Aulas Práticas de Direito dos Contratos
Aulas Práticas de Direito dos Contratos
Caso Prático 1
a)
1 – Neste caso, estamos perante um contrato de compra e venda, cujos efeitos
essenciais se encontram no Art. 879º do CC. Em relação à forma, este contrato
podia ter sido celebrado por telefone uma vez que se trata de um bem móvel,
aplicando-se o Art. 219º do CC que refere a liberdade de forma (se fosse bem
imóvel aplicava-se o Art. 875º).
c) Art. 799º
Programa: Contrato de Compra e Venda e Contrato de Empreitada.
Existe sempre a obrigação de entregar a coisa? Pode existir situações em que não
exista a obrigação de entregar a coisa. Quanto ao pagamento do preço, não há dúvidas
(contrato oneroso).
Bibliografia: volume I (compra e venda) e II (empreitada) do regente. Complementar:
Menezes Leitão – não fala de todos os temas que iremos tratar, pq ele fala dos vários
contratos e não apenas dos 2 que vamos falar.
Entregar Ficha de Aluno com Fotografia
Art. 237º - distingue contratos oneroso de contratos gratuitos.
Em PT vigora o Sistema do Título – a celebração do contrato determina a transmissão
do direito. O prof Pedro de Albuquerque diz que não há exceções a este sistema em
Portugal. Ex: A e B celebram um contrato ode se estabelece que a propriedade se
transmite com a entrega da coisa. Não estamos perante uma exceção ao sistema do
título. O prof Pedro de Albuquerque o que refere são os valores mobiliários – uma vz
celebrado o negócio, o transmissário pode dar instruções ao transmitente sobre o
exercício desses direitos. Nós não estamos perante um direito de propriedade, mas
sim um direito supletivo – o prof considera que estamos perante uma limitação à
legitimidade mas, ainda assim, ele já é o titular. Por isso, não há exceções ao sistema
do título em Portugal. A partir da celebração do contrato, é ou não é titular?
Sistema do Modo –
Sistema do Título e do Modo – carece sempre de um ato posterior.
Caso Prático 2
Art. 876º. O que as partes fazem é estabelecer que esse terceiro deverá determinar o
preço de acordo com certos critérios. O contrato é nulo devido à remissão para o
arbítrio de C? O prof ML diz que como o 3º não tem qualquer critério, o negócio é
nulo. Se não existir nenhum critério, o Art. 400º utiliza o critério da equidade. O prof
Pedro de Albuquerque defende que o 3º tem opções balizadas, não pode determinar o
preço que entender. Remeter para o arbítrio aqui é remeter para a vontade do 3º,
sendo que o critério seria a arbitrariedade, aí estaria balizado por princípios
estruturantes do ordenamento jurídico como o princípio da boa fé (não pode por
exemplo dizer que vende por 1 milhão). Devemos atender ao valor sentimental, de
acordo com a equidade? Como é que definimos um bom preço e um mau preço?
Equidade em Sentido Forte – justiça do caso concreto
Equidade em Sentido Fraco – o direito positivo (Art. 883º)
O Célio não utilizou o critério de equidade, qual é a solução?
Art. 400º, nº2:
Seria o tribunal a determinar, mediante juízos de equidade.
Caso Prático 3
1- Em relação ao apartamento, de acordo com o Art. 875º, o contrato de compra
e venda de bens imóveis tem de ser celebrado por escritura pública ou por
documento particular autenticado para ser considerado válido e não por
simples documento escrito. No entanto, em relação ao automóvel, por se tratar
de um bem móvel, aplica-se a regra geral da liberdade de forma do Art. 219º
CC e por isso quanto a este bem, o contrato podia ser celebrado por simples
documento escrito. Assim, tem de se reduzir e alienar-se apenas o automóvel
(Art. 884º).
Neste caso, estamos perante um documento particular (Art. 363º, nº1 do CC).
