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Aulas Práticas de Direito dos Contratos

Este documento apresenta 5 casos práticos sobre Direito dos Contratos que abordam temas como contrato de compra e venda, reserva de propriedade, pagamento do preço e riscos da coisa vendida. Os casos servem para aplicar e discutir conceitos legais como sistema do título, transmissão da propriedade, cláusulas resolutivas e suspensivas.

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Aulas Práticas de Direito dos Contratos

Este documento apresenta 5 casos práticos sobre Direito dos Contratos que abordam temas como contrato de compra e venda, reserva de propriedade, pagamento do preço e riscos da coisa vendida. Os casos servem para aplicar e discutir conceitos legais como sistema do título, transmissão da propriedade, cláusulas resolutivas e suspensivas.

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Aulas Práticas – Direito dos Contratos I

Caso Prático 1
a)
1 – Neste caso, estamos perante um contrato de compra e venda, cujos efeitos
essenciais se encontram no Art. 879º do CC. Em relação à forma, este contrato
podia ter sido celebrado por telefone uma vez que se trata de um bem móvel,
aplicando-se o Art. 219º do CC que refere a liberdade de forma (se fosse bem
imóvel aplicava-se o Art. 875º).

Em relação ao argumento de B de não querer pagar o preço porque ainda não


era o fim do mês, o Art. 885º, nº1 estabelece que o preço deve ser pago no
momento e lugar da entrega da coisa vendida, no entanto o nº2 do mesmo
artigo estabelece que as partes podem estipular que o preço não tenha de ser
pago no momento da entrega e por isso B apenas tem o dever de pagar o preço
no final do mês.
Em relação ao facto de não ter sido fixado um preço, de acordo com as regras
gerais do Art. 280º, nº1, não é necessário no contrato de compra e venda que o
preço se encontre determinado no momento da celebração do contrato,
bastando que seja determinável.

2 – Em relação à questão do certificado, de acordo com o Art. 882º, nº2 a


obrigação de entregar a coisa abrange os documentos relativos à coisa ou
direito, a não ser que as partes estipulassem o contrário, por isso o certificado
devia ter sido entregue.
Em relação aos botões, o Art. 882º, nº1 refere que a coisa deve ser entregue no
estado em que se encontrava ao tempo da venda, por isso se quando as partes
realizaram o contrato os dois botões já estavam em falta, pode ser entregue,
caso contrário, aplica-se o Art. 918º do CC que remete para o regime do não
cumprimento das obrigações. Os botões são parte integrante ou parte
acessória? Art. 210º, nº2 – para o prof MC devemos atender a regras de
interpretação do negócio jurídico, Art. 762º, nº2.
b) De acordo com o Art. 885º, nº1 o preço deve ser pago no lugar da entrega da
coisa vendida. No entanto, aplica-se o nº2 do mesmo artigo uma vez que as
partes estipularam que o preço não tinha de ser pago no momento da entrega
e, por isso, o pagamento deve ser efetuado no domicílio do credor.
Em relação à entrega do smoking, de acordo com o Art. 772º, nº1, este deve
ser entregue no lugar do domicílio do vendedor. Aqui não se aplica o Art. 772º,
porque há a norma especial do Art. 773º.

c) Art. 799º
Programa: Contrato de Compra e Venda e Contrato de Empreitada.
Existe sempre a obrigação de entregar a coisa? Pode existir situações em que não
exista a obrigação de entregar a coisa. Quanto ao pagamento do preço, não há dúvidas
(contrato oneroso).
Bibliografia: volume I (compra e venda) e II (empreitada) do regente. Complementar:
Menezes Leitão – não fala de todos os temas que iremos tratar, pq ele fala dos vários
contratos e não apenas dos 2 que vamos falar.
Entregar Ficha de Aluno com Fotografia
Art. 237º - distingue contratos oneroso de contratos gratuitos.
Em PT vigora o Sistema do Título – a celebração do contrato determina a transmissão
do direito. O prof Pedro de Albuquerque diz que não há exceções a este sistema em
Portugal. Ex: A e B celebram um contrato ode se estabelece que a propriedade se
transmite com a entrega da coisa. Não estamos perante uma exceção ao sistema do
título. O prof Pedro de Albuquerque o que refere são os valores mobiliários – uma vz
celebrado o negócio, o transmissário pode dar instruções ao transmitente sobre o
exercício desses direitos. Nós não estamos perante um direito de propriedade, mas
sim um direito supletivo – o prof considera que estamos perante uma limitação à
legitimidade mas, ainda assim, ele já é o titular. Por isso, não há exceções ao sistema
do título em Portugal. A partir da celebração do contrato, é ou não é titular?
Sistema do Modo –
Sistema do Título e do Modo – carece sempre de um ato posterior.
Caso Prático 2
Art. 876º. O que as partes fazem é estabelecer que esse terceiro deverá determinar o
preço de acordo com certos critérios. O contrato é nulo devido à remissão para o
arbítrio de C? O prof ML diz que como o 3º não tem qualquer critério, o negócio é
nulo. Se não existir nenhum critério, o Art. 400º utiliza o critério da equidade. O prof
Pedro de Albuquerque defende que o 3º tem opções balizadas, não pode determinar o
preço que entender. Remeter para o arbítrio aqui é remeter para a vontade do 3º,
sendo que o critério seria a arbitrariedade, aí estaria balizado por princípios
estruturantes do ordenamento jurídico como o princípio da boa fé (não pode por
exemplo dizer que vende por 1 milhão). Devemos atender ao valor sentimental, de
acordo com a equidade? Como é que definimos um bom preço e um mau preço?
Equidade em Sentido Forte – justiça do caso concreto
Equidade em Sentido Fraco – o direito positivo (Art. 883º)
O Célio não utilizou o critério de equidade, qual é a solução?
Art. 400º, nº2:
Seria o tribunal a determinar, mediante juízos de equidade.
Caso Prático 3
1- Em relação ao apartamento, de acordo com o Art. 875º, o contrato de compra
e venda de bens imóveis tem de ser celebrado por escritura pública ou por
documento particular autenticado para ser considerado válido e não por
simples documento escrito. No entanto, em relação ao automóvel, por se tratar
de um bem móvel, aplica-se a regra geral da liberdade de forma do Art. 219º
CC e por isso quanto a este bem, o contrato podia ser celebrado por simples
documento escrito. Assim, tem de se reduzir e alienar-se apenas o automóvel
(Art. 884º).
Neste caso, estamos perante um documento particular (Art. 363º, nº1 do CC).
2- Não é possível que o Anacleto recupere o imóvel e o veículo porque de acordo
com o Art. 886º do CC uma vez que já foi feita a entrega, o vendedor não pode
resolver o contrato por falta de pagamento do preço a não ser que as partes
tivessem estipulado o contrário ou se o vendedor tivesse reservado para si a
propriedade da coisa nos termos do Art. 409º do CC, até ao pagamento do
preço. Por isso, as suas ações contra o comprador ficam restringidas à ação de
cumprimento para cobrança do preço (prevista no Art. 817º) e respetivos juros
moratórios, (previstos no Art. 806º - que remete para o Art. 801º, nº2).
Dois requisitos neste artigo: transmitir a propriedade e feita a entrega da coisa
– Art 409º: cláusula de reserva de propriedade (único exemplo em que já foi
feito o contrato mas ainda não foi transmitida a propriedade – em PT temos o
sistema do título).
3- De acordo com o professor Pedro de Albuquerque, não se aplica o Art. 878º do
CC uma vez que não se enquadram neste artigo as despesas relativas a atos de
execução do contrato, que ficam a cargo do devedor. Ou seja, as despesas
relativas à guarda, embalagem, transporte e entrega da coisa vendida ficam por
conta do devedor. A não ser que outra coisa seja convencionada. Isto não é
unânime – o prof MC diz que vale neste caso a estipulação das partes e se ela
não houver, quem deve suportar as despesas seria o comprador.
3.1 – Neste caso, aplica-se o Art. 878º uma vez que se trata de despesas relativas
às formalidades dos contratos e registo, que são necessárias para o pagamento do
preço e não para a execução do contrato. Podia haver situações em que ele ficasse
a perder por vender algo.
Questão teórica:
Entregar na próxima aula sem falta a ficha.
O que é que pretende a forma? Dar um prazo de reflexão para ver se as partes
estão mesmo seguras de que querem contratar.
Caso Prático 4
1 – Neste caso, estamos perante um contrato de compra e venda e em relação a
estes contratos no direito português vigora o sistema do título, ou seja, a
transmissão da propriedade da coisa ou da titularidade do direito é imediata,
ocorrendo logo no momento da celebração do contrato. Assim sendo, Ana não
pode recusar o pagamento do preço, uma vez que de acordo com o Art. 796º, nº1
o perecimento da coisa, por causas que não podem ser imputadas ao alienante
(vendedor), corre por conta do adquirente (comprador).
Perde a coisa mas como é ela a suportar o perecimento da coisa/ risco continua
obrigada ao pagamento do preço.
a) Aplica-se também o Art. 796º, nº1, uma vez que neste caso não se aplicam as
exceções do nº2 e nº3 do mesmo artigo, porque não estamos perante um
termo nem uma condição.
Termo – facto futuro de verificação certa.
Condição – facto futuro de verificação incerta.
Resolução do prof: Aplica-se o Art. 796º, nº2 e, por isso, Ana não teria de pagar
o preço. O comprador fica desobrigado ao pagamento do preço.

