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Depoimento de Demetrio Pepice: AFRF 2005

O documento descreve a história de Demetrio de Macedo Pepice, o primeiro colocado no concurso AFRF/2005, marcando 269 pontos em 300 possíveis. O documento destaca a determinação e disciplina de Demetrio, que intensificou os estudos após não conseguir assumir cargos em outros concursos, e já se prepara para outro concurso mesmo depois de seu grande sucesso no AFRF.

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Depoimento de Demetrio Pepice: AFRF 2005

O documento descreve a história de Demetrio de Macedo Pepice, o primeiro colocado no concurso AFRF/2005, marcando 269 pontos em 300 possíveis. O documento destaca a determinação e disciplina de Demetrio, que intensificou os estudos após não conseguir assumir cargos em outros concursos, e já se prepara para outro concurso mesmo depois de seu grande sucesso no AFRF.

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ENTREVISTAS

Demetrio de Macedo Pepice, 1º


Colocado Nacional no AFRF/2005

[Link]
pepice
Foram 269 pontos em 300! Isso mesmo, acredite! O Demetrio, 1º colocado
nacional no AFRF/2005, conseguiu essa marca histórica: 269 pontos em um total de
300! Um show de bola!
Essa marca é um escândalo, o Demetrio arrebentou! Você, leitor, pode achar que
eu estou exagerando, mas não estou, sei muito bem o que estou falando. Digo isso
porque as provas de algumas disciplinas do AFRF/2005 foram atípicas e difíceis,
especialmente as de Contabilidade, Estatística, Matemática Financeira e Direito
Tributário. Lembro-me bem que no meu concurso, de 1996, o Marcelo Alexandrino fez
264 pontos e, à época, já foi uma marca invejável, muito à frente da maioria dos demais
aprovados (de mim, por exemplo, nem me lembro mais exatamente quantos pontos fiz,
acho que algo em torno de 240). Só que há um importante detalhe: as provas do
AFRF/2005 foram infinitamente mais difíceis do que as provas do AFTN/1996! Não dá
nem para comparar! É esse o fato que torna essa marca alcançada pelo Demetrio
histórica…
O meu intuito nesta entrevista é repassar a vocês, visitantes do Ponto, parte da
experiência de preparação do Demetrio, que certamente será um incentivo para aqueles
que continuarão na árdua luta, rumo à aprovação em um bom concurso.
O Demetrio reside em São Paulo (SP), é engenheiro mecânico e tem apenas 26
anos. Começou a estudar no ano de 2003, preparando-se para o concurso de Técnico da
Receita Federal - TRF. No meio da preparação, saiu o concurso da Comissão de Valores
Mobiliários - CVM. Decidiu estudar as disciplinas específicas do concurso da CVM, e
acabou sendo aprovado nos dois concursos. Decidiu, então, abrir mão do concurso de
TRF, e sequer fez a matrícula no curso de formação deste concurso, para não tirar uma
vaga de outro candidato.
Pois é, tudo certo, não? Não, de jeito nenhum! Em razão de uma ação ajuizada
pelo Ministério Público, o desfecho do concurso da CVM foi suspenso por um ano, e o
Demetrio ficou, durante todo esse período, sem a CVM e sem TRF! E mais: no final de
2004, decidiu-se pela anulação da prova de redação do concurso da CVM, e o Demetrio
teve que fazer nova prova. Moral da história: só foi nomeado para o cargo na CVM no
início de 2005!
Pois é, foi durante o ano de 2004 (sem CVM e sem TRF!) que o Demetrio deu
uma guinada na sua preparação, em vez de desanimar e ficar em casa chorando o azar.
Adquiriu bons livros, fez cursinhos com bons professores (ele fez questão de citar
durante a nossa conversa os cursos que fez na Uni-Equipe em São Paulo, destacando os
professores: Alexandre Lugon, Cláudio José, Marcelo Alexandrino, Antônio César,
Fábio Zambitte, Rodrigo Luz e Vicente Paulo) e, após entrar em exercício na CVM,
voltou a estudar especificamente para o AFRF a partir de março de 2005, não parando
mais até a data das provas. O resultado vocês já sabem, são os tais 269 pontos!
Pronto, com uma aprovação dessas, agora é só sombra e água fresca, certo?
Errado, muito errado. Falei com o Demetrio nesta semana, fiz um convite a ele para
conhecer a Capital Federal, para conhecer o Ponto, para almoçarmos no Restaurante do
Congresso Nacional (e não mais no corre-corre dos almoços nos intervalos das aulas na
Uni-Equipe!), mas ele não topou. Não topou por que? Porque já estudando,
diuturnamente, para o concurso de Fiscal de São Paulo, que tem provas previstas para
abril de 2006, e dois dias de viagens seria muito tempo de estudo perdido! Pois é, esse é
o Demetrio!
Bem, atrapalhando um pouco os estudos do Demetrio para o Fiscal de São
Paulo, fiz a ele as seguintes perguntas:

Vicente Paulo: Sabe, Demetrio, você um dia, muito antes da divulgação do resultado
do AFRF, já foi motivo de conversa na minha casa. Estava em casa tentando animar
uma candidata ao AFRF, dizendo a ela que ainda havia chance de ser aprovada (e, de
fato, ela acabou sendo aprovada!), e ela estressou-se comigo: “puxa, pára de me
enganar, você sabe que eu não tenho chances, olha só, vi num ranking da internet que
tem um tal de ‘Deme’ que fez, antes dos recursos, quase 260 pontos; como eu vou
passar, com menos de 200 pontos?” Disse a ela, então: “se isso for verdade, ele será o
primeiro colocado nacional no concurso, pode ter certeza”. E você, já pensava nesse
primeiro lugar nacional antes da divulgação do resultado.
Demetrio: Acho que não. Com certeza eu não esperava esse resultado quando terminei
de fazer a última prova. Eu lembro que quando saí do local de prova, enquanto voltava
para casa, a única coisa que passava pela minha cabeça era que eu tinha chutado 9
questões de matemática financeira e estatística, todas na mesma alternativa. Não me
conformava, achei que tinha sido eliminado justo na matéria em que eu achava que iria
melhor. Não estava me sentindo nem um pouco seguro. Pensava assim: “essa prova foi
muito maluca, o pessoal da ESAF ficou louco”. Com certeza muita gente também se
sentiu assim porque nesse concurso o formato das questões foi muito diferente daquele
que a ESAF adotou nas provas anteriores.
No dia seguinte quando conferi o gabarito vi que tinha conseguido acertar exatamente 6
questões de matemática e estatística, ou seja, tinha feito exatamente a nota mínima para
não ser eliminado nesta matéria. Isso foi um alívio enorme. Mas eu tive a maior
surpresa quando conferi o gabarito das outras matérias: não esperava ir tão bem assim.
Fiquei tão contente que comecei a falar para todos os colegas do trabalho, para os
amigos, foi a maior festa.
Vicente Paulo: Você me parece uma pessoa extremamente determinada. Intensificou os
estudos quando tudo deu errado no concurso da CVM, em 2004. Agora, mal passou para
o AFRF, e já está pensando no Fiscal de São Paulo. De onde você tira tanta disciplina?
Demetrio: Na verdade acho que não sou tão disciplinado assim, uma coisa que me
ajudou muito foi ter ficado bastante motivado. Uma coisa fundamental nos concursos
públicos é a motivação: quando uma pessoa está muito motivada a passar, quando ela
sente que a aprovação vai melhorar muito sua vida e a de sua família, ela consegue fazer
sacrifícios enormes para atingir esse objetivo. Acho que foi o que aconteceu comigo.
Eu comecei a estudar para concursos em 2003. Durante esses 3 anos de estudo, em
diversas ocasiões eu me senti desanimado, pensei em parar e fazer outras coisas. Mas
essas fases não duravam muito tempo, logo eu recomeçava a estudar. Acho que isso é
muito importante no ramo dos concursos: a pessoa não pode desistir, tem que aprender a
ser sempre capaz de recomeçar. Por exemplo, eu tinha alguns amigos que estudavam
para o cargo de AFPS. Quando saiu a unificação da Receita com a Previdência, essas
pessoas ficaram numa situação horrível pois haviam gasto anos se preparando para uma
prova que não iria mais acontecer. Muitos foram perseverantes, não se deixaram abater
pelo desânimo. Faltando poucos meses para a prova de AFRF elas tiveram que estudar
do zero várias matérias novas (como a famigerada matemática financeira e estatística),
além de se adaptar ao estilo de questões da ESAF. No fim muitas dessas pessoas
conseguiram ser aprovadas no AFRF.
Esse último concurso de AFRF foi muito atrapalhado, sem dúvida. Faltando menos de
60 dias para a prova o formato do edital mudou completamente, entraram 6 matérias
inéditas. As questões da prova foram atípicas e cheias de erros. Por isso muitas pessoas
que vinham se preparando para esse concurso há bastante tempo foram muito
prejudicadas pelas trapalhadas da ESAF e não conseguiram passar. Para essas pessoas o
que eu digo é que não parem de estudar, recomecem o mais rápido possível pois esse
ano de 2006 está sendo um ano com muitos concursos bons, alguns até melhores que
AFRF (estão previstos 4 concursos de fiscais do ICMS, ISS de São Paulo, Fiscal do
Trabalho, etc...).
Em 2003 eu consegui passar no concurso da CVM, cargo que ocupo hoje. Só que não
pude tomar posse porque a prova de redação foi questionada na justiça. E o pior, depois
de quase 1 ano de espera o judiciário resolveu anular a prova de redação e chamar todos
candidatos para fazê-la novamente. Isso me deixou muito chateado. Mas o importante é
que durante todo esse tempo de espera eu consegui me manter estudando, se não fosse
por isso hoje eu não teria sido aprovado no concurso de AFRF.

