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Recurso Ordinário Trabalhista em Uberlândia

O recurso ordinário contesta a decisão da Vara do Trabalho que condenou a empresa Patrulha Mineira Ltda. a pagar salários e adicional de periculosidade ao trabalhador Antônio Queiroz. A empresa alega que o trabalhador se recusou a retornar ao trabalho após alta médica e que o plano de saúde foi suspenso devido à inadimplência do trabalhador. Pede que o Tribunal Regional analise o mérito do recurso.

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Roberto Machado
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Recurso Ordinário Trabalhista em Uberlândia

O recurso ordinário contesta a decisão da Vara do Trabalho que condenou a empresa Patrulha Mineira Ltda. a pagar salários e adicional de periculosidade ao trabalhador Antônio Queiroz. A empresa alega que o trabalhador se recusou a retornar ao trabalho após alta médica e que o plano de saúde foi suspenso devido à inadimplência do trabalhador. Pede que o Tribunal Regional analise o mérito do recurso.

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EXELENTISSIMO SENHOR JUIZ DA 1ª VARA DO TRABALHO DE

UBERLÂNDIA/MG

Processo nº: XXX


Patrulha Mineira LTDA. já qualificada nos autos do processo nº. XXX da
Reclamação Trabalhista em epígrafe, proposta por Antô nio Queiroz, vem
tempestivamente e respeitosamente à presença de Vossa Excelência, através seu
advogado que esta subscreve para apresentar RECURSO ORDINÁRIO com base no
artigo 895, alínea a da CLT, de acordo com as razõ es em anexo as quais requer que
sejam recebidas e remetidas ao Egrégio Tribunal Regional da 3ª Regiã o.

PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE - TEMPESTIVIDADE


Parte legitima, processualmente interessada e regulamente.
Tempestiva visto que está dentro do prazo previsto em lei, dentro dos 15 dias.
Cumpre destacar que segue em anexo Comprovante De Recolhimento das custas e
depó sito recursal no valor de R$ XXX reais, conforme art. 899,§ 9 da CLT.
Dessa forma cumprido os pressupostos de admissibilidade, requer que seja o
presente recurso seja processado e o seu mérito apreciado.
Termos em que, Pede o deferimento.
Uberlâ ndia, 6 de abril de 2021.
Advogado OAB nº

EGRÉRIO TRIBUNAL DA 3ª REGIÃO


RAZÕES DO RECURSO ORDINÁRIO
Recorrente: Patrulha Mineira LTDA
Recorrido: Antônio Queiroz

Processo: XXX
Origem: 1ª VARA DO TRABALHO DE UBERLÂNDIA/MG

NOBRE JULGADORES
CABIMENTO DO PRESENTE RECURSO ORDINÁRIO
A decisã o da Vara do trabalho trata-se de uma sentença, dessa forma encerrado
atividade jurisdicional do Douto Juiz da Primeira instancia.
Nesse contexto o reexame da decisã o supracitado só poderá ser feita através do
recurso ordiná rio, conforme preceitua o art. 895, I da CLT.
Cumpre destacar que segue em anexo Comprovante De Recolhimento da metade
das custas e depó sito recursal no valor de R$ 150,00 reais, conforme art. 899,§ 9 da
CLT.
Dessa forma cumprido os pressupostos de admissibilidade, requer que seja o
presente recurso seja processado e o seu mérito apreciado.