Caso Prático 5
1 – Neste caso, estamos perante um contrato de compra e venda com reserva de
propriedade previsto no Art. 409º, nº1 do CC, em que as partes convencionam que a
transferência da propriedade vai ocorrer num momento posterior ao da celebração do
contrato.
A estipulação da reserva de propriedade foi feita a favor do alienante, que é o stand de
automóveis, mas está sujeita a um pagamento do preço por terceiro, que neste caso é
a sociedade financeira.
Art. 1146º do CC – neste caso reduzia-se para o máximo, qual era o máximo?
Não estamos perante uma condição suspensiva, porque as condições potestativas não
são condições em sentido próprio. Se está dependente de uma conduta das partes,
não estamos perante uma verdadeira condição. Neste caso, não é uma condição
resolutiva nem uma condição suspensiva.
O vendedor não pode resolver o contrato perante o incumprimento do contrato de
mútuo – prof Gravato de Morais. O vendedor tem interesse em receber o preço.
Quando há parcerias entre stands automóveis, normalmente não é reservada a
propriedade mas podia ser. O prof Pedro de Albuquerque refere que há uma união
interna para que seja possível resolver o contrato, se não não se poderia resolver o
contrato porque o preço já foi pago.
Se os contratos estiverem funcionalmente ligados, o vendedor poderá fazer (…). Há
uma alínea sobre a reserva a favor do próprio financiador. Se não existir uma união
interna de contratos, o prof Gravato Morais tem razão pq se são contratos autónomos
não pode resolver o outro contrato pq não é parte no outro contrato. A união interna
de contratos pretende ultrapassar esses argumentos, tem de existir um
relacionamento funcional entre o vendedor e a entidade financeira, se isto não existir
o professor Gravato de Morais tem razão.

2 – Uma vez que o automóvel é um bem móvel sujeito a registo, de acordo com o Art.
409º, nº2 do CC, para que a cláusula de reserva de propriedade seja oponível a
terceiros é necessário que o bem tenha sido registado. Então, os credores do stand de
automóveis só podem nomear à penhora o automóvel se tiver ocorrido o registo.
a) No caso de o bem ser uma joia, uma vez que se trata de um bem móvel não sujeito
a registo, a doutrina diverge sobre a sua oponibilidade a terceiros. O prof Pedro
Romano Martinez, considera que nestes casos a cláusula de reserva de
propriedade não é oponível a terceiros. (o professor faz um paralelismo com o
penhor - 669º e ss.; fala do Art. 406º, nº2 e afirma que não faz sentido que nos
imóveis seja preciso registo para a cláusula ser oponível a terceiros e nos bens
móveis não é necessário o registo para que isso aconteça; também invoca a
eventualidade de existir uma resolução do contrato).
No entanto, a maioria da doutrina, onde se insere a opinião do prof Pedro de
Albuquerque, considera que nos bens que não estão sujeitos a registo, a cláusula
de reserva de propriedade é sempre oponível a terceiros de boa-fé (credores do
stand), uma vez que defendem que na compra e venda com reserva de
propriedade, o vendedor (stand de automóveis) mantém a propriedade e por isso a
transmissão do bem não afeta nenhum direito adquirido por terceiro. porque
como o comprador não é proprietário, não pode transmitir ou alienar um direito
de que não é titular.
No contrato de compra e venda com reserva de propriedade, o comprador tem
uma perspetiva real de aquisição de direitos.
Concluímos nos bens móveis não sujeitos a registo é oponível a terceiros (Desde
que não haja uma situação de insolvência).
3 – Neste caso não se verificam os requisitos do Art. 886º do CC, uma vez que a
propriedade não foi transmitida devido à cláusula de reserva de propriedade, prevista
no Art. 409º, nº1 do CC, que reserva a propriedade para o stand de automóveis até
que o A proceda ao pagamento do preço. Por isso, o stand pode resolver o contrato
por falta de pagamento do preço. Então, aplica-se o regime geral do Art. 881º.
A doutrina e a jurisprudência conferem efeitos a esta declaração antecipada. Prof
Almeida Costa defende que determina a mora do devedor, essa posição tem sido
afastada pela doutrina maioritária e por isso determina-se uma situação de
incumprimento definitivo.
Ele pode resolver o contrato, mas pode “exigir o pagamento do capital e dos juros de
mora”? – era o que se devia ler no enunciado. Se alguém resolve o pagamento do
contrato, não pode exigir o cumprimento do contrato. Aquele que resolve o contrato
não pode querer simultaneamente que o contrato seja cumprido. Se é resolvido o
contrato, o automóvel era restituído ao stand e o vendedor teria de restituir o preço
pago. Não tendo existido resolução, há sempre a alternativa da ação de cumprimento
por parte do vendedor. Ele pode intentar uma ação de cumprimento e depois perceber
que esse cumprimento não é possível, mas não pode exigir a resolução do contrato e o
cumprimento.
a) Segundo o prof Pedro de Albuquerque, não se aplicam os Artgs. 601º do CC e 735º
do CPC. Assim, o prof defende que a única solução é a renúncia à reserva por parte
do vendedor, que ocorre tacitamente quando o vendedor penhora o bem. Existe
divergência doutrinária sobre a admissibilidade da renúncia, uma vez que
conduziria a prejuízo para o comprador. O prof considera que com a renúncia, a
coisa transfere-se para a titularidade do adquirente, mesmo sem ter existido
pagamento do preço e, assim, o bem passaria a ser suscetível de penhora para
efeitos de obtenção do pagamento em processo de execução mas já não poderia
haver apreensão, reivindicação ou defesa através das ações possessórias ao
alcance do vendedor.
Tem de se resolver o contrato.
Uma vez que o automóvel se trata de um bem móvel sujeito a registo, o professor
Pedro de Albuquerque considerou que não é necessário para prosseguir com a
ação cancelar o registo da reserva de propriedade, por se aplicar o Art. 824º.
No entanto, por ser difícil que as decisões judiciais admitam a execução de um bem
sujeito a registo sem que o titular do direito à reserva de propriedade tenha
procedido ao seu cancelamento, o professor concluiu que o alienante que
pretenda executar o bem proceder ao cancelamento do registo, apenas por razões
de prudência.
Decisão de uniformização da doutrina – é vinculativo? É obrigatório o recurso. O
prof, ainda que não concorde, utiliza uma lógica de prudência e diz que para evitar
este tipo de situações recomenda-se que o vendedor cancele o registo antes de
nomear aquele bem à penhora.