Vicente Paulo: Digo sempre em sala de aula: inteligência não é o maior diferencial em
concurso, disciplina é tudo. Você concorda com isso?
Demetrio: Concordo. Durante esse tempo em que me preparei para concursos percebi
que o estudo para uma prova desse porte não é semelhante a uma corrida de velocidade,
mas sim a uma corrida de resistência. Não adianta nada a pessoa passar dois meses
estudando 14 horas por dia, o conhecimento precisa ser adquirido aos poucos em um
período longo de tempo para ser bem digerido e assimilado. Quando você pega uma
prova da ESAF e percebe que o candidato deve memorizar o texto literal da
constituição, do CTN e de uma infinidade de outras leis, dá para perceber que é quase
impossível adquirir todo esse conhecimento em apenas alguns meses. É por isso que a
maior arma do concurseiro é a disciplina, a capacidade de investir todos os dias um
pouco no seu objetivo, de fazer uma preparação de longo prazo.
Além disso acho que o candidato que conta muito com a sua inteligência é justamente
aquele que subestima a complexidade das matérias e a importância de estar sempre
revisando os principais pontos das disciplinas. Ele é uma vítima do excesso de
autoconfiança. É muito importante que a pessoa seja muito humilde no estudo. No meu
caso, por exemplo, sou formado em engenharia e por isso estudei na faculdade matérias
de cálculo super complicadas, mas na prova de AFRF quase fui eliminado em
matemática financeira porque não fui rápido para fazer contas de divisão sem
calculadora. Tem muita gente que fez Direito, Economia ou Contabilidade e que acha
que só por isso já estão “garantidas” nas matérias que estudaram na faculdade. Mas na
realidade o estudo para concursos é totalmente diferente do estudo acadêmico, por isso
ainda que o candidato tenha base ele deve sempre começar o estudo de uma matéria de
concurso usando um material bem didático, com muita humildade. E depois de atingir
um bom nível de conhecimento ele não deve confiar totalmente na sua memória, é
importante manter uma rotina de revisões periódicas. Deve-se procurar ficar sempre
tendo algum contato com aquela matéria, fazendo e refazendo exercícios, nem que seja
só uma vez por semana.

Vicente Paulo: A preparação para o AFRF foi um tanto quanto tensa, com muitas
incertezas e mudanças para os candidatos (unificação do concurso, novas disciplinas,
“Super Receita” etc.). Como manter o equilíbrio nesse período que antecede as provas?
Demetrio: Acho que é essencial a pessoa tentar sempre olhar para a sua situação da
maneira mais otimista possível. Sempre olhar para as vantagens da posição na qual ela
sem encontra. Por exemplo, eu vinha me preparando para o concurso de AFRF na àrea
de Auditoria, por isso nunca tinha tido contato com Comércio Internacional. Quando
saiu o edital, ao invés de ficar o tempo todo pensando que eu estava em uma posição de
desvantagem em relação aos candidatos que já tinham uma bagagem nessa àrea, escolhi
ver as coisas da seguinte forma: os meus concorrentes que estudavam para a área de
Aduana já estavam há pelo menos um ano sem ter nenhum contato com Comércio
Internacional, por isso já tinham esquecido muita coisa. Eu iria estudar aquela matéria a
partir daquele momento e chegar no dia da prova com o conhecimento fresco na cabeça.
Por isso as nossas chances de ter um bom desempenho na prova se igualavam. Procurei
pensar assim em relação a todas as matérias novas. Se não tivesse feito isso acho que
teria tido uma crise de nervos…
Outra coisa importante foi ter sempre ter em mente que nos concursos nenhum estudo é
perdido: mesmo que, em um primeiro momento, o estudo de uma matéria incerta pareça
ser algo muito arriscado, sempre nós aproveitamos o conhecimento de alguma forma.
No ano de 2005, antes da publicação do edital, eu cheguei a estudar informática,
contabilidade avançada e um pouco de direito previdenciário, mesmo quando havia a
possibilidade de essas matérias não serem cobradas na prova. Isso me ajudou bastante
depois da publicação do edital, me poupou tempo. Por outro lado acabei estudando duas
matérias que não foram cobradas, como Auditoria, Ética e Organização do ministério da
fazenda.
Nesses períodos de incerteza acho que o importante tentar manter o equilíbrio
emocional, sempre procurar fazer o melhor que possa ser feito com as informações que
temos à disposição naquele momento. Parece loucura estudar uma matéria que você
nem tem certeza de que será cobrada na prova, mas às vezes é o único modo de ficar em
situação de igualdade com seus concorrentes. Uma vez li em um texto do Rodrigo Luz
que “estudar para um concurso é como aplicar em ações, deve-se comprar na baixa para
vender na alta”, ou seja, procurar sempre que possível estudar a matéria com
antecedência, quando não há edital, para depois ficar em uma situação confortável
quando o edital for publicado. Muitas pessoas são contra isso, pois o candidato estaria
sacrificando um tempo que poderia ser usado para as matérias certas. Mas o problema é
que depois de estudar durante muito tempo uma matéria, a pessoa chega em um nível
muito alto de conhecimento em que ela já leu todos os livros, fez e refez todas as provas
antigas... E aí há o perigo de ela se acomodar, já que não há mais nenhum desafio pela
frente... nesse momento eu acho que é válido combinar a revisão das matérias
tradicionais com o estudo de matérias novas, tanto matérias certas de outros concursos
como matérias incertas do cargo para o qual ela se prepara.

Vicente Paulo: Quais foram os seus maiores acertos, aqueles pontos decisivos, na
preparação para o AFRF/2005?
Demetrio: Acho que muitas coisas contribuíram para o meu sucesso nesse concurso.
Em primeiro lugar, eu tive a sorte de conhecer diversas pessoas pela internet que, assim
como eu, estudavam para esse concurso da Receita Federal. Elas me ajudaram muito a
descobrir o material certo para estudar, os melhores professores e principalmente, me
deram a motivação necessária para perseguir esse objetivo durante um período de tempo
tão longo. Fiz grandes amigos através da Internet, primeiro no Fórum do CorreioWeb,
depois no Fórum dos Concurseiros ([Link] Eu passei a
conviver com outras pessoas que tinham os mesmos objetivos que eu, as mesmas
dúvidas, os mesmos problemas. Acho que isso me deu um estímulo muito grande para
que eu sempre tentasse superar minhas dificuldades.
Em segundo lugar, também tive a sorte de logo descobrir os livros direcionados para
concursos: os livros da Editora Impetus/Campus e da Editora Ferreira. Sem esse
material eu teria demorado muito mais tempo para adquirir o conhecimento necessário
para fazer uma boa prova. E, por último, foi muito importante eu ter lido uma entrevista
do professor Gustavo Barchet em que ele explicava como tinha sido aprovado em
diversos concursos estudando através das questões de provas antigas. No ano de 2005
eu procurei incorporar essa metodologia à minha preparação, e com certeza esse foi um
fator essencial para o meu bom desempenho na prova de AFRF.
Vicente Paulo: Agora, vamos inverter a pergunta: o que você fez, mas não faria
novamente em uma nova preparação para concursos?
Demetrio: Acho que eu não teria feito um curso básico, estilo “pacotão”, com aulas de
todas as matérias. Também não teria começado o meu estudo pelas apostilas, mesmo
que de boa qualidade. Logo quando comecei a estudar, procurei conversar com pessoas
que já tinham passado por essa experiência de concursos. Minha mãe foi aprovada no
AFTN de março de 94, então é claro que fui bastante influenciado pela experiência dela.
Mas acho que hoje o mundo dos concursos é muito diferente do que era naquela época,
pois com a internet e com as editoras especializadas os candidatos têm acesso a um
material com qualidade muito superior ao que existia 11 anos atrás. Hoje o nível dos
candidatos é altíssimo, é comum ver pessoas gabaritando provas de português, direito
tributário e contabilidade. Eu demorei algum tempo para perceber essa realidade, hoje
sei que durante o meu primeiro ano de preparação (2003) meu estudo foi muito
superficial. Uma pessoa que comece a estudar hoje para um concurso do porte de um
AFRF deve ter em mente que será necessário estudar no mínimo de 100 a 200 horas
cada matéria básica, pois com certeza é o que seus concorrentes farão.