“DOS FATOS”
O trabalhador Antô nio Queiroz ajuizou a presente Reclamaçã o Trabalhista em face de
Patrulha Mineira Ltda. alegando que foi contratado em 4 de fevereiro de 2019 para
exercer as funçõ es de segurança, estando com o contrato de trabalho em vigor. Afirma que
ficou afastado das atividades laborativas por doença nã o relacionada ao trabalho e que
teve alta previdenciá ria em 8 de janeiro de 2021. Apresentou-se ao trabalho em 11 de
janeiro de 2021, mas seu retorno foi impedido pelo médico do trabalho da empresa, ao
fundamento de que está inapto para o exercício das atividades laborativas. Assim, pugna
pelo recebimento dos salá rios do período de afastamento. Aduz que seu plano de saú de
está indevidamente suspenso desde que teve alta previdenciá ria. Além disso, que tem
direito ao adicional de periculosidade, pois está exposto à violência física e a roubos
durante o exercício da atividade de segurança patrimonial. Foi atribuído à causa o valor de
(R$). Também foram juntados documentos. A reclamada foi regularmente citada, mas, no
prazo legal, apresentou Exceçã o de Incompetência em Razã o do Lugar, que nã o foi
provida. Ato contínuo, restou designada audiência, na qual Reclamante e Reclamada
comparecerem junto aos seus respectivos advogados. Tentada a conciliaçã o, esta restou
infrutífera. A contestaçã o foi apresentada por meio eletrô nico. Nela, a Reclamada aduziu
que nã o é verdadeira a alegaçã o de que a empresa nã o permitiu seu retorno à s atividades
laborais, mas que foi o Reclamante quem se recusou a regressar ao trabalho, alegando que
nã o estava apto para o trabalho. No tocante ao plano de saú de, pugna que o plano de saú de
sempre foi custeado por ambos os contratantes e que, desde que iniciou o recebimento do
auxílio-doença, nã o mais arcou com sua cota parte, razã o pela qual ele foi suspenso. Pugna
pela improcedência do pedido de pagamento de adicional de periculosidade, uma vez que
o Reclamante exercia as funçõ es de vigia, nã o estando exposto, portanto, a qualquer risco.
Para melhor transcurso da Audiência de Instruçã o e Julgamento, foram fixados os pontos
controvertidos e ouvidas as partes e uma testemunha a pedido do Reclamante, e outra a
requerimento da Reclamada.
Apó s tais oitivas, foi encerrada a instruçã o processual, ante a declaraçã o de nã o mais
existir provas a serem produzidas. As razõ es finais foram orais e remissivas. Por fim,
tentou-se novamente a conciliaçã o, que nã o foi exitosa.
2.FUNDAMENTAÇÃ O 2.1 LIMBO JURÍDICO PREVIDENCIÁ RIO O reclamante afirmou que,
apó s a alta dada pelo INSS, foi impedido de retornar à s atividades laborativas, em razã o de
o médico da empresa tê-lo considerado inapto ao trabalho. Razã o assiste o trabalhador. Ao
contrá rio do que afirma a empresa, o documento apresentado como prova da recusa ao
retorno ao trabalho nã o tem este conteú do. Veja-se o que diz: Eu, Antô nio Queiroz, declaro
para todos os fins de direito, que nã o me considero apto ao trabalho, por ainda apresentar
muitas dores nas costas, razã o pela qual nã o desejo retomar minhas atividades. O
mencionado documento apenas confirma o que foi constatado pelo médico da empresa, ou
seja, de que o reclamante nã o tinha condiçõ es de saú de para retomar suas atividades. A
prova testemunhal em nada socorre à empresa, pois a testemunha ouvida a seu pedido
nã o presenciou nenhuma recusa do trabalhador em retornar ao trabalho, limitando-se a
afirmar que ele se queixava de dores no dia em que o encontrou apó s a alta previdenciá ria.
O deslinde da controvérsia passa pela leitura do art. 2º da CLT, que trata do princípio da
alteridade, segundo o qual o empregador assume os riscos da atividade empresarial.
Tendo a empresa recusada a receber o trabalhador de volta ao labor, atrai para si a
obrigaçã o de arcar com os salá rios do período desde a alta previdenciá ria.
Alternativa nã o resta senã o julgar procedente o pedido e condenar a Reclamada ao
pagamento dos salá rios do Reclamante desde 11 de janeiro de 2021 até a efetiva
reintegraçã o ou novo afastamento previdenciá rio.
2.2 PLANO DE SAÚ DE No caso em tela, é incontroversa a suspensã o do plano de saú de do