2- Não é possível que o Anacleto recupere o imóvel e o veículo porque de acordo
com o Art. 886º do CC uma vez que já foi feita a entrega, o vendedor não pode
resolver o contrato por falta de pagamento do preço a não ser que as partes
tivessem estipulado o contrário ou se o vendedor tivesse reservado para si a
propriedade da coisa nos termos do Art. 409º do CC, até ao pagamento do
preço. Por isso, as suas ações contra o comprador ficam restringidas à ação de
cumprimento para cobrança do preço (prevista no Art. 817º) e respetivos juros
moratórios, (previstos no Art. 806º - que remete para o Art. 801º, nº2).
Dois requisitos neste artigo: transmitir a propriedade e feita a entrega da coisa
– Art 409º: cláusula de reserva de propriedade (único exemplo em que já foi
feito o contrato mas ainda não foi transmitida a propriedade – em PT temos o
sistema do título).
3- De acordo com o professor Pedro de Albuquerque, não se aplica o Art. 878º do
CC uma vez que não se enquadram neste artigo as despesas relativas a atos de
execução do contrato, que ficam a cargo do devedor. Ou seja, as despesas
relativas à guarda, embalagem, transporte e entrega da coisa vendida ficam por
conta do devedor. A não ser que outra coisa seja convencionada. Isto não é
unânime – o prof MC diz que vale neste caso a estipulação das partes e se ela
não houver, quem deve suportar as despesas seria o comprador.
3.1 – Neste caso, aplica-se o Art. 878º uma vez que se trata de despesas relativas
às formalidades dos contratos e registo, que são necessárias para o pagamento do
preço e não para a execução do contrato. Podia haver situações em que ele ficasse
a perder por vender algo.
Questão teórica:
Entregar na próxima aula sem falta a ficha.
O que é que pretende a forma? Dar um prazo de reflexão para ver se as partes
estão mesmo seguras de que querem contratar.
Caso Prático 4
1 – Neste caso, estamos perante um contrato de compra e venda e em relação a
estes contratos no direito português vigora o sistema do título, ou seja, a
transmissão da propriedade da coisa ou da titularidade do direito é imediata,
ocorrendo logo no momento da celebração do contrato. Assim sendo, Ana não
pode recusar o pagamento do preço, uma vez que de acordo com o Art. 796º, nº1
o perecimento da coisa, por causas que não podem ser imputadas ao alienante
(vendedor), corre por conta do adquirente (comprador).
Perde a coisa mas como é ela a suportar o perecimento da coisa/ risco continua
obrigada ao pagamento do preço.
a) Aplica-se também o Art. 796º, nº1, uma vez que neste caso não se aplicam as
exceções do nº2 e nº3 do mesmo artigo, porque não estamos perante um
termo nem uma condição.
Termo – facto futuro de verificação certa.
Condição – facto futuro de verificação incerta.
Resolução do prof: Aplica-se o Art. 796º, nº2 e, por isso, Ana não teria de pagar
o preço. O comprador fica desobrigado ao pagamento do preço.
Caso Prático 5
1 – Neste caso, estamos perante um contrato de compra e venda com reserva de
propriedade previsto no Art. 409º, nº1 do CC, em que as partes convencionam que a
transferência da propriedade vai ocorrer num momento posterior ao da celebração do
contrato.
A estipulação da reserva de propriedade foi feita a favor do alienante, que é o stand de
automóveis, mas está sujeita a um pagamento do preço por terceiro, que neste caso é
a sociedade financeira.
Art. 1146º do CC – neste caso reduzia-se para o máximo, qual era o máximo?
Não estamos perante uma condição suspensiva, porque as condições potestativas não
são condições em sentido próprio. Se está dependente de uma conduta das partes,
não estamos perante uma verdadeira condição. Neste caso, não é uma condição
resolutiva nem uma condição suspensiva.
O vendedor não pode resolver o contrato perante o incumprimento do contrato de
mútuo – prof Gravato de Morais. O vendedor tem interesse em receber o preço.
Quando há parcerias entre stands automóveis, normalmente não é reservada a
propriedade mas podia ser. O prof Pedro de Albuquerque refere que há uma união
interna para que seja possível resolver o contrato, se não não se poderia resolver o
contrato porque o preço já foi pago.