Vicente Paulo: Você sempre estudou sozinho, ou gostava de estudar com outros
colegas?
Demetrio: Eu sempre gostei de estudar sozinho, isso porque eu preciso me concentrar
muito quando estou lendo uma matéria pela primeira vez, acho difícil fazer isso junto
com outra pessoa. Mas, depois de estudar um assunto, gosto de sentar com outras
pessoas para discutir as dúvidas e resolver exercícios difíceis. Eu fiz muito disso através
da internet, com meus amigos virtuais do fórum. Eu achava que esse tipo de estudo era
muito importante para me manter sempre motivado, principalmente quando não havia
notícias do edital de AFRF. Há muitas pessoas que acham que o estudo em grupo é
pouco produtivo, mas acho que ele pode ser bastante útil desde que seja complementado
com muito estudo individual.

Vicente Paulo: Você faria resumos das disciplinas, ou acha isso perda de tempo? Que
dica você daria para os candidatos sobre esse ponto (fazer ou não fazer resumos)?
Demetrio: Quando eu comecei a estudar fazia resumos de todas as matérias. Eu fixava
melhor o conhecimento desta maneira. Fazia resumos à mão mesmo, sem computador.
Isso porque eu sentia que os conceitos ficavam mais marcados na minha memória
quando eu mesmo escrevia os resumos. Eu usava lápis para poder alterá-los depois se
fosse necessário. Mas com o tempo fui percebendo que esse era um processo muito
demorado, fiz tantos resumos que eu não conseguia mais ler todos eles quando
precisava revisar. Quando comecei a trabalhar na CVM ficou impossível continuar
assim. Então eu mudei o meu método de estudo. Ao invés de fazer resumos, passei a
grifar as partes mais importantes dos livros e a reler esses grifos quando precisava fazer
uma revisão. Se por um lado eu não fixava tão bem as informações, acho que meu
estudo avançava mais depressa dessa forma.
Acho o seguinte: se a pessoa está estudando uma matéria pela primeira vez, com
bastante tempo disponível, fazer um resumo é uma coisa bem legal, com certeza assim
ela fixará melhor o conhecimento. Mas se o tempo estiver curto, acho desnecessário
fazer resumos. Em algumas matérias de direito, pode-se usar a própria lei como um
resumo: por exemplo, em direito tributário, eu fiz um resumo de 50 páginas do livro do
João Marcelo Rocha, só que o próprio CTN tinha 50 páginas, então na hora de revisar
eu nem lia o meu resumo, lia o próprio CTN. Quando eu lia algum artigo do CTN com
redação confusa, lembrava da explicação que já tinha visto no livro. Em contabilidade
meu resumo eram algumas provas antigas da ESAF, sempre que eu tinha que revisar eu
refazia essas provas mais uma vez, isso era mais eficiente do que ler novamente a teoria.

Vicente Paulo: Você fez muitos exercícios de concursos anteriores, ou dedica-se


somente ao estudo da teoria?
Demetrio: Depende da fase do estudo. Quando eu estava estudando as matérias básicas
pela primeira vez eu passava 70% do meu tempo estudando a teoria e 30% fazendo
exercícios. Mas conforme eu fui avançando no estudo dessas matérias, fui deixando
cada vez mais a teoria de lado e passei a dedicar 100% do tempo aos exercícios. Eu
procurava estudar através das questões de prova, seguindo o método do professor
Gustavo Barchet (vi esse método na entrevista dele no vemconcursos e na aula zero de
administrativo que estava disponível no site do ponto): lia a questão e procurava
comentá-la mentalmente, fundamentando todas as respostas no material que eu tinha
estudado. Se a questão copiava algum artigo de lei, eu pegava essa lei e dava uma lida
rápida no artigo para refrescar a memória. Esse era o tipo de estudo que eu considerava
mais importante para a prova: eu já não tinha mais como objetivo aprender novos
conceitos, o que eu queria era automatizar o conhecimento que tinha adquirido, dar
agilidade ao raciocínio.
Isso é o que considero mais importante na hora da prova: ter muita velocidade, agilidade
para resolver os testes e ter feito infinitas vezes exercícios parecidos com as questões
que forem cobradas. Só para mostrar como esse tipo de estudo foi importante: quando
fiz a prova de direito administrativo de AFRF, lembro que eu tive a sensação de que já
sabia a resposta de várias questões sem nem precisar ler as perguntas até o final. Depois,
quando cheguei em casa, comparei essa prova de AFRF com as provas antigas da ESAF
que eu tinha feito e vi que, daquelas 20 questões, 16 delas tinham sido copiadas de
provas antigas, de forma literal. E eu acertei todas, pois como já tinha feito essas provas
várias vezes eu sabia exatamente quais eram as respostas.

Vicente Paulo: Você fez cursinhos com vários professores, até me citou aqueles que,
segundo você, fizeram a diferença na hora da prova. Como aproveitar melhor as aulas
dos cursinhos? Eu sempre estudava previamente a disciplina, antes de freqüentar o
cursinho. Você acha que esse é um bom caminho para aproveitar melhor as aulas?
Demetrio: Eu acho que a melhor maneira de aproveitar as aulas é tentar, na medida do
possível, estudar o básico daquela matéria antes de freqüentar o cursinho. Isso porque
quando assistimos uma aula mais aprofundada, em que o professor entra bastante nos
detalhes, é quase impossível absorver tudo se não temos uma base anterior naquela
matéria. Além disso, se o aluno já tem alguma noção da matéria ele consegue perceber
com mais facilidade se aquela aula realmente vale a pena ou se o professor só está
“enrolando”. Em 2004 eu tive muita sorte pois logo após ter terminado a leitura dos
livros básicos eu tive a chance de fazer vários cursos excelentes aqui em São Paulo,
justo dessas matérias que tinha acabado de estudar sozinho. Então o aproveitamento das
aulas foi total.
Mas se não for possível estudar a matéria com antecedência, uma coisa bastante
interessante a se fazer é gravar a aula para ouvir depois. Eu fiz isso com a aula de
previdenciário do professor Fábio Zambitte: em 2004 fiz o curso teórico com ele porque
também pensava em prestar o AFPS. Como esse concurso não era meu objetivo
principal, acabei deixando essa matéria de lado, e por isso meu aproveitamento nesse
curso foi muito baixo. Mas em 2005, quando tive que estudar direito previdenciário para
o AFRF, logo após de estudar essa matéria pelos livros eu ouvi novamente a gravação
do curso que havia feito, aí sim tive uma boa assimilação.
Outra coisa importante é o candidato sempre ter em mente que para cada hora de aula
que ele assiste será necessário que ele estude sozinho mais 3 ou 4 horas para assimilar
aquelas informações. Por mais que a aula no cursinho seja importante, com certeza o
que faz a pessoa passar é o estudo individual, as horas de bunda na cadeira... Vi muita
gente nos cursinhos passavam o dia todo só fazendo aulas, pois achavam que as aulas
iam fazer com que fossem aprovados. Na realidade eu acho que o curso só é responsável
por 10% da aprovação, o resto depende do próprio candidato.
Acho que só vale a pena assistir aulas se a pessoa tiver tempo de se dedicar sozinha em
casa por pelo menos 3 vezes o tempo que gastará naquele curso. Quando saiu o edital de
AFRF-2005, eu lembro de que como eu trabalhava e não poderia tirar férias, escolhi
fazer um curso apenas: Comércio Internacional com o professor Rodrigo Luz. Eu já
sabia que ele era um professor excelente e que seria difícil estudar essa matéria sozinho,
já que quase não havia material direcionado para concursos. Decidi não fazer nenhum
curso das outras matérias novas, pois sabia que não teria tempo para assistir aulas e
estudar em casa também. Preferi estudar economia, finanças públicas, e direito
internacional apenas por livros.

