APOSTILA PREPARATÓRIA
PARA O EXAME
MESTRE AMADOR
OBTENÇÃO DA HABILITAÇÃO PARA PILOTAR
EMBARCAÇÕES NA ATIVIDADE DE
ESPORTE E RECREIO.
FEVEREIRO, 2016
EXAME DE HABILITAÇÃO
O exame constará de uma única prova escrita, constituída de 40 questões do tipo múltipla
escolha. O candidato será considerado aprovado com 50% ou mais de acertos. A duração da prova
será de 2 horas. Para a realização da prova o candidato deverá portar o protocolo de inscrição e
carteira de identidade. Durante a prova, o candidato poderá utilizar caneta azul ou preta e lápis
ou lapiseira, régua, esquadros ou régua paralela, transferidor, compasso e borracha.
RECOMENDAÇÃO DO AUTOR
Embora a Marinha do Brasil, não exija Curso Prático para Mestre-Amador, recomenda-se que o
interessado procure uma escola náutica ou um amigo que possa lhe dar umas aulas práticas, de
forma que o candidato sinta-se seguro na hora de pilotar sua embarcação na navegação costeira.
Lembre-se a Segurança no Mar é de imensa importância, pois o comandante ou piloto do barco é
responsável pela vida de seus tripulantes, familiares e amigos, bem como de seu bem maior, sua
própria vida.
Capitão-Tenente (RM1-AA) Evangelista da Silva
Arte, criação, desenvolvimento e atualização.
ÍNDICE
Unidade 1 - Fundamentos da Navegação 01
Unidade 2 - Cartas Náuticas 08
Unidade 3 - Publicações de Auxílio à Navegação 20
Unidade 4 - Instrumentos de Auxílio à Navegação 31
Unidade 5 - Radar e GPS 43
Unidade 6 - Noções de Funcionamento da EPIRB 59
Unidade 7 - Noções de Estabilidade 63
Unidade 8 - Meteorologia 70
Unidade 9 - Navegação e Balizamento (RIPEAM) 87
Unidade 10 - Sobrevivência no Mar 102
Unidade 11 - Navegando com Agulhas Magnéticas 113
Unidade 12 - Rumos e Marcações 120
Unidade 13 - Posição no Mar 128
[Link] [FUNDAMENTOS DA NAVEGAÇÃO]
Unidade 1:
Nesta unidade, você terá uma visão geral dos diferentes tipos e métodos de navegação; conhecerá as
principais linhas, pontos e planos do globo terrestre; aprenderá sobre o sistema de coordenadas
geográficas; verá as unidades de medidas usadas na navegação, e entenderá sobre as diferenças
entre Loxodromia e Ortodromia, suas vantagens e desvantagens.
Navegação Que navegar, alem de ciência, é uma arte, todos os bons
navegantes já sabem. Eis aqui a definição universal de
navegação: “Navegação é a ciência e a arte de conduzir uma
embarcação de um ponto a outro da superfície da Terra com
segurança”. Para tal o navegante considera informações sobre
cartografia, meteorologia, auxílios à navegação, sistemas de
posicionamento, perigos existentes e outros.
Tipos e Métodos de Basicamente, quanto à distância em que se navega da costa
ou obstáculo mais próximo, a navegação pode ser de três tipos
Navegação principais:
Navegação em Águas Restritas – também denominada
Navegação Interior é aquela que se pratica em águas
consideradas abrigadas, tais como no interior de portos,
baías, canais, rios, lagos e lagoas. É, também a navegação
utilizada próximo à costa (ou perigo mais próximo) menores
que 3 milhas náuticas de terra. É o tipo de navegação que
exige maior precisão. (Arrais-Amador, Veleiro e Motonauta).
Navegação Costeira – é a navegação que se faz ao longo da
costa, entre portos nacionais e estrangeiros, dentro dos
limites de visibilidade da costa, à vista de terra, não
excedendo a 20 milhas náuticas. Na navegação costeira a
posição da embarcação é determinada visualmente,
tomando-se por referências, pontos notáveis em terra, tais
como: pontas, ilhas, faróis, torres, edificações etc. (Mestre-
Amador).
Navegação Oceânica – também definida como sem
restrições, isto é, aquela realizada fora dos limites de
visibilidade da costa, além das 20 milhas náuticas, e sem
outros limites estabelecidos. É caracterizada quando a
embarcação navega suficientemente afastada de terra e
Observação: áreas de tráfego nas quais os perigos de águas rasas e de
- Os valores e definições apresentados para
águas restritas, costeira e oceânica, tem
abalroamento são relativamente pequenos. (Capitão-
como base a Norma da Autoridade Marítima Amador).
para Amadores (NORMAM-03/DPC).
Em qualquer um dos tipos de navegação, o nauta utiliza-se
Nauta
de um ou mais métodos para determinar a posição da
- Aquele que navega; navegador,
marinheiro. embarcação no mar. Os principais são:
Navegação Astronômica – método em que o navegante
Pontos Notáveis determina a posição da embarcação pela observação dos
- São normalmente pontos conhecidos astros (Sol, Lua, planetas e estrelas). Normalmente, só é
devidamente representados nas Cartas
Náuticas. São exemplos de pontos notáveis:
utilizada em alto-mar (navegação oceânica).
montanhas, pontas, cabos, ilhas, faróis, Navegação Visual – método que tem por princípio
torres, edifícios, faroletes, igrejas e outros, determinar o rumo ou rota da embarcação com base em
existentes ou dispostos, em terra, para pontos notáveis em terra ou na costa (utiliza referências
determinar a posição no mar.
Mestre-Amador 1
[FUNDAMENTOS DA NAVEGAÇÃO]
Execução da Navegação visíveis), valendo-se de acidente naturais e artificiais, tais
- Não há dúvidas que dos três tipos como: pontas, ilhas, faróis, torres, edificações etc. (comum
primários de navegação existentes –
oceânica, costeira e em águas restritas – em navegação costeira).
está última exigirá do navegante maior Navegação Eletrônica – método que tem por princípio obter
atenção e um cuidado na precisão do a posição da embarcação com auxílio de equipamentos
cumprimento da derrota, por envolver a eletrônicos, tais como, radar, radiogoniômetro, GPS e
proximidade de perigos à navegação.
outros.
Navegação Estimada – método aproximado de navegação.
Pode ser à vista de terra ou não. Neste método o princípio é
calcular a posição da embarcação em função de outra
posição já conhecida do navegante, utilizando-se o rumo, a
velocidade no mar e o intervalo de tempo entre as
posições.
Forma da Terra Algumas civilizações antigas acreditavam que a Terra era
plana; os gregos, porém, já imaginavam que a Terra era
redonda. Chegaram a essa constatação graças a simples
observações:
Quando uma embarcação se afastava da costa, primeiro
sumia o casco e só depois as velas.
Os exploradores descreviam mudanças de posição das
estrelas no céu, conforme viajavam para o norte ou para
o sul.
A observação dos eclipses lunares mostra que a sombra
da Terra projetada na superfície da Lua é sempre
esférica.
Hoje, após centenas de novos estudos, sabe-se que a forma
da Terra não é a de uma esfera perfeita e sim a de esferóide
(ou geóide) achatada nos polos devido ao movimento de
Eclipses Lunares rotação ao redor de seus eixos, porém para fins de navegação,
- Acontecem quando a Lua passa pela sombra sua forma é considerada esférica, que possui centro e círculos
da Terra. Ocorre somente quando a Lua está na superfície como linhas imaginárias.
no ponto mais distante da Terra, a partir do Essas linhas imaginárias cruzam a superfície terrestre em
Sol, eclipses lunares só podem acontecer
quando é lua cheia.
dois sentidos: umas, no sentido leste-oeste (horizontal); outras
no sentido norte-sul (vertical). E estão divididas, basicamente,
em paralelos e meridianos.
Principais Linhas, Pontos e Os parâmetros mais importantes a observar são:
Eixo Terrestre – é a linha imaginária em torno da qual a
Planos da Esfera Terrestre
Terra executa seu movimento de rotação de Oeste para
Leste.
Polos – são os extremos do eixo terrestre. Ao extremo norte
temos o Polo Norte (N) e ao extremo Sul temos o Polo Sul
(S).
Círculo Máximo – se cortarmos a esfera terrestre por um
plano horizontal que passa pelo centro da Terra
(semelhante a dividir uma laranja em duas partes iguais)
teremos um círculo máximo. Esse círculo aparece nas cartas
náuticas como uma linha horizontal na latitude 0°, e é
chamado de Equador. O Equador, conhecido também como
Equador Terrestre é definido como o círculo máximo
Mestre-Amador 2
[FUNDAMENTOS DA NAVEGAÇÃO]
horizontal da esfera terrestre perpendicular ao eixo polar e
equidistante de ambos os polos, que divide a Terra em dois
hemisférios chamados Norte (N), acima do Equador, e Sul
(S), abaixo do Equador. A partir do equador (na latitude 0°)
são contados noventa graus (90°) para Norte e 90° para Sul.
Círculo Menor - se cortarmos a esfera terrestre por um
plano horizontal que NÃO passa pelo centro da Terra
(semelhante a dividir uma laranja em duas ou mais partes
desiguais), as seções resultantes serão os círculos menores.
Esses círculos aparecem nas cartas náuticas como linhas
horizontais e são chamados de paralelos. Paralelos são cada
um dos círculos menores da superfície terrestre paralelos ao
equador. Seus raios são sempre menores que o do Equador.
Equador e Paralelos A partir do equador, na posição de zero grau, os paralelos
- É importante entender que temos infinitos servem para determinar as latitudes dos lugares (de um
paralelos de latitude, sendo que o Equador é determinado ponto).
um único paralelo, e com um círculo
máximo, todos os outros são círculos Meridianos – são os círculos máximos verticais da esfera
menores. terrestre, limitados pelos polos (vão do polo norte ao polo
sul). Ou seja, passam por ambos os polos da Terra, e
cruzam-se entre si nestes pontos (semelhante aos gomos de
uma laranja).
Meridiano de Greenwich – também chamado meridiano de
origem, meridiano zero ou primeiro meridiano, é o
meridiano que serve de referência para a contagem das
longitudes. As longitudes assumem valores entre 000⁰ e
180° para Leste ou para Oeste, a partir do meridiano de
Greenwich. Este é o meridiano que passa pelo laboratório
naval de Greenwich (Inglaterra).
Antimeridiano – É o meridiano que está oposto 180° ao
meridiano de Greenwich.
É importante observar que:
Meridiano de Greenwich
- Os meridianos convergem do equador (0°) para os polos 90°
- Possui esse nome porque é o meridiano
que passa sobre um observatório
(N ou S), onde se encontram.
astronômico localizado na cidade de - Os paralelos mantém entre si um mesmo afastamento para
Greenwich (Inglaterra). O Meridiano de leste ou oeste (E – W).
Greenwich divide a Terra em dois - Os meridianos e os paralelos se cruzam num ângulo de 90°.
hemisférios Leste (E) e Oeste (W). - A interseção (cruzamento), de um meridiano com um paralelo
nos fornece as coordenadas de um ponto (chamado de ponto
geográfico).
Sistema de Coordenadas As coordenadas geográficas foram desenvolvidas para dar
mais segurança ao navegante e principalmente, para permitir
Geográficas que se registrasse em mapas e cartas a exata localização dos
pontos de destino e as rotas que levavam até eles.
Qualquer posição sobre a superfície da Terra é determinada
pelas Coordenadas Geográficas, expressas em graus (°),
minutos (‘), e segundos (“), que utilizam como referência a
linha do equador e o meridiano de Greenwich, e são chamados
de Latitude e Longitude, como veremos a seguir:
Latitude (ou latitude de um lugar) – é o ângulo ou arco de
meridiano formado, no centro da Terra, a partir do equador
Mestre-Amador 3
[FUNDAMENTOS DA NAVEGAÇÃO]
terrestre, até o paralelo do lugar. As latitudes assumem
valores entre 00° até 90° para norte ou sul. Por convenção,
a Latitude de um lugar é representada pela letra grega -
“Phi” ou a abreviatura “Lat.”. A diferença em minutos, sobre
um meridiano, entre o equador, nos fornece a latitude de
um lugar ou latitude de um ponto.
Longitude (ou longitude de um lugar) – é o ângulo, formado
no polo, pelo meridiano do lugar, e o meridiano de
Greenwich. Ou seja, é a distância entre um meridiano
qualquer e o meridiano de Greenwich (partindo do
Valores angulares meridiano de Greenwich ao ponto considerado). As
►Graus (°), minutos (‘) e segundos (“): longitudes assumem valores entre 000° no meridiano de
- Latitude: Os graus inteiros de latitude, os Greenwich a 180° no meridiano oposto (antimeridiano), no
minutos e segundos são sempre informados sentido leste (E) ou oeste (W). Por convenção, a longitude
com dois algarismos.
Exemplo: Lat. 29° 58' 03"S.
de um lugar é representada pela letra grega - - “Lambda”
- Longitude: Os graus inteiros de longitude ou a abreviatura “Long.”.
são sempre informados com três algarismos,
e os minutos e segundos com dois É importante observar que:
algarismos. - Um ponto geográfico na superfície da Terra. Isto é, o
Exemplo: Long. 050° 04’ 07”W.
cruzamento de um paralelo com um meridiano, é informado
- Sendo que os minutos e segundos de
latitude e de longitude não podem passar de
através das coordenadas geográficas de latitude e longitude,
59. nesta ordem, sendo que a latitude é medida sobre um arco de
meridiano e a longitude é medida sobre um arco de paralelo.
Princípio Básico: - Todos os pontos geográficos sobre a linha de um mesmo
- A latitude e a longitude constituem o paralelo terão a mesma latitude.
“endereço” de um ponto na superfície - Todos os pontos geográficos sobre um mesmo meridiano
terrestre. Daí conclui-se que, com as terão a mesma longitude.
coordenadas de latitude e longitude,
podemos facilmente determinar o local do
globo onde se encontra uma embarcação. Alguns problemas de navegação exigem cálculos
envolvendo latitudes e longitudes, como veremos a seguir:
Diferença de Latitude (ou caminho em latitude) – é a
distância angular, tomada ao longo de um meridiano
qualquer, entre os paralelos que passam por dois pontos
determinados. A diferença de latitude, entre dois lugares,
no mesmo meridiano é a distância entre dois lugares.
No cálculo da diferença de latitude, somamos as duas latitudes
quando estas estiverem em hemisférios diferentes (N-S), e
subtraímos as duas latitudes, quando estas estiverem no mesmo
hemisfério (N-N ou S-S).
Diferença de latitude: Diferença de Longitude (ou Caminho em Longitude) – é a
- Lat. 25°N + 25°S = 50°.
distância angular, tomada no equador, entre os meridianos
- Lat. 25°N - 15°N = 10°.
(O resultado da diferença de latitude não que passam por dois pontos determinados. A diferença de
tem denominação N ou S). longitude, entre dois lugares, na latitude de 00⁰, é igual ao
apartamento dos dois lugares.
O cálculo da diferença de longitude é similar ao da diferença de
latitude, ou seja, somamos as duas longitudes, quando estas
estiverem em hemisférios diferentes (W-E), e subtraímos as duas
longitudes, quando estas estiverem no mesmo hemisfério (W-W ou E-
E). A exceção é quando as longitudes estiverem em hemisférios
diferentes e a soma ultrapassa os 180°. Nesse caso, subtrai-se a soma
de 360° e o resultado será a diferença de longitude.
Mestre-Amador 4
[FUNDAMENTOS DA NAVEGAÇÃO]
Latitude Média entre dois lugares – a latitude média entre
Diferença de longitude:
dois lugares é a latitude do paralelo médio entre dois
- Long. 010°W + 030°E = 040°.
- Long. 010°W - 030°W = 020°. pontos de latitudes diferentes.
- Long. 090°W + 160°E = 250° - 360° = 110°. No cálculo da latitude média, somamos as duas latitudes e
(O resultado da diferença de longitude não dividimos o resultado por dois, quando estas estiverem no mesmo
tem denominação E ou W). hemisfério (N-N ou S-S), e subtraímos as duas latitudes e dividimos o
resultado por dois, quando estas estiverem em hemisférios diferentes
(N-S), dando ao resultado, a denominação da latitude de maior valor
Latitude média: absoluto.
- Lat. 30°N + 20°N = 50°N ÷ 2 = 25°N.
- Lat. 30°S - 20°N = 10° ÷ 2 = 5°S.
Longitude Média entre dois lugares – a longitude média
entre dois lugares é a longitude do meridiano médio entre
Longitude média: dois pontos.
(1)- Long. 015°E + 037°E = 52° ÷ 2 = 26°E. No cálculo da longitude média, acha-se o resultado pela
(2)- Long. 025°E - 051°W = 026° ÷ 2 = 013°W. semissoma das longitudes, quando estas estiverem no mesmo
(3) - Long. “A” = 140°W; Long. “B”= 160°E hemisfério e divide-se por dois (1). Longitude média entre hemisférios
- Long. “A” + Long. “B” = 300° (como o
diferentes, cuja soma seja menor que 180°, achamos pela
resultado passou de 180°), faremos mais um
cálculo: 360° - 300° = 060°. Vamos agora
semidiferença das longitudes, dando o nome do maior valor absoluto
dividir por 2; 060 ÷ 2 = 030°. Somamos agora (2); se o resultado for maior que 180°, nesse caso, somamos as
o resultado com a menor longitude: longitudes e diminuímos de 360°, dividimos o resultado por dois e
Long. = 140° + 030° = 170°W. somamos a longitude de menor valor absoluto (3), considerando o seu
sinal.
Unidades de Medidas A bordo dos navios trabalhamos com grandezas diferentes
das comumente utilizadas no dia-a-dia do brasileiro, como por
Usadas na Navegação exemplo:
Milha Náutica (NM)
Distância – No mar, as distâncias são medidas em milhas
- 1 milha Náutica é o comprimento do arco náuticas.
de 1 minuto de meridiano terrestre, fixado Milha Náutica, sigla NM (Nautical Mile) - também chamada milha
em 1852 metros. Tal resultado decorre do marítima, é a unidade para medida de distâncias, equivalente ao
fato da circunferência da Terra ter mais ou comprimento de um (1’) minuto do arco de círculo máximo do globo
menos a distância de 40.000 Km em uma terrestre. O seu valor foi fixado por Acordo Internacional (1929) em
circunferência de 360 graus. Nesse caso, 1852 metros.
pode-se dizer que um grau tem 111,1 Km.
Como cada grau tem 60 minutos, um minuto
valerá então 1,8517 Km, que convertido em Velocidade – No mar, a velocidade é expressa em nós.
metros, terá 1852 metros. Nó – é a velocidade de uma milha percorrida em uma hora, ou
seja, a relação entre espaço e tempo.
- Existem outras unidades de medida de
distâncias, que derivam do sistema inglês de Tempo – a unidade de medida de tempo é a hora.
medidas, sendo as mais comuns:
Hora - Como sabemos, a hora tem 60 minutos, e cada minuto tem
- Jarda (Yd): 01 Jarda = 0,9144 metro; e
- Pé (Ft): 01 Pé = 0,3048 metro.
60 segundos.
É importante saber que: Comumente, usa-se a regra do triângulo para calcular a
1 NM = 1852 metros e equivale a 1 minuto. distância, a velocidade e o tempo percorrido por uma
1 grau equivale a 60 minutos = 1 hora. embarcação.
1 minuto equivale a 60 segundos. Exemplo 1: Se uma embarcação navegou 640 milhas em 65 horas
e 18 minutos (65h18m), logo sua velocidade média foi de 9,8 nós.
Usando a Fórmula: V = D : T ► V = 640 : 65,18 = 9,8189 nós.
Exemplo 2: Sendo a velocidade média de 12,2 nós, e a duração da
viagem de 2 dias, 20 horas e 30 minutos (2dias20h30m), então a
distância navegada será de 835,70 milhas.
Usando a Fórmula: D = V x T ► D = 12,2 x 68,5 = 835,70
milhas.
Mestre-Amador 5
[FUNDAMENTOS DA NAVEGAÇÃO]
Ortodromia e Loxodromia Em um deslocamento entre dois pontos na superfície
terrestre o navegante planejará sua trajetória verificando as
posições que irá ocupar. A derrota planejada será função do
Derrota processo de navegação disponível e sempre poderá ser feita
- Linha traçada em uma carta de navegação por meio de duas linhas de rumos, a saber:
que uma embarcação deve seguir para se Ortodromia – originada das palavras ortho “reto” e dromos
deslocar com segurança de um lugar para
“caminho”, esta derrota se caracteriza por ser o menor
outro. Rumo ou direção que segue um navio
em viagem. segmento de um círculo máximo que passa por dois pontos
determinados, ou seja, a menor distância que liga dois
pontos da superfície terrestre, sendo o arco de círculo
máximo que os une.
Loxodromia – loxo significa “direção constante” e dromos
significa “caminho”. Também chamada linha de rumo,
loxodromia é a linha que faz sempre o mesmo ângulo com
todos os meridianos, ou seja, é a linha que intercepta os
vários meridianos seguindo um ângulo constante (ângulos
iguais). Ela se apresenta como uma espiral que tende para o
Polo. Didaticamente, recebe o nome de loxodromia, a
navegação feita, em arco de círculo menor, de um ponto a
outro da superfície terrestre, formando ângulos iguais com
os meridianos.
Ortodromia X Loxodromia (Vantagens e Desvantagens):
Embora a menor distância entre dois pontos na superfície
terrestre seja percorrida numa derrota ortodromica, a
Fonte: [Link]/dhn/bhmn/ navegação sobre uma ortodromia, é de difícil marcação nas
cartas, tendo em vista que o ângulo entre a curva e os
O caminho mais curto sucessivos meridianos que ela atravessa varia em cada
- O caminho mais curto entre dois pontos (A
e B) sobre o globo é um arco de círculo meridiano atravessado. Assim, quando se pretende navegar de
máximo, uma ortodromia. Numa carta de um ponto a outro na superfície terrestre, pela dificuldade em
Mercator esse caminho corresponde a uma se traçar uma derrota ortodromica, é sempre mais conveniente
curva. Nessa carta as linhas retas são navegar por uma loxodromia, isto é, por uma Linha de Rumo,
loxodromias, curvas de direção cardeal
constante.
indicada pela agulha, na qual a direção da proa da embarcação
corte todos os meridianos sob um mesmo ângulo.
Pontos Cardeais Existem diversas formas de orientação para o navegante,
uma delas é a dos pontos cardeais.
Observando a natureza, o homem percebeu que o Sol nasce
todas as manhãs, aproximadamente, no mesmo lado do
horizonte e se põe, ao entardecer, no lado oposto. Assim,
tomou o lado no qual o Sol nasce como referência para criar os
pontos cardeais.
O lado no qual o Sol nasce foi denominado de Leste (E); o
lado onde o Sol se põe foi denominado de Oeste (W).
Conhecidos esses dois pontos, foram criados mais dois outros:
o Norte (N) e o Sul (S).
Para simplificar a localização foram criados pontos
intermediários no meio dos pontos cardeais. Esses pontos
foram denominados de pontos colaterais: Sudeste (entre sul e
leste – sigla SE), Nordeste (entre norte e leste – sigla NE),
Rosa dos ventos
Noroeste (entre norte e oeste - sigla NW) e Sudoeste (entre sul
Mestre-Amador 6
[FUNDAMENTOS DA NAVEGAÇÃO]
e oeste - sigla SW). E, ainda entre os pontos colaterais foram
Rosa dos ventos estabelecidos os pontos subcolaterais que se encontram no
- É no mostrador da bússola (agulha náutica)
em que aparecem o conjunto composto dos intervalo de um ponto cardeal e um colateral, que totalizam
pontos cardeais, colaterais e subcolaterais oito pontos. São eles: nor-nordeste (sigla NNE), nor-noroeste
que formarão a rosa dos ventos. É a rosa dos (WNW), es-nordeste (ENE), es-sudeste (ESE), su-sudeste (SSE),
ventos que fornece ao navegante as su-sudoeste (SSW), oes-sudoeste (WSW) e oes-noroeste
direções de que ele precisa para executar a
navegação.
(WNW). Para registrar todos os pontos apresentados foi criada
a rosa dos ventos, também conhecida como rosa de rumos ou
rosa circular. Dessa forma, para permitir a navegação em
qualquer direção, inclusive entre as intermediárias, é que a
rosa dos ventos, apresenta-se na carta náutica graduada de
000° a 360° graus no sentido horário (sentido de rotação que
acompanha o movimento dos ponteiros do relógio).
Glossário Glossário de Termos empregados e não especificamente
definidos no corpo desta unidade:
Apartamento
Apartamento - é a distância entre dois meridianos, medida
- Exprime a distância do navio entre os num determinado paralelo de latitude e expressa em
portos ou costas. medida linear, ou seja, é a distância percorrida no sentido
leste (E)-Oeste (W), quando se navega de um ponto a outro
da superfície terrestre em um mesmo paralelo.
Caminho em latitude - distância angular, tomada ao longo
de um meridiano qualquer, entre os paralelos que passam
por dois pontos determinados.
Caminho em longitude - distância angular, tomada no
Equador, entre os meridianos que passam por dois pontos
determinados.
Diferença de Latitude - é a distância entre dois lugares no
mesmo meridiano.
Enfiamento e Alinhamento Diferença de Longitude – é a distância entre dois lugares,
- Se um observador vê dois objetos em linha num mesmo paralelo.
então ele estará sobre a direção que os une.
Então, diz-se que os objetos estarão
Enfiamento – é o alinhamento de dois pontos bem definidos
enfiados. em terra.
Jarda – unidade de medida, equivalente a 1/2000 da milha.
Saiba mais
Você pode saber mais sobre os assuntos estudados nesta unidade consultando os seguintes endereços
eletrônicos:
[Link]
(O problema geral da Navegação)
[Link]
(A Terra e seus Movimentos. A Esfera Terrestre)
[Link]
Mestre-Amador 7
[CARTAS NÁUTICAS] Unidade 2
Nesta unidade, você conhecerá as cartas náuticas e as suas múltiplas informações; terá uma visão
geral dos sistemas de projeção, escalas, informações contidas na carta, cores e manuseio, com
ênfase à carta náutica na projeção de Mercator.
Cartas Náuticas Uma carta náutica é na realidade um mapa que tem como
propósito servir de ferramenta à navegação em meio aquático.
Suas informações compreendem levantamentos de áreas
oceânicas, mares, baías, rios, canais, lagos, lagoas, ou qualquer
outra massa d’água navegável; representam ainda os acidentes
terrestres e submarinos, fornecendo informações sobre
profundidades, perigos à navegação (bancos, pedras
submersas, cascos soçobrados ou qualquer outro obstáculo à
navegação), e ainda, natureza do fundo, fundeadouros, áreas
de fundeio, auxílios à navegação (faróis, faroletes, boias,
balizas, luzes de alinhamento, radiofaróis etc.), altitudes e
pontos notáveis aos navegantes, linha da costa e de contorno
de ilhas, elementos de marés, correntes e magnetismo e outras
indicações necessárias à segurança da navegação. As cartas
náuticas estão associadas a um sistema de coordenadas
(latitude e longitude) que permite a obtenção da localização de
Navegação e carta náutica
qualquer ponto que represente. Além das cartas convencionais
- A navegação considerada em nosso estudo (em papel), existem as cartas náuticas digitais, que podem ser
é aquela realizada em meio aquático, seja de dois tipos: eletrônica (vetorial) e RASTER, as quais podem,
ela marítima, fluvial ou lacustre. Para tanto, em certas condições, substituir as cartas convencionais.
utiliza-se o termo “carta náutica”, que é o
Para melhor compreender a cartografia náutica é
documento cartográfico resultante de
levantamentos de áreas navegáveis por fundamental iniciarmos o estudo descrevendo a necessidade de
embarcações. representar a terra num plano e das técnicas de projeção, pois
assim você estará mais contextualizado.
Necessidade de O globo terrestre é a representação mais fiel do planeta,
mas é difícil de ser manuseado. Entre suas limitações, podemos
Representar a Terra num citar duas principais:
Plano O globo impossibilita a visão de toda a Terra
simultaneamente.
A curvatura acaba dificultando possíveis medições de
distâncias.
Assim, apesar da semelhança de forma, o globo não é
funcional para muitas finalidades, em especial, para a
navegação aquaviária e precisa ser substituído pelas cartas
náuticas.
As cartas, por sua vez, constituem uma representação plana
reduzida – total ou parcial – da superfície terrestre. No entanto,
a construção de uma carta apresenta dois grandes desafios:
Representar a curvatura do geoide (formato da Terra),
num plano; e
Navegação Aquaviária Representar as dimensões da superfície terrestre numa
- É a navegação realizada por barcos, navios folha de papel, que é muito menor.
e outros meios aquáticos, utilizando um
corpo de água, tais como oceanos, mares,
Para solucionar esse problema, a cartografia desenvolveu
lagos, lagoas, rios, ou outros canais um método para representar a superfície terrestre numa
navegáveis. superfície plana (na carta) chamada de projeção.
Mestre-Amador 8
[CARTAS NÁUTICAS]
Projeção Projeção é a técnica utilizada para representar uma porção
da Terra sobre uma superfície plana. O processo consiste em
Visão eurocêntrica transferir pontos da superfície terrestre para um plano, ou para
uma superfície desenvolvível em um plano, tal como um
cilindro ou um cone.
Como a posição de qualquer ponto da superfície terrestre
fica completamente determinada pelas suas coordenadas de
latitude e longitude, basta que numa carta estejam
representados meridianos e paralelos, para que qualquer ponto
possa ser representado.
Existem diversos sistemas de projeção, com inúmeras
variações. Cada projeção tem uma finalidade específica, como
Fonte: Geografia – Série Brasil (volume único), por exemplo: representar a divisão política mundial, aspectos
José William Vesentini, Ed. Ática. geográficos naturais, culturais e econômicos de uma
determinada área, edificações, navegação aérea e a navegação
Projeção de Mercator
aquaviária, que é à base de nosso estudo. O fato é que não
- Nessa projeção, a região colocada em
destaque é a Europa. Geógrafos críticos existe uma melhor projeção. Elas devem ser escolhidas de
condenaram a projeção de Mercator, acordo com a sua finalidade.
porque ela deforma e distorce No entanto, para fins de navegação aquaviária, a projeção
grosseiramente as áreas representadas, de maior popularidade, é a projeção de Mercator, sendo ainda
contribuindo assim para a criação de uma
imagem ideologizada do mundo a favor das
hoje a mais usada na confecção das cartas náuticas brasileiras e
economias dominantes, no caso a Europa. em grande parte das cartas estrangeiras.
Projeção de Mercator Idealizada em 1569 por Gerardus Mercator, é a base para a
navegação, na qual os meridianos e paralelos são projetados
geometricamente num cilindro tangente a Terra no equador,
sendo o centro de projeção o centro da Terra.
Nessa projeção os meridianos são retas paralelas (sentido
norte-sul) igualmente espaçadas para iguais diferenças de
longitude (os meridianos formam ângulos iguais com o rumo);
o equador é uma reta perpendicular aos meridianos e os
paralelos são linhas retas paralelas ao equador (oeste-leste).
ALGUMAS CARACTERÍSTICAS DA PROJEÇÃO DE MERCATOR
Pertence a classe por desenvolvimento
Superfície de desenvolvimento
cilíndrico.
Pertence a categoria das projeções
Projeção conformes (manutenção da forma em
pequenas áreas).
Equatorial, pois o cilindro é tangente à
Tangência
superfície da Terra no Equador.
São sempre representados por linhas
Meridianos retas ortogonais equidistantes
(igualmente espaçadas).
São sempre representados por linhas
Paralelos retas ortogonais não equidistantes
(desigualmente espaçadas).
Equador É o centro de projeção (círculo máximo).
Interseção de paralelos e
90⁰
Uma condição básica para utilização de um meridianos
sistema de projeção em Cartografia Náutica Escala Varia com a latitude.
é que represente as loxodromias (linhas de Uso para o Navegante Navegação Costeira e Estimada
rumo), por linhas retas. Essa é uma
característica da Projeção de Mercator.
Mestre-Amador 9
[CARTAS NÁUTICAS]
Como vimos, a projeção de Mercator é classificada como
uma projeção cilíndrica equatorial e conforme.
Nota:
- A Carta de Mercator é geralmente limitada
pelo paralelo de 60°, pois, nessa latitude, as A projeção de Mercator tem, no entanto, algumas
deformações já se apresentam excessivas. vantagens importantes:
Porém, podemos utilizá-la até a latitude de Os meridianos são representados por linhas retas;
80°, desde que sejam tomadas precauções
Os paralelos e o equador são representados por um
especiais quanto ao uso da escala das
distâncias. segundo sistema de linhas retas, perpendicular às linhas
que representam os meridianos;
Fácil identificação dos pontos cardeais;
Facilidade de plotagem;
Fácil determinação das coordenadas de qualquer ponto;
Os ângulos medidos na superfície da Terra são
representados por ângulos idênticos na carta; assim,
direções podem ser medidas diretamente na carta. Na
prática, distâncias também podem ser medidas
diretamente na carta;
As linhas de rumo ou loxodromias são representadas por
linhas retas;
Facilidade de construção (por meio de elementos
Reticulado retilíneos); e
- Na projeção de Mercator, o conjunto de Existência de tábuas para o traçado do reticulado.
meridianos e paralelos é denominado de
reticulado. Limitando o reticulado, são
traçadas as bordas. A superior e a inferior Apesar de todas essas características, a projeção de
contem a escala de longitude e as laterais, a Mercator apresenta algumas limitações, como:
escala de latitude, também conhecida como Deformação excessiva nas altas latitudes (geralmente
escala de distancia. Tais escalas são limitada pelo paralelo de 60⁰);
graduadas em graus, minutos e segundos.
Impossibilidade de representação dos polos; e
Nota: Distorção dos paralelos e meridianos, exceto o equador.
- A impossibilidade de representação dos
polos e o valor exageradamente crescente A linha do equador é a única coordenada que é
das deformações lineares e superficiais nas representada em sua dimensão original (não sofre distorções).
altas latitudes constituem as limitações mais
Os outros paralelos e os meridianos são distorcidos, para
acentuadas da projeção de Mercator. Ela é
geralmente limitada pelo paralelo de 60°, acompanhar a dimensão do equador. Por isso regiões
porque, nesta latitude, as deformações já se localizadas em altas latitudes, especialmente nas áreas polares,
apresentam excessivas, causadas pelo praticamente não são representadas, pois as distorções
fenômeno das “latitudes crescidas”. aumentam à medida que nos afastamos do equador em direção
aos polos.
Distorção
(N)
Latitudes Crescidas
Até 90° Numa carta mercatoriana, à medida que a latitude cresce,
Paralelo 20°
os paralelos vão se afastando entre si quanto maior o
afastamento do Equador, com os meridianos sofrendo aumento
Paralelo 10° na mesma proporção, ou seja, nesse tipo de carta, a escala de
longitudes é sempre constante, enquanto que a escala de
Equador 0°
latitudes varia com a latitude. Nasce daí o conceito de
Paralelo 10° latitudes crescidas, definida como: o comprimento do arco de
Paralelo 20°
meridiano, entre o equador e um dado paralelo, numa carta
mercatoriana, medido em unidade de minuto de longitude, no
Até 90° equador.
Por isso, as distâncias deverão ser lidas na escala das
(S)
latitudes. Este é um cuidado de suma importância que o
Mestre-Amador 10
[CARTAS NÁUTICAS]
Latitudes Crescidas navegante deve ter na utilização de uma carta na projeção de
- Na carta de Mercator, os meridianos Mercator.
representados mantém uma distancia
constante entre si, enquanto que os O exemplo mais vezes citado é o da Groelândia que apesar
paralelos, devido ao efeito das latitudes de ter uma área nove vezes menor que a América do Sul,
crescidas, vão alterando a distancia que os aparece maior que esta, quando representada numa projeção
separa à medida que se afastam do equador de Mercator.
para os polos.
Escala A escala é um dos atributos fundamentais de uma carta
náutica, pois estabelece a correspondência entre a distância
medida entre dois pontos, representados na carta e as
Numerador distâncias reais entre esses pontos, na superfície da Terra. Ou
ESCALA = -------------------------------------------------------
seja, é a maneira de indicar a proporção de áreas entre a carta
Denominador
e a realidade. A escala é definida como a relação entre a
Numerador distância medida entre dois pontos, em uma folha de papel
- a unidade é igual a um (1), sempre. (na carta náutica) e a verdadeira distância entre esses pontos,
na superfície da Terra (medida real no terreno).
Denominador
- número de vezes em que foi dividido o
trecho. Existem duas maneiras de indicar a proporção de áreas
entre a carta e a realidade: uma gráfica e a outra numérica.
Uso das Cartas na Navegação Costeira ≈ Escala Gráfica – É apresentada com uma linha graduada no
- Quando em navegação costeira, deve-se canto inferior da carta.
optar pelas cartas de maior escala, pois estas
mostram mais detalhes no que se refere a
≈ Escala numérica – A escala é representada por uma fração,
perigos e são mais aptas a fornecer dados onde o numerador é igual à unidade um (1) e o
para a navegação visual e para retirada de denominador é o número (valor da escala), de quantas
posições de pontos de terra. vezes tal unidade foi reduzida no terreno. Sendo uma
fração, a escala fica MAIOR quanto MENOR for o
denominador, ou seja, quanto MAIOR a escala MENOR será
o valor atribuído ao DENOMINADOR.
Para compreender melhor, vamos usar como exemplo a
representação da Baía de Guanabara (figura ao lado).
Considerando a escala de 1:50.000 (lê-se: um por cinquenta
mil), tem-se que cada 1 mm obtido na representação
desenhada na carta equivale a 50.000 mm ou 50 m do tamanho
real do lugar.
(1 mm de carta = 50.000 mm = 50 m da superfície terrestre).
Por exemplo:
- uma escala de 1:25.000 é maior que Dessa forma, as cartas são projetadas em escalas que
1:100.000, uma vez que, em 1:25.000, 1 mm poderão apresentar um lugar com maior ou menor nível de
na carta corresponde a 25.000 mm = 25 m detalhamento. Por exemplo, uma carta onde a escala é
no terreno, enquanto na outra escala, 1 mm 1:25.000, classificada como de grande escala representa uma
na carta representa 100.000 mm = 100 m no
terreno.
área menor, mas contém informações mais precisas e
detalhadas sobre a área; já outra, de 1:150.000, classificada
Exemplos: como de média escala, abrangeria uma área maior, porém com
Escala de 1:100.000 menos detalhes e ainda, uma carta de 1:3.000.000, classificada
1 mm 100.000 mm 100 m
como de escala muito pequena cobriria uma faixa extensa,
Escala de 1:50.000
1 mm 50.000 mm 50 m porém com muito menos detalhes.
- Escala de 1:25.000
1 mm 25.000 mm 25 m Exercício:
O que significa a escala numérica de 1:25.000 em uma carta
Relembrando: náutica?
- Quanto maior o denominador da escala, Resposta: Significa que a região representada foi dividida
menor a escala. 25.000 vezes, ou seja, cada unidade na carta equivale a 25.000
Mestre-Amador 11
[CARTAS NÁUTICAS]
unidades no terreno (25.000 milímetros ou 25 metros).
Então, como seria representada uma distância de 500 metros
em uma carta nesta escala?
Lembre-se:
Resposta: Se cada milímetro na carta corresponde a 25.000
- Quando o trecho navegável é abrangido
por carta náutica, deve-se fazer uso de
mm no terreno (ou 25 metros), teremos:
cartas de maior escala, que mostrarão 1 mm de carta = 25.000 mm = 25 m
sempre maiores detalhes da área abrangida. X mm = ?
500
No exemplo, cada milímetro na carta X= -----------------------------------
= 20 mm
25
corresponde a 25.000 mm (ou 25 metros),
no terreno.
Significa dizer que 500 metros na carta de 1:25.000, equivale a
20 milímetros da superfície terrestre.
Classificação das Cartas De modo a melhor atender às necessidades da comunidade
marítima, a Diretoria de Hidrografia e Navegação (DHN) publica
quanto a Escala e classifica as cartas de navegação de acordo com a escala, nos
Edição e Publicação das Cartas Náuticas seguintes tipos de carta, que podem variar de área para área:
- No Brasil, cabe à Diretoria de Hidrografia e
Navegação (DHN), na qualidade de Serviço ≈ Cartas Gerais – com escalas menores que 1:3.000.000,
Hidrográfico Brasileiro, manter, por meio do abrangem grandes extensões de mar e da costa, e
Centro de Hidrografia da Marinha (CHM),
todas as Cartas Náuticas em Águas
apresentam escala muito pequena. São empregadas no
Jurisdicionais Brasileiras (AJB) atualizadas. planejamento de grandes derrotas oceânicas, não sendo
adequada para emprego na navegação.
≈ Cartas de Trechos – são cartas de escala intermediária.
QUADRO RESUMO DE CLASSIFICAÇÃO DAS
Subdividem-se em:
CARTAS CONFORME A ESCALA:
Cartas Gerais Cartas de Grandes Trechos - com escala entre
Escala menor que 1:3.000.000 1:3.000.000 a 1:1.500.000, destinam-se à navegação fora
CARTAS DE TRECHOS do alcance de faróis e pontos de terra.
Grandes Trechos Cartas de Médios Trechos – com escala entre
Escala entre 1:3.000.000 a 1:1.500.000
Médios Trechos
1:1.500.000 e 1:500.000, também destinam-se à
Escala entre 1:1.500.000 e 1:500.000 navegação fora do alcance de faróis e pontos de terra.
Pequenos Trechos Cartas de Pequenos Trechos – com escala entre
Escala entre 1:500.000 e 1:150.000 1:500.000 e 1:150.000, destinam-se à navegação costeira
Cartas Particulares e cabotagem.
Escala maior que 1:150.000
Cartas de Aproximação
≈ Cartas Particulares – com escala maior que 1:150.000,
Escala entre 1:150.000 e 1:50.000 destinam-se à navegação em águas costeiras restritas.
Cartas de Porto Abrangem extensões relativamente pequenas e
Escala maior que 1:50.000 apresentam-se em grande escala, ricas em informações,
Planos permitindo mostrar maiores detalhes sobre um local.
Escala igual ou maior que 1:25.000
Subdividem-se em:
Cartas de Aproximação – com escala entre 1:150.000 e
Derrota 1:50.000, destinam-se à aterragem de portos ou
- Linha traçada na carta náutica que um passagens por áreas críticas de perigos à navegação
barco deve seguir para se deslocar de um
afastados da costa.
ponto a outro na superfície terrestre.
Cartas de Porto – com escala maior que 1:50.000,
Importante: destinam-se a representação detalhada de portos, baías,
- Nas cartas de aproximação e planos de enseadas e fundeadouros.
portos, os pontos referenciais, tais como, ≈ Planos – com escalas igual ou maior que 1:25.000, servem
topografia, faróis, torres etc, para
navegação, apresentam-se em maiores
para dar mais detalhes de certos trechos, tais como, entrada
detalhes. de portos, baías, atracadouros, canais e trechos de rios,
onde a navegação exige mais detalhe e precisão.
Mestre-Amador 12
[CARTAS NÁUTICAS]
Orientações das Cartas Tal como observamos na figura ao lado, uma carta colocada
na posição de leitura terá o Norte (N) em sua parte superior e o
Sul (S) na parte inferior da carta. O Leste (E) está à direita e o
Oeste (W) à esquerda da carta. Assim, para uma leitura correta
da carta, devemos nos posicionar ao sul da carta, com o norte
voltado para cima.
Nas cartas náuticas a escala de latitude está localizada nas
laterais da carta (W e E), e a escala de longitude nas partes
superior e inferior da carta (N e S). Desse modo, na
determinação de um ponto, na escala vertical, localizada nas
laterais, de uma carta, lê-se a latitude, e na escala horizontal,
superior e inferior, lê-se a longitude.
É importante observar que a escala de latitude cresce de
cima para baixo e a escala de longitudes cresce da direita para a
esquerda da carta.
Informações Contidas nas As principais informações contidas nas cartas náuticas são:
≈ Título da Carta – indica o país e o trecho de abrangência da
Cartas
carta. Por exemplo, na figura ao lado (título da carta
náutica), a área geográfica geral é o BRASIL e o trecho da
costa representado situa-se na COSTA NORTE do Cabo
Orange à Ilha de Maracá.
≈ Número da Carta – situado no canto superior esquerdo e no
canto inferior direito da carta, representa o número de
ordem da carta no Catálogo de Cartas.
≈ Sondagens - profundidades e altitudes registradas nas
cartas são indicadas por diversos números espalhados pela
carta. São profundidades em metros, levantadas, com
grande aproximação, no local na média das mais baixas
marés de sizígia, ou seja, nas condições mínimas de água no
local sondado e podem, também, serem representadas por
Maré de sizígia
linhas de mesma profundidade, denominadas de linhas
- Maré de grande amplitude, que se segue
ao dia de lua cheia ou de lua nova; água- isobáticas. As altitudes tem como referência o nível médio
viva, maré de lua. do mar.
≈ Notas sobre precauções – apresentam-se, geralmente, em
letras grafadas em vermelho para chamar a atenção do
usuário. Devem ser lidas com atenção pelo navegante.
Carmim ≈ Observações sobre continuação da Carta – se existente, é
- Vermelho muito vivo, ligeiramente escrito a carmim junto às laterais e margens. Indicam que a
arroxeado, muito utilizado para correção de
pequenos textos.
carta continua. Ex.: Carta 1500: adjacente carta 1600.
≈ Outras cartas de maior precisão existentes no trecho – os
limites de tais cartas são escritos a carmim, em forma de
retângulos, incluindo os números no canto inferior direito.
Graduação da Rosa ≈ Rosa dos Ventos – disposta em um ou mais lugares da carta,
- A rosa dos ventos é graduada de 000° a
tem o “zero” voltado para o Norte Verdadeiro (N) da Terra.
360°, no sentido horário.
A rosa dos ventos traz em seu interior, o valor da
Declinação Magnética (Dmg) do trecho, que facilita o
traçado de rumos e marcações. A rosa também traz
informações do ano de seu levantamento e a variação
anual.
Mestre-Amador 13
[CARTAS NÁUTICAS]
Nas cartas onde as informações magnéticas não se apresentarem
dentro da rosa dos ventos, estarão representadas por linhas que
unem pontos de mesma declinação, denominadas de linhas
isogônicas.
≈ Meridianos e Paralelos - as cartas apresentam meridianos
(linhas verticais) e paralelos (linhas horizontais).
≈ Escala de Latitudes – apresentadas nas laterais direita e
esquerda das cartas, as escalas de latitude crescem de cima
para baixo.
≈ Escala de Longitudes – apresentadas na parte superior e
inferior das cartas, a escala de longitude cresce da direita
para a esquerda.
≈ Auxílios à Navegação – faróis, radiofaróis, faroletes, boias,
balizas, luzes e pontos notáveis do relevo da costa, com suas
características, são representados nas cartas por símbolos e
abreviaturas registrados na Carta 12000.
≈ Datum – apresentados na legenda das cartas, refere-se ao
Carta 12000
- Em forma de livreto, é uma publicação modelo de representação matemática da superfície
padronizada internacionalmente, que traz terrestre ao nível do mar utilizado pelos cartógrafos numa
todos os símbolos, abreviaturas e termos carta náutica. As cartas Mercatorianas utilizam o datum
utilizados nas cartas náuticas. WGS-84.
Datum
- Relação entre a distância medida entre dois Com menos detalhes, a carta náutica também traz
pontos, na carta náutica, e a verdadeira representada na parte terrestre: o contorno da linha da costa,
distância entre esses pontos, na superfície ilhas, curvas de nível, pontos notáveis à navegação, instalações
da Terra. portuárias e outras informações de interesse da navegação. É
importante saber que em uma carta náutica só serão
representados os detalhes da parte terrestre que sejam de
interesse da navegação aquaviária.
As Cores na Carta As cartas são confeccionadas de acordo com os preceitos e
normas da Organização Hidrográfica Internacional (OHI), da
Organização Marítima Internacional (IMO) e da Associação
Internacional de Sinalização Marítima (AISM), tendo as mesmas
cores em qualquer parte do mundo.
A cor creme representa a parte terrestre; a cor azul royal
(mais forte) indica águas com menor profundidade (sempre
inferior a 10 metros); a cor azul claro indica águas com
profundidade entre 10 e 20 metros; a parte branca indica
profundidades locais superiores a 20 metros. Os diversos
números espalhados, na parte branca, significam às
profundidades em metros no local, medidos na mais baixa
maré de sizígia.
Atualização das Cartas As Cartas, e as demais publicações de auxílio à navegação
devem ser mantidas atualizadas. A data de atualização constitui
Avisos aos Navegantes um importante elemento de análise e avaliação de confiança da
- Todas as alterações que afetam a carta. Assim, antes de usar uma carta o navegante deve
segurança da navegação e que podem ser
introduzidas na carta à mão ou por colagem
verificar se não há nenhum Aviso Permanente que a tenha
de trecho, são divulgadas por Avisos aos alterado, após o último Aviso nela registrado, e deve anotar
Navegantes. todos os Avisos-Rádios, Temporários e Preliminares que a
Mestre-Amador 14
[CARTAS NÁUTICAS]
afetam e continuam em vigor, de acordo com o último Folheto
Quinzenal dos Avisos aos Navegantes.
Confiança e Precisão da O valor de uma carta náutica depende, principalmente, da
precisão do levantamento em que é baseada, sendo esse fato
Carta tanto mais sensível quanto maior a escala da carta. A data do
levantamento, que é sempre encontrada no título da carta, é
um bom guia para estimar essa precisão.
Nas cartas atuais, os Diagramas de Levantamentos ou
Diagramas de Confiabilidade também fornecem importantes
informações sobre a precisão e confiança da carta. Em certas
zonas, onde a qualidade predominante do fundo é areia ou
lama, podem, com o passar dos anos, ocorrer sensíveis
alterações. É mesmo possível afirmar que, exceto nos portos
muito frequentados e em suas proximidades, em nenhum
levantamento até agora executado o exame do fundo foi muito
minucioso para poder ficar certo de que todos os perigos foram
encontrados e delimitados. Outra maneira de se avaliar a
qualidade de uma carta é o exame da quantidade e da
distribuição das sondagens nela mostradas. Quando as
sondagens são esparsas e irregularmente distribuídas, pode-se
considerar que o levantamento não foi feito com grande
detalhe.
Deve-se ter sempre em mente que o principal método para
conhecer o relevo do fundo do mar é o laborioso processo de
Mestre-Amador 15
[CARTAS NÁUTICAS]
sondagem, no qual uma embarcação que sonda uma
determinada área conserva-se sobre determinadas linhas e,
cada vez que lança o prumo de mão ou faz uma sondagem
Prumo de Mão
- Sendo o mais antigo método usado para sonora, com ecobatímetro, obtém a profundidade sobre uma
determinar profundidades, consiste em um área diminuta, que representa o relevo submarino de uma faixa
peso de chumbo de forma troncônica, de pouca largura. Por conseguinte, as linhas de sondagem
denominado chumbada, tendo na parte devem sempre ser consideradas como representando o relevo
superior uma alça, ou um orifício, e na base
um cavado, onde se coloca sabão ou sebo, submarino apenas nas suas proximidades imediatas.
com a finalidade de trazer uma amostra da Por vezes, não havendo indícios da existência de um alto-
qualidade do fundo, indicando a tensa. Para fundo, sua localização pode escapar quando se sondam duas
medição da profundidade com o prumo de linhas que o ladeiam, sendo essa possibilidade tanto maior
mão, a velocidade precisa ser reduzida até o
quanto menor a escala da carta. As cartas costeiras, por
valor de 3 nós.
conseguinte, não podem ser consideradas como infalíveis, não
se devendo, em uma costa rochosa, navegar por dentro da linha
Ecobatímetro de 20 metros de profundidade, sem se tomar toda precaução
- Também usado para medir profundidades, para evitar um possível perigo. Mesmo em carta de grande
o ecobatímetro apresenta vantagem sobre o
prumo de mão, pois permite sondagem escala, os navios devem evitar passar sobre fundos irregulares
contínua com qualquer velocidade do navio, representados nas cartas, porque algumas pedras isoladas são
em profundidades não alcançadas por eles, tão escarpadas, que, na sondagem, pode não ter sido
e quase independentemente das condições encontrada a sua parte mais rasa.
de tempo.