Reclamante. Também inexiste discussã o acerca do fato de que, desde que o obreiro se
afastou pelo ó rgã o previdenciá rio, nã o mais arcou com sua cota parte do mencionado
plano. Assim, a aná lise a ser feita tem como fulcro a possibilidade de suspensã o do plano
de saú de em razã o deste inadimplemento. Desde o início da concessã o deste benefício, o
obreiro estava ciente de que tinha que arcar com parte dos custos do plano de saú de.
Inclusive, assinou um documento neste sentido e consentiu com os descontos que eram
feitos em seu contracheque mensalmente. Quando ficou afastado pelo INSS, ele deixou de
realizar o pagamento mensal, tendo sido notificado pela empresa para voltar a fazê-lo, sob
pena de supressã o do plano de saú de. Em que pese o princípio da alteridade, previsto no
art. 2º da CLT, nã o se pode admitir que a inadimplência acerca da cota parte de benefício
facultativo seja considerada como risco empresarial. Trata-se de benefício ao qual o
trabalhador livremente aderiu, inclusive com a condiçã o de arcar com sua cota parte.
Diante da inadimplência noticiada e incontroversa, declaro lícita a suspensã o do plano de
saú de e, consequentemente, julgo improcedente o pedido.
2.3 ADICIONAL DE PERICULOSIDADE O fundamento do pedido de recebimento de
adicional de periculosidade é de que exercia as funçõ es de segurança do estabelecimento
da Reclamada, estando, portanto, exposto à violência física. Razã o assiste ao trabalhador.
Mesmo sendo incontroverso que ele nã o portava arma de fogo e sequer tinha autorizaçã o
para isso, ele estava exposto à violência física. Isso pode ser extraído da prova
testemunhal, segundo a qual ele fazia as vezes de porteiro na Reclamada. Ora, se ele fica na
guarita destinada a este fim, está sujeito à violência física, o que se enquadra no disposto
no inciso II do art. 193 da CLT. Diante do exposto, julgo procedente o pedido, condenando
a Reclamada ao pagamento de adicional de periculosidade desde o início do contrato de
trabalho, o qual deve ser mantido quando do pagamento dos salá rios vincendos.
2.4 ASSISTÊ NCIA JUDICIÁ RIA GRATUITA No caso em tela, o Reclamante demonstrou que
cumpre os requisitos legais para ter deferido o pedido de assistência judiciá ria gratuita,
pois sua remuneraçã o mensal é de R$ 2.000,00 (dois mil reais), quantia abaixo dos 40%
teto do Regime Geral de Previdência Social.
2.6 HONORÁ RIOS ADVOCATÍCIOS No caso sob exame, a sucumbência foi recíproca, na
medida em que Reclamante e Reclamada foram vencidos e vincendos. Cumpre destacar
que os honorá rios advocatícios sã o devidos mesmo na hipó tese de concessã o da
assistência judiciá ria gratuita (§4º), assim como nã o é possível sua compensaçã o (§3º). 7
Dessa forma, fixo os honorá rios de sucumbência em 10%, para a Reclamada, cuja base de
cá lculo deve ser o montante apurado em liquidaçã o de sentença. Já para o Reclamante,
arbitro em 5%, que devem ser calculados sobre o valor relativo ao pedido constante na
petiçã o inicial, que foi julgado improcedente.
3. DISPOSITIVO Diante do exposto, sã o parcialmente procedentes os pedidos,
reconhecendo a existência de vínculo empregatício, condenando a Reclamada: a) Ao
pagamento dos salá rios do Reclamante desde 11 de janeiro de 2021 até a efetiva
reintegraçã o ou novo afastamento previdenciá rio. b) Ao pagamento de adicional de
periculosidade desde o início do contrato de trabalho, devendo o adicional ser mantido
quando do pagamento dos salá rios vincendos. Julga-se os demais pedidos improcedentes,
nos termos da fundamentaçã o acima explicitada. Sã o devidos honorá rios de sucumbência
de 10%, para a Reclamada, cuja base de cálculo deve ser o montante apurado em
liquidaçã o de sentença. Já para o Reclamante, arbitro em 5%, que devem ser calculados
sobre o valor relativo ao pedido constante na petiçã o inicial, que foi julgado improcedente.
O valor arbitrado à presente da condenaçã o é de R$ 20.000,00 (vinte mil reais), e as custas
sã o fixadas em R$ 400,00 (quatrocentos reais), nos termos do art. 789 da CLT, a cargo da
Reclamada. Uberlâ ndia, 5 de abril de 2021. Juiz do Trabalho