4 - Uma vez que estamos perante uma compra e venda com reserva de propriedade
em que já houve entrega da coisa, em que o vendedor tem a propriedade mas o
comprador tem a posse sobre a coisa, existe divergência doutrinária sobre quem
suporta o risco.
O professor Pedro de Albuquerque defende que no caso de existir reserva de
propriedade, a transferência do domínio ou controlo material sobre a coisa é
suficiente para transmitir o risco, sendo este o sentido que o prof atribui ao Art. 796º,
nº1 do CC, independentemente da natureza que se considere dar à reserva de
propriedade (quer se considere que é uma condição resolutiva ou suspensiva). Assim,
a transferência do risco de perda ou destruição da coisa transfere-se sempre para o
adquirente, que, mesmo nestes casos, continua obrigado a pagar o preço.
O professor Pedro de Albuquerque diz que há aqui uma repartição do risco: o
comprador perde a garantia de cumprimento do preço e o vendedor perde o bem e
continua obrigado a pagar o preço. O prof refere o Art. 796º, nº1 CC.
- O risco corre por conta do vendedor: segundo o Art. 796º, nº3, 2ª parte, quando os
autores consideram que a reserva de propriedade é uma condição suspensiva (estes
autores sustentam que na compra a e venda com reserva de propriedade ainda não se
deu a transferência do direito real).
- O risco corre por conta do comprador: quem defende esta posição é por exemplo o
prof Menezes Leitão e o prof Romano Martinez, utilizando como argumentos o facto
de existir uma transmissão do domínio da coisa nos termos do Art. 796º, nº1 e por isso
ocorre a transferência do risco. Além disso, defendem que o Art. 796º, nº3, 2ª parte
apenas se aplica quando existe entrega da coisa e, por isso, quando há entrega da
coisa o risco corre por conta do comprador.
O prof Pedro Romano Martinez defende alguns argumentos:
1 – a reserva de propriedade tem essencialmente uma função de garantia com efeitos
semelhantes aos da hipoteca, mas em que o comprador tem o gozo da coisa e por isso
é legítimo que seja ele a suportar o risco;
2 – Artg. 796º fala em transferência de domínio e, por isso, a partir da entrega da
coisa, o risco deve correr por conta do comprador.
Há autores que defendem que domínio significa direito de propriedade. O que o
professor defende é que independentemente da posição dogmática que se tenha, isto
enquadra-se no Art. 796º, nº1, o legislador pretende qualificar que seja como for
aquilo que se defende (condição suspensiva ou resolutiva) é que existe sempre
transferência do risco.
Domínio – entrega, propriedade, posse… as posições são muito diversas sobre o que o
legislador quis dizer com isto.

5– Neste caso, existe uma estipulação da reserva de propriedade feita a favor de


terceiro (entidade financiadora). Sobre a admissibilidade desta cláusula do contrato,
existe divergência doutrinária mas
- não admitem a cláusula de reserva de propriedade a favor de terceiros: Gravato de
Morais, prof Menezes Leitão;
- admitem: prof Pedro Romano Martinez e prof Menezes Cordeiro.
o professor Pedro de Albuquerque não admite a sua validade, uma vez que considera
que neste aspeto não vigora o princípio da autonomia privada, mas sim o da tipicidade
dos direitos reais, previsto no Art. 1306º, nº1 do CC, uma vez que a reserva de
propriedade atribui ao comprador uma expectativa jurídica real de aquisição que
limita o direito de propriedade do alienante. Assim, o professor refere que esta
interpretação de reserva de propriedade a favor de terceiro não alienante não cabe no
Art. 409º do CC. Além disso, o prof refere que esta interpretação é também vedada
pelo Art. 694º na proibição do pacto comissório que se deve estender às outras
garantias.
Argumentos do Pedro de Albuquerque:
1 - Quem não é proprietário não pode reservar para si algo que não é seu.
2 – A letra do Art. 409º diz “reservar para si”
3 – princípio da tipicidade dos direitos reais

Sistema do título – diz respeito ao dto de propriedade ou outro que se transmita. Não
trata da posse. O professor utiliza 2 argumentos, o primeiro é o argumento histórico:
1) A transmissão e a posse transmitia-se com a entrega da coisa. O direito de
propriedade transmitia-se com a entrega da coisa.
Não há dúvidas de que a propriedade se transmite, devido ao sistema do título, mas e
a transmissão da posse? O prof Pedro de Albuquerque considera que foi celebrado o
contrato de compra e venda e por alguma razão o devedor ficou com a coisa. Assim,
existe o instituto do constituo possessório (Art. 1264º).
Ação de Reivindicação – é mais exigente do que as ações possessórias.
Para o prof Pedro de Albuquerque a posse transmite-se por mera celebração do
contrato.
Ex: Celebro contrato de compra e venda para entregar o meu código com A. B quer o
código e furta-o  maioria da doutrina diz que não se transmitiu a posse por
constituto possessório.
Para o prof Pedro de Albuquerque, a posse transmite-se ao mesmo tempo que se
transmite a propriedade, ou seja, quando se transmite a propriedade também se
transmite a posse.
Para o vendedor, a reserva de propriedade assume uma função de garantia, permitindo ao
vendedor a defesa da sua posição:

(a) Incumprimento por parte do comprador: o alienante conserva para si a coisa objeto do
contrato de compra e venda.