Espaços em branco entre as profundidades podem
significar que nesses trechos não se fizeram sondagens.
Quando há bastante fundo em torno de tais trechos, podem
eles ser considerados como de profundidade grande e
uniforme. Porém, quando as sondagens indicam pouca água e
o resto da carta mostra a existência de pedras e altos-fundos,
esses espaços em branco devem ser considerados como
suspeitos.
Materiais Básicos Utilizados São utilizados, basicamente, os seguintes materiais para
trabalhar na carta convencional (em papel): Régua de
no Manuseio das Cartas Paralelas, Compasso, Lápis Grafite e Borracha.
Náuticas A régua de paralelas para navegação tem como função o
traçado de linhas que determinam os valores de Rumos e
Marcações. Fabricadas em acrílico e com escalas em graus, a
régua de paralelas compõe-se de duas réguas presas por duas
pequenas barras e um sistema de roldanas, que promovem seu
deslizamento paralelo sobre uma carta náutica. Existem réguas
de paralelas que possuem uma graduação que facilita seu uso,
dispensando seu deslocamento até a rosa de rumos (rosa dos
ventos). A referência para esta régua será qualquer meridiano.
Para medir distâncias de um ponto a outro, referente a uma
área marítima, usamos o compasso e obtemos a medida em
milhas náuticas. Os compassos de navegação podem ser de
ponta seca, para serem abertos e fechados com uma só mão,
ao mesmo tempo em que se trabalha na carta, ou do tipo usado
em desenho técnico, com ponta de grafite ou com porta lápis.
Para assinalar o traçado na carta náutica, é importante ter a
Citel mão um lápis macio e uma borracha de boa qualidade.
- Chama-se “citel” ao instrumento que
permite o traçado de arcos de distância
Recomenda-se que qualquer traço na carta, seja feito com
maiores que a abertura máxima de um lápis, pois, além de evitar rasuras, o navegante poderá apagar o
compasso comum. traçado anterior aproveitando a carta por várias vezes.
Mestre-Amador 16
[CARTAS NÁUTICAS]
A Utilização das Cartas Como já visto, as cartas náuticas trazem uma ou mais Rosa
dos Ventos (ou rosa de rumos), que informa os graus de cada
Náuticas rumo, de 000° a 360°, no sentido horário.
A medida de qualquer direção na carta é feita, aplicando a
Reta de posição régua de paralelas à direção traçada, cujo valor angular se
- Para o transporte de uma reta de posição,
são necessários a distância, o rumo, a queira saber, fazendo com que a régua de paralelas seja
direção e a hora. deslocada paralelamente, desde a direção traçada até atingir o
centro da rosa dos ventos existente na carta.
Uso da régua de paralelas:
Tendo em mãos a carta náutica do trecho que se deseja
navegar, traça-se uma linha reta entre o ponto de partida e
ponto de chegada da viagem. Coloca-se uma régua de
paralelas sobre esta linha reta e leva-se a régua, de forma
paralela, até o centro da rosa dos ventos impressa na carta
onde é feita a leitura do rumo obtido. Este rumo lido é o rumo
verdadeiro (Rv). No caso do litoral brasileiro, acrescenta-se
(soma-se) a declinação magnética (Dmg) da área, onde
teremos, então, o rumo magnético (Rmg) a ser seguido na
agulha.
A régua, ao atingir a rosa, estará cortando-a, em dois
pontos: um será o valor angular da direção do movimento da
embarcação, ou seja, a direção verdadeira do movimento
pretendido pela embarcação, e o outro o valor angular da
recíproca, ou seja, a direção oposta a este movimento.
Uma direção e sua recíproca sempre terão a diferença de
180°.
Carta Náutica Digital No que se refere às cartas digitais destinadas a navegação,
há quatro conceitos importantes.
ECDSIS ≈ O Electronic Chart Display and Information System (ECDSIS) -
- Exibe informações por meio de cartas Sistema Eletrônico de Apresentação de Cartas e
eletrônicas e integra informações do GPS e
Informações de navegação por computador que obedece
outros sensores de navegação como radar,
ecobatímetro e AIS. Pode exibir informações aos regulamentos da Organização Marítima Internacional e
de derrotas previamente selecionadas. A pode ser utilizado em vez das cartas náuticas tradicionais
principal função do ECDSIS é contribuir para (impressa);
a navegação segura sem, no entanto, ≈ ECS - Sistema de Cartas Eletrônicas que pode ser utilizado
descartar o uso das cartas náuticas
tradicionais. como auxílio à navegação, mas não substitui legalmente a
carta náutica impressa;
As cartas raster podem ser obtidas ≈ Carta Náutica Eletrônica (ENC) - é a base de dados
gratuitamente na internet em: padronizada com relação a conteúdo, estrutura e formato,
[Link]
emitida para uso com o ECDIS sob a autoridade de Serviços
cartas-raster/raster_disponiveis.html. E, as
cartas ENC, podem ser obtidas em inglês Hidrográficos autorizados pelo Governo; e
nos Centros Regionais Autorizados de ≈ Carta náutica RASTER (RNC) que é uma cópia digital
Distribuição de Cartas ENC, na Internet em: (formato bitmap) da carta náutica convencional de papel. A
[Link] ou em carta náutica digital ENC contém todas as informações úteis
[Link]
da carta náutica para a navegação segura e pode conter
Na Internet informações suplementares além daquelas contidas na carta
- Saiba mais sobre as cartas RASTER e ENC, em papel, que possam ser consideradas necessárias para a
acessando, na Internet o endereço: navegação segura.
[Link]/dhn/chm/
Acesso em: 16/04/2015
Mestre-Amador 17
[CARTAS NÁUTICAS]
Glossário Glossário de Termos empregados e não especificamente
definidos no corpo desta unidade:
Azimute – é uma direção definida em graus, variando de
Azimute 000° a 360°. Existem outros sistemas de medida de
- Quando realizamos marcações de objetos azimutes, tais como o milésimo e o grado, mas o mais usado
na superfície terrestre (morros, faróis, pelos navegadores é o Grau. A direção de 000° graus
navios, edifícios etc.), chamamo-las de corresponde ao Norte, e aumenta no sentido dos ponteiros
Marcações, porém, quando as marcações
são feitas para astros (Sol, Lua, Estrelas, do relógio.
Planetas etc.), denominamos Azimute. Nível de Redução (NR) – pode ser definido como um nível
tão baixo que a maré, em condições normais, não fique
abaixo dele.
Obtenção de cartas convencionais
Pontos Notáveis – qualquer ponto que possa servir como
- As cartas de papel podem ser obtidas nos
Postos e Agentes de Vendas credenciados referência para a navegação visual ou radar no trecho que
pela DHN. A lista completa está disponível se deseja navegar (morros, faróis, navios, edifícios etc.).
na Internet em: Plotagem - locar numa carta náutica a posição de uma
[Link]
embarcação, aeronave, alvo etc. Para plotar um ponto, na
[Link].
Acesso em: 16/04/2015 carta náutica, é necessário ter as coordenadas.
Reticulado – é a denominação dada ao conjunto de
meridianos e paralelos, em uma Carta de Mercator.
Linha Isobática ou isobatimétrica – é a linha que, na carta
náutica, liga pontos de mesma profundidade.
Linhas agônicas – é a linha que une dois pontos onde a
declinação magnética é nula (zero).
Linhas isogônicas – linhas que unem pontos de mesma
declinação.
Série Traub – Pela série de TRAUB em uma carta náutica,
verifica-se a existência de corrente. É constituída pela série
de marcações polares 14º, 16º, 22º, 27º, 34º, 45º, 63º e 90º
a um mesmo objeto, que apresentam as seguintes
propriedades: As distâncias navegadas entre duas
marcações consecutivas são iguais. A distância do objeto
quando estiver pelo través é o dobro da distância navegada
entre duas marcações consecutivas.
Singradura – é a derrota efetuada por uma embarcação, em
determinado tempo.
Parabéns por ter concluído está unidade.
Na próxima unidade você conhecerá outras Publicações de Auxílio à Navegação.
Acesse o site e selecione “Por Disciplina”: Publicações e Cartas Náuticas
Saiba mais
Você pode saber mais sobre “carta náutica” consultando os seguintes endereços eletrônicos:
[Link]
(Projeções Cartográficas; A Carta Náutica)
[Link]
(Projeções Cartográficas; A Carta Náutica)
Mestre-Amador 18
[CARTAS NÁUTICAS]
[Link]
(Vídeo - Como utilizar a carta náutica, traçar rumos, calcular distâncias e tempo de navegação)
[Link]
(Vídeo - Aprendendo a trabalhar na carta náutica)
[Link]
(Vídeo - Carta Náutica, uma visão geral)
[Link]
(Vídeo - Material necessário para trabalhar na carta náutica)
[Link]
(Vídeo - Medidas elementares sobre a carta náutica)
[Link]
[Link]
[Link]
[Link]
[Link]
[Link]
[Link]
[Link]
[Link]
[Link]
[Link]
[Link]
pdf
Mestre-Amador 19
[PUBLICAÇÕES DE AUXÍLIO À NAVEGAÇÃO]
Unidade 3:
Nesta unidade, você vai conhecer as principais publicações de auxílio à navegação, que são de
interesse dos navegantes das embarcações de esporte e recreio, exceto as miúdas, cujas informações
complementam e ampliam os elementos fornecidos pelas Cartas Náuticas Brasileiras.
Publicações de Auxílio à Na unidade 2, você aprendeu que a carta náutica é o
principal documento de auxílio à navegação aquaviária,
Navegação oferecendo o posicionamento geográfico da embarcação,
delimitando áreas que devam ser evitadas e determinando a
derrota com segurança. No entanto, ela não suporta sozinha a
totalidade das informações necessárias ao navegante. Assim, a
Diretoria de Hidrografia e Navegação (DHN), edita outros
documentos cartográficos auxiliares, que tem como principal
objetivo oferecer informações complementares as cartas
náuticas, referentes à navegação aquaviária, publicações essas,
que devemos ter a bordo, devidamente atualizadas, para serem
consultadas, sempre que for necessário. Vejamos algumas
dessas publicações:
Catálogo de Cartas e Consiste de um catálogo que relaciona todas as cartas
náuticas, publicações e impressos em geral editados pela DHN.
Publicações As informações contidas no catálogo dividem-se em quatro
partes:
Parte 1 – traz a relação de todas as cartas publicadas
(Marítimas, Fluviais, Lacustres, Especiais e Meteorológicas).
Parte 2 – apresenta os vinte (20) índices em que as cartas
são distribuídas. Cada índice contém uma relação detalhada das
cartas do trecho representado, com área de abrangência, título,
escala e o ano da primeira e da última edição, a fim de dar ao
navegante ciência do estado de atualização das cartas, que
devem ser constantemente revistas. Foram incluídas nesta
parte as cartas do II Plano Cartográfico Náutico Brasileiro.
Fonte: [Link]
Parte 3 – relaciona todas as publicações e impressos
editados pela DHN, de interesse exclusivo à navegação.
Na Internet Parte 4 – relaciona todas as Cartas Eletrônicas da DHN
- O Catálogo de Cartas e Publicações você disponíveis para aquisição junto ao Centro Internacional de
encontra disponível para download gratuito
Cartas Náuticas Eletrônicas – IC-ENC ([Link]) ou
no endereço:
[Link] Primar ([Link]).
publicacoes/publicacoes/catalogo/catalogo.
htm Quando usar?
Acesso em: 24/04/2015 Na prática, o Catálogo de Cartas e Publicações é para ser
consultado sempre antes de adquirir uma carta ou publicação, e
por ocasião do planejamento de uma viagem, pois ele nos ajuda
a selecionar as cartas e publicações náuticas necessárias para
execução de uma determinada derrota a ser percorrida por
uma embarcação.
Roteiro O Roteiro complementa as cartas náuticas brasileiras,
oferecendo subsídios para melhor avaliar as informações das
cartas na navegação ao longo da costa ou dos canais e nas
aterragens, assim como conhecer os regulamentos, recursos e
Mestre-Amador 20
[PUBLICAÇÕES DE AUXÍLIO À NAVEGAÇÃO]
facilidades dos portos, fundeadouros e terminais portuários. Se
há mais informações disponíveis do que as mostradas nas
cartas, elas são registradas no Roteiro. O Roteiro é definido
como a publicação onde o navegador encontra detalhes dos
portos, fundeadouros e costas.
O Roteiro da Costa do Brasil é constituído de três volumes:
Fonte: [Link] Roteiro Costa Norte – Vai da Baia do Oiapoque ao Cabo
Calcanhar (RN) incluindo o Rio Amazonas, Jarí e Trombetas e
Na Internet o Rio Pará.
- O Roteiro completo você encontra Roteiro Costa Leste – Vai do Cabo Calcanhar (RN) ao Cabo
disponível para download gratuito no Frio (RJ), incluindo as Ilhas Oceânicas da região.
endereço:
Roteiro Costa Sul – Vai do Cabo Frio (RJ) ao Arroio Chuí (RS),
[Link]
publicacoes/publicacoes/[Link] incluindo a Lagoa dos Patos e Mirim.
Acesso em: 24/04/2015
Quando usar?
Na prática o Roteiro também é um documento de consulta.
Deve ser utilizado pelo navegante sempre que se tem
necessidade de conhecer, com detalhes, pontos geográficos
característicos, descrição da costa, estruturas isoladas e auxílios
Derrota à navegação que permitam identificá-los para determinar a
- Rumo ou caminho traçado na carta náutica posição da embarcação, perigos existentes, ventos
que uma embarcação deve seguir para se predominantes, correntes oceânicas, áreas e atividades de
deslocar de um lugar para outro. restrição à navegação, rotas mais usuais e aconselhadas,
fundeadouros, profundidades das barras e canais, recursos dos
portos, áreas proibidas e outros, antes e no decorrer de uma
viagem. Tal ação, além de ajudar na decisão da melhor derrota
a seguir, evita perigos à navegação.
Lista de Faróis A Lista de Faróis traz todas as informações sobre faróis,
aerofaróis, barcas-faróis, faroletes, balizas, boias luminosas e
luzes particulares ou de obstáculos aéreos de interesse do
navegante, existentes na costa, nos rios, nas lagoas e nas ilhas
do Brasil, assim como nas costas e ilhas dos países estrangeiros
que possuam suas terras representadas nas cartas náuticas
brasileiras.
A Lista de Faróis é constituída de apenas um volume,
dividido em cinco (5) partes:
Fonte: [Link] Costa Norte e Bacia Amazônica;
Costa Leste;
Faróis Costa Sul;
- Os faróis podem ser classificados em: Lagoa dos Patos; e
Radiofaróis e Aerofaróis. Radiofarol é uma Área Estrangeira.
estação de terra que transmite em ondas
radioelétrica para navio ou avião. No caso do
navio, ele funciona como um receptor e Atualizado a cada 12 meses, a Lista de faróis apresenta
marca o farol com o Radiogoniômetro. ainda fotos dos principais faróis e faroletes listados, como mais
Aerofaról são destinados à navegação aérea, um elemento para sua identificação, além das características
podendo ser usado para a navegação
marítima.
dos Radiofaróis tais como: tipo, nome, indicativo, localização,
frequência e alcance.
Mestre-Amador 21
[PUBLICAÇÕES DE AUXÍLIO À NAVEGAÇÃO]
Como usar?
Na Internet A Introdução nos dá explicação detalhada para o seu uso,
- A Lista de Faróis completa você encontra
disponível para download gratuito no além de outras informações úteis ao navegante, dentre as quais
endereço: destacamos: as características das luzes (descrições e
[Link] ilustrações), tabela de alcance geográfico das luzes, em que se
publicacoes/publicacoes/lf/[Link] entra com a altitude do farol e a elevação do observador,
Acesso em: 24/04/2015
achando-se a distância entre os faróis, o Sistema de
Balizamento Marítimo (IALA) Região “B”, que é a região do
IALA B Brasil, e a lista de abreviaturas usadas na Lista de Faróis.
- Sistema de Balizamento Marítimo,
Região “B”, do qual faz parte o Brasil.
Lista de Auxílios-Rádio Dividida em nove capítulos, é a publicação que tem como
principal objetivo fornecer ao navegante, informações
detalhadas sobre os serviços-rádio de auxílio à navegação
existentes na costa do Brasil e sobre serviços-rádio, incluindo
transmissões via satélite, úteis ao navegante que estiver no
oceano Atlântico Sul.
A lista de Auxílios-Rádio trata dos seguintes aspectos:
Radiogoniometria, Sinais Horários (para acertarmos o relógio de
bordo), Serviços Radiometeorológicos (Boletins de previsão
Fonte: [Link] meteorológica), Avisos-Rádio Náuticos e Avisos-Rádio SAR,
Respondedor Radar (RACON), Comunicações de Perigo e
Na Internet
- A Lista de Auxílios-Rádio completa você Segurança, Apoio Costeiro e Sistemas de Navegação Eletrônica.
encontra disponível para download gratuito
no endereço: Quando usar?
[Link] A Lista de Auxílios-Rádio é especialmente útil, quando
publicacoes/publicacoes/lar/[Link]
Acesso em: 24/04/2015
temos a bordo, pelo menos, um rádio receptor e/ou um
Radiogoniômetro.
Tábuas de Marés Editadas anualmente, a publicação “Tábuas de Marés”
contém previsões das marés com horas e alturas das
preamares e baixa-mares para os principais portos, ilhas
oceânicas e costeiras, barras, fundeadouros e atracadouros da
costa brasileira e da Estação Antártica Comandante Ferraz, para
todos os dias do ano. Esta previsão é feita por meio de cálculos
especiais denominados “métodos harmônicos”.
A publicação fornece ao navegante o nome do porto, as
coordenadas geográficas do porto (latitude e longitude), o fuso
a que se referem as horas indicadas, instantes das preamares e
baixa-mares com as respectivas alturas sobre o nível de
Fonte: [Link] redução, ao qual correspondem também às sondagens que
estão registradas nas cartas náuticas, a altura do nível médio
sobre o nível de redução e fases da lua.
Na Internet Atualmente as previsões de marés são disponibilizadas para
- As Tábuas de Marés, na versão online,
estão disponíveis para consulta em:
consulta on-line, pela DHN, para 53 portos cadastrados.
[Link] Consulte e inclua na sua página de favoritos o endereço ao
previsao-mare/tabuas/[Link] lado.
Acesso em: 24/04/2015
Mestre-Amador 22
[PUBLICAÇÕES DE AUXÍLIO À NAVEGAÇÃO]
Extrato das Previsões de Marés – versão eletrônica (disponível na internet)
[Link]
O navegante necessita dessas informações para verificar qual é a profundidade real de um local, em
um determinado dia e horário. Verificando, também, qual a intensidade e o sentido da corrente de
maré indicada na carta de correntes de maré do referido porto.
Maré O que é importante saber:
A fim de melhor assimilar o assunto, vamos conhecer alguns
Na Internet
conceitos básicos ligados a este fenômeno das águas, que
-Explicações sobre a aplicação da maré para certamente é útil no dia-a-dia do navegante.
a navegação, estão disponíveis em:
[Link] Maré é o movimento periódico das águas do mar, pelo qual
previsao-mare/tabuas/[Link] elas se elevam ou se abaixam em relação a uma referência fixa
Acesso em: 24/04/2015
no solo. É produzido pela ação conjunta da Lua e do Sol, e, em
muito menor escala, dos planetas; a sua amplitude varia para
cada ponto da superfície terrestre, e as horas de máximo
(preamar) e mínimo (baixa-mar) dependem fundamentalmente
das posições daqueles astros.
[Dicionário Aurélio]
Ao movimento horizontal das águas de um ponto a outro,
chamamos de corrente de maré e ocorrem no período em que
a maré está enchendo ou está vazando. No período em que o
nível das águas está subindo, chamamos de maré de enchente
e, quando o nível das águas está descendo ou diminuindo,
chamamos maré de vazante. Quando a maré de enchente
atinge o seu nível mais elevado, chamamos de preamar (ou
maré alta ou maré cheia); quando a maré de vazante chega ao
seu nível mais baixo, chamamos de baixa-mar (ou maré baixa).
No vai e vem das águas, haverá um período de tempo durante o
qual o nível do mar fica praticamente parado, ou seja, o nível do
mar não se altera; a esse curto período dar-se o nome de estofo
da maré.
Outros conceitos básicos sobre maré:
Altura da Maré – é a distância vertical, em um determinado
Maré de vazante
- Fase de descida lenta do nível das águas. instante, entre o nível do mar e o nível de redução
Corresponde a transição de maré cheia para registrado na carta náutica. Para obter a altura da maré, o
maré vazia. navegante deve interpolar as alturas de preamar e baixa-
Mestre-Amador 23
[PUBLICAÇÕES DE AUXÍLIO À NAVEGAÇÃO]
mar no horário desejado. Esta informação, para o ano em
curso, está contida na publicação.
Nível de Redução (NR) – é o nível escolhido como referência
das sondagens das cartas náuticas e, tem como base a
média das menores baixa-mares de sizígias da região
sondada. Assim, em condições normais, o navegante terá a
certeza que o nível do mar na baixa-mar indicada na carta
náutica, em nenhum momento, ficará abaixo do NR,
indicando uma segurança a mais para quem navega na área
sondada.
Maré de Sizígia – é o nome dado a uma maré de grande
amplitude, caracterizada por preamares muito altas e
baixa-mares muito baixas, ou seja, nas altas de sizígia,
temos marés altas mais acentuadas e, nas baixas de sizígia
o mar atinge o nível mais baixo, caracterizando-se por
alturas negativas de maré, isto é, com o nível do mar abaixo
do NR.
Maré de Quadratura – é a maré de pequena amplitude,
caracterizada por preamares baixas e baixa-mares altas, ou
seja, nas marés de quadratura, temos as marés altas menos
altas e as marés baixas menos baixas.
Amplitude da Maré – é a diferença entre uma preamar e
uma baixa-mar consecutivas, ou seja, a variação do nível
das águas, entre uma preamar e uma baixa-mar
imediatamente anterior ou posterior.
Nível Médio do Mar – é o nível do mar que fica entre o nível
da preamar e o nível da baixa-mar, ou seja, é a metade da
amplitude da maré.
Ciclo da Maré – é o período de tempo entre uma preamar e
a baixa-mar que se segue.
Maré Semidiurna – ocorrem entre duas preamares e duas
baixa-mares no período de um dia.
Maré Diurna - ocorrem entre uma preamar e uma baixa-
mar no período de um dia.
Maré Mista – ocorrem oscilações diurnas e semidiurnas no
período de um dia.
Maré de Desigualdades Diurnas – Ocorrem entre duas
preamares e duas baixa-mares no período de um dia, porém
com acentuadas desigualdades.
Lembre-se: É consultando a “Tábuas de Marés” que
obtemos a hora e a altura da maré, na preamar e na baixa-mar;
esses dados possibilitam calcular a amplitude da maré em um
determinado dia e local.
Previsões de Marés
[Link]
mare/tabuas/[Link]
Mestre-Amador 24
[PUBLICAÇÕES DE AUXÍLIO À NAVEGAÇÃO]
Vejamos um exemplo:
A figura abaixo apresenta às marés do Porto do Rio de
Por Exemplo: Janeiro – Ilha Fiscal (Estado do Rio de Janeiro).
- Na figura, para o dia 07/10/2010, quinta-
feira, temos as seguintes alturas de marés:
01:49 horas – 1.3m (preamar)
08:53 horas – 0.0m (baixa-mar)
14:21 horas – 1.2m (preamar)
20:56 horas – 0.2m (baixa-mar)
Para o exemplo, podemos concluir que, a
partir de 01:49 horas, a maré começará a
descer; a partir das 08:53 horas a maré
começará subir; a partir das 14:21 horas a
maré começará a descer, e a partir das 20:56
horas, a maré começará subir. Observe que
esse vai e vem das águas, ocorre num ciclo
que se completa, mais ou menos, de 6 em 6
horas, durante 24 horas.
Horário de Verão Extrato da Tabela de Marés, versão online disponibilizada pela DHN no
- Para obter o horário correto das alturas das endereço eletrônico: [Link]
marés nos portos em que estiver vigorando mare/tabuas/[Link]
o horário de verão, o navegante deve somar
uma (1) hora às horas fornecidas nas
“Tábuas de Marés”. Como obter a amplitude, a profundidade e a altura da
maré para um determinado porto:
≈ Amplitude da Maré
Para obter a amplitude da maré, subtrai-se a altura da maré
na baixa-mar (BM) da altura da maré na preamar (PM),
posterior ou anterior.
ALTURA DA ALTURA DA
AMPLITUDE = BAIXA-MAR (BM) - PREAMAR (PM)
Por Exemplo:
Consultando a Tábuas de Marés para um determinado porto
(figura ao lado), temos as seguintes informações para o dia
Tábuas de Marés de um Porto Qualquer
Janeiro
01/01/2012: baixa-mar (BM) às 00:00 horas, igual a 2.0 metros,
Dia Hora Altura (m) e preamar (PM) às 06:00 horas, igual a 5.0 metros.
01/01/2012 00:00 2.0
06:00 5.0
Qual a amplitude da maré no local, naquele instante?
12:00 2.0
18:00 6.0
08/01/2012 00:21 2.1 Solução:
06:38 6.0 - Amplitude = BM – PM = 2.0 – 5.0 = 3.0 metros.
12:47 2.0
00:34 6.0 Conclui-se que a amplitude da maré no local entre 00:00 e
06:00 horas será de 3.0 metros, ou seja, no período a maré vai
BM – baixa-mar subir 3.0 metros, somando-se aos 2.0 metros da BM, podemos
PM - preamar
afirmar que, às 06:00 horas a altura da maré será de 5.0
metros.
Mestre-Amador 25
[PUBLICAÇÕES DE AUXÍLIO À NAVEGAÇÃO]
≈ Profundidade de um Porto
Para obtermos a profundidade em um determinado local de
um porto, ou nas imediações, soma-se a profundidade
registrada na carta náutica (nível de redução) a altura da maré
no instante desejado.
PROFUNDIDADE PROFUNDIDADE ALTURA DA MARÉ
REAL NO INSTANTE = DA CARTA + NO INSTANTE
DESEJADO NÁUTICA (PC) DESEJADO (AM)
Por Exemplo:
Navegando em um determinado local, às 00:30 horas do dia
08/01/2012, estava registrada em carta náutica a profundidade
de 3.0 metros. Como saber a profundidade real naquele
instante?
Solução:
Consultando a Tábuas de Marés (figura ao lado), colunas
Tábua das Marés de um Porto Qualquer mês, dia e hora, verifica-se que às 00:21 horas do dia
Janeiro
Dia Hora Altura (m) 08/01/2012, a altura da maré será de 2.1 metros (baixa-mar).
01/01/2012 00:00 2.0 Logo, podemos determinar a profundidade no local às 00:30
06:00 6.0 horas.
12:00 2.0
18:00 6.0
- Profundidade = PC + AM = 3.0 + 2.1 = 5.1 metros.
08/01/2012 00:21 2.1
06:38 6.0 Conclui-se que às 00:30 horas a profundidade será de 5.1
12:47 2.0
00:34 6.0
metros ou próximo a este valor. Entendeu?
≈ Altura da Maré
Nota:
Para obter a altura da maré no instante desejado, o
- Se na carta consta a profundidade no local
de 3.0 metros, e na Tábuas de Marés às navegante tem de resolver uma regra de três, ou seja, hora da
00:21 a altura no local para o dia e horário é preamar menos a hora da baixa-mar e a respectiva amplitude
de 2.1 metros, soma-se. Com isso o valor (cm). A hora desejada, menos a hora da baixa-mar (minutos) e a
aproximado às 00:30 horas será de 5.1 altura da maré no instante desejado, menos a altura da baixa-
metros.
mar (cm).
PM – BM e AMPLITUDE
Por Exemplo:
Consultando-se a tábua de marés para um determinado
porto, temos as seguintes informações (figura ao lado):
preamar às 06:00 horas, igual a 5.0 metros e baixa-mar às 12:00
Tábua das Marés de um Porto Qualquer horas, igual a 2.0 metros. Qual a altura da maré prevista para
Janeiro
Dia Hora Altura (m)
as 09:00 horas daquele dia?
01/01/2012 00:00 2.0
06:00 5.0 Solução:
12:00 2.0
PM às 06:00 = 5.0
18:00 6.0
08/01/2012 00:21 2.1 BM às 12:00 = 2.0
06:38 6.0 Hora desejada = 09:00 horas.
12:47 2.0
00:34 6.0
1. Calcular o intervalo entre a Baixa-mar e a Preamar:
- Hora da BM - Hora da PM =
- Intervalo: BM – PM = 12:00 - 06:00 = 6 horas.
Mestre-Amador 26
[PUBLICAÇÕES DE AUXÍLIO À NAVEGAÇÃO]
2. Calcular a Amplitude da Maré:
- Altura da BM - Altura da PM
- Amplitude: BM – PM = PM = 2.0 - 5.0 = 3.0 metros.
3. Calcular o intervalo entre a Hora desejada e a Baixa-mar:
- Hora desejada - Hora da BM
- Hora desejada – BM = 09:00 - 12:00 = 3 horas.
Com os cálculos, concluímos que a maré está vazando
(descendo), pois num intervalo de 6 horas a maré descerá 3.0
metros. Utilizando a Regra de três simples, agora podemos
definir a altura da maré.
3h x 3.0 9.0
(Regra de 3) = = 1.5 metros
6 6
Logo, concluímos que, do horário da preamar até o horário
desejado, a altura da maré vai vazar (descer) 1.5 metros, ou
seja, as 09:00 horas a maré estará em 3.5 metros
aproximadamente, e descendo.
Carta 12000 Embora seja chamada de Carta, na prática, a publicação
Carta 12000, intitulada “Símbolos, Abreviaturas e Termos
Usados nas Cartas Náuticas Brasileiras”, é editada em forma
de livreto, baseada nas Especificações de Cartas da Organização
Hidrográfica Internacional (OHI) que reúne a coletânea
completa dos símbolos, abreviaturas e termos utilizados nas
cartas náuticas nacionais e internacionais.
Por conter o significado de cada símbolo, abreviatura e
termos utilizados nas cartas náuticas nacionais e estrangeiras, é
altamente recomendável tê-la a bordo, mantida sempre à
disposição do navegante, e em local de fácil acesso.
Quando usar?
Ao nos depararmos com algum símbolo ou abreviatura na
carta, cujo significado fuja ao nosso conhecimento, a consulta à
Carta 12.000 torna-se de grande importância. Por ser um
documento de consulta, não há necessidade de ser decorada.
Conheça a Carta 12000!
Os símbolos (seções de A a U), Abreviaturas (seções V e W)
e termos são classificados na Carta 12000 como topografia,
hidrografia ou auxílio à navegação, facilitando, desta forma, a
Na Internet
- A Carta 12000, em formato PDF, pode ser
consulta do navegante.
obtida gratuitamente na INTERNET, no Detalhes sobre a Carta 12000 podem ser obtidos baixando a
endereço: publicação, disponível na internet no endereço eletrônico ao
[Link] lado.
publicacoes/publicacoes/carta12000/carta1 A Carta 12000 poderá ser adquirida no Posto de Vendas da
[Link]
EMGEPRON, situado na Base de Hidrografia da Marinha em Niterói
Acesso em: 24/04/2015
(BHMN), Rua Barão de Jaceguay s/nº - Ponta da Armação – 24048-900
- Niterói, RJ, Brasil; ou na página de comércio eletrônico
Mestre-Amador 27
[PUBLICAÇÕES DE AUXÍLIO À NAVEGAÇÃO]
Trecho da Carta 16006 "[Link]
O quadro abaixo apresenta algumas das abreviaturas
comumente encontradas nas Cartas Náuticas e registradas na
Carta 12000:
A - tipo de fundo, areia E - encarnada
AL - fundo misto de areia e lama F.E. - luz fixa encarnada
AERO - aerofarol IG - igreja
Alt - alternada ISO - isofásica
Arg – argila L - lama
ACor - fundo misto de areia e coral Lp - lampejo
Av - areia verde MON - monumento
Arreb. - arrebentação NR - nível de redução
B - branca Obstn - obstrução
C - cascalho Pesq. - Pesqueiro
Cor - coral P – pedra
CHM - chaminé V – verde
O quadro abaixo apresenta alguns símbolos encontrados nas
Cartas Náuticas e decifrados na Carta 12.000:
ʘ - chaminé notável ɷ - boia
- igreja notável - luz
—.—.— isobatimétrica de 100m — – — isobatimétrica de 50m
Avisos aos Navegantes De grande importância para a navegação, os Avisos aos
Navegantes (AVGANTES) são publicações editadas
periodicamente sob a forma de Folheto, e tem o propósito de
fornecer aos navegantes, informações destinadas à atualização
das cartas e demais publicações náuticas brasileiras, tais como,
roteiros, listas de faróis, tábuas de marés e outras.
Adicionalmente, são apresentados nos “Avisos aos
Navegantes” alguns dos Avisos-Rádio Náuticos em vigor, bem
como outras informações gerais relevantes para a segurança da
navegação aquaviária.
Periodicamente, são publicados três “Avisos aos
Navegantes”:
Área Marítima e Hidrovias em Geral - folheto quinzenal;
Hidrovia Paraguai-Paraná – folheto mensal; e
Hidrovia Tietê-Paraná – folheto trimestral.
Os Avisos aos Navegantes são classificados como:
Avisos-Rádio - de caráter urgente. Devido à urgência que se
deseja com que cheguem aos navegantes, tem como
método de disseminação principal as transmissões via rádio
e/ou via satélite e também pela Internet. São subdivididos
em três tipos: Avisos de Área (NAVAREA), Avisos Costeiros
e Avisos Locais.
Avisos Temporários (T) - se destinam a introduzir correções
nas cartas náuticas de caráter transitório.
Avisos Preliminares (P) - se destinam a antecipar
Mestre-Amador 28
[PUBLICAÇÕES DE AUXÍLIO À NAVEGAÇÃO]
informações de correções que, posteriormente, serão
Folheto Avisos aos Navegantes incluídos nos Avisos Permanentes.
- O folheto quinzenal “Avisos aos Avisos Permanentes - se destinam a introduzir correções
Navegantes” é editado pela DHN, em definitivas nas cartas náuticas.
português, com um anexo em inglês, sendo
distribuído gratuitamente aos navegantes.
Contem os avisos-rádio em vigor, avisos Formas de Divulgação:
permanentes, preliminares e temporários da Como já dito, as informações dos Avisos aos Navegantes
quinzena, e os preliminares e temporários chegam aos navegantes pela transmissão de Avisos-Rádio, e
anteriormente publicados e que continuam
ainda, pela divulgação do Resumo Semanal, pela publicação no
em vigor. Fazem parte ainda do folheto as
alterações referentes a Lista de Faróis, Lista folheto quinzenal, e também pela Internet.
de Auxílios-Rádio e o Roteiro.
Correções:
Na Internet As correções às cartas náuticas são consubstanciadas por
- O folheto quinzenal de Avisos aos
Navegantes e a Relação das Cartas e
meio dos Avisos Temporários (T), Avisos Preliminares (P) e
Publicações Náuticas e respectivas Avisos Permanentes, apresentados na Seção III. Quando
correções permanentes divulgadas por necessário, a alguns Avisos Permanentes, são associadas
Avisos aos Navegantes, estão disponíveis na reproduções de trechos, notas e quadros (conhecidos como
INTERNET, no formato PDF, no endereço:
"bacalhaus") encartadas nos próprios Avisos aos Navegantes,
[Link]
navegantes/avgantes/[Link] em seção específica.
Acesso em: 24/04/2015 As correções às publicações náuticas são apresentadas na
Seção IV e, quando necessário, por meio de "Folhas de
Correções" encartadas no final dos Avisos aos Navegantes.
Para maiores detalhes, recomenda-se a leitura atenta da
Seção I (Informações Gerais) dos Avisos aos Navegantes.
Almanaque Náutico O Almanaque Náutico contém dados relativos à Navegação
Astronômica. Traz informações sobre o nascer e por do Sol e da
Lua, passagem meridiana do Sol e da Lua e dos planetas Vênus,
Marte, Júpiter e Saturno, hora e duração dos crepúsculos,
tábuas da Estrela Polar, elementos para correção de alturas
observadas com o sextante, dados sobre hora legal, fusos
horários, cartas celestes etc. Por ser especialmente indicado
para navegação oceânica, não teceremos maiores comentários.
O Almanaque Náutico completo em formato PDF pode ser
obtido no endereço: [Link]
Na Internet publicacoes/publicacoes/almanaque/[Link]
- O Almanaque Náutico completo, em
formato PDF, pode ser obtido gratuitamente
na INTERNET, no seguinte endereço:
[Link]
publicacoes/publicacoes/almanaque/Alman
[Link]
Acesso em: 24/04/2015
RIPEAM Regulamento Internacional para Evitar Abalroamentos no
Na Internet Mar (RIPEAM-72) - contém as regras de manobra no mar.
- O RIPEAM, em formato PDF, pode ser Pela sua importância, será visto mais adiante na Unidade 09.
obtido gratuitamente na INTERNET, no
seguinte endereço:
[Link]
es/ssta/[Link]
Acesso em: 24/04/2014
Mestre-Amador 29
[PUBLICAÇÕES DE AUXÍLIO À NAVEGAÇÃO]
NOTA IMPORTANTE:
Todas as publicações citadas nesta unidade são editadas pela Diretoria de Hidrografia e Navegação (DHN) e
mantidas atualizadas pelo Centro de Hidrografia da Marinha (CHM), ambas pertencentes à Marinha do Brasil.
Para ter acesso a relação das principais Publicações de Auxílio à Navegação, acesse:
[Link]
Saiba mais
Você pode saber mais sobre o assunto estudado nesta unidade consultando os seguintes endereços
eletrônicos:
[Link]
(Publicações de Auxílio à Navegação)
[Link]
Mestre-Amador 30
[INSTRUMENTOS NÁUTICOS DE AUXÍLIO À NAVEGAÇÃO]
Unidade 4:
Nesta unidade, você terá uma visão geral dos principais instrumentos de auxílio à navegação;
entenderá como funcionam as agulhas (magnética e giroscópica); odômetro (de fundo e de
superfície); ecobatímetro e prumo de mão; alidade e outros de fundamental importância para uma
navegação segura.
Instrumentos de Auxílio à A escolha dos instrumentos que se deve ter a bordo
depende de alguns fatores, dentre os quais se destacam o
Navegação tamanho da embarcação, a singradura que irá empreender e
os recursos disponíveis a bordo. Aqui vamos conhecer, sem
Singradura entrar em detalhes técnicos, alguns dos equipamentos de
- Caminho, rota que uma embarcação
percorre em determinado tempo. auxílio à navegação comumentes encontrados na maioria das
embarcações de esporte e recreio (lazer) utilizadas na
Dotação de Equipamentos de Navegação navegação costeira, estimada e em águas restritas.
- É responsabilidade do Comandante, dotar Os instrumentos náuticos são utilizados basicamente para
a sua embarcação com equipamentos de
navegação compatíveis com a singradura
se obter as direções no mar (rumos e marcações), medir e
que irá empreender. (NORMAM-03/DPC). determinar a velocidade e a distância percorrida por uma
embarcação, medir as distâncias no mar, medir
profundidades, desenho e plotagem, ampliação do poder de
visão do navegante, entre outros. Vejamos alguns desses
instrumentos:
Instrumentos para Medidas de Direções no Mar
Agulhas Náuticas Um dos problemas principais da navegação é determinar a
direção no mar (rumos e marcações) a seguir para ir de um
(Bússolas) ponto a outro na superfície terrestre, bem como determinar a
posição da embarcação em função de pontos de terra quando
Agulha Náutica dentro do alcance visual. A solução de ambos exige que se
- Instrumento empregado pelo navegante
para se orientar no mar. conheça uma orientação e esta é obtida pelas Agulhas
Náuticas.
As agulhas náuticas podem ser Magnéticas e Giroscópicas.
Agulha Magnética
A bússola, mais conhecida pelos Marinheiros como Agulha
é o instrumento de navegação mais importante a bordo ainda
hoje. O seu princípio de funcionamento é, um ferro natural ou
artificialmente magnetizado tem em se orientar segundo a
direção do campo magnético da Terra. A agulha magnética é
constituída de um grupo aglutinado de leves barras
magnetizadas e paralelas que se fixam na parte inferior de um
disco graduado de 000° a 360° (rosa dos ventos).
Independente de onde se pretende navegar, todas as
embarcações, com exceção das miúdas devem ser equipadas
Agulha Magnética
com agulha magnética de governo. As embarcações com
A Agulha Magnética pode ser: comprimento igual ou maior que 24 metros deverão possuir,
- Eletrônica: baseia seu funcionamento na também, certificado de compensação ou curva de desvio da
medida do campo magnético terrestre - agulha atualizada a cada dois (2) anos.
apresentação digital de rumos.
- Giromagnética: combina os efeitos do
magnetismo e do giroscópio.
Mestre-Amador 31
[INSTRUMENTOS NÁUTICOS DE AUXÍLIO À NAVEGAÇÃO]
Uma agulha magnética precisa ser compensada (calibrada) a cada
dois anos (calibrar uma agulha magnética é determinar o seu desvio).
A operação de compensação visa anular ou reduzir os efeitos das
massas de ferro sobre uma agulha. O desvio que permanece, após
compensação da agulha, chama-se Desvio Residual. Por norma, uma
agulha magnética também deve ser compensada sempre que seus
desvios excedam três (3°) graus.
Componentes da Agulha Magnética:
Como já vimos, as Agulhas Magnéticas constam de barras
magnetizadas e paralelas que se fixam na parte inferior de um
disco graduado (de 000° a 360°) chamado de rosa dos ventos
(ou rosa de rumos); tem no centro um capitel (ou flutuador)
com um cavado cônico com uma pedra incrustada (rubi, safira
etc.) onde assenta uma haste vertical denominada estilete (ou
pião), fixado no fundo do morteiro composto de uma cuba
cheia com uma mistura de água destilada e álcool etílico (para
não congelar) ou um destilado fino de petróleo, fechada com
um disco de vidro. No vidro da cuba existe um traço vertical
chamado linha de fé (referência para rumos – indica com rigor
a direção da proa da embarcação), que deve ser rigorosamente
alinhada com a linha proa-popa (eixo longitudinal da
embarcação). Feita de material não magnético, a cuba é
montada, em um suporte conhecido por bitácula que contém
Denominação das Agulhas Magnéticas um sistema dito cardan (suspensão cardan). A finalidade da
- Agulha padrão: recebe essa denominação,
suspensão cardan é manter a cuba sempre na posição
a que estiver mais bem instalada sob o
ponto de vista magnético, ou seja, em local horizontal, qualquer que seja o jogo da embarcação.
o mais livre possível de influências Quando se começou com os cascos em ferro o desvio da
magnéticas de. Pela agulha padrão é que se agulha tinha um efeito considerável e a agulha teve que ser
determinam os rumos e as marcações. adaptada. Então, a bitácula passou a incluir uns ferros para
- Agulha de Governo: é a que fica na frente
do piloto (Timoneiro) da embarcação. Serve
compensar esses efeitos e umas esferas de ferro denominadas
basicamente para o governo da embarcação. “esferas de Barlow”, que na prática, são ímãs de ferro duro e
- Agulha Portátil: é uma agulha manual, peças de ferros doces que tem como função, compensar ou
geralmente guardada em uma caixa de diminuir os desvios, causados pelas massas de ferros de bordo e
madeira, que pode ser transportada para
pela presença de influências magnéticas da Terra; um
qualquer ponto da embarcação. Muito útil
nas pequenas embarcações (miúdas). dispositivo elétrico para iluminação da rosa dos ventos, e um
inclinômetro que é destinado a indicar as inclinações da
Desvio da Agulha embarcação. A bitácula possui ainda uma tampa de metal onde
- O desvio é provocado por perturbações existe um dispositivo de iluminação de emergência à bateria.
magnéticas induzidas na agulha magnética.
Para proteção da agulha dos raios solares, existe uma peça de
metal não magnético, adaptada à parte superior da cuba
chamada capuchana.
Vantagens e Limitações da Agulha Magnética:
A Agulha Magnética tem quatro características importantes:
Característica das Agulhas Magnéticas opera independente de qualquer fonte de energia elétrica, isto
- As agulhas magnéticas podem ser líquidas é, não necessita de alimentação; é muito pouca sujeita a
ou secas. As agulhas magnéticas líquidas avarias; está sempre estabilizada, se bem calibrada; e em
possuem mais estabilidade que a secas,
porém as secas são mais sensíveis. As boas
comparação com outras agulhas, tem custo relativamente
agulhas devem satisfazer duas condições baixo. Por este motivo é que a Agulha Magnética continua
principais, serem sensíveis e estáveis. fazendo parte do equipamento dos navios, mesmo dos mais
modernos, como sistema de orientação em caso de
Mestre-Amador 32
[Link] [INSTRUMENTOS NÁUTICOS DE AUXÍLIO À NAVEGAÇÃO]
emergências. As boas agulhas magnéticas devem satisfazer a
TABELA DE ITEM OBRIGATÓRIO PARA duas condições principais: Serem sensíveis, para que acusem a
EMBARCAÇÕES DE ESPORTE E/OU RECREIO
(NORMAM-03/DPC)
mínima mudança de rumo e, serem estáveis, de forma a
permanecerem imóveis tanto quanto possível, a qualquer que
Embarcações Agulha Magnética seja o jogo do navio.
Miúdas Dispensadas Em contrapartida, a Agulha Magnética, tem como
Médio Porte Obrigatório
Grande Porte Obrigatório
limitações, o fato de ser afetada pelo material ferroso do navio
[Compensada ou (ferros de bordo) e pela presença de influências magnéticas da
possuir curva de Terra; busca sempre o norte magnético, em lugar do Norte
desvio atualizada a verdadeiro da Terra; não é tão precisa e fácil de usar como a
cada dois (2) anos]
agulha giroscópica; além de ser mais afetada por altas latitudes
que uma agulha giroscópica. Por isso a necessidade de
Declinação Magnética
- O campo magnético em torno da superfície permanentes correções para a declinação magnética e para os
terrestre atua com força sobre a agulha e seus desvios.
provoca o alinhamento da agulha na direção
norte-sul magnético, causando a declinação Agulha Eletrônica (“FLUX GATE COMPASS”)
magnética (Dmg). Se a ponta Norte da A evolução mais recente da agulha magnética é a agulha
agulha ficar a Oeste do Meridiano
eletrônica. Essa nova agulha baseia seu funcionamento na medida do
Verdadeiro, a Dmg ser "W". Se acontecer o
campo magnético terrestre, diferentemente da agulha tradicional,
contrario, a Dmg será "E".
- Este assunto será abordado com mais que utiliza a lei de atração e repulsão dos polos magnéticos e podem
detalhes na Unidade 11 desta Apostila. ainda serem utilizadas em latitudes mais elevadas. Geralmente seu
mostrador é em formato digital, não possuindo partes móveis.
Agulha Giroscópica
A Agulha giroscópica, também conhecida por Giro, é um
tipo de bússola que não tem nada de magnetismo, ou seja, não
é afetada pelos ferros de bordo e nem por equipamentos
elétricos, sendo o seu funcionamento baseado no princípio do
giroscópio livre, que possui duas propriedades importantes: A
Inércia giroscópica (ou rigidez no espaço), que faz com que o
giroscópio mantenha o seu eixo de rotação paralelo a si
próprio, mesmo quando se desloca; e a Precessão, que consiste
na característica que faz com que, quando alguma força atua de
forma a pretender alterar-lhe a direção em que aponta o seu
eixo de rotação, ele reaja rodando esse eixo numa direção
perpendicular à força atuante, como que procurando uma
posição em que essa força deixe de perturbar a sua Rigidez no
Espaço.
Funcionamento básico da Agulha Giroscópica:
Quando uma agulha giroscópica é alimentada, isto é, quando
o seu rotor é posto a girar e atinge a velocidade normal de
operação (6000 RPM em média), ela começa automaticamente
a se “orientar” em busca do norte verdadeiro, qualquer que seja
a direção em que se encontre quando parada. Quanto mais
próxima estiver do norte verdadeiro, mais rápida será sua
orientação.
Inércia Giroscópica
- A inércia giroscópica (ou rigidez no espaço) Na agulha giroscópica (giro) orientada, o eixo de rotação
é a propriedade que o giroscópio livre tem do giroscópio é mantido alinhado com o meridiano geográfico
em manter seu eixo apontado sempre para do lugar, isto é, na direção da linha norte-sul, verdadeiro.
um mesmo ponto no espaço, a despeito dos Assim, o norte da giro aponta para o norte verdadeiro.
movimentos de sua base.
Normalmente, uma agulha giroscópica dispõe de
Mestre-Amador 33
[INSTRUMENTOS NÁUTICOS DE AUXÍLIO À NAVEGAÇÃO]
repetidoras instaladas a bordo, para leitura de rumos e
marcações. Uma repetidora é, basicamente, uma rosa
Precessão do Giroscópio
- precessão é a reação que o giroscópio tem graduada de 000⁰ a 360⁰, que, por meio de servomecanismos
a toda a força que tende a desviar o seu eixo eletrônicos, reproduz exatamente as leituras da mestra da
da direção em que se encontra. Aplicando-se agulha giroscópica. A repetidora da giro é montada em um
uma força externa a um giroscópio, ele suporte denominado peloro. Para obtermos as marcações,
reage rodando o seu eixo num plano a 90º
com a direção da força. O movimento de
instala-se sobre a repetidora um círculo azimutal, ou alidade ou
rotação da Terra faz com que a direção do utiliza-se um taxímetro que fornece marcações relativas e é
eixo do giroscópio varie em relação a esta. utilizado em embarcações menores cuja linha de visada da
Então, a Terra ao rodar faz com que o eixo agulha está obstruída.
do giroscópio se afaste do plano horizontal
terrestre e assim o peso aplicado no
giroscópio exercerá uma força (externa) no Vantagens e Limitações da Agulha Giroscópica:
seu eixo, tentando pô-lo paralelo á A agulha giroscópica tem como principal vantagem apontar
superfície Terrestre, fazendo-o precessar na direção do meridiano verdadeiro (admitindo que não haja
para o Polo Norte. Por isso, a Agulha nem erro nem desvio, respectivamente). No entanto, tem três
Giroscópica, se não tiver nenhum erro,
indica sempre para o Norte verdadeiro.
vulnerabilidades importantes: É elétrica, ou seja, exige uma
fonte de energia a bordo (se a corrente falha a agulha não
Na Internet funciona); necessita, quando lançada, de algum tempo para
- Para compreender melhor veja em vídeo estabilizar, sendo, portanto, necessário ser posta em
como funciona o giroscópio, acessando o funcionamento com antecedência de pelo menos vinte
endereço abaixo:
[Link] minutos; e está sujeita a avarias próprias dos equipamentos
.br/2012/07/giroscopio-entenda- elétricos, exigindo uma adequada manutenção para operar em
[Link]. boas condições de eficiência.
As embarcações modernas possuem
Agulha Giromagnética
normalmente, duas agulhas giroscópicas,
É o tipo de agulha que combina os efeitos do magnetismo e do
uma funcionando como “backup” da outra.
E, nunca é demais lembrar, a agulha giroscópio. Seu funcionamento baseia-se numa agulha magnética, a
magnética, mesmo nas embarcações qual possui um dispositivo que fixa no meridiano magnético um
modernas, permanece em uso, continuando pequeno giroscópio, que, por sua vez, controla um transmissor que
obrigatoriamente a fazer parte do opera as repetidoras. Uma agulha magnética é alojada numa câmara
equipamento de bordo, como reserva, para estanque, que é posicionada longe de todos os ferros de bordo. Suas
o caso de falhas na agulha giroscópica. indicações são enviadas a uma unidade giroscópica que possui uma
rosa dos ventos, que indica o rumo magnético (as indicações da
Resumo
agulha não são afetadas pelos balanços e arfagens da embarcação).