Se os contratos estiverem funcionalmente ligados, o vendedor poderá fazer (…). Há
uma alínea sobre a reserva a favor do próprio financiador. Se não existir uma união
interna de contratos, o prof Gravato Morais tem razão pq se são contratos autónomos
não pode resolver o outro contrato pq não é parte no outro contrato. A união interna
de contratos pretende ultrapassar esses argumentos, tem de existir um
relacionamento funcional entre o vendedor e a entidade financeira, se isto não existir
o professor Gravato de Morais tem razão.
2 – Uma vez que o automóvel é um bem móvel sujeito a registo, de acordo com o Art.
409º, nº2 do CC, para que a cláusula de reserva de propriedade seja oponível a
terceiros é necessário que o bem tenha sido registado. Então, os credores do stand de
automóveis só podem nomear à penhora o automóvel se tiver ocorrido o registo.
a) No caso de o bem ser uma joia, uma vez que se trata de um bem móvel não sujeito
a registo, a doutrina diverge sobre a sua oponibilidade a terceiros. O prof Pedro
Romano Martinez, considera que nestes casos a cláusula de reserva de
propriedade não é oponível a terceiros. (o professor faz um paralelismo com o
penhor - 669º e ss.; fala do Art. 406º, nº2 e afirma que não faz sentido que nos
imóveis seja preciso registo para a cláusula ser oponível a terceiros e nos bens
móveis não é necessário o registo para que isso aconteça; também invoca a
eventualidade de existir uma resolução do contrato).
No entanto, a maioria da doutrina, onde se insere a opinião do prof Pedro de
Albuquerque, considera que nos bens que não estão sujeitos a registo, a cláusula
de reserva de propriedade é sempre oponível a terceiros de boa-fé (credores do
stand), uma vez que defendem que na compra e venda com reserva de
propriedade, o vendedor (stand de automóveis) mantém a propriedade e por isso a
transmissão do bem não afeta nenhum direito adquirido por terceiro. porque
como o comprador não é proprietário, não pode transmitir ou alienar um direito
de que não é titular.
No contrato de compra e venda com reserva de propriedade, o comprador tem
uma perspetiva real de aquisição de direitos.
Concluímos nos bens móveis não sujeitos a registo é oponível a terceiros (Desde
que não haja uma situação de insolvência).
3 – Neste caso não se verificam os requisitos do Art. 886º do CC, uma vez que a
propriedade não foi transmitida devido à cláusula de reserva de propriedade, prevista
no Art. 409º, nº1 do CC, que reserva a propriedade para o stand de automóveis até
que o A proceda ao pagamento do preço. Por isso, o stand pode resolver o contrato
por falta de pagamento do preço. Então, aplica-se o regime geral do Art. 881º.
A doutrina e a jurisprudência conferem efeitos a esta declaração antecipada. Prof
Almeida Costa defende que determina a mora do devedor, essa posição tem sido
afastada pela doutrina maioritária e por isso determina-se uma situação de
incumprimento definitivo.
Ele pode resolver o contrato, mas pode “exigir o pagamento do capital e dos juros de
mora”? – era o que se devia ler no enunciado. Se alguém resolve o pagamento do
contrato, não pode exigir o cumprimento do contrato. Aquele que resolve o contrato
não pode querer simultaneamente que o contrato seja cumprido. Se é resolvido o
contrato, o automóvel era restituído ao stand e o vendedor teria de restituir o preço
pago. Não tendo existido resolução, há sempre a alternativa da ação de cumprimento
por parte do vendedor. Ele pode intentar uma ação de cumprimento e depois perceber
que esse cumprimento não é possível, mas não pode exigir a resolução do contrato e o
cumprimento.
a) Segundo o prof Pedro de Albuquerque, não se aplicam os Artgs. 601º do CC e 735º
do CPC. Assim, o prof defende que a única solução é a renúncia à reserva por parte
do vendedor, que ocorre tacitamente quando o vendedor penhora o bem. Existe
divergência doutrinária sobre a admissibilidade da renúncia, uma vez que
conduziria a prejuízo para o comprador. O prof considera que com a renúncia, a
coisa transfere-se para a titularidade do adquirente, mesmo sem ter existido
pagamento do preço e, assim, o bem passaria a ser suscetível de penhora para
efeitos de obtenção do pagamento em processo de execução mas já não poderia
haver apreensão, reivindicação ou defesa através das ações possessórias ao
alcance do vendedor.