(b) Insolvência do comprador: os credores não poderão, em principio, fazer-se pagar pelo valor
da coisa vendida com reserva de propriedade;

Índice de Compra e venda com Reserva de Propriedade:


O prof Pedro de Albuquerque e o prod Menzes Leitão defendem A TEORIA DA EFICÁCIA
TRANSLATIVA DIFERIDA AO MOMENTO DO PAGAMENTO DO PREÇO, COM A
CONCESSÃO AO COMPRADOR, NO PERÍODO ENTRE A CELEBRAÇÃO DO CONTRATO E O
PAGAMENTO, DE UMA POSIÇÃO JURÍDICA DIVERSA DA PROPRIEDADE, ou seja:
(1) O vendedor mantém a propriedade: mas esta fica restringida pela posição jurídica
do comprador (não tem a propriedade plena, está limitada em funções de garantia).
(2) O vendedor tem um direito real de garantia: apesar de se tratar de uma figura
próxima da propriedade, substancialmente, o que está em causa é a garantia do preço
ou de cumprimento de uma outra prestação.
(3) O comprador também tem um direito real: o comprador é possuidor (pode recorrer
às ações possessórias);
O Art. 409º não constitui uma exceção ao sistema do título na compra e venda com
reserva de propriedade.
Neste caso, estamos perante um contrato de mútuo.
Índice de Condições:
Condição Resolutiva – põe fim aos efeitos do negócio jurídico
Condição Suspensiva – gera expectativas de direito
Não estamos perante nem uma nem outra porque no caso da compra com reserva de
propriedade estamos perante uma conduta das partes e a condição é um facto futuro
de verificação incerta.
6 –O prof Pedro de Albuquerque defende que quando foi celebrado o contrato de
compra e venda e, por algum motivo, o vendedor permaneceu com a posse da coisa
vendida, aplica-se o instituto do Constituto Possessório previsto no Art. 1264º, nº1 CC
segundo o qual a posse se considera transferida para o adquirente mesmo que não
tenha havido entrega da coisa. Ou seja, para o prof Pedro de Albuquerque a posse
transmite-se por mera celebração do contrato, transmitindo-se ao mesmo tempo que
se transmite a propriedade.
Assim, uma vez que o comprador é possuidor, ele pode recorrer às ações possessórias
a à ação de reivindicação para defender o seu direito.
Assim, uma vez que o professor PA defende a teoria da eficácia translativa (diferida ao
momento do pagamento do preço, com a concessão ao comprador, no período entre a
celebração do contrato e o pagamento, de uma posição jurídica diversa da
propriedade) o vendedor não pode vender um bem sujeito a cláusula de reserva de
propriedade uma vez que a sua propriedade sobre o bem é limitada, sendo que ela
apenas pode ser utilizada como garantia no caso de incumprimento definitivo por
parte do comprador e o vendedor teria de alegar a resolução do contrato para adquirir
a propriedade plena sobre a coisa, o que não aconteceu neste caso prático – aplica-se
o regime da compra e venda de bem alheio – Art. 1311º CC.
O Professor defende a teoria da eficácia translativa diferida ao momento do
pagamento do preço, com a concessão ao comprador, no período entre a celebração
do contrato e o pagamento, de uma posição jurídica diversa da propriedade. Ou seja:
- o vendedor: tem um direito de propriedade limitado à garantia real destinada a
assegurar o pagamento do preço. Não tem propriedade plena.
- o comprador: tem um direito real de aquisição do bem. Por isso, o prof PA considera
que ele pode recorrer às ações possessórias e da ação de reivindicação para defesa do
seu direito.
a) É nulo dos termos do Art. 893º, podia ser válido nestes termos mas as partes
não convencionaram isto. Por isso, era venda de bem alheio.
Art. 895º.

Caso 6
a) Neste caso, estamos perante um contrato de compra e venda de bens futuros
(não era de frutos pendentes) sem caráter aleatório, previsto no Art. 880º, nº1
do CC - que ocorre quando o vendedor aliena bens inexistentes ao tempo da
celebração do contrato de compra e venda, que não estejam em seu poder ou
a que não tem direito – segundo o Art. 211º do CC (definição de coisa futura).
Neste tipo de contratos, o vendedor está obrigado a exercer as diligências
necessárias para o comprador adquirir os bens, sendo que se aplica o Art.
408º, nº2, 2ª parte uma vez que se trata de um fruto natural, sendo que a
transferência se verifica de forma automática no momento da colheita. Em
relação ao comprador, ele tem uma expectativa de vir a adquirir o bem.
Neste caso, existe uma impossibilidade parcial não imputável ao vendedor, o
que tem como consequência o cumprimento parcial do contrato, sendo que
deve haver redução na medida da impossibilidade, aplicando-se o Art. 793º,
nº1 CC (o comprador vai pagar o preço de forma proporcional ao montante de
alfaces que corresponde à colheira daquele mês).
Art. 881º.
O prof diz que este contrato tem natureza aleatória porque sabe-se que a
produção pode aumentar ou diminuir (mas admitia as duas posições).

Natureza aleatória: nos termos Art. 880º, nº2 do CC as partes podem atribuir
natureza aleatória ao contrato de compra e venda de bens futuros, sendo que
neste caso o risco corre por conta do comprador uma vez que ele tem de pagar
o preço mesmo se o bem futuro não se efetivar. Alguma doutrina entende que
para se aplicar este regime, essa cláusula deve estar expressamente pactuada.
No entanto, o prof Pedro de Albuquerque entende que isso deve ser apurado
mediante interpretação da vontade das partes. Na dúvida, o professor entende
que se deve presumir ser uma compra e venda de coisa futura sem caráter
aleatório.
Essa menção à incerteza pode ser expressa ou tácita.
Isto é na mesma um contrato de compra e venda para o prof PA porque se
vende a esperança ou expectativa de aquisição, independentemente de o
bem futuro vir ou não a ter existência.

Para os negócios de compra e venda de bens futuros sem natureza aleatória,


o professor Pedro de Albuquerque defende a Teoria do Negócio Incompleto,
ou seja, considera que este negócio é incompleto mas ocorre a produção de
alguns efeitos do negócio – o comprador fica investido num expectativa e o
vendedor fica obrigado a fazer o necessário para o comprador adquirir os bens.

Relativamente ao negócio de compra e venda de bem futuro com natureza


aleatória: para o professor PA trata-se de um Negócio Completo, em que a
existência da coisa não é necessária e o preço é um efeito definitivo do
contrato.

b) Neste caso, o vendedor não cumpriu as diligências necessárias para o


comprador adquirir o bem. Sobre a consequência deste facto, a doutrina
diverge, mas o prof. Pedro de Albuquerque, defende a teoria do negócio
incompleto para os negócios de compra e venda de bens futuros sem natureza
aleatória. Ou seja, considera que este negócio é incompleto mas ocorre a
produção de alguns efeitos do negócio. Por isso, o prof defende que ao
incumprimento culposo deve corresponder uma indemnização pelo interesse
contratual positivo, repondo o lesado na situação em que ele estaria caso o
negócio tivesse sido cumprido. (devido ao facto de com a compra e venda de
bens futuros, surgir para o vendedor a obrigação de adquirir a coisa).
Assim, o negócio não produz ainda a transferência da propriedade mas já
produz a obrigação de realizar as diligencias necessárias para o comprador
adquirir os bens, e o resultado da violação desse dever é o de indemnizar o
interesse contratual positivo.