- Como vimos, as agulhas magnéticas
Esse rumo é passado a uma repetidora por meio de um transmissor
dependem de uma curva de desvios
atualizada e, devem ser instaladas em locais ligado ao giroscópio. O sistema possui capacidade para operar duas
distantes de materiais ferrosos ou repetidoras.
magnéticos, para não interferir em seu A agulha Giromagnética pode ser usada com sucesso em
funcionamento. As agulhas giroscópicas são pequenas embarcações de esporte e recreio (quando aplicáveis),
mais precisas, entretanto, exigem embarcações usadas na pesca, rebocadores e outras, pois suas
manutenções adequadas para operar em indicações são estáveis e pelo seu pequeno tamanho, ocupa pouco
boas condições de eficiência. espaço.
Instrumentos de Marcar
Quando marcamos alvos (objetos) utilizando pontos
notáveis em terra, tais como ilhas, faróis, faroletes etc,
chamamos Marcações, porém, quando as marcações são feitas
para astros (Sol, Lua, Estrelas, Planetas etc.), chamamos de
Azimute.
A alidade de pínulas, o taxímetro, o círculo azimutal, a
alidade telescópica e a alidade manual são instrumentos
utilizados para medir marcações e azimutes.
Mestre-Amador 34
[Link] [INSTRUMENTOS NÁUTICOS DE AUXÍLIO À NAVEGAÇÃO]
Alidade de Pínulas É o mais simples dos instrumentos óticos de marcar,
utilizado sobre um taxímetro, para poder efetuar as marcações.
Faz-se uso da alidade de pínulas nas embarcações que só
possuem agulhas de governo.
Taxímetro Utilizado em conjunto com a alidade de pínulas, o
taxímetro é um instrumento utilizado para obter marcações
relativas de objetos que estejam na linha de visada da
embarcação. Consiste de uma rosa graduada de 000° a 360°,
montada num suporte vertical chamado de peloro, tendo em
cima uma régua horizontal em cujos extremos existem duas
pínulas que permitem ao observador olhar entre ela e o centro
da rosa o objeto visado para poder efetuar as marcações.
O taxímetro ao ser instalado a bordo deve ter sua linha 0° –
180° colocada paralelamente à linha longitudinal proa-popa.
Círculo Azimutal Também empregado na obtenção de marcações de objetos
avistados, o círculo azimutal possui prismas adicionais que lhe
permite, além das marcações de pontos, ser também usado na
determinação da marcação dos astros (Sol, Lua, Estrelas,
Planetas etc.).
Alidade Telescópica Instrumento semelhante a um círculo azimutal, porém
dispõe de uma luneta telescópica com retículo, em vez do
conjunto fenda de visada/mira. Assim, a imagem é ampliada,
melhorando a definição de objetos distantes para o
observador. Um prisma refletor permite que sejam observados
simultaneamente o objeto visado e a marcação
correspondente.
Alidade Manual É o mais simples dos instrumentos de marcar. Comumente
usados nas embarcações de lazer, uma alidade manual nada
mais é que uma cuba, com mostrador graduado de 000° a 360°,
igual à agulha magnética, podendo ser levada a qualquer ponto
da embarcação para tirar marcações de qualquer ponto
avistado. A alidade manual, normalmente, não sofre influência
dos ferros de bordo. O que significa dizer que seu desvio da
agulha é praticamente zero (0) e sua indicação será para o
Norte magnético.
Mestre-Amador 35
[INSTRUMENTOS NÁUTICOS DE AUXÍLIO À NAVEGAÇÃO]
Instrumentos de Medida de Velocidade e Distância
Odômetro São instrumentos instalados a bordo das embarcações que
tem como finalidade indicar a velocidade atual e a distância
percorrida (navegada) pela embarcação.
Velocidade na superfície e no fundo Os odômetros são classificados em três tipos básicos:
- Os odômetros de superfície e de fundo odômetro de superfície
medem a velocidade da embarcação na odômetro de fundo (tipo Pitot)
superfície, isto é, em relação à massa d’água
circundante (depois essa velocidade é
odômetro Doppler.
integrada em relação ao tempo e
transformada em distância percorrida). Já o ≈ Odômetro de superfície – por ser um instrumento antigo, é
odômetro Doppler mede a velocidade em usado atualmente como equipamento de emergência.
relação ao fundo.
Mede a velocidade da embarcação em relação ao seu
deslocamento na superfície (massa d’água circundante).
Consiste de um pequeno hélice portátil, ligado a um cabo
(linha), que por sua vez é conectado com um volante e a um
registrador, tipo relógio. Quando a embarcação se
movimenta provoca o giro do hélice que, através do cabo e
do volante, é transmitido ao registrador. Obtém-se a
velocidade fazendo-se a leitura das milhas percorridas a
cada hora diretamente no contador do registrador que
também dispõe de um totalizador da distância navegada.
Pela simplicidade de instalação e substituição rápida de
componentes avariados, é um instrumento, ainda hoje,
utilizado nos navios mercantes, porém está em desuso,
Odômetro de Superfície sendo substituído por equipamentos mais modernos. Esse
tipo de Odômetro tem limitações, tais como, precisa ser
retirado da água quando o navio dá máquinas atrás (a ré),
sofre muita influência do mar grosso, enroscam-se em algas,
sargaços e lixo com facilidade, e seu registrador somente
permite a indicação de distância percorrida (navegada) e
não de velocidade da embarcação. Além disso, os
odômetros de superfície podem apresentar indicações
erradas devido ao mar muito agitado, má conservação,
hélice rebocando lixo ou algas e comprimentos de cabos
inadequados.
≈ Odômetro de fundo – mede a velocidade em relação ao
deslocamento da embarcação no fundo (massa d’água no
fundo do casco – quilha); esse instrumento já faz parte da
estrutura do navio e pode ser de dois tipos: de tubo Pitot e
eletromagnético. Ambos consistem em uma haste
projetada através do casco no fundo (quilha) controlada por
uma válvula de mar. Dentro da haste existe um tubo Pitot,
ou um aparelho de indução eletromagnética que
determinam, por medição indireta, a velocidade do navio. A
velocidade, integrada em função do tempo por meios
elétricos e mecânicos, é, por sua vez, convertida em
Odômetro distância navegada.
- É o único equipamento que operando
≈ Odômetro Doppler – No efeito Doppler a velocidade e a
corretamente e aferido, permite calcular
com precisão o efeito de corrente local. distância navegada é indicada referenciando-se,
duplamente, à massa d'água na superfície e ao fundo
Mestre-Amador 36
[INSTRUMENTOS NÁUTICOS DE AUXÍLIO À NAVEGAÇÃO]
Velocidade de superfície: (quilha). Esse tipo de odômetro possui no casco da
- Velocidade medida através da água na embarcação, um transdutor de emissão e um de recepção.
qual flutua
Velocidade de fundo: Quando a embarcação se movimenta é emitido um sinal de
- Velocidade medida em relação ao fundo do onda para o fundo do mar pelo emissor; o sinal regressa
mar. levemente defasado do pulso original. O receptor recebe
esse sinal e interpreta com base no efeito Doppler, e assim é
obtida a distância navegada. O odômetro Doppler é o único
Corrida da Milha que mede a velocidade no fundo, além de poder indicar,
- Todos os odômetros necessitam de também, velocidades muito pequenas. As indicações dos
aferição e calibragens periódicas a fim de outros tipos estão influenciadas pelos movimentos devidos
verificar a exatidão das suas informações. O às correntes oceânicas, correntes de marés, ventos etc.
processo mais utilizado é o chamado Corrida
da Milha.
Também o odômetro Doppler tem a vantagem de poder
indicar velocidades muito pequenas.
Corrida da Milha
Os odômetros necessitam de aferição ou calibragem periódica, a
fim de verificar-se a exatidão de suas indicações. Para isto, pode-se
recorrer a vários processos, os quais, na sua essência, consistem todos
em aferir rigorosamente a distância percorrida durante um intervalo
de tempo. Dentre esses processos, o mais comumente utilizado
recebe o nome de corrida da milha. Na “corrida da milha”, o navio
efetua uma série de percursos (corridas) cuja distância, rigorosamente
conhecida, é definida a partir de marcas conspícuas em terra. Observe
a figura.
A distância D entre marcas pode ser de uma milha (e daí o nome
tradicional de “corrida da milha”), mas, de preferência, deveria ser
superior a esse valor (3 ou mais milhas).
O tempo que o navio leva para percorrer cada um dos percursos,
em diferentes regimes de máquinas (RPM), é medido, obtendo-se
assim as correspondentes velocidades.
A “corrida da milha” é o processo mais Como as águas não são paradas e, portanto, sempre existe uma
comumente utilizado e o mais rigoroso para corrente, usa-se um artifício para obter os resultados desejados, sem
se proceder à calibragem de odômetros e sofrer os efeitos da corrente.
velocímetros. Adota-se a média dos valores de duas corridas consecutivas em
rumos opostos, anulando, assim, a influência da corrente, visto que os
seus efeitos foram opostos nas duas corridas mencionadas.
Estadímetro São instrumentos utilizados para medidas de distâncias em
função do conhecimento da altura do objeto que não deverá
ter mais de 200 metros. Baseiam-se no princípio de
determinação da distância pela medição do ângulo vertical que
subtende um objeto de altitude conhecida, utilizando a
fórmula: d = h . cotg a
ONDE:
d: distância ao objeto visado (fornecida pelo estadímetro);
h: altitude conhecida do objeto visado (introduzida no
instrumento); e
a: ângulo vertical que subtende o objeto (medido com o
estadímetro).
Estadímetro A altitude do objeto visado, para o qual se determina a
distância, deve estar entre 50 e 200 pés (15m e 60m). A maioria
dos estadímetros pode ser capaz de determinar distâncias
desde um mínimo de cerca de 200 metros até um máximo da
ordem de 10.000 metros.
Tem como princípio de funcionamento as imagens diretas e
Mestre-Amador 37
[Link] [INSTRUMENTOS NÁUTICOS DE AUXÍLIO À NAVEGAÇÃO]
refletidas associadas a uma escala de distância, faz-se com que
a imagem refletida seja superposta direta, ocasião em que se lê
a distância mostrada no dial, que é a distância que o objeto
encontra-se do observador.
Sextante Até o aparecimento do GPS, o sextante era um instrumento
primordial em se tratando de navegação.
O Sextante é um instrumento ótico destinado a medir
ângulos entre dois ou mais pontos, sendo usado principalmente
na navegação astronômica (medição da altura de um astro
acima da linha do horizonte).
Basicamente, o sextante compõe-se de uma luneta, dois
espelhos refletores presos a um setor circular, um tambor
micrométrico graduado de 0° a 60°, um limbo graduado em
graus (com um microscópio auxiliar para tornar a leitura mais
precisa), uma alidade que gira em torno de um eixo, e filtros
para a proteção contra a luz solar.
O funcionamento do sextante é simples. O objetivo é medir
um ângulo entre dois objetos. Visa-se o horizonte através da
luneta e movendo a alidade temos de levar a imagem refletida
do astro a coincidir com a imagem do horizonte visado
Alidade (braço)
- É a régua que gira em torno de um eixo diretamente. Se o astro visado é grande, como o Sol ou a Lua, a
que passa pelo centro geométrico do setor. coincidência com o horizonte faz-se pelo limbo (borda) superior
ou inferior do astro. A alidade indica no limbo do sextante o
valor do ângulo medido. Diz-se sextante, pois é na forma de
Uso do sextante
-Até ao aparecimento do GPS, o sextante era
um sexto de círculo.
um instrumento primordial em navegação. Na navegação costeira, usa-se o sextante, quando se quer
Convém não perder o treino do seu uso, já determinar a posição da embarcação conhecendo-se os ângulos
que apesar de toda a tecnologia, este entre três pontos em terra (segmentos capazes), ou mesmo
método é por enquanto, o único infalível de
saber a distância a um objeto, desde que se conheça a sua
obter-se a posição. Desde que haja Sol, Lua.
altura ou sua altitude.
O sextante pode ser utilizado tanto na
navegação astronômica quanto na Segmentos Capazes
navegação por segmentos capazes. Seu uso Para plotagem da posição por segmentos capazes podem
na navegação astronômica demanda um
prévio estabelecimento do erro
ser utilizados três processos. O primeiro deles, muito pouco
instrumental, que é particular de cada empregado, consiste em traçar os segmentos capazes pelo
indivíduo, ou seja, deve ser calculado antes método gráfico.
da viagem e ser mantido periodicamente O segundo processo, mais rápido e normalmente o
atualizado.
preferido a bordo de uma embarcação, utiliza o estaciógrafo,
instrumento específico para esta finalidade.
Estaciógrafo
Consiste, sucintamente, de um círculo graduado que dispõe de três
réguas irradiando do centro. A régua central é fixa, determina o centro do
círculo e passa pelo zero da graduação do mesmo que, geralmente, é marcado
de ½ em ½ grau, de 0 a 180° para cada lado dessa régua. As outras duas
réguas são móveis, dispõem de botões de pressão para travá-las em qualquer
graduação do círculo e são munidas, ainda, de verniers ou parafusos
micrométricos.
Estaciógrafo
Mestre-Amador 38
[INSTRUMENTOS NÁUTICOS DE AUXÍLIO À NAVEGAÇÃO]
Instrumentos de Determinação de Profundidade
Prumo de Mão Dos instrumentos de navegação, é com certeza o primeiro
que permitiu medir a altura da água por baixo de uma
embarcação.
Usado para profundidades de aproximadamente 36 metros
(20 braças), a sonda ou prumo de mão consiste de uma linha
marcada em décimos (sandaresa) com um peso de chumbo
denominado chumbada em forma de cone, pesando cerca de 3
a 7 quilos, tendo na sua base um cavado destinado à colocação
de sebo ou cera ou sabão para coletar amostras do fundo de
modo a se conhecer a sua natureza (lama, areia, lodo, pedra,
cascalho etc).
Para determinar a profundidade, com a embarcação parada
ou com pouca velocidade, cerca de três (3) nós, deve-se lançar
a chumbada com um forte impulso para vante e fazer a leitura
quando o prumo tocar no fundo (não se esquecendo de
Prumo de Mão e Ecobatímetro
descontar a altura do prumo de mão entre a quilha e o espelho
- Quando o aparelho usa uma linha com um d’água).
peso, chama-se Prumo de Mão. Quando o A natureza do fundo é verificada quando se recolhe a
aparelho usa sons (ultra-sons), chama-se chumbada, pois o sebo ou sabão ou cera poderá conter lama
ecobatímetro.
ou areia e outro, ou pode voltar limpa, mostrando que o fundo
NOTA: é de pedra e, neste caso, imprópria para o fundeio.
- Em desuso, o prumo de mão ainda é um Saber a natureza do fundo é um dado importante para a
bom instrumento para ter a bordo capaz de operação de salvamento, quando ocorre o encalhe da
remediar eventuais avarias com o embarcação. O prumo de mão serve também para indicar se o
ecobatímetro.
navio fundeado (“garra”). Para isso, larga-se a chumbada no
fundo, com um pouco de seio na linha, e amarra-se esta à
borda. A inclinação da linha indica se o navio está “garrando”.
Ecobatímetro Muito mais moderno que o prumo de mão, os
ecobatímetros tem a vantagem de medir a profundidade
instantaneamente e continuamente do local, por meio da
emissão de pulsos e a recepção do seu eco após tocar no fundo
do mar. A profundidade medida é a partir do fundo da
embarcação (quilha). Para encontrarmos a profundidade do
local, devemos somar o calado da embarcação.
Seu principio de funcionamento baseia-se num feixe ou
impulso de ondas sonoras de frequência sônica (menor que 18
kHz), ou ultrassônica (maior que 18 kHz), que é transmitido
verticalmente por um transdutor instalado no casco da
embarcação. O feixe bate no fundo e volta em forma de eco à
superfície onde é recebido por um receptor que calculará a
profundidade do local. Seu mostrador pode ser analógico ou
digital.
Calado da Embarcação O ecobatímetro tradicional informa somente o valor que
- Distância vertical medida entre a superfície
está imediatamente abaixo da quilha, e nunca o que está
da água - linha de flutuação ou linha d'água
e a parte mais baixa da embarcação – a adiante.
quilha. Devemos sempre considerar o calado
da embarcação, para ser acrescido do valor
da profundidade, obtida pelo ecobatímetro.
Mestre-Amador 39
[Link] [INSTRUMENTOS NÁUTICOS DE AUXÍLIO À NAVEGAÇÃO]
Limitações do Ecobatímetro
Tipo de fundo no uso do ecobatímetro Quando utilizamos o ecobatímetro, devemos também saber
- O fundo duro, constituído de pedra ou que esse equipamento pode sofrer alterações em seu
areia, proporciona melhores condições de
recepção do eco.
rendimento, dependendo da natureza do fundo.
Se o local é constituído de fundo duro como pedra e areia, o
Dotação de Ecobatímetro nas embarcações eco refletido é mais forte, mais nítido, pois este tipo de fundo
de esporte e/ou recreio apresenta as melhores condições de reflexão do eco.
- As embarcações de grande porte (Iates), Se o local é de fundo macio (lama mole, por exemplo),
construídas após 11/02/2000, deverão ser
absorve parte da energia sonora, dando, em consequência, um
equipadas com um ecobatímetro. Para as
embarcações menores o seu emprego é eco fraco que, principalmente, nos limites da escala do
recomendado. (NORMAM-03/DPC). equipamento, pode acarretar dificuldades na leitura.
Assim, teremos mais precisão e confiança nas leituras
Regras Práticas no uso do Ecobatímetro efetuadas em fundos bons refletores, isto é, fundos duros.
- Dentre os modos de apresentação da
profundidade, é possível considerar ou não o
Para saber a qualidade do fundo, podemos consultar a carta
calado do barco. Caso o calado seja de náutica (desde que tenhamos uma posição estimada
considerado, convém certificar-se que o confiável) ou colher amostras do fundo com o prumo de mão.
valor ajustado está correto, a fim de evitar Neste caso, poderemos até comparar as leituras do prumo e do
erros de leitura. A distância entre a proa e o
ecobatímetro, para verificar se o ecobatímetro está regulado.
transdutor também deve ser considerada,
tendo em vista que, em caso de Importante:
aproximação de um alto fundo, a As Cartas Náuticas também fornecem profundidades em metros, a
profundidade apresentada não natureza do fundo e todos os perigos à navegação, tais como pedras,
corresponderá à do bico de proa, podendo bancos de areia, barcos afundados etc. Porém, para comparar a
ocorrer o encalhe da embarcação. profundidade medida pelo ecobatímetro com a indicada na carta, é
preciso considerar a altura da maré no instante da medição.
Instrumentos Meteorológicos
Barômetro O barômetro é o instrumento utilizado na medição da
pressão atmosférica ao nível do mar, os barômetros podem ser
de dois tipos: Barômetro de Mercúrio e Barômetro Aneróide,
sendo este último, o mais utilizado a bordo das embarcações.
Barômetro Aneróide - Menos preciso, porém bem menor e
mais prático que o barômetro de mercúrio, o barômetro
aneróide está sujeito a erros instrumentais, que são
determinados pela aferição do instrumento ou pela
comparação com um barômetro de mercúrio, que é mais
preciso. Esta operação fornece a correção instrumental a ser
aplicada a todas as leituras feitas.
De uma maneira geral, pois existem muitos parâmetros a
O Barômetro desce quando o ar é quente e
considerar, pressão barométrica alta, significa tempo bom e
sobre com o ar e frio. pressão barométrica baixa, significa mau tempo. Para saber se
a pressão está alta ou baixa, deve-se saber que a pressão do ar
Regra GERAL: atmosférico é de 760 milímetros de mercúrio ou 1013
- Barômetro alto significa BOM TEMPO e milibares.
Barômetro baixo, MAU TEMPO.
De acordo com Miguens (1999), os barômetros de mercúrio não são
convenientes para uso a bordo, em virtude de sua fragilidade, tamanho e
susceptibilidade a erros devido aos movimentos do navio.
Termômetro Em navegação a previsão das condições do tempo é de
extrema importância. O termômetro é o instrumento usado
para medir a temperatura ambiente (temperatura do ar) e as
suas variações, ou seja, o termômetro permite saber se em
Mestre-Amador 40
[INSTRUMENTOS NÁUTICOS DE AUXÍLIO À NAVEGAÇÃO]
determinado lugar está quente ou frio e se a temperatura está
aumentando ou diminuindo. Dentre os tipos utilizados na
meteorologia voltados para a navegação, destacam-se: o
termômetro de máxima e mínima (fig. ao lado), que mede a
maior e a menor temperatura ocorrida num dado intervalo de
tempo e o termômetro da água do mar (fig. abaixo), que mede
a temperatura do mar na superfície. Ambos contêm uma escala
em graus Celsius (°C) ou Fahrenheit (°F).
Para garantir melhor precisão das informações, os
termômetros devem ser instalados a bordo em local arejado e
protegido da chuva e dos raios solares.
Anemômetro Também chamado de anemógrafo, são instrumentos
destinados a medir e registrar a velocidade do vento, que é
obtida em m/seg, km/h, nó ou por meio da escala de Beaufort
de ventos, que estima a velocidade do vento a partir do estado
mar, numa escala de 0 (calmaria) a 12 (furacões).
O vento é um elemento que, atuando sobre a embarcação,
faz com que o caminho realmente percorrido em relação ao
fundo do mar seja diferente do caminho percorrido na
superfície. Os anemômetros existentes a bordo são instalados
no mastro e indicam, geralmente, a velocidade do vento
aparente, em um mostrador.
Anemômetro
Radiogoniômetro É um auxílio eletrônico à navegação que se utiliza das ondas
de rádio. É um tipo especial de aparelho receptor sempre
acoplado a uma antena rotativa (antena de quadro) e a um
disco graduado de 000⁰ a 360⁰ que permite a determinação da
linha de posição (ou marcação) do sinal recebido, sinal este,
emitido por uma estação radiogoniométrica ou radiofarol.
A antena do radiogoniômetro é uma antena especial em
cuja propriedade direcional o funcionamento do aparelho se
baseia. Assim, por meio da antena é que se indica a direção de
uma estação rádio, para obtenção da posição de uma
Radiogoniômetro – Rádio receptor direcional embarcação. Ou seja, o radiogoniômetro determina a direção
Fonte: [Link]
da estação transmissora, com referência a um plano
determinado, usando a propriedade direcional da antena de
quadro.
Radiogoniometria Há dois processos para obtenção de uma marcação
- É o conjunto de operações que visam radiogoniométrica:
determinar a direção, segundo a qual uma
estação recebe sinais radiotelegráficos
Uma embarcação transmite os sinais, e uma estação
transmitidos por outra estação. radiogoniométrica de posição conhecida determina sua direção
e fornece a marcação obtida ou a embarcação recebe os sinais
transmitidos por um radiofarol, e determina sua marcação.
Mestre-Amador 41
[INSTRUMENTOS NÁUTICOS DE AUXÍLIO À NAVEGAÇÃO]
Outros Instrumentos Instrumentos de desenhos e plotagem
Como já estudamos, para plotar nas cartas náuticas, precisa-
se de um lápis comum, que deve ser suficientemente macio
para que em caso de necessidade de uso de borracha macia,
não provoque desgastes nas cartas. Para traçados ou leitura de
valores de rumos e marcações, usa-se a régua de paralelas.
Para medidas de distâncias usa-se o compasso que, devido sua
facilidade de uso, dispensa maiores comentários.
Binóculo
São instrumentos muito úteis a bordo, pois aumentam o
poder de visão dos pontos notáveis em terra e auxiliam no
reconhecimento de auxílios a navegação, tais como boias,
faróis, igrejas etc. Os binóculos de bordo são quase sempre
Binóculo 7x50, o que significa que aumentam sete vezes os objetos
visados.
Cronógrafo
Relógio de Antepara
É um instrumento muito útil, especialmente nos períodos
- É um relógio comum, regulado para indicar
a Hora Legal correspondente ao fuso em que noturnos, na identificação de faróis. Na falta de um cronógrafo,
se navega. devemos ter, no mínimo, um relógio analógico com ponteiro de
segundos.
Lanterna
Muito útil, especialmente à noite, deve-se optar por
lanternas equipadas com vidro vermelho, o que é importante
para identificação da nossa embarcação, quando precisamos de
apoio à noite.
Saiba mais
Você pode saber mais sobre o assunto estudado nesta unidade consultando os seguintes endereços
eletrônicos:
[Link]
(Agulhas náuticas; conversão de rumos e marcações)
[Link]
(Navegação costeira, estimada e em águas restritas)
[Link]
[Link]
[Link]
[Link]
[Link]
[Link]
Mestre-Amador 42
[NOÇÕES DE RADAR E GPS]
Unidade 5
Esta unidade tem como propósito, apresentar noções de navegação radar e operação dos sistemas
de navegação por satélite (GPS e DGPS).
Radar O termo “Radar” deriva da expressão inglesa “Radio
Detecting And Ranging“ (Radio Detecção e Medição de
Alcance), o que significa: Detecção e determinação da distância
por intermédio das ondas de rádio do espectro
eletromagnético.
As principais informações fornecidas pelo radar são a
distância, a direção (marcação), a altitude e a velocidade de
alvos acima d’água, no ar e em terra, ou até mesmo no espaço,
caso o radar seja adequado. Seu funcionamento baseia-se na
medição do tempo necessário para que a onda eletromagnética
Antena radar por sua antena ao encontrar um alvo regresse à mesma antena
sob a forma de um eco. Além disso, sendo sua antena
direcional, a direção de onde provém, o eco, que nada mais é
do que a marcação do alvo pode ser também determinada. Na
prática, o radar usa a reflexão de ondas-rádio para detectar
objetos que não são visíveis normalmente, por estarem na
escuridão, ocultos por nevoeiros ou a grandes distâncias.
A antena do radar gira para que seja possível determinar a
marcação do alvo, ou seja, sua direção. No instante em que a
antena alinha-se com esse alvo, ela pode percebê-lo pela
recepção do eco do pulso de ondas eletromagnéticas emitidas
originalmente pelo radar.
A Imagem radar necessita ser interpretada, pois nem
sempre coincide com a visão real. Observe a figura (ao lado),
que representa a tela do radar que detectou a linha da costa e a
imagem real correspondente.
Podemos verificar que o radar fornece ao navegante,
distâncias e posições reais de objetos (linha da costa, ilhas,
outras embarcações etc.) em uma determinada escala. Logo,
com o radar é possível executar uma navegação costeira, isto
é, fazer marcações e obter distâncias de ponto notáveis que
Principais funções do Radar estejam identificados pelas cartas náuticas, principalmente
- Marcação e distância que determinado quando existirem dificuldades de executar uma navegação
alvo se encontra da nossa embarcação.
visual, como, por exemplo, quando se está navegando muito
Uso do Radar distante da costa, quando se está navegando à noite ou em
- O radar é usado para detectar e condições adversas de tempo, tais como, em temporais e
acompanhar todos os tipos de objetos – nevoeiros.
alvos de superfície, aeronaves ou mísseis
Além disso, o radar é muito útil para a segurança da
numa área muito grande ao redor da
instalação do radar. navegação na entrada e saída de portos, navegação fluvial e
lacustre e para o controle do tráfego adjacente, ou seja, o
controle das embarcações que estejam navegando próximo, a
fim de evitar abalroamentos no mar.
Radar de Navegação Existem diversos equipamentos radar, com diferentes
finalidades. Em nosso estudo, vamos distinguir o Radar de
Navegação, que tem como principais finalidades a obtenção de
linhas de posição (LDP) para determinação da posição da
Mestre-Amador 43
[NOÇÕES DE RADAR E GPS]
embarcação, na execução da navegação e a detecção e medição
de distâncias e marcações em relação a outras embarcações, a
fim de evitar abalroamentos no mar.
Princípio de Funcionamento Embora os equipamentos radar possam ser classificados,
quanto ao tipo de modulação, em radar de pulso, radar de
do Radar onda contínua e radar Doppler, vamos nos ater apenas o
princípio de funcionamento dos radares de pulsos, pois estes
Os navios mercantes e demais embarcações são, normalmente, o tipo de radar empregado na navegação
normalmente dispõem apenas de radar
destinado à navegação e ao marítima.
acompanhamento de outros navios, de O princípio básico do radar de navegação é a determinação
modo a evitar riscos de abalroamento. de distância para um objeto (alvo), pela medida do tempo
requerido para um pulso de energia de radiofrequência (RF),
O efeito da refração normal, assumindo transmitido sob a forma de onda, deslocar-se da fonte de
condições atmosféricas padrões, é encurvar referência até o alvo e retornar como um eco refletido. Os
para baixo a trajetória das ondas-radar, radares de navegação (ou radares de pulso) emitem ondas em
acompanhando a curvatura da Terra e
aumentando o horizonte-radar, em relação frequências muito elevadas, com pulsos de duração
ao horizonte geográfico. extremamente curta e medem o intervalo de tempo entre a
transmissão do pulso e a recepção do eco, refletido no objeto
O funcionamento do radar depende do fato (alvo), determinando assim a sua distância. A metade do
de que ondas radioelétricas de alta
intervalo de tempo, multiplicada pela velocidade de
frequência são refletidas de volta ao
transmissor por todos os objetos dentro do propagação das ondas eletromagnéticas, determina a distância
alcance do transmissor. do alvo. Os pulsos que são transmitidos pela antena formam
um feixe que, no radar é bastante estreito no plano horizontal,
mas que pode ser bem mais largo no plano vertical. A antena é
normalmente de forma parabólica e gira no sentido dos
ponteiros do relógio, de forma a varrer 360° em torno de sua
posição.
A marcação do alvo é determinada pela orientação da
antena no instante de recepção do eco por ele refletido. Sendo
a distância ao alvo, determinada pela medição do tempo
requerido para um pulso de energia deslocar-se até o alvo e
retornar como um eco refletido. É necessário que este ciclo seja
completado antes que seja transmitido o pulso seguinte. Essa é
a razão porque os pulsos transmitidos (de duração
extremamente curta, muitas vezes de cerca de 1
microssegundo, ou menos) devem ser separados por um
Fonte: [Link] intervalo de tempo relativamente longo, durante o qual não há
transmissão. De outra forma, se o eco refletido fosse recebido
Os radares para navegação marítima operam
nas faixas de frequências “X” e “S”. durante a transmissão do pulso seguinte, usando a mesma
antena para transmissão/recepção, este eco, relativamente
Funcionamento básico do Radar
fraco, seria bloqueado pelo forte pulso transmitido.
- O radar funciona com o transmissor Os equipamentos radar utilizam as três últimas faixas do
emitindo um curto pulso de ondas espectro de RF: frequências ultra altas (UHF), super altas (SHF)
radioelétricas de alta frequência em direção e extremamente altas. Cada faixa de frequência é destinada a
ao alvo. Este reflete uma pequena porção do
uma aplicação específica. Os radares de navegação usam as
pulso transmitido, de volta, em direção a
antena receptora. O receptor amplifica esse bandas S (10 centímetros), para navegação costeira e de alto
eco e o apresenta no indicador. mar e X (3 centímetros), para aterragem/aproximação e
navegação em águas restritas (canais, portos, baías e enseadas).
Mestre-Amador 44
[NOÇÕES DE RADAR E GPS]
Componentes de um Todos os sistemas radar consistem dos seguintes
componentes básicos:
Sistema Radar Básico ≈ Fonte – fornece todas as voltagens (AC) e (DC) necessárias
para operação dos componentes do sistema.
≈ Antena Moduladora - dispara o transmissor e,
simultaneamente, envia pulsos de sincronização para o
indicador e outros componentes. Circuitos de tempo (que
podem estar, ou não, localizados no modulador)
estabelecem a frequência de repetição de impulsos (FRI) na
qual o modulador gera seus pulsos de disparo e de
sincronização, ou seja, o número de pulsos transmitidos por
segundo.
≈ Transmissor – gera e envia ondas radioelétricas para a
antena, sob a forma de pulsos curtos de alta potência. A
chave T/R (duplexer) controla os ciclos de transmissão de
pulsos e de recepção de ecos (quando a transmissão é
bloqueada).
≈ Antena – capta quaisquer ondas radar refletida pelo alvo
ou outros objetos sólidos. A antena irradia ondas
eletromagnéticas produzidas pelo transmissor radar,
durante o movimento de rotação. Essas ondas, ao
encontrarem um alvo, são refletidas por ele, retornando à
antena em forma de eco. O Eco captado pela antena vai a
um amplificador e, ao receptor, onde o indicador sensibiliza
a tela fluorescente aparecendo sob a forma visual. A cada
Ligar o Radar recebimento do eco o processo se repete.
- Sequência correta para se ligar o radar é
“STANDBY/ ON, ganho, sintonia e brilho”.
≈ Receptor – recebe os sinais do eco radar. Amplifica os ecos
refletidos pelos alvos, reproduzindo-os como pulsos de
vídeo, e os transmite para o indicador.
Radar - Componentes Básicos ≈ Indicador – produz uma indicação visual dos pulsos dos
- O equipamento radar consiste de um
ecos, em uma maneira que forneça as informações
transmissor, uma antena direcional de
transmissão e recepção, um receptor e um desejadas dos alvos detectados, ou seja, o indicador
indicador. interpreta os sinais recebidos.
Tela do Radar
Basicamente, na tela do radar existem cinco circunferências
equidistantes e concêntricas, os chamados “círculos de
distâncias”, possuem uma graduação circular de 0° a 360°, onde
a graduação zero (0) corresponde à proa da embarcação,
apresentando, portanto, marcações relativas. A distância é lida
na tela com o auxílio de um ponto luminoso que pode correr a
linha de varredura a nosso comando e que pode ser ajustado
em cima do alvo desejado lendo a indicação dada, diretamente
no mostrador de distância, em função de uma das escalas
previamente selecionadas.
Limitações do Radar Como todo equipamento, o radar está sujeito a limitações
que influem na imagem apresentada no indicador e, portanto,
nas informações que ele pode proporcionar. É recomendável
que o navegante conheça essas limitações, pois elas permitirão
uma melhor avaliação quanto aos elementos fornecidos pelo
equipamento.
Mestre-Amador 45
[NOÇÕES DE RADAR E GPS]
As limitações podem ser:
≈ Discriminação em distância – é a capacidade do
Uso do radar na navegação costeira e em
águas restritas equipamento de diferenciar dois alvos numa mesma
- Em virtude de sua maior precisão, as marcação, porém, em distâncias próximas. Abaixo de
distâncias-radar tem preferência sobre as determinada diferença de distância entre os dois alvos, o
marcações, na navegação costeira e em radar não consegue mais distingui-los, e os apresenta como
águas restritas.
único alvo na tela do indicador.
≈ Discriminação em marcação - é a capacidade do
equipamento em diferenciar dois alvos na mesma distância,
porém em marcações próximas. Quando a diferença de
marcações entre dois alvos é menor que um determinado
valor angular, o radar não consegue mais distingui-los e eles
Distâncias X Marcações
- De uma forma geral, obteremos maior aparecerão em sua tela como único alvo.
precisão utilizando as distâncias-radar em ≈ Limitação de alcance mínimo - é a mínima distância radar-
vez de marcações-radar. alvo dentro da qual esse último é apresentado na tela do
indicador, sem ser confundido com o borrão no centro da
tela.
≈ Limitação de alcance máximo - é a distância máxima em
que o radar consegue obter os alvos.
≈ Limitação de precisão – é o grau de precisão de que são
determinadas as marcações e as distâncias dos alvos.
Movimentos do Radar O Radar opera, basicamente, com dois principais
movimentos ou tipos de apresentação da imagem radar:
≈ Movimento Verdadeiro – a nossa embarcação se
O GPS possibilita ao radar a referência do movimenta na tela, os alvos se movem com rumo e
Norte verdadeiro. velocidade reais. A terra é fixa.
O movimento relativo é o mais usado por
≈ Movimento Relativo – a nossa embarcação fica parada no
radares de navegação na Marinha centro da tela, os alvos se movem com rumo e velocidade
Mercante. relativos. A terra se move em relação ao rumo e à
velocidade do nosso navio.
Vantagens e Desvantagens Como todo equipamento eletrônico, o radar tem suas
vantagens e desvantagens, entre as quais podemos citar:
do Radar
Vantagens
Pode ser usado à noite, ou sob condições de baixa
visibilidade independentemente da embarcação; pode-se obter
a posição facilmente por meio de um único objeto fixo. Porém,
para determinar, uma posição, com maior precisão, deve-se
obter duas distâncias radar; não é afetado por fatores que,
comumente, causam interferência e má recepção em outros
sistemas eletrônicos; pode localizar e acompanhar temporais
violentos; e permite cálculos rápidos de rumos e velocidades de
embarcações próximas, determinando se há risco ou não de
abalroamento.
Desvantagens
É um equipamento muito sensível e, por conseguinte,
sujeito a avarias; necessita ser ajustado e sincronizado com
exatidão; exige interpretação da imagem recebida, nem
Mestre-Amador 46
[Link] [NOÇÕES DE RADAR E GPS]
sempre fácil; as cartas náuticas não são adaptadas para
identificação na tela, o que causa problemas quando
comparamos os contornos de terra mostrados no radar com os
da carta; e não detecta alvos pequenos e costa muito baixa.
Controles do Radar Resumo dos principais controles de um Radar:
≈ Operação liga-desliga - Com um simples toque no botão
esquerdo do mouse, muda-se de STANDBY para ON.
Quando o sistema é inicializado para a simulação aparecerá
STANDBY/ON, mostrando STANDBY iluminado. Em STAND
BY, o transmissor não está irradiando e a antena está
parada, mas indica que o equipamento está pronto para
entrar em operação. Pressionando ON, o sistema iniciará o
exercício selecionado. Pressionando STANDBY, uma vez,
esta função aparecerá piscando.
≈ Ajuste de Imagem do Radar - Os principais ajustes a serem
feitos na Imagem Radar serão o brilho, o ganho e os
atenuadores de reverberação, que estão contidos na
própria tela radar.
≈ Escala de distância (Range Scale) - Seleciona a escala
desejada pelo operador, apresentando ao mesmo tempo o
valor dos anéis de distância à direita da escala em uso.
≈ Controle VRM / EBL (Variable Range Mark/Electronic
Bearing Line) - Apresenta a distância e marcação do navio
para o alvo detectado ou pontos de terra, de acordo com a
posição da VRM/EBL, selecionada pelo Operador. Embaixo
destas leituras é mostrado se o radar está operando em
TRUE (Verdadeiro) ou RELATIVE (Relativo). TRUE é
mostrado quando a orientação NORTH UP ou COURSE UP
está selecionada e RELATIVE, quando HEAD UP está
selecionado.
≈ Controles de Descentragem - EBL OFFSET - permite ao
operador descentrar a EBL para qualquer posição do display.
EBL HOME - permite que a origem da EBL seja
instantaneamente recolocada no centro do display.
OFF CENTER - permite ao operador descentrar o centro
da varredura (próprio navio), com toda a apresentação,
para qualquer posição do display, desde que não
ultrapasse o limite de 60%.
CENTER - retorna a origem da varredura, com toda a
apresentação, para o centro do display.
≈ PWR pulse (força do pulso) - Permite ao operador trocar o
pulso do radar. Inicialmente o radar encontra-se em Pulso
Curto; quando o operador acessar esta função, o radar
passará a operar em Pulso Longo.
≈ Marca de proa (Heading mark) - Remove
momentaneamente a marca de proa do display a fim de
verificar a presença de pequenos alvos sob a mesma.
Voltará ao normal quando o operador liberar a tecla do
mouse.
≈ Controle atenuador de reverberação - É utilizado para
melhorar a Imagem Radar pela remoção de manchas e
Mestre-Amador 47
[NOÇÕES DE RADAR E GPS]
perturbações indesejáveis, que podem obscurecer contatos
importantes. São os chamados “Anti-Clutters”, e são de dois
tipos diferentes: Anti-Clutter Sea, ou apenas SEA e Anti-
Clutter Rain, ou apenas RAIN.
≈ Controles GAIN, SEA e RAIN
Controle STC Sensitivity Time Control ou GAIN - permite o ajuste do ganho do receptor.
Anti-Clutter Sea) SEA - Também chamado de STC (Sensitivity Time Control
- O STC permite diminuir o ganho dos ecos
mais próximos, sem alterar os ecos
ou Anti-Clutter Sea) serve para reduzir os efeitos do
distantes, sendo seu alcance máximo efetivo retorno do mar (Reverberação). Este controle possui
de quatro a cinco milhas, sendo maior efeito a curta distância, reduzindo seu efeito nos
praticamente ineficaz além de oito milhas. alvos além de seis milhas.
RAIN – Também conhecido como FTC (Fast Time Control
Controle FTC Fast Time Control ou Anti- ou Anti-Clutter Rain), destina-se a diminuir, tanto quanto
Clutter Rain) possível, os ecos de chuvas fortes, neve ou granizo, que
- Tem a função de diminuir, tanto quanto
podem obscurecer os alvos melhorando o desempenho
possível, os ecos de chuva, granizo e neve,
que podem obscurecer os alvos. do radar.
≈ Display Orientation - Permite ao operador selecionar os
seguintes tipos de orientação da apresentação do Display:
NORTH UP, COURSE UP e HEAD UP.
NORTH UP - é o modo de apresentação em que o norte
verdadeiro tem como referência o 000° do display. A
marca de proa (linha de fé) é orientada para o rumo em
que o navio está navegando e acompanha as alterações
de rumo do navio. Permite ao operador obter marcações
verdadeiras dos alvos, pontos de terra etc.
COURSE UP – este modo apresenta a marca de proa
(linha de fé) no topo do display 000°. Entretanto, se o
operador acessar o MENU 2 e desabilitar COURSE UP
RELATIVE, na função DISPLAY OPTION, a marca de proa
apresentará o rumo verdadeiro do navio no topo e
acompanhará qualquer alteração de rumo. Quando
estabilizado no novo rumo, se o operador tocar e liberar
NEW COURSE, a marca de proa voltará para o topo do
display. Permite ao operador obter marcações
verdadeiras.
≈ Intensity - Este submenu permite ao operador ajustar o
brilho ou intensidade do vídeo do radar, VRM/EBL, anéis de
distância, Painel Gráfico, símbolos do ARPA e Círculo
Gráfico.
≈ True motion - Este submenu, quando selecionado pelo
operador, apresenta no display o movimento verdadeiro do
próprio navio e dos alvos. Na apresentação, pontos de terra,
ilhas, boias etc. aparecem parados. Quando o próprio navio
alcança 75% do raio do display, o sistema automaticamente
reposiciona o navio no ponto inicial. O controle MANUAL
RESET permite ao operador reposicionar o navio
manualmente antes de atingir 75% do display.
Mestre-Amador 48
[NOÇÕES DE RADAR E GPS]
Global Positioning System O Sistema NAVSTAR GPS
É um sistema que permite a navegação por sinais de satélite
(GPS) altamente preciso. Foi desenvolvido pelo Departamento de
Defesa dos Estados Unidos, em conjunto com seus aliados da
OTAN. A base dessa criação foi o projeto NAVSTAR,
desenvolvido em 1960. Seu sistema de radionavegação
determina a posição bi ou tridimensional, de um ponto
qualquer sobre a superfície da Terra ou próximo a ela. Está
disponível 24 horas por dia, com cobertura mundial, em
quaisquer condições de tempo.
Antes de uso somente militar e dirigido à navegação,
atualmente é aberto e pode ser usado por todos os cidadãos
gratuitamente. Sua função é a de identificar a localização de um
aparelho Receptor GPS.
Os aparelhos receptores, por sua vez, têm a função de
enviar um sinal para os satélites. Assim, fazendo alguns
cálculos, o receptor GPS consegue determinar qual a sua
Limitações do GPS posição e, com a ajuda de alguns mapas de cidades, indicar
- O sistema GPS está sob controle
quais caminhos você pode percorrer para chegar ao local
estrangeiro e, até mesmo sob a forma
Diferencial (DGPS), pode ter sua precisão desejado.
degradada intencionalmente sem que nada O sistema GPS, por sua integridade, disponibilidade e
possamos fazer. precisão, tornou obsoletos praticamente todos os outros
sistemas de navegação eletrônica de médio e longo alcance.
Suas vantagens e possibilidades são imensas, especialmente
com a aplicação da técnica Diferencial (DGPS).
Além das aplicações na navegação oceânica e na navegação
costeira, ou, sob a forma Diferencial (DGPS), na navegação em
águas restritas (no acesso e no interior de portos, baías e
canais); em operações de sinalização náutica, controle de
tráfego de porto e dragagem; e em levantamentos
hidrográficos, oceanográficos e geofísicos, o sistema tem, ainda,
outros importantes empregos, como em fainas de homem ao
mar e em operações de socorro, busca e salvamento.
Componentes do Sistema O sistema GPS é constituído por três componentes
principais: o segmento espacial (satélites), o segmento
GPS terrestre (monitoramento e controle) e o segmento do usuário
(receptores GPS e equipamentos associados). Os três
segmentos operam em interação constante, proporcionando,
dados de posicionamento tridimensional (latitude, longitude e
altitude), rumo, velocidade e tempo (hora) com alta precisão.
Vejamos alguns detalhes de cada segmento:
≈ Segmento espacial – Atualmente o segmento espacial é
composto de 27 satélites, sendo 24 operativos e 3 de
reserva, distribuídos em seis planos orbitais (cada órbita
com 4 satélites). Esses planos orbitais têm uma inclinação
de 55: em relação ao equador terrestre, a uma altitude de
aproximadamente 20.200 km (cerca de 10.900 milhas
náuticas). As órbitas são percorridas a cada 12 horas
Fonte:
[Link] aproximadamente, por cada satélite.
Todos os satélites NAVSTAR GPS transmitem seus sinais
Mestre-Amador 49
[NOÇÕES DE RADAR E GPS]
em duas frequências na faixa de UHF, centradas em 1575,42
Segmento espacial MHz e 1227,60 MHz, designadas, respectivamente,
- a parte total do sistema GPS que inclui os frequências L1 e L2, mas o sinal de cada satélite é
satélites e os veículos de lançamento. transmitido com uma modulação diferente, sob a forma de
código, que permite a perfeita identificação dos satélites
Segmento espacial do GPS pelo receptor GPS de bordo.
O segmento espacial do GPS foi projetado Essas modulações em forma de código consistem de um
para garantir, com uma probabilidade de código de precisão (P CODE) e de um código de aquisição
95%, que pelo menos 4 satélites estejam inicial (C/A – “COARSE ACQUISITION CODE”), que
sempre acima do horizonte (com uma altura
maior que a elevação mínima de 5º proporcionam, respectivamente, dois tipos de serviços
requerida para uma boa recepção), em conhecidos como PPS e SPS. Vejamos cada um deles:
qualquer ponto da superfície da Terra, 24
horas por dia. PPS – Serviço de Posicionamento Preciso (Precise
Positioning Service), acessível apenas aos usuários
militares norte-americanos e seus aliados da OTAN, além
Efemérides do satélite de outras agências governamentais dos EUA; e
-São dados orbitais transmitidos pelos SPS – Serviço de Posicionamento Padrão (Standard
satélites que permitem prever em que Positioning Service), acessível aos demais usuários do
posição no céu eles estarão, em
determinado instante. Como o GPS funciona
sistema.
com base na medida de distância entre o
satélite e o receptor, a posição do satélite é A portadora L1 contém ambas as modulações em código,
fundamental para o processo. enquanto a L2 contém somente o código P.
Embora o serviço PPS seja mais preciso a diferença de
desempenho entre os dois serviços são na realidade menor
do que os projetistas do sistema esperavam.
A expectativa do projeto inicial na precisão obtida pelo
PPS e SPS era de aproximadamente 20 e 100 metros,
respectivamente, o que não ocorreu na prática. Por essa
razão é introduzida uma degradação intencional no sistema
que diminui a precisão do serviço SPS em tempo real,
através da adulteração dos relógios dos satélites,
provocando erros nas medidas das distâncias pela
transmissão de efemérides degradadas.
Fonte: Enet
≈ Segmento terrestre- – Consiste em uma rede de estações
Nº de Satélites GPS para posicionamento: terrestres que monitoram e rastreiam os satélites e os
4 = Latitude, Longitude, Altitude e hora.
3 = Latitude, Longitude e Hora.
mantém abastecidos com informações diárias.
2 = Latitude e Longitude. São constituídos por cinco estações monitoras que
rastreiam passivamente todos os satélites visíveis. Uma
estação “Master” (localizada nos EUA, no Estado do
Colorado) para processamento dos dados coletados nas
estações monitoras; e quatro antenas terrestres que
transmitem ou carregam os dados processados na estação
“Master”. Ao menos três vezes por dia essas informações
são transmitidas aos satélites para atualização dos dados
codificados nos sinais transmitidos aos usuários.
O GPS requer a obtenção de mais de uma distância para
produzir uma posição na superfície da terra. Se desejarmos
uma posição tridimensional (latitude, longitude e altitude) e
informações precisas de tempo é necessário observar 4
satélites, o que permite calcular as quatro incógnitas,
(latitude, longitude, altitude e hora). Para a navegação
Mestre-Amador 50
[Link] [NOÇÕES DE RADAR E GPS]
marítima, a altitude não tem relevância, mas é um dado
importante para a navegação aérea.
Além das quatro incógnitas anteriormente citadas, o GPS
fornece também o rumo e a velocidade do navio, ambos em
relação ao fundo, entre outras informações.
≈ Segmento usuário - Este segmento é composto pelos
equipamentos a bordo de embarcações, aeronaves,
automóveis etc. O usuário, ao receber no seu Receptor GPS,
os sinais do sistema, determina com precisão sua distância
para os vários satélites, pela medição dos tempos de trajeto
dos sinais transmitidos pelos satélites através da variação
Fonte: [Link] Doppler e computam a posição do receptor e a hora exata
da medição.
Receptor GPS O Receptor GPS nada mais é do que um aparelho que
mostra nossa posição, hora e outros recursos que variam
conforme o tipo de aparelho.
A necessidade da medida de distâncias a quatro satélites
para determinação de uma posição GPS tridimensional
(latitude, longitude, altitude) causa um grande impacto no
projeto dos receptores GPS. Uma regra básica que resulta disso
é que, se forem desejadas posições contínuas, de elevada
precisão, será necessário dispor de um receptor com, pelo
menos, quatro canais. Ou seja, um aparelho que possa devotar
um canal para cada um dos quatro satélites GPS sendo
simultaneamente observados.
Determinação da Posição O receptor de GPS de bordo determina continuamente a
sua posição, através do recebimento das informações de três
GPS (ou quatro) satélites que estejam visíveis (acima do horizonte
da antena de equipamento).
As etapas básicas na determinação da posição são as
seguintes:
1) Os satélites GPS transmitem continuamente os seus
dados orbitais (suas efemérides): hora da transmissão, posição
do satélite, elevação e desvio do relógio, número do satélite e
qualidade do sinal.
Cada satélite transmite uma mensagem que
essencialmente diz:
Eu sou o satélite nº X, minha posição atual é Y e esta
mensagem foi transmitida na hora Z”.
Fonte: [Link]
O receptor GPS de bordo recebe os sinais dos satélites e
determina a posição deles (satélites) por comparação dos
A intensidade dos sinais necessária para que dados.
um receptor adquira (ou readquira) os 2) o receptor GPS mede com muita precisão (por Doppler) a
satélites é cerca de CINCO vezes maior que a
intensidade do sinal necessária para que o distância do navio-satélite.
receptor acompanhe os satélites e leia suas 3) sendo a posição dos satélites conhecidas e suas distâncias
mensagens. ao navio também, o receptor GPS de bordo determina sua
Mestre-Amador 51
[NOÇÕES DE RADAR E GPS]
Os sinais oriundos de satélites a uma baixa própria posição através de uma triangulação dos sinais dos
elevação estarão enfraquecidos quando, satélites.
obrigatoriamente, demorarem mais a passar
através da atmosfera terrestre. 4) em poucos minutos, o equipamento efetua esses cálculos
automaticamente e fornece a latitude, a longitude e a hora de
acordo com o relógio do satélite.
