostrar
àqueles que temiam o perigo de trabalhar nas minas que não havia razão para isso.
Dada a força física que exige, o Mutxongoyo é dançado principalmente por homens.
A aprendizagem processava-se numa espécie de arena aberta no meio do mato, durante
o período da tarde (após o almoço), sendo os velhos que a ensinavam.
Antigamente a dança processava-se da seguinte forma: as mulheres e os jovens de
ambos os sexos formavam um círculo para o meio do qual entravam os velhos (cerca de
15) executando a dança, acompanhados pelo coro (constituído pelas mulheres e pelos
jovens, dispostos em círculo) e ainda por um batuque tipo «xigubo». Este batuque era
tocado com uma moca, por um homem.
Da mesma forma que a maioria das cerimónias (casamentos, etc.) o Mutxongoyo
realizava-se em Agosto, que é o período que se segue à colheita da mapira.
A razão de ser do que foi dito, é o facto de ser este o período em que as populações têm
o seu tempo livre do trabalho na machamba, e, ainda, porque o «doro» (bebida
tradicional que devia estar presente em todas as cerimónias) é feita de mapira. Este
princípio era de tal forma rigoroso que, se o filho voltasse das minas depois de
terminado este período, a cerimónia da sua recepção só teria lugar no Agosto seguinte.
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Com o decorrer do tempo, a dança deixou de ser praticada só como saudação aos
regressados, e passou a acompanhar todo o período pós-colheita, ou seja, passou a ser
tradicionalmente praticada em Agosto.
Os dançarinos vestiam-se de peles de animais, com as quais faziam um cinto a que
amarravam outras tiras de pele para abanarem durante a dança. Estas serviam ainda para
ornamentar os pulsos, o antebraço, os tornozelos e a barriga da perna; ornamentos eram
usados juntamente com uma espécie de «coroa» (também feita de pele) na qual
espetavam penas de aves. Esta coroa tem o nome de «Gututu».
Hoje, a maneira de dançar o Mutxongoyo sofreu transformações, embora continue a ser
dançada pelos homens (como anteriormente). As mulheres também executam esta dança
— como já antigamente faziam — mas fora do círculo, e muito superficialmente, pois
que é realmente necessário ter muita força e agilidade.
Esta dança praticava-se durante o dia, mas todos os preparativos se faziam na noite
anterior.
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Conclusão
É uma dança tipicamente da província de Maputo, é mais frequente nos Distritos de
Magude e Marracuene. Ngalanga. É uma dança que data da época das guerras
constantes que os chopes travaram contra os Ngonis. Esta dança celebrava o regresso
dos guerreiros, após uma batalha, da qual tenham saído vitoriosos. A medida que etes se
aproximavam da aldeia, iam tocanda Mpundo (grande chifre de impala), para anunciar o
seu regresso e a sua vitória.
Mutxongoyo surge em Manica vinda de Gaza através de Mossurize, era a dança de
acolhimento do filho que tinha ido trabalhar nas minas, era uma forma de a família
manifestar a alegria que sentia pelo regresso do filho.
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Referências bibliográficas
Porto Editora – ngalanga no Dicionário infopédia da Língua Portuguesa [em linha].
Porto: Porto Editora. Disponível em https://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-
portuguesa/ngalanga
REPUBLICA POPULAR DE MOCAMBIQUE, PROGRAMA, 1º festival nacional de
dança popular. Junho de 1978