Vicente Paulo: Que tipo de cursinho você aconselharia no início e no término de uma
preparação?
Demetrio: Quando eu comecei a estudar fiz um curso básico, estilo “pacotão”, com
todas as matérias. Mas não aconselho ninguém a fazer o mesmo. Hoje acho que o ideal
é o candidato começar a sua preparação estudando sozinho, com um material de boa
qualidade e direcionado para concursos. E, logo em seguida, após ter uma noção básica
das matérias, ele pode procurar se informar com outros concurseiros quais são os
melhores professores de cada matéria e fazer um curso em módulos, em que ele só fará
as disciplinas que quiser e com os professores que escolher. Sempre é bom se informar
com os outros concurseiros sobre quais são os cursos que valem a pena, tentar assistir
uma aula gratuita para ver se o professor é bom mesmo, e ,se for possível, gravar as
aulas para ouvi-las novamente depois de ter estudado a matéria com profundidade. No
término de uma preparação eu o ideal é fazer somente as aulas estritamente necessárias,
como por exemplo as das matérias que são novidades e para as quais não existe um
material de boa qualidade para o estudo autodidata.

Vicente Paulo: Se em vez de estudar para o concurso de Fiscal de São Paulo, você
recebesse hoje a incumbência de orientar os estudos de um candidato que está iniciando
os estudos na área fiscal, quais seriam as suas orientações? (fique à vontade para
escrever, pode escrever quantas linhas/páginas quiser, acho essa pergunta uma das mais
importantes desta entrevista).
Demetrio: Bem, antes de tudo eu aconselharia o candidato a ler o livro “como passar
em provas e concursos” do Willian Douglas. Essa foi a primeira coisa que eu fiz quando
comecei a estudar, e com certeza fui bastante influenciado por algumas idéias que li
neste livro. Algumas das dicas não serviram para mim, mas a maior parte do que li
acabou sendo incorporado de alguma forma à minha rotina de preparação.
Eu montei um quadro com todas as matérias que eu planejava estudar, com uma meta de
horas de estudo de cada uma, assim como um espaço para preencher com as horas que
tinha efetivamente conseguido estudar. Sempre estudava com um relógio digital ao lado,
marcava a hora exata em que tinha começado e terminado, descontava os minutos que
tinha perdido indo ao banheiro, atendendo telefone e com outras distrações. Só
registrava naquele quadro as horas “líquidas” de estudo de cada matéria. Isso era bom
porque me mostrava a realidade: às vezes eu tinha ficado “estudando” das 8:00 às
22:00, mas só tinha realmente estudado umas 6 horas. Com isso passei a me policiar
mais para aproveitar melhor o tempo. Ao mesmo tempo, com esse quadro eu sabia
exatamente quanto eu tinha me dedicado para cada matéria, se tinha deixado alguma de
lado, etc…
Sempre procurei estudar mais de uma matéria de cada vez. Criava um ciclo com 5 ou 6
matérias e estudava 1:30h cada uma, procurando fazer um intervalo de 10 a 15 minutos
entre uma matéria e outra. Há pessoas que preferem estudar somente uma matéria por
vez, mas eu não conseguia ficar muitas horas estudando a mesma coisa com
concentração total. Com certeza essa é uma forma de chegar mais rápido no final do
livro, mas isso não quer dizer que a pessoa assimilou tudo. Alternando as matérias eu
conseguia ficar estudando com alta concentração por até 13 horas seguidas.
Hoje eu percebo claramente como a preparação para a área fiscal envolve várias fases
diferentes. Num primeiro momento, o objetivo do candidato é aprender as 5 matérias
básicas: direito constitucional, administrativo, tributário, português e contabilidade
geral. Nessa fase o estudo é muito mais teórico e voltado para a parte conceitual das
matérias. É quando ele irá fazer os resumos, as aulas nos cursos preparatórios. Essa é a
fase mais demorada e que consome 50% do tempo de toda a preparação, pois essas são
as matérias mais complexas da prova e com conteúdo muito amplo. Além disso, é
preciso que o candidato estude essas 5 matérias como se ele tivesse querendo gabaritar
as provas, pois hoje a maioria dos candidatos aprovados acerta de 70 a 80% nessas
disciplinas, então é preciso garantir ao menos essa pontuação.
A segunda fase é aquela em que o candidato já tem uma boa base nas 5 matérias básicas,
então seu estudo dessas matérias passa a ser muito menos conceitual e muito mais
decorativo, voltado para fazer as questões de provas e leitura da lei seca. É um estudo de
revisão e aprofundamento, que ocupa cerca de 30% do seu tempo. Nos outros 70% ele
irá estudar as matérias específicas (inglês, matemática financeira, estatística,
informática, economia, previdenciário, DIP), que são matérias de menor complexidade e
com menos peso na prova. Nessas matérias ele não precisa se preocupar em gabaritar,
porque não são elas que decidem a aprovação. Apenas é preciso ter um desempenho
razoável para passar (60 a 70% de acertos em cada).
Na terceira fase o candidato terminou de estudar todas as matérias (as básicas e as
específicas), então deve procurar concentrar 100% do tempo para resolver questões de
provas e decorar a legislação. Nesse ponto aquilo que era a maior dificuldade no início
dos estudos, a parte conceitual, deixa de ser um problema. Dificilmente o concurseiro
erra uma questão porque não sabe um conceito. É mais fácil ele errar uma questão que
pede um artigo totalmente inútil da lei do SIMPLES ou da lei de licitações, por
exemplo. Ou alguma coisa que está na parte final da Constituição Federal. Então o que
ele deve procurar fazer é resolver todas as provas antigas de concurso, anotando todas
as pegadinhas que ele for encontrando, prestando atenção de onde a ESAF tira as
perguntas (se é do texto de alguma lei, se é de súmula, etc...). Nessa terceira fase o
candidato não aprende mais nada de novo, o que ele faz é automatizar o conhecimento
que ele já adquiriu: ele se torna uma máquina de resolver testes, consegue fazer uma
prova complicada de português ou contabilidade na metade do tempo que levaria na
fase dois. E dificilmente ele erra uma questão que transcreve alguma legislação de
forma literal, mesmo que seja um artigo inútil. Essa é a parte mais gostosa do estudo,
em que o concurseiro começa a ver o resultado de tudo o que fez até então, começa
acertar 80%, 90% das provas. Ele percebe que mesmo que tiver azar no dia da prova
(caso a prova seja atípica, ele fique nervoso, com dor de barriga, etc...) ele vai conseguir
ser aprovado. Isso porque ele atingiu um nível de conhecimento tão alto que, mesmo
que seja prejudicado por esses fatores aleatórios, é impossível que ele não passe.
Essas são as minhas impressões mais genéricas sobre a preparação para a área fiscal.
Isso se aplica a qualquer prova de concurso de múltipla escolha, de qualquer banca
examinadora, e por isso mesmo já está comentado em vários livros de técnicas de
estudo. Mas eu também gostaria de transmitir para aqueles que estão começando a
estudar alguma coisa mais específica, isto é, quais são os melhores livros para estudar,
quais são as manhas para estudar cada uma das matérias que compõem o programa de
AFRF, a que pontos se deve dar mais importância, etc... Isso é algo que só quem
estudou recentemente para esse concurso pode dizer, e é claro que envolve um lado
muito subjetivo, provavelmente alguns livros que agradam muito algumas pessoas são
odiados por outras... Mas eu quero dizer como eu faria para aprender cada uma das
disciplinas do programa de AFRF se estivesse começando meus estudos hoje.
Direito constitucional: Essa matéria sem dúvida é a que possui o conteúdo mais amplo
de todos. A prova pode cobrar tanto a literalidade da Constituição Federal como
Doutrina, Jurisprudência do STF e Teoria Geral do Estado. É comum ver a ESAF
mudando completamente o estilo de questões de uma prova para outra, tanto nos
assuntos abordados como no nível de dificuldade. Por isso é importante estar preparado
para qualquer coisa.
O melhor é iniciar estudando pelo livro do Vicente Paulo (Aulas de Direito
Constitucional, Ed Impetus), junto com o texto literal da Constituição Federal. Uma
coisa complemente a outra, pois o livro é mais voltado para as questões conceituais e
doutrinárias, e em algumas provas (como foi essa última de AFRF) é preciso ter
memorizado o texto literal da Constituição.
Logo em seguida eu estudaria o livro de questões comentadas ESAF do Gustavo
Barchet (Ed Impetus). Quase todas as questões já estão no livro do Vicente, mas são os
comentários do Barchet que valem a pena, ele faz alguns “mini-resumos” da teoria,