5) o GPS dá uma posição consistentemente mais precisa do
que os resultados da observação astronômica, sob quaisquer
condições atmosféricas e em qualquer lugar da Terra.
Fontes de Erro do Sistema As principais fontes dos erros que afetam o sistema GPS
são a disponibilidade seletiva (“selective availability”); atrasos
GPS ionosféricos e atmosféricos; erros nos relógios dos satélites
GPS; e erros dos receptores.
A degradação intencional ou disponibilidade
seletiva é, de longe, a maior fonte de erro do
GPS padrão. Foi mencionado que o GPS oferece dois serviços de
posicionamento. O Serviço de Posicionamento Preciso (PPS), e o
Serviço Padrão de Posicionamento (SPS). Por razões de
segurança nacional, o Departamento de Defesa dos EUA
degrada a precisão do GPS, pela introdução de erros no relógio
dos satélites e na mensagem de navegação. Em caso de
emergência nacional, a degradação do nível de precisão pode
ser elevada para além de 100 metros.
Almanaque Para que o receptor GPS de bordo possa operar, é
necessário que tenha em sua memória todas as informações
Almanaque
sobre os satélites. Tais informações são chamadas de
- Chama-se “Almanaque”, as informações “almanaque” e são memorizadas logo no início da operação do
sobre os satélites, necessárias para a equipamento.
operação dos receptores do GPS. No entanto, como o equipamento receptor GPS NÃO sai de
fábrica com o “almanaque” inserido, ele deve ser preparado
para recebê-lo após a instalação a bordo. Dessa forma, as
informações do “almanaque” são memorizadas pelo receptor
GPS por ocasião de sua primeira operação. Sem dispor do
“almanaque” em sua memória, a posição GPS não pode ser
determinada. A partir daí, cada vez que o receptor captar um
satélite, ele consulta o seu “almanaque” e calcula
imediatamente a posição do satélite registrado em sua
memória.
Funções do GPS A função básica do GPS a bordo é a determinação da
posição precisa do navio. Mas, sendo um equipamento
diversificado poderá ser utilizado para uma infinidade de
funções, todas elas ligadas à navegação e sua segurança.
Derrota
- Rumo ou direção que seguem os navios em
viagem. Funções mais usuais do GPS:
Determinar a velocidade do navio em relação ao fundo;
ETA Determinação exata da hora;
- Abreviatura de hora estimada de chegada Possibilidade de inserir, os pontos da derrota (way
(Estimated Time of Arrival).
points) e programar toda a travessia através dela;
Possibilidade de determinar o ETA aos diversos pontos
da derrota e se o barco está atrasado ou adiantado em
relação ao programado;
Mestre-Amador 52
[NOÇÕES DE RADAR E GPS]
Fornecimento das correções de rumo e velocidade a
serem efetuados para compensar os efeitos de mar,
Fundeio vento, corrente, etc. que atuam sobre o navio (correção
- Ato de lançar a âncora no fundo para do abatimento);
ancorar o barco. O mesmo que ancorar. Determinar com precisão a posição de queda de
“Homem ao Mar” através de um botão próprio, (M.O.B)
Garrar
- Arrastar o ferro por este não segurar bem a
facilitando o recolhimento do mesmo;
embarcação. Permite o fundeio de precisão, e dispara alarme no caso
do navio “garrar” ou se afastar da posição de fundeio
mais do que o programado; e
Permite recuperar derrotas anteriores para eventuais
análises ou reutilização etc.
Programação da Navegação Programar a navegação a ser executada consiste em,
conhecendo as coordenadas do ponto de partida e do ponto
aonde se deseja chegar, determinar o rumo a ser seguido e a
distância a navegar.
O GPS fornece estes dados da seguinte forma:
1) Quando a navegação a ser executada é composta de
apenas um rumo (derrota simples), a programação para a
navegação, neste caso, consistirá em inserir as coordenadas do
ponto de partida e do ponto de chegada, na função WAYPOINT
(WPT ou WP), e acionar, em seguida a tecla ir para (GO TO).
Desta forma, o GPS fornecerá o Rumo Verdadeiro (Desired
Track – DTK) a ser navegado, assim como a distância a ser
navegada (Along Distance Track – ATD).
2) Quando a navegação a ser executada é composta por
mais de um rumo (derrota composta), a programação da
navegação consistirá em inserir as coordenadas de todos os
pontos de mudança de rumo e do ponto de chegada, na função
WAYPOINT (WPT ou WP). Para cada coordenada inserida, o
GPS batizará com um número de WAYPOINT, de forma que o
ponto de chegada será o último WAYPOINT. Acionando a tecla
ir para (GO TO), o GPS fornecerá os Rumos (DTK) e Distâncias
(ATD) entre os WPT.
Operação do Sistema GPS Modernos equipamentos que trabalham com cartas
náuticas digitais podem ser de grande ajuda na navegação
costeira, informando e visualizando, em tempo real, nossa
posição em relação à costa em que estamos navegando.
Normalmente estas cartas estão sincronizadas com os
demais equipamentos, tais como radar, GPS, ecobatímetro,
odômetro, giro etc.
Ao ligar o aparelho “GPS” é necessário inserir algumas
informações para que, quando receba um sinal do sistema
(satélites artificiais), possa decodificar o sinal de maneira a
fornecer os dados (latitude e longitude) corretamente.
A maioria dos “GPS” mantém estas informações em
memória, mesmo após desligados; portanto, só devem ser
inseridas novas informações caso haja modificações.
Mestre-Amador 53
[NOÇÕES DE RADAR E GPS]
Principais informações fornecidas pelo GPS:
≈ Hora local (Local time) – como o sistema utiliza a Hora
Média de Greenwich (HMG), é necessário que o navegante
insira o fuso horário da região onde está navegando, a fim
de que as posições fornecidas tenham como registro a hora
local. Para tanto, é indispensável acionar a função UTC
(universal time coordinated) e inserir o fuso. Quem navega
na costa brasileira, por exemplo, deve inserir +3, que
corresponde ao fuso da costa do Brasil.
≈ Datum – como existem pequenas distorções referentes às
projeções das cartas náuticas, é necessário que o navegante
insira o datum, que é uma referência cartográfica da
projeção da carta, no equipamento. Desta forma, as
WGS-84 posições fornecidas estarão adequadas a distorções da
- (“World Geodetic System – 1984”); projeção. As cartas náuticas brasileiras têm como datum
elipsóide e “datum” utilizados como
referência para todos os cálculos e posições
universal o WGS 84, que deve ser inserido no equipamento.
do sistema GPS. ≈ Sistema Náutico - como o GPS é um equipamento utilizado
para outros tipos de navegação (aérea e terrestre), e cada
uma delas utiliza-se de medidas características, é necessário
que o navegante coloque o equipamento no modo náutico,
para que este forneça as distâncias em milhas náuticas e as
velocidades em nós. Feito isso, o GPS estará pronto para
fornecer ao navegante, a todo instante, as suas
coordenadas de latitude e longitude.
≈ Derrota Simples – É quando a navegação a ser executada é
composta apenas de um rumo; este caso acontece quando
vamos para um determinado ponto onde seja possível
traçar apenas um rumo para podermos atingi-lo. Consistirá
em inserir no “GPS” as coordenadas do ponto (waypoint),
onde se deseja chegar.
≈ Derrota Composta - é quando a navegação a ser executada
é composta por mais de um rumo; este caso acontece
quando precisamos inserir no “GPS” mais de um ponto
(waypoint), para alcançarmos o destino desejado.
≈ Velocidade (Ground Speed – GS ou Speed Over Ground –
SOG) – esta informação é fornecida pelo GPS a todo
instante. Basta que o navegante acione a função GS ou SOG.
A velocidade apresentada refere-se à velocidade real da
embarcação em relação ao fundo do mar, isto é, levando em
consideração vento e/ou corrente. A velocidade em relação
ao fundo é usada para determinar o ETA.
≈ Rumo no fundo (COG – Course Over Ground) – Semelhante
à velocidade no fundo, o rumo apresentado refere-se ao
rumo real da embarcação, conforme planejado e traçado na
carta náutica, mesmo sob efeito de vento e/ou corrente.
≈ Abatimento (XTE – Cross Track Error) – O “GPS” também
fornece o abatimento da embarcação, ou seja, a distância
perpendicular do rumo planejado à posição atual.
≈ Rumo a Navegar (Bearing – BRG) – sabendo qual foi o rumo
navegado e o abatimento da embarcação, o GPS sugere o
rumo a navegar para alcançar o waypoint mais próximo.
≈ Rumo a Navegar levando em consideração corrente e
Mestre-Amador 54
[NOÇÕES DE RADAR E GPS]
vento (Course to Steer – CTS) – utilizando a função CTS, o
equipamento fornece um rumo de governo, ou seja, um
rumo a navegar, levando-se em consideração os efeitos de
corrente e vento existentes, para alcançar o próximo
Waypoint.
≈ Duração de travessia até um waypoint (Time To Go – TTG)
– esta função informa o tempo que falta para chegar a
qualquer ponto da derrota, a partir da posição atual.
≈ Hora estimada de chegada (ETA – Estimated Time of Arrival)
– Esta função fornece a hora estimada de chegada em um
waypoint (ponto de mudança de rumo) ou do ponto final de
chegada (último waypoint).
DGPS (Diferencial GPS) É uma das mais sofisticadas formas de navegação GPS,
permitindo medidas muito precisas. O DGPS baseia-se nos
sinais transmitidos a partir de uma estação fixa, em terra, de
posição bem definida. É um novo conceito de auxílio à
navegação, utilizando a transmissão dos radiofaróis existentes
Precisão do DGPS na costa. Os erros nas pseudo-distâncias (inclusive os devidos
- A precisão do DGPS depende do AS) calculados a partir do conhecimento das coordenadas da
afastamento fixo–móvel, ou seja, depende
estação fixa, são transmitidos para a estação móvel (a
da distância entre a embarcação e a estação
de referência DGPS. embarcação), eliminando, virtualmente, todos os erros nas
medidas. Sua precisão depende do afastamento fixo-móvel.
Conceito de Operação do DGPS A técnica diferencial aplicada ao GPS foi desenvolvida para
- O conceito de operação utilizando no DGPS obter maior precisão do posicionamento do SPS do sistema
é o de posicionamento relativo.
GPS. Corrige não só a degradação intencional da precisão do
Alcance e Precisão do DGPS GPS introduzida pelo Departamento da Defesa dos Estados
- A precisão do DGPS depende do Unidos, mas também as influências incontroláveis, como as
afastamento fixo-móvel, ou seja, depende condições de propagação atmosférica, os erros de sincronização
da distância entre a embarcação e a estação
de referência DGPS. Já o alcance preciso dos
dos relógios e as irregularidades nas órbitas dos satélites. Essa
dados do DGPS é de até 200-250 milhas da técnica DGPS torna a precisão de posicionamento do GPS
estação de referência. inferior a 10 metros e acessível a qualquer usuário.
A disponibilidade seletiva (S/A) ou degradação intencional é,
Recordando: de longe, a maior fonte de erros do GPS.
- Por razões de segurança nacional, o
Departamento de Defesa dos Estados Com a técnica diferencial aplicada ao GPS, é compensada
Unidos degrada a precisão do GPS para 100 uma grande porcentagem dos erros provenientes das fontes
metros (2 drms), pela introdução de erros no citadas.
relógio dos satélites e na mensagem de O DGPS foi desenvolvido pela Guarda Costeira dos EUA a fim
navegação. Em caso de emergência nacional,
a degradação do nível de precisão pode ser
de fazer com que seja alcançada uma precisão entre 8 e 20
elevada para além de 100 metros. metros, necessária à aproximação de portos, navegação
portuária e em águas restritas – que não é dada pelo SPS
(Standard Positioning Service) nem pela S/A (Selective
Availability).
Tanto a IALA (Associação Internacional de Sinalização
Náutica) como a IMO (Organização Marítima Internacional),
endossaram o uso do DGPS por seu potencial no incremento da
segurança da navegação.
Ambas as organizações também aprovaram o uso dos
radiofaróis para a transmissão dos dados de correção DGPS.
O sistema emprega uma série de estações de referência em
pontos cujas coordenadas são conhecidas com precisão. Em
operação, as estações de referência recebem continuamente os
Mestre-Amador 55
[NOÇÕES DE RADAR E GPS]
Sinais dos Satélites GPS, comparam os valores recebidos com a
sua posição conhecida, computam a diferença e geram as
correções na medida da distância para cada satélite GPS. Essas
correções são transmitidas pelas estações de referência para os
receptores DGPS instalados em navios/embarcações que
trafegam na área.
Siglas Comumente Usadas Ao navegar utilizando o GPS, devemos levar em
consideração alguns termos próprios do equipamento:
por um GPS
ALMANAQUE - Informações contidas no sinal do satélite.
ANCHOR WATCH – alarme para fundeio (usado quando a
embarcação está fundeando, e a âncora sai do lugar,
Tela tópica de um GPS arrastando o barco pelo fundo) (garrando).
ATD – Distância a ser navegada ((Along Track Distance).
BTW – rumo para o waypoint (bearing to waypoint).
BRG – Direção em graus para o destino (Bearing).
CLEAR – limpar.
COG – Rumo no fundo; é a direção resultante realmente
navegada, desde o ponto de partida até o ponto de
chegada, num determinado momento, ou seja, na carta, o
rumo no fundo é a resultante entre o rumo na superfície e a
corrente.
Vamos interpretar as informações da tela CROSS TRACK – erros de navegação, desvios lateral em
acima:
relação à rota prevista.
- BRG 324º - Marcação do próximo waypoint
- DIST 0.24 NM – Distância do próximo CU – orientação da carta eletrônica com o curso para cima
waypoint (couse UP).
- COG 323º - Rumo no fundo CTS – rumo a seguir, considerando o abatimento de
- SOG 7.6 Kts – Velocidade no fundo vento/corrente (couse to steer).
- XTE 0.02 NM – Abatimento lateral
- NEXT WPT – Próximo ponto 171 CMG = Rumo realmente navegado (Course Made Good)
- TTG – Tempo que falta para chegar ao corrigido do efeito abatimento.
próximo ponto. DISTANCE TO GO – distância para chegar (regular para
- TIME – Hora atual e data milhas náuticas).
- POSITION – Latitude e Longitude atual do
navio DTK - Rumo desejado na superfície.
- ETA END – Hora final de chegada DTV – distância até o waypoint (distance to waypoint).
DOP – desvio de posição (Diluiton of Precision).
DMG = Distância realmente navegada (Distance Made
Good)
EVENT MARCK – marca a posição de algo desejado (ou
simplesmente MARCK).
ETA - Hora estimada de chegada (Estimated Time of Arrival).
ETD - Hora estimada de partida.
ETE = Duração estimada da travessia (Estimated Time of
Enroute).
FT – altitude em pés (feet).
GO TO – ir para. Comando para ir a um determinado ponto
escolhido.
GDOP – desvio geometric de posição (geometric diluition of
precision).
HEADING – direção em que a proa aponta.
HDOP – desvio horizontal de precisão (horizontal diluition of
Mestre-Amador 56
[NOÇÕES DE RADAR E GPS]
precision).
HU – orientação da carta eletrônica com a proa para cima
(Head UP).
LAND MARK = Pontos de derrota (o mesmo que WP)
LEG – uma pernada da rota ou rumo.
MOB - Homem ao mar; esta tecla do GPS imediatamente
após ser acionado, o GPS insere um ponto chamado MOB
com a posição atual e ao mesmo tempo executa a função
GO TO (vá para), considerando este ponto como destino.
MARCK - Comando para marcar um ponto de sua posição
atual
NO GO AREA = Área a ser evitada
NM – milhas náuticas (nautical Miles).
NU – orientação da carta eletrônica com o norte para cima
(Norte UP).
NMEA – Nautical Maritime Eletronic Association.
POSITION FIX – posição calculada.
PLOTTER – Traçador de derrota.
RANGE/ - alcance.
ROUTE (RTE) – rota ou rumo.
RNG ou DTG = Distância para o destino (Range ou Distance
To Go).
SOG –– velocidade no fundo (speed over gound).
SHIP POSITION – posição do barco.
SA – disponibilidade seletiva.
SETUP – ajustagem. Comando de programação.
SOA - Velocidade de avanço; é aquela com a qual se
pretende progredir ao longo da derrota planejada.
TRK ou BRG - É o rumo apresentado pelo GPS. O
instrumento já fornece o rumo verdadeiro.
TRIP – distância de viagem.
TTG – tempo para chegar. (Time To Go)
TIDE – marés.
UTC – hora média de Greenwich.
VDOP – desvio vertical de posição (vertical diluition of
precision).
VMG - Velocidade no fundo; é a velocidade ao longo da
derrota realmente seguida em relação ao fundo do mar,
desde o ponto de partida até o ponto de chegada.
WAYPOINT (WPT) – Insere qualquer ponto pretendido.
Ponto marcado (exemplos: pesqueiro, ponto de fundeio)
WGS – datum eletrônico (Word geodesic system).
XTE – Erro no rumo (Cross Track Error).
2D – posição em latitude e longitude.
3D - Posição em três dimensões (latitude, longitude e
altura).
Mestre-Amador 57
[NOÇÕES DE RADAR E GPS]
Saiba mais
Você pode saber mais sobre o assunto estudado nesta unidade consultando os seguintes endereços
eletrônicos:
[Link]
(Navegação Radar)
[Link]
[Link]
[Link]
[Link]
Mestre-Amador 58
[NOÇÕES DE FUNCIONAMENTO DA EPIRB]
Unidade 6
Nesta unidade, você vai conhecer algumas noções básicas de funcionamento da EPIRB.
EPIRB O que é EPIRB?
É uma Radiobaliza Indicadora de Posição em Emergência,
(acrônimo do inglês Emergency Position Indicating Radio
Beacon) destinada a transmitir um sinal que identifique uma
embarcação ou aeronave em perigo e determine sua
localização, facilitando os trabalhos de busca e resgate, através
do Sistema Marítimo Global de Socorro e Segurança (GMDSS).
GMDSS
Iniciado pela Organização Marítima Internacional (IMO),
em 1988, é um sistema internacional que utiliza tecnologia
terrestre e satelital com sistemas de rádio a bordo dos navios
Fonte: [Link]
para assegurar um rápido e automático envio de um sinal de
socorro a uma central de comunicações em terra e às
GMDSS autoridades de resgate, em adição aos navios e estações que se
- Em Inglês: Global Maritime Distress and encontram nas proximidades de um incidente.
Safety System.
Basicamente, este sistema tem a finalidade de automatizar
as comunicações de socorro entre os navios e os Centros de
NOTA: Coordenação de Salvamento (RCC) e Subcentros de
- Os principais equipamentos utilizados pelo Coordenação de Salvamento (RSC) distribuídos ao longo do
GMDSS são o EPIRB, o NAVTEX, que é um litoral marítimo e fluvial, fazendo conhecer a situação de
sistema automatizado de distribuição de emergência a toda embarcação próxima a um sinistro a fim de
informações de segurança marítima (avisos à
navegação, previsões do tempo e avisos
que coopere nas tarefas de salvamento.
meteorológicos) e o INMARSAT. Aplicável a todos os navios de passageiros carregando
mais de doze (12) passageiros em viagens internacionais ou em
mar aberto e de carga de 300 toneladas e acima, quando
navegando em viagens internacionais ou em mar aberto, o
GMDSS exige que os navios recebam transmissões de
informações de segurança marítima, e levem uma radiobaliza
satelital (EPIRB) de 406 MHz.
Satélites do Sistema
≈ COSPAS-SARSAT – é um sistema de satélites desenvolvido
COSPAS – Satélites Russos para fornecer alertas de perigo e dados de localização em
SARSAT – Satélites Americanos.
coordenadas geográficas aos RCC para auxiliar nas
SAR operações do Serviço de Busca e Salvamento (sigla SAR),
- Sigla do Inglês “Search and Rescue”, designado para detectar e localizar sinais de balizas de
significa Busca e Salvamento. No Brasil emergência (EPIRB) que transmitam durante situações de
todos os órgãos componentes de um Serviço perigo na frequência de 406 MHz.
de Busca e Salvamento Marítimo, a exceção
do Sistema de Alerta, estão estruturados nas
≈ INMARSAT – é um sistema que emprega quatro satélites
Organizações Militares da Marinha do Brasil, geoestacionários, situados a cerca de 36000 km acima do
sendo, portanto, designado como Serviço de Equador, voltados para prover aos navios com estações
Busca e Salvamento da Marinha – terrenas de navio (SES), com recursos de alerta e socorro e
SALVAMAR BRASIL.
capacidade de comunicações ponto a ponto utilizando
Na Internet correio eletrônico, fac-símile, transmissão de dados e
- Saiba mais sobre o SALVAMAR BRASIL, radiotelefonia. Tem a limitação de não oferecer cobertura
acessando o endereço: além dos paralelos 70⁰ Norte e Sul.
[Link]
Mestre-Amador 59
[NOÇÕES DE FUNCIONAMENTO DA EPIRB]
Tipos de EPIRB Existem basicamente dois tipos de EPIRB, as ativadas
manualmente e as ativadas automaticamente.
Os aparelhos de acionamento automático possuem um
dispositivo hidrostático que, em caso de afundamento, libera a
EPIRB, lançando-a para fora da embarcação. Transmitem em
duas frequências: 121.5 MHz, utilizadas para orientação das
unidades SAR aéreas e 406 MHz, utilizadas para orientação das
unidades SAR marítimas; são normalmente de cores fortes (a
mais usada é a vermelha e alaranjada); possuem uma luz
estroboscópica branca que emite 52 lampejos por minuto,
facilitando a localização visual à noite; são à prova d’água até
cerca de 10 metros de profundidade, medem cerca de 30 cm e
pesam cerca de 2 a 5 kg e são alimentados por uma bateria
capaz de mantê-los em funcionamento por cerca de quarenta e
oito (48) horas. Tem uma vida útil de 10 anos, e são fabricadas
de modo a operar em condições adversas (-40⁰C a 40⁰C). O sinal
do EPIRB contém também a identificação da embarcação ou
aeronave e seu código.
Quanto ao modo de ativação a EPIRB pode ser:
1. EPIRB Classe C - VHF canal 15/16. Ativação manual.
A frequência de 406 MHz nas EPIRB é Somente marítimo. Não detectável por satélite.
utilizada para orientação das unidades SAR
2. EPIRB categoria I - 406/121.5 MHz. Flutuante. Ativa
marítima.
automaticamente. Detectável por satélite em qualquer
parte do mundo. Pode ser ativado manualmente.
3. EPIRB categoria II - 406/121.5 MHz. Igual à categoria I, mas
manual.
4. EPIRB INMARSAT E - 1646 MHz. Este serviço foi extinto em
2006.
Funcionamento Básico do Quando ativada, (automaticamente ou manualmente) a
EPIRB envia sinais intermitentes na frequência de 406 MHz
EPIRB captados pelos satélites que imediatamente retransmitem a
informação para uma estação rastreadora de satélite, chamada
de Terminal Local do Usuário (LUT), a qual processa os sinais
para determinar a localização da EPIRB e juntamente com os
dados da localização e outras informações, retransmite o alerta,
via um Centro de Controle da Missão (MCC), onde são
adicionados dados de identificação e outras informações sobre
o navio. O MCC transmite a mensagem de alerta para um RCC
para que este acione os recursos de Busca e Salvamento (SAR).
No Brasil, as mensagens de alerta sobre embarcações ou
aeronaves acidentadas ou em situação de perigo, é recebida
pelo RCC marítimo (SALVAMAR) ou aeronáutico (SALVAERO)
que coordenam os recursos disponíveis para as ações de busca
e salvamento.
Mestre-Amador 60
[NOÇÕES DE FUNCIONAMENTO DA EPIRB]
Sequencia básica de funcionamento da EPIRB:
Sequencia de funcionamento:
(1) Ocorre o possível sinistro;
(2) A EPIRB emite o sinal de alarme;
(3) Os satélites recebem o sinal e
retransmitem às LUT (estações terrestres);
(4) As LUT processam o sinal e enviam uma
mensagem com a posição do sinistro a um
MCC.
(5) O MCC transmite o alerta a um RCC para
iniciar as atividades busca e salvamento SAR.
Recursos SAR
- Os Recursos SAR incluem aeronaves de asa
fixa, helicópteros, embarcações, pessoal
especializado e até recursos comerciais ou
privados, quando necessários.
Regras para a EPIRB Requisitos Técnicos – A EPIRB deve ser instalada a bordo
em local de fácil acesso. Deve ter dimensões e peso tais que
permita o seu transporte por uma única pessoa até a
embarcação de sobrevivência e ter sua liberação, flutuação
e ativação automática em caso de naufrágio da embarcação;
e devem, ainda, possuir dispositivo para ativação manual
quer no local de instalação ou, remotamente, a partir da
estação de manobra.
Aprovação da EPIRB - Toda EPIRB instalada em
embarcações deve ser do tipo aprovada pelo COSPAS-
SARSAT.
Fonte: [Link]
Frequência de Operação – As EPIRB deverão ser capazes de
transmitir um sinal de socorro por meio de satélite, em
órbita polar, na faixa de 121,5 MHz ou 406 MHz.
Código Único de Identificação - As EPIRB deverão ser
dotadas de um código único, que é usado para associá-lo à
Obtenção do código aeronave ou a embarcação na qual está instalado. O código
- O procedimento para obtenção do código, é constituído pelo dígito 710 (identificação do Brasil),
incluindo o formulário para preenchimento, seguido por outros seis (6) dígitos que identificarão a
encontra-se disponível em:
estação do navio, utilizando a frequência de 406 MHz. O
[Link]
[Link] código, é conhecido como MMSI (Maritime Mobile Safety
Acesso: 07/04/2014 Identity), é atribuído pela Agência Nacional de
Telecomunicações (ANATEL).
Registro da EPIRB Registro da EPIRB – Após a codificação da EPIRB, o
- Disponível em:
[Link]/[Link]/ct-menu- proprietário da embarcação ou seu representante legal
item-31/ct-menu-item-37 deverá registrar a EPIRB no Centro Integrado de Controle de
Acesso: 07/04/2014. Missão (BRMCC). Para tal deverão preencher o formulário
de registro, que é gratuito, disponível no site do órgão na
Importante: Internet. A Marinha do Brasil, também orienta o
- Muitas balizas são ativadas acidentalmente proprietário de embarcação ou seu representante legal, a
causando falsos alertas, podendo
dirigir-se a Capitania, Delegacia ou Agência do órgão, para
desencadear ações de resgates
desnecessários. que o registro seja informado ao Comando do Controle do
Tráfego Marítimo (COMCOMTRAM), de modo a possibilitar
Mestre-Amador 61
[NOÇÕES DE FUNCIONAMENTO DA EPIRB]
Licença de Estação o cadastramento do equipamento no Sistema “SALVAMAR
- As embarcações que dotam equipamentos BRASIL” do Comando de Operações Navais.
de rádio comunicação devem obter a
Licença de Estação de Navio nas sedes Alteração de Dados Cadastrais - Quaisquer alterações nas
regionais da ANATEL. Informações e o características da EPIRB, nos dados da empresa, mudança
formulário para preenchimento podem ser de propriedade, alteração do endereço ou telefones, ou de
obtidos na página seus navios, deverá ser notificado ao BRMCC, no prazo
[Link]
máximo de vinte e quatro (24) horas, por meio do
formulário de registro citado anteriormente, objetivando
manter a confiabilidade dos dados inseridos no Sistema
“SALVAMAR BRASIL” e possibilitar a precisa identificação da
embarcação e de seu proprietário em caso de uma possível
emissão de sinal de socorro.
Dotação de EPIRB nas ≈ É recomendável que as embarcações que se dirijam a portos
estrangeiros, ou que se afastem, sistematicamente, a mais
Embarcações Amadoras de 100 milhas náuticas da costa, sejam equipados com a
EPIRB de 406 MHz.
≈ Todas as embarcações, quando empreendendo navegação
interior, estão dispensadas de serem equipadas com a
EPIRB.
≈ As embarcações de médio porte, maiores de 12 metros e
menores de 24 metros, quando empreendendo navegação
costeira, estão dispensadas de serem equipadas com a
EPIRB; se empreendendo navegação oceânica, deverão ser
equipadas com a EPIRB de 406 MHz.
≈ As embarcações de grande porte, maiores de 24 metros
(Iates), exceto quando empreendendo navegação interior,
deverão ser equipadas com a EPIRB de 406 MHz.
Saiba mais
Você pode saber mais sobre o assunto estudado nesta unidade consultando os seguintes endereços
eletrônicos:
[Link]
(Emprego de Transmissor Localizador de Emergência 406MHz no Brasil)
[Link]
[Link]
[Link]
[Link]
[Link]
[Link]
[Link]
Mestre-Amador 62
[NOÇÕES DE ESTABILIDADE DE UMA EMBARCAÇÃO]
Unidade 7:
Nesta unidade, você vai conhecer algumas noções básicas e recomendações sobre estabilidade de
uma embarcação. Matéria básica para realização do Exame de Mestre-Amador.
Contribuições de Vamos começar com uma pergunta: POR QUE OS BARCOS
FLUTUAM?
Arquimedes
Embora esse não fosse o questionamento de Arquimedes,
contam os livros, que esse sábio descobriu, enquanto tomava
banho, que um corpo imerso na água se torna mais leve devido
a uma força, exercida pelo líquido sobre o corpo, vertical e para
cima, que alivia o peso do corpo. Força essa, denominada
empuxo.
O Princípio de Arquimedes é fundamental para
entendermos porque um navio flutua e pode assim ser
enunciado:
Arquimedes (282-212 a.C.)
“Todo corpo mergulhado num fluido em repouso sofre, por parte
Inventor e matemático grego.
do fluido, uma força vertical para cima, chamada empuxo, cuja
intensidade é igual ao peso do fluido deslocado pelo corpo”.
Então, quando um objeto está na água (que é um fluído)
duas forças atuam sobre ele, o peso (P) do corpo, agindo
verticalmente para baixo (devido à influência do campo
gravitacional da terra), e a força de empuxo (E) exercida pela
água, verticalmente para cima. Assim, podemos afirmar que, é
a existência do empuxo que faz com que os corpos
mergulhados em um fluido pareçam pesar menos do que
realmente pesam. É o que chamamos de peso aparente,
expresso pela diferença entre o peso real e o empuxo.
Características Lineares de Para compreender melhor o que será apresentado nesta
unidade, vamos recapitular algumas características lineares de
uma Embarcação uma embarcação:
A medida longitudinal da embarcação é chamada
comprimento; e a sua medida transversal, é chamada boca,
medido de borda a borda. O calado é a medida da altura, desde
a quilha (fundo da embarcação) até a linha d´água (superfície
da água), quando a embarcação está flutuando. O calado é
marcado em escalas a vante, a ré e a meio navio. A linha
d’água ou linha de flutuação é a interseção da superfície da
água com o costado da embarcação. É também chamada de
linha d’água a faixa pintada no casco entre os calados máximo
(a plena carga) e leve (embarcação vazia). O pontal ou pontal
moldado é a medida vertical entre o convés principal e a
quilha. A borda Livre é a distância vertical entre a linha de
flutuação (superfície da água) até o convés principal, medido a
meio navio. A superfície do casco que fica mergulhada na água
é chamada obras vivas ou carena; e a parte que fica acima da
linha d’água, é chamada obras mortas.
Mestre-Amador 63
[NOÇÕES DE ESTABILIDADE DE UMA EMBARCAÇÃO]
Flutuabilidade Para que uma embarcação flutue é necessário que haja
equilíbrio entre o seu peso e a força de empuxo, isto é, que o
Peso = deslocamento peso da embarcação seja igual ao peso da água deslocada. Por
esta razão, no estudo da estabilidade, peso da embarcação é o
mesmo que deslocamento.
Peso da embarcação é a resultante de todos os pesos de
bordo, incluindo a estrutura, os equipamentos, carga e pessoal,
sendo considerado como uma força única agindo verticalmente
de cima para baixo, aplicada no centro de gravidade da
embarcação.
Empuxo é a força que age de baixo para cima, no centro
de empuxo ou centro de carena, e faz a embarcação flutuar.
As situações abaixo sintetizam bem a relação entre peso (P)
e empuxo (E):
1. Se o peso da embarcação for maior que o empuxo (P >
E). O peso adquire aceleração para baixo. Neste caso, a
embarcação afunda na água.
Por exemplo: 2. Se o peso da embarcação for menor que o empuxo (P <
- Se prendermos um cubo estaque na água
E). O peso adquire aceleração para cima. Neste caso, a
(fig. da esquerda acima), ao largarmos (fig.
da direita acima) ele subirá. É a força de embarcação será conduzida à superfície.
empuxo atuando nas paredes exteriores do 3. Se o peso da embarcação for igual ao empuxo (P = E). A
cubo que faz com ele flutue. É exatamente embarcação permanece na profundidade em que for deixada
isto que ocorre com uma embarcação na água, inclusive na superfície. Neste caso, a embarcação
quando é posta a flutuar.
permanece em equilíbrio indiferente (a resultante que atua
será zero).
Se P > E A embarcação afunda na água.
Se P < E A embarcação será conduzida para à superfície.
Se P = E A embarcação permanece em equilíbrio
indiferente.
Assim, enquanto for mantido o equilíbrio entre peso
(deslocamento) e empuxo (P = E), a embarcação permanecerá
flutuando. Este equilíbrio deve ser mantido, a fim de assegurar
a boa flutuabilidade da embarcação.
Flutuabilidade é a propriedade que tem a embarcação de
flutuar e permanecer na superfície da água.
Reserva de flutuabilidade é o volume da parte estanque
das obras mortas, ou seja, o volume de água que pode
embarcar em compartimentos estanques situados acima da
linha d´água, sem comprometer a segurança da embarcação.
Borda Livre (BL) - é a BL que determina o peso máximo
que uma embarcação pode receber, ou seja, a atribuição de
uma borda-livre mínima visa definir uma reserva de
Borda Livre flutuabilidade para a embarcação. É caracterizado pelo volume
- É a distância vertical entre a linha de
flutuação e o convés principal da
do casco compreendido entre o plano de flutuação,
embarcação. correspondente ao carregamento máximo, e o convés principal,
com o objetivo de evitar o carregamento excessivo, garantindo,
assim, uma maior segurança à embarcação, à carga, à
Mestre-Amador 64
[NOÇÕES DE ESTABILIDADE DE UMA EMBARCAÇÃO]
tripulação e aos passageiros. Se a embarcação inclinar ao ponto
da borda molhar, haverá perigo iminente de emborcamento.
Em suma, a reserva varia em função do embarque e
desembarque de pesos a bordo e, consequentemente, devido à
variação do calado. Se o deslocamento (peso) for aumentando,
Convenção Internacional sobre Linhas de haverá diminuição da reserva de flutuabilidade e a embarcação
carga. poderá submergir (ir a pique).
Plimsoll Marca de Linha de Carga (Disco de Plimsoll) - As
- Lord Samuel Plimsoll, membro do embarcações sujeitas à borda-livre deverão possuir as marcas
parlamento inglês que promoveu a de linha de carga fixadas em ambos os bordos, no costado. Esta
aprovação dessas marcas. marca deverá ser fixada de forma que o anel seja colocado à
meia-nau. Instituída em 1876, depois de vários acidentes
ocasionados por carregamentos excessivos, são
regulamentadas por uma Convenção Internacional de Linhas de
Carga.
A Marca de Linha de Carga (Disco de Plimsoll) das
embarcações não empregadas em viagens internacionais
consiste de um anel, cruzado por uma linha horizontal, cuja face
superior passa pelo centro do anel. As letras C e P indicam que
a borda foi atribuída por uma Capitania, Delegacia ou Grupo
Disco de Plimsoll Especial de Vistoria (GEVI). Quando atribuída por outras
entidades, deverão ser fixadas as marcas das respectivas
entidades.
“Estão dispensadas da atribuição de borda livre as embarcações
com comprimento inferior a 20 metros; arqueação bruta (AB) menor
ou igual a 50AB; os navios de guerra; e apesar de ser objeto de nosso
estudo, as embarcações destinadas exclusivamente a esporte e
recreio (lazer).”
Marca de borda livre em água doce
Arqueação Bruta (AB) – é um valor adimensional. Medida
da capacidade total da embarcação, proporcional ao volume
dos espaços fechados da mesma.
Peso da Embarcação – é a resultante de todos os pesos de
bordo, incluindo a estrutura, os equipamentos, carga e pessoal,
sendo considerado como uma força única agindo verticalmente
de cima para baixo, aplicada no centro gravidade da
embarcação (G).
Deslocamento e Porte de Deslocamento é a medida do peso do volume de água que a
embarcação desloca, quando flutuando em águas tranquilas. Na
uma Embarcação prática, o deslocamento corresponde ao seu próprio peso
expresso em toneladas.
Dependendo das condições em que se encontrar a
Lastro embarcação, teremos várias maneiras de considerar o
- Chama-se lastrar, a colocação de peso no deslocamento: Deslocamento Leve é o peso da embarcação
fundo do casco para aumentar a totalmente vazia, ao final da sua construção; Deslocamento em
estabilidade da embarcação. Lastro é o peso da embarcação, sem carga; Deslocamento
Atual é o peso da embarcação flutuando na linha d’água
Deslocamento e Tonelagem considerada, geralmente entre a condição de lastro e
- Não se deve confundir deslocamento com parcialmente carregada; e Deslocamento em Plena Carga ou
tonelagem. O deslocamento é o peso da Máximo é o peso da embarcação quando atinge flutuabilidade
embarcação, que é igual ao peso do volume máxima, isto é, o deslocamento máximo, agrega todos os pesos
de água deslocada pela carena.
Mestre-Amador 65
[NOÇÕES DE ESTABILIDADE DE UMA EMBARCAÇÃO]
Tonelagem é a medida de volume e não de de bordo.
peso. Nos países de sistema métrico
Porte bruto, ou Deadweight é o peso que a embarcação
decimal, como é o caso do Brasil, o
deslocamento é expresso em toneladas de pode transportar, excetuando seu próprio peso, quando se
1000 quilos, e em toneladas longas (de encontra num determinado calado médio, ou seja, é a
1016 quilos) nos países que adotam o diferença entre o deslocamento da embarcação pronta
sistema inglês de medidas. completamente carregada com o combustível, a aguada, a
Deadweight
tripulação, os materiais de consumo e a carga paga, e a
- Expressão inglesa usada para medir a embarcação pronta, mas completamente vazia, sem
capacidade comercial dos navios pelo peso combustível, sem aguada, sem materiais de consumo, sem
que ele é capaz de transportar, o que da carga paga e sem tripulação.
ideia de tamanho. Um navio de tantas
Chama-se porte líquido ao peso da carga, passageiros e
toneladas “deadweight".
bagagens que rendem frete, que a embarcação pode
transportar em determinada condição de carregamento.
Estabilidade Estabilidade é a capacidade que tem uma embarcação de
retornar à sua posição de equilíbrio, depois de um caturro ou
após um balanço motivados por forças externas, tais como:
efeito das ondas, estado do mar conjugado à velocidade da
embarcação, arrumação de pesos a bordo, embarque ou
desembarque de cargas, entre outros fatores que interferem no
comportamento da embarcação. Caturro, ou arfagem, é o
movimento de oscilação vertical da embarcação no sentido
longitudinal (proa-popa); e balanço, é o movimento de
Caturro ou Arfagem
oscilação lateral da embarcação de um bordo para outro
(sentido BE-BB).
Estabilidade longitudinal (sentido proa-popa) – No
movimento longitudinal, os principais problemas apresentados
por uma embarcação estão diretamente relacionados com o
ritmo do caturro e a modificação do trim. Chama-se trim, ou
compasso, a diferença entre os calados a vante e a ré da
Balanço
embarcação (calados de proa e de popa). Quando o calado de
vante é igual ao calado de ré, diz-se que a embarcação está
trimada (trim correto, sem compasso ou em águas parelhas);
quando o calado á ré é maior que o calado a vante, diz-se que a
embarcação está derrabada; e quando o calado a vante é
maior do que o calado a ré, diz-se que a embarcação está
abicada. Para segurança da embarcação, devemos buscar os
meios para fazer com que a mesma fique sempre com o trim
correto (calado igual, a vante e a ré).
Estabilidade Transversal (sentido BE-BB) - Diretamente
relacionada com a segurança da embarcação, a estabilidade
transversal, depende em grande parte do estado do mar,
podendo atingir valores elevados, e também da distribuição
correta de pesos a bordo. Um balanço rápido demonstra boa
estabilidade; já um balanço lento, indica estabilidade
deficiente.
É um procedimento comum descrever a estabilidade de uma
embarcação pela sua resposta a inclinação de pequenos ângulos (até
aproximadamente 7⁰ a 10⁰). Se o movimento de balanço da
embarcação é muito lento dizemos que a embarcação está com pouca
estabilidade, ao contrário, se muito o movimento do balanço for
rápido dizemos que está com excesso de estabilidade.
Mestre-Amador 66
[NOÇÕES DE ESTABILIDADE DE UMA EMBARCAÇÃO]
Centro de Gravidade (G), Centro de Gravidade (G) é o ponto onde todo o peso da
embarcação se concentra. Sempre atua na vertical e para baixo.
Centro de Carena (G) e O centro de gravidade “G” pode variar de posição em função do
Metacentro (M) próprio peso da embarcação vazia, dos óleos combustíveis e
lubrificantes, da água potável (aguada), do lastro de água
salgada, da distribuição da carga e demais pesos a bordo.
Centro de Carena (C) é o ponto onde se concentra a força
de empuxo de baixo para cima e faz a embarcação flutuar, ou
seja, é o ponto em que a força de empuxo se concentra.
Sempre atua na vertical e para cima.
Quando a embarcação aderna o centro de gravidade
permanece na mesma vertical, por outro lado, o centro de
carena se desloca para o bordo em que a embarcação adernou
descrevendo uma curva, indo se situar na vertical da nova
A figura acima representa a embarcação adriçada carena adotada pela embarcação em função do balanço. O
(na condição de equilíbrio, sem inclinação).
centro dessa curva chama-se metacentro (M).
A distância vertical entre o centro de gravidade “G” e o
metacentro “M” chama-se altura metacêntrica (GM) da
embarcação. Essa distância entre “G” e “M”, é também
conhecida como “GM”. O valor da altura metacêntrica dá uma
ideia real da estabilidade da embarcação.
A estabilidade abrange três condições de equilíbrio, que
podem ser:
Estável - é a condição ideal de estabilidade, pois a
embarcação, ao balançar, volta a sua posição normal de
equilíbrio. GM será sempre positiva (GM > 0).
Instável - é a condição indesejável, pois afeta a segurança
A figura acima representa a embarcação adernada
(por causa da inclinação o centro de carena se da embarcação. GM será sempre negativa (GM < 0).
movimenta). Indiferente – é a condição em que a embarcação poderá
ficar em equilíbrio seja qual for a sua posição, adriçado ou com
Metacentro (M) banda. GM será sempre igual a zero (GM = 0).
- É o ponto de encontro de duas linhas de Ao adquirir banda, forma-se o binário de forças, sendo que
ação da força de empuxo quando a
ele tem efeito inverso ao da condição estável, porque o braço
embarcação se inclina de dois ângulos muito
próximos. de endireitamento (GZ) é negativo e, consequentemente, o M
também é negativo e sua tendência é fazer a embarcação
adquirir maior banda. A embarcação irá se inclinando para um
dos bordos e o centro de carena B irá se deslocando mais para à
direita conforme a embarcação for adernando. Se a distância
entre G e M (GM) for negativa e pequena, B' alcançará a
vertical que passa por G e, nesse caso, se encontrará em
equilíbrio indiferente. Entretanto, se a GM negativa for grande,
B' não alcançará a vertical que passa por G e o navio continuará
a adernar. Essa banda que a embarcação adquire, ao assumir tal
posição de equilíbrio, chama-se banda permanente por GM
negativa.
Quando a embarcação aderna, existe um braço do binário,
Soçobrar
que é formado pelas forças de gravidade atuando
- Afundar, naufragar; subverter-se,
submergir (-se). simultaneamente em “G” e a força de empuxo exercida em “C”,
que dão a embarcação condição de voltar à sua posição normal
de equilíbrio. A esse braço dá-se o nome de braço de
endireitamento.
Mestre-Amador 67
[NOÇÕES DE ESTABILIDADE DE UMA EMBARCAÇÃO]
Braço de endireitamento (GZ) é a distância entre as
verticais em que atuam as forças de gravidade e de empuxo. Ele
faz com que a embarcação volte à sua posição de equilíbrio
quando esta se inclina para um dos bordos. Estando a
embarcação em sua posição normal de equilíbrio, o braço de
endireitamento terá o valor nulo. Quanto maior a distância
entre as verticais, maior será o braço de endireitamento e
maior será a estabilidade de embarcação. É claro que existe um
limite para a inclinação de uma embarcação, que, se
ultrapassado, certamente provocará seu emborcamento ou
soçobramento.
Esforços Estruturais A correta distribuição de pesos a bordo é fundamental para
manter a estabilidade e o equilíbrio de uma embarcação. Por
Longitudinais e Transversais outro lado, a má distribuição de pesos pode causar
deformações no casco no sentido do comprimento que
provoca esforços denominados: alquebramento e contra-
alquebramento. Alquebramento pode ocorrer pela maior
concentração de pesos nas extremidades (proa e popa) da
embarcação provocando uma curvatura longitudinal com
convexidade para cima (figura 1); contra-alquebramento é
provocado pela maior concentração de pesos no centro da
Figura 1 embarcação (meia-nau), e pouco peso na popa ou proa
podendo vir a quebrar ao meio em caso de mau tempo. O
contra-alquebramento caracteriza-se por uma curvatura
longitudinal com a convexidade para baixo (figura 2). Quando
uma embarcação inclina transversalmente, ou seja, pende para
um dos bordos (lados), devido à movimentação de peso, ou por
embarque ou desembarque de peso a bordo, diz-se que ela
Figura 2
está com banda; quando a embarcação não está inclinada
transversalmente, diz-se que ela está adriçada. Portanto,
dividir os pesos entre as laterais é uma boa prática.
Efeito de Pesos Altos Uma embarcação com centro de gravidade elevado, ao se
inclinar por um motivo qualquer (balanço ou má distribuição de
pesos) produzirá uma inclinação maior, pela atuação da força
da gravidade, transformando o braço de endireitamento em
um braço de emborcamento. O excesso de peso em partes
altas ou a má distribuição de pesos em relação às laterais
prejudica a estabilidade da embarcação. Portanto, evite pesos
altos, coloque mais peso na parte de baixo que na parte de
cima da sua embarcação.
Efeito de Superfície Livre Ocorre quando os tanques não estão completamente
cheios. Como existe um espaço entre a superfície do líquido e o
teto do tanque ou dos tanques, quando a embarcação se inclina
lateralmente, o liquido no interior do tanque, também se
desloca para o mesmo bordo, como se fosse um peso inserido
lateralmente, concorrendo para acentuar a inclinação da
embarcação. Para evitar o “efeito de superfície livre”, é
recomendável dividir os tanques de combustível de forma
Mestre-Amador 68
[NOÇÕES DE ESTABILIDADE DE UMA EMBARCAÇÃO]
proporcional e assim, reduzir ao máximo a instabilidade da
embarcação. Tal efeito, não ocorre se o tanque estiver
totalmente cheio ou totalmente vazio.
Informações Importantes ≈ A água salgada é mais densa que a água doce. A densidade
da água doce é 1 x 103 km/m3 e a densidade da água salgada
é em média 1,025 x 103 km/m3.
≈ Como o empuxo depende da densidade do líquido, o
empuxo exercido sobre uma embarcação é maior quando
ela está no mar. Assim, uma embarcação utiliza 3% a mais
de lastro em água salgada.
≈ O lastro está relacionado ao centro de gravidade que deve
ficar abaixo do centro de empuxo. Para aumentar o lastro,
são adicionados pesos na embarcação.
≈ Dar-se o nome de água de lastro, a água utilizada,
especialmente, em embarcações de carga como contrapeso
para ajudar a manter a estabilidade e a integridade
estrutural das embarcações.
Saiba mais
Você pode saber mais sobre o assunto estudado nesta unidade consultando os seguintes endereços
eletrônicos:
[Link]
[Link]
[Link]
[Link]
[Link]
[Link]
[Link]
Mestre-Amador 69
[METEOROLOGIA]
Unidade 08:
Nesta unidade, você vai estudar Meteorologia: Interpretação de Cartas Sinóticas; Boletins
Meteorológicos; imagens satélite e avisos de mau tempo; características das frentes, nevoeiros,
nuvens e ciclones extratropicais; principais instrumentos meteorológicos e noções dos ventos
predominantes na costa do Brasil.
Meteorologia Ciência da atmosfera
Segundo a Organização Meteorológica Mundial,
Competências Meteorologia é o estudo de todos os fenômenos diferentes de
- O Centro de Hidrografia da Marinha (CHM), uma nuvem. É a parte da física que estuda os fenômenos
coordenado pela Diretoria de Hidrografia e
Navegação (DHN) é por lei o órgão,
atmosféricos, também chamados de meteoros. A meteorologia
responsável pela operação do serviço tem como atividades básicas a pesquisa, a análise e o registro
meteorológico marinho. Pela legislação dos dados meteorológicos, atividades essas que, no seu
brasileira a Marinha tem responsabilidade conjunto recebem o nome de observação meteorológica. Entre
pela meteorologia marinha. Toda a área suas principais atividades, cabe determinar as condições do
oceânica adjacente ao nosso litoral é de
responsabilidade da Marinha do Brasil. tempo presente em uma determinada localidade ou região,
bem como suas probabilidades de evolução futura, resultando
em um conjunto de informações prováveis denominadas
previsão do tempo.
Atmosfera Massa gasosa que acompanha os movimentos da Terra
(rotação e translação). O Ar atmosférico é composto por uma
Atmosfera
mistura de gases. Os gases mais importantes são o Nitrogênio e
- A massa de ar que envolve a Terra. o Oxigênio, que representam 78% e 20,95% do volume total,
respectivamente, e o restante, 0,97% de outros gases nobres.
Além disso, compõem o ar atmosférico: vapor d’água; e
impurezas (poeira, fumaça, sal etc.), sendo estes os mais
importantes na formação dos fenômenos meteorológicos, que
ocorrem principalmente na Troposfera.
Camadas da Atmosfera Em razão de suas características, diretamente associadas
aos eventos meteorológicos que produzem, as seguintes
camadas atmosféricas são consideradas principais ou mais
importantes no estudo dos fenômenos meteorológicos:
≈ Troposfera – também denominada baixa atmosfera é a
camada da atmosfera em que vivemos e respiramos. É a
primeira camada e a mais importante para a vida na Terra,
pois é onde ocorre a maioria dos fenômenos
meteorológicos (chuvas, formação de nuvens, relâmpagos).
A temperatura do ar varia verticalmente na atmosfera,
diminuindo com a altitude, ao longo da troposfera, ou seja,
à medida que vamos subindo a temperatura vai caindo.
≈ Estratosfera – camada situada logo acima da troposfera.
Nessa camada a temperatura é praticamente constante. É
onde se localiza a camada de ozônio, que funciona como
uma espécie de filtro natural do planeta Terra, protegendo-
a dos raios ultravioletas do Sol.
Fonte: [Link]
≈ Mesosfera - camada localizada imediatamente acima da
estratosfera. Nessa camada o comportamento da
temperatura é irregular, aumentando, de maneira geral com
a altitude. É onde ocorre o fenômeno da
Mestre-Amador 70
[METEOROLOGIA]
aeroluminescência.