Tem de se resolver o contrato.
Uma vez que o automóvel se trata de um bem móvel sujeito a registo, o professor
Pedro de Albuquerque considerou que não é necessário para prosseguir com a
ação cancelar o registo da reserva de propriedade, por se aplicar o Art. 824º.
No entanto, por ser difícil que as decisões judiciais admitam a execução de um bem
sujeito a registo sem que o titular do direito à reserva de propriedade tenha
procedido ao seu cancelamento, o professor concluiu que o alienante que
pretenda executar o bem proceder ao cancelamento do registo, apenas por razões
de prudência.
Decisão de uniformização da doutrina – é vinculativo? É obrigatório o recurso. O
prof, ainda que não concorde, utiliza uma lógica de prudência e diz que para evitar
este tipo de situações recomenda-se que o vendedor cancele o registo antes de
nomear aquele bem à penhora.
4 - Uma vez que estamos perante uma compra e venda com reserva de propriedade
em que já houve entrega da coisa, em que o vendedor tem a propriedade mas o
comprador tem a posse sobre a coisa, existe divergência doutrinária sobre quem
suporta o risco.
O professor Pedro de Albuquerque defende que no caso de existir reserva de
propriedade, a transferência do domínio ou controlo material sobre a coisa é
suficiente para transmitir o risco, sendo este o sentido que o prof atribui ao Art. 796º,
nº1 do CC, independentemente da natureza que se considere dar à reserva de
propriedade (quer se considere que é uma condição resolutiva ou suspensiva). Assim,
a transferência do risco de perda ou destruição da coisa transfere-se sempre para o
adquirente, que, mesmo nestes casos, continua obrigado a pagar o preço.
O professor Pedro de Albuquerque diz que há aqui uma repartição do risco: o
comprador perde a garantia de cumprimento do preço e o vendedor perde o bem e
continua obrigado a pagar o preço. O prof refere o Art. 796º, nº1 CC.
- O risco corre por conta do vendedor: segundo o Art. 796º, nº3, 2ª parte, quando os
autores consideram que a reserva de propriedade é uma condição suspensiva (estes
autores sustentam que na compra a e venda com reserva de propriedade ainda não se
deu a transferência do direito real).
- O risco corre por conta do comprador: quem defende esta posição é por exemplo o
prof Menezes Leitão e o prof Romano Martinez, utilizando como argumentos o facto
de existir uma transmissão do domínio da coisa nos termos do Art. 796º, nº1 e por isso
ocorre a transferência do risco. Além disso, defendem que o Art. 796º, nº3, 2ª parte
apenas se aplica quando existe entrega da coisa e, por isso, quando há entrega da
coisa o risco corre por conta do comprador.
O prof Pedro Romano Martinez defende alguns argumentos:
1 – a reserva de propriedade tem essencialmente uma função de garantia com efeitos
semelhantes aos da hipoteca, mas em que o comprador tem o gozo da coisa e por isso
é legítimo que seja ele a suportar o risco;
2 – Artg. 796º fala em transferência de domínio e, por isso, a partir da entrega da
coisa, o risco deve correr por conta do comprador.
Há autores que defendem que domínio significa direito de propriedade. O que o
professor defende é que independentemente da posição dogmática que se tenha, isto
enquadra-se no Art. 796º, nº1, o legislador pretende qualificar que seja como for
aquilo que se defende (condição suspensiva ou resolutiva) é que existe sempre
transferência do risco.
Domínio – entrega, propriedade, posse… as posições são muito diversas sobre o que o
legislador quis dizer com isto.