além de se aprofundar mais em alguns pontos da matéria. E Direito Constitucional é
uma matéria em que vale a pena fazer também as questões do CESPE, pois elas se
aprofundam muito mais na parte de doutrina / jurisprudência do que as questões da
ESAF. Então, se estivesse sobrando tempo, eu estudaria também o livro do Gustavo
Barchet de questões comentadas CESPE.
Na semana anterior à prova eu separaria um tempo para dar uma lida em toda a
Constituição Federal. Eu fiz isso para a prova de AFRF e no fim foi o que me salvou (a
prova foi burra, totalmente “decoreba”, às vezes isso acontece). É importante lembrar
que se o examinador quiser inventar uma pergunta impossível de Direito Constitucional
ele pode fazer isso, já fez algumas vezes (Ex: aquela questão do método hermenêutico
concretizador), mas não é essa questão que vai fazer a diferença.
Um curso que vale a muito pena fazer é o de exercícios de Direito Constitucional, com
Vicente Paulo (DF). Fiz esse curso em 2004, gravei aquelas aulas e cheguei a ouvir 4 ou
5 vezes essa gravação durante o ano de 2005. A cada vez que ouvia aprendia alguma
coisa nova. Pena que a prova de AFRF tenha sido tão boba, não pude usar quase nada
daquilo.
Direito Administrativo: Nessa matéria as provas da ESAF costumam ser bem diferentes
das provas de direito constitucional: uma parte das questões é conceitual e doutrinária,
essas normalmente não costumam ser muito complicadas. Há muitas questões que
apenas reproduzem o texto de algumas leis. Em licitações e contratos, por exemplo, em
99% das questões a ESAF copia o texto literal da lei 8666. E por isso elas acabam sendo
difíceis. Como as questões conceituais não costumam complicar muito, acho
desnecessário estudar livros mais pesados de doutrina, como Maria Sylvia di Pietro. O
que não se pode deixar de fazer de maneira nenhuma é ler periodicamente o texto de
todas as leis que costumam ser cobradas.
Eu estudaria da seguinte maneira: primeiro começaria pelo livro do Marcelo
Alexandrino (Ed Impetus), que, na minha opinião, é um livro excelente e atende uns
95% da parte conceitual e uns 80% da parte decorativa da prova. Depois de estudar esse
livro e de fazer todos os seus exercícios, eu leria o texto das seguintes leis: 8666, 9784,
8112, 8987, 10520, além do capítulo da Constituição referente à administração pública.
Uma lei que será muito importante nas próximas provas da ESAF é a 11079 (PPP´s),
pois é novidade. Faria esse estudo junto com a leitura do livro do Gustavo Barchet de
questões comentadas ESAF (Ed. Campus).
Muita gente não estuda a parte de licitação e contratos, porque não foi cobrada nos dois
últimos concursos de AFRF. Mas eu a estudaria se estivesse fazendo uma preparação de
longo prazo, por dois motivos: primeiro, essa matéria é cobrada em praticamente
qualquer outro concurso, então se no meio do caminho eu resolvesse fazer uma prova de
AFC, TCU ou fiscal do ICMS, já teria visto isso. Além disso, não é impossível que na
próxima prova de AFRF o pessoal da ESAF resolva colocar a parte de licitações dentro
do programa de administrativo, já que são 20 questões e essa é uma parte bem
importante da matéria.
Recomendo o curso teórico com o professor Cláudio José (RJ), a aula dele é de um
nível altíssimo, ele se aprofunda em pontos da doutrina que não estão nos livros da área
fiscal e que de vez em quando caem nas provas. Recomendo esse curso para aqueles que
já têm uma base na matéria.
Direito Tributário: Começaria o estudo de Direito Tributário pelo livro de teoria do João
Marcelo Rocha (Ed Ferreira). É um livro excelente, talvez um dos melhores que eu já li.
Acho ideal para quem está tendo um primeiro contato com a matéria. Como o autor não
copia o texto literal das leis, é importante acompanhar o estudo do livro com a leitura
simultânea do capítulo da constituição Federal referente ao STN e do Código Tributário
Nacional. Logo em seguida é bom complementar com o Manual de Direito Tributário
do Marcelo Alexandrino (Ed Impetus), ele se aprofunda em assuntos importantes que
não estão no livro do João Marcelo, como por exemplo a parte de Jurisprudência do
STF. Depois seria interessante estudar o livro de questões comentadas ESAF do João
Marcelo Rocha (Ed Ferreira). Por último, vem a parte mais chata do estudo de
tributário: é importante ler o CTN muitas vezes, memorizar o texto literal, porque as
provas da ESAF cobram isso de uma forma muito “burra”, nessa parte da matéria
decorar o texto da lei é indispensável. Quanto mais inútil for um dispositivo, maior é a
chance de ele ser cobrado. Na prova de AFRF2003, por exemplo, quem sabia bem o
texto do CTN e da Constituição conseguia acertar uns 80% da prova. Até artigos do
ADCT eles pediram.
Ultimamente as provas da ESAF têm cobrado também questões envolvendo a legislação
específica dos tributos federais. Eu só estudaria com profundidade a lei do SIMPLES
(9137). Para os outros tributos eu seguiria o conselho do professor Marcelo
Alexandrino, isto é, simplesmente abandonaria o estudo dessa parte do programa, se
eles fossem cobrados na prova eu chutaria as questões usando o bom senso. E se, fosse
o caso, perderia esses pontos. Foi essa minha estratégia na prova de AFRF 2005,
daquelas 5 questões de tributos específicos acho que eu acertei 2 ou 3. Mas no total
consegui fazer 17 dos 20 pontos possíveis.
Contabilidade: O melhor material nessa disciplina na minha opinião são os livros do
Ricardo Ferreira (Ed Ferreira). Eu começaria estudando pelo livro de contabilidade
básica. Logo em seguida estudaria o livro de questões comentadas ESAF. Depois
estudaria o livro Contabilidade Intermediária e Avançada, mas sem me aprofundar
muito nos capítulos de avançada, já que essa matéria não consta expressamente no
programa de AFRF, apesar de ter sido cobrada nessa última prova. E por último
estudaria o livro de Análise de Balanços, do mesmo autor.
Vale a pena lembrar que para ir bem nas provas de contabilidade da ESAF não basta
saber a matéria, é preciso ter muita velocidade para fazer as questões, classificar as
contas e montar as demonstrações. Por isso aconselho fazer esse livro de provas
comentadas várias vezes. Eu mesmo fiz umas quatro ou cinco vezes. Só assim é
possível memorizar a “jurisprudência esafiana” de contabilidade, ou seja, saber o quais
são os nomes que a ESAF usa para as contas de despesa, de passivo, REF, qual o
método que ela usa pra Reserva Legal, etc…
Quando as provas antigas já tiverem se esgotado, uma boa fonte de exercícios diferentes
e difíceis é o livro de Contabilidade Geral do Ed Luiz Ferrari (Ed Campus). Eu
pessoalmente não gosto da maneira como ele explica a matéria, acho pouco didática
para um iniciante, mas sem dúvida as questões que ele inventou e colocou no livro são
ótimas para forçar o raciocínio, algumas do capítulo de DOAR são muito mais
complexas do que qualquer questão de prova. Eu vejo o livro do Ed como boa fonte de
exercícios inéditos de contabilidade geral.
Recomendo o curso presencial com o Antônio César (RJ). Fiz com ele o curso de
Contabilidade Avançada em 2004, pois na época ainda não havia o boato de que as áreas
do concurso de AFRF seriam unificadas.
Português: Nessa matéria não saberia indicar um livro que cobrisse 100% do que é
exigido nas provas, talvez o melhor livro para começar seja o do Professor Renato
Aquino (Ed Campus), o problema é que é um livro muito básico, mais voltado para
concursos de nível médio. As provas da ESAF vão muito além disso. Então acho que
logo em seguida eu basearia meu estudo nas provas antigas da ESAF. Primeiro estudaria
o livro do Décio Sena de provas comentadas ESAF (Ed Ferreira) e depois imprimiria
todas as provas antigas que não estão nesse livro para tentar eu mesmo comentá-las. Em
2005 acho que eu imprimi e resolvi quase 40 provas de português. Eu também
resolveria os simulados do professor Décio Sena, eles são muito mais difíceis do que as
provas da ESAF e têm as respostas comentadas. Estão disponíveis no site do
vemconcursos e no da Editora Ferreira.
Aqui em São Paulo há uma excelente professora de português, a Fátima, eu não cheguei
a fazer o curso completo com ela, mas assisti algumas aulas grátis e recomendo. Várias
pessoas vêm de cidades do interior para fazer o curso dela.
Matemática Financeira e Estatística: Sobre essas matérias não tenho muito a falar já que
foi nelas que eu quase fui eliminado (fiz 6 questões antes das anulações, exatamente
40% da prova), acho que como sou engenheiro eu deixei essas duas matérias em