Aeroluminescência ≈ Termosfera – camada situada acima da mesosfera. Nessa
- fenômeno óptico da atmosfera terrestre
que consiste na emissão da radiação camada a temperatura aumenta com a altitude. É uma
eletromagnética pelos constituintes camada que atinge altas temperaturas, pois nela há
atmosféricos em decorrência de processos oxigênio atômico, gás que absorve a energia solar em
de reações fotoquímicas e iônicas. A grande quantidade.
observação deste fenômeno é útil para o
sensoriamento remoto da média e da alta
≈ Exosfera - camada que antecede o espaço sideral. É na
atmosfera, uma vez que as medidas de exosfera que as partículas se desprendem da gravidade do
variações temporais e espaciais fornecem planeta Terra. Na exosfera ocorre o fenômeno da aurora
importantes informações sobre processos boreal e também permanecem os satélites de transmissão
físicos (propagação de ondas, ventos e de informações e os telescópios espaciais.
temperatura) e químicos (reações entre os
constituintes) desta região.
Aquecimento e A Terra é aquecida durante o dia pela Radiação solar ou
Insolação e é resfriada pela Radiação terrestre, dia e noite.
Resfriamento da Terra e da A energia irradiada pelo Sol (radiação solar), a qual aquece
Atmosfera a Terra, permite a evaporação da água, a formação de nuvens, a
chuva, o temporal etc. É, então a fonte de energia responsável
pela ocorrência dos fenômenos meteorológicos e
oceanográficos.
Depois que a temperatura da Terra torna-se mais alta ou
mais baixa que aquela do ar próximo a ela, o ar em contato com
o solo começa a ser aquecido ou resfriado através de um
processo chamado Condução (transferência de calor através da
matéria sem transferência da própria matéria).
A absorção de radiação de onda curta depende da natureza
do solo, portanto, uma massa de ar situada, por exemplo, sobre
Depois de aquecida, a Terra irradia calor. O uma superfície arenosa será aquecida mais rapidamente que
ar, que era quase transparente às uma massa em contato com uma superfície úmida. Essa
irradiações de ondas curtas do Sol, absorve
grande parte das irradiações de ondas
desigual distribuição local de calor gera outro método de
longas da Terra, aquecendo-se transferência de calor conhecido como Convecção
gradativamente, de baixo para cima. (transferência das principais propriedades atmosféricas pelo
movimento vertical do ar por meio das correntes ascendentes
A transferência de calor da Terra para
ou descendentes).
atmosfera se faz por quatro (4) processos:
Quando o ar aquecido se eleva em correntes de convecção,
1. Radiação ar menos aquecido das adjacências move-se em direção ao
- Transferência de ondas eletromagnéticas local onde o ar está ascendendo para preencher o espaço.
da Terra para a atmosfera. Nesse momento, ocorre outro método de transferência de uma
2. Convecção
propriedade atmosférica, chamado de Advecção (transferência
- É o movimento vertical do ar atmosférico. de alguma propriedade atmosférica por movimento horizontal
As camadas mais baixas de ar da atmosfera, do ar).
quando aquecidas, tornam-se mais leves, Assim como a superfície da Terra, a atmosfera também
logo, tendem a subir, conduzindo calor para
experimenta um aquecimento desigual. As principais causas da
as camadas superiores.
variação do aquecimento da atmosfera são:
3. Condução – Incidência de raio solar - O ângulo de incidência e a
- A camada de ar em contato com o solo quantidade de raios solares, em um mesmo lugar, variam
conduz calor para as camadas superiores. durante o dia e com a estação do ano, em virtude dos
4. Advecção
movimentos de rotação e translação da Terra e da inclinação do
- Processo de transferência de calor, de eixo da Terra com relação à sua órbita. Com isso, varia,
região para região, devido ao movimento também, a quantidade de calor transmitido à atmosfera (pelo
horizontal do ar, ou seja, através dos ventos. Sol e pelos mecanismos de troca de calor com a Terra). Além
Mestre-Amador 71
[METEOROLOGIA]
disso, quanto maior a latitude, menor o ângulo de incidência
dos raios solares e, portanto, menor a temperatura. Isto
também explica o aquecimento desigual da atmosfera em
diferentes regiões.
– Cobertura de nuvens - as nuvens dificultam que a energia
solar alcance a Terra, diminuindo o seu aquecimento e, por
conseguinte, o aquecimento da atmosfera; por isto, nos dias em
que o céu está encoberto, o ar tende a ser mais frio. No
entanto, as nuvens também absorvem uma parte da energia
refletida pela Terra; esta é a causa de serem as noites de céu
encoberto menos frias do que as de céu limpo.
– Natureza do solo - A natureza do solo é responsável pela
quantidade de energia absorvida pela Terra, pela rapidez com
que a Terra se aquece e se resfria, e pela quantidade de calor
que a Terra irradia. Assim, a natureza do solo é, também, um
fator preponderante na variação do aquecimento da atmosfera.
Elementos Meteorológicos Dentre os fatores que influenciam na manobra da
embarcação, a natureza pode atenção especial, por não estar
Termômetro e Psicrômetro sob o controle do navegante. Saber compreender a
- A medida da temperatura do ar seco meteorologia é essencial para a garantia da segurança da
efetua-a se por meio do termômetro ou
embarcação. Os elementos meteorológicos mais importantes a
termógrafo e a medida da temperatura do
ar úmido, que é utilizada para a observar são: temperatura, pressão, umidade, ventos, nuvens,
determinação da temperatura do ponto de visibilidade e precipitação.
orvalho, obtêm-se pelo psicrômetro.
► Temperatura do Ar
A temperatura do ar aquece de dia e resfria
à noite. A temperatura da superfície do mar É a quantidade de calor presente na atmosfera. O Sol é a
(TSM) durante o dia e à noite não apresenta fonte de calor do planeta Terra e, consequentemente da
variação de valor, uma vez que a energia atmosfera. Mas o Sol não aquece diretamente a atmosfera, ao
recebida da radiação solar é em grande contrário, os raios solares atravessam a camada do ar que nos
parte utilizada na evaporação da água da
envolve, sem aquecê-la, indo esquentar as terras e as águas da
superfície do mar. A TSM tem muita
importância na interação oceano-atmosfera, superfície do planeta. Depois de esquentadas, as terras e as
porque a TSM influencia de forma bastante águas irradiam para a atmosfera o calor recebido. Assim,
significativa o resfriamento do ar. quanto maior a quantidade de radiação solar recebida pela
Terra, mais alta será a temperatura do ar.
► Pressão Atmosférica
Também chamada de pressão barométrica, é a pressão
(força) exercida pelo peso da atmosfera (peso gravitacional)
sobre uma coluna de ar em um determinado ponto. Pode-se
afirmar que a pressão em uma superfície é o peso de toda a
coluna de ar acima dela. Portanto, podemos facilmente
concluir que a altitude interfere na pressão atmosférica. Nas
áreas de elevada altitude, a pressão é menor, porque a coluna
de ar nas áreas elevadas é menor que nas áreas de baixa
Barômetro
altitude. A pressão do ar varia com a altitude, sendo maior ao
- Instrumento para medir a pressão nível do mar.
atmosférica, sendo sua unidade de Para se medir a pressão atmosférica, são utilizados
pressão o hectopascal (hPA), que é barômetros de mercúrio ou aneróides. Os de mercúrio são
equivalente a unidade de pressão
mais precisos, entretanto, os mais resistentes são os aneróides,
“milibar”.
sendo estes os mais utilizados a bordo.
Mestre-Amador 72
[METEOROLOGIA]
► Umidade
É a quantidade de vapor de água contida na atmosfera. A
Higrômetro
- Instrumento para medir o grau de umidade ação da radiação solar e do vento sobre as águas da superfície
do ar. da Terra provocam o fenômeno da evaporação, que nada mais
é do que a passagem da água do estado líquido para o estado
Psicrômetro gasoso (vapor). Na evaporação, uma quantidade enorme de
- Também usado para medir a umidade do
ar.
vapor de água fica em suspensão na atmosfera, ou seja, água
em estado gasoso, chamada de umidade.
Quando a massa de ar não tem vapor de água, se diz que a
massa é seca. Por outro lado, quando a massa de ar tem vapor
de água, a massa é úmida. A massa de ar úmida é sempre
Saturação menos pesada do que uma massa de ar seco, por isso o ar
- A saturação ocorre quando uma parcela do úmido é mais instável.
ar presente deixa de receber vapor d´água, A quantidade de vapor de água ou umidade que pode
levando-nos a dizer, em tais condições, que conter o ar depende diretamente de sua temperatura. Quanto
o ar está saturado.
maior é a temperatura, maior é a capacidade que tem o ar de
conter vapor de água. Portanto, o ar está saturado quando
Umidade relativa do ar alcança sua capacidade. A quantidade de vapor de água contida
- Quando falasse em umidade relativa 100%, no ar pode expressar-se de diferentes formas. A umidade
é quando ela está em saturação, está relativa é uma das formas mais conhecidas e representa a
chovendo (a umidade fica entre 95%/100%).
Então, umidade relativa é a quantidade de relação entre a quantidade de vapor de água que se encontra
umidade que tem sobre a quantidade que o no ar e a máxima capacidade que poderia conter à mesma
vapor pode conter naquela mesma temperatura. Este valor é expresso na forma de porcentagem
temperatura. (%). A umidade relativa varia sempre que muda a quantidade
de vapor de água presente no ar e também quando varia a
Ponto de Orvalho ou Temperatura do Ponto temperatura.
de orvalho Por exemplo, um declínio da temperatura traz uma
- É a temperatura onde o vapor d’água diminuição na capacidade do ar, motivo pelo qual aumenta a
existente no ar atmosférico começa a se umidade relativa ao encontrar-se o ar mais próximo a sua
condensar, ou seja, é a temperatura do ar
ambiente no qual o ar atinge sua saturação saturação. Quando a temperatura e, portanto, a capacidade do
de umidade, simplesmente ou somente por ar diminui até que a umidade atinge 100%, significa que o ar
resfriamento do ar. A relação entre o ponto está saturado. A temperatura, a qual a umidade relativa chega
de orvalho e a umidade relativa do ar é aos 100%, se chama temperatura de ponto de orvalho. Se o ar
inversamente proporcional, isto é, quanto
menor a diferença, maior será a umidade
continuar esfriando, começa a condensação (transformação do
relativa. vapor em água). A temperatura de ponto de orvalho tem uma
característica muito importante, a qual toda vez que o
conteúdo de uma massa de ar se mantém constante, a
Umidade versus Temperatura do Ar temperatura de ponto de orvalho também permanece
- a umidade relativa varia de modo
inversamente proporcional à variação da praticamente invariável. Para a formação de nuvens é preciso
temperatura. Se a temperatura do ar que haja levantamento ou brusco esfriamento do ar úmido.
aumenta, a sua capacidade de conter vapor Quando o ar úmido sobe várias centenas e milhares de metros,
d’água até se saturar também aumenta; atinge o nível de condensação, que é a altitude a partir da qual
logo, a sua umidade relativa diminui. Se a
o vapor de água se transforma em pequenas gotas. Esta
temperatura do ar diminui, o seu limite de
conter umidade até se saturar também condensação é obtida pela brusca diminuição da pressão
diminui; logo, a sua umidade relativa atmosférica.
aumenta.
► Vento
Vento é o ar em movimento. São partículas de ar que se
põem em movimento, tanto no sentido horizontal (chamado
advecção), quanto no sentido vertical (chamado convecção) e,
desta forma, transportando ou distribuindo calor.
O ar se desloca das zonas ou áreas de alta pressão
Mestre-Amador 73
[Link] [METEOROLOGIA]
VENTOS (anticiclones), para zonas ou áreas de baixa pressão (ciclones).
Isto permite dizer que os anticiclones são dispersores de vento
e os ciclones são receptores de vento.
São duas as principais causas dos ventos:
- Por diferença de pressão, condição na qual o fluxo de ar
irá escoar das altas para as baixas pressões; e
- Por diferença de temperatura, condição em que a
Ventos
desigualdade de aquecimento faz com que o ar mais frio tome o
- Sopram de alta pressão para baixa pressão lugar do ar mais aquecido.
- Sentido – de onde vem
- Intensidade – velocidade Direção do Vento – o vento é designado pelo sentido de
- Caráter – regular ou rajada.
onde vem, trazendo as características do seu local de origem.
Vento à Superfície Assim, dependendo do local de onde se originou, podem ser
- Por convenção, o termo se aplica à quentes ou frios, úmidos ou secos, sendo, consequentemente,
velocidade do vento a 10 metros de altura e responsáveis pelas variações de temperatura e de umidade do
em áreas desobstruídas. ar nos locais por onde passa.
- Vento e Rajada - Os ventos mudam continuamente tanto
Força do vento de intensidade quanto de direção, variações essas
- A força do vento é medida em nós e
determinadas, principalmente, pelos acidentes geográficos e
classificada de acordo com a escala
Beaufort, apresentada mais adiante. pelo relevo da superfície terrestre. Quando a diferença entre a
intensidade de um vento e sua intensidade média é maior que
Rajada dez (10) Nós, num período de tempo não superior a vinte (20)
- Rápido aumento na intensidade do vento segundos, esse vento recebe o nome de rajada.
em relação à sua intensidade média. A
variação entre a intensidade do vento e os
Ventos Locais - os ventos recebem diversos nomes,
seus picos ocasionais é de pelo menos 10 atribuídos em função das respectivas zonas de circulação, por
nós. essa razão são denominados ventos locais, também chamados
de brisas ou terrais. Entre esses, pelos efeitos que provocam no
clima de suas regiões, merecem destaque:
Brisas do Mar e de Terra
- Ventos locais causados pelo aquecimento e Pampeiros - ventos de elevada intensidade, que sopram
pelo resfriamento desigual de superfícies no Rio da Prata entre junho e setembro, com direção de oeste
aquosa e terrestre adjacentes, sob influência (W) para leste (E). Os pampeiros dão origem ao vento
da radiação solar (durante o dia) e da minuano;
radiação terrestre (durante a noite), que
produzem um gradiente de pressão (razão Minuano - vento que sopra na direção SW para NE, na
de decréscimo ou aumento da pressão por região sul do Brasil;
unidade de distância em um determinado Papagaio - vento que sopra na Costa Rica, no inverno, de
período de tempo) junto à costa. Durante o NE e fresco.
dia sopra do mar para terra (brisa marítima)
e, à noite, da terra para o mar (brisa Siroco - vento muito quente e fresco que sopra na África
terrestre. do Norte, durante o verão, com direção de S ou SE; e
Alísios - ventos que divergem dos cinturões de alta
pressão subtropicais em direção a zona de convergência
intertropical. Sopram de nordeste no hemisfério norte e de
sudeste no sul.
Intensidade do Vento - dependendo da intensidade do
Anemômetro vento, poderemos ter uma situação característica do tempo.
- Instrumento usado para medir e registrar a Significa que podemos estabelecer certos padrões do tempo
direção e a velocidade (intensidade) do
vento. O Anemômetro de bordo pode ser do nos mares, rios, lagos ou lagoas por meio da velocidade do
tipo Portátil ou de Mastro. Em ambos os vento.
tipos, a orientação do sensor (anemoscópio) Antes de se pensar em medir a intensidade do vento com o
indica a direção do vento, enquanto a anemômetro, foi sentida a necessidade de se graduar de
rotação do hélice ou das conchas permite a
alguma forma sua velocidade. Assim, seguindo padrão utilizado
determinação de sua velocidade.
internacionalmente, a nossa informação de ventos está
Mestre-Amador 74
[Link] [METEOROLOGIA]
Escala Beaufort baseada na Escala Beaufort. Praticamente todos os centros de
- Escala numérica de 0 a 12 que estima a meteorologia marinha emitem em termo de força Beaufort.
velocidade do vento a partir do estado do
mar. Disto resulta a lei de Buys-Ballot ou lei básica dos ventos,
que estabeleceu uma relação entre o vento e a distribuição de
ESCALA BEAUFORT DE VENTOS pressão que, para efeito de nosso estudo, pode ser aqui
Designação Velocidade enunciada do seguinte modo:
Beaufort Milhas “Voltando-se para a direção de onde sopra o vento
(força) Nós
Por Hora
verdadeiro, a baixa barométrica fica à sua direita no
0 - Calmaria Menor 0 a 0,2 Hemisfério Norte e à esquerda no Hemisfério Sul, a cerca de
que 1
110⁰ da direção de onde sopra o vento”.
1 - Bafagem 1a3 0,3 a 1,5
2 - Aragem 4a6 1,6 a 3,3 Sistema de Baixa Pressão (ciclone)
BAIXA ou CENTRO de BAIXA PRESSÃO: estes sistemas
3 - Fraco 7 a 10 3,4 a 5,4
geralmente tem forma elíptica e a pressão diminui conforme
4 - Moderado 11 a 16 5,5 a 7,9 nos aproximamos de seu centro, a qual é identificada com a
5 - Fresco 17 a 21 8,0 a 10,7 letra B. Em meteorologia, a circulação do ar (vento) em torno
de um centro de baixa pressão (ciclone), ocorre no sentido
6 - Muito fresco 22 a 27 10,8 a 13,8
anti-horário no hemisfério norte e horário no hemisfério sul.
7 - Forte 28 a 33 13,9 a 17,1 Por isso também esses sistemas são chamados Ciclones. Dentro
8 - Muito forte 34 a 40 17,2 a 20,7 desses sistemas o ar move-se em direção a seu centro
(convergência). Essa convergência de ar em superfície,
9 - Duro 41 a 47 20,8 a 24,4
provocada pela presença de um centro de baixa pressão, induz
10 - Muito duro 48 a 55 24,5 a 28,4 levantamento em seu interior determinando em consequência
11- Tempestuoso 56 a 63 28,5 a 32,6 o mecanismo de levantamento necessário para a formação das
nuvens.
12 - Furacão Maior 32,7 e
que 63 acima
- Mau tempo – está quase sempre associado a uma
convergência de ventos, ou seja, a um ciclone ou depressão.
TABELA DE CIRCULAÇÃO DOS CICLONES E Sistema de Alta Pressão (anticiclone)
ANTICICLONES ALTA ou CENTRO de ALTA PRESSÃO: estes sistemas
Hemisfério Anticiclone Ciclones geralmente tem forma elíptica e a pressão aumenta conforme
Divergente nos aproximamos de seu centro, a qual é identificada com a
Convergente
Sul anti-
horário letra A. A circulação do ar (ventos) em torno de um centro de
horário alta pressão (anticiclone), ocorre no sentido horário no
Divergente Convergente
Norte
horário Anti-horário
hemisfério norte e anti-horário no hemisfério sul. Por isso
também, esses sistemas são chamados anticiclones. Dentro
desses sistemas, o ar se escapa de seu centro (divergência).
Circulação (Lei de Buys-Ballot) Essa divergência de ar em superfície, provocada pela presença
do anticiclone, induz subsidência em seu interior, inibindo a
formação de nuvens.
A representação gráfica dos ciclones e anticiclones faz-se
por meio de isóbaras.
- Isóbaras – chamam-se isóbaras as linhas que unem pontos
de uma mesma pressão atmosférica. O traçado das isóbaras
produz padrões característicos, tais como: depressões,
cavados, anticiclones e cristas.
“No hemisfério norte, os ventos giram em Ciclones - regiões de pressões relativamente baixas,
sentido horário em torno dos anticiclones também chamado de centro de baixa pressão. É também
(A) e no sentido anti-horário em torno das
sinônimo de depressão, onde predomina o mau tempo e a
depressões ou ciclones (B)”.
diminuição da pressão para o centro. Caracteriza-se em uma
carta sinótica como um sistema de isóbaras fechadas,
envolvendo uma pressão central baixa. Pode ser tropical ou
Mestre-Amador 75
[Link] [METEOROLOGIA]
Circulação (Lei de Buys-Ballot) extratropical, dependendo de onde ocorre. Precipitação e
ventos mais intensos estão associados a esta feição.
Cavado – É uma área alongada de pressão atmosférica
relativamente mais baixa. Pode ser a extensão de um ciclone. É
o oposto de crista e é geralmente, associado a mau tempo,
assim como o próprio ciclone. A máxima curvatura das isóbaras
ocorre ao longo do eixo do cavado. Uma frente
necessariamente localiza-se em um cavado.
Anticiclones - regiões de altas pressões, também conhecidas
“Ao contrário, no hemisfério sul, os ventos
como centro de alta. Predomina o bom tempo e a pressão
giram em sentido anti-horário em torno dos aumenta para o centro.
anticiclones (A) e no sentido horário em Crista - é uma área alongada de pressão atmosférica mais
torno das depressões ou ciclones (B)”. alta. Pode ser a extensão de um anticiclone. É o oposto de
cavado e é geralmente associado a bom tempo, assim como o
- Além de influenciar no estado do mar, o
vento também exerce influência sobre o próprio anticiclone. A máxima curvatura das isóbaras ocorre ao
deslocamento das nuvens, formação de longo do eixo da crista.
nevoeiros e precipitação (chuvas).
► Nuvens
Nuvens São indicadores de tempo úteis. As nuvens são definidas
- Umidade do ar condensada. Podem ser
classificadas quanto a sua aparência como consistindo de agregados visíveis de pequenas partículas
(aspecto), estrutura e altura da base. de água, cristais de gelo, ou a mistura de ambos na atmosfera
acima da superfície da Terra. Em geral, as nuvens são
sustentadas por correntes ascendentes na atmosfera e, embora
pareçam flutuar, na verdade os elementos que as compõem
caem lentamente em relação ao ar circulante.
As nuvens podem ser classificadas, quanto à formação,
formato ou tipo de desenvolvimento (aparência ou aspecto), e
quanto à altura de sua base.
Nuvens quanto à formação – de acordo como se formam,
as nuvens são de três tipos:
Orográficas - formadas pela ascensão forçada do ar, em
O CÉU ANUNCIA
consequência de elevações geográficas;
- Céu azul escuro: vento.
- Céu claro e brilhante: bom tempo. Frontais - formadas pela ascensão forçada do ar em
- Céu azul leitoso: chuva. consequência do encontro de duas massas de ar de
- Céu limpo com clarões no horizonte: bom características diferentes; e
tempo e calor.
Térmicas ou Convectivas - formadas pela ascensão
- Céu uniforme encoberto: calmaria.
- Céu sem nuvens: vento. adiabática (vertical) do ar aquecido.
- Céu avermelhado ao pôr do sol: bom
tempo no dia seguinte. Nuvens quanto ao formato – de acordo com o formato, as
- Céu avermelhado ao nascer do sol: o nuvens são de três tipos:
tempo geralmente muda para pior.
- Céu amarelo brilhante ao entardecer: Estratiformes - aquelas que surgem em camadas
geralmente é sinal de vento no dia seguinte. contínuas, apresentando grande expansão horizontal e pouca
- Céu amarelo pálido: pode significar chuva. espessura. Em geral caracterizam chuvas fracas, nevoeiro e
faixa de mau tempo, mais larga;
Cumuliformes - aquelas que surgem em camadas
descontínuas, formadas por blocos ou glóbulos isolados ou
agrupados. Apresentam, sempre, expansão vertical exagerada
em relação à expansão horizontal. As nuvens cumuliformes tem
a forma de flocos de algodão isolados, dando a impressão de
nuvem sólida e, em geral, caracterizam chuvas em forma de
Mestre-Amador 76
[METEOROLOGIA]
QUADRO RESUMO DE NUVENS QUANTO À pancadas, trovoadas e faixa de mau tempo mais curta; e
ALTURA
Cirriformes – são horizontais, mais fibrosas, de aspecto
Nuvens
Nuvens Baixas Nuvens Altas frágil e ocupam as altas atmosferas. Não dá origem a
Médias
Stratus Altostratus Cirrus precipitação, mas são fortes indicativos da mesma.
Nimbostratus Altocumulus Cirrostratus
Stratucumulus Cirrocumulus
Cumulus
Nuvens quanto à altura da base - conforme as altitudes que
Cumulonimbus se situam, as nuvens podem ser: baixas, médias e altas.
Nuvens Baixas NUVENS BAIXAS (abaixo de 2 km de altura)
Stratus (St) - normalmente acinzentadas, aparecem em
camadas uniformes, aparentando um nevoeiro. Quando
espessas, dificultam a penetração da luz solar.
Nimbostratus (Ns) - mais escuras que a stratus, porém
também uniformes, tendo a aparência de nuvens
carregadas, típicas de chuva. Normalmente bloqueiam a
penetração da luz do Sol.
Cumulus (Cu) - nuvens densas, com a aparência de
chumaços de algodão, porém nunca cobrem inteiramente o
céu. Normalmente, a presença de cumulus significa bom
tempo. Quando a temperatura na superfície do mar for mais
quente que o ar, pode haver instabilidade, favorecendo a
convecção e a formação de nuvens Cumulus.
Stratucumulus (Sc) - nuvens derivadas de cumulus
ligeiramente acinzentadas, com forma de rolos não
uniformes. Normalmente, depois delas, ocorrem dias claros
Nuvem de Trovoada e bom tempo.
- Expressão popular para Cumulonimbus, a
nuvem associada a tempestades.
Cumulonimbus (Cb) - nuvens muito densas e acinzentadas,
com formatos que lembram grandes torres. Normalmente,
Nuvens Médias são seguidas de mau tempo com fortes ventos e chuvas
pesadas.
NUVENS MÉDIAS (entre 2 e 6 km de altura)
Altostratus (As) - nuvens que se assemelham a um véu
ligeiramente acinzentado, deixando o céu fosco.
Normalmente, indicam a aproximação de chuvas e ventos.
Altocumulus (Ac) - estas nuvens têm aparência de pequenos
Nuvens Altas
chumaços de algodão, sendo, normalmente, associadas a
mudanças de tempo.
NUVENS ALTAS (acima de 6 km de altura)
Cirrus (Ci) - com aparência fibrosa, normalmente se
apresentam isoladas. Nuvens altas e esgarçadas muitas
vezes dão alarme antecipado de mau tempo se seguidas de
formação de nuvens, porém, a direção do vento é
importante. Se dissipando significa melhora do tempo.
Cirrostratus (Cs) - nuvens finas e esbranquiçadas.
Normalmente, cobrem o céu todo, dando uma aparência de
um fino véu. Sinal de mau tempo.
Cirrocumulus (Cc) - nuvens pouco densas e esbranquiçadas,
com a aparência de ondas. Normalmente, a presença
dessas nuvens está associada a bom tempo.
Mestre-Amador 77
[METEOROLOGIA]
► Visibilidade
É a maior distância em que objetos e contornos de
FENÔMENOS METEOROLÓGICOS QUE
AFETAM A VISIBILIDADE: características definidas podem ser vistos e identificados, sem
Condição de auxílio de instrumentos óticos, ou seja, vistos e identificados a
Fenômeno
Visibilidade olho nu. São vários os motivos pelos quais a visibilidade é
Nevoeiro Abaixo de 1km afetada: precipitações, nevoeiros, névoas, chuvas fortes,
Névoa Acima de 1 km chuviscos, espumas do mar, tempestades de área, poeira,
Chuva Forte entre 50 e 500m
Chuvisco Forte Abaixo de 500m
borrifo das ondas e sal.
Neve Abaixo de 1 kkm A visibilidade é avaliada em quilômetros (km), e pode ser
Tempestade de classificada em três níveis, a saber:
Areia, poeira e Abaixo de 1 km Visibilidade boa - quando não existe nenhuma
borrifo das ondas interferência (fenômeno meteorológico) ou, se existe, não é
significativo;
Visibilidade moderada - quando existem fenômenos que
Chuva reduzem a visibilidade, causando prejuízo às atividades
- Vapor d'água condensado na atmosfera humanas; e
que se precipita sobre a terra em forma de
gotas (diâmetro superior a 0,5mm).
Visibilidade má ou péssima - quando os fenômenos
Dependendo da média horária de sua restringem a visibilidade ao ponto de oferecer perigo às
acumulação no pluviômetro, pode ser leve atividades humanas.
(até 2,5mm), moderada (2,5 a 7,5mm) ou
forte (superior a 7,5mm). De acordo com a intensidade, a chuva, com exceção das
pancadas fortes e passageiras, raramente reduz a visibilidade à
Chuvisco superfície para menos de 1.500 metros. O chuvisco e a neve,
- Gotas d'água muito pequenas (diâmetro normalmente, reduzem a visibilidade em um grau maior que a
inferior a 0,5mm), uniformemente dispersas, chuva. Nevascas fortes podem reduzir a visibilidade em zero.
que precipitam sobre a terra.
Nevasca ► Nevoeiro – É formado quando o vapor d’água existente na
- Nevada acompanhada de temporal. atmosfera se condensa, seja como resultado do resfriamento
do ar a superfície, pelo oceano ou pelo terreno subjacente
(nevoeiro de resfriamento) ou do acréscimo ao seu teor de
Nota:
- A névoa e o nevoeiro, são os fenômenos vapor d’água (nevoeiro de evaporação). Por convenção, o
que reduzem a visibilidade em maior grau. O termo se aplica quando a visibilidade for inferior a um
nevoeiro diminui a visibilidade para menos quilômetro. Seu aspecto é branco leitoso ou acinzentado,
de 1 km; no caso de nevoeiro denso, a dependendo da concentração de poluentes no ar. Em ambos os
visibilidade pode ser reduzida a zero. Logo
que for observada a ocorrência de nevoeiro,
casos pode-se sentir a umidade.
é necessário pôr em prática as medidas de O nevoeiro de resfriamento, comum sobre campos, em
segurança para navegação sob visibilidade consequência de contato do ar quente sobre o solo, resfriado
restrita, especialmente aquelas durante a noite. Dissipa-se com o aquecimento diurno. O
estabelecidas pelos regulamentos resfriamento pode ser produzido por: Contato com o solo
internacionais, como o RIPEAM
(Regulamento Internacional para Evitar resfriado durante a noite (nevoeiro de radiação); contato do ar
Abalroamento no Mar). quente e úmido em movimento com uma superfície (solo ou
mar) mais fria, sobre a qual se desloca (nevoeiro de advecção);
e por ascensão diabática do ar que se desloca, subindo por um
Nevoeiro de Radiação
- Nevoeiro que se forma sobre terra em
terreno elevado (nevoeiro orográfico ou de encosta). O
noites caracterizadas por ventos fracos, céu nevoeiro de evaporação, comum sobre superfícies líquidas,
limpo e ar úmido nos baixos níveis da geralmente, acontecem de manhã, como resultado da
atmosfera. evaporação da água que é mais quente que o ar. O aumento da
evaporação se dar por: Evaporação da chuva quente em ar mais
Nevoeiro de Advecção
- Nevoeiro formado pela passagem lenta de frio (nevoeiro frontal), e, também, por evaporação de um ar
uma massa de ar relativamente quente, mais quente em ar mais frio (nevoeiro de vapor).
úmida e estável sobre uma superfície fria. São vários os fatores importantes na formação de
Mestre-Amador 78
[METEOROLOGIA]
Advecção nevoeiros: A elevada umidade relativa (97 a 100%);
- Nevoeiro de vapor estabilidade atmosférica; o resfriamento convincente e, a
- Nevoeiro marítimo
- Nevoeiro de brisa marítima velocidade do vento (fraco ou calmo).
- Nevoeiro glacial
Conforme o alcance, os nevoeiros podem ser classificados
em três tipos:
Forte - quando a visibilidade atinge até cem (100) metros
de distância;
Fraco - quando os objetos podem ser avistados além de
100 metros e a menos de um (1) quilômetro; e
Baixo - quando alcança aproximadamente três (3) metros
de altitude e se estende como um vasto lençol envolvendo a
área. Forma-se nas primeiras horas da madrugada em uma
camada pouco espessa colada a superfície, geralmente sobre
baixadas e zonas pantanosas, podendo o céu estar
perfeitamente visível.
► Névoa - É uma nuvem do tipo stratus, que toca ou se forma
junto ao solo, devido à ausência de movimento vertical. Pode
Névoa Seca
- Obstrução da visibilidade nas camadas
formar-se em condição de umidade relativamente baixa e
superficiais da atmosfera, causada por estende-se a altitudes de até três (3) quilômetros. Em geral, a
partículas sólidas muito pequenas e não visibilidade vai além de mil (1000) metros e, conforme suas
aquosas em suspensão. Dá ao ar uma propriedades classificam-se em duas categorias: Névoa úmida
aparência opalescente.
que tem a aparência de um nevoeiro muito fraco. Sua umidade,
Névoa Úmida apesar de ser alta (mais de 80%) é inferior a do nevoeiro e sua
- Obstrução da visibilidade nas camadas visibilidade varia entre um (1) e dois (2) quilômetros. A névoa
superficiais da atmosfera, causada por úmida tem uma cor acinzentada, em consequência de sua
gotículas de água em suspensão. Por constituição, rica em poluentes atmosféricos. Névoa seca que é
convenção, o termo se aplica quando a
visibilidade for superior a um quilômetro.
caracterizada pela concentração de minúsculas partículas secas
de ar atmosférico. Apresenta cores diversas, variando conforme
a paisagem. Assim, quando vista na direção de um fundo
escuro, como serras, cidades etc., apresenta-se com uma
tonalidade azul chumbo, tornando-se, porém, amarela ou
alaranjada, quando vista de encontro a um fundo claro (Sol,
nuvem no horizonte, etc.). Na névoa seca, a umidade
permanece abaixo de 80%, porém quantidade considerável de
água em suspensão, e sua visibilidade varia de 1 a 5
quilômetros.
- Borrifos ou espumas do mar arrastada pelo vento -
Quando ocorrem no mar ventos de força 10 ou acima, na escala
Beaufort (velocidade maior ou igual a 48 nós), as espumas se
desprendem das cristas das ondas, provocando borrifos que
podem reduzir drasticamente a visibilidade, para umas poucas
dezenas de metros (50m ou menos). Poeira, a Poeira fina
Monções
transportada de regiões desérticas, afeta a visibilidade no mar
- Nome dado aos ventos que sopram nas proximidades destas regiões. A poeira roxa do Saara é
principalmente no Sudeste da Ásia, comumente observada nas áreas marítimas a oeste da África,
alternativamente do mar para a terra e da até o arquipélago de Cabo Verde. Da mesma forma, as monções
terra para o mar, durante muitos meses.
de NE na China transportam poeira amarela do interior do
continente para além do Mar da China. Sal, no mar, partículas
Mestre-Amador 79
[METEOROLOGIA]
de sal são levantadas e introduzidas na atmosfera, podendo
reduzir a visibilidade, em uma faixa que varia de 500 a 1.000
metros de altitude.
► Precipitação
Precipitação Denomina-se precipitação à descida de uma parcela do ar
- Qualquer depósito aquoso, nas formas
líquida ou sólida, derivado da atmosfera. atmosférico sob a forma líquida e/ou sólida para níveis
Pode ser chuva, neve, granizo etc. inferiores. Pode ocorrer sob a forma de chuva, chuvisco ou
garoa e granizo, ou uma combinação deles. Subdivide-se em
Pluviômetro dois tipos: precipitação líquida (chuva, chuvisco), precipitação
- Instrumento para medir a quantidade
acumulada de precipitação em certo período
sólida (neve, granizo, saraiva).
de tempo. Quanto ao caráter de continuidade, as precipitações podem
ser: Intermitentes, contínuas e em pancadas.
Precipitação Contínua - quando a duração da
Pancadas
precipitação oriunda de nuvens estratiformes é de uma hora ou
- São caracterizadas por curta duração e
rápidas flutuações de intensidade. Tem, mais, sem interrupção;
também, início e fim bem definidos. Precipitação Intermitente - quando os períodos de
precipitação oriunda de nuvens estratiformes são inferiores há
Precipitações quanto a intensidade uma hora; e
- De acordo com a intensidade, as
precipitações subdividem-se em: garoa, Pancadas - precipitação sólida ou líquida oriunda de uma
chuvisco fraco, chuvisco moderado e nuvem convectiva, que se distingue da precipitação
chuvisco forte. intermitente ou contínua das nuvens estratificadas.
Frentes Frente à superfície, usualmente representada como uma
linha nas cartas sinóticas é a zona ao longo da qual a superfície
Frente
frontal intercepta a superfície da Terra.
- Encontro de duas massas de ar com No encontro de duas massas de ar de características
características diferentes (frias e quentes). diferentes (frias e quentes) identifica-se a superfície que
delimita essas massas. A interceptação dessa superfície,
denominada superfície frontal com o solo ou o oceano, é uma
linha conhecida como frente.
De acordo com as características termodinâmicas das
massas de ar que as seguem e com os seus deslocamentos, as
principais frentes são:
Frente Fria - aquela cujo movimento é tal que uma massa
de ar mais fria substitui outra mais quente. A passagem de uma
Fonte: [Link] frente fria normalmente caracteriza-se na superfície da Terra
meteorologia/
por queda de temperatura e mudança na direção do vento. Na
maioria dos casos ocorre chuva, e pode também provocar
Nota: pancadas de chuvas fortes com trovoadas;
- A temperatura do ar e a umidade indicam
Frente Quente - aquela em que o ar frio é substituído
as propriedades da massa de ar presente e,
sua alteração brusca pode ser a chegada de pelo ar quente. Seu deslocamento é lento;
uma frente com outra massa de ar. Frente Oclusa – situação em que a frente fria alcança a
frente quente. É uma superposição (junção) das superfícies
frontais (quente e fria), dando origem a uma, entre duas
formações possíveis: frente oclusa tipo fria, quando a frente
fria alcança a frente quente, e a frente oclusa tipo quente,
quando a frente quente alcança a frente fria; e
Frente Estacionária - aquela em que uma massa de ar
não substitui a outra.
Mestre-Amador 80
[METEOROLOGIA]
Interpretação das Cartas As cartas meteorológicas são conhecidas como Cartas
Sinóticas no qual são representados elementos meteorológicos
Sinóticas selecionados, sobre uma vasta área em um dado horário. É
Exemplo de emitida pelo Centro de Hidrografia da Marinha (CHM), com a
representação gráfica das frentes (frias e quentes), cavados,
zonas de alta e baixa pressão, cobertura de nuvens, velocidade
e direção do vento. As Cartas sinóticas de previsão à superfície
são transmitidas por fac-símile ou pela Internet, em dois
horários: 00:00 e 12:00 GMT (em intervalos de 12h), na forma
gráfica.
Interpretação
A interpretação das cartas sinóticas dará a previsão do
tempo a ser considerada pelo navegante. O principal quesito a
ser observado na carta são as linhas isóbaras, que marcam as
variações de pressão e consequentemente indicam a direção
em que se deslocarão as massas de ar.
Toda carta sinótica mostra uma distribuição de pressão na
qual existem regiões de alta e baixa pressão.
Regiões de Alta ou anticiclônica são representadas na
carta sinótica pela letra - "A". As zonas de alta pressão indicam
Fonte: [Link]
tempo estável, normalmente bom; e
Regiões de Baixa ou ciclônica são representadas na
Na Internet carta sinótica pela letra -"B". As zonas de baixa pressão indicam
- Para visualizar uma Carta Sinótica instabilidade no tempo.
completa, consulte na internet o endereço: O encontro de massas de alta e baixa pressão irá gerar os
[Link] chamados sistemas frontais, que podem ser de frentes frias,
ev/cartas/[Link]
Acesso em: 29/04/2015
quentes, estacionárias e oclusas, em todos os casos gerando a
formação de nuvens e/ou chuvas.
Serviços Meteorológicos de Os serviços meteorológicos de interesse do navegante
obedecem às normas da Organização Marítima Internacional
Apoio ao Navegante (OMI). As radiocomunicações das mensagens meteorológicas
obedecem às disposições da União Internacional de
Telecomunicações (UIT). A operação do serviço meteorológico,
na área marítima de responsabilidade do Brasil, cabe ao Centro
Na Internet de Hidrografia da Marinha (CHM), órgão subordinado à
- Avisos de Mau Tempo, Cartas sinóticas,
Meteoromarinha, entre outras informações
Diretoria de Hidrografia e Navegação (DHN) e abrange a área do
importantes para o navegante, você Oceano Atlântico.
encontra disponível para consulta no Os serviços meteorológicos elaborados pelo CHM são
seguinte endereço: agrupados nos seguintes tipos:
[Link]
Boletim de Condições e Previsão de Tempo para a Área
Acesso em: 30/04/2015
de Responsabilidade do Brasil (Meteoromarinha);
Boletim de Previsão Especial; e
Cartas Meteorológicas.
► Meteoromarinha - A ciência da atmosfera. É destinado,
preferencialmente, à navegação marítima de longo curso e de
cabotagem. As partes que constituem o Meteoromarinha são:
Parte I – Avisos de mau tempo em vigor;
Parte II – Resumo descritivo de tempo;
Parte III – Previsão do tempo;
Mestre-Amador 81
[METEOROLOGIA]
Parte IV – Análise e/ou prognóstico, no código FM 46-IV
IAC FLEET;
Parte V – Seleção de mensagens meteorológicas de
navios, no código FM 13-XI SHIP; e
Parte VI – Seleção de mensagens meteorológicas de
estações terrestres, no código FM 12-XI SYNOP.
- Partes, I, II e III são transmitidas em linguagem clara, em
português e repetidas em inglês, após a Parte VI.
- Parte III fornece as previsões de fenômenos de tempo
significativos, ventos predominantes, ondas e visibilidade. As
previsões são válidas para o período mencionado no início do
METAREA V seu texto, para as áreas costeiras (ALFA a HOTEL) e oceânicas
(NOVEMBER e SIERRA), denominado METAREA V. o Brasil é
responsável por esta área (acompanhe a figura ao lado):
A tabela a seguir apresenta os limites de cada área:
Área Limite
ALFA Do Arroio Chuí ao Cabo de Santa Marta
BRAVO Do Cabo de Santa Marta ao Cabo Frio (Oceânica)
CHARLIE Do Cabo de Santa Marta ao Cabo Frio (Costeira)
DELTA Do Cabo Frio a Caravelas
ECHO De Caravelas a Salvador
FOXTROT De Salvador a Natal
GOLF De Natal a São Luiz
HOTEL De São Luiz ao Cabo Orange
NOVEMBER Norte Oceânica (Oeste de 020°W, de 7°N a 15°S)
SIERRA Sul Oceânica (Oeste de 020°W, de 15°S a 36°S)
► Avisos de Mau Tempo – são mensagens urgentes à
segurança da navegação, disseminados de forma imediata e
depois incluídos no Meteoromarinha, quando uma ou mais das
seguintes condições de tempo ou mar estejam previstas:
Fonte: NORMAM-19/DHN Vento - de força 7 ou acima, na escala Beaufort
(intensidade 28 nós ou mais);
Importante: Ondas - de 3 metros ou maiores, em águas profundas;
- A ausência de avisos de mau tempo é
Visibilidade - restrita a 1 km ou menos; e
claramente mencionada no texto dos
boletins, por meio da expressão NIL ou NÃO Ressaca - com ondas de 2,5 metros ou mais atingindo a
HÁ. costa.
Ressaca Exemplo de Aviso de Mau Tempo
- Arrebentação violenta no litoral, causada
por ondas de um mar muito agitado. Tem AVISO NR 146/2014
como causa a ocorrência de ondas de AVISO DE VENTO FORTE
grande comprimento atuando EMITIDO ÀS 1230 HMG - QUA - 26/MAR/2014
perpendicularmente em trechos retilíneos ÁREA SUL OCEÂNICA AO SUL DE 25S E ENTRE 035W E 025W A
da costa marítima. PARTIR DE 280000 HMG. VENTO CICLÔNICO FORÇA 7 COM
RAJADAS.
VÁLIDO ATÉ 291200 HMG.
► Boletim de Previsão Especial - fornece previsões
meteorológicas para uma área marítima restrita e finalidades
específicas, tais como: operações de reboque, socorro e
salvamento, regatas oceânicas e outros que, por suas
peculiaridades, exigem informações com maior detalhamento
Mestre-Amador 82
[METEOROLOGIA]
espacial ou temporal ou, ainda, informações que não constam
do Meteoromarinha.
A forma e o conteúdo deste boletim obedecem, de maneira
geral, aos modelos das Partes I, II e III do meteoromarinha.
O CHM avaliará o pedido e informará ao solicitante sobre a
possibilidade ou não do seu atendimento, bem como sobre o
custo do serviço para o usuário, quando for o caso.
As Cartas Meteorológicas são transmitidas por
radiofacsímile, possibilitando ao navegante que dispõe de
receptor apropriado, recebê-las na forma gráfica.
Simbologia utilizada na análise das cartas meteorológicas
Imagens de Satélites Os centros de previsão do tempo, como também os
navegantes, trabalham com o recurso de grande precisão que
são imagens de satélites meteorológicos. Essa ferramenta, de
grande utilidade principalmente em áreas carentes de
informação como aquelas sujeitas à influência de fenômenos
extratropicais (frente fria) é obtida pelos satélites
geoestacionários que fornecem uma visão circular de uma face
da terra ou descrevem ao longo do meridiano superior do local
sua órbita polar, respectivamente.
Nos oceanos, normalmente, tem-se menos observações
meteorológicas a superfície do que nos continentes, então as
imagens cobrindo o oceano e o mar costeiro nos ajuda a
identificar os elementos e fenômenos que estão ocorrendo no
instante da imagem e sua respectiva evolução.
Os Cumulonimbus que provocam trovoadas, relâmpagos, e
fortes precipitações associadas a fortes ventos aparecem nas
imagens de satélite no canal infravermelho (IR) como regiões
bem brancas, diferenciando-as das regiões menos brancas ou
Mestre-Amador 83
[METEOROLOGIA]
cinza clara, cinza escura ou cor escura. Quanto menos clara a
Nota: imagem IR, menor é a espessura da nuvem representada,
- Na imagem IR, as partes bem brancas
indicam a presença de grandes nuvens indicando que a nuvem não é Cumulus e sim Stratus. E quanto
Cumulonimbus tão comuns em frentes frias, menos claro aparece um Stratus mais baixo ele está. Os Cirrus
tormentas tropicais e tempestades isoladas. aparecem bem mais brancos que os baixos Stratus.
Normalmente, pela intensidade do branco nas imagens IR,
identifica-se primeiro o Cumulonimbus, os Cirrus, os baixo
Stratus ou pequenos Cumulus e a superfície do oceano ou
continente.
REGRAS PRÁTICAS PARA PREVISÃO DO TEMPO
BOM TEMPO - O tempo bom geralmente permanece quando:
– O nevoeiro de verão dissipa-se antes do meio-dia;
– as bases das nuvens ao longo das montanhas aumentam em altura;
– as nuvens tendem a diminuir em número;
– o barômetro está constante ou subindo lentamente;
– o Sol poente parece uma bola de fogo e o céu está claro (céu avermelhado no ocaso);
– a Lua brilha muito e o vento é leve; e
– há forte orvalho ou geada à noite.
MUDANÇA PARA MAU TEMPO - O tempo geralmente muda para pior quando:
– Nuvens cirrus transformam-se em cirrostratus, abaixam-se e tornam-se mais espessas, criando uma
aparência de “céu pedrento”;
– nuvens que se movem rapidamente aumentam em número e abaixam em altura;
– nuvens movem-se em diferentes direções, desencontradamente no céu, em diferentes alturas;
– altocumulus ou altostratus escurecem o céu e o horizonte a oeste (isto é, nuvens médias aparecem
no horizonte a oeste) e o barômetro cai rapidamente;
– o vento sopra forte de manhã cedo;
– o barômetro cai rápida e continuadamente;
– ocorre um aguaceiro durante a noite;
– o céu fica avermelhado no nascer do Sol;
– uma frente fria, quente ou oclusa se aproxima;
– o vento N ou NE passa a soprar do S ou SE; e
– a temperatura está anormal para a época do ano.
MUDANÇA PARA BOM TEMPO - O tempo geralmente vai melhorar quando:
– As bases das nuvens aumentam em altura;
– um céu encoberto mostra sinais de clarear;
– o vento ronda de S ou SW para NE ou N;
– o barômetro sobe continuamente; e
– três a seis horas depois da passagem de uma frente fria.
A DHN mantém o Boletim Meteorológico atualizado com previsões para 24 e para 48 horas, na internet
gratuitamente para consulta, no seguinte endereço:
[Link]
Mestre-Amador 84
[METEOROLOGIA]
A seguir, é apresentado um exemplo de Boletim Meteorológico
METEOROMARINHA REFERENTE À ANÁLISE DE 1200 HMG - 24/MAR/2014
DATA E HORA REFERENCIADA AO MERIDIANO DE GREENWICH - HMG
PRESSAO EM HECTOPASCAL - HPA
VENTO NA ESCALA BEAUFORT
ONDAS EM METROS
PARTE UM - AVISOS DE MAU TEMPO
NIL.
PARTE DOIS - ANÁLISE DO TEMPO EM 241200
ALTA 1022 EM 33S043W. FRENTE FRIA EM 45S036W E 42S043W MOVENDO-SE COM 10/15 NÓS PARA
E/SE. FRENTE FRIA EM 45S022W, 40S024W, 35S028W E 30S022W MOVENDO-SE COM 05/10 NÓS PARA
E/SE. FRENTE FRIA QUASE ESTACIONARIA EM 30S032W, 27S035W E 22S040W.
ZONA DE CONVERGÊNCIA INTERTROPICAL (ZCIT) 03N020W, 02N030W, 02N040W E 00N050W COM
FAIXA DE 3/4 GRAUS DE LARGURA COM PANCADAS DE CHUVA MODERADA/FORTE E TROVOADAS
ISOLADAS A OESTE DE 035W E PANCADAS ISOLADAS NO RESTANTE DA FAIXA.
PARTE TRÊS - PREVISÃO DO TEMPO VÁLIDA DE 250000 ATÉ 260000
ÁREA ALFA (DE ARROIO CHUÍ ATÉ CABO DE SANTA MARTA)
PANCADAS ISOLADAS. VENTO SE/NE 3/4. ONDAS DE SE/NE 0.5/1.5 JUNTO À COSTA E SW/SE 1.5/2.5
NO RESTANTE DA ÁREA. VISIBILIDADE BOA REDUZINDO PARA MODERADA DURANTE AS PANCADAS.
ÁREA BRAVO (DE CABO DE SANTA MARTA ATÉ CABO FRIO - OCEÂNICA)
PANCADAS E TROVOADAS ISOLADAS NO NORTE DA ÁREA. VENTO SE/NE 3/5 COM RAJADAS. ONDAS DE
SW/SE 1.5/2.5. VISIBILIDADE BOA REDUZINDO PARA MODERADA DURANTE AS PANCADAS.
ÁREA CHARLIE (DE CABO DE SANTA MARTA ATÉ CABO FRIO - COSTEIRA)
PANCADAS ISOLADAS JUNTO À COSTA. VENTO SE/NE 2/4 COM PERÍODOS DE CALMARIA. ONDAS DE
SW/SE 0.5/1.5 JUNTO À COSTA E 1.5/2.5 NO RESTANTE DA ÁREA. VISIBILIDADE BOA REDUZINDO PARA
MODERADA DURANTE AS PANCADAS.
ÁREA DELTA (DE CABO FRIO ATÉ CARAVELAS)
PANCADAS OCASIONALMENTE FORTES E TROVOADAS ISOLADAS. VENTO SW/SE 5/6 COM RAJADAS A
OESTE DE 038W E SE/NE 3/4 COM RAJADAS NO RESTANTE DA ÁREA. ONDAS DE SE PASSANDO SW
1.5/2.5. VISIBILIDADE BOA REDUZINDO PARA MODERADA/RESTRITA DURANTE AS PANCADAS.
ÁREA ECHO (DE CARAVELAS ATÉ SALVADOR)
PANCADAS OCASIONALMENTE FORTES. VENTO SE/NE 3/4 COM RAJADAS DURANTE AS PANCADAS.
ONDAS DE SW/SE 1.0/2.0. VISIBILIDADE BOA REDUZINDO PARA MODERADA/RESTRITA DURANTE AS
PANCADAS.
ÁREA FOXTROT (DE SALVADOR ATÉ NATAL)
PANCADAS JUNTO À COSTA E NO NORTE DA ÁREA. VENTO SE/E 3/4 COM RAJADAS. ONDAS DE S/SE
1.0/2.0. VISIBILIDADE BOA REDUZINDO PARA MODERADA DURANTE AS PANCADAS.