Sistema do título – diz respeito ao dto de propriedade ou outro que se transmita. Não
trata da posse. O professor utiliza 2 argumentos, o primeiro é o argumento histórico:
1) A transmissão e a posse transmitia-se com a entrega da coisa. O direito de
propriedade transmitia-se com a entrega da coisa.
Não há dúvidas de que a propriedade se transmite, devido ao sistema do título, mas e
a transmissão da posse? O prof Pedro de Albuquerque considera que foi celebrado o
contrato de compra e venda e por alguma razão o devedor ficou com a coisa. Assim,
existe o instituto do constituo possessório (Art. 1264º).
Ação de Reivindicação – é mais exigente do que as ações possessórias.
Para o prof Pedro de Albuquerque a posse transmite-se por mera celebração do
contrato.
Ex: Celebro contrato de compra e venda para entregar o meu código com A. B quer o
código e furta-o maioria da doutrina diz que não se transmitiu a posse por
constituto possessório.
Para o prof Pedro de Albuquerque, a posse transmite-se ao mesmo tempo que se
transmite a propriedade, ou seja, quando se transmite a propriedade também se
transmite a posse.
Para o vendedor, a reserva de propriedade assume uma função de garantia, permitindo ao
vendedor a defesa da sua posição:
(a) Incumprimento por parte do comprador: o alienante conserva para si a coisa objeto do
contrato de compra e venda.
(b) Insolvência do comprador: os credores não poderão, em principio, fazer-se pagar pelo valor
da coisa vendida com reserva de propriedade;
Caso 6
a) Neste caso, estamos perante um contrato de compra e venda de bens futuros
(não era de frutos pendentes) sem caráter aleatório, previsto no Art. 880º, nº1
do CC - que ocorre quando o vendedor aliena bens inexistentes ao tempo da
celebração do contrato de compra e venda, que não estejam em seu poder ou
a que não tem direito – segundo o Art. 211º do CC (definição de coisa futura).
Neste tipo de contratos, o vendedor está obrigado a exercer as diligências
necessárias para o comprador adquirir os bens, sendo que se aplica o Art.
408º, nº2, 2ª parte uma vez que se trata de um fruto natural, sendo que a
transferência se verifica de forma automática no momento da colheita. Em
relação ao comprador, ele tem uma expectativa de vir a adquirir o bem.
Neste caso, existe uma impossibilidade parcial não imputável ao vendedor, o
que tem como consequência o cumprimento parcial do contrato, sendo que
deve haver redução na medida da impossibilidade, aplicando-se o Art. 793º,
nº1 CC (o comprador vai pagar o preço de forma proporcional ao montante de
alfaces que corresponde à colheira daquele mês).
Art. 881º.
O prof diz que este contrato tem natureza aleatória porque sabe-se que a
produção pode aumentar ou diminuir (mas admitia as duas posições).
Natureza aleatória: nos termos Art. 880º, nº2 do CC as partes podem atribuir
natureza aleatória ao contrato de compra e venda de bens futuros, sendo que
neste caso o risco corre por conta do comprador uma vez que ele tem de pagar
o preço mesmo se o bem futuro não se efetivar. Alguma doutrina entende que
para se aplicar este regime, essa cláusula deve estar expressamente pactuada.
No entanto, o prof Pedro de Albuquerque entende que isso deve ser apurado
mediante interpretação da vontade das partes. Na dúvida, o professor entende
que se deve presumir ser uma compra e venda de coisa futura sem caráter
aleatório.
Essa menção à incerteza pode ser expressa ou tácita.
Isto é na mesma um contrato de compra e venda para o prof PA porque se
vende a esperança ou expectativa de aquisição, independentemente de o
bem futuro vir ou não a ter existência.
Índice de Frutos:
Frutos Naturais: produzidos naturalmente (ex: batatas; borrego).
Frutos Civis: construções do direito (ex: renda).
Os frutos distinguem-se dos produtos porque têm periodicidade.
Interesse Contratual Negativo: tem de repor o lesado na situação em que estaria se
não tivesse celebrado o contrato ou iniciado as negociações com vista à sua conclusão,
tendo o direito a ser ressarcido do que despendeu na expectativa da consumação do
negócio.