Interesse Contratual Negativo: tem de repor o lesado na situação em que estaria se


não tivesse celebrado o contrato ou iniciado as negociações com vista à sua conclusão,
tendo o direito a ser ressarcido do que despendeu na expectativa da consumação do
negócio.
Interesse Contratual Positivo: tem de se repor o lesado na situação em que ele estaria
caso o negócio tivesse sido cumprido, reconduzindo-se aos prejuízos que decorrem do
não cumprimento definitivo do contrato ou do seu cumprimento tardio ou defeituoso.
Normalmente, teria de escolher ou o positivo ou o negativo mas para o regime da
venda de bens alheios podia haver cumulação (podia existir os dois).
Outras Teorias sobre este assunto:
- Raúl Ventura: entende a venda de bens futuros como um negócio incompleto,
antes de se operar a transferência da propriedade, entende dever ficar a
indemnização limitada ao interesse negativo.
- Menezes Leitão: entende que se trata de um contrato validamente celebrado, por
isso a indemnização não poderia ser limitada pelo interesse contratual negativo
(prof PA diz que ele também tem razão se com isso o que ele pretende é afirmar
que não há forma de ilicitude). Defende que não se pode falar em negócio
incompleto porque esta qualificação não abrange a venda de esperanças e de bens
futuros e porque o consenso está integralmente formado. Assim, ele defende que
da venda resulta uma obrigação para o vendedor, a da aquisição da propriedade da
coisa, e por isso trata-se de uma compra e venda obrigacional.
- Menezes Cordeiro vai na mesma direção do prof Menezes Leitão, pois ele
considera que a indemnização deve ser pelo interesse contratual positivo e se o
negócio fosse incompleto apenas seria possível indemnizar pelo interesse
contratual negativo se não realizasse as diligências necessárias à transmissão.
- Professor Pedro de Albuquerque discorda com os professores MC e ML:
Natureza aleatória: a venda de esperanças não pode ser um negócio meramente
obrigacional, porque ele transfere imediatamente a esperança, ou seja, a compra e
venda de bens futuros com caráter aleatório é um negócio com eficácia
transmissiva imediata de uma esperança.
Quanto à venda de coisas futuras sem caráter aleatório: o prof também entende
que não têm caráter obrigacional. O facto de o consenso estar integralmente
formado não obsta à qualificação do negócio como incompleto pois ele não produz
ainda todos os efeitos a que se destina, uma vez que lhe falta um dos seus
elementos essenciais: o objeto do negócio e é por faltar este elemento que, na
opinião do professor, se deve falar em negócio incompleto.
- Este regime não é uma condição, segundo o prof PA e o prof Raúl Ventura,
porque trata-se de uma venda com espera de existência da coisa e não de um
evento futuro e incerto – porque o vendedor está obrigado a diligenciar para que o
comprador adquira os bens vendidos, é uma obrigação inerente ao próprio
contrato.

Índice de Frutos:
Frutos Naturais: produzidos naturalmente (ex: batatas; borrego).
Frutos Civis: construções do direito (ex: renda).
Os frutos distinguem-se dos produtos porque têm periodicidade.
Interesse Contratual Negativo: tem de repor o lesado na situação em que estaria se
não tivesse celebrado o contrato ou iniciado as negociações com vista à sua conclusão,
tendo o direito a ser ressarcido do que despendeu na expectativa da consumação do
negócio.
Interesse Contratual Positivo: tem de se repor o lesado na situação em que ele estaria
caso o negócio tivesse sido cumprido, reconduzindo-se aos prejuízos que decorrem do
não cumprimento definitivo do contrato ou do seu cumprimento tardio ou defeituoso.
Caso 7
a) Um vigésimo = 5% - levar calculadora para a frequência. A lei ao referir que há
uma redução, é só relativamente à diferença, àquilo que excede. Portanto, só
sobre o 500 é que há redução, ele só pode exigir mais 500 metros quadrados.
Relativamente a este 1 vigésimo há uma margem de erro que a lei admite.
Aplicam-se os Artgs. 887º e ss do Código Civil.
Conta para fazer: 5% do número maior. Fazer regra de 3 simples para isso. O
valor desses 5% é uma margem de erro tolerada pela lei, mas tudo o que
exceda esses 5% tem de ser alvo de redução ou aumento proporcional.

b) Segundo o Art. 891º, nº1 o comprador pode resolver o contrato, se tiver pago
ao vendedor uma diferença superior a 1 vigésimo do preço declarado, e este
lhe exija o excesso, tal como aconteceu neste caso prático. Este direito à
resolução do contrato caduca no prazo de 3 meses, a contar da data em que o
vendedor exigir o excesso por escrito (Art. 891º, nº2).
Além disso, se nenhuma das partes tivesse pretendido celebrar o contrato se se
apercebesse da divergência, também é possível resolver o contrato pelo regime
geral do erro previsto nos Artgs. 251º e 247º CC.

Neste caso há um defeito, não há um excesso:


- só é possível que o comprador possa resolver o contrato, o comprador não
pode resolver o contrato.
O objetivo é evitar que o comprador compre algo com um preço muito superior
ao que pode pagar, o que poderia ir contra os seus meios económicos.
- só se existir um aumento do preço
- comprador não pode ter procedido com dolo.

Assim, neste caso não pode resolver o contrato. Este prazo de 3 meses deve ser
articulado com o prazo de 1 ano do Art. 890º CC.

(vimos que havia excesso de 500 m2, por isso tinha de haver redução
relativamente a esses 500).
c) Eu apliquei o regime da compensação entre faltas e excessos previsto no Art.
889º CC. Neste caso, as faltas e os excessos das coisas vendidas compensam-se
e por isso o vendedor não tem de as corrigir. Porque mesmo que os terenos
tivessem os dois 1500 m2, também estaria a pagar no total 3 milhões de euros
por 3 mil m2 de terreno, a única coisa que se altera é a distribuição dos m2
pelos terrenos. Ou seja, ele devia ter pago 1 milhão e 500 por cada um dos
terrenos com 1500 m2, mas as faltas e os excessos compensam-se porque os
500 mil euros que se pagou a mais no primeiro terreno, compensam os 500 mil
que faltava pagar no segundo terreno.
Alguma doutrina questiona se esta compensação também está sujeita aos
limites do Art. 888º, nº2 mas o prof PA não concorda (porque este preceito só
se aplica se, depois de ser feita a compensação do Art. 889º, subsistir uma
diferença de um vigésimo entre a quantidade declarada e efetivamente
vendida).
Por se tratar de coisa imóvel, o direito a receber a diferença caduca dentro de 1
ano após a entrega da coisa (Art. 890º, nº1). (e também Artgs. 224º e ss).

O que o prof disse foi: não se aplica o Art. 889º, mas sim o Art. 887º CC.
O prof diz que também admitia a aplicação do Art. 889º CC.
Mas o que devia entender, segundo o professor, é que não temos um preço
unitário. O prof PA diz que se forem contratos diferentes nunca se aplica o Art.
889º CC.

Qual era a conta? 400mil é aquilo que excede os 5%. A margem é 0,1 milhão,
esse permanece intocável e vai-se reduzir contra os outros 400mil.
A margem de erro para aumentar é 0,05 milhões, ou seja, 50mil.

Temos de apurar os 5%, os 5% é a margem de erro. Temos de ver os 5% de 1


milhão, é 50 mil – essa é a margem de erro, essa é aquela que não vai ser
afetada. Tudo o que for pra subir vai subir. Se não existisse margem de erro,
subia para 1 milhão e meio mas como há margem de erro o preço sobe para
(…).
Prof vai enviar um esquema.
Aplica-se o Art. 888º, nº2.