ÁREA GOLF (DE NATAL ATÉ SÃO LUÍS)
PANCADAS OCASIONALMENTE FORTES E TROVOADAS ISOLADAS. VENTO SE/NE 3/4 OCASIONALMENTE
5 COM RAJADAS DURANTE AS PANCADAS. ONDAS DE SE/NE 1.0/2.0. VISIBILIDADE BOA REDUZINDO
PARA MODERADA/RESTRITA DURANTE AS PANCADAS.
ÁREA HOTEL (DE SÃO LUÍS ATÉ CABO ORANGE)
PANCADAS OCASIONALMENTE FORTES E TROVOADAS ISOLADAS. VENTO NE 3/5 COM RAJADAS
DURANTE AS PANCADAS. ONDAS DE NE 1.0/2.0. VISIBILIDADE BOA REDUZINDO PARA
MODERADA/RESTRITA DURANTE AS PANCADAS.
ÁREA SUL OCEÂNICA
SUL DE 25S
OESTE DE 030W
PANCADAS OCASIONALMENTE FORTES E TROVOADAS ISOLADAS. VENTO SE/NE 3/5 COM RAJADAS.
ONDAS DE SW/SE 2.0/3.0 PASSANDO 1.5/2.5. VISIBILIDADE BOA REDUZINDO PARA
MODERADA/RESTRITA DURANTE AS PANCADAS.
Mestre-Amador 85
[METEOROLOGIA]
LESTE DE 030W
PANCADAS OCASIONALMENTE FORTES E TROVOADAS ISOLADAS. VENTO SE/NE OCASIONALMENTE NW
4/6 COM RAJADAS. ONDAS DE SW/SE 2.0/3.0 PASSANDO SW 1.5/2.5. VISIBILIDADE BOA REDUZINDO
PARA MODERADA/RESTRITA DURANTE AS PANCADAS.
NORTE DE 25S
PANCADAS OCASIONALMENTE FORTES E TROVOADAS ISOLADAS. VENTO SE/NE 3/4 COM RAJADAS.
ONDAS DE SW/SE 1.5/2.5. VISIBILIDADE BOA REDUZINDO PARA MODERADA/RESTRITA DURANTE AS
PANCADAS.
ÁREA NORTE OCEÂNICA
PANCADAS OCASIONALMENTE FORTES E TROVOADAS ISOLADAS ENTRE 05S E 05N E PANCADAS
ISOLADAS NO RESTANTE DA ÁREA. VENTO SE/E AO SUL DO EQUADOR E NE/NW OCASIONALMENTE SE
AO NORTE DO EQUADOR 3/5 COM RAJADAS. ONDAS DE SW/SE AO SUL DO EQUADOR E SW/SE
PASSANDO NE/SE AO NORTE DO EQUADOR 1.5/2.5. VISIBILIDADE BOA REDUZINDO PARA
MODERADA/RESTRITA DURANTE AS PANCADAS.
Saiba mais
Você pode saber mais sobre o assunto estudado nesta unidade consultando os seguintes sites:
[Link]
(Noções de Meteorologia para Navegantes)
[Link]
(Normas da Autoridade Marítima para as Atividades de Meteorologia Marítima)
[Link]
[Link]
%20Climatologia%20e%[Link]
[Link]
[Link]
df
[Link]
Mestre-Amador 86
[NAVEGAÇÃO E BALIZAMENTO]
Unidade 09:
Veremos nesta unidade, Noções Básicas de Luzes de Navegação, Luzes Especiais e
Regras de Governo, Sistema de Balizamento Marítimo da IALA B, Sinais de Perigo e
Sinais Diversos.
RIPEAM A “Convenção sobre o Regulamento Internacional para
Evitar Abalroamentos no Mar” (COLREG), conhecida no Brasil
como RIPEAM, foi adotada pela Organização Marítima
Internacional (IMO), no ano de 1972 e entrou em vigor,
internacionalmente, em 1977. O RIPEAM apresenta medidas
para evitar abalroamentos no mar, utilizando-se regras
internacionais de navegação, luzes e marcas e ainda sinais
sonoros, convencionadas pelos países membros da IMO e que
padronizam as ações e manobras, a fim de evitar acidentes
envolvendo mais de uma embarcação. O RIPEAM é composto
de 38 regras, 4 anexos e incorpora as emendas de 1981, 1987,
1989, 1993 e 2001.
Palavras e Termos utilizados pelo RIPEAM:
A palavra “embarcação” designa qualquer engenho ou
aparelho, inclusive veículos sem calado (sobre colchões de
ar) e hidroviários, usado ou capaz de ser usado como meio
RIPEAM de transporte sobre a água.
Entrada em vigor: 15/julho/1977 O termo “embarcação de propulsão mecânica” designa
Resumo: qualquer embarcação movimentada por meio de máquinas
- Esse regulamento tem sua primeira
versão em 1889 e vem sendo
ou motores.
aprimorado ao longo dos anos sempre O termo “embarcação à vela” designa qualquer
com o objetivo de estabelecer e embarcação sob vela, ou seja, com a máquina de propulsão,
padronizar as luzes, marcas e sinais se houver, não esteja em uso.
(sonoros e luminosos) de navegação,
assim como os procedimentos para
O termo “embarcação engajada na pesca” designa
manobra, de forma a constituir um qualquer embarcação pescando com redes, linhas, redes de
tráfego marítimo internacional arrasto ou qualquer outro equipamento que restringe sua
organizado e seguro. manobrabilidade. A pesca de anzol não se inclui nesta
definição.
Finalidade do RIPEAM O termo “embarcação sem governo” designa uma
- Evitar abalroamentos no mar, embarcação que se encontra incapaz de manobrar.
utilizando-se regras internacionais de O termo “em movimento” se aplica a todas as embarcações
navegação, luzes, marcas e sinais.
que não se encontram fundeadas, amarradas a terra ou
Aplicação do RIPEAM
encalhadas.
- As regras do RIPEAM se aplicam a O termo “embarcação com capacidade de manobra
todas as embarcações em mar aberto restrita” designa uma embarcação que devido a natureza
e em todas as águas a este ligadas, de seus serviços, se encontra restrita em sua capacidade de
navegáveis por navios de alto mar, e
manobrar.
para embarcações em águas
interiores. O termo “embarcação restrita devido ao seu calado”
designa uma embarcação que, devido ao seu calado em
Hidroavião relação à profundidade e largura de um canal, está com
- A palavra “hidroavião” designa
severas restrições de manobra.
qualquer aeronave projetada para
manobrar na água. O termo “no visual” significa que uma embarcação observa
a outra visualmente.
O termo “visibilidade restrita” se aplica a qualquer
condição na qual a visibilidade é prejudicada por nevoeiro,
Mestre-Amador 87
[NAVEGAÇÃO E BALIZAMENTO]
névoa, chuva, tempestade ou qualquer causa semelhante.
Regras de Governo e de Regras mais utilizadas
A seguir, estão algumas das regras mais utilizadas e que
Navegação devem ser do conhecimento de todos os navegantes:
Regras 5, 7 e 8 ► Regras para conduzir embarcações em qualquer condição
de visibilidade
Abalroamento Em face de NÃO existir sinalização em alto mar, efetuar
- Ato ou efeito de abalroar. Choque de
constante vigilância visual, auditiva e eletrônica, usando
dois veículos em terra, na água ou no
ar. velocidade de segurança para poder manobrar a tempo de
evitar um abalroamento.
Existe um risco de abalroamento com outra embarcação
Velocidade de Segurança quando a sua marcação for constante e a distância estiver
- É a velocidade que possibilita uma diminuindo. Em caso de dúvida presuma que o risco de
ação apropriada e eficaz para evitar
abalroamento bem como para ser abalroar existe.
parada a uma distância apropriada às Toda manobra para evitar abalroamento deverá ser feita de
circunstâncias e condições forma franca e positiva, com ampla antecedência,
predominantes – devemos diminuir a demonstrando à outra embarcação, que houve alteração
velocidade. (Regra 6)
de movimento, para ser imediatamente visualizada pela
outra embarcação, resultando em uma passagem a
distância segura.
Usar as regras prescritas e soar os sinais de manobra
previstos no RIPEAM.
► Canais estreitos
Uma embarcação deverá manter-se tão próxima e segura
Regra 9
do limite exterior do canal, que estiver ao seu boreste.
Assim, quando duas embarcações navegam num canal
estreito, em rumos apostos, aproximando-se, a manobra
correta de ambas, caso haja risco de abalroamento, é o de
ir mais para a margem de seu boreste.
Uma embarcação deve evitar o máximo possível fundear
CANAIS ESTREIROS em um canal estreito.
Uma embarcação não deve cruzar um canal estreito se esta
Embarcações a vela de comprimento manobra vier atrapalhar a passagem de outra que só pode
inferior a 20 metros, em movimento, navegar com segurança no canal ou via de acesso.
poderá exibir uma lanterna combinada
no mastro onde melhor possa ser Embarcações com menos de 20 metros de comprimento,
vista. embarcações a vela ou engajadas na pesca não devem
atrapalhar a passagem de outra embarcação que só possa
navegar com segurança dentro do canal ou via de acesso.
Regra 13
► Regras para conduzir embarcações no visual uma da outra:
Situação de ULTRAPASSAGEM
Quaisquer que sejam as condições, toda embarcação que
esteja ultrapassando outra deverá manter-se fora do
caminho daquela que é ultrapassada. Uma embarcação está
ultrapassando outra quando se aproxima vindo de uma
ULTRAPASSAGEM
direção de mais de 22,5° graus para ré do través dessa
Embarcação Alcançadora
última e com maior velocidade. Nessa situação, a
- A embarcação alcançadora (de maior embarcação é considerada uma “embarcação alcançadora”.
velocidade), não tem preferência de Durante a noite, ela só poderá ver a luz de alcançado (ou de
Mestre-Amador 88
[NAVEGAÇÃO E BALIZAMENTO]
passagem, devendo manobrar para popa) da outra, sem avistar nenhuma de suas luzes de
passar pela outra, a sua frente com bordo.
segurança.
Regra 14 Situação de RODA A RODA
Quando duas embarcações à propulsão mecânica, estiverem
se aproximando em rumos diretamente opostos, ou quase
diretamente opostos, em condições que envolvam risco de
abalroamento, as duas guinam para boreste, passando
bombordo com bombordo. A situação de roda a roda é
RODA A RODA
caracterizada quando os rumos são diretamente ou quase
Ambas Guinarão para Boreste diretamente opostos.
Situação de RUMOS CRUZADOS
Quando duas embarcações à propulsão mecânica navegam
em rumos que se cruzam, a preferência de passagem é da
Regra 15
que avistar a outra pelo seu bombordo, isto é, a que vê a luz
verde da outra embarcação. Nesse caso, a embarcação que
avistar a outra por boreste (ver a luz encarnada da outra
embarcação), deve manobrar, mantendo-se fora do
caminho da outra evitando cruzar a sua proa (frente),
manobrando antecipada e substancialmente. A embarcação
que tem preferência deverá, em princípio, manter seu
rumo e velocidade ou manobrar apenas quando verificar
que o abalroamento parece inevitável por omissão do
RUMOS CRUZADOS responsável pela manobra.
Manobra em Canais As regras de navegação e manobras em rios e canais que
apresentem restrições sejam em área para evolução ou
Estreitos profundidade, principalmente se a embarcação for de
propulsão mecânica, requerem do navegante alguns cuidados e
procedimentos, quanto a:
Velocidade - A velocidade em canais e rios, principalmente em
locais de pouca profundidade, tende a aumentar o calado da
embarcação. Na prática, se a quantidade de água embaixo da
quilha for pequena em relação ao calado, deve-se reduzir a
Águas Rasas
- De um modo geral, o efeito das águas velocidade da embarcação para que esta não venha a tocar o
rasas é aumentar a resistência à fundo.
propulsão.
Tendência em águas restritas - Verifica-se, principalmente em
canais e rios estreitos, uma tendência das ondas que se
formam na proa de encontrarem resistência na margem mais
próxima, repelindo a proa para o bordo oposto. Nesse caso, a
tendência é de a proa guinar para a margem mais distante e a
popa ser atraída para a margem mais próxima.
Cruzamento de embarcações - Quando duas embarcações
Atenção: passam em rumos paralelos e em sentidos contrários, à
- De acordo com o RIPEAM, quando
duas embarcações navegam num canal pequena distância, pode haver uma interferência recíproca
estreito, em rumos opostos, devido ao movimento das águas, gerado pelo sistema de ondas
aproximando-se, a manobra correta que se inicia na proa, e pela corrente de sucção. Convém que
para evitar risco de abalroamento é ambas as embarcações mantenham a velocidade a mais
que ambas as embarcações devem ir
mais para a margem de seu boreste.
reduzida possível para lhes permitir governar.
Mestre-Amador 89
[NAVEGAÇÃO E BALIZAMENTO]
Regras de Preferência Exceto em situações especiais, a Regra 18 do RIPEAM define
quem deve manobrar, dependendo da propulsão, emprego e
Entre Embarcações situação da embarcação.
Vejamos as regras:
Uma embarcação à propulsão mecânica em movimento
deverá manter-se fora do caminho de embarcações:
Sem governo
Com capacidade de manobra restrita
Propulsão mecânica (motorizada)
Engajada na pesca
A vela
Uma embarcação de vela em movimento tem preferência
em relação a uma embarcação a motor, mas deverá manter-
se fora do caminho de embarcações:
Sem governo
Vela Com capacidade de manobra restrita
Embarcação engajada na pesca
Uma embarcação engajada na pesca em movimento tem
preferência em relação a uma embarcação a vela, mas
deverá manter-se afastada do caminho de embarcações:
Sem governo
Com capacidade de manobra restrita
Pesca
Uma embarcação com capacidade de manobra restrita em
movimento tem preferência em relação a uma embarcação
a vela e embarcação engajada na pesca, mas deverá
manter-se fora do caminho de embarcações:
Sem governo
Uma embarcação sem governo tem preferência em relação
a todas as demais embarcações.
Sem governo (avaria na motorização) Toda embarcação que não uma embarcação sem governo
ou com capacidade de manobra restrita deverá, se as
Toda embarcação obrigada a
manobrar deverá, tanto quanto circunstâncias do caso o permitir, evitar atrapalhar a passagem
possível, fazê-lo antecipadamente, e segura de uma embarcação restrita devido ao seu calado,
de forma clara, possibilitando que a exibindo os sinais adequados à situação. E, uma embarcação
outra embarcação perceba a sua restrita devido ao seu calado deverá navegar com cuidado
intenção e que tenha a eficácia de se
redobrado, levando em conta suas condições especiais.
manter bem safa da outra.
Luzes e Marcas de As luzes de navegação devem ser exibidas do pôr ao nascer
do sol e em períodos de visibilidade restrita, sendo que não
Navegação deve haver outras luzes que possam confundir a sua
identificação por parte de outras embarcações.
Visibilidade Restrita As marcas de navegação são cegas (não emitem luzes) e
- Pode ser causada por Chuvas devem ser exibidas no período diurno. Elas são apresentadas
Torrenciais, Névoa, Nevada, Nevoeiro, em forma de cones, esferas e cilindros, de cor preta.
Tempestade e outras de mesma
natureza.
Mestre-Amador 90
[NAVEGAÇÃO E BALIZAMENTO]
Apresentação das luzes Definição das Luzes de Navegação:
- Quanto à apresentação das luzes, as
Luz de mastro é uma luz branca contínua, situada sobre o
boias do balizamento podem ser cegas
ou luminosas. eixo longitudinal da embarcação, visível em um setor
horizontal de 225° desde a proa até 22,5° por ante-a-ré do
través de ambos os bordos. Se houver duas exibidas, a do
mastro de ré da embarcação terá que ser sempre a mais
alta.
Luz de bordo é uma luz verde a boreste e encarnada a
bombordo, visível em setores de 112,5° desde a proa até
22,5° por ante-a-ré do través do seu respectivo bordo.
Luz de alcançado é uma luz branca contínua situada tão
próximo possível da popa, visível apenas de quem vem de
ré, em um setor horizontal de 135°, posicionada para
projetar sua luz sobre um setor de 67,5° de cada bordo a
partir da popa.
Luz de reboque é uma luz amarela com as mesmas
características da luz de alcançado, e por cima desta,
quanto ao seu posicionamento e visibilidade.
Posicionamento das Luzes de
Navegação As luzes anteriormente citadas devem ser exibidas pelas
- As luzes de navegação são
setorizadas para melhor identificar o embarcações em situações normais. Em situações especiais
movimento da embarcação, à noite. outras luzes poderão ser exibidas.
Exibição das Luzes de Vejamos algumas das situações mais comuns:
Navegação
Embarcações de propulsão mecânica em movimento com
mais de 50 metros de comprimento devem exibir:
luz de mastro de vante branca
luz de mastro de ré mais alta que a de vante branca
luzes de bordos
luz de alcançado
Embarcações com comprimento entre 12 e 50 metros
Propulsão mecânica em movimento devem exibir:
Regra 23 (a)
luz de mastro de vante branca
luz de mastro de ré (facultativa)
luzes de bordos
luz de alcançado
Embarcações de Esporte e/ou Recreio
de comprimento inferior a 12 metros, Se de propulsão mecânica com menos de 12 metros de
exibem normalmente as luzes de comprimento, pode, ao invés das luzes prescritas acima, exibir
bordos e uma luz circular branca. uma luz circular branca e luzes de bordos.
Embarcações menores que 7 metros, independentemente
do tipo de propulsão, devem apresentar uma luz branca; se
tiver velocidade maior que sete nós, deve apresentar
também luzes de bordos.
Quando fundeadas fora das proximidades de um canal estreito,
uma via de acesso, um fundeadouro ou rotas normalmente utilizadas
por outras embarcações estarão desobrigadas de exibir as luzes de
fundeio.
Mestre-Amador 91
[NAVEGAÇÃO E BALIZAMENTO]
Luzes de reboque e empurra – se o comprimento do
reboque for inferior a 200 metros de comprimento, a
embarcação rebocadora deve exibir:
2 luzes brancas (verticais) no mastro a vante
luz de alcançado
Reboque (inferior a 200m) luzes de bordos
Regra 24 (a) (d) e (e)
luz de reboque (amarelo) acima da de alcançado.
Se o comprimento do reboque for superior a 200 metros,
veremos:
3 luzes brancas (verticais) no mastro a vante
luz de alcançado
luzes de bordos
Reboque (superior a 200m)
luz de reboque (amarelo) acima da de alcançado.
Regra 24 (a) (d) e (e)
(Durante o dia uma marca em forma de Embarcações empurrando ou rebocando a contrabordo
cone onde melhor possa ser vista)
devem exibir:
As mesmas luzes dos casos anteriores, exceto a luz
amarela de reboque; e
Se for incapaz de se desviar do seu rumo, deve também
exibir as luzes de embarcação com capacidade de
manobra restrita.
Reboque a contrabordo ou empurra Se simultaneamente rebocando e empurrando ou
Regra 24 (a) (d) (e) e (f)
rebocando a contrabordo devem exibir as mesmas luzes dos
casos anteriores.
Embarcação sem governo deve exibir:
2 luzes encarnadas (verticais) no mastro a vante
- Com seguimento, exibirá também: Luzes de bordos e
Luz de alcançado.
Sem Governo
Regra 27 (a)
Embarcação com capacidade de manobra restrita deve
(Durante o dia, duas esferas ou marcas exibir:
semelhantes dispostas em linha vertical, 3 luzes verticais, sendo a superior e a inferior
onde melhor possam ser vistas)
encarnadas, e a do meio branca
- Com seguimento, exibirá também: Luzes de mastro,
Luzes de bordos e Luz de alcançado
- Quando fundeada, exibirá também as luzes e marca de
fundeio.
Embarcação com capacidade de manobra restrita devido
Capacidade de Manobra Restrita ao seu calado deve exibir:
Regra 27 (b)
(Exceto em remoção de minas)
3 luzes circulares encarnadas (verticais)
Luz de mastro à vante e a ré. Se a embarcação tiver
comprimento inferior a 50m não é obrigada a exibir esta
segunda luz a ré.
Luzes de bordos
Luz de alcançado
Restrita Devido ao seu Calado
Regra 28
(Durante o dia, uma marca constituída de
um cilindro, onde melhor passar ser vista)
Mestre-Amador 92
[NAVEGAÇÃO E BALIZAMENTO]
Embarcação fundeada deve exibir:
1 luz circular branca na parte de vante
1 luz circular branca mais baixa que a de vante na parte
de ré.
Fundeada Se o comprimento for inferior a 50 metros pode exibir
Regra 30 (a) apenas uma luz branca onde melhor possa ser vista.
(Durante o dia, uma esfera na parte de
vante)
Embarcação encalhada deve exibir:
2 luzes encarnadas circulares (verticais)
Luzes de fundeio (conforme regra acima).
Durante o dia, três esferas dispostas em linha vertical.
Embarcação engajada em varredura de minas deve exibir:
Encalhada 3 luzes circulares verdes, sendo: 1 próxima do topo do
Regra 30 (d)
mastro de vante e as outras duas, uma de cada lado da
verga do mesmo mastro.
Durante o dia, três esferas pretas.
Embarcação engajada em operações submarinas ou de
dragagem com capacidade de manobra restrita e com
Operação de Remoção de Minas existência de obstrução deve exibir:
Regra 27 (f)
luzes de embarcação com capacidade de manobra
restrita (As luzes superior e inferior devem ser
encarnadas e a central deve ser branca).
2 luzes circulares encarnadas ou duas esferas no bordo
onde se encontra a obstrução.
2 luzes circulares verdes ou duas marcas em forma de
dois cones unidos pela base
Engajada em Operação Submarina ou de
Dragagem, com Capacidade de Manobra
- Com seguimento usar luzes de bordos e luz de
Restrita e com Existência de Obstrução. alcançado.
Regra 27 (d) - Se estiver fundeada não deve exibir as luzes de
fundeio. E na impraticabilidade do uso de todas as luzes
e marcas, deve exibir: as luzes superior e inferior
encarnadas e a central branca e, usar uma Bandeira
Bandeira ALFA do Código Internacional de “ALFA” disposta a uma altura mínima de 1 metro,
Sinais
devendo ser visível em todos os setores.
Embarcação à vela, em movimento deve exibir:
Luzes de bordos
Luz de alcançado
Se de comprimento inferior a 20 metros, poderá exibir uma
lanterna combinada instalada no mastro onde melhor possa ser
Vela
vista.
Regra 25 (a) (c) e (e) Pode exibir duas luzes encarnadas (verticais), sendo a
superior encarnada e a inferior verde. Não usar a
Embarcação a vela com motor lanterna combinada neste caso.
- De acordo com o RIPEAM, uma
embarcação a vela, mas navegando a
• Quando também usando sua propulsão mecânica, deve
motor tem os mesmos direitos e exibir a vante, onde melhor possa ser vista: uma marca
deveres de um barco a motor. em forma de cone, com vértice para baixo.
Mestre-Amador 93
[NAVEGAÇÃO E BALIZAMENTO]
Embarcação transportando carga perigosa deve exibir:
1 luz encarnada no alto do mastro ou a Bandeira Bravo
durante o dia.
Bandeira BRAVO do Código Internacional de Sinais
Transportando Carga Perigosa
Marcas de Navegação Como vimos existem regras referentes às luzes que se
aplicam ao período noturno. E, durante o dia as Regras são
definidas por meio de marcas, onde melhor possam ser vistas.
Recordando algumas Regras sobre “Marcas” do RIPEAM-72:
Embarcação Fundeada Embarcação em Faina de Reboque
1 esfera preta 2 cones pretos unidos pela base
Embarcação Sem Governo Embarcação Capacidade de Manobra Restrita
2 esferas pretas (verticais) 1 esfera preta sobre 2 cones pretos unidos
pelas base e outra esfera preta abaixo
Embarcação Encalhada Embarcação com Capacidade de Manobra
3 esferas pretas (verticais) Restrita Devido ao seu Calado
1 cilindro
Os sinais sonoros podem ser emitidos por apitos, buzinas
Sinais Sonoros e ou ainda sinos e são utilizados pelas embarcações para sinalizar
Luminosos suas intenções, em situações de manobra, advertência e em
baixa visibilidade. Vamos saber que sinais sonoros deverão
Dispensa de Sinais Sonoros
soar e quanto tempo eles devem durar, de acordo com o
- Embarcações de Esporte e Recreio,
sem propulsão a motor, menores de 5 tamanho de sua embarcação.
metros de comprimento estão
dispensadas de usar buzina. Duração dos Toques de Apito:
Apito curto – duração aproximada de 1 segundo
Apito longo – duração aproximada de 4 a 6 segundos.
► Sinais de Manobra e Sinais de Advertência
As embarcações demonstram suas manobras e suas advertências, por meio de sinais sonoros,
da seguinte forma (Regra 34 do RIPEAM):
Sinais de Apito Significado Emprego
Um apito curto Estou guinando para boreste Quando, as embarcações estão
Dois apitos curtos Estou guinando a bombordo no visual uma da outra, como
Três apitos curtos Estou dando atrás (máquinas sinais de advertência.
atrás, a ré)
Dois apitos longos seguido de Tenciono ultrapassá-lo por seu Quando, as embarcações estão
um apito curto boreste no visual uma da outra, para
Dois apitos longos seguidos de Tenciono ultrapassá-lo por seu indicar intenção de
dois apitos curtos bombordo ultrapassagem em um canal
estreito ou via de acesso.
Um apito longo, um curto, um Concordo com sua Pela embarcação a ser
longo e um curto, nesta ordem ultrapassagem ultrapassada, para indicar a sua
concordância.
Cinco apitos curtos ou mais Não entendi suas intenções de Quando uma embarcação não
manobra consegue entender as intenções
de manobra da outra.
Mestre-Amador 94
[NAVEGAÇÃO E BALIZAMENTO]
Um apito longo Por embarcações aproximando-se de curvas de rios ou canais
estreitos, onde possa haver outras embarcações ocultas por
obstáculos ou baixa visibilidade, como advertência. Este sinal deverá
ser respondido pelas embarcações que estiverem ocultas com um
apito longo.
Nota: Na ausência de apito, as embarcações poderão utilizar buzina ou sino para sinalizar as suas
intenções.
Qualquer embarcação pode suplementar os sinais de manobra e de advertência com sinais
luminosos por meio de lampejos com duração de cerca de um segundo, em intervalos também
de um segundo, da seguinte forma (Regra 34 do RIPEAM):
Sinais Luminosos Significado
Um lampejo Estou guinando para boreste
Dois lampejos Estou guinando para bombordo
Três lampejos Estou dando máquinas atrás
► Sinais Sonoros emitidos em Visibilidade Restrita
Quando se navega em visibilidade restrita alguns sinais sonoros devem ser executados com o
propósito de evitar abalroamento com outras embarcações, especialmente, nos casos de
neblina, chuva forte, fumaça ou qualquer outra causa semelhante. Assim, as embarcações
demonstram suas manobras em visibilidade restrita, da seguinte forma (Regra 35 do RIPEAM):
Sinais de Apito Significado e Emprego
Um apito longo de dois em dois Embarcação a motor em movimento, com visibilidade restrita.
minutos
Dois apitos longos de dois em Embarcação sob máquinas, mas parada e sem seguimento em
dois minutos visibilidade restrita.
Um apito longo seguido de dois Embarcação sem governo, restrita devido a seu calado, a vela,
apitos curtos de dois em dois engajada na pesca, com capacidade de manobra restrita, rebocando
minutos ou empurrando.
Um apito longo e três apitos Embarcação rebocada ou, se houver mais de uma rebocada, a última
curtos de dois em dois minutos do reboque, se guarnecida.
Um apito curto, um longo e um Embarcação fundeada, indicando sua posição e advertindo uma
curto embarcação que se aproxima quanto à possibilidade de uma colisão.
Além do toque de sino, ou toques de sino e gongo.
Quatro apitos curtos Sinal de identificação de embarcação engajada em serviço de
praticagem.
Cinco apitos curtos Não consigo entender a sua manobra.
Três badaladas distintas de sino, Embarcação encalhada.
um toque de sino batido rápido
e, se determinado, de gongo e
três badaladas distintas depois
do toque de sino
Equipamentos utilizados para sinalização sonora:
Embarcações menores de 12 metros - Qualquer dispositivo sonoro
Embarcações com mais de 12 metros – Apito e sino
Embarcações maiores de 50 metros – Apito, sino e gongo.
O holofote pode ser utilizado para sinalizar perigo à outra embarcação quando dirigida a ela.
Evitando Abalroamentos:
- Em visibilidade restrita, a embarcação que detectar a presença de outra em situação de risco de
abalroamento deverá manobrar independentemente da manobra da outra embarcação com antecedência.
Mestre-Amador 95
[NAVEGAÇÃO E BALIZAMENTO]
Balizamento São constituídos de sinais visuais fixos, flutuantes, cegos e
luminosos que demarcam os canais de acesso, áreas de
manobra, bacias de evolução e águas seguras e também
indicam os perigos à navegação nos portos e seus acessos, nas
baias, rios, lagos e lagoas. No entanto, não se aplicam a faróis,
Balizamento
- É o conjunto de boias luminosas e barcas faróis, sinais de alinhamento, área de regatas, pontos de
balizas destinadas a orientar a espera das eclusas e boias gigantes.
navegação (à entrada de canais, portos
e rios, ou para alertar sobre uma área No Brasil, o balizamento adotado é o sistema “IALA B”.
de perigo rodeada por águas
navegáveis etc.).
IALA, que em inglês quer dizer “International Association of
Lighthouse Authorities”, pode ser dividido em “IALA A” e “IALA
O balizamento deve ser utilizado pelo B”. Para se distinguir basicamente a IALA B (sistema usado no
navegante como orientação para uma Brasil) e a IALA A (usado no Reino Unido), simples e
navegação segura. basicamente, invertem-se as boias que determinam as margens
encarnadas para verdes e vice-versa.
O sistema de balizamento da IALA é constituído pelos sinais
laterais, de canal preferencial, perigo isolado, águas seguras,
cardinais e especiais.
Sistema de Balizamento A identificação dos sinais de balizamento, durante o dia é
feita por marca de tope, forma e cor e, durante a noite pela cor
da IALA B e ritmo das luzes.
O Racon é um tipo de radar
transponder usado na navegação O sistema de balizamento poderá ser dotado de um dispositivo
marítima. denominado “racon”, que emite um sinal na tela do radar
facilitando a sua identificação.
Vamos recordar:
A bordo de uma embarcação as cores das luzes de navegação
dos bordos são verdes para boreste (BE) e encarnadas para
bombordo (BB). Assim, no sistema IALA “B”, quem vai para o
mar deixa os sinais encarnados por BB e os verdes por BE. Esta
simples regra de coincidência de cores dos sinais de
balizamento e das luzes da embarcação permite que o
navegante manobre sua embarcação cumprindo as normas de
balizamento. De forma inversa, aquele que vem do mar deixa
os sinais encarnados por BE e os verdes por BB.
a) Sinais Laterais:
Os sinais laterais, geralmente são utilizados para definir os lados ou o canal preferencial a
bombordo e a boreste de um caminho a ser seguido, de acordo com a direção de quem vem do
mar quando se aproximam de um porto, baía, foz de rio e outras vias aquáticas. De uma maneira
geral as boias laterais de canal possuem formato cilíndrico, pilar, charuto ou cônico.
Sinal lateral de bombordo (BB)
Para serem deixados por BOMBORDO, quando a embarcação
estiver entrando no porto. Tem a cor verde e pode ser da
forma cilíndrica, pilar ou charuto. Quando houver luz, a boia
exibirá luz verde.
Mestre-Amador 96
[NAVEGAÇÃO E BALIZAMENTO]
Sinal lateral de boreste (BE)
Para serem deixados por BORESTE, quando a embarcação
estiver entrando no porto. Tem a cor encarnada e pode ser da
forma cônica, pilar ou charuto. Quando houver luz, a boia
exibirá luz encarnada.
b) Sinais Laterais Modificados:
Canal preferencial a bombordo
Há também a possibilidade de bifurcação dos canais. Então
aparecerão boias encarnadas com uma faixa verde. Indicam
que o “canal preferencial está a bombordo desta boia”.
Quando houver luz, a boia exibirá luz encarnada.
Canal preferencial a boreste
Da mesma forma, aparecerão boias verdes com uma faixa
encarnada. Indicam que o “canal preferencial está a boreste
desta boia”. Pode ser da forma cônica, pilar ou charuto.
Quando houver luz, a boia exibirá luz verde.
Vamos memorizar:
A regra a ser seguida é, quando a embarcação estiver entrando no porto as boias
encarnadas devem ficar pelo boreste (direita) da embarcação e as boias verdes pelo bombordo
(esquerda). Assim, quando esta mesma embarcação estiver saindo do porto, avistará as boias
verdes pelo seu boreste e as boias encarnadas pelo seu bombordo, coincidindo com as cores das
luzes da embarcação. Por isso dizemos na Marinha que “um marinheiro entra num porto solteiro
e sai casado”, referenciando a coincidência das cores das luzes de navegação e das boias. No
Brasil a “direção convencional do balizamento”, ou seja, a numeração do balizamento de canal
segue a ordem crescente, a partir da entrada do canal vindo do mar e, no caso da navegação
fluvial, subindo o rio (de jusante para montante). Nesse caso, as boias encarnadas recebem a
numeração impar e as boias verdes a numeração par, a partir do numeral um (1).
EMBARCAÇÃO ENTRANDO NO PORTO EMBARCAÇÃO SAINDO DO PORTO
(As cores das luzes NÃO casam com as cores das boias) (As cores das luzes casam com as cores das boias)
ENTRANDO: Visualiza e deixa as boias ENCARNADAS SAINDO: Visualiza e deixa as boias VERDES por Boreste
(vermelhas) por Boreste e as boias VERDES por e as boias ENCARNADAS (vermelhas) por Bombordo da
Bombordo da embarcação embarcação
Mestre-Amador 97
[NAVEGAÇÃO E BALIZAMENTO]
c) Perigo Isolado: Os sinais de “perigo isolado” indicam a existência de perigos à
navegação, tais como pedras, navios afundados etc. Estes sinais
são colocados junto ou sobre um perigo que tenha águas
navegáveis em toda a sua volta.
É de cor preta e encarnada em faixas horizontais. De dia são
identificados por duas esferas pretas uma sobre a outra; à
noite, por dois lampejos brancos.
Novos Perigos
Quando da existência de um perigo isolado ainda não registrado em
carta náutica, se o perigo oferecer risco à navegação é importante
utilizar um balizamento dobrado, ou seja, com dois sinais iguais para
balizá-lo.
d) Águas Seguras: Os sinais de “águas seguras” indicam que em torno desses
sinais ás águas são seguras para a navegação (águas
navegáveis).
É de cor branca e encarnada em faixas verticais. De dia são
identificados por uma esfera encarnada; à noite exibe luz
branca isofásica e exibe a letra A do código Morse.
e) Sinais cardinais:
Nas cores amarelo e preto, os sinais cardinais indicam o quadrante que, a partir deles,
temos águas seguras, ou seja, em que a embarcação deve passar para estar livre dos perigos.
Podem ser usados para indicar águas mais profundas ou ainda para chamar a atenção para a
junção, bifurcação ou fim de um canal. As marcas de tope apontam para as posições das faixas
pretas.
Boia de Sinal Cardinal Norte
Indicam que as águas mais profundas estão ao norte deste
sinal, ou o quadrante em que a embarcação deve se manter.
De cor preta sobre a amarela, distingue-se, de dia, por dois
cones pretos, um sobre o outro, com os vértices para cima; à
noite, com lampejos brancos rápidos ou muito rápidos
ininterruptos.
Boia de Sinal Cardinal Leste
Indicam que as águas mais profundas estão a leste deste sinal,
ou o quadrante em que a embarcação deve se manter. De cor
preta com uma larga faixa de cor amarela, distingue-se, de dia,
por dois cones pretos, um sobre o outro, unidos pela base
(base a base); à noite, com três lampejos brancos rápidos (em
intervalos de 10s) ou muito rápidos, com intervalos de 5s.
Boia de Sinal Cardinal Sul
Indicam que as águas mais profundas estão ao sul deste sinal,
ou o quadrante em que a embarcação deve se manter. De cor
amarela sobre preto, distingue-se, de dia, por dois cones
pretos, um sobre o outro, com os vértices para baixo; à noite,
com seis lampejos brancos rápidos (em intervalos de 15s) ou
muito rápidos (em intervalos de 10s).
Mestre-Amador 98
[Link] [NAVEGAÇÃO E BALIZAMENTO]
Boia de Sinal Cardinal Oeste
Indicam que as águas mais profundas estão a oeste deste sinal,
ou o quadrante em que a embarcação deve se manter. De cor
amarela com uma larga faixa preta, distingue-se, de dia, por
dois cones pretos, um sobre o outro, unidos pelas pontas
(ponta a ponta); à noite nove lampejos brancos rápidos (em
intervalos de 15s) ou muito rápidos, com intervalos de 10s.
f) Sinais Especiais: De cor amarela, são especialmente destinados a orientar a
navegação em regiões com características especiais
mencionadas em documentos náuticos. A marca de tope de um
sinal especial é identificada por um X (xis) amarelo.
Exemplo:
Uma área destinada a recreação, área de despejos, área de
exercícios militares, cabo ou tubulação submarina, áreas de
segurança, dragagens, separação de tráfego e outros fins
especiais.
Sinais de Perigo Estando uma embarcação em perigo, pode-se se usar os
seguintes sinais de perigo:
Exceto quando da necessidade de
A palavra MAY DAY emitida por radiotelefonia
indicar perigo, é proibido o uso ou Foguetes lançando estrelas de luz encarnada (à noite)
exibição de qualquer um dos sinais de Um sinal explosivo soado em intervalos de cerca de um
perigo ou de outros que com eles minuto
possam ser confundidos.
Um toque contínuo de qualquer aparelho de
Mayday sinalização de cerração
- É a chamada radiotelefônica de Código internacional de sinais bandeira NC
emergência ou socorro, versão Movimentos com os braços para cima e para baixo
anglicizada do francês m'aider ou
m'aidez, que significa "venha me
Bandeira quadrada de qualquer cor tendo acima ou
ajudar". abaixo uma esfera ou qualquer coisa semelhante a uma
esfera
Navegação em baixa visibilidade Sinal de SOS emitido por qualquer método de
- É a navegação realizada em áreas de
sinalização inclusive telegrafia
nevoeiro, nevasca, cerração ou fortes
aguaceiros, que dificultam avistar Foguete luminoso com paraquedas ou tocha manual
outras embarcações, auxílios ou exibindo luz encarnada (à noite)
perigos à navegação. Um sinal de fumaça de cor alaranjada (de dia)
Radiofarol de emergência indicador de posição
Corante de água
Pedaço de lona alaranjado com um círculo e um
quadrado preto para identificação aérea.
Regras para o No sistema “IALA B” adaptado à navegação fluvial entende-
se por margem esquerda a margem situada do lado esquerdo
Balizamento Fluvial e em relação à direção de montante para a desembocadura do
Lacustre rio e margem direita a margem situada do lado direito,
também em relação à direção de montante para a
desembocadura do rio.
Em outras palavras, na sinalização fluvial, entende-se por
margem esquerda a margem situada do lado esquerdo de
quem desce o rio (navegando no sentido de montante para
Mestre-Amador 99
[NAVEGAÇÃO E BALIZAMENTO]
Em pontes fixas jusante). A margem direita, portanto, é a margem situada do
- A viga do vão principal de uma ponte lado direito de quem desce esse mesmo rio.
fixa, deve exibir no centro uma luz
rápida branca. Se a embarcação estiver descendo o rio (navegando de
montante para jusante) a boia verde, será deixada por boreste,
Num rio ou canal, principalmente
logo a boia encarnada será deixada por bombordo.
estreito, a embarcação maior tem No balizamento fluvial e lacustre que exijam sinais
preferência em relação a outra menor. luminosos, os da margem direita exibirão luz verde, logo os da
margem esquerda exibirão luz encarnada.
Para a prática da navegação fluvial, devem ser observados os
seguintes preceitos:
Atenção: Lei do Rio - Quando duas embarcações navegam em rumos
- Quando navegar próximo a local com opostos a que vem a favor da corrente deve posicionar-se
trapiche, flutuante de atracação ou
embarcação atracada ao barranco, ou
no meio do rio e a outra na sua margem direita, sendo que
ao cruzar com pequenas embarcações, a que vem em favor da correnteza tem preferência;
a velocidade deve ser reduzida com Subindo o rio, deve-se navegar, quando possível, nas áreas
antecedência, para diminuir o efeito mais rasas, onde a correnteza é menor; descendo o rio,
do banzeiro provocado pelo
deslocamento do barco.
deve-se navegar nas áreas mais profundas, onde a
correnteza é maior;
Cambões Nos cambões, as maiores profundidades ficam quase no
- Trechos compreendidos entre duas meio do rio, do lado oposto à praia;
pontas de uma mesma praia.
Nos estirões deve-se navegar no meio do rio; nesses
Estirões trechos podem existir ilhas baixas, longas e estreitas,
- Trechos longos e retilíneos situados situadas próximas e paralelas às margens dos rios e
entre duas praias. cobertas de vegetação rasteira; e
Nos remansos, geralmente localizados na margem fora das
Remansos
- Áreas onde não há correnteza ou curvas muito fechadas, a profundidades são bem menores,
onde a correnteza é contrária à do rio. o fundo é sujo e o governo da embarcação é muito difícil.
Dos termos mais empregados no ambiente fluvial, destacam-
Fluvial e Lacustre
se:
- Fluvial: Relativo a rios, lagos e lagoas. Banzeiro – ondas provocadas pela passagem dos navios;
Lacustre: Que está ou vive nas Camalotes – arbustos, folhagens que se despenderam da
margens ou nas águas de um lago. margem descendo o rio;
Jusante – foz do rio, onde desemboca; ponto referencial ou
Montante e Jusante
seção de rio compreendido entre o observador e a foz de
- Chama-se “Montante” o lado da um rio;
nascente do rio. E, “Jusante” o lado Montante – nascente do rio; ponto referencial ou seção de
para onde correm as águas (sentido da rio compreendido entre o observador e a nascente de um
corrente).
rio;
Margem direita/esquerda – sentido de montante para
jusante, de quem desce o rio;
Paranás/Reveses – trecho de um mesmo rio envolvendo
ilhas; espécie de atalho;
Obs: Anexo a esta apostila Praias – extensões do leito do rio que descobrem no
apresentamos um Quadro com os período da seca;
principais sinais náuticos Talvegue – canal mais profundo do rio;
complementares, boias e balizas Volta rápida – curva muito fechada do rio, decorrente da
usadas na navegação fluvial e formação de sacados; e Volta redonda – mantém a mesma
lacustre. curvatura em sua extensão.
Mestre-Amador 100
[NAVEGAÇÃO E BALIZAMENTO]
Saiba mais
Você pode saber mais sobre o assunto estudado nesta unidade consultando os seguintes
endereços eletrônicos:
[Link]
(Convenção Sobre o Regulamento Internacional para Evitar Abalroamentos no Mar, 1972)
[Link]
[Link]
[Link]
Mestre-Amador 101
[SOBREVIVÊNCIA NO MAR E MATERIAL DE SALVATAGEM]
Unidade 10:
Nesta unidade, você terá uma visão geral sobre o material de salvatagem previstos para
embarcações de esporte e/ou recreio; e terá uma noção sobre Sobrevivência no Mar.
Salvatagem Desde que o homem lançou-se ao mar, passou a conviver
com sinistros envolvendo suas embarcações. Por mais
modernos que sejam os sistemas de prevenção, por mais que
se observem as medidas de segurança, em tempo algum será
possível eliminar definitivamente o risco de acidentes no mar.
Por isso, torna-se necessário, que todo o pessoal embarcado
saiba utilizar os equipamentos de salvatagem disponíveis para
uma eventual faina de abandono e conheça os procedimentos
básicos de busca de salvamento (Search And Rescue – SAR).
Os recursos de salvatagem normalmente encontrados nas
embarcações são os coletes salva-vidas, boias circulares, balsas
salva-vidas e os equipamentos de sinalização de emergência.
Material de Salvatagem As Normas marítimas brasileiras determinam que todas as
embarcações devam ter a bordo equipamentos de salvatagem.
Esses equipamentos é que vão facilitar os procedimentos de
Homologação emergência para garantir a sobrevivência das pessoas caso
- Cabe a Diretoria de Portos e Costas
ocorra um naufrágio. Existem dois tipos de equipamentos de
(DPC), a emissão do certificado de
homologação de todo componente, salvatagem: Os equipamentos individuais e os coletivos.
acessório, dispositivo, equipamento ou
outro produto cuja homologação pelo São exemplos de equipamentos individuais de salvatagem
Governo Brasileiro, seja requerida por os coletes salva-vidas e a boias circulares.
regulamentos nacionais e
internacionais, para aplicações em
embarcações, plataformas e atividades São exemplos de equipamentos coletivos de salvatagem as
náuticas esportivas. balsas infláveis e baleeiras.
Coletes Salva-Vidas É o principal e mais comum equipamento de salvatagem a
bordo de uma embarcação. Podem ser infláveis ou rígidos
(conhecidos como coletes de paina, estes são normalmente
Coletes Infláveis
- Devem ser inflados quando já estiver utilizados nas embarcações de esporte e/ou recreio).
dentro da água. São normalmente fabricados em cinco tamanhos básicos:
Uso do Colete extragrande, para adultos acima de 110kg, grande, para adultos
- O colete deve ser amarrado ao corpo, de 55 a 110kg, médio, para pessoas de 35 a 55kg, pequeno,
com a parte flutuante para frente.
- É conveniente que antes de uma para crianças de 25 a 35kg, e pequeno para crianças de 25kg.
viagem se faça uma demonstração Podem ser do tipo canga (de vestir pela cabeça) ou do tipo
para todos embarcados, da forma de jaqueta ou jaleco (de vestir como paletó). Normalmente
uso dos coletes salva-vidas. Saber possuem os seguintes acessórios: apito, lanterna, bateria e
vestir o colete corretamente já salvou
muitas vidas nos casos de abandono
faixas adesivas refletoras. Os coletes infláveis contem ainda:
de uma embarcação. ampola de CO2, alça de pick-up e linha de agregação (utilizado
para manter os náufragos reunidos), e pó marcador.
Uso de roupas protetoras (Neoprene): É importante que todos os tripulantes saibam vestir os
- Nas motos aquáticas, trajes normais coletes, para que eles sejam utilizados adequadamente quando
de banho não oferecem a proteção
adequada contra fortes jatos de água se fizerem necessários.
como, por exemplo, os da saída da Todos os ocupantes de moto aquática devem utilizar
turbina. Além disso, é recomendado coletes salva-vidas classe V ou superior, homologados pela
usar calçados, luvas e óculos de Marinha do Brasil. Os condutores, tripulantes e passageiros das
proteção.
Mestre-Amador 102
[SOBREVIVÊNCIA NO MAR E MATERIAL DE SALVATAGEM]
demais embarcações, deverão mantê-los a bordo, estivados
(guardados) de maneira a serem prontamente utilizados, em
local visível, bem sinalizado e de fácil acesso para uma eventual
necessidade de uso.
Os coletes salva-vidas são classificados como:
CLASSE I – fabricados conforme requisitos previstos na
Convenção Internacional para Salvaguarda da Vida
Humana no Mar (SOLAS). Para uso nas embarcações e
plataformas empregadas em Mar Aberto na Navegação
Oceânica que operam em águas internacionais. Seu uso
é eficiente em qualquer tipo de água, mar agitado e
locais remotos onde o resgate pode ser demorado.
Possui refletivo e lâmpada.
CLASSE II – fabricados com base nos requisitos SOLAS,
abrandados para uso nas embarcações empregadas em
Mar Aberto na Navegação Costeira que operem
somente em águas brasileiras. Possuem os mesmos
requisitos de flutuabilidade dos coletes Classe I. O que o
diferencia é o fato de não possuir lâmpada. Possui
refletivo.
CLASSE III – para uso nas embarcações empregadas na
Navegação Interior. Seu uso é eficiente em mar, rios,
lagos e lagoas. Sem refletivo.
CLASSE IV – fabricado para uso, por longos períodos, por
pessoas envolvidas em trabalhos realizados próximos à
borda da embarcação, cais ou suspensos por pranchas
ou outros dispositivos que corram risco de cair na água
acidentalmente.
CLASSE V – fabricado para uso em atividades esportivas
de velocidade como: moto aquática, banana-boat, esqui
aquático, windsurf, parasail, pesca esportiva, canoagem
e em embarcações miúdas classificadas como esporte
e/ou recreio, embarcações de médio porte classificadas
como esporte e/ou recreio (empregadas na navegação
interior).
Existem diversos modelos de coletes salva-vidas. No entanto,
você deverá adquirir e utilizar a bordo de sua embarcação, coletes
que estejam homologados (aprovados), pela Marinha do Brasil. Os
coletes homologados possuem uma etiqueta de identificação,
impressa em local facilmente visível. Sem o certificado de
homologação, o colete não terá validade. É importante, também,
verificar se o colete está dentro do prazo de validade.
A quantidade (dotação) de coletes em uma embarcação
deve atender ao limite máximo (lotação) de pessoas a bordo,
ou seja, para 100% da lotação autorizada no documento de
Recordando: inscrição da embarcação, devendo haver coletes de tamanho
- Coletes Classe I - Navegação pequeno para as crianças, e adquiridos conforme o emprego da
Oceânica; Classe II – Navegação embarcação.
Costeira; Classe III – Navegação
Os coletes salva-vidas deverão ser estivados (arrumados)
Interior; Classe IV – Trabalhos e Classe
V – Embarcações miúdas e moto em local visível, bem sinalizado e de fácil acesso, de modo a
aquática. estarem prontamente acessíveis.
Mestre-Amador 103
[SOBREVIVÊNCIA NO MAR E MATERIAL DE SALVATAGEM]
Para evitar imprevistos com o colete salva-vidas, siga as
seguintes regras básicas:
Nunca use o colete como encosto ou travesseiro.
Não o retire da embarcação, pois poderá faltar na hora
da necessidade.
- Os coletes destinados ao uso por Sempre que ocorrer algum treinamento, principalmente
crianças deverão também ser em água salgada, o colete deve ser lavado com água
marcados com o símbolo acima. doce e posto para secar.
Guarde os coletes sempre a bordo, e em locais de fácil
Refletivo
- Somente os coletes Classe I e II acesso para o caso de necessidade, e nunca amarrado à
deverão ser providos de refletivo. embarcação. Sua localização deverá ser bem indicada;
evite locais trancados com chaves ou cadeados.
- Não use coletes Classe I, II, III ou IV Inspecione os coletes periodicamente, e aqueles que
em Banana-Boat ou em atividades de estiverem em mau estado de conservação, mesmo que o
alta velocidade.
prazo de validade não esteja vencido, substitua-os.
Boias Circulares As boias circulares (também conhecidas como boia salva-
vidas) são equipamentos primários de salvamento, destinados
principalmente para resgate rápido de alguém que cai na água
“homem ao mar”, enquanto aguarda salvamento.
Normalmente, é fabricada em fibra de vidro na cor laranja com
enchimento de poliuretano expandido de baixa densidade.
Deverá possuir uma linha de salva-vidas (cabo de nylon) fixada
em quatro (4) pontos equidistantes em forma de alça, para
facilitar o seu lançamento, bem como servir de apoio a mão do
náufrago. Em alguns casos específicos, a boia deverá ser
provida de um dispositivo de iluminação automático (facho
holmes) para sinalização durante a noite, acompanhado com
um fumígeno flutuante de fumaça alaranjada com duração de
3 a 4 minutos para sinalização durante o dia. Deverá ainda,
possuir uma retinida flutuante (cabo fino) de comprimento
igual ao dobro da altura em que ficará estivada (arrumada),
quando a mesma estiver acima da linha de flutuação na
condição de navio leve, ou 30 metros, se este for maior, no
caso das boias Classes I e II. No caso da boia Classe III, a retinida
Bóia salva-vidas tipo ferradura terá 20 metros.