Interesse Contratual Positivo: tem de se repor o lesado na situação em que ele estaria
caso o negócio tivesse sido cumprido, reconduzindo-se aos prejuízos que decorrem do
não cumprimento definitivo do contrato ou do seu cumprimento tardio ou defeituoso.
Caso 7
a) Um vigésimo = 5% - levar calculadora para a frequência. A lei ao referir que há
uma redução, é só relativamente à diferença, àquilo que excede. Portanto, só
sobre o 500 é que há redução, ele só pode exigir mais 500 metros quadrados.
Relativamente a este 1 vigésimo há uma margem de erro que a lei admite.
Aplicam-se os Artgs. 887º e ss do Código Civil.
Conta para fazer: 5% do número maior. Fazer regra de 3 simples para isso. O
valor desses 5% é uma margem de erro tolerada pela lei, mas tudo o que
exceda esses 5% tem de ser alvo de redução ou aumento proporcional.
b) Segundo o Art. 891º, nº1 o comprador pode resolver o contrato, se tiver pago
ao vendedor uma diferença superior a 1 vigésimo do preço declarado, e este
lhe exija o excesso, tal como aconteceu neste caso prático. Este direito à
resolução do contrato caduca no prazo de 3 meses, a contar da data em que o
vendedor exigir o excesso por escrito (Art. 891º, nº2).
Além disso, se nenhuma das partes tivesse pretendido celebrar o contrato se se
apercebesse da divergência, também é possível resolver o contrato pelo regime
geral do erro previsto nos Artgs. 251º e 247º CC.
Assim, neste caso não pode resolver o contrato. Este prazo de 3 meses deve ser
articulado com o prazo de 1 ano do Art. 890º CC.
(vimos que havia excesso de 500 m2, por isso tinha de haver redução
relativamente a esses 500).
c) Eu apliquei o regime da compensação entre faltas e excessos previsto no Art.
889º CC. Neste caso, as faltas e os excessos das coisas vendidas compensam-se
e por isso o vendedor não tem de as corrigir. Porque mesmo que os terenos
tivessem os dois 1500 m2, também estaria a pagar no total 3 milhões de euros
por 3 mil m2 de terreno, a única coisa que se altera é a distribuição dos m2
pelos terrenos. Ou seja, ele devia ter pago 1 milhão e 500 por cada um dos
terrenos com 1500 m2, mas as faltas e os excessos compensam-se porque os
500 mil euros que se pagou a mais no primeiro terreno, compensam os 500 mil
que faltava pagar no segundo terreno.
Alguma doutrina questiona se esta compensação também está sujeita aos
limites do Art. 888º, nº2 mas o prof PA não concorda (porque este preceito só
se aplica se, depois de ser feita a compensação do Art. 889º, subsistir uma
diferença de um vigésimo entre a quantidade declarada e efetivamente
vendida).
Por se tratar de coisa imóvel, o direito a receber a diferença caduca dentro de 1
ano após a entrega da coisa (Art. 890º, nº1). (e também Artgs. 224º e ss).
O que o prof disse foi: não se aplica o Art. 889º, mas sim o Art. 887º CC.
O prof diz que também admitia a aplicação do Art. 889º CC.
Mas o que devia entender, segundo o professor, é que não temos um preço
unitário. O prof PA diz que se forem contratos diferentes nunca se aplica o Art.
889º CC.
Qual era a conta? 400mil é aquilo que excede os 5%. A margem é 0,1 milhão,
esse permanece intocável e vai-se reduzir contra os outros 400mil.
A margem de erro para aumentar é 0,05 milhões, ou seja, 50mil.
Art. 889º prevê um só preço: mas o prof PA diz que um só preço não significa
um único preço global, podendo o preço ser estabelecido por unidade de
número, peso ou medida (e neste caso para cada mil m2 de terreno,
corresponde 1 milhão de euros, a unidade de medida utilizada é igual para os
dois).