Se ignorássemos a margem de erro, podia ser alienado um terreno e havia uma


diferença de 0,4999, mas se a diferença fosse 0,5111 reduzia-se tudo. Ou seja,
é injusto num caso não se reduzir e no outro reduzir-se tudo, daí os 5%.

Art. 889º prevê um só preço: mas o prof PA diz que um só preço não significa
um único preço global, podendo o preço ser estabelecido por unidade de
número, peso ou medida (e neste caso para cada mil m2 de terreno,
corresponde 1 milhão de euros, a unidade de medida utilizada é igual para os
dois).
Centeio e trigo são homogéneos – o prof Pedro de Albuquerque diz que terigo
e centeio são homogéneos, desde que seja do mesmo comprador (Art. 889º
CC).
Caso 8
a) Aplica-se o regime da 2ª modalidade da venda a contento e por isso aplica-se o
Art. 924º. Nesta modalidade, a venda torna-se imediatamente eficaz. O
comprador adquire o objeto e tem a obrigação de pagar o preço. Mas tem o
direito de resolver o negócio, se o objeto não lhe agradar, caso em que os
efeitos se dão por não produzidos. A resolução não é impedida pela entrega da
coisa (Art. 924º, nº2). E o vendedor pode fixar um preço razoável para o
contrato ser resolvido (Art. 924º, nº3). E neste tipo de contratos, o risco
transfere-se para o comprador.
Assim, o Art. 924º, nº1 remete para o regime dos artigos 432º e ss que se
referem à resolução do contrato. Por isso, uma vez que o prazo fixado pelo
vendedor já se extinguiu, aplica-se o Art. 436º, nº2, ou seja, o direito do A de
resolver o contrato caducou.

Porque é que é esta modalidade e não a outra: porque o A já comprou o


relógio, o contrato já foi realizado, ele disse que comprava mas que devolvia se
não agradasse ao filho. E, pelo que eu percebi, para ser a outra modalidade ele
tinha de dizer “só vou comprar se me agradar”.

Prazo é razoável: Acho que não mas o A aceitou esse prazo.

Porf: Abuso de direito: se ele usar este instituto para levar o fato a uma festa e
depois devolver e receber o preço.

Isto é uma proposta negocial? Não, segundo o prof PA. Para este prof estamos
perante um contrato preliminar.

O que temos é um contrato de compra e venda com uma opção de resolução e


não uma condição resolutiva. Não se podem qualificar como condições
condutas das partes, tem de ser condutas externas
às partes.

Art. 926º CC.

Neste caso, aplica-se o Art. 923º, nº2 porque em caso de dúvida aplica-se a 1ª
modalidade, de acordo com o Art. 926ºCC.

b) Neste caso, eu apliquei o regime da venda sujeita a prova previsto no Art. 925º,
porque o contrato está dependente de uma avaliação objetiva do comprador
relativamente às qualidades da coisa. Existe uma averiguação da aptidão do
objeto para os fins a que se destina (Art. 925º, nº1).
Neste regime:
Vendedor – obrigação de entregar a coisa ao comprador para ser avaliada (Art.
925º, nº4);
Comprador – tem de transmitir o resultado da prova ao vendedor antes de
expirar o prazo. Neste caso, se não fizer isso uma vez que se trata de uma
condição resolutiva, a condição tem-se por não verificada (Art. 925º, nº3). (ou
seja = pressupõe-se que a bracelete tinha o tamanho indicado para o pulso do
pai).

Não estabeleceu prazo razoável, por isso ainda estaria em prazo (Art. 925º,
nº2).
A prova define ou não se há conformidade daquele objeto com o fim
estabelecido pelas partes.

Condição Resolutiva – se se verifica um certo facto, o negócio extingue-se


(neste caso ele já comprou o relógio e diz que se não servir ele devolve, não diz
que se servir ele compra)
Condição Suspensiva – só quando se verifica um certo facto é que o negócio
produz efeitos.

Para este regime, o prof PA defende que se trata de um negócio incompleto de


formação sucessiva. Os efeitos só se produzem na totalidade quando se
verifique a condicionante a que as partes subordinaram o negócio.

Caso que estamos a resolver: “Andreia adquiriu a Bernardo uma máquina de


lavar louça, tendo sido convencionada a reserva de propriedade e acordo que
o preço devido, no valor de 1000 euros, seria pago em vinte mensalidades, de
50 euros.”

c) DL 133/ 2009 de 2 de junho – rege os contratos de crédito ao consumo. Porque


não aplicar o regime da compra e venda de bem de consumo.
Art. 20º deste DL de 133/ 2009.
Artgs. 934º e ss CSC.
O preâmbulo deste DL diz que se visa consagrar novas regras relativas à venda
a prestações, seguindo os Artgs. 934º e ss.
O Art. 2º são casos de exclusão da aplicação deste regime. Este diploma aplica-
se só a créditos onerosos e não a créditos gratuitos.

2 – O incumprimento de 2 prestações simultaneamente é um incumprimento grave e


implica a resolução do caso. Mas o que temos aqui é que o comprador falhou à
prestação de janeiro e depois falhou novamente na prestação de fevereiro.
Não excedendo um oitavo do preço não pode ser resolvido o contrato.
3 – Estamos perante a falta sucessiva em prestações por isso é incumprimento grave
então podemos transformar a mora em incumprimento definitivo. O Art. 934º o que
estabelece são limites.
4 – Art. 934º era o que se aplicaria mas o B e a A afastaram o regime do 934º, podem?
O Bernardo tem razão? Não.
“Sem embargo de convenção em contrário” isto gera dúvidas. Não obstando
convenção em contrario vigora est regime ou….
O regime do 934º é para a tutela do comprador. Não ficaria o comprador tutelado se
esta norma fosse dispositiva. A doutrina maioritária tem defendido que estamos
perante uma norma imperativa mas não é uma imperatividade absoluta. Ex: salário
mínimo é uma norma imperativa? Sim, se não não havia utilidade de haver salário
mínimo, não pode descer mas pode subir. Pode estabelecer-se um salário superior.
Pode-se afastar o regime do 934º a favor do comprador, mas em favor do vendedor
não se pode.
Nesta hipótese seria a favor do comprador então esta ideia do Bernardo não seria
coerente.
Tem que de distinguir imperatividade absoluta: não se pode afastar a norma.
Imperatividade mínima: não se pode descer, mas pode-se subir (como no caso do
salário mínimo).
5 – a) Art. 924º é o que se aplicava e era possível a resolução d contrato. A prestação
em falta excede uma oitava do preço. Faltando uma prestação, é ainda necessário o
prazo e passado esse prazo aí sim pode resolver o contrato.
b) Não era possível resolver o contrato. Não é necessário entrega da coisa.
Segundo a lei é indiferente que exista reserva de propriedade mas a questão
que se coloca é se é necessária a entrega. Isto de não ser necessária a entrega
para se aplicar o Art. 934º é um entendimento doutrinário.
Qual é o argumento que o prof PA utiliza para dizer que não é necessária
entrega para aplicação da 2ª parte do Art. 934º? O 934º interpretado
literalmente pareci que estaria a criar uma situação privilegiada para o
comprado que já tem a coisa e um incumprimento por parte de um comprador
que já tem a coisa é mais grave do que por parte de um comprador que não a
tem. Assim, o prof PA diz que na primeira parte do Art. 934º é necessária a
entrega da coisa mas quanto à 2ª parte deste artigo é indiferente que tenha
existido ou não entrega. Deve-se ler esta 2ª parte como “haja ou não reserva
de propriedade e haja ou não entrega da coisa”.

c) O problema nesta hipótese é o da reserva. Aplica-se a primeira parte do Art.