- A boia salva-vidas Classe III O número de boias a bordo depende do comprimento da
(Navegação Interior), poderá ser do
embarcação. Normalmente, são distribuídos nos dois bordos da
formato de ferradura, conforme
mostrado na figura abaixo: embarcação. Não necessita ser marcada com o nome da
embarcação, mas deverá ser marcada de forma permanente,
com uma etiqueta, com o número do Certificado de
Homologação fornecido pela Diretoria de Portos e Costas
(DPC).
DOTAÇÃO DE BOIAS SALVA-VIDAS NAS EMBARCAÇÕES
Miúdas Dispensadas
Médio porte – com menos de 12 metros 1 boia
de comprimento
Médio porte – com comprimento igual ou 2 boias
Boia tipo ferradura superior a 12 metros
Grande Porte (Iates) 2 boias
Mestre-Amador 104
[SOBREVIVÊNCIA NO MAR E MATERIAL DE SALVATAGEM]
Lembre-se:
- Todo material de salvatagem deve
possuir certificado de homologação
emitido pela DPC.
As boias salva-vidas são de três tipos:
CLASSE I (SOLAS) – fabricados conforme requisitos
previstos na Convenção Internacional para Salvaguarda
da Vida Humana no Mar (SOLAS). Para uso em Mar
Aberto e nas plataformas. Seu uso é eficiente em
qualquer tipo de água, mar agitado e locais remotos
onde o resgate pode ser demorado. Seu diâmetro é de
800 mm, sendo provida de fitas retro refletoras.
CLASSE II – fabricados com base nos requisitos SOLAS,
abrandados para uso nas embarcações empregadas em
Mar Aberto, que operem somente em águas sob
jurisdição nacional. Possui os mesmos requisitos de
flutuabilidade das boias Classe I. Seu diâmetro é de 650
mm, sendo provida de fitas retro refletoras.
CLASSE III – aprovada para uso nas embarcações
empregadas na Navegação Interior. Seu diâmetro é de
650 mm, não possuem fitas retro refletoras.
Importante!
Como dito acima, a boia salva-vidas é muito utilizada na faina
de “homem ao mar”, ou seja, quando um tripulante ou passageiro cai
dentro da água. O mais importante, no entanto, é o tempo em que se
leva para retirar a pessoa de dentro da água. Quanto mais rápido,
melhores serão as chances de sobrevivência.
Na ocorrência de “homem ao mar”:
Homem ao Mar Em primeiro lugar dê o alarme, grite, avise ao piloto da
embarcação ou comandante que tem alguém dentro da
água.
Retinida De preferência, jogue uma boia que tenha retinida,
- Cabos produzidos em polietileno, procurando recuperar a pessoa antes que ela tenha
muito utilizados a bordo das passado pela embarcação.
embarcações. Tem como característica
Não sendo possível, lance ao mar equipamentos de
boa resistência química e a solventes,
não absorvem água, flutuante e tem sinalização para marcar a posição da pessoa (como foi
ótima resistência ao atrito. dito, as boias circulares podem ter acessórios do tipo
sinais de fumaça ou dispositivos de iluminação).
Esforce-se para não perder a vítima de vista.
Providencie juntamente com outros tripulantes algum
dispositivo para içar (subir) a pessoa de dentro da água
para bordo.
Mestre-Amador 105
[SOBREVIVÊNCIA NO MAR E MATERIAL DE SALVATAGEM]
Resgate de Homem ao Visando padronizar a forma de recolhimento de alguém que
caiu na água, são consideradas como procedimentos padrão as
Mar seguintes principais manobras:
Curva de Williamson - recomendada para situações de mar
grosso, à noite ou em baixa visibilidade, quando o homem não
está no visual. Consiste em guinar 60° para o bordo em que o
homem caiu e depois inverter o leme até atingir o rumo oposto
ao que inicialmente se navegava; diminuir a velocidade e
Importante! aproximar-se do homem.
- Quando se deseja retornar e navegar
Curva de Anderson - recomendada para situações em que o
no rumo oposto exatamente em cima
da esteira (marca deixada pelo hélice) homem está no visual. Consiste em guinar 180° para o bordo
na manobra de guinada deve-se usar a em que o homem caiu e depois inverter o leme até atingir o
Curva de Boutakow. rumo oposto ao que inicialmente se navegava, reduzindo
máquinas adiante 2/3 e a cerca de 450 jardas do homem,
manobrar com as máquinas para quebrar o seguimento
próximo ao ponto de recolhimento.
Curva de Boutakow - recomendada para as mesmas
situações da Curva de Williamson. Consiste em guinar 70° para
o bordo em que o homem caiu e depois inverter o leme até
atingir o rumo oposto ao que inicialmente se navegava;
diminuir a velocidade e aproximar-se do homem. Esta
manobra é uma das mais usadas em embarcações a motor.
Manobra “Y” (Yankee) - recomendada quando o
recolhimento do homem ocorrer em águas restritas. Consiste
em guinar para o bordo em que o homem caiu e depois dar
Curva de Boutakow máquinas atrás toda força, quando a embarcação começar a
- Utilizada na faina de recolhimento de perder seguimento para vante, deve-se guinar para o bordo
Homem ao Mar, consiste retornar a oposto ao da queda; quando a proa estiver próxima da
embarcação exatamente no rumo
oposto sobre a esteira deixada pelo marcação do homem, parar máquinas e dar máquinas adiante,
hélice. A curva é de 70° para um bordo para recolhê-lo.
e depois inverte-se todo o leme até Curva Racetrack - Consiste de duas guinadas
atingir o rumo oposto ao que razoavelmente rápidas de 180° para o bordo da queda do
inicialmente se navegava.
homem, parando no bordo da queda, devendo retornar ao
homem, mesmo que ele não esteja no visual. O homem
estando safo, dar máquinas adiante toda força e governar na
- Em todas as situações o navio deve recíproca do rumo original. Usar máquina e leme para atingir a
posicionar-se, deixando o homem por posição final adequada ao recolhimento.
sotavento, entre a bochecha e o
través, parando a cerca de 10 metros
Curva Retardada - recomendada quando o náufrago estiver
do homem. no visual e safo da popa. Esta manobra só deve ser feita em
boas condições de visibilidade. Consiste em guinar para o
bordo da queda do homem, dando máquinas adiante toda
força, e em seguida aproar diretamente no náufrago. Depois,
usar máquina e leme para atingir a posição adequada ao
recolhimento.
Mestre-Amador 106
[Link] [SOBREVIVÊNCIA NO MAR E MATERIAL DE SALVATAGEM]
Balsas Salva-Vidas São equipamentos que servem como meio secundário de
abandono. As balsas não são equipamentos à prova de fogo e
também não possuem propulsão. Atualmente as balsas
infláveis são lançadas pela borda, podendo ser utilizadas pelos
náufragos em poucos segundos. São acondicionadas em
casulos fechado de fibra de vidro (cofres plásticos), que ficam
dispostos em cabides próprios e localizados nos conveses
abertos, ficando assim protegidas da ação do tempo e dos
borrifos do mar. Para sua utilização basta lançá-lo ao mar e
colher o cabo até que seja encontrada certa resistência,
quando deverá ser dado um puxão mais forte, o que liberará a
descarga das ampolas de CO2 que inflarão a balsa em cerca de
30 segundos. Deve existir a bordo em quantidade suficiente,
com uma margem de segurança de 10%.
Existem três classes de balsas:
Classe I – Empregadas na navegação internacional
(longo curso), podendo ser utilizadas nas demais classes
de navegação.
balsa e casulo Classe II – Empregadas na Navegação de Cabotagem e
Apoio Marítimo. Exigida nas embarcações de Esporte
e/ou Recreio na Navegação de Alto Mar (Oceânica).
Classe III – São empregadas na navegação interior.
São diversos modelos e variam conforme o fabricante. A
Iluminação das balsas
- O dispositivo de iluminação das
maioria é para 15 pessoas, algumas são para 20 ou 25 pessoas;
balsas, quando houver, é alimentado são fabricadas de acordo com as normas da Organização
por bateria ativada automaticamente Marítima Internacional (IMO) e testadas para suportarem
pela água salgada. condições adversas de mar aberto por tempo indeterminado,
proporcionando condições de sobrevivência para o número de
pessoas de sua lotação.
Possuem cobertura alaranjada, e em seu interior os
Cobertura das balsas: seguintes equipamentos fazem parte da dotação: um apito, um
- A cobertura da balsa salva-vidas é de par de remos, lanterna sinalizadora com pilhas, bujões de
cor alaranjada para facilitar o vários diâmetros, bomba manual (para recompletar o ar),
avistamento pelas equipes de busca.
coletores de água, manta térmica, ancora flutuante, aro
flutuante, uma caixa de primeiros socorros, refletor radar,
esponjas (para remoção de água do interior da balsa),
pirotécnicos (foguetes estrela vermelha com paraquedas,
fachos manuais vermelhos e fumígenos laranja), ração líquida
(latas de 350 ml, duas latas por dia para cada náufrago – não
usar no primeiro dia), e sólida (constituição básica: açúcar),
para três (3) dias, instruções para sobrevivência e utilização do
kit da balsa, espelho sinalizador diurno, kit para pesca, facas
(com ponta arredondada, para evitar danos à balsa), abridor de
lata, tabela de sinais de salvamento (para orientar a utilização
dos pirotécnicos).
As balsas salva-vidas devem ser revisadas a cada 12 meses
e normalmente tem vida útil de 12 anos, a contar da data de
Boça - nome comum a muitos cabos.
fabricação.
Para operação das balsas, existe um cabo de disparo que é
fixo à estrutura do navio e que é responsável por acionar a
Mestre-Amador 107
[SOBREVIVÊNCIA NO MAR E MATERIAL DE SALVATAGEM]
ampola de CO2, que faz com que a balsa infle.
O cabo de disparo também é utilizado como boça. Após
lançado o casulo na água (são necessários, pelo menos, dois
homens); recolha o cabo excedente e puxe com força para
acionar o sistema de disparo (ampola de CO2), que inflará a
balsa em cerca de 30 segundos.
Caso o casulo esteja instalado em um convés muito
elevado, maior que o comprimento do cabo de disparo, este
deve ser aumentado, de modo a permitir a chegada do casulo
ao mar sem que ele fique pendurado pelo cabo de disparo.
Se durante o lançamento da balsa salva-vidas, ela se inflar
de cabeça para baixo, você poderá desvirá-la subindo sobre os
flutuadores, tracionando os tirantes existentes na sua parte
inferior, mantendo os pés apoiados na borda, lançando-se para
trás. Para facilitar, deve-se verificar a direção do vento,
desvirando-se a balsa em seu favor.
Método para entrar na balsa:
Existem duas maneiras de você entrar em uma balsa
inflável: seco ou molhado. No embarque direto, ou método
- Para embarcar na balsa, devemos seco, deve-se entrar na balsa sem mergulhar na água. Em
evitar fazer peso de um só lado, para seguida esta é arriada na água com o pessoal dentro dela. Caso
ela não virar. não seja possível, o embarque será molhado, isto é, você terá
que entrar na água.
- A melhor maneira de saltar na água,
O procedimento para pular na água, é pular sempre de pé
utilizando o colete salva-vidas, é com
as pernas esticadas e os pés juntos. (regra dos “pés primeiro”), com as pernas fechadas e braços
juntos do corpo, de preferência segurando seu colete salva-
vidas e nadar até o bote salva-vidas e embarcar nele com
- As balsas salva-vidas rígida servem calma.
para serem utilizadas para abandonar Em embarcações empregadas para navegação interior,
a embarcação em caso de emergência.
geralmente existe uma balsa rígida. A melhor maneira de
embarcar na balsa salva-vidas, de dentro da água, é utilizando a
escada de tiras e a plataforma de embarque.
Emprego de Materiais O material de origem estrangeira poderá ser empregado
para atendimento das dotações de embarcações e demais
de Homologação de exigências das normas Brasileiras e instruções da Diretoria de
Governos Estrangeiros Portos e Costas (DPC). Esses materiais devem possuir
“Certificado de Homologação” do país de origem, no qual
esteja explicitamente declarado que o material foi homologado
de acordo com os requisitos ou regras estabelecidas na
Convenção Internacional para Salvaguarda da Vida Humana no
Mar – SOLAS 74/78.
Equipamentos Rádio Em caso de emergência peça socorro usando os canais de
comunicação disponíveis a bordo. Para o navegante amador,
normalmente estão disponíveis os seguintes meios/canais:
Rádio VHF – canal 16, frequência 156,800MHZ.
Rádio HF SSB – frequências 2181KHZ ou 4215,0 KHZ
EPIRB – Se possuir o EPIRB, usar na frequência de
406MHZ.
Mestre-Amador 108
[SOBREVIVÊNCIA NO MAR E MATERIAL DE SALVATAGEM]
Celular – Apesar de não fazer parte dos equipamentos
de comunicações de bordo, hoje é largamente utilizado
pelo navegante amador.
Procedimentos do Você só é sobrevivente após o resgate!
Até ser salvo, você é apenas um náufrago. Para alcançar o
Náufrago Antes do seu objetivo, que é ser resgatado com vida, você tem que
Resgate observar os procedimentos de sobrevivência no mar. Veja os
mais importantes:
Barlavento: lado da embarcação por
onde o vento entra. Não se deve saltar sobre as balsas salva-vidas e sim nas suas
proximidades. O abandono deve ser feito preferencialmente
por barlavento devendo nadar até a sua balsa. Deve-se evitar
saltar sobre destroços e em locais onde haja óleo. Se o colete
for inflável, saltar com o colete vazio, protegendo o pescoço e
os órgãos genitais (de pernas cruzadas), e nunca pular de
cabeça e sim de pé. O abandono por barlavento se justifica
por ser onde as manchas de óleo terão menor extensão e o
abatimento por efeito do vento tornará mais rápido o
afastamento da embarcação.
Quando o náufrago já estiver na água
Manter-se em constante vigilância.
Não retirar os sapatos e as roupas.
Permanecer imóvel, conservando as energias.
Caso seja necessário nadar, fazê-lo com braçadas
regulares, evitando movimentos frenéticos.
Afastar-se de locais onde existam cardumes de peixes.
Quando ameaçado por tubarão, nadar com movimentos
Sotavento: lado da embarcação por
fortes e regulares, sem ser frenético, de frente para o
onde o vento sai. tubarão, numa direção que não cruze o seu caminho.
Bater com as palmas das mãos, em forma de cuia na
superfície da água e gritar com a cabeça mergulhada
dentro da água.
- Sobreviventes de naufrágios durante
a segunda guerra mundial apontam o Caso o ataque seja iminente, procurar atingir o tubarão
óleo flutuante como a origem das com algum objeto pontiagudo no focinho, olhos, guelras
maiores dificuldades para o ou ventre.
salvamento. Para evitar todos os
A sobrevivência do náufrago depende do tempo de
inconvenientes causados pelo óleo
como o elevado risco de sufocação permanência na água, em função da temperatura da
pela irritação das vias respiratórias e água do mar.
até mesmo a cegueira, deve-se nadar o
mais rápido possível para nos afastar Após embarcar na balsa salva-vidas
da embarcação acidentada e com
incêndio contra a correnteza e, se for o
Após embarcar na balsa salva-vidas, corte o cabo que a
caso, por baixo da água até afastarmos prende à embarcação.
o risco de óleo na superfície. Caso o mar esteja agitado, mantenha-se vestido com o
colete salva-vidas.
Afastar-se da embarcação que esteja afundando, mas se
mantenha nas proximidades do naufrágio, para ajudar as
equipes de busca e salvamento a encontrá-lo.
Recolha os companheiros que estejam dentro da água e
aplique os primeiros socorros em quem necessitar.
Mestre-Amador 109
[SOBREVIVÊNCIA NO MAR E MATERIAL DE SALVATAGEM]
Recolha da água objetos que estiverem flutuando e que
possam ser úteis.
Procure reunir todas as outras embarcações de
sobrevivência que estejam nas proximidades.
Estabeleça turno de vigia com o objetivo principal de
Revezamento na balsa salva-vidas observar a aproximação de embarcações ou aeronaves.
- havendo revezamento na balsa e Não se exponha ao sol, principalmente sem roupas, pois
para melhor conforto de quem está na os raios solares podem causar queimaduras graves.
balsa as roupas deverão ser trocadas
para que os que estão na balsa
Improvise uma cobertura para sua embarcação de
permaneçam com roupas sempre sobrevivência, caso ela não a possua.
secas. O revezamento deverá ser Proceda à distribuição controlada das rações de
previsto, para todos que estiverem em sobrevivência – água e alimento.
boas condições físicas.
Economize energia, evite fazer esforços e não fale
desnecessariamente, pois aumentará o desgaste físico e
- O cabo que prende a balsa à a perda de água do corpo. É conveniente, porém,
embarcação, só deve ser cortado movimentar-se com regularidade, a fim de manter a
quando todos já estiverem circulação sanguínea.
embarcados na balsa.
Envide esforços para manter a moral do grupo elevado.
Deixe os sinalizadores de emergência (fumígenos e
foguetes iluminativos com paraquedas) preparados para
funcionamento.
No caso de rios e de águas abrigadas, evite o
sangramento de feridas quando na água, pois o sangue
atrai piranhas que atacam em cardumes e podem
devorar uma pessoa.
Procedimento de A ordem para abandonar a embarcação deve ser dada pelo
comandante ou mestre da embarcação. Antes da ordem de
Abandono da abandono, o comandante deve considerar o risco de naufrágio
Embarcação iminente, provável e possível, mas em qualquer dos casos o
fato deve ser tratado como “muito grave”.
Atenção! Ao receber a ordem para abandonar a embarcação, vista
- No mar, a nossa embarcação é o local roupas adicionais e o seu colete salva-vidas, dirija-se ao ponto
mais seguro. A ordem para abandonar de reunião (local previamente definido para abandono da
a embarcação deve ser dada pelo embarcação), e observe as seguintes recomendações:
comandante ou mestre da
embarcação.
Não leve objeto de uso pessoal nem qualquer tipo de
bagagem.
Havendo tempo, procure abastecer a embarcação de
sobrevivência com água potável adicional.
Leve para a embarcação de sobrevivência apenas
equipamentos úteis, como por exemplo, equipamentos
de comunicação (rádios portáteis, de sinalização,
fumígenos e pirotécnicos), cabos de fibra, acessórios
náuticos (carta náutica do local, régua, compasso, lápis),
cobertores, entre outros.
Execute suas tarefas relativas ao lançamento da
embarcação de sobrevivência.
Entre na embarcação de sobrevivência, de preferência
seco.
Mestre-Amador 110
[SOBREVIVÊNCIA NO MAR E MATERIAL DE SALVATAGEM]
Assegure-se de que todos os companheiros destinados
para aquela embarcação estão a bordo.
Afaste-se da embarcação sinistrada o suficiente para
ficar “safo” da embarcação.
Importância da A água é a principal prioridade do náufrago em uma
embarcação de sobrevivência. O corpo humano tem cerca de
Alimentação para o 33 litros de água e esta quantidade não pode baixar para
Náufrago menos de 20 litros.
A água existente nas balsas, não deve ser ministrada ao
naufrago, no primeiro dia, sendo recomendável a partir do
segundo dia, que cada náufrago consuma 700 ml. A ração
sólida também deve ser ministrada ao náufrago a partir do
segundo dia, na proporção de metade da cota, deixando o
restante para o terceiro e quarto dias. A água da chuva pode
ser consumida; não se deve ingerir água do mar; o enjoo deve
ser tratado com medicamentos próprios. Em comparação com
a água, a alimentação vem em segundo plano. Dispondo de
- As rações modernas são em sua água potável para beber, o organismo humano é capaz de
maioria em forma de açúcar.
suportar algumas semanas sem alimento sólido. Entretanto,
quando em completa ausência de água, a sobrevida da pessoa
é reduzida para apenas alguns dias.
Proteger-se do sol, vento, água do mar e do frio e,
- Em caso de náusea, deve-se tomar sobretudo, procurar manter o equilíbrio hídrico do organismo,
logo o medicamento contra enjoo e conservando a água do corpo, são bem mais importantes do
manter-se deitado. O vômito que comer. Contudo, não se deve negligenciar quanto à
representa grande perda de água para
o organismo.
alimentação, embora esta venha no final de sua lista de
prioridades em sobrevivência no mar.
As embarcações de sobrevivência modernas são dotadas de
Dispensa (dotação) rações sólidas, compostas principalmente de balas de goma
- As embarcações empregadas na (jujubas) e chicletes, ou então, de tabletes de um composto à
Navegação Interior estão dispensadas
base de glicose. A explicação para essa composição da ração
de dotar (ter a bordo) embarcações de
sobrevivência. sólida de sobrevivência no mar está no fato de que o corpo
necessita primeiramente de açúcar e gordura, e não de carne
(proteínas).
Perigos que Ameaçam a Nunca beba água do mar, nem misture com água potável.
Quando o náufrago bebe água salgada, o sal fica acumulado em
Sobrevivência seu corpo, havendo necessidade de água potável para dissolvê-
lo nos rins, e posteriormente, eliminá-lo através da urina. Como
em sobrevivência no mar não existe água potável em
quantidade adequada para hidratar o corpo, a própria água do
organismo vai migrar para eliminar o sal acumulado. Dessa
forma, o náufrago que bebe água do mar agrava o seu estado
de desidratação, podendo inclusive morrer. Também não se
deve beber a urina. A urina do náufrago é escura, concentrada,
e mal cheirosa. Além de água do mar e urina, é proibida a
ingestão pelo náufrago, de bebidas alcoólicas.
A falta de funcionamento dos intestinos constitui fenômeno
comum em náufragos, dada exiguidade da alimentação.
Mestre-Amador 111
[SOBREVIVÊNCIA NO MAR E MATERIAL DE SALVATAGEM]
Saiba mais
Você pode saber mais sobre o assunto estudado nesta unidade consultando os seguintes
endereços eletrônicos:
[Link]
[Link]
[Link]
[Link]
em-alto-mar/
Mestre-Amador 112
[NAVEGANDO COM AGULHAS MAGNÉTICAS]
Unidade 11:
Nesta unidade, você estudará o magnetismo terrestre; princípio de funcionamento das agulhas
magnéticas; declinação magnética; desvio da agulha; curva de desvios da agulha; compensação da
agulha e variação total da agulha magnética.
Magnetismo Terrestre O fenômeno do magnetismo terrestre é o resultado de a
Terra ser cortada por diversas linhas magnéticas, se
comportando como um enorme imã. Estas linhas tem
características que possibilitou a construção do primeiro grande
recurso de navegação, que em virtude da sua simplicidade, logo
se universalizou, a agulha magnética.
Antes de você saber como ela funciona, é preciso que
compreenda que na Terra existem dois pontos de concentração
magnética, uma ao Norte (N), com polaridade negativa, o polo
norte magnético (-) e outra ao Sul (S), com polaridade positiva,
o polo sul magnético (+). As linhas de força tendem a se
dirigirem de um ao outro polo. Entretanto estas linhas de força
sofrem interferências, entre outras coisas, em razão da
concentração desuniforme dos materiais magnéticos existentes
na Terra, principalmente o ferro no subsolo, provocando
desvios nestas linhas.
O campo magnético terrestre exerce uma atração sobre
Norte da Agulha materiais magnetizados, é por isso que, qualquer barra
- Por convenção, denomina-se norte da imantada livremente suspensa se orientará na direção dos
agulha o lado que aponta para o polo norte
magnético terrestre e sul da agulha, o que
polos magnéticos, ou seja, o polo norte magnético (-) atrairá o
aponta para o polo sul magnético terrestre. polo positivo da barra, bem como o polo sul magnético (+)
atrairá o polo negativo da barra. É exatamente essa a
propriedade em que se baseiam as agulhas magnéticas (por
serem imantadas, são atraídas sempre na direção do norte
Bússola ou Agulha? magnético da Terra).
- A bússola, mais conhecida pelos
navegantes como agulha é um instrumento
com uma agulha magnética que é atraída
para o polo magnético terrestre. É importante que você entenda que a Terra possui um campo
magnético que atua como referência para o funcionamento da
agulha magnética. Como a Terra é um imã e a agulha também,
surge uma atração magnética. Assim, não importa o lugar,
uma agulha magnética vai apontar sempre na direção do polo
Norte Magnético, isto porque o campo magnético da Terra faz
com que o ponteiro aponte nessa direção.
Vale lembrar, que em determinado ponto do planeta
existem dois pontos que chamamos de Norte. Um deles é
chamado de Norte geográfico ou verdadeiro (Nv) e está
localizado no encontro da latitude 90°N com a longitude 000°.
E, outro localizado próximo a este, que funciona como um
grande centro de atração magnética, chamado de Norte
magnético (Nmg). O norte magnético geralmente não coincide
com o norte geográfico, ficando um pouco mais a esquerda ou
a direita deste. A essa distância ou ângulo formado entre os
dois nortes chamamos de declinação magnética (Dmg).
Mestre-Amador 113
[NAVEGANDO COM AGULHAS MAGNÉTICAS]
Agulhas Magnéticas Como visto, as agulhas magnéticas funcionam por influência
do magnetismo da Terra, tendo como característica se orientar
segundo a direção desse campo.
Porém, esse tipo de agulha, quando instalada nos navios,
passa a sofrer influências de outros campos magnéticos, além
do terrestre, devido à existência de material ferroso na
estrutura dos barcos, e dos equipamentos elétricos de bordo,
chamados genericamente de “ferros de bordo”, causando um
desvio na indicação da agulha, tornando-a imprecisa quanto
mais próxima a eles. Por essa razão, quando a navegação está
sendo orientada por uma agulha magnética, devemos fazer
correções para a declinação magnética (causada pelo
magnetismo terrestre) e também para o desvio da agulha
(causado pelos ferros de bordo).
Tipos de agulhas magnéticas - a bordo dos grandes navios,
a agulha que estiver instalada em local mais livre de influências
magnéticas é denominada agulha padrão; a agulha utilizada
Importante: para governo do navio se denomina agulha de governo; a
- A declinação magnética, assim como o agulha instalada no teto de maneira que se vê a rosa por baixo
desvio da agulha, pode ser para Leste (E) ou
é chamada agulha de teto. Nas pequenas embarcações usa-se a
Oeste (W).
chamada agulha manual. É o tipo de agulha normalmente
guardada em uma caixa, que a torna facilmente transportável.
Nota:
- Para minimizar a influência do magnetismo
produzido pelo próprio navio, costuma-se É muito importante que você não confunda desvio da agulha com
instalar a agulha magnética, em local, o mais declinação magnética. O desvio é provocado pelo material ferroso
distante possível de tais influências. de bordo (os ferros de bordo), e é obtido da curva de desvios,
enquanto que a declinação é provocada pelo campo magnético da
Terra, e é tirada na rosa dos ventos existente no interior das cartas
náuticas.
Declinação Magnética Você pôde perceber que na grande maioria dos lugares,
existe uma distância entre o Norte verdadeiro (Nv) e o Norte
indicado pela agulha que pode ser pequena ou grande
dependendo do lugar. Essa distância, que é medida em graus (°)
e minutos (‘) para Leste (E) ou Oeste (W), conforme o Norte
magnético (Nmg) esteja a leste ou oeste do Norte verdadeiro
(Nv), é chamada de Declinação magnética (Dmg). Assim,
quando o Nmg está, a esquerda do Nv, diz-se que a Dmg é
Oeste (W), mas quando ocorre ao contrário, e o Nmg está à
direita do Nv, diz-se que a Dmg será Leste (E), e ainda, quando
o Nmg, coincidir com o Nv (Nmg = Nv), a Dmg será nula,
embora essa possibilidade seja difícil de ocorrer.
Podemos então, definir a Dmg em um determinado local
como sendo: O ÂNGULO FORMADO ENTRE O NORTE
VERDADEIRO E O NORTE MAGNÉTICO, contado a partir do
Norte verdadeiro (Nv), ou seja, é a diferença que uma agulha
(bússola) marca entre o norte verdadeiro e o norte magnético.
E para complicar mais ainda a vida do navegante, a Dmg não
é fixa e varia com o passar dos anos. Essa variação ocorre de
Mestre-Amador 114
[NAVEGANDO COM AGULHAS MAGNÉTICAS]
Variação Anual local para local na Terra, e, em cada local, varia de ano para
- A alteração que o valor da Dmg sofre ano, aumentando ou diminuindo o seu valor. Dessa forma, para
durante um ano é o que chamamos de
Variação Anual. realizar uma navegação precisa, essa variação anual da
declinação magnética deve ser corrigida desde o ano de seu
Siglas: levantamento até o ano vigente.
Nv – Norte verdadeiro
Nmg – Norte magnético
Dmg – Declinação magnética
Onde encontrar o valor da declinação magnética?
Para ajudar o navegante, a saber, dizer qual a declinação
magnética do local onde se encontra navegando, as cartas
náuticas registram no interior das suas rosas dos ventos, três
importantes informações: O valor da Dmg (declinação
magnética local), o ano de seu levantamento e a sua Variação
anual (observe a figura ao lado).
Assim, estando de posse da carta náutica do lugar onde
você pretende navegar, é possível obter-se a Dmg para a região
em questão fazendo as devidas correções.
Que tal realizarmos dois exercícios, para fixar melhor?
EXERCÍCIO 1:
De posse da carta náutica do lugar onde se pretende navegar,
digamos que a Dmg, registrada numa carta náutica de 2010, seja de
18°30’W (dezoito graus e trinta minutos para oeste), com o aumento
de 10’W (dez minutos para oeste) por ano.
Então, qual será o valor da Dmg atualizada para o ano de 2012?
Solução algébrica:
1) Calcule a variação da agulha atualizada para o ano de 2012
De 2010 para 2012, são dois anos. Sendo a variação anual de
10’W por ano; basta multiplicar o número de anos com o valor anual,
Solução gráfica (Calunga) logo teremos: 2 x 10’ = 20’W (20 minutos oeste).
2) Calcule a Dmg atualizada para o ano de 2012
Agora que sabemos o valor do aumento, basta calcular os
18°30’W registrados na rosa dos ventos da carta de 2010, com os
20’W da correção para o ano de 2012.
Resultado:
Dmg = Dmg registrada ± variação total
Dmg = 18°30’W + 20’W (sinais iguais somam)
Dmg = 18°50’W
Exercício 1
Conclui-se que o valor da Dmg atualizada para o ano de 2012 é
Calunga de 18°50’W, e aumentando.
- A solução dos problemas de navegação fica
facilitada com o uso do “calunga”. O Observe que neste exercício o Norte Magnético (Nmg) está à
desenho do calunga (figura acima) é esquerda do Norte verdadeiro (Nv), já que a Dmg está no sentido
popularmente conhecido como: solução oeste (W).
gráfica. Exercite o calunga!
EXERCÍCIO 2:
Recomendações Práticas Digamos que a Declinação magnética (Dmg), registrada numa
- Tenha muita atenção no sentido Leste- carta náutica de 2009, é de 18°30’E (dezoito graus e trinta minutos
Oeste (W e E) do Desvio da agulha (Da) e da para leste), com a variação anual diminuindo de 5’W (cinco minutos
Declinação magnética (Dmg). para oeste) por ano.
Qual o valor da Dmg atualizada para o ano de 2012?
Mestre-Amador 115
[NAVEGANDO COM AGULHAS MAGNÉTICAS]
Solução algébrica:
Solução Gráfica (Calunga) 1) Calcule a variação anual atualizada para o ano de 2012
De 2009 para 2012, são três anos. Sendo a variação 5’W ao ano,
basta multiplicar o número de anos com a variação anual, logo
teremos: 3 x 5’ = 15’W (15 minutos).
2) Calcule a Dmg atualizada para o ano de 2012
Agora que sabemos o valor que diminuiu, basta calcular
algebricamente os 18°30’E, referente à Dmg de 2009 com os 15’W da
correção para o ano de 2012.
Resultado:
Exercício 2 Dmg = Dmg registrada ± variação total
Dmg = 18°30’E - 15’W (sinais diferentes subtraem)
Observe que neste exercício o Norte Dmg = 18°15’E
Magnético (Nmg) está à direita do Norte
verdadeiro (Nv), já que a Declinação Conclui-se que o valor da declinação magnética atualizada para o
magnética (Dmg) está no sentido leste (E). ano de 2012 é de 18°15’E, e diminuindo.
Desvio da Agulha Você já sabe que por influência do magnetismo terrestre a
agulha magnética aponta para o polo magnético da Terra. No
entanto, essa mesma agulha, quando instalada a bordo das
embarcações, sofre pequenos desvios do norte magnético,
provocados pelo campo magnético da própria embarcação e
até mesmo sua carga, os chamados ferros de bordo, levando a
agulha a apontar para uma direção qualquer, diferente do
Norte magnético (Nmg), denominada Norte da agulha (Nag).
Essa diferença entre o Nmg e o Nag, é chamada de Desvio
da agulha (Da). E, tal como a Dmg, o Da pode ser para Leste (E)
ou para Oeste (W).
Também, é importante entender, que o Da é uma
particularidade de cada embarcação. Por essa razão, devemos
calcular o Da através de alinhamentos ou azimutes.
Podemos assim, definir o Da em um determinado local
como sendo: O ÂNGULO FORMADO ENTRE O NORTE
MAGNÉTICO E O NORTE DA AGULHA, contado a partir do
Norte magnético (Nmg).
Siglas: É muito importante que você entenda que o desvio da agulha
Da – Desvio da Agulha causado por influência dos ferros de bordo, varia conforme a
Dmg – Declinação magnética orientação da embarcação, ou seja, para cada proa (rumo) da
Nmg – Norte magnético embarcação haverá um desvio correspondente.
Nag – Norte da Agulha
Nv – Norte verdadeiro
Curva de Desvios da Agulha Assim como a carta náutica mostra no interior de sua rosa
dos ventos o valor da Dmg do lugar e a variação anual, o
Na Internet
navegante necessita ter a bordo, uma Tabela de Desvios, que
- Relação de Peritos em Compensação de lhe dá os valores para o Da em função da proa (rumo) da sua
Agulha Magnética Cadastrado na Marinha, embarcação.
disponível em: A tabela é construída fazendo-se a embarcação girar em
<[Link] torno de si própria, assumindo todas as proas (rumos) possíveis,
terial/Peritos/peritos_agulha.pdf>
Acesso em: 07/04/2014 anotando-se por comparação com uma indicação verdadeira, os
Mestre-Amador 116
[NAVEGANDO COM AGULHAS MAGNÉTICAS]
desvios da agulha para os principais valores de proa. A técnica é
Tabela de Desvios
conhecida como “Compensação da Agulha”.
Na prática, existe um profissional credenciado pela Marinha
do Brasil, denominado “Compensador de Agulha”, que irá a
bordo para minimizar e determinar os Da para cada proa, e
que, após a compensação, confeccionará a Tabela de Desvios
da Agulha. A compensação da agulha visa anular ou reduzir as
influências dos ferros de bordo sobre a agulha.
Após a compensação, os desvios não eliminados são
denominados desvios residuais. São aceitos desvios residuais
menores ou iguais a 3° (graus), devendo ser refeita a
compensação, sempre que os desvios excedam esse valor.
Importante:
O desvio deve ser revisto, no mínimo, uma vez por ano e
sempre que ocorrerem acréscimos ou retiradas de
equipamentos de bordo, especialmente, se eles forem
elétricos ou eletrônicos. Tenha em mente que cada agulha
tem sua curva de desvios própria, sendo o desvio uma
particularidade de cada embarcação. Ou seja, a tabela de
A tabela da curva de desvios deve ser desvios calculada com base na proa de uma embarcação não
atualizada a cada dois (2) anos. serve para ser utilizada por outra embarcação.
Uso da tabela de desvios (acompanhe a
figura acima):
- Para usar a curva de desvios, entra-se com Vejamos um exemplo de como calcular o Da para a proa de
o rumo magnético na coluna vertical da nossa embarcação.
esquerda (0 a 345) e anda-se na horizontal
até encontrar a curva e seu valor.
EXERCÍCIO 3:
Estando uma embarcação com o rumo na sua agulha magnética
de 60°E, qual o desvio da agulha (Da) para esta proa?
Solução gráfica (Calunga) Solução algébrica:
Consultando a Tabela de desvios (figura acima), observa-se que
para uma proa de 60°E a curva indica um desvio de 1,5°E. Isto
significa que para esta proa os ferros de bordo alteram a direção
fornecida pela agulha magnética em 1,5° para leste (E).
Para corrigir o Desvio da agulha (Da), basta somar 1,5°E ao
Rumo de agulha (Rag) que achamos o Rumo magnético (Rmg).
Resultado:
Rmg = Rag ± Da
Rmg = 60°E + 1,5°E (sinais iguais somam)
Exercício 3 Rmg = 61,5°E
Conclui-se que o valor do desvio da agulha (Da) atualizado para
esta proa é de 61,5°E.
Variação Total da Agulha Até aqui estudamos:
A declinação magnética (Dmg) e o Desvio da agulha (Da).
Porém, na prática, quando a navegação está sendo
orientada por uma agulha magnética, é importante considerar
que teremos que fazer correções para a Variação Total da
agulha magnética.
Mestre-Amador 117
[NAVEGANDO COM AGULHAS MAGNÉTICAS]
A Variação Total da agulha (VT) nada mais é do que a soma
algébrica das duas correções (Declinação magnética e Desvio
da agulha), que tem que ser feita, a fim de obter a direção
verdadeira da embarcação, que certamente é o que interessa
Variação Total ao navegante.
Fórumla ► VT = Dmg ± Da Podemos definir a variação total (VT) em um determinado
local como sendo: O ÂNGULO FORMADO ENTRE O NORTE
VERDADEIRO E O NORTE DA AGULHA, contado a partir do
Recomendações Práticas Norte verdadeiro.
- Tenha muita atenção no sentido (W e E) do
Desvio da agulha (Da) e da Declinação
magnética (Dmg).
E, como calcular a Variação Total (VT) para obter o erro da
agulha magnética?
Acompanhe os exercícios a seguir:
EXERCÍCIO 4:
Solução Gráfica (Calunga) Digamos que o Desvio da agulha (Da), registrado na tabela de
desvios é de 3°E, e a Declinação magnética (Dmg), registrada numa
carta náutica para o ano vigente, é de 20°W. Qual será a Variação
Total (VT)?
Solução algébrica:
Para o problema apresentado, basta calcular algebricamente os
20°W, referentes à Dmg com os 3°E referente ao Da.
Resultado:
VT = Dmg ± Da
Exercício 4 VT = 20°W - 3°E (sinais diferentes subtraem)
VT = 17°W.
EXERCÍCIO 5:
Digamos que o Desvio da agulha (Da), registrado na tabela de
desvios é de 3°W, e a Declinação magnética (Dmg), registrada numa
carta náutica para o ano vigente, é de 18°W. Qual será a Variação
Solução Gráfica (Calunga) Total (VT)?
Solução algébrica:
Basta calcular algebricamente os 18°W da Dmg com os 3°W do
Da.
Resultado:
VT = Dmg ± Da
VT = 18°W + 3°W (sinais iguais somam)
VT = 21°W.
Exercício 5 Observe que dois exercícios o Norte Magnético (Nmg) está a
esquerda do Norte verdadeiro (Nv), já que a Declinação magnética
(Dmg) está no sentido oeste (W).
Desvios da Agulha Como vimos anteriormente, agulha giroscópica não sofre
influência do magnetismo terrestre e nem dos ferros de bordo.
Giroscópica Sendo assim, as suas indicações são verdadeiras, ou seja, uma
agulha giroscópica, quando ligada a corrente elétrica, depois de
certo tempo irá apontar para o Norte verdadeiro. Porém, essa
agulha não está isenta de erro. E, quando isso acontece, a linha
Mestre-Amador 118
[NAVEGANDO COM AGULHAS MAGNÉTICAS]
000° - 180° tende a se afastar do Meridiano Verdadeiro,
formando um ângulo, conhecido como Desvio da Giroscópica
(Dgi). Nesse caso, o 000° da giro não mais irá apontar para o
Norte verdadeiro, mas, para uma direção chamada de Norte da
Giro (Ngi).
Dessa forma, se o 000° da giro cair para "W" do Meridiano
Verdadeiro, o Dgi será "W". E será "E" quando acontecer ao
contrario.
O Desvio da Giro, uma vez confirmado, será igual para
qualquer proa. E, para se determinar o valor do Dgi deve-se
fazer a comparação entre as marcações da giro com
alinhamento de pontos de terra.
Com o navio girando, o Desvio da agulha (Da) na Agulha
Magnética vai mudando de valor, ao passo que o Desvio da agulha
(Dgi) na Giroscópica, permanece com o mesmo valor.
Glossário Glossário de Termos empregados e não especificamente
definidos no corpo desta unidade:
Linhas isogônicas – sobre a superfície da Terra, os valores
da Dmg variam de um local para outro, contudo, existem
pontos que possuem valores iguais. Da união destes pontos
de mesma Dmg, teremos o que se chama uma Linha
Isogônica.
Saiba mais
Você pode saber mais sobre o assunto estudado nesta unidade consultando os seguintes
endereços eletrônicos:
[Link]
(Agulhas Náuticas; Conversão de Rumos e Marcações).
[Link]
[Link]
[Link]
[Link]
[Link]
[Link]
Todas as embarcações amadoras, exceto as miúdas, deverão ser equipadas com agulha magnética de
governo. As embarcações com comprimento igual ou maior que 24 metros (Iates) deverão possuir, também,
certificado de compensação ou curva de desvios disponível a bordo, atualizado a cada dois anos. Não existe
obrigatoriedade de equipar esse tipo de embarcação com agulha giroscópica.
Mestre-Amador 119
[RUMOS E MACAÇÕES]
Unidade 12:
Nesta unidade, você identificará os diversos tipos de rumos e marcações e aprenderá a fazer
conversão de rumos e marcações resolvendo exercícios.
Rumos e Marcações a Um navio para ir de um ponto a outro da superfície da Terra
deve seguir um Rumo. Esse rumo deve ser traçado na carta
Bordo náutica, com direção e sentido definidos.
Ademais, quando se navega próximo da costa ou em águas
Direção restritas, para determinar a posição de uma embarcação,
- É, na superfície da Terra, a linha que liga
dois pontos. normalmente, o navegante observa Marcações de pontos
notáveis em Terra ou auxílios à navegação.
Exemplos de pontos notáveis: A bordo para obtermos os Rumos e as Marcações,
- Igrejas, faróis, ilhas, torres etc. normalmente, utilizamos Agulhas Náuticas, que podem ser
Magnética e Giroscópica.
Direção Direção é, na superfície terrestre, a linha que liga dois
pontos. O desenho ao lado apresenta as direções cardeais,
laterais e colaterais (já estudadas na Unidade 1), comumente
referidas em navegação. Vale lembrar, que todas as direções
mostradas são direções verdadeiras, ou seja, tem como
referência o Norte verdadeiro da Terra.
Cardeais N, S, E e W
Laterais NE, SE, SW e NW
Colaterais NNE, ENE, ESE, SSE, SSW, WSW, WNW e NNW
E, como já estudado, o instrumento de bordo que fornece as
direções da proa, são as agulhas náuticas, que nem sempre
apontam para o Norte verdadeiro.
Rumo Rumo é o ângulo horizontal formado entre uma direção de
referência e a direção para a qual aponta a proa da nossa
embarcação, quando navegando.
Os rumos são medidos de 000° a 360° graus, sempre no
sentido horário, a partir da direção de referência adotada para
indicar o rumo.
As direções de referência utilizadas em navegação para
indicar rumos são:
Norte verdadeiro ou geográfico (Nv);
Norte magnético (Nmg); e
Norte da agulha (Nag).
Assim, conforme o Norte utilizado como referência
Proa
- É a direção para a qual a embarcação está
(origem), os rumos podem ser:
apontando num determinado momento.
Parte da frente da embarcação. Rumo verdadeiro (Rv) – é o ângulo formado entre o Norte
verdadeiro (Rv) e linha de proa da embarcação, medido a
partir do Norte verdadeiro (Nv).
Mestre-Amador 120
[RUMOS E MACAÇÕES]
Rumo magnético (Rmg) – é o ângulo formado entre o Norte
magnético (Nmg) e a linha de proa da embarcação, medido
a partir do Norte magnético (Nmg).
Rumo da agulha (Rag) – é o ângulo formado entre o Norte
da agulha (Nag) e a linha de proa da embarcação, medido
a partir do Norte da agulha (Nag).
RUMOS PRÁTICOS
- Quando se navega em águas restritas, tais como, em lagos,
lagoas, baías, rios e canais, é comum orientar-se por
referências em Terra (pontos notáveis) para obtermos o
posicionamento da embarcação, dispensando o uso de agulha.
A essa referência dar-se o nome de Rumos Práticos.
Note que:
- Todos os Rumos tem origem num norte
(Nv, Nmg ou Nag) e levam até a proa da Na realidade, especificamente, o termo Rumo aplica-se à
embarcação. (analise a figura acima).
direção na qual se navega na superfície do mar, que, em geral,
Correção de Rumos encontra-se em movimento, pelo efeito da corrente. Assim,
- Em navegação, o Norte que interessa ao surge o conceito de Rumo no Fundo, em referência a direção
navegante é o verdadeiro (Nv), ou seja, resultante realmente navegada, desde o ponto de partida até o
aquele onde se inicia a contagem da rosa ponto de chegada num determinado instante. Normalmente, o
dos ventos (000°). A operação de
transformar os rumos, conhecida como
Rumo no Fundo é a resultante entre o Rumo na Superfície e a
Correção de Rumos, pode ser feita através Corrente.
de formulas ou de gráficos (calungas).
Marcação Marcação é o ângulo horizontal entre a linha que une a
embarcação a um objeto (ou alvo) e uma determinada direção
Objeto de referência, medido a partir dessa referência.
- Em nosso estudo, o termo objeto, refere-se
a um alvo qualquer, por exemplo, um farol, As direções de referência utilizadas como origem das
uma ilha, uma torre ou igreja, etc.
marcações, podem ser:
Norte verdadeiro ou geográfico (Nv);
Norte magnético (Nmg);
Norte da agulha (Nag); e
Proa da embarcação.
Assim, se adotarmos como origem da marcação um Norte,
poderemos ter as seguintes marcações ate o objeto, variando
de 000° a 360°, sempre no horário:
Marcação verdadeira (Mv) – é o ângulo formado entre o
Norte verdadeiro (Nv) e a linha do alvo (objeto), medido no
sentido horário, a partir do Norte verdadeiro (Nv).
Marcação magnética (Mmg) – é o ângulo formado entre o
Norte magnético (Nmg) e a linha do alvo (objeto), medido
no sentido horário, a partir do Norte magnético (Nmg).
Note que: Marcação da agulha (Ma) – é o ângulo formado entre o
- Todas as marcações tem origem num norte Norte da agulha (Nag) e a linha do alvo (objeto), medido
(Nv, Nmg ou Nag) ou ainda na proa da no sentido horário, a partir do Norte da agulha (Nag).
embarcação e levam até um objeto (alvo).
(analise a figura acima).
Mestre-Amador 121
[RUMOS E MACAÇÕES]
Mas, atenção: Quando a direção de referência é a proa da
Utilizando a Agulha Giroscópica nossa embarcação, teremos as seguintes marcações distintas:
- Quando o ângulo da marcação é contado a
partir do Norte da Giro (Ngi) ate o objeto,
temos a Marcação da Giroscópica (Mgi). Marcação relativa (Mr) – é o ângulo formado entre a linha
de proa de uma embarcação e a linha do alvo (objeto
marcado), medido de 000° a 360° (sempre no sentido
horário, a partir da proa da embarcação).
Marcação Polar (Mp) – é o ângulo formado entre a linha de
proa de uma embarcação e a linha do alvo (objeto
marcado), medido de 000° a 180°.
Observe que a marcação polar (Mp) recebe sempre uma
designação para cada um dos bordos, isto é, 180° para Boreste
(BE) ou 180° para bombordo (BB). Vejamos como fica:
Marcação Polar Boreste (MpBE) – é o ângulo formado entre
a linha de proa de uma embarcação e a linha do alvo
(objeto marcado), por boreste, de 000° a 180°.
Marcação Polar Bombordo (MpBB) – é o ângulo formado
entre a linha de proa de uma embarcação e a linha do alvo
(objeto marcado), por bombordo, de 000° a 180°.
Observando a figura acima, vemos que:
- Quando o objeto (alvo) está por BE, a Mp é Na marcação polar, a exceção se dá quando o objeto está
igual a Mr (Mp = Mr), e quando o objeto pela Proa ou pela Popa, ou seja, encontra-se exatamente a 000°
(alvo) está por BB, a Mp = 360° - Mr. ou 180°, em relação a Proa ou Popa respectivamente. Nesse
caso, não é necessário informar o valor da marcação polar,
Recordando:
dizemos apenas que o objeto está pela Proa ou pela Popa.
- Marcação Relativa (Mr): conta-se de 000⁰ a
360⁰, no sentido horário, a partir da proa.
- Marcação Polar (Mp): conta-se de 000⁰ a Fique esperto!
180⁰ para boreste (MpBE) ou bombordo - Se a marcação relativa (Mr) for menor que 180°, então, a
(MpBB), a partir da proa. marcação polar será por boreste. Nesse caso, a marcação
polar será igual à marcação relativa.
- Se a marcação relativa (Mr) for maior que 180°, então, a
marcação polar será por bombordo. Nesse caso, basta subtrair
360° à marcação relativa.
Ao escolher os pontos a serem usados na
determinação de uma posição, deve-se Importante:
atentar para os seguintes detalhes:
- Se a posição vai ser determinada por duas
Fazer marcações é uma rotina que objetiva determinar a
retas de marcação, o ideal e que o ângulo posição da embarcação ou verificar o movimento relativo de
entre as mesmas, seja próximo a 090°. Se outra embarcação em relação à sua. Porém, não devemos
forem tomadas três marcações, os ângulos esquecer de que as marcações a serem traçadas na carta
entre as retas deverão ser próximos de 060°. náutica tem que ser Marcações Verdadeiras (Mv) sendo,
portanto, necessário saber convertê-las.
Conversão de Rumos a Antes de prosseguir no estudo de Rumos e Marcações, é
essencial fixar, os conceitos de Declinação magnética, Desvio
Bordo da agulha e Variação Total. Assim, se necessário, reveja a
unidade 11 (Navegando com Agulhas Magnéticas).
Vamos em frente.
Mestre-Amador 122
[RUMOS E MACAÇÕES]
Na conversão de rumos realizamos, basicamente, a ação de
somar ou subtrair a Declinação magnética (Dmg) e o Desvio
da agulha (Da) ao Rumo (R) apresentado.
Para facilitar o trabalho de converter rumos, o navegante
deve considerar que, a bordo, ele sempre está vendo o Rumo
da agulha (Rag), quando usando agulha magnética, mas
colocará na carta náutica o Rumo verdadeiro (Rv).
E, quando estiver trabalhando na carta, precisa levar o rumo
verdadeiro para a agulha (para o piloto da embarcação).
Assim, há dois métodos para converter rumos.
- Método gráfico (ou calunga – desenho ao lado, já visto na
unidade anterior). Neste método, construímos um desenho,
começando sempre pelo Norte verdadeiro (Nv), em seguida
aplicamos a Declinação magnética (Dmg) e desenhamos o
Norte magnético (Nmg). Depois, aplicamos o Desvio da agulha
(Da) e o Norte da agulha (Na ou Nag). Com o desenho pronto,
somamos ou subtraímos para converter o rumo desejado.
- Método matemático (ou algébrico).
A seguir, serão apresentados alguns exercícios resolvidos,
que certamente reforçarão o seu entendimento.
EXERCÍCIO 01:
Sendo o Rumo verdadeiro (Rv) = 120°, a Declinação magnética (Dmg) = 20°W, e o Desvio da agulha (Da)
= 5°W, então o Rumo da agulha (Ra) será:
a) Resolvendo pelo Calunga:
Faça o calunga, conforme mostra a figura começando pelo Nv, a
partir do qual, aplique a Dmg para obter o Nmg. Em seguida aplique o
Da, a partir do Nmg para obter o Na. Depois aplique o Rv, a partir do
Nv, quando então poderá desenhar a Proa.