segundo plano. Não cheguei a estudar por nenhum livro, só li a apostila do pró concurso
e resolvi as provas anteriores.
Se estivesse começando hoje acho que estudaria pelo livro de Estatística do Sérgio
Carvalho e pelo de Matemática Financeira do Benjamim César (Ed Campus). Não li
esses dois livros, mas são os que a maior parte das pessoas recomenda. E, com certeza,
durante o meu estudo eu passaria a fazer todas as contas de divisão, multiplicação e de
raiz quadrada na mão mesmo, sem calculadora, pois é a isso que a ESAF está dando
importância.
Inglês: Também não tenho muito a falar sobre essa matéria. Como eu já tinha uma base
boa de inglês, essa também foi uma disciplina que praticamente não estudei. Em 2004
havia um livro que eu queria muito ler, o 5º do Harry Potter. Eu comprei a versão em
inglês e passei a todos os dias tentar traduzir mentalmente três ou quatro páginas do
livro. Para isso gastava uns 15 minutos por dia. Fiz isso durante uns 3 ou 4 meses, no
final desse período eu já estava pronto para fazer qualquer prova da ESAF.
Se eu estivesse começando hoje, faria alguma coisa semelhante ao que fiz com o livro
do Harry Potter, mas usaria para isso textos de revistas e jornais, já que são mais
parecidos com aqueles que caem nas provas. Além disso estudaria o livro da Série
Questões do professor Carlos Augusto (Ed Campus), que parece ser excelente.
Informática: Essa matéria é muito problemática, o conteúdo é imenso e não há limites
para o que pode cair na prova. Para a ESAF, acho que a princípio existe uma linha
separando as questões cobradas na área geral e as questões da área específica de
Tecnologia da Informação. Mas é muito comum ver o examinador cruzando essa linha,
ou seja, colocando questões na área geral tão aprofundadas como as de TI.
Por isso eu estudaria muito essa matéria, principalmente se não tivesse uma formação na
área de Exatas. Começaria pelo livro do João Antônio. Depois estudaria os textos que o
João Antônio escreveu na parte aberta do site do ponto sobre Segurança da Informação e
Assinatura Digital. Em seguida resolveria as 9 provas da ESAF que o João comentou,
também na parte aberta do site do ponto. E por último eu procuraria imprimir todas as
demais provas da ESAF que eu encontrasse e tentaria eu mesmo comentá-las.
Aqui vale o mesmo comentário que eu fiz para Direito Constitucional, isto é, se o
examinador quiser inventar uma questão impossível, que só um cara de TI saberia
responder, ele pode fazer isso, mas não é essa questão que vai decidir nada. Com esse
roteiro que eu fiz acho que é possível acertar de 70% a 80% das provas da ESAF com
tranqüilidade.
 Sem querer fazer propaganda de ninguém, se alguém tiver a chance de fazer o curso do
prof João Antônio (Recife) eu recomendo muito, por mais que os livros dele sejam
excelentes a aula presencial é melhor ainda. Ele ministrou um curso “super-info” aqui
em São Paulo no final de 2004. Na época não fiz esse curso pois a sala estava lotada,
mas depois de alguns meses peguei emprestado as fitas com um amigo e ouvi no carro,
no caminho para o trabalho, sem dúvida essa foi a base do meu estudo dessa matéria.
Direito Previdenciário: Nessa matéria eu faria um estudo mais direcionado para a prova
da ESAF, que costuma ser menos voltada para a parte de doutrina/jurisprudência e
muito mais literal e decorativa. Começaria o estudo pelo livro do Ivan Kertzmam (Curso
Prático de direito previdenciário, Ed Juspodium). Em seguida me dedicaria ao estudo do
decreto 3048, que, junto com o texto da Constituição Federal, é a base de toda prova de
previdenciário decorativa. Junto com a leitura do Decreto eu resolveria as quase 600
questões de prova comentadas que estão disponíveis gratuitamente no site do Dênis
Agnello ([Link]). Eu usei essas questões para direcionar meus
estudos, pois o conteúdo de Direito Previdenciário é imenso e quando se começa a
estudá-lo é difícil separar o que é importante do que não é.
Se houvesse muito tempo disponível, eu estudaria também o livro do Zambitte (Curso
de Direito Previdenciário, ed Impetus). Esse é sem dúvida o melhor livro de todos, o
problema é que ele não é muito objetivo, muitas vezes o autor se perde em coisas que
não caem na prova. É um livro muito bom para usar como fonte de consulta. Acho que
ele era indispensável quando a prova tinha 50 questões e era elaborada pelo CESPE,
mas para fazer 15 questões da ESAF não acho que vale a pena de aprofundar tanto. Para
quem for estudar pelo livro do Zambitte eu aconselho ter lido antes o texto do Decreto
3048.
Também recomendo o curso presencial com o Zambitte (RJ), pois na sala de aula ele é
totalmente objetivo, vai direto ao ponto. De todos os cursos que eu fiz na área de Direito
esse foi um dos que mais valeram a pena. Para quem não puder assistir as aulas
presenciais do professor, existe um “tele-curso” gravado pela Teljur, talvez seja
interessante.
Economia: Nessa matéria as provas da ESAF podem ser divididas em dois níveis de
complexidade: as questões da área fiscal (provas de AFRF, AFC, MPOG) e as provas de
Analista do Banco Central. Essas últimas são muito mais complexas e difíceis do que as
primeiras. Mas às vezes o examinador passa por cima da linha que separa esses dois
estilos de prova e coloca questões muito avançadas nas provas da área fiscal: isso
aconteceu nos concursos de AFTN 96 e 98 (área de PAT) e no MPOG de 2005. Por isso
é preciso ter em mente que por mais que o candidato estude, é impossível fechar o
programa de economia, sempre haverá a possibilidade de ele encontrar na prova uma
questão sobre um assunto que ele nunca viu.
Eu basearia o meu estudo no livro do Paulo Viceconti (Introdução à Economia - Ed
Frase, capítulos 7 a 12), esse livro é, junto com o de tributário João Marcelo Rocha, um
dos melhores livros que já li até hoje. Eu acho ele perfeito em quase tudo, o único
problema é que não cobre 100% do programa de AFRF. Para complementar eu estudaria
o capítulo 15 do livro do Mankiw (Macroeconomia, Ed LTC), que cobre a parte
principal da economia intertemporal, além de estudar o capítulo de Balanço de
Pagamentos do livro do Rodrigo Luz (REI, Ed Campus). O restante do programa eu
simplesmente abandonaria.
Logo em seguida eu tentaria resolver todas as provas de Macroeconomia aplicadas pela
ESAF para a área fiscal.
Finanças Públicas: Nessa matéria eu senti muita falta de um material de boa qualidade
direcionado para concursos, que reunisse todos os assuntos cobrados no edital. A
matéria em si é complexa e muito ampla, mas as provas da ESAF costumam ser bem
simples, não cobram nada além de um conhecimento básico. É preciso tomar cuidado
para não levar os conceitos de direito tributário para a prova de Finanças Públicas,
muitas vezes o examinador comete alguns erros de nomenclatura (usa “imposto”
quando deveria usar “tributo), muitos candidatos erram questões por causa disso.
Antes de começar o estudo de Finanças Públicas eu acho essencial ter terminado o
estudo de Macroeconomia. Em primeiro lugar estudaria o capítulo 13 do livro de
Economia do Viceconti (Ed Frase) e logo em seguida estudaria o livro do Rezende (Ed
Atlas). Esse último é um livro acadêmico, não é muito didático para quem está vendo a
matéria pela primeira vez, mas foi o único material que encontrei. Eu também daria uma
lida na Lei de Responsabilidade Fiscal (LC 101), que costuma cair na prova de AFRF
de maneira bem literal. Depois disso resolveria todas as provas de AFRF. Um professor
excelente de Economia e Finanças Públicas é o Geraldo Góes (DF).
Comércio Internacional e DIP: Sobre essas matérias acho desnecessário eu fazer
qualquer tipo de comentário, eu me orientei por um roteiro de estudos que o professor
Rodrigo Luz escreveu no site do ponto no mesmo dia em que o edital foi publicado,
acho que é interessante dar uma olhada nesse texto (ponto 41).
Eu estudaria pelos dois livros do Rodrigo Luz, Relações Econômicas Internacionais e
Comércio Internacional (Ed Campus). Também estudaria os textos que o Rodrigo Luz
escreveu no site do ponto, eles abordam alguns assuntos que não estão nos livros (ponto
43 em diante).
DIP eu começaria estudando o resumo que o Rodrigo Luz colocou no site do ponto.
Logo em seguida eu estudaria o livro do Rezek, que é um livro acadêmico e meio difícil
de ler, mas foi o único material que encontrei.
Gostei muito das aulas presenciais do Rodrigo Luz (RJ) de Comércio Internacional, esse
foi o único curso que eu fiz após a publicação do Edital e valeu muito a pena, achei
excelente a didática do professor.