934º? Não porque não há entrega. Mas e se houvesse entrega?
Qual é a interpretação que tem sido feita do Art. 934º, 1ª parte? O que o prof
PA defende é que por razões teleológicas o Art. 934º, 1ª pate tem estes limites
independentemente da venda ter ou não reserva. Mas porque é que não faz
sentido conceder uma proteção superior na festa a prestações com reserva,
face ao comprador na venda a prestações sem reserva. Porque se é sem
reserva vigora o Art. 886º. O Art. 886º é uma norma supletiva, as partes podem
afastá-la. Se as partes afastaram o Art. 936º, se o comprador falha a apenas
uma prestação, ele pode resolver.
Na reserva o vendedor preserva a propriedade com funções de garantia, tem
uma posição muito mais privilegiada do que se não tivesse reserva. O vendedor
na reserva tem mais direitos mas menos tutela segundo o Art. 934º.
Então o prof PA diz que o Art. 934º, 1ª parte deve ser aplicado mesmo que não
exista reserva.
O argumento é – quem tem mais direitos não pode ter uma tutela inferior a
quem tem menos. O vendedor, que já não seja proprietário porque já se
transmitiu a propriedade, só pode resolver nas condições do Art. 934º.
Prof diz que o Art. 934º não é fácil.

6 - Art. 935º - cláusula penal. O objetivo da cláusula penal é face a uma


situação de incumprimento, uma situação de mora ou o que seja as partes
pretendem estabelecer logo um valor à cabeça porque caso contrário ele teria
de provar os danos (teria de ter testemunhas, perícias, etc) então a clausula
penal é muito útil porque se está ali aquele valor então é aquele valor que vale.
Não é isso que nos permite resolver este caso.
A posição do PA diz o limite – Art. 935, nº1 aplica-se sempre que ele resolva o
contrato. Se não resolver, depende.
O que diz a cláusula penal é que em caso de incumprimento de A, B tem direito
a 2000 do preço devido. Reduzido ficava para quanto? Se aplicássemos o Art.
935º a redução era para 500. Isso era justo? Não. E teria direito ao preço? Não.
Então parece que vale a pena incumprir porque pagava só metade e ficava com
a coisa, porque era em alternativa. Por isso, isto seria privilegiar os
incumpridores.
Existem vários tipos de cláusulas penais.
Cláusulas Penais Moratórias –
Cláusulas Penais Indemnizatórias –
Cláusulas Penais Compulsórias –
Cláusulas Penais stricto sensu – se incumprires, em alternativa é devido isto.
Que é o que aqui temos. Para estas cláusulas não se aplica o limite, mas
aplicam-se em toda as outras cláusulas penais. Não se aplica porque isso
estaria a beneficiar o incumpridor.
Então, Art. 812º se se tivesse estabelecido 1 milhão de euros por causa de um
frigorífico de 1000€.
Nas cláusulas penais stricto sensu não se aplica o limite do 935º, mas aplica-se
quanto muito os limites gerais do Art. 812º, nº1.

Próxima aula: caso da venda de bem alheio.


Caso 10
a) Neste caso, estamos perante um caso de compra e venda de bens alheios,
uma vez que a coisa foi vendida como própria, sendo que a outra parte não
sabe que a coisa pertence a terceiro.
Em relação ao facto de Maria ter referido que estava autorizada a tratar do
assunto, uma vez que o Art. 892º refere que é nula a venda de bens alheios
sempre que o vendedor careça de legitimidade para a realizar, a doutrina
questiona se no caso de o vendedor possuir legitimidade para realizar a
venda, então deixa de ser uma venda de bens alheios. Sobre este assunto, o
prof PA entende que neste caso continua a ser uma venda de bens alheios,
se forem vendidos como bens próprios. Por isso, considera que o que está
previsto no Art. 892º CC apenas se refere às situações em que o sujeito
venda os bens como alheios, o que não aconteceu neste caso prático.
Assim, sendo, este negócio é nulo e por isso o comprador deve restituir ao
vendedor a coisa vendida.
Segundo a sistematização do prof Raúl Ventura (ver todas as modalidades),
uma vez que neste caso o vendedor está de má fé e o comprador está de
boa fé (porque só o comprador sabia que o bem era alheio) só o comprador
pode suscitar a nulidade.
Compra e Venda de Bens Alheios – situação de alienação por alguém,
como própria, de coisa cuja titularidade pertence a terceiro, não tendo o
vendedor legitimidade para realizar a venda. Tem de existir sempre a
ignorância de uma das partes a respeito da titularidade do sujeito em cuja
esfera se deveria repercutir o ato de alienação. Se não for este o caso, é
uma compra e venda de bens futuros.
O que disse o prof: o argumento do prof PA é que ambas as situações não
há razões justificativas para diminuir a tutela do comprador no caso do
vendedor afirmar ter poderes que não tem. Neste caso aplica-se o Art.
268º, da representação sem poderes.
Art 900º é uma indemnização de resultado.
Aplica-se o Art. 898º.

Boa fé objetiva: trata de regras, os deveres de informação, de proteção, de


esclarecimento. Não tratamos aqui da boa fé objetiva mas sim da boa fé
subjetiva.
Boa fé Subjetiva:
- Boa fé psicológica: um estado do sujeito, ou ele sabe ou não sabe que está
a usar a posição de alguém.
- Boa fé em sentido ético: vamos além da psicológica, o sujeito ou sabe ou
não sabe ou deveria saber de acordo com os juízos de normalidade. Ele
pode não conhecer e ainda assim estar de má fé quando devia conhecer e
não conheceu.
Aplicava-se aqui o Art. 898º - dolo neste artigo significa má fé em sentido
ético. O prof Menezes Leitão tem uma opinião diferente: o vendedor cuja
culpa seja de negligência inconsciente responderia nos termos do 899º.
Para o prof PA, todas as situações onde pode haver imputação da culpa são
enquadráveis no Art. 898º.
Art. 253º e Art. 483º - o 253º também abrange a negligência consciente.