Solução:
Depois de fazer o calunga, fica fácil saber que, para governar em
um Rv = 120°, é preciso governar com o Ra de 145°.
b) Resolvendo o mesmo exercício algebricamente:
Primeiro organize os dados conhecidos:
Rv = 120°E
Dmg = 20°W
Da = 5°W
Ra = ?
Relembrando: Para simplificar, vamos obter a Variação Total (VT):
- Mantemos fixos, o rumo da embarcação Como VT = Dmg ± Da
(proa) e o Norte verdadeiro (Nv). Aplicando a fórmula teremos:
- O Rv é medido do Nv até a proa da VT = 20°W + 5°W = 25°W (sinais iguais somam-se)
embarcação.
- A Dmg varia do Nv para o Nmg.
Vamos encontrar o Rumo agulha (Ra):
- O Da varia do Nmg para o Na
Fórmula: Ra = Rv ± VT
- O Ra é medido do Na até a proa da
embarcação. Aplicando a Fórmula teremos:
Ra = 120°E + 25°W
Ra = 145°.
Mestre-Amador 123
[RUMOS E MACAÇÕES]
EXERCÍCIO 02:
Sendo o Rumo da agulha (Ra) = 180°, a Declinação magnética (Dmg) = 25°E, e o Desvio da agulha (Da) =
5°W, então o Rumo verdadeiro (Rv) será:
a) Resolvendo pelo Calunga:
Faça o calunga, conforme mostra a figura começando pelo Nv, a
partir do qual, aplique a Dmg para obter o Nmg. Em seguida aplique o
Da, a partir do Nmg, quando então poderá desenhar o Na. Em
seguida, aplique o Ra, a partir do Na. Agora, você já pode desenhar o
Rv, a partir do Nv. Depois de fazer o Calunga, conclui-se que o Rv que
a embarcação está navegando é de 200°.
b) Resolvendo o mesmo exercício algebricamente:
Primeiro organize os dados conhecidos:
Ra = 180°
Dmg = 25°E
Da = 5°W
Rv = ?
Para simplificar, vamos obter a Variação Total (VT):
Como VT = Dmg ± Da
Aplicando a fórmula teremos:
Lembre-se: VT = 25°E - 5°W = 20°E (sinais diferentes subtraem)
- Mantêm-se fixos o rumo da embarcação
(proa) e o Norte verdadeiro (Nv). Vamos encontrar o Rumo Verdadeiro (Rv):
- A Dmg varia do Nv para o Nmg.
Fórmula: Rv = Ra ± VT
- O Da varia do Nmg para o Na
- O Ra é medido do Na até a proa da
Aplicando a Fórmula teremos:
embarcação. Rv = 180°E + 20°E
- O Rv é medido do Nv até a proa da Rv = 200°
embarcação.
Conversão de Marcações A conversão de marcações segue as mesmas regras da
conversão de rumos.
Bordo Acompanhe os exercícios resolvidos:
EXERCÍCIO 03:
Sendo o Rumo verdadeiro (Rv) = 040°, a Marcação da agulha (Mag) = 270°, a Declinação magnética
(Dmg) = 19°W, e o Desvio da agulha (Da) = 5°E, então a Marcação verdadeira (Mv) será:
a) Resolvendo pelo Calunga:
Faça o calunga, conforme mostra a figura começando pelo Nv, a
partir do qual, aplique a Dmg para obter o Nmg. Em seguida aplique o
Da, a partir do Nmg, quando então poderá desenhar o Na. Em
seguida desenhe o Rv, a partir do Nv para obter a Proa. Depois
desenhe a Mag, a partir do Na até o objeto. Observando o calunga
verificamos que a Mv = 270° - 14° = 256°.
b) Resolvendo o mesmo exercício algebricamente:
Primeiro organize os dados conhecidos:
Rv = 040°
Mag = 270°
Dmg = 19°W
Da = 5°
Mv = ?
Mestre-Amador 124
[Link] [RUMOS E MACAÇÕES]
Vamos encontrar a Variação Total (VT):
Mais uma vez, Lembre-se: Fórmula: VT = Dmg ± Da
- Mantêm-se fixos o rumo da embarcação Aplicando a fórmula teremos:
(proa) e o Norte verdadeiro (Nv).
VT = 19°W – 5E° = 14°W.
- A Dmg varia do Nv para o Nmg.
- O Rmg varia do Nmg até a proa.
- O Rv é medido do Nv até a proa. Vamos encontrar a Marcação verdadeira (Mv):
Fórmula: Mv = Ma ± VT
Siglas: Aplicando a Fórmula teremos:
Da - Desvio da agulha Mv = 270°E - 14°W
Ra - Rumo da agulha Mv = 256°
Vt - Variação Total
Lembre-se:
- Isto é uma soma algébrica, portanto, caso o Da e a Dmg sejam negativos (-),
em vez de somar você terá que subtrair.
Exercício 04:
Sendo o Rumo da agulha (Ra) = 025°, a Marcação relativa (Mrel) = 090°, a Declinação magnética (Dmg)
= 21°W, e o Desvio da agulha (Da) = 4°W, então a Marcação verdadeira (Mv) será:
a) Resolvendo pelo Calunga:
Faça o calunga, conforme mostra a figura começando pelo Nv, a
partir do qual, aplique a Dmg para obter o Nmg. Em seguida aplique o
Da, a partir do Nmg, quando então poderá desenhar o Na. Em
seguida aplique o Ra, a partir de seu norte para obter a Proa. Depois
desenhe a Mrel a partir da Proa. Agora para finalizar desenhe a Mv, a
partir de seu Norte de referência. Observando o calunga verificamos
que a Mv = 090°.
b) Resolvendo o mesmo exercício algebricamente:
Primeiro organize os dados conhecidos:
Ra = 025°
Mrel = 090°
Dmg = 21°W
Da = 4°
Mv = ?
Vamos encontrar o Rumo verdadeiro (Rv):
Fórmula: Rv = Ra ± Dmg ± Da
Aplicando a fórmula teremos:
Rv =025°E - 21°W - 4°W = 000°.
Vamos encontrar a Marcação verdadeira (Rv)
Fórmula: Mv = Mr + Rv
Aplicando a Fórmula teremos:
Mv = 090°W - 000°W
Mv = 090°
Mais uma vez, Lembre-se:
- Isto é uma soma algébrica, portanto, caso o Da e Dmg sejam negativos (-),
em vez de somar você terá que subtrair.
Após realizar os exercícios, certamente você percebeu que o método de fazer o Calunga, é muito
prático, especialmente, por permitir visualizar o problema sem a necessidade de decorar fórmulas.
Mestre-Amador 125
[RUMOS E MACAÇÕES]
Vamos Praticar? Resolva graficamente (utilizando o calunga) os exercícios:
Respostas?
- Confira as respostas dos exercícios ao 5.1 – Sendo o Rmg=120° e a Dmg=20°W, então o Rv será:
final desta unidade.
Resposta = ______
5.2 – Sendo o Rv = 000° e a Dmg = 20°E, então o Rmg será:
Recomendações práticas:
Leia cuidadosamente o problema e Resposta = ______
certifique-se de que compreendeu
perfeitamente, que dados são 5.3 – Sendo o Da = 3°E e a Dmg = 20°W, então a VT será:
fornecidos e que dados são pedidos.
Lembre-se de que a solução de todos Resposta = ______
os problemas baseia-se em uns
poucos princípios básicos e simples. 5.4 – Sendo o Rv = 100°, o Rmg = 119° e o Ra =122°, então os valores
Certifique-se de haver compreendido da Dmg, VT e Da serão, respectivamente:
esses princípios básicos.
Resposta – Dmg = ______ VT = ______ Da = ______
5.5 Sendo a Dmg = 20°W, o Rmg = 090° e a MpBB = 090°, então a MV
Dicas: será:
- Faça o Calunga:
1. Desenhe a reta que representa o Norte
verdadeiro (Rv);
Resposta = ______
2. Desenhe a reta que representa o Norte
magnético. Para isto precisará do valor da 5.6 – Sendo o Rv = 100° e a Mv = 055°, a Mrel será:
Declinação magnética (Dmg);
3. Desenhe a reta que representa o Norte Resposta = ______
da agulha (Nag). Para isto precisará do valor
do Desvio da agulha (da); 5.7 – Sendo o Rv = 145° e MpBE = 045°, a Mv será:
4. Desenhe a curva que representa o Rumo
verdadeiro (Rv). Para isto precisará do valor
Resposta = ______
do Rumo verdadeiro ou a curva que
representa o Rumo magnético (Rmg) ou o
Rumo da agulha (Rag), conforme cada caso. 5.8 – Sendo o Rv = 045° e a Mrel = 300°, a MpBB será:
Abreviaturas Utilizadas N ou Nv - Norte verdadeiro
Nm ou Nmg - Norte magnético
Nesta Unidade e seus Nag ou Na - Norte da agulha
Significados:
Dm ou Dmg - Declinação magnética
Nota:
- Não existe um padrão universal ou Dag ou Da - Desvio da agulha
internacional de abreviaturas na VT - Variação Total
representação dos termos empregados em
navegação. Porém, buscamos utilizar nesta Rv - Rumo verdadeiro
unidade abreviaturas comumente utilizadas
pela Marinha do Brasil em suas obras.
Rm ou Rmg - Rumo magnético
Rag ou Ra - Rumo da agulha
Rp - Rumos práticos
Mv - Marcação verdadeira
Mm ou Mmg - Marcação magnética
Mr ou Mrel - Marcação relativa
Mp - Marcação polar
MpBB - Marcação polar Bombordo
MpBE - Marcação polar Boreste
Mestre-Amador 126
[RUMOS E MACAÇÕES]
Resposta dos Exercícios 5.1 – Rv =100°
5.2 – Rmg = 340°
5.3 – VT = 017°W
5.4 – Dmg = 19°W / VT = 22°W / Da = 3°W
5.5 – Mv = 340°
5.6 – Mrel = 315°
5.7 – Mv = 190°
5.8 – 060°BB
Saiba mais
Você pode saber mais sobre o assunto estudado nesta unidade consultando os seguintes sites:
[Link]
(Agulhas Náuticas; Conversão de Rumos e Marcações)
[Link]
[Link]
[Link]
[Link]
Mestre-Amador 127
[Link] [POSIÇÃO NO MAR]
Unidade 13:
Nesta unidade, você aprenderá sobre as linhas de posição (LDP), os processos para a determinação
da posição no mar, as técnicas e regras da navegação estimada e costeira, os efeitos da corrente
sobre a trajetória da embarcação e como determinar distâncias no mar.
Posição No Mar Uma posição no mar é definida por um paralelo e um
meridiano que passa no ponto, ou seja, por suas coordenadas
geográficas de latitude e longitude como referências.
Conhecendo nossa posição, podemos determinar a direção
a seguir e corrigi-la sempre que necessário; saber a que
distância está nossa embarcação; quanto tempo levará para
Derrota: alcançar o destino, e também, evitar perigos eventuais em
- Linha traçada na carta náutica que uma nossa derrota (viagem).
embarcação deve seguir numa viagem para Se a “derrota”, do ponto de partida até o destino, é feita
se deslocar de um lugar para outro. em um único rumo, dizemos que a embarcação segue uma
derrota simples ou singradura única. Se, para alcançar o
destino, for necessário usar mais de um rumo, dizemos que a
Singradura embarcação segue uma derrota composta, ou em singraduras
- caminho percorrido num único rumo. múltiplas.
Ponto de chegada (ou final) – Chamamos de ponto de
chegada ou final a um ponto nas proximidades do porto de
Rumos práticos destino, arbitrariamente determinado pelo navegador, a partir
- Quando se navega em águas restritas, do qual se navega em “rumos práticos”, com o prático do porto
tais como, em lagos, lagoas, baías, rios e a bordo ou não. É preciso notar que nessas ocasiões, mesmo
canais, é comum orientar-se por pontos
em Terra (pontos notáveis) para obtenção
navegando em “rumos práticos”, fazem-se ainda as marcações
do posicionamento da embarcação, e não julgadas necessárias para conhecer, a curtos intervalos de
por rumos da agulha. A essa referência tempo, a posição da embarcação e verificar se ela vai bem ou
denomina-se de Rumos Práticos. mal navegada, adotando-se de pronto os cuidados e medidas
necessárias a uma navegação segura e precisa.
Durante a execução da derrota, o navegante está
constantemente fazendo-se as seguintes perguntas: “qual é
Plotagem minha posição atual? Para onde estou indo? Qual será minha
- Localizar, no mar, a posição da embarcação posição num determinado tempo futuro?”.
ou de um objeto (alvo), numa carta náutica. A determinação da posição e a plotagem na carta náutica
constituem, normalmente, os principais problemas do
navegante, advindo daí uma série de raciocínios e cálculos, que
dizem respeito ao caminho percorrido ou a percorrer pela
embarcação e à decisão sobre os rumos e velocidades a adotar.
Para determinar a sua posição, o navegante recorre ao
emprego das Linhas de Posição (LDP).
Linhas de Posição (LDP) Linha de Posição (LDP) – É o lugar geométrico de todas as
posições possíveis que o barco pode ocupar, tendo efetuado
Linha de Posição (LDP)
certa observação, em um determinado instante.
- É o lugar geométrico de todas as posições Sempre que em navegação costeira olhamos um
que navio pode ocupar. Ou seja, é a linha, determinado objeto (alvo), podemos dizer que a linha de
sobre a qual, se encontra a embarcação. visada ligando “observador e alvo” determina uma linha de
posição (LDP).
As LDP possuem formas geométricas diferentes, de acordo
com as observações que lhes deram origem.
Com exceção das isobatimétricas, que podem assumir as
Mestre-Amador 128
[POSIÇÃO NO MAR]
curvas mais caprichosas, as LDP, geralmente, possuem formas
retas ou circunferências, o que simplifica o traçado sobre uma
carta náutica.
As LDP recebem denominações de acordo com o tipo de
observação que lhes dão origem. Sendo assim, as principais LDP
utilizadas em navegação costeira e em águas restritas podem
ser:
retas de marcação;
retas de alinhamento;
circunferência de igual distância; e
linhas de igual profundidade (isobatimétricas).
Circulo de posição
Nota: Uma única LDP indicará ao navegante o lugar geométrico
das múltiplas posições que a embarcação poderá assumir em um
determinado instante, fruto da observação que efetuou, mas não a
sua posição.
Descrição das Linhas de Reta de Marcação – (figura 1) é, talvez, a LDP mais utilizada
em navegação costeira e em águas restritas. Traça-se a reta
Posição (LDP)
de marcação apenas nas proximidades da posição estimada
da embarcação, para evitar rabiscar demais a carta náutica.
- Lembrando que na carta só se traçam marcações verdadeiras.
Reta de Alinhamento – (figura 2) é a LDP de maior precisão,
não necessitando de nenhum instrumento para ser obtida,
sendo determinada por observação visual direta (a olho nu).
São condições essenciais.
Os dois pontos que se alinham devem ser bem definidos,
corretamente identificados e, estarem representados na carta
Figura 1
náutica; e
A altitude do ponto posterior deve ser maior que a do
ponto anterior. Por exemplo: na figura, a igreja (IG) está acima
da Torre.
Alinhamento
- É a linha na qual o observador pode ver dois objetos
identificáveis na mesma marcação. Pode ser usado para dar ao
observador uma indicação rápida de sua posição, ou de sua direção.
Circunferência de igual distância – (figura 3) existem alguns
métodos para se determinar a distância de terra e, além
disso, os equipamentos de auxilio à navegação fornecem
Figura 2 também essas distâncias. Porém, todos eles geram linhas de
posição através de circunferências de igual distância. Para
obter-se a distância de um ponto notável qualquer basta
fazer o seguinte:
Traça-se na carta a LDP de igual distância com o
compasso centrado no objeto (ajustado na escala de latitudes,
com uma abertura igual à distância medida). Tal como no caso
da reta de marcação, normalmente, traça-se apenas o trecho
Mestre-Amador 129
[Link] [POSIÇÃO NO MAR]
da circunferência de igual distância situada nas proximidades
da posição estimada da embarcação.
Veja que circunferências de igual distância são linhas de posição,
já que em um dos pontos do círculo, e somente um, está a posição da
embarcação.
Linha de igual profundidade (isobatimétrica ou isobática) –
(figura 4) quando é medida uma profundidade a bordo, fica
Figura 3 definida uma linha de posição, pois se pode dizer que o
barco estará em algum ponto da isobática correspondente à
profundidade obtida. Cabe ressaltar, que a isobática é uma
LDP aproximada, mas que tem grande emprego como LDP
de segurança, para se evitar áreas perigosas. A
profundidade limite pode, inclusive, ser ajustada no alarme
do ecobatímetro. Contudo, o emprego da isobatimétrica
como LDP só tem real valor em áreas onde o relevo
submarino é bem definido e apresenta pouca variação.
Digamos que o navio sondou 20 metros em um determinado
instante. Dizemos que nesse instante ele está sobre a isobática de 20
metros, representada na carta náutica da área. (Quando se utiliza
Figura 4
uma isobática como LDP, convém usar sempre uma que conste da
carta náutica na qual navega). Além disso, ao utilizar isobatimétricas
Isobatimétrica ou isobática é indispensável ter em mente que os ecobatímetros indicam, muitas
- Linha de igual profundidade. Que tem igual vezes, a profundidade abaixo da quilha. Nesse caso, para saber a
fundura. profundidade real, é importante somar o calado do navio ao valor
indicado pelo equipamento; e quando se desejar maior precisão,
Ecobatímetro deve-se considerar também a altura da maré no momento da
- Equipamento que mede as profundidades. medição.
Por exemplo:
Calado
- Se o ecobatímetro indica a profundidade de 10 metros, e seu
- Distância entre a quilha do navio e a linha
de flutuação. Espaço ocupado pelo navio
barco tem calado de 2 metros, então a profundidade real é de 12
dentro da água. metros. Se a altura da maré, no local, indica 3 metros, então a
profundidade mais precisa será de 15 metros.
Marcações Simultâneas Você aprendeu que uma única LDP contém a posição da
embarcação, mas não a define. Para determinar a posição, é
necessário cruzar duas ou mais LDP, do mesmo tipo ou de
naturezas diferentes.
Dessa forma pode-se determinar a posição da embarcação,
ou seja, o ponto onde se situa a embarcação, pelo cruzamento
de duas ou mais LDP derivadas de marcações e/ou distâncias
obtidas em um mesmo instante.
Marcações Simultâneas: consiste em tomar a direção
(marcação) de no mínimo dois pontos notáveis diferentes, no
Fonte: amaran mesmo instante, converter a marcação para verdadeira se
estiver usando a agulha magnética e, em seguida, plotar as LDP
As marcações são simultâneas, quando tem na carta náutica. O resultado desta operação é que, no
dois pontos, no mesmo instante. cruzamento das LDP, se determina o ponto (posição) onde se
encontra a embarcação.
Mestre-Amador 130
[Link] [POSIÇÃO NO MAR]
Ao fazer as marcações simultâneas, é necessário ter alguns
cuidados com os pontos de apoio, são eles:
O ângulo formado entre as duas marcações não deve
ser nem muito fechado (menor que 30°) nem muito
aberto; (maior que 120°).
Sempre que possível, deve-se obter a marcação de um
terceiro ponto notável, a fim de confirmar a posição.
Nesse caso, o ângulo de cruzamento ideal é de 120°
(quando se visam pontos por ambos os bordos) ou 60°
(quando todos os pontos estão situados dentro de um
arco de 180°, como no caso em que um navio desloca ao
longo da costa).
Antes de tomar as marcações, identifique corretamente
os pontos notáveis em terra e na carta náutica.
Para minimizar os possíveis erros na LDP, devemos evitar
marcações de pontos muito distantes.
Devemos fazer a marcação de um ponto notável e, em
seguida, o do outro, no menor intervalo de tempo
Marcações Simultâneas
Fonte: [Link] possível.
Nota: Utilizando dois pontos, o ângulo de cruzamento ideal
entre as LDP é de 90°. No caso de interseção de três LDP, o ângulo
ideal é de 120° (quando se visam pontos por ambos os bordos) ou 60°
(quando todos os pontos estão situados dentro de um arco de 180°).
Obtenção da Posição na Navegação Costeira
É bom você saber que existe um número infinito de
Relembrando: posições possíveis ao longo de uma linha de posição ou sobre
- Navegação Costeira é a que se faz tendo um único círculo de distância. No entanto, para a obtenção da
como referência pontos em terra, tais como, posição de nossa embarcação, em um determinado instante, é
montanhas, pontas, faróis, torres, picos,
necessário que tenhamos duas ou mais marcações, duas ou
ilhas e outras constantes das cartas náuticas.
mais distâncias de objetos diferentes, ou uma combinação de
marcação e de distância, alinhamentos e profundidades.
Vejamos os principais processos para obtenção da posição:
1. Posição determinada por duas marcações simultâneas -
Mesmo que seja apenas um observador determinando as duas
LDP, elas poderão ser consideradas “simultâneas”, desde que o
intervalo de tempo entre as observações seja o mínimo
possível.
Quando uma posição é determinada por LDP simultâneas,
as linhas de posição não necessitam ser individualmente
Posição determinada por duas marcações visuais identificadas, rotulando-se apenas a posição, com a hora e o
(simultâneas)
odômetro correspondentes.
Hora Odômetro Objeto Visado Marcação
06:48 0022.0 Mastro 286°
Frarolete (Fte.) 194°
Mestre-Amador 131
[Link] [POSIÇÃO NO MAR]
2. Posição determinada por alinhamento e marcação visual
- É, também, uma combinação de LDP bastante empregada na
pratica da navegação costeira ou em águas restritas. Cruza-se a
reta de alinhamento com a reta de marcação de outro ponto
notável.
Oferece algumas vantagens especiais, tais como boa
precisão e o fato de o alinhamento não necessitar de nenhum
instrumento para sua observação.
Posição determinada por alinhamento e
marcação visual Hora Odômetro Objeto Visado Marcação
12:27 1247.0 Alinhamento -
Mastro/Chaminé
Torre 047°
3. Posição determinada por marcação e distância
simultâneas de um mesmo objeto - Consiste em tomar
marcação de um ponto notável e obter a sua distância no
mesmo momento (marcações simultâneas de um mesmo
objeto). Após esta operação, plota-se na carta as LDP (reta e
curva). O cruzamento das linhas determinará o ponto (posição)
onde se encontra a embarcação.
Esse método produz bons resultados, pois as duas LDP
cortam-se num ângulo de 90°, o que constitui condição
favorável. É especialmente indicado quando se combinam uma
marcação visual e uma distância radar a um mesmo objeto,
Posição determinada por marcação e distância pois ambos os tipos de LDP apresentam boa precisão.
simultâneas de um mesmo objeto
Hora Odômetro Objeto Visado Marcação
14:15 0043.8 Torre M = 000°
Dist. 2.3M
4. Posição determinada por marcação de um objeto e
distância de outro - Esse método é empregado quando não é
possível obter a marcação e a distância de um mesmo objeto.
Por exemplo, (observe a figura ao lado) a TORRE “A”,
embora notável e bem definida para uma marcação visual, está
interiorizada e situada em um local que não produziria uma boa
distância radar, o que se obtém, então, da LAJE PRETA. Cruza-
se, então, a linha de marcação da Torre A, com o círculo de
Posição determinada por marcação de um objeto distância da Laje Preta.
e distância de outro
5. Posição determinada por distâncias simultâneas -
Consiste em obter as distâncias de dois ou mais pontos notáveis
diferentes em um mesmo momento e, em seguida, plotar as
circunferências de distância (linha de posição curva); o
cruzamento das LDP determinará o ponto (posição) onde se
situa a embarcação.
Acompanhe na figura ao lado, na qual o Ponto A foi plotado
a partir de duas distâncias de terra: Lj Marambaia a 3,5’ milhas
e I. Urupira a 3.0 milhas. A posição é encontrada no
Posição determinada por distâncias simultâneas
de dois pontos notáveis
cruzamento das duas circunferências traçadas, com o compasso
posicionado em cada ponto de terra, com a abertura
correspondente às suas distâncias em milhas.
Mestre-Amador 132
[Link] [POSIÇÃO NO MAR]
6. Posição determinada por marcação e profundidade -
Embora seja um processo pouco preciso, pode fornecer um
ponto razoável, na falta de alternativas. É conveniente escolher
uma profundidade correspondente a uma das isobáticas
representadas na carta. Além disso, melhores resultados são
obtidos quando a marcação corta a isobática o mais
perpendicularmente possível. Por exemplo, na figura ao lado, o
barco marcou o farol aos 262° e, simultaneamente, sondou 20
metros com o ecobatímetro. A posição estará na interseção da
reta de marcação com a isobática de 20 metros, representada
Posição por marcação profundidade
na carta.
7. Posição determinada por meios eletrônicos - Há diversos
sistemas de posicionamento eletrônicos, capazes de fornecer
ao navegante a posição da embarcação. Entre os mais
modernos, destaca-se o GPS, que, especialmente, na sua forma
Diferencial (DGPS), pode proporcionar a precisão requerida até
mesmo para navegação em águas restritas. O GPS fornece, a
qualquer momento, as coordenadas do ponto (latitude e
longitude) diretamente na tela de um monitor com grande
precisão, sem interferência humana.
Triângulo de Incerteza Uma posição determinada por apenas duas LDP pode
conduzir a uma ambiguidade (erro). Por isso, sempre que
possível, é conveniente obter uma terceira LDP, que eliminará a
Triângulo de Incerteza
- Em uma navegação costeira, quando se possibilidade de dúvida. Assim, quando somamos três retas de
tomam três retas, elas nem sempre se marcações e elas não se cruzam em um ponto, gera-se um
cruzam em um ponto, podendo gerar um triângulo de incerteza, cujas principais causas são: não
triângulo de incerteza. simultaneidade das marcações; erros na observação de uma ou
mais marcações; desvio da agulha não detectado ou com erro;
erro na identificação dos objetos marcados; erro de plotagem;
ou erro na carta (erro na representação cartográfica: pontos
mal posicionados). Dessa forma, se:
Triângulo de Incerteza Procedimento
Adota-se o seu centro para a posição do
For pequeno
barco.
Adota-se para a posição do barco a
interseção (vértice do triângulo) mais
For próximo de um
próxima do perigo e obtêm-se outra
perigo
posição imediatamente, para
confirmação.
Fonte: [Link]
(Posição pela interseção de três Linhas de Abandona-se a posição e determina-se
For grande
posição – triângulo de incerteza.) outra imediatamente.
Poderá ser gerado um quadrilátero de
For obtida por
incerteza, e o procedimento adotado
interseção de 4 LDPS
deve ser idêntico ao acima descrito.
Nota: Quando se utilizam duas retas de marcação, devem ser
visados, sempre que possível, um ponto pela proa (ou pela popa) e
outro pelo través, para melhor definir o caimento e o avanço (ou
atraso).
Mestre-Amador 133
[Link] [POSIÇÃO NO MAR]
Simbologia das Posições Para indicar posições na carta, usam-se, comumente, entre
outras, as seguintes simbologias:
Símbolo Significado
Posição estimada, representada por um triângulo, é
uma posição sem precisão, determinada através de
valores de rumo, velocidade e tempo estimados de
acordo com as características da embarcação e das
Podemos, então, resumir que: condições de navegação.
- Linha de Posição (LDP) é a linha, reta ou
curva, onde em um dos seus pontos, e Posição observada, posição confiável, determinada
somente um, se situa a embarcação. através de marcações visuais ou por outros meios que
- Para determinar o ponto (posição) onde se possam determinar a posição com precisão.
situa a embarcação, são necessárias, no
mínimo, duas linhas de posição.
Posição radar, posição confiável. Determinada através
de marcações e distâncias pelo radar.
Posição por Marcações Quando se tem apenas um ponto notável à vista, e não
dispomos a bordo de recursos para obter a distância de terra, é
Sucessivas possível obter a posição da embarcação por marcações
sucessivas.
Pode-se dizer que existe uma série delas. Isto porque, na
verdade, todas utilizam o método de resolução de triângulos,
ou seja, marca-se um ponto notável, navega-se um período e,
em seguida, marca-se novamente o mesmo ponto notável.
Por exemplo: Observe no desenho que um triângulo está
formado, entre a ilha Rasa e a posição A (1ª marcação) e entre a Ilha
Rasa e a posição B (2ª marcação), sendo seus lados: a primeira
marcação (A), a distância navegada (d) e a segunda marcação (B).
Assim, forma-se um triângulo isóscele (dois lados iguais),
onde a distância navegada (d, entre A e B) é igual à distância ao
Marcações Sucessivas ponto notável (I. Rasa) por ocasião da segunda (ponto B à Ilha
Rasa), e pode-se determinar a posição da embarcação.
Veja como formar esse tipo de triângulo:
Processo de marcações sucessivas – utilizando marcações
polares (Mp), marca-se duas vezes um mesmo ponto notável, e
Marcações sucessivas a segunda marcação, do ponto, deve ter o dobro da primeira
- As Marcações sucessivas nem sempre são (exemplo: 30° e 60°, 45° e 90° etc.). Com esta técnica, forma-se
precisas, isto porque depende de uma um triângulo isóscele, onde um dos lados corresponde a
velocidade média confiável, o que nem
distância navegada (d), que é conhecida do navegador, e será a
sempre ocorre devido à influência de
correntes, ventos, estado do mar etc. mesma distância que o separa do ponto notável na segunda
marcação (que é o 2° lado do triângulo).
Quando você for aplicar esta técnica observe a seguinte
sequência:
1. Marca-se o ponto notável e converte-se a marcação
verdadeira para Marcação polar (MP). Anota-se a hora.
2. Calcula-se o dobro da primeira Mp e converte-se em
Marcação verdadeira (Mv), plotando-a na carta.
Mestre-Amador 134
[Link] [POSIÇÃO NO MAR]
Distâncias por Marcações Sucessivas 3. Quando a embarcação estiver nessa segunda marcação
- Nestes casos, três situações podem verdadeira, anota-se a hora novamente.
ocorrer:
a) Duas marcações de um mesmo objeto, 4. Multiplica-se o tempo decorrido entre a primeira e a
tomadas com um intervalo de tempo entre segunda marcação pela velocidade da embarcação,
elas. obtendo-se a distância navegada. (D = V x T).
b) Duas marcações de objetos diferentes, 5. Na escala de latitude, faz-se uma abertura com o
tomadas com um intervalo de tempo entre
elas.
compasso igual à distância navegada (em milhas) e, em
c) Uma série de marcações de um mesmo seguida, com a ponta do compasso sobre o ponto
objeto. notável marcado, traça-se um círculo de mesma
distância, de forma a cruzar a segunda marcação. O
cruzamento determinará o ponto (posição) onde se
encontra a embarcação.
Exercício: Vamos a um exercício:
- Uma embarcação navega aos 100°
verdadeiros e com velocidade média de
8 nós. Às 08h horas, o Mestre marcou o
farol da Ilha Brava, aos 145°
verdadeiros. Utilizando a técnica da
(segunda marcação o dobro da
primeira) para obter a posição da
embarcação, calculou e plotou na carta
a segunda marcação, que aconteceu às
08h30m. Quais são a marcação polar
(Mp) e a marcação verdadeira (Mv)
referentes à segunda marcação e a Solução:
distância ao farol? 1. Converte-se a primeira marcação verdadeira em Mp (BE):
Mp (BE) = Mv - Rv
Dados Iniciais: Mp (BE) = 145⁰ - 100⁰
Rv = 100° Mp (BE) = 045° (Primeira Marcação Polar)
Mv = 145°
Mp = ? 2. Dobrando a primeira Mp (BE) acha-se o valor da 2ª marcação:
Mv = ? Logo,
- Primeira Mp (BE) = 045° e Segunda Mp (BE) = 090°
Fórmula para cálculo de distância,
velocidade e tempo:
3. Converte-se a 2ª marcação polar para verdadeira (MV) e acha-se
a 2ª marcação (Mv):
Mv = Rv + Mp (BE)
Mv = 100° + 090° Mv = 190°
4. Calcula-se a distância navegada, que é igual à distância ao farol,
ao chegar o barco na segunda marcação:
Distância navegada
Cálculo da Hora: D = V x T ► D = 8 nós x 0,5 horas = 4 milhas
1 hora = 60 minutos Distância ao farol na segunda marcação = 4 milhas.
X hora = ?
► no caso 08h30min - 08h = 30min A distância navegada também pode ser obtida por meio do
Então,
X = 30 minutos / 60 minutos odômetro.
X = 0,5 horas.
Outra técnica, também utilizada em marcações sucessivas,
Nota: é o transporte de marcação. Vejamos como funciona:
1 hora = 60 minutos
0,5 hora (metade de uma hora), que é igual
a 30 minutos (metade de 60 minutos).
Mestre-Amador 135
[Link] [POSIÇÃO NO MAR]
Transporte da Primeira Marcação:
Consiste em marcar um ponto notável, deixar que passe um
período a fim de que a marcação varie, e marcar uma segunda
vez o mesmo ponto notável. Em seguida, usando a régua de
paralelas, transporta-se (desloca-se) a primeira marcação para
o tempo da segunda. O cruzamento das marcações determina o
ponto (posição) onde se situa a embarcação.
Quando você for aplicar esta técnica observe a seguinte
sequência:
1. Marca-se um ponto notável e anota-se a hora.
2. Deixa-se passar um intervalo de tempo, a fim de que a
marcação do objeto varie (no mínimo 30°).
3. Marca-se pela segunda vez o mesmo ponto notável,
anota-se a hora e calcula-se a distância navegada entre a
primeira e a segunda marcação.
4. Transporta-se a primeira marcação, sobre o rumo,
paralelamente a si mesma, para a hora da segunda,
utilizando a distância navegada, entre a 1ª e a 2ª
marcação.
5. O cruzamento da segunda marcação com a primeira
marcação transportada determina o ponto onde se situa
a embarcação, para este segundo instante.
Vamos a um exercício para facilitar o entendimento:
Exercício:
- Um barco navega com rumo
verdadeiro de 000° e com velocidade
média de 10 nós. Às 10h, o Mestre
marcou o farolete da Ilha Comprida aos
050° verdadeiros e, às 11h, marcou
novamente o mesmo farolete aos 110°
verdadeiros.
Como determinar a posição da
embarcação, somente com estas duas
marcações? Solução:
Determina-se a distância navegada entre as duas marcações:
Dados Iniciais: D = V x T ► D = 10 nós x 1 hora = 10 milhas (distância navegada)
Rv = 000°
V = 10 nós Observe a figura acima. Com a ajuda do compasso, marca-se,
sobre o rumo, 10 milhas a partir da primeira marcação. Em seguida,
Cálculo da Hora:
1 hora = 60 minutos
transporta-se a 1ª marcação para o ponto marcado, com a ajuda da
X hora = ? ► no caso 11h - 10h = 60min régua de paralelas. No cruzamento da segunda marcação com a
Então, primeira transportada, determina-se o ponto onde se situa a
X = 60 minutos / 60 minutos embarcação.
X = 1 hora.
Mestre-Amador 136
[POSIÇÃO NO MAR]
Obtenção da Posição na Navegação Estimada
Você já sabe que a navegação estimada é o processo de
determinar a posição aproximada da embarcação, recorrendo-
se somente às características do seu movimento, aplicando-se à
última posição conhecida plotada na carta um vetor, ou uma
série de vetores, representando todos os rumos verdadeiros e
velocidades ordenados subsequentemente.
Veja na figura ao lado, um exemplo de plotagem do ponto
estimado, pela aplicação da equação que relaciona distância,
velocidade e tempo, ao movimento da embarcação, a partir de
uma posição conhecida inicial.
No exemplo, partindo de uma posição inicial conhecida (posição
observada de 07 horas), o barco governou no rumo verdadeiro (Rv =
100°), com velocidade de 15 nós. Às 08 horas, a posição estimada do
barco estará sobre a linha de rumo (R = 100°) e a uma distância de 15
milhas da posição de 07 horas (pois, em uma hora, um barco a 15 nós
navega 15 milhas).
Vamos conferir?
Usando a Fórmula: D = V * T
D = 15 nós * 1 hora
D = 15 milhas
Tirando a prova: Se uma embarcação percorre 15 milhas em 1
hora. Qual a sua velocidade média?
Usando a Fórmula: V = D : T ► V = 15 : 1 = 15 nós.
Regras para a navegação As seis regras para a navegação estimada são: (Acompanhe
na figura ao lado).
Estimada 1. As horas devem representadas por quatro algarismos,
desde o ponto inicial (partida) até o ponto de chegada
(final);
2. Uma nova posição deve ser plotada a cada mudança de
rumo;
3. Uma nova posição deve ser plotada a cada mudança de
velocidade;
4. Uma nova posição deve ser plotada para o instante em
que se obtém uma posição determinada;
5. Uma nova posição deve ser plotada para o instante em
que se obtém uma simples linha de posição;
6. Uma nova linha de rumo e uma nova plotagem estimada
devem ser originadas de cada posição determinada
obtida e plotada na carta.
Nota:
- Uma posição estimada deverá ser representada na carta náutica
por um triângulo (Δ). Os rumos verdadeiros por seus valores
angulares. Deve-se anotar também a velocidade ao longo de cada
rumo.
- Não se ajusta uma plotagem estimada com uma única LDP.
- Uma LDP cruzando uma linha de rumo não constitui uma posição
determinada, pois uma linha de rumo não é LDP.
Mestre-Amador 137
[Link] [POSIÇÃO NO MAR]
Fatores que Influenciam a Podemos distinguir vários fatores influenciam a posição
estimada, os mais importantes são: correntes marítimas;
Posição Estimada correntes de marés; efeito dos ventos; estado do mar; mau
Correntes: governo da embarcação; indeterminação do desvio da agulha
- Na prática chama-se “corrente” à ou não detecção; erros de odômetro ou do velocímetro; “obras
resultante de todos os fatores que afetam o vivas” com excesso de incrustações; e Banda e trim.
movimento da embarcação.
Termos Empregados na Veja os principais termos empregados na Navegação
Estimada:
Navegação Estimada
Velocidade do navio (Vn) - ou, simplesmente, velocidade, é
a distância percorrida em 1 hora na superfície.
Velocidade no fundo (VFd) - é a distância percorrida pelo
navio, em 1 hora, em relação ao fundo. É, então, a
resultante da velocidade do navio com a velocidade da
corrente.
Velocidade da corrente (Vcor) - é o efeito combinado
provocado pelos fatores mencionados acima, durante cada
hora, sobre o caminho percorrido pelo barco. O termo
também é empregado para indicar, isoladamente, o
deslocamento da massa líquida por ação exclusiva das
correntes marítimas, ou, em águas restritas, pela ação
conjunta das correntes marítimas e correntes de marés.
Rumo na superfície (Rn) - ou, simplesmente, Rumo (R) como
já visto, é o ângulo entre o Norte verdadeiro e a direção na
qual governa o barco (em relação à superfície), contado de
000° a 360°, no sentido horário, a partir do Norte
Verdadeiro.
Rumo no fundo (Rfd) - é o ângulo entre o caminho
efetivamente percorrido pelo navio (projetado sobre o
fundo do mar) e o Norte verdadeiro, contado de 000° a
360°, a partir do Norte verdadeiro, no sentido horário.
Rumo da Corrente (Rcor) - é o ângulo entre o caminho
efetivamente percorrido pelo navio (projetado sobre o
fundo do mar) e o norte verdadeiro, contado de 000⁰ a
360⁰, a partir do Norte verdadeiro, no sentido horário.
Abatimento (abt) – é o ângulo entre o rumo na superfície e
o rumo no fundo, contado para BE ou para BB, a partir do
rumo na superfície.
Caimento, avanço e atraso – quando se compara uma
posição observada com a posição estimada para um
mesmo instante, a distância entre os dois pontos é o efeito
da corrente. Esta distância poderá ser decomposta em duas
componentes: a primeira, denominada avanço (ou atraso),
é obtida pelo rebatimento do ponto estimado sobre o rumo
no fundo e, consequentemente, igual à diferença das
distâncias percorridas no fundo e na superfície. A Segunda,
denominada caimento, é igual à corda compreendida pelo
arco do rebatimento. Há avanço quando a distância
percorrida no fundo é maior que a distância percorrida na
superfície.
Mestre-Amador 138
[POSIÇÃO NO MAR]
Posição estimada - posição obtida pela aplicação, a partir de
uma posição observada, de vetores definidos pelo rumo do
barco e a distância em relação à superfície.
Posição estimada corrigida - posição obtida pela aplicação,
a partir de uma posição observada, de vetores definidos
pelo rumo no fundo e distância percorrida em relação ao
fundo.
Posição carteada - é a posição que se prevê que o barco
ocupará em horas futuras. Dependendo da navegação em
curso, poderá tomar como base uma posição observada,
estimada ou estimada corrigida. Para ser plotada, poderá
ser considerada ou não a corrente, dependendo dos
elementos que o navegante dispuser. Se a corrente foi
determinada como critério, o navegante não deverá omiti-la
na carteação dos próximos pontos, adotando, então, a
premissa de que a embarcação irá se deslocar com o rumo e
a velocidade em relação ao fundo. A posição carteada é
bastante útil como antecipação dos eventos que deverão
ocorrer nas próximas horas, para alertar o pessoal sobre
faróis que irão “boiar”, variações sensíveis nas
isobatimétricas, proximidades de perigo etc. É representada
por um pequeno traço cortando o rumo, com a indicação da
hora.
Triângulo da Corrente Para determinar os elementos de uma corrente,
necessitamos plotar a posição estimada da embarcação e
compará-la à posição observada no mesmo instante
considerado. Será, então, formado o triângulo chamado
triângulo da corrente.
Neste triângulo temos os seguintes elementos:
Ponto A – posição anteriormente observada.
Ponto B – posição estimada da embarcação, para um
determinado instante, em função, a partir do ponto A,
de um rumo e uma velocidade.
Ponto C – posição observada para o mesmo instante da
posição estimada plotada.
Ponto D – destino final.
Linha AB – rumo da embarcação sem levarmos em
consideração o efeito das correntes.
O comprimento da linha AB é função do tempo de
navegação com a velocidade indicada (é o rumo da
superfície).
Linha AC – rumo verdadeiro correto da embarcação
entre as posições observadas. É costume chamá-lo de
rumo no fundo. O comprimento da linha AC dividido pelo
número de horas navegadas exprimirá a velocidade de
fundo da embarcação.
Linha BC – rumo e velocidade da corrente. Lembrando
que o comprimento da linha deverá ser dividido pelo
número de horas navegadas para exprimir corretamente
Mestre-Amador 139
[Link] [POSIÇÃO NO MAR]
a velocidade da corrente.
Abatimento
Ângulo BAC – diferença entre o rumo da embarcação
- Ventos, correntes, marés e a própria
condução da embarcação, quase sempre, (estimado) e o seu rumo verdadeiro correto (ou rumo no
provocam abatimento. É uma boa prática fundo). Essa diferença angular denomina-se abatimento.
verificar periodicamente sua posição e
corrigir o abatimento sempre que se fizer Correção do Abatimento - se, ao determinar a posição
necessário.
observada, você verificar que ela não coincide com a estimada,
havendo inclusive uma diferença angular entre o rumo traçado
e o efetivamente seguido pela embarcação, pode concluir que o
navio sofreu um abatimento.
Determinação de Distâncias Hoje em dia, a maneira mais usual de se determinar
distâncias quando se está navegando é através do radar.
no Mar Porém, aqui, você conhecerá métodos práticos de se obter
distâncias os quais, embora não sejam muito precisos, são úteis
em certos momentos e são calculados em função das altitudes
do olho do observador e do objeto visado. Mas, antes, entenda
a diferença entre os alcances mais comumente usados no mar.
Alcance geográfico - é à distância de visibilidade ao
horizonte no mar. Vai do olho do observador ao horizonte.
Depende da curvatura da Terra, da altitude do observador, da
refração terrestre e de fatores meteorológicos.
Alcance luminoso ou alcance ótico: é a distância máxima
de visibilidade de uma luz, considerando-se apenas a potência
luminosa do foco. Assim, independe da curvatura da Terra, da
refração etc.
a) Determinação da distância ao horizonte - consiste em
determinar a distância ao horizonte do navegante (também
conhecido como alcance geográfico), em face da sua elevação
em relação ao nível do mar. Desta forma, você poderá precisar
qual é seu alcance.
Vamos a um pequeno exercício:
Um navegante encontra-se no tijupá de sua embarcação, que fica
Determinação da distância ao horizonte elevado 9 metros em relação ao nível do mar. Qual é a distância visual
Fórmula:
de seu horizonte?
D=2
Solução: Aplicando a fórmula ao lado:
D – distância ao horizonte em milhas
náuticas. Fórmula: d = 2 ►d=2 ► d = 2 x 3 ► d = 6 milhas
h – elevação do olho do observador em
metros.
b) Determinação da distância a um objeto de altitude
conhecida no horizonte (boiando) - Esse método é uma
variação da distância ao horizonte e é muito utilizado para
determinar a distância, à noite, no momento em que um farol
aparece pela primeira vez no horizonte, o que chamamos de
boiar, ou quando desaparece no horizonte, que nós chamamos
de alagar.
Nesse método, leva-se em consideração não somente a
Mestre-Amador 140
[POSIÇÃO NO MAR]
elevação do observador (navegante), mas também a do farol,
que está registrado na carta náutica ou na Lista de Faróis.
Vamos a um pequeno exercício:
Se você sabe que sua altitude acima do nível do mar é de 9 metros
e que o objeto a ser visado tem uma altitude de 100 metros, pode
dizer que, em boas condições de visibilidade, quando do seu
avistamento (boiar) a distância aproximada (D) para ele será a soma
da sua distância ao horizonte (D1) com a distância do Farol ao
horizonte (D2).
Solução: Aplicando a fórmula ao lado:
Fórmula: d = 2 ►d=2 ► d = 2 x 3 ► d = 6 milhas
Determinação da distância a um objeto de Ou seja: D = D1 + D2.
altitude conhecida no horizonte (boiando) Usando a formula ao lado, temos que a distância (D) ao farol será:
Fórmula: D = 2 ( 9 + 100 )
D = (2 x 3) + (2 x 10) = 6 + 20
d = (2 + ) D = 26 milhas
d - distância do observador ao farol em
milhas náuticas. Para facilitar o navegante, foi construída uma tabela que resolve
h - elevação do olho do observador em este cálculo.
metros.
H - elevação do farol em metros. Baixe a Tabela de Alcance Geográfico na internet, no endereço:
[Link]
para acompanhar o exercício a seguir:
Um navegante que está no passadiço de sua embarcação, com a
elevação de 5 metros, presenciou, às 22:00 horas, boiar no seu
horizonte o farol de Camocim, que tem uma altitude de 20 metros.
Qual a distância do navegante ao farol?
Solução:
Utilizando a Tabela de Alcance Geográfico, entra-se na horizontal
com a altura dos olhos do observador e na vertical com a elevação
(altitude) do farol. Obtém-se, no cruzamento, a distância de 12,9
milhas. Caso você utilize a fórmula, encontrará como resultado 13,5
milhas, isto porque o coeficiente da fórmula está arredondando para
2, quando na verdade é 1,92, sendo feito para facilitar os cálculos.
Portanto, é recomendo que, sempre que possível, utilize a tabela em
vez da fórmula, tendo em vista ser mais precisa.
c) Métodos práticos de determinação de distâncias
► Método da régua graduada
Uma boa maneira de se estimar a distância a um objeto
de altitude conhecida é utilizando uma régua graduada. Basta
estender o braço na horizontal, segurar a régua verticalmente
na direção do objeto visado e verificar qual o comprimento na
régua que cobre o objeto visado (ou seja, devemos medir, sobre
Processo prático para estima de distância a escala da régua, a dimensão do objeto), tal como ilustrado na
figura ao lado.
A distância do olho do observador à régua pode ser
Mestre-Amador 141
[Link] [POSIÇÃO NO MAR]
facilmente determinada (e tende a ser uma constante para cada
observador). Com a altitude conhecida do objeto visado,
calcula-se a distância ao objeto, conforme mostrado abaixo.
De acordo com a propriedade de semelhança de triângulos,
podemos chegar à seguinte fórmula:
De acordo com a propriedade de Vamos a um pequeno exercício:
semelhança de triângulos, podemos chegar
à seguinte fórmula: Um farol com 70 metros de altitude cobre 4 centímetros de uma
régua afastada 60 centímetros do olho do observador. Então, a
distância ao farol será de:
D – distância do observador ao ponto
notável em milhas;
H – elevação do ponto notável em metros;
d – comprimento do braço do observador
Este método também pode ser usado horizontalmente,
em centímetros (converter para metro);
L – medida da imagem do ponto notável em quando se tem um objeto de comprimento conhecido. Neste
centímetros, lida, na régua (converter para caso, a régua deve ser segurada horizontalmente, com o braço
metro). esticado, devendo ser medida, sobre a escala da régua, a
dimensão de objeto visado.
A distância será expressa na unidade em que se medir a
altitude ou o comprimento do objeto. Sendo estas expressas
em metros ou pés, para termos a distância em milhas, basta
dividir o resultado por 1.852 ou 6076,12, respectivamente.
► Método de dedo
Distância a um objeto de comprimento conhecido também
pode ser estimada pelo “método do dedo”. Para tanto, basta
fechar um olho, estender um braço na horizontal, distender o
polegar na vertical e, nessa posição, fazer o polegar tangenciar
uma das extremidades do objeto. Abrindo o olho e fechando o
outro, o polegar “parece” deslocar-se sobre o objeto conhecido.
Então, com o comprimento do objeto e estimando a
porcentagem desse comprimento que o polegar “percorreu”,
ao se deslocar, aparentemente, tem-se a distância ao objeto, na
mesma unidade para medir o seu comprimento, desde que se
multiplique a porcentagem anterior por 10.
Vamos a um pequeno exercício:
Um observador estimou que o polegar, ao se deslocar, sobre uma
A distância a ilha é calculada pela fórmula:
ilha de comprimento C=2, aparentemente, da posição 1 para a
posição 2, percorreu a porcentagem P = 30% de C.
D = Distância
P = Porcentagem de deslocamento do dedo A distância da ilha seria:
C = Comprimento da ilha D = P% x C x 10
D = 0,3 x 2 x 10 = 6 milhas.
Lembre-se:
- O alcance ao horizonte é limitado pela Embora elementar esse método mostra-se eficaz com o aumento
curvatura da Terra e depende da altitude do da prática, na estimativa percentual do deslocamento aparente do
observador. Assim, quanto mais elevado polegar.
estiver o observador maior será seu alcance
visual.
Mestre-Amador 142
[POSIÇÃO NO MAR]
As publicações da Diretoria de Hidrografia e Navegação
(DHN) fornecem alcances geográficos dos faróis, considerando
o olho do observador elevado 5 metros acima do nível do mar,
em tempo claro.
Considerações Finais:
Nesta unidade, você estudou o tema “Posição no mar”, que
é um dos mais importantes para o Exame de Mestre-Amador.
Você aprendeu como determinar a posição no mar pelos
processos mais variados sempre utilizando as “linhas de
posição”.
Conheceu as técnicas e regras para as navegações costeira e
estimada. Aprendeu como anular os efeitos da corrente sobre a
trajetória da embarcação, mantendo, assim, sua derrota
planejada, e por fim, conheceu alguns métodos para
determinar a distância a um objeto que “boiou” ou “alagou” no
horizonte.
Para concluir o estudo
A finalização do estudo só estará completa se você realizar
os exercícios propostos de forma disciplinada. Realize o máximo
de exercícios simulados online, e se for preciso, consulte os
endereços indicados na coluna “Saiba mais” relacionados ao
final de cada unidade.
Bons Ventos!
Saiba mais
Você pode saber mais sobre o assunto estudado nesta unidade consultando os seguintes sites:
[Link]
(a posição no mar; navegação costeira)
[Link]
(navegação estimada)
[Link]
[Link]
[Link]
[Link]
[Link]
[Link]
Mestre-Amador 143