Vicente Paulo: E se as orientações fossem para um candidato que já está estudando há


muito tempo, que acreditava ser aprovado no AFRF/2005, mas não foi? Quais seriam as
suas orientações para esse “recomeçar”?
Demetrio: O ideal seria se o candidato pudesse tirar umas “férias” do estudo para se
recuperar do stress por que passou nesse concurso de AFRF, mas nesse momento acho
que isso é justamente o que ele não deve fazer. 2006 está sendo um ano com excelentes
oportunidades de concursos: logo depois do AFRF veio a prova do TCU, em breve
teremos a de AFC, logo após serão publicados os Editais do ICMS SP e de Fiscal do
Trabalho. Há mais 3 concursos de fiscais estaduais com grandes chances de acontecer
esse ano: Rio Grande do Sul, Paraíba e Rio de Janeiro. Além disso ainda há o ISS do
município de São Paulo, que deve acontecer no segundo semestre. Então acho que esse
candidato não poderia de modo algum deixar essas oportunidades passarem em branco,
na minha opinião é muito provável que logo após essa “enxurrada” de concursos ter
terminado vamos ter um longo período sem praticamente nenhum concurso bom na área
fiscal. Se eu estivesse no lugar dessa pessoa, acho que agora tentaria iniciar o mais
rápido possível o estudo para o concurso de ICMS de São Paulo ou de Fiscal do
Trabalho.
Vicente Paulo: Sei que este pedido exigirá muito de você, mas não posso deixar de
fazê-lo, conto com a sua compreensão e desprendimento. Você poderia fazer um resumo
da sua história de preparação, isto é, de como você se preparou para o AFRF/2005
(quantas horas de estudo diariamente; quando descansava; qual a metodologia
empregada; como programava os estudo; como dividia o tempo entre teoria e
exercícios; quando fazia cursinho e quando só estudava em casa etc.)?
Demetrio: Estudei para esse concurso durante quase três anos , sendo dois com
dedicação integral e um trabalhando. Durante esse tempo interrompi o estudo algumas
vezes. Também fiz outras concursos, como o da CVM e o de TRF em 2003, mas meu
objetivo principal sempre foi o AFRF.
Comecei a estudar em março de 2003. Eu não conhecia ninguém que estivesse no ramo
dos concursos, por isso nesse ano eu fiz muitas coisas erradas, perdi muito tempo
estudando por material ruim, fiz cursos que não me ajudaram em nada. Além disso,
como eu não tinha amigos que tivessem os mesmos objetivos que eu, não sentia
nenhuma motivação para estudar. Talvez se naquela época eu tivesse tido uma boa
orientação eu teria feito tudo diferente e teria sido aprovado no AFRF de 2003.
A primeira coisa que eu fiz foi me matricular em um cursinho do estilo “pacotão”,
daqueles que duram 8 ou 9 meses e prometem preparar a pessoa para qualquer concurso
da área fiscal. Mais tarde descobri que essa foi o meu primeiro erro, porque aquelas
aulas eram muito superficiais e consumiam muito tempo, teria sido melhor usar esse
tempo para estudar em casa com bons livros. Mas naquela época eu achava que não ia
precisar estudar por livros. E esse foi o segundo erro: eu não fazia a menor idéia de que
precisaria estudar tanto para passar em um bom concurso da área fiscal.
Eu tinha o dia inteiro livre mas não aproveitava mais do que 3 ou 4 horas para o estudo.
Acho que eu estava passando por um problema que é muito comum entre os
concurseiros, a “desculpite” (essa palavra eu li no depoimento do Alexandre Meirelles e
achei ela perfeita). A pessoa sabe o que deve fazer mas não consegue arrumar motivação
para vencer a inércia e colocar seus planos em prática. Fica arrumando desculpa para
tudo, era isso que eu fazia. Não estudava porque tinha acabado de sair de um curso
muito puxado de Engenharia, estava cansado, etc, etc... Na verdade hoje eu vejo que
isso era uma mistura de falta de informação com falta de motivação.
No meio de Agosto de 2003 foi publicado o Edital da CVM. Era um concurso com
poucas vagas. Tirando duas matérias específicas de mercado de capitais, todas as outras
estavam no Edital de AFRF. E ainda nesse segundo semestre de 2003 aconteceu algo
parecido com o que está acontecendo nesse primeiro semestre de 2006: muitos
concursos excelentes da área fiscal foram autorizados ao mesmo tempo. Isso divide a
concorrência, faz com que cada candidato tenha que escolher uma prova e abandonar as
outras. Por isso alguns concursos ótimos ficam bem mais acessíveis do que seriam em
condições normais. Foi o que aconteceu com esse concurso da CVM, e acho que é o que
talvez acontecerá esse ano com o ICMS-SP.
Quando decidi que ia fazer essa prova da CVM eu consegui vencer a barreira da
“desculpite” e comecei a estudar pra valer. Abandonei aquele curso “pacotão” e passei a
estudar em casa 8 horas por dia, todos os dias semana. Usei as apostilas do próconcurso,
pois esse era o melhor material que eu conhecia na época. Fiz também um curso
daquelas duas matérias específicas no próconcurso, aos sábados. Fui aprovado na CVM
e logo em seguida me inscrevi para a prova da Receita Federal. Eu sabia que com
conhecimento que eu tinha não havia chance de disputar uma vaga de Auditor, por isso
escolhi fazer a prova de Técnico. Passei para TRF na 8ª região fiscal.
A partir de então eu parei completamente de estudar, ficava o dia todo em casa
descansando. Foi nessa época eu conheci o antigo fórum do Correioweb. No começo eu
só lia o que os outros escreviam, mas depois comecei a participar ativamente, fiz muitas
amizades na internet, algumas das quais mantenho até hoje.
Quando eu conheci através do fórum as pessoas que se preparavam há tempo para a
Receita Federal, o que mais me chamou a atenção foi como meu estudo no ano anterior
havia sido superficial. Percebi que o pessoal da área fiscal estudava muito mesmo, em
algumas matérias era como se eles quisessem gabaritar a prova, a maioria lia dois ou
três livros por disciplina, lia 10x o CTN, fazia mais de mil de exercícios por matéria...
Além disso quase todos usavam os livros escritos para concursos da Editora Ímpetus e
da Editora Ferreira, ninguém estudava por apostila. Ou seja, eu vi que se eu realmente
quisesse passar num concurso de AFRF ainda teria que ralar muito…
Passaram-se aproximadamente 4 meses até eu perceber que o concurso da CVM tinha
melado na justiça e que eu teria que recomeçar a estudar o mais rápido possível.
Retomei os estudos em março de 2004. Comecei do zero mesmo, como se nunca tivesse
visto nenhuma matéria, usando o material que o pessoal do fórum me indicava.
Estudava só aquelas 5 matérias básicas: Constitucional, Administrativo, Tributário,
Contabilidade Geral e Português. Minha rotina era assim: acordava, fazia 30 minutos de
exercício físico, estudava dois blocos de 1:30h, almoçava e estudava mais 4 blocos de
1:30h. Entre uma matéria e outra fazia um intervalo de 15 minutos. Fiz isso durante 5
meses, tempo que foi o suficiente pra terminar aquela primeira fase do estudo que eu
comentei. Durante esse período eu também fiz alguns cursos aqui em São Paulo: Direito
Tributário com o Lugon, Direito Previdenciário com o Zambitte e Contabilidade
Avançada com o Antônio César. Eu tinha um gravador de fita cassete e com ele gravava
as aulas que assistia, mais tarde essas gravações foram muito úteis para mim.
Em Agosto de 2004 começaram a surgir os boatos de que a prova de AFRF não seria
mais dividida por áreas e a partir daí ninguém sabia mais quais matérias seriam
cobradas. Isso foi me desestimulando e fazendo com que eu fosse reduzindo cada vez
mais o meu ritmo de estudo, até parar completamente. Mas eu ainda fiz mais dois cursos
nesse ano: Direito Administrativo com Cláudio José e exercícios de Direito
Constitucional com Vicente Paulo. Só que não tinha mais motivação para estudar, pois
eu já havia esgotado todo o material disponível daquelas cinco matérias básicas e não
queria perder tempo estudando alguma coisa que não fosse cair. Hoje eu percebo que
aquele era o momento de pensar em fazer outros concursos semelhantes ao AFRF, como
o de ICMS de minas gerais ou da Polícia Federal, que aconteceram no final de 2004. Ou
deveria ter estudado alguma das matérias incertas do AFRF, como Informática,
Economia ou Finanças Públicas. Acabei ficando desestimulado e não estudei mais nada.
E assim se passaram mais 4 meses.
Durante esses meses a prova de redação do concurso da CVM foi anulada e fiz uma
nova prova. Finalmente, em janeiro de 2005, todos os candidatos aprovados foram
nomeados. Comecei a trabalhar na CVM em fevereiro de 2005, a remuneração era
equivalente à do AFC CGU, a lotação era aqui na capital de SP e o ambiente de trabalho
era bom. Mas logo eu percebi que não podia desistir do concurso de AFRF, eu tinha que
continuar tentando senão ficaria pra sempre com aquele peso na consciência. Então em
março de 2005 eu decidi retomar os estudos para AFRF, mas agora tendo que conciliar
isso com uma rotina de trabalho de 8 horas por dia.
No começo foi muito difícil, senti uma diferença enorme em relação à época em que eu
tinha o dia todo livre para estudar. Eu chegava em casa cansado e a última coisa que eu
tinha vontade de fazer era pegar nos livros. E mesmo quando eu conseguia fazer isso
parecia que o estudo não rendia nada, eu tinha dificuldade para me concentrar, cada
hora estudada não valia nem pela metade. Então tive que me adaptar a essa situação,
para isso eu usei as dicas do Willian Douglas para disciplinar meus horários e as do
Gustavo Barchet para mudar a metodologia de estudo.
Minha rotina de segunda a sexta passou a ser assim:, acordava 6:00 e estudava até as
8:00, tomava banho/café e 8:30 saía para o trabalho. No caminho para o trabalho
escutava as fitas dos cursos que havia gravado no ano anterior, além de uma gravação
do CTN que minha irmã fez pra mim. No trabalho saía para almoçar 12:30h, comia em
15 minutos num restaurante por quilo (ruim pra caramba) que ficava na frente do prédio
da CVM, voltava e estudava mais 45 minutos. Das 18:00 às 18:30 voltava para casa
ouvindo as fitas no carro. Jantava em meia hora e às 19:00 começava a estudar. Depois
de algum tempo fazia uma pausa de 15 minutos e logo depois retomava até as 22:45.
Dessa forma eu conseguia estudar 5 horas e meia por dia, com mais 1 hora ouvindo a
gravação das aulas.
Nos finais de semana eu estudava de 8 a 10 horas por dia, sendo que tanto no sábado
como no domingo eu separava 1 hora para o lazer. De vez em quando eu fazia meia hora
de caminhada em casa com uma esteira ergométrica, também ouvindo as fitas gravadas.
Toda essa rotina era controlada numa planilha que eu fiz no computador, nela eu
digitava exatamente quantos minutos tinha conseguido estudar cada dia, quantas horas
tinha ouvido as fitas na semana, etc... Essa era uma forma de me policiar, garantir que
eu estava cumprindo aquele planejamento.
Consegui manter essa rotina até a publicação do edital, ou seja, durante
aproximadamente 8 meses. Nesse tempo eu estudei todas aquelas matérias básicas (eu
havia esquecido todas elas), além de matemática, estatística, informática, contabilidade
avançada, ética, organização do ministério da fazenda e um pouco de direito
previdenciário. O interessante é que esse foi o ano em que menos tive tempo livre, mas
ao mesmo tempo foi o ano em que eu mais estudei. Por isso hoje eu acho que é possível
estudar para um concurso como o de AFRF mesmo sem largar o emprego, normalmente
as pessoas que têm o dia inteiro livre para estudar não aproveitam esse tempo. E mesmo
que as horas disponíveis para o estudo sejam poucas (3 ou 4 por dia), se a pessoa
conseguir manter essa rotina por muitos meses seguidos ela passa na frente de quem não
está trabalhando. O importante é conseguir manter a disciplina por um período longo de
tempo, sem “desculpites”.
Em 2005 minha metodologia de estudos era totalmente direcionada para a resolução de
exercícios e memorização da legislação. Eu já tinha lido os livros teóricos, então no
começo estudava só pelos livros de questões comentadas. Mais adiante eu mesmo
comecei a comentar questões de prova, só que mentalmente. Eu pegava uma prova da
ESAF, lia as alternativas e tentava justificar por que cada alternativa estava certa ou
errada, para isso eu consultava de vez em quando os livros que já havia lido e sempre
procurava fundamentar as respostas na legislação (CF, CTN, lei 8112, etc...). Fazia isso
com 20 questões de uma matéria, depois com 20 de outra, e assim sucessivamente. Era
uma espécie de “ciclo” em que tudo aquilo que eu havia estudado era revisado.
Com esse método eu fazia cerca de 200 ou 300 questões por semana. Devo ter resolvido
mais de 2000 questões de cada disciplina. A princípio só estudava pelas questões da
ESAF, mas depois de algum tempo essas provas se esgotaram, então passei a resolver
questões de outras bancas também, além das questões de simulados inventados por
professores. Mas sempre dava preferência às questões da ESAF, não importava se eu já
tinha feito aquela questão antes, eu resolvia de novo. Algumas provas de contabilidade
eu cheguei a resolver 5 vezes.
Quando saiu o Edital de AFRF assim como todo mundo eu fiquei muito nervoso. Achei
que não ia dar tempo de aprender tanta coisa nova em menos de 60 dias, ainda mais pra
mim que tinha que trabalhar também, parecia impossível. Então eu radicalizei, passei a
dormir menos (6 horas por dia, no máximo), a ouvir as fitas enquanto comia (no café,
almoço e jantar), além de aproveitar cada minuto que eu tivesse à minha disposição para
o estudo. Nos finais de semana eu chegava a estudar até 13 horas líquidas em um dia.
Eu só fiz isso porque estava muito motivado mesmo, queria muito passar. Hoje eu já
não conseguiria mais estudar dessa forma por muito tempo.
Estudei até o último minuto antes da prova. Levei o material para a escola e estudei nos
intervalos entre uma prova e outra também. Eu fiz isso porque estava confiante de que
na hora da prova não ficaria nervoso. Para conseguir manter a calma usei um método
que vi em algum livro de neurolinguística, era mais ou menos assim: um pouco antes da
prova eu fechava os olhos e repetia mentalmente “tudo está dando certo”. Aí tentava me
imaginar entrando na sala, abrindo o caderno de questões, lendo a prova e só vendo
perguntas de assuntos que eu sabia. Eu imaginava as coisas acontecendo da melhor
forma possível, com todos os detalhes. E continuava repetindo... “tudo está dando
certo”. O resultado disso é que na hora da prova real tudo acabou dando certo mesmo,
justamente porque eu estava calmo.
E é isso aí, escrevi esse depoimento para deixar algumas dicas pro pessoal que acessa o
site do ponto, essa foi minha experiência nos concursos, tomara que ela sirva pra ajudar
outras pessoas que estão começando agora. Cada um tem um método de estudar, isso é
uma coisa muito pessoal, esse método funcionou bem pra mim mas não sei se
funcionaria pra todos.