b) Em relação ao facto de Nuno exigir o quadro de volta a Pedro, o quadro


deve ser entregue ao vendedor, quer este esteja ou não de má fé, por isso a
restituição deveria ser feita a Maria. A restituição é feita a quem procedeu à
entrega e não ao verdadeiro proprietário (a não ser que tenha sido
intentada ação possessória ou de reivindicação por este). De acordo com o
artigo 289º, nº1, deve ser restituído tudo o que foi prestado.
Havendo nulidade:
- vendedor restitui o preço;
- comprador restitui a coisa vendida a quem fez a entrega e não ao real
proprietário.
Em relação à declaração de nulidade pelo tribunal, a doutrina diverge sobre
se o proprietário do bem deve utilizar uma ação de declaração da nulidade
do negócio ou uma ação declarativa de ineficácia.
Para o prof Raúl Ventura: deve dar-se prioridade à nulidade na ação
declarativa.
O prof diz que o proprietário tem legitimidade para interpor uma ação
declarativa do seu próprio direito, onde teria de se debater a nulidade do
contrato celebrado entre outras pessoas.
Mas o prof Pedro de Albuquerque: discorda porque considera que uma vez
que no comércio a ineficácia da venda de bens alheios relativamente ao
proprietário não resulta da nulidade. Além disso, considera que o
proprietário é titular de um direito absoluto e por isso uma ação declarativa
vai fundamentar-se em provar a titularidade do proprietário e não em
provar que o negócio é nulo. Então, na perspetiva do prof regente se a
pretensão de Nuno for a tribunal não tem de ser declarada nula mas sim
ineficaz.
Declara-se a sua ineficácia relativamente ao proprietário e não a sua
nulidade.
Quem pode arguir a nulidade?
- comprador?
- terceiro
- tribunal
- proprietário.

O tribunal não pode conhecer oficiosamente da nulidade – aqui o


comprador está a querer que um contrato nulo seja cumprido. Ou seja, o
tribunal sabe que o negócio é nulo mas não pode fazer nada. Porf PA fala
disto em nota de rodapé e cita a posição do prof Diogo Bártolo que
diferencia a nulidade do próprio contrato e a nulidade do cumprimento e
aqui estaríamos perante uma nulidade do cumprimento.
Aqui o que a lei visa é tutelar a situação em que o bem já tinha sido
entregue. Então, o tribunal pode conhecer da nulidade do próprio
cumprimento.

c) Se os bens forem apenas parcialmente alheios, deve ser aplicado o Art.


902º CC que remete para o Art. 292º CC. Neste caso, estamos perante uma
compra e venda de bem alheio de coisa indivisa, que ocorre quando um dos
contitulares vende uma parte ou a titularidade de uma coisa sem o
consentimento dos restantes. Este regime está previsto nos Artgs. 1408º,
nº1 e nº2. Apesar de este artigo apenas se referir à alienação ou oneração
de parte da coisa comum, o prof Menezes Leitão defende que este artigo
também deve ser aplicado se for alienada toda a coisa comum.
Para alguns autores, como Vaz Serra e Manuel de Andrade, mesmo nestes
casos continua a ser possível existir redução, nos termos do Art. 292º, ou
seja, se o negócio não tivesse sido celebrado sem a parte alheia, o contrato
é totalmente nulo, mas s tivesse sido celebrado na mesma, deve reduzir-se
segundo os termos do Art. 902º CC.
transformando o negócio numa venda de coisa de quota ideal com a
limitação do contrato a essa quota, que depende sempre da vontade das
partes (Art. 292º).

d) A doutrina diverge sobre a admissibilidade do contrato-promessa de


compra e venda de bem alheio.
Raúl Ventura: defende que este tipo de contratos deve ser considerado
nulo, a não ser que exista convenção em contrário à execução específica,
segundo o Art. 830º, nº2 CC. Utiliza como argumento o facto de o Art. 830º
CC permitir a execução específica do contrato-promessa, desde que não
haja convenção em contrário e a isso não se oponha a natureza da
obrigação assumida. Por isso, se não houver convenção em contrário a
natureza da obrigação não se opõe à execução, uma vez que a coisa foi
prometida vender como própria.
Além disso, considera que neste caso não é possível existir uma sentença
que produza os efeitos negociais da declaração do faltoso, porque se assim
fosse a decisão do tribunal teria a força de uma compra e venda nula.

Doutrina maioritária: admite o contrato-promessa de compra e venda de


coisa alheia. Defendem que não é legalmente impossível porque é possível
que o comprador adquira a coisa até ao momento da celebração do
contrato definitivo. Caso o objeto não fosse adquirido, havia
incumprimento e não nulidade.
De acordo com o Art. 894º, nº1 se a venda de bens alheios for considerada
nula, o comprador de boa fé tem direito a exigir a restituição integral do
preço. Este artigo tem diversas interpretações na doutrina. Mas o prof Raúl
Ventura considera que o direito do comprador à restituição integral do
preço já resulta do Art. 289º, nº1, que não distingue sujeitos de boa e de
má fé.
Interpretação do prof PA sobre este assunto:
- a solução do Art. 894º vigora independentemente de culpa, que não
influencia o direito à restituição.
De acordo com o Art. 897º, nº1 em caso de boa fé do comprador o
vendedor é obrigado a sanar a nulidade da venda, adquirindo a propriedade
da coisa ou o direito vendido. Se não o fizer, alguma doutrina entende que
se aplica o regime previsto nos artigos 798º e ss, relativos à falta de
cumprimento e mora imputáveis ao devedor.
Em relação à indemnização, penso que se aplica o Art. 898º porque a Maria
agiu com dolo por não ter referido que o bem não era dela. Assim, Nuno
deve ser indemnizado pelos prejuízos sofridos que não teriam sido sofridos
se o contrato fosse válido desde o começo (sanada a nulidade) ou se o
contrato não tivesse sido realizado (não sanada a nulidade).

A propriedade da coisa nunca se transferiu para Nuno porque uma vez que
o vendedor nunca adquiriu a propriedade da coisa, o contrato nunca se
tornou válido de acordo com o Art. 895º.

O objetivo da compra e venda de bem alheio é também sancionar quem fez


a compra de bem alheio.

Caso 9
Catarina tem avultadas dívidas e como tal decidiu vender o seu
apartamento a Daniel, por 200 mil euros, no dia 1 de agosto de 2011. Como
pretendia voltar a reaver o imóvel, quando tivesse maior liquidez financeira,
acordou com Daniel que podia resolver o contrato, no prazo de 10 anos,
pelo pagamento de 250 mil euros. (artº928 e a catarina não deverá pagar
mais de 25 mil euros).

a) Em 2015, Catarina telefona a Daniel, informando que consegui juntar


dinheiro suficiente para reaver a casa, no entanto, Daniel comunica que já
vendeu a casa a Belmiro. Quid iuris?

Estamos numa compra e venda a retro regida nos artigos 927 e ss.
Estamos perante um contrato de condição resolutiva (clausula de
resolução).
Nota: o regime da venda a retro tb se aplica ao regime da retrovenda.

Neste caso aplica-se o prazo de 5 anos disposto no artº 929 nº 2.


Estabelecendo -se um prazo de 5 anos , não significa a invalidade do
negocio, mas é permitida a redução deste.

Resolução é feita pelo artº 930, sendo este um bem imóvel é sujeito a
documento autenticado e registo, sendo a sua resolução ser feita da
memsa maneira.
Se não fosse registada, ela não era oponivel a 3ºs , ele pode opor ao
comprador.
b) Imagine que em 2015 o imóvel fica totalmente destruído num incêndio. Sabendo
que o imóvel tinha sido avaliado por 300 mil euros, Catarina pretende resolver o
negócio e exigir uma indemnização ao comprador pelo valor da avaliação. Não se
aplicar aqui o artº 796 por que não estamos perante uma condição. Artº 484 Nº1- a
resolução tem efeitos retroativos.

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