Centeio e trigo são homogéneos – o prof Pedro de Albuquerque diz que terigo
e centeio são homogéneos, desde que seja do mesmo comprador (Art. 889º
CC).
Caso 8
a) Aplica-se o regime da 2ª modalidade da venda a contento e por isso aplica-se o
Art. 924º. Nesta modalidade, a venda torna-se imediatamente eficaz. O
comprador adquire o objeto e tem a obrigação de pagar o preço. Mas tem o
direito de resolver o negócio, se o objeto não lhe agradar, caso em que os
efeitos se dão por não produzidos. A resolução não é impedida pela entrega da
coisa (Art. 924º, nº2). E o vendedor pode fixar um preço razoável para o
contrato ser resolvido (Art. 924º, nº3). E neste tipo de contratos, o risco
transfere-se para o comprador.
Assim, o Art. 924º, nº1 remete para o regime dos artigos 432º e ss que se
referem à resolução do contrato. Por isso, uma vez que o prazo fixado pelo
vendedor já se extinguiu, aplica-se o Art. 436º, nº2, ou seja, o direito do A de
resolver o contrato caducou.
Porf: Abuso de direito: se ele usar este instituto para levar o fato a uma festa e
depois devolver e receber o preço.
Isto é uma proposta negocial? Não, segundo o prof PA. Para este prof estamos
perante um contrato preliminar.
Neste caso, aplica-se o Art. 923º, nº2 porque em caso de dúvida aplica-se a 1ª
modalidade, de acordo com o Art. 926ºCC.
b) Neste caso, eu apliquei o regime da venda sujeita a prova previsto no Art. 925º,
porque o contrato está dependente de uma avaliação objetiva do comprador
relativamente às qualidades da coisa. Existe uma averiguação da aptidão do
objeto para os fins a que se destina (Art. 925º, nº1).
Neste regime:
Vendedor – obrigação de entregar a coisa ao comprador para ser avaliada (Art.
925º, nº4);
Comprador – tem de transmitir o resultado da prova ao vendedor antes de
expirar o prazo. Neste caso, se não fizer isso uma vez que se trata de uma
condição resolutiva, a condição tem-se por não verificada (Art. 925º, nº3). (ou
seja = pressupõe-se que a bracelete tinha o tamanho indicado para o pulso do
pai).
Não estabeleceu prazo razoável, por isso ainda estaria em prazo (Art. 925º,
nº2).
A prova define ou não se há conformidade daquele objeto com o fim
estabelecido pelas partes.
A propriedade da coisa nunca se transferiu para Nuno porque uma vez que
o vendedor nunca adquiriu a propriedade da coisa, o contrato nunca se
tornou válido de acordo com o Art. 895º.
Caso 9
Catarina tem avultadas dívidas e como tal decidiu vender o seu
apartamento a Daniel, por 200 mil euros, no dia 1 de agosto de 2011. Como
pretendia voltar a reaver o imóvel, quando tivesse maior liquidez financeira,
acordou com Daniel que podia resolver o contrato, no prazo de 10 anos,
pelo pagamento de 250 mil euros. (artº928 e a catarina não deverá pagar
mais de 25 mil euros).
Estamos numa compra e venda a retro regida nos artigos 927 e ss.
Estamos perante um contrato de condição resolutiva (clausula de
resolução).
Nota: o regime da venda a retro tb se aplica ao regime da retrovenda.
Resolução é feita pelo artº 930, sendo este um bem imóvel é sujeito a
documento autenticado e registo, sendo a sua resolução ser feita da
memsa maneira.
Se não fosse registada, ela não era oponivel a 3ºs , ele pode opor ao
comprador.
b) Imagine que em 2015 o imóvel fica totalmente destruído num incêndio. Sabendo
que o imóvel tinha sido avaliado por 300 mil euros, Catarina pretende resolver o
negócio e exigir uma indemnização ao comprador pelo valor da avaliação. Não se
aplicar aqui o artº 796 por que não estamos perante uma condição. Artº 484 Nº1- a
resolução tem efeitos retroativos.