Vicente Paulo: O que você acha do Ponto? Já pensou em, depois desses seus estudos
para o concurso de Fiscal de São Paulo (que, aliás, eu já te disse, são dispensáveis,
porque você já está aprovado neste concurso de São Paulo, é dar uma olhada rápida nas
disciplinas específicas!), passar pelo Ponto novamente para, de alguma maneira,
colaborar com candidatos da área fiscal de todo o País? O convite está feito.
Demetrio: Legal, talvez depois que passe esse período de curso de formação e de
adaptação ao trabalho na Receita Federal eu pense em dar aulas e escrever sobre alguma
matéria de concurso. Por enquanto ainda nem pensei nisso, daqui a três semanas começa
o curso de formação de AFRF, não sei como será dessa vez, mas aquele que minha mãe
fez em 1998 foi terrível, muito estressante. E durante o curso de formação ainda vou
tentar fazer o concurso de ICMS de São Paulo. Na realidade o que eu quero mesmo é
trabalhar na Receita Federal, mesmo que lá eu ganhe um pouco menos que um auditor
da fazenda estadual. Mas, como nós sabemos, a ESAF fez mais algumas trapalhadas no
AFRF quando publicou 3 listas diferentes de aprovados, acho que depois daquilo que
aconteceu no concurso da CVM eu fiquei meio traumatizado com esses “rolos”
judiciais. Por isso pensei em fazer o concurso ICMS só pra garantir. Mas ainda não
estudei quase nada! Olha a “desculpite” de novo…

Vicente Paulo: Deme (falaram-me que você é conhecido na web assim!), foi uma
grande satisfação ter mantido esse contato contigo. Considero-me uma pessoa
razoavelmente disciplinada, determinada, e tenho uma grande admiração por pessoas
como você, jovem, que pensa grande, que não se acomoda, que vai à luta, na
concretização de sonhos. Muito obrigado por esta entrevista, pelo respeito dispensado
ao meu trabalho (e ao de outros professores do site). Tenho certeza de que suas palavras
“viajarão” pelas mentes de muitos concursandos desse imenso País, de norte a sul, como
um grande incentivo para continuarem na luta, para não se entregarem ao desânimo.
Muitas realizações, a você e a todos os seus próximos, que têm a felicidade de conviver
com uma pessoa tão positiva! É isso, Deme, pessoas como você merecem ir longe, e eu
tenho certeza de que você irá, sei que ainda ouvirei falar muito nesse tal “Deme” por
aí...

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