Nesse caso a presente decisã o nã o merece prosperar, motivo pela qual a sentença
deve ser reformada, conforme os fundamentos a seguir expostos:

DO DIREITO
LIMBO JURÍDICO PREVIDENCIÁ RIO
O reclamante foi quem nã o quis retornar ao trabalho, tendo apresentado
declaraçã o neste sentido, o que descaracteriza o limbo jurídico previdenciá rio.
Requer reforma da sentença no que tange aos salários, uma vez que
inexistente o limbo jurídico previdenciário, na medida em que o Reclamante
se recusou a trabalhar após a alta previdenciária.

RESTABELECIMENTO DO PLANO DE SAÚ DE


A suspensã o do plano de saú de foi legal, visto que o reclamante nã o arcou com a
sua cota parte, mesmo depois de notificado para tal fim.

PAGAMENTO DO ADICIONAL DE PERICULOSIDADE


A funçã o de vigia nã o se enquadra nos ditames do inciso II do art. 193 da CLT, isto
é, é distinta de vigilante, nã o estando ele em risco.
Requer a reforma da sentença no que diz respeito ao adicional de
periculosidade, eis que exercia as funções de porteiro/vigia, não tendo a
missão de resguardar o patrimônio da Reclamada. Assim, nã o se encaixa nos
ditames do inciso II do art. 193 da CLT.

HONORÁ RIOS ADVOCATÍCIOS


a) Há inexistência de sucumbência;
b) ainda que algum pedido seja julgado procedente, a previsã o contida no art. 791-
A da CLT (introduzido pela Lei nº 13.467/17) é objeto de Açã o Direta de
Inconstitucionalidade (ADI nº 5766), ou seja, a previsã o de pagamento de
honorá rios advocatícios inserida pela Reforma Trabalhista padece de vício
constitucional, razã o pela qual o dispositivo legal em comento nã o deve ser
aplicado ao caso concreto;
c) nos termos da Lei nº 5.584/70, os honorá rios somente seriam devidos em caso
de o advogado do trabalhador ser do sindicato da categoria ou ter sido por ele
habilitado, o que nã o ocorre.
Requer reforma da sentença no tocante aos honorários advocatícios, em
razão de estar desempregado e de a previsão do art. 791-A da CLT ser
inconstitucional.

DOS PEDIDOS
Ante o exposto, requer:
1. Requer reforma da sentença no que tange aos salá rios, uma vez que inexistente
o limbo jurídico previdenciá rio, na medida em que o Reclamante se recusou a
trabalhar apó s a alta previdenciá ria.
2. Requer a reforma da sentença no que diz respeito ao adicional de
periculosidade, eis que exercia as funçõ es de porteiro/vigia, nã o tendo a missã o de
resguardar o patrimô nio da Reclamada. Assim, nã o se encaixa nos ditames do
inciso II do art. 193 da CLT.
3. Requer reforma da sentença no tocante aos honorá rios advocatícios, em razã o
de estar desempregado e de a previsã o do art. 791-A da CLT ser inconstitucional.

Termos em que, Pede o deferimento.


Uberlâ ndia, 6 de abril de 2021.
Advogado - OAB